UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ DANIEL CÉSAR BALDO O PERFIL DOS EMPREENDEDORES DE PEQUENOS VAREJOS DO GÊNERO ALIMENTÍCIO DE BALNEÁRIO CAMBORIÚ Balneário Camboriú 2010 DANIEL CÉSAR BALDO O PERFIL DOS EMPREENDEDORES DE PEQUENOS VAREJOS DO GÊNERO ALIMENTÍCIO DE BALNEÁRIO CAMBORIÚ Monografia apresentada como requisito parcial para a obtenção do título de Bacharel em Administração – Gestão Empreendedora, na Universidade do Vale do Itajaí, Centro de Educação Balneário Camboriú. Orientador: Prof. Dr. Fernando César Lenzi Balneário Camboriú 2010 DANIEL CÉSAR BALDO O PERFIL DOS EMPREENDEDORES DE PEQUENOS VAREJOS DO GÊNERO ALIMENTÍCIO DE BALNEÁRIO CAMBORIÚ Esta Monografia foi julgada adequada para a obtenção do título de Bacharel em Administração e aprovada pelo Curso de Administração – Gestão Empreendedora Universidade do Vale do Itajaí, Centro de Educação de Balneário Camboriú. Área de Concentração: Empreendedorismo Balneário Camboriú, 08 de Julho de 2010. _________________________________ Prof. Dr. Fernando César Lenzi Orientador(a) ___________________________________ Prof. Msc. Marcio Daniel Kiesel Avaliador(a) ___________________________________ Profa. Msc. Fabrícia Durieux Zucco Avaliador(a) da EQUIPE TÉCNICA Estagiário(a): Daniel César Baldo Área de Estágio: Empreendedorismo Professor Responsável pelos Estágios: Lorena Schröder Supervisor da Empresa: Mário Falk Professor(a) orientador(a): Prof. Dr. Fernando César Lenzi DADOS DA EMPRESA Razão Social: Fiorelo Pegoraro Com e Repres LTDA Endereço: Av. Adolfo Ziguelli, 1010 – Joaçaba/ SC Setor de Desenvolvimento do Estágio: Empreendedorismo Duração do Estágio: 240 horas Nome e Cargo do Supervisor da Empresa: Mário Falk Carimbo do CNPJ da Empresa: RESUMO Esta pesquisa de iniciação científica foi realizada com o objetivo de identificar o perfil empreendedor dos proprietários de estabelecimentos do pequeno varejo do gênero alimentício, localizados em Balneário Camboriú. Diante de um contexto mercadológico que exige constantes mudanças e inovações, faz-se necessário a prática do empreendedorismo. A pesquisa foi realizada com 61 estabelecimentos de pequeno varejo alimentício, localizados no centro de Balneário Camboriú, que são clientes da empresa Fiorelo Pegoraro Comércio e Representações LTDA. O instrumento utilizado para identificação das competências empreendedoras foi o mesmo utilizado por Lenzi (2008), que seguiu o modelo de competências de Cooley (1990) e Spencer e Spencer (1993). Nos resultados, pode-se destacar que o perfil empreendedor desses empresários apresenta como as principais características: persistência, comprometimento e independência e auto-confiança. 85% dos empreendedores iniciaram suas atividades porque identificaram uma oportunidade no mercado. Porém, apenas 15% abriram seu negócio por necessidade. Palavras-chave: Empreendedorismo. Perfil Empreendedor. Competências Empreendedoras. ABSTRACT This survey of basic scientific research was carried out to identify the entrepreneurial owners of small retail establishments in the foodstuff located in Balneario Camboriu. Facing a marketing context that demands constant changes and innovation, it is necessary to practice entrepreneurship. The survey was conducted with 61 small retail food establishments, located in down town Balneário Camboriú, who are customers of the company Fiorelo Pegoraro Comércio e Representações LTDA. The instrument used to identify the entrepreneurial skills was also used by Lenzi (2008), which followed the competency model of Cooley (1990) and Spencer and Spencer (1993). In the results, it can be noted that the entrepreneurial profile of these entrepreneurs has as main characteristics: persistence, commitment and independence and self confidence. 85% of those entrepreneurs began their activities because they identified a market opportunity. Though only 15% opened their business out of necessity. Key-words: Entrepreneurship. Entrepreneur Profile. Entrepreneurial Skills. SUMÁRIO LISTA DE SIGLAS ....................................................................................................... 9 LISTA DE QUADROS .................................................................................................. 10 LISTA DE TABELAS ................................................................................................... 11 LISTA DE GRÁFICOS ................................................................................................. 12 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................ 13 1.1 Tema de Estágio ............................................................................................... 13 1.2 Problema de Pesquisa ...................................................................................... 13 1.3 Objetivo Geral .................................................................................................. 14 1.4 Justificativa da Pesquisa .................................................................................. 14 1.5 Contextualização do Ambiente de Estágio ..................................................... 15 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA .................................................................. 18 2.1 Empreendedorismo .......................................................................................... 18 2.1.1 Empreendedorismo no Brasil ............................................................................. 21 2.1.2 O Empreendedor ................................................................................................ 24 2.1.3 Tipos de Empreendedor ..................................................................................... 27 2.1.4 Características do Empreendedor ....................................................................... 32 2.2 Idéias e Oportunidades .................................................................................... 2.2.1 Fontes de Novas Idéias ....................................................................................... 38 2.2.2 Processo de Geração de Idéias e Ferramentas de Criatividade .......................... 2.2.3 Identificando e Avaliando Oportunidades .......................................................... 44 2.3 As Micro e Pequenas Empresas ...................................................................... 48 2.3.1 Cenário das Micro e Pequenas Empresas no Brasil ........................................... 50 2.3.2 Dificuldades das Micro e Pequenas Empresas ................................................... 52 3 METODOLOGIA ............................................................................................ 55 3.1 Tipologia de Pesquisa ....................................................................................... 55 3.2 Sujeito do Estudo .............................................................................................. 56 3.3 Instrumentos de Pesquisa ................................................................................ 3.4 Análise e Apresentação dos Dados .................................................................. 59 3.5 Limitações da Pesquisa .................................................................................... 4 RESULTADOS ................................................................................................. 61 35 40 57 60 4.1 Competências Empreendedoras e Perfil dos Empreendedores ................... 61 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS .......................................................................... 71 6 REFERÊNCIAS ............................................................................................... 73 APÊNDICE - QUESTIONÁRIO DE COMPETÊNCIAS PROFISSIONAIS .......... 76 LISTA DE SIGLAS BOI – Busca de Oportunidade e Iniciativa CRC – Correr Riscos Calculados EQE – Exigência de Qualidade e Eficiência PER Persistência – COM – Comprometimento BDI Busca de Informações – EDM – Estabelecimento de Metas PMS – Planejamento e Monitoramento Sistemáticos PRC – Persuasão e Rede de Contatos IAC – Independência e Auto-Confiança LISTA DE QUADROS Quadro 1 – Empreendedores brasileiros segundo características de inovação dos empreendimentos ............................................................................................................. 22 Quadro 2 – Potencial empreendedor segundo características dos empreendimentos ...... 23 Quadro 3 – Critérios para avaliar oportunidades ............................................................. 46 LISTA DE TABELAS Tabela 1 – Enquadramento do número de empreendedores por competência analisada .... 67 Tabela 2 – Percentual de Empreendedores que possui cada uma das Competências Empreendedoras .................................................................................................................. 69 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1 – Empreendedores de acordo com a idade .......................................................... 62 Gráfico 2 – Empreendedores de acordo com o gênero ....................................................... 63 Gráfico 3 – Empreendedores de acordo com o estado civil ................................................ 63 Gráfico 4 – Empreendedores de acordo com o número de filhos ....................................... 64 Gráfico 5 – Empreendedores de acordo grau de escolaridade ............................................ 65 Gráfico 6 – Empreendedores de acordo a razão de abertura do negócio ............................ 65 Gráfico 7 – Enquadramento do número de empreendedores por competência analisada ... 68 13 1 INTRODUÇÃO 1.1 Tema de Estágio Diante de um cenário tão competitivo encontrado nos dias atuais, não basta apenas ter um produto de qualidade. Os empresários atualmente têm se deparado com a necessidade de estar em constante inovação e oferecendo sempre um diferencial para a sua clientela diante da concorrência. É nesse momento que entra em cena a prática do empreendedorismo. Dentro do empreendedorismo, a figura principal é o empreendedor, que é aquele que está sempre inovando, atento as oportunidades para que possa estar sempre um passo a frente no mercado. Ser dono de um estabelecimento não significa mais ter sucesso profissional. Ficou para trás aquela época de que apenas uma empresa oferecia determinado produto ou serviço. O que encontramos hoje em dia é uma grande concorrência nos vários setores do mercado, aonde sobrevivem aqueles que oferecem algo a mais para os seus clientes. Diante de um contexto mercadológico que sempre está em busca de inovação e novas oportunidades, muitos empreendedores de micro e pequenas empresas não têm perfil para esse novo mercado, sendo assim, uma parte deles fecham as portas nos primeiros anos de vida. Uma pesquisa realizada pela empresa Vox Populi, em 2007, mostra uma melhora espetacular na taxa de sobrevivência das pequenas empresas brasileiras. O percentual de pequenas empresas que sobrevivem pelo menos dois anos passou de 51% em 2002 para 78% em 2005, ou seja, 27% a mais de empresas que não fecharam suas portas. A pesquisa mostra que alguns fatores têm ajudado nesse crescimento. Entre eles está o fato de que os empresários estão cada vez mais bem preparados, através de cursos superiores, buscando conhecimentos a respeito de gestão empresarial. Outro fator apontado é a melhoria na economia, com a diminuição e controle da inflação, diminuindo também a taxa de juros, e o aumento do consumo, principalmente por partes menos favorecidas da população. Diante destes fatores compõe-se a situação problema foco desta pesquisa. 1.2 Problema de Pesquisa A região escolhida para ser realizada a pesquisa contém uma alta sazonalidade, devido ao fato de ser uma cidade turística, que ainda não tem um turismo forte o ano inteiro, mas somente no verão. Devido a este fato, muitos empreendedores abrem seus negócios, ganham 14 dinheiro no verão, porém não sobrevivem na baixa temporada. Por esse motivo, a pesquisa buscará conhecer qual o tipo predominante de empreendedor na região de aplicação da pesquisa, suas características empreendedoras mais presentes e se o negócio foi aberto por identificação de uma oportunidade ou para suprir uma necessidade. Além disso, pretende-se identificar qual o diferencial competitivo identificado como o mais freqüente e que traz os melhores resultados. De acordo com essas questões amplas de pesquisa levantadas, o problema de pesquisa é: Qual o perfil empreendedor dos donos de estabelecimentos do pequeno varejo do gênero alimentício, localizados no centro de Balneário Camboriú? 1.3 Objetivo Geral Identificar o perfil empreendedor dos proprietários de estabelecimentos do pequeno varejo do gênero alimentício, localizados em Balneário Camboriú. Objetivos Específicos • Identificar as competências empreendedoras presentes nos empreendedores de estabelecimentos do varejo de pequeno porte do setor alimentício de Balneário Camboriú. • Investigar a motivação de abertura do negócio com relação à oportunidade ou necessidade. • Analisar a relação da motivação de abertura dos negócios com os perfis empreendedores identificados 1.4 Justificativa da Pesquisa Considerando os objetivos propostos a identificação do perfil empreendedor possibilitará um trabalho de desenvolvimento das competências empreendedoras de forma mais consciente e centrada em resultados do desempenho das empresas pesquisadas. A empresa Fiorelo Pegoraro Comércio e Representações têm interesse em um melhor desempenho de seus clientes, para que, em decorrência deste fator, tenha um melhor desempenho também. Os clientes do pequeno varejo, quando analisados separadamente, 15 podem não ter um grande volume de compras junto a empresa, porém quando somados, constituem uma grande parcela das vendas da organização. Diante dessa situação, vem a razão de dar uma atenção especial, não só aos clientes com um grande volume de vendas, mas também a essa categoria de comércio, para que, como citado acima, os resultados de ambos sejam incrementados. Para que isso seja feito, é necessário analisar o perfil desses empreendedores e seus negócios, para que, de acordo com as suas maiores necessidades e dificuldades possa ser desenvolvido um trabalho com um objetivo claro e específico. A maioria dos novos negócios em Balneário Camboriú surge na temporada, onde ocorre uma alta sazonalidade na região, por ser uma região turística. Porém, será que esses negócios têm sustentabilidade em meses de baixa temporada? Ou será que é apenas uma tentativa de sucesso em um cenário de incertezas? Essa pesquisa buscará responder essas questões e outras apresentadas acima. Depois de obtidos os resultados da pesquisa, poderá ser realizada uma sugestão para que a empresa possa investir na capacitação desses empresários, visando a sustentabilidade desses negócios e o seu sucesso, aumentando as suas vendas, conseqüentemente, melhorando as vendas da empresa na região. 1.5 Contextualização do Ambiente de Estágio A história dessa bem sucedida distribuição começou com seu fundador Fiorelo Pegoraro, um Catarinense da região de Catanduvas, Oeste de Santa Catarina, filho de agricultores, que cansado do trabalho da roça com ambição de trabalhar no comércio, mudouse para Joaçaba. O jovem Fiorelo entre um trabalho e outro, juntou dinheiro para abrir seu próprio negócio e adquiriu uma pequena pastelaria no centro da cidade de Joaçaba. Já casado, dividia com sua esposa suas obrigações do empreendimento. A expansão dos negócios aconteceu naturalmente. Certo dia chamou-lhe a atenção o fato de o chocolate, também vendido na pastelaria, ser requisitado tanto quanto os pastéis. Não teve dúvidas, resolveu montar uma pequena distribuidora de chocolates onde comercializava apenas produtos Lacta. Isso aconteceu em 07 julho de 1977, tornando-se então a Pegoraro Comércio e Representação Ltda. No inicio, sua estrutura era pequena e contava apenas com um caminhão e um funcionário. Como resultado de sua eficiência, produtividade e perfeita harmonia com a empresa fornecedora, em 1983, montou uma filial em Cascavel, para atender a região Oeste do Paraná. 16 Dois anos depois em 1985, adquiriu o fundo de comércio de um ex-distribuidor Lacta, em Florianópolis e montou ali sua terceira filial, que está localizada em São José, expandindo suas atividades para as demais regiões de Santa Catarina. A partir daí, com a conquista de novas parcerias, por volta do ano de 1984 montou outras empresas que hoje fazem parte do Grupo Pegoraro como: Deycon Comércio e Representações Ltda, (sendo definido o nome da empresa a partir dos nomes de seus filhos onde Dey – correspondente ao nome de Deived e Con - corresponde ao nome de Maycon) e a Forelo Pegoraro & Filhos Ltda. Em 1987 montou uma unidade na cidade de Londrina. Iniciando apenas como extensão de Cascavel funcionando o depósito em Londrina e as notas sendo geradas em Cascavel. Em pouco tempo, devido à necessidade da região esta unidade adquiriu uma estrutura completa. O Grupo Pegoraro já distribuía com muito sucesso os produtos da Lacta/Kraft por aproximadamente 20 anos, diante deste sucesso em 1996 recebeu o projeto de distribuição da Philip Morris e em outubro de 1999 este novo projeto foi implantado, rendendo para o Grupo Pegoraro a abertura de mais uma filial em Pinhais, o aumento de clientes, que passou de 8.500 para 25.648, o aumento do quadro de funcionários, de 304 para 453, aumentando também sua estrutura de logística, atendendo toda Santa Catarina e o Paraná. No ano de 2005 a empresa fundou a unidade de Várzea Grande no Mato Grosso e passou a expandir sua venda e distribuição para esta região e no ano seguinte, em setembro de 2006, a empresa fechou contrato com uma das mais tradicionais empresas de Azeite de Oliva do mundo, iniciando a exportação de seus produtos e a venda exclusiva dos mesmos. Além disto, a partir desta mesma data, passou a distribuir o primeiro produto de marca própria que leva o nome de seu fundador Sr. Fiorelo Pegoraro sendo designado como: Pêssegos em Caldas “Dom Fiorelo”. Em sua curta história, o Grupo Pegoraro tem se caracterizado por seu dinamismo, criatividade, e pelo arrojo de seus dirigentes que, ultrapassando a todas as dificuldades, sempre acreditaram no potencial da empresa hoje consolidada no mercado graças à confiança conquistada junto aos parceiros e clientes, que gerou crescimento vertiginoso. O sucesso destas parcerias (Grupo Pegoraro, Fornecedores, Funcionários e Colaboradores) está vinculado a uma trajetória vitoriosa e com exemplar dedicação ao trabalho, pois aliar-se a outras forças viabiliza a capacidade empreendedora. Atualmente, o Grupo Pegoraro conta com 07 unidades de venda localizadas estrategicamente nos Estados de Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso, para focar ainda mais 17 o trabalho junto dos clientes. Cada unidade é independente. Sendo que as unidades estão localizadas em: Joaçaba/SC, Joinville/SC, São José/SC, Londrina/PR, Cascavel/PR, Pinhais/PR e Várzea Grande/MT. O Grupo Pegoraro Atende mensalmente aproximadamente 32 Mil Clientes nestes estados. Toda Equipe de Vendas é informatizada através de Palm Top, facilitando o atendimento ao cliente e tornando possível a roteirização das entregas em 24 horas e para o interior em 48 horas. O Sistema interno é on-line, ou seja, interligado entre todas as unidades do Grupo, viabilizando informações aos seus usuários em tempo real. No total temos aproximadamente 1030 funcionários e em torno de 300 prestadores de serviço. 18 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Este capítulo visa fundamentar a pesquisa que foi realizada, falando a respeito do Empreendedorismo e variáveis que o envolvem, baseado na concepção de uma série de autores a respeito do tema. 2.1 Empreendedorismo Timmons (1990 apud Dornelas, 2005, p.21) menciona que “o empreendedorismo é uma revolução silenciosa, que será para o século XXI mais do que a Revolução Industrial foi para o século XX”. Realmente isso tem se concretizado no século em que está sendo vivenciado, pois a prática do empreendedorismo vem crescendo a cada dia no Brasil e no mundo, mostrando a importância que tem o empreendedor para a economia de cada país, pois através deles, mesmo que tenham seus pequenos negócios, milhões de empregos são gerados todos os anos e isso tem uma repercussão positiva na economia. Há algum tempo, o estudo do empreendedorismo tem sido mais abordado em muitas nações, inclusive no Brasil, pois se tem percebido que existe uma necessidade de uma nova forma de pensar e agir com relação à economia e ao desenvolvimento de cada país. Um exemplo disso acontece nos Estados Unidos, e Dornelas (2005, p.25) afirma o seguinte: A conjunção de um intenso dinamismo empresarial e rápido crescimento econômico, somados aos baixos índices de desemprego e às baixas taxas de inflação ocorridos, por exemplo, na década de 1990 nos Estados Unidos, aparentemente aponta para uma única conclusão: o empreendedorismo é o combustível para o crescimento econômico, criando emprego e prosperidade. O empreendedor, que é a principal figura dentro do empreendedorismo, tem uma grande relevância para um país e tem uma relação direta com o seu desenvolvimento econômico. Então, um dos conceitos dessa prática é adotado por Dolabela (1999, p.43): Empreendedorismo é um neologismo derivado da livre tradução da palavra entrepreneurship e utilizado para designar os estudos relativos ao empreendedor, seu perfil, suas origens, seu sistema de atividades, seu universo de atuação. Diante dessa definição e outras que aparecem mais adiante, não há como falar de empreendedorismo sem falar do empreendedor. Sem o empreendedor, não existe empreendedorismo. Dornelas (2005, p.39) diz que o “empreendedorismo é o envolvimento de pessoas e processos que, em conjunto, levam à transformação de idéias em oportunidades. E a perfeita implementação destas oportunidades leva à criação de negócios de sucesso”. 19 Quando se busca definir o termo empreendedor, aparecem diversas definições a respeito dessa personalidade, porém diante do impacto econômico que ele causa, encontra-se a seguinte citação: “O empreendedor é aquele que destrói a ordem econômica existente pela introdução de novos produtos e serviços, pela criação de novas formas de organização ou pela exploração de novos recursos e materiais” (SCHUMPETER, 1949 apud DORNELAS, 2005, p.39). Para ele, o empreendedor é a essência da inovação no mundo, deixando de lado as maneiras antigas de fazer negócios. Uma das características do empreendedorismo é o processo constante da inovação. Grande parte dela se dá através de novas tecnologias, que a cada dia são desenvolvidas com maior rapidez. As pessoas que conseguem entender isso e usam a favor do seu empreendimento entram em um novo conceito de negócio, desenvolvido ao longo dos últimos anos. Para se ter sucesso nos dias atuais, não basta ter um produto ou serviço de qualidade, é necessário reinventar vendas, negócios e empreendimentos a cada dia, para surpreender a sua clientela, gerando um processo de fidelização. Drucker (1987, p.39), diz que “a inovação é o instrumento específico do espírito empreendedor. É o ato que contempla os recursos com a nova capacidade de criar riqueza. A inovação, de fato, cria um recurso”. Muitas vezes existe algo na natureza sem um valor aparente, porém quando surge a arte da inovação, um recurso que não servia para nada, passa por um processo de transformação, e a partir daí, tem um grande valor. De acordo com uma necessidade identificada, um produto para supri-la é criado, que também atende ao desejo de alguém, e passa a ser algo útil e valorizado para os seus usuários. Diante dessas definições de empreendedorismo, e dessa característica citada acima, para que se possa identificar essa prática, surge uma outra questão: a possibilidade do Empreendedorismo ser ensinado. Dornelas (2005, p.40) diz o seguinte: [...] os empreendedores natos continuam existindo, e continuam sendo referências de sucesso, mas muitos outros podem ser capacitados para a criação de empresas duradouras. Isso não garante que apenas pelo ensino do empreendedorismo serão gerados novos mitos como Bill Gates, Sílvio Santos, Olavo Setúbal e Antônio Ermínio de Moraes. No entanto, com certeza o ensino do empreendedorismo ajudará na formação de melhores empresários, melhores empresas e na maior geração de riqueza no país. Existem pessoas que já nascem com características voltadas ao empreendedorismo, que são os chamados empreendedores natos. Outros são ensinados dessa maneira em sua criação. Porém existe a grande possibilidade de serem desenvolvidas pessoas com essas características, mesmo depois de adultas. Pois ter sucesso profissional, oferecendo um diferencial competitivo, é uma decisão de cada empresário. Uma decisão de buscar novos 20 conhecimentos, de se adaptar a novas tendências, de estar sempre em busca de novas oportunidades de negócio, inovando em todo o tempo. (DOLABELA, 1999, p. 68) Uma pessoa inerte no que diz respeito a práticas empresariais pode tomar uma atitude de sair do comodismo e buscar o novo, mudando seus hábitos para que possa se adequar às exigências do mercado atualmente. Só que muitas vezes isso não se dá de forma solitária, mas é necessário que uma pessoa ou um grupo de pessoas possa ajudar esse indivíduo. Isso pode ocorrer através de um curso, uma palestra, um livro, uma faculdade, e outras alternativas. Dolabela (1999, p.44) diz que “o tema ‘ensino de empreendedorismo’ evoca de imediato novas formas de aprendizado e relacionamento. Por quê? Porque os fundamentos do empreendedor não se incluem no conceito tradicional do que se aprende na escola”. As escolas e os cursos universitários em geral, não formam empreendedores, mas sim empregados. Formam pessoas com uma mentalidade de empregado, e não de uma pessoa voltada para um mundo de inovação e busca de oportunidades. Esse é um vírus que tem sido implantado nos estudantes em nossas escolas e universidades, mas que tem mudado de forma gradativa com o passar do tempo, mas ainda em uma velocidade não muito alta. O nível de empreendedores de sucesso no Brasil terá uma contribuição considerável, quando as Universidades começarem a formar profissionais, não apenas especialistas em suas áreas de atuação, mas com uma visão diferente de negócio, buscando desenvolver suas habilidades empreendedoras a cada dia, para que possam estar à frente de seus concorrentes. É possível encontrar médicos empreendedores. É possível existir engenheiros empreendedores. É necessário haver um esforço maior em formar esse tipo de profissional, para que a sociedade e a economia possam ser ainda mais afetadas de forma positiva por uma cultura empreendedora. (DOLABELA, 1999, p. 45) Porém, Dolabela (1999, p.45-46) cita o seguinte a respeito do assunto em questão: É importante perceber que, neste campo, as relações entre escolas e empresas são compulsórias. Não é possível, como em outras áreas, que o trabalho de pesquisa, desenvolvimento e propagação do saber se complete apenas na própria academia. Não é por outro motivo que os congressos científicos na área de empreendedorismo reservam sempre lugar para os não-acadêmicos, os practitioners. Quando a prática passa a ser analisada, seja em qualquer área, percebe-se que todas elas provêm de uma teoria. Porém se não houver a prática, não há necessidade de teoria. Por esse motivo, a importância grande de aliar essas duas forças, para que uma possa completar a outra, trabalhando de forma sistemática, trazendo os resultados esperados. Essa pode ser uma hipótese para que se possa identificar a necessidade de no caso das universidades, haver um convênio e uma relação com as empresas, para que o acadêmico possa desenvolver as teorias 21 aprendidas em sala de aula através de práticas empresariais, contribuindo assim com o sucesso da organização. 2.1.1 Empreendedorismo no Brasil O Movimento Empreendedor é muito recente no Brasil, sendo disseminado a cada dia, na velocidade em que Instituições interessadas no Desenvolvimento Econômico do País realizam ações para que ele possa crescer e aumentar. Foi a partir da década de 1990 que o movimento começou a tomar forma em território brasileiro, quando entidades como Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e Softex (Sociedade Brasileira para Exportação de Software) foram criadas. (DORNELAS, 2005, p.26). A partir desse momento, muitos outros movimentos e ações começaram a serem desenvolvidos para disseminar a prática do Empreendedorismo no Brasil. Antes disso, os empresários não se preocupavam demasiadamente com um bom planejamento de caixa e com uma boa Gestão de seus negócios. A Política e a Economia não ajudavam o micro e pequeno empresário. Não existiam programas que o auxiliassem em sua Gestão. Mas, quase no fim da primeira década do século XXI, essa história se mostra muito diferente da encontrada na última década do século passado. O Brasil é um País com uma alta capacidade empreendedora, e isso tem sido desenvolvido e abordado por vários autores e instituições. Em uma recente pesquisa realizada em 2008 pela Global Entrepreneurship Monitor (GEM, 2008), O Brasil aparece como o 13º País mais Empreendedor do mundo. Em número de Empreendedores, ele aparece em 3º lugar, perdendo apenas para a Índia e para os Estados Unidos. Mas para que um País se desenvolva cada vez mais, não é suficiente um aumento no número de pessoas que desenvolvam alguma atividade empreendedora, pois isso por si só não traz crescimento econômico para uma Nação. O que fará a diferença é quando os donos de estabelecimentos atuais e os que irão surgir tiverem conhecimento a respeito do que estão fazendo, estando preocupados com o futuro da sua organização e com a sua gestão, pois somente através de um bom gerenciamento cada uma dessas empresas terá um futuro promissor . A partir dessa definição, passa a ser analisado, o que pode ser chamado de empreendedorismo por necessidade ou por oportunidade. Empreendedorismo por necessidade é quando uma pessoa abre seu próprio negócio, ou desenvolve alguma atividade empreendedora, por causa de uma necessidade de sobrevivência ou outra. Empreendedorismo 22 por oportunidade surge quando o negócio é aberto ou é desenvolvida uma atividade por identificação de uma oportunidade de sucesso. Dornelas (2005, p.28) diz que: [...] no Brasil, historicamente o índice de empreendedorismo de oportunidade tem estado abaixo do índice de empreendedorismo de necessidade, mas nos últimos anos tem-se percebido uma melhora nesta relação, e espera-se que para os próximos anos cada vez mais empreendedores focados em oportunidades surjam, promovendo o desenvolvimento do país. No ano de 2008, através da Pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM, 2008), foi identificado que para cada 2 empreendedores por oportunidade existe 1 por necessidade no Brasil. Isso é um fato a ser comemorado, pois quanto mais empreendedores por oportunidades haverem, maior será o potencial empreendedor de uma Nação. Quando uma pessoa abre seu próprio negócio ou introduz alguma espécie de inovação no mercado, caracterizando a prática de empreendedorismo, esse indivíduo se mostra mais preparado do que outro que abre por necessidade. Um cidadão que visa apenas o suprimento de uma necessidade, na maioria das vezes não consegue enxergar as oportunidades de mercado, pois está com os seus olhos postos no suprimento de sua necessidade. É louvável saber que esse cenário tem mudado no Brasil, porém ainda há muito que se fazer. Um exemplo que pode ser apresentado para que o Brasil possa seguir é o dos Estados Unidos, que, para cada empreendedor por necessidade, há quase sete por oportunidade. Uma das características do Empreendedor é estar a frente das oportunidades, sempre inovando em seus produtos e serviços. Os quadros abaixo, retirados da pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM, 2008), mostram a Metodologia GEM utilizada para verificar o potencial empreendedor dos brasileiros conforme as características de seus empreendimentos, e o outro mostra a realidade desse potencial. EMPREENDEDORES CARACTERÍSTICA Não-inovador Capacidade de Inovadores Inovação intermediária Conhecimento do produto Quantidade de Concorrentes Idade das tecnologias processos Expectativa de exportação Criação de emprego FONTE: Metodologia GEM e Ninguém considera novo Muitos concorrentes Mais de 5 anos Nenhuma consumidor externo Até 5 empregos Novo para alguns Novo para todos Poucos concorrentes Nenhum concorrente De 1 a 5 anos Menos de 1 ano Ter até 50% dos consumidores externos Ter mais de 50% dos consumidores externos De 5 a 20 empregos Mais de 20 empregos 23 Quadro 1 – Empreendedores brasileiros segundo características de inovação dos empreendimentos Esse quadro mostra a metodologia adotada pelo GEM para analisar o potencial empreendedor dos brasileiros. Ela separa-os em três grupos: não-inovador, capacidade de inovação intermediária e inovadores. Cada um desses grupos possui suas características distintas. O grupo não-inovador trabalha com os produtos que todos conhecem, porém muitos outros concorrentes também adotam a mesma linha de produtos e serviços. Nesse grupo, não há espaço para tecnologia de ponta, pois geralmente os processos e a tecnologia tem mais de 5 anos, o que, nos dias de hoje, é considerado muito tempo, pela rapidez das mudanças tecnológicas. O segundo grupo tem a capacidade de inovação intermediária. Esses empreendedores têm um pouco de inovação embutidos em seu negócio, porém ainda não adotam força máxima nesse sentido. Tem características um pouco diferente do primeiro, porém moderadas. Os concorrentes já não aparecem em grande escala, seus Gestores começam a pensar um pouco mais no futuro de seu negócio, visando também atividades de exportação. Por fim, aparece o terceiro grupo, o grupo dos inovadores. Nesse estágio, o Gestor trabalha com produtos que ainda não são conhecidos, não há concorrência, está sempre trabalhando com tecnologia de ponta e atualizando seus processos na mesma velocidade. Esse tipo de empreendedor tem visão de futuro, busca até que mais de 50% de seus consumidores sejam representados pelo público externo. Potencial Empreendedor (%) Característica do Não-inovador Empreendimento Conhecimento do produto Quantidade de Concorrentes Idade das tecnologias e processos Expectativa de exportação Criação de emprego FONTE: Pesquisa GEM 2008. Capacidade de Inovadores Inovação intermediária 83,5 65 85,7 13,1 27,8 12,7 3,4 7,2 1,7 84,8 78,3 14,7 13,8 0,4 7,9 Quadro 2 – Potencial empreendedor segundo características dos empreendimentos Como aponta acima o quadro 2, é notável que a grande maioria dos empreendedores brasileiros se encontra em um estágio preocupante com relação ao seu potencial empreendedor. O que confirma isso é que essa grande parcela deles é caracterizada por ser do tipo não-inovador. Nas análises anteriores, pode ser observado que o Brasil é o 13º país mais 24 empreendedor do mundo, porém no quesito inovação há uma grande oportunidade a ser desenvolvida. 2.1.2 O Empreendedor Dentro da prática do Empreendedorismo existe uma figura essencial para que ela aconteça na íntegra, chamada de empreendedor. Nos dias atuais entende-se que o empreendedor não precisa, necessariamente, ser dono de um estabelecimento para ser caracterizado como tal. (DORNELAS, 2003) Ele tem sido encontrado em vários tipos de atividades e setores, e também dentro das organizações como funcionário. Hisrich e Peters (2004, p.77), afirmam que: [...] Não existe um “verdadeiro perfil empresarial”. Os empreendedores provêm de experiências educacionais, situações familiares e vivências profissionais variadas. O empreendedor em potencial pode ser hoje enfermeira, secretária, trabalhador de linha de montagem, vendedor, mecânico, dona de casa, gerente ou engenheiro. O empreendedor em potencial pode ser homem ou mulher e de qualquer raça ou nacionalidade. Como mostra a ponderação dos autores acima, é possível observar que um empreendedor é formado por um conjunto de características que o identificam como tal, e não apenas por ser dono de uma empresa. Nos dias atuais, as empresas buscam cada vez mais funcionários com características que tendem a inovação e a pro atividade, o que mostra que aquele que quer ser empregado deve pensar e agir como se fosse o dono do negócio em que está inserido. Embora esteja à frente do negócio ou não, os empreendedores possuem características semelhantes que os identificam. Birley e Muzyka (2001, p.4) citam que “os empreendedores parecem ser orientados para realizações, gostam de assumir a responsabilidade por suas decisões e não gostam de trabalho repetitivo e rotineiro”. Isso os leva a estar sempre buscando oportunidades para desenvolver um produto, serviço ou processo através da inovação constante, atraindo melhores resultados para a organização. Isso se explica pelo fato de ele não gostar de trabalho repetitivo e rotineiro. Uma outra situação citada é que ele assume a responsabilidade por suas decisões, o que caracteriza a busca por uma independência em alguma área para que possa sempre assumi-la, mesmo que esteja errado. Porém é diferente errar para os outros e errar para si, ou seja, errar na empresa alheia ou na sua própria empresa. Hashimoto (2006, p.6), apresenta um quadro com inúmeras características do empreendedor, que muitas vezes pode ser chamado de herói. Abaixo estão algumas delas. 25 Comprometimento, criatividade, valores, habilidades específicas, conhecimento do negócio, princípios, atitudes positivas, reconhecimento de oportunidade, autoconfiança, sabedoria, coragem para enfrentar desafios, perseverança e determinação, habilidade de relacionamento interpessoal, boa comunicabilidade, liderança, facilidade de trabalhar em equipe, auto-motivação, capacidade de tomar decisões rapidamente, pensamento crítico, visão estratégica etc [...] Essas são apenas algumas das muitas características que podem ser encontradas em um empreendedor de sucesso. Não é raro ver que as organizações buscam, cada vez mais, colaboradores com algumas das características citadas. É difícil, nos dias atuais, um funcionário permanecer muito tempo em uma empresa se não souber se relacionar com as pessoas, ou se tiver dificuldade de trabalhar em equipe. Acabou aquele tempo em que as pessoas eram contratadas do pescoço para baixo, ou seja, não era necessário pensar dentro das organizações, apenas receber ordens. O mundo dos negócios tem exigido cada vez mais dos profissionais, requerendo que o mesmo seja dinâmico e tenha características empreendedoras. Hashimoto (2006, p.7), completa sua afirmação a respeito das características empreendedoras dizendo que “obviamente, não existe pessoa alguma que possua todas essas características. O que existe é uma pessoa dotada das características mais apropriadas para um determinado momento e lugar”. Existe algo que é chamado de preparação e algo que é chamado de oportunidade. A pessoa se estiver no seu momento, ou seja, preparada para uma oportunidade que surgir, a oportunidade a buscará. Uma construtora que busca uma imobiliária para vender seus imóveis depois de construídos buscará a que estiver mais bem preparada e adequada para o seu tipo de negócio. Por isso a importância de preparação, pois o empreendedor está sempre em busca de novas oportunidades, porém, se não se preparar para elas, elas simplesmente passarão para quem estiver mais pronto para aproveitá-las. Há uma grande diferença entre um empreendedor de sucesso e um “aventureiro” no mundo dos negócios. Uma pessoa bem preparada, que entende de Gestão Empresarial e tem conhecimento a respeito da área em que atua, está na frente nessa briga pela preferência dos consumidores que está cada vez mais acirrada. Birley e Musyha (2001, p. 4) dizem que os empreendedores têm a capacidade de “transformar o que freqüentemente começa com uma idéia muito simples e mal definida em algo concreto”. Isso é bem visto quando uma pessoa vai a um banco pedir um financiamento para abrir ou expandir os seus negócios. Se ele chegar cheio de boas idéias e intenções, porém mal definidas ou rabiscadas em um pedaço de papel, é provável que não receba o que deseja. Por outro lado, se preparar uma idéia boa em um 26 projeto bem elaborado e estruturado, que normalmente é chamado de plano de negócio, terá muitas chances de sair do banco com uma resposta favorável ao seu projeto. Enfim, “o empreendedor é aquele que faz as coisas acontecerem, se antecipa aos fatos e tem uma visão futura da organização”. (DORNELAS, 2005, p. 17) Essa é uma definição simples, mas que ilustra bem a figura do empreendedor, um ser dotado de tantas características positivas, que pode ser encontrado em diversas áreas de atuação, mas que geralmente apresenta características semelhantes. Quando uma pessoa tem sonhos grandes e objetivos ousados em sua vida, isso sempre exigirá que ela busque outras pessoas para estarem junto com ela contribuindo de alguma maneira para realizar os seus sonhos. O empreendedor nunca fará nada sozinho, mas sempre haverá outros indivíduos envolvidos em seus projetos para que eles possam ser realizados da melhor maneira possível. Quando ele tem o projeto de abrir a sua própria empresa, sempre haverá algo que ele terá de delegar para alguém realizar, pois apesar de que, no começo, haver a necessidade de fazer de tudo um pouco, é indispensável o auxílio de terceiros. Por essa razão, o empreendedor de sucesso tem a capacidade de influenciar as pessoas através dos seus sonhos, injetando nelas o desejo de realizá-los através do seu poder de persuasão. A melhor maneira de ele obter sucesso é fazendo com que aqueles que estão envolvidos em seu negócio, sonhem os seus sonhos e se esforcem para realizá-los. A partir desse momento, toda a equipe trabalhará com um único objetivo, o que fará com que através da sinergia, o que eles traçarem, seja alcançado. Murdock (2008, p.60) fala o seguinte: O sucesso é uma coleção de relacionamentos. Sem clientes um advogado não consegue desenvolver uma carreira. Sem pacientes um médico não tem futuro. Sem platéia um cantor não tem para quem apresentar-se. Nosso futuro está relacionado às pessoas. Nosso sucesso depende da participação delas. O que foi falado nas linhas acima dessa citação é resumido por essa declaração de Mike Murdock. Um empreendedor nunca fará nada sozinho, mas sempre estará ligado a outras pessoas, e o sucesso dele dependerá também da participação delas em seus projetos. Nos dias atuais, não é raro ouvir em uma organização que os colaboradores são o seu maior patrimônio. Isso significa que grandes empresas, lideradas por empreendedores de sucesso, têm milhares de pessoas envolvidas com o seu sucesso, tornando reais cada um dos objetivos traçados pela empresa. Enfim, as pessoas de sucesso entendem e aplicam o conceito de que precisam umas das outras para que possam obter o sucesso esperado. 27 2.1.3 Tipos de Empreendedor Como vimos acima, não existe uma pessoa que tenha todas as características empreendedoras necessárias para o sucesso de um negócio. Porém, para cada área de atuação existem determinadas características que se adequam melhor aquela função e aquele tipo de negócio. De acordo com Miner (1998, p. 13) existem quatro tipos de empresários: o realizador, o supervendedor, o autêntico gerente e o gerador de idéias. 1. O realizador: são empreendedores clássicos que levam muita energia às suas empresas e dedicam inúmeras horas ao trabalho. Eles gostam de receber feedback sobre seu desempenho e de planejar e estabelecer metas para realizações futuras. São dotados de muita iniciativa e de um forte compromisso com a empresa. Os realizadores acreditam que controlam suas vidas por meio de suas ações, e não são controlados pelas circunstâncias ou pelas atitudes de terceiros. Eles devem ser orientados por metas próprias (e não pelos objetivos de outras pessoas). Cada um dos quatro perfis possui algumas características que definem a suas particularidades com relação as suas atitudes. As características do realizador são as seguintes: • Necessidade de realizar: a necessidade de realizar produz vários efeitos nesses profissionais. Quando são necessárias habilidades empreendedoras, eles podem dedicar muita energia para fazer uma empresa prosperar. Muitos realizadores tornam-se ‘workaholics’ e sobrecarregam-se de tarefas. Porém eles realizam mais e estão na frente de concorrentes menos motivados. • Desejo de obter feedback: eles precisam obter feedback para saber se estão tendo êxito ou se estão errando em algum quesito. • Desejo de planejar e estabelecer metas: esses profissionais têm visão de futuro e não se detêm as dificuldades atuais, mas projetam de forma clara os seus objetivos e metas futuras, sabendo que no fim obterão o que almejam e planejam. Pelo fato de acreditarem nos seus planos e metas, se dedicam arduamente para alcançá-los. • Forte iniciativa pessoal: esses profissionais não precisam de outras pessoas para iniciar algo para que depois eles venham a acompanhar, pois são 28 independentes e tem um forte senso de iniciativa pessoal. Gostam de poder dizer que fizeram algo sozinhos. • Forte comprometimento pessoal com a empresa: nenhum profissional se dedicaria de forma intensa em um negócio que não estivesse comprometido. O fato de ter um forte comprometimento pessoal faz com que eles se dediquem ao máximo ao negócio em que estão inseridos. Muitas vezes o seu comprometimento supera até mesmo o de muitos médicos ou advogados em suas profissões. • Crença de que uma pessoa pode mudar significativamente uma situação: acreditam que controlam suas vidas e não são controlados por outras pessoas. Esse fato o leva a crer que sua decisão e atitude determinam os seus resultados. • Crença de que o trabalho deve ser orientado por metas pessoais e não pelos objetivos de terceiros: uma pessoa que não sabe para onde está indo, qualquer lugar serve. Se ele não definir suas metas, outra pessoa definirá. Eles são individualistas e gostam de fazer as coisas de acordo com seus ideais. As características citadas acima fazem parte do perfil de empresário conhecido como realizador. Esse tipo de empreendedor é ativo e mergulha no seu empreendimento de forma efetiva. Eles buscam obter o maior conhecimento possível a respeito de sua área de atuação para que possam realizar suas atividades da melhor maneira possível. 2. O supervendedor: possuem uma grande sensibilidade em relação a outras pessoas e desejam ajudá-las de qualquer maneira possível. Eles empregam um método de vendas de persuasão branda e fecham suas vendas devido ao desejo dos clientes de retribuir. Os relacionamentos são muito importantes para eles, que gostam de reuniões sociais e de participar de grupos. Algumas características definem melhor esse tipo de empreendedor: • Capacidade de compreender e compartilhar sentimento com o outro (empatia): eles enfatizam a interação humana e se colocam no lugar da outra pessoa para entendê-la e poder fechar as negociações de forma boa para ambas às partes. 29 • Desejo de ajudar os outros: ele possui um forte desejo de ajudar as outras pessoas, buscando, muitas vezes, fazer pelos outros aquilo que ele não consegue fazer por si próprio. • Crença de que os processos sociais são muito importantes: para o supervendedor, a interação social e os relacionamentos com pessoas são simplesmente mais importantes do que muitas outras considerações. • Necessidade de manter relacionamentos sólidos e positivos com os outros: além de considerar que os processos sociais são muito importantes, eles acreditam que é necessário estabelecer alianças com as pessoas para que tenham um vínculo afetivo e isso possa trazer uma contribuição profissional positiva. • Crença de que uma força de vendas é crucial para colocar em prática a estratégia da empresa: considera a força de vendas como um meio importante de implementar as estratégias da empresa. Pode nem sempre ser o único método a predominar, mas, se não for, é improvável que fique muito para trás. 3. O autêntico gerente: gostam de assumir responsabilidades e saem-se bem em cargos de liderança nas empresas; eles são competitivos, decididos e possuem uma atitude positiva em relação àqueles que têm autoridade; gostam de poder e de desempenhar uma função. As seguintes características definem esse tipo de empreendedor: • Desejo de ser um líder na empresa: o autêntico gerente tem um forte desejo de alcançar os altos cargos dentro da organização. Cargos de gerência são o seu objetivo. Por possuir essa ambição de ser líder, ele se desempenha bem nessas funções, adquirindo também uma autoconfiança elevada. • Determinação: o autêntico gerente é determinado, toma decisões rápidas e é confiante. Se é preciso tomar uma decisão, ele segue em frente e faz. • Atitudes positivas em relação à autoridade: em geral, os autênticos gerentes possuem uma atitude positiva com relação às pessoas que possuem cargos superiores a ele dentro da organização. Eles gostam e respeitam seus chefes. 30 • Desejo de competir: no que se refere a gerentes do mesmo nível, há um forte elemento de competição em seu trabalho. Como resultado, há perdedores e vencedores. • Desejo de obter poder: é natural em grandes empresas que seus gerentes não só se relacionem com pessoas em posições superiores (envolvendo atitudes em relação à autoridade) e do mesmo nível (envolvendo competitividade), mas também com integrantes dos escalões inferiores. • Desejo de destacar-se entre os demais: ser gerente exige agir de modo diferente das outras pessoas. O autêntico gerente deve se destacar em seu grupo e assumir posição de grande visibilidade. 4. O gerador de idéias: os geradores de idéias inventam novos produtos, encontram novos nichos, desenvolvem novos processos e, em geral, encontram uma forma de superar a concorrência. Eles são inovadores no verdadeiro sentido empresarial. Eles se sentem fortemente atraídos para o mundo das idéias, mas podem ser levados pelo entusiasmo e assumir riscos que não foram suficientemente calculados; para diminuir os perigos do entusiasmo injustificado, é aconselhável empregar um pouco de cautela. Além disso, ocasionalmente, eles podem ser um tanto idealistas. As características abaixo definem melhor esse tipo de empreendedor: • Desejo de inovar: o gerador de idéias está sempre buscando algo novo para se diferenciar de seus concorrentes, seja inovando ou criando um novo produto ou serviço que represente um diferencial competitivo. • Apego a idéias: os geradores de idéias são entusiastas, especiais, preocupamse com a opinião dos outros e se dão bem com as pessoas. Na realização de tarefas, são adaptáveis, flexíveis, estão dispostos a ceder e a partilhar o poder. • Crença de que o desenvolvimento de novos produtos é crucial para colocar em prática a estratégia da empresa: esse é um fator que diferencia uma empresa inovadora de uma empresa comum. Para se diferenciar em um cenário competitivo é necessário constantemente desenvolver novos produtos e novas formas de oferecê-lo aos clientes. • Bom nível de inteligência: as atividades do gerador de idéias quase sempre se concentram no raciocínio, no aprendizado e ao lidar com as idéias. A 31 inteligência pode representar uma ajuda, uma vantagem competitiva, permitindo-lhes pensar melhor. • Desejo de evitar riscos: os riscos são inevitáveis no mundo empresarial. Porém os geradores de idéias devem evitá-los se querem obter êxito em seus empreendimentos. Esses são os quatro tipos de empresários definidos de acordo com as suas características por Miner (1998). Não há uma regra que diga qual dos estilos tem o melhor desempenho dentro do empreendedorismo, porém, talvez o perfil que mais se identifica com o estudo, é o gerador de idéias, que está sempre buscando inovar, tem um apego às idéias e acredita que o desenvolvimento de novos produtos é muito importante para que uma empresa possa alcançar os seus objetivos, tendo um diferencial competitivo. Um empreendedor não precisa necessariamente ter as características de apenas um dos perfis. Porém, muitas vezes ele pode agregar características de mais de um dos tipos estudados. De acordo com Miner (1998, p. 187), os vários estilos podem ser usados com eficiência de duas diferentes maneiras: 1. Seqüencialmente: um estilo pode ser enfatizado no estágio inicial da empresa e então ser totalmente substituído por outro à medida que a firma cresce. Assim, com o correr do tempo, o empresário passa de um caminho a outro. 2. Simultaneamente: dois ou mais estilos e caminhos são ativados praticamente ao mesmo tempo, e o empresário passa de um ao outro continuamente. As duas maneiras apresentadas por Miner de como usar com eficiência mais de um estilo de gestão são muito interessantes. Na primeira delas, pode ser usado como exemplo, um empreendedor que inicia suas atividades tendo sendo um determinado tipo de empresário, porém, com o passar dos anos, ele tem que mudar seu estilo para se adequar ao seu negócio, mudando então o caminho, como citado pelo autor. Na segunda forma citada, um empresário é de um determinado estilo de gestão de acordo com cada situação distinta uma da outra, adotando vários tipos em momentos específicos diferentes. 32 2.1.4 Características do Empreendedor O empreendedor, como já citado anteriormente é dotado de características que não são comuns à maioria das pessoas. Ele tem um conjunto de aptidões e traços que já nasceram com ele ou que são desenvolvidos ao longo de sua vida. Esses traços e características o identificam como tal. Um empreendedor, não precisa, necessariamente, ter todas as características que serão analisadas a seguir para ser identificado dessa maneira, pois haverá pessoas que terão mais delas e outras que terão menos, porém pelas suas atitudes serão julgadas como empreendedoras ou não. (DOLABELA, 1999, p. 68) Hisrich e Peters (2004, p.77) citam que existem empreendedores em várias profissões e áreas diferentes. De acordo com eles, o empreendedor possui alguns sentimentos ou características principais que fazem dele o que ele é. • Locus de controle: este é um atributo que identifica o senso de controle que uma pessoa tem sobre a sua própria vida. A seguir veremos a necessidade que o empreendedor tem de independência e de realização que estão muito ligados a esse item, pois se ele for independente, isso indicará que ele está no controle de sua vida e de seus negócios, o que denota a sua insatisfação em, muitas vezes, trabalhar para outras pessoas, estando limitado a certas atitudes dentro de uma organização, que em muitos casos impede ele de liberar sua criatividade. • Sentimentos de independência e necessidade de realização: uma das características mais fortes de um empreendedor é a necessidade de ser seu próprio patrão. Ele tem dificuldade em trabalhar para outras pessoas, pois isso não o faz sentir independente. Sua grande satisfação está em ser dono do seu próprio negócio, ter sucesso no mesmo para que possa se sentir realizado com sua atividade profissional. • Assumir riscos: é evidente que um empresário assuma riscos no mundo dos negócios. Pois aquele que não assume riscos, não tem chance de se diferenciar no mercado e estar à frente da concorrência. O empreendedor tem a capacidade de assumir riscos calculados, o que se faz necessário todas as vezes que ele aceita o desafio de aproveitar uma oportunidade. Nos momentos em que ele assume esses riscos e tem sucesso em cada empreitada, isso traz a ele um sentimento de realização, que foi citado no item anterior. Essa é uma das características que faz dele um indivíduo de sucesso nos negócios. 33 Além de algumas das características citadas acima, Venturi e Lenzi (2003, p.64) fazem uma síntese das principais características empreendedoras de acordo com o que dizem alguns autores bem conceituados a respeito do assunto. • Comprometimento, determinação e perseverança: se o dono do seu próprio negócio ou intra-empreendedor não for comprometido com sua atividade ou projeto, dificilmente outras pessoas serão. Se estiver comprometido, isso quer dizer que ele estará determinado a alcançar o sucesso esperado, e mesmo em meio a dificuldades, ele não irá desistir, mas irá perseverar até ver a concretização do seu sonho. • Guiado pela auto-realização e crescimento: o seu desejo de ser bem sucedido e a vontade de crescer e se dar bem, é o que o guia para alcançar os seus objetivos e metas. • Senso de oportunidade e orientação por metas: as metas revelam o líder e empreendedor que alguém é, e também o líder e empreendedor que ela não é. Através do seu atingimento ou não isso poderá ser identificado. Quando se sabe onde quer chegar, é possível analisar as oportunidades e identificar quais delas o levarão ao sucesso e quais não devem ser aproveitadas. Uma pessoa que não sabe onde quer chegar, pois não tem metas para isso, qualquer oportunidade que surgir chamará a sua atenção, o que aumenta a probabilidade de a pessoa ter insucesso em seus projetos. Com isso é possível concluir que as metas definidas decidem as oportunidades selecionadas. • Assumem responsabilidades: os empreendedores gostam de estar a frente dos negócios, isso faz com que eles se tornem responsáveis pelo resultado de seus negócios e projetos. Ainda que um funcionário do baixo escalão seja o autor do erro, o empreendedor se responsabiliza pelo resultado da operação, atividade ou projeto. • Persistência na resolução de problemas: uma pessoa recebe o seu salário de acordo com o problema que ela resolve ou tem capacidade de resolver. Um empreendedor, por ter necessidade de realização, não desiste em meio as dificuldades, mas persiste na solução dos problemas até vê-lo resolvido. Apesar disso, ele conhece suas limitações e sabe até onde pode chegar. • Realistas com senso de humor: empreendedores normalmente conhecem suas qualidades e seus defeitos. Isso faz com que eles saibam até onde podem se 34 aventurar, por mais que até mesmo em meio a situações difíceis eles não abandonam o senso de humor e o otimismo. • Busca obter feedback: muitos empreendedores se formam através do exemplo de outras pessoas, buscando muitas vezes mentores para suas vidas. Por essa razão eles desejam saber se estão indo bem ou não, de acordo com um retorno de pessoas que estão envolvidas com o seu negócio ou outros que podem tomar a liberdade de dar sua opinião. • Decidido, urgente e paciente: o empreendedor é decidido quanto as suas metas e objetivos e ele sabe que tem oportunidades que devem ser aproveitadas rapidamente, por isso se faz necessário um senso de urgência. Por outro lado ele tem uma visão aguçada, o que o leva a ter paciência para o cumprimento de sua visão e objetivos de longo prazo. • Sabe lidar com o fracasso: um fracasso nem sempre é o fim da linha, e mesmo que seja deve ser encarado como uma oportunidade de aprendizado. Existem empresários que em alguns momentos de suas vidas passaram por crises e falências, porém aqueles que não desistiram, em um período de tempo recuperam seu patrimônio. O empreendedor tem a capacidade de aprender com essas situações. • Formador de equipes: como já citado anteriormente, o empreendedor não tem sucesso sozinho, mas existem sempre outras pessoas envolvidas. Por isso a necessidade de ele formar uma equipe para trabalhar em prol de seus sonhos e objetivos, além da capacidade de persuasão para que esses indivíduos sejam adeptos desses projetos e dessa visão. As características empreendedoras são muitas e aparecem em vários títulos de autores que escrevem a respeito do assunto. Porém não se pode esperar que um indivíduo tenha todas as características freqüentes em um empreendedor de sucesso, pois seria um mito buscar encontrar uma pessoa assim, que poderia ser chamada de o empreendedor completo. Além do que citaram os autores analisados até aqui, Dornelas (2005, p.33) apresenta mais algumas características. • São visionários: em empreendedores é comum encontrar neles uma visão clara e específica a respeito do futuro do seu negócio e de seus projetos. Além disso, eles 35 têm a capacidade de permanecer focados para que possam alcançá-los empenhando neles seus esforços. • São otimistas e apaixonados pelo que fazem: a paixão pelo que fazem e por terem sucesso no que fazer, é o combustível para o negócio ou projeto ser bem sucedido. O fato de serem otimistas faz com que o empreendedor consiga enxergar uma oportunidade em cada calamidade, e não uma calamidade em cada oportunidade. • Ficam ricos: esse não é o principal objetivo dos empreendedores, porém é a conseqüência de um negócio que a cada dia se torna mais bem sucedido. • São bem relacionados: uma rede de contatos faz parte do sucesso de um empreendedor. Ela facilita as coisas, pois uma pessoa bem relacionada com os clientes, fornecedores e com todos os stakeholders, tem maior chance de obter sucesso. Essas características a respeito do empreendedor citadas acima são apenas algumas das principais de todo um conjunto existente. Elas não esgotam todo um universo complexo e interessante que envolve a figura do empreendedor. Além do que foi falado, existe todo um estudo a respeito do seu comportamento, de suas principais habilidades e de suas competências principais. Lenzi (2009, p. 26) cita o seguinte a respeito das competências do empreendedor: A competência empreendedora é constituída pela intersecção de três aspectos fundamentais: conhecimentos, habilidades e atitudes. O conhecimento é representado pelo nível de informação que se em relação ao negócio e ao nível gerencial que o empreendedor atinge. A habilidade de aplicar na prática esse conhecimento também é um fator indispensável ao empreendedor. E apenas o conhecimento não é suficiente para uma competência e um desempenho favoráveis se não houver uma atitude propriamente dita. Para completar o estudo das características do empreendedor, é importante ressaltar que há a necessidade de ele não apenas ter as características, mas junto a elas, a competência citada por Lenzi acima. Essas três competências são necessárias, pois não basta apenas ter o conhecimento e o potencial, mas é necessário saber aplicar a teoria e ter uma atitude de fazer as coisas acontecerem de acordo com o planejado. 2.2 Idéias ou Oportunidades Para se dar início a um novo negócio ou projeto que seja empreendedor, é necessário avaliar o mercado, identificando se o que se tem em mente é uma idéia ou uma oportunidade. 36 Muitas pessoas têm idéias boas, porém não analisam se o mercado tem espaço para essas idéias e se há realmente uma oportunidade ou carência no mercado de tal serviço ou produto. O erro, muitas vezes, não está em se iniciar algo novo, mas em pensar que a idéia é o mesmo que oportunidade. Talvez um dos maiores mitos a respeito de novas idéias de negócios é que elas devem ser únicas. O fato de uma idéia ser ou não ser única não importa. O que importa é como o empreendedor utiliza sua idéia, inédita ou não, de forma a transformá-la em um produto ou serviço que faça sua empresa crescer. As oportunidades é que geralmente são únicas, pois o empreendedor pode ficar vários anos sem observar e aproveitar uma oportunidade de desenvolver um novo produto, ganhar um novo mercado e estabelecer uma parceria que o diferencie de seus concorrentes. (DORNELAS, 2005, p.54) Veja também o que diz Lenzi (2009, p. 45) a respeito de idéias e oportunidades: Uma das mais freqüentes causas de fracasso de alguns empreendimentos reside justamente neste aspecto: confundir julgando que toda boa idéia possa ser uma boa oportunidade. Ou, pior ainda: lançar um produto ou serviço no mercado sem qualquer característica de diferenciação ou de inovação, tornando-se apenas mais um no mercado. No processo de identificação de uma oportunidade se encontra um estágio muito importante que os empreendedores estão acostumados a realizar, que é o estágio da observação. Diante de um mercado cada vez mais competitivo, esse indicador é muito importante, pois a observação pode ser definida como a capacidade de enxergar uma oportunidade aonde todos só enxergam coisas negativas e sem perspectiva de crescimento. Degen (1989, p.20) cita que “o empreendedor de sucesso é aquele que não se cansa de observar negócios, na constante procura de novas oportunidades, seja no caminho de casa, do trabalho, nas compras, nas férias, lendo revistas, jornais ou vendo televisão”. A capacidade de observação é uma das características dos empreendedores de sucesso. Após a fase de observação, aqueles fatores observados, que podem ser oportunidades, devem ser associados ao negócio ou projeto do observador, caso já tenha um, ou então deve ser explorado através da sua criatividade para o início de uma atividade empresarial. Sertek (2006, p. 94) cita que: [...] A observação dos produtos e serviços é absolutamente necessária, ou seja, estar a par das necessidades das pessoas, dos clientes; estar bem informado é um fator tremendamente importante para descobrir oportunidades de negócios. Nessa citação é possível confirmar a importância da observação, pois através dela serão identificadas as necessidades dos consumidores, seja em serviço ou em produtos novos ou adaptados a sua realidade. As empresas precisam analisar constantemente a sua clientela, 37 para que possam descobrir as necessidades novas e o que eles acreditam que poderia ser melhorado naquilo em que a organização está servindo e oferecendo. Um exemplo disso é o dono de um mercado de médio porte no centro de uma cidade. Talvez o melhor lugar para ele ficar para observar seus clientes e identificar as necessidades novas ou as preferências dos consumidores, é no caixa. Nessa posição cada cliente expressa aquilo que ele precisa ou necessita, bem como faz elogios ou reclamações a respeito daquilo que foi percebido. Para que as idéias floresçam e transforme-se em oportunidades, deve-se criar um ambiente corporativo propício ao surgimento de novas idéias. Isso ocorre em organizações que priorizam o empreendedorismo corporativo. Assim, para se ter um ambiente interno de geração de idéias, são necessárias duas características: desenvolvimento de uma estrutura para o empreendedorismo e ter as pessoas certas. (DORNELAS, 2003, p.82) Em muitos casos as idéias empreendedoras vão surgir através dos colaboradores que fazem parte da organização. Para que elas sejam aproveitadas, deve haver espaço para a inovação e criatividade, a fim de que os que fazem parte dela tenham espaço para expor seus pensamentos e contribuir para que oportunidades sejam aproveitadas da melhor maneira possível, trazendo um resultado positivo para o negócio. Para que se possa definir se uma idéia é uma oportunidade, é necessário, como já citado anteriormente, estar em constante observação do mercado. Através disso, uma conclusão poderá ser tirada, avaliando as verdadeiras necessidades de novos produtos ou serviços, ou mesmo adaptações aos que já existem. Conclui-se que uma idéia não é necessariamente uma oportunidade, mas transforma-se em tal quando há uma carência de tal produto ou serviço no mercado em que a empresa atua. Empresas de sucesso não lançam produtos novos simplesmente porque alguém dentro da organização teve uma idéia brilhante. Essas organizações, antes de lançá-los, para não correr o risco de fracassar no novo projeto, pesquisam o mercado, analisam a concorrência, identificam as necessidades dos consumidores, e lançam o produto, primeiramente para que seja testado, para que posteriormente seja lançado em definitivo. O que pode auxiliar muito na análise da concorrência e identificação de necessidades é o Plano de Negócio, que contém todos os detalhes de planejamento e de estratégia da organização que será lançada, ou que já existe no mercado, o que pode trazer um direcionamento claro da visão do negócio da empresa. Por outro lado, a motivação que pode levar uma pessoa a abrir o seu próprio negócio, é a necessidade ou a identificação de uma oportunidade no mercado. Greco, Bastos Junior e Machado (2008, p.30), principais autores da pesquisa GEM em 2008, citam conhecer essa 38 motivação serve para avaliar a natureza do empreendedorismo em países em desenvolvimento. Os autores citam que empreender por oportunidade reflete o “lado positivo” da atividade empreendedora nesses países. São pessoas que iniciaram um negócio para melhorar sua condição de vida ao observar uma oportunidade de empreender. Ainda na pesquisa GEM 2008, os autores citam que empreender por necessidade é o outro extremo da atividade empreendedora. Nesse caso o empreendedorismo é tido como uma “ferramenta para o desenvolvimento”. 2.2.1 Fontes de Novas Idéias Uma idéia pode surgir através de várias maneiras. Pessoas que tem em si características de inovação e criatividade saem na frente nesse processo, pois tem a tendência para estar sempre buscando algo novo e adaptando ao seu negócio ou criando alguma coisa que gere valor para a sua empresa. A idéia de um empreendimento surge da observação, da percepção e análise de atividades, tendências e desenvolvimentos, na cultura, na sociedade, nos hábitos sociais e de consumo. As oportunidades detectadas ou visualizadas, racional ou intuitivamente, das necessidades e das demandas prováveis, atuais e futuras, e necessidades não atendidas definem a idéia do empreendimento. (BERNARDI, 2003, p.63) Não há como analisar idéias e oportunidades de forma isolada, pois o sucesso de uma está ligado à existência da outra. O autor citado acima também confirma o que foi falado anteriormente a respeito da observação. Ela também pode ser utilizada para a criação de um novo empreendimento, através de idéias que surgirão. Birley e Muzyca (2001, p.25) citam que “há, na essência, somente duas maneiras pelas quais você pode criar idéias de negócios – gerar a sua própria ou desenvolver a de outrem”. Quando uma pessoa desenvolve a sua própria idéia, ela pode estar baseada na necessidade de alguma pessoa ou de um grupo de pessoas, que ainda não está sendo suprida de maneira adequada como os consumidores esperam. Dessa maneira, um novo conceito de negócio surge, dando início a um novo empreendimento, produto ou serviço. Porém, um empreendedor pode também buscar desenvolver um conceito já existente, ampliando-o através da sua iniciativa e buscando realizar seus objetivos através disso. Um exemplo seria o investimento na abertura de uma franquia. Idéias podem surgir de várias maneiras, porém devem ser desenvolvidas de maneira adequada para que o empreendimento tenha sucesso. Birley e Muzyca (2001, p.25) continuam 39 dizendo que “existem algumas técnicas estabelecidas, como visualização, brainstorming e análise morfológica, que podem ser usados para gerar idéias. Dr. Myles Munroe, em seu livro Os Princípios e o Poder da Visão cita que a imaginação é o maior dom que Deus deu ao homem. Uma pessoa, quando consegue visualizar e imaginar o seu sucesso, isso a leva a alcançá-lo de maneira mais eficaz. Alguém que não consegue se enxergar bem-sucedido em alguma área da sua vida, também não acredita que isso pode acontecer, e se não acreditar não irá se esforçar para alcançar isso, por mais que deseje. Alguém disse que uma pessoa só chega a um lugar aonde a sua mente chegar antes. Quando uma pessoa consegue utilizar essa técnica ao seu favor, objetivos e metas de longo prazo podem ser estabelecidos. Uma outra técnica para gerar idéias é através do brainstorming. Essa técnica reúne um grupo de pessoas, com uma programação que a antecede, aonde as pessoas podem expressar suas idéias com liberdade sem serem repreendidas. As melhores idéias são acatadas e devem ser colocadas em ação. Uma última maneira é chamada de análise morfológica. Essa técnica visa dividir um problema complexo em seus elementos. Por exemplo, se uma empresa serve alguns tipos de lanches: A, B e C. Seu público pode ser dividido em três faixas-etárias. Sendo assim, já são nove idéias que surgem. Dessa maneira é possível trabalhar especificamente com os gostos e preferências de cada grupo de consumidores principais. Uma nova idéia não surge de qualquer maneira. Algumas formas são citadas acima de como elas podem surgir. Porém, para que isso ocorra, existem várias variáveis que interferem nesse processo. Quando uma pessoa traz a luz algo novo para solucionar um problema, ou seja, uma idéia, ela geralmente estará baseada em sua experiência e em seu conhecimento a respeito do assunto. Dornelas (2001, p. 54) aborda o assunto da seguinte maneira: Informação é a base de novas idéias. Estar bem informado é o dever de qualquer empreendedor. Atualmente, a informação está ao alcance de qualquer pessoa, em diversas formas e veículos diferentes: televisão, rádio, revistas, jornais, livros, Internet, outras pessoas, a própria empresa, fornecedores, compradores, entidades de classe, governo, entre outros. Só não se informa quem não quer. Dornelas fala a respeito da importância da informação para o processo de geração de idéias. Uma pessoa informada sabe o que está acontecendo, porque está acontecendo, e se tiver a capacidade de selecionar as melhores informações, poderá se antecipar as necessidades de um público a respeito de algum produto ou serviço, saindo na frente de seus concorrentes devido ao conhecimento adquirido através de informações bem selecionadas. 40 Na seqüência, Dornelas (2001, p. 55) cita alguns exemplos de formas e técnicas para gerar idéias: • Conversar com pessoas de todos os níveis sociais e idade (de adolescentes aos mais velhos e experientes), sobre os mais variados temas, também pode trazer novas idéias de produtos e serviços em um determinado nicho de mercado; • Pesquisar novas patentes e licenciamentos de produtos, em áreas onde o empreendedor tem intenção de atuar com um novo negócio, pode produzir conclusões interessantes que definirão a estratégia da empresa; • Estar atento aos acontecimentos sociais de sua região, tendências, preferências da população, mudanças no estilo e padrão de vida das pessoas e hábitos dos jovens (futuros e até atuais consumidores para determinados produtos e serviços); • Visitar institutos de pesquisa, universidades, feiras de negócios, empresas etc; • Participar de conferências e congressos da área, ir a reuniões e eventos de entidades de classe e associações. É possível ver a ênfase do autor, através das citações acima, na busca de informações de várias formas para que novas idéias sejam geradas. Com base nas declarações dos autores a respeito de onde surgem novas idéias, pode-se constatar que eles defendem o mesmo conceito, de que elas são geradas através da informação obtida através de várias formas já citadas anteriormente. 2.2.2 Processo de Geração de Idéias e Ferramentas de Criatividade Na parte anterior algumas formas de geração de idéias são citadas de acordo com alguns autores, focalizando a informação obtida através de várias maneiras. Bom Angelo (2003, p. 127) fala a respeito de alguns processos de geração de idéias: pensamento lateral, brainstorming, método de solução criativa de problemas, ter muitas idéias e destruição criativa. 1. Pensamento lateral: esse método consiste em fugir do jeito tradicional de gerar idéias. Essa é uma forma excelente para estimular a criatividade, pois ela foge do convencional, aquilo que todos estão acostumados a fazer sempre. Através dessa técnica idéias que, em um primeiro momento, parecem absurdas, se forem analisadas 41 de forma mais detalhada, se mostrarão potenciais inexplorados que podem trazer ótimos resultados para quem utilizá-los. 2. Brainstorming: de acordo com o autor, esse processo consiste em dizer tudo que vier a cabeça em relação ao assunto proposto. Sem censura. Esse método pode ser utilizado com um grupo de pessoas, aonde acontece uma tempestade de idéias, e nenhuma delas deve ser descartada, mas as melhores serão selecionadas para serem analisadas e colocadas em ação. 3. Método de solução criativa de problemas: essa ferramenta foi desenvolvida pela Creative Education Foundation, em Buffalo, nos Estados Unidos. Segundo Bom Ângelo (2003, p. 129), esse processo se divide em seis etapas: 1. Definição de um objetivo – nessa fase, devem-se aplicar técnicas de pensamento divergente para gerar objetivos diferentes e escolher um para ser trabalhado. Quem tem um problema específico a ser resolvido já tem seu objetivo definido. 2. Levantamento de dados – no processo criativo é importante pesquisar o máximo de informações sobre aquele objetivo ou problema a ser resolvido. 3. Definição dos problemas – deve-se avaliar quais são os obstáculos a serem ultrapassados para se atingir determinado objetivo. 4. Geração de idéias – dados o objetivo e os pontos críticos, é hora de pensar nas maneiras de superá-los. 5. Busca de soluções – as idéias são apenas conceitos. Para atingir o objetivo ou resolver o problema, é preciso pensar em como aplicá-los. 6. Implementação dos conceitos – a última fase consiste em colocar em prática tudo o que foi pensado e discutido teoricamente. 4. Ter muitas idéias: o autor defende a idéia de que quanto mais idéias surgirem, maiores são as chances de haver uma idéia de qualidade. As primeiras idéias a surgirem são as convencionais, porém depois de um período de tempo, pelo fato de a mente estar sendo estimulada, idéias inovadoras começam a surgir, podendo serem avaliadas de forma positiva com grandes possibilidades de sucesso. 42 5. Destruição criativa: “ninguém deve se apegar àquilo que sabe fazer, mesmo que seja muito bem-feito. Pois, se surgir algo inovador que substitua o que era feito, volta-se à estaca zero imediatamente”. (BOM ANGELO, 2003, p. 130) O autor mostra que não se pode prender ao que se faz sempre, mas deve ser mudado aquilo que freqüentemente é adotado, por idéias inovadoras, abrindo mão de um conceito já existente, por algo criativo e que supra as necessidades dos consumidores. Seguindo a mesma linha de raciocínio relatada nas linhas anteriores através de alguns processos de geração de idéias, existem diversas outras ferramentas que podem ser utilizadas para estimular e praticar a criatividade, conseqüentemente, a geração de novos conceitos de negócio. Seria necessário um outro estudo mais aprofundado a respeito do assunto, para apresentá-los de forma mais detalhada. Porém, o objetivo aqui não é aprofundar o tema, mas apenas fazer uma explanação a respeito das ferramentas e de suas definições. King e Schlicksupp (1999) apresentam detalhadamente sete ferramentas de criatividade. São elas: redefinição heurística, brainstorming clássico, brainwriting 6-3-5, brainstorming imaginário, associações e analogias palavra-figura, TILMAG e quadro morfológico. A seguir segue a definição de cada uma dessa ferramentas, de acordo com os autores e sua obra em análise. 1. Redefinição heurística: “é incrível o que as pessoas comuns podem fazer se partem para a ação sem idéias preconcebidas”. (KETTERING, apud KING e SCHLICKSUPP, 1999, p. 3) Essa ferramenta consiste em se criar uma ampla definição do problema, para que se torne mais fácil achar a solução do mesmo. Muitas pessoas pulam essa parte e fazem as coisas de qualquer jeito. Porém devem compreender que uma análise do problema e o entendimento de que ele possui um contexto flexível e com muitas faces, pode fazer toda a diferença na hora de se encontra a melhor maneira para solucioná-lo. Um bom entendimento do problema pode ser metade do caminho andado para a sua solução. 2. Brainstorming clássico: essa ferramenta já foi, de forma breve, analisada anteriormente, e, como visto, consiste em uma tempestade de idéias em um grupo pequeno de pessoas, onde cada idéia que os membros tiverem deve ser exposta, sem que nenhuma delas seja criticada, para que não se crie um bloqueio a criatividade e a 43 exposição das idéias. Ela foi criada por volta do ano 1950 por Alex Osborn, um expoente do campo da propaganda, quando ele percebeu que reuniões para solucionar problemas não davam resultados positivos. 3. Brainwriting 6-3-5: [...]“ os membros do grupo escrevem suas idéias em um papel em vez de expressá-las oralmente. A versão mais popular do brainwriting é chamada de brainwriting 6-3-5. Os números 6-3-5 se referem a: seis pessoas, três idéias por rodada e cinco minutos de geração de idéias em cada rodada”. (KING e SCHLICKSUPP, 1999, p. 47) O fato das idéias serem expressas de forma escrita e não oral, aumenta a possibilidade de aproveitamento das idéias dos outros. 4. Brainstorming imaginário: essa ferramenta oferece aos participantes do grupo a oportunidade de sair do problema real, e imaginar um problema completamente diferente daquele que está em pauta, buscar uma solução imaginária para esse problema, e trazer as idéias geradas para solução do problema imaginário para solucionar o problema real. Esse exercício permite que não seja dada uma solução mecânica (automática) para alguma situação, buscando-se dessa maneira uma fonte alternativa de criatividade. 5. Associações e analogias palavra-figura: esse processo estimula de forma muito positiva a geração de idéias. Através da analogia de palavras, figuras ou outros meios, o entendimento, por exemplo, do funcionamento interno de algum desses objetos, pode trazer essa situação para dentro do problema real, gerando uma fonte quase inesgotável de inspiração. 6. TILMAG: essa ferramenta é útil para ser utilizada quando há um problema muito complexo, aparentemente muito difícil de ser solucionado. O autor cita que “através de sua abordagem estruturada e sistemática, o TILMAG auxilia a equipe a definir as soluções ideais para o problema em questão, criar e explorar associações baseadas em pares de elementos da solução ideal e a utilizar essas associações para gerar idéias incomuns e inovadoras para solucionar um problema”. (KING e SCHLICKSUPP, 1999, p. 106) 44 7. Quadro morfológico: essa ferramenta apresenta como resultado de sua utilização, inúmeras maneiras para se solucionar um problema. São levantados vários parâmetros para a solução de um problema. Para cada parâmetro muitas opções são definidas. A junção dos dois cria muitas soluções para o problema em questão, aonde os participantes deverão escolher as melhores. Essas são algumas ferramentas úteis para o processo de geração de idéias. Elas têm uma aplicação maior para o empreendedorismo corporativo, aquele que acontece dentro das organizações já existentes. Porém, nada impede, um empreendedor utilizá-las para criar a idéia de um novo negócio. Muitos fatores são importantes para que uma empresa tenha sucesso, mas o que fará a diferença é a forma como os líderes utilizarem as ferramentas disponíveis, seu tino para as oportunidades e seu conhecimento a respeito do ramo de atuação. 2.2.3 Identificando e Avaliando Oportunidades Existem alguns hábitos que devem ser desenvolvidos para que se possa identificar uma oportunidade e posteriormente avaliá-la para ver se é viável a implantação de uma nova idéia através do que foi identificado. Sertek (2006, p.94) cita que “identificar necessidades; observar deficiências; observar as tendências; derivar para algo similar à ocupação atual; procurar outras aplicações de um mesmo conceito e benchmarking” são hábitos a serem desenvolvidos para que potenciais idéias se tornem em negócios bem sucedidos. 1. Identificar necessidades: o autor cita que o sentir do mercado é a chave para a inovação e implantação de novos produtos. Primeiramente, para que algo seja desenvolvido ou aperfeiçoado, deve-se observar uma necessidade ou carência de tal produto ou serviço no mercado. Não se pode cair no erro de pensar que uma idéia inovadora seja sinônimo de uma necessidade de um público, pois são coisas que se distinguem. Uma idéia pode não ter a ver com aquilo que o mercado está carente, assim como uma carência do mercado, pode ainda não ter sido observada por nenhum empreendedor em potencial. 2. Observar deficiências: sempre que uma empresa lança um produto no mercado, seus concorrentes devem estar atentos para que possam analisar se isso é uma tendência, um negócio que pode ser muito atrativo ou se foi um erro na estratégia de quem o lançou. As empresas bem sucedidas, quando vêem que seus outras organizações 45 lançaram algum produto ou serviço novo no mercado, elas seguem a mesma linha, se analisado como algo positivo, buscando o aperfeiçoamento daquilo que foi criado. Cada negócio, dessa maneira, atrai seus clientes potenciais de acordo com o seu diferencial competitivo. 3. Observar as tendências: o cenário dos negócios está cada vez mais dinâmico e muda mais rapidamente a cada ano que passa. Novas tecnologias duram pouco tempo até surgirem outras melhores ainda. Um computador lançado a um ano atrás, hoje já não é mais novidade, pois existem outras tecnologias superiores aquelas apresentadas anteriormente. Sertek (2006, p.96), ainda cita três fatores que impulsionam as mudanças. As ameaças externas, podendo ser citado um exemplo do Brasil, que tem uma forte influência de tecnologias que vem de fora do País. Para concorrer com grupos poderosos, os empresários tem que se adequar a essa realidade e buscar segui o mesmo caminho. Em segundo lugar vem a as oportunidades externas, que ocorrem quando ambientes são alterados por uma séria de fatores. Isso faz com que a empresa tenha a oportunidade de se antecipar a essa mudança, lançando algo que o mercado está pedindo, abrindo assim novos campos de ação. Em terceiro lugar vem a rapidez de resposta de acordo com o que o mercado está necessitando. Isso faz com que a empresa saia na frente de seus concorrentes, conseguindo vantagens por ser a primeira a lançar aquilo que se identificou. 4. Procurar outras aplicações de um mesmo conceito: uma empresa deve identificar quais são seus pontos fortes e fracos e em seguida as necessidades do mercado. De acordo com as informações observadas, ela pode buscar um novo mercado para o mesmo tipo de produto que ela trabalha. Por exemplo se ela trabalha com forno microondas para utilidades domésticas, ela pode prospectar um mercado de cozinhas industriais que exige fornos maiores e equipamentos de maior potência e porte. 5. Benchmarking: através dessa prática é possível desenvolver uma visão diferente a respeito do seu negócio, pois um padrão de referência é criado, analisando os principais concorrentes e os peritos no assunto em análise. Ainda Sertek (2006, p.101) cita quatro estágios básicos para o desenvolvimento do benchmarking. O primeiro deles é o planejamento, que consiste em se conhecer o negócio e planejar as alternativas necessárias para se obter o sucesso esperado. Em segundo lugar está a análise, que se busca saber as organizações que estão conseguindo os melhores resultados através de suas práticas. Em terceiro lugar vem a integração, que se dá através do entendimento das melhores práticas adotadas conciliadas com os melhores 46 resultados. Em quarto e último lugar está a ação, buscando através da iniciativa adotada, obter um diferencial competitivo diante da concorrência. Uma idéia é diferente de uma oportunidade, por isso se faz necessário uma análise para que se possa diferenciá-las em cada situação. Como foi visto anteriormente, existem algumas formas e técnicas de geração de idéias. Porém uma investigação posterior determinará se ela é viável ou não. Dornelas (2003, p.85) apresenta o seguinte quadro, com os critérios para avaliar oportunidades. CRITÉRIO Mercado Alto Potencial Necessidades dos clientes Identificada, atingível Valor gerado usuários para Baixo Potencial receptiva, Sem foco, leal a outros produtos os Alto Baixo Ciclo de vida do produto/ Período que permite Muito rápido e não permite serviço recuperar investimento e recuperar investimento e obter lucro obter lucro Estrutura do mercado Competição não Competição consolidada consolidada ou mercado ou mercado maduro ou, emergente ainda, mercado em declínio Tamanho do mercado Vendas acima de R$50 Desconhecido ou com milhões anuais e poucos vendas menores que R$10 players milhões anuais Taxa de crescimento do 30% a 50% ao ano ou mais Menor que 10% ano ano ou decrescendo mercado Participação do mercado Ser líder; 20%, 30% ou Menor que 5% possível mais Análise Econômica Lucros depois de impostos Tempo para: Ponto de equilíbrio 10% a 15% ou mais, com Menor que 5%, frágil perspectiva duradoura Menos de 2 anos Mais que 3 anos 47 QUADRO 3 Continuação Fluxo de caixa positivo Menos de 2 anos Mais que 3 anos Retorno potencial para o 25% ao ano ou mais investimento 15% a 20% ou menos Necessidade inicial Altos investimentos de capital Baixo e moderado Vantagens Competitivas Custos fixos e variáveis: Produção Marketing Menores Menores Maiores Maiores Distribuição Menores Maiores Grau de controle: Preços Custos Cadeia de fornecedores Cadeia de distribuição Moderado a forte Moderado a forte Moderado a forte Moderado a forte Fraco Fraco Fraco Fraco Possui ou pode conseguir Nenhuma Possui ou pode conseguir Possui ou pode conseguir Nenhuma Nenhuma Bem desenvolvidas Limitadas; inacessíveis Barreiras de entrada: Alguma regulamentação a favor Vantagem tecnológica Vantagem contratual/ legal Redes de contato estabelecidas Equipe Gerencial Pessoas da equipe Experientes, comprovada Formação das pessoas Multidisciplinar; habilidades complementares Envolvimento negócio com competência Inexperientes, nunca dirigiram negócio parecido Todos com a mesma formação e características o Gostam do que fazem, Apenas interesse financeiro querem se diferenciar (remuneração; benefícios etc.) 48 Fonte: Dornelas (2003, p.85) Quadro 3 – Critérios para avaliar oportunidades 2.3 As Micro e Pequenas Empresas As micro e pequenas empresas representam um percentual muito grande do total de empresas em atividade no Brasil. Em média, 98% das empresas no país, se caracterizam como micro e pequenas empresas. Devido a esse fato, nos últimos anos tem sido dada uma atenção especial a esse grupo de organizações, pois ele tem representado uma parte importante e considerável do mercado. O sonho de muitos brasileiros é o de ter a sua própria empresa. Mas não basta apenas ter esse desejo, pois muitas pessoas que se aventuraram pelo mundo do empreendedorismo fracassaram, devido a diversos motivos e dificuldades encontradas. O mundo dos negócios não exalta aqueles que agem apenas pela emoção, mas se destacam os que têm um equilíbrio, tendo um bom conhecimento de gestão, do setor em atuação e de suas habilidades interpessoais. Esse tipo de organização exerce um papel muito importante na sociedade. Essas empresas geram empregos, fazem a economia movimentar, trazem desenvolvimento econômico para uma região, dentre outros fatores. Por isso se dá a importância de o governo e outras instituições contribuírem para o sucesso dessas organizações, pois se elas forem bem sucedidas, a sociedade em si será beneficiada de forma acentuada. Em geral, o que determinará o sucesso de uma pequena empresa é a forma como ela será administrada. Resnik (1990, p.3) cita que: No entanto, o sucesso e o fracasso de uma pequena empresa não é um jogo estatístico. A boa administração é o fator determinante da sobrevivência e sucesso. A má administração – e não a economia, a concorrência, a inconstância dos clientes ou o azar – é o fator que determina o fracasso. Muitos empreendedores fracassados colocam a responsabilidade de suas derrotas e de seus erros, em muitos fatores como a economia, o governo, a carga tributária excessiva, entre outros motivos. A realidade é que se um empresário dono de um estabelecimento de pequeno porte souber administrar com eficácia o seu próprio negócio, grande parte dos problemas seriam resolvidos. Muitas vezes há fatores externos que contribuem para o fracasso, porém não aparecem em primeiro lugar como motivos determinantes para o fracasso de um empreendimento. 49 Quando uma empresa de pequeno porte está iniciando suas atividades e durante o decorrer delas, é essencial a presença do dono do estabelecimento para gerir o negócio. A forma da empresa e suas características serão os espelho do dono. Muitos dizem um ditado popular que diz “que o boi só engorda com o olho do dono”. Assim é nas empresas, somente o proprietário do estabelecimento terá o tino necessário para gerenciar o negócio, estando atento às dificuldades e sabendo enfrentar os desafios. Resnik (1990, p.8) fala que: Apenas o proprietário-gerente consegue determinar os principais propósitos, valores e a identidade da empresa. Apenas o proprietário-gerente pode estipular as prioridades e objetivos da empresa e decidir como os seus recursos devem ser alocados para terem maior impacto. O autor segue dizendo que “a administração de uma pequena empresa é a arte essencial. É tirar o máximo do mínimo”. Como citado acima, pode-se notar a importância da presença do dono do estabelecimento em sua empresa, para que possam ser definidos os principais objetivos, para dar um rumo para a organização, para que ela caminhe em direção a um alvo claro e objetivo. Uma empresa desse porte, não pode se ater ao fato de ser pequena, e abrir mão de traçar metas e objetivos, pois são eles que definirão para onde a empresa caminhará. Nos últimos anos as empresas, independente de seu porte, tem caminhado em direção a sustentabilidade, aonde as organizações, até mesmo as de pequeno porte, tem visto a necessidade de investir recursos na área de responsabilidade social, diminuindo ou até mesmo eliminando os impactos negativos que elas causam para a sociedade e região aonde estão inseridas. Donaire (1995, apud PREVIDELLI e MEURER, 2005, p.30) reforça esse pensamento afirmando o seguinte: Além do aspecto econômico, a questão social também passou a ser considerada uma variável importante na relação das empresas com o mercado, sobretudo pelo maior nível de conscientização da sociedade. As empresas, independente do porte, devem se preocupar com a questão social, pois estão se tornando instituições sociopolíticas. Esse novo conceito de responsabilidade social é conseqüência de mudanças no pensamento da sociedade, que passou a valorizar aspectos sociais que incluem distribuição de renda mais justa, qualidade de vida, relacionamento humano, realização pessoal, entre outros. Como confirmado pelo autor acima, a sociedade e seus consumidores têm se preocupado muito mais com uma sociedade sustentável, e muitos já começam a se perguntar o que as empresas, das quais eles consomem os produtos, estão fazendo para contribuir com essa nova realidade. Muitas empresas que estão conscientes a respeito desse assunto e tem realizado ações efetivas, tem se destacado de certa forma na percepção da clientela. Um 50 exemplo disso seria o Mc Donald’s, que apesar de ser um grande empresa, faz ações locais em cada cidade em que estão inserido, a nível de restaurante, buscando contribuir para diminuir os impactos ambientais que ele tem causado para a sociedade, através de um programa chamado Gincana do Bom Vizinho. Assim como a importância das pequenas empresas, a responsabilidade social passa a ser fator fundamental para se ter destaque. E esse fator vale tanto para as empresas como para os profissionais que atuam no mercado. Nesse sentido, as empresas devem se dedicar a essas questões e inserir na sua cultura de atuação fatores de preocupação com o meio ambiente e a sociedade, sob pena de ficar de fora das opções de um mercado que valoriza cada vez mais esses aspectos. Da mesma forma, as empresas passam a exigir de seus profissionais a dedicação a essas causas também. Portanto, o envolvimento pessoal de cada um de nós é fundamental para se manter competitivo no mercado empresarial. (LENZI, 2009, p. 8) 2.3.1 Cenário das Micro e Pequenas Empresas no Brasil A cada dia que passa o cenário competitivo entre as empresas fica mais dinâmico e exige mais de cada empreendedor e de suas respectivas organizações. Há alguns anos atrás ter qualidade de produto e serviço representava um diferencial competitivo, nos dias atuais isso é a obrigação de cada empresa. A concorrência está cada vez mais acirrada, e as pessoas lutam por uma sobrevivência e para não serem passados para trás por seus adversários mercantis. As mudanças têm acontecido de forma mais rápida a cada ano que passa. Produtos e serviços que a alguns anos atrás não eram nem pensados pelos consumidores, nos dias atuais, as pessoas não vivem sem essas novas tecnologias. Um exemplo disso pode ser o celular, o computador, e muitas outras tecnologias que tem invadido o mercado de forma rápida. Devido a essa nova economia, muitas empresas de pequeno porte têm se deparado com muitas dificuldades para se manterem vivas e ativas no mercado. Essas mudanças têm caracterizado uma nova economia. Lenzi (2009, p.8) comenta o seguinte a respeito do assunto: A chamada nova economia é caracterizada por fatores como abertura de oportunidades ao conhecimento, responsabilidades sociais da empresa, fortalecimento econômico pelas pequenas empresas e condução dos negócios tendo em vista as necessidades dos clientes. Talvez alguns desses fatores já sejam óbvios do ponto de vista teórico, mas, na prática, poucas empresas ou empreendedores os praticam. Essa nova economia, como definida acima, tem exigido novas práticas e um novo estilo de gestão por parte dos empreendedores e suas empresas. Infelizmente, como citou Lenzi, na prática isso não tem sido uma realidade, o que pode ser o motivo do fracasso de 51 muitas organizações de pequeno porte, que não se adequam as novas práticas essenciais nos dias atuais. Existem muitas características que esse novo cenário econômico exige das organizações. Alguns já foram citados anteriormente, como a boa administração, que aparece como ponto principal para o sucesso empresarial. Um outro ponto a ser considerado, também já citado, é a necessidade de preocupação com a responsabilidade social, cada vez mais exigida também por parte dos consumidores. Previdelli e Meurer (2005, p. 30) falam a respeito de duas transformações que se destacam na nova economia, causando um grande impacto nas empresas. Apesar da sua importância, as empresas de pequeno porte vêm passando por drásticas transformações em que se destacam duas variáveis: a globalização dos mercados, que estreitou as relações entre empresas e contribuiu para aumentar a concorrência em nível internacional, fazendo com que as empresas nacionais se adaptassem a novos padrões de produção e de comercialização, mudando a sua relação com os consumidores, que ficaram mais exigentes e conscientes do papel das organizações; [...] O fato de haver um mercado aberto a produtos estrangeiros gera na sociedade uma mudança nos hábitos de consumo. Muitos produtos que não tinham acesso ao mercado brasileiro, nos dias atuais tem. A China tem encontrado uma abertura grande para entrar com seus produtos em nossa nação, e devido ao baixo custo, tem causado uma necessidade de produtos nacionais se adequarem a essa realidade, muitas vezes tendo que se adequar ao preço praticado por eles no mercado interno. Por outro lado, surgem muitas oportunidades de produtos nacionais estarem entrando no mercado internacional. Um exemplo bem sucedido é o das Havaianas, que tem encontrado espaço em muitos outros países, se destacando de forma efetiva no mercado internacional. Deve-se pesar os dois lados, a adequação dos produtos e serviços e padrões de sucesso internacionais que entram no mercado interno, e a busca de oportunidades internacionais para produtos brasileiros. [...] e o desenvolvimento da Tecnologia da Informação (TI), que alterou as relações de mercado, promoveu modificações no processo produtivo e colocou a informação como essencial na elaboração de políticas gerenciais e mercadológicas para as empresas. Além disso, através dos meios de comunicação de massa, a sociedade passou a conhecer seus direitos, exigindo, assim, um padrão ético por parte das empresas, proporcionando maior segurança e confiabilidade dos seus produtos, o comprometimento de não agredir o meio ambiente e assumir o papel social de contribuir para o desenvolvimento do país. (Previdelli e Meurer, 2005, p. 30) Essa segunda variável que se destaca no cenário de transformações da nova economia mostra a essencialidade da informação e a forma como ela é tratada. A tecnologia é uma 52 ferramenta extremamente necessária para trazer sucesso para uma empresa nos dias atuais. Antigamente os contadores tinham pilhas de livros com os registro de empresas. Nos dias atuais, se faz necessário apenas um computador ou alguns computadores para registrar todas as informações de seus clientes pertinentes a suas movimentações financeiras e seus registros contábeis. A tecnologia da informação é uma ferramenta que agiliza os processos produtivos de cada organização, fazendo com que ela se torne mais produtiva e produza melhores resultados. 2.3.2 Dificuldades das Micro e Pequenas Empresas Devido a esse cenário de diversas transformações e a escassez de recursos disponíveis para as empresas de pequeno porte, elas enfrentam muitas dificuldades que devem ser administradas. Lenzi (2009, p. 4) destaca algumas causas de fracassos das empresas, que também podem ser caracterizadas como dificuldades das pequenas empresas. As principais delas são: • Desconhecimento de tributação: muitos fracassam por desconhecer alguns detalhes a respeito da carga tributária no país. O empreendedor não precisa ter um conhecimento profundo na área, mas deve conhecer algumas coisas que o ajudam com relação aos seus assuntos contábeis e fiscais, para poder usufruir desses benefícios e tomar decisões mais acertadas na hora de formar o seu preço de venda e tomar decisões com relação as suas finanças. • Análise financeira e de custo inadequada: muitos empresários, por não conhecer a sua estrutura de custos de forma adequada e como ela realmente é, acabam definindo preços e tomando outras decisões financeiras de forma equivocada. Isso pode trazer um prejuízo para a organização, podendo levá-la até mesmo ao fracasso. • Falta de informação acerca de seus clientes/ mercado: se um empreendedor não conhecer sua clientela e nem mesmo o mercado no qual está inserido, suas ações serão completamente sem alvo e sem direção, podendo trazer danos para si mesma e para a sociedade. O conhecimento do cliente e do mercado é essencial para que se possa realizar campanhas e criar um relacionamento com eles, buscando atingir objetivos claros e específicos. 53 • Falta de liderança e gestão de pessoas: para que se possa ter pessoas eficientes e comprometidas com o negócio é preciso que o empreendedor tenha habilidades de liderança e saiba influenciar as pessoas inseridas em seu negócio. As organizações são formadas por pessoas e elas são o seu maior patrimônio. Por essa razão deve-se saber lidar de forma eficaz com as pessoas para que elas possam trabalhar entusiasticamente buscando atingir os objetivos propostos. • Cultura da qualidade incipiente: há vários anos atrás, ter qualidade nos produtos e serviços representava um diferencial competitivo, porém nos dias atuais isso não é mais realidade. A qualidade representa, hoje em dia, uma obrigação de cada organização, e para se diferenciar no mercado ela precisará buscar outras vantagens competitivas que atraiam e agradem aos seus consumidores. De acordo com pesquisa realizada pelo Sebrae (1998, apud PREVIDELLI e MEURER, 2005, p.32): [...] a falta de capital de giro, a recessão econômica, a carga tributária elevada, os maus pagadores, a concorrência, a falta de clientes, o ponto inadequado, a falta de crédito, o desconhecimento do mercado, entre outros, foram os maiores problemas enfrentados pelas empresas durante o primeiro ano de vida. De acordo com essa pesquisa realizada pelo Sebrae no ano de 1998, essas foram as maiores dificuldades encontradas por empresas em seu primeiro ano de existência. O primeiro ponto citado é falta de capital de giro. Muitas vezes esse fato se dá pois o empreendedor investe todos os seus recursos para dar início as operações da empresa, esquecendo-se do fato de reservar um valor para sustentar a sua operação. Alguns autores dizem que a empresa deve ter um capital de giro suficiente para manter a empresa durante um período de três meses. Um segundo item que aparece como uma dificuldade para as organizações que estão iniciando suas atividades é a recessão econômica. Esse fator afeta diretamente as empresas de pequeno porte, principalmente as que estão iniciando, pois diminui as movimentações financeiras da nação, conseqüentemente diminuindo a venda de mercadorias. Em terceiro lugar aparece a carga tributária elevada que dificulta a operação das empresas de pequeno porte, devido a sua escassez de recursos para serem investidos, na maioria dos casos. Devido a esse fator que dificulta a vida do pequeno empresário, muitos deles optam por fugir da tributação, buscando comprar mercadorias sem notas fiscais, para não pagar impostos, aumentando assim o mercado informal no país. 54 Em quarto lugar aparecem os maus pagadores, representando a inadimplência que ocorre como freqüência em todos os setores da economia. O empreendedor deve se preocupar com as suas vendas, porém mais ainda com o recebimento dos valores que foram negociados. O fato de muito se preocuparem muitos com as vendas, os faz falhar na hora de conceder crédito, fazendo-os dar credibilidade a pessoas erradas que são más pagadoras. Em quinto lugar está a concorrência. O fato de muitos empreendedores não terem um conhecimento da sua concorrência os faz tomar decisões e realizar ações desprezando esse fator tão importante para o sucesso de cada organização. As empresas devem praticar uma política de preços e ter ações empresariais de acordo com aquilo que é praticado no mercado, não se anulando perante a concorrência. Em sexto lugar é citada a falta de clientes. Esse fator ocorre pois negócios que iniciam ainda não tem uma cliente formada, e muitos fracassam na hora de formar sua carteira de clientes, falhando nas ações de acordo com o seu público-alvo. Uma empresa que inicia deve ter claro que serão seus consumidores para que possa realizar campanhas para prospecção de sua clientela e de novos negócios. Em sétimo vem o ponto inadequado. Muitas vezes os empreendedores não analisam o melhor ponto para suas instalações. Em muitos casos eles se deixam levar pelo preço do aluguel ou por outros fatores, esquecendo-se que se seu negócio precisa de visibilidade, é necessário que esteja localizado em um local com um grande fluxo de pessoas, por exemplo. A fala de crédito aparece como penúltimo item. Dificilmente uma financeira ou um banco liberará uma grande quantidade de dinheiro para um empreendedor que está iniciando suas atividades, pois ele não apresenta um histórico de sucesso, pois está apenas começando, e não tem garantia de que seu negócio será bem-sucedido. Em último lugar, é citado o desconhecimento do mercado, que impede muitas empresas de realizarem ações de acordo com aquilo que o mercado espera e oferece de oportunidades. O conhecimento do mercado é um fator-chave para que uma organização tenha sucesso, pois ninguém pode dar tiros no escuro com a garantia de que estará acertando. 55 3 METODOLOGIA Este capítulo aborda as questões da metodologia utilizada para a realização da pesquisa, com o objetivo de apresentar com clareza os métodos que deram suporte a esta pesquisa científica. 3.1 Tipologia de Pesquisa De acordo com os objetivos que foram estabelecidos, a presente pesquisa buscou identificar quais as competências empreendedoras estão presentes nos empresários pesquisados. De acordo com as informações e conceitos relatados durante o decorrer desse trabalho, buscaram-se aliar a teoria com a prática. Filho e Santos (1998, p. 100) citam que “toda e qualquer pesquisa tem como ponto de partida o conhecimento e a identificação dos elementos que compõem a problemática a ser esclarecida”. Com base no que escreveram Miner (1998), Hisrich e Peters (2004), Venturi e Lenzi (2003) e Dornelas (2005), essa pesquisa buscou investigar nos empreendedores avaliados, aquilo que foi dito por esses autores, identificando suas características empreendedoras, diferenciais competitivos e fatores de sucesso para seus negócios. A pesquisa realizada buscou estabelecer uma ligação entre a teoria aqui apresentada e a prática, realizada através dos questionários. Gil (1991, p. 19), define pesquisa com a seguinte declaração: Pode-se definir pesquisa como o procedimento racional e sistemático que tem como objetivo proporcionar respostas aos problemas que são propostos. A pesquisa é requerida quando não se dispõe de informação suficiente para responder ao problema, ou então quando a informação disponível se encontra em tal estado de desordem que não possa ser adequadamente relacionada ao problema. Já para Cruz e Ribeiro (2003, p. 11), “uma investigação formal, ou seja, estruturada, controlada, sistemática e redigida de acordo com as normas da metodologia valorizada pela ciência, caracterizam uma pesquisa científica”. Ander-Egg (1978, apud Lakatos e Marconi, 1991, p. 155) diz que a pesquisa é um “procedimento reflexivo sistemático, controlado e crítico, que permite descobrir novos fatos ou dados, relações ou leis, em qualquer campo do conhecimento”. 56 De acordo com Dencker (1998, p.107), existem dois tipos de pesquisa: a qualitativa e a quantitativa. O tipo de pesquisa que será usado e a metodologia adequada devem ser definidas pelo pesquisador, dependendo do que ele pretende investigar. Essa pesquisa terá uma abordagem quantitativa, pelos motivos e definição expressos pelo autor a seguir. Richardson (1999, p.70) definiu esse tipo de pesquisa da seguinte maneira: [...] o método quantitativo, como o próprio nome indica, caracteriza-se pelo emprego da quantificação tanto nas modalidades de coleta de informações, quanto no tratamento delas por meio de técnicas estatísticas, desde as mais simples como percentual, média, desvio-padrão, às mais complexas, como coeficiente de correlação, análise de regressão etc. Amplamente utilizado na condução da pesquisa, o método quantitativo representa, em princípio, a intenção de garantir a precisão dos resultados, evitar distorções de análise e interpretação, possibilitando, conseqüentemente, uma margem de segurança quanto às inferências. É freqüentemente aplicado nos estudos descritivos, naqueles que procuram descobrir e classificar a relação entre variáveis, bem como nos que investigam a relação de causalidade entre fenômenos. Além de ter uma abordagem quantitativa, essa pesquisa pode ser classificada como exploratória, pois visa explorar as características empreendedoras dos donos de estabelecimentos de pequeno varejo alimentício em Balneário Camboriú, que são clientes da distribuidora de alimentos Fiorelo Pegoraro Com e Repres Ltda. Gil (1991, p. 45) define que as pesquisas exploratórias “tem como objetivo principal o aprimoramento de idéias ou a descoberta de intuições. Seu planejamento é bastante flexível, de modo que possibilite a consideração dos mais variados aspectos relativos ao fato estudado”. 3.2 Sujeito de Estudo (População e Amostra) O sujeito de estudo da pesquisa que foi considerado, foram os estabelecimentos de pequeno varejo alimentício, localizados no centro de Balneário Camboriú, que são clientes da empresa Fiorelo Pegoraro Comércio e Representações LTDA. Esse tipo de estabelecimento engloba mercearias, mini-mercados, panificadoras, lojas de conveniência e açougues. De acordo com informações fornecidas pela própria empresa, ela possui 61 estabelecimentos ativos nessa região que estão de acordo com as características citadas acima. Dessa maneira, entende-se que a População é representada pelos 61 estabelecimentos. Pelo motivo de que todos os estabelecimentos que compõe a população foram pesquisados, a pesquisa caracterizou-se como sendo um censo. 57 Por este motivo, é correto afirmar que a amostra utilizada para a realização dessa pesquisa é uma amostra não-probabilística. Para Dencker (1998, p.88) esse tipo de “amostra definida pelo pesquisador, através de critérios estatísticos ou de forma intencional, sem que isso comprometa sua veracidade”. A caracterização e escolha dos clientes da empresa Fiorelo Pegoraro para a realização da pesquisa levou em consideração o fato de que a Cidade de Balneário Camboriú é uma Cidade turística, possuindo uma alta sazonalidade. Por essa razão buscou-se analisar se os empreendedores que mais são afetados por esse fator realmente empreendem por oportunidade observada no mercado, ou se somente é motivado pela necessidade. 3.3 Instrumentos de Pesquisa O instrumento utilizado para a coleta dos dados da pesquisa foi um questionário. O mesmo deve ser elaborado ou selecionado de forma muito cuidadosa para que possa suprir a necessidade que a pesquisa tem, bem como encontrar as respostas adequadas para a problemática da pesquisa. Roesch (1999, p. 32) define questionário da seguinte maneira: O questionário não é apenas um formulário, ou um conjunto de questões listadas sem muita reflexão. O questionário é um instrumento de coleta de dados que busca mensurar alguma coisa. Para tanto, requer esforço intelectual anterior de planejamento, com base na conceituação do problema de pesquisa e do plano da pesquisa. Essa conclusão do autor citado, complementa o que foi dito anteriormente. Para que uma pesquisa, que utiliza um questionário como instrumento de coleta de dados, tenha sucesso e alcance os objetivos propostos, o questionário deve ser planejado de forma adequada para viabilizar a aplicação do mesmo. Já a respeito da estrutura do questionário, veja o que diz outro autor a seguir. O instrumento de coleta de dados mais utilizado em pesquisas de marketing é o questionário. Um questionário é formado de cinco partes: dados de identificação, solicitação para cooperação, instruções para sua utilização, perguntas questões e formas de registrar as respostas, e dados para classificar socioeconomicamente o respondente. (MATTAR, 2005, p. 43) Já este autor fala a respeito das partes que envolvem um questionário. A primeira são os dados de identificação, para a que a pessoa respondente possa se identificar. Em seguida uma solicitação de cooperação para que a pessoa responda de forma a cooperar para a realização de um objetivo proposto. Em terceiro as instruções para sua utilização, 58 apresentando, se preciso, os detalhes de respostas, se estão em forma de verdadeiro e falso, ou então através de uma classificação numérica, entre outras. A seguir vem às questões com suas respectivas formas de registrar as respostas. E, por fim, dados para classificar socioeconomicamente o respondente, que não está presente em todos os questionários. O questionário aplicado para a realização desta pesquisa, fala a respeito das competências profissionais dos empreendedores em análise nesse caso. Este instrumento foi utilizado por Lenzi (2008) em sua Tese de Doutorado pela USP. Lenzi aborda que esse instrumento de pesquisa seguiu o modelo de competências de Cooley (1990) e Spencer e Spencer (1993), sendo que ele considera que estes autores abordam os empreendedores e suas características de uma forma bem completa. Dessa maneira, o autor continua dizendo que as competências analisadas foram: busca de oportunidades e iniciativa, correr riscos calculados, exigência de qualidade e eficiência, persistência, comprometimento, busca de informações, estabelecimento de metas, planejamento e monitoramento sistemáticos, persuasão e rede de contatos, independência e autoconfiança. Essas características e competências analisadas através dos questionários aplicados, apontam para a teoria apresentada nesse estudo, nos momentos em que é abordado o perfil empreendedor e suas qualificações. Sendo assim, uma máxima é realçada nesse momento: a confrontação da teoria com a prática. O questionário selecionado para a realização desse estudo, foi dividido em 10 partes, aonde cada uma delas representa uma característica empreendedora. Dentro de cada uma dessas divisões estão alocadas 3 atitudes ou comportamentos que dizem respeito ao perfil do indivíduo que está sendo analisado. As qualidades e comportamentos, quando analisados, em cada questão, são respondidos de uma forma quantitativa, dentro de uma escala de 1 a 5, aonde a legenda detalhada da mesma se encontra no Apêndice A. A classificação com o número 1, representa um comportamento que o empreendedor nunca tem, e a classificação com o número 5 representa uma atitude que ele sempre apresenta. Para a realização da tabulação das respostas, as notas mais altas para as competências analisadas demonstram a presença integral no empreendedor e as notas mais baixas, representam a ausência da competência. Cada questão pode ter um total de 5 pontos, sendo que há 30 questões, o máximo que um empreendedor pode apresentar, é um total de 150 pontos, sendo o “empreendedor ideal”. Lenzi (2008, p. 74), considera que um empreendedor possui a competência empreendedora, quando ele apresenta uma qualificação de 12 a 15 pontos, pois cada 59 competência possui 3 questões, e o máximo de pontos por competência é 15. Ele chegou a essa conclusão pois avalia que uma resposta dentro da média seria enquadrada no número 3 da escala de 1 a 5, mas para que esteja em destaque, deve estar acima da média, portanto ser qualificada como 4 na escala. Multiplicando-se 4 por 3, obtém-se o número 12, apresentado como mínimo para que esta competência esteja em evidência no empreendedor. Dessa forma, os empreendedores que apresentarem uma atribuição numérica por competência analisada, de 12 a 15 pontos, considera-se que ele possui ela. Por outro lado, os que tiverem uma atribuição abaixo de 12 pontos, não possuem essa competência. Para completar a pesquisa que foi realizada, foi aplicado também um questionário que possibilita informações sobre o perfil de cada empreendedor. Nesse questionário é solicitado o estado civil, idade, gênero, número de filhos, grau de escolaridade, razão de abertura do negócio e o principal diferencial competitivo da empresa. 3.4 Análise e Apresentação dos Dados Para que se pudesse tabular e analisar os dados resultantes das pesquisas realizadas através do questionário de competências profissionais, em um primeiro momento foi realizada a distribuição dos empreendedores de acordo com suas pontuações individuais com o auxílio de uma planilha do Excel. Após o levantamento desses dados e a junção dessas informações foram realizadas algumas tabelas e gráficos para enquadrar os empreendedores que possuem e os que não possuem cada um das competências empreendedoras, sendo apresentado também o número de entrevistados em cada uma das atribuições numéricas de cada competência. Os empreendedores foram separados em dois grupos. O primeiro grupo é o dos empreendedores que possuem a competência empreendedora, tendo uma atribuição numérica de 12 a 15 pontos. E o segundo grupo de empresários possui uma atribuição numérica abaixo de 12 pontos, por isso não possuem a competência empreendedora. Os gráficos foram realizados através do auxílio de uma planilha do Excel. Em um segundo momento foi realizada a tabulação dos dados relacionados ao perfil de cada empreendedor, identificando sua idade, gênero, estado civil, número de filhos, grau de grau de escolaridade e razão de abertura do negócio. Esses dados foram apresentados através de gráficos identificando o percentual de empresários em cada uma das classificações de cada questão. 60 Por fim, são apresentados os diferenciais competitivos encontrados nos estabelecimentos que foram pesquisados. Através de uma tabela é apresentado esse resultado, identificando o percentual de empresas que possui cada um dos diferenciais citados. Se realizada a soma dos pontos percentuais de cada um dos diferenciais citados pelos empresários, tem-se um número maior do que 100, devido ao fato de que algumas empresas apresentaram mais do que 1 diferencial competitivo em sua organização. 3.5 Limitações da Pesquisa A pesquisa realizada, pela forma como foi proposta encontrou algumas limitações. Ela foi realizada apenas com os estabelecimentos de pequeno porte do gênero alimentício no centro de Balneário Camboriú, que são clientes da empresa Fiorelo Pegoraro Com e Repres LTDA. Dessa maneira seus resultados não podem ser generalizados em um âmbito municipal ou até mesmo regional. Por essa razão ela buscou entender os resultados que são inerentes a amostra selecionada. Dessa maneira, pela particularidade e objetivos propostos a essa pesquisa, apenas essa amostra foi selecionada, sendo que há um universo maior que pode ser pesquisado através de outras pesquisas na cidade d Balneário Camboriú, ou até mesmo no estado de Santa Catarina. 61 4 RESULTADOS Neste capítulo são apresentados os resultados da pesquisa que foi realizada nos clientes da empresa Fiorelo Pegoraro Com e Repres LTDA no Centro da Cidade de Balneário Camboriú englobando mercearias, mini-mercados, panificadoras, lojas de conveniência e açougues. As pesquisas foram realizadas entre os dias 13 de Abril e 7 de Junho de 2010. 4.1 Competências Empreendedoras e Perfil dos Empreendedores Através da aplicação dessa pesquisa foi possível analisar os empreendedores que possuem as competências empreendedoras e os que não possuem. As 10 competências empreendedoras analisadas, atribuindo as mesmas siglas usadas por Lenzi (2008, 85), são: • BOI – Busca de Oportunidade e Iniciativa • CRC – Correr Riscos Calculados • EQE – Exigência de Qualidade e Eficiência • PER – Persistência • COM – Comprometimento • BDI – Busca de Informações • EDM – Estabelecimento de Metas • PMS – Planejamento e Monitoramento Sistemáticos • PRC – Persuasão e Rede de Contatos • IAC – Independência e Auto-Confiança 62 De acordo com o que foi constatado na pesquisa, o Gráfico 1 apresenta o percentual de empreendedores divididos de acordo com a sua idade. % 27,9 27,9 30 25 19,7 21,3 20 15 10 5 3,3 0 0 Até 22 anos 23 a 30 anos 31 a 40 anos 41 a 50 anos 51 a 60 anos 61 anos ou mais Fonte: Pesquisa de Campo Gráfico 1 – Empreendedores de acordo com a idade Por meio do Gráfico 1, é possível observar que mais de 50% dos empreendedores analisados possuem entre 41 e 60 anos. Sendo que 27,9% possui de 41 a 50 e outros 27,9% de 51 a 60. Entre 23 e 30 anos encontram-se 19,7% dos entrevistados, outros 21,3% entre 31 e 40 e, por fim, apenas 3,3% com 61 anos ou mais. No relatório executivo do GEM 2009, os os jovens de 18 a 24 anos representam 20,8% dos empreendedores no Brasil. Já as pessoas de de 25 a 34 anos aparecem com 31,7% do total. O Brasil apresenta um perfil empreendedor diferente do que foi encontrado na pesquisa em Balneário Camboriú. Percebe-se que na cidade em análise, pouco mais de 50% dos entrevistados possuem entre 41 e 60 anos. Porém, no Brasil, pouco mais de 50% possui entre 18 e 34 anos. 63 % 61 70 60 39 50 40 30 20 10 0 Masculino Feminino Fonte: Pesquisa de Campo Gráfico 2 – Empreendedores de acordo com o gênero O Gráfico 2 mostra que a maioria dos empreendedores pesquisados é do gênero masculino, representando 61% do total. As mulheres representam 39% do total dos empreendedores pesquisados. Na pesquisa GEM 2009, os resultados apresentam que as mulheres representam 53% dos empreendedores brasileiros, sendo que os homens 47%, tendo uma divisão bem equilibrada. Porém em Balneário Camboriú a maioria dos empreendedores são do gênero masculino. % 90 83,6 80 70 60 50 40 30 9,8 20 0 10 3,3 3,3 0 Casado Solteiro Viúvo União Livre Fonte: Pesquisa de Campo Gráfico 3 – Empreendedores de acordo com o estado civil Divorciado 64 O Gráfico 3 evidencia que a grande maioria dos empreendedores que foram pesquisados são casados. O grupo dos casados representa 83,6% do total dos entrevistados. Apenas 9,8% encontram-se solteiros, 3,3% classificados como União Livre e outros 3,3% são divorciados. % 42,6 45 40 35 26,2 30 25 20 18 13,1 15 10 0 5 0 1 2 3 4 Não possui Fonte: Pesquisa de Campo Gráfico 4 – Empreendedores de acordo com o número de filhos De acordo com o Gráfico 3, 83,6% dos entrevistados são casados, o que justifica que 82% deles possui pelo menos 1 filho. O Gráfico 4 aponta que 42,6% dos empresários avaliados possui 2 filhos, 26,2% possui 3, 13,1% possui apenas 1 filho. Porém, existem 18% que não possuem filhos. 65 % 47,5 50 44,2 45 40 35 30 25 20 15 10 6,6 1,6 5 0 1º Grau 2º Grau Superior 0 Espec. Mest./ Dout. Fonte: Pesquisa de Campo Gráfico 5 – Empreendedores de acordo grau de escolaridade De acordo com o Gráfico 5, mais de 90% dos empresários avaliados possui o 2º Grau completo ou um Curso Superior. Com 2º grau completo, encontram-se 47,5% deles, e com Curso Superior 44,2%. Com apenas o 1º completo, há 6,6% dos empreendedores, e apenas 1,6% possui Alguma especialização. % 85 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 15 Oportunidade Necessidade Fonte: Pesquisa de Campo Gráfico 6 – Empreendedores de acordo a razão de abertura do negócio 66 O Gráfico 6 aponta a razão que levou os empreendedores a abrir o seu próprio negócio. A resposta foi que 85% deles iniciaram suas atividades porque identificaram uma oportunidade de negócio no mercado, e apenas 15% iniciaram suas operações por motivo de necessidade. Esse gráfico responde a um dos objetivos específicos desta pesquisa que visava identificar a motivação de abertura do empreendimento com relação a oportunidade ou necessidade. De acordo com o relatório executivo do GEM 2008 um empreendimento aberto por oportunidade reflete o “lado positivo” do empreendedorismo. Por outro lado os que são abertos por necessidade, são vistos como uma “ferramenta para o desenvolvimento”. Através da análise do Gráfico 6, foi possível observar que 85% dos empreendedores abriram o seu negócio porque identificaram uma oportunidade no mercado, e outros 15% por que tinham uma necessidade. Porém, a Tabela 2 aponta um Perfil Empreendedor, tendo com principais competências a Persistência, o Comprometimento e a Independência e AutoConfiança. E as competências que mais precisam ser desenvolvidas são a Busca de Oportunidade e Iniciativa, Correr Riscos Calculados e Persuasão e Rede de Contatos. Através dessas informações coletadas e analisadas, é possível concluir que os empreendedores, em sua grande maioria, apesar de terem aberto seus negócios por uma oportunidade identificada, mais da metade deles não possui a competência empreendedora Busca de Oportunidade e Iniciativa. Ou seja, não a desenvolvem todos os dias, como deveriam. Por outro lado, são Comprometidos, Persistentes e Independentes em suas empresas. A Tabela 1 apresenta o enquadramento dos 61 empreendedores pesquisados de acordo com cada uma das 10 competências analisadas. 67 Tabela 1 – Enquadramento do número de empreendedores por competência analisada COMPETÊNCIAS/ 1 PONTUAÇÃO BOI 7 15 7 14 6 13 7 12 2 CRC 3 9 12 7 3 EQE 8 5 14 12 4 PER 27 9 12 3 5 COM 17 19 8 6 6 BDI 9 12 9 9 7 EDM 11 8 7 15 8 PMS 13 12 7 7 9 PRC 10 5 9 10 10 IAC 17 11 5 10 SUB-TOTAL 1 27 31 39 51 50 39 41 39 34 43 11 10 9 8 7 6 5 4 3 8 8 6 6 1 4 0 0 1 9 3 6 3 5 1 2 1 0 5 5 3 1 5 2 1 0 0 4 2 1 0 1 1 0 1 0 5 0 2 0 1 2 1 0 0 3 7 6 4 0 0 1 1 0 5 4 3 2 2 3 0 1 0 2 7 4 0 3 2 2 2 0 9 3 9 2 2 2 0 0 0 5 6 1 2 2 1 0 0 1 SUB-TOTAL 2 34 30 22 10 11 22 20 22 27 18 TOTAL 61 61 61 61 61 61 61 61 61 61 Fonte: Pesquisa de Campo De acordo com o que foi explícito na Tabela 1, é possível observar que ocorre uma maior concentração de empreendedores entre as pontuações de 12 e 15 pontos. Os empreendedores enquadrados nessa pontuação possuem a competência empreendedora analisada. Por outro lado, uma concentração menor pode ser observada na pontuação abaixo de 12 pontos, o que significa que empreendedores com essa pontuação não são possuidores da competência empreendedora analisada. O gráfico 1 apresenta a distribuição numérica de empreendedores por competência, destacando-se 2 grupos de empresários. O Grupo 1 possui a competência e o Grupo 2 não possui. 68 60 51 50 50 39 40 30 34 43 41 39 39 34 31 30 27 27 22 22 20 22 20 10 18 11 10 0 1 - BOI 2 - CRC 3 - EQE 4 - PER 5 - COM 6 - BDI 7 - EDM 8 - PMS 9 - PRC 10 - IAC Grupo 1 (12 a 15 pontos) Grupo 2 (menos de 12 pontos) Fonte: Pesquisa de Campo Gráfico 7 – Enquadramento do número de empreendedores por competência analisada Como visto no Gráfico 7, os empreendedores foram divididos em dois grupos: os que possuem a competência empreendedora (12 a 15 pontos) e os que não possuem a competência (menos de 12 pontos). De acordo com os dados observados através desse gráfico, é possível verificar que os Perfil Empreendedor dos empresários pesquisados, possui três características mais presentes: a) Persistência, b) Comprometimento, e c) Independência e Auto-Confiança. Porém, as competências menos presentes, que precisam ser desenvolvidas, são: a) Busca de Oportunidade e Iniciativa, b) Correr riscos calculados, e c) Persuasão e Rede de Contatos. Esses resultados demonstram que os empresários analisados, possuem persistência, mesmo em meio as dificuldades enfrentadas, principalmente nos meses de baixa temporada em Balneário Camboriú, onde ocorre uma baixa sazonalidade. São também comprometidos com o seu negócio, estando presentes para auxiliar a equipe, sempre que necessário. Por outro lado observa-se que os entrevistados precisam desenvolver a competência busca de oportunidade e iniciativa, fatores que fazem a diferença em um negócio. Também precisam levantar dados e analisar o mercado, para correr riscos calculados através de suas ações. Eles também precisam aprimorar seu poder de persuasão e rede de contatos. A Tabela 2 mostra uma classificação percentual dos empreendedores que possuem cada uma das competências empreendedoras. 69 Tabela 2 – Percentual de Empreendedores que possui cada uma das Competências Empreendedoras COMPETÊNCIA 1 – BOI 2 – CRC 3 – EQE 4 – PER 5 – COM 6 – BDI 7 – EDM 8 – PMS 9 – PRC 10 – IAC Fonte: Pesquisa de Campo NÚMERO DE EMPREENDEDORES 27 31 39 51 50 39 41 39 34 43 % DO TOTAL 44,26 50,82 63,93 83,61 81,97 63,93 67,21 63,93 55,74 70,49 Através do Gráfico 8 e da Tabela 2 é possível observar quantos empreendedores possuem cada uma das Competências Empreendedoras. E com a análise da Tabela 2 pode-se perceber qual o percentual de empresários analisados que possui cada uma delas. As Competências em destaque são: a) Persistência, apresentando um percentual de 83,61% do total dos empreendedores com ela; b) Comprometimento, com 81,97% do total dos entrevistados; e, c) Independência e Auto-Confiança, também em destaque com 70,49% do total. Porém, as competências menos presentes, que precisam ser desenvolvidas, são: a) Busca de Oportunidade e Iniciativa, presente em 44,26% dos entrevistados; b) Correr riscos calculados, presente em 50,82% deles; e c) Persuasão e Rede de Contatos, encontrado em 55,74% dos empresários analisados. DIFERENCIAL COMPETITIVO A pesquisa realizada também identificou, qual o principal ou os principais diferenciais competitivos de cada empresa, que mais traz resultado para esse tipo de negócio, de acordo com a concepção dos empreendedores sobre o que significa um diferencial competitivo. A Dos empreendedores analisados, o diferencial competitivo que apareceu com maior freqüência foi o Bom Atendimento, presente em 47,5% dos negócios. Em segundo lugar, o diferencial mais freqüente foi a Qualidade dos produtos, identificado em 34,4% dos estabelecimentos. Em terceiro lugar, a praticidade foi encontrada, presente em 16,4% dos negócios. 70 Outros diferenciais que também podem ser destacados são o Cartão fidelidade, os Serviços Diversos e a Localização, sendo que cada um deles aparece 8,2% dos estabelecimentos. Dessa maneira, como um dos objetivos da pesquisa era identificar o diferencial competitivo que mais traz resultado para esse tipo de negócio, pode-se dizer que é o Bom Atendimento, apontado por 47,5% dos empreendedores pesquisados. 71 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS Este trabalho teve como tema principal de estudo, o Empreendedorismo, buscando analisar o perfil empreendedor dos proprietários de pequenos varejos alimentícios localizados no centro da cidade de Balneário Camboriú. Para que se pudesse confrontar a teoria com a prática foi realizado um estudo teórico, posteriormente identificado através da aplicação das pesquisas. De acordo com o que foi proposto para essa pesquisa, o objetivo geral foi identificar o perfil empreendedor dos proprietários de estabelecimentos do pequeno varejo do gênero alimentício, localizados no Centro de Balneário Camboriú. Esse objetivo foi atingido, pois foi identificado através da pesquisa que o perfil empreendedor desses empresários apresenta como as principais características: a) Persistência; b) Comprometimento; e, c) Independência e Auto-Confiança. Por outro lado, as características que precisam ser desenvolvidas com mais assiduidade são: a) Busca de Oportunidade e Iniciativa; b) Correr Riscos Calculados; e, c) Persuasão e Rede de Contatos. Com relação aos objetivos específicos, as seguintes conclusões foram consideradas: Como foi citado acima, as competências mais presentes são: Persistência, Comprometimento e Independência e Auto-Confiança; A pesquisa constatou que 85% dos empreendedores iniciaram suas atividades porque identificaram uma oportunidade no mercado. Porém, apenas 15% abriram seu negócio por necessidade. 85% dos empreendedores abriram o seu negócio porque identificaram uma oportunidade no mercado, e outros 15% por que tinham uma necessidade. Por outro lado, a Tabela 2 aponta um Perfil Empreendedor, tendo com principais competências a Persistência, o Comprometimento e a Independência e Auto-Confiança. E as competências que mais precisam ser desenvolvidas são a Busca de Oportunidade e Iniciativa, Correr Riscos Calculados e Persuasão e Rede de Contatos. Através dessas informações coletadas e analisadas, é possível concluir que os empreendedores, em sua grande maioria, apesar de terem aberto seus negócios por uma oportunidade identificada, mais da metade deles não possui a competência empreendedora Busca de Oportunidade e Iniciativa. Ou seja, não a desenvolvem todos os dias, como deveriam. Por outro lado, são Comprometidos, Persistentes e Independentes em suas empresas. Conclui-se, dessa maneira que os empresários analisados 72 deveriam se ater mais as oportunidades que o mercado oferece todos os dias, buscando ter iniciativas inovadoras que vão trazer melhores resultados para o seu empreendimento. Dos empreendedores analisados, o diferencial competitivo que apareceu com maior freqüência foi o Bom Atendimento, presente em 47,5% dos negócios. Em segundo lugar, o diferencial mais freqüente foi a Qualidade dos produtos, identificada em 34,4% dos estabelecimentos. Em terceiro lugar, a praticidade foi encontrada, presente em 16,4% dos negócios. Por fim, a sugestão para a empresa Fiorelo Pegoraro Com e Repres LTDA, é que a mesma promova ações em prol de seus clientes de menor expressão para que esses empreendedores possam adquirir um maior conhecimento a respeito do mercado em que atuam, também buscando desenvolver o seu potencial empreendedor. Dessa forma, cria-se um elo entre ambas as empresas, trazendo crescimento e benefícios para as duas partes envolvidas. Para os estabelecimentos de pequeno porte, sugere-se que formem uma união entre si, caracterizando uma espécie de cooperativa para que possam ter mais força junto aos seus fornecedores, obtendo um maior poder de barganha. Dessa maneira poderão fazer suas compras centralizadas, com um preço mais baixo e melhores condições de negociações, desenvolvendo assim o seu negócio, conquistando seus clientes através de mais benefícios que outrora eram oferecidos apenas pelas grandes redes de supermercados e outros tipos de estabelecimentos de grande porte. 73 6 REFERÊNCIAS AAKER, David A.; KUMAR, V; DAY, George S. Pesquisa de marketing. São Paulo: Atlas, 2001. BERNARDI, Luiz Antonio. Manual de empreendedorismo e gestão: fundamentos, estratégias e dinâmicas. São Paulo: Atlas, 2003. BIRLEY, Sue; MUZYKA, Daniel F. Dominando os desafios do empreendedor. 1. Ed. São Paulo: Makron Books, 2001. BOM ANGELO, EDUARDO. Empreendedor corporativo: a nova postura de quem faz a diferença. 4. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2003. CRUZ, Carla; RIBEIRO, Uirá. Metodologia Científica: teoria e prática. Rio de Janeiro: Axcel, 2003. DEGEN, Ronald Jean. O empreendedor: fundamentos da iniciativa empresarial. São Paulo: McGraw-Hill, 1989. 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Rio do Sul: Nova Era, 2003. 76 APÊNDICE - QUESTIONÁRIO DE COMPETÊNCIAS PROFISSIONAIS Empresa: ___________________________________________ Data: ____/____/____ Profissional:____________________________________________________________ Este questionário se constitui de 30 afirmações breves. Leia cuidadosamente cada afirmação e atribua uma classificação numérica que melhor identifique a forma de atuação do seu colega de trabalho (considere-o como ele é hoje, e não como você gostaria que ele fosse). 1. Selecione o número que corresponde à afirmação que o descreve: 1 = nunca 2 = raras vezes 3 = algumas vezes 4 = quase sempre 5 = sempre 2. Anote com um ‘X’ o número na coluna correspondente. Favor designar uma classificação numérica para cada uma das 30 afirmações. PONTUAÇÃO 5 4 3 2 1 Lidera ou executa novos projetos, idéias e estratégias que visam conceber, reinventar, produzir ou comercializar novos produtos ou serviços. Toma iniciativas pioneiras de inovação gerando novos métodos de trabalho, negócios, produtos ou mercados para empresa. Produz resultado para empresa decorrente da comercialização de produtos e serviços gerados da oportunidade de negócio que identificou e captou no mercado. PONTUAÇÃO 5 4 3 2 1 Avalia o risco de suas ações na empresa ou no mercado por meio de informações coletadas. Age para reduzir os riscos das ações propostas. Está disposto a correr riscos, pois eles representam um desafio pessoal e poderão de fato trazer bom retorno para a empresa. PONTUAÇÃO 5 4 3 2 1 Suas ações são muito inovadoras, trazendo qualidade e eficácia nos processos. É reconhecido por satisfazer seus clientes internos e externos por meio de suas ações e resultados. Estabelece prazos e os cumpre com padrão de qualidade reconhecido por todos. PONTUAÇÃO 5 4 3 2 1 77 Age para driblar ou transpor obstáculos quando eles se apresentam. Não desiste em situações desfavoráveis e encontra formas de atingir os objetivos. Admite ser responsável por seus atos e resultados, assumindo a frente para alcançar o que é proposto. PONTUAÇÃO 5 4 3 2 1 Conclui uma tarefa dentro das condições estabelecidas, honrando os patrocinadores e parceiros internos. Quando necessário, “coloca a mão na massa” para ajudar a equipe a concluir um trabalho. Está disposto a manter os clientes (internos e externos) satisfeitos e de fato consegue. PONTUAÇÃO 5 4 3 2 1 Vai pessoalmente atrás de informações confiáveis para realizar um projeto. Investiga pessoalmente novos processos para seus projetos ou idéias inovadoras. Quando necessário, consulta pessoalmente especialistas para lhe ajudar em suas ações. PONTUAÇÃO 5 4 3 2 1 Define suas próprias metas, independente do que é imposto pela empresa. Suas metas são claras e específicas, e entendidas por todos os envolvidos. Suas metas são mensuráveis e perfeitamente acompanhadas por todos da equipe. PONTUAÇÃO 5 4 3 2 1 Elabora planos com tarefas e prazos bem definidos e claros. Revisa constantemente seus planejamentos, adequando-os quando necessário. É ousado na tomada de decisões, mas se baseia em informações e registros para projetar resultados. PONTUAÇÃO 5 4 3 2 1 Consegue influenciar outras pessoas para que sejam parceiros em seus projetos viabilizando recursos necessários para alcançar os resultados propostos. Consegue utilizar pessoas-chave para atingir os resultados que se propõe ou conseguir os recursos necessários. Desenvolve e fortalece sua rede de relacionamento interna e externa à empresa. PONTUAÇÃO Está disposto a quebrar regras, suplantar barreiras e superar obstáculos já enraizados na empresa. Confia em seu ponto de vista e o mantém mesmo diante de oposições. É confiante nos seus atos e enfrenta desafios sem medo. 5 4 3 2 1 78 Sobre o Empreendedor Avaliado 1. Idade ( ( ( ( ( ( ) Até 22 anos ) 23 a 30 anos ) 31 a 40 anos ) 41 a 50 anos ) 51 a 60 anos ) 61 anos ou mais 2. Gênero ( ) Masculino ( ) Feminino 3. Estado Civil ( ( ( ( ( ) Casado ) Solteiro ) Viúvo ) União Livre ) Divorciado 4. Tem Filhos e/ou dependentes ( ) Sim – Quantos: __________ ( ) Não 5. Nível de Escolaridade ( ( ( ( ( ) 1º Grau ) 2º Grau ) Superior ) Especialização ) Mestrado/ Doutorado 6. Qual a razão de abertura do seu Negócio ( ) Identificação de uma oportunidade no Mercado ( ) Por necessidade ( ) Outra: ____________________________ 7. Qual o principal diferencial competitivo do seu negócio, que mais traz resultados para a sua empresa ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________