4 Fevereiro 2008 Março 2008 Episódios mcbastos Ó ... O Folar e a Páscoa A palavra Páscoa tem origem no hebraico Pessach, que significa passagem, transição, e representa a Ressureição de Jesus Cristo, depois da sua morte por crucificação; no entanto, é também uma celebração judaica em memória da libertação do povo judaico do jugo Egipcío, para a terra prometida – Israel. Mas, ainda mais longe no tempo se encontram referências. Os historiadores atribuem esta festa ao costume de festejar o equinócio da primavera, por parte dos povos pagãos, sendo que alguns vêm na deusa Ostera – simbolizada por uma mulher que segura um ovo e observa um coelho que saltita à sua volta -, deusa da fertilidade, alguns costumes apropriados posteriormente pelos cristãos e pelos judeus. “Ostera” terá mesmo dado origem ao termo “Easter” ou “Ostern”, a pala- Manuel (a minha mãe pronun- – É assim como se tirássemos daí essa Eu, no meu insensível sarcasm pe’ceber? Depois falar carregávacostumava dele transformou-se num tentáculo amanhã. Hoje‘tánão irei dormir todos aoateu, mesmo tempo adoptar e de viresta ex ciava sempre todas nascer as sílabas do cama, mos na pêra e lá dentro tocava à mesção do Luciano, por me parecer nome) está ali sem uma senhora flácido de molusco e ameu mão escorreremorsos. o cheiro bom da urze a arder na lareima a campainha a dizer “cama 6”. ‘Tá poética, e explicava às q falar econtigo. gou da tua paraqueo quer colchão do col- Ao menos se a voz quase humana de ra. Porque será que punham urze pessoas no pe’ceber? Ali, na sala, sentada à minha viam caminhar de uma forma qu Eu fui canadianas até àum salavioloncelo e a sechão para o soalho e, de num movimenacordasse o calor das lume? Jamais o saberei agora. Talvez nhora levantou-se e desatou a pedir des- frente, a senhora de olhos muito aber- correita, que tudo se devia ao fa to pendular parou ao tocar o chão, a vozes esquecidas; ou o som da chuva fosse para tornar mais aromática a culpas numa torrente de palavras que tos, brilhantes de alegria. Eu a com- a parte da alma correspondente à mostrar que o tempo tinha acabado. na vidraça, tão próximo da que música, minha saudade parar o polegar lhe faltava com a se futura. encontrar agora dentro da p não me dava hipótese de falar. Ninguém quer –saber o que umas pa- restituísse estahospital casa deserta; poema, aos ou olhos qualquer camaa do do mato Sinto e ela que sem um tornando-a de deus, t E o meu home’ chama-me tola, aquelea alma perceber nada, só dizia: – Obrigado. mana como qualquer criatura redes nuas e frias guardam em si, dos ou faltando tudo o mais, se ao menos coisa parecida, nasceu algures no bêbado diz qu’ isto é maluqueira minha. Obrigado. Obrigado. E a minha mãe de E a minha mãe, mortifi cada de E mostrou a mãopeça a quede faltava polegar. seus moradores, como uma umo eco, que tivesse ficado reverbe- fundo de mim, ao pensar nisto, mas olhos comovidos a segurar o soluço na cristão segurava mais uma – Qu’ eu não incomodá-lo. Mas entre estas paredes dis- ainda não lhe conheço as palavras; vez o roupa que soubéssemos terdevia sidovir usarando por garganta. na garganta. q’ oserá senhor ficado da por um ente disseram-me querido. Mas quetinha sesse o sem meu nome e perguntasse “Já só quando a música regressar ao meu uma perna em África e eu tinha que vir Todos os amputados sabem que não é um Muitos soluços teve a minha m uma vez tocada, cada parede destas viestes?” só para eu terpsicológico. a certeza que corpo ele virá à superfície, palavra distúrbio De facto o nosso segurar na garganta desde aque cá. Não estou nada maluca ‘tão não? não guardará para sempre um átomo regressei a casa… por palavra. Espero saber colhêque me viu Ainda o pó não tinha assentado bem na cérebro é enganado pela alteração anató- te fria de inverno em que seja da mão que ea otocou? pelomica vidro sujo dado da janela las como ou como ou e boin do corpo, que continua a rece-flores, de fardeta verdefrutos, no corpo picada, Lemos Não para oEspreito enfermeiro ber, através do sistema nervoso residual ca de fi tas a esvoaçar ao guardará o ecoCosta: das –palavras parapernas… o pátio onde falta a velha figuei- como simples pedras a enfeitar a bei-vento, Eu sintoditas? as minhas aquilo aque este está programado para lhe dois longos lenços, um verde, fiquei sem pernas, não,morreu Das alegrias e eu dasnão mágoas? Dasasimra. pois Como velha figueira? ra da estrada. transmitir após um traumatismo brutal despedirem-se dela; E nós a segurarmos o soluço na dor imensa por não me Como tudo vermelho, precações e dasCosta? preces? Será que só Sinto uma deveria aparecer mais como aquele: dor. Tal e qual como a luz dia em que me viu chegar de ca garganta. na memória dos homens perdura por lembrar; como se tivesse perdido harmonioso quando o Sol era o deus Ainda nesse mesmo dia, no Hospital que se acendia no hospital de Mueda a nas e com a perneira das calças algum tempo odoque uma vez acon- a oportunidade de lhe dizer algo de festivo e generoso que dava a luz e mato em Mueda, o cirurgião, num dizer “cama 6. Tirassem ou não tirassem Segurava o soluço, abafava a d teceu, e que tudo o mais é volátil; muito importante e íntimo; como se “cama a vida.6”,Como tudo deveria para ser mais cama, diria sempre e lava a desgraça, que a minh exercício didáctico de psicoterapia, a aquela para nós o pé também continuava ali, inna sua cândida senilidade, como a promessa que fizeste aqui, tivesse remorsos de não ter vertido simples quando só se acreditava no não so explicar-me a mim que o que eu sentia visível, a doer. também, desnecessariamente. erapartir psicológico, o fenómeno se de- lágrima pela sua morte. que se entendia. Mas desde essa inquando me viste para a que defesa uma única O Luciano, no Anexo do Hospital do se falaa dahumanidade guerra colonial, p via aomoribundo? facto de o amputado não parece aceitar que serôdia do império Será Até uma música parou fância Midos tempos, litar em Lisboa, tinha uma explicação vezes se fala da outra guerra; a a mutilação alucinações, que estas paredes guardame isso aindagerar o repentinamente dentro de mim. Tal- evoluiu, transcendeu-se e finalmente induzindo na imaginação a presença do mais transcendente. Sentir a perna am- guerra travada sem tréguas, nas a teu apelo, já que a Virgem de Fátima vez por isso a laranjeira se recuse a ficou órfã ou a sós com um criador membro perdido. Que a dor que eu sen- putada era a prova evidente que tínha- e nos campos, pelas mães portug se esqueceu dele? dar laranjas, ressentida pelaUma minha emcorpo que tiacredita humildemente, masnem c uma alma. parte do impotentes, sem amparo tia era um sonho, era o desejo da pre- mos Havia dias, como hoje, em que o pôr- anatómica ingratidão. que as comíanão entende. nhasabe desaparecido, mas nós sentíamos o de uma pátria que pouco lhes da servação da integridade do Não pé na mesma porque, como não tínhadeixava assim achama sofrer, os à distân do-sol pintava tudo em cores quentes mos apenas por amizade, dado que O sino da capela de Aguim corpo. E o cabo enfermeiro: – Ó furmos morrido, a alma continuava íntemeio mundo dessa parte isso são seguro só as dores e do terraço euriel, olhava-o de fantasmas, eram um‘tápouco azedas “São muito fiéis acabrunhados e penitentes parade si m gra, com pé tudo. des- a adoração do queseu lhesdeus haviasilencioso amputado;e carne pe’ceber? que Deus o haveria de fazer nascer boas para acompanhar o eleitão” no dia seguinte, e depois ia dormir culpava-a o meu avô, que a conhecia invisível e eu olho o Sol belo e aposem remorsos. Mas hoje sei menos desde pequenina… e nós sorriamos calíptico por entre o fumo dos incêndaincréduprova de do que quando era criança; olho o de ternura. dios de verãoAnulação e comovo-me, Breves sol e não acredito que Deus tenha as Também devo ter sido infeliz aqui, lo e órfão, até às lágrimas. (sarabanda da Suite para violoncelo No. 1 coisas sob controlo. Pode muito bem mas não me lembro. de Bach por Maurice Gendron) acontecer que se esqueça de o fazer Só me lembro de estarmos à mesa a Arquivo ADFA A o abrir a porta iria jurar que te ouvi dizer “Já viestes?” como era costume, e quase respondi “não mãe, ainda lá estou”, como sempre respondia com o meu sarcasmo que tanto te desconcertava, mas que nunca conseguia irritar-te; mas depois veio-me à memória a tua mão estendida ao lado do teu corpo, na cama do hospital, e a casa tornouse vazia de um momento para o outro. A porta da rua fechou-se sozinha como é hábito nos filmes de suspense e eu olhei para trás e depois deixeime ficar a juntar as letras, vistas de trás para a frente, à transparência na vidraça, alinhando-as mentalmente: “Aluga-se.” Os sons dos meus passos prolongamse nas paredes, desconfortáveis sem o aconchego dos móveis. A cada porta que abro para uma dependência vazia, o desalento de um livro sem palavras. Agora a tua mão apareceu na minha memória, vazia e inerte no colchão do hospital e eu percebi porque não me perguntaste se eu já tinha vindo. A mesma mão que segurou a mão do meu pai, um ano antes. A mão dele a levantar-se do colchão com gestos sincopados de insecto, tacteando o ar em busca de um último afecto, e a tua a pegar-lhe num derradeiro acto de amor. Um segundo depois o braço A Dor Fantasma A Incerteza do Sol Nascente Agradecimento ao General Mendonça da Luz O Sr. General Mendonça da Luz, cessou funções do cargo vra Páscoa em inglês cristão, (para alguns até ma ceia partilhada por Jesus e pelos de Director da Direcção do e alemão, respectivamais importante que o seus discípulos. Serviço de Pessoal do Exército, mente. Natal) e dela adoptámos Em Portugal o Folar representa a pardirigindo à Direcção Nacional Os ovos, como símboalguns símbolos e tra- tilha, a confraternização, a amizade e um cartão lo da Páscoa, eram ori- informando a sua dições, como: o Pão e o é tradicioinalmente oferecida aos afiintenção e agradecendo todo o ginalmente oferecidos Vinho – que representa o lhados pelos padrinhos, e dos fiéis ao apoio e os colaboração. tingidos. No entanto, corpo e o sangue de Jesus, padre. A ADFA agradece ao Sr. tempos modificaram-nos assim como o sofrimento Tradicionalmente é feito de água, General por «ser uma amigo para ovos banhados a ouro, – o cordeiro – que representa o sal, ovos e farinha de trigo, mas a sua da ADFA», lamentando perder na corte do rei Eduardo I, na Insacrifício, profetizado por São João confecção varia conforme a zona de com a sua saída um colaborador motivo da demissão glaterra do século X, e ainda para uma Baptista: “Eis o Cordeiro de Deus, país; varia dePor doce para salgado e va-da dir «com extrema foi anulada a prova de BTT em outra versão que ficou mundialmenAquele do mundo” riada também na sua forma. Mendonça Luz sensibilidade no tratamento dos que tira o pecadoGeneral anunciada no ELO anterior par te conhecida: problemas os Fabergé. (João, 1:29) ou ainda por São Paulo: No Norte, por exemplo, recheia-se dosOs defiovos cientes». Esta prova era uma parceria en Fabergé foram criados pelo ourives “Porquanto Cristo, nossa Páscoa, foi de carnes (porco, presunto, salpicão a Câmara Municipal do Seixal Protocolo a subscrever com Peter Carl Fabergé como presente de imolado” (1 Co 5:7) – e o Círio – vela ou linguiça), já no Algarve leva mel e Pelo facto pedimos desculpa a o Centro Médico de Aveiras de Malaca Páscoa do Czar Alexandre III para muito grande que se acende pelo Sá- erva-doce, no Centro é um pão doce Durante o mês de Janeiro chegou a sua esposa Maria Fyodorovna, de bado de Aleluia, que representa a luz encimado por um ovo cozido com Saída do 1.º Vice Presi à ADFA um pedido de subscrição de protocolo a Delegação 1885 a 1917. como Cristo, esta velaentre tem gravada o casca. de Lisboa o Centro O Presidente da Mesaeda Dos povos pagãos terão, eentão, fica-Médico Alfa e Omega representado “Deus é Na sua tradição, entre o Divino o Asse de Aveiras de Malaca. recebeu o pedido de renúncia, do a associação da Páscoa aos ovos o princípio e o fim”. Terreno, a Páscoa pode ser consideFoi solicitada uma apreciação ao Gabinete Jurídico, e após a sua apreciaVice Presidente da Direc e ao coelho, hoje imagem comercial Ora o Folar tradicional português re- rada um elodo de1.ºamizade, e é nesse ção a Direcção Nacional decidiu concordar na generalidade com o referido Artur José Caldeira Vilares, se desta festa. presenta o “seder pesach” – refeição sentimento que desejamos a todos protocolo, estando este em fase de preparação. pelo associado António Manue A Páscoa é um festa do calendário ritual judaica – que simboliza a últi- uma Feliz Páscoa!