RELATÓRIO DE INSPEÇÃO Aos 30 dias de Janeiro de 2014, neste Município, foi realizada diligência de inspeção do MINISTÉRIO PÚBLICO nas escolas públicas municipais que serão FECHADAS, conforme procedimento MPRJ nº 2013.01367738. Estiveram presentes, durante toda a diligência, Dr. Fabiano Rangel Moreira, Promotor de Justiça, Matrícula 2200, Murilo Menezes Silva, Assessor Jurídico do Ministério Público, Matrícula 6400, Fagner Ribeiro Chaves, 1º SGT PM RG 75410, em exercício no GAP/MPRJ, Anderson dos Santos Ferreira, 3º SGT PM RG 74853, bem como os representantes da Prefeitura Municipal de São Fidélis e respectiva Secretaria de Educação, Sra. CLAUDIA MÁRCIA DE ANDRADE MORETO, Superintendente de Gestão Educacional, Sr. REINALDO DE SOUZA STELLET, Superintendente de Desenvolvimento Educacional e FABRÍCIO DA SILVA CAVALARES, funcionário público. Após definição coletiva do percurso, foram vistoriadas as escolas abaixo, conforme horários, registros e termos que seguem em ordem cronológica, abaixo listados. E.M. MARIA JOSÉ PILAR BARRETO PORTO Às 11h, entre 10 e 20 minutos da escola substitutiva, a diligência teve início na E.M. José Pilar Barreto Porto, na localidade de Graminha, 1º Distrito de São Fidélis (fotos em anexo I). A escola foi encontrada fechada, não tendo sido possível adentrar no imóvel. Os funcionários e representantes da Secretaria Municipal de Educação informaram que o prédio (anexo I, foto 01) é patrimônio do Município de São Fidélis e será transformado em depósito para patrimônio não utilizado. Inicialmente, não foi possível a entrada no imóvel em razão da ausência momentânea de chaves, ocasião em que o Dr. Promotor determinou a busca das chaves para continuação da diligência em retorno da fiscalização na E.M. Professor Crispim em Buião, o que ao final se demonstrou infrutífero. Em diligência no local, foram entrevistadas pessoas que residem no entorno imediato do prédio escolar, com colheita dos termos de oitiva no próprio local (termos em anexo I). Além das testemunhas ouvidas por termo, foram ouvidas duas outras pessoas, o Sr. Dejair Vieira de Pinho (anexo I, foto 03, à direita), analfabeto, sem saber outros dados qualificativos, que confirmou as informações prestadas pelo Sr. João de Deus Gomes, especialmente quanto às 25 crianças que lá estudam e à importância da permanência da escola, e o Sr. Pág. 1 Revanilço Ribeiro de Souza, nascido em 28/01/1956, telefone (22) 999186650, afirmou ser morador novo e desconhecer a realidade da escola, mas declarou que um neto passará a residir com ele nas próximas semanas e que seria de fundamental importância o não fechamento da escola, inclusive servindo como local de reunião da sociedade. Diante da diversidade entre o número de alunos informado por três testemunhas (25) e os dados acerca do número de alunos que se matricularam neste ano (8), já na nova escola, é possível observar a evasão escolar. Ressalta-se, outrossim, que as informações colhidas indicam que os alunos residem atrás de morros e montanhas no entorno, que facilitam a utilização do prédio escolar e dificultariam a frequência em local ainda mais distante, conclusão terminativa que chegamos por mera impressão pessoal. Diante desta configuração geográfica, o transporte escolar não chega às casas de parcela dos estudantes. A diligência teve seu término às 11h35min. E.M. PROFESSOR CRISPIM No trajeto para a E.M. Professor Crispim realizou-se uma inspeção na obra das futuras dependências da E.M. Professor Romualdo (da Educação Infantil ao 9º ano), na localidade vizinha, de Valão dos Milagres, que funcionará como unidade escolar nuclear em 4/6 meses, segundo impressão pessoal e subjetiva no local, se não houver atrasos. A diligência foi de grande relevância para a melhor compreensão do funcionamento futuro do ensino na região (anexo II, fotos 1, 2, 3 e 4). Ato seguinte, igualmente no mesmo trajeto, foi inspecionado a E.M. Professor Romualdo atual, diversos pontos de infiltração, sujeira e a constatação de que o espaço não consegue atender todas as sérias até o 9.º ano sem o sistema multisseriado, diante do número de salas. Além disso, não tem laboratório de informática e apresenta indícios de elevada concentração de alunos em pouco espaço (anexo II, fotos 5, 6, 7, 8 e 9). Foi informado que o atual imóvel da escola Prof. Romualdo será transformado em praça pública, após a relocação da escola, situação almejada pela sociedade, segundo informação colhida junto aos munícipes que trabalhavam como pedreiros na igreja situada em frente à escola. Às 12h15min, contando 15 minutos de estrada em velocidade rápida de um carro de passeio, entre as duas escolas, alcançou-se a escola objeto da diligência, dando início à inspeção na escola Professor Crispim, Pág. 2 localidade de Buião, 5º Distrito de São Fidélis (fotos no anexo III). Em pouco tempo, várias pessoas se aproximaram para declinar questões contrárias ao fechamento da escola, inclusive o proprietário da mercearia (anexo III, foto 3) em frente à unidade, mães de alunos e até estudantes. As afirmações se pautaram na tristeza de várias mães que terão muitas dificuldades para dar continuidade aos estudos dos filhos. No local, os morados indicaram diversos alunos residentes atrás das altas montanhas situadas no entorno da região (anexo III, fotos 4, 5 e 6) na mesma localidade, afirmando que tais alunos levam 1 hora ou mais para chegarem à escola atual, no lombo de mulas e cavalos no meio do mato. Afirmaram que várias mães estariam sacrificando muito os seus filhos se o estudo ocorrer na localidade vizinha, colocando crianças de 4, 5 e 6 anos para percorrer longos caminhos no lombo de um animal por mais de 3 horas por dia (ida e volta), fazendo-os acordar no meio da madrugada enfrentar a mata ainda de noite, considerando que a maioria deles não conseguiria chegar a tempo de alcançar o horário do ônibus (6 horas da manhã). As afirmações e constatações geraram preocupação, causando a impressão de abandono escolar e aumento do analfabetismo, com “inexigibilidade de conduta diversa”, pois aos poucos as crianças deixariam de estudar e diminuiriam a coragem por parte das novas e futuras mães que residirem “atrás das montanhas”, não funcionando o sistema de transporte escolar à parcela importante dos estudantes. Às perguntas feitas, informaram que a escola possuiria uma média de 25 alunos e que as mães da localidade estão muito receosas pela ausência de um inspetor/monitor para proteger e ordenar os alunos no transporte público oferecido, relatando diversos casos de maldades feitas pelos mais velhos do grupo, temendo pelas crianças menores de 4, 5, 6 e 7 anos principalmente. Os moradores reclamaram, ainda, do não oferecimento da pré-escola às crianças menores. No interior da escola, foi constatada a existência de carteiras escolares, quadro de giz material, material de auxílio, livros, computadores, tudo em perfeito estado de uso (anexo III, foto 9, 10 e 11) podendo ser afirmado que NÃO faltaria material físico para início da atividade escolar. No local, foi encontrado uma placa fazendo referência à reforma da unidade em maio de 2012, com significativo gasto público, evidenciando possível improbidade administrativa decorrente da desativação do imóvel 9 meses depois, uma vez confirmado o fechamento da unidade escolar. Na escola, há um laboratório de informática do Programa Nacional de Tecnologia Educacional (ProInfo), muito provavelmente criado em decorrência da Pág. 3 Portaria nº 522/MEC 1 que exige como requisito um mínimo de 20 alunos por unidade beneficiada. Foi constatado ainda, um trabalho escolar com 23 nomes de alunos da escola, pendurado em uma das salas (anexo IV, foto 7), tudo isso a demonstrar o retrocesso da medida administrativa que decretou o fechamento da escola, já que apenas 10 nomes foram matriculados na nova escola deste ano, na localidade vizinha (fl. 219), deixando evidenciado um percentual superior à 50 % de evasão escolar. Foi constatado um elevado número de carteiras escolares, entre outros materiais, na primeira sala da referida escola. Foi informado pelos funcionários da Secretaria Municipal de Educação que todo o patrimônio presente naquela sala pertence ao Serviço de Convivência, que será instalado no local. Uma vez questionada a possibilidade de compartilhamento do espaço físico entre a escola e o serviço de convivência, foi informado que isso já é feito nas localidades de Colônia e Barro Branco. Acerca do laboratório de informática, foi dito pela aluna presente na diligência que em raras oportunidades a professora levava os alunos à sala dos computadores e que ela mesma só teria ido uma única vez nesses anos. Foi dito pelos funcionários da Secretaria Municipal de Educação que os computadores possuem o sistema operacional Linux Educacional, com diversas funções restritas, e que a maioria dos professores não tem conhecimento sobre a utilização do sistema, situação que se repete em diversas escolas. Segundo os representantes da Secretaria Municipal de Educação, o funcionamento da escola poderia ocorrer com um único professor, a depender da confirmação do número de matrículas, e uma merendeira, representando menor gasto público do que a destinação ou locação de transporte, combustível, contratação de motorista e monitor, sem contar o aumento da demanda por professores na decisão que concentra os alunos na escola nuclear de Valão dos Milagres. Conforme registrado no parágrafo acima, a escola de Valão dos Milagres está em péssimo estado de conservação, não possui laboratório de informática e muito provavelmente se socorre do sistema multisseriado, devido ao número e ao tamanho das salas, frente ao número de séries entre o 1º e o 9º ano. Diversos termos de declarações foram colhidos no local, conforme anexo III. A diligência se encerrou às 13h20min. 1 http://www.fnde.gov.br/programas/programa-nacional-de-tecnologia-educacional-proinfo/proinfoperguntas-frequentes Pág. 4 E.M. MARIA JALES COUTO Às 14h55min deu-se início à diligência na E.M. Maria Jales Couto, localizada em Tabua, 5º Distrito de São Fidélis (fotos em anexo IV). A escola oferece ensino da Educação Infantil ao 5º Ano do Ensino Fundamental. Observou-se a existência de 15 (quinze) carteiras em uma das salas, aparentemente todas usadas (anexo IV, foto 04). Foi informado pelos funcionários da Secretaria Municipal de Educação que havia 10 (dez) alunos na escola, mas que este ano seriam apenas 08 (oito), pois 02 (dois) alunos estão indo para o 6º ano do Ensino Fundamental, deixando entrever uma pequena evasão escolar frente ao confronto dos números. Na parede de uma das salas de aula, verificou-se um quadro com impressões em tinta da palma da mão dos alunos. Constatou-se haver 12 (doze) impressões, cada uma com um nome referente a seus alunos (João, Davi, Rosa, Yasmin, Lorena, Edir, Louisuene, Stefani, Rute, Bruna, Raiane e Kaike). No interior da escola, foi constatada a existência de carteiras escolares, quadro de giz material, material de auxílio, livros, computadores, tudo em perfeito estado de uso (anexo IV, fotos 04 e 06) podendo ser afirmado que NÃO faltaria material físico para início da atividade escolar, realizado por uma única professora e uma única merendeira. Os moradores da localidade se reuniram em frente à escola, na casa da Sra. Suely, onde prestaram suas declarações ao Promotor de Justiça (termos em anexo IV), colhidos em vídeo e por escrito. A partir do relato dos moradores, destacou-se a laboriosa atuação da professora da escola, moradora da mesma localidade, com indicação de ELOGIO e recomendação de manutenção na E.M. Maria Jales Couto, para dar continuidade ao trabalho que tem gerado excelentes resultados, tendo sido responsável pela educação e indicação de dois representantes de São Fidélis, nos últimos 8 anos, nas Olimpíadas de Português. A partir dos diversos relatos complementares, foi informado pelos moradores da localidade que a própria Diretora da escola em Barro Branco teria afirmado que os alunos oriundos da E.M. Maria Jales Couto seriam os melhores do Ensino Fundamental, 2º Segmento, do colégio em Barro Branco, justamente devido ao ensino que recebem no 1º Segmento do Ensino Fundamental na E.M. em Tabua, conforme se verifica pelo aproveitamento escolar dos alunos CLARA MOTA PANDINO, MAYKSON DE OLIVEIRA SANTANA (indicados e participantes das Olimpíadas de Português) e GABRIEL MERENDAZ ANDRADE (anexo IV, última foto). No que pertine ao funcionamento da escola, disseram que a educação infantil até Pág. 5 os 5 anos, através da pré-escola, deixou de ser oferecida há mais de 3 ou 4 anos, quando a escola perdeu sua segunda professora. Os moradores reclamaram do não cumprimento da lei, por acharem que as crianças menores não poderiam ficar sem a pré-escola. Os moradores, inclusive aqueles que não possuem filhos, relataram que os pais dos menores estão muito receosos pela ausência de um inspetor/monitor para proteger e ordenar os alunos no transporte público oferecido, relatando diversos casos de maldades feitas pelos mais velhos do grupo, temendo pelas crianças menores com idade de 3 à 6 anos principalmente. Às perguntas, disseram que há acidentes causados por empurrões de meninos maiores, quedas do ônibus com queixo na calçada e atendimento em hospital, em virtude de tais empurrões, falta de pessoa para guiar a chegada dos menores e controlar a entrada e saída da escola, com relatos de saídas solitárias de menor de 5 anos de idade, falta de cinto de segurança específico para menores, dentre outros problemas relatados na ocasião. A diligência se encerrou às 16h15min. E.M. SANTA RITA Às 17h teve início a diligência na E.M. Santa Rita, na localidade do Brejinho, 2º Distrito de São Fidélis (anexo V). De imediato, notou-se o dificultoso acesso à escola, com matagal e porteira que dá acesso a um aclive natural, coberto de vegetação, aparentemente, sem poda há vários meses (anexo V, foto 01). Adentrando a escola, um grupo de mães e alunos aguardavam para reclamar da medida administrativa, que torna difícil o acesso à educação por parte dos moradores do local (anexo V, foto 3). No interior da escola, foi observada a necessidade de reforma para melhoria e ampliação, limpeza do quintal, tapume, inclusive com vistas à criação de novos espaços lúdicos. Constatou-se, também, a necessidade da terraplanagem superficial do acesso à escola, aproximadamente 30 (trinta) metros entre a estrada de terra batida e a efetiva entrada da escola, a fim de facilitar o seu acesso, bem como retirada da porteira. No interior da escola, foi constatada a existência de carteiras escolares, quadro de giz material, material de auxílio, livros, vídeo/DVD, tudo em perfeito estado de uso (anexo V, fotos 5, 6, 7, 8 e 10) podendo ser afirmado que NÃO faltaria material físico para início da atividade escolar, bastando uma única professora e uma única merendeira. A escola não dispõe de pré-escola, conforme Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, o que também foi Pág. 6 objeto de reclamação por parte dos moradores que lá se faziam presentes. A escola também não possui sala dotada de computador. Em uma das fotos colhidas no local, há o registro dos nomes dos alunos anteriormente matriculados, com nomes de 11 alunos (anexo V, foto 9), deixando entrever evasão escolar se comparado com o número de matrículas deste ano, na nova escola (fl. 219). Devido ao sistema de dispersão de casas, todas afastadas da escola, verifica-se que o sistema de transporte escolar não funciona à parcela importante dos estudantes, o que também é motivo substancial à reversão da medida administrativa. Os termos de declarações foram colhidos no anexo IX e a diligência teve seu término às 17h25min. E.M. VENTUROSA Às 17h50min, na localidade de Venturosa, 2º Distrito de São Fidélis, teve início a diligência na escola (fotos em anexo VI). Apesar das informações e comunicados divulgados na rádio, não foram encontrados interessados no local. Nas proximidades da escola, encontrou-se uma família de moradores com crianças em idade escolar e que estudavam na E.M. Venturosa (anexo VI, última foto). Os moradores ouvidos informaram que a professora e a merendeira do ano 2013 faltavam muito ao serviço, deixando de trabalhar em caso de chuva ou mesmo de falta d´água, chegando a dizer que a escola “ficava mais tempo fechada do que aberta”, pois “tudo era empecilho para o funcionamento da escola” segundo Valdelina de Oliveira Gomes Gandra, nascida em 28/08/1978. O Sr. José Carlos da Silva Gomes (anexo VI, última foto, à direita), nascido em 02/08/1963, disse que a escola não funcionava corretamente, pois “a professora faltava muito”, “não tendo escola na maior parte das vezes”, tudo isso a exigir apuração disciplinar por parte da Secretaria de Educação. Informaram ainda, que diante da realidade em que viviam, com sucessivas faltas da professora e baixo nível de aprendizagem, preferiam ver as crianças estudando na E.M. Elvídio Costa, em São Fidélis, mesmo distantes quase 1 hora da cidade, se for de ônibus escolar. Ressalte-se, no entanto, que tal conclusão depreende-se do mau funcionamento da E.M. Venturosa. No interior da escola, foi constatada a existência de carteiras escolares, quadro de giz material, material de auxílio, livros, tudo em perfeito estado de uso (anexo VI, fotos 7 e 8) podendo ser afirmado que NÃO faltaria material físico para início da atividade escolar, bastando uma única professora e uma única merendeira. Malgrado o ensejo, o prédio possui Pág. 7 graves problemas estruturais, com rachaduras que precisam ser tratadas após estudos específicos por parte de engenheiro civil (anexo VI, foto 3), sendo único com aprovação do MINISTÉRIO PÚBLICO à desativação momentânea, com indicação de reforma e posterior funcionamento como creche e pré-escola. Foram colhidos depoimentos no local, conforme anexo VI. A diligência teve seu término às 18h15min. E.M. ÁGUA FRIA O último local a ser visitado foi percorrido entre o colégio substitutivo e a escola da localidade de Água Fria. O trajeto entre os dois pontos foi significativamente cansativo, com quase uma hora de estrada de terra batida, curvas, solavancos, trechos de difícil acesso em caso de chuva, tendo sido encontradas várias crianças e adultos ao longo do caminha até a escola, sendo prováveis moradores da localidade. A impressão inicial é de um transporte coletivo, a ser oferecido pela Prefeitura Municipal levaria em torno de 2 horas para o trajeto, considerando o veículo, as paradas, o terreno acidentado e a necessidade de segurança. A diligência na E.M. Água Fria teve início às 19h25min, na localidade de Água Fria, 1º Distrito de São Fidélis (fotos em anexo VII). Em uma das salas foram encontrados diversos trabalhos escolares, demonstrando que a escola está em perfeita atividade, tendo sido verificado fotos dos alunos. Destaque-se o trabalho por ocasião do Dia Internacional da Mulher com várias fotos de alunos (foto em apartado por amostragem), totalizando um mínimo de 09 (nove) estudantes em 2012, todos trajando uniformes e felizes com a atividade escolar em grupo (anexo VII, fotos 5 e 6). Em uma das salas de aula, foi encontrado um quadro de aniversariantes (anexo VII, foto 07) constando 12 (doze) nomes diversos (Anna Cláudia, Antônio, Pâmela, Edilane, João Paulo, Thiago, Eliane, Gabriel, Délcio, Gilvan e Ana Júlia). Na porta da mesma sala, há uma mensagem de boas-vindas aos alunos, seguida pelos seguintes nomes: Wellington, Raione, Pâmela, Miriam, Isac, Edilson, Daniel, Bruno e Antônio. Considerando que a Secretaria de Educação informou um número de 2 matrículas nesta ano, na escola destino, é possível verificar que o fechamento da escola gerou uma evasão escolar substancial, próximo à 90 %, número que serve como indicador para o nível de analfabetismo futuro na localidade e causa graves preocupações ao MINISTÉRIO PÚBLICO. No interior da escola, foi constatada a existência de carteiras Pág. 8 escolares, quadro de giz material, material de auxílio, livros, tudo em perfeito estado de uso (anexo VII, foto 4) podendo ser afirmado que NÃO faltaria material físico para início da atividade escolar, bastando uma única professora e uma única merendeira. Não foi encontrada sala dotada com computadores para os alunos. A escola fica situada no mesmo terreno da Igreja Batista de Água Fria. Devido ao sistema de dispersão de casas, todas afastadas da escola, verifica-se que o sistema de transporte escolar não funciona à parcela importante dos estudantes, o que também é motivo substancial à reversão da medida administrativa. Não foram encontrados moradores no entorno da escola para prestarem declarações, o que se justifica pelo horário. A diligência teve seu término às 19h40min. Ato seguinte, foi determinado o encerramento da inspeção externa, com 21 oitivas formais tomadas por termo, além das informais, tudo redigido e assinado por mim, __________________________________, Murilo Menezes, Assessor Jurídico do Ministério Público, Matrícula 6400, determinando-se o cumprimento do que segue: (1) juntada do relatório e fotos do GAP/MPRJ, bem como do vídeo das diligências; (2) designação de dia e hora para reunião com o Exmo. Sr. Prefeito Municipal e o Sr. Secretário de Educação; (3) encaminhamento de RECOMENDAÇÃO para não fechamento das escolas MARIA PORTO, PROF. CRISPIM, MARIA COUTO, SANTA RITA e AGUA FRIA, em conformidade com o art. 53, V, do ECA, mantendo-se o sistema de educação multisseriada nestes locais, sobretudo da ofensa à direitos básicos dos infantes em idade escolar, podendo-se até inferir que a retirada abrupta das crianças da comunidade em que vivem e nasceram trará significativos prejuízos ao sadio crescimento; (4) registro da conformidade quanto ao fechamento da escola em VENTUROSA, face à ausência de litígio ou discordância social; (5) encaminhamento de solicitação para instauração de procedimento para apuração das faltas e ineficiência da professora encarregada da escola municipal de VENTUROSA, diante das declarações dos moradores da localidade acima identificados; (6) encaminhamento de RECOMENDAÇÃO de oferecimento de creche e pré-escola em todas as 6 unidades escolares acima listadas, bem como projeto de oferecimento em todas as localidades abrangidas, considerando exigência legal no art. 4.º, I, da Lei 9394/96 (lei que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional); (7) que seja oficiado ao Exmo. Sr. Ministro da Educação, para conhecimento do problema e, especialmente, da ineficiente utilização dos laboratórios de informática oferecidos pelo Pág. 9 Programa Nacional de Tecnologia Educacional (ProInfo), por desconhecimento do sistema LINUX e BR OFFICE por parte dos professores e operadores, solicitando alteração dos softwares ou medida que garanta cursos específicos em cada um dos municípios e estação receptora do programa, abrangendo professores e alunos para conhecimento e aprendizagem, sobretudo com vistas a evitar o gasto público e a inutilidade do projeto; (8) em caso de confirmação de reabertura das escolas pelo poder público municipal, que seja encaminhado requisição de diligência ao Conselho Tutelar do Município, para que desenvolva trabalho de captação, convencimento e instrução dos moradores acerca da importância do ensino básico e fundamental das crianças e adolescentes, com informações de unidades escolares próximas à localidade, com vistas à diminuição da evasão escolar e melhor aproveitamento da estrutura educacional oferecida, especialmente nas localidades de GRAMINHA, BUIÃO (Prof. Crispim), SANTA RITA DO BREJINHO e, especialmente, ÁGUA FRIA, com afixação de cartazes em bares e mercearia, entrevista dos moradores (casa a casa), em conformidade com atribuições que decorrem dos arts. 56 e 57 do Estatuto da Criança e do Adolescente; (9) Deve ser registrado o empenho do MINISTÉRIO PÚBLICO quanto à questão, sendo certo que a lei dá legitimidade às postulações objetivando responsabilização do Prefeito e do Secretário, inclusive por crime de responsabilidade e improbidade administrativa, se comprovada a negligência da autoridade competente, para garantir o oferecimento do ensino obrigatório, em conformidade com o artigo 5.º, §§ 3.º e 4º da Lei 9394/96 (lei que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional); (10) Considerando a ótima impressão deixada pela Professora Silvania Ferreira Faria de Azevedo, encaminhe-se ELOGIO ao Sr. Secretário de Educação, em razão do empenho e dedicação à instrução dos meninos de sua escola, RECOMENDANDO, ainda, a continuidade de sua lotação no colégio da localidade em que mora, sobretudo em proveito dos próprios menores. FABIANO RANGEL MOREIRA Promotor de Justiça Mat. 2200 Pág. 10 ANEXO I Escola Maria José Pilar Barreto Porto ****** TERMOS DE DECLARAÇÕES Pág. 11 ANEXO I Escola Maria José Pilar Barreto Porto ****** FOTOS Pág. 12 ANEXO I – FOTOS – E.M. MARIA JOSÉ PILAR BARRETO Fachada frontal da E.M. Maria José Pilar Barreto Entorno da escola Pág. 13 Moradores da localidade Jucéia Cabral Pinheiro, moradora da localidade, prestando declarações conforme termo colhido. Pág. 14 RJ 158 – Em frente à E.M. Maria José Pilar Barreto Porto Pág. 15 ANEXO II Escola Professor Romualdo ****** FOTOS Pág. 16 ANEXO II – FOTOS - E.M. PROFESSOR ROMUALDO Obra do futuro prédio da E.M. Professor Romualdo – Entrada Obra do futuro prédio da E.M. Professor Romualdo – Pátio Pág. 17 Obra do futuro prédio da E.M. Professor Romualdo – Sala de Aula Obra do futuro prédio da E.M. Professor Romualdo – Sala de Aula Pág. 18 Atual prédio da E.M. Professor Romualdo Atual prédio da E.M. Professor Romualdo – Entorno Pág. 19 Atual prédio da E.M. Professor Romualdo – Sala de Aula Atual prédio da E.M. Professor Romualdo – Sala de Aula Pág. 20 Atual prédio da E.M. Professor Romualdo – Banheiro Pág. 21 ANEXO III Escola Professor Crispim ****** TERMOS DE DECLARAÇÕES Pág. 22 ANEXO III Escola Professor Crispim ****** FOTOS Pág. 23 ANEXO III – FOTOS – E.M. PROFESSOR CRISPIM E.M. Professor Crispim E.M. Professor Crispim – Entrada Pág. 24 Mercado em frente à E.M. Professor Crispim Campo de futebol que serve à recreação Pág. 25 Área no entorno da E.M. Professor Crispim, onde residem vários alunos. Localidade de Buião, 5º Distrito de São Fidélis Pág. 26 E.M. Professor Crispim – Entrada E.M. Professor Crispim Pág. 27 Quadro com nome de alunos encontrado em sala de aula na E.M. Professor Crispim E.M. Professor Crispim – Sala de Informática – Programa Federal que exige escolas com um mínimo de 20 alunos. Pág. 28 Sala estruturada da escola. Pág. 29 ANEXO IV Escola Maria Jales Couto ****** TERMOS DE DECLARAÇÕES Pág. 30 ANEXO IV Escola Maria Jales Couto ****** FOTOS Pág. 31 ANEXO IV – FOTOS – E.M. MARIA JALES COUTO Alunos da E.M. Maria Jales Couto E.M. Maria Jales Couto – Tabua, 5º Distrito de São Fidélis Pág. 32 E.M. Maria Jales Couto – Refeitório E.M. Maria Jales Couto - Sala de Aula Pág. 33 E.M. Maria Jales Couto – Trabalho escolar em sala de aula Carteira escolar utilizada por um dos alunos Pág. 34 Trabalho escolar em uma das salas de aula Pág. 35 Trabalho escolar em uma das salas de aula Parque de recreações ao lado da E.M. Maria Jales Couto Pág. 36 Alunos da E.M. Maria Jales Couto Pág. 37 Aproveitamento Escolar de aluno oriundo da E.M. Maria Jales Couto por amostragem Pág. 38 ANEXO V Escola Santa Rita ****** TERMOS DE DECLARAÇÕES Pág. 39 ANEXO V Escola Santa Rita ****** FOTOS Pág. 40 ANEXO V – FOTOS – E.M. SANTA RITA E.M. Santa Rita – Porteira de acesso E.M. Santa Rita – Estrada diante à porteira de acesso Pág. 41 Alguns dos alunos da E.M. Santa Rita E.M. Santa Rita Pág. 42 E.M. Santa Rita – Sala de aula. E.M. Santa Rita Pág. 43 E.M. Santa Rita – Sala da Diretora E.M. Santa Rita – Sala de aula Pág. 44 E.M. Santa Rita – Quadro de aniversariantes Pág. 45 E.M. Santa Rita – Trabalhos escolares Alunos da E.M. Santa Rita Pág. 46 Alunos da E.M. Santa Rita Pág. 47 ANEXO VI Escola Venturosa ****** TERMOS DE DECLARAÇÕES Pág. 48 ANEXO VI Escola Venturosa ****** FOTOS Pág. 49 ANEXO VI – FOTOS – E.M. VENTUROSA E.M. Venturosa E.M. Venturosa Pág. 50 Rachadura na fachada da E.M. Venturosa E.M. Venturosa Pág. 51 E.M. Venturosa E.M. Venturosa – Pátio de recreação Pág. 52 E.M. Venturosa – Livros em sala de aula E.M. Venturosa – Sala de Aula Pág. 53 Moradores de Venturosa Pág. 54 ANEXO VII Escola Água Fria ****** FOTOS Pág. 55 ANEXO VII – FOTOS – E.M. ÁGUA FRIA E.M. Água Fria E.M. Água Fria Pág. 56 E.M. Água Fria Televisão e aparelho de DVD em sala de aula – E.M. Água Fria Pág. 57 Quadro com fotos de pais e alunos da E.M. Água Fria Quadro no refeitório da E.M. Água Fria Pág. 58 Quadro de aniversariantes – E.M. Água Fria Pátio para recreação – E.M. Água Fria Pág. 59 ANEXO VII Escola Água Fria ****** FOTO ENCONTRADA NO LOCAL Pág. 60 ANEXO VII – FOTO ENCONTRADA NO LOCAL Pág. 61