FABRÍCIA VIEIRA RAMOS [email protected] ESTADO DA ARTE: A IMPORTÂNCIA DO TRATAMENTO DE EFLUENTES DOMÉSTICOS SOB A ÓTICA DA LOGÍSTICA REVERSA PARA O CONTROLE DA QUALIDADE DA ÁGUA Monografia apresentada ao Curso de Engenharia de Produção do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Minas Gerais como parte dos requisitos para a obtenção do Grau de Engenheiro de Produção. Orientador: Profº. MSc. Flávio José de Assis Barony Governador Valadares Novembro de 2014 ATA DE DEFESA Aos 03 dias do mês de Dezembro de 2014, às 18:00 horas, na sala ____deste instituto, foi realizada a defesa do Trabalho de Conclusão de Curso pela aluna Fabrícia Vieira Ramos, sendo a comissão examinadora constituída pelos professores: Flávio José de Assis Barony Fábio Cruz Heitor Cardoso de Brito Luciano Silva A aluna apresentou o trabalho intitulado: “Estado da arte: a importância do tratamento de efluentes domésticos sob a ótica da logística reversa para o controle da qualidade da água”. A comissão examinadora deliberou, pela _______________________ da aluna, com a nota _______. Na forma regulamentar foi lavrada a presente ata que é assinada pelos membros da comissão examinadora e pela aluna. Governador Valadares, 03 de Dezembro de 2014. ___________________________________ Professor Orientador ____________________________________ Convidado (a) ____________________________________ Convidado (a) ____________________________________ Convidado (a) ____________________________________ Fabrícia Vieira Ramos TERMO DE RESPONSABILIDADE O texto do trabalho de conclusão de curso intitulado “Estado da arte: a importância do tratamento de efluentes domésticos sob a ótica da logística reversa para o controle da qualidade da água”. É de minha inteira responsabilidade. Declaro que não há utilização indevida de texto, material fotográfico ou qualquer outro material pertencente a terceiros sem a devida referencia ou consentimento dos referidos autores. Governador Valadares, 03 de Dezembro de 2014. ______________________________________ Fabrícia Vieira Ramos Dedico esta pesquisa aos meus sobrinhos: Ana Lívia, Jhéssica, Ainne, Allan e Augusto, que são presente e futuro... Por sonhar com uma Declaração Universal dos Direitos da Natureza E por acreditar que ainda há tempo! AGRADECIMENTOS Este espaço é dedicado àqueles que deram a sua contribuição de forma direta e indireta para que esta pesquisa fosse realizada. A todos eles deixo aqui o meu agradecimento. Ao mestre, Flávio José de Assis Barony, orientador desta monografia, pelo apoio constante, dedicação e subsídio dispensado ao longo do desenvolvimento deste trabalho. Agradeço a Deus por esta conquista, pelo amor, força, proteção e por me permitir chegar até aqui... Aos meus pais, Ana e Antonio, obrigada por sempre reafirmarem o amor sem medidas que sentem por mim. Às minhas irmãs, pelo apoio, amizade, amor e por mostrarem-se presentes mesmo distantes. Aos meus sobrinhos, por me fazerem compreender que sinônimo de amor é cuidar. Aos meus amigos, por acreditarem, pelo cultivo diário e pelos momentos de alegria. Aos mestres e ao IFMG, pela contribuição na minha educação, obrigada pelos ensinamentos! Aos companheiros de caminhada, obrigada por aliviarem as dores do caminho... Foi aprazível e enriquecedor a companhia de vocês! Enfim, agradeço a todos que ao longo da minha vida contribuíram e contribuem na construção do que sou! “A Natureza tem muito a dizer, e já está na hora de nós, seus filhos, não continuarmos a nos fazer de surdos. E talvez até Deus [...] acrescente um décimo primeiro mandamento que foi esquecido nas instruções que nos deu no Monte Sinai: "Amarás a Natureza, da qual fazes parte”. Eduardo Galeano R E S U MO RAMOS, Fabrícia Vieira. Estado da arte: a importância do tratamento de efluentes domésticos sob a ótica da logística reversa para o controle da qualidade da água, 2014. (Graduação em Engenharia de Produção). Instituto Federal de Minas Gerais – Campus Governador Valadares. Esta pesquisa é resultado de uma revisão da literatura caracterizada como “Estado da Arte”, onde a mesma apresenta a importância do tratamento de efluentes domésticos para o controle da qualidade da água, apresentando os recursos hídricos como um bem/produto de consumo e pós-consumo da logística reversa. A água é um recurso natural finito dotado de valor econômico e é essencial para a manutenção da vida. Ao longo dos anos, este bem vem sendo utilizado de forma exacerbada devido à falsa ideia de sua abundância em toda a Terra, o que contribui na apropriação do desperdício. No Brasil, a falta de água para abastecimento humano está inteiramente ligada ao mau uso, à demanda maior que a oferta e à não preservação da sua qualidade. Atualmente a maior parte de esgotos domésticos é lançada ainda bruta em corpos hídricos. Logo, é necessário pensar na gestão das perdas, no consumo e nas degradações das fontes, para isso, leis ambientais foram criadas e estabelecidas sendo de caráter urgente a necessidade de criação de programas de controle da qualidade da água associados ao tratamento de efluentes e que tais alternativas transitem nas diversas políticas públicas do país. Esse método configurado aos conceitos e práticas da logística reversa de pós-consumo, estabelece as diversas formas de reintegração dos efluentes tratados ao ciclo social da água e consequentemente ao ciclo hidrológico. O retorno dos esgotos domésticos tratados ao meio ambiente possibilita um real controle da qualidade dos corpos d’água pelos processos de reciclagem ou reuso, ou seja, sendo despejados de acordo com a autodepuração dos mananciais ou reutilizados em atividades secundárias, impactando economicamente na redução de água potável em atividades menos nobres e no investimento em saúde, além da contribuição na preservação do meio ambiente. Palavras-chave: Tratamento de efluente. Logística reversa. Qualidade da água. Reciclagem e reuso. ABSTRACT This research is the result of a review of the literature characterized as "State of the Art", where it shows the importance of treatment of domestic sewage for the control of water quality, with water resources as a good / consumer product and post consumption of reverse logistics. Water is a finite natural resource with economic value and is essential for the maintenance of life. Over the years, this well has been used in enhanced form, due to the false idea of its abundance in all the earth, which contributes to the waste of ownership. In Brazil, the lack of water for human consumption is entirely linked to misuse, to demand greater than supply and not preservation of their quality. Currently most of domestic sewage is released in water bodies still gross. Therefore, it is necessary to think about the loss management, consumption and degradation of the sources for this, environmental laws were created and established with the urgent need to create water quality control programs associated with wastewater treatment and that such alternative transit through various public policies of the country. This method set the concepts and practices of reverse logistics of post-consumer establishes the various forms of reintegration of treated effluent to social water cycle and consequently the hydrological cycle. The return of domestic wastewater to the environment provides a real quality control of water bodies by recycling or reuse processes, ie being dumped according to the self-purification of water sources or reused in secondary activities, economically impacting the reduction drinking water in less noble and investment in health activities, and the contribution to the preservation of the environment. Key-words: Wastewater treatment. Reverse logistics. Water quality. Recycling and reuse. . LISTA DE FIGURAS Figura 1 Situação das principais bacias brasileiras quanto à relação demanda 21 versus disponibilidade hídrica superficial (ano-base 2010) Figura 2 Logística reversa – Área de atuação e etapas reversas 29 Figura 3 Ciclo de vida ambiental de berço a berço 32 Figura 4 Diagrama do ciclo da água no planeta 37 Figura 5 A interferência das atividades humanas sobre os ciclos biogeoquímicos 39 Figura 6 Sistema Coletivo de abastecimento de Água 43 Figura 7 Esquema do processo logístico da uso/reuso da água 51 LISTA DE QUADROS Quadro 1 Classes do índice de Qualidade da Água e seu significado 23 Quadro 2 Exemplos de canais reversos de ciclo fechado 31 Quadro 3 Padrão microbiológico da água para consumo humano – Anexo I da 42 Portaria 2914/2011 LISTA DE TABELAS Tabela 1 Parâmetros de Qualidade da Água do IQA e respectivo peso Tabela 2 Níveis de atendimento com água e esgotos em 2012, segundo região 45 geográfica do Brasil 23 ABREVIATURAS, SIGLAS E CONVENÇÕES ACV Análise do Ciclo de Vida ANA Agência Nacional de Águas Art Artigo CAPES Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior CONAMA Conselho Nacional do Meio Ambiente CNRH Conselho Nacional de Recursos Hídricos DBO Demanda Bioquímica de Oxigênio ETA Estação de tratamento de Água ETE Estacão de Tratamento de Esgoto IAP Índice de Qualidade da Água Bruta para fins de Abastecimento Público IQA Índice de Qualidade das Águas LR Logística Reversa ONU Organização das Nações Unidas OD Oxigênio Dissolvido PNRH Política Nacional de Recursos Hídricos RLEC Reverse Logistics Executive Council SCIELO Scientific Electronic Library SNIS Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento LISTA DE SÍMBOLOS w Peso 23 mg/L Miligramas por litro 47 Sumário Sumário..................................................................................................................................... 14 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................ 16 1.1 FORMULAÇÃO DO PROBLEMA .............................................................................. 17 1.2 JUSTIFICATIVA .......................................................................................................... 17 1.3 OBJETIVOS .................................................................................................................. 18 1.3.1 Objetivo Geral ........................................................................................................... 18 1.3.2 Objetivos Específicos ................................................................................................. 18 1.4 ESTRUTURA DO TRABALHO ....................................................................................... 19 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ........................................................................................ 20 2.1 QUESTÕES AMBIENTAIS .............................................................................................. 20 2.1.1 Gestão de Recursos hídricos ........................................................................................... 26 2.2 LOGÍSTICA REVERSA ................................................................................................... 27 2.2.1 Definições ........................................................................................................................ 27 2.2.2 Logística Reversa e Análise do ciclo de vida .................................................................. 32 3 METODOLOGIA.................................................................................................................. 34 3.1 NATUREZA E CLASSIFICAÇÃO DA PESQUISA ...................................................... 34 4 DISCUSSÃO ......................................................................................................................... 36 4.1 CICLOS DA ÁGUA ........................................................................................................... 36 4.1.1 Ciclo Natural ................................................................................................................... 36 4.1.2 Ciclo Urbano ................................................................................................................... 38 4.2. PADRÕES DE POTABILIDADE DA ÁGUA E SISTEMA DE ABASTECIMENTO . 40 4.3 IMPACTOS DOS LANÇAMENTOS DOS EFLUENTES DOMÉSTICOS EM CORPOS RECEPTORES E SISTEMA DE ESGOTAMENTO .............................................................. 44 4.4 TRATAMENTO DE EFLUENTES DOMÉSTICOS COMO PROCESSO DA LOGÍSTICA REVERSA .......................................................................................................... 46 4.5 FATORES ECONÔMICOS DO INVESTIMENTO EM UM PROCESSO REVERSO .. 52 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................................ 56 REFERÊNCIAS ....................................................................................................................... 57 1 INTRODUÇÃO Durante muitos anos, o ser humano considerou a água como fonte inesgotável, devido a isso, a mesma foi explorada, poluída e mal gerida. Para diversos autores, desde os primórdios, o homem consolidou a cultura do desperdício juntamente com a cultura do lançamento do esgoto bruto nos corpos hídricos. Atualmente os recursos hídricos tem sido tema de discussões, seminários, debates em todo o mundo, pois há uma grande preocupação com a sua possível escassez e existem exemplos em várias regiões do Brasil e do mundo, seja pela redução da quantidade de oferta, ocasionada pelo abaixamento do nível dos lençóis freáticos ou pela qualidade desta. De acordo com Florêncio, Bastos e Aisse (2006), a problemática da oferta versus demanda pelo recurso hídrico, além de existir em regiões áridas e semiáridas, a mesma pode ocorrer em locais onde é possível verificar oferta significativa da água, que fogem das explicativas pautadas as questões meteorológicas. A água é um bem de extrema importância para a manutenção da vida, a mesma é utilizada em diversos fins como, no lazer, na indústria, na agricultura e para o consumo humano. Essas atividades, relacionadas ao consumo exacerbado e a cultura do desperdício, são as principais formas de poluição e destruição dos mananciais. No Brasil, onde parte do esgoto doméstico não possui uma forma adequada de descarte ou reaproveitamento, possui uma legislação recente no que se refere à gestão de recursos hídricos e ao necessário reuso dos efluentes tratados. Diante disso, faz-se necessário à conscientização da importância do uso racional da água, do seu reuso, do controle da qualidade da mesma e implementações de políticas eficazes de proteção e gestão dos recursos hídricos. Neste seguimento, surgem os processos da Logística Reversa, que é um método que “operacionaliza o retorno dos resíduos após a sua geração e sua revalorização e reinserção econômica” (GUARNIERI, 2011, p.47). Para Xavier e Corrêa (2013, p.17), a logística reversa “mescla necessidades ambientais e necessidades de sustentabilidade do negócio”. Desta forma, os conceitos e práticas da logística reversa precisamente a logística reversa de pós-consumo apresentados nesta pesquisa tem como finalidade analisar a importância do tratamento dos efluentes domésticos para o controle da qualidade da água, possibilitando a organização do processo ao qual o esgoto é recolhido, tratado, reaproveitado ou adaptado à melhor forma de destino. 16 1.1 FORMULAÇÃO DO PROBLEMA A água é um bem vital e esta tem sido tema de debate no mundo inteiro que dispõem para além de fatores climáticos e geográficos, fatores como uso inadequado e a poluição das suas fontes, que podem ocasionar futura escassez. Para Silva (2012), um dos norteadores deste problema, se dá pelo fato de que no Brasil a água não é tratada como um bem estratégico, não há integração da Política Nacional de Recursos Hídricos (PNRH) a outras políticas públicas, a situação atual do saneamento básico e a maneira errada ao qual a água é vista, como um bem infinito. O Brasil é um país onde é evidente o inadequado sistema de saneamento: a água encanada e a coleta de efluentes não é destinada a toda população e, mesmo para aqueles contemplados por esta ação, uma mínima parte deste esgoto é tratada. Assim, os dejeitos são lançados no meio ambiente sem nenhum tratamento específico, poluindo os rios, mares e outros cursos d’água regulamentados, dificultando o tratamento da água para seu reuso e contribuindo com a diminuição da oferta hídrica. Por isso, é de extrema relevância a realização de discussões sobre essa temática para tomada de providências e mudança de atitudes com a finalidade de diminuir essa problemática. 1.2 JUSTIFICATIVA Este trabalho teve origem a partir da importância que a problemática tem para a sociedade e da urgência de ações que possibilitam uma melhor qualidade da água para o meio ambiente e consumo. Para isso, o tratamento do esgoto surge como alternativa de amenizar o impacto causado na natureza, ao uso e descarte indevido dos recursos naturais hídricos e como forma de medida e mecanismo de preservação da água, com práticas planejadas de reuso e reciclagem. Donato (2008) relaciona o reuso da água como uma estratégia socioambiental corporativa das atividades da logística verde. Este autor afirma que o esgoto tratado ao ponto 17 de ser devolvido aos rios é suficientemente adequado para ser usado na lavagem de ruas, regas de parques e aplicação na indústria. Considerando a importância do tratamento de efluentes para o controle da qualidade da água, propõe-se uma pesquisa sobre o problema social e ambiental envolvido. Espera-se que este estudo colabore como uma alternativa de gestão dos recursos hídricos e que o mesmo, por se tratar de uma nova abordagem, contribua para a bibliografia, pois não é de conhecimento da autora do trabalho, registros literários com essa temática, ou seja, que acercar-se o efluente/água como bem/produto de um processo da logística reversa de pós-consumo. 1.3 OBJETIVOS 1.3.1 Objetivo Geral Analisar a importância do tratamento de efluentes doméstico no controle da qualidade da água como processo da logística reversa para a gestão de recursos hídricos. 1.3.2 Objetivos Específicos 1) Apresentar o tratamento de esgoto como um processo da logística reversa de pós-consumo; 2) Demonstrar a atual regulamentação referente ao saneamento básico e tratamento de efluentes; 3) Abordar o fator econômico-financeiro da implementação da logística reversa no processo ciclo da água. 18 1.4 ESTRUTURA DO TRABALHO Para a concretização deste trabalho determinou-se a sua divisão da seguinte forma: neste capítulo 1, são apresentados os norteadores da pesquisa e uma rápida contextualização bem como a formulação do problema, justificativa para a realização do trabalho e objetivos a serem alcançados. A seguir, a pesquisa será desenvolvida através da abordagem literária, arquitetando um método e processo que tange as questões da gestão de recursos hídricos, logística reversa e tratamento de efluentes. O capítulo 2, intitulado de Fundamentação teórica, trata das questões ambientais, de sua legislação, da gestão de recursos hídricos, da logística reversa e na forma de cadeia de suprimento reversa ao qual o efluente se enquadra. Já o capítulo 3, denominado como Metodologia, refere-se à natureza, classificação e o método utilizado na pesquisa. No capítulo 4 é possível visualizar a Discussão, onde se realiza a abordagem da água como um processo de reciclagem natural (ciclo hidrológico), e a interferência do homem neste processo (ciclo social). Apresenta os sistemas urbanos de abastecimento e esgotamento, bem como dos padrões de potabilidade aos impactos causados pelos lançamentos dos esgotos domésticos sem tratamento. Analisa a importância do tratamento de efluentes domésticos como um processo da logística reversa e os fatores econômicos do processo. Por fim, no capítulo 5 serão apresentados os resultados e considerações finais que acerca a pesquisa. 19 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Neste capítulo é apresentado a fundamentação teórica na qual esta pesquisa se apoia, trata das questões ambientais, sua legislação, da gestão de recursos hídricos e da logística reversa. 2.1 QUESTÕES AMBIENTAIS Nas últimas décadas ocorreram as maiores transformações da sociedade. Entre elas verifica-se o crescimento da população, que de forma acelerada contribuiu para o aumento das problemáticas sociais e ambientais, como a poluição ambiental e a escassez dos recursos naturais, causando impacto negativo para a manutenção e reprodução dos organismos vivos e desequilíbrio no ecossistema. Ecossistema é um conjunto de condições físicas e químicas de um denominado lugar, reunido a um conjunto de seres vivos que habilitam esse lugar. Assim, um ecossistema dispõe de duas componentes, o ambiente povoado pelos seres vivos e o conjunto de seres que povoam esse ambiente. (ROCHA et al., 2004, 29p.). Para Silva (2000, p. 20) apud Oliveira (2006, p.24) O conceito de meio ambiente há de ser, pois, globalizante, abrangente de toda a natureza, o artificial e o original, bem como os bens culturais correlatos, compreendendo, portanto, o solo, a água, o ar, a flora, as belezas naturais, o patrimônio histórico, artístico, paisagístico e arquitetônico. O meio ambiente é, assim, a interação do conjunto de elementos naturais, artificiais e culturais que propiciem o desenvolvimento equilibrado da vida em todas as suas formas. Classificado como bem livre e considerado com recursos abundantes, o meio ambiente sempre foi explorado indevidamente, sem a consciência de que os recursos naturais sofressem alterações em seus cursos e que essa apropriação dos bens comuns poderiam afetar o ar, a água e solo. As consequências das atividades humanas à natureza são a escassez dos recursos e a poluição desses meios. Segundo Rosa et al. (2004, p.10) “Os oceanos e mares constituem cerca de 97% de toda água; dos 3% restantes, 2,25 % estão em forma de gelo nas geleiras e nos polos, e apenas 0,75% estão nos rios, lagos e lençóis freáticos”. Logo, é visto que menos de 0,75% da água mundial é utilizada para consumo humano; destes, cerca de 11,6% da água doce superficial pertence ao Brasil, colocando o 20 mesmo em situação confortável em termos globais em relação à oferta hídrica (MEDEIROS, 2005). Para Branco (2006, p.15), estes valores satisfatórios “tem servido à cultura do desperdício da água disponível, à não realização de investimentos necessários ao seu reuso e à sua não valorização econômica”. Mesmo com bons índices da quantidade de água doce no Brasil, existe uma grande variação na oferta hídrica em relação à demanda populacional. As bacias hidrográficas brasileiras com maior disponibilidade de água dar-se em locais com números menores de população em relação às regiões mais concentradas, isto pode ser visto na figura 1 a seguir. LEGENDA Região Hidrográfica Relação entre demanda e disponibilidade 0,000 – 0,050 0,051 – 0,100 0,101 – 0,200 0,201 – 0,400 >0,401 1.Bacias da região semiárida: estresse hídrico devido a baixa disponibilidade. 2.Bacias localizadas nas regiões metropolitanas de São Paulo, Campinas, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. 3.Sub-bacias das regiões hidrográfica Uruguai e Atlântico sul: estresse hídrico devido a alta demanda para irrigação. Figura 1: Situação das principais bacias brasileiras quanto à relação demanda versus disponibilidade hídrica superficial (ano-base 2010) Fonte: Adaptado da ANA (2013) 21 Medeiros (2005) afirma que, 70% da água disponível para o uso estão localizados na região amazônica. Os 30% restantes distribuem-se de forma desigual pelo país, para atender a 93% da população, o que contribui com o que é visto na figura 1, regiões como nordeste, sudeste e sul encontram-se sob estresse hídrico, ou seja, enquanto algumas regiões estão em situação confortável quanto à disponibilidade da água, outras apresentam a demanda maior que oferta podendo estar em situação de escassez. Para Gonçalves (2009, p. 22) “a escassez pode ser de origem quantitativa, decorrente de períodos de maior escassez hídrica, ou de origem qualitativa, resultante, por exemplo, de modificações da qualidade da água pela poluição”. A qualidade da água é de suma importância para manter as possibilidades de oferta hídrica e conservar os recursos em boas condições é um processo ao qual o poder público e a população são peças fundamentais em articulações, realização de projetos e o sucesso dos mesmos. O Ministério do Meio Ambiente através do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), promulgou em 17 de março de 2005 a Resolução Nº 357 (hoje alterada pelas Resoluções Nº 410/2009 e Nº 430/2011), que dispõe sobre a classificação dos corpos de água e diretrizes ambientais para o seu enquadramento, estabelece as condições e padrões de lançamento de efluentes, e dá outras providências. O artigo 38 da referida resolução ressalta que: O enquadramento dos corpos de água dar-se-á de acordo com as normas e procedimentos definidos pelo Conselho Nacional de Recursos Hídricos - CNRH e Conselhos Estaduais de Recursos Hídricos. § 1º O enquadramento do corpo hídrico será definido pelos usos preponderantes mais restritivos da água, atuais ou pretendidos. § 2º Nas bacias hidrográficas em que a condição de qualidade dos corpos de água esteja em desacordo com os usos preponderantes pretendidos, deverão ser estabelecidas metas obrigatórias, intermediárias e final, de melhoria da qualidade da água para efetivação dos respectivos enquadramentos, excetuados nos parâmetros que excedam aos limites devido às condições naturais. A qualidade da água é definida no Art. 2, inciso 9 desta mesma Resolução, que classifica como sendo um “conjunto de condições e padrões de qualidade de água necessários ao atendimento dos usos preponderantes, atuais ou futuros”. O inciso 14 deste mesmo artigo, define controle de qualidade da água como um “conjunto de medidas operacionais que visa avaliar a melhoria e a conservação da qualidade da água estabelecida para o corpo de água”. 22 Para medir a qualidade da água, a Agência Nacional de Águas (ANA), através do Programa Nacional De Avaliação Da Qualidade Das Águas, utiliza o Índice de Qualidade das Águas (IQA). Este, por sua vez, é composto por nove parâmetros com seus respectivos pesos (w) apresentados na tabela 1 e suas classes e significados no quadro 1. Tabela 1 - Parâmetros de Qualidade da Água do IQA e respectivo peso PARÂMETRO DE QUALIDADE DA ÁGUA PESO (w) Oxigênio dissolvido 0,17 Coliformes termotolerantes 0,15 Potencial hidrogeniônico - pH 0,12 Demanda Bioquímica de Oxigênio - DBO5,20 0,10 Temperatura da água 0,10 Nitrogênio total 0,10 Fósforo total 0,10 Turbidez 0,08 Resíduo total 0,08 Fonte: Adaptado da Agência Nacional de Águas (ANA). Quadro1 - Classes do índice de Qualidade da Água e seu significado VALOR DE IQA CLASSES 79 <IQA≤100 ÓTIMA 51<IQA≤79 BOA 36<IQA≤51 REGULAR 19<IQA≤36 RUIM IQA≤19 PÉSSIMA SIGNIFICADO Água própria para o abastecimento público após tratamento convencional. Água imprópria para o abastecimento público após o tratamento convencional, sendo necessários tratamentos mais avançados. Fonte: Adaptado da CETESB (2008). No entanto, o Índice de Qualidade da Água Bruta para fins de Abastecimento Público (IAP) é composto por 3 grupos de parâmetros: o primeiro é o IQA e os demais são: 23 i) parâmetros que avaliam a presença de substâncias tóxicas (teste de mutagenicidade, potencial de formação de trihalometanos, cádmio, chumbo, cromo total, mercúrio e níquel); e ii) parâmetros que afetam a qualidade organoléptica da água como os fenóis, número de células de cianobactérias, ferro, manganês, alumínio, cobre e zinco (CETESB, 2014). Os rios, mares, lagos e lençóis freáticos são os destinos finais de todos poluentes solúveis lançados no ar ou no solo. O esgoto doméstico e os pesticidas empregados na agricultura podem ser considerados como os poluentes mais comuns das águas doces e costeiras. Segundo Freitas e Santos (1999), o agravamento da qualidade da água pela contaminação por esgotos domésticos que muitas vezes são lançados no ambiente sem tratamento, provoca, entre outras implicações, o aumento do quadro de doenças transmitidas pela água, como cólera, diarreia, amebíase e esquistossomose. Em países onde a pobreza é maior, o número de proporções são ainda mais graves. Nos países em desenvolvimento, 90% das doenças infecciosas são transmitidas por veiculação hídrica. Desta forma, as atividades humanas têm papel principal na poluição hídrica, seja através da poluição do ar, do solo ou diretamente da água por meio dos efluentes domésticos, tornando-a como fonte de doenças e reduzindo a oferta de água para abastecimento humano. Um estudo com a medição da qualidade da água em 96 rios, córregos e lagos de 7 Estados brasileiros, realizado pela organização não governamental SOS Mata Atlântica, mostra que 40% desses corpos d’água apresentam qualidade ruim ou péssima. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), aproximadamente 20% da população mundial não tem acesso à água potável e cerca de 40% não dispõe de água suficiente para uma estrutura adequada de saneamento básico e higiene. A Lei Nº 11445, de 5 de janeiro de 2007, estabelece diretrizes nacionais para o saneamento básico; dos princípios fundamentais já no Art 1 o: Esta Lei estabelece as diretrizes nacionais para o saneamento básico e para a política federal de saneamento básico. E no Art. 3o Para os efeitos desta Lei, considera-se: I - saneamento básico: conjunto de serviços, infraestruturas e instalações operacionais de: a) abastecimento de água potável: constituído pelas atividades, infraestruturas e instalações necessárias ao abastecimento público de água potável, desde a captação até as ligações prediais e respectivos instrumentos de medição; 24 b) esgotamento sanitário: constituído pelas atividades, infraestruturas e instalações operacionais de coleta, transporte, tratamento e disposição final adequados dos esgotos sanitários, desde as ligações prediais até o seu lançamento final no meio ambiente; c) limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos: conjunto de atividades, infraestruturas e instalações operacionais de coleta, transporte, transbordo, tratamento e destino final do lixo doméstico e do lixo originário da varrição e limpeza de logradouros e vias públicas; d) drenagem e manejo das águas pluviais urbanas: conjunto de atividades, infraestruturas e instalações operacionais de drenagem urbana de águas pluviais, de transporte, detenção ou retenção para o amortecimento de vazões de cheias, tratamento e disposição final das águas pluviais drenadas nas áreas urbanas; Embora que, no item b), a coleta, transporte, tratamento e disposição final adequada dos esgotos sanitários até o seu lançamento final no meio ambiente, sejam considerados como parte do esgotamento sanitário, que constitui o saneamento básico; nessa mesma lei no Art 4º dispõe que: os recursos hídricos não integram os serviços públicos de saneamento básico. Em seu Parágrafo único, ressalta que “a utilização de recursos hídricos na prestação de serviços públicos de saneamento básico, inclusive para disposição ou diluição de esgotos e outros resíduos líquidos, é sujeita a outorga de direito de uso. Desta forma, a Lei Nº 11445/2007 não considera os recursos hídricos como parte do saneamento básico, mesmo que a água seja essencial para a implantação de políticas públicas deste seguimento, baseando na Lei Nº 9433/1997 onde a Constituição, define que todas as águas pertencem à União ou aos Estados (incluído o Distrito Federal), caracterizando-a como um bem público, dando ao cidadão o direito de uso da mesma. Quanto ao tratamento de efluente na Lei Nº 11445/2007 no Art. 44° em seu parágrafo 2º, institui que: A autoridade ambiental competente estabelecerá metas progressivas para que a qualidade dos efluentes de unidades de tratamento de esgotos sanitários atenda aos padrões das classes dos corpos hídricos em que forem lançados, a partir dos níveis presentes de tratamento e considerando a capacidade de pagamento das populações e usuários envolvidos. Já no Art. 46° desta mesma Lei, estabelece providências econômicas em caso de pouca disponibilidade da água: Em situação crítica de escassez ou contaminação de recursos hídricos que obrigue à adoção de racionamento, declarada pela autoridade gestora de recursos hídricos, o ente regulador poderá adotar mecanismos tarifários de contingência, com objetivo de cobrir custos adicionais decorrentes, garantindo o equilíbrio financeiro da prestação do serviço e a gestão da demanda. Logo, o ideal é gerenciar os recursos com a finalidade de evitar que chegue ao ponto de lançar a condição de contingência, para isso, é necessário promover uma adequada política 25 de gerenciamento com a finalidade de maximizar os programas e projetos que acerca a gestão de recursos hídricos. 2.1.1 Gestão de Recursos hídricos A Lei nº 9.433, de 8 de janeiro de 1997, que instituiu a Política Nacional de Recursos Hídricos - PNRH figura os fundamentos de que: a) a água é um bem de domínio público; b) a água é um recurso natural limitado, dotado de valor econômico; c) em situações de escassez, o uso prioritário dos recursos hídricos é o consumo humano e a dessedentação de animais; d) a gestão dos recursos hídricos deve sempre proporcionar o uso múltiplo das águas; e) a bacia hidrográfica é a unidade territorial para implementação da Política Nacional de Recursos Hídricos e atuação do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos; f) a gestão dos recursos hídricos deve ser descentralizada e contar com a participação do Poder Público, dos usuários e das comunidades. O Art. 22º da referida Lei informa que “os valores arrecadados com a cobrança pelo uso de seus recursos hídricos serão aplicados prioritariamente na bacia hidrográfica em que foram gerados”. Pode-se, assim, interpretar que tais valores serão investidos em programas de conscientização, pesquisa, obras entre outros a fim de exercer a manutenção/recuperação da qualidade desta bacia. Em 22 de março de 1992, a ONU redigiu um documento, intitulado Declaração Universal dos Direitos da Água, cujo primeiro item menciona: “A água faz parte do patrimônio do planeta. Cada continente, cada povo, cada nação, cada região, cada cidade, cada cidadão é plenamente responsável aos olhos de todos.” Já no item 9, pode-se encontrar: “A gestão da água impõe um equilíbrio entre os imperativos de sua proteção e as necessidades de ordem econômica, sanitária e social.” A gestão de recursos naturais pode ser identificada como uma das possibilidades para contribuir na construção de uma sociedade, que vai do plano individual para o coletivo, cooperando para uma nova forma de uso, proteção, conservação e gerenciamento dos recursos naturais, proporcionando, assim, a melhoria da qualidade de vida para todos os cidadãos (LOUREIRO, et al. 2005). Desta forma, é necessário buscar métodos que demonstrem novas perspectivas de administração para esses recursos, assim a logística reversa (LR) surge como alternativa de processo de um planejamento e gerenciamento hídrico. 26 Conforme Leite (2003), o aumento do interesse na LR se deu pela crescente preocupação com o meio ambiente e acima disso, com a preocupação de atender aos desejos dos clientes e reduzir custos. Rogers e Tibben-Lembke (1999) apresentam alguns motivadores para a implantação de programas de logística reversa como “cidadania corporativa, obrigações legais, benefícios pela recaptura de valor econômico e proteção de margem de lucro empresarial”. Para Kopicki et al. (1993), os programas empresariais, com objetivos de reuso e de reciclagem, são frequentemente motivados por legislações regulatórias, pelos próprios funcionários e por pressão da sociedade. E para Andrade et al. (2009) apud Pereira (2010), os principais fatores que motivam a utilização da LR são legislações, razões competitivas, melhoria da imagem coorporativa, revalorização econômica, renovação de estoques, ganhos econômicos, responsabilidade socioambiental, recuperação de ativos e/ou de valor, e prestação de serviços diferenciados. Como visto, os autores expõem os diversos fatores que contribuem para a inserção de programas reversos no ciclo de vida útil de um determinado produto, nesse caso a LR poderá ser um processo importante no que se refere ao ciclo de vida útil da água. 2.2 LOGÍSTICA REVERSA 2.2.1 Definições A Logística Reversa teve seus primeiros estudos nas décadas de 1970 e 1980, tendo o seu foco principal relacionado ao retorno de bens a serem processados em reciclagem de materiais, denominados e analisados como canais de distribuições reversos (LEITE, 2009). Para Lacerda (2002), a logística reversa poderá ser compreendida como um processo agregado à logística tradicional, porque a clássica possui a função de movimentar o produto entre fornecedor até ao consumidor final, já a reversa tem como papel de dar 27 continuidade ao ciclo, possibilitando o retorno dos produtos já utilizados para o seu local de origem. Revlog (2001) apud Ferreira (2012, p.56) conceitua que a “logística reversa posiciona todas as operações relacionadas com o reuso de produtos e materiais. Refere-se a todas as atividades de coleta, desmonte e processo de produtos usados, partes de produtos, e/ou materiais para fazer assegurar a recuperação sustentável do meio ambiente”. A Lei Nº 12.305 de 2 de Agosto de 2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, no Art. 3o em seu item 12, define a logística reversa: instrumento de desenvolvimento econômico e social caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente adequada. Para Xavier e Corrêa (2013), a logística reversa miscigena as necessidades ambientais com as necessidades de sustentabilidade do mercado, promovendo assim uma sinergia entre essas práticas, priorizando três dimensões básicas que são a economia, o social e o ambiental, o que diferencia da relativamente recente logística verde (ou ambiental) que focaliza na dimensão ambiental, no que refere as atividades logísticas aplicadas à gestão do meio ambiente. No entanto, embora apresentam conceitos distintos, ambas atuam na proposta da sustentabilidade dos sistemas produtivos e a logística reversa a cada vez mais abrange aspectos “verdes” na gestão da cadeia reversa. De acordo com Xiu e Chen (2012), a logística verde apresenta diversas e distintas definições pelo mundo, mas que para o Reverse Logistics Executive Council (RLEC) a logística verde procura medir e minimizar os impactos ambientais causados pela logística tradicional. Segundo Rogers e Tibben-Lembke (1998) apud Montoya et al. (2013), a logística verde está destinada a determinar e minimizar os impactos ecológicos da logística, onde exerce atividades como redução do consumo de energia e redução do uso de matérias-primas, já a LR apresenta a destinação adequada do produto para ser revalorizado. Com base nesses conceitos, para esta pesquisa a logística reversa apresenta melhor articulação para tratar a água como bem de valor econômico, além dos valores sociais e ambientais que a mesma possui, dando ênfase nestas três dimensões. A Logística reversa também poderá ser entendida como o campo da logística empresarial que tem como objetivo, gerenciar de forma integral, todas as questões logísticas 28 do retorno dos bens ao ciclo produtivo, através dos canais de distribuição reversos de pós venda e de pós-consumo. Acrescentando aos mesmos, valores econômico e ambiental. (ADLMAIER; SELLITTO, 2007). Os canais de distribuições reversos são divididos entre pós-venda e de pósconsumo. A primeira, refere-se à “área da atuação específica que se ocupa do equacionamento e da operacionalização do fluxo físico e das informações logística que correspondente de bens de pós-venda”(LEITE, 2009). Já a segunda, além de equacionar e operacionalizar o andamento do produto, os mesmos são caracterizados por colher informações a respeito de bens de pós-consumo descartados para uma melhor destinação final. Figura 2 - Logística reversa – Área de atuação e etapas reversas Fonte: Adaptado de LEITE (2009) Guarnieri (2011) corrobora com o que é visto na figura 2, ressaltando que os bens de pós-consumo podem ter diversos destinos finais, como a incineração, os aterros sanitários, ou a retomada destes ao ciclo produtivo comercial através da separação dos itens, reciclagem ou reutilização, aumentando sua vida útil. Para os bens de pós-venda, os produtos são recolhidos e dentro da empresa ao qual poderá ser reutilizado através do desmanche, reprocessado ou ser comercializado a negócios secundários. Por isso é de suma relevância a diferenciação de LR de pós-venda e pós-consumo, pois existe destinação distinta para cada produto proveniente de cada uma delas. Como o bem 29 abordado é a água, e esta só é devolvida após ser utilizada, logo será dado ênfase ao canal de distribuição reverso de pós-consumo. 2.2.2 Logística Reversa de pós-consumo A logística reversa de pós-consumo pode ser reconhecida como uma oportunidade de negócio, pois esta apresenta as possibilidades econômicas, comercial e sustentável ao qual um determinado produto possui após ser utilizado. De acordo com Juran (1989) apud Ballou (2004), um produto pode ser entendido como resultado de qualquer atividade e processo, possuindo uma parte física como peso, volume, forma etc e a outra parte intangível que refere as características do serviço prestado. Para Leite (1999) apud Leite (2009, p.8) os canais de distribuição reversos são “as diferentes formas de processamento e de comercialização dos produtos de pós-consumo ou de seus materiais constituintes desde sua coleta até sua reintegração ao ciclo produtivo como matéria-prima secundária”. Os bens ou materiais de pós-consumo podem apresentar destinação diferentes onde são dependentes da constituição do produto, estas possibilidades são como os já tradicionais aterros sanitários e incineração para os produtos/materiais que não podem ser reaproveitados, ou o retorno ao ciclo produtivo por meio de canais de desmanche, reuso e reciclagem. O desmanche é uma etapa de separação dos materiais dos produtos, para que cada componente possa ter o seu destino adequado. O canal reverso de reuso pode ser entendido como aquele que é alongado o tempo de utilização, ou seja, em um determinado produto de pós-consumo há uma extensão do uso do mesmo, a fim de exercer a mesma função para a qual foi destinado desde a sua concepção. A reciclagem é um canal reverso que compreende todo um processo de reaproveitamento do material para gerar um novo produto similar ou distinto. A reciclagem possui ciclos reversos abertos e fechados (GUARNIERI, 2011). Para Leite (2009), os ciclos abertos são caracterizados por manter o foco na matéria-prima que constitui cada produto, pois os canais de distribuição reversos para este ciclo é constituído dos materiais compostos dos produtos de pós-consumo, como metais, plásticos, vidros, papéis, que são coletados de diferentes produtos e são processados com a 30 finalidade de reintegração ao ciclo produtivo em forma de matérias-primas secundárias para a sua utilização na fabricação em diferentes tipos de produtos. Os ciclos fechados são caracterizados pelo retorno dos produtos de pós-consumo, estes que foram descartados ao fim de sua vida útil, são reaproveitados como matéria-prima e são revalorizados no processo, com a intenção de que possa ser fabricado um produto similar ao de origem. Segundo o mesmo autor, uma das principais características dos canais reversos fechados é apresentar alta eficiência no fluxo reverso em razão da importância econômica do uso de seu material constituinte. O quadro 2 constitui exemplos de produtos de canais de ciclo fechado que são revalorizados na cadeia produtiva reversa devido à importância econômica, tecnológica, logística entre outras. Quadro 2 – Exemplos de canais reversos de ciclo fechado Produto de origem de pós- Principais materiais consumo extraídos Óleos lubrificantes usados Baterias de veículos descartadas Latas de alumínio de embalagem descartadas Eliminação de impurezas e acréscimo de aditivos Novo Produto Óleos lubrificantes novos Extração de chumbo Baterias de veículos novas Extração da liga de alumínio Latas de alumínio novas Fonte: Adaptado de Leite (2009, p.56) Como a água e o esgoto são bens/resíduos de um processo produtivo que poderá configurar-se como um produto de pós-consumo, o mesmo poderá ser apresentado como sendo de ciclo fechado por expor característica que enquadra nesse tipo de ciclo, pois a água é um bem/produto que após uso, e por meio de alguns processos de tratamento, pode ser retornado ao ciclo produtivo como um produto semelhante ao de origem. 31 2.2.3 Logística Reversa e Análise do ciclo de vida A Análise do Ciclo de Vida (ACV) é uma técnica que poderá ser usada como ferramenta de avaliação dos efeitos ambientais de um produto, processo ou atividade ao longo do seu ciclo de vida (ROY et al., 2009). Este instrumento que é usualmente conhecido como análise “de berço a cova”, ou seja, da extração dos insumos à destinação tradicional do lixo (aterros ou incineração), foi modificado nos últimos tempos para que fosse inserido nos ciclos reversos e tivesse mais coesão com a destinação final dos resíduos, tendo assim a gestão de materiais evoluindo para o conceito “do berço ao berço”. Segundo Xavier e Corrêa (2013, p.36), o conceito “do berço ao berço” demanda “que os materiais e produtos de pós-consumo sejam gerenciados considerando cadeias de suprimento de ciclo fechado”. Logo, além de desenvolver e projetar um determinado produto, também se faz necessário aplicar essas ações em todo o processo da vida do bem de consumo, com a finalidade de constituir um sistema de produção reversa onde propõe que tudo que um dia é consumido, poderá retornar ao processo produtivo, conforme a figura 3. Figura 3 – Ciclo de vida ambiental de berço a berço Fonte: Guarnieri (2011, p. 71) 32 De acordo com Leite (2009), um produto logístico na logística reversa de pósconsumo poderá ser classificado em relação a sua vida útil, sendo: Durável: este possui vida útil média (entre alguns anos ou décadas) e apresenta a possibilidade de ser reutilizado, como: automóveis, eletrodomésticos, aviões, edifícios, entre outros. Semidurável: com vida útil de poucas semanas ou anos e ainda apresenta possibilidade de ser reutilizado, como: baterias de veículos e celulares, óleos lubrificantes, computadores, entre outros. Descartável: este apresenta vida útil de horas ou semanas e não tem possibilidade de reutilização, como: artigos cirúrgicos, pilhas de equipamento eletrônicos, fraldas, produtos de embalagens, materiais para escritório, dentre outros. Embora a água padronizada para consumo humano possa ser considerada como um bem/produto que perde sua utilidade para esse fim imediatamente após o uso, a mesma possivelmente poderá ser considerada como um bem semidurável, pois, além de apresentar possibilidade de ser reutilizada, a água participa de um processo de reciclagem natural de fundamental importância para a manutenção da vida no planeta, o chamado ciclo biogeoquímico, ao qual será abordado no capítulo 4. 33 3 METODOLOGIA Neste capítulo é descrito a forma pela qual a pesquisa foi desenvolvida, enfatizando sua natureza, classificação e metodologia utilizada para realização da abordagem da temática do trabalho. 3.1 NATUREZA E CLASSIFICAÇÃO DA PESQUISA Na realização deste trabalho a metodologia utilizada foi baseada em uma pesquisa básica de revisão de literatura relacionada ao tema com o objetivo de apurar informações a respeito da importância do tratamento de efluente, das leis que regulamentam, da logística reversa como um processo e método de melhoria, identificando aspectos relevantes, bem como pontos de vista de vários autores e analisando a contribuição desses estudiosos para a área da Engenharia de Produção que colaboram com as questões ambientais, econômicas e sociais. Conforme Silva e Menezes (2001, p. 38), Para elaborar uma revisão de literatura é recomendável que você adote a metodologia de pesquisa bibliográfica. Pesquisa Bibliográfica é aquela baseada na análise da literatura já publicada em forma de livros, revistas, publicações avulsas, imprensa escrita e até eletronicamente, disponibilizada na Internet. Para isso, é necessário se informar do que já foi feito e discutido sobre o tema, aprofundar o conhecimento sobre a questão e sobre os trabalhos que transitam na circunvizinhança do problema, assim, o assunto será abordado de forma que o seu contexto seja analisado. Desta forma, este estudo poderá ser classificado como “Estado da Arte” ou “Estado do Conhecimento” “pois pesquisas desse tipo é que podem conduzir à plena compreensão do estado atingido pelo conhecimento a respeito de determinado tema – sua amplitude, tendências teóricas, vertentes metodológicas” (ROMANOWSKI; ENS, 2006, p.40). 34 Segundo Serra (2006, p. 177) os pesquisadores tem o costume de conceituar o “estado da arte” como “conjunto dos conhecimentos sobre determinado assunto existente na atualidade. Ora, para quem está se propondo, exatamente, a acrescentar algum conhecimento sobre assunto [...] é de importância basilar conhecer e explicitar o estado da arte”. De acordo com Ferreira (2002, p. 258), pesquisas denominadas “estado da arte” poderão ser: Definidas como de caráter bibliográfico, [...] são reconhecidas por realizarem uma metodologia de caráter inventariante e descritivo da produção acadêmica e científica sobre o tema que busca investigar, à luz de categorias e facetas que se caracterizam enquanto tais em cada trabalho e no conjunto deles, sob os quais o fenômeno passa a ser analisado. Para essa mesma autora, os pesquisadores que adotam esta metodologia são movidos e sustentados “pelo desafio de conhecer o já construído e produzido para depois buscar o que ainda não foi feito”. Sendo assim, este trabalho assumirá carácter descritivo e analítico que, além de um levantamento de dados no Banco de teses da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES e artigos no Scientific Electronic Library Online - SCIELO, da abordagem de informações dos artigos, dissertações, livros que dispõem quanto ao abastecimento hídrico, coleta de esgoto, saneamento, tratamento de efluente e logística reversa, foram utilizadas fontes secundárias, como os sites dos principais órgãos públicos e privados e leis que versam sobre o contexto do tema. Conforme Serra (2006), as pesquisas realizadas através da internet e em consultas a bibliotecas, devem estar fundamentadas em um conjunto abrangente de palavras chaves, sendo as mesmas utilizadas na pesquisa em três línguas como, inglês, espanhol e português, desta forma o levantamento literário será suficiente para o estado do conhecimento. O autor esclarece que os idiomas indicados para a base da pesquisa são escolhidos por razões como: o português, por ser o idioma ao qual a pesquisa está sendo desenvolvida, cobrindo teses e dissertações realizadas no Brasil e em países onde o uso da língua portuguesa é oficial, e principalmente por conduzir o estado da arte em nível nacional. O inglês e o espanhol, devido a grande quantidade de pesquisas, matérias científicas ou tecnológicas que são registradas ou traduzidas para essas línguas. Desta maneira, este estudo foi desenvolvido inicialmente através das pesquisas nas três línguas básicas mencionadas, dando prioridade aos mais recentes e aos dados referentes ao Brasil e concentrando-se ao tratamento de efluente doméstico que é o fator limitador deste estudo. 35 4 DISCUSSÃO 4.1 CICLOS DA ÁGUA A Logística reversa trata do ciclo de vida de um determinado produto, como neste caso o bem em questão é a água, e esta possui vida cíclica naturalmente e o estudo deste ciclo é um conhecimento importante para a ACV, o controle e monitoramento da poluição ou estabelecimento de métodos de manejo sustentáveis ao meio ambiente, logo faz-se necessário compreende-lo. 4.1.1 Ciclo Natural O Ciclo de vida da água é integrante de todo um conjunto de processos ao qual é relacionado com os meios geográficos, biológicos e químicos de todo ecossistema, este processo que por sua vez é responsável pela troca ou circulação de elementos entre os componentes da biosfera são denominados de ciclos biogeoquímicos. Os ciclos biogeoquímicos são processos naturais que por diversos meios reciclam vários elementos em diferentes formas químicas do meio ambiente para os organismos, e depois, fazem o processo contrário, ou seja, trazem esses elementos dos organismos para o meio ambiente. Dessa forma, a água, o carbono, o oxigênio, o nitrogênio, o fósforo, o cálcio entre outros elementos percorrem esses ciclos, unindo todos os componentes vivos e não-vivos da Terra (ROSA et al., 2003, p.9). A água é um composto ao qual através do seu ciclo interfere e auxilia na distribuição e troca de substâncias, com a finalidade de reciclar e manter o equilíbrio dos elementos na Terra. O ciclo hidrológico está diretamente ligado aos mecanismos de transferências como: a precipitação, escoamento superficial, infiltração, evaporação e transpiração. De acordo com Von Sperling (2005), esses mecanismos de troca distinguem-se como: Precipitação: envolve toda a água que cai em forma de chuva, granizo, neve e orvalho da atmosfera. 36 Escoamento superficial: precipitação que atinge a superfície da Terra a qual é responsável pelo escoamento da água pelo terreno, formando córregos, lagos e rios e eventualmente alcançando o mar. Infiltração: precipitação que atinge o solo, originando a formação dos lençóis freáticos. Evaporação e Transpiração: esses dois últimos, são relacionados ao ciclo energético terrestre, é esta energia que conduz a evaporação hídrica de seus diversos meios, envolvendo a transpiração da fauna e flora, chamada de evapotranspiração. A figura 4, descreve de forma objetiva o diagrama do ciclo hidrológico, onde a mesma através dos mecanismos de transferência é submetida aos três estados físicos. Figura 4 - Diagrama do ciclo da água no planeta Fonte: Adaptado de Rosas et al. (2003, p.12) 37 4.1.2 Ciclo Social da água O chamado ciclo social da água pode ser considerado todo o conjunto de distribuição, utilização e descarte dos recursos hídricos pela população, este consiste no uso da água nas atividades humanas. Como é dependente dela pra sua sobrevivência, o homem faz o seu uso em diversos fins. Segundo Mota (2010), o uso da água configura-se em consuntivos, quando há perdas no processo de retirada e retorno ao meio ambiente, como abastecimento humano e industrial, irrigação e dessedentação de animais e não consuntivos, que são relacionados a recreação, harmonia paisagística, geração de energia elétrica, conservação da flora e fauna, navegação, pesca e diluição, assimilação e afastamento de despejos. Para a realização de distribuição e coleta de água nas cidades, é necessário medidas de saneamento que tem como finalidade, através de diversas ações, garantir a população um ambiente com condições que proporcionem o seu bem-estar físico, mental e social, ou seja, interferido na qualidade de vida e saúde. Como já mencionado no capitulo 2, as atividades do saneamento básico compreendem: abastecimento de água potável; esgotamento sanitário; limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos; drenagem e manejo das águas pluviais urbanas. Essas medidas podem ser agrupadas em sistemas coletivos. Os sistemas coletivos de abastecimento de água e esgotamento sanitário são os principais componentes do ciclo social da água e este é uma fração do ciclo hidrológico, onde tem causado importantes desequilíbrios que se localizam de forma extensa e sistêmica (GONÇALVES, 2009). O ciclo social da água como parte do ciclo hidrológico, tem afetado o meio ambiente através das diversas formas de poluição referente ao uso da água nas atividades humanas. A poluição pode ser percebida como qualquer alteração das características do ambiente que comprometa as diversas formas de vida da biosfera, podendo ser de natureza física, química e biológica. A mesma é consequência da entrada ou do acréscimo de alguma substância ou material que leve a tais modificações. A poluição pode ser dividida em dois tipos: poluição natural e poluição antropogênica, a primeira é originada por fenômenos naturais, como a erupção de um vulcão, já a segunda, está intimamente ligada pela 38 interferência do homem, pois, pode ser observada tanto no ar, como na terra e na água (MEDEIROS, 2005). Existem formas diversas a qual a água pode ser poluída, principalmente de forma consuntiva, que seja pelo o despejo de esgotos domésticos e industriais, que comprometem rios, lagoas e mares, ou pelo uso da mesma na agricultura, que favorece ao uso demasiado de agrotóxicos ou fertilizantes inorgânicos, que podem contaminar as reservas subterrâneas de água. Von Sperling (2005) afirma que o ecossistema de um corpo d’água encontra-se em equilíbrio antes dos despejos da carga poluidora, após a descarga dos poluentes, inicialmente surge uma desorganização para depois o mesmo reorganizar-se através do fenômeno de autodepuração. Nesse sentido, a autodepuração pode ser entendida como um processo desenvolvido ao longo do tempo, representado como sucessão ecológica através da associação de processos físicos, químicos e biológicos. Já Andrade (2010, p.16), diz que “autodepuração é um processo natural, no qual cargas poluidoras, de origem orgânica, lançadas em um corpo d’água são neutralizadas”. Logo, como mencionado anteriormente qualquer forma de poluição contaminam os meios hídricos, pois os ciclos biogeoquímicos reestruturam as novas entradas de substâncias no meio ambiente. Esse rearranjo modifica e compromete com a qualidade do ar, do solo e da água. A figura 5 demonstra as formas de poluição antropogênicas, que são realizadas através da interferência das atividades humanas. Figura 5 - A interferência das atividades humanas sobre os ciclos biogeoquímicos Fonte: Instituto de Biociência da Universidade de São Paulo - IBUSP (2006). 39 Conforme Barros e Amin (2007), caso houvesse coerência na utilização da água onde o seu ciclo natural fosse respeitado, a água manteria a qualidade necessária para consumo, por esta apresentar capacidade de regeneração e reposição. Como visto, as atividades humanas são responsáveis aos processos de poluição do meio ambiente ao qual a água é a maior receptora, comprometendo a sua qualidade, e impossibilitando o seu reuso, seu tratamento e por fim sua utilização/reutilização, estes são problemas que versam aos sistemas coletivos de abastecimento de água e esgoto que são compreendidos ao ciclo social da água. 4.2. PADRÕES DE POTABILIDADE DA ÁGUA E SISTEMA DE ABASTECIMENTO Água pode ser caracterizada por diversos parâmetros, sejam eles representados pela característica física, químicas e biológicas. Esses parâmetros são indicadores da qualidade da água, se esta se encontra em boa condição para determinado uso, desta forma os teores de impurezas são definidos de acordo com a sua utilidade, sendo assim, divergentes os padrões de qualidade para potabilidade (consumo humano) e para balneabilidade (fins recreativos). Atualmente os padrões de potabilidade são estabelecidos pela portaria nº 2.914, do Ministério da saúde de 12 de dezembro de 2011, que dispõe sobre os procedimentos de controle e de vigilância da qualidade da água para consumo humano, em seu Art. 5º define sistema de abastecimento de água para consumo humano como “instalação composta por um conjunto de obras civis, materiais e equipamentos, desde a zona de captação até as ligações prediais, destinada à produção e ao fornecimento coletivo de água potável, por meio de rede de distribuição”. Quanto as competências referentes a qualidade da água destaca-se os seguintes incisos nos artigos dessa mesma portaria: Art. 7. Compete à Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS/MS): I - promover e acompanhar a vigilância da qualidade da água para consumo humano, em articulação com as Secretarias de Saúde dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios e respectivos responsáveis pelo controle da qualidade da água; Art. 11. Compete às Secretarias de Saúde dos Estados: 40 I - promover e acompanhar a vigilância da qualidade da água, em articulação com os Municípios e com os responsáveis pelo controle da qualidade da água; Art. 12. Compete às Secretarias de Saúde dos Municípios: I - exercer a vigilância da qualidade da água em sua área de competência, em articulação com os responsáveis pelo controle da qualidade da água para consumo humano; [...] X - cadastrar e autorizar o fornecimento de água tratada, por meio de solução alternativa coletiva, mediante avaliação e aprovação dos documentos exigidos no art. 14 desta Portaria. Parágrafo único. A autoridade municipal de saúde pública não autorizará o fornecimento de água para consumo humano, por meio de solução alternativa coletiva, quando houver rede de distribuição de água, exceto em situação de emergência e intermitência. Art. 13. Compete ao responsável pelo sistema ou solução alternativa coletiva de abastecimento de água para consumo humano: I - exercer o controle da qualidade da água; Logo, nesta portaria são identificados os responsáveis em exercer o controle da qualidade da água e pelo sistema de abastecimento da mesma em articulação com outros órgãos públicos, bem como aqueles que têm como competência em promover e acompanhar o processo de vigilância do controle da qualidade da água para consumo humano. Conforme o Capitulo V da citada Portaria, que dispõe a respeito do Padrão de Potabilidade, a água potável deve estar em concordância com os padrões microbiológicos, de turbidez, de substâncias químicas que apresentam risco à saúde, de radioatividade e de aceitação para consumo humano. A mesma dispõe tabelas que estabelecem as condições. Dentre estas conformidades, o padrão microbiológico de potabilidade da água: Art. 27. A água potável deve estar em conformidade com padrão microbiológico, conforme disposto no Anexo I e demais disposições desta Portaria. § 1º No controle da qualidade da água, quando forem detectadas amostras com resultado positivo para coliformes totais, mesmo em ensaios presuntivos, ações corretivas devem ser adotadas e novas amostras devem ser coletadas em dias imediatamente sucessivos até que revelem resultados satisfatórios. § 2º Nos sistemas de distribuição, as novas amostras devem incluir no mínimo uma recoleta no ponto onde foi constatado o resultado positivo para coliformes totais e duas amostras extras, sendo uma à montante e outra à jusante do local da recoleta. § 3º Para verificação do percentual mensal das amostras com resultados positivos de coliformes totais, as recoletas não devem ser consideradas no cálculo. § 4º O resultado negativo para coliformes totais das recoletas não anula o resultado originalmente positivo no cálculo dos percentuais de amostras com resultado positivo. § 5º Na proporção de amostras com resultado positivo admitidas mensalmente para coliformes totais no sistema de distribuição, expressa no Anexo I a esta Portaria, não são tolerados resultados positivos que ocorram em recoleta, nos termos do § 1º deste artigo. § 6º Quando o padrão microbiológico estabelecido no Anexo I a esta Portaria for violado, os responsáveis pelos sistemas e soluções alternativas coletivas de abastecimento de água para consumo humano devem informar à autoridade de saúde pública as medidas corretivas tomadas. § 7º Quando houver interpretação duvidosa nas reações típicas dos ensaios analíticos na determinação de coliformes totais e Escherichia coli, deve-se fazer a recoleta. 41 Quadro 3 - Padrão microbiológico da água para consumo humano – Anexo I da Portaria 2914/2011 Tipo de água Parâmetro VMP (1) Água para consumo Escherichia coli (2) Ausência em 100 mL Coliformes totais (3) Ausência em 100 mL Escherichia coli Ausência em 100 mL Na saída do tratamento Água tratada No sistema de distribuição Coliformes (reservatórios e rede) totais(4) Sistema ou soluções Apenas uma amostra, alternativas entre as amostras coletivas que examinadas no mês; abastecem menos poderá apresentar de 20000 habitantes resultado positivo Sistemas ou soluções alternativas coletivas que abastecem a partir Ausência em 100 mL em 95% das amostras examinadas no mês de 20000 habitantes Notas: (1) (2) (3) (4) Valor máximo permitido Indicador de contaminação fecal Indicador de eficiência de tratamento Indicador de integridade do sistema de distribuição (reservatório e rede). Fonte: Ministério da Saúde, Portaria 2914/2011 De acordo com Razzolini e Günther (2008), em regiões onde não existe sistema de abastecimento público, à procura por fontes alternativas pode acarretar ao consumo hídrico de qualidade duvidosa, tornando aos seus usuários um fator agravante das condições precárias de vida. Mota (2010) salienta que, o abastecimento de água nos domicílios deve ser realizado de acordo com a quantidade de água necessária aos diversos usos da mesma, que além da ingestão, a água é utilizada pelo homem para a preparação dos alimentos, lavagem de utensílios, higiene corporal, lavagem de roupas, afastamento de dejetos e higiene do ambiente. Para este mesmo autor, o consumo de água por habitante varia em função de diversos fatores, bem como: hábitos, poder aquisitivo e nível de educação no que se refere a higiene, além dos fatores relacionados ao tipo de cidade e suas características do clima. 42 Segundo dados Diagnóstico dos Serviços de Água e Esgotos – 2012, do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), publicados pela Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental do Ministério das Cidades (2014), o consumo médio de água no país é de 167,5 litros por habitante ao dia, onde existe variações de acordo com as regiões, sendo 131,2 l/hab.dia no Nordeste a 194,8 l/hab.dia no Sudeste. Por sua vez, no processo de distribuição da água para garantir tal consumo, as redes sofrem na média nacional 36,9% de perdas na repartição. Para Medeiros (2005), essas perdas devem aos vazamentos e ligações clandestinas. Os sistemas de abastecimento de água são constituídos por diversas unidades, que compõem desde a captação da água do corpo hídrico, o seu tratamento em Estações de tratamento de Água (ETA) até a sua distribuição nas edificações. Figura 6 – Sistema Coletivo de abastecimento de Água Fonte: Portal do Professor, UCA. A figura 6 representa o esquema de um sistema coletivo de distribuição/abastecimento de água, onde é possível observar as unidades em que o mesmo é composto, como: o recurso hídrico onde é retirada a água, a adutora de captação, o tratamento, o reservatório de água tratada, a adução e a chegada da água na rede de distribuição. 43 No geral, o tipo de ETA a ser utilizado depende da qualidade da água captada, da quantidade de pessoas a serem abastecidas e dos recursos disponíveis (MOTA, 2010). 4.3 IMPACTOS DOS LANÇAMENTOS DOS EFLUENTES DOMÉSTICOS EM CORPOS RECEPTORES E SISTEMA DE ESGOTAMENTO O investimento em saneamento básico envolve o engajamento de uma ampla rede pública no que se refere aos impactos na saúde, na qualidade de vida, na educação e no meio ambiente. Segundo Tucci (2008), os serviços de abastecimento de água possuem problemas crônicos como, a falta de preservação dos corpos hídricos urbanos, a perda de água na distribuição e o uso exacerbado. Para ele, os impactos ocasionados pelo lançamento de esgoto doméstico em corpos receptores são devido aos: Despejos dos esgotos sanitários sem tratamento nos rios; Despejos domésticos, por meio de fossas sépticas e vazamento dos sistemas de esgoto sanitário. De acordo com a Norma Brasileira - NBR 13969/97 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), a contribuição de esgotos domésticos varia de acordo com o padrão da residência, da seguinte maneira: padrão alto - 160 L/pessoa.dia; padrão médio - 130 L/pessoa.dia e padrão baixo - 100 L/pessoa.dia. O esgoto doméstico é constituído por 99,9% de água e o restante 0,1% de sólidos orgânicos e inorgânicos, que varia de acordo com as características, das cidades, do clima, da condição financeira, dos hábitos entre outros fatores. Estes constituem desejos humanos que contem microrganismos patogênicos que se lançados ao corpo hídrico “in natura”, acarretará o consumo do oxigênio dissolvido na água, causando impacto sobre a vida aquática e reduzindo a qualidade hídrica do manancial (MOTA, 2010). Podendo assim, afetar a saúde humana com doenças associadas à ingestão de água poluída como as diarreias e hepatite A (HESPANHOL, 2002). Segundo a Organização Mundial da Saúde apud (Medeiros, 2005, p.14, grifo do autor), “5 milhões de pessoas morrem por ano de doenças transmitidas pela água”. Para Leoneti et al. (2011), no Brasil, o saneamento básico está caracterizado pela desigualdade e expressiva deficiência ao acesso em relação à coleta e tratamento do esgoto. 44 Ainda de acordo com os dados Diagnósticos dos serviços de Água e Esgotos 2012, no Brasil, é possível apontar índices de cobertura com abastecimento de água bastante elevados nas áreas urbanas das cidades, com uma média nacional de 93,2%, para o atendimento com redes coletoras de esgotos o número alcança um contingente de população urbana cujo índice médio no país é de 56,1%, destacando se a região Sudeste, com média de 80,3%. No entanto, a média do país para o tratamento dos esgotos gerados chega a 38,7% e dos esgotos coletados a 69,4%, demostrando assim que uma grande parte dos efluentes gerados e uma boa parte destes resíduos coletados não recebem o devido tratamento antes de sua destinação final. Logo abaixo na tabela 2, é possível observar esses dados caracterizados por região, onde se destaca o menor índice de tratamento das águas residuárias dos esgotos gerados na região norte do Brasil com 14,4% e o menor dos efluentes coletados para a região sudeste com 63,6% do seu total, sendo esta região a que possui altos índices de atendimento de rede de distribuição de água, com total de 91,8% e 97% em relação à rede urbana e altos índice de atendimento a coleta de esgoto com 75,4% do todo e 80,3% para as redes urbanas. Tabela 2 - Níveis de atendimento com água e esgotos em 2012, segundo região geográfica do Brasil Índice de atendimento com rede (%) Região Água Coleta de esgotos Índice de tratamento dos esgotos (%) Esgoto Esgoto gerados coletados Total Urbano Total Urbano Total Total (IN055) (IN023) (IN056) (IN024) (IN046) (IN016) Norte 55,2 68,6 9,2 11,9 14,4 85,1 Nordeste 72,4 89,5 22,2 29,4 31,0 81,2 Sudeste 91,8 97,0 75,4 80,3 42,7 63,6 Sul 87,2 97,2 36,6 42,7 36,2 79,7 88,0 96,5 42,7 47,1 44,2 90,0 82,7 93,2 48,3 56,1 38,7 69,4 CentroOeste Brasil Fonte: Adaptado do SNIS (2012) 45 No Brasil, a Resolução nº 430/2011, do Conselho Nacional do Meio Ambiente, que dispõe sobre as condições e padrões de lançamento de efluentes, complementa e altera a Resolução Nº 357, de 17 de março de 2005 do CONAMA, que estabelece em seu Art. 1º sobre as condições, parâmetros, padrões e diretrizes para gestão do lançamento de efluente em corpos de água receptoras e dispõe em seu: Parágrafo único. O lançamento indireto de efluentes no corpo receptor deverá observar o disposto nesta Resolução quando verificada a inexistência de legislação ou normas específicas, disposições do órgão ambiental competente, bem como diretrizes da operadora dos sistemas de coleta e tratamento de esgoto sanitário. Art. 2º A disposição de efluentes no solo, mesmo tratados, não está sujeita aos parâmetros e padrões de lançamento dispostos nesta Resolução, não podendo, todavia, causar poluição ou contaminação das águas superficiais e subterrâneas. Art. 3º Os efluentes de qualquer fonte poluidora somente poderão ser lançados diretamente nos corpos receptores após o devido tratamento e desde que obedeçam às condições, padrões e exigências dispostos nesta Resolução e em outras normas aplicáveis. Parágrafo único. O órgão ambiental competente poderá, a qualquer momento, mediante fundamentação técnica: I - acrescentar outras condições e padrões para o lançamento de efluentes, ou tornálos mais restritivos, tendo em vista as condições do corpo receptor; ou II - exigir tecnologia ambientalmente adequada e economicamente viável para o tratamento dos efluentes, compatível com as condições do respectivo corpo receptor. No Brasil, o sistema de esgotamento consiste em sistema separador absoluto, onde esse modelo é caracterizado por dispor duas redes de canalização, sendo distinta a rede coletora de esgoto da rede que recolhe as águas pluviais. No entanto, são as canalizações interceptoras, que recebe o fluxo esgotado pelos coletores e o lançam nas Estações de Tratamento de Esgotos (ETE) (CRESPO, 1997). 4.4 TRATAMENTO DE EFLUENTES DOMÉSTICOS COMO PROCESSO DA LOGÍSTICA REVERSA No capítulo 2, foi demostrado que o efluente doméstico enquadra-se como um produto da cadeia reversa de pós-consumo e reciclagem de ciclo fechado, pois apresenta possibilidade/necessidade de ser reintegrado ao ciclo produtivo tendo ou não a mesma finalidade de uso. A reinserção poderá ocorrer de diversas formas, dentre elas, as alternativas mais adequadas dentro do processo da LR são, o seu reuso ou descarte na natureza após o processo de tratamento. 46 Desta forma, o tratamento do esgoto é de extrema relevância para o reaproveitamento e revalorização do bem/produto em questão, além de ser uma alternativa de controle dos poluentes que prejudicam a qualidade da água. Para Mota (2010), uma forma de garantir a manutenção da qualidade da água em corpos d’água é definir padrões para os efluentes lançados nos mesmos. A Resolução 430/2011, estabelece em seu Art. 16º que os efluentes de qualquer fonte poluidora somente poderão ser lançados diretamente no corpo receptor desde que obedeçam as seguintes condições e padrões: a) pH entre 5 a 9; b) temperatura: inferior a 40°C, sendo que a variação de temperatura do corpo receptor não deverá exceder a 3°C no limite da zona de mistura; c) materiais sedimentáveis: até 1 mL/L em teste de 1 hora em cone Inmhoff. Para o lançamento em lagos e lagoas, cuja velocidade de circulação seja praticamente nula, os materiais sedimentáveis deverão estar virtualmente ausentes; d) regime de lançamento com vazão máxima de até 1,5 vez a vazão média do período de atividade diária do agente poluidor, exceto nos casos permitidos pela autoridade competente; e) óleos e graxas: 1. óleos minerais: até 20 mg/L; 2. óleos vegetais e gorduras animais: até 50 mg/L; f) ausência de materiais flutuantes; e g) Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO 5 dias a 20°C): remoção mínima de 60% de DBO sendo que este limite só poderá ser reduzido no caso de existência de estudo de autodepuração do corpo hídrico que comprove atendimento às metas do enquadramento do corpo receptor; E essa mesma resolução em seu Art. 21º, estabelece as condições para o lançamento direto de efluentes oriundos de sistemas de tratamento de esgotos sanitários, que deverão ser obedecidas as seguintes condições e padrões específicos: a) pH entre 5 e 9; b) temperatura: inferior a 40°C, sendo que a variação de temperatura do corpo receptor não deverá exceder a 3°C no limite da zona de mistura; c) materiais sedimentáveis: até 1 mL/L em teste de 1 hora em cone Inmhoff. Para o lançamento em lagos e lagoas, cuja velocidade de circulação seja praticamente nula, os materiais sedimentáveis deverão estar virtualmente ausentes; d) Demanda Bioquímica de Oxigênio-DBO 5 dias, 20°C: máximo de 120 mg/L, sendo que este limite somente poderá ser ultrapassado no caso de efluente de sistema de tratamento com eficiência de remoção mínima de 60% de DBO, ou mediante estudo de autodepuração do corpo hídrico que comprove atendimento às metas do enquadramento do corpo receptor. e) substâncias solúveis em hexano (óleos e graxas) até 100 mg/L; e f) ausência de materiais flutuantes. § 1º As condições e padrões de lançamento relacionados na Seção II, art. 16, incisos I e II desta Resolução, poderão ser aplicáveis aos sistemas de tratamento de esgotos sanitários, a critério do órgão ambiental competente, em função das características locais, não sendo exigível o padrão de nitrogênio amoniacal total. § 2º No caso de sistemas de tratamento de esgotos sanitários que recebam lixiviados de aterros sanitários, o órgão ambiental competente deverá indicar quais os 47 parâmetros da Tabela I do art. 16, inciso II desta Resolução que deverão ser atendidos e monitorados, não sendo exigível o padrão de nitrogênio amoniacal total. § 3º Para a determinação da eficiência de remoção de carga poluidora em termos de DBO5,20 para sistemas de tratamento com lagoas de estabilização, a amostra do efluente deverá ser filtrada. Andrade (2010, p. 16) corrobora dizendo que uma das formas de se controlar a poluição dos rios é justamente “estudar e conhecer a capacidade de autodepuração de cada corpo hídrico, estimando a quantidade de efluentes que cada rio é capaz de receber sem que suas características naturais sejam prejudicadas”. Em virtude da crescente poluição dos rios, estes podem possuir uma baixa capacidade de autodepuração. Para Stehfest (1973) apud Andrade (2010, p. 16), a decomposição da matéria orgânica por micro-organismos aeróbios corresponde a um dos mais relevantes processos que compõem a autodepuração, entretanto, esse é responsável pelo decréscimo nas concentrações de Oxigênio Dissolvido (OD) na água devido à respiração dos micro-organismos, que por sua vez contribui com a decomposição da mateira orgânica. A Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO), é a quantidade de oxigênio necessária para oxidar a matéria orgânica biodegradável sob condições aeróbicas, ao qual quanto maior for o índice da DBO, menor será a disponibilidade de oxigênio no meio (MEDEIROS, 2005). Conforme Mota (2010), o valor da DBO (5 dias, 20ºC) dos esgotos domésticos, varia de 200 mg/L a 400 mg/L. Como visto na resolução 430/2011 do CONAMA, em seu Art. 21º estabelece que para lançamento direto de efluentes oriundos de sistemas de tratamento de esgotos sanitários este valor deverá ser reduzido a 120 mg/L, ou poderá ser maior caso seja realizado um estudo de autodepuração do corpo hídrico receptor, ou quando o sistema de tratamento tenha eficiência de remoção mínima de 60% de DBO. Logo, o tratamento de efluente doméstico é importante para a manutenção da vida dos corpos hídricos e controle de qualidade do mesmo, pois, “quando o esgoto doméstico é tratado antes de ser lançado nos rios pode-se reduzir o valor da DBO, em torno de 90% (MEDEIROS, 2005, p.10)”. O Processo Logístico reverso ao qual a água/efluente podem ser submetidos é uma forma de intervenção que prevê um fluxo mais adequado no ciclo urbano hídrico, que objetiva gerir e controlar a qualidade deste recurso, assim como já acontece com os resíduos sólidos, o conceito “de berço a berço” aplicado como retorno do bem, a implementação de um processo LR como forma de controle dos recursos naturais, redução do desperdício entre 48 outros fatores econômico, ambiental e social, poderá ser uma ótima alternativa de gerenciamento, atingindo de forma positiva o ciclo hidrológico. A cadeia reversa de pós-consumo da água permitirá o retorno mais adequado desta ao ciclo social e hidrológico por meio de canais de reuso e reciclagem. O Reuso na LR tem significado de alongamento do tempo de utilização, onde o produto é reutilizado sem qualquer processamento. No entanto, á água possui diferenciação neste contexto pois, a mesma poderá ser reaproveitada com ou sem tratamento, fortalecendo o seu reuso em diferentes necessidades de aplicações, tais como lavagem de vias e pátios industriais, irrigação de jardins e pomares, nas descargas dos banheiros entre outros. É importante destacar que o reuso da água é parte de um processo ao qual compreende o uso racional, o controle de perdas e da qualidade da mesma. Sendo essa reutilização, decorrentes de ações planejadas ou não, este reuso poderá ser caracterizado como direto ou indireto. De acordo com Costa e Barros Júnior (2005), os tipos de reuso da água poderão ser classificados em: Reuso indireto não planejado da água: ocorre quando a água já utilizada em atividades humanas é despejada no meio ambiente (estando sujeita a diluição e a autodepuração) e novamente utilizada de maneira não intencional e não controlada. Reuso indireto planejado da água: ocorre quando os efluentes depois de um processo de tratamento são despejados de forma planejada nos corpos de água, para serem utilizados novamente, de forma controlada. Reuso direto planejado da água: ocorre quando os efluentes, após tratamento, são destinados diretamente ao local do reuso, não sendo descarregados no meio ambiente. A reciclagem da água é caracterizada como reuso interno, onde o líquido é tratado e consumido por aquele setor que o gerou (MOTA, 2010). Para Silva (2012, p. 4), “a reciclagem consiste no reaproveitamento da água que já passou pela rede de esgoto e por uma estação de tratamento”. Já nos conceitos da LR, pode ser compreendida como o processo ao qual o efluente é submetido ao tratamento com a finalidade de reuso planejado. Sendo assim, conceitos muito próximos. Na reciclagem, o recurso hídrico pertence aos ciclos fechados, pois 49 em toda uma vida é utilizada uma mesma água, esta participa de um processo a qual é reinserida seja naturalmente ou através deste mecanismo. É importante ressaltar que, além da reutilização e reciclagem, a redução do consumo também integra ao uso racional dos recursos hídricos, esta refere-se a economia de água através da eliminação dos vazamentos e da diminuição do gasto em atividades domiciliares (SILVA, 2012). Segundo Hespanhol (2008, p. 142), dentre as possibilidade de reuso da água vinda de estação de tratamento de esgoto doméstico, destacam as seguintes: irrigação de parques e jardins públicos, residenciais e industriais, centros esportivos, campos de futebol e de golfe, jardins de escolas e universidades, gramados, árvores e arbustos decorativos ao longo de avenidas e rodovias; reserva de proteção contra incêndio; sistemas decorativos aquáticos, tais como fontes, chafarizes e espelhos d'água; lavagens de veículos, tais como automóveis, caminhões, ônibus e trens; lavagem de pisos e praças; descarga sanitária em banheiros públicos e em edifícios residenciais e comerciais, públicos e privados; limpeza de tubulações de esgotos e de galerias de águas pluviais; controle de poeira; construção civil, na lavagem de agregados, preparação e cura de concreto e controle de umidade para compactação do solo. Conforme Mota (2010), são diversas as vantagens para a utilização de água de reuso, ao qual destacam: maior oferta de água; quantidade suficiente de água para todo o ano; os efluentes reutilizados não são despejados nos mananciais, impedindo a poluição, principalmente dos corpos hídricos com baixa capacidade de autoderupação; redução de uso de fertilizantes artificiais, pois, a irrigação com efluentes domésticos tratados promove a adição de matéria orgânica e nutrientes ao solo; economia na irrigação e na piscicultura. No Brasil, poucos são os exemplos práticos sobre o reuso de águas residuais. A maioria dos projetos são desenvolvidos pelas universidades e pela indústria, pois o surgimento da Resolução do CONAMA Nº 20 de 1986, impôs limites para emissão de efluentes nos corpos hídricos para esse setor (COSTA; BARROS JÚNIOR, 2005). 50 Conforme esses mesmos autores, as dificuldades em relação ao reuso urbano para atividades menos nobres estão associadas aos altos custos dos sistemas duplos de distribuição, aos problemas na implantação e aos possíveis riscos de ocorrência de conexões cruzadas. Porém, os custos do investimento devem ser considerados ao ser comparados aos benefícios que são em conservar água potável, a economia com os gastos do tratamento de água para consumo humano, além de estruturar uma possível solução da problemática para a manutenção da qualidade da mesma. Figura 7 - Esquema do processo logístico da uso/reuso da água Fonte: Adaptado de ASSIS et al., (2009) A figura 7 relaciona a cadeia de distribuição reversa em que o processo LR confere a água, onde esta após ser captada dos corpos d’água é tratada com qualidade para consumo humano, utilizada e descartada de forma adequada para as ETE e após tratamento é distribuída para reuso de outros fins ou lançadas nos mananciais de acordo com sua capacidade de autodepuração ou qualidade deste efluente. Dessa maneira o processo cíclico ao qual o ciclo social é adaptado, apresenta como uma alternativa de controle da qualidade da água, bem como o uso consciente da mesma, além de contribuir para a melhoria da interação integrada ao ciclo hidrológico. 51 4.5 FATORES ECONÔMICOS DO INVESTIMENTO EM UM PROCESSO REVERSO No item 6º da Declaração Universal dos Direitos da Água estabelece que, “A água não é uma doação gratuita da natureza; ela tem um valor econômico: precisa-se saber que ela é, algumas vezes, rara e dispendiosa e que pode muito bem escassear em qualquer região do mundo”. A Lei das Águas (1997), em seu Art. 19º dispõe que a cobrança pelo uso de recursos hídricos objetiva: I - reconhecer a água como bem econômico e dar ao usuário uma indicação de seu real valor; II - incentivar a racionalização do uso da água; III - obter recursos financeiros para o financiamento dos programas e intervenções contemplados nos planos de recursos hídricos. De acordo com Barros e Amin (2008), compreender a água como bem econômico constitui em estabelecer valor econômico de forma que apresente preço de mercado, que atenda aos princípios do poluidor-pagador onde estabelece a responsabilidade do consumidor de forma direta ou indireta sobre os impactos ao meio ambiente e a determinação de arcar monetariamente sobre estes. E na disposição em que cada consumidor estaria para pagar para que os recursos hídricos sejam preservados. O valor da água depende conforme o usuário e para qual fim a mesma se destina, sendo na indústria e nas atividades agrícolas valores mais elevados, para fins domésticos a água utilizada para beber, necessita de uma qualidade melhor, por isso oferece alto custo para a sociedade, no entanto, a água para higienização do lar, lavagem de roupas e descargas sanitárias podem possuir qualidade inferior a potável (ROGERS; BHATIA; HUBER, 1997). Desta forma, é relevante ressaltar que a água como um bem econômico, terá preço determinado e será transacionada em mercado, onde os países que tratarem a água como recurso estratégico e social e por isso obtiverem os recursos hídricos em maior quantidade e melhor qualidade, serão favorecidos pelo comércio e terão projeções de crescimento e desenvolvimento (BARROS; AMIN, 2008). Baseado neste contexto, Barros e Amin (2008) diz que o gerenciamento dos recursos hídricos é de fundamental importância até mesmo para os países que detêm grandes 52 reservas, pois a utilização destas deve acontecer conforme os critérios de racionalidade econômica e equilíbrio financeiro, com a finalidade de preservar a água para gerações futuras e promover o uso sustentável. Conforme Tucci (2008), no Brasil, as empresas de saneamento tem investido em redes de coletas de esgoto doméstico e em ETE, entretanto, o volume de efluente tratado antes de ser despejado nos corpos hídricos é ainda muito pequeno em relação ao volume gerado. Resaltando algumas questões possíveis: • Quando as redes de esgoto são implementadas ou projetadas, muitas vezes não foi prevista a ligação da saída das habitações ou dos condomínios a elas. Dessa forma, as redes não coletam o esgoto projetado e as estações não recebem o esgoto para o qual têm a capacidade. O projeto foi elaborado de forma inadequada ou não foi executado como deveria, pois o esgoto continua escoando pelo pluvial para o sistema fluvial. • Como uma parte importante das empresas cobra pelo serviço de coleta e tratamento, mesmo sem que o tratamento seja realizado, qual será o interesse das empresas em completar a cobertura de coleta e tratamento do esgoto? Outro cenário freqüente é o de aumentar a coleta sem tratamento, agravando o problema à medida que concentra a poluição nos rios. Do mesmo modo, qual é o interesse da empresa na eficiência na redução das perdas se pode transferir os custos para o preço final? Como a empresa terá interesse em reduzir a demanda por racionalização, se isso representará menor receita? Observa-se a falta de indicadores de eficiência para os serviços e de compensações para essa eficiência à medida que a água é racionalizada. • Quando for implementado o sistema de cobrança pela poluição, quem irá pagar as penas previstas para a poluição gerada? (TUCCI , 2008, p.104). Colaborando com algumas questões levantadas por Tucci, Hespanhol (2002), destaca que o que talvez seja a deficiência mais significativa que restringe a universalização da prática de reuso de água no Brasil, é que o mesmo ainda não dispõe de uma estrutura legal para regulamentar, orientar e promover essa prática. No entanto, Silva (2012, p. 7) difunde que, no Brasil a implementação de políticas públicas referentes aos recursos hídricos de domínio da União está concentrada na ANA. Dentre os vários programas conduzidos pela entidade, merecem destaque: PRODES – Programa Despoluição de Bacias Hidrográficas: criado em março de 2001, o programa, também conhecido como “programa de compra de esgoto tratado”, é uma iniciativa inovadora que não financia obras ou equipamentos, mas paga pelos resultados alcançados, ou seja, pelo esgoto efetivamente tratado. O Prodes consiste na concessão de estímulo financeiro pela União, na forma de pagamento pelo esgoto tratado, a Prestadores de Serviço de Saneamento que investirem na implantação e operação de estações de tratamento de esgotos, desde que cumpridas as condições previstas em contrato. [...]Programa Nacional de Avaliação da Qualidade das Águas (PNQA): tem por meta geral oferecer à sociedade conhecimento adequado da qualidade das águas superficiais brasileiras, para subsidiar a tomada de decisão na definição de políticas públicas para a recuperação da qualidade das águas. O Programa surgiu da constatação de uma série de questões, como a existência de lacunas geográficas e temporais no monitoramento de qualidade da água no Brasil, a falta de padronização 53 e de informações sobre a realização das coletas e análises laboratoriais e a divulgação insuficiente de informações para a população e os tomadores de decisão, o que gera dificuldades para a análise efetiva da evolução da qualidade das águas e elaboração de um diagnóstico nacional. Um exemplo de um programa conduzido pela parceria de instituições privadas e públicas é o projeto Aquapolo Ambiental, desenvolvido como pioneiro para a grande região do ABC paulista, a principio o mesmo tinha como objetivo abastecer com águas de reuso industrial o polo petroquímico dessa região, onde no ano de 2011 produzia cerca de mil litros de água de reuso por segundos, economizando assim 2,58 bilhões de litros de água em um mês (AQUAPOLO AMBIENTAL, 2011). No Brasil, os governos estaduais e federais necessitam iniciar, de forma imediata, programas de gestão para estabelecer bases politicas legais e institucionais para o reuso dos efluentes, onde as linhas de responsabilidade e princípios de alocação de recurso devem ser estabelecidos juntamente com as companhias responsáveis pela coleta e tratamento de esgotos, os usuários que serão favorecidos dos sistemas de reuso, e o Estado, que tem como responsabilidade de fornecer o abastecimento adequado de água, a proteção do meio ambiente e da saúde pública (HESPANHOL, 2002). Como já mencionado, a aplicação de leis mais rigorosas e multas são componentes que colaboram com o “incentivo” de enquadramento em padrões estabelecidos, acredita-se que esse tipo de manobra poderá ser utilizada nas empresas responsáveis pelo abastecimento de água, coleta de esgoto e tratamento de ambos e para a população por ter a participação em fazer o uso/reuso da água. A exemplo do que acontece com o setor industrial, onde o mesmo é cobrado caso utilize a captação de água diretamente nos rios e represas, ao descartá-la, a indústria deve arcar com o processo de tratamento para despejá-la ao meio ambiente ou custear os altos valores da devolução poluída ou não devolução da mesma, onde a captação e devolução nas mesmas condições tem o custo de: R$ 8,00 por cada milhão de Litros e a captação e não devolução (ou devolução poluída) de: R$ 28,00 por cada milhão de Litros, tornando o desperdício mais caro que o custo do tratamento de efluentes industriais (MEDEIROS, 2005). Ao implementar programas com base na LR de pós-consumo, mesmo tendo um alto custo inicial, como é o caso da implantação de redes coletoras e ETE, este, se empregado com devido planejamento, trará rentabilidade satisfatória, pois, ao agregar valor ao bem que antes era descartado e somente utilizado após ao descarte na natureza e ao um longo e oneroso processo em ETA, este, oferecerá oportunidades de redução de custos, de água potável, de 54 insumos agrícolas, de investimento em outros setores, como por exemplo na saúde. (LEITE, 2009; HESPANHOL, 2002; MEDEIROS, 2005). De acordo com a Organização Mundial da Saúde apud (Medeiros, 2005, p.14), “ a cada US$ 1 investido em saneamento básico representa uma economia de US$ 4,5 em despesas médicas”. Devido a fatores que beneficiam outros ministérios, como da saúde, da agricultura, do meio ambiente, da cidades, da educação, da Fazenda entre outros, bem como a população em um todo, para um efetivo sistema de tratamento de efluente a nível nacional será necessário, estabelecer um adequado gerenciamento da implantação e manutenção do programa, trabalhando de forma integrada desde o planejamento à implementação e operacionalização. Para isso, é necessário analisar a importância da qualidade da água, que a perca desta qualidade comprometerá o seu valor econômico, tornando os recursos hídricos como um problema financeiro em caso de má qualidade (BARROS; AMIN, 2008). O investimento em políticas públicas de saneamento é indispensável para mater e controlar a qualidade da água, acredita-se que uma parceria da União, do Estado, dos Municípios com as empresas responsáveis pelo processo de tratamento e distribuição de água seja fundamental para a implantação de redes coletoras e construção de Estações de Tratamento de Efluente. É necessário a aceitação pública, ou melhor o engajamento da população, já que essa transformação afetará a sua vida a principio, com a nova estrutura de coleta que acarretará em obras pelas ruas das cidades e logo depois a prática de reuso, seja ela urbana, industrial, agrícola entre outros. 55 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS A água é um produto finito e graças ao ciclo hidrológico esta torna-se disponível novamente para os seres vivos, representando a sua “rede de distribuição reversa” natural. No entanto, o comprometimento da qualidade dos recursos hídricos após o uso e o seu lançamento à corpos d’água sem o devido tratamento, afeta sua utilização/reutilização por outros seres vivos, inclusive o homem, de forma que se faz necessário a adoção de uma postura “materialista” deste recurso, ou seja, tornando-a como bem/produto de consumo dotado de valor econômico, de forma a assegurar o retorno da mesma ao ambiente em condições de inserção à “cadeia produtiva” e principalmente com qualidade para ser autodepurada na natureza . Para isso, os conceitos e práticas da logística reversa já aplicados no gerenciamento e reintegração de lixo sólidos em canais de distribuição reversos de pósconsumo, associados ao ciclo de vida do produto, versam a aplicação destes ao ciclo social da água, onde poderá contribuir com o controle da qualidade da água, a ecomonia de água potável em atividades menos nobres, a qualidade de vida e saúde, o gerenciamento deste recurso, além da promoção da integração sustentável deste ciclo ao ciclo hidrológico. Portanto, o tratamento de efluente doméstico através de um processo logístico reverso de pós-consumo, faz-se de extrema importância para além da manutenção e controle da qualidade da água. 56 REFERÊNCIAS ADLMAIER, Dom; SELLITTO, M. A. Embalagens retornáveis para transporte de bens manufaturados: um estudo de caso em logística reversa. Produção, v. 17, n.2. 2007. ANDRADE, Larice Nogueira de. Autodepuração dos corpos d’água. Revista da Biologia, v. 5, 2010. 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