9912258812 43 ANOS ACOMPANHANDO O EDUCADOR www.fundacaoamae.com.br ANO 43 . Nº 375 OUTUBRO . 2010 EXPEDIENTE Foto: Mariana de Freitas Fornazier Mariana de Freitas Fornazier Capa de Renata Pimenta EDITORIAL OUTUBRO . 2010 . Nº 375 Av. Bernardo Monteiro, 861 - Santa Efigênia - Belo Horizonte - CEP 30150-281 - MG - Brasil - Telefax: (31) 3224-5400 / 3224-6158 - www.fundacaoamae.com.br PRESIDENTE DA FUNDAÇÃO AMAE: Audineta Alves de Carvalho de Castro CONSELHO CURADOR: Ajax Gonçalves Ribeiro (Presidente), Clélia Maria Pelizari (Secretária), Ana Lúcia Amaral, Fernanda Fernandes Sobreira Corrêa, José Leão Marinho Falcão Filho, Margarida Magda Machado Michel, Maria Auxiliadora Campos Araújo Machado, Raymundo Nonato Fernandes, Rosa Emília de Araujo Mendes CONSELHO DIRETOR: Diretora-Presidente: Audineta Alves de Carvalho de Castro Diretora-Vice-Presidente: Maria Antonieta Bianchi Diretora Administrativo-Financeira: Helena Lopes Diretora de Relações Institucionais: Lêda Botelho Martins Casasanta Diretora de Publicações e Eventos: Lêda Botelho Martins Casasanta CONSELHO FISCAL: Francisco Liberato Póvoa Filho, Maria Odília Figueiredo De Simoni, Elza Marie Petrucelli Carayon Suplentes do Conselho Fiscal: Arlete Duarte Silva, Hortência Gatti Queiroga, Janice Lúce Martins Fortini EQUIPE EXECUTIVA: Célia Sanches, Cristina Elizabeth de Vasconcelos Ministerio, Flávia Duarte Carvalho, Gilda Pazzini Lodi, Maria da Anunciação Duarte Carvalho, Vera Lúcia Pyramo Costa Pimenta [email protected] Diretora e jornalista responsável: Cristina Elizabeth de Vasconcelos Ministerio - Reg. prof. MG 06124/SJP - cristina@ fundacaoamae.com.br Editoras: Célia Sanches, Vera Lúcia Pyramo Costa Pimenta Estagiária: Gabriela Machado Ilustração: Mirella Spineli (31) 3482-0081/9184-8954 Projeto gráfico: Renata Pimenta (31) 3267-6762/8489-3851 Impressão: Gráfica Del Rey (31) 3369-9400 Conselho Editorial: Ailton Luiz Costa Moreira, Isa Teresinha Rodrigues da Silva, Lenita Ferreira de Oliveira, Mairy Barbosa Loureiro dos Santos, Magda Becker Soares, Marília Barcellos Guimarães Atendimento ao assinante: Rejane Pereira Lopes Av. Bernardo Monteiro, 861 - Santa Efigênia - Belo Horizonte - MG - Brasil- CEP 30150 - 281 -Telefax (31) 3224-5400 / 3224-6158 - [email protected] Nosso jeito de ser – A revista AMAE Educando é uma publicação da Fundação AMAE para Educação e Cultura. Escrita por professores para professores, com uma abordagem ligada à realidade vivida em sala de aula, a revista diferencia-se das publicações acadêmicas pela linguagem clara e objetiva, voltada, principalmente, para educadores de Educação Infantil e Ensino Fundamental. Suas oito edições anuais (quatro em cada semestre) são comercializadas por assinaturas. O calendário está sempre nos mostrando alguns dias especiais, alguns deles já consagrados pelo comércio, que se anima com a possibilidade de grandes vendas. Contaminados por essa euforia, nos deixamos levar pelo consumismo e, muitas vezes, vamos às compras sem ao menos refletir sobre o que representa aquela data. Aqui, na redação de AMAE Educando, estamos bem conscientes da importância de dois dias, em outubro, que, não por acaso, são comemorados tão pertinho, o das crianças e o do professor. Privilegiamos, nesta edição, matérias que falam diretamente a esses corações. A matéria de capa (p. 8) mostra o desenrolar de um projeto que teve o palhaço como personagem principal e um título muito sugestivo: “Sou riso que faz bem” (a crianças e adultos). Vivenciando a arte de ser palhaço, percebendo que a sua imagem pode ser utilizada em diversas situações do cotidiano, os alunos descobriram as suas inúmeras facetas e a sua função social. Como resultado, eles ampliaram seus aspectos ingênuos e risíveis, tão característicos dos palhaços, mas que existem dentro de todos nós, e melhoraram suas relações interpessoais. Para os professores, não buscamos nosso presente nas lojas, eles nos chegaram das salas de aula, sob a forma de textos confeccionados pelos próprios professores e “embalados” carinhosamente pela nossa equipe. Assuntos como o desafio de educar no século 21 (p.27), a necessidade da formação contínua do docente (p.42), a importância do professor de Educação Infantil (p.30) e as condições de trabalho do professor que deixam a sua saúde “por um fio” (p. 14) são preciosos presentes para uma vida inteira, para todos os dias do calendário. E na hora dos festejos, dos comes e bebes, que tal fazer como a professora Adarléa de Andrade Rocha (p.44)? Afinal, há horas em que é bom que “tudo acabe em pizza”. AMAE educando - 374 . Setembro . 2010 3 NESTA EDIÇÃO A prioridade é ser feliz Notícias sobre educação e cultura RELATO DE EXPERIÊNCIA Arq. Colégio Efigênia Vidigal COC O personagem palhaço ganha destaque em estudo sobre a função social que ele exerce e as relações estabelecidas através de sua linguagem 18 EDUCAÇÃO FÍSICA 27 COMEMORAÇÕES 30 EDUCAÇÃO INFANTIL 4 Considerações sobre a busca cotidiana por aprender e a escola como palco para formação docente ALFABETIZAÇÃO Quando as palavras têm gosto de pizza, na brincadeira do faz de conta Trilha da criança 14 37 42 44 OPINIÃO Os benefícios da implantação de um projeto de monitoria BOLETIM REPORTAGEM 32 38 EXTRACURRICULAR Arquivo Col. Logosófico 5 6 8 EM FOCO As condições de trabalho dos professores deixam sua saúde “por um fio” O desporto orientação colabora para melhorar o ensinoaprendizagem de alunos da zona rural da comunidade Remanso (MG) Estarão os professores preparados para educar, nos dias de hoje? Uma reflexão sobre o profissional responsável pelas crianças até 5 anos ENCARTE EDUCAÇÃO INFANTIL O patrão de Titina O segredo Bom humor, mau humor Projeto permite que alunos “viajem” por outros tempos CONTE UM CONTO ERRATA COMEMORAÇÕES Poesias sobre o Dia das Crianças AMAE educando - 375 . Outubro . 2010 No título do boxe da página 31, revista n° 374, setembro de 2010, leia-se: “Principais atribuições das lideranças políticas”. Fotos: arq. Colégio Efigênia Vidigal COC REL ATO DE EXPERIÊNCIA PALHAÇO: RISO QUE FAZ BEM! Elaine Dias de Azevedo, Maria Natália Batista Marshall e Nirlene Silva Albin são professoras do Colégio Efigênia Vidiga COC (Belo Horizonte – MG). Projeto aproxima alunos do universo circense, em especial dos palhaços, levando-os a resgatar valores simples e verdadeiros, mas, muitas vezes, esquecidos. Quem não traz na memória a imagem de um circo? Associado ao espaço redondo, coberto por uma lona, lá está o palhaço. Colorido, com um sorriso largo e vestido com seu 8 AMAE educando - 375 . Outubro . 2010 principal adereço: o nariz reluzente e vermelho. O termo palhaço possui muitos significados. Ele é sujeito atrapalhado, leso, capaz de espertezas infantis e ágeis. É um bobo esperto, romântico, lírico. Ele pode ser delicado, ingênuo, solidário. Veio de um lugar onde o riso desfaz as tensões e aproxima o homem. O palhaço é a exposição do ridículo e também das fraquezas de cada um. Logo, ele é pessoal e único. É anárquico por natureza. O palhaço não representa, ele é. É contagiante. Transforma velhas piadas em novos espetáculos. Faz rir o pai, o filho e o avô. Renova a alma com simples gestos. Tira flores de chapéus com uma delicadeza que só ele é capaz de fazer. Toca instrumentos, dança, canta e faz a vida parecer mais simples. São inúmeras as faces e as linguagens do palhaço. Mas entre todas elas parece existir pelo menos dois aspectos em comum. O primeiro é que o palhaço parece ser necessário num mundo onde existe tanta dor e sofrimento, funciona como uma espécie de contraponto da dor e da tristeza. O segundo diz respeito ao ca- ráter anarquista do palhaço, sua capacidade de ser e fazer coisas que, num contexto rotulado de normal, não poderiam ser feitas. Ele pode falar da feiura do nariz do rei ou expor os políticos corruptos sem correr o mínimo risco de ser punido por isto. Neste sentido, o palhaço pode ser o porta-voz de toda uma sociedade e instrumento para denunciar injustiças. A linha do tempo que une palhaços e bobos da corte é muito tênue e sempre apresenta o palhaço como um sedutor, aquele que seduz por meio do riso, uma linguagem universal que dispensa tradução. Em qualquer lugar do mundo, entende-se um sorriso. “O homem é o único animal que ri”, observou o filósofo Aristóteles e é esse sorriso que as pessoas estão perdendo ao longo da história. Cabe ao palhaço e à sociedade reavivar este lado cômico que cada pessoa tem: o fazedor de graça. Neste sentido, um contato mais próximo com o universo circense e com o palhaço faz-se necessário como processo humanizador. Nossas crianças, ávidas por saber, estão relegadas ao esquecimento quando o assunto é sensibilizá-las para as pequenas coisas da vida. Quando pequenas, são iluminadas pela simples presença de um nariz redondo e vermelho, mas quando deixam a infância despedem-se também da beleza e da simplicidade das pequenas emoções. Levar o palhaço para dentro da sala de aula propicia esse retorno à ingenuidade, resgata esse lado não só das crianças, mas também dos lhaço por trás da máscara, livre de sutilezas ou de conveniências sociais. A linguagem do palhaço No trapézio da escola Spasso, aluna inicia-se nas artes circenses adultos. A família interage recordando a infância e suas primeiras palhaçadas. Para Beatriz Sayad, integrante dos Doutores da Alegria, (...) “ser palhaço é encontrar modos de se mover, de falar, de olhar, que deslocam o sujeito do estado cotidiano e o introduzem no estado ‘palhacesco’. Escrever sobre palhaços é escolher palavras aptas a jogar com a poesia, com o desenho, com as ideias, com o improviso.” Refletindo sobre o assunto, surgiu a ideia de trabalharmos o tema “A linguagem do palhaço”, com nossos alunos do 5º ano, do Colégio Efigênia Vidigal COC, visando as relações sociais que são estabelecidas, no cotidiano, através da fala do pa- Normalmente o circo é muito lembrado nas festas infantis, mas numa escola, estudar circo, como? Para quê? Para ser feliz. Quer motivo mais nobre? Apresentamos o assunto “A linguagem do palhaço” e os alunos abraçaram a ideia, iniciando uma pesquisa sobre o tema circo. Fizemos excursão a uma escola de circo de Belo Horizonte, a Spasso. A proposta era que nossas crianças vivenciassem um pouquinho do que acontece no circo. Foi um sucesso, elas adoraram. Muitas decidiram, com o apoio de suas famílias, fazer aula nesta escola e puderam perceber também que os profissionais do circo precisam se preparar física e mentalmente para exercer suas atividades. Vários alunos não tinham a ideia de ter o trabalho circense como profissão. Além de descobrir quantos profissionais estão envolvidos e como é amplo o tema, eles tomaram contato com o trabalho social desenvolvido por esta escola de circo, com crianças e adolescentes carentes. De volta a nossa escola, munidos de muitas fotos, decidimos montar um mural intitulado “O que o circo nos ensinou” e criar um filme nas aulas de Informática, reproduzido em DVD para cada aluno, contendo, também, diversas atividades. Outro aspecto importante dessa visita foi a percepção de como é importante o AMAE educando - 375 . Outubro . 2010 9 trabalho em grupo, a ajuda mútua, a disciplina e a solidariedade para se obter sucesso nas apresentações. Assim deve ser também na vida. Propusemos que fosse escolhido um dos profissionais do circo para orientar a pesquisa. Não tivemos nenhuma surpresa, em todas as turmas o palhaço foi o escolhido. Surgiu daí o projeto que seria apresentado na Mostra Científico-Cultural da escola, um evento que tem a participação de toda a comunidade escolar – “Palhaço: sou riso que faz bem!” Os objetivos que orientaram o trabalho foram: •conceituar o termo palhaço; •apresentar as origens da arte do palhaço em algumas das suas inúmeras facetas; •questionar sua função social, por trás da máscara; •vivenciar a arte do palhaço e compreender o seu olhar sobre os aspectos da saúde e da sociedade na qual ele está inserido; •perceber que a imagem do palhaço pode ser utilizada em situações em que haja injustiças, agressões, deboches e qualquer outra situação constrangedora. “Palhaço: sou riso que faz bem” Para iniciar o estudo sobre os palhaços, as professoras fizeram uma surpresa para os alunos: convidaram um palhaço para uma visita à sala. Foi um sucesso, eles realmente se surpreenderam e ficaram muito motivados para o trabalho de pesquisa sobre tipos de palhaços e palhaços famosos. Juntamente à pesquisa, nas aulas de Literatura, eles leram O livro do palhaço, de Cláudio Thebas, da Companhia das Letras. Depois da visita foi solicitado aos alunos, como atividade Aula de Arte propicia mais cor e alegria: palhaços enfeitam a sala 10 AMAE educando - 375 . Outubro . 2010 de casa, que escrevessem uma notícia sobre o acontecido. Uma delas foi divulgada no site da escola para que toda a comunidade escolar pudesse acompanhar o projeto. Dando continuidade ao trabalho e tendo as famílias como parceiras, foi elaborada uma atividade que seria realizada com elas em que se perguntava o que lhes remetia a palavra palhaçada. Diante das respostas, foi possível organizar com os alunos um debate sobre as várias facetas de um palhaço: a irreverência, a alegria, a ingenuidade e a gentileza. Surgiu daí a ideia de juntar a este projeto outro, que já estava sendo desenvolvido pelas turmas desde o início do ano, nas aulas de Educação para Paz, disciplina que faz parte do currículo da escola, projeto denominado “Gentileza gera gentileza”. Uma das atividades propostas foi, num festival de dança realizado pelos alunos num shopping do bairro onde a escola se localiza, a apresentação da música “Gentileza”, de Marisa Monte, em que a intérprete conta a história do criador da frase: “Gentileza gera gentileza”. Em seguida, os alunos entregaram flores para as pessoas presentes no evento, um ato gentil do qual o mundo tanto precisa. De volta à sala de aula foi debatido, através de notícias trazidas pelos alunos, o que pode causar a falta de gentileza no trânsito, que tem se apresentado cada vez mais caótico nas cidades grandes. Não foram poucos os alunos que relataram o comportamento agressivo dos próprios pais no trânsito, o que nos faz reafirmar o papel importante que a escola exerce na formação dos cidadãos. Doutores da alegria A apresentação do filme Doutores da Alegria documentou a história de palhaços profissionais que realizam trabalhos com crianças em hospitais em todo o Brasil. Em Belo Horizonte, esse trabalho é realizado no Hospital das Clínicas. Os alunos puderam perceber, através do depoimento de médicos, enfermeiros e familiares, o quanto faz bem a alegria na vida de um doente, o que nos leva a acreditar na célebre frase: “Rir é o melhor remédio”. Além disso, o documentário apresentou a ideia de que o tratamento com remédios, dietas, enfim, o que a ciência indica é de fundamental importância na recuperação do paciente. Esses dois tratamentos – riso e medicação – funcionam bem se caminharem juntos, tendo sido essa ideia reforçada pelas professoras, no debate, após o filme. Os Doutores da Alegria publicam todos os anos um livro com o balanço dos trabalhos realizados. Os da- tudados, como Yara Tupinambá. Nessa proposta, a mãe de um aluno, que é pintora, trouxe seu quadro de palhaço para mostrar aos alunos e os ajudou a desenhar palhaços famosos: Arrelia, Carequinha, Torresmo, Didi, Charlie Chaplin com seu personagem Carlitos e outros. O estudo sobre Chaplin foi realizado principalmente através de seus filmes. As professoras contaram um pouco da vida dele e o que ele “ Valia aí rir com o outro e não do outro. “ Tendo em vista que no 5º ano estuda-se o corpo humano com o objetivo maior de saber cuidar do próprio corpo, procurou-se propiciar a interdisciplinaridade, propondo-se, nas aulas, o debate sobre um mal moderno: o estresse. Também foi planejada uma aula de Arte para a criação de palhaços com diversos materiais, numa releitura do artista plástico Vik Muniz, que utiliza materiais inusitados para recriar possibilidades de apresentar e perceber o mundo. Ainda foi proposta a criação, em conjunto, de um palhaço, com materiais trazidos de casa. Os palhaços de cada turma receberam nomes e foram expostos na Mostra Científico-Cultural. Todos puderam tirar fotos junto aos palhaços, numa alusão ao que acontece em diversos locais, inclusive como lembrança, em alguns circos. Alguns artistas que retrataram palhaços em suas telas foram es- dos contidos neste livro foram usados para propor atividades de matemática, em que se trabalhou a leitura de gráficos e tabelas. Os alunos foram orientados pelas professoras para o fato de que a leitura desses instrumentos, com dados organizados, é uma das várias formas de se obter informações, bem como sua leitura habitua o aluno a analisar todos os elementos significativos presentes em uma representação gráfica, evitando interpretações parciais e precipitadas. Como todo projeto pretende ir além dos muros da escola, é de suma importância que sejam observadas atitudes geradas pela sua realização. Uma aluna trouxe para a sala um livro dos Doutores da Alegria e propôs aos colegas que a cada compra de um exemplar outro seria doado a uma criança. Ela incentivou a turma a adquirir o livro, como um ato de gentileza para com essas crianças que seriam beneficiadas. significou na história do cinema mundial. Considerando o interesse dos alunos pela música, foram criados raps e paródias sobre o tema gentileza. Essas canções foram gravadas pela Rádio da Escola e apresentadas na mostra, propiciando a reflexão sobre a importância da gentileza na vida das pessoas. Esse recurso foi expressivo para envolver todo o corpo docente e discente, já que com o projeto pretendíamos provocar mudanças de atitudes, visando o bem social. Ainda como proposta de produção textual, as professoras pediram aos alunos que trouxessem de casa textos que os divertiam, entre eles crônicas e piadas, mas foram orientados a terem o bom-senso e ética na escolha, dispensando os textos discriminativos, por exemplo. Valia aí rir com o outro e não do outro. Em sala, vários grupos de leitura foram formaAMAE educando - 375 . Outubro . 2010 11 Alunas exibem, felizes, o seu lado palhaço de ser, deixando aflorar aspectos ingênuos e risíveis dos e alguns textos dramatizados, fazendo as aulas de leitura ficarem mais divertidas. Em seguida propôs-se aos alunos que, em duplas, produzissem seus próprios textos engraçados. Depois de corrigidos viraram um livro: O livro das palhaçadas. Atitudes e comportamentos Foi grande a participação dos alunos e familiares neste projeto que tinha, também, como meta ampliar os aspectos ingênuos, puros, humanos e risíveis do nosso próprio ser, confrontando cada um com seu palhaço interior, mostrando os recantos escondidos da personalidade, aflorando o caráter humano. 12 AMAE educando - 375 . Outubro . 2010 Pudemos observar mudanças de atitudes e comportamentos, dentro e fora de sala de aula, devido ao fato de ter o trabalho permitido que os alunos: •aceitassem que todos nós temos um pouco de palhaço em nosso interior; •percebessem que a linguagem do palhaço está presente em nossa comunicação com o outro; •constatassem a importância do palhaço para ampliar relações solidárias; •reconhecessem que os palhaços são como a vida: inusitados, loucos, apaixonantes. Por tudo isso, concluímos que devemos ser como palhaços: atrapa- lhados, sinceros, espontâneos, solidários, alegres, gentis, com bom humor e, acima de tudo, verdadeiros. Essa é uma arte bem mais profunda do que imaginamos, pois precisamos estar livres das máscaras sociais adquiridas com o passar do tempo. Ao utilizarmos os materiais didáticos que julgamos adequados e agirmos como profissionais mediadores, o trabalho revelou-se significativo para o aluno, permitindo reflexão, entendimento, formação de opinião, integrando, assim, um novo conhecimento ao seu repertório pessoal. A linguagem do palhaço através do riso levou criticidade, alegria, paz e solidariedade aos nossos corações e mentes.