ESMORIZ (BARRINHA) EM FOCO 21 Edição: Associação Ambiental e de Lazer de Esmoriz Janeiro de 2012 http://www.aalesmoriz.blogspot.com http://issuu.com/pedrodredd/docs/aale21 e-mail: [email protected] SERÁ UM SONHO DUMA NOITE DE VERÃO? Todos, humanos racionais, e os menos racionais, têm sonhos. Sonhos, por vezes, sonhados mas, sem se concretizarem na realidade. Digo isto, porque na Nossa Barrinha de Esmoriz, este sonho anda há dezenas de anos para se concretizar e lamentavelmente, derivado às células do cérebro humano, que infelizmente tudo prometem nesta terra, e derivado ao Alzheimer promovido dessas mentalidades, fica sempre para trás este sonho! Disseram mentes aprofundadas nas ciências deste Ambiente morto, que logo no mês de Janeiro do ano que vai entrar, iremos ver aquele sonho resolvido. Despoluição das águas, tratamento das margens, desassoreamento dos fundos para retirarem as camadas de lamas há imensos anos acumuladas, enfim… Umas promessas que só em sonhos mas, será que o sonho se vai tornar realidade? Estamos muito próximos da data, oxalá que aquelas mentes que nos gerem não entrem novamente no esquecimento, na tal doença que por aí prolifera! Seria deveras ridículo e mais uma vez se iriam rir de nós que tudo pagamos, pois esses que prometem são os tais manda-chuvas que por razões que nem nos passa pela cabeça têm os bolsinhos cheios por via dos seus salários chorudos… Por ironia do destino, o povo espera, espera, e torna a esperar. O Sol quando nasce é para todos, e se por ventura essa estrela tão brilhante que nos aquece e nos fornece uma grande energia, por um só dia que fosse, deixasse de brilhar?! Para onde iria o nosso sonho? Amigos que estais nessas cadeiras de mando, olhai por esta Barrinha que com o tempo assim a passar, vai desaparecer, vai solidificar. Aqueles peixes que aí abundavam também já emigraram, o ecossistema está ameaçado. Ó mentes, tratai deste Sonho para que todos os Esmorizenses vos possam louvar por este belo feito… Será que estarei cá para ver este sonho tornado realidade?! Oxalá que sim. Até logo e Feliz Ano de 2012. Francisco Pinho Florindo O. Pinto Solicitador GESTÃO PARA VENCEDORES... Agente GESTWIN: HOT CHIP Av. da Praia, 1760 / 3885-406 Esmoriz www.hotchip.com.pt - [email protected] [email protected] [email protected] 1 NÃO TEM SITE? QUER ANUNCIAR O SEU NEGÓCIO NA INTERNET? A Barrinha Morreu… Olho languidamente várias e longas horas, Admirando a paisagem das quiméricas auroras. Revoadas de gaivotas voavam como folhas caindo, E as pétalas das rosas à luz do sol iam sorrindo! FAÇA-O POR APENAS 150 € (ANÚNCIO + SITE) Caem, caem, assim, uma e mais uma, O tufão da distância não poupou nenhuma. Barrinha ficou estéril, de cabelos desgrenhada, Assim como a pia donzela ela foi desflorada! Contacte-nos: info @hotchip.com.pt - Tel.: 919 524 498 Agora o vento gélido, dispersa a flor da aurora, Outro vento levou-as abraçadinhas, em feixes, Ficaram tuas águas impiamente sem peixes!... Parceiro Sales PHC FX: HOT CHIP Toda a humanidade é culpada, não só de agora, Deixaram que o vento levasse a flor, o coração meu, Emigram os pássaros, não voltam, a Barrinha Morreu!... Francisco Pinho Av. da Praia, 1760 / 3885-406 Esmoriz www.hotchip.com.pt - [email protected] Tels.: 919 524 498 / 925 301 870 Barrinha Rainha da Natureza… Em dias de céu azul, da mesma cor do mar, Nesta terra de vareiros, há arcanjos a noivar. Ondas recortadas como rendas, doces de nata, Beijinhos em banhos de espuma e luar de prata. Flocos de espuma, vapores, águas onduladas, Nuvens de penas brancas, gaivotas em revoadas. Aqui andam no ar, perfumes de belas açucenas, Madrigais dolentes de imensas e duras penas. Minha alma se prende e sublime se extasia, Douradas as cores desta tarde ao sol posto, Parecem altares com imagens de belo rosto!... Como montanhas, as ondas em harmonia, Aguarelas de luz, de sonho e grande beleza, Onde se reflecte a Barrinha Rainha da Natureza!... Francisco Pinho 2 PRECISA DE DINHEIRO? NÃO TEM TRABALHO? QUER CONHECER UM PROJECTO QUE PODE MUDAR A SUA VIDA? Ligue já: 917 555 540 / 919 524 498 BARRINHA, AQUELE LUGAR MÍTICO! Quando era pequenino… Poder-se-ia começar assim um escrito e ensaiar um regresso ao passado para recordar a Barrinha, aquele grande lago para chegar ao qual era preciso passar grandes dunas. A Barrinha era como um oásis de água no meio de areia ou de pequenos arbustos e erva, consoante se estava mais perto ou mais afastado do mar. Era o delírio da pequenada, sempre receosa dos seus poços de lodo, mas entusiasmada com a sua água límpida e parada, onde se podiam exercitar as primeiras braçadas da aprendizagem de nadar. Mais tarde aconteceu a abertura de uma rua paralela à orla costeira, desde a então conhecida Estrada do Mar até à Barrinha. Foi um feito levado a cabo por um movimento cívico e de desenvolvimento, tipicamente esmorizense, denominado Malta Cigana, o qual produziu milagres na época, dos quais o exemplo maior ou mais visível é o actual Barra Mar’s. Deve-se a essa Malta Cigana – grupo de jovens empreendedores de alto gabarito – a projecção da Barrinha e de Esmoriz, dado o atraso em que nos encontrávamos na época. A Barrinha passou a ser, então, um polo de grande atracção e de manifestações ímpares, onde existiam primeiro pequenos barcos a remo e depois barcos a remo e gaivotas, que eram um tipo de barcos sem remo, mas com pedais e que faziam a alegria todos quantos aí se deliciavam em digressões curtas pelas respectivas águas calmas e agradáveis. Era aos Domingos que a Barrinha ficava mais atraente e ruidosamente alegre com um colorido muito agradável que os barcos e as muitas pessoas lhe emprestavam quando cruzavam suas águas que se tornavam ondulantes com os movimentos de tantos barcos. O local constituía uma autêntica romaria, onde novos e menos novos confraternizavam e faziam lanches inesquecíveis à beira das águas. As viagens de barco desde as escadas do Barra’s até à estação do caminhos de ferro eram um desafio a quem gostava de apreciar as belezas que abundavam à volta do lago, quer no tocante à vegetação, quer quanto a visão e cantar proporcionadas pelas variadas espécies de aves que procuravam a zona húmida para nidificar. Para além de tais passeios lúdicos, muitas outras viagens eram realizadas até à estação dos caminhos de ferro, ora para fazer regatas caseiras, ora para levar e trazer amigos ou familiares à estação, que preferiam ir e vir de barco em vez de outro qualquer meio de transporte. 3 Quando o Verão apertava, Julho/meados de Agosto, aos Domingos, o mar e a Barrinha disputavam a preferência de jovens e adultos, quanto ao prazer de gozar a frescura da proximidade da água. Por isso é que poucos faziam opções à partida, salvo os que continuavam a preferir a Praia Velha, cujo extenso areal proporcionava momentos de grande prazer e permitia jogos de futebol na areia molhada depois da baixa-mar. Mas os que procuravam a Barrinha nunca esqueciam ou deixavam de ir ao mar, antes pelo contrário. Banhavam-se ou molhavam-se na Barrinha e iam fazer outro tanto ao mar e vice-versa. Era o prazer duplo que as duas belezas proporcionavam. Os tempos foram passando e a Barrinha de hoje não é mais que um pequeno reflexo daquilo que foi. O que chamamos civilização – essa evolução da sociedade – nem sempre se traduz em coisas boas para o homem e para a natureza. Por vezes tanto o homem, como a sociedade tem evoluções negativas, como mostra o exemplo da Barrinha. De local paradisíaco de vivência, pesca e caça e de sítio excelente para a nidificação e propagação de espécies, passou a um lago de águas impróprias para a maior parte de tais actividades, depois de ter passado por um charco propiciador de doenças e repelente para várias espécies. O homem, esse animal insaciável, que dificilmente convive com a natureza de que faz parte, na sua vontade voraz de ter, não olha a meios para atingir os seus fins. Por isso, estraga, danifica e mata coisas essenciais, levando ao desequilíbrio natural em que deveria viver. A Barrinha é, actualmente, um produto daquele pretenso progresso e constitui mais uma semi-perda para Esmoriz, Portugal e a Humanidade, como aconteceu com muitas outras coisas boas. Contudo, a degradação do ambiente e a extinção das espécies, aliados às alterações do clima que se tem vindo a verificar, parece ter alertado a consciência das pessoas, que estão agora em permanente S.O.S. no intuito de travar tais malefícios. É por isso que devemos ter esperança de que um qualquer dia, aquela Barrinha linda e tranquilizante, volte porque há avanços que jamais têm retorno, como é o caso do desaparecimento definitivo das espécies. E isso está a fazer o homem temer pela sua própria sobrevivência enquanto espécie. Todos, mas todos mesmo, temos de ter bem presente que a Terra foi-nos legada pelos nossos antepassados com a incumbência sagrada de a preservarmos e a transmitir aos nossos filhos nas condições em que a recebemos. E a Barrinha é um parte desse planeta azul em que gostamos de viver. M.Pinto (Dez. 2010) 4