CENTRO UNIVERSITÁRIO FUNDAÇÃO SANTO ANDRÉ FACULDADE DE FILOSOFIA, CIÊNCIAS E LETRAS CÉSAR LEPRI VALÉRIO DO BIG BANG À ORIGEM DA VIDA: UMA ABORDAGEM EVOLUTIVA DA QUÍMICA SOB UMA VISÃO ASTRONÔMICA E A ADAPTAÇÃO DE SEUS RECURSOS PRÁTICOS A AULAS DO ENSINO MÉDIO. (RELATÓRIO FINAL) Santo André 2012 CÉSAR LEPRI VALÉRIO DO BIG BANG À ORIGEM DA VIDA: UMA ABORDAGEM EVOLUTIVA DA QUÍMICA SOB UMA VISÃO ASTRONÔMICA E A ADAPTAÇÃO DE SEUS RECURSOS PRÁTICOS A AULAS DO ENSINO MÉDIO. (RELATÓRIO FINAL) Relatório Final apresentado ao Programa de Incentivo à Iniciação Científica do Centro Universitário Fundação Santo André. Orientador: Prof. Carlos Aparecido Kantor Santo André 2012 SUMÁRIO INTRODUÇÃO ................................................................................................... 4 ATIVIDADES DESENVOLVIDAS COMPARANDO-AS COM O PREVISTO NO CRONOGRAMA ................................................................................................. 6 MÉTODOS E MATERIAIS.................................................................................. 7 RESULTADOS OBTIDOS E EVENTUAIS PROBLEMAS ENFRENTADOS .... 12 CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................. 15 REFERÊNCIAS ................................................................................................ 16 INTRODUÇÃO O átomo como o conhecemos hoje é fruto de estudo há mais de dois mil e quinhentos anos pelos mais diversos pensadores. Os primeiros relatos sobre o pensamento de uma matéria fundamental data de cerca de 600 a.C. com Tales de Mileto (624 – 558 a.C.). Fundador da escola jônica, Tales exprimia a ideia de que toda a matéria do mundo deveria ter um principio único, uma substância primordial, Tales considerava que essa substância seria a água, porém não se tem registros das explicações dadas por ele para a transformação da água em outra matéria. A ideia de um elemento fundamental agradou a muitos pensadores pré-socráticos e vários deles tentaram moldar a ideia da forma que acreditavam ser a mais correta, e o elemento fundamental mudou de água para ar com Anaxímenes de Mileto (588 – 524 a.C.), para fogo com Heráclito de Eféso (540 – 470 a.C.) e para terra com Xenófanes (570 – 460 a.C.). Após cada filósofo utilizar uma substância para ter como “substância primordial” Empedócles (490 – 430 a.C.) sintetizou-as como sendo a base para a formação de todas as substâncias no planeta. A palavra átomo se originou com Leucipo (500 - ? a.C.) e Demócrito de Abdera (há controvérsias sobre a presença de Leucipo neste fato) e significa indivisível, ou seja, a menor matéria que não possui constituintes, pois, segundo Demócrito, se o elemento pudesse ser dividido infinitamente se dissolveria no espaço. A ideia do átomo ocupa a mente dos filósofos gregos desde sua primeira conjectura. Divergiam não somente sobre qual era o elemento fundamental e sua existência, mas também sobre como este foi criado ou se ele sempre existiu, se havia ou houve algum Deus que criou esta matéria fundamental... e não foram só aos gregos a quem o átomo causou questionamentos. A partir do século II da nossa era, o conhecimento humano ocidental estagnou-se com a queda da Grécia Antiga e ascensão de Roma, quando não, retrocedeu por volta do século V, época em que a Terra voltou a ser plana e centro do universo. Os conhecimentos gregos escritos e guardados serviram futuramente para a retomada da busca do conhecimento atomístico muito ajudado pela expansão árabe no oriente médio e proximidade do mediterrâneo se estabeleceram grandes centros de cultura muçulmana e seguidamente intelectuais cristãos, mais especificamente em Bagdá, tiveram a importante função de traduzir textos de grande conhecimento grego para o latim. Ao fim da “era das trevas” do conhecimento cientifico, por volta do século XVI, muitos avanços foram conseguidos não só no atomismo como na astronomia, como a disseminação da ideia de que a Terra era esférica e que não era o centro do universo. Grandes colaboradores destes feitos como Galileu Galilei, Francis Bacon e Giordano Bruno retomaram com afinco a busca pelo elemento fundamental. Partículas de luz, o calor e outras partículas também foram propostas como partículas fundamentais. O atomismo, porém só ganharia comprovações científicas do século XVII em diante com experimentos e teorias de grandes nomes da física e da química como Robert Boyle (1627 – 1691) e John Dalton (1766 – 1844) entre outros, quando o átomo passou a ter características físicas. Em 1869, Dmitri Medeleev (1834 – 1907) classificou os diferentes elementos conhecidos pelas propriedades que tinham em comum graças a sua excelente capacidade observacional e aos trabalhos de Dalton. Contudo a ideia de que o átomo era uma partícula fundamental que compunha todos os materiais na Terra e que não poderia ser dividido caiu por terra em 1897, quando o físico britânico Joseph John Thomson descobriu o elétron, sendo este mensurado em cerca de mil vezes mais leve que um íon de H+. Com o decorrer do desenvolvimento científico e tecnológico não só foi descoberto que o átomo possui elementos menores dentro de si como também foi descoberta sua estrutura, e hoje consideramos a palavra átomo para designar a menor partícula representante de um elemento químico. Os questionamentos científicos ficaram cada vez mais focados nas mínimas características atingindo aspectos científico-filosóficos, como o surgimento da vida. Conforme os conhecimentos sobre o átomo evoluíam através dos anos, outras perguntas ligadas aos átomos entraram em discussão cientifica: De onde vieram os átomos? Como foram criados? E a vida como surgiu? São estas perguntas que o trabalho aborda, no aspecto teórico e posteriormente didático. ATIVIDADES DESENVOLVIDAS COMPARANDO-AS COM O PREVISTO NO CRONOGRAMA Devido a alguns imprevistos o cronograma executado ao decorrer do projeto teve alguns itens antecipados e outros adiados. Os problemas que geraram essas mudanças serão descritos durante a metodologia do trabalho. A seguir consta o cronograma original e como ele foi executado no decorrer do projeto. Em cinza as atividades a serem desenvolvidas nos períodos correspondentes Mês/2012 Atividade 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Levantamento Bibliográfico Construção do trabalho teórico escrito Pesquisa de recursos práticos astronômicos Análise de viabilidade do uso dos recursos para aulas do ensino médio Construção/Obtenção dos recursos Desenvolvimento da apresentação multimídia Apresentação ao ensino médio Cronograma de trabalho apresentado no pré –projeto 10 11 12 O novo cronograma mostrando o andamento atual do projeto está a seguir. Mês/2012 Atividade 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 Levantamento Bibliográfico Construção do trabalho teórico escrito Pesquisa de recursos práticos astronômicos Análise de viabilidade do uso dos recursos para aulas do ensino médio Construção/Obtenção dos recursos Desenvolvimento da apresentação multimídia Apresentação ao ensino médio Avaliação dos resultados e composição do relatório MÉTODOS E MATERIAIS Como o objetivo deste trabalho refere-se à aplicação do material acima para alunos do ensino médio o método mais eficiente e simples para avaliar o aprendizado dos alunos com os recursos da astronomia é um questionário sobre o conhecimento antes e depois de uma apresentação contendo uma introdução à astronomia, com o tema especifico da evolução da química. Inicialmente pretendia-se apresentar este trabalho a alunos do ensino médio e professores do ensino médio de escolas publicas ou estaduais, no entanto não foi obtido autorização de nenhuma das seis escolas procuradas alegando falta de calendário escolar, uma vez que haveria muitos feriados prolongados e eleições. Outro motivo apresentado foi o fato de não ser um trabalho financiado por órgão publico e sendo assim não poderiam permitir uma apresentação que não foi aprovada anteriormente por órgão responsável. Desta forma foi utilizada uma forma alternativa de análise, que pudesse trazer resultados confiáveis de forma similar, sendo assim 11 alunos do terceiro ano do ensino médio de uma escola particular de Santo André, se propuseram como voluntários a assistir a apresentação e a responder o questionário. A apresentação foi baseada na origem e evolução dos elementos químicos, tema abordado na composição teórica do trabalho e que permite a interdisciplinaridade com outras matérias do ensino médio, como física e biologia, quando abordamos os elementos necessários para a origem da vida. Antes da apresentação um questionário com cinco questões foi passado para os alunos para que respondessem de acordo com os conhecimentos que possuíam do assunto, e sobre o uso da astronomia nas aulas atuais do ensino médio. As questões eram dissertativas de forma a não estimular ou intimidar respostas coerentes de cada aluno. Após a apresentação um segundo questionário lhes foi entregue, porém com perguntas diferentes, uma vez que as respostas das perguntas do primeiro questionário estavam explicitas no conteúdo da apresentação. Como a intenção do questionário não era comparar as respostas do primeiro com o segundo a mudança das perguntas se justifica uma vez que a memória recente é muito mais fácil de ser alcançada do que a memória antiga, o que resultaria em resultados melhores no segundo questionário. Então as perguntas feitas no segundo questionário abordavam muito do que se foi apresentado, tanto de forma explicita quanto implícita. Para cada questão apresentada em ambos os questionários, havia somente uma resposta totalmente correta, exceto para as questões sobre o atual ensino da astronomia no ensino médio. As questões e suas respectivas respostas estão a seguir. Questionário 1 (Antes da Apresentação) 1-) Defina o estudo da astronomia. Resposta: A astronomia é o estudo de corpos celestes bem como sua transformação, movimentação, constituição e quaisquer fenômenos ligados a eles. 2-) O que é um elemento químico? Resposta: É caracterizado como elemento químico um conjunto de núcleo formado por prótons e nêutrons e uma eletrosfera composta por elétrons. Estes números de prótons, nêutrons e elétrons variam em grande proporção conferindo características diferentes para cada elemento químico. 3-) Suponha que você fosse capaz de criar um elemento químico, qual seria o mais fácil de ser formado? Por quê? Resposta: O elemento mais fácil de ser formado é o hidrogênio, pois é o que possui o menor núcleo, precisando assim de menor energia para unir o núcleo ao único elétron que possui. 4-) Você já esteve em um observatório ou planetário? Sim Comente: Não 5-) A astronomia já foi utilizada alguma vez em suas aulas, como recurso ao ensino de ciências? Sim Comente em quais aulas: Não As questões 4 e 5 não possuem resposta única. Questionário 2 (Após da Apresentação) 1-) O que é um átomo? Resposta: A palavra átomo deriva do grego e significa indivisível, na intenção de se referir a menor partícula existente, porém hoje se sabe que existem algumas partículas indivisíveis diferentes do proposto pelos gregos. A palavra átomo hoje é usada para definir uma partícula que representa um elemento químico. 2-) Onde surgem os elementos químicos? Resposta: O Hidrogênio surgiu na nucleossíntese primordial, o Hélio, Lítio foram formados na nucleossíntese primordial e ainda são através da nucleossíntese estelar, bem como os elementos até o Ferro. A partir do Ferro os elementos são formados somente em supernovas. 3-) Como é possível descobrir a composição química de uma estrela? Resposta: A composição química das estrelas pode ser descoberta de acordo com o espectro de raias que ela emite ou absorve, uma vez que cada elemento químico possui uma especifica emissão no espectro. 4-) Qual molécula é essencial à vida e por que? Resposta: A água (H2O), pois é um excelente solvente permitindo o transporte de energia e a reação entre moléculas. 5-) Quais disciplinas do ensino médio poderiam utilizar a astronomia como ferramenta de estudo? Resposta: Física, Química, Matemática e Biologia. A composição teórica necessitou de poucos materiais e todos eles de fácil acesso e baixo custo. Já os materiais necessários para a apresentação e avaliação foram de maior valor financeiro e de maior dificuldade de aquisição. Os materiais e observações estão abaixo. Os livros e revistas que constam com valor de R$ 0,00 foram emprestados ou doados pelo orientador. O celular foi utilizado como equipamento sonoro para demonstrar o efeito Doppler durante a apresentação aos alunos. A Televisão foi conectada ao notebook para transmitir a apresentação aos alunos. Inicialmente pretendia-se utilizar um data show, porém este não foi disponibilizado pela escola. Como o custo para a obtenção deste era muito alto, foi utilizado a televisão como recurso alternativo, uma vez que a quantidade de alunos era pequena não houve problemas na apresentação. O uso da internet não foi possível mensurar em termos financeiros, já que foi utilizada internet de diversos lugares diferentes, alguns pagos e outros não e de qualquer forma os locais pagos, como o caso da própria residência já possuía internet antes do inicio do projeto e não foi utilizada exclusivamente para isso. Notebook, televisão e celular constam como custo 0 pois foram adquiridos antes do inicio do projeto e não para este devido fim. Material ou meio de obtenção Livro: A origem dos elementos químicos Etapa do projeto Custo Composição teórica R$ 0,00 Livro: Nascimento, vida e morte das estrelas Composição teórica Livro: Astronomia Hoje Composição teórica Revista: Ciência e Cultura Ano 61, Número 4 Composição teórica Revista: Scientific American Brasil, Nº 13 Composição teórica Livro: Criação Imperfeita Composição teórica Livro: Poeira das Estrelas Composição teórica Notebook Composição teórica, Apresentação e Avaliação Utilização da Internet Composição teórica, Apresentação e Avaliação Televisão Apresentação Celular Apresentação Impressão dos Questionários Avaliação Impressão do projeto Composição teórica, Apresentação e Avaliação Total Comentários R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 15,00 R$ 15,00 R$ 0,00 - Não há como contabilizar o uso da internet R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 3,00 R$ 10,00 R$ 43,00 Tabela 3: Materiais e custos do projeto. O custo total do projeto foi baixo devido ao fato de ser em grande parte um projeto teórico. Haveria a possibilidade de criar recursos físicos que exemplificasse de maneira mais concreta a utilização das ciências na astronomia, o que faria com que o custo total do projeto ficasse mais caro, porém este método não foi adotado neste projeto. RESULTADOS OBTIDOS E EVENTUAIS PROBLEMAS ENFRENTADOS Os resultados obtidos a partir das respostas dos questionários foram agrupados pelas semelhanças das respostas. Pelo fato dos questionários conterem basicamente questões dissertativas, houve uma gama de diferentes respostas, mas estas puderam ser organizadas em pequenos grupos pela semelhança, ou intenção do aluno ao escrever as respostas. De acordo com a separação dos grupos, para melhor ilustração dos resultados, foram construídos gráficos para cada resposta e estes estão disponíveis abaixo. Defina o estudo da astronomia Estudo dos astros tais como, estrelas planetas e meteoros 4 Estudo do céu 3 2 Estudo dos signos zodiacais 1 6 Número de respostas Número de respostas 5 O que é um elemento químico? A menor partícula de um composto químico 3 2 Substâncias químicas com caracteristicas especificas 0 Suponha que você fosse capaz de criar um elemento químico, qual seria o mais fácil de ser formado? Por quê? Hidrogênio, por ser o mais simples 8 6 4 Qualquer um, pois possuem os mesmos constuintes 2 0 Você já esteve em um observatório ou planetário? Número de respostas 10 8 7 6 5 4 3 2 1 0 Sim, planetário Sim, observatório Não A astronomia já foi utilizada alguma vez em suas aulas, como recurso ao ensino de ciências? 6 Número de respostas Número de respostas 4 1 0 12 Compostos químicos que estão na tabela periódica 5 5 Sim, Matemática 4 Sim, Matemática, e Química 3 2 1 Sim, Matemática, Química e Física Não 0 Gráficos 1,2,3,4 e 5: Disposição dos resultados obtidos para cada pergunta do questionário 1, realizado antes da apresentação. O que é um átomo? Onde surgem os elementos químicos? 8 8 6 5 Menor partícula química indivisivel 4 Um elemento químico 3 2 Número de respostas Número de respostas 7 Nas estrelas 6 Nas estrelas e supernovas 4 Após o Big Bang, estrelas e supernovas 2 1 0 0 Como é possível descobrir a composição química de uma estrela? Qual molécula essencial para a vida e por que? 12 Através de sua cor 4 Através dos espectros de raias 2 Através de observações com telescópios 0 Número de respostas Número de respostas 6 10 Água, pois permite reações químicas com mais facilidade 8 6 Água, pois reagiu com os compostos da terra primitiva 4 2 0 Quais disciplinas do ensino médio poderiam utilizar a astronomia como ferramenta de estudo? Número de respostas 10 8 Química e Física 6 4 2 Química, Física, Matemática e Biologia 0 Gráficos 6,7,8,9 e 10: Disposição dos resultados obtidos para cada pergunta do questionário 2, realizado após a apresentação. Todas as respostas foram agrupadas de forma a interpretar os resultados de forma mais sucinta e representativa e com isso podemos avaliar alguns aspectos relevantes nas respostas encontradas. Começando pelo primeiro questionário percebe-se facilmente que cerca de 37% dos alunos confundem astronomia com astrologia, e que outros 37% não sabem explicar o correto estudo da astronomia. Muitos não sabem explicar o que é um elemento químico embora quase todos saibam que o Hidrogênio é o elemento mais simples e, portanto o que requer menos energia para se formar. Quanto as perguntas que não possuíam uma resposta certa 63% diz nunca ter visitado um observatório ou planetário e 45% diz nunca ter ouvido sobre astronomia na escola. No segundo questionário a pergunta sobre o que é um átomo pretendia confrontar suas respostas com as respostas do primeiro questionário sobre o que era um elemento químico. Mais de 63% confirma que um átomo é o mesmo que um elemento químico embora esta porcentagem não tenha sido encontrada na pergunta do primeiro questionário. O restante ainda afirma que um átomo é uma partícula indivisível. Com a apresentação os resultados obtidos nas seguintes perguntas foram mais coerentes do que algumas perguntas do primeiro questionário, divergindo por pequenos detalhes, porém com algumas exceções. É claro, baseado nas respostas do primeiro questionário, que o uso da astronomia no ensino das disciplinas de ciência no ensino médio é escasso quando não nulo. Alunos de escola particular, que no Brasil sabe-se está muito a frente das escolas públicas em termos de ensino, confundiram astronomia com astrologia e ainda caracterizaram elementos químicos como “compostos”. Percebe-se também que não é do hábito do aluno frequentar observatórios ou planetários, porém com a recém-inauguração do planetário do parque escola SABINA, o acesso a estes recursos astronômicos está mais viável. Durante a palestra muitos conceitos químicos e físicos, como espectros de raias e o efeito Doppler, foram utilizados e de acordo com os próprios alunos, estes nunca haviam sido mencionados em sala de aula. Após a apresentação pode-se perceber com os resultados do segundo questionário que a percepção de astronomia e de elementos químicos dos alunos ficou mais apurada, é muito prematuro dizer que isso é um resultado definitivo, pois talvez estas respostas, por mais cuidado que se teve nos questionários, pode ter sido influenciada pela memória recente dos alunos. CONSIDERAÇÕES FINAIS A astronomia envolve as quatro principais áreas das ciências: Química, Física, Matemática e Biologia. No entanto ela é muito pouco utilizada por professores e pelo próprio sistema de ensino como ferramenta de aprendizado destas disciplinas. De acordo com os resultados obtidos dos questionários realizados e dos diálogos com os alunos pode-se perceber que o incentivo dado ao aluno é basicamente o do impulso de que sem formação não conseguiram empregos qualificados e consequentemente não conseguiram dinheiro. Esqueceu-se que por mais importante que seja um emprego, com ele deve vir a motivação e o entusiasmo pelo que se faz. A ciência é uma ferramenta inesgotável de recursos que atrai cada vez menos estudantes. Ao longo dos anos vem diminuindo cada vez mais a possibilidade de olhar para o céu e observar constelações e planetas, isto devido a poluição da atmosfera e ao excesso de luzes nas grandes cidades. É necessário incentivar o estudo através das mais diversas ferramentas, e neste caso não só um estudo de química ou física como até mesmo o da própria astronomia. Não é intenção deste trabalho remoldar o sistema de ensino brasileiro, mas sim criar alternativas quanto tantas outras já demonstradas, para incentivar o estudo baseando-se em ferramentas de fácil acesso aos alunos, para que desta forma o sistema de ensino contribua com cidadãos mais racionais e com maior cultura, capazes de escolher suas carreiras baseando-se em suas próprias características, e não em dinheiro, e se possível, contribuir com mais cientistas para o futuro. REFERÊNCIAS MORAIS, Antônio Manuel Alves. A Origem dos Elementos Químicos: Uma Abordagem Inicial. São Paulo: Livraria da Física, 2010. MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Nascimento, Vida e Morte das Estrelas: A Evolução Estelar. Rio de Janeiro: Editora Vozes, 1995. GLEISER, Marcelo. Poeira das Estrelas. São Paulo: Editora Globo, 2006. GLEISER, Marcelo. Criação Imperfeita: Cosmos, Vida e o Código Oculto da Natureza. Rio de Janeiro: Editora Record, 2010. SAGAN, Carl. Cosmos. Brasil, Rio de Janeiro: Francisco Alves Editora, 1983. IVANISSSEVICH, Alicia et al. Astronomia Hoje. Rio de Janeiro: Instituto Ciência Hoje, 2010. OPARIN, Aleksandr Ivanovich. A Origem da Vida. São Paulo: Editora Vitória, 1956.