INVENTÁRIO DE EMISSÕES DE GEE – SOUZA CRUZ ESC ͟͠͞͡ Consultores Associados ltda INVENTÁRIO DE EMISSÕES DE GEE 2013 SOUZA CRUZ FEVEREIRO / 2014 ESC Consultores Associados ltda Page 1 INVENTÁRIO DE EMISSÕES DE GEE – SOUZA CRUZ ͟͠͞͡ ESC Consultores Associados ltda Autor : Jorge Augusto Rodrigues (Consultor / Ger. Projeto) Rio de Janeiro, RJ, Brasil [email protected] Colaborador : Paula Hermogenes (Ger. Meio Ambiente, Segurança e Saúde Ocupacional) [email protected] ESC Consultores Associados ltda Page 2 INVENTÁRIO DE EMISSÕES DE GEE – SOUZA CRUZ ͟͠͞͡ Resumo : Este relatório apresenta as emissões de gases de efeito estufa e os estoques de carbono mantidos em toda a cadeia produtiva da Souza Cruz em 2013, abrangendo as atividades agrícolas realizadas pelos produtores fornecedores de tabaco, a logística de matérias primas e principais insumos, o processamento do tabaco e sua distribuição, e a fabricação de cigarros e sua distribuição. Também estão incluídas as atividades administrativas tais como transporte aéreo e terrestre dos funcionários. O panorama geral das emissões (tabela 1) demonstra uma estabilidade ao longo dos últimos anos e um leve aumento em 2013 (9%) em relação ao ano anterior, em boa parte em função do aumento do fator de emissão de energia elétrica (cerca de 44% em relação a 2012) e a mudança nos fatores GWP – Global Warming Potential – para os gases CH4, N2O e gases de refrigeração considerados. Tabela 1 : Panorama geral das emissões. Emissões por Escopo (tCO2e) Escopo 1 Escopo 2 Escopo 3 Total 2009 28.951 4.123 177.68 210.754 2010 30.670 9.656 162.484 202.810 2011 32.451 5.765 165.228 203.444 2012 33.417 13.164 151.897 198.478 2013* 32.735 20.751 163.324 216.810 *Neste inventário não foram considerados os gases de refrigeração R-22 e R-141b, conforme orientação do GHG protocol brasileiro. A distribuição proporcional das emissões por escopo pode ser vista na figura 1. ESC Consultores Associados ltda Page 3 INVENTÁRIO DE EMISSÕES DE GEE – SOUZA CRUZ ͟͠͞͡ Figura 1: Emissões por escopo Esta distribuição evidencia que a maior contribuição em termos de emissões esta associada às atividades que a empresa não tem controle sobre as mesmas, mas elegeu como sendo importantes e devendo ser incorporadas ao seu balanço de carbono. Para um melhor entendimento de quais são as contribuições e como as emissões foram compiladas mostramos na sequência mais detalhes sobre as mesmas por cada escopo. A distribuição proporcional das emissões diretas (escopo 1) pode ser vista na figura 2. ESC Consultores Associados ltda Page 4 INVENTÁRIO DE EMISSÕES DE GEE – SOUZA CRUZ ͟͠͞͡ Figura 2 : Emissões diretas Nesta caso fica evidente que a maior contribuição em termos de emissões diretas das atividades da empresa esta associada a atividade de venda e entrega do produto no varejo tendo em vista a proporção de emissões associadas ao uso de combustíveis em fontes móveis. Na sequência o uso de combustíveis em fontes fixas, ou seja, na geração de energia , é a mais relevante emissão direta. A distribuição proporcional das emissões indiretas (escopo 3) pode ser vista na figura 3. As atividades dos produtores de tabaco são responsáveis pela maior contribuição em termos de emissões. ESC Consultores Associados ltda Page 5 INVENTÁRIO DE EMISSÕES DE GEE – SOUZA CRUZ ͟͠͞͡ Figura 3 : Emissões indiretas Como as emissões dos produtores são as mais significativas é importante dar destaque às mesmas e apresentar o seu detalhamento, conforme mostra a figura 4. As técnicas de trato do solo – adubação nitrogenada e calagem – assim como a cura final do tabaco são as atividades de maior emissão neste caso. ESC Consultores Associados ltda Page 6 INVENTÁRIO DE EMISSÕES DE GEE – SOUZA CRUZ ͟͠͞͡ Figura 4 : Emissões dos produtores de Tabaco Na sequência pode ser vista a comparação do total das emissões contabilizadas pela empresa (figura 5). A empresa adota o uso de energia renovável de biomassa na sua matriz energética e como resultado desta prática a maior parte das emissões associadas às suas atividades é neutra, ou seja, é proveniente de insumos energéticos que capturaram carbono na sua formação. ESC Consultores Associados ltda Page 7 INVENTÁRIO DE EMISSÕES DE GEE – SOUZA CRUZ ͟͠͞͡ Figura 5 : Comparação entre as emissões neutras e totais. Finalizando este resumo do relatório mostramos também os estoques de carbono existentes (tabela 2) e como estão distribuídos (figura 6). Estes estoques são devidos às práticas adotadas para geração própria de biomassa (fazendas de produção de lenha) e às práticas de preservação da biodiversidade (parques ambientais e preservação de mata nativa), adotadas e mantidas pela empresa. Sumidouros Fazendas – florestas de eucalipto Fazendas – matas nativas Parques ambientais total Estoque de carbono (tCO2e) 689.700 993.958 77.183 1.760.841 Tabela 2 : Resumos dos estoques de carbono. ESC Consultores Associados ltda Page 8 INVENTÁRIO DE EMISSÕES DE GEE – SOUZA CRUZ ͟͠͞͡ Figura 6 : Distribuição proporcional dos estoques de carbono. ESC Consultores Associados ltda Page 9 INVENTÁRIO DE EMISSÕES DE GEE – SOUZA CRUZ ͟͠͞͡ LISTA DE TABELAS Tabela 1 Tabela 2 Tabela 3 Tabela 4 Tabela 5 Tabela 6 Tabela 7 Tabela 8 Tabela 9 Tabela 10 Tabela 11 Tabela 12 Tabela 13 Tabela 14 Tabela 15 Tabela 16 Tabela 17 Tabela 18 Tabela 19 Tabela 20 Tabela 21 Tabela 22 Tabela 23 Tabela 24 Tabela 25 Tabela 26 Tabela 27 Tabela 28 Tabela 29 Tabela 30 Tabela 31 Tabela 32 Tabela 33 Tabela 34 Tabela 35 Tabela 36 Tabela 37 Tabela 38 Tabela 39 Tabela 40 Tabela 41 Tabela 42 Tabela 43 Tabela 44 - Panorama geral das emissões Resumo dos estoques de carbono CMT: Emissões da adubação nitrogenada (escopo 1) CMT: Consumo de energia e respectiva emissão (escopo 2) CMT: Uso de máquinas agrícolas (escopo 1) CMT: Geração de energia (escopo 1) Emissões da adubação nitrogenada na produção de mudas Float – consumo de energia elétrica pelo bombeamento de água (escopo 2) Dados fornecidos pela Souza cruz Emissões da calagem Emissões da adubação Emissões do uso de máquinas Emissões da irrigação Emissões do consumo de energia elétrica na cura Emissões do uso de lenha na cura Estoques de carbono nas florestas dos produtores Transporte de tabaco do produtor para a Souza cruz Emissões do deslocamento dos orientadores agrícolas Consolidado das emissões da fase 1 (agrícola) Emissões da geração de energia Emissões do frete no transporte de matéria prima e produto acabado Emissões da movimentação por frete de tabaco processado Emissões de viagens comerciais e de distribuição Emissões de uso de taxi Emissões de viagens aéreas Emissões de resíduos em aterro sanitário Emissões de gases de refrigeração Emissões de energia elétrica Emissões do tratamento de efluentes Resumo das emissões da fase industrial Emissões de combustíveis em fontes móveis próprias Emissões de combustíveis em máquinas florestais Emissões de transporte de lenha Consumo de insumos nas fazendas Emissões de adubação nitrogenada Emissões de calagem Consolidado de emissões das fazendas Dados cadastrais das fazendas Estoque de carbono nas florestas plantadas Estoque de carbono nas florestas nativas Dados cadastrais dos parques Estoques de carbono nos parques Resumo geral dos estoques Quantificação das emissões por escopo 3 8 18 19 19 19 20 21 22 22 23 23 24 26 26 27 28 29 29 30 31 31 31 32 32 32 33 33 34 34 35 36 36 36 37 37 37 38 39 39 40 41 41 42 ESC Consultores Associados ltda Page 10 INVENTÁRIO DE EMISSÕES DE GEE – SOUZA CRUZ Tabela 45 Tabela 46 - ͟͠͞͡ Consolidado das emissões Emissões neutras as cadeia da Souza Cruz 43 45 Referências e informações extraídas Emissões por escopo Emissões diretas Emissões indiretas Emissões dos produtores de tabaco Comparação entre as emissões neutras e totais Distribuição proporcional dos estoques de carbono Emissões da fase de produção de sementes - CMT Emissões da fase de produção de mudas pelos produtores Contribuições durante o preparo e plantio de mudas Cura do tabaco (emissões de N2O e CH4 da lenha são contabilizadas) Estufa LL Estufa convencional Estoques de carbono nas fazendas Distribuição relativa dos estoques Emissões por escopo Distribuição das emissões diretas Distribuição das emissões indiretas Distribuição das emissões dos produtores Composição das emissões neutras Emissões totais contabilizadas e neutras 14 4 5 6 7 8 9 17 20 21 24 25 25 40 41 42 43 44 44 45 46 ILUSTRAÇÕES Quadro 1 Figura 1 Figura 2 Figura 3 Figura 4 Figura 5 Figura 6 Figura 7 Figura 8 Figura 9 Figura 10 Figura 11 Figura 12 Figura 13 Figura 14 Figura 15 Figura 16 Figura 17 Figura 18 Figura 19 Figura 20 - ESC Consultores Associados ltda Page 11 INVENTÁRIO DE EMISSÕES DE GEE – SOUZA CRUZ ͟͠͞͡ SUMÁRIO 1. 1.1 1.2 2. 2.1 2.1.1 2.1.2 2.1.3 3. 3.1 3.2 3.3 4. 4.1 4.1.1 4.1.2 4.1.3 4.1.4 4.1.5 4.1.6 4.1.7 4.2 4.3 5. 5.1 5.2 5.3 5.4 6. 6.1 6.2 INTRODUÇÃO O INVENTÁRIO DE EMISSÕES DE GEE E AS MUDANÇAS CLIMÁTICAS PRINCÍPIOS ADOTADOS NO RELATÓRIO METODOLOGIA DEFINIÇÃO DE ABRANGÊNCIA E PERÍODO DE REFERÊNCIA Fronteiras Organizacionais Fronteiras Operacionais Período de Referência SOUZA CRUZ DESCRIÇÃO DA ORGANIZAÇÃO FRONTEIRAS ORGANIZACIONAIS FRONTEIRAS OPERACIONAIS EMISSÕES DE GEE NA CADEIA PRODUTIVA DA SOUZA CRUZ FASE AGRÍCOLA Melhoramento e Produção de Sementes Produção de Mudas Plantio de Tabaco Cura do Tabaco Estoque de Carbono Transporte de Tabaco Balanço das Emissões da Fase Agrícola FASE INDUSTRIAL ATIVIDADES DAS FAZENDAS DE PRODUÇÃO DE LENHA ESTOQUE DE CARBONO NAS FAZENDAS DA SOUZA CRUZ FLORESTAS PLANTADAS FLORESTAS NATIVAS PARQUES AMBIENTAIS RESUMO DOS ESTOQUES DE CARBONO NAS PROPRIEDADES DA SOUZA CRUZ RESULTADOS EMISSÕES CONTABILIZADAS EMISSÕES NEUTRAS (NÃO CONTABILIZADAS NO TOTAL DAS EMISSÕES DA SC) REFERÊNCIAS GLOSSÁRIO 13 13 14 14 15 15 15 15 16 16 16 16 16 17 17 19 21 24 26 28 29 29 35 37 38 39 40 41 42 42 45 47 48 ESC Consultores Associados ltda Page 12 INVENTÁRIO DE EMISSÕES DE GEE – SOUZA CRUZ ͟͠͞͡ 1. INTRODUÇÃO 1.1. O INVENTÁRIO DE EMISSÕES DE GEE E AS MUDANÇAS CLIMÁTICAS O inventário de GEE – Gases de Efeito Estufa - é um instrumento que quantifica as emissões da organização que estão associadas às mudanças climáticas, dentro de um critério internacionalmente recomendado. De posse do inventário a organização pode avaliar o seu impacto neste contexto, permitindo também que seja montada uma estratégia de ação para mitigação e ou priorização de ações eficientes de redução. As informações obtidas podem servir para : - gerenciamento periódico das emissões; - benchmarking no setor de atuação; - avaliação de riscos e oportunidades; e - estabelecimento de metas Vários protocolos e normas foram utilizados na elaboração deste relatório, como segue ; - Intergovernmental Panel on Climate Change – IPCC – Guidelines for National GHG Inventories, 2006 (IPCC, 2006); - Norma NBR ISO 14064; Associação Brasileira de Normas Técnicas, 2007 (ABNT, 2007); - Especificações do Programa Brasileiro GHG Protocol; Especificações de Verificação do Programa Brasileiro GHG Protocol; GHG Corporate Protocol – Programa Brasileiro GHG Protocol (PBGHGP) – Fundação Getúlio Vargas; World Resources Institute (FGV/GVces; WRI, 2011) - Greenhouse gas conversion factors for company reporting – DEFRA – Department for Environment, Food and Rural Affairs (UKDEFRA, 2012) O quadro 1 apresenta as referências e as respectivas informações extraídas das mesmas : ESC Consultores Associados ltda Page 13 INVENTÁRIO DE EMISSÕES DE GEE – SOUZA CRUZ Referência IPCC, 2006 NBR ISO 14064 Programa Brasileiro GHG Protocol DEFRA ͟͠͞͡ Informações extraídas . fatores de emissão . metodologias de cálculo . alocação e categorias de fontes e sumidouros de GEE . definição de fronteiras e escopo . princípios e requisitos para quantificação e elaboração de relatórios . determinações desde o projeto até a verificação do inventário . alocação / categorização de fontes . definição de fronteiras e escopo . fatores : conversão e emissão Adotar os critérios citados faz com que o relatório tenha credibilidade internacional. 1.2 PRINCÍPIOS ADOTADOS NO RELATÓRIO : . Relevância: Assegurar que o inventário de GEE reflita apropriadamente as emissões do processo em foco e que atenda a necessidades de tomada de decisão de seus usuários. . Completeza: Registrar todas as fontes e atividades emissoras de GEE dentro dos limites selecionados, e documentar e justificar qualquer exclusão específica, caso exista. . Consistência: Utilizar metodologias reconhecidas e aceitas tecnicamente, que permitam comparações das emissões com as de outros processos similares. Documentar claramente qualquer alteração de dados, limites de inventário, métodos empregados ou outros fatores relevantes no período de tempo coberto pelo relatório. . Transparência: Tratar todos os assuntos de forma coerente e factual, alicerçada em evidências objetivas. Revelar quaisquer suposições relevantes, bem como fazer referência apropriada às metodologia de cálculo e de registro e ainda as fontes de dados utilizadas. . Acuidade: Através da aplicação de dados apropriados, de fatores de emissão ou estimativas, assegurar que a quantificação das emissões de GEE não esteja subestimada ou superestimada. Reduzir as incertezas ao mínimo possível e obter um nível de resultados que possibilite a tomada de decisões com segurança. 2. METODOLOGIA As etapas metodológicas desenvolvidas para a elaboração deste inventário foram : ESC Consultores Associados ltda Page 14 INVENTÁRIO DE EMISSÕES DE GEE – SOUZA CRUZ ͟͠͞͡ 1. DEFINIÇÃO DE ABRANGÊNCIA E PERÍODO DE REFERÊNCIA 2. IDENTIFICAÇÃO DE FONTES E SUMIDOUROS COLETA DE INFORMAÇÕES CÁLCULO DE EMISSÕES / REMOÇÕES E INCERTEZAS APRESENTAÇÃO DE RESULTADOS 2.1. DEFINIÇÃO DE ABRANGÊNCIA E PERÍODO DE REFERÊNCIA 2.1.1 Fronteiras organizacionais Dentre as duas opções possíveis – participação acionária ou controle operacional – foi escolhida a segunda, ou seja : Controle operacional : nesta a organização é responsável por 100% da emissões de GEE das operações. 2.1.2 Fronteiras operacionais Foram adotadas as 3 categorias do GHG protocol, que são: - Escopo 1 : emissões diretas de GEE provenientes de fontes que pertencem ou são controladas pela empresa. - Escopo 2 : emissões indiretas de GEE provenientes da aquisição de energia elétrica que é consumida pela empresa. - Escopo 3 : todas as outras emissões indiretas, que são consequência da atividade da empresa mas que ocorrem em fontes que não pertencem ou são controladas pela mesma (relato opcional) 2.1.3 Período de referência A compilação de GEE foi feita em função do ano base 2013 (dez/2012 – nov/2013), sendo o ano de 2008 a base para o monitoramento de desempenho ao longo do período. ESC Consultores Associados ltda Page 15 INVENTÁRIO DE EMISSÕES DE GEE – SOUZA CRUZ ͟͠͞͡ 3. SOUZA CRUZ 3.1 DESCRIÇÃO DA ORGANIZAÇÃO Líder absoluta no mercado brasileiro de cigarros, com participação superior a 60%, a Souza Cruz integra o Grupo British American Tobacco (BAT), com sede em Londres, na Inglaterra, e presente em 180 países. Fundada há 110 anos, a Empresa atua em todas as etapas da cadeia produtiva de tabaco, do cultivo das folhas de tabaco à fabricação e distribuição de cigarros para mais de 300 mil pontos de venda em todo o Brasil. Para isso, conta com duas fábricas – uma delas com o maior volume de produção de toda a BAT –, Parque Gráfico, três Usinas de Processamento, seis Centrais Integradas de Distribuição e diversos postos de abastecimento. A produção de tabaco é realizada por meio de um sistema integrado, implantado de forma pioneira pela Empresa em 1918, no qual cerca de 30 mil produtores rurais recebem da Empresa insumos e assistência técnica, além da garantia da compra da safra anteriormente contratada. 3.2 FRONTEIRAS ORGANIZACIONAIS Considerando que 100% das operações da empresa são controladas pela corporação, as emissões e remoções serão contabilizadas para a Souza Cruz na sua totalidade. 3.3 FRONTEIRAS OPERACIONAIS Os estados em que se concentram as atividades de produção, distribuição e outras da empresa são: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Pernambuco, Brasília, além de outros aonde a empresa mantém estrutura de distribuição. As fronteiras operacionais estão limitadas pelas atividades e estados citados. 4. EMISSÕES DE GEE NA CADEIA PRODUTIVA DA SOUZA CRUZ A cadeia produtiva da empresa é dividida em duas fases – Agrícola e Industrial. A fase agrícola é constituída basicamente pela parceria da empresa com os agricultores que produzem a matéria prima principal – tabaco – para a empresa. A fase industrial engloba todas as operações de processamento do tabaco, fabricação do produto e sua distribuição, além de outras de suporte. Ambas as fases estão totalmente interligadas face a parceria entre a empresa e os produtores de tabaco. ESC Consultores Associados ltda Page 16 INVENTÁRIO DE EMISSÕES DE GEE – SOUZA CRUZ ͟͠͞͡ Além das fases citadas existe também uma atividade de produção de lenha em fazendas próprias para suprir a necessidade de energia na produção. 4.1 FASE AGRÍCOLA A produção do tabaco utilizado pela empresa em 2013 foi feita em parceria com 29.694 produtores distribuídos em 27.692 propriedades. Este sistema vem sendo mantido e aperfeiçoada ao longo de muitas décadas. Nesta parceria a empresa fornece tecnologia, assistência técnica, insumos e sementes, que são pagos na entrega da produção. A compra da produção é garantida aos produtores. Esta fase agrícola começa com a produção de mudas e termina com a entrega do tabaco à Souza cruz. Nesta fase será atribuída a empresa (escopo 1) as emissões referentes ao uso de combustível nos veículos dos orientadores agrícolas. Todas as demais emissões serão compiladas como escopo 3. 4.1.1 MELHORAMENTO E PRODUÇÃO DE SEMENTES A empresa produz as sementes que serão distribuídas aos agricultores e para tal conta com três áreas de produção localizadas em Rio Negro/PR, Nova Esperança/PR e Mafra/SC. Este processo possui as seguintes etapas: produção de sementes no campo, beneficiamento, controle de qualidade, peletização e acondicionamento para distribuição. O fluxo citado, desenvolvido no Centro de Melhoramento de Tabaco – CMT – da Souza Cruz, pode ser visto a seguir. Adubação nitrogenada Energia elétrica CMT Sementes Diesel e GLP Figura 7: Emissões da fase de produção de sementes do CMT – Centro de Melhoramento de Tabaco ESC Consultores Associados ltda Page 17 INVENTÁRIO DE EMISSÕES DE GEE – SOUZA CRUZ ͟͠͞͡ Para o cálculo das emissões da adubação nitrogenada nesta e em todas as demais fases de adubação nitrogenada foram consideradas as especificações fornecidas pela empresa para as formulações e quantidades aplicadas. Com esta informação é possível calcular a quantidade de nitrogênio aplicada e a emissão associada em toneladas de carbono equivalente se valendo da seguinte fórmula: E = FE * N * FCN * FCC * C Onde: E- Emissões de carbono (t CO2e) FE – Fator de Emissão em kg de N2O – N / kg N N – kg de N aplicado FCN – Fator de Conversão de N2O – N para N2O FCC – Fator de Conversão de N2O para CO2 C – Conversão de kg para toneladas Tabela 3 – CMT : Emissões da adubação nitrogenada (escopo 1) Ítem Valor Unidade Fator de emissão 1(IPCC) 0,01 Kg N2O – N / kg N Nitrogênio do adubo usado na semeadura 24.280 Kg N Emissão de N2O – N 243 Kg Fator de conversão N2O – N em N2O 1,571 n/a Emissão de N2O (convertida) 0,4 t N2O Fator de conversão N2O em CO2 equivalente 298 n/a Emissão total 119 t CO2 Para o cálculo das emissões provenientes do consumo de energia elétrica nesta fase foi utilizado o consumo informado pela empresa e o fator médio do período (dez/2012 – nov/2013), e a fórmula: E = C * FE Onde: E- Emissões de carbono (t CO2e) FE – Fator de Emissão t CO2e / MWh C – consumo de eletricidade (MWh) 1 2006 IPCC Guidelines for National Greenhouse Gas Inventories. Volume 4, chapter 11. Table 11.1 Default emissions factors to estimate direct N2O emissions from managed soils ESC Consultores Associados ltda Page 18 INVENTÁRIO DE EMISSÕES DE GEE – SOUZA CRUZ ͟͠͞͡ Tabela 4 – CMT : Consumo de energia e respectiva emissão (escopo 2) Ítem Fator de emissão para energia elétrica EFel(1) Consumo de energia elétrica Emissão total (1) (2) Valor 0,0988(2) 159,3 16 Unidade t CO2 / MWh MWh t CO2 Fatores de emissão de CO2 pela geração de energia elétrica no Sistema Interligado Nacional do Brasil: www.mct.gov.br Média calculada dez/2012 – nov/2013 Tabela 5 – CMT : Uso de máquinas agrícolas (escopo 1) Ítem Consumo de diesel Emissão diesel – CO2 Emissão diesel – CH4 Emissão diesel - N2O Emissão biodiesel (não renovável – CH4) Emissão biodiesel (não renovável – N2O) Emissão biodiesel (renovável – CO2) Emissão GLP Emissão de CO2e Emissão de CO2e Neutra Valor 25.164 64,9 0 0,03 0 0 3,1 0,1 72,6 3,1 Unidade L t CO2 t CH4 t N2O t CH4 t N2O t CO2 t CO2 t CO2e t CO2e Quantidade 1,0 t 0t 0t 2,0 t Emissão (t CO2e) 2,8 0 0,1 7,1 9,9 0,1 Tabela 6 – CMT : Geração de energia (escopo 1) Fonte Óleo diesel Biodiesel (contabilizada) Biodiesel (renovável) GLP Emissão de CO2e Emissão de CO2e Neutra 4.1.2 PRODUÇÃO DE MUDAS As mudas são produzidas no sistema FLOAT, onde as bandejas, contendo substrato específico mais as sementes, são arranjadas sobre uma lâmina de água de 5 cm de espessura. Sobre esta estrutura há uma cobertura plástica que forma uma proteção sobre as mudas sendo geradas. Este sistema elimina a necessidade de fumigação, diminui o uso de água e defensivos, e produz mudas mais saudáveis e uniformes. ESC Consultores Associados ltda Page 19 INVENTÁRIO DE EMISSÕES DE GEE – SOUZA CRUZ ͟͠͞͡ O fluxo e as fontes de emissão na produção de mudas pode ser visto a seguir : Adubação nitrogenada Energia elétrica FLOAT Mudas Sementes Figura 8 : Emissões da fase de produção de mudas pelos agricultores Tabela 7 : Emissões da adubação nitrogenada na produção de mudas Ítem Fator de emissão 2(IPCC) Nitrogênio do adubo usado na semeadura Emissão de N2O – N Fator de conversão N2O – N em N2O Emissão de N2O (convertida) Fator de conversão N2O em CO2 equivalente Emissão total Valor 0,01 22.015,6 220,2 1,571 0,35 298 103 Unidade Kg N2O – N / kg N Kg N Kg n/a t N2O n/a t CO2 2 2006 IPCC Guidelines for National Greenhouse Gas Inventories. Volume 4, chapter 11. Table 11.1 Default emissions factors to estimate direct N2O emissions from managed soils ESC Consultores Associados ltda Page 20 INVENTÁRIO DE EMISSÕES DE GEE – SOUZA CRUZ ͟͠͞͡ Para o cálculo do consumo de energia foi utilizado o consumo fornecido pela Souza Cruz aonde é considerado que são consumidos 0.38 kWh para cada hectare de produção de mudas através do FLOAT. Por conservadorismo foi considerado também que ocorreu em todos os caso mesmo sabendo que existe a possibilidade que alguns abastecimentos tenham sido feitos por gravidade. Tabela 8 : Float – consumo de energia elétrica pelo bombeamento de água (escopo 2). Ítem Total de hectares plantados Consumo da bomba Fator de emissão para energia elétrica EFel(1) Consumo de energia elétrica Emissão total (1) (2) Valor 73.348 0,38 0,0988(2) 27.872 2,75 Unidade ha kWh / ha t CO2 / MWh MWh t CO2 Fatores de emissão de CO2 pela geração de energia elétrica no Sistema Interligado Nacional do Brasil: www.mct.gov.br Média calculada dez/2012 – nov/2013 4.1.3 PLANTIO DO TABACO O processo se inicia pelo preparo do solo, variando a sequência de atividades em função do manejo escolhido – plantio convencional ou direto. Aproximadamente 62% dos produtores utilizaram mecanização com pequenos tratores para preparo do solo, aplicação de calcário e movimentação do tabaco. O restante utilizou tração animal para estas tarefas. Esta etapa pode ser vista na figura 9 abaixo, que demonstra as contribuições para as emissões. Adubação nitrogenada e calagem Máquinas agrícolas CAMPO Tabaco Mudas Figura 9 : Contribuições durante o preparo e plantio das mudas ESC Consultores Associados ltda Page 21 INVENTÁRIO DE EMISSÕES DE GEE – SOUZA CRUZ ͟͠͞͡ Sabemos que a cultura do tabaco ocupa o solo em cerca de meio ano, e que no restante do tempo o mesmo solo é utilizado para outras culturas sem haver necessidade de novas aplicações. Mesmo assim, por conservadorismo, atribuímos ao tabaco todas as emissões correspondentes. A Souza Cruz possui total controle sobre os insumos utilizados na adubação nitrogenada. Com estas informações foi possível calcular todas as emissões associadas. Já no caso da calagem foram considerados os valores estimados de calcário aplicados, fornecidos pela empresa, que são de cerca de 400 kg / ha. ano. A tabela que segue apresenta as premissas para os próximos cálculos : Ítem Área de plantio Área de plantio com irrigação (Nordeste) % propriedades com mecanização Nitrogênio contido nos adubos (adubação de base + cobertura) Calagem (referência) Calagem (total de calcário utilizado) Valor 73.348 917 62 11.104 Unidade ha ha % t 0,4 29.339,20 t / ha t Tabela 9 : Dados fornecidos pela Souza Cruz Para o cálculo das emissões da calagem foi utilizada a fórmula : E = FE * CA * FC * C Onde: E- Emissões de carbono (t CO2e) FE – Fator de Emissão em kg de C / kg de calcário CA – kg de calcário aplicado FC – Fator de Conversão de C para CO2 C – Conversão de kg para toneladas Ítem Fator de emissão Calcário aplicado Fator de conversão C em CO2 Emissão total Tabela 10 : Emissões da calagem Valor 0,13 29.339,20 3,67 13.985 Unidade kg de C / kg de calcáreo t na tCO2e ESC Consultores Associados ltda Page 22 INVENTÁRIO DE EMISSÕES DE GEE – SOUZA CRUZ Ítem Fator de emissão (IPCC, 2006) Nitrogênio do adubo usado no plantio + cobertura Fator de conversão N2O – N em N2O Emissão de N2O (convertida) Fator de conversão N2O em CO2 equivalente Emissão total ͟͠͞͡ Valor 0,01 11.104 Unidade Kg N2O – N / kg N t 1,571 174 298 51.986 n/a t N2O n/a t CO2 Tabela 11: Emissões da adubação Para o cálculo das emissões associadas ao uso de máquinas foi considerado como sendo em cerca de 62% da área de plantio, o tempo gasto médio por trator de cerca de 4 horas por cada hectare e o consumo médio do trator de cerca de 4,5 litros / hora de uso. O diesel considerado continha 5% de biodiesel conforme padrão deste combustível estabelecido pela ANP (2010). Ítem Área com preparo mecânico de solo Tempo de máquina Consumo específico de diesel Consumo total de diesel Emissão diesel – CO2 Emissão diesel – CH4 Emissão diesel – N2O Emissão biodiesel (não renovável – CH4) Emissão biodiesel (não renovável – N2O) Emissão biodiesel (renovável – CO2) Emissão de CO2e Emissão de CO2e neutra Valor 45.476 4 4,5 818.564 2.111 0,1182 0,0189 0,0028 0,0006 102 2.120 102 Unidade ha horas / ha Litros / hora litros t CO2 t CH4 t N2O t CH4 t N2O t CO2 t CO2e t CO2 Tabela 12 : Emissões do uso de máquinas Para o cálculo das emissões associadas ao uso de energia elétrica, por conta da irrigação, foram consideradas as propriedades do nordeste e a sua respectiva área de produção. Foi estimada uma potência de 5,56 kW para os motores das bombas utilizadas, conforme informado pela Souza Cruz. O uso estimado de bombas para a irrigação é de cerca de 180 horas / ha levando em consideração todo o processo, desde o preparo do solo até a colheita. ESC Consultores Associados ltda Page 23 INVENTÁRIO DE EMISSÕES DE GEE – SOUZA CRUZ Ítem Área de plantio com irrigação de solo Tempo de utilização das bombas Potência do motor Consumo de energia elétrica Consumo total de energía elétrica Fator de emissão de energia elétrica(1) (1) (2) ͟͠͞͡ Valor Unidade 917 180 5,56 1.000,8 917,7 0,0988(2) ha horas / ha kW kWh / ha MWh t CO2 / MWh Emissão 90,7 t CO2e Fatores de emissão de CO2 pela geração de energia elétrica no Sistema Interligado Nacional do Brasil: www.mct.gov.br Média calculada dez/2012 – nov/2013 Tabela 13 : Emissão da irrigação 4.1.4 CURA DO TABACO Finalizando o processo de produção de tabaco no campo, após a colheita, é feita a cura em estufas aonde é utilizado calor. Este calor é produzido pela queima de lenha de reflorestamento. Com a necessidade de lenha é comum o produtor possuir área de reflorestamento com eucalipto na sua propriedade. Além da lenha também é utilizada energia elétrica para movimentar os ventiladores do sistema forçado de ar das estufas. O fluxo desta etapa, com as respectivas entradas, pode ser visto na figura que segue. Energia elétrica Tabaco Estufa Tabaco curado Lenha Figura 10 : Cura do tabaco (emissões de N2O e CH4 da lenha são contabilizadas) As estufas podem ser do tipo LL ou convencional, conforme pode ser visto nas figuras ilustrativas que seguem. ESC Consultores Associados ltda Page 24 INVENTÁRIO DE EMISSÕES DE GEE – SOUZA CRUZ ͟͠͞͡ Figura 11 : Estufa LL Figura 12 : Estufa Convencional O cálculo das emissões em função do consumo de energia elétrica teve como premissas básicas, o consumo específico de energia elétrica por tipo de estufa e o total de tabaco curado nas mesmas, ambas informações fornecidas pela Souza Cruz (vide tabela que segue). ESC Consultores Associados ltda Page 25 INVENTÁRIO DE EMISSÕES DE GEE – SOUZA CRUZ Tipo de estufa Estufa convencional Estufa LL (1) (2) Consumo específico (kWh/t tabaco) 70 440 Total Tabaco curado (t) 42.970 100.192 Total Energia (MWh) 3.008 44.084 ͟͠͞͡ Emissões (t CO2e)(1)(2) 297 4356 4.653 Fatores de emissão de CO2 pela geração de energia elétrica no Sistema Interligado Nacional do Brasil: www.mct.gov.br Média calculada dez/2012 – nov/2013 – (0,0988 tCO2/MWh) Tabela 14 : Emissões do consumo de energia elétrica na cura O uso de lenha de reflorestamento na cura também é responsável por emissões associadas a CH4 e N2O. As emissões de CO2 também serão quantificadas embora o GHG Protocol recomende que as mesmas não sejam somadas tendo em vista que são provenientes de biomassa renovável. Para o cálculo desta etapa foram consideradas as informações fornecidas pela Souza Cruz sobre a demanda de lenha por cada tipo de estufa. Para as estufas convencionais o consumo é de 4,9 kg de lenha / kg de tabaco, e o das estufas LL é de 3,2 kg de lenha / kg de tabaco. Com estas informações e a quantidade de tabaco curado por tipo de estufa é possível calcular as emissões, conforme pode ser visto na tabela que segue. Tipo de estufa Convencional LL 1 Consumo de lenha (t) Emissões (t)1 CO2 neutra 210.553 928.056 320.614 Total de emissão de (t CO2e) Total de emissões neutras (t CO2) CH4 N2O Emissões (t CO2e) 2.486 33 72.024 72.024 928.056 fatores de emissão do Programa Brasileiro Greenhouse Gas Protocol – GHG Protocol, 2009 –Setor de Atividade Agricultura Tabela 15 : Emissões do uso de lenha na cura 4.1.5 ESTOQUE DE CARBONO – florestas plantadas pelos produtores Como já citado, a cura é feita com lenha de reflorestamento dos próprios produtores. Portanto este reflorestamento gera estoque de carbono nas propriedades, estoque este que pode ser estimado. Neste relatório optamos por realizar a quantificação destes estoques para fins informativos e partindo de algumas premissas que são : - abordagem simplificada partindo de dados gerais disponíveis na organização; - foram consideradas 27.692 propriedades ao todo e apenas 70% das mesmas, que realizam a cura de tabaco, ou seja 19.384 propriedades; - a área média das propriedades de 16,8 ha com ocupação de cerca de 12,2% com florestas plantadas (dados SINDIFUMO e AFUBRA); ESC Consultores Associados ltda Page 26 INVENTÁRIO DE EMISSÕES DE GEE – SOUZA CRUZ ͟͠͞͡ - o incremento médio anual de 28 m3 / ha. ano e tempo de rotação de 7 anos (considerou-se o estoque somente até o sexto ano tendo em vista que no sétimo é feito o corte) Com as premissas citadas é possível calcular o volume de lenha a cada ano utilizando a fórmula que segue : Volume = 27.692 x 0,7 x 16,8 x 0,122 x 28 x NA / 7 Onde NA é igual ao ano do estoque (variando de 1 a 6) A conversão do volume calculado em estoque de carbono se faz através da fórmula que segue: E = V * D * FC * 44/12 Onde: E – estoque de carbono (t CO2e) V - volume calculado segundo fórmula anterior (m3 st) D – densidade do eucalipto (default IPCC = 0,5) FC – fração de carbono em matéria seca (default IPCC = 0,47) 44/12 – fator de conversão de C em CO2 O estoque de carbono nos plantios pode ser visto na tabela que segue. Ano 1 2 3 4 5 6 Total Estoque (m3) 158.921 317.842 476.763 635.684 794.605 953.526 3.337.342 Estoque (t CO2e) 136.937 273.874 410.811 547.748 684.685 821.622 2.875.677 Tabela 16 : Estoques de carbono nas florestas dos produtores Esta quantificação poderia ser acompanhada também das emissões associadas à produção destas florestas, mas no entanto não foram compilados os dados necessários para este cálculo por não serem controlados pela Souza Cruz. Cabe aqui portanto uma sugestão para que a Souza Cruz desenvolva um método de coleta destas informações para que as emissões citadas possam ser calculadas no futuro. ESC Consultores Associados ltda Page 27 INVENTÁRIO DE EMISSÕES DE GEE – SOUZA CRUZ ͟͠͞͡ Os estoques calculados são de inteira responsabilidade e propriedade dos produtores de tabaco e portanto a Souza Cruz não contabiliza os mesmos como forma de compensação de sua próprias emissões não neutras. 4.1.6 TRANSPORTE DO TABACO Concluindo a etapa de produção do tabaco se faz necessário calcular as emissões do transporte do mesmo até a Souza Cruz. Como a empresa contrata o transporte foi possível compilar a quilometragem total percorrida e consequentemente estimado o consumo de combustível (caminhões de 15 a 25 toneladas). Consideramos a mistura de 5% de biodiesel no diesel utilizado pelos caminhões, conforme ANP 2010. No cálculo utilizamos a seguinte fórmula: E = C * F * GWP Onde: E – emissões de CO2e (t CO2e) C – consumo de combustível (diesel c/ 5% de biodiesel, litros) F – fator de emissão, por tipo de GEE GWP – fator potencial do gás (ISO 14064:2006 - Annex C) Emissões (t gás) Quilometragem total 4.101.307 Combustível Diesel Biodiesel (5%) CO2 4.231 205 (renovável) Emissão de CO2e Emissão Neutra de CO2e N2O CH4 0,223 0,223 Emissão (t CO2e) 4.303 - - 205 4.303 205 Tabela 17: Transporte de tabaco do produtor para a Souza Cruz Na fase agrícola consideramos também as emissões associadas ao suporte técnico dado pelos orientadores agrícolas aos produtores. Esta é uma emissão do escopo 1 gerada em função do consumo de combustível pelos veículos próprios da empresa. ESC Consultores Associados ltda Page 28 INVENTÁRIO DE EMISSÕES DE GEE – SOUZA CRUZ ͟͠͞͡ Emissões (t gás) Combustível Quantidade (l) Gasolina Etanol (7) Guidelines CO2 1.348 767.665 217 (renovável) 19 15.806 (renovável) Emissão de CO2e Emissão Neutra de CO2e N2O(7) CH4 Emissão (t CO2e) 0,06 0,705 1.384 - 0 1 1.385 236 to Defra´s GHG Conversion Factors: Methodology Paper for Transport Emissions Factors, 2009. Tabela 18 – Emissões do deslocamento dos orientadores agrícolas 4.1.7 BALANÇO DAS EMISSÕES DA FASE AGRÍCOLA O resumo da emissões desta fase pode ser visto na tabela que segue : Tabela 19 – Consolidado das emissões da Fase 1 (agrícola) Fonte de Emissão Energia elétrica da rede (escopo 2) Adubação nitrogenada Calagem Utilização de máquinas agrícolas Lenha (cura de tabaco) Sub-total agricultores Deslocamento orientadores agrícolas (escopo 1) Transporte do tabaco até a Souza Cruz (escopo 3) Adubação nitrogenada sementes (escopo 1) Energia elétrica da rede (escopo 2) Utilização de máquinas agrícolas sementes (escopo 1) Geração de energia sementes (escopo 1) Total emissões fase 1 Emissões neutras lenha (cura de tabaco) Emissões neutras (biocombustíveis) Total emissões fase 1 neutras t CO2e 4.746 52.089 13.985 2.120 72.024 144.964 1.418 4.303 119 15,7 73 10 5.939 928.056 548 928.604 4.2 FASE INDUSTRIAL 4.2.1 USO DE COMBUSTÍVEIS EM FONTES FIXAS (escopo 1) ESC Consultores Associados ltda Page 29 INVENTÁRIO DE EMISSÕES DE GEE – SOUZA CRUZ ͟͠͞͡ Para a geração de energia que atende as necessidades da Souza Cruz são utilizados vários tipos de combustíveis. As quantidades utilizadas por cada tipo foram compiladas e informadas pela empresa. Para calcular as emissões oriundas dos respectivos combustíveis foi utilizada a fórmula que segue : E=C*F Onde: E – emissões de CO2e (t CO2e) C – consumo do combustível utilizado F – fator de emissão, por tipo de combustível Fonte Quantidade 114 t Óleo diesel Biodiesel (contabilizada) 6t Biodiesel (renovável) Óleo BPF 33.750 L Gás natural 1.521.390 m3 GLP 1.098 t Lenha (contabilizada) 54.253 t Lenha (neutra) Emissão total (contabilizada) Emissão total (neutra) Emissão (t CO2e) 347 0,04 11 106 3.141 3.279 1.644 94.791 8.517 94.802 Tabela 20 – Emissões da geração de energia Por serem provenientes de fontes renováveis as emissões de biodiesel e as diretas de CO2 provenientes da queima da lenha não são computadas nas emissões da empresa. 4.2.2 USO DE COMBUSTÍVEIS EM FONTES MÓVEIS Para atender as necessidades de transporte de matéria prima e produto acabado, tabaco processado, produto acabado (venda e entrega no ponto de consumo) e a movimentação dos empregados a Souza Cruz desenvolveu e implementou um processo de coleta das informações necessárias para que seja feito o cálculo das emissões associadas a estas atividades. Na sequência podem ser vistas as emissões para cada uma das atividades que utilizam combustíveis em fontes móveis. ESC Consultores Associados ltda Page 30 INVENTÁRIO DE EMISSÕES DE GEE – SOUZA CRUZ ͟͠͞͡ 4.2.2.1 TRANSPORTE DE MATÉRIA PRIMA E PRODUTO ACABADO (escopo 3) Nesta etapa estão todos os fretes contratados para esta movimentação. Quilometragem total 9.369.360 Combustível CO2 diesel 9.665 Biodiesel 468 Emissão de CO2e Emissão neutra de CO2 Emissão (t gás) N2O 0,5 - CH4 0,5 - Emissão (t CO2e) 9.830 468 9.830 468 Tabela 21: Emissões do frete no transporte de matéria prima e produto acabado 4.2.2.2 TRANSPORTE DE TABACO PROCESSADO (escopo 3) Nesta etapa estão todos os transportes contratados para transferir o tabaco processado para portos, armazéns, fábricas e vice-versa. Distância total 4.628.280 km Combustível CO2 diesel 4.775 Biodiesel 231 Emissão de CO2e Emissão neutra de CO2 Emissão (t gás) N2O 0,3 - CH4 0,3 - Emissão (t CO2e) 4.856 231 4.856 231 Tabela 22: Emissões da movimentação por frete de tabaco processado 4.2.2.3 VIAGENS COMERCIAIS E DE DISTRIBUIÇÃO DO PRODUTO (escopo 1) Neste caso estão contabilizadas as emissões referentes ao uso de combustível em veículos da empresa para atividades de merchandising, vendas e distribuição. Combustível Diesel Biodiesel Gasolina Etanol GNV Quantidade (L) 4.700.269 247.386 2.224.254 762.579 9.232 Emissão (t gás) N2O 0,7 0,2 0,00 CO2 12.760 618 5.067 929 15 Emissão de CO2e Emissão neutra de CO2 CH4 0,7 2,4 0,3 0,05 Emissão (t CO2e) 12.982 5.190 6 16 18.194 1.547 Tabela 23 : Emissões de viagens comerciais e de distribuição. ESC Consultores Associados ltda Page 31 INVENTÁRIO DE EMISSÕES DE GEE – SOUZA CRUZ ͟͠͞͡ 4.2.2.4 VIAGENS COM TAXI – TRANSPORTE DE EMPREGADOS (escopo 3) Compilamos neste caso toda distância percorrida entre as unidades da Souza Cruz e aeroportos. Como não é possível controlar o tipo e consumo efetivo de combustível utilizado foi adotada a premissa de que os veículos são a gasolina e com motor 2.0. Quilometragem total 618.955 km Combustível CO2 Gasolina 109 Etanol 17 Emissão de CO2e Emissão neutra de CO2 Emissão (t gás) N2O 0,01 - CH4 0,1 0,01 Emissão (t CO2e) 111 0,1 112 17 Tabela 24: Emissões de uso de taxi 4.2.2.5 VIAGENS AÉREAS – TRANSPORTE DE EMPREGADOS (escopo 3) Neste caso foi considerado o critério corporativo, ou seja, o do grupo British American Tobacco. Neste critério foi determinado que viagens de curta distância tem média de 500 km e viagens de longa distância tem média de 6.495 km. Com este critério e o número de tickets emitidos por tipo de viagem é possível calcular as emissões associadas como segue. No de tickets 20.573 647 Fator de emissão(10) 0,17328 kgCO2e/km 0,11431 kgCO2e/km Distância média 500 km 6.495 km Total Emissão (t CO2e) 1.871 494 2.365 (10) based on Emission Factors provided by UK DEFRA 2010 Tabela 25: Emissões de viagens aéreas 4.2.3 OUTRAS EMISSÕES 4.2.3.1 EMISSÕES DOS RESÍDUOS ENVIADOS PARA ATERRO SANITÁRIO (escopo 3) Neste caso foi compilado o total de resíduos enviados para aterro e considerado que o mesmos possuem características semelhantes aos resíduos domésticos. Resíduo Lixo misturado Peso (t) 650 Total Emissão (t CH4) 15 Emissão (t CO2e) 385 385 Tabela 26: Emissões de resíduos em aterro sanitário ESC Consultores Associados ltda Page 32 INVENTÁRIO DE EMISSÕES DE GEE – SOUZA CRUZ ͟͠͞͡ 4.2.3.2 CONSUMO DE GASES DE REFRIGERAÇÃO Foram considerados 8 gases de refrigeração utilizados pela Souza Cruz por terem algum efeito estufa. O cálculo das emissões seguiu a fórmula : E = C * EF / 1000 Onde: E = emissões em t CO2e C = Consumo de gases de refrigeração (kg) EF = fator de emissão (kg CO2e / kg gás) Unidades Todas Fator de emissão Emissão (t CO2e) Total (t CO2e) R-134a 1.372 1.430 1.961 3.298 R-404a 38 3.992 151 Gases (kg) R-407 R-410A 421 22 1.774 2.088 747 47 R-507 11 3.985 45 R-417 148 2.346 346 Tabela 27: Emissões de gases de refrigeração 4.2.3.3 CONSUMO DE ELETRICIDADE DA REDE (escopo 2) A energia elétrica consumida em todas as unidades da empresa é compilada e o valor total no período foi utilizado para calcular a emissão correspondente, como segue: Ítem Energia Elétrica (1) (2) Consumo (MWh/ano) 161.830 Fator (tCO2/MWh)(1,2) 0,0988 Emissão (tCO2e) 15.989 Fatores de emissão de CO2 pela geração de energia elétrica no Sistema Interligado Nacional do Brasil: www.mct.gov.br Média calculada dez/2012 – nov/2013 – (0,0988 tCO2/MWh) Tabela 28: Emissões de energia elétrica 4.2.3.4 TRATAMENTO DE EFLUENTES (escopo 1) O tratamento de efluentes com o uso da tecnologia anaeróbia para redução da carga orgânica é responsável também pela emissão de gases a serem considerados . Se considerada a remoção de DQO no processo e a premissa de que o gás gerado nesta remoção pode ser removido em cerca de 50% em queimadores abertos, o excedente do gás deverá ser convertido em CO2e., conforme a fórmula : EF = Q * (DQOaf – DQOef) * BO * MCF * PAG * EfF Onde: EF = emissões de CH4 (tCO2e) ESC Consultores Associados ltda Page 33 INVENTÁRIO DE EMISSÕES DE GEE – SOUZA CRUZ ͟͠͞͡ Q = vazão de efluentes tratados (m3 / ano) DQOaf = concentração de DQO afluente ao reator anaeróbio (tDQO / m3) DQOef = concentração de DQO efluente ao reator anaeróbio (tDQO / m3) BO = potencial de geração de CH4 (IPCC default: 0,25 kg CH4 / Kg DQO) MCF = fator de correção de CH4 para sistema anaeróbio (IPCC default: 80%) PAG = potencial de aquecimento global do CH4 (IPCC default: 21) EfF = eficiência do sistema de eliminação do gás CH4 (CDM default – open flare: 50%) Unidade Sta. Cruz do Sul Cachoeirinha Uberlândia vazão tratada (m3 / ano) 64.412 88.230 145.299 DQO afluente (tDQO / m3) 0,0003 0,0013 0,0012 Total DQO efluente (tDQO / m3) 0,0002 0,0003 0,0006 Emissão (t CH4) 0,64 8,82 8,72 Emissão (tCO2e) 16 221 218 455 Tabela 29: Emissões de tratamento de efluentes 4.2.4 RESUMO DAS EMISSÕES DA FASE INDUSTRIAL Fonte de emissão Escopo 1 Geração de energia Viagens comerciais e distribuição Gases de refrigeração Tratamento de efluentes Escopo 2 Energia elétrica da rede Escopo 3 Transporte de matéria prima e produto acabado Transporte e movimentação de tabaco processado Viagens de táxi Resíduos Viagens de avião Fontes neutras (biomassa e biocombustíveis) Total de emissões Emissões (t CO2e) 8.517 18.007 3.298 455 15.989 9.830 4.858 112 385 2.365 97.166 160.982 Tabela 30: Resumo das emissões da fase industrial ESC Consultores Associados ltda Page 34 INVENTÁRIO DE EMISSÕES DE GEE – SOUZA CRUZ ͟͠͞͡ 4.3 ATIVIDADES DAS FAZENDAS DE PRODUÇÃO DE LENHA A empresa possui 4 fazendas com a finalidade principal de produzir a lenha a ser utilizada na geração de vapor nas suas plantas industriais. No entanto, também são comercializadas toras para postes e serraria. As fazendas são : - Boa Vista (PR); - Triângulo (SC); - Buriti da Prata (MG); e - Brusque (SC) O manejo prevê o corte com 7 anos. Após o corte, as toras são cortadas em pedaços de 1 metro, empilhadas por aproximadamente 180 dias para secar, e acondicionadas em pallets metálicos com capacidade de 2,2 m3 para o transporte. As operações de manejo e plantio destas florestas também são fontes de emissão de GEE, e neste capítulo mostraremos a origem e a quantificação destas emissões. 4.3.1 USO DE COMBUSTÍVEIS EM FONTES MÓVEIS (ESCOPO 1) Neste ítem apresentamos as emissões decorrentes do uso de veículos próprios nas tarefas das fazendas (preparo do solo, plantio, transporte interno, etc). Combustível Diesel (máquinas) Biodiesel (máquinas) Quantidade (l) CO2 33.775 92 1.778 4 Total emissão Total emissão neutra Emissão (t gás) N2O 0,04 - CH4 0,01 - Emissão (t CO2e) 102 4 102 4 Tabela 31: Emissões de combustíveis em fontes móveis próprias 4.3.2 USO DE COMBUSTÍVEIS EM FONTES MÓVEIS E MAQUINÁRIA FLORESTAL (ESCOPO 3) Algumas atividades são executadas por empresas contratadas que utilizam tratores e caminhões nas operações dentro da fazenda, e motosserras. ESC Consultores Associados ltda Page 35 INVENTÁRIO DE EMISSÕES DE GEE – SOUZA CRUZ Combustível Diesel Biodiesel Gasolina Etanol Quantidade (l) CO2 113.656 309 5.982 15 14.174 32 4.215 5 Total emissão Total emissão neutra Emissão (t gás)(11) N2O 0,12 0,00 - CH4 0,02 0,10 0,00 ͟͠͞͡ Emissão (t CO2e) 344 15 34 5 379 20 (11) GHG protocol brasileiro,2014; US EPA; Inventory of US GHG emissions and sinks; 1990, 2005 e 2009 Guidelines to DEFRA´s GHG Conversion factors; Methodology paper for transport emissions factors. Tabela 32: Emissões de combustíveis em máquinas florestais 4.3.3 TRANSPORTE DA LENHA (ESCOPO 3) A lenha é transportada para as unidades operacionais através da contratação de transporte terceirizado. Combustível Diesel Biodiesel Quantidade (km) CO2 863 334.442 41,79 Total emissão Total emissão neutra Emissão (t gás) N2O 0,05 - CH4 0,05 - Emissão (t CO2e) 877 42 877 42 Tabela 33: Emissões de transporte de lenha 4.3.4 CONSUMO DE ADUBOS NITROGENADOS E CALCÁREO NAS FAZENDA (ESCOPO 1) O cálculo da emissões neste caso foi feito utilizando as mesmas premissas adotadas para as atividades agrícolas, e utilizando os dados compilados pela empresa nas suas fazendas. Fazenda Insumo Calcário Nitrogênio Nitrogênio Calcário Nitrogênio Nitrogênio Boa Vista Buriti da Prata Triângulo Brusque Total Nitrogênio Total Calcário Quantidade (kg) 875.000 24.000 7.406 300.000 6.280 1.500 39.186 1.175.000 Tabela 34: Consumo dos insumos nas fazendas ESC Consultores Associados ltda Page 36 INVENTÁRIO DE EMISSÕES DE GEE – SOUZA CRUZ Ítem Fator de emissão (IPCC, 2006) Fator de conversão N-N2O Adubação nitrogenada Emissão N2O Fator de conversão N2O em CO2e Emissão total ͟͠͞͡ Valor 0,01 1,571 37.686 0,59 298 176 Unidade Kg N2O-N / kg N Kg N T tCO2e/t N2O tCO2e Valor 0,13 1.175.000 3,67 560 Unidade Kg C / kg calcário kg tCO2e Tabela 35: Emissões da adubação nitrogenada Ítem Fator de emissão Calagem Fator de conversão C em CO2e Emissão total Tabela 36: Emissões da calagem 4.3.5 BALANÇO DAS EMISSÕES DAS FAZENDAS Fonte de emissão Escopo 1 Máquinas e veículos operações florestais Adubação nitrogenada e calagem Escopo 3 Máquinas e veículos operações florestais Transporte de lenha para as unidades Fontes neutras (biomassa e biocombustíveis) Máquinas e veículos operações florestais Transporte de lenha para as unidades Total de emissões Total de emissões neutras Emissões (t CO2e) 102 736 379 877 24 42 2.095 66 Tabela 37: Consolidado das emissões das fazendas 5 ESTOQUE DE CARBONO NAS FLORESTAS DA SOUZA CRUZ Uma grande parte da energia consumida pela Souza Cruz é proveniente de biomassa das fazendas de sua propriedade (lenha de eucalipto). A base florestal existente é capaz de sustentar as necessidades da empresa em termos de energia e consequentemente manter um estoque dinâmico de carbono nas áreas de plantio. ESC Consultores Associados ltda Page 37 INVENTÁRIO DE EMISSÕES DE GEE – SOUZA CRUZ ͟͠͞͡ Qualquer alteração (expansão ou redução) na base florestal interfere diretamente nos estoques de carbono destas propriedades. De forma sustentável, e se mantendo a demanda e consumo de lenha, é possível afirmar que os estoques permanecem praticamente constantes, tendo em vista que ao mesmo tempo que se corta se esta novamente plantando para cobrir a demanda futura. Estes fatos nos levam a crer que é possível calcular os estoques de carbono nestas propriedades (vejam a seguir) . Fazenda Estado Município Buriti da Prata Triângulo Boa Vista Brusque MG SC RS SC Buriti da Prata Rio Negrinho Pântano Grande Brusque Área total (ha) 2.834 2.190 3.116 220 Área plantada (ha) 1.594 1.254 2.148 122 Área mata nativa (ha) 965 908 840 34 Tabela 38: Dados cadastrais das fazendas 5.1 FLORESTAS PLANTADAS (Eucalipto) Através dos dados fornecidos em termos de estimativa de volume de madeira nas 4 fazendas foi possível fazer o cálculo do estoque de carbono nas áreas plantadas. De qualquer forma é importante ressaltar que os dados não eliminam a possibilidade de que haja distorção entre o estoque real e o estimado. Para o cálculo do estoque foi utilizada a fórmula que segue: EC = V * D * FC * 44/12 Onde; EC = estoque de carbono (tCO2e) V = volume comercial de madeira D = densidade do eucalipto FC = fração de carbono na madeira (t C / t madeira seca). default IPCC = 0,47 44/12 = fator de conversão de C em CO2e Embora a metodologia do IPCC 44 permita, através de alguns fatores, que se calcule o volume de biomassa acima e abaixo do solo (galhos e pontas, e raízes) fomos conservadores e consideramos somente o estoque no volume comercial (tronco). Os dados calculados podem ser vistos abaixo: 4 2006 IPCC Guidelines for National Greenhouse Gas Inventories, chapter 4: Forest Land ESC Consultores Associados ltda Page 38 INVENTÁRIO DE EMISSÕES DE GEE – SOUZA CRUZ Fazendas Boa Vista Buriti da Prata Triângulo Brusque Total ͟͠͞͡ Área (ha) Estoque estimado (st) Estoque (tCO2e) 2.022 1.594 1.254 122 5.118 189.245 503.208 333.734 0 1.026.187 127.191 338.206 224.303 0 689.700 Tabela 39: Estoque de carbono na floresta plantada P.S. Para que possa ser feita uma avaliação mais precisa dos estoque será necessário que a empresa implante um inventário florestal contínuo. 5.2 FLORESTAS NATIVAS Com a soma total da área de nativas das 4 fazendas foi feito o cálculo de carbono em estoque. Foi selecionado o fator de 210 t.m.s/há (toneladas de matéria seca por hectare), conforme apresentado no Volume 4: Agriculture, Foresty and Other Land Use do IPPC 2006 – Guidelines for National Greenhouse Gas Inventories, para florestas úmidas. De forma conservadora novamente não consideramos o estoque de carbono abaixo do solo. Fazendas Área nativas (ha) Boa Vista 840 Buriti da Prata 965 Triângulo 908 Brusque 34 Total 2.747 Defaults IPCC utilizados no cálculo tms/ha 210 tC / tms 0,47 Conversão C – CO2 3,67 Estoque (tCO2e) 303.996 349.234 328.533 12.196 993.959 Tabela 40: Estoque de carbono nas florestas nativas O gráfico que segue ilustra melhor como estão distribuídos os estoques de carbono nas floresta da empresa. ESC Consultores Associados ltda Page 39 INVENTÁRIO DE EMISSÕES DE GEE – SOUZA CRUZ ͟͠͞͡ Figura 13: Estoques de Carbono nas fazendas 5.3 PARQUES AMBIENTAIS Assim como mostrado anteriormente com relação às fazendas, a empresa mantém florestas em seus parques ambientais, que são localizados em Santa Cruz do Sul, Cachoeirinha, Blumenau e Uberlândia. Estes parques possuem reservas de mata nativa e são utilizados principalmente para atividades educacionais. Os dados destes parques podem ser vistos a seguir : Parques Cachoeirinha (RS) Uberlândia (MG) Santa Cruz do Sul (RS) Blumenau (SC) Total Área (ha) 160,3 40 64,8 2,5 267,6 Área c/ eucalipto (ha) 22 0 14,1 0 36,1 Área c/ nativas (ha) 136,9 32,5 25,9 2,5 197,8 Tabela 41: Dados cadastrais dos parques ESC Consultores Associados ltda Page 40 INVENTÁRIO DE EMISSÕES DE GEE – SOUZA CRUZ Unidade t.m.s / ha * Área Estoque (tCO2e) Eucalipto 90 36,1 5.599 ͟͠͞͡ Nativas 210 197,8 71.584 *IPCC 2006 Guidelines, tabelas 4.7 e 4.8 Tabela 42: Estoque de carbono nos parques 5.4 RESUMO DOS ESTOQUES DE CARBONO NAS PROPRIEDADES DA SOUZA CRUZ Reunindo todas as informações sobre estoques de carbono se observa o que segue : 4% 39% Fazendas - Eucalipto Fazendas - Nativas Parques Ambientais 56% Figura 14: Distribuição relativa dos estoques Sumidouros Fazendas eucalipto Fazendas nativas Parques total Estoques (tCO2e) 689.700 993.958 77.183 1.760.841 Tabela 43: Resumo geral dos estoques ESC Consultores Associados ltda Page 41 INVENTÁRIO DE EMISSÕES DE GEE – SOUZA CRUZ ͟͠͞͡ 6 RESULTADOS 6.1 EMISSÕES CONTABILIZADAS As emissões dos três escopos no ano de 2013 totalizaram 216.810 tCO2e. Destas 32.735 tCO2e estão associadas ao escopo 1 (diretas), que correspondem a 15,1% do total de emissões. As emissões do escopo 2 (indiretas – aquisição de energia) foram de 20.751 tCO2e, e estão diretamente ligadas a matriz energética do país, correspondendo a 9,6% do total das emissões. A principal fonte de emissão (75,3%) está relacionada ao escopo 3 (163.324 tCO2e), ou seja atividades que não são controladas diretamente pela empresa. Emissões por escopo (tCO2e) Escopo 1 32.735 Escopo 2 20.751 Escopo 3 163.324 Total 216.810 Tabela 44: Quantificação das emissões por escopo Figura 15: Emissões por escopo ESC Consultores Associados ltda Page 42 INVENTÁRIO DE EMISSÕES DE GEE – SOUZA CRUZ ͟͠͞͡ Na sequência apresentamos o consolidado da composição das emissões por tipo de atividade. Ítem Escopo 1 Combustíveis : fontes fixas Combustíveis : fontes móveis Adubação nitrogenada e calagem Tratamento de efluentes Gases de refrigeração Escopo2 Importação de energia elétrica produtores Importação de energia elétrica Souza Cruz Escopo 3 Transporte de tabaco dos produtores até o departamento de tabaco Transporte de matéria prima e produto acabado Transporte de tabaco processado Produção e transporte de eucalipto Viagens aéreas Viagens de táxi Resíduos Emissões dos produtores Total Emissão (tCO2e) 32.735 8.527 19.600 855 455 3.298 20.751 4.746 16.005 163.324 4.303 9.830 4.856 1.256 2.365 112 385 140.217 216.810 Tabela 45: Consolidado das emissões 3% 1% Combustíveis: fontes móveis 10% Combustíveis: fontes fixas Gases de Refrigeração 26% 60% Adubação Nitrogenada e Calagem Tratamento de Efluentes Figura 16: Distribuição das emissões diretas ESC Consultores Associados ltda Page 43 INVENTÁRIO DE EMISSÕES DE GEE – SOUZA CRUZ ͟͠͞͡ Figura 17: Distribuição das emissões indiretas (escopo 3) Figura 18: Distribuição das emissões dos produtores (escopo 2 e 3) ESC Consultores Associados ltda Page 44 INVENTÁRIO DE EMISSÕES DE GEE – SOUZA CRUZ ͟͠͞͡ 6.2 EMISSÕES NEUTRAS (NÃO CONTABILIZADAS NO TOTAL DAS EMISSÕES DA SOUZA CRUZ) Em função do uso de biocombustíveis e biomassa na geração de energia a quantidade total de emissões neutras é muito significativa, conforme pode ser visto na sequência: Emissões neutras (tCO2e) Produtores Queima de lenha em estufas de cura de tabaco Biocombustíveis líquidos Indústria Queima de lenha reflorestada em caldeiras Biocombustíveis líquidos (viagens comerciais e distribuição) Fazendas da Souza Cruz Biocombustíveis líquidos (máquinas e veículos em operações florestais) Total de emissões neutras 928.056 342 94.791 2.364 25 1.025.578 Tabela 46: Emissões neutras da cadeia da Souza Cruz Para melhor ilustrar a origem e proporção das emissões neutras segue a figura abaixo : Figura 19: Composição das emissões neutras ESC Consultores Associados ltda Page 45 INVENTÁRIO DE EMISSÕES DE GEE – SOUZA CRUZ ͟͠͞͡ A figura que segue ilustra a relação entre as emissões totais contabilizadas e as neutras no balanço geral da Souza Cruz. Figura 20: Emissões totais contabilizadas e neutras ESC Consultores Associados ltda Page 46 INVENTÁRIO DE EMISSÕES DE GEE – SOUZA CRUZ ͟͠͞͡ REFERÊNCIAS: Brasil Ministério da Ciência e Tecnologia , 1994 – Comunicação Nacional Inicial do Brasil á Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima. http://www.mct.gov.br/index.php/content/view/310914.html CERES (2008) Corporate Governance and Climate Changes: Consumer and Technology Companies. Relatório publicado pelo CERES em dez./2008. Disponível em www.ceres.org/page.aspx?pid=592. Acessado em 11/02/2014 Climate Group, The. (2008) Breaking the Climate Deadlock: a global deal for our low carbon future. Disponível em http://www.theclimategroup.org/what-we-do/publications/A-Global-Deal-for-ourLow-Carbon-Future/. 2006 IPCC Guidelines for National Greenhouse Gas Inventories. Disponível em http://www.ipccnggip.iges.or.jp/public/2006gl/ IPCC 2007, Report of Working Group I of the Intergovernmental Panel on Climate Change. Disponível em http://www.ipcc.ch/pdf/assessment-report/ar4/wg1/ar4-wg1-spm.pdf ISO 14064-1:2006, Greenhouse gases -- Part 1: Specification with guidance at the organization level for quantification and reporting of greenhouse gas emissions and removals. Disponível em http://www.iso.org/iso/home/store/catalogue_tc/catalogue_detail.htm?csnumber=38381 ISO/IEC 2008, Uncertainty of measurement -- Part 3: Guide to the expression of uncertainty in measurement . Disponível em http://www.iso.org/iso/catalogue_detail.htm?csnumber=50461 World Resources Institute and World Business Council for Sustainable Development, 2004. The Greenhouse Gas Protocol : a corporate accounting and reporting standard, revised edition. Junior, L. A cadeia produtiva de fumo, 2005. Universidade Federal de Santa Catarina. Disponível em http://www2.fepese.org.br/portaldeeconomiasc/arquivos/links/alimentos_agronegocio/2005%20CPR%20Fumo.pdf Cerri, Carlos. Práticas de Gestão para Redução da Emissão de Gases do Efeito Estufa na Agricultura, Pecuária e Engenharia Florestal Brasileira. Disponível em http://fbds.org.br/fbds/IMG/pdf/doc496.pdf ESC Consultores Associados ltda Page 47 INVENTÁRIO DE EMISSÕES DE GEE – SOUZA CRUZ ͟͠͞͡ GLOSSÁRIO Ano-base: período histórico especificado para o propósito das comparações das remoções e emissões de GEE, além de outras informações relacionadas. Dióxido de carbono equivalente (CO2e): unidade para comparação da força radiativa (potencial de aquecimento global) de um dado GEE à do CO2. Emissões diretas de GEE: emissões de GEE por fontes pertencentes ou controladas pela organização. Para estabelecer as fronteiras operacionais da organização são empregados os conceitos de controle financeiro e controle operacional. Emissões indiretas de GEE relacionadas ao consumo de energia: emissões de GEE a partir da geração da energia elétrica, calor ou vapor, importada/consumida pela organização. Escopo: o conceito de ‘escopo’ (scope) foi introduzido pelo GHG Protocol com a finalidade de auxiliar as empresas na definição de seus limites operacionais. Os escopos são diferenciados em 3 categorias, separadas em emissões diretas e emissões indiretas. Escopo 1: Abrange a categoria das emissões diretas de GEE da organização, ou seja, que se originam em fontes que pertencem ou são controladas pela empresa dentro dos limites definidos. Como exemplo, pode-se citar as emissões da queima de combustíveis fósseis e de processos de fabricação. Escopo 2: Abrange a categoria das emissões indiretas de GEE relacionadas à aquisição externa de energia. Exemplo disso é o consumo de energia elétrica gerada pelas concessionárias fornecedoras do Sistema Interligado Nacional (SIN) e energia térmica adquirida. Escopo 3: Abrange a categoria das emissões indiretas de GEE por outras fontes, ou seja, emissões que ocorrem em função das atividades da organização mas que são originados em fontes não pertencentes ou não controladas pela mesma. Alguns exemplos de fontes de escopo 3 são: transportes de produtos em veículos que não pertencem à empresa, utilização de veículos de terceiros, transporte de funcionários e viagens de negócios. Fator de emissão ou Fator de remoção de GEE: fator que relaciona dados de atividade a emissões e remoções de GEE. Fonte de GEE: unidade física ou processo que libera GEE para a atmosfera. Gás de Efeito Estufa (GEE): constituinte atmosférico, de origem natural ou antropogênica, que absorve e emite radiação em comprimentos de onda específicos dentro do espectro de radiação infravermelha emitida pela superfície terrestre, pela atmosfera e pelas nuvens. Entre os GEE, podese citar o Dióxido de Carbono (CO2), o Metano (CH4), o Óxido Nitroso (N2O), os Hidrofluorocarbonos (HFC), os Perfluorocarbonos (PFC) e o Hexafluoreto de Enxofre (SF6). ESC Consultores Associados ltda Page 48 INVENTÁRIO DE EMISSÕES DE GEE – SOUZA CRUZ ͟͠͞͡ Inventário de emissões de GEE: documento no qual encontram-se detalhadas as fontes e sumidouros de GEE e encontram-se quantificadas as emissões e remoções de GEE durante um dado período. Organização: companhia, corporação, empreendimento, autoridade, instituição - ou parte ou combinação de -, seja incorporado ou não, público ou privado, que possui suas próprias funções e administração. Outras emissões indiretas de GEE: emissões de GEE diferentes daquelas emissões indiretas relacionadas ao consumo de energia. São consequência das atividades da organização, mas são oriundas de fontes cuja propriedade ou controle são realizados por outras organizações. Potencial de aquecimento global: fator que descreve o impacto da força radiativa de uma unidade de massa de um dado GEE, em relação a uma unidade de massa de dióxido de carbono (CO2) em um dado período de tempo. Remoções de GEE: massa total de um GEE removido da atmosfera em um período específico de tempo. Reservatório de GEE: unidade física ou componente da biosfera, da geosfera ou da hidrosfera com capacidade de armazenar ou acumular GEE removidos da atmosfera por um sumidouro ou GEE capturados de uma fonte. A massa total de carbono contida em um reservatório de GEE em um período específico de tempo pode ser referida como o estoque de carbono do reservatório. Um reservatório de GEE pode transferir seus gases para outro reservatório de GEE. A coleta de um GEE de uma fonte antes que esse GEE entre na atmosfera e o seu armazenamento em um reservatório pode ser referido como captura e armazenamento de GEE. Sumidouro de GEE: unidade física ou processo que remove GEE da atmosfera ESC Consultores Associados ltda Av. Prefeito Dulcídio Cardoso, 11000 / 1705 Barra da Tijuca, Rio de Janeiro CEP 22793-012 Tel. 21 999631954 ESC Consultores Associados ltda Page 49