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RECREAÇÃO TERAPÊUTICA: uma nova perspectiva para o campo de atuação do
educador físico
Joquebede Rêgo
Acadêmica do CEDF/ UEPA
[email protected]
Evelin Lobo
Orientadora do CEDF/UEPA
[email protected]
RESUMO
Este estudo consistiu-se em uma pesquisa bibliográfica, de caráter qualitativo,
baseado na análise de pesquisas recentes acerca da temática Recreação
Terapêutica, cujo foco principal foi analisar o papel do Educador Físico no âmbito
hospitalar, a partir da atuação desse profissional na Recreação Terapêutica, assim,
como procurou refletir sobre sua atuação nesse campo, pois a Recreação Terapêutica
em ambiente hospitalar ainda é um tema pouco explorado por pesquisas acadêmicas.
Com relação ao suporte teórico, esta pesquisa apresenta diversos autores. O estudo
evidenciou que mesmo o Educador Físico estando inserido na área da saúde ainda é
pouco reconhecido por sua atuação nesse meio, principalmente em ambiente
hospitalar. Esse fato ocorre porque, apesar do educador físico muitas vezes possuir
uma vasta bagagem lúdica, ainda não possui uma identidade definida ao atuar neste
contexto, há a necessidade de uma melhor compreensão sobre as habilidades e
conhecimentos necessários ao desenvolvimento da prática da Recreação Terapêutica
por estes profissionais, por isso, existe a importância em se refletir sobre o papel do
Educador Físico na área da saúde, para que não permaneça à margem desse
processo.
Palavras-chave: Educador Físico. Saúde. Educação Física Hospitalar. Recreação
Terapêutica.
INTRODUÇÃO
Considerado um campo ainda recente, a recreação terapêutica representa uma
das possibilidades de intervenção no âmbito hospitalar que colabora no tratamento de
pacientes internados, por reunir fatores essenciais que auxiliam na recuperação e
resgate da saúde. No entanto, definir saúde e o papel de cada profissional que atua
diretamente nessa área não é tarefa fácil. (MARTINS 2009)
Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), saúde “é o estado de completo
bem estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doenças” (apud
SANTOS, 2000, p.1).
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Complementando essa definição Tambellini (1998 apud SANTOS, 2000, p.1)
conceitua saúde “como um bem coletivo que é compartilhado individualmente por
todos os cidadãos”. A partir dessa questão, o autor lança a ideia de dimensão
individual-coletiva, segundo a qual a saúde é um direito de todos os cidadãos, como
aponta a legislação brasileira:
A saúde é direito de t odos e dever do Estado, garantido mediante políticas
sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros
agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua
promoção, proteção e recuperaç ão (A rt 196 da Constituição Brasileira,
1988).
Dessa forma, o ambiente hospitalar representa um espaço de trabalho
desafiador, devido os diferentes pacientes e respectivas patologias, tratamentos e
estado de internação, o que acaba exigindo competência e responsabilidades de uma
equipe multidisciplinar para atender com qualidade a recuperação desses pacientes e
garantir a promoção da saúde ao indivíduo.
O Educador Físico está entre os profissionais que compõem a equipe
multidisciplinar em hospitais, no entanto, ainda falta consolidar a identidade do seu
trabalho nesse meio, pelo fato de existirem determinadas dificuldades em apresentar
sua utilidade e definir o seu exato papel no ambiente hospitalar. (MARTINS 2009)
De acordo com o Conselho Federal de Educação Física (CONFEF), por meio
da Resolução CONFEF nº 229/2012, o profissional em Educação Física dispõe da
especialidade Saúde Coletiva. Além disso, a Resolução CNS nº287, de 8 de outubro
de 1998, relaciona a Educação Física entre as profissões que compõe o Conselho
Nacional de Saúde.
Dessa forma, considera também a relevância do trabalho interdisciplinar no
âmbito da saúde e a necessidade de ações realizadas pelos diferentes profissionais
diplomados, como condição para atingir à concepção de saúde defendida pela
Organização Mundial de Saúde (OMS) e à integralidade da atenção à saúde
(CONFEF, 2010).
Logo, para que qualquer profissional atue em ambiente hospitalar, é necessário
que o Sistema Único de Saúde (SUS) o reconheça como tal. Nesse caso, o SUS
ainda reconhece pouco as atividades desenvolvidas pelo Educador Físico no âmbito
hospitalar:
Mesmo sendo reconhecido como Profissional da área de Saúde de nível
superior através da Resolução CNS nº 218 de 06 de março de 1997, (DOU,
1997, p.8932-3), este profissional não aparece nos planejamentos do
3
Sistema Único de Saúde (S US). Fato que dificulta a atuação e aceitação
deste profissional dentro da equipe de saúde, mesmo respaldado pela lei.
Mas cabe ao PEF buscar pela sua ac eitação demonstrando capacidade
técnico-cient ífico, construindo o referencial teórico necessário para uma
melhor desenvoltura de seu trabalho (SANTOS, 2000, p.07).
Para Santos (2000), o Educador Físico precisa afirmar sua ação dentro da área
hospitalar, para atingir reconhecimento e aceitação enquanto profissional apto em
atuar na área da saúde. O profissional de Educação Física deve atuar conjuntamente
com outros profissionais da área da saúde – como médicos, psicólogos,
fisioterapeutas, entre
outros
–
desenvolvendo
atividades
de
reabilitação
e
manutenção da saúde, a fim de minimizar o estado do paciente e promover a
recuperação em nível físico, mental e social. No entanto, para que o Educador Físico
realmente alcance êxito no desenvolvimento de atividades em hospitais, é necessário
primeiramente definir sua verdadeira identidade enquanto profissional da saúde no
âmbito hospitalar.
De acordo com Santos (2000), existem duas vertentes que caracterizam o
trabalho do profissional de Educação Física na área da saúde, em ação hospitalar:
Educação Física Clínica1 e Educação Física Coletiva ou Totale2.
Dentro do campo de Educação Física Hospitalar existem cerca de trinta e duas
subespecialidades, sendo que o Educador Físico está presente em apenas seis delas,
restando mais de 80% de campos inexplorados. (Maturana dos Santos, 2000, p. 56).
Nesse contexto, é possível observar de forma empírica as dificuldades
existentes sobre o papel do profissional de Educação Física em ambiente hospitalar e
as atividades que pretende desenvolver, bem como descobrir a forma de estabelecer
um trabalho conjunto com outros profissionais da área da saúde e, assim, buscar uma
identidade voltada à Educação Física Hospitalar.
A partir da participação no minicurso “Educação Física e Saúde: a atuação do
Educador Físico nos hospitais”, apresentado pela Professora Rosa Rayol, na
programação da IX Semana da Saúde do CCBS-UEPA, realizada em junho de 2011,
foi possível perceber a afinidade com a temática Educação Física e Saúde, voltada ao
campo hospitalar. A abordagem apresentada no evento possibilitou a abertura do
olhar sobre o papel do Educador Físico no hospital, as formas e dificuldades de
atuação, bem como a contribuição para a promoção da saúde.
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Corresponde ao at endimento individualizado de pacientes em estado alto de comprometimento da
saúde.
2
Se caracteriza pelo atendimento a mais de um paciente, sendo que o objetivo do tratamento pode ser
de carát er geral ou específico.
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Partindo dessa afinidade com a temática Educação Física e Saúde no contexto
hospitalar, surgiu meu interesse em desenvolver um estudo sobre o campo de
atuação do Educador Físico em hospitais, com foco na Recreação Terapêutica.
A recreação terapêutica representa uma possibilidade da atuação do Educador
Físico em âmbito hospitalar, desenvolvida a partir do lúdico para atingir o
restabelecimento, recuperação e reabilitação do paciente. Nos estudos Santos (2000),
diz que a Recreação Terapêutica é uma sub -especialidade dos profissionais do
campo da saúde – que envolve também o Educador Físico como agente de
intervenção –, a qual possibilita melhor adaptação do paciente aos procedimentos
médicos, pois contribui para o enfrentamento da doença e promoção da saúde do
paciente, já que parte da utilização do 3 lúdico3 como instrumento facilitador no
processo de tratamento.
Para isso, é necessário que os profissionais da saúde, envolvidos no espaço
hospitalar, estejam aptos a desenvolver a prática da Recreação Terapêutica paralelo
aos procedimentos de tratamento do paciente. No entanto, questiona -se: o Educador
Físico está preparado para atuar no ambiente hospitalar, tendo conhecimento,
competências e habilidades suficientes para realizar o trabalho de Recreação
Terapêutica neste espaço?
Nesse sentido, o objetivo geral da pesquisa é compreender o papel do Educador
Físico no âmbito hospitalar, a partir da prática da Recreação Terapêutica, procurando
refletir sobre sua atuação neste campo. Entre os objetivos específicos estão: a)
apresentar conceitos sobre recreação na área hospitalar; b) identificar a intervenção
do profissional de Educação Física na área da saúde; c) relacionar a atuação do
Educador Físico em hospitais e estratégias lúdicas da Recreação Terapêutica; d)
analisar de que forma a recreação terapêutica auxilia na promoção da saúde.
Para fundamentação teórica foram utilizados diversos autores que tratam a
questão da atuação do Educador Físico no campo hospitalar, destacando a prática da
Recreação Terapêutica como forma de abordagem educativa na área, por se tratar de
uma temática relativamente nova nas discussões do campo acadêmico-científico. Na
abordagem sobre os conceitos de Recreação e Recreação Terapêutica, foram
utilizadas principalmente as autoras Gouvêa (1963) e Cassara et al (2007), em
diálogo com outros autores.
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O lúdico refere-s e a uma dimensão humana que evoca os sentimentos de liberdade e espontaneidade
de ação. Abrange atividades des pretenciosas, descontraídas e des obrigadas de toda e qualquer
espécie de intencionalidade ou vont ade alheia (NE GRINE, 2000).
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Para servir de embasamento teórico sobre a intervenção do Educador Físico na
área da saúde, a partir da Recreação Terapêutica, foram utilizados apontamentos de
Padovan e Schwartz (2009) e Oliveira (2012) em diálogo com outros autores. Já para
propor a reflexão sobre a atuação do Educador Físico na área hospitalar, foram
destacadas considerações entre os autores Pérez-Ramos (2010), Feitosa e
Nascimento (2012) e novamente Padovan e SCHWARTZ (2009), e realizada a
relação com a formação do profissional de Educação Física para o mercado de
trabalho em saúde, com foco no ambiente hospitalar.
A justificativa em desenvolver um estudo sobre a temática Educação Física
Hospitalar, com foco na Recreação Terapêutica, está no fato de que pouco foi
explorado em outros trabalhos acadêmicos do gênero na Universidade do Estado do
Pará, identificado a partir de um levantamento bibliográfico realizado na biblioteca da
instituição. Juntamente a isso, a carência de pesquisas aprofundadas sobre a
temática na própria área de Educação Física.
Além disso, há importância de fazer um registro acadêmico sobre o tema para
servir como estímulo a outras produções na área e para levar à reflexão sobre a
concepção da prática do Educador Físico no campo da saúde. Dessa forma,
representar um acréscimo na produção de conhecimento no âmbito acadêmico.
1. METODOLOGIA
O estudo partiu de uma análise bibliográfica baseada em pesquisas recentes
sobre a temática Educação Física Hospitalar e Recreação Terapêutica, envolvendo a
atuação do Educador Físico nesse campo. Para isso, inicialmente, foi realizado um
levantamento de materiais que abordavam a temática, etapa que, para Lakatos
(2007), serve de conhecimento ao pesquisador sobre o estado em que se encontra
atualmente o problema de pesquisa e quais as opiniões relevantes sobre o assunto.
Em seguida, foi realizada a seleção e reunido o material bibliográfico necessário para
construção do conteúdo que compõe o corpus teórico da pesquisa.
A pesquisa bibliográfica, ou de fontes secundárias, abrange toda bibliografia
já tornada pública em relação ao tema de estudo [...] Sua finalidade é colocar
o pesquisador em contato diret o com tudo que foi escrito, dito ou filmado
sobre det erminado assunto [...] A pesquisa bibliográfica não é mera repetição
de que já foi dito ou escrito sobre c erto assunto, mas propicia o exame de um
tema sob novo enfoque ou abordagem, chegando a conclusões inovadoras
(LAKA TOS, 2007, p.185).
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O autor explica que a pesquisa bibliográfica é produzida a partir de materiais já
existentes, ou seja, com base em publicações científico-acadêmicas (artigos,
periódicos, entre outros) e livros publicados. Além disso, não se reduz a reprodução
das pesquisas já realizadas, mas analisa as informações, propondo outros enfoques,
abordagens e reconstruções teóricas. Nesse sentido, a pesquisa bibliográfica permite
“[...] ao investigador a cobertura de uma gama de fenômenos muito mais ampla do
que aquela que poderia pesquisar diretamente” (GIL, 2007, p.45).
Com base nessa perspectiva, o estudo foi desenvolvido a partir de uma
pesquisa bibliográfica, através de uma abordagem qualitativa, com a finalidade de
proporcionar o conhecimento embasado em estudos já elaborados, através da
interpretação de suas informações. Desse modo, se caracteriza como um estudo
descritivo, por levar em consideração a tentativa de explicar determinada temática ou
fenômeno. Fazendo um paralelo com Gil (2007, p.42), o autor ressalta que esse tipo
de pesquisa “[...] têm como preocupação central identificar os fatores que
determinaram ou que contribuem para a ocorrência dos fenômenos”.
Por isso, o enfoque desta pesquisa se caracterizará como fenomenológico,
já que será possível criar tentativas de identificar o que determinou ou contribuiu para
a existência do fenômeno em estudo.
Com relação ao tipo de coletas de dados, foi realizado por meio da procura de
fontes bibliográficas, em especial artigos científicos e livros, que abordam a temática
Educação Física Hospitalar e Recreação Terapêutica. Já na etapa de análise dos
dados, foi interpretado o conteúdo textual, a partir das informações e realizada uma
análise crítico-reflexiva acerca da temática.
2. RESULTADOS E DISCUSSÃO
2.1 RECREAÇÃO NA ABORDAGEM HOSPITALAR: CONCEITOS E DEFINIÇÕES
A partir de uma leitura acerca do tema recreação, pesquisando o termo geral e
no âmbito hospitalar, foi possível analisar que há uma variedade de definições. O que
possui em comum é o fato de ser uma subárea da Educação Física, mas com uma
gama de significados em sua aplicação.
O termo recreação tem origem no latim (recrear-ação) que, como colocado por
Gouvêa (1963), representa uma atividade que estimula a saúde do indivíduo, por sua
função ativa, através do prazer causado pelo divertimento.
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A recreação tem como objetivo criar condições para o desenvolvimento do
individuo como um todo, promover sua participação individual ou coletiva em ações
que melhorem a qualidade de vida e dos valores essenciais do ser humano.
Segundo Gouvea (1963) recrear é educar, pois a recreação permite criar e
satisfazer o espírito estético do ser humano, trás ricas possibilidades culturais,
permite escapar do desagradável, utilizando excesso de energia ou diminuindo tensão
emocional, é experiência, complementa
atividade compensadora, descarrega
impulsos agressivos, fuga de pressão social que provoca frustração, monotonia ou
ansiedade.
Fazendo um paralelo com Rocha (2001), ao destacar a recreação como
atividade que proporciona recreio, divertimento e causar prazer ao indivíduo, através
do brincar, é possível considerar que a recreação está relacionada à prática de
atividades lúdicas. De acordo com Franceshi (1995), a recreação corresponde muito
mais do que uma simples prática recreativa, ela é um processo lúdico de criação e
recriação de atividades. Logo, a recreação abrange inúmeros conceitos, pois:
É tudo quanto diverte e entretém o ser humano e que envolve ativa
participaç ão. Emprego de energia que emana de impulso interno, mas
também condicionado a estímulo externo [...] A atividade recreativa, força
propulsora do desenvolvimento da personalidade, tem grande influência
sobre a saúde física e mental do ser humano [...] (GOUVÊA, 1963, P.19).
Considerando esses conceitos, é possível estabelecer uma relação entre eles: a
recreação envolve o lúdico como ação do recrear, capaz de ser criado e recriado pelo
praticante, promovendo o prazer e entretenimento do praticante, através da
brincadeira4. 4
A brincadeira é a própria atividade lúdica com fim recreativo da criança ou
indivíduo que prática. Por isso, se caracteriza como uma forma de recreação,
baseada em experiências com a realidade e aliada à fantasia. Através dela, é possível
promover a criatividade, socialização e habilidades cognitivas do participante.
Entrando mais especificamente no
foco desta pesquisa, a
Recreação
Terapêutica perpassa por conceituações de alguns autores. Para Winnicott (apud
Pérez-Ramos et al, 2010, p. 42), “o próprio brincar é terapêutico”. Dessa forma, a
Recreação Terapêutica reúne características da recreação, podendo ser entendida
como uma forma de fazer com que o paciente hospita lizado sinta essa sensação
4
Corresponde a uma atividade lúdica, sem caráter competitivo, composta por normas definidas de
acordo com a necessidade do momento em que é praticada e que variam com os interesses individuais
ou do grupo, tendo como principal componente a fantasia (FRA NCES HI, 1995).
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causada pela recreação, em que o brincar representa um meio de recuperação da
saúde e bem-estar, auxiliando no enfrentamento da hospitalização.
A Recreação Terapêutica é entendida como restabelecimento, restauração,
recuperação; é a atitude mental de quem deixa fluir o aspecto lúdico da vida,
conciliando a divers ão e a terapia através de atividades e dinâmicas
estabelecidas conforme a necessidade de cada paciente, tornando a
passagem pelo hospital menos traumática (CASARA et al, 2007, p.1)
Para Casara et al (2007) a Recreação Terapêutica representa um instrumento
educativo que deve ser utilizado pelo profissional da saúde para possibilitar o
desenvolvimento integral do paciente, já que este se encontra em uma condição
instável, distante da família, além de sofrer pelo desgaste físico e emocional, causado
por medicações, procedimentos invasivos ou pelas próprias limitações impostas pela
enfermidade, garantindo assim uma permanência menos dolorosa e uma recuperação
.
Logo, a Recreação Terapêutica é capaz de colaborar com a recuperação e a
permanência
menos
hostil
do
paciente
hospitalizado,
bem
como
auxilia
gradativamente no resgate de uma vida saudável, através da prática de atividades
recreativas que proporcionem a criatividade, alegria e socialização.
A Recreação Terapêutica constitui-se em um elemento facilitador para a
elaboração de ansiedades por parte dos pacientes que se encont ram
internados ou em tratamento em instituições hospitalares, através do
favorecimento de atividades, mediant e utilização de exerc ícios físicos e
mentais que possibilitam a promoç ão de aceitação por parte dos pacientes,
da situação muitas vezes de desconforto e estranheza referente a esse
ambiente (S IKILERO apud Casara et al, 2007, p.1)
Como apontado pelos autores, a Recreação Terapêutica, portanto, contribui
para a melhoria da resposta do paciente hospitalizado ao tratamento, além de ser
importante para facilitar e otimizar resultados satisfatórios, pois com a inclusão da
atividade lúdica no tratamento, o processo torna-se mais humano por ser movido pela
ludicidade, caracterizando o que Ramos (2010) define como Ludoterapia.
No entanto, é preciso atentar para o modo como os profissionais da saúde
tratam a questão do lúdico no ambiente hospitalar, para que não se torne o brincar
pelo brincar, mas que tenha um sentido e significado para o paciente e o tratamento.
Por isso,
É um verdadeiro desafio para os profissionais de saúde saber fazer do brincar
não somente uma mera brinc adeira, mas um ato significativo relacionado a
uma necessidade de reaver a situação hospitalar com vistas a assegurar a
possibilidade do paciente exercer de forma ativa, sua condição de sujeito.
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Trabalhar nesta perspectiva é deslocar -se da doença para a saúde
(AZEVE DO apud Casara et al, 2007, p.2-3)
Desse modo, é necessário saber aplicar metodologicamente as atividades
recreativas, de acordo com o estado do paciente e, dessa forma, auxiliar o andamento
de sua recuperação e estimular a promoção da saúde. E em meio ao ambiente
hospitalar também está presente o Educador Físico, cujo papel está diretamente
ligado à aplicação da recreação como atividade física, mental e cognitiva. Por isso, é
importante compreender seu papel dentro da equipe hospitalar, de modo que
represente um dos agentes mediadores do processo de tratamento em saúde.
2.2. A INTERVENÇÃO DO EDUCADOR FÍSICO NO CAMPO DA SAÚDE: A
PRÁTICA DA RECREAÇÃO TERAPÊUTICA E OUTRAS ATIVIDADES
A área da saúde abrange diversos profissionais responsáveis em desenvolver
ações de caráter biopsicossocial sobre o indivíduo, promovendo atividades de
prevenção de doenças, muitas vezes ligadas a políticas públicas de organizações
governamentais. Além disso, atuam no tratamento de pacientes em estado de
internação hospitalar (MARTINS, 2009).
Nesse contexto, o Educador Físico não atua sozinho, mas conjuntamente com
uma equipe multifuncional – fisioterapeutas, psicólogos, assistentes sociais, médicos
e enfermeiros – sendo o responsável especificamente pelas práticas e atividades
físicas, de caráter terapêutico (principalmente), recreativo ou lúdico (MARTINS, 2009).
Para Winther (1998), a recreação hospitalar fornece elementos para criar um
ambiente propício à execução de atividades de caráter lúdico e atuar diretamente na
recuperação do paciente. A recreação visa, então,
Proporcionar aos pacientes hospitalizados – crianças, adolescentes e idosos
– condições de desenvolvimento como um todo, visando aumentar sua autoestima, promovendo uma recuperação física e emocional de forma mais
rápida, alegre e saudável. Também proporcionar ao corpo funcional
moment os de descontração e relaxamento, aliviando as pressões inerentes
ao trabalho, tornando o ambiente mais humaniz ado e alegre (W INTHER,
1998, p.30)
Partindo da afirmação do autor e fazendo uma relação com o Educador Físico, é
possível pontuar que esse profissional pode utilizar a recreação como instrumento
fundamental para a manutenção da saúde e, no caso de atuar em ambiente
hospitalar, desenvolver práticas de caráter lúdico-terapêuticas, através de “atividades
propostas para o melhoramento das condições dos pacientes que se encontram no
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ambiente hospitalar [...] englobando atividades físicas voltadas para a recreação,
trabalhos culturais e artísticos, leitura de livros, pinturas e artesanato” (PADOVAN;
SCHWARTZ, 2009, p.1028).
Entre as formas de intervenção do Educador Físico em hospitais está o trabalho
de reabilitação de pacientes com diferentes diagnósticos, propondo atividades de
acordo com o perfil de cada um, por exemplo, na reabilitação de cardíacos no póscirúrgico, realizada através de um processo de reabilitação leve, que é aplicada
dentro e fora do ambiente hospitalar.
Outro ponto de intervenção é a participação no Programa de Saúde da Família,
em que aplica atividades em consenso com diagnósticos levantados pelos outros
integrantes da equipe multidisciplinar, visando um fim comum para o tratamento.
Além desses campos, é possível o Educador Físico também atuar na saúde
mental, através da prática de exercícios que ajudem na regulação das substâncias
relacionadas ao sistema nervoso, na melhora do fluxo de sangue para o cérebro e na
capacidade de lidar com os problemas e com o estresse, ajudando também a evitar a
depressão. Logo,
Entende-se por Saúde Mental um campo de conheciment o numa área de
atuação que congrega várias ciências e categorias profissionais visando
entender, estudar e pesquisar o homem num enfoque biopsicossocial e sua
relação com o normal e o psicopatológico; prevenir as manifestações
psicopatológicas que poderiam advir-lhe; e utilizar técnicas e métodos de
diagnóstico e tratamento das doenças ment ais, dos distúrbios de
comport amento e das divers as formas de anormalidade da vida ps íquica.
(ROE DE R, 1999, p.2)
Já para o trabalho com crianças e jovens, a atividade física é importante para
ajudar na aquisição de habilidades psicomotoras, além de auxiliar no desenvolvimento
intelectual e promover a socialização. E no ambiente hospitalar, o trabalho com a
recreação estimula a criatividade da criança e atua na recuperação da saúde e bemestar, através da prática de brincadeiras e atividades lúdicas.
A brincadeira no c ontexto hospitalar é então um instrumento de intervenção
utilizado como forma da c riança c onstruir estratégias de enfrent amento em
relação à doença, hospitalização, comunicaç ão e res olução de conflitos.
Através do brincar, a crianç a pode se expressar melhor, assim como
demonstrar os seus sentimentos e resgatar a si mesma (FORTUNA apud
OLIVEIRA, 2012, p.2).
Por meio do que destaca a autora, é possível considerar que a brincadeira é
essencial para o tratamento de pacientes hospitalizados e é parte preponderante na
vida das crianças em estado de internação, representando uma válvula de escape, de
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modo que “as fantasias imaginativas e as brincadeiras podem compensar as pressões
do cotidiano” (SILVA apud OLIVEIRA, 2012, p. 5), ou seja, o brincar no ambiente
hospitalar ajuda a enfrentar a enfermidade, pois, muitas vezes, as crianças internadas
passam por longos períodos dentro dos hospitais em observação, em tratamento, a
espera de leito ou de atendimento , distante da família e das relações sociais,
afastando-se dos valores da própria infância.
Com relação aos recursos utilizados em ambiente hospitalar, Oliveira (2012)
pontua como principais: brinquedos; jogos educativos; materiais que promovam a
expressão gráfica, artística e artesanal (desenhos, colagem, pintura, lápis de cor,
modelagem, origami, entre outros); brinquedoteca hospitalar e atividades de
expressão dramática e corporal (dança, teatro, apresentação de fantoche, entre
outros).
Assim como as crianças e os jovens, os idosos também recebem benefícios com
a prática de atividade física, como mudanças corporais, melhora da autoestima, a
autoconfiança, e a flexibilidade, aumento da socialização. A atuação do profissional
de Educação Física, voltada para esse público no âmbito hospitalar, ajudaria na
manutenção desses aspectos para estabelecer gradativamente a condição de
indivíduo saudável.
Além das formas de atuação apresentadas, Bueno (apud PADOVAN;
SCHWARTZ, 2009, p.1027) destaca as intervenções feitas por voluntários ou grupos
especializados em recreação hospitalar, conhecidos como “Doutores da Alegria”.
Estes são constituídos por profissionais de diversas áreas, que formam uma equipe
especializada no atendimento hospitalar.
[...] o grupo é formado por pessoas que dominam as artes do palhaço,
circense e musical. Eles visitam crianç as hospitalizadas nas unidades de
terapia intensiva e de procedimentos ambulatoriais, com o objetivo de ampliar
os laços de afetividade com os pacientes e seus parent es e profissionais da
área (MASE TTI apud PADOVAN; SCHWARTZ, 2009, p.1027)
Segundo os autores, essa prática apresenta resultados positivos para os
pacientes, por apresentar características inerentes à ludicidade. Neste caso, o
Educador Físico poderia dialogar com esse tipo de atuação, atuando diretamente na
importância de sensibilizar os atores e agentes do ambiente hospitalar, “no sentido de
auxiliar a promover novas reflexões acerca da presença de terapias alternativas junto
à medicina tradicional, dando maior sentido às forças subjetivas e às questões que
valorizem a vida humana” (PADOVAN; SCHWARTZ, 2009, p.1027).
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Portanto, estar em um ambiente hospitalar não é uma experiência agradável e,
por isso, a atividade recreativa pode amenizar esse desconforto. Nesse contexto, o
Educador Físico pode estar presente no ambiente hospitalar, atuando por meio da
utilização da recreação para o tratamento dos pacientes, com o intuito de estar
auxiliando, educando e promovendo o bem-estar dos mesmos, através do lúdico.
[...] o lúdico é um componente essencial para o desenvolvimento humano,
que pode possibilitar o bem-estar social, a saúde das pessoas e a qualidade
de vida; promover uma ressignificação do ambiente hospitalar
e da
hospitalização em si, contribuindo para uma melhoria das relações humanas
e para a mudança de paradigmas geralmente pres entes nas ações de
atendimento hospit alar c omo dualidade mente -corpo e o conceito de saúde
restrito ao as pecto biológico (ISAYAMA et al, 2005, p.4).
Assim, a recreação torna-se imprescindível para o processo transformador da
saúde, no que diz respeito às formas de prevenção, tratamento e recuperação dos
pacientes. Nesse sentido, a atuação do profissional de Educação Física é importante,
já que é responsável em exercer o papel de conduzir as pessoas para uma vida biopsico-social saudável.
2.3. ATUAÇÃO DO EDUCADOR FÍSICO NO CAMPO HOSPITALAR: UMA BREVE
REFLEXÃO
O campo da saúde ainda está atrelado a intervenções convencionais e,
consequentemente, mostra pouca aceitação à trabalhos recreativos ou práticas
inerentes ao Educador Físico no ambiente hospitalar. Nesse contexto, profissionais
de outras áreas, como fisioterapeutas ou terape utas ocupacionais acabam por
exercer o papel de desenvolver atividades de recreação ou práticas corporais com os
pacientes hospitalizados.
O entendimento sobre o papel da Educação Física Hospitalar quanto as
competências necessárias ao profissional de educação física para atuação em âmbito
hospitalar e da necessidade de possuir arcabouço teórico suficiente para demonstrar
sua capacidade de atuação na área hospitalar precisa partir do próprio Educador
Físico.
Atentando para os conceitos de competência disponíveis
na literatura
atualmente, percebe-se que hoje esta noção está sendo substituída no cenário
educacional (o modelo tecnicista de formação), pois o sistema educativo vem
transformando os seus currículos para trabalhar com a lógica do desenvolvimento
dessas competências. (PERRENOUD, 1999)
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O significado e/ou conceito de competência não é único, apresenta matizes
diferentes segundo as várias concepções filosóficas. Perrenoud.(2000, p.15) –designa
a noção de competência como capacidade de mobilizar diversos recursos cognitivos
para enfrentar um tipo de situação e ao mesmo tempo, que permite ao individuo
assumir uma ação eficiente e eficaz em situações complexas.
Nesse contexto, um próximo passo para que o profissional de educação física
tenha êxito em sua atuação hospitalar é reconhecer a necessidade que possui em
transformar seu saber adquirido em conhecimento aplicável, pois a construção da
competência pode ser feita na atuação, quando os saberes adquiridos são utilizados
na ação e, caso haja insuficiência de saberes inerentes a sua prática nesse ambiente,
deve-se buscar se habilitar profundamente para demonstrar sua capacidade de se
inserir nesse campo de trabalho que a interdisciplinaridade da Educação Física lhe
oferece.
O Conselho Federal de Educação Física (CONFEF), publicou no ano de 2010 no
documento intitulado Recomendações Sobre Condutas
e Procedimentos do
Profissional de Educação Física na Atenção Básica à Saúde, informações
consubstanciadas elaboradas com o objetivo de orientar condutas e procedimentos
do profissional de Educação Física no uso de exercícios/atividades físicas como
elementos principais ou complementares na atenção a saúde, nos níveis primário,
secundário e terciário, especialmente no que concerne as doenças crônicas não
transmissíveis.
As recomendações expressas nesse documento estão permanentemente
sujeitas as necessárias adequações, identificadas pelos profissionais a partir da
realidade e da especificidade de cada situação, tanto nas suas intervenções
individuais quanto nas ações como membro de equipe multidisciplinar de saúde, pois
considera a rápida evolução cientifica na área da saúde, o que pode tornar obsoletas
algumas das recomendações ali contidas. Sendo assim, é obrigação do profissional
de Educação Física, manter-se atualizado por meio da leitura de novas publicações
técnico-científicas e participação de eventos científicos da área.
De acordo com a comissão responsável pelo trabalho , diversos referenciais
sustentam cientificamente a positividade da relação atividade física e saúde. Estudos
e pesquisas ratificam esse entendimento e demonstram que a falta de saúde está
associada a inatividade física (CONFEF, 2010).
A competência profissional envolve conhecimentos, habilidades e atitudes tanto gerais, quanto especificas a cada área de atuação (FEITOSA; NASCIMENTO,
14
2003). As competências dos profissionais de Educação Física devem ser
estabelecidas a luz das competências das demais áreas envolvidas. Considerando a
característica multiprofissional da atenção básica a saúde.
Assim, atribui-se ao profissional de Educação Física as competências e
habilidades para diagnosticar, planejar, organizar, supervisionar, coordenar, executar,
dirigir, assessorar, dinamizar, programar, desenvolver, prescrever, orientar, avaliar,
aplicar métodos e técnicas motoras diversas, aperfeiçoar, orientar e ministrar sessões
específicas de exercícios físicos ou praticas corporais diversas. O profissional de
Educação Física pode intervir também no Programa Saúde da Família (PSF) tanto
para orientar sobre a importância de hábitos de vida ativa, quanto para promover e
estimular a adoção de um estilo de vida ativo, contribuindo para minimizar os riscos
de doenças crônicas não transmissíveis e os agravos delas decorrentes (CONFEF
2002).
Partindo desse pressuposto, cabe então ao profissional de Educação Física,
junto ao NASF (Núcleo de Apoio a Saúde da Família) e em outros espaços de
intervenção, desenvolver ações que contribuam na melhoria da qualidade de vida da
população, na redução dos agravos e danos decorrentes das doenças nãotransmissíveis, que favoreçam a redução do consumo de medicamentos, objetivando
a prevenção e promoção da saúde, por meio de práticas corporais, cabendo-lhe,
especificamente: (CONFEF 2010)
- Proporcionar educação permanente por meio de ações próprias do seu campo de
intervenção, juntamente com as Equipes de Saúde da Família (ESF);
- Incentivar a criação de espaços de inclusão social, com ações que ampliem o
sentimento de pertencimento social nas comunidades;
- Promover ações ligadas aos exercícios/atividades físicas próprias do seu campo de
intervenção junto aos órgãos públicos e na comunidade;
- Articular parcerias com setores da área administrativa, junto com a ESF e a
população;
- Promover eventos que estimulem e valorizem a pratica de exercícios/atividades
físicas próprias do seu campo de intervenção, objetivando a saúde da população.
As
atividades
ou exercícios
físicos
e
práticas
corporais devem ser
desenvolvidas com o intuito de priorizar a inclusão de toda a comunidade, envolvendo
não só as populações saudáveis, mas também aquelas com agravos manifestos da
saúde ou em situação de maior vulnerabilidade. Os profissionais de cada núcleo, em
conjunto com a ESF e a comunidade, devem identificar as atividades, as ações e as
15
práticas a serem adotadas com cada área contemplada no programa. Considerando
as exigências de qualidade para intervir na área da saúde, desenvolvendo programas
de exercícios/atividades físicas próprias do seu campo de atuação, o profissional de
Educação Física deve estar apto para as seguintes intervenções, dentre outras:
(CONFEF 2010)
- Aferir e interpretar os resultados de respostas fisiológicas durante o repouso e
durante o exercício;
- Coletar dados e interpretar informações relacionadas com prontidão para a atividade
física;
- Aplicar escalas de percepção subjetiva do esforço;
- Manusear ergômetros e equipamentos utilizados em programas de exercício físico;
- Manusear equipamentos usados para avaliação de parâmetros fisiológicos
específicos;
- Conhecer, aplicar e interpretar testes de laboratório e de campo utilizados em
avaliação física;
- Realizar testes de avaliação postural e de avaliação antropométrica;
- Prescrever exercícios físicos baseados em testes de aptidão física, desempenho
motor especifico, avaliação postural, índices antropométricos e na percepção
subjetiva de esforço;
- Trabalhar em equipe multiprofissional.
Considerando todos esses aspectos, é intrínseco na atuação do profissional de
Educação Física o domínio de habilidades e competências. Logo,
Como atributos de um bom profissional, qualquer que seja sua atuação na
área da saúde, os autores apontam: amizade; capacidade; segurança;
sinceridade; controle de emoções; disponibilidade para ajudar o paciente;
compreensão do signific ado de sua condut a; manejo adequado das técnicas
de aplicação do conhecimento; bom senso e experiência para discutir sobre
quem precisa de estímulo e atenção, de atitudes de aprovaç ão (apud
MARTINS, 2009, p. 14-15).
Com relação às áreas de atuação do Educador Físico no âmbito da saúde,
Santos (2000) aponta mais de trinta sub-especialidades55 em que este profissional
pode atuar nos hospitais, mas que apenas 20% deste total estão sendo desenvolvidos
por esse profissional. O restante ainda é pouco explorado. Dessa forma, ressalta-se a
importância da autonomia do trabalho desse profissional dentro da equipe
5
Ver mais informações no sitio: http://www.efdeportes.com/efd27a/hosp.htm
16
multidisciplinar e da diversidade de profissionais para o desenvolvimento de um
trabalho completo e eficaz.
Para Della Nina (apud PÉRES-RAMOS et al, 2010, p.35), “a heterogeneidade na
composição da equipe e na homogeneidade nos seus propósitos constituem
estratégias efetivas para o sucesso dessas experiências”. A partir da colocação da
autora, pode-se afirmar que para obter resultados positivos no âmbito hospitalar, é
necessário que se tenha uma diversidade de profissionais atuando no meio, mas que
sigam uma mesma intenção na linha de trabalho, com foco no paciente.
Peres-Ramos (2010) define essa composição como equipes transprofissionais,
consideradas como aquelas que possuem diversos profissionais atuando no
tratamento do paciente, com a participação também da família. As equipes
transprofissionais se caracterizam por apresentarem uma comunicação ativa,
harmônica e participativa entre os membros, em que cada profissional possui papeis
descentralizados, abertos e com transvariação nos campos de atividades, no entanto
com suas funções definidas no processo de tratamento e promoção da saúde.
O Educador Físico bem preparado representa um dos agentes responsáveis em
atuar no campo hospitalar, já que participa ativamente na melhoria do bem estar físico
e psíquico. No entanto, ainda é um desafio para esse profissional desenvolver tarefas
pedagógicas em ambiente não formal (BUENO apud PADOVAN; SCHWARTZ, 2009).
No entanto, a questão da consolidação do profissional Educador Físico para
assumir o trabalho hospitalar e desempenhar funções mais específicas desse meio
requer uma formação acadêmica mais sólida e especialização profissional na área.
Porém,
Os cursos de preparação profissional em Educação Física [...] não preparam
adequadamente profissionais para atuar no contexto não -escolar. Na maioria
das vezes, prepara profissionais de perfis e competências indefinidas e o
argumento normalmente utilizado é de que o mercado de trabalho exige
profissionais ecléticos (CALDERA apud FEITOSA; NASCIME NTO, 2003,
p.20).
Dessa forma, o Educador Físico está condicionado a buscar formação
aprofundada, caso a formação acadêmica inicial não garanta base suficiente, e
valorização enquanto profissional da saúde. Para isso, é necessário possuir
competências e habilidades para trabalhar no ambiente hospitalar com qualidade,
desenvolvendo práticas que estimulem a promoção da saúde e estejam de acordo
com o tratamento de cada paciente, bem como manter diálogo com a equipe
multidisciplinar e estabelecer seu papel com mais segurança.
17
[...] o profissional de educação física pode ter um papel essencial em uma
equipe hos pitalar, por dominar aspectos decisivos e diferenciais para a
qualidade do atendimento, que são peculiares a s ua área de formação. É
necessário que haja um reconhecimento dessa atividade no mercado e um
estímulo à formação aprofundada desse profissional, para se ampliar as
perspectivas e a qualidade desta at uação, tendo, este trabalho, maior
aceitação e destaque no set or da saúde. A superação de preconceitos
relativos à inserção do profissional da área de Educação Física em equipes
multidisciplinares da área da saúde ainda é um desafio a ser vencido
(PADOVA N; SCHWARTZ, 2009, p.10 31).
Os autores enfatizam a visão de que é importante a presença do Educador
Físico no ambiente hospitalar, já que possui aspectos específicos com relação ao
trabalho de atividades físicas e práticas corporais em sua área de formação, mas que
ainda precisa ultrapassar barreiras do próprio mercado, o qual restringe o trabalho em
saúde
para
profissionais
fisioterapeutas
e
mais
terapeutas
específicos,
ocupacionais,
como
e
médicos,
quando
enfermeiros,
existem
equipes
multidisciplinares, seu trabalho ainda enfrenta limitações.
Entre as ferramentas para a atuação do Educador Físico no âmbito hospitalar,
destaca-se a Recreação Terapêutica, que se mostrou essencial na melhora das
condições físico-psíquico-sociais dos pacientes que se encontram em ambiente
hospitalar. Entretanto, o profissional atuante nessa área precisa dispor de
sensibilidade, criatividade e flexibilidade no trabalho que pretende desenvolver. E,
portanto, favorecer a prevenção, manutenção e recuperação da saúde, para promover
a qualidade de vida ao paciente internado. (PADOVAN; SCHWARTZ, 2009)
CONCLUSÃO
A partir da elaboração desta pesquisa, foi possível identificar a dificuldade
em encontrar referenciais teóricos com uma abordagem mais aprofundada sobre
Educação Física Hospitalar, com foco na Recreação Terapêutica, pelo fato desse
campo ainda estar em expansão nas pesquisas acadêmico-científicas na área de
Educação Física.
Com base nos estudos abordados ao longo desta pesquisa, foi possível
analisar a importância da Educação Física na área da saúde, haja vista que é um
campo de estudo interdisciplinar que proporciona intercâmbio entre as áreas de
conhecimento. Neste caso, destaque -se a Educação Física Hospitalar, que possibilita
através da atividade física o tratamento ou reabilitação dos pacientes, em especial por
meio da Recreação Terapêutica.
18
No entanto, o Educador Físico ainda é pouco reconhecido no campo
hospitalar, não só por ainda ter dificuldades em definir seu espaço dentro desse
campo profissional, mas também por determinadas instituições não considerarem o
trabalho do profissional de Educação Física importante e necessário no tratamento de
pacientes em hospitais ou centros de saúde, destinando muitas ve zes a outros
profissionais o trabalho que poderia ser realizado pelo Educador Físico.
Portanto, a Educação Física carrega grande importância biopsicossocial e,
por isso, é importante que se reflita sobre a sua presença na área da saúde, bem
como o papel que o Educador Físico deve cumprir e de que forma pode consolidá-lo
nesse campo, deixando de estar à margem dessa área, que também faz parte do seu
campo de atuação.
Por fim, na formulação e implementação de políticas públicas e concurso
público para os profissionais de Educação Física.
Na intervenção Universidade-Sociedade possa estender o Estágio no
âmbito hospitalar para os profissionais de Educação Física.
THERAPEUTIC RECREATION: A NEW PERSPECTIVE FOR THE FIELD OF
PRACTICE OF PHYSICAL EDUCATOR
ABSTRACT
This study consisted in a literature search, qualitative, based on analysis of recent
research on the theme of Therapeutic Recreation, whose primary focus was to
analyze the role of the Physical Educator in the hospital, from the performance of this
professional in Therapeutic Recreation, thus sought to reflect on how their actions in
this field, because the Therapeutic Recreation in the hospital is still a relatively
unexplored by academic research. Regarding the theoretical support, this research
presents a number of authors. The study showed that even the Physical Educator
being inserted in healthcare is still little recognized for his work in this medium,
especially in a hospital environment. This fact is because, despite the physical
educator often possess vast experience entertaining, does not have an identity defined
by acting in this context, there is a need for better understanding of the skills and
knowledge needed to develop the practice of Therapeutic Recreation by these
professionals, so there is the importance of reflecting on the role of the Physical
Educator in health, that does not remain on the sidelines of this process.
Keywords: Physical Educator. Health Physical Education Hospital. Therapeutic
Recreation.
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RECREAÇÃO TERAPÊUTICA: uma nova perspectiva para o