3
1. A ÁGUA
A água é a substância mais
importante para a vida no planeta.
Sem a existência da água teria sido
impossível a evolução dos seres
vivos na Terra.
Todas as funções das plantas
e animais são realizadas graças a
que a água está presente em
processos tais como absorção de
nutrientes,
regulação
da
temperatura corporal, transpiração,
excreção, etc.
Tanto animais quanto plantas
têm na sua composição a água
como principal substância. No caso
dos seres humanos, cerca de 75%
do peso do corpo é água.
Em apenas uma gota de água
a vida pode surgir de forma
abundante e diversa. Existem
organismos microscópicos tais
como bactérias e protozoários que
realizam todo seu ciclo vital
(nascem, crescem, se reproduzem e
morrem) em apenas um dia e numa
minúscula gota de água perdida
numa grande floresta!
Sem medo de exagerar, podese afirmar que a água é um dos
mais importantes recursos do nosso
planeta Terra. Pelo fato deste ser
um
recursos
renovável,
é
imperativo
velar
pela
sua
conservação.
A água é a substância mais
importante da Terra!
Os seres humanos estamos
compostos por 75% de água.
Numa só gota de água
podem viver vários milhões
de microorganismos.
4
A presença da água tem sido
identificada em todo o Universo
sob a forma de gelo ou vapor,
porém, só no planeta Terra ela se
encontra em estado líquido. No
nosso planeta, 97,8% de toda a água
existente se encontra na forma
líquida, 2,15% na forma sólida e
apenas 0,05% na forma de vapor (p.
ex. nuvens e umidade ambiental).
A água em estado líquido é
importantíssima para a regulação do
clima no planeta. Durante o dia, os
oceanos absorvem quase toda a
energia que vem do Sol; isto evita
que
a
Terra
sofra
um
hiperaquecimento. Já durante a
noite, os oceanos liberam boa parte
da energia absorvida durante o dia,
evitando assim o superesfriamento
do planeta.
Não é a toa que as ¾ partes
da Terra estejam cobertas de água.
Graças a isto, as variações de mais
de 10oC, num só dia e num
determinado ponto, são muito raras.
Em Marte, onde não existe
água em estado líquido, a
temperatura durante o dia, em pleno
equador, atinge 20oC e, durante a
noite, 75oC abaixo de zero. Sem
água em estado líquido, a
temperatura da Terra durante o dia
alcançaria 200oC e, durante a noite,
aproximadamente 80oC abaixo de
zero.
Em todo o Universo existe água,
porém, só em estado sólido ou
gasoso
Se não fosse pela água líquida,
nosso planeta ferveria de dia e
congelaria durante a noite
As três quartas partes da superfície
terrestre estão cobertas de água em
estado líquido
5
COMPOSIÇÃO QUÍMICA
Hidrogênio
Hidrogênio
A água é uma substância
composta por dois elementos:
hidrogênio (H) e oxigênio (O).
Devido a que possui dois átomos
de hidrogênio e um de oxigênio,
sua fórmula química é H 2 0.
A água, em função à
temperatura do meio, apresenta três
estados físicos: sólido (gelo),
líquido (lago, rio, mar) e gasoso
(vapor, nuvens). Quanto mais frio
estiver o ambiente, maior ;é a
possibilidade da água congelar e, no
caso oposto, quanto mais quente o
ambiente, maiores serão as chances
da água evaporar.
A grande maioria dos
organismos aquáticos vivem na
água apenas quando esta se
encontra em estado líquido.
Somente umas quantas espécies de
bactérias são capazes de viver no
gelo e no vapor de água. Os
organismos
aquáticos
podem
suportar temperaturas de quase 0oC
até aproximadamente 40oC.
De acordo com a temperatura
dos corpos de água (lagos, lagunas,
rios e mares), os organismos
aquáticos podem ser classificados
em animais de água quente
(tambaqui,
tilápia,
camarão,
mexilhão) e em animais de água
fria (truta, salmão, ostra, etc.).
H2O
Oxigênio
A molécula da água e sua
fórmula química
Os três estados físicos da água:
sólido, líquido e gasoso
Peixe de
água fria
Frio
Peixe de
água quente
Temperatura
Quente
Em países tropicais como o Brasil, a
maioria dos animais de cultivo são de
águas quentes
6
PROPRIEDADES
Assim como todos os
elementos e substâncias que
existem na Terra, a água é
caraterizada por uma série de
propriedades tanto químicas quanto
físicas. Entre as principais temos:
calor específico, tensão superficial
e densidade.
O calor específico não é
outra coisa que a quantidade de
calor necessário para aumentar a
temperatura da água. A água tem
um calor específico muito alto,
portanto, é uma das substâncias que
mais demora para ser aquecida e, ao
mesmo tempo, a que mais demora
em
esfriar.
Esta
notável
propriedade,
como
vimos
anteriormente, faz com que a Terra
não sofra grandes oscilações de
temperatura durante o dia e a noite.
A tensão superficial é a
propriedade que faz com que todo o
que entra em contato com a água
fique molhado. Isto deve-se à
grande capacidade de coesão que a
molécula da água possui. Graças à
tensão superficial, os insetos que
não são muito pesados podem
caminhar encima da água.
Por
último
temos
a
densidade, a qual faz com que a
água seja uma substância bastante
pesada. O interessante desta
propriedade é que a máxima
densidade da água acontece a 4oC
(1g/ml); já a 0oC, quando a água
congela, a sua densidade passa para
0,99987 g/ml, o que quer dizer que
o gelo é menos pesado que a água
fria. Isto explica porque o gelo
flutua na água e porque as lagoas
congelam somente a região
superficial.
Graças à tensão superficial,
certos insetos podem andar pela
superfície da água
A densidade do gelo é menor do
que da água, é por isso que o
gelo flutua
7
7
2. O AMBIENTE DE
CULTIVO
Para poder entender um
ambiente de aqüicultura, devemos
deixar claro que este é um corpo de
água como qualquer outro (lago,
laguna, açude, etc.), mas, com
algumas caraterísticas peculiares.
Por exemplo, numa lagoa natural é
comum encontrarmos um número
reduzido de animais, porém, de
vários tipos (espécies); já numa
unidade de cultivo, encontramos
um número bastante grande de
animais, mas, geralmente, de
pouquíssimas espécies.
Outra caraterística peculiar
do ambiente de cultivo é que o
alimento
natural
se
esgota
rapidamente na medida em que os
organismos vão crescendo. Para
evitar que os nossos animais
morram de fome, somos obrigados
a colocar todo tipo de insumos para
dentro do corpo de água: alimento
formulado (ração), dejetos agrícolas
(farelos, palha, folhas, etc.), adubos
(esterco de aves, porcos ou gado),
fertilizantes
químicos
(uréia,
fosfato, nitrato, etc.).
Com estes procedimentos,
além de alimentar os animais,
estaremos alimentando todos os
outros seres que se encontram na
água: bactérias, fito e zooplâncton,
plantas aquáticas, insetos, etc. Toda
esta rotina fará com que se acumule
uma grande quantidade de matéria
orgânica no ambiente de cultivo
(isto também acontece nas áreas
costeiras onde são realizados
cultivos de peixes, camarões e
moluscos marinhos) .
Ambiente
Natural
Ambiente
de Cultivo
No ambiente natural encontramos
poucos animais de muitas espécies
e, ao contrário, no ambiente de
cultivo encontramos muitos animais
de poucas espécies
Ração, insumos
agrícolas, adubos,
fertilizantes,
fitoplâncton morto,
fezes, etc.
Matéria orgânica
Uma caraterística fundamental
dos ambientes de cultivo é a
acumulação de matéria orgânica
no fundo
8
A
matéria
orgânica
acumulada irá se converter num dos
principais problemas para o
ambiente, haja visto que esta
consome mutíssimo oxigênio, o
qual é absolutamente indispensável
para os organismos que estamos
cultivando.
Além dos animais de cultivo,
na água encontramos outros tipos
de organismos, sendo que os mais
importantes são umas plantas muito
pequenas, apenas visíveis com o
uso de microscópio, e que são
chamadas de microalgas ou de
fitoplâncton. Existe também um
grupo de animais microscópicos
conhecido como zooplâncton. Fora
estes, há outros organismos tais
como insetos aquáticos, larvas de
insetos, animais que vivem no
fundo (zoobentos) e plantas
aquáticas superiores, como é o caso
do jacinto de água.
As microalgas obtém a
energia que precisam para viver da
luz do Sol. Num processo biológico
conhecido como fotossíntese, estas
plantas consomem dióxido de
carbono ou gás carbônico (CO 2 ) e
água, para produzir carboidratos
(açúcares) e liberar oxigênio (O 2 ), o
qual, como já foi mencionado, é
vital para a sobrevivência dos
animais. O fitoplâncton é muito
importante porque serve de
alimento ao zooplâncton, aos
moluscos e a algumas espécies de
peixe (carpa).
Fito
Zoo
Matéria orgânica
Geralmente, os ambientes de
cultivo possuem plantas e animais
microscópicos, chamados de fito
e zooplâncton
CO2
Dióxido de carbono
O2
Oxigênio
A fotossíntese que é realizada
pelo fitoplâncton é a maior
fonte de oxigênio nos
ambientes de cultivo
9
Quando são realizados cultivos com
média ou baixa densidade de
animais, a unidade aproxima-se
bastante de um ambiente natural,
onde existe um equilíbrio dinâmico
entre a matéria viva e a não viva.
Neste
equilíbrio,
realizam-se
abundantes trocas de matéria e
energia, principalmente entre os
organismos presentes na água.
Conforme nos ensina a
Ecologia, cada um dos organismos
que vive na água ocupa um lugar
especial, consome um determinado
tipo de alimento e é devorado por
um predador em particular. Tanto a
matéria quanto a energia que estão
presentes no ambiente fluem
através do que se conhece como
cadeia trófica.
Toda cadeia trófica tem, no
máximo, cinco níveis por onde flui
toda esta matéria e energia. O
primeiro nível trófico é ocupado
pelas
plantas
fotossintéticas
(principalmente microalgas), que
são chamadas de produtores
primários, já que elas são as
responsáveis pela produção da
maior parte da matéria viva que
existe no ambiente. Como já foi
visto anteriormente, a energia solar,
por meio da fotossíntese, serve para
que a água (H 2 O) e o dióxido de
carbono (CO 2 ) se transformem em
carboidratos (CHO), com a
conseqüente liberação de oxigênio
(O 2 ). O carboidrato (açúcar), assim
produzido, servirá de alimento
(fonte de energia) para os membros
do segundo nível trófico, aquele
que corresponde aos consumidores
primários, os quais são conhecidos
como herbívoros (P. ex. os
moluscos de cultivo).
Logo, os herbívoros serão
devorados pelos membros do
terceiro
nível
trófico:
os
consumidores secundários, isto é,
os carnívoros. Após este nível, pode
haver, no máximo, mais dois níveis:
o dos consumidores terciários e o
dos consumidores quaternários
(muito raros), sendo que ambos são
estritamente carnívoros.
Vejamos um exemplo. No
caso de uma floresta, toda a
vegetação corresponderia ao nível
dos produtores primários. Os
herbívoros que devoram as plantas
seriam os consumidores primários
(veado). Os carnívoros, que
devoram os herbívoros, seriam os
consumidores
secundários
(cachorro do mato) e, o carnívoro
de maior tamanho (onça, por
exemplo), que por ventura matasse
um cachorro do mato para se
alimentar, seria o consumidor
secundário.
No caso do ambiente de
aqüicultura, o fitoplâncton seria o
principal
representante
dos
produtores primários; logo viriam o
zooplancton e os herbívoros de
cultivo
(moluscos
e
peixes
fitoplanctófagos) que, pelo fato de
se alimentar de microalgas, seriam
os consumidores primários. Depois
viriam os peixes que se alimentam
10
do zooplâncton (zooplanctófagos),
cabendo-lhes assim a categoria de
consumidores secundários; logo
viriam os animais carnívoros
(peixes
ou
camarões),
os
consumidores terciários. Por último
estaria o homem, quem, pelo fato
de se alimentar de animais
carnívoros,
corresponde-lhe
a
categoria
de
consumidor
quaternário.
No sistema de cultivo
conhecido como policultivo, cada
um destes níveis tróficos são
devidamente aproveitados. A China
por exemplo, é o maior produtor de
peixes do mundo graças aos
policultivos, os quais se encontram
bastante difundidos e são muito
populares. Os policultivos de carpa
são os mais interessantes, pois
existe uma espécie de carpa para
cada um dos níveis tróficos do
viveiro de cultivo.
O fitoplâncton, obviamente,
ocupa o nível dos produtores
primários. Já a carpa comum e a
carpa capim, assim como o
zooplâncton, ocupam o nível dos
consumidores primários devido a
que se alimentam de fitoplâncton. A
carpa espelho e a carpa cabeça
grande fazem parte do nível dos
consumidores secundários, pois se
alimentam de zooplâncton e de
pequenos organismos herbívoros.
Por último, como não podia faltar,
temos
um
peixe
carnívoro
(consumidor secundário), neste
caso, a carpa preta, encarregada de
se alimentar de pequenos peixes e
dos filhos dos outros peixes de
cultivo que por ventura chegassem
a se reproduzir no viveiro.
ENERGIA
Produtor
Primário
Consumidor
Primário
Consumidor
Secundário
Consumidor
Terciário
Cadeia trófica típica de
um ecossistema aquático
marinho
11
VALE A PENA DECORAR









Nos ambientes aquáticos naturais encontramos poucos peixes de muitas espécies; já
nos ambientes de cultivo, ao contrário, temos muitos peixes de poucas espécies.
Todo cultivo (exceto aqueles realizados no mar, nas lagoas e açudes) precisa de
insumos tais como alimento formulado (ração), dejetos agrícolas (farelos, palha,
folhas), adubos (esterco) e fertilizantes químicos (uréia, fosfato, nitrato).
O excesso destes insumos, junto com os dejetos dos organismos vivos (peixes, fito e
zooplâncton) aumentam a quantidade de matéria orgânica na unidade de cultivo.
O excesso de matéria orgânica no ambiente é sempre um problema, pois provoca o
esgotamento do oxigênio dissolvido e a formação de substâncias tóxicas tais como
amônia (NH3) e gás sulfídrico (H2S).
Na água de cultivo encontramos um importante fenômeno biológico conhecido como
cadeia trófica, o qual se compõe de produtores (plantas), consumidores (animais) e
decomponedores (bactérias).
Os produtores mais comuns são as microalgas (fitoplâncton).
O fitoplâncton, por meio da fotossíntese, consome gás carbônico (CO2) e produz
oxigênio (O2).
A maior parte do oxigênio que existe na água provêm do fitoplâncton.
Os produtores (fitoplâncton) consomem energia solar; já o fitoplâncton é “consumido”
pelos consumidores primários (herbívoros), como é o caso das ostras e mexilhões que,
por sua vez, são “consumidos” pelos consumidores secundários e terciários
(carnívoros), dentre eles o homem.
13
3. OXIGÊNIO
DISSOLVIDO
O oxigênio é o elemento
mais importante para a vida
aquática heterotrófica (que se
alimenta de outros), pois é
necessário para que esta possa
respirar.
Esta importância pode ser
muito facilmente demonstrada
constatando
que
nós,
seres
humanos, resistimos sem comida
uns 30 dias aproximadamente; sem
água, uns quantos dias; mas, sem
oxigênio, apenas poucos minutos.
Isto deve-se a que somos animais
heterótrofos
e,
como
tais,
precisamos do oxigênio para poder
viver. Esta mesma regra, a
excepção das plantas aquáticas,
vale também para todos os
organismos de cultivo: peixes,
camarões e moluscos.
Quando nos referimos ao
oxigênio que se encontra presente
na água dizemos que este se
encontra dissolvido, pois, assim
como o sal ou o açúcar, encontra-se
diluído na água. A concentração do
oxigênio que está presente num
determinado volume de água passa
a ser expresso sob a forma de
miligramas por litro (mg/l), ou
seja, a milésima parte de uma
grama dissolvida num litro de água.
Todos os animais, sejam estes
aquáticos ou terrestres,
precisam do oxigênio para viver
O2 (mg/l)
A concentração (quantidade) de
oxigênio que se encontra dissolvido na
água, pode ser expresso sob a forma
de miligramas de oxigênio
por litro (mg/l)
14
Como acontece quase com
qualquer líquido, não é bom que a
água que usamos nos cultivos
possua algum composto em pouca
ou excessiva quantidade. No caso
de um suco de limão, por exemplo,
se faltar açúcar dizemos que a
limonada está amarga, mas, se
colocarmos mais açúcar do
necessário, dizemos que a limonada
está doce de mais. O mesmo
acontece com o oxigênio que se
encontra dissolvido na água; se há
de menos dizemos está subsaturado
e, se há de mais, dizemos que está
sobresaturado. Mas, se há a
quantidade certa, dizemos que o
oxigênio se encontra em equilíbrio
de saturação.
Uma forma de verificar se
está faltando (subsaturação) ou
sobrando
(supersaturação)
oxigênio na nossa água é
verificando a solubilidade do
oxigênio presente na água. Isto
pode ser feito usando a tabela ao
lado onde se encontram os níveis de
saturação para cada temperatura
(para o caso da água doce). Por
exemplo, a uma temperatura de
25oC, o equilíbrio de saturação
(em que não falta nem sobra
oxigênio) eqüivale a 8,11 mg/l.
Caso seja determinado que o
oxigênio do nosso viveiro tem 4,50
mg/l ao invés de 8,11 mg/l,
fazemos a seguinte operação: 4,50 x
100/8,11 = 55,5; isto significa que a
nossa água está 44,5% abaixo de
cem (subsaturada).
Muito oxigênio
(sobresaturado)
Nem muito nem pouco
oxigênio
(equilíbrio de saturação)
Pouco oxigênio
(subsaturado)
Os diferentes níveis de
saturação do oxigênio na água
Solubilidade do oxigênio
diferentes temperaturas
o
o
C
mg/l
C
0
14,16
12
1
13,77
13
2
13,40
14
3
13,05
15
4
12,70
16
5
12,37
17
6
12,06
18
7
11,76
19
8
11,47
20
9
11,19
21
10
10,92
22
11
10,67
23
(mg/l) em água doce sob
mg/l
10,43
10,20
9,98
9,76
9,56
9,37
9,18
9,01
8,84
8,68
8,53
8,38
o
C
24
25
26
27
28
29
30
31
32
33
34
35
mg/l
8,25
8,11
7,99
7,86
7,75
7,64
7,53
7,42
7,32
7,22
7,13
7,04
Concentração de oxigênio que se
encontra na água doce em função da
temperatura: quanto maior a
temperatura, menor a concentração de
oxigênio dissolvido na água
15
Em outras palavras, a nossa água
tem praticamente a metade do
oxigênio
que
deveria
ter
normalmente. Este resultado nos
sugere que há necessidade de trocar
a água do viveiro, fertilizar para
aumentar o fitoplâncton (lembre-se
que o fitoplâncton é a principal
fonte de oxigênio na água), ligar os
aerizadores, se for o caso e, se
necessário, diminuir o fornecimento
de ração. Níveis de subsaturação de
oxigênio acontecem quase sempre
durante a noite (como não há luz,
não há fotosintesse e, portanto, não
há produção de oxigênio) sendo que
os níveis mais baixos de oxigênio
acontecem ao amanhecer.
Seguindo com o mesmo
exemplo, se o nosso oxigênio
estiver em 12,5 mg/l, ao invés de
8,11 mg/l, então 12,5 x 100/8,11 =
154. De acordo com este resultado,
dizemos que nossa água se encontra
54% acima de cem (sobresaturada).
Esta situação de sobresaturação
deve-se ao excesso de fitoplâncton
na água, o qual acaba produzindo
oxigênio de mais durante o dia.
Quando o fitoplâncton se encontra
muito concentrado, corre-se o risco
de, durante a noite, o oxigênio ficar
completamente esgotado devido à
respiração das microalgas. Lembrese que, durante o dia, o fitoplâncton
produz oxigênio e consome CO 2 ; já
durante a noite, este mesmo
fitoplâncton irá produzir CO 2 e
consumir oxigênio.
RAÇÃO
OBA!
FITOPLANCTON
OXIGÊNIO
SEDIMENTO
Durante o dia, o fitoplâncton produz
uma grande quantidade de oxigênio.
Este oxigênio não consegue ser esgotado
pela respiração dos peixes nem pela
demanda vinda da ração e da matéria
orgânica acumulada no sedimento
UFA!
RAÇÃO
FITOPLANCTON
OXIGÊNIO
SEDIMENTO
Durante a noite, o fitoplâncton consome
uma grande quantidade de oxigênio.
Além do fitoplâncton, a respiração dos
peixes, da ração e da matéria orgânica
acumulada no sedimento, contribuem
para o esgotamento do oxigênio na água
16
Uma boa forma de evitar de
que o fitoplancton nos faça passar
um mal momento, é não permitindo
que a transparência do disco de
secchi seja superior à 50 cm e
inferior à 30 cm. Valores acima de
50 cm certamente gerarão eventos
de subsaturação de oxigênio e,
níveis abaixo de 30 cm, ao
contrário, provocarão eventos de
supersaturação. Sendo que ambos
casos acabam repercutindo muito
negativamente sobre os nosso
organismos de cultivo.
Pode-se dizer que é melhor
ter transparências maiores do que
menores, pois a baixa transparência
da água impede a luz solar atingir o
fundo do ambiente de cultivo.
Quando apenas a camada superior
de água é iluminada, surge o
fenômeno físico conhecido como
estratificação térmica, onde a
água da superfície é sempre mais
quente do que a água do fundo.
Alem
desta
gradiente
de
temperaturas, o oxigênio da camada
iluminada será sempre maior do
que a camada escura. Por baixo do
nível em que aparece o ponto de
compensação, não haverá mais
oxigênio
disponível
para
a
respiração dos peixes. Para calcular
a profundidade em que o ponto de
compensação se encontra num dia
determinado, basta multiplicar o
valor da transparência do disco de
Secchi pelo fator 4. Por exemplo,
Pouca transparência significa alta
concentração de fitoplâncton: a luz
solar não consegue chegar ao fundo
Corda
graduada
Disco de Secchi
Muita transparência significa baixa
concentração de fitoplâncton: a luz
solar consegue chegar ao fundo
100 % da luz incidente
FOTOSÍNTESE
Presença de oxigênio
e maior temperatura
RESPIRAÇÃO
Ausência de oxigênio
e menor temperatura
PONTO DE COMPENSAÇÃO:
1% da luz incidente
O fenômeno da
estratificação térmica da
água nos viveiros de cultivo
17
se a transparência for de 30 cm (0,3
metros), então multiplicamos 0,3 x
2,5 = 0,75 metros. Desta forma, se
o nosso viveiro tiver uma
profundidade média de 1,2 metros
teremos então uma camada de 0,45
metros sem oxigênio (1,2 – 0,75 =
0,45). Assim sendo, uma parte
considerável do volume útil do
viveiro
não
estará
sendo
aproveitada pelos peixes devido ao
fenômeno da estratificação.
Para prevenir que este
fenômeno aconteça com freqüência,
em primeiro lugar evite construir
viveiros profundos. A maioria das
vezes uma profundidade de um
metro é suficiente para ter bons
cultivos. Em segundo lugar tente
manter uma maior transparência a
fim que a luz solar consiga chegar
até o fundo. Caso sua baixa
transparência seja devida ao lodo
que se encontra em suspensão na
coluna da água, realize uma
aplicação de calcário
com o
objetivo de precipitar a argila. Se
sua baixa transparência for devida
ao fitoplâncton, uma troca de água
resolve o problema.
Quanto maior a densidade de
organismos no viveiro, maior será o
consumo de oxigênio. Grande
quantidade de animais exige o
fornecimento de quantidades de
alimento um pouco maiores que o
normal; todo este alimento não será
complemente consumido pelos
animais do viveiro, portanto, este
terá que ser, necessariamente,
decomposto pelas bactérias que
normalmente se encontram na água
e no fundo. Esta decomposição
demandará grandes quantidades de
oxigênio, em detrimento dos nossos
organismos
de
cultivo.
A
decomposição do alimento sobrante
liberará nutrientes, e estes serão
responsáveis pelo crescimento
exagerado do fitoplâncton, o qual,
como vimos antes, demandará
grandes quantidades de oxigênio
durante a noite.
Quando for determinar a
transparência da água do viveiro,
certifique-se de que a turbidez da
mesma
seja
causada
pelo
fitoplâncton e não por partículas
suspensas na água como, por
exemplo, lama, argila, ou material
depositado na água após uma chuva
forte. Se este for o caso, a
transparência da água pode ser
muito baixa (tal vez menos do que
15 cm) mas, não será necessário
realizar uma troca de água com
medo de um esgotamento total do
oxigênio durante a noite, haja visto
que o fitoplâncton (o qual respira à
noite) não é o responsável por essa
turbidez. Lembre-se: água de cor
verde ou marrom brilhante é sinal
da presencia de fitoplâncton; águas
de marrom muito escuro ou
amarelada, é sinal de sólidos
suspensos na água (argila, barro).
Quando você constatar que
sua água têm pouco oxigênio
dissolvido, por exemplo menos do
que 3 mg/l, o melhor que você pode
18
fazer é providenciar uma troca da
água. Entretanto, se após a troca da
água o oxigênio continuar sendo
baixo, ou se você tiver muitos
peixes no viveiro, talvez o melhor
seja aerizar mecanicamente a água.
A aerização consiste em
incorporar oxigênio na água
mediante o uso de aparelhos
especiais chamados aeradores. Os
aeradores podem ser classificados
como: cascatas naturais (quedas de
água), aeradores de superfície
(como os consagrados paddle-weels
ou aeradores de pá), turbinas (que
injetam ar na água em alta pressão)
e difusores (por meio de
compressores
ou
sopradores,
também conhecidos como blowers).
Quando for comprar um
aerador, é recomendável exigir
informações a respeito da Taxa
Padrão de Transferência de
Oxigênio, a qual informa a
quantidade de quilos de oxigênio
que um aparelho é capaz de
transferir durante uma hora (kg de
O 2 /h). Igualmente, é recomendável
se informar sobre a Eficiência
Padrão do Aerador, a qual
expressa a quantidade de quilos de
oxigênio que pode ser transferido a
um corpo de água por uma
determinada unidade de potência
(kw ou cv) durante uma hora (kg de
O 2 /kwh).
Aerador de pás ou “paddleweel” (Cortesia da Bernauer
Aquacultura).
Aerador turbinado (Cortesia
da Bernauer Aquacultura).
Soprador de ar ou “blower”
para a difusão de ar.
19
Quando precisar comprar
aeradores para oxigenar seus
ambientes
de
cultivo,
é
aconselhável ter presente algumas
recomendações importantes:



Prefira aparelhos com elevada
Taxa Padrão de Transferência de
Oxigênio e baixo consumo de
energia.
Nem sempre o menor preço a
ser pago é o melhor critério para
se escolher um determinado
aparelho. As vezes vale a pena
investir um pouco mais com o
objetivo de garantir a qualidade
dos aeradores.
Se tiver viveiros grandes, não
caia na tentação de comprar
apenas um aerador mais potente
para oxigenar um só viveiro; é
melhor colocar dois aparelhos
de menor potência por viveiro a
fim de evitar a possibilidade de
ficar complemente sem oxigênio
caso o único aparelho existente
quebrar.
É bom não esquecer jamais
que o oxigênio dissolvido é o
parâmetro de qualidade da água
mais
importante
em
aqüicultura. Você já pensou
quanto uma pessoa é capaz de
viver sem comida?, umas três
semanas tal vez. E sem água?,
certamente não mais do que uma
semana. Mas... e sem oxigênio?
Queremos
oxigênio
Queremos
oxigênio
Queremos
oxigênio
20
VALE A PENA DECORAR

















O oxigênio dissolvido é o parâmetro mais importante da qualidade da água em
aqüicultura (!).
Todos os animais aquáticos e terrestres precisam de oxigênio para poder viver. Até as
plantas, durante a noite, precisam do oxigênio para poder respirar.
O oxigênio que se encontra dissolvido na água é expresso sob a forma de miligramas
por litro (mg/l), ou seja, a milésima parte de uma grama num litro de água.
Quando a água apresenta mais oxigênio do que deve, se diz que a mesma se encontra
sobresaturada e, se menos do que deveria, dizemos que está subsaturada. Se o oxigênio
não sobrar nem faltar, se diz que a água se encontra saturada.
O oxigênio pode faltar (ficar subsaturado) geralmente à noite, quando o fitoplâncton,
junto com o sedimento do fundo, respiram (consomem o oxigênio da água).
O oxigênio pode vir a sobrar (ficar sobresaturado) durante o dia, quando um excesso
do fitoplâncton coloca na água mais oxigênio do que deveria.
Durante o dia as bactérias respiram, porém, estas não conseguem eliminar todo o
oxigênio devido a que a fotossintese (produção de oxigênio) supera a respiração
(consumo de oxigênio).
Quando a transparência da água é de apenas 20 cm (medida com o disco de Secchi), é
quase certo que durante a noite o oxigênio irá ser esgotado pelo processo de respiração.
Para evitar contratempos com os nossos animais de cultivo, é recomendável trocar pelo
menos 30% da água.
A transparência ideal para evitar problemas com o oxigênio é de 35 a 40 cm.
Se a transparência for muito baixa (maior do que 50 cm), haverá pouco oxigênio na
água devido à escassez de fitoplâncton. Neste caso, o recomendável é realizar uma
fertilização da água para aumentar o volume do fitoplâncton.
Se a cor da água for esverdeada ou marrom brilhante, a transparência da água estará
influenciada pelo fitoplâncton. Mas se a cor for marrom escuro opaco (água
lamacenta), a transparência da água estará em função dos sólidos em suspensão (argila,
barro, lama).
Se acontecer o fenômeno da estratificação térmica, haverá quase sempre mais oxigênio
na camada superior do que na camada inferior de água.
Se o seu nível de oxigênio (o qual pode ser determinado com oxímetro ou kit químico
de análise de água) for muito baixo (menos de 50% de saturação), é recomendável
trocar a água.
Se não for possível realizar a troca da água, recomenda-se suspender a alimentação,
pois o alimento só irá fazer aumentar o consumo de oxigênio dos peixes e do
sedimento do fundo dos viveiros.
Caso o valor dos cultivos o justifiquem, o oxigênio da água pode ser mantido por meio
da aeração mecânica.
Os aeradores de pás são os mais eficientes para viveiros rasos; já as turbinas o são para
viveiros mais profundos.
Toda vez que for comprar um aparelho de aeração, não esqueça de perguntar pela Taxa
Padrão de Transferência de Oxigênio e pela eficiência do mesmo em termos de
consumo de energia.
21
4. O pH
O pH (potencial de íons de
hidrogênio) é uma medida que
serve para indicar que tão ácida ou
básica é um líquido.
Todos os líquidos existentes
na Terra podem ser ácidos (como o
suco de limão), básicos (como a
soda caustica) ou neutros, ou seja,
nem ácidos nem básicos (como a
água pura).
No centro da figura ao lado
pode ser visualizada a escala do pH,
que vai de 1 a 14. As substâncias
(como as que se encontram na
esquerda da escala) que estão
localizadas na faixa que vai de 1 a
7, são consideradas ácidas; já as
substâncias que se encontram na
faixa que vai de 7 a 14, são
consideradas básicas. Há de se
destacar que as substâncias com pH
próximo de 7 são consideradas
neutras. Quanto mais afastado um
líquido estiver do número 7, maior
será seu caráter ácido ou básico.
Para o caso da piscicultura, a
faixa ótima de pH da água para se
garantir uma boa produção é aquela
que vai de 6,5 a 8,5. Fôra desta
faixa os peixes têm problemas,
sendo que os pHs de 4 (ácido) e de
11 (básico) são mortais para a
maioria das espécies de cultivo. É
bom mencionar que quando um
líquido é ácido, há uma abundância
de átomos de hidrogênio (H+) e,
quando básico, há uma abundância
de moléculas de hidroxila (OH-).
BÁSICO (OH-)
14
Soda caustica
Amoníaco
13
12
11
pH letal
10
Pouco Crescimento
9
8
Água pura
7
6
Cerveja
5
4
Suco de laranja
Refrigerante
Suco gástrico
Ácido muriático
Faixa ótima de
produção
Diminuição do
crescimento
Pára a reprodução
pH letal
3
2
1
ÁCIDO (H+)
O pH dos líquidos mais
comuns e as faixas de
tolerância dos peixes de
cultivo.
22
Muito raramente as águas
que se encontram na Natureza
costumam ser muito ácidas ou
muito básicas; a maioria delas estão
compreendidas na faixa que vai de
4 a 10. As grandes flutuações de pH
da água dos viveiros de cultivo são
provocadas pela fotossíntese e pela
respiração tanto das bactérias
quanto do fitoplâncton.
Durante o dia, se o
fitoplâncton
estiver
muito
concentrado, o pH da água pode
chegar a exibir valores acima de 9
(bastante básico), devido ao
fenômeno
conhecido
como
hidrólise do bicarbonato, que
consiste na transformação do ion
bicarbonato (HCO 3 -) em CO 2 (gás
carbônico) e OH- (hidroxilas). Esta
reação química opera-se dentro das
células de fitoplâncton para a
obtenção de CO 2 , o qual é
indispensável para a fotossintese. O
problema radica em que o OH- que
é produzido mediante esta reação é
expulso para fora da célula, fazendo
assim com que o pH da água
aumente consideravelmente.
Durante
a
noite,
a
fotossintese (produção de O 2 ) dá
lugar à respiração (produção de
CO 2 ). O CO 2 em excesso irá reagir
com as moléculas de água para
formar o ácido carbônico (H 2 CO 3 ),
conforme a seguinte reação:
CO2 + H2O → H2CO3
O ácido carbônico assim
formado irá tornar a água mais
ácida do que era durante o dia.
Entretanto, pelo fato do H 2 CO 3 ser
um ácido fraco, o pH não poderá
ser derrubado para menos de 4,5.
Devido a estas reações
químicas, nas quais o fitoplâncton
se encontra diretamente envolvido,
o pH da água dos viveiros de
cultivo tenderão a ser geralmente
básicas
durante
o
dia
e
preponderantemente ácidas durante
à noite. Obviamente, quanto maior
a concentração do fitoplâncton nos
viveiros (pouca transparência), mais
intensas serão estas flutuações na
água dos cultivos.
HCO3- + H2O → CO2 + OHpH = básico
CO2 + H2O → H2CO3
pH = ácido
As oscilações do pH da água
durante o dia e a noite
23
Existe um parâmetro muito
importante na água a ser
considerado quando se trata de
controlar o pH dos viveiros. Este
importante
fator
chama-se
alcalinidade, o qual é constituído
de
moléculas
capazes
de
neutralizar as oscilações de pH
durante o dia e a noite. A
alcalinidade de um líquido depende
da sua concentração de moléculas
de
carbonato
(CO 3 -2)
e
bicarbonato (HCO 3 ) alem de
outras
substâncias
menos
importantes.
Uma alcalinidade superior a
60 mg/l consegue fazer com que o
pH não fique fora do nosso
controle. A capacidade que uma
determinada água tem para
controlar as oscilações de pH é
conhecida como poder buffer.
Desta
forma,
águas
com
alcalinidades de 5, 60 e 120 mg/l
terão,
respectivamente,
baixo,
médio e elevado poder buffer.
Um
outro
parâmetro
importante relacionado com o pH
da água é a dureza, o qual consiste
na quantidade de moléculas de
carbonato de cálcio (CaCO 3 ) ou de
magnésio (MgCO 3 ) presente na
água. Conforme a dureza, uma água
pode ser “branda” (0 a 75 mg/l),
“moderadamente dura” (75 a 150
mg/l), “dura” (150 a 300 mg/l) ou
“muito dura” (acima de 300 mg/l).
NOTA: Esta escala só é válida para
água doce.
No gráfico abaixo pode-se
observar a relação que estes dois
últimos parâmetros têm em relação
ao cultivo de organismos aquáticos.
Bom para camarão de água doce
ALCALINIDADE
Ideal para peixes marinhos
Ideal para criação de peixes
20
60
120
180
200
300 mg/l
Ideal para evitar oscilações de pH
Ideal para camarão de água doce
DUREZA
Ideal para peixes
0
20
Branda
75
110
150
Moderadamente dura
200
Dura
300 mg/l
Muito dura
24
CALAGEM
Se a água dos nosso vieveiros
sofrerem fortes oscilações de pH
durante as 24 horas do dia, é
praticamente
certo
que
a
alcalinidade da água é menor de 60
mg/l. Se este for seu caso, o mais
recomendável é realizar uma
calagem, a qual consiste em
colocar calcário em quantidades
suficientes como para elevar o
poder buffer da sua água.
A calagem de um viveiro
pode ser realizada adicionando na
água calcário (CaCO 3 + MgCO 3 ),
cal virgem (CaO), cal hidratada
(Ca[OH] 2 ) ou calcário dolomítico
(CaMg[CO 3 ] 2 ). Dependendo da
alcalinidade da sua água e do
tamanho do viveiro, você pode
precisar de vários quilos até
algumas toneladas de calcário.
Por
exemplo,
se
a
alcalinidade for de 40 mg/l, está
faltando 20 mg/l. Vejamos a
quantos quilos de calcário eqüivale
esta falta de alcalinidade num
viveiro de 5.000 m2 com 1,2 metros
de profundidade:
Volume de água = 5.000 m2 x 1,2 m
= 6.000 m3
Déficit de alcalinidade = 20 mg/l
Déficit total = 6.000 m3 x 1.000 l
= 6.000.000 l x 20 mg/l
= 120.000.000 mg
= 120 kg de calcário
Segundo este cálculo, para
elevar a alcalinidade da água de 40
para 60 mg/l seria necessário
realizar uma calagem com 120 kg
de calcário; entretanto, há de se ter
em conta que o calcário não é
totalmente solúvel em água,
portanto,
deveremos
colocar
aproximadamente 20% a mais para
garantir a correta elevação da
alcalinidade (neste caso, 24 kg).
A
eficiência
que
um
determinado calcário tem de elevar
a alcalinidade da água dependerá
enormemente do tamanho das
partículas de CaCO 3 . Por exemplo,
se você utilizar um calcário com um
diâmetro de partícula maior que 1,5
mm, a calagem será complemente
inútil. Já se for utilizado calcário
com partículas menores de 0,25
mm, a alcalinidade da água poderá
começar a melhorar a partir dos 10
dias após a aplicação deste insumo.
Além do aumento do pH e da
alcalinidade da água, a calagem
pode ser útil para desinfetar os
viveiros
quando
estes
se
encontrarem vazios, aumentar a
quantidade de cálcio e carbono para
as plantas aquáticas (inclusive o
fitoplâncton), aumentar o pH dos
solos
ácidos
e
com
isto
disponibilizar
uma
maior
quantidade de fósforo (P), nutriente
essencial para a fotossíntese e, para
clarear as águas quando estas de
encontrarem muito turvas (argila).
25
VALE A PENA DECORAR











O pH é um conceito que serve para indicar que tão ácido ou que tão básico é um
líquido. Substâncias com valores abaixo de 7 são consideradas ácidas; acima de 7
básicas e, se muito próximas de 7, neutras.
As diferentes substâncias existentes na Terra podem ter um pH que varia de 1 a 14,
porém, na maioria dos ambientes aquáticos naturais e de cultivo, o pH não é maior do
que 10 nem menor do que 4.
Para a grande maioria dos organismos aquáticos de cultivo, as maiores produtividades
são obtidas numa faixa de pH de 6,5 a 8,5.
O principal fator de mudança do pH nos viveiros é o fitoplâncton.
Durante o dia, o fitoplâncton aumenta o pH da água devido ao fenômeno conhecido
como hidrólise do bicarbonato (produção de OH-).
Durante a noite, o fitoplâncton diminui o pH devido à respiração, processo biológico
em que são produzidas grandes quantidades de gás carbônico (CO2), o qual, ao reagir
com a água, forma ácido carbônico (H2CO3).
A alcalinidade da água (quantidade de moléculas de HCO3- e de CO3-2) serve para
neutralizar tanto ácidos quanto bases. Alcalinidades acima de 60 mg/l são
recomendáveis para evitar as oscilações de pH.
A dureza da água refere-se à quantidade de átomos de Ca+2 e de Mg+2; de acordo com a
dureza, uma determinada água pode ser branda, moderadamente dura, dura ou muito
dura.
Águas com baixa alcalinidade podem ser tratadas com calcário agrícola, ou seja,
carbonato de cálcio (CaCO3) ou de magnésio (MgCO3).
As águas com baixa dureza podem ser tratadas igualmente com calcário agrícola.
Porém, se o pH é muito alto, recomenda-se o uso de gesso: sulfato de cálcio (CaSO4).
A eficiência da calagem dependerá da solubilidade (capacidade de se disolver na água)
e do tamanho das partículas de calcário.
26
5. NITROGÊNIO
O nitrogênio (N) é um
elemento que costuma ser muito
freqüente na Natureza. Na água dos
ambientes aquáticos, o nitrogênio
pode estar presente sob as seguintes
formas:







Nitrogênio molecular (N 2 ).
Amônia (NH 3 e NH 4 +).
Nitritos e nitratos (NO 2 - e NO 3 ).
Óxido nitroso (N 2 O).
N orgânico dissolvido
(compostos protéicos e seus
derivados).
N orgânico particulado vivo
(bactérias, fito e zooplancton).
N orgânico particulado não vivo
(detritus, restos de plantas e
animais, excrementos).
Com relação à qualidade da
água em aqüicultura, as formas
mais importantes de nitrogênio são:
amônia, nitrito e nitrato. Os dois
primeiros são mais relevantes do
que o terceiro haja visto que podem
apresentar um elevado grau de
toxicidade para qualquer animal de
cultivo,
seja
este
molusco
(mexilhão, ostra, vieira), crustáceo
(camarão marinho e de água doce)
ou peixe (carpa, truta, tilápia).
As principais fontes de ingresso
do nitrogênio nos ambientes
aquáticos naturais são três: a
biológica, por meio da captação do
nitrogênio molecular atmosférico
ou dissolvido; a metereológica,
através da queda de nitratos após
uma tormenta elétrica (os raios, na
presença de oxigênio, transformam
o nitrogênio atmosférico em
nitrato); e, a industrial, devido á
poluição das águas com fertilizantes
nitrogenados
utilizados
na
agricultura.
Além destas três , na aqüicultura
temos, como principal fonte de
nitrogênio, o alimento que é
fornecido aos organismos de
cultivo. Todo alimento têm
proteínas, as quais constituem-se
de aminoácidos cujas moléculas
apresentam nitrogênio sob a forma
de amina (NH 2 ).
Amina
CH3-CH
NH2
COOH
Aminoácido (Alanina)
Após a metabolização destes
aminoácidos, o nitrogênio é
excretado ao médio sob a forma de
amônia não ionizada (NH 3 ),
amônia ionizada (NH 4 +) e uréia
[(NH 2 ) 2 CO].
O nitrogênio pode acumular-se
nos fundos dos viveiros na forma
de excrementos (fezes) e alimento
não consumido.
Deve ser destacado que, de
acordo com o pH, a amônia total
27
(NH 3 + NH 4 +) pode apresentar uma
maior proporção de qualquer uma
das suas frações. Por exemplo,
quando o pH da água é básico
(acima de 7), a amônia irá se
apresentar sob a forma não ionizada
(NH 3 ); já se o pH for ácido (abaixo
de 7), a fração dominante será a
correspondente à amônia ionizada
(NH 4 +). Bom, agora você deve estar
se perguntando: e daí? De quê me
serve saber que a amônia apresenta
duas formas em função do pH da
água? A resposta curta e simples é
que o NH 3 é extremamente tóxico
para os animais de cultivo (!).
Quanto maior o pH e a
temperatura,
maior
será
a
porcentagem da amônia total sob a
forma não ionizada, ou seja, na
forma que é tóxica. De acordo com
a tabela ao lado, a porcentagem (%)
de amônia não ionizada, em função
do pH e da temperatura da água,
pode ser facilmente calculada (P.ex.
se a 20oC e um pH de 8,5 temos 3,5 mg/l de
amônia total, a porcentagem de NH 3
correspondente é de 11,2%, ou seja 3,5 x 0,112 =
0,39 mg/l de amônia não ionizada).
Quando o animal de
cultivo come algum
alimento, tira o
nitrogênio presente nos
aminoácidos e o
excreta sob a forma de
amônia e uréia
(desaminação). As
bactérias fazem o
mesmo, mas o processo
chama-se
amonificação.
o
C
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
6,0
0,0089
0,0097
0,0106
0,0115
0,0125
0,0136
0,0147
0,0159
0,0172
0,0186
0,0201
0,0218
0,0235
0,0254
0,0274
0,0295
0,0318
0,0343
0,0369
0,0397
0,0427
0,0459
0,0493
0,0530
0,0569
0,0610
0,0654
0,0701
0,0752
0,0805
6,5
0,0284
0,0309
0,0336
0,364
0,0395
0,0429
0,0464
0,0503
0,0544
0,0589
0,0637
0,0688
0,0743
0,0802
0,0865
0,0933
0,101
0,108
0,117
0,125
0,135
0,145
0,156
0,167
0,180
0,193
0,207
0,221
0,237
0,254
7,0
0,0898
0,0977
0,106
0,115
0,125
0,135
0,147
0,159
0,172
0,186
0,201
0,217
0,235
0,253
0,273
0,294
0,317
0,342
0,368
0,396
0,425
0,457
0,491
0,527
0,566
0,607
0,651
0,697
0,747
0,799
pH
7,5
0,284
0,308
0,335
0,363
0,394
0,427
0,462
0,501
0,542
0,586
0,633
0,684
0,738
0,796
0,859
0,925
0,996
1,07
1,15
1,24
1,33
1,43
1,54
1,65
1,77
1,89
2,03
2,17
2,32
2,48
8,0
0,891
0,968
1,05
1,14
1,23
1,34
1,45
1,57
1,69
1,83
1,97
2,13
2,30
2,48
2,67
2,87
3,08
3,31
3,56
3,82
4,10
4,39
4,70
5,03
5,38
5,75
6,15
6,56
7,00
7,46
8,5
2,77
3,00
3,25
3,55
3,80
4,11
4,44
4,79
5,16
5,56
5,99
6,44
6,92
7,43
7,97
8,54
9,14
9,78
10,5
11,2
11,9
12,7
13,5
14,4
15,3
16,2
17,2
18,2
19,2
20,3
9,0
8,2
8,9
9,6
10,3
11,1
11,9
12,8
13,7
14,7
15,7
16,8
17,9
19,0
20,2
21,5
22,8
24,1
25,5
27,0
28,4
29,9
31,5
33,0
34,6
36,3
37,9
39,6
41,2
42,9
44,6
DESAMINAÇÃO
(PEIXES)
OH
H
C
O
NH2
R
PROTEÍNAS
OH
H
C
O
C
C
NH2
NH3
↔ NH4+
Amônia
(NH2)2CO
Uréia
R
AMONIFICAÇÃO
(BACTÉRIAS)
2 NH3 + CO2
28
Para matar peixes por
intoxicação com este composto, são
necessárias quantidades muito
pequenas de amônia não ionizada
(NH 3 ). Por exemplo, as carpas
podem tolerar, como máximo, 0,2
mg de amônia por litro; acima deste
valor os peixes começam a sofrer as
conseqüências da intoxicação. O
principal sintoma é a diminuição do
crescimento devido a que o peixe
pára de comer. Por volta de 1,2
mg/l pode aparecer mortalidade de
peixes.
O bagres são um pouco mais
resistentes; são capazes de suportar
uma concentração em torno de 0,35
mg de amônia não ionizada por
litro. Concentrações acima deste
valor provocam retardamento do
crescimento e o aparecimento de
doenças. Concentrações acima de
1,5 podem provocar mortalidade.
Dentre todos os animais de
cultivo, os salmonídeos (trutas) são
os mais sensíveis à intoxicação por
NH 3 . Uma concentração de apenas
0,08 mg/l é suficiente para deixar
os animais estressados. A partir de
0,1 mg/l pode começar a aparecer
mortalidade. No cultivo desta
espécie é sempre recomendável
manter os níveis de amônia não
ionizada abaixo de 0,05 mg/l.
Os peixes tropicais são
sempre mais resistentes à amônia
do que os peixes de água fria.
Tilápias e camarões são bastante
resistentes à valores de amônia
elevados. Já os moluscos bivalves
(ostras e mexilhões)
campeões de resistência.
são
os
Resistência ao NH3
ALTA
Moluscos (ostras, mexilhões)
Camarões marinhos
Camarões de água doce
Peixes bentônicos (bagres)
Peixes tropicais (tilápias)
Carpas
Salmões
Trutas
BAIXA
Dicas para não sofrer com a amônia (NH3)







Procure manter o fitoplâncton em torno de 40
cm de transparência: muito fito aumenta o pH.
Use alimento de boa qualidade e com a
quantidade justa de proteína.
Quando seus níveis de amônia estiverem
muito elevados, restrinja ao máximo o uso de
adubos orgânicos (esterco de animais) e de
fertilizantes químicos nitrogenados (p. ex.
nitrato de amônia).
Após cada despesca, procure tirar a matéria
orgânica acumulada no fundo (aquela lama
preta que tem cheiro de ovo podre).
Após a retirada da matéria orgânica, desinfete
o fundo com cal virgem (CaO).
Quando os viveiros estiverem cheios, procure
tirar regularmente a água do fundo.
Viveiros bem oxigenados apresentam menos
problemas com amônia.
29
NITRITO E NITRATO
A amônia (NH 3 + NH 4 +), que
é produzida pelos processos de
desaminação
das
proteínas
(realizado por todos organismos de
cultivo, exceto plantas aquáticas) e
de amonificação (realizado pelas
bactérias),
em
presença
de
oxigênio,
é
imediatamente
transformada em nitrito (NO 2 -) e
nitrato (NO 3 -) através de um
processo biológico conhecido como
nitrificação (oxidação da amônia)
onde participam duas espécies de
bactéria
(Nitrosomonas
e
Nitrobacter).
Se no ambiente aquático
chegar a faltar oxigênio, o nitrato
anteriormente formado irá se
transformar novamente em amônia
através do processo conhecido
como desnitrificação (redução do
nitrato). Assim sendo, temos uma
reação reversível para a amônia:
vira nitrato na presencia de
oxigênio ou, o nitrato vira
novamente amônia na ausência de
oxigênio.
Bem
no
meio
destas
transformações de oxidação e de
redução, encontramos o nitrito, que
é um composto intermediário destas
duas reações, tal como pode ser
visto na seguinte equação:
NH 3 + NH 4 + ↔ NO 2 - ↔ NO 3 Dentre estes três compostos,
apenas o nitrato (NO 3 -) não é
tóxico. Elevadas concentrações
desta substância não fazem mal aos
organismos de cultivo; é por esta
razão que é mais recomendável o
uso de fertilizantes químicos a base
de nitratos antes do que a base de
amônia. Entretanto, se a água de
cultivo não estiver bem oxigenada
(sobretudo a que se encontra no
fundo), todo o nitrato que foi
colocado na fertilização, virará,
inevitavelmente, amônia, a qual sim
é altamente tóxica.
O nitrito (NO 2 -) é também
um composto extremamente tóxico
devido à capacidade que tem de
oxidar a hemoglobina do sangue
dos peixes. Se a hemoglobina
(pigmento respiratório que todos os
vertebrados tem, inclusive o
homem) é oxidada pelo nitrito, a
mesma torna-se incapaz de levar o
oxigênio até as células do
organismo.
Uma forma inconfundível de
verificar se os peixes estão sofrendo
de intoxicação por nitrito consiste
em sacrificar um deles e observar a
cor do sangue: se esta for de cor
marrom (e não vermelha, como é o
normal), o peixe estará intoxicado
por este composto.
Embora o nitrito seja um
tóxico potente, felizmente ele não é
muito comum. Contudo, ele pode se
tornar muito freqüente em cultivos
baseados
em
sistemas
de
recirculação de água equipados com
filtros
biológicos
(geralmente
laboratórios de produção de larvas).
30
VALE A PENA DECORAR






Desde o ponto de vista da aqüicultura, os compostos nitrogenados mais importantes
são a amônia, o nitrito e o nitrato, sendo que os dois primeiros são extremamente
tóxicos para os organismos de cultivo.
A principal fonte de nitrogênio para os ambientes de cultivo é a ração que é fornecida
para alimentar os animais. Este alimento, necessariamente, contém proteínas e estas, na
sua vez, contém aminoácidos os quais têm nitrogênio na sua composição.
A amônia forma-se pela desaminação (peixes) e amonificação (bactérias) das proteínas
presentes nas excretas dos peixes e no alimento não consumido.
Apenas a forma não ionizada de amônia (NH3) é tóxica para os animais de cultivo.
Esta fração não ionizada forma-se somente se a água tiver valores de pH superiores a 7
(básico). Quanto mais básica for a água de cultivo, mais tóxica a amônia irá se tornar.
A amônia pode transformar-se em nitrato (NO3-) na presença de oxigênio (nitrificação)
e este, na ausência do mesmo, pode transformar-se novamente em amônia
(desnitrificação).
No meio destas transformações aparece o nitrito (NO2-), que também é extremamente
tóxico pela capacidade que tem de oxidar a hemoglobina do sangue dos peixes.
31
6. NUTRIENTES E
FERTILIZAÇÃO
Os nutrientes são elementos
vitais para o desenvolvimento do
fitoplâncton, o qual é o inicio da
vida nos ambientes aquáticos
naturais e de cultivo.
Os nutrientes, de acordo com
sua importância, podem ser
classificados em micronutrientes
(absolutamente
essenciais
e
bastante escassos na Natureza) ou
em macronuetrientes (de menor
importância e muito abundantes).
Dentre os micronutrientes
temos, em ordem de importância, o
fósforo (P), o nitrogênio (N) e o
potássio (K). Dentre todos estes, o
fósforo é, definitivamente, o mais
escasso. Por esta razão, muitas
plantas apresentam o chamado
consumo de luxo, ou seja que,
quando as circunstâncias assim o
determinam, elas absorvem mais
fósforo do que realmente precisam.
Na grande categoria dos
macronutrientes podemos encontra
os seguintes elementos: cálcio (Ca),
magnésio (Mg), cloro (Cl), sódio
(Na), ferro (Fe), manganês (Mn),
etc. Embora estes elementos sejam
menos importantes para as plantas
devido a sua relativa abundância, a
total ausência de um deles num
determinado corpo de água pode
determinar a completa esterilidade
do meio.
Nitrogênio
Fósforo
Potássio
Os micronutrientes mais
escassos na Natureza.
O fósforo é o micronutriente mais
importante para o crescimento
do fitoplâncton.
32
Desde o ponto de vista da
fertilidade da água dos viveiros de
cultivo, os micronutrientes tais
como nitrogênio, fósforo e potássio
resultam ser fundamentais para o
crescimento do fitoplâncton.
Pelo simples fato destes
micronutrientes serem sumamente
escasso no ambiente, o fitoplâncton
consegue esgotá-los rapidamente. É
por esta razão que em aqüicultura é
necessário fertilizar a água dos
cultivos. A fertilização consiste em
colocar, com relativa freqüência, os
micronutrientes mais escassos na
água. Assim sendo, os fertilizantes
a serem utilizados, sejam estes
orgânicos ou inorgânicos, não
poderão deixar de ter os elementos
antes mencionados: nitrogênio (N),
fósforo (P) e potássio (K); é desta
combinação de nutrientes que
nasceu um termo bastante familiar
para os agricultores, o NPK (válido
somente
para
fertilizantes
inorgânicos, ou seja, químicos).
Expresso sob a forma de
porcentagem, um determinado
fertilizante inorgânico, cuja fórmula
NPK é 20-40-20, significará que
possui 20% de nitrogênio, 40% de
fósforo e 20% de potássio. Na
tabela ao lado podem ser
encontradas as fórmulas NPK dos
principais fertilizantes inorgânicos
existentes no mercado.
Deve ser destacado que, em
se tratando de água do mar, é
desnecessário que o fertilizante
possua potássio (K), já que as águas
Os fertilizantes inorgânicos consistem
de produtos químicos onde o fósforo, o
nitrogênio e o potássio se encontram
sob a forma quase pura.
Lista dos principais fertilizantes
inorgânicos (químicos)
Nitrogenados
Uréia
Nitrato de amônia
Sulfato de amônia
Fosfatados
Superfosfato
Superfosfato triplo
Metafosfato de Cálcio
Combinados
Fosfato de amônia
Nitrato de potássio
Superfosfato de amônia
NPK
45-0-0
35-0-0
20-0-0
NPK
0-20-0
0-40-0
0-60-0
NPK
12-40-0
13-0-44
12-20-0
33
marinhas e salobras são ricas neste
elemento em particular.
Além
dos
fertilizantes
inorgânicos (químicos), os viveiros
de cultivo podem ser fertilizados
(adubados) com os chamados
fertilizantes orgânicos (naturais),
os quais se compõem de diferentes
tipos de esterco de animais usados
na pecuária (galinha, boi, porco,
cavalo). O capim compostado e as
folhas
de
hortaliças
em
decomposição
também
são
considerados
como
sendo
fertilizantes orgânicos.
Deve ser mencionado que
muitos técnicos e mesmo alguns
aqüicultores criticam o uso de
fertilizantes orgânicos nos viveiros
de cultivo. Os argumentos mais
usados nestas críticas são os
seguintes:
a
quantidade
de
nutrientes destes adubos é muito
baixa; a elevada carga da matéria
orgânica dos adubos promove a
decomposição bacteriana, o que
acaba provocando o rápido
esgotamento do oxigênio dissolvido
da água (o qual é absolutamente
verdadeiro).
Tem também os que são a
favor por acreditarem que o esterco
de animais serve de alimento para
os peixes, entretanto, um bom
número de pesquisas científicas tem
demonstrado que esta suposição é
falsa. O esterco é tudo aquilo que
não pode ser assimilado pelos
animais e é justamente por esta
O esterco dos animais de granjas e
fazendas pertence à categoria do
fertilizantes orgânicos
O principal risco do uso
de fertilizantes
orgânicos é que estes
podem provocar o
esgotamento do
oxigênio da água!
34
razão que o mesmo é eliminado sob
a forma de dejeto.
Tudo aquilo que não foi
possível assimilar pelos animais,
não necessariamente irão ser
assimilados pelos peixes do cultivo.
Entretanto, os organismos que sim
podem aproveitar o esterco são as
bactérias e o zooplâncton. É na
matéria orgânica presente no
esterco que, tanto as bactérias
quanto o zooplâncton encontram
uma excelente fonte de alimento
para sua proliferação.
Assim sendo, a figura do
aproveitamento do esterco por parte
dos peixes muda bastante. Ao invés
do peixe comer um alimento de
baixíssimo
valor
nutricional
(esterco puro), o animal passa a
aproveitar um alimento com
elevado valor biológico (esterco
colonizado
de
bactérias
e
zooplâncton),
já
que
os
microorganismos presentes no seu
interior são ricos em proteínas,
vitaminas e minerais.
O ideal em questão de
fertilização, portanto, não é o uso
exclusivo de fertilizantes orgânicos
ou
inorgânicos;
o
mais
recomendável é usar os dois
simultaneamente, na base de 50
kg/ha/semana para os primeiros e
de 15 kg/ha/semana para os
segundos.
Obviamente
estas
quantidades podem ser ajustadas
(acrescidas ou diminuídas) de
acordo com a resposta do
fitoplâncton.
Os fertilizantes
inorgânicos, quando
aplicados
individualmente,
beneficiam diretamente
o fitoplâncton e,
indiretamente, o
zooplâncton e os animais
do cultivo.
Os fertilizantes
orgânicos, quando
aplicados
individualmente,
beneficiam diretamente
o zooplâncton e os
animais do cultivo e,
indiretamente, o
fitoplâncton.
Os fertilizantes orgânicos e
inorgânicos, quando aplicados
simultaneamente, beneficiam tanto
o fitoplâncton quantos e
zooplâncton e os animais de
cultivo.
35
VALE A PENA DECORAR








A produtividade de uma unidade de aqüicultura começa com o fitoplâncton e este, para
poder se desenvolver precisa de luz e nutrientes.
Os nutrientes necessários para o desenvolvimento do fitoplâncton podem ser divididos
em micro e macronutrientes.
Os micronutrientes são o nitrogênio (N), o fósforo (P) e o potássio (K), é por esta razão
que a maioria dos fertilizantes possuem a fórmula NPK.
Dentre estes três, o fósforo é o nutriente mais importante devido a que é o mais
escasso. Na aqüicultura marinha e de águas salobras o potássio não é considerado um
nutriente essencial devido a sua relativa grande abundância.
Entre os macronutrientes temos os seguintes elementos: cálcio (Ca), magnésio (Mg),
cloro (Cl), sódio (Na), ferro (Fe), manganês (Mn), etc. Estes nutrientes são muito
abundantes nos sistemas aquáticos tanto marinhos quanto os de água doce.
Os micronutrientes NPK podem ser introduzidos na água dos cultivos mediante
fertilização. A fertilização pode ser química ou orgânica, sendo que na primeira
utilizam-se fertilizantes agrícolas purificados e, na segunda, esterco de animais de
granja e fazenda.
Os fertilizantes químicos beneficiam diretamente o fitoplâncton; já os fertilizantes
orgânicos beneficiam diretamente o zooplâncton e os animais de cultivo. O ideal é usar
sempre uma combinação adequada de fertilizantes orgânicos e inorgânicos.
O grande risco do uso de fertilizantes orgânicos é a possibilidade destes virem a
provocar o esgotamento do oxigênio dissolvido na água.
36
7. POLUIÇÃO DA ÁGUA
A palavra poluição vem do
Latim e significa “sujar”; desta
forma, poluir a água significa sujála. Mas como e com que a água
pode ser poluída?
De acordo com a natureza do
poluente, a água pode ser poluída
de várias formas. Se o estado físico
da
substância
poluente
for
considerado, a água pode ser sujada
com sólidos (fezes por exemplo),
líquidos (óleo, gasolina, etc.) e
gases (CO 2 , gás sulfídrico, metano,
etc.).
Se a natureza química estiver
valendo na classificação, os
poluentes podem ser divididos em
orgânicos e minerais. Os primeiros
possuem
carbono
na
sua
composição (matéria orgânica) e os
segundos não (ácidos, bases, metais
pesados, etc.)
Por último, se a ação que o
poluente tem sob os seres vivos for
considerado, estes podem ser
classificados como biodegradáveis
(que precisam de oxigênio para
serem decompostos, que é o caso de
qualquer tipo de matéria orgânica),
biorresistentes (que não podem ser
degradados por bactérias, como é o
caso do vidro) e tóxicos (que
provocam nos seres vivos doenças
ou a morte, como é o caso dos
pesticidas agrícolas).
De forma mais geral, os
principais poluentes que infernizam
a vida dos ambientes aquáticos e da
Classificação dos Poluentes
Estado Físico:
- sólidos
- líquidos
- gases
Natureza Química:
- orgânicos
- minerais
Efeito nos Seres Vivos:
- biodegradáveis
- biorresistentes
- tóxicos
Os poluentes que pertencem à
categoria dos tóxicos são os mais
perigosos em aqüicultura devido a que
provocam doenças e a morte nos
organismos de cultivo.
37
aqüicultura pertencem a uma destas
categorias: agrícola, doméstico
(esgotos),
industrial
e
autopoluição (a poluição que é
gerada pela própria aqüicultura).
Dentre a categoria agrícola
temos os chamados agrotóxicos, os
quais compreendem uma série de
substâncias usadas para combater
insetos, fungos e ervas daninhas
(DDT, enxofre, trifluralin, etc.).
Nesta
categoria
também
encontramos os fertilizantes da
terra, tais como a uréia e os nitratos
os quais, em grandes quantidades,
funcionam
como
verdadeiros
venenos da vida aquática.
Na categoria doméstica temos os
esgotos das grandes cidades.
Quando não tratados, estes esgotos
funcionam como bombas relógio
pois, com o tempo, acabam
disseminando doenças e matando a
vida
aquática
devido
ao
esgotamento do oxigênio dissolvido
(a grande mortandade de peixes
ocorrida na Lagoa Rodrigo de
Freitas, RJ, em março de 2000, é
um bom exemplo). Os esgotos
domésticos
possuem
elevadas
cargas de matéria orgânica (fezes e
restos de alimentos), fósforo
(devido
aos
detergentes)
e
patógenos. Os dois primeiros
provocam
uma
exagerada
proliferação de microalgas, as
quais, como o leitor muito bem
sabe, esgotam todo o oxigênio
presente e acabam morrendo
também, aumentando assim a
quantidade de matéria orgânica.
Este processo é conhecido como
eutrofização.
As principais fontes de contaminação da
água das fazendas de cultivo provêm da
agricultura, da indústria, das cidades
(esgoto) e das próprias fazendas
(autopoluição).
38
A poluição industrial consiste no
despejo de substâncias tóxicas ao
meio ambiente aquático sem
nenhum tipo de controle. O
derramamento de petróleo em rios e
mares é um exemplo de poluição
industrial. No tipo industrial
encontramos também os metais
pesados, os quais são extremamente
perigosos para os organismos
aquáticos de cultivo. O mercúrio
que é usado no garimpo é um tipo
de poluição provocada pelo despejo
deste metal pesado nos rios.
A autopoluição é sinônimo
de eutrofização e corresponde à
poluição dos ambientes de cultivo
com matéria orgânica devido ao
mal manejo dos mesmos. Projetos
de engenharia aqüícola deficientes,
erros na escolha do local, tanques
muito profundos, excesso de
alimento balanceado e uma alta
densidade de animais são alguns
dos fatores que contribuem
significativamente
com
a
autopoluição.
O excesso de matéria
orgânica no ambiente aumenta a
decomposição bacteriana, a qual
esgota rapidamente o oxigênio
dissolvido do fundo; logo, o pH cai
devido ao excesso de CO 2 e o gás
sulfídrico (H2 S) e a amônia
começam a acumular-se. O
esgotamento do oxigênio dissolvido
e a presença de amônia e gás
sulfídrico (cheiro de ovo podre),
determinarão o fracasso dos
cultivos
por
autopoluição
(eutrofização).
A autopoluição pode ser
evitada realizando uma correta
escolha do local do cultivo,
preferencialmente em locais o
suficientemente afastados de áreas
urbanas, e um adequado regime de
manejo, mantendo as concentrações
do oxigênio dissolvido sempre altas
e evitando, no possível, a
acumulação de matéria orgânica no
fundo dos ambientes de cultivo.
Excesso de matéria orgânica
Decomposição bacteriana
Liberação de nutrientes (NPK)
Proliferação exagerada do
fitoplâncton
Morte do fitoplâncton
Aumento da decomposição
bacteriana e produção de amônia,
gás sulfídrico e metano
Esgotamento do oxigênio
Morte dos organismos de cultivo!
Seqüência típica de etapas que
levam à autopoluição e à
eutrofização dos ambientes de
cultivo
39
Gás Sulfídrico (H 2 S)
Peixe com “Sabor a Lama”
O gás sulfídrico corresponde
à categoria da autopoluição e
forma-se a partir da matéria
orgânica que fica acumulada no
fundo dos viveiros. Repare que a
molécula deste composto possui um
átomo de enxofre (S) o qual provêm
dos aminoâcidos azufrados tais
como Metionina e Cisteína,
presentes nas proteínas.
Toda matéria orgânica têm
proteína e toda proteína têm
aminoácidos, logo, toda matéria
orgânica pode produzir gás
sulfídrico. É por esta razão que
deve-se ter muito cuidado com a
quantidade e a qualidade do
alimento que é colocado no viveiro.
Ração de mais e proteína de mais
contribuirão pára a formação desta
toxina.
O gás sulfídrico é um
composto extremamente tóxico
para os organismos de cultivo, uma
concentração de apenas 0,5 mg/l é
suficiente para provocar problemas
nos peixes e camarões de cultivo.
Para que o H 2 S se forme num
viveiro é necessário que o mesmo
apresente
uma
água
com
concentrações muito baixas de
oxigênio dissolvido e com pH
ácido. Para prevenir a aparição
deste gás é recomendável realizar
calagem periódicas a fim de evitar
valores de pH muito baixos.
O sabor a lama ou barro que
alguns peixes chegam a ter após a
despesca
deve-se
a
certas
substâncias
produzidas
pelos
microorganismos que vivem na
água. Em piscicultura, o sabor a
lama é conhecido como “offflavor”, que significa “fora de
sabor”.
Este fenômeno é muito
comum em cultivos de peixes de
água doce tais como “catfish”
(bagre do canal), carpas e tilápias.
O caraterístico sabor a lama deve-se
à presença, na carne dos peixes, de
duas substâncias conhecidas como
geosmin e MIB (metil-isobormeol), sendo que o primeiro é
produzido por certas microalgas
pertencentes
ao
grupo
das
cianofitas (algas verde-azuis) e o
segundo
por
actinomicetos
(fungos).
A causa da formação de
cianofitas e actinomicetos, que por
sua vez provocam o sabor a lama, é,
mais uma vez, o excesso de matéria
orgânica no fundo dos viveiros de
cultivo.
O “off-flavor” provoca a
perda de muito dinheiro já que os
peixes, antes de ser abatidos,
precissam passar por um processo
de depuração em água limpa, no
qual perdem peso e sofrem alguma
mortalidade.
40
VALE A PENA DECORAR







Poluir consiste em sujar alguma coisa como por exemplo o ar, a água e a terra.
Os poluentes são substâncias que sujam a água e os mesmos podem ser classificados
como biodegradáveis, biorresistentes ou tóxicos.
A poluição mais perigosa para a aqüicultura é aquela que pertence à categoria dos
tóxicos.
Os poluentes tóxicos podem ter sua origem nas atividades agrícolas (pesticidas),
industriais (metais pesados e substâncias químicas tóxicas), urbanas (despejo de
esgotos domésticos não tratados) e na autopoluição.
A poluição urbana pode ser extremamente negativa devido a que os organismos
cultivados têm a capacidade de acumular germes (vírus e bactérias) e substâncias
perigosas para a saúde humana. Isto é particularmente verdadeiro em se tratando do
cultivo de moluscos (animais filtradores) em águas contaminadas por esgotos.
A autopoluição, ou eutrofização, consiste na acumulação do excesso de matéria
orgânica no fundo dos viveiros; este excesso deve-se, principalmente, à grande
quantidade de alimento que é oferecido aos organismos de cultivo.
As principais conseqüências da autopoluição são o esgotamento do oxigênio dissolvido
e a produção de substâncias nocivas para os peixes tais como amônia, gás sulfídrico e
os compostos responsáveis pelo “sabor de lama”.
41
8. SOLOS
Pode parecer estranho termos
que falar do solo num livro que
trata sobre qualidade da água;
porém, por mais estranho que
pareça, os solos tem uma
importante participação com tudo
aquilo que aconteça com a água nas
unidades de cultivo, sejam estas de
água doce ou de água salgada.
Para inicio de conversa
devemos dizer que, embora
diferentes, o ambiente aquático e o
do solo se encontram intimamente
relacionados.
No ambiente aquático, a
energia que move toda a cadeia
trófica pelágica (ou seja, aquela
que flutua na água), vem do sol e é
transformada em energia química
graças à fotossintese. Já no solo
submerso das unidades de cultivo, a
energia que move a cadeia trófica
bentônica (isto é,
a que se
encontra no fundo) provêm da
matéria orgânica que se encontra na
água (fitoplâncton, zooplâncton e
organismos de cultivo mortos), ou
fora dela (as folhas que caem na
água, a ração que é fornecida, etc.).
Enquanto na água o principal
elemento que faz possível a
transferência de matéria e energia é
o oxigênio, no solo estes elementos
são os nitratos (NO 3 -), o ferro
férrico (Fe+3), os sulfatos (SO 4 -2) e
o gás carbônico (CO 2 ).
AR
ÁGUA
Cadeia trófica
pelágica
SOLO
Cadeia trófica
bentônica
Os ambientes da água e do solo são
diferentes, porém interrelacionados
(um depende do outro).
Luz
Plâncton
Oxigênio
Escuridão
Bentos
Dióxido de Carbono
41
42
Outra diferença importante
entre o ambiente aquático e o
ambiente do solo é o oxigênio
disponível. Devido a que a luz é
mais intensa perto da superfície da
água, o fitoplâncton, que é
responsável pela produção de
oxigênio, ficará estacionado sempre
onde houver luz solar. A
conseqüência disto é que tanto a luz
quanto o oxigênio serão mais
abundantes na água do que no solo.
Este fenômeno determinará
que o solo tenha sempre uma
predisposição à acidez e à falta
crônica de oxigênio. Estas duas
caraterísticas farão com que a
matéria orgânica que se deposita no
fundo ao longo dos cultivos seja
reciclada muito devagar. Ao não se
reciclar como deve, esta matéria
orgânica apodrece em condições
anaeróbicas (sem oxigênio), fato
que provoca a produção de grandes
quantidades de CO 2 , amônia e gás
sulfídrico.
Dependendo do tipo de solo,
as condições de acidez e de
anaerobiose podem ser bastante
diferentes. Por exemplo, os solos
orgânicos (aqueles de cor preta e
cheiro forte) tenderão a ser
extremamente ácidos (pH perto de
4) e anaeróbicos. Os solos de lama,
por sua vez, tenderão a serem
medianamente anaeróbicos e menos
ácidos. Já os solos de areia terão,
quase sempre, condições bem mais
amenas da que os dois tipos
anteriores.
Areia:
-
textura grossa
permeável
pH neutro
pouco reativo
Silte:
-
textura média
semi-permeável
pH ácido
bastante reativo
Argila:
-
textura fina
impermeável
pH ácido
altamente reativo
Os principais tipos de solo e suas
caraterísticas mais relevantes
42
43
Tal como você já pode ter
deduzido, solos de lama ou com
alto teor de matéria orgânica
precisarão de muito mais calcário
para corrigir a acidez natural dos
mesmos.
Se você não corrigir o pH
ácido do fundo das suas unidades
de cultivo, além de expor seus
animais à amônia e ao gás
sulfídrico,
estará
também
prejudicando a produtividade da
água, haja visto que os solos ácidos
capturam muito facilmente todo o
fósforo que é colocado na água com
o
intuito
de
promover o
crescimento do fitoplâncton.
Se o solo não for bem
manejado, ou seja se permitimos
que se acumule muita matéria
orgânica e se deixamos ele sem
oxigênio, este funcionará como
sumidouro de nutrientes e como
uma verdadeira bomba de tempo,
preste a explodir no momento
menos esperados.
O solo deve se bem tratado
pois o mesmo é responsável dos
seguintes processos vitais para se
ter uma boa qualidade de água:
- os solos trocam nutrientes com
a água, o que acaba
beneficiando o fitoplâncton; e
- a matéria orgânica que
sedimenta é reciclada e
devolvida à água na forma de
organismos
bentônicos
e
nutrientes.
Solo oxidado (com oxigênio)
Cor marrom claro
Cheiro de terra
Compacto
Caraterísticas do solo de um viveiro
de cultivo em boas condições
Solo reduzido (sem oxigênio)
Cor preta
Cheiro podre
Solto
Caraterísticas do solo de um viveiro
de cultivo em más condições
43
44
É claro que estes processos
mudam de intensidade em função
do tipo de solo que apresenta a
unidade de cultivo. Solos de lama
favorecem estes processos por
serem bem mais reativos em termos
químicos do que os solos de areia.
A reatividade natural do solo, desde
que bem manejada, pode ser uma
aliada para a manutenção da
qualidade da água.
Com relação à transparência
da água, deve ser dito que solos de
lama ou argila atrapalham mais a
penetração da luz do que solos
constituídos de silte e areia. Por
exemplo, após uma forte chuva, ou
quando os peixes com hábitos
bentônicos (como a carpa comum)
removem o fundo, uma grande
quantidade de sedimentos é
colocada na água e, se o solo for de
argila, estes sedimentos demorarão
muito mais tempo em voltar a
sedimentar (as vezes demora dias)
do que se fossem de silte ou areia.
A explicação para este
comportamento está no tamanho
das partículas do solo. As partículas
de argila são tão finas que, quando
espalhadas uniformemente numa
superfície plana, una grama pode
ocupar até 1.000 m2. No caso do
silte e da aréia, uma grama de
material ocupa uma área de 1 e 0,1
m2 respectivamente.
Uma forma de fazer com que
as partículas de argila sedimentem
mais rapidamente, e assim melhorar
a penetração da luz para o
fitoplâncton, é realizando uma
calagem com carbonato de cálcio.
Esta medida funciona muito bem
devido a que as cargas positivas do
cálcio irão se juntar com as
negativas das partículas de argila,
fazendo com que estas precipitem
rapidamente.
Todas estas considerações
devem ser observadas com mais
atenção quando os animais de
cultivo têm hábitos bentônicos (de
fundo), como é o caso dos
camarões e certos peixes como o
bagre do canal.
Após a despesca, o solo dos
viveiros
de
cultivo
podem
recuperara a qualidade perdida
deixando-o secar ao sol por
intervalos de dois a três dias,
cuidando que a umidade não seja
menor de 40%. A umidade, o calor
e o oxigênio do ar promoverão a
reciclagem (oxidação) da matéria
orgânica que ficou acumulada
durante o tempo que o solo ficou
inundado. Caso o solo apresentar
uma acidez persistente, além da
secagem pode ser recomendável
calagem e remoção do solo com
arado.
Nos cultivos que são realizados
no mar (gaiolas ou lanternas de
moluscos),
estas
medidas
são
impraticáveis, portanto, neste caso
vale a máxima que diz: “melhor evitar
do que lamentar”, ou seja, se o solo
ficar estragado, não há nada que se
possa fazer!
44
45
VALE A PENA DECORAR








A qualidade da água de uma determinada unidade de cultivo dependerá, em maior ou
menor grau, da qualidade do solo.
A cadeia trófica predominante no solo corresponde à dos organismos bentônicos (de
fundo).
Os solos, e em geral o fundo das unidades de cultivo, possuem menos luz e oxigênio
dissolvido.
Os solos tem vocação para a acidez (pH baixo) e para a anaerobiose (ausência de
oxigênio).
Os solos de argila tendem a ser mais ácidos dos de silte e areia.
Solos de argila são bem mais reativos e precisam de mais calcário para corrigir o pH.
O solo, quando bem tratado, recicla a matéria orgânica e libera nutrientes que
beneficiam o crescimento do fitoplâncton.
A qualidade dos solos pode ser recuperada por meio da secagem, remoção de terra e
aplicação de calcário.
45
46
9. MÉTODOS DE
ANÁLISE DA
QUALIDADE DA ÁGUA
acumulados descarregados num
computador. Este parâmetro é
expresso em graus Celcius, cujo
símbolo é oC.
A qualidade da água em
aqüicultura marinha ou de água
doce pode ser determinada por uma
grande variedade de métodos,
dentre os quais destacam-se as
análises químicas laboratoriais e os
aparelhos eletrônicos portáteis.
Ultimamente tem aparecido
no mercado os kits de análise da
água, os quais costumam ser
bastante práticos, precisos e
baratos. Caso você conte com
poucos
recursos,
o
mais
recomendável é que adquira um
destes kits a fim de aumentar seu
entendimento a respeito do que se
passa com a água dos seus cultivos.
A seguir, resumiremos os
métodos mais utilizados para a
determinação de cada um dos
parâmetros abordados neste livro.
Salinidade (‰)
Temperatura (oC)
A forma mais simples de
determinar a temperatura é por
meio do uso de termômetros de
álcool ou de mercúrio. Existem
também os termômetros eletrônicos
equipados com microprocessadores,
os quais são deixados na água para
que a temperatura seja registrada de
hora em hora. Após o período
programado, o termômetro é
retirado da água e os dados
A salinidade refere-se a
quantidade de sal (principalmente
cloreto de sódio, NaCl) presente
num determinado corpo de água. A
água de mar, por exemplo, possui
35 gramas por cada litro de água;
isto significa que para cada 1000
(mil) gramas de água haverá 35
gramas de sal ou, em outra
palavras, 35 partes por mil. O
símbolo utilizado para expressar a
salinidade de um líquido é
justamente a parte por mil (‰).
A forma mais barata de se
calcular a salinidade da água é por
meio do uso do densímetro
(aparelho de vidro parecido a um
termômetro). Existe também a
forma química, a qual baseia-se na
reação do cloreto de sódio com o
nitrato de prata. As desvantagens
destes dois métodos é que o
primeiro é inexato e o segundo
muito caro.
Nível da água
Escala de salinidade
Densímetro flutuante
47
Felizmente,
para
nossa
comodidade tem sido inventado o
salinómetro, pequeno aparelho
ótico baseado no princípio da
refração da luz. Para determinar a
salinidade da água basta colocar
uma gota do líquido no prisma do
aparelho e conferir, por meio de um
ocular, a salinidade resultante.
Salinómetro
de química da água ou por meio do
uso dos kits de análise.
No método eletroquímico a
concentração do oxigênio da água é
determinada por meio de uma
reação que acontece na sonda do
aparelho
conhecido
como
oxímetro. No interior da sonda, o
oxigênio irá reagir com um cátodo
de prata (que tem carga negativa),
esta reação criará uma molécula de
OH-, que por sua vez estimulará um
ânodo de ouro (que tem carga
positiva). Este estímulo criará uma
corrente elétrica e a quantidade
desta energia será equivalente à
concentração do oxigênio.
(cortesia da Aquafauna Inc.)
Oxigênio Dissolvido (mg/l)
Existem duas formas muito
usadas para se determinar o
oxigênio que se encontra dissolvido
na água: a reação de Winkler
(método químico) e a reação da
sonda
polarográfica
(método
eletroquímico).
No método químico utiliza-se
o iodeto de potássio (KI) para fixar
o oxigênio da água. A quantidade
de iodo fixado eqüivale à
quantidade de oxigênio presente
sob a forma de miligramas por litro
(mg de O 2 /l). A reação de Winkler
pode ser realizada num laboratório
Oxímetro digital
(Cortesia da Yellow Spring Inc.)
O uso do oxímetro é a forma
mais prática e recomendável para o
controle do oxigênio da água. A
vantagem deste aparelho é que você
pode fazer varias medições por dia
48
pois para isso basta mergulhar a
sonda na água e apertar um botão.
Os aparelhos existentes no mercado
são digitais e já vem equipados com
termômetro e até salinómetro. Além
da concentração do oxigênio em
miligramas
por
litro,
estes
aparelhos calculam a porcentagem
de saturação, o qual é uma enorme
vantagem quando se quer saber se
está faltando ou sobrando oxigênio
na água do nosso cultivo.
Para se ter uma idéia do
preço deste aparelho podemos dizer
que o mesmo custa o equivalente a
uma TV de 29 polegadas. Se seu
empreendimento for grande, vale a
pena investir num oxímetro digital.
Transparência (cm)
O instrumento mais aceito
para determinar a transparência da
água é o Disco de Secchi, o qual
consiste num prato de plástico ou
madeira pintado de preto e branco.
Disco de Secchi
Para
se
determinar
a
transparência basta mergulhar o
disco do Secchi até ele não ser mais
visível a olho nu. Uma vez que o
disco desaparece, a transparência é
determinada
verificando
a
profundidade
em
que
isto
aconteceu. Por exemplo, se o disco
desapareceu
à 45
cm de
profundidade dizemos que a
transparência é de 45 cm. Esta
profundidade é possível de ser
determinada graças a que o disco se
encontra amarrado a uma fita
métrica ou uma corda graduada.
pH
O potencial de hidrogênio
(pH) pode ser determinado de três
formas principais: reação de
neutralização
com
indicador
químico, papel tornasol e sonda
eletroquímica.
A forma mais prática e barata
de se medir o pH é por meio do uso
dos indicadores. Utilizando este
método basta colocar uma gota do
indicador
(fenolftaleína
por
exemplo) na amostra de água e
esperar até que uma cor verde ou
vermelha apareça. Se a cor
vermelha aparecer, é indicativo que
a água é ácida (pH abaixo de 7) e,
se a cor verde se manifestar, a água
é básica (pH acima de 7).
49
Kit de Análise
(Laboratório portátil)
Para a determinação de
parâmetros tais como alcalinidade,
dureza,
nutrientes,
compostos
nitrogenados e inclusive gás
sulfídrico, você tem duas opções:
enviar as amostras de água para um
laboratório especializado nesse tipo
de análises ou usar um dos kits que
se encontram disponíveis no
mercado.
Kit de análise da qualidade da água
(Cortesia da Alfa Tecnoquímica,
SC, Brasil)
A vantagem do uso dos kits é
que eles são baratos e muito
práticos, qualquer um pode
aprender a usa-los. Outra vantagem
é que, alem dos parâmetros acima
mencionados, os kits também
determinam o pH e o oxigênio
dissolvido.
Considerações Finais
Caso tiver dúvidas a respeito
da determinação dos parâmetros de
qualidade da água para qualquer um
dos métodos
aqui descritos,
procure um extensionista ou um
técnico que entenda do asunto.
Toda vez que for mexer com
qualquer reagente químico, siga
corretamente as instruções de
manuseio e as normas de segurança.
O mal uso destas substâncias pode
ser perigoso para sua saúde.
Quando terminar de utilizar
reagentes químicos, não jogue as
amostras em qualquer lugar.
Armazene elas em frascos escuros
de vidro e guarde-os fora do
alcance de crianças e animais
domésticos. Pergunte a um técnico
o que fazer com estes resíduos. Se
você
seguir
esta
última
recomendação, tenha certeza que o
meio ambiente e as futuras gerações
ficarão eternamente agradecidos
com você.
50
VALE A PENA DECORAR
Os parâmetros de qualidade da água e seus principais métodos de análise
Parâmetro
Método (Unidade Determinada)
Temperatura
Salinidade
Termômetro de mercúrio (oC)
Salinómetro (‰)
Densímetro (graus Baumé, Bé)
Reação de Winkler (mg/l)
Oxímetro polarográfico (mg/l)
Disco de Secchi (cm)
Turbidímetro (NTU)
Papel tornasol
pH-metro de eletrodo
Fenolftaleína e outros indicadores de pH
Método Nessler (mg/l)
Método Berthelot ou do Indophenol (mg/l)
Reação de Griess ou da Sulfanilamida (mg/l)
Redução do Cádmio (mg/l)
Titulação com Ácido Sulfúrico (mg CaCO3/l)
Titulação com EDTA (mg CaCO3/l)
Teste do Antimônio (mg/l)
Método iodométrico (mg/l)
Método do azul de metileno (mg/l)
Oxigênio
Transparência
pH
Amônia (NH3/NH4+)
Nitrito (NO2-)
Nitrato (NO3-)
Alcalinidade
Dureza
Gás Sulfídrico (H2S)
51
Bibliografia
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formulação de políticas de desenvolvimento da aqüicultura brasileira. Editora da
UFSC. Florianópolis. 310 p.
52
Dicionário de Termos Técnicos
Abiótico: Conjunto de parâmetros físicos e químicos, tais como temperatura,
intensidade de luz, disponibilidade de água, salinidade, etc., que interfere
diretamente na vida dos organismos.
Ácido: Substância cujas moléculas liberam prótons ou íons hidrogênio (H+)
em solução aquosa (água). Os ácidos, ao se unirem com as bases, formam
sais neutros.
Alcalinidade: Quantidade de ácido requerido para neutralizar as bases que
estão dissolvidas na água.
Algas: Grupo de plantas que contêm clorofila, mas que não formam embriões
durante o desenvolvimento, carecendo de tecidos vasculares.
Aminoácidos: Moléculas orgânicas que contêm nitrogênio na forma de um
grupo amina (NH 2 ) e um grupo carboxila (COOH), unidos ao mesmo
átomo de carbono. São as unidades estruturais das proteínas.
Amonificação (putrefação): produção de amönia pela atividade bacteriana a
partir de todos os compostos que contém proteínas.
Ânion: Íon ou grupo de íons com carga negativa.
Autotrofia: Capacidade que um organismo vivente tem de nutrir-se por si
mesmo. Elaboração de elementos nutritivos orgânicos a partir de matériasprimas inorgânicas.
Bactérias (micróbios): animais microscópicos responsáveis pela
decomposição (apodrecimento) da matéria orgânica (folhas, alimento,
animais mortos) e por muitas das doenças que afetam plantas, animais e o
homem.
Base: Composto que libera íons hidroxila (OH-), quando dissolvido em água.
As bases, quando se juntam com os ácidos, formam sais neutros.
Bentos: O fundo de um ambiente aquático, especialmente marinho. Os
organismos bentônicos (poliquetas, anfípodes, etc.) são aqueles que vivem
neste ambiente. Flora e fauna do fundo de mares ou lagos.
Biomassa: Volume ou massa total de todos os organismos viventes de uma
zona particular (tanque de cultivo por exemplo).
Bloom Algal: Proliferação exuberante de microalgas, durante um curto
período de tempo (dias), provocada pela aplicação de fertilizantes
orgânicos ou inorgânicos num tanque de cultivo. Os blooms algais também
podem surgir a partir dos processos de eutrofização.
Blower (Soprador): Artefato elétrico capaz de injetar borbulhas de ar dentro
da água, através de um difusor (tubos de PVC, pedras de aeração,
mangueiras de plástico etc.).
53
Buffer: Substância tampão constituída pela combinação de formas doadoras
de H+ e receptoras de H+ de um ácido débil ou de uma base débil. O
"buffer" evita que ocorram mudanças importantes do pH em soluções nas
quais são adicionadas pequenas quantidades de ácidos ou bases.
Cadeia Alimentar (Cadeia trófica): Seqüência de organismos desde
produtores até consumidores, que se alimentam em distintos níveis tróficos
(P.ex. as algas crescem no mar, certos peixes comem estas algas e o ser
humano come os peixes).
Calagem: técnica que consiste na adição de calcário (CaCO 3 ) no solo ou na
água para corrigir o pH muito ácido.
Carboidrato: Composto orgânico que contém os elementos carbono,
hidrogênio e oxigênio. Os carboidratos são essenciais no metabolismo de
todos os seres vivos. O açúcar, por exemplo, é um carboidrato.
Carnívoro: aquele que se alimenta exclusivamente de carne.
Catabolismo: Conjunto de reações químicas, que ocorre no interior de células
vivas, destinadas a converter certas substâncias em outras mais simples,
com liberação de energia.
Cátion: Íon portador de carga positiva.
Cianofitas: grupo de bactérias muito primitivas. Sua presença indica poluição
da água.
Composto Inorgânico: Substância que não contém carbono (sal, argila, água,
etc.), exceto os óxidos e carbonatos.
Composto Orgânico: Substância composta de carbono, exceto os óxidos e os
carbonatos. Constituinte de todos os seres vivos (proteínas, gorduras,
tecidos animais etc.).
Consumidor primário: animal que se alimenta de plantas (produtores
primários); estes também são conhecidos como herbívoros.
Consumidor secundário: animal que se alimenta de herbívoros
(consumidores primários); este, pelo geral, é omnívoro, ou seja, se
alimentam tanto de plantas quanto de carne.
Consumidor terciário: animal que se alimenta de consumidores secundários.
Consumidor quaternário: animal que se alimenta de consumidores
terciários.
Desaminação: transformação do nitrogênio presente nas proteínas em amônia
e uréia.
Desnitrificação: transformação do nitrato (NO 3 ) em amônia (NH 3 ) na
ausência de oxigênio.
Disco de Secchi: Artefato confeccionado por um disco de plástico ou madeira
e uma corda graduada em centímetros. O disco está dividido em quatro
quadrantes, dois de cor preta e dois de cor branca, a fim de facilitar sua
54
observação debaixo da água. O disco de secchi é utilizado para medir a
turbidez existente num tanque de cultivo.
Dureza da Água: Concentração total de cálcio mais magnésio, expressa sob a
forma de carbonato de cálcio.
Ecossistema: Totalidade dos organismos de uma comunidade e dos fatores
abióticos (que não têm vida). Unidade natural de partes vivas e inertes que
se relacionam para produzir um sistema estável, no qual o intercâmbio
entre matérias vivas e não vivas segue uma via circular.
Equilíbrio de Saturação: termo empregado para expressar a solubilidade de
um gás dentro de um líquido qualquer. No caso do oxigênio que está
dissolvido na água, o equilíbrio de saturação significa que nem falta nem
sobra oxigênio na água.
Enzima: Proteína catalisadora produzida no interior de um organismo vivo,
que acelera reações químicas específicas (P.ex. amilase, catalase, fosfatase
etc.).
Estratificação Térmica: fenômeno físico em que se formam duas camadas de
água com temperaturas diferentes; uma camada geralmente quente na
superfície e uma fria no fundo.
Eutrofização: Situação que se apresenta quando é introduzido um excesso de
nutrientes num habitat aquático, fato que provoca crescimento exagerado
de certo tipo de algas. Quando os nutrientes se esgotam, as algas morrem e
os decompositores bacterianos, que se alimentam das algas mortas
(matéria orgânica), consomem o oxigênio dissolvido na água, o que dá
origem a uma forte demanda de oxigênio, chegando a esgotá-lo
completamente.
Fertilização: aumento da fertilidade da água devido à adição de nutrientes
essenciais às plantas (NPK).
Fitoplâncton: Organismos vegetais microscópicos que flutuam na água
(diatomáceas, clorofíceas etc.).
Fotossíntese: Conversão de energia luminosa em energia química. Síntese de
compostos orgânicos nas células vegetais a partir de dióxido de carbono e
água, em presença de clorofila, empregando energia luminosa.
Habitat: Lugar onde se encontram os indivíduos de uma determinada espécie.
Hemoglobina: pigmento respiratório de cor vermelha responsável pelo
transporte do oxigênio no sangue dos animais.
Herbicida: Qualquer agente, geralmente químico, que é usado para controlar
ou destruir ervas daninhas.
Herbívoro: animal que se alimenta exclusivamente de plantas.
55
Heterótrofo: Organismo que se alimenta de materiais orgânicos formados por
outros organismos, obtendo, assim, energia e moléculas essenciais
(animais, protozoários, fungos etc.).
Hidrosfera: Parte da Terra que compreende todos os ambientes formados por
água (oceanos, lagos, rios etc.).
Hipoxia: Estado que um organismo apresenta, quando submetido a um
ambiente com pouco oxigênio.
Hormônio: Molécula orgânica, produzida em quantidades ínfimas pelo
organismo, capaz de regular a função de um tecido ou órgão.
Indicador: Substância química capaz de mudar de cor quando reage com
outras substâncias de diferente pH. Existem indicadores específicos para
faixas ácidas e básicas.
Insumo: qualquer material que é introduzido pelo homem nas unidades de
cultivo (alimento, fertilizantes, calcário, etc.).
Letal: Mortal, que mata.
Litoral: Região de um meio de água doce, situada entre o bordo da água e
uma profundidade de aproximadamente seis metros; ou região de um meio
marinho situado entre os limites das marés alta e baixa. Uma espécie litoral
é aquela que vive principalmente na zona litoral.
Macrófita: Planta superior.
Matéria Orgânica: Em aqüicultura, qualquer material procedente de
organismos vivos, que possua o elemento carbono na sua constituição
(folhas, tecidos de animais, ração não consumida, plantas mortas, etc.).
Microalga: Alga microscópica constituinte do fitoplâncton. As microalgas são
responsáveis pela produtividade primária dos ambientes de cultivo
(Chaetoceros, Tetraselmis, Chlorella, etc.).
Microscópio: instrumento que serve para observar coisas muito pequenas e
pelo geral impossíveis de serem enxergadas a olho nu (um micróbio por
exemplo).
Microscópico: que só é visível através de um microscópio.
Metabolismo: Soma de todos os processos físicos e químicos por virtude dos
quais se produz e conserva a substância viva organizada.
Metabolito: Qualquer substância inorgânica ou orgânica, que participa no
metabolismo (aminoácidos, ácidos graxos, água, etc.).
Metahemoglobina: Forma oxidada da molécula de hemoglobina devido à
ação do nitrito. O átomo de ferro passa da forma ferrosa (Fe+2) para férrica
(Fe+3).
Muda: Denominação vulgar que é dada ao processo de ecdise.
NPK: siglas usadas para a um conjunto de nutrientes composto por nitrogênio
(N), fósforo (P) e potássio (K).
56
Off-flavor: em inglês, fora de sabor. Gosto de lama que adquirem alguns
peixes quando expostos a certas algas e fungos aquáticos.
Omnívoros: animais que se alimentam tanto de plantas quanto de outros
animais.
Organismos Aeróbios: Seres vivos que utilizam o oxigênio do meio ambiente
para converter os compostos orgânicos em dióxido de carbono e água, com
liberação de energia (calor). A respiração destes organismos só ocorre em
presença de oxigênio.
Organismos Anaeróbios: Seres vivos que realizam a respiração em ausência
de oxigênio. Organismo que somente cresce, ou que metaboliza os
compostos orgânicos, em ausência do oxigênio molecular.
Osmorregulação: Processo mediante o qual um organismo mantém o
potencial osmótico em seus fluídos corporais num nível constante.
Oxidação: Reação na qual uma substância química perde elétrons, ou recebe
oxigênio, ou, ainda, é privada de hidrogênio.
Oxímetro: aparelho eletro-químico que serve para medir o oxigênio
dissolvido na água.
Paddle-Wheel (canaletes rotativas): Aerador de superfície, bastante utilizado
em tanques de cultivo de grande extensão e pouca profundidade. Este tipo
de artefato agita a superfície da água para incrementar a interface ar-água
e, portanto, o intercâmbio gasoso.
Pelágico: Região superior de um meio aquático, especialmente marinho,
contrário ao fundo do oceano (Bentos).
Pesticida: Qualquer agente, geralmente químico, que se usa para controlar e
destruir pragas.
Plâncton: Qualquer organismo, geralmente microscópico, que flutua
livremente num meio aquático, que não tem meios de locomoção e, para
sua distribuição, depende das correntes de água.
Pecilotermo: Que tem uma temperatura variável com a do ambiente. Os
organismos pecilotermos são conhecidos como animais de “sangue frio”.
Policultivo: cultivo que é realizado com várias espécies de organismos
aquáticos pertencentes a diferentes níveis tróficos.
Poluição: Ação de introduzir no meio natural qualquer substância ou agente
que pode prejudicar o meio, sendo adicionado numa velocidade maior do
que o meio é capaz de transformar.
Poluição das Águas: Poluição dos habitats marinhos e de água doce,
mediante a introdução irracional de resíduos humanos, agrícolas e
industriais nos rios, nos lagos e nos oceanos.
Predação: Processo mediante o qual certos animais obtêm seu alimento
matando e devorando outros animais.
57
Produtividade Primária: somatório dos processos fotossintéticos que são
realizados tanto em ambientes terrestres quanto aquáticos.
Produtores Primários: conjunto de organismos fotossintéticos (plantas,
algas, microalgas e algumas bactérias).
Proteína: Composto orgânico complexo, constituído por uma ou mais cadeias
polipeptídicas, cada uma formada por muitos aminoácidos unidos entre si
por enlaces peptídicos.
Quimioautotrófico: Organismo autotrófico (bactéria), que utiliza a energia
liberada nas reações inorgânicas específicas, para ativar seus processos
vitais, inclusive a síntese de moléculas orgânicas.
Redução: Reação na qual uma substância ganha elétrons, ou recebe
hidrogênio ou, ainda, é privada de oxigênio.
Salinómetro: aparelho ótico que serve para medir a salinidade da água.
Sólidos em Suspensão: qualquer coisa, geralmente muito pequena, que flutua
na água (partículas de lama, microalgas, etc.).
Subletal: Que não mata, porém que provoca efeitos secundários, tais como
perda de apetite, pouco crescimento, perda de peso etc.
Subsaturação: Fenômeno no qual é registrado uma falta de oxigênio
dissolvido na água. A falta de oxigênio provoca a morte dos organismos
aquáticos por asfixia.
Supersaturação: Fenômeno no qual é registrado um excesso de oxigênio
dissolvido na água. A supersaturação dos gases provoca o quadro
patológico conhecido como “doença das borbulhas”.
Sustentável: que pode se manter indefinidamente ao longo do tempo.
Tampão: Sinônimo de “buffer”.
Zoobentos: animais, micro e macroscópicos, que vivem no fundo dos
ambientes aquáticos naturais e/ou de cultivo (poliquetas, camarão,
berbigão, etc.).
Zooplanctófago: que se alimenta de zooplâncton.
Zooplâncton: Organismos animais, geralmente microscópicos, que se
mantêm flutuando ou nadando na coluna de água (microcrustáceos, larvas
de peixes e camarões, etc.).
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