UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO SEMI-ÁRIDO DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS EXATAS E NATURAIS BACHARELADO EM CIÊNCIA E TECNOLOGIA RITA OHANA SOARES BARBALHO AVALIAÇÃO SOBRE O ESTUDO DE CASOS NAS CONSTRUÇÕES HABITACIONAIS DA CIDADE DE MOSSORÓ/RN - PATOLOGIAS NO REVESTIMENTO MOSSORÓ 2011 RITA OHANA SOARES BARBALHO AVALIAÇÃO SOBRE O ESTUDO DE CASOS NAS CONSTRUÇÕES HABITACIONAIS DA CIDADE DE MOSSORÓ/RN - PATOLOGIAS NO REVESTIMENTO Monografia apresentada à Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), como exigência final para obtenção do título de especialização em Bacharelado em Ciência e tecnologia. Orientador: Profa. D. Sc. Subênia Karine de Medeiros - UFERSA. Co-orientador: Profa. D. Sc. Marília Pereira de Oliveira - UFERSA. MOSSORÓ 2011 RITA OHANA SOARES BARBALHO AVALIAÇÃO SOBRE O ESTUDO DE CASOS NAS CONSTRUÇÕES HABITACIONAIS DA CIDADE DE MOSSORÓ/RN - PATOLOGIAS NO REVESTIMENTO Monografia apresentada à Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), como exigência final para obtenção do título de especialização em Bacharelado em Ciência e Tecnologia. DATA DE APROVAÇÃO:____/____/____ BANCA EXAMINADORA ___________________________________________ Profa. D. Sc. Subênia Karine de Medeiros - UFERSA Orientador - Presidente ___________________________________________ Profa. D. Sc. Marília Pereira de Oliveira - UFERSA Primeiro Membro _________________________________________ Profa. D. Sc. Marineide Jussara Diniz - UFERSA Segundo Membro DEDICATÓRIA Aos meus avôs, que sempre ficavam felizes com minhas conquistas e sempre oravam pela minha felicidade. Com este trabalho final, tenho certeza, que seria mais uma das grandes alegrias que daria a eles. In memoria Ao meu noivo Daniel Ahid, pelo amor, paciência, força e ajuda que está me oferecendo nesse momento presente. AGRADECIMENTOS Primeiramente a Deus, o responsável por todas as minhas conquistas, pelo dom da vida, pela ajuda e proteção, pela Sua força e presença constante e por me guiar à conclusão de mais uma preciosa etapa de minha vida; A minha irmã, Patrícia Mônia, aos meus pais Evaldo Bezerra Barbalho e Alzenira Soares Barbalho que me deram a vida e me ensinaram a viver, confiando sempre na minha capacidade e estando presente em todos os momentos da minha vida, me proporcionaram a realização deste sonho; A todos os meus tios, primos, avós, enfim, a todos os parentes na qual posso contar sempre. À todos os meus docentes do curso de Bacharelado em Ciência e Tecnologia. Um agradecimento em especial à docente Subênia Karine, pela grande determinação ao trabalho, e pelos dias de professora, orientadora e “mãe” em diversos momentos dedicados a mim. E a minha co-orientadora, Marília, pelos ensinamentos e lições que me ofereceu durante a elaboração desse trabalho. Aos moradores das residências pesquisadas, cuja participação e receptividade foram fundamentais para a realização desse trabalho. Aos meus amigos que fiz durante esse curso de Bacharelado em Ciência e Tecnologia – UFERSA, pela força, paciência, dias de estudos à noite, enfim, que participaram comigo momentos de risadas, de tristeza e aperreios, demonstrando sempre carinho e dedicação. Enfim, a todas as pessoas que contribuíram direto ou indiretamente e me incentivaram nessa jornada profissional. RESUMO Este trabalho foi iniciado com o intuito de pesquisar obras na área da construção civil que apresentem a ocorrência de patologias no seu revestimento, descrevendo suas manifestações, causas e o modo de aplicação correto para preservação e tratamento. Com isso, foi realizada uma pesquisa bibliográfica sobre os principais problemas causados em revestimentos e, posterior a esta fase, um estudo de caso, com registro de imagens em residências localizadas aleatoriamente em quatro bairros da cidade de Mossoró. De acordo com a data da construção ou da última reforma, foram ressaltados quais delas apresentaram as patologias consideradas principais, citando as possíveis causas e analisando as melhores soluções a serem tomadas. Para uma melhor avalição foi também aplicado um questionário ao morador da obra/residência. Das mais variantes patologias ocorridas em construção, os problemas nos revestimentos são as que, além da má aparência, trazem problemas respiratórios para a saúde de muitos moradores das residências. Como conclusão desse trabalho, constatou-se a importância de saber utilizar a forma correta dos produtos necessários para a proteção e qualidade do revestimento, avaliando o local e suas atuações externas. Onde se deve ressaltar que, mesmo em situações ditas extremas, onde as patologias são consideradas inimigos constantes, existem métodos que podem evitar ou até mesmo retardar o surgimento de tais transtornos. Palavras-chave: Construção civil. Patologias em revestimentos. Impermeabilização. ABSTRACT This work was initiated with the aim of researching works in the area of construction showing the occurrence of pathologies in the revetment, describing its manifestations, causes and manner of application for preservation and correct treatment. With this, we performed a literature search on the main problems caused in the coating and, after this phase, the recording of images in homes randomly located in four districts of the town of Mossoró. According to the date of construction or the last reform, which emphasize the pathologies presented them considered major, and we quote the possible causes, analyzing the best solutions to be taken. For better appraisal was also applied a questionnaire to the resident's work / residence. More variants of the diseases occurred in construction, the problems facing us are those that, in addition to the unsightly, cause problems for the respiratory health of many residents of the homes. In conclusion of this work, the importance of knowing the correct way to use the products necessary for the protection and coating quality was noted, evaluating the site and its external actions. Where should we point out that even in so-called extreme situations, where conditions are considered constant enemies, there are methods that can prevent or even delay the onset of such disorders. Key words: Construction. Pathologies in the revetment. Waterproofing LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Alvenaria de tijolo. ............................................................................................................... 20 Figura 2 - Chapisco em alvenaria. ......................................................................................................... 21 Figura 3 - Emboço externo. ................................................................................................................... 22 Figura 4 - Juntas de movimentações. .................................................................................................... 23 Figura 5 - Fissuras em argamassa de revestimento. .............................................................................. 24 Figura 6 - Eflorescência de rejuntamento. ............................................................................................ 26 Figura 7 - Queda cerâmica da fachada. ................................................................................................. 27 Figura 8 - Aplicação do revestimento. .................................................................................................. 28 Figura 9 - Manchas na parede interna. .................................................................................................. 29 Figura 10 - Ação da umidade sobre edificações.................................................................................... 30 Figura 11 - Embolhamento e destacamento da pintura. ........................................................................ 39 Figura 12 - Destacamento de pintura, manchas e trincas. ..................................................................... 39 Figura 13 - A: Parede externa; B: Parede Interna. ................................................................................ 39 Figura 14 - Manchas escuras e bolor. .................................................................................................... 40 Figura 15 - Embolhamento, manchas. ................................................................................................... 40 Figura 16 - Formação vegetal esverdeada. ............................................................................................ 41 Figura 17 - Fissuras, trincas e manchas escura. ................................................................................... 41 Figura 18 - Manchas, bolor e fissuras. .................................................................................................. 42 Figura 19 - Manchas de infiltração e destacamento da pintura. ............................................................ 43 Figura 20 - Destacamento de pinturas e manchas devido a umidade. ................................................... 43 Figura 21 - A: Infiltração por capilaridade; B: Destacamento da pintura. ............................................ 44 Figura 22 - Manchas de infiltração e mofo. .......................................................................................... 44 Figura 23 - A: Infiltração na sala; B: Infiltração na dispensa; C: Infiltração na parte superior da despensa. ............................................................................................................................................... 45 Figura 24 - A: Manchas de infiltração na parede externa; B: Manchas de infiltração na parede interna. ............................................................................................................................................................... 45 Figura 25 - A: parte externa inferior da faixada; B: parte externa superior da faixada. ........................ 46 Figura 26 - Destacamento da pintura. ................................................................................................... 47 Figura 27 - Manchas escuras, mofo (bolor), manchas esverdeadas. ..................................................... 47 Figura 28 - Manchas amareladas e infiltração....................................................................................... 48 Figura 29 - Destacamento da pintura e manchas escuras (bolor). ......................................................... 48 Figura 30 - Manchas amareladas. .......................................................................................................... 48 Figura 31 - Manchas amareladas. .......................................................................................................... 49 Figura 32 - Desagregação do revestimento. .......................................................................................... 50 Figura 33 - Manchas escuras e formação vegetal esverdeada. .............................................................. 50 Figura 34 - Desagregação do revestimento e manchas escuras (bolor)................................................. 51 Figura 35 - Manchas escuras (bolor). .................................................................................................... 51 Figura 36 - Trincas e fissuras. ............................................................................................................... 52 Figura 37 - Manchas amareladas. .......................................................................................................... 52 LISTA DE QUADROS Quadro 1 - Vazamento em pisos e paredes. .......................................................................................... 32 Quadro 2 - Vazamento na rede pluvial do telhado ................................................................................ 33 Quadro 3 - Vazamento pela laje de cobertura e terraço ........................................................................ 33 LISTA DE SIGLAS ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas CIB Conseil International du Bâliment CUB Custo Unitário Básico IBGE Instituto Brasileiro de Geografia Estatística IPI Imposto sobre Produto Industrializado NBR Norma Brasileira Regulamentadora PAC Programa de Aceleração do Crescimento PVA Poliacetato de Vinila SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 12 2 OBJETIVOS ........................................................................................................................ 14 3 REVISÃO DE LITERATURA ........................................................................................... 15 3.1 PATOLOGIAS NA CONSTRUÇÃO CIVIL .................................................................... 15 3.2 MÉTODOS PARA DIAGNOSTICAR AS MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS ......... 18 3.3 O CONTROLE TOTAL DA QUALIDADE NA CONSTRUÇÃO CIVIL ....................... 19 3.4 REVESTIMENTO DE PAREDES ................................................................................... 20 3.4.1 Substrato ........................................................................................................................ 20 3.4.2 Chapisco ......................................................................................................................... 21 3.4.3 Emboço ........................................................................................................................... 21 3.5 FALHAS EM REVESTIMENTOS .................................................................................... 23 3.5.1 Fissuras ........................................................................................................................... 23 3.5.2 Eflorescência .................................................................................................................. 25 3.5.3 Descolamento ................................................................................................................. 26 3.5.4 Vesículas ......................................................................................................................... 28 3.5.5 Manchas.......................................................................................................................... 28 3.5.6 Falhas relacionadas à umidade .................................................................................... 30 3.5.6.1 Medidas Protetoras da umidade ................................................................................. 31 4 METODOLOGIA................................................................................................................ 36 4.1 PLANEJAMENTO DA PESQUISA .................................................................................. 36 4.2 PLANO DE COLETA DOS DADOS ................................................................................ 36 4.3 PLANO DE ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS ......................................... 36 5 ESTUDO DE CASO ............................................................................................................ 38 5.1 PRINCIPAIS PATOLOGIAS DIAGNOSTICADAS NOS IMÓVEIS ............................. 38 5.1.1 Residência do bairro Planalto 13 de Maio .................................................................. 38 5.2.2 Residência do bairro Costa e Silva............................................................................... 42 5.2.3 Residência do bairro Alto de São Manoel ................................................................... 46 5.2.4 Residência do bairro Santo Antônio ............................................................................ 49 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS .............................................................................................. 53 6.1 CONCLUSÃO E PERSPECTIVAS ................................................................................... 55 REFERÊNCIAS ..................................................................................................................... 57 ANEXO .................................................................................................................................... 59 12 1 INTRODUÇÃO O mercado de construção é uma das grandes apostas econômicas para o Brasil em 2011, este segmento caracterizou um crescimento intensificado e diferenciado na economia, ocorrida visualmente depois de uma interrupção devido à crise financeira internacional de 2009. Sobre este fato, dados do IBGE comprovam que a construção civil cresceu 14,9% no ano de 2010 em relação ao ano anterior. Este progresso correspondeu a uma nova etapa de crescimento na construção e teve papel fundamental no crescimento econômico brasileiro gerando recuperação de investimentos, uma maior facilidade ao crédito e prorrogação da isenção do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI). Ainda, de acordo com o IBGE, a taxa de investimento brasileira atingiu 18,0% no primeiro trimestre de 2010, recuperando o patamar vigente no primeiro período de 2008, uma vez que em 2009, tal taxa recuou para 16,3%. A continuidade dos programas de incentivo à população brasileira, um reforço na recuperação e ampliação da infraestrutura, bem como o início e intensificação das obras relacionadas à Copa do Mundo em 2014 e as olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro, delineiam o crescimento da Construção Civil nos próximos anos, proporcionando também incentivos positivos na geração de emprego e renda. Outros fatores que convergem favoravelmente ao contínuo sucesso desta área são o aumento da renda do brasileiro e os programas de incentivo à construção de casas populares, fazendo com que o segmento habitacional amplie seus projetos, ajudado a elevar a taxa de investimento. Pesquisas confirmam que Mossoró, segunda maior cidade do Estado do Rio Grande do Norte (RN), está entre as cidades médias do Brasil que mais crescem no setor econômico nacional e também na construção civil. Realidade possível devido ao apoio político do estado facilitando à implantação do empreendedorismo local, além de programas como o Desenvolvimento Econômico do Município e o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que contribuíram fundamentalmente para a expansão no setor construtivo na cidade. Uma vista panorâmica da cidade de Mossoró descreve a real expansão posta à cidade nos últimos cinco anos. Todas as obras espalhadas nas diversas regiões da cidade despertam uma atenção direcionada para a qualidade das edificações aqui presentes. Observações que relacionem localização, tempo de obra, empresas responsáveis, qualificação de mão-de-obra, tempo de vida, materiais empregados, patologias encontradas e principalmente, a relação entre causa/consequência que acarretaram possíveis danos estruturais tornaram-se preocupações vigentes na realidade de cada cidadão. 13 Quando se elabora e executa uma obra, precisa-se está de acordo com uma sequência de passos de uma construção para a qualidade da construção, que são fundamentais para o conhecimento das possíveis patologias que podem ser evitadas com a utilização das ferramentas necessárias, a escolha do material correto ou até mesmo na contratação de mãode-obra qualificada. O revestimento é uma das etapas finais de uma construção, ele protege a alvenaria contra chuva e a umidade e também tem como finalidade o embelezamento das fachadas e ambientes que compõe uma construção. Os dois tipos utilizados de revestimentos nas paredes é a massa grossa e massa fina, que servem de substrato (base) para a aplicação de pinturas, azulejos ou outros revestimentos mais nobres, como pedras, cerâmicas e porcelanatos. A argamassa de cimento, cal e areia, por ser o mais econômico e de simples execução é um tipo de revestimento mais utilizado. Normalmente, é aplicado em três camadas: chapisco, emboço e reboco, onde o emboço e o reboco também são chamados massa grossa e massa fina. (BORGES, 2009). O chapisco com a finalidade de melhor a aderência forma uma superfície áspera entre a alvenaria e a massa grossa (emboço), é uma massa constituída de cimento e areia no traço 1:3, de consistência bem plástica. Posteriormente essa massa será colocada na parede com força para formar o emboço, assim o pedreiro com uma régua alisa esses bolões de massa para deixar nivelados e lisos, formando o reboco. Se este for feito com traços não de acordo com a norma, a qual indica traço 1:2 de cal hidratada e areia, fica mais frágil, não permitindo a esta camada um acabamento liso e uniforme. O revestimento, por ser a parte mais visível, torna-se mais exposto e suscetível a sofrer danos que poderão alterar suas finalidades de proteção e embelezamento, provocados principalmente, pela deficiência do projeto ou desconhecimento deste, pela falta de conhecimento das características dos materiais empregados e/ou emprego de materiais inadequados, erros de execução causados por uma mão-de-obra não qualificada, a não observância de normas técnicas ou problemas de manutenção em uma construção. Como as construções na cidade de Mossoró estão aumentando, surge consequentemente o interesse de analisar quais as várias anomalias, bem como ressaltar quais as principais causas que provocaram danos ocorridos no revestimento de algumas obras na cidade de MossoróRN. Fez-se necessário um estudo de caso, levando em consideração uma análise da localização da obra, tempo que foi construída, o material utilizado para edificação e outros fatores que acarretem seu surgimento. Ficando este estudo em aberto para que possa gerar novas pesquisas sobre esse tema, com vista a oferecer, uma contribuição mais efetiva nessa área, especialmente em relação à produção científica. 14 2 OBJETIVOS 2.1 OBJETIVOS GERAIS O Objetivo geral deste trabalho está baseado em descrever os problemas reais da cidade de Mossoró sobre as principais patologias ocorridas no revestimento das edificações, a fim de identificar suas causas e apresentar possíveis procedimentos que possam evitar tais danos. 2.2 OBJETIVO ESPECÍFICO Visitar edificações em diversas regiões da cidade, identificando o método de construção e os materiais utilizados; Descrever os problemas patológicos encontrados nas construções da cidade, tendo referência à localização e tempo de existência da construção; Apresentar a relação entre as ações preventivas na construção civil e a qualidade da edificação; Descrever o papel da impermeabilidade na construção civil. 15 3 REVISÃO DE LITERATURA 3.1 PATOLOGIAS NA CONSTRUÇÃO CIVIL Este item tem como principal objetivo abordar o conceito de patologias na construção civil e explicar o crescente interesse sobre esse tema, visando situar o leitor acerca desse assunto. Assim, inúmeros cursos, conferências, simpósios e reuniões técnicas têm sido realizados nos últimos anos, inclusive a publicação de volumes de livros internacionais, sobre as doenças e tratamentos das construções. E assim virou moda, falar, escrever e questionar, problemas relacionados a estes assuntos. Ainda bem, pois com a crise, redução de investimentos, falta de verbas, proibição de novas contratações de obras e serviços, o Estado procura recuperar suas obras, ao invés de fazer novas e demolir as antigas, e um novo mercado de trabalho surge nos horizontes negros da recessão da Indústria da Construção Civil. (Bauer, 2008, p. 405) Apesar do termo patologia das construções soar como algo novo, a abordagem sobre problemas relacionados às construções remonta de séculos. O código de Hamurabi (2200 a.C.) já abordava o tema com regras punitivas para os construtores (CID,1993 apud MEIRA, 2010): - Se um construtor faz uma casa para um homem e não a faz firme e o seu colapso causa a morte do dono da casa, esse construtor deverá ser morto. - Se ela causa a morte do filho do dono da casa, o filho do construtor deverá morrer. - Se causa a morte de um escravo do dono da casa, o construtor deverá dar ao dono da casa um escravo de igual valor. - Se um construtor faz uma casa para um homem e não a faz de acordo com os requisitos especificados e uma parede cai, o construtor deverá reforçar a parede por sua conta. O termo Patologia pode ser entendido como o estudo de sintomas, mecanismos, causas e origens dos defeitos nas construções civis. Em outras palavras, o estudo das partes que compõe o diagnóstico de um problema. Ainda no mesmo pensamento de conceituação e origem, levando em conta o conceito de patologias em revestimentos, Campate e Baia (2003) afirmam que a patologia dá-se quando uma parte do edifício, em algum momento de sua vida útil, deixa de apresentar desempenho previsto. 16 As patologias nos revestimentos podem ter origem na fase de projeto – quando são escolhidos materiais incompatíveis com as condições de uso, ou quando os projetistas desconsideram as interações do revestimento com outras partes do edifício (esquadrias, por exemplo), ou na fase de execução, ou quando os responsáveis pela obra não controlam corretamente o processo de produção. Bauer (2008), cita que entre as causas que interferem no aumento do quadro patológico, pode ser citado elemento positivo, como: o desenvolvimento da surpreendente arquitetura brasileira, que levou o nome do Brasil a níveis internacionais, o desenvolvimento de processos mais rápidos e precisos de cálculos estruturais, por meio de computadores dirigidos e desenvolvidos por brilhantes Engenheiros Estruturalistas. Todos os elementos do projeto arquitetônico podem ser estudados, manipulados, corrigidos. Diminuindo o coeficiente de “ignorância”, e consequentemente levando as estruturas a maior “esbeltez”, maior precisão, realimentando por sua vez a criatividade dos arquitetos, fatores estes que contribuem para melhores dados patológicos. Como elementos negativos, tem a análise do aparecimento de novos materiais de construção, como aglomerantes, aditivos, adesivos, argamassas, painéis, plásticos, revestimentos, com eficiência e durabilidade ainda não devidamente comprovadas pelo uso, pelo tempo e pela adequada utilização. Ainda nessa análise do quadro patológico, pode ser citada a falta de mão-de-obra qualificada na Indústria da Construção, na qual são agravadas com a falta do desenvolvimento nacional do milagre econômico, deficientes remunerações. Bauer (2008) analisa sobre a intensificação no quadro patológico devido à falta de continuidade administrativa dos últimos vinte anos, oriundo de uma renovação de direção, coincidentemente a cada quatro anos, refletida pelo planejamento governamental e o programa de reatores econômicos, novamente paralisados. O último plano de seis milhões de unidades habitacionais do último governo, que diminui de um milhão por ano, coincidentemente à medida que o governo tinha um ano a menos pela frente. Esta falta de planejamento obriga a indústria da construção civil a trabalhar em repetidos ciclos governamentais, de muitas obras (por dois anos), muitas críticas e replanejamentos, por falta de verbas e recursos (por outros dois anos) para retornar nesta infindável curva de fase positivas e negativas e avanços e recuos, de confiança e desconfiança, de empregos e desempregos. Esta descontinuidade gera finalmente a perda dos elementos humanos necessários a uma sadia formação profissional, que é fundamental para a melhora de muitas patologias que poderiam ser evitadas devido a este item. Pedro (2002) faz classificação da origem das patologias, na qual se divide em: 17 - Congênitas – são aquelas originárias da fase do projeto, em função da não observância das normas Técnicas, ou de erros e omissões dos profissionais, que resultam em falhas no detalhamento e concepção inadequada dos revestimentos. - Construtivas – Sua origem está relacionada à fase de execução da obra, resultante do emprego de mão-de-obra despreparada, produtos não certificados e ausência de metodologia para assentamento das peças. - Adquiridas – Ocorrem durante a vida útil dos revestimentos, sendo resultado da exposição ao meio em que se inserem, podendo ser naturais, decorrentes da agressividade do meio, ou decorrentes da ação humana. - Acidentais – Caracterizadas pela ocorrência de algum fenômeno atípico, resultado de uma solicitação incomum. Estudos sobre a origem das manifestações patológicas possibilitam uma retroalimentação para o desenvolvimento de melhorias nas etapas construtivas, onde é na parte da origem que demanda maior número de problemas. Dentre as etapas principais que poderiam surgir problemas patológicos está: durante o projeto, ou/e execução, materiais, uso e causas naturais. (CHARMOSA; ORTIZ, 1984 apud MEIRA, 2010). Os agentes diretamente envolvidos nos surgimentos das manifestações patológicas, como, por exemplo, as sobrecargas e a retração por secagem, podem causar fissuras em estruturas de concreto armado. Portanto, cada causa ou conjunto de suas causas específicas ensejam uma abordagem própria para a solução de problemas. (MEIRA, 2010). A durabilidade de uma construção, de parte dela ou de um de seus componentes corresponde à capacidade que a construção, parte dela ou o material têm de manter o seu desempenho acima de níveis mínimos aceitáveis de desempenho, de maneira a atender às necessidades dos usuários. Associado ao conceito de durabilidade, a vida útil corresponde ao período de tempo em que é mantida a capacidade de serviço dessa construção, parte dela ou de seus componentes, dentro de exigências mínimas de desempenho. Nesse sentido, o conceito de vida útil pode assumir particularizações em função das especificidades de cada caso analisado. (MEIRA, 2010, p.260). A terapia destas obras é executada, hoje em dia, com o emprego de técnicas e equipamentos especiais, como também o indispensável emprego de tecnologias, altamente qualificados, denominados, segundo Bauer (2008) de “notória especialização” para exames, onde eventualmente são feitas exposições de amostras em ambientes fortemente agressivos, onde surgirão “doenças” que comprometerá suas estruturas, sendo indispensável cada vez, a melhoria da investigação sobre este material. Estas terapias dessas patologias correspondem ao estudo de solução dos problemas encontrados, cujo êxito depende de um bom diagnóstico (HELENE, 1992 apud MEIRA, 18 2010). Os sintomas correspondem como a manifestação patológica se apresenta, por exemplo: fissuras, eflorescências, deformações exageradas etc. A origem de um problema relaciona à etapa construtiva em que o mesmo foi gerado (CIB, 1993 apud MEIRA, 2010). Para Meira (2010), a complexidade das construções faz com que a análise dos problemas patológicos encontrados deva ser pautada em metodologias eficientes de investigação, onde, inevitavelmente, o emprego adequado de terminologias é essencial. 3.2 MÉTODOS PARA DIAGNOSTICAR AS MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS De acordo com Meira (2010), o fato de existir inúmeros tipos de manifestações patológicas e uma significativa quantidade de profissionais que trabalham nessa análise, existe uma grande variedade de procedimentos sobre como proceder ao diagnóstico de um determinado problema, é importante que, mesmo através de procedimentos distintos, haja uma convergência em relação aos resultados das análises realizadas para um mesmo problema, uma vez que trata do mesmo objetivo de investigação. Nesse sentido, Conseil International du Bâtiment (CIB) propôs uma metodologia genérica sobre o processo de diagnóstico de problemas relacionados à construção civil, a qual pode ser bastante útil no exercício desse tipo de atividade (CIB, 1993 apud MEIRA, 2010). A mesma se baseia em uma etapa inicial de análise do problema, uma etapa intermediária de pré-diagnóstico e uma etapa fina de diagnóstico, a qual desempenha o papel norteador em relação às ações de correção das anomalias encontradas. Ainda segundo Meira (2010), pode-se definir a construção em etapas, onde a etapa inicial de análise envolve a identificação de anomalias encontradas através de observações mais superficiais, que indicam a presença desta ou daquela anomalia. Nesta etapa, a inspeção visual, o registro fotográfico e a análise dimensional são ferramentas comuns que auxiliam nesta faz de diagnóstico. É uma primeira aproximação em relação ao diagnóstico das falhas encontradas. O pré-diagnóstico se caracteriza pelo levantamento de um número maior de causas possíveis para as manifestações patológicas encontradas, onde se faz a consulta nas referenciais bibliográficas específicos, o estudo mais aprofundado sobre os materiais empregados e o levantamento do histórico construtivo da obra envolvida são ferramentas importantes na formulação das hipóteses iniciais em relação às causas dos problemas encontrados. 19 A etapa de diagnóstico busca confirmar ou não as hipóteses definidas no prédiagnóstico. No caso de uma não confirmação, novas hipóteses são elaboradas e o processo de diagnóstico é retomado da etapa anterior. Para uma confirmação de um diagnóstico definitivo, uma investigação acurada é necessária. Nesse caso, se utiliza de análise mais detalhadas de campo e de laboratório. Ao fim do diagnóstico deve envolver, além da identificação das causas relacionadas às manifestações patológicas encontradas, as informações necessárias, de forma clara e didática, indicando, inclusive, como evitar os problemas encontrados em situações semelhantes. A fase de intervenção, embora não faça parte do processo de diagnóstico propriamente dito, está diretamente ligada a ele e uma boa intervenção depende de um diagnóstico claro e preciso em relação às manifestações patológicas encontradas, para que as ações indicadas desempenham um papel eficiente. 3.3 O CONTROLE TOTAL DA QUALIDADE NA CONSTRUÇÃO CIVIL A evolução do Controle da Qualidade é de extrema importância e necessidade de sua aplicação imediata na Construção Civil, pelo fato de se constituir o fato preponderante na redução do Custo Unitário Básico (CUB) e, principalmente, no aumento de durabilidade das obras. A conscientização que a Qualidade da Construção nasce com os projetos e especificações (que constituem mais de 40% das causas das falhas, segundo levantamento efetuado por Messeguer, da Espanha, em mais de 10 países do mundo). Falhas de projeto, especificação, normas (45%); Execução (25%); Materiais (20%); Utilização (10%), países pesquisados, entre outros: Bélgica, Grã-Bretanha, República Federal Alemã, Dinamarca, Brasil. (BAUER, 2008). Para Bauer (2008), dentre os problemas causadores da má qualidade na indústria da construção civil, podemos citar: o processo errado adotado pelos órgãos governamentais, os quais abrem licitações que favorecem o empreiteiro que favorecer o menor preço, mesmo que seus projetos e especificações sejam deficientes. Outro fator de grande importância consiste na falta e/ou desconhecimento de especificações e normas, pelo empreiteiro e Engenheiro Fiscal. Ainda analisando o caso do controle total na indústria da construção, Bauer (2008) fala que para a construção civil o custo do controle não representa mais que três por cento do custo 20 da obra, propiciando, ainda, uma economia de, pelo menos, dez por cento pela redução de perdas, da manutenção e atendimento às reclamações pelos famosos cinco anos de responsabilidade, ditados pelo Código Civil, art. 1245, conferindo finalmente melhor conceito ao nome da Construtora. 3.4 REVESTIMENTO DE PAREDES 3.4.1 Substrato O substrato é a superfície que receberá as camadas que constituem o revestimento propriamente dito, é um dos elementos do sistema e no caso de paredes interna e externa, é constituído pelo chapisco e emboço. Para Flain (1995), o substrato poderá ser executado com diferentes materiais e técnicas construtivas, desde que atenda o que foi proposto pelo projeto e atenda as características de resistência mecânica, deformabilidade, estanqueidade, resistência ao fogo e de textura superficial, compatíveis com o revestimento a ser utilizado, tendo em vista a necessária compatibilização das superfícies em contato para um adequado desempenho durabilidade do conjunto. Na figura 1 verifica-se a imagem de um tipo de substrato, a alvenaria de tijolo. Figura 1 - Alvenaria de tijolo. Fonte: Acervo da autora. Segundo a NBR 7200 (ABNT, 1998), por ocasião da aplicação da camada de argamassa, o substrato deverá apresentar-se isento de partículas soltas, até mesmo de resíduos 21 de argamassas provenientes de outras atividades, que quando presentes poderão ser removidos, empregando-se lixas ou escovas. Além disso, a norma recomenda a remoção de manchas e óleos, graxas e outras substâncias gordurosas através de lavagens com solução de soda cáustica de baixa concentração, sendo que a superfície deverá ser posteriormente, lavada com água limpa. As manchas de bolor podem ser removidas com uma solução de hipoclorito de sódio (água sanitária ou de lavadeira). 3.4.2 Chapisco Chapisco tem a capacidade de reduzir ou igualar a tendência do substrato para absorver água da camada de regularização, além da função de melhorar a aderência da camada de revestimentos e garantir maior ancoragem do emboço a base. É considerada uma preparação da base. Sua aplicação é feita com colher do pedreiro, ficando a alvenaria com um aspecto “salpicado”. A figura 2 ilustra o chapisco em uma alvenaria. Figura 2 - Chapisco em alvenaria. Fonte: Acervo da autora. A NBR 13.755 (ABNT, 1996b) recomenda traço de 1:3 em volume de cimento e areia grossa lavada, com consistência fluida. 3.4.3 Emboço 22 A argamassa utilizada no Emboço, também chamada de massa fina e massa grossa é a mesma usada no assentamento dos tijolos comuns. O emboço é a camada de regularização sobre o chapisco, cuja função é definir o plano vertical e dar sustentação ao revestimento cerâmico. A figura 3 ilustra o emboço na parte externa da alvenaria. Figura 3 - Emboço externo. Fonte:http://perlbal.hi-pi.com/blog-images/395451/gd/1191668809/emboco-externo.jpg A NBR 13.755 (ABNT, 1996b) recomenda traço de 1:0,5:5 e 1:2:8 em volumes de cimento, cal hidratada e areia média úmida, respectivamente. Deve apresentar textura áspera e espessura máxima de 25 mm. A NBR 13.749 (ABNT, 1996a) trata das recomendações sobre resistência de aderência. No ensaio de arrancamento, pelo menos 4 dos 6 corpos ensaiados devem apresentar resultados iguais ou superiores a 0,30 MPA. Segundo Carvalho Jr (1999), o emboço deve está concluído há pelo menos 14 dias, sendo que algumas publicações recomendam um tempo de 30 dias, entre o seu término e o início do assentamento do revestimento cerâmico. Este tempo é necessário para diminuir os riscos de descolamentos devido à movimentação da base do assentamento, em função da retração hidráulica. Estas movimentações geram tensões superficiais muitas vezes maiores do que o conjunto de cerâmica/argamassa colante poderia suportar. A figura 4 mostra as camadas do chapisco, do emboço e o revestimento cerâmico, onde a não obediência do tempo necessário para um melhor assentamento do revestimento, poderá resultar na movimentação da base do assentamento, provocando as movimentações entre as juntas. 23 Figura 4 - Juntas de movimentações. Fonte: VIEIRA, 1998. 3.5 FALHAS EM REVESTIMENTOS Os revestimentos são partes das edificações bastante suscetíveis ao aparecimento de manifestações patológicas. Falar das principais, juntamente relatando as causas e a devida prevenção é algo fundamental para o processo de investigação das patologias nos revestimentos. As falhas que ocorrem nos revestimentos podem ser causadas por deficiência de projeto; por desconhecimento das características dos materiais empregados e/ou emprego de materiais inadequados; por erros de execução, seja por deficiência de mão-de-obra, desconhecimento ou não observância de Normas Técnicas e por problemas de manutenção. (BAUER, 2008). Dentre as principais patologias ocorridas num revestimento pode ser citado o aparecimento de fissuras, a formação de eflorescência, descolamento dos revestimentos, vesículas, manchas, contaminação ambiental por substância agressiva, são as mais comuns. 3.5.1 Fissuras As fissuras em revestimentos de argamassa, como também as fissuras relacionadas ao cobrimento deficiente do concreto, à deficiência de encunhamento da alvenaria, à deformação 24 lenta do concreto, à argamassa de assentamento, à ausência de vergas e contravergas, como também outras relacionadas a outros fatores, são as principais fissuras ocorridas em uma obra. Para Bauer (2008), a fissuração é uma função de fatores intrínsecos, como o consumo de cimento, o teor de finos, quantidade de água de amassamento, e de outros fatores que podem ou não contribuir na fissuração, como a resistência de aderência à base, o número e espessura de camadas, o intervalo de tempo decorrido entre a aplicação de uma e outra camada, a perda de água de amassamento por sucção da base ou pela ação de agentes atmosféricos. Devido a fatores relativos à execução do revestimento argamassado, solicitações higrotérmicas, e principalmente por retração hidráulica da argamassa ocorre à incidência de fissuras, sem que haja movimentação e/ou fissuração de base. Segundo Bauer (2008), pode ser citado os principais fatores que levam a fissuração em revestimento de argamassas, como: o excesso de finos acarreta maior consumo de água de amassamento, gerado maior retração por secagem; a falta e/ou deficiência de molhagem da base antes da aplicação de cada camada de revestimento; em região muito quente, com umidade relativa do ar baixa ensolarada e com ventos, a falta de cura de revestimento é também uma das causas geradoras de fissuração; as umidificações sucessivas pode gerar mudança de tonalidade, permitindo visualização das fissuras inclusive com o parâmetro seco, pois a água de cal sai pelas fissuras formando carbonato de cálcio de cor esbranquiçada ou escurecimento das mesmas por deposição de fuligem. As fissura em argamassa pode ser visualizadas na figura 5. Figura 5 - Fissuras em argamassa de revestimento. Fonte: http://www.forumdaconstrucao.com.br/materias/imagens/00287_03.jpg Nos revestimentos, as fissuras devido à retração de argamassas são bastante comuns, se deve principalmente ao consumo exagerado de cimento, a carência de finos e cal na composição de argamassa, o excesso de água na mistura, a aplicação do revestimento em 25 camadas espessas, a rapidez na perda de água, durante o endurecimento, por ação intensiva de ventilação, insolação etc., são fatores que contribuem o surgimento das fissuras por retração. (CARRIÓ, 1999 apud MEIRA, 2009). A deficiência de encunhamento da alvenaria é outro fator causador de fissuras, caso os esforços ultrapassem a resistência à tração, compressão ou ao esforço cortante dos materiais onde ocorrerá o aparecimento de fissuras ou tricas. Segundo Bauer (2008), algumas medidas de prevenção só devem ser executadas após um período mínimo de 15 a 30 dias, aproximadamente, para que a argamassa de assentamento da alvenaria possa retrair. O encunhamento da alvenaria somente deve ser realizado após os dois pavimentos imediatamente superiores estarem com as alvenarias levantadas, não devendo a aplicação de chapisco nas laterais dos pilares e fundos de viga ser feita com areia fina, deve-se prever também ferros de amarração, e o espaçamento suficiente para o encunhamento. A presença de argilo-minerais montimoriloníticos na argamassa de assentamento, assim como a expansão da argamassa de assentamento, e a não utilização de vergas e contravergas nas janelas, ou a utilização deficiente, contribui para o aparecimento de fissuras no revestimento. Outros fatores como, a falta de ferro de armação ou deficiência no chumbamento dos mesmos, entre laterais dos pilares e alvenaria; alvenarias executadas sobre balanços e lajes de terraços, causam fissuras no revestimento devido ao deslocamento. (BAUER, 2008). 3.5.2 Eflorescência Segundo Meira (2010), a partir a existência de sais solúveis nos materiais; umidade, como agente de dissolução desse sal; transporte do sal até a superfície do revestimento; a cristalização dos sais transportados na superfície do material com a evaporação, fatores estes que acarreta a formação de salinas na superfície dos materiais, que é chamado eflorescência, onde se caracteriza pelo mau aspecto resultante. Dependendo das circunstâncias em que o sal é formado pode causar o descolamento dos revestimentos ou pinturas. Para Bauer (2008), a eflorescência é causada por três fatores de igual importância, como o teor de sais solúveis existentes nos materiais ou componentes, a presença de água e a pressão hidrostática necessária para que a solução migre para a superfície. Estes três fatores tem que ocorrer concomitantemente, pois, caso uma delas sejam delineadas, não ocorrerá o 26 fenômeno. A figura 5 ilustra a eflorescência de rejuntamento, mas propriamente eflorescência ocorrida nas fissuras de interfase. Figura 6 - Eflorescência de rejuntamento. Fonte: http://www.revistatechne.com.br/engenharia-civil/116/imagens/patologias15_44.jpg Uma das formas mais comuns de formação de eflorescência é através da dissolução do hidróxido de cálcio presente nos materiais à base de cimento e a sua cristalização na forma de carbonato de cálcio, após sua reação com o CO2 (Dióxido de Carbono) presente no ar. Onde este tipo de eflorescência é pouco solúvel em água e é muito aderente ao substrato, formando manchas de cor branca escorrida que dão um aspecto desagradável a superfície dos revestimentos. (MEIRA, 2010). 3.5.3 Descolamento Entre os grupo de patologias nos revestimento pode ser destacado um dos que é mais comum, o descolamento, onde estes se subdividem em dois principais tipos: os de revestimento de argamassa e nos revestimentos cerâmicos. Para Bauer (2008), os principais fatores causadores do descolamento na argamassa de cal é a utilização de produtos não devidamente hidratados ou a incompleta hidratação da cal extinta, dá má qualidade e o preparo inadequado da pasta de cal. Estes descolamentos ocorrem de modo a separar uma ou mais camadas de revestimentos argamassados e apresentam extensão que varia desde áreas restritas até dimensões na totalidade da alvenaria. 27 Outro tipo de descolamento é o de revestimentos cerâmicos, onde essa patologia sofre a influência das características do substrato a ser revestido, o tipo de adesivo utilizado, as características do revestimento cerâmico e as condições de exposição. Os principais fatores que acarreta este tipo de descolamento é a ação da água, onde os materiais ao absorverem ou perderam umidade, mudam de volume, produzindo tensões capazes de vencer a capacidade de aderência ao substrato, depois de repetidos ciclos de expansão e contração; os movimentos da estrutura da edificação ou de outra natureza, dependendo da intensidade, podem resultar no surgimento de tensões suficientes para provocar o descolamento de revestimentos cerâmicos (MEIRA, 2010). A figura 7 representa o descolamento cerâmico em uma fachada. Figura 7 - Queda cerâmica da fachada. Fonte:http://4.bp.blogspot.com/_CETERcYBhLY/SXe8MCOETI/AAAAAAAAAII/pBmsPbgeSbs/s320/Queda+cer%C3%A2mica+fachada2.JPG Bauer (2008) afirma que os descolamentos por empolamento estão envolvidos diretamente a cal, consequentemente este tipo de patologia predomina onde há uma maior proporção de cal. Um exemplo é o reboco que se destaca do emboço, formando bolhas cujo diâmetro tende aumentar. Outros fatores que contribui para este tipo de problema é a cal não hidratada existente no revestimento de argamassa por ocasião da sua execução, onde depois de aplicada aumentará de volume e consequentemente causando expansão. A especificação e aplicação incorreta de argamassa colante causam prejuízos, como o descolamento e possíveis acidentes. Na figura 8 ilustra a execução da aplicação correta do revestimento. 28 Figura 8 - Aplicação do revestimento. Fonte: http://www.revistatechne.com.br/engenhariacivil/113/imagens/revestimentofirme1_46.jpg 3.5.4 Vesículas Para Bauer (2008), as vesículas surgem geralmente no reboco e são causadas pela existência de pedra de cal não completamente extinta onde estas surgem em pequenos pontos localizados do revestimento, vão inchando progressivamente e acabam destacando a pintura e deixando o reboco aparente, causadas também por matérias orgânicas contidas nos agregados, torrões de argila dispersos na argamassa ou outras impurezas, como mica, pirita e torrões ferruginosos. Devido ao óxido de cálcio livre presente na cal se hidratar e a existência de grãos maiores na cal, não há possibilidade de a argamassa absorver a expansão, com isso surge a formação de vesículas, onde em seu interior um ponto branco surge, fenômeno este que pode ocorre de modo acentuado após a aplicação do revestimento, num período de três meses. Outro problema é a união entre a pasta de cimento e o agregado ficar debilitada, ocorrendo inibição da pega, pela inclusão na areia de matéria orgânica como húmus, partículas de madeiras, carvão e outros produtos vegetais e animais de distintas procedências, onde a ocorrência pode ocorrer durante o transporte do agregado.(BAUER, 2008). 3.5.5 Manchas 29 De acordo com Bauer (2008), pela exposição que o revestimento fica frequentemente pela ação da umidade e de microorganismo, os quais provocam o surgimento de algas e mofo, e o consequente aparecimento de manchas preta ou verdes, mas dependendo de outros fatores poderão apresentar cores de diferenciadas, como marrom, verde, preta e outras cores. As manchas poderão também surgir nas fachadas pela Contaminação Atmosférica, onde o principal responsável por esse fenômeno é a polução atmosférica, que podem ser causadas por poluentes naturais ou biológicos, e resíduos provenientes da atmosfera. (BAUER, 2008). Os principais fatores que influenciam o manchamento são os agentes climáticos, onde se destaca o vento, a chuva direta, a chuva escorrida, temperatura e vapor d`água e os tipos materiais de revestimentos, que se classifica de maneira geral em pétreos naturais, incluindo os mais frequentes, calcário, arenito, granito e mármore e em pétreo conglomerados, incluindo os concretos e argamassa de revestimentos; e pétreo cerâmico, que incluem, os tijolos e os revestimentos cerâmicos. (BAUER, 2008) A figura 9 ilustra algumas manchas ocorridas na parede, mas propriamente na parte interna da alvenaria. Figura 9 - Manchas na parede interna. Fonte: http://www.comofazer.org/wp-content/uploads/2011/03/como-limpar-remover-machas-paredes.jpg Dependendo da porosidade dos materiais, a textura superficial dos materiais, a cor e a dureza dos materiais influência o manchamento de fachadas. A influência da porosidade no manchamento está diretamente ligada à formação de lâmina de água e na redistribuição de sujeira. A intensidade com que se visualizam as lesões nas fachadas é diretamente proporcional ao contraste de cor e tonalidade entre os materiais de revestimentos e a pátina de sujeira. A dureza intervém passivamente no processo de manchamento. (BAUER, 2008). 30 3.5.6 Falhas relacionadas à umidade Para Bauer, dentre as principais manifestações decorrentes dos problemas de umidade em edificações entra-se as manchas de umidade, corrosão, bolor, fungos, algas, líquens, eflorescências, descolamentos de revestimentos, friabilidade da argamassa por dissolução de compostos com propriedades cimentíceas, fissuras e mudança de coloração dos revestimentos. Os mecanismos mais importantes geradores de umidade nos materiais de construção, são (BAUER, 2008): - absorção capilar de água; -absorção de águas de infiltração ou de fluxo superficial de água; -absorção higroscópica de água; -absorção de água por condensação capilar; - absorção de água por condensação. Destes fenômenos de absorção capilar e por infiltração ou fluxo superficial de água, a umidade chega aos materiais de construção na forma líquida, nos demais casos a umidade é absorvida na fase gasosa. A figura 10 mostra os diferentes âmbitos que provoca a ação da umidade sobre edificações. Figura 10 - Ação da umidade sobre edificações. Fonte: Pozzobon, 2007. 31 3.5.6.1 Medidas Protetoras da umidade Neste item fala-se de algumas medidas utilizadas ao combate da umidade, na qual, variam de acordo com o tipo de mecanismo gerador. De acordo com Verçoza (1987), a ausência de impermeabilizantes nas áreas molhadas pode causar os seguintes problemas: goteiras, manchas, mofo, apodrecimento, ferrugem, eflorescências, criptoflorescências, gelividade e deterioração. Goteiras e Manchas ocorrem quando a água atravessa uma barreira, onde ela pode, no outro lado, ficar aderente e ocasionar uma mancha; ou, se a quantidade é maior, gotejar, ou até fluir. Em qualquer dos casos, em uma construção, estes são defeitos que só raramente podem ser admitidos. A umidade permanente deteriora qualquer material de construção, e sempre desvaloriza uma obra. Goteiras e manchas são defeitos mais comuns das infiltrações e que se procura sustar com a impermeabilização. A água também pode estar presente nas edificações através da umidade dos materiais, utilizados na sua construção. A umidade degrada uma série de componentes de uma construção, inclusive nas pinturas, revestimento de papel de parede, laminados decorativos, madeira, entre outros, tanto pela ação direta da água, como pela dissolução dos sais presentes nos materiais de construção. Onde as manifestações mais observadas nas pinturas como: a eflorescência, o desagregamento, saponificação, bolhas e destacamento. A umidade ascendente na parede pode ser evitada com a impermeabilização horizontal, combinando com a impermeabilização vertical das paredes exteriores, se for o caso; procedimento de injeções de produtos químicos por perfurações de parede, com função de reduzir o diâmetro dos capilares e, com efeito, hidro-repelente é outra solução. Para a eliminação de água do terreno por saturação do solo em contato com vigas baldrames e paredes da edificação e de fluxo superficial de água utiliza a impermeabilização verticaldrenagem. E a umidade por condensação pode ser evitada com uma melhor ventilação do local, Isolamento térmico eficiente, impedindo a formação de pontes térmica. (BAUER, 2008). O quadro 1 mostra as origens dos vazamentos em pisos e paredes, suas causas e manifestações: 32 Quadro 1 - Vazamento em pisos e paredes. Origem Erros de Projeto Execução Causas -Dimensionamento inadequado da tubulação. permanentes devido -Uniões mal executadas. ao rompimento de -Pouco caimento canalizações; -Impermeabilização mal executadas Materiais -Baixa qualidade -Uso inadequado do material Manutenção -Substituição de canalização obstruída -Incompatibilidade do revestimento externo de argamassa com as condições ambientais Projeto -Saliências indesejadas nas fachadas que permitem a infiltração de águas Água de chuva - Técnicas de execução de revestimento mal empregadas -camadas excessivas de revestimento -Falta de aderência do revestimento no substrato -Baixa qualidade, alta porosidade. -Baixa resistência -Falta de pintura de proteção -Falha na impermeabilização dos pisos (banheiros) - Falta de reparo das fissuras de movimentação termo higroscópicas - Falta de sistema de impermeabilização dos baldrames Projeto -Falta de sistemas de drenagem - Especificação errada dos materiais (Penetra na -Projeto de esquadrias inadequadas parede por - Execução inadequada da impermeabilização ou de capilaridade – umidade Execução ao piso; -Corrosão de armaduras da laje; -Escorrimento; -Degradação dos revestimentos; - Vedação mal executada nas esquadrias Água do solo -Manchas próximo - Projeto de esquadrias inadequadas -Fissuração mapeada do reboco (retração) Manutenção -Manchas próximo ao forro; materiais de revestimentos Materiais -Gotejamento; -Especificação inadequada de materiais - Uso de materiais e traços inadequados para os Execução -Manchas -Especificações inadequadas para os materiais. -Caixas Trincadas Ruptura de Manifestações -Descolamento de rebocos e materiais de revestimentos; -Desgaste de pinturas; -Manchas nos peitoris das janelas; - Manchas sinuosas devido as fissuras nas paredes; -Lixiviação do concreto; -Degradação dos blocos cerâmicos e revestimento pelos ataques de sais (cloretos, sulfatos e nitratos) outro sistema de barreira contra a umidade -Argamassa e concreto muito permeáveis. Materiais -Inadequado material para impermeabilização Ascendente) Manutenção -Entupimento do sistema de drenagem Fonte: Adaptado de Souza apud Klein, 2008. O quadro 2 relaciona os locais, erros, causas e manifestações de vazamento na rede pluvial do telhado: 33 Quadro 2 - Vazamento na rede pluvial do telhado Locais de Vazamentos Erros de Projeto Causas - Seção insuficiente para a vazão nas calhas e condutores Manifestações - Manchas nos forros e paredes; - Soldas incompletas ou rompidas Calhas - Pouco caimento para escoamento da água Execução Tubos de queda (condutores) - Goteiras; - Calhas sem apoio - Uniões inadequadas nos tubos de queda - Escorrimento de - Trespasses insuficientes em algerozes, rufos, etc. águas pelas paredes; - Fixação insuficiente das algerozes nas paredes - Degradação dos materiais utilizados (oxidação das Algerozes - Mofo; calhas) Manutenção - Furos nas calhas e condutores - Entupimento por detritos (folhas, papéis. Etc.) - Amassamento das calhas Materiais - Prevenção de vegetação nas calhas; - Baixa qualidade Fonte: Adaptado de Souza apud Klein, 2008. O quadro 3 exibe os erros, causas e manifestações correspondentes às infiltrações pela laje de cobertura e terraço: Quadro 3 - Vazamento pela laje de cobertura e terraço Erros de Causas Manifestações - Falta de Impermeabilização - Escolha de materiais inadequados Projetos -Manchas - Dimensionamento inadequado para o escoamento das águas pluviais - A não consideração do efeito térmico sobre a laje. - Pouco caimento para o escoamento das águas -Mofo - Execução inadequada da impermeabilização. - Mal execução das juntas - Rodapés mal executados – arremate inadequado da impermeabilização na Execução -Gotejamento platibanda ou muro. - Acabamento mal executado no entorno de ralos ou passagem de tubulações pela laje. -Corrosão das armaduras da laje - Ralos quebrados - Rachaduras da platibanda provocam a penetração de água por baixo da Materiais impermeabilização - Materiais de baixa qualidade - Materiais Inadequados -Lixiviação do Concreto 34 - Vazamento de redes pluviais ou hidráulico-sanitários por tubulação furada ou rachada - Entupimento de ralos Manutenção -Descolamento de cerâmicas do piso - Ruptura da impermeabilização - Ruptura de ladrilhos cerâmicos -Ralos quebrados -Desagregação do revestimento do forro Fonte: Adaptado de Souza apud Klein, 2008. As patologias descritas nos quadros acima são importantes, pois definem problemas que comumente afetam as edificações e, mesmo sendo visíveis, não são tratados ou não é dada a importância devida. Segundo Schönardie (2009), os tratamentos mais indicados para área onde há atuação da infiltração ou umidade, são: -Aditivo Hidrófugo: Vigas de fundação, paredes, contra-pisos, argamassa de assentamento (evita umidade ascendente), reservatórios. -Aditivo Hidrorepelente: Fachadas, paredes externas. -Argamassa Polimérica (Impermeabilizante): Reservatórios, piscinas, subsolos, paredes internas e externas, pisos, pedras naturais antes do assentamento (evita eflorescências). -Cristalizante: Rodapés (evita umidade ascendente), paredes em subsolos (evita infiltração por lençol freático- pressão negativa). -Manta Asfáltica de alta performance – Lajes, coberturas, piscinas. -Manta Asfáltica à base de asfalto modificado – Lajes, piscinas. -Manta Asfáltica anti-raiz – floreiras, contra-piso e paredes em contato com o solo. -Manta Asfáltica aluminizada: Áres expostas e sem trânsito: lajes inclinadas, coberturas, marquises. -Manta Asfáltica à base de asfalto modificado com polímeros: lajes, contra-piso, terraços, varandas, baldrames, lavabos, banheiro, cozinha, lavandeira. -Tinta betuminosa: Proteção de superfícies de concreto, alvenaria, madeira e metálicas, baldrames, fundações, paredes em contato com o solo. -Membrana Polimérica: lajes de cobertura, marquises, sheds, lajes, terraços, calhas, baldrames, paredes em contato com a umidade, rodapés, floreiras, piscinas. -Manta Asfáltica elastomérica: lajes, floreiras, marquises, pisos, terraços calhas, baldrames, piscinas. -Membrana acrílica: lajes e marquises. 35 -Membrana de poliuretano: lajes, floreiras, marquises, pisos, terraços, calhas, baldrame. -Resina termoplástica: piscinas, reservatórios. -Emulsão Asfáltica: Lajes, pisos, baldrames. -Emulsão Acrílica: Lajes, pisos, paredes, calhas. Conhecer sobre as medidas e os ingredientes corretos contra a umidade se faz necessário para evitar as variáveis patologias que ocorrem em grandes quantidades nas edificações. 36 4 METODOLOGIA 4.1 PLANEJAMENTO DA PESQUISA Com o intuito de pesquisar as manifestações patológicas das residências em diferentes bairros da cidade de Mossoró, para certificar das patologias mais comuns ocorridas, o trabalho de pesquisa foi realizado da seguinte maneira: - Foi realizada uma pesquisa bibliográfica sobre as patologias mais comuns; - Organizaram-se os dados pesquisados; - Os dados obtidos foram classificados e ordenados; - Finalmente, de acordo com a residência de cada bairro, fez-se um levantamento das principais patologias encontradas com o respectivo tempo de construção/ última reforma. 4.2 PLANO DE COLETA DOS DADOS Os dados textuais foram coletados através de pesquisas de fontes bibliográficos e documentos, como: meio eletrônico (internet), obras literárias, normas e, por contato direto, pessoal, ou por e-mail, com profissionais que atuam nessa área das patologias. Para uma melhor avaliação das patologias encontradas no estudo de caso, foi necessária uma entrevista a cada morador, no qual foi aplicado um questionário para uma melhor análise. As imagens das residências foram obtidas com o registro fotográfico na cidade de Mossoró-RN, utilizando uma câmera digital FujifilmFinepix AV150 14 Mega Pixels. 4.3 PLANO DE ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS As especificações das residências visitadas estão dispostas juntamente com as fotografias que apresentam visualmente as patologias mais comuns e suas respectivas 37 análises, como: o local, as principais patologias observadas e as possíveis causas, ficando as recomendações para a solução e tratamento nas considerações finais. 38 5 ESTUDO DE CASO 5.1 PRINCIPAIS PATOLOGIAS DIAGNOSTICADAS NOS IMÓVEIS 5.1.1 Residência do bairro Planalto 13 de Maio Situada na Rua Genésio Filgueira, Bairro Planalto 13 de Maio, a residência foi construída há 15 anos, não havendo reforma posterior após a entrega da obra. Ao ser construída a obra, não houve a contratação de uma empresa de construção, sendo executada por um profissional liberal que operou utilizando o conhecimento adquirido pela sua experiência na área. Também não houve a contratação de arquiteto nem projetista elétrico ou hidráulico. Apenas o projeto estrutural foi seguido. O trabalho de terraplanagem foi realizado. Os maiores problemas sofridos pelos familiares residentes nessa construção é o incômodo em relação ao mofo, principalmente em períodos chuvosos, e as alergias oriundas da poeira, característico em períodos secos. As principais patologias encontradas serão analisadas com a caracterização do local onde se encontra a residência, acompanhada de sua imagem, com as possíveis causas. A figura 11 apresenta a imagem obtida em um dos quartos, mas propriamente do encontro do forro com a alvenaria interna do quarto. Mostra as principais patologias: embolhamento, destacameto da pintura e manchas. A possível causa foi devido a umidade retida em excesso na pintura, que ao tentar sair sob forma de bolhas, acarretaram o destacamento da pintura, deixando marcas em relevo com a referida forma. A imagem da figura 12 foi obtida de uma das paredes externa, mas propriamente da parte inferior da fachada. As principais patologias observadas foram: destacameto da pintura, juntamente com fissuras e algumas manchas. A possível causa foi devido a agentes climáticos, como por exemplo, a ação direta da chuva, do vento e do sol. 39 Figura 11 - Embolhamento e destacamento da pintura. Fonte: Acervo da autora. Figura 12 - Destacamento de pintura, manchas e trincas. Fonte: Acervo da autora. As imagens apresentadas na figura 13 foram capturadas na parte inferior da parede externa e uma das paredes internas, mas propriamente da parte inferior da sala de estar. Ambas mostram a principal patologia: Destacameto da argamassa de revestimento, pinturas e algumas manchas. Na parede externa a possível causa foi, devido a agentes climáticos, como por exemplo, chuva direta, ventos, entre outros. Enquanto que, na parede interna, a possível causa foi uma reação química nos sais presentes na alvenaria (popularmente reconhecido como “salitre”), provocada pelo excesso da umidade ascendente do solo. Figura 13 - A: Parede externa; B: Parede Interna. Fonte: Acervo da autora. 40 A figura 14 apresenta a imagem do beiral, no encontro da parte superior lateral com a frontal. Podem ser vistas patologias, como: paredes manchadas e bolor. A presença da umidade, bem como a de microorganismos é o que pode ter provocado as manchas escuras. Assim, como também a poluição atmosférica e a ação direta da chuva sobre a laje. A falta de telhas bem como a sua quebra, além de ter promovido este tipo de patologia, pode ter contribuído também para presença da umidade e consequentemente de manchas e embolhamento na laje e parede interna, vista na figura 15. As possíveis soluções imediatas, pode ser: aumentar o beiral, assim como a reposição do telhado. Figura 14 - Manchas escuras e bolor. Fonte: Acervo da autora. Figura 15 - Embolhamento, manchas. Fonte: Acervo da autora. A imagem da figura 16 apresenta a imagem obtida da parede inferior da alvenaria. A principal patologia vizualizada é a formação vegetal esverdiada. Na qual a possível causa foi devido a fungos vegetais (algas verdes) decorrente do excesso de umidade enraizada na alvenaria. 41 Figura 16 - Formação vegetal esverdeada. Fonte: Acervo da autora. A imagem da figura 17 mostrada a seguir apresenta a ilustração da parede externa, mas propriamente a parede correspondente ao beco. As principais patologias vizualizadas são as fissuras, trincas e manchas escuras. Na qual a possível causa foi a movimentação da estrutura e intensa infiltração. Figura 17 - Fissuras, trincas e manchas escura. Fonte: Acervo da autora. A imagem da figura 18 apresenta a imagem da parte inferior da parede externa. As principais patologias vizualizada são: As manchas, bolor e a presença de fissuras. A possível causa foi a ação da chuva, umidade ascendente devido ao contato direto com o solo e a presença de microorganismo. 42 Figura 18 - Manchas, bolor e fissuras. Fonte: Acervo da autora. 5.2.2 Residência do bairro Costa e Silva Situada na Rua dos Cajueiros, Bairro Costa e Silva, a residência foi construída há 20 anos, havendo reformas posteriores após a entrega da obra, não na sua totalidade, mas em partes necessárias, de acordo com a necessidade do melhoramento em alguns repartimentos ao longo do tempo. Ao ser construída a obra, não houve o emprego de uma empresa de construção, sendo executada por um profissional liberal, o qual operou pelo conhecimento de experiência. Não houve a contratação de arquiteto. Houve apenas projetos elétricos, o estrutural e os hidráulicos não foram efetuados. O trabalho de terraplanagem foi realizado. Os maiores problemas sofridos pelos familiares residentes nessa construção é a incômodo em relação às infiltrações e salitres. As principais patologias encontradas serão analisadas posteriormente com a caracterização do local da residência, acompanhada de sua imagem, com as possíveis causas e soluções. As mesmas patologias foram também encontradas nas residências próximas, mas em algumas, de forma atenuada devido a reformas atuais. A imagem da figura 19 apresenta a imagem obtida da parede interna que divide a sala de estar do banheiro. As principais patologias vizualizada na imagem abaixo são as manchas de infiltração e destacamento de pintura. Onde a possível causa foi devido a perda de aderência 43 devido as infiltrações, bem como a sobreposição de pinturas novas sobre as antigas sem a remoção das mesmas. Figura 19 - Manchas de infiltração e destacamento da pintura. Fonte: Acervo da autora. A imagem da figura 20 apresenta a parede interna correspondente ao corredor. As principais patologias vizualizada na imagem abaixo são os destacamento de pinturas e manchas devido a umidade. Onde a possível causa foi devido a infiltração do solo. Os possíveis tratamentos pode ser: a aplicação de impermeabilizantes e melhores revestimentos, com por exemplo através de uma tinta de outra base mais apropriada. Figura 20 - Destacamento de pinturas e manchas devido a umidade. Fonte: Acervo da autora 44 A figura 21 apresenta imagens relacionada a mesma parede interna do quarto. A principal patologia vizualizada: A) Superfície molhada, com umidade em excesso, chegando a percolar; B) Destacamento da pintura. Onde as possíveis causas nas duas imagens é devido ao contato direto da parede com o solo úmido, provocado pela capilaridade. Figura 21 - A: Infiltração por capilaridade; B: Destacamento da pintura. Fonte: Acervo da Autora. A figura 22, representa imagens relacionada a mesma patologia: infiltração na parte superior, junção da alvenaria com o teto de gesso. Nestas imagens apresentam a mesma patologia: Manchas de infiltração e mofo. Onde as possíveis causas nas quatro imagens são defeito relacionado ao madeiramento do telhado, bem como a sua inclinação. Figura 22 - Manchas de infiltração e mofo. Fonte: Acervo da autora. 45 As imagens da figura 23 representam a principal patologia: Infiltração em excesso, chegando a percolar. Onde iniciou-se da parte do telhado, na imagem “A” por exemplo, a infiltração se deu da parte superior até a parte inferior. A possível causa foi devido ao madeiramento do telhado, bem como a sua inclinação. Figura 23 - A: Infiltração na sala; B: Infiltração na dispensa; C: Infiltração na parte superior da despensa. Fonte: Acervo da autora. A figura 24 apresenta imagens relacionadas: A) à parede externa, correspondente a área de serviço; B) à parede interna, correspondente a alvenaria da parte externa da cozinha. principal patologia vizualizada são manchas de infiltração. Onde as possíveis causas: Infiltração de água através do alicerce. Figura 24 - A: Manchas de infiltração na parede externa; B: Manchas de infiltração na parede interna. Fonte: Acervo da autora. 46 5.2.3 Residência do bairro Alto de São Manoel Situada na Rua 2 (dois) de Maio, Bairro Alto de São Manuel, a residência foi construída há 10 anos atrás, não houve reformas posteriores após a entrega da obra. Ao ser construída a obra, não houve o emprego de uma empresa de construção, sendo executada por um profissional liberal, o qual operou pelo conhecimento de experiência. Não houve a contratação de arquiteto. Houve apenas o projeto estrutural, sendo as instalações elétricas e as hidráulicas efetuadas apenas com o conhecimento do mestre de obra. O trabalho de terraplanagem foi realizado. Os maiores problemas sofridos pelos familiares residentes nessa construção é a incômodo em relação a problemas respiratórios, alergias a mofo e muita poeira. As principais patologias encontradas serão analisadas posteriormente com a caracterização do local da residência, acompanhada de sua imagem, com as possíveis causas e soluções. As patologias encontradas foram também encontradas nas residências próximas, mas em algumas, patologias atenuadas por reformas atuais. A figura 25 apresenta imagens relacionadas: A) à parede externa inferior da faixada; B) à parede externa superior da mesma faixada. A principal patologia vizualizada: destacamento da pintura, manchas escuras e fissuras. A possível causa: ação de agentes climáticos. Figura 25 - A: parte externa inferior da faixada; B: parte externa superior da faixada. Fonte: Acervo da autora. A figura 26 representa a parede do corredor. Na qual apresenta a patologia: destacamento da pintura. Onde a possível causa: Falta de aderência da pintura com o revestimento. 47 Figura 26 - Destacamento da pintura. Fonte: Acervo da autora. A imagem da figura 27 apresenta a imagem obtida da parede encostada com a laje de cobertura. As principais patologias vizualizada são: Manchas escura, mofo (bolor), algas. Onde a possível causa foi devido a infiltração devido a trincas na laje e vazamentos. Figura 27 - Manchas escuras, mofo (bolor), manchas esverdeadas. Fonte: Acervo da autora. A imagem da figura 28 apresenta a imagem obtida da laje de cobertura. As principais patologias vizualizada são: manchas amareladas e de infiltração na laje. A possível causa: problemas relacionados a infiltração. 48 Figura 28 - Manchas amareladas e infiltração. Fonte: Acervo da autora. A imagem da figura 29 apresenta a imagem obtida da varanda. As principais patologias vizualizada são: destacamento da pintura e manchas escuras. A possível causa: infiltração. Figura 29 - Destacamento da pintura e manchas escuras (bolor). Fonte: Acervo da autora. A imagem da figura 30 apresenta a imagem obtida da alvenaria interna do quarto. As principais patologias vizualizada são: manchas amareladas. A possível causa: passagem de água pela janela. Figura 30 - Manchas amareladas. Fonte: Acervo da Autora. 49 5.2.4 Residência do bairro Santo Antônio Situada na Rua Epitáfio Pessoa, Bairro Santo Antônio, a residência foi construída há 20 anos atrás, mas há 5 anos houve reforma geral. Ao ser construída a obra, não houve o emprego de uma empresa de construção, sendo executada por um profissional liberal, o qual operou pelo conhecimento de experiência. Não houve a contratação de arquiteto. A reforma também não foi analisada por uma empresa de construção, mas sim com base no conhecimento de mestres de obras. Não houve projetos elétricos, estrutural e nem hidráulicos. O trabalho de terraplanagem foi realizado. Foi relatada que o maior incômodo foi a acentuada infiltração num dos quartos, em que posteriormente formaram-se as manchas. Por conta dos próprios residentes foram feitos alterações na pintura a fim de atenuar esta patologia, fazendo uma nova concretagem e cimentação da caixa de água, mas segue-se a queixa de que tais patologias nunca se resolvem! As principais patologias encontradas serão analisadas posteriormente com a caracterização do local da residência, acompanhada de sua imagem, com as possíveis causas e soluções. As patologias encontradas foram também encontradas nas residências próximas, mas em algumas, patologias atenuadas por reformas atuais. A imagem da figura 31 apresenta a imagem superior obtida da alvenaria interna com a laje do quarto. A principal patologia vizualizada: manchas amareladas. A possível causa: presença de umidade. Figura 31 - Manchas amareladas. Fonte: Acervo da Autora. 50 A figura 32 apresenta imagens relacionadas: A) à parede interna inferior da área de estar; B) à Ampliação da parede externa, correspondente ao corredor. A principal patologia vizualizada: desagregação do revestimento. As possíveis causas: expansão devido a presença de salitre. Figura 32 - Desagregação do revestimento. Fonte: Acervo da Autora. A imagem da figura 33 apresenta a parte inferior externa da parede. As principais patologias vizualizada são: manchas escura e formação vegetal esverdeada. Onde a possível causa foi devido a respingo de chuva. Sendo os possíveis tratamentos: Argamassa impermeabilizante (Polimérica), aditivo hidrófugos, cristalizantes, Aditivo hidrorepelente, Manta Asfálitica, Membrana polimérica, Emulsão acrílica. Figura 33 - Manchas escuras e formação vegetal esverdeada. Fonte: Acervo da Autora. 51 A imagem da figura 34 apresenta a imagem obtida da parte inferior da parede externa. As principais patologias vizualizada são: desagregação do revestimento e manchas escuras (bolor). Onde a possível causa: revestimento apicado sem chapisco, ação de agentes climáticos. Figura 34 - Desagregação do revestimento e manchas escuras (bolor). Fonte: Acervo da Autora. A imagem da figura 35 apresenta a imagem obtida da parte superior da parede externa. As principais patologias vizualizada são: manchas escura (bolor). Onde a possível causa: passagem de água na junção da calha com a telha. Figura 35 - Manchas escuras (bolor). Fonte: Acervo da Autora. 52 A imagem da figura 36 apresenta a imagem obtida da parte inferior interna do pilar. As principais patologias vizualizada são: trincas e fissuras. Onde a possível causa: solicitações de esforços. Figura 36 - Trincas e fissuras. Fonte: Acervo da Autora. A imagem da figura 37 apresenta as fotografias obtida da parte superior e inferior correspondente a mesma alvenaria do quarto. As principais patologias vizualizada são: Manchas amareladas. Onde a possível causa foi devido a presença de umidade. Figura 37 - Manchas amareladas. Fonte: Acervo da Autora. 53 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS A adoção de medidas preventivas no sentido de evitar ou minimizar a ocorrência de situações desagradáveis faz parte do cotidiano de todos os que atuam na área da construção civil. Tais medidas assumem dimensão e consequências imensuráveis, posto que esta área lida com edificações e com vidas humanas, estas últimas, atuantes no processo de construção da obra, como operários, ou como usuários (consumidoras) de sua construção. Assim, a consciência de prevenção deve ser inerente ao profissional da engenharia civil. A ação do engenheiro de identificar, analisar, saber tratar e prevenir patologias durante os passos de uma construção é importantíssimo, visto que recuperar ou reparar uma obra é bem mais dispendioso do que realizá-la no momento da edificação. O revestimento é uma das etapas de finalização da construção, feito no intuito não apenas estético (embelezamento da edificação), mas também de proteger a estrutura. Por isso, a preocupação que o engenheiro precisa ter para evitar qualquer dano posterior a obra é necessária, garantindo a eficácia do revestimento em uma construção. As residências analisadas apresentaram as seguintes patologias mais comuns: fissuras, descolamento, manchas e falhas relacionadas à umidade. Defeitos ocorrentes tanto na execução do projeto como durante a construção e também pela falta de manutenção. Há diversos estudos que abordam suas origens e a forma de preveni-las. Para o revestimento de pinturas, alguns cuidados devem ser procedidos para evitar falhas e futuros problemas patológicos, como: verificar se sua superfície está lixada e limpa, sem qualquer tipo de poeira e outro tipo de contaminação, ou seja, tem que haver uma preparação da base que irá receber a pintura, a qual poderá ser tinta látex (PVA), acrílica, esmalte, óleo, à base de cal, verniz e outros. Na preparação do substrato à base de cimento, como alvenaria e concreto, é importante atentar para as camadas anteriores à pintura, como o reboco ou emboço, sendo necessário no mínimo 28 dias para uma cura adequada, evitando assim o destacamento da pintura juntamente com o reboco ou aparecimento de bolhas na pintura. As infiltrações de água são as causas mais frequentes encontradas nesse trabalho, causando descascamentos, destacamentos, bolhas, manchas etc. É importante verificar se há pontos de umidade ou vazamentos que podem ser devido às infiltrações pelo solo; tubulações que estejam com falhas em suas instalações; problemas relacionados ao telhado; as áreas que não foram devidamente impermeabilizadas, como jardineiras e lajes sem telhados expostas ao tempo, às impermeabilizações desgastadas; infiltrações em banheiros e cozinhas devido ao 54 desgaste da argamassa de rejunte por serem áreas em contato direto com água ou umidade; dentre outros. Para a recuperação do revestimento sobre alvenaria ou concreto em que houve infiltrações, após estas serem sanadas, deve-se aplicar um produto que tenha a propriedade de unir as partículas soltas, como o fundo preparador de paredes acrílico sempre diluído na proporção adequada prevista na própria embalagem. Quando a base for reboco ou concreto, por serem superfícies porosas, as mesmas têm a característica de absorver muita tinta e de forma irregular, provocando manchas pela diferença de absorção tornando assim necessária a aplicação de seladores antes da pintura que visam à regularização e uniformização da absorção da tinta, à melhoria e economia do acabamento. Geralmente o aparecimento de bolhas em paredes externas é devido ao uso de massa corrida PVA e não a acrílica como recomendado. Nesse caso deve ser removida a massa PVA logo após ser aplicado uma demão de fundo preparador diluído e corrigir os defeitos com a massa corrida acrílica, em seguida repintar a superfície. Em paredes internas podem ocorrer quando após o lixamento não foi removido totalmente o pó da parede ou a tinta não foi devidamente diluída. Ocorre o enrugamento da pintura quando é utilizada excessiva quantidade de tinta, seja em uma demão, seja em várias demãos sem aguardar o intervalo de tempo necessário entre estas, ou até mesmo por causa de altas temperaturas no momento da pintura. Quando o problema é de descascamento da pintura em alvenaria pode ser devido à má diluição da primeira demão de pintura sobre o reboco, superfície com poeira ou à aplicação da tinta sobre caiação, sem preparação da superfície. A cal não tem boa aderência com a superfície constituindo uma camada cheia de pó, deixando assim a tinta que foi aplicada sobre caiação sujeita a descascar-se. Devendo antes de pintar sobre caiação, remover as partes não aderidas, logo após aplicar um fundo preparador para receber a tinta. No caso de manchas em pintura podem ser provenientes de mofo, saponificação, eflorescências, pingos de chuva, ou da poluição urbana sobre fachadas que não recebem manutenção. As provenientes de mofo são escuras ocorrendo em ambientes úmidos, mal iluminados e mal ventilados, visto que esses ambientes são favoráveis à proliferação de seres vivos que causam esse tipo de patologia. Recomenda-se não pintar em tempos chuvosos, com grande umidade relativa do ar ou em dias com ocorrência de ventos fortes. Podem ocorrer ainda trincas em paredes que de um modo geral são devidas às altas solicitações de esforços bem como a movimentações da estrutura. As mais finas ou fissuras, rasas e sem continuidade, podem ser provocadas por falta de tempo suficiente de hidratação 55 da cal antes da aplicação de reboco ou camada muito grossa da Massa Fina. Para solucionar esse problema as trincas devem ser abertas com ferramentas adequadas, eliminar toda poeira com pano úmido, após sua secagem aplicar o fundo recomendado para tal superfície, emassala com massa acrílica ou PVA, de acordo com cada ambiente, e em seguida repintar com a tinta devidamente diluída. Portanto, cabe aos profissionais da área conhecer e apresentar todos esses segmentos, possibilitando uma maior vida a uma obra, impedindo ou limitando o surgimento de desconfortos aos moradores decorrentes desse problema. A cidade de Mossoró apresenta uma realidade atual que possibilitou o título de cidade do nordeste brasileiro em expansão na área da construção. Assim, uma pesquisa sobre as patologias vista em residências localizadas em bairros distintos da cidade se fez necessário, para uma melhor análise, formulação de hipóteses e consequentemente uma maior abertura para um conhecimento detalhado sobre os danos na construção civil típicos dessa cidade. 6.1 CONCLUSÃO E PERSPECTIVAS Esta pesquisa foi de significativa importância, pois o estudo propiciou conhecer melhor as patologias e também saber que é perfeitamente possível diagnosticar com êxito a maioria destes problemas nas construções apresentadas. No estudo de caso ocorrido para este trabalho foram seguidas etapas necessárias para uma boa identificação de patologias ocorridas no revestimento. Onde a etapa inicial se deu pela identificação de anomalias encontradas através da observação mais superficial, onde se obteve registros fotográficos. O segundo passo foi o pré-diagnóstico, ode foi feito o levantamento das causas possíveis, com a ajuda de consulta a referências bibliográficas específicas, levando consequentemente a formulação de hipóteses. E através do diagnóstico, as possíveis soluções para as patologias encontradas nas residências foram citadas. O estudo ainda revelou que há ainda a necessidade de maior esclarecimento por parte de muitos construtores em relação a importância de se contratar mão de obras qualificadas para uma melhor aplicação do produto, bem como a utilização de materiais necessários e de boa qualidade para a sua utilização nas residências, como impermeabilizantes importantes para a prevenção da infiltração. 56 Cabem, ao fim deste trabalho, recomendações e perspectivas relativas á prática da construção civil em Mossoró e, por extensão, no Brasil: Ao curso das engenharias, principalmente a civil, buscar aprofundar mais sobre o assunto patologias na construção, bem como formas de preveni-las, visto que algumas doenças nas estruturas de uma obra podem levar a acidentes graves. Levando, assim, aos alunos o incentivo da produção científica na área. Aos engenheiros civis, que procurem rever seus conceitos em relação a construir utilizando os materiais corretos e se preocupando principalmente, não apenas com o lucro, mas também se preocupando com o bem-estar e segurança dos moradores de sua obra, onde será fundamental conhecer com profundidade a qualidade do material e do serviço oferecido. Às construtoras, que entreguem as edificações de acordo com as obediências das normas, contratando serviços especializados na área, como também investir na capacitação dos peões, mestre de obras e engenheiros. O desenvolvimento desse estudo contribuiu para a ampliação dos conhecimentos teóricos acadêmicos, onde foi necessária uma pesquisa mais aprofundada para a elaboração e sustentação desse trabalho. Espera-se a partir desse trabalho poder incentivar mais discursões que venham agregar maiores conhecimentos sobre o tema de patologias na construção. 57 REFERÊNCIAS ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS-(ABNT). NBR 13.749. Revestimento de paredes e tetos de argamassas inorgânicas: especificação – NBR 13749. Rio de janeiro, 1996a. ______. NBR 13.755. Revestimento de paredes externas e fachadas com placas cerâmicas e com a utilização de argamassa colante: procedimento. Rio de janeiro, 1996b. ______. NBR 7.200. Execução de revestimento de paredes e tetos de argamassas inorgânicas: procedimentos. Rio de Janeiro, 1998. BAÍA, L.L.M.; SABATTINI, F.H. Projeto e execução de revestimento de argamassa. Coleção Primeiros Passos da Qualidade nos Canteiros de Obras. São Paulo: O nome da Rosa Editora, 2000. BAUER, L.A.F. Materiais de Construção1. 5. Ed. revisada. Rio de Janeiro: LTC, 2008. 488p. ______. Materiais de Construção, 2. 5. Ed. Revisão técnica João Fernando Dias. Rio de Janeiro: LTC, 2008. 538p. BORGES, A.C. Prática das pequenas construções, volume 1. 9. Ed. Ver. E ampl. Por José Simão Neto, Walter Costa Filho. São Paulo: Editora Blucher, 2009. 385p. CAMPATE, E.F. Metodologia para diagnóstico, prevenção e recuperação de manifestações patológicas em revestimento cerâmico de fachadas. São Paulo, 2001. Tese de Doutorado, Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. CARVALHO JR., A. N. Técnicas de Revestimento; Apostila do Curso de Especialização em Construção Civil. 1. Ed. Belo Horizonte: DEMC – EE. UFMG, 1999. 54p. FLAIN, E.P. Tecnologia de Produção de revestimento de fachadas de edifícios com placas pétreas. 1995. Dissertação (Mestrado) – Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Departamento de Engenharia Civil. São Paulo, 1995. IBGE. (s.d.). Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Acesso em 03 de Maio de 2011, disponível em Site do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística: http://www.ibge.gov.br MEIRA, G.R. Construção Civil: Uma abordagem macro da produção ao uso. Sinduscon. João Pessoa, 2010. 312p. PEDRO, E.G et al. Patologia em Revestimento Cerâmicos de Fachada. Curso de PósGraduação do CECON, Especialização em Engenharia de Avaliações e Perícias. Síntese de Monografia. Belo Horizonte – MG, 2002. POZZOBON, C. E. Notas de Aulas da disciplina de Construção Civil II. 2007. 17p. 58 SCHÖNARDIE, C. E. Análise e tratamento as manifestações patológicas por infiltração em edificações. 2009. 84p. Monografia (Graduação em Engenharia Civil) – Ijuí-RS. SOUZA, M. F. Patologias ocasionadas pela umidade nas construções. 2008. 64p. Monografia (Especialização em Construção Civil) – Departamento de Engenharia de Materiais de Construção, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2008. VERÇOZA, E. J. Impermeabilização na construção. 2 ed. Porto Alegre: Sagra, 1987. 151p. VIEIRA, A.C. Destacamento de placas cerâmicas: estudo de algumas variáveis. Dissertação (Mestrado) – Universidade Mackenzie, São Paulo, 1998. 182p. 59 ANEXO QUESTIONÁRIO SOBRE PATOLOGIA DE REVESTIMENTOS EM MOSSORÓ/RN 1) Localização da residência_________________________________________________________ 2) Quando a obra foi construída?_____________________________________________________ 3) Quanto tempo mora na residência__________________________________________________ 4) Foi contratada uma empresa de construção ou a obra foi executada por um profissional liberal? _____________________________________________________________________________ 5) Foi contratado um arquiteto? Sim ( ) Não ( ) 6) Foram feitos os projetos estruturais, elétricos e hidráulicos? 7) Foi feito um trabalho de terraplanagem? Sim ( ) Sim ( ) Não ( ) Não ( ) 8) Quais os maiores problemas sofridos pelos familiares residentes nesta construção?___________________________________________________________________ ( ( ( ( ( ( ( ( ( 9) Quais as patologias ocorridas no revestimento da residência? ) a) Formação de manchas de umidade, com desenvolvimento de bolor. ) b) Formação de fissuras e trincas na argamassa de revestimento. ) c) Descolamento entre a camada de reboco e emboço. ) d) Descolamento da argamassa de revestimento. ) e) Manchas na pintura. ) f) Eflorescência. ) g) vesículas. ) h) Salitre ) i) Outros________________________________________________________________________ 10) Já foram feitos reparos na obra posterior à sua entrega? Sim ( ) Não ( ) Se SIM, a quanto tempo?________________________________________________________ 11) Tais patologias são encontradas em residências próximas? Sim ( ) Não ( ) 12) Teria como lembrar qual a possível causa que esteja ligada ao aparecimento do problema?_____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ Comentários:_____________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________