ARTE E EDUCAÇÃO: O CIRCO COMO PROPOSTA NO CONTEXTO AMAZÔNICO1 RESUMO Este artigo pretende descrever, compartilhar e refletir acerca de uma experiência pedagógica de arte e educação na região Norte do Brasil, no oeste do Pará. O projeto CIRCO EM ALTER teve como principal objetivo oferecer espaço de vivência e educação do movimento, através do contato com arte circense a crianças e adolescentes da vila de Alter do Chão e comunidades da região. Foram utilizados instrumentos lúdicos, esportivos, artísticos e culturais como dispositivos de uma intervenção em educação. Juntamente com o trabalho pedagógico foi desenvolvido um trabalho artístico com o Grupo Tapiocas - possibilitando uma reflexão acerca das possibilidades de utilização de arte e aspectos da cultura corporal para um trabalho pedagógico em um contexto de educação não-formal. Palavras Chaves: Circo, Arte, Educação, Educação Rural 1 Marina Souza Lobo Guzzo (Unifesp), Chantal Medaets (Université Paris- Sorbonne), Andrea Desiderio (Os Tapiocas) Introdução O projeto CIRCO EM ALTER teve como principal objetivo oferecer espaço de vivência e educação do movimento, através do contato com arte circense a crianças e adolescentes da vila de Alter do Chão e comunidades da região. Tendo em vista a educação integral de crianças e adolescentes (prevista inclusive na LDB) e a melhoria das condições de vida desta população, foram utilizados instrumentos lúdicos, esportivos, artísticos e culturais como dispositivos de uma intervenção em educação. O projeto foi premiado e financiado pelo Prêmio Carequinha de estímulo ao Circo da Fundação Nacional das Artes (FUNARTE) e do Ministério da Cultura (MINC). O valor do prêmio foi de vinte mil reais, e cobriu as despesas de transporte (os oficineiros eram de São Paulo), a compra de materiais e os gastos locais durante a realização do projeto. Foram oferecidos, de maneira simultânea, quatro módulos de Oficinas de Circo, que aconteceram num dos dois clubes esportivos da vila, o Clube Santo Antônio. As oficinas foram desenvolvidas por quatro profissionais que trabalham com circo e educação em São Paulo e cada um ficou responsável por um módulo, que conteve conteúdo específico: acrobacia aérea e acrobacia de solo; palhaço e malabares; dança e jogos cênicos; perna de pau e percussão corporal. Cada aluno pode participar dos quatro módulos e ter contato com todo o conteúdo proposto. Essas oficinas funcionaram como uma preparação para a criação de um espetáculo que foi desenvolvido pelos professores e alunos do projeto, sendo apresentado no Clube Santo Antônio, na praça principal de Alter do chão e numa cidade vizinha - Belterra. Juntamente com o trabalho pedagógico, foi desenvolvido um trabalho artístico com o Grupo Tapiocas. O grupo era formado pelos oficineiros do Projeto Circo em Alter, que desenvolveram uma espécie de cortejo-espetáculo, que atuou como forma de divulgação e motivação para a participação nas oficinas. Os profissionais envolvidos no projeto são formados em Educação Física e trabalham com as artes circenses como um conteúdo da cultura corporal. Trabalham com a perspectiva da arte-educação como ferramenta de formação social e cidadã. Esse trabalho atingiu um número grande de pessoas e sensibilizou a comunidade para a importância e beleza de um trabalho corporal para crianças e adolescentes. O trabalho artístico dos Tapiocas foi deflagrador da relação entre o projeto e a comunidade, e também serviu para contatos em outras comunidades ribeirinhas como a Vila Anã e Urecureá (rio Arapiuns). A idéia de escrever um artigo que compartilhe essa experiência veio primeiramente da falta de literatura específica para projetos interdisciplinares que atuam com o foco cultural, mas que têm a educação como objetivo primeiro: a relação com o conteúdo ensinado, o objetivo do projeto e suas transformações ao longo da realidade da prática. Em segundo lugar, sentimos a necessidade de informar à profissionais da área da Educação e da Educação Física sobre as possibilidades de gestão e criação de projetos culturais em contextos de educação não-formais: a arte pode ser uma ferramenta? Esse tipo de projeto traz mesmo uma contribuição para a comunidade local?. E, por último, o artigo pretende problematizar situações enfrentadas pelos profissionais em equipes multidisciplinares que atuam no campo da cultura, principalmente em contextos tão específicos como no Oeste da Amazônia. A divulgação do trabalho realizado nessa região específica, pode contribuir para o fortalecimento da ação educativa que se afirma como troca. Para responder aos objetivos acima descritos, dividimos o artigo em três partes: a primeira que descreve o contexto da ação educativa, indicando as especificidades do local do trabalho, criando um paralelo à situação da educação rural no Brasil. Acreditamos que isso é fundamental para entender as especificidades vividas pelos profissionais envolvidos, que eram de uma realidade diferente (São Paulo). A segunda parte do artigo pretende descrever o projeto Circo em Alter, indicando suas etapas de planejamento, produção e execução, para que o leitor possa se aproximar da ação realizada no contexto descrito. A última parte do artigo pretende problematizar e levantar algumas questões sobre esse tipo de trabalho em contextos rurais, propondo encaminhamentos e reflexões que possa nortear nossa próxima futura ação. Também é importante ressaltar que, a multidisciplinariedade desse projeto se revela na própria escrita desse artigo que se vale de referências da área da Educação, da Antropologia e da Educação Física. Acreditamos que isso enriquece ainda mais a reflexão, trazendo múltiplos olhares para a discussão. Contexto local: o cenário do trabalho A vila de Alter do Chão é um distrito do município de Santarém, oeste do estado do Pará, e está localizada a 32 KM deste, numa área considerada rural (na organização territorial do município de Santarém). Pertence à região da bacia do Tapajós, na Amazônia central. Os habitantes das áreas rurais na Amazônia são frequentemente chamados, tanto em trabalhos científicos quanto no uso cotidiano, de caboclos. Muitos trabalhos apontam para o caráter pejorativo dessa nomenclatura. Segundo Debora Lima: O termo caboclo é amplamente utilizado na Amazônia brasileira como uma categoria de classificação social (..) a categria é complexa, ambígua e está associada a um estereótipo negativo. (..) no uso acadêmico, refere-se aos pequenos produtores rurais de ocupação histórica, também classificados como camponeses (...) no sentido coloquial, o caboclo é uma categoria de classificação social complexa que inclui a qualidade rural, descendência indígena e “não civilizada” (analfabeta e rústica) que contrastam com as qualidades urbana, branca, civilizada (LIMA, 1999: 5-6) Mesmo problematizando essa nomenclatura, os autores que tem se dedicado ao estudo das populações dessa região (notadamente: HARRIS,1998, 2000; LIMA,1991, 1999; NUGENT, 1993, 1997, 2006; RODRIGUES, 2006 e VALENTIN, 2001;) reconhecem muitos aspectos comuns no que diz respeito à história, ao modo de vida, às formas de pensar e agir dessas populações. E, se por um lado o uso do termo caboclo traz contradições e imprecisões, o risco de suprimi-lo é o de relegar essas populações à invisibilidade. Nugent, Harris e Valentin apontam para o fato de que os ditos caboclos estão sub representados na literatura antropológica, onde as sociedades indígenas (objeto clássico da antropologia) ganham grande atenção. E muitas vezes os caboclos (ou essa população rural da Amazônia) são apresentados não como portadores de uma cultura própria e viva, mas como populações “atrasadas” em relação ao conjunto do pais e “aculturadas” com relação as populações indígenas. No entanto, os autores acima citados descrevem uma atividade social e cultural ativa dessas populações e continuam dessa maneira a utilizar o termo caboclo (certo, com diferentes reservas) como forma de garantir a visibilidade de sua especificidade cultural. Esta especificidade aparece numa forma de vida profundamente ligada aos rios, às suas cheias e secas, à pesca, ao transporte fluvial, ao cultivo da mandioca e à produção de farinha (e outros derivados) e à exploração dos recursos da floresta de maneira sustentável. Seus habitantes se distribuem em comunidades2 de, em geral, 100 a 500 habitantes. Nesses pequenos núcleos populacionais há áreas de uso comum da terra, onde ficam as residências, a escola, o campo de futebol, a igreja, centro comunitário e outras instalações que se fazem necessárias para a aquele grupo (como motor de luz em algumas comunidades ou rádio comunitária em outras), e também roçados trabalhados por cada família, onde é cultivada e processada a mandioca, na produção de farinha, tucupi e tapioca (entre outros derivados). A história da formação social dessa população é profundamente marcada pelo processo de colonização portuguesa iniciado na região no séc. XVII (com as expedições de Pedro Teixeira em 16383). Desse confronto entre portugueses e indígenas, como é sabido, decorreu um vasto genocídio das populações originarias (RIBEIRO, 1995, CARNEIRO DA CUNHA 1992, PORRO 2007), mas também um processo de mestiçagem dos indivíduos e grupos sobreviventes com os portugueses e com seus descendentes, já brasileiros. Uma nova configuração populacional se desenha na Amazônia (terra de 2 3 Termo amplamente utilizado pelos próprios moradores. Cf. VALENTIN, 2001 ocupação indígena ate meados de 1600) no, e por causa do, contato com o europeu, seja ele explorador português, missionário religioso ou agente da politica colonial e mais tarde imperial. É este novo contingente populacional, imerso no contato com o europeu, mas incorporando certos traços culturais e técnicas utilizadas pelos grupos indígenas – como moradia (malocas com teto de palha), navegação, manejo da fauna e flora e cultivo de roças de mandioca (Porro 1992:175) - que desenha a feição da população cujos descendentes ainda hoje habitam grande parte do interior da Amazônia. 4 A Vila de Alter do Chão, porém, traz algumas especificidades na sua história recente. A partir principalmente da década de 70 a região começa a receber um fluxo de turismo que promove modificações significativas. A beleza das águas verdes do rio Tapajós, a areia branca de suas margens e as formações de lagos, pontas de areia e inúmeras praias atraem a atenção de famílias ricas tanto de Santarém como de Manaus. Casas de veraneio se instalam no centro da vila, e muitos dos antigos moradores se mudam para um bairro mais afastado, o Bairro Novo. Algumas dessas famílias, ainda mantem hábitos caboclos, como a prática do plantio do mandioca - em “roçados” que se instalaram em terrenos mais afastados da vila, na estrada que a liga a Santarém – e da pesca para o consumo próprio. No entanto sua principal atividade econômica está ligada ao turismo. O comercio em barracas que oferecem refeições a beira da praia, a venda artesanato, o serviço de guia turístico e a atividade de catraia (transportar visitantes em canoas de 2 remos) constituem hoje em dia as principais fontes de renda da população local. Renda que varia conforme o fluxo turístico e se mantem , em media inferior a 50 reais mensais per capta, o que segundo os critérios do Ministério do Desenvolvimento Social, permite classificar os moradores dessa região como pobres. Segundo o último levantamento da prefeitura em 2005, população desta Vila é de 5.000 habitantes e é considerada uma população jovem. Os dados que dispomos 4 Processo semelhante ao que Taylor (1992:223) falando sobre a alta Amazônia, chama de “ grupos indígenas coloniais”, porque surgidos ou reestruturados a partir do contato colonial . são do conjunto do município de Santarém, onde 37% da população são crianças -0 a 14 anos- e 30% jovens -15 a 25 anos- (IBGE 2000) , o que significaria em números absolutos, se utilizássemos a mesma proporção, aproximadamente 3.500 crianças e jovens em Alter de Chão. Face ao crescimento populacional, a falta de infra-estrutura (saneamento, distribuição de água, acesso a equipamentos públicos) prejudica no entanto seu processo de desenvolvimento econômico e social. Fazendo uso os dados colhidos no IBGE referentes ao município de Santarém, percebe-se que é precário acesso a saneamento básico (88,5% dos moradores possui apenas fossa rudimentar ou vala), serviços de água potável (apenas 28,4% da população tem acesso à rede geral de distribuição de água), coleta e tratamento do lixo doméstico (81,6% do lixo é queimado ou enterrado na propriedade). O índice de desenvolvimento humano (IDH) de Santarém é 0,57, enquanto o IDH nacional é de 0,76 (IBGE 2000). E nas áreas de cultura e lazer a situação não é diferente. Há pouca oferta de esporte, lazer e educação para além da escola. Maior parte da diversão se dá em festas e não há espaços culturais ou educativos institucionais presentes no cotidiano. As festas são momentos importantes de confraternização, mas também trazem algumas questões que precisam ser cuidadas como o uso abusivo de álcool. Entre os jovens e adultos há uma grande incidência de alcoolismo. Nesse contexto, é fundamental a construção de espaços de educação, esporte, cultura e lazer, direito de todo cidadão e em especial das crianças e adolescentes, que precisam de um ambiente favorável para seu pleno desenvolvimento. É preciso ainda que esses espaços respeitem e valorizem as especificidades culturais desta população, possibilitando reconhecimento identit’ario e a construção de um auto estima positiva. O projeto “CIRCO EM ALTER” se inseriu na perspectiva da garantia desses espaços de direito a convivência, esporte, cultura e lazer. Levando em conta suas especificidades culturais, mas abrindo o dialogo com outras referencias, as oficinas e a criação conjunta do espetáculo crescimento mutuo. foram concebidas como espaços de troca e Sobre o Projeto A escolha do circo como universo a ser trabalhado no projeto se dá por ser um conteúdo que possibilita o envolvimento em atividades que demandam habilidades físicas como: subir, pular, sustentar o próprio peso, correr, girar. Mas, ao mesmo tempo, proporciona uma maneira de se expressar artisticamente, de criar e sociabilizar por meio de qualidades expressivas e poéticas. São essas possibilidades que juntas podem proporcionar uma maneira de viver bem. A atividade circense pode ser uma ferramenta de trabalho utilizada na construção de uma prática que, tem no lúdico e no movimento um fator de socialização e desenvolvimento individual, mobilizador e transformador das relações sociais. A chegada do circo em Alter do Chão foi como sempre se descrevem os circos nas histórias, livros ou conversas de pessoas mais velhas que viveram o tempo de circos itinerantes: foi marcada pela curiosidade e pelo encanto. Aprender os conteúdos culturais e as possibilidades de expressão artística, significa ter acesso à uma fonte de identidade cultural. Ao se equilibrar em perna de pau, monociclo, tambor, rolos e rolinhos, fazer acrobacias de solo, pirâmides humanas, cama elástica, tecido, trapézio, lira, malabarismo com arcos, bolas, lenços ou diabolôs, as pessoas podem entrar em contato com diferentes expressões de nossa cultura. Esse trabalho corporal desenvolve a exploração de diferentes movimentos, a coordenação motora, a capacidade de concentração e a socialização. Estimula a percepção corporal, harmonia dos movimentos e a criatividade de expressão artística. O projeto foi dividido em quatro oficinas, ministradas por profissionais da Educação Física e das Artes Cênicas que têm residência em São Paulo. Além disso, durante as oficinas foram trabalhadas formas de inclusão de um estagiário da vila de Alter do Chão, que caminha na área esportiva e da cultura popular, abrindo espaço para relação entre as duas áreas e também para o diálogo do projeto com a cultura local. As oficinas foram divididas nos seguintes conteúdos: Acrobacia Aérea e dança Nesta oficina os participantes tiveram aulas técnicas de tecido, trapézio e dança. No intuito de desenvolver uma técnica pessoal de “dança aérea”. O conceito de " dança aérea" surge para adequar os movimentos pessoais às técnicas do aparelho, buscando a fluidez como ponto primordial. É também chamada de dança vertical, pois traz diferentes maneiras de deslocamento aéreo, com a base de apoio no sentido vertical o que possibilita a descoberta inevitável de figuras e formas infindáveis. Os conceitos da dança contemporânea de peso, articulação, espaço, tempo e fluidez foram utilizados para o trabalho no aparelho aéreo. O tecido e o trapézio foram em algumas vezes, fixados em árvores fornecendo também um cenário interessante para o desenvolvimento das oficinas circenses. No início do curso os conteúdos foram explorados de forma lúdica e no tecido, orientações espaciais e formas de se segurar no tecido foram compreendidas pelos alunos (naturalmente). No solo, fora dos aparelhos, antes da experiência de suspensão do corpo, exercícios foram feitos de forma que puderam ser aplicados, mais tarde, no ar. Com o passar dos dias de trabalho, na medida em que os alunos se apropriaram de novas referências e puderam ter mais clareza e instrumentos para se sentirem seguros, abriram possibilidades de pesquisas e processos criativos no aparelho aéreo. O trapézio foi trabalhado de forma pontual. Neste aparelho foram retomadas as travas/garras, de forma específica para o trapézio trazendo a importância da “mão-decarangueijo” ser utilizada de forma espontânea (incorporada). Em todo o processo as técnicas e explorações intercalaram conteúdo técnico e criativo, de forma a gerar repertório técnico básico e possibilitar exploração do corpo suspenso no ar. Percussão Corporal e Perna de Pau A percussão corporal é desenvolvida pelo grupo Barbatuques, em São Paulo, desde 1997. É uma proposta pedagógica baseada na utilização do corpo como instrumento musical. A exploração dos inúmeros sons produzidos pelo corpo é o ponto de partida dessa pesquisa. Palmas, estalos, batidas no peito, sapateados, vácuos de boca, recursos vocais entre vários outros sons, são encadeados na produção de ritmos e melodias. Através do aprendizado de ritmos e de jogos de improvisação o aluno vai aprimorando tanto sua coordenação motora quanto sua capacidade de criar, ouvir e interagir num grupo. Essa metodologia foi utilizada pelo professor João Simão, que além disso trabalhou o equilíbrio e diversas manobras na perna de pau. A perna de pau é um aparelho circense onde os praticantes alteram sua estatura normal. No entanto, não se exclui a possibilidade de utilizar outros aparelhos ou objetos materiais que permitam ressaltar estas modificações de altura. A música parece ser uma ótima proposta! A percussão corporal foi um conteúdo importante para o grupo. O inicio ritualizado era marcado pelos jogos cênicos, exercícios rítmicos e pela exploração de sons do corpo, com o objetivo de integrar e reforçar a importância de cada pessoa naquele trabalho coletivo. Porém, seria importante um momento mais especifico para trabalhar este conteúdo para um maior aprofundamento (outros jogos e sons) da linguagem da percussão corporal. Todos subiram e muitos quiseram aprender perna de pau. No final do curso dez alunos aprenderam a se equilibrar. É importante salientar o grande interesse por este aparelho. Isto provocou uma sobrecarga de trabalho e alguns não puderam posteriormente andar e se apresentar, pois o número de pernas de pau era limitado para o grande numero de interessados. Assim, o tempo de prática foi muito reduzido nas duas primeiras semanas. Na terceira semana o grupo de pernas de pau foi definido e o tempo de pratica para o dia da apresentação foi maior e muito importante para consolidar o aprendizado desta técnica. Acrobacia de Solo e Jogos Cênicos As acrobacias de solo são base para o desenvolvimento de toda arte do circo. Elas se desenvolveram junto com a ginástica. A palavra Ginástica vem do grego Gymnastiké e significa a “Arte ou ato de exercitar o corpo para fortificá-lo e dar-lhe agilidade. Essa agilidade e disponibilidade para o trabalho será enfatizada pela professora Andrea Desiderio, que tem sua formação voltada para as acrobacias de solo e jogos cênicos. Os jogos cênicos serviram também de base para criação de cenas e jogos com o público. Essa oficina aconteceu como base para todos os outros trabalhos desenvolvidos. A proposta inicial do projeto Circo em Alter, em relação às oficinas, foi relacionar e unir em cada uma delas um conteúdo técnico e um poético. Neste caso o conteúdo técnico seria as Acrobacias e o conteúdo poético seria os Jogos teatrais. A intenção não era dividir e encaixotar os conteúdos como se estivessem isolados, acrobacia é uma coisa e jogos teatrais são outra. Na verdade os dois temas são compostos por conteúdos técnicos e poéticos. Os momentos de enfoque nos jogos teatrais não aconteceram em nenhum momento, sendo esse um assunto não contemplado diretamente nas oficinas, sendo realizado indiretamente, porém sem a devida valorização. Já que um de nossos objetivos era a exposição dos alunos não poderíamos ter negligenciado esse tópico. No meio da segunda semana de trabalho resolvemos, em grupo, partir para a utilização de um método de trabalho que visa a criação de coreografias e a apresentação desta. Utilizamos o método do Grupo Ginástico da Unicamp, quando este parte da valorização da proposta do indivíduo do grupo para a execução do coletivo. Essa proposta sugere que toda experiência deva ser oferecida ao olhar do outro, um dos princípios da Ginástica Geral (AYOUB, 2003), que contempla a questão da exposição. O plano das aulas de acrobacias foi atingido em grande parte, apenas movimentos mais complexos como mortais e flic-flacs não foram propostos. Decidimos não realizar a corda dupla por causa do tempo. Devido à dinâmica de aula esta oficina teve um caráter de vivência, a cada dia os alunos eram desafiados a novas propostas, isso fez com que experimentassem diferentes possibilidades corporais e não especializassem nenhuma. O grupo que apresentou acrobacias decidiu mostrar as experiências com exercícios mais individualizados e que necessitavam do auxílio de outra pessoa, um colega de turma. As aulas foram momentos muito importantes para os participantes e também para alguns de nós. Saber que questões como pontualidade e assiduidade não são características da comunidade como um todo e que no projeto isso foi realmente respeitado nos mostra o valor que as pessoas investiram nessa oportunidade. O método de trabalho na oficina de acrobacias foi bem aceito pelos participantes. Relacionar as atividades com assuntos do cotidiano dos participantes foi de grande importância. A observação das outras oficinas pode comprovar a real dedicação do grupo em realizar o projeto da melhor forma possível, mesmo assim dedicamos muito mais tempo a formação técnica específica. Os alunos foram realmente contagiados pelo Circo, pelos Tapiocas, por cada um de nós. Hipnotizados por nossos olhares, por nosso jeito de falar, por nossas expressões. O que mais nos impressionou foi a alegria que traziam a cada dia, alegria que não acabava e que se renovava a cada rodízio, a cada conquista. Os Jogos teatrais foram direcionados desde o início até o final e neste momento tentaremos realizar uma tomada de consciência sobre o que foi vivenciado. As aulas de acrobacias utilizaram o método dos “Três momentos” proposto por Velardi (1997). Malabares e Palhaço Malabares é a arte de manipular objetos com destreza. Executar um gesto complexo, lidando com situações difíceis e instáveis sem perder o domínio e o controle, usando um ou mais objetos, onde os métodos de manipulação não são misteriosos (como no ilusionismo). Em geral malabaristas, dividem suas técnicas em categorias, agrupando o que realizam em função dos materiais que manejam, sejam estes: massas (clavas), bolas, aros, diabolôs. Nesta oficina os alunos também construíram seus objetos de malabarismo: bolinhas com alpiste ou claves com garrafa pet. Utilizamos materiais recicláveis e baratos e desenvolvemos técnicas que possam ser utilizadas por pessoas da região, que não possui lojas especializadas nesse tipo de material. Junto com o malabares, foram desenvolvidas com os alunos aulas de palhaço, ou “clown”, que trabalharam a comicidade e a ludicidade presentes no circo. Durante o desenvolvimento das oficinas fez-se necessário adaptar algumas atividades, o que, em nenhum aspecto, atrapalhou o seu curso, porém, algumas das atividades propostas e seus respectivos conteúdos tiveram que ser passados rapidamente, sem um aprofundamento maior. Mas, analisando a oficina mais verticalmente, acredito que alcançamos o objetivo - propiciar interesse e divertimento pela a arte do malabarismo, apresentando-a de uma forma lúdica e com técnica, mas ensinando e aprendendo que essa técnica nada mais é do que um divertido jogo, que inclui quanto mais pessoas melhor! Durante estas semanas em que estivemos em contato com eles quase todos os dias, era surpreendente notar a dedicação, como pontualidade e presença, e o desenvolvimento, e porque não comentar da própria superação que os participantes alcançaram neste processo. Acredito que fizemos diferença em suas vidas, isso sem mencionar as nossas mesmo. Cada dia um dos participantes vinha com um objeto, como bolas, por exemplo, confeccionados por si mesmos e utilizando materiais que substituíram o painço por flor de Taperebazinho e areia, dando forma e peso adequados para fazer uma bolinha de malabares. O enfoque na oficina de “arte do Palhaço” não aconteceu diretamente, por ser uma técnica que demandaria um certo tempo, coisa que não tínhamos de sobra, sendo assim, o conteúdo foi transmitido através dos jogos de malabarismo que trabalhavam a exposição e a interação com um ou mais participantes, juntamente com alguns truques que, por si só, já se fazem “engraçados”, como exemplo o “orangotango” e suas variações. Metodologia de trabalho As atividades foram desenvolvidas com oficinas diárias, através de sistema de rodízio de aparelhos divididos em quatro estações: acrobacias, malabares, perna-de pau e aéreos, os alunos tiveram a possibilidade de conhecer cada uma das técnicas circenses. A prática conjunta das atividades favoreceu o atendimento de um grande número de crianças que por estarem experimentando o circo pela primeira vez tinham ainda muita curiosidade e empolgação para conhecer todas as possibilidades de movimento. Na medida que iam conhecendo melhor os aparelhos, equipamentos e as atividades propostas em cada estação de trabalho, os alunos enfrentavam um segundo momento na sua vivência com o circo. Passado o entusiasmo inicial da descoberta do espaço, das pessoas e das atividades, depararam-se com desafios e dificuldades presentes nas técnicas circenses específicas, como por exemplo, subir no tecido ou andar sem ajuda na perna de pau, ou ainda ter que jogar três bolinhas no malabares. Durante a segunda semana foram introduzidos trabalhos de grupo com dança, ritmo e música ao vivo, possibilitando a criação de uma união maior entre as pessoas e o começo de idéias para a criação do espetáculo. No meio dessa semana, as pessoas foram convidadas a escolher que aparelho gostariam mais de praticar e “apresentar” no espetáculo. Foi feita, dessa maneira, uma divisão por aparelho a partir dos interesses demonstrados pelas crianças. Na última semana, a partir do trabalho de cada monitor, foram desenvolvidas coreografias em grupo com música ao vivo e em cada aparelho. Mais tarde foram unidas as coreografias e finalizamos um espetáculo batizado “Circo em Alter”. Foram montados dois espetáculos, um para a turma da manhã e outro para a turma da tarde, para que pudéssemos contar com a participação de todas as crianças das duas turmas. Além disso, tivemos a apresentação em Belterra (Município Vizinho de Alter do Chão) para qual foi realizada uma “turma conjunta” que unia os alunos das duas turmas que iriam viajar. A viagem foi importante para a desinibição, segurança e confiança dos alunos em relação ao trabalho. Fomos muito bem recebidos em Belterra, e para algumas crianças essa era a primeira experiência de viagem desacompanhado dos pais. Tivemos momentos de muita alegria e euforia no ônibus com cantoria, brincadeiras e muita festa. Consideramos essa experiência como algo especial para socialização das crianças. Neste momento entendemos o circo como uma atividade completa: trabalha o corpo, o círculo social, as relações de autonomia e de respeito e principalmente a expressão criativa e afetiva. Afirmando que essa ação teve uma amplitude não somente na formação de um indivíduo consciente e expressivo, mas na democratização e formação de cidadãos com direitos de diversão, lazer e atividades físicas. O apoio das famílias para a realização da viagem, a preocupação dos pais: tudo isso demonstrou que mesmo em situações de aparente desestruturação familiar podem ser criados vínculos de cuidados e atenção para com as crianças e adolescentes, que são valorizados pelo olhar do educador e do grupo. Isso coloca toda a família em uma situação de reflexão e ajuda no combate à ociosidade e da percepção e conseqüente felicidade da família. Desenvolvimento do projeto O Projeto Circo em Alter foi realizado em parceria com o Ponto de Cultura da Oca e também foram reservadas vagas para o programa PETI (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil). Ao todo atendemos 100 crianças, divididas em 4 turmas de 25 alunos cada, entre o período da manhã e da tarde. Optamos por fazer a divulgação das oficinas com cortejos e apresentações do Grupo Tapiocas em diversos espaços de Alter do Chão. Os Tapiocas se formaram em Alter do Chão com a chegada do grupo de instrutores para as atividades do projeto. A convivência e a necessidade de gerar motivação e entusiasmo para as oficinas que aconteceriam naquele mês fizeram com que o grupo fosse formado e se criasse uma linha de trabalho artístico para realização da divulgação das atividades que seriam desenvolvidas nas oficinas. Essa perspectiva foi pensada desde as reuniões prévias do grupo, ainda em São Paulo. Foram desenvolvidos figurinos, números e possibilidades musicais para que fossem apresentadas as formas que os “professores” trabalhavam, entendiam e viviam as técnicas circenses. Esse trabalho artístico foi muito importante para criar uma coesão no grupo e também para estimular a criação e o desejo dos próprios alunos em estar no palco e em superar as dificuldades do trabalho corporal para realizar ações com as técnicas circenses. Mais especificamente, o trabalho artístico serviu como referência para os alunos e também para os monitores e professores que podiam pensar sua prática pedagógica a partir do ponto de vista de seu trabalho com a arte circense. O cortejo e o espetáculo dos Tapiocas foram montados com as habilidades e linguagens já desenvolvidas pelos professores oficineiros que formaram o grupo. Elegemos números onde fossem destacadas as características de cada profissional aliada às atividades que seriam desenvolvidas por eles durante o período das oficinas. Tivemos a parceria do músico Chico Malta (do Ponto de Cultura da Oca e responsável pela Bandoca – Banda da Oca - projeto desenvolvido com pré-adolescentes e adolescentes e coordenado por ele). Chico nos ensinou algumas canções da tradição local que seriam mote de nossas apresentações como: “Berboleta” e “Quebramacaxeira”, entre outras. O cortejo seguia por algumas ruas da vila ou da comunidade e parava num ponto (previamente escolhido e já arrumado) onde fazíamos a apresentação dos números circenses em forma de espetáculo com música ao-vivo e participação do público. Durante essas apresentações aproveitamos para convidar crianças, adolescentes e adultos para participar das oficinas que aconteceriam na semana seguinte no Clube Santo Antônio. Concluímos que foi fundamental para o bom desenvolvimento do trabalho pedagógico, a criação e a divulgação realizada pela via artística. A aproximação da comunidade, a “licença” pedida em cena e a alegria que levamos para perto das pessoas refletiu durante todo o mês de atividade. Foi fundamental o estímulo e a referencia dada para as crianças que participariam do projeto. A imagem dos professores como artistas e realizadores também ajudou na condução das atividades e pode oferecer para os participantes uma projeção futura de trabalho a partir das aulas que eles estavam fazendo. Continuidades Após a partida do grupo Tapiocas, ao término do projeto, jovens moradores de Alter do Chão que se envolveram de maneira diferenciada em atividades culturais, e que, possuem interesse artístico e pedagógico deram continuidade às atividades propostas pelo grupo. O grupo também formou um núcleo artístico intitulado “Os Pororocas”, que tinha como inspiração a maneira de trabalhar dos Tapiocas e que continuou desenvolvendo oficinas e atividades com as crianças da Vila de Alter do Chão. Durante o período do projeto foram escolhidos 4 jovens, que de alguma maneira já se destacavam nos trabalhos realizados pelo Ponto de Cultura. Realizamos com eles uma reunião na primeira semana de trabalho, mesmo antes de começar as oficinas. Discutimos a importância da participação e do comprometimento para que o trabalho tivesse continuidade. Discutimos que seria empregado uma ajuda de custo para financiamento dessas horas gastas com o projeto, afinal todos trabalham para ajudar na renda familiar. Esses monitores participaram das oficinas, dos cortejos, das montagens e alguns de nossas reuniões de planejamento. Ao final do processo também se apresentaram junto com as crianças e tivemos uma reunião de avaliação para discutir com eles os efeitos e possíveis continuidades do projeto. Avaliamos que o tempo empregado para a formação dos monitores foi insuficiente. É necessária a realização de um projeto que visa a formação de monitores diferenciando a aula para as crianças e adolescentes. O grande número de pessoas que estavam nas aulas impediu que a atenção dada ao monitor fosse compatível com a necessidade que ele tinha de dúvidas e engajamento. Existe uma demanda técnica muito importante por se tratar de exercícios de risco e dificuldade. Por isso, a próxima etapa do Projeto Circo em Alter será dedicada exclusivamente á formação de monitores. Considerações Finais O projeto Circo em Alter teve como principal objetivo a realização de um projeto cultural que atendesse as crianças e adolescentes da região de Alter do Chão durante o período de ferias escolares. Fizemos uma abordagem de arte educação onde a atividade circense foi a ferramenta de trabalho utilizada na construção de uma prática socializante, mobilizadora e cheia de potencialidades para transformações sociais. A educação corporal não foi limitada à aquisição de técnicas e conteúdos, e sim como um espaço de convivência e de construção de auto-estima. O impacto do trabalho na comunidade, no envolvimento dos pais das crianças e na avaliação das próprias crianças, confirmam que é possível realizar um trabalho com arte circense nessa região. Existe um interesse e uma demanda clara e significativa. O trabalho que durou apenas um mês precisa de continuidade, para criar condições de um desenvolvimento de consciência crítica juntamente com o desenvolvimento criativo e artístico. A idéia é que se estabeleça uma rede, constituída pela equipe de monitores, pelo ponto de cultura, pelos alunos e pela equipe de São Paulo para que o projeto continue. O depoimento de uma das adolescentes que participou do trabalho : Cidelmara de 12 anos foi o eixo de argumentação para pensarmos as avaliações do projeto: “o circo fez com que a gente se sentisse assim…muito sendo criança, sabe?”. Essa frase foi dita por muitas crianças e adultos que participaram do projeto. A possibilidade de brincar, de conhecer seu corpo, de inverter o corpo no espaço (virar de ponta-cabeça) é a possibilidade de realizar um outro olhar para a vida. Referências Bibliográficas ARAÚJO MOREIRA NETO, Carlos de. Índios da Amazônia. De maioria à minoria (1750-1850). 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