Número 4 - Ano 2 - junho de 2011
Presidente Prudente
Faculdade de Comunicação Social de Presidente Prudente
FACOPP - UNOESTE
ALEGRIA
Jovens fazem do
aprendizado uma
lição de vida
Das salas de aulas para o hospital.
Acadêmicos da Unoeste se unem para
levar esperança aos que precisam
COTIDIANO
Xiii! Esqueci...
Com certeza você já
deixou, ou perdeu seu
guarda-chuva, suas
chaves, seus documentos
em algum lugar
IDENTIDADE
Sua Tribo, sua cara
Tribos urbanas, um modismo
ou uma opção de vida?
Especialistas explicam sobre
essa tendência no mundo
dos jovens
ENSINO
Adeus, caderno
A tecnologia já está presente
na sala de aula. Hoje, cada vez
mais, é fácil encontrar alunos
usando notebooks ao invés do
tradicional caderno
1
CARTA DO EDITOR
O
que fascina o trabalho do
jornalista e o que o torna mais
prazeroso, é simplesmente
não ter rotina, cada dia uma pauta,
uma ideia, uma conversa diferente.
Como fazer então uma foto para
esta edição?
Em meio a doces e muitos
pães, lá estava eu “chorando”.
Calma! Isso tudo foi para a produção
de uma única foto, no estúdio de
fotografia da Facopp. Eram quase
dez horas da noite e eu ajudando
a “aspirante” (como eu) a jornalista
Lidiane Trepiche a cortar uma cebola
para compor um prato de salada.
Vira mais para esquerda, arruma
para a direita e liga o flash. Depois
de muita dedicação, lá estava a
foto produzida especialmente para
reportagem que vocês irão conferir
sobre qual é a dieta ideal para você.
A revista “Contemporânea”
está na sua segunda edição e é
feita por nós, alunos de Jornalismo
2
Os
bastidores
da revista
da “Faculdade de Comunicação Social de Presidente
Prudente” a Facopp. Com reportagens criativas, fotos
e paginação diferenciada, esperamos agradar você,
que é nosso principal motivo para existir.
O seu interesse é pelo esporte, conheça então
as inovações nas academias, e como se preparar
para fazer um bom alongamento antes das atividades
físicas.
Na editoria de saúde, a nutricionista Luci
Mara Yamada explica as causas da obesidade e dá
dicas de uma dieta nutritiva e saudável.
Potencialize a tecnologia a seu favor,
hoje notebooks são utilizados no aprendizado por
professores e alunos. Saiba mais sobre a “geração Y”,
especialistas explicam aqui na “Contemporânea” o
que são essas novas gerações, como surgiram e como
a tecnologia vem sendo inserida na nossas vidas.
Esquecer as coisas parece algo comum no
dia a dia, por isso, o repórter Thiago Júnior foi até o
departamento “ de achados e perdidos” da Unoeste
e conferiu de perto o que alguns esqueceram por
lá. Acreditem, até notebook já foi deixado. Tudo
misturado a muito bom humor.
Esta edição veio recheada de novidades e
informação. Boa leitura.
Mariana Gouveia
Diretora de redação
EXPEDIENTE
Diretor da FACOPP: Profº. Munir Jorge Felício
Coordenação de Jornalismo: Profª. Carolina Costa Mancuzo
Edição: Profª. Giselle Tomé
Produção: Alunos do 7º B de Jornalismo
Projeto gráfico e diagramação: Profº. Marcelo Mota
Realização: FACOPP - Faculdade de Comunicação Social
“Jornalista Roberto Marinho” de Presidente Prudente
3
SUMÁRIO
07
4
SAÚDE
Alongamento e aquecimento:
qual a diferença?
10
TUDO EM UM SÓ LUGAR
12
NOTA 10
16
ESQUECIDOS
18
SOBREPESO
21
EDUCAÇÃO
Academias inovam e
diversificam serviços
Acadêmicos da Alegria:
uma aula de solidariedade
Cadê meu guarda-chuva?
Como saber se a dieta está
certa?
O ensino em sala, na era do
Notebook
ENTREVISTA
24
ENSINO
27
EXCELÊNCIA NACIONAL
39
SER DIFERENTE
32
TRIBOS
34
Escritora publica diário que
descreve as facetas da anorexia
Fim do diploma não influencia
na escolha do curso
Enade coloca Facopp entre
as melhores
Trabalhos ultrapassam
fronteiras acadêmicas
Adolescentes se reúnem em
busca de formar identidade
tti
amacio
R
Lucas
Após quase perder a
vida com a anorexia,
Valéria Soares supera
os desafios da
doença e lança livro
5
ARTIGO
Diploma e
muito mais!
Marcela Mendes
J
á não é de hoje que ouvimos falar
que só o diploma universitário já
não é garantia de emprego certo
pra ninguém. De um tempo pra cá,
as buscas por um bom emprego vem
sendo mais complicado, e as empresas
estão exigindo cada vez mais dos
candidatos.
Há um tempo, o sonho dos pais
era ver os filhos formados. Pronto! Isso
era a certeza de um futuro promissor
e certo para seu filho. Errado! Hoje
se o “filho” não desenvolver cursos,
especializações, e buscar sempre
ter um diferencial a mais dos demais
candidatos diplomados na mesma
área, esse futuro promissor pode não
ser tão certo assim.
O que podemos dizer é
que mudanças foram realizadas
nas plataformas de empregos.
Trabalhadores tiveram que mudar
hábitos ao se tratar de tecnologias, ou
seja, tiveram que se adaptar a esses
novos recursos da humanidade ou
ficariam para trás.
O professor da PUC-Rio
José Márcio Camargo em entrevista
6
para o jornal O Globo, diz que já houve avanços de
especializações de ex-alunos que buscam empregos
no mercado de trabalho no Brasil, “porém ainda
muito pouco”. Para ele o desenvolvimento do país
acaba sofrendo sérias conseqüências com a baixa
qualidade de alunos diplomados.
É uma pena a gente saber que o nível de
escolaridade no país ainda é muito baixo, isso pode
ser o maior motivo dessas exigências da empresas
hoje. Talvez com uma boa qualificação estudantil,
não fosse preciso tantas exigências.
Uma pesquisa realizada pelo IBGE (Instituto
Brasileiro de Geografia Estatística) nas seis regiões
metropolitanas do país, mostra que em 2010 o nível
de emprego para pessoas com diplomas aumentou
cerca de 3,1% em oito anos. Porém, especialistas
dizem que mesmo assim a qualidade dessas
pessoas empregadas e desempregadas com nível
superior ainda é muito baixo.
O avanço das tecnologias faz com que
profissionais tenham a consciência e buscam se
aprimorar e ter maior nível de capacitação. Mas não
sabemos se esse ritmo é suficiente.
O fato é que por talvez acharem que já
estudaram demais, muitos não se aprimoraram e
isso faz com que os salários se mantenham estáveis.
Este cenário faz com que o País ofereça profissionais
menos qualificados.
RESPONSABILIDADE E SAÚDE
Alongamento e
aquecimento: qual a
diferença?
Antes de praticar atividades físicas é
importante realizar esses exercícios
para evitar lesões graves
Danuza Azevedo
P
raticar exercícios físicos e manter o corpo sempre em movimento
são dicas fundamentais para pessoas de qualquer idade. Porém
é preciso ter alguns cuidados na hora de praticá-los. Segundo o
professor doutor em Fisiologia Humana do curso de Educação
Física da Unoeste (Universidade do Oeste Paulista), Jair Rodrigues
Garcia Junior, é “importante que antes da prática de qualquer atividade, as
pessoas e os atletas façam o aquecimento e o alongamento dos músculos.”
Isso para diminuir os riscos de lesões e proporcionar o desempenho máximo
em competições. Mas qual a diferença entre alongamento e aquecimento?
Garcia Júnior explica que o aquecimento pode ser entendido
como o aumento da taxa metabólica nos músculos. Significa que as reações
bioquímicas nas células musculares aumentam sua velocidade, preparando
os músculos para contrações e movimentos mais vigorosos. Ele ressalta que
o termo aquecimento não é utilizado por acaso, já que o músculo realmente
produz mais calor quando em contração. Já o alongamento é simplesmente
uma extensão dos músculos (contrário ao encurtamento, que caracteriza a
contração). Durante a execução de exercícios os movimentos são variados,
havendo encurtamento e extensão. Na fase de extensão pode acontecer
7
lesão muscular, por isso é importante fazer os
dois movimentos antes de qualquer atividade.
“Após a atividade física é necessário fazer apenas
o alongamento, pois os músculos tendem a ficar
num estado de contração parcial. O alongamento
permite que retornem à condição pré-exercício”,
conta.
O professor salienta, que o aquecimento
prepara os músculos para contrações e
movimentos mais vigorosos. “Um bom exemplo
é uma corrida de 100 metros, quando o atleta já
larga correndo em seu máximo”, exemplifica.
O alongamento também tem como
objetivo diminuir lesões, e ainda prepara os
músculos para a extensão quando há execução
de movimentos com maior amplitude em
competições esportivas. Um exemplo bem claro é
o da ginástica artística.
Garcia Júnior conta que o aquecimento
é feito de acordo com os exercícios que serão
realizados. “Para um jogo de futebol, é muito mais
importante aquecer os músculos das pernas do
que os músculos do tronco ou braços. Na natação
é o contrário”.
O alongamento mais comum é o
estático, ou seja, aquele em que é forçada a
Danuza Azevedo
Exercícios de aquecimento e alongamento podem
ser realizados por pessoas de qualquer sexo,
idade e nível de condicionamento físico
8
extensão do músculo até o limite, segurando por
10-30 segundos. Ele conta também que há um
tipo de alongamento chamado balístico, com
movimentos curtos que forçam gradativamente a
extensão dos músculos, no entanto, neste tipo há
risco de lesão, por isso não é muito utilizado.
Os exercícios de aquecimento e
alongamento segundo o professor podem ser
realizados por pessoas de qualquer sexo, idade e
nível de condicionamento físico. “Obviamente que
existem diferenças entre o aquecimento de um
iniciante no esporte e um atleta já experimentado.
O fator idade tende a limitar a flexibilidade dos
indivíduos. Dessa forma, quando vai realizar um
alongamento, a amplitude é menor. Porém, se a
pessoa se mantém fisicamente ativa na idade adulta
e realiza alongamento com frequência, a perda da
flexibilidade na senescência tende a ser menor”,
destaca.
Para finalizar o professor completa
dizendo, que cada indivíduo precisa respeitar
seus limites tanto na realização do aquecimento,
como de alongamentos. Apesar de ambos serem
de execução relativamente simples, é sempre
recomendável que haja orientação de um
profissional de Educação Física.
Danuza Azevedo
O alongamento
também tem
como objetivo
diminuir lesões
Danuza Azevedo
9
TUDO EM UM SÓ LUGAR
Academias inovam e
diversificam serviços
Setor investe em novidades como
massagens, salão de beleza, lojas e
lanchonetes
Alexandre Fama
S
uor, secado e mãos de molho. Falando
separadamente tudo parece uma grande
confusão e nem de longe parecem combinar.
Mas se você pensar separadamente, tudo se
encaixa em um novo filão do setor de beleza.
Para agradar os clientes, em especial aqueles que têm o
tempo cronometrado, as academias de Presidente Prudente
deixaram de ser somente um ponto de encontro para quem
busca um corpo perfeito. Hoje já é possível passar por uma
bateria de exercícios e sair lindos e belos. Como? Graças
a integração de novos serviços no mesmo ambiente da
malhação como limpeza facial, corte de cabelo, trato nas
unhas e massagem.
Vários desses estabelecimentos transformaram-se
em shoppings centers, pois além de todo tratamento estético
que oferecem, acomodam no mesmo espaço físico, lojas de
artigos esportivos, de perfumes, SPA, salão de beleza e até
lanchonetes.
Elaine Calderan Bianchi Silva, 34 anos, proprietária
de uma academia em Presidente Prudente, oferece os serviços
“atípicos” há cinco anos e conta que tudo começou pensando
na comodidade de seus clientes e no preenchimento dos
espaços vazios do estabelecimento. “Proporcionamos,
além dos serviços tradicionais como musculação e jiu-jitsu,
10
massagem, serviços de manicure, salão de beleza,
loja de cosméticos, perfumaria e cantina”, conta.
Tanta diversidade de serviços em beleza
e estética fizeram das academias uma manobra
comercial de grande rentabilidade, tanto para
os donos quanto para seus colaboradores
como esteticistas, massagistas, cabeleireiros,
maquiadores e empresários.
Proprietária de um salão de beleza numa academia
da cidade, Daniele Peres do Nascimento, 26, diz
que não se arrependeu em prestar seus serviços
neste setor, pois além de seus clientes regulares,
a cabeleireira ganhou outros. “Tive um grande
acréscimo no número de clientes, atualmente
50% deles frequentam a academia.”, comenta
Daniele.
Para os clientes as vantagens são boas,
principalmente no quesito tempo, pois ao optar
por um espaço para malhar, podem efetuar outras
tarefas de beleza em um só local.
Para Alba Sueli Spacino, 45, a integração
entre academia e os outros serviços traz
comodidade e ajuda na administração do tempo.
“Sou dona de casa, mãe e trabalho fora, e a
correria do dia-a-dia me fez optar pelo conforto de
poder fazer tudo num mesmo lugar”, comenta.
Variedades em produtos e
serviços atraem cada vez mais
a atenção dos clientes
Alexandre Fama
11
NOTA 10
Acadêmicos da
Alegria: uma aula de
solidariedade
Grupo é formado por estudantes da
Unoeste que acreditam que bem-estar
é sinônimo de cura
Carolina Mescoloti
L
evar alegria em diversos ambientes e ajudar na humanização
dos acadêmicos. Estes são os principais objetivos do projeto
de extensão ‘Acadêmicos da Alegria’ da Unoeste (Universidade
do Oeste Paulista).
O projeto teve início em 2002 sob coordernação da
docente Juliana Neves Russi Garcia, que após assistir a apresentação
dos ‘Doutores da Alegria’ em São Paulo, decidiu implantar o projeto na
faculdade. “Tive a ideia porque fiquei encantada com o trabalho que
os doutores realizavam. Em 2000 o projeto era apenas experimental,
ainda com poucos alunos, após dois anos ele foi oficializado e se tornou
um projeto de extensão multidisciplinar para vários cursos da Unoeste”,
afirma.
O ‘Acadêmicos da Alegria’ é aberto à todos os graduandos da
Unoeste com ênfase nos cursos da área da saúde: Medicina, Enfermagem,
Fisioterapia, Nutrição, entre outros. Os alunos dedicam algumas horas
12
Eduardo Oliveira
Com acessórios alegres, estudantes
transformam clima tenso do hospital
em descontração
do dia para visitar pessoas em creches, escolas,
postos de saúde e hospitais. Vestem-se de forma
divertida, utilizando acessórios como nariz de
palhaço, chapéus, arquinhos e maquiagem.
De acordo com a professora os
conceitos do projeto são a formação do perfil
profissional e humanitário de cada indivíduo.
“Através do contato direto com o paciente
os alunos podem vivenciar na prática, o que
aprendem na teoria. Mais do que qualquer
diagnóstico ou cuidado com o paciente, eles
aprendem a lidar com situações psicológicas, daí
a importância da humanização e preparação do
profissional”, ressalta.
Juliana conta que na formação de
grupos de alunos há sempre uma preparação
para o desempenho das funções de ‘Acadêmicos
da Alegria’, com reuniões explicativas de como
lidar com cada pessoa. “Deixamos claro aos
alunos que cada pessoa reage de uma maneira.
Alguns sentem dores e têm limites, outros não
aceitam a ação dos alunos, por isso é importante
o bom senso e a preparação antes do contato
com os pacientes”, conta.
Para Vinícius Cruz Prieto da Silva,
21, aluno do 3° termo de Medicina, o trabalho
que realiza é importante para seu crescimento
profissional. “É gratificante saber que levamos
alegria a quem necessita. Percebo uma grande
carência dos pacientes que estão nos hospitais,
13
Eduardo Oliveira
até mesmo em relação aos seus companheiros
de quartos, muitos ficam no mesmo local sem
trocar uma só palavra, o trabalho dos ‘Acadêmicos
da Alegria’ é tornar o ambiente menos hostil e
proporcionar interação entre as pessoas”, explica.
Luciana Terra Louzada Santos, 20, aluna
do 4° termo de Medicina conta que a melhora no
tratamento dos pacientes é nítida após as visitas dos
alunos. “Percebemos a mudança até na expressão
facial de cada um, não só as crianças, mas os
idosos e adultos se abrem mais conosco, contam
histórias, conversam e brincam. O trabalho é muito
compensador”, diz. Luciana explica que no hospital,
alguns pacientes se sentem marginalizados,
depressivos e coagidos.
“Tentamos explicar e levar descontração
para este ambiente, pois sabemos que não é
um local onde gostariam de estar. Mas, que o
bom astral pode mudar o modo como encaram a
situação, auxiliando e acelerando a melhora do
tratamento”, cita.
14
Acadêmicos da Alegria:
Trabalho de extensão da
Unoeste leva alegrias a
diversas pessoas
A aluna diz que percebeu mudanças
também em sua própria vida. “O meu relacionamento
e minha comunicação com as pessoas mudou. Hoje
percebo que sou uma pessoa mais calma, tenho mais
coragem em tomar decisões e me sinto mais humana”,
diz Luciana.
Gabriella Ferrari de Paula, 25, aluna do
quarto termo de Medicina, presenciou a amizade
e a evolução de dois pacientes no hospital. “Havia
dois senhores que ficavam isolados no mesmo
quarto devido a uma doença contagiosa, porém eles
não conversavam. Após a visita do ‘Acadêmicos da
Alegria’ eles se tornaram amigos e encontraram
uma maneira de passar o tempo juntos, assistindo
a filmes. A cada retorno ficava feliz, pois eles me
contavam novas histórias sobre os filmes que tinham
assitido”, declara.
Os ‘Acadêmicos da Alegria’ querem ainda
divulgar as ações que realizam por meio de um blog na
internet. Segundo uma das integrantes o objetivo é que
todos conheçam o trabalho realizado pelos alunos.
15
ESQUECIDOS
Cadê meu
guarda-chuva?
Unoeste oferece serviço de
“Achados e Perdidos”
Thiago Junior
A
correria do dia a dia e a vida mais atarefada trazem
algumas consequências ao homem. Uma delas é o
fato das pessoas estarem mais esquecidas. Quem
nunca perdeu uma chave, um documento ou algum
objeto em determinado lugar? Hoje se exige mais
da memória do que antigamente, com isso há uma sobrecarga
mental que ocasiona o esquecimento. O psicólogo Igor Costa Pablo
Melo, 34, revela dois fenômenos que contribuem de forma direta
para o aumento desse fator. “Hoje a quantidade de informação que
recebemos e a valorização que se dá à memória é muito maior que
há tempos atrás”, afirma. Melo ressalta ainda que o nível de estresse
também influencia para que as pessoas se esqueçam das coisas.
Na Faculdade de Comunicação Social Jornalista Roberto
Marinho de Presidente Prudente (Facopp) existe um setor específico
para quem esquece seus pertences que é conhecido como Achados
e Perdidos. No local é possível encontrar de tudo: capacete,
cadernos, uma grande quantidade de documentos, jalecos, bolsas e
por aí vai. “O pessoal esquece mais cadernos, livros, guarda-chuva,
16
Thiago Júnior
Jonas Marques, responsável pelo
departamento da Faculdade, mostra
um notebook que foi esquecido por
um aluno
Thiago Jú
nior
Setor de “Achados e Perdidos”
da Facopp – muitos objetos
são deixados na faculdade
pelos alunos
blusas e óculos, mas uma vez, encontraram uma
bolsa com um notebook”, relata Jonas Marques, 35,
auxiliar de secretaria da Unoeste. Marques comenta
que poucos alunos sabem do serviço, tanto que
demoram para procurá-los.
A aluna do 7° termo de publicidade,
Cristiane de Cursio, 34, já vivenciou a situação. Ela
perdeu um caderno e o estojo com vários objetos
dentro. “Tinha chave, documento, pen-drive e por
isso fiquei meio chateada”, diz. Como não sabia da
existência do setor, ela foi perguntando para um e
outro, até descobrir que na faculdade existia este
serviço. Cristiane foi até o local do departamento,
onde teve a sorte de encontrar o material.
FACILIDADE
A Facopp possui seu próprio departamento de
‘Achados e Perdidos’, que fica na Hemeroteca
do curso. Porém, existe outro lugar que atende
todo o Campus II da Unoeste. Fica localizado
no Departamento de Áudio, no 1° andar na
entrada do bloco, para quem entra pela fonte.
Quem perder ou achar algum pertence dentro da
faculdade, é só procurar o setor.
17
SOBREPESO
Como saber se a
dieta está certa?
Dados do IBGE comprovam que
quase metade da população
brasileira está acima do peso
Lidiane Oliveira Trepiche
S
egundo pesquisa do Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE) quase
metade da população brasileira, com 20
anos de idade ou mais, está acima do
peso, sendo que desses, cerca de 15%
são considerados obesos. Muitos acreditam que a
obesidade constitui somente estar acima do peso,
mas especialistas já a consideram como uma doença.
O sonho de pessoas que chegam a este
estado é conseguir emagrecer através de algum
método. A dieta e a atividade física são eficazes
e trazem, além da perda de peso, vários outros
benefícios para a saúde. No caso da dieta deve-se
buscar a mais adequada para cada biótipo. Mais qual
seria a dieta certa?
Um problema comum entre as pessoas
que fazem dietas é a falta de acompanhamento
especializado. O profissional de nutrição é especialista
nesta área e pode ajudar você a encontrar a dieta
certa. Para a nutricionista Luci Mara Miura Yamada a
18
obesidade é uma doença crônica caracterizada pelo
acúmulo de peso, por isso deve-se buscar a dieta
mais adequada para cada tipo de pessoa.
Ana Lucia Bergara, 46, doméstica, diz já
ter tentado todos os métodos de emagrecimento,
pois estava a busca do corpo ideal. “Parecia que
nada resolvia o meu problema, ficava dias sem
comer mais as “gordurinhas” insistiam”, explica.
Após muitas tentativa de emagrecimento,
Ana Lucia procurou uma nutricionista onde fez
avaliações, exames e iniciou uma dieta indicada pela
mesma. Depois de um mês, lá vem aexpectativa
de subir na balança. Seguindo a risca a dieta
recomendada, percebeu a perda de 4 kg.
Adoção de salada na
rotina e redução de
alimentos calóricos
ajudam na perda de peso
Mariana Gouveia
19
Luci Mara esclarece que para quem tem
o objetivo de perder peso o essencial é reduzir a
ingestão calórica. Uma dieta balanceada fornecerá
calorias e nutrientes para que o organismo funcione
perfeitamente sem desequilíbrios. Ela explica
também que algumas dietas da moda promovem
perda de peso pelo desequilíbrio de nutriente, que
em curto prazo até tem um resultado satisfatório, no
entanto não duradouros.
Reduzir medidas rapidamente pode
provocar alterações no metabolismo, diz a doutora.
A melhor dieta é aquela que se faz uma educação
alimentar, onde o obeso tem que fazer a ingestão
de todos os nutrientes dentro das necessidades de
calorias. Ainda segundo a nutricionista cada caso
é avaliado de forma isolada para indicar passos
para modificar erros alimentares. Por isso não se
deve generalizar o plano de dieta. “Cada pessoa
tem um ritmo de vida diferente, suas rotinas, suas
preferências, e até mesmo a condição financeira
poderá determinar qual conduta tomar em cada
caso”, completa.
Para saber se você é considerado obeso,
basta fazer o cálculo, dividindo o peso do individuo
em KG, pela altura ao quadrado (altura x altura) em
metros.
MC =
Peso
(Altura X Altura)
Obtém-se assim um número seguindo de KG/
m2 que deve ser interpretado da seguinte
maneira, segundo classificação adaptada
pela Organização Mundial da Saúde (OMS):
Classificação IMC – Adultos (OMS 1997)
< 18,4
18,5 – 24,9
25,0 – 29,9
30,0 – 34,9
35,0 – 39,9
>40
20
Magreza
Eutrofia
Sobrepeso
Obesidade grau I
Obesidade grau II
Obesidade grau III
EDUCAÇÃO
O ensino na era
do notebook
Professores devem preparar-se para o uso
da tecnologia como forma de interação
com os alunos
Marcos Correa
V
ivemos em uma época de rápido
desenvolvimento e crescimento das
tecnologias, tais como acesso a redes
globais de computadores, ao correio
eletrônico, a bases de dados, bibliotecas
virtuais, a uma enorme oferta de software, etc. Esse
progresso provoca mudanças enormes na organização
da nossa vida.
Devido a esse rápido desenvolvimento da
tecnologia, percebemos cada vez mais nas escolas
e universidades que os alunos se adaptam e levam
até a sala de aula os meios de fácil locomoção
como: o notebook ou netbooks e outros. A pesquisa
da International Data Corporation (IDC), divulgada
pela UOL, no dia 17 de fevereiro, destaca também
que 2011 é o começo da década da mobilidade e
estima que pela primeira vez na história, as vendas de
notebooks serão maiores que as de PCs. Relata que
os smartphones vão se tornar o computador do futuro
e ultrapassarão este ano as vendas de notebooks no
Brasil, segundo projeções da IDC.
Com essa novidade, o caderno muitas vezes
já é substituído na hora da anotação. “Essa geração
‘y’, que é de pessoas nascidas da década de 80 pra
21
Doutora em educação,
Raquel Rozan na ‘lousa’
da nova geração de
alunos
Produção Marcos e Taciba
22
cá, é uma geração nativa digital. Essa geração não
sabe ficar sem game, celular e sem o computador”
diz Moacir Del Trejo, diretor da FIPP (Faculdade de
Informática de Presidente Prudente).
Para o aluno Everton Souza, 21, do 6º
termo de Publicidade, usar esses aparelhos em
sala é estar atualizado. “Eu acredito que quem
ainda não usa o notebook, está ultrapassado. Você
tem mais agilidade, pode resolver muitas coisas
ao mesmo tempo. Eu mesmo muitas vezes, faço
várias coisas na sala e não tira minha atenção”.
Se pensarmos nestas mudanças e nas
implicações que podem ter nos processos ensino
aprendizagem, ficamos confrontados com uma
série de dúvidas, mas também adquirimos algumas
certezas. Uma é que o aproveitamento destas
novas tecnologias implica uma mudança nas
formas de ensinar e aprender. Segundo a Doutora
em Educação Raquel Rozan, 39, quando se pensa
em informática na educação (hoje conhecida
pelo termo TIC - Tecnologia de Informação e
comunicação), existe um grande desafio. “É a
preparação, a formação dos professores. Pois o
primeiro obstáculo que nós encontramos não é
propriamente a inexistência das TICs nas escolas,
mas é o obstáculo que professor tem em usar essa
TIC. Ele não contemplou, não pensou no uso desse
meio como uma ferramenta”. Raquel ressalta que
essa é a primeira dificuldade. “Esse professor ainda
não esta preparado pra essa tecnologia”.
O uso de textos, vídeos e sons (talvez
até o aproveitamento de outros sentidos)
pode revolucionar os processos de ensino e
aprendizagem. A palavra base deste tipo de ensino
é “interatividade”. Trata-se da mudança de um
ensino onde é limitado o papel do aluno na busca
de informação e em que ele se adapte à informação
existente. Ainda segundo Del Trejo, hoje a tecnologia
não faz revolução nenhuma, ao mesmo tempo que
ela pode ajudar, pode também atrapalhar. “Tudo se
resume na preparação do professor em usar essa
tecnologia em sala”.
Natiele Rallo, 19, aluna do 5º termo de
jornalismo, fala que é importante o uso dessas
plataformas desde que o docente esteja preparado.
“É válido, mas o professor tem que estar interado
junto ao aluno. Mas acho muito interessante usar
esses meios na sala”.
De acordo com Raquel Rozan, a escola
está inserida no mundo atual, exige cada vez mais
a presença da tecnologia, onde o aluno em seu
dia-dia convive com essa novidade. Ela enfatiza
que o professor tem que ser criativo e usar a
tecnologia no cotidiano escolar. Que hoje em dia
a aula não pode ficar restrita a alguns minutos de
um encontro presencial entre alunos e professores,
mas em busca da informação. “Os alunos, podem
utilizar o computador e construir no google doc um
texto em conjunto, e esse professor pode explorar
o texto com várias visões. As vezes pode utilizar
por exemplo, um celular, onde os alunos mandam
mensagens um para o outro discutindo um dado
assunto que foi visto em sala. O professor não é
mais aquele dador de aulas, ele é alguém que
instiga o aluno a procurar informação e construir o
seu conhecimento”.
23
ENTRE VISTA
Anorexia vira
tema de livro
A musicoterapeuta
venceslauense Valéria
Soares relata como foi
escrever um livro sobre
uma doença muito
divulgada e pouco
conhecida
A
Obra de Valéria Soares
fala sobre um assunto
pouco discutido
24
Lucas
escritora e musicoterapeuta Valéria
Soares, nascida em Presidente Venceslau
e atualmente residente em Taubaté (SP),
lançou em junho de 2010 o livro Diário
de uma anoréxica, pela editora Leia
Sempre. A obra resume experiências da escritora nas
penumbras do transtorno alimentar, doença que atinge
muitos jovens tanto na parte física quanto na psíquica.
Soares diz que o livro é um relato de luta, coragem
e determinação e que só assim pode-se vencer a
anorexia. Em menos de um ano o livro já vendeu oito
mil exemplares. Em entrevista para nossa reportagem,
Valéria Soares descreve como foi o processo de escrever
o livro e como é tratar de uma doença pouco conhecida.
Rama
ciotti
Eduardo Oliveira
Contemporânea - Como é possível identificar que alguém ou nós mesmos estamos com doenças
alimentares?
Valéria Soares - O transtorno alimentar está mais perto de nós do que imaginamos, geralmente
pessoas muito preocupadas com regimes constantes, insatisfação com o corpo, excesso de
exercício físico, tudo isso é um sinal, pois o transtorno alimentar abrange desde o não comer
(anorexia) ao comer demais (obesidade).
Contemporânea - Quando surgiu a ideia de escrever o “Diário de uma anoréxica”?
Valéria Soares - Na verdade nunca pensei em escrever um livro. Quando doente, escrevia o que eu
sentia. O fato de estar na área da saúde e saber que tinha desenvolvido um desarranjo psíquico
quase me fez enlouquecer. Escrevia porque ninguém da minha família entendia e eu não os
queria fazer sofrer mais do que já estava fazendo. Com o tempo me interessei pelo assunto, me
enfronhei num “mundo anoréxico” tentando entender sentimentos de outras pessoas para tentar
entender os meus. Pesquisei artigos científicos, li muitos livros e fiz correlação da doença com a
maternidade, algo que em 2010 a USP comprovou em artigos.
Contemporânea - A anorexia tem cura?
Valéria Soares - Anorexia é uma doença para o resto da vida. É como o alcoolismo onde é preciso
estar sempre alerta. Eu me sinto curada, sinto que dentro de mim há algo mais forte que a doença,
antes ela me dominava, hoje sou eu que mando em meus pensamentos e sentimentos. Vi com
muito sofrimento que a salvação da anorexia estava dentro de mim e só bastava eu acreditar, ter
coragem e determinação para tentar me curar.
Sei que preciso me cuidar para o resto da vida, mas descobri dentro de mim uma força maior,
tenho hoje “uma história de amor comigo mesma”. Nunca mais me permitirei ser uma anoréxica,
pois felicidade e paz de espírito não têm preço.
Contemporânea - Para você, qual é o estágio mais difícil da doença?
Valéria Soares - O estágio mais difícil com relação à doença foi quando eu não sabia mais o que
fazer comigo mesmo. Olhava para meus filhos e pensava que eles seriam mais felizes se não
sofressem tanto por mim e por me ver morrendo sem querer comer. Dentro da anorexia tive início
de síndrome do pânico, depressão em altíssimo grau. Queria lutar pelos meus filhos, mas nem
forças para isso eu tinha. Isso era o que me deixava desnorteada, pois meus filhos são a minha
vida e tudo que sou fiz em toda minha vida foi pensando em poder dar a eles o melhor do que eu
tive dos meus pais.
Contemporânea - Como a família pode ajudar pessoas com transtornos alimentares?
Valéria Soares - A única ajuda é “dar amor e nunca abandonar”. Foi isso que recebi de minha
família, eles nada entendiam, sofriam como já falei. Mas eles estavam sempre ao meu lado me
dando amor, me dizendo para lutar por eles, que eu era uma mãe especial. Minha família nunca
me abandonou, em nenhum momento por pior que tenha sido.
E tenha certeza de que foi por eles que quis me curar. Quis me curar para ver um neto nascer.
Com o tempo vi que estava lutando por mim, estava feliz, sorria, gargalhava, fazia planos futuros e
conquistava meu grande sonho que era a cura.
25
Contemporânea - Como foi a reação da sua família e amigos quando o livro foi publicado?
Valéria Soares - Minha família reagiu bem com relação ao livro. Eu sempre disse que meu maior
desejo era fazer da minha história uma lição de vida para que muitas pessoas com transtornos
alimentares acreditassem na cura. E graças a Deus, hoje quando recebo um e-mail que recebo de
pessoas que lêem meu livro, vejo que elas querem lutar por elas mesmas, que minha história é um
exemplo, e que elas querem ser como eu: corajosa e determinada. Fico feliz com estas respostas.
Quanto aos meus amigos eles se surpreenderam e muitos me ligaram chorando, perguntando o
porquê de nunca ter contado o que acontecia comigo. Nunca contei a ninguém. Nunca usei minha
doença para que alguém sentisse pena de mim, pelo contrário, o dia que contei para os colegas de
trabalho, em 2009, vi minha equipe toda chorar e me abraçar, me elogiando e dizendo o quanto e
admiravam. Fizemos uma oração naquele momento (nunca vou esquecer este dia).
Eu quando doente, profissionalmente era uma pessoa que escondia uma dor inexplicável pra mim
e eu nem tentava explicar para outras pessoas o que nem eu entendia.
Contemporânea - Qual é o melhor passo para a aceitação do próprio corpo?
Valéria Soares - Eu sempre fui magra, deixei de comer com o tempo e passei a desenvolver o que
chamamos de “visão invertida”, me via gorda no espelho pesando 36 quilos. É uma doença muito
grave e leva à morte muito rápido.
O melhor passo para aceitar seu corpo é gostar de si mesma, é saber comer. Quem não sabe
comer corretamente é necessário uma reeducação alimentar, os nutricionistas são profissionais
fundamentais para este tratamento. Estar feliz com o corpo é definir uma mente saudável.
Contemporânea - A baixa auto-estima é a principal aliada da anorexia?
Valéria Soares - Sim, a baixa auto-estima está acoplada a depressão, tudo começa suavemente e
quando vemos estamos num caminho sem volta. Não sabemos o que fazer no meio do caminho.
Acredito que a anorexia (ou qualquer outro transtorno alimentar) vem de você estar feliz do jeito
que é e não se permitir ser influenciada por pessoas te dizendo: “você está gorda” ou “você está
magra”.
Quando há baixa auto-estima, a pessoa se contamina com todas as críticas recebidas e descarta
qualquer tipo de elogio, pensando inclusive que este elogio possa ser uma gozação.
Contemporânea – O que você diria para quem sofre de transtorno alimentar?
Valéria Soares – Há vários tipos de transtorno alimentar como anorexia (não comer), bulimia
(comer e induzir o vômito), vigorexia (compulsivos por academia à procura de um corpo perfeito),
ortorexia (vegetarianos excêntricos que chegam a não comer em uma cozinha onde se manuseou
carne), drunkorexia (trocar a comida pela bebida), compulsividade alimentar (comer loucamente
até toda comida acabar, até tudo ter fim – geralmente os compulsivos são bulímicos) e por fim,
a obesidade. Para todos, digo sempre que comer não mata, pelo contrário, a falta de comida é
que mata, então como podemos perceber o transtorno alimentar não tem equilíbrio, tudo é um
extremo.
O transtorno alimentar aparece na vida de uma pessoa quando ela passa por uma dor que não
sabe lidar com ela, ou com uma somatória de sofrimentos.
No meu livro deixei bem claro que o transtorno alimentar se desenvolve de dores fortes como:
abuso sexual infantil, alcoolismo, maus tratos na infância, doenças que trazem o risco da morte,
problemas ligados a maternidade.
26
ENSINO
Estrutura da
faculdade atrai
estudantes
Mais de 500 alunos cursam Comunicação
Social; mercado exige necessidade de
formação acadêmica
Rodolfo Vendramini
A
escolha de uma profissão faz parte do
início da vida acadêmica. E o curso de
Comunicação Social tem chamado
atenção cada vez mais dos estudantes.
Mesmo com a queda da exigência do
diploma para atuar na área, definida pelo Supremo
Tribunal Federal (STF) em junho de 2009, a procura
tem aumentado na Faculdade de Comunicação
Social “Jornalista Roberto Marinho” de Presidente
Prudente (Facopp).
O que antes era uma preocupação se
tornou uma motivação em proporcionar um curso
cada vez mais estruturado. Para o coordenador
da Facopp, professor Munir Jorge Felício, a não
obrigatoriedade do diploma já não influencia na hora
de escolher o curso, pois o mercado de trabalho exige
cada vez mais profissionais qualificados para exercer
a profissão. “A faculdade dispõe dessa qualidade de
27
Rodolfo Vendramini
Estrutura da Facopp
é referência em toda
região
ensino para atender a procura dos alunos. O curso
se tornou referência em toda a região, por oferecer
ao estudante uma estrutura qualificada que vai
fazer diferença no mercado”.
O que chamou atenção do estudante
de comunicação social, Paulo Guimarães, 17 anos,
foi a estrutura e a grade curricular da Facoop. “Eu
tinha dúvidas, mas pesquisando pela internet, a
grade e a estrutura me cativaram”. De acordo com
Felício, o mais importante nessa etapa em que
os discentes chegam a “todo vapor” é “mostrar a
teoria e a técnica do trabalho de um comunicador
social.”
Segundo a professora e coordenadora
do curso de Jornalismo, Carolina Costa Mancuzo,
no ano passado, 63 alunos se formaram e, neste
semestre, entraram cerca de 120. Ao todo, a
Facopp conta com 317 alunos no tronco comum,
84 em jornalismo e 144 na publicidade.
Rodolfo Vendramini
De saída
Alunos aprendem na
prática as técnicas
adquiridas em sala de
aula
28
Alunos chegam e outros vão embora.
Quem está de saída tem que se adequar num
mercado sempre competitivo. Especialização,
cursos rápidos, vale tudo para garantir um “lugar
ao sol”. É o caso da estudante de jornalismo Regina
Portela, 24, que está cursando o último termo. Para
ela a maior preocupação a partir de agora é colocar
em prática o que foi aprendido na faculdade. “Eu
quero vivenciar a profissão, e futuramente me
especializar”. O aluno de publicidade e propaganda
Antonio Xavier de Lacerda, 23, não pensa diferente,
ele garante que seu principal objetivo depois de se
formar, é garantir espaço para mostrar seu trabalho.
Preparar o aluno para esse desafio não
é tarefa fácil, mas a coordenadora do curso de
publicidade e propaganda Larissa Trindade, garante
que alunos estão saindo cada vez mais preparados.
“Eles estão vivenciando a pratica com os trabalhos
realizados aqui na Facopp, e nós tentamos mostrar
para eles áreas que mais crescem no mercado.”
EXCELÊNCIA NACIONAL
Enade coloca Facopp
entre as melhores
Exame aponta desenvolvimento
satisfatório dos alunos dos cursos de
Jornalismo e Publicidade
Rogério Lopes
A
Faculdade de Comunicação Social
Jornalista Roberto Marinho de
Presidente Prudente (Facopp) tem
se destacado em vários aspectos
através do trabalho realizado por
docentes e discentes. Uma das conquistas é o
resultado positivo na avaliação do Enade (Exame
Nacional de Desempenho de Estudantes)
nos cursos de Jornalismo e Publicidade e
Propaganda, que colocou o nome da Facopp
entre as melhores em qualidade de ensino no
Brasil.
A última avaliação, realizada no ano de
2009 e divulgada em 2010, mostrou a evolução
do curso de jornalismo que alcançou o conceito
quatro, resultado comemorado já que a média
mais alta do exame é a nota cinco. O curso de
Publicidade e Propaganda manteve o conceito
três, possibilitando desta forma a qualificação
do curso dentro das exigências feitas pelo MEC
(Ministério da Educação).
29
Rogério Lopes
Aulas são preparadas
visando a capacitação do
aluno para o mercado de
trabalho
“Os resultados são motivos de grande satisfação, uma
realidade compartilhada e comemorada por todos que fazem parte
da Facopp”, resume o diretor da faculdade, Munir Jorge Felício.
Ele explica que o exame avalia o desempenho dos alunos
que estão ingressando e terminando a faculdade para fins de uma
comparação. “Os conceitos obtidos demonstram uma crescente no
ensino e na absorção do conteúdo aplicado em sala de aula.”
O diretor ressalta que a nota também é resultado da estrutura física,
projeto pedagógico e qualificação dos discentes. “O Enade avalia
tudo, os professores, a estrutura da faculdade e os alunos”.
Solidez
Para a coordenadora do curso, Carolina Zoccolaro Costa
Mancuzo, o conceito quatro alcançado no Enade, coloca a Facopp
na frente de muitas faculdades. “Estamos entre as melhores do
Brasil”. Mancuzo diz que é muito gratificante ver que os alunos
estão absorvendo o que aprendem em sala de aula para depois
desempenhar no mercado de trabalho. “Os resultados dos alunos
demonstram o trabalho efetuado pelos professores”, afirma.
Assim, como o curso de Jornalismo, o de Publicidade e
30
Propaganda também apresenta bons índices.
O “topo” é algo almejado e com pretensões
concretas e reais. Larissa Crepaldi Trindade,
coordenadora do curso, lembra que estudar em
uma faculdade conceituada e com padrões de
qualidades necessários e reconhecidos pelo
MEC, é um diferencial na “luta” para conquistar
uma vaga de emprego. “Este exame reflete
o conhecimento do aluno que está entrando
na faculdade e daqueles que estão saindo
para o mercado de trabalho”. Trindade lembra
ainda que a partir do quinto termo já existe
uma preocupação em preparar e capacitar
o aluno até mesmo para o Enade, através de
um simulador com questões de conhecimento
geral.
O aluno Wemerson Luiz de Lima,
28, está no quinto termo de Publicidade e
Propaganda e garante que o conceito positivo
de uma faculdade é de total importância
durante e depois da formação. “O profissional é
bem visto nas empresas, pois estudou em uma
Exame Nacional
O Enade é um exame aplicado
aos alunos do segundo e oitavo termos de
cada faculdade, com intuito de avaliar o
conhecimento do aluno que está iniciando
os estudos, e o ensino e o aprendizado
adquirido por estes universitários no
término do curso. A avaliação leva em conta
toda estrutura dos cursos e tem que obter
uma nota mínima exigida pelo MEC.
faculdade com conceito melhor”. Já a estudante
de jornalismo, Alana Pastorini, 21, acredita que
a nota que o curso alcançou não vai influenciar
na sua vida profissional, “esta é uma nota geral
e não um resultado individual de cada aluno”.
Mas observa que a nota é importante para
analisar o curso. “Se eu fosse procurar outra
faculdade, iria ver isso”.
Rogério Lopes
Desempenho dos
universitários no Enade
caracteriza qualidade no
ensino da Facopp
31
SER DIFERENTE
Trabalhos ultrapassam
fronteiras acadêmicas
Projetos de conclusão de curso da
Facopp interferem diretamente na
sociedade prudentina
Paulo Fernandes
D
e um lado, o resgate histórico com personagens
e fotografias sobre a origem do cinema em
Presidente Prudente. Do outro, a ousadia de
mudar toda a identidade visual de uma rádio
local. Projetos consolidados que afetaram
diretamente a sociedade prudentina. O primeiro, concluído ano
passado. Já o segundo, finalizado há cinco anos ainda colhe os
frutos. O que esses dois fatos teriam em comum? Ambos são
projetos de pesquisas desenvolvidos por alunos de jornalismo
e publicidade, da Faculdade de Comunicação Social (Facopp)
“Jornalista Roberto Marinho” da Unoeste (Universidade do
Oeste Paulista).
O MEC (Ministério da Educação) determina que os
alunos de graduação façam esses projetos de pesquisas para
aplicar o conteúdo recebido em sala de aula, de forma que,
se aprovado por especialistas, atestam que o discente estaria
apto para exercer a profissão diante da sociedade. O mestre e
coordenador da Facopp, professor Múnir Jorge Felício, explica
que a Faculdade de Comunicação Social aplica dois métodos
de pesquisa. “Aqui na Facopp temos o TCC (Trabalho de
Conclusão de Curso), que é desenvolvido pelos graduandos
de jornalismos e o PEPP (Projeto Experimental de Publicidade
e Propaganda) pelos alunos de publicidade. Ambos são de
extrema importância e têm de fato o papel de interferir na
sociedade”.
32
No ano passado, o curso de jornalismo
da Facopp recebeu nota quatro no Enade (Exame
Nacional de Desempenho de Estudante), que
integra o Sinaes (Sistema Nacional de Avaliação
da Educação Superior), já o de publicidade obteve
nota três. De acordo com Felício, a nota máxima
do Enade é cinco. Esse fato qualificou a faculdade
entre os melhores do País. “Uma universidade
trabalha com três pilares: ensino, pesquisa e
extensão. Isso apresenta para o discente uma
gama de oportunidade, para que ele possa se
identificar com alguma dessas áreas.”
Segundo a coordenadora dos projetos
de pesquisas do jornalismo, jornalista Thaisa
Sallum Bacco, o TCC tem início no sétimo termo,
ou seja, no último ano da faculdade. “A princípio
neste termo é feito o pré-projeto. Os alunos
escolhem o tema, que é livre, começam a ler livros,
definem o título e o orientador. Já no oitavo termo
começam a aplicar as teorias e construir o TCC.”
Bacco ainda disse que, o Trabalho de Conclusão
de Curso ainda prevê uma peça prática. Uma
produção, também de escolha dos alunos, que
pode ser qualquer método ou veículo jornalístico.
“Rádio, televisão, jornal, site, assessoria de
imprensa, documentária, fotografia, tudo isso e
outros que estão dentro da área do jornalismo
podem ser escolhidos para a execução da peça
prática.”
No ano passado, o TCC de jornalismo
“Câmaras escuras e pensamentos filmados:
a descoberta do cinema prudentino” atingiu
grande repercussão e contribuiu para a sociedade
prudentina no valor histórico cultural. O trabalho
foi desenvolvido por cinco alunos que produziram
um vídeo documentário mostrando as origens do
cinema em Presidente prudente.
O agora jornalista Tchiago Inague,
membro do grupo, revela que a princípio, a idéia
surgiu de outro colega de sala, hoje também
formado Luiz Dalle. Inague explica que após a
aprovação do trabalho pela banca de avaliação,
a pesquisa repercutiu de várias formas em
Presidente Prudente. “Nós publicamos o trabalho
em um tablóide, veiculado no jornal O Imparcial,
fizemos uma mesa redonda com professores e
já apresentamos num evento no Centro Cultural
Matarazzo. E não para por ai, muitas pessoas
querem ver o documentária e queremos ainda
levá-lo mais além.”
Estudar o que é cinema, pesquisar
sobre o tema, coleta de documentos, a partir de
jornais, revistas, depoimentos. Esse foi o princípio
do desenvolvimento do trabalho de pesquisa sobre
o cinema, como relata o jornalista. “Depois deste
processo, buscamos as fontes. Fomos atrás das
pessoas que deram entrevistas para os jornais,
revistas. Fizemos o levantamento dos relatos oral
e só então partimos para a gravação,” revela.
Desta forma, o grupo chegou onde
não imaginava. Uma pesquisa que ultrapassou
os horizontes acadêmicos. “Aprendi que, o que
faz um aluno não é apenas as notas, mas o seu
Trabalho de Conclusão de Curso”, finaliza Inague.
Para Bacco, que orientou este trabalho,
o TCC cumpriu seu papel. “A pesquisa para ser
consolidada precisa gerar importância para a
sociedade e isso aconteceu.”
33
TRIBOS
Adolescentes se
reúnem em busca de
formar identidade
Para especialistas os jovens sempre sentiram
a necessidade de formar tribos que lhe dêem a
sensação de pertinência
Débora Andreatto
B
asta um giro por Presidente Prudente
para encontrarmos diferentes tribos
juvenis. Jovens que falam a mesma
“língua”, tem os mesmos gostos ou
vestem-se de forma parecida. Cada
tribo lê o mundo de uma forma diferente. Alguns
preferem roupas pretas ao som de Racionais,
outros o “batidão” ao som do “Créu”, afinal o
mais importante é não passar por essa vida,
despercebido.
Mal entendidas por muitos, as tribos estão
crescendo e se multiplicando, mudando hábitos,
costumes e práticas sociais. Punks, patricinhas,
rappers, emos, góticos. Estes são apenas alguns
grupamentos juvenis, chamados pelos sociólogos
de “tribos urbanas”.
O estudante Gabriel Henrique Manari,
17, faz parte da tribo dos Otakus, grupo de jovens
adolescentes que gostam exageradamente da
34
cultura japonesa, lêem mangás e participam de
eventos. “O termo Otakus no Japão quer dizer
viciado, é o adepto. Só que o vicio pode ser por
qualquer coisa, por exemplo, jogos, músicas. No
Brasil têm a ver com o vicio por animes, pela
cultura japonesa”, explica.
Ana Paula Donaton Ribeiro, 17, conta
que o estilo Otakus surgiu a partir do fanatismo
por histórias japonesas. “Surgiram às coleções,
os adolescentes começaram agir como os
personagens e idolatrar a ponto de querer ser
como eles”.
Com o passar dos anos, foram surgindo
estilos e denominações diferentes de Otakus,
que variam de acordo com seus interesses em
comum. Camila Regina da Silva, 21, por exemplo,
faz o estilo Lolita. “É um estilo mais fofinho, mais
menininha, mistura-se com o gótico, usa-se muito
vestido rodado, chapéus e tiaras”.
Segundo especialistas o jovem sempre
sentiu a necessidade de formar tribos que lhe
dêem a sensação de pertinência. Isso faz parte do
processo de formação da identidade. “Uma criança
tem sua identidade baseada na referencia dos seus
pais. Na adolescência esse saber idealizado que era
depositado neles, fica diminuído. Os pais deixam
de ser aqueles que sabem, para dar lugar para os
amigos e ídolos”, explica a psicóloga Renata de
Lucca.
Thomaz Hugo Suzuki Pereira, 15 anos,
investiu num estilo um tanto diferente, o Visual Kei,
uma das vertentes do j-rock, movimento musical que
surgiu no Japão na década de 1980. “A gente visa
sempre roupas chamativas, cabelos bem coloridos e
espetados. É uma forma de protesto”.
No momento de transição de ideais, o jovem
precisa formar grupos, para lhe dar a sensação de
segurança do que ele mesmo tem duvida.
Já Luiz Felipe da Silva, 13 anos, faz o estilo
Happy Rock, inspirado na banda musical Restart, do
qual também fazem parte as bandas Cine e Replace.
O estilo vai à contramão dos emos, que abusam
dos tons escuros e usam lápis e delineador pretos
para criar um visual dramático. O visual Restart é
multi-colorido, vibrante, fluo, alegre. As calças skinny
são vistas em amarelo, vermelho, verde, pink e etc.
“Gosto de me vestir como me sinto melhor, mas visto
roupas bem coloridas. Isso me faz bem, mostra que
a vida não é só preta e branca”, afirma o garoto.
“O adolescente se apega nos amigos. A tribo
faz com que se sinta seguro, pois ele abandonou a
referencia paterna e ainda não formou a própria
identidade”, explica a psicóloga.
O jovem decidiu aderir ao estilo há dois
anos e acredita que seja uma forma de expressão,
assim como outros grupos jovens. A paixão pela
banda foi tanta que o jovem criou até um Fã Clube.
“A primeira vez que eu ouvi o som deles já comecei
a curtir, a comprar cds, ouvir outras músicas e cada
dia fui gostando mais. Até criei um Fã clube para
mostrar o meu amor pela banda”.
Para ele, o estilo diferenciado desperta
curiosidade e também pré-conceitos; “Às vezes me
até me xingam, mas isso eu não ligo, pois o que falta
no Brasil é respeito”.
Adolescentes foram
grupos de acordo com
suas preferências
Cedida
35
Cedida
Tharso Gomes Merizio se identifica com o
estilo Gótico, que no Início dos anos 80 era chamado
de Dark. Embora o estilo gótico vá muito além das
cruzes e acessórios, para algumas pessoas ainda
passa a imagem de morte e mistério. Os jovens
adeptos a esse estilo gostam exageradamente de
roupas pretas, maquiagem e cabelos escuros. Por
passarem essa falsa imagem, muitos enfrentam
pré-conceitos por parte da sociedade. “Tudo que vai
contra o que é imposto pela sociedade, as pessoas
ainda tem um certo receio”.
Para a psicóloga esse processo é saudável
e transitório. Requer apenas monitoramento, não
necessitando de intervenções, em gerais.
Em meio a tanta diversidade, eis que
desperta uma questão. Este fenômeno é um
modismo? Estes jovens vestem-se e agem assim por
convicção ou são simplesmente para serem vistos
e notados numa sociedade onde o anonimato é o
maior medo?
Para o sociólogo Luiz Antônio, a forma
diferente que o jovem usa para se vestir, é de fato,
apenas um registro identificador de sua posição na
36
sociedade, estabelecido culturalmente. “Embora
possamos verificar vestimentas jovens diversas
em diferentes contextos culturais, o processo de
globalização tende a fomentar a utilização de uma
vestimenta comum, definida e disseminada pelo
sistema de consumo e implementada pela economia
capitalista mundial, consolidando uma espécie de
padronização global”.
Segundo ele, o que ocorre algumas vezes
é a utilização da vestimenta como uma forma de
protesto ou de desvinculo em relação à sociedade
tradicionalmente definida. “Em momentos de
maior abertura e liberdade de expressão a escolha
se tornou mais evidente, porém mesmo assim, a
indústria cultural cria padrões e estereótipos, que
se refletem nas roupas os valores dominantes da
sociedade”.
Antônio afirma que a roupa neste caso é
um produto moldado a partir de ícones construídos,
o que faz com que a ideia de liberdade por meio
da vestimenta seria apenas uma ilusão, já que a
mesma se consolida debaixo da tutela da indústria
do consumo.
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