UNIVERSIDADE ANHEMBI MORUMBI
JOSEMAR OZIMO DA SILVA
USO EFICIENTE DA ENERGIA ELÉTRICA
SÃO PAULO
2006
JOSEMAR OZIMO DA SILVA
USO EFICIENTE DA ENERGIA ELÉTRICA
Trabalho de Conclusão de Curso
apresentado como exigência parcial para
a obtenção do título de Graduação do
Curso
de
Engenharia
Civil
da
Universidade Anhembi Morumbi
Professor Dr. Sidney Lazaro Martins
SÃO PAULO
2006
JOSEMAR OZIMO DA SILVA
USO EFICIENTE DA ENERGIA ELÉTRICA
Trabalho de Conclusão de Curso
apresentado como exigência parcial para
a obtenção do título de Graduação do
Curso
de
Engenharia
Civil
da
Universidade Anhembi Morumbi
Trabalho____________ em: ____ de_______________de 2006
____________________________________________________
Prof. Dr. Sidney Lazaro Martins
____________________________________________________
Nome do professor da Banca
Comentários: ______________________________________________________
_________________________________________________________________
_________________________________________________________________
_________________________________________________________________
_________________________________________________________________
Dedico este trabalho aos meus pais Diva Martins da
Silva e Teodorico Ozimo da Silva que me criaram e
educaram com muito amor e compreensão sem
nunca medirem esforços para que eu atingisse meus
objetivos pessoais e profissionais de maneira
honesta. Também dedico a minha esposa Erica
Sganzela Reis que durante todos estes anos sempre
esteve ao meu lado, me dando força em todos os
momentos difíceis como também nos bons.
AGRADECIMENTOS
Agradeço ao meu professor e orientador Dr. Sidney Lazaro Martins por toda a sua
contribuição em minha formação profissional durante os anos em que fui seu aluno e
especialmente pela contribuição na elaboração deste trabalho onde me indicou os
caminhos a serem seguidos além de emprestar seus conhecimentos profissionais
para o esclarecimento de dúvidas que surgiram durante o seu desenvolvimento.
RESUMO
No conteúdo a seguir estaremos falando sobre o Uso Eficiente de Energia Elétrica
quanto a sua otimização junto a empresas de saneamento básico demonstrando que
através da implantação de projetos que contemplam a substituição de motores e
bombas antigos por outros novos e com melhor rendimento, instalação de painéis
elétricos com inversores de freqüência, além do desenvolvimento de supervisórios e
programações de automação destinados ao controle automático de Estações
Elevatórias de Água Tratada e mudanças operacionais no sistema de distribuição
destas estações é possível reduzir o consumo de energia elétrica fazendo com que
o investimento realizado seja recuperado em poucos meses dependendo da redução
conseguida com as implementações realizadas, sendo que após este período o
retorno com a economia obtida passa a ser integral gerando desta forma
conseqüentemente além da economia da energia que nos dias atuais é muito
importante em razão do alto custo para sua geração também uma economia
financeira para o consumidor.
Palavras Chave: Eficiência; Energia Elétrica
ABSTRACT
This report concerning on the efficient usage of electric power in treated water
distribution company. The main focus is the substitution of old electrical motors and
pumps for new equipment more efficient, installation of frequency converters,
automation of the operation using supervisory software and central control units
aiming the supervision of water distribution in the treated water distribution units. It
was focus also the modification of operational procedures in order to allow the use of
the equipment aiming the reduction of electrical demand and consuption in order to
have the pay back of the investment in a few months. The economy reached with this
implementation is of major importance, since the price o energy is high and the
electrical power spared is fully returned to the owner.
Key Words: Efficiency; Electric Power
LISTA DE FIGURAS
Figura 5.1 – Convênio SABESP/BANDEIRANTE (SABESP, 2003)..........................26
Figura 5.2 – Fluxograma de Pressão (SABESP, 2003).............................................27
Figura 5.3 – Pressões da Válvula (SABESP, 2003) ..................................................29
Figura 5.4 – Barrilete da Elevatória (SABESP, 2003) ...............................................30
Figura 5.5 – Região Abastecida pela Elevatória (SABESP, 2002) ............................31
Figura 5.6 – Teste Operacional (SABESP, 2002) .....................................................32
Figura 6.1 – Fluxograma de Distribuição (SABESP 2004) ........................................37
Figura 6.2 – Fluxograma de Distribuição Atual (SABESP, 2004) ..............................39
LISTA DE TABELAS
Tabela 5.1 – Informativo SABESP ............................................................................22
Tabela 5.2 – Consumo ..............................................................................................24
Tabela 5.3 – Convênio SABESP/BANDEIRANTE.....................................................25
Tabela 5.4 – Investimento .........................................................................................33
Tabela 5.5 – Economia .............................................................................................34
Tabela 5.6 – RCB......................................................................................................35
Tabela 6.1 – Característica dos Conjuntos ...............................................................38
Tabela 7.1 – RCB Final .............................................................................................44
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
ANEEL
Agência Nacional de Energia Elétrica
CCO
Centro de Controle Operacional
CLP
Controlador Lógico Programável
CFP
Contratado Fora de Ponta
CP
Contratado na Ponta
EEA Santa Ana
Estação Elevatória de Água Santa Ana
EEAT
Estação Elevatória de Água Tratada
FP
Fora de Ponta
KSB
Fabricante de Bombas
mca = mH2O
Metro de Coluna D’Água
P
Consumo na Ponta
RFP
Registrado Fora de Ponta
RP
Registrado na Ponta
RCB
Relação Custo Benefício
SABESP
Saneamento Básico do Estado de São Paulo
TCC
Trabalho de Conclusão de Curso
VPB
Valor Presente dos Benefícios
VPC
Valor Presente dos Custos
WEG
Fabricante de Motores
ZA
Zona Alta
LISTA DE SÍMBOLOS
CV
Cavalo Vapor
kW
Quilowatt (Grandeza Elétrica de Potência)
kWh
Quilowatt Hora
kWh/m³
Quilowatt Hora por Metro Cúbico
m³/h
Metro Cúbico por Hora
mH2O
Metro de Coluna D’Água
R$/m³
Reais por Metro Cúbico
SUMÁRIO
1
INTRODUÇÃO ................................................................................ 14
2
OBJETIVOS .................................................................................... 17
2.1
Objetivo Geral .............................................................................. 17
2.2
Objetivo Específico...................................................................... 17
3
MÉTODO DE TRABALHO.............................................................. 18
4
JUSTIFICATIVA.............................................................................. 19
5
REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ........................................................... 20
5.1
Introdução..................................................................................... 20
5.2
Descrição do Cliente ................................................................... 21
5.3
Aplicação do Diagnóstico .......................................................... 22
5.4
Projeto a ser Implantado ............................................................. 23
5.5
Insumos de Energia Elétrica....................................................... 23
5.6
5.7
5.8
6
5.5.1
Entrada de Energia ..................................................................23
5.5.2
Histórico de Consumo ............................................................23
Medidas de Eficientização Proposta.......................................... 27
5.6.1
Medições Realizadas...............................................................29
5.6.2
Teste Operacional....................................................................31
Investimento e Economia............................................................ 32
5.7.1
Investimento ............................................................................33
5.7.2
Economia .................................................................................34
Cálculo da Relação Custo Benefício.......................................... 35
ESTUDO DE CASO ........................................................................ 36
6.1
Descrição Geral das Instalações................................................ 36
6.1.1
Sistema de Distribuição ..........................................................36
6.1.2
Características da Estação .....................................................37
7
6.1.3
Sistema Operacional ...............................................................38
6.1.4
Descrição Final das Instalações.............................................39
6.1.5
Medidas de Eficientização Realizadas...................................40
6.1.6
Investimento e Economia Final ..............................................41
6.1.7
Resultados Finais ....................................................................41
CONCLUSÕES ............................................................................... 43
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................... 45
14
1
INTRODUÇÃO
O presente trabalho intitulado de Uso Eficiente de Energia Elétrica, tem como tema a
otimização da utilização da energia elétrica junto ao consumidor, dando enfoque
neste caso, a empresas de saneamento básico.
Esta otimização se dá através da implementação de projetos, visando a substituição
de equipamentos antigos por outros com melhor rendimento, desenvolvimento de
supervisórios de automação, mudanças operacionais e recontratação tarifária junto
as concessionárias de energia elétrica visando a redução do consumo de energia
elétrica.
As reformas introduzidas ao longo dos últimos anos no setor elétrico brasileiro
procuraram preservar o apoio político e financeiro a ações de eficiência energética e
em pesquisa e desenvolvimento. Durante o período de 1998 a 2000 a Agência
Nacional de Energia Elétrica – ANEEL manteve resoluções que obrigavam as
concessionárias a investirem o mínimo de 1% de sua receita anual líquida em
programas de eficiência energética e pesquisa e desenvolvimento. A partir de
meados de 2000 uma lei aprovada no Congresso Nacional deu um caráter mais
definitivo a essas atividades através da criação do Fundo Setorial de Energia
gerenciado pelo Ministério de Ciência e Tecnologia e mantendo as obrigações de
investimentos das concessionárias sob supervisão da ANEEL. Interessantemente,
algumas das recomendações sugeridas neste trabalho estão presentes nessa nova
lei, que destina maiores recursos para o desenvolvimento tecnológico do setor
elétrico, como por exemplo, a Resolução 394 do Programa Anual de Combate ao
Desperdício de Energia da ANEEL.
Conforme RESENDE (2004) um mercado torna-se sustentável quando não requer
apoio externo na forma de subsídios financiados por consumidores (os que pagam
tarifas), por contribuintes (os que pagam impostos), ou outros. Embora a existência
de apoio externo possa justificar-se no processo de implantação ou promoção do
mercado de eficiência energética, entende-se que esse apoio externo deva ser
15
gradualmente reduzido na mesma proporção em que sejam ampliados os
mecanismos orientados ao mercado.
As ações e programas atuais de eficiência energética não são sustentáveis porque,
embora equipamentos e tecnologias mais eficientes sejam introduzidos nos
processos de produção e nas edificações e instalações, não há garantia de que sua
reposição, no futuro, seja feita segundo o mesmo padrão de eficiência. Com isso,
esses programas não garantem que se mantenha a oferta de produtos ou serviços
eficientes, nem viabiliza o conjunto das interações requeridas para que exista o
mercado de eficiência energética. Além disso, não afetam as condições em que são
tomadas as decisões de compra e não influenciam as características e o número de
agentes no mercado.
A sustentabilidade significa que os diversos componentes do mercado de eficiência
energética realizam seus objetivos próprios enquanto interagem na produção e no
uso de produtos e serviços de eficiência energética. Para isto, é necessário que a
eficiência energética exista como produto diferenciado, com características próprias,
percebidas e identificadas tanto pelos consumidores, quanto pelos demais agentes
de economia.
Uma vez que os serviços energéticos (por exemplo, iluminação, climatização, força
motriz) podem ser obtidos com produtos ineficientes, existe, de fato, uma
concorrência entre produtos eficientes e produtos convencionais, tidos como mais
ineficientes para a realização dos serviços energéticos.
Segundo LUDMER (2002 e 2003) a sustentabilidade do mercado de eficiência
energética requer que haja uma demanda e uma oferta de produtos e serviços
energéticos eficientes. A autonomia requer que os agentes de mercado promovam
os produtos eficientes como produtos que permitam a realização dos serviços
energéticos em concorrência com os produtos convencionais. Enquanto não houver
ações nesta direção não se pode considerar que haja autonomia em relação aos
apoios externos, o que não permite, de fato, a realização de objetivos próprios,
organizados pelos participantes do mercado.
16
De fato, a sustentabilidade dos mercados de eficiência energética é o resultado de
um processo que envolve os seus diversos participantes (fabricantes, comerciantes,
distribuidoras e consumidores) e permite que suas atividades tenham, como
referência, a produção e o uso de equipamentos e serviços energéticos. Para que se
atinja este resultado, tem papel relevante o processo regulatório e a promoção de
incentivos visando o nivelamento gradual no acesso a produtos eficientes e produtos
convencionais. De fato, a redução no custo dos produtos e serviços de eficiência
energética dependerá da escala e da dimensão de sua demanda, o que pode ser
estimulado por meio de programas institucionais orientados ao mercado de uso
eficiente de energia (por exemplo, os programas de transformação de mercado).
Essa orientação amplia a demanda por produtos e serviços eficientes e viabiliza um
interesse crescente de novos participantes na consolidação do mercado, como
instituições financeiras e investidores de risco. Além disso, estimula-se a inovação
tecnológica ante a perspectiva de demanda e de benefícios advindos da introdução
de novos produtos ou melhorias nos produtos já existentes. Este processo tem por
referência os participantes do mercado de eficiência energética e a articulação entre
eles pode ser determinante para a existência e sustentabilidade do mercado.
Entre os mecanismos que contribuem para a gradual autonomia do mercado de
eficiência energética, viabilizam a interação entre os seus participantes e permitem a
consolidação de um produto diferenciado, cabe mencionar os seguintes:
-
Mecanismos institucionais;
-
Financiamento inovador;
-
Políticas de oferta de produtos e serviços de eficiência energética;
-
Ações de cooperação entre segmentos do mercado de eficiência energética.
17
2
OBJETIVOS
O presente trabalho tem como objeto a avaliação e a discussão sobre a implantação
de ações para a redução do Consumo, Demanda e Custos com energia elétrica,
para bombeamento de água tratada em Estações Elevatórias.
2.1 Objetivo Geral
O objetivo deste trabalho é demonstrar que é possível realizar a redução do
consumo de energia elétrica em instalações atualmente em operação.
2.2 Objetivo Específico
Obter a redução do consumo de energia elétrica em uma Estação Elevatória de
Água Tratada (EEAT), após a análise do seu sistema operacional, características,
levantamento de curva das bombas, entrada de energia, histórico do consumo de
energia elétrica, medições de grandezas elétricas e testes operacionais. Realizando
após estas análises, as implementações necessárias para a obtenção das
economias previstas.
18
3
MÉTODO DE TRABALHO
Para a realização deste trabalho serão utilizadas informações contidas em livros
especializados, pesquisas bibliográficas, pesquisas de internet, manuais técnicos,
estudos de casos executados, informações de equipes técnicas, documentos
fornecidos pelos clientes e testes efetuados, juntamente com os resultados obtidos
após às implementações.
19
4
JUSTIFICATIVA
A importância deste trabalho vem da necessidade de se utilizar a energia com
responsabilidade, sem desperdício, constituindo um novo parâmetro a ser
considerado no exercício da Cidadania. Os instrumentos de combate ao desperdício
de energia estão alicerçados na mudança de hábitos e na eficiência energética. Para
essa mudança ocorrer, primeiramente temos que mudar nossos hábitos e nossas
atitudes, para que o comportamento, que é associado aos grupos sociais, se
consolide.
A eficiência energética, como instrumento de combate ao desperdício de energia,
cada vez mais se aproxima das necessidades do cidadão técnico brasileiro. Sendo
assim é preciso que a tecnologia adequada a esse ferramental seja conhecida pelos
técnicos que estarão direta ou indiretamente ligados a este setor.
Segundo a ótica apresentada neste trabalho, a eficiência energética tem como
definição a elaboração e a implementação de projetos e equipamentos, tanto na
parte operacional como na parte física das instalações existentes, com o objetivo de
reduzir o consumo de energia elétrica através de ajustes e mudanças nos processos
operacionais como na instalação de equipamentos e dispositivos que propiciem a
diminuição e controle do consumo de energia elétrica, como por exemplo a
instalação de conjuntos moto-bombas mais eficientes, motores de alto rendimento,
inversores de freqüência, supervisórios de automação, transmissores de pressão,
níveis ultrassônicos e outros.
20
5
REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
Este trabalho é fundamentado no contrato estabelecido entre a BANDEIRANTE
ENERGIA e a SABESP – Saneamento Básico do Estado de São Paulo, que visa,
através da implementação de projetos de eficiência energética, a redução de energia
elétrica.
5.1 Introdução
O contrato firmado entre a BANDEIRANTE ENERGIA – Concessionária de Energia
Elétrica - e a SABESP, com base no Programa Anual de Combate ao Desperdício
de Energia da ANEEL, resolução 394 de 17/09/2001, define a prestação de serviços
técnicos para a Implementação de Projetos de Eficiência Energética em instalações
da SABESP.
A seleção das Instalações passíveis de estudo foi feita através de avaliações
energéticas criteriosas de diversas estações elevatórias elencadas pela SABESP. A
implementação
dos
energéticos,
detalhamento
o
projetos
compreende
dos
projetos,
a
elaboração
o
dos
fornecimento
de
diagnósticos
todos
os
equipamentos, materiais e mão-de-obra para implementação das intervenções.
De acordo com TSUTIYA (2001) a primeira etapa dos trabalhos consistiu na
elaboração de um Relatório de Diagnóstico Energético Preliminar. Assim, foi
elaborado para cada uma das 24 (vinte e quatro) instalações selecionadas, com
identificação dos principais pontos de consumo de energia elétrica, avaliando os
potenciais para redução de Demanda, Consumo e gastos operacionais para cada
uma das Estações Elevatórias.
Após a elaboração dos Diagnósticos Preliminares das 24 (vinte e quatro) Instalações
inclusas no trabalho, a SABESP juntamente com empresa contratada para
21
realização dos projetos, selecionaram 8 (oito) Estações com maiores potenciais de
economia para realização dos Diagnósticos Detalhados, visando a viabilização das
medidas propostas nos Relatórios de Diagnóstico Preliminar.
Este trabalho constitui o Relatório do Diagnóstico Detalhado referente às instalações
da EEAT Santa Ana, apresentando a descrição dos testes, medições, conclusões,
economias e custos para a implantação das medidas analisadas.
5.2 Descrição do Cliente
A SABESP - Saneamento Básico do Estado de São Paulo - é uma empresa de
economia mista, de capital aberto, que tem como principal acionista o Governo do
Estado de São Paulo. A empresa atua como concessionária de serviços sanitários
municipais.
Seu objetivo é atender às necessidades de saneamento ambiental: planejar,
executar e operar sistemas de água potável, esgotos e efluentes industriais,
melhorando a qualidade de vida da população e preservando o meio ambiente de
maneira a não gerar impactos à natureza.
Em se tratando de abastecimento público, com água tratada, os índices
universalizados da SABESP superam os verificados em países do primeiro mundo,
inserindo os municípios atendidos pela SABESP no ranking dos melhores índices
mundiais em saneamento.
A tabela 5.1 apresenta alguns dados referentes à SABESP onde podemos verificar a
abrangência dos serviços prestados por ela, salientando como já dito anteriormente
os índices de abastecimento público com água tratada.
22
Tabela 5.1 – Informativo SABESP
População Total Atendida
24,8 milhões de pessoas
Produção de Água
87,8 mil l/s
5,293 milhões de água
Número de Ligações
3,934 milhões de esgoto
Municípios Atendidos diretamente
366
Laboratórios de controle sanitário
15
49,493 mil km de água
Extensão de Rede
32,877 mil km de esgoto
Poços
1.018
Reservatórios de Água
1.909
Adutoras
4.622 km
Emissários de esgotos
1.319 km
Capacidade de Tratamento de Esgotos
34 mil l/s
190 estações de água
Estações de Tratamento
412 estações de esgoto
Fonte: SABESP, 2002
5.3 Aplicação do Diagnóstico
O presente Diagnóstico Energético Detalhado tem como objeto a avaliação do
potencial de redução de consumo, demanda e custos com energia elétrica para
bombeamento de água na EEAT Santa Ana, visando a eficientização energética,
com base no Plano de Eficiência Energética da ANEEL.
Com base no levantamento efetuado, informações das equipes de manutenção,
documentos fornecidos e testes efetuados, foram estudadas propostas e medidas de
eficientização, ratificando a economia a ser obtida e detalhando o investimento
necessário.
As medidas de economia propostas são avaliadas segundo os parâmetros de RCB
(Relação Custo-Benefício) definidos pela ANEEL.
23
5.4 Projeto a ser Implantado
Será apresentado o desenvolvimento de um projeto para a redução do consumo,
demanda e insumos de energia elétrica de um complexo de saneamento
compreendendo Estação Elevatória de Água Tratada e Reservatórios de água de
um dos sistemas de abastecimento público da Zona Norte da cidade de São Paulo.
5.5 Insumos de Energia Elétrica
Para a avaliação do potencial de redução de energia da estação são levados em
consideração os tipos de tarifação, a demanda contratada e o histórico de consumo.
5.5.1
Entrada de Energia
O fornecimento de energia é realizado pela Concessionária ELETROPAULO em
Tarifa A4 na modalidade Horossazonal Azul (diferenciação tarifária entre ponta e
base).
A Demanda Atual Contratada na Ponta é de 480 kW e Fora de Ponta de 500 kW. O
fator de carga médio na Ponta é de 71% e o Fora de Ponta é de 60%
5.5.2
Histórico de Consumo
A tabela 5.2 apresenta um resumo do consumo, demanda e gastos com energia
elétrica em função das últimas contas fornecidas.
24
Tabela 5.2 – Consumo
Consumo Médio (kWh)
Mensal
Anual
223.095,00
2.677.140,00
Consumo Específico*
(kWh/m3)
0,186
Demanda Média Registrada (kW)
Fora de Ponta
Ponta
513
452
Demanda Específica*
(kW/m3/h)
0,308
Valor Médio (com ICMS)
Custo Médio do MWh
(R$/MWh)
R$37.085,00
R$ 445.020,00
166
* Valores em função da vazão média bombeada pela estação: 1.667 m3/h.
Mensal (R$)
Anual (R$)
Fonte: SABESP, 2003
A tabela 5.3 e a figura 5.1 apresentam os dados das últimas 24 (vinte e quatro)
contas de energia elétrica fornecidas, no período adotado que foi de março de 2001 a
fevereiro de 2003, onde são informados os registros de Consumo na Ponta (P), Fora
de Ponta (FP) e Demanda Registrada na Ponta (RP), Contratada na Ponta (CP),
Registrada Fora de Ponta (RFP) e Contratada Fora de Ponta (CFP).
Tabela 5.3 – Convênio SABESP/BANDEIRANTE
CONVÊNIO SABESP/BANDEIRANTE
Nº ref.
Conc.
meses
mar/01
abr/01
mai/01
jun/01
jul/01
ago/01
set/01
out/01
nov/01
dez/01
jan/02
fev/02
mar/02
abr/02
mai/02
jun/02
jul/02
ago/02
set/02
out/02
nov/02
dez/02
jan/03
fev/03
MÉDIA
Ponta
kWh
22.285
20.374
20.861
21.200
18.135
18.306
18.516
18.703
19.172
20.179
19.963
20.134
24.107
24.491
21.513
23.155
24.238
24.635
22.170
20.211
18.090
20.988
22.983
22.689
21.129
Consumo
FP
kWh
201.586
208.677
187.908
191.947
162.568
166.607
187.285
186.893
186.284
210.000
188.643
204.239
220.276
223.496
225.456
210.630
216.069
212.429
212.450
191.779
193.970
221.837
205.611
230.552
201.966
Total
kWh
223.871
229.051
208.769
213.147
180.703
184.913
205.801
205.596
205.456
230.179
208.606
224.373
244.383
247.987
246.969
233.785
240.307
237.064
234.620
211.990
212.060
242.825
228.594
253.241
223.095
RP
kW
347
443
348
488
423
333
422
418
419
419
482
476
492
486
491
498
490
489
495
497
493
488
427
489
452
Demanda
CP
RFP
kW
kW
480
528
480
529
480
519
480
502
480
502
480
503
480
505
480
446
480
515
480
495
480
506
480
508
480
516
480
519
480
506
480
514
480
514
480
519
480
520
480
528
480
527
480
529
480
532
480
529
480
513
CFP
kW
500
500
500
500
500
500
500
500
500
500
500
500
500
500
500
500
500
500
500
500
500
500
500
500
500
EEA SANTANA
MTE000003472
ELETROPAULO
Tarifa
Consumo
Demanda
Ponta
FP
Ponta
FP
0,0919105 0,04174
15,156
5,049
0,0993225 0,04722
15,156
5,049
0,0993225 0,04722
15,156
5,049
0,10271925 0,04883
15,674
5,222
0,115821
0,05506
17,672
5,891
0,115821
0,05506
17,672
5,891
0,115821
0,05506
17,672
5,891
0,115821
0,05506
17,672
5,891
0,1071765 0,04867
17,672
5,891
0,11051159 0,05018
18,221
6,075
0,1156425 0,05251
19,066
6,358
0,1156425 0,05251
19,066
6,358
0,1156425 0,05251
19,066
6,358
0,124967
0,05942
19,066
6,358
0,124967
0,05942
19,066
6,358
0,12809531 0,06090
19,542
6,514
0,1425
0,0677
21,7345
7,2335
0,1425
0,0677
21,7345
7,2335
0,1425
0,0677
21,7345
7,2335
0,1425
0,0677
21,7345
7,2335
0,1319
0,0599
21,7345
7,2335
0,1319
0,0599
21,7345
7,2335
0,1319
0,0599
21,7345
7,2335
0,1319
0,0599
21,7345
7,2335
0,1319
0,0599
21,7345
7,2335
AT - A4
AZUL
14/5/2003
ICMS
18%
4.504
4.820
4.606
4.878
4.976
5.029
5.287
5.264
4.761
5.407
5.471
5.729
6.261
6.673
6.634
6.675
7.466
7.429
7.371
7.001
6.561
7.018
6.806
7.199
6.692
Multas
Acresc.
Reativo Ultr. Dem. Legais
R$
R$
R$
115
0
0
138
0
0
143
0
0
403
0
0
182
0
0
171
0
0
170
0
553
98
0
0
128
0
0
113
0
0
294
0
0
283
0
0
294
0
0
272
0
0
343
0
0
328
0
0
183
0
0
189
0
0
167
0
0
188
0
0
136
0
0
110
0
0
75
0
0
105
0
0
193
0
23
E.C.E.
R$
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
382
1.210
1.227
1.224
1.212
1.384
1.365
1.350
1.219
1.220
1.394
1.309
1.452
1.272
Conta
R$
25.020
26.779
25.587
27.103
27.647
27.939
29.927
28.151
27.524
30.041
30.392
31.826
34.785
37.072
36.856
37.082
41.477
41.271
40.952
38.894
36.452
38.988
37.810
39.996
37.198
R$/MWh
112
117
123
127
153
151
145
137
134
131
146
142
142
149
149
159
173
174
175
183
172
161
165
158
167
Tarifas sem ICMS
Os valores financeiros médios foram calculados com base nas tarifa vigentes no mês de fevereiro de 2003, nos consumos médios e últimas demandas contratadas
Fonte: SABESP, 2003
25
dez/02
jan/03
fev/03
jan/03
fev/03
abr/01
nov/02
dez/02
jan/03
fev/03
out/02
dez/02
jan/03
fev/03
Valor da Conta R$
nov/02
45.000
40.000
35.000
30.000
25.000
20.000
15.000
10.000
5.000
0
set/02
600
out/02
ago/02
jul/02
jun/02
mai/02
abr/02
mar/02
fev/02
jan/02
dez/01
nov/01
out/01
set/01
ago/01
jul/01
jun/01
Demanda Fora de Ponta
Registrada e Contratada
set/02
ago/02
0
jul/02
50.000
jun/02
100.000
mai/02
150.000
abr/02
200.000
fev/02
250.000
mar/02
Total kWh
jan/02
300.000
dez/01
0
out/01
0
mai/01
Dem. Reg Ponta
nov/01
100
set/01
200
100
ago/01
200
jul/01
300
jun/01
400
300
mar/01
500
400
mai/01
jan/03
fev/03
500
abr/01
Consumo
dez/02
nov/02
out/02
set/02
ago/02
jul/02
jun/02
mai/02
abr/02
mar/02
fev/02
jan/02
dez/01
nov/01
out/01
set/01
ago/01
jul/01
jun/01
mai/01
abr/01
mar/01
Dem. Contr. Ponta
mar/01
nov/02
200
180
160
140
120
100
80
60
40
20
0
dez/02
R$ / MWhora
nov/02
out/02
set/02
ago/02
jul/02
jun/02
mai/02
abr/02
mar/02
fev/02
jan/02
dez/01
nov/01
out/01
set/01
ago/01
jul/01
jun/01
mai/01
abr/01
mar/01
Demanda na Ponta
Registrada e Contratada
out/02
set/02
ago/02
jul/02
jun/02
mai/02
abr/02
mar/02
fev/02
jan/02
dez/01
nov/01
out/01
set/01
ago/01
jul/01
jun/01
mai/01
abr/01
mar/01
600
Dem. Reg. Fora de Ponta
Dem. Contr. Fora de Ponta
Figura 5.1 – Convênio SABESP/BANDEIRANTE (SABESP, 2003)
26
27
A partir da análise das contas, verifica-se:
-
Que não houve registro de ultrapassagem de demanda.
-
A incidência de multas por reativo excedente em todos os meses analisados
(mar/2001 a fev/2003).
5.6 Medidas de Eficientização Proposta
Nesta Estação, a pressão de entrada da elevatória é atualmente comprometida pela
existência de uma válvula graduada e câmara de expansão na rede de sucção. Esta
quebra de pressão é necessária para abastecimento da zona baixa do setor, porém
obriga a elevatória a elevar a pressão no dobro do valor necessário se utilizasse a
pressão disponível da rede de chegada.
Desta forma, atualmente as pressões na elevatória podem ser assim representadas:
Chegada à Estação:
21 a 25 mH2O
Após válvula
graduada: 1 a 5 mH2O
Nova Rede
Proposta
Abastece Zona Baixa
do Setor
Abastece a
Elevatória
Saída da Elevatória:
41 a 45 mH2O
Abastece Zona Alta do
Setor
Figura 5.2 – Fluxograma de Pressão (SABESP, 2003)
Com a separação das redes que abastecem as Zonas Alta e Baixa, a estação não
mais precisará elevar em 40 mH2O (mca) as pressões da rede e sim em 20 mH2O
(mca), para manter as mesmas pressões atuais de saída de estação.
Desta forma, deverão ser trocados os conjuntos moto-bomba da estação, por grupos
com menor potência. A nova configuração da Estação será com 4 (quatro) grupos,
motores de 100 CV (73,6 kW), operando com 3 (três) efetivas e 1 (uma) reserva.
28
A implantação da nova rede para separação das entradas que abastecem as Zonas
Alta e Baixa ficará por conta da SABESP.
Uma das novas bombas será selecionada para atuar com inversor de freqüência, de
forma que o controle da estação será em função da pressão na rede de recalque e
não mais do nível da torre, que será desativada. A pressão de saída da elevatória
passará a ser função das pressões requeridas pela distribuição e não dos limites
impostos pela torre.
A instalação de inversores possibilita uma redução no bombeamento no horário de
ponta com garantia de abastecimento nos pontos críticos, que são monitorados
através da automação do sistema.
Outro benefício desta implantação é a redução das pressões noturnas, quando se
verifica um considerável aumento de pressão nas redes em função da redução do
consumo e conseqüente redução da perda de carga nas redes de distribuição do
sistema. Desta forma, além da redução no consumo de energia, pode-se verificar
uma redução de vazamentos e danos no sistema.
Ainda como resultado destas intervenções, será possível o desligamento de um
grupo da estação no horário de Ponta. Esta medida não contempla o deslocamento
do consumo desta bomba, visto que ela já não é necessária neste horário.
O procedimento será automático, sendo garantido com a implantação de sistema de
controle operacional autônomo para monitoramento do sistema, com instalação de
CLP (Controlador Lógico Programável) e utilização de sensor de pressão na rede,
tendo como ferramenta de simulação a modelagem hidráulica. Em situações
emergenciais, o CCO – Centro de Controle Operacional - passará a operar o
sistema, independentemente do sistema de automação implantado.
Para o detalhamento da medida proposta foi efetuado o levantamento detalhado da
operação da Estação e realizadas medições para verificação do sistema, com
instalação de registradores de pressão (loggers) na elevatória e pontos críticos de
29
abastecimento da área e realizados testes operacionais para verificação da
viabilidade das medidas propostas. A descrição das medições e testes é
apresentada a seguir.
5.6.1
Medições Realizadas
Para verificação do funcionamento da elevatória e do sistema abastecido, foram
instalados registradores de pressão em diversos pontos do sistema.
Num primeiro momento, para avaliação da pressão reduzida na válvula graduada na
entrada da estação, foram instalados dois loggers (equipamento para registros de
grandezas físicas como pressão e vazão), a montante e a jusante da válvula.
A figura 5.3 apresenta os dados de pressão que mostram os valores obtidos antes e
depois da válvula:
mca = mH2O
Figura 5.3 – Pressões da Válvula (SABESP, 2003)
30
Também foram verificadas as pressões de entrada e saída da estação no barrilete
das bombas.
A figura 5.4 apresenta os valores da pressão obtidos nas tubulações de sucção e
recalque do barrilete das bombas:
mca = mH2O
Figura 5.4 – Barrilete da Elevatória (SABESP, 2003)
Para verificação das pressões na área de abastecimento da elevatória, foram
instalados loggers em 3 (três) pontos significativos da área:
-
Saída da estação: ponto de pressão localizado na R. Antônio Pereira de Souza.
Esta rua localiza-se na saída da elevatória, ponto de interligação da rede que sai
da estação.
-
Ponto crítico 1: ponto localizado na R. Brigadeiro Gomes Pereira, cota mais alta
da área abastecida pela elevatória. Localiza-se numa região próxima ao
reservatório, porém com deficiência de redes.
-
Ponto crítico 2: ponto localizado na R. Tarquínio de Souza, esquina com R.
Jacob Hassessian, numa região mais distante da elevatória com cotas elevadas,
próximo à divisa com o setor Cachoeirinha.
Os dois pontos críticos monitorados apresentam histórico de reclamações por falta
31
d’água. Segundo informações das equipes de operação da SABESP, o problema no
abastecimento nesta região é ocasionado por motivos aleatórios à elevatória, visto
que o primeiro ponto localiza-se numa região que apresentou grande crescimento
vertical na última década, ocasionando deficiência de redes na área e o segundo
ponto está numa região muito distante da elevatória, com histórico recente de
vazamentos.
A figura 5.5 apresenta os dados de pressão referentes aos pontos onde foram
instalados os equipamentos:
mca = mH2O
Figura 5.5 – Região Abastecida pela Elevatória (SABESP, 2002)
5.6.2
Teste Operacional
A partir dos dados levantados com os registros de pressão, questionou-se a
possibilidade de desligamento de um segundo grupo no horário de ponta, com o
sistema sendo abastecido por apenas um grupo.
Para verificação da viabilidade desta alternativa, foi realizado teste operacional no
sistema, com a simulação da condição proposta de desligamento de dois grupos.
32
Foram novamente instalados loggers na área para verificação do comportamento do
sistema e foram obtidos os dados da Figura 5.6.
mca = mH2O
Figura 5.6 – Teste Operacional (SABESP, 2002)
O período assinalado com o pontilhado em vermelho corresponde ao teste realizado.
A partir dos dados obtidos, verificou-se que esta alternativa não é viável, visto que
as pressões no sistema caem a níveis comprometedores para o abastecimento da
região.
Conforme pode ser verificado na Figura 5.6, durante o horário de ponta, das 18h às
21h, a pressão de recalque cai a 13 mca com os dois conjuntos desligados, o que
não é suficiente para garantir o perfeito abastecimento de água da região.
5.7 Investimento e Economia
O investimento previsto para a realização do projeto e a economia prevista com sua
implementação fornece através de uma relação direta o tempo de retorno do
33
investimento em razão da diminuição do valor da sua conta de energia elétrica,
como poderá ser visto a seguir.
5.7.1
Investimento
Para a implementação da medida, alteração e automatização do novo procedimento
operacional, serão necessários os seguintes serviços e componentes:
- Modelagem hidráulica do sistema.
- Medições elétricas e hidráulicas.
- Fornecimento e instalação de 4 (quatro) conjuntos moto-bomba, com adequação
do barrilete da estação.
- Fornecimento e instalação de inversor de freqüência e transmissor de pressão.
- Automação do sistema, com fornecimento e instalação de CLP integrado ao
sistema de monitoramento do Centro de Controle Operacional (CCO).
- Implementação de software para coleta e processamento dos dados e comando
automático das bombas.
A tabela 5.4 apresenta a composição dos custos para a implementação da medida.
Nela podemos observar todos os gastos de projeto desde a compra dos materiais e
equipamentos até as horas gastas pela engenharia para sua elaboração e a mãode-obra para as rentagens.
Tabela 5.4 – Investimento
INVESTIMENTOS – SANTA ANA
Atividade
Diagnósticos e Gestão
Gerenciamento / Coordenação / Planejamento / Projeto e
Especificações Técnicas / Engenharia
Medições Hidráulicas e Elétricas / Análise de Dados e
Simulações
Start Up / Testes / Monitoramento / Treinamento /
Acompanhamento de economia / Relatórios
Equipamentos / Automação / Montagem / Modelagem
Hidráulica / Suprimentos / Fiscalização
Total
Fonte: SABESP, 2004
Custo (R$)
%
33.000
6,4
56.000
10,8
16.160
3,1
29.880
5,8
381.213
73,8
516.253
100,0
34
5.7.2
Economia
A redução na conta de energia será referente a:
-
Troca dos conjuntos moto-bomba da estação, por grupos com menor potência. A
nova configuração da Estação será com 4 (quatro) bombas, motores de 100 CV
(73,6 kW), operando com 3 (três) efetivos e 1 (um) reserva.
-
Instalação do inversor de freqüência na estação, que passará a operar em
função da pressão na rede de recalque e não mais do nível da torre, que será
desativada.
-
Desligamento de um grupo da estação no horário de ponta. A redução é
referente a demanda na ponta e não contempla o deslocamento do consumo
desta bomba, visto que dificilmente ela é ligada neste horário.
A tabela 5.5 apresenta a composição da economia.
Tabela 5.5 – Economia
Tarifas c/
Parcelas da Economia
kW
kWh/mês
ICMS
(jan/2003)
Redução da Demanda na Ponta
Redução da Demanda Fora de
Ponta
Redução do Consumo na Ponta
Redução do Consumo Fora de
Ponta
Total
Fonte: SABESP, 2004
Economia
Mensal (R$)
306
-
26,5055
8.110,68
236
-
8,8213
2.081,83
-
9.793
0,1609
1.575,69
-
93.611
0,0730
6.833,60
18.601,80
35
5.8 Cálculo da Relação Custo Benefício
Com base no programa de eficiência energética da ANEEL, o cálculo da Relação
Custo Benefício (RCB) para as medidas de eficiência sugeridas neste TCC é
apresentado a seguir.
Tabela 5.6 – RCB
Premissas
Valores
Unidade
Vida útil do projeto
10
anos
Taxa de Juros anual
12
%
0,1770
-
516.253,00
R$
Custo Unitário Evitado de Demanda
318
R$/kW ano
Custo Unitário Evitado de Energia
77
R$/MWh
Redução de Demanda na Ponta – RDP
306
kW
1.241
MWh/ano
Fator de recuperação de capital
Investimento da medida
Redução de Consumo anual
RCB
0,47
Fonte: SABESP, 2004
A Relação Custo Benefício (RCB) é dada da seguinte forma:
RCB
=
VPC
VPB
Onde:
VPC – Valor Presente dos Custos
VPB – Valor Presente dos Benefícios
O valor da RCB é o investimento em reais (R$) para cada R$1,00 (um real) de ganho
na economia da energia, não podendo o valor do investimento ser superior a R$0,85
(oitenta e cinco centavos) por R$1,00 (um real) de retorno.
A medida é válida para a ANEEL, pois o valor da RCB está abaixo de 0,85.
36
6
ESTUDO DE CASO
Como estudo de caso estaremos analisando as implementações e os resultados
obtidos no projeto de eficiência energética de uma Estação Elevatória de Água
Tratada da Região Metropolitana de São Paulo.
6.1 Descrição Geral das Instalações
A Estação Elevatória Santa Ana localiza-se na Avenida Voluntários da Pátria, nº
3.401, bairro de Santana, zona norte da cidade de São Paulo.
6.1.1
Sistema de Distribuição
A Estação Elevatória Santa Ana é abastecida pelo Sistema Cantareira. Possui um
reservatório semi-enterrado com capacidade para 12.000 m3, de forma retangular e
composto por duas câmaras de igual tamanho.
A elevatória é abastecida diretamente através da adutora, sendo o reservatório
responsável pelo abastecimento da zona baixa do setor.
Na configuração atual da Estação, o reservatório é abastecido com a sobra do
volume consumido pelo sistema da Zona Baixa, que é abastecido pela pressão da
adutora. Para que não haja alta pressão na adutora de abastecimento, uma válvula
telecomandada opera graduada na entrada da Estação, reduzindo a pressão de
sucção do sistema.
A Estação possui um único sistema com cinco conjuntos moto-bomba, que
alimentam a Zona Alta de Santana. A torre funciona como sobra do bombeamento
37
para a ZA. O monitoramento de pressão é realizado através de pressostatos
instalados na torre.
O sistema de distribuição é ilustrado na figura 6.1:
R1
ETA Guaraú
Válvula
Telecomandada
Zona Baixa
Figura 6.1 – Fluxograma de Distribuição (SABESP 2004)
6.1.2
Características da Estação
A Estação Elevatória possui 5 (cinco) grupos, sendo 4 (quatro) efetivos e 1 (um)
reserva. Os motores dos grupos são alimentados em baixa tensão de 440 V, com
potência nominal de 200 CV (147,2 kW) para os grupos 1 e 2 e 100 CV (73,6 kW)
para os grupos 3, 4 e 5.
A tabela 6.1 apresenta as características das bombas e motores da estação.
38
Tabela 6.1 – Característica dos Conjuntos
G1
G2
G3
G4
G5
Motor
Marca
GE
GE
GE
GE
GE
Pot. (CV)
200
200
100
100
100
Pot. (kW)
147
147
73
73
73
Tensão (V)
440
440
440
440
440
I nom (A)
236
236
N/D
N/D
135
1780
1780
1770
1770
1770
Rotação
(rpm)
Bomba
Marca
WORTHINGT WORTHINGT FAIRBANK FAIRBANK FAIRBANKS
ON
ON
S MORSE
S MORSE
Modelo
8 LN 14
8 LN 14
N/D
8 – 5812 NE
Vazão (m³/h)
900
900
N/D
424
N/D
47
47
N/D
40
N/D
360
360
N/D
222
N/D
Alt. Man.
(mca)
Ø rotor (mm)
MORSE
S12E85812N
E
Fonte: SABESP, 2004
6.1.3
Sistema Operacional
Sistema Operacional
O Controle Operacional da Estação é automático, realizado através de pressostatos
instalados na Torre. O Centro de Controle Operacional (CCO) possui todos os
parâmetros para monitoramento da Estação.
O monitoramento de status, pressões, níveis são realizados através de sensores de
pressão e de nível no reservatório.
39
6.1.4
Descrição Final das Instalações
Com a configuração antiga, a pressão de entrada da elevatória era comprometida
pela existência de uma válvula graduada e câmara de expansão na rede de sucção.
Esta quebra de pressão é necessária para abastecimento da zona baixa do setor,
porém obrigava a elevatória a elevar a pressão no dobro do valor necessário se
utilizasse a pressão disponível da rede de chegada.
Foi então proposta a separação das redes que abastecem as Zonas Alta e Baixa.
Desta forma, a estação não mais precisa elevar em 40 mH2O as pressões da rede, e
sim em 20 mH2O para manter as mesmas pressões atuais de saída de estação.
Desta forma, foram trocados os conjuntos moto bomba da estação, por grupos com
menor potência. A nova configuração da Estação é com 4 (quatro) grupos, com
bombas KSB e motores WEG de 100 CV, operando com 3 (três) efetivas e 1 (uma)
reserva.
O sistema de distribuição atual é ilustrado na figura 6.2:
Figura 6.2 – Fluxograma de Distribuição Atual (SABESP, 2004)
40
6.1.5
Medidas de Eficientização Realizadas
Em função do comprometimento da pressão de entrada da elevatória pela existência
de uma válvula graduada e câmara de expansão na rede de sucção, foi efetuada a
separação das redes que abastecem as Zonas Alta e Baixa.
Em função do aumento da pressão de sucção, foram trocados os conjuntos moto
bomba da estação, por grupos com menor potência. Foram instalados 4 (quatro)
grupos novos, com motores de 100 CV, operando com 3 (três) efetivas e 1 (uma)
reserva.
Uma das novas bombas foi selecionada para atuar com inversor de freqüência, de
forma que o controle da estação passou a ser função da pressão na rede de
recalque e não mais do nível da torre. A pressão de saída da elevatória passou a ser
função das pressões requeridas pela distribuição, e não dos limites impostos pela
torre.
A instalação de inversores também possibilita uma redução no bombeamento no
horário de ponta com garantia de abastecimento nos pontos críticos, que são
monitorados através da automação do sistema. Outro benefício desta implantação é
a redução das pressões noturnas, quando se verifica um considerável aumento de
pressão nas redes em função da redução do consumo e conseqüente redução da
perda de carga nas redes de distribuição do sistema. Desta forma, além da redução
no consumo de energia, pode-se verificar uma redução de vazamentos e danos no
sistema.
Ainda como resultado destas intervenções, foi possível o desligamento de um grupo
da estação no horário de Ponta. O procedimento é automático, sendo garantido com
a implantação de sistema de controle operacional autônomo para monitoramento do
sistema, com instalação de CLP (Controlador Lógico Programável) e utilização de
sensor de pressão na rede.
41
6.1.6
Investimento e Economia Final
Para a implementação das medidas dos novos procedimentos operacionais foram
necessários os seguintes serviços e componentes:
− Medições elétricas e hidráulicas.
− Fornecimento e instalação de 4 (quatro) conjuntos moto-bomba, com adequação
do barrilete da estação.
− Fornecimento e instalação de Inversor de Freqüência e transmissor de pressão.
− Implantação de um sistema de controle com CLP para acionamento das bombas
em função de pressão na rede, com controle horário para desligamento de
bomba no horário de ponta.
6.1.7
Resultados Finais
A determinação do resultado da economia foi feita pela comparação com um “base
line” com os dados das contas da estação, de Março de 2002 a Fevereiro de 2003,
período onde a operação era em função dos níveis da torre.
Os fatores que influenciaram a diminuição do valor da conta de energia foram:
− a redução da potência das bombas, que antes operavam com 4 (quatro) bombas
efetivas, num total de 600 CV, e agora operam com 3 (três) efetivas, totalizando
300 CV.
− a redução do consumo em função da operação do variador de freqüência, com
atuação em função da pressão na rede de recalque.
− o desligamento de um dos grupos efetivos no horário de ponta, com a operação
dos grupos em função das pressões requeridas pela distribuição.
Em função das intervenções efetuadas, foi reduzida a demanda na ponta em 222
kW e fora de ponta em 229 kW, comparando o valor médio de demanda na ponta do
“base line” com a conta de Outubro de 2004.
42
No Cálculo de Economia foram observados os seguintes resultados:
− O preço médio da energia elétrica subiu de 0,2401 da média do base line para
0,2904 em outubro de 2004, em função da operação do terceiro grupo também no
horário de ponta. Nos próximos meses, com a operação correta do sistema, que
prevê 3 grupos fora de ponta e apenas 2 grupos na ponta, este valor tenderá a
cair.
− A relação R$/m3, que no “base line” foi de 0,0394, passou para 0,0173 em
outubro de 2004 indicando uma diminuição de 56,1% no custo da transferência de
água.
− O consumo específico kWh/m3 médio do “base line” foi de 0,1640, passou para
0,0597 em outubro de 2004, indicando uma diminuição de 63,6%.
Em função dos itens acima, o resultado da economia em outubro de 2004, com base
nas tarifas de dezembro de 2002 é de R$ 20.363,09, contra um valor inicialmente
previsto de R$ 18.601,80, representando um aumento de 9,4%. Vale ressaltar que
estes valores ainda não refletem a economia total que será obtida, visto que operou
o terceiro grupo do sistema no horário de ponta, o que não deverá ocorrer nos
próximos meses.
Outro ponto importante e que deve ser destacado, é que esta estação não possui
medidor de vazão, e os valores do “base line” foram fornecidos pela Sabesp, com
base em determinações empíricas, e portanto, o nosso calculo está levando em
conta que isso não se alterou e a vazão de outubro de 2004 foi calculada com base
na média do base line e no número de dias associados a conta de energia elétrica
do mês em questão.
43
7
CONCLUSÕES
Com a verificação dos resultados obtidos no Estudo de Caso das implementações
realizadas na EEAT Santa Ana, a partir do diagnóstico energético detalhado da
estação, foi possível verificar que a economia inicialmente prevista com base no
cálculo da Relação Custo Benefício (RCB) foi atendida. Esta economia pode ser
verificada pela comparação da redução das demandas na ponta e fora de ponta do
“base line” das contas da estação entre Março de 2002 e Fevereiro de 2003 e a
conta de Outubro de 2004 após a realização das implementações.
As demandas contratadas na estrutura tarifária azul antes da implantação do projeto
de eficientização eram de 480 KW na ponta e 500 kW fora da ponta, e foram
alteradas para 180 kW na ponta e 270 kW fora de ponta.
Desta forma, podemos concluir que o projeto atingiu seus objetivos e que a
otimização da utilização da energia elétrica junto aos consumidores é uma
ferramenta de grande importância para que possamos reduzir o desperdício e
consolidarmos a sustentabilidade do mercado de eficiência energética que requer
que haja uma demanda e uma oferta de produtos e serviços energéticos eficientes.
Com base no programa de eficiência energética da ANEEL, o cálculo da Relação
Custo Benefício (RCB) para as medidas de eficiência efetuadas é apresentado a
seguir.
44
Tabela 7.1 – RCB Final
Premissas
Valores
Unidade
Vida útil do projeto
15
anos
Taxa de Juros anual
12
%
516.253
R$
Custo Unitário Evitado de Demanda
318
R$/kW
Custo Unitário Evitado de Energia
77
R$/MWh ano
Redução de Demanda na Ponta – RDP
222
kW
Redução de Consumo anual
1836
MWh/ano
Investimento da medida
RCB
0,36
Fonte: SABESP, 2004
A medida é válida para a ANEEL, pois o valor da RCB está abaixo de 0,85.
45
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
LUDMER, Paulo. Despropósitos Elétricos. São Paulo: Artliber, 2002.
LUDMER, Paulo. Energia: Desconsertos e Impasse. São Paulo: Artliber, 2003.
RESENDE, Ignácio. Dieta para Reduzir os Custos com Energia Elétrica. Rio de
Janeiro: Studio Digital, 2004.
SABESP – Saneamento Básico do Estado de São Paulo – Figuras e Tabelas –
Banco de Dados SABESP – Departamento de Perdas, 2002, 2003 e 2004.
TSUTIYA, Milton Tonoyuki. Redução de Custos de Energia Elétrica em Sistemas
de Abastecimento de Água. 1 Ed. São Paulo: ABES, 2001.
Download

USO EFICIENTE DA ENERGIA ELÉTRICA