ACHIGÃ
Como conseguir grandes exemplares com…
Crankbaits
(Parte II)
Crankbaits ‘suspending’
Esta expressão designa todos os crankbaits possuidores
de peso (geralmente esferas metálicas) no seu interior
e que foram desenhados para ficarem suspensos à
profundidade a que se encontram, ao interrompermos a
recuperação. Com estes modelos, é possível manter a
amostra durante mais tempo na zona onde se encontra o
peixe, permitindo maior tempo de reacção a peixes mais
letárgicos.
É provavelmente o texto mais detalhado alguma vez publicado em Portugal sobre crankbaits — a amostra mais
conhecida e mais utilizada no nosso País. Na última edição, Jaime Sacadura apresentou os tipos de crankbaits e
as suas características, com destaque para as cores e as formas. Este mês, vamos ver mais algumas questões
essenciais desta pesca.
Texto e Fotos: Jaime Sacadura
N
a edição de Janeiro, começámos a ver alguns
critérios de selecção dos
crankbaits, abordando
ainda a forma e a cor.
Vamos agora ver mais algumas características físicas deste tipo de
amostras e as suas consequências
na nossa pesca.
Opacos, translúcidos
ou reflectivos
Depois de seleccionar o tamanho
ideal do corpo e da paleta, podemos
ainda ser confrontados com a decisão de escolher entre crankbaits com
um padrão pintado de forma tradicional ou com soluções de coloração
mais inovadoras, que aplicam um
padrão colorido menos intenso que
continua a permitir a passagem de
luz. Noutros casos, a superfície da
amostra é transparente e no interior
é aplicado um padrão numa superfície reflectora. Quando os raios de
sol batem nesta zona reflectora interna, os reflexos resultantes podem
despertar a atenção dos peixes de
zonas mais distantes, principalmente em
barragens de águas mais transparentes, um
pouco à semelhança do que acontece com
as colheres dos spinnerbaits.
Para quem acha a presença de reflexos importante na utilização das amostras, uma alternativa passa pela utilização de crankbaits
com paletas metálicas. Mesmo que possuam
pinturas opacas tradicionais não reflectoras,
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quando a luz incide na paleta metálica são
produzidos reflexos que podem ser muito
atractivos e despertar ataques logo no início
da recuperação.
Com ou sem ‘rattles’
A vibração e o som produzidos pelas amostras são factores muito importantes para o
achigã, na altura de detectar uma potencial
presa. Os crankbaits que possuem
‘rattles’ no interior produzem ruído
quando a amostra oscila lateralmente, durante a recuperação. O ruído
provocado pela oscilação destas esferas metálicas é, por vezes, tão forte
que é audível fora de água, enquanto
o crankbait está a ser recuperado. Na
maioria das situações, os crankbaits
com esferas metálicas são os preferidos pelo pescador, pois ajudam o
peixe a localizar as amostras.
O número e o tamanho das esferas
varia muito de fabricante para fabricante e de modelo para modelo, pelo
que o tipo de som produzido pode
ser muito diferente e constitui um
factor a ter em conta. Em massas de
água com maior pressão de pesca,
os achigãs podem ficar condicionados e associar o som dos ‘rattles’ a
um perigo potencial. Nestas águas,
muito pressionadas, os modelos sem
‘rattles’ (denominados ‘silent’) podem fazer toda a diferença, permitindo obter, ocasionalmente, um maior
número de ataques, pelo que devem
ser opções adicionais no nosso arsenal de crankbaits.
A recuperação
Como mencionei no início deste texto, a
recuperação de um crankbait não tem de
ser obrigatoriamente monótona e repetitiva. As hipóteses de provocar um ataque
aumentam quando a presa aparenta estar
ferida ou desnorteada. Para simular essa p
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situação, é necessário diversificar a recuperação, introduzindo pequenas pausas e variações de velocidade. Estas pausas podem
ser produzidas com o carreto, aumentando
ou diminuindo a acção de recuperação, ou,
em alternativa, com a própria cana, através
de um movimento de arrastamento lateral
rápido, com a ponteira baixa, seguido de
uma pausa.
Assim que se produzirem as primeiras capturas, é, normalmente, possível, reproduzir o tipo de recuperação que provocou os
ataques e repeti-lo com sucesso, até que as
condições mudem.
A regra básica é simples. Se um tipo de recuperação não está a ser produtivo, convém
ir variando a velocidade e o tempo de pausa
até descobrir a combinação vencedora. Os
modelos ‘suspending’, que ficam parados
no mesmo local, quando se faz uma pausa, podem ser úteis em situações mais difíceis, pois permanecem mais tempo no raio
de acção do achigã, ajudando a despertar
“Rat-L-Trap” ou Crankbait sem pala
10 recomendações para ter sucesso com crankbaits
ataques em peixes menos reactivos. Não convém utilizar este tipo de
crankbaits em zonas com muitos obstáculos
submersos, principalmente quando se pesca
de margem pois, como não recuam quando
se pára a recuperação, são mais susceptíveis
de se prenderem, o que pode conduzir à sua
perda.
1. Varie a recuperação, introduzindo pausas e acelerações até descobrir o tipo de
recuperação que desperte os ataques em cada situação de pesca.
2. Uma presa fragilizada tem mais hipóteses de sofrer um ataque. Não hesite em
bater com o crankbait no fundo ou nos obstáculos submersos. A maior parte
dos ataques surge imediatamente após o choque.
3. Escolha o crankbait com o tamanho da paleta adequado à profundidade a que
os peixes se encontram.
4. Mantenha sempre a tensão na linha, durante a luta com o peixe. A maior
parte das desferragens ocorre quando se perde o contacto com o peixe.
5. Tente evitar ao máximo que o peixe salte. De barco, mergulhar a ponteira da cana na água pode ajudar a reduzir a amplitude e
frequência dos saltos.
6. Nunca aponte a cana na direcção do peixe. Mantenha sempre
um arco na cana, para que a flexibilidade desta realize o seu
trabalho e atenue as investidas do peixe.
7. Mude (ou afie) os anzóis, sempre que qualquer das pontas
resvale na unha do polegar. Uma ponta romba pode significar a
perda de um bom exemplar.
8. Sempre que o crankbait não esteja a trabalhar correctamente e se
desvie da trajectória vertical, deve ser afinado com a ajuda de um
alicate de pontas finas. Realize pequenos ajustes no olhal metálico
do centro da paleta, no sentido contrário ao do desvio, até que o
crankbait afunde na vertical.
9. Tente não forçar a recuperação durante a luta de um peixe capturado com crankbait. Na maior parte das situações, uma
recuperação mais suave e menos forçada evita que o peixe fique
demasiado agitado e conduz à captura de peixes que se teriam
escapado com lutas mais enérgicas.
10. Quando pescar de barco, leve sempre consigo uma boa
ferramenta de recuperação de crankbaits. A utilização de
um destes dispositivos pode poupar muitas dezenas de euros
em cada jornada de pesca.
Na próxima edição
Em Março, vamos ver um último grupo de
aspectos essenciais para esta pesca — o dos
materiais! Canas, carretos e anzóis estarão
em destaque. Até lá, boas pescarias!j
Este é um tipo de
crankbait sem paleta, cheio de esferas
metálicas, que afunda
continuamente após o
lançamento (existem
modelos flutuantes). É
conhecido pelo nome da
marca que popularizou este
tipo de amostra. Permite atingir
uma determinada profundidade
e iniciar a recuperação mantendo a amostra sempre à mesma
profundidade, sem grande esforço,
ao contrário dos crankbaits de paleta
(os de maior dimensão implicam grande
esforço físico na sua recuperação).
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Para quem acha a presença
de reflexos importante na
utilização das amostras,
uma alternativa passa pela
utilização de crankbaits
com paletas metálicas
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ACHIGÃ
Como conseguir grandes exemplares com…
Crankbaits
(Parte III)
Jaime Sacadura conclui nesta edição uma excelente série sobre
o tipo de amostra mais popular na pesca ao achigã em Portugal,
o crankbait. Depois de analisar os modelos e as suas
características mais importantes e de nos dar uma útil série de
conselhos sobre a utilização, vamos agora ver um último aspecto
essencial: os materiais — a começar pela importância da cana.
Texto e Fotos: Jaime Sacadura
A
utilização de um crankbait deve
ser feita com uma cana específica para este tipo de amostra. É
preferível utilizar uma cana de
casting de material composto
de uma mistura de carbono e fibra de vidro
(graphite composite), sendo as mais utilizadas as canas de acção média, com um mínimo de 7 pés (2.10 metros).
Este tipo de canas facilita os lançamentos
longos e devem possuir um punho longo
para servir de apoio ao antebraço, durante a
recuperação. Não só o trabalhar da amostra
é mais cómodo e menos exigente do ponto
de vista físico para o pescador (reduzindo a
probabilidade de se vir a sofrer lesões inca-
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pacitantes nos tendões), mas este tipo de
material confere maior resistência e simultaneamente maior suavidade à acção da cana,
o que ajuda a evitar a perda de peixe com
este tipo de amostras.
A enorme pressão desenvolvida pelas paletas dos crankbaits (principalmente os deep
divers) pode afectar a inserção dos tendões
nos ossos e provocar micro-roturas e inflamação crónica, levando, a longo prazo,
a problemas de epicondilite ou de túnel
cárpico, extremamente incapacitantes e de
resolução muito morosa. Os pescadores de
competição são ocasionalmente afectados
por estas situações e a utilização de canas
adequadas, com a flexibilidade suficiente, p
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ajuda a evitar este tipo de problemas. Além
disso, na maioria das situações, o maior risco de perda de um grande exemplar ferrado
com um crankbait ocorre principalmente no
momento do salto. Uma cana de acção mais
rígida pode ser a responsável pelo rasgar de
grandes fendas nas cartilagens da boca do
peixe, por onde os anzóis triplos se podem
escapar facilmente, num dos espectaculares
saltos característicos desta espécie. Refor-
grande quantidade de obstáculos submersos.
A importância dos anzóis
O uso dos crankbaits é um
pouco complexo, mas tem as
suas recompensas
O outro factor responsável por grande número de desilusões na utilização de crankbaits é a ineficácia de anzóis que podemos
encontrar em algumas marcas de preço
mais acessível. Os anzóis de um crankbait
podem ser aferidos de forma muito simples.
Na pesca com crankbaits, é preferível utilizar
uma cana de casting de material composto
de uma mistura de carbono e fibra de vidro, sendo
as mais utilizadas as canas de acção média,
com um mínimo de 7 pés
ça-se assim a necessidade de utilizar canas
específicas para crankbaits, que, com a sua
maior flexibilidade, asseguram a redução
destas ocorrências de forma muito nítida.
A flexibilidade destas canas contribui ainda
para um menor número de perdas de peixe
por rotura da linha em situações difíceis,
onde a utilização eficaz da embraiagem se pode tornar muito complicada, devido à existência de
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Cada ponta deve ser testada contra a unha
do polegar. Se o anzol resvalar na unha, não
conseguirá perfurar, de forma eficaz, a cartilagem da boca do achigã este escapar-se-á
no primeiro salto.
O ideal é substituir os anzóis por outros de
marca conceituada ou afiá-los com uma
ferramenta adequada. Quando se opta por
este último procedimento, deve evitar-se
criar longos bordos cortantes, como os de
uma faca, pois estes têm tendência
a cortar grandes
fendas nas cartilagens da boca
do peixe, com os
inconvenientes
mencionados acima. Idealmente,
deve tentar-se
produzir
um
bico afilado, de
forma cónica, o
que acaba, normalmente, por se
revelar difícil.
Os anzóis ideais (como os que
são fornecidos pela
maioria das marcas
japonesas) são afiados
quimicamente e terminam
precisamente numa ponta
cónica, sem bordos cortantes. Desta forma, a ferragem
torna-se muito mais eficaz e
produz uma perfuração mínima na cartilagem. Este facto,
associado à flexibilidade de
uma boa cana, específica
para crankbait, reduz muito
significativamente a possi-
posto em causa, as desvantagens, no meu
ponto de vista, ultrapassam as vantagens.
É sempre possível disciplinarmos o ritmo da
recuperação de forma a produzir a animação adequada para o crankbait que estamos
a utilizar. Já se revela impossível acompanhar e contrariar um peixe que se desloca
a alta velocidade na nossa direcção quando
a taxa de recuperação do carreto não o permite. Se perdermos o contacto com o peixe
nesta situação e o deixarmos saltar com a
linha folgada, se o deixarmos penetrar na
vegetação submersa ou dirigir-se sem controlo para outro tipo de obstáculo, vamos
perdê-lo na maioria das situações. Estas são
as razões para eu recomendar, embora res- p
Os anzóis ideais são
afiados quimicamente e
terminam precisamente
numa ponta cónica, sem
bordos cortantes. Desta
forma, a ferragem torna-se
muito mais eficaz e produz
uma perfuração mínima
na cartilagem
bilidade de um achigã fugir num dos seus
habituais e espectaculares saltos.
O carreto ideal
O carreto mais adequado para pescar com
crankbaits é, sem sombra de dúvida, um
carreto de casting de boa qualidade, com
um bom sistema de travagem (centrífugo ou
magnético). Com um carreto deste tipo, fica
assegurada uma boa capacidade de lançamento com amostras de pesos variados,
mesmo em situações de vento forte. Além
disso, estes carretos possuem uma maior robustez e uma maior resistência ao desgaste,
condição indispensável para durarem várias
épocas de pesca, mesmo em situações de
utilização intensiva.
Nos últimos tempos, a tendência para utilizar carretos de recuperação lenta com crankbaits está a cair em desuso. As vantagens
apontadas consistiam na maior facilidade
de recuperar os crankbaits à velocidade
ideal (mais lenta do que se consegue normalmente com um carreto de recuperação
rápida) associada à maior força produzida
pelo tipo de engrenagens utilizado nestes
carretos, o que facilita a recuperação deste tipo de amostras, principalmente as de
grande dimensão.
Se nenhum destes pressupostos pode ser
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peitando as opiniões contrárias, a utilização
de um carreto de recuperação rápida, mesmo quando utilizamos crankbaits.
Os carretos de spinning, tão frequentes
noutras aplicações, são menos utilizados
com estas amostras porque não possuem
a robustez necessária e desgastam-se
muito rapidamente. São ocasionalmente
utilizados para pequenos crankbaits, principalmente quando as condições atmosféricas (lançamentos contra vento forte, por
exemplo) dificultam a utilização de carretos de casting que possuam sistemas de
travão inadequados para evitar as temidas cabeleiras.
Com equipamento adequado,
os pescadores de margem
também podem tirar o máximo
proveito dos crankbaits
Conclusão
A utilização de crankbaits é mais complexa do que parece à primeira vista. Claro
que podem ser utilizadas como as mais
monótonas de toda a gama de amostras
disponíveis para a pesca do achigã, mas,
quando se descobre todas as suas po-
Tome nota
Uma cana específica — mistura de carbono e fibra de vidro, com acção média e
comprimento mínimo de 7 pés — tem diversas vantagens:
• dura mais tempo, devido à resistência dos materiais;
• facilita os lançamentos longos e torna o trabalhar da amostra mais confortável;
• permite recuperações mais suaves — podendo mesmo evitar lesões nos tendões;
• após a ferragem, ajuda a impedir que o peixe se desferre, com os seus saltos;
• a sua flexibilidade ‘poupa’ a linha, tornando mais raro que esta se parta.
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tencialidades, não só se revelam amostras
extremamente versáteis e eficazes, como
têm ainda a vantagem de produzir capturas
de muito bom calibre de forma consistente.
Utilizados preferencialmente por pescadores
embarcados, os crankbaits não devem ser
descurados pelo pescador de margem,
pois, desde que se cumpra algumas regras básicas, não se perdem facilmente
e podem conduzir a resultados surpreendentes.
Por isso, numa das suas próximas jornadas de pesca, experimente um crankbait e verá que não se arrepende.j
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Crankbaits