Editorial SECÇÃO REGIONAL DO CENTRO Jornal da Secção Regional do Centro da Ordem dos Enfermeiros Setembro de 2011 | ANO 9 | N.º 28 2 Editorial 3 Pais e escola cada um no seu lugar 4 A Educação 5 Educação emocional e social 6 Crise … Pense positivo 7 Gestão do Orçamento Familiar em Tempo de Crise 8 1 de Outubro – Dia internacional das Pessoas Idosas 9 5 de Dezembro Dia internacional do Voluntário 10 O banho do bebé 11 A Massagem… 12 Alimentação Saudável: um desafio sempre atual 13 Centro de Apoio aos Idosos Dr. Ernesto Moreira 14 FLORIR 15 Eva Dream 16 Estereótipos e estigma nas pessoas com Doença Mental EM TEMPO DE CRISE... Enfermagem e o Cidadão | 1 Editorial SECÇÃO REGIONAL DO CENTRO Sob o estigma da crise Vivemos hoje sob o estigma de uma crise que nos “esmaga” com cortes sucessivos e insuportáveis sobre os rendimentos do nosso trabalho, aumento de impostos sobre o consumo, aumento exponencial do preço dos combustíveis, alimentos, gás, electricidade, água, transportes, taxas de juros para a habitação,… com um forte impacto nas economias familiares, agravado pelo sobre endividamento e desemprego avassaladores que nos assolam. Não podendo ignorar a consequência que estes factores terão na pobreza que se agrava em Portugal, que atingia, num passado recente, aproximadamente 20% dos nossos cidadãos, e nos nossos níveis de saúde, pela sua correlação directa com as condições socioeconómicas, urge equacionar as melhores soluções e suportes sociais para enfrentarmos este momento de dificuldade que vivemos. A grande questão do momento é: como poderá o nosso país promover a sua competitividade, crescimento económico e bem-estar, se vamos cada vez consumindo menos, tendo um poder de compra cada vez menor, e sendo assolados por um sentimento nacional de descrença, insatisfação e desmotivação relativamente a um futuro de promessas que, em crescendo, vamos percepcionando como uma miragem? Também na saúde os tempos são de incerteza, angústia e de sucessivos anúncios e concretização de cortes. Mais uma vez observamos que são os compromissos económicos, decorrentes da assinatura do memorando da Troika, que determinam a política de saúde (e outras) e não o cumprimento de um plano estratégico, desenvolvido de acordo com as boas regras do planeamento em saúde, que evidencie de forma prospectiva as reais necessidades em cuidados de saúde do país, a capacidade instalada no sector (oportunidades, constrangimentos e necessidades de investimento financeiro, recursos humanos e materiais) e que aponte um caminho seguro, eficiente, efectivo e equitativo. Ao invés deste percurso sério e da implementação de uma cultura efectiva de accountability (prestação de contas) de forma a acautelar a boa utilização do erário público por parte de todos - políticos, gestores, prestadores de cuidados e cidadãos - anunciam-se cortes cegos de 11%, sem considerar as especificidades de cada instituição e as reais necessidades em cuidados das populações, estrangulando-as do ponto de vista da sua gestão diária e com consequências na qualidade e segurança da sua prestação de cuidados. A propósito, face às notícias recentes e frequentes sobre as eventuais falências de instituições de saúde, nomeadamente do sector empresarial do estado, importa questionar: foram identificadas as suas causas, apuradas responsabilidades e responsabilizados os gestores que permitiram tão maus resultados? Em nome da necessária transparência e do tão apregoado rigor na gestão da coisa pública, é bom que se inicie o processo de responsabilização destes gestores. Recordando os dados do relatório da Organização Mundial de Saúde 2010, que refere serem 20 a 40% os custos totais em saúde desperdiçados por via da ineficiência, aproveitemos este momento de crise económica e social como oportunidade para corrigir em definitivo os desperdícios que subsistem e desta forma garantirmos a sustentabilidade financeira do nosso Serviço Nacional de Saúde (SNS), grande conquista da nossa democracia. Começando a serem perceptíveis sinais de dificuldade na implementação de algumas reformas que “estão” em curso no país, nomeadamente a dos Cuidados de Saúde Primários e da Rede Nacional do Cuidados Continuados Integrados, que tendo já evidenciado ganhos em saúde e de eficiência, exige-se que sejam devidamente avaliadas e continuadas, a bem do bom e criterioso investimento público em saúde, preservando e reforçando o SNS, não o descapitalizando e transformando-o num recurso para indigentes. Focalizando na área dos recursos humanos em saúde, anunciada como um dos alvos dos cortes previstos, importa alertar para o perigo da não correcção e agravamento do deficit crónico de enfermeiros nas instituições de saúde, pelos graves prejuízos que implica para o estado de saúde dos nossos cidadãos. Sobre esta matéria, não podemos deixar de manifestar a nossa indignação face ao despedimento recente por email de colegas nossos em Lisboa, atitude reveladora de inadmissível insensibilidade e indignidade pela empresa que assim procedeu. Fundamentado pela evidência científica, está demonstrada haver uma correlação entre a dotação (número de profissionais e suas competências), a qualidade dos cuidados e ganhos em saúde. De acordo com o Conselho Internacional de Enfermeiros, 2006, num amplo estudo efectuado por Aiken, Clarke, Sloane, Sochalski e Silber (2002), foram recolhidos e analisados dados de 10.184 enfermeiros e 232.342 doentes submetidos a cirurgia. Os autores verificaram que cada doente adicional por enfermeiro com uma carga de quatro doentes estava associado a um aumento de 7% na probabilidade de morte no intervalo de 30 dias após a admissão e um aumento de 7% na probabilidade de insucesso na reanimação. Segundo a mesma fonte, uma análise sistemática conduzida num outro estudo confirmou que as dotações adequadas estão associadas a uma menor mortalidade dos doentes internados e a estadias mais curtas no hospital. Lang, Hodge, Olson, Romano & Kravitz (2004) e Person et al. (2004) avaliaram a associação entre as dotações de enfermeiros e a mortalidade de doentes internados com enfarte agudo do miocárdio. Verificaram que os doentes tratados em ambientes com dotações mais elevadas de enfermeiros tinham uma menor probabilidade de morrer durante o internamento. Inferindo que “dotações seguras, salvam vidas”, apesar da necessidade de mais estudos, nomeadamente em Portugal, conclui-se que a adequada dotação de enfermeiros nas instituições e saúde são condição para promover a melhoria contínua da qualidade dos cuidados e factor decisivo para a gestão eficiente das organizações de saúde, garantindo assim a sua sustentabilidade financeira, pelo que não será aceitável qualquer tipo de corte nesta área. Reafirmando que a saúde é um sector fundamental para reforçar a coesão, solidariedade e justiça das políticas sociais, urge trabalharmos no sentido da garantia da sustentabilidade financeira do SNS e da universalidade e equidade no acesso aos cuidados de saúde, convictos de que, a promoção da nossa saúde, individual e colectiva, é condição fundamental para o desenvolvimento económico e social sustentável e a manutenção de um estado social efectivo. Considerando que “a esperança não é nem realidade nem quimera. É como os caminhos da Terra: na Terra não havia caminhos; foram feitos pelo grande número de passantes” (Lu Hsun), continuemos o caminho, renovando a esperança, na construção de um Portugal que assegure um futuro feliz para todos. Conte connosco, na senda da defesa de maior rigor e determinação na construção desse futuro, que desejamos cada vez melhor para a nossa saúde e qualidade de vida. Manuel Oliveira Presidente do Conselho Directivo Regional Secção Regional do Centro – Ordem dos Enfermeiros Ficha Técnica Distribuição Gratuita • Jornal da Secção Regional do Centro da Ordem dos Enfermeiros; Av. Bissaya Barreto, 185; 3000-076 COIMBRA; Tel.: 239 487 810; Fax: 239 487 819; www.ordemenfermeiros.pt; E-mail: [email protected] • Director Manuel Oliveira • Coordenação Editorial Filipe Marcelino; Manuela Coimbra • Conselho Editorial Áurea Andrade; Fernando Júlio Pinto; Gina Reis; João Domingos; Natércia Sequeira; Patrícia Batista; Rosa Meneses; Tânia Morgado; Elisabete Santos; • Conselho Científico Manuela Coimbra; Manuel Oliveira; Cristina P. Carmona; Conceição Martins; José Manuel Cavalete • Colaboradores Especiais Helena Azeredo, Ricardo Emanuel M. Casquilho Pereira, M.ª Helena Coimbra, Daniel Ferrão, Helena Soares Ribeiro, Joana Santos, Carla Assunção, Dulce Menezes Cruz, Ana Paula C. Pita, Isabel Margarida Santos, Tó Romano, Ricardo J. O. Ferreira • Revisão Editorial Tânia Morgado; M.ª João Henriques • Fotografia Diana Marcelino • Secretariado Rute Dias da Silva; João Pedro Pinto; Elizabete Figueira; Liliana Reis; Fernanda Marques • Maquetização, Produção PMP COIMBRA • Tiragem 5.000 exemplares • Depósito Legal 178374/02 • Impressão PMP 2 | Enfermagem e o Cidadão Falando Sobre... SECÇÃO REGIONAL DO CENTRO Pais e escola cada um no seu lugar Helena Azeredo Arquitecta Mais um ano lectivo a começar. Já comprámos os livros e as mochilas, os cadernos, os lápis e mais mil outras coisas! E lá vão eles, finalmente, depois de tanto tempo de férias... É hora de ser de novo a escola a tomar as rédeas da educação dos nossos filhos. Será? A escola tem uma missão difícil, que é preparar os seus alunos para poderem vir a ser pessoas livres, independentes, capazes de assumir a sua vida, trabalhar. Fornece-lhes em primeiro lugar o conhecimento, o saber, sem o qual não é fácil prosseguir para a aprendizagem prática, o saber fazer. Mas a escola ocupa-se também, e cada vez mais, com as questões comportamentais, o saber ser, o saber estar, a cidadania, a saúde e mesmo a sexualidade! Estas componentes da educação preenchem cada vez mais o tempo da escola, das aulas, da aprendizagem dos conhecimentos... Porquê? Ouvimos com frequência a resposta na escola: a escola tem que dar o que os alunos não trazem de casa! Pois é! Educação não é só na escola, nem é só em casa, as responsabilidades são partilhadas e a cada um cabe um papel, que não se deve confundir, para que cada uma das partes leve a bom porto a sua missão principal. E qual é a missão principal dos pais? Não é certamente ensinar as matérias escolares, ou não seria necessária a escola! Seremos nós pais cumpridores da parte de “escola” que nos cabe? Seremos nós pais os que conduzimos e damos o exemplo das regras de conduta, libertando a instituição “escola” para cumprir o seu papel de ensinar? Seremos nós pais quem ensina os nossos filhos a saber ser e a saber estar, enviando-os para a escola para que lhes dê mais SABER? Seremos nós pais que incutimos aos nossos filhos o valor do conhecimento, da cultura, do desenvolvimento do corpo e do espírito para que venham a ser adultos seguros, confiantes e verdadeiramente críticos e portanto capazes de fazer a diferença? Saberemos incutir-lhes a vontade de saber e aprender para, muito mais do que ter ferramentas para poder trabalhar e ganhar um salário, serem pessoas capazes de mudar o mundo para melhor? Estaremos nós pais seguros e confiantes dos valores que queremos transmitir aos nossos filhos? Ou simplesmente, porque é mais cómodo, ou porque nos refugiamos na falta de tempo, “empurramos” cada vez mais para a escola estas responsabilidades? Seremos nós pais verdadeiros condutores da educação dos nossos filhos, capazes de tomar decisões por eles enquanto não têm maturidade para fazer sozinhos as suas escolhas e aconselhando-os quando já podem decidir por si, ou seguimos o caminho mais fácil de nunca dizer “não” permitindo-lhes sempre optar, porque queremos ser liberais? Seremos nós pais verdadeiros “co-laboradores”, ou seja, “laboramos com” a escola para juntos alcançarmos os objectivos que são do interesse de ambos? Permitimos que a escola imponha disciplina e faça cumprir regras... e somos capazes de aceitar que possa por vezes ser o nosso filho a ser repreendido ou castigado se o seu comportamento foi incorrecto? Seremos nós pais parte da instituição “escola”? Representamos ou fazemo-nos representar através dos órgãos ou figuras que institucional e legalmente fazem parte dos órgãos de decisão para que a escola seja melhor? Pois, não nos atormentemos se não sabemos ou não nos lembramos das matérias escolares para podermos ajudar os nossos filhos a estudar. Na escola estão excelentes profissionais a quem cabe essa tarefa. Limitemo-nos a cumprir a nossa parte, enviando para a escola crianças bem comportadas, educadas e interessadas e não percamos tempo a exigir que a escola se ocupe daquilo que é responsabilidade dos pais. Enfermagem e o Cidadão | 3 Falando Sobre... SECÇÃO REGIONAL DO CENTRO A Educação Ricardo Emanuel Meneses Casquilho Pereira Estudante de Mestrado em Finanças A Educação parece-me cada vez mais desajustada às necessidades do nosso país. Uma vez que esta desempenha um papel essencial em qualquer sociedade, tal conclusão afigura-se verdadeiramente catastrófica. Em Portugal, infelizmente existe uma dramática descrença nas capacidades potenciais das novas gerações. Será que somos mesmo maus? Será que somos fracos? Se somos, de quem é a culpa? A meu ver, a culpa não está reservada a um simples grupo. Passa, obviamente, por nós. Ainda assim, a verdade é que acho que os métodos de ensino estão errados, ou que pelo menos visam objectivos errados. É também verdade que os pais não dão muitas vezes o melhor exemplo em casa. Começando pela última ideia, é de conhecimento geral que houve um processo de enriquecimento repentino em Portugal a partir de meados da década de 80. O acesso aos fundos estruturais da UE e, principalmente, o acesso ao crédito fácil e barato alteraram profundamente o modo de vida dos Portugueses. Tendo passado por uma vida de privações, quiseram dar-nos a nós, os seus filhos, tudo aquilo que tiveram e tudo aquilo que não tiveram. Sem pedir nada em troca. Sem exigir nenhum esforço em contrapartida. Com isso, a frase “Nada te custou a ganhar” ganha todo um novo significado. Nunca nada nos custou a ganhar? É provável. Grande parte de nós, podendo ou não, tem telemóveis, consolas, vai passar férias com os amigos, e são os pais que passam os sacrifícios por nós, para nós. Não será por isso que os jovens são hoje em dia tão pouco ambiciosos? Não será por isso que os locais dos empregos a que se propõem não ultrapassam os limites das suas cidades, de Portugal? 4 | Enfermagem e o Cidadão As particularidades do mercado de trabalho são hoje extremamente exigentes. Os empregadores/patrões exigem mais da creatividade e capacidade de raciocínio das pessoas que empregam do que da capacidade de executar trabalho rotineiro. As escolas continuam a preocupar-se mais em fazer os seus alunos decorar e debitar matéria do que incentivar ao raciocínio e à creatividade. Para quê calculadoras sofisticadas em idades em que os jovens ainda não estão à vontade com cálculos? Para facilitar? Mas a vida não é fácil! As próprias vagas de acesso ao Ensino Superior são irreais. Vamos ter um país povoado quase exclusivamente por médicos, advogados, economistas e gestores? Onde estão os cursos que criam electricistas, canalisadores, ... ? Já não são precisos? Existe um claro desfasamento entre estas vagas, do domínio da política educativa nacional, e as necessidades do nosso país. Se não, como passámos de uma situação onde existia uma clara falta de professores para uma situação onde há um claro excesso? Nem tudo pode ser culpa dos pais. Nem tudo pode ser culpa dos professores, do Estado. Falta-nos a nós, jovens, uma clara mentalidade ganhadora, de vencer na vida. Não podemos desistir ao primeiro obstáculo. Não podemos recuar perante o que é difícil. Não podemos parar depois de alcançarmos o primeiro objectivo, de conseguirmos a primeira vitória. Todos nós temos sonhos. Porque não lutar para os conseguirmos atingir? Poucas vezes fomos habituados a sair da nossa zona de conforto. Mas temos de sair. O Mundo é demasiado pequeno, e é nosso. E nós temos de acreditar em nós próprios. Se não o fizermos, quem o fará? SECÇÃO REGIONAL DO CENTRO Falando Sobre... Educação emocional e social Maria Helena Coimbra Professora A Escola é cada vez menos só um mero local de transmissão de conhecimentos. Deverá sê-lo, mas a sua principal e mais nobre função é de formar cidadãos capazes de trabalhar e viver neste nosso mundo em constante evolução, de lhes mostrar a importância de cada pessoa e o seu papel na sociedade enquanto seres conscientes dos seus deveres e direitos. Especialistas da Educação lançam um desafio às escolas: “gerir as emoções, o melhor caminho para prevenir a violência e aumentar o sucesso escolar”. Todos temos a noção de que é cada vez mais importante que as nossas crianças tenham uma educação de qualidade que seja capaz de, não só lhes assegurar os conhecimentos básicos dos currículos, mas que permita, sem preconceitos que os questione procurando assim as suas respostas às inúmeras perguntas e dúvidas. A escola deve permitir que criança seja um ser pensante, capaz de utilizar todos os seus “talentos” na construção de conceitos e valores. Jacques Delors (1998), coordenador do “Relatório para a Unesco da Comissão Internacional Sobre Educação para o Século XXI”, no livro “Educação: Um tesouro a descobrir”, aponta como principal consequência da sociedade do conhecimento a necessidade de uma aprendizagem ao longo de toda a vida, fundada em quatro pilares que são ao mesmo tempo pilares do conhecimento e da formação continuada que podem ser vistos também como bússola que nos poderá orientar na formação integral da criança. São eles: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver juntos e aprender a ser. A escola, deve formar crianças ou jovens ativos no processo ensino-aprendizagem, onde a aprendizagem de conteúdos proporcione ao aluno a sua integração na sociedade e num universo cultural universal e que tenham uma posição crítica face a qualquer matéria em estudo, vivenciada ou não por eles; que possam um dia lutar por uma sociedade mais justa e humana, serem cidadãos participativos e atuantes e não meros espetadores. Assim sendo, a escola deverá ter a preocupação de incluir, no seu projeto educativo, o enorme compromisso de garantir os vários saberes pois eles são o garante de um desenvolvimento integral e da vinculação aos valores, de ser capaz de revolucionar a mente das crianças, comover os alunos, estimular as suas múltiplas inteligências, reconhecendo-as e promovendo-as de forma integral. Não basta, formar “bons alunos”; é necessário formar para lá do tempo da escola, adultos íntegros e boas pessoas. A qualidade educativa não se fica pela qualidade académica. A missão da escola é transformar a vida de todos os que por ela passam, educando a mente, educando a interioridade, educando pessoas capazes de enfrentar o futuro, desenvolvendo a inteligência e as competências espirituais. No desafio, os especialistas diziam e passo a citar: ” Aprender Matemática, Língua Portuguesa ou História é importante e ninguém duvida que esse é o papel da escola. Mas e se, os professores ensinassem os alunos a entender o reboliço dos seus sentimentos, a explorar como lidam com os problemas ou a analisar como falam e como ouvem os outros? E se existisse um programa curricular que permitisse aos adolescentes aprender que a agressividade não é afinal a única resposta ao stresse”. Sugerem programas de gestão de conflitos, incluí-los nos currículos escolares e formação de professores. Educar requer que se vá às raízes mais profundas da personalidade. E o mais profundo está na educação da mente e das emoções. A “aprendizagem emocional e social” é tão importante como aprender a ler ou a fazer contas e deve fazer parte de todos os graus do ensino, defendem. Educar requer que se vá às raízes mais profundas da personalidade. E o mais profundo está na educação da mente e no renascer de valores tão esquecidos nas sociedades atuais. Enfermagem e o Cidadão | 5 Tem a Palavra SECÇÃO REGIONAL DO CENTRO Crise… Pense positivo Fernando Júlio Bernardino Pinto Especialista em Enfermagem Comunitária Nos tempos que correm a palavra mais pronunciada, pela grande maioria das pessoas é, sem sombra de dúvidas - CRISE - com toda a carga negativa que a possa envolver. Isto agravado pelo facto de sermos um pais tradicionalmente fatalista (somos o país do fado). As pessoas encaram normalmente os problemas pelo seu lado mais negativo, fixando toda a sua energia no problema, como se fosse a única coisa que existisse no mundo. Uma atitude deste género para além de criar níveis de ansiedade elevadíssimos, em nada ajuda a manter a lucidez mental que nos permita trabalhar para ultrapassar a dificuldade. Ao mantermos uma atitude derrotista e de total incapacidade de resolver o problema, apenas conseguimos aumentar a sua dimensão, sem que possamos contribuir de uma forma racional para a sua resolução. Se ao contrário deste tipo de comportamento, mantivermos face ao problema uma atitude positiva, vamos encarar a situação de uma forma mais clara, conseguindo assim a lucidez necessária para definir os seus contornos, e, sem ansiedade, começarmos a trabalhar na sua solução. 6 | Enfermagem e o Cidadão Dito desta forma pode parecer muito fácil, no entanto não o é efectivamente. Tudo isto requer um amplo conhecimento de nós próprios, e um grande trabalho mental no sentido de manter um pensamento positivo e uma auto confiança constante. Confiar em nós, na nossa capacidade de resolvermos os problemas e na nossa capacidade de transmitir essa imagem de positividade, é seguramente o caminho para encarar a vida de uma forma mais positiva. Existem no mercado um número sem fim de manuais que ensinam também técnicas inúmeras para manter uma atitude positiva face às adversidades, no entanto, embora possamos ai descobrir algumas dicas que nos sejam úteis, parte de nós conhecermo-nos, termos vontade de mudar e termos vontade de fazer. Só assim conseguiremos ultrapassar esta crise que para alem de económica, financeira e social é também uma crise de positividade. Lembremo-nos que o possível já está feito, o impossível ...é arregaçar as mangas e começar a fazer... Tem a Palavra SECÇÃO REGIONAL DO CENTRO Gestão do Orçamento Familiar em Tempo de Crise Daniel Ferrão Sociólogo – DECO, Coimbra A DECO – Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor, é uma entidade sem fins lucrativos, criada em 1974, tendo como objectivo a promoção e a defesa dos direitos e legítimos interesses dos consumidores, desenvolvendo para o efeito várias actividades dirigidas a tal fim. Nos últimos anos, tem-se verificado um aumento substancial do número de famílias sobreendividadas, ou seja, famílias que se encontram financeiramente impossibilitadas de fazer face ao conjunto das suas dívidas. Esta tendência pode, muitas vezes, ser invertida através de uma boa gestão do orçamento familiar. Uma das soluções do problema passa pela elaboração de um orçamento familiar, onde as famílias façam um registo de todos os seus rendimentos e despesas, permitindo gerir de forma mais adequada o dinheiro disponível, diminuir as despesas não essenciais e, até mesmo, poupar. Vivemos numa sociedade de consumo, em que a realização pessoal passa pelo consumo de bens e serviços, em que as marcas são cada vez mais valorizadas e em que existe a percepção de que haverá sempre crédito disponível. Tal facto, aliado à banalização do recurso ao crédito, fez com que muitas famílias se endividassem para além da sua capacidade financeira, sendo que a ocorrência de situações inesperadas como desemprego, divórcio, doença contribuem para o agravamento da situação e dificultam o pagamento atempado das prestações. Uma das noções, que se deve ter é que as prestações relativas aos créditos, não ultrapassem os 40% do rendimento mensal. Outra ideia será constituir uma poupança, o ideal deve ser entre 3 a 6 vezes o rendimento mensal familiar, para acautelar situações imprevistas, como perda de emprego, doença, despesa inesperada. Para poupar algumas centenas de euros por ano, devemos ainda adoptar novos comportamentos na área da alimentação, compras, comunicações, casa, saúde e nos transportes. Alimentação: • Prefira produtos da época e da região; • Prefira frutas e hortícolas a granel; • Cozinhe as suas próprias refeições e aproveite as sobras das refeições; Compras: • Faça uma lista de compras e defina um montante máximo para gastos; • Compare produtos, marcas e preços; • Esteja atento às promoções e descontos; • Aproveite a época de saldos; Comunicações • Prefira tarifas triplas de televisão, telefone e internet; • Para o seu telemóvel trace o seu perfil e verifique as redes e o melhor tarifário às suas necessidades; Casa • Desligue as lâmpadas e opte por lâmpadas economizadoras; • Prefira a tarifa bi-horária; • Desligue os aparelhos em modo de espera; • Reduza o consumo de água e energia. Saúde • Peça ao seu médico medicamentos genéricos; Transportes • Prefira transportes públicos e ande mais a pé; • Utilizando o seu automóvel pratique um eco-condução, evite deslocações desnecessárias; Com o objectivo de ajudar os consumidores, a uma melhor gestão do orçamento familiar, a DECO deu início à campanha intitulada “Gerir € Poupar – Faça contas à vida”, trata-se de um importante contributo da Associação para a melhoria da literacia financeira dos portugueses. O trabalho, desenvolvido pelas Brigadas Gerir€Poupar, visa fomentar a poupança e fornecer aos cidadãos as ferramentas que lhes permitirão tomar decisões financeiras informadas. A gestão do orçamento familiar é também uma das preocupações da DECO, que esta a percorrer o país com um conjunto de acções informativas destinadas à comunidade. O dinheiro é cada vez mais escasso para a maioria das pessoas e as despesas cada vez maiores. Importa assim, ter consciência que a inversão da crise e a evolução do sobreendividamento depende de todos nós e da nossa atitude perante uma situação de dificuldade. Serviços Disponíveis na DECO – Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor: • Gabinete de Apoio ao Consumidor; • Gabinete de Apoio ao Sobreendividado; • Gabinete de Novas Iniciativas; Contactos: DECO – Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor – Delegação Regional de Coimbra Rua Padre Estevão Cabral, 79 – 5º – Sala 504 – 3000-317 Coimbra Tel. 239 841 004 / Fax: 239 841 008 / E-mail: [email protected] / www.deco.proteste.pt Enfermagem e o Cidadão | 7 Todos os Dias são Dias SECÇÃO REGIONAL DO CENTRO 1 de Outubro Dia Internacional das Pessoas Idosas A Solidão no Idoso, consequência da sociedade actual? Helena soares ribeiro Joana Santos Enfermeiras A sociedade atual apresenta-se imensamente desenvolvida, assistindo-se a um contínuo progresso científico e tecnológico. Porém, e apesar de todos os aspetos positivos que possam advir deste progresso, a sociedade desenvolvida é afetada por um mal comum, do qual não se consegue desviar – a solidão. Reflexo do estrangulamento dos laços que ligam o ser humano ao mundo que o rodeia, a solidão é um vazio que deteriora a personalidade, a autoestima e o bem-estar dos indivíduos, o qual é frequentemente manifestado sob a forma de isolamento social. É possível encontrar a solidão em qualquer classe social e faixa etária, porém, neste texto ir-se-á abordar a solidão no idoso, cada vez mais prevalente. Em Portugal, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, em 2001 residiam sozinhas cerca de 572 620 pessoas, o que representa cerca de 5,5% do total da população (3,7% de mulheres e 1,8% de homens). Segundo o mesmo estudo, a faixa etária mais afetada, com cerca de 54,4%, é a que se encontra acima dos 65 anos. As causas da solidão são de natureza pessoal, sócio-económica, cultural e familiar. O indivíduo é por vezes, o agente causador da própria solidão. Nestes casos a pessoa trava consigo própria uma batalha de contornos emocionais, caracterizada pelo surgimento de complexos de inferioridade em relação a outros ou em relação à comunidade na qual ela se insere. Em termos familiares a solidão faz-se sentir, por um lado, devido ao abandono dos idosos pelas respetivas famílias, sendo a perda do companheiro de uma vida outra causa de solidão. Esta separação e toda a angústia que lhe é inerente pode, em alguns casos, conduzir a uma progressiva perda da força de viver, cuja última instância é o suicídio. Estar só é não ter ninguém a quem desabafar medos, tristezas, angústias, é não poder partilhar alegrias e vitórias. Assim é a dimensão do sofrimento daqueles que vivem na sombra da sociedade que os rejeita e que, reciprocamente, é rejeitada por eles. Neste contexto, o Enfermeiro que está inserido na comunidade (Enfermeiro de Família) tem um papel fundamental, na medida em que consegue detetar mais facilmente situações relativas à solidão. As intervenções de enfermagem em casos de solidão passam por: • Promoção de ambientes saudáveis; • Educação para a saúde, instruindo os indivíduos para que tenham uma consciencialização das transformações fisiológicas e psicológicas que advêm do processo do envelhecimento, o que pode ajudar a conhecer melhor o próprio corpo e a tomar decisões corretas para obtenção de saúde. 8 | Enfermagem e o Cidadão • Promoção de atividades de lazer, proporcionando momentos de convívio. Estas atividades devem corresponder às expetativas particulares de cada pessoa. • Promoção da escuta ativa, para que a pessoa sinta que tem alguém que lhe disponibiliza atenção, companhia e se preocupa com a sua saúde. Em conclusão, a abordagem construída sobre a solidão deixa transparecer que esta é um fenómeno intemporal, que atravessa todos os setores sociais e faixas etárias. Nunca a sociedade foi tão numerosa e, simultaneamente, tão só. Por este motivo, a abordagem apresentada deve ser objeto de meditação e questionamento individual, por forma a criar vias para a diminuição deste flagelo frequentemente negligenciado. A não concretização desta consciencialização fará com que a solidão, perdure no coração dos mais frágeis e vulneráveis... aqueles que não conhecem outra forma de viver, senão na sombra da solidão. MAGALHÃES, Maria – Quem vive Só em Portugal. Instituto Nacional de Estatística. Revista de Estudos Demográficos, nº 33; Artigo 4º. Pp.55-68. SECÇÃO REGIONAL DO CENTRO Todos os Dias são Dias Ser voluntário é fazer bem ao outro, mas bem feito Carla Assunção Voluntária do Hospital Arcebispo João Crisóstomo O voluntariado nasce da vontade de ajudar o próximo, aquele mais necessitado perante o olhar dos outros e à sociedade em si. Oferece-se um serviço social, humano e “gratuito” de afectos, de carinho, de companhia, fazer bem, mas bem feito. Fazer a diferença para o bem-estar e contribuir para melhor qualidade de vida aos doentes é uma missão possível, que completa o lado bom de ser voluntário no Hospital Arcebispo João Crisóstomo, em Cantanhede. Jornalista de profissão, acompanhei de perto várias acções da primeira equipa de voluntários (essencialmente mulheres) do Voluntariado do Hospital de Cantanhede, despertando de imediato o “bichinho” de também ajudar e fazer companhia aos doentes, quase todos idosos, internados nas unidades daquela instituição. Assim que coloco a bata amarela, olhei em frente para dar o meu melhor, o gesto solidário percorre os corredores e entra nos quartos à procura de alguém sozinho, sem ninguém para falar de tudo um pouco. “Olá, como estão as forças hoje?” ou talvez “vamos até à sala de convívio visitar os outros?”. Uma ajudinha nas refeições é um gesto precioso para muitos, aqueles que não têm forças para comer ou sequer apetite, tornando-se esta, muitas vezes, uma luta que o voluntário tenta combater. O sentido de missão cumprida estabelece aqui uma meta, pois saber que conseguimos que o doente comesse a sopa é sempre uma conquista com sabor a vitória. Fazer bem, mas bem feito. Fazer a diferença O voluntário hospitalar baseia-se em acções simples como servir, ouvir, sorrir, dar a mão ou simplesmente fazer o papel de visitante, pois muitos não têm visitas diárias dos seus familiares, para não dizer semanalmente ou ao fim-de-semana, que são tão importantes para ultrapassar a doença. Sozinho na dor e no sofrimento da doença, a presença do voluntário faz a diferença. Os voluntários do Hospital Arcebispo João Crisóstomo são comprometidos com os doentes: trabalham em equipa, prestam apoio em todos os serviços da instituição, nas Unidades de Convalescença e Cuidados Paliativos até à distribuição de chá e bolachas na sala de espera da Consulta Externa, e ainda na sala de espera do laboratório de análises clínicas e radiologia. Há cerca de um ano, um grupo de quatro voluntárias, no qual me incluo também, está a desenvolver um projecto denominado “Tarde de Animação”, às quintas-feiras à tarde, de forma a incutir o convívio e participação dos doentes na vida social do hospital. Para isso desenvolvem várias actividades lúdicas, desde trabalhos manuais, pinturas e jogos tradicionais, e ainda sessões de cinema português, “Conversas com”, ou quando há tempo, alguns momentos de “recordar é viver”. Ao dar o melhor de mim, sei que estou a ser útil aos doentes, respeitando a sua vida e a sua privacidade, nunca fazendo juízos de valor durante uma conversa. Em pleno Ano Europeu do Voluntariado, temos que dar as mãos para incentivar mais trabalho voluntário dentro e fora das instituições, e chegar àqueles que precisam de nós sem receber troco. Recebemos sim um olhar feliz, um sorriso estampado de agradecimento por tudo aquilo que fazemos bem, e sempre bem feito. Com o voluntariado todos ficam a ganhar. Enfermagem e o Cidadão | 9 Consigo pela Sua Saúde SECÇÃO REGIONAL DO CENTRO O banho do bebé Dulce Menezes da Cruz Especialista em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica Para que o bebé possa desfrutar o momento do banho é fundamental que a mãe/pai possam executar esta actividade com toda a tranquilidade pois, também para eles serão momentos agradáveis e inesquecíveis. Trata-se de um procedimento a ser realizado com calma, que necessita ser planeado, evitando desta forma situações de stress para os pais e para o bebé. Não se trata apenas de um momento de higiene mas também de uma ocasião de interacção dos pais com a criança. A hora do banho deve ser escolhida de acordo com a disponibilidade dos pais, de modo a poderem proporcionar essa tranquilidade ao bebé. De um modo geral o bebé fica relaxado após o banho o que lhe proporciona um sono repousante. Contudo, caso a criança fique excitada, deve evitar-se a sua realização à noite. Sem carácter obsessivo, deve ser realizado sempre à mesma hora pois eles gostam da rotina. É obrigatório respeitar o tempo da digestão pelo que deve ser efectuado sempre antes de uma refeição. O local para a sua realização deve ser o quarto, com uma temperatura ambiente entre 24º C e 25ºC. O recipiente ideal é uma banheira plástica própria para essa função que deve ser colocada numa superfície firme e a altura adequada para que os pais não tenham de se dobrar muito, evitando assim qualquer desconforto. Quanto à frequência do banho, há que ter em consideração que os banhos frequentes removem as camadas protectoras da pele, pelo que não é aconselhada realização de banho diário. Deve ser realizado em dias alternados, sendo que nos restantes dias se deverá fazer uma higiene cuidada da cara, mãos e genitais. Os produtos de higiene a utilizar são o champô e o gel de banho que devem ser específicos para bebés, por terem um PH neutro e serem hipoalergénicos. Após o banho e secagem da 10 | Enfermagem e o Cidadão pele, poderá ser aplicado um creme hidratante também especifico para bebés, não havendo necessidade de recorrer à utilização de colónias. Como acessórios são ainda necessários uma pequena escova suave ou um pente para pentear após o banho e uma tesoura para cortar as unhas. O coto umbilical não é impeditivo de dar banho ao recémnascido. Terminado o banho há que dar particular atenção à secagem do coto umbilical que poderá fazer-se, após secagem com a toalha, com um cotonete seco. Não deve ser aplicado qualquer tipo de produto para que o coto seque mais rápido. A segurança do bebé não pode ser descuidada neste momento tão nobre. Ao preparar a água do banho deve colocarse primeiro a água fria e só depois a água quente, verificando a temperatura com o cotovelo ou parte interna do antebraço. Poderá também utilizar-se um termómetro para determinar a temperatura ideal da água que deverá ser de cerca de 37º C. É fundamental prestar particular atenção quando o bebé está ensaboado, pois a pele fica mais escorregadia. Antes de despir o bebé tudo deve estar organizado para facilitar a tarefa. A roupa para vestir deve ser colocada de modo a permitir acesso imediato às peças a vestir em primeiro lugar e todos os acessórios para o banho devem estar próximos. Depois de colocar a água na banheira e confirmada a temperatura, o bebé poderá então ser despido para o banho que deverá iniciar-se pela lavagem da cara, seguido da cabeça, do tronco, dos membros, da zona genital e das nádegas. Caso a fralda esteja suja com fezes antes do banho, deve limpar-se a região nadegueira antes colocar o bebé na banheira. No final do banho e depois de vestido, o bebé está pronto para a sua refeição. SECÇÃO REGIONAL DO CENTRO Consigo pela Sua Saúde A Massagem Ana Paula C. Pita Enfermeira O termo massagem é um termo de origem grega, que significa amassar. O toque é o elemento fundamental da massagem. A massagem consiste no uso de técnicas manuais que objectivam promover o alívio do stress, induzir o relaxamento, mobilizar estruturas variadas, aliviar a dor, reduzir o edema, prevenir deformidades e promover a independência funcional. Existem vários tipos de massagem: massagem tailandesa, sueca, desportiva, shiatsu, e ayurvédica. As técnicas de massagem dividem-se em: effleurage e pétrissage. O effleurage é constituído por movimentos de deslizamento, que podem ser superficiais ou profundos. O pétrissage são movimentos de pressão. Podem ser de compressão, percussão, amassamento, fricção, vibração... Padem ser usados óleos ou creme de massagem. O efeito principal da massagem consiste em produzir estimulação mecânica dos tecidos por meio de uma pressão e estiramento ritmicamente aplicados. Os benefícios físicos estão intrinsecamente ligados à melhoria do estado físico. Após uma massagem, os níveis de ansiedade diminuem. Um indivíduo que consegue descansar durante o sono, sofre de menos fadiga e cansaço, lida melhor com o stress e aumenta a capacidade de concentração. Alguns dos efeitos consequentes da massagem são: aumento da circulação sanguínea, linfática e do fluxo de nutrientes; estimulação da cicatrização; diminuição de edemas e hematomas crónicos; alívio da dor; facilita a actividade muscular; expelir secreções; aumento da temperatura periférica do corpo; relaxamento; mobilização da pele e dos tecidos subcutâneos. Uma sensação geral de bem-estar, manifestada pela actividade do sistema nervoso autónomo (SNA), é efeito frequente para quem usufrui da massagem. Existe uma ligação reflexa entre a massagem e as ramificações simpáticas/parassimpáticas do SNA. Apresenta um efeito fundamental, sobre o estado emocional, através do efeito de relaxamento muscular e das agradáveis sensações físicas, resultando na diminuição da frequência cardíaca e respiratória, tensão arterial média e temperatura. A aplicação desta prática deve ser precedida de uma avaliação clínica completa, o que fornecerá informações relevantes sobre o cliente, revelando qualquer condição que possa ser contra-indicação. Dai que a massagem apenas deve ser executada por pessoas habilitadas e com competências para o efeito, por exemplo enfermeiros, fisioterapeutas, massagistas... A massagem pode representar a terapia base ou ser o complemento de outras terapias. É uma prática utilizada não só com o objectivo terapêutico mas também em pessoas saudáveis como medida preventiva. Algumas indicações são: hipertensão arterial; insuficiência cardíaca; alterações do sistema linfático, circulatório, respiratório e musculo-esquelético; ansiedade, medos/fobias, depressão… As contra-indicações são únicas de cada um, bem como da região do corpo, sendo fundamental tomar decisões apropriadas sobre as consequências das intervenções autónomas. São contra-indicações: psoríase; tuberculose; áreas de hiperestesia grave; presença de corpos estranhos (areia, vidro); fracturas; tromboflebite; cirurgia (no local); náuseas, vómitos e diarreia. A massagem não deve incidir sobre áreas de tumor ou infecção. Apesar de inúmeros benefícios, a massagem apresenta contra-indicações em alguns estados patológicos. É fundamental eliminar a possibilidade de exacerbar a gravidade ou complicações da patologia. A massagem hoje em dia é a melhor terapia para o corpo e alma, relaxa, acalma e seduz… Enfermagem e o Cidadão | 11 Consigo pela Sua Saúde SECÇÃO REGIONAL DO CENTRO Alimentação: um desafio sempre atual Isabel Margarida Santos Enfermeira A alimentação constitui um dos aspetos mais naturais e importantes da nossa vida contudo, surge frequentemente como tema de discussão, tanto pelos excessos cometidos como pelas restrições desmedidas. Com a aproximação do dia 16 de Outubro, data em que se comemora o dia Mundial da Alimentação, e com o regresso às aulas de muitos estudantes, vale a pena relembrar algumas das orientações que promovam o seu equilíbrio. São vários os conselhos e indicações expressas sobre “o que comer” e “o que não se pode comer”, com o objetivo de ditar qual o árduo caminho para atingir a alimentação saudável ideal. Porém, será que o facto de os alimentos mais saudáveis se encontrarem muitas vezes com os preços mais elevados e com uma apresentação menos apelativa nos bares das escolas se coaduna com uma seleção eficaz? Será que a proximidade pouco controlada de lojas de guloseimas junto às portas das escolas favorece as escolhas alimentares adequadas? Estes são apenas alguns dos inúmeros fatores que representam uma barreira entre os conhecimentos que são fomentados aos pais e filhos pelos profissionais de saúde e a efetiva preferência dos filhos. Muitos são os esforços feitos presentemente em várias escolas para reduzir os alimentos que são ricos em calorias e nutricionalmente pobres, privilegiando a apresentação, sabor e disposição dos produtos benéficos, bem como a educação alimentar dos estudantes, embora exista ainda um longo caminho a percorrer, daí que o reforço da informação nunca seja demais. A população parece necessitar de reeducar a sua alimentação na medida em que, muitos dos erros têm por base mitos alimentares e a dificuldade em contabilizar as calorias ingeridas 12 | Enfermagem e o Cidadão e, deste modo, perceber que para manter o peso a quantidade de calorias ingeridas diariamente deverá ser idêntica à despendida. Quando o consumo de alimentos é recorrente e o dispêndio físico se mostra diminuto, a energia excedente é acumulada sob a forma de gordura no nosso organismo. Com o repetido acréscimo de peso surgem alterações da imagem corporal, mas também as doenças associadas ao excesso de peso, como por exemplo, as patologias cardiovasculares e cardiorrespiratórias. Sendo a prevenção o principal plano de combate ao aumento de peso ou à sua perda excessiva, as orientações básicas para um plano alimentar saudável são transversais a todas as idades e necessitam de ser interiorizadas para facilmente conseguirmos ajustar as nossas escolhas e promover a nossa saúde. As estratégias saudáveis passam pela redução do consumo de gorduras, do sal na confeção dos alimentos, dos doces e nas bebidas alcoólicas. Além destes aspetos, deve-se privilegiar a ingestão diária de 5 porções de fruta e/ou vegetais, leite e derivados, a diversificação dos alimentos, a realização de várias refeições ao longo do dia e atender à higiene dos alimentos. Não se pode esquecer a importância da água (cerca de 1,5l por dia), a necessidade de evitar períodos prolongados sem comer (mais de 3 horas) e a realização de várias refeições, sem o recurso a snacks e/ou bolachas no intervalo. Aos pais acrescentam-se alertas relativos à compra de alimentos hipercalóricos, ao controlo da sua ingestão e à necessidade de toda a família adotar um plano alimentar com horários para as refeições e com atividades desportivas agradáveis que fomentem a saúde, a diversão e o bem-estar para disfrutarmos do melhor que a vida nos pode dar. SECÇÃO REGIONAL DO CENTRO Espaço Cidadania Centro de Apoio aos Idosos Dr. Ernesto Moreira Caldas da Rainha O Montepio Rainha D. Leonor instituição que fez 150 anos em 2010, tem como visão ser o líder, na região oeste, na prestação de serviços e cuidados de saúde não públicos e no apoio à idade sénior e tem como missão contribuir para a melhoria da saúde e do bem-estar dos seus associados e da população em geral com inovação, personalização e qualidade, de forma a obter a satisfação dos clientes, colaboradores e associados, respeitando a comunidade e o meio ambiente. O Montepio Rainha D. Leonor – Associação Mutualista intervém no apoio à Terceira Idade, nomeadamente na promoção e gestão de equipamentos que possam assegurar o bemestar da pessoa idosa, seja em situações pontuais seja em regime de permanência. No caso concreto do Lar denominado Centro de Apoio aos Idosos Dr. Ernesto Moreira, inaugurado a 15 de Maio de 1995, fruto da vontade, persistência e empenhamento de um vasto conjunto de personalidades de Caldas da Rainha que, sob a bandeira do Montepio Rainha D. Leonor, foram durante uma boa meia dúzia de anos organizando um vastíssimo conjunto de eventos com o objectivo de angariarem fundos que permitissem e que permitiram, na prática, pôr de pé o projecto que tanto ambicionavam, um Lar de Idosos. Com o envolvimento da Câmara Municipal, do Centro Distrital de Solidariedade e Segurança Social e de outras Instituições e personalidades locais, foi possível construir um Lar, preparado para receber Idosos com grande dependência e autónomos. O apoio é feito a 60 Utentes, dos quais 36 são grandes dependentes, a quem é assegurado um serviço de assistência hospitalar que lhes garante elevada qualidade de cuidados médicos e de enfermagem permanentes. Para além destes 60 Utentes, frequentam também as instalações 10 outros utentes, estes em regime de Centro de Dia, onde desenvolvem actividades diversas, como sejam olaria, pintura, leitura, ginástica, passeios a diversas localidades, participação em diversos eventos (tasquinhas da 3ª idade, dia dos avós, marchas populares, desfile de Carnaval,…). As Residências Assistidas constam de um equipamento com 95 apartamentos, lavandaria e cozinha, em terreno contíguo ao actual Centro de Apoio a Idosos, tendo tido a sua inauguração oficial em 15 de Maio de 2011. Os apartamentos são de tipologia T0 e T1 e possuem zonas comuns como sejam, salas de estar, sala de jantar, biblioteca, ginásio, gabinetes médico e de enfermagem, recepção, segurança, cozinha, lavandaria e amplas zonas verdes; Possuem ainda um moderno e inovador sistema de comunicação entre os serviços de apoio e os apartamentos e a possibilidade de monitorização permanente dos residentes que a requeiram; Estes apartamentos estão a ser vendidos aos associados, em regime de propriedade horizontal (propriedade plena) e em regime de Direito de Utilização Vitalício (a escolha é do cliente) garantindo o Montepio Rainha D. Leonor um vasto conjunto de serviços de apoio (desde a simples limpeza a apoio domiciliário completo) aos residentes que o requeiram. Assim, a assistência poderá ser inexistente (sem custos para o residente) ou ir da simples limpeza, das refeições, da lavandaria (considerados isoladamente) até ao apoio total como se de lar se tratasse, com a vantagem de o residente viver na sua própria casa. Enfermagem e o Cidadão | 13 Espaço Cidadania SECÇÃO REGIONAL DO CENTRO FLORIR Família, Laços, Origens, Rumos, Inter-ajuda e Rede - Associação de Família A palavra educar provém do latim «educare», do verbo «ducere» que significa conduzir, com o prefixo «e» que significa «para fora», «para o exterior». Educar é pois fazer sair para fora todas as potencialidades, fazer desabrochar...FLORIR! A FLORIR, associação de família, voluntária, sem fins lucrativos, sediada em Mangualde, e constituída em trinta de Setembro de dois mil e oito, visa suprir as dificuldades sentidas na concretização de algumas acções previstas no Plano de Acção da Rede Social. Em concreto, as acções de formação parental, mas com o intuito de vir a alargar a sua intervenção para as áreas da problemática dos idosos, da prevenção do alcoolismo e toxicodependência, ou outras, que de forma directa ou indirecta afectem o bom funcionamento familiar. Porque, segundo acreditamos, é fundamental trabalhar a educação começando pelo berço (ou antes) e isso faz-se no seio das famílias. A complexidade da sociedade actual chamada “de consumo” e “de informação”, a falta de experiência e informação sobre algumas das problemáticas mais actuais (droga, consumo, sexualidade...), o desconhecimento sobre o desenvolvimento infantil, acrescido da falta de experiência, o pouco tempo de contacto e partilha entre alguns pais e os filhos, bem como a diminuição do número de elementos da família, a perda progressiva de valores e referências, são alguns dos desafios com que a família hoje se depara, levantando-se a questão: - estão as famílias preparadas para cumprirem o seu papel de suporte, integração e autonomização social? Os objectivos da Florir passam por: – Promover a educação no espaço da família e a qualidade das relações familiares (laços) para que, como berço (origens) e pólo de difusão (rumos) de valores e atitudes que se reflectem para os comportamentos de toda a sociedade, seja o motor de um mundo mais solidário (interajuda) e cooperativo (rede) – Defender e promover os direitos e interesses da família, qualquer que seja a sua forma em tudo quanto respeite à sua valorização, de modo a permitir a realização pessoal dos seus membros – Desenvolver acções de apoio às famílias com vista à melhoria efectiva das suas condições de vida – Criar condições necessárias para que a família desempenhe a sua função educativa no respeito pela dignidade da pessoa humana e em ordem ao desenvolvimento da solidariedade familiar e entre gerações – Fortalecer a família e estimular as capacidades próprias de iniciativa na promoção dos seus direitos e liberdades fundamentais 14 | Enfermagem e o Cidadão – Promover a intervenção da família como elemento fundamental da sociedade na vida das comunidades em que se insere – Promover a interacção familiar enquanto espaço de crescimento e desenvolvimento pessoal – Prevenir comportamentos de risco (alcoolismo, drogas, violência doméstica, outros) – Criar um espaço de apoio à família na partilha de saberes sobre educação – Transformar a visão da problemática do acto de educar num desafio familiar – Desenvolver competências parentais e familiares Com vista à realização dos seus objectivos a FLORIR tem, entre outras, atribuições no âmbito da formação, informação, estudos e projectos e nomeadamente: – Organizar encontros, colóquios, conferências e seminários – Organizar cursos, formações, sessões informativas e de troca de experiências – Organizar grupos de trabalho para a investigação, estudo e análise de matérias de relevo bem como para a concepção e elaboração de projectos – Promover o intercâmbio e a cooperação com associações e organismos, nacionais e estrangeiros que prossigam os mesmos objectivos, podendo aderir ou filiar-se, se for o caso, a esses organismos – Estabelecer parcerias com técnicos e/ou entidades para dinamizar a associação e as iniciativas a implementar – Candidatar-se a financiamentos públicos ou privados – Editar revistas, jornais ou outros de interesse relevante – Apoiar iniciativas de associados ou outros que se enquadrem nos objectivos acima definidos Não havendo fórmulas, verifica-se a necessidade de implementação de alguns programas estruturados para intervenção parental cujo grande objectivo é de algum modo colmatar estas necessidades referidas anteriormente, prestando suporte de qualidade, e criando espaços de apoio à família na partilha de saberes sobre educação. SECÇÃO REGIONAL DO CENTRO Espaço Cidadania Eva Dream Tó Romano Arquitecto Imagine um país todo florido... Um jardim, de verdade, à beira mar plantado. Flores, flores por todo lado, arbustos, trepadeiras e árvores floridas. Flores nas portas, janelas e varandas reflectindo afectos de cor. Imagine flores, aos milhares, em canteiros e jardins. Ruas, alamedas e avenidas revestidas de árvores floridas, que as há em todas as cores, e ao longo de todas as estações do ano. Todas as cidades, vilas, e aldeias, caminhos, pontos de passagem, beiras de estradas e de auto-estradas repletas de arbustos floridos. E paisagens, campos, muitos campos com flores silvestres. Imagine o que ainda ninguém viu, ir por uma estrada sinuosa, e que em ambos os lados desse caminho se sucedessem talhões de terreno coloridos cultivados de flores cada um de sua cor: lilás, rosa, vermelho, azul, amarelo, laranja ou branco... O que aconteceria se tivéssemos a imagem do país mais florido do mundo? A imagem do País Flor, provocaria seguramente a simpatia de todo o mundo, e uma atracção única a Portugal. As características turísticas que se procuram, são a tranquilidade, a paz, o silêncio, a beleza da natureza, a simplicidade e harmonia humana de um povo, a sua cultura e a sua gastronomia. Veríamos o turismo ambiental, turismo do futuro, implementar-se em todo o seu esplendor, de Janeiro até Dezembro, e do Algarve até ao Minho em todas as regiões, com o surgir em crescendo de oportunidades para todos, desde o grande grupo hoteleiro até á mais simples iniciativa familiar de turismo rural apoiados e sustentados na beleza da natureza. A satisfação dos cinco sentidos. Seria uma janela de oportunidade motivadora a transformar Portugal num enorme spa a céu aberto. A maneira de colocar uma região, uma aldeia, uma vila ou cidade no mapa turístico de Portugal, passaria pela aposta em simultâneo por três vertentes: os Valores Culturais, a Gastronomia e a Natureza. O segredo de cada terra seria conseguir explorar e levar aos limites, à excelência aquilo que lá é natural e se produz, as suas próprias riquezas. Qualquer produto vegetal, hortícola, fruto, cereal, flor ou árvore, pode funcionar como símbolo e servir de pólo de atracção de uma localidade, acontecendo o mesmo com a vida animal. Os produtos portugueses, então com a atenção dedicada de todos, teriam uma oportunidade impar de se afirmarem como produtos, “ícone”, gourmet mundiais, fruto de fácil comunicação em torno da imagem do país florido, da sua beleza e bondade. Atrás das flores vêm as abelhas que produzem o mel. Que fácil seria promovermos o mel português e elevá-lo a melhor mel do mundo se tivéssemos a imagem do país Flor. O mesmo aconteceria a um número interminável de produtos provenientes das nossas terras. Sentiríamos uma vontade e uma apetência colectiva para investirmos, de uma forma lúcida, nos produtos de excelência portugueses. Despertar-se-ia o poder de iniciativa e criatividade na sociedade portuguesa através de oportunidades para cada um e para todos, levando ao aparecimento de muitas e pequenas explorações agrícolas, proporcionando assim trabalho e ocupação a muitos. Poderíamos assistir à inversão da migração dos campos para as cidades. Novos povoadores, que se vêem já por aí, ajudariam a uma redistribuição demográfica por todo o território, não significando isto um regresso à idade média, mas sim o avançar para o futuro com o melhor do nosso passado. A vida nos campos, seria complementar ao turismo ambiental, fomentando novas maneiras de nos relacionarmos, novos entrosamentos sociais e humanos. Ganharíamos a apetência e a predisposição colectiva da consciência ambiental e adopção de comportamentos correctos para com a natureza. Oportunidades para tudo e para todos, levariam a que a criatividade e o poder de iniciativa despertassem em todos nós, com uma especial adesão dos nossos jovens. Jardineiros, comércio e produção de flores, usufruiriam de uma oportunidade imensa assim como, para os nossos arquitectos paisagistas. Atenda-se á dignidade que hoje atribuímos aos agricultores ou pescadores, ou dos jardineiros que nem comida nos produzem, comparados com as profissões cosmopolitas e urbanas? Assistiríamos a uma nova dignidade em torno das profissões, assim com o tomar de consciência plena de que todas são importantes para o perfeito funcionamento da nossa sociedade. Uma onda de afectos, de felicidade individual e colectiva em crescendo, seria passível de gerar um sentimento de auto estima conjunta, susceptível de nos unir a todos em torno da identidade nacional e de tudo quanto é português, levando ao elevar do orgulho nacional. Através dessa Identidade Nacional, e orgulho em ser Português, surgiria facilmente uma noção colectiva de objectivos, de um rumo e sentido para Portugal, um Desígnio para o País. Seríamos o mais belo país do mundo, atrairíamos a atenção e a simpatia de todos. Seríamos os primeiros a fazer andar lado a lado a Ciência e a Natureza. Florir Portugal Parto do princípio de que a Felicidade provém do mundo dos Afectos, e que a Natureza e as Flores têm o condão de nos atrair e de criar afectos entre os seres humanos. Se do acto de plantarmos flores, o entendermos como estando a redigir um poema de amor, então estaremos a dar os primeiros passos para afeiçoarmos a Imagem do nosso país, no sentido de o estar a moldar com afectos, apontando para a propagação de emoções, de uma onda que poderá sublimar e alavancar em simultâneo a Bondade, Generosidade e Tolerância que caracterizam os portugueses, e a Beleza, que poderá vir a marcar a Imagem de Portugal. O Eva Dream começa por ser: Colocar flores à janela. Vamos todos lançar essa semente e cativar os que nos rodeiam para porem flores à janela. Vamos viver a sensação, e colher o prazer, de ter a nossa janela florida e amanhã a nossa rua. Vamos adoptar as flores como tema e falar, uns com os outros, sobre as nossas janelas, sobre as nossas flores sobre as ruas, as cidades, o país. Também os outros irão falar sobre elas. Vamos sonhar com a imagem de que todas as janelas têm flores e vamos sorrir com ela. Ela irá sorrir connosco. Esta será a semente. O fruto, haveremos de saboreá-lo todos! Pela via Beleza e da Bondade, caminharíamos então na direcção do Amor e da Felicidade. www.evadream.pt “Com base num sonho (livro Eva Dream, a transformação de uma aldeia incaracterística na aldeia mais bonita de Portugal), é uma semente em simples forma de gota, plena de bondade, que se pretende, venha a formar uma Onda com base nos afectos e emoções por toda a sociedade civil, levando o país a florescer em todos os sentidos, gerando situações evolutivas e infinitas de bem estar e estar bem para todos.” Enfermagem e o Cidadão | 15 SECÇÃO REGIONAL DO CENTRO Estereótipos e estigma nas pessoas com Doença Mental Ricardo J. O. Ferreira Enfermeiro “Os doentes mentais não têm cura, são perigosos, imprevisíveis e pessoas com menos valor”. São estes os principais estereótipos da nossa sociedade relativamente às pessoas com doença mental, que geram reações de medo, ansiedade, raiva ou angústia. Assim se chega à discriminação ou comportamentos de resposta, que se traduzem em evitamento e na quebra de direitos, nomeadamente de acesso ao emprego, à habitação e educação (Loureiro, 2008). Numa sociedade pouco altruísta e que cada vez mais considera como valor essencial o corpo bonito, harmonioso e saudável, a força do estigma centra-se em dois outros estereótipos muito vincados: a (in)capacidade de trabalho e a (in)capacidade de constituir família (Ferreira e Loureiro, 2010). Inserida neste contexto, a pessoa com doença mental inicia também um processo de auto-estigmatização. Sente vergonha dela própria, porque é inferior, incompetente, indesejada, com falta de caráter, “fraca de espírito”. A sua auto-estima e capacidade de resolução de problemas enfraquecem. Surge a ocultação de sintomas, o isolamento e a resignação à condição de doente mental e pessoa diferente (Loureiro et al., 2008). Abandona a medicação (devido aos efeitos secundários desagradáveis) e, por receio ou incapacidade, não procura ajuda. O ciclo estigmatizante e discriminatório (auto)perpetua-se. Quebrar este ciclo é urgente. Em primeiro lugar, reflitamos sobre o que é “a doença mental”? É uma ou serão múltiplas, cada qual com manifestações específicas, abordagem e impacto próprios, dependendo também da pessoa (sim, não seremos todos nós diferentes?). À semelhança de outras patologias, não se pode generalizar, “colocar tudo no mesmo saco”, limitarmonos a “designações comuns e desadequadas”. Serão os cancros todos iguais? Terá o mesmo cancro igual impacto em duas pessoas? De forma semelhante, serão iguais a depressão, a esquizofrenia, a perturbação de ansiedade? Porque age a sociedade tão diferentemente perante a doença “mental” (materializada no cérebro) e a doença “física”? Os avanços ao longo do tempo no conhecimento destas patologias, as armas terapêuticas disponíveis e o desenvolvimento progressivo de técnicas de reabilitação psicossocial tornam estas ideias ainda mas ignorantes e descabidas. Educar a sociedade é um passo primordial rumo à completa aceitação social da pessoa com doença mental. Esta é uma tarefa complexa e difícil, mas possível, que os enfermeiros têm abraçado com afinco. É preciso, ainda, não esquecer que “a fragilidade e a vulnerabilidade fazem parte da condição humana” (Renaud, 2006:71), e que 1 em cada 4 de nós tem ou terá uma doença mental ao logo da vida (OMS, 2001). Pensemos nisto e na “humanidade” que existe dentro de cada um de nós e que nos constitui. Ferreira, R., & Loureiro, L. (2009). Estigma: Comunalidades na(s) doença(s). Referência II Série, 10 (Suplemento), 145. Loureiro, L. (2008). Representações Sociais da Loucura: Importância para a Promoção da Saúde Mental. Estudo realizado numa amostra de residentes no Concelho de Penacova. Porto: ICBAS [Dissertação de Doutoramento]. Loureiro, L., Dias, C., Aragão, R., & Ferreira, R. (2008). Representações Sociais da Loucura: Uma Abordagem Qualitativa. Revista de Investigação em Enfermagem, 18:1, 15-28. Organização Mundial de Saúde (2001). Relatório sobre a Saúde no Mundo. Saúde Mental: Nova Concepção, Nova Esperança. Genebra: OMS. Renaud, I. (2006). Da finitude e fragilidade humana. Ordem dos enfermeiros, 20, 71-77. 16 | Enfermagem e o Cidadão