Polícia Rodoviária Federal Prof. Dirceu Pereira Física Aulas 4 e 5 de 5 UNIDADE 5 – OS PRINCÍPIOS DA CONSERVAÇÃO Assim, temos que: τ = ±F ⋅ cos θ ⋅ ∆S 5.1. TRABALHO, POTÊNCIA E RENDIMENTO Atentar que F ⋅ senθ ≤ P 5.1.1. TRABALHO Em Física, o termo trabalho, designado pela letra grega τ (tau), está associado a forças, e não a corpos: diz-se “trabalho de uma força” e nunca “trabalho de um corpo”. Desde já, vamos afirmar que: a) o trabalho será sempre de uma força; b) o trabalho é realizado num deslocamento entre dois pontos provocado pela resultante das forças aplicadas ao corpo; c) o trabalho é uma grandeza física escalar; d) o trabalho depende do referencial; e) o trabalho será positivo quando a força favorece o deslocamento; neste caso, é chamado de trabalho motor; f) o trabalho será negativo quando a força se opõe ao deslocamento; neste caso, é chamado de trabalho resistente. Situação 1 Veja a figura 1. Se uma força resultante F é constante e paralela ao deslocamento do bloco, definimos trabalho de uma força ao produto da força resultante pela variação do deslocamento. Assim: τ = ±F ⋅ ∆S Se θ = 0º τ = ±F ⋅ ∆S Se θ = 90º τ = 0 Também podemos calcular o trabalho através da área do gráfico (figura 4). Situação 3 No caso específico da força-peso, o deslocamento será vertical. τ = ±P ⋅ ∆h Se o corpo está em queda, o peso está a favor do deslocamento e o trabalho é motor (positivo). Se o corpo for arremessado verticalmente para cima, o peso se opõe ao deslocamento e o trabalho é resistente (negativo). O trabalho do peso independe da trajetória do corpo. Situação 4 Também podemos calcular o trabalho através da área do gráfico (figura 2). Considere a figura 5. Na figura 5-a, o sistema está em repouso e a mola não está deformada. A mola, ao ser alongada, conforme figura 5-b, ou comprimida, conforme figura 5-c, exerce sobre o corpo uma força elástica que tende a posicionar o corpo na sua posição inicial, conforme figura 5-a. Situação 2 Veja a figura 3. Se uma força resultante F é constante e não paralela ao deslocamento do bloco, definimos trabalho de uma força ao produto da projeção da força resultante, sobre a trajetória de deslocamento, pelo deslocamento realizado. Neste curso os melhores alunos estão sendo preparados pelos melhores Professores 1 Polícia Rodoviária Federal Física Aulas 4 e 5 de 5 Prof. Dirceu Pereira Fonte: Os Fundamentos da Física 1 – Mecânica Ramalho-Nicolau-Toledo, 8ª Ed., Editora Moderna. Como a força não é constante, no caso de molas, pois varia com a deformação da mesma, o trabalho da força elástica será dado por: k ⋅ x2 τ=± 2 Isto é facilmente dedutível através de um gráfico (figura 6), considerando que a força elástica obedece a lei de Hooke, sendo dada por F = k ⋅ x e que o trabalho será dado pela área A do gráfico. No caso de movimentos circulares: P = M ⋅ .ϖ , ou seja, potência é o produto do momento, ou torque, pela velocidade angular. A unidade de potência no Sistema Internacional de Unidades (SI) é o Watt (W), sendo permitido o uso de seus múltiplos e submúltiplos quando necessário. 1 Watt é a potência capaz de realizar o trabalho de 1 J em 1 s. J N⋅m = 1⋅ s s Fora do SI, duas unidades são de uso comum para exprimir potência: Logo: 1 W = 1 ⋅ 1 horse-power = 1 hp ≈ 745,7 W 1 cavalo-vapor = 1 cv ≈ 735,5 W 5.1.3. RENDIMENTO MECÂNICO O trabalho será resistente quando a mola for alongada ou comprimida e será motor quando ela retornar a sua posição inicial. O trabalho da força elástica independe da trajetória do corpo. O rendimento, designado pela letra grega η (eta) é dado pela relação entre a potência útil e a potência total recebida. É uma grandeza adimensional que exprime, normalmente em percentual, o quanto da potência total recebida foi aproveitada para realizar trabalho útil. η= As forças cujo trabalho independe da trajetória são chamadas de forças conservativas. O trabalho das forças resistivas depende da forma da trajetória; são estas, portanto, chamadas de forças dissipativas. A unidade de trabalho no Sistema Internacional de Unidades (SI) é o Joule (J), sendo permitido o uso de seus múltiplos e submúltiplos quando necessário. 1 Joule é o trabalho de uma força de 1 N capaz de provocar um deslocamento de 1 m. Logo: 1 J = 1 N.m 5.1.2. POTÊNCIA De todas as formas de potência que existem, vamos nos ater ao estudo da potência mecânica apenas. PU P A potência perdida na operação (não transformada em trabalho útil) será dada por Pp = P − PU . 5.1.4. EXERCÍCIOS RESOLVIDOS 1) Uma motocicleta, partindo do repouso em uma rua plana e horizontal, atinge 108 km/h em um percurso de 150 m. Sendo a massa do conjunto moto + piloto igual a 250 kg e, desprezando qualquer resistência ao movimento, determine, supondo que o motor exerça uma força constante e paralela à direção da velocidade: a) a potência útil no percurso de 150 m; b) a potência útil quando o conjunto atingir 108 km/h; c) o rendimento do conjunto, sabendo-se que a potência média fornecida pelo motor foi de 34 cv. Potência é uma grandeza física que, em termos práticos, exprime o quão rápido uma máquina realiza trabalho. Solução Assim, potência é a capacidade de realizar trabalho em um determinado período de tempo. τ Desta forma: P = ∆t km m = 30 h s a) Precisamos determinar a aceleração do conjunto. Vamos aplicar a equação de Torricelli: V 2 = V02 + 2 ⋅ a ⋅ ∆S ⇒ ( 30 ) 2 = 0 + 2 ⋅ a ⋅ 150 Da equação acima, podemos deduzir outras duas equações que são também, muito utilizadas. No caso de movimentos lineares: P = F ⋅ V , ou seja, potência é o produto da força pela velocidade linear. Temos um problema de MRUV. Transformemos as unidades: 108 a = 3 m / s2 O tempo gasto neste percurso é: V = V0 + a ⋅ t ⇒ 30 = 0 + 3 ⋅ t ⇒ t = 10 s Sabemos que F = m ⋅ a . Logo: Neste curso os melhores alunos estão sendo preparados pelos melhores Professores 2 Polícia Rodoviária Federal Física Aulas 4 e 5 de 5 Prof. Dirceu Pereira F = 250 ⋅ 3 Logo: PU = ⇒ F = 750 N F ⋅ ∆S 750 ⋅ 150 τ = = ∆t ∆t 10 A potência (média) será: PU = 11,25 kW ≈ 15 ,3 cv b) No instante em que se atinge a velocidade de 108 km/h, tem-se a potência instantânea. Logo: PU = F ⋅ V = 750 ⋅ 30 c) Sabemos que η = ⇒ PU = 22 ,5 kW ≈ 30 ,6 cv PU 15 ,3 = = 0 ,45 ⇒ η = 45% P 34 “Foram gastos 55% da potência total para vencer os atritos internos dos sistemas que compõem a moto mais o atrito com o solo e resistência do ar.” Resposta: a) 11,25 kW 2) b) 22,5 kW c) 45% A água é retirada de um poço de 18 m de profundidade com o auxílio de um motor de 5 hp. Determine o rendimento do motor se 420.000 litros de água são retirados em 7 horas de operação. Dados: 1 hp = 0,75 kW, g = 10 m/s² e a densidade da 3 água d = 1 g/cm . Fonte: Os Fundamentos da Física 1 – Mecânica Ramalho-Nicolau-Toledo, 8ª Ed., Editora Moderna. A unidade de energia no Sistema Internacional de Unidades (SI) é igual à do trabalho, ou seja, Joule (J), sendo permitido o uso de seus múltiplos e submúltiplos quando necessário. 5.2.1. ENERGIA CINÉTICA Consideremos um corpo em movimento retilíneo uniformemente variado, produzido por uma resultante de forças que sobre ele atuam. V 2 = V02 + 2 ⋅ a ⋅ ∆S ⇒ equação de Torricelli FR = m ⋅ a De Torricelli, tiramos que: a = V 2 − V02 2 ⋅ ∆S V 2 − V02 2 ⋅ ∆S Trabalhando a equação acima, chegamos a: V2 V2 FR ⋅ ∆S = m −m⋅ 0 2 2 Donde tiramos o teorema da energia cinética: Logo: FR = m ⋅ a = m ⋅ τ = ∆E C Solução Primeiro, ajustemos as unidades: 3 d = 1 g/cm = 1 kg/litro 7 horas = 3.600 s Do teorema acima, concluímos que o trabalho é igual à variação da energia cinética. A potência total do motor é 5 hp, mas a potência utilizada é posição que este ocupa (energia potencial). Há também, uma importante relação entre energia e trabalho. Nosso estudo se concentrará no estudo das energias relacionadas à Mecânica, pois outras formas de energia existem, porém, não será objeto desta apostila. PU = τ , onde ∆t τ será o trabalho realizado para elevar a quantidade de água retirada em 7 horas, dado por: A energia cinética EC de um corpo em movimento é dada pelo produto de sua massa pela metade da sua velocidade ao quadrado. V2 EC = m 2 τ = P ⋅ h = m ⋅ g ⋅ h = d ⋅V ⋅ g ⋅ h trabalho motor energia cinética aumenta trabalho resistente energia cinética diminui m e P = m⋅g V sendo V = volume e h = altura de elevação 5.2.2. ENERGIA POTENCIAL GRAVITACIONAL pois densidade é d = Assim: PU = d ⋅ V ⋅ g ⋅ h 1 ⋅ 4 ,2 ⋅ 10 5 ⋅ 10 ⋅ 18 τ = = ∆t ∆t 3 ,6 ⋅ 10 3 A esfera da figura 7 é arremessada verticalmente para cima, a partir do solo (A), com uma velocidade inicial VA . Logo: PU = 3 kW ou PU = 3 kW ⋅ 0 ,75 = 4 hp Portanto, o rendimento será de: P 4 η = U = = 0 ,8 ⇒ η = 80% P 5 Resposta: 80% 5.2. ENERGIA Existe dificuldade em conceituar energia. Com muita freqüência, associamos energia ao movimento (energia cinética) de um corpo. Também podemos associar energia a um corpo em repouso, relacionando-a a Neste curso os melhores alunos estão sendo preparados pelos melhores Professores 3 Polícia Rodoviária Federal Prof. Dirceu Pereira Por ter velocidade inicial diferente de zero, tem energia cinética E C . Ao atingir a altura máxima h B , sua velocidade VB será zero. Neste ponto, devido ao seu peso P , se abandonarmos a esfera, esta cairá. Desta forma, sua força-peso P realizará trabalho, que pelo teorema da energia cinética de B para A é: 1 τ BA = ∆E C ⇒ P ⋅ ∆h = E CA − E CB ⇒ P ⋅ ∆h = ⋅ m ⋅ ( VA2 − VB2 ) 2 Na posição B, VB é zero. Então: 1 ⋅ m ⋅ VA2 = E CA 2 Na posição B, a esfera tem potencial de vir a ter energia cinética devido a força-peso, que realizará trabalho durante a queda. Assim, em B, a esfera tem uma energia associada à sua posição, a qual é chamada de energia potencial gravitacional. τ BA = P ⋅ ∆h = Física Aulas 4 e 5 de 5 apenas transformando-se em suas formas cinética e potencial. Desta forma, temos que: E = EP + E C De um modo geral, podemos afirmar que a energia mecânica de um sistema se conserva quando este se movimenta sob a ação de forças conservativas e, eventualmente, de outras forças que realizem trabalho nulo. Na figura 5-b, na posição A, a mola tem energia potencial elástica máxima e cinética nula. Ao ser liberada, passa pelo ponto O (figura 5-a) com energia cinética máxima e potencial elástica nula. Desprezando os efeitos das forças dissipativas, o bloco comprimirá a mola (figura 5-c) fazendo com que esta atinja energia potencial elástica máxima e cinética nula. E assim, repete-se indefinidamente, até uma força interrompa o movimento. Este sistema constitui um oscilador harmônico. E P = P ⋅ ∆h = m ⋅ g ⋅ ∆h 5.2.3. ENERGIA POTENCIAL ELÁSTICA Referindo à figura 5-b, ao deslocarmos o bloco de O até A, provocamos uma deformação na mola e, para tal, exercemos uma força elástica F = k ⋅ x . Se retirarmos a força elástica F, o bloco volta à sua posição de repouso (mola livre). Neste momento, a força elástica F realiza trabalho que, pelo teorema da energia cinética de A para O é: 1 τ AO = E CA − E CO = ⋅ m ⋅ ( VA2 − VO2 ) 2 Como a velocidade inicial em O é zero, temos: k ⋅ x2 1 τ AO = = ⋅ m ⋅ VA2 = E CA 2 2 Logo: E PE = k ⋅ x2 2 O gráfico da figura 8 mostra a conservação de energia para o caso da mola da figura 5. Portanto, a energia potencial elástica da mola está associada à sua deformação. trabalho motor energia potencial elástica diminui trabalho resistente energia potencial elástica aumenta 5.2.4. CONSERVAÇÃO DA ENERGIA MECÂNICA Nos processos mecânicos, a energia cinética pode transformar-se em energia potencial e vice-versa. A figura 7 nos mostra isso. Na posição A (solo), a esfera está dotada de velocidade inicial, diferente de zero. Portanto, na posição A, a esfera tem velocidade máxima e sua altura inicial é zero. Na medida em que sobe, sofre a ação da aceleração da gravidade e diminui sua velocidade, aumentando sua altura do solo. Nas posições intermediárias, tem energia cinética e potencial. Quanto mais sobe, menos tem energia cinética e mais tem energia potencial, proporcionalmente. Na posição B, altura máxima, sua velocidade é zero, tendo energia cinética zero e energia potencial máxima. No caso de haverem forças dissipativas no sistema, parte da energia total, além de cinética e potencial, poderá transformar-se em energia térmica, por exemplo, gerando calor. isso explica, por exemplo, porque os pneus de um carro aquecem enquanto este está em movimento. Em certos casos, outras formas de energia poderão ocorrer tais como energia luminosa, energia nuclear, energia elétrica, etc. 5.2.5. EXERCÍCIOS RESOLVIDOS 3) Um corpo de massa 2 kg é abandonado sobre uma mola ideal de constante elástica 50 N/m, como mostra a figura. Considerando g = 10 m/s² e desprezando as perdas de energia mecânica, determine: a) a deformação da mola no instante em que a velocidade do corpo é máxima; b) a velocidade máxima do corpo. Portanto, na ausência de forças dissipativas, a energia total da esfera, ao longo do trajeto, permanece constante, Neste curso os melhores alunos estão sendo preparados pelos melhores Professores 4 Polícia Rodoviária Federal Física Aulas 4 e 5 de 5 Prof. Dirceu Pereira c) a altura do ponto C, hmáx. Fonte: Os Fundamentos da Física 1 – Mecânica Ramalho-Nicolau-Toledo, 8ª Ed., Editora Moderna. Solução a) Fonte: Os Fundamentos da Física 1 – Mecânica Ramalho-Nicolau-Toledo, 8ª Ed., Editora Moderna. Solução Inicialmente, o corpo tem energia potencial máxima. Este começa a cair e, ao tocar a mola, cuja força elástica é nula, passa a comprimir a mesma, aumentando gradualmente a força elástica até que esta se iguale ao peso do corpo. Neste instante, o corpo atinge sua velocidade máxima. a) façamos a equação de equilíbrio no ponto onde a velocidade do corpo é máxima (deflexão máxima da mola). FELAST = P ⇒ k ⋅x = m⋅g ⇒ 50 ⋅ x = 2 ⋅ 10 x = 0 ,4 m b) E = E PG = m ⋅ g ⋅ h = 60 ⋅ 10 ⋅ 4 E = E C + E PG E = 2.400 J ⇒ E= 1 ⋅ m ⋅V 2 + m ⋅ g ⋅ h 2 Assim, temos que: 1 2.400 = ⋅ 60 ⋅ V 2 + 60 ⋅ 10 ⋅ 0 ,8 2 V = 64 b) a energia potencial gravitacional do corpo se transformará em energia cinética e em energia potencial elástica. ⇒ V =8 m/ s a partir do ponto B, o indivíduo possui movimento oblíquo no vácuo. Portanto, sabemos que nesta posição, a componente vertical da velocidade é zero e, portanto, a componente horizontal da velocidade, constante, será a velocidade considerada. Do cálculo vetorial, temos VH = V ⋅ cos θ 1 1 2 ⋅ m ⋅ VMAX + k ⋅ x2 2 2 1 2 2 ⋅ 10 ⋅ ( 0 ,6 + 0 ,4 ) = ⋅ [ 2 ⋅ VMAX + 50 ⋅ ( 0 ,4 ) 2 ] 2 VMAX = 4 m / s 3 =4⋅ 3 m/ s 2 Como a energia total é a mesma, pois não há perdas, vem: 1 1 E C = ⋅ m ⋅ VH2 = ⋅ 60 ⋅ ( 4 ⋅ 3 ) 2 2 2 E C = 1.440 J Logo: VH = 8 ⋅ cos 30º = 8 ⋅ Resposta: x = 0,4 m e VMAX = 4 m/s (Ufla-MG) Um parque aquático tem um toboágua, conforme mostra a figura abaixo. Um indivíduo de 60 kg desliza pelo toboágua a partir do ponto A, sendo lançado numa piscina de uma altura de 0,8 m, ponto B, numa direção que faz ângulo de 30º com a horizontal. ⇒ Como não existem forças dissipativas, no ponto B, o indivíduo terá a mesma energia total E. Porém, agora, esta será composta de energia cinética e energia potencial gravitacional. m ⋅ g ⋅(h + x) = 4) no ponto A, o indivíduo tem energia total igual a energia potencial gravitacional c) sabemos que E = E C + E PG em toda a trajetória e, portanto: 2400 = 1.440 + m ⋅ g ⋅ hmax ⇒ h max = 960 60 ⋅ 10 h max = 1,6 m Resposta: V =8 m/ s E C = 1.440 J hmax = 1,6 m 5.3. IMPULSO E QUANTIDADE DE MOVIMENTO Considerando a atrito desprezível, g = 10 m/s² e 3 , calcule: 2 a velocidade do indivíduo ao deixar o toboágua no ponto B; a energia cinética do indivíduo no ponto mais alto da trajetória, ponto C; cos 30º = a) b) O produto da força pelo intervalo de tempo em que a mesma é aplicada constitui o impulso da força. Esta grandeza está associada ao princípio da conservação da quantidade de movimento, como logo veremos. 5.3.1. IMPULSO DE UMA FORÇA O jogador, na figura 9, ao chutar uma bola, transmite uma determinada força na mesma, durante um certo intervalo de tempo. Neste curso os melhores alunos estão sendo preparados pelos melhores Professores 5 Polícia Rodoviária Federal Física Aulas 4 e 5 de 5 Prof. Dirceu Pereira módulo: Q = m ⋅ V direção: a mesma de V e paralela a esta sentido: o mesmo de V , pois m é positiva A unidade de quantidade de movimento no Sistema Internacional de Unidades (SI) é quilograma vezes metro por segundo (kg.m/s), sendo permitido o uso de seus múltiplos e submúltiplos quando necessário. 5.3.3. TEOREMA DO IMPULSO Ao produto desta força pelo intervalo de tempo em que esta foi aplicada, chamamos de impulso de uma força. Ι = F ⋅ ∆t O impulso é uma grandeza vetorial e tem: O impulso da força resultante num intervalo de tempo é igual à variação da quantidade de movimento do corpo no mesmo intervalo de tempo. Ι R = Q 2 − Q 1 = ∆Q Pelo teorema do impulso, vemos que as unidades de impulso e quantidade de movimento são equivalentes e não possuem nomes especiais. módulo: Ι = F ⋅ ∆t direção: a mesma de F e paralela a esta sentido: o mesmo de F , pois ∆t é positivo A unidade de impulso no Sistema Internacional de Unidades (SI) é Newton vezes segundo (N.s), sendo permitido o uso de seus múltiplos e submúltiplos quando necessário. Como a força aplicada é constante no intervalo de tempo considerado, temos o gráfico da figura 10. N⋅s = kg ⋅ m s 5.3.4. CONSERVAÇÃO DA QUANTIDADE DE MOVIMENTO Relembrando, da 1ª lei de Newton, um corpo isolado de forças externas é entendido como: a) não atuam forças externas; forças internas podem existir; b) existem ações externas, mas sua resultante é nula; c) existem ações externas, de pouca intensidade, tal que podem ser desprezadas; Se o sistema é isolado de forças externas, a resultante dessas forças é nula e também é nulo seu impulso. Do teorema do impulso, vem: ΙR = Q 2 − Q 1 = 0 ⇒ Q1 = Q 2 Podemos, então, enunciar o princípio da conservação da quantidade de movimento: A partir deste gráfico, temos que a área sob a reta onde F é constante é numericamente igual ao impulso. Assim: A=Ι 5.3.2. QUANTIDADE DE MOVIMENTO Considere um corpo de massa m com velocidade V num determinado referencial. A quantidade de movimento, ou momento linear, desse corpo é a grandeza vetorial dada por: Q = m⋅V A quantidade de movimento é uma grandeza vetorial e tem: A quantidade de movimento de um sistema de corpos isolados de forças externas é constante. Os princípios da conservação de energia e da quantidade de movimento são independentes, ou seja, a quantidade de movimento pode permanecer constante ainda que a energia mecânica não permaneça. 5.3.4. CHOQUES Uma colisão frontal entre dois corpos que se movem na mesma reta, antes e depois da colisão, é chamada de choque frontal ou unidimensional. Consideremos os corpos A e B, isolados de forças externas, colidindo sem apresentar deformações permanentes, conforme mostra a figura 11. Neste curso os melhores alunos estão sendo preparados pelos melhores Professores 6 Polícia Rodoviária Federal Física Aulas 4 e 5 de 5 Prof. Dirceu Pereira O corpo A colide frontalmente com o corpo B em (a). Durante um curtíssimo intervalo de tempo em (b), A e B sofrem deformações elásticas transformando a energia cinética inicial de A em energia potencial elástica dos corpos deformados. Quase que instantaneamente, os corpos restituem sua forma inicial, convertendo a energia potencial elástica novamente em energia cinética em (c), considerando que nesse processo não haja dissipação de energia. Portanto, se a energia cinética final é igual a energia cinética inicial, a colisão é chamada de choque perfeitamente elástico. Como a quantidade de movimento também se conserva durante a colisão, temos: Antes da colisão Q A = m A ⋅ VA e E CA = 1 ⋅ m A ⋅ VA2 2 Depois da colisão Q D = m A ⋅ VA + m B ⋅ VB E CD Pelos princípios da conservação de energia e da quantidade de movimento, temos: E CA = E CD ⇒ ⇒ Como a quantidade de movimento também se conserva durante a colisão, temos: Antes da colisão Q A = m A ⋅ VA m A ⋅ VA = m A ⋅ VA + m B ⋅ VB m A ⋅ VA2 = m A ⋅ VA2 + m B ⋅ VB2 “Corpos idênticos em colisões perfeitamente elásticas e frontais trocam de velocidade”. Porém, existem choques diferentes do anterior, onde um corpo A colide com um corpo B muito deformável, por exemplo, massa de modelar. Após a colisão, o corpo A se aloja no interior do corpo B, dissipando energia transformando esta em calor, aumentando a temperatura dos corpos. Um exemplo típico é um projétil A projetando-se contra uma massa deformável B, muito superior a massa daquele, conforme mostra a figura 12. Em choques deste tipo, conserva-se a quantidade de movimento, mas não se conserva a energia cinética, sendo a final menor que a inicial. A diferença corresponde a energia térmica liberada. e E CA = 1 ⋅ m A ⋅ VA2 2 Depois da colisão Q D = (m A + m B ) ⋅ V E CD = 1 ⋅ (m A ⋅ m B ) ⋅ V 2 2 Pelos princípios da conservação de energia e da quantidade de movimento, temos: Q A = QD 1 1 = ⋅ m A ⋅ VA2 + ⋅ m B ⋅ VB2 2 2 Q A = QD Choques em que os corpos se deformam de tal maneira que permaneçam unidos após a colisão, são denominados de choques perfeitamente inelásticos. E CA > E CD ⇒ ⇒ m A ⋅ VA = (m A ⋅ +m B ) ⋅ V dissipação de energia Se o choque se situa entre o perfeitamente elástico e o perfeitamente inelástico, ele é chamado de choque parcialmente elástico. Nesse choque, também há conservação da quantidade de movimento e perda de energia cinética, mas os corpos se separam após o choque. 5.3.5. COEFICIENTE DE RESTITUIÇÃO É a razão entre a velocidade relativa de afastamento dos corpos depois do choque e a velocidade relativa de aproximação antes do choque. e= velocidade relativa de afastamento (depois ) velocidade relativa de aproximação (antes) Para determinar a variação da energia cinética ocorrida em um choque, podemos recorrer ao coeficiente de restituição. A tabela 1 mostra os valores do coeficiente de restituição e para os diferentes tipos de choque. Neste curso os melhores alunos estão sendo preparados pelos melhores Professores 7 Polícia Rodoviária Federal Física Aulas 4 e 5 de 5 Prof. Dirceu Pereira Resolvendo (2) e (3), temos: Tipos de choque perfeitamente inelástico parcialmente elástico perfeitamente elástico Valor de e Energia (2) (3 ) e=0 máxima dissipação V A( A ) = V D ( B ) − V D ( A ) 0<e<1 dissipação parcial V A( A ) = VD( B ) e=1 conservação da energia cinética VD( A ) = 0 Como queríamos demonstrar. (tabela 1) 5.3.6. EXERCÍCIOS RESOLVIDOS 5) V A( A ) = V D ( A ) + V D ( B ) Aplicando o princípio da conservação da energia e, sabendo que não existem forças dissipativas, concluímos que a altura que a esfera B vai atingir será a mesma da esfera A no início do movimento, ou seja, hB = 0 ,5 m . Um pêndulo, conforme mostrado na figura abaixo, está inicialmente em repouso, com a esfera A na posição indicada. As esferas são idênticas e de massa 1 kg. Ao soltar-se a esfera A, esta irá colidir com as demais, provocando um choque perfeitamente elástico. Pede-se: b) Pelo princípio da conservação da energia, temos que: 1 E P ( A ) = E C( B ) ⇒ m ⋅ g ⋅ h = ⋅ m ⋅ V 2 2 1 2 1 ⋅ 10 ⋅ 0 ,5 = ⋅ 1 ⋅ V ⇒ V = 10 2 V ≅ 3 ,16 m / s Resposta: hB = 0 ,5 m e V = 3 ,16 m / s a) b) provar que a esfera B, após o choque, irá atingir a mesma altura inicial da esfera A e esta irá ficar parada; calcular a velocidade inicial da esfera B. Considere g = 10 m/s² e despreze qualquer tipo de força dissipativa. 6) Um projétil de massa m = 20 g é atirado horizontalmente com velocidade V0 contra um pêndulo vertical cuja massa pendular é M = 2 kg e de fácil penetração. O projétil aloja-se no pêndulo e, devido ao choque, o conjunto sobe até a altura h = 20 cm. Adote g = 10 m/s² e determine a velocidade inicial do projétil, bem como a energia dissipada no fenômeno. Solução a) devemos, em síntese, provar que as esferas A e B, após a colisão, trocam de velocidade, ou seja, a esfera B adquire a velocidade de A e viceversa. Antes da colisão: Q A = m ⋅ V A( A ) + m ⋅ V A( B ) Depois da colisão: QD = m ⋅ VD( A ) + m ⋅ VD( B ) Fonte: Os Fundamentos da Física 1 – Mecânica Ramalho-Nicolau-Toledo, 8ª Ed., Editora Moderna. Pelo princípio da conservação da quantidade de movimento. Q A = QD Solução m ⋅ V A( A ) + m ⋅ V A( B ) = m ⋅ VD( A ) + m ⋅ VD( B ) (1 ) Antes da colisão: V A( B ) = 0 Logo, de (1), temos: V A( A ) = VD( A ) + VD( B ) (2 ) Se o choque é perfeitamente elástico, sabemos que o coeficiente de restituição é igual a 1. e= 1= É um choque perfeitamente inelástico, pois a bala aloja-se no pêndulo após o choque. Há perda de energia cinética na penetração da bala, mas a quantidade de movimento do conjunto bala-pêndulo permanece constante. Da conservação de energia, vem: 1 EC = E P ⇒ ⋅ (M + m ) ⋅V 2 = (M + m ) ⋅ g ⋅ h 2 Logo : V = 2 ⋅g ⋅h (1 ) velocidade relativa de afastamento ( depois ) =1 velocidade relativa de aproximação ( antes ) Da conservação da quantidade de movimento vem: VD( B ) − VD( A ) Q A = QD V A( A ) ⇒ V A( A ) = VD( B ) − VD( A ) (3 ) ⇒ m ⋅ V0 = ( M + m ) ⋅ V (2 ) Neste curso os melhores alunos estão sendo preparados pelos melhores Professores 8 Polícia Rodoviária Federal Física Aulas 4 e 5 de 5 Prof. Dirceu Pereira Após a colisão, a energia cinética do conjunto se transforma em energia potencial quando o pêndulo atinge a altura h. V0 = 2 + 20 • 10 −3 20 • 10 −3 V0 = 200 m / s ⇒ V0 = M +m ⋅ 2 ⋅g ⋅h m ⋅ 2 ⋅ 10 ⋅ 20 • 10 −2 Para determinar a dissipação de energia no fenômeno, basta calcularmos as energias cinéticas antes e depois da colisão. 1 1 E C ( A ) = ⋅ m ⋅ V02 = ⋅ 20 • 10 −3 ⋅ 200 2 2 2 E C ( A ) = 400 J 1 1 ⋅ ( M + m ) ⋅ V 2 = ⋅ ( 2 + 20 • 10 −3 ) ⋅ 2 2 2 2 =4J EC( D ) = EC( D ) Estabelecendo uma encontrados, temos: EC( D ) EC( A ) = relação 1 dina 1 cm 2 Os aparelhos que medem pressão são denominados manômetros. Substituindo (1) em (2), temos: m ⋅ V0 = ( M + m ) ⋅ 2 ⋅ g ⋅ h 1b = entre os valores 4 = 0 ,01 = 1% 400 Este resultado significa que a energia cinética depois da colisão é apenas 1% da energia cinética inicial; foram dissipados no fenômeno 99% da energia cinética inicial, transformada em energia térmica. UNIDADE 6 – HIDROSTÁTICA A Hidrostática, termo consagrado pelo uso, estuda os fluídos (líquidos e gases) em equilíbrio, analisando a pressão que exercem e a força com que atuam sobre corpos neles imersos. Em nosso caso, estudaremos apenas os líquidos, os quais são considerados, sob condições normais, como incompressíveis. 6.1. PRESSÃO A grandeza dada pela relação entre a intensidade da força F que atua perpendicularmente sobre uma área A é denominada pressão (p). F p= A 6.2. MASSA ESPECÍFICA E DENSIDADE Massa específica (µ = mu) de uma substância homogênea é definida como o quociente da massa m desta substância e o seu volume V. m µ= V Densidade (d) de um corpo, homogêneo ou não, é definido como o quociente entre a massa m deste corpo e o seu volume V. m d= V Se um corpo é maciço e homogêneo, sua densidade coincide com a massa específica do material que o constitui. Se por exemplo, tivermos um cubo maciço de aço, cuja 3 massa específica é 7,85 g/cm , sua densidade também 3 será 7,85 g/cm . Porém, se este cubo for oco, sua densidade será menor que a massa específica, uma vez que teremos uma massa menor ocupando o mesmo volume. Os líquidos, considerados sempre homogêneos, não têm distinção entre densidade e massa específica. A unidade de massa específica e densidade no Sistema Internacional de Unidades (SI) é 3 guilogramas por metro cúbico (kg/m ), sendo permitido o uso de seus múltiplos e submúltiplos quando necessário. 6.3. PRESSÃO EM UM LÍQUIDO Teorema de Stevin A pressão em um ponto situado à profundidade h no interior de um líquido em equilíbrio é dada pela pressão na superfície, exercida pelo ar ( p A ), chamada pressão atmosférica, somada à pressão exercida pela coluna líquida situada acima do ponto ( p H ). p = p A + pH ⇒ p = pA + d ⋅ g ⋅ h A unidade de pressão no Sistema Internacional de Unidades (SI) é Pascal (Pa), sendo permitido o uso de seus múltiplos e submúltiplos quando necessário. 1 Pa = 1N 1 m2 Eventualmente, fora do SI, é usado o bária (b), cujo plural é bar. Na figura 1 acima, um objeto está mergulhado no lago de uma represa à profundidade h. A superfície da água está Neste curso os melhores alunos estão sendo preparados pelos melhores Professores 9 Polícia Rodoviária Federal Prof. Dirceu Pereira Física Aulas 4 e 5 de 5 sob pressão atmosférica p A , sendo d a densidade da água e g a aceleração da gravidade. Do teorema de Stevin, concluímos que todos os pontos situados na mesma profundidade h, estarão sujeitos a mesma pressão. Da mesma, todos os pontos na superfície de um líquido em equilíbrio estão sujeitos a mesma pressão atmosférica. Portanto, dizemos que, em um líquido homogêneo em equilíbrio, qualquer superfície horizontal é isobárica (mesma pressão). Podemos também retirar, do teorema de Stevin, unidades de pressão consideradas práticas, baseadas na pressão da coluna líquida. Tais unidades correspondem às pressões hidrostáticas que exercem em sua base as colunas de líquido com alturas equivalentes a unidade considerada. Por exemplo: Assim, temos a seguinte conversão para m.c.a.: O tubo em U está sujeito à pressão atmosférica em ambos os bocais nas situações (a) e (b). Na situação (a), o tubo contém água em equilíbrio, estando os pontos A e B, na mesma superfície horizontal, sujeitos à mesma pressão. Na situação (b), adicionamos óleo pelo bocal direito do tubo. No início, devido a forças dinâmicas, há uma pequena mistura entre óleo e água. Após cessar as forças dinâmicas, atinge-se o equilíbrio e o óleo, por ter densidade menor que a água, vai para a parte superior. Os pontos A e B, posicionados na mesma superfície horizontal, continuarão sob mesma pressão, ainda que as alturas sejam diferentes. 1 m.c.a. = 0,0968 atm (atmosferas) 1 m.c.a. = 0,0098 MPa 1 m.c.a. = 0,0980 bária Para que haja equilíbrio: p A = pB centímetros de mercúrio = cmHg (a 0ºC e 9,8 m/s²) milímetros de mercúrio = mmHg (a 0ºC e 9,8 m/s²) metros de coluna d’água = m.c.a. (a 20ºC e 9,8 m/s²) 6.4. PRESSÃO ATMOSFÉRICA Acima de cada ponto da superfície terrestre, podemos considerar que há uma coluna de ar exercendo pressão. À esta damos o nome de pressão atmosférica, a qual varia com a altitude do local. Na medida em que a altitude aumenta, diminui a pressão atmosférica. Experiências de Torricelli com o mercúrio determinaram que a pressão atmosférica, ao nível do mar, era capaz de sustentar uma coluna de mercúrio de 76 cm de altura. Assim define-se outra unidade de pressão: a atmosfera. 1 atm = 76 cmHg = 760mmHg, ao nível do mar. Quando a pressão atmosférica for igual a 1 atm, ela é denominada de pressão normal. p atm + d1 ⋅ g ⋅ h1 = p atm + d 2 ⋅ g ⋅ h 2 Logo: d1 ⋅ h 1 = d 2 ⋅ h 2 6.6. PRINCÍPIO DE PASCAL “Os acréscimos de pressão sofridos por um ponto de um líquido em equilíbrio são transmitidos integralmente a todos os pontos do líquido e das paredes do recipiente que o contém.” Como decorrências práticas da aplicação deste princípio, temos o freio hidráulico de automóveis e a prensa hidráulica. Vejamos a prensa hidráulica, esquematizada na figura 3. p normal = 1 atm Ao nível do mar, a pressão atmosférica é, em média, igual à pressão normal. O manômetro usado para medir a pressão atmosférica é denominado barômetro. 6.5. EQUILÍBRIO DE LÍQUIDOS IMISCÍVEIS Quando dois líquidos, que não se misturam (imiscíveis), são colocados em um mesmo recipiente, eles se dispõem de modo que o líquido de maior densidade ocupa a parte de baixo e o de menor densidade, a parte de cima, obtendo-se uma superfície de separação horizontal conforme mostra a figura 2. Neste curso os melhores alunos estão sendo preparados pelos melhores Professores 10 Polícia Rodoviária Federal Física Aulas 4 e 5 de 5 Prof. Dirceu Pereira Se aplicarmos ao êmbolo menor, de área A1, uma força F, o líquido fica sujeito a um acréscimo de pressão. Como esta se transmite integralmente através do líquido, o êmbolo maior, de área A2, fica sujeito ao mesmo acréscimo de pressão. F1 F p1 = p 2 ⇒ = 2 A1 A 2 Portanto, as intensidades das forças aplicadas são diretamente proporcionais às áreas dos êmbolos. Logo: T2 = Papar = P − E Inúmeras experiências nos conduzem a: Todo corpo sólido mergulhado num fluído em equilíbrio recebe uma força de direção vertical e sentido de baixo para cima cuja intensidade é igual ao peso do fluído deslocado. Logo, a intensidade do empuxo é dada por: O volume deslocado no recipiente menor passa para o recipiente maior. Daí, tiramos que: V = A ⋅h ⇒ V1 = V2 A 1 ⋅ h1 = A 2 ⋅ h 2 E = d⋅ V ⋅g onde: d = densidade do fluído V = volume deslocado (volume do corpo imerso no fluído) g = aceleração da gravidade Portanto, numa prensa hidráulica, os deslocamentos sofridos pelos êmbolos são inversamente proporcionais às suas áreas. Assim, o que se ganha em intensidade de força, perde-se em deslocamento do êmbolo. 6.7. EMPUXO DE UM LÍQUIDO O empuxo E que um líquido exerce sobre um corpo nele mergulhado é uma força vertical, de sentido para cima, que se contrapõe às forças exercidas pelo corpo sobre ele. Analisemos o bloco imerso em água na figura 4. A unidade de empuxo no Sistema Internacional de Unidades (SI) é Newton (N), sendo permitido o uso de seus múltiplos e submúltiplos quando necessário. 6.8. EXERCÍCIOS RESOLVIDOS 1) O corpo da figura está preso a uma mola nãodeformada e a um fio de peso desprezível. Seu volume é 20 litros e está totalmente imerso em água. A constante elástica da mola é 50 N/cm. Na figura (b), o fio foi cortado e o corpo atingiu o equilíbrio, deformando a mola de um comprimento x. Determine x. (Dados: densidade da água = 1 g/cm³, g = 10 m/s² e massa do corpo = 8 kg). Fonte: Os Fundamentos da Física 1 – Mecânica Ramalho-Nicolau-Toledo, 8ª Ed., Editora Moderna. Solução Inicialmente, o bloco suspenso por um fio não está imerso no líquido e temos que a tração T1 no fio é igual ao peso P do bloco. Ao mergulharmos o bloco na água, este atingirá o equilíbrio, podendo ficar total ou parcialmente imerso. Neste momento, a tração T2 no fio será menor que o peso do bloco P . A força que o líquido exerce sobre o bloco (empuxo) equilibra esta relação. T2 = P − E Fazendo as transformações das unidades: densidade da água = 1 g/cm³ = 1 kg/litro O empuxo no corpo, nas duas situações, é o mesmo, pois o corpo permaneceu totalmente imerso. O empuxo é dado por E = d ⋅ V ⋅ g = 1 ⋅ 20 ⋅ 10 Logo, o empuxo é E = 200 N O peso do corpo é P = m ⋅ g = 8 ⋅ 10 = 80 N A força de intensidade T2 costuma ser chamada de peso aparente. Neste curso os melhores alunos estão sendo preparados pelos melhores Professores 11 Polícia Rodoviária Federal Prof. Dirceu Pereira Física Aulas 4 e 5 de 5 Como o empuxo é maior que o peso, o corpo tende a subir. Na situação 1, o fio impede a subida do corpo. Na situação 2, o fio é cortado e o corpo sobe, deformando a mola. Depois de a mola sofrer a deformação x, o equilíbrio é obtido. A força Felast que a mola exerce no corpo tem intensidade: F +P =E ⇒ F = 120 N F = E − P = 200 − 80 Pela lei das deformações elásticas do Hooke: F = k ⋅x F 120 = k 50 x= ⇒ ⇒ x = 2 ,4 cm Resposta: x = 2,4 cm 2) Considere o arranjo da figura. Queremos erguer o veículo a uma altura de 1,80 m através da prensa hidráulica. Sabemos que as áreas dos êmbolos são A1 = 750 cm² e A2 = 300 cm². A massa do veículo é de 1.000 kg. Determine o curso h2 necessário, o volume de óleo deslocado e a força necessária no êmbolo menor. Considere a aceleração da gravidade g = 10 m/s². Solução Para determinar o curso do êmbolo menor, temos do princípio de Pascal: A1 ⋅ h1 = A2 ⋅ h2 h2 = 450 cm ⇒ 750 ⋅ 180 = 300. ⋅ h2 h2 = 4 ,5 m ⇒ O volume de óleo deslocado é dado por: V = A1 ⋅ h1 = A2 ⋅ h2 ⇒ V = A1 ⋅ h1 = 750 ⋅ 180 ⇒ V = 0 ,135 m 3 F F A força necessária será: 1 = 2 ⇒ A1 A2 V = 135.000 cm 3 1.000 ⋅ 10 F = 750 300 ⇒ m⋅g F = A1 A2 F = 4.000 N Resposta: h2 = 4 ,5 m , V = 0 ,135 m 3 , F = 4.000 N Neste curso os melhores alunos estão sendo preparados pelos melhores Professores 12