VEGETAÇÃO, PAVIMENTOS URBANOS E SUAS IMPLICAÇÕES NA SENSAÇÃO TÉRMICA DOS PEDESTRES I. J. A. Callejas, P. C. C. Nince, L. C. Durante, M. C. J. A. Nogueira RESUMO A substituição de áreas vegetadas por edificadas e o revestimento do solo por materiais impermeáveis resultam em alterações dos microclimas e da sensação térmica no meio ambiente urbano. Diante deste cenário, este trabalho objetivou avaliar a sensação térmica de pedestres, a céu aberto e sob a sombra da copa de unidade arbórea, tendo sido analisadas superfícies vegetadas e impermeabilizadas. Realizaram-se medições das variáveis micrometeorológicas e utilizou-se o Índice da Temperatura Fisiológica Equivalente (PET) para avaliação da sensação térmica. O índice PET nas superfícies gramada e pavimentada atingiu valores superiores a 42˚C, sendo que durante o período diurno, a sensação observada esteve compreendida entre “ligeiramente quente” a “muito quente”. No ambiente sombreado, foram inferiores a 32˚C, com sensação compreendia entre “ligeiramente quente” a “quente”. Os resultados evidenciam a importância do planejamento dos espaços urbanos para pedestres e a necessidade da existência de espécies arbóreas para sombreamento. 1 INTRODUÇÃO Vários estudos tem demonstrado que a geometria das edificações e o revestimentos das superficies exercem forte influência no clima urbano e, consequentemente, no conforto térmico das pessoas. Nos ambientes ao ar livre, fatores como temperatura e umidade do ar, velocidade do vento e a radiação solar interferem diretamente na avaliação do conforto térmico dos pedestres, alterando a percepção, a preferência e satisfação térmica das pessoas (Lin et al., 2010a). O ambiente urbano a céu aberto é afetado pelas áreas construídas, calor antropogênico, evapotranspiração das plantas, sombreamento produzido pelas árvores e objetos artificiais produzidos pelo homem, bem como pelos materiais utilizados na cobertura do solo, tais como grama, concreto e asfalto, dentre outros. Assim, os pavimentos urbanos são importantes elementos que afetam o desempenho térmico dos ambientes a céu aberto, pois absorvem radiação solar (onda curta) e infravermelha (onda longa), dissipando parte da energia acumulada através de processos radiativos e convectivos à atmosfera, através da elevação de temperatura superficial, a taxas que são dependententes de suas propriedades térmicas. Com relação a estas propriedades, o albedo das superfícies é um dos principais parâmetros que afeta as condições ambientais do meio urbano. Pavimentos com baixo albedo refletem menor quantidade de radiação solar causando elevação da temperatura do ar e desconforto térmico para os pedestres. Desta forma, pavimentos ou superficies cobertas por diferentes tipos de materiais irão apresentar comportamento diferenciado quanto à sensação de conforto térmico em virtude das diferentes propriedades térmicas apresentadas por estes materiais (Lin et al., 2010b). A avaliação da sensação de térmica pode ser feita a partir de vários índices, como o Voto Médio Previsto (PMV), proposto por Fanger (1972), Temperatura Efetiva (ET*) e Temperatura Efetiva Padrão (SET*) por Gagge et al. (1986) e a Temperatura Fisiologica Equivalente (PET) por Hoppe (1999), todos eles tendo como base o equilíbrio de energia do corpo humano. Os dois primeiros são utilizados para avaliar a sensação em ambientes internos, enquanto os dois últimos, ambientes externos. Alguns estudos apontam que a temperatura radiante média e velocidade do vento desempenham papel mais importante na sensação de conforto térmico do que a temperatura do ar, em ambientes ao ar livre, principalmente em condições de céu ensolarado (Xi et al., 2012). Desta forma, a avaliação destes parâmetros é de fundamental importância quando da avaliação da sensação de térmica em ambientes a céu aberto. O PET foi introduzido por Höppe (1999), e baseia-se na equação de balanço térmico do corpo humano em condições de estabilidade. Seu valor é igual ao da temperatura do ar de um ambiente interno de referência no qual a temperatura interna corporal e a da pele são iguais àquelas sob as condições do ambiente considerado. No ambiente de referência estão estabelecidos os seguintes parâmetros: atividade moderada (80 W), resistência da roupa (0,9 clo), velocidade do ar (0,1 m/s), temperatura radiante média igual à temperatura do ar e pressão de vapor de 12 hPa, correspondente aproximadamente a 50% de umidade relativa à 20ºC. Segundo Matzarakis et al. (1999), em comparação com outros índices térmicos que também são obtidos a partir do balanço energético humano, tal como o Voto Médio Previsto (VMP), o PET tem a vantagem de ser traduzido na unidade de graus Celsius, amplamente conhecida, o que torna mais compreensível seus resultados para, por exemplo, os planejadores urbanos, os quais não possuem familiariedade com a terminologia dos parâmetros biometeorológicos. O índice PET pode ser estimado através do uso do software Rayman visto que este tem sido utilizado em áreas urbana construídas com sombreamento de padrões complexos para gerar previsões precisas de ambientes térmicos (Matzarakis et al. 1999). Dentre os fatores necessários para calcular PET no modelo de Rayman cita-se a temperatura do ar (Tbs), umidade relativa (UR), velocidade do vento (v), vestuário e atividade humana, a temperatura média radiante (Trm), sendo esta o fator mais importante no cálculo de PET, podendo ser estimado através da temperatura de globo. Os limites do PET são expressos na Tabela 1. TABELA 1 Percepção térmica e stress fisiológico. PMV < -3,5 -3,5 a -2,5 -2,5 a -1,5 -1,5 a -0,5 -0,5 a 0,5 0,5 a 1,5 1,5 a 2,5 2,5 a 3,5 PET (˚C) <4 4a8 8 a 13 13 a 18 18 a 23 23 a 29 29 a 35 35 a 41 Percepção Térmica Muito Frio Muito Frio a Frio Frio a Ligeiramente frio Ligeiramente frio a Confortável Confortável Confortável a Ligeiramente quente Ligeiramente quente a Quente Quente a Muito Quente Grade de Stress Fisiológico Extremo stress ao frio Extremo stress ao frio a Forte stress ao frio Forte stress ao frio a Moderado stress ao frio Moderado stress ao frio a Ligeiro stress ao frio Nenhum stress térmico Nenhum stress térmico a Ligeiro stress ao calor Ligeiro stress ao calor a Moderado stress ao calor Forte stress ao calor a Extremo stress ao calor Fonte: Matzarakis et al. (1999) A avaliação da sensação térmica em ambientes urbanos externos é complexa, tendo em vista a heterogeneidade dos ambientes ao ar livre e se faz necessária para fornecimento de parâmetros, com vistas ao planejamento urbano, no sentido de subsidiá-los no que se refere às questões de conforto térmico. Nesse sentido, este trabalho objetivou avaliar as condições de sensação térmica em espaços urbanos a céu aberto impermeabilizados por concreto e asfalto e com cobertura de grama da espécie Batatais (Paspalum notatun) e, ainda, sob sombra de unidade arbórea da espécie Mangueira (Mangifera indica). 2 MATERIAIS E MÉTODO 2.1 Local da pesquisa A pesquisa foi desenvolvida no ambiente urbano da cidade de Cuiabá, localizada na porção Centro-Sul do Estado Mato Grosso, no limite ocidental dos domínios do Cerrado e próximo à borda leste do Pantanal Mato-grossense. Atualmente, conta com cerca de 551.310 habitantes (IBGE, 2011) e possui cerca de 3.538,17 km2, sendo que 254,57 km2 correspondem à área de macrozona urbana e 3.283,60 km2 à área rural. Encontra-se localizada na província geomorfológica denominada Baixada Cuiabana. As altitudes variam de 146 a 259 metros (IPDU, 2009). A cobertura vegetal é constituída por remanescentes de cerrado, cerradão, matas ciliares no entorno dos rios, e por vegetação exótica (Figura 1). Fig. 1 Localização da região do estudo O clima dominante é do tipo tropical semi-úmido (classificação Aw de Köppen), sendo a sua principal característica a presença constante de temperaturas elevadas, registrando média anual em torno de 25º a 26ºC, com duas estações bem definidas: uma seca (outonoinverno) e uma chuvosa (primavera-verão) (Maitelli, 1994). O índice pluviométrico anual varia de 1250 a 1500 mm (Campelo Junior et al., 1991). Para Duarte (2000), o clima da região é definido por três períodos: uma estação seca e mais fresca no inverno; uma estação de transição seca e mais quente, um pouco antes das chuvas e, uma estação úmida e quente, durante as chuvas do verão. A área urbana selecionada para estudo se localiza no campus da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), que possui 74 hectares, sendo caracterizado por um ambiente heterogêneo, com diferentes tipos de uso e ocupação do solo. Para a pesquisa foram selecionados quatro pontos de interesse: (a) ambiente à sombra de vegetação arbórea Mangueira (Mangifera indica), (b) ambiente a céu aberto com solo coberto por grama do tipo Batatais (Paspalum notatun) localizado no campo de futebol, (c) ambiente a céu aberto das quadras poliesportivas com predominância de solo pavimentado por concreto e (d) estacionamento do parque aquático com predominância de pavimento asfáltico (Figura 2). Estes pontos foram escolhidos com intuito de avaliar o comportamento destas superfícies e pavimentos sob o ponto de vista da sensação térmica para os pedestres do campus. (a) (c) Estação Meteorológica (b) N (d) Av. Fernando Correa da Costa Fig. 2 Planta do campus Cuiabá da UFMT 2.2 Materiais As variáveis para avaliação da sensação de conforto térmico foram obtidas por meio de medição nos locais de pesquisa. A temperatura e umidade do ar foram medidas por registrador automático, marca HOBO, modelo U13, disposto no interior de abrigo meteorológico a 1,5m de altura em relação ao nível do solo. No canal externo do registrador foi monitorada a temperatura de globo utilizando-se uma esfera de plástico de 2,5” de diâmetro (Souza et al., 2002), fixada em suporte na parte superior do abrigo a 1,7m de altura em relação ao nível do solo (Figura 3). A velocidade do ar no período de coleta foi obtida em estação meteorológica instalada junto ao setor da segurança da UFMT. A coleta foi de 19 de fevereiro a 19 de março de 2012, período este representativo da estação climática quente-úmida conforme definido por Duarte (2000). (a) (b) (c) (d) Fig. 3 Abrigos meteorológicos instalados sob a copa de Mangueira (Mangifera indica) (a), sobre a superfície gramada (Batatais - Paspalum notatun) no campo de futebol (b), sobre o pavimento de concreto nas quadras poliesportivas (c) e sobre o pavimento asfáltico no estacionamento do parque aquático 2.3 Método A sensação de conforto térmico foi avaliada pelo índice PET, utilizando-se o software RayMan 1.2, desenvolvido por Matzarakis et al (2011), cujos dados de entrada foram as coordenadas geográficas e altitude de cada ponto de coleta, umidade relativa do ar (UR), temperatura do ar (Tbs), velocidade do vento (v) e temperatura radiante calculada (Trm) conforme Souza et al. (2002). Para as características físicas das pessoas, adotaram-se as compatíveis com as dos alunos universitários, a saber: altura de 1,75m, peso de 75kg, vestimenta de 0,5clo, sexo masculino e atividade de caminhada lenta com taxa metabólica de 110W. O teste não paramétrico de Kruskal-Wallis foi utilizado com a finalidade de comparar estatisticamente os resultados encontrados nas observações realizadas. 3 RESULTADOS E DISCUSSÕES A temperatura do ar (Tbs) sob a copa da Mangueira e no ambiente com solo revestido pela grama, durante o periodo diurno, permaneceu menor do que nas superficies a céu aberto, revestidas por concreto e asfalto (Figura 4a). Este comportamento encontra justificativa no valor do albedo da superfície gramada que varia entre 0,17-0,22, enquanto nos pavimentos de concreto e asfalto, entre 0,12-0,27 e 0,08-0,14, respectivamente (Taha et al., 1992). Como o albedo da supefície gramada é maior que nas superfícies asfaltadas e concretadas, menor é o saldo de energia armazenado naquele ambiente do que nos pavimentos artificiais, o que provavelmente contribuiu para a elevação de temperatura do ar nesses locais. As menores médias da temperatura mínima do ar foram observadas na superfície gramada e sob a copa da Mangueira, enquanto as maiores foram observadas nos pavimentos cobertos por concreto e asfalto. Comportamento inverso foi verificado para a média da temperatura máxima do ar, ou seja, as maiores médias foram observadas no pavimento de concreto e asfalto, enquanto as menores, sob a copa da Mangueira e superfície gramada (Tabela 2). O comportamento observado era esperado visto que a temperatura do ar é função das trocas turbulentas que acontecem entre a superfície e o ar, sendo, portanto, diretamente proporcional à temperatura superficial dos materiais com o qual o ar está em contato. As menores amplitudes médias da temperatura do ar foram observadas sob a copa da Mangueira, enquanto as maiores, sobre as superficies pavimentadas de concreto e asfalto. Na superfície gramada, observou-se comportamento intermediário. As maiores médias diárias foram observadas no pavimento de asfalto, concreto, sobre a superfície gramada e sob a copa da Mangueira, com valores de 28,2, 28,1, 27,2 e 27,0 oC, respectivamente. O comportamento observado indica que sobreamento arbóreo foi capaz de reduzir a temperatura do ar quando comparado com as demais superfícies pesquisadas. Sob a copa da Mangueira e sobre a superfície gramada, a umidade relativa do ar se manteve superior a dos pavimentos de concreto e asfalto (Figura 4b). Este comportamento está relacionado à menor temperatura do ar observada nestes ambientes e, provavelmente, à permeabilidade dos materiais e ao fenômeno de evapotranspiração não avaliados neste trabalho. Enquanto o concreto e asfalto são materiais que impermeabilizam a superfície, reduzindo a evaporação da água do solo nesses ambientes, a superfície gramada por ser permeável, permite a evaporação nos mesmos. Além do mais, tanto no ambiente com solo gramado a céu aberto quanto no solo nú sob a sombra da Mangueira, apresentaram influência do fenômeno da transpiração das folhas, o que pode ter favorecido a elevação da umidade relativa do ar nesses locais. Este comportamento justifica o fato das médias da umidade relativa do ar mínima terem sido maiores na superficie gramada e sob a copa da Mangueira, enquanto que as menores foram observadas nas superficies impermeabilizadas (pavimento de concreto e asfalto). Comportamento semelhante foi observado nas médias da umidade relativa do ar máximas, ou seja, maiores médias nas superfícies vegetadas e menores nas superfícies impermeabilizadas. O máximo valor observado na superfície gramada se deve ao fato desta superfície ter sido irrigada durante o período de coleta de dados. As maiores amplitudes foram observadas nas superfícies pavimentadas por concreto e asfalto, e as menores, sob a copa da Mangueira e na superfície gramada, comportamento este atribuido ao fenômeno de evapotranspiração discutido anteriormente. As maiores médias diárias foram observadas na superfície gramada, sob a copa da Mangueira e nos pavimentos de asfalto e concreto, com valores de 78,2, 75,9, 73,6 e 71,0%, respectivamente. O comportamento observado indica que áreas e superfícies vegetadas foram capazes de aumentar a umidade relativa do ar quando comparada com as demais superfícies pesquisadas. Com relação à sensação térmica, observou-se nos locais de pesquisa sem sombreamento, que somente durante o período noturno, das 20h às 6h, foi que a sensação se enquadrava dentro da faixa de conforto térmico (de 18 a 23˚C). Das 7 às 8h e das 18 às 20h, ocorreu PET superior a 23˚C e inferior a 29˚C, indicando que os ambientes estavam “ligeiramente quente” para os pedestres que ali circulavam. Das 8 às 10h e 14 às 18h, os valores de PET encontravam-se no intervalo de 29 à 35˚C, que correspondem à percepção térmica de que o ambiente se encontrava “quente”. Das 10 às 14h, a percepção era de que os ambientes pesquisados se encontravam “muito quentes”. Os máximos valores de sensação térmica foram alcançados no concreto, grama e asfalto, com valores de PET de 43,2, 42,9 e 42,8˚C, respectivamente. As amplitudes térmicas observadas nestes materiais foram superiores a 20˚C, em virtude de estarem expostos de forma direta à radiação solar. Os resultados corroboram com Lin et al. (2010a), que encontrou elevadas frequências de PET superior a 42˚C. Isso indica que os ambientes ao ar livre, apesar de cobertos por materiais naturais como a grama, podem apresentar condições de desconforto térmico aos usuários, de forma semelhante aos materiais artificiais, como o concreto e o asfalto. Na análise do ambiente sombreado, notou-se que os limites apresentados anteriormente se modificaram. As horas em que se obteve sensação de conforto térmico foi reduzida para o período de 1 às 8h, justificado pelo fato de que sob as copas existe a tendência da temperatura do ar e a temperatura radiante manterem-se mais elevadas durante a noite do que nas superfícies a céu aberto, em virtude das múltiplas reflexões de onda longa que acontecem entre a superfície e a copa da árvore. Das 8 às 11h e das 16 às 1h, a sensação avaliada foi de “ligeiramente quente” e das 11 às 16h, a sensação foi de “quente”. A máxima sensação térmica observada foi de 31,3˚C, o que indica que sob a copa da Mangueira, em nenhum momento, foi observada sensação de que o ambiente se encontrava “muito quente”. Comparativamente, a amplitude da sensação térmica foi bem inferior à observada nas superficies cobertas por grama, concreto e asfalto (<10˚C) em virtude do sombreamento provocado pela copa nesse ambiente. Isso demonstra a potencialidade que o sombramento arbóreo tem em reduzir tanto as temperaturas superficiais quanto a sensação térmica nos ambientes ao ar livre. 35 32.5 Tbs (˚C) Mangueira Grama 30 Concreto 27.5 Asfalto 25 22.5 0 2 4 6 8 10 12 14 Hora local (h) 16 18 20 22 (a) Umidade relativa (%) 90 80 Mangueira Grama 70 Concreto Asfalto 60 50 0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 Hora local (h) (b) 45 Mangueira PET (˚C) 40 35 Grama 30 Concreto 25 Asfalto 20 PET-Lim.Inf. 15 0 2 4 6 8 10 12 14 Hora local (h) 16 18 20 22 PET-Lim. Sup. (c) Fig. 4 Variação diária média da temperatura de bulbo seco (a), umidade relativa do ar (b) e sensação de térmica (PET) (c), no periodo de 19/03 a 19/04/2012. A linha traço e pontilhada indicam o limite superior e inferior da faixa da sensação térmica definida como confortável para o PET na Tabela 1. Tabela 2 Estatística descritiva dos dados medidos nos quatro pontos da pesquisa Mangueira Grama UR PET Tbs ˚C % UR PET ˚C % ˚C 24,3 61,4 22,1 23,9 61,7 20,0 24,0 53,7 20,4 24,5 52,9 20,9 Máxima 30,7 86,2 31,3 31,9 89,8 42,9 33,5 88,5 43,.2 33,4 Amplitude 6,4 24,8 9,2 8,0 28,1 22,9 9,5 34,8 22,8 8,9 Média 27,0 75,9 25,8 27,2 78,2 28,4 28,1 73,6 28,8 28,2 84,3 31,3 71,0 42,8 21,9 29,3 ˚C ˚C UR PET Tbs Asfalto UR PET Tbs Mínima Tbs Concreto % ˚C ˚C % ˚C O teste de Shapiro-Wilk (p < 0,05) indicou que as distribuições de Tbs, UR e PET nos pontos estudados não apresentaram distribuição normal, o que levou a utilização do teste não paramétrico de Kruskal-Wallis com a finalidade de comparar estatisticamente os resultados encontrados nas observações realizadas. A estatística de Kruskal-Wallis para a variável Tbs, UR e PET demonstrou haver diferença entre os pontos pesquisados (p < 0,05) na estação quente-úmida. A máxima diferença média entre as medições de temperatura do ar foram observadas entre o pavimento de asfalto e sob a Mangueira, com 1,2˚C. Para a variável umidade relativa, a máxima diferença foi de 7,2% entre a superfície gramada e o pavimento de concreto. Para a sensação térmica, a máxima diferença foi observada entre o pavimento de asfalto e sob a copa com 3,4˚C, seguida pela diferença entre o pavimento de concreto e sob a copa da Mangueira, com 3˚C. Em estudo realizado em ambientes escolares, Callejas et al. (2010) encontrou diferença média entre temperatura do ar, umidade relativa e sensação térmica entre pavimento de concreto e sob copa isolada de Mangueira de 2˚C, 4,3% e 4,8˚C, respectivamente, corroborando com os resultados ora encontrados. 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS Esta pesquisa teve por objetivo avaliar as condições de sensação térmica em ambiente sombreado, coberto por grama, concreto e asfalto. Sob o aspecto da temperatura do ar, observou-se que nos pavimentos de concreto e asfalto esta variável manteve-se mais elevada do que nas superficies cobertas por grama e sob a copa da Mangueira. Por outro lado, a umidade relativa do ar permaneceu mais elevada nos ambientes com presença de vegetação do que naqueles impermeabilizados, justificado pelo fenômeno da evapotranspiração. Verificou-se nas superficies desprovidas de sombreamento, inclusive na coberta por grama, que a sensação de conforto térmico avaliada através do indice PET somente foi alcançada durante o periodo noturno, das 20 às 6h. Durante o período diurno, as sensações variaram de “ligeiramente quente a muito quente” (PET > 42˚C), o que indica que os ambientes a céu aberto na região de Cuiabá-MT, naturalmente impõem condições de descoforto térmico aos pedestres, durante o periodo de estudo. Sob condição de sombreamento, verificou-se que durante o período diurno, as sensações térmicas variaram de “ligeiramente quente a quente” (PET < 35˚C), o que demonstra a potencialidade da presença da vegetação arbórea em atenuar a sensação térmica. Os resultados encontrados ratificam a necessidade de manutenção e plantio de espécies arbóreas no meio urbano, não obstante a existência de superfícies gramadas. Assim, mesmo que o ambiente esteja coberto por diferentes tipos de pavimentos, quando ele é sombreado, há o bloqueio da incidência de radiação solar (onda curta), evitando que a mesma atinja estas superficies, o que se traduz na redução na emissão de onda longa e, consequentemente, na temperatura radiante, melhorando, desta forma, a sensação térmica. Diante dos resultados encontrados, aponta-se a necessidade de uma política de manutenção e ampliação da arborização no meio urbano, com vistas à promoção de melhorias do conforto térmico para os pedestres. 5 REFERÊNCIAS Callejas, I. J. 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