Francisco Salgueiro Splaaash! baseado em factos reais Página dos beijinhos Quero ser um poeta Ninja. Andar vestido de preto, com uma fita vermelha atada na testa, enquanto declamo “Leonor vai para a fonte… formosa e não segura”. Sentir as minhas nádegas felizes por serem minhas escravas e… Hmmmm… o que é que isto tem a ver com esta página? Nada. É melhor ir directo ao assunto. Os beijinhos e os obrigados vão para: Maria Mandy Carmen Ana Mariana Isabel Paulo Carla Toda a equipa da Oficina do Livro que trabalhou neste livro. Todos os que enviaram sugestões de títulos através do meu site. 1 Cast Away — O Náufrago — O quê?! Não é possível!!! Jantaste em casa do George Clooney?! — Sim. — E também estava lá a Gwyneth Paltrow?! — Yup. — E o Brad Pitt?! — Hmmm… hmmm. — Espera… espera… não devo estar a ouvir bem. Vou voltar a repetir: jantast… Ela vai voltar a repetir e eu aproveito para rezar a todas as religiões existentes no mundo, incluindo a IURD e a Maná. Estou cheio de medo. Imaginem o comboio-fantasma, somem a casa do terror, e agora multipliquem a imagem do Toy a fazer um lap dance. Yuuuuccckkkk. Como podem ver, estou aterrado. Se neste momento fossem a um dicionário e procurassem a palavra aterrado, encontravam a minha fotografia. Mas até ela estaria a ficar esborratada de tanto medo. Inclusivamente todas as letras do dicionário descolar-se-iam das páginas para se irem abrigar num bunker. 9 francisco salgueiro Aos gritos! Aos berros! “AAAAAAAHH! SOCORRO!” As letras maiúsculas tentariam proteger as suas filhas. As mais velhas cairiam exaustas no chão. Uma cena que pareceria saída do Gladiador, após a luta com os tigres… só que em vez de homens a sangrar seriam letras. — Francisco… estás bem? O avião está apenas a tremer. Letras?! Letras a sangrar?! Tem calma. Parece que acabei de tomar LSD. Respirar fundo. 1… 2… Inspiro… Expiro. Vou pensar em coisas boas. Yes! É isso… vou imaginar que estou no meio da Música no Coração. A dançar nas montanhas da Áustria, com a Julie Andrews. “The hills are alive with the sound of music.” Boa… boa… está a resultar. Como é que é o resto da música? — Francisco? “The hills are alive…” Sim, eu sei que os montes estão vivos com o som da música. Esta parte já cantei. Quero o resto. Disco rígido: por favor, ajuda-me. Anda lá vinte e cinco anos para trás. Por favor. Há muito tempo que não te peço nenhum favor. Vá lá. — Estás bem!? FRANCISCO!!! ESTÁS BEM?! Estou a ver uma mão passar à frente dos meus olhos. Para cima. Para baixo. Cima. Baixo. Cima. Baixo. Parece que tenho a cancela de uma passagem de nível diante de mim. Agora a mão subiu e pousou na minha testa. Saiu. Oooppsss. Está a voltar. Mas desta vez vem acompanhada. Parece ser uma coisa branca. Não consigo mover o pescoço. Tenho betão armado a prendê-lo. Vou fazer um esforço. Hmmmmmm. Nada. Mais 10 splaaash! um esforço. Hmmmmmm. Nada. A mão e a coisa branca tocaram na testa. É um pano, um guardanapo, um pedaço de tecido. Sei lá! É uma coisa branca que limpa os litros de suor que a minha testa está a produzir. Ela deveria ser isolada e considerada zona de calamidade pública. O governo accionaria um plano de emergência, onde só poderiam ir os bombeiros e a polícia. Os bombeiros para me ajudarem a evitar que a pele se afogasse, a polícia para me multar por estar a desperdiçar suor que deveria guardar para outras situações. — Francisco… estás com medo? O avião está apenas a tremer um bocado. — Um bocado?! Um bocado?! Há duas horas que sinto estar dentro duma máquina de lavar roupa!!! E não é uma máquina de lavar em liquidação total. É uma máquina de lavar turbo. Duplo turbo!! Triplo turbo!!! — Está apenas mau temp… — Apenas mau tempo?!?!?!… Não sei se já reparaste… vá… olha pela janela… lá em baixo só há água. Quilómetros e quilómetros de água. Não viste o Cast Away com o Tom Hanks? Ele saiu de casa, deu um beijinho na mulher, meteu-se no avião, começou a ficar mau tempo e de repente ZZZZZZZZZZZ! BUUUUUUMMMMM! SPLAAASH! O avião caiu no oceano! — Mas isso era apenas um filme. — Um filme!? Um filme!? Essas coisas acontecem mesmo! Imagina que o avião cai, eu sou o único sobrevivente e vou parar a uma ilha deserta. Sem ninguém! Sem Gameboy, telemóvel, ou um plasma. Nada. Apenas eu e um coqueiro. Nem sequer tenho uma ficha para ligar a minha máquina de barbear. E se fico com uma barba como a do Tom Hanks no filme!?!? Dou em doido… como é óbvio. Ao fim de cinco dias 11 francisco salgueiro começo a falar com o dedão do pé esquerdo. Ao fim de seis com o do pé direito. Uma semana mais tarde estou a convencê-los a casarem um com o outro, prometendo fechar os olhos na noite de núpcias. — Francisco… Oh não! Tenho uma má notícia. — Hãã?! O quê?! O avião está a arder?! — Não. Tenho a informar-te que estamos por cima do oceano Atlântico e debaixo de nós não há ilhas desertas com coqueiros. — Estás a ver?! Só me estás a dar razão. Devemos estar a sobrevoar o local onde o Titanic se afundou. Lembras-te como os passageiros morreram?! Lembras-te?! Não viste o filme? Transformaram-se em cubos de gelo e o coração entrou em greve. Piiiiiiiiiiii. As pessoas ficaram azuis e até o cabelo do Leonardo DiCaprio parecia uma estalactite. — Mas… — Olha… vou fechar os olhos por um momento… vou contar carneirinhos… pode ser que isso me acalme. — Mas, e o resto da história do George Clooney? — Já te acabo de contar. Quando o avião parar de tremer… Antes do mais tenho de esclarecer uma coisa. Não quero que fiquem com uma ideia errada. Não, não sou medroso! Vou voltar a repetir, para que não existam mal -entendidos: não, eu não sou medroso. Simplesmente odeio andar de avião. Tenho pânico. Preferia que me vestissem uma t -shirt com um alvo e me enfiassem num terreno onde comandos estivessem a fazer treino com Uzis do que ter de andar de avião. Eu sei que isto está um pouco confuso. É melhor apresentar-me e contar tudo desde o princípio. Olá, o meu nome é Francisco. Saí de Nova Iorque há duas horas. Vou rumo 12 splaaash! a Lisboa. Ao meu lado vai a… a… a… Nem sem bem como se chama. Deve ter mais ou menos a minha idade. Conheci-a dentro do avião. É muito simpática. Tenho duas hipóteses para o nome: Maria ou Marina. Não percebi muito bem. Como o avião já estava a tremer imenso, o meu cérebro não teve forças para enviar sinais à língua para perguntar isso. Ficou dividido entre: a) meto o corpo a hibernar durante três meses?; b) simplesmente implodo-o e assim o assunto fica já arrumado? 13 2 Saturday Night Fever Blá. Blá. Blá. Blá. Blá. Blá. Blá. Blá. Blá. Isto sou eu nas últimas duas horas. Desde que o avião se despediu da pista do aeroporto às dez da noite, transformei -me num chuveiro verbal. E não é um chuveiro qualquer. É um daqueles que tem dez velocidades. Estão a ver os fumadores compulsivos que apagam um cigarro acendendo outro?! Eu estou assim, em versão palavras. Se eu fosse a Maria/Marina já teria dito: “Oh não! Fiquei surda! Fiquei surda! Oh que pena! Estava a gostar tanto da conversa! Acho que o culpado foi um amendoim que trinquei e um bocado deve ter saltado e tapado o ouvido interno. Bom… vou ler O Código Da Vinci. São quinhentas páginas! Então… um resto de boa viagem.” Acho que já lhe contei praticamente toda a minha vida: nasci no Porto e fui morar para Lisboa quando tinha 13 anos, porque o meu pai… Hello? Ainda estão aí? A minha vida interessa-vos tanto como verem dois hamsters a jogar xadrez, não é? Aposto que o que realmente querem saber é se eu jantei mesmo em casa do George Clooney. 14 splaaash! Sim, eu jantei em casa do George Clooney. Sim, estavam lá a Gwyneth Paltrow, o Brad Pitt e…. *** ATENÇÃO*** ATENÇÃO*** MENSAGEM DO CÉREBRO DO FRANCISCO ÀS MÃOS DO FRANCISCO: APERTEM COM TODA A FORÇA OS BRAÇOS DA CADEIRA! A TREPIDAÇÃO ESTÁ A AUMENTAR! PERIGO DE VIDA!! PERIGO DE VIDA!!! NÍVEL VERMELHO! ALERTA TOTAL! ALERTA TOTAL! — Senhores passageiros, agradecemos que se mantenham nos vossos lugares com os cintos apertados. Continuamos dentro de uma zona de muita turbulência. Obrigado. Ainda tenho cinco horas até chegar a Lisboa. Sinto-me o homem-estátua. Nem sequer consigo mexer-me na cadeira. Se pusesse um boné no chão virado ao contrário, de certeza que começariam a deitar moedas. A Maria/Marina está a entreter-se com a revista do avião. O melhor mesmo é aproveitar para vos contar tudo sobre a minha vida. Tudo… bem… quase tudo. Passarei à frente a parte do colégio, do liceu, das festas de anos, do primeiro beijo na boca, do primeiro boca na boca com um pequeno toque na língua alheia, e do primeiro kiss com um grande toque na língua alheia. Vou pegar no telecomando e fazer um fast forward directamente a 1994. Bzzzzz… bzzzzz. Stop. Play: Tinha vinte e dois anos. Estudava Gestão na Católica. No terceiro ano. Já só me faltava um para acabar. O meu pai estava com tanto orgulho em mim, que parecia que eu era o futuro Ronaldo. O grande sonho da vida dele era ver-me de fato e gravata, na McKinsey, Roland Berger, Delloite, ou numa outra consultora qualquer. A minha vida ia ser um cliché. Para mim o curso era tão exciting como participar numa 15 francisco salgueiro plantação de tremoços. Por isso, às quartas ia ao Plateau, às quintas para a Kapital, e a maior parte dos fins-de-semana eram passados no Porto. O Mau Mau e o River eram as minhas segundas casas. Os médicos dizem que o nosso corpo é 70% água. Bem… nessa altura o meu era 70% álcool. Sempre que uma pessoa se aproximava de mim com um isqueiro eu tinha que fugir, senão transformava-me numa tocha humana. Alguém respirar o meu hálito era o suficiente para entrar em coma alcoólico. O curso era chato. Quando percebi que iria passar o resto da vida fechado numa sala, com um computador à frente, aberto em folhas de Excel, a ver números, números, núm… zzzzzzz… ronc… zzzz… pensei trabalhar numa plataforma petrolífera no Mar do Norte, ou ir para arrumador de carros no Casal Ventoso. Qualquer coisa era preferível a ir para consultor. A minha vida seria tão chata que mesmo se tomasse ecstasy adormeceria de tédio. Até que um dia… Ok… Peço-vos que respirem fundo e acreditem naquilo que vou contar. Confesso que se alguém me relatasse isto, não acreditaria. Chamava-lhe aldrabão, abria a porta do avião e atirava-o para o mar… na esperança que nesse momento uma baleia estivesse de boca aberta e o engolisse sem mastigar, para que o impostor sentisse que estava a ser lentamente digerido. Sexta-feira. Passei por uma tabacaria para comprar o Público. Abri a carteira. Dei a nota. O homem olhou para mim com o ar acabaste-de-chegar-de-que-planeta?! Era fim-de-semana de duplo jackpot no totoloto. Perguntou-me se eu não ia fazer. E porque não? Peguei numa caneta, escrevi as cruzes e fui-me embora. Aposto que neste momento estão a pensar que eu ganhei, fiquei rico, ordenei a destruição da estátua do Marquês de Pombal e mandei lá construir um palácio com vista sobre o 16 splaaash! river Tejo. Pois estão enganad… PEDE-SE TODA A ATENÇÃO AO CORPO DO FRANCISCO: NÍVEL DE ALERTA SUBIU PARA VERMELHO VIVO!!! MUITO VIVO!!! CUIDADO!!! CUIDADO!!! — Senhores passageiros, voltamos a pedir que se mantenham nos vossos lugares com os cintos apertados. Estamos a entrar dentro de uma tempestade. Iremos recolher de imediato todas as refeições. Obrigado. TEMPESTADE?! TEMPESTADE?! OUVI BEM?! OH NÃO!! — Uééééé. — Uééééé. — Oh mãe… — Isto já passa, filha… BEBÉS COMEÇAM A CHORAR!! CRIANÇAS AGARRAM-SE AOS PAIS! OS PAIS ESTÃO À RASCA!!! ISSO É MUITO… MESMO MUITO MAU SINAL. Mas… mas… a Maria/Marina continua a ler a revista. As ondas que o meu suor estão a criar seriam suficientes para um campeonato de surf, mas ela parece que acabou de sair duma limpeza de pele. Será que se está a aperceber que o avião pode cair a qualquer segundo? Será ela um robot? Um extraterrestre? Um fantasma? Francisco… calma! Continua a contar a história. Pois… ok… a história. No dia seguinte estava deitado na cama a olhar para o tecto do meu quarto. Era um hábito que tinha desde o dia em que percebi que a última coisa que queria na minha vida era ser consultor, passar o tempo a contar anedotas machistas, ir a jantares de negócios no Casino Estoril, e de vez em quando 17 francisco salgueiro impressionar uns clientes com umas idas ao Elefante Branco. E se o avião cair? Como é que se põe o colete? E valerá a pena pôr colete? É impressão minha ou as viagens por cima do oceano deveriam incluir também um fato de borracha para não morrermos gelados na água? Para que serve um colete se não aguentamos mais de cinco minutos dentro de água a dois graus negativos?! Já não falta muito para contar tudo sobre o jantar em casa do George Clooney. Está quase. Depois de ter estado duas horas a tentar perceber se a racha de dois centímetros e meio do tecto tinha aumentado desde o dia anterior, liguei a televisão e estava a dar o totoloto. Abri a carteira, tirei o talão e… “9… 23… 34…” YUPPPPPIIIIII… o meu primeiro três! Viva! Viva! “36…” Não! Não! Não podia! Devia ter visto mal! Depois de olhar de novo… sim era o trinta e seis… e eu tinha a cruz no trinta e seis. “… 4…” Quatro!?!?! Quatro?! Yahoooooooo! Nesta altura levantei-me da cama, tirei a camisa e comecei a dançar break-dance sozinho… Eu sei que foi uma vergonha e ainda bem que ninguém me viu… mas caramba… tinha conseguido o meu primeiro quatro no totoloto. “12…” Doze?! Doze?! Doze?! Já tinha cinco cruzes certas!!! Cinco!!!! Nessa altura o break-dance misturava-se com o “Bicho” do Iran Costa, sob o efeito do “Saturday Night” da Wigfield… e continuava de tronco nu. Estava quase a ser milionário!!!! Milionário!!!!! Muito dinheiro! Tio Patinhas! Torneiras do bidé em ouro! Poder pagar a pessoas para me lavarem! Assoarem! Limparem os ouvidos! Dizerem “Sim, 18 splaaash! mestre”! Para… “6…” Seis. O quê?! Seis?! Estaria a ver bem?! A bolinha que tinha aparecido era a do número seis?! De certeza?! Seria possível?! OHHHHHHHHHHH NÃÃÃÃÃÃOOOOOO! De imediato a minha cabeça transformou-se no primeiro dicionário de sinónimos de palavrões da língua portuguesa. Não iria ser milionário! Snifffff. Até que… “23…” No way?! Vinte e três?! O número suplementar… já me tinha esquecido. VIVA! VIVA! Tinha acertado. Durante os dez minutos seguintes as minhas unhas transformaram praticamente todos os centímetros quadrados da minha pele numa experiência científica. O objectivo: se desse um beliscão e a boca dissesse “au!” era porque não estava a sonhar. Pelo sim, pelo não, fiz a experiência durante dez minutos, só para confirmar os resultados. Quinhentas nódoas negras mais tarde comecei a telefon… — AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH. — SOCOOOOOOOOOOORRRROOOOO. POÇO DE AR! POÇO DE AR! ESTAMOS A CAIR NUM POÇO DE AR! OH NÃO!!!! Os meus dois intestinos querem sair pela boca. Sinto que estão a dinamitar-me por dentro para deixá-los fugir. Odeio poços de ar. Mal disposto. ESTAMOS A CAIR!!!! Odeio poços de ar. Alguma coisa não está bem dentro do meu corpo. Odeio poços de ar. Acho que vou vomi… ESTABILIZOU! ESTABILZOU! O avião estabilizou. Uffff. É melhor despachar-me a contar a história. Basicamente ganhei o cinco no totoloto mais o número suplementar. A minha conta bancária aumentou noventa e dois mil euros, 19 francisco salgueiro que na altura eram cerca de dezanove mil contos. Estava quase-rico. Enfim… para os padrões do Bill Gates continuava a ser um sem-abrigo, mas para aquilo que eu iria ganhar como consultor seriam uns cinco anos de ordenado. O que é que acham que fiz? Dou quatro dicas: conversa ao jantar. Curso. Desistir. Pais. Lembram-se de há um bocadinho ter dito que poderiam achar que sou aldrabão? É a partir deste momento que vão começar a ter a certeza. Mas garanto-vos que é tudo verdade. Tudo. Everything! Uns meses antes de ter semiganho o totoloto, tinha convencido o meu pai a instalarmos internet em casa. Estávamos no período jurássico da net. Não havia banda larga. O Sapo ainda não fazia croac!, croac!, a Netcabo não existia e o Clix só podia ser um xarope para os espirros. Navegar pela internet era mais lento do que atravessar o Atlântico num barco a remos. E às vezes ficava calvo nas sobrancelhas, porque as arrancava, em desespero, por as páginas demorarem tanto tempo até aparecerem no ecrã. Para além de passar os dias a observar atentamente a evolução da racha do tecto do meu quarto, andava pela net sobretudo pelos chats. Um dia conheci aí uma rapariga que era neta de emigrantes portugueses. Morava nos Estados Unidos. Tinha trinta anos. Disse-me que era produtora da série Beverly Hills 90210. Hã! Hã! Como se eu acreditasse. Produtora da série mais popular daquela altura. Claro que sim… E eu era uma das renas do Pai Natal. O mais certo era ela morar na Damaia e ter catorze anos. Teclámos durante algumas semanas, e lentamente fui acreditando. Não, ela não me hipnotizou, nem mandou mensagens subliminares. Simplesmente tudo o que ela teclava fazia sentido. Tinha começado como estagiária de produção 20