O CURSO DE BACHARELADO EM EXPRESSÃO GRÁFICA NA
UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ: PRÁTICAS E POSIÇÕES
Adriana Vaz
Universidade Federal do Paraná
Francine Aidie Rossi
Universidade Federal do Paraná
Rossano Silva
Universidade Federal do Paraná
RESUMO: O artigo trata da criação do Curso de Bacharelado em Expressão Gráfica
vinculado ao Departamento de Expressão Gráfica (DEGRAF) da Universidade Federal do
Paraná (UFPR) e problematiza qual a relação entre a estrutura curricular do curso e o perfil
profissional do corpo docente, tendo como recorte metodológico o período de 2009 até 2014.
O objetivo é mapear a trajetória do DEGRAF, por meio de uma análise sociológica tendo
como principal referencial teórico Pierre Bourdieu (2007), considerando a atuação dos seus
agentes no âmbito do ensino e da pesquisa; e por fim, quem são seus pares em função da
abertura do curso. Dentre os autores que tratam da área de expressão gráfica e da arquitetura
utiliza-se Moraes (2001), Celani e Pupo (2008) e Góes (2012) com intuito de elucidar as
aplicações e a interdisciplinaridade que fundamenta o desenho e com ele, o crescimento das
tecnologias de prototipagem rápida e fabricação digital no desenvolvimento de projetos.
Metodologicamente, divide-se a discussão em duas fases: a de germinação e
implantação do Curso (2009-11) e a atual (2012-14). Considerando as posições e os cargos
envolvidos no campo, tem-se: os professores do DEGRAF que exercem cargos
administrativos (chefia do Departamento e coordenação do Curso) e os demais professores.
Os cargos administrativos interferem na carga horária do professor, enquanto que a formação
acadêmica interfere na distribuição das disciplinas, logo são os parâmetros adotados nesta
pesquisa para balizar a ação dos agentes e suas posições. Problematiza-se de que modo
acontece à divisão de trabalho no Departamento com base na grade curricular do Curso, tendo
como critério as novas disciplinas criadas. No que se refere ao ensino, serão analisadas as
disciplinas a partir de 2012, dividindo-as em básicas e específicas, incluindo o curso de
Expressão Gráfica e os demais cursos de graduação vinculados ao DEGRAF. Em paralelo as
atividades de ensino serão avaliadas a produtividade do professor em pesquisa desde 2009,
tendo como parâmetro o seu vínculo ou não em programas de pós-graduação, supostamente
os professores com maior produtividade são os que estão vinculados em programas de pósgraduação. Também, parte-se da hipótese que a graduação em Expressão Gráfica acarreta
uma nova estrutura ao Departamento, considerando o perfil dos professores recémcontratados. Adota-se como fonte o currículo lattes dos professores e a documentação
encaminhada ao Ministério da Educação e Cultura (MEC) para avaliação de reconhecimento
do curso.
Conclui-se que o Departamento de Expressão Gráfica (DEGRAF) é peculiar em sua
conformação histórica, uma vez que se desmembra do Departamento de Matemática. Essa
configuração permite entender o motivo pelo qual a maior parte dos professores vinculados ao
DEGRAF tem formação em Matemática ou trabalham com pesquisas na área da matemática –
do total de 18 professores, tem-se: 7 Matemáticos, 4 Licenciados em Artes (sendo que 1 se
dedica também ao campo da matemática), 3 Engenheiros Cartógrafos (sendo que 1 se dedica
também ao campo da matemática), 2 Engenheiros Mecânicos, 1 Arquiteta e 1 Designer. Na
fase inicial (2009-2011) o Departamento atendia somente os conteúdos básicos de desenho. A
partir da implantação do curso houve a demanda de novos conteúdos que totalizam 102
horas/aulas semanais (75%), sendo que os conteúdos básicos 34 horas/aula semanais (25%),
considerando as disciplinas do 1º ao 6º período do curso.
Logo, o funcionamento do Curso aponta que a conformação inicial do DEGRAF está
em processo de transformação, visto que, as novas disciplinas demandam formação
específica, tais como: Arquitetura, Design e Engenharia Mecânica. Constata-se também, que a
reciprocidade entre a formação acadêmica do professor e o tipo de disciplina básica que ele
ministra é um critério aleatório, pois depende da conformação de cada grupo e do capital
social instituído entre os pares, e ainda, os professores com maior produtividade em pesquisa
estão vinculados em programas de pós-graduação. Apesar de a nova estrutura demandar
alterações nas práticas dos agentes envolvidos, a realidade mostra que a entrada de novos
agentes sociais possibilita a conservação das antigas ações, cujas atividades são regidas por
seus habitus e conservadas tanto pelo poder social instituído quanto pelas parcerias já
consolidadas.
PALAVRAS-CHAVE: sociologia; expressão gráfica; técnicas de representação gráfica.
1 Introdução
Ao longo de sua trajetória institucional na Universidade Federal do Paraná, o
Departamento de Expressão Gráfica (DEGRAF) antes de constituir-se como uma unidade
própria teve diferentes denominações: em 1971, foi criado o Departamento de Desenho e
Geometria Descritiva; depois, com a criação do Setor de Exatas em 1973, o desenho ficou
como uma subárea da matemática, ou seja, o Departamento de Matemática foi dividido em: a)
Matemática e b) Matemática e Desenho; a partir de 1974, foi instituído o Departamento de
Desenho denominação que perdurou até 2008; e por fim, a designação atual. Independente das
denominações, ao considerar o período de 1974 até 2011, o Departamento não tinha uma
graduação própria.
O principal referencial teórico é Bourdieu, já que a discussão é de cunho sociológico e
apresenta de que modo o conceito de campo, a noção de habitus e o conhecimento
praxiológico se aplicam ao objeto empírico em questão. Ao discutir a abrangência de atuação
do DEGRAF, com base nas disciplinas vigentes ofertadas aos cursos de graduação da UFPR e
o de Expressão Gráfica, permite mapear os tipos de conhecimento que dão suporte a
expressão gráfica direcionada ao ensino superior, e estabelecer os tipos de conteúdos, de
acordo com Moraes (2001), que abrangem essa área nos cursos de engenharia de várias
instituições brasileiras.
Ainda sobre os conteúdos pertinentes ao ensino da expressão gráfica, entende-se que a
inserção de tecnologias de prototipagem rápida e fabricação digital no Brasil são recentes,
tendo como referência os cursos de arquitetura (CELANI; PUPO, 2008). Logo, a inclusão de
tais conteúdos na grade curricular de Expressão Gráfica confirma a interdisciplinaridade do
desenho como campo de conhecimento e sua vasta aplicação, o que corrobora com a
conceituação de expressão gráfica proposta por Góes (2012, p.53):
“a expressão gráfica é um campo de estudo que utiliza elementos de desenho,
imagens, modelos, materiais manipuláveis e recursos computacionais aplicados às
diversas áreas do conhecimento, com a finalidade de apresentar, representar,
exemplificar, aplicar, analisar, formalizar e visualizar conceitos. Dessa forma, a
expressão gráfica pode auxiliar na solução de problemas, na transmissão de ideias,
de concepções e pontos de vista relacionados a tais conceitos.”
2 Referencial teórico
Segundo Ortiz (1994) são três os aspectos centrais que conduzem as premissas
epistemológicas de Bourdieui: o conhecimento praxiológico, a noção de habitus e o conceito
de campo. A problemática teórica de Bourdieu aborda a mediação entre o agente social e a
sociedade, ou seja, a oposição entre o objetivismo que enfoca as relações objetivas que
estruturam as práticas individuais e a fenomenologia que focaliza a experiência primeira do
indivíduo. A preocupação é a articulação dialética entre ator social e a estrutura social, esse
tipo de abordagem é denominada de conhecimento praxiológico. “Para Bourdieu, a
comunicação se dá enquanto ‘interação socialmente estruturada’, isto é, os agentes da ‘fala’
entram em comunicação num campo onde as posições sociais já se encontram objetivamente
estruturadas” (ORTIZ, 1994, p.13).
A sociologia de Bourdieuii trabalha as relações de interação e a questão de poder,
geralmente negligenciada por escolas como o interacionismo simbólico. Mesmo fazendo uso
dessa teoria, uma das objeções, segundo Bourdieu é que, “a ‘fala’ executa a ‘língua’, pois o
emissor e o receptor são considerados como impessoais e intercambiáveis” (ORTIZ, 1994, p.
13).
A teoria da prática proposta por Bourdieuiii recupera a ideia escolástica de habitus que
enfatiza a dimensão de um aprendizado passado. O hábito na escolástica é pensado como um
modus operandi, ou seja, como disposição estável para se operar numa determinada direção
através da repetição, pela qual o hábito se tornava uma segunda dimensão do homem, o que
garantia a realização da ação considerada. Bourdieu
iv
recoloca a noção de habitus como
solução do embate entre objetivismo e fenomenologia (ORTIZ, 1994). Sendo assim,
“o agente social é sempre considerado em função das relações objetivas que regem a
estruturação da sociedade global. A prática pode, assim, ser definida como ‘produto
da relação dialética entre uma situação e um habitus’, isto é, ‘o habitus enquanto
sistema de disposições duráveis é matriz de percepção, de apreciação e de ação, que
se realiza em determinadas condições sociais” (ORTIZ, 1994, p.18-19).
Cada ator social enfrenta uma situação específica, que se encontra objetivamente
estruturada, a adequação entre o habitus e a situação, permite fundar uma teoria que concilia
tanto as necessidades dos agentes quanto as objetividade da sociedade. “Bourdieu denomina
‘campo’ esse espaço onde as posições dos agentes se encontram a priori fixadas. O campo se
define como o lócus onde se trava uma luta concorrencial entre os atores em torno de
interesses específicos que caracterizam a área em questão” (ORTIZ, 1994, p.19). Dessa
maneira, Bourdieu adequa a ação subjetiva e a objetividade da sociedade, “uma vez que todo
o ator age no interior de um campo socialmente predeterminado” (ORTIZ, 1994, p.19).
Consequentemente, o campo para Bourdieu não é o resultado das ações individuais
dos agentes, e sim, “um espaço onde se manifestam relações de poder, o que implica afirmar
que ele se estrutura a partir da distribuição desigual de um quantum social que determina a
posição que um agente específico ocupa em seu seio” (ORTIZ, 1994, p.21). Bourdieu
denomina esse quantum de “capital social”, que em sua estrutura se divide em dois polos: o
dos dominantes e os dos dominados. “A divisão do campo social em dominantes e dominados
implica uma distinção entre ortodoxia e heterodoxia. (...) Ao pólo [sic] dominante
correspondem às práticas de uma ortodoxia que pretende conservar intacto o capital social
acumulado; ao polo [sic] dominado, às práticas heterodoxas que tendem a desacreditar os
detentores reais de um capital legítimo” (ORTIZ, 1994, p. 22).
3 Objetivos
O objetivo do artigo é mapear a trajetória do DEGRAF de 2009 até 2014,
considerando a atuação dos seus agentes no âmbito do ensino e da pesquisa. Visto que, a
estrutura de ensino em nível de graduação vigente hoje no DEGRAF, excetuando a criação do
curso, é decorrente das reformulações realizadas, em sua maioria, a partir de maio de 2001.
4 Metodologia
O artigo está divido em 3 etapas, descritas a seguir.
4.1 Levantamento das disciplinas ofertada pelo departamento
A estrutura do Departamento considerando a oferta de disciplinas para os cursos de
graduação será analisada pelas ementas antigas (37 disciplinas) e vigentes (76 disciplinas),
das vigentes têm-se 48 disciplinas do curso de Expressão Gráfica e 28 disciplinas dos outros
cursos de graduação. As disciplinas ministradas até a abertura do curso envolviam os
conteúdos de dupla projeção ortogonal (GD), desenho técnico (DT), desenho geométrico
(DG), projeções cotadas, geometria dinâmica, desenho assistido por computador (CAD),
perspectiva e geometria no ensino – classificados como básicos. As novas disciplinas do curso
de Expressão Gráfica se subdividem em seis áreas (Específica, Desenho Arquitetônico e de
Mobiliário, Desenho Mecânico e de Produto, Modelagem e Animação, Fotogrametria e
Prototipagem), incluindo também as disciplinas básicas.
4.2 Levantamento do corpo docente
A respeito do corpo docente, considerando os 18 professores efetivos, quanto ao
tempo de serviço se divide em três grupos: os antigos (com contratação no interstício de 1991
até 2000), os intermediários (efetivados entre 2001 e 2009) e os novos (contratados após os
trâmites de abertura do curso em 2010).
Pertencem ao primeiro grupo os professores: Adriana B. dos S. Luz, Cyntia C. Z.
Calixto, Deise M. B. Costa, Rosangela R. do Nascimento e Luzia V. de Souza que foram
contratadas em março de 1992; Simone da S. S. Medina, Zuleica F. de Medeiros e Paulo H.
Siqueira que começaram a lecionar no Departamento em julho de 1996, janeiro de 1998 e
junho de 1998, respectivamente. O segundo grupo é formado pelos professores: Elen A. J.
Lör (maio 2004), Emerson Rolkouski (dezembro 2004), Andrea F. Andrade (junho 2006),
Anderson R. T. Góes (março 2008) e Adriana Vaz (dezembro. 2008). No terceiro grupo estão
os professores: Rossano Silva (junho 2010), Bárbara de C. X. C. Aguiar (fevereiro 2011),
Márcio F. Catapan (dezembro 2011), Francine A. Rossi (março 2012) e Emílio E. Kavamura
(agosto 2014).
4.3 Levantamento da atuação dos docentes na graduação e em pesquisa
Para mapear as atividades de ensino, será considerando o tipo de disciplina (básicas e
específicas) e a carga horária de cada professor por semestre entre 2012 e 2014. Esta parte
será subdivida em dois grupos: as disciplinas específicas que atendem ao curso de Expressão
Gráfica e as disciplinas básicas que são direcionadas aos demais cursos de graduação,
inclusive ao de Expressão Gráfica. No quesito pesquisa, a trajetória de cada professor será
analisada pelas informações contidas no currículo lattes, considerando o intervalo de 2009 até
2014, e os seguintes parâmetros: o vínculo a programas de pós-graduação avaliado pela
orientação e participação em bancas, o grau de titulação versus a quantidade de produção
acadêmica. Atualmente, o DEGRAF não possui nenhum curso de pós-graduação.
Considerando as posições no campo, tem-se: os professores que exercem cargos
administrativos (chefia do DEGRAF, coordenação do curso) e os demais professores, os quais
se dividem em dois grupos: efetivos e temporários. Bourdieu (2007, p.50) define o espaço
social global,
“(…) como um campo de forças, cuja necessidade se impõe aos agentes que nele se
encontram envolvidos, e como um campo de lutas, no interior do qual os agentes se
enfrentam, com meios e fins diferenciados conforme sua posição na estrutura do
campo de forças, contribuindo assim para a conservação ou transformação de sua
estrutura.”
Os cargos administrativos de chefia e coordenação interferem na distribuição da carga
horária do professor, enquanto que a formação acadêmica interfere na distribuição das
disciplinas, o que pressupõem que a formação direciona a prática do professor em sala de
aula. Portanto, problematiza-se de que modo acontece à divisão de trabalho no Departamento
com base na grade curricular do Curso, especialmente as novas disciplinas que o definem.
Atualmente, considerando as ementas vigentes, o DEGRAF tem a possibilidade de
ofertar 50 disciplinas obrigatórias e 11 optativas. Não foram computadas as disciplinas
optativas do curso de Expressão Gráfica, pois as mesmas serão ministradas somente a partir
de 2015.
Para compreender uma trajetória é preciso situar a posição ocupada pelo agente com a
estrutura definida em função do espaço social. Segundo Bourdieu (2007, p.50)
“(...) todas as sociedades se apresentam como espaços sociais, isto é, estruturas de
diferenças que não podemos compreender verdadeiramente a não ser construindo o
princípio gerador que funda essas diferenças na objetividade. Princípio que é o da
estrutura da distribuição das formas de poder ou dos tipos de capital eficientes no
universo social considerado – e que variam, portanto, de acordo com os lugares e os
momentos.”
5 Desenvolvimento
Bourdieu (2007) caracteriza sua “teoria da ação” como relacional e disposicional, isto
é, a relação depende da disposição dos agentes em executar as diversas ações. A combinação
desses atributos se fundamenta nos conceitos já elencados como habitus, campo e capital.
Os agentes no campo ocupam diferentes posições as quais se subdividem em
dominantes e dominados. Somado a posição de cada agente, as relações de poder são
instituídas de forma que determinadas regras sejam naturalizadas como padrão. Esse processo
de “naturalização das regras” é concretizado pelos agentes. Dentre os agentes envolvidos na
análise têm-se três grupos de professores: os antigos (08), os intermediários (05) e os novos
(05). Quanto à estrutura do Departamento, a partir da abertura do curso de Expressão Gráfica,
o ensino do desenho deixa de ser básico e direcionado somente aos semestres iniciais dos
cursos de graduação da UFPR.
A relação entre os professores antigos e os novos é nivelada a favor dos antigos, visto
que parte do grupo intermediário age de forma autônoma e é privilegiado pelos habitus já
enraizados. Segundo Bourdieu (1996, p.181)
“Não é suficiente dizer que a história do campo é a história da luta pelo monopólio
da imposição de categorias de percepção e de apreciação legítimas; é a própria luta
que a faz a história do campo; é pela luta que ele se temporaliza. O envelhecimento
dos autores, das obras ou das escolas é coisa muito diferente do produto de um
deslizamento mecânico para o passado: engendra-se no combate entre aqueles que
marcaram época e que lutam para perdurar e aqueles que não podem marcar época
por sua vez sem expulsar para o passado àqueles que têm interesse em deter o
tempo, em eternizar o estado presente; entre os dominantes que pactuam com a
continuidade, a identidade, a reprodução, e os dominados, os recém-chegados, que
têm interesse na descontinuidade, na ruptura, na diferença, na revolução.”
A ruptura é trazida pelo curso de Expressão Gráfica, que exige a contratação de
profissionais com competências específicas e que destoam da formação e da área de atuação
da maioria dos professores do Departamento. O ponto de partida para discussão a seguir é a
demanda de mão de obra que o curso absorve, logo, parte-se do pressuposto que a
produtividade em pesquisa está correlacionada à prática do professor em sala de aula.
O perfil do curso entende que á área de expressão gráfica vai além da função do
bacharel como “copista” ou “cadista”, o desenho como área de conhecimento é suporte para a
formação de projetistas digitais.
“O bacharel em Expressão Gráfica aprende a normatização do desenho técnico
aplicado a representação gráfica de diferentes tipos de projetos: mecânico, produto,
arquitetura e mobiliário. A representação de projetos somado ao conhecimento na
área de modelagem geométrica e prototipagem rápida possibilita que o discente
trabalhe na produção de protótipos e na fabricação digital”v
A grade curricular foi estruturada dando ênfase às técnicas de representação gráfica e
de prototipagem cuja matriz é o desenho técnico e suas aplicações nas áreas de arquitetura e
mobiliário, produto e de mecânica. Celani e Pupo (2008) mencionam que a inserção da
prototipagem rápida e da fabricação digital no desenvolvimento de projetos, bem como, o
acesso aos alunos de arquitetura da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo
(FEC) da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) foi decorrente de projetos de pósgraduação e que no mercado profissional brasileiro o uso desta tecnologia tanto para
arquitetura quanto para construção civil ainda é incipiente.
Além dessas disciplinas o discente possuirá o conhecimento em áreas específicas que
darão suporte ao desenvolvimento de projetos gráficos digitais, como Elementos
compositivos de projetos, Ergonomia, Estudos sociais e ambientais, Materiais e
revestimentos; e também disciplinas com softwares de modelagem computacional , tecnologia
BIM e cálculo. Portanto, a nova estrutura que o curso representa modificará as posições
ocupadas no campo, que estava subdivida pela atuação do professor em duas vertentes: as
disciplinas que englobavam a teoria e as de técnicas de representação gráfica.
Segundo Moraes (2001, p.11), as disciplinas de teoria da representação gráfica,
“tratam sobre os conceitos dos sistemas de representação, e trabalham a forma sem ter como
objetivo principal as especificações do objeto”. Por outro lado, “o desenho técnico acrescenta
à forma representada no desenho, as convenções que traduzem a função e o material de que é
constituído o objeto. É especificamente direcionado a diversos setores tecnológicos com as
denominações de desenho mecânico, desenho arquitetônico, desenho de estruturas, desenho
de móveis, desenho cartográfico e outros” (MORAES, 2001, p.13).
Ao retomar a discussão sobre trajetória, de acordo com Bourdieu (2007, p.82)
“(...) não podemos compreender uma trajetória (ou seja, o envelhecimento social
que, ainda que inevitavelmente o acompanhe, é independente do envelhecimento
biológico), a menos que tenhamos previamente construído os estados sucessivos do
campo no qual ela se desenrolou; logo, o conjunto de relações objetivas que
vincularam o agente considerado – pelo menos em certo número de estados
pertinentes do campo – ao conjunto dos outros agentes envolvidos no mesmo campo
e que se defrontaram no mesmo espaço de possíveis.”
A divisão entre os tipos de atividades – ensino e pesquisa – é de cunho didático, pois
mapeiam o espaço de possíveis no campo delimitado pelo DEGRAF e a trajetória dos agentes
a partir de 2009. As atividades de ensino abrangem o período de 2012 a 2014, condicionada a
abertura da 1ª turma de Expressão Gráfica, e as atividades de pesquisa engloba o intervalo de
2009 a 2014.
5.1. Atividades de ensino
Analisando a carga horária das disciplinas juntamente com a quantidade de turmas
abertas, os parceiros mais representativos do DEGRAF são os cursos de Engenharia Civil e
Matemática. Os demais cursos relacionados ao Departamento são: Agronomia, Arquitetura,
Artes Visuais, Química e as Engenharias (Cartográfica, Elétrica, Florestal, Química,
Madeireira e de Produção). O Quadro 1 mostra as disciplinas obrigatórias dos cursos de
graduação, seu conteúdo, código e carga horária semanal (c.h.s.).
Graduação
Disciplina (conteúdo)
Geometria dinâmica
Desenho geométrico I
Matemática
Geometria no ensino
TCC I - Matemática
TCC II - Matemática
Expressão Gráfica I (DG e cotadas)
Eng. Civil
Expressão Gráfica II (GD e DT)
Geometria Descritiva
Agronomia
Desenho Técnico
Expressão
Gráfica I (DG e cotadas)
Arquiteturavi
Expressão Gráfica II (GD e CAD)
Eng. Cartográfica Desenho Técnico I (DT e CAD)
Eng. Elétrica
Desenho Técnico A (DT e CAD)
Expressão Gráfica I - Geometria Descritiva
Eng. Florestal
Expressão Gráfica II – Desenho Técnico
Geometria Descritiva I
Eng. Produção
Desenho Técnico A (DT e CAD)
Geometria Descritiva I
Eng. Química
Desenho Técnico II
Eng. Industrial
Desenho Técnico A (DT e CAD)
Madeireira
Técnicas de Representação Digital (CAD)
Carga horária semanal
Quadro 1: Disciplinas obrigatórias da Graduação
Código
CD030
CD031
CD036
CD037
CD038
CD027
CD028
CD014
CD015
CEG004
CEG005
CEG001
CD029
CD046
CD047
CD020
CD029
CD020
CD021
CD029
CD042
c.h.s.
4
4
4
6
6
4
4
4
4
4
4
4
4
3
3
4
4
4
3
4
4
79
O Quadro 2 indica as disciplinas optativas ofertadas aos cursos de graduação. A carga
horária total das disciplinas incluindo as obrigatórias (Quadro 1) e as optativas (Quadro 2)
perfazem 117 horas, considerando a abertura de uma turma de cada disciplina. Ressalta-se que
a abertura da disciplina e da quantidade de turmas está condicionada à demanda dos cursos de
graduação.
Graduação
Disciplina (conteúdo)
Desenho Geométrico II
Matemática
Geometria Descritiva I
Geometria Descritiva II
Eng. Civil
Expressão Gráfica III (Perspectiva cônica)
Perspectiva (paralela e cônica)
Arquitetura
Técnicas de Representação Digital A (CAD e BIM)
Desenho Aplicado à Expressão Tridimensional
Artes visuais
Perspectiva e sombra
Técnicas de Representação Gráfica I (DT)
Química
Expressão Gráfica IV (GD e DG)
Estrutura e Técnicas de Apresentação de Projeto (DT)
Carga horária semanal
Quadro 2: Disciplinas optativas da Graduação
Código
CD032
CD033
CD034
CD035
CEG006
CEG007
CEG002
CEG003
CD044
CD043
CD024
c.h.s.
4
4
4
4
3
3
3
3
4
4
2
38
Ao detalhar as disciplinas obrigatórias, a maioria envolvem cinco conteúdos – desenho
geométrico, projeções cotadas, dupla projeção ortogonal, desenho técnico e CAD – e foram
criadas a partir de maio 2001, com exceção das disciplinas de Agronomia. O Quadro 3 e o
Quadro 4 indicam as disciplinas básicas e específicas do curso de Expressão Gráfica (CEG),
as quais abarcam a grade curricular até o 6º período e são de cunho obrigatório.
Disciplina (conteúdo)
Código
Geometria Dinâmica I
CEG202
Desenho Geométrico I
CEG204
Desenho Geométrico II
CEG205
Projeções Cotadas
CEG206
Geometria Descritiva
CEG207
Desenho Técnico
CEG208
Perspectiva
CEG210
Técnicas de Representação Digital 2D (CAD)
CEG211
Carga horária semanal
Quadro 3: Disciplinas básicas do curso de Expressão Gráfica (CEG)
Disciplina (conteúdo)
Elementos Compositivos de Projetos I
Elementos Compositivos de Projetos II
Tópicos em Matemática aplicada à Expressão Gráfica I
Tópicos em Matemática aplicada à Expressão Gráfica II
Tópicos em Matemática aplicada à Expressão Gráfica III
Desenho de Observação
Estudos Sociais e Ambientais
Fundamentos de Ergonomia
Materiais e Revestimentos
Desenho Arquitetônico I
Desenho Arquitetônico II
Desenho Mecânico I
Desenho Mecânico II
Desenho Mecânico III
Desenho Mobiliário
Código
CEG213
CEG214
CEG244
CEG245
CEG246
CEG209
CEG215
CEG216
CEG217
CEG218
CEG219
CEG222
CEG223
CEG224
CEG220
c.h.s.
4
4
4
4
6
4
4
4
34
c.h.s.
4
4
4
4
4
3
3
4
4
4
4
4
4
4
6
Desenho de Produto
CEG221
Prototipagem I
CEG228
Prototipagem II
CEG229
Técnicas de Representação Digital 3D
CEG212
Modelagem 3D e Animação I
CEG225
Modelagem 3D e Animação II
CEG226
Fotogrametria Terrestre
CEG227
Introdução à Expressão Gráfica
CEG201
Tópicos em Expressão Gráfica I
CEG230
Carga horária semanal
Quadro 4: Disciplinas específicas do curso de Expressão Gráfica (CEG)
6
4
4
4
6
6
6
2
4
102
As disciplinas básicas são as mesmas que o Departamento já oferece aos demais
cursos de graduação (Quadro 1 e Quadro 3). E as disciplinas específicas incluem projeto
arquitetônico e de mobiliário, projeto mecânico e de produto, modelagem, prototipagem,
fotogrametria e outros conteúdos específicos (Quadro 4).
Ao confrontar as disciplinas obrigatórias do curso de Expressão Gráfica com as
disciplinas obrigatórias dos demais cursos de graduação, a carga horária semanal,
considerando o cálculo em função da abertura de uma turma de cada disciplina, revelam que
113 horas são destinadas as disciplinas básicas e 102 horas as disciplinas específicas. Pelo
balanço estimado, a demanda anual de trabalho destinado ao ensino de graduação é de 215
horas semanais, que distribuindo pelos 18 professores perfazem a média de 11,94 horas
semanais. A distribuição de carga horária por professor é condicionada a cinco fatores: a
quantidade de turma por semestre (número de alunos), o tipo de vínculo empregatício (efetivo
ou temporário), o regime de trabalho (20 horas, 40 horas ou 40 horas DE), a formação
acadêmica e as funções administrativas.
O Quadro 5 mostram os professores do Departamento e a titulação separada por
grupos: antigos, intermediários e novos. Dos professores citados, considerando a atividade no
ensino de graduação no 1º sem. de 2014, a prof.ª Nascimento estava afastada por licença
saúde, o prof. Silva e prof.ª Aguiar encontravam-se de licença para finalização do doutorado.
A contratação do prof. Kavamura ocorreu no inicio de agosto na vaga do prof. Lopes. O
afastamento por saúde e por aperfeiçoamento acadêmico permite a contratação de professores
temporários, deste modo, de 2012 até 2014, o DEGRAF contou com a colaboração de seis
professores temporários todos com regime de trabalho de 40 horas, cuja carga horária oscilou
de 12 a 16 horas semanais.
Docentes
Luz
Docentes Antigos
Calixto
Graduação
Educação Artística
Licenciatura em
Artes Plásticas
Desenho Industrial e
Licenciatura em
Disciplinas
Especializadas
Costa
Licenciatura em
Matemática
Souza
Licenciatura em
Matemática
Nascimento
Medina
Medeiros
Siqueira
Docentes Intermediários
Lör
Rolkouski
Andrade
Góes
Vaz
Docentes Novos
Silva
Aguiar
Catapan
Rossi
Kavamura
Engenharia
Cartográfica
Engenheira
Cartográfica e
Licenciatura em
Artes Visuais
Licenciatura em
Matemática
Especialização
Didática do Ensino
Superior
Mestrado
Educação Gestão
de Instituições
de Ensino
Doutorado
Agronomia
Educação
Sistemas de
Informação e
Especialização em
Métodos Numéricos em Engenharia
Matemática
Aplicada
Especialização em
Matemática
Métodos Numéricos em Engenharia
Aplicada
Não possui currículo lattes.
Ciências
Engenharia Civil
Geodésicas
Licenciatura em
Matemática
Licenciatura em
Matemática
Engenharia
Cartográfica e
Licenciatura em
Desenho
Licenciatura em
Desenho aplicado ao
Matemática e
ensino da Expressão
Tecnologias em
Gráfica
Educação
Educação Artística História da Arte do
Licenciatura em
século XX
Desenho
Licenciatura em
Ensino de Arte e em
Desenho
OTP
Licenciatura em
Matemática
Engenharia
Mecânica
Arquitetura e
Urbanismo
Engenharia
Mecânica
Mestrado em
Ciências
Geodésicas
Métodos Numéricos em Engenharia
Métodos
Numéricos em
Engenharia
Educação
Matemática
Educação
Educação
Matemática
Ciências
Geodésicas
Métodos Numéricos em Engenharia
Sociologia
Educação
Métodos
Numéricos em
Engenharia
Engenharia
Mecânica
Tecnologia
Tecnologia
Engenharia e
Ciência dos
Materiais
Quadro 5: Corpo docente do DEGRAF e respectivas titulações
Comparando as titulações, em função da primeira graduação, contata-se que o
Departamento é composto por profissionais de diferentes áreas: Licenciatura em Matemática
(7), Artes visuais ou Desenho (3), Engenharias (5), Arquitetura e Urbanismo (1), Desenho
Industrial (1); contudo, para confirmar se a área de atuação condiz com a titulação serão
avaliadas as atividades de pesquisa; parte-se da hipótese que o Departamento mantém um
forte vinculado com a área da matemática, em função da quantidade de professores graduados
nesta área.
Quanto ao regime de trabalho, dos professores efetivos o prof. Góes é 40 horas e prof.
Catapan é 20 horas, os demais são dedicação exclusiva (DE). Quanto aos cargos
administrativos, no interstício de 2012-13, a chefia e vice chefia do Departamento foram
assumidas pelos docentes Souza e Silva, enquanto que a coordenação e vice coordenação do
curso foram assumidas pelas docentes Costa e Vaz. A gestão de 2014-15 tem na chefia do
DEGRAF a prof.ª Medina e o prof. Siqueira e na coordenação as professoras Vaz e Medeiros.
Especificado as ressalvas acima, detalha-se a carga horária semanal (c.h.s.) do
professor de acordo com o período de ingresso no departamento. O Quadro 6 apresenta a
distribuição de disciplinas e carga horária dos docentes com cargos administrativos, a partir
de 2012.
Docentes
Costa
Docentes Antigos
Souza
Medina
Medeiros
Docentes
Intermediário
Vaz
Docentes
Novos
Siqueira
Silva
Ano
c.h.s.
2012
2013
2014
2012
6
6
11,5
6
2013
2014
2012
2013
2014
2012
2013
6
11,5
10
11
4
11
5
2014
12
2012
11
2013
2014
9,25
9
2012
9
2013
9,25
2014
4,5
2012
8,5
2013
11,25
Básicas
Graduação
CD014, CD020,
CD027, CD028,
CD046
CD020, CD417
CEG004, CEG005,
CD046
CD014, CD020,
CD027, CD028,
CD417, CD036
CD018vii ,
CD029, CD035,
CD042, CD045,
CEG001
Básicas CEG
Específicas
CEG
CEG202, CEG207
CEG206
CEG212
CEG206, CEG207
CEG227
CEG208, CEG210
CEG227
CD027, CD031,
CD032, CD033
CEG204, CEG205
CD014, CD027,
CD035, CD028,
CEG002
CEG206, CEG207,
CEG208
CEG201, CEG209,
CEG213, CEG216,
CEG217
CD020, CEG003
CEG210
CEG213, CEG214
CEG216
Quadro 6: Distribuição de disciplina e carga horária para docentes com cargo administrativo
Avaliando as disciplinas de graduação ministradas pela maioria dos professores que
assumiram cargos administrativos são predominantes os conteúdos de teoria da representação
gráfica; apenas a prof.ª Medeiros lecionou conteúdos de técnicas de representação gráfica.
Quando comparado o tipo de disciplina com a titulação em nível de graduação, por um lado, o
tipo de disciplina não está condicionado a sua formação, pois as professoras Medina e
Medeiros são formadas em Engenharia cartográfica e ensinaram conteúdos diferentes; por
outro lado, os professores formados em Matemática assumiram conteúdos peculiares a sua
titulação em nível de graduação.
A média de carga horária se manteve proporcional e a redução de carga horária se
aplica ao cargo de chefia e de coordenação. No 1º semestre de 2013, a prof.ª Medeiros ficou
três meses em licença saúde, o que justifica o número menor de horas comparado com 2012 e
2014. Comparativamente, a carga horária semanal dos professores é semelhante (Quadro 7), o
que difere é o tipo de conteúdo ministrado mensurado pela variedade de disciplinas básicas e
específicas.
A análise da distribuição de disciplinas dos docentes antigos e sem cargo
administrativo mostra que, excluindo o prof. Lopes que se aposentou em 2012 e sua
contratação foi anterior a 1992, os demais assumiram os conteúdos de GD, desenho
geométrico, projeções cotadas e principalmente desenho técnico, o que sinaliza que já existia
uma divisão de tarefa antes da criação do curso de Expressão Gráfica (Quadro 7). A separação
entre os conteúdos de teoria e técnica de representação gráfica é tensionada pela formação, a
prof.ª Luz e a prof.ª Nascimento são formadas em Artes e a prof.ª Calixto em Desenho
Industrial. Quanto à carga horária, em 2012 e 2013, a prof.ª Luz por restrições médicas
assumiu no máximo 10 horas semanais distribuídas em apenas um turno; e no 1º semestre de
2013, a prof.ª Calixto também ficou um mês afastada por licença saúde, o que explica sua
média de carga horária ter sido menor neste período. Os afastamentos por saúde que não
excedem o semestre resultam em aumento de carga horária para os demais professores até que
seja contratado um professor temporário. Verifica-se também que esses docentes não
assumiram disciplinas do curso de bacharelado em Expressão Gráfica, com exceção da profª
Calixto que ministrou a disciplina de Ergonomia.
Docentes
Antigos
Ano
c.h.s.
Lopes
2012
11
Luz
2012
2013
2014
7,5
10
12
Básicas
Graduação
CD027, CD028,
CD046
CD014, CD015,
CD021, CD029,
CD044
Básicas CEG
Específicas
CEG
2012
11
Calixto
2013
2014
8,75
10,5
Nascimento
2012
11
Quadro 7: Distribuição de disciplina
antigos
CD014, CD020,
CD021, CD028,
CEG216
CD029, CD046,
CD047
CD015, CD029,
CD044, CD047
e carga horária para docentes sem cargo administrativo – docentes
Analisando o Quadro 8, com exceção da profª Andrade que esteve afastada para
finalização do doutorado entre 2012 e 2013, todos são graduados em Matemática. Fato que a
princípio os colocam como parceiros entre si, seja pela formação, seja pela proximidade de
ingresso na Universidade. Porém ao analisar o conteúdo das disciplinas, o docente que
assumiu uma maior diversidade foi o prof. Góes, a saber: desenho técnico, CAD, GD,
desenho geométrico, projeções cotadas, geometria dinâmica, geometria no ensino. Entre os
integrantes deste grupo também houve afastamentos por motivo de saúde (1º sem. de 2012, o
prof. Góes) e por licença maternidade (1º sem. de 2013, a prof.ª Lör).
Docentes
Intermediários
Ano
c.h.s.
Básicas Graduação
Básicas CEG
Específicas
CEG
Lör
2012
2013
2014
10
5,5
11
CD014, CD020,
CD046, CD417
CEG202,
CEG207
CEG225, CEG226
2012
10
Rolkouski
2013
2014
11
12
Andrade
2014
11
2012
2013
5,5
13
CD014, CD020,
CD029, CD030,
CD036
CEG244, CEG245,
CEG246
CEG213, CEG228,
CEG214, CEG230
CD021, CD027,
CD028, CD029,
Góes
CD030, CD031,
2014
12
CD036, CD042
Quadro 8: Distribuição de disciplina e carga horária para docentes sem cargo administrativo – docentes
intermediários
Os professores novos (Quadro 9) também assumem uma variedade de disciplina,
principalmente as específicas, o prof. Catapan e o prof. Kavamura são responsáveis pela área
de mecânica e de produto, a prof.ª Rossi pela área de arquitetura e de mobiliário e a prof.ª
Aguiar pelo cálculo (Tópicos em matemática aplicados a Expressão Gráfica I, II). Ao avaliar
o montante total das disciplinas, considerando a variedade de conteúdos e a quantidade de
disciplinas novas, o maior volume de trabalho é direcionado aos professores que não são
formados em Matemática, o que indica que o novo curso modificou o perfil de profissional
dos professores efetivados no DEGRAF. Quanto à carga horária, numericamente os valores
são proporcionais.
Docentes
Novos
Aguiar
Catapan
Rossi
Ano
c.h.s.
2012
2013
2014
2012
2013
2014
10
10
6
8
8
8
2012
2013
2014
8
10,5
5,5
Básicas Graduação
Básicas
CEG
Específicas
CEG
CD020, CD028, CD029,
CEG001
CEG208
CEG244, CEG245
CD029, CD042, CEG001
CEG208
CEG212, CEG221,
CEG222, CEG223,
CEG229
CD014, CD015, CD029,
CD027, CD028, CEG001
CEG211,
CEG208
CEG215, CEG218,
CEG219
CEG212, CEG217,
CEG224
Quadro 9: Distribuição de disciplina e carga horária para docentes sem cargo administrativo – docentes
novos
Kavamura
2014
6
O Quadro 10 apresenta a média de carga horária semanal das disciplinas ofertadas
pelo DEGRAF entre 2012 e 2014, para tanto se dividiu as disciplinas em duas categorias
(básicas e específicas) e os cursos em dois grupos (expressão gráfica e outras graduações). Em
síntese, representa a soma da carga horária de cada professor, indicados nos quadros
anteriores. A média de carga horária por professor apresentada no Quadro 10 foi calculada
considerando que todos os professores têm a mesma quantidade de horas aula, sem fazer
distinção em função dos cargos administrativos ou da contratação de professores temporários.
Com a abertura do curso de Expressão Gráfica o DEGRAF acresceu 94 horas semanais,
comparando as disciplinas básicas do 2º sem. de 2013 com o total de horas semanais
referentes ao 2º sem. de 2014.
Disciplinas – Graduação
Básicas
2012-2
Outros cursos
135
118
Expressão Gráfica
16
24
28
24
28
151
142
161
127
150
10
12
28
34
50
Total Parcial
Específicas
Carga horária semanal
2013-1
2013-2
2014-1
133
103
122
2012-1
Expressão Gráfica
2014-2
107
22
129
68
Total
161
154
189
161
200
197
Média de c.h.s. por professor
8,94
8,55
10,50
8,94
11,11
10,94
Quadro 10: Carga horária semanal das disciplinas básicas e específicas ofertadas pelo DEGRAF entre
2012 e 2014
Considerando o curso de Expressão Gráfica, a diferença de carga horária em cada
semestre se dá em função da quantidade de turmas ofertadas – o mesmo se aplica aos demais
cursos de graduação cujo detalhamento não será discutido.
Por exemplo, no caso das
disciplinas básicas de Expressão Gráfica, no 1° sem. de 2014, para a disciplina CEG206,
foram locadas duas turmas no mesmo horário da disciplina; o mesmo critério foi utilizado
para a disciplina CEG207 no 2º sem. de 2014, enquanto que a disciplina CEG208 terá duas
turmas no 2º sem.de 2014.
Quanto às disciplinas específicas, a cada semestre houve um aumento de carga horária
em função das novas disciplinas, os semestres avaliados referem-se ao ingresso da 1ª turma
que estará cursando o 6º período a partir de agosto de 2014. Avaliando os semestres impares,
das disciplinas específicas todas foram abertas apenas uma turma, com exceção da CEG213.
Aferindo em horas semanais essa disciplina contabilizou 4 horas no 1º sem. de 2012 com dois
professores em sala e uma turma, 8 horas no 1º sem. de 2013 com duas turmas e 6 horas no 1º
sem. de 2014, sendo uma turma para a parte teórica e duas turmas para o conteúdo prático.
Ao ponderar a carga horária versus o número de turmas ofertadas nos semestres pares
para todas as disciplinas foram abertas apenas uma turma, com exceção das disciplinas
CEG212 (ofertada uma turma no 2º sem.de 2013 com dois professores e duas turmas no 2º
sem. de 2014, também com dois professores), a CEG214 (foram abertas duas turmas em cada
semestre) e a CEG227 (aberta uma turma no 2º sem. de 2013 e duas turmas no 2º sem. de
2014).
5.2 Atividades de Pesquisa
Segundo Bourdieu, o poder simbólico está associado ao capital simbólico e as
condições reais de sua efetivação, dada pela realidade em questão, ou seja, “(...) o poder
simbólico deve estar fundado na posse de um capital simbólico. O poder de impor às outras
mentes uma visão, antiga ou nova, das divisões sociais depende da autoridade social adquirida
nas lutas anteriores.” (BOURDIEU, 2004, p.166).
Na carreira acadêmica o título de doutorado representa capital simbólico, pois a posse
dessa titulação é a fase inicial que permitirá que o professor seja reconhecido como um
pesquisador representativo para Universidade. Portanto, a produção acadêmica do professor
será classificada em dois tipos: (1) os professores com vínculo em programas de mestrado e
doutorado; (2) os professores sem vínculo em programas de mestrado e doutorado –
considerando os professores que obtiveram a titulação de doutorado. O ranking entre os
professores será mensurado pela quantidade de orientações de mestrado e doutorado e
participações em bancas de mestrado e doutorado, bem como, a relação com a sua área de
formação.
Produção acadêmica (2009-14)
Docentes Antigos
Docente
Intermediário
Rolkouski
13
14
4
2
6
6
Costa
Souza
Siqueira Medina
Banca mestrado
10
7
2
Qualificação mestrado
1
Banca doutorado
3
1
5
Qualificação Doutorado
1
4
3
Orientação mestrado
3
5
5
2
Orientação mestrado andamento
1
4
Orientação doutorado
1
3
Orientação doutorado em andamento
1
2
Total
19
24
17
4
42
Quadro 11: Orientação e participação em bancas de mestrado e doutorado – docentes antigos e
intermediários
No Quadro 11, dos professores antigos, quatro deles estão ou estiveram vinculados a
programas de mestrado e doutorado, e dos docentes intermediários apenas um professor está
ligado à pós-graduação, considerando as orientações de mestrado e doutorado de 2009 até
2014.
Ao comparar o programa no qual obtiveram sua titulação de doutorado com o
programa aos quais orientam, tem-se que: Souza e Siqueira atuam no programa de pósgraduação em Métodos Numéricos em Engenharia; Costa, embora tenha concluído o
doutorado em Engenharia da Produção, hoje desenvolve suas pesquisas também associada aos
Métodos Numéricos. A obtenção do título de doutorado de cada um deles data de 2006, 2005
e 2003, respectivamente. Em 2011 e 2012, a prof.ª Medina participou do Programa de
Mestrado em Educação em Ciências e em Matemática que difere da área na qual obteve seu
doutorado, em 2002. O prof. Rolkouski atua na mesma área que obteve sua titulação em 2006,
já que o Programa em Educação em Ciências e em Matemática tem origem no Programa em
Educação.
Os demais professores do DEGRAF não possuem vínculos com programas de pósgraduação, contudo, o tempo de obtenção do doutorado não excede três anos, a saber: Vaz
(2011), Góes (2012) e Rossi (2012); com exceção da prof.ª Luz (2004).
A preservação das posições ocupadas é mais fácil de ser efetivada pelos agentes que
detêm maior poder simbólico, que entra em conflito com os novos grupos que ameaçam tal
posição. Para Bourdieu (2004, p.163)
“as relações objetivas de poder tendem a se reproduzir nas relações de poder
simbólico. Na luta simbólica pela produção do senso comum ou, mais exatamente,
pelo monopólio da nominação legítima, os agentes investem o capital simbólico que
adquiriram nas lutas anteriores e que pode ser juridicamente garantido. Assim, os
títulos de nobreza, bem como os títulos escolares, representam autênticos títulos de
propriedade simbólica que dão direito às vantagens de reconhecimento”.
Após esta classificação inicial será avaliado a produção acadêmica por meio da
quantidade de artigos publicados em periódicos, livros e capítulos de livros, artigos e resumos
em anais de congresso, etc.; em hipótese, os professores com mais tempo de titulação e com
vínculo em programas de mestrado e doutorado terão um maior índice de produção. Outra
hipótese, é que o tipo de disciplina que o professor assume no ensino de graduação e o como
ele desenvolve sua prática em sala de aula interfere nas outras esferas de ação, no caso, a
pesquisa e a extensão; as atividades de extensão não serão discutidas neste artigo. Ciente
destes fatores, o reagrupamento a seguir foi definido a partir da produção acadêmica de cada
professor versus a titulação, e não em função do tempo de ingresso na instituição, divididos
em: doutores com orientação de mestrado e doutorado (Quadro 12), doutores sem orientação
de mestrado e doutorado (Quadro 13) e professores com mestrado (Quadro 14).
Produção acadêmica
Siqueira
Souza
Costa
Medina
Rolkouski
Artigos completos publicados em periódicos
6
5
6
1
4
Livros publicados
1
1
Capítulo de livros publicados
1
2
1
3
Trabalhos completos publicados em anais de
24
18
16
13
3
congresso
Resumos publicados em anais congresso
2
2
4
4
Resumo expandido publicado em anais de
2
1
1
congresso
Total
32
26
24
19
16
Quadro 12: Produção acadêmica (2009-14) - doutores com orientação e participação em bancas de
mestrado e doutorado
Produção acadêmica
Luz
Góes
Vaz
Andrade
Lör
Rossi
Artigos completos publicados em periódicos
6
2
2
5
Livros publicados
1
Capítulo de livros publicados
1
3
Trabalhos completos publicados em anais de
17
54
15
5
1
10
congresso
Resumos publicados em anais congresso
7
25
1
1
Resumo expandido publicado em anais de
8
11
congresso
Total
33
97
21
8
1
15
Quadro 13: Produção acadêmica (2009-14) - doutores sem orientação e participação em bancas de
mestrado e doutorado
Produção acadêmica
Silva
Artigos completos publicados em periódicos
2
Livros publicados
Capítulo de livros publicados
1
Trabalhos completos publicados em anais de
18
congresso
Resumos publicados em anais congressos
1
Resumo expandido publicado em anais de
congressos
Total
22
Quadro 14: Produção acadêmica (2009-14) - mestres
Aguiar
1
Catapan
Medeiros
1
Calixto
1
12
4
1
1
1
14
6
1
22
23
2
A atuação do professor na UFPR é fundada em três eixos: o ensino, a pesquisa e a
extensão. Ao relacionar o ensino com a pesquisa, verifica-se que os professores atuam em
áreas de pesquisa diferentes das áreas de ensino, isso pode ser explicado pelo fato do
DEGRAF não possuir um programa de pós-graduação. Sendo assim, as parcerias no âmbito
da pesquisa são efetivadas externamente ao departamento e à área de Expressão Gráfica.
6. Conclusões
Pelo que foi exposto, o Departamento possui dois grupos: o de maior e o de menor
“capital simbólico”. O maior capital simbólico resulta da soma dos seguintes critérios: os
mais antigos na instituição, os com maior tempo de titulação em nível de doutorado, os que
possuem vínculo com programas de pós-graduação e os que possuem maior quantidade de
produção acadêmica. Aplicando esses critérios com os professores antigos, conclui-se que os
agentes de maior capital simbólico (acadêmico) são os que conservam a mesma estrutura de
trabalho no decorrer dos anos e também os que possuem menor volume de trabalho no ensino
de graduação, mensurado pelo tipo de disciplina. A classificação inicial entre disciplinas
básicas e específicas podem ser reclassificadas em: disciplinas básicas de teoria da
representação gráfica, disciplinas básicas de técnicas de representação gráfica, disciplinas
específicas de cunho teórico e de desenvolvimento de projetos. As disciplinas que envolvem
projetos são avaliadas de forma processual.
A maioria das disciplinas do curso de Expressão Gráfica é de projetos, e com isso
modificam o perfil de formação dos professores. A área de expressão gráfica encontra-se em
expansão devido à interdisciplinaridade com outros campos de conhecimento, e o Curso de
Bacharelado em Expressão Gráfica dialoga com as áreas de arquitetura, design e mecânica,
possibilitando o discente a atuar também nas áreas de modelagem e prototipagem. Conclui-se
que a abertura do curso de Expressão Gráfica é essencial para continuidade da área desenho
na UFPR, pois sem a sua implantação a contratação de novos professores não seria
concretizada, já que a média de carga horária semanal por professor, conforme o Quadro 10,
sem o curso no período de 2012 a 2014, seria de 6,65 (120 horas aula / 18 professores)
enquanto que com a implantação do curso, a média da carga horária semanal, para o mesmo
período, passou para 9,83 horas por professor (177 horas aula / 18 professores).
7. Referências
BOURDIEU, Pierre. As regras da arte: gênese e estrutura do campo literário. São Paulo:
Companhia das Letras, 1996.
______. Coisas ditas. São Paulo: Brasiliense, 2004.
______. Razões Práticas: sobre a teoria da ação. Tradução Mariza Corrêa. 8. ed. Campinas,
SP: Papirus, 2007.
CELANI, Gabriela; PUPO, Regiane Trevisan. Prototipagem rápida e fabricação digital para
arquitetura e construção: definições e estado da arte no Brasil. In: Cadernos de pósgraduação em Arquitetura e Urbanismo. 2008 -1, p.31-41.
GÓES, Heliza Colaço. Expressão Gráfica: esboço de conceituação. 2012. Dissertação.
(Mestrado em Educação em Ciências e em Matemática). Setor de Ciências Exatas.
Universidade Federal do Paraná. Curitiba. 2012.
MORAES, Andréa Benício de. A expressão gráfica em cursos de engenharia: estado da
arte e principais tendências. 2001. Dissertação. (Mestrado em Engenharia de Engenharia de
Construção Civil e Urbana). Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. USP: São
Paulo. 2001.
ORTIZ, Renato (org.). Pierre Bourdieu: sociologia. Tradução: Paula Montero e Alicia
Auzmendi. 2. ed. São Paulo: Atica, 1994.
i
Bourdieu, P. Esquisse d’une théorie de la pratique. Genève, Lib. Droz, 1972.
Bourdieu, P. L’économie des échanges lingüistiques. Langue Française, n.34, maio 1977.
iii
O conceito de habitus é, pela primeira vez, desenvolvido por Bourdieu, P. e Passeron, J. C. In: A
reprodução, Rio de Janeiro, Liv. Francisco Alves Ed., 1975.
iv
Bourdieu, P. Esquisse d’une théorie de la pratique. Genève, Lib. Droz, 1972.
v
Dados para avaliação de reconhecimento do curso cadastrado no MEC em abril de 2014, com base
em: MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Instrumento de Avaliação de Cursos de Graduação presencial e a
distância. Brasilia, maio de 2012.
vi
A partir de 2014, com a reforma curricular do curso de arquitetura a disciplina de expressão gráfica
(CD417) que era anual foi desmembrada em duas semestrais (CEG004 e CEG005). E a optativa CD045
modificou o código para GEG006.
vii
A disciplina de perspectiva (CD018) faz parte das ementas antigas e foi ofertada no 1º semestre de
2014 aos discentes de Matemática.
ii
Download

o curso de bacharelado em expressão gráfica na universidade