DECOMPOSIÇÃO DAS DIFERENÇAS NA DISTRIBUIÇÃO DOS SALÁRIOS DO SETOR PÚBLICO E PRIVADO: UMA APLICAÇÃO DO MODELO RIFREGRESSION Rachel Silva Almeida (PIMES/UFPE) Nayana Ruth Mangueira de Figueiredo (PIMES/UFPE) Hélio de Sousa Ramos Filho (CTDR/UFPB) Resumo O trabalho propõe um processo para decompor as variações ou diferenças na distribuição de salários do setor público e privado. O método para estimar os diferenciais de salário entre os quantis de renda para o setor público e privado é a Rifregression. Essas regressões estimam diretamente o impacto das variáveis explicativas sobre a distribuição estatística de interesse. O artigo se utiliza também do tradicional método de decomposição de Oaxaca-Blinder através da decomposição da distribuição salarial (quantis), permitindo assim uma configuração do modelo para o salário dos dois setores mais flexível. Os dados utilizados na pesquisa foram extraídos da Pesquisa Nacional por Amostra Domiciliar (PNAD-2009). O método é particularmente adequado para observar em detalhe a fonte de variações salariais em cada quantil da distribuição salarial. Os resultados indicam que educação, experiência e morar em zona urbana são os mais importantes fatores responsáveis pelas mudanças observadas na distribuição dos salários. Palavras-chave: Salários, Regressão RIF, Decomposição de Oaxaca-Blinder Abstract The paper proposes a procedure to decompose changes or differences in the distribution of salaries of public and private sector. The method to estimate wage differentials between the quantiles of income for the public and private sector is Rifregression. These regressions estimate directly the impact of explanatory variables on the statistical distribution of interest. The article also uses the traditional method of decomposition of Oaxaca-Blinder decomposition through the wage distribution (quantiles), thus setting a model for the two sectors'wages more flexible. The data used in the research were from the National Survey by Household Sampling (PNAD-2009). The method is particularly suitable to observe in detail the source of wage changes in each quantile of the wage distribution. The results indicate that education, experience and live in urban areas are the most important factors responsible for the observed changes in income distribution. Keys-words: Wages, RIF regression, Decomposition of Oaxaca-Blinder 1 1. Introdução A literatura sobre a determinação de salários proporciona várias motivos teóricos para elucidar a existência de hiatos salariais entre diferentes grupos de trabalhadores. Sob o arcabouço que permeia toda a teoria do capital humano, os modelos neoclássicos preveem que diferenças nos salários em mercados competitivos podem surgir de diferenças em habilidades observáveis e não observáveis (experiência e qualificações) dos trabalhadores. Diferenças entre salários e produtividade também podem resultar de fatores como poder de mercado e desigualdades sociais. Como bem afirmam Arbache e De Negri (2004), “não há como classificar as teorias de diferencial de salários por ordem de importância, já que uma teoria pode ser mais adequada que outra para explicar fenômenos de mercados de trabalho específicos.” No atual debate sobre a reforma previdenciária do setor público emprega-se recorrentemente o argumento de que os atuais servidores públicos aceitam salários inferiores aos salários de mercado por que consideram a expectativa de aposentadoria integral como elemento compensador desse diferencial negativo. Embora o raciocínio esteja correto, e de acordo com a percepção geral na sociedade brasileira de que os salários no setor público são inferiores aos do setor privado, o argumento é refutado de maneira veemente pelas evidências empíricas encontradas na literatura (BELUZZO et. al., 2005). Ao contrário dessa intuição econômica, todos os estudos empíricos referentes ao caso brasileiro demonstram a existência de um prêmio salarial positivo para os trabalhadores do setor público. Ou seja, além da estabilidade no emprego e da aposentadoria integral, trabalhadores no setor público brasileiro recebem, em média, maiores salários do que os trabalhadores do setor privado (HOLANDA, 2009). No Brasil as desigualdades econômicas regionais são particularmente acentuadas, fato que se reflete sobre as intensas disparidades de salário entre as regiões do país e sobre a dinâmica dos mercados de trabalho locais. Apesar da existência de controvérsias quanto ao fato das desigualdades regionais de renda no Brasil apresentarem ou não tendência de redução, observa-se a persistência de significativos diferenciais regionais de salário mesmo com a maior integração econômica nacional (FONTES et.al., 2006). O objetivo deste trabalho é prover elementos adicionais para a explicação dos diferenciais de salários público-privado observados no Brasil, e, de forma mais especifica, procura-se determinar a importância dos atributos pessoais e das características das regiões na variabilidade da distribuição salarial do país. Esse artigo está organizado em três seções, além dessa Introdução. A próxima seção apresenta uma breve revisão de literatura, depois temos uma seção com a metodologia do trabalho. A terceira seção descreve os dados empregados na análise e apresenta os resultados empíricos encontrados e a quarta e última seção traz as conclusões. 2. Revisão da literatura Há uma crescente literatura olhando para análise do hiato salarial em que o maior interesse são os impactos distributivos de várias programas ou intervenções. Em todos estes casos, a questão fundamental de interesse econômico são quais os fatores responsáveis pelas mudanças (ou diferenças) nas distribuições. 2 Discrepâncias nos salários podem surgir de mercado de trabalho segmentado devido a custos de mobilidade (custos de migração e qualificação, por exemplo) ou por outras características não pecuniárias associadas aos postos de trabalho (FERNANDES, 2002). A associação entre diferenciais de salários e segmentação é bastante tratada na literatura empírica sobre diferenciais de salários entre trabalhadores dos setores formal e informal no mercado de trabalho brasileiro (HOLANDA, 2009). Porteba e Rueben (1994) documentaram um padrão de mudança dos diferenciais de salários entre os funcionários estaduais e municipais e as suas congêneres do setor privado durante o período de 1979-1992 nos Estados Unidos. Os autores ressaltaram que enquanto os salários relativos das mulheres que trabalham nos dois setores mudaram muito pouco durante este período, os salários relativos dos homens empregados no setor estatal e locais aumentaram quase 8%. Existe grande heterogeneidade nas mudanças dos salários relativos dos trabalhadores do setor público e privado durante a década de 1980. Para trabalhadores altamente educados, os salários do setor privado aumentaram significativamente mais rápido que os salários do setor público, enquanto para aqueles com, no máximo, a educação escolar um nível elevado, o prêmio salarial do setor público aumentou. Para a estimação eles usaram mínimos quadrados e regressão quantílica para estimar o prêmio do sector público. Embora o nível do prêmio seja sensível a escolha dos quantis, a alteração do prêmio, e o padrão estimado entre os diferentes níveis de habilidade, não são substancialmente afetada pela variação do quantil. Barbosa e Barbosa Filho com objetivo investigar o hiato salarial entre os setores público e privado no Brasil com base em um modelo de switching regression, estimamos uma equação de salários para os trabalhadores do setor público e outra para os trabalhadores do setor privado. A contribuição deste artigo à literatura empírica sobre o tema no Brasil se dá na correção de um viés de seleção amostral associado ao processo de escolha do indivíduo entre trabalhar no setor público ou no setor privado. Os resultados deste trabalho indicam que o salário potencial do setor público é mais elevado do que o do setor privado e que a introdução de um modelo endógeno da escolha do setor de trabalho gera um impacto pouco significativo no hiato entre os salários potenciais entre os dois setores. Gonzaga et. al. (2008) investigou os determinantes do diferencial de rendimentos público-privado para diferentes níveis de escolaridade dos trabalhadores no Brasil. Primeiramente, utilizando o rendimento do trabalho principal como variável de interesse, é estimado um hiato de rendimentos bastante favorável ao setor público para trabalhadores com baixa escolaridade. Já para trabalhadores mais qualificados, o hiato tende a desaparecer ou mesmo a tornar-se favorável ao setor privado. Adicionalmente, de maneira a considerar os diferentes regimes de aposentadoria vigentes no país, é definida a variável Valor Presente do Contrato de Trabalho (VPCT) como medida dos rendimentos dos indivíduos ao longo da vida. Diferentemente do resultado encontrado utilizando o rendimento do trabalho, é verificado que o diferencial do VPCT é favorável ao setor público mesmo para trabalhadores com elevados níveis de escolaridade. Queiroz e César utilizaram dados das PNADs com o objetivo de confirmar ou não se há um peso significativo das características regionais na explicação dos diferenciais de salários e encontraram que cerca de 11% da dispersão salarial pode ser atribuída a fatores regionais no Brasil. Bender e Fernandes (2009) mediante, também, o uso das PNADs de 1992 a 2001 examinamos, em relação ao setor privado, a dinâmica de emprego e salário no setor público no período e mostramos algumas evidências preliminares de efeitos da introdução do Plano Real (1994) e da Lei de Responsabilidade Fiscal (1998). Igualmente examinaram a dinâmica 3 do diferencial educacional entre o setor público e privado, bem como, o comportamento da desigualdade salarial no setor público e no setor privado nos anos 90. Essa análise é desenvolvida para o setor público como um todo e para suas três esferas. Os resultados mais significativos são de que há um sistemático e significativo crescimento do diferencial de salários em favor do setor público, ocorre certa redução do emprego público, a desigualdade no setor público é maior e crescente e observou-se uma redução do hiato da qualidade do trabalhador médio do setor público em relação ao trabalhador médio do setor privado. Finalmente, não se constatou que o Plano Real tenha trazido uma modificação de maior monta a dinâmica do salário e a desigualdade salarial no setor público, embora se tenha obtido certa indicação de que a Lei de Responsabilidade Fiscal esteja induzindo um ajuste nos gastos com pessoal, principalmente a nível federal e estadual. Os resultados encontrados na literatura sobre diferenciais salariais no Brasil apontam de maneira consistente uma desvantagem do setor privado frente ao setor público. Beluzzo et. al. (2005) com objetivo de complementar esses estudos analisando o diferencial públicoprivado em diferentes porções da distribuição condicional de salários, utilizando métodos de regressão quantílica revelou nos seus resultados que o diferencial a favor do setor público é maior na cauda inferior da distribuição de salários, declinando constantemente à medida em que nos deslocamos em direção à cauda superior. A reversão da vantagem do setor público ocorre apenas em casos específicos. 3. Fonte de dados e metodologia Esta seção tem por finalidade apresentar a fonte de dados utilizada e apresentar o método adotado no trabalho necessários para se estudar os diferenciais de salários públicoprivado. 3.1 Fontes de dados e amostra A análise empírica é baseada em dados para da PNAD (2009). Os dados foram tratados e o salário é uma medida do salário hora calculado a partir da divisão do salário pelo número de horas trabalhadas. Foram também criadas dummies para identificar as características de gênero (para o caso de ser homem), região (Norte, Nordeste e Sudeste), raça (branco, preto e pardo), a idade e idade ao quadrado como proxy de experiência, estado civil (casado) e a educação (fundamental 1 - de 1 a 4 anos de estudos, fundamental 2 – de 4 a 8 anos de estudos e Graduação – com mais de 14 anos de estudo). Para capturar o padrão de mudança no salário ao longo da distribuição em 2009 para os setores estudados decompomos as mudanças salariais por diferentes quantis. Isso permite ver se fatores diferentes têm diferentes impactos em diferentes pontos da distribuição do salário. Usando esta abordagem flexível, em oposição às medidas resumo da desigualdade como a média, é importante uma vez que a dispersão salarial muda de forma muito diferente em diferentes pontos da distribuição. 3.2 Decomposição padrão de Oaxaca-Blinder O método de Oaxaca-Blinder clássica é comumente usado para decompor a alterações nos rendimentos médios ao longo do tempo. Antes de discutir como a decompor a 4 diferença salarial entre os trabalhadores do setor público (pb) e privado (pv) em cada percentil, é útil discutir o caso mais comum dos valores médios, onde a decomposição de Oaxaca-Blinder padrão pode ser facilmente utilizada. Considere uma equação de salário padrão (log) para os trabalhadores do setor privado: (1a) E para os trabalhadores do setor público: (1b) no tempo t. Usando a hipótese usual de que o termo de erro uit tem média condicional igual a , e podem ser consistentemente zero, dada as covariáveis estimado por Mínimos Quadrados Ordinários (MQO). A diferença salarial média entre o setor público e privado pode ser decomposta como: (2) onde e são os salários médios dos trabalhadores do setor público e privado, respectivamente, onde e são as médias dos valores das variáveis explicativas. O primeiro termo no lado direito de (2) indica as alterações no rendimento médio devido às mudanças nas características dos trabalhadores, conhecido como o "efeito composição", enquanto o segundo termo designa aquelas alterações devida às mudanças no retorno às características dos trabalhadores, conhecido como o "efeito de estrutura salarial". 3.3 Regressão RIF (ou RIF regression). Firpo, Fortin, and Lemieux (2006) constroem um método de decomposição similar ao Oaxaca-Blinder que podem ser aplicado para calcular a diferença de quantis da distribuição de rendimentos. Considere o τ th quantil da distribuição salarial do trabalhador do setor público, , e para o setor privado, . A diferença salarial quantílica, ∆t(τ), é definida como: (3) Firpo, Fortin, e Lemieux (2006) demonstram ainda que é possível decompor esta diferença de quantil a partir da aplicação de regressões onde a variável dependente é 1 substituída pela função influência (recentrada), no qual denomina-se . Quando o quantil de interesse é q(τ), é definida como: 1 Segundo Heywood e Parent (2009), a função de influência fornece uma medida de quão robusta é uma estatística de distribuição de observações extremas (outliers). Para exemplo, no caso da média μi = E (Yi) a função de influência é Yt - μi. 5 (4) , 0 caso contrário), e f(q(τ)) é onde 1(.) é uma função indicadora (igual a 1 quando a densidade salarial calculada no τth quantil. Desde que é simplesmente uma variável dummy indicando quando o salário está acima de um dado quantil e admitindo que todos os termos na equação (6) permanecem constantes, podemos aplicar um regressão de sobre as variáveis X. Por analogia, com o caso dos valores médios descritos acima, definimos para cada grupo público e privado. Considere o modelo de regressão para o setor privado: (5a) E para o setor público: (5b) O método de decomposição baseado em regressão RIF permite dividir em efeito composição e efeito da estrutura salarial as contribuições de cada variável explicativa para cada quantil da distribuição da variável dependente. Ou seja, teoricamente temos uma equação semelhante ao caso da média (2): (6) onde e são os τth quantis das distribuições marginais de e , respectivamente. Os coeficientes e são estimados de regressões RIF-MQO para cada grupo privado e público.Os coeficientes têm a mesma interpretação, como no caso da média. Firpo, Fortin, e Lemieux (2006) discutem com maiores detalhes a interpretação destas regressões quantílicas não condicionais. 4. Análise dos resultados É sabido que a desigualdade salarial entre os setores público e privado aumentaram na última década no Brasil. Bender e Fernandes (2006) estudam diversos aspectos do setor público no Brasil. Os autores mostram que o hiato educacional da qualidade do trabalhador público em relação ao privado diminuiu no período de 1992 a 2004. Os autores constatam um crescimento do diferencial de salários em favor do setor público. Uma pergunta óbvia é por isso que a dispersão salarial mudou de modo diferente em diferentes pontos da distribuição. Explicações diferentes podem ser categorizadas em termos das respectivas contribuições de um conjuntos de vários fatores (ocupações, educação, região, genero, raça, experiência, etc), quer efeitos estrutura salarial ou composição. Isso torna o método de decomposição proposto neste trabalho ideal para estimar a contribuição de cada um destes possíveis explicações para as mudanças na distribuição salarial. 6 Aplicar esse método para esta questão preenche uma importante lacuna na literatura, uma vez que nenhum estudo existente tentou sistematicamente estimar a contribuição de cada um dos referidos fatores de mudanças recentes na a distribuição de salários entre os setores públicos e privados no Brasil. Antes de mostrar os resultados de decomposição, apresentamos algumas estimativas do RIFregressions para os diferentes quantis salariais publico e privado e a estimativa de densidade kernel de usando o Epanechnikov kernel e uma bandwidth de 0.06. Os coeficientes de RIFregression para os quantis 10, 50 e 90, juntamente com os seus (robusta) erros padrão robustos são apresentados na Tabela 2 (Anexo) para os salários do setor público e na Tabela 3 (Anexo) para o salário do setor privado. Tabela 1 (Anexo) mostra a distribuição do salário hora por quantil de renda para o setor público e privado. Podemos observar a partir dos dados que o setor público apresenta salários mais elevados para todos os quantis de renda. E que o salário aumenta ao longo da distribuição independe do setor. Esses resultados já eram esperados o nosso trabalho se propõe a decompor os efeitos que levam a esse diferencial de salário ao longo da distribuição. Como eram esperadoa os salários do setor público foi explicado positivamente em todos os quantis pelas variáveis de estado civil (casado), alto grau de educação (graduação), experiência e morar na zona urbana. Além desse resultado, para o primeiro quantil estar na região Norte ou Sudeste e ter completado o ensino fundamental também apresentaram sinal positivo, e para o terceiro quantil a idade também apresentou sinal positivo. Portanto, o fator de maior explicação para o salário do setor público é educação. Para explicar o salário do setor privado as variáveis que se apresentaram positivas em todos os quantis foram as mesma, exceto pela variável raça (branco). Mais uma justificativa para a necessidade de decompor os fatores associados à explicação dos diferenciais de salário. Os resultados mostraram que aumenta a força de trabalho com ensino superior nos quantis mais altos. Em outras palavras, aumentando a fração do força de trabalho com um diploma de graduação o impacto é maior sobre os as diferenças entre os quantis superior/inferiores. A razão pela qual o efeito isso ocorre é que a educação aumenta tanto o nível ea dispersão dos salários. Como resultado, tanto os efeitos dentro entre os grupos vão na mesma direção da desigualdade crescente. Da mesma forma, o efeito da experiência também tende a aumentar as desigualdades, porque a experiência tem um impacto positivo tanto no nível quanto na dispersão dos salários. Existem algumas alterações na contribuição das profissões e indústriais que estão consistente com a evolução tecnológica, no entanto, essas mudanças são diminuídos os associados com outras explicações. Por exemplo, há alguns aumentos nos retornos das ocupações na indústria de engenharia e informática e nas indústrias de serviços de alta tecnologia, mas estes são extremamente pequeno em comparação com os aumentos da força de trabalho empregada no setor público além de todos os benefícios da categoria. Há também diminuição das penas para algumas ocupações pouco qualificados no setor público reprsentado pelo valr positivo do ensino fundamental 1 no primeiro quantil, mas estas mudanças relativamente pequenas. Podemos concluir que o modelo de Rifregression faz um bom trabalho em rastrear o efeito composição estimado de forma consistente. E finalmente os resultados da decomposição são apresentados na Tabela 4 (Anexo). As variáveis utilizadas na decomposição consiste na raça do trabalhador (brancos, preto e pardo), homens, casados, ou seja, são as mesmas do modelo Rifregression. O efeito da decomposição estimada a partir do modelo Rifregression é dividido em duas partes, um explicada outra não explicada para cada variável, é a tradicional decomposição de Oaxaca-Blind, só que aplicada para quantis de renda. Para simplificar a 7 discussão, vamos nos concentrar sobre o impacto total, esplicado ou não, dos fatores nos quantis de renda. Os resultados mostram 0,2714 da decomposição do salário do setor público são explicados pelas variáveis para o quantil (0.5). Esse resultado é fruto do grande percentual do que é esplicado pela educação nesse quantil. A educação não explica boa parte da decomposição nos quantis inferior e superior da distribuição. Os resultados da decomposição para os quantis (0.1) e (0.9) é que o percentual explicado é de -0.1948 e -0.3205, respectivemente, pela decomposição das variaveis. 5. Conclusões O trabalho propõe um processo para decompor as variações ou diferenças na distribuição de salários do setor público e privado. O método para estimar os diferenciais de salário entre os quantis de renda para o setor público e privado é a Rifregression. Essas regressões estimam diretamente o impacto das variáveis explicativas sobre a distribuição estatística de interesse. O artigo se utiliza também do tradicional método de decomposição de Oaxaca-Blinder através da decomposição da distribuição salarial (quantis), permitindo assim uma configuração do modelo para o salário dos dois setores mais flexível. Outros procedimentos têm sido sugerido para executar parte dessa decomposição para os parâmetros de distribuição além das médias. Uma vantagem importante desse procedimento é que ele é fácil de usar na prática, pois envolve simplesmente a estimar um modelo logit (primeira fase) e em execução leastsquare regressões (segunda fase). Outra vantagem é que ele pode ser usado para dividir as contribuição de cada covariável para o efeito de composição, algo que outros métodos já existentes não podem fazer. O trabalho procurou ilustrar o funcionamento do método de observar as mudanças na desigualdade salarial no setor publico e privado nos Brasil em 2009. Este é um caso interessante para estudar como a distribuição de salários muda em diferentes pontos da distribuição, um fenômeno que não pode ser capturado através de medidas resumo da desigualdade, como a média do log do salários hora. O método é particularmente adequado para observar em detalhe a fonte de variações salariais em cada quantil da distribuição salarial. Os resultados indicam que educação, experiência e morar em zona urbana são os mais importantes fatores responsáveis pelas mudanças observadas na distribuição dos salários. Referências: ARBACHE, S. J.; DE NEGRI, J. A. Filiação industrial e diferencial de salários no Brasil. Revista Brasileira de Economia, v. 58, n. 2, p. 159-184, abr./jun., 2004. BARBOSA, A. L. N. H; BARBOSA FILHO, F. H. Um modelo de Switching Regression para o Hiato Salarial Público Privado no Brasil. Disponível em: http://www.ie.ufrj.br/datacenterie/pdfs/seminarios/pesquisa/texto1609.pdf 8 BELLUZZO, W.; ANUATTI-NETO, F.; PAZELLO, E. T. Distribuição de salários e o diferencial público-privado no Brasil. Rev. Bras. Econ. vol.59 n°4 Rio de Janeiro Oct./Dec. 2005. BENDER, S. e FERNANDES, R. Gastos Públicos com Pessoal: Uma Análise de Emprego e Salário no Setor Público Brasileiro nos Anos 90. EconomiA, Brasília (DF), v. 10, n. 1, p. 1947, jan/abr 2009. BENDER, S. e FERNANDES, R. (2006). 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Disponível em: http://www.demog.berkeley.edu/~lanza/docs/abep2000.pdf Anexos: Tabela1- Salário Hora por Quantil do Setor Público e Privado Quantis Público Privado Q(0.01) 5.4596 4.60517 Q(0.05) 6.1420 5.480639 Q(0.10) 6.1420 5.991465 Q(0.25) 6.3154 6.142037 Q(0.50) 6.9078 6.476973 Q(0.75) 7.6009 6.907755 Q(0.90) 8.2940 7.377759 Q(0.95) 8.6995 7.824046 Q(0.99) 9.3927 8.612503 Obs 23029 77963 Média 7.05248 6.559306 Erro Padrão 0.859948 0.703352 Variancia 0.739511 0.494704 Kurtosis 3.05724 6.336354 Fonte: Elaboração própria a partir dos dados da PNAD (2009). 10 Tabela2 - Regressão RIF para desigualdade do Log do Salário do Setor Público Variáveis Dependentes Q(0.1) Q(0.5) Q(0.9) Homem -0.0242 -0.5523 -0.5912 Branco (0.0000) -0.0051 (0.0000) -0.2239 (0.0000) -0.2289 Preto (0.6670) -0.0018 (0.0000) -0.3068 (0.1770) -0.3332 Pardo (0.8860) -0.0011 (0.0000) -0.0871 (0.0540) -0.0851 Urbano (0.7140) 0.0228 (0.0000) 0.3945 (0.0440) 0.1295 Norte (0.0000) 0.0129 (0.0000) -0.1215 (0.0000) -0.4052 Nordeste (0.0000) -0.0240 (0.0000) -0.3759 (0.0000) -0.3604 Sudeste (0.0000) 0.0019 (0.0000) -0.1674 (0.0000) -0.3619 Fund1 (0.4920) 0.0139 (0.0000) -0.4184 (0.0000) -0.2404 Fund2 (0.0670) -0.0352 (0.0000) -0.2757 (0.0000) -0.1181 Graduação (0.0000) 0.0034 (0.0000) 0.1954 (0.0000) 0.2742 Casado (0.0000) 0.0055 (0.0000) 0.1279 (0.0000) 0.1407 Idade (0.0150) -0.1209 (0.0000) -0.3843 (0.0000) 0.0453 Idade^2 (0.0000) 0.0000 (0.0000) 0.0002 (0.0940) 0.0003 Constante (0.0000) 6.1881 (0.0000) 6.8900 (0.0000) 8.2272 Nº Obs (0.0000) 20575 (0.0000) 20575 (0.0000) 20575 Pseu_R² 0.1151 0.3390 0.1701 Prob F 0.0000 0.0000 0.0000 Fonte: Elaboração própria a partir dos dados estimados. 11 Tabela3 - Regressão RIF para desigualdade do Log do Salário do Setor Privado Variáveis Dependentes Q(0.1) Q(0.5) Q(0.9) Homem -0.2357 -0.3257 -0.4384 Branco (0.0000) 0.0635 (0.0000) 0.0678 (0.0000) -0.0204 Preto (0.3160) 0.0223 (0.0260) -0.0528 (0.8240) -0.3102 Pardo (0.7350) -0.0038 (0.0940) -0.0104 (0.0010) -0.0606 Urbano (0.8110) 0.1981 (0.1730) 0.0692 (0.0080) 0.0819 Norte (0.0000) -0.2385 (0.0000) -0.1840 (0.0000) -0.0635 Nordeste (0.0000) -0.5915 (0.0000) -0.3660 (0.0010) -0.1408 Sudeste (0.0000) -0.0450 (0.0000) -0.0160 (0.0000) 0.0729 Fund1 (0.0000) -0.2875 (0.0080) -0.1524 (0.0000) -0.2224 Fund2 (0.0000) -0.2279 (0.0000) -0.1321 (0.0000) -0.1977 Graduação (0.0000) -0.0186 (0.0000) 0.0793 (0.0000) 0.4900 Casado (0.0000) 0.1655 (0.0000) 0.1513 (0.0000) 0.2665 Idade (0.0000) -0.6629 (0.0000) -0.2935 (0.0000) -0.1735 Idade^2 (0.0000) 0.0001 (0.0000) 0.0001 (0.0000) 0.0002 Constante (0.0000) 6.4388 (0.0000) 6.7297 (0.0000) 7.3883 Nº Obs (0.0000) 73384 (0.0000) 73384 (0.0000) 73384 Pseu_R² 0.1319 0.2617 0.2205 Prob F 0.0000 0.0000 0.0000 Fonte: Elaboração própria a partir dos dados estimados. 12 Tabela4 - Decomposição Oaxaca-Blind a por Quantil de Renda para os diferenciais de salário público privado - Regressão RIF Variáveis Explicado Homem Branco Preto Pardo Urbano Norte Nordeste Sudeste Fund1 Fund2 Graduação Casado Idade Idade^2 Total Não Explicado Homem Branco Preto Pardo Urbano Norte Nordeste Sudeste Fund1 Fund2 Graduação Casado Idade Idade^2 Total Constante Q(0.1) Q(0.5) Q(0.9) 0.0407 -0.0011 0.0003 -0.0001 0.0054 0.0164 0.0257 -0.0038 -0.0471 -0.1032 0.0224 -0.0259 -0.0961 -0.0283 -0.1948 -0.0436 -0.0048 0.0032 0.0017 -0.0099 0.0041 -0.0004 0.0122 0.0416 0.0769 0.1180 -0.0038 0.0161 0.0602 0.2714 -0.0294 -0.0035 0.0003 0.0005 -0.0015 -0.0223 -0.0100 0.0352 0.0028 -0.0426 -0.2194 -0.0204 -0.0388 0.0284 -0.3205 -0.0407 0.0011 -0.0003 0.0001 -0.0054 -0.0164 -0.0257 0.0038 0.0471 0.1032 -0.0224 0.0259 0.0961 0.0283 0.1948 0.0000 0.0436 0.0048 -0.0032 -0.0017 0.0099 -0.0041 0.0004 -0.0122 -0.0416 -0.0769 -0.1180 0.0038 -0.0161 -0.0602 -0.2714 0.0000 0.0294 0.0035 -0.0003 -0.0005 0.0015 0.0223 0.0100 -0.0352 -0.0028 0.0426 0.2194 0.0204 0.0388 -0.0284 0.3205 0.0000 Fonte: Elaboração própria a partir dos dados da pesquisa. Obs: os resultados contidos nessa tabela são do resultado da subtração da decomposição de Oaxaca-Blind para o setor público e privado por quantil de renda. 13