Diretriz para endoscopia em gestantes e mulheres em lactação (08/2006) Dra. Elisa R. Baba 1. Endoscopia em gestantes A. Introdução A segurança e eficácia da endoscopia gastrointestinal em pacientes gestantes não é bem estudada. Além do fato dos estudos envolvendo humanos tenderem a ser pequenos e retrospectivos, a maioria das drogas não é testada em mulheres grávidas, por razões morais e éticas, e principalmente, pelo receio de teratogenicidade, sendo os dados farmacológicos baseados em estudos animais1,2. Embora estes estudos pré-clínicos em animais têm papel fundamental no esclarecimento dos princípios e mecanismos da teratogênese, fornecendo bases para triagem de medicamentos quanto ao seu risco potencial, eles têm valor limitado em humanos. Desta forma, considera-se que, para a maioria dos fármacos, não existem dados científicos sobre o verdadeiro risco associado ao seu uso durante a gravidez. Ou seja, para a maioria dos medicamentos, o potencial teratogênico é desconhecido2. O feto é particularmente sensível à hipóxia e hipotensão maternas, os quais podem causar hipóxia fetal e morte. Hipersedação materna que resulta em hipoventilação e hipotensão, ou decúbito materno dorsal que causa compressão da veia cava, podem levar à diminuição do fluxo sangüíneo uterino e hipóxia fetal. Outros fatores de risco ao feto incluem: prematuridade e teratogênese, já mencionado acima, relacionado tanto aos medicamentos administrados à mãe, quanto à radiação através da fluoroscopia1. Há profundas mudanças fisiológicas durante a gestação causando alterações na farmacocinética de muitas drogas. De uma forma em geral, considera-se que, devido ao esvaziamento gástrico mais lento e à diminuição da motilidade intestinal na gravidez, a absorção de fármacos contidos nos medicamentos ingeridos por via oral pode ser retardada. A expansão do plasma (hemodiluição gravídica), causando conseqüente aumento do volume sangüíneo e diminuição da concentração das proteínas plasmáticas, pode interferir na distribuição de algumas substâncias medicamentosas, principalmente 1 naquelas que se ligam fortemente às proteínas plasmáticas. O metabolismo e a excreção dos medicamentos também podem sofrer alterações, devido à aceleração das reações metabólicas (em função do elevado nível de progesterona) e ao aumento da filtração glomerular (decorrente, principalmente, do maior volume sangüíneo). Acredita-se que estas alterações possam interferir na resposta dose-dependente e na toxicidade, mas não existem dados suficientes na literatura para determinar, para a maioria dos medicamentos, a dose segura e necessária na gravidez. Além disso, poucas pesquisas estão direcionadas para alterações do metabolismo das drogas durante a gestação e os mecanismos de base para tais mudanças3,4. Os procedimentos invasivos são justificados quando está claro que não irão causar dano ao feto e/ou à mãe. Consentimento informado deverá incluir riscos ao feto e à mãe1. Em situações nas quais a intervenção terapêutica é necessária, a endoscopia oferece uma alternativa relativamente segura para radiologia ou intervenção cirúrgica. As principais indicações para endoscopia em grávidas estão listadas na tabela 11. Tabela 1. Indicações para endoscopia na gravidez 1. hemorragia significante ou contínua (S. de Mallory-Weiss é a causa mais freqüente) 2. náusea intensa ou refratária, vômitos ou dor abdominal 3. disfagia ou odinofagia 4. suspeita forte de massa colônica 5. diarréia intensa com exames negativos 6. pancreatite biliar, coledocolitíase ou colelitíase 7. lesão biliar ou do ducto pancreático Os princípios gerais que devem ser adotados na endoscopia em gestantes estão apresentados na tabela 21. Tabela 2. Princípios gerais de orientação em endoscopia durante a gestação 2 1. sempre ter uma forte indicação, particularmente em gravidez de alto risco; 2. postergar endoscopia para depois do segundo trimestre, se possível; 3. consentimento informado incluindo riscos ao feto e à mãe; 4. usar o mínimo de medicamentos sedativos; 5. se possível, utilizar drogas da categoria A ou B; 6. manter administração contínua de oxigênio, durante e depois do procedimento; 7. diminuir o tempo de procedimento; 8. diminuir a exposição à radioatividade; 9. manter posição de decúbito lateral ou inclinação pélvica à esquerda, para evitar compressão da veia cava inferior ou da aorta; 10. confirmação da presença de batimentos cardíacos fetais antes da sedação, antes e depois do procedimento; 11. auxílio da equipe obstétrica deve estar disponível em caso de complicação relacionada à gestante; 12. endoscopia está contra-indicada em complicações obstétricas, tais como: descolamento prematuro da placenta, parto expulsivo, ruptura das membranas ou eclâmpsia. B. Segurança dos medicamentos mais utilizados em endoscopia durante gravidez Desde 1975, o FDA (Food and Drugs Administration) americano lista 5 categorias de medicamentos em relação à segurança durante o uso na gestação (tabela 3)1,2. É importante enfatizar que estas categorias não implicam, necessariamente, em gradação de risco ou de toxicidade, mas devem ser interpretadas como avaliação de risco-benefício na gestação2. Em endoscopia, não existem medicamentos da categoria A. Para o uso em procedimentos endoscópicos são recomendadas drogas da categoria B ou C. Drogas da categoria D podem ser utilizadas quando os benefícios superam os riscos. Estas categorias têm valor limitado para determinar a segurança em um único uso; entretanto, deve ter orientação do obstetra em relação ao medicamento. Para a maioria dos procedimentos, o nível de sedação deve ser 3 de leve (ansiólise) à moderada. Se sedação profunda for necessária, deve ser realizada por anestesista. Tabela 3. Categorias dos medicamentos utilizadas na gravidez Categoria Descrição A • adequado, estudos controlados em mulheres grávidas não mostraram risco aumentado de anormalidade no feto B • estudos animais não revelaram evidências de dano para o feto; entretanto, não há estudos adequados e controlados em mulheres grávidas; ou, • estudos animais adequados e mostraram efeitos controlados em adversos, mulheres mas estudos grávidas não comprovaram risco ao feto C • estudos animais mostraram efeitos adversos ao feto; entretanto, não há estudos adequados e controlados em mulheres grávidas; ou, • não existem estudos disponíveis (em animais ou mulheres grávidas) D • estudos controlados ou observacionais em mulheres grávidas mostraram risco de malformações fetais; entretanto, os benefícios da terapia podem superar potenciais riscos X • estudos adequados e controlados em animais ou mulheres grávidas mostraram evidências de anormalidades fetais, sendo contra-indicado em mulheres grávidas Obs: São considerados efeitos adversos as reações incomuns decorrentes da utilização de medicamentos, não relacionados à dose, imprevisíveis, potencialmente sérios e que geralmente exigem a interrupção da medicação2. Citam-se os principais medicamentos utilizados em endoscopia: Meperidina (categoria B) Meperidina não parece ser teratogênica como relatada em dois grandes estudos5,6. É preferível que morfina (categoria C), que atravessa a barreira placentária mais rapidamente, e fentanil (categoria C). Dose: 50 a 75 mg ev. 4 Fentanil (categoria C) Este narcótico tem rápido início de ação e tempo de recuperação mais curto que meperidina. Fentanil não é teratogênico, mas causou morte embrionária em ratos. Parece seguro em humanos quando administrada em baixas doses como na endoscopia. Naloxona (categoria B) A rápida ação de antagonista do opiáceo atravessa a placenta dentro de 2 minutos após administração endovenosa. Não parece ser teratogênico. Seu uso é contra-indicado em mães dependentes de opiáceos, porque pode precipitar síndrome de abstinência. Deve ser utilizada em depressão respiratória, hipotensão ou arreatividade, indicando sinais de toxicidade da meperidina. Importante lembrar que pode ocorrer re-sedação pela meperidina residual após metabolização da naloxona. Benzodiazepínicos (categoria D) Uso prolongado de diazepam durante o primeiro trimestre da gestação está associado com fenda palatina e quando usado mais tarde na gravidez, com doenças comportamentais7,8,9, embora esta associação seja contestada por alguns investigadores. Diazepam não deve ser utilizada em mulheres grávidas. Midazolam, embora seja também categoria D, não está associada a anormalidades congênitas; é preferível que benzodiazepínico quando sedação apenas com meperidina é inadequada. Evitar o uso de midazolam no primeiro trimestre, se possível. Flumazenil (categoria C) Pouco se sabe sobre o perfil de segurança deste antagonista dos benzodiazepínicos. Embora não seja teratogênico em ratos e camundongos, causou mudanças comportamentais sutis em proles de ratos submetidos à droga em útero. Propofol (categoria B) 5 Em pacientes grávidas é recomendável que propofol seja administrado por anestesistas com monitoração. A segurança no primeiro trimestre não está bem estudada10. Dimeticona (categoria C) Está categorizada como C por falta de estudo, mas é freqüentemente utilizada pelas gestantes, sendo provavelmente segura. Buscopan (categoria B) Rapidamente atravessa a placenta. Entretanto, pode ser administrado em gestantes sob observação. A droga é compatível com amamentação e não é considerada teratogênica. A toxicidade da escopolamina é descrita em recémnascido que apresentou sinais e sintomas de intoxicação anticolinérgica, tais como taquicardia, febre e letargia11. Anestésicos tópicos Um estudo mostrou ausência de malformações fetais em 293 crianças após exposição durante o primeiro trimestre12. Pode ser prudente pedir ao paciente fazer gargarejo e cuspir a solução, quando o seu uso é considerado necessário. Antibióticos A maioria dos antibióticos pode ser utilizada com segurança durante a gravidez e as indicações para seu uso profilático são semelhantes a não grávidas. Entretanto, alguns antibióticos são contraindicados devido aos efeitos adversos no feto, e outros são seguros apenas no trimestre específico (Tabela 4). Outros detalhes devem ser obtidos pelo fabricante. Tabela 4. Antibióticos seguros na gravidez Seguros Penicilinas Evitar na gravidez Quinolonas Evitar no 1º Evitar no trimestre trimestre metronidazol Sulfonamidas 3º 6 Cefalosporinas Estreptomicinas Eritromicina Tetraciclinas nitrofurantoin (exceto estolato) Clindamicina C. Câncer colorretal e preparo intestinal Até recentemente, mais de 250 casos de câncer colorretal em gestantes já foram relatados na literatura. Em 1955, estimava-se incidência de um caso a cada 50.000 gestações. Entretanto, ela vem aumentando progressivamente às custas de idade mais avançada nas quais as mulheres optam pela gravidez, estimando-se, atualmente, incidência próxima a um caso para cada 10.000 gestações13. O câncer colorretal na gestação é geralmente diagnosticado tardiamente, uma vez que os sinais e sintomas (anemia, dor e distensão abdominal, alteração do hábito intestinal e sangramento retal) são freqüentemente interpretados como sintomas clássicos da gravidez ou manifestação de hemorróidas. Seu diagnóstico pode ser dificultado pela interpretação da anemia causada por perda sangüínea, como anemia dilucional fisiológica da gestação e pela palpação da massa tumoral abdominal dificultada pelo aumento do volume uterino. Outro fator que contribui para o atraso no diagnóstico é o risco que exames diagnósticos tais como enema opaco, tomografia computadorizada de abdome e pelve e, principalmente, colonoscopia, podem trazer ao feto. Aliado a estes fatos, associa-se a baixa incidência desta doença na população jovem, dificultando sua suspeita diagnóstica13,14,15. A colonoscopia na gestação é contra-indicação relativa, devendo ser a paciente inteiramente informada quanto aos possíveis riscos maternos e fetais. A segurança do polietileno glicol (PEG), solução isotônica catártica eletrolítica, não é estudada durante a gravidez. Soluções PEG estão categorizadas como C. Os preparados de fosfatos de sódio e manitol, também da categoria C, podem causar anormalidades eletrolíticas importantes, tais como: desidratação materna, hipotensão, hipoperfusão uterina e injúria fetal, devendo ser utilizados com cautela. Os fleet enemas podem ser suficientes para retossigmoidoscopias. 7 D. Considerações de procedimentos durante a gravidez Para todos os procedimentos endoscópicos, dá-se preferência que a paciente esteja no segundo e terceiro trimestre. É importante que nesta fase tardia da gestação, devido ao aumento do volume uterino, não permanecer em decúbito dorsal durante o procedimento, nem durante sua recuperação. Uma inclinação pélvica, através de coxins sob o quadril direito, pode prevenir compressão da veia cava inferior e aorta. A paciente também pode sentar-se, se assim preferir. Outro dado importante: pacientes grávidas têm mais facilidade de aspirar conteúdo gástrico ou secreções do que as não grávidas. Em adição, monitoração materno-fetal individual deve ser realizada durante o procedimento, além da consulta com o obstetra antes da endoscopia. Endoscopia digestiva alta (EDA) É realizada como em pacientes não grávidas. Estudos controlados sugerem serem seguros e efetivos16,17. Capell et al verificaram que nas 83 EDAs realizadas durante a gravidez, o diagnóstico de hemorragia alta foi de 95%. Neste estudo, EDA não induziu ao trabalho de parto prematuro e não foram relatadas malformações congênitas18. Colonoscopia Há poucos estudos determinando segurança da colonoscopia em grávidas, limitando o relato de efeitos adversos incomuns. Além do decúbito preferencial, se a compressão abdominal externa é necessária, deve ser realizada aplicando-se leve força longe do útero, para evitar ruptura placentária e outras complicações. Dá-se preferência a colonoscopistas experientes para minimizar o tempo do procedimento18. Escleroterapia Não é raro gestante com cirrose e hipertensão portal, mas não há consenso quanto ao tratamento ideal das varizes de esôfago nestas condições. Recentemente, há relatos na literatura sobre segurança do uso da ligadura e do n-butil-2-cianoacrilato (Hystoacril) no controle da hemorragia aguda das varizes. 8 O propranolol, que é seguro na gravidez, pode ser a melhor opção após controle do sangramento ativo19. Colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE) Estima-se que colecistopatia calculosa ocorra em cerca de 12% de todas as gestações20. A CPRE só deve ser realizada quando objetivo é intervenção terapêutica. Pancreatite biliar, coledocolitíase ou colangite são as principais indicações, podendo causar morte fetal se não tratada adequadamente. Vários estudos confirmam a segurança da CPRE durante a gravidez. O feto deve ser protegido da radiação ionizante, utilizando-se aventais de chumbo no quadril e baixo abdômen. radioatividade da Recomenda-se, área também, uterina. A medida exposição da da exposição radiação é da reduzida direcionando o feixe para a área de interesse. Fluoroscopia deve ser realizada somente para confirmar posição da cânula e cálculo do ducto biliar principal. Evitar tirar radiografias por causa da exposição adicional de radiação. A consulta com radiologista ou técnico de segurança de radiação do hospital pode ser útil para minimizar a exposição da radiação do feto. Apenas endoscopistas experientes devem realizar o procedimento21. Eletrocautério e hemostasia O líquido amniótico pode conduzir corrente elétrica para o feto. A placa deve ser colocada na posição em que o útero não esteja na direção do bisturi e da placa. Dá-se preferência pelo eletrocautério bipolar, que deve ser utilizado para minimizar o risco de corrente de “fuga” através do feto. Embora eletrocautério é relativamente seguro para esfincterotomias e hemostasias, a polipectomia deve ser postergada para depois do parto. Adrenalina é considerada categoria C e causa diminuição do fluxo sanguíneo uterino. Sua segurança quando usado como hemostasia endoscópica não tem sido bem estudada. Entretanto, quando dada em combinações de baixas doses para analgesia, ela é segura. Portanto, seu uso para hemostasia deve ser avaliado de acordo com risco e benefício. 2. Endoscopia durante amamentação 9 A. Indicações e contra-indicações A endoscopia diagnóstica e terapêutica em mulheres na amamentação não muda em termos de indicação, preparo prévio, monitorização, exposição à radiação e equipamento endoscópico. Precauções são necessárias na utilização de certos medicamentos, devido à transferência ao lactente através do leite. Nesse aspecto, quando há passagem do fármaco através do leite, a mãe deve ser avisada para retirar o leite e descartar, de acordo com o tempo de ação do agente referido. B. Sedação e analgesia A sensibilidade e risco de sedação nestas mulheres é semelhante a qualquer adulto. Citam-se os principais medicamentos utilizados em endoscopia: Midazolam É secretado no leite materno. Entretanto, em um estudo de 12 mulheres que receberam 15 mg de midazolam oralmente, não se detectou concentração mensurável (<10 nmol/L) em amostras de leite obtidas após 7 horas da ingestão22. Investigações adicionais em 2 mulheres mostraram que midazolam e seu metabólito hidroximidazolam são indetectáveis após 4 horas23. Baseado nestes dados, é prudente recomendar o descarte do leite até pelo menos 4 horas depois da administração do midazolam. Fentanil É secretado no leite materno, mas a concentração é tão baixa para ser farmacologicamente significante e é indetectável após 10 horas da administração, sendo compatível com amamentação24. Meperidina É concentrada no leite e pode ser detectável após 24 horas da administração. Estudos sugerem que meperidina pode ser transferida ao leite causando alterações neuro-comportamentais ao lactente25. Apesar da 10 Academia Americana de Pediatria classificar meperidina como compatível com amamentação, é mais razoável usar fentanil26. Propofol É secretada através do leite materno na concentração máxima de 4 a 5 horas depois da administração. Os efeitos de pequenas doses orais de propofol nos lactentes é desconhecida. Amamentação contínua depois do propofol não é recomendada, sendo o tempo de proibição ainda não determinada exatamente27. Naloxona e flumazenil Desconhece-se a segurança destes fármacos. C. Antibióticos A segurança dos antibióticos mais utilizados é citada na tabela 5. Penicilinas e cefalosporinas São secretadas no leite materno em quantidades mínimas e, portanto, consideradas compatíveis com amamentação. Ofloxacin e ciprofloxacin São secretados para o leite materno, e sua toxicidade não está bem estudada. Quinolonas Como possuem potencial de artropatia em crianças menores e bebês, elas devem ser evitadas. Sulfonamidas São contra-indicadas quando lactente é menor que 2 meses de idade, devido ao risco de kernicterus. Recomenda-se que sulfonamidas sejam evitadas em crianças menores e bebês doentes, prematuros e deficientes de desidrogenase glicose-6-fosfato. 11 Tabela 5. Antibióticos seguros na lactação seguros evitar Penicilinas Sulfonamidas Cefalosporinas Quinolonas Eritromicina Metronidazol (efeito desconhecido em Tetraciclina bebes) Nitrofurantoína (exceto em crianças com deficiência de desidrogenase glicose-6-fosfato). D. Resumo De acordo com os seguintes aspectos: a- ensaios controlados prospectivos; b- estudos observacionais; e c- opinião de especialistas: o A endoscopia durante gravidez deve ser realizada apenas quando há uma forte indicação e deve ser postergada para depois do segundo trimestre se possível (c); o Recomenda-se relacionamento com a equipe obstétrica (c); o A monitorização materna e fetal deve ser individual (c); o Para sedação durante a gravidez, meperidina sozinha é preferível, seguindo-se de pequenas doses de midazolam, quando necessário (c); o Se a sedação profunda for necessária, deve ser administrada por anestesista (c); o EDA e colonoscopia geralmente são seguros na gravidez (c); o CPRE geralmente é seguro, desde que sejam seguidos os cuidados relacionados para minimizar radiação exposta ao feto (b) e riscos à mãe (c); 12 o Eletrocautério bipolar é preferível do que monopolar. A placa do monopolar deve ser colocada para minimizar o fluxo da corrente elétrica através do líquido amniótico (c); o No segundo e terceiro trimestres, a gestante deve ser mantida em decúbito lateral durante e depois do procedimento (c); o Embora muitos antibióticos possam ser seguros durante a gravidez, alguns são contraindicados (quinolonas, estreptomicinas, tetraciclinas), enquanto que outros são seguros apenas em certos estadios de desenvolvimento fetal (b); o Amamentação pode ser continuada depois da administração de fentanil (b), sendo preferível que meperidina (c); o Crianças pequenas e bebês não podem ser amamentados pelo menos até 4 horas após administração de midazolam à mãe (b); o Amamentação contínua depois do propofol não é recomendada, embora o período de proibição seja incerto (c); o As penicilinas, cefalosporinas, tetraciclinas e eritromicinas são compatíveis com amamentação. As quinolonas e sulfonamidas devem ser evitadas (c). Bibliografia 1. 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