RELATÓRIO DE SUSTENTABILIDADE E IMPRESSION MANAGEMENT: análise da natureza do conteúdo informacional Adelaide Maria Bogo [email protected] Área temática: Responsabilidade Social Corporativa Palavras-chaves: Análise de Conteúdo; Comunicação Corporativa; Impression Management; Relatório de Sustentabilidade; Sustentabilidade; Teoria das Organizações. Metodologia de investigação: Análise de Conteúdo e Análise Estatística Exploratória Resumo Segundo a Teoria das Organizações, uma organização pode deixar de existir, ou por insuficiência de recursos, ou por rejeição dos agentes externos e internos, fator este que as impulsionam a interagir com todos os agentes deste sistema (Robbins, 1990). Esta interação pode ser realizada por meio do Relatório de Sustentabilidade (RS). Estando as organizações conscientes de que o uso do RS como um documento tem a finalidade de interagir com os agentes internos e externos, as organizações podem fazer uso das estratégias do impression management quando da confecção deste documento. Assim, esta pesquisa tem por objetivo analisar a natureza do conteúdo informacional utilizada nestes relatórios, se predomina conteúdo textual ou quantitativo, das sete maiores empresas de Portugal. Identificado qual tipo de comunicação apresenta maior predominância de uso, pode-se a partir desta análise relacionar teoricamente os resultados desta pesquisa empírica com uso do impression management pelas organizações. A metodologia utilizada num primeiro momento é a Análise de Conteúdo (Bardin, 2009) com categorização das unidades de análise em metacategorias “Textual”, “Quantitativa” e “Textual-Quantitativa”. Num segundo momento, faz-se uso de análise estatística exploratória. Os resultados indicam que as empresas fazem maior uso de informações textuais do tipo narrativa, pois é neste momento que a organização consegue transmitir ao seu público as suas intenções de futuro, as ações realizadas, os fatos por ela percebidos e suas atitudes para com os stakeholders. Palavras-chaves: Análise de Conteúdo; Comunicação Corporativa; Impression Management; Relatório de Sustentabilidade; Sustentabilidade; Teoria das Organizações. INTRODUÇÃO O tema deste paper insere-se na área de estudos sobre a Responsabilidade Social Corporativa e tem por objetivo verificar nas comunicações dos relatórios de sustentabilidade (RS) qual natureza de conteúdo informacional apresenta predominância para, em seguida, relacionar teoricamente com o impression management. 1 Trata-se do estudo de um fenômeno atual e ainda pouco estudado (Fortin, Côte, & Filion, 2009), no qual as organizações buscam aproximar-se do seu público e, para tanto, fazem uso de linguagens de comunicação. O que se questiona neste paper é qual categoria de informação apresenta maior predominância de uso nos Relatórios de Sustentabilidade (RS), e a partir desta resposta, qual a relação com o impression management? Compreender a subjetividade de divulgar o RS não é uma tarefa simples, pelo contrário, é multidisciplinar, pois envolve elementos de diferentes naturezas, ou seja, há necessidade de perceber as organizações como um sistema aberto, conhecer os aspectos de uma comunicação, e de entender o significado da necessidade de informar o público destas organizações as suas ações passadas, presentes e futuras. Considerando que as organizações operam em um ambiente complexo devido aos diversos interesses e forças dos agentes, surge uma necessidade para cada uma das empresas deste sistema de se identificar dentre as demais. Assim, assuntos como “imagem”, “identidade” e “reputação” são constantemente trabalhados pela organização como meios da própria sobrevivência (Argenti, 1998); (G. Griffin, 2002). A partir da identificação da necessidade de sobrevivência, originou-se na psicologia uma nova área de estudo que é aplicada ao comportamento das organizações, o impression management, que para Andersen & Taylor (2011, p. 119), entende-se como sendo uma ação com o seguinte pensamento, “nós tentamos persuadir os outros em perceber em nós o que queremos que seja percebido.” Neste cenário, encontra-se o RS, que se trata de um documento desenvolvido ao longo do tempo e que nos atuais dias compõe-se de três grupos de informações - econômico, social e ambiental (Berthelot, Coumont, & Serret, 2012). A Análise de Conteúdo (Pardal & Lopes, 2011) e á metodologia adotada neste estudo num primeiro momento. A leitura é elaborada em nível sincrético da comunicação percebida nos RS das sete maiores empresas de Portugal, com unidade de análise consideradas apenas em duas, textuais e não textuais, com categorização em tres metacategorias, Textual, Quantitativa e Textual-Quantitativa. Num segundo momento, os dados serão interpretados por meio de análise estatística exploratória. Com base no exposto acima, este estudo tem por objetivo específico identificar nos RS das sete maiores empresas de Portugal, qual metacategoria de informação é mais utilizada, se Textual, Quantitativa, ou Textual-Quantitativa. Alguns pressupostos foram definidos neste estudo a fim de verificar qual é a realidade do uso das informações pelas empresas analisadas. Estes pressupostos estão descritos na seção sobre metodologia. Como contributo espera-se ampliar o conhecimento sobre o conteúdo informacional do RS, os tipos de informações e 2 uma compreensão do uso do impression management na comunicação entre a organização e o seu público. O presente trabalho está estuturado da seguinte forma: O Capítulo 1 apresenta a relação das informações constantes nos RS e a técnica do impression management, explica um pouco sobre a busca pela sobrevivência das organizações, e a identidade corporativa como criação de valor a partir do uso do RS. O Capítulo 2 apresenta o estudo empírico, a metodologia utilisada e os resultados obtidos. Segue-se a Discussão e a Conclusão. 1 O RELATÓRIO DE SUSTENTABILIDADE E O IMPRESSION MANAGEMENT Os relatórios anuais corporativos de responsabilidade social ou de sustentabilidade abriram uma nova ‘janela’ às organizações empresariais para informar às partes interessadas de seus sucessos organizacionais, e as vezes os seus fracassos (Weber & Marley, 2012). Os primeiros relatórios tratavam apenas da questão ambiental, trazendo apenas informações sobre desempenho ambiental, entretanto, os atuais relatórios de desenvolvimento sustentável incluem em seu conteúdo outras nuances da organização, tais como o desempenho social e econômico, o que proporciona uma visão mais abrangente dos aspectos não-financeiros de práticas de gestão empresarial (Berthelot et al., 2012). Nos dias atuais, o modelo de RS que têm se tornado mais comum é o relatório Global Reporting Initiative (GRI). Para esta organização sem fins lucrativos, relatório de sustentabilidade é um documento que divulga o desempenho econômico, ambiental, social e de governança da organização relatora (GRI, 2013). Este relatório apresenta sete grandes grupos de informações, que estão orientadas no G3, Parte 2: Standard Disclosure, constituindo-se dos seguintes: Perfil, Econômico, Ambiental, Práticas Trabalhistas e Trabalho Decente, Direitos Humanos, Sociedade e Responsabilidade pelo Produto (GRI, 2013). O GRI não exige um único padrão analítico de relatório, deixando a definição das particularidades dependente das características individuais de cada organização relatora, e as informações a serem inseridas no relatório dependem das escolhas da própria entidade quanto à materialidade e relevância da informação no desempenho da sustentabilidade (GRI, 2013). O desenvolvimento das diretrizes da GRI sobre relatórios de sustentabilidade é um passo significativo no auxílio de empresas em conseguir uma medição mais sistemática e uma comunicação das questões de sustentabilidade para os investidores e outras partes interessadas (Schadewitz & Niskala, 2010). Essencialmente, ecoeficiência refere-se às ações das 3 organizações em produzir bens e serviços mais úteis e simultaneamente reduzir os impactos ambientais negativos, consumo de recursos e custos (Hansen & Mowen, 2003). Uma vez conhecida a função e conteúdo do RS, interessa ao leitor conhecer os conceitos do impression management ou auto-apresentação, como pode ser definida. Esta é uma técnica que faz uso de metáfora teatral ou dramatúrgica para descrever a vida social, onde as pessoas são atores, assumindo muitos papéis e com estes, tentam agradar a plateia para ganhar seu apoio moral, social e financeiro, assim, a preocupação com a aparência é fundamental e o ator social se envolve em táticas de impressão e muitas estratégias de gestão para evitar olhar ruim (Giacalone & Rosenfeld, 1989). Impression Management é o processo pelo qual as pessoas controlam como os outros o percebem (Andersen & Taylor, 2011). Analisando, impression management revela que “nós tentamos persuadir os outros em perceber em nós o que queremos que seja percebido” (Andersen & Taylor, 2011, p. 119). Trata-se de atos direto e intencional por alguém para melhorar a imagem sua ou dela aos olhos dos outros, conforme afirma Griffin (2011). As estratégias de impression management podem ser definidas em dois tipos, as aquisitivas (ou pró-ativa) e as de proteção (ou reativa) (Hooghiemstra, 2000). Táticas indiretas do impression management pode ser definida como técnicas realizadas para melhorar ou proteger sua imagem pelo gerenciamento da informação sobre a pessoa e coisas com a qual se está simplesmente associada (Cialdini, 1989). Em um contexto da comunicação social corporativa, impression management pode ser considerado importante sob dois aspectos, primeiro, o relatório social corporativo como uma forma de contribuir para a reputação das empresas, segundo, empresas diante de uma situação difícil, pode, usando o impression management, efetivamente lidar com ameaças de legitimidade que, por sua vez, poderia afetar tanto a reputação como o preço das ações (Hooghiemstra, 2000). Os discursos textualmente mediados permitem que as organizações, intencionalmente ou não, listem discursos sociais na satisfação das demandas de públicos específicos, apresentam a vantagem adicional de dissociar parcialmente métodos de operações e saídas organizacionais, dos valores dos públicos externos e oferecem às organizações uma forma de sustentar a legitimidade sem necessariamente alterar modos organizacionais de funcionamento (Neu, Warsame, & Pedwell, 1998). Impression management pode ser assertiva ou defensiva. Assertiva é um objetivo próativo da política para criar uma boa imagem em um grupo alvo, que tenta associar eventos positivos com a organização. Para Van Riel (1995) defensiva é um objetivo reativo da política para proteger a imagem da organização, onde o que se tenta é atribuir às causas externas da 4 organização a responsabilidade pelos eventos negativos. Assim, entende-se que o Relatório de Sustentabilidade é um documento de comunicação assertiva. As empresas usam o relatório social corporativo como instrumento de comunicação corporativa, e o objetivo principal desta é influenciar as perceções das pessoas sobre a empresa, visa, portanto, influenciar imagens ou reputação da organização (Hooghiemstra, 2000; Neu et al., 1998). Gray, Owen, & Adams, (1996, p. 83) explicam que o relatório contábil social e ambiental, igualmente para o RS, apresentam um conjunto de características, quais sejam: a) assunto – o relatório deve focar-se em áreas de assunto; b) Público – deve ser dirigido a um público, o qual geralmente são os stakeholders; c) Conteúdo - deve apresentar tipos de informações diferentes: narrativas, quantitativas e financeiras; d) Motivação – a confecção do relatório deve ser motivada por diversos fatores, que se originam dos agentes de interesses; e) Confiança – mais agentes devem participar da preparação do relatório, internos e externos, e ser auditado. Quanto ao item conteúdo, Gray, Owen, & Adams, (1996), explicam que as expectativas em relação às informações divulgadas nos Relatórios Sociais vem de diversos públicos, assim, o conteúdo deve procurar atender estas expectativas fazendo uso de tipos de informações “narrativas”, que sejam assertivas, factuais e de intenções da organização, informações do tipo “quantitativa”, que envolve dados atuais, metas e sejam comparativas, e do tipo “financeiras”, envolvendo dados de despesas, compromissos, necessidades, avaliação, impactos e responsabilidade. Um texto narrativo é mais do que uma simples lista de frases ou ideias, narrativas são histórias (Dymock, 2007). Sem uma forma narrativa, a visualização do uso do produto e seus benefícios serão menos vividos (van den Hende & Schoormans, 2012), assim, em textos narrativos as organizações fazem uso de textos e imagens para que as partes interessadas imaginem o produto, que neste caso é a imagem da empresa. Acontece neste caso, o que se chama de ‘narrativa de transporte’ que é uma mistura de atenção, imaginação e sentimentos que as pessoas experimentam quando assistem a um filme ou leem uma narrativa (van den Hende & Schoormans, 2012). 1.1 A Busca pela Sobrevivência. As organizações devem ser vistas como sistemas e como tal, devem ter uma certa interação com os seus ambientes se elas desejam sobreviver, segundo a Teoria das Organizações (Robbins, 1990). As entidades devem adaptar-se aos seus ambientes se eles são para manter ou aumentar a sua eficácia, e sendo um sistema aberto, estas organizações devem desenvolver mecanismos de monitorização e de feedback para identificar e seguir os seus 5 ambientes, suas mudanças de sentido, e fazer os ajustes apropriados quando necessário (Robbins, 1990). Surgem então os relatórios de comunicação, e o RS é o documento utilizado pelas organizações para se comunicarem com o seu público. Compreendida como uma linguagem dos negócios, a Contabilidade se insere no contexto da RSC, organização e seu público, uma vez que ela é fonte das informações das ações da organização e, portanto, facilita o canal de comunicação entre a organização e seu público (Belkaoui, 2004). A contabilidade é um componente de grande valor na composição dos relatórios de sustentabilidade uma vez que leva para este documento informações de natureza qualitativa e quantitativa as quais fornecem credibilidade, fiabilidade e mensurabilidade ao conjunto de informações que compõe o relatório. A credibilidade dos relatórios permite que a empresa busque de seu público uma autorização para operar. Esta autorização é uma forma de assegurar que suas atividades sejam percebidas pelo público e que estes a legitimem (Deegan & Unerman, 2011). Considerando que existe um “contrato social” entre a organização e a sociedade em que opera, divulgar informações é vital para estabelecer a legitimidade corporativa (Deegan & Unerman, 2011). O relatório social corporativo é ‘um veículo de relações públicas’ que visa influenciar a perceção das pessoas sobre a companhia (Hooghiemstra, 2000). Neu, Warsame, & Pedwell, (1998), em estudo sobre os efeitos da divulgação das ações ambientais sobre as pressões externas, explicam que pesquisadores contábeis sugerem que a divulgação das responsabilidades corporativas ajuda a resolver alguns problemas de legitimidade organizacional. Schadewitz & Niskala (2010), comentam que, segundo a teoria da legitimidade, uma empresa responde à pressões públicas através de sua divulgação ambiental. A busca pela legitimidade faz surgir outra necessidade de sobrevivência da organização, que é a perceção da reputação da empresa pelo seu público. Reputação da organização é o que os outros pensam que ela é, e baseia-se não apenas em perceções externas, mas sobre o comportamento que é apoiado por essas percepções, segundo Griffin (2002). O público de uma organização compõe-se de empregados, comunidades, sociedade, o Estado, clientes, fornecedores, competidores, governo local, mercado de ações, órgãos da indústria, governos estrangeiros, gerações futuras, que são denominados pela comunidade científica de stakeholders (Gray, Owen, & Adams, 1996), e dos investidores (owners) e os proprietários-gestores, genericamente denominado pela comunidade científica de shareholders (Gray, Laughlin, & Bebbington, 1994). 6 A sustentabilidade de uma organização também é uma forma de adaptação às mudanças do ambiente, e esta ação requer uma avaliação integrada dos aspectos financeiros, sociais e ambientais. Neste processo vem contribuir a contabilidade de gestão da sustentabilidade que é uma ferramenta para auxiliar as organizações a se tornarem mais sustentáveis (Jasch & Lavicka, 2006). A preocupação com a sustentabilidade tornou-se uma questão central para os executivos de negócios e organizações (Weber & Marley, 2012). Sustentabilidade implica, portanto, que a sociedade deve usar não mais de um recurso que pode ser regenerado (Aras & Crowther, 2009), e em seus aspectos estão a ‘influência social’, ‘impacto ambiental’, ‘cultura organizacional’ e as ‘finanças’ da organização (Aras & Crowther, 2009) 1.2 A Identidade Corporativa no RS cria valor? O RS representa uma forma de comunicação da organização com o seu ambiente externo e interno, e um meio de transmitir para estes ambientes a identidade da organização. Em geral, as empresas se preocupam com valores como lealdade, criação de uma cultura comum, compartilhamento dos valores e definição clara de uma direção (Olins, 1990). A Imagem corporativa consiste nas interpretações que os stakeholders fazem da companhia, segundo Van Riel & Fombrun (2010), e é um reflexo da realidade da organização, é como a corporação é vista do ponto de vista dos constituintes (Argenti, 1998). Representa a soma de crenças, atitudes e impressões que uma pessoa ou grupo tem de um objeto, que pode ser uma empresa, produto, marca, lugar ou pessoa, cujas impressões podem ser verdadeiras ou falsas, reais ou imaginárias, mas, certo ou errado, formam guia de imagens e comportamento (Barich & Kotler, 1991). Desta forma, o RS é um documento não padronizado onde as organizações inserem as informações de suas ações que promovem a sustentabilidade econômica, social e ambiental, na tentativa de criar uma imagem positiva desta para com o seu público. Conforme apresenta Gray, Owen, & Adams (1996), as organizações devem fazer uso de informações narrativas, quantitativas e financeiras como forma de projetar a imagem e definir a identidade da organização e com isto fazer com que a reputação da empresa seja percebida pelo público alvo. Além da imagem, a organização também procura definir sua identidade, que consiste em um conjunto de atributos que se usa para descrever uma organização e, para estes atributos serem aceitos interna e externamente, a organização deve dispor de um mix de identidade que seja apropriado e comunicado para seu público-alvo, que podem ser classificados em três formas: comunicação, comportamento e simbolismo, meios através do qual a companhia manifesta sua personalidade para o mundo Van Riel & Fombrun (2010). A empresa não tem 7 uma, mas muitas imagens, dependendo do objeto específico que está sendo estudado, o público cuja visão está sendo avaliado, e outras condições (Barich & Kotler, 1991). A impressão que o público faz de uma organização está relacionada com o nome do negócio, a arquitetura, variedade de produtos e serviços, tradição, ideologia, e impressão da qualidade da comunicação dos empregados na interação com os clientes da organização (Nguyen & Leblanc, 2002). Assim, entende-se que o RS é o documento utilizado pelas organizações para transmitir à comunidade interna e externa a imagem e identidade da empresa sobre suas ações sociais, ambientais e econômicas. Gray, Owen, & Adams, (1996), comentam sobre a necessidade de informações narrativas nos relatórios sociais, e que estas sejam assertivas, factuais e de intenções. Entende-se neste caso, que é sugerido que os RS insiram informações do tipo textual pois é neste espaço que a organização tem seu momento de transmitir de forma afirmativa suas ações, de apresentá-las textualmente e graficamente, bem como descrever suas intenções de planos de ações futuros relativos ao seu compromentimento social, ambiental e econômico. Portanto, esta técnica é um instrumento de gestão por meio do qual todas as formas usadas conscientemente de comunicação interna e externa são harmonizados de maneira tão eficaz e eficientemente possível, que permitem criar uma base favorável para as relações com os grupos em que a empresa é dependente, segundo Van Riel (1995). 2 Análise das ações realizadas nos Relatórios de Sustentabilidade das 7 maiores empresas de Portugal Esta parte do trabalho apresenta a análise da natureza dos conteúdos das informações constantes nos RS publicados pelas sete maiores empresas Portuguesas, que negociam suas ações na Bolsa de Valores de Portugal e que, preferencialmente sejam genuinamente Portuguesas. A pesquisa para identificar quais são as maiores empresas foi realizada no online24, que é uma empresa criada em 2010 pela empresa 7 Graus, e apresenta um portal de informação que foi desenvolvido para fornecer aos utilizadores da internet informações e recursos sobre os mais variados temas da atualidade de Portugal e do Mundo (Online24, 2012). As maiores empresas portuguesas em 2011 são a EDP, GALP Energia, Portugal Telecom, Grupo Jerónimo Martins, BCP, Millennium BPI, e SONAE. Estas sete maiores organizações estão entre as 2000 maiores empresas mundiais, de acordo com um ranking efetuado pela revista norte-americana Forbes, informados pela Online24 (2012). Assim, decidiu-se por fazer análise dos RS destas sete maiores empresas nacionais. As empresas citadas, em sua maioria, 8 estão classificadas no DJSI Europe Indexes (DJSI Europe). Esta organização foi estabelecida em agosto de 2010 com o objetivo de registrar o desempenho das companhias líderes em termos de sustentabilidade corporativa de países desenvolvidos, e é realizada com a colaboração da SAM (atual RobecoSAM), que utiliza a mesmo Corporate Sustainability Assessment (CSA) aplicados para criar o DJSI World (DowJones, 2012; RobecoSam, 2013). 2.1 Metodologia Definição da Amostra - A amostra é composta das sete maiores empresas de Portugal e que divulguem RS. Foram selecionados os relatórios de sustentabilidade, ou relatório social, divulgados e relativos a partir do ano de 2011, desde que estivessem concluídos. Todos estes documentos estão disponibilizados na página web de cada uma das empresas analisadas SONAE (Sonae, 2011), PT Telecom (PT, 2011), EDP (EDP, 2011), GALP (GALP, 2011), Grupo Jeronimo Martins (JMartins, 2012), Millennium BCP (BCP) e BPI (BPI, 2011). A classificação da natureza das informações em metacategoria Textual (T), Quantitativa (Q) ou Textual-Quantitativa (TQ), baseou-se no critério de “preponderância do conteúdo informacional”, ou seja, prevalece a forma escolhida pelo autor do relatório para informar, se texto ou números. Se num texto houve inserção de informação quantitativa, de pequena quantidade e não sendo a ideia principal, então considerou-se informação de natureza textual, valendo o mesmo critério para informações quantitativas e, na impossibilidade de definir a ideia principal, optou-se por considera-la textual-quantitativa. Método aplicados na coleta e análise dos dados - A análise de conteúdo, adotada parcialmente neste documento é uma metodologia de investigação científica que se compõe de um conjunto de técnicas de análise das comunicações, faz uso de um conjunto variado de procedimentos sistemáticos e tem por objetivo a descrição do conteúdo das mensagens (Bardin, 2009; Pardal & Lopes, 2011). Segundo Olabuenaga e Ispizúa (1989), a análise de conteúdo é uma técnica para ler e interpretar o conteúdo de toda classe de documentos, que analisados adequadamente abrem as portas ao conhecimento de aspectos e fenômenos da vida social de outro modo inacessível. A matéria-prima da análise de conteúdo pode constituir-se de qualquer material oriundo de comunicação verbal ou não-verbal, como cartas, cartazes, jornais, revistas, informes, livros, relatos auto-biográficos, discos, gravações, entrevistas, diários pessoais, filmes, fotografias, vídeos, etc. Contudo os dados advindos dessas diversificadas fontes chegam ao investigador em estado bruto, necessitando, então ser 9 processados para, dessa maneira, facilitar o trabalho de compreensão, interpretação e inferência a que aspira a análise de conteúdo. A definição de unidades de análise deve seguir algumas regras para a sua fragmentação, e estas devem ser homogêneas, exaustivas, exclusivas, objectivas e pertinentes (Bardin, 2009). Assim, neste paper definiu-se por categorizar as unidades de análise em ‘textual’ e ‘não-textual’, e estas em metacategorias ‘Textual’, ‘Quantitativa’ e ‘TextualQuantitativa’, porque o que se pretende analisar é a preferência por tipo de comunicação, se subjetiva ou objetiva e, a partir dos resultados identificados, fazer uma relação teórica com o impression management com o objetivo de responder aos pressupostos. As diferentes fases da análise de conteúdo organizam-se em torno de três pólos, conforme Bardin: 1. A pré-análise; 2. A exploração do material; e, por fim, 3. O tratamento dos resultados: a inferência e a interpretação (2009, p.121). A pré-análise, primeira fase desta organização de Análise Conceitual objetiva a sistematização para que o analista possa conduzir as operações sucessivas de análise. Assim, num plano inicial, a missão desta primeira fase é, além da escolha dos documentos a serem submetidos à análise, também a formulação de pressupostos para a elaboração de indicadores para a interpretação final. A análise de conteúdo (Pardal & Lopes, 2011), utilizada neste estudo, é elaborada em nível de leitura sincrética da comunicação percebida nos Relatórios de Sustentabilidade das sete maiores empresas de Portugal, com unidade de análise consideradas apenas em duas, textuais e não textuais, com categorização em metacategorias destas unidades de análises em ‘Textual’, ‘Quantitativa’ e ‘Textual-Quantitativa’, sem classificação de sub-categorias. A escolha nestas tres metacategorias deveu-se ao fato de que os relatórios de sustentabilidade não serem padronizados, portanto, podem ser divulgados à comunidade no formato que a empresa melhor considerar. Atualmente existe o Relatório GRI que se dividie em grupos de informações, Perfil da empresa, Econômico, Ambiental, Práticas Trabalhistas e Trabalhos Decentes, Direitos Humanos, Sociedade, e Responsabilidade pelo Produto (GRI, 2013). Porém, mesmo esta organização estabelece que as organizações ao adotarem seu modelo pode apresentar as informações em cada um dos grupos à seu modo devido à infinidade de setores e áreas de atuação existentes. A metacategoria ‘Textual’ representa a comunicação subjetiva do emissor do documento onde este faz uso de textos, em geral de natureza narrativa, e de imagens. A metacategoria ‘Quantitativa’ representa a comunicação objetiva do emissor a predominar informações quantitativas, tais como números financeiros, indicadores, dados de quantidade, peso, consumo, e a ‘Textual-Quantitativa’ representa o grupo de informações que contém tanto 10 comunicações subjetivas como quantitativas, ou seja, textos e números em que não existe predominância. Sendo assim, este paper iniciou por selecionar os RS em seguida fez-se uma leitura sincrética para compreender os conteúdos e respectivas mensagens de cada um dos relatórios. Feito isto, iniciou-se a exploração dos conteúdos registrando-os separadamente em ‘Textual’, ‘Quantitativa’ e ‘Textual-Quantitativa’. De seguida, contou-se a quantidade de cada um dos tipos de metacategorização para depois estabelecer uma relação percentual de cada empresa analisada. Identificado objetivamente os grupos de metacategorias, procedeu-se a análise. 2.1 Pressupostos Cinco pressupostos foram definidos com o objetivo de orientar esta pesquisa e de realizar a conferência dos dados coletados, a lembrar que muitos outros pressupostos podem ser construídos à medida que o estudo se aprofunde. São os seguintes pressupostos: 1º. Pressuposto: Há predominância de informações textuais em relação às quantitativas em cada uma das empresas analisadas; 2º. Pressuposto: Há predominância de informações quantitativas em relação às textuaisquantitativas em cada uma das empresas analisadas; 3º. Pressuposto: Há predominância de informações textuais-quantitativa em relação às textuais em cada uma das empresas analisadas; 4º. Pressuposto: As empresas fazem uso de imagens nos conteúdos textuais, bem como em todo o RS; 5º. Pressuposto: As informações textuais prevalecem sobre as quantitativas e as textuaisquantitativas no conjunto das empresas analisadas; 2.2 Resultados Os dados para análise foram retirados dos quadros 01 e 02, e gráficos 01 e 02, para em seguida responder a cada um dos pressupostos. 1º. Pressuposto: Há predominância de informações textuais em relação às quantitativas em cada uma das empresas analisadas. Este pressuposto se confirma. Das sete empresas analisadas, seis utilizam mais informações textuais – SONAE (52%), GALP (58%), PT (63%), J. Martins (70%), BPI (91%) e Milleniun BCP (95%). A empresa EDP apresentou menor uso de informações textuais, com 25% para texto e 75% para quantitativas (i.e Quadro 01 – oitava coluna). 11 2º. Pressuposto: Há predominância de informações quantitativas em relação às textuaisquantitativas em cada uma das empresas analisadas. Este pressuposto não se confirma. A única empresa que apresentou maior uso de informação quantitativa foi a EDP, com 75%. As demais organizações apresentam menor uso de conteúdo informacional quantitativo em relação ao textual-quantitativo. (i.e Quadro 01 – nona coluna). 3º. Pressuposto: Há predominância de informações textuais-quantitativa em relação às textuais em cada uma das empresas analisadas. Este pressuposto não se confirma. Todas as empresas analisadas apresentaram uso de conteúdo textual-quantitativo em menor quantidade do que textual. A empresa EDP não apresentou informações textual-quantitativa. (i.e Quadro 01 – décima coluna). 4º. Pressuposto: As empresas fazem uso de imagens nos conteúdos textuais, bem como em todo o RS; Este pressuposto se confirma em 100% das empresas (i.e Quadro 01 – décimaprimeira coluna). Na análise de conteúdo observou-se que todas as empresas fizeram uso de imagens em todo o relatório, independentemente da natureza de conteúdo. 5º. Pressuposto: As informações textuais prevalecem sobre as quantitativas e as textuaisquantitativas no conjunto das empresas analisadas. Este pressuposto se confirma. Em média, 26,85% do total de informações são de natureza textual, enquanto que 5,1% são quantitativas e 8,43% são textuais-qualitativas (i.e Quadro 02). Na Caixa de Bigodes (i.e Gráfico 02), visualiza-se as medianas para cada metacategoria de informação. Para textuais, a mediana está em vinte e duas unidades, para Quantitativa a mediana está em uma unidade, e para Textual-Quantitativa a mediana está em sete unidades. É possível perceber que a distribuição dos dados da amostra não é uniforme entre os grupos de metacategorias. Para Textual o 1º. Quartil está com dez unidades e o 3º. Quartil com trinta e oito unidades, para Quantitativa o 1º. Quartil está com uma unidade e o 3º. Quartil com doze unidades, e para Textual-Quantitativa, o 1º. Quartil está com uma unidade e o 3º. Quartil com quinze unidades (i.e Quadro 02). Este pressuposto também se confirma no Gráfico 01, onde se pode perceber que das sete empresas analisadas, seis 12 apresentam a coluna ‘Textual’ superior às outras metacategorias, exceto para a empresa EDP, que apresenta inferioridade. Quadro 01 – Resumo dos dados coletados nos Relatórios de Sustentabilidade Quadro 02 – Análise estatística de frequência 13 Gráfico 01 – Quantidade de Metacategoria de Informação – Textual, Quantitativa e Textual-Quantitativa Gráfico 02 – Caixa de Bigode para as Metacategorias 3 Discussão Os 14 resultados demonstraram que todas as empresas fazem maior uso de informações textuais, e estas com imagens. A evidência do maior uso de textos nos RS permite fazer uma relação com o uso do impression management pelas organizações. Na leitura dos relatórios como parte da técnica da Análise de Conteúdo, possibilitou identificar que os textos destes relatórios estão a apresentar uma natureza narrativa. Os textos narrativos são utilizados pelas organizações para ‘conversar’ com seu público, e é neste momento que a empresa conta a sua história, seus projetos, suas ações. É também neste momento que a imagem e identidade da organização pode ser levada ao seu público. No conteúdo textual a empresa apresenta sua forma de gestão, seus planos de ações realizados e a realizar, suas preocupações com o social e o ambiental, bem como as ações praticadas e a praticar, e seu envolvimento com os direitos da sociedade, dentre outras ações. A única empresa que se diferencia das demais é a BPI, quanto à predominância de conteúdo informacional, uma vez que este conteúdo está concentrado na metacategoria Textual, nada a informar em Quantitativa e apenas 9% em Textual-Quantitativa. A média apresentada no Quadro 02, de 26,85% confirma a predominância de informações textuais nos relatórios de sustentabilidade, e entre a Quantitativa e Textual-Quantitativa, há maior uso de conteúdo textual-quantitativo, com 5,71% e 8,32% respectivamente. Conclusão Esta pesquisa proporcionou respostas aos pressupostos e permitiu identificar que o uso de informações nos RS concentra-se no tipo textual. Este estudo permitiu relacionar as evidências do uso de informação nos RS com as estratégias do impressiom management quando revelou a predominância de informações textuais. A técnica do impression management teve seu uso percebido nos RS a partir do uso de imagens e textos narrativos pelas organizações, as quais utilizam estes relatórios para ‘conversar’ com seu público. Este é o momento em que elas apresentavam os fatos, as ações praticadas e a intenção de futuro da organização, é um dos modos de transmitir sua imagem, identidade e ter sua reputação percebida. Perceber o documento RS como uma forma da organização de se aproximar de seu público e como uma forma de atingir seus objetivos pode ser considerado um contributo desta pesquisa. Compreender que para atingir este objetivo a organização faz uso do impression management no RS também podem ser considerados contributos importantes desta pesquisa. Novas pesquisas podem ser realizadas a partir desta, podendo aprofundar-se nas técnicas do impression management utilizadas pela empresa na confecção do RS, realizar pesquisas que 15 facilitem a identificação das informações contidas em cada grupo de informação, pesquisas estatísticas para verificar uma relação entre a divulgação de RS e a imagem, identidade ou reputação da organização, ou com o conteúdo e a legitimidade. Enfim, muitos temas podem ser pesquisados a envolver o RS e o conteúdo das informações. REFERÊNCIA Andersen, M. L., & Taylor, H. F. (2011). Sociology: the Essentials. Belmont: Wadsworth Cengage Learning. Aras, G., & Crowther, D. (2009, april). Corporate Sustainability Reporting: A Study in Disingenuity? Journal of Business Ethics, 87, 270-288. Argenti, P. A. (1998). Corporate communication. Boston: McGraw-Hill. Bardin, L. (2009). Análise de Conteúdo. Lisboa: Edições 70. Barich, H., & Kotler, P. (1991, jan 15). A Framework for Marketing Image Management. Sloan Management Review, 32, 94-104. BCP. Responsabilidade Corporativa. Retrieved 22/04/2013, 2013, from http://ind.millenniumbcp.pt/pt/Institucional/sustentabilidade/Pages/respons_corporativ a.aspx Belkaoui, A. R. (2004). Accounting Theory. Chicago: South-Wester Cengage Learning. Berthelot, S., Coumont, M., & Serret, V. (2012). Do Investors Value Sustainability Reports? A Canadian Study. Corporate Social Responsibility and Environmental Management, 19, 355-363. BPI. (2011). Responsabilidade Social 2011. Retrieved 22/04/2013, 2011, from http://rep.bancobpi.pt/RepMultimedia/getMultimedia.asp?channel=Multimedia%20%20RI%20-%20Responsabilidade%20Social&content=2011_PT Cialdini, R. B. (1989). Indirect Tactics of Image Management: beyond basking (in) Giacalone, R.A.; Rosenfeld, P. Impression Management in the Organization. New Jersey: Lawrence Erlbaum Assoicates. Deegan, C., & Unerman, J. (2011). Financial Accounting Theory. New York: McGraw-Hill. DowJones. (2012, ago 30). The Dow Jones Sustainability Europe Index Guide. http://www.sustainability-indexes.com. from http://www.sustainabilityindexes.com/images/djsi-europe-guidebook_tcm1071-337250.pdf Dymock, S. (2007). Comprehension Strategy Instruction:Teaching Narrative Text Structure Awareness Reading Teacher, 61(2), 161-167. doi:10.1598/RT.61.2.6 EDP. (2011). Relatório de Sustentabilidade 2011 - EDP Portugal. Retrieved 16/04/2013, 2013, from http://www.edp.pt/pt/sustentabilidade/PublicacoesRelatorios/Pages/default_new.aspx Fortin, M.-F., Côte, J., & Filion, F. (2009). Fundamentos e etapas do processo de investigação. Montreal: Lusodidacta. GALP. (2011). Relatório de Sustentabilidade 2011. Retrieved 18/04/2013, 2013, from http://www.galpenergia.com/PT/investidor/Relatorios-e-resultados/relatoriosanuais/Documents/RC-Galp-Energia-Sustentabilidade-PT-2011.pdf Giacalone, R. A., & Rosenfeld, P. (1989). Impression Management in the Organization. New Jersey: Lawrence Erlbaum Associates. GRI, G. R. I. (Producer). (2013, abr 10). Elaboração de Relatório de Sustentabilidade. www.globalreporting.org. Retrieved from 16 https://www.globalreporting.org/languages/Portuguesebrazil/Pages/Elabora%C3%A7 %C3%A3o-de-relat%C3%B3rios-de-sustentabilidade.aspx Griffin, G. (2002). Reputation Management. Oxford: Capstone Publishing. Griffin, R. W. (2011). Management (10 ed.). Mason: South-Wester: Cengage Learning. Hansen, D. R., & Mowen, M. M. (2003). Management Accounting. Mason: South-Wester. Hooghiemstra, R. (2000). Corporate communication and impression management - New perspectives why companies engage in corporate social reporting. Journal of Business Ethics, 27(1-2), 55-68. Jasch, C., & Lavicka, A. (2006). Pilot project on sustainability management accounting with the Styrian automobile cluster. Journal of Cleaner Production, 14, 1214-1227. JMartins. (2012). A Responsabilidade Corporativa na criação de valor. Retrieved 20/04/2013, 2013, from http://www.jeronimomartins.pt/responsabilidade.aspx?lang=pt Neu, D., Warsame, H., & Pedwell, K. (1998). Managing Public Impressions: Environmental Disclosures in Annual Reports. Accounting, Organizations and Society,, 23(3), 265282. Nguyen, N., & Leblanc, G. (2002). Contact personnel, physical environment and the perceived corporate image of intangible services by new clients. INTERNATIONAL JOURNAL OF SERVICE INDUSTRY MANAGEMENT, 13, 242-262. Olabuenaga, J. I. R., & Ispizúa, M. A. (1989). La descodificación de la vida cotidiana: metodos de investigacion cualitativa. Bilbao: Universidade de Deusto. Olins, W. (1990). Corporate Identity: making business strategy visible through design. Boston: Harvard Business School Press. Online24. (2012, out 12). As maiores empresas portuguesas em 2011. www.online24.pt. from http://www.online24.pt/maiores-empresas-portuguesas/ Pardal, L., & Lopes, E. S. (2011). Métodos e Técnicas de Investigação Social. Porto: Areal Editores. PT. (2011). Relatório de Sustentabilidade 2011 - PT Telecom. Retrieved 16/04/2013, 2013, from http://www.telecom.pt/NR/rdonlyres/9D7FBE35-EC6D-4605-B0ED66AD1AFF7B09/1466295/2017.pdf Robbins, S. P. (1990). Organization Theory: Structure, Design, and Applications. Englewood Cliffs (NJ): Prentice-Hall. RobecoSam. (2013). About RobecoSAM. RobecoSAM Sustainability Investing. http://www.robecosam.com/en/about-us/about-robecosam.jsp Schadewitz, H., & Niskala, M. (2010). Communication via Responsibility Reporting and its Effect on Firm Value in Finland. Corporate Social Responsibility and Environmental Management, 17, 96-106. Sonae. (2011). Relatório de Sustentabilidade. Retrieved 13/04/2013, 2013, from http://www.sonae.pt/pt/sustentabilidade/relatorio-de-sustentabilidade/ van den Hende, E. A., & Schoormans, J. P. L. (2012). The Story Is As Good As the Real Thing: Early Customer Input on Product Applications of Radically New Technologies Journal of Product Innovation Management, 29(4), 655-666. doi:111/j.1540-5885.2012.00931.x Van Riel, C. B. M. (1995). Principles of Corporate Communication. London: Pearson. Van Riel, C. B. M., & Fombrun, C. J. (2010). Essentials of Corporate Communication: implementing practices for effective reputation management. London: Reutledge. Weber, J., & Marley, K. A. (2012). In Search of Stakeholder Salience: Exploring Corporate Social and Sustainability Reports. Business & Society, 51, 626-649. 17