º 3 Simpósio de Tromboembolismo Progressos na Profilaxia e Terapêutica do Tromboembolismo Museu do Oriente - LISBOA 11 JAN 2013 Organização Comissão de Vigilância e Profilaxia do Tromboembolismo Venoso do C.H.L.O. www.factorchave.pt/3SimposioTEV Programa 11 Sexta-Feira Janeiro 2013 09:00 Sessão de Abertura Sistema Informático de Alerta da Profilaxia do T.E.V. no C.H.L.O. Carlos Neves, Maria João Pais 09h30 Progressos na Profilaxia e Terapêutica do Tromboembolismo: Moderadores: Ana França, Cândida Fonseca MANHÃ Estudo A.R.T.E. – Avaliação preliminar Ana França 11 14:15 TARDE 15:00 Sexta-Feira Sessão de Posters Júris: Belarmino Clemente, Manuela Soares, Teresa Gago 14:30 ‘Bridging’ da anticoagulação oral no peri-operatório Moderador: Mesquita Lima Janeiro 2013 Palestrante: Francisco Silva Cancro e Tromboembolismo Trombose Venosa Profunda e Embolia Pulmonar Manuel Monreal Moderadores: Ana Martins, Carlos Neves Novos anticoagulantes orais: aspetos práticos na clinica diária Rupert Bauersachs Palestrante: Rupert Bauersachs Fibrilhação Auricular Carolina Paulino 15:30 11:00 Café 11:15 Complicações tardias do Tromboembolismo: Trombose venosa e doença arterial Moderador: Alice Sousa Palestrante: Manuel Monreal 12:30 16:15 Recidiva/ Recorrência João Pacheco Pereira Abordagem clinico-laboratorial do doente médico com tromboembolismo venoso e trombofilia Síndroma pós-trombótico Orlanda Castelbranco Moderadores: Teresa Gago, Manuela Soares Hipertensão pulmonar Maria José Loureiro Palestrante: Isabel Gaspar Moderadores: Duarte Medeiros, Francisco Silva Profilaxia do Tromboembolismo Venoso em doentes particulares 16:45 Sessão de Encerramento Entrega de Prémios - Posters Moderadores: Leopoldo Matos, Hélder Monteiro Gastroenterologia Tiago Bana Urologia Artur Canhoto 13:00 Almoço 17:00 Café Programa 11 Sexta-Feira Janeiro 2013 09:00 Sessão de Abertura Sistema Informático de Alerta da Profilaxia do T.E.V. no C.H.L.O. Carlos Neves, Maria João Pais 09h30 Progressos na Profilaxia e Terapêutica do Tromboembolismo: Moderadores: Ana França, Cândida Fonseca MANHÃ Estudo A.R.T.E. – Avaliação preliminar Ana França 11 14:15 TARDE 15:00 Sexta-Feira Sessão de Posters Júris: Belarmino Clemente, Manuela Soares, Teresa Gago 14:30 ‘Bridging’ da anticoagulação oral no peri-operatório Moderador: Mesquita Lima Janeiro 2013 Palestrante: Francisco Silva Cancro e Tromboembolismo Trombose Venosa Profunda e Embolia Pulmonar Manuel Monreal Moderadores: Ana Martins, Carlos Neves Novos anticoagulantes orais: aspetos práticos na clinica diária Rupert Bauersachs Palestrante: Rupert Bauersachs Fibrilhação Auricular Carolina Paulino 15:30 11:00 Café 11:15 Complicações tardias do Tromboembolismo: Trombose venosa e doença arterial Moderador: Alice Sousa Palestrante: Manuel Monreal 12:30 16:15 Recidiva/ Recorrência João Pacheco Pereira Abordagem clinico-laboratorial do doente médico com tromboembolismo venoso e trombofilia Síndroma pós-trombótico Orlanda Castelbranco Moderadores: Teresa Gago, Manuela Soares Hipertensão pulmonar Maria José Loureiro Palestrante: Isabel Gaspar Moderadores: Duarte Medeiros, Francisco Silva Profilaxia do Tromboembolismo Venoso em doentes particulares 16:45 Sessão de Encerramento Entrega de Prémios - Posters Moderadores: Leopoldo Matos, Hélder Monteiro Gastroenterologia Tiago Bana Urologia Artur Canhoto 13:00 Almoço 17:00 Café Resumo de Posters PO01 Fenómenos tromboembólicos e hemorrágicos em doentes submetidos a artroplastia total do joelho PO01 Fenómenos tromboembólicos e hemorrágicos em doentes submetidos a artroplastia total do joelho PO02 Comparação de recomendações para profilaxia do tromboembolismo venoso em doentes médicos Sergio Figueiredo (1); António Sá (1) (1) Serviço de Ortopedia 2, CHLP, Leiria PO03 Tromboembolismo pulmonar de repetição e filtro da veia cava inferior – Quando a anticoagulação não basta Introdução: O envelhecimento da sociedade ocidental resulta num incremento da patologia osteoarticular, com particular preferência pelas articulações da coxa e joelho, que justifica o crescente número de artroplastias totais do joelho. Nos dois primeiros anos de registo, o Centro Hospitalar Leiria e Pombal (CHLP)foi responsável por 677 intervenções do tipo em 4456 nacionais, afirmando-se como principal executante da técnica a nível nacional [1]. Desde 2010 que o Serviço de Ortopedia 2 do CHLP aplica tromboprofilaxia em concordância com as linhas de orientação do American College of Chest Physicians (ACCP) e do National Institute for Health and Clinical Excellence (NICE) [2-3]. O estudo presente pretende avaliar as complicações tromboembólicas, hemorrágicas e associadas, no contexto de artroplastia total do joelho. Materiais e Métodos: Estudo retrospectivo e longitudinal, com assumpção de um poder de análise à priori de 0,05 para erro tipo I (a) e um poder estatístico de 0,8 (1-b). Universo populacional de 563 indivíduos, com gonartrose de grau 3 ou superior (segundo classificação radiológica de Ahlback), submetidos a artroplastia total do joelho, primária e cimentada, entre 1 de Janeiro de 2010 e 30 de Junho de 2012, executada por nove ortopedistas do Serviço de Ortopedia 2, do Centro Hospitalar Leiria e Pombal, Leiria, Portugal. Colheita e tratamento estatístico multivariável de dados relativos à idade, sexo, tempo de internamento, complicações até 30 dias após a intervenção (manifestações tromboembólicas, manifestações hemorrágicas, enfarte agudo do miocárdio, manifestações infecciosas potencialmente associadas a hematoma, morte). Resultados: A idade média à data da cirurgia foi de 70,7±6,9 anos, com 452 doentes com idade igual ou superior a 65 anos (80,3%). Observou-se predomínio do sexo feminino, com 386 (68,6%) doentes operadas. A média do tempo de internamento desceu de 5,15±2,23 dias, entre 1 de Janeiro de 2010 e 30 de Junho de 2010, para 4,07±0,32 dias entre 1 de Janeiro de 2012 e 30 de Junho de 2012. A mediana manteve o valor constante de 4 dias para o periodo em estudo. Todos os doentes estiveram submetidos a tromboprofilaxia com enoxaparina injectável subcutânea, numa dose de 0,5mg/Kg/dia, durante o tempo de internamento e continuando por 12 dias após a data de alta. O número de doentes com complicações até 30 dias após a intervenção foi de 11 (2,0%), com 5 (0,9%) infecções da ferida cirúrgica, 3 (0,5%) fenómenos hemorrágicos (1 acidente vascular cerebral hemorrágico, 1 anemia hemorrágica, 1 hemorragia activa da ferida cirúrgica), 2 (0,4%) fenómenos tromboembólicos (1 acidente isquémico transitório, 1 trombose venosa profunda), 1 (0,2%) enfarte agudo do miocárdio. Verificou-se 1 (0,2%) morte (consequente do acidente vascular cerebral hemorrágico referido). Não se verificou relação estatísticamente significativa entre complicações até 30 dias após a intervenção e o número de dias de internamento (p=0,542), sexo (p=0,109) e idade dos doentes (p=0,213). Conclusões: Os PO04 Um caso de tromboembolismo pulmonar clássico PO05 Tromboprofilaxia no puerpério – Auditoria de um Hospital em Londres PO06 Tromboembolismo pulmonar como primeira manifestação de carcinoma do ovário PO07 Tromboembolismo pulmonar submaciço após cirurgia de stripping das veias safenas. Um relato de caso PO08 Dabigatrano e alguns parâmetros da coagulação: dos ensaios clínicos a outra realidade, a propósito de 1 caso clínico PO09 Dabigatrano - um novo anticoagulante oral, inibidor direto da trombina; um caso clínico com complicações hemorrágicas Resumo de Posters PO01 Fenómenos tromboembólicos e hemorrágicos em doentes submetidos a artroplastia total do joelho PO01 Fenómenos tromboembólicos e hemorrágicos em doentes submetidos a artroplastia total do joelho PO02 Comparação de recomendações para profilaxia do tromboembolismo venoso em doentes médicos Sergio Figueiredo (1); António Sá (1) (1) Serviço de Ortopedia 2, CHLP, Leiria PO03 Tromboembolismo pulmonar de repetição e filtro da veia cava inferior – Quando a anticoagulação não basta Introdução: O envelhecimento da sociedade ocidental resulta num incremento da patologia osteoarticular, com particular preferência pelas articulações da coxa e joelho, que justifica o crescente número de artroplastias totais do joelho. Nos dois primeiros anos de registo, o Centro Hospitalar Leiria e Pombal (CHLP)foi responsável por 677 intervenções do tipo em 4456 nacionais, afirmando-se como principal executante da técnica a nível nacional [1]. Desde 2010 que o Serviço de Ortopedia 2 do CHLP aplica tromboprofilaxia em concordância com as linhas de orientação do American College of Chest Physicians (ACCP) e do National Institute for Health and Clinical Excellence (NICE) [2-3]. O estudo presente pretende avaliar as complicações tromboembólicas, hemorrágicas e associadas, no contexto de artroplastia total do joelho. Materiais e Métodos: Estudo retrospectivo e longitudinal, com assumpção de um poder de análise à priori de 0,05 para erro tipo I (a) e um poder estatístico de 0,8 (1-b). Universo populacional de 563 indivíduos, com gonartrose de grau 3 ou superior (segundo classificação radiológica de Ahlback), submetidos a artroplastia total do joelho, primária e cimentada, entre 1 de Janeiro de 2010 e 30 de Junho de 2012, executada por nove ortopedistas do Serviço de Ortopedia 2, do Centro Hospitalar Leiria e Pombal, Leiria, Portugal. Colheita e tratamento estatístico multivariável de dados relativos à idade, sexo, tempo de internamento, complicações até 30 dias após a intervenção (manifestações tromboembólicas, manifestações hemorrágicas, enfarte agudo do miocárdio, manifestações infecciosas potencialmente associadas a hematoma, morte). Resultados: A idade média à data da cirurgia foi de 70,7±6,9 anos, com 452 doentes com idade igual ou superior a 65 anos (80,3%). Observou-se predomínio do sexo feminino, com 386 (68,6%) doentes operadas. A média do tempo de internamento desceu de 5,15±2,23 dias, entre 1 de Janeiro de 2010 e 30 de Junho de 2010, para 4,07±0,32 dias entre 1 de Janeiro de 2012 e 30 de Junho de 2012. A mediana manteve o valor constante de 4 dias para o periodo em estudo. Todos os doentes estiveram submetidos a tromboprofilaxia com enoxaparina injectável subcutânea, numa dose de 0,5mg/Kg/dia, durante o tempo de internamento e continuando por 12 dias após a data de alta. O número de doentes com complicações até 30 dias após a intervenção foi de 11 (2,0%), com 5 (0,9%) infecções da ferida cirúrgica, 3 (0,5%) fenómenos hemorrágicos (1 acidente vascular cerebral hemorrágico, 1 anemia hemorrágica, 1 hemorragia activa da ferida cirúrgica), 2 (0,4%) fenómenos tromboembólicos (1 acidente isquémico transitório, 1 trombose venosa profunda), 1 (0,2%) enfarte agudo do miocárdio. Verificou-se 1 (0,2%) morte (consequente do acidente vascular cerebral hemorrágico referido). Não se verificou relação estatísticamente significativa entre complicações até 30 dias após a intervenção e o número de dias de internamento (p=0,542), sexo (p=0,109) e idade dos doentes (p=0,213). Conclusões: Os PO04 Um caso de tromboembolismo pulmonar clássico PO05 Tromboprofilaxia no puerpério – Auditoria de um Hospital em Londres PO06 Tromboembolismo pulmonar como primeira manifestação de carcinoma do ovário PO07 Tromboembolismo pulmonar submaciço após cirurgia de stripping das veias safenas. Um relato de caso PO08 Dabigatrano e alguns parâmetros da coagulação: dos ensaios clínicos a outra realidade, a propósito de 1 caso clínico PO09 Dabigatrano - um novo anticoagulante oral, inibidor direto da trombina; um caso clínico com complicações hemorrágicas Resumo de Posters dados obtidos neste estudo estão em consonância com o que se observa na literatura internacional [4,5,7,9]. A redução do tempo de internamento inicial não alterou o número de complicações tromboembólicas, hemorrágicas e associadas. Relat Res 2008; 466(7):1710-1715. indicação para a profilaxia do TEV em doentes admitidos na especialidade de Medicina Interna e com idade superior a 18 anos. Foram comparadas a 8ª e 9ª edições das Prevention of Venous Thromboembolism: ACCP Evidence-Based Practice Guidelines. Foram excluídos os doentes sob anticoagulação terapêutica ou com contra-indicação para anticoagulação, e os doentes hospitalizados por um período inferior a 48 horas. Resultados: Durante o período de estudo foram admitidos 245 doentes médicos, tendo sido excluídos 165 desta análise. Entre os 80 doentes analisados, 53 apresentavam indicação para a profilaxia do TEV de acordo com a 8ª edição, e 35 de acordo com a 9ª edição das recomendações do ACCP.Para os doentes com indicação na 8ª edição, 54,7% não tinham indicação na 9ª, enquanto que 31,4% com indicação na 9ª edição não tinham indicação para profilaxia na 8ª edição das recomendações do ACCP. Existe, portanto, uma clara discordância entre estas duas edições das recomendações para a profilaxia da TEV do ACCP (Pearson chi-square p = 0.699). A prática clínica no Hospital da Luz foi bastante concordante com ambas as edições das recomendações. A taxa de concordância com a 8ª edição foi de 65% (Pearson chi-square p = 0.002), enquanto que a taxa de concordância com a 9ª edição foi de 67.5% (Pearson chi-square p = 0.002). Conclusões: Os nossos resultados demonstram uma grande discrepância entre as duas edições mais recentes das recomendações para a profilaxia do TEV do ACCP. Ainda assim, a prática clínica no Hospital da Luz satisfez significativamente ambas as recomendações. Deverá ser realizada uma análise mais profunda das discrepâncias entre estas duas recomendações, de forma a poder avaliar as suas implicações práticas. PO02 Comparação de recomendações para profilaxia do tromboembolismo venoso em doentes médicos PO03 Tromboembolismo pulmonar de repetição e filtro da veia cava inferior – Quando a anticoagulação não basta Laura Fernandes (1); Maria José Rei (1); Andreia Margarida Duarte (1); Cláudia Santos (1); Fernando Fernandez-Llimos (2) (1) Hospital da Luz (2) Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa Patrícia Moniz (1); Arturo Botella (1); Ricardo Ferreira (1); Daniel Romeira (1); Ana Leitão (1); Cândida Fonseca (1); Fátima Ceia (1) (1) Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental - Hospital São Francisco Xavier Introdução: O tromboembolismo venoso (TEV) compreende a trombose venosa profunda e a embolia pulmonar (EP), sendo esta última considerada a causa mais comum de morte prevenível em doentes hospitalizados. Apesar do TEV ser muito frequentemente associado a doentes cirúrgicos ou politraumatizados, 50-70% dos eventos tromboembólicos sintomáticos e 70-80% das EPs fatais ocorrem em doentes não cirúrgicos. Objectivos: Identificar a indicação para a profilaxia do TEV numa coorte de doentes médicos, utilizando as duas edições mais recentes das recomendações para a profilaxia do tromboembolismo venoso do American College of Chest Physicians (ACCP). Material e Métodos: Foi realizado um estudo retrospectivo de 2 meses de modo a avaliar a Introdução: A síndrome antifosfolipídica (SA) pode manifestar-se como doença primária ou secundária a outras doenças autoimunes, nomeadamente o lupus eritematoso sistémico (LES). Caracteriza-se com eventos trombóticos venosos e arteriais, sendo um factor de risco importante para a incidência da trombose venosa profunda (TVP) e tromboembolismo pulmonar (TEP). A anticoagulação oral (ACO) com varfarina é o tratamento crónico de eleição. Caso Clínico: Mulher de 46 anos com história de TEP´s (2 episódios) e varias TVP´s de repetição, SA, LES e acidente vascular cerebral isquémico cerebeloso e do hemisfério esquerdo há 2 anos, sem sequelas. Sob ACO com varfarina e INR alvo 3-4 até há 7 dias, altura em que suspendeu ACO em contexto de extração dentária. No entanto, iniciou desde então enoxaparina em dose terapêutica. Recorre ao Serviço de Urgência por toracalgia Referências Bibliográficas: [1] Ribeiro JC, Dias CC, Tapadinhas M. 2º Relatório anual 2010-2011 – registo português de artroplastia. Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia 2011. [2] Geerts WH, Bergqvist D, Pineo GF, et al. Prevention of venous thromboembolism. American College of Chest Physicians evidence-based clinical practice guidelines (8th edition). Chest 2008;133:381S-453S. [3] National Institute of Clinical Excellence. Venous thromboembolism – reducing the risk NICE clinical guidelines (January 2010). Em: www.nice.org.uk/nicemedia/pdf/CG92NICEGuidance.pdf. [4] Cram P, Cai X, Lu X, Vaughan-Sarrazin MS, Miller BJ. Total knee arthroplasty outcomes in top-ranked and non-top-ranked orthopedic hospitals: an analysis of Medicare administrative data. Mayo Clin Proc 2012; 87(4):341-348. [5] Howie C, Hughes H, Watts AC, Scottish Arthroplasty Project. Venous thromboembolism associated with hip and knee replacement over a ten year period, a population-based study. J Bone Joint Surg Br 2005; 87:1657-1680. [6] Della Valle CJ, Steiger DJ, Di Cesare PE. Thromboembolism after hip and knee arthoplasty: diagnosis and treatment. J Am Acad Orthop Surg 1998; 6:327-336 [7] White RH, Romano PS, Zhou H, Rodrigo J, Bargar W. Incidence and time course of thromboembolic outcomes following total hip and knee arthroplasty. Arch Intern Med 1998; 158:1525-1531 [8] Januel JM, Chen G, Ruffieux C et al. Symptomatic in-hospital deep vein thrombosis and pulmonary embolism following hip and knee arthroplasty among patients receiving recommended prophylaxys: a systematic review. JAMA 2012;307(3): 294-303. [9] Pulido L, Ghanem E, Joshi A, Purtill JJ, Parvizi J. Periprosthetic joint infection: the incidence, timing and predisposing factors. Clin Orthop Resumo de Posters dados obtidos neste estudo estão em consonância com o que se observa na literatura internacional [4,5,7,9]. A redução do tempo de internamento inicial não alterou o número de complicações tromboembólicas, hemorrágicas e associadas. Relat Res 2008; 466(7):1710-1715. indicação para a profilaxia do TEV em doentes admitidos na especialidade de Medicina Interna e com idade superior a 18 anos. Foram comparadas a 8ª e 9ª edições das Prevention of Venous Thromboembolism: ACCP Evidence-Based Practice Guidelines. Foram excluídos os doentes sob anticoagulação terapêutica ou com contra-indicação para anticoagulação, e os doentes hospitalizados por um período inferior a 48 horas. Resultados: Durante o período de estudo foram admitidos 245 doentes médicos, tendo sido excluídos 165 desta análise. Entre os 80 doentes analisados, 53 apresentavam indicação para a profilaxia do TEV de acordo com a 8ª edição, e 35 de acordo com a 9ª edição das recomendações do ACCP.Para os doentes com indicação na 8ª edição, 54,7% não tinham indicação na 9ª, enquanto que 31,4% com indicação na 9ª edição não tinham indicação para profilaxia na 8ª edição das recomendações do ACCP. Existe, portanto, uma clara discordância entre estas duas edições das recomendações para a profilaxia da TEV do ACCP (Pearson chi-square p = 0.699). A prática clínica no Hospital da Luz foi bastante concordante com ambas as edições das recomendações. A taxa de concordância com a 8ª edição foi de 65% (Pearson chi-square p = 0.002), enquanto que a taxa de concordância com a 9ª edição foi de 67.5% (Pearson chi-square p = 0.002). Conclusões: Os nossos resultados demonstram uma grande discrepância entre as duas edições mais recentes das recomendações para a profilaxia do TEV do ACCP. Ainda assim, a prática clínica no Hospital da Luz satisfez significativamente ambas as recomendações. Deverá ser realizada uma análise mais profunda das discrepâncias entre estas duas recomendações, de forma a poder avaliar as suas implicações práticas. PO02 Comparação de recomendações para profilaxia do tromboembolismo venoso em doentes médicos PO03 Tromboembolismo pulmonar de repetição e filtro da veia cava inferior – Quando a anticoagulação não basta Laura Fernandes (1); Maria José Rei (1); Andreia Margarida Duarte (1); Cláudia Santos (1); Fernando Fernandez-Llimos (2) (1) Hospital da Luz (2) Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa Patrícia Moniz (1); Arturo Botella (1); Ricardo Ferreira (1); Daniel Romeira (1); Ana Leitão (1); Cândida Fonseca (1); Fátima Ceia (1) (1) Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental - Hospital São Francisco Xavier Introdução: O tromboembolismo venoso (TEV) compreende a trombose venosa profunda e a embolia pulmonar (EP), sendo esta última considerada a causa mais comum de morte prevenível em doentes hospitalizados. Apesar do TEV ser muito frequentemente associado a doentes cirúrgicos ou politraumatizados, 50-70% dos eventos tromboembólicos sintomáticos e 70-80% das EPs fatais ocorrem em doentes não cirúrgicos. Objectivos: Identificar a indicação para a profilaxia do TEV numa coorte de doentes médicos, utilizando as duas edições mais recentes das recomendações para a profilaxia do tromboembolismo venoso do American College of Chest Physicians (ACCP). Material e Métodos: Foi realizado um estudo retrospectivo de 2 meses de modo a avaliar a Introdução: A síndrome antifosfolipídica (SA) pode manifestar-se como doença primária ou secundária a outras doenças autoimunes, nomeadamente o lupus eritematoso sistémico (LES). Caracteriza-se com eventos trombóticos venosos e arteriais, sendo um factor de risco importante para a incidência da trombose venosa profunda (TVP) e tromboembolismo pulmonar (TEP). A anticoagulação oral (ACO) com varfarina é o tratamento crónico de eleição. Caso Clínico: Mulher de 46 anos com história de TEP´s (2 episódios) e varias TVP´s de repetição, SA, LES e acidente vascular cerebral isquémico cerebeloso e do hemisfério esquerdo há 2 anos, sem sequelas. Sob ACO com varfarina e INR alvo 3-4 até há 7 dias, altura em que suspendeu ACO em contexto de extração dentária. No entanto, iniciou desde então enoxaparina em dose terapêutica. Recorre ao Serviço de Urgência por toracalgia Referências Bibliográficas: [1] Ribeiro JC, Dias CC, Tapadinhas M. 2º Relatório anual 2010-2011 – registo português de artroplastia. Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia 2011. [2] Geerts WH, Bergqvist D, Pineo GF, et al. Prevention of venous thromboembolism. American College of Chest Physicians evidence-based clinical practice guidelines (8th edition). Chest 2008;133:381S-453S. [3] National Institute of Clinical Excellence. Venous thromboembolism – reducing the risk NICE clinical guidelines (January 2010). Em: www.nice.org.uk/nicemedia/pdf/CG92NICEGuidance.pdf. [4] Cram P, Cai X, Lu X, Vaughan-Sarrazin MS, Miller BJ. Total knee arthroplasty outcomes in top-ranked and non-top-ranked orthopedic hospitals: an analysis of Medicare administrative data. Mayo Clin Proc 2012; 87(4):341-348. [5] Howie C, Hughes H, Watts AC, Scottish Arthroplasty Project. Venous thromboembolism associated with hip and knee replacement over a ten year period, a population-based study. J Bone Joint Surg Br 2005; 87:1657-1680. [6] Della Valle CJ, Steiger DJ, Di Cesare PE. Thromboembolism after hip and knee arthoplasty: diagnosis and treatment. J Am Acad Orthop Surg 1998; 6:327-336 [7] White RH, Romano PS, Zhou H, Rodrigo J, Bargar W. Incidence and time course of thromboembolic outcomes following total hip and knee arthroplasty. Arch Intern Med 1998; 158:1525-1531 [8] Januel JM, Chen G, Ruffieux C et al. Symptomatic in-hospital deep vein thrombosis and pulmonary embolism following hip and knee arthroplasty among patients receiving recommended prophylaxys: a systematic review. JAMA 2012;307(3): 294-303. [9] Pulido L, Ghanem E, Joshi A, Purtill JJ, Parvizi J. Periprosthetic joint infection: the incidence, timing and predisposing factors. Clin Orthop Resumo de Posters esquerda seguida de dispneia súbita e cansaço fácil para pequenos esforços de 4 dias de evolução. A Angio-TC revelou TEP bilateral agudo e enfarte pulmonar no lobo inferior esquerdo. O Ecocardiograma transtorácico objectivou dilatação das cavidades direitas e hipertensão pulmonar (pressão sistólica na artéria pulmonar 58mmHg). O Eco-doppler venoso dos membros inferiores sem alterações sugestivas de TVP. Por TEP´s de repetição, mesmo sob anticoagulação, foi submetida a colocação de filtro na veia cava inferior (VCI), tendo alta anticoagulada com varfarina e INR= 2,2. Conclusão: Trata-se de uma doente com eventos tromboembólicos de repetição em contexto de SA, sob terapêutica anticoagulante optimizada. Em casos de falha da terapêutica médica convencional, pode considerar-se como terapêutica adjuvante a colocação de filtro na VCI, técnica simples, com escassa morbilidade associada, reversível, e que diminui de forma significativa o risco de TEP e as suas graves complicações. derivações direitas, nomeadamente bloqueio de ramo direito de novo ou reversível e o padrão relativamente raro mas específico S1Q3T3. Este padrão (onda S em DI, onda Q e inversão da onda T em Dlll), descrito como clássico no TEP ocorre em menos de 12% dos casos, predominando nos de maior gravidade associados a disfunção ventricular direita com sobrecarga, como é ilustrativo neste doente. Palavra Chave: Tromboembolismo pulmonar. PO05 Tromboprofilaxia no puerpério – Auditoria de um Hospital em Londres Inês Reis (1); Oier Ateka-Barrutia (2); Catherine Nelson-Piercy (2) (1) HSFX-Lisboa (2) Women’s Health Department - Guy’s & St Thomas’ Foundation Trust PO04 Um caso de tromboembolismo pulmonar clássico Hermana Carneiro (1); Sofia Narciso (1); Fátima Duarte (1); Carlos Chagas (1); Glória Silva (1); Pedro Amorim (1); Pereira Albino (1); Júlio Calaça (1); Palma dos Reis (2) (1) Hospital Pulido Valente (2) Hospital Pulido Valente Introdução: A trombose venosa profunda (TVP) tem como complicação principal o tromboembolismo pulmonar (TEP). A apresentação clinica deste caso de forma linear, ajuda-nos a rever os critérios fisiopatológicos e diagnósticos desta entidade nosológica cada vez mais frequente nas enfermarias de Medicina. Objectivos: Pretende-se divulgar um caso clínico de TEP em que se documentou a presença de TVP bilateral e alterações gasimétricas e electrocardiográficas caracteristicas desta patologia. Material e Métodos: Homem, 78 anos, ex-fumador, hipertenso, com dislipidémia e em pós cirúrgico recente (implantação de endoprótese em aneurisma aorto bi-ilíaco) recorre ao Serviço de Urgência por queixas de dispneia intensa de início súbito. Apresentava acidose com hipocápnia e hipoxémia marcadas, D-dímeros elevados, padrão S1Q3T3, acentuação vascular para-hilar direita e alargamento do cone da pulmonar e Ecocardiograma com dilatação ventricular direita. Confirmou-se o diagnóstico de TEP bilateral por Angio-Tomografia Computorizada Torácica. A TVP bilateral dos membros inferiores foi documentada por Eco-Doppler venoso. Através de um diagnóstico célere foi possível iniciar a anticoagulação de forma precoce permitindo a sobrevivência do doente. Resultado e Conclusões: A existência do padrão electrocardiográfico raro S1Q3T3, torna o caso ainda mais interessante alertando para a necessidade de valorizar o electrocardiograma (ECG) no diagnóstico de TEP. O ECG não é um exame sensível ou específico no diagnóstico de TEP. No entanto, a sua utilidade diagnóstica aumenta quando se registam alterações dinâmicas das Introdução: Os tromboembolismos venosos (TV) são uma causa major de mortalidade materna (0,5-2 por cem mil partos). No Reino-Unido esta problemática tem merecido particular enfoque, sendo considerada um padrão de qualidade dos cuidados de saúde. Preconizam a avaliação formal e documentada do risco tromboembolico não só ao longo da gravidez como em particular no pós-parto imediato. As normas de orientação internacionais recomendam tromboprofilaxia com heparina de baixo peso molecular (HBPM) durante uma semana pós-parto a mulheres com partos vaginais e mais de um factor de risco ou cesarianas e qualquer factor de risco tromboembolico. Objectivos: Comparar a precisão da estratificação de risco no pós parto, prescrição de HBPM e o conhecimento das puérperas acerca da mesma medicação, antes e depois de sessões de formação aos profissionais. Métodos: Estudo prospetivo de 200 processos clínicos de puérperas, 100 antes e 100 depois das sessões de formação. Os resultados foram comparados usando o teste do Χ-quadrado. Resultados: Total #Profilaxia Adequada #Profilaxia Inadequada Estratificação Antes 66 62 4 risco de TV adequada Depois 82 75 7 Sem estratificação Antes 23 22 1 de risco de TV Depois 7 5 2 Risco de TV Antes 3 2 1 sobrestimado Depois 4 4 0 Risco de TV Antes 8 4 4 substimado Depois 7 4 3 TOTAL Antes 100 90 10 Depois 100 88 12 Houve uma melhoria significativa quer a nível da proporção de puérperas com avaliação e registo do risco de TV (77% para 93%; p<0.01) quer na precisão do mesmo (66% para 82%; p<0.01) entre as duas fases da auditoria. Factores como a idade materna, o índice de massa corporal e a paridade foram os mais frequentemente subvalorizados. Não houve variação significativa na proporção de doentes com profilaxia adequadamente prescrita (90% para 88%). As puérperas com partos eutócitos foram mais vezes inadequadamente avaliadas e medicadas. Conclusões: Os níveis relativamente altos (34%) de inadequada estratificação de risco de TV foram reduzidos (para 18%) com sessões de formação multidisciplinares aos profissionais de saúde. Resumo de Posters esquerda seguida de dispneia súbita e cansaço fácil para pequenos esforços de 4 dias de evolução. A Angio-TC revelou TEP bilateral agudo e enfarte pulmonar no lobo inferior esquerdo. O Ecocardiograma transtorácico objectivou dilatação das cavidades direitas e hipertensão pulmonar (pressão sistólica na artéria pulmonar 58mmHg). O Eco-doppler venoso dos membros inferiores sem alterações sugestivas de TVP. Por TEP´s de repetição, mesmo sob anticoagulação, foi submetida a colocação de filtro na veia cava inferior (VCI), tendo alta anticoagulada com varfarina e INR= 2,2. Conclusão: Trata-se de uma doente com eventos tromboembólicos de repetição em contexto de SA, sob terapêutica anticoagulante optimizada. Em casos de falha da terapêutica médica convencional, pode considerar-se como terapêutica adjuvante a colocação de filtro na VCI, técnica simples, com escassa morbilidade associada, reversível, e que diminui de forma significativa o risco de TEP e as suas graves complicações. derivações direitas, nomeadamente bloqueio de ramo direito de novo ou reversível e o padrão relativamente raro mas específico S1Q3T3. Este padrão (onda S em DI, onda Q e inversão da onda T em Dlll), descrito como clássico no TEP ocorre em menos de 12% dos casos, predominando nos de maior gravidade associados a disfunção ventricular direita com sobrecarga, como é ilustrativo neste doente. Palavra Chave: Tromboembolismo pulmonar. PO05 Tromboprofilaxia no puerpério – Auditoria de um Hospital em Londres Inês Reis (1); Oier Ateka-Barrutia (2); Catherine Nelson-Piercy (2) (1) HSFX-Lisboa (2) Women’s Health Department - Guy’s & St Thomas’ Foundation Trust PO04 Um caso de tromboembolismo pulmonar clássico Hermana Carneiro (1); Sofia Narciso (1); Fátima Duarte (1); Carlos Chagas (1); Glória Silva (1); Pedro Amorim (1); Pereira Albino (1); Júlio Calaça (1); Palma dos Reis (2) (1) Hospital Pulido Valente (2) Hospital Pulido Valente Introdução: A trombose venosa profunda (TVP) tem como complicação principal o tromboembolismo pulmonar (TEP). A apresentação clinica deste caso de forma linear, ajuda-nos a rever os critérios fisiopatológicos e diagnósticos desta entidade nosológica cada vez mais frequente nas enfermarias de Medicina. Objectivos: Pretende-se divulgar um caso clínico de TEP em que se documentou a presença de TVP bilateral e alterações gasimétricas e electrocardiográficas caracteristicas desta patologia. Material e Métodos: Homem, 78 anos, ex-fumador, hipertenso, com dislipidémia e em pós cirúrgico recente (implantação de endoprótese em aneurisma aorto bi-ilíaco) recorre ao Serviço de Urgência por queixas de dispneia intensa de início súbito. Apresentava acidose com hipocápnia e hipoxémia marcadas, D-dímeros elevados, padrão S1Q3T3, acentuação vascular para-hilar direita e alargamento do cone da pulmonar e Ecocardiograma com dilatação ventricular direita. Confirmou-se o diagnóstico de TEP bilateral por Angio-Tomografia Computorizada Torácica. A TVP bilateral dos membros inferiores foi documentada por Eco-Doppler venoso. Através de um diagnóstico célere foi possível iniciar a anticoagulação de forma precoce permitindo a sobrevivência do doente. Resultado e Conclusões: A existência do padrão electrocardiográfico raro S1Q3T3, torna o caso ainda mais interessante alertando para a necessidade de valorizar o electrocardiograma (ECG) no diagnóstico de TEP. O ECG não é um exame sensível ou específico no diagnóstico de TEP. No entanto, a sua utilidade diagnóstica aumenta quando se registam alterações dinâmicas das Introdução: Os tromboembolismos venosos (TV) são uma causa major de mortalidade materna (0,5-2 por cem mil partos). No Reino-Unido esta problemática tem merecido particular enfoque, sendo considerada um padrão de qualidade dos cuidados de saúde. Preconizam a avaliação formal e documentada do risco tromboembolico não só ao longo da gravidez como em particular no pós-parto imediato. As normas de orientação internacionais recomendam tromboprofilaxia com heparina de baixo peso molecular (HBPM) durante uma semana pós-parto a mulheres com partos vaginais e mais de um factor de risco ou cesarianas e qualquer factor de risco tromboembolico. Objectivos: Comparar a precisão da estratificação de risco no pós parto, prescrição de HBPM e o conhecimento das puérperas acerca da mesma medicação, antes e depois de sessões de formação aos profissionais. Métodos: Estudo prospetivo de 200 processos clínicos de puérperas, 100 antes e 100 depois das sessões de formação. Os resultados foram comparados usando o teste do Χ-quadrado. Resultados: Total #Profilaxia Adequada #Profilaxia Inadequada Estratificação Antes 66 62 4 risco de TV adequada Depois 82 75 7 Sem estratificação Antes 23 22 1 de risco de TV Depois 7 5 2 Risco de TV Antes 3 2 1 sobrestimado Depois 4 4 0 Risco de TV Antes 8 4 4 substimado Depois 7 4 3 TOTAL Antes 100 90 10 Depois 100 88 12 Houve uma melhoria significativa quer a nível da proporção de puérperas com avaliação e registo do risco de TV (77% para 93%; p<0.01) quer na precisão do mesmo (66% para 82%; p<0.01) entre as duas fases da auditoria. Factores como a idade materna, o índice de massa corporal e a paridade foram os mais frequentemente subvalorizados. Não houve variação significativa na proporção de doentes com profilaxia adequadamente prescrita (90% para 88%). As puérperas com partos eutócitos foram mais vezes inadequadamente avaliadas e medicadas. Conclusões: Os níveis relativamente altos (34%) de inadequada estratificação de risco de TV foram reduzidos (para 18%) com sessões de formação multidisciplinares aos profissionais de saúde. Resumo de Posters PO06 Tromboembolismo pulmonar como primeira manifestação de carcinoma do ovário Teresa Anastácio de Macedo (1); Belarmino Clemente (2); Diogo Costa (2); Diogo Santos (2); Manuel Almeida (2); Carmo Soares (2); António Martinho (2); Humberto Messias (2) (1) CHLO, Hospital de Santa Cruz (2) CHLO-HSC PO07 Tromboembolismo pulmonar submaciço após cirurgia de stripping das veias safenas. Um relato de caso. Sérgio Madeira (1); António Tralhão (1); Maria João Andrade (1); Joana Guardado (1); Miguel Santos (1); Mariana Castro (1); Maria Salomé Carvalho (1); Jorge Ferreira (2); Paulo Simões (1); Miguel Mendes (1) (1) CHLO - Santa Cruz (2) CHLO, Hospital de Santa Cruz Introdução: O tromboembolismo pulmonar e as neoplasias são duas entidades nosológicas distintas bem descritas na literatura, que por vezes têm uma apresentação concomitante. Material e Métodos: Apresenta-se o caso clínico de uma doente de 51 anos com antecedentes de bronquite crónica moderada desde a infância, tabagismo, dislipidémia, urticária crónica, obesidade, HTA, Diabetes mellitus tipo II não insulinotratada, varizes dos MI do território da safena interna. Três semanas antes do internamento iniciou quadro de dor na face posterior da perna esquerda ao assentar o membro no chão. A palpação, identificou nódulo duro e doloroso na união dos 2/3 inferiores com o terço superior da face posterior da perna esquerda. Iniciou aplicação de gelo e pomada de heparinoide locais e AINE por via oral + esomeprazol. Cerca de 3 dias antes do internamento, começou a notar sensação de cansaço para pequenos esforços, acompanhada de cianose labial e, ocasionalmente e dificuldade respiratória. No dia do internamento teve episódio de perda de conhecimento de curta duração pelo que recorreu ao hospital. Foi diagnosticado TEP por Ecocardiograma seguido de angioTAC. Nesta altura foi também diagnosticada infiltração peritoneal difusa compatível com carcinomatose. A investigação subsequente revelou tratar-se de um tumor maligno do ovário direito (Estadio IV). Resultados: Iniciou de imediato terapêutica com heparina. Após estabilização do quadro e depois de estadiado o tumor implantou-se um filtro na veia cava inferior e procedeu-se a histerectomia total com anexectomia bilateral, omentectomia ,citoredução e apendicectomia. O pós-operatório não teve intercorrências com alta ao sexto dia, sob enoxaparina em doses terapêuticas e melhorada da parte respiratória. Conclusões: Esta é uma forma rara de apresentação do tumor do ovário, mas há estudos que indicam haver uma elevada incidência de tromboembolismo venoso silencioso antes de ser iniciado o tratamento do tumor maligno do ovário. Introdução: o tromboembolismo pulmonar (TEP) após tratamento cirúrgico da doença varicosa dos membros inferiores (DVMI) é uma complicação rara mas potencialmente grave. Os autores descrevem um caso de TEP submaciço após cirurgia de stripping bilateral das veias safenas internas. Descrição: mulher de 50 anos, medicada com contraceptivo subcutâneo de etonogestrel, admitida electivamente para safenectomia bilateral por DVMI, que decorreu sem complicações imediatas. Cerca de 24 h após o procedimento iniciou subitamente quadro de dispneia e dor torácica, seguidas de síncope. Clinicamente, apresentava taquipneia, saturação periférica O2 89%, taquicardia (160bpm), pressão arterial inicialmente imensurável e auscultação cardio-pulmonar sem alterações. O electrocardiograma mostrava taquicardia sinusal, infradesnivelamento de segmento ST V2 a V6 e S dominante em I. A radiografia de tórax revelou a presença dos sinais de Westermark e de Palla. A gasimetria arterial demonstrou alcalose respiratória, hipoxemia de 57 mmHg (ref.75-100 mmHg) e elevação dos lactatos 5.8 mmol/L (ref. <2.0 mmol/L). A ecocardiografia transtorácica (ECOTT) revelou dilatação das cavidades direitas com abaulamento para a esquerda do septo interventricular, “D-shape” do ventrículo esquerdo, sinal de McConnell do ventrículo direito (VD) e válvula pulmonar atravessada por estruturas serpentiginosas que se estendiam desde o infundíbulo do VD até ao tronco da artéria pulmonar condicionando um fluxo transpulmonar quase inexistente. O Score de Wells era de 3. Analiticamente salientava-se D-dimeros > 5 µg/ml (ref. <0.3 µg/ml), troponina I de 1.55 µg/L (ref. <0.06) e NT- ProBNP 349pg/ml (ref.<125 pg/ml). A doente foi admitida numa unidade de cuidados intensivos cardíacos e foi iniciada terapêutica com heparina não fraccionada e fluidoterapia, com melhoria hemodinâmica célere e mantida. O ecocardiograma de controlo às 24h horas mostrou resolução completa da disfunção do VD. A Angio-TC torácica pré-alta demonstrou tronco, ramos Resumo de Posters PO06 Tromboembolismo pulmonar como primeira manifestação de carcinoma do ovário Teresa Anastácio de Macedo (1); Belarmino Clemente (2); Diogo Costa (2); Diogo Santos (2); Manuel Almeida (2); Carmo Soares (2); António Martinho (2); Humberto Messias (2) (1) CHLO, Hospital de Santa Cruz (2) CHLO-HSC PO07 Tromboembolismo pulmonar submaciço após cirurgia de stripping das veias safenas. Um relato de caso. Sérgio Madeira (1); António Tralhão (1); Maria João Andrade (1); Joana Guardado (1); Miguel Santos (1); Mariana Castro (1); Maria Salomé Carvalho (1); Jorge Ferreira (2); Paulo Simões (1); Miguel Mendes (1) (1) CHLO - Santa Cruz (2) CHLO, Hospital de Santa Cruz Introdução: O tromboembolismo pulmonar e as neoplasias são duas entidades nosológicas distintas bem descritas na literatura, que por vezes têm uma apresentação concomitante. Material e Métodos: Apresenta-se o caso clínico de uma doente de 51 anos com antecedentes de bronquite crónica moderada desde a infância, tabagismo, dislipidémia, urticária crónica, obesidade, HTA, Diabetes mellitus tipo II não insulinotratada, varizes dos MI do território da safena interna. Três semanas antes do internamento iniciou quadro de dor na face posterior da perna esquerda ao assentar o membro no chão. A palpação, identificou nódulo duro e doloroso na união dos 2/3 inferiores com o terço superior da face posterior da perna esquerda. Iniciou aplicação de gelo e pomada de heparinoide locais e AINE por via oral + esomeprazol. Cerca de 3 dias antes do internamento, começou a notar sensação de cansaço para pequenos esforços, acompanhada de cianose labial e, ocasionalmente e dificuldade respiratória. No dia do internamento teve episódio de perda de conhecimento de curta duração pelo que recorreu ao hospital. Foi diagnosticado TEP por Ecocardiograma seguido de angioTAC. Nesta altura foi também diagnosticada infiltração peritoneal difusa compatível com carcinomatose. A investigação subsequente revelou tratar-se de um tumor maligno do ovário direito (Estadio IV). Resultados: Iniciou de imediato terapêutica com heparina. Após estabilização do quadro e depois de estadiado o tumor implantou-se um filtro na veia cava inferior e procedeu-se a histerectomia total com anexectomia bilateral, omentectomia ,citoredução e apendicectomia. O pós-operatório não teve intercorrências com alta ao sexto dia, sob enoxaparina em doses terapêuticas e melhorada da parte respiratória. Conclusões: Esta é uma forma rara de apresentação do tumor do ovário, mas há estudos que indicam haver uma elevada incidência de tromboembolismo venoso silencioso antes de ser iniciado o tratamento do tumor maligno do ovário. Introdução: o tromboembolismo pulmonar (TEP) após tratamento cirúrgico da doença varicosa dos membros inferiores (DVMI) é uma complicação rara mas potencialmente grave. Os autores descrevem um caso de TEP submaciço após cirurgia de stripping bilateral das veias safenas internas. Descrição: mulher de 50 anos, medicada com contraceptivo subcutâneo de etonogestrel, admitida electivamente para safenectomia bilateral por DVMI, que decorreu sem complicações imediatas. Cerca de 24 h após o procedimento iniciou subitamente quadro de dispneia e dor torácica, seguidas de síncope. Clinicamente, apresentava taquipneia, saturação periférica O2 89%, taquicardia (160bpm), pressão arterial inicialmente imensurável e auscultação cardio-pulmonar sem alterações. O electrocardiograma mostrava taquicardia sinusal, infradesnivelamento de segmento ST V2 a V6 e S dominante em I. A radiografia de tórax revelou a presença dos sinais de Westermark e de Palla. A gasimetria arterial demonstrou alcalose respiratória, hipoxemia de 57 mmHg (ref.75-100 mmHg) e elevação dos lactatos 5.8 mmol/L (ref. <2.0 mmol/L). A ecocardiografia transtorácica (ECOTT) revelou dilatação das cavidades direitas com abaulamento para a esquerda do septo interventricular, “D-shape” do ventrículo esquerdo, sinal de McConnell do ventrículo direito (VD) e válvula pulmonar atravessada por estruturas serpentiginosas que se estendiam desde o infundíbulo do VD até ao tronco da artéria pulmonar condicionando um fluxo transpulmonar quase inexistente. O Score de Wells era de 3. Analiticamente salientava-se D-dimeros > 5 µg/ml (ref. <0.3 µg/ml), troponina I de 1.55 µg/L (ref. <0.06) e NT- ProBNP 349pg/ml (ref.<125 pg/ml). A doente foi admitida numa unidade de cuidados intensivos cardíacos e foi iniciada terapêutica com heparina não fraccionada e fluidoterapia, com melhoria hemodinâmica célere e mantida. O ecocardiograma de controlo às 24h horas mostrou resolução completa da disfunção do VD. A Angio-TC torácica pré-alta demonstrou tronco, ramos Resumo de Posters direito e esquerdo pulmonares patentes, sem defeitos da perfusão pulmonar segmentar e subsegmentar. O restante internamento decorreu sem intercorrências, tendo a doente tido alta ao 14ºdia, hipocoagulada com varfarina. Discussão: o caso descrito ilustra a apresentação típica do TEP submaciço, com o diagnóstico feito à cabeceira do doente por ECOTT contribuindo para o início precoce da terapêutica. Tendo em conta o contexto de cirurgia recente sobreveio a incerteza de qual a melhor estratégia terapêutica, fibrinólise vs. anticoagulação parentérica. Neste caso verificou-se uma melhoria franca com anticoagulação. Conclusão: o TEP é uma complicação possível no pós-operatório da cirurgia de stripping. Neste contexto, a ECOTT assume um papel preponderante para o diagnóstico, estratificação de risco e exclusão de diagnósticos alternativos, facilitando a decisão terapêutica que deverá sempre assentar numa cuidadosa avaliação individual da relação risco-benefício. PO08 Dabigatrano e alguns parâmetros da coagulação: dos ensaios clínicos a outra realidade, a propósito de 1 caso clínico utilizados para determinar o risco de hemorragia. • Tempo de tromboplastina parcial ativada (aPTT) Este teste pode ser útil na determinação de um excesso de atividade anticoagulante, apesar do aPTT ser menos sensível à atividade do dabigatrano acima dos níveis terapêuticos. Um aPTT > 80 segundos em vale (no momento da toma da dose seguinte) está associado a um aumento do risco de hemorragia • O Tempo de Protrombina (expresso em INR ou segundos) não é suficientemente sensível e não pode ser recomendado. É objetivo do poster mostrar um caso clínico em que as precauções e orientações clínicas não foram seguidas. Resumo: Doente idoso, com insuficiência renal moderada, medicado com dabigatrano e antiagregante acaba por ser internado por um pedido casual de testes da coagulação. Sai do internamento com a mesma dose de dabigatrano e é monitorizado em ambulatório pelo TP. Por um agravamento da função renal, com repercussão clínica, acaba por ser novamente internado. O TP continua a ser o teste da coagulação pedido. Tem alta apenas com antiagregante. Conclusão: O doente não sangrou mas tem que haver um melhor conhecimento do fármaco, incluindo as alterações laboratoriais que provoca nos testes de rotina da coagulação e sua valorização. Dúvidas: Será que a varfarina, na impossibilidade do uso deste novo medicamento não vai ser mais opção? Será que o rivaroxaban, em doentes com uma função renal comprometida e lábil, não é uma primeira opção? Teresa Gago (1); Ana Paula Azevedo (2); Isabel Freire (2) (1) CHLO (2) CHLO - Hospital de São Francisco Xavier Introdução: O dabigatrano etexilato (PRADAXA®) é um inibidor direto da trombina de administração oral. Tem um início de ação rápido e não necessita de controlo terapêutico. O efeito adverso mais comum é a hemorragia pelo que os doentes devem ser vigiados quanto a sinais de hemorragia ou anemia. Deve suspender-se de imediato o medicamento se ocorrer uma hemorragia grave1. Testes de coagulação e sua interpretação 2 Em caso de suspeita de sobredosagem ou em doentes tratados com dabigatrano etexilato que se apresentem nos Serviços de Urgência, pode ser aconselhável avaliar o nível de anticoagulação. Existe uma clara correlação entre as concentrações plasmáticas de dabigatrano e o grau do efeito anticoagulante. Os seguintes testes podem ser PO09 Dabigatrano - um novo anticoagulante oral, inibidor direto da trombina; um caso clínico com complicações hemorrágicas Ana Paula Azevedo (1); Teresa Gago (2); Isabel Freire (2) (1) HSFX-Lisboa (2) CHLO - HSFX Introdução: O dabigatrano, o rivaroxabano e o apixabano são três novos anticoagulantes comercializados recentemente, que têm criado uma grande expectativa tanto nos profissionais de saúde como nos doentes, já que não exigem o controlo periódico do Tempo de Protrombina (TP), para avaliação do nível de Resumo de Posters direito e esquerdo pulmonares patentes, sem defeitos da perfusão pulmonar segmentar e subsegmentar. O restante internamento decorreu sem intercorrências, tendo a doente tido alta ao 14ºdia, hipocoagulada com varfarina. Discussão: o caso descrito ilustra a apresentação típica do TEP submaciço, com o diagnóstico feito à cabeceira do doente por ECOTT contribuindo para o início precoce da terapêutica. Tendo em conta o contexto de cirurgia recente sobreveio a incerteza de qual a melhor estratégia terapêutica, fibrinólise vs. anticoagulação parentérica. Neste caso verificou-se uma melhoria franca com anticoagulação. Conclusão: o TEP é uma complicação possível no pós-operatório da cirurgia de stripping. Neste contexto, a ECOTT assume um papel preponderante para o diagnóstico, estratificação de risco e exclusão de diagnósticos alternativos, facilitando a decisão terapêutica que deverá sempre assentar numa cuidadosa avaliação individual da relação risco-benefício. PO08 Dabigatrano e alguns parâmetros da coagulação: dos ensaios clínicos a outra realidade, a propósito de 1 caso clínico utilizados para determinar o risco de hemorragia. • Tempo de tromboplastina parcial ativada (aPTT) Este teste pode ser útil na determinação de um excesso de atividade anticoagulante, apesar do aPTT ser menos sensível à atividade do dabigatrano acima dos níveis terapêuticos. Um aPTT > 80 segundos em vale (no momento da toma da dose seguinte) está associado a um aumento do risco de hemorragia • O Tempo de Protrombina (expresso em INR ou segundos) não é suficientemente sensível e não pode ser recomendado. É objetivo do poster mostrar um caso clínico em que as precauções e orientações clínicas não foram seguidas. Resumo: Doente idoso, com insuficiência renal moderada, medicado com dabigatrano e antiagregante acaba por ser internado por um pedido casual de testes da coagulação. Sai do internamento com a mesma dose de dabigatrano e é monitorizado em ambulatório pelo TP. Por um agravamento da função renal, com repercussão clínica, acaba por ser novamente internado. O TP continua a ser o teste da coagulação pedido. Tem alta apenas com antiagregante. Conclusão: O doente não sangrou mas tem que haver um melhor conhecimento do fármaco, incluindo as alterações laboratoriais que provoca nos testes de rotina da coagulação e sua valorização. Dúvidas: Será que a varfarina, na impossibilidade do uso deste novo medicamento não vai ser mais opção? Será que o rivaroxaban, em doentes com uma função renal comprometida e lábil, não é uma primeira opção? Teresa Gago (1); Ana Paula Azevedo (2); Isabel Freire (2) (1) CHLO (2) CHLO - Hospital de São Francisco Xavier Introdução: O dabigatrano etexilato (PRADAXA®) é um inibidor direto da trombina de administração oral. Tem um início de ação rápido e não necessita de controlo terapêutico. O efeito adverso mais comum é a hemorragia pelo que os doentes devem ser vigiados quanto a sinais de hemorragia ou anemia. Deve suspender-se de imediato o medicamento se ocorrer uma hemorragia grave1. Testes de coagulação e sua interpretação 2 Em caso de suspeita de sobredosagem ou em doentes tratados com dabigatrano etexilato que se apresentem nos Serviços de Urgência, pode ser aconselhável avaliar o nível de anticoagulação. Existe uma clara correlação entre as concentrações plasmáticas de dabigatrano e o grau do efeito anticoagulante. Os seguintes testes podem ser PO09 Dabigatrano - um novo anticoagulante oral, inibidor direto da trombina; um caso clínico com complicações hemorrágicas Ana Paula Azevedo (1); Teresa Gago (2); Isabel Freire (2) (1) HSFX-Lisboa (2) CHLO - HSFX Introdução: O dabigatrano, o rivaroxabano e o apixabano são três novos anticoagulantes comercializados recentemente, que têm criado uma grande expectativa tanto nos profissionais de saúde como nos doentes, já que não exigem o controlo periódico do Tempo de Protrombina (TP), para avaliação do nível de Resumo de Posters anticoagulação, são administrados oralmente, numa dose fixa e apresentam um menor risco de interações com medicamentos e alimentos. Os ensaios clínicos efetuados e a aprovação da utilização destes fármacos na prevenção e tratamento de um número cada vez maior de patologias trombóticas, irá certamente alterar o panorama das consultas de anticoagulação oral. O dabigatrano, inibidor direto da trombina, tem um início de ação rápido e exerce o seu efeito através da ligação direta ao sítio ativo da trombina. Possui um perfil fármaco-cinético previsível e apresenta poucas interações. Não existe um antídoto específico, bastando habitualmente descontinuá-lo. Nas complicações hemorrágicas mais graves pode ser necessário administrar Complexo Protrombínico ou Fator VII recombinante ou efetuar hemodiálise sobretudo nos doentes com alterações da função renal. No caso de sobredosagem, aparecimento de complicações hemorrágicas ou necessidade de cirurgia, a concentração plasmática do dabigatrano pode ser doseada recorrendo a testes especiais, como o Tempo de Trombina modificado e o Tempo de Ecarina modificado. Para avaliação do respetivo efeito anticoagulante, os testes de rotina como o Tempo de Tromboplastina Parcial ativada (aPTT) e o Tempo de Trombina (TT) são sensíveis e bons indicadores. Existe uma correlação entre as concentrações plasmáticas de dabigatrano e o prolongamento dos tempos de coagulação, embora o aPTT seja menos sensível a variações de concentração em níveis supraterapêuticos. O TP, expresso em INR (Razão Normalizada Internacional), é menos sensível e pouco recomendado, já que concentrações terapêuticas do dabigatrano normalmente resultam em modestas elevações do INR. Objectivo: Apresentação de um caso clínico com complicações hemorrágicas, evidenciando a evolução dos parâmetros da coagulação. Caso clínico: Oitenta e três anos, sexo feminino, com história pessoal de fibrilhação auricular, asma, DM2, HTA, osteoporose e dislipidémia. Medicada com dabigatrano desde Junho de 2012 (anteriormente com varfine), cordarone, risidon e analgesia múltipla. Internada para ajuste da terapêutica analgésica e decisão de eventual intervenção cirúrgica, na sequência de fractura osteoporótica de L4 prévia. No segundo dia de internamento, sem factor desencadeante aparente, inicia prostração, hematoquézias, hematomas nos locais de venopunção e hemorragia da cavidade oral durante a entubação naso-gástrica, tendo sido interrompida a terapêutica com dabigatrano e substituída por enoxaparina. Analiticamente, apresentava anemia, leucocitose e trombocitopénia, alterações da função renal, TP e aPTT incoaguláveis e fibrinogénio não doseável. Foi necessária a administração de terapia transfusional múltipla (concentrado eritrocitário, octaplex, fibrinogenio e plasma fresco congelado), com paragem da diátese hemorrágica ao terceiro dia e normalização dos parâmetros da coagulação ao quinto dia de internamento. Foram colocadas as hipóteses diagnósticas de quadro grave de CID vs hiperfibrinólise e, como diagnóstico diferencial, iatrogenia causada por sobreposição dos efeitos do dabigatrano com enoxaparina em doente idosa. Conclusões: O uso destes fármacos na população em geral e fora do contexto dos ensaios clínicos, induz diferenças relativamente à segurança estabelecida. Estas diferenças podem ser particularmente relevantes nas populações pouco representadas nos ensaios, como é o caso dos idosos e dos indivíduos com alterações da função renal, como no caso apresentado. Apesar da interrupção do dabigatrano logo após o início das queixas hemorrágicas, estas persistiram por mais dois dias e os testes da coagulação só normalizaram cinco dias depois, embora a semi-vida do dabigatrano esteja estabelecida entre 9 e 13 horas. As alterações observadas a nível dos testes de coagulação podem ser enganadoras. Pelo facto do dabigatrano ser um fármaco inibidor da trombina induz alterações nos testes baseados no tempo de coagulação que utiliza a trombina, como é o caso do fibrinogénio Clauss. Na realidade, a doente não apresenta alterações do fibrinogénio (hipo ou disfibrinogenémia). Referências Bibliográficas: K. Bauer, “Recent progress in anticoagulant therapy: oral direct inhibitors of thrombin and factor Xa”, Journal of Thrombosis and Haemostasis, 9 (Suppl.1): 12-19 - J. van Ryn et al., “Dabigatran etexilate – a novel, reversible, oral direct thrombin inhibitor: Interpretation of coagulation assays and reversal of anticoagulant activity”, Thrombosis and Haemostasis 103.6/2010: 1116-1127 Resumo de Posters anticoagulação, são administrados oralmente, numa dose fixa e apresentam um menor risco de interações com medicamentos e alimentos. Os ensaios clínicos efetuados e a aprovação da utilização destes fármacos na prevenção e tratamento de um número cada vez maior de patologias trombóticas, irá certamente alterar o panorama das consultas de anticoagulação oral. O dabigatrano, inibidor direto da trombina, tem um início de ação rápido e exerce o seu efeito através da ligação direta ao sítio ativo da trombina. Possui um perfil fármaco-cinético previsível e apresenta poucas interações. Não existe um antídoto específico, bastando habitualmente descontinuá-lo. Nas complicações hemorrágicas mais graves pode ser necessário administrar Complexo Protrombínico ou Fator VII recombinante ou efetuar hemodiálise sobretudo nos doentes com alterações da função renal. No caso de sobredosagem, aparecimento de complicações hemorrágicas ou necessidade de cirurgia, a concentração plasmática do dabigatrano pode ser doseada recorrendo a testes especiais, como o Tempo de Trombina modificado e o Tempo de Ecarina modificado. Para avaliação do respetivo efeito anticoagulante, os testes de rotina como o Tempo de Tromboplastina Parcial ativada (aPTT) e o Tempo de Trombina (TT) são sensíveis e bons indicadores. Existe uma correlação entre as concentrações plasmáticas de dabigatrano e o prolongamento dos tempos de coagulação, embora o aPTT seja menos sensível a variações de concentração em níveis supraterapêuticos. O TP, expresso em INR (Razão Normalizada Internacional), é menos sensível e pouco recomendado, já que concentrações terapêuticas do dabigatrano normalmente resultam em modestas elevações do INR. Objectivo: Apresentação de um caso clínico com complicações hemorrágicas, evidenciando a evolução dos parâmetros da coagulação. Caso clínico: Oitenta e três anos, sexo feminino, com história pessoal de fibrilhação auricular, asma, DM2, HTA, osteoporose e dislipidémia. Medicada com dabigatrano desde Junho de 2012 (anteriormente com varfine), cordarone, risidon e analgesia múltipla. Internada para ajuste da terapêutica analgésica e decisão de eventual intervenção cirúrgica, na sequência de fractura osteoporótica de L4 prévia. No segundo dia de internamento, sem factor desencadeante aparente, inicia prostração, hematoquézias, hematomas nos locais de venopunção e hemorragia da cavidade oral durante a entubação naso-gástrica, tendo sido interrompida a terapêutica com dabigatrano e substituída por enoxaparina. Analiticamente, apresentava anemia, leucocitose e trombocitopénia, alterações da função renal, TP e aPTT incoaguláveis e fibrinogénio não doseável. Foi necessária a administração de terapia transfusional múltipla (concentrado eritrocitário, octaplex, fibrinogenio e plasma fresco congelado), com paragem da diátese hemorrágica ao terceiro dia e normalização dos parâmetros da coagulação ao quinto dia de internamento. Foram colocadas as hipóteses diagnósticas de quadro grave de CID vs hiperfibrinólise e, como diagnóstico diferencial, iatrogenia causada por sobreposição dos efeitos do dabigatrano com enoxaparina em doente idosa. Conclusões: O uso destes fármacos na população em geral e fora do contexto dos ensaios clínicos, induz diferenças relativamente à segurança estabelecida. Estas diferenças podem ser particularmente relevantes nas populações pouco representadas nos ensaios, como é o caso dos idosos e dos indivíduos com alterações da função renal, como no caso apresentado. Apesar da interrupção do dabigatrano logo após o início das queixas hemorrágicas, estas persistiram por mais dois dias e os testes da coagulação só normalizaram cinco dias depois, embora a semi-vida do dabigatrano esteja estabelecida entre 9 e 13 horas. As alterações observadas a nível dos testes de coagulação podem ser enganadoras. Pelo facto do dabigatrano ser um fármaco inibidor da trombina induz alterações nos testes baseados no tempo de coagulação que utiliza a trombina, como é o caso do fibrinogénio Clauss. Na realidade, a doente não apresenta alterações do fibrinogénio (hipo ou disfibrinogenémia). Referências Bibliográficas: K. Bauer, “Recent progress in anticoagulant therapy: oral direct inhibitors of thrombin and factor Xa”, Journal of Thrombosis and Haemostasis, 9 (Suppl.1): 12-19 - J. van Ryn et al., “Dabigatran etexilate – a novel, reversible, oral direct thrombin inhibitor: Interpretation of coagulation assays and reversal of anticoagulant activity”, Thrombosis and Haemostasis 103.6/2010: 1116-1127 Presidente do Simpósio Carlos Neves Comissão Organizadora Alice Sousa, Belarmino Clemente, Carlos Cardoso, Carlos Neves, Francisco Silva, Manuela Soares, Teresa Gago PATROCÍNIO CIENTÍFICO Sociedade Portuguesa de Medicina Interna MAJOR SPONSOR SPONSOR SUPPORTER Sociedade Portuguesa de Cirurgia Ordem dos Médicos