CENTRO UNIVERSITÁRIO UNIVATES
CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA
INTERAÇÃO SOCIAL E FUTEBOL NO GRUPO CERVEJETARIANOS
FUTEBOL CLUBE
Roger André Reckziegel
Monografia apresentada na disciplina de
Trabalho de Conclusão de Curso, do curso
de Educação Física, como exigência parcial
para a obtenção do título de licenciatura em
Educação Física.
Orientador: Prof Ms Derli Juliano Neuenfeldt
Lajeado, 2006
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RESUMO
Esta pesquisa de campo é de caráter qualitativo e se caracteriza como um
estudo de caso etnográfico, contemplando a análise e investigação sobre Interação
Social e Futebol no Grupo Cervejetarianos Futebol Clube. Tem como objetivo
identificar e compreender a percepção de interação social dos participantes do
Grupo de Futebol Cervejetarianos a partir de seus encontros, conhecer a
representação do Grupo de Futebol Cervejetarianos para cada participante deste e
contextualizar referências bibliográficas à prática deste grupo. Pretendo assim
compreender como um pequeno grupo - entre os muitos que praticam futebol na
região – pensa a questão da Interação através do futebol, já que é um time que não
participa de competições, apenas joga amistosos com outras equipes fazendo com
que todos do grupo possam participar um pouco do jogo. O grupo é composto por 15
(quinze) integrantes, sendo que este trabalho foi desenvolvido com os demais 14
(catorze) integrantes do grupo, pois um deles sou eu. No estudo 11 (onze)
responderam a um questionário e 03 (três) a uma entrevista gravada que foi
transcrita. Além destes instrumentos de coleta, foram feitas também observações ao
longo dos encontros do grupo. Após todo trabalho de campo realizado, percebeu-se
o quanto o Grupo Cervejetarianos visa a interação de seus integrantes, conclui-se
também, conforme as entrevistas, questionários e observações, que este fora o
objetivo principal da formação deste grupo desde o seu início e que nunca
colocaram em primeiro lugar a competição. O futebol no Grupo Cervejetarianos é um
grande marco de conversas, amizades, formação de vínculos e trocas de
experiências entre seus integrantes.
PALAVRAS-CHAVE: Interação Social. Futebol. Grupo.
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SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO........................................................................................................05
1.2 Objetivos...............................................................................................................06
1.2.1 Objetivo Geral....................................................................................................06
1.2.2 Objetivos Específicos........................................................................................06
1.3 Justificativa...........................................................................................................07
2 REVISÃO DE LITERATURA..................................................................................08
2.1 Definição dos termos...........................................................................................08
2.2 Diálogo entre os autores .....................................................................................09
3 METODOLOGIA.....................................................................................................25
3.1 Caracterização da Pesquisa................................................................................25
3.2 A escolha do caso...............................................................................................27
3.2.1Os participantes do estudo.................................................................................27
3.3 Instrumentos e procedimentos de coleta de informação......................................28
3.3.1Observação........................................................................................................28
3.3.2 Entrevista...........................................................................................................30
3.3.3 Questionário......................................................................................................32
3.3.4 Análise de documentos.....................................................................................33
3.4 Procedimentos para análise das informações.....................................................33
4
4 ANALISANDO AS INFORMAÇÕES..................................................................... .35
4.1 Surgimento do grupo............................................................................................36
4.2 A escolha do local para os encontros e os eventos sociais.................................39
4.3 A perda de um amigo...........................................................................................42
4.4 As festas de garagem...........................................................................................44
4.5 Contextualizando a interação social no grupo.....................................................45
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS....................................................................................49
REFERÊNCIAS..........................................................................................................52
APÊNDICE.................................................................................................................55
Apêndice A: Instrumento de observação....................................................................55
Apêndice B Instrumento de entrevista........................................................................57
Apêndice C Termo de Consentimento Livre e Esclarecido........................................59
Apêndice D Questionário............................................................................................62
ANEXOS....................................................................................................................63
Anexo A......................................................................................................................64
Anexo B......................................................................................................................65
Anexo C......................................................................................................................66
Anexo D......................................................................................................................67
5
1 INTRODUÇÃO
Pesquisamos para conhecer o novo, para investigar o assunto pautado. O
Brasil e o mundo todo estão vivendo em cima de pesquisas e consequentemente de
novas descobertas, pois é através da pesquisa que temos a grande oportunidade de
descobrir o “novo”, o além do que até então foi descoberto.
A pesquisa é o grande meio investigativo que temos para abrir novos
“horizontes” e atravessar “fronteiras” e, as universidades vêm apostando em
pesquisas através do incentivo, com bolsas de estudo, ofertas de empregos, etc, e
das disciplinas favoráveis a projetos de pesquisa e aplicação das mesmas que, no
nosso futuro profissional podem vir a embasar nossas atividades profissionais.
Desta forma, esta pesquisa foi desenvolvida no Curso de Educação Física,
mais precisamente como Trabalho de Conclusão de Curso, e tem como tema a
Interação Social e Futebol no Grupo Cervejetarianos Futebol Clube.
A principal motivação para realizar este estudo deu-se a partir da minha
inserção no Grupo de Futebol Cervejetarianos no mês de janeiro de 2006, pois
comecei a perceber a riqueza da convivência dos integrantes, os diferentes modos
de vida, as diversas atividades profissionais, bem como as amizades construídas no
decorrer dos encontros.
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Desde minha infância pratiquei e gostei de futebol e esta também fora uma
motivação para construir a referida pesquisa. Na prática do futebol temos a
oportunidade de estabelecer diversas relações sociais e até mesmo nos vincularmos
com pessoas que nem conhecemos, estabelecendo laços de amizades e
companheirismo. Quero através deste estudo, identificar e compreender a
percepção de interação social, a representação que tem este grupo de Futebol para
cada integrante, contextualizando referências bibliográficas à prática do grupo.
No decorrer dos encontros passei, como integrante, a observar as variadas
formas de interação social realizadas e praticadas pelo Grupo Cervejetarianos, pois
articulamos nossa vinculação de diversas maneiras. Buscamos realizar atividades
variadas sempre objetivando a participação e integração do grupo. Como problema
surgiu: Qual é a representação de interação social no Grupo de Futebol
Cervejetarianos?
1.2 Objetivos
1.2.1 Objetivo Geral
Identificar e compreender a percepção de interação social dos participantes
do Grupo de Futebol Cervejetarianos a partir de seus encontros.
1.2.2 Objetivos Específicos
•
Conhecer a representação do Grupo de Futebol Cervejetarianos para cada
participante deste;
•
Contextualizar referências bibliográficas à prática do Grupo de Futebol
Cervejetarianos;
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1.3 Justificativa
Na região do Vale do Taquari, mais precisamente em Santa Clara do Sul, a
cultura do futebol é presente e significativa (RICHTER, 2005). Por essa condição, o
futebol torna-se um objeto de estudo importante para a área de conhecimento da
Educação Física na UNIVATES. Pretendo assim compreender como um pequeno
grupo - entre os muitos que praticam futebol na região – pensa a questão da
Interação através do futebol, já que é um time que não participa de competições,
apenas joga amistosos com outras equipes fazendo com que todos do grupo
possam participar um pouco do jogo.
Desta forma, espero contribuir com o conhecimento sobre esse tema na
comunidade da Educação Física da UNIVATES, perceber o que representa aquele
grupo para cada participante, fazendo assim com que todos aqueles que fazem
parte de um grupo parecido com este, quando lerem este estudo, possam refletir
sobre sua real participação num jogo de futebol.
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2 REVISÃO DE LITERATURA
2.1 Definição dos termos
Através da definição dos seguintes termos, procurei referendar a temática
analisando, refletindo e articulando a percepção dos diferentes autores com os
dados coletados na pesquisa.
Por interação social entendemos que:
A interação social baseia-se na intercomunicação, que se metodiza em
forma de diálogo. Participar é dialogar, é comungar interesses, sentimentos
e idéias; é comparar experiências e interesse; é viver em comunidade.
Contudo, a participação não é somente espontânea, muitas vezes ela é e
pode ser programada em qualquer tipo de organização ou instituição
[...].(Andrade, 1985).
Futebol: é um fenômeno social que a sociedade brasileira encontrou para se
expressar (Daolio, 2000). De acordo com Damazio (1998):
[...]o futebol é visto como atividade privilegiada, envolvendo não só os
jogadores, mas também aqueles que vão para o campo de futebol assistir
aos jogos, paquerar, conversar, ver as novidades, torcer para os times.
Apontam o futebol como fato social que serve como elemento de
identificação com a comunidade (p.152).
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Grupo: “é a reunião ou conjunto de pessoas, coisas ou objetos que se
abrangem no mesmo lance de olhos ou formam um todo (Ferreira, 1993, p.280)”.
2.2 Diálogo entre os autores
Vários são os autores como Carrano (2000) Damazio (1998), Damo (2002),
Daolio (2000/2005), Giulianotti (2002), Melo (2000), Stigger (1997/2002), Tubino
(1992), Vaz (2002), entre outros, que em suas literaturas falam sobre o esporte, e
principalmente do futebol. Fazem análises e estudam as suas influências na
sociedade. Desta forma, com certeza acreditamos que o futebol seja um dos
esportes mais populares e mais praticado em todo o mundo.
Giulianotti (2002) conta que o futebol é inegavelmente o principal esporte do
mundo. Nenhuma outra forma de cultura popular engendra uma paixão ampla e
participativa entre seus adeptos como a que se tem pelo futebol.
Cita ainda que em qualquer lugar, o futebol nos fornece uma espécie de mapa
cultural, que melhora nossa compreensão daquela sociedade. Sua centralidade
cultural, na maior parte das sociedades, significa que o futebol tem uma importância
política e simbólica profunda, já que o jogo pode contribuir fundamentalmente para
as ações sociais, filosofias práticas e identidades culturais de muitos povos.
Reforçando temos Vaz (2002) que diz
[...] o futebol é um esporte universalizado, mas que também constitui um
universo próprio no Brasil. Sua moldura é oferecida, por características que
encontram sua especial afirmação entre nós, como as maneiras de se
praticar esse esporte. Trata-se de uma forma peculiar de modernização,
que combina técnica e tática com malandragem, a competitividade e o
respeito às regras, tudo como expressão simbólica que integra nossa
identidade e coesão (Vaz, 2002, p.156-157).
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Podemos dizer que o futebol tem um impressionante poder de interação
social, qualificando-se como um tema bastante apropriado para contribuir com o
processo de conscientização de um mundo de igualdade e oportunidades para
todos.
Renovando este conceito do esporte que antes da década de setenta era
perspectivado somente pelo rendimento e que a partir daí passou por uma
modificação conceitual quanto a sua abrangência e consequentemente no seu
conteúdo, o esporte segundo Tubino (1992), pode ser entendido através de três
perspectivas com finalidades distintas: esporte-educação ou esporte Educacional , o
esporte popular e o esporte de rendimento.
O esporte-educação segundo Tubino (1992), é apenas mais um meio de
formação para a cidadania e para o lazer, e não pode se constituir numa reprodução
do esporte de rendimento.
O esporte popular, segundo Tubino (1992), em que o sentido participativo é
essencial, é um esporte espontâneo, comprometido com o bem estar social, e chega
até a possuir conexões com valores ligados a saúde dos seus praticantes.
Já o esporte de rendimento, perspectivado sempre na busca do espetáculo e
que propicia entretenimento, é aquela manifestação que tende a se tornar esportetrabalho. O esporte de rendimento, compromissado com o desempenho humano,
chegou ao seu paradigma específico em que os assuntos do fato esportivo são
tratados como negócio.
Sérgio apud Tubino (1992), propõe que o esporte seja cultura, que
compreenda um conjunto de noções, valores e atitudes que permitam às pessoas
tomar consciência de si e do mundo que as rodeia e, a partir daí, tenham uma
prática adequada de transformação do homem e das estruturas sociais. Desta
forma, considera Tubino (1992), que:
[...] o esporte é uma ação social que se desenvolve em forma lúdica, como
competição entre duas ou mais partes adversárias, ou contra a natureza, e
cujo resultado vem determinado pela habilidade, tática ou estratégia. O
fenômeno esportivo, reveste muitos significados simbólicos, pois abrange
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muitas características do jogo, e é neste ponto que se encontra com a
cultura, na qual a cultura física é considerada uma manifestação (p.84).
O esporte pode ter imbricado em si as características individuais de cada
sujeito e na interação grupal agregam-se as mais diversas características. Um grupo
certamente é um espaço onde existe a possibilidade de interagirmos com pessoas
de características até mesmo extremamente opostas as nossas. Em um grupo
articulado para a interação social ocorre que na maioria das vezes os participantes
acabam
por
ter
características
semelhantes
que
originam
nas
próprias
características do grupo em si, é desta forma que,
...a prática do esporte aparece como mais uma entre outras maneiras de
expressar um determinado estilo de vida, que está, assim, relacionado com
as escolhas que as pessoas e os grupos podem fazer dentro de um
universo sempre limitado de escolhas possíveis. O estilo de vida constitui a
maneira de ser do individuo que não deixa de ser influenciada pelo
contexto social mais ampliado, relativo às normas de condutas e posições
socioeconômicas que lhe são impostas (Giddens apud Stigger, 2002,
p.213).
Vivemos em uma sociedade capitalista voltada cada vez mais acirradamente
para as disputas econômicas, onde os indivíduos desta sociedade acabam por
estarem vivendo em um meio onde a comunicação, as amizades, os vínculos e a
interação social não fazem mais parte do nosso cotidiano de trabalho.
Nesta relação de capital x trabalho o ser humano para ser reconhecido como
sujeito de direitos nesta sociedade deve estar exercendo sua função social que é
trabalhar e produzir. Nesta insana busca por sujeitos produtores muitas vezes as
pessoas e até mesmo as empresas acabam por deixarem de lado os espaços de
interação social, de comunicação, troca de idéias,...
Por muitos anos priorizou-se este indivíduo trabalhador, que deve produzir e
produzir, mas com o limiar de várias greves e reivindicações de trabalhadores as
empresas passam a se dar conta de que o sujeito vai além destas necessidades
produtoras. Urge nos últimos anos a percepção empresarial de buscar qualidade de
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vida para os trabalhadores, e qualidade de vida é proporcionar a estes um ambiente
agradável de trabalho, onde ele sinta prazer em trabalhar e certamente não
deixando de produzir.
Para Damo (2002), sob vários aspectos, o futebol e outras práticas esportivas
desempenham em nossos dias um papel equilibrador das tensões psicossociais,
portanto, encontram-se fortemente entrelaçado às demais esferas da sociedade.
O que é difícil imaginar, nos dias de hoje, é alguma sociedade em que não
haja relação entre tempo de trabalho e tempo de não trabalho (aqui
incluído o lazer), na qual os seus integrantes não aproveitem esse último
para se recuperarem da fadiga causada pelo primeiro. Mesmo que haja
atualmente um grande investimento empresarial para que se transforme o
trabalho em algo agradável, no qual haja a realização pessoal, o que
significa aceitar que há a penetração de valores do prazer no mundo do
trabalho, é difícil pensar que, algum dia, teremos uma sociedade em que
não haja diferenças entre as obrigações e constrangimentos relacionados
com o trabalho e os sentimentos de liberdade e de prazer, presentes no
que o lazer significa (Stigger, 2002, p.228)
Stigger (2002), fez um estudo na cidade de Porto em Portugal, com três
grupos dos quais dois praticam futebol e um deles praticava vôlei, de índole informal,
aos finais de semana na beira da praia. Um deles chamado de Caídos na Praia que
tem um total de trinta e sete elementos, oriundos dos mais diversos locais daquela
cidade com diferentes posições sociais, e que desenvolvem diferentes atividades
profissionais, e apesar dessas diferenças, Stigger não identificou nada de relevante
que pudesse interferir na participação de cada um nas atividades do grupo. São
pessoas que gostam do esporte e de atividades físicas, dedicando parte de suas
vidas a este tipo de ocupação. Encontram nestas práticas o prazer, a forma física, a
manutenção da saúde, o convívio com os amigos, uma forma de aliviar o stress.
As idades encontram-se entre os 15 a 60 anos, sendo a maior parte dos
participantes homens na faixa etária dos 35 a 45 anos. Ao que parece,
todos os participantes tem vida social e familiar estruturada [...] (STIGGER,
2002, p.94).
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Segundo Stigger (2002), onde fala sobre as partidas de futebol dos Caídos,
estas são realizadas sempre no âmbito interno, entre equipes formadas pelos
primeiros 22 sócios que comparecem à sede. Desta forma, nunca competem contra
outros grupos, o que se relaciona com a intenção de controlar os níveis de
competitividade do futebol que praticam. Isto nota-se na fala de um dos integrantes
daquele grupo onde diz que:
[...] se diverte jogando na praia, sem as preocupações com os resultados
dos jogos: “jogar futebol na areia, para mim, é o melhor divertimento que
há”; “o nosso jogo de futebol na praia, o objetivo ali é pura e simplesmente
o gozo de jogar a bola. Não há preocupações como: hoje vamos jogar para
o empate, ou temos que ganhar e marcar três pontos”(Stigger, 2002, p.
118).
Segundo Stigger (2002), isto não significa que a atividade dos Caídos na
Praia não seja competitiva, mas o que está evidente nas suas estratégias é o
objetivo de alcançar um nível de competitividade que torne os jogos interessantes e
de acordo com o que é o espírito do grupo.
Stigger (2002), neste mesmo estudo, fala também do grupo dos Anônimos,
que chegam ao parque da cidade na expectativa de conseguirem pessoas com
quem jogar uma partida de futebol. Foram assim denominados por Stigger (2002),
por serem pessoas que saem das suas casas para freqüentar aquele local sem
saber exatamente quem serão os seus parceiros e mesmo se terão com quem jogar
futebol.
De maneira geral, os Anônimos são indivíduos de diferentes estratos
sociais, com formação cultural e profissional diferenciada, dividindo-se
basicamente entre estudantes (segundo ciclo universitário) e trabalhadores
de diversas profissões de nível técnico, não necessariamente especializado
(vendedor, conferente de amostras de peles sintéticas, padeiro, empregado
de escritório, segurança, serralheiro, empregado da área comercial). Na
sua maioria são moradores da região, que se deslocam em poucos minutos
das suas residências até o parque (Stigger, 2002. p.139).
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Em muitos grupos de futebol que visam a interação social existem
participantes das mais diversas idades, dos mais diversos lugares ou bairros, porém
existem características e aspectos que os assemelham, podem não serem iguais,
mas em determinados aspectos são parecidos.
É nos esportes que todos os homens são iguais independente do nível
social, credo religioso, raça, cor da pele ou nacionalidade. O futebol é um
meio de educação, de confraternização e também um espelho em que o
sonho da realização das crianças e jovens navega (Borsari, 2002, p.15-16).
Stigger (1997) em um outro estudo sobre dois grupos de futebol de veteranos
em Porto Alegre, identificou diversas relações que aproximavam os integrantes,
como, por exemplo, o parentesco, amizades, conterraneidade e até pessoas de
municípios vizinhos, tudo para fazer parte de um grupo que se reunia em espaços
públicos na cidade de Porto Alegre para jogar futebol. Estes grupos que praticam
esporte nos finais de semana, segundo Mota apud Stigger (1997), considera ser um
espaço e um tempo próprios da existência individual e um fenômeno orientado para
a realização do sujeito.
Para DaMatta apud Vaz (2002), o futebol seria uma das raras oportunidades
para a sociedade brasileira organizar-se coletivamente em torno de um objetivo
comum, atuando de modo coordenado. Poderia ser o futebol ainda, um campo de
vivências de sucesso, de vitórias e de êxito, e como tal teria uma inegável força
integrativa. E junto com seu caráter de força integradora, o futebol seria uma
excelente representação da democracia, exemplo de evento cultural em que as
regras são universais e do conhecimento de todos.
Mesmo existindo um grupo onde a idade seja um aspecto bastante
diferenciador, certamente existem elementos como: estrutura e organização familiar,
atividades econômicas e culturais que de uma forma ou de outro acaba por
aproximando os participantes.
As pessoas depositam na prática do futebol de finais de semana a busca pela
saída ou fuga do sedentarismo e também almejam conversar, distrair e se
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desestressar. O que ficou evidente em uma das falas de um participante do estudo
de Stigger (2002).
Além do gosto, a manutenção da saúde: tentar equilibrar a vida sedentária
que a gente leva, com o equilibrar a saúde, a gordura. Portanto, praticar
desporto, para mim, essencialmente é por uma questão de saúde, de
convívio com outras pessoas e gostar (Stigger, 2002 p.95).
No contato com diversas pessoas tem-se a oportunidade de por alguns
instantes pensar em outras coisas que vão além do nosso corriqueiro trabalho, da
vida familiar e econômica. Busca-se articular um espaço de descontração, de
criação de novos laços de amizade, troca de idéias... Segundo Daolio (2005, p.04) “
somente com uma abordagem baseada nas ciências humanas, [...] é que se pode
compreender o futebol como parte integrante da vida dos brasileiros e brasileiras”.
Pensando desta maneira que:
[...] o esporte deve ser visto como um fenômeno humano que constitui um
conjunto social e cultural que deve ser analisado de forma completa, ou
seja, como um sistema de normas, valores e representações que encontra
a sua orientação em aspectos mais amplos da sociedade (Stigger, 2002,
p.17).
Ao abordar a questão do lazer, Stigger apud Richter (2005), o compreende
não como um conjunto de formas de ocupar o tempo livre de trabalho, mas como
atividade relacionada com o interesse próprio e o prazer individual. Entende-se que,
por um lado, o lazer é o resultado de um processo de desenvolvimento de novas
formas de produção, por outro, ele já é parte constituinte da sociedade
contemporânea. No sentido moderno, ele surge como parte do tempo livre
institucionalizado, do qual talvez o maior exemplo seja o fim de semana, aqueles
dias inventados pelos homens ao longo de uma história bastante complexa,
tornaram-se indiscutivelmente, o período privilegiado para o lazer das sociedades
contemporâneas.
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Durante o seu trabalho realizado com atletas amadores, “de finais de
semana”, Richter (2005) chegou à conclusão de que vários participantes fazem
comparações com aquele esporte que é praticado nas competições oficiais, entre
clubes federados, mesmo amadores. Para vários destes informantes, a busca do
resultado é parte fundamental dos universos esportivos oficiais, pois há lá sempre
alguma coisa em jogo, aspecto que os diferencia do seu esporte, no qual o que
acontece é a prática do jogo pelo jogo. Conseqüentemente, Stigger (2002) acredita
na existência do esporte “desinteressado”.
Conforme as análises anteriores demonstram, eles parecem estar reunidos
a partir de uma lógica de sociabilidade próxima do que Simmel (1983)
identifica como uma forma lúdica de sociação, na qual os participantes dos
três grupos desenvolvem as suas atividades, pautadas numa relação
destituída de interesses e sustentada fundamentalmente na fruição
prazerosa, assim como no encontro entre os sujeitos. A sociabilidade,
construída através da interação entre estes indivíduos, passa assim a ser
como que um fim em si mesma, expressa na palavra nativa convívio
(Stigger, 2002, p.222).
Trata-se de uma participação que, como afirma DaMatta (1994), permite
“redefinir a identidade social num nível mais amplo. Um nível que é a um só
tempo nacional e cívico, pois fica além da casa e da família. Um nível que
tem a ver com um universo feito de indivíduos e de normas universais e
que se realiza concretamente na ‘rua’ – no estádio em pleno domínio
público” (DaMatta apud Damo, 2002, p.36).
Podemos citar novamente Stigger (1997) em seu estudo com os Veteranos
em Porto Alegre, onde observou as mais diversas formas de relacionamento
naquele grupo, que a partir daquela prática faziam gozações entre companheiros,
uns porque não se identificam muito com aquele jogo, mas estão ali para participar,
e outros que muitas vezes faltam. Num dos trechos observados Stigger (1997)
destaca as seguintes falas: “.o Caco fez o primeiro (gol) da vida dele”, “...o Haroldo
(que havia faltado) não deixou saudades. Um “jogo de palavras” que acontecia
entre os participantes e era levado como forma de brincadeira.
É a partir destas formas de relacionamentos, onde as pessoas comunicam-se
e relacionam-se trocando idéias e interesses que Andrade (1985) nos diz que,
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A interação social baseia-se na intercomunicação, que se metodiza em
forma de diálogo. Participar é dialogar, é comungar interesses, sentimentos
e idéias; é comparar experiências e interesse; é viver em comunidade.
Contudo, a participação não é somente espontânea, muitas vezes ela é e
pode ser programada em qualquer tipo de organização ou instituição [...].
(Andrade, 1985).
Antes de falarmos de futebol e do grupo a ser estudado, devemos conhecer
um pouco da história deste esporte praticado por tantos grupos, e principalmente o
Grupo dos Cervejetarianos, na região do Vale do Taquari e também em todo país.
Este esporte que tem diversas funções, que leva multidões aos estádios, que é uma
paixão do povo, que faz do fanatismo a junção de milhões de pessoas para
torcerem, festejarem e comemorarem com o seu time, e que faz também, muitos se
envolverem em brigas para defender uma camisa e às vezes pagarem com a própria
vida.
Bouet propõe-se ainda a explicar as funções do esporte, concluindo desta
análise que este não é um fenômeno homogêneo, mas que se expressaria
numa grande pluralidade, relacionada com fatores diferenciais (sexo, idade,
profissão, meio sócio-econômico e realidades de cada país). A partir disto,
apresenta – classificando sempre na forma de uma tipologia ideal –
diversas funções e papéis que o esporte desempenharia (função de
espetáculo, função comercial, função de lazer, papel educativo, papel de
adaptação e preparação para o trabalho etc.), as quais identifica como
aspectos extrínsecos ao esporte. Preocupado em compreender estes
aspectos extrínsecos e as contradições com eles relacionadas, acaba por
criticar o esporte de forma veemente, pois conclui que a competição
domina quase toda a sua significação no momento atual (Stigger, 2002,
p.18).
Carrano (2000) citado por Richter, traz um exemplo do poder da mídia quando
utiliza o futebol que durante a Copa do Mundo de 1998, numa pequena cidade da
Albânia, um cartório registrou no curto espaço de uma semana, quinze crianças com
o nome de Ronaldinho. Assim muitos outros jovens e praticantes buscam imitar o
estilo do craque nos campos de várzea, nas escolinhas de futebol, nas peladas de
rua, nos pátios e nas escolas. Desta forma,
18
É preciso reconhecer que o futebol não é apenas o território simbólico da
paixão esportiva e do prazer corporal do movimento. Ele é também um
contexto de disputas ideológicas, que pode tanto desenvolver a paixão
criadora, o espírito coletivo da disputa ética, fair-play, quanto estimular a
idolatria, a competitividade individualista e o amor ao dinheiro e às
mercadorias globais (Carrano, 2000, p.110).
Segundo Melo (2000), foi Charles Miller o introdutor do futebol no Brasil,
quando em 1894, trouxe da Inglaterra duas bolas de futebol em sua bagagem,
organizando os primeiros jogos entre sócios do São Paulo Athletic Club.
Mas teria sido realmente Miller o introdutor do futebol, no Brasil? Vocês não
acham estranho que um homem trouxesse uma bola, e poucos anos mais
tarde, grande parte da população brasileira já praticasse o esporte? Não
haveria antecedentes que pudessem ajudar-nos a entender melhor tão
rápida difusão? (Melo, 2000, p.17).
Segundo Melo (2000), não era possível observar um campo esportivo
propriamente dito em relação ao futebol, antes da chegada de Charles Miller, mas já
se praticava esse esporte seguindo as normas padronizadas na Inglaterra (portanto,
reproduzindo o campo esportivo inglês), em alguns locais. Já conhecíamos as bases
do moderno esporte futebol, sem que ele tivesse se desenvolvido por completo. E
Miller deu um impulso fundamental para a sua completa organização. Mas que
locais eram esses onde se praticava o futebol?
Por meio da observação do cotidiano brasileiro, tem-se a dimensão do quanto
esse esporte faz parte do dia-a-dia da nossa sociedade.
Podemos perceber que em Lajeado, aos finais de semana, o futebol é um dos
esportes mais praticados pela população masculina, tanto em jogos amistosos
quanto em competições. Quando falamos em jogos amistosos, podemos citar a sede
da Parmalat, localizada no bairro Universitário, onde além do Grupo Cervejetarianos,
temos também outros grupos que praticam este esporte naquele mesmo local,
porém em horários diferentes, o Sesi, a Sede da AMEL (Associação dos médicos de
Lajeado) também localizados no Bairro Universitário, o centro esportivo da
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transportadora Giovanella, localizado na RST 130 próximo ao posto do Arco, entre
outros. Além dos locais onde o futebol é competição, como por exemplo o
campeonato do Clube Tiro e Caça e do Clube Sete de Setembro.
O futebol mostra-se, assim, veículo para uma série de dramatizações no
campo individual e no mundo social. Para DaMatta (1982), um dos traços
essenciais do drama é a sua capacidade de chamar a atenção, revelar,
representar e descobrir relações, valores e ideologias que podem estar em
estado de latência ou virtualidade em dado sistema social (Silva, 2005, p.
23).
Segundo Melo (2000), o futebol chegou ao Brasil através das escolas. Por
exemplo, nos colégios Jesuítas, especificamente no Colégio São Luiz (Itu-SP) e no
Colégio Anchieta (Nova Friburgo – RJ). Não é difícil compreender os motivos da
prática desse esporte nessas escolas.
Assim, desde o início de 1880, os colégios de Jesuítas da Itália ofereciam,
sob um certo controle, o futebol a seus alunos, esporte já bastante desenvolvido
naquele País. Os colégios Jesuítas tinham o que se considerava uma das linhas
pedagógicas mais avançadas do mundo, na época.
No Brasil, desde os tempos da Colônia, existiam colégios Jesuítas, e foi
provavelmente através deles que chegaram as primeiras bolas de futebol e
se realizaram os primeiros jogos. Como dissemos, ainda não havia clubes,
campeonatos e entidades, mas o esporte praticado já era o futebol
moderno segundo o modelo inglês (Melo, 2000, p.19).
Melo (2000) diz ainda que no colégio São Luiz o futebol era praticado desde
1880 e que quando as bolas vindas da Europa furavam, eram substituídas por
bexigas de boi.
Melo (2000) acredita que além dos colégios, existiu outra via possível de
entrada do futebol, no Brasil: por meio de funcionários ingleses que aqui moravam,
trabalhando em empresas do seu país de origem. É o caso do ramo ferroviário (São
20
Paulo Railway e Leopoldina Railway, no Rio de Janeiro), companhias de navegação,
bancos, etc.
A ênfase da prática do futebol não pode estar na produção e comprovação
de rendimentos, mas sim na motivação dos jovens para uma prática
futebolística por toda a vida. Não podemos e não devemos atrelar os
nossos objetivos exclusivamente ao estímulo do rendimento no jogar
futebol; podemos e devemos buscar a satisfação motivadora do futebol,
que servirá para os indivíduos em diferentes épocas e situações (Moreira,
Pellegrinotti, Hebling, 1992, p.39).
Para que um grupo possa ter um funcionamento adequado e dentro de alguns
padrões que se espera, deve-se ter uma organização, alguns critérios e regras. O
ser humano é imbricado de vivências, de sua história de vida, capacidades,
experiências, sentimentos e nós precisamos que em alguns momentos de nossa
vida nos sejam impostos limites. Somos sujeitos muitas vezes incapazes de
perceber o quanto carecemos que sempre em um grupo social alguém nos
coordene, nos imponha limites, regras e barreiras.
Segundo Argyle (1969), nos estágios iniciais de um grupo o problema é atingir
um padrão de equilíbrio de interação e relações, que seja suficientemente aceitável
para todos os membros. Uma vez que o equilíbrio tenha sido estabelecido, o grupo
persistirá
numa
condição
estável.
Entretanto,
ocorrerão
desenvolvimentos
posteriores lentos, porque o grupo terá que se ajustar a mudanças no mundo
externo, e porque os membros do grupo podem tentar introduzir mudanças nas
atividades e objetivos do grupo.
Argyle (1969) diz ainda que um líder hábil pode ajudar a produzir o
entrosamento – integrando recém-chegados e isolados, suavizando e resolvendo
conflitos e tentando maximizar as satisfações interpessoais. É claro que como em
qualquer grupo social, existem algumas questões que geram intrigas e até mesmo
uma discordância de opiniões. Sabe-se que um grupo saudável possui suas
opiniões adversas, seus pensamentos difusos, e certamente estes elementos
contribuem para o crescimento do grupo, pois se tem a oportunidade de conhecer e
saber o pensamento das pessoas e como cada um de nós pode pensar de uma
21
forma diferente. Muitas vezes juntar os vários pensamentos e as idéias agregam na
construção de algo diferente do que cada um pensou, pois se somaram as
diferentes idéias na busca de um ideal.
Ora, se o brasileiro traz em sua dinâmica cultural características mágicas,
religiosas, superticiosas, crendices, etc, e se o futebol se expressa e
espelha a cultura, então o futebol também apresenta essas características
(Daolio, 2005, p.06).
Nós seres humanos somos instigados para a competição, e muitas vezes
carecemos desta para encontrar prazer em realizar determinadas atividades. O jogo
é algo muito concreto é que tradicionalmente e historicamente tem um valor
instituído em si que é a competição. Pode se perceber isto na fala de um dos
integrantes do estudo de Stigger (2002).
No desporto, é evidente, o que dá gozo, fundamentalmente, é passar um
bocado, um bom bocado. O aspecto competitivo, eu acho que é
fundamental, embora as pessoas digam que não, mesmo neste tipo de
amizade, na conta final os resultados não contam, mas quando se vive o
desporto, o aspecto competitivo acho que é fundamental. Mesmo em
qualquer desporto tem que haver competição. Se não tiver este
“temperozinho”, o desporto faz-se por se fazer; então as pessoas recreiamse, podem se recrear. Se não for um jogo deixa de ser um jogo, vai-se
recrear então, bate-se uma bolinha, mas não há aquela motivação.
(Stigger, 2002, p. 122).
Competição esta que pode dar-se nos mais diversos graus. Esta competição
é que move muitos sujeitos na busca pela conquista, pela vitória e pela superação.
[...] O objetivo de uma competição é a vitória. A mera concorrência é um
defunto olímpico. Mas a vitória é um objetivo final; e há objetivos
intermediários. Por isso, tudo se reveste de significação e importância, e a
vitória começa pela construção defensiva. O melhor e mais acabado futebol
não é aquele que ousa levianamente mas justamente aquele que se
organiza criteriosamente para a vitória [...](Ostermann, 1976, p. 61).
22
O ser humano é extremamente instigante consigo mesmo e busca
cotidianamente em sua vida superar seus próprios limites em busca de vitórias. A
competitividade é uma mola impulsora para irmos em busca de nossa própria
satisfação do ego e também de destaque perceptível aos demais.
Dessa forma, ao mesmo tempo em que se identifica momentos bastante
lúdicos nas gozações, há também muita seriedade naquele contexto. O
jogo em si é bastante sério e muito voltado para a busca de vitórias, o que
tem determinado em muito das demais características do grupo (Stigger,
1997, p.57).
Perguntamo-nos então porque a escolha pela prática do futebol. Daolio (2000)
tem uma explicação para tal. Diz em um trecho de seu artigo sobre “As contradições
do futebol brasileiro”, que uma das explicações para a popularização do futebol
brasileiro seria a facilidade da prática desse esporte, quer em termos de regras, quer
em termos de espaço e equipamentos. Sua prática pode acontecer em qualquer
lugar – campo, quadra, praia, terreno baldio, rua – e a bola, o único material
obrigatório, pode ser representada por uma bola de meia, de plástico, uma lata, uma
tampinha etc. Com uniforme completo ou não, com bola de couro ou não, em um
campo demarcado ou não, todos jogam futebol.
O futebol já nasceu na várzea (locais dos primeiros campos, às margens
do Rio Tietê, em São Paulo) e logo, muitas pessoas, mesmo não ligadas
aos clubes aristocráticos, estariam assistindo ao espetáculo. Talvez isso
explique a popularidade desse esporte. Os esportes anteriores (turfe,
críquete) exigiam espaços específicos e equipamentos caros. Já o futebol,
não: qualquer várzea, em que se colocasse pedaços de pau como traves,
eo improviso de bolas, que poderiam ser feitas de material barato (como
bexigas de boi), adequavam-se perfeitamente à sua prática (Melo, 2000,
p.21).
Giulianotti (2002), entende que o futebol tem algumas características
essenciais que contribuem para sua popularidade, provavelmente, a mais importante
é a relativa simplicidade das regras, dos equipamentos e das técnicas corporais do
jogo.
23
[...] o futebol é um esporte universalizado, mas que também constitui um
universo próprio no Brasil. Sua moldura é oferecida, por características que
encontram sua especial afirmação entre nós, como as maneiras de se
praticar esse esporte. Trata-se de uma forma peculiar de modernização,
que combina técnica e tática com malandragem, a competitividade e o
respeito às regras, tudo como expressão simbólica que integra nossa
identidade e coesão (Vaz, 2002, p.157).
Desde nossa infância somos permeados por atividades competitivas e, a
maioria das situações de nossas vidas também está implicada pela questão
competitiva. A sociedade capitalista na qual vivemos tem como marco a competição,
a busca pelo espaço de cada um. Estamos sempre na busca do desenvolvimento e
de melhorias para nossas vidas, buscando subsídios para o desenvolvimento
constante da nossa trajetória tanto na vida profissional quanto na particular, e para
que tal desenvolvimento aconteça, buscamos indicadores que façam com que tal
fato se realize. Podemos dizer que é no futebol que muitos buscam motivação para
o trabalho.
Damazio (1998), em um estudo sobre a representação social do futebol na
comunidade rural de Santa Rosa, distrito de Teresópolis na região serrana do
Estado do Rio de Janeiro, diz que o futebol é visto como um indicador e um fator de
desenvolvimento. Segundo relatos da comunidade daquele local, o futebol é o que
movimenta o lugar, é o que chama as pessoas para ali, o dia em que tem jogo enche
o lugar, vem gente de todos os lugares. E no dia em que não tem jogo aquela
comunidade é parada, não tem nada, fazendo com que o comércio fique fraco e
conseqüentemente as vendas diminuam.
[...]o futebol é visto como atividade privilegiada, envolvendo não só os
jogadores, mas também aqueles que vão para o campo de futebol assistir
aos jogos, paquerar, conversar, ver as novidades, torcer para os times.
Apontam o futebol como fato social que serve como elemento de
identificação com a comunidade (Damazio, 1998, p.152).
Damazio relata ainda que em Santa Rosa, o futebol se enquadra nesse
conjunto de ocupações vivenciadas após a realização de tarefas obrigatórias. Que o
24
campo de futebol e os espaços ao seu redor representam o palco onde se
concretizam os interesses e os desejos de evasão, de fugir da rotina, num sentido
de coletividade para os moradores da comunidade.
“O futebol é a diversão do local, porque aqui na roça, a diversão é pouca, aí é
o futebol. Acabou o jogo,vai bater papo, vai para o botequim tomar cerveja,
comentar se o jogo foi bom, ruim”. Relata um dos moradores e participantes do jogo
daquele local.
A partir destas referências pode-se ter um embasamento para a realização
deste trabalho sobre a Interação Social e o futebol do grupo Cervejetarianos Futebol
Clube, bem como servirão para a análise e conclusões dos dados obtidos ao longo
do trabalho de campo.
25
3 METODOLOGIA
3.1 Caracterização da Pesquisa
Para desenvolver a temática sobre a Interação Social e Futebol no Grupo
Cervejetarianos Futebol Clube, utilizei a pesquisa de caráter qualitativo, que se
caracteriza como um estudo de caso etnográfico.
A perspectiva da pesquisa qualitativa se difere daquela embasada em
métodos quantitativos, pois segundo Negrine (1999), a pesquisa qualitativa constituise pela investigação, análise e interpretação das informações coletadas durante o
processo investigativo, buscando a contextualização destas informações a realidade
apresentada.
Alguns autores entendem a pesquisa qualitativa como uma “expressão
genérica”. Isto significa, por um lado que ela compreende atividades de
investigação que podem ser denominadas especificas. E, por outro, que
todas elas podem ser caracterizadas por traços comuns. Esta é uma idéia
fundamental que pode ajudar a ter uma visão mais clara do que pode
chegar a realizar um pesquisador que tem por objetivo atingir uma
interpretação da realidade do ângulo qualitativo (Triviños, 1987, p.120).
Segundo Triviños (1987), a pesquisa qualitativa tem suas raízes nas práticas
desenvolvidas pelos antropólogos, primeiro, e em seguida pelos sociólogos em seus
estudos sobre a vida em comunidade. A tradição antropológica da pesquisa
26
qualitativa faz com que esta seja conhecida como investigação etnográfica. Triviños
(1987) reconhece a pesquisa etnográfica como uma forma específica de
investigação qualitativa. Esta informação é importante, porque significa que o tipo de
inquisição que estamos procurando caracterizar recebe todas as peculiaridades que
fazem diferente o enfoque etnográfico, de modo que, ao descrever brevemente este,
estamos descrevendo um tipo de pesquisa qualitativa.
Podemos ter diferentes concepções quanto ao sentido do termo etnografia, ou
pesquisa etnográfica. Temos certeza que a compreensão deste não é tarefa fácil
para nós. Triviños (1987), nos diz que em forma muito ampla é o estudo da cultura.
Uma noção desta natureza, vaga, complexa, geral, serve, não obstante, para obter
dela algumas premissas que se consideram básicas na pesquisa etnográfica. A
primeira é que existe um mundo cultural que precisa ser conhecido, que se tem
interesse em conhecer. Isto pode significar, e de fato na Antropologia foi assim, que,
pelo menos, estamos em presença de duas realidades culturais: a que se deseja
conhecer e a que é própria do investigador.
A Etnografia baseia suas conclusões nas descrições do real cultural que
lhe interessa para tirar delas os significados que têm para as pessoas que
pertencem a essa realidade. Isto obriga os sujeitos e o investigador a uma
participação ativa onde se compartilham modos culturais (tipos de
refeições, formas de lazer, etc) (Triviños, 1987, p.121).
O que é o Estudo de Caso? Segundo Triviños (1987) é uma categoria de
pesquisa cujo objeto é uma unidade que se analisa aprofundadamente. Esta
definição determina suas características que são dadas por duas circunstâncias,
principalmente. Por um lado, a natureza e abrangência da unidade. Esta pode ser
um sujeito. Em segundo lugar, também a complexidade do Estudo de Caso está
determinada pelos suportes teóricos que servem de orientação em seu trabalho ao
investigador.
Triviños (1987), lembra também que no Estudo de Caso qualitativo, onde nem
as hipóteses nem os esquemas de inquisição estão aprioristicamente estabelecidos,
a complexidade do exame aumenta à medida que se aprofunda no assunto. A
simplicidade dos primeiros passos do investigador, tanto do noviço como do
27
experiente, pode conduzir o primeiro, o pesquisador incipiente, para apreciações
equivocadas sobre o valor científico de seu trabalho. Este, por outro lado, marcado
mais que outros tipos de pesquisa qualitativa, pela implicação do sujeito no processo
e pelos resultados do estudo, exige severidade maior na objetivação, originalidade,
coerência e consistência das idéias.
3.2 A Escolha do Caso
A pesquisa foi realizada com o Grupo de Futebol Cervejetarianos que é
composto por 15 integrantes, sendo que eu sou um deles. A pesquisa aconteceu no
período de Setembro a Novembro do ano de 2006, investigando-se a partir dos
encontros do grupo, tanto aos sábados à tarde, quanto nos encontros durante a
semana, almoços e jantares. Estes encontros acontecem geralmente na sede da
Parmalat no bairro Universitário da cidade de Lajeado, sendo que às vezes os jogos
são em outro local, dependendo do time com quem vão jogar.
Desde a minha inclusão no grupo em Janeiro de 2006, venho observando a
riqueza dos encontros dos integrantes desta equipe. Percebi que não se reúnem
apenas para jogar futebol, e sim para dialogar, trocar idéias, tomar cerveja e fazer
novas amizades com integrantes de outras equipes. A partir daí que tive a
curiosidade de conhecer mais sobre este grupo através de um estudo que trata do
futebol e da Interação social.
3.2.1 Os participantes do estudo
O grupo é composto por 15 integrantes, sendo que fizeram parte da pesquisa
14 integrantes do grupo, pois um deles sou eu, sendo esta composta pela
observação e registros, a entrevista com o presidente, o mais velho integrante e o
penúltimo a entrar no grupo, já que o último sou eu, e um questionário aplicado aos
demais.
28
3.3 Instrumentos e procedimentos de coleta de informações
Os instrumentos de coleta das informações, tiveram como objetivo saber qual
a representação de Interação Social para os integrantes do grupo relacionado com a
prática do futebol que vem se realizando ao longo do tempo, como estes percebem
o grupo e sua participação, bem como traçar um breve perfil dos participantes (faixa
etária, atividade profissional, tempo em que integra o grupo).
O projeto desta pesquisa foi aprovado pelo Comitê de ética em pesquisa do
Centro Universitário UNIVATES, conforme anexo A.
3.3.1 Observação
Um dos instrumentos que foi utilizado nesta pesquisa qualitativa é a
observação semi-estruturada, pois outros fatos relevantes podem surgir no decorrer
do processo, não se fechando a observação apenas às pautas já elaboradas,
conforme Apêndice A.
“A observação de uma determinada situação quanto mais descritiva for, mais
saudável se apresenta ao momento seguinte, isto é, momento de análise das
informações” (Negrine, 1999, p. 65).
As observações deram-se ao longo dos encontros do Grupo Cervejetarianos,
ou seja, jogos de futebol, jantares, bailes, passeios em diferentes momentos os
quais pude coletar informações do grupo em ação nos mais variados espaços de
atuação. Ao final de cada observação descrevi os fatos observados.
As modalidades de observação podem variar de acordo com os objetivos,
estratégias e situações de contexto onde se pretende colher as
informações. Nesse sentido podemos categorizar algumas modalidades
como: Segundo estratégias utilizadas a observação poderá ser:
estruturada, semi-estruturada, não-estruturada. Segundo o papel
desempenhado pelo observador, a observação poderá ser: participante ou
29
ativa, não-participante ou passiva. Segundo o número de observadores, a
observação poderá ser: individual, em equipe. Segundo o lugar onde se
realiza, a observação poderá ser: de situações concretas, de laboratório
(Negrine, 1999, p. 69)
Observei dois jogos do grupo aos sábado à tarde, e uma festa de garagem
em que compareceram apenas alguns dos integrantes. As observações se deram
desde a chegada dos participantes ao local combinado até a saída deles do local.
Dentre estas observações, pude perceber o companheirismo que existe entre os
integrantes, qualquer festa que é realizada todos são convidados,,mesmo que
muitas vezes alguns não podem se fazer presentes, faz-se a festa, o jantar com
aqueles que podem comparecer, no caso da observação do dia 04 de novembro de
2006..
Apenas quatro compareceram a festa, os demais foram convidados mas já
tinham outros compromissos. Os que estão ali trouxeram suas namoradas.
Parecem estar alegres, conversam sobre os mais variados assuntos. O
dono da casa coloca o som do carro para escutar, um deles diz: “coloca as
nossas”. Está se referindo ao estilo de música, a maioria dos integrantes
gosta de bandinhas (Obs dia 04/11/06).
Ao longo do processo de observação foram enfocados alguns elementos tais
como: interação dos integrantes do grupo; motivação para o encontro; como os
integrantes chegam (felizes, desmotivados,...); como se concretizam as relações no
grupo; quais indivíduos têm uma postura mais competitiva; quais indivíduos buscam
conversar com os amigos, trocar idéias, interar-se aos demais; qual a pauta de
assuntos abordados pelo grupo; como o grupo reage quando perde o jogo; como o
grupo reage quando ganha o jogo; dentre outros aspectos relevantes que podem
surgir ao longo das observações.
É farta a literatura que situa a “observação” como um procedimento de
coleta e organização de informações. Essa tarefa requer que se utilize
processos mentais superiores como: a atenção, a percepção, a memória e
o pensamento, para observar fatos e realidades sociais presentes [...]
(Negrine, 1999, p. 67)”.
30
Segundo Negrine (1999) a observação, para que seja utilizada como
instrumento de coleta de informações, deve ser contínua e sistemática, registrandose fatos e / ou comportamentos relevantes. A observação deve ser intencionada, ou
seja, deve ter objetivos já construídos e determinados, a fim de estes nortearem
minha observação e também a observação deve ser sustentada, ou seja, regida por
referências bibliográficas, pressupostos teóricos, argumentações, fundamentações,
etc.
Como sou integrante do grupo no qual realizei a pesquisa, sou um
participante/observador (Negrine 1999), pois participei dos acontecimentos, sou
membro do grupo e ator das situações como os demais, mas ao mesmo tempo tive
um olhar de investigador e registrei informações após o acontecimento, encontro ou
evento.
Segundo Negrine (1999) esta prática de ser participante observador requer
deste a clareza de seu papel, deve-se ter constantemente presente o papel que nos
propomos a desenvolver dentro deste grupo a fim de coletarmos as informações
como planejado.
Para interpretar as informações busquei embasamento nos referenciais
teóricos sobre a temática em foco. Após cada observação fiz a descrição, sem juízo
de valor, e a interpretação dos fatos acontecidos, em conjunto com os outros
instrumentos. Ao final de todo processo de observação coletei todo material a fim de
trazê-lo para o trabalho em composição.
3.3.2 Entrevista
Segundo Trivinõs (1987), para alguns tipos de pesquisa qualitativa, a
entrevista é um dos principais meios que tem o investigador para realizar a coleta de
dados, ao mesmo tempo que valoriza a presença do investigador, oferece todas as
perspectivas possíveis para que o informante alcance a liberdade e a
espontaneidade necessárias, enriquecendo a investigação.
31
A entrevista foi realizada com o presidente do grupo, o penúltimo a entrar na
equipe e o mais velho dos integrantes. Esta, foi gravada e após transcrita e os
entrevistados puderam lê-a e acrescentar ou retirar alguma fala se desejarem. A
entrevista requereu o contato com o pesquisador no mínimo em dois momentos: o
primeiro, ao fazer a entrevista, e o segundo em que o entrevistado pode reler o que
foi transcrito e modificar aquilo que achou necessário. Isto necessitou uma
disponibilidade do tempo dele aproximadamente uma hora na realização da
entrevista e vinte minutos ao ler a transcrição.
Na entrevista semi-estruturada, foram abordadas algumas questões tais como
idade do entrevistado, quanto tempo está no grupo, o que lhe motiva para estar no
grupo, que imagem este grupo passa para você, qual sua intenção para com este
grupo, como você vê as relações entre os integrantes, entre outras questões que
poderão surgir no decorrer da entrevista, conforme Apêndice B.
Podemos entender por entrevista semi-estruturada, em geral, aquela que
parte de certos questionamentos básicos, apoiados em teorias e hipóteses,
que interessam à pesquisa, e que, em seguida, oferecem amplo campo de
interrogativas, fruto de novas hipóteses que vão surgindo à medida que se
recebem as respostas do informante (Triviños, 1987, p. 146).
Durante a entrevista o entrevistado poderia se sentir constrangido ao
responder algumas perguntas e se não desejasse responder alguma questão teria
este direito. Sendo que as entrevistas foram marcadas com antecedência para que o
entrevistado pudesse se preparar quanto a disponibilidade de tempo. Os
entrevistados obtiveram conhecimento sobre o que seria lhes perguntado antes da
entrevista ser gravada. No entanto, espero que este estudo traga como benefícios
elementos que auxiliem a pensar sobre os objetivos da prática realizada por este
Grupo. O presidente ao final da pesquisa, receberá uma cópia dos resultados. Os
demais participantes, se desejarem, também receberão.
Antes de iniciar a pesquisa, todos os participantes receberam um termo de
Consentimento Livre e Esclarecido, conforme Apêndice C, onde obtiveram
32
conhecimento de todo o processo de coleta de informações a ser utilizado durante o
estudo. A participação foi voluntária.
Cabe destacar que as informações coletadas na entrevista e no questionário,
serão utilizadas entre a comunidade acadêmica da UNIVATES, podendo ser
apresentadas em eventos regionais e nacionais da Educação Física, assim como
publicadas em periódicos da área com o objetivo de promover a reflexão sobre a
temática investigada.
Nestas apresentações e publicações o(s) nome (s) dos participantes
(entrevistados) não serão utilizados em momento algum, ou seja, irá se criar um
código :para aqueles que responderam o questionário, serão codificados da seguinte
maneira: como são 11 (onze) questionários começará com P1 (participante 1), P2
(participante 2), P3 (participante 3), P4 (participante 4), P5 (participante 5), P6
(participante 6), P7 (participante 7), P8 (participante 8), P9 (participante 9), P10
(participante 10) e P11 (participante 11). Já para aqueles que participaram da
entrevista gravada, que são o presidente, o penúltimo a entrar no grupo e o mais
veterano, os códigos serão os seguintes: para o presidente o código será EP
(entrevista com presidente), para o penúltimo o código será EPN (entrevista com
penúltimo) e para o mais veterano o código será EV (entrevista com veterano),
garantindo o sigilo das informações. Contudo, como o presidente do Grupo
Cervejetarianos é apenas uma pessoa, não se pode garantir sigilo absoluto.
3.3.3 Questionário
Foi realizado também um questionário, que consta como Apêndice D.
Segundo Hayman (apud Negrine, 1999, p. 80) questionário é: “uma lista de
perguntas mediante a qual se obtém informações de um sujeito ou grupo de sujeitos
por meio de respostas escritas”.
Segundo Negrine (1999) os questionários devem ser elaborados com a
finalidade de averiguar a opinião dos indivíduos sobre uma temática específica.
33
Na presente pesquisa cada participante do grupo Cervejetarianos, exceto os
três que farão a entrevista, recebeu um questionário para responder e poderia
devolvê-lo na semana seguinte, porém comprometendo-se em trazê-lo no próximo
encontro. São 11 participantes que responderam ao questionário.
O questionário tinha como objetivo saber qual a representação de Interação
Social para os integrantes do grupo relacionado com a prática do futebol que vem se
realizando ao longo do tempo, como estes percebem o grupo e sua participação,
bem como traçar um breve perfil dos participantes (faixa etária, atividade
profissional, tempo em que integra o grupo). Com os dados coletados pode-se fazer
a análise e interpretação dos dados linkando-os aos referenciais teóricos. È
importante traçar o perfil dos participantes para podermos ter um panorama do
público que compõem o grupo aliado aos pensamentos que os integrantes possuem
referentes a este grupo e esta prática.
A partir do questionário pude vislumbrar aspectos importantes sobre os reais
objetivos do grupo cervejetarianos assim como qual a representação deste grupo no
contexto de vida de cada participante.
3.3.4 Análise de documentos
Neste estudo foram analisados também documentos coletados do jornal “O
INFORMATIVO” de Lajeado, que falam sobre o grupo em estudo, conforme anexos
B, C e D.
3.4 Procedimentos para análise das informações
Triviños (1987), declara que a Análise de Conteúdo tem uma história
comprida. Pode-se dizer que ela nasceu quando os primeiros homens realizaram as
primeiras tentativas para interpretar os livros sagrados.
34
Na década de 20, depois da Primeira Guerra Mundial, devido aos estudos de
Leavell sobre a propaganda empregada nesse evento bélico, podemos dizer que a
análise de conteúdo alcança forças sistematizadas de uso, adquirindo as formas
organizadas de um método de investigação. A segunda Guerra Mundial agudizou o
desenvolvimento da propaganda e nele o método de análise de conteúdo alcançou
importância.
Os dados foram analisados no trabalho propriamente dito, articulando-os às
informações e referencias teóricas trazidas.
[...] qualquer técnica (entrevista, questionário etc) adquire sua força e seu
valor exclusivamente mediante o apoio de determinado referencial teórico.
E, naturalmente, a análise de conteúdo não foge a este enunciado
geral.Podemos dizer, também de forma geral, que recomendamos o
emprego deste método porque, como diz Bardin, ele se presta para estudo
“das motivações, atitudes, valores, crenças, tendências” e, acrescentamos
nós, para o desvendar das ideologias que podem existir nos dispositivos
legais, princípios, diretrizes etc (Triviños, 1987, p. 159-160).
Bardin apud Triviños (1987, p. 161), assinala três etapas básicas no trabalho
com análise de conteúdo: pré-análise, descrição analítica e interpretação referencial.
A pré-análise significa a organização do material. No caso da pesquisa em
foco, serão feitas observações, entrevistas e questionários, tendo-se assim um
material que será estudado através da análise de conteúdo: as respostas aos
questionários e entrevistas e os produtos obtidos na observação.
A descrição analítica significa o estudo aprofundado do material, orientado
pelas hipóteses e referenciais teóricos. Segundo Triviños (1987), os procedimentos
como a codificação, a classificação e a categorização são básicos nesta instância do
estudo. A fase de interpretação referencial significa a reflexão, a intuição, embasada
nos materiais, estabelecendo assim relações. No caso da pesquisa sobre Interação
Social e Futebol no grupo Cervejetarianos FC, onde quer saber-se sobre qual a
representação de interação para os demais integrantes do grupo, aprofundando
através das respostas das entrevistas e questionário juntamente com as
observações, chegando, se possível, a uma interpretação concreta.
35
4 ANALISANDO AS INFORMAÇÕES
Com a minha convivência no grupo desde o início do ano de 2006, alguns
aspectos importantes foram se destacando em relação ao surgimento deste grupo,
dentre eles merecem mais destaque, a forma e os locais de encontros dos
integrantes, as festas e os eventos sociais realizados pela equipe e, principalmente ,
o comportamento e o relacionamento tanto entre os integrantes como também de
suas famílias, suas noivas, namoradas, enfim, todo grupo familiar que faz parte do
Cervejetarianos Futebol Clube.
Atualmente, o grupo é formado por 15 integrantes, contando comigo, os quais
variam entre as idades de 24 a 34 anos. Conforme dados obtidos nos questionários
e nas entrevistas, temos no grupo dois elementos com 24 anos, um com 25 anos,
seis com 26 anos, um com 27 anos, dois com 28 anos, um com 29 anos, um com 30
anos, e o mais veterano com 34 anos de idade, tendo o grupo uma média de idade
de 27 anos.
Assim como as idades, os integrantes também desenvolvem as mais
diferentes atividades profissionais, dentre elas podemos citar dois mecânicos, um
vigilante, um contador, um motorista de caminhão, um desenhista técnico mecânico,
um gerente de vendas, um supervisor de produção, um comerciante, um executor de
obras, um representante comercial, dois pequenos empresários, um vendedor e um
funcionário público, sendo que estas diferenças nada impedem quanto a
participação destes no grupo.
36
Esta análise pode ser comparada ao estudo de Stigger (2002), com o grupo
Caídos na Praia, da cidade do Porto, Portugal, onde em um trecho descreve um
pouco os integrantes daquele grupo sobre a sua posição social, atividades
profissionais e capitais econômicos:
Atualmente o grupo é formado por aproximadamente 37 elementos,
oriundos dos diversos locais da cidade e que apresentam alguma
diversidade no que se refere à posição social. São indivíduos que
desenvolvem diferentes atividades profissionais e – ao que parece – são
detentores de diferentes capitais econômicos; de forma geral, apesar das
diferenças, tem alguma proximidade no que se refere ao capital cultural.
Apesar das diferenças no plano econômico, não identifiquei nada de
relevante que pudesse interferir na participação de cada um nas atividades
do grupo e que, por isto, merece alguma atenção especial (Stigger, 2002.
p.93-94).
4.1 Surgimento do grupo
Segundo relatos de alguns dos integrantes da equipe, o grupo surgiu após os
encontros que a maioria proporcionava aos sábados à tarde. Encontravam-se em
algum lugar para tomar cerveja e escutar alguma música, geralmente os encontros
aconteciam próximo aos postos de combustíveis, pontos de encontro da maioria dos
jovens de Lajeado. Alguns, quase todos, já se conheciam desde a época da escola
de primeiro grau, foram colegas de aula ou estudaram no mesmo colégio. Percebese a evidência disto em uma das entrevistas realizadas:
O surgimento do grupo aconteceu num sábado de tarde, quando eu e o J,
o K como é conhecido no grupo, estávamos conversando e tomando uma
cerveja, quando nos perguntamos sobre o que poderíamos fazer de mais
interessante além de ficar aí a tarde inteira na rua ou num posto, ou em
qualquer lugar vendo o movimento, sei lá, tava meio estranho. A gente
podia montar um time de futebol que seria mais interessante, pois a maioria
dos nossos amigos também não estava fazendo nada, ou ficava em casa
sem ter o que fazer, então a gente pensou em alguma coisa um pouco
mais saudável além de ficar só tomando uma cerveja e jogando o tempo
fora (Entrevista com EP, em 20/10/06).
37
Os encontros, apenas para tomar cerveja, já não faziam mais sentido para
aquele jovens, queriam inventar algo a mais para fazer. Foi quando alguém teve a
idéia de criar um grupo de futebol, que para DaMatta apud Vaz (2002) seria uma das
raras oportunidades para sociedade brasileira organizar-se coletivamente em torno
de um objetivo comum. Seria ainda um campo de vivências de sucesso, de vitória e
de êxito, e como tal teria uma inegável força integrativa.
Mas para isso deveriam convidar pessoas para integrar este grupo, arrumar
um lugar para jogar, enfim, tudo deveria ser no seu tempo. Havia também a
preocupação na confecção do fardamento, da onde surgiria a verba para tal, e
ainda, que nome dar ao time, o que percebemos na fala abaixo:
[...] então eu e o M, um dia, também num sábado à tarde, decidimos, bom,
vamos fazer um planejamento disso aí, e vamos colocar em prática essa
idéia do time de futebol, ai o M disse: bom tô contigo, vamos procurar o
pessoal, vamos ver quem são os mais chegados, pessoal que tem
condições de fazer parte desse grupo, que vai pegar parelho e não vai
deixar a gente na mão, de repente um sábado sim e dois não aí ficaria
difícil. Ai começamos a ver quais os campos que seria possível algum
horário, local, fizemos uma relação de todas as pessoas que iríamos
convidar para entrar no grupo e fomos eliminando conforme os que
confirmavam, os que não confirmavam, planejamos também uma
mensalidade para poder pagar os horários, até fazer um caixa para poder
comprar bola, qualquer outra coisa que precisasse e um fardamento que a
gente iria precisar de patrocínios. Conseguimos três patrocínios no primeiro
ano, para conseguir bancar o fardamento e se não me engano, o pessoal
(os integrantes) ajudou mais um pouco pois não tinha muita verba no
começo. Estávamos também com a dúvida de qual seria o nome do time, e
um dia, eu tenho uma caixinha térmica que tem bastante adesivo em cima,
e numa viagem que fiz para Santa Catarina comprei um adesivo escrito
Cervejetarianos e botei naquela caixa, aquilo acabou sendo engraçado no
começo, e um dia a gente olhou e , vamos colocar esse nome aí mesmo, já
que não tem outro (Entrevista com EP,em 20/10/06).
Começava aí uma nova era para aqueles jovens, alguns já se conheciam
desde a infância e outros foram indicados por alguém que já estava no grupo.
Segundo Argyle (1969), nos estágios iniciais de um grupo o problema é atingir um
padrão de equilíbrio, interação e relações, que seja aceitável para todos os
membros. Mas um novo compromisso foi criado como forma de encontro, forma de
descontração e ao mesmo tempo a preservação pela saúde e o bem estar de todos,
38
pois o objetivo do grupo desde a sua fundação foi a interação entre os amigos e a
criação de novas amizades. Na entrevista EPN comentou:
[...] o que me motiva além, de uma pratica saudável, de um esporte, eu só,
estar em fins de semana, mas procuro durante a semana praticar algum
esporte, e em fim de semana praticar junto com os amigos, a gente
resolveu fundar esse time pela amizade, somos um grupo bem sincero [...]
a gente prioriza e não deixamos nunca tomar em primeiro lugar a
competição, temos que ganhar, e sim, cultivar amizades, a reunião, então é
isso que motiva a gente, eu vir todo final de semana, porque eu viajo e vir
pra Lajeado e reunir com os amigos sábado de tarde pra descontrair, falar
das coisas boas, das coisas ruins, tomar uma cerveja, enfim, curtir um
momento com os amigos mesmo ( Entrevista com EPN, em 24/09/06).
Stigger (2002), em seu estudo sobre os grupos de futebol, traz que aquelas
pessoas que se reúnem para praticar o futebol, de modo geral, são pessoas que
gostam de esporte e de atividades físicas, dedicam parte de suas vidas a este tipo
de ocupação. Encontram nestas práticas o prazer, a forma física, a manutenção da
saúde, o convívio com os amigos, uma forma de aliviar o estresse.
O mesmo se percebe nas respostas dos questionários respondidos
pelos integrantes do grupo Cervejetarianos, onde perguntados sobre qual era sua
intenção para com aquele jogo, pode-se destacar algumas respostas:
“A minha intenção é reunir meus amigos e fazer mais amigos, se possível
gostaria de vencer” (Questionário P1).
“Fazer novos amigos e dentro do possível poder ajudá-los, interagir
socialmente” (Questionário P2).
“Praticar um esporte como forma de lazer e interação com os amigos”
(Questionário P3).
“Tirar meu stress da semana toda trabalhada, tomar aquela cervejinha no
final” (Questionário P5).
“Conciliar a prática de esporte com o exercício físico e ainda rever amigos e
fazer novas amizades” (Questionário P10).
39
4.2 A escolha do local para os encontros e os eventos sociais
Como o grupo não tem sede própria escolheram a sede da Parmalat,
localizada na Av. Senador Alberto Pasqualini, bairro Universitário, para a realização
das partidas.
Os jogos acontecem aos sábados à tarde, geralmente às 16horas até as
17horas, joga-se sempre com equipes diferentes e todos os integrantes do grupo
Cervejetarianos tem oportunidade de jogar, seja ele pior ou melhor que o outro,
todos jogam tempos iguais para não ocorrerem desentendimentos, ou melhor, para
que o objetivo do grupo concretize-se cada vez mais. Geralmente os integrantes já
se encontram no Posto Fórmula 1 do Americano e dali vão até a sede onde
acontece o jogo, conforme observação do dia 16/09/2006.
Mais um sábado de encontro para o Grupo Cervejetarianos. Saí de casa
em direção à sede da Parmalat no bairro Universitário onde aconteceria o
jogo. Durante o percurso encontrei vários integrantes do grupo no posto
Fórmula 1 do Americano. Parei e me juntei a eles. Estavam tomando
cerveja e conversando sobre a festa à Fantasia que aconteceria na parte
da noite. Perguntei para um deles desde que horas estavam ali e ele me
disse que por volta das 15:00h o pessoal foi chegando. O presidente
distribui as camisetas que foram feitas para o time vestir antes dos jogos.
Quem estava ali pegou a camisa e logo vestiu. Logo se preparavam para ir
ao campo. Quem estava a pé pegou carona com outro, e fomos nos
dirigindo até a sede para o jogo que aconteceria às 16:00.
No campo, o presidente da a escalação de quem sai jogando, conforme pude
constatar em observações dos dias 09/09/2006 e 16/09/2006, respectivamente:
Todos em quadra, inclusive eu, batendo bola e aquecendo. Estamos
ansiosos para ver a escalação do time que sai jogando, o presidente
chama todos para próximo dele e dá as orientações iniciais. “Gurizada, o
time deles mudou de novo, hoje eles vieram para ganhar, vamos jogar do
nosso jeito marcando a saída de bola, sem machucar ninguém e cuidado
para não nos machucarmos, hoje tem bastante gente para trocar, vamos
revezar para não cansar, todos precisam jogar igual tempo, joga 15
minutos e entra outro, quem está do lado de fora chama o que está
jogando para dar o lugar, vamos lá gurizada”.
40
O presidente diz o nome dos sete jogadores que sairão jogando, e os
outros sentam no banco de reservas (Observação dia 09/09/2006)
[...] a equipe entra em campo e bate bola nas goleiras para aquecer os
goleiros, o presidente chama todos para o centro e diz: “o time deles não é
bobo, não vamos dar mole, chegar junto e marcar”. Todos concordam e M
pede quem vai sair jogando. O presidente escala o time, hoje ele diz que
eu começo no banco, mas o outro que é para jogar no meu lugar diz que
não quer sair jogando. aí pede para eu voltar e jogar [...] (Observação dia
16/09/2006).
Como o grupo não tem sede própria e paga para jogar seu tempo, resolveram
criar mais um objetivo, este de média/longa duração, que é a construção de um local
para encontros, festas e jogos.
A partir daí tiveram que surgir idéias para arrecadação de verbas para que
este sonho possa se tornar realidade. Anualmente é realizado um baile do grupo de
futebol Cervejetarianos, sendo que os membros do mesmo são quem o organiza. O
que se confirma em uma das entrevistas:
[...] a idéia do baile surgiu já na gestão passada que era o Chico o
presidente do time, que foi nosso segundo presidente e a gente com a
arrecadação que a gente tem das mensalidade não acabava sobrando
muito dinheiro / recurso em caixa para a gente poder fazer algo mais, então
acho que a partir daí o Chico teve esta idéia de, vamos fazer um baile até
para divulgar um pouco nosso time e arrecadar um pouco mais de fundos
para o grupo, que a gente às vezes conversando pensa em um dia termos
nossa própria sede, seria interessante se a gente tivesse nosso próprio
campo, qualquer cantinho que seja, bem retirado da cidade (Entrevista com
EP,em 20/10/06).
Cada membro tem como missão conseguir um patrocínio e vender cerca de
20 convites para a festa. A festa é aberta para a participação da comunidade, é um
jantar – baile onde as pessoas podem jantar e posteriormente dançar no baile.
O baile anual não possui um lugar específico nem data fixa para se realizar
podendo ser realizada cada ano em lugar e data diferentes. No ano de 2005
aconteceu o 1º Jantar Baile do grupo Cervejetarianos, este realizado no salão do
41
Sesi Lajeado. Foi um sucesso, não tive a oportunidade de participar, pois estava
viajando mas já conhecia a maioria dos integrantes e inclusive fui convidado para ir
ao baile. Os elogios foram inúmeros, pois além do jantar como diferencial da festa,
foi feita uma campanha do agasalho que depois favoreceu entidades carentes, e
todos aqueles que trouxessem um agasalho concorriam a brindes, estes doados
pelos patrocinadores, conforme relatou EP:
[...] o primeiro baile a gente chegou a 200 pessoas então sobrou um
dinheiro bacana, a gente investiu um pouco, se desse um bom resultado,
surgiu junto a idéia, o pessoal pensou, com o patrocínio que tinha,
pensamos bom a gente poderia fazer alguma coisa a mais porque como a
gente está aí, faz parte da sociedade a gente vê que tem muitas pessoas
necessitadas, pessoas carentes que passam dificuldades, surgiu a idéia de
junto com o ingresso quem trouxesse um agasalho ganharia um número
que concorreria a brindes que a gente conseguiu arrecadar junto com os
patrocinadores para este baile e foi bacana a idéia, pois além de
descontrair e alegrar o pessoal que estava no baile que ganhou um
brindezinho a gente conseguiu uma boa quantidade de agasalhos já no
primeiro ano que foram distribuídos para as entidades carentes do
município (Entrevista com EP,em 20/10/06).
Como o baile teve boa repercussão e principalmente um lucro significativo,
em 2006 ocorreu a 2º edição, mas algumas coisas mudaram em relação ao ano
anterior. O espaço já não era mais suficiente para acolher a todos, pois o objetivo
era vender o dobro de cartões para janta.
Alugou-se então o salão da Paróquia do bairro Moinhos de Lajeado, que tinha
um amplo espaço podendo acolher a todos com conforto. E o baile então foi
realizado, foram vendidos aproximadamente 350 (trezentos e cinqüenta) cartões
para a janta, enquanto no ano anterior haviam sido vendidos quase 200 (duzentos),
foram 27(vinte e sete) empresas patrocinadoras, colaborando com brindes e
doações em dinheiro para a confecção dos cartões, a contratação de uma banda e
um bife que serviu a janta. Restou aos integrantes se organizarem, vender convites
e divulgar o evento, além de durante o baile trabalhar como garçom durante toda a
noite. O que se confirma na fala do presidente do grupo:
42
No segundo baile conseguimos quase que dobrar a quantidade de pessoas
que participaram do jantar baile, acho que foi quase a 370 pessoas, se eu
não me engano a gente chegou perto disto e também deu um volume
grande de agasalhos que também foram distribuídos, muita gente assim
que do meu ponto de vista, como este ano eu fui presidente e divulguei
bastante os números lá na frente do sorteio destes brindes eu procurei
salientar e agradecer este pessoal que teve este bom coração de trazer
este agasalho, se preocupando com alguém que precisava, já que o baile é
promovido no inverno, e o pessoal elogiou bastante com alguns que eu
conversei, muita gente me disse: parabéns pela idéia de vocês de tentar
ajudar alguém porque a gente vem para o baile, da graças a Deus de ter
condições de fazer uma festa e tem gente aí passando frio passando fome,
só a gente focou no pessoal que no inverno geralmente ta passando frio, a
gente pode ajudar de alguma forma, do nosso jeito, um pouco mais, um
pouco menos a gente faz o que pode (Entrevista com EP,em 20/10/06).
Novamente se obteve êxito com o evento, muitos agasalhos foram doados e
posteriormente distribuídos para entidades carentes, o sucesso novamente foi
reconhecido por todos os que se fizeram presentes no evento bem como novamente
a divulgação nos meios de comunicação1. O presidente comenta:
[...] no primeiro ano, no segundo ano, o Informativo divulgou as duas vezes,
com a foto do grupo, com os agasalhos, com a faixa e colocou nossos
objetivos ali que a gente procurou doar para o pessoal, foi bacana porque,
não é a gente querer aparecer, mas dar o exemplo de repente para outros
grupos que tão aí, ou entidades que estão promovendo festas ou eventos
que pudessem também, é simples poder pedir uma colaboração de alguém
(Entrevista com EP,em 20/10/06).
4.3 A perda de um amigo
Este é um assunto que ninguém gosta de lembrar. A perda de um integrante
provocada por um acidente de trânsito2. Foi quando eu ainda não fazia parte do
grupo, mas logo fiquei sabendo que um dos integrantes havia falecido no ano de
2005. Nos encontros e nas festas, a lembrança do amigo nunca deixa de acontecer.
Uma foto sempre é carregada com um dos integrantes e exposta nos eventos mais
marcantes e importantes em que o amigo sempre participava. Como exemplo posso
1
2
Reportagem publicada em 08/06/2006 no Jornal O Informativo consta em anexo.
Reportagem publicada em 19/03/2006 no Jornal O Informativo consta em enexo.
43
citar a Fórmula Truck que acontece todos os anos na cidade de Guaporé, o grupo
Cervejetarianos geralmente se faz presente neste evento, com suas famílias,
namoradas e noivas, foi num destes encontros que vi a foto pendurada no centro da
barraca. Na entrevista com o presidente foi lembrado com a seguinte fala:
[...] ele era um exemplo mesmo de amizade, que cultivava realmente esta
união entre a gente, era um espelho para muitos de nós, de bom humor,
era um cara descontraído, divertido, brincalhão, sempre pronto pra fazer
uma janta, para um baile, uma festa, era um cara muito participativo no
grupo e todos tinham um carinho muito grande por ele, isso deu para notar
porque logo nos primeiros meses, ninguém conseguiu, não tava assim, não
era a mesma coisa nosso sábado de tarde, a gente levou um tempo para
superar isto e entrar naquela descontração que a gente tinha antes,
3
sempre que pode a gente põe alguma homenagem pra ele no jornal , uma
forma de homenagear ele pela época que ele tava junto com a gente
(Entrevista com EP,em 20/10/06).
Foi um excelente amigo, segundo o presidente, era o dono da camisa n° 10
da equipe, portanto esta camisa ninguém mais veste, pois ela não faz mais parte do
fardamento, não é mais confeccionada quando um fardamento novo é feito, esta
camisa já tem seu dono, e segundo o presidente, é uma forma de ter uma lembrança
boa do amigo, como relatou na entrevista.
[...] até no dia ali eu e o J, que é primo dele, a gente foi lá na casa dele
buscou as duas camisetas que ele tinha, o fardamento anterior e o atual,
ele usava a camisa dez, a gente colocou, todos do grupo assinaram aquela
camiseta, a gente ficou bem comovido, a gente assinou colocou aquela
camiseta no caixão, foi junto com ele, foi até uma honra pra gente, sabe, a
gente até se emociona um pouco, a partir daquilo ali entramos num
consenso, poxa, não vamos mais colocar esta camisa dez junto porque, sei
lá, acho que aquela ali era dele, vai ser um jeito de lembrar dele, a gente
não iria se sentir bem, parece que seria substituir ele naquela camiseta,
então esta dez não volta mais, a gente pula este número e fica esta
lembrança bonita que a gente teve dele e pulamos este dez e colocamos
um número a mais...(Entrevista com EP, em 20/10/06).
3
Reportagem publicada em 25/03/2005 no jornal O Informativo consta em anexo.
44
4.4 As festas de garagem
Este é um aspecto bastante presente na rotina dos Cervejetarianos, as festas
de garagem que acontecem com freqüência. Pode-se dizer que pelo menos duas
vezes por mês acontece alguma festa na casa de algum dos integrantes. O
interessante é que as festas são organizadas após um jogo e acontecem já no
mesmo dia. É claro que nem todos sempre participam, mas a maioria sempre faz um
esforço para marcar presença.
Nestas festas, novamente inclui-se a família, a namorada ou a noiva, para
que haja também uma interação entre elas. Homens para um lado, de preferência
próximo à churrasqueira, e as mulheres para o outro lado, tratando dos seus
assuntos. Conforme consta na observação do dia 04 de novembro de 2006:
Estão sentados agora, 21h20min, todos ao redor da mesa, um deles quer
jogar carta, mas os outros não estão muito afim, preferem tomar cerveja e
jogar conversa fora, comenta um dos integrantes. Apenas quatro
compareceram a festa, os demais foram convidados mas já tinham outros
compromissos. Os que estão ali trouxeram suas namoradas. Parecem
estar alegres, conversam sobre os mais variados assuntos. O dono da
casa coloca o som do carro para escutar, um deles diz: ‘coloca as nossas’.
Está se referindo ao estilo de música, a maioria dos integrantes gosta de
bandinhas.
E assim, com ou sem música, realiza-se a confraternização. Geralmente o
dono da casa compra as coisas para a janta e no final todos ajudam a pagar. Há
também os casos em que quando alguém tiver de aniversário paga a festa, mas aí
são raras as vezes. A regra entre os homens é quem tiver de aniversário deve pagar
uma caixa de cerveja após o jogo, o que fizer ou pagar além disto, foge da regra.
45
4.5 Contextualizando a interação social no grupo
O Grupo de Futebol Cervejetarianos vem a ser um local onde lhes é
propiciado o momento da prática do futebol, posteriormente o diálogo, há troca de
idéias e experiências e o momento de descontração. O grupo encontra-se
semanalmente aos sábados à tarde, o local geralmente é a Sede da Parmalat no
bairro Universitário em Lajeado, porém alguns encontros são realizados em outros
locais dependendo do time contra quem irão jogar.
Cada sócio do Cervejetarianos Futebol Clube contribui com uma taxa mensal
de R$ 15,00 que é destinada para o pagamento de despesas do time, tais como:
locação do campo de futebol, fardamentos,...
Além dos encontros de sábados à tarde, muitas vezes realizam jantares,
freqüentam festas juntos, passeios, enfim de diversas atividades que também
envolvam os familiares dos participantes do Cervejetarianos Futebol Clube.
O grupo de futebol Cervejetarianos realiza reuniões com seus participantes a
fim de tomar decisões e deliberar funções. As decisões, atitudes, planejamento e
organização são definidos no grande grupo, sempre procurando a efetiva
participação de todos.
Vários são os caminhos pelos quais se estabelecem os laços de
relações entre os participantes e que os levam a freqüentar um ou outro
grupo, sendo importante que... ”o grupo tem que te aceitar e tu tens que
aceitar o grupo...” [...]. (Stigger,1997,p.54)
Anualmente é escolhido o presidente, vice-presidente e tesoureiros via
votação dos membros do grupo. A votação geralmente ocorre ao final de cada ano.
As reuniões são agendadas e coordenadas pelo presidente e vice-presidente
quando estes julgam necessária a realização da mesma.
46
A prestação de contas do Grupo de Futebol Cervejetarianos dá-se na data
onde são escolhidos o presidente, vice-presidente e tesoureiros.
A interação social denota-se ser um grande objetivo do grupo de futebol
Cervejetarianos, sendo que os membros buscam articular e construir meios para
conversarem, trocar idéias, se divertir, integrar a família neste processo e buscar
secundariamente a formação de vínculos de amizade e de concretude, o que se
percebe na resposta de uma das perguntas do questionário respondido por um
integrante onde diz o seguinte: “Desde o início da formação do time, o lema do
nosso time é a confraternização entre amigos. Então a minha intenção é
principalmente a união de amigos” (Questionário P4). Segundo Daolio (2005, p.34)
“quem está desvinculado precisa de vínculos, e nesse sentido o clube torna-se uma
ótima opção [...]”.
A vida humana é semelhante: as crianças são criadas em famílias,
saem para brincar com grupos de amigos, são educadas em grupos na
escola; mais tarde trabalham em grupos cooperativos e vivem em suas
próprias famílias, que formam comunidades, e perseguem interesses
comuns em várias sociedades e clubes. [...] assim também os membros de
pequenos grupos elaboram um padrão de interação no qual todos os
membros estão relacionados como membros do grupo (Argyle, 1969,
p.257).
No grupo de futebol Cervejetarianos o presidente e o vice – presidente é
quem buscam manter coesa a organização do grupo, mesmo cada membro
colaborando um pouco carece de alguém que tome frente nas decisões e que
organize o grupo para que se possam respeitar as idéias de cada um, buscando
experienciar o que julga melhor para o grupo. Stigger (2002), também encontrou na
fala de um integrante dos seus grupos estudados, pessoas com funções de mantêlo, como podemos ver na citação abaixo:
Nós, aqui, temos pessoas que [...] são, digamos, os motores que empurram
todas as situações para que não se deixe cair ou deixar morrer um grupo
destes. Todo o aspecto organizativo que tem não aparece por acaso e, por
muita camaradagem que haja, se não houver um mínimo de organização,
as coisas, no tempo, podem se perder [...]. (Stigger, 2002, p. 108)
47
Existem alguns membros do grupo Cervejetarianos que são um pouco mais
passivos e outros mais ativos, parece haver uma espécie de equilíbrio no grupo
quanto a participação nas decisões quando solicitado. Observei isto no decorrer da
minha participação no grupo desde janeiro de 2006, é claro que em qualquer grupo,
time, sociedade, sempre existem aqueles que são referência, liderança para os
demais. Conforme Argyle (1969):
Para que um grupo se desenvolva até um estado em que a tarefa externa
seja efetivamente desempenhada e os problemas interpessoais resolvidos,
é necessário que ele se torne um grupo cooperativo, no qual os membros
estão empenhados em objetivos aceitos do grupo. Esses podem ser
objetivos colocados abertamente, embora se tenha sugerido que os grupos
podem perseguir objetivos coletivos dos quais os membros não tem uma
percepção consciente, tais como a rejeição da tarefa ou a rebelião contra o
líder (Argyle, 1969, p.263).
Isto foi evidente na entrevista com EPN:
Como todos os grupos, sempre tem as pessoas, que se destacam mais e
certa forma elas acabam sendo líderes, então essas pessoas tem uma
visão um pouco diferente assim, tenta não puxar nada pra um lado, ou pra
aquele outro, às vezes acontece de tu ter mais afinidade com uma ou outra
pessoa, mas a gente que, eu já fui presidente dessa turma também, então
tem que cuidar muito isso. ( Entrevista com EPN, em 24/09/06).
Apesar no clima de descontração que se busca propiciar nos momentos de
jogos do Grupo de Futebol Cervejetarianos, sabemos que durante as partidas de
futebol, existe a competição.
“[...]Cultiva muito a amizade, o lado de competição às vezes tu entra lá, é
claro, se quer ganhar, mas isso é conseqüência, a gente prioriza e não
deixamos nunca tomar em primeiro lugar a competição, temos que ganhar,
e sim, cultivar amizades [...],(Entrevista com EPN em 24/09/2006)”.
48
Por menos que se valorize o valor numérico do resultado do jogo, mas
sempre existe uma satisfação em vencer ou uma frustração ao perder.
Dentro do campo, assim, claro tentamos alcançar a vitória, é jogo, já diz
tudo, ninguém entra para perder se for possível ganhar tudo bem, se não
for possível paciência, o que a gente quer mesmo é fora de campo depois,
poder dar risada, planejar uma festa de noite, uma janta, conviver entre nós
mesmos, poder agregar alguma coisa um com o outro, aprender (Entrevista
com EP em 20/10/2006).
É notório que em qualquer jogo sempre existe um pouco de competição,
sendo o jogo um amistoso, entre amigos, ou uma forma de lazer. Stigger (1997) em
seu estudo sobre futebol de veteranos, percebe que praticam o futebol dando
especial importância ao resultado do jogo e aos fatores que determinam esse
resultado. Os comentários antes e depois dos jogos são bastante direcionados no
sentido de avaliação/julgamento no que se refere à performance de cada um dos
participantes e do grupo como um todo.
49
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Atualmente vivemos em uma sociedade na qual o seu grande marco tornouse a questão do capital x trabalho, por hora as pessoas estão cada vez mais
alicerçando suas atividades do dia a dia em prol de atividades aliadas ao trabalho.
Ao mesmo tempo em que passamos considerável parte do nosso dia em função do
trabalho, acabamos por deixar de lado atividades voltadas ao lazer, a família, aos
amigos e até mesmo a nossa qualidade de vida tanto ao lado físico como ao lado
psíquico e emocional.
O trabalho cada vez mais nos sobrecarrega e acabamos por ter que exercer
múltiplas funções dentro do nosso papel social. Temos que representar fortemente
nosso papel no trabalho, na família, nos estudos e quando chega ao momento do
lazer estamos com uma estafa tão acirrada que acabamos por deixar de lado este
elemento tão importante na constituição de nossas relações com os outros e até
com nosso próprio eu.
Cada pessoa ou até mesmo família possui seus hábitos e estilos de vida,
calcados em seus valores, mitos e princípios já construídos desde tenra idade no
núcleo de nossa família e através de nossas vivências. Para tanto sabemos que por
diversos momentos os sujeitos vem buscando uma vida mais saudável que vise
também compensar alguns aspectos maçantes do nosso dia a dia de trabalho.
Com o emergir destas questões que degradam cada vez mais o sujeito em
seus papéis sociais, suas representações, seus valores, seus desejos e utopias, as
50
pessoas buscam de algumas diferentes maneiras, encontrar momentos que lhes
propiciem saúde física e mental. Sujeitos saudáveis em seus diferentes âmbitos de
saúde tendem a levar sua vida de maneira que suportam mais as sobrecargas de
trabalho e de funções, pois encontram um suporte para seus condicionamentos
físicos e mentais a qual somos postos a prova corriqueiramente.
O futebol surge no Brasil por volta de 1894, conforme Melo (2000). Ao
encontro do surgimento do futebol no Brasil vem a idéia capitalista, na qual os
clubes de maior poder econômico começam a difundir o futebol. Hoje temos em
nossa realidade o visível retrato do quão capitalista são os interesses pelo futebol,
na qual em torno deste esporte giram milhões de dólares a todo ano que se passa.
Um esporte que torna-se grande precursor do mercado capitalista vem a deflagrar
muitas vezes a imagem da prática do futebol que alia-se ao poder sócio-econômico
para repercutir como tal.
No futebol percebe-se claramente as diversas disparidades sociais, pois de
um lado estão as empresas futebolísticas privadas e de outro estão as práticas do
futebol apoiadas pelo poder público. O poder público tenta proporcionar aos seus
cidadãos a prática do futebol, mas encontra barreira em seus aspectos econômicos.
Além da prática de futebol apoiada pelas empresas privadas e pelo poder
público, surge a mobilização da sociedade civil que busca na prática do futebol uma
maneira de suprir suas necessidades físicas e psíquicas,
O grupo de futebol Cervejetarianos Futebol Clube vem ao encontro destes
interresses, pois o grande objetivo da fundação do grupo fora a busca pela interação
entre um grupo de amigos. Nos relatos compilados através das entrevistas e
questionários respondidos pelos participantes do grupo, percebe-se que o grupo
vem ao encontro da busca por um espaço que vise distração, saúde, troca de idéias
e experiências, conversação e sem dúvida alguma, que este grupo seja um suporte
na vida de cada um dos participantes. Na medida em que um grupo se articula e
busca estes recursos visa-se a mobilização de recursos para tornar a vida e o
cotidiano mais saudável em todos os âmbitos.
Os encontros do grupo Cervejetarianos, vão além da prática do futebol, onde
cultiva-se primordialmente os momentos de lazer.
51
Os participantes do grupo de futebol Cervejetarianos Futebol Clube
articularam-se e hoje encontram através do futebol uma maneira diferente de
expressar importantes aspectos de suas vidas. Cada grupo pode encontrar uma
forma de unir os amigos, formar vínculos e buscar uma melhor qualidade de vida.
Necessariamente não precisa-se utilizar o futebol como centro desta articulação,
mas esta fora o forma como o grupo de futebol Cervejetarianos encontrou para
colocar em prática seus objetivos. Cada pessoa pode articular grupos e realizar
atividades que lhe façam bem, tanto para a saúde física como para a saúde
emocional e psíquica, visto que somos seres biopsicossociais na qual não podemos
fragmentar nossa saúde dos demais elementos, então que busquemos atividades
que contemplem estes elementos constitutivos em nossa vida.
52
REFERÊNCIAS
ANDRADE, Cândido Teobaldo de Souza. Participação Programada para o Diálogo.
São Bernardo do Campo, out.1985. Disponível em: <http:// www. portalrp.com.br/bibliotecavirtual/relacoespublicas/teoriaseconceitos/0028>. Acesso em: 17
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1969.
BORSARI, José Robero. A evolução do futebol: O combate à violência e o
resgate da ética e do fair play. São Paulo: EPU, 2002.
CARRANO, Paulo César R.; Ronaldinho: ídolo esportivo ou mercadoria global? In:
CARRANO, Paulo César R. (Org.) Futebol: paixão e política. Rio de Janeiro:
DP&A, 2000, p.95.
DAMAZIO, Márcia da Silva: Representação Social do Futebol na comunidade rural
de Santa Rosa: In: VOTRE, Sebastião Josué (Org), SALLES, José Geraldo do
Carmo e MELO, Victor Andrade de (participação especial). Representações sociais
do esporte e da atividade física: ensaios etnográficos: Brasília:Ministério da
Educação e do Desporto./ INDESP, 1998.
53
DAMO, Arlei Sander. Futebol e identidade social – Uma leitura antropológica
das rivalidades entre torcedores e clubes. Porto Alegre, RS: Editora da UFRGS,
2002.
DAOLIO, Jocimar (Org). Futebol, cultura e sociedade. Campinas: Autores
Associados, 2005.
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54
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55
APÊNDICE A
INSTRUMENTO DE OBSERVAÇÃO
Observador: Roger André Reckziegel
Local: Sede Esportiva da Parmalat
Contexto da observação:
Gênero: ( x ) M
( )F
( ) Misto
Data de observação: a definir
Horário: a definir
Tempo de duração: a definir
Modalidade: participante/observador
Pautas da observação:
•
interação dos integrantes do grupo;
•
motivação para o encontro;
56
•
como os integrantes chegam (felizes, desmotivados,...);
•
como se concretizam as relações no grupo;
•
quais indivíduos tem uma postura mais competitiva;
•
quais indivíduos buscam conversar com os amigos, trocar idéias, interar-se
aos demais;
qual a pauta de assuntos abordados pelo grupo; como o grupo reage quando perde
o jogo; como o grupo reage quando ganha o jogo; dentre outros aspectos relevantes
que podem surgir ao longo das observações
57
APÊNDICE B
INSTRUMENTO DE ENTREVISTA
Entrevistador: Roger André Reckziegel
Entrevistado: Presidente do Grupo Cervejetarianos F.C. – Integrante mais velho e o
penúltimo a entrar no Grupo.
Local: a definir
Data de entrevista: a definir
Horário: a definir
Tempo de duração: + - 01 hora
58
DADOS GERAIS
ALGUMAS QUESTÕES NORTEADORAS
Qual sua idade?
A quanto tempo está no grupo?
O que te levou a fazer parte do grupo?
Qual era o objetivo do grupo quando da fundação deste; (só para o
presidente)?
O que te motiva para estar neste grupo? o futebol, as amizades....
Que imagem este grupo passa para você?
Qual sua intenção para com este grupo?
Como você vê as relações entre os integrantes?
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APÊNDICE C
. TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
(associados do Grupo Cervejetarianos F.C.)
Prezado participante!
Estou cursando a disciplina de Trabalho de Conclusão de Curso, do Curso de
Educação Física do Centro Universitário UNIVATES, e pretendo realizar um estudo
sobre Interação Social e Futebol no grupo Cervejetarianos Futebol Clube, grupo ao
qual faço parte. Este Grupo foi fundado no ano de 2003 e pratica futebol aos
sábados à tarde na Sede da Parmalat. Minha intenção é entrevistar o presidente do
Grupo, o penúltimo a entrar no grupo, já que o último sou eu, e o mais velho da
equipe, observar e registrar durante os encontros e aplicar um questionário para os
demais participantes buscando compreender qual é a representação de interação
social neste grupo. Além disso, serão observados e registrados os encontros,
almoços e jantas que acontecerão durante a semana.
Quero identificar a percepção de interação social dos participantes do Grupo
Cervejetarianos a partir de seus encontros, conhecer a representação, o significado
do Grupo para cada participante e contextualizar referências bibliográficas à prática
do Grupo.
60
Para tal necessito da sua colaboração para responder questões que
envolvam a sua relação com este Grupo de Futebol. A sua participação é voluntária.
A entrevista, se autorizada, será gravada. Após será transcrita e você poderá ler e
acrescentar ou retirar alguma fala, se desejar. A entrevista requer o contato com o
pesquisador no mínimo em dois momentos: o primeiro, ao fazer a entrevista, e o
segundo em que você poderá reler o que foi transcrito e modificar aquilo que achar
necessário. Isto necessita uma disponibilidade de seu tempo de aproximadamente
uma hora na realização da entrevista e vinte minutos ao ler a transcrição.
Durante a entrevista você poderá se sentir constrangido ao responder
algumas perguntas e se não desejares responder alguma questão você tem este
direito. No entanto, espero que este estudo traga como benefícios elementos que
auxiliem a pensar sobre os objetivos da prática realizada por este Grupo. O
presidente ao final da pesquisa, receberá uma cópia dos resultados. Os demais
participantes, se desejarem, também receberão.
Cabe destacar que as informações coletadas na entrevista e no questionário,
serão utilizadas entre a comunidade acadêmica da UNIVATES, podendo ser
apresentadas em eventos regionais e nacionais da Educação Física, assim como
publicadas em periódicos da área com o objetivo de promover a reflexão sobre a
temática investigada.
Nestas apresentações e publicações o(s) nome (s) dos participantes
(entrevistados) não serão utilizados em momento algum, ou seja, irá se criar um
código (Ex: Participante 1, Participante 2, Presidente) garantindo o sigilo das
informações. Contudo, como o presidente do Grupo Cervejetarianos é apenas uma
pessoa, não se pode garantir sigilo absoluto.
Assim sendo, pelo presente Termo de Consentimento Livre e Esclarecido,
eu,____________________________________, declaro que ESTOU DISPOSTO A
PARTICIPAR deste projeto de pesquisa, pois fui informado de forma clara e
detalhada, livre de qualquer forma de constrangimento e coerção, dos objetivos, da
justificativa, dos procedimentos que serei submetido, dos riscos, desconfortos e
benefícios, todos acima citados.
Fui igualmente informado:
61
Da
garantia
de
receber
resposta
a
qualquer
pergunta
ou
esclarecimento, a qualquer dúvida a cerca dos procedimentos, riscos,
benefícios e outros assuntos relacionados com a pesquisa;
Da liberdade de retirar meu consentimento a qualquer momento, e
deixar de participar do estudo;
Da garantia de meu nome não ser usado na divulgação dos
resultados e que as informações obtidas serão utilizadas apenas para fins
científicos vinculados ao presente projeto de pesquisa;
De que não terei gastos ao participar desta pesquisa, qualquer
despesa que venha a surgir, relacionado ao projeto, será absorvida pelo
orçamento da pesquisa.
O Termo de Consentimento Livre e Esclarecido será assinado em duas vias,
ficando uma via com o pesquisador, sendo arquivada pelo orientador do projeto, e a
outra comigo (entrevistado).
Para qualquer dúvida ou esclarecimento posteriores, poderei contatar com o
professor orientador da pesquisa: Derli Juliano Neuenfeldt (3714 7000 ramal 583) ou
com o pesquisador: Roger André Reckziegel, telefone para contato: (51) 9602-2128
Email: [email protected].
Nome e assinatura do voluntário
Nome e assinatura do responsável pela obtenção do presente consentimento
Lajeado_____de________2006.
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APÊNDE D
QUESTIONÁRIO
Idade do Participante: ______Sexo:______ Time: Cervejetarianos Esporte Clube
1. O que você trabalha?
___________________________________________________________________
2. Pratica futebol a quanto tempo?
___________________________________________________________________
3. Faz parte deste time a quanto tempo?
___________________________________________________________________
4. Qual sua intenção para com esse jogo?
___________________________________________________________________
5. Pratica por gosto pelo esporte ou visa interagir com amigos?
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ANEXOS
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INTERAÇÃO SOCIAL E FUTEBOL NO GRUPO