Uma Reflexão sobre a Importância da Pesquisa Científica e sua Inserção no Exército Jussara Lima Rodrigues; Renate Kottel Boeno; José Roberto Pinho de Andrade Lima.1 Resumo: Este trabalho objetiva realizar uma reflexão teórica sobre a importância da pesquisa para o desenvolvimento científico e tecnológico, bem como a necessidade de um maior investimento nessas atividades dentro do Exército Brasileiro. Para isso, o surgimento da atividade de pesquisa é analisada bem como sua inserção no contexto sócio-econômico mundial. Este artigo discute também a necessidade de emancipação do Exército Brasileiro em busca do aprimoramento científico. Palavras-chave: Exército, pesquisa, desenvolvimento. Abstract: This article consists in theoric reflection about the importance of research on the scientific and thecnological development and about the necessity of a greater investment on these activities in the Brazilian Army. Thus both the research activity and its introduction in the global socio-economic context are analised. The present article also discusses the emancipation necessity of Brazilian Army to have scientific development. Key-words: Army, research, development. Atualmente, ciência e atividades de pesquisa são muito importantes para a sociedade. Muitos produtos e processos recebem o aval de resultados de pesquisa para serem comercializados. O nível de desenvolvimento científico pode determinar a inserção econômica de uma nação no mundo. A produção científica é fundamental para o aprimoramento das Forças Armadas e a qualificação profissional de seus militares. Esse trabalho objetiva realizar uma reflexão teórica sobre a importância da pesquisa para o desenvolvimento científico e tecnológico, bem como a necessidade de um maior investimento nessas atividades dentro do Exército Brasileiro. 1 Histórico Os filósofos gregos, de maneira generalizada, difundiram a produção do saber pelo homem através do racionalismo, método pelo qual é possível chegar à verdade a partir da Razão, ou pensamento racional, que pressupõe a separação entre sujeito e objeto. Como exemplo podemos citar Platão - que foi um precursor do pensamento dedutivo - segundo o qual, através de uma teoria geral, é possível inferir suposições em fenômenos isolados. 1 Aristóteles desenvolveu o raciocínio indutivo que foi, junto com o método dedutivo, um marco no surgimento da ciência. No método indutivo, as leis gerais ou os sistemas teóricos provenientes das mesmas, surgem a partir da observação de padrões existentes na ocorrência de vários fatos isolados. Esse tipo de raciocínio surgiu em contraposição às explicações místicas para responder aos seus questionamentos acerca do mundo em que se vivia, segundo Laville e Dione (1999). Assim, a ciência se desenvolveu, em parte, pela necessidade de um conhecimento e compreensão mais seguro e digno de confiança do que os métodos relativamente desprovidos de controle que eram geralmente utilizados. Foi necessário criar uma abordagem do conhecimento capaz de permitir a produção de uma informação válida e fidedigna sobre os fenômenos. Era preciso superar explicações absolutistas, metafísicas e mitológicas de fenômenos naturais – ou pelo menos suplementá-las com uma abordagem até certo ponto exterior ao homem. (KERLINGER, 1980) É importante salientar que essas explicações são primitivas e pouco válidas quando o objetivo é buscar os fatores determinantes dos fenômenos; isto é, identificar as variáveis controladoras dos mesmos. Essa antiga forma EsAEx - Escola de Administração do Exército, Rua Território do Amapá, Nº 455, Pituba, Salvador – BA, Brasil. [email protected], [email protected]; [email protected], de saber foi substituída pelo atual paradigma em voga das ciências naturais. Dessa maneira, ainda que no meio popular existam explicações místicas ou relacionadas a questões religiosas – como, por exemplo, os rituais de passagem de ano, simpatias, entre outros – é importante que aquelas instituições que pretendem alcançar rigor científico, tomem distância desses tipos de explicações fantasiosas. No século XVII o pensamento científico moderno começa a se estruturar de forma empírica; ou seja, buscava, através de observação direta dos fenômenos e não somente especulação intelectiva, chegar à verdade sobre os fatos. O saber não se forma a partir de especulações, mas sim, baseia-se em métodos que indicam regras e propõem procedimentos que orientam de maneira eficaz a pesquisa. O positivismo de Augusto Comte, no século XIX, estrutura e fundamenta as ciências humanas, de modo que essas fossem estudadas sem a subjetividade do pesquisador, ou seja, a análise dos fenômenos ocorreria sem a influência do observador. Além disso, os resultados produzidos deveriam ser quantitativos. É importante ressaltar que no estado positivo, a fundamentação para a descoberta das verdades sobre o mundo ocorre graças ao raciocínio e à observação, que permitem a formulação de suas leis efetivas. Dessa forma, os dois princípios básicos do positivismo são: 1) a busca da explicação dos fenômenos através das relações dos mesmos; e 2) a exaltação da observação dos fatos. Portanto, o objetivo principal da ciência seria a observação para induzir leis gerais que possam auxiliar na previsão dos fatos. Em relação aos fatores sócio-econômicos que suscitaram o avanço da ciência, é fundamental ressaltar a mudança no modo de produção. Com a queda do regime feudal e o fortalecimento da classe burguesa, surgiu o sistema econômico capitalista, que permitia uma geração de riqueza nunca antes vista, capaz de patrocinar a realização dos mais variados empreendimentos científicos. Segundo Libâneo et al (2003), as transformações técnico-científicas refletem as diversidades existentes na sociedade e o emprego do capital para controlar e explorar as capacidades materiais e humanas de produção da riqueza, para sua autovalorização. A igreja católica perdia o poder que antes possuía, deixando de ser mais um empecilho para a realização de investigações científicas sobre os mais variados temas. O movimento Renascentista trouxe de volta a valorização do racionalismo, e a valorização das idéias, que haviam sido deixados de lado no período medieval, mais conhecido como “Idade das Trevas”. Deus deixava de ser o centro do mundo, e surgia o antropocentrismo, em que o Homem assumia o papel mais importante. Dessa forma, o raciocínio lógico científico passava a ser cada vez mais valorizado. Assim, houve uma mudança na configuração do cenário mundial e surgiam sincronicamente os fatores que propiciavam um grande avanço na área científica: 1) O fortalecimento do capitalismo, que permitia a geração de capital necessário para os investimentos em pesquisa científica; e 2) O Renascimento, que trazia uma nova concepção de Homem e de Mundo, capaz de fazer uma revolução na ideologia vigente. Desde então a ciência e a atividade de pesquisa se tornaram mecanismos chave para o desenvolvimento. Elas são empregadas em todos os setores da sociedade, e possuem uma credibilidade tamanha capaz de autorizar ou impedir a entrada e comercialização de qualquer produto no mundo capitalista. Os resultados de pesquisa constituem uma espécie de oráculo que revela a verdade sobre a eficácia e aplicação procedimentos e tecnologias produzidas. 2 A Ciência no Mundo Contemporâneo A ciência hoje é reconhecida enquanto paradigma válido em quase todos os setores da sociedade e sua divulgação cada vez maior na mídia é um reflexo direto disso. Inúmeros produtos lançados no mercado ganham um status mais elevado se possuírem o emblema “Testado cientificamente”. A figura do cientista de jaleco branco aparece em inúmeras propagandas, que variam desde aquelas para apresentar um sabão em pó, até outras feitas para vender um novo combustível. Que dirá os medicamentos que são utilizados por milhões de pessoas no mundo inteiro; o que seria de uma indústria de fármacos se ela não garantisse a cientificidade de procedimentos utilizados na fabricação e testagem da eficácia de seus medicamentos? Toda essa credibilidade possui fundamentos. A ciência é o modo válido de produção de conhecimentos e tem provado seu valor durante todos os anos desde seu surgimento. O reflexo disso está em todos os produtos e todo o avanço tecnológico surgido nos últimos tempos. 3 A Pesquisa e o Desenvolvimento Econômico É indubitável a importância da pesquisa científica e tecnológica no contexto atual. Elas são fatores fundamentais para o fortalecimento de uma nação, uma vez que proporcionam poder e autonomia ao país. O que tem sido observado no mundo contemporâneo é uma imposição do poder pelo conhecimento no lugar da imposição do poder pela força bélica; isto é, o poder se concentra nas mãos de quem detém o saber. Assim, muitas nações se referem à Ciência e Tecnologia como uma questão de poder, capaz de dividir o mundo entre os países produtores de conhecimentos e tecnologias e aqueles que a consomem ou ainda quando muito, são capazes de copiá-las. Não é de se admirar que o investimento em pesquisa e desenvolvimento é uma das chaves para se alcançar a inovação e o desenvolvimento econômico. Além de permitir a agregação de valor a produtos e processos, o que interfere de maneira direta na inserção competitiva do país no mercado mundial, o desenvolvimento científico e tecnológico é um fator primordial na promoção do bem estar social, e na geração de renda para o país. Além disso, permite a ele a dominação de países que dependem da tecnologia e do conhecimento científico produzido. Ciência e Tecnologia podem ser definidas, atualmente, enquanto dimensões estruturantes do desenvolvimento nacional – alavanca crucial para o Brasil superar as desigualdades que marcam a sua inserção no sistema internacional, de acordo com o que prescreve o Plano Nacional de Pós-Graduação 2005. 4 Investimento Nacional em Pesquisa Existe um movimento nacional em busca de uma projeção mais significativa do Brasil no cenário mundial. Um reflexo desse esforço foi concretizado no I Plano Nacional de Desenvolvimento (PND), elaborado no período de 1986–1989 da nova república. Nesse mesmo período, foi criado o III Plano Nacional de PósGraduação (III PNPG), que expressava uma tendência vigente àquela época, a conquista da autonomia nacional, segundo o Plano Nacional de Pós-Graduação 2005. Essas propostas de implementação do apoio nacional à pós graduação e ao desenvolvimento nacional buscavam sanar uma demanda referente ao número de cientistas existente no Brasil. Sem dúvida, para se atingir uma plena capacitação tecnológica e científica, é necessário um quantitativo suficiente de pesquisadores. Para tanto, deve haver um progresso na formação de recursos humanos de alto nível, uma vez que a sociedade e o governo pretendem a independência econômica, científica e tecnológica para o Brasil, no próximo século, de acordo com o Plano Nacional de Pós-Graduação 2005. O incentivo à pesquisa e educação de qualidade encontra-se previsto nas leis nacionais vigentes. Segundo Carneiro (1998), o art. 218, e o art. 86 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB destaca que o Estado promoverá e incentivará o desenvolvimento científico, a pesquisa e a capacitação tecnológicas, detalhando, em seus três parágrafos, a forma como essa promoção e incentivo se farão. O Plano Nacional de Educação (PNE) tem entre seus objetivos a melhoria da qualidade do ensino e a promoção humanística, científica e tecnológica do País. Dessa forma, a relação direta entre desenvolvimento, autonomia e capacitação científica e tecnológica fica claramente bem estabelecida, nas diretrizes de ação que tem sido estabelecidas a nível nacional. 5 As Inovações no Exército Brasileiro Como um reflexo do que aconteceu na Humanidade como um todo, o Exército Brasileiro também recebeu influência da evolução das ciências nos últimos séculos. Sempre estiveram presentes em sua tropa militares buscando novas teorias de produção do conhecimento e de sua aplicação no âmbito da Força. Deve ser evidenciado que essa efervescência intelectual permeou constantemente as escolas de formação de oficiais, por meio de professores brilhantes, como Benjamim Constant Botelho de Magalhães, no final do século XIX, que semeou idéias positivistas na caserna, colaborando, de forma indireta, com a proclamação da República em 1889, de acordo com Castro (1969). Muitas foram as mudanças na sociedade brasileira e em sua estrutura a partir de então, constituindo reflexões cada vez mais aprofundadas. Essa análise veio acompanhada de um embasamento científico, de modo a proporcionar instrumentos suficientes para uma intervenção racional no processo social. Novas interpretações histórico, geográficas e sociográficas da sociedade, advindas da pesquisa, colaboraram com ações do Exército já nos primórdios do século XX. Conforme Castro (1969), na Guerra dos Canudos, em 1895, no estado da Bahia, Euclides da Cunha, que acompanhava o desenrolar da Campanha na qualidade de jornalista, realizou um estudo sobre as condições de vida no Nordeste que, indiretamente, possibilitou ao EB uma visão mais detalhada sobre a região e orientou o rumo mais adequado para a realização das ações militares no conflito. A partir de então, no decorrer dos acontecimentos na história, a instituição militar também sentiu-se compelida a acompanhar as transformações sociais e técnico-científicas que estavam brotando no seio da sociedade. A necessidade da presença de pessoal especializado para realizar as atividades-meio que dão suporte ao cumprimento da atividadefim do Exército cresce de tal forma que, no ano de 1989 foi criado, através da Lei nº 7.831 de 2 de outubro de 1989, regulamentada pelo Decreto n° 98.314 de 19 de outubro de 1989 pelo então Presidente da República José Sarney, o Quadro Complementar de Oficiais. Esse quadro tem o objetivo de suprir as necessidades do Exército Brasileiro em pessoal de nível superior para a ocupação de cargos e funções de natureza complementar, segundo o artigo 1° do Regulamento para o Quadro Complementar de Oficiais do Exército – R41. Participam do Quadro Complementar de Oficiais profissionais de origem civil ou militar, que não oficiais de carreira, graduados em diversos cursos superiores que vêm auxiliar a Força em atividades complementares. Tais militares, além de atuarem em suas respectivas áreas, advindas da experiência acadêmica no meio civil, contribuem também com os serviços de uma organização militar (OM), necessários à manutenção e bom funcionamento de sua estrutura. Dessa forma, foi possível que o conhecimento adquiridos nos meios acadêmicos pudesse introduzir na Força a produção científica nas mais diversas áreas da atuação profissional. Com essa necessidade de conhecimento especializado para tornar mais eficaz o cumprimento de sua missão, o Exército Brasileiro teve um ganho significativo na gestão de seus recursos humanos, uma vez que o oficial combatente, formado na Academia Militar das Agulhas Negras, está podendo desempenhar sua função sem estar desviado para atribuições nas quais não foi capacitado. O Oficial do Quadro Complementar, desde seu curso de formação na Escola de Administração do Exército, contribui com a aplicação de conhecimento especializado, por meio de pesquisa e produção científica voltados para a melhoria de processos. É verificado que nessa escola a formação acadêmica, com enfoque na aplicação militar. Durante o curso, os oficiais desenvolvem projetos interdisciplinares e artigos científicos que versam sobre assuntos pertinentes à Força e visam a aplicabilidade dos mesmos com vistas ao aprimoramento da instituição. A determinação em tornar a ação do Oficial do Quadro Complementar embasada na cientificidade está em consonância com o Programa Excelência Gerencial do Exército Brasileiro (PEG-EB), estabelecido pela Portaria do Comandante do Exército no 348, de 1o de julho de 2003. Esse programa visa a melhoria da operacionalidade da Força, tendo por base a capacitação dos recursos humanos, caracterizada por ações voltadas para a otimização dos processos, o gerenciamento de projetos e permanente estímulo para a motivação de todos os integrantes do Exército, conforme Da Cás (2004). Com isso o Exército Brasileiro ganhou em excelência na execução de atividades dos mais diversos setores facilitando, assim, o bom funcionamento e crescimento dessa, que é atualmente uma das mais acreditadas instituições do Brasil, ficando somente atrás dos médicos, segundo pesquisa do IBOPE realizada nos primeiros meses do corrente. 6 Exércitos Estrangeiros Acontecimentos marcantes na história mundial também influenciaram o Exército e, conseqüentemente, seus integrantes. Em relação aos exército estrangeiros destacam-se os seguintes fatos: Após a 2a Guerra Mundial, a doutrina militar americana substituiu a doutrina francesa, até então aplicada no Exército Brasileiro, segundo Magalhães (1998). A tecnologia americana, que mostrou ao mundo as maravilhas que propicia a quem a possui, despertou em todos, inclusive no meio militar, a necessidade de se adequar aos novos padrões que a ciência produziu. Em relação à Argentina, pode-se inferir que, durante a década de 1990, as Forças Armadas argentinas, frente às transformações políticas e sociais do mundo, sofreram uma reestruturação geral em sua organização. Em relação à educação militar, o exército daquele país introduziu mudanças na formação de seus oficiais. A partir de 1994, implementou-se, junto ao treinamento militar clássico, uma rotina acadêmica com grau universitário em combinação com a formação militar. O objetivo principal era converter os antigos institutos de formação militar em universidades nacionais, tendo como conseqüência a adesão do sistema de avaliação universitária que ficava a cargo dos organismos que regulam a qualidade do ensino superior. Por fim, no ano de 2000, o Exército Argentino detectou a necessidade de realizar melhorias com a finalidade de elevar a qualidade acadêmica. Uma delas consistiu em desenvolver tarefas de investigação dentro dos institutos, segundo Solano (2005). 7 Ensino e Pesquisa no Exército Brasileiro Encontramos, nas diretrizes que regulamentam o ensino nos Estabelecimentos de Ensino do Exército Brasileiro, o incentivo à pesquisa, como finalidade maior da pós-graduação stricto sensu oferecida em suas escolas de aperfeiçoamento, e a produção de novos conhecimentos em áreas de interesse do Exército (§ 2o, art. 23, cap IV, título IV, tudo do Regulamento de Preceitos Comuns aos Estabelecimentos de Ensino do Exército R126). Segundo o Decreto 3182, de 23 Set 1999 - que regulamenta a Lei 9876, de 08 Fev 1999, e dispõe sobre o ensino no Exército Brasileiro – os Institutos de Pesquisa integram o Sistema de Ensino do Exército, com o intuito de realizar estudos e pesquisas para aprimorar técnicas e materiais para o Exército. A tecnologia produzida muitas vezes permeia a sociedade brasileira e contribui em diversos setores civis, qualificando nosso Exército e propiciando sua inserção na esfera social brasileira, ratificando a seriedade da instituição e de seus integrantes. Além dessas diretrizes, que incentivam a pesquisa e a produção de novos conhecimentos que possibilitem a evolução constante do Exército, há a determinação de que os programas de pós-graduação (lato sensu e stricto sensu) estejam ajustados às exigências da Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES/MEC) e da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), ao que disser respeito à aplicabilidade dos estudos desenvolvidos e à elaboração e apresentação de projetos, dissertações e teses, conforme a Portaria no 98, de 03 outubro 2003. Cabe ressaltar a preocupação do Exército com a qualidade e excelência do seu sistema de ensino, além da busca pela equiparação com o ensino ministrado nas instituições de ensino superior no Brasil. No entanto, estabelecer uma política de pesquisa científica no Exército Brasileiro incorpora o princípio de que o sistema educacional é fator estratégico no processo de desenvolvimento sócio-econômico, cultural e interativo com a sociedade brasileira, como citado anteriormente. Ela representa uma referência institucional indispensável à formação de recursos humanos altamente qualificados e ao fortalecimento do potencial científico-tecnológico militar. Tendo em vista que o Exército Brasileiro constitui um dos pilares da nação brasileira é possível afirmar que aumentar a capacidade científico-tecnológica da Força significa contribuir diretamente para uma crescente autonomia do país. Um exército que produz saber é capaz de proporcionar à nação um maior poder de atuação e inserção no mercado mundial de modo a participar mais ativamente das decisões políticas tomadas no cenário mundial. Atualmente, decisões sobre estratégias de ação são tomadas por países mais desenvolvidos que muitas vezes são impostas àquelas nações economicamente dominadas. É importante salientar que sem essa autonomia, o poder de ação – que pode ser alcançado através do avanço na produção de conhecimento relevante para a sociedade – o Brasil provavelmente estará a mercê de decisões políticas de atuação de outras nações, que podem muitas vezes ameaçar a integridade e segurança nacional. Exemplos como o Iraque, que foi invadido por tropas americanas, podem ser considerados extremistas, mas servem, sem dúvida, para mostrar ao mundo que decisões políticas arbitrárias podem ser impostas por países dominantes quando os interesses destes estão em jogo. Ao traçar um paralelo com o Brasil, pode ser constatado que existem recursos naturais de grande valor que podem, futuramente, ser motivo de disputa com outros países. A água, por exemplo, bem natural não renovável, está presente na Amazônia, que é a maior bacia hidrográfica do mundo. Há previsões sobre escassez de água nos próximos anos, o que pode tornar o Brasil alvo de invasão e domínio de nações estrangeiras. Assim, é de fundamental importância que haja um maior desenvolvimento científico e tecnológico das Forças Armadas capaz de proporcionar maior autonomia e poder de ação ao Exército Brasileiro para que este possa manter a integridade e segurança nacional. 8 Contribuições Atuais e Perspectivas O Quadro Complementar de Oficiais (QCO) da EsAEx e outras escolas de formação tem contribuído para o aumento da produção científica no Exército Brasileiro. Dentre os artigos produzidos pelo QCO podem ser citadas importantes contribuições como “Segurança da Informação: Ameaças e Vulnerabilidades de uma OM do EB”, “A Importância do Conhecimento Geográfico para o Emprego da Cavalaria Mecanizada e Blindada”, “Alcançando Qualidade de Software com SW-CMM e ISO9000-3”, “A Utilização da Programação Neurolingüística no Processo de Ensino – Aprendizagem”, entre outros. A totalidade de artigos científicos produzidos pelo QCO chega a atingir 115 trabalhos atualmente, e essa quantidade aumenta sensivelmente a cada ano, resultado que é fruto do esforço conjunto de uma equipe composta por oficiais empenhados em garantir o rigor na formação metodológica dos oficiais alunos que passam por suas mãos. A dedicação desses instrutores orientadores é fruto do comprometimento deles para com a instituição. Entretanto, apesar de valiosa, essa contribuição permanece incipiente dentro do Exército. São necessários mais apoio e incentivo por parte do Estado Maior do Exército e do Governo Federal para que essa produção ganhe mais projeção nacional e até mesmo internacional. Assim aumentaria ainda mais a credibilidade da Força, que já é considerada uma das instituições mais acreditadas no país, como já foi mencionado anteriormente. Referências LAVILLE, C.; DIONNE, J. A construção do saber: manual de metodologia da pesquisa em ciências humanas. Tradução Heloísa Monteiro e Francisco Settineri. Porto Alegre: Artes Médicas, 1999. Título original: La construction des savoirs: manuel de méthodologie en sciences. KERLINGER, F.N. Metodologia da pesquisa em ciências sociais. São Paulo: EDU/EDUSP, 1980. LIBÂNEO, J. C.; OLIVEIRA, J. F.; TOSCHI, M. S. Educação escolar: políticas, estrutura e organização. São Paulo: Cortez, 2003. (Coleção Docência em Formação/coordenação Antônio Joaquim Severino, Selma Garrido Pimenta). BRASIL. Ministério da Educação. 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