Abertura do Ano Letivo 2015-2016, Universidade de Aveiro
Discurso do Presidente da Associação Académica da UA, André Reis
Falo hoje, pela segunda vez consecutiva e em representação dos estudantes da Universidade
de Aveiro, numa Sessão de Abertura de um Ano Letivo.
Entendo a abertura de um ano académico como um momento absolutamente central na vida
da nossa Instituição. Gosto por isso, muito particularmente, do rejuvenescimento da nossa
Instituição.
Rejuvenescer significa, neste contexto, uma oportunidade única de podermos olhar o futuro
de frente sem sentirmos qualquer receio do peso dos anos que deixamos para trás.
É talvez esta ideia de permanente transformação da nossa comunidade que mais admiro no
projeto da UA. É a ideia que sustenta desde logo um dos nossos maiores valores: o valor da
Universidade Moderna.
Queria por isso, de forma natural, dedicar as minhas primeiras palavras de hoje aos nossos
novos alunos. Sejam todos bem-vindos à Universidade de Aveiro.
Esta será, nos próximos anos, a vossa casa. Foi nela que entenderam apostar na vossa
formação superior e eu queria felicitar-vos desde já pela vossa certíssima escolha.
Todos vocês chegaram até aqui por algum motivo e todos vocês pretendem sair daqui com
alguma habilitação. Mas eu quero desde já alertar-vos que os grandes alunos da Universidade
de Aveiro não se fazem apenas dentro das salas de aulas. Aqui, na UA, deverão aprender da
melhor forma o que significa servir o país e os portugueses. Sim, porque estou absolutamente
convicto que será daqui, do projeto universitário, que se criarão os altos quadros dirigentes do
Portugal de amanhã.
Não encarem isto que vos digo como um discurso habitual daqueles todos que diariamente
vos transmitem. Sintam, na sua plenitude, o verdadeiro espírito de um estudante universitário.
Procurem novos caminhos. Criem pontes. Sejam capazes de retirar aprendizagens das
adversidades que vos vão surgindo. Mas, acima de tudo, encontrem soluções para os
problemas do mundo. A originalidade e a criatividade dos vossos pensamentos serão
seguramente o segredo para um país e um mundo que chamam, dia após dia, por novas ideias
e novos propósitos. Quem faz diferente e apresenta diferenças será sempre aquele que será
mais valorizado.
Acredito assim que todos vocês são bons em alguma coisa. Não há nenhum que não tenha
nenhuma coisa a acrescentar. As questões que hoje vos são colocadas são muito simples:
porque “mares nunca dantes navegados” tencionam vocês navegar? Que “Novo Reino” se
propõem a “edificar”?
Já Luís Vaz de Camões o referia e será certamente essa a resposta que a Universidade de
Aveiro se propõe a dar. Procurem-na, com responsabilidade e dever cívico, mas não deixem de
se divertirem durante esse fantástico e motivante desafio que a educação vos proporciona.
Vão gostar. Depois falamos.
Senhor Reitor,
Caros convidados,
Estimados colegas,
Enquanto vamos assistindo a este rejuvenescimento da nossa comunidade devemos, nós por
cá, acompanhar este processo com uma também permanente atualização das nossas práticas
e dos nossos alicerces.
A abertura de um novo ano será sempre também uma excelente forma de iniciarmos uma
nova reflexão. Gostaria particularmente que este ano letivo fosse dedicado à valorização das
competências transversais dos estudantes da UA.
Sou um confesso admirador desta temática que se tem vindo cada vez mais a discutir.
O Processo de Bolonha veio reduzir os ciclos de estudos. A carga horária também aumentou
significativamente.
A grave crise económica, financeira e social que o país atravessou ao longo dos últimos anos e que tocou particularmente nas famílias portuguesas - veio também a traduzir-se numa maior
pressão familiar para que os nossos alunos terminem o seu percurso académico nos tempos
previamente definidos.
Tudo isto não pode colocar nunca em causa a cultura de uma Instituição e, principalmente, das
pessoas. Se tal acontecer estamos a correr o risco de falharmos num dos princípios básicos do
Ensino Superior: a formação cívica, cultural e humana dos estudantes.
Defendo assim, que todos os estudantes que apresentem um conjunto de requisitos ao nível
do aproveitamento escolar dentro da sua área de estudo possam diversificar as suas
competências e aptidões, em áreas de estudo diferentes, em condições muito vantajosas que
a Universidade deverá disponibilizar.
Acredito muito, mas mesmo muito, que é na aposta no nosso capital humano que vamos
conseguir continuar a colocar a UA como uma referência ao nível de práticas pedagógicas do
Ensino Superior e da formação de jovens qualificados.
Devemos por isso continuar com o nosso foco nas ciências e nas tecnologias sem nunca
esquecer as restantes áreas de estudo. Temos que promover alianças, partilhas e consórcios
que permitam ganhos de escala e que valorizem a UA nas suas diferentes vertentes.
Temos que continuar a apostar na internacionalização e a aproveitar da melhor forma o que
ela nos tem para nos oferecer. Apostar na internacionalização com visão estratégica e estando
sempre preparados da melhor forma para o acolhimento dos estudantes internacionais.
Avaliar o nosso modelo de gestão e outros aspetos organizacionais da UA deve continuar a ser
uma constante, bem como continuar com a avaliação dos nossos cursos, promover uma
revisão dos nossos ciclos de estudo e de novas e inovadoras metodologias de estudo.
Assim será possível fortalecermos a nossa Instituição, apostando sempre em primeira instância
nas pessoas e preparando-as para os desafios futuros da sociedade em geral.
Senhor Reitor,
Senhor Presidente da Câmara Municipal de Aveiro,
Demais convidados,
Estimados colegas,
Entendeu o Senhor Reitor atribuir o tema da Sessão de Abertura do presente Ano Académico à
importância da Universidade na política da Cidade, convidando o nosso Presidente da Câmara
Municipal de Aveiro, o Engenheiro José Ribau Esteves, a pronunciar-se sobre o tema.
Felicito-o pela escolha e sem prejuízo da intervenção que muito atentamente vamos ouvir por
parte do Senhor Presidente gostaria desde já, muito humildemente, fazer alguns comentários.
Cresci nesta Cidade desde os meus 18 anos. Como eu, ao longo das dezenas de anos de
história da Universidade de Aveiro passaram por aqui algumas dezenas de milhares de
estudantes.
A UA conheceu muitas Cidades de Aveiro e muitas Cidades de Aveiro conheceram a UA. A
marca da UA no desenvolvimento da Cidade é certamente inegável aos olhos de todos.
Formamos jovens aveirenses. Criamos empresas. Transferimos conhecimento para dentro
delas. Criamos postos de trabalho a muitos aveirenses. Fixamos pessoas. Dinamizamos a vida
cultural e económica da Cidade.
Por tudo isto e por muito mais, existia algo que entendia como verdadeiramente
incompreensível aos meus olhos: como poderia uma Cidade destas que cresceu lado a lado
junto de uma Academia viver quase diariamente de costas voltadas para a mesma?
Parei. Parei, sem pensar muito no passado, confesso. E li, li por algum lado… Era o discurso da
tomada de posse de um novo Presidente de Câmara Municipal de Aveiro. Na altura nem
memorizei o nome. Mas algo me chamou a atenção: um poema da Tuna Universitária de
Aveiro logo a começar.
Foi nesse preciso momento, na altura como mero candidato à Associação Académica da
Universidade de Aveiro, que entendi que estava a chegar um momento de mudança muito
importante para a Academia e a Cidade.
E assim foi. Sentamo-nos à mesa, já enquanto Presidente da Direção da AAUAv, e definimos o
caminho que queríamos percorrer. Não foi um caminho qualquer. Foi um caminho com regras
e com responsabilidade assumida. Mas a vontade de fazermos mais Academia com Cidade era
já a suficiente para que o caminho começasse a ser trilhado.
A vitória das semanas académicas devolvidas à Cidade de Aveiro foi apenas o iniciar de um
intensa relação de cumplicidade, com os seus laços já criados e os seus objetivos bem
definidos.
A Universidade não é nada mais nada menos que o espelho da Cidade que temos. E o contrário
também se aplica.
Temos que criar ainda mais condições para que os jovens qualificados se fixem em Aveiro e
que não tenham muitas das suas vezes de emigrar para fora do país. Temos que aprofundar a
relação com o tecido empresarial, apostando numa permanente transferência de
conhecimento.
O projeto “Aveiro é Nosso” criado no final de 2012 pela Direção da AAUAv como veículo
fundamental da ligação da Cidade e da Academia faz ainda mais sentido e deverá aprofundar
também as suas áreas de intervenção.
Mas, acima de tudo, há um grande desafio para o qual temos grandes expetativas a curtoprazo e para qual pedimos a intensa colaboração do Senhor Presidente: a fixação de um
espaço cultural, social e gerador de ideias no centro da Cidade de Aveiro. Falo do Solar
Académico que pretende ser exatamente a Casa do Estudante na Cidade de Aveiro.
Entendemos este projeto como absolutamente decisivo nesta política de proximidade à Cidade
e ao Município de Aveiro.
Enquanto sentirmos que uma pessoa, uma entidade, uma empresa ou uma instituição desta
cidade não se encontre ainda envolvida neste intenso sentimento de mais Cidade com
Academia, vamos lá estar. E estaremos porque nunca, mas mesmo nunca, cruzaremos os
braços. O contrário seria desistir e esse não é o papel da AAUAv.
Sentimo-nos por isso motivados. Motivados e desafiados por esse complexo desafio de
conduzir o verdadeiro sentimento de Cidade Universitária de Aveiro por todos.
A circunstância histórica e singular que vivemos hoje não nos deverá satisfazer ou abrandar.
Nesta relação de extrema cumplicidade edificaremos hoje a Universidade e a Cidade que
pretendemos para amanhã. E uma Universidade e uma Cidade que se querem modernas têm
que estar sempre em permanente contacto com os que a rodeiam.
Se podíamos viver sem Aveiro? Não, não podíamos. Mas mesmo que pudéssemos não seria a
mesma coisa.
Obrigado a todos e vamos ao trabalho que ainda há muito mar para a ria cruzar.
André Reis, Presidente da Direção da AAUAv
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