Universidade Pedagógica de Moçambique de volta à academia: evidências da UP-Delegação de
Quelimane1.
Dulce Maria Passades2 e Stella Pinto Novo Zeca3
Resumo
Moçambique é um país ‘Jovem’ e historicamente ligado a Portugal pelo seu passado colonial.
Até à década de setenta, o sistema de ensino no país era feito à luz do currículo português,
situação que muda após a independência do país e, consequentemente, com a entrada em vigor
do Sistema Nacional da Educação em 1983. O campo sócio-histórico moçambicano é relevante
neste cenário, pois ele estabelece pontes com o campo das dinâmicas do ensino superior no país.
Na época colonial, Moçambique contava apenas com uma instituição, a dos Estudos Gerais
Universitários de Moçambique (EGUM), em 1962, (que posteriorimente passa a Universidade de
Lourenço Marques (ULM) em 1968, que é a actual Universidade Eduardo Mondlane (UEM).
MAas o cenário muda na década de oitenta, com a introdução do Instituto Superior Pedagógico
(actual Universidade Pedagógica de Moçambique- UP, em 1985). O objectivo deste artigo é de
partilhar o quotidiano da Universidade Pedagógica de Moçambique, através do seu percurso
académico, uma vez que se trata de uma Instituição de Ensino Superior com características
peculiares, ou seja, nos meados da década de oitenta, ela foi instituída na capital moçambicana,
mas, passadas duas décadas, ela representa a maior Instituição de Ensino Superior no país. Frisar
que, em 1989, a UP inicia a sua expansão, com a entrada em funcionamento de uma delegação
fora da capital do país. Hoje, a UP encontra-se em todas as províncias de Moçambique: Maputo
(Sede), Beira, Nampula, Quelimane, Gaza, Niassa, Massinga, Maxixe, Manica, Montepuez, Tete.
A Universidade Pedagógica é, estatutariamente, responsável pela formação de professores para
todos os níveis do Sistema de Educação no Moçambique (pré-escolar, primário, secundário,
1
Comunicação a ser apresentada na 2ª conferência da FORGES em Macau, 2012.
Docente da Universidade Pedagógica de Moçambique (UP), Delegação de Quelimane. Licenciada em Psicologia e
Pedagogia pela UP- Delegação de Nampula (2000-2005) e Mestre em Dinâmica de Saúde e bem-estar pelo
programa Erasmus Mundus pelas seguintes Universidades: Universidade de Évora, Universidade Autónoma de
Barcelona, Linkoping University e École des Hautes Etudes en Sciences Sociales (EHESS-PARIS) (2008-2010).
Coordenadora para área de Pós-graduação, Pesquisa e Extensão na Delegação.
3
Docente da Universidade Pedagógica de Moçambique, Delegação de Quelimane. Licenciada em Biologia pela UPMaputo (1997-2003) e Mestranda em Formação de Formadores pela UP-Maputo em parceria com a Universidade de
Minho (2009-2011), Directora Pedagógica da Delegação.
2
1
técnico profissional e superior), e de outros profissionais para a área de educação e afins. Em
2006, a Instituição, que era concebida na sua missão e filosofia de formação de professores,
introduz dinâmicas académicas ligadas a diversidades de cursos a leccionar, por um lado, e um
aumento exponencial de números de estudantes, por outro lado. Diante deste cenário, a sociedade
‘assusta-se’ e fica estupefacta com a massificação de cursos e de estudantes e, como
consequência directa, a missão da instituição é questionado pela sociedade e pela mídia. Estas
dinâmicas académicas trouxeram mudanças directivas e curriculares à UP. Como estratégia para
resgatar a imagem da Instituição, a nova liderança da UP instituiu como lema e plano de acção o
slogan: De volta à academia. É sobre o regresso à academia que nos propusemos partilhar este
percurso com maior enfoque no quotidiano da UP-Delegação de Quelimane, que entrou em
funcionamento em 2003.
Palavras-chave: Universidade Pedagógica- Delegação de Quelimane, Academia, Qualidade,
Quotidiano.
University Pedagogic of Mozambique back to the academy: evidences from Pedagogic
University-Quelimane Branch.
Mozambique is a young country and historically linked to Portugal by its colonial past. Until the
seventieth decade, the teaching system in the country was taken under the light of Portuguese
curriculum. This situation only changed after the independence in the country and consequently
with the entrance of the National System of Education in 1983. The socio-historic Mozambican
field is relevant in this scenery, because it establishes bridges with the dynamic field of the
higher teaching in the country. In the colonial era, Mozambique counted only with the Lourenço
Marques university, the current (Eduardo Mondlane University), but the scenery changed in the
eightieth decade, with the introduction of the Higher Pedagogic Institute, currently Pedagogic
University of Mozambique, in 1985). The objective of this article is to share the daily of the
Pedagogic University of Mozambique, through its academic path, once it is an institution of
Higher Teaching with peculiars features. In the mid of eightieth decade, it was settled in the
Mozambican capital city, but after two decades, she represents the major institution of Higher
Teaching in the country. We need to underline that, in 1989; the Pedagogic University started its
expansion, with the new branch out from the capital city of Mozambique. Today, we find the
university in all provinces: Maputo (The Headquarter), Beira, Nampula, Quelimane, Gaza,
2
Niassa, Massinga, Maxixe, manica, Montepues, Tete. The pedagogic University is responsible
for the teachers training for all levels of the Education System in Mozambique (primary,
secondary, professional-training and higher levels), and professionals for the education areas
among others. In 2006, the institution was conceived in its mission and philosophy of training
teachers. It introduced academic dynamics linked to several courses and the exponential increase
of the number of students. Due to this facts, the society threatens and becomes worried with the
spread of courses and students, and as direct consequence, the mission of the institution is
questioned by the society and the media. These academic dynamics brought directive and
curriculums changes to the Pedagogic University. As a strategy to overtake the image of the
institution, the new leadership of the Pedagogic University set as a plan of action, the slogan:
Back to academy. It is about the coming back to academy that we thought of sharing this article
with major focus on daily actions of Pedagogic University-Quelimane Branch, which started in
2003.
Key words: Pedagogic University-Quelimane Branch, Academy, Quality, Everyday life.
Introdução
Moçambique é um país da África Sub-sahariana, construído por com onze províncias e
20.226.296 de habitantes. A língua oficial do país é a língua portuguesa ( e tem mais de dez
línguas locais).
Segundo Mazula (1995), o ensino moçambicano era caracterizado por práticas educativos
portuguesas, com auxílio da igreja católica, através dos missionários que tinham como missão
educar a população local. Salientar que todo este processo que era caracterizado pela
inferiorização da população nativa, era consubstanciado pela pesquisa dos antropólogos 4 da
época. Este grupo de nativos frequentava na maioria, até a terceira classe elementar 5.
4
Segundo Rodney citado Taimo “O principal propósito do sistema educacional colonial era treinar africanos para
servir como homens da administração a um plano extraordinariamente baixo e fornecer mão-de-obra para as firmas
capitalistas privadas, pertencentes a europeus. Isso significava na pratica a selecção de alguns africanos para
participar no domínio e na exploração do continente e no seu todo. Não era um sistema de educação proveniente das
condições concretas da sociedade africana nem destinada a promover uma utilização mais racional dos recursos
materiais e sociais. Não era um sistema educativo destinado a transmitir aos jovens o orgulho e a confiança de
membros da sociedade africana mas sim a implantar um sentimento de submissão face ao europeu e ao capitalista.
5
Este cenário foi caracterizado como superior as culturas e saberes locais” (2010, p,.67).
3
Com a independência, em 1975, a dinâmica política do país pauta por uma educação ‘socialista
moderna’ que rompia com as práticas e saberes locais por caracterizá-los como obscuros,
eliminando os aspectos negativos da ‘cultura’6, ou seja, com o fim do sistema colonial houve um
corte radical com as práticas do colono, mas o novo projecto ideológico educativo do país
continuava a não dar um lugar de destaque às práticas e saberes locais. (Basílio, 2006;
Gonçalves; 2009, Mazula, 1995).
Este processo social e histórico é marcado pelo surgimento da primeira universidade no país, em
1968: a Universidade de Lourenço Marques7. Contudo, como frisa Donaciano (2011, p,.22), “a
Universidade de Lourenço Marques (ULM) era a única instituição de ensino superior em
Moçambique e destinava-se maioritariamente aos filhos dos colonos, tendo apenas 40
estudantes negros moçambicanos, o que correspondia a cerca de 2% dos estudantes.”
Salientar que esta primeira instituição surge em resposta à pressão exercida pela colónia
portuguesa, embora albergasse uma pequena elite de moçambicanos assimilados (Plano
Estratégico do Ensino Superior [PEES] 2000).
Na década oitenta, são criadas mais duas Instituições de Ensino Superior no país: o Instituto
Superior Pedagógico em 1985, ligado à Faculdade de Educação da Universidade Eduardo
Mondlane, destinado à formação de professores e técnicos do Sistema Nacional de Educação, e o
Instituto de Relações Internacionais em 1986 (Donaciano, 2011).
Em 19838, o Ministério da Educação introduz o SNE, que visava, necessariamente, a criação do
homem novo.
6
Como frisa Arnfred (2011) na perspectiva de estudos de género: abaixo o lobolo, abaixo a poligamia e abaixo os
ritos de iniciação.
7
Com independência do país, em 1975, a universidade muda de nome e passa a chamar-se Universidade Eduardo
Mondlane em 1976.
8
Lei 4/83 de 23 de Março de 1983. Frisar que dados estatísticos da década setenta apontavam para índices altos de
analfabetismo no país, nomeadamente 90 %. Mas as campanhas de alfabetização de adultos levados acabo no
âmbito do SNE jogaram um papel chave na reversão deste cenário.
4
A massificação do saber versus universidades
O campo epistemológico moçambicano, desde a época da luta colonial, através das zonas
libertadas, sempre teve o campo educativo na agenda política da FRELIMO. A mensagem dos
dirigentes partidários sempre privilegiou a educação nos seus discursos, pois ela era concebida
como a arma capaz de libertar o povo da opressão.
Segundo o PEES (2000), a evolução do subsistema de ensino superior no país obedece a quatro
etapas:
1ª Etapa 1662-1968- Génese e desenvolvimento da primeira instituição de ensino superior na
então colónia de Moçambique;
2ª. Etapa: 1968 1 1976- Criação desenvolvimento da primeira universidade em Moçambique, a
Universidade de Lourenço Marques (ULM);
3ª. Etapa:1976 a 1985- Transformação da Universidade de Lourenço Marques (ULM) em
Universidade Eduardo Mondlane (UEM), a primeira universidade nacional;
4ª. Etapa1985 a 2000- Pluralidade de Instituições de Ensino superior;
Importa referir que, Moçambique tinha uma universidade9 na década sessenta e na década oitenta
passa a ter duas Instituições de Ensino Superior10, e, actualmente, no século XXI, conta com uma
amostra de quarenta e quatro (44) Instituições de Ensino Superior, que surgem como
consequência da demanda e mutação social.
O ensino superior em Moçambique é oferecido aos cidadãos pelas Instituições Públicas e
privadas11. Até finais da década oitenta, as Instituições de Ensino Superior estavam situava-se na
capital moçambicana, cidade de Maputo, como defendem Matos & Mosca (2010, p,. 297) “Após
a independência nacional, e sobretudo depois dos primeiros anos da década dos anos 90, o
9
Universidade de Lourenço Marques.
Instituto Superior Pedagógico (1985) e Instituto de Relações Internacionais (1986).
11
No que se refere as universidades privadas, elas surgem pela lei 1/93, Lei de Ensino Superior, que cria espaço para
existência no país de Instituições de Ensino Superior Privadas, oque facultou a existência destas instituições no país
a partir de 1995 (Noa, n.d). Frisar que no país as duas primeiras instituições de ensino superior privadas foram o
Instituto Superior Politécnico Universitário (ISPU) e Universidade Católica de Moçambique (UCM). Julgamos ser
relevante a análise destas instituições no processo da massificação do ensino superior.
10
5
ensino superior expandiu-se em número de alunos e instituições em todo o território nacional,
embora inicialmente com alguma concentração em Maputo”.
A partir da década seguinte até à actual notabilizou-se um processo de expansão das
universidades e institutos superiores para as províncias, numa fase inicial, e para os distritos,
posteriorimente. Frisar que a Universidade Pedagógica pode ser considerada como pioneira neste
processo de expansão universitária, processo iniciado em 1989, com a entrada em funcionamento
da delegação da Beira; em 1995 em Nampula; em 2001, em Quelimane; em 2004, nas províncias
de Gaza e Niassa, em 2007, em Massinga; em 2008, em Manica e Montepuez; e, em 2009 em
Tete.
A expansão universitária para as províncias e, actualmente, para os distritos é orientada pela
ideologia de fazer chegar o ensino superior ao povo moçambicano, quebrando com o paradigma
elitista do ensino superior em Moçambique. No passado, a localização das Instituições de Ensino
Superior na capital de país constituía um entrave para muitos jovens, e não só, para a própria
desenvoltura do país. A nossa experiência como alunas da escola secundaria da década noventa
permitiu-nos aferir este fenómeno, através de casos de alunas e alunos que, passando ou não aos
exames de admissão das universidades públicas12, por barreiras económicas, não ingressavam ao
ensino superior pelo facto de estas localizarem-se apenas na capital do país.
O quotidiano do ensino superior é caracterizado pela existência qualitativa e ‘quantitativa’
destas instituições nas cidades capitais e nos distritos, o que pode nutrir algumas hipóteses,
como: o conhecimento mais próximo do povo e particularmente das camadas mais
desfavorecidas; valorização das províncias e distritos pela existência destas instituições visto que
temos provinciais no país que mudaram qualitativamente a sua desenvoltura como consequência
da existência de universidades, o que tem alterado o quotidiano destas cidades. Por um lado,
verificamos que os residentes locais passam a ter acesso ao ensino superior e, por outro, temos
vientes nas cidades; a cultura da pesquisa é instituída nestes contextos e verificasse rompimento
com o paradigma elitista destas instituições.
12
Na época eram a Universidade Eduardo Mondlane (UEM), Universidade Pedagógica (UP) e Instituto de Relações
Internacionais (ISRI).
6
O ensino superior em Moçambique até princípios do século XXI, abarcava apenas o nível de
Licenciatura. Actualmente, as instituições já têm programas de Mestrado e Doutoramentos. Estes
programas de pós-graduação estão em expansão para algumas províncias. Até ao momento, são
programas de Mestrado, sendo que os de Doutoramentos estão ainda na capital do país, pelo
facto de maior número de doutores do país ainda se localizarem lá. Frisar que a UP tem
programas de mestrados em parceria com universidades europeias e brasileiras nas cidades de
Maputo, Beira e Nampula e, para o presente ano (2012) introduziu o programa de Doutoramento
em Educação e Currículo. Segundo o reitor da UP, Rogério Uthui (2012), este doutoramento
surge para melhorar a qualidade de ensino na UP e em todas escolas nacionais, visto que a UP é
a instituição ligada ao campo da educação no país.
Toda a dinâmica aqui exposta levanta inquietações no seio da comunidade académica e da
sociedade no que tange às políticas e qualidade de ensino superior. Pois, a quantificação do
ensino superior é um processo que deve ser feito no binómio qualificação e quantificação.
Segundo Rodrigues & Cassy13 (n.d),
Em Moçambique a política e a qualidade das instituições de ensino têm sido alvo de
debate pela sociedade. Nesse contexto, o governo no seu papel de monitoria e
supervisão de todo o sistema de educação e responsável por prover á sociedade uma
educação com excelência, vem pressionando as Instituições de Ensino Superior (IES) a
voltarem-se mais para a qualidade, o que é fundamentado pela actualização dos
dispositivos legais que regulam a actividade do ensino superior.
A expansão quantitativa do ensino superior no país deve ser percepcionada nos dois cunhos da
moeda: maior número de adolescentes, jovens e adultos com acesso ao ensino superior e pelo
desafio que as mesmas instituições se deparam no processo no campo de promover e maximizar
constantemente a qualidade do ensino. Estas Instituições de Ensino Superior (IES)
moçambicanas são chamadas ao processo de aferimento da qualidade. Este processo de análises
académicas e socias no campo da qualidade de ensino não passou despercebida ao governo do
país. Em Moçambique o ensino superior é coordenado pelo Ministério de Educação (MINED),
através da Direcção para Coordenação do Ensino Superior (DICES):
13
Académicos da Universidade Unizambeze de Moçambique.
7
O desafio das universidades moçambicanas é de formar com qualidade cada vez mais estudantes
capazes de contribuírem qualitativa e quantitativamente no combate a pobreza absoluta. Segundo
Taimo (2010, p,.161),
“A expansão do acesso, a melhoria de qualidade e relevância, o financiamento e por último o Estado e as
instituições privadas constituem as estratégias a serem adotadas para o ensino superior. A formação pós-graduada
teve uma evolução semelhante, primeiro no exterior e mais recentemente com mestrados e alguns doutoramentos em
Moçambique, a maioria com parcerias de instituições de ensino superior estrangeiras”.
A qualidade do ensino superior, aliada à relevância e às reformas curriculares, deve ser
incorporada nas dinâmicas de expansão do ensino superior.
Universidade Pedagógica de Moçambique: “De Volta à Academia” 2007-2009
Como frisamos anteriormente, a UP é uma Instituição de Ensino Superior moçambicana que
surgiu na década oitenta 14 , sendo a segunda a surgir no país. Actualmente, ela é a maior
Instituição de Ensino Superior no país, com aproximadamente trinta e cinco mil estudantes, com
dez delegações nas dez das onze provinciais do país. Salientar que três destas delegações
funcionam nos distritos, como é o caso da delegação da UP-Montepuez (Província de cabo
Delgado), UP Massinga e UP Maxixe (Província de Inhambane).
A massificação da UP aconteceu cronologicamente entre os anos 2005-2009, processo este
caracterizado por um crescente exponencial de estudantes. Importa frisar que parte destes
estudantes eram e são professores do SNE, que leccionam nas escolas primárias e secundarias do
país, mas, pelo facto de não terem formação superior ingressam para a UP15 para obtê-la. O
ingresso a UP é feito via exame de admissão e via documental, sendo esta última para os
candidatos das instituições com as quais à UP tem protocolos e memorandos de entendimentos,
como é o caso de Ministério de Educação.
O título da maior universidade no país não aconteceu sem sobressaltos. Como frisa o Plano
Estratégico da Universidade Pedagógica [PEUP] (2010, p,.13),
14
UP surge como Instituto Superior Pedagógico pelo diploma ministerial número 73/85, como uma Instituição
vocacionada para a formação de professores para todos os níveis do SNE e de quadros da educação.
15
Salientar que actualmente a UP tem cinco faculdades: Faculdade de Ciências de Educação e Psicologia, Faculdade
de Ciências Sociais, Faculdade de Ciências da Linguagem, Comunicação e Artes, Faculdades de Ciências Naturais e
Matemática e Faculdade de Educação Física e Desporto, também tem duas escolas, Escola Superior de
Contabilidade e Auditoria, e Escola Superior de Técnica.
8
O rápido crescimento dos efectivos escolares da Universidade Pedagógica não foi, contudo, devidamente
acompanhada do necessário redimensionamento do seu corpo docente em quantidade e qualidade, das suas
infraestruturas e do seu sistema de gestão aos níveis pedagógicos e administrativos. A expansão rápida teve ainda
com efeito um fraco desenvolvimento nas áreas de pesquisa e extensão.
A componente qualidade de ensino é questionada, a formação do corpo docente, a questão de
infraestrutura própria, e, sobretudo, a gestão universitária, que é fundamental, também sofre
sobressaltos, e, por último, a pesquisa e extensão não se desenvolveram de forma acentuada.
Perante o cenário, a UP desafia a si mesma ao traçar o Plano de Acção: “De Volta à Academia”
durante o período 2007-2009, cuja meta era resgatar o bom nome da instituição, garantir
qualidade nos cursos e expandir o ensino de professores para mais provinciais. Para tal, o Plano
apresentou principais áreas estratégicas, como:
Área estratégica: Excelência e Qualidade, com as seguintes vertentes: expansão e garantia de
qualidade, que incorpora os seguintes projectos: a) de volta à academia: trazer de volta para o
campus da UP todos os estudantes matriculados; b) melhorar os métodos e meios de ensino; c)
estabelecer a outras delegações da UP no país; d) desenvolver o ensino à distância;
1. Desenvolver da investigação e pós-graduação, que inclui os seguintes projectos: iniciar
programas de mestrado na UP e desenvolver a investigação na UP;
2. Extensão Universitária: priorizar os planos nacionais de desenvolvimento, que enfatizem
a articulação entre a UP e o distrito.
Área estratégica: Eficiência de gestão, incorpora os seguintes projectos:
1. Reforma organizacional, que visa actualizar o quadro legal e normativo da UP;
2. Desenvolvimento de recursos humanos e criação de um sistema de assistência social para
os docentes e corpo técnico administrativo.
Área estratégica: Modernização da UP, sustentada por dois projectos:
1. Desenvolvimento de infraestrutura;
2. Informatização da UP.
Área estratégica: Sustentabilidade, com as seguintes vertentes:
9
1. Cooperação, comunicação e imagem da UP que visa revitalizar a cooperação com as
universidades da região e do mundo;
2. Criação da Fundação UP;
3. Geração e gestão de recursos da UP (PEUP, 2010).
Universidade Pedagógica- Delegação de Quelimane (UPQ)
A Universidade Pedagógica-Delegação de Quelimane foi fundada em 2001, mas entra em
funcionamento em 2003, com apenas três cursos. Aquando da sua criação, a instituição começou
a funcionar em instalações cedidas pela Escola Secundária 25 de Setembro e pelo Instituto de
Formação de Professores, instalações não concebidas para um ensino superior.
Evidências do Plano de Acção “ De volta à academia”
Excelência e qualidade, com as seguintes vertentes:
A) De volta à academia: trazer de volta para o campus da UP todos os estudantes matriculados.
A explosão da UPQ fez-se sentir em 2006, com a introdução de novos cursos em regime póslaboral, tendo o número de estudantes aumentado bruscamente de 379 existentes em 2005 para
2388, em 2007.
Em 2003 (quando entra em funcionamento), os docentes eram todos contratados, com vínculos
em outras instituições (nem todas do ensino superior). A partir de 2004, a UPQ começa a recrutar
docentes para o quadro. Estes docentes (com a excepção dos membros da direcção) eram todos
licenciados, na maioria jovens recém-graduados, sem experiência de leccionação no ensino
superior.
No campus, existiam apenas 10 salas de aulas, com capacidade para cinquenta estudantes. O que
significava que quase metade dos estudantes estava “fora da academia”, tendo aulas em
instalações concebidas para escola primária ou institutos médios. A universidade usava apenas as
salas de aula nestes espaços. E como este grupo de estudantes era maioritariamente dos cursos
pós-laborais, na sua maioria adultos, funcionários em diversas instituições, que só se faziam às
10
aulas a partir de 18h, já era de se supor que quase não tinham contacto com as infraestruturas da
universidade (bibliotecas, salas apropriadas, laboratórios, etc)
Era preciso trazê-los de volta para o campus.
A medida imediata foi a construção e reabilitação de salas de aulas para ampliar o campus e
imediata redução do número de ingressos bem como a descontinuidade de alguns cursos. Apesar
do aumento do número de salas (10 para 23) e aumento de número de docentes (de 52 existentes
em 2006 para 129, em 2012), o número de estudantes manteve-se praticamente constante, ou
seja, nota-se uma estabilidade de número de estudantes, mas, em contrapartida observa-se a
melhoria na gestão universitária e crescimento em infraestruturas universitárias. (PESUPQ,
2011)
B) Melhorar os métodos e meios de ensino,
Com a introdução dos cursos de pós-graduação, a realizar-se na UP sede, com apoio de
instituições nacionais e estrangeiras de renome, envolvendo docentes, mestrandos das várias
delegações a UPQ elaborou o seu plano de formação para os seus docentes frequentarem os
cursos de mestrado em educação nas suas áreas profissionais. Isso permitiu que aprimorassem as
suas competências, uma vez que, durante a formação no nível de licenciatura, os métodos
desenvolvidos não eram muito adequados ao ensino superior. Frisar que, em 2008, aquando do
início do mestrado do primeiro grupo, eram apenas 10 e, actualmente, são 88 docentes a
frequentar o mestrado.
C)Extensão universitária
A UPQ começa a participar activamente nos planos de desenvolvimento das comunidades.
Através de acordo com entidades locais, intervém na elaboração dos planos de desenvolvimento
dos
distritos,
especificamente
formando
jovens
e
funcionários
de
diversas
áreas
(empreendedorismo, pecuária, metodologias de ensino, meio ambiente, saúde sexual e
reprodutiva, género e VIH/SIDA, etc). Realiza investigações em cooperação ou não com outras
instituições científicas, na sua maioria para análise e procura de soluções dos problemas que
afectam a sociedade.
11
Eficiência de gestão- incorpora os seguintes projectos:
1.
Reforma organizacional, que visa actualizar o quadro legal e normativo da UP. Salientar
que as delegações, e, particularmente, a UPQ, passaram a ser envolvidas activamente nas
reformas.
Modernização da UP- sustentada na seguinte vertente:
Desenvolvimento de infraestrutura;
Na UPQ, inicia-se a construção de um campus de raiz em 2011. O actual campus foi reabilitado
e adaptado. No cenário anterior, nos anos 2007 a UP contava com apenas 14 computadores para
toda a população estudantil. A maioria dos estudantes da UPQ é de baixa e média renda, sem
possibilidades de ter um computador. Hoje, a UPQ possui a maior sala da província e tem
disponível, para os estudantes, 160 computadores, o que de certa forma melhorou o acesso a este
meio indispensável.
Conclusões
A preocupação com a qualidade é prioridade nas práticas quotidianas da UPQ. Porém, importa
frisar que toda a temática da qualidade no ensino superior representa um grande desafio para o
país, pois existe uma relação entre a conjuntura social, política, cultural e económica do país com
o campo académico. Esta conjuntura obriga-nos a reflectir sobre que estratégias devem ser
usadas pois, afectam em grande medida execução de diversas actividades.
Tendo em conta a situação financeira de Moçambique que é um país em vias de
desenvolvimento, os pesquisadores e as Instituições reguladoras de qualidade garantem que o
ensino universitário e investigação sejam dotados de qualidade, apesar de existirem restrições
orçamentais. São exemplos disso, a introdução de Mestrados e Doutoramentos na UP e noutras
universidades públicas e privadas. Mesmo assim, assumimos que o caminho para o
aprimoramento da qualidade é muito longo, exigindo que se abram cada vez mais portas (criação
de alternativas para superação dos desafios) para que se alcance a qualidade almejada.
12
Bibliografia
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PESUPQ 2011-2017 (2011). Plano Estratégico Sectorial da Universidade Pedagógica, Delegação
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13
Taimo, J. (2010). Ensino Superior Em Moçambique: História, Política e Gestão. Tese de
doutoramento, Universidade Metodista de Piracicaba, Brasil.
14
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