ESTUDOS DE CIRCULAÇÃO ATMOSFÉRICA SOBRE O ESTUÁRIO DA LAGOA DOS PATOS (RS, BRASIL) ATRAVÉS DE ANÁLISE ESPECTRAL Fernando Dantas Campello1 e Jaci Maria Bilhalva Saraiva2 1 Curso de Oceanologia - Bolsista PRH/ANP. e-mail: [email protected] Laboratório de Meteorologia, Departamento de Geociências. e-mail: [email protected] Fundação Universidade Federal do Rio Grande –Cx. Postal 474, CEP 96201-900 Rio Grande, RS, Brasil. 2 ABSTRACT The atmospheric circulation on the region of the estuary of the Lagoa dos Patos had been studied through spectral analysis techniques. Data-set of atmospheric pressure, temperature, relative humidity, insolation, precipitation and intensity and direction of the wind measured in three meteorological stations (EMBRAPA, FURG and Rio Grande´s Pilots Station), located in the cities of Pelotas and Rio Grande, had been analyzed. For oscillations with a period longer than 180 days, the main cycle for pressure, temperature, relative humidity insolation and x-wind component corresponded to the 365 days (annual), while the precipitation showed the main cycle in 40 months. In oscillations with period lower than 180 days, the main cycles had been around 7, 11, 15 and 37 days. The first two ones seems to reflect the passage of frontal systems in the region, while the last one should be related with the Madden-Julian oscillation. INTRODUÇÃO Ao longo de séculos a espécie humana tem demonstrado preocupação com os fenômenos atmosféricos. Civilizações do Egito antigo já faziam observações meteorológicas com o objetivo de prever a chegada da época das chuvas, quando ocorriam inundações nas margens do Rio Nilo, afetando a vida daqueles habitantes. Por volta do ano 400 a.C. o filósofo grego Aristóteles escreveu a obra Meteorologia, uma coleção bastante completa do que o homem havia conseguido aprender sobre a atmosfera até aquela época. Entretanto, a meteorologia tomou grande importância a partir dos séculos XVI e XVII, época do Renascimento e das grandes navegações, quando foram inventados os primeiros instrumentos meteorológicos (Wolfe, 1963). As condições do tempo têm influência direta sobre o modo de vida das pessoas, sobre a produtividade, a economia e o lazer. Um melhor conhecimento dos fenômenos meteorológicos foi de importância fundamental para o rumo tomado pela história da humanidade. O conhecimento dos padrões de ventos sobre os oceanos permitiram que embarcações movidas à vela realizassem as primeiras navegações transatlânticas, culminando com o descobrimento de novas terras. Posteriormente, em meados do século XIX, grandes veleiros de três mastros denominados clíperes, dos quais o mais conhecido se chamava Cutty Sark, alavancaram o comércio de mercadorias entre países, navegando em grandes velocidades através de rotas oceânicas com ventos favoráveis. Hoje em dia todas as empresas de navegação (entre elas as que transportam cargas perigosas, como petróleo e seus derivados) demonstram grande interesse na meteorologia, pois através de técnicas modernas tornouse possível prever condições de tempo adversas, que possam provocar acidentes. Da mesma forma, conhecendo o comportamento do tempo em uma certa região, podemos minimizar efeitos danosos provocados por acidentes com embarcações e em operações de carga e descarga, ajudando no controle da poluição. Seguindo essa idéia, a Agência Nacional do Petróleo (ANP), em conjunto com a Fundação Universidade Federal do Rio Grande (FURG) criaram o programa “Estudos Ambientais nas Áreas de Atuação da Indústria do Petróleo na Região Sul do País", que engloba diversas áreas do conhecimento, entre as quais a meteorologia, com o objetivo de estudar a poluição de recursos hídricos por hidrocarbonetos do petróleo nessa região e, mais especificamente, no estuário da Lagoa dos Patos. A região estuarina da Lagoa dos Patos, segundo Closs (1962), está situada entre a desembocadura dessa laguna no Oceano Atlântico e uma linha imaginária traçada entre a Ponta da Feitoria e a Ponta dos Lençóis (figura 1) e corresponde a 10% da área da laguna. Essa região apresenta um intenso tráfego marítimo e lacustre, devido à existência de portos comerciais e pesqueiros. É no estuário que ocorre a mistura entre a água doce proveniente dos rios e a água salgada vinda do oceano. Em suas margens se encontram os municípios de Pelotas (ao norte), Rio Grande (ao oeste) e São José do Norte (margem leste). O relevo observado é característico da região de planície costeira, sedimentar, com baixa topografia. Apenas próximo a Pelotas podem ser vistas baixas elevações rochosas pertencentes ao escudo cristalino gaúcho, que se estende para a direção oeste. O clima, como em toda a Região Sul do Brasil, apresenta quatro estações bem definidas ao longo do ano. Segundo Möller Jr. et al. (1996), a circulação hidrodinâmica na Lagoa dos Patos é dominada por eventos meteorológicos, como a passagem de sistemas frontais, e pela descarga de água doce. Boa parte das trocas de água entre a laguna e o oceano costeiro se devem ao gradiente de pressão resultante da combinação das forçantes do vento local e não local (o vento local age através de cisalhamento sobre a lâmina de água, enquanto que o vento não local, provoca variação no nível do mar na costa, induzindo circulação por gradiente de pressão) de NE e SW, provocando fluxos de enchente ou vazante. Os ventos de NE são responsáveis por elevar o nível da laguna na parte sul, enquanto que ao mesmo tempo, devido ao efeito de Ekman, baixam o nível do oceano junto à costa. Isso provoca um aumento no gradiente de pressão entre a laguna e o oceano, facilitando a saída de água da laguna. Por outro lado, os ventos do quadrante sul agem de forma inversa, diminuindo o nível da laguna na sua porção meridional e aumentando o nível do oceano na costa, favorecendo a entrada de água costeira para o estuário. Os processos se tornam mais ou menos intensos dependendo da combinação de ventos e descarga fluvial. Figura 1: Área de estudo – estuário da Lagoa dos Patos. Diversos sistemas de tempo têm influência sobre a Região Sul do Brasil e afetam diretamente a área de estudo. A climatologia sinótica das regiões sul e sudeste do Brasil é caracterizada por (Climanálise, 1986): passagem de sistemas frontais que se deslocam do Pacífico, passam pela Argentina e seguem para nordeste; sistemas que se desenvolvem no sul e sudeste do Brasil associados a vórtices ciclônicos ou cavados em altos níveis que chegam a costa oeste da América do Sul vindos do Pacífico; sistemas que se organizam no sul, sudeste do Brasil, com intensa convecção associada a instabilidade causada pelo jato subtropical com propagação para leste sobre o Oceano Atlântico; sistemas que se organizam no sul do Brasil resultantes de frontogênese ou ciclogênese. Além disso, bloqueios atmosféricos formados sobre os oceanos Pacífico Sudeste e Atlântico Sudoeste interrompem o deslocamento normal para leste dos sistemas migratórios de latitudes médias devido à formação de um anticiclone quase-estacionário, proporcionando uma calma atmosférica (Marques e Rao, 1996). Em escala subsinótica são observados sistemas em forma de vírgula invertida, que se formam na retaguarda de sistemas frontais, além de complexos convectivos de meso-escala, que normalmente se desenvolvem sobre o Paraguai e norte da Argentina e se deslocam para leste, atingindo a região costeira do Rio Grande do Sul (Saraiva, 1996). Segundo Nimer (1989), o padrão de ventos para a Região Sul do Brasil é determinado pela ação de dois centros de alta pressão: Anticiclone do Tropical Atlântico Sul e Anticiclone Migratório Polar. Alguns autores realizaram estudos sobre o padrão de ventos na cidade de Rio Grande (Tomazelli, 1993; Braga e Krusche, 2000; Lopes, 2000), encontrando resultados bastante semelhantes. De uma maneira geral, a direção predominante do vento durante todo o ano é a NE, devido à influência do Anticiclone Tropical do Atlântico Sul. Segundo Lopes (2000), a velocidade média anual registrada em Rio Grande é de 3,7 m/s, com a maior média mensal para setembro (4,4 m/s) e a menor média no mês em março (2,8 m/s). Análises sazonais têm mostrado uma queda na freqüência dos ventos NE e E durante o inverno, aliada a um claro aumento na freqüência dos ventos de SW e W, associados à passagem de frentes frias. Britto e Krusche (1996) estudaram tanto os ventos quanto os sistemas frontais entre 1993 e 1995. Segundo elas, o vento NE ocorre principalmente entre dezembro e março, enquanto que de maio a julho observa-se um aumento na freqüência das componentes de SW e W, provocado por um maior avanço do Anticiclone Migratório Polar sobre o Rio Grande do Sul. A maior freqüência de sistemas frontais ocorreu no outono, inverno e primavera, com taxas de 12 a 13 frentes por estação. A menor freqüência foi no verão, com 10 a 11 frentes por estação. Concluiu-se que a média mensal de frentes frias em Rio Grande entre 1993 e 1995 foi de quatro entradas por mês, sugerindo que a precipitação nessa região seja predominantemente de origem frontal. Britto e Saraiva (1997) também estudaram os sistemas frontais durante o ano de 1996, relacionando as maiores precipitações aos períodos de menor pressão atmosférica. A maior freqüência de frentes ocorreu em agosto e os ventos predominantes eram nordeste durante o período pré-frontal e sul/ sudoeste no período pós-frontal. Outros autores (Castro, 1985; Oliveira e Nobre, 1986; Stech e Lorenzzetti, 1992; Pinto et al., 1996), estudando as regiões Sul e Sudeste do Brasil, citam períodos que variam de 5 a 11 dias entre a passagem de sistemas frontais consecutivos. A brisa também tem importância na circulação atmosférica sobre o estuário da Lagoa dos Patos. As brisas são um regime de ventos locais, resultantes da diferença de aquecimento entre as parcelas de ar sobre o oceano e sobre o continente. A contribuição da brisa para a circulação atmosférica em Rio Grande foi estudada por Braga (1997). Segundo a autora, a brisa marítima apresenta direção de sudeste e começa a soprar, em média, às 12:00, atingindo sua velocidade máxima entre 14:00 e 19:00. Já a brisa terrestre tem direção noroeste e entra entre 21:00 e 23:30, mostrando sua máxima intensidade entre 23:00 e 8:00. As maiores velocidades costumam ocorrer no verão (3,6 Km/h marítima e 2,2 km/h terrestre), quando a brisa é mais intensa devido ao maior aquecimento terrestre, enquanto que as menores acontecem no inverno. Diversos trabalhos têm dado ênfase ao estudo de fenômenos atmosféricos periódicos. Parte desse interesse vem do fato que perturbações que mostram periodicidade mais ou menos definida possuem melhores chances de serem prognosticadas. Segundo Jones e Horel (1990), a atmosfera possui dois modos principais de flutuações em baixas freqüências: variações interanuais, como o fenômeno El Niño/Oscilação Sul (ENOS) e variações intrasazonais, como a Oscilação de 30-60 dias, ou Oscilação de Madden-Julian (OMJ). Kousky (Casarin e Kousky, 1986) sugere que as oscilações de 30 – 60 dias podem provocar mudanças substanciais na circulação de latitudes médias no Hemisfério Sul. Para as freqüências mais altas, Sugahara et al. (1986) cita oscilações em torno de cinco dias, observadas principalmente nas latitudes tropicais e sobre a região das Monções. Análises espectrais realizadas com dados diários de pressão medidos em Rio Grande mostraram oscilações com período entre 6 e 10 dias, atribuídas à passagem de sistemas frontais (Pinto et. al, 1996). O objetivo desse estudo é detectar, através de análise espectral, quais são os principais fenômenos atmosféricos periódicos com influência na região do estuário da Lagoa dos Patos e quais as periodicidades características para cada um desses fenômenos. Assim, será possível oferecer um melhor suporte ao programa “Estudos Ambientais nas Áreas de Atuação da Indústria do Petróleo na Região Sul do País", ajudando a reduzir o risco ambiental provocado por acidentes com petróleo e seus derivados. MATERIAL E MÉTODOS Os dados utilizados no estudo são provenientes das estações meteorológicas da FURG, EMBRAPA e Praticagem da Barra de Rio Grande (figura 2), todas localizadas na região estuarina da Lagoa dos Patos. As características de cada estação são encontradas na tabela 1. Tabela 1: Características das estações meteorológicas que forneceram os dados estudados. N° INMET LATITUDE LONGITUDE INSTITUIÇÃO LOCALIDADE MUNICÍPIO 83995 32°02 S 052°06 W FURG Campus Carreiros Rio Grande -----------32°08,2 S 052°06,2 W Práticos da Barra Super Porto Rio Grande 83985 31°48,1 S 052°24,4 W EMBRAPA Campus UFPEL Capão do Leão ALTITUDE 2,46 m 25 m 13,24 m Os dados fornecidos pela FURG e EMBRAPA são valores médios diários (calculados de acordo com as normas do INMET) e abrangem um período de dez anos (1991 a 2000). Já os dados da Praticagem da Barra foram medidos, com periodicidade horária, por uma estação automática Weather Monitor II, fabricada pela Davis Instruments, compreendendo um período de dois anos (janeiro de 1999 a dezembro de 2000). Essa estação está localizada no alto de uma torre de 25 metros de altura. As variáveis analisadas foram pressão atmosférica, temperatura média do ar seco, umidade relativa, taxa de precipitação pluviométrica, taxa de insolação (apenas para as estações da FURG e EMBRAPA), intensidade do vento e direção do vento. Os dados foram submetidos a uma análise para detecção de erros grosseiros, que consistiu na definição de um intervalo com os valores máximos e mínimos que cada variável poderia assumir, além da visualização gráfica de cada uma das séries temporais. Figura 2: Posições das estações meteorológicas A análise espectral foi realizada através da Transformada Rápida de Fourier (FFT), desenvolvida por Cooley e Tukey em 1965. A potencialidade da análise espectral está relacionada com a capacidade do método em verificar a freqüência com que cada evento ocorre no espectro total do tempo e na energia do sistema. Entretanto, a FFT apresenta algumas limitações que devem ser observadas. Primeiro, a série não pode apresentar dados faltantes. Além disso, a freqüência de amostragem dos dados não pode mudar ao longo da série. Outra limitação importante se refere à freqüência máxima que poderá ser observada nos espectros. Uma regra básica na análise de séries temporais discretas é que são necessários ao menos dois dados por período (período mínimo de 2∆, sendo ∆ o intervalo de tempo entre as medições) para a resolução de uma onda. Como freqüência é o inverso do período, a freqüência máxima que pode ser observada é de 1/2∆, a chamada freqüência de Nyquist (Stull, 1988; Albuquerque Jr. e Schuster, 2001). Ao ignorarmos essa regra e tentarmos analisar uma freqüência maior que 1/2∆, sofreremos o efeito aliasing ou efeito de dobragem. Esse efeito não desejado explica que os sinais de freqüência maior que a freqüência de Nyquist são reagrupados em freqüências mais baixas, distorcendo os resultados da análise de Fourier (Stull, 1988). A densidade espectral foi obtida através do periodograma suavizado com uma janela do tipo Parzen. Para representar o cruzamento entre os espectros de duas variáveis foi utilizado o espectro de amplitude ou amplitude cruzada. Um grande valor no espectro de amplitude em uma determinada freqüência significa que as duas variáveis estão fortemente correlacionadas naquela freqüência, independentemente das diferenças de fases entre seus sinais (Stull, 1988). A amplitude cruzada pode ser interpretada como uma medida da covariância entre componentes de respectivas freqüências nas duas séries. RESULTADOS E DISCUSSÃO Primeiramente apenas os ciclos com período maior que 180 dias (semi-anual) são apresentados para as séries de 1991 a 2000 das estações da FURG e EMBRAPA. Posteriormente, foram abordados os resultados referentes a períodos menores que 180 dias para estas duas estações e por fim, foram realizadas análises espectrais com as séries de periodicidade horária da Praticagem da Barra para o ano de 1999. As análises espectrais realizadas com as séries de valores médios diários obtidos nas estações da FURG e EMBRAPA entre 1991 e 2000 mostram claramente a predominância do ciclo anual (período de 365,2 dias) para as variáveis de pressão atmosférica, temperatura de bulbo seco, umidade relativa e insolação (Figura 3). O ciclo semianual é mais bem observado nos espectros de temperatura e pressão. Essas variáveis ainda revelam picos de energia com periodicidade de 17 e 20 meses, respectivamente. Umidade relativa e insolação também mostram um ciclo bianual (730,4 dias). Periodograma de temperatura Estação FURG - 1991 a 2000 Estação EMBRAPA - 1991 a 2000 1e5 1e5 365,2 365,2 182,6 182,6 1000 Energia 1000 Energia Periodograma de temperatura 521,7 521,7 10 10 0 180 360 540 720 900 1080 1260 1440 1620 1800 1980 0 200 400 600 Periodo (dias) 800 1000 1200 1400 1600 1800 2000 Periodo (dias) Periodograma de pressão atmosférica Periodograma de pressão atmosférica Estação EMBRAPA - 1991 a 2000 Estação FURG - período 1991 a 2000 1e5 1e5 365,2 182,6 365,2 608,6 182,6 1000 608,6 913 Energia Energia 1000 10 10 0 200 400 600 800 1000 1200 1400 1600 1800 0 2000 200 400 600 800 1000 1200 1400 1600 1800 2000 1600 1800 2000 Periodo (dias) Periodo (dias) Periodograma de umidade relativa Periodograma de umidade relativa Estação EMBRAPA - 1991 a 2000 Estação FURG - 1991 a 2000 1e5 1e5 365,2 365,2 214,8 730,4 214,8 730,4 Energia 1000 Energia 1000 10 10 0 200 400 600 800 1000 1200 1400 1600 1800 0 2000 200 400 600 800 1000 1200 1400 Periodo (dias) Periodo (dias) Periodograma de insolação Periodograma insolação Estação FURG - 1991 a 2000 Estação EMBRAPA - 1991 a 2000 365,2 365,2 1000 1000 1217,3 1217,3 730,4 Energia Energia 730,4 10 10 0 200 400 600 800 1000 Periodo (dias) 1200 1400 1600 1800 2000 0 200 400 600 800 1000 1200 1400 1600 1800 2000 Periodo (dias) Figura 3: Espectros de pressão atmosférica, temperatura, umidade relativa e insolação para a FURG e EMBRAPA entre 1991 e 2000. A precipitação apresenta um comportamento diferenciado em relação às demais variáveis. O ciclo anual não é evidente e existe um grande pico de energia associado ao período de 40 meses (figura 4). Esse ciclo é particularmente forte na estação da FURG, embora seja bastante pronunciado em ambas as estações. Na estação da EMBRAPA ainda podemos perceber um ciclo de 192,2 dias, possivelmente relacionado a uma oscilação semi- anual. A ausência do ciclo anual nas séries de precipitação é reflexo do seu comportamento na Região Sul do Brasil, que tende revelar uma taxa de precipitação relativamente bem distribuída ao longo do ano. O pico de energia em 40 meses ocorre para a precipitação em maior escala, entretanto também está presente quando analisamos o espectro de insolação. Sugahara et al. (1986) explicam que oscilações com período de 40 a 60 meses são característicos do fenômeno El Niño/ Oscilação Sul (ENOS). No referido trabalho foram encontradas oscilações de baixa freqüência, com período em torno de 60 meses, para os espectros das séries de médias mensais de pressão, precipitação e insolação. O primeiro autor encontrou ainda uma oscilação de 40 – 60 meses para séries de precipitação medidas no estado de São Paulo. Diversos estudos (Climanálise, 1986; Grimm et al. 1996) demonstram a relação entre a presença do fenômeno ENOS e o aumento no índice pluviométrico no sul do Brasil. Assim, é esperado que o ciclo de freqüência correspondente ao ENOS possa ser evidenciado nos espectros de precipitação e insolação. Periodograma precipitação Periodograma precipitação Estação FURG - 1991 a 2000 Estação Embrapa - 1991 a 2000 2000 2000 Energia Energia 1000 1217,3 192,2 1500 1217,3 1500 1000 500 500 0 0 0 200 400 600 800 1000 1200 1400 1600 1800 0 2000 200 400 600 800 1000 1200 1400 1600 1800 2000 Periodo (dias) Periodo (dias) Figura 4: Espectro de precipitação para a FURG e EMBRAPA entre 1991 e 2000. A análise espectral das componentes zonal (U) e meridional (V) da intensidade do vento para períodos maiores que 180 dias foi realizada apenas na estação da FURG. Os periodogramas (figura 5) mostram a predominância do ciclo anual para a componente zonal, enquanto que a componente meridional apresenta maiores energias em oscilações de menor período (214,8 e 332 dias). Entretanto, a maior energia observada para essa componente ocorre em períodos bem menores que 180 dias, relacionada à passagem de sistemas frontais, que serão analisados mais adiante. Periodograma da componente zonal (U) do vento Periodograma da componente meridional (V) do vento estação da FURG - 1991 a 2000 estação da FURG - 1991 a 2000 365,2 1000 120 214,8 Energia Energia 332 60 10 0 200 400 600 800 1000 Periodo (dias) 1200 1400 1600 1800 2000 0 0 200 400 600 800 1000 1200 1400 1600 1800 2000 Periodo (dias) Figura 5: Espectro das componentes zonal e meridional da velocidade do vento na estação da FURG. As densidades espectrais da pressão e temperatura para períodos menores que 180 dias não apresentaram diferenças significativas entre nas duas estações (a figura 6 mostra apenas os resultados para a EMBRAPA). Para a pressão foram observados picos de energia em períodos de 7,8 – 11,6 –15 – 18 – 28 e 36,8 dias. Em ambas as estações a oscilação de maior energia é a de 36,8 dias. Os espectros de temperatura mostraram-se relativamente diferentes dos espectros de pressão atmosférica, já que maiores energias se relacionaram a freqüências mais baixas. As principais oscilações compreenderam os períodos de 15,6 – 17 – 36,5 – 46,2 – 68,9 – 98,7 e 117,8 dias, sendo essa última a de maior energia, provavelmente relacionada ao ciclo sazonal. Um ciclo de 59,8 dias, com menor energia, pode ainda ser observado em ambas as estações. Densidade espectral de pressão atmosférica Densidade espectral de temperatura Estação EMBRAPA - 1991 a 2000 Estação EMBRAPA - 1991 a 2000 500 200 36,8 150 28 7,8 15 18 Densidade espectral Densidade espectral 400 300 200 100 15,6 36,5 46,2 98,7 68,9 100 117,8 50 0 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110 120 130 140 150 0 10 20 30 40 Periodo (dias) 50 60 70 80 90 100 110 120 130 140 150 Periodo (dias) Figura 6: Densidade espectral para pressão e temperatura na EMBRAPA. Os espectros de densidade para umidade relativa, insolação e precipitação, não mostraram tanta semelhança entre as duas estações (embora haja ciclos coincidentes), sugerindo que suas séries apresentam uma maior variabilidade local. Assim, com o objetivo de enfatizar fenômenos de maior escala espacial (que atuem em ambas as estações), facilitando a interpretação dos resultados, realizou-se uma análise de amplitude cruzada entre as estações para cada uma dessas variáveis. Segundo Stull (1988), a amplitude cruzada indica a quantidade de variação em comum existente entre duas variáveis para uma determinada freqüência. O espectro de amplitude cruzada entre as séries de umidade relativa das estações da FURG e EMBRAPA mostra que a oscilação de maior importância em ambas estações é a de 15 dias (figura 7). Ciclos de 10,4 – 36,8 – 55,3 e 66,4 dias também apresentam grande energia. A amplitude cruzada para a insolação (Figura 6) também revela a maior energia para o ciclo de 15 dias. São ainda visíveis as oscilações de 8,1 – 36,8 e 55,3 dias. O espectro de amplitude para a precipitação apresenta a maior energia em 19,3 dias e picos menores em 11,6 – 41 – 57 e 65,2 dias. Entretanto, na análise de densidade espectral o ciclo de 19,3 dias foi evidente apenas para a estação da EMBRAPA, indicando que este pode ser resultado de algum fenômeno de ação local. As demais oscilações estão presentes em ambas estações e apresentam energias muito parecidas. Amplitude cruzada de umidade relativa Amplitude cruzada de insolação Estações FURG e EMBRAPA Estações da FURG e EMBRAPA 300 15 900 15 55,3 66,4 10,4 Amplitude cruzada Amplitude cruzada 36,8 600 300 0 200 36,8 8,1 55,3 100 0 0 15 30 45 60 75 Periodo (dias) 90 105 120 135 150 0 15 30 45 60 75 90 105 120 135 150 Periodo (dias) Figura 7: Amplitude cruzada para os espectros de umidade relativa e insolação das estações da FURG e EMBRAPA. A densidade espectral das componentes zonal e meridional do vento para períodos menores que 180 dias na estação da FURG pode ser observada na figura 8. A componente zonal apresenta oscilações de maior energia em 10,6 – 23,7 – 55,3 e 125,9 dias. A primeira deve ser resultante dos ventos de quadrante oeste, que freqüentemente acompanham os sistemas frontais. A oscilação de 55,3 dias também é intensa para os espectros de umidade relativa e insolação e deve estar relacionada a algum fenômeno que altera os campos dessas três variáveis. Os ciclos mais energéticos para a componente meridional apresentam períodos de 6,8 e 8,9 dias e estão relacionados à passagem de sistemas frontais sobre a região. Britto e Saraiva (1997) demonstraram a predominância de ventos de direção sul/ sudoeste no período pós-frontal. Considerando o conjunto de variáveis, podemos dividir as principais oscilações em três grupos: de 7,8 a 11,6 dias, de 15 a 20 dias e de 28 a 69 dias. O primeiro grupo reflete as variações atmosféricas provocadas pela passagem de sistemas frontais. Diversos autores (Castro, 1985; Oliveira e Nobre, 1986; Stech e Lorenzzetti, 1992; Britto e Krusche, 1996; Moller et al., 1996; Britto e Saraiva, 1997) calcularam que o tempo entre a passagem de dois sistemas frontais varia entre 6 e 11 dias para o sul e sudeste do Brasil. Britto e Saraiva (1997) descreveram as variações nos campos de temperatura, pressão, umidade, precipitação e direção e intensidade do vento, provocadas pela passagem de sistemas frontais sobre a cidade de Rio Grande. O segundo grupo merece atenção, especialmente a oscilação de 15 dias, que apresenta grande energia e aparentemente é evidenciada para todas as variáveis analisadas, com exceção da precipitação. Não foi possível determinar a sua causa através das referências bibliográficas, visto que seu período está acima daqueles descritos para a passagem de sistemas frontais. Novos estudos devem ser realizados com o objetivo de confirmar sua presença e tentar determinar sua causa. O terceiro grupo é composto por variações intra-sazonais, provavelmente resultantes da Oscilação de 30-60 dias, ou oscilação de Madden – Julian (OMJ). Essa oscilação, descrita no início dos anos 70 para a troposfera tropical, se propaga para leste com velocidade de 3 a 6 m/s e ocorre num largo espectro de períodos que pode variar de 30 a 60 dias (Cruchelli e Ambrizzi, 1996; Lima e Rao, 1996). Jones e Horel (1990), através de anomalias de radiação de ondas longas (OLR) emitidas pelo sistema Terra – atmosfera, detectaram uma intensa variabilidade da atividade convectiva, na escala das oscilações intra-sazonais, sobre a Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS). Segundo Crucchelli e Ambrizzi (1996), a Oscilação Madden – Julian ocorre entre as latitudes 30°S e 30°N, podendo provocar modificações nos campos da pressão em superfície, componente zonal do vento, temperatura e umidade. Casarin e Kousky (1986) e Kousky e Cavalcanti (1988) também detectaram a Oscilação de Madden Julian através de OLR, notando variabilidade no campo da precipitação relacionada a essa oscilação. Kousky sugere que as oscilações de 30 – 60 dias podem provocar mudanças substanciais na circulação de latitudes médias no Hemisfério Sul. Gonzáles e Barros (1996), realizaram análise espectral para séries de precipitação em várias estações do leste e nordeste da Argentina, encontrando oscilações de período variável entre 23 e 45 dias, às quais sugeriram estar relacionadas com as oscilações de Madden – Julian. Densidade espectral da componente zonal (U) do vento Densidade espectral da componente meridional (V) do vento estação da FURG - 1991 a 2000 estação da FURG - 1991 a 2000 100 60 6,8 8,9 125,9 10,6 60 23,7 55,3 40 20 0 Densidade espectral Densidade espectral 80 40 20 0 0 15 30 45 60 75 90 105 120 135 150 165 180 195 210 225 240 Periodo (dias) 0 15 30 45 60 75 90 105 120 135 150 Periodo (dias) Figura 8: Densidade espectral das componentes zonal e meridional da velocidade do vento na estação da FURG. Visando reforçar as hipóteses acima descritas, novas análises de espectros cruzados foram realizadas, dessa vez entre as variáveis de uma mesma estação. É sabido que a maioria dos fenômenos atmosféricos provoca alterações nos campos de diversas variáveis ao mesmo tempo. Assim, o cruzamento entre os espectros dessas variáveis pode ser uma ferramenta poderosa, auxiliando na interpretação dos resultados. Os principais picos de energia encontrados através desses cruzamentos ficaram em 36,8 dias, 15 dias, 11,6 dias e 7,1 dias. Essas oscilações quase sempre exercem mudanças substanciais nos campos da maioria das variáveis, alterando as condições atmosféricas. As séries da estação da Praticagem da Barra foram medidas nos anos de 1999 e 2000, apresentando periodicidade de amostragem horária, entretanto o maior período sem dados faltantes, utilizado para as análises espectrais, consistiu entre abril de 1999 e dezembro de 1999 (total de 5618 dados). Os resultados obtidos podem ser vistos na figura 9. Os valores mostrados no eixo das abscissas estão em horas, entretanto os valores encontrados sobre os picos de energia foram passados para dias, facilitando a comparação com as demais estações. Os resultados mostram diferenças entre os principais picos de energia da estação da Praticagem da Barra em relação às demais estações. Essas distinções são devido à diferença no período analisado nessa estação (apenas o ano de 1999). A pressão mostra oscilações principais de 7,1 – 13 – 18 – 23,4 e 39,1 dias. Para a temperatura, o ciclo principal reflete a variação diurna (ausente na pressão), não captado nas demais estações porque suas séries eram de dados médios diários. Também são observados picos energéticos de 7,1 – 23,4 – 39 e 58,5 dias. Já no campo da umidade relativa as oscilações mais significativas foram de 4,6 – 7,5 – 11,1 – 18 e 39 dias. A precipitação mostrou maiores energias em 7,8 – 10,1 – 24 e 33,4 dias. Por fim, a componente zonal do vento apresenta ciclos principais em 1 – 6,3 – 16,7 e 58,5 dias, enquanto que a componente meridional mostra os maiores ciclos em 6,3 – 7 (devido a sistemas frontais) e 18 dias. A oscilação de um dia observada apenas na componente zonal do vento é resultante da ação da brisa, que tem direção NW-SE, perpendicular à linha de costa. Com relação às séries da Praticagem da Barra, mais uma vez vemos oscilações entre 7 e 11 dias, provocadas pela passagem de sistemas frontais e ciclos entre 33 e 59 dias, possivelmente causadas pela Oscilação de 30-60 dias. Periodograma de pressão atmosférica Periodograma de temperatura estação da Praticagem da Barra estação da Praticagem da Barra período - abril de 1999 a dezembro de 1999 (amostragem horária) 14000 39,1 6000 1,0 12000 18 7,1 10000 Energia período - abril de 1999 a dezembro de 2000 (amostragem horária) 23,4 13 Energia 8000 6000 4000 58,5 2000 4000 23,4 7,1 39 2000 0 0 0 144 288 432 576 720 864 1008 1152 1296 1440 0 192 384 576 Periodo (horas) 1152 1344 1536 1728 1920 Periodograma de precipitação estação da Praticagem de Barra estação da Praticagem da Barra período - abril de 1999 a dezembro de 1999 (amostragem horária) período - abril de 1999 a dezembro de 1999 (amostragem horária) 10 1,2e5 1,0 80000 Energia 24 7,8 6 60000 33,4 10,1 8 1e5 Energia 960 Periodo (horas) Periodograma de umidade relativa 4 40000 4,6 7,5 11,1 20000 39 18 2 0 0 0 144 288 432 576 720 864 1008 1152 1296 0 1440 144 288 432 576 720 864 1008 1152 1296 1440 1728 1920 Periodo (horas) Periodo (horas) Periodograma de componente meridional (V) do vento Periodograma da componente zonal (U) do vento estação da Praticagem da Barra estação da Praticagem da Barra período - abril de 1999 a dezembro de 1999 (amostragem horária) período - abril de 1999 a dezembro de 1999 (amostragem horária) 7000 4000 16,7 18 6000 58,5 3000 6,3 5000 Energia 1,0 6,3 Energia 768 2000 7 4000 3000 2000 1000 1000 0 0 0 192 384 576 768 960 1152 Periodo (horas) 1344 1536 1728 1920 0 192 384 576 768 960 1152 1344 1536 Periodo (horas) Figura 9: Periodogramas de pressão, temperatura, umidade, precipitação e componentes zonal e meridional da velocidade do vento para a estação da Praticagem da Barra. CONCLUSÕES As técnicas de análise espectral permitiram a detecção das principais oscilações que afetam os campos das variáveis atmosféricas na região do estuário da Lagoa dos Patos. Para oscilações com período maior que 180 dias, o principal ciclo para pressão, temperatura, umidade relativa, insolação e componente zonal do vento correspondeu a 365 dias (anual), enquanto que a precipitação mostrou o maior ciclo em 40 meses. Em oscilações de período menor que 180 dias, os principais ciclos foram em torno de 7, 11, 15 e 37 dias. Os dois primeiros parecem refletir a passagem de sistemas frontais na região, enquanto que o último deve estar relacionado com a oscilação de MaddeJulian. As análises espectrais para o ano de 1999 realizadas com os dados da estação da Praticagem da Barra mostraram diferenças em relação às outras estações devido à maior freqüência de amostragem e ao menor período da série de dados. Ainda assim, detectou-se oscilações importantesem torno de 7 e 11 dias e 39 dias, além de outros ciclos com variação entre 13 e 24 dias. Novos estudos devem ser feitos afim de relacionar os ciclos de 13 a 24 dias com possíveis fenômenos atmosféricos, enfatizando o ciclo de 15 dias, que parece exercer maior influência sobre todas as variáveis. AGRADECIMENTOS Os autores agradecem à Agencia Nacional do Petróleo pela bolsa para capacitação de recursos humanos. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALBUQUERQUE JR., A. C.; SCHUSTER, H. D. M. Análise espectral de séries temporais na geociência utilizando o pacote Matlab. Atmosfera e água, v. 7, p. 6-12, 2001. BRAGA, M. F. S.; KRUSCHE, N. Padrão de ventos em Rio Grande, RS, no período de 1992 a 1995. Atlântica, Rio Grande, v. 22, p. 27-40, 2000. BRITTO, F. P.; KRUSCHE, N. Frequência e intensidade das frentes frias em Rio Grande nos anos de 1993 a 1995. In: Anais do IX Congresso Brasileiro de Meteorologia. Campos de Jordão, 1996, 185-188. BRITTO, F. 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