Artigos científicos imidazolinonas 2006-2009 Controle de arroz-vermelho em dois genótipos de arroz ... CONTROLE 549 ARROZ-VERMELHO EM DOIS GENÓTIPOS DE ARROZ (Oryza sativa) TOLERANTES A HERBICIDAS DO GRUPO DAS IMIDAZOLINONAS1 DE Red Rice Control in Two Rice (Oryza sativa) Genotypes Tolerant to Imidazolinone Herbicides VILLA, S.C.C.2, MARCHEZAN, E.2, MASSONI, P.F.S.3, SANTOS, F.M.4, AVILA, L.A.5, MACHADO, S.L.O.6 e TELO, G.M.7 RESUMO - A infestação por arroz-vermelho (Oryza spp.) constitui-se num dos principais fatores limitantes da produtividade de grãos do arroz irrigado. Este trabalho teve como objetivo avaliar o controle de arroz-vermelho e o desempenho de dois genótipos de arroz irrigado, IRGA 422 CL e Tuno CL, tolerantes a herbicidas do grupo das imidazolinonas em resposta a doses e épocas de aplicações da mistura formulada de imazethapyr (75 g L-1) + imazapic (25 g L-1) (produto comercial Only®), em áreas com alta infestação de arroz-vermelho. O experimento foi conduzido em Santa Maria-RS no ano agrícola 2004/05. O delineamento experimental foi de blocos ao acaso em esquema bifatorial (2 x 10), com quatro repetições. O fator A foi composto por dois genótipos de arroz tolerantes às imidazolinonas, um cultivar (IRGA 422 CL) e um híbrido (Tuno CL); e o fator D, pelos tratamentos para controle de arroz-vermelho oriundos de combinações de doses e épocas de aplicação do herbicida. Constatou-se que o híbrido é mais tolerante ao herbicida Only®, quando comparado ao cultivar, sendo possível a utilização de dose total de até 200% no híbrido, em áreas com alta infestação de arroz-vermelho, sem afetar a produtividade. Porém é importante salientar que o incremento da dose do herbicida pode causar problemas de residual a culturas não tolerantes semeadas na seqüência.O controle de arroz-vermelho é total com aplicação fracionada do herbicida em pré e pós-emergência (PRÉ + PÓS), desde que o total aplicado não seja inferior a 125%. Essa condição é atendida pelo tratamento com 75% em PRÉ seguido de 50% em PÓS, o qual propicia a menor dose total entre aqueles com 100% de controle, não afetando a produtividade e apresentando fitotoxicidade semelhante ao tratamento com 100% em PÓS, utilizado como referência. Palavras-chave: Clearfield, imazapic, imazethapyr, IRGA 422 CL, Only®, Tuno CL. ABSTRACT - Red rice (Oryza spp.) is one of the main limiting factors to rice (O. sativa) yield. An experiment was carried out to evaluate red rice control and the behavior of two rice genotypes tolerant to the imidazolinone herbicides in response to imazethapyr (75 g L-1) + imazapic (25 g L-1) application rates and timing. The experiment was conducted in Santa Maria-RS, Brazil in 2004/ 2005 and was arranged in a factorial scheme, in a randomized block design, with four replications. Factor A included the two rice genotypes tolerant to the imidazolinones, a cultivar (IRGA 422 CL) and a hybrid (Tuno CL); and factor D included the treatments for red rice control, which was a combination of rates and herbicide application timing. The hybrid was found to be more tolerant to the herbicide only than the cultivar. Application rates up to 200% on the hybrid genotype could be done without affecting rice yield. It is important to state that increasing the rate of herbicide application can create carryover problems to non-tolerant crops. Red rice control was total with split application of imazethapyr + imazapic in PRE and POST emergence with the total rate above 125%. The most efficient treatment was application of 75% in PRE followed by 50% in POST, which was the lowest rate promoting 100% control, with relatively low toxicity to the cultivar and without affecting rice yield. Keywords: Clearfield, imazapic, imazethapyr, IRGA 422 CL, Only®, Tuno CL. 1 Recebido para publicação em 6.2.2006 e na forma revisada em 4.8.2006. Parte integrante da dissertação de mestrado do primeiro autor. Pesquisa financiada pelo CNPq, CAPES, FAPERGS e UFSM. 2 Eng.-Agr., Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Agronomia, Dep. de Fitotecnia, Universidade Federal de Santa Maria – UFSM, prédio 44, sala 5335, 97105-210 Santa Maria-RS, bolsista CAPES, <[email protected]>; 2 Eng.-Agr., Dr., Prof. do Dep. de Fitotecnia da UFSM, pesquisador CNPq, <[email protected]>; 3 Acadêmico do curso de Agronomia da UFSM, bolsista CNPq; 4 Eng.-Agr., Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Agronomia da UFSM, bolsista CNPq; 5 Eng.-Agr., Dr., Prof. do Dep. de Fitotecnia da UFSM; 6 Eng.-Agr., Dr., Prof. do Dep. de Defesa Fitossanitária da UFSM; 7 Acadêmico do curso de Agronomia da UFSM, bolsista FAPERGS. Planta Daninha, Viçosa-MG, v. 24, n. 3, p. 549-555, 2006 550 INTRODUÇÃO O arroz-vermelho é a principal planta daninha da cultura do arroz irrigado no mundo, reduzindo a produtividade e a qualidade do produto colhido. Após várias décadas de busca de alternativas para o controle seletivo do arrozvermelho, desenvolveram-se genótipos de arroz tolerantes a herbicida do grupo químico das imidazolinonas, através de mutação induzida por radiação gama e/ou transformação química por etil metanossulfonato – EMS (Croughan, 1998). O uso de herbicidas em genótipos com essa característica constitui-se numa estratégia eficiente para o controle de arroz-vermelho (Steele et al., 2002; Ottis et al., 2003; Webster et al., 1998). A eficiência do controle de arroz-vermelho com o uso do imazethapyr varia, entre outros fatores, com a dose e a época de aplicação do produto. O controle pode atingir 100% nesse sistema, mas para que esse nível seja alcançado há necessidade de duas aspersões de imazethapyr: uma em pré-emergência (PRÉ) e outra em pós-emergência (PÓS) (Steele et al., 2002; Ottis et al., 2003). Em diferentes estádios de desenvolvimento, doses de 36 a 140 g ha-1 foram eficientes no controle de arroz-vermelho; contudo, em pós-emergência, a toxicidade nas plantas é elevada em genótipos com menor tolerância, podendo resultar na redução da produtividade (Steele et al., 2002; Pellerin & Webster, 2004). Nos EUA, preconiza-se a utilização de aplicações seqüenciais de imazethapyr: uma com 70 g ha-1, em pré-plantio incorporado ou PRÉ, seguido de 70 g ha-1 em PÓS, com o arroz no estádio de três a cinco folhas, independentemente da textura do solo (Ottis et al., 2003). Por outro lado, no Brasil, preconiza-se uma única aplicação de 1,0 L ha-1 da mistura formulada de imazethapyr (75 g L-1) + imazapic (25 g L-1) em PÓS, quando as plantas de arrozvermelho encontram-se no estádio de até quatro folhas. À medida que a aplicação é atrasada, a eficiência de controle diminui, principalmente em áreas com alta infestação, podendo ocorrer cruzamento natural entre o genótipo de arroz tolerante ao herbicida e o arroz-vermelho (Gealy et al., 2003). O fluxo gênico ocorre quando há controle deficiente e as plantas remanescentes florescem simultaneamente, podendo causar Planta Daninha, Viçosa-MG, v. 24, n. 3, p. 549-555, 2006 VILLA, S.C.C. et al. o surgimento de biótipos de arroz-vermelho tolerantes a imidazolinonas, abreviando a longevidade dessa tecnologia. Por isso, é importante também a utilização de práticas integradas de manejo, visando aumentar o controle do arroz-vermelho e reduzir a possibilidade desse cruzamento natural. Foi conduzido um experimento com o objetivo de avaliar o controle de arroz-vermelho e o desempenho de dois genótipos de arroz irrigado, IRGA 422 CL e Tuno CL, tolerantes a herbicidas do grupo das imidazolinonas em resposta a doses e épocas de aplicações da mistura formulada dos herbicidas imazethapyr (75 g L-1) + imazapic (25 g L-1), em áreas com alta infestação de arroz-vermelho. MATERIAL E MÉTODOS O experimento foi conduzido no ano agrícola 2004/05, em um Planossolo Hidromófico eutrófico arênico (pH água (1:1) = 5,0; P = 8,0 mg dm-3; K = 32 mg dm-3; argila = 20%; M.O. = 1,6%; Ca = 3,3 cmol c dm -3; Mg = 1,0 cmolc dm-3; e Al = 0,6 cmolc dm-3), localizado na área de pesquisa da Universidade Federal de Santa Maria, em Santa Maria-RS. O delineamento experimental foi de blocos ao acaso em esquema bifatorial (2 x 10), com quatro repetições. O fator A foi composto por dois genótipos de arroz, um cultivar (IRGA 422 CL) e um híbrido (Tuno CL), ambos tolerantes às imidazolinonas; e o fator D, pelos tratamentos com os herbicidas imazethapyr (75 g L-1) + imazapic (25 g L-1). Visando garantir uma boa população de arroz-vermelho, juntamente com a aplicação da adubação de base (6, 60 e 90 kg ha-1 de N, P20 5 e K 2O, respectivamente), dois dias antes da semeadura do arroz, distribuiu-se a lanço e incorporou-se ao solo a quantidade de 125 kg ha-1 de sementes de arroz-vermelho, obtendo-se população média de 219 plantas m-2. A semeadura do arroz cultivado foi realizada em linhas espaçadas de 20 cm, no dia 29.10.2004, utilizando-se 108 e 45 kg ha-1 de sementes, para o cultivar e para o híbrido, respectivamente. A aplicação do herbicida em PRÉ foi efetuada um dia após a semeadura, com pulverizador costal pressurizado com CO2 munido de pontas leque 11002, com vazão de 125 L ha-1. Controle de arroz-vermelho em dois genótipos de arroz ... O grau de umidade do solo no momento dessa aplicação encontrava-se adequado para a germinação das sementes; na semana seguinte ocorreu precipitação pluvial de 50 mm, constituindo-se numa condição favorável para aplicação em PRÉ desse herbicida. A aplicação em PÓS foi efetuada aos 14 dias após a emergência (DAE), quando as plantas do arroz cultivado encontravam-se no estádio V4 (Counce et al., 2000) e as de arroz-vermelho em V5. A vazão utilizada foi de 150 L ha-1, com adição de 0,5% v/v de óleo mineral emulsionável. Um dia após a aplicação do tratamento em PÓS, a área foi inundada, mantendo-se lâmina d’água constante de aproximadamente 5 cm de altura. O nitrogênio foi aplicado na forma de uréia e parcelado em três épocas: 6 kg ha-1 de N na semeadura; 60 kg ha-1 de N no estádio V4, um dia antes da inundação; e 60 kg ha-1 de N na iniciação da panícula (R0). Juntamente com a terceira aplicação de N, foram aplicados 500 g ha-1 do inseticida carbofuran para controlar larvas do gorgulho-aquático-do-arroz (Oryzophagus oryzae). Efetuou-se a contagem do número de colmos em um metro linear na linha de semeadura, previamente demarcada em cada parcela, aos 24, 36 e 48 DAE. Nessa mesma área, determinou-se o número de panículas por planta e foram coletadas 10 panículas, nas quais se determinou o número de grãos por panícula e a massa de mil grãos. A avaliação de toxicidade ao arroz foi realizada aos 16 dias após a aplicação dos tratamentos em PÓS. As avaliações de controle de arroz-vermelho e angiquinho (Aeschynomene denticulata) foram realizadas no dia da colheita, sendo os valores estimados visualmente, utilizando a escala percentual de 0 a 100%, em que 0 = ausência de fitotoxicidade ou controle e 100 = morte das plantas ou controle total. A produtividade de grãos foi determinada através da colheita manual em área de 8,0 m2 (5,0 x 1,6 m), quando os grãos apresentavam umidade média de 20%. Após a trilha, limpeza e pesagem dos grãos com casca, os dados foram corrigidos para 13% de umidade e convertidos em kg ha-1. Os dados foram submetidos à análise de variância e as médias comparadas pelo teste de Tukey (P>0,05). Para 551 a análise estatística, os dados de controle de arroz-vermelho e fitotoxicidade foram transformados para yt arco sen o ( y 0,5) / 100 e os demais dados em porcentagem foram transformados para yt y 1 . RESULTADOS E DISCUSSÃO Para produtividade de grãos, fitotoxicidade e controle de arroz-vermelho (Tabela 1), houve interação entre genótipos e tratamentos do herbicida. As doses totais neste trabalho são de 0 a 200% da recomendada a campo (75 g ha-1 de imazethapyr + 25 g ha -1 de imazapic). O híbrido (Tuno CL) destacou-se como genótipo mais produtivo do que o cultivar (IRGA 422 CL), independentemente da dose ou época de aplicação do herbicida, com exceção da testemunha (D1). A utilização do herbicida proporcionou aumento da produtividade de grãos em relação à testemunha, com acréscimo de 55% para o cultivar e de 121% para o híbrido. No híbrido, as doses e épocas não afetaram a produtividade de grãos, porém, para o cultivar, houve redução nos tratamentos D7 e D8, em relação a D2. Apesar dessa diferença na produtividade, deve-se considerar que a dose utilizada em D2, abaixo da recomendada, pode não reproduzir os mesmos resultados em diferentes condições de ambiente e manejo, ocorrendo risco de escape de arroz-vermelho. No cultivar, a aplicação em PÓS nas maiores doses (D9 e D10) não afetou a produtividade do arroz, ainda que a fitotoxicidade inicial tenha sido superior a 50%, evidenciando que houve recuperação das plantas. Relatos da literatura demonstram resultados semelhantes, utilizando herbicidas do mesmo grupo (Ottis et al., 2003; Agostinetto et al., 2005). Deve-se levar em conta que, aumentando a dose acima do recomendado, pode haver problemas de persistência desses herbicidas no solo, o que pode causar danos a culturas sucessoras não-tolerantes (Williams et al., 2002). O híbrido foi mais tolerante que o cultivar quando se aplicaram 100% em PÓS (D3) e naqueles tratamentos com dose total superior a 100% (D6, D7, D8, D9 e D10). O híbrido é mais tolerante, pois é resultado da introgressão por retrocruzamento do gene mutante de segunda geração para tolerância a herbicidas do Planta Daninha, Viçosa-MG, v. 24, n. 3, p. 549-555, 2006 552 VILLA, S.C.C. et al. grupo das imidazolinonas (Renato Luzzardi(1), comunicação pessoal). Para os tratamentos com dose total de 100%, o aumento da dose em PÓS ocasionou maior fitotoxicidade (Figura 1), não se refletindo na produtividade. Contudo, em condições adversas para o desenvolvimento da cultura, essa fitotoxicidade poderá afetar a produtividade de grãos. Para o cultivar (Tabela 1), os tratamentos com as doses de 75% em PRÉ (D2), 100% em PRÉ (D4) e a dose de 100% fracionada (D5) proporcionaram menor fitotoxicidade que o tratamento-referência com a dose de 100% em PÓS (D3). Verificou-se também que o tratamento D3 apresentou fitotoxicidade semelhante à dos tratamentos com dose total de 125 a 150% (D6, D7 e D8). Para o híbrido, os tratamentos que proporcionaram menor fitotoxicidade foram D2, D4, D5, D6 e D8, e o tratamentoreferência (D3) apresentou fitotoxicidade semelhante à de D7 e D9. O controle de 100% do arroz-vermelho foi obtido com os tratamentos com dose total aplicada a partir de 125% (D6, D7, D8, D9 e D10), e foram nesses tratamentosque ocorreu a maior fitotoxicidade para ambos os genótipos. Devem-se ressaltar duas práticas de manejo que contribuíram para o controle do arroz-vermelho: a aplicação precoce dos herbicidas e a irrigação imediatamente após a aplicação do herbicida em PÓS, estando de acordo com relatos de Williams et al. (2002), pois a irrigação proporciona maior disponibilidade e absorção do herbicida pelas plantas. Além disso, a água atua como barreira para a emergência das plantas de arroz-vermelho, auxiliando no controle. Nesse sentido, o perfeito nivelamento da área em sua superfície é decisivo para manter lâmina uniforme de água e, com isso, ser um importante fator para elevada porcentagem de controle. Em condições de campo, a presença de taipas, por exemplo, pode permitir escapes e a reinfestação de arroz-vermelho. Tabela 1 - Produtividade de grãos, fitotoxicidade aos 16 dias após a aplicação do tratamento em POS e controle de arrozvermelho (AV) no dia da colheita, em resposta a doses e épocas de aplicação dos herbicidas imazethapyr + imazapic, utilizando genótipos de arroz tolerantes. Santa Maria-RS, 2005 Doses de imazethapyr + imazapic1/ Código do tratamento PRE 2/ 3/ POS Genótipos Total Produtividade de grãos IRGA 422 CL Tuno CL Fitotoxicidade IRGA 422 CL Controle de AV Tuno CL (kg ha-1) (%) IRGA 422 CL Tuno CL (%)4,5/ D1 0 0 0 A 4.720 c6/ A 4.978 b --- D2 75 0 75 B 8.346 a A 11.200 a A 4e D3 0 100 100 B 7.046 ab A 10.646 a A 22 d B 14 bc A 97 b A 98 b D4 100 0 100 B 8.131 ab A 11.452 a A 6e A 4d A 97 b A 98 b D5 50 50 100 B 7.511 ab A 11.190 a A 11 e A 6 cd B 97 b A 99 a D6 75 50 125 B 7.495 ab A 11.143 a A 26 cd B 8 cd A 100 a A 100 a --A 5 cd --- --- A 97 b A 98 b D7 75 75 150 B 6.725 b A 10.792 a A 40 b B 12 bcd A 100 a A 100 a D8 100 50 150 B 6.766 b A 11.409 a A 33 bc B 8 cd A 100 a A 100 a D9 100 100 200 B 7.016 ab A 10.809 a A 54 a B 19 ab A 100 a A 100 a D10 0 200 200 B 6.806 ab A 10.491 a A 57 a B 28 a A 100 a A 100 a 7.056 10.411 25 10 99 99 Média CV (%) 7,6 3,3 0,2 1/ Produto comercial Only, contendo 75 + 25 g ha-1 dos ativos citados, respectivamente. Doses expressas em valores percentuais em relação à dose de 75 g ha-1 de imazethapyr + 25 g ha-1 de imazapic; 2/ Aplicação em pré-emergência; 3/ Aplicação em pós-emergência com o arroz-vermelho no estádio V5, segundo escala de Counce et al. (2000); 4/ Para a análise, os dados foram transformados para yt ar cos en ( y 0,5) / 100 ; 5/ Controle de AV e a fitotoxicidade no arroz foram avaliados visualmente em porcentagem, em que 0 corresponde a ausência de controle ou fitotoxicidade e 100 ao controle total ou morte de plantas de arroz; 6/ Para cada parâmetro analisado, médias seguidas de diferentes letras minúsculas na coluna e de letras maiúsculas na linha diferem pelo teste de Tukey (Pt0,05). (1) Eng.-Agrônomo, M.S., Gerente de Pesquisa da RiceTec Sementes Ltda., Av. São Paulo, 877, Bairro São Geraldo, 90230-161 Porto Alegre-RS. Planta Daninha, Viçosa-MG, v. 24, n. 3, p. 549-555, 2006 Controle de arroz-vermelho em dois genótipos de arroz ... 553 Para as variáveis controle de angiquinho, colmos por planta, estatura de plantas, panículas por metro quadrado, grãos por panícula, massa de mil grãos e esterilidade de espiguetas, não houve interação entre genótipos e tratamentos do herbicida (Tabela 2). O controle de angiquinho foi de 100% quando a dose aplicada foi igual ou maior que 125%. Destacou-se também a aplicação de 100% em PÓS (D3), com 93% de controle. Cabe ressaltar que, na área do experimento, a infestação média dessa invasora na parcela testemunha era de apenas uma planta por metro quadrado. O controle químico de angiquinho passa a ser economicamente viável quando a população de plantas for acima de duas plantas por metro quadrado (Adoryan, 2004). Dessa forma, em áreas com alta infestação de angiquinho, pode haver necessidade de medidas complementares à aplicação de imazethapyr +imazapic para o controle desta espécie. 100% em PÓS ou com doses maiores que 100%, mas não foi afetado na avaliação aos 48 DAE. Isso indica que a fitotoxicidade do herbicida retardou a emissão de perfilhos, porém as 20 a 18 Fitotoxicidade (%) 16 14 12 10 b 8 b 6 4 2 0 0+100 100+0 50+50 Doses (PRÉ+PÓS) Figura 1 - Fitotoxicidade média dos herbicidas imazethapyr + imazapic em genótipos de arroz tolerantes, medida aos 16 dias após a aplicação dos tratamentos em PÓS, em resposta à época de aplicação do herbicida. Santa MariaRS, 2005. O número de colmos por planta do arroz (24 e 36 DAE) foi menor quando se aplicaram Tabela 2 - Controle de angiquinho (AESDE) avaliado no dia da colheita, número de colmos por planta, estatura de plantas (Estatura), número de panículas por metro quadrado (PMQ), número de grãos por panícula (GP), massa de mil grãos (MMG) e esterilidade de espiguetas (EE) de genótipos de arroz tolerantes em resposta a doses e épocas de aplicação dos herbicidas imazethapyr + imazapic. Santa Maria-RS, 2005 Doses de imazethapyr + imazapic 1/ Código do PRÉ2/ PÓS3/ Total tratamento (%) D1 D2 D3 D4 D5 D6 D7 D8 D9 D10 0 75 0 100 50 75 75 100 100 0 0 0 100 0 50 50 75 50 100 200 Genótipos IRGA 422 CL Tuno CL Média geral CV (%) 0 75 100 100 100 125 150 150 200 200 Colmos por planta AESDE Estatura 24 DAE 4/ 36 DAE 4/ 48 DAE (%)6,7/ 4/ PMQ GP (cm) MMG EE 5/ (g) (%) --52 c8/ 93 a 44 b 89 a 100 a 100 a 100 a 100 a 100 a 2,7 ab 2,9 a 2,1 bc 2,9 a 2,9 a 2,7 ab 2,0 bc 2,8 ab 1,8 c 1,4 c 3,7 ab 4,1 ab 3,3 b 5,0 a 4,8 ab 4,8 ab 3,7 ab 4,7 ab 3,6 ab 3,2 b 3,5 ns 4,2 3,7 4,6 4,8 4,7 4,6 4,8 4,0 3,9 74 ns 78 78 80 77 79 79 78 78 79 321 b 491 a 538 a 536 a 513 a 528 a 471 a 510 a 414 ab 478 a 73 b 84 ab 80 ab 99 a 91 ab 84 ab 81 ab 94 a 87 ab 85 ab 25 ns 27 26 26 26 26 27 27 27 27 21 ns 17 17 15 15 18 18 14 15 17 74 b 81 a 78 5,5 2,0 b 2,9 a 2,4 19,3 3,7 b 4,5 a 4,1 24,0 3,9 b 4,7 a 4,3 25,0 70 b 86 a 78 4,5 489 ns 470 480 15,8 64 b 108 a 86 14,0 29 a 24 b 26 3,5 20 a 14 b 17 14,1 1/ Produto comercial Only, contendo 75 + 25 g ha-1 dos ativos citados, respectivamente. Doses expressas em valores percentuais em relação à dose de 75 g ha-1 de imazethapyr + 25 g ha-1 de imazapic; 2/ Aplicação em pré-emergência; 3/ Aplicação em pós-emergência com o arroz-vermelho no estádio V5, segundo escala de Counce et al. (2000); 4/ Dias após a emergência do arroz; 5/ Para análise, os dados foram transformados para yt y 1 ; 6/ Para análise, os dados foram transformados para yt ar cos en ( y 0,5) / 100 ; 7/ Avaliação percentual, em que 0 significa sem controle e 100 corresponde ao controle total; 8/ Na coluna, médias não seguidas da mesma letra para cada parâmetro analisado (dentro de cada fator) diferem ns pelo teste de Tukey (Pt0,05); e Teste F não-significativo (Pt0,05). Planta Daninha, Viçosa-MG, v. 24, n. 3, p. 549-555, 2006 554 VILLA, S.C.C. et al. plantas compensaram através da emissão de colmos após o efeito fitotóxico. Independentemente da época de avaliação, o híbrido apresentou maior número de colmos por planta. arroz-vermelho nesse sistema é fundamental para o sucesso dessa tecnologia. Práticas de manejo como a época de semeadura e o manejo do nitrogênio e da irrigação, entre outras, devem ser mais bem entendidas. A estatura de plantas, avaliada no momento da colheita, não foi afetada pela aplicação do herbicida, diferindo apenas entre genótipos. Na presença de arroz-vermelho, Agostinetto et al. (2005) verificaram que a estatura de planta reduziu apenas quando o herbicida foi aplicado aos 45 dias após a emergência. O Tuno CL é mais tolerante ao herbicida quando comparado ao cultivar IRGA 422 CL, tolerando dose total de até 200%, sem afetar a produtividade. Os diferentes tratamentos com o herbicida não afetaram o número de panículas por metro quadrado e de grãos por panícula. Por sua vez, a testemunha sem a aplicação do herbicida (D1) afetou negativamente esses parâmetros devido à alta infestação de arroz-vermelho (219 plantas m-2), planta daninha que, em competição com o arroz cultivado, reduziu a produtividade de grãos, pelo fato de afetar justamente os componentes do rendimento (Balbinot Jr. et al., 2003). A massa de mil grãos e a esterilidade de espiguetas não foram afetadas pelo herbicida. O maior número de grãos por panícula e a menor esterilidade observada no híbrido proporcionaram maior produtividade de grãos em relação ao cultivar. Balbinot Jr. et al. (2003), trabalhando com competição de genótipos com o arroz-vermelho, também observaram que o cultivar híbrido obteve maior número de grãos por panícula, tanto na presença quanto na ausência de arroz-vermelho. É importante destacar a alta capacidade de perfilhamento do híbrido, que, embora semeado em densidade inferior à do cultivar, apresentou valor equivalente para o número de panículas por metro quadrado na colheita. A utilização de genótipos de arroz tolerantes com a mistura formulada dos herbicidas imazethapyr (75 g L-1) + imazapic (25 g L-1) não pode ser considerada uma solução definitiva para eliminar as infestações de arrozvermelho, constituindo-se em alternativa a ser complementada com outras técnicas de manejo. Fatores edafoclimáticos e de manejo da lavoura são decisivos na resposta dos herbicidas. Nesse sentido, o melhor entendimento do efeito desses fatores no desenvolvimento da planta de arroz tolerante e no controle do Planta Daninha, Viçosa-MG, v. 24, n. 3, p. 549-555, 2006 O controle de arroz-vermelho é total com aplicação fracionada do herbicida (PRÉ + PÓS), desde que o total aplicado não seja inferior a 125%. Essa condição é atendida pelo tratamento com 75% em PRÉ mais 50% em PÓS (D6), o qual propicia a menor dose total entre aqueles com 100% de controle, não afetando a produtividade e apresentando fitotoxicidade semelhante à do tratamento com 100% em PÓS (D3), utilizado como referência. AGRADECIMENTOS À CAPES, CNPq, FAPERGS e UFSM, pelo auxílio financeiro. À RiceTec Sementes Ltda., pela doação da semente do híbrido. Ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), pela bolsa de Produtividade em Pesquisa concedida a Enio Marchezan, e à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), pela bolsa de Mestrado concedida a Silvio Carlos Cazarotto Villa. Ao Dr. Scott Allen Senseman, pelo auxílio na redação e revisão do trabalho. LITERATURA CITADA ADORYAN, M. L. Efeitos de densidades de Aeschynomene rudis Benth. e seu controle com o herbicida ethoxysulfuron em duas épocas de aplicação na cultura do arroz (Oryza sativa L.) irrigado. 2004. 68 f. Dissertação (Mestrado em Fitotecnia) – Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, Piracicaba, 2004. AGOSTINETTO, D. et al. A época de aplicação de imazethapyr afeta o controle de arroz daninho e o desenvolvimento e a produtividade de genótipo de arroz tolerante ao herbicida. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ARROZ IRRIGADO, 4.; REUNIÃO DA CULTURA DO ARROZ IRRIGADO, 26., 2005, Santa Maria. Anais... Santa Maria: SOSBAI, 2005. v. 1. p. 143-145. Controle de arroz-vermelho em dois genótipos de arroz ... 555 BALBINOT Jr., A.A. et al. Competitividade de genótipos de arroz irrigado com cultivar simuladora de arroz-vermelho. Pesq. Agropec. Bras., v. 38, n. 1, p. 53-59, 2003. OTTIS, B. V. et al. Imazethapyr application methods and sequences for imidazolinone-tolerant rice (Oryza sativa). Weed Technol., v. 17, n. 3, p. 526-533, 2003. COUNCE, P. A.; KEISLING, T. C.; MITCHELL, A. J. A uniform, objective, and adaptive system for expressing rice development. 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O experimento teve como objetivo avaliar: a eficiência do controle de arroz-vermelho com a mistura formulada dos herbicidas imazethapyr (75 g L-1) + imazapic (25 g L-1) (produto comercial Only®); o residual do herbicida no solo através dos danos causados ao azevém e arroz nãotolerante; e a taxa de ocorrência de cruzamento natural entre o arroz-vermelho e o arroz cultivado. O delineamento experimental foi de blocos ao acaso, com três tratamentos e doze repetições. Para determinar o fluxo gênico entre o arroz tolerante a imidazolinonas e o arrozvermelho, foram coletadas e analisadas as panículas de arroz-vermelho não-controladas. O efeito residual do herbicida em culturas não-tolerantes foi verificado através de coleta de fitomassa de azevém e do estande inicial do cultivar de arroz não-tolerante semeado no ano seguinte. O herbicida testado controlou eficientemente o arroz-vermelho e a fitotoxicidade inicial não reduziu a produtividade do cultivar tolerante. O estande inicial do cultivar IRGA 417 foi afetado pelo residual do herbicida no solo. Os resultados mostraram também que ocorre cruzamento natural entre o arroz-vermelho e o arroz cultivado, e a taxa obtida no experimento foi de 0,065%. Palavras-chave: IRGA 422 CL, imazethapyr, imazapic, persistência. ABSTRACT - After several decades searching for tools to control red rice, imidazolinone tolerant rice was developed to selectively control red rice. To better understand this technology An experiment was conducted in 2004/2005, in Santa Maria, Rio Grande do Sul, Brazil to evaluate: 1) red rice control by imidazolinone herbicides in Clearfield™ rice; 2) evaluate the imidazolinone herbicide carryover effect on rygrass and non-tolerant rice (IRGA 417) and 3) evaluate the outcrossing rates between Clearfield rice and red rice. The experimental design was a randomized block design, with 3 treatments and 12 replications. To determine the outcrossing rates between Clearfield rice and red rice, virtually all the red rice panicle was collected and analyzed in the area. The carryover effect was tested using ryegrass and a non-tolerant rice cultivar (IRGA 417). The herbicides tested controlled red rice. Although injury to Clearfield rice was observed, the herbicide did not affect yield. Herbicide carry-over to non-tolerant rice was observed, reducing plant stand on rice seeded 361 days after herbicide application. Natural out-crossing occurred between Clearfield rice and red rice, at rates of 0.065%. Keywords: IRGA 422 CL, imazethapyr, imazapic, persistence. 1 Recebido para publicação em 1.8.2006 e na forma revisada em 10.11.2006. Parte integrante da dissertação de Mestrado do primeiro autor. Pesquisa financiada pelo CNPq, CAPES, FAPERGS e UFSM. 2 Eng.-Agr., Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Agronomia da Universidade Federal de Santa Maria – UFSM, bolsista CAPES, Dep. Fitotecnia, prédio 44, sala 5335, 97105-900 Santa Maria-RS, <[email protected]>; 3 Eng.-Agr., Dr., Prof. do Dep. de Fitotecnia da UFSM, pesquisador CNPq, <[email protected]>; 4 Eng.-Agr., Dr., Prof. do Dep. de Fitotecnia da UFSM; 5 Acadêmico do curso de Agronomia da UFSM, bolsista CNPq; 6 Acadêmico do curso de Agronomia da UFSM, bolsista FAPERGS; 7 Eng.-Agr., Dr., Prof. do Dep. de Defesa Fitossanitária da UFSM; 8 Eng.-Agr., Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Agronomia da UFSM, bolsista CNPq. Planta Daninha, Viçosa-MG, v. 24, n. 4, p. 761-768, 2006 762 INTRODUÇÃO A produtividade média de arroz no Rio Grande do Sul cresceu nas últimas décadas, atingindo médias acima de 6 t ha-1. No entanto, o fator que mais se destaca como limitante ao aumento do potencial de rendimento é o controle insatisfatório de plantas daninhas, especialmente do arroz-vermelho, o que ainda causa elevada redução na produção do cereal. No Sul do Brasil, o arroz-vermelho (Oryza sativa) constitui-se na principal planta daninha de áreas cultivadas com arroz irrigado por inundação (Agostinetto et al., 2001). Por pertencerem ao mesmo gênero, o arrozvermelho e o cultivado apresentam elevada similaridade morfofisiológica, o que dificulta o controle seletivo, fazendo-se necessário utilizar métodos culturais de controle, dentre os quais se destaca o uso de cultivares que detêm capacidade competitiva (Balbinot Jr. et al., 2003). Como alternativa de controle químico do arroz-vermelho, desenvolveram-se plantas de arroz tolerantes a herbicidas pertencentes ao grupo químico das imidazolinonas, através de mutação induzida por radiação gama e/ou transformação química por etil metanossulfonato – EMS (Croughan, 1998). A partir da safra de 1998/1999, pesquisadores do Instituto Riograndense do Arroz (IRGA) iniciaram o processo de transferência dessa característica, por meio de retrocruzamento, para seus genótipos (Lopes et al., 2001). Os herbicidas pertencentes ao grupo químico das imidazolinonas são inibidores da acetolactato sintase (ALS), que é a enzima-chave na biossíntese dos aminoácidos isoleucina, leucina e valina. Esses herbicidas são absorvidos pelas raízes e partes aéreas das plantas e translocados pela via apoplástica, acumulando-se nos tecidos meristemáticos (Vidal, 1997). Podem também possuir residual no solo (Renner et al., 1998), o que pode afetar culturas em sucessão. O uso desses herbicidas em genótipos de arroz tolerante permite o controle seletivo do arrozvermelho e de outras plantas daninhas (Steele et al., 2002; Ottis et al., 2003; Webster et al., 1998). Segundo Renner et al. (1998), herbicidas do grupo das imidazolinonas podem apresentar residual no solo por até dois anos Planta Daninha, Viçosa-MG, v. 24, n. 4, p. 761-768, 2006 VILLA, S.C.C. et al. e, dependendo da cultura sucessora, causar fitotoxicidade (Ball et al., 2003). A utilização de culturas de inverno como pastagem, na rotação lavoura/pecuária, ou a escolha por implementar cultivares de arroz não-tolerante podem ser prejudicadas pela presença de herbicidas no solo. Segundo Williams et al. (2002), a produção de culturas não-tolerantes pode ser comprometida caso o intervalo entre a aplicação de imazethapyr e a semeadura da cultura em rotação não seja observado. O arroz não-tolerante deve ser semeado, por exemplo, a partir do 18º mês após a aplicação de imazethapyr. Contudo, o uso continuado deste arroz, sem rotação, provocará grande pressão de seleção no arroz-vermelho, gerando biótipos de arroz-vermelho tolerantes a esses herbicidas. Por isso, recomenda-se, após o uso do herbicida por dois anos, deixar o solo em pousio por, no mínimo, um ano. Para que se possa atingir o nível máximo de controle nesse sistema, há necessidade de duas aspersões de imazethapyr, uma em préemergência e outra em pós-emergência (Steele et al., 2002; Ottis et al., 2003). A eficiência do controle de arroz-vermelho com o uso do imazethapyr varia, entre outros fatores, com a dose e a época de aplicação do produto. Embora o controle de arroz-vermelho através do uso desses herbicidas seja eficiente, geralmente não chega a 100%. Isso pode ocasionar, a longo prazo, problemas ao sistema, pois, por menor que seja a porcentagem de arrozvermelho não-controlado, este pode cruzar com o arroz cultivado. Estudos indicam que pode ocorrer fluxo gênico entre o arroz tolerante a herbicidas e o arroz-vermelho, o qual fica em menos de 1,0% (Gealy et al., 2003). Nas condições edafoclimáticas do Rio Grande do Sul, Magalhães Jr. et al. (2001) fizeram análise de mais de 250 mil sementes de arrozvermelho, e os resultados indicam que a taxa de cruzamento entre os genótipos de arroz testados foi baixa, variando de 0,1 a 0,04%. De acordo com estes autores, a taxa de cruzamento é dependente da coincidência da floração entre os genótipos e a probabilidade da ocorrência de cruzamento é maior a curta distância, não existindo em distâncias superiores a 5 metros. Já nos Estados Unidos, Dillon et al. (2002) encontraram três plantas de arroz-vermelho Arroz tolerante a imidazolinonas: controle do arroz-vermelho ... híbridas em 12 mil sementes analisadas, e Estorninos Jr. et al. (2003) afirmam que as taxas de cruzamento entre o arroz tolerante e o arroz-vermelho variam com o cultivar e, embora numericamente pequenos, podem resultar em centenas ou milhares de plantas, dependendo do nível de infestação na área. De acordo com os primeiros autores, o fluxo gênico só ocorre caso aconteça um fracasso no controle de arroz-vermelho no campo; por isso, as aplicações dos herbicidas devem ser monitoradas em nível de campo, para preservar essa tecnologia. Com o possível surgimento de biótipos de arroz-vermelho tolerante a imidazolinonas, a longevidade do sistema de controle pode ser reduzida. 763 5,0; P = 8,0 mg dm-3; K = 32 mg dm-3; argila = 20%; M.O. = 1,6%; Ca= 3,3 cmolc dm-3; Mg = 1,0 cmolc dm-3; e Al = 0,6 cmolc dm-3), localizado na área de pesquisa da Universidade Federal de Santa Maria, em Santa Maria-RS. O experimento foi conduzido no delineamento de blocos ao acaso, com três tratamentos e doze repetições (Tabela 1). Para homogeneizar o banco de sementes de arroz-vermelho, um dia antes da semeadura do arroz, distribuiu-se a lanço e incorporou-se ao solo a quantidade de 200 kg ha-1 de sementes de arroz-vermelho, obtendo-se população média de 260 plantas por metro quadrado. A semeadura do cultivar tolerante, IRGA 422 CL, foi feita no dia 28/10/2004, utilizando-se 120 kg ha-1 de sementes, com semeadora de 11 linhas, espaçadas em 0,175 m. A cultura foi implantada no sistema convencional de semeadura. A adubação de base foi aplicada na semeadura e constou de 7 kg ha-1 de nitrogênio (N), 70 de P2O5 e 105 de K 2 O. A emergência ocorreu dia 10/11/2004. Em vista do exposto, foi conduzido um experimento com o objetivo de avaliar: a eficiência do controle de arroz-vermelho com a mistura formulada dos herbicidas imazethapyr (75 g L-1) + imazapic (25 g L-1) (produto comercial Only®); o residual do herbicida no solo, através dos danos causados ao azevém e arroz não-tolerante; e a taxa de ocorrência de cruzamento natural entre o arroz-vermelho e o arroz cultivado. A aplicação do herbicida em pré-emergência (PRÉ), um dia após a semeadura, foi efetuada com um pulverizador costal pressurizado com CO2, munido de pontas leque 11002, com vazão de 125 L ha-1. O grau de umidade do solo no momento dessa aplicação encontrava-se adequado para a germinação das sementes; na semana seguinte ocorreu MATERIAL E MÉTODOS O experimento foi conduzido no ano agrícola de 2004/05, em um Planossolo Hidromórfico eutrófico arênico (pHágua(1:1) = Tabela 1 - Estande inicial (EI), número de colmos por planta, fitotoxicidade (FITO) às plantas de arroz irrigado aos 15 dias após a aplicação do tratamento em PÓS (DAT) e controle de arroz-vermelho (AV) aos 62 DAT e na colheita do cultivar IRGA 422 CL. Santa Maria–RS, 2006 Tratamento Herbicida Testemunha Imazethapyr +imazapic 3/ Imazethapyr +imazapic Média CV(%) PRÉ 1/ PÓS 2/ (g i.a. ha-1) 0 0 50 0 100 50 EI (plantas m-2) 250ns 246 234 243 12,5 Colmos por planta 23 DAE 48 DAE (no) 2,1 ab6/ 1,9 c 2,3 a 2,1 15,3 2,3 b 5,3 a 5,3 a 4,3 6,8 FITO --23 a 17 b 13 14,0 Controle de AV 62 DAT Pré-colheita (%) 4/,5/ --99 ns 99 99 8,8 --98 ns 98 98 1,4 1/ Aplicação em pré-emergência; 2/ Aplicação em pós-emergência com o arroz-vermelho no estádio V5, segundo escala de Counce et al. (2000); Recomendação para o cultivo do arroz tolerante a imidazolinonas no Brasil; 4/ Para análise, os dados foram transformados em 5/ yt arcosen (y 0,5)/100 ; Controle de AV e a fitotoxicidade no arroz foram avaliados visualmente em porcentagem, em que 0 corresponde 3/ à ausência de controle ou fitotoxicidade e 100 ao controle total ou morte de plantas de arroz; diferem pelo teste de Tukey (Pt0,05); ns Teste F não-significativo (Pt0,05). 6/ Na coluna, médias não seguidas da mesma letra Planta Daninha, Viçosa-MG, v. 24, n. 4, p. 761-768, 2006 764 precipitação pluvial de 50 mm, constituindose numa condição favorável para aplicação em PRÉ desse herbicida. A aplicação em pós-emergência (PÓS) foi efetuada aos 14 dias após a emergência (DAE), quando as plantas do arroz cultivado encontravam-se no estádio V4 (Counce et al., 2000) e as de arroz-vermelho, em V5. A vazão utilizada foi de 150 L ha-1, com adição de 0,5% v.v.-1 de óleo mineral emulsionável. Um dia após a aplicação do tratamento em PÓS, a área foi inundada, mantendo-se lâmina d’água constante de aproximadamente 5 cm de altura. Entre os blocos havia isolamento por taipas confeccionadas por entaipadeira acoplada a um trator. As parcelas testemunhas (T1) foram isoladas das demais por placas de PVC (0,3 m de altura), as quais foram enterradas 0,15 m no solo. Deixou-se uma borda livre nas taipas para reter a água proveniente da chuva, evitando que a água das parcelas extravasasse. Com isso, foi retido todo o herbicida das parcelas, a fim de verificar o efeito máximo do produto nas culturas sucessoras não-tolerantes. O nitrogênio foi aplicado na forma de uréia e parcelado em três épocas: 7 kg ha-1 de N na semeadura; 60 kg ha-1 de N no estádio V4, um dia antes da inundação; e 60 kg ha-1 de N na iniciação da panícula (R0). Juntamente com a segunda aplicação de N em cobertura, foram utilizados 500 g ha-1 do inseticida carbofuran para controlar larvas do gorgulho-aquático-do-arroz (Oryzophagus oryzae). Aos 19 dias após a emergência (DAE), determinou-se o estande inicial, através da contagem da população de plantas em um metro de comprimento da linha de semeadura. No mesmo local, efetuou-se a contagem do número de colmos aos 23 e 48 DAE. Nessa mesma área, determinou-se o número de panículas por planta e coletaram-se dez panículas, das quais se determinou o número de grãos por panícula e a massa de mil grãos. A avaliação de fitotoxicidade ao arroz tolerante foi realizada aos 15 dias após a aplicação dos tratamentos em PÓS. As avaliações do controle de arrozvermelho foram realizadas aos 62 dias após a aplicação do tratamento em PÓS (DAT), no dia da colheita, sendo os valores estimados visualmente, utilizando uma escala de 0 a 100%, em que 0 = sem fitotoxicidade ou controle e 100 = morte das plantas ou controle completo. Planta Daninha, Viçosa-MG, v. 24, n. 4, p. 761-768, 2006 VILLA, S.C.C. et al. A produtividade de grãos foi determinada através da colheita manual, em área de 5,25 m2 (5,0 x 1,05 m), quando os grãos apresentavam umidade média de 20%. Após a trilha, limpeza e pesagem dos grãos com casca, os dados foram corrigidos para 13% de umidade e convertidos em kg ha-1. Para determinar o fluxo gênico entre arrozvermelho e arroz tolerante a imidazolinonas, coletaram-se todas as panículas das plantas não-controladas, nas parcelas onde foram aplicados os herbicidas para controle de arrozvermelho. O fluxo gênico foi determinado através do número de sementes de arroz-vermelho, oriundas do cruzamento deste com o arroz tolerante, sendo utilizada a metodologia baseada no teste de germinação (Silva, 2003). Aos quatro dias após a semeadura em papel de germinação, foi realizada a avaliação, na qual foram consideradas oriundas do cruzamento as plantas que germinaram normalmente. O efeito residual dos herbicidas em culturas não-tolerantes foi verificado por meio de coleta de fitomassa da cultura do azevém (Lolium multiflorum) e da avaliação do estande inicial do cultivar não-tolerante (IRGA 417) semeado no dia 2/11 do ano subseqüente, em um terço das parcelas. A coleta da fitomassa do azevém foi realizada em um quadrado de 50x50 cm, aos 119 e 137 DAS, o qual foi semeado durante o período de inverno, após a colheita do arroz, na densidade de 40 kg ha-1. A avaliação do estande inicial do cultivar nãotolerante foi feita através da contagem da população de plantas em um metro de comprimento da linha de semeadura. No referido ano foi utilizado o sistema plantio direto, para não haver contaminação do solo entre as parcelas, caso fosse realizado o preparo convencional. Os dados foram submetidos à análise de variância e as médias comparadas pelo teste de Tukey (Pt0,05). Para a análise estatística, os dados de controle de arroz-vermelho e fitotoxicidade foram transformados em yt arco sen o (y 0,5)/100, e os demais dados y 1 . em porcentagem, em yt RESULTADOS E DISCUSSÃO Não houve influência dos tratamentos com herbicidas no estande inicial do arroz Arroz tolerante a imidazolinonas: controle do arroz-vermelho ... (Tabela 1), demonstrando que a aplicação em PRÉ do herbicida não afetou o estabelecimento do arroz tolerante. O número de colmos por planta do arroz, aos 23 DAE, foi menor quando se aplicou o herbicida apenas em PÓS, porém o número de colmos por planta, avaliado aos 48 DAE, não foi afetado pelos tratamentos. Isso indica que a fitotoxicidade do herbicida, que foi superior no tratamento com a aplicação apenas em PÓS, retardou a emissão de perfilhos. No entanto, as plantas compensaram essa diminuição através da emissão de novos colmos mais tardiamente. Aos 48 DAE, a testemunha apresentou menor número de colmos por plantas, o que se deve provavelmente à competição por espaço físico com as plantas de arroz-vermelho (Marchezan, 1994), que apresenta maior capacidade de perfilhamento que o arroz cultivado (Diarra et al., 1985). 765 das plantas de arroz-vermelho, auxiliando no controle e evitando o surgimento de novas plantas. A estatura de plantas, avaliada no momento da colheita, não foi afetada pela aplicação do herbicida (Tabela 2). Para os componentes de rendimento, panículas por metro quadrado, espiguetas por panícula, esterilidade de espiguetas e massa de mil grãos, não houve diferença significativa entre os tratamentos. A produtividade de grãos do cultivar IRGA 422 CL não foi afetada pelos tratamentos com o herbicida, ainda que na avaliação de fitotoxicidade inicial tenham ocorrido diferenças entre os tratamentos, evidenciando que houve recuperação das plantas. Relatos da literatura demonstram resultados semelhantes utilizando herbicidas do mesmo grupo (Ottis et al., 2003; Agostinetto et al., 2005). O tratamento com aplicação do herbicida apenas em PÓS ocasionou maior fitotoxicidade, mas sem reflexos na produtividade. Entretanto, em condições adversas ao desenvolvimento da cultura, essa fitotoxicidade pode afetar a produtividade de grãos. Hackworth et al. (1998) e Steele et al. (2000) também afirmam que a injúria causada pelo imazethapyr é mais severa após a aplicação em PÓS, se comparado à aplicação em PRÉ. O controle do arroz-vermelho obtido no experimento foi em torno de 98-99%, contudo o controle não foi total, possibilitando escape da planta daninha, o que pode resultar em seu cruzamento natural com o arroz cultivado, gerando biótipos tolerantes ao herbicida (Gealy et al., 2003). Devem ser ressaltadas duas práticas de manejo que contribuíram para esses índices de controle do arroz-vermelho: a aplicação precoce dos herbicidas e a irrigação imediatamente após a aplicação do herbicida em PÓS, estando de acordo com relatos de Williams et al. (2002), pois a irrigação proporciona maior disponibilidade e absorção do herbicida pelas plantas. Além disso, a água atua como barreira física para a emergência Devido ao alto grau de acamamento das plantas na parcela testemunha, afetando o crescimento e desenvolvimento da cultura, não foi possível avaliar os parâmetros apresentados na Tabela 2 para esse tratamento. Tabela 2 - Estatura de plantas (Estatura), panículas por metro quadrado (PMQ), espiguetas por panícula (EP), esterilidade de espiguetas (EE), massa de mil grãos (MMG) e produtividade de grãos do cultivar IRGA 422 CL. Santa Maria-RS, 2006 Tratamento PRÉ 1/ PÓS 2/ (g i.a. ha-1) Herbicida Testemunha Imazethapyr +imazapic 3/ Imazethapyr +imazapic Média CV(%) 2/ 0 0 50 0 100 50 Estatura PMQ EP (no) (cm) --- 5/ 74 ns 73 74 3,5 --662 ns 632 647 10,8 1/ Aplicação em pré-emergência; 3/ Recomendação para o cultivo do arroz tolerante a imidazolinonas no Brasil; --74 ns 81 78 14,0 EE MMG Produtividade de grãos (%) 4/ (g) (kg ha-1) --24 ns 25 25 12,3 --28 ns 28 28 3,8 --5.765 ns 5.764 5.765 9,8 Aplicação em pós-emergência com o arroz-vermelho no estádio V5, segundo escala de Counce et al. (2000); 4/ Para análise, os dados foram transformados em yt y 1 ; 5/ Dados não coletados devido ao alto grau de acamamento das plantas, afetando drasticamente o crescimento e desenvolvimento da cultura; ns Teste F não-significativo (Pt0,05). Planta Daninha, Viçosa-MG, v. 24, n. 4, p. 761-768, 2006 766 VILLA, S.C.C. et al. distância, não existindo em distâncias superiores a 5 metros. Cabe ressaltar que as sementes coletadas foram oriundas das plantas que estavam na parcela, ou seja, a distância entre o arroz-vermelho e o cultivar tolerante era pequena. Embora numericamente pequenos, esses percentuais podem resultar em centenas ou milhares de plantas, dependendo do nível de infestação na área. Utilizando o número de plantas remanescentes na parcela, calculou-se um número de cerca de 700 sementes de arrozvermelho tolerantes por hectare, apenas no primeiro ano de cultivo. Para determinar o fluxo gênico entre arrozvermelho e arroz tolerante a imidazolinonas, foram coletadas e analisadas todas as 4.637 sementes oriundas de plantas não controladas pelo herbicida. Destas, três sementes germinaram normalmente depois de embebidas em solução de imazethapyr, sendo consideradas oriundas do cruzamento (Silva, 2003). Esses resultados indicam que a taxa de cruzamento natural entre o arroz-vermelho e o arroz tolerante a imidazolinonas foi de 0,065%. Já Dillon et al. (2002) encontraram três plantas de arrozvermelho híbridas em 12 mil sementes analisadas, e Estorninos et al. (2003) afirmam que as taxas de cruzamento entre o arroz tolerante e o arroz-vermelho variam de 0,0045% a 0,0014%, dependendo do cultivar. Segundo Magalhães Jr. et al. (2001), a taxa de cruzamento é dependente da coincidência da floração entre os genótipos e a probabilidade da ocorrência de cruzamento é maior a curta O efeito residual dos herbicidas em culturas não-tolerantes foi mensurado através da coleta de massa seca de azevém (Tabela 3) e estande inicial do cultivar IRGA 417, semeados em sucessão à aplicação dos herbicidas (Tabela 4). Verificou-se que, nas avaliações de massa seca do azevém, o tratamento com Tabela 3 - Efeito residual do herbicida imazethapyr + imazapic sobre o azevém (Lolium multiflorum) semeado 196 dias após a aplicação dos herbicidas em PRÉ, atravéz da análise da massa seca da parte aérea coletadaaos 119 e 137 dias após a semeadura (DAS). Santa Maria-RS, 2006 Tratamento PRÉ 1/ Herbicida PÓS 2/ (g i.a. ha-1) Testemunha Imazethapyr +imazapic 3/ Imazethapyr +imazapic 0 0 50 0 100 50 MS 119 DAS MS 137 DAS (kg ha-1) (kg ha-1) 1.997 b 2.509 a 2.506 a 2.337 12,5 Média CV(%) 4/ 2.760 b 3.130 ab 3.320 ab 3.070 13,4 1/ Aplicação em pré-emergência; 2/ Aplicação em pós-emergência com o arroz-vermelho no estádio V5, segundo escala de Counce et al. (2000); Recomendação para o cultivo do arroz tolerante a imidazolinonas no Brasil; 4/ Na coluna, médias não seguidas da mesma letra, para cada parâmetro analisado, diferem pelo teste de Tukey (Pt0,05). 3/ Tabela 4 - Efeito residual do herbicida imazethapyr + imazapic no estande inicial (EI) dos cultivares IRGA 417 e IRGA 422 CL, na safra 2005/06, semeado 361 dias após a aplicação em PRÉ dos herbicidas do grupo das imidazolinonas. Santa Maria-RS, 2006 Tratamento utilizado na safra 04/05 PRÉ 1/ PÓS 2/ Herbicida -1 (g i.a. ha ) Testemunha Imazethapyr +imazapic 3/ Imazethapyr +imazapic Média CV(%) 0 0 50 0 100 50 1/ EI Redução EI IRGA 417 (plantas m-2) (%) 189 a 4/ 137 b 142 b 156 17,4 0 28 25 26,5 EI Redução EI IRGA 422 CL (plantas m-2) (%) 159 ns 147 149 152 18,4 0 7,5 6,0 6,75 Aplicação em pré-emergência; 2/ Aplicação em pós-emergência com o arroz-vermelho no estádio V5, segundo escala de Counce et al. (2000); Recomendação para o cultivo do arroz tolerante a imidazolinonas no Brasil; 4/ Na coluna, médias não seguidas da mesma letra diferem pelo teste de Tukey (Pt0,05). 3/ Planta Daninha, Viçosa-MG, v. 24, n. 4, p. 761-768, 2006 Arroz tolerante a imidazolinonas: controle do arroz-vermelho ... 767 menor valor foi a testemunha. Isso se deve à grande quantidade de palha de arroz na superfície do solo, oriunda das plantas de arrozvermelho e do arroz cultivado, os quais não puderam ser colhidos devido ao alto grau de acamamento das plantas na parcela testemunha. Essa palha dificultou o estabelecimento e o desenvolvimento da cultura do azevém, afetando a produção de massa seca. O estande inicial do cultivar IRGA 417, semeado 361 dias após a aplicação dos herbicidas em PRÉ, é afetado pelo residual da mistura formulada dos herbicidas imazethapyr (75 g L-1) + imazapic (25 g L-1). O estande inicial do cultivar IRGA 417 foi afetado nos tratamentos com aplicação do herbicida no ano anterior (Tabela 4), indicando que havia quantidade de herbicida no solo suficiente para causar fitotoxicidade ao arroz não-tolerante, causando morte de plântulas. Em geral, a persistência dos herbicidas do grupo das imidazolinonas aumenta conforme aumenta o teor de argila e matéria orgânica do solo, e diminuindo com o aumento do pH (Mangels, 1991; Oliveira Jr. et al., 1999; Stougaard et al., 1990). Segundo Marsh & Lloyd (1996), na cultura do milho os maiores danos de persistência do herbicida imazaquin ocorrem quando o pH é menor ou igual a 5,5; assim, nas condições do experimento, com baixo teor de argila e de matéria orgânica, o principal fator de solo que atua na persistência desses herbicidas é o pH. Comparando o estande inicial do cultivar IRGA 417 com o estande do cultivar IRGA 422 CL, observa-se que este foi menor no cultivar não-tolerante. Mesmo o estande do cultivar tolerante foi afetado quando no ano anterior foram utilizados herbicidas do grupo das imidazolinonas. Os principais mecanismos da degradação desses herbicidas no solo são a degradação microbiana (Goetz et al., 1990) e a decomposição fotolítica, especialmente quando expostos à luz ultravioleta (Mallipudi et al., 1991). Portanto, deve-se levar em conta o sistema de cultivo utilizado, que foi o plantio direto; assim, ocorre menor exposição dos herbicidas à luz e à ação dos microrganismos, diminuindo conseqüentemente a degradação desses herbicidas. AGRADECIMENTOS Sumarizando os resultados desse experimento, a mistura formulada dos herbicidas imazethapyr (75 g L -1) + imazapic (25 g L-1) controla eficientemente o arroz-vermelho em arroz tolerante e, embora apresente alta fitotoxicidade inicial no primeiro ano de aplicação, não afeta a produtividade do cultivar tolerante. Ocorre cruzamento natural entre o arrozvermelho e o arroz cultivado, e a taxa obtida no experimento foi de 0,065%. À CAPES, CNPq, FAPERGS e UFSM, pelo auxílio financeiro; ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), pela bolsa de Produtividade em Pesquisa concedida a Enio Marchezan; e à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), pela bolsa de Mestrado concedida a Silvio Carlos Cazarotto Villa. LITERATURA CITADA AGOSTINETTO, D. et al. Arroz-vermelho: ecofisiologia e estratégias de controle. Ci. Rural, v. 31, n. 2, p. 341-349, 2001. AGOSTINETTO, D. et al. A época de aplicação de imazethapyr afeta o controle de arroz daninho e o desenvolvimento e a produtividade de genótipo de arroz tolerante ao herbicida. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ARROZ IRRIGADO, 4.; REUNIÃO DA CULTURA DO ARROZ IRRIGADO, 26., 2005, Santa Maria. Anais... Santa Maria: SOSBAI, 2005. 567 p. v. 1. p. 143-145. BALBINOT Jr., A. A. et al. Características de plantas de arroz e a habilidade competitiva com plantas daninhas. Planta Daninha, v. 21, n. 2, p. 165-174, 2003. BALL, D. 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Em vista disso, desenvolveu-se um experimento com o objetivo de comparar duas ferramentas para controle do arroz-vermelho: uma usando o Sistema Clearfield e outra utilizando doses elevadas de clom azone em sementes tratadas com protetor para supress ão de arroz-vermelho . Os tratamentos constituíram-se de uma testemunha, sem aplicação de herbicida, três referentes à aplicação da mistura formulada (75 g i.a. ha L-1 de imazethapyr + 25 g i.a. ha L-1 de imazapic) e outros três referentes à aplicação do herbicida clomazone. O tratamento mais eficiente no controle de arroz-vermelho foi a aplicação da mistura formulada de imazethapyr + imazapic em pr é-em er gê nc ia , se gu id o da me sm a do se em pó s- em er gê nc ia . Es te tr atam en to proporcionou 100% de controle de arroz-vermelho, além de não prejudicar o estande inicial de plantas e proporcionar alto rendimento de grãos do arroz irrigado. Palavras-chave: Sistema Clearfield, imazethapyr + imazapic, clomazone, Oryza sativa . ABSTRACT - Red rice (Oryza spp.) reduces rice (Oryza sativa L.) grain yield and quality. A field study was conducted to compare two red rice control tools, the first using the Clearfield system and the second using high rates of clomazone and rice seeds treated with safener to suppress red rice emergence. The treatments included: check control without herbicide application, three treatments for the formulated herbicide mixture (imazethapyr 75 g i.a. L -1 + imazapic 25 g i.a. L -1) under the Clearfield system, and three clomazone treatments (clomazone 500 g i.a. L -1). The most efficienttreatment for red rice control was the formulated mixture of imazethapyr + imazapic (0.7 L ha-1 PRE followed by 0.7 L ha-1 POST). This treatment promoted 100% red rice control, without affecting plant stand and promoting high grain yield. Keywords: Clearfield System, imazethapyr + imazapic, clomazone, Oryza sativa. INTRODUÇÃO O arroz-vermelho é a planta daninha que mais causa danos à lavoura orizícola gaúcha, por ocasionar redução da produtividade, apresentar dificuldade de controle, extensão e alto grau de infestação das áreas cultivadas. Além disso, ela provoca elevação do custo de produção e deprecia o valor comercial do produto final e das áreas cultivadas com arroz. Estimativas indicam que as perdas diretas decorrentes da competição com arroz-vermelho possam atingir 20% da produção de arroz irrigado no Rio Grande do Sul (Marchesan et al., 2004). Pesquisas 1 Recebido para publicação em 3.7.2006 e na forma revisada em 17.4.2007. Eng o-Agro , Mestre em Agronomia pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), 97105-210, Dep. de Fitotecnia, prédio 44, sala 5335, Santa Maria-RS <[email protected]>; 3 Eng o-Agr o , Dr., Prof. do Dep. de Fitotecnia da UFSM, <[email protected]>; 4 Eng o-Agro , Dr., Prof. do Dep. de Defesa Fitossanitária da UFSM; 5 Eng o-Agr o, Ph.D., Prof. do Dep. de Fitotecnia da UFSM; 6 Acadêmico do curso de Agronomia da UFSM, bolsista CNPq. 2 Planta Daninha,Viçosa-MG, v. 25, n. 2, p. 405-412, 2007 406 SANTOS, F.M. et al. anteriores mostram, ainda, que cada panícula de arroz-vermelho por metro quadrado reduz a pro dut ividade de grãos de arr oz em 16 a 18 kg ha-1 (Souza & Fischer, 1986; Avila et al., 1999). se, no Brasil, a aplicação de 1.500 g i.a. ha -1 de clomazone em PRÉ, em sementes tratadas com o protetor Permit (dietholate 500 g kg -1) na dose de 1,0 kg do produto para cada 100 kg de sementes. Devido às semelhanças morfofisiológicas entre o arroz cultivado e o arroz-vermelho, os her bicida s tradi cionalme nte uti liz ados na lavoura são ineficient es no cont role dessa planta daninha. O degrane natural e o elevado grau de dormência das sementes de arroz-vermelho dificultam ainda mais o controle dessa planta (Noldin et al., 1999). Nesse contexto, buscam-se alternativas que minimizem a infestação do arroz-vermelho nas lavouras sem causar danos ao arroz cultivado. A busca de alternativas para controle do arroz-vermelho é essencial na manutenção da rentabilidade da lavoura arrozeira. Contudo, são necessárias avaliações dessas alternativas, levando em consideração todos os aspectos do sistema produtivo, desde a eficiência de controle até seus possíveis efeitos no ambiente. Em vista disso, o presente trabalho teve por objetivo avaliar a eficiência de controle de arroz-v erm elho pro por cionada pel o Siste ma Clearfield e pela supressão dele com utilização de clomazone em sementes tratadas com protetor. Um a de ss as al te rn at iv as , o Si st em a Clearfield, foi desenvolvida inicialmente na Universidade de Louisiana (EUA) e consiste em plantas de arroz tolerantes a herbicidas pertencentes ao grupo químico das imidazolinonas (imazethapyr, imazapic etc.). Nos EUA, independentemente da textura do solo, preconiza-se a aplicação fracionada do imazethapyr, na dose de 70 g i.a. ha-1, em pré-plantio incorporado (PPI) ou pré-emergência (PRÉ), seguida da mesma dose em pós-emergência (PÓS), com o arroz no estádio de três a cinco folhas (Ottis et al., 2003). No Brasil, o Sistema Clearfield constituise na apl ica ção da mis tur a for mul ada de 75 g i.a. ha L-1 de imazethapyr + 25 g i.a. ha L -1 de imazapic, marca comercial Only, em arroz tolera nt e, sendo re comend ada a dose de 1,0 L ha-1 do produto comercial, aplicado em PÓS. Outra alternativa apresentada como útil consiste na supressão de arroz-vermelho com a utilização do herbicida clomazone, marca comercial Gamit. Zhang et al. (2004), pesquisando a tolerância de cultivares de arroz à aplicação de clomazone, verificaram que o herbicida pode injuriar alguns cultivares, resultando em redução da estatura de plantas e diminuição do rendimento de grãos da lavoura. Em razão disso, utilizam-se sementes tratadas com protetor, agente químico que reduz a fitotoxicidade de herbicidas nas culturas, por meio de mecanismo fisiológico ou molecular, sem comprometer a eficiência no controle de plantas daninhas (Hatzios & Burgos, 2004) e possibilitando o uso de doses maiores do herbicida. Preconiza- Planta Daninha,Viçosa-MG, v. 25, n. 2, p. 405-412, 2007 MATERIAL E MÉTODOS O experimento foi realizado no ano agrícola 2004/05, no campo experimental do Departamento de Fitotecnia da UFSM, em solo classificado como Planossolo Hidromórfico eutrófico arênico, pertencente à unidade de mapeamento Vacacaí (Embrapa, 1999), com as seguintes car acter íst icas: pH á g u a ( 1 : 1) = 4 , 5 ; P = 6,9 mg dm-3; K = 0,14 cmolc dm-3; M.O.= 12 g kg-1; Ca = 2,5 cmol c dm -3; Mg = 1,3 cmolc dm -3; Al = 1,4 cmol c dm -3; e argila = 170 g kg-1. O delineamento experimental foi de blocos ao acaso, com sete tratamentos (Tabela 1) e cinco repetições. As unidades experimentais mediram 5,0 x 4,0 m (20,0 m 2 ), e a área útil para estimativa da produtividade de grãos foi de 4,0 x 1,7 m (6,8 m2 ). Para homogeneizar o banco de sementes de arroz-vermelho, foram incorporados ao solo 125 kg ha -1 de sementes, obtendo-se densidade média de 219 plantas desse arroz por metro quadr ado. O cultivar IRGA 422 CL foi semeado em linhas espaçadas de 0,17 m, um dia após a incorporação das sementes de arroz-vermelho, em 28.10.2004, na densidade de 120 kg de sementes ha -1; a emergência do arroz irrigado ocorreu aos 12 dias após a semeadura (DAS). A adubação de base foi realizada concomi tantemente à semeadura do arroz irrigado, aplicando-se 7, 70 e 105 kg ha -1 de nitrogênio (N), P 2 O5 e K2 O, respectivamente. Na adubação 407 Controle químico de arroz-vermelho na cultura do arroz irrigado de cobertura foram utilizados 120 kg ha-1 de N, na forma de uréia, aplicando-se a metade da dose no início do perfilhamento (V4) e o restante na iniciação da panícula (R0 ), segundo escala de Counce et al. (2000). Juntamente com a segunda aplicação de N em cobertura, foram utilizados 500 g i.a. ha-1 do inseticida carbofuran, para controle do gorgulho-aquático-do-arroz (Oryzophagus oryzae). A aplicação dos herbicidas em PRÉ foi realiz ada aos 2 DAS, util izan do pulveriz ador costal pressurizado com CO2 , munido de quatro pontas 11002 do tipo leque e calibrado para um volume de pulverização de 125 L ha-1. A aplicação em PÓS foi efetuada aos 16 dias após a emergência (DAE), quando a maioria das plantas do arroz cultivado encontrava-se no estádio V4, ou seja, com quatro folhas formadas, enquanto as plantas de arroz-vermelho encontravam-se no estádio V5. Na aplicação em PÓS foi utilizado o mesmo pulverizador referido, com volume de pulverização de 150 L ha-1 e adição de 0,5% v/v de óleo mineral emulsionável. A área foi inundada um dia após a aplicação do tratamento em PÓS, com lâmina d’água de aproximadamente 5 cm de espessura. O est and e ini cia l foi det erm ina do aos 15 DAE, por meio da contagem da população de plantas em um metro linear da linha de semeadura. Nesse local, efetuou-se a determinação do número de colmos de arroz aos 25, 37 e 49 DAE. A avaliação de toxicidade às plantas de arroz foi realizada aos 5, 12, 19, 26, 33, 40, 47 e 77 DAE, e a do controle de arroz-vermelho, na pré-colheita; os valores foram estimados visualmente, usando uma escala de 0 a 100%, em que 0% corresponde à ausência de fitotoxicidade ou não-controle de arroz-vermelho e 100%, à morte das plantas de arroz ou controle total do arroz-vermelho. Ainda na área demarcada para obtenção do estande inicial, determinou-se a estatura de plantas e o número de panículas por planta e foram coletadas 10 panículas, para obtenção do número de grãos por panícula, da massa de mil grãos e da esterilidade de espigueta. Para avaliar a produtividade de grãos, foi realizada colheita manual da área útil de cada parcela (6,8 m2 ), quando os grãos atingiram umid ade médi a de 20%. Esse material foi submetido a trilha, pesagem e determinação da umidade de colheita dos grãos, sendo esta última corrigida para 13%, para estimativa da produti vidade. Separou-se uma amostra de 500 g por parcela, da qual se determinou o teor de impurezas. Posteriormente, as amostras foram submetidas à secagem, com temperatura da massa de grãos de 40 oC. De cada amostra, retiraram-se 100 gramas de arroz com casca para fazer o beneficiamento em um processador de amostras (engenho de provas), obtendo-se, então, a porcentagem de grãos inteiros. As variáveis determinadas foram submetidas à análise de variância, e as médias, comparadas pelo teste de Tukey (Pd<0,05). Os dados de controle de arroz-vermelho foram alterados em yt arco sen o ( y 0,5 ) /100 . Os demais dados em porcentagem foram transformados para yt y 1 . RESULTADOS E DISCUSSÃO O controle de arroz-vermelho foi maior nos tratamentos com o herbicida Only (Tabela 1). O controle de 100% foi obtido com a aplicação da mist ura formulada de 52,5 g i.a. ha -1 de imazethapyr + 17,5 g i.a. ha -1 de imazapic em pré-emergência, seguido da mesma dose em pós-emergência, demonstrando que o tratamento constitui-se em uma alternativa eficiente de controle da planta daninha. A aplicação fr ac io na da de im az et ha py r co mo me lh or tratamento para controle do arroz-vermelho também foi verificada por Steele et al. (2002) e Ottis et al. (2003), que apontam o controle total de arroz-vermelho, ou níveis próximos a 100%, com utilização de duas aspersões do produto: uma em PRÉ e outra em PÓS. Em contrapartida, o uso de alta dose da mistura formulada de ima zet hap yr + ima zap ic, dep end endo das cond içõe s edaf ocli máticas e do manejo da lavoura, pode poten cializar probl emas de resíduos do herbicida no solo, resultan do em prejuízos para o arro z semea do no ano seguinte, caso o produtor opte por um cultivar não-t olerante, ou para o desenvolv imen to de outras culturas, como azevém, sorgo e milho. Segundo Williams et al. (2002), a utilização de espécies não-tolerantes pode ser comprometida caso o intervalo entre a aplicação de imazethapyr e a semeadura da cultura em rotação Planta Daninha,Viçosa-MG, v. 25, n. 2, p. 405-412, 2007 408 não seja observado. Nos EUA, onde o Sistema Clearfield foi desenvolvido, recomenda-se a utilização do herbicida imazethapyr por dois anos consecutivos, deixando o solo em pousio por, no mínimo, um ano. Para cultivo de arroz não-tolerante, preconiza-se que seja semeado a par tir do 18 o mê s após a apli ca çã o de imazethapyr (Williams et al., 2002). Na dos e rec omendada da mis tur a for mulada de 75 g i.a . ha -1 de ima zethapyr + 25 g i.a. ha-1 de imazapic em pós-emergência, observ ou-se controle de arroz-vermelho em 96%, possibilitando a ocorrência de cruzamento entre o arroz-vermelho e a planta de arroz cultivado e comprometendo, assim, o sistema. Gealy et al. (2003) salientam a importância do controle total da planta daninha para evitar o cruzamento, minimizando o aparecimento de biótipos resistentes ao imazethapyr. Para evitar esses escapes de controle, segundo Steele et al. (2002), a aplicação do herbicida em PRÉ deve ser complementada por outra aplicação em PÓS. Além disso, outros aspectos do manejo devem ser levados em consideração, como a entrada da água na lavoura o mais cedo possível, para auxiliar no controle da planta daninha e na emergência de novas plantas. O estande de plantas foi maior na testemunha e no tratamento que não recebeu aplicação de herbicida em PRÉ (Tabela 1). Esses tratamentos não diferenciaram da utilização da mistur a formul ada de 52,5 g i.a. ha-1 de imazethapyr + 17,5 g i.a. ha-1 de imazapic em pré-emergência, que apresentou estande com mais de 300 plantas m-2, demonstrando que a aplicação parcelada não promove redução no estande de plantas. Contudo, o aumento da dose da mistura formulada para 75 g i.a. ha-1 de imazethapyr + 25 g i.a. ha-1 de imazapic, em pré-emergência, ocasiona redução de 35% no estande, em relação à testemunha. A população de plantas foi influenciada, também, pelas doses do herbicida clomazone e pela utilização ou não de Permit nas sementes. A aplicação de 1.500 g i.a. ha-1 de clomazone, com tratamento de sementes, apresentou estande 85% maior que a utilização do dobro da dose em sementes tratadas e 311% maior que a aplicação da mesma dose sobre sementes não tratadas com Permit. Este tratamento apresentou também maior toxicidade ao arroz irrigado, avaliada aos 5 DAE (Figura 1). Observa-se, assim, a Planta Daninha,Viçosa-MG, v. 25, n. 2, p. 405-412, 2007 SANTOS, F.M. et al. necessidade do uso de protetor de sementes qu an do da ap li ca çã o de al ta s do se s de clomazone (Hatzios & Burgos, 2004). Além do efeito no estande, a toxicidade afetou o número de colmos por planta, aos 25 DAE. Nesta data, os tratamentos com redução no número de colmos, aplicação de 3.000 g i.a. ha -1 de clomazone com Permit e 1.500 g i.a. ha-1 de clomazone sem protetor, foram os que causaram maior intoxicação às plantas (Figura 1). Em contrapartida, na avaliação realizada aos 37 DAE, a utilização de 1.500 g i.a. ha -1 de clomazone sem Permit apresentou o maior número de colmos, indicando que a emissão de perfilhos ocupou o espaço deixado pelo menor estande e evidenciando também a recuperação da toxicidade nas plantas restantes. Yoshida (1981) afirma que as plantas de arroz podem compensar o menor estande por meio da emissão de maior número de colmos. Ainda na avaliação realizada aos 37 DAE, a testemunha apresentou menor número de colmos por planta, provavelmente devido à competição com o arroz-vermelho, que tem maior capacidade de perfilhamento que as plantas de arroz (Diarra et al., 1985), competindo por espaço físico com o arroz cultivado (Marchesan, 1994). Na últ ima ava lia ção , rea liz ada aos 49 DAE, o maior e o menor número de colmos corresponderam aos mesmos tratamentos da segunda avaliação e os demais tratamentos não apresentaram diferença entre si. As maiores estaturas de plantas, por sua vez, foram observadas nos tratamentos com aplicação da mistura formulada de imazethapyr + imazapic em PRÉ e clomazone com utilização de Permit nas sementes. Quanto aos tratamentos com a mistura formulada de imazethapyr + imazapic, observou-se diferença de 9 cm na est atu ra de pla ntas entre a uti liz açã o de 75 g i.a. ha -1 de imazethapyr + 25 g i.a. ha-1 de imazapic em PRÉ e a aplicação de 75 g i.a. ha-1 de imazethapyr + 25 g i.a. ha-1 de imazapic em PÓS, tratament os estes que apresentaram, respectivamente, maior e menor estatura. Essa diferença pode ser atribuída à maior fitotoxicidade da aplicação de 75 g i.a. ha -1 de imazethapyr + 25 g i.a. ha -1 de imazapic em PÓS, aos 77 DAE (Figura 1). Masson & Webster (2001) também observaram redução visível na altura do arroz como resultado da fitotoxicidade provocada pelos herbicidas do grupo químico das 409 Controle químico de arroz-vermelho na cultura do arroz irrigado Tabela 1 - Controle do arroz -vermelho na colheita (CAV), estande de plantas (EP), colmos por planta em dias após a emergência (DAE), estatura de planta na colheita (EP), número de panículas (NP), número de espiguetas por panícula (NEP), massa de mil grãos (MMG), esterilidade de espiguetas (EE), produtividade de grãos (PG) e grãos inteiros (GI), em resposta a doses e épocas de aplicação da mistura formulada de imazethapyr + imazapic, utilizada no cultivar IRGA 422 CL, e à aplicação de doses altas do herbicid a clomazone em sementes tratadas com Permit £. Santa Maria -RS, 2005 Doses g i.a. ha -1 Tratamento 1/ 2/ PRE Testemunha POS 0 0 CV (%) 1/ CAV 4,5/ (%) EP 2 (m ) Colmos por planta 25 DAE8/ 37 DAE 8/ 49 DAE8/ GI EP (cm) NP -2 (m ) NEP MMG (g) EE 9/ (%) PG -1 (kg ha ) (%) 9/ 6/ 392 a 2,1 ab 2,0 c 1,7 c 67 cd 317 d 53 c 25 c 42 a 2996 f 33 d 2,16 14,89 26,90 23,06 23,61 4,57 18,07 13,10 5,56 13,09 4,79 1,41 0f 2/ 3/ Aplicação em pré- eme rgência; Aplicação em pós-emergênci a com o arr oz- vermelho no estádio V 5, segundo escala de Counce et al. (2000); 0,0 -dietil 0- fenil fosforoti oato (500 g i.a. kg- 1); 4 / Controle de arroz - vermelho foi avaliado visualmente em por centagem, em que 0 corresp onde à ausência de controle e 100, ao controle total; 5/ Para análise, os dad os for am trans formados em y t ar cos en ( y 0 ,5 ) /100 ; 6/ Para cada parâmet ro analisado, médi as seguid as de diferentes letras min úsculas na coluna diferem pelo teste de Tukey (P 0,05); 7 /Tratamento não avaliado em raz ão do gran de desenvolvimento das plantas de arroz-vermelho, devido ao baixo estande d e plant as; 8/ Dias após a emergê ncia do arroz; 9/ Para análise, os dados foram transformados e m y 1 , (dados apresentados são valores não -tran sformados). yt imidazolinonas. De todos os tratamentos, as menores estaturas de plantas foram obtidas na aplicação de 1.500 g i.a. ha-1 de clomazone sem Permit e na testemunha, sendo ambas as reduções atribuídas à competição com o arroz-vermelho e, no caso do tratamento sem utilização de protetor, também em função da alta fitot oxicidade ocasionad a pela aplicação do clomazone (Figura 1). A avaliação dos componentes da produção de grãos demonstrou que o número de panículas por metro quadrado esteve diretamente relacionado ao estande de plantas. Os tratamentos com maior número de panículas foram a ap li ca çã o da mi st ur a fo rm ul ad a de 52,5 g i.a. ha-1 de imazethapyr + 17,5 g i.a. ha -1 de imazapic em PRÉ, seguida da mesma dose em PÓS, e utilização da mistura formulada de 75 g i.a. ha-1 de imazethapyr + 25 g i.a. ha-1 de imazapic em PÓS, que obtiveram também as maiores populações de plantas. Essa relação entre estande e número de panículas só não foi observada na testemunha, na qual a competição por espaço físico com o arroz-vermelho prejudicou o desenvolvimento do arroz. Balbinot Jr. et al. (2003) também mencionam a relação entre o controle da planta daninha e o número de panículas por metro quadrado, afirmando que menores números de colmos por planta de arroz são obtidos quando estas se encontram em competição com o arroz-vermelho, resultando em menor número de panículas por metro quadrado. Para número de espiguetas por panícula, observa-se que a aplicação dos tratamentos em PRÉ, tanto para a mistura formulada de imazethapyr + imazapic quanto para clomazone, não teve efeito na variável. Já a aplicação da dose recomenda da da mistur a for mul ada, 75 g i.a. ha -1 de imazethapyr + 25 g i.a. ha-1 de imazapic em PÓS, diminuiu o número de espiguetas. A testemunha, por sua vez, foi o tratamento que obteve o menor número de espiguetas por panícula, o que pode ter decorrido do sombreamento das plantas de arroz-vermelho sobre as plantas de arroz cultivado, relação já observada por Balbinot Jr. et al. (2003). Os tratamentos afetaram também a esterilidade de espiguetas e a porcentagem de grãos inteiros do arroz; tratamentos com menos de 90% de controle da planta daninha apresentaram maior esterilidade de espiguetas e menor porcentagem de grãos inteiros. Nesse contexto, os tratamentos com a mistura formulada Planta Daninha,Viçosa-MG, v. 25, n. 2, p. 405-412, 2007 410 SANTOS, F.M. et al. de grãos encontrada naqueles tratam entos. Quanto à massa de mil grãos, a testemunha e a utilização de 1.500 g i.a. ha -1 de clomazone sem Permit – tratamentos com maior infestação de arroz-vermelho – apresentaram também menor massa. O aumento na esterilidade de espiguetas e a diminuição da massa de mil grãos, podem ser explicados pela interceptação da luz ocasionada pela maior estatura das plantas de arroz-vermelho, prejudicando o enchimento dos grãos de arroz (Balbinot Jr. et al., 2003). Figura 1 - Fitotoxicidade dos tratamentos para controle de arroz-vermelho sobre o cultivar IRGA-422CL. Legenda: PRÉ = aplicação em pré-emergência; PÓS = aplicação em pó s- em er gê nci a, [m is tu ra fo rm ul ad a de im az ethapyr+imazapic (52,5+17,5) + (52,5+17,5)] = mistura fo rm ula da de (5 2, 5 g i. a. ha -1 de im az et ha pyr + 17,5 g i.a. ha-1 de imazapic em PRÉ) + (52,5 g i.a. ha-1 de imaz ethapyr + 17,5 g i.a. ha -1 de imazapic em PÓS ); [mistura formulada imazethapyr+imazapic (75+25) PRÉ] = mistura formulada de 75 g i.a. ha-1 de imazethapyr + 25 g i.a. ha -1 de imazapic em PRÉ; [mistura formulada imazethapyr+imazapic (75+25) PÓS] = mistura formulada de 75 g i.a. ha-1 de imazethapyr + 25 g i.a. ha-1 de imazapic em PÓS; (Clomazone 1.500 c/ Permit) = 1.500 g ha -1 de clomazone em PRÉ com Permit; (Clomazone 1.500 s/ Permit) = 1.500 g ha -1 de clomazone em PRÉ sem Permit; (Clomazone 3.000 c/ Permit) = 3.000 g ha-1 de clomazone em PRÉ com Permit; As barras verticais representam 95% de intervalo de confiança. Santa Maria-RS, 2005. de ima zet hap yr + imaza pic apr ese ntara m maior quantidade de grãos inteiros, por terem obtido maior grau de controle de arroz-vermelho. Já os tratamentos com clomazone ocasionar am o dobr o de esp igu eta s est ére is em relação às aplicações da mistura formulada, fator fundamental para a menor produtividade Planta Daninha,Viçosa-MG, v. 25, n. 2, p. 405-412, 2007 Os resultados obtidos no experimento demonstram também que a produt ividade de grãos foi maior com a aplicação da mistura formulada de 75 g i.a. ha -1 de imazethapyr + 25 g i.a. ha -1 de imazapic em PRÉ, tratamento que resultou em 8.411 kg ha -1, apesar da redução do estande e do número de panículas por metro quadrado, decorrentes da aplicação do herbicida. A utilização fracionada da mistura formulada de imazethapyr + imazapic produziu 7.868 kg ha -1, não diferindo significativamente do maior rendimento. Já a aplicação da mistura form ulad a so ment e em PÓS, na dose de 75 g i.a. ha -1 de imazethapyr + 25 g i.a. ha-1 de imazapic, apresentou menor rendimento em relação à aplicação da mesma dose somente em PRÉ, o que pode ter decorrido da maior fitotoxicidade no arroz aos 77 DAE (Figura 1) e conseqüente diminuição do número de espiguetas por panículas. Esse dado confirma resultados obtidos por Steele et al. (2002), que indicam redução no rendimento do arroz com o acréscimo das taxas de imazethapyr em PÓS de 52 para 70 g i.a. ha -1. A produtividade de grãos foi menor nos tratamentos com clomazone, em comparação à utilização da mistura formulada de imazethapyr + imazapic. Entre as aplicações de clomazone, verificou-se maior produtividade no tratamento em que foi utilizado Permit, o que pode ser explicado pelo maior estande e estatura de plantas, maior número de panículas por metro quadrado e maior massa de mil de grãos, proporcionados pela aplicação do protetor de sementes. A alta competição do arroz-vermelho com o arroz cultivado afetou negativamente a produtividade de grãos da testemunha, tratamento que obteve redução de 64% na produtividade em relação à maior produtividade de grãos obtida. Controle químico de arroz-vermelho na cultura do arroz irrigado Em geral, a fitotoxicidade no arroz foi maior na aplicação de clomazone, em comparação com a utilização da mistura formulada de imazethapyr + imazapic (Figura 1). Os resultados encontrados demonstram que não houve relação direta entre a fitotoxicidade e o controle de arroz-vermelho, pois, mesmo resultando em maior toxicidade às plantas de arroz, os tratamentos com o herbicida clomazone apresentar am menor contro le da planta dani nha . Quanto à aplicação de clomazone, o tratamento sem a utilização de Permit apresentou a maior fitotoxicidade, aos 77 DAE. Nessa avaliação, houve diferença ainda entre as doses utilizadas em PRÉ; a aplicação de 1.500 g i.a. ha-1 de clomazone com Permit obteve menor fitotoxicidade que a aplicação do dobro dessa dose. A recuperação da toxicidade das plantas, em ambas as doses, ocorreu aos 19 DAE. Em relação à fitotoxicidade da mistura formulada de imazethapyr + imazapic, ela atingiu valores próximos a 25% em todas as doses e épocas de aplicação do herbicida. Essa alta fitotoxicidade pode estar relacionada à baixa temperatura no período inicial de desenvolvimento da cultura, pois, segundo Malefyt & Quakenbush (1991), o metabolismo parece ser um fator importante na tolerância do arroz a imidazolinonas e a temperatura influencia a tax a de met abolismo. Também Mas son & Webster (2001) apontam temperaturas mais baixas como responsáveis pela diferença na fitotoxicidade do arroz em dois anos consecutivos. Segundo os autores, menor injúria foi encontrada no período de temperaturas mais altas. No que se refere aos tratamentos com a mistura formulada de imazethapyr + imazapic, as doses de 52,5 g i.a. ha-1 de imazethapyr + 17,5 g i.a. ha-1 de imazapic, em PRÉ, proporcionaram maior toxicidade às plantas aos 5 DAE, alcançando a recuperação aos 19 DAE. Já para as aplicações em PÓS, nas doses de 52,5 g i.a. ha -1 de imazet hapyr + 17,5 g i.a. ha-1 de imazap ic e 75 g i.a. ha -1 de ima zet hap yr + 25 g i.a. ha-1 de imazapic, observou-se maior fitotoxicidade aos 33 DAE, ou seja, 17 dias após a aplicação do produto, tendo a planta se recuperado visualmente da intoxicação aos 40 DAE (Figura 1). Esses resultados evidenciam que, a partir da maior toxicidade, a recuperação 411 mais rápida da planta se dá nas aplicações em PÓS, possivelmente em razão de a planta estar em estádio de maior desenvolv imento, tornando seu metabolismo mais eficiente na desintoxicação do herbicida. No tocante às épocas e doses de aplicação, o experimento demonstrou que, aos 77 DAE, a menor fitotoxicidade foi obtida com a utilização da mistura formulada de imazethapyr + imazapic somente em PRÉ, seguida da aplicação seqüencial (PRÉ+PÓS). Já a maior fitotoxicidade foi encontrada na aplicação somente em PÓS. Hackworth et al. (1998) e Steele et al. (2000) também afirmam que a injúria causada pelo imazethapyr é mais severa com a aplicação em PÓS, se comparado à aplicação em PRÉ. Em relação à dose utilizada, Steele et al. (1999) relatam ainda aumento da toxicidade no arroz tolerante a imidazolinonas com o aumento da dose de 70 para 175 g i.a. ha -1 em PÓS. Os resultados evidenciam que, para controle do arroz-vermelho na lavoura de arroz irrigado, a utilização do Sistema Clearfield é mais eficiente que a aplicação de clomazone e uso de protetor de sementes. A aplicação da mistur a for mul ada de 52, 5 g i.a. ha -1 de ima zethapyr + 17,5 g i.a. ha-1 de imazapic em PRÉ, seguida da mesma dose em PÓS, apresentou controle de 100% da planta daninha, não prejudicou o estande de plantas e não se diferenciou da maior produtividade de grãos obtida no ensaio. Quanto ao tratamento-referência do pr od ut o, 75 g i. a. ha -1 de im az et ha py r + 25 g i.a. ha-1 de imazapic em PÓS, observa-se que não houve controle total do arroz-vermelho, possibilitando escape da planta daninha. AGRADECIMENTOS Os autores agradecem ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) pelo auxílio financeiro advindo da concessão de bolsas de mestrado, pesquisa e inic iação científica a Sant os, Marchesan e Massoni, respectivamente, e à Universidade Federal de Santa Maria, pela viabilização das pesquisas realizadas. Planta Daninha,Viçosa-MG, v. 25, n. 2, p. 405-412, 2007 412 LITERATURA CITADA AVILA, L. A. et al. Interferência do arroz-vermelho sobre o arroz irrigado. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ARROZ IRRIGADO, 1; REUNIÃO DA CULTURA DO ARROZ IRRIGADO, 23., 1999, Pelotas. Anais... Pelotas: Embrapa Clima Temperado, 1999. p. 594-596. BALBINOT Jr., et al. Competitividade de cultivares de arroz irrigado com cultivar simuladora de arroz-vermelho. Pesq. Agropec. Bras., v. 38, n.1, p. 53-59, 2003. COUNCE, P. A.; KEISLING, T. C.; MITCHELL, A. J. A uniform, objective, and adaptive system for expressing rice development. Crop Sci., v. 40, p. 436-443, 2000. DIARRA, A.; SMITH JUNIOR, R. J.; TALBERT, R. E. Growth and morphological characteristics of red rice (Oryza sativa) biotypes. Weed Sci., v. 33, n. 3, p. 310-314, 1985. EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA – EMBRAPA. Centro Nacional de Pesquisa de Solos (Rio de Janeiro, RJ). Sistema brasileiro de classificação dos solos. Brasília: 1999. p. 412. GEALY, D. R.; MITTEN, D. H.; RUTGER, J. N. 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O tratamento mais eficiente no controle de arroz-vermelho foi a aplicação da mistura formulada de imazethapyr + imazapic em pr é-em er gê nc ia , se gu id o da me sm a do se em pó s- em er gê nc ia . Es te tr atam en to proporcionou 100% de controle de arroz-vermelho, além de não prejudicar o estande inicial de plantas e proporcionar alto rendimento de grãos do arroz irrigado. Palavras-chave: Sistema Clearfield, imazethapyr + imazapic, clomazone, Oryza sativa . ABSTRACT - Red rice (Oryza spp.) reduces rice (Oryza sativa L.) grain yield and quality. A field study was conducted to compare two red rice control tools, the first using the Clearfield system and the second using high rates of clomazone and rice seeds treated with safener to suppress red rice emergence. The treatments included: check control without herbicide application, three treatments for the formulated herbicide mixture (imazethapyr 75 g i.a. L -1 + imazapic 25 g i.a. L -1) under the Clearfield system, and three clomazone treatments (clomazone 500 g i.a. L -1). The most efficienttreatment for red rice control was the formulated mixture of imazethapyr + imazapic (0.7 L ha-1 PRE followed by 0.7 L ha-1 POST). This treatment promoted 100% red rice control, without affecting plant stand and promoting high grain yield. Keywords: Clearfield System, imazethapyr + imazapic, clomazone, Oryza sativa. INTRODUÇÃO O arroz-vermelho é a planta daninha que mais causa danos à lavoura orizícola gaúcha, por ocasionar redução da produtividade, apresentar dificuldade de controle, extensão e alto grau de infestação das áreas cultivadas. Além disso, ela provoca elevação do custo de produção e deprecia o valor comercial do produto final e das áreas cultivadas com arroz. Estimativas indicam que as perdas diretas decorrentes da competição com arroz-vermelho possam atingir 20% da produção de arroz irrigado no Rio Grande do Sul (Marchesan et al., 2004). Pesquisas 1 Recebido para publicação em 3.7.2006 e na forma revisada em 17.4.2007. Eng o-Agro , Mestre em Agronomia pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), 97105-210, Dep. de Fitotecnia, prédio 44, sala 5335, Santa Maria-RS <[email protected]>; 3 Eng o-Agr o , Dr., Prof. do Dep. de Fitotecnia da UFSM, <[email protected]>; 4 Eng o-Agro , Dr., Prof. do Dep. de Defesa Fitossanitária da UFSM; 5 Eng o-Agr o, Ph.D., Prof. do Dep. de Fitotecnia da UFSM; 6 Acadêmico do curso de Agronomia da UFSM, bolsista CNPq. 2 Planta Daninha,Viçosa-MG, v. 25, n. 2, p. 405-412, 2007 406 SANTOS, F.M. et al. anteriores mostram, ainda, que cada panícula de arroz-vermelho por metro quadrado reduz a pro dut ividade de grãos de arr oz em 16 a 18 kg ha-1 (Souza & Fischer, 1986; Avila et al., 1999). se, no Brasil, a aplicação de 1.500 g i.a. ha -1 de clomazone em PRÉ, em sementes tratadas com o protetor Permit (dietholate 500 g kg -1) na dose de 1,0 kg do produto para cada 100 kg de sementes. Devido às semelhanças morfofisiológicas entre o arroz cultivado e o arroz-vermelho, os her bicida s tradi cionalme nte uti liz ados na lavoura são ineficient es no cont role dessa planta daninha. O degrane natural e o elevado grau de dormência das sementes de arroz-vermelho dificultam ainda mais o controle dessa planta (Noldin et al., 1999). Nesse contexto, buscam-se alternativas que minimizem a infestação do arroz-vermelho nas lavouras sem causar danos ao arroz cultivado. A busca de alternativas para controle do arroz-vermelho é essencial na manutenção da rentabilidade da lavoura arrozeira. Contudo, são necessárias avaliações dessas alternativas, levando em consideração todos os aspectos do sistema produtivo, desde a eficiência de controle até seus possíveis efeitos no ambiente. Em vista disso, o presente trabalho teve por objetivo avaliar a eficiência de controle de arroz-v erm elho pro por cionada pel o Siste ma Clearfield e pela supressão dele com utilização de clomazone em sementes tratadas com protetor. Um a de ss as al te rn at iv as , o Si st em a Clearfield, foi desenvolvida inicialmente na Universidade de Louisiana (EUA) e consiste em plantas de arroz tolerantes a herbicidas pertencentes ao grupo químico das imidazolinonas (imazethapyr, imazapic etc.). Nos EUA, independentemente da textura do solo, preconiza-se a aplicação fracionada do imazethapyr, na dose de 70 g i.a. ha-1, em pré-plantio incorporado (PPI) ou pré-emergência (PRÉ), seguida da mesma dose em pós-emergência (PÓS), com o arroz no estádio de três a cinco folhas (Ottis et al., 2003). No Brasil, o Sistema Clearfield constituise na apl ica ção da mis tur a for mul ada de 75 g i.a. ha L-1 de imazethapyr + 25 g i.a. ha L -1 de imazapic, marca comercial Only, em arroz tolera nt e, sendo re comend ada a dose de 1,0 L ha-1 do produto comercial, aplicado em PÓS. Outra alternativa apresentada como útil consiste na supressão de arroz-vermelho com a utilização do herbicida clomazone, marca comercial Gamit. Zhang et al. (2004), pesquisando a tolerância de cultivares de arroz à aplicação de clomazone, verificaram que o herbicida pode injuriar alguns cultivares, resultando em redução da estatura de plantas e diminuição do rendimento de grãos da lavoura. Em razão disso, utilizam-se sementes tratadas com protetor, agente químico que reduz a fitotoxicidade de herbicidas nas culturas, por meio de mecanismo fisiológico ou molecular, sem comprometer a eficiência no controle de plantas daninhas (Hatzios & Burgos, 2004) e possibilitando o uso de doses maiores do herbicida. Preconiza- Planta Daninha,Viçosa-MG, v. 25, n. 2, p. 405-412, 2007 MATERIAL E MÉTODOS O experimento foi realizado no ano agrícola 2004/05, no campo experimental do Departamento de Fitotecnia da UFSM, em solo classificado como Planossolo Hidromórfico eutrófico arênico, pertencente à unidade de mapeamento Vacacaí (Embrapa, 1999), com as seguintes car acter íst icas: pH á g u a ( 1 : 1) = 4 , 5 ; P = 6,9 mg dm-3; K = 0,14 cmolc dm-3; M.O.= 12 g kg-1; Ca = 2,5 cmol c dm -3; Mg = 1,3 cmolc dm -3; Al = 1,4 cmol c dm -3; e argila = 170 g kg-1. O delineamento experimental foi de blocos ao acaso, com sete tratamentos (Tabela 1) e cinco repetições. As unidades experimentais mediram 5,0 x 4,0 m (20,0 m 2 ), e a área útil para estimativa da produtividade de grãos foi de 4,0 x 1,7 m (6,8 m2 ). Para homogeneizar o banco de sementes de arroz-vermelho, foram incorporados ao solo 125 kg ha -1 de sementes, obtendo-se densidade média de 219 plantas desse arroz por metro quadr ado. O cultivar IRGA 422 CL foi semeado em linhas espaçadas de 0,17 m, um dia após a incorporação das sementes de arroz-vermelho, em 28.10.2004, na densidade de 120 kg de sementes ha -1; a emergência do arroz irrigado ocorreu aos 12 dias após a semeadura (DAS). A adubação de base foi realizada concomi tantemente à semeadura do arroz irrigado, aplicando-se 7, 70 e 105 kg ha -1 de nitrogênio (N), P 2 O5 e K2 O, respectivamente. Na adubação 407 Controle químico de arroz-vermelho na cultura do arroz irrigado de cobertura foram utilizados 120 kg ha-1 de N, na forma de uréia, aplicando-se a metade da dose no início do perfilhamento (V4) e o restante na iniciação da panícula (R0 ), segundo escala de Counce et al. (2000). Juntamente com a segunda aplicação de N em cobertura, foram utilizados 500 g i.a. ha-1 do inseticida carbofuran, para controle do gorgulho-aquático-do-arroz (Oryzophagus oryzae). A aplicação dos herbicidas em PRÉ foi realiz ada aos 2 DAS, util izan do pulveriz ador costal pressurizado com CO2 , munido de quatro pontas 11002 do tipo leque e calibrado para um volume de pulverização de 125 L ha-1. A aplicação em PÓS foi efetuada aos 16 dias após a emergência (DAE), quando a maioria das plantas do arroz cultivado encontrava-se no estádio V4, ou seja, com quatro folhas formadas, enquanto as plantas de arroz-vermelho encontravam-se no estádio V5. Na aplicação em PÓS foi utilizado o mesmo pulverizador referido, com volume de pulverização de 150 L ha-1 e adição de 0,5% v/v de óleo mineral emulsionável. A área foi inundada um dia após a aplicação do tratamento em PÓS, com lâmina d’água de aproximadamente 5 cm de espessura. O est and e ini cia l foi det erm ina do aos 15 DAE, por meio da contagem da população de plantas em um metro linear da linha de semeadura. Nesse local, efetuou-se a determinação do número de colmos de arroz aos 25, 37 e 49 DAE. A avaliação de toxicidade às plantas de arroz foi realizada aos 5, 12, 19, 26, 33, 40, 47 e 77 DAE, e a do controle de arroz-vermelho, na pré-colheita; os valores foram estimados visualmente, usando uma escala de 0 a 100%, em que 0% corresponde à ausência de fitotoxicidade ou não-controle de arroz-vermelho e 100%, à morte das plantas de arroz ou controle total do arroz-vermelho. Ainda na área demarcada para obtenção do estande inicial, determinou-se a estatura de plantas e o número de panículas por planta e foram coletadas 10 panículas, para obtenção do número de grãos por panícula, da massa de mil grãos e da esterilidade de espigueta. Para avaliar a produtividade de grãos, foi realizada colheita manual da área útil de cada parcela (6,8 m2 ), quando os grãos atingiram umid ade médi a de 20%. Esse material foi submetido a trilha, pesagem e determinação da umidade de colheita dos grãos, sendo esta última corrigida para 13%, para estimativa da produti vidade. Separou-se uma amostra de 500 g por parcela, da qual se determinou o teor de impurezas. Posteriormente, as amostras foram submetidas à secagem, com temperatura da massa de grãos de 40 oC. De cada amostra, retiraram-se 100 gramas de arroz com casca para fazer o beneficiamento em um processador de amostras (engenho de provas), obtendo-se, então, a porcentagem de grãos inteiros. As variáveis determinadas foram submetidas à análise de variância, e as médias, comparadas pelo teste de Tukey (Pd<0,05). Os dados de controle de arroz-vermelho foram alterados em yt arco sen o ( y 0,5 ) /100 . Os demais dados em porcentagem foram transformados para yt y 1 . RESULTADOS E DISCUSSÃO O controle de arroz-vermelho foi maior nos tratamentos com o herbicida Only (Tabela 1). O controle de 100% foi obtido com a aplicação da mist ura formulada de 52,5 g i.a. ha -1 de imazethapyr + 17,5 g i.a. ha -1 de imazapic em pré-emergência, seguido da mesma dose em pós-emergência, demonstrando que o tratamento constitui-se em uma alternativa eficiente de controle da planta daninha. A aplicação fr ac io na da de im az et ha py r co mo me lh or tratamento para controle do arroz-vermelho também foi verificada por Steele et al. (2002) e Ottis et al. (2003), que apontam o controle total de arroz-vermelho, ou níveis próximos a 100%, com utilização de duas aspersões do produto: uma em PRÉ e outra em PÓS. Em contrapartida, o uso de alta dose da mistura formulada de ima zet hap yr + ima zap ic, dep end endo das cond içõe s edaf ocli máticas e do manejo da lavoura, pode poten cializar probl emas de resíduos do herbicida no solo, resultan do em prejuízos para o arro z semea do no ano seguinte, caso o produtor opte por um cultivar não-t olerante, ou para o desenvolv imen to de outras culturas, como azevém, sorgo e milho. Segundo Williams et al. (2002), a utilização de espécies não-tolerantes pode ser comprometida caso o intervalo entre a aplicação de imazethapyr e a semeadura da cultura em rotação Planta Daninha,Viçosa-MG, v. 25, n. 2, p. 405-412, 2007 408 não seja observado. Nos EUA, onde o Sistema Clearfield foi desenvolvido, recomenda-se a utilização do herbicida imazethapyr por dois anos consecutivos, deixando o solo em pousio por, no mínimo, um ano. Para cultivo de arroz não-tolerante, preconiza-se que seja semeado a par tir do 18 o mê s após a apli ca çã o de imazethapyr (Williams et al., 2002). Na dos e rec omendada da mis tur a for mulada de 75 g i.a . ha -1 de ima zethapyr + 25 g i.a. ha-1 de imazapic em pós-emergência, observ ou-se controle de arroz-vermelho em 96%, possibilitando a ocorrência de cruzamento entre o arroz-vermelho e a planta de arroz cultivado e comprometendo, assim, o sistema. Gealy et al. (2003) salientam a importância do controle total da planta daninha para evitar o cruzamento, minimizando o aparecimento de biótipos resistentes ao imazethapyr. Para evitar esses escapes de controle, segundo Steele et al. (2002), a aplicação do herbicida em PRÉ deve ser complementada por outra aplicação em PÓS. Além disso, outros aspectos do manejo devem ser levados em consideração, como a entrada da água na lavoura o mais cedo possível, para auxiliar no controle da planta daninha e na emergência de novas plantas. O estande de plantas foi maior na testemunha e no tratamento que não recebeu aplicação de herbicida em PRÉ (Tabela 1). Esses tratamentos não diferenciaram da utilização da mistur a formul ada de 52,5 g i.a. ha-1 de imazethapyr + 17,5 g i.a. ha-1 de imazapic em pré-emergência, que apresentou estande com mais de 300 plantas m-2, demonstrando que a aplicação parcelada não promove redução no estande de plantas. Contudo, o aumento da dose da mistura formulada para 75 g i.a. ha-1 de imazethapyr + 25 g i.a. ha-1 de imazapic, em pré-emergência, ocasiona redução de 35% no estande, em relação à testemunha. A população de plantas foi influenciada, também, pelas doses do herbicida clomazone e pela utilização ou não de Permit nas sementes. A aplicação de 1.500 g i.a. ha-1 de clomazone, com tratamento de sementes, apresentou estande 85% maior que a utilização do dobro da dose em sementes tratadas e 311% maior que a aplicação da mesma dose sobre sementes não tratadas com Permit. Este tratamento apresentou também maior toxicidade ao arroz irrigado, avaliada aos 5 DAE (Figura 1). Observa-se, assim, a Planta Daninha,Viçosa-MG, v. 25, n. 2, p. 405-412, 2007 SANTOS, F.M. et al. necessidade do uso de protetor de sementes qu an do da ap li ca çã o de al ta s do se s de clomazone (Hatzios & Burgos, 2004). Além do efeito no estande, a toxicidade afetou o número de colmos por planta, aos 25 DAE. Nesta data, os tratamentos com redução no número de colmos, aplicação de 3.000 g i.a. ha -1 de clomazone com Permit e 1.500 g i.a. ha-1 de clomazone sem protetor, foram os que causaram maior intoxicação às plantas (Figura 1). Em contrapartida, na avaliação realizada aos 37 DAE, a utilização de 1.500 g i.a. ha -1 de clomazone sem Permit apresentou o maior número de colmos, indicando que a emissão de perfilhos ocupou o espaço deixado pelo menor estande e evidenciando também a recuperação da toxicidade nas plantas restantes. Yoshida (1981) afirma que as plantas de arroz podem compensar o menor estande por meio da emissão de maior número de colmos. Ainda na avaliação realizada aos 37 DAE, a testemunha apresentou menor número de colmos por planta, provavelmente devido à competição com o arroz-vermelho, que tem maior capacidade de perfilhamento que as plantas de arroz (Diarra et al., 1985), competindo por espaço físico com o arroz cultivado (Marchesan, 1994). Na últ ima ava lia ção , rea liz ada aos 49 DAE, o maior e o menor número de colmos corresponderam aos mesmos tratamentos da segunda avaliação e os demais tratamentos não apresentaram diferença entre si. As maiores estaturas de plantas, por sua vez, foram observadas nos tratamentos com aplicação da mistura formulada de imazethapyr + imazapic em PRÉ e clomazone com utilização de Permit nas sementes. Quanto aos tratamentos com a mistura formulada de imazethapyr + imazapic, observou-se diferença de 9 cm na est atu ra de pla ntas entre a uti liz açã o de 75 g i.a. ha -1 de imazethapyr + 25 g i.a. ha-1 de imazapic em PRÉ e a aplicação de 75 g i.a. ha-1 de imazethapyr + 25 g i.a. ha-1 de imazapic em PÓS, tratament os estes que apresentaram, respectivamente, maior e menor estatura. Essa diferença pode ser atribuída à maior fitotoxicidade da aplicação de 75 g i.a. ha -1 de imazethapyr + 25 g i.a. ha -1 de imazapic em PÓS, aos 77 DAE (Figura 1). Masson & Webster (2001) também observaram redução visível na altura do arroz como resultado da fitotoxicidade provocada pelos herbicidas do grupo químico das 409 Controle químico de arroz-vermelho na cultura do arroz irrigado Tabela 1 - Controle do arroz -vermelho na colheita (CAV), estande de plantas (EP), colmos por planta em dias após a emergência (DAE), estatura de planta na colheita (EP), número de panículas (NP), número de espiguetas por panícula (NEP), massa de mil grãos (MMG), esterilidade de espiguetas (EE), produtividade de grãos (PG) e grãos inteiros (GI), em resposta a doses e épocas de aplicação da mistura formulada de imazethapyr + imazapic, utilizada no cultivar IRGA 422 CL, e à aplicação de doses altas do herbicid a clomazone em sementes tratadas com Permit £. Santa Maria -RS, 2005 Doses g i.a. ha -1 Tratamento 1/ 2/ PRE Testemunha POS 0 0 CV (%) 1/ CAV 4,5/ (%) EP 2 (m ) Colmos por planta 25 DAE8/ 37 DAE 8/ 49 DAE8/ GI EP (cm) NP -2 (m ) NEP MMG (g) EE 9/ (%) PG -1 (kg ha ) (%) 9/ 6/ 392 a 2,1 ab 2,0 c 1,7 c 67 cd 317 d 53 c 25 c 42 a 2996 f 33 d 2,16 14,89 26,90 23,06 23,61 4,57 18,07 13,10 5,56 13,09 4,79 1,41 0f 2/ 3/ Aplicação em pré- eme rgência; Aplicação em pós-emergênci a com o arr oz- vermelho no estádio V 5, segundo escala de Counce et al. (2000); 0,0 -dietil 0- fenil fosforoti oato (500 g i.a. kg- 1); 4 / Controle de arroz - vermelho foi avaliado visualmente em por centagem, em que 0 corresp onde à ausência de controle e 100, ao controle total; 5/ Para análise, os dad os for am trans formados em y t ar cos en ( y 0 ,5 ) /100 ; 6/ Para cada parâmet ro analisado, médi as seguid as de diferentes letras min úsculas na coluna diferem pelo teste de Tukey (P 0,05); 7 /Tratamento não avaliado em raz ão do gran de desenvolvimento das plantas de arroz-vermelho, devido ao baixo estande d e plant as; 8/ Dias após a emergê ncia do arroz; 9/ Para análise, os dados foram transformados e m y 1 , (dados apresentados são valores não -tran sformados). yt imidazolinonas. De todos os tratamentos, as menores estaturas de plantas foram obtidas na aplicação de 1.500 g i.a. ha-1 de clomazone sem Permit e na testemunha, sendo ambas as reduções atribuídas à competição com o arroz-vermelho e, no caso do tratamento sem utilização de protetor, também em função da alta fitot oxicidade ocasionad a pela aplicação do clomazone (Figura 1). A avaliação dos componentes da produção de grãos demonstrou que o número de panículas por metro quadrado esteve diretamente relacionado ao estande de plantas. Os tratamentos com maior número de panículas foram a ap li ca çã o da mi st ur a fo rm ul ad a de 52,5 g i.a. ha-1 de imazethapyr + 17,5 g i.a. ha -1 de imazapic em PRÉ, seguida da mesma dose em PÓS, e utilização da mistura formulada de 75 g i.a. ha-1 de imazethapyr + 25 g i.a. ha-1 de imazapic em PÓS, que obtiveram também as maiores populações de plantas. Essa relação entre estande e número de panículas só não foi observada na testemunha, na qual a competição por espaço físico com o arroz-vermelho prejudicou o desenvolvimento do arroz. Balbinot Jr. et al. (2003) também mencionam a relação entre o controle da planta daninha e o número de panículas por metro quadrado, afirmando que menores números de colmos por planta de arroz são obtidos quando estas se encontram em competição com o arroz-vermelho, resultando em menor número de panículas por metro quadrado. Para número de espiguetas por panícula, observa-se que a aplicação dos tratamentos em PRÉ, tanto para a mistura formulada de imazethapyr + imazapic quanto para clomazone, não teve efeito na variável. Já a aplicação da dose recomenda da da mistur a for mul ada, 75 g i.a. ha -1 de imazethapyr + 25 g i.a. ha-1 de imazapic em PÓS, diminuiu o número de espiguetas. A testemunha, por sua vez, foi o tratamento que obteve o menor número de espiguetas por panícula, o que pode ter decorrido do sombreamento das plantas de arroz-vermelho sobre as plantas de arroz cultivado, relação já observada por Balbinot Jr. et al. (2003). Os tratamentos afetaram também a esterilidade de espiguetas e a porcentagem de grãos inteiros do arroz; tratamentos com menos de 90% de controle da planta daninha apresentaram maior esterilidade de espiguetas e menor porcentagem de grãos inteiros. Nesse contexto, os tratamentos com a mistura formulada Planta Daninha,Viçosa-MG, v. 25, n. 2, p. 405-412, 2007 410 SANTOS, F.M. et al. de grãos encontrada naqueles tratam entos. Quanto à massa de mil grãos, a testemunha e a utilização de 1.500 g i.a. ha -1 de clomazone sem Permit – tratamentos com maior infestação de arroz-vermelho – apresentaram também menor massa. O aumento na esterilidade de espiguetas e a diminuição da massa de mil grãos, podem ser explicados pela interceptação da luz ocasionada pela maior estatura das plantas de arroz-vermelho, prejudicando o enchimento dos grãos de arroz (Balbinot Jr. et al., 2003). Figura 1 - Fitotoxicidade dos tratamentos para controle de arroz-vermelho sobre o cultivar IRGA-422CL. Legenda: PRÉ = aplicação em pré-emergência; PÓS = aplicação em pó s- em er gê nci a, [m is tu ra fo rm ul ad a de im az ethapyr+imazapic (52,5+17,5) + (52,5+17,5)] = mistura fo rm ula da de (5 2, 5 g i. a. ha -1 de im az et ha pyr + 17,5 g i.a. ha-1 de imazapic em PRÉ) + (52,5 g i.a. ha-1 de imaz ethapyr + 17,5 g i.a. ha -1 de imazapic em PÓS ); [mistura formulada imazethapyr+imazapic (75+25) PRÉ] = mistura formulada de 75 g i.a. ha-1 de imazethapyr + 25 g i.a. ha -1 de imazapic em PRÉ; [mistura formulada imazethapyr+imazapic (75+25) PÓS] = mistura formulada de 75 g i.a. ha-1 de imazethapyr + 25 g i.a. ha-1 de imazapic em PÓS; (Clomazone 1.500 c/ Permit) = 1.500 g ha -1 de clomazone em PRÉ com Permit; (Clomazone 1.500 s/ Permit) = 1.500 g ha -1 de clomazone em PRÉ sem Permit; (Clomazone 3.000 c/ Permit) = 3.000 g ha-1 de clomazone em PRÉ com Permit; As barras verticais representam 95% de intervalo de confiança. Santa Maria-RS, 2005. de ima zet hap yr + imaza pic apr ese ntara m maior quantidade de grãos inteiros, por terem obtido maior grau de controle de arroz-vermelho. Já os tratamentos com clomazone ocasionar am o dobr o de esp igu eta s est ére is em relação às aplicações da mistura formulada, fator fundamental para a menor produtividade Planta Daninha,Viçosa-MG, v. 25, n. 2, p. 405-412, 2007 Os resultados obtidos no experimento demonstram também que a produt ividade de grãos foi maior com a aplicação da mistura formulada de 75 g i.a. ha -1 de imazethapyr + 25 g i.a. ha -1 de imazapic em PRÉ, tratamento que resultou em 8.411 kg ha -1, apesar da redução do estande e do número de panículas por metro quadrado, decorrentes da aplicação do herbicida. A utilização fracionada da mistura formulada de imazethapyr + imazapic produziu 7.868 kg ha -1, não diferindo significativamente do maior rendimento. Já a aplicação da mistura form ulad a so ment e em PÓS, na dose de 75 g i.a. ha -1 de imazethapyr + 25 g i.a. ha-1 de imazapic, apresentou menor rendimento em relação à aplicação da mesma dose somente em PRÉ, o que pode ter decorrido da maior fitotoxicidade no arroz aos 77 DAE (Figura 1) e conseqüente diminuição do número de espiguetas por panículas. Esse dado confirma resultados obtidos por Steele et al. (2002), que indicam redução no rendimento do arroz com o acréscimo das taxas de imazethapyr em PÓS de 52 para 70 g i.a. ha -1. A produtividade de grãos foi menor nos tratamentos com clomazone, em comparação à utilização da mistura formulada de imazethapyr + imazapic. Entre as aplicações de clomazone, verificou-se maior produtividade no tratamento em que foi utilizado Permit, o que pode ser explicado pelo maior estande e estatura de plantas, maior número de panículas por metro quadrado e maior massa de mil de grãos, proporcionados pela aplicação do protetor de sementes. A alta competição do arroz-vermelho com o arroz cultivado afetou negativamente a produtividade de grãos da testemunha, tratamento que obteve redução de 64% na produtividade em relação à maior produtividade de grãos obtida. Controle químico de arroz-vermelho na cultura do arroz irrigado Em geral, a fitotoxicidade no arroz foi maior na aplicação de clomazone, em comparação com a utilização da mistura formulada de imazethapyr + imazapic (Figura 1). Os resultados encontrados demonstram que não houve relação direta entre a fitotoxicidade e o controle de arroz-vermelho, pois, mesmo resultando em maior toxicidade às plantas de arroz, os tratamentos com o herbicida clomazone apresentar am menor contro le da planta dani nha . Quanto à aplicação de clomazone, o tratamento sem a utilização de Permit apresentou a maior fitotoxicidade, aos 77 DAE. Nessa avaliação, houve diferença ainda entre as doses utilizadas em PRÉ; a aplicação de 1.500 g i.a. ha-1 de clomazone com Permit obteve menor fitotoxicidade que a aplicação do dobro dessa dose. A recuperação da toxicidade das plantas, em ambas as doses, ocorreu aos 19 DAE. Em relação à fitotoxicidade da mistura formulada de imazethapyr + imazapic, ela atingiu valores próximos a 25% em todas as doses e épocas de aplicação do herbicida. Essa alta fitotoxicidade pode estar relacionada à baixa temperatura no período inicial de desenvolvimento da cultura, pois, segundo Malefyt & Quakenbush (1991), o metabolismo parece ser um fator importante na tolerância do arroz a imidazolinonas e a temperatura influencia a tax a de met abolismo. Também Mas son & Webster (2001) apontam temperaturas mais baixas como responsáveis pela diferença na fitotoxicidade do arroz em dois anos consecutivos. Segundo os autores, menor injúria foi encontrada no período de temperaturas mais altas. No que se refere aos tratamentos com a mistura formulada de imazethapyr + imazapic, as doses de 52,5 g i.a. ha-1 de imazethapyr + 17,5 g i.a. ha-1 de imazapic, em PRÉ, proporcionaram maior toxicidade às plantas aos 5 DAE, alcançando a recuperação aos 19 DAE. Já para as aplicações em PÓS, nas doses de 52,5 g i.a. ha -1 de imazet hapyr + 17,5 g i.a. ha-1 de imazap ic e 75 g i.a. ha -1 de ima zet hap yr + 25 g i.a. ha-1 de imazapic, observou-se maior fitotoxicidade aos 33 DAE, ou seja, 17 dias após a aplicação do produto, tendo a planta se recuperado visualmente da intoxicação aos 40 DAE (Figura 1). Esses resultados evidenciam que, a partir da maior toxicidade, a recuperação 411 mais rápida da planta se dá nas aplicações em PÓS, possivelmente em razão de a planta estar em estádio de maior desenvolv imento, tornando seu metabolismo mais eficiente na desintoxicação do herbicida. No tocante às épocas e doses de aplicação, o experimento demonstrou que, aos 77 DAE, a menor fitotoxicidade foi obtida com a utilização da mistura formulada de imazethapyr + imazapic somente em PRÉ, seguida da aplicação seqüencial (PRÉ+PÓS). Já a maior fitotoxicidade foi encontrada na aplicação somente em PÓS. Hackworth et al. (1998) e Steele et al. (2000) também afirmam que a injúria causada pelo imazethapyr é mais severa com a aplicação em PÓS, se comparado à aplicação em PRÉ. Em relação à dose utilizada, Steele et al. (1999) relatam ainda aumento da toxicidade no arroz tolerante a imidazolinonas com o aumento da dose de 70 para 175 g i.a. ha -1 em PÓS. Os resultados evidenciam que, para controle do arroz-vermelho na lavoura de arroz irrigado, a utilização do Sistema Clearfield é mais eficiente que a aplicação de clomazone e uso de protetor de sementes. A aplicação da mistur a for mul ada de 52, 5 g i.a. ha -1 de ima zethapyr + 17,5 g i.a. ha-1 de imazapic em PRÉ, seguida da mesma dose em PÓS, apresentou controle de 100% da planta daninha, não prejudicou o estande de plantas e não se diferenciou da maior produtividade de grãos obtida no ensaio. Quanto ao tratamento-referência do pr od ut o, 75 g i. a. ha -1 de im az et ha py r + 25 g i.a. ha-1 de imazapic em PÓS, observa-se que não houve controle total do arroz-vermelho, possibilitando escape da planta daninha. AGRADECIMENTOS Os autores agradecem ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) pelo auxílio financeiro advindo da concessão de bolsas de mestrado, pesquisa e inic iação científica a Sant os, Marchesan e Massoni, respectivamente, e à Universidade Federal de Santa Maria, pela viabilização das pesquisas realizadas. Planta Daninha,Viçosa-MG, v. 25, n. 2, p. 405-412, 2007 412 LITERATURA CITADA AVILA, L. A. et al. Interferência do arroz-vermelho sobre o arroz irrigado. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ARROZ IRRIGADO, 1; REUNIÃO DA CULTURA DO ARROZ IRRIGADO, 23., 1999, Pelotas. Anais... Pelotas: Embrapa Clima Temperado, 1999. p. 594-596. BALBINOT Jr., et al. Competitividade de cultivares de arroz irrigado com cultivar simuladora de arroz-vermelho. Pesq. Agropec. Bras., v. 38, n.1, p. 53-59, 2003. COUNCE, P. A.; KEISLING, T. C.; MITCHELL, A. J. A uniform, objective, and adaptive system for expressing rice development. Crop Sci., v. 40, p. 436-443, 2000. DIARRA, A.; SMITH JUNIOR, R. J.; TALBERT, R. E. Growth and morphological characteristics of red rice (Oryza sativa) biotypes. Weed Sci., v. 33, n. 3, p. 310-314, 1985. EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA – EMBRAPA. Centro Nacional de Pesquisa de Solos (Rio de Janeiro, RJ). Sistema brasileiro de classificação dos solos. Brasília: 1999. p. 412. GEALY, D. R.; MITTEN, D. H.; RUTGER, J. N. 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Mara GrohsI Fernando Machado dos SantosII Enio MarchezanIII* Paulo Fabrício Sachet MassoniI Diego Rost ArosemenaI Luis Antônio de AvilaIII - NOTA RESUMO Herbicidas do grupo das imidazolinonas, como imazethapyr e imazapic, podem persistir no solo e afetar culturas não-tolerantes cultivadas em sucessão. O objetivo do trabalho foi avaliar o efeito residual da mistura formulada de imazethapyr+imazapic sobre azevém semeado e conduzido sob condições de casa de vegetação. Para isso, inicialmente foi conduzido um experimento em campo, em que aplicou-se sobre a cultivar tolerante de arroz (“IRGA 422 CL”) diferentes doses da mistura formulada de imazethapyr+imazapic, representadas por: 0L ha-1 (testemunha); 0,7L ha -1 em préemergência (PRE) seguido da aplicação de 0,7L ha-1 em pósemergência (POS); 1,0L ha-1 em PRE; e 1,0L ha-1 em POS. Posteriormente, aos 194 dias após a aplicação das doses, foram coletadas amostras intactas de solo na camada de 010cm, as quais foram utilizadas na condução de um bioensaio com azevém. Foram avaliadas a porcentagem de plantas emergidas aos três e 22 DAE (dias após a emergência) e a matéria seca do azevém aos 40 DAE. Verificou-se que a aplicação dos herbicidas na cultura do arroz no verão não ocasiona danos ao azevém semeado 194 dias após a aplicação do produto. Palavras-chave: bioensaio, atividade residual, imidazolinonas, arroz vermelho. ABSTRACT Imidazolinone herbicides, such as imazethapyr and imazapic, may persist in the soil and carryover to non-tolerant crops. This work aimed at evaluating the field carryover of the formulated mixture of imazethapyr+imazapic affecting ryegrass. For this reason, a field experiment was carried out, in which different rates of the formulated mixture of imazethapyr and imazapic were applied on a tolerant rice cultivar (‘IRGA 422 CL’): 0L ha -1 (check plot); 0.7L ha -1 preemergence (PRE) followed by 0.7L ha-1 postemergence (POS); 1.0L ha -1 PRE; 1.0L ha -1 POS. Later, 194 days after herbicide application, intact soils cores samples were collected at 0 to 10cm depth to carry out a bioassay in greenhouse, sowing ryegrass. It was evaluated the percentage of plants established at three and 22 DAE (days after emergence) and ryegrass dry biomass at 40 DAE. The results showed that herbicides applied on rice crop during summer does not cause damage to the ryegrass sowed 194 days after herbicide application. Key words: bioassay, carryover, imidazolinones, red rice. O arroz vermelho é um dos fatores mais restritivos à elevação da produtividade da lavoura orizícola no Rio Grande do Sul. A dificuldade de controle químico dessa planta daninha deve-se a semelhanças fisiológicas e bioquímicas entre o arroz vermelho e o arroz cultivado. O Sistema Clearfield® possibilita o controle químico do arroz vermelho em lavouras de arroz cultivado, por meio do uso de herbicidas do grupo químico das imidazolinonas em cultivares de arroz tolerantes (CROUGHAN, 1994). Uma das principais características dos herbicidas desse grupo é a prolongada atividade residual no solo (LOUX et al., 1989; LOUX & REESE, 1993), que pode variar de 31 a 410 dias para imazapic I Curso de Agronomia, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria, RS, Brasil. Programa de Pós-graduação do Curso de Agronomia, UFSM, Santa Maria, RS, Brasil. III Departamento de Fitotecnia, UFSM, 97105-900, Santa Maria, RS, Brasil. E-mail: [email protected]. *Autor para correspondência. II Recebido para publicação 20.03.07 Aprovado em 16.01.08 Ciência Rural, v.38, n.6, set, 2008. Residual da mistura formulada dos herbicidas imazethapyr e imazapic em solo de várzea sobre azevém... (GRYMES, 1995), de 60 a 360 dias para imazethapyr (GOETZ, 1990; MANGELS, 1991) e de até 436 dias para imazapyr (COX, 1996). Sua permanência no solo depende substancialmente de fatores como pH, matéria orgânica, textura, umidade do solo (LOUX & REESE, 1993), mineralogia, retenção de água pelo solo (GOETZ et al., 1986) e atividade dos microorganismos do solo (WITT & FLINT, 1997). Assim, a presença de resíduos desses herbicidas pode afetar o desenvolvimento de culturas não-tolerantes semeadas em sucessão ou rotação ao arroz irrigado, como, por exemplo, o azevém (Lolium multiflorum Lam.), cultura implantada em áreas de várzeas do Rio Grande do Sul logo após a colheita do arroz. Em vista do apresentado, o objetivo do presente trabalho foi determinar, por meio de bioensaio, a atividade residual da mistura formulada contendo os herbicidas imazethapyr (75g L-1) e imazapic (25g L-1) nas plantas de azevém semeado 194 dias após a aplicação (DAA) dos herbicidas. Para isso, foi conduzido um experimento em campo, onde aplicaram-se os tratamentos com o herbicidas sobre a cultivar tolerante (“IRGA 422 CL”) e aos 194 DAA coletaram-se amostras intactas de solo, com auxílio de canos de PVC de 10cm de diâmetro na camada de 0-10cm de profundidade. Essas amostras de solo foram utilizadas para condução de um bioensaio em casa de vegetação, semeando-se azevém. Os tratamentos constaram de diferentes doses da mistura formulada de imazethapyr+imazapic contendo 75g de imazethapyr e 25g de imazapic por litro. Os tratamentos foram compostos das seguintes doses do herbicida formulado: 0,7L ha-1 em pré-emergência (PRE) seguido da aplicação de 0,7L ha-1 em pós-emergência (POS); 1,0L ha-1 em PRE; 1,0L ha-1 em POS; mais uma testemunha sem aplicação dos herbicidas. O bioensaio foi desenvolvido em casa de vegetação do Departamento de Fitotecnia da Universidade Federal de Santa Maria, no período de maio a julho de 2005, no delineamento experimental de blocos ao acaso, com cinco repetições, respeitando o delineamento utilizado a campo. O solo utilizado é classificado como Planossolo Hidromórfico eutrófico arênico, pertencente à Unidade de Mapeamento Vacacaí (EMBRAPA, 1999), com as seguintes características: pHágua(1:1)=4,6; P=3,7mg dm-3; K=0,14cmolc dm-3 e M.O.=10g kg-1. As sementes de azevém foram semeadas manualmente, sem incorporação, utilizando 10 sementes por unidade experimental. As amostras receberam semanalmente quantidade de água adequada à emergência e ao desenvolvimento inicial das plantas de azevém. A emergência das plantas ocorreu no dia 17/05/2005. As variáveis analisadas foram: porcentagem 1755 de plantas estabelecidas aos três e aos 22 dias após a emergência (DAE), além de fitomassa seca aos 40 DAE. Após a última contagem de plantas estabelecidas (22 DAE), foi realizado desbaste, deixando três plantas por unidade experimental para a determinação de matéria seca aos 40 DAE. Os dados foram submetidos à análise de variância pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade de erro. Os dados de porcentagem de plantas estabelecidas foram transformados para análise pela transformação arcoseno. Os resultados obtidos possibilitaram verificar que aos 194 DAA do produto não houve influência dos tratamentos na porcentagem de emergência do azevém, realizada aos três DAE (Tabela 1), entretanto, ocorreu menor emergência de azevém na testemunha, diferindo dos demais tratamentos. Esse resultado se deve provavelmente à desuniformidade de emergência das plântulas, que, por terem sido semeadas sem incorporação, apresentaram variações de contato semente-solo para absorção de umidade. Na segunda avaliação de emergência (22 DAE), bem como na avaliação da matéria seca, realizada aos 40 DAE, também não foram observadas diferenças significativas entre os tratamentos (Tabela 1). Para o entendimento dos resultados obtidos, é fundamental a análise das condições ambientais do período. Durante a safra de arroz irrigado, o solo permaneceu, em média, 90 dias inundado, aumentando a mobilidade do herbicida e proporcionando condições para a ocorrência de fotodegradação das moléculas dos herbicidas presentes na lâmina de água, uma das principais formas de degradação das imidazolinonas em água (GOETZ, 1990; AVILA et al., 2006). Além disso, a sua percolação no perfil do solo é influenciada pela infiltração de água e controlada pelas características físico-químicas do solo (GOETZ, 1990; MANGELS, 1991). Por se tratar de solo de textura arenosa e de baixo conteúdo de matéria orgânica (10g kg-1), essas condições favoreceriam a menor adsorção das moléculas dos herbicidas pelas partículas do solo, aumentando sua mobilidade (LOUX et al., 1989). Estudos indicam que herbicidas do grupo das imidazolinonas possuem pouca mobilidade horizontal (TU et al., 2004), porém verticalmente de 80 a 90% do herbicida aplicado pode se concentrar a partir dos 10cm até os 20cm do perfil do solo, podendo permanecer neste local por longos períodos (MANGELS, 1991; LOUX & REESE, 1993), pois apresenta baixa taxa de degradação em condições anaeróbicas. Nas condições do bioensaio, que teve a semeadura do azevém realizada sem prévia incorporação das sementes, criou-se uma condição na qual as plantas se desenvolveram na superfície do solo, Ciência Rural, v.38, n.6, set, 2008. 1756 Grohs et al. Tabela 1- Efeito residual da mistura formulada dos herbicidas imazethapyr+imazapic sobre azevém, cultivado em casa de vegetação, aos 194 dias após a aplicação dos herbicidas, em amostras de solo intactas coletadas em canos de PVC de 10cm de diâmetro (0,008m2) e a 10cm de profundidade. UFSM/Santa Maria- RS, 2007. Plantas de azevém estabelecidas (%) Matéria seca (g/pote) Tratamentos 6 3 DAE1 22 DAE ns 40 DAE 5 40 0,27ns 50 ab 50 0,19 Testemunha 0,7L do produto formulado (PF2) ha-1 em PRE3 + 0,7L do PF ha-1 em POS4 1L do PF ha-1 em PRE 1L do PF ha-1 em POS 30 b 60 a 40 ab 60 50 0,24 0,22 CV (%) Média 15,5 45 16,5 50 20,3 0,23 1 Dias após a emergência do azevém. Dose referente à quantidade de produto comercial (Only®). Cada litro de produto formulado continha 75g de imazethapyr e 25g de imazapic; 3 PRE= herbicida aplicado em pré-emergência do arroz e do arroz vermelho. 4 POS= herbicida aplicado em pós-emergência do arroz e do arroz vermelho. 5 Médias seguidas de letras diferentes na coluna diferem entre si pelo teste de Tukey em nível de 5% de probabilidade de erro. 6 Tratamentos aplicados na safra de verão sobre arroz tolerante às imidazolinonas. (ns) Médias não significativas a 5% pelo Teste F. 2 influenciando no volume de solo explorado pelas raízes, as quais, possivelmente, desenvolveram-se em camadas onde havia menor concentração dos herbicidas. Além disso, as amostras foram coletadas até a profundidade de 10cm, região na qual haveria menor concentração dos herbicidas. Outro aspecto que deve ser ressaltado é a relação entre umidade do solo e disponibilidade do herbicida às plantas. A umidade do solo é um dos principais fatores que atuam na persistência dos herbicidas, pois altera a concentração e a mobilidade desses produtos no solo. Com o aumento da umidade, tem-se menor retenção da molécula do herbicida nas partículas do solo, deixando-o mais solúvel e disponível à absorção pelas raízes das plantas. O contrário ocorre em condições de solo com baixo conteúdo de umidade, condição esta apresentada no bioensaio, em que a adsorção do herbicida é maior pelas partículas do solo, ficando disponível em menor quantidade para absorção pelas plantas (ZHANG et al., 2001). Além disso, com a diminuição da umidade do solo, há um provável aumento na atividade microbiana devido à maior aeração do solo, o que contribui substancialmente na degradação das imidazolinonas, já que a ação microbiana é principal forma de degradação (GOETZ, 1990; WITT & FLINT, 1997). Apesar de não ter sido verificado fitotoxicidade às plantas de azevém semeadas no bioensaio aos 194 DAA, nesse mesmo experimento em campo foi verificado efeito sobre o arroz não-tolerante semeado um ano após a aplicação dos produtos, ou seja, após o bioensaio do azevém (SANTOS, 2006). Essas diferenças nos resultados ocorreram provavelmente devido ao efeito residual do produto ser potencializado a partir da entrada da lâmina de água no arroz, pois, segundo WIK & REINHARDT (2001), o herbicida lixiviado poderia voltar à zona de absorção das raízes por meio do movimento capilar realizado pela água, injuriando assim cultivares de arroz não-tolerante. Assim, em vista das características de solo, da mobilidade dos herbicidas e da característica de semeadura superficial do azevém, apesar de haver residual de herbicidas no solo, não houve efeito na emergência e na fitomassa seca do azevém aos 40 DAE, semeado em sucessão ao cultivo do arroz irrigado com aplicação de herbicidas do grupo das imidazolinonas. AGRADECIMENTOS Ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), pela concessão de bolsa de pesquisador para Enio Marchesan, Paulo Fabrício Sachet Massoni e Mara Grohs, e à Coordenação de Aperfeiçoamento Pessoal de Nível Superior (CAPES), pela concessão de bolsa ao aluno de Pós-graduação Fernando Machado dos Santos. REFERÊNCIAS AVILA, L.A. et al. Imazethapyr aqueous photolysis, reaction quantum yield, and hydroxyl radical rate constant. Journal of Agricultural and Food Chemistry, v.54, p.2635-2639, 2006. COX, C. Imazapyr: herbicide factsheet. Journal of Pesticide Reform Imazapyr, v.16, n.3, p.16-20, 1996. CROUGHAN, T.P. Application of tissue culture techniques to the development of herbicide resistant rice. Louisiana Agriculture, v.37, n.1, p.25-26, 1994. Ciência Rural, v.38, n.6, set, 2008. Residual da mistura formulada dos herbicidas imazethapyr e imazapic em solo de várzea sobre azevém... 1757 EMBRAPA. Sistema brasileiro de classificação dos solos. 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Persistência dos herbicidas imazethapyr e clomazone em... 875 PERSISTÊNCIA DOS HERBICIDAS IMAZETHAPYR E CLOMAZONE LÂMINA DE ÁGUA DO ARROZ IRRIGADO1 EM Imazethapyr and Clomazone Persistence in Rice Paddy Water SANTOS, F.M.2, MARCHESAN, E.3, MACHADO, S.L.O.4, AVILA, L.A.5, ZANELLA, R.6 e GONÇALVES, F.F.7 RESUMO - Os herbicidas podem persistir no solo ou ser carreados para fora da área, contaminando mananciais hídricos a jusante da lavoura. Em vista disso, o presente trabalho objetivou estimar a persistência dos herbicidas imazethapyr e clomazone na lâmina de água de arroz irrigado. Para isso, foi realizado um ensaio com diferentes doses e épocas de aplicação da mistura formulada (75 g i.a. ha-1 de imazethapyr + 25 g i.a. ha-1 de imazapic) e clomazone (1.500 g i.a. ha-1). Para determinação dos produtos na água de irrigação, foram coletadas amostras de água a partir do primeiro dia até 62 dias após a inundação. Os resultados demonstraram que o período de detecção dos herbicidas na água de irrigação foi mais longo para o imazethapyr que para o clomazone. A meia-vida do imazethapyr na lâmina da água variou conforme o tratamento, com valores entre 1,6 e 6,2 dias, e a do clomazone foi de cinco dias. Palavras-chave: imazethapyr, clomazone, residual na água, Oryza sativa. ABSTRACT - Herbicides can persist in soil and be transported from the application site to the environment. An experiment was conducted to estimate imazethapyr and clomazone persistence in rice paddy water. The treatments included application of the formulated herbicide mixture (imazethapyr 75 g a.i. L-1 + imazapic 25 g a.i. L-1) and clomazone (500 g a.i. L-1). Imazethapyr and clomazone concentrations in water were evaluated from the 1st to the 62nd day after flooding. The period of herbicide detection in water was longer for imazethapyr. Imazethapyr half-life in paddy water varied between 1.6 and 6.2 days and clomazone half-life was 5 days. Keywords: imazethapyr, clomazone, residues in water, Oryza sativa. INTRODUÇÃO A água é um recurso natural renovável de reservas limitadas e demanda crescente. A agricultura demanda grande volume de água, sendo responsável por 69% da extração anual (FAO, 2003). Além dessa alta demanda, a agricultura ainda oferece riscos de contaminação dos mananciais hídricos superficiais e subterrâneos, devido ao uso de agroquímicos nas lavouras. Nos Estados Unidos, estima-se que de 50 a 60% da carga poluente de lagos e rios provenha de práticas agrícolas (Gburek & Sharpley, 1997). A lavoura de arroz irrigado é um dos sistemas de produção que mais demandam água. No Rio Grande do Sul, são utilizados 1 Recebido para publicação em 23.9.2007 e na forma revisada em 26.4.2008. Parte integrante da dissertação de mestrado do primeiro autor. Pesquisa financiada pelo CNPq, CAPES, FAPERGS e UFSM. 2 Engo-Agro, Mestre em Agronomia pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), 97105-210, Dep. de Fitotecnia, prédio 44, sala 5335, Santa Maria-RS <[email protected]>; 3 Engo-Agro, Dr., Prof. do Dep. de Fitotecnia da UFSM, <[email protected]>; 4 Engo-Agro, Dr., Prof. do Dep. de Defesa Fitossanitária da UFSM; 5 Engo-Agro, Ph.D., Prof. do Dep. de Fitotecnia da UFSM; 6 Químico, Dr., Prof. do Dep. de Química da UFSM; 7 Químico, doutorando em Química da UFSM. Planta Daninha, Viçosa-MG, v. 26, n. 4, p. 875-881, 2008 876 SANTOS, F.M. et al. anualmente cerca de 1 milhão de hectares para o cultivo do arroz, sendo usados em média 5.374 a 6.422 m3 de água por hectare de arroz, desconsiderando as perdas de água por condução (Machado et al., 2006). Além disso, para assegurar maior produtividade, o uso de agroquímicos tem sido largamente adotado, ocasionando especulações acerca da responsabilidade da lavoura orizícola na contaminação dos mananciais hídricos. água adotado e da precipitação pluvial, os herbicidas podem persistir por maior tempo no ambiente e ser transportados para fora da área, contaminando os mananciais hídricos a jusante da lavoura. Por isso, o presente trabalho visou estimar a persistência dos herbicidas imazethapyr e clomazone em lâmina de água da lavoura de arroz irrigado. A mistura formulada de imazethapyr e imazapic (75 e 25 g i.a. L-1, respectivamente) é um dos herbicidas mais utilizados na lavoura orizícola gaúcha para controle do arroz-vermelho. As duas moléculas herbicidas pertencem ao grupo químico das imidazolinonas e são caracterizadas pela eficácia em baixas doses, pelo largo espectro de controle de plantas daninhas e pela longa persistência no solo (Shaw & Wixson, 1991; Loux & Reese, 1993). Estudos indicam que a persistência desses herbicidas no solo é influenciada pelo pH (Loux & Reese, 1992), pela umidade (Baughman & Shaw, 1996) e pelo teor de matéria orgânica do solo (Stougaard et al., 1990). Os herbicidas do grupo químico das imidazolinonas apresentam como principais mecanismos de dissipação a degradação microbiana (Goetz et al., 1990) e a decomposição fotolítica, especialmente quando expostos à luz ultravioleta (Mallipudi et al., 1991). Tanto o imazethapyr quanto o imazapic sofrem limitada biodegradação sob condições anaeróbicas (Senseman, 2007). O experimento foi conduzido no ano agrícola 2004/05, na área experimental do Departamento de Fitotecnia da UFSM, em área de várzea, onde não havia histórico da aplicação de imazethapyr e clomazone para controle de plantas daninhas. O solo é classificado como Planossolo Hidromórfico eutrófico arênico, com as seguintes características: pHágua(1:1) = 4,5; P = 6,9 mg dm-3; K = 55 mg dm-3; MO = 1,2%; Ca = 2,5 cmol c dm -3; Mg = 1,3 cmol c dm -3; Al = 1,4 cmolc dm-3; e argila = 17%. O clima é classificado como subtropical úmido, classe ‘Cfa’; as temperaturas mínimas, máximas e médias, a insolação e a precipitação verificadas durante o período de ensaio encontramse na Tabela 1. O herbicida clomazone tem sua atividade influenciada pela matéria orgânica e textura (Loux & Slife, 1989). A meia-vida do clomazone no solo varia de 5 a 117 dias, dependendo do tipo do solo e das condições ambientais (Curran et al., 1992; Kirksey et al., 1996; Mervosh et al., 1995). Senseman (2007) relata que a persistência do clomazone é menor em solos arenosos do que em solos argilosos. A degradação do clomazone é mais rápida em condições anaeróbicas do que em condições aeróbicas (Senseman, 2007); em solo em condições aeróbicas, a meia-vida do herbicida varia de 90 a 276 dias e, em solo anaeróbico, sua meia-vida média é de 60 dias (California, 2003). Em grande parte das lavouras de arroz, a aplicação dos herbicidas é seguida pela inundação da área e, dependendo do manejo de Planta Daninha, Viçosa-MG, v. 26, n. 4, p. 875-881, 2008 MATERIAL E MÉTODOS O delineamento experimental utilizado foi de blocos ao acaso, contendo quatro tratamentos e cinco repetições, com unidades experimentais medindo 5 x 4 m (20 m2). Os tratamentos constituíram da aplicação da mistura formulada de imazethapyr e imazapic (75 + 25 g i.a. L-1) ou da aplicação de clomazone (Tabela 2). Nos tratamentos 1 a 3 foi expressa somente a concentração de imazethapyr, pois foi o único analisado na água. O preparo do solo foi realizado no sistema convencional, consistindo em duas gradagens pesadas e três gradagens leves para nivelamento do terreno. O cultivar IRGA 422 CL foi semeado em linhas espaçadas de 0,17 m, em 28/10/2004, na densidade de 120 kg de sementes ha-1; a emergência do arroz ocorreu aos 12 dias após a semeadura (DAS). Juntamente com a semeadura do arroz, foi realizada a adubação de base, aplicando-se 7, 70 e 105 kg ha-1 de N, P2O5 e K2O, respectivamente. Para adubação de cobertura, foram utilizados 120 kg ha-1 de N na forma de uréia, aplicandose a metade da dose no início do perfilhamento (V4) e o restante na iniciação da panícula (R0), Persistência dos herbicidas imazethapyr e clomazone em... 877 Tabela 1 - Temperaturas mínimas, máximas e médias, insolação e precipitação pluvial, por decêndio, ocorridas durante o período de realização do experimento. Santa Maria-RS, 2006 Temperatura (°C) Insolação (h) Precipitação (mm) Mínima Média 01 – 10 25,5 10,9 18,2 10,1 4,4 11 – 20 24,7 13,2 19,0 7,2 94,3 21 – 31 26,8 12,3 19,6 8,6 21,0 01 – 10 25,9 14,7 20,3 5,2 123,6 11 – 20 25,7 14,9 20,3 8,5 24,1 21 – 30 27,7 15,4 21,6 6,2 0,0 01 – 10 30,5 19,7 25,1 6,5 29,0 11 – 20 30,2 16,7 23,5 9,7 32,8 21 – 31 30,5 17,0 23,7 10,7 0,4 01 – 10 34,9 21,8 28,3 8,0 14,1 11 – 20 33,2 19,2 26,2 10,4 35,7 21 – 31 32,4 18,6 25,5 8,6 0,0 Janeiro Máxima Outubro Decêndio Dezembro Novembro Mês * Dados coletados na Estação Meteorológica da Universidade Federal de Santa Maria/RS/Brasil. segundo escala de Counce et al. (2000). Juntamente com a segunda aplicação de N em cobertura, foram utilizados 500 g i.a. ha-1 do inseticida carbofuran, para controle de larvas do gorgulho-aquático-do-arroz (Oryzophagus oryzae). A aplicação do herbicida em PRE foi efetuada aos 2 DAS, utilizando-se pulverizador costal pressurizado com CO2 munido de pontas 110 02 do tipo leque, calibrado para aplicar uma vazão de 125 L ha-1. A aplicação em POS foi efetuada 16 dias após a emergência (DAE), quando a maioria das plantas do arroz cultivado se encontrava no estádio V4, ou seja, com quatro folhas formadas, enquanto as plantas de arrozvermelho se encontravam no estádio V5. Para aplicação em POS, utilizou-se o mesmo pulverizador acima referido, com vazão de 150 L ha-1 e adição de 0,5% v v-1 de óleo mineral emulsionável. A inundação da área foi realizada um dia após a aplicação do tratamento em POS, com lâmina d’água de 10 cm de altura, aproximadamente. Cada parcela foi separada por taipas, com entrada e saída de água individual, como forma de evitar a contaminação entre os tratamentos, sendo a irrigação mantida durante todo o ciclo da cultura. Durante o período entre a aplicação dos herbicidas em PRE e a entrada d’água na lavoura ocorreram precipitações, mas a água ficou retida nas parcelas. No entanto, aos 11 dias após a aplicação dos tratamentos em PRE, devido à precipitação de 63 mm, realizou-se coleta d’água, para detecção dos resíduos de herbicidas na água da chuva e posterior drenagem das parcelas. Foram realizadas ainda coletas de água, em cada parcela, no 1o, 2o, 3o, 5o, 7o, 10o, 14o, 21o, 28o, 35o, 42o, 49o, 56o e 62o dias após a inundação do ensaio; o período entre a aplicação dos tratamentos em PRE e a entrada de água foi de 26 dias. Depois de coletadas, as amostras foram armazenadas em frasco de vidro âmbar, acidificadas com H3PO4 1:1 (v.v.-1) e, sob refrigeração, transportadas para a análise química no Laboratório de Análise de Resíduos de Pesticidas (LARP) do Departamento de Química da UFSM, para análise conforme metodologia descrita por Zanella et al. (2003). Alíquota de 250 mL de amostra foi acidificada e pré-concentrada em cartuchos contendo 200 mg de C18, sendo a eluição executada por duas vezes com 500 µL de metanol. A detecção e a quantificação dos herbicidas foram Planta Daninha, Viçosa-MG, v. 26, n. 4, p. 875-881, 2008 878 realizadas utilizando-se HPLC-UV, a 220 nm, munidas de uma coluna Bondesil C 18 (250 × 4,6 mm i.d; 5 µm), com fase móvel constituída de metanol e água (60:40 vv-1), ajustada a pH 4,0 com ácido fosfórico, com vazão de 0,8 mL min-1. O logaritmo natural da concentração restante do imazethapyr [ln (C/Co)] foi calculado e, através da plotagem desse valor com o tempo em horas, foi obtida a constante da taxa de dissipação dos herbicidas na água (kp). Os valores da meia-vida dos herbicidas foram calculados usando a equação: sendo kp o valor absoluto da inclinação e a taxa de dissipação dos herbicidas na água. As constantes da taxa de dissipação dos herbicidas foram submetidas à análise de variância, sendo as médias comparadas pelo teste de Tukey (P < 0,05). RESULTADOS E DISCUSSÃO A maior persistência de imazethapyr foi observada com a aplicação de 52,5 g ha-1 de herbicida em PRE, seguido da mesma dose em POS, com níveis detectáveis em água até 27 dias após o estabelecimento da lâmina de água na área (Tabela 2). Resultados similares foram encontrados por Marcolin et al. (2003), que verificaram concentração detectável de imazethapyr na lâmina d’água até os 30 dias após sua aplicação. Já a detecção de clomazone foi observada até os 13 dias após a entrada da água – comportamento similar à aplicação somente em PRE de imazethapyr, na dose de SANTOS, F.M. et al. 75 g ha-1. Autores como Machado et al. (2003) encontraram persistência de 28 dias do clomazone na lâmina de água. A concentração dos herbicidas decresceu, tanto para o imazethapyr quanto para o clomazone, em função do tempo (Figura 1A). Esse decréscimo pode ser explicado pela existência de condições climáticas favoráveis à degradação dos herbicidas, como insolação e temperatura (Tabela 1). O clomazone sofre degradação microbiana em solos úmidos e sob altas temperaturas (Colômbia, 2005). Em solo arenoso, a degradação do clomazone é mais rápida, devido à sua disponibilidade na solução do solo. Cumming & Doyle (2002), avaliando quatro tipos diferentes de solo, encontraram maior persistência do clomazone em solo com maior teor de argila. Teores menores de argila e matéria orgânica também contribuem na dissipação do imazethapyr, pois o torna mais disponível na solução do solo (Avila, 2005). Segundo esse autor, maior quantidade de água na solução do solo facilita a diluição do herbicida e sua mobilidade, diminuindo, com isso, sua concentração. Em contrapartida, a baixa sorção do herbicida ao solo (Senseman, 2007) pode ter facilitado sua lixiviação, proporcionando seu transporte para camadas mais profundas, onde a degradação microbiana não é tão eficiente. Estudos indicam que o imazethapyr, em solos não-revolvidos, move-se na coluna do solo até 30 cm (O’Dell et al., 1992). O imazethapyr é adsorvido em maior quantidade em pH baixo (Che et al., 1992; Gennari et al., 1998), tornando-se menos móvel e mais persistente no solo (Loux & Reese, 1993). A sorção tem, portanto, Tabela 2 - Efeito do tratamento herbicida no período de detecção (PD) dos herbicidas, constante de dissipação (k) e meia-vida dos herbicidas em água (t½), calculados a partir da entrada de água. Santa Maria-RS, 2006 1/ Dose expressa em gramas de ingrediente ativo por hectare; 2/ aplicação em pré-emergência; 3/ aplicação em pós-emergência; 4/ período em dias após a entrada de água; 5/ período total, desde a aplicação do herbicida; 6/ Médias não seguidas pela mesma letra diferem pelo teste de Tukey (p < 0,05). Planta Daninha, Viçosa-MG, v. 26, n. 4, p. 875-881, 2008 Persistência dos herbicidas imazethapyr e clomazone em... Dias após a aplicação dos herbicidas em pré-emergência Figura 1 - A: concentração dos herbicidas imazethapyr e clomazone na lâmina de água do arroz irrigado do tratamento herbicida. B: período em que o tratamento herbicida ficou em água e em solo. Santa Maria-RS, 2006. 1/ Dose expressa em gramas de ingrediente ativo por hectare; 2/PRE = herbicida aplicado em pré-emergência; 3/ POS = herbicida aplicado em pós-emergência. impacto na distribuição, biodisponibilidade e persistência de herbicidas no ambiente. Para o clomazone, a volatilidade é outro fator que contribui em sua dissipação. Além de possuir elevada pressão de vapor, o que proporciona alta volatilidade, a umidade do solo, decorrente da irrigação, pode ter acelerado as perdas do herbicida por volatilização. Thelen et al. (1988) verificaram perdas de clomazone por volatilização com o aumento da umidade do solo. Resultados semelhantes foram encontrados por Cumming & Doyle (2002), que citam as perdas por vapor em local de elevada umidade no solo. Os fatores anteriormente expostos (precipitações, características do solo e propriedades físico-químicas dos herbicidas) podem ter ocasionado a redução da concentração do imazethapyr e do clomazone encontrada na coleta realizada logo após a entrada d’água no experimento, que ocorreu 26 dias após a aplicação 879 dos herbicidas em PRE. Com a inundação da área, outros fatores influenciaram a degradação dos herbicidas, como hidrólise e degradação anaeróbica, até estes alcançarem sua concentração mínima detectável na água (Tabela 2). O herbicida que apresentou maior meia-vida na água foi o clomazone. Estudos demonstram que, dissolvido em água, tal herbicida não degrada facilmente sob a luz, apresentando meia-vida de 30 dias (Califórnia, 2003). Logo, a decomposição do clomazone na água pode ser explicada pelo fato de o herbicida ser rapidamente degradado em condições anaeróbicas. O Departamento de Pesticidas da Califórnia (2003) relata elevada persistência do clomazone no solo sob condições aeróbicas; contudo, sob condições anaeróbicas, a degradação do clomazone é acelerada. Quanto ao herbicida imazethapyr, sua aplicação em PRE apresentou a maior meiavida entre as doses e épocas de sua aplicação. Para o imazethapyr, a fotólise é um dos principais mecanismos de sua dissipação em condições anaeróbicas, já que a degradação microbiana do herbicida, nessas condições, é quase insignificante (Senseman, 2007). A fotólise, por sua vez, é mais eficiente sob intensa insolação – condição satisfeita no período de detecção do herbicida na lâmina de água – devido à ocorrência de poucas precipitações (Tabela 1). Logo, a menor meiavida do imazethapyr na aplicação somente em POS pode ter decorrido do fato de o herbicida ter tido menor tempo para reações com o solo antes da entrada d’água, o que diminui a adsorção dele ao solo, facilitando sua fotodecomposição em água. Avila (2005) afirma ainda que, quando aplicado em PRE, o herbicida dispõe de mais tempo para a sorção ao solo, diminuindo sua disponibilidade na solução do solo. Assim, segundo o autor, a adsorção ao solo pode afetar a fotodecomposição do imazethapyr aplicado em PRE. Em contrapartida, há suposição de que, após algumas semanas de alagamento, essas reações do herbicida com o solo possam ser desfeitas, em função da elevação do pH a próximo da neutralidade (Snyder & Slaton, 2002), o que disponibilizaria aos poucos as moléculas do herbicida na lâmina d’água. Essa mudança no pH, sob inundação da área, pode ocorrer semanas após a entrada d’água, dependendo do tipo do solo, do nível da matéria orgânica, da população de Planta Daninha, Viçosa-MG, v. 26, n. 4, p. 875-881, 2008 880 microrganismos, de temperatura e de outras propriedades químicas do solo (Snyder & Slaton, 2002). A meia-vida do imazethapyr na lâmina d’água variou conforme o tratamento, com valores entre 1,6 e 6,2 dias, e a do clomazone foi de cinco dias. Contudo, essa meia-vida referese à sua dissipação em água, e em solo a meiavida pode ser maior. Além do período de 27 e 13 dias de detecção na lâmina de água de irrigação para imazethapyr e clomazone, respectivamente, cabe ressaltar ainda que os herbicidas persistiram por 26 dias no solo, durante o período entre sua aplicação em PRE e a entrada da lâmina d’água na lavoura, totalizando um período de 53 e 39 dias, respectivamente para imazethapyr e clomazone. Nesse período, esses herbicidas podem, potencialmente, ser transportados da lavoura para fora do sistema produtivo, recomendando-se a adoção de práticas de manejo que reduzam essa possibilidade. AGRADECIMENTOS Os autores agradecem ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), pelo auxílio financeiro advindo da concessão de bolsas de mestrado, pesquisa e iniciação científica, e à Universidade Federal de Santa Maria, pela viabilização das pesquisas realizadas. SANTOS, F.M. et al. COLOMBIA. Ministério de Ambiente, Vivienda y Desarrolo Territorial. República de Colombia. Resolução no 681, de 2 de junho de 2005. “Por la cual se expide um dictamen técnico ambiental para el producto Saat Minuetto ® 480 EC del ingrediente activo clomazone dentro del trámite administrativo de registro”. Colombia: 2005. COUNCE, P. A.; KEISLING, T. C.; MITCHELL, A. J. A uniform, objective, and adaptive system for expressing rice development. Crop Sci., v. 40, n. 2, p. 436-443, 2000. CUMMING, J. P.; DOYLE, R. B. Clomazone dissipation in four Tasmanian topsoils. Weed Sci., v. 50, n. 3, p. 405-409, 2002. CURRAN, W. S.; LIEBL, R. A.; SIMMONS, F. W. Effects of tillage and application methods on clomazone, imazaquin, and imazethapyr persistence. Weed Sci., v. 40, p. 482-489, 1992. FAO. Faostat database results. 2003. Disponível em: www.fao.org/faostat. Acesso em: abril de 2007. GBUREK, W. J.; SHARPLEY, A. N. Hydrologic controls on phosphorus loss from upland agricultural watersheds. J. Environ. Qual., n. 27, p. 267-277, 1997. GENNARI, M.; NÉGRE, M.; VIDROLA, D. 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Completar destaquesdonagrupo LITERATURA CITADA...(, n. ??-??, ). 2. imazametabenz (ver grafia). Ao Autor: DESTINO AMBIENTAL DOS HERBICIDAS DO GRUPO – REVISÃO1 1 DAS IMIDAZOLINONAS Environmental Fate of Imidazolinone Herbicides – A Review KRAEMER, A.F.2, MARCHESAN, E.3, AVILA, L.A.3, MACHADO, S.L.O.3 e GROHS, M.4 RESUMO - Os herbicidas do grupo das imidazolinonas controlam um amplo espectro de plantas daninhas, sendo absorvidos pelas raízes e folhas e translocados pelo floema e xilema, acumulando-se nos pontos de crescimento. Esse grupo de herbicidas atua inibindo a enzima acetolactato sintetase (ALS), essencial no processo de síntese de aminoácidos de cadeia ramificada em plantas. Quando aplicados nas lavouras, uma proporção significativa deles atinge o solo, onde são passíveis de serem absorvidos pelas raízes das plantas, sorvidos aos coloides do solo ou dissolvidos na sua solução, podendo sofrer fotólise, hidrólise, degradação microbiana ou lixiviação. A sorção das imidazolinonas é rápida e regula os outros processos. Altos conteúdos de argila e matéria orgânica e pH menor que 6,0 em solos aumentam a sorção e a persistência das imidazolinonas no solo. Condições que favoreçam o desenvolvimento de microrganismos aumentam a degradação das imidazolinonas, por ser essa a principal via de sua degradação. Palavras-chave: degradação, fotólise, hidrólise, mecanismo de ação, persistência, sorção. ABSTRACT - The herbicides of the imidazolinone group control a wide range of weed species. They are absorbed by weed roots and leaves and transported through the phloem and xylem, accumulating in the plant growing points. They inhibit the enzyme acetolactate synthase (ALS), which synthesizes the branched chain amino acids. When used in the field, a large portion of these herbicides reach the soil, where they can be absorbed by the roots of plants, sorbed into the soil colloids, or dissolved in soil solution, going through photolysis, hydrolysis, microbial degradation or leaching. The sorption of imidazolinone is faster and affects other processes. High contents of clay, organic matter and pH lower than 6.0 contribute to enhance the sorption and persistence of imidazolinones in soil. The most important way of dissipation is by microbial degradation, thus conditions favoring microbial development will also enhance imidazolinone degradation. Keywords: degradations, photolysis, hydrolysis, mode of action, persistence, sorption. INTRODUÇÃO Há evidências de que os lençóis subterrâneos e corpos de água superficiais são contaminados por pesticidas utilizados na agricultura. Segundo a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (USEPA, 1992, 1993), 14% das amostras de água obtidas de lençóis freáticos, 165.000 km de rios e 830.000 ha de lagos e reservatórios de água dos EUA apresentam algum nível de contaminação. As imidazolinonas apresentam alto risco de contaminar fontes de água, por sua alta solubilidade em água e alta persistência no ambiente. Nos EUA, foram encontrados 16 ingredientes ativos de herbicidas pertencentes aos grupos das Recebido para publicação em / / e na forma revisada em / / . Pesquisador do Inta EEA Corrientes, Argentina, <[email protected]>; 3 Professor do Dep. de Fitotecnia, Universidade Federal de Santa Maria – UFSM, Santa Maria-RS, Brasil; 4 Acadêmica do Curso de Agronomia, Dep. de Fitotecnia, UFSM, Santa Maria-RS, Brasil. 1 2 Planta Daninha, Viçosa-MG, v. 27, n., p. , 2009 2 KRAEMER, A.F. et al. sulfonilureias, sulfonamidas e imidazolinonas em amostras coletadas de águas superficiais e subterrâneas (Battaglin et al., 2000). Ao menos um dos herbicidas esteve presente em 83% das amostras analisadas, e o herbicida mais frequentemente encontrado foi o imazethapyr, detectado em 71% das amostras. Também foram encontrados traços de imazapyr em águas subterrâneas após oito anos de sua aplicação para controle de plantas em ferrovias (Börjesson et al., 2004). MECANISMO DE AÇÃO As imidazolinonas controlam um amplo espectro de plantas daninhas, incluindo poáceas, ciperáceas e latifoliadas. Esses herbicidas são absorvidos pelas raízes e folhas das plantas, sendo transportados pelo floema e xilema, acumulando-se nos pontos de crescimento. O controle é proporcionado pela inibição da enzima acetolactato sintetase (ALS), essencial no processo de síntese de aminoácidos de cadeia ramificada (valina, leucina e isoleucina). O efeito fitotóxico das imidazolinonas é causado pela deficiência desses aminoácidos, provocando a diminuição na síntese de proteínas e de DNA, afetando assim a divisão celular e a translocação de fotossintatos aos pontos de crescimento. Esses processos provocam redução no crescimento das plantas e no alongamento das folhas e cloroses entre as nervuras foliares (Shaner & Singh, 1993; Tan et al., 2006). Além disso, existe o problema da permanência das imidazolinonas no solo em quantidade suficiente para comprometer a utilização futura da área com culturas sensíveis ao produto. Há relatos indicando danos de fitotoxicidade sobre alfafa, algodão, arroz, aveia, azevém, batata, beterraba-açucareira, canola, ervilha, girassol, linho, melão, milho, pimenta, pimentão, repolho, sorgo, trigo e tomate, quando semeados em rotação com culturas onde havia sido aplicada alguma imidazolinona na safra anterior (Alister & Kogan, 2005; Marchesan et al., 2007; Pinto et al., 2007). Os danos causados nessas culturas são variáveis, dependendo das condições físicas, químicas e de manejo do solo, entre outros fatores, o que dificulta predizer o comportamento das imidazolinonas no solo e água. Em vista do exposto, a presente revisão teve por objetivo contribuir com o melhor entendimento do comportamento das imidazolinonas no solo e na água. OH N N Os herbicidas integrantes do grupo das imidazolinonas são o imazapyr, imazapic, imazethapyr, imazamox, imazamethabenz e imazaquin, que contêm em suas moléculas uma estrutura em comum, o imidazol, separando-se em três subgrupos com base em uma segunda estrutura cíclica (Figura 1). O imazaquin tem um grupo quinolina (Figura 1c); o imazamethabenz, um anel benzeno O O R ESTRUTURA QUÍMICA O OH OH N N NH NH O (a) N N NH O (b) O (c) Figura 1 - Estruturas químicas dos herbicidas do grupo das imidazolinonas: a) imidazolinona piridina, b) benzeno imidazolinona e c) imidazolinona quinolina. Imidazolinona piridina classificada segundo o radical (R) em imazapyr: R = H; imazapic: R = CH3; imazethapyr: R = CH3—CH 2; e imazamox: R = CH3—O—CH2. Extraído de TAN et al. (2005). Planta Daninha, Viçosa-MG, v. 27, n., p. , 2009 Destino ambiental dos herbicidas do grupo das imidazolinonas ... (Figura 1b); e as outras imidazolinonas, um anel piridina (Figura 1a). A este último grupo, piridina imidazolinona, pertencem quatro moléculas, que se diferenciam por um radical unido ao carbono 5 do anel piridina. O imazapyr apresenta um hidrogênio (H) no lugar do radical (R); o imazapic, um grupo metil (CH 3); o imazethapyr, um grupo etil (CH3CH2); e o imazamox, um grupo metoximetil (CH3-O-CH2) (Tan et al., 2005). Existem diferenças na intensidade de inibição da enzima ALS entre os grupos (quinolina, benzeno e piridina), sugerindo que, além do grupo imidazol, esses radicais também são importantes na inibição da ALS. Os diferentes radicais do grupo piridina apresentam pouca atividade na inibição da ALS, mas exercem efeito diferencial sobre o comportamento no ambiente (Tan et al., 2005). FATORES QUE AFETAM O COMPORTAMENTO DAS IMIDAZOLINONAS NO SOLO Quando um herbicida é aplicado na lavoura, uma proporção atinge o solo, seja por contato direto, por escorrimento das folhas, ou quando a planta morre e é incorporada ao solo. Uma vez no solo, o herbicida pode ser absorvido pelas raízes das plantas, sorvido aos coloides do solo, dissolvido na solução do solo, sofrer fotólise, hidrólise ou degradação microbiana. Também pode ser transportado para fora da região de absorção das raízes, por lixiviação ou escorrimento superficial, podendo contaminar fontes de água superficiais ou subsuperficiais. Sorção O termo sorção envolve todos os processos em que os pesticidas entram em contato com a matriz do solo, sem fazer distinção entre partição, adsorção, absorção e difusão. Adsorção é o contato entre o pesticida e a superfície da matriz do solo, sendo uma interação bidimensional na interfase solo-pesticida. A absorção envolve uma penetração tridimensional da molécula na matriz do solo. Partição é a distribuição da molécula entre duas fases (ex.: gasosa e sólida, ou líquida e sólida), governada por um equilíbrio. Para contaminantes de solo, o termo partição compreende vários 3 processos que resultam na distribuição entre pesticidas hidrofóbicos, a solução do solo e a fase não polar da matriz do solo. A adsorção pode ser considerada um tipo de partição, já que envolve a distribuição de pesticidas, entre a água dos poros e a matriz do solo (Schwarzenbach et al., 2003; Ehlers & Loibner, 2006). Difusão é um processo de transporte do pesticida para dentro da matriz do solo, colocando-o em contato com maior número de sítios para ele ser sorvido. A difusão pode ser para dentro da matéria orgânica (MO) do solo (difusão intramatéria orgânica); para dentro de partículas minerais do solo (difusão intrapartícula); laminar, sobre a superfície da matriz do solo; e para dentro dos poros da matriz do solo (difusão intraporos) (Northcott & Jones, 2000; Ehlers & Loibner, 2006). A sorção dos herbicidas no solo é um processo muito importante, porque determina quanto do herbicida ficará retido na matriz do solo e quanto ficará disponível na solução do solo. Essa proporção afeta a absorção pelas plantas, a degradação microbiana, a fotólise, a lixiviação e o transporte. Vários estudos demonstram que a sorção das imidazolinonas aos coloides do solo depende de diversos fatores, como pH, matéria orgânica (MO), textura, umidade e temperatura, os quais, por sua vez, variam em sua influência, dependendo do lugar e do momento (Koskinen & Harper, 2001; Curran et al., 1992; Wang & Weiping, 1999; Madami et al., 2003). Essa variação dificulta a obtenção de uma recomendação única, tanto do ponto de vista agronômico como ambiental. A sorção acontece muito rapidamente, antecipando-se aos outros processos, regulando-os; para imazapyr, mais de 90% de sorção é alcançada na primeira hora e o equilíbrio sorçãodessorção é atingido em 20 horas (Wang & Weiping, 1999); e para imazethapyr, a sorção é completada entre 15 minutos e uma hora (Madani et al., 2003). A temperatura é um fator importante na sorção dos pesticidas. Em geral, a quantidade sorvida de pesticidas decresce com o aumento da temperatura (Biggar & Cheung, 1973; Fusi et al., 1993). O contrário acontece com as imidazolinonas; para imazapyr, as porcentagens de sorção aumentaram com o aumento da temperatura, sendo um processo endotérmico (Wang & Weiping, 1999; Jenkins et al., 2000). Planta Daninha, Viçosa-MG, v. 27, n., p. , 2009 4 Outro fator importante na sorção das imidazolinonas é a umidade do solo, a qual favorece a sorção desses herbicidas, atuando como meio para a difusão das moléculas para as superfícies externas ativas e para os poros internos do material adsorvente (Pignatello & Xing, 1996; Ehlers & Loibner, 2006), embora em condições de alta umidade (solo saturado) a dessorção seja favorecida, como efeito de uma maior diluição desses herbicidas (Avila, 2005). Os resultados de pesquisa sobre o efeito do teor de argilas na retenção desses herbicidas são diferentes: alguns sugerem que ele aumenta a sorção (Wei & Weiping, 1998; Loux et al., 1989), enquanto outros sugerem que não afeta a sorção das imidazolinonas (Leon & Carl, 2001; Madami et al., 2003). Essas diferenças podem estar relacionadas ao pH do solo e ao tipo de argila. As concentrações de matéria orgânica e de argila aumentam a sorção das imidazolinonas ao solo, por terem uma grande superfície específica. O principal mecanismo que envolve a sorção das moléculas das imidazolinonas no solo é a partição hidrofóbica entre elas e as porções hidrofóbicas da matéria orgânica. No entanto, os mecanismos de interação envolvendo as cargas positivas das argilas e superfícies dos óxidos de Fe e Al com as moléculas destes herbicidas ocorrem principalmente por mecanismos de troca aniônica e/ou formação de radicais ligantes, sendo um importante mecanismo de ligação em solos altamente intemperizados com acúmulo de minerais de argila de tipo 1:1 e óxidos de Fe e Al comuns na maioria dos solos brasileiros (Pusino et al., 1997; Regitano et al., 1997, 2001). Nesse sentido, Firmino et al. (2008b) acharam correlação positiva, altamente significativa, entre a relação de sorção de imazapyr e os teores de MO, argila, Fe oxálico e Fe ditionito sob três solos de Minas Gerais. A relação de sorção de um solo muito argiloso é 3,5 vezes maior que a de um solo franco-argilo-arenoso e 5,8 vezes maior que a de uma areia franca. Os autores atribuíram essa maior adsorção a uma maior concentração de Fe oxalato e de Fe ditionito no primeiro solo. Contudo, esse tipo de interação é desprezível em solos com teores de matéria orgânica maiores que 1% (Gevao et al., 2000; Regitano et al., 2001). Planta Daninha, Viçosa-MG, v. 27, n., p. , 2009 KRAEMER, A.F. et al. O pH da solução do solo, juntamente com o teor de matéria orgânica, são os fatores que mais influenciam a dinâmica desses herbicidas (Koskinen & Harper, 2001). As moléculas das imidazolinonas apresentam comportamento anfótero, possuindo um grupo carboxílico (ácido) e um grupo amino (básico) como grupos funcionais, comportando-se como ácidos ou bases fracas, respectivamente. O coeficiente de ionização (pKa) para imazethapyr e imazapyr é de 3,9 e 3,6 no grupo carboxílico e de 2,1 e 1,9 no grupo amino, respectivamente; para imazaquin, 3,8; para imazamox, 3,3; e para imazapic, 3,9 no grupo carboxílico (Senseman, 2007). Para ácidos fracos, quando o pH da solução do solo é igual ao pKa, as moléculas encontram-se 50% associadas ou neutras (COOH) e 50% dissociadas ou aniônicas (COO-). Caso o pH seja maior que o pKa, predominam as moléculas COO-; se o pH for inferior ao pKa, predominam as moléculas COOH (Figura 2). Já para bases fracas, quando o pH da solução do solo for igual ao pKa, 50% das moléculas estarão com cargas positivas (CNH2+) e 50% sem carga (CNH). Quando o pH for menor que o pKa, predominam moléculas positivas; quando for maior que o pKa, predominam moléculas neutras. Com valores de pH elevados, a sorção desses herbicidas é reduzida, em decorrência do predomínio da forma COO- das moléculas, as quais seriam repelidas pelas cargas negativas da matriz do solo, permanecendo mais biodisponíveis na solução do solo. No entanto, as moléculas COO- de imidazolinonas em solos altamente intemperizados podem interagir com as porções positivas da MO e com os cátions metálicos, como os óxidos de ferro. Esse fato aumentaria a adsorção desses herbicidas com as superfícies de argilas ricas em Fe ditionítico, Fe oxalato e da MO do solo (Firmino et al., 2008b). Com pH baixo, o número de moléculas COOH ou protonadas (NH2+) aumenta (Madani et al., 2003; Fernandes de Oliveira et al., 2004). A protonação do grupo amino para imazethapyr e imazapyr só ocorreria com pH próximo de 3, o que não é comum em solos agrícolas, embora Bresnaham et al. (2000) considerem que na camada difusa perto das argilas o pH é dois pontos menor que o pH da solução do solo, gerando em solos ácidos condições propícias para acontecer a protonação da molécula, aumentando a adsorção aos coloides 5 Destino ambiental dos herbicidas do grupo das imidazolinonas ... 100 Imazethapyr pKa = 3,9 Imazapic pKa = 3,9 Imazaquin pKa = 3,8 Imazapyr pKa = 3,6 Imazamox pKa = 3,3 Imazamethabenz pKa = 2,9 % moléculas associadas 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 0 0,5 1 1,5 2 2,5 3 3,5 4 4,5 5 5,5 6 6,5 7 pH Figura 2 - Curva teórica de titulação das imidazolinonas, calculada pelo autor utilizando a equação de Henderson-Hasselbalch. do solo, transcorridos três meses de aplicação do herbicida. Quando a proporção de moléculas associadas aumenta, o herbicida fica menos solúvel, aumentando as interações hidrofóbicas com a matéria orgânica, ficando menos biodisponível e, com isso, aumentando a persistência. Quando o valor do pH da solução do solo está próximo ao pKa, pequenas variações no pH significam grandes mudanças nas proporções de moléculas COO- e COOH (Figura 2), influenciando a persistência do herbicida no solo. O principal mecanismo envolvido na sorção do imazaquin é a partição hidrofóbica; o incremento do teor de carbono orgânico aumenta a sorção (Regitano et al., 2001) e reduz a sua dessorção do solo (Wang & Weiping, 1999). Em vista da maior sorção do herbicida em solos com maiores teores de matéria orgânica, a taxa da degradação do imazapyr é menor quando comparada com a de solos com menores teores de matéria orgânica (McDowell et al., 1997). Incrementos nos conteúdos de matéria orgânica e argila no solo também aumentam a sorção de imazethapyr, diminuindo sua biodisponibilidade (Jourdan et al., 1998). Comparativamente, a ordem decrescente de persistência no solo é imazaquin > imazethapyr > imazamox (Bhalla et al., 1991). Em solos com pH superiores a 6,0 esses herbicidas encontram-se predominantemente na forma dissociada e na solução do solo (Mangels, 1991; Aichele & Penner, 2005). Quando o pH da solução do solo diminui, aparecem as formas associadas, em maior proporção para imazaquin e imazethapyr do que para imazamox, em decorrência do seu pKa, aumentando as proporções de compostos adsorvidos e diminuindo a proporção do herbicida biodisponível na solução do solo (Loux et al., 1989; Aichele & Penner, 2005). Para imazethapyr, a porcentagem de herbicida dessorvido foi consideravelmente maior a pH 7,0 do que a pH 5,0. Independentemente do valor de pH avaliado, sempre foi encontrada na solução do solo maior quantidade de imazamox do que de imazaquin e imazethapyr – que os dois últimos encontravam-se em quantidades similares (Aichele & Penner, 2005). Como imazamox tem pKa menor, maiores proporções de moléculas estariam na forma eletronegativa que os demais para um mesmo pH, sendo mais biodisponível e menos Planta Daninha, Viçosa-MG, v. 27, n., p. , 2009 6 persistente no solo (Cantwell et al., 1989; Aichele & Penner, 2005). As mudanças na porcentagem de sorção em relação ao pH para imazapyr foram pequenas (Wang & Weiping, 1999; Aichele & Penner, 2005). A sorção do imazethapyr ao solo aumentou em pH 5,0 e não variou significativamente quando este era superior a 6,0, bem como não foi encontrada interação significativa entre a retenção e o conteúdo de argila e matéria orgânica do solo com pH entre 7,5 e 8,5 (Little et al., 1994; Jourdan et al., 1998; Madami et al., 2003). A biodisponibilidade de imazethapyr em solo arenoso aumentou quando o pH foi aumentado de 3,7 para 6,5, porém, para valores superiores a este, o pH não teve efeito sobre a bioatividade do herbicida (Jourdan et al., 1998). A concentração de imazethapyr remanescente no solo após cinco meses foi menor em maiores valores do pH de solo. Quando o pH é baixo, vários mecanismos de sorção são incrementados, incluindo forças físicas fracas ou pontes de hidrogênio, através de grupos carboxila associados (Wang & Weiping, 1999). A alta solubilidade do imazethapyr e a fraca retenção que ele apresenta em solos com pH superiores a 7,0 indicam que ele teria alta mobilidade nessas condições, aumentando significativamente o risco de contaminação de lençóis freáticos por lixiviação (Madami et al., 2003). Loux (1989) e Regitano et al. (2001) constataram comportamento similar para imazaquin em relação ao pH. A sorção das imidazolinonas está relacionada com as propriedades do solo, sendo necessário ajustar as doses dos herbicidas de acordo as características deste, com o objetivo de manter a eficácia do produto e diminuir a contaminação ambiental, sem afetar o controle das plantas daninhas. As doses devem ser maiores quando aplicadas em solos com alto teor de matéria orgânica e baixo pH, a fim de manter a eficácia de controle; contudo, quando as condições do solo são contrárias a essas, as doses a serem aplicadas devem ser menores, para diminuir o risco de contaminação ambiental (Wang & Weiping, 1999) Fotólise As imidazolinonas sofrem rápida fotólise em água, podendo ser uma forma importante Planta Daninha, Viçosa-MG, v. 27, n., p. , 2009 KRAEMER, A.F. et al. de dissipação nesse meio. Entretanto, em solo, as taxas de fotólise são mais lentas. A penetração da luz no interior do perfil do solo é limitada de 0,1 a 0,5 mm (Balmer et al., 2000) e nunca mais do que 1,0 mm (Frank et al., 2002). Em solos arenosos, em condições de capacidade de campo, a fotólise pode ser elevada, porém, em condições de solo seco ou com maiores conteúdos de matéria orgânica e/ou argila, a fotólise perde importância. Foi observado que 45% do imazaquin e 52% do imazethapyr foram dissipados em solo arenoso em condições de capacidade de campo após 48 horas. Em solo arenoso seco ou solo argiloso, a dissipação dos herbicidas após 48 horas foi menor do que 10% (Curran et al., 1992). Em laboratório, a luz ultravioleta (UV) causa 100% de degradação do imazethapyr em água pura após 48 horas (Curran et al., 1992), sendo a meia-vida em torno de 4-6 horas, podendo sofrer tanto fotólise direta como indireta (Avila et al., 2006). A taxa de fotólise varia segundo as condições do meio e a presença de ácido húmico, sendo significativamente diferente em comparação com a fotólise em água pura. A presença de ácido húmico diminui a fotólise do herbicida (Azzouzi El et al., 2002). Os ácidos húmicos diminuem a fotodegradação do imazethapyr, por competirem por luz com as moléculas do herbicida. Substâncias inorgânicas solúveis podem diminuir a fotólise direta, diminuindo a intensidade de luz, ou acelerar a fotólise indireta, gerando espécies reativas de oxigênio. A sorção das moléculas das imidazolinonas ao solo também afeta a fotólise, sendo seu efeito mais importante quando os herbicidas são aplicados em pré-emergência (Curran et al., 1992). Elementos químicos adsorvidos dentro de espaços coloidais ou sequestrados pela matéria orgânica ficariam protegidos da luz. A maior sorção ou a menor disponibilidade do herbicida diminui a taxa da fotólise (Curran et al., 1992). A fotólise em água do imazethapyr varia pouco com o pH da solução (Shaner & O’Connor 1991) ou não é afetada (Avila et al., 2006), embora no solo o pH afete indiretamente a fotólise por meio da interferência na sorção do herbicida (Loux et al., 1989; Stougaard et al., 1990). Em solo alagado, o efeito do pH só é observado durante as primeiras 3-4 semanas após a inundação, já que após esse período o 7 Destino ambiental dos herbicidas do grupo das imidazolinonas ... pH do solo estabiliza-se próximo da neutralidade, por meio do processo natural de autocalagem (Snyder & Slaton, 2002). A taxa de fotólise aumenta com a temperatura quando em solução com água pura (Ishiki et al., 2005). A meia-vida do imazamox em água é de 78 minutos, degradando-se por completo em 10 horas, sendo mais estável que o imazapyr, que foi degradado completamente em seis horas, com uma meia-vida de 40 minutos, embora os metabólitos perdurem na solução do solo de 50 a 100 horas (Quivet et al., 2004, 2006a). Essa relativa maior estabilidade da molécula de imazamox em relação à molécula do imazapyr está relacionada à sua diferença estrutural. A molécula de imazapyr no anel piridínico tem um H, e o imazamox, um grupo metoximetil, o que acaba lhe conferindo maior estabilidade; embora o imazethapyr apresente um grupo etil em vez do H, ele é fotodegradado mais rapidamente que imazapyr (Quivet et al., 2004, 2006a). Os radicais do anel piridínico que diferenciam as imidazolinonas deste grupo permanecem unidos ao anel piridínico após o primeiro passo do processo de fotodegradação, sem interferir na formação de diferentes metabólitos, pois os produtos da fotólise de imazamox e imazapyr são semelhantes. Em primeiro lugar, acontece a abertura do anel imidazol, seguida por um processo de descarboxilação, resultando como fotoproduto um composto com 14 carbonos (C 14 H 19 N 3 O 3 ) (Mallipudi et al., 1991; Quivet et al., 2004, 2006a). Também foram identificados dois metabólitos na primeira etapa da fotólise do imazethapyr (Azzouzi El et al., 2002). A presença de metais como Na+, Ca2+ ou Cu2+ faz com que diminua a taxa de degradação de imazamox. A presença desses íons estabiliza as moléculas do herbicida, provavelmente por um processo de complexação deste com os metais. A meia-vida de fotólise de imazamox em presença de Cu2+ se prolongou para 482 minutos (Quivet et al., 2006b). Mallipudi et al. (1991) afirmaram que para imazapyr a fotodegradação não foi afetada pelo pH quando em solução aquosa e que a presença de ácidos húmicos a diminui. Azzouzi El et al. (1999) observaram efeito “guardachuva” do ácido húmico sobre as moléculas do herbicida. A fotólise do imazaquin, em condições de campo, tem importância somente para uma pequena fração do produto, que permanece na superfície do solo. A maior porção fica na solução do solo disponível para as plantas, para os microrganismos e para ser lixiviado ou sorvido ao solo (Basham & Lavy, 1987). A fotólise é mais efetiva com pH maior ao pKa e na ausência de oxigênio. Em pH baixo, ocorre aumento de sorção e as moléculas tornam-se mais estáveis à fotodegradação (Barkani et al., 2005). A luz UV degrada por fotólise 100% das moléculas de imazaquin, imazethapyr, imazapyr e imazamox, e 87% das moléculas de imazamethabenz quando em solução aquosa, após 48 horas (Curran et al., 1992; Quivet et al., 2004, 2006a). A ordem de suscetibilidade decrescente à fotodegradação é imazaquin = imazethapyr > imazapyr > imazamox > imazamethabenz; a fitotoxicidade dessas imidazolinonas diminui com o tempo de exposição à luz ultravioleta, indicando que a degradação dos herbicidas é acompanhada por uma correspondente perda de atividade biológica (Curran et al., 1992). Hidrólise A hidrólise não é um processo importante de dissipação para as imidazolinonas. As perdas de imazethapyr por hidrólise são mínimas a pH 5,0 ou 7,0, sendo praticamente nulas a pH 9,0 (t1/2 H ≈ 9,6 meses a 25 oC) (Shaner & O’Connor, 1991). Foi demonstrado que a degradação hidrolítica não é importante para os herbicidas imazapyr (Curran et al., 1992; Quivet 2004, 2006a), imazethapyr (Curran et al., 1992), imazamox (Quivet, 2004, 2006a), imazamethabenz (Curran et al., 1992) e imazaquin (Curran et al., 1992; Barkani et al., 2005); não foram encontrados resultados de pesquisa sobre imazapic. Degradação microbiana O principal mecanismo de dissipação das imidazolinonas no solo é por meio da degradação microbiana (Loux et al., 1989; Flint & Witt, 1997). A degradação de imazapyr foi 2,3 a 4,4 vezes mais lenta em solos estéreis, quando comparada com a de solo em condições naturais (Wang et al., 2005); já para imazethapyr e imazaquin, foi determinado que 100% dos herbicidas foram degradados em Planta Daninha, Viçosa-MG, v. 27, n., p. , 2009 8 solos não estéreis e 15% em solo estéril após cinco meses (Flint & Witt, 1997). A degradação microbiana pode acontecer exclusivamente em condições de aerobiose, como é o caso de imazethapyr (Shaner & O‘Connor, 1991), ou em condições de aerobiose e anaerobiose, como no caso de imazapyr (Wang et al., 2006). Quando as condições ambientais favorecem o desenvolvimento dos microrganismos e a biodisponibilidade dos herbicidas, a degradação das imidazolinonas aumenta. A temperatura do solo altera a degradação das imidazolinonas; em solos cultivados sob temperaturas de 18 e 35 oC, a degradação do imazethapyr foi de 66 e 100%, respectivamente (Basham & Lavy, 1987). Flint & Witt (1997) determinaram que a emissão de CO 2 por microrganismos aumentou com a presença de imazethapyr ou imazaquin, duplicando a atividade quando a temperatura passou de 15 para 30 oC, utilizando preferencialmente o carbono do grupo carboxila. Mantendo-se o pH acima de 7,0 e aumentando a temperatura, observou-se redução na concentração de imazethapyr, que foi mais acentuada em solo úmido (Jourdan et al., 1998). Basham & Lavy (1987) e Baughman & Shaw (1996) demonstraram que imazethapyr e imazaquin foram mais persistentes em solos frios e secos do que em solos aquecidos e úmidos. A sorção dos herbicidas aos coloides do solo prolonga a persistência destes e os protege dos processos de biodegradação. Aichele & Penner (2005) afirmaram que a dissipação de imazaquin, imazethapyr e imazamox diminuiu quando o pH desceu de 7,0 para 5,0, devido ao aumento na sorção com a consequente redução da biodisponibilidade. A degradação microbiana desses herbicidas tem estreita relação com a quantidade de moléculas biodisponível na solução do solo (Cantwell et al., 1989). O imazamox foi degradado mais rapidamente que os outros dois, sendo a meia-vida do imazamox a pH 7,0 de 1,4 semana; a do imazethapyr, 16 semanas; e a do imazaquin, mais de 16 semanas (Aichele & Penner, 2005). Alguns autores afirmaram que a persistência do imazapyr no solo varia entre 90 e 730 dias (Ars, 2001) e, para o imazethapyr, de 60 a 360 dias (Goetz et al., 1990; Mangels, 1991). No entanto, Grynes et al. (1995) determinaram que a vida média de imazapic no solo é de Planta Daninha, Viçosa-MG, v. 27, n., p. , 2009 KRAEMER, A.F. et al. 90 dias. As altas persistências no solo desses herbicidas comprometem o desenvolvimento de cultivos sensíveis, aumentando o risco de contaminar fontes de água (Hart et al., 1991). Uma bactéria de solo foi isolada por Wang et al. (2006) – Arthrobacter crystallopoietes (WWX-1) –, a qual degrada imazaquin em altas concentrações, apresentando máxima atividade a 35ºC e pH 5,0. Esta bactéria também é capaz de degradar outras imidazolinonas, podendo ser usada como uma ferramenta para biorremediar solo e água contaminados com imidazolinonas. Lixiviação Jourdan et al. (1998) monitoraram a movimentação de imazethapyr no perfil de um solo arenoso até 90 dias após a aplicação (DAA) do herbicida. Nos primeiros 5 DAA, o herbicida atingiu 20 cm, embora as maiores concentrações se encontrassem nos primeiros 10 cm. Já aos 30 DAA, a maior concentração do produto encontrava-se nos primeiros 15 cm, detectando-se a presença do herbicida até 30 cm de profundidade. A partir dos 90 DAA, a concentração nos primeiros 5 cm diminuiu, ficando o herbicida concentrado entre 5 e 30 cm de profundidade, indicando diminuição na camada superficial e aumento na espessura com as maiores concentrações. Após cinco meses, não foi detectada presença de imazethapyr no solo. Em condições de menor umidade de solo, foi observada maior concentração de imazethapyr de 0 a 10 cm, e com maior umidade, de 5 a 10 cm, aos 90 DAA. A mobilidade do herbicida no perfil do solo é menor em condições de baixas temperaturas e umidades (Jourdan et al., 1998). McDowell et al. (1997) observaram que imazapyr atingiu maior profundidade em condições de maior precipitação, alcançando 25 cm aos 90 DAA. Além do movimento em profundidade, imazethapyr e imazapyr apresentam movimento para a superfície, arrastados pelas correntes ascendentes de água (van Wyk & Reinahardt, 2001; Firmino et al., 2008a). Em resumo, as imidazolinonas apresentam longa persistência no solo, podendo causar danos de fitotoxicidade em culturas suscetíveis e contaminar fontes de águas subterrâneas e superficiais. A sorção das imidazolinonas é 9 Destino ambiental dos herbicidas do grupo das imidazolinonas ... governada principalmente pelo pH e pelos teores de matéria orgânica e argila do solo, sendo inversamente proporcional ao primeiro e diretamente proporcional aos outros dois. A sorção regula o comportamento das imidazolinonas no solo, determinando quanto do herbicida estará disponível para fotólise, degradação microbiana, lixiviação e para ser absorvido pelas plantas; dessa forma, tem influência na eficácia e na persistência do herbicida. AZZOUZI EL, M. et al. Photodegradation of imazapyr in the presence of humic substances. Fres. Environ. Bull., v. 8, n.7-8, p. 478-485, 1999. A dissipação das imidazolinonas pode se dar por: fotólise tanto direta como indireta – em condições de campo, a primeira só adquire importância em solos arenosos e úmidos, e a segunda pode ser uma via importante de dissipação desses herbicidas em condições de solos alagados, como os da lavoura de arroz; degradação microbiana – a qual é exclusivamente aeróbica para imazethapyr e aeróbica e anaeróbica para imazapyr; e lixiviação – diminuindo sua concentração na camada superficial do solo, acumulando-se em diferentes profundidades, podendo atingir lençóis freáticos. A hidrólise não é uma via de dissipação relevante para as imidazolinonas. BARKANI, H. et al. Study of the phototransformation of imazaquin in aqueous solution: A kinetic approach. J. Photochem. Photobiol., A: Chem., v. 170, n. 1, p. 27-35, 2005. AZZOUZI EL, M. et al. Abiotic degradation of imazethapyr in aqueous solution. J. Environ. Sci. Health, Part B-Pest, Food Contam. Agric. Wastes, v.37, n. 5, p. 445-451, 2002. 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A fitointoxicação está relacionada, dentre vários fatores, à localização do herbicida no perfil do solo. O presente trabalho teve por objetivo determinar o posicionamento do imazethapyr em profundidade, no perfil de um solo de várzea cultivado com arroz, frente a dois tipos de manejo. Foram coletadas amostras de solos, em diferentes profundidades (0-5, 5-10, 10-15 e 15-20cm), do solo de várzea sob dois sistemas de manejo: plantio convencional (PC) e plantio direto (PD), em uma área onde havia sido utilizado arroz CL por dois anos e no terceiro ano, arroz não tolerante. A concentração do herbicida no solo foi analisada por HPLCDAD. Há maior concentração de imazethapyr na superfície do solo (0-5cm), no sistema convencional, quando comparado com o sistema de plantio direto, e o herbicida lixiviou até 20cm nos dois sistemas. No PC, ocorreu uma distribuição uniforme do imazethapyr nos primeiros 15cm de solo, enquanto que, no PD, constatou-se acúmulo de imazethapyr nas camadas de 5-10 e 10-15cm. Imazethapyr has been widely used in Rio Grande do Sul since the development of Clearfield Technology™ (CL) on rice, in a formulated mixture of imazethapyr + imazapic (75 + 25g L-1). However, the use of such technology raised the problem of herbicide carryover, which might affect non-tolerant crops in rotation with different intensities. The plant injury is related, among other factors, with the herbicide position in the soil profile. The present work had the objective of determining the depth positioning of imazethapyr on a lowland soil cultivated with rice in two soil tillage system: conventional system (CS) and no till system (NT), in an area where CL rice had been cultivated for two years followed by non tolerant rice in the third year. Herbicide concentration in soil samples was analyzed by HPLC-DAD. There is a higher concentration of imazethapyr in the topsoil (0-5cm) on the CS, when compared to the NT, while it leached until 20cm in both systems. In the CS, imazethapyr were uniformly distributed in the first 15 cm of soil, whereas in NT, imazethapyr were accumulated in 5-10 and 10-15cm layers. Palavras-chave: percolação de herbicidas, residual, preparo de solo, HPLC, Oryza sativa. Key words: herbicide percolation, residual, soil plowing, HPLC, Oryza sativa. INTRODUÇÃO O herbicida imazethapyr pertence à família das imidazolinonas e controla um amplo espectro de Programa de Pós-graduação em Agronomia, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Instituto Nacional de Tecnología Agropecuaria (INTA), Corrientes, República Argentina. II Departamento de Fitotecnia, UFSM, 97105-900, Santa Maria, RS, Brasil. E-mail: [email protected]. *Autor para correspondência. III Curso de Agronomia, UFSM, Santa Maria, RS, Brasil. IV Departamento de Defesa Fitossanitária, UFSM, Santa Maria, RS, Brasil. V Departamento de Química, UFSM, Santa Maria, RS, Brasil. I Recebido para publicação 04.09.08 Aprovado em 27.03.09 2 Kraemer et al. plantas daninhas, incluindo gramíneas, ciperáceas e latifoliadas. É absorvido pelas raízes e folhas (TAN et al., 2005) e transportado pelo floema e xilema, acumulando-se nos pontos de crescimento. O controle é proporcionado pela inibição da enzima acetolactato sintetase (ALS), que é essencial no processo de síntese de aminoácidos de cadeias ramificadas em plantas, como a valina, leucina e isoleucina (TAN et al., 2006). Esse herbicida está sendo amplamente utilizado no Estado do Rio Grande do Sul desde o desenvolvimento da Tecnologia Clearfield® em arroz, em uma mistura formulada de imazethapyr + imazapic (75 + 25g L-1), com o nome comercial de Only®. Imazethapyr apresenta a característica de ser persistente no solo, sendo muito solúvel em água e suscetível à lixiviação (BATTAGLIN et al., 2000; MADANI et al., 2003). A localização do herbicida na zona de absorção das raízes pode comprometer a utilização futura da área com culturas não tolerantes. Há relatos e experiências indicando fitointoxicação causada pelo residual do imazethapyr, que são variáveis, dependendo das condições físicas, químicas e de manejo do solo, dentre outros fatores. MASSONI et al. (2007) relataram efeito residual desse herbicida sobre o arroz suscetível 358 dias após a aplicação. Para WILLIAMS et al. (2002), devem transcorrer 540 dias (18 meses) entre a aplicação de imazethapyr e a semeadura de arroz não tolerante. A persistência do imazethapyr no solo depende das condições climáticas, das propriedades do solo e da dose do herbicida. O principal mecanismo de dissipação do imazethapyr no solo é a degradação microbiana aeróbica, sendo a degradação anaeróbica praticamente inexistente (SHANER & O‘CONNOR, 1991). Outra forma de saída do herbicida da zona de absorção das raízes, que não envolve degradação, é a lixiviação. Para o imazapyr, a quantidade do herbicida que lixivia está mais relacionada com a permeabilidade do solo, sendo maior em solos bem estruturados e arenosos do que em solos argilosos e com maior densidade (ONA et al., 2007). A sorção também exerce efeito sobre a lixiviação, e quanto maior a sorção menor a lixiviação. Por sua vez, a sorção é inversamente correlacionada ao pH e diretamente correlacionada ao teor de matéria orgânica do solo (BÖRJESSON et al., 2004). O movimento de imazethapyr em profundidade é maior quanto maior a quantidade de chuva, sendo importante no processo de lixiviação. Segundo McDOWELL et al. (1997), em condições de baixa precipitação, imazapyr concentrou-se na camada superficial, diminuindo drasticamente sua concentração abaixo de 10cm. Com altas precipitações, o herbicida atingiu maior profundidade, distribuindo-se mais uniformemente nos primeiros 15cm de solo. Determinações de JOURDAN et al. (1998) mostraram que imazethapyr movimentou-se em profundidade em um solo arenoso, conforme transcorreram os dias após a aplicação (DAA) do herbicida. Nos primeiros cinco DAA, o herbicida atingiu 20cm, embora as maiores concentrações se encontrassem nos primeiros 10cm. A maior concentração do produto, aos 30DAA, foi detectada nos primeiros 15cm, embora tenha ocorrido até 30cm de profundidade. A partir dos 90DAA, a concentração, nos primeiros cinco centímetros, diminuiu, concentrando-se o herbicida entre 5 e 30cm de profundidade. De acordo com HOLLAWAY et al. (2006), o imazethapyr pode permanecer no solo por mais de três anos e alcançar até 40cm de profundidade. O imazethapyr e imazapyr lixiviam rapidamente após uma chuva; porém, durante o processo natural de perda de umidade do solo, o herbicida movimenta-se para cima, conduzido pelas correntes de evapotranspiração (VAN WYK & REINHARDT, 2001; FIRMINO et al., 2008). Esses movimentos são mais pronunciados em pHs mais elevados, e a mobilidade desse herbicida no perfil do solo decresce com o transcorrer do tempo de aplicação do produto (JOHNSON et al., 2000). O conhecimento da profundidade de acúmulo do herbicida possibilita manejar a profundidade de semeadura de cultivos não tolerantes, como alternativa para diminuir o efeito prejudicial do herbicida. O posicionamento das raízes ou de outros órgãos de absorção (coleóptilo) fora da região de maior concentração de um herbicida é um dos mecanismos de seletividade. O arroz semeado mais profundo desenvolve coleóptilos mais compridos e um sistema radicular mais profundo, estando exposto à absorção de maior quantidade de herbicida com alta mobilidade no solo, como o imazethapyr (ZHANG et al., 2000). Em sorgo, a fitointoxicação por metholachlor aumenta na medida em que aumenta a profundidade de semeadura. Em vista do exposto, o presente trabalho teve por objetivo determinar o efeito de dois sistemas de manejo do solo nas concentrações e no posicionamento do imazethapyr em profundidade, nas áreas de várzea cultivadas com arroz. MATERIAL E MÉTODOS O experimento foi conduzido em solo de várzea, classificado como Planossolo Hidromórfico eutrófico arênico, com as seguintes características: pHágua (1:1)=4,8; argila=26%; M.O.=23g kg-1; P=6,0mg dm-3; K=120mg dm-3; Ca=5,0cmolc dm-3; Mg=2,0cmolc Lixiviação do imazethapyr em solo de várzea sob dois sistemas de manejo. dm-3; Al=1,7cmolc dm-3 e índice SMP 5,1. Nas safras agrícolas 2004/05 e 2005/06, a área foi cultivada com arroz Clearfield (CL) e, na safra agrícola 2006/07, com arroz não tolerante (NT). Nas safras com arroz CL, foi aplicado imazethapyr+imazapic (Only®) na dose de 75 + 25g L-1, respectivamente. Antes da semeadura do arroz NT, foram adotados dois sistemas de manejo de solo, plantio direito (PD), sem movimentação de solo, e plantio convencional (PC), com preparos de solo em abril, maio, agosto e outubro. Durante o mesmo período, foi medida a profundidade do lençol freático uma vez por semana. Para tanto, foram construídos dois poços de observação por bloco com cano de PVC perfurado de 90cm de profundidade e 5cm de diâmetro. No mesmo período, foram realizadas duas medições diárias de temperatura de solo a 3cm de profundidade, às nove e às 15 horas, com as quais foi calculada a temperatura média diária do solo a 3cm, para os dois sistemas de preparo de solo avaliados. Após a colheita do arroz NT (540 dias após a última aplicação do herbicida), foram coletadas, em cada parcela, amostras de solo a quatro profundidades, de 0-5, 5-10, 10-15 e 15-20cm. As amostras foram compostas por três subamostras recolhidas em diferentes locais de cada parcela. Logo após coletadas, as amostras de solo foram secas ao ar e na sombra e posteriormente foram moídas e conservadas em freezer até serem feitas as análises de laboratório. A extração de imazethapyr do solo foi realizada utilizando-se metodologia descrita por GONÇALVES (2003), e a quantificação do herbicida foi realizada utilizando-se cromatografia líquida de alta eficiência com detecção por arranjo de diodos (HPLC-DAD). Para obtenção da quantidade total de imazethapyr por metro quadrado, a concentração do herbicida, em cada profundidade, foi convertida para quantidade por área, sendo corrigidos os valores pela densidade do solo em cada profundidade (VIZZOTTO et al., 2000). Foram estudados oito tratamentos oriundos da combinação de dois manejos de solo (PD e PC) com as quatro profundidades de amostragem (0-5, 5-10, 1015 e 15-20cm). O delineamento experimental foi de blocos ao acaso, com quatro repetições, em arranjo fatorial. Os dados foram submetidos à análise de variância, e as médias foram comparadas pelo teste de Tukey, a 5% de probabilidade de erro. Para a análise estatística, os dados foram transformados em yt = y + 0,5. RESULTADOS E DISCUSSÃO Comparando-se a quantidade total de imazethapyr presente no solo (somatório das quantidades do herbicida encontrado de 0-20cm) 3 (Figura 1), observa-se que não houve diferença na quantidade encontrada no PD (1343μg m -2 , o equivalente a 13g de imazethapyr ha-1) em relação ao PC (1281μg m-2, o que equivale a 12g de imazethapyr ha-1), indicando que não há diferença na degradação do herbicida entre os sistemas no somatório das profundidades. Esses resultados contrastam com os de CURRAN et al. (1992), os quais observaram que a fitointoxicação de imazaquin e imazethapyr em milho foi maior no sistema de PD do que no PC. RENNER et al. (1998), comparando o efeito de diferentes sistemas de preparo de solo na dissipação do imazaquin, encontraram que, no preparo de solo com arado, o herbicida foi degradado mais rapidamente que no preparo com escarificador e este, por sua vez, mais que no PD. Trabalho de ULBRICH et al. (2005) relata menor degradação de imazapic e imazapyr em dois solos com PD, em comparação com o solo com PC. Comparando preparos de solo com diferentes equipamentos, SEIFERT et al. (2001) não encontraram diferenças na degradação do imazaquin entre o preparo com arado e escarificador. MONKS & BANKS (1993) mostraram que não houve efeito de diferentes manejos de palha e de preparo de solo no residual de imazaquin e imazethapyr. A diferença de fitotoxicidade entre os preparos de solo pode estar relacionada ao posicionamento do herbicida no solo e não à quantidade total de herbicidas por área. Com relação às profundidades de localização do herbicida (Figura 2), observou-se interação significativa entre os sistemas de manejo de solo e as profundidades, por isso o comportamento do imazethapyr foi analisado comparando-se as profundidades dentro de cada manejo de solo. Imazethapyr lixiviou até 20cm de profundidade independentemente do sistema de manejo utilizado, embora a concentração detectada nessa profundidade seja pequena (0,8μg kg-1). Resultados similares foram encontrados por RENNER et al. (1998) com imazaquin, que foi detectado até 18cm de profundidade independentemente do sistema de preparo de solo empregado (arado escarificador e PD). Resultados de outros trabalhos indicam que o imazethapyr alcançou 30cm de profundidade em solos com baixos teores de argila, três meses após a aplicação do herbicida (McDOWELL et al., 1997; JOURDAN et al., 1998; VAN WYK & REINHARDT, 2001). No PC, o herbicida distribuiu-se uniformemente nas quatro camadas de solo avaliadas. No entanto, no PD, observou-se menor concentração na camada de 0-5cm, quando comparado com o sistema convencional, com concentração crescente com o aumento da profundidade até 15cm, e estas diminuíram drasticamente de 15-20cm, para ambos os sistemas. A 4 Kraemer et al. Figura 1 - Quantidade total de imazethapyr presente no solo 540 dias após a última aplicação do herbicida, nos sistemas de plantio direto e convencional, considerando-se uma profundidade total de 20cm e densidade do solo em cada profundidade. nsMédias não diferem pelo teste t (P≤0,05). Santa Maria, RS, 2009. distribuição uniforme, nas três camadas superficiais de solo (primeiros 15cm), no PC, possivelmente esteja relacionada com uma maior evapotranspiração da água do solo nesse sistema, quando comparado com o PD. A temperatura média do solo na superfície do solo do PC foi maior que do PD (Figura 3), o que poderia ter gerado maior evaporação e corrente ascendente de água, arrastando consigo o herbicida para a camada Figura 2 - Concentração de imazethapyr, expressa em μg de ingrediente ativo por kg de solo (μg kg-1), em dois manejos de solo, plantio convencional (PC) e plantio direto (PD) e quatro profundidades (0-5, 5-10; 10-15 e 15-20cm), após a colheita de arroz no terceiro ano de um sistema de rotação com dois anos de arroz Clearfield® e um ano de arroz não tolerante (540 dias após a última aplicação do herbicida). Santa Maria, RS, 2009. /1Médias não ligadas por mesma letra minúsculas, comparando profundidades, diferem entre si pelo teste de Tukey, a 5% de probabilidade de erro; nsNão há diferença significativa entre os sistemas de preparo do solo; *Diferença significativa entre os sistemas de preparo do solo. Lixiviação do imazethapyr em solo de várzea sob dois sistemas de manejo. 5 Figura 3 - Temperaturas do solo registradas a três centímetros de profundidade ao longo da entressafra de arroz (abriloutono de 2006) no plantio convencional e plantio direto. Santa Maria, RS, 2009. superficial, colocando-o em uma região de maior concentração de raízes e possibilitando, assim, maior fitotoxicidade em plantas não tolerantes no PC. Essa hipótese encontra respaldo em resultados de VAN WYK & REINHARDT (2001) e FIRMINO et al. (2008), os quais relatam que imazethapyr e imazapyr lixiviam rapidamente para as camadas subsuperficiais, mas que, com as correntes geradas pela evapotranspiração, são transportados novamente para a superfície. A maior concentração de imazethapyr, em profundidades maiores no solo (5-15cm), provavelmente deve-se à permanência desse herbicida nessas profundidades, onde as condições são desfavoráveis a sua degradação. As condições ambientais, como temperatura média mais baixa, conforme discutido anteriormente, menor aeração do solo e menor disponibilidade de nutrientes pela não incorporação da matéria orgânica, podem ter desfavorecido o desenvolvimento dos microorganismos aeróbicos, reduzindo assim a velocidade de degradação do herbicida. Nesse sentido, Franchini et al. (2007) observaram que a atividade microbiana incrementa, em média, 57% após um preparo do solo como consequência da incorporação da matéria orgânica e da maior aeração. A temperatura do solo também afeta a degradação das imidazolinonas. Em solos cultivados sob temperaturas de 18 e 35ºC, a degradação do imazethapyr foi de 66 e 100%, respectivamente (BASHAM & LAVY, 1987). Além disso, FLINT & WITT (1997) determinaram que a emissão de CO2 por micro-organismos aumenta com a presença de imazethapyr ou imazaquin, duplicando a atividade quando a temperatura passa de 15 para 30ºC. Com esse aumento, observou-se redução na concentração de imazethapyr, que foi mais acentuada em solo úmido (JOURDAN et al., 1998). Autores como BASHAM & LAVY (1987) e BAUGHMAN & SHAW (1996) demonstraram que imazethapyr e imazaquin foram mais persistentes em solos com temperaturas mais baixas e reduzido teor de umidade. Dessa forma, as condições foram mais desfavoráveis à atividade microbiológica em profundidade no sistema PD, colaborando, possivelmente, com a menor degradação do herbicida nessas profundidades. Além disso, no PD, o imazethapyr acumulou-se entre 5 e 15cm, e durante a entressafra o lençol freático esteve acima de 20cm de profundidade (Figura 4) por nove semanas, deixando essa região em anaerobiose por prolongados períodos de tempo, o que reduz a degradação do herbicida. Essa afirmação é baseada no fato que a principal via de degradação do imazethapyr é a degradação microbiana (FLINT & WITT, 1997) promovida por microorganismos aeróbicos, sendo praticamente inexistente em anaerobiose (SHANER & O‘CONNOR, 1991). Por sua vez, isso estaria contribuindo para a menor 6 Kraemer et al. Figura 4 - Profundidade de localização do lençol freático durante o período de entressafra (abriloutubro de 2006), em solo de várzea, registrada na área do experimento. Santa Maria, RS, 2009. degradação do herbicida no PD, nas camadas mais profundas do solo. CONCLUSÕES Imazethapyr lixivia até 20cm em solo de várzea, independentemente do sistema de cultivo. Ocorre maior concentração de imazethapyr na superfície do solo (0-5cm), no sistema convencional, quando comparado com o sistema de plantio direto. A quantidade total de herbicida remanescente no solo 540 dias após a última aplicação não é afetada pelo sistema de preparo do solo. Porém, o preparo de solo afeta a distribuição do imazethapyr no perfil. No sistema plantio convencional, o herbicida distribui-se de modo uniforme nos primeiros 15cm de solo e, no sistema de plantio direto, apresenta menor concentração na camada de 0-5cm e acumula-se entre 5-15cm de profundidade. AGRADECIMENTOS Ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), pelo auxílio financeiro e pela bolsa de iniciação científica. Ao INTA-Argentina, pelo financiamento dos estudos do primeiro autor. REFERÊNCIAS BASHAM, G.W.; LAVY, T.L. Microbial and photolytic dissipation of imazaquin in soil. Weed Science, v.35, p.865870, 1987. BATTAGLIN, W.A. et al. 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PERSISTÊNCIA DOS HERBICIDAS IMAZETHAPYR E IMAZAPIC EM SOLO VÁRZEA SOB DIFERENTES SISTEMAS DE MANEJO1 1 DE Persistence of the Herbicides Imazethapyr and Imazapic in Irrigated Rice Soil KRAEMER, A.F.2, MARCHESAN, E.2, AVILA, L.A.2, MACHADO, S.L.O.3, GROHS, M.4, MASSONI, P.F.S.4 e SARTORI, G.M.S.4 RESUMO - A mistura formulada dos herbicidas imazethapyr e imazapic é utilizada para controlar arroz-vermelho em cultivos de arroz irrigado. Entretanto, esses herbicidas podem persistir no solo por longos períodos, causando intoxicação ao arroz suscetível cultivado em sucessão. Este trabalho teve como objetivo avaliar o efeito de diferentes manejos de solo, durante a entressafra do arroz, sobre a ação residual do imazethapyr e imazapic, em arroz não tolerante. O residual desses herbicidas causou intoxicação no arroz suscetível após um ano da última aplicação dos herbicidas. A fitotoxicidade atingiu valores máximos até 25 dias após a emergência (DAE), ocorrendo redução da intoxicação após esse período, até praticamente desaparecer (60 DAE). O residual do herbicida alterou o estande de plantas, o número de colmos m-2, o número de panículas m-2 e a altura de plantas, porém não afetou a produtividade de grãos do arroz. O revolvimento do solo diminuiu a atividade do herbicida na camada superficial de solo (0-3 m). Palavras-chave: residual de herbicida, imidazolinonas, preparo de solo. ABSTRACT - The mixture of herbicides imazethapyr and imazapic is used to control red rice in irrigated rice crops. However, such herbicides might persist on the soil for a long period causing phytotoxicity on susceptible rice grown in succession. The objective of this work was to determine the effect of different soil tillage systems during the off-season on the residual phytotoxicity of imazethapyr and imazapic on non tolerant rice. Herbicide residues caused phytotoxicity on susceptible rice with the highest values being registered 25 days after emergence and decreasing after this period until almost disappearing 60 days after emergence. Herbicide residues affected plant stand, number of stems per m2, number of panicles per m2 and plant height, but did not affect grain yield. Soil movement decreased herbicide activity on the superficial soil layer (0-3 cm). Keywords: herbicide residues, imidazolinonas, soil tillage. INTRODUÇÃO Os herbicidas imazethapyr e imazapic pertencem à família das imidazolinonas e controlam um amplo espectro de plantas daninhas, incluindo gramíneas, ciperáceas e latifoliadas. São absorvidos por raízes e folhas, sendo transportados por floema e xilema, acumulando-se nos pontos de crescimento. O controle é proporcionado pela inibição da enzima acetolactase sintetase (ALS), que é essencial no processo de síntese de aminoácidos de cadeia ramificada em plantas – isoleusina, leusina e valina (Tan et al., 2006). Atualmente, esses herbicidas são comercializados em mistura formulada para controle de plantas daninhas em arroz. A tolerância foi obtida por mutações induzidas, utilizando-se 1 Recebido para publicação em / / e na forma revisada em / / . Engo-Agro., M.Sc., Pesquisador do INTA EEA Corrientes, Argentina, <[email protected]>; 3 Engo-Agro., Ph.D., Prof. do Dep. de Fitotecnia, Universidade Federal de Santa Maria – UFSM, 3 Engo-Agro., Doutor., Prof. do Dep. de Defesa Fitossanitária – UFSM. 4 Acadêmico/a do curso de Agronomia, Dep. de Fitotecnia – UFSM, Santa Maria-RS, Brasil. 2 Planta Daninha, Viçosa-MG, v. 27, n., p. , 2009 2 tratamento das sementes com químicos mutagênicos, a etil metanosulfonato (EMS), ou radiação gama (Croughan, 1998). Essa tecnologia foi introduzida como opção para ajudar a solucionar o principal problema das lavouras de arroz do RS, permitindo o controle químico eficiente do arroz-vermelho (Villa et al., 2006; Santos et al., 2006). No entanto, os herbicidas podem persistir no solo após o cultivo, em quantidade que pode comprometer a utilização futura da área com outras culturas suscetíveis, ou mesmo com cultivares de arroz não tolerante. Os danos causados às culturas em sucessão são variáveis, dependendo das condições físicas, químicas e de manejo do solo. Foram encontrados prejuízos por intoxicação devido ao residual de imazethapyr e imazapic isolados ou à associação de ambos em diferentes culturas: alfafa, algodão, aveia, azevém, batata, beterrabaaçucareira, canola, cebola, ervilha, girassol, linho, melão, milho, mostarda, pimenta, pimentão, repolho, sorgo, trigo e tomate (Bovey & Senseman, 1998; Alister & Kogan 2005; Pinto et al., 2007a). Em arroz não tolerante, Villa al. (2006) constataram menor estande de plantas por efeito residual da associação imazethapyr + imazapic, porém sem efeito na produtividade. No entanto, Marchesan et al. (2007) observaram perdas de produtividade de 19 e 30% por efeito do residual desses herbicidas sobre arroz suscetível, um ano após a aplicação; os sintomas de fitotoxicidade foram observados dois anos após a aplicação dos herbicidas. Nesse sentido, Zhang et al. (2000) também constataram diminuição na produtividade de arroz não tolerante de 69% pelo efeito residual de imazethapyr. Pinto et al. (2007b) observaram redução na massa seca aérea e radicular de arroz suscetível; o efeito residual do herbicida relacionou-se com as doses aplicadas no último ano, não havendo acúmulo de efeito pelo emprego de anos consecutivos dos herbicidas. Massoni et al. (2007) observa-ram efeito residual desses herbicidas sobre o arroz suscetível até 358 dias após a aplicação; no entanto, Williams et al. (2002) recomendam o tempo de 540 dias (18 meses) entre a aplicação de imazethapyr e a semeadura de arroz não tolerante para não haver risco de ocorrência de sintomas de intoxicação. Planta Daninha, Viçosa-MG, v. 27, n., p. , 2009 KRAEMER, A.F. et al. Para diminuir esses problemas na cultura do arroz, preconiza-se o uso dessa tecnologia por não mais de dois anos consecutivos, deixando a área em pousio por, no mínimo, um ano. A persistência do herbicida no solo depende das condições climáticas, das propriedades do solo e da quantidade desse herbicida. O principal mecanismo de dissipação das imidazolinonas no solo é a degradação microbiana (Loux & Reese, 1993; Flint, & Witt, 1997). Para imazethapyr, a dissipação acontece exclusivamente em condições de aerobiose (Shaner & O‘Connor, 1991). Esses herbicidas também sofrem fotólise, podendo ser esse meio de dissipação relevante em solo arenoso e úmido, e não em outros tipos de solo (Curran et al., 1992a). Esses processos ficam regulados pela sorção das moléculas dos herbicidas aos coloides do solo e pelas condições ambientais que favoreçam o desenvolvimento dos microrganismos. Em solos com pH baixo ocorre maior adsorção desses herbicidas e menor biodegradação (Bresnaham et al., 2000; Madani et al., 2003; Fernandes de Oliveira et al., 2004), porque a sorção determina quanto do herbicida vai ficar retido na matriz do solo e quanto ficará disponível na solução deste para sofrer os diferentes processos de dissipação. Os solos arrozeiros do RS são predominantemente ácidos, e 50% desses apresentam pH inferior a 5 (Anghinoni et al., 2004). Nessas condições, os herbicidas imazethapyr e imazapic têm alta probabilidade de permanecer adsorvidos ao solo, aumentando sua persistência e o risco de efeitos sobre culturas em sucessão. Há evidências sugerindo que a utilização de práticas de manejo que estimulem a degradação de herbicidas no solo durante o período da entressafra do arroz pode reduzir a persistência destes, minimizando os danos aos cultivos subsequentes. Isso porque os processos biológicos estariam sendo influenciados por fatores ambientais, como umidade, temperatura e aeração, os quais estão relacionados às práticas de preparo do solo (Soon & Arshad, 2005; Perez et al., 2005); o preparo do solo pode aumentar em 57% a atividade microbiana (Franchini et al., 2007). Em vista do exposto, o presente trabalho teve por objetivo determinar o efeito de diferentes manejos do solo, durante o período de Persistência dos herbicidas imazethapyr e imazapic em ... entressafra do arroz, sobre a minimização dos efeitos residuais da associação dos herbicidas imazethapyr + imazapic, na cultura do arroz não tolerante. MATERIAL E MÉTODOS No ano agrícola 2006/07 foram realizados seis experimentos: um experimento testando o efeito de diferentes manejos de solo na persistência de imazethapyr e imazapic; quatro experimentos para comparar os cultivares IRGA 422CL e IRGA 417; e um bioensaio para determinar a presença desses herbicidas, utilizando como planta indicadora o tomate. O experimento com os diferentes manejos de solo foi realizado em área que havia recebido 1 L ha-1 ano-1 da mistura formulada de imazethapyr + imazapic (75 + 25 g L-1) nas safras de 2004/05 e 2005/06. O solo, classificado como Planossolo Hidromórfico eutrófico arênico, apresentava as seguintes características: pH água (1:1) = 4,8; P = 6,0 mg dm-3; K = 120 mg dm-3; argila = 26%; MO = 2,3%; Ca = 5,0 cmol c dm -3 ; Mg = 2,0 cmolc dm-3; Al = 1,7 cmolc dm-3; e índice SMP de 5,1. O delineamento experimental foi de blocos ao acaso em esquema fatorial, com quatro repetições. Os tratamentos consistiram da combinação de nove manejos de solo e de dois cultivares de arroz irrigado. Os manejos de solo foram quatro nos sistemas de plantio direto e semidireto e cinco no sistema plantio convencional: plantio direto (PD); plantio direto com azevém (PDA); um preparo de solo em abril (1PSA); um preparo de solo em abril com azevém (1PSAA); um preparo de solo em outubro (1PSO); dois preparos de solo, em maio e outubro (2PSMO); dois preparos de solo, em abril e outubro (2PS); três preparos de solo, em abril, maio e outubro (3PS); e quatro preparos de solo, em abril, maio, agosto e outubro (4PS). Os cultivares de arroz testados foram IRGA 422CL e IRGA 4117. As datas de semeadura e emergência foram 4/10/2007 e 16/10/07, respectivamente, para os dois cultivares. O cultivar IRGA 422CL, por ser tolerante a herbicidas do grupo das imidazolinonas e possuir características agronômicas semelhantes às do cultivar suscetível IRGA 417 3 (Lopes et al., 2003), foi utilizado como testemunha, pois a área experimental não contava com unidades experimentais sem aplicação prévia do herbicida. Para ratificar a similaridade entre os cultivares, foram semeados quatro experimentos comparativos, em diferentes áreas onde não havia resíduos no solo de imidazolinonas, em delineamento inteiramente casualizado com dois tratamentos, constituídos pelos cultivares IRGA 422CL e IRGA 417, em seis repetições cada um. A análise dos dados desses experimentos foi feita de forma conjunta. Nos cinco experimentos utilizaram-se 110 kg de sementes ha-1, para os dois cultivares, com semeadora de 11 linhas espaçadas de 0,175 m e 5,0 m de comprimento, gerando uma unidade experimental (UE) de 9,6 m2. As práticas agronômicas foram as mesmas nos cinco experimentos, conforme as recomendações da pesquisa para obtenção de alto rendimento (SOSBAI, 2005). Em todas as unidades experimentais foram demarcadas, em duas linhas de semeadura, 1,0 m em cada uma, onde se determinou o estande inicial de plantas, aos 10 e 17 dias após emergência (DAE), o número de colmos aos 60 DAE e o número de panículas aos 110 DAE. Na mesma área, aos 110 DAE, avaliou-se a altura de dez plantas escolhidas ao acaso, aferindo-se o comprimento desde o solo até o ápice da panícula. Ainda nesse local, simultaneamente, coletaram-se dez panículas consecutivas escolhidas ao acaso, das quais foram determinados o número de grãos por panícula, a esterilidade de espiguetas e a massa de mil grãos. A produtividade de grãos foi obtida pela colheita manual, de sete linhas centrais, quando os grãos apresentavam umidade média de 20%. Após a trilha, limpeza e pesagem dos grãos com casca, os dados foram corrigidos para 13% de umidade e convertidos em kg ha-1. Foram feitas avaliações de fitotoxicidade no arroz não tolerante (IRGA 417) aos 10, 17, 24, 36 e 59 DAE, sendo os valores estimados visualmente, utilizando uma escala de 0 a 100%, em que 0 representou ausência de intoxicação das plantas e 100 a morte das plantas. Estas avaliações não foram feitas no cultivar tolerante, por este não apresentar sintomas de intoxicação, o que ocasionaria aumento na %CV e não somaria informação ao trabalho. Planta Daninha, Viçosa-MG, v. 27, n., p. , 2009 4 KRAEMER, A.F. et al. Para os dados de fitotoxicidade, o experimento foi o de blocos completos ao acaso. Por último, foi semeado um bioensaio, onde foi utilizado como planta indicadora da atividade do herbicida o tomate (Rampelotti et al., 2005), semeando-se seis sementes por vaso de 250 mL, deixando três plantas, que constituíram a UE. Os vasos foram carregados com amostras de solo coletadas dos manejos PD, 4PS e pousio (solo coletado de uma área deixada em pousio sem inundação). As amostras foram coletadas a duas profundidades (0-3 e 3-6 cm), após a colheita do experimento manejos de solo. O delineamento foi inteiramente casualizado, em esquema fatorial 3 x 2, com seis repetições. Os tratamentos consistiram da combinação dos três manejos de solo com as duas profundidades. Foi determinada a fitotoxicidade nas plantas de tomate, utilizando a escala de 0 a 100% aos 20 DAE dessas plantas. Os dados foram submetidos à análise de variância e as médias comparadas pelo teste de Tukey (P ≤ 0,05). Para a análise estatística, os dados de fitotoxicidade foram transformados para yt = arc sen o (y + 0,5)/100 , e os demais dados em porcentagem foram transformados para yt = y + 1 . RESULTADOS E DISCUSSÃO No experimento preliminar, comparando os cultivares IRGA 422CL e IRGA 417, não foram encontradas diferenças entre eles quanto a produtividade de grãos e parâmetros agronômicos (Tabela 1), estando de acordo com relatos de Lopes et al. (2003). Com base nesses resultados, o cultivar IRGA 422CL foi utilizado como testemunha, tornando possível avaliar o efeito residual da associação dos herbicidas imazethapyr + imazapic. Ocorreu redução dos sintomas de intoxicação das plantas de arroz do cultivar IRGA 417 com a mistura dos herbicidas no transcorrer do desenvolvimento das plantas, observandose os maiores valores até os 24 dias após a emergência (DAE) da cultura (valores médios entre os diferentes manejos de solo de 28%, diminuindo aos 36 DAE para 9%, até praticamente desaparecer aos 59 DAE). Observou-se, também, redução das diferenças entre os preparos de solo a partir de 36 DAE (Figura 1). Na mesma figura, pode-se agrupar o efeito residual no solo do herbicida em três grupos de preparos de solo. O tratamento 1PSO apresentou as maiores porcentagens de fitotoxicidade, enquanto os valores intermediários pertenceram aos outros tratamentos com plantio convencional (4PS, 3PS, 2PS e 2PSMO); menor fitotoxicidade foi encontrada nos tratamentos com plantio direto ou semidireto (PD, PDA, 1PSA e 1PSAA). Esses resultados diferem de outros trabalhos realizados em solos com culturas de sequeiro, em que se observou que o preparo de solo acelerava ou não alterava a degradação das imidazolinonas. Nesse sentido, Curran et al. (1992b) encontraram maior efeito residual no solo de imazaquin e imazethapyr em milho semeado no sistema de PD do que no plantio convencional. Todavia, Monks & Banks (1993) não observaram efeito de diferentes manejos de palha e de preparo de Tabela 1 - Estande de plantas (plantas m-2), número de colmos (colmos m-2), altura de plantas (cm), número de panículas (m-2), esterilidade de espiguetas (% esterilidade), número de grãos por panícula (grãos/panícula), peso de mil grãos e produtividade de grãos (kg ha-1.) dos cultivares IRGA 422CL e IRGA 417, dos quatro experimentos comparativos analisados em forma conjunta Cultivar IRGA 422CL IRGA 417 Média CV(%) Significância Locais x Cultivar Plantas m-2 Colmos m-2 Altura (cm) Panículas m-2 % esterilidade Grãos/ panícula Peso (g) mil grãos Produtividade de grãos (kg ha-1) 291 265 278 17 NS NS 604 600 602 12 NS NS 89 89 89 3 NS NS 457 443 450 14 NS NS 24 23 8,8 17,3 NS NS 85 83 84 16,9 NS NS 26,3 25,5 25,9 5,5 NS NS 9.069 8.944 9.007 9 NS NS NS: não significativo, com probabilidade de erro P ≤ 0,5. Planta Daninha, Viçosa-MG, v. 27, n., p. , 2009 Persistência dos herbicidas imazethapyr e imazapic em ... 1PSO 1PSA 4PS 1PSAA 3PS PD 2PS PDA 2PSMO 75 50 25 0 10 17 24 36 59 Dias Após Emergência Figura 1 - Intoxicação do cultivar de arroz IRGA 417 causada pela mistura formulada de imazethapyr e imazapic (75+25 g ha-1), semeada após um ano da última aplicação dos herbicidas, num sistema com dois anos de uso dos herbicidas, em cinco épocas de avaliação e nove preparos de solo: PD = plantio direto; PDA = plantio direto mais azevém; 1PSA = um preparo de solo (PS), em abril; 1PSAA = um PS em abril mais azevém; 1PSO = um OS, em outubro; 2PSMO = dois OS, em maio e outubro; 2PS = dois OS, em abril e outubro; 3PS = três OS, em abril, maio e outubro; 4PS = quatro OS, em abril, maio, agosto e outubro. Santa MariaRS, 2006/07. solo no residual de imazaquin e imazethapyr, enquanto Renner et al. (1998), compararando o efeito de diferentes sistemas de preparo de solo na dissipação do imazaquin, verificaram que no preparo de solo com arado o herbicida teve menor efeito residual que no preparo com escarificador e, este, menos que no PD. Independentemente do sistema de preparo de solo empregado, esses autores detectaram o imazaquin até 18 cm de profundidade. No entanto, Seifert et al. (2001) não encontraram diferenças na degradação do imazaquin entre o preparo com arado e com escarificador. Ulbrich et al. (2005) observaram aumento na persistência de imazapic e imazapyr em dois solos com PD, comparado com o plantio convencional. Ressalta-se que no presente trabalho, no sistema de plantio convencional, a profundidade de semeadura foi maior quando comparada com a dos sistemas de plantio direto e semidireto (6 e 2 cm, respectivamente). A diferença na profundidade de semeadura foi consequência da impossibilidade de regular a pressão das molas da semeadora, para cada parcela com diferentes preparos de solo, ocasionando maior profundidade de semeadura onde o solo tinha sido preparado no mesmo dia da semeadura. A diferença na profundidade de semeadura possivelmente tenha sido a causa da maior intoxicação nos tratamentos que foram semeados mais profundamente. Segundo Zhang et al. (2000), quando uma plântula de arroz é originada de uma semente localizada em maior profundidade, apresenta coleóptilo mais comprido, o que acarreta maior área de contato com o solo, aumentando a absorção do imazethapyr e os sintomas de fitotoxicidade. Nesse sentido, esses autores não encontraram efeito residual de imazethapyr em arroz prégerminado semeado em água sobre a superfície do solo e sim sobre plantas originadas de sementes semeadas em solo seco com máquina. Por outro lado, o tratamento 1PSO praticamente passou o mesmo período de tempo sem movimento de solo, quando comparado com os tratamentos com plantio direto (PD e PDA), razão pela qual a planta de arroz não deveria apresentar diferenças nos níveis de intoxicação. Para detectar diferenças na atividade dos herbicidas nas duas profundidades de semeadura sobre a intoxicação das plantas, foi realizado um bioensaio utilizando-se solo coletado nas áreas de 0-3 e 3-6 cm e tomate como planta indicadora; constatou-se que houve menor atividade dos herbicidas na camada superficial no tratamento 4PS do que no PD, em decorrência da menor intoxicação da planta de tomate (Figura 2). 60 0 a 3 cm 3 a 6 cm 50 Fitotoxicidade (%) Fitotoxicidade (% ) 100 5 40 30 20 10 0 Pousio PD PC Figura 2 - Intoxicação em plantas de tomate semeadas sobre amostras de solo coletadas das parcelas dos tratamentos pousio (extraído de uma área deixada em pousio sem inundação), PD = plantio direto e 4PS = quatro preparos de solo, em abril, maio, agosto e outubro, em duas profundidades (0 a 3 e de 3 a 6 cm). Planta Daninha, Viçosa-MG, v. 27, n., p. , 2009 6 KRAEMER, A.F. et al. Tendo em vista os resultados, pode-se inferir que as diferenças de fitotoxicidade entre esses tratamentos estão relacionadas, pelo menos em parte, a um efeito de posicionamento da semente e estratificação do herbicida no perfil do solo, e não ao efeito dos preparos de solo na degradação dos herbicidas. Concordando com isso, McDowell et al. (1997) e Jourdan et al. (1998) concluíram que imazethapyr lixivia-se acumulando-se em camadas subsuperficiais de solo, e as sementes colocadas em maior profundidade estariam mais expostas a maiores concentrações de herbicidas. Na Tabela 2 são apresentados os dados obtidos do efeito dos preparos de solo e do residual da mistura pronta de imazethapyr e imazapic sobre as variáveis agronômicas analisadas, nos cultivares IRGA 417 e IRGA 422CL. A interação significativa entre preparos de solo e cultivares, para estande de plantas e colmos m-2, foi causada por um menor número de plantas e de colmos no tratamento 1PSO no cultivar IRGA 417, o que não foi observado no cultivar IRGA 422CL, mantendo-se como efeito principal a diferença entre os cultivares (dados não apresentados). Por isso, serão discutidos os efeitos dos manejos do solo e dos cultivares em separado. Os diferentes preparos de solo não alteraram o estande de plantas, o número de colmos, a altura de plantas, o número de panículas, o peso de mil grãos e a produtividade, concordando com resultados obtidos por Marín et al. (1998), Levy Jr. et al. (2006) e Tripathi et al. (2007), embora Mohanty et al. (2006) tenham afirmado que os preparos de solo, quando feitos em água, geram melhores condições físicas de solo para um melhor desenvolvimento do arroz. Avaliando o efeito residual da mistura pronta de imazethapyr e imazapic no cultivar IRGA 417 em comparação com o cultivar IRGA 422CL (tratamento testemunha), observou-se que o primeiro apresentou diminuição no estande de plantas, no número de perfilhos m-2, na altura de plantas, no número de panículas m-2, na esterilidade de espiguetas e na massa de mil grãos, porém obteve-se maior número de grãos por panícula. O maior número de grãos por panícula e a menor esterilidade de espiguetas, provavelmente, deveram-se a um efeito compensatório, ante um menor número de panículas m-2. O residual do herbicida não alterou a produtividade, possivelmente como consequência do maior número de grãos por panículas; segundo Marín & Kraemer (1999), com menor número de panículas, a planta de arroz apresenta incremento no número de grãos por panículas e menor esterilidade de espiguetas, como efeito compensatório da planta para manter a produtividade. Villa et al. (2006) observaram diminuição na densidade de plantas como resultado do efeito residual da mistura pronta de imazethapyr e imazapic, sem alterar a Tabela 2 - Estande de plantas de dois cultivares de arroz semeados em solo com nove sistemas de manejos, aos 10 e 17 dias após emergência (DAE), número de colmos (colmos m-2), altura de plantas (cm), número de panículas (panículas m-2), esterilidade de espiguetas (% esterilidade), número de grãos por panículas (grãos/panícula), peso de mil grãos (g) e produtividade de grãos (kg ha-1), em resposta ao efeito residual no solo de dois anos da mistura pronta de imazethapyr e imazapic. Santa Maria-RS. 2006/07 Plantas m-2 Fonte de variação Colmos m-2 Altura (cm) 519 NS 599 a 440 b xxx Xx 21 87 NS 88 a 86 b x NS 4 10 DAE 17 DAE Preparos do solo (PS) Significância2/ IRGA 422CL IRGA 417 Significância2/ PS x Cultivar CV% 254 NS 283 a 1/ 226 b xxx NS 17 304 NS 350 a 260 b xxx xxx 18 Panículas m-2 % esterilidade 383 NS 404 a1 361 b x NS 18 6,8 NS 8a 6b x NS 4 Grãos/ panícula Peso (g) mil grãos Produtividade de grãos (kg ha-1) 89 NS 85 b 93 a x NS 18 26,9 NS 28 a 26 b xxx NS 5 9.849 NS 9.861 9.837 NS NS 11 1/ Médias não seguidas pela mesma letra diferem significativamente entre si pelo teste de Tukey (P≤0,05). 2/ NS não significativa, xxx significativa (P ≤ 0,001), xx significativa (P ≤ 0,01), x significativa (P ≤ 0,05). Planta Daninha, Viçosa-MG, v. 27, n., p. , 2009 Persistência dos herbicidas imazethapyr e imazapic em ... produtividade. No trabalho realizado por Santos et al. (2006), o efeito residual do herbicida alterou a produtividade em torno de 50%. A menor recuperação da lavoura observada por Santos et al. (2006) provavelmente esteja relacionada, pelo menos em parte, ao menor pH do solo em relação ao deste trabalho: 4,5 e 4,8, respectivamente. Essa pequena diferença no pH gera condições para que as moléculas de imazethapyr e imazapic encontrem-se 20 e 11% associadas a pH 4,4 e 4,8, respectivamente, resultando praticamente no dobro de moléculas, no menor pH, capaz de ser sorvido aos coloides do solo, aumentando assim a persistência do herbicida no solo. Segundo Bresnaham et al. (2000), a sorção do imazethapyr aumenta com pH mais baixo e depois de três meses a dessorção é maior nessas condições, causando maior intoxicação em culturas suscetíveis. Concluiu-se que para as condições de solo onde foi realizado este trabalho que o efeito residual da mistura pronta de imazethapyr e imazapic reduziu o estande de plantas, o perfilhamento, o número de panículas e a altura de plantas do cultivar não tolerante IRGA 417, sem alterar a produtividade de grãos. O revolvimento do solo diminuiu a atividade do herbicida na sua camada superficial (0-3 cm). Os diferentes sistemas de manejos de solo avaliados não alteraram o comportamento agronômico: estande de plantas, número de colmos, altura de plantas, número de panículas, esterilidade de espigueta, numero de grãos por panícula, massa de grãos e produtividade. AGRADECIMENTOS Ao Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária – INTA Argentina e ao PPGA da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), pelo financiamento do trabalho. LITERATURA CITADA ALISTER, C.; KOGAN, M. Efficacy of imidazolinone herbicides applied to imidazolinone-resistant maize and their carryover effect on rotational crops. 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The herbicide carryover reduced up to 55% of the grain yield of the IRGA 417 drilled at 13 371 DAA, and plant injury was still evident at 705 DAA but without grain yield reduction. 14 Nomenclature: Imazethapyr; imazapic; rice, Oryza sativa L. 15 Key Words: Herbicide soil persistence, imidazolinones, plant injury. * Professor, Master student, Graduate student, Professor, Professor, Graduate student and Graduate student, Departmento de Fitotecnia, Universidade Federal de Santa Maria, RS, Brazil; Fourth author: Professor, Department of Soil and Crop Sciences, Texas A&M University, College Station, TX 77840. Current address of first author: Department of Fitotecnia, Universidade Federal de Santa Maria, Roraima Avenue, 1000, CEP 97105-900, Rio Grande do Sul State, Brazil. Corresponding author’s E-mail: [email protected]. 16 New technologies have been developed to reduce the high infestations of red rice (Oryza sativa L.) in irrigated 17 rice, which result in yield reduction as well as devaluation of the final product. The development of rice genotypes 18 tolerant to herbicides of the imidazolinone group, a technology called the Clearfield System®, has become an efficient 19 tool to selectively control and manage red rice infestations. In Brazil, this technology consists of applying a formulated 20 mixture of 0.075 kg ai/ha imazethapyr + 0.025 kg ai/ha imazapic to tolerant rice genotypes (IRGA 422 CL, Sator CL, and 21 Avaxi CL). The recommended rate is 1.0 L/ha of the commercial product Only® applied postemergence (POST). 22 However, the consequences of the herbicide treatments are not frequently measured and the ensuing environmental 23 impacts are not well known. The use of winter crops for grazing a livestock-crop rotation or the use of a non-tolerant rice 24 genotype can be affected by the bioavailability of herbicide residues in the soil. Mostly, the plant injury resulting from 25 the herbicide carryover can be visually observed and severe injuries may reduce yield or cause plant death. 26 The imidazolinone soil persistence is affected by soil properties such as texture, pH (Loux and Reese 1992), 27 humidity (Baughman and Shaw 1996), organic matter (Stougaard et al. 1990) and oxygen concentration 28 (aerobiosis/anaerobiosis). Souza et al. (2000) reported that imazapyr herbicide mobility was higher in sandy loam soils 29 than in clay soils. According to Renner et al. (1998), residues of imidazolinone herbicides can remain in the soil up to 30 two years after application. Depending on the successive crop, the carryover may cause plant injury and adversely affect 31 crop rotation. 32 Imazethapyr and imazapic persistence is dependent on photolysis and microbial degradation (Madami et al. 2003; 33 Alister and Kogan 2005). Several studies and field observations suggest that the main factors determining the persistence 34 of these herbicides are directly associated to climate and soil conditions, which can be affected by soil management 35 practices (Soon and Arshad 2005; Perez et al. 2005). Moreover, herbicide residues can be drained by rain or irrigation 36 water and leached to the water table potentially adversely affecting the environment (Clay 1993). Thus, a safe recropping 37 interval is recommended between herbicides application and planting of tolerant crops. For imidazolinones, the 38 recommended safe recropping interval is based on studies of upland crops in the United States and Europe, where 39 edaphoclimatic conditions are different from those in Brazil, especially in lowland areas. Studies on effects of the 40 potential herbicide carryover on rice crops grown under the Brazilian edaphoclimatic conditions are necessary to develop 41 crop rotation management strategies for non-tolerant genotypes. 42 43 44 The present study aimed at evaluating carryover effects of the formulated mixture of imazethapyr and imazapic in two consecutive growing seasons by using a non-tolerant lowland rice genotype drilled at 371 and 705 DAA. 3 45 46 47 MATERIALS AND METHODS 48 49 The experiment was carried out during the 2004/05, 2005/06 and 2006/07 growing seasons at the experimental 50 field of the Department of Crop Science, Federal University of Santa Maria, RS, Brazil, in a soil classified as typical 51 albaqualf, belonging to the Vacaraí mapping unit (Embrapa 1999) with the following characteristics: pHwater(1:1) = 4.5; 52 P = 6.9 mg/dm3; K = 55 mg/dm3; M.O. = 1.2 %; Ca = 2.5 cmolc/dm3; Mg = 1.3 cmolc/dm3; Al = 1.4 cmolc/dm-3; clay = 53 17 %. 54 The randomized complete block design with four treatments and five replicates was utilized, comprising four rates 55 of the herbicide Only® which is a formulated mixture containing 0.075 kg ai/L of imazethapyr and 0.025 kg ai/L of 56 imazapic. The treatments consisted of: untreated check; 0.7 L/ha in preemergence followed by the 0.7 L/ha in 57 postemergence (PRE + POST); 1 L/ha in preemergence (PRE); and 1 L/ha in postemergence (POST). The plots 58 measured 5 x 4 m (20 m2) and the grain yield was estimated within an area of 3 x 4 m (12 m2). 59 In the 2004/05 growing season, the herbicide was applied either preemergence at two days after seed drilling or 60 postemergence at 16 days after emergence (DAE). The plant stage was V4 when herbicide was applied to the tolerant 61 rice cultivar IRGA 422 CL and red rice plants were at the V5 growth stage, according to the scale of Counce et al. 62 (2000). In the 2005/06 and 2006/07 growing seasons, the non-tolerant rice cultivar IRGA 417 was used for evaluation of 63 potential herbicide carryover injury. In the intercrop periods, the Lolium multiflorum Lam. (Italian ryegrass) was drilled 64 at a rate of 40 kg/ha. 65 In the 2005/06 and 2006/07 experiments, the non-tolerant rice cultivar IRGA 417 was directly drilled at a rate of 66 110 kg/ha in 0.17 m spaced rows. The genotype IRGA 422 CL was used as a control, have been chosen due to its 67 tolerance to imazethapyr and imazapic, and agronomic similarities to the IRGA 417. In the 2006/07 growing season, the 68 similarities between IRGA 417 and IRGA 422 CL regarding agronomical traits and grain yield were evaluated in four 69 independent comparative experiments. Each experiment was conducted with six replicates in an area without herbicide 70 carryover, applying fertilization and cultivation procedures according to Sosbai (2005). 71 In the 2005/06 and 2006/07 growing seasons, the IRGA 417 initial plant stand was determined at 10 DAE based 72 on the number of rice plants per linear meter. In addition, the evaluations included culm and panicle number per plant, 73 spikelet number per panicle, thousand grain weight, spikelet sterility, plant height, and rice grain yield. 4 74 Herbicide injury to rice plants was visually evaluated and expressed in percentage, where a value of zero meant an 75 absence of herbicide injury and 100% meant plant death. Red rice reinfestation was assessed at pre-harvest by counting 76 the number of red rice panicles within an area of 0.5 x 0.5 m. Grain yield of the cultivated rice was estimated by hand 77 harvesting the plants of each experimental parcel as the grains reached 20% average moisture, which was based on grain 78 mass and adjusted to 13% moisture. 79 Data on the determined variables were submitted to the one-way ANOVA F-test, and the average values 80 compared by the Tukey test (P0.05). The data on herbicide injury were transformed into yt = arccosine 81 the remaining percentage data were transformed into yt y 0. 5 and 100 y 1 . 82 83 84 85 RESULTS AND DISCUSSION 86 87 IRGA 417 x IRGA 422 CL. No significant differences were detected between the non-tolerant IRGA 417 and the 88 tolerant IRGA 422 CL rice genotypes grown in the field soil without herbicide residues (data not shown). Therefore, the 89 IRGA 422 CL was used as a control in the experiments. 90 2005/06 growing season. Degrees of injury to the non-tolerant cultivar IRGA 417 varied according to the applied 91 herbicide rates and the elapsed time between herbicide application and rice seed drilling (Figure 1A and 1B). For the 92 non-tolerant genotype, most severe injuries were observed at 10 days after emergence (DAE) in both the PRE + POST 93 and POST treatments, without significant differences between them (Figure 1A). Lowest degree of plant injury was 94 restricted to the PRE treatment, and the differences remained evident in the 37 DAE assessment (Figure 1B). The minor 95 injury within the PRE treatment was due probably to herbicide biodegradation in aerobic environment which was the 96 prevalent condition during the first 20 days between herbicide application and the initial irrigation in the 2004/05 97 experiment. According to Flint and Witt (1997), the imidazolinone herbicides are preferentially degraded in soil by 98 aerobic microorganisms, which require an optimum temperature (± 30 ºC) and suitable soil moisture of approximately 99 75% of the field capacity. It is conceivable that upon irrigation there was a disturbance of the conditions favorable to 100 aerobic microorganisms and, therefore, their activity was reduced. Consequently, in the treatments of sequential 5 101 herbicide application (PRE + POST) and in the POST application, biodegradation might have decreased due to the 102 extended anaerobic condition, leading to longer herbicide soil persistence as compared to the PRE treatment. 103 As a consequence of herbicide injury, the plant stand of the non-tolerant cultivar IRGA 417 was adversely 104 affected because, notwithstanding seedling emergence, plants died due to the herbicide carryover effects (Table 1). The 105 control comprised an average population of 295 plants/m2, while there was 37% average reduction of the populations 106 within the herbicide treatments, with no significant differences among treatments. These results are in agreement with a 107 previous evaluation of the IRGA 417, which resulted in a smallest plant stand in a soil that, in a former growing season, 108 had been treated with the formulated mixture of imazethapyr and imazapic (Villa 2006). 109 Weather and soil conditions might have contributed to the severe plant herbicide injury observed in the 110 experiments. The fallow period was characterized by low temperatures (data not shown), which might have contributed 111 to lowering microbial activities (Flint and Witt 1997). In addition, the soil pH was approximately 4.5 and low pH values 112 are known to increase imidazolinone adsorption to soil colloids, making them unavailable to biodegradation. The 113 persistence of imidazolinone herbicide in the soil is reported to be directly related to pH, organic matter content, and clay 114 content (Loux and Reese 1992). 115 Irrigation enhanced plant injury symptoms, probably by increasing herbicide availability in the soil solution. 116 According to Avila et al. (2006), in soil at field capacity, about 61% of the imazethapyr would be in the soil solution 117 whereas upon saturation such value would increase to 73%. Besides, at approximately 20 days after irrigation, a 118 phenomenon know as ‘self-liming’ takes place, where the pH of acid soils increases and hence favors the dissociation of 119 weakly acidic herbicide molecules. Mostly, the herbicide molecules are dissociated into their anionic form, which is 120 repelled by the negative charges of clay and organic surfaces. Afterwards, the resulting anions move into the soil 121 solution and become available for transport and absorption into the plant (Che 1992). 122 Besides affecting the plant stand, herbicide carryover also affected the culm number per plant, which at 29 DAE, 123 was higher in the control as compared with the herbicide treatments (Table 1). Conversely, at 49 DAE, plants recovered 124 from herbicide stress by compensating for lower in culms numbers by producing tillers. Consequently, no significant 125 differences were observed between treatments and time of herbicide application. Yoshida (1981) states that rice plants 126 can compensate from a limited crop stand by producing large tiller numbers. Despite the apparent rice plant recovery, 127 not all culms produced panicles under our experimental conditions also when culms were produced, the panicles had 128 fewer grains that had lower mass. 6 129 Regardless of the applied herbicide rate, treatments with the formulated mixture of imazethapyr and imazapic 130 reduced the yield of IRGA 417 rice genotype. The average yield of the tolerant IRGA 422 CL genotype in the control 131 was 8,928 kg/ha whereas the other genotypes had an average yield of 4,470 kg/ha. Most likely, the lower yield was 132 caused by effects of the herbicides limiting metabolic pathways important for panicle and grain development. 133 Additionally, there was a 53% decrease in rice grain yield in the POST treatments using the recommended rate of 1 L/ha, 134 compared with the control. These results demonstrated negative effects on the non-tolerant rice genotype drilled at 371 135 days after application (DAA) from carryover soil residues of imazethapyr e imazapic. 136 2006/07 growing season. The herbicide injury to the non-tolerant rice cultivar drilled at 705 DAA was significant, but 137 the observed values were lower compared with those of the previous (2005/06) growing season (Figures 1C and 1D). At 138 18 DAE, the plant injury within the POST herbicide treatment was higher than in the other treatments (Figure 1A). This 139 result is consistent with that of the 2005/06 growing season, with less injury within PRE treatments that had a longer 140 biodegradation period. However, at 26 DAE there was an increase of plant injury due to flooding of the experimental 141 area, which was observed mainly in the sequential herbicide application (PRE+POST). However, the POST application 142 (Figure 1B) did not show significant injury compared with the control. Wik and Reinhardt (2001) suggested that leached 143 herbicide could return to the root absorption zone by water capillary movement during irrigation which may explain the 144 increase in plant injury of the sequential treatment. 145 Regarding the initial plant stand (Table 2), there was a 31% decrease in the POST treatment compared to the 146 control group and similarly to the plant injury symptoms at 18 DAE. However, no significant differences in culms 147 numbers per plant were observed among the treatments, confirming the capability of compensation in the rice grain yield 148 component. No significant differences were detected among herbicide treatments and the control group regarding the 149 number of panicles, number of spikelets per panicle, thousand-grain mass, and grain yield. The low yield in the 150 experiment (average 3,950 kg/ha) was a consequence of high red rice infestation in the experimental field, with an 151 average of 419 panicles/m2. Grain yield was reduced because of the lack of complementary control practices. Souza and 152 Fisher (1986) consider that red rice interference in rice crops caused a decrease of 18 kg/ha for each red rice panicle/m2. 153 The results demonstrated that even at 705 DAA, there was enough herbicide carryover to cause injury to non-tolerant 154 rice plants under the conditions of this experiment. 155 The persistence of imidazolinone herbicides in the soil for more than a year after application has been reported 156 in several studies. Moyer and Esau (1996) observed that imazethapyr carryover causes yield decrease in rapeseed up to 157 two years after application, and as long as three years in potato and sugar beet crops. Moreover, conducting the 7 158 experiment in a direct drilling system also favors herbicide persistence. According to Kraemer (2008), not plowing the 159 soil between crops slows microbial activity, leading to longer persistence periods. Also, the author states that in this 160 system the herbicide is concentrated in a three to six cm depth which is where rice seeds are drilled. Suitable 161 management practices, such as drainage management and soil preparation in the fallow seasons can enhance herbicide 162 degradation and hence minimize injury to non-tolerant rice genotypes grown in succession or in rotation with Clearfield® 163 rice. Where non-tolerant tolerant rice genotypes are grown in succession or rotation, one could choose cultivars that 164 could be planted at the end of the drilling season, thus avoiding low temperatures during the initial plant growth and 165 minimizing the impact of herbicide carryover. Low temperatures are known to enhance the activity of imidazolinones. 166 The herbicide and crop management suggestions refer to the current available information. Further studies can advance 167 the understanding of carryover effects of imidazolinones on tolerant and non-tolerant rice genotypes, allowing the 168 improvement of management procedures suitable to local or regional Brazilian conditions. 169 170 171 172 ACKNOWLEDGMENTS 173 174 The authors gratefully acknowledge the Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico 175 (CNPq) for scholarship awards to E. Marchesan, F. M. Santos, and M. Grohs, the CAPES for Visiting Professor 176 fellowship award to Dr. S. A. Senseman, and to the Universidade Federal University de Santa Maria for logistic support. 177 178 179 8 180 181 LITERATURE CITED 182 183 Alister, C. and Kogan M. 2005.Efficacy of imidazolinone herbicides applied to imidazolinone-resistant maize and their 184 carryover effect on rotational crops. Crop Prot.24 (4): 375-379. 185 Avila L.A, Massey J. H, Senseman S. 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L-1) on the non-tolerant rice cultivar (IRGA 417) 225 drilled at 371 days after herbicide application, affecting plant stand, culms per plant at 29 and 49 days after emergence (DAE), number of panicles, number of 226 spikelet per panicle, thousand grain weight, plant height, spikelet sterility and rice grain yield. Santa Maria, RS, 2008. Thousand Number of culms per plant Plant stand Treatments1/ number/m2 Number of Number of 29 DAE 49 DAE panicles/m2 Spikelets grain Plant height spikelets per Grain yield sterility weight cm panicle %6/ kg/ha g Untreated check 295 a 7/ 4.5 a 3.7 NS 648 a 79 a 27 a 80.8 a 11 NS 8,928 a PRE2/ + POST3/ 191 b 1.6 b 2.3 358 b 73 b 23 b 74.3 ab 10 5,262 b PRE 4/ 199 b 1.8 b 3.0 338 b 72 b 22 b 75.7 ab 12 3989 b POST 5/ 171 b 1.5 b 2.5 303 b 71 b 23 b 71.4 b 12 4,158 b Average 214 2.4 2.8 412 74 24 75.6 11 5,584 Coefficient of variation (%) 17 11 21 25 43 19 12 7 5 227 1/ Treatment applied at the 2004/05 growing season and evaluated on the 2005/06 growing season. 228 2/ 0.0525 kg ai/ha imazethapyr + 0.0175 kg ai/ha imazapic in preemergence application. 229 3/ 0.0525 kg ai/ha de imazethapyr + 0.0175 kg ai/ha de imazapic in postemergence application, red rice at V5 growth state (Counce et al., 2000). 230 4/ 0.075 kg ai/ha imazethapyr + 0.025 kg ai/ha in preemergence application. 231 5/ 0.075 kg ai/ha imazethapyr + 0.025 kg ai/ha in postemergence application. 11 232 6/ Prior to analysis, data were transformed by yt y 1 (presented values are untransformed). 233 7/ Values followed by different letter in the column are different by Tukey’s test (p0.05). 234 ns Means are not significantly different according to F-test (p0.05). 235 12 236 Table 2. Carryover effects of the formulated mixture of imazethapyr (75 g a.i. L-1) and imazapic (25 g a.i. L-1) on the non-tolerant rice cultivar (IRGA 417) 237 drilled at 705 days after herbicide application, affecting plant stand, culms per plant at 26 and 40 days after emergence (DAE), red rice infestation, number of 238 panicle, number of spikelet per panicle, thousand grain weight, plant height, spikelet sterility and rice grain yield. Santa Maria-RS, 2008. Number of culms per Thousand Number of Plant stand Treatments1/ plant Red rice number/ m2 plants/m2 26 DAE Number of panicles/m2 Plant Spikelet grain spikelets per weight panicle 40 DAE Grain yield height sterility kg/ha cm %6/ 10 NS 4,450 NS g Untreated check 281 a 7/ 1.7 NS 2.0 NS 384 ab 249 NS PRE2/ + POST3/ 234 ab 2.0 2.3 160 b PRE 4/ 240 ab 1.9 2.1 POST 5/ 195 b 2.3 Average 238 Coefficient of variation (%) 23 68 NS 27.5 NS 79 NS 273 71 26.9 78 15 3,887 616 a 142 59 26.1 75 15 3,736 2.8 516 a 219 64 26.8 77 11 3,725 1.9 2.3 419 221 65 26.8 77 13 3,950 23 25 19 6 6 13 18 36 21 239 1/ Treatment applied at the 2004/05 growing season and evaluated on the 2005/06 growing season. 240 2/ 0.0525 kg ai/ha imazethapyr + 0.0175 kg ai/ha imazapic in preemergence application. 241 3/ 0.0525 kg ai/ha de imazethapyr + 0.0175 kg ai/ha de imazapic in postemergence application, red rice at V5 growth state (Counce et al., 2000). 242 4/ 0.075 kg ai/ha imazethapyr + 0.025 kg ai/ha in preemergence application. 243 5/ 0.075 kg ai/ha imazethapyr + 0.025 kg ai/ha in postemergence application. 13 244 6/ Prior to analysis, data were transformed by yt y 1 (values presented are untransformed). 245 7/ Values followed by different letter in the column are different by Tukey’s test (p0.05). 246 ns Means are not significantly different according to F-test (p0.05). 14 247 Figure 1. Carryover of the formulated mixture imazethapyr (0.075 kg ai/ha) and imazapic (0.025 kg ai/ha) injuring 248 non-tolerant rice (IRGA 417) drilled at 371 (A and B) and 705 days after treatment (C and D). Columns followed 249 by different letter differ by the Tukey test (P≤0.05). A = plant injury evaluated at 10 days after emergence (DAE); 250 B = at 37 DAE; C = 18 DAE; and D = 26 DAE. 251 RETORNO A PRODUÇÃO DE ARROZ IRRIGADO COM CULTIVARES CONVENCIONAIS APÓS O USO DO SISTEMA CLEARFIELD® 1 2 3 4 5 6 RETURN TO RICE PRODUCTION WITH NON-TOLERANT CULTIVARS AFTER THE USE OF CLEARFIELD™ SYSTEMS 7 Luis Antonio de Avila1, Gustavo Mack Teló2, Rafael Bruck Ferreira3, Enio 8 Marchesan4, Sérgio Luis de Oliveira Machado5, Tiago Luis Rossato3 9 10 RESUMO 11 O Sistema Clearfield® vem sendo utilizado em áreas orizícolas para auxiliar no 12 controle do arroz-vermelho em áreas com alta infestação. Visando a sustentabilidade 13 desse sistema, o presente trabalho 14 manejos de cultivo de arroz em áreas após a utilização do Sistema Clearfield®. O 15 experimento foi instalado em área de várzea sistematizada da Universidade Federal de 16 Santa Maria (Santa Maria, RS) e conduzido no ano agrícola 2006/07. O delineamento 17 experimental foi de blocos ao acaso, em esquema trifatorial, com 3 repetições. O fator A 18 foi representado pelas cultivares de arroz irrigado (BR-IRGA 409, IRGA 417, 19 IRGA 422 CL e BRS 7 “TAIM”). O fator B foi composto por duas formas de manejo nas 20 safras anteriores à realização do experimento: 1) duas safras agrícolas com o uso do 21 Sistema Clearfield® usando o herbicida Only® na dose de 1 L ha-1 em pós-emergência 22 (POS) e uma safra com cultivo de arroz não tolerante, sem aplicação de herbicida Only® 23 (2CL + 1 CON); 2) três safras agrícolas com o uso do Sistema Clearfield® na dose de 1 24 L ha-1 de Only® em POS (3 CL). O fator C foi representado por diferentes herbicidas 1 foi desenvolvido com o objetivo de identificar Eng. Agr., Ph.D. Professor Adjunto, Departamento de Fitotecnia da Universidade Federal de Santa Maria. Eng. Agr. Mestrando do Programa de Pós-graduação em Agronomia da UFSM. 3 Acadêmico de Agronomia da UFSM. 4 Eng. Agr. Dr. Professor Titular, Departamento de Fitotecnia da UFSM. 5 Eng. Agr. Dr. Professor Titular, Departamento de Defesa Fitossanitária da UFSM. 2 25 aplicados na safra 2006/07, Bispiribaque-sódico, Clomazone + Propanil, Cialofope- 26 butílico, Quincloraque, Penoxsulam. Os resultados sinalizam que o cultivo de arroz 27 irrigado após o uso do Sistema Clearfield® por dois anos requer, pelo menos, uma safra 28 agrícola sem o uso do sistema para evitar que o residual do herbicida Only® afete a 29 produtividade do arroz não tolerante. Quanto ao uso de herbicidas não pertencentes ao 30 grupo das imidazolinonas, quando se retorna ao sistema convencional com cultivares 31 não tolerantes, não foi verificada diferença de produtividade nem entre os herbicidas e 32 nem entre as cultivares, porém ressalta-se a necessidade do uso de herbicidas que não 33 sejam inibidores de ALS para reduzir a pressão de seleção de plantas daninhas 34 resistentes. 35 36 Palavra-chave: Produtividade de grãos, fitotoxicidade, persistência no solo. 37 38 ABSTRACT XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX 39 40 Key words: Graind yield, plant injury, herbicide persistence, carryover. 41 42 INTRODUÇÃO 43 O Sistema Clearfield® de produção de arroz irrigado, que consiste na utilização 44 de cultivar tolerante aos herbicidas do grupo das imidazolinonas, e do herbicida Only® 45 (mistura formulada de imazethapyr e imazapic, 75 e 25 g i.a. L-1, respectivamente), 46 sendo uma estratégia eficiente para o controle de arroz-vermelho em lavouras de arroz 47 irrigado (STEELE et al., 2002; OTTIS et al., 2003; VILLA et al., 2006). 48 Os herbicidas do grupo químico das imidazolinonas podem persistir na água e no 49 solo por longo período (LOPES, 2005), podendo ser observado residual no solo por até 50 dois anos (RENNER et al., 1998). Uma vez no solo, os resíduos dos herbicidas podem 51 ocasionar injúrias à cultura subseqüente não tolerante (BALL et al., 2003). Estudos 52 indicam a ocorrência de elevada fitotoxicidade ao arroz nos estágios iniciais de 53 desenvolvimento (LOPES, 2005), prejudicando o estabelecimento de culturas 54 sucessoras não tolerantes. A ocorrência de danos ao arroz convencional provocados 55 pelo residual do herbicida no solo varia de acordo com fatores de manejo que afetam a 56 degradação do produto (SCIUMBATO et al., 2003; AVILA, 2006). 57 Apesar do sistema prever a utilização da tecnologia por até dois anos consecutivos 58 e após rotação com outro sistema . No entanto, devido às limitações que os cultivos 59 alternativos têm nas áreas de várzea e as dificuldades de alternar áreas de cultivo, o 60 produtor acaba tendo como única opção o retorno com o sistema de produção de arroz 61 convencional. No Rio Grande do sul, há relatos de, em algumas condições 62 edafoclimáticas, de persistência do herbicida e dano a cultura do arroz irrigado não 63 tolerante cultivada em sucessão, com níveis redução que variam de 53% no rendimento 64 até 72% (SANTOS 2006). Em outros casos, apesar da ocorrência de injuria inicial, de 65 28% o arroz se recuperou e essa redução não é verificada (KRAEMER, 2008). Uma 66 prática de manejo que pode afetar os níveis de injúria, ou a velocidade de recuperação 67 da injúria do residual do herbicida é a aplicação de herbicidas para controle de plantas 68 daninhas na cultura do arroz, pois de acordo com a seletividade do herbicida usado ou 69 o modo de ação do herbicida a fitotoxicidade pode ser aumentada e os rendimentos do 70 arroz comprometidos. Porém, como o Sistema Clearfield® é recente no Brasil, faltam 71 informações sobre como migrar deste sistema para o sistema convencional de cultivo 72 de arroz irrigado, com o mínimo de efeito negativo sobre o arroz irrigado não tolerante 73 semeado em sucessão. 74 Assim, o objetivo deste trabalho foi avaliar o efeito do número de anos de pousio 75 do solo necessários para reduzir o residual dos herbicidas, bem como identificar quais 76 herbicidas podem ser usados em sucessão sem causar aumento de fitotoxicidade as 77 plantas de arroz irrigado não tolerantes. 78 79 MATERIAL E MÉTODOS 80 O experimento foi instalado em área de várzea sistematizada da Universidade 81 Federal de Santa Maria (Santa Maria, RS) e conduzido no ano agrícola de 2006/07. O 82 solo é classificado como Planossolo Hidromórfico eutrófico arênico, de textura média 83 (pHágua (1:1) = 5,0; P = 9,3 mg dm-3; K = 72 mg dm-3; Argila = 23%; M.O. = 2,1%; Ca = 84 3,6 cmolc/ dm-3; Mg = 0,9 cmolc/ dm-3; Al = 0,8 cmolc/ dm-3). 85 O delineamento experimental foi de blocos ao acaso, em esquema trifatorial, com 86 3 repetições. O fator A foi representado pelas cultivares de arroz irrigado (BR-IRGA 409, 87 IRGA 417, IRGA 422 CL e BRS 7 “TAIM”). O fator B foi composto por duas formas de 88 manejo nas safras anteriores à realização do experimento: 1) duas safras agrícolas com 89 o uso do Sistema Clearfield® usando o herbicida Only® na dose de 1 L ha-1 em pós- 90 emergência (POS) e uma safra com cultivo de arroz não tolerante, sem aplicação de 91 herbicida Only® (2CL + 1 CON); 2) três safras agrícolas com o uso do Sistema 92 Clearfield® na dose de 1 L ha-1 de Only® em POS (3 CL). O fator C foi representado por 93 diferentes herbicidas aplicados na safra 2006/07: Bispiribaque-sódico na dose de 48 g 94 i.a. L-1; Clomazone na dose 300 g i.a. L-1 + Propanil na dose de 1800 g i.a. L-1; 95 Cialofope-butílico na dose de 270 g i.a. L-1; Quincloraque na dose de 375 g i.a. L-1; e 96 Penoxsulam na dose de 48 g i.a. L-1. 97 O arroz foi semeado no sistema convencional, sendo a semeadura realizada em 98 21/10/2006, com semeadora de 11 linhas espaçadas em 0,17 m com 4,5 m de 99 comprimento, na densidade de 110 kg ha-1 de semente. A adubação de base foi de 100 17,5 kg ha-1 de nitrogênio (N), 70 kg ha-1 de P2O5 e 105 kg ha-1 de K2O. A emergência 101 das plantas ocorreu em 01/11/2006. 102 A aplicação dos herbicidas ocorreu aos 16 dias após a emergência (DAE), 103 realizada com um pulverizador costal pressurizado com CO2 munido de pontas leque 104 11002, na vazão de 150 L ha-1. Um dia após a aplicação dos herbicidas a área foi 105 inundada, mantendo-se lâmina d’água constante de aproximadamente 5 cm de altura. 106 O N aplicado foi na forma de uréia, dividido em três épocas: a primeira na semeadura, a 107 segunda (80 kg ha-1 de N) um dia antes da inundação, e a terceira (40 kg ha-1 de N) na 108 diferenciação da panícula. Os demais tratos culturais foram conduzidos conforme a 109 recomendação técnica para a cultura. 110 Aos 14 DAE, determinou-se o estande inicial através da contagem da população 111 de plantas em um metro de comprimento da linha de semeadura. Nessa mesma área 112 determinou-se o número de panículas por planta e realizou-se acompanhamento da 113 estatura das plantas aos 30 DAE e no momento da colheita. A avaliação de 114 fitotoxicidade no arroz foi realizada aos 15, 21 e 45 DAE, utilizando uma escala de 0 a 115 100%, em que 0 = sem fitotoxicidade e 100 = morte das plantas. A produtividade de 116 grãos foi determinada através da colheita manual, em área de 6,88 m2 (4,5 x 1,53 m), 117 quando os grãos apresentavam umidade média de 22%. Após a trilha, limpeza e 118 pesagem dos grãos com casca, os dados foram corrigidos para 13% de umidade e 119 convertidos em kg ha-1. 120 Os dados foram submetidas à análise de variância e as médias comparadas pelo 121 teste de Tukey (P0,05). Antes da análise, os dados de fitotoxicidade foram 122 transformados para yt= arcoseno 123 124 RESULTADOS E DISCUSSÃO y 0. 5 . 100 125 Quanto ao estande inicial de plantas, não houve diferença estatística entre as 126 cultivares, os manejos da área e os herbicidas aplicados na safra 2006/07, indicando 127 que estes fatores não afetaram a emergência das plantas, sendo a média de 177 128 plantas m-2. Com relação ao número de panículas por planta, não houve diferença entre 129 as cultivares no manejo de 2CL+1CON. Porém houve diferença entre as cultivares no 130 manejo de 3CL, onde a cultivar IRGA 422 CL apresentou maior número de panículas 131 por plantas. Quanto à aplicação dos herbicidas não houve diferença entre eles e nem 132 entre os manejos de área. Foi observada diferença significativa entre as áreas, com 133 média superior na área com 2CL+1CON quando comparada à área com 3CL. 134 A avaliação de fitotoxicidade foi realizada em três períodos durante o 135 desenvolvimento da cultura (Tabela 2). A primeira avaliação, 15 DAE, foi realizada 136 antes do início da irrigação e da aplicação dos herbicidas, somente na área com 3CL. 137 Foi observada fitotoxicidade em todas as cultivares, sendo maior para aquelas não 138 tolerantes a imidazolinonas (BR-IRGA 409, IRGA 417 e BRS 7 “TAIM”). Segundo BALL 139 et al. (2003), enfatizam que pode haver fitotoxicidade decorrente do residual do 140 herbicida no solo dependendo da cultura sucessora. 141 Para o manejo com 2CL+1CON, não foi observada diferença entre as cultivares 142 após o início da irrigação (21 DAE). Entre as cultivares semeadas na área com 3CL 143 observou-se aumento nos valores de fitotoxicidade decorrente da entrada d’água na 144 área, sendo que a cultivar IRGA 422 CL apresentou menor fitotoxicidade de plantas 145 entre as cultivares avaliadas. Em relação aos herbicidas aplicados em 2006/07, a 146 fitotoxicidade foi maior para os tratamentos com Gamit® + Propanil® e Nominee®, 147 independente do manejo da área. Com a entrada d’água na área, a fitotoxicidade 148 decorrente do residual do imazethapyr e imazapic pode ser potencializada em 149 decorrência da elevação do pH pelo processo natural de “auto calagem”. O aumento do 150 efeito fitotóxico ocorre em decorrência do imazethapyr e imazapic possuírem pKa na 151 ordem de 3,9 (RENNER, 1998). Quando o pH da solução do solo é superior ao pKa, 152 ocorre a ionização das moléculas do herbicida, predominando a forma aniônica, a qual 153 é repelida pelas cargas negativas e superfícies orgânicas, passando então para a 154 solução do solo e tornando-se passível de ser transportada ou absorvida pelas plantas 155 (CHE, 1992). E com a ação dos herbicidas aplicados na safra de 2006/07 foram 156 somatórios a fitotoxicidade das plantas. 157 Na avaliação aos 40 DAE houve redução na fitotoxicidade das cultivares nos dois 158 manejos de área, não havendo diferenças de fitotoxicidade entra as cultivares referente 159 à área com 2CL+1CON. No entanto, no manejo 3CL as cultivares não tolerantes 160 apresentaram maior fitotoxicidade de plantas. Analisando os herbicidas aplicados, 161 observa-se diferença entre os tratamento, sendo que o herbicida Clincher® apresentou 162 menor fitotoxicidade quando comparado com os demais herbicidas. Quando 163 comparando os dois manejos adotados nas áreas, o sistema com 3 anos consecutivos 164 do Sistema Clearfield® sempre apresentou maior fitotoxicidade comparado ao manejo 165 com dois anos do Sistema Clearfield® e um ano de sistema convencional. 166 Entretanto, em relação à fitotoxicidade, torna-se necessária à avaliação das 167 condições ambientais do período, as quais condicionaram os resultados obtidos. De 168 acordo com LOUX & REESE (1993), a permanência das moléculas de herbicidas do 169 grupo das imidazolinonas está diretamente relacionada com a quantidade de matéria 170 orgânica, argila e pH do solo. Em relação ao pH, o comportamento desses herbicidas é 171 influenciado no sentido de que, com a diminuição do pH, ocorre um aumento da 172 adsorção da molécula nos colóides do solo. 173 Com relação à estatura de plantas (Tabela 3), nas avaliações realizadas aos 15 174 (dados não mostrados) e 30 DAE houve diferença entre as cultivares somente no 175 manejo com 3CL. Não houve diferença também entre os herbicidas aplicados para os 176 dois manejos de área. Quando comparando os dois manejos, a estatura de plantas foi 177 superior no manejo 2CL+1CON comparado ao 3CL. Essa diferença na estatura de 178 plantas não foi observada nas avaliações realizadas no momento da colheita, não 179 sendo observada diferença entre as cultivares independente do herbicida aplicado e do 180 manejo adotado, caracterizando a capacidade das plantas de recuperar-se. 181 A persistência de herbicidas do grupo das imidazolinonas por mais de um ano 182 após a aplicação já havia sido relatada por autores como MOYER & ESAU (1996), que 183 observaram que imazethapyr causa diminuição de produtividade em canola até dois 184 anos após a aplicação, e três anos para batata e beterraba. Cabe destacar que o efeito 185 residual dos herbicidas do grupo das imidazolinonas pode apresentar diferentes 186 prejuízos a culturas não tolerantes, variando conforme o manejo da área, clima, 187 umidade do solo, quantidade de herbicida aplicado, dentre outros fatores que 188 contribuem para a persistência de imazethapyr e imazapic no solo. Os danos 189 registrados pelo residual desses herbicidas vão desde redução no estande da planta e 190 da massa seca (RENNER et al., 1988; ZHANG et al., 2002; MATOCHA et al., 2003; 191 VILLA et al., 2006), do tamanho das raízes (WIXSON & SHAW, 1992), até redução da 192 produtividade (LOUX & REESE, 1993; ZHANG et al., 2002). 193 194 CONCLUSÃO 195 Os resultados sinalizam que o cultivo de arroz irrigado após o uso do Sistema 196 Clearfield® por dois anos requer, pelo menos, uma safra agrícola sem o uso do sistema, 197 para evitar que o residual do herbicida Only® afete a produtividade do arroz não 198 tolerante. 199 Quanto ao uso de herbicidas, quando retorna-se ao sistema convencional com 200 cultivares não tolerantes, não foi verificada diferença de produtividade nem entre os 201 herbicidas e nem entre as cultivares, porém na escolha do herbicida, deve-se levar em 202 conta a rotação dos modos de ação de herbicidas. 203 204 205 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AVILA L., et al. 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Weed Technology, v.16, n.3, p.627-630, 2002. 245 VILLA, S.C.C., et al. Controle de arroz-vermelho em dois genótipos de arroz (Oryza 246 sativa) tolerante/resistente a herbicidas do grupo das imidazolinonas. Revista Planta 247 Daninha, v. 24, n. 3, p. 549-555, 2006a. 248 VILLA, S.C.C., et al. Arroz tolerante a imidazolinonas: controle do arroz-vermelho, fluxo 249 gênico e efeito residual do herbicida em culturas sucessoras não-tolerantes. Revista 250 Planta Daninha, v. 24, n. 4, p. 761-768, 2006b. 251 WIXSON, M. B., SHAW, D. R., Effect of soil-applied AC 263222 on crop rotated with 252 soybean. Weed technology, v.6, p.276-279, 1992. 253 YORK, A. C., et al. Cotton response to imazapic and imazethapur applied to a preceding 254 peanut crop. The Journal of Cotton Science. v.4, p.210-216, 2000. 255 ZHANG W., et al. Rice (Oryza sativa) response to rotational crop and rice herbicide 256 combinations. Weed Technology, v.16, p.340–345, 2002. 257 258 Tabela 1- Produtividade de grãos, estande inicial de plantas e panículas por metro de quatro cultivares de arroz irrigado submetidas a cinco herbicidas pós-emergência em dois manejos de área de cultivo após o uso do Sistema Clearfield®. Santa Maria, RS. 2008. Produtividade de grãos Estande inicial Número de panículas m-2 2 CL 1 NCL1 3 CL2 2 CL 1 NCL1 3 CL2 2 CL 1 NCL1 3 CL2 -1 -2 Cultivar ------------ kg ha --------------- número de plantas m ---BR-IRGA 409 A 8.795 ns B 5.121 b 177 ns 153 ns 457 ns 342 b IRGA 417 A 8.620 B 4.989 b 166 153 464 313 b IRGA 422 CL A 8.632 A 7.277 a 217 204 468 440 a BRS 7 “TAIM” A 8.609 B 5.088 b 182 172 452 301 b Tratamentos 3,4 Testemunha 8.899 ns 5.959 ns 202 ns 175 ns 431 ns 308 ns Bispyribac_sodium 8.655 5.981 172 172 484 321 Clomazone + Propanil 8.806 5.728 198 176 424 308 Cyhalofop-butyl 8.518 5.016 178 163 412 333 Quinclorac 8.564 5.252 170 181 450 326 Penoxsulam 8.524 5.776 189 155 482 333 Média A 8.663 B 5.619 A 184 A 170 A 453 B 318 C.V. % 15,7 12,9 14,2 1 Área cultivada por dois anos com o Sistema Clearfield® (2003/04 e 2004/05) e um ano com o Cultivo Convencional (safra 2005/06); 2 Área cultivada por três anos consecutivos com o Sistema Clearfield® (2003/04, 2004/05 e 2005/06); 3 Aplicação em pós-emergência com o arroz no estádio V5 (COUNCE et al., 2000); 4 Bispiribaque-sódico na dose de 48 g i.a. L-1; Clomazone na dose 300 g i.a. L-1 + Propanil na dose de 1800 g i.a. L-1; Cialofope-butílico na dose de 270 g i.a. L-1; Quincloraque na dose de 375 g i.a. L-1; e Penoxsulam na dose de 48 g i.a. L-1; nsTeste F não significativo em nível de 5% de probabilidade de erro; * Médias seguidas de letra minúscula diferente na coluna e letra maiúscula diferente na linha diferem entre si pelo teste de Tukey em nível de 5% de probabilidade de erro. Tabela 2 - Fitotoxicidade de herbicidas em quatro cultivares de arroz, em resposta à aplicação de cinco herbicidas pósemergentes em dois manejos de área de cultivo. Santa Maria, RS. 2008. Fitotoxicidade (%) 1 15 DAE 21 DAE 40 DAE 2 3 2 3 2 CL 1 NCL 3 CL 2 CL 1 NCL 3 CL 2 CL 1 NCL2 3 CL3 Cultivar BR-IRGA 409 0 57 a 20 ns 74 a 11 ns 69 a IRGA 417 0 55 a 26 80 a 19 73 a IRGA 422 CL 0 7 b 13 17 b 6 8 b BRS 7 “TAIM” 0 48 a 23 81 a 16 71 a Tratamentos 4,5 Testemunha ------6 -----0 d 55 c 0 c 48 c Bispyribac_sodium ----------28 ab 67 ab 19 a 60 a Clomazone + Propanil ----------33 a 72 a 18 a 60 a Cyhalofop-butyl ----------15 cd 59 bc 8 b 53 b Quinclorac ----------23 c 64 bc 18 a 56 a Penoxsulam ----------25 b 64 bc 18 a 59 a Média B0 A 41 B 21 A 63 B 13 A 55 C.V. % 12,3 13,3 17,7 1 Avaliação realizada um dia antes do inicio da irrigação; 2 Área cultivada por dois anos com o Sistema Clearfield® (2003/04 e 2004/05) e um ano com o Cultivo Convencional (safra 2005/06); 3 Área cultivada por três anos consecutivos com o Sistema Clearfield® (2003/04, 2004/05 e 2005/06); 4Aplicação em pós-emergência com o arroz no estádio V5 (COUNCE et al., 2000); 5 Bispiribaquesódico na dose de 48 g i.a. L-1; Clomazone na dose 300 g i.a. L-1 + Propanil na dose de 1800 g i.a. L-1; Cialofope-butílico na dose de 270 g i.a. L-1; Quincloraque na dose de 375 g i.a. L-1; e Penoxsulam na dose de 48 g i.a. L-1; 6 Avaliação realizada antes da aplicação dos tratamentos. nsTeste F não significativo em nível de 5% de probabilidade de erro; * Médias seguidas de letra minúscula diferente na coluna e letra maiúscula diferente na linha diferem entre si pelo teste de Tukey em nível de 5% de probabilidade de erro. Tabela 3- Estatura de plantas em quatro cultivares de arroz irrigado, referente à aplicação de cinco herbicidas pósemergentes em dois manejos de área de cultivo. Santa Maria, RS. 2008. Estatura de plantas 30 DAE1 Momento da colheita 2 3 2 CL 1 NCL 3 CL 2 CL 1 NCL2 3 CL3 Cultivar ----------------------------------------------------- cm --------------------------------------------------------BR-IRGA 409 22 ns 13 b 92 ns 86 ns IRGA 417 23 12 b 90 85 IRGA 422 CL 25 27 a 88 84 BRS 7 “TAIM” 20 12 b 87 83 Tratamentos3,4 Testemunha 24 ns 15 ns 85 ns 85 ns Bispyribac_sodium 21 16 87 88 Clomazone + Propanil 22 15 87 85 Cyhalofop-butyl 22 17 88 85 Quinclorac 25 16 89 86 Penoxsulam 22 16 86 83 Média A 23 B 16 A 88 A 85 C.V. % 13,6 4,5 1 Dias após a emergência das plantas. 2 Área cultivada por dois anos com o Sistema Clearfield® (2003/04 e 2004/05) e um ano com o Cultivo Convencional (safra 2005/06); 3 Área cultivada por três anos consecutivos com o Sistema Clearfield® (2003/04, 2004/05 e 2005/06); 4Aplicação em pós-emergência com o arroz no estádio V5 (COUNCE et al., 2000); 5 Bispiribaque-sódico na dose de 48 g i.a. L-1; Clomazone na dose 300 g i.a. L-1 + Propanil na dose de 1800 g i.a. L-1; Cialofope-butílico na dose de 270 g i.a. L-1; Quincloraque na dose de 375 g i.a. L-1; e Penoxsulam na dose de 48 g i.a. L-1; nsTeste F não significativo em nível de 5% de probabilidade de erro; * Médias seguidas de letra minúscula diferente na coluna e letra maiúscula diferente na linha diferem entre si pelo teste de Tukey em nível de 5% de probabilidade de erro. Resumos 2005-2007 MANEJO DO SOLO E RESIDUAL DA MISTURA FORMULADA DOS HERBICIDAS IMAZETHAPYR E IMAZAPIC EM ARROZ NÃO TOLERANTE Alejandro F. Kraemer1, Enio Marchesan2, Mara Grohs2, Jefferson T. Fontoura2, Paulo F. S. Massoni2, Sérgio L. O. Machado3, Luis A. Avila2. 1INTA-Argentina e Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). E-mail [email protected]. 2Departamento de Fitotecnia, UFSM, 97.105-900, Brasil. 3Departamento de Defesa Fitossanitária, UFSM. O arroz vermelho é apontado como o fator restritivo mais importante à elevação da produtividade da lavoura de arroz no Rio Grande do Sul. A utilização da tecnologia ® Clearfield contribuiu para a solução deste problema, através do controle químico do arroz vermelho em lavouras de arroz cultivado. No entanto, este herbicida pode persistir no solo em quantidade que pode comprometer a utilização posterior das áreas com cultivares de arroz não tolerante. Imazethapyr e imazapic são herbicidas de longa persistência no solo, sofrendo dissipação por processos de sorção aos colóides do solo, fotólise e degradação por ação dos microorganismos (Madami et al. 2003; Alister & Kogan, 2005), sendo a degradação microbiana citada como o mais importante processo de degradação (Shaw & Wixson, 1991; Lux & Reese, 1993). Os processos biológicos são influenciados por fatores ambientais, tais como umidade, temperatura e aeração, os quais estão relacionados às práticas de preparo do solo (Soon & Arshad, 2005; Perez et al., 2005). A utilização de práticas de manejo que estimulem a degradação dos herbicidas no solo pode diminuir o residual, minimizando os danos aos cultivos subseqüentes. Em vista do exposto, o presente trabalho teve por objetivo determinar o efeito de diferentes manejos do solo durante o período de entre-safra do arroz, sobre a fitotoxicidade residual do imazethapyr e imazapic, em arroz não tolerante. Foi conduzido um experimento durante o ano agrícola de 2006/07, em área de várzea sistematizada do Departamento de Fitotecnia da Universidade Federal de Santa Maria, em solo classificado como Planossolo Hidromórfico eutrófico arênico, onde havia sido aplicado imazethapyr+imazapic (Only) na dosagem de 75+25 g ha-1, respectivamente, nas duas safras anteriores (2004/05 e 2005/06). O delineamento experimental foi de blocos ao acaso em esquema bifatorial com quatro repetições. Os tratamentos consistiram da combinação de nove preparos de solo e duas cultivares de arroz irrigado. Quatro tratamentos foram nos sistemas plantio direito e semidireito: plantio direto (PD); plantio direto com azevém (PDA); um preparo de solo em abril (1PSA); um preparo de solo em abril com azevém (1PSAA). Cinco tratamentos no sistema plantio convencional: um preparo de solo em outubro (1PSO); dois preparos de solo, em maio e outubro (2PSMO); dois preparos de solo, em abril e outubro (2PS); três preparos de solo, em abril, maio e outubro (3PS); quatro preparos de solo, em abril, maio, agosto e outubro (4PS). A cultivar IRGA 422 CL foi utilizada como testemunha, por ser tolerante a estes herbicidas e de características agronômicas semelhantes à cultivar IRGA 417. Foram instalados quatros experimentos comparativos com seis repetições cada um, em áreas sem residual dos herbicidas, objetivando comparar as duas cultivares. Também foi semeado um bioensaio com tomateiro (Rampelotti, et al. 2005) em vasos com amostras de solo coletadas dos manejos PD, 4PS, pousio e testemunha sem aplicação dos herbicidas. As amostras foram coletadas a duas profundidades, 0-3 e 3-6 cm, após a colheita do experimento de campo, com o objetivo de detectar diferenças na presença dos herbicidas entre os manejos de solo e as profundidades através da fitotoxicidade registrada nas plantas de tomateiro. Entre as cultivares IRGA 417 e IRGA 422 CL, não foram verificadas diferenças significativas para as variáveis estudadas, utilizando-se a cultivar IRGA 422 CL como testemunha neste trabalho (dados não mostrados). Os valores mais elevados de fitotoxicidade na cultivar IRGA 417 apresentaram-se até os 24 dias após a emergência (DAE) (28%), diminuindo aos 36 DAE (9%), até praticamente desaparecer aos 59 DAE (2%), sendo que as diferenças entre os preparos de solo também diminuíram a partir de 36 DAE (Figura 1). Observam-se três grupos de preparos de solo com relação à fitotoxicidade. O tratamento 1PSO com as maiores porcentagens, com valores intermediários os tratamentos com plantio convencional (4PS, 3PS, 2PS, 2PSMO) e com menores valores, os tratamentos com plantio direto ou semidireto (PD, PDA, 1PSA, 1PSAA). Ressalta-se que nos plantios convencionais a profundidade de semeadura foi maior quando comparada com os plantios diretos e semidiretos (6 e 2 cm, respectivamente). 100 1PSO 4PS 3PS 2PS 90 1PSA 1PSAA PD PDA 2PSMO Fitotoxicidade % 80 70 60 50 40 30 20 10 0 10 17 24 36 59 Época de avaliação (DAE) Figura 1. Fitotoxicidade do residual da mistura formulada de imazethapyr e imazapic (75+25 g ha-1) na cultivar IRGA 417 após dois anos de uso dos herbicidas em cinco épocas de avaliação e nove preparos de solos: PD = plantio direto; PDA = plantio direto mais azevém; 1PSA = um preparo de solo (PS) em abril; 1PSAA = um PS em abril mais azevém; 1PSO = um PS em outubro; 2PSMO = dois PS em maio e outubro; 2PS = dois PS em abril e outubro; 3PS = três PS em abril, maio e outubro; 4PS = quatro PS em abril, maio, agosto e outubro. A interação significativa para as variáveis estande de plantas e perfilhos por m-2 (Tabela 1) foi causada por um menor número de plantas e de perfilhos no tratamento 1PSO na cultivar IRGA 417, o que não foi observado na cultivar IRGA 422 CL, mantendo-se como efeito principal a diferença entre as cultivares, discutindo-se os efeitos preparos do solo e cultivares por separado. Os diferentes preparos de solo não afetaram as variáveis estudadas. No entanto, a cultivar IRGA 417 apresentou menor número de plantas, perfilhos, estatura e panículas, possivelmente pelo residual do herbicida no solo. A produtividade das cultivares não foi afetada pelo residual dos herbicidas no solo (Tabela 1). Tabela 1. Estande de plantas (EP) aos 10 e 17 dias após emergência (DAE), perfilhos, estatura de plantas (Estatura), panículas e produtividade, para 9 preparos do solo e duas cultivares em resposta ao efeito residual de dois anos de aplicação dos herbicidas imazathapyr e imazapic (75+25 g a.i. ha-1). EP 10 DAE EP 17 DAE Perfilhos Estatura Panículas Produtividade Fonte de Variação pl m-2 pl m-2 perf m-2 cm pan m-2 kg ha-1 Preparos do Solo (PS) 254 304 519 87 383 9849 Significância2 NS NS NS NS NS NS IRGA 422 CL 283 a1 350 a 599 a 88 a 404 a 9861 IRGA 417 226 b 260 b 440 b 86 b 361 b 9837 Significância2 *** *** *** * * NS PS*Cultivar NS *** ** NS NS NS CV% 17 18 21 4 18 11 1 Médias não seguidas pela mesma letra diferem significativamente entre si pelo teste de Tukey 2 (P≤0,05). NS não significativa, *** significativa P≤0,001, ** significativa P≤0,01, * significativa P≤0,05. Na Tabela 2 e Figura 2, apresentam-se os dados do bioensaio com tomateiro. A estatura de plantas foi menor no manejo PD e na porção mais profunda do solo (3-6 cm). Para fitotoxicidade observou-se interação significativa entre manejos do solo e profundidade (Tabela 1), procedendo-se a análise das duas profundidades para cada manejo de solo (Figura 2). Nos tratamentos pousio e PD não houve diferenças significativas entre as profundidades, sendo a fitotoxicidade maior para PD. No manejo 4PS na camada de 3-6 cm os valores de fitotoxicidade foram similares aos do PD, e para a camada 0-3 cm diminuiu a valores similares a pousío, indicando uma maior degradação do produto na superfície do solo, quando revolvido durante a entre-safra. Ulbrich et al. (2005) observaram aumentos na persistência de imazapic e imazapyr em dois solos brasileiros com PD comparado com plantio convencional, em culturas de sequeiro. 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 0 a3 3 a6 F ito to x ic id a d e % Tabela 2. Fitotoxicidade e estatura de plantas (cm) do tomateiro aos 15 DAE, semeados sobre amostras de solo das parcelas submetidas a diferentes manejos de solo e coletadas a duas profundidades. Fitotoxidade Estatura Manejo de solos PD 47 a 1 2,7 b 4PS 26 b 4,0 a Pousio 13 b 3,4 ab Testemunha 0 c 4,4 a Significância2 ** *** Profundidade solo 0-3 cm 15 b 3,9 a 3-6 cm 28 a 3,3 b Significância ** * Manejo*Profundidade * NS CV% 38 24 1 Médias não seguidas da mesma letra diferem significativamente entre si pelo teste de Tukey (P≤0,05); 2NS não significativa, *** significativa P≤0,001, ** significativa P≤0,01, * significativa P≤0,05 Testemunha Pousio Plan. Direito 4PS Figura 2. Fitotoxicidade em tomateiro, semeado sobre amostras de solo das parcelas submetidas a diferentes manejos de solo e coletadas a duas profundidades (0 a 3 e de 3 a 6 cm). REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: MADANI, M.E. et al. pH effect and kinetic studies of the binding behaviour of imazethapyr herbicide on some Moroccan soils. Fresenius Environmental Bulletin, v.1, p.1114-1119, 2003. ALISTER, C.; KOGAN, M. 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Nitrogênio da biomassa microbiana em solo cultivado com soja, sob diferentes sistemas de manejo, nos Cerrados. Pesquisa Agropecuária Brasileira, v.40, n.2, p.137-144, 2005. ULBRICH, A.V.; SOUZA, R.P.; SHANER, D. Persistence and carryover effect of Imazapic and Imazapyr in Brazilian croping systems. Weed Technology, v.19, p.986-991, 2005. Agradecimentos a FAPERGS e INTA Argentina, pelo financiamento do trabalho. DOSES E ÉPOCAS DE APLICAÇÃO DO HERBICIDA ONLY EM DUAS CULTIVARES DE ARROZ TOLERANTE A IMIDAZOLINONAS Silvio Carlos Cazarotto Villa(1), Enio Marchezan(1), Paulo Fabrício Sachet Massoni(1), Fernando Machado dos Santos(1), Sérgio Luiz de Oliveira Machado(1), Luis Antonio de Avila(1). ¹Universidade Federal de Santa Maria, Departamento de Fitotecnia, sala 5335, prédio 44, CEP: 97105-900. Email: [email protected], [email protected]. No Rio Grande do Sul (RS), o arroz-vermelho (Oryza spp.) é considerado a principal planta daninha na cultura do arroz irrigado (Oryza sativa), provocando perdas por competição e qualidade do produto colhido. O uso do arroz tolerante a herbicida do grupo químico das imidazolinonas (Sistema Clearfield), é uma ferramenta eficiente para controlar o arroz-vermelho, sem causar prejuízos na produtividade do arroz cultivado (Steele et al., 2002). Em experimentos conduzidos nos Estados Unidos da América foi determinado que são necessárias duas aplicações de imazethapyr: uma em pré-emergência e uma em pós-emergência para maximizar o controle do arroz vermelho (Steele et al., 2002; Ottis et al., 2003). Atualmente, naquele País, recomenda-se a utilização de aplicações seqüenciais de imazethapyr: uma com 70 g ha-1 em préplantio incorporado (PPI) ou em pré-emergência (PRE), seguido de 70 g ha-1 em pós-emergência (POS) com o arroz no estádio de três a cinco folhas, independente do tipo de solo (Ottis et al., 2003). No Brasil, a tecnologia preconizada prevê apenas uma aplicação em pós-emergência do herbicida Only (7,5% de imazethapyr e 2,5% de imazapic) na dose de 1,0L ha-1, o que pode conduzir a risco de escape de arroz-vermelho em áreas com alta infestação, podendo ocasionar o cruzamento natural do arroz resistente com o arroz vermelho, reduzindo a eficácia e longevidade desta tecnologia. Em vista do exposto, desenvolveu-se um experimento com o objetivo de avaliar o controle de arroz-vermelho e a tolerância de cultivares de arroz irrigado à doses e épocas de aplicações do herbicida Only em áreas com alta infestação do arroz-vermelho. O experimento foi conduzido no ano 2004/05 em um Planossolo localizado na área de pesquisa da Universidade Federal de Santa Maria. O delineamento experimental foi de blocos ao acaso em esquema bifatorial (2x10) com quatro repetições. O fator A foi composto de cultivares de arroz tolerante as imidazolinonas (‘IRGA 422 CL’ e ‘Tuno CL’) e o fator D, os tratamentos de controle do arroz-vermelho (Tabela 1). Para homogeneizar o banco de sementes semeou-se e incorporou-se ao solo sementes de arroz-vermelho na densidade de 125 kg ha-1, obtendo-se população média de 219 plantas m-2. A semeadura do arroz cultivado foi realizada no dia 29/11/2004, com semeadora de parcelas de 10 linhas espaçadas em 0,20m com 5m de comprimento. Utilizou-se uma cultivar (‘IRGA 422 CL’) e um híbrido (‘Tuno CL’), semeadas na densidade de 108 e 45 kg ha-1, respectivamente. A adubação de base foi aplicada a lanço e incorporada juntamente com o arroz-vermelho dois dias antes da semeadura constando de 6 kg ha-1 de nitrogênio (N), 60 kg ha-1 de P2O5, e 90 kg ha-1 de K2O. A emergência ocorreu dia 10/11/2004. A aplicação do herbicida em PRE foi efetuada um dia após a semeadura (DAS), utilizando-se um pulverizador costal pressurizado com CO2 munido de pontas 11002, do tipo leque calibrado para aplicar uma vazão de 125L ha-1. Em POS, a aplicação foi efetuada aos 14 dias após a emergência (DAE) com a maioria das plantas do arroz no estádio V4 (Counce et al., 2000) e com as plantas de arroz-vermelho em V5. Utilizou-se o mesmo pulverizador acima referido, mas com vazão de 150L ha-1 e com adição do óleo mineral (0,5% v v-1). A inundação da área foi realizada um dia após a aplicação dos tratamentos em POS com lâmina d’água de cinco cm de altura, aproximadamente. O N aplicado foi na forma de uréia dividido em três épocas; a primeira na semeadura, a segunda (60 kg ha-1 de N) no estádio V4, um dia antes da inundação e, a terceira (60 kg ha-1 de N) na iniciação da panícula (R0). Os resultados mostraram que para produtividade houve interação entre cultivares e doses do herbicida (ANOVA não mostrada). Apenas na testemunha a produtividade não diferiu entre as cultivares. Nos demais tratamentos, o híbrido ‘Tuno CL’ destacou-se como genótipo mais produtivo em comparação com ‘IRGA 422 CL’, independente da dose ou época de aplicação do herbicida. Para a cultivar ‘IRGA 422 CL’ houve efeito das doses na produtividade, verificando-se diminuição na produtividade nos tratamentos D7 e D8. Nesta cultivar, a aplicação em POS nas maiores doses (D9 e D10) não afetou a produtividade do arroz (Tabela 1), ainda que a fitotoxicidade inicial tenha sido intensa (Tabela 2). Estes resultados estão de acordo com Ottis, et al. (2003) que relatam que embora tenha ocorrido fitotoxicidade acentuada, realizando-se a aplicação em POS precocemente, o dano não resulta em redução da produtividade. Tabela 1. Produtividade (kg ha-1) de duas cultivares de arroz tolerantes a imidazolinonas, submetidas a doses e épocas de aplicação do herbicida Only para controle químico de arroz-vermelho. Santa Maria, UFSM, 2005. Doses do herbicida Onlya Cultivares Média PREb POSc Total IRGA 422 CL Tuno CL -1 ----------- L ha ----------------------------------- kg ha-1 ------------------------D1 0 0 0 A 4.720 cd A 4.978 b 4.849 D2 0,75 0 0,75 B 8.346 a A 11.200 a 9.773 D3 0 1,0 1,0 B 7.046 ab A 10.646 a 8.846 D4 1,0 0 1,0 B 8.131 ab A 11.452 a 9.791 D5 0,5 0,5 1,0 B 7.511 ab A 11.190 a 9.351 D6 0,75 0,5 1,25 B 7.495 ab A 11.143 a 9.319 1,5 D7 0,75 0,75 B 6.725 b A 10.792 a 8.759 D8 1,0 0,5 1,5 B 6.766 b A 11.409 a 9.087 D9 1,0 1,0 2,0 B 7.016 ab A 10.809 a 8.913 D10 0 2,0 2,0 B 6.806 ab A 10.491 a 8.649 Média 7.056 10.411 8.734 C.V. (%) 7,6 a Imazethapyr (7,5%) + imazapic (2,5%). b PRE- Herbicida aplicado em pré-emergência. c POS- Herbicida aplicado em pós-emergência (Plantas de arroz-vermelho no estádio V5 (Counce et al., 2000)). d Médias não seguidas da mesma letra minúscula na coluna, e da mesma letra maiúscula na linha diferem pelo teste de Tukey em nível de 1% de probabilidade de erro. Para fitotoxicidade e controle do arroz vermelho os resultados demonstraram que houve interação entre cultivares e doses do herbicida (ANOVA não mostrada). A fitotoxicidade às plantas de arroz aos 15 dias após a aplicação dos tratamentos em POS aumentou de acordo com o acréscimo das doses do herbicida (Tabela 2), ocorrendo a maior fitotoxicidade quando a dose total foi de 2,0L ha-1 (D9 e D10). Para a cultivar ‘IRGA 422 CL’, doses de até 0,5L ha-1 em POS associadas a doses totais inferiores a 1,0L ha-1 (D2, D4 e D5), propiciaram menor fitotoxicidade. Verificou-se também que a dose recomendada de 1,0L ha-1 em POS (D3) apresentou fitotoxicidade semelhante aos tratamentos D6, D7 e D8. Para o híbrido ‘Tuno CL’ a fitotoxicidade foi menor quando comparado com ‘IRGA 422 CL’. Apenas em doses altas é que verifica-se fitotoxicidade mais acentuada não diferindo do tratamento referência (D3). A cultivar ‘IRGA 422 CL’ apresentou fitotoxicidade superior ao ‘Tuno CL’, sendo semelhante apenas nos tratamentos com as menores doses (D2, D4 e D5). Aqueles tratamentos que proporcionaram maior fitotoxicidade ao arroz cultivado foram aqueles que proporcionaram maior controle. O controle de arroz-vermelho não foi de 100% nos tratamentos com dose total de até 1,0L ha-1 (D1, D2, D3, D4 e D5) para ambas as cultivares. Deve-se ressaltar duas práticas de manejo que contribuíram para o controle do arroz vermelho, ou seja, aplicação precoce dos herbicidas e irrigação imediatamente após a aplicação do herbicida em POS, pois de acordo com Willians et al. (2002), proporciona maior disponibilidade e absorção do herbicida pelas plantas. Tabela 2. Fitotoxicidade aos 15 dias após a aplicação do tratamento em POS e controle de arroz-vermelho (Controle AV), em duas cultivares de arroz tolerantes a imidazolinonas, submetidas a doses e épocas de aplicação do herbicida Only para controle químico de arroz-vermelho. Santa Maria, UFSM, 2005. Doses do herbicida Cultivares Onlya Fitotoxicidade Média Controle AV Média PREb POSc Total IRGA 422 CL Tuno CL IRGA 422 CL Tuno CL ------ L ha-1 -------------------------------------------- % d,e --------------------------------------D1 0 0 0 A 0e 0 A 0c A 0 c 0 A 0 df D2 0,75 0 0,75 A 4c A 5d 4 A 97 b A 98 b 97 D3 0 1,0 1,0 A 22 b B 14 abc 18 A 97 b A 98 b 97 D4 1,0 0 1,0 A 6c A 4d 5 A 97 b A 98 b 98 D5 0,5 0,5 1,0 A 11 c A 6 cd 9 B 97 b A 99 a 98 D6 0,75 0,5 1,25 A 26 ab B 8 bcd 17 A 100 a A 100 a 100 D7 0,75 0,75 1,5 A 100 a A 100 a 100 A 40 ab B 12 abc 26 D8 1,0 0,5 1,5 A 33 ab B 8 bcd 20 A 100 a A 100 a 100 D9 1,0 1,0 2,0 A 54 a B 19 ab 37 A 100 a A 100 a 100 D10 0 2,0 2,0 A 57 a B 28 a 43 A 100 a A 100 a 100 Média 25 10 18 89 89 89 C.V. (%) 16,0 0,1 a Imazethapyr (7,5%) + imazapic (2,5%). PRE- Herbicida aplicado em pré-emergência. POS- Herbicida aplicado em pós-emergência (Plantas de arroz-vermelho no estádio V5 (Counce et al., 2000)). d Para a análise, os dados foram transformados usando logaritmo (dados apresentados são valores não transformados). e Controle de arroz vermelho e fitotoxicidade ao arroz cultivado foram estimados visualmente usando uma escala de 0 a 100%, onde 0 = sem controle ou fitotoxicidade e 100 = controle completo ou morte das plantas de arroz. f Médias não seguidas da mesma letra minúscula na coluna, e da mesma letra maiúscula na linha (dentro de cada variável) diferem pelo teste de Tukey em nível de 1% de probabilidade de erro. b c O híbrido ‘Tuno CL’ é mais tolerante a doses maiores de Only comparado com a cultivar ‘IRGA 422 CL’, sendo possível a utilização dessas doses, em áreas com alta infestação de arrozvermelho, sem afetar a produtividade desta cultivar. O controle de arroz-vermelho é total com aplicações do herbicida em PRE complementado com a aplicação em POS, desde que o total aplicado não seja inferior a 1,25L ha1 . Esta condição é atendida pelo tratamento D6 (0,75L ha-1 em PRE mais 0,5L ha-1 em POS), o qual propicia a menor dose total dentre aqueles com 100% de controle, não afetando a produtividade e apresentando fitotoxicidade semelhante ao tratamento utilizado como referência (D3). REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: COUNCE, P.A.; KEISLING, T.C.; MITCHELL, A.J. A uniform, objective, and adaptive system for expressing rice development. Crop Science, Madison, vol.40, p.436-443, 2000. OTTIS, B.V.; CHANDLER, J.M.; McCAULEY, G.N. Imazethapyr application methods and sequences for imidazolinone-tolerant rice (Oryza sativa). Weed Technology, vol.17, n.3, p.526-533, 2003. STEELE, G.L.; CHANDLER, J.M.; McCAULEY, G.N. Control of red rice (Oryza sativa) in imidazolinone-tolerant rice (O. sativa). Weed Technology, v.16, n.3, p.627-630, 2002. WILLIAMS, B.J.; STRAHAN, R.; WEBSTER E.P. Weed management systems for Clearfield Rice. Louisiana Agriculture, Baton Rouge, v.45, n.3, p.1617, 2002. Agradecimentos: A CAPES, CNPq e UFSM pelo auxílio financeiro. A RICETEC pela doação de sementes. RESÍDUOS DE HERBICIDAS UTILIZADOS NA CULTURA DO ARROZ NA ÁGUA DE IRRIGAÇÃO Sérgio Luiz de Oliveira Machado1, Renato Zanella1, Enio Marchezan1, Márcia Helena Scherer Kurz1, Fábio Ferreira Gonçalves1, Luis Antônio de Ávila1, Ednei Gilberto Primel2, Geovane Boschmann Reimche1. 1Universidade Federal de Santa Maria. Departamento de Defesa Fitossanitária, Sala 3231A, Prédio 43, UFSM, CEP 97105-900. 2FURG. E-mail: [email protected]. A utilização de herbicidas tem sido muito difundido em função da necessidade crescente da oferta de alimentos, limitação de áreas agricultáveis e disponibilidade de mão-de-obra. Na agricultura, os problemas gerados com a aplicação de herbicidas, sem o devido conhecimento, podem causar riscos que vão desde a simples poluição do solo até da contaminação d’água. A lavoura arrozeira pode ser um contaminante potencial dos cursos d’água, devido à proximidade aos mananciais hídricos e ainda pelo alto volume de água usado na irrigação. Inúmeros estudos vêm sendo desenvolvidos buscando-se monitorar a contaminação em mananciais hídricos por herbicidas (Machado et al., 2003, Marchezan et al., 2003; Marcolin et al., 2003; Noldin et al., 2003). Com o objetivo de determinar a persistência de herbicidas na água em lavouras de arroz irrigado, conduziu-se um experimento a campo durante dois anos de cultivo de arroz, em solo classificado como Planossolo Hidromórfico eutrófico arênico, em parcelas de 40 m2 (10 x 4 m). Em 2003/04, aplicaram-se os herbicidas bentazon (960 g ha-1), clomazone (500 g ha-1), quinclorac (375 g ha-1), propanil (3600 g ha-1), 2,4-D (200 g ha-1) e bispiribac-sodium (50 g ha-1) e em 2004/05 foram incluídos os herbicidas pirazosulfuron-ethyl (20 g ha-1) e imazethapyr (60 e 120 g ha-1). Com estas quantidades de cada herbicida sobre uma lâmina média de água de 0,10 m, as concentrações teóricas, estimadas para o volume de água por hectare foram as seguintes: bentazon (960 µL-1), clomazone (500 µg L-1), propanil (3600 µg L-1), quinclorac (375 µg L-1), 2,4-D (200 µg L-1), bispiribac-sodium (50 µg L-1), pirazosulfuron-ethyl (20 µg L-1) e imazethapyr (60 e 120 µg L-1). Para a determinação da concentração dos herbicidas na água, alíquotas das amostras, após acidificação, foram passadas por um cartucho do tipo extração em fase sólida (SPE) contendo 500 mg de resina C-18 para a pré-concentração dos mesmos. Seguiu-se a eluição com metanol e a determinação por Cromatografia Líquida de Alta Eficiência com detecção no Ultravioleta (CLAE-UV), empregando-se coluna do tipo C-18, e metanol e água como fase móvel. Para a determinação da concentração dos herbicidas, retirou-se 250 mL de cada amostra, que após a acidificação, foram passados em cartucho de extração em fase sólida (SPE) contendo 200 mg de resina C-18, previamente condicionado, para a pré-concentração dos herbicidas. Seguiuse a eluição com 2 x 0,5 mL de metanol (grau HPLC). O solvente foi evaporado empregando-se uma corrente de nitrogênio e o extrato ressuspenso com 0,5 mL de metanol. Procedeu-se, então, a determinação por Cromatografia Líquida de Alta Eficiência com detecção no Ultravioleta (HPLCUV), empregando-se metanol e água como fase móvel e coluna C-18 (Zanella et al., 2003). Os resultados (Tabelas 1 e 2) mostraram que a concentração dos herbicidas na água diminuiu com o período de amostragem variando entre os herbicidas analisados. Na média dos dois anos agrícolas, clomazone e quinclorac foram os herbicidas mais persistentes na água, sendo detectado até 35 dias após a aplicação em 2003/04. Em 2004/05, bispiribac-sodium e pirazosulfuron-ethyl também foram encontrados até aos 14 dias, respectivamente em concentrações de 1,54 e 1,44 µg L-1, enquanto bentazon foi detectado até aos 28 dias independentemente do ano agrícola. Esse estudo mostra a necessidade de um manejo adequado da água e a contenção da mesma na lavoura, ao menos no período em que estejam presentes resíduos de herbicidas na água de irrigação, para que mananciais hídricos e áreas adjacentes às lavouras, não sejam contaminados. Esta hipótese de contaminação não pode ser desprezada e torna-se bastante provável em períodos de chuvas intensas. Entretanto, os dados indicam que o nível de contaminação da lavoura arrozeira pelos herbicidas analisados é baixo, longe de alcançar a condição de altamente poluente. Embora os resultados obtidos tenham apresentado proximidade em relação às médias de concentração dos herbicidas registrados em outros estudos (Marcolin et al., 2003; Noldin et al, 2003), os valores numéricos carecem de representatividade enquanto previsões de níveis de contaminação. Há fatores que devem ser lembrados como indutores de subestimativas. Em primeiro lugar, deve-se destacar a questão das doses empregadas. Como o aumento da dose não foi considerado na análise, e isto pode ocorrer, a possibilidade de que em determinadas situações ocorram concentrações de herbicidas acima das avaliados neste estudo. Eventos como a precipitação pluvial, escorrimento superficial e a suplementação de água são fatores adicionais que podem modificar a concentração dos herbicidas resultando em perdas e picos de concentração. Assim, quanto menor o intervalo de tempo entre a aplicação de herbicidas e a chuva maior será a vulnerabilidade dos mananciais hídricos à jusante da lavoura. Considerando a importância de se conhecer o nível de herbicidas na água de irrigação, estudos adicionais são necessários para determinar os processos de dispersão de herbicidas aplicados na lavoura pois os herbicidas podem ser prejudiciais ao ambiente, ainda que em baixas concentrações. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS MACHADO, S.L. de O., ZANELLA, R., MARCHEZAN, E. et al. Persistência de herbicidas na água de irrigação no arroz irrigado. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ARROZ IRRIGADO, 3; REUNIÃO DA CULTURA DO ARROZ IRRRIGADO, 25., 2003, Balneário Camboriú, SC. Anais... Itajaí: EPAGRI, 2003. p.692-694. MARCHEZAN, E. et al. Dispersão dos herbicidas clomazone, quinclorac e propanil, nas águas da Bacia Hidrográfica dos Rios Vacacaí e Vacacaí-Mirim, no período de cultivo de arroz irrigado. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ARROZ IRRIGADO, 3; REUNIÃO DA CULTURA DO ARROZ IRRRIGADO, 25., 2003, Balneário Camboriú, SC. Anais... Itajaí: EPAGRI, 2003. p.689-691. MARCOLIN, E., MACEDO, V.R. M., GENRO Jr., S.A. Persistência do herbicida imazethapyr na lâmina de água em três sistemas de cultivo de arroz irrigado. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ARROZ IRRIGADO, 3; REUNIÃO DA CULTURA DO ARROZ IRRRIGADO, 25., 2003, Balneário Camboriú, SC. Anais... Itajaí: EPAGRI, 2003. p.686-688. NOLDIN, J.A., DESCHAMPS, F.C., EBERHARDT, D.S. Dissipação do herbicida Sirius, aplicado em benzedura em lâmina de água, na cultura do arroz irrigado, sistema pré-germinado. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ARROZ IRRIGADO, 3; REUNIÃO DA CULTURA DO ARROZ IRRRIGADO, 25. 2003, Balneário Camboriú, SC. Anais... Itajaí: EPAGRI, 2003. p.539-541. ZANELLA, R. et al. Development and validation of a high-performance liquid chromatographic procedure for the determination of herbicides residues in surface and agriculture waters. Journal of Separation Science, v.26, p. 1-6, 2003. Agradecimento: ao CNPq pelo apoio financiamento concedido. Tabela 1. Concentração e persistência de herbicidas na água de lavouras de arroz irrigado. Ano agrícola 2003/04. Santa Maria, RS. 2005. Herbicidas Bentazon4 Clomazone5 Propanil6 Quinlorac7 2,4-D8 Bispiribacsodium9 Dose (g ha-1) 960 700 3600 700 200 50 Concentração3 (µg L-1) 1 Persistência teórica 2 3 3º dia 7º dia final 960 700 3600 700 200 923,0 487,5 64,0 422,3 51,8 730 395 21,5 337,5 46,3 18,5 1,4 10,5 2,4 18,5 28 35 10 35 14 50 4,00 3,48 0,86 14 (dias) Tabela 2. Concentração e persistência de herbicidas na água de lavouras de arroz irrigado. Ano agrícola 2004/05. Santa Maria, RS. 2005. Herbicidas 4 Concentração3 (µg L-1) 1 teórica Persistência 7º dia2 14º dia final3 (dias) Bentazon 960 960 320,00 181,90 66,80 28 Clomazone5 500 500 150,50 69,70 5,7 35 Propanil 1 Dose (g ha-1) 6 3600 3600 442,70 4,4 4,4 14 Quinlorac7 375 375 117,00 69,70 17,40 28 2,4-D8 Bispiribacsodium9 Pirazosulfuronethyl10 Imazethapyr11 200 200 38,70 6,20 6,20 14 50 50 6,02 5,59 1,54 14 20 20 9,80 5,72 1,44 14 60 60 5,53 1,35 1,35 14 Imazethapyr11 120 120 2,80 2,46 2,46 14 Concentração teórica, em mg L-1, na água de irrigação, calculada em lâmina de água com 10 cm de altura. 2 -1 O limite de quantificação (LOQ) após a etapa de pré-concentração foi de 0,1 µg L para 2,4-D, clomazone e propanil, e de 0,5 µg L-1 para o quinclorac, bentazon e bispiribac-sodium, pirazosulfuronethyl e imazethapyr atendendo as exigências da legislação. 3 Concentração final detectável. 4 5 6 Basagran 600 Gamit Propanil Milenia 7 8 9 Facet PM Aminol Nominee 10 11 Sirius Vezir BANCO DE SEMENTES DE ARROZ VERMELHO COM USO DO SISTEMA ® CLEARFIELD (1) (1) (1) Mara Grohs , Enio Marchesan , Paulo Fabrício Sachet Massoni , Claudio (1) (1) 1 Glier , Luis Antonio de Avila , Departamento de Fitotecnia, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), 97.105-900, RS. E-mail: [email protected]. O arroz-vermelho é uma planta daninha de difícil controle, possuindo degrane natural e elevado grau de dormência de suas sementes.Visando seu controle seletivo foi desenvolvido o Sistema Clearfield®, que preconiza a utilização de sementes tolerantes com herbicidas do grupo químico das imidazolinonas e a aplicação de herbicidas para o seu controle. É recomendada a utilização desse sistema por até dois anos, porém, esse período pode não ser suficiente para o controle total do banco de sementes, o qual pode rapidamente reinfestar a área, sendo necessário estudos para identificar a melhor rotação de sistemas para a redução do banco de sementes de arroz vermelho. Em vista disso, foi conduzido um estudo com o objetivo de quantificar o banco de sementes de arroz-vermelho após a utilização do Sistema Clearfield® em rotação com Sistema Convencional. O ensaio foi conduzido no campo experimental do Departamento de Fitotecnia da Universidade Federal de Santa Maria, em solo classificado como Planossolo Hidromórfico eutrófico arênico, nos anos agrícolas de 2004/05, 2005/06 e 2006/07. O experimento foi conduzido no delineamento de blocos ao acaso, com quatro repetições. As parcelas constaram da rotação do Sistema Convencional (sem aplicação de herbicidas para controle de arrozvermelho) e do Sistema Clearfield® (com aplicação de herbicida para controle de arrozvermelho) conforme a Tabela 1. Para a homogeneização do banco de sementes de arrozvermelho, no primeiro ano, distribuiu a lanço e incorporou-se um dia antes da semeadura do arroz cultivado, a quantidade de 200 kg ha-1 de sementes de arroz-vermelho, obtendose uma população média inicial de 403 sementes m-2 em cada parcela. Utilizou-se a cultivar IRGA 422 CL (tolerante ao herbicida) no Sistema Clearfield®, e a cultivar IRGA 417 no Sistema Convencional. Na entressafra de cada ano agrícola (2004/05, 2005/06 e 2006/07) foi realizada a coleta das amostras de solo, sendo coletada 5 amostras por parcela, com a utilização de um trado calador com diâmetro de 10 cm, coletando-se na profundidade de 01 cm. Posteriormente foi realizada a lavagem do solo e determinado o número total de sementes presente em cada amostra. Tabela 1- Seqüência de rotação entre Sistema Convencional e Sistema Clearfield®. Sistema A1 A2 A3 A4 2004/05 Convencional Clearfield® Clearfield® Clearfield® 2005/06 Clearfield® Convencional Clearfield® Clearfield® 2006/07 Convencional Convencional Convencional Clearfield® O banco de sementes de arroz-vermelho variou em função dos sistemas estudados (Figura 1). Nos 4 sistemas propostos, o banco de sementes aumentou consideravelmente depois do uso do sistema convencional, independentemente se era antecedido por um ou dois anos com a tecnologia Clearfield®. O banco de sementes diminuiu drasticamente, sempre que foi precedido pelo sistema Clearfield®. Esses resultados possivelmente foram conseqüência da falta de medidas de controle quando utilizado o Sistema Convencional. O degrane precoce das sementes inviabilizam a sua colheita, sendo que esse degrane contribui em torno de 70 a 80% para o aumento do banco de sementes em sistema de plantio direto e convencional (Avila, 1999). Em contrapartida, o manejo adequado do Sistema Clearfield® pode reduzir em até 98-100% a população de arroz-vermelho que emerge na área (Santos, 2006; Villa et al., 2006) (Figura1). A utilização do Sistema Clearfield®, demonstra-se eficaz quando adequadamente manejado. Mesmo assim, ao retornar ao Sistema Convencional, houve uma reinfestação da área e um conseqüente aumento no banco de sementes na safra subseqüente, alcançando ou superando os níveis inicias de banco de semente, independentemente se precedido por um ou dois anos de uso da tecnologia. Com a utilização de três safras consecutivas do Sistema Clearfield®, houve diminuição do banco de sementes. Mesmo assim, as safras subseqüentes poderão ser comprometidas caso não seja adequadamente manejado. Com base nos resultados de três safras, conclui-se que o Sistema Clearfield® apresenta-se como uma ferramenta eficiente na diminuição do banco de sementes de arroz-vermelho comparativamente ao Sistema Convencional. Porém em níveis não suficientes para eliminar completamente as sementes do solo, podendo haver reinfestação da lavoura mesmo após dois anos de uso do Sistema. Em vista disso, práticas de manejo integrado dessa planta daninha devem ser empregados, como rotação de cultura, o rouguing, o pousio do solo, entre outras. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Avila L. A. de, Evolução do banco de sementes e controle do arroz vermelho (Oryza sativa L.) em diferentes sistemas de manejo do solo de várzea. Santa Maria, RS, 1999. 86p. Dissertação (Mestrado em Agronomia) - Programa de Pós-graduação em Agronomia, Universidade Federal de Santa Maria, 1999. Santos F.M., dos. Alternativas de controle químico do arroz-vermelho e persistência dos herbicidas (imazethapyr + imazapic) e clomazone na água e no solo Santa Maria, RS, 2006. 72p. Dissertação (Mestrado em Agronomia) - Programa de Pós-graduação em Agronomia, Universidade Federal de Santa Maria, 2006. Villa, S. C. C. Arroz tolerante a imidazolinonas: controle do arroz-vermelho, fluxo gênico e efeito residual do herbicida em culturas sucessoras não-tolerantes. Planta daninha, vol. 24, n.4, 2006. Número de sementes de arroz vermelho por metro quadrado A1 0b A2 44 Sistemas A3 -I ni ci al -C le 20 ar f 06 ie ld -C le 20 ar fie 07 ld -C le ar fie ld 76 b 20 04 403 a 20 05 0 -I ni ci al -C l ea 20 rfi 06 el d -C 20 07 le a rfi -C el on d ve nc io na l 403 ab 20 04 600 20 05 400 -I ni ci al 20 C 06 le ar -C fie on ld 20 ve 07 nc -C io na on l ve nc io na l 800 20 05 1400 20 04 -I ni -C ci on al ve nc 20 io 06 na -C l 20 07 le a rfi -C el on d ve nc io na l 20 05 20 04 1600 1369 a 1200 1057 a 1000 739 ab 605 a 535 403 ns 403 a 200 51 172 ab 0c 57 bc A4 FIGURA 1. Evolução do banco de sementes de arroz vermelho em resposta ao Sistema Clearfield®. UFSM, Santa Maria, 2007. CONTROLE DE ARROZ VERMELHO EM ARROZ TOLERANTE A IMIDAZOLINONAS E O RESIDUAL EM GENÓTIPO DE ARROZ NÃO TOLERANTE Paulo Fabrício Sachet Massoni(1), Enio Marchesan(1), Silvio Carlos Cazarotto Villa(1), Mara Grohs(1), Jefferson Tolfo da Fontoura(1), Sérgio Luiz de Oliveira Machado(2), Luis Antonio de Avila(1). 1Departamento de Fitotecnia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), CEP 97105-900, Santa Maria, RS; 2Departamento de Defesa Fitossanitária, UFSM, 97.105900, Santa Maria, RS. E-mail: [email protected] O arroz vermelho é considerado a principal planta daninha e a mais limitante do potencial produtivo do arroz irrigado. Com o desenvolvimento de plantas de arroz tolerantes a herbicidas do grupo químico das imidazolinonas tornou-se possível o seu controle. De acordo com pesquisas prévias, recomenda-se a utilização dessa tecnologia por dois anos consecutivos, e após sugere-se fazer rotação de culturas ou pousio do solo, visto que o uso continuo do herbicida recomendado pode provocar injúrias em culturas sucessoras não tolerantes, devido a sua persistência no solo, bem como pode haver cruzamento entre o arroz cultivado tolerante e o arroz vermelho. Em decorrência do exposto, foi desenvolvido um experimento com o objetivo de avaliar a eficiência do controle de arroz vermelho com a aplicação da mistura formulada dos herbicidas imazethapyr e imazapic, em arroz tolerante a imidazolinonas, e a conseqüente fitotoxicidade do residual dos herbicidas sobre genótipo de arroz não tolerante utilizado em rotação. O experimento foi conduzido na Universidade Federal de Santa Maria, nos anos agrícolas de 2004/05, 2005/06 e 2006/07, porém os resultados apresentados serão apenas do terceiro ano. O delineamento experimental foi de blocos ao acaso em esquema bifatorial (4 x 2) com parcelas subdivididas. As parcelas principais constaram da rotação entre arroz não tolerante (cultivar IRGA 417) denominado neste trabalho como “Sistema Convencional” e arroz tolerante a imidazolinonas (cultivar IRGA 422 CL) denominado “Sistema Clearfield®” (Tabela 1). Nas subparcelas foram alocados os tratamentos para o controle de arroz vermelho: B1 - testemunha sem aplicação; B2 - 1,0 L ha-1 da mistura formulada dos herbicidas imazethapyr e imazapic (75 e 25 g i.a L-1, respectivamente) em pós-emergência (POS). Para homogeneização do banco de sementes de arroz vermelho, no primeiro ano distribuiu-se a lanço e incorporou-se um dia antes da semeadura do arroz, a quantidade de 200 kg ha-1 de sementes de arroz vermelho, obtendo-se uma população média de 260 plantas m-2. No primeiro ano a cultura foi implantada no sistema convencional de semeadura, e nos anos seguintes no sistema de plantio direto. Tabela 1: Fator A: rotação entre o arroz convencional e arroz Clearfield®. FATOR A A1 A2 A3 A4 2004/05 Convencional ® Clearfield ® Clearfield ® Clearfield 2005/06 Clearfield Convencional Clearfield Clearfield 2006/07 Convencional Convencional Convencional Clearfield A utilização de dois e três anos consecutivos do Sistema Clearfield® (A3 e A4) apresentou níveis satisfatórios de redução de número de panículas de arroz vermelho, com valores entre 98 e 99%, demonstrando ser esse um sistema eficiente no controle dessa planta daninha. Além disso, os resultados demonstram que sob sistema de plantio direto, onde não há o revolvimento do solo, o uso de dois anos do Sistema Clearfield® (A3) mostrou-se capaz de reduzir quase na totalidade a emergência de arroz vermelho. Porém, a utilização desse sistema intercalado com o Sistema Convencional (A1) proporcionou apenas 61% de redução do número de panículas. No entanto, a utilização de dois anos com o sistema convencional após sistema Clearfield (A2), a redução do número de panículas foi de aproximadamente 20%. Foi observada fitotoxicidade aos 8 DAE (dias após a emergência) nos quatro sistemas avaliados, mas essa foi maior nos sistemas A1 e A3, nos quais foi semeada a cultivar suscetível uma safra após a utilização do Sistema Clearfield®. Como ainda não havia sido realizada a aplicação dos herbicidas, a fitotoxicidade está relacionada à atividade residual dos herbicidas, caracterizando o comportamento ambiental das imidazolinonas através da sua longa persistência no solo. Nos outros dois sistemas, A2 e A4, o efeito fitotóxico foi significativamente menor em decorrência do fato de que, no sistema A4 foi utilizada cultivar tolerante e no sistema A2 já havia transcorrido duas safras da aplicação dos herbicidas. Aos 14 dias após a aplicação dos herbicidas (DAA), foi observada maior fitotoxicidade para os sistemas A1, A3 e A4, de forma que no sistema A4 a elevada fitotoxicidade se deve ao fato que esse sistema ter sofrido aplicação em POS. Tanto aos 8 DAE quanto aos 14 DAA, foi observada diferença na fitotoxicidade entre a testemunha e o tratamento que sofreu aplicação do herbicida, independentemente do sistema utilizado. A fitotoxicidade e a população de arroz vermelho refletiram na produtividade de grãos do arroz, sendo que os sistemas com maior fitotoxicidade inicial (A1 e A3) e aqueles com maior número de panículas de arroz vermelho (A1 e A2) apresentaram valores menores. O resultado obtido vai de acordo com AGOSTINETTO (2004), que afirma ser o arroz vermelho muito competitivo mesmo em baixas populações e que medidas de controle que eliminem até 99% da infestação podem não ser suficientes para evitar perdas de rendimento que superem o custo do controle. Em relação ao tratamento com herbicida os sistemas diferiram estatisticamente em produtividade, com a testemunha. Apenas no sistema A2, o qual utilizou o sistema convencional por dois anos após o uso do sistema clearfield® não demonstrou diferença. Esse resultado é reflexo, do baixo nível de redução de número de panículas de arroz vermelho que este sistema apresentou. Porém, com a aplicação de 1,0 L ha-1 em POS (B2) no sistema com três anos consecutivos (A4) a produtividade foi substancialmente maior em comparação aos demais sistemas. Esse resultado é conseqüência da combinação da cultivar utilizada ser tolerante ao herbicida, obtendo assim, alto controle de arroz vermelho e baixa fitotoxicidade inicial, o que favoreceu a maior produção. Embora os sistemas A3 e A4 apresentarem o mesmo índice de redução de arroz vermelho, no tratamento B2, diferiram entre si em produtividade, sendo conseqüência do efeito da fitotoxicidade inicial do herbicida sobre o genótipo não tolerante, prejudicando assim, o estabelecimento inicial da cultura com reflexo na produtividade. Baseado nos resultados, conclui-se que o herbicida utilizado permanece no solo por longo período de tempo e causa danos em genótipo de arroz não tolerante 358 dias após a aplicação. Em relação a redução da incidência de arroz vermelho, a utilização do Sistema Clearfield® por dois anos sucessivos reduz em 98% a incidência de arroz vermelho no terceiro ano de cultivo. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AGOSTINETTO, D., FLECK, N.G., RIZZARDI, M.A. E BALBINOT JR., A.A. Perdas de rendimento de grãos na cultura de arroz irrigado em função da população de plantas e da época relativa de emergência de arroz vermelho ou de seu genótipo simulador de infestação de arroz vermelho. Planta Daninha, v.22, n.2, p.175-183, 2004. COUNCE, P.A.; KEISLING, T.C.; MITCHELL, A.J. A uniform, objective, and adaptive system for expressing rice development. Crop Science, Madison, vol.40, p.436-443, 2000. Tabela 1. Produtividade de grãos (kg ha-1), porcentagem panículas de arroz vermelho por metro quadrado em relacão a testemunha, fitotoxicidade aos 8 dias após a emergência (DAE) e aos 14 dias após a aplicação dos tratamentos (DAA) em arroz irrigado em resposta a diferentes sistemas de rotação e da aplicação dos herbicidas imazethapyr + imazapic, após três anos de utilização. Santa Maria, RS, 2007. Sistemas7/ Produtividade de grãos -1 Kg ha Panículas de arroz vermelho por 3/4/ metro quadrado (%) Fitotoxicidade aos 8 DAE 3/5/ Fitotoxicidade aos 14 DAA3/5/6/ Tratamento para o controle de Arroz vermelho Tratamento para o controle de Arroz vermelho Tratamento para o controle de Arroz vermelho Tratamento para o controle de Arroz vermelho 1/ A1 A2 A3 A4 1/ Conv 1º ano CL 2º ano Conv 3º ano CL 1º ano Conv 2º ano Conv 3º ano CL 1º ano CL 2º ano Conv 3º ano CL 1º, 2º, 3º ano 2/ B1 B2 B1 B2 B1 B2 B1 B2 0 l/ha 0+1 l/ha 0 l/ha 0+1 l/ha 0 l/ha 0+1 l/ha 0 l/ha 0+1 l/ha B 1684 a A 5534 c B 100 a A 39 b B0a A 25 a B0a A 22 a A 2224 a A 1882 d B 100 a A 80 c B0a A7b B0a A 5b B 1859 a A 6582 b B 100 a A2a B0a A 39 a B0a A 35 a B 1527a A 8347 a B 100 a A1a B0a A8b B 0a A 31 a CV A 18,3 23,5 35,2 39,2 CV B 12,8 12,4 20 26,7 Tratamento sem aplicação de herbicida para o controle de arroz vermelho; 2/ Tratamento com aplicação da formulação de imazethapyr + imazapic na dose de 1 L ha-1 aplicado em pós–emergência (POS); 3/ Para a análise, os dados foram transformados para 4/ yt = ar cos en ( y + 0,5) / 100 ; Para avaliação, foram contados o número de panículas de arroz vermelho por parcela e comparado com a testemunha sem controle, onde 0 corresponde a controle total das plantas e 100 corresponde a ausência de controle; 5/ Avaliada visualmente em percentagem, onde 0 corresponde a ausência de fitotoxicidade e 100 corresponde a morte 6 de plantas de arroz; / Aplicação em POS com as plantas no estagio V 4, segundo a escala de COUNCE et al. (2000); 7/ Sistemas de rotação os quais são denominados de Convencional (C) e Clearfield (CL). *Para cada parâmetro analisado, médias seguidas de diferentes letras minúsculas na coluna e de letras maiúsculas na linha diferem pelo teste de Tukey (P≤0,05). ALTERNATIVAS DE UTILIZAÇÃO DE ÁREAS DE ARROZ IRRIGADO APÓS O ® USO DO SISTEMA CLEARFIELD (1) (1) (1) Luis Antonio de Avila , Gustavo Mack Teló , Enio Marchesan , Sérgio Luiz de Oliveira (2) (1) (1) 1 Machado , Rafael Bruck Ferreira , Getúlio Rigão Filho . Departamento de Fitotecnia\CCR, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), CEP: 97105-900, Santa 2 Maria, RS. Departamento de Defesa Fitossanitária da UFSM. e-mail: [email protected]. ® O sistema Clearfield de produção de arroz irrigado, que prevê a utilização de ® cultivar tolerante a herbicidas do grupo das imidazolinonas, e do herbicida Only (mistura -1 formulada de imazethapyr e imazapic, 75 e 25 g ia L , respectivamente), está em cultivo oficial no Rio Grande do Sul (RS) há quatro anos. A larga utilização deste sistema se deve a sua eficiência no controle seletivo do arroz-vermelho. O sistema prevê a utilização da tecnologia por até dois anos consecutivos e após rotação com outro sistema. No entanto, devido às limitações que os cultivos alternativos têm nas áreas de várzea, e as dificuldades de alternar áreas de cultivo, o produtor acaba tendo como única opção o retorno com o sistema de produção de arroz convencional. Como este sistema é recente no Brasil, faltam ® informações sobre como migrar do Sistema Clearfield para o sistema convencional de cultivo de arroz irrigado, com o mínimo de efeito negativo sobre a cultura em rotação. Assim, o objetivo deste trabalho foi identificar manejos de cultivo de arroz em áreas ® utilizadas com o Sistema Clearfield visando manter a sustentabilidade desta tecnologia. O experimento foi instalado em área de várzea sistematizada da Universidade Federal de Santa Maria (Santa Maria, RS) e conduzido no ano agrícola 2006/07. O delineamento experimental foi de blocos ao acaso, em esquema trifatorial, com 3 repetições. O fator A foi representado pelas cultivares de arroz (BR-IRGA 409, IRGA 417, IRGA 422CL e BRS 7 “TAIM”). O fator B foi composto por duas formas de manejo nas safras anteriores à realização do experimento: 1) duas safras agrícolas com o uso do ® ® -1 Sistema Clearfield usando o herbicida Only na dose de 1 L ha em pós-emergência ® (POS) e uma safra com cultivo de arroz não tolerante, sem aplicação de herbicida Only ® (2CL + 1 CON); 2) três safras agrícolas com o uso do Sistema Clearfield na dose de 1 L -1 ® ha de Only em POS (3 CL). O fator C foi representado por diferentes herbicidas aplicados na safra 2006/07 (Tabela 1). O manejo da cultura foi realizada segundo recomendações da pesquisa. A emergência ocorreu no dia 01/11/2006. A aplicação dos herbicidas ocorreu aos 16 dias após a emergência (DAE). Quanto ao estande inicial de plantas (dados não mostrados), não houve diferença estatística entre as cultivares estudadas, os manejos da área nas safras anteriores e os herbicidas aplicados na safra 2006/07, indicando que estes fatores não afetaram a -2 emergência das plantas, sendo a média de 177 plantas m . Para a produtividade de grãos (Tabela 1), na área com 2CL + 1CON não houve diferença entre as cultivares testadas e nem entre os diferentes herbicidas aplicados na safra de 2006/07, com produtividade média -1 na área de 8.663 kg ha . Na área com 3CL observou-se diferença na produtividade entre as cultivares, porém não entre os diferentes herbicidas aplicados na safra 2006/07. A maior produtividade foi maior para a cultivar IRGA 422 CL, obtendo rendimento até 30% maior do que as outras cultivares. Esse menor rendimento nas cultivares não tolerantes as imidazolinonas está relacionada ao efeito residual do herbicida no solo, o que afetou o desenvolvimento das plantas, conforme já relatado por Villa et al (2006) que observaram morte de plantas de cultivar não tolerante, após um ano de uso do sistema Clearfield. Dados similares aos encontrados por ZHANG et al. (2002) que verificaram reduções de até 41% na produtividade do arroz. Análise comparativa entre as áreas com 2CL+1CON e 3CL, ® demonstrou que o tratamento sem aplicação de Only por um ano, apresentou produtividade 35% maior, indicando assim menor efeito residual do herbicida no solo nesse manejo. Segundo alguns autores (DONALDA, 2006; RENNER et al., 1998), os herbicidas do grupo das imidazolinonas podem apresentar residual no solo por até dois anos em solo de várzeas. Tabela 1- Produtividade de grãos e fitotoxicidade de plantas em quatro cultivares de arroz irrigado, submetido a cinco herbicidas pós-emergência em dois manejo de áreas de cultivo após o uso do ® Sistema Clearfield . Santa Maria, RS. 2007. Fitotoxicidade (%) Produtividade de grãos -1 1 (kg ha ) 21 DAE 40 DAE Cultivar 2 CL + 2 1 CV ns 8.795 8.620 8.632 8.609 3 3 CL 2CL + 1 CV ns 20 26 13 23 3 CL 2CL + 1 CV ns 11 19 6 16 3 CL BR-IRGA 409 5.121 b 74 a 69 a IRGA 417 4.989 b 80 a 73 a IRGA 422 CL 7.277 a 17 b 8 b BRS 7 “TAIM” 5.088 b 81 a 71 a 4,5 Tratamentos ns ns Testemunha 8.899 5.959 0 d 55 c 0 c 48 c ® Nominee 8.655 5.981 28 ab 67 ab 19 a 60 a ® ® Gamit + Propanil 8.806 5.728 33 a 72 a 18 a 60 a ® Clincher 8.518 5.016 15 c 59 bc 8 b 53 b ® Facet PM 8.564 5.252 23 cd 64 bc 18 a 56 a ® Ricer 8.524 5.776 25 b 64 bc 18 a 59 a Média A 8.663 B 5.619 B 21 A 63 B 13 A 55 C.V. % 15,7 13,3 17,7 1 2 ® Dias após a emergência das plantas; Área semeada cultivada por dois anos do Sistema Clearfield 3 (2003\04 e 2004\05) e um ano com o Cultivo Convencional (safra 2005\06); Área cultivada por três ® 4 anos seguidos com o Sistema Clearfield (2003\04, 2004\05 e 2005\06); Aplicação em pós-emergência 5 -1 com o arroz no estádio de V5 (COUNCE et al., 2000); Doses dos herbicidas: Nominee = 120 ml ha , -1 -1 -1 -1 Gamit + Propanil = 0,6 L ha + 5,0 L ha , Clincher = 1,5 L ha , Facet = 0,75 L ha e Ricer = 200 ml ha 1 ns ; Teste F não significativo em nível de 5% de probabilidade de erro; * Médias seguidas de diferentes letras minúscula na coluna e letra maiúscula na linha, diferem entre si pelo teste de Tukey em nível de 5% de probabilidade de erro. A avaliação de fitotoxicidade foi realizada em três períodos durante o desenvolvimento da cultura. Na primeira avaliação (15 DAE) (Dados não mostrados), realizada antes do início da irrigação e da aplicação dos herbicidas, somente na área com 3CL, foi observada fitotoxicidade em todas as cultivares, sendo maior para as cultivares não tolerantes a imidazolinonas (BR-IRGA 409, IRGA 417 e BRS 7 “TAIM”). BALL et al. (2003), enfatiza que pode haver fitotoxicidade decorrente do residual do herbicida no solo dependendo da cultura sucessora. Para o manejo com 2CL+1CON, não foi observada diferença entre as cultivares após o início da irrigação. Em relação aos herbicidas aplicados ® ® em 2006/07, a fitotoxicidade foi maior para os tratamentos com Gamit + Propanil e ® Nominee . Na avaliação aos 40 DAE houve redução na fitotoxicidade das plantas para todos os herbicidas aplicados. Enquanto que o manejo com três safras consecutivas do ® Sistema Clearfield observou-se aumento na fitotoxicidade após o início da irrigação, com menores valores para IRGA 422 CL. A fitotoxidade apresentada neste manejo também foi influenciada pela aplicação dos herbicidas em 2006/07 na área, sendo maior a ® ® ® fitotoxicidade nos tratamentos com Gamit + Propanil e Nominee . Os resultados sinalizam que o cultivo de arroz irrigado após o uso do Sistema ® Clearfield por dois anos, requer, pelo menos, uma safra agrícola sem o uso do sistema, ® para evitar que o residual do herbicida Only afete a produtividade do arroz não tolerante. Quanto ao uso de herbicidas não pertencentes ao grupo das imidazolinonas, quando retorna-se ao sistema convencional com cultivares não tolerantes não foi verificado diferença de produtividade nem entre os herbicidas e nem entre as cultivares. Porém devese dar preferência para o uso de herbicidas que não sejam inibidores de ALS, alternandose, assim modos de ação de herbicidas, reduzindo-se a probabilidade de ocorrência de plantas daninhas resistentes a esse grupo de herbicidas. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BALL, D.A., et al. Effect of imazamox soil persistence on dryland rotational crops. Weed Technology, v.17, n.1, p.161-165, 2003. COUNCE, P. A., et al. A uniform, objective and adaptive system for expressing rice development. Crop Science, n. 40, 436-443, 2000. DONALDA, W. Estimated corn yields using either weed cover or rated control after preemergence herbicides. Weed Science, vol. 54, n. 2, pag. 373-379, 2006. RENNER, K.A., et al. Effect of tillage application method on corn (Zea mays) response to imidazolinone residues in soil. Weed Technology, v.12, n.2, p.281-285, 1998. SOSBAI; ARROZ IRRIGADO: Recomendações técnicas da pesquisa para o sul do Brasil / Sociedade Sul-Brasileira de Arroz Irrigado; IV Congresso Brasileiro de Arroz Irrigado, XXVI Reunião da Cultura do Arroz Irrigado. Santa Maria p.57-58, 2005. VILLA,S.C.C., et al. Arroz tolerante a imidazolinonas: Controle do arroz-vermelho, fluxo gênico e efeito residual do herbicida em culturas sucessoras não-tolerantes. Planta Daninha, Viçosa, MG, v.24,n.43,p.762-768, 2006. ZHANG W. et al. Rice (Oryza sativa) response to rotational crop and rice herbicide combinations. Weed Technology, v.16, p.340–345, 2002. Agradecimento: Ao Grupo de Pesquisa em Arroz e Uso Alternativo de Várzea da UFSM, pelo apoio na realização do trabalho. CONTROLE DE ARROZ VERMELHO EM ARROZ TOLERANTE A IMIDAZOLINONAS E O RESIDUAL EM GENÓTIPO DE ARROZ NÃO TOLERANTE (1) (1) (1) Paulo Fabrício Sachet Massoni , Enio Marchesan , Silvio Carlos Cazarotto Villa , Mara (1) (1) (2) Grohs , Jefferson Tolfo da Fontoura , Sérgio Luiz de Oliveira Machado , Luis Antonio de (1) 1 Avila . Departamento de Fitotecnia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), 2 CEP 97105-900, Santa Maria, RS; Departamento de Defesa Fitossanitária, UFSM, 97.105900, Santa Maria, RS. E-mail: [email protected] O arroz vermelho é considerado a principal planta daninha e a mais limitante do potencial produtivo do arroz irrigado. Com o desenvolvimento de plantas de arroz tolerantes a herbicidas do grupo químico das imidazolinonas tornou-se possível o seu controle. De acordo com pesquisas prévias, recomenda-se a utilização dessa tecnologia por dois anos consecutivos, e após sugere-se fazer rotação de culturas ou pousio do solo, visto que o uso continuo do herbicida recomendado pode provocar injúrias em culturas sucessoras não tolerantes, devido a sua persistência no solo, bem como pode haver cruzamento entre o arroz cultivado tolerante e o arroz vermelho. Em decorrência do exposto, foi desenvolvido um experimento com o objetivo de avaliar a eficiência do controle de arroz vermelho com a aplicação da mistura formulada dos herbicidas imazethapyr e imazapic, em arroz tolerante a imidazolinonas, e a conseqüente fitotoxicidade do residual dos herbicidas sobre genótipo de arroz não tolerante utilizado em rotação. O experimento foi conduzido na Universidade Federal de Santa Maria, nos anos agrícolas de 2004/05, 2005/06 e 2006/07, porém os resultados apresentados serão apenas do terceiro ano. O delineamento experimental foi de blocos ao acaso em esquema bifatorial (4 x 2) com parcelas subdivididas. As parcelas principais constaram da rotação entre arroz não tolerante (cultivar IRGA 417) denominado neste trabalho como “Sistema Convencional” ® e arroz tolerante a imidazolinonas (cultivar IRGA 422 CL) denominado “Sistema Clearfield ” (Tabela 1). Nas subparcelas foram alocados os tratamentos para o controle de arroz -1 vermelho: B1 - testemunha sem aplicação; B2 - 1,0 L ha da mistura formulada dos -1 herbicidas imazethapyr e imazapic (75 e 25 g i.a L , respectivamente) em pós-emergência (POS). Para homogeneização do banco de sementes de arroz vermelho, no primeiro ano distribuiu-se a lanço e incorporou-se um dia antes da semeadura do arroz, a quantidade de -1 200 kg ha de sementes de arroz vermelho, obtendo-se uma população média de 260 -2 plantas m . No primeiro ano a cultura foi implantada no sistema convencional de semeadura, e nos anos seguintes no sistema de plantio direto. ® Tabela 1: Fator A: rotação entre o arroz convencional e arroz Clearfield . FATOR A A1 A2 A3 A4 2004/05 Convencional ® Clearfield ® Clearfield ® Clearfield 2005/06 Clearfield Convencional Clearfield Clearfield 2006/07 Convencional Convencional Convencional Clearfield ® A utilização de dois e três anos consecutivos do Sistema Clearfield (A3 e A4) apresentou níveis satisfatórios de redução de número de panículas de arroz vermelho, com valores entre 98 e 99%, demonstrando ser esse um sistema eficiente no controle dessa planta daninha. Além disso, os resultados demonstram que sob sistema de plantio direto, ® onde não há o revolvimento do solo, o uso de dois anos do Sistema Clearfield (A3) mostrou-se capaz de reduzir quase na totalidade a emergência de arroz vermelho. Porém, a utilização desse sistema intercalado com o Sistema Convencional (A1) proporcionou apenas 61% de redução do número de panículas. No entanto, a utilização de dois anos com o sistema convencional após sistema Clearfield (A2), a redução do número de panículas foi de aproximadamente 20%. Foi observada fitotoxicidade aos 8 DAE (dias após a emergência) nos quatro sistemas avaliados, mas essa foi maior nos sistemas A1 e A3, nos quais foi semeada a cultivar suscetível uma safra após a utilização do Sistema ® Clearfield . Como ainda não havia sido realizada a aplicação dos herbicidas, a fitotoxicidade está relacionada à atividade residual dos herbicidas, caracterizando o comportamento ambiental das imidazolinonas através da sua longa persistência no solo. Nos outros dois sistemas, A2 e A4, o efeito fitotóxico foi significativamente menor em decorrência do fato de que, no sistema A4 foi utilizada cultivar tolerante e no sistema A2 já havia transcorrido duas safras da aplicação dos herbicidas. Aos 14 dias após a aplicação dos herbicidas (DAA), foi observada maior fitotoxicidade para os sistemas A1, A3 e A4, de forma que no sistema A4 a elevada fitotoxicidade se deve ao fato que esse sistema ter sofrido aplicação em POS. Tanto aos 8 DAE quanto aos 14 DAA, foi observada diferença na fitotoxicidade entre a testemunha e o tratamento que sofreu aplicação do herbicida, independentemente do sistema utilizado. A fitotoxicidade e a população de arroz vermelho refletiram na produtividade de grãos do arroz, sendo que os sistemas com maior fitotoxicidade inicial (A1 e A3) e aqueles com maior número de panículas de arroz vermelho (A1 e A2) apresentaram valores menores. O resultado obtido vai de acordo com AGOSTINETTO (2004), que afirma ser o arroz vermelho muito competitivo mesmo em baixas populações e que medidas de controle que eliminem até 99% da infestação podem não ser suficientes para evitar perdas de rendimento que superem o custo do controle. Em relação ao tratamento com herbicida os sistemas diferiram estatisticamente em produtividade, com a testemunha. Apenas no sistema A2, o qual utilizou o sistema convencional por dois anos após o uso do sistema clearfield® não demonstrou diferença. Esse resultado é reflexo, do baixo nível de redução de número de panículas de arroz vermelho que este sistema apresentou. Porém, com a -1 aplicação de 1,0 L ha em POS (B2) no sistema com três anos consecutivos (A4) a produtividade foi substancialmente maior em comparação aos demais sistemas. Esse resultado é conseqüência da combinação da cultivar utilizada ser tolerante ao herbicida, obtendo assim, alto controle de arroz vermelho e baixa fitotoxicidade inicial, o que favoreceu a maior produção. Embora os sistemas A3 e A4 apresentarem o mesmo índice de redução de arroz vermelho, no tratamento B2, diferiram entre si em produtividade, sendo conseqüência do efeito da fitotoxicidade inicial do herbicida sobre o genótipo não tolerante, prejudicando assim, o estabelecimento inicial da cultura com reflexo na produtividade. Baseado nos resultados, conclui-se que o herbicida utilizado permanece no solo por longo período de tempo e causa danos em genótipo de arroz não tolerante 358 dias após a aplicação. Em relação a redução da incidência de arroz vermelho, a utilização do ® Sistema Clearfield por dois anos sucessivos reduz em 98% a incidência de arroz vermelho no terceiro ano de cultivo. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AGOSTINETTO, D., FLECK, N.G., RIZZARDI, M.A. E BALBINOT JR., A.A. Perdas de rendimento de grãos na cultura de arroz irrigado em função da população de plantas e da época relativa de emergência de arroz vermelho ou de seu genótipo simulador de infestação de arroz vermelho. Planta Daninha, v.22, n.2, p.175-183, 2004. COUNCE, P.A.; KEISLING, T.C.; MITCHELL, A.J. A uniform, objective, and adaptive system for expressing rice development. Crop Science, Madison, vol.40, p.436-443, 2000. -1 Tabela 1. Produtividade de grãos (kg ha ), porcentagem panículas de arroz vermelho por metro quadrado em relacão a testemunha, fitotoxicidade aos 8 dias após a emergência (DAE) e aos 14 dias após a aplicação dos tratamentos (DAA) em arroz irrigado em resposta a diferentes sistemas de rotação e da aplicação dos herbicidas imazethapyr + imazapic, após três anos de utilização. Santa Maria, RS, 2007. 7/ Sistemas Produtividade de grãos -1 Kg ha Panículas de arroz vermelho por 3/4/ metro quadrado (%) Tratamento para o controle de Arroz vermelho Tratamento para o controle de Arroz vermelho 1/ Conv 1º ano CL 2º ano Conv 3º ano A1 CL 1º ano Conv 2º ano Conv 3º ano A2 CL 1º ano CL 2º ano Conv 3º ano A3 CL 1º, 2º, 3º ano A4 1/ 2/ Fitotoxicidade aos 8 DAE 3/5/ 3/5/6/ Fitotoxicidade aos 14 DAA Tratamento para o controle de Arroz vermelho Tratamento para o controle de Arroz vermelho B1 B2 B1 B2 B1 B2 B1 B2 0 l/ha 0+1 l/ha 0 l/ha 0+1 l/ha 0 l/ha 0+1 l/ha 0 l/ha 0+1 l/ha B 1684 a A 5534 c B 100 a A 39 b B0a A 25 a B0a A 22 a A 2224 a A 1882 d B 100 a A 80 c B0a A7b B0a A 5b B 1859 a A 6582 b B 100 a A2a B0a A 39 a B0a A 35 a B 1527a A 8347 a B 100 a A1a B0a A8b B 0a A 31 a CV A 18,3 CV B 12,8 23,5 35,2 39,2 12,4 20 26,7 2 Tratamento sem aplicação de herbicida para o controle de arroz vermelho; / Tratamento com aplicação da formulação de imazethapyr + imazapic na dose de 1 -1 L ha aplicado em pós–emergência (POS); 3/ Para a análise, os dados foram transformados para 4/ yt ar cos en ( y 0,5) / 100 ; Para avaliação, foram contados o número de panículas de arroz vermelho por parcela e comparado com a testemunha sem controle, onde 0 corresponde a controle total das plantas e 5/ 100 corresponde a ausência de controle; Avaliada visualmente em percentagem, onde 0 corresponde a ausência de fitotoxicidade e 100 corresponde a morte 6/ 7/ de plantas de arroz; Aplicação em POS com as plantas no estagio V 4, segundo a escala de COUNCE et al. (2000); Sistemas de rotação os quais são denominados de Convencional (C) e Clearfield (CL). *Para cada parâmetro analisado, médias seguidas de diferentes letras minúsculas na coluna e de letras maiúsculas na linha diferem pelo teste de Tukey (P≤0,05). ® DOSES E ÉPOCAS DE APLICAÇÃO DO HERBICIDA ONLY EM DUAS CULTIVARES DE ARROZ TOLERANTE AS IMIDAZOLINONAS (1) (1) (2) Gustavo Mack Teló , Enio Marchesan , Silvio Carlos Cazarotto Villa , Rafael Bruck (1) (3) (1) 1 Ferreira , Sérgio Luiz de Oliveira Machado , Luis Antonio de Avila . Departamento de Fitotecnia, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), CEP: 97105-900, Santa Maria, 2 3 RS. Engenheiro Agrônomo, Mestre em Agronomia Departamento de Defesa Fitossanitária da UFSM. Email: [email protected]. O arroz-vermelho é a principal planta daninha na cultura do arroz irrigado. Devido às similaridades morfofisiológicas existentes entre o arroz cultivado e o arroz-vermelho, ele é tolerante a quase todos os herbicidas utilizados na cultura, dificultando sua eliminação. Atualmente, a utilização de arroz tolerante a herbicidas do grupo químico das ® imidazolinonas (Sistema Clearfield ) é uma ferramenta eficiente para o controle de arrozvermelho, sem causar prejuízos à produtividade do arroz cultivado (STEELE et al., 2002). Em experimentos conduzidos nos EUA determinou-se que, para maximizar o controle do arroz-vermelho nesse sistema, são necessárias duas aplicações de imazethapyr: uma em pré-emergência (PRE) e outra em pós-emergência (POS) (STEELE et al., 2002; OTTIS et al., 2003), sendo que naquele país a recomendação atual de aplicações seqüenciais de -1 imazethapyr é de: uma aplicação de 70 g ha em pré-plantio incorporado (PPI) ou em PRE, -1 seguida de 70 g ha em POS com o arroz no estádio de três a cinco folhas, independente do tipo de solo (OTTIS et al., 2003). No Brasil, o sistema prevê apenas uma aplicação em ® -1 -1 POS do herbicida Only (75 g ha de imazethapyr e 25 g ha de imazapic) na dose de 1,0 -1 L ha . Em áreas com alta infestação essa recomendação pode proporcionar escapes de arroz-vermelho, podendo ocasionar cruzamento natural com o arroz tolerante, reduzindo a eficácia e longevidade desta tecnologia. Nesse sentido, um experimento foi desenvolvido com o objetivo de avaliar o controle de arroz-vermelho e a tolerância de cultivares de arroz ® irrigado à doses e épocas de aplicações do herbicida Only em áreas com alta infestação do arroz-vermelho. O trabalho foi conduzido durante duas safras agrícolas (2004/05 e 2005/06), em área experimental da Universidade Federal de Santa Maria, em solo classificado como Planossolo Hidromórfico eutrófico arênico. O delineamento experimental foi de blocos ao acaso em esquema bifatorial (2x10) com quatro repetições. O fator A foi representado pelos genótipos de arroz tolerante a imidazolinonas (IRGA 422 CL e Tuno CL), e o fator B pelos tratamentos de controle do arroz-vermelho (Tabela 1). Para homogeneizar o banco de sementes, realizou-se a semeadura e incorporação ao solo de sementes de arroz-1 -1 vermelho na densidade de 125 kg ha no primeiro ano, e 115 kg ha no segundo ano, -2 obtendo-se população média de 219 e 257 plantas m , respectivamente. A semeadura do arroz cultivado foi realizada na primeira quinzena do mês de novembro nas duas safras, com semeadora de parcelas de 10 linhas espaçadas em 0,17m com 5m de comprimento. A -1 -1 densidade de semeadura foi de 108 kg ha para a cultivar IRGA 422 CL e de 45 kg ha para o híbrido TUNO CL. A adubação de base foi aplicada a lanço e incorporada juntamente com o arroz-vermelho dois dias antes da semeadura, sendo composta por 6 kg -1 -1 -1 ha de nitrogênio (N), 60 kg ha de P2O5 e 90 kg ha de K2O. A aplicação do herbicida em PRE foi efetuada um dia após a semeadura (DAS), utilizando-se pulverizador costal pressurizado com CO2 munido de pontas 11002, do tipo leque, calibrado para aplicar uma -1 vazão de 125 L ha . Em POS, a aplicação foi efetuada aos 14 dias após a emergência (DAE), com a maioria das plantas de arroz no estádio V4 (COUNCE et al., 2000) e com as plantas de arroz-vermelho em V5. Foi utilizado o mesmo pulverizador descrito acima, mas -1 -1 com vazão de 150 L ha e com adição de óleo mineral (0,5% v v ). A inundação da área foi realizada um dia após a aplicação dos tratamentos em POS, com lâmina d’água de aproximadamente 5 cm de espessura. O N aplicado foi na forma de uréia dividido em três -1 épocas: a primeira na semeadura, a segunda (60 kg ha de N) no estádio V4, um dia antes -1 da inundação, e a terceira (60 kg ha de N) na iniciação da panícula (R0). Os resultados demonstraram interação entre a doses do herbicida e cultivares (Tabela 1). O híbrido (Tuno CL) apresentou maior produtividade do que a cultivar (IRGA 422 CL), independente da dose ou época de aplicação do herbicida, exceto na testemunha (D1), onde não houve diferença entre os genótipos. Com a utilização do herbicida foi observada maior produtividade, com aumentos de até 76% para a cultivar e de até 134% para o híbrido em relação a testemunha, em ambos os anos. As doses e épocas de aplicação do herbicida não afetaram a produtividade para o híbrido, mas influenciaram os resultados da cultivar, observando-se redução na produtividade para os tratamentos D7 e D8 somente no primeiro ano. Entretanto, a aplicação de maiores doses em POS (D9 e D10) não afetou a produtividade da cultivar. Independentemente das doses aplicadas de herbicida, foi observada fitotoxicidade (dados não mostrados) na fase inicial de desenvolvimento, com maiores níveis nos tratamentos com aplicação em POS e com maiores doses, para a cultivar e em menores níveis para o híbrido. Tabela 1. Produtividade de grãos em resposta a doses e épocas de aplicação do herbicida Only em duas safras seguidas, utilizando genótipos de arroz tolerante. Santa Maria-RS, 2007. Produtividade de Grãos Doses de Only1 1º Ano (2004/05) 2º Ano (2005/06) 2 3 PRE POS Total IRGA 422 CL Tuno CL IRGA 422 CL Tuno CL -1 -1 -1 ---------- L ha ---------------- kg ha ------------ kg ha -----D1 0 0 0 A 4720 c A 4978 b A 4719 b A 4920 b D2 0,75 0 0,75 B 8346 a A 11200 a B 8104 a A 11189 a D3 0 1,0 1,0 B 7046 ab A 10646 a B 7359 a A 10954 a D4 1,0 0 1,0 B 8131 ab A 11452 a B 8009 a A 11501 a D5 0,5 0,5 1,0 B 7511 ab A 11190 a B 7489 a A 11321 a D6 0,75 0,5 1,25 B 7495 ab A 11143 a B 7491 a A 11219 a D7 0,75 0,75 1,5 B 6725 b A 10792 a B 7189 a A 11007 a D8 1,0 0,5 1,5 B 6766 b A 11409 a B 7107 a A 11284 a D9 1,0 1,0 2,0 B 7016 ab A 10809 a B 6920 a A 10950 a D10 0 2,0 2,0 B 6806 ab A 10491 a B 6964 a A 10532 a Média 7056 10411 7135 10488 C.V. (%) 7,6 4,91 1 -1 -1 2 Mistura formulada de imazetapir (75 g i.a. L ) + imazapic (25 g i.a. L ); Aplicação em pré3 emergência; Aplicação em pós-emergência [arroz-vermelho em V5 (COUNCE et al., 2000)]; * Médias dentro de cada ano não seguidas da mesma letra minúscula na coluna, e da mesma letra maiúscula na linha diferem pelo teste de Tukey em nível de 5% de probabilidade de erro. As diferentes doses e épocas de aplicação do herbicida propiciaram controle do arroz-vermelho (Tabela 2) sendo que o controle foi total para os tratamentos com -1 aplicações de doses totais a partir de 1,25 L ha (D6, D7, D8, D9 e D10), porém com maior fitotoxicidade nesses tratamentos. Convém ressaltar que duas práticas de manejo contribuíram para o melhor controle do arroz-vermelho: a aplicação precoce do herbicida e a irrigação iniciada imediatamente após a aplicação do herbicida em POS, a qual pode ter proporcionado maior disponibilidade e absorção do herbicida pelas plantas (WILLIAMS et al., 2002). A lâmina de água pode ter contribuído para o melhor controle pois atua como barreira física na emergência do arroz-vermelho. Além disso, a sistematização da área do experimento auxiliou na manutenção da lâmina de água uniforme e constante e, pelo fato de não haver taipas, o problema de reinfestação de arroz-vermelho foi reduzido. Em geral, os resultados mostram que o híbrido Tuno CL é mais tolerante a maiores doses de Only comparado com a cultivar IRGA 422 CL, constituindo-se numa ferramenta auxiliar para áreas com alta infestação de arroz-vermelho. O controle de arroz-vermelho foi total com aplicações do herbicida em PRE complementado com a aplicação em POS, -1 desde que o total aplicado não seja inferior a 1,25L ha . Esta condição é atendida pelo -1 -1 tratamento D6 (0,75L ha em PRE + 0,5L ha em POS), o qual propicia a menor dose total dentre aqueles com 100% de controle. Tabela 2- Controle de arroz-vermelho em porcentagem em genótipos de arroz tolerantes a imidazolinonas, submetidas a doses e épocas de aplicação do herbicida Only. Santa Maria, RS. 2007. 2 Controle de arroz-vermelho Doses de Only1 1º Ano (2004/05) 2º Ano (2005/06) 3 4 PRE POS Total Média IRGA IRGA Tuno CL Tuno CL 422 CL 422 CL -1 5 5 ---------- L ha ------------------- % ------------------ % ------------- % ---D1 0 0 0 ----------D2 0,75 0 0,75 A 97 b A 98 b A 95 c A 96 b 97 D3 0 1,0 1,0 A 97 b A 98 b A 98 b A 97 b 98 D4 1,0 0 1,0 A 97 b A 98 b A 98 b A 98 b 98 D5 0,5 0,5 1,0 B 97 b A 99 a A 97 b A 97 b 98 D6 0,75 0,5 1,25 A 100 a A 100 a A 100 a A 100 a 100 D7 0,75 0,75 1,5 A 100 a A 100 a A 99 b A 100 a 100 D8 1,0 0,5 1,5 A 100 a A 100 a A 100 a A 100 a 100 D9 1,0 1,0 2,0 A 100 a A 100 a A100 a A 100 a 100 D10 0 2,0 2,0 A 100 a A 100 a A 99 b A 98 b 99 Média 99 99 99 98 99 C.V. (%) 0,2 0,8 1 -1 -1 2 Mistura formulada de imazetapir (75 g i.a. L ) + imazapic (25 g i.a. L ); O controle de arroz-vermelho foi avaliado visualmente, em percentagem, onde 0 corresponde a ausência de controle e 100 3 4 corresponde a controle total de plantas; Aplicação em pré-emergência; Aplicação em pós5 emergência [arroz-vermelho em V5 (COUNCE et al., 2000)]; Para a análise, os dados foram transformados usando a fórmula yt log ( y 1) ; * Médias dentro de cada ano não seguidas da 10 mesma letra minúscula na coluna, e da mesma letra maiúscula na linha diferem pelo teste de Tukey em nível de 5% de probabilidade de erro. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS COUNCE, P. A., KEISLING, T. C., MITCHELL, A.J. A uniform, objtective and adaptive system for expressing rice development. Crop Science, n. 40, 436-443, 2000. OTTIS, B.V. et al. Imazethapyr application methods and sequences for imidazolinonetolerant rice (Oryza sativa). Weed Technology, v. 17, n. 3, p. 526-533, 2003. STEELE, G.L.; CHANDLER, J.M.; McCAULEY, G.N. Control of red rice (Oryza sativa) in imidazolinone-tolerant rice (O. sativa). Weed Technology, v.16, n.3, p.627-630, 2002. WILLIAMS, B.J. et al. Weed management systems for Clearfield Rice. Louisiana Agriculture, v. 45, n. 1, p. 16-17, 2002. AGRADECIMENTO: A FAPERGS pela bolsa de estudo ao estudante/pesquisador Gustavo Mack Teló, a CAPES pela bolsa de mestrando a Silvio C.C. Villa, ao CNPq pelo apoio financeiro na realização do trabalho. RESIDUAL DA MISTURA FORMULADA DOS HERBICIDAS IMAZETHAPYR E IMAZAPIC EM ÁREA COM CULTIVO SUCESSIVO DE ARROZ IRRIGADO (1) (1) (1) Enio Marchesan , Gustavo Mack Teló , Rafael Bruck Ferreira , Paulo Fabrício Sachet (1) (1) (2) Massoni , Alejandro Fausto Kraemer , Sérgio Luiz de Oliveira Machado , Luis Antonio (1) 1 de Avila . Departamento de Fitotecnia, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), 2 CEP: 97105-900, Santa Maria, RS. Departamento de Defesa Fitossanitária da UFSM. Email: [email protected]. Nos últimos anos, a mistura formulada dos herbicidas imazethapyr e imazapic ® (Only ) vem sendo amplamente utilizada no Rio Grande do Sul, desde o lançamento de cultivares de arroz tolerante a imidazolinonas. Entretanto, trabalhos destacam a ocorrência de fitotoxicidade ao arroz tolerante nos estágios iniciais de desenvolvimento, e persistência do herbicida na água e nos solos por longo período (LOPES, 2005), o que poderia provocar contaminação do ambiente (lençóis freáticos e mananciais hídricos) e prejudicar o estabelecimento de culturas sucessoras não tolerantes. O dano provocado pelo residual do herbicida no solo depende do intervalo entre a aplicação do herbicida e a semeadura da cultura em sucessão (DONALD, 2006), e varia de acordo com as condições edafoclimáticas e de fatores de manejo que afetam a dissipação do produto. A maioria das recomendações de intervalo de segurança existentes, principalmente para imazethapyr e imazaquim, se baseiam em estudos realizados nos EUA e na Europa, onde as condições edafoclimáticas são diferentes das encontradas no Brasil, o que modifica o residual desses herbicidas. Portanto, é fundamental o estudo e o conhecimento do efeito residual no solo dos herbicidas imazethapyr e imazapic em culturas não tolerantes, principalmente pela carência de informações de seu comportamento em especial, em solos de várzea. Em vista do exposto, um experimento foi conduzido com o objetivo de avaliar o efeito residual dos herbicidas imazethapyr e imazapic no solo em arroz tolerante e não tolerante a imidazolinonas, em áreas com aplicação dos herbicidas nas duas safras anteriores. O experimento foi conduzido na safra de 2006/07 em área de várzea sistematizada da Universidade Federal de Santa Maria (Santa Maria, RS), em solo classificado como Planossolo Hidromórfico eutrófico arênico. O delineamento experimental foi de blocos ao acaso, em esquema bifatorial (2x10) com 4 repetições. O fator A representou as cultivares de arroz: uma tolerante a imidazolinonas (IRGA 422CL) e outra não tolerante (IRGA 417). O fator D representado pelas doses da mistura formulada dos herbicidas imazethapyr e imazapic (Tabela 1), o herbicida foi aplicado nas duas safras agrícolas anteriores (2004/05 e 205/06). A semeadura do arroz foi realizada no dia 03/10/2006, com semeadora de parcelas de 10 linhas espaçadas em 0,17m com 5m de -1 -1 comprimento, e na densidade de 110 kg ha de semente. A adubação foi de 17,5 kg ha -1 -1 de nitrogênio (N), 70 kg ha de P2O5, e 105 kg ha de K2O. A emergência ocorreu em -1 17/10/2006. Foi realizada uma aplicação de Penoxsulam (200 ml ha ) para o controle de plantas daninhas. A inundação da área foi retardada, tendo início 30 DAE (dias após a emergência), devido ao atraso no crescimento das plantas provocado pelo residual da mistura dos herbicidas, principalmente na cultivar não tolerante (IRGA 417). O N aplicado foi na forma de uréia dividido em três épocas: a primeira na semeadura, a segunda (80 kg -1 -1 ha de N) um dia antes da inundação, e a terceira (40 kg ha de N) na iniciação da panícula. No entanto, a terceira aplicação de N foi atrasada em nove dias, também devido ao atraso no desenvolvimento da cultivar IRGA 417. Não foi observada diferença no estante inicial (Tabela 1) entre as doses de herbicida aplicado nas safras anteriores (2004/05 e 2005/06). Entretanto, houve diferença significativa entre as cultivares, sendo que IRGA 422 CL apresentou valores maiores de estande inicial do que IRGA 417, isso ocorreu, provavelmente porque o residual dos herbicidas no solo provocou morte precoce de plantas, logo após o início da germinação para a cultivar não tolerante. Não houve diferença na produtividade de grãos entre as diferentes doses do herbicida aplicado nas safras anteriores em ambas as cultivares. Entretanto, houve diferença entre as cultivares, sendo que IRGA 417 apresentou produtividade 19% menor do que a cultivar IRGA 422 CL. Essa redução pode ser associada ao residual dos herbicidas no solo, visto que, em área sem aplicação dos herbicidas, não houve diferença -1 na produtividade entre as cultivares IRGA 417 (8.944 kg ha ) e IRGA 421 CL (9.069 kg ha 1 ). Confirmando outros trabalhos que também demonstram efeito negativo do residual de herbicidas do grupo das imidazolinonas na produtividade de culturas não tolerantes (LOUX & REESE, 1993), com redução na produtividade de grãos do arroz de até 41% (ZHANG et al., 2002). Tabela 1 – Estande inicial de plantas e produtividade de grãos em duas cultivares de arroz após o uso ® da mistura formulada de Imazethapyr+Imazapic (Only ) nas duas safras anteriores (2004/05 e 2005/06). Santa Maria-RS, 2007. 1 Doses do herbicida 2 Estande Inicial Produtividade de Grãos 3 PRE POS Total IRGA 417 IRGA 422CL IRGA 417 IRGA 422CL -1 -2 -1 ---------- L ha ----------- plantas m ----------------- kg ha -------------ns ns 4 4 D1 0 0 0 323 410 ----------ns ns D2 0,75 0 0,75 229 365 6.506 9.118 D3 0 1,0 1,0 250 325 8.068 8.263 D4 1,0 0 1,0 258 318 7.515 9.546 D5 0,5 0,5 1,0 321 346 7.157 8.808 D6 0,75 0,5 1,25 263 328 7.195 9.757 D7 0,75 0,75 1,5 321 355 6.706 8.866 D8 1,0 0,5 1,5 239 336 7.107 9.649 D9 1,0 1,0 2,0 219 369 7.564 7.459 D10 0 2,0 2,0 160 401 7.433 8.925 Média 258 B 355 A 7.250 B 8.932 A C.V. (%) 8,3 13,1 1 -1 -1 2 3 Mistura formulada de imazetapir (75 g L ) + imazapic (25 g L ); Aplicação em pré-emergência; 4 Aplicação em pós-emergência [arroz-vermelho em V5 (COUNCE et al., 2000)]; Parcelas não foram ns colhidas; Teste F não significativo em nível de 5% de probabilidade de erro; * Médias não seguidas da mesma letra minúsculas na coluna (comprando doses de herbicidas) e maiúscula na linha (comparando média de cultivares) diferem pelo teste de Tukey em nível de 5% de probabilidade de erro. O efeito residual do herbicida no solo promoveu fitotoxidade nas plantas (Tabela 2). No entanto, na avaliação aos 9 DAE, não houve diferença estatística na fitotoxidade entre as cultivares e entre as doses do herbicida que foram aplicadas nas safras anteriores. Porém após a entrada da água, observou-se aumento nos valores encontrado para fitotoxidade em ambas as cultivares (35 e 43 DAE), sendo que para a cultivar IRGA 417 houve diferença entre as doses aplicada do herbicida. A fitotoxicidade foi observada até 65 DAE. Para STEELE et al. (2000), em condições adversas para o desenvolvimento do arroz, essa fitotoxicidade pode afetar a produtividade de grãos, como observado neste trabalho. Portanto, o residual da mistura formulada dos herbicidas imazethapyr e imazapic no solo decorrente da aplicação em duas safras consecutivas pode provocar fitotoxicidade em cultivar não tolerante (IRGA 417), afetando o desenvolvimento das plantas, o estande inicial e a produtividade de grãos. A fitotoxicidade foi acentuada com o início da irrigação, e foi observada até 65 DAE. Tabela 2 - Fitotoxicidade de plantas em duas cultivares de arroz após o uso da mistura formulada de Imazethapyr+Imazapic nas duas safras anteriores. Santa Maria-RS, 2007. 1 Fitotoxidade de Plantas 2 3 3 9 DAE 35 DAE 43 DAE 4 Tratamentos IRGA IRGA IRGA IRGA 417 IRGA 417 IRGA 417 422CL 422CL 422CL --------- % ----------------- % ----------------- % --------ns ns D1 0 b 0 d 0 0 c 0 D2 56 a 49 bc 5 74 ab 5 D3 53 a 43 c 5 36 bc 28 D4 59 a 55 abc 14 75 ab 18 D5 49 a 44 bc 6 74 ab 8 D6 58 a 65 abc 5 78 ab 7 D7 48 a 44 bc 5 74 ab 5 D8 70 a 79 a 6 91 a 9 D9 56 a 69 abc 4 93 a 4 D10 66 a 71 ab 11 90 a 13 Média 58 A 45 B 52 A 6 B 68 A 9 B C.V. (%) 11,1 11,6 12,5 1 A fitotoxicidade no arroz foi avaliada visualmente, em percentagem, onde 0 corresponde a ausência 2 de fitotoxicidade e 100 corresponde a morte de plantas de arroz; Avaliação realizada antes do inicio 3 4 da irrigação; Avaliações realizada após o inicio da irrigação; Mistura formulada de imazetapir (75 g L 1 -1 ) + imazapic (25 g L ), onde os tratamentos estão descritos na Tabela 1; * Médias não seguidas da mesma letra minúsculas na coluna (comprando doses de herbicidas) e maiúscula na linha (comparando média de cultivares) diferem pelo teste de Tukey em nível de 5% de probabilidade de erro. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS COUNCE, P. A., KEISLING, T. C., MITCHELL, A.J. A uniform, objtective and adaptive system for expressing rice development. Crop Science, n. 40, 436-443, 2000. DONALDA, W. Estimated corn yields using either weed cover or rated control after preemergence herbicides. Weed Science, vol. 54, n. 2, pag. 373-379, 2006. LOPES, S. I. G. Arroz Irrigado: situação atual e perspectivas de uso de cultivares híbridas, transgênicas e mutadas. In: IV CBAI, Santa Maria, RS, 2005 – Anais..., v.2, p.594-609. LOUX, M. M.; REESE, K. D. Effect of soil type and pH on persistence and carryover of imidazolinone herbicides. Weed Technology, v.7, n.2, p.452-458,1993. STEELE, G.L.; CHANDLER, J.M.; McCAULEY, G.N. Control of red rice (Oryza sativa) in imidazolinone-tolerant rice (O. sativa). Weed Technology, v.16, n.3, p.627-630, 2002. ZHANG W. et al. Rice (Oryza sativa) response to rotational crop and rice herbicide combinations. Weed Technology, v.16, p.340–345, 2002. AGRADECIMENTO: Ao CNPq pela bolsa de estudo ao pesquisador Gustavo Mack Teló e ao Grupo de Pesquisa em Arroz e Uso Alternativo de Várzea da UFSM, pelo apoio na realização do trabalho.