Versão online: http://www.lneg.pt/iedt/unidades/16/paginas/26/30/185 Comunicações Geológicas (2014) 101, Especial I, 213-216 IX CNG/2º CoGePLiP, Porto 2014 ISSN: 0873-948X; e-ISSN: 1647-581X Petrologia do diabásio Penatecaua, soleira de Rurópolis, Pará, Brasil Petrology of diabase Penatecaua, sill Rurópolis, Pará, Brazil E. F. Silva1*, M. B. Pinto1, B. G. Peregovich1, W. W. Brenner1 Artigo Curto Short Article © 2014 LNEG – Laboratório Nacional de Geologia e Energia IP Resumo: O diabásio Penatecaua, localizado no município de Rurópolis, PA, aflora parcialmente em um corte de estrada na BR163. Datado do Triássico-Jurássico, encontra-se intruso sob forma de soleira nas rochas sedimentares das formações Nova Olinda, Alter do Chão e Itaituba. O complexo encontra-se bem preservado, com pouca ação intempérica, contendo sulfetos em forma de pirita disseminado ao longo de sua extensão. Apresenta planos preferenciais de fratura orientados ENE-WSW, coincidindo com as estruturas das rochas hospedeiras. A assembleia mineral da rocha é composta principalmente por clinopiroxênio (augita) e plagioclásio contendo traços de minerais opacos, quartzo e apatita. Os resultados obtidos neste trabalho confirmam que o diabásio Penatecaua da área de estudo, assemelha-se com as descrições anteriormente realizadas nas rochas máficas do bordo sul da bacia do Amazonas. Palavras-chave: Bacia do Amazonas, Diabásio Penatecaua, Rurópolis. Abstract: During Late Triassic-Early Jurassic, diabase sills penetrate into the Permo-carboniferous sediments of the Amazon basin. One of them, the diabase Penatecaua, is located in the municipal district of Rurópolis-Pará, with a fresh outcrop caused by road construction along the BR-163, 25 km north of Rurópolis. The mineral assemblage of the diabase is composed mainly of clinopyroxene (augite) and plagioclase containing traces of pyrite, quartz and apatite. The main fracture direction of the diabase complex show an ENE-WSW orientation, which correlates with the main structure of the Amazon Basin. The results of this study confirm that the Penatecaua diabase North of Rurópolis, resembling the descriptions previously performed of mafic rocks of the southern part of the Amazon Basin. Keywords: Amazon basin, Penatecaua diabase, Rurópolis. 1 Universidade Federal do Oeste do Pará-UFOPA, Santarém-PA/Brasil. Autor correspondente / Corresponding author: [email protected] * 1. Introdução Segundo Costa et al. (2012), entre o Triássico e o Cretáceo, a bacia sedimentar do Amazonas, recebeu um grande volume e extensão de magma básico, sejam na forma de intrusões ou derrames. Tais eventos magmáticos relacionam-se com a formação do oceano Atlântico Equatorial durante a ruptura do Pangea, separando a América do Sul da África. Na bacia do Amazonas, o magmatismo está preservado na forma de intrusões como diques, soleiras e/ou stock, as quais estão encaixadas em rochas sedimentares Paleozóicas. As melhores exposições das intrusivas básicas ocorrem na borda sul da bacia, onde afloram próximas aos municípios de Altamira, Medicilândia, Placas e Rurópolis. Na porção norte, encontram-se à noroeste do município de Monte Alegre. 2. Objectivos O objetivo deste trabalho é descrever um corpo magmático hipabissal, detalhando feições petrográficas e texturais. Levando à caracterização do magmatismo Penatecaua, Jurássico-Cretáceo, comparando-o a tipos conhecidos na literatura. 3. Fundamentação teórica Após a deposição Paleozóica e da Orogenia Herciniana, começou no interior da plataforma, intensa ativação de processos tectônicos que deram origem as margens passivas e ativas do atual continente Sul Americano, chamado por Almeida et al. (2000) de estágio de ativação. A ruptura da placa que ocorreu durante o Neotriássico ao Eojurássico, iniciou-se com eventos distensionais na direção Leste-Oeste, acompanhada de magmatismo básico, representado por intrusões de soleiras e diques nos sedimentos Paleozóicos, Cunha et al. (1994) e Zalán (2004). Durante a abertura do Atlântico Central houve a geração do rift de Marajó, que é separado da bacia do Amazonas pelo Arco de Gurupá, Cunha et al. (1994). As rochas intrusivas máficas da bacia do Amazonas foram inicialmente denominadas “Diabásio Penatecaua” por Issler et al. (1974) ao descreverem as rochas aflorantes no rio Penatecaua, que corta a rodovia Transamazônica à oeste de Rurópolis. Essas rochas afloram na forma de diques e soleiras de espessura que variam de até 200 m, segundo Caputo (1984), a 900 m de acordo com Wanderley Filho et al. (2006), intrudidos nas rochas sedimentares Paleozóicas da bacia do Amazonas. Segundo Wanderley Filho et al. (2006), o magmatismo 214 na bacia do Amazonas é aparentemente controlado por grandes altos estruturais, formados antes das intrusões de rochas básicas. 4. Materiais e métodos A fase metodológica consistiu no levantamento de dados bibliográficos acerca da geologia e petrologia da região, os dados cartográficos e de sensoriamento remoto, após processamento digital, auxiliou na produção de mapas de localização e acesso, relevo e mapa geológico, em plataforma Sistema de Informação Geográfica-SIG ArcGIS 10.1. O trabalho de campo, realizado de 14 a 17 de outubro de 2013, com bússola foram obtidos dados que propiciaram a confecção do diagrama Roseta de direção no programa Sigmaplot, que representa as direções e frequências das medidas de fraturas. As lâminas petrográficas foram confeccionadas pelo Laboratório de Laminação (LAMIN-BE) da CPRM/Serviço Geológico do Brasil-Superintendência Regional de Belém. A caracterização mineral e textural da rocha se deu a partir da descrição das lâminas petrográficas no Laboratório de Microscopia Petrográfica, da Universidade Federal do Oeste do ParáUFOPA, em microscópio petrográfico binocular de luz transmitida, Leica, modelo DM 750 P. As fotomicrografias foram capturadas com câmera Leica, modelo EC3, acoplada ao microscópio, a partir do software de captura de imagens Leica Aplication EZ. 5. Localização e acesso O município de Rurópolis pertence à mesorregião Sudoeste Paraense e à microrregião Itaituba, com aproximadamente 7 000 km2 de extensão e população estimada em 44 000 habitantes (IBGE, 2013). Partindo de Santarém pela rodovia BR-163 (Santarém-Cuiabá) sentido Rurópolis, a área de estudo está situada no km-196 da estrada, distante cerca de aproximadamente 25 km da entrada da cidade. A área é conhecida localmente como Serra do Inajá, sob coordenadas S 03º56’ W 54º51’. 6. Resultados e discussões A área de estudo está inserida no contexto da Plataforma Sul Americana, especificamente na borda sul da bacia do Amazonas, na Folha SA. 21 Santarém. De acordo com Vasquez et al. (2008), a localidade apresenta as seguintes unidades geológicas: Formação Alter do Chão-K2E1ac, Diabásio Penatecaua-J_delta_pe, Formação Nova OlindaC2no, Formação Itaituba-C2i, Formação Monte AlegreC2ma, Grupo Curuá-D3C1c, Formação Ererê-D2e, Formação Maecuru-D2ml, Grupo Iriri-PP3_alfa_i, Granitos Tipo I indiferenciados-PP3_gamma_1i, e Granitos Tipo A indiferenciados-PP3_gamma_2i, observado no mapa (Fig. 1). Nesta região o diabásio Penatecaua abrange uma extensão de mais de 30 km2, tendo sua feição exposta em um corte de estrada perpendicular ao corpo magmático. E. F. Silva et al. / Comunicações Geológicas (2014) 101, Especial I, 213-216 Nesta área o diabásio encontra-se bem preservado, com pouca ação intempérica. Observa-se ainda, em distintos pontos do corpo magmático sulfetos disseminados em forma de pirita. Com uso da bússola obteve-se os ângulos dos planos preferenciais de fraturas do corpo magmático, que possibilitaram a construção do diagrama Roseta de direção (Fig. 2). A interpretação do diagrama Roseta de direção, indica as direções preferenciais de fraturamento do corpo magmático ENE-WSW. Coincidentemente as direções concordam as estruturas do complexo, paralelamente as rochas encaixantes. A interpretação assemelha-se com o descrito por Vasquez & Rosa-Costa (2008). Há duas prováveis hipóteses para tentar explicar tais direções. A primeira teria relação com os pulsos tectônicos ocorridos no período Cretáceo durante o processo geotectônico de abertura do oceano Atlântico, Thomaz Filho et al. (1974). A segunda seria o fato do magmatismo ter-se orientado a medida que se resfriava, segundo uma das direções (E-W) preferenciais de estruturas da bacia Costa (2011). Verificou-se macroscopicamente a presença de diabásio com textura subofítica, de granulação variando de fina a média com cristais equigranulares, totalmente cristalizados, melanocrática e coloração variando de cinza esverdeado a quase preto. Também foram observados alguns blocos e matacões soltos ao longo do complexo sob ação do intemperismo, gerando estruturas “casca de cebola”, denominada exfoliação, característico para rochas magmáticas. As observações em campo assemelham-se com o descrito por Macambira et al. (1977), ao descrever que diabásio por ele estudado apresenta cor cinza a verde escuro com textura subofítica. F. Ao microscópio, o diabásio apresenta uma granulação que varia de fina à média, possuindo textura equigranular fina e equigranular média, holocristalinos, e analisando a relação entre os cristais de piroxênio e plagioclásio apresentam textura subofítica e intergranular. Também foi observado grãos de minerais opacos e raramente de quartzo em meio a grãos de piroxênio e plagioclásio. Possui assembleia mineral composta por: clinopiroxênio (augita) apresenta cor marrom pálido e relevo alto, que corresponde de 45% - 55% da composição modal do diabásio, alguns cristais apresentam bordas desgastadas, pelo processo de sericitização. Plagioclásio correspondendo de 45% - 55% da composição modal da rocha, sendo euédrico a subédrico ripiforme, com maclas segundo a lei da Albita e Albita-carlsbad, e de modo subordinado ocorrem cristais de plagioclásio com as bordas corroídas. Os minerais opacos de origem primária são pouco frequentes, no intervalo de 3% - 5%, variam de subédricos a anédricos, possuem granulação fina à média e estão inclusos nos cristais de clinopiroxênio e plagioclásio. Os opacos encontrados na rocha provavelmente são cristais de pirita, pois foram observados pequenos grãos deste mineral dispersos por todo afloramento. O quartzo é pouco frequente, quando ocorre, encontra-se em cristais subédricos a anédricos, onde na composição modal não atinge 3%. Diabásio Penatecaua, soleira de Rurópolis-PA Foi possível distinguir as sequências de cristalização no processo de formação dos minerais que compõe o diabásio. No princípio da sequência observa-se a cristalização dos minerais opacos e minerais acessórios (Apatita-Ca5(PO4)3(F,OH,Cl)) pois de acordo com a série contínua da Lei de Bowen os minerais ricos em cálcio são os primeiros a se cristalizarem. Em seguida, surgem os fenocristais de plagioclásio, por se cristalizarem logo no início do resfriamento apresentam sua própria forma (ripiforme). Logo após, originam-se os piroxênios e os plagioclásios que compõe a matriz, ocupando o mesmo intervalo de cristalização, isto ocorre devido as reações de outros minerais anteriormente formado com o magma residual gerando o piroxênio, série descontínua, enquanto o plagioclásio, da série contínua, durante o resfriamento apenas varia seus teores de cálcio e sódio, sem mudança da estrutura interna, o que explica a ocorrência de cristais de plagioclásio zonados. Por fim, geram-se os grãos de quartzo intersticial, preenchendo os vazios existentes entre os cristais de piroxênio e plagioclásio. Os cristais de minerais opacos, principalmente pirita, permitem inferir a ocorrência de enxofre no processo. A presença de cristais de clinopiroxênio e plagioclásio com as bordas corroídas, sugerem reações de corrosão magmática, provavelmente gerada pela instabilidade das fases minerais com o líquido residual, devido às variações de pressão e temperatura no processo magmático, sericitização. Os grãos intersticiais de quartzo entre os cristais de plagioclásio e piroxênio podem indicar o final do processo de cristalização magmática, ocorrida neste complexo. Fig. 1. Mapa geológico, unidades geológicas da região. Fig. 1. Geological map, units of the region. 215 Observa-se que os resultados das análises petrográficas são semelhantes com as descrições realizadas por Santos & Oliveira (1978), onde o diabásio por ele estudado possui cerca de 40% de plagioclásio (andesina-labradorita) em cristais prismáticos com geminação polissintética e Carlsbad, as vezes alterados à sericita e argilominerais, com presença de pequenos cristais de pirita. O diabásio descrito pelo Projeto Sulfetos Altamira-Itaituba, por Macambira et al. (1977) em afloramento situado em um corte de estrada, de solo predominantemente argiloso, onde observa-se inclusos blocos arredondados de uma rocha melanocrática, microcristalina, textura ofítica, composta essencialmente de plagioclásio e minerais ferro-magnesianos. Na região de Medicilândia-PA o diabásio Penatecaua descrito por Costa (2011), possui estrutura maciça, com granulação que varia de fina a média, holocristalino e textura podendo ser subofítica ou intergranular. É comum a presença de intercrescimento micrográfico e raro intercrescimento mirmequítico. Ainda segundo Costa (2011), a assembleia mineral primária é composta por traços de minerais opacos e apatita, como acessórios, clinopiroxênio (augita) e plagioclásio (andesina ou labradorita), como minerais essenciais, além de traços de quartzo intersticial. Portanto, a partir dos resultados obtidos pode-se realizar uma analogia com as descrições mineralógicas realizadas anteriormente, ratificando que o diabásio Penatecaua da região de Rurópolis é proveniente do mesmo evento magmático que originou as rochas máficas da borda sul da bacia do Amazonas. 216 E. F. Silva et al. / Comunicações Geológicas (2014) 101, Especial I, 213-216 arcabouço geológico, principalmente no que diz respeito ao diabásio Penatecaua da região de Rurópolis. Referências Fig. 2. Roseta de direção, indicando direções preferenciais de planos de fratura. Fig. 2. Direction rosette, indicating the preferential fracture planes. 7. Conclusões Baseado nos dados apresentados e discutidos, pode-se apontar as seguintes conclusões: A interpretação do gráfico Roseta de direção indicou que os planos preferenciais de fraturamento do diabásio encontrase disposto nas direções ENE-WSW, coincidindo com as rochas encaixantes. Deste modo pode-se caracterizar que a forma de intrusão da área estudada trata-se de uma soleira, confirmando com o já descrito anteriormente na literatura. A assembleia mineral do diabásio é constituída por clinopiroxênio (augita), plagioclásio, traços de minerais opacos, quartzo e apatita, característico aos diabásios. Devido à similaridade composicional, mineralógica e estrutural do diabásio em estudo com os descritos anteriormente por Issler et al. (1974), Macambira et al. (1977), Santos & Oliveira (1978), Costa (2011) e Costa et al. (2012), ratifica-se que o mesmo é do magmatismo básico intrusivo da bacia do Amazonas, denominado como diabásio Penatecaua. Espera-se que o conjunto de informações aqui compiladas possa vir a contribuir com estudos posteriores acerca do Almeida, F.F.M., Neves, B.B.B., Carneiro, C.D.R., 2000. The origin and evolution of the South American Platform. Earth-Science Reviews, 50, 77-111. Caputo, M.V., 1984. Stratigraphy, Tectonics, Paleoclimatology and paleogeography of Northern Basins of Brazil. PhD thesis, University of California, USA (unpublished), 586 p. Costa, J., 2011. Evolução petrológica, geoquímica e isotópica do diabásio Penatecaua na região de Medicilândia, PA. Dissertação Mestrado, Universidade Federal do Paraná, Curitiba, (não publicada) 103 p. Costa, J., Vasconcellos, E.M.G., Barros, C.E.M., Cury, L.F., Juk, K.F.V., 2012. Petrologia e geoquímica da soleira de Medicilândia, diabásio Penatecaua, PA. Revista Brasileira de Geociências, 42(4), 754-771. Cunha, P.R.C., Gonzaga, F.G., Coutinho, L.F.C., Feijó, F.J., 1994. Bacia do Amazonas. Boletim de Geociências da Petrobras, 8(1), 7-55. IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 2013. http://www.cidades. ibge.gov.br/xtras/perfil.php?lang=&codmun=150619&search=par a/ ruropolis (consultado em: 14/11/2013). Issler, R.S., Andrade, A.R.F., Montalvão, R.M.G., Guimarães, G., Silva, G.G., Lima, M.I.C., 1974. 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