MINAS Jequitinhonha e Rio Doce www.revistaviverbrasil.com.br ŁŤŢţŧŁşŦŧ Regiões reforçam investimentos em suas principais vocações econômicas, com destaque no agronegócio, para gerar riquezas Apicultura Produtores de mel de Turmalina buscam certificação orgânica Laticínios Bela Vista aplica 60 milhões em nova fábrica em Governador Valadares Editorial FOCO NO CRESCIMENTO Esta edição aborda 2 regiões, os vales do Rio Doce e do Jequitinhonha. Grandes extensões territoriais, múltiplas vocações econômicas, projetos, fazeres e desafios. No Vale do Jequitinhonha, inúmeros projetos estão em andamento, como o entreposto de mel, que hoje reúne 34 produtores associados e beneficia mais de 300 apicultores de 31 municípios da região. O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Olavo Machado Júnior anuncia que a meta para este ano é investir 91 mil reais em ações junto ao entreposto de mel. Estivemos em Turmalina, onde o mel tem se tornado um bom negócio. A Associação dos Apicultores do Vale do Jequitinhonha (Aapivaje) comercializou, desde 2002, 400 kg de mel, totalizando uma receita de 2,9 milhões. Ainda no Jequitinhonha, fomos conhecer de perto duas iniciativas que estão gerando mais qualidade de vida para o homem do campo. As lavouras de uva Niágara branca e rosada, na comunidade de Ponte do Funil, na zona urbana de Turmalina, aposta de 6 produtores que, juntos, somam uma área de 10 ha plantados, 35 mil pés em produção e em formação, contabilizando uma produção anual em torno de 70 t e um faturamento de 280 mil reais. No Rio Doce, a presidente regional da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, Rozâni Maria Rocha de Azevedo, comenta que a duplicação da BR-381 traz esperança concreta de novas oportunidades de negócios e que as lideranças empresariais continuam mobilizadas para que Governador Valadares seja incluída efetivamente dentro do pacote de obras. A inauguração da indústria de laticínios Bela Vista, detentora da marca Piracanjuba, em Governador Valadares, tem sido comemorada. A empresa investiu 60 milhões de reais na nova fábrica que ocupa uma área de 12 mil m2 e tem capacidade para processar 300 mil litros de leite por dia e vai gerar mais de 500 empregos, entre diretos e indiretos. Mais radical, a educadora Dayse de Fátima Rodrigues de Lima percorreu 70 municípios da bacia do rio Doce e fez uma radiografia ambiental, histórica, geográfica e cultural do rio, que nasce em Minas Gerais e deságua no Espírito Santo. Já Ester Sanches Naek, conselheira do Conselho de Representantes de Brasileiros no Exterior (CRBE), mostra como a crise econômica, desemprego e instabilidade têm provocado o êxodo de mineiros para os Estados Unidos. E ainda mostramos como a crise hídrica tem afetado os rios regionais, mostramos a exuberância do Parque Estadual do Rio Preto, a cerâmica delicada e vigorosa das mulheres da comunidade de Campo Alegre e o pastel preferido de Juscelino Kubitschek. Ana Elizabeth Diniz, repórter [email protected] Diretor-geral Paulo Cesar de Oliveira Diretor Gustavo Cesar Oliveira Diretora executiva Eliana Paula Editora-geral Maria Eugênia Lages Editora executiva Silvânia Arriel Repórter Ana Elizabeth Diniz Revisão Maria Ignez Villela Assistente da redação Tamara de Jesus Equipe de arte Adroaldo Leal, Gilberto Silva e Luciano Cabral Fotografia Alberto Wu e Pedro Vilela (Agência i7) Gerente de marketing e eventos Larissa Lopes Gerente financeira Marcela Galan Gerente comercial Silvana Gama Assistente comercial Sumaya Mayrink Departamento comercial (31) 3503-8888 Dária Mineiro, Márcia Perígolo e Sônia Beatriz [email protected] Assinaturas (31) 3503-8860 Impressão Log&Print Gráfica e Logística S.A. 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Recentemente, a presidente Dilma Rousseff e o diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit), Jorge Ernesto Fraxe, estiveram na cidade e garantiram que a duplicação chegará sim até Valadares. “Estamos confiantes de que isso, de fato, vai acontecer. O projeto da BR-381 já foi licitado, mas a obra até Valadares será viabilizada por meio do Regime Diferenciado de Contratações. O projeto atual vai até Belo Oriente, onde está a Cenibra. Desse trecho até Valadares, são exatos 72,8 quilômetros. Essa distância nos divide e nos priva do desenvolvimento. Uma exclusão incompreensível porque se trata de uma reta que não exige obras de complexidade estrutural. Eles se basearam em um estudo feito há 12 anos, quando passavam por aquele trecho 5.000 carros. Hoje, passam 20 mil no entroncamento da BR-381 com a BR-116”, avalia Rozâni Maria Rocha de Azevedo, presidente da regional 6 Vale do Rio Doce, da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). Governador Valadares é um importante eixo logístico por onde passam cargas de grãos, especialmente soja, feijão e milho, rumo aos portos litorâneos para exportação, além de granito, cimento e ferro. Por isso, e para alavancar novas perspectivas econômicas, foi formado um grupo de trabalho que está lutando para a implantação de um terminal de cargas. “O município tem localização privilegiada e a implantação desse terminal vai possibilitar o transporte de carga de alto valor agregado, contribuir com a geração de emprego e renda e diminuir o custo do frete das mercadorias e produtos”, comenta a dirigente. Segundo ela, a região tem avançado rumo ao desenvolvimento. “Não exatamente da maneira que queremos, mas estamos buscando soluções e oportunidades de crescimento. Um exemplo foi a instalação do Laticínios Bela Vista (Piracanjuba), em Valadares, que ajudou a fomentar o desenvolvimento econômico e social de toda região. A instalação dessa unidade industrial fortaleceu ainda mais a cadeia produtiva do leite, o setor industrial e aumentou a geração de emVIVER Julho - 2015 O município tem localização privilegiada e a implantação desse terminal vai possibilitar o transporte de carga de alto valor agregado” Rozâni Azevedo Fiemg/Divulgação VIVER Julho - 2015 prego e renda na região”. Uma reivindicação antiga dos empresários da região para alavancar o desenvolvimento é a reforma e a ampliação do terminal de passageiros do aeroporto. “A cidade tem importância estratégica, porque é rota para várias outras cidades importantes do país. Atualmente, o aeroporto opera apenas com uma empresa aérea (Azul), com aeronaves com capacidade de até 100 passageiros e apenas para Belo Horizonte, mesmo assim somente para o aeroporto de Confins. Há ainda a necessidade de adquirir um equipamento que permite o pouso de aviões mesmo em condições de visibilidade zero. Essas melhorias vão incrementar a criação de mais voos comerciais e de passageiros, atraindo mais desenvolvimento para a região”, analisa a empresária. Rozâni é uma liderança que se destaca dentro do movimento que luta para desmembrar o Vale do Rio Doce do Vale do Aço. “Essa não é uma questão política e sim uma necessidade de sobrevivência, de atrair para a região mais investimentos, recursos, indústrias e empresas que queiram se instalar aqui, fomentando a geração de emprego, renda e o desenvolvimento econômico e social. O Vale do Rio Doce tem sido prejudicado pela falta de políticas públicas de incentivo dos governos estadual e federal. Além disso, os deputados precisam nos enxergar com outros olhos”, diz. O Instituto de Desenvolvimento do Norte e Nordeste de Minas (Idene), cujo trabalho está focado em regiões com baixo Índice de Desenvolvimento Econômico (IDH), abriu uma regional em Valadares. “É um ganho para todos, porque possibilitou a inclusão dos municípios dessa região, uma reivindicação antiga dos que defendem e colaboram com o desenvolvimento do Vale Rio Doce. A atuação do Idene e o desmembramento dos vales vão gerar um tratamento diferenciado em relação aos incentivos fiscais, maior abrangência de políticas públicas, programas sociais, mecanismos de inclusão produtiva e melhorias na infraestrutura regional”, observa. Outra reivindicação antiga é o gasoduto. “Algumas empresas do distrito industrial já estão utilizando o gás, que chega comprimido aqui no município, em transporte especializado, o que o torna mais caro. Quando ele chegar até a cidade vai permitir que o município receba novas empresas. Isso, sem dúvida, vai gerar mais renda e emprego”, diz a empresária. Governador Valadares foi recentemente incluída no Programa de Revitalização e Modernização de Distritos Industriais, do governo de Minas. O plano foi desenvolvido pela Codemig, em parceria com a Fiemg e o Sebrae. “Minas Gerais tem 53 distritos industriais, 10 serão revitalizados, entre eles, Valadares. Essa é uma conquista importante porque vai propiciar condições adequadas para as indústrias que já estão instaladas no local e para aquelas que serão atraídas para a cidade. Atualmente temos problemas relacionados à infraestrutura, como iluminação, queda de energia, segurança”, comenta a empresária. Rozâni comenta sobre a crise hídrica que vem preocupando o país. “A água é um recurso cada vez mais importante para as operações das empresas. Incorporar processos cada vez mais sustentáveis é o objetivo de todas. Há 10 anos, a indústria vem se preparando para a escassez de água. A Fiemg tem desenvolvido e apoiado iniciativas para capacitar e tornar a indústria referência na utilização eficiente da água e firmou o Pacto de Minas Pelas Águas, a fim de unir as competências para identificar o que cada setor pode fazer para contribuir com o uso racional dos recursos hídricos. O momento é de buscarmos soluções futuras em conjunto”. 7 VIVER MINAS RIO DOCE E JEQUITINHONHA ENTREVISTA Diversidade regional VALE DO JEQUITINHONHA INVESTE NAS SUAS MÚLTIPLAS VOCAÇÕES ECONÔMICAS PARA SUPERAR DIFICULDADES Foto: Sebastião Jacinto Junior OLAVO MACHADO: região vulnerável à escassez hídrica 8 ANA ELIZABETH DINIZ O Vale do Jequitinhonha é uma região plural em todos os sentidos. Com 80 municípios espalhados em uma área de 14,5% do estado, a região tem criado alternativas sustentáveis para driblar a crise e as dificuldades econômicas, como, por exemplo, o fortalecimento da cadeia produtiva da apicultura e da tecnologia que envolve o manejo do eucalipto, em Turmalina. Outro projeto em andamento é a instalação da incubadora de empresas, com foco na indústria moveleira. Quem analisa os projetos em andamento e as iniciativas voltadas para a região é o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Olavo Machado Júnior. Como o Vale do Jequitinhonha está lidando com esse ano de crise? Esta é uma região rica e com vocações econômicas que precisam ser valorizadas e estimuladas. O caminho para o desenvolvimento da região passa pelo fortaleVIVER Julho - 2015 cimento das micro e pequenas empresas, que são geradoras de emprego e riqueza nos seus municípios. Incentivar o desenvolvimento local sustentável e valorizar a diversidade regional é a principal saída para superar as dificuldades econômicas. A Fiemg tem trabalhado nesse sentido na região. Uma das ações é o Programa de Fortalecimento da Cadeia Produtiva da Apicultura no Alto e Médio Jequitinhonha. Em 2013 e 2014 foram investidos 310 mil reais pela entidade e pelo governo de Minas em ações para consolidar a atividade, estruturando os empreendimentos em bases cooperativas e fortalecendo o entreposto de mel, que hoje reúne 34 produtores associados e beneficia mais de 300 apicultores de 31 municípios da região. Outra ação é o apoio ao fortalecimento e profissionalização do setor moveleiro. Em agosto desse ano teremos a 4ª edição do Seminário Nacional de Manejo de Eucalipto para a Indústria, um evento que busca desenvolver tecnologia para o segmento na região. De que forma a crise hídrica tem impactado as comunidades do Vale? A região conta com 80 municípios espalhados numa área que equivale a 14,5% do estado. Trata-se de uma região vulnerável à escassez hídrica e que teve sua situação agravada nos últimos anos com a redução do volume de chuvas, o que trouxe consequências para o abastecimento público. Para o setor produtivo, por exemplo, onde 80,75% dos negócios são microempresas que fazem captação de água nas redes públicas, o impacto tem sido grande. Processos produtivos foram afetados, com redução de jornadas de trabalho e de volumes de produção. VIVER Julho - 2014 O caminho para o desenvolvimento da região passa pelo fortalecimento das micro e pequenas empresas, que são geradoras de emprego e riqueza nos seus municípios. Incentivar o desenvolvimento local sustentável e valorizar a diversidade regional é a principal saída” O Vale do Jequitinhonha possui a maior floresta de eucalipto artificial do mundo. Em 2013, a Fiemg realizou um evento para criar alternativas para esse setor. O que foi feito de concreto até agora? Esse evento acontece anualmente, e tornou-se referência no país. Em agosto, realizaremos sua quarta edição. O objetivo é desenvolver tecnologia e profissionalizar o setor, e já estamos sentindo os resultados desse trabalho. Na visão dos próprios empresários da região, o que se percebe é a melhoria da tecnologia, do design dos móveis e aumento das vendas. Aumentou o número de empregos no Vale e, em caso positivo, que tipo de atividade econômica tem sido responsável por isso? Segundo dados do Caged, em 2014, a economia do Vale do Jequitinhonha registrou um saldo positivo de 3.173 novos empregos, um crescimento de 34,7% frente aos empregos gerados no ano de 2013. O resultado positivo gerado em 2014 foi concentrado, principalmente, no setor agropecuário, comércio e serviços de transporte. A indústria não mostrou desempenho favorável no ano de 2014. Acabou por reduzir seu quadro funcional em 44 empregos, seguindo a trajetória negativa observada no setor em todo o estado e o país. Que projetos a Fiemg tem para a região esse ano? Os programas de fortalecimento das cadeias produtivas estão em andamento. Para esse ano, a meta é investir 91 mil reais em ações junto ao entreposto de mel, incluindo capacitação de produtores, aquisição de equipamentos para adequação da estrutura do entreposto, consultorias técnicas para obtenção do Selo de Inspeção Federal (SIF) e registro da marca para comercialização do produto. Para o setor moveleiro, teremos a quarta edição do Seminário Nacional de Manejo de Eucalipto, em Turmalina, que vai colocar em debate aspectos relacionados à plantação, técnicas de manejo, tecnologia e inovação, com participação de empresários, especialistas e profissionais do setor. Durante o evento haverá uma rodada de negócios, em parceria com o Sebrae, para que a indústria da região possa mostrar seu produto a potenciais compradores de todo o país. Outro projeto em andamento é a instalação da incubadora de empresas, que também tem parceria do Sebrae e foco na indústria moveleira. As duas instituições, Fiemg e Sebrae, trabalham para implantar um polo moveleiro no Vale do Jequitinhonha. A meta é que, até o final desse ano, já esteja disponível o terreno onde será construído o projeto. 9 William Dias VIVER MINAS RIO DOCE E JEQUITINHONHA ATUAÇÃO Em busca EM CORONEL MURTA, reunião para garantir acesso à cidade de soluções COMISSÕES DA ASSEMBLEIA DEBATEM COM MORADORES PROBLEMAS QUE VÃO DA SEGURANÇA À CRISE HÍDRICA A raçuaí, no Vale do Jequtinhonha, vai receber, no dia 13 de agosto, um dos encontros regionais preparatórios do Seminário Legislativo Águas de Minas III - Os Desafios da Crise Hídrica e a Construção da Sustentabilidade, que acontecerá em Belo Horizonte de 29 de setembro a 2 de outubro. No encontro na cidade, serão discutidas as situações das bacias dos rios Jequitinhonha, Mucuri e Mosquito/Rio Pardo, além da execução dos planos municipais de sanea- 10 mento e da manutenção de áreas de preservação. Segundo o presidente da Comissão Extraordinária das Águas, deputado Iran Barbosa (PMDB), toda a população é bem-vinda para participar do debate. “Quem tiver uma boa ideia, certamente terá essa ideia adotada”, destacou. Com base nos levantamentos regionais, o seminário vai ampliar as discussões sobre a crise hídrica no país e seus impactos na sociedade brasileira, visando à busca de alternativas viáveis para o problema e soluções que incluem medidas de curto, médio e longo prazos. Um panorama sobre a situação dos recursos hídricos na região, a partir de diagnóstico formulado pelos comitês de bacias hidrográficas e pelo Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), está sendo apresentado em cada um dos encontros regionais. Após exposições de autoridades e especialistas, serão constituídos grupos de trabalho a fim de consolidar propostas relacionadas à temática do evento. As proposições serão encaminhadas para a plenária final, que será realizada em Belo Horizonte. A região do Vale do Jequitinhonha também tem sido contemplada com várias audiências, reuniões e seminários, realizados pela AssemVIVER Julho - 2015 Sarah Torres bleia Legislativa de Minas Gerais, a fim de buscar soluções para demandas nas áreas de saúde, segurança pública, infraestrutura, recursos hídricos, tarifas públicas, entre outras. SAÚDE - A Comissão de Saúde realizou audiência pública em Itaobim. Lideranças locais cobram melhorias em serviços como Samu e hemodiálise. A reunião foi solicitada pelos deputados Doutor Jean Freire (PT), natural da cidade, e Doutor Wilson Batista (PSD). Para Freire, “quem mais investiu na região foi o governo federal. O SUS é o melhor sistema do mundo, mas o usuAinda na área, o presidente e o ário tem que cobrar melhorias”. Para o presidente da comissão de saúde, vice da Comissão de Segurança Púdeputado Arlen Santiago (PTB), “é ne- blica da Assembleia, deputados Sarcessário mudar o modelo da gestão da gento Rodrigues (PDT) e João Leite saúde, dando maior ênfase à atenção (PSDB), visitaram o presidente do básica, mas com recursos suficientes, Tribunal de Justiça de Minas Geprincipalmente do governo federal”. rais (TJMG), desembargador Pedro Já o deputado Ricardo Faria (PCdoB) Bittencourt Marcondes, cobrando defendeu um novo pacto federativo. providências para agilizar proces“É preciso garantir mais recursos para sos judiciais em Betim e Araçuaí. O quem realmente resolve os problemas desembargador informou que vai acionar o programa Novos Rumos e do cidadão: o município”. alegou que há um probleSEGURANÇA - O alto ma orçamentário para a índice de crimes decorrencriação de varas em Betim tes do uso e tráfico de droe Araçuaí. gas é uma das principais ÁGUA E SANEAMENpreocupações da populaNÚMERO TO - A Comissão de Minas ção de Araçuaí. Moradores, e Energia visitou a Copasa líderes comunitários e aupara conhecer os planos, toridades pedem mais poprojetos e serviços previstos liciais, uma unidade local pela nova gestão da empredo plantão regionalizado da Polícia Civil, mais uma serão beneficiados sa. Até o final do ano, 227 vara criminal e policia- com fornecimento pequenas comunidades dos mento em áreas rurais e es- de água e outros 68 Vales do Jequitinhonha e do com serviço de Mucuri deverão ser benecolas. O pedido foi alvo de esgotamento ficiadas com fornecimento audiência pública na Cosanitário de água e outras 68 também missão de Segurança Pública, por meio de requerimento dos passarão a contar com serviço de esgodeputados Doutor Jean Freire (PT) e tamento sanitário. João Alberto (PMDB). Professores da SILVICULTURA - Produtores de Escola Estadual Industrial São José, florestas plantadas reclamam de crise onde teriam ocorrido 23 delitos entre e reivindicam simplificação do licendezembro de 2014 e abril deste ano, ciamento ambiental. Eles se queixam entregaram à comissão um docu- de diversos entraves ao desenvolvimento de reivindicações. mento do setor e reivindicam ações 227 lugarejos VIVER Julho - 2015 COMISSÃO DE SEGURANÇA reúne moradores em Araçuaí governamentais para que o setor volte a crescer. O problema foi discutido em audiência pública na Comissão de Política Agropecuária e Agroindustrial. ENERGIA - A inclusão de uma emenda na Medida Provisória 677, editada recentemente pelo governo federal e que reduz o custo da energia elétrica para empresas do Nordeste, pode ser uma alternativa para beneficiar os irrigantes da área mineira da Sudene. Essa opção foi defendida pelo deputado Gil Pereira (PP), durante visita da Comissão de Minas e Energia, que é presidida por ele, ao Ministério das Minas e Energia, à Codevasf e à Agência Nacional de Energia Elétrica. TRANSPORTE - A fim de evitar a possível interdição do principal acesso a Coronel Murta, a Comissão de Transporte, Comunicação e Obras Públicas promoveu reunião para entendimentos entre o poder público e empresas de mineração de granito do município. Os deputados sugeriram que se limite a passagem de carretas na ponte sobre o rio Jequitinhonha, na entrada da cidade. A população teme que se repita ali o transtorno ocorrido no município de Almenara, onde a ponte que dá acesso à cidade foi totalmente interditada por 3 meses, pois um dos pilares de sustentação foi danificado após a passagem simultânea de duas carretas bi-trem. 11 ALI E ACOLÁ POR ANA ELIZABETH DINIZ Fotos: Pedro Vilela/Agência i7 De volta ao século 18 Os acordes precisos e o som mágico de um órgão de 549 tubos, construído entre 1782 e 1787, o mais antigo do Brasil, ecoam vigorosos na igreja da Venerável Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo, em Diamantina. O órgão foi, integralmente, construído no antigo Arraial do Tejuco pelo padre Manoel de Almeida e Silva, com a ajuda do 12 compositor mais importante do período colonial, Lobo de Mesquita. O instrumento raro foi tocado pela última vez na década de 1930 e ficou 73 anos parado, pois não havia quem soubesse como consertá-lo. Em 2005, com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES), ele foi restaurado pelo mestre organeiro Frédéric Desmottes e entregue à comunidade em dezembro de 2013. Atualmente, o organista Evandro Archanjo, formado pela Universidade Federal de Minas Gerais e em Berlim, é quem realiza os concertos que acontecem às sextas-feiras, às 20h. Em agosto, as apresentações acontecem nos dias 14, 21 e 28; em setembro, nos dias 18 e 25; e em outubro, nos dias 2 e 16. VIVER Julho - 2015 Primeiro templo A Catedral de Santo Antônio, em Governador Valadares, foi o primeiro templo religioso da cidade, erguido em 1886. A construção do templo atual se deu em 1924. A catedral guarda um relicário que contém uma partícula dos ossos de santo Antônio de Pádua, confessor dos frades menores e doutor da igreja, colocada em uma peça dourada e prateada de forma redonda, amarrada com fio de seda, coberta com vidro e selada com o timbre impresso em cera vermelha espanhola. e mais Memórias africanas O serrano Ivo Silvério da Rocha, 67, acaba de lançar o livro “Memórias de um Catopê”, guarda de congado de Nossa Senhora do Rosário. Esse é um tipo de dança do congado, anteriormente relacionada às festas religiosas que registram parte importante da cultura do Serro com legado na festa do Rosário e festividades populares. Ivo é referência em cantos africanos, denominados vissungos, que os escravos entoavam nos garimpos entre os séculos 17 e 19. Em 2008, ele recebeu o prêmio Nacional de Culturas Populares, como mestre dos catopês, promovido pelo Ministério da Cultura. Douglas Theodoro VIVER Julho - 2015 Alberto Wu Alberto Wu Tradição musical Aos 73 anos de vida, a Banda de Música Lira 30 de Janeiro continua firme no seu propósito de formar músicos e, para isso, sempre abre novas vagas. Atualmente, 35 músicos fazem parte da lira, sob a batuta do jovem maestro Manoel Pereira da Silva, 30, que nasceu e cresceu em meio à música. Seu pai, Elói Pereira da Silva, conhecido como Beijinho, foi um dos fundadores. “Cresci junto aos músicos e já na adolescência veio a vontade de me tornar maestro e manter essa linda história musical” diz o músico que também toca trombone. A lira é a única banda da cidade e sobrevive porque é um ponto de cultura e recebe verba federal. Homens e mulheres, de oito a 70 anos, tocam de música clássica a samba, passando pelo pop e sertaneja. 13 ALI E ACOLÁ Arte e fé Alberto Wu Sônia Regina Bretas Byrro Guimarães, 66, foi professora de pintura do Centro de Artes da Universidade Vale do Rio Doce durante 27 anos. Precoce, já aos nove anos, lançou mão do guache e teve seu primeiro trabalho premiado. Aos 20 anos começou a pintar retratos, óleo sobre tela. Suas primeiras encomendas foram dois cristos para a igreja de Nossa Senhora de Fátima, na Vila Isa, em Governador Valadares. Suas obras de técnica apurada ornamentam a catedral de Santo Antônio, em Governador Valadares, que exibe imagens de santo Antônio e são Francisco em telas de 2,80m. São dela, o retrato da irmã Violeta, no colégio Imaculada Conceição, e de Nossa Senhora da Irmandade Pia, no colégio Ibituruna. Tendo como inspiração Van Gogh, ela domina várias técnicas, usando guache, pastel seco e oleoso, acrílica, bico de pena, aquarela e óleo sobre tela. Divina arte A vida pregou uma peça em Valmir Paulino, 63, morador de Datas. Há 19 anos, após uma trombose, que o obrigou a amputar a perna, ele se viu parado, sem profissão e precisando de pagar contas. “Eu estava na casa do meu pai e ele tinha um Divino Espírito Santo. Pensei em reproduzir as penas. No início não deu certo, 14 mas eu insisti e, depois da primeira encomenda, não parei mais”. O diferencial no seu trabalho é a pomba entalhada e revestida com pequenas e delicadas penas em madeira. Além de expor, ele vende seu trabalho em todo o Brasil. Encomendas: (38) 3535-1184 ou pelo e-mail: [email protected]. e mais Fotos: Pero Vilela/Agência i7 História da tipografia preservada No edifício que abriga, desde 1901, a Associação do Pão de Santo Antônio funcionou uma oficina de tipografia onde foram impressos os jornais “Pão de Santo Antônio” e “A Voz de Diamantina”, entre 1906 e 1990. Essa história está preservada pelo Museu Tipografia Pão de Santo Antônio, o único do gênero no Brasil, que acaba de ser inaugurado em Diamantina. Ele reúne máquinas impressoras, cavaletes tipográficos, mobiliário, clichês, ornamentos de chumbo, matrizes de xilogravura e outras ferramentas, além de 4.000 exemplares dos jornais ali redigidos e impressos por mais de 80 anos. O visitante tem a oportunidade de vivenciar o patrimônio gráfico em movimento. Ele funciona de 4ª a domingo, das 10h às 13h e das 14h às 18h. praça Professor José Augusto Neves, 171, bairro Rio Grande. Informações: (38) 3531-3861. VIVER Julho - 2015 Fotos: Pedro Vilela/Agência i7 tenho dito... ... o melhor e o pior da minha cidade “Turmalina é uma cidade acolhedora, bonita, limpa e organizada. A vida aqui é tranquila, mas faltam praças para atividade física e um parque com área verde. A população é muito solidária e agora está em campanha para salvar o Hospital São Vicente de Paulo que está ameaçado de fechar. Estamos arrecadando roupas de cama e banho”. Adilcinéia Ferreira Gomes, 32, recepcionista A vida em São Gonçalo do Rio das Pedras é tranquila e todos se conhecem. Aqui temos festas folclóricas como de Nossa Senhora do Rosário e São Gonçalo, que são famosas e atraem muitos visitantes, assim como o Carnaval. Temos o rio que é lazer nos dias de calor e serve para lavar roupa. A violência, graças a Deus, ainda não chegou aqui”. Rosália Mara Lopes Dias, 43, do lar Alberto Wu Moro em Galheiros, em uma comunidade com 46 habitantes e 29 famílias. Vivemos do cultivo das sempre-vivas. Lá temos uma boa vida, pacata e harmoniosa. Nos finais de semana, fico em Diamantina. É onde tiro meu sustento, com a venda das flores do cerrado. De nenhum dos dois lugares tenho do que reclamar”. Crescêncio Rodrigues da Silva, 48, lavrador VIVER Julho - 2015 Governador Valadares é uma cidade boa para se viver. O pico do Ibituruna é o principal cartão-postal, o lugar mais famoso. A cidade é movimentada e tem bastante gente bonita. A questão da falta de segurança tem aumentado, assim como a violência”. Aelton Bruno da Silva, 31, recepcionista 15 VIVER MINAS RIO DOCE E JEQUITINHONHA NEGÓCIOS Desde 1955 A INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS BELA VISTA, DETENTORA DA MARCA PIRACANJUBA, INVESTIU 60 MILHÕES DE REAIS NA NOVA FÁBRICA EM GOVERNADOR VALADARES ANA ELIZABETH DINIZ A indústria de laticínios Bela Vista, detentora da marca Piracanjuba, inaugurou em dezembro do ano passado, sua nova unidade fabril em Governador Valadares. A planta ocupa uma área de 12 mil m2 e tem capacidade para processar 300 mil litros de leite por dia. A iniciativa demandou investimentos de 60 milhões de reais e vai gerar mais de 500 empregos, entre diretos e indiretos. A estratégia de abrir uma fábrica em Minas Gerais foi ficar próxima à tradicional bacia leiteira. “Em Valadares, estamos mais próximos de importantes mercados, facilitando a comercialização de nossos produtos. Os incentivos fiscais concedidos pelo governo, como a redução do ICMS, também influenciaram a nossa escolha, uma vez que favorecem a competitividade”, explica Lisiane Guimarães, gerente de marketing da Piracanjuba. 16 A indústria já conta com 2 unidades de captação de leite em Minas Gerais, uma em Iraí de Minas, e a outra em Santa Vitória. A implantação da unidade fabril em Valadares vai fortalecer ainda mais a cadeia produtiva do leite, além de gerar emprego e renda. A gerente lembra que, desde 1955, a Piracanjuba “é sinônimo de sabor e qualidade. Essa história, construída com toda dedicação, cuidado e carinho, teve início no estado de Goiás, na cidade de Piracanjuba, dando origem ao nome da marca que hoje já está entre as 20 mais presentes nos lares de todo o país”, relembra a gerente. A indústria se estabeleceu, em 1986, na cidade de Bela Vista de Goiás, em Goiás. Esse marco trouxe uma nova fase de crescimento e inovação, ampliando o portfólio e a abrangência da empresa, que hoje já produz mais de 100 produtos, di- vididos entre as marcas Piracanjuba e Pirakids, muitos deles entre os mais vendidos em diversas regiões do Brasil. Para que isso fosse possível, a indústria ampliou a fábrica em Bela Vista de Goiás e inaugurou 2 novas unidades nas cidades de Maravilha, em Santa Catarina, em 2011, e Governador Valadares, em 2014. Juntas, as 3 unidades fabris já processam mais de 4,3 milhões de litros de leite por dia e geram mais de 2 mil empregos diretos, além de milhares de empregos indiretos. “A indústria de laticínios, que é uma das 5 maiores do Brasil, vem recebendo importantes reconhecimentos nacionais e internacionais, relacionados à marca, aos produtos e à sua gestão, fundamentada em valores sólidos, como ética, valorização das pessoas e responsabilidade socioambiental”, diz Lisiane. Em 2014, a empresa conquistou VIVER Julho - 2015 Laticínios Bela Vista/Divulgação FÁBRICA tem capacidade de processar 300 mil litros de leite por dia o título de Melhor Empresa do Agronegócio no segmento de leite e derivados, no Anuário Melhores e Maiores da Revista Exame, com destaque para o crescimento de vendas no setor de bens de consumo, onde obteve o 1º lugar. O Anuário Valor 1000 confirmou o Laticínios Bela Vista como a 5ª maior empresa do setor de alimentos no Brasil e 296ª maior empresa do país, com a 3ª melhor posição em crescimento sustentável e a 5ª maior rentabilidade entre as empresas do setor de alimentos. Outro destaque foi o recebimento do prêmio Melhor Empresa do Agronegócio no segmento de laticínios, promovido pela Editora Globo em parceria com a Revista Globo Rural. “Todas essas conquistas estão diretamente ligadas ao objetivo maior de desenvolver produtos e serviços que proporcionem qualidade de vida e bem-estar aos consumidores, colaboradores e parceiros. Afinal, não basta fazer bem. É preciso gostar de fazer bem”, ressalta a gerente. A indústria produz leite longa vida integral, desnatado, semidesnatado, creme de leite e bebida láctea, que são destinados ao abastecimento do mercado mineiro e dos VIVER Julho - 2015 estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo e Bahia. E em 2015, quando comemora 60 anos, a Piracanjuba acaba de apresentar ao mercado diversos lançamentos como o creme de leite UHT, o leite condensado à base de leite de vaca e o doce de leite zero lactose. “Esses produtos são pioneiros no mercado de laticínios. Nossos consumidores, que já usam o leite Piracanjuba UHT zero lactose, pediam a expansão da linha. Tal ampliação, além de agregar valor à marca, mostra nossa preocupação em oferecer produtos que atendam às necessidades desse público e que sejam, ao mesmo tempo, saborosos e saudáveis”, observa Lisiane. Os amantes da boa culinária também passam a contar com 2 lançamentos exclusivos da Piracanjuba. O creme de leite gourmet, com 30% de gordura, proporciona uma consistência cremosa, homogeneidade e sabor suave às receitas e o creme de leite Bate Chantilly, “que alia algumas das principais necessidades dos confeiteiros, padeiros e doceiros: estabilidade para as receitas, sabor e qualidade. Soma-se a isso o fato de ser produzido sem adição de gordura vegetal – um diferencial no mercado –, o que o torna mais natural e saboroso”, ressalta a gerente. Os produtos já podem ser encontrados em diversos pontos de venda, como hipermercados, supermercados, cash & carry e atacados focados no segmento de food service em todo o Brasil. E as novidades não pararam por aí. A família Pirakids ganhou mais um membro, a bebida láctea UHT no sabor vitamina de frutas. Com polpa de mamão, banana e maçã, sem conservantes e com corantes naturais, o Pirakids Vitamina promete conquistar não só as crianças, mas o público em geral. A empresa adota práticas sustentáveis. O cuidado começa dentro de suas unidades fabris e se estende ao ambiente externo, incluindo tudo o que circunda suas instalações. Equipes altamente qualificadas integram o departamento de meio ambiente, que cuida da gestão de florestas, poluentes atmosféricos, resíduos sólidos e tratamento de efluentes. Por fim, a gestão de resíduos sólidos faz com que quase 100% do que é gerado dentro das fábricas seja enviado para reciclagem. 17 VIVER MINAS RIO DOCE E JEQUITINHONHA APICULTURA Sem intermediários PRODUTORES DE MEL CAMINHAM PARA CONSEGUIR AS CERTIFICAÇÕES ORGÂNICA E DE COMÉRCIO JUSTO 18 ANA ELIZABETH DINIZ A s abelhas da espécie apís mellífera não são nativas do Brasil, foram introduzidas na época do Brasil-Colônia pelos padres jesuítas com o intuito de produção de velas a partir da cera, porém se espalharam por todo o país. Até aproximadamente o final da década de 1960, só existiam no Brasil raças de abelhas do gênero apis originado do continente europeu, até que, por acidente, aconteceu também a introdução de uma raça oriunda do continente africano que, naturalmente, cruzou com as espécies de origem europeia já existentes, dando origem à raça atualmente chamada de africanizada. “Até o final dos anos 80, em Turmalina e nos municípios vizinhos, o mel era coletado diretamente do ninho na natureza, utilizado para o uso próprio e comercialização. Foi quando o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Turmalina, em parceria com outras cooperativas, começou a desenvolver a criação racional das abelhas em colmeias padronizadas”, VIVER Julho - 2015 Pedro Vilela/Agência i7 país e é também exportada. No entanto, esse processo é realizado por meio de “atravessadores”, ou seja, outros entrepostos de Minas Gerais, São Paulo e Santa Catarina adquirem o mel, fazem o seu beneficiamento e comercialização. Mas essa situação deve mudar até o final desse ano. “Em 2010, foi construído um entreposto em Turmalina que vai produzir mel fracionado em potes e em sachê. Ele está passando por adequações finais para atender a legislação sanitária do mel, que é bastante rígida, sendo que 95% das exigências feitas pelo Ministério da Agricultura já foram cumpridas. Nossa expectativa é de que ele entre VICENTE, ELIZEU E DOMINGOS: negócio que está dando certo relata Renato Alves de Souza, 33, engenheiro agrônomo e secretário da Associação dos Apicultores do Vale do Jequitinhonha (Aapivaje). Em 1994, os agricultores familiares criaram o Centro de Agricultura Alternativa Vicente Nica (CAV), organização sem fins lucrativos, que passou a desenvolver atividades adaptadas às condições da região, sendo a apicultura um dos projetos apoiados. “Esse apoio acontecia por meio da capacitação dos agricultores, da elaboração de projetos para aquisição de material apícola e da comercialização do mel. Em função do crescimento da atividade e a fim de fortalecê-la, foi criada em 2002, a Aapivaje, que conta com aproximadamente 180 apicultores de 16 municípios da região”, diz Renato. Atualmente, a produção é comercializada em todo o estado, no VIVER Julho - 2015 o consumidor. Trabalhamos agora para conseguir o Selo de Inspeção Federal e, dessa forma, poder comercializar o mel com marca própria: Néctar do Jequitinhonha. Com o selo, vamos aumentar a quantidade de mel comercializado e, consequentemente, o número de famílias envolvidas”, avalia Renato. Essa é também a expectativa do apicultor Vicente Ferreira dos Santos, 65, presidente da Apivaje. “A apicultura na região tem 25 anos e tem se tornado cada vez mais forte. Trabalho com o mel há 23 anos e, mesmo alternando essa atividade com a criação de gado e lavoura, a apicultura tem se mostrado bem atrativa. Tenho 200 colmeias que, em 2014, produziram 9 t, sendo 70% de mel de eucalipto e 30% de mel silvestre. Atualmente, nosso maior comprador é Timóteo, no Vale do NÚMEROS Aço e São Paulo. Com a obtenção do selo do SIF nossa situação vai melhorar bastante, porque vamos oferecer nosso produto direde mel forma tamente para o consumidor”. comercializados pela Elizeu Ferreira dos Santos, Aapivaje desde 2002 33, acompanha Vicente, seu pai, desde criança. “A gente trabalha foi a receita com o mel muito, mas a apicultura é um desde 2002, considerando negócio que, financeiramente, o valor atual do mel no supera a criação de gado e a agriatacado (7,50 reais) cultura. Estou muito satisfeito com essa atividade e sempre que associados posso participo de cursos de capacitação”, diz. Domingos Lino de Jesus, 46, percebendo que a apicultura vem Fotos: Shutterstock se profissionalizando e conquisem operação até o final do ano”, es- tando novos mercados, entrou para pera Renato. o ramo há seis meses e tem contaA comercialização do mel será do com a ajuda e o apoio dos outros feita diretamente pelo Cooapivaje. produtores rurais. “Eu percebi que “Com isso, pretende-se remunerar esse negócio está dando muito cermelhor o apicultor e também bus- to. Investi 3 mil reais para montar car as certificações orgânica e de co- 15 colmeias, custo bem reduzido, mércio justo para o mel. No entanto, porque resolvi eu mesmo fabricar o principal ganho será a comerciali- as caixas e, com isso, barateei o meu zação do produto diretamente com custo em 60%”, ensina. 400 kg 2,9 milhões 180 19 VIVER MINAS RIO DOCE E JEQUITINHONHA Fotos: Pedro Vilela/Agência i7 AGRICULTURA FAMILIAR ODAIR QUADROS boa alternativa de renda e sonho de criança Uva se torna um bom negócio CULTURA SURGE COMO ALTERNATIVA DE RENDA EM TURMALINA QUE PRODUZIU 70 TONELADAS NA ÚLTIMA SAFRA 20 ANA ELIZABETH DINIZ É na comunidade de Ponte do Funil, na zona urbana de Turmalina, que se concentram, em terras férteis, 6 produtores da uva Niágara branca e rosada que, juntos, somam uma área de 10 ha plantados, 35 mil pés em produção e em formação, contabilizando uma produção anual em torno de 70 toneladas e um faturamento de 280 mil reais. O negócio vai muito bem e começa a se tornar boa alternativa de renda para os agricultores familiares que contam com o apoio da Empre- sa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG). Esse foi o caso do agricultor Odair Ferreira de Quadros, 45, proprietário do sítio Vista Alegre, o precursor do plantio da uva na região, em 2002. “Eu procurei o escritório da Emater, em Turmalina, porque precisava de orientação sobre como me inscrever no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), do governo federal, para conseguir um financiamento de 4 mil reais junto ao Banco VIVER Julho - 2015 JOÃO DE FREITAS: 28 anos de experiência do Brasil. Comprei 13 mudas que o meu amigo João Rodrigo de Freitas, 65, enviou de São Paulo e plantei em meio hectare de terra”, relembra. Hoje, Odair tem 2.000 pés produzindo e outros 2.000 pés em formação e colheu na última safra, 20 toneladas. “A uva é uma boa alternativa de renda e, no meu caso, é um sonho de criança. Quando eu tinha 15 anos disse que um dia ainda iria plantar uva na minha terra. Casei, e as coisas foram acontecendo aos poucos, e o meu sonho se tornou realidade”, conta ele. A iniciativa bem-sucedida de antes plantava apenas tomate. “CoOdair foi ganhando a simpatia de mecei com 1.000 mudas e hoje tenho outros agricultores. O amigo João é 900 pés produzindo em 0,3 ha e 1.200 proprietário do sítio Bela Vista e ga- para fazer enxerto. No ano passado nhou grande experiência cultivando, produzi 3 t”, comemora. durante 28 anos, uva e tomate em “A diversificação na agricultuSão Paulo e no sul do país. A sabedo- ra local tem melhorado a qualidade ria acumulada ao longo de décadas de vida dos produtores, que podem foi compartilhada com os amigos. obter uma renda maior. Além disso, “Gosto de ajudar os outros, aqueles aumenta a oferta de alimentos mais que querem realmente a aprender a saudáveis para os consumidores. Esse lidar com o cultivo da uva, que requer cultivo começou a deslanchar em atenção e muitos cuidados. É preciso 2002 e, hoje, os produtores se especiasaber quais ramos podar e fazer cor- lizaram tanto que podem até dar aula retamente o raleio de frutos, para esti- sobre a uva”, analisa o extensionista mular a produtividade. E a adubação agropecuário da Emater, Ronisley Datambém precisa de cuidados intensi- masceno Costa. vos. Só assim se pode conseguir um A estatal, além de dar consultobom padrão dos frutos, para poder ria para os agricultores rurais, presta competir com a região Sul, que já tem assessoria para que eles obtenham a tradição consolidada no mercado”, declaração de aptidão junto ao Proensina. naf, o que possibilita a obtenção de “Quando retornei para a JOSÉ ADÃO E comunidade de Ponte do FuRONISLEY COSTA: nil, em 2006, comecei plantandiversificação do 600 pés de uva e já no ano seguinte plantei mais 4 mil. Hoje tenho uma área plantada de 1 ha, 2 mil pés produzindo e esse ano vou plantar mais 500 pés. No ano passado, colhi 3 t e minha expectativa é de colher 4 t esse ano. A uva sempre foi o meu ganha pão”, revela João. José Adão Pinheiro de Quadros, 48, enveredou para o cultivo da uva há 3 anos, VIVER Julho - 2015 empréstimos para a compra de equipamentos e material. A produção da uva Niágara é comercializada em Turmalina, Veredinha, Capelinha, Minas Novas e Itamarandiba. Ronisley explica que, apesar do clima tropical da região, o cultivo de uvas – frutas tradicionais de climas mais frios – é beneficiado por algumas características do município, localizado a 670 metros de altitude em relação ao nível do mar: “Temos solos profundos, favoráveis à fixação das raízes das videiras e um inverno rigoroso, em contraste com o clima tropical no resto do ano”. A alternância de estações quentes e frias bem definidas é um fator positivo para a produtividade da videira na região, pois o calor logo após o período frio estimula a quebra da dormência, fenômeno que contribui para aumentar a brotação de frutos. “A incidência de sol por longos períodos do ano e a pouca umidade da região exigem mais investimento na irrigação. Por outro lado, o calor estimula a brotação e é possível obter até duas safras por ano. Outro fator positivo do sol é que ele ajuda a concentrar os açúcares dos frutos e torna o produto mais atraente para o consumidor”, diz o técnico. 21 VIVER MINAS RIO DOCE E JEQUITINHONHA Samuel Martins Santos CRISE HÍDRICA Rios Doce e Jequitinhonha pedem socorro CAUSAS SÃO ESGOTO JOGADO NOS CURSOS D’ÁGUA, DESMATAMENTO, DESTRUIÇÃO DE MATAS CILIARES E GARIMPO IRREGULAR PEDRAS À MOSTRA revelam degradação do rio Doce 22 VIVER Julho - 2015 ANA ELIZABETH DINIZ A crise hídrica que vem tirando o sono da população de vários municípios mineiros acomete diferentes rios, mas tem causas comuns. “A maior parte dos municípios não possui tratamento de esgoto, que continua sendo lançado in natura nos cursos d’água. Além disso, em algumas áreas do médio rio Doce, a maior parte das florestas foi suprimida e substituída por pastagens, contribuindo com a destruição das matas ciliares”, analisa Lucinha Teixeira, presidente da Câmara Técnica de Gestão de Eventos Críticos, do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Doce, que abrange 228 municípios, sendo 202 mineiros e 26 capixabas e em torno de 3,5 milhões habitantes. A criação dessa câmara técnica foi necessária para discutir e estabelecer diretrizes para a gestão de recursos hídricos relacionados à escassez, às cheias, à questão das cianobactérias e qualquer outro evento que altere significativamente as condições de quantidade, qualidade e de regime de água da bacia do rio Doce. “No ano passado, a câmara técnica levantou informações que resultaram na produção sistemática de boletins sobre o período de estiagem. Também foi promovido um encontro entre representantes do Serviço Autônomo de Água e Esgoto, Copasa, Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento, consórcios municipais de saneamento básico com atuação na bacia do rio Doce, entre outros usuários, para colocar em pauta assuntos relacionados ao período de estiagem e à questão das cianobactérias”, comenta Lucinha. Os números falam por si só e não são otimistas. Segundo dados do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), o total acumulado no período chuvoso atual é menor do que o total acumu- VIVER Julho - 2015 lado da média histórica de outubro a abril. “No período de outubro de 2014 a abril de 2015, a precipitação observada foi de 60% da média histórica. Soma-se a isso, o fato de que estamos vindo de 3 anos hidrológicos com chuva abaixo da média histórica. Mesmo que as chuvas ocorressem dentro da normalidade para o período, o déficit não seria reposto”, prevê a especialista. Segundo ela, o Plano Integrado de Recursos Hídricos da Bacia do Rio Doce tem diversos programas, para médio e longo prazos, para a recuperação das áreas de preservação permanentes (topos de morros, ao redor de nascentes, margens de cursos d’água). Além disto, para algumas regiões da bacia está prevista a implantação dos programas Produtor de Água e de Incentivo ao Uso Racional da Água na Agricultura. “Por se tratar do décimo manancial mais poluído do país, o rio Doce é contemplado atualmente por uma iniciativa levada adiante pelos comitês que compõem a bacia hidrográfica, destinada a financiar a elaboração de planos municipais de saneamento básico pelos municípios que não dispõem de recursos para sua elaboração: o Programa de Universalização do Saneamento, que vai beneficiar 156 municípios da bacia com um total de 21 milhões de reais em investimentos. A fim de combater o desperdício de água na agricultura, o Programa de Incentivo ao Uso Racional da Água na Agricultura financia a instalação de um equipamento que indica, de forma simples, quando e quanto irrigar: o irrigâmetro. A previsão é de que 240 equipamentos sejam instalados até o final de 2015 em toda a bacia do Doce”, ressalta. Além disso, os comitês de bacia estão investindo na recomposição 23 CRISE HÍDRICA de APPs (áreas de preservação permanentes) e de nascentes. “Por meio de parceria com os produtores rurais, o programa prevê a recomposição e recuperação de matas ciliares e topos de morro nas propriedades rurais da bacia, além do cercamento de olhos d’água. As propriedades também serão contempladas com a elaboração do Cadastro Ambiental Rural e a implantação do Programa de Regularização Ambiental”, prevê a especialista. Maria Helena Batista Murta, 60, formada em direito e pós-graduada em gestão integrada em territórios, é a superintende da Superintendência Regional de Regularização Ambiental do Leste de Minas (Supram), que abrange 147 municípios e envolve três bacias hidrográficas federais, Doce, Jequitinhonha e Mucuri. “O que falta nessas 3 bacias é consciência, consequência de uma educação deficiente. Consciência é o comprometimento com a formação do indivíduo e vem desde a infância. Já a questão social advém da falta de educação, que é também conhecimento de vida e abrange atitudes como não jogar lixo na rua e nem água fora, atitudes que geram gastos desnecessários. As pessoas precisam de informação correta”, analisa a superintendente. Segundo ela, 17 estados e 5 países estão trabalhando com o tema água. “O nível do rio Doce desceu muito, as pedras, antes encobertas, estão aparentes, houve racionamento e se formaram bancos de areia. Isso tudo é consequência do mau uso da água e do desmatamento sistemático que ocorre desde que o Brasil foi descoberto. Éramos a região mais rica de mata Atlântica. Se não preservarmos os topos de morro, as encostas e a mata ciliar não haverá saída para a crise hídrica”. A bacia do rio Doce é habitada desde 1517, período em que vem sendo contaminada com fezes, urina, pela ação das empresas, atividades 24 que afetam a fauna, flora. “Dos 228 municípios da bacia do rio Doce, nem 10% tratam o esgoto e Governador Valadares ainda não tem estação de tratamento de esgoto. Plantamos 3.000 mudas de árvores nativas às margens do rio, a fim de recompor a mata ciliar. Nossa função é monitorar o uso da água, por meio do licenciamento ambiental, regularizar o uso dos recursos naturais (água, solo, ar) e monitorar as atividades industrias para o licenciamento”, observa a superintendente. A situação da bacia do rio Jequitinhonha é bastante crítica. Segundo Arlindo Lima Tupy, presidente do Comitê de Bacias Hidrográficas do Médio de Baixo Jequitinhonha (JQ3), que abrange 36 municípios, a barragem do Ribeirão, construída em 1998 para suprir demanda de água da cidade, sofreu uma redução em torno de 80% no seu volume. “Ela foi construída para ajudar a suprir a demanda na barragem do rio São Pedro, mas, nos últimos 3 anos, com a diminuição do volume de chuvas, ela vem sendo seriamente afetada”. A situação é bem séria na zona rural, que está com total escassez hídrica e sendo abastecida por caminhões-pipa das prefeituras, com água cedida pela Copasa, em parceria com os poderes municipal e estadual, principalmente, nos municípios de Araçuaí, Itaobim e Ponto dos Volantes. Arlindo ressalta que a barragem de Irapé, localizada em Lelivéldia, distrito de Berilo, foi construída pela Cemig para gerar energia, e tem ajudado a manter o nível do Jequitinhonha o ano todo. “A região de Medina não tem opções de mananciais d’água e a situação é crítica. A Copasa está equipando mais 2 poços artesianos que vão se somar a outros 2 já existentes. O governo construiu uma barragem de grande porte no Ribeirão para resolver o problema de abastecimento, mas, em 3 anos, o nível só vem baixando. A concentração de nutrientes e VIVER Julho - 2015 GARIMPO no Jequitinhonha: risco para o rio Arquivo/Sisema Fotos: Pedro Vilela/Agência i7 RIO ARAÇUAÍ: estação de monitoramento em estado de alerta VIVER Julho - 2015 algas é tão grande que inviabiliza a retirada de água para abastecer a comunidade de Medina”, lamenta Arlindo. Outra atividade que está sendo combatida na região do Jequitinhonha é o garimpo ilegal. A secretaria de estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) e a polícia ambiental deflagraram uma operação de fiscalização na região conhecida como Garimpo da Areinha, próximo à Diamantina, a partir de denúncias sobre crimes e atividades minerárias irregulares, feitas pela Associação Mineira de Defesa do Ambiente (Amda). “Atualmente, existem cerca de 1.500 pessoas exercendo, ilegalmente, a atividade de garimpo, gerando situação de grave degradação ambiental, com a abertura de vias de acesso às margens do rio Jequitinhonha”, diz Jeane Dantas de Carvalho, gerente de monitoramento hidrometeorológico e eventos críticos do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam). Atividades antrópicas como mineração, garimpo e desmatamento para fins agropastoris realizadas no alto curso do Jequitinhonha e em alguns de seus afluentes têm causado, ao longo dos anos, consequências danosas ao meio ambiente, com alteração no ciclo hidrológico da região, além do assoreamento do curso de água. “Isso vem prejudicando as atividades econômicas desenvolvidas na região, como a agricultura, com destaque para a cafeicultura; a pecu- ária de corte e de leite; o garimpo de pedras coradas e cristal e o reflorestamento com eucalipto para produção de madeira e carvão, causando sérios problemas socioeconômicos para a população”, diz Jeane. Outro fator que desperta ainda mais a preocupação da Semad é a existência de equipamentos e maquinários que sugerem a ampliação da atividade. Por se tratar de uma atividade irregular e envolver crimes de responsabilidades federal e estadual, a subsecretaria de Controle e Fiscalização Ambiental Integrada pretende se reunir com diversos órgãos estaduais e federais, para desenvolver projetos de fiscalização e regularização da atividade garimpeira.“A intenção é coibir a degradação ambiental do Jequitinhonha”, observa Jeane. Atualmente vivenciando o auge do período seco, que vai de abril a setembro, os rios convivem com um regime de chuva muito menor em comparação ao período chuvoso, que se estende de outubro até março. De acordo com o Sistema Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Sisema), as vazões médias de abril de 2015 foram menores que as vazões de abril de 2014 nas bacias dos rios Carinhanha, Verde Grande, calha do rio São Francisco, Pardo, Jequitinhonha, Mucuri, São Mateus, Itapemirim, Doce e o afluente do rio Grande, rio do Cervo. Aplicando esse critério nas 25 estações das nas bacias monitoradas (rios Doce, Grande, Jequitinhonha, Paraíba do Sul, Paranaíba e São Francisco), destaca-se que, do total de estações, 12 estão em atenção e 3 em alerta. No rio Doce, há um total de 6 estações, sendo que as de Mário de Carvalho, no rio Piracicaba; Naque, no rio Santo Antônio; Vila Matias, no rio Sapucaí Grande e Porto Firme, no rio Piranga, estão em atenção e a estação de Ponte Nova Jusante, no rio Piranga, está em alerta. A estação de Pega, no rio Araçuaí, está em alerta. 25 Alberto Wu VIVER MINAS RIO DOCE E JEQUITINHONHA LITERATURA DAYSE LIMA: intenção é conscientizar as pessoas Atitude cidadã EDUCADORA PERCORRE 70 MUNICÍPIOS DA BACIA DO RIO DOCE, DAS ALTEROSAS MINEIRAS AO ATLÂNTICO CAPIXABA ANA ELIZABETH DINIZ D ayse de Fátima Rodrigues de Lima, 55, é o que podemos chamar de uma educadora radical, uma desbravadora ambiental, pois decidiu ir a campo, sozinha, com pouco dinheiro e nenhum patrocínio, para entender melhor o que acontece com a bacia hidrográfica do rio Doce, também conhecido como o Nilo brasileiro, e chamado de watu pelos Botocudos que habitavam suas margens. Durante 7 anos, a também bióloga, gestora ambiental e escritora, percorreu 70 municípios da bacia do rio Doce e fez uma radiografia ambiental, histórica, geográfica e cultural do rio, que nasce em Minas Gerais e deságua no Espírito Santo. O resultado dessa 26 expedição está no livro O Serpenteamento do Rio Doce – das Alterosas mineiras ao Atlântico capixaba que já vem sendo divulgado nas escolas e em workshops, mas com lançamento oficial em 2016. Além do rio Doce, Dayse vai se debruçar sobre os 6 maiores rios em vazão em Minas Gerais: Manhuaçu, Santo Antônio, Suaçuí Grande, Piracicaba, Corrente Grande e São José. A bióloga revela que os últimos 7 anos foram dedicados à pesquisa, fotografia, redação e muitas viagens. O rio Doce tem uma extensão aproximada de 900 km e tem suas nascentes nas serras da Mantiqueira e do Espinhaço. “Tive que estudar história para saber por que aquela cidade tinha aquele nome, me sentei em todas as bibliotecas das cidades por onde passei para pesquisar mais. O rio Doce nasce como rio Piranga, em Ressaquinha. Na área rural dos municípios de Ponte Nova, Santa Cruz do Escalvado e Rio Doce ocorre o encontro das águas do Piranga e Carmo, formando assim o rio Doce”, ensina Dayse. Em 1826, o Correio brasileiro foi a primeira embarcação a vapor que sulcou o rio Doce que, até 1940, foi navegável. “Hoje vários trechos estão assoreados, com bancos de areia. O rio está bem castigado e as causas são sempre as mesmas, falta de mata ciliar, e o esgoto lançado ao rio que vem exterminando a flora, a vida aquática e a diversidade de seres vivos. Em algumas regiões fica nítida a atuação de empresas que comprometem a qualidade das águas”, comenta Dayse. “Minha intenção é a de sensibilizar, conscientizar e alcançar o maior número de pessoas”, finaliza. SERVIÇO: O livro tem 94 páginas e custa R$ 39,90. Pedidos pelo e-mail [email protected] ou pelo telefone (31) 8867-1285. VIVER Julho - 2015 VIVER MINAS RIO DOCE E JEQUITINHONHA IMIGRAÇÃO Valadarenses retornam aos EUA CRISE ECONÔMICA, DESEMPREGO E INSTABILIDADE PROVOCAM ÊXODO DE MINEIROS Ester Sanches-Naek Normalmente os imigrantes retornam exercendo os mesmos sub-serviços que realizam antes, que dão a eles a possibilidade de ter uma vida digna e confortável”, diz a conselheira. Para facilitar sua entrada no país, os brasileiros que viveram nos EUA sem documentos estão voltando por alguma ilha do Caribe. “Eles estão paANA ELIZABETH DINIZ gando até 25 mil dólares para entrar. la fala com a autoridade de úniMuitos estão tirando o passaporte ca brasileira que teve votos nos europeu e entrando com a cidadania, Estados Unidos, Canadá e Ménormalmente, italiana, o que dificulta xico para atuar como conselheira do ainda mais a contagem deles como Conselho de Representantes de Brabrasileiros. Sendo assim, até o próprio sileiros no Exterior (CRBE), entidade Itamaraty não é capaz de informar de interlocução entre a comunidade esse número com precisão”, analisa. brasileira no exterior e o governo A conselheira faz uma reflexão sobrasileiro, auxiliando o Ministério bre o atual momento brasileiro, que das Relações Exteriores na prepatem levado a um novo êxodo não aperação das conferências Brasileiros nas para os Estados Unidos, mas tamno Mundo. Ester Sanches Naek, 49, bém para o Reino Unido. “Não acho nascida em Belo Horizonte, mas vique a situação do nosso país seja de vendo em Tolland, Connecticut, nos responsabilidade somente dos polítiEstados Unidos fala sobre o retorno cos ou nossos dirigentes, mas sim do de brasileiros e valadarenses para eleitor que o colocou lá. Os eleitores o país da América do Norte, depois têm que se conscientizar que depois ESTER NAEK: nem o da grande crise econômica de 2006, que eles elegem o político, também Itamaraty sabe informar quando o movimento foi inverso. têm que cobrar o que ele prometeu. número de brasileiros “Os brasileiros estão voltando Outra coisa, é preciso ter estratégia para os Estados Unidos não sopara tudo. Fizeram a maior bamente por causa da alta do dóSAIBA MAIS gunça quando usavam a frase: lar, mas pela falta de segurança, ‘o gigante acordou’. Disseram O Conselho de Representantes de saúde, educação de qualidade que o Brasil tinha acordado. Brasileiros no Exterior implementa as e apoio social aos que vivem Sinto muito em dizer que acordemandas contidas na ata de reivindicações das no Brasil. Os Estados Unidos dou, mas não soube o que fazer comunidades brasileiras no exterior e encaminha são um país que se preocupa demandas adicionais. Ele foi criado pelo decreto acordado. Minha dica é que to7.214 de 15/6/2010, assinado pelo presidente Luiz muito com o bem-estar dos dos possam se inteirar de seus Inácio Lula da Silva. Foram eleitos pelo voto direto seus cidadãos e de qualquer direitos e deveres e fazer mais dos brasileiros que residem no exterior 16 titulares imigrante documentado ou para o progresso do nosso pais. e 16 suplentes, sendo 4 na América do Norte, 4 na indocumentado, desde que ele Só assim teremos um país mais América do Sul, 4 na Ásia e Oceania e 4 na Europa. não seja ameaça para a nação. justo para todos”. E VIVER Julho - 2015 27 VIVER MINAS RIO DOCE E JEQUITINHONHA ECOTURISMO Praia no Jequitinhonha A NATUREZA ARREBATADORA DO PARQUE ESTADUAL DO RIO PRETO COM AREIAS BRANCAS, PINTURAS RUPESTRES E CACHOEIRAS ANA ELIZABETH DINIZ “P siu, ouça o sussurro do silêncio”, “vista a natureza e se feche em árvores”, “solte os grilos, afrouxe os sonhos”, “as brabuletas azulis avoando” e “no entroncamento, lebres e borboletas têm a preferência”. Essas frases deliciosas e inspiradas, criadas pela comunidade local e transformadas em placas, vão definindo o caminho que leva ao Parque Estadual do Rio Preto, localizado a 19 km de São Gonçalo do Rio Preto. Lá dentro, o visitante se depara com uma natureza impactante, resiliente e preservada por um time de 33 funcionários que incorporaram a preservação ambiental, a gentileza e a alegria por fazer parte daquele ecossistema. Sob a batuta do zootecnista Antônio Augusto de Almeida, o Tonhão, 55, gerente do parque há 21 28 anos, desde a sua criação, em 1994, eles se alternam nas inúmeras tarefas diárias com leveza e presteza. Inserido no complexo da serra do Espinhaço, considerada a única cordilheira do Brasil, o parque ocupa uma área de 12.185 ha, tem relevo acidentado, abriga rochas de quartzo, nascentes, cachoeiras, piscinas naturais, corredeiras, sumidouros, cânions e praias. A vegetação inclui espécies típicas do cerrado com capões e matas de galerias e tipologia bem variada, que vai de cerrado até campo limpo e campo rupestre. Segundo o gerente, 39% do município de São Gonçalo do Rio Preto, estão dentro do parque. “Isso gera ICMS ambiental para o município. Em 2014, foram gerados 800 mil reais, ou seja, quase 66 mil mensais. Essa é uma condição especial e que, de alguma forma, faz com que a comunidade veja com bons olhos a unidade de conservação”. O parque foi criado para proteger a nascente do rio Preto, que pertence à bacia hidrográfica do rio Jequitinhonha. Sua área abrange desde a nascente do rio Preto, no limite sul, até o início do seu curso médio, a partir do vilarejo de Santo Antônio. Além do rio Preto, diversas nascentes e córregos estão protegidos pelo parque, como o córrego das Éguas, que forma as cachoeiras do Crioulo, localizada a 6,8 km da sede, com queda de 30m; e da Sempre-Viva, mais próxima, a 4,7 km da sede, queda de 15m e um enorme paredão enfeitado das flores do cerrado. São várias as opções de trilhas VIVER Julho - 2015 Fotos: Pedro Vilela/Agência i7 COBRA nas areias do parque muito bem sinalizadas, como dos Mirantes, do Monjolo, da Estrada Real, da Pedra, da Lapa e da Água Fria. A trilha do cerrado fica a 3 quilômetros da sede e oferece informações sobre a fauna e flora e requer o auxílio de um guia. A trilha das crianças é de fácil acesso e mostra a importância da proteção do rio Preto. A unidade abriga ainda cavernas com pinturas rupestres, como a lapa do tatu, das piabas, do tropeiro e do veado, todas com placas indicativas e curiosidades sobre a pré-história. Nesse caso, as visitações são restritas e obrigatoriamente guiadas. FARMÁCIA MEDICINAL Quem conhece a fundo a flora local é José Hermínio Inácio, 50, conhecido como Deco, monitor há 17 anos. Aprendi sobre as plantas com a minha mãe, ainda pequeno. Naquela época, o remédio vinha do nosso quintal, do cerrado”. A vivência e a intimidade com a rica natureza medicinal do parque serviram de estímulo para que Deco fizesse alguns cursos de fitoterapia. Ele aprendeu o nome científico das plantas e hoje, pode-se dizer, que é um especialista. “Todas as plantas do cerrado são medicinais, cada estudioso conhece uma parte delas. O cerrado é uma farmácia viva, tudo quanto há tem uma serventia, mas é preciso conhecimento. Por isso fui estudar para saber mais sobre como elas agem no corpo, porque é muito importante”, comenta Deco. Veja alguns usos: z Carobinha do campo: boa para alergias de pele, usa-se a flor e as folhas z Velame-de-leite (ou velame do campo): depurativo do sangue. Bom para reumatismo, artrite e ácido úrico z Quina-de-vara: para vermes, caspa, seborreia, gastrite e anemia z Salsaparrilha: depurativa do sangue e diurética z Canguçu branco (o preto é veneno): picadas de abelha, de escorpião. É depurativo e bom para insônia z Leite de mangaba: para problemas de estômago z Folha de mangaba: boa para hipertensão z Pau-santo: para problemas de estômago Fonte: Deco VIVER Julho - 2015 29 Fotos: Pedro Vilela/Agência i7 ECOTURISMO O poço dos Veados é de uma beleza ímpar. A caminhada é tranquila, ele fica a 2,4 km da sede. Uma praia de areia branca, com piscina natural e pequena queda d´água dão ao local um charme especial. Ali pode-se ver uma rocha com pinturas rupestres. Para quem não quer caminhar tanto, a opção é a prainha, a 0,5 km da sede. Pequena e charmosa, é boa para banhos e relax na areia branca, ladeada por vegetação e diminutas quedas d’água. Tonhão vai elencando as belezas da fauna e flora. “Aqui temos espécies criticamente em perigo como o tatu-canastra, jaguatirica, suçuarana, onça-pintada, anta e veado-campeiro. Foram levantadas mais de 40 espécies de mamíferos habitando a região, como o lobo-guará, tatu-de-rabo-mole, bugio, guigó, lontra, muriqui, gato-do-mato e caititu. Isso sem falar nas 276 espécies de vertebrados terrestres, 194 de aves, 33 de répteis e 200 de anfíbios”. Sucupiras, ipês, jacarandás, cagaeteiras, mangabeiras, jatobás, pequizeiros, vinháticos, araticum e as majestosas sempre-vivas, onde se incluem os chuveirinhos, enfeitam e dão vida ao parque. O parque desenvolve, por meio de parcerias, pesquisas sobre a fauna e flora. Dentre elas estão a Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, Unimontes, Universidade de São Paulo, a Federal de Ouro Preto, Universidade Federal de Minas Gerais, Faculdade de Saúde do Ibituruna e a Universidade Estadual de Campinas, além das escolas do entorno. “Trabalhamos a educação ambiental por meio de projetos que servem como bancos de dados. Além disso, estimulamos o turismo sustentável a fim de gerar renda para as comunidades do entorno. Os visitantes acabam gerando renda para o comércio local e para as pousadas”, diz Tonhão. 30 z SERVIÇO: O parque abre de terça-feira a domingo, das 7 às 17 horas, e o valor do ingresso é de 5 reais. No caso de pernoite é necessário fazer reserva antecipada pelo telefone (38) 9976-5621, ou pelo e-mail: antonio. [email protected]. A área de camping tem capacidade para 40 barracas e 80 pessoas. O preço da diária cobrada, por pessoa, é 10 reais, e a unidade oferece banheiros com chuveiro quente, quiosques com churrasqueiras, pias, mesinhas, pontos de energia. A diária nos alojamentos para uma ou duas pessoas custam 60 reais a diária, para três pessoas, 80 reais; para quatro ou cinco, 100 reais. O hóspede deve levar roupa de cama, toalha de banho e travesseiro. z DISTÂNCIA: 340 quilômetros de Belo Horizonte z ACESSOS: Saindo de BH pegue a BR–040, em direção ao norte, acessando a BR–135 em direção a Curvelo. Daí, siga pela BR–259, no sentido leste. Após a entrada para Datas, pegue a BR–367 para Diamantina. Siga por 8 quilômetros pela BR–367 e após Couto Magalhães de Minas, na MG–214, vire à direita, sentido São Gonçalo do Rio Preto. Do município até o parque são 19 km de estrada de terra. z INFORMAÇÕES: (38) 9801-8188 TONHÃO: trabalhando a educação ambiental O gerente chama a atenção para sua equipe de colaboradores. “Eles vêm de todos os lados do entorno do parque. São filhos de antigos moradores, de pessoas que, no passado, tiveram rancho onde hoje está a unidade de conservação. Muitos pescaram, caçaram, trabalharam com carvoarias. Depredaram a natureza. Faltava a eles consciência. Hoje, eles são os guardiões da natureza e se empenham para isso, porque perceberam a importância da biodiversidade para a preservação da vida humana. Eles fazem a parte deles, orientando, mas os visitantes têm que fazer a sua parte”. VIVER Julho - 2015 VIVER MINAS RIO DOCE E JEQUITINHONHA CULTURA PEÇAS DECORATIVAS, NOIVAS E BONECAS GANHAM VIDA E BELEZA COM TÉCNICA TRADICIONAL DO JEQUITINHONHA Arte que vem ANA ELIZABETH DINIZ do barro Fotos: Pedro Vilela/Agência i7 É no povoado de Campo Alegre, em Turmalina, no Vale do Jequitinhonha, que vive um grupo de mulheres envolvidas na produção de uma cerâmica muito típica e única. São as famosas noivas e mulheres com vestidos, olhares e adereços que retratam as referências do povo do Vale. Uma herança cultural que vem se perpetuando pelas gerações afora. Rita Gomes Lopes, 62, aprendeu a arte da cerâmica com a mãe, Paulina Gomes de Souza, 83. Anísia, sua filha de 44 anos, e Jaqueline, a neta com 17 anos, também são artesãs. Elas fazem parte da Associação dos Lavradores e Artesãos de Campo Alegre, criada em 1985, e que conta hoje com 56 artesãs que dão vida ao barro em peças comercializadas por todo o Brasil e pelo mundo. “Eu sempre trabalhei com cerâmica. Tenho 8 filhos e 9 netos e a minha vida toda foi vivida no artesanato”, diz Rita. Georgina Gomes Pereira, 40, se VIVER Julho - 2015 RITA E GEORGINA: vida dedicada ao artesanato dedica à cerâmica há 15 anos. “Gosto de fazer as galinhas com flores. São minhas preferidas”, revela. Além das figuras com influências herdadas dos índios e dos colonizadores portugueses, são produzidos pratos, panelas, farinheiras, sopeiras, potes, moringas, bules, vasos, filtros, conjunto de travessas e jogos de café, em muitos casos com forma de gente, bonecas e animais. As peças mais conhecidas são a cabeçada, as gêmeas siamesas, o peixe-boi, o sapo-boi, vasos com rostos, cirandas e imagens de São Francisco. Cada peça remete a uma história. O processo de produção envolve muitas etapas. “O barro tem que ser tratado, socado na gangorra, amassado até se transformar em uma pasta que deve ter uma consistência perfeita para modelar a peça e dar o acabamento. Depois disso, a peça será pintada com corantes naturais e queimada em forno a lenha”, explica Rita. Desde 2005, o Sebrae vem apostando no artesanato do Vale do Jequitinhonha. “Desenvolvemos algumas capacitações nas áreas de comportamento, gestão e designer, inicialmente na comunidade de Campo Alegre. A partir de 2011, os grupos foram ampliados e cada vez mais vêm se fortalecendo e ganhando autonomia”, ressalta Nayara de Souza Ferreira da Silva Pinto, da regional Jequitinhonha e Mucuri do Sebrae. SERVIÇO: Telefone para contato: (38) 3527-0025 (associação). 31 Em imagens por Pedro Vilela/Agência i7 32 VIVER Julho - 2015 VIVER Julho - 2015 33 VIVER MINAS RIO DOCE E JEQUITINHONHA CULINÁRIA Pastel JK Fotos: Pedro Vilela/Agência i7 RECEITA IGUARIA APRECIADA PELO EX-PRESIDENTE DO BRASIL TEM RECEITA PRESERVADA A paixão pelo pastel de carne feito por Argelina Tatu, hoje com 97 anos, era tanta que o prefeito de Belo Horizonte, entre 1940 e 1945, Juscelino Kubitschek, pedia a seu ajudante Leandro, que encomendasse a iguaria com antecedência. Quando chegava em Diamantina, se reunia com os amigos, se sentava na calçada, na porta da sua casa, em frente ao cruzeiro, e saboreava o pastel enquanto tocava violão. A receita se mantém na família, com a sobrinha neta de dona Argelina, Maria Helena Tatu, 60, quitandeira de mão cheia e criada 34 desde a infância na cozinha da mãe e da tia avó. Ela conta que sempre gostou de cozinhar e ensina alguns truques para deixar o pastel crocante e sequinho. “A massa deve ser preparada de véspera e pode ser deixada em cima da pia mesmo. Na hora de abrir, a espessura é muito importante. Não pode ficar grossa, senão pipoca e nem fina demais, porque quebra. A carne tem que ser de boa qualidade”. PASTEL JK Encomendas pelos telefones (38) 35311637 e (38) 8849-7520 (WhatsApp). RENDIMENTO: 150 PASTÉIS MENORES E 100 MAIORES INGREDIENTES z1 kg de farinha de trigo sem fermento z2 copos (americano) de água fervendo z½ copo (americano) de óleo z2 ovos zSeis tampinhas de álcool (não pode ser em gel senão amarga) z1 colher (sopa) de sal MODO DE PREPARO Colocar em uma vasilha a farinha, os ovos, o óleo e o álcool. Escaldar a massa com a água fervendo, amassar e passar pelo cilindro até ficar lisa. Envolver em plástico filme e deixar de um dia para o outro em cima da pia. Se quiser, pode congelar durante 15 dias, no máximo. Passar novamente pelo cilindro, rechear com a carne moída preparada a gosto e cortar. Fritar em óleo quente. VIVER Julho - 2015 www.revistaviverfashion.com.br | (31) 3503 8888