≥ Dossier RENTABILIZAR RECURSOS E MENUS TAKE AWAY COMO MODELO DE NEGÓCIO O take away assume-se cada vez mais como uma verdadeira tendência de mercado, seja como modelo de negócio autónomo, seja mesmo como solução complementar, numa lógica de rentabilização. Pela rapidez e comodidade, assim como pelos preços mais convidativos que pode proporcionar, sobretudo em ambientes urbanos, o serviço de refeições prontas a levar, vulgarmente conhecidas como take away, mantém-se uma tendência de negócio em desenvolvimento no sector da restauração. De facto, esta é, de um modo geral, a opinião dos profissionais 22 Notícias Recheio | N.º 44 contactados pela Notícias Recheio, que referem a evolução do próprio sector, nomeadamente no que se refere a embalagens e serviços de logística, plataformas de comunicação com os clientes melhoradas através da internet, ou até pela inovação dos projectos que surgem no mercado. Mas o momento actual, de contenção e de rentabilização máxima de N.º 44 | Notícias Recheio 23 ≥ Dossier recursos, também é visto por muitos como particularmente convidativo, designadamente pela restauração convencional, que pode encontrar aqui uma alternativa para estimular o negócio. A verdade é que a tendência O momento actual, de crise económica e contenção de gastos, também é visto por muitos profissionais como particularmente convidativo para o negócio do take away para seguir esta via de negócio está cada vez mais longe de ser apenas um feudo do fast food e da churrascaria. Mas apesar dos muitos desenvolvimentos e inovações, disponibilizar serviços de refeições para fora coloca ainda questões complexas a que é necessário dar resposta. Questionada sobre a inexistência do serviço de take away no restaurante “O Pereira”, em Cascais, a sua proprietária não hesitou em revelar que, apesar do sucesso do restaurante junto dos clientes e das solicitações destes para levar refeições, o espaço “ainda não possui a logística e as condições necessárias para prestar um bom serviço de take away”, nomeadamente um serviço de encomendas, site de divulgação, embalagens adequadas e ainda entregas ao domicílio. Um conjunto de condições que, muitas vezes, fazem a diferença entre prestar um serviço bom e outro menos bom. Já Pedro Guimarães, um dos proprietários do restaurante “Sessenta”, localizado num espaço recuperado no centro de Lisboa, explica que, aqui, o sistema take away funciona em pleno. Possuem pratos do dia e de carta, que variam de acordo com a disponibilidade. Podem ser encomendados à dose, sem antecedência, o que também acontece com os pratos da ementa take away, onde há uma maior oferta e é exigida uma quantidade mínima de encomenda de seis doses e sempre com antecedência. “No primeiro caso, estamos a tratar de garantir a entrega ao domicílio, utilizando os serviços do www.nomenu.com”, adianta, acrescentando: “O “Sessenta” utiliza uma ementa específica para take away. Ou seja, na prática, todos os pratos podem ser encomendados para esse efeito”. PROJECTOS INOVADORES Numa outra vertente encontramos os projectos exclusivamente vocacionados para o take away, que utilizam a internet como plataforma de contacto com o cliente e, no fundo, de gestão de todo o negócio. É o que acontece com casos como o Cozinhatakeaway.com, ou Centralmenu, um projecto online que disponibiliza aos clientes pratos oriundos de um conjunto diversificado de restaurantes – cada um com a sua carta, cabendo ao cliente seleccionar o restaurante e refeição, e proceder à respectiva encomenda. O CentralMenu trata de toda a logística, num site organizado e funcional, o que para muitos restaurantes pode ser uma forma de poderem responder positivamente às solicitações dos clientes. Inovador também é o projecto Life Style Cooking criado pelo Chefe José de Avillez. Numa cozinha base sedeada em Cascais, dá resposta às solicitações dos clientes que procuram sabores mais requintados. Uma espécie de take away gourmet, cujos pratos são “confeccionados com rigor e qualidade”, como nos reforçou um dos elementos da equipa responsável pelo take away, André Dias. As opções são variadas e podem passar Em matéria de higiene e segurança alimentar necessárias é fundamental o maior rigor no acondicionamento dos alimentos por menus de “sabores tradicionais, criações do Chefe e pratos natura”, acrescenta, explicando que “os clientes procuram diferentes opções e não apenas saladas”. No Life Style Cooking há a possibilidade de se escolher pelo menu da semana, ou pela lista disponível. Para estes intervenientes, a opção pela internet e pelo telefone é óbvia: reduz custos logísticos e de recursos humanos e pode proporcionar ao negócio, como à própria organização e gestão, vantagens evidentes no fácil e simples acesso dos clientes aos serviços e menus. Simplifica e propor- substituir ciona uma grande dose de conforto e funcionalidade ao cliente, tal como acontece com o projecto “Sinfonia de Sabores” que tem sabido tirar bom partido da internet, equilibrando tudo com uma sede e cozinha modelo e cinco revendedores espalhados por diferentes locais. Neste projecto, a internet não surge apenas como uma estática montra dos seus menus. O potencial do meio é explorado também para divulgar todo o tipo de informação relacionada com a actividade, informação útil e pertinente para o consumidor: os menus são detalhados, com descrição, preços, quantidades, e com valores nutricionais das refeições e instruções de aquecimento, assim como formas de preparação. O “Sinfonia de Sabores” inclui ainda dados importantes sobre o acondicionamento das refeições, prestando explicações sobre as embalagens utilizadas, uma área fulcral, onde o desenvolvimento tem sido evidente. ≥ Dossier RIGOR NA ESCOLHA DAS EMBALAGENS Em matéria de higiene e segurança alimentar, é fundamental o maior rigor no acondicionamento dos alimentos. Embalagens apropriadas ao tipo de alimentos/refeições de modo a garantir qualidade e sabor às refeições, sem perigos para a saúde pública. Para este efeito, o mais importante é que as embalagens apresentem características inertes, ou seja, que não permitam a transferência das substâncias presentes na composição para os alimentos que transportam. As embalagens de plástico são amplamente utilizadas para acondicionar e transportar alimentos/ /refeições. A sua utilização impõe regras restritas quanto ao tipo de matéria utilizada na manufactura dos plásticos, assim como no seu uso, nomeadamente no que diz respeito às temperaturas a que podem ser sujeitos, tipo e aquecimento, assim como o tempo de contacto com os alimentos. Os requisitos em causa baseiam-se em avaliações de riscos dos materiais, presentemente realizadas pela Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA), que consideram a quantidade prevista da substância que migra para os alimentos e também a sua toxicidade. De acordo com a entidade reguladora nacional, a Autoridade para a Segurança Alimentar e Económica (ASAE), os plásticos usados nas embalagens são muito diversificados na sua estrutura química, apresentando propriedades variáveis, que os diferencia na utilidade. Informações difundidas pela entidade reguladora adiantam que, em termos gerais, “o plástico é composto por hidrocarbonetos derivados do petróleo, ou do gás natural, os polímeros ou resinas, que são em si materiais bastante inertes devido ao tamanho e estrutura, sendo insolúveis nos alimentos e, portanto, não constituem um perigo para o consumidor”. Há, no entanto, um grupo de aditivos presente em diferentes graus no processo de produção dos plásticos que podem provocar alterações importantes. É o caso dos plasticizantes (compostos usados para aumentar a flexibilidade de alguns materiais plásticos para embala- André Dias, gerente do Life Style Cooking Legislação a consultar Para uma informação mais detalhada sobre a utilização de embalagens para alimentos, consultar a Directiva Europeia EC 2002/72, que define os materiais plásticos autorizados e estabelece limites globais de migração das substâncias componentes dos materiais para os alimentos. A este propósito, consultar ainda o Regulamento CE n.º 1935/2004 do Parlamento Europeu, que estabelece os princípios gerais a que devem obedecer os materiais e objectos destinados a entrar em contacto com os alimentos, nomeadamente no que respeita às suas características, restrições e condições de utilização, 26 Notícias Recheio | N.º 44 substâncias utilizadas no seu fabrico, bem como as normas relativas à rotulagem e rastreabilidade daquele. O Decreto-Lei n.º 175-2007 estabelece os organismos com competência para fiscalizar o cumprimento das normas previstas e o Regulamento CE n.º 1895/ 2005 da Comissão diz respeito à restrição de utilização de determinados derivados em materiais e objectos destinados a entrar em contacto com alimentos. Para informações adicionais consultar ainda os sites das Autoridades para a Segurança Alimentar, o nacional, da ASAE, e o europeu, da EFSA. Sugestões SOS Para ter um negócio de take away é fundamental: Gk[eikfehj[on-line O Restaurante Sessenta tem ementa específica para take away gens), que podem estar presentes nos as indicações de utilização das plásticos em quantidades exageradas embalagens (se pode ou não ser e apresentam um perigoso potencial sujeito a altas temperaturas, no forno de poderem migrar para os alimentos, ou micro-ondas, se pode ser reutilinomeadamente quando submetidos a zado, etc). Nesta matéria é importante altas temperaturas, ou pela presença saber que as entidades reguladoras de alimentos, nos quais essas subsdesaconselham a utilização de filme tâncias se podem plástico para dissolver (por cobrir ou envolver exemplo óleos, directamente os No projecto Life Style ácidos, álcoois). alimentos durante Cooking, criado pelo Chef É sabido o processamento José de Avillez, uma cozinha no micro-ondas, que a migração base sedeada em Cascais aumenta com considerando-o um temperaturas dá resposta às solicitações processo perigoso elevadas, favorepara a saúde dos dos clientes que procuram cendo a possível consumidores. sabores mais requintados contaminação Como infordos alimentos e mação adicional, modificando as suas características importa saber que, entre os mateorganolépticas. Estudos da ASAE riais plásticos mais utilizados para demonstram que a difusão destes aquecimento no micro-ondas, estão o migrantes aumenta com a temperaPolipropileno, o Policarbonato, ou os tura e tempo de aquecimento, sendo Polietilenos de alta densidade, usados formadas, adicionalmente, subspela sua resistência ao calor (já para tâncias resultantes da degradação o forno são muito utilizadas as embado plástico. São questões a ter em lagens de CPET- Crystalline Polyetyatenção, seguindo criteriosamente lene Terephthalate). ≤ funcione bem e seja actualizado com frequência. Responder às solicitações dos clientes via e-mail é importante, pois transmite a ideia de que o serviço funciona. Infelizmente isto nem sempre se verifica nos sites dos restaurantes. Imagine-se um restaurante onde não aparecem funcionários e o menu não é actualizado há semanas. Não há negócio que resista. H[ifedZ[hYechWf_Z[p aos pedidos, usando do maior rigor. O que caracteriza o take away é essencialmente a rapidez e a comodidade. Se o serviço é lento ou se não responde ao que é exigido pelos clientes, revela-se problemático. Uma das dificuldades passa por responder com rapidez e simultaneamente com rigor. EXi[hlWhjeZWiWih[]hWi de higiene e segurança quanto às embalagens utilizadas no acondicionamento e transporte dos alimentos. São cada vez mais apreciados os rótulos nas embalagens, que podem ajudar a perceber a que tipo de utilização devem estar sujeitas, ou seja: como aquecer os alimentos; a que temperatura e durante quanto tempo; e como conservar os alimentos, entre outras. N.º 44 | Notícias Recheio 27