PARTE II COMPORTAMENTO MANUTENÇÃO ............................................................................................. Geral .................................................................................................. Reação ............................................................................................... Variedades de Comportamento Reativo .................................................. Comportamento Reflexo .................................................................... Comunicação e Vocalização .............................................................. Reatividade Submissa e Preventiva .................................................. Reatividade Agonística ...................................................................... Ingestão ............................................................................................. Cuidado Corporal ............................................................................... Movimento .......................................................................................... Comportamento Exploratório ............................................................. Comportamento Territorial ................................................................. Descanso e Sono ............................................................................... Associação ......................................................................................... Aspectos de Sanidade da Manutenção ............................................. 1086 1086 1087 1089 1089 1089 1089 1090 1091 1092 1093 1093 1094 1095 1095 1096 COMPORTAMENTO SOCIAL E AFILIAÇÃO ............................................... 1097 RELAÇÕES SOCIAIS ENTRE O HOMEM E OS ANIMAIS .......................... 1098 COMPORTAMENTO SOCIAL DAS ESPÉCIES ........................................... Comportamento Social dos Cães ............................................................ Comportamento do Filhote ................................................................ Comportamento Social dos Gatos ........................................................... Comportamento Social dos Grandes Animais ......................................... Comportamento Social das Galinhas ...................................................... Comportamento Social dos Perus Domésticos ....................................... Comportamento Social dos Patos ........................................................... 1099 1099 1100 1101 1102 1102 1103 1104 COMPORTAMENTO REPRODUTIVO .......................................................... Fêmea ..................................................................................................... Macho ..................................................................................................... Comportamento Coital ............................................................................. Características do Comportamento Reprodutivo em Aves Domésticas .. 1104 1104 1105 1106 1108 ESTRESSE COMPORTAMENTAL ............................................................... 1108 Controle de Síndromes Comportamentais ............................................... 1114 Síndromes .......................................................................................... 1115 SANIDADE ANIMAL ..................................................................................... Introdução ................................................................................................ Características ......................................................................................... Objetivos .................................................................................................. 1126 1126 1127 1129 Comportamento 1086 COMPORTAMENTO MANUTENÇÃO Muito organizado, o comportamento “padrão” é reconhecido em animais domésticos e de laboratório como parte importante de sua programação genética relacionada à manutenção. Ações cinéticas, ingestivas e reativas inerentes representam atividade comportamental importante; estas incluem reação, ingestão, cuidado corporal, movimento, exploração, territorialismo, descanso e associação. Podem ser expressas regularmente, ou de acordo com a necessidade das circunstâncias, ou ainda, podem-se sobrepor a fim de serem expressas simultaneamente, ou de serem substituídas de acordo com as exigências de bem-estar. Esta interação de várias modalidades etiológicas como método principal de integração entre o animal e o ambiente pode ser descrita como um ecossistema. O comportamento de manutenção, muito do qual é geneticamente determinado, é motivo de trabalho, um fator biológico de suma importância como meio de tática de existência. A homeostasia comportamental, assim como a física, determina a aptidão biológica do animal no ambiente ao qual ele tem de se adaptar. Assim, o comportamento típico de uma espécie contribui para a aptidão biológica de forma que tais aptidões e produtividade estejam em considerável associação. A maior parte da produção animal é baseada em manutenção. Por exemplo, a produtividade depende do comportamento ingestivo e de autopreservação eficientes: a seleção para o crescimento pode ser baseada grandememente na seleção de comportamento ingestivo. O comportamento de produção, entretanto, não é isolado; o comportamento é uma seqüência de componentes. Os comportamentos espacial e social inatos representam outras atividades comportamentais importantes, que podem ser vistas como necessidades etológicas adicionais no interesse da integridade funcional do animal e sua harmonia com as circunstâncias da domesticação. Geral Várias formas de comportamento de manutenção servem a vários propósitos. As reações são usadas pelos animais como precauções de segurança, formas de expressão e manifestação de sua presença, estado e intenção hipotética. São formas importantes de comunicação entre animais, a base de um estado equilibrado de entendimento. Grande parte do comportamento de consumação, logicamente, relaciona-se à manutenção. O movimento é um componente importante do estímulo equilibrado que um animal exige. A liberdade substancial de movimento, o uso do ambiente e a associação com os outros são claramente exigidos para produzir uma variedade de atividades comportamentais incluídas nos comportamentos de manutenção. Os comportamentos de manutenção devem ser restritos a um certo grau em sistemas protetores de criação, por exemplo, o comportamento ingestivo é inibido em ungulados, os quais são geneticamente codificados para pastar e procurar alimento, ao passo que o confinamento proíbe tal comportamento. A criação restritiva também reduz a atividade afiliativa e, como resultado, os animais confinados não podem sempre expressar harmoniosamente um comportamento social organizado. Uma vez que alimento e abrigo são providenciados, os animais não requerem o uso de todos os comportamentos de manutenção que não são, ou podem não ser, exibidos nestas circunstâncias; entretanto, estes ainda devem ser reconhecidos em produção animal desde que surja a questão se tais comportamentos normais podem ser “inibidos” quando a sua manifestação é bloqueada, e então ser expressos em momentos inapropriados. Comportamento 1087 A homeostasia etológica tipicamente envolve multissistemas ligados ao comportamento, resulta da motivação variada e providencia manutenção com sucesso (ver TABELA 1). Atividades autodeterminantes são quase sempre complexas e envolvem comportamento intencional, por exemplo, a procura associa, seleção de comida, escolha de locais para descanso e excreção, e desenvolvimento arranjos sociais. Estas atividades contribuem para a função composta do animal, da qual o propósito é a integração do animal com seu ambiente. As manifestações refletem necessidades comportamentais com variabilidade de animal para animal e de momento para momento. Os animais buscam homeostasia não apenas para comer, beber e socializar, mas também para recompensar um ambiente “enfadonho” por um menos monótono, ganhar acesso a companhias sociais quando mantidos em confinamento solitário e evitar a dor e extremos ambientais. Enquanto um estímulo exagerado pode agir como agente estressante, os animais também podem-se esforçar para evitar um estímulo muito leve. Assim sendo, em alguns tipos de criação, a subestimulação é tão estressante quanto a superestimulação. Reação O comportamento reativo é uma classe primária de atividades utilizadas pelos animais para mantê-los em harmonia com o seu ambiente e ajustá-los a mudanças ambientais súbitas que são efetiva ou potencialmente prejudiciais. Estão incluídos o comportamento reflexo, a comunicação, as reações preventiva e submissa e o comportamento agonístico. Todos se relacionam às muitas circunstâncias rotineiras como parte do manejo normal de animais de fazenda. As formas de comportamento que são um resultado de animais associados a outros são variadas, e mostram o substrato das atividades sociais na vida em rebanho. Devido ao fato do confinamento reduzir a oportunidade para atividades sociais, os de animais confinados não podem ser capazes de expressar seu altamente organizado comportamento social normal; daí, tal oportunidade ser um componente importante da saúde animal. A sensação de movimento é uma exigência importante de animais para a manutenção de um relacionamento funcional com o seu ambiente. O esforço muscular que acompanha o movimento voluntário é hoje considerado como uma exigência sensorial de função animal. O sistema sensorial cinético responde ao estresse mecânico devido à gravidade agindo no corpo de acordo com mudanças no movimento e posição. Este é um componente do arsenal de estímulos para que o animal crie uma mistura de sensações. O fenômeno total de reatividade é um comportamento estímulo-dependente e portanto funciona como uma chave importante através da operação dos sentidos. Os órgãos dos sentidos detectam estímulos específicos e gerais e os transferem, aos receptores internos no sistema nervoso; quando devidamente sensibilizado, direcionado e acionado, o comportamento reativo aparece como resposta motora. O movimento resultante abrange várias formas, da atividade reflexa no nível da medula espinhal, até toda uma série de ações conativas com informação sensorial processada no nível cortical. As ações conscientes estão envolvidas em muitas reações ambientais, tais como a escolha de comida e abrigo. Muito da reatividade é influenciado pelo sistema nervoso autônomo. Os efeitos comportamentais principais de estimulação simpática relacionam-se aos estados de medo ou raiva, e preparam o animal para “lutar ou fugir”. Alterações fisiológicas específicas resultantes da estimulação simpática incluem pressão sangüínea e batimentos cardíacos aumentados, expansão dos tubos brônquicos e supressão da atividade gastrointestinal, tudo isso assegurando boa oxigenação da musculatura Comportamento 1088 TABELA 1 – Características de Homeostasia Comportamental Relacionadas à Manutenção Categoria comportamental Características primárias Características secundárias Cuidado corporal Limpeza, procura de conforto Evacuação, modos de comportamento excretório Movimento Alterações de posição e postura, movimentos de exercício Esforços investigativos e atenciosidade Utilização de espaço individual para funções básicas Brincadeira e espreguiçamento Sonolência, repouso e sono em decúbito em fases diurnas Ligações; atos sociais positivos, por exemplo, afiliação Inatividade em várias posições Exploração Territorialismo Repouso Associação Atividades empíricas em geral Comportamento possessivo no cuidado do abrigo e alimentação Socialização, afinidade de grupo Papel na manutenção Três funções homeostáticas de higiene superficial, excreção e estado confortável são básicas para a saúde Certos processos de movimento exigem expressão regular para manter a aptidão Estímulo, com quantidade e variabilidade, necessário para satisfação sensorial e aprendizagem Necessidades espaciais são tanto quantitativas como qualitativas para várias exigências de automanutenção, por exemplo, nutrição, abrigo, defesa, reprodução Autoconservação física, restauração fisiológica Associação a grupo social e estabilidade de interação Comportamento 1089 para ação instantânea. O sistema nervoso autônomo também age como integrador comportamental; todo o seu papel se resume na modulação e elaboração da intensidade das respostas comportamentais, em geral, e comportamento emocional em particular. VARIEDADES DE COMPORTAMENTO REATIVO Algumas reações são autodeterminantes, outras são genéricas; a maior parte delas são respostas corporais, outras são vocais; algumas são positivas, algumas são negativas. Entre as várias formas, várias classes importantes de reatividade podem ser reconhecidas, incluindo: 1. ação reflexa; 2. comunicação e vocalização; 3. resposta a fatores ambientais específicos (inclusive sazonais); 4. reação preventiva; 5. reação reprodutiva; 6. reação agonística. Algumas reações envolvem combinações destas categorias. Comportamento reflexo Muitas formas de comportamento reativo ocorrem como simples reflexos, por exemplo, extensão ou retração de um membro em resposta à dor local. A reação à dor, junto com a sensação (de alguma forma), pode estabelecer a base do sofrimento. Os reflexos dos membros têm funções protetoras ou posturais. A evacuação reflexa (envolvendo defecação ou micção súbitas) é comum, por exemplo, em bovinos e ovinos seguindo-se a uma invasão de seu espaço individual. Os esforços reflexos de fuga são prontamente vistos em animais postos subitamente em contenção fechada. A vocalização reativa ocorre imediatamente após a separação de pares formados e em outras formas de rompimento de grupo. Os reflexos de orientação podem ser negativos, como quando os bovinos direcionam seus quartos traseiros em direção à chuva em curso. O papel homeostático da reatividade coletivamente compreende uma grande variedade de comportamentos que ocorrem como respostas reativas. Comunicação e vocalização Sons vocais, individual e coletivamente, podem ser de considerável uso nos ajustes dos animais às suas circunstâncias. A comunicação, que usa linguagem corporal e fonação em vários graus, é uma característica importante de reatividade. A vocalização, particularmente em reatividade social, é uma característica de comunicação; por exemplo, sinais vocais ocorrem como trocas entre mãe e neonato, entre macho e fêmea reprodutores, e por indivíduos ligados quando separados. À medida que a reatividade aumenta, as vocalizações tendem a aumentar em volume, quantidade e complexidade. Sons vocais graves freqüentemente acompanham exibições de ameaça de machos adultos. Muitas vocalizações são incorporadas em respostas relacionadas com alarme e ameaça. Como característica principal de suas associações grupais, cães, ovinos, bovinos e eqüinos mantêm contato visual. Os suínos usam mais comunicação auditiva com congêneres, enquanto gatos usam tanto contato visual como auditivo. Reatividade submissa e preventiva Durante a reunião de grupos ao natural ou em situações de alta densidade, os indivíduos podem ser forçados a violar o espaço individual de outros. A reatividade em condições tão próximas depende das posições hierárquicas dos animais. A ordem hierárquica, quando estável, requer de cada animal: 1. reconhecimento de indivíduos; 2. um encontro inicial quando a posição social é primeiramente estabelecida; 3. uma memória duradoura que permita a cada animal reagir ao outro de acordo com o seu status social estabelecido. Comportamento 1090 A reação preventiva mais notável é a fuga, que pode ser socialmente controlada ou descontrolada. Quando a fuga do rebanho é controlada, os animais fogem em sua ordem normal de viagem, na qual uma fêmea da alta posição hierárquica é geralmente a líder. Quando ocorre pânico, há uma fuga descontrolada e desorganizada. A prontidão de fuga em eqüinos evoluiu como uma tática de sobrevivência vital. As reações preventivas entre indivíduos podem ser passivas ou ativas em resposta à aproximação ameaçadora. A prevenção de uma relação de agressão na forma de submissão social tem posturas características em cada espécie. Podem variar da forma mais comum, um leve abaixamento de cabeça com desvio contrário ao estímulo, até a exibição grosseira de submissão hipotônica na qual o animal assume posição de repouso e nega-se a se levantar. Este último comportamento é uma condição confundível quando uma doença intercorrente leva à prostração. O reconhecimento de reações submissas é essencial no manejo de qualquer rebanho doente ou “abaixador”, para assegurar que sua saúde receba consideração apropriada. A inércia geral, ou submissão, é uma característica comum, constituída por um nível anormalmente baixo de reatividade a estímulos que geralmente levam a alguma alteração de posição ou postura. Reatividade agonística O comportamento agressivo é quase sempre observado quando grupos de animais são formados pela primeira vez. A produção de leite, o ganho de peso e outras respostas fisiológicas podem ser afetados por vários dias durante as interações sociais agressivas resultantes. Embora os ovinos raramente exibam dominação social explícita, os machos competem no início de cada estação de reprodução e podem exibir cabeçadas agressivas se as condições de criação intensiva aumentarem a competição por comida, espaço ou área de descanso. As cabeçadas em bovinos e ovinos, mordeduras de pescoço ou chutes em eqüinos, olhares fixos e rosnados em cães, golpes em gatos, e empurrões e mordeduras em suínos são atividades agonísticas comuns. A retaliação, prevenção, fuga e submissão são reatividades dependentes. Luta – A reatividade típica de uma espécie é notável na forma de luta. Muitos cães, gatos e eqüinos- problema são considerados imprevisíveis, sobretudo quando agressivos, por exemplo, “mordedores de medrosos”. Sua resposta a um alarme ou ameaça pode ser fuga (ou tentativa de fuga) ou ataque, dependendo grandemente de seu temperamento, condicionamento e da situação específica. Todo o rebanho reage a ameaças a distâncias estabelecidas, que variam com a reação potencial, o indivíduo e as distâncias “críticas”, quando as áreas invisivelmente cercadas são ameaçadoramente invadidas. Cada uma destas distâncias é o ponto no qual a dada distância entre o animal e o sujeito que avança esteja tão reduzida que o animal atingido possa reagir. Em distância de fuga, o animal fugirá do intruso se possível. Se, entretanto, o intruso que se aproxima alcançar a distância crítica, o animal mais provavelmente atacará. A distância individual circunda imediatamente o animal e é reservada para conhecidos especiais. Estas distâncias variam de acordo com o temperamento, experiência, treinamento domesticado, competição, alojamento, alimentação, etc., inerentes ao animal. A luta é mais intensa quando os adultos são colocados juntos pela primeira vez. Se uma porca estranha for introduzida em um grupo estabelecido, o comportamento agressivo coletivo do grupo direcionado ao estranho provavelmente irá resultar em grave lesão física. Demonstrações de luta entre vacas não duram normalmente mais do que alguns minutos, mas podem-se prolongar se os animais forem igualmente correspondidos. Neste caso, o animal ao ser atacado por um lado vira-se paralelamente ao outro e empurra sua cabeça (e chifres) à região do flanco inferior do outro. Comportamento 1091 Esta aproximação de flanco quase sempre interrompe a luta por vários minutos antes de a ação ser recomeçada. Quando um animal se submete, ele se vira; se nenhum se submete, a luta pode continuar até ambos se cansarem. Simulação de luta – Como uma característica de reatividade social, a “simulação de luta” é observada como uma variante do brinquedo (ver pág. 1093). A forma é de alguma maneira ritualizada, e ocorre em todas as espécies de animais de criação quando estão agrupados. A atividade inicial é de solicitação, na qual o animal que se aproxima vai de encontro ao animal associado com engraçados movimentos de cabeça. A fase seguinte é geralmente uma luta na qual um empurra ou aplica o peso sobre o outro; é comum os animais andarem em círculos. Tais movimentos circulares são característicos do comportamento de simulação de luta em potros, bezerros e leitõezinhos. As simulações de luta geralmente terminam sem conseqüência e não levam a vingança ou perseguição. A luta limitada pode ocorrer quando animais novos brigam por autodeterminação na hierarquia social e de denominação do rebanho. Ingestão O comportamento ingestivo inclui os atos de comer e beber, preferências alimentares, padrões diários de alimentação e as mecânicas de apreensão, mastigação, consumo, e algumas vezes, estocagem de comida. Muitas espécies têm suas próprias características de ingestão. Os animais em aleitamento tateiam com o focinho sobre as tetas e sugam o leite. Os ruminantes adultos ingerem grandes quantidades de vegetação com mastigação mínima, mas este material é sujeitado a nova mastigação algumas horas após, durante a ruminação. Os animais carnívoros têm tipicamente dentes caninos bem-desenvolvidos que facilitam o rasgamento da carne; o consumo é rápido com mastigação mínima. Os eqüinos e suínos usam molares para mastigação, antes da deglutição. Os roedores tipicamente roem e despedaçam a comida com seus dentes incisivos. O consumo instantâneo é visto em uma grande variedade de espécies, incluindo muitas aves (ato de bicar) e répteis; o objeto levado à boca deve ser apropriado tanto em aparência como em tamanho para consumo. O comportamento alimentar é composto por várias características associadas: 1. necessidades metabólicas (por exemplo, as fêmeas em lactação exibem uma exigência aumentada); 2. exigências quantitativas de apetite (quantidade necessária para os ruminantes); 3. ritmo diurno de alimentação (os gatos freqüentemente comem à noite); 4. seletividade de alimentos preferidos (os gatos e outras espécies podem adquirir preferências alimentares enquanto jovens); 5. consumo de fluidos (aumentado em condições de baixa umidade ou alta temperatura); 6. exigências digestivas (coprofagia por parte do filhote pode estabelecer a microflora intestinal); 7. competição com associados (a competição pode aumentar o consumo, enquanto os dominantes podem fazer com que os subordinados comam menos); 8. mecânica de alimentação (os cães engolem, os suínos “fossam”, os roedores mordiscam); 9. técnicas de procura de alimento (os ungulados pastam grandes áreas, os carnívoros caçam , as aves ciscam); e 10. esquemas diários de atividade geral (os herbívoros têm picos diurnos, os roedores e gatos são noturnos, os eqüinos geralmente são contínuos). O comportamento alimentar é fortemente influenciado por padrões e preferências adquiridos, palatabilidade dos alimentos, o ambiente no qual a alimentação ocorre, e as associações sociais de alimentação. A herança do comportamento alimentar também deve ser considerada. Padrões espécie-específicos são herdados, embora os componentes específicos possam ter contribuições genéticas e ambientais – como cada uma delas afeta os centros de fome e saciedade no cérebro ainda é obscuro. Comportamento 1092 A sede é uma característica ocasional do impulso ingestivo, e os centros cerebrais que a controlam e medeiam são localizados na porção hipotalâmica do sistema límbico. A sede total e a manutenção de um nível crítico de fluido no corpo em todas as circunstâncias são reguladas por um complexo sistema influenciado por hormônios, consumo de sal, conteúdo úmido do alimento e fatores ambientais. Cuidado corporal O comportamento de cuidado corporal está sob seu próprio controle nervoso, embora a motivação seja necessária para que se assegure que as necessidades sejam supridas. A predominância de qualquer comportamento adquirido é sempre temporária e pode ser substituída por comportamentos de maior importância (por exemplo, autopreservação). Características componentes do cuidado corporal – O cuidado com o corpo é um sistema permanente de comportamento envolvido em manutenção. Quatro categorias principais podem ser reconhecidas: 1. higiene da pele; 2. termorregulação; 3. procura de conforto; e 4. eliminação. A coçadura, a sacudida e a lambedura são freqüentemente reconhecidas como “arrumação”, o principal tipo de comportamento de cuidado com o corpo. O propósito primário de tal comportamento é de higiene apropriada da pele e do pelame (ou penas). Atividades de auto-arrumação são quase sempre breves e freqüentemente variadas em forma, mas coletivamente representam uma porção significativa da manutenção. A arrumação mútua entre animais intimamente associados é também digna de nota. A “arrumação” pode envolver ferramentas naturais como dentes ou pés, ou auxílios ambientais como ramos de árvores ou lama. Poeira ou material seco que tenha se instalado no pelame pode ser facilmente desalojado por uma sacudida vigorosa; isto também remove restos naturais de pele. As aves praticam o comportamento de limpeza e de banhos de poeira pelas mesmas razões. Na termorregulação, sob condições naturais, os animais procuram abrigo, áreas de descanso secas, sombras e formas de se refrescarem ou de se aquecerem. Os animais usam o chão em várias atividades deliberadas direcionadas ao efeito corporal. Antes de escolherem um local no qual se deitar, eles podem arranhar a superfície da área pretendida. Depois disso, eles quase sempre giram seus corpos ao redor da cama pretendida antes de se deitar. Podem também esfregar-se na superfície do chão e rolar sobre suas costas, torcendo-se e virando-se de várias formas (por exemplo, eqüinos e cães). Os cães podem esfregar seus corpos em substâncias fétidas, as quais aumentam grandemente o odor corporal individual. Sob condições de calor, alguns animais podem criar poças de lama se nenhuma estiver disponível. Tais poças de lama permitem que a superfície do corpo seja refrescada tanto por meio de irradiação como de evaporação, ou podem permitir que a lama forme uma camada protetora na pele. Os comportamentos de procura de conforto estão associados também com outras situações, tais como coçadura para aliviar uma coceira e achar um lugar confortável para descansar. Quando é fornecido espaço suficiente, os animais, exceto possivelmente os ruminantes, normalmente evacuam de forma a assegurar que os locais de descanso não sejam sujos. Quando evacuando, os animais adotam posturas espécieespecíficas que ajudam a manter a cauda e os membros posteriores limpos. Além do mais, muitas espécies usam urina (por exemplo, borrifos de urina pelos gatos) como um marcador olfatório para indicar um território, deixando uma mensagem identificável, ou ajudando na “publicidade” reprodutiva. Cuidado corporal na doença – Na doença, a automanutenção torna-se diminuída ou é impedida, e a homeostasia é perdida; o comportamento de cuidado corporal é marcadamente reduzido, e os animais com doenças persistentes têm uma Comportamento 1093 aparência suja. Essa negligência conserva energia para usar no metabolismo exacerbado da febre. As manchas ao redor dos olhos, nariz, ou boca são uma indicação clara de automanutenção deficiente e do estado da doença. O comportamento de cuidado corporal retorna quando começa a convalescença e se recupera a homeostasia. Movimento O movimento é vital para animais de vida livre para encontrar comida e abrigo. A forma na qual os animais se empenham voluntariamente em atividades não específicas indica que o comportamento de movimento tem sua própria motivação. A deprivação intensa de oportunidade cinética resulta em comportamento anormal – mesmo a falta de exercício apropriado pode causar problemas. Os exemplos incluem várias formas de atividade de “movimentos bucais” anormais. Embora os animais afetados possam permanecer em más condições físicas, suas alterações comportamentais indicam manejo insatisfatório de um ponto de vista de saúde. Brincadeiras – Alguns comportamentos nos animais existem na forma de puro movimento sem propósito óbvio. Os animais exigem movimento para se exercitar, o que ajuda a manter saudáveis os sistemas musculoesquelético e cardiovascular. A necessidade de exercício é maior nos animais jovens, e eles se empenham em um comportamento mais puramente cinético na forma de brincadeira. Os animais jovens brincam melhor se tiverem outros semelhantes como companhia, pois a maior parte das brincadeiras exige contato social. Embora isto não seja um comportamento social verdadeiro, as atividades espécie-específicas exploram a disponibilidade dos animais associados como fontes de estímulo, as quais ajudam o desenvolvimento do sistema nervoso e da coordenação motora, e o seqüenciamento de padrões de comportamento (ver também SIMULAÇÃO DE LUTA, pág. 1091). Atividades cinéticas gerais – Em geral, a cinesia inclui muitas formas espécieespecíficas como saltos, corridas, disparadas, escavações, escaladas, nados, agitações de braço, espreguiçamento e arranhão em um substrato. O último é um notável comportamento normal de gatos. Os animais se espreguiçam de várias formas, inclusive extensão da cabeça e pescoço, arqueamento do pescoço, estreitamento do dorso e extensão dos membros (tanto anteriores como posteriores, quase sempre um par após o outro). Os membros anteriores podem ser estendidos sozinhos ou juntos, como quando o animal abaixa o seu tronco até o chão, enquanto as pernas traseiras estão superestendidas. Os membros posteriores podem ser espreguiçados conforme o animal empurra o tronco para a frente de tal forma que finalmente os dedos das patas posteriores sejam arrastados junto ao chão por uma curta distância. Os membros posteriores individualmente podem ser superestendidos um após o outro, mais comumente logo após o animal ter levantado depois do descanso. Nas aves domésticas, muito da atividade cinética ocorre na forma de bicadas e andaduras. As aves também realizam atividades de espreguiçamento rotineiras, por exemplo, extensão vigorosa de uma asa após a outra é comum. Quase sempre, quando uma asa é superestendida em uma direção traseira, a perna do mesmo lado também é estendida para trás. O batimento das asas representa outra forma de exercício, embora muitas formas de engaiolamento o evitem. Comportamento exploratório Os animais normalmente exibem uma forte motivação para explorar e investigar seu ambiente. Esta atividade diminui uma vez que o ambiente tenha se tornado familiar, mas reaparece quando há alguma mudança ou novidade no ambiente. Esta Comportamento 1094 reserva de comportamento exploratório permite ao animal ajustar suas ações consideravelmente quando o ambiente exige adaptação. A informação sensorial que resulta das atividades exploratória e investigadora alerta o sistema nervoso a produzir formas apropriadas de comportamento no ambiente em alteração. Em animais de vida livre, o comportamento se ajusta continuamente, e pode ser considerado um componente básico na automanutenção homeostática. Em confinamento, entretanto, as ações exploratórias diminuem e qualquer motivação para exploração tem poucas chances de se manifestar. Em confinamento intensivo e crônico – típico de produção animal intensiva comercial e de manejo de animais de laboratório – o comportamento exploratório pode-se tornar redirecionado e produzir comportamento alternativo. Um confinamento crônico, similarmente pode afetar de maneira adversa o comportamento de animais de estimação e pode resultar em atividades repetitivas ou destrutivas. O comportamento exploratório quase sempre assume a forma de atividade de tentativa e erro; isto é muito mais evidente entre neonatos. Logo após o nascimento, o animal se envolve em atividades exploratórias e investigadoras incluindo seu ambiente imediato e sua mãe. Isto permite que animais jovens aprendam a identidade de suas mães e outros contatos sociais, como os seus companheiros de ninhada. Necessidade perceptiva – O sistema exploratório no comportamento é evidente em muitas atividades. A organização deste sistema pode ser listada na seguinte seqüência de desenvolvimento: 1. necessidade no animal de perceber os fatores ambientais que estimularão seus sentidos; 2. ativação do comportamento exploratório, o qual se torna direcionado às interações entre o animal e seu ambiente; 3. recepção de retorno sensorial do ambiente para satisfazer sua necessidade original; 4.redução na motivação como resultado de satisfação sensorial; 5. retorno do ciclo ao nível basal de prontidão, presumivelmente com os eventos anteriores em memória de curta ou longa duração. Comportamento territorial O espaço disponível influencia as atividades animais. Existem dois tipos gerais de espaço: 1. o espaço real é tido como território para prover limites adequados dentro dos quais o animal possa praticar as atividades necessárias para viver; 2. o espaço “individual” é estabelecido para propósitos de autoproteção, autodeterminação e autocuidado. Algumas formas de comportamento se relacionam conjuntamente ao território propriamente dito e ao espaço individual (pessoal). Muito do comportamento social relaciona-se ao espaço conquistado, determinando a posse do espaço e realizando privilégios espaciais. A agressividade é um componente comum dos métodos territoriais. Território – Uma área que é ativamente defendida, um território pode ser estabelecido para um propósito específico, por exemplo, reprodução, ou pode ser usado para atividades gerais diárias. Nem todas as espécies usam territórios e algumas podem somente usá-los para propósitos específicos ou em certas épocas do ano. Espaço individual – A necessidade espacial mínima e mais básica é um espaço suficiente para um animal deitar-se, ficar em pé, virar-se, limpar-se e espreguiçarse. Isto pode ser definido como espaço primário, e apenas associados íntimos são permitidos dentro dele. Este espaço básico tem que estipular uma bolha imaginária de espaço ao redor do animal e será defendido. O espaço adicional que se relaciona à atividade completa do indivíduo pode ser definido como espaço secundário. Este é necessário para permitir atividades tais como prevenção contra um vizinho; alteração radical na posição, direção ou locação; e movimentação. Incorporado à exigência espacial secundária está o espaço social, a distância mínima que um animal adulto rotineiramente mantém entre ele mesmo e outros Comportamento 1095 membros da mesma espécie. É comumente visto como “distância ao vizinho mais próximo” ou “distância social”. (Muitos animais jovens não criam espaço social para si mesmos.) Outro componente do mesmo fenômeno é o número máximo de vizinhos que um animal permitirá dentro de um dado raio. Quando o espaço social é inadequado, ocorre a lotação, que, em termos etológicos, pode ser definida simplesmente como espaço social inadequado destinado ao animal. Uma característica adicional do espaço individual é a “distância de fuga”, a qual é modificada quando os animais se tornam acostumados à manipulação e ao manejo. Todas as formas de espaço individual podem ser consideradas como portáteis – elas tendem a ir aonde o animal for. A dominância é grandemente relacionada com a afirmação de um animal sobre outros na aquisição de prioridade espacial, e assim se relaciona ao espaço individual. Tal prioridade espacial dá ao animal mais altamente ranqueado preferência de escolha para áreas disputadas para atividades como alimentação e descanso. Como resultado, os espaços individuais normalmente se tornam integrados e pedem freqüentes reajustes comportamentais para conseguir harmonia espacial. Descanso e sono O sono ocupa muito tempo do animal. Os animais mais evoluídos apresentam tipos de sono que correspondem aos do homem, embora as características do sono de uma espécie possam ser bastante distintas. O descanso e o sono permitem restauração do estado fisiológico. Durante o sono, ocorre recuperação metabólica em curto espaço de tempo. Durante o descanso, o corpo pratica conservação máxima de energia. Na prática de tal conservação, o descanso é usado mais taticamente que o sono. Diferentes espécies têm necessidades diferentes para quantidades de sono. Tipicamente, os animais predadores dormem menos e dividem o sono em numerosas e pequenas frações. Se esses animais vivem em grupos, o descanso em turnos é uma tática de sobrevivência que permite vigilância para avisar membros em descanso ou adormecidos. Formas de sono – O sono verdadeiro ocorre em duas formas, “sono cerebral” e “sono corporal”. No sono cerebral, há uma emissão de ondas elétricas lentas; por esta razão, é geralmente definido como “sono de ondas lentas” – e é uma forma particularmente silenciosa de sono. No sono corporal, algumas correntes elétricas do cérebro são do mesmo padrão que as que ocorrem quando o animal está acordado. Devido a esse paradoxo, esta forma é também definida como “sono paradoxal”. Devido aos olhos se moverem freqüentemente de forma rápida por detrás de pálpebras fechadas, esta forma de sono é também conhecida com “sono de movimento rápido dos olhos” (REM — “rapid eyes movement”). É nesta fase que uma pessoa sonha e os cães vocalizam ou movimentam seus pés. Descanso – Todas as espécies de animais domésticos gastam muito tempo descansando, durante o qual o animal pode ficar sonolento, ou simplesmente deitarse inerte mas desperto. As posições de descanso variam de ficar em pé (por exemplo, no caso do eqüino) a decúbito lateral ou esternal, ou uma combinação na qual a parte dianteira fica em decúbito esternal e a traseira em decúbito lateral. O decúbito lateral é exigido para sono REM, a menos que o animal possa se escorar em alguma coisa. Associação Os animais que vivem em grupos fechados sob circunstâncias naturais são definidos como animais sociais. As interações sociais são importantes na autodeterminação e na estabilidade social. Por esta razão, os animais de rebanho mantidos Comportamento 1096 em isolamento social geralmente desenvolvem comportamento anormal (por exemplo, comportamento bucal patológico). Suas atividades sociais são mais restritas que as dos outros de sua espécie, e sua habilidade para enfrentar mudanças quase sempre é afetada. As manifestações de comportamento associativo são extremamente variadas, numerosas e circunstanciais, e providenciam informação vital sobre o comportamento em grupo; não nos é suficiente conhecer o comportamento natural de nossos animais domesticados – devemos também saber sobre suas capacidades, adaptabilidades e limitações. O manejo de animais como grupos ao invés de indivíduos tem sido ressaltado recentemente. O uso de grupos é o principal método de criação em produção animal pecuária e no manejo de animais de laboratório. A associação serve a muitos propósitos; um produto importante do comportamento social, ela é motivada por uma força que mantém a coesão intra-específica. Por meio da associação, as estratégias dinâmicas de uma espécie são implementadas. As afiliações sociais transmitem aprendizado e o “efeito de grupo” (“facilitação social”) influencia atividades comunais. A associação íntima de indivíduos permite a organização em unidades homogêneas, grupos reprodutivos, rebanhos e colônias. Em virtude de os indivíduos serem disciplinados pela força da associação em grandes grupos, a perseguição comum de táticas exigida para se alcançar harmonia, sobrevivência, e proliferação é assegurada. Associação organizada – Muitas formas de comportamento são reguladas por interações sociais. As interações entre um par formado e equilibrado são notáveis. Entre animais estritamente confinados, são observados comportamentos sociais modificados, dependendo do sistema de criação e do número de animais em um grupo. Ver também COMPORTAMENTO SOCIAL E AFILIAÇÃO, adiante. Aspectos de sanidade da manutenção As características comportamentais de automanutenção estão se tornando reconhecidas como indicativas – e provavelmente definitivas – da variedade de necessidades de sanidade animais (ver também pág. 1126). A separação e a lotação podem ser estressantes e provocar síndromes de comportamento anormal. Os problemas têm sido associados com métodos de criação comercial, por exemplo, aqueles envolvidos na produção intensiva de bezerros, bovinos, ovinos, suínos e aves. Os problemas são também comuns na criação de animais de laboratório, principalmente primatas. Ambientes empobrecidos e criação confinada têm mostrado afetar as habilidades de aprendizado nos jovens e contribuem para o desenvolvimento de padrões estereotipados. A estimulação deficiente afeta adversamente a habilidade final do animal para se ajustar ao seu ambiente imediato e às mudanças dentro dele. Os comportamentos anormais indicam aflição e uma tentativa por parte do animal de enfrentar a situação. Por fim, a saúde e o bem-estar animais podem não ser efetivamente preservados sob essas condições. A criação animal racional tem de reconhecer as necessidades etológicas de animais utilizados intensivamente, alcançar suas necessidades comportamentais e amortecer o impacto do estresse do confinamento. Os últimos fatores estão interligados no complexo de causas de problemas de saúde animal. As exigências da sanidade, conforme são etologicamente concebidas, têm de ser alcançadas com mais que provisão de alimento, água e abrigo. As exigências de maior prioridade são as que incluem itens fundamentais de reação e ingestão. Os comportamentos de cuidado corporal, movimento, exploração, territorialismo, descanso e associação corporal são as prioridades próximas. Cada categoria comportamental representa necessidades combinadas que devem ser consideradas na sanidade. Comportamento 1097 Um retorno ao ambiente livre e “natural” não é sugerido como forma de criação praticável desde que o manejo protetor seja essencial à produção animal moderna tanto comercial como de animais de laboratório. A “liberdade” seria, na verdade, cruel para muitos animais. O gado leiteiro e os coelhos, por exemplo, encontrariam um clima hostil, predadores, dietas pobres e outros agentes estressantes. Entretanto, a consideração das exigências de espaço (ver COMPORTAMENTO TERRITORIAL, pág. 1094) como uma necessidade premente é importante. COMPORTAMENTO SOCIAL E AFILIAÇÃO A maioria dos animais de fazenda e de estimação é composta por espécies altamente sociais. O sistema de criação e o tamanho do grupo afetam a freqüência e a natureza do comportamento social. Interações sociais, incluindo respostas dominantes ou subordinadas, são afetadas pela ordem relativa dos animais dentro da hierarquia social dominante presente no grupo. Respostas similares tendem a ser apresentadas em todos os encontros entre os mesmos animais. A estabilidade dos relacionamentos sociais requer que todos os membros do grupo sejam capazes de reconhecer-se um aos outros, que a composição do grupo seja estável (sem doenças ou remoções temporárias) e que os indivíduos observem seu status e atuem de acordo com ele. Em sistemas de criação extensiva, a formação voluntária de subgrupos quase sempre acontece se os rebanhos forem suficientemente grandes. A reunião normal de grupos animais ou em casos de alta densidade populacional pode forçar seus membros a violarem o espaço individual de outros. A freqüência de interações sociais em tais confinamentos aumenta e o resultado depende da posição dos animais na ordem de dominância. Encontros agressivos entre animais em um determinado grupo são mais freqüentes enquanto o grupo está desenvolvendo sua própria hierarquia social. Quando o grupo alcança estabilidade social e obtém espaço adequado, os encontros agressivos se tornam mínimos. Um animal recentemente introduzido em um rebanho aumentará o número de encontros agressivos dentro do grupo até que sua posição dentro da hierarquia seja estabelecida. Essa agressão pode afetar a produção de todo o grupo. Fortes vínculos são uma característica do comportamento associativo entre pares ou pequenos grupos, e não estão restritos ao relacionamento entre a mãe e a cria. Dentro de rebanhos, o pareamento discreto por meio de seleção mútua do companheiro é um evento social comum que ocorre para vantagem de ambos, particularmente em situações agonísticas ou de limpeza envolvendo outros animais dominantes. A partir da associação livre de indivíduos, estabelece-se a organização das unidades familiares, grupos de criação, rebanhos, manadas e colônias. Tais afiliações asseguram a adaptação comum das táticas necessárias para o sucesso reprodutivo, assim como a sobrevivência do indivíduo e do grupo. A importância do comportamento social para o entendimento das muitas atividades do animal doméstico necessita maior elucidação, e algumas características sociais de espécies em particular serão consideradas adiante com mais detalhes (ver pág. 1099). O comportamento alelomimético, algumas vezes denominado comportamento contagioso ou amigável, refere-se a atividades comuns apresentadas pela maioria dos membros de grupos, manadas e rebanhos, quando eles agem juntos. Os primeiros vínculos formados entre pais e filhotes podem ser generalizados para incluir outros membros da espécie. Geralmente, os grupos tornam-se mais capazes de ficar juntos se os membros coexistem pacificamente. As hierarquias sociais Comportamento 1098 dominantes, os relacionamentos de liderança-seguimento, as associações para limpeza mútua e outras respostas sociais são características das espécies domésticas e devem ser consideradas como relativas ao manejo e à saúde do animal. Relacionamentos de liderança-seguimento – Porcos são relutantes a se mover em áreas estranhas e necessitam ser guiados; porém, grupos de bovinos, ovinos e cavalos, que desenvolvem relações de liderança-seguimento quando em condições de criação livre, movem-se mais prontamente. Em rebanhos naturalmente constituídos de ovinos, a ovelha mais velha geralmente lidera, enquanto em rebanhos de vacas leiteiras, os animais de dominância mediana lideram. O homem pode treinar certos animais (“Judas”) para liderar o grupo, explorando, assim, os padrões de movimentos naturais das espécies em questão. Ovinos, bovinos e eqüinos podem ser treinados para liderar, e pares de bovinos unidos após o desmame ensinam um ao outro como liderar. Em vacas leiteiras, a ordem de movimentação na área de ordenha é melhor fixada por um dado período, embora os animais seguidores sejam mais consistentes que os “líderes”. A ordem da ordenha não é necessariamente a mesma ordem de liderança-seguimento apresentada quando os animais se movem em áreas de pastagem. Em condições de liberdade, especialmente para as espécies “seguidoras” como ovinos e eqüinos, o animal mais velho pode transferir informações acerca das mudanças sazonais, boas áreas de pastagens e pontos de “obtenção” de água para a sua prole se a ligação mãe-cria não for interrompida antes do desmame natural. Desta maneira, áreas familiares podem ser mantidas por gerações. Grandes rebanhos de ovinos em pastos de , 250 acres (100ha) podem estabelecer até três áreas familiares diferentes, e subgrupos do rebanho inteiro trabalham com a mínima sobreposição nessas regiões. Em pequenas pastagens, touros leiteiros com idade entre 4 e 5 anos estabelecem territórios individuais sob condições do rebanho. O súbito ataque dos touros leiteiros a seus tratadores pode ser causado por essa mudança relacionada à idade, levando a um comportamento territorial agressivo. RELAÇÕES SOCIAIS ENTRE O HOMEM E OS ANIMAIS As características comportamentais básicas de cada espécie são ligeiramente alteradas por meio da domesticação, embora o comportamento social normal possa ser transferido ao proprietário ou responsável. Por exemplo, a maioria dos cães se ajusta a famílias porque reagem às pessoas como reagiriam a outros membros da matilha. Durante a socialização, um animal jovem aprende a aceitar a presença de sua própria espécie e de outras. O processo de aprendizado é restrito a um período de tempo espécie-específico. Por exemplo, em espécies tardias (imaturas ao nascimento) tais como o cão, a melhor época para socialização é de 4 a 6 semanas de idade (variação de 3 a 12 semanas). Com espécies precoces (bem-desenvolvidas ao nascimento) tais como ovinos, o melhor período é do nascimento até 4 a 6 dias. Se as ligações com o homem se tornam muito exclusivas durante este período, tais animais criados tão intimamente podem se relacionar sexualmente com seres humanos ao invés de sua própria espécie. Um animal doméstico dependente de seu tratador humano é para alguns ou todos os seus cuidados e bem-estar, e o homem começa a fazer parte das reações sociais destes animais. Uma relação de liderança-seguimento pode ocorrer à medida que o animal segue de perto a pessoa. Em espécies que desenvolvem Comportamento 1099 hierarquias de dominância social, é importante para o tratador ser o dominante, particularmente quando os animais adultos são potencialmente perigosos. Pode-se assegurar o aumento de dominância com a maturidade e o crescimento. O papel dominante do homem é melhor estabelecido na época apropriada para as espécies, geralmente em idade precoce quando pouca ou nenhuma punição pode ser necessária. Desde que as interações de dominância social são específicas para os indivíduos, o fato de uma pessoa ser dominante para o animal não é garantia de que outra poderá sê-lo (ver também pág. 1100). A interação íntima de um proprietário pode resultar em um comportamento social indesejável. O isolamento precoce e completo de um animal de sua própria espécie pode levar a dificuldades em posterior acasalamento, agressividade ou timidez aumentadas perante estranhos e comportamento maternal deficiente. A superlotação e um manejo geral deficiente também podem levar a um comportamento social anômalo e resultar em vício, dano ou desperdício de alimento. Um bom criador ou veterinário pode prever muitas destas condições por meio da avaliação do comportamento social dos animais e tomando atitudes preventivas ou curativas antes que a condição de criação piore. COMPORTAMENTO SOCIAL DAS ESPÉCIES COMPORTAMENTO SOCIAL DOS CÃES São poucas as diferenças sociais entre o comportamento de cães e lobos. Os lobos geralmente percorrem as trilhas da caça e urinam, defecam e arranham o chão como uma forma de fazer “trilha de cheiro” ou “marcação de lugares”. Similarmente, cães selvagens se movem em rotas regulares, utilizando as “trilhas de cheiro”. Os machos viajam mais que as fêmeas e são mais aptos a reconhecer a “trilha de cheiro”. O estímulo para a demarcação é o cheiro de urina ou fezes de animais estranhos enquanto operam dentro de um dado território. O comportamento de “trilha de cheiro” mantém os machos informados a respeito de quais animais já passaram por ela e da receptividade sexual da fêmea. Durante o estro, a urina e as secreções vaginais da cadela têm um odor particular que exita os machos. A fêmea é atrativa para o macho alguns dias antes do início do sangramento do proestro, porém não são receptivas até o estro. Tanto o lobo como a loba cooperam para a alimentação da cria (vomitando a comida) quando os filhotes começam a comer alimentos sólidos, com , 3 semanas de idade. O desmame ocorre entre 7 a 10 semanas, e os lobos jovens são vistos caçando junto com a alcatéia com , 4 meses de idade. Em geral, a mesma situação é observada nos cães domésticos. Vestígios do comportamento parental selvagem são observados na tendência das cadelas vomitarem a fim de alimentar suas crias. Como o lobo, o cão é basicamente um animal que vive em matilhas, e outros cães ou pessoas podem satisfazer sua necessidade de companhia. Pequenos períodos de isolamento de um cão podem agir como punição, por exemplo, durante alguns tipos de treinamento. Os animais que vivem em matilhas ou alcatéias agem dentro de relacionamentos de dominação e subordinação, que os permitem viver em grupos sociais estáveis. Uma ordem social estável auxilia por meio da inibição de lutas em situações competitivas, tais como as relacionadas a alimentação, espaço vital e desejo de atenção humana. Principalmente o tamanho, a força e o sexo determinam a dominância social, e estes relacionamentos são desenvolvidos durante o amadurecimento dos filhotes. Cães estranhos de uma mesma raça são atacados e rejeitados mais freqüentemente em um grupo social fechado do que Comportamento 1100 cães de uma raça diferente, embora existam diferenças raciais na tolerância a estranhos. Há pouca evidência de que tanto lobos como cães desenvolvam qualquer sistema forte de liderança. Comportamento afiliativo e protetor – Cães adultos de certas raças geralmente guardam o território ao redor de suas casas e mantêm os estranhos afastados por meio de ameaça ou ataque. Longe de seu território familiar raramente causam problemas e, se removidos para um novo lar, demoram até 10 dias para estabelecer seu novo território. Os cães também podem atacar se os membros de sua matilha (ou família) forem ameaçados. Isso corresponde a uma reação instintiva e não deve ser excessivamente encorajada, pois os proprietários perderão o controle do cão quando qualquer um que não aquele pertencer à família se aproximar. Um animal bem treinado e bem controlado apresenta poucos problemas. Comportamento social anormal – Embora o proprietário do cão possa dominar seu animal, um indivíduo qualquer não pode – e pode ser mordido se tentar fazê-lo. Quando se permite que um cão brigue com outros cães ou pessoas, logo ele desenvolve hábitos que podem torná-lo um perigo ou um incômodo. Quando severamente ameaçado, um cão pode morder por medo; esta atitude pode se tornar um hábito em um típico “mordedor por medo”. Quando se permite a um cão jovem persistir com comportamentos aparentemente prejudiciais, tais como montar nas pernas do dono, masturbar-se com objetos, marcar trilhas com urina, e exibir ansiedade por separação (incluindo mastigação e escavação destrutivas), tais comportamentos podem-se desenvolver para problema mais sério. Se houver um certo grau de satisfação individual, como na escavação, o problema é difícil de ser detido. Se os problemas ocorrerem somente quando os proprietários estiverem fora, a punição atrasada é contraprodutiva. Relacionamento homem-cão – O homem e o cão interagem em pelo menos três planos: 1. dependência – iniciando-se na primeira infância do animal, o cão se torna um dependente perpétuo; 2. dominância social – o homem deve ser o dominante ou corre o risco de ser ameaçado ou mordido em casos de situações competitivas. O proprietário estabelece melhor a dominância utilizando contenção firme ao invés de punição intensa. A maioria dos cães se submeterá quando for levantada do chão pela pele solta do pescoço, ou quando for mantida em decúbito lateral (os proprietários devem adotar medidas para se proteger se o cão for particularmente agressivo); 3. relacionamento de liderança-seguimento – na maioria dos cães é necessário treinamento para se produzir este relacionamento. Comportamento do filhote Treinamento familiar – Até que os filhotes comecem a ingerir alimentos sólidos, com , 3 semanas, a cadela os mantém limpos, lambendo-os e ingerindo seus excrementos. Após isto, os filhotes evitarão sujar sua cama saindo para urinar e defecar; porém não usarão áreas específicas até , a oitava semana. Os filhotes devem ser mantidos sob rigorosa supervisão a partir da idade de 7 semanas a fim de se impedir que utilizem áreas impróprias. Eles podem ser amarrados em uma correia curta, mantidos em um engradado pequeno ou confinados a um quarto entre saídas ao quintal, e podem em breve ser liberados em um quarto após terem estado do lado de fora. Devem ter acesso a áreas de toalete após despertarem, comerem ou se tornarem ativos. Caso se queira eliminar as incursões externas quando adulto, é melhor treinar o filhote dessa forma; a maioria dos cães não realiza facilmente a transição entre papel e grama. Desenvolvimento social – Existe uma variação considerável no comportamento de cães de diferentes raças e linhagens. Temperamento e “treinabilidade”, geralmente citados como fatores importantes quando se escolhe um filhote, não são facilmente acessíveis em tenra idade. Uma vez que a idade mais adequada para se Comportamento 1101 desenvolver um forte relacionamento entre o cão e seu dono é entre 3 e 12 semanas, o novo filhote deve ser selecionado com , 6 semanas e deve ser levado para casa tão logo quanto possível (ver também RELACIONAMENTO HOMEM -CÃO, anteriormente). Os filhotes criados em canis, muito distantes do contato humano, podem nunca ser capazes de se adaptar ao relacionamento homem-cão se adquiridos após 12 semanas; um treinamento cuidadoso e paciente pode ajudar a familiarizar o cão com algumas pessoas, mas pode não obter sucesso. Tais cães freqüentemente desenvolvem a síndrome de “cão de canil”; não possuem confiança e podem ser agressivos ou “mordedores por medo”, ou então extremamente submissos. Estes comportamentos podem desaparecer se o cão retornar ao seu canil de origem. Cães mantidos em canis podem manter relacionamentos mais fortes com outros cães e aceitar o canil como seu “lar” e, como resultado, podem não se tornar bons animais de estimação. Cães criados exclusivamente com o homem podem ter dificuldades no acasalamento porque pensam que o homem é sua própria espécie e não reconhecem outros cães. Em virtude de os cães serem animais de matilha por natureza, sua primeira experiência social (antes das 12 semanas de idade) deve incluir os tipos de pessoas e raças de cães com os quais eles estarão em contato por toda vida. Fundamentos do treinamento – Todos os cães devem obedecer a comandos, tais como não, senta, pare, venha, pule, iniciando-se na oitava semana de idade. Um cão treinado obedece prontamente às ordens de seu dono. Apenas 10min diários são suficientes para se obter um cão bem-treinado por volta da 16ª semana de vida. Estas lições devem ser breves, ocorrer sem interrupções e devem-se iniciar com ordens simples que os filhotes possam realizar. Repetição moderada, compatibilidade, elogios por um bom desempenho dados logo após a resposta desejada ser apresentada e firmeza em comportamentos indesejáveis dentro de um relacionamento baseado em confiança e afeição mútua são os fundamentos do treinamento. Aulas de obediência mais formais com , 6 meses de idade, reforçam os conceitos e ajudam a melhorar as primeiras lições. COMPORTAMENTO SOCIAL DOS GATOS Os gatos são animais não sociais e tendem a ser solitários em seu modo de vida. Ocasionalmente formam uma amizade aparente, mas vão passar a maior parte do tempo sozinhos. Muitos comportamentos felinos centram-se em seu modo de vida solitário, incluindo comportamentos social, ingestivo e reprodutivo. Não existe dominância na forma tradicional. Em um grupo, um gato “possui” o território, 1 ou 2 estão em categorias sociais extremamente baixas e o resto divide uma posição social média. Esta ordem territorial vai variar entre os mesmos indivíduos se houver mudança para outra área. Os gatos que dividem uma posição tendem a brigar freqüentemente. Para um acasalamento bem-sucedido, o macho tem de estar presente no momento apropriado. As vocalizações são usadas como atrativo e a ovulação induzida garante que os óvulos e esperma se encontrem no momento apropriado. Desenvolvimento social dos gatinhos – Os gatinhos são sociais porque dependem da mãe para aquecimento e alimento e dos seus companheiros de ninhada para aquecimento e, mais tarde, brincadeiras. A brincadeira social se desenvolve gradualmente ao redor da terceira semana. Essas interações ajudam o gatinho a desenvolver coordenação; ensinam técnicas adultas de caça, eliminação e sobrevivência; e concluem a maturação fisiológica e comportamental. Quando os gatinhos atingem 6 a 8 meses de idade, eles são capazes de sobreviver sozinhos. Os momentos de brincadeiras se tornam mais curtos e terminam em contendas agressivas que se tornam mais intensas e compridas. Eles Comportamento 1102 tendem a manter os companheiros de ninhada afastados e introduzir o modo de vida solitário. Os proprietários freqüentemente notam uma mudança na personalidade do seu gato nessa época, ficando desapontados por terem ficado menos amigáveis e, às vezes, mais agressivos. COMPORTAMENTO SOCIAL DOS G RANDES ANIMAIS Estrutura de grupo ou rebanho – Animais domésticos associam-se em grupos, mesmo em um sistema de criação extensiva. Ovinos, bovinos e eqüinos mantêm contato visual. Os suínos gastam mais tempo em contato real uns com os outros, e utilizam vocalizações. Se perturbados, ovinos e eqüinos primeiramente se agrupam e, se ameaçados, correm para longe da fonte de distúrbio. Bovinos e suínos movimentam-se em grupo sem coesão e podem resistir à razão do perigo. Durante a aglomeração do grupo de animais na natureza ou em situações com alta densidade, os indivíduos podem ser forçados a violar o espaço individual de outros. Interações sociais nestes casos dependem da posição dos animais na ordem de dominância. Uma vez que o comportamento agressivo é mais observado em bovinos, porcos ou cavalos, quando os grupos estão sendo formados, mudanças freqüentes entre os membros dos grupos devem ser evitadas. A produção de leite e outras respostas fisiológicas podem ser afetadas por vários dias quando interações sociais agressivas estejam ocorrendo. Embora os ovinos raramente apresentem dominância social clara, ocorrem interações intensas mas sutis, sobretudo com os machos durante a época de reprodução. Chifradas em bovinos e ovinos; mordidas na garupa, pescoço, ou dorso em cavalos; e empurrões, mordidas e ferimentos com as presas em canhaços são formas comuns de comportamento agonístico. Desenvolvimento da dominância social – Os leitões apresentam algumas brigas pelas tetas preferidas da porca com apenas alguns dias após o nascimento; uma vez que a ordem de aleitamento nas tetas seja estabelecida, a seqüência se transfere para as futuras posições de dominância. Outras espécies não desenvolvem uma ordem social estável até algum tempo após o desmame. Os efeitos da dominância social podem ser importantes para rebanhos de alta densidade ou com um esquema pobre de criação. Espaço inadequado no cocho, corredores estreitos, espaços inadequados nas áreas cobertas ou falta de comedouros podem fazer com que os animais dominantes obtenham recursos às expensas dos submissos. Os últimos irão sofrer e a sua saúde e a produção geral podem ser afetadas. Em casos extremos de dominância, apenas a presença do indivíduo dominante pode diminuir fisiologicamente a salivação e a fome dos inferiores. Exemplos comprovados mostraram altas porcentagens de parasitas internos em algumas cabras submissas e alta taxa de mortalidade durante a seca quando a comida escassa foi consumida pelos animais dominantes. Deve haver um limite máximo no número de membros do grupo para que possam ser reconhecidos ou lembrados por cada indivíduo; este número pode ser de 50 a 70 para bovinos e de 20 a 30 para suínos. O cavalo é responsivo a pequenas mudanças de postura ou pressão na pele, e estas dicas, durante as interações de dominância-submissão, são utilizadas por um bom criador de cavalos. Algumas vezes foram utilizados tranqüilizantes para auxiliar a tolerância social quando porcos estranhos foram criados juntamente com outros, ou quando cavalos selvagens foram domesticados. COMPORTAMENTO SOCIAL DAS GALINHAS O pintinho apresenta respostas precoces ainda quando está no ovo, por exemplo, pode dar pequenos piados quando está com frio, ou curtos trinados de alegria quando está aquecido. Os pintos chocados a temperaturas levemente Comportamento 1103 subnormais dão pequenos piados quando sua penugem úmida seca e perdem contato com a casca do ovo. O contato com uma galinha choca ou outro objeto aquecido impede estes piados. Os pintinhos recentemente chocados são atraídos para a galinha por calor, contato, pressão e movimentos corporais; esta atração é maior no dia da eclosão. Eles aprendem a comer, ciscar, beber e evitar inimigos na companhia da mãe. Em pintinhos, o período mais sensível para fixação à mãe é entre 9 a 20h após a eclosão, e o medo é demonstrado a partir do terceiro dia. A ligação à mãe depende primariamente do som de sua voz e aparência. Quando a penugem começa a desaparecer de suas cabeças, os pintinhos são rejeitados pela galinha. Ela os bica e a ninhada começa a se dispersar e tornar-se mais independente. Galinhas e galos apresentam hierarquias de bicagem separadas, sendo as dos galos menos estável. A hierarquia de dominância é vista mais claramente na competição por alimento ou parceiros sexuais, e as galinhas subordinadas podem ficar com tão pouca comida que a produção é afetada. Em um plantel mantido em estado de desorganização social por motivo de remoção e substituição, as aves comem menos, podem perder peso ou crescer pouco e tendem a botar menos ovos. Alimentação e água adicionais colocadas em cochos distribuídos pelo galinheiro permitem que as galinhas subordinadas se alimentem sem serem molestadas, e um número adequado de ninhos dará melhores condições a essas aves para a ovoposição. Grupos > 80 aves tendem a se separar em 2 grupos distintos, e pelo menos 2 hierarquias de bicagem separadas parecem se estabelecer. Comportamento de plantel – O agrupamento é a base da organização do plantel. Um pintinho criado isoladamente tende a permanecer fora do plantel e apresenta uma conversão alimentar menor que as aves deste. A formação de um plantel adulto depende de tolerância mútua. Os estranhos são atacados e são integrados ao plantel apenas gradualmente. Os novos integrantes são geralmente relegados a baixas posições na ordem social. COMPORTAMENTO SOCIAL DOS PERUS DOMÉSTICOS Perus domésticos e selvagens possuem padrões semelhantes de agrupamento e organização social, porém as práticas de manejo determinam o tamanho e a composição dos grupos domésticos. A ordem de dominância social é menos estável que a das galinhas, particularmente no caso de machos criados em galinheiro. Certas variedades de perus tendem a dominar outras; por exemplo, preto sobre bronze sobre cinza, e em grupos nos quais há mistura de sexo, os machos dominam as fêmeas. Como nas galinhas, o confronto entre pares mais comum é uma ameaça simples, com uma ave se subordinando à outra. Por outro lado, eles podem-se ameaçar em círculos sempre com a plumagem das asas abertas e a cauda em leque, e ambos emitem um alto trinado. Então, um ou ambos alçam vôo e se atacam com as patas. O que empurrar, puxar ou prensar a cabeça do outro no chão normalmente vencerá o combate. As lutas geralmente duram poucos minutos. Muito sangue pode ser espalhado nestas ocasiões, pois áreas da pele altamente vascularizadas podem ser atingidas, porém o dano físico real é pequeno e as aves não costumam lutar até a morte. Entretanto, uma ave ferida de posição inferior deve ser mantida afastada do grupo até que sua ferida cicatrize, pois as outras tentarão bicá-la e agravar o ferimento. Os peruzinhos se movem livremente após a eclosão,e devem se ligar socialmente à mãe durante o primeiro ou o segundo dia. Normalmente os peruzinhos formam grupos fortemente ligados que podem inicialmente se amontoar para prover o aquecimento, porém continuam coesos mesmo em locais aquecidos. As aves tendem a se alimentar e perambular em grupos e, se estão com a mãe, ela é o foco Comportamento 1104 da atividade. Sinais visuais e vocais são utilizados pelos pais e pelos peruzinhos para manter contato até ≥ 8 semanas de idade. Brigas são raras até os 3 meses de idade, mas aumentam até que se atinja o pico aos 5 meses, quando a ordem social é estabelecida. COMPORTAMENTO SOCIAL DOS PATOS Os patos domésticos são, em sua maioria, originários de duas espécies – o pato mallard (Anas platyrhynchos ) e o pato almiscareiro (Cairina moschata ). No pato almiscareiro, ambos os sexos são desprovidos de penas na face. Comportamento social dos patos almiscareiros – Os patos almiscareiros são promíscuos. Os machos adultos, que são 2 vezes mais pesados que as fêmeas, são solitários e agressivos para com outros machos. Sua aparência é primitiva e seus chamados são simples. A fêmea, quando alarmada, emite um grasnido fraco; o macho emite um ruído sibilante com batimento da cauda e encrespamento das penas, e o balanço da cabeça dos machos atua como ameaça a outros machos ou como exibição sexual para as fêmeas. Como as fêmeas geralmente evitam machos em exibição, eles podem persegui-las até a exaustão antes que o acasalamento seja possível. Após a fertilização, as fêmeas se retiram para seus ninhos e botam um ovo por dia. O ninho não é ocupado continuamente até que a incubação se inicie com os dois últimos ou com o último ovo. Os ovos eclodem após 35 dias. O macho ataca sexualmente qualquer fêmea que encontre e não toma parte na seleção do ninho, incubação, ou cuidados com os patinhos. Comportamento social dos patos mallards – Os patos mallards selvagens são monogâmicos e permanecem juntos da metade do inverno até o começo da incubação, por um período de 5 meses. Em situações domésticas, isto pode não ser possível se o número de animais por sexo não for equivalente. Os machos estimulados sexualmente se exibem sozinhos ou em grupos para algumas fêmeas em particular, que por sua vez incitam os machos com uma exibição mais formalizada, que alterna ameaças e submissão com um chamado característico. A ameaça é dirigida a um macho estranho e a submissão é mostrada ao macho preferido, que então nada na direção da fêmea e estica seu pescoço em sua direção. As lutas, perseguições e exibições de plumagem são comuns entre os machos mas não são importantes para a formação dos casais. As aves pareadas deixam o grupo, porém em algumas situações domésticas, as fêmeas não podem evitar o ataque dos machos não pareados e podem ser sufocadas ou perseguidas até a exaustão. A fêmea é protegida por seu companheiro até que a ovoposição seja completada. A incubação leva 28 dias e o patinho deixa o ninho após o primeiro dia. A fêmea sofre sua muda anual por volta de 6 a 8 semanas após os patinhos começarem a voar. Os filhotes normalmente ligam-se à mãe durante os primeiros dias após a eclosão dos ovos. O reconhecimento da espécie ocorre mais gradualmente para assegurar o acasalamento com a própria espécie na idade adulta. COMPORTAMENTO REPRODUTIVO FÊMEA O estado de acasalamento das fêmeas obviamente possui fatores fisiológicos e comportamentais. O termo estro é freqüentemente reservado para descrever componentes comportamentais e não fisiológicos. Os ovários podem passar por mudanças associadas com o estro sem que a fêmea apresente sinais de comportamento estral. Comportamento 1105 Rotinas comportamentais normais são alteradas durante a estro manifestado, e existe tipicamente uma diminuição nos comportamentos de alimentação e descanso, enquanto os comportamentos locomotor, agonístico, investigativo e vocal aumentam. Estas respostas são secundárias em relação ao caráter essencial do estro, isto é, a disposição da fêmea para aceitar o acasalamento. O comportamento de monta entre fêmeas é típico do estro de vacas de grandes rebanhos e algumas vezes é observado em cadelas, mas raramente em éguas, gatas ou ovelhas. A égua no cio geralmente assume uma postura particular, que envolve freqüente afastamento dos membros posteriores, enquanto a urina é eliminada em pequenas quantidades e o clitóris é exposto em eversões rítmicas repetidas. A égua procura a companhia de outros eqüinos e exibe um interesse particular pelo macho. Na presença do garanhão, a égua no cio direcionará seus quartos traseiros para ele e assim permanecerá. As porcas começarão a seguir os cachaços ou quase qualquer coisa que se mova. Os períodos e ciclos estrais variam consideravelmente nas éguas, possivelmente porque são selecionadas para ovular no começo de fevereiro – uma época não natural do ano. O período estral geralmente dura de 4 a 10 dias e os ciclos se repetem a cada 28 dias. Um período de anestro ocorre tipicamente durante a estação de menor período de luz do dia, embora algumas éguas possam exibir estro comportamental e/ou fisiológico. O estro na maioria das cadelas ocorre em intervalos de , 6 meses, independentemente da época do ano. A rhodesian ridgeback e a basenji tendem a manter uma estação reprodutiva única e sazonal por ano, como a loba, sua ancestral. Algumas das raças toy ciclam 3 vezes por ano. O sangramento pró-estral e o linhaço vulvar são características exclusivas da cadela (ver também PSEUDOPRENHEZ, pág. 821). O estro nos gatos tem uma periodicidade de 3 semanas, com picos no início da primavera ou verão. A receptividade dura de 4 a 6 dias se ocorrer o acasalamento, ou de 6 a 10 dias se não ocorrer. A vocalização do cio (“choro”) é usada para atrair os machos, e uma vez que estejam por perto, os comportamentos de rolamento, esfregação e lordose indicam o estado hormonal da gata. Acasalamentos repetidos em ambientes naturais tendem a diminuir a duração de estro nos bovinos por até 8h. Algumas fêmeas estimuladas por machos vasectomizados mostram uma duração menor de estro. Estes exemplos confirmam a visão moderna de que o estro não está somente sob controle endógeno e que sua manifestação está sujeita, em parte, a fatores ambientais, inclusive bioestimulação. As duas condições naturais comuns responsáveis pelo anestro, por exemplo, em éguas e jumentas, são a sazonalidade e a prenhez. Cerca de 2% das vacas prenhes apresentam estro durante a gestação e quase a mesma proporção exibe cios silenciosos enquanto cicla. MACHO A libido no animal macho se desenvolve na puberdade e persiste, em certos níveis, por toda a vida do animal. Ela depende da produção de testosterona e sua manifestação é determinada por características herdadas. Pode ser alterada como conseqüência de ações físicas ou inibida como resultado de situações adversas. Sob condições naturais, um macho de baixa libido deixa pouca prole, porém em situações domésticas, uma baixa libido pode ser perpetuada. Evidências experimentais e circunstanciais indicam certa base genética para a libido. A nutrição exerce uma influência leve; entretanto, um alto padrão nutricional pode inibir a produção de testosterona em alguns machos jovens, enquanto uma subnutrição intensa pode prejudicar a libido. Desde que não haja correlação significante entre comportamento sexual e qualidade do sêmen, uma avaliação adequada da habilidade de procriação do reprodutor deve assegurar ambos os fatores. Comportamento 1106 A libido se manifesta durante a corte do macho. O “dobramento do lábio”, ou “flehmen”, é demonstrado na maioria dos ungulados. O macho estende a cabeça e o pescoço, contrai as narinas e levanta e enrola o lábio superior. Isto geralmente ocorre após ele cheirar a urina ou o períneo da fêmea e envolve o olfato. COMPORTAMENTO COITAL “Disposição” para o coito é freqüentemente observada nos machos que cortejam as fêmeas imediatamente antes e durante o estro. A livre associação dos parceiros para o acasalamento pode estabelecer uma aliança temporária (“ligação coital”), que facilita a repetição do acasalamento e assegura condições ideais para fertilização. Algumas formas de cutucões ocorrem no comportamento pré-coital na maioria dos ungulados. Ao empurrar os quartos traseiros da fêmea, o macho é capaz de sentir se ela se afasta, como no proestro, ou se aceita. Este é um comportamento comum nos touros. Os garanhões testam o estro na égua, cheirando mordendo e beliscando regiões do corpo, desde os quartos traseiros até o pescoço da égua. Uma das funções da corte é orientar o macho a encontrar maneiras de realizar a penetração. A monta apropriada é parcialmente adquirida pelo aprendizado. Os machos normalmente montam em fêmeas de sua própria espécie, porém garanhões podem montar em jumentas e jumentos podem montar em éguas (resultando em mulas). Ocasionalmente, caprinos e ovinos poderão se acasalar. Mais raramente pode ocorrer a monta de éguas por touros, novilhas por garanhões, e várias espécies por cães. Um afeiçoamento inadequado na infância é geralmente a base para tais relacionamentos. A corte também permite ao macho conseguir uma ereção completa, de forma que um período longo de corte é muito importante em espécies com pênis vascular, ao contrário das espécies que possuem pênis fibroelástico. A fase de acasalamento do comportamento sexual masculino compreende vários componentes comportamentais. Incluem-se entre eles a monta, abraços, investidas pélvicas, penetração e ejaculação. As “montas falsas”, pelos machos, ocorrem se não se conseguir a penetração e se forem necessárias mais de uma tentativa para se conseguir o acasalamento; por exemplo, nos garanhões, 2 ou 3 montas falsas são antes de se conseguir o acasalamento. No touros, carneiros e bodes, a penetração consiste de uma única investida pélvica, seguida por desmonta. Nos garanhões, há um longo período de investida pélvica antes da ejaculação. Os suínos têm uma fase de acasalamento relativamente longa, com a ejaculação durando até 20min. O acasalamento em gatos ocorre muito rapidamente; assim que o gato retira seu pênis, as espículas penianas estimulam o epitélio vaginal, fazendo com que a gata se vire e ataque o gato. Nos cães, ocorre um “engate” durante a penetração à medida que a musculatura vulvovaginal se retesa atrás do bulbo do pênis. Este engate é mantido por 10 a 30min, mesmo que o macho desmonte e passe um membro posterior por sobre o dorso da fêmea, de forma que fique de costas para ela. A fase pós-acasalamento inclui a desmonta, a limpeza genital em algumas espécies, e um período refratário em que não há interesse em fêmeas no estro. Um rápido retorno à presteza de acasalamento é visto em machos que receberam a oportunidade de acasalar com uma nova fêmea. As fêmeas normalmente são cobertas várias vezes durante cada período estral. A freqüência é influenciada por vários fatores, incluindo o número de fêmeas no cio, machos competidores, serviços anteriores e o grau de receptividade nas fêmeas no cio. Quando existe competição entre as ovelhas por um número limitado de carneiros, as mais velhas geralmente conseguem obter maior número de montas que as mais jovens. Comportamento 1107 TABELA 2 – Coito, Gr An Tempo de reação do macho Eqüinos 5min em média Bovinos Geralmente 2min Média de 12min Média para raças de corte 20min Suínos 1 a 10min Ovinos De 30s a 5min Comportamento pré-coital do macho Modo de penetração Duração da penetração e local da inseminação Repetição dos acasalamentos Cheira a região genital. Reflexo olfatório genital. Morde a região da garupa. Pênis ereto Cheira a vulva. Reflexo olfatório genital. Alinhamento. Lambe o quarto traseiro De 1 a 4 montas. Várias oscilações pélvicas. Fase inativa terminal 1min, intracervical Investida pélvica única combinada com reflexo de “abraço” 5 a 10s, intravaginal Aproxima-se da porca dando uma série de grunhidos. Cheira a vulva vigorosamente. “Mastiga” ruidosamente a mandíbula e espuma pela boca Cheira a vulva. Reflexo olfatório genital. Arranha com as patas dianteiras. Balindo, dá patadas com as patas dianteiras e rápidos abraços. Reflexo olfatório genital Pequenas protrusões do pênis espiral repetidas até que a penetração ocorra. Oscilações pélvicas seguidas de fase sonolenta 9min, intra-uterina Muitos cachaços servirão às porcas 3 a 7 vezes por período de estro Investida pélvica única muito rápida, com “abraço” dos membros anteriores 5s, intravaginal Os carneiros algumas vezes servirão à ovelha em estro várias vezes. Alguns carneiros adultos servirão a cada ovelha apenas 1 vez Os cruzamentos são geralmente arranjados de modo a permitir 2 a 4 serviços por estro Os touros ao ar livre servirão às vacas 3 a 10 vezes no período de estro Comportamento 1108 CARACTERÍSTICAS DO COMPORTAMENTO REPRODUTIVO EM AVES DOMÉSTICAS Comportamento sexual – À medida que o frango atinge a maturidade, a produção de testosterona resulta em características sexuais secundárias, incluindo o crescimento de crista e barbelas e o surgimento do canto do galo. As atividades de corte do macho incluem o ciscamento do chão, o balançar das asas e a dança do acasalamento, que leva à cópula. O canto, que é raro nos capões, informa a localização do macho e seu território para as pretendentes e as afasta de outros machos. A interferência masculina na cópula é comum quando existem vários machos em um pequeno galinheiro com poucas fêmeas. À medida que a franga atinge a maturidade, os hormônios do córtex ovariano estimulam o crescimento de ovidutos, inibem a plumagem masculina, e são responsáveis pelo agachamento sexual, quando o galo coloca um pé em seu dorso antes de acasalar. Barbelas e cristas modificadas também podem-se desenvolver. Comportamento parental – Exceto em raças “sem choco”, a incubação se inicia quando um certo número de ovos já foi posto. Durante o choco, os ovos são virados, impedindo assim a adesão no interior da casca. Uma área de choco altamente vascularizada, aquecida e sem penas se desenvolve em cada lado do tórax. A galinha ao chocar cacareja e arrepia suas penas se perturbada. Sob condições de perigo, um elaborado comportamento de aproximação confunde seus predadores e permite às galinhas retornarem a seus ninhos sem serem percebidas. Durante a incubação (20 a 22 dias), a prolactina reduz a atividade ovariana e o comportamento sexual e assim a ovoposição cessa. Após a eclosão, a galinha se utiliza de vocalizações curtas, repetitivas e baixas para conduzir os pintinhos e indicar as fontes de alimento. Ela os afasta dos predadores aéreos e terrestres por meio do cacarejo ou de um grito abafado. Os perus são reprodutores sazonais; o pico de atividade é na primavera, porém com o uso de luz artificial, pode-se mantê-los sexualmente ativos por todo o ano. Os machos iniciam uma corte elaborada (cada uma pode durar até 10min) com posturas e movimentos, porém são ignorados por todos, exceto por fêmeas receptivas. A receptividade dura , 2 dias. As fêmeas abaixam-se em resposta ao “pavoneamento” do macho, permanecendo quietas com a cabeça recolhida perto do corpo. O macho se aproxima devagar, monta, pisa e realiza o contato cloacal com o oviduto evertido da fêmea. A ejaculação se segue rapidamente, o macho desmonta e a fêmea executa um encrespamento pós-copulatório das penas e uma corrida breve. Os machos têm um breve período refratário e podem chegar a se acasalar com cerca de 10 fêmeas em 30min. Não se formam pares, porém os machos dominantes podem possuir um harém que irão defender contra outros machos. Apenas os machos de posições superiores completam o acasalamento com sucesso. Fêmeas de posição inferior são acasaladas mais freqüentemente que as de posição superior, contudo botam ovos menores e em menor quantidade. Após um único acasalamento, ovos férteis podem ser botados por cerca de 5 a 6 semanas. Quando os ovos são removidos periodicamente, o comportamento de choco pode ser adiado. ESTRESSE COMPORTAMENTAL O controle exercido pelo homem sobre os animais domésticos continua a aumentar, e novas fases de criação intensiva continuam a ser implementadas. Existe um aumento de demanda pública por veterinários para avaliar condições de manejo e sanidade do grande número de animais mantidos em condições intensivas Comportamento 1109 em ambientes artificiais. Os estressantes são fatores ambientais que induzem estados de estresse em animais de rebanho. O estresse pode ser indicado por mudanças no comportamento dos animais e estratégias que estes adotam para superar os fatores estressantes: 1. os animais necessitam de algum estímulo para superar o estresse ou “tédio” em um ambiente inóspito; 2. o animal pode apresentar uma resposta adaptativa efetiva aos estressantes normais; e 3. além de um nível crítico de estresse, o animal pode não ser capaz de se adaptar da maneira esperada e produzir respostas anormais ou anômalas. Muito da pesquisa já realizada concentrou-se sobre as necessidades nutricionais, sanidade e higiene; as necessidades comportamentais e sociais dos animais foram pouco compreendidas. A superlotação e/ou confinamento levam a vários efeitos estressantes e os padrões comportamentais resultantes quase sempre têm sido definidos como “vícios”. Várias tentativas têm sido feitas para que se avaliem os vários estressantes de um ambiente e se calcular um índice estressante. Uma dificuldade é que um estressante para um indivíduo ou raça pode não o ser para outro. Alguns dos padrões anômalos ou anormais apresentados pelos animais em estresse quando se encaixam em sistemas de comportamento são discutidos adiante. Comportamento anômalo – No passado existia comparativamente pouco conhecimento disponível sobre as respostas dos animais mantidos sob sistemas intensivos de criação. Muitas formas de comportamento anormal são relacionadas a estímulos nocivos ou estressantes no ambiente. Ambientes inferiores parecem estar fortemente relacionados a comportamentos anômalos, tais como canibalismo, redução do apetite, movimentos estereotipados, pouco cuidado parental, superagressividade, falta de responsividade, mordedura de caudas e cochos, mastigação destrutiva, escavação, comportamento de limpeza excessivo e vários outros. Os comportamentos que anteriormente eram vistos como vícios são formas de comportamento anômalo que surgem à medida que um animal tenta enfrentar restrição, superlotação ou falta de estímulos diversificados no ambiente. Algumas tentativas recentes têm sido feitas para classificar as várias respostas comportamentais anômalas observadas nos animais domésticos. Embora nenhuma seja inteiramente satisfatória, um destes sistemas pode ser utilizado para tentar esclarecer este difícil campo de estudo. Comportamentos anômalos podem ser caracterizados por sua forma, freqüência e pelo sistema comportamental no qual ocorre. Anomalias reativas – Muitas das formas anômalas de comportamento descritas ocorrem enquanto o animal está excitado. Estas anomalias (ver TABELA 3) incluem a volteadura a esmo em cavalos, a esfregadura de focinho em porcos e a limpeza de penas deslocadas em aves. Elas são em sua maioria atividades estereotipadas dos movimentos corporais e, freqüentemente, surgem como resultado de atos deslocados. Comportamento oral/ingestivo anômalo – Síndromes comportamentais anômalas que envolvem respostas orais ou ingestivas são uma outra subclasse (ver TABELAS 4 e 5). As deficiências nutricionais são somente um fator contribuinte no animal que exibe movimentos bucais anormais ou anomalias ingestivas. Cãezinhos alimentados artificialmente na mamadeira com um grande furo no bico continuavam a sugar as orelhas de seus companheiros logo após a ingestão do leite disponível. Da mesma maneira, bezerros criados na mamadeira freqüentemente desenvolvem o hábito de “sugar” seus companheiros. Tais desordens devem estar envolvidas com mudanças nas práticas comuns de criação. Anomalias reprodutivas – Ver TABELA 6. Várias respostas de má-adaptação relacionam-se com atividades sexual, maternal ou neonatal. Respostas anômalas relacionadas ao estro e à libido representam sérios problemas para a indústria animal. Comportamento 1110 TABELA 3 – Anomalias do Comportamento Reativo Condição Animais envolvidos Etiologia Seqüelas clínicas Volteadura a esmo Cavalos Contenção Emaciação Dorso dolorido Sacudidela da cabeça Aves Cavalos Espécies exóticas “Frustração” Desconhecidas Inclinação da cabeça Cavalos “Frustração” Problemas dentários Desconhecidas Esfregadura do focinho (nariz) Suínos Cães Gatos Lotação Incertas Andadura estereotipada Cavalos Aves Cães Espécies exóticas Confinamento “Frustração” Emaciação Agitação das patas Cavalos Touros Incerta Desconhecidas Automutilação Cavalos Cães Confinamento “Frustração” Lesões Esfregadura da cabeça Suínos Gado Isolamento Desconhecidas Esfregadura da cauda Cavalos Variada Desconhecidas Atividades de deslocamento Todas as espécies “Frustração” Desconhecidas Posição de pé crônica Cavalos Bezerros Incapacidade e restrição Fadiga Sentada de cachorro sonolenta Porcas Cavalos Gado Variada Geralmente nenhuma Infecções urinárias Morte súbita por insuficiência renal Sucção do flanco Cães “Frustração” Provavelmente nenhuma Comportamento destrutivo Cães Gatos Cavalos “Frustração” Nenhuma Necessidades comportamentais – Existem muitos debates a respeito da importância das necessidades etológicas dos animais domésticos. Os suínos necessitam chafurdar quando confinados, ou galinhas necessitam de um local para banho de pó quando em pequenas gaiolas? Quando as condições permitirem, os suínos chafurdarão para regular a temperatura corporal, ou então, durante períodos de recreação. Se um porco bem-criado possui uma temperatura ambiente confortável, ele tem a necessidade de chafurdar; há um efeito adverso no porco se a chafurdação não for Comportamento 1111 TABELA 4 – Anomalias do Comportamento Ingestivo Localizadas na Boca Condição Animais envolvidos Etiologia Seqüelas clínicas Mordedura do cocho Cavalos Confinamento Emaciação Cólicas ocasionais Afinamento do cocho (lambedura) Cavalos Cães Gatos Confinamento Nervosismo Desconhecidas Mordedura da cauda Suínos Cavalos Cães Complexa; envolve nutrição deficiente, lotação, “frustração” Emaciação Abscessos nos quartos traseiros Puxamento da língua Cavalos Incerta Desconhecidas Mordedura de grade Suínos Confinamento Produção reduzida e subfertilidade Sucção prolongada Bezerros Leitões Cãezinhos Gatinhos Desmame precoce Formação de chumaços de pêlos (tricobezoares) Trauma em outros Limpeza corporal excessiva Bezerros Cães Gatos Confinamento “Frustração” Formação de chumaços de pêlos Granuloma por lambedura Arrancamento de lã (pêlos) Ovinos Primatas Confinamento “Frustração” Perda do velo ou de pêlos Enrolamento da língua Gado Confinamento Desconhecidas Mastigação de vácuo Suínos Confinamento Notável perda de peso e baixa fertilidade Bicagem das penas Aves Criações em altas densidades Perda de penas Trauma feita; ele ficará frustado, estressado ou mesmo sentirá dor? Argumenta-se freqüentemente que suínos que tiveram experiências prévias de chafurdação dela necessitarão; a necessidade seria a mesma em um porco que nunca a experimentou? Estas áreas são difíceis de pesquisar, embora sejam matérias de constantes debates. O veterinário pode responder apenas intuitivamente. Um determinado ambiente fechado pode ser particularmente restritivo e permitir apenas algumas poucas oportunidades de limpeza, espreguiçamento, exibição ou mesmo contato social com os membros deste confinamento. Com possibilidades limitadas para atividades, algumas espécies tendem a adotar anormalidades orais. Os suínos têm uma profunda necessidade de fossar ou roçar a boca em alguns materiais. Quanto mais característica de uma espécie for a resposta comportamental que foi frustada, mais provavelmente uma necessidade etológica não estará sendo suprida. O debate está ligado à importância das necessidades comportamentais dos animais e seu relacionamento com a sanidade animal. Pode-se acreditar que as muitas necessidades comportamentais não sejam essenciais, porém, se preenchidas, ou se substituídas por alternativas, o animal pode-se desenvolver melhor. Estudos demonstram que bons cuidados na infância, comunicação com animais estabulados, etc. possuem Comportamento 1112 TABELA 5 – Anomalias do Comportamento Ingestivo Condição Deglutição de vento (aerofagia) Animais envolvidos Manifestações Cavalos O ar é repetidamente engolido, sozinho ou em associação com uma ação de mordedura Mastigação de madeira (lignofagia) Cavalos, gado, carneiros Retirada de cascas de árvores e mastigação de cercas restritivas ou cercados internos Ingestão de fezes (coprofagia) Cavalos, porcos, cães Normal em coelhos e em filhotes da maioria das espécies. Em animais adultos, por exemplo, cavalos, cães e porcos confinados. Em porcos, pode seguir-se à atividade de massagem anal Ingestão de pêlos (tricofagia) Carneiros, gado, cavalos, gatos, coelhos Ingestão de pelagem, isto é, pêlos ou lã, própria ou de outros. Pode ocorrer como seqüela de limpeza excessiva ou sucção corporal Ingestão anômala de leite (galactofagia) Gado (leiteiro), cordeiros, gatos Sucção cruzada por animais adultos Ingestão de terra (geofagia) Cavalos, gado, gatos, cães Ingestão de terra e areia em quantidades substanciais Empanturramento (hiperfagia) Cavalos, gado, cães, gatos Superingestão e deglutição rápida de alimentos de forma habitual ou esporádica Ingestão excessiva de água (polidipsia) Cavalos, carneiros, porcos, aves Consumo excessivo de água por meio da ingestão freqüente, demonstrada em animais confinados com suprimento de água à vontade. Pode ser um processo patológico, porém, mais freqüentemente é um distúrbio comportamental “Pica” Gado, carneiros, cães, gatos Mastigação de objetos estranhos tais como ossos velhos, roupas, etc. Sugere deficiência, por exemplo, afosforose Ingestão de camas Cavalos, aves, gatinhos Ingestão de camas limpas ou sujas, particularmente pedaços de madeira ou palha Ingestão das penas Aves (galinhas) Bicagem e deglutição das penas de outras aves. Respostas alimentares maldirigidas na criação de aves mantidas em grupos compactos com ração concentrada Ingestão dos ovos Aves (galinhas) (em camas) Quebra das cascas dos ovos por bicadas e ingestão do conteúdo Mordedura ou bicagem do corpo Aves, porcos Morder ou “bicar” várias partes do corpo, tais como cabeça, cauda, orelha, dorso, ânus, dedos e vísceras prolapsadas Comportamento 1113 TABELA 6 – Anomalias do Comportamento Reprodutivo Condição Cio silencioso Animais envolvidos Éguas, vacas e cadelas Impotência sonolenta Touros Desalinhamento coital Touros, bodes Impotência da penetração Touros, carneiros Síndrome monossexual Carneiros, touros, cachaços e novilhos em confinamento Rejeição do neonato Todas as espécies Deficiência materna Todas as espécies Roubo de outras crias Éguas, vacas e ovelhas Esforço de sucção deficiente Todas as espécies Agressão puerperal Rebanho parturiente Canibalismo materno Porcas, ovelhas, cadelas e gatas Pseudociese Cadelas Manifestações Estro comportamental ausente ou em baixos níveis em uma fêmea que possua as outras características fisiológicas do estro fértil Alinhamento correto do macho atrás da fêmea em estro, porém com adoção da condição de sonolência inativa; a cabeça geralmente repousa no dorso da fêmea Adoção de uma posição pelo macho, na qual há desvio do alinhamento da fêmea e não ocorre a monta (“monta pela cabeça”) Monta ativa, ocorre o abraço mas com pouca investida e penetração insuficiente persistente Monta sexual de outros machos à exclusão de fêmeas, por exemplo, em carneiros criados em grupos unissexuais densos. Síndrome do touro-novilho: tolerância dos novilhos à monta freqüente por outros novilhos quando em grupos confinados Reação agressiva persistente em direção ao recém-nascido ou deserção ativa pela mãe Reação materna negativa persistente em direção ao recém-nascido, que não tem permissão para mamar. Deficiência na “descida do leite” Esforços pré-parto de uma mãe para adotar as crias pertencentes a outras fêmeas. Freqüentemente é uma função de densidade de rebanho e parturição sincronizada ou altas densidades de rebanho Deficiência do recém-nascido para apresentar o comportamento positivo de procura da teta Desenvolvimento súbito de comportamento agressivo violento (pós-parto), direcionado anti-socialmente e ocorrendo temporariamente Marrãs recém-paridas com sua primeira leitegada podem comer sua cria quando agitadas. Ovelhas confinadas, ocasionalmente, comem as caudas e pés de seus cordeiros recém-nascidos. As cadelas podem continuar a morder o coto umbilical, romper a parede abdominal e consumir as vísceras, bem como, ocasionalmente, os pés de suas crias Cadelas com corpo lúteo persistente adotam comportamento parturiente, incluindo a formação de ninhos e a “adoção” de objetos inanimados Comportamento 1114 TABELA 7 – Anomalias de Comportamento Agonístico Condição Agressão clara intensa Animais envolvidos Todas as espécies domésticas Manifestações Investir, empurrar ou atacar agressivamente animais intrusos ou que estão se aproximando de espécies diferentes ou da mesma espécie (inclusive o homem) Alarme excessivo Todas as espécies domésticas Ameaça Todas as espécies domésticas Cabeçada Ruminantes, notadamente bovinos, bodes e carneiros Mordedura Cavalos, cães, gatos e porcos Reações claras e intensas: estouro de boiada, disparadas, fuga histérica em aves Exibição de ameaça clara e intensa, particularmente quando da aproximação humana Investir com a cabeça, ferir com os chifres, empurrar a cabeça contra objetos ou pessoas competitivas/intrusas/acessíveis Dentadas ou mordidas anti-sociais habituais Atacar agressivamente com uma pata ou perna 1. Atacar frontalmente com uma pata dianteira 2. Erguer o quarto traseiro e atacar violentamente para trás com ambas as patas 3. Escoicear para baixo e para trás com uma pata traseira 4. Escoicear para a frente com uma pata traseira 5. Escoicear para o lado com uma pata traseira Refugo, empacamento, reações por sobressalto. Evita certas situações, características ambientais ou eventos. Reações de alarme intensas; podem incluir arremesso da cabeça, empinamento, saltos e retirada imediata Repouso, paralisação e imobilidade tônica persistente em formas de repouso reativo. Recusa a levantar-se como resposta a uma solicitação urgente. Uma forma de acinesia ou inércia funcional Coice e ataque 1. Cavalos 2. Cavalos Alarme por sobressalto Paralisação (hipotonia) 3. Todas as espécies domésticas 4. Todas as espécies domésticas 5. Mulas, burro, gado Todas as espécies, mais comumente em cavalos Todas as espécies. Mais comum em bovinos e outros ruminantes, galinhas e cães um efeito benéfico no crescimento e na produção e diminuem as chances do animal sucumbir por doenças e estresse, o que pode refletir sobre as conseqüências da atenção às necessidades etológicas. CONTROLE DE SÍNDROMES COMPORTAMENTAIS Tem se argumentado que uma anomalia comportamental induzida por estresse (como movimento estereotipado e repetitivo) seja um sinal de adaptação; em outras Comportamento 1115 palavras, a homeostasia comportamental diminui ou elimina o estresse. Outros argumentam que essa interpretação, em termos de saúde animal, é ilógica. A persistência de um comportamento anômalo pode ser adaptativa se os fatores causais ainda estiverem presentes; entretanto, os comportamentos freqüentemente persistem após os fatores terem sido removidos. Estudos indicam que antagonistas narcóticos podem deter tal comportamento por pouco tempo, o que sugere que esse comportamento possa liberar endorfinas. A deterioração posterior, tanto comportamental quanto fisiológica, pode ocorrer e afetar a conversão alimentar, a saúde, a produtividade, o crescimento e a resistência a doenças. O controle de anomalias comportamentais é ética e fisiologicamente desejável. Adiante, métodos de controle de anomalias comportamentais são indicados, quando praticáveis. Síndromes Volteadura a esmo – Reconhecida como desordem comportamental de animais enjaulados ou confinados, é comum em eqüinos que tenham sido mantidos por muito tempo em baias. O animal fica em uma posição, mas volteia de lado a lado ou pode balançar-se para trás e para frente. Uma vez adquirida, a volteadura a esmo é extremamente difícil de controlar, e acredita-se que a anomalia possa ser induzida em outros eqüinos em um estábulo por associação. Até certo ponto, pode ser controlada amarrando-se o eqüino com cordas atravessadas de forma a limitar o movimento lateral de sua cabeça. Grilhões nos membros anteriores também tendem a limitar o movimento em um estábulo. Sem exercício, porém, o problema raramente é controlado. Teoricamente, os animais afetados devem ser retirados para pastejo, mas quando isso não for possível, devido à falta de espaço, um exercício reforçado pode ser feito através da cavalgadura, disparadas ou uso de exercitador mecânico. Agitação das patas – O controle da agitação das patas é difícil, particularmente porque a causa é desconhecida. Já que ocorre mais freqüentemente em eqüinos confinados e isolados, pode ser aliviada retirando-se o animal afetado para pastejo com outros eqüinos. Grilhões ou correntes para evitar coice podem ser usados em eqüinos problemáticos com pouco sucesso. Andadura estereotipada – Nos eqüinos, ela é definida como “marcha de cocheira”. É um comportamento comum em animais de circo e zoológico que estejam confinados a pequenos espaços. Também ocorre em cães que tenham sido mantidos em canis por longo tempo e em aves. No caso das aves, parece ser induzida por aves frustradas que estejam não só esfomeadas, mas também em estado de grande expectativa. As aves afetadas tipicamente mostram movimentos de andadura repetitivos, ocupando toda a extensão de um lado do galinheiro ou gaiola. Uma vez que a condição tenha-se transformado em comportamento estabelecido em um eqüino ou ave, não pode ser controlada sem liberdade ambiental. Sacudidela da cabeça – É mais comum em aves engaioladas que em galinhas criadas no chão. É também vista quando a proporção de reposição das aves é aumentada. É reduzida quando as aves são transferidas a um ambiente novo em um galinheiro de maior espaço. Os eqüinos e animais de zoológico também podem exibir sacudidela da cabeça. Inclinação da cabeça – Várias formas desta anomalia comportamental em eqüinos, a qual é semelhante à sacudidela de cabeça, ocorrem como comportamento estereotipado. Uma vez estabelecida a condição, o controle é difícil. Um par de antolhos bem pesados pode distrair um eqüino nesta prática. Se o comportamento estiver começando, deve-se ter cuidado com dentadas. Esfregadura da cabeça – É algumas vezes observada em suínos ou bovinos sujeitos a confinamento crônico em baias solitárias e estreitas. O controle deste comportamento (como de outras ações estereotipadas somáticas semelhantes) parece exigir alívio do confinamento crônico. Comportamento 1116 Esfregadura da cauda – Este comportamento em eqüinos não é específico. Para eliminar a possibilidade de parasitismo (ver pág. 242), o eqüino deve ser examinado e receber um parasiticida se necessário. Esfregadura do nariz (focinho) – Tem sido observada em certos tipos de suínos e ocasionalmente em cães e gatos. O comportamento anômalo de massagem anal por esfregadura do focinho e ingestão de fezes, visto em suínos, é uma anomalia composta. A condição ocorre tipicamente entre suínos em crescimento mantidos em condições de lotação, e tem sido mais observada desde que o corte da cauda se tornou claramente universal no controle da mordedura desta. A melhora de condições de lotação pode controlar a esfregadura do focinho e a coprofagia associada (ver pág. 1122) e é mais eficiente na prevenção. Já que a anomalia pode ser induzida em chiqueiros contíguos por associação visual, recomenda-se a adoção de chiqueiros com paredes sólidas. A esfregadura do focinho também pode ser reduzida pelo fornecimento de objetos que os suínos possam mastigar e fossar. Automutilação – A fricção corporal vigorosa ou a mordedura de flanco é uma anomalia comportamental severa em eqüinos, principalmente naqueles confinados e isolados. Os cães exibem automutilação ao mastigarem destrutivamente suas caudas ou lamberem granulomas. Tranqüilizantes maiores e menores e, experimentalmente, antagonistas narcóticos têm sido usados para deter o comportamento. O aumento de exercício e a diminuição de estresse são importantes. A sucção do flanco em dobermans e alguns outros cães é vista durante estresse; o cão mantém sua boca em seu lombo ou flanco, deixando uma mancha úmida, mas raramente causando um problema. Enquanto os animais afetados não exibirem qualquer afecção cutânea patológica, parasitismo, neuromas ou afecção clínica gastrointestinal, estas possibilidades devem ser investigadas. Atividades de deslocamento – As atividades de deslocamento são comportamentos normais expressados em momentos inapropriados. Várias delas podem ser reconhecidas em animais de fazenda. Estão quase sempre na forma de unidades individuais de comportamento alimentar ou de limpeza, e são mostradas como “trocas enérgicas” em situações de conflito. Embora todos esses casos não devam ser considerados como comportamentos anômalos, uma alta incidência de atividade de deslocamento implica em casos individuais. Posição de pé crônica – Antigamente, não era incomum que os cavaleiros fornecessem a esses animais uma corrente de viga forte ligada a postes traseiros de uma cocheira, para que o animal apoiasse os quartos traseiros neles e assim conseguisse descansar e dormir. Sentada de cachorro – É vista em porcas reprodutoras confinadas na maior parte de sua prenhez em cocheiras solitárias e estreitas. Uma forma semelhante é vista às vezes em vitelos após confinamento demorado em engradados estreitos. Também, de vez em quando, as posições de sentada de cachorro são vistas em animais de criação mais pesados, como touros e alguns eqüinos. A sentada de cachorro anômala pode ser controlada por alterações na forma de criação; entretanto, uma vez que esses estilos de criação geralmente representam condutas eficazes na indústria de produção animal, tais alterações podem ser difíceis de ser empreendidas. Anomalias reativas – As manifestações de temperamento anômalo são predominantemente hiper-reações de atitude. As etoanomalias reativas são um problema particular entre animais de companhia, sobretudo cães. A reatividade anômala individual pode ser determinada por observação, utilizando-se julgamento clínico. As formas individuais de comportamento reativo anômalo são vistas a seguir com referências para controle. Comportamento 1117 Agressão móvel – O comportamento agressivo na intenção de atacar um indivíduo que se aproxima é notável em cães. É visto também em todas as espécies de criação, de tempos em tempos, mais comumente em machos e mães de animais recém-nascidos. O ataque agressivo é comum em cães com território ao ar livre, em éguas com potros jovens, em gansos ao ar livre e em vacas recém-paridas de certas raças, por exemplo, galloway e brahman. Também é comum entre garanhões e cães na forma de agressão intermasculina. O controle reside na forma de contenção ou prevenção. Alarme móvel – Uma tendência anormal à fuga repentina é observada em alguns animais. A fuga é uma forma extensiva de reação de alarme, a qual é muito normal e adaptativa entre animais que seriam predados em vida selvagem, ou mesmo sob condições de vida livre em animais domésticos. Sua ocorrência dentro dos sistemas de criação sem estímulo apropriado é mal-adaptativa. A tendência a esta síndrome nas aves é chamada “estouvamento”. O estouvamento é uma anormalidade mais proeminente em algumas linhagens de aves do que em outras (ver adiante). Também visto em outras espécies quando cercadas e acumulam energia. Os eqüinos com esta tendência quase sempre reagem a pequenos estímulos e podem derrubar seus cavaleiros. O controle exige a eliminação dos estímulos prováveis e exercício crescente para eliminar a energia extra. Histeria – A reação de alarme extensivo nas aves é quase sempre denominado como histeria. O estouvamento nas galinhas domésticas aparece em diferentes tipos de comportamento histérico e nervoso em diferentes ambientes e faixas etárias. A histeria nas poedeiras é caracterizada por fuga repentina com grasnidos e tentativas de se esconder. O controle está relacionado à densidade populacional. A incidência de histeria em aves criadas em galinheiros é intimamente relacionada à densidade populacional: plantéis de 40 aves têm apresentado 90% de incidência, enquanto plantéis-controle de 20 aves têm uma incidência de 22%. A remoção das unhas dos dedos em aves tem contribuído para reduzir a histeria, mas não deve ser considerada ética. Para algumas linhagens de aves, prefere-se o engaiolamento; sem dúvida, este procedimento controla um pouco a histeria, embora ela possa se espalhar por todo um plantel em gaiolas enfileiradas. Ameaça – O hábito de apresentar uma demonstração de ameaça é uma característica comum de temperamento anômalo em alguns animais, mais freqüentemente em machos não castrados. Assume-se a forma de demonstração de ameaça típica da espécie quando o animal está em associação íntima ao homem. É tipicamente um tipo estático e não a exibição móvel de agressão considerada anteriormente. Nos cães, as mostras de ameaça têm várias características principais comuns, incluindo tensão muscular, atividade pilomotora, levantamento da cabeça, vocalização, olhar fixo e orientação em direção ao intruso tanto direta como obliquamente. Isto pode potencializar o ataque e é uma característica de agressão dominadora nos cães. Os eqüinos quase sempre viram suas orelhas para trás e mostram os dentes quando pessoas se aproximam de suas baias, mesmo com comida. Alguns investem contra uma pessoa que tenta entrar na cocheira. A contenção a fim de promover segurança deve ser considerada. A punição pelo comportamento ou recompensa por comportamento desejável pode diminuir o problema. Cabeçada – Alguns ruminantes têm o hábito de atacar agressivamente com a cabeça, não importando se têm ou não chifres. A condição pode ser agravada por pessoas que brincam com a cabeça do animal; deve-se ter cuidado ao trabalhar-se perto destes animais. Mordedura – Um vício comportamental exibido ocasionalmente por cães e eqüinos, a mordedura ocorre geralmente na forma de abocanhamento e dentada com os dentes incisivos direcionados a outro animal ou pessoa que chegue muito perto. Os gatos também podem morder. O mordedor típico morde com sinais de Comportamento 1118 aviso, como voltar as orelhas para trás, retrair os lábios e mostrar os dentes, embora alguns possam usar este comportamento apenas como um ato brincalhão. As tentativas de mordedura geralmente são súbitas. O amordaçamento é um controle eficiente. A punição a cada ocorrência também pode ajudar. Coice e ataque – Os animais que exibem comportamento de coice anômalo são considerados como hiper-reativos em temperamento. O empinamento e o ataque com as patas dianteiras são hábitos perigosos de alguns eqüinos, mais comumente de garanhões e eqüinos desorientados, e o golpe com um membro dianteiro pode ser feito sem empinamento. Outros eqüinos escoiceiam com um dos dois membros traseiros e podem mirar alvos específicos ou apenas procurar alvos aleatórios. O controle do coice habitual é difícil. O condicionamento negativo pode ser tentado por métodos que inflijam dor ao animal quando este escoicear, mas o sucesso depende de ter cada coice punido com um método que seja doloroso o suficiente para que o animal pare. Grilhões e correntes anticoice têm sido utilizados. Os animais implicados devem ser manejados com cuidado. Refugo (sobressalto/aversão) – O refugo é mais notável em eqüinos, mas pode ocorrer em outros animais de criação. O controle, quando julgado necessário, pode ser parcialmente alcançado pela provisão de um animal para companhia em um cercado, por exemplo. O refugo é geralmente resultado de um objeto se movendo muito rapidamente para que o eqüino consiga focalizá-lo; a reação instintiva que se segue é a fuga. Os eqüinos que tendem a refugar são quase sempre aparelhados com “antolhos” nas rédeas, um auxílio comum usado durante a cavalgada, já que o refugo a qualquer momento pode ser perigoso. Imobilidade tônica – O reconhecimento da imobilidade tônica anômala (inércia submissa) ou discinesia tônica, é essencial no manejo racional do animal de criação prostrado ou “caído”, de qualquer espécie. Corresponde ao clássico comportamento exibido pelo gambá, no qual a catalepsia é um mecanismo instintivo para não estimular as respostas persecutórias dos predadores. Alguns acreditam que, em alguns casos, a vaca caída (ver pág. 669) possa ser um exemplo de “imobilidade tônica” ou catalepsia. Em tais casos, a condição não constitui muito uma incapacidade para se levantar, mas sim uma forte relutância a tentar se levantar. A relutância não só simula um estado corporal patológico como logo estabelece um. É possível que o controle da “imobilidade tônica” em animais resida no contexto do diagnóstico diferencial. Atividade oral patológica – Uma síndrome genérica complexa e importante que compreende uma variedade de manifestações de comportamento bucal excessivas e anormalmente orientadas (ver também pág. 1093). A maioria das formas desta síndrome está associada a circunstâncias combinadas de contenção crônica, hipoestimulação e talvez energia excedente. Mordedura de coelho – Um “mordedor comedor” agarra a lateral da manjedoura (cocho) ou algum outro acessório conveniente com os dentes incisivos. Os incisivos superiores são quase sempre usados sozinhos. O animal pressiona os dentes para baixo e comprime a mandíbula; o palato mole é forçado a se abrir. A deglutição de ar também pode ocorrer. Os eqüinos quase sempre desenvolvem o problema quando já são mastigadores de madeira (ver pág. 1121). (“Deglutição de Vento” [ver pág. 1121] é uma forma mais intensa desta condição. Não exige um lugar de descanso para os dentes.) A melhor abordagem é assegurar exercício e pastejo adequados para o eqüino. Embora isso freqüentemente obtenha sucesso, os proprietários podem querer uma solução mais simples, o que dificulta o controle. A medida mais comum consiste em prender uma correia ao redor da garganta, suficientemente apertada para fazer com que o arqueamento do pescoço se torne desconfortável. Alguns tipos dessas correias têm uma “peça de garganta” de metal que possui um orifício no qual se Comportamento 1119 encaixa a traquéia, e que permite que o aparelho seja usado sem o perigo de afetar a respiração. Tais correias geralmente precisam ser removidas durante a alimentação. Existem outros aparelhos preventivos, mas geralmente são dolorosos para o animal. Os mordedores podem parar com o hábito se forem alojados em um cubículo avulso com paredes lisas e alimentados a partir de um cocho que seja removido tão logo a alimentação tenha-se consumado; entretanto, outros comportamentos estereotipados podem aparecer. A cirurgia para seccionar alguns músculos da garganta essenciais para o comportamento é algumas vezes realizada como último recurso (ver AEROFAGIA, pág. 1121). Antagonistas narcóticos têm-se constituído em promessa para ajudar esses animais. Puxamento da língua – Nesta condição, o eqüino afetado repetidamente permite que sua língua fique pendurada para fora da boca, quase sempre dobrandose longitudinalmente sobre si mesma, por períodos consideráveis. O eqüino pode ou não encolher sua língua. Os métodos de controle variam desde dor na língua causada por cabresto até a contenção da língua. A amputação da ponta da língua tem sido usada, porém não deve ser considerada ética. Afinamento do cocho (lambedura) – Alguns eqüinos sujeitos a confinamento crônico colocam o corpo da língua vagarosa mas repetidamente ao redor da lateral de alguma parte da cocheira. Em alguns casos, a provisão de um bloco de sal para lamber parece aliviar o hábito, o qual pode indicar uma necessidade ou que o excesso de sal inibe o problema. Ocasionalmente, cães, gatos (geralmente positivos para leucemia felina) e cavalos lambem objetos por razões inexplicadas. O nervosismo pode fazer com que os eqüinos lambam seus tratadores, quase sempre enquanto estão sendo exibidos. Enrolamento da língua – O equivalente bovino do puxamento da língua em eqüinos, que consiste em movimentos irregulares de língua no interior ou exterior da boca. A língua é tipicamente exposta e enrolada para trás dentro de uma boca aberta ou em direção às narinas num exagero do normal. Pode também ocorrer deglutição de ar. As tentativas de controle têm tido sucesso apenas parcial. Correias para deglutição de vento ou a inserção de um anel de metal através do freio da língua têm sido tentados. Em alguns casos, alcançou-se o sucesso por meio da provisão de misturas de sal. A liberdade de movimentos e exercícios forçados também são sugeridos. O enrolamento da língua pode ser aprendido pela observação de animais problemáticos, e alguns indivíduos podem herdar a tendência. Mordedura da cauda – A mordedura da cauda em suínos tem atraído muita atenção. Várias condições são suspeitas de predisposição, incluindo tipo de raça (por exemplo, landrace), denso agrupamento de suínos em crescimento rápido de , 45kg de peso corporal, espaço de cocho insuficiente, disponibilidade insuficiente de bebida e componentes ambientais adversos (altos índices de barulho, gases nocivos, umidade, temperatura). A combinação destes outros fatores leva a inquietação dentro do grupo, o que evidentemente cria irritabilidade, superexcitabilidade, e atividade aumentada. Afora esses fatores aparentemente estimuladores, o agrupamento intensivo em chiqueiros pequenos consiste em um ambiente empobrecido, com pouca oportunidade para atividades mais variadas. A amputação da metade distal da cauda tem-se tornado uma prática de controle padrão na indústria suína contemporânea. A parte remanescente da cauda fica suficientemente sensível, a ponto de os suínos reagirem efetivamente quando uma tentativa de mordedura da cauda for feita. Os animais que mordem caudas devem ser mantidos juntos, já que geralmente essa medida reduz a mordedura recíproca da cauda. Outras formas potenciais de estresse também devem ser assinaladas. Os fatores atmosféricos dentro de uma construção devem receber atenção. O chiqueiro de suínos em crescimento deve ser subpovoado quando o grupo for formado pela primeira vez, ou transportado para Comportamento 1120 chiqueiros maiores, que são freqüentemente suficientes para assegurar a aquisição de tamanho adequado quando os membros do grupo aumentarem o dobro de tamanho. A melhora geral na forma de criação é também freqüentemente benéfica para controlar esta condição. A mordedura da cauda também ocorre em eqüinos, principalmente lactentes e menores de 1 ano de idade; quantidades adequadas de proteína na dieta geralmente controlam o problema. Nos cães, a mordedura da cauda é geralmente autodirecionada e é parte do comportamento de perseguição da mesma; é considerada como automutilação (ver pág. 1116). Mordedura de grade – Este comportamento anômalo ocorre em porcas reprodutoras mantidas em um único engradado. Pode ser parcialmente controlado pelo enriquecimento ambiental, tal como o fornecimento de palha ou serragem como cama na qual o animal possa mastigar ou fossar, ou pela alimentação com suplemento rugoso, por exemplo, grama, sabugo ou péletes de ração. Mastigação de vácuo – Observada em porcas, tipicamente naquelas mantidas solitariamente em baias sem cama; o animal afetado mastiga vigorosamente sem conteúdo oral. O controle é essencialmente semelhante ao descrito para mordedura de grade (ver anteriormente). Sucção prolongada (sucção recíproca) – A sucção em outro animal ou em um objeto é tipicamente observada em animais que são desmamados precocemente ou que não conseguem mamar, por exemplo, os órfãos (ver também GALACTOFAGIA, pág. 1123). Os melhores resultados de controle são obtidos por meio da provisão de condições de alimentação que lembrem as de um padrão ingestivo normal em animais jovens. A alimentação de bezerros com mamadeiras automáticas com tetas e períodos de sucção durando , 30min parece eliminar o problema. A prevenção de desmame precoce em cães, gatos e suínos também reduz a freqüência do problema. Amarrar os bezerros por 1h após a alimentação em uma caçamba evidentemente proporciona tempo para que o “ímpeto” de sucção diminua. O suprimento de suplemento rugoso, como de palha, parece suprimir a desordem. Limpeza excessiva (autolambedura) – A limpeza excessiva provavelmente é um comportamento relacionado ao estresse. Ocorre comumente em vitelos isolados em baias solitárias, garanhões de corrida confinados a baias e gatos e cães com alterações importantes em seu ambiente. A limpeza excessiva pode criar lesões superficiais tais como granulomas por lambedura (ver AUTOMUTILAÇÃO, pág. 1116). Em gatos, as áreas afetadas parecem ter sido tosquiadas. Arrancamento de lã – Um comportamento anormal que ocorre em ovinos em enclausuramento restritivo e sistemas de criação intensiva. A lotação em cercados é um fator contribuinte, mas uma deficiência de feno da dieta também pode contribuir. O controle se torna possível por meio da redução na densidade do cercado. Cercados de , 20m2 podem conter 10 ovinos adultos, mas o arrancamento de lã se torna provável neste nível de população. A redução de 50% dessa densidade é eficaz no controle; neste nível, a anomalia pode ser eliminada, especialmente se for fornecido feno de qualidade com regularidade. O feno é ideal, mas a palha também pode ser útil; qualquer exigência nutricional associada necessita aparecer para relacionar a inadequação da alimentação estruturada em vez de qualquer fator nutriente específico. O controle também pode ser alcançado pela liberação dos animais ao ar livre em condições de criação extensiva por longos períodos (ver também TRICOFAGIA, pág. 1122). Os primatas de laboratório podem arrancar pêlos quando mantidos em ambientes relativamente monótonos. O enriquecimento comportamental tem sido útil na eliminação dos problemas se iniciado cedo. Bicagem das penas – Sob condições de manejo intensivo, pode ocorrer em todas as idades e em várias espécies incluindo galinhas, perus, patos, codornas, perdizes e faisões (ver também pág. 1124). O controle é mais comumente alcançado Comportamento 1121 pela debicagem, que envolve a remoção da parte anterior (6mm) do bico superior. Embora isso não elimine completamente a bicagem agressiva ou previna o desenvolvimento de hierarquia de bicagem, as aves debicadas são menos capazes de arrancar penas. Outro método de controle consiste em limitar a visão das aves pelo escurecimento dos galinheiros e alteração da luz para uma coloração avermelhada, usando-se de lâmpadas infravermelhas ou pintando-se os painéis das janelas de vermelho. A visão de cada ave pode ser restrita pela fixação de anéis de alumínio no bico superior ou aplicação de “cegantes”, embora o uso destes artifícios seja proibido em alguns países. Onde os cegantes podem ser empregados, o arrancamento das penas é mínimo. Comportamento ingestivo anômalo – O comportamento ingestivo anômalo é exprimido por várias manifestações. No passado, acreditava-se que esses animais teriam deficiências nutricionais e portanto estes recebiam aditivos na alimentação (por exemplo, sangue, farinha de carne, farinha de osso e farinha de chifre) na tentativa de diminuir a desordem. O conhecimento atual, no que tange às causas desta anomalia, ainda é incompleto. Em alguns casos, isto pode ser devido a deficiências nutricionais, mas em outros se torna claro que a prática alimentar não é uma causa contribuinte. O confinamento restritivo funciona como agente estressante. Aerofagia – Esta anormalidade comportamental de eqüinos pode ser distinguida em 2 formas diferentes, a saber, do afinamento de cocho (ver pág. 1119) e deglutição de vento pura. Em ambas as formas, ingere-se ar anormalmente, por deglutição. Na deglutição de vento pura, o eqüino balança sua cabeça e pescoço várias vezes antes de fazer um esforço de ingestão. Então vira sua cabeça para cima, abre sua boca, toma ar, levanta a língua e contrai a musculatura da faringe de modo que o ar seja forçosamente engolido quando o pescoço é flexionado. O som característico de deglutição de ar pode ocorrer quando um pouco do ar for expulso ou engolido. A ação é praticada repetidamente. Como conseqüência de aerofagia persistente, a musculatura da garganta sofre hipertrofia devido ao uso excessivo. Também pode ocorrer o timpanismo de estômago; esse por sua vez, pode levar à formação de catarro gastrointestinal e episódios de cólica. A ingestão de alimento pode diminuir consideravelmente, e estes eqüinos passam a apresentar baixa alimentar. O controle da mastigação de cocho, deglutição de vento, afinamento de cocho e puxamento da língua é tentado com vários métodos. Os eqüinos afetados quase sempre melhoram com abundância de trabalho e exercício. Nos estágios iniciais, a deglutição de vento pode ser desestimulada pela remoção de todos os objetos aproximadamente à altura da boca que possam ser roídos, sugados ou lambidos. As bordas de cochos, comedouros e manjedouras podem ser recobertas com metal. Aversão de gosto também pode ser usada, assim como a provisão de bastante feno. Um método comum de prevenção de aerofagia é o caso de uma correia para engolidor de vento, a qual é amarrada firmemente ao redor da garganta, e tem uma peça em forma de coração de couro grosso que se situa entre os ângulos das mandíbulas com uma extremidade pontiaguda projetando-se em direção à área faríngea. Com este aparelho no lugar certo, são causados dificuldade e desconforto aparente ao eqüino quando seu pescoço é flexionado na tentativa de engolir vento. Alguns eqüinos continuam a prática apesar do aparelho e finalmente adquirem ferimentos de pressão quando a correia é pressionada. Vários métodos cirúrgicos têm sido tentados para deter a aerofagia; entretanto, geralmente são menos que satisfatórios. A prevenção funciona melhor. Lignofagia (mastigação de madeira) – A mastigação e ingestão de madeira não é incomum em eqüinos em alojamentos restritivos ou paddocks; de todas as etopatias orais eqüinas, a mastigação de madeira é a mais comum. Não está restrita a eqüinos estabulados, e pode ser observada em eqüinos mantidos em cercados Comportamento 1122 externos; os eqüinos em pastejo podem derrubar troncos de árvore. Deve ser providenciada nutrição adequada. Os eqüinos devem ter acesso a sal e feno. Em estudos realizados, a mastigação de madeira severa foi detida quando forneceu-se feno a 100g/kg de peso corporal. A inclusão de serragem em uma dieta altamente concentrada, focinheiras e aversão de gosto pode ser considerada, quando o acesso ao pastejo não for possível. O exercício ajuda no caso de um eqüino entediado. Coprofagia – Uma forma normal de ingestão em algumas espécies, principalmente coelhos, e nos jovens da maioria das espécies, esta anormalidade é particularmente inaceitável ao proprietário, sobretudo de cães. Entre os cães, a condição é geralmente observada pela primeira vez em cãezinhos de 4 a 9 meses de idade. Há uma grande variação individual na intensidade deste comportamento quando este se estabelece. Na maioria dos casos, entretanto, o hábito tende a diminuir em intensidade após 1 ano de idade. Embora muitos superem o comportamento, outros continuam a exibi-lo periodicamente e em alguns casos, ele persiste além do período de filhote. Certas condições clínicas são consideradas como causas de coprofagia em cães. Entre elas estão a insuficiência pancreática crônica, malabsorção, pesadas cargas parasitárias e inanição. Nos estados patológicos que resultam em alimento não digerido sendo perpetuado nas fezes, acredita-se que o material se torne aceitável ao animal para simples necessidades ingestivas. O hidrocéfalo pode também ser um fator causador. Na maioria dos casos, entretanto, a condição é reconhecida como anormalidade comportamental e a causa desta forma é reconhecida atualmente como ansiedade ou entediamento. O tratamento exige retreinamento do animal. Deve-se colocar ênfase no impedimento do ganho de acesso às fezes pelo animal. O amordaçamento do cão é útil quando iniciado no curso do retreinamento. Outras formas de prevenção são óbvias e incluem manutenção do cão em corrente e retorno à sua casinha imediatamente após a defecação no ambiente externo. O retreinamento exige um compromisso considerável por parte do proprietário. Além disso, o animal deve receber uma dieta de boa qualidade, rica em proteínas e pobre em carboidratos. Em muitos casos, a adição de óleo vegetal à dieta ajuda bastante. A alimentação deve ocorrer duas vezes ao dia em um esquema regular. Tais alterações dietéticas mantida por um período de 2 meses suspendem esse comportamento em muitos casos. Entretanto, nenhum tratamento definitivo para esta condição foi determinado. Os animais que falham ao responder representam um problema ético particular, já que a ligação entre o animal e o proprietário é quase sempre destruída como resultado. Tricofagia (ingestão de pêlos) – Esta anomalia se relaciona à ingestão de pêlos ou lã, geralmente removidos dos corpos de animais associados (ver também pág. 1120). A forma mais suave é a autolimpeza durante épocas de queda de pêlo normal. Os animais jovens algumas vezes removem parte do pelame de sua mãe, enquanto empiricamente estão lambendo e sugando partes do corpo dela que não as glândulas mamárias. Essa anomalia ocorre quando os animais são densamente agrupados. Entre os ovinos, fatores causais podem se relacionar a um sistema de confinamento imposto à ovelha e ao cordeiro. Desde que a maior parte dos cordeiros mostre preferência por lã suja, pode haver uma implicação de apetite depravado. A deficiência de fósforo tem sido suspeita, mas sua implicação não foi provada. As bolas de pêlo, que são problemas ocasionais nos estômagos de gatos, coelhos e bezerros, podem agir como agentes irritantes para provocar vômito ou bloquear a passagem de alimento através do trato gastrointestinal. A ingestão de pêlo em eqüinos é uma anormalidade intimamente relacionada à mastigação de madeira. A mordedura da cauda quase sempre pode ser detida pela adição de Comportamento 1123 proteína à ração. Desde que fatores nutricionais são suspeitos em qualquer animal, a avaliação cuidadosa da dieta é importante. Os arranjos espaciais são outros métodos racionais de controle. Ingestão anômala de leite (galactofagia) – Uma anomalia comportamental na qual os animais “mamam” em outros que não sejam suas mães naturais ou adotivas (ver também pág. 1120). Os bovinos que “mamam” em seus companheiros de rebanho caracteristicamente escolhem o mesmo animal em lactação, o que leva a um arranjo pareado. Tais pares algumas vezes mamam-se mutuamente, tanto simultânea quanto alternadamente. A anomalia pode estar relacionada a uma predisposição hereditária em alguns casos; entretanto, está relacionada à forma de criação em muitos outros, e pode aumentar em freqüência como resultado de imitação. Ao contrário do bezerro jovem, a galactofagia no adulto é mais comum em sistemas de criação extensiva. O rebanho deve ser extensivamente inspecionado quando um caso de “amamentação cruzada” adulta estiver sendo suspeito. Por estes meios, os animais envolvidos podem ser determinados e a disseminação endêmica por mímica pode ser detida. Como medida preventiva, uma maior quantidade de feno pode ser incluída à dieta, preferivelmente durante períodos em que o tédio esteja sendo favorecido. Desde que se suspeite da hereditariedade do problema, pode não ser conveniente cruzar animais que exibam a desordem quando adultos. No passado, o controle foi tentado pela utilização de aparelhos com dentes pontiagudos para a região facial e nasal do animal que “mama” para assegurar uma reação aversiva em qualquer animal que dele se aproxime. Infelizmente, alguns desses aparelhos podem atrapalhar a alimentação natural do animal afetado. Da mesma forma, se o animal afetado for persistente, pode infligir ferimentos em outros. Um aparelho elétrico preso à testa que dispara choques elétricos ao usuário quando o circuito é fechado por pressão facial tem tido resultados. Uma vez que o choque é recebido pelo animal que mama este método é mais apropriado que aqueles em que o estímulo aversivo é direcionado ao animal-alvo no ato de mamar. Em alguns casos, o animal afetado deve ser separado ou descartado. Ingestão de terra (geofagia) – Eqüinos, bovinos, e algumas vezes cães e gatos podem ingerir terra ou outro material estranho. O comportamento está relacionado à pica (ver adiante). Tais animais são suscetíveis a disfunções gastrointestinais. A condição pode ser resultado de dietas deficientes em minerais. Sabe-se que as deficiências de fósforo e ferro são responsáveis em alguns casos, mas as deficiências nutricionais não são observadas em outros animais afetados. Os gatinhos tipicamente exibem o comportamento em poucos dias, após o início do uso de caixas de areia para defecação. O controle deve levar em consideração a possibilidade de deficiência mineral. Além disso, os animais afetados podem ser examinados para verificação de anemia e de carga parasitária, e um tratamento apropriado deve ser providenciado quando indicado. Como acontece com outras síndromes orais relacionadas, os eqüinos afetados devem ser exercitados mais rigorosamente. Hiperfagia (empanturramento) – Alguns animais são extremamente vorazes e comedores rápidos, alguns podem engasgar no meio da deglutição de seu alimento. Muitos foram nutricionalmente privados quando jovens. Outros estiveram em dieta. Já que o alimento não é completamente mastigado, desordens gastrointestinais ocorrem em alguns eqüinos. Quando esses animais ganham acesso a grandes quantidades de comida, consomem volumes excessivos; isto pode levar a problemas gastrointestinais sérios e possivelmente fatais (ver também SOBRECARGA DE G RÃOS, pág. 210). O controle da hiperfagia envolve alimentação tática. Pequenas quantidades de alimento podem ser fornecidas. O espalhamento de grãos em uma camada fina no cocho e a colocação de grandes pedras lisas no fundo do cocho são métodos usados Comportamento 1124 para fazer com que os grãos fiquem difíceis de serem consumidos rapidamente pelos eqüinos. O suplemento de grãos em vários horários diferentes no dia pode ser de ajuda. A alimentação com feno antes dos grãos é muito útil. É muito importante evitar o acesso a grandes quantidades de grãos altamente energéticos. Polidipsia nervosa – Excesso de líquidos é encontrado em várias espécies quando em confinamento intensivo; o consumo de água geralmente é de 2 a 4 vezes normal. A polidipsia nervosa é vista em alguns eqüinos que são isolados e confinados em cocheiras com água fornecida à vontade. Alguns eqüinos consomem , 140L por dia, ou , 3 a 4 vezes a quantidade normal. Isso pode-se espalhar por um período de tempo ou se concentrar dentro de 2 a 3h. A polidipsia também pode ser secundária a um consumo excessivo de sal, comum em eqüinos estabulados. A poliúria pode ser a primeira indicação da anomalia. A polidipsia não aparenta se fixar firmemente no comportamento do animal, e permite ser controlada por manejo apropriado, que inclui o fornecimento de água racionada. Desde que o “entediamento” é um fator contribuinte, o hábito pode ser controlado e interrompido por aumento no nível regular de exercícios. A polidipsia em outros animais mantidos em confinamento pode ser aparentemente controlada por uma alteração apropriada na forma de criação. Pica – Um apetite depravado exibido por animais que procuram material estranho para ingestão. A condição é muito aparente em animais que tendem a comer e mastigar lã, roupas, ossos velhos e madeira. A lambedura ou ingestão de lã por gatos pode ter um componente genético desde que ocorra quase exclusivamente em siameses e mestiços desta raça. Deficiências nutricionais, por exemplo, de fósforo, devem ser corrigidas se existirem. Os gatos que comem ou lambem lã devem ser examinados para aferição de baixos níveis de hormônios tireóideos. Geralmente, mesmo assim, o problema é controlado pela prevenção de acesso a objetos preferidos, limitando o acesso a 1 ou 2 itens, ou usando aversão ao gosto para quebrar o padrão. Ingestão de cama – Os animais confinados estão sujeitos a comerem suas camas mesmo após terem sido sujas. Quase todos os eqüinos estabulados comem camas sujas de vez em quando, mas com alguns isso é habitual. Os gatinhos também comem cama ou sujeira por alguns dias antes de alterações na evacuação do reflexo anogenital se auto-iniciarem. O hábito se desenvolve em eqüinos e aves, mesmo quando comida adequada for disponível. Geralmente, a ingestão de cama visa partículas e maravalhas de madeira, tanto que pode representar, em algum grau, um apetite por celulose. A ingestão de cama em galinhas e perus é mais comum quando estes são criados em cama de madeira ou maravalha, com incidência maior em plantéis que não tenham espaço suficiente para comer no comedouro. Desde que a incidência é mais alta em algumas raças e linhagens de aves que em outras, pode haver uma predisposição genética. A condição pode ser diminuída em muitas aves pelo suprimento de saibro em abundância. Para controlar a ingestão de cama em aves, deve haver espaço abundante para se comer no comedouro, tanto que as aves em posições baixas dentro da ordem hierárquica possam encontrar espaço seguro no mesmo. Nos eqüinos, o controle exige avaliação do alimento para assegurar quantidade, qualidade e variedade adequadas. A alimentação e o exercício devem ser mantidos em um esquema preciso. Os eqüinos com cargas parasitárias devem receber tratamento apropriado. Ingestão das penas – Intimamente relacionada à bicagem das penas (ver pág. 1120) e ao canibalismo (ver BICAGEM CORPORAL, adiante) em galinhas. A bicagem de penas marca o início do comportamento canibal em muitos casos. Na ingestão das penas, as aves arrancam as penas de locais preferidos das outras como a cauda e a ponta da asa. Embora mais comum em adultos, a bicagem das Comportamento 1125 penas ocorre em todas as idades desde pintos de um dia até aves idosas. Já que o problema é relacionado a uma alimentação errônea, o controle é direcionado a uma alimentação e nutrição corrigidas. A alimentação feita exclusivamente com rações específicas pode interferir nas atividades envolvidas em ciscagem de alimento e resultar em volume alimentar insuficiente; assim, com a privação destes comportamentos introduz-se a ingestão das penas. A terapia pode incluir a mistura de grãos ao alimento para aumentar a ciscagem; o volume pode ser aumentado pela adição de sabugos de milho e forragem verde à dieta. Ingestão de ovos – Um hábito encontrado em pequenos plantéis de galinhas mantidas em galinheiros que parece ocorrer igualmente entre plantéis submetidos a ninho fundo e a piso de tela aramada. O comportamento começa com uma ave bicando um ovo até ele se quebrar. O conteúdo é então parcialmente ingerido. Quando uma ave adquire este hábito, é provável que aumente a prática e que outras aves também possam desenvolver o problema. Quando quantidades significativas de casca de ovo são comidas, isso pode indicar que a dieta das aves afetadas seja deficiente em saibro. O controle envolve a eliminação de aves afetadas, mas pode ser difícil a identificação em um plantel grande. Um corante alimentar concentrado pode ser injetado dentro de um ovo para ser deixado no chão; a ave que comer esse ovo ficará marcada pela coloração na cabeça. O saibro deve ser providenciado em longos comedouros de forma que todas as aves possam ocasionalmente ter acesso a ele. Até certo ponto, os problemas dessa natureza popularizaram a introdução do engaiolamento em série algumas décadas atrás. O engaiolamento pode ainda ser considerado como um método de controle desta condição em pequenos plantéis sem acesso a passeios externos. As aves com acesso ao ar livre podem sair regularmente ao meio-dia, pois durante esse horário o período de pôr ovos já terminou. Bicagem corporal – Em diferentes formas, isso ocorre como vício comportamental em aves sob manejo intensivo. Em contraste à bicagem (ver pág. 1120), o bico é usado na bicagem corporal para ações combinadas de perfuração e depenamento. A ingestão de partes arrancadas também ocorre. Esta é uma forma de canibalismo que aparece em galinhas domésticas, outras aves galináceas (por exemplo, perus, faisões, codornas) e patos. A bicagem corporal é freqüentemente dirigida a ferimentos abertos quando as penas já estão arrancadas. A bicagem dos dígitos ou costas é mais comum em aves mais jovens. A bicagem do ânus ocorre em todas as idades mas é mais séria em poedeiras, enquanto a bicagem da cabeça é observada em aves engaioladas mais velhas. A prevenção e o controle apropriados da bicagem corporal exigem a oportunidade de fuga espacial para aves subordinadas na hierarquia de bicagem. A debicagem é o método de controle mais comum, mesmo que ela só atinja o problema e não a causa. Ingestão de urina – Este problema tem sido relatado em alguns rebanhos leiteiros na Grã-Bretanha e na França. Evidentemente é praticada durante o inverno por vacas confinadas a sistemas de cubículos e currais comunais onde o piso de concreto permite a formação de poças de urina. Uma vaca pode beber dessas poças, ou algumas vezes diretamente de uma vaca que esteja urinando. O problema se torna evidente quando os bebedouros estão muito próximos uns dos outros ou são insuficientes em número de forma que as vacas dominantes evitam que algumas subordinadas se aproximem dos bebedouros ou cochos de sal apropriados. Quando a disponibilidade de água e sal é uniformemente distribuída em currais bovinos, o problema desaparece. O comportamento também cessa quando o bovino tem acesso ao pastejo. Sanidade Animal 1126 SANIDADE ANIMAL INTRODUÇÃO O bem-estar dos animais é uma responsabilidade primária dos veterinários. Eles são chamados a diagnosticar e tratar doenças animais, desenvolver programas de medicina preventiva e executar uma variedade de regulamentos relacionados a higiene e controle epidêmico. Também auxiliam os criadores a preservar padrões éticos na indústria ou em casa. Existem várias definições de sanidade, porém do ponto de vista prático, deve-se perguntar: “Os métodos gerais de manejo e criação adotados impõem um pouco de estresse (em sua conotação negativa) nos animais desta espécie nesta idade, peso, estágio de desenvolvimento, etc?” O estresse pode ser medido por vários índices fisiológicos e pelo comportamento apresentado pelo(s) animai(s). A partir dessas informações que as decisões sobre o manejo devem ser tomadas. Outras questões importantes, também envolvidas com a sanidade animal, são: 1. se o homem tem o direito de domesticar e utilizar outros animais para alimentação, matéria-prima, pesquisa, tração, esporte e companhia; 2. se a intervenção humana deve organizar criações ideais pelo equilíbrio da situação ideal com práticas diárias na indústria animal; 3. se o cuidado e o controle abrangentes do sofrimento em animais, sob várias condições de manejo, são uma responsabilidade essencial; 4. se a saúde animal geral requer consideração para que se encontrem importantes necessidades físicas, sociais e etológicas dos animais; 5. se a sanidade animal e seus custos se transferirão à sociedade como um todo e não apenas aos criadores (um retorno econômico adequado está implícito em qualquer fazenda). Existe também a pressão da sociedade por alimentos baratos, o que implica aumentos na intensificação da indústria animal; entretanto, existe a crescente pressão dos habitantes de áreas urbanas por uma melhor sanidade dos animais de criação, freqüentemente tendo perspectivas que não são realísticas ou naturais para a espécie envolvida. A personificação dos animais pode ser um problema. Se os proprietários dos animais se indisporem e se tornarem cínicos, um grande sofrimento poderá cair sobre milhares de animais em sistemas de produção em larga escala ou sobre o consumidor a longo prazo. Em outros dois campos, os veterinários podem auxiliar no bem-estar do animal. Eles devem encorajar os criadores a selecionar animais com características e temperamentos desejáveis a uma criação em larga escala intensiva. A reprodução seletiva é lenta — porém importante, pois a população mundial deverá estar bem alimentada no futuro. O segundo é encorajar os criadores e tratadores a pré-condicionar seus animais para futuras mudanças. Manter animais não familiares em currais adjacentes antes de misturá-los em um único grupo poderia reduzir brigas sociais subseqüentes. A familiarização da vaca com a sala de ordenha antes de colocá-la juntamente com o bezerro é outro exemplo de como o manejo precoce e o condicionamento cuidadosos do animal podem gerar dividendos na produção e sanidade. O desenvolvimento dos regulamentos de sanidade, as formas que estes deveriam assumir e como deveriam ser policiados são também preocupações importantes dos veterinários. O aspecto mais positivo disto é o encorajamento da maneira pela qual os animais são tratados. Pode-se aplicar a legislação em casos extremos de crueldade, porém no grau atual de sanidade de animais urbanos e rurais, os códigos são mais flexíveis para que programas de cuidados preventivos sejam integrados. A legislação é insuficiente para provocar mudanças na mente do criador e reordenar suas motivações básicas. Sanidade Animal 1127 Há épocas na história humana em que o relacionamento homem-animal é reexaminado: o crescimento de interesse com relação à sanidade animal indica que estamos em uma destas épocas. Os veterinários como os mais intimamente envolvidos têm um importante papel a desempenhar com relação a isso, pois desempenham um papel intermediário no relacionamento criador-animal. CARACTERÍSTICAS A sanidade animal é caracterizada por componentes definitivos derivados de suas ligações racionais com a ética, forma de criação e saúde do animal. São eles: 1. uso ético do animal; 2. padrões de criação e produção que encontrem um nível atingível; 3. provisão de cuidado veterinário; 4. controle do sofrimento para o bem-estar do animal; e 5. manejo ecológico. Com estes 5 fatores, a sanidade animal pode ser incorporada a um conceito unificado. Como uma disciplina composta e global, a sanidade animal tem uma relevância imediata à medicina veterinária, à pesquisa animal, à criação animal e à etologia animal aplicada. Como resultado, a sanidade animal é multidisciplinar. Seus princípios racionais utilizam essas ciências colaterais e são substancialmente científicos, devido aos seus relacionamentos. Na prática, está envolvida em todas as esferas da indústria animal e traz consigo comandos éticos e reguladores. Como acontece com outras disciplinas científicas aplicadas, a sanidade deve estabelecer objetivos práticos. O objetivo principal é a prevenção e alívio do sofrimento. O sofrimento pertence ao domínio clínico e assim sendo se torna a base de muitos assuntos clínicos, os quais respondem por que muitas considerações de sanidade estão incluídas no conhecimento veterinário. Em situações acompanhadas de dor, angústia, ou medo, certas manifestações comportamentais constituem evidência inequívoca de sofrimento (ver também pág. 1129). Vocalizações intensas, agressividade, tremores, comportamento depressivo passivo e comportamento agitado são expressões externas de estados mentais e refletem estados de sofrimento. É importante reconhecer um relacionamento entre comportamento e sanidade animais. As principais características da sanidade animal providenciam sua estrutura definitiva como se vê adiante. Uso ético do animal – Mesmo dentro de regiões, nações e culturas, as opiniões das modalidades de uso animal que podem ser consideradas éticas (ou permissíveis) são freqüentemente polarizadas nos extremos de natureza humanitária e utilitária. Em geral, o grosso da opinião veterinária não está dividido em extremos polarizados. As atitudes culturais relacionadas ao uso aceitável de animais podem ter sido derivadas da história ou da religião prevalentes em uma dada comunidade. De qualquer forma, um pacto comunitário se desenvolve sobre o que pode ser feito com e para os animais usados para alimento, vestuário, recreação e trabalho. Entretanto, os assuntos éticos não são baseados em bases subjetivas, emotivas e religiosas totalmente sem a observação de princípios objetivos. Padrões de criação e produção – Os padrões de criação animal são ensinados aos estudantes de medicina veterinária e agronomia. Mesmo padrões normalmente aceitáveis podem quase sempre ser melhorados. A forma de criação que resulta em altos níveis de morbidade e mortalidade no plantel ou rebanho é provavelmente reconhecida como deficiente. Padrões deficientes podem resultar de ignorância, erros grosseiros ou negligência deliberada. Um objetivo de sanidade animal consiste em retificar e eliminar padrões deficientes de criação, sejam para animais de produção, de estimação, de laboratório ou animais silvestres cativos. Para assegurar um equilíbrio entre o ideal e o básico, algum sistema de vigilância pode ser necessário. Esse pode-se constituir em uma força reguladora de inspetores, ou de uma sociedade voluntária reconhecida pela comunidade como sendo legítima Sanidade Animal 1128 e preocupada em prevenir falhas na sanidade. Em muitos países, ambas as forças operam separada mas simultaneamente. Cuidado veterinário – O desenvolvimento de sistemas de “saúde de rebanho” para animais de produção é um ramo especializado do cuidado veterinário que consiste basicamente em medicina preventiva. É nesta característica que a sanidade animal se situa em sua forma mais científica e sistemática. As práticas de sanidade sistemáticas asseguram, tanto a interesses econômicos como humanitários, que a conduta da operação de manutenção animal seja sadia, realisticamente mais favorável e completamente compatível com as exigências reguladoras. A prática veterinária humanitária para animais sob manejo intensivo, tanto comercial como experimentalmente, requer que a manutenção seja desenvolvida para evitar problemas previsíveis em saúde e sanidade. Tal manutenção inclui boa higiene, uma dieta balanceada apropriada e água de bebida limpa, boas condições de repouso, ventilação adequada, temperatura ambiente apropriada e contenção dentro de boas instalações com espaço adequado. A saúde deve ser monitorada para providenciar detecção precoce de qualquer afecção patológica. As medicações e as vacinações de rotina também são utilizadas para prevenir ocorrência de desordens previsíveis. A prática preventiva incorpora atenção veterinária convencional quando necessário. A saúde e a sanidade animais estão obviamente relacionadas. Um dos objetivos práticos básicos em sanidade animal é a prevenção de doenças, o domínio especializado da medicina veterinária denominado Saúde Animal. Um programa de Saúde Animal é posto em prática na maioria dos países por um serviço nacional que providencie um método central de monitoração em sanidade animal em nível nacional. À medida que tais serviços se expandem, se consolidem, e se sofisticam, o nível de sanidade previsto neles continua a melhorar e aumentar proporcionalmente. Os veterinários constituem o pessoal especializado em Saúde Animal, portanto podem aconselhar sobre práticas de manejo, vacinação e profilaxia, com o reconhecimento de que o estresse é um componente na etiologia de muitas doenças no espectro moderno. O alívio do estresse é uma ação profilática adicional que demanda uma melhor consideração. Controle do sofrimento – A sanidade animal tem um papel implícito para providenciar ajuda ao animal em estados de crise, adversidade e sofrimento. Este é o componente humanitário da sanidade animal, que assegura ajuda médica ou no manejo em qualquer sofrimento. Esse tipo de intervenção é mais freqüentemente realizado pelos próprios proprietários e usuários dos rebanhos, com ou sem o suporte de instrumentos tais como o serviço veterinário. Essa ação interventora é habitualmente ampla; cobre uma grande variedade desde o alívio de partos difíceis até a realização de sacrifícios humanitários. Seu objetivo é minimizar o sofrimento. A maioria dos animais de criação tem suas vidas terminadas pelo abate. Enquanto os métodos para realizá-lo variam, o objetivo humanitário é matar o animal por um método que o deixe insensível e inconsciente o mais rápido possível. O manejo pré-abate e o transporte de rebanho também devem ser levados em consideração. Os projetos modernos para abatedouros, que favorecem um manejo menos estressante dos animais por meio da manipulação de seu comportamento, são uma notável aquisição em sanidade animal. Apesar de os sinais comportamentais de sofrimento não exteriorizado serem prováveis de receber atenção, eles são identificáveis. Quanto mais a criação moderna exerce controle sobre a manutenção e a reprodução animal, mais existe para se aprender sobre “sofrimento comportamental”. Isto também é de interesse veterinário. As duas principais características no comportamento do sofrimento são atividade estimulada ou deprimida. Mas o sofrimento ocorre em várias formas, incluindo circunstâncias patológicas e relacionadas ao estresse. Muitas delas são Sanidade Animal 1129 de ocorrência imprevisível. As formas de promover sanidade várias vezes podem variar desde primeiros-socorros até terapia e resgate. O animal em processo de dor pode precisar de anestesia, tranqüilização ou analgesia. O tratamento médico é necessário no tratamento do sofrimento associado à doença. Manejo ecológico – O conhecimento comportamental pode ser usado para fornecer ao animal condições que permitam a exteriorização do comportamento necessário para automanutenção. Os sistemas de homeostasia etológica são reconhecidos como formas de trabalho comportamental que os animais produzem para se manterem em harmonia eficaz com seu ambiente; são essencialmente os comportamentos de manutenção (ver pág. 1086). Em virtude de as indústrias de produção animal terem o objetivo adicional de conveniência, a automanutenção do animal é algumas vezes comprometida. O grande propósito ecológico corresponde à integração do animal com o ambiente por meio da homeostasia. Os procedimentos comportamentais básicos de animais utilizados podem ser modificados apenas por gerações de reprodução seletiva. Como este problema se torna mais agudo para animais intensivamente confinados, os princípios de sanidade animal criam uma consciência de que esses animais possuam características comportamentais ecológicas evoluídas que ajudam na automanutenção. OBJETIVOS A sanidade animal tem dois objetivos principais: evitar ou reduzir o sofrimento e promover o bem-estar. Sofrimento – A prevenção e alívio do sofrimento são obviamente os objetivos principais na obtenção de sanidade animal. Submissão a uma imposição ou resistência a uma condição que seja dolorosa, angustiante ou prejudicial correspondem ao significado geral de sofrimento. A resistência sugere um elemento de continuidade. Em medicina veterinária, sanidade serve como um termo de significado extenso que cobre todos os componentes provavelmente afetivos que possam coexistir com qualquer situação nociva. Um alto grau de julgamento clínico e etológico é necessário para avaliação qualitativa do sofrimento animal. Entretanto, um sistema simples de classificação pode ser utilizado tal como nas formas aguda, subaguda ou crônica. A cronicidade pode somar-se à intensidade do sofrimento, porém o sofrimento agudo que provoca alterações no comportamento pode também ser intenso, se estiver aliado a dor intensa. O sofrimento subagudo tipicamente assume uma forma transitória, embora a recidiva freqüente possa fazer com que essa forma adquira importância real, dependendo do grau de alteração no comportamento associado. As condições fisiopatológicas normalmente exibem evidências imediatas de sofrimento animal. Numerosas afecções clínicas, incluindo processos patológicos e incidentes traumáticos, se tornam aparentes inicialmente por meio de um conjunto de indicadores comportamentais de sofrimento. De fato, a alteração comportamental é a característica mais provável de apontar o nível de sofrimento. Tais alterações acontecem quando atividades homeostáticas são completamente detidas e substituídas por demonstrações de dor ou comportamento aberrante persistente. Quando acontece o sofrimento, comportamentos de manutenção sistêmicos, como alimentação, limpeza, ou afiliação, são quase sempre substituídos por agitação, depressão, isolamento, anorexia, etc. Alterações significativas em comportamento acontecem e incluem formas incomuns de conduta, movimentos corporais deficientes, atividades reduzidas e perda de apetite. Tais sinais são usados para propósitos diagnósticos quando os animais doentes ou feridos são avaliados. Eles ajudam a determinar a natureza e a extensão da disfunção do animal e também o Sanidade Animal 1130 tratamento apropriado. A evidência de sofrimento clínico é tão variável e vasta que sua avaliação exige habilidade veterinária. Entre as características do sofrimento clínico estão sinais vitais anormais, alterações físicas e comportamentais, lesões patológicas e alteração de temperamento. O sofrimento agregado é geralmente manifestado indiretamente quando a própria disfunção clínica é originada por manejo problemático. Entretanto, em alguns casos, por exemplo, trauma, o alívio do sofrimento real e agudo pode ser um objetivo imediato antes que a disfunção física ou corporal receba atenção específica. Expressões exteriorizadas de estados mentais em afecções clínicas acompanhadas por dor, angústia ou medo (ver também pág. 1128) são evidências inconfundíveis de sofrimento. Se correlatos fisiopatológicos estão ausentes, a constatação de sofrimento pode estar relacionada a estresse. Uma vez que a dor é a essência do sofrimento severo, qualquer concepção de sofrimento deve incluir uma apreciação de várias características relacionadas à dor. A dor é uma experiência altamente variável e subjetiva, mas sua existência em animais é abundantemente evidente em reações típicas, por exemplo, inatividade, postura curvada, inquietação, membros rígidos ou agitadiços, contorção, mordidas auto-infligidas e vocalização anormal. Todos esses critérios devem ser considerados em conjunto com a natureza de qualquer processo patológico presente. O comportamento resultante da dor é facilmente observado, reconhecido e interpretado por qualquer um com experiência e conhecimento apropriados para a dada espécie, tanto em estado normal como de doença. Bioética – Enquanto os objetivos mais importantes na prática da sanidade se relacionam ao alívio de sofrimento, a promoção do bem-estar (ou do estado de sanidade do ou no animal) é um objetivo ético. Os dois termos, sanidade e bemestar, não são sinônimos. O bem-estar é a condição interior do animal; é um estado de boa saúde e harmonia entre o animal e seu ambiente. A sanidade certamente incorpora muito da definição anterior, mas é principalmente um sistema externo de serviços (os quais têm o estado de bem-estar como um de seus objetivos). Em outras palavras, a sanidade é exógena enquanto o bem-estar é endógeno. A ética requer que o bem-estar geral dos animais, usados materialisticamente, deva ser assegurado por padrões adequados de sanidade. A última deve ser obtida durante o período de vida destes animais, por mais breve que este possa ser. Isto está em total acordo com os objetivos vocacionais inerentes à medicina veterinária. Adicionalmente, as práticas éticas no mundo da reprodução animal devem manter problemas de sanidade em mente. Física e comportamentalmente, as raças, tipo ou cruzamentos inadequados não devem ter sua reprodução promovida na ocorrência de um resultado provavelmente estressante, por exemplo, distocia, síndromes de estresse, etc. Mesmo ambientes comuns na fazenda, no meio urbano ou no laboratório podem ser estressantes para certos tipos raciais. A bioética animal é uma constituição de princípios éticos integrados que guiam práticas de sanidade animal e servem ao controle do sofrimento. Os quatro grandes princípios da bioética têm sido definidos como: 1. manejo animal responsável, com formas de criação global apropriadas; 2. fornecimento de conforto físico, função comportamental básica e saúde animal; 3. prevenção ou alívio de dor ou sofrimento desnecessário; e 4. uso de vida animal consciente para razões completamente justificadas. O papel do veterinário nestes assuntos é óbvio e tradicional e um forte envolvimento veterinário deve continuar.