MINAS
Jequitinhonha
e Rio Doce
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Regiões reforçam
investimentos em suas
principais vocações
econômicas, com destaque
no agronegócio,
para gerar riquezas
Apicultura
Produtores de mel de Turmalina
buscam certificação orgânica
Laticínios
Bela Vista aplica 60 milhões em nova
fábrica em Governador Valadares
Editorial
FOCO NO CRESCIMENTO
Esta edição aborda 2 regiões, os vales do Rio
Doce e do Jequitinhonha. Grandes extensões territoriais, múltiplas vocações econômicas, projetos,
fazeres e desafios.
No Vale do Jequitinhonha, inúmeros projetos
estão em andamento, como o entreposto de mel,
que hoje reúne 34 produtores associados e beneficia
mais de 300 apicultores de 31 municípios da região.
O presidente da Federação das Indústrias do Estado
de Minas Gerais (Fiemg), Olavo Machado Júnior
anuncia que a meta para este ano é investir 91 mil
reais em ações junto ao entreposto de mel. Estivemos em Turmalina, onde o mel tem se tornado um
bom negócio. A Associação dos Apicultores do Vale
do Jequitinhonha (Aapivaje) comercializou, desde
2002, 400 kg de mel, totalizando uma receita de 2,9
milhões.
Ainda no Jequitinhonha, fomos conhecer de perto duas iniciativas que estão gerando mais qualidade
de vida para o homem do campo. As lavouras de uva
Niágara branca e rosada, na comunidade de Ponte
do Funil, na zona urbana de Turmalina, aposta de 6
produtores que, juntos, somam uma área de 10 ha
plantados, 35 mil pés em produção e em formação,
contabilizando uma produção anual em torno de 70
t e um faturamento de 280 mil reais.
No Rio Doce, a presidente regional da Federação
das Indústrias do Estado de Minas Gerais, Rozâni
Maria Rocha de Azevedo, comenta que a duplicação
da BR-381 traz esperança concreta de novas oportunidades de negócios e que as lideranças empresariais continuam mobilizadas para que Governador
Valadares seja incluída efetivamente dentro do pacote de obras.
A inauguração da indústria de laticínios Bela Vista, detentora da marca Piracanjuba, em Governador
Valadares, tem sido comemorada. A empresa investiu 60 milhões de reais na nova fábrica que ocupa
uma área de 12 mil m2 e tem capacidade para processar 300 mil litros de leite por dia e vai gerar mais
de 500 empregos, entre diretos e indiretos.
Mais radical, a educadora Dayse de Fátima Rodrigues de Lima percorreu 70 municípios da bacia
do rio Doce e fez uma radiografia ambiental, histórica, geográfica e cultural do rio, que nasce em Minas
Gerais e deságua no Espírito Santo.
Já Ester Sanches Naek, conselheira do Conselho
de Representantes de Brasileiros no Exterior (CRBE),
mostra como a crise econômica, desemprego e instabilidade têm provocado o êxodo de mineiros para
os Estados Unidos.
E ainda mostramos como a crise hídrica tem afetado os rios regionais, mostramos a exuberância do
Parque Estadual do Rio Preto, a cerâmica delicada
e vigorosa das mulheres da comunidade de Campo
Alegre e o pastel preferido de Juscelino Kubitschek.
Ana Elizabeth Diniz, repórter
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4
VIVER Julho - 2015
Pedro Vilela/Agência i7
Foto da capa:
Pedro Vilela/Agência i7
Sumário
6 Economia
28 Ecoturismo
8 Entrevista
31 Cultura
10 Atuação
34 Culinária
Vale do Rio Doce aposta na
duplicação da BR-381
A natureza arrebatadora do
Parque Estadual do Rio Preto
Jequitinhonha fortalece micro e
pequenas empresas
16 Negócios
22 Crise hídrica
Governador Valadares ganha
indústria de laticínios
Rios Doce e Jequitinhonha
sofrem com esgoto, garimpo
irregular e desmatamento
18 Apicultura
26 Literatura
20 Agricultura familiar
27 Imigração
Produtores de mel de Turmalina
buscam certificação
Plantio de uva cresce e vira
alternativa de renda
Pastel apreciado pelo presidente
JK em receita preservada
12 Ali e Acolá
Educadora percorre 70 cidades
da bacia do rio Doce
Crise econômica promove novo
êxodo de mineiros rumo aos EUA
= COLUNAS
Comissões da Assembleia debatem
situação do Jequitinhonha
A arte brota do barro nas mãos
das artesãs do Jequitinhonha
Ana Elizabeth Diniz
15 Tenho Dito
Ana Elizabeth Diniz
32 Em imagens
A região pelas lentes de
Pedro Vilela
A região
RIO DOCE
Água Boa
Águas Formosas
Aimorés
Alpercata
Alvarenga
Ataléia
Bertopolis
Braúnas
Campanário
Cantagalo
Capitão Andrade
Carlos Chagas
Carmesia
Catuji
Central de Minas
Conceição de Ipanema
Conselheiro Pena
Coroaci
Crisólita
Cuparaque
Divino das Laranjeiras
Divinolândia de Minas
Dores de Guanhães
Engenheiro Caldas
Fernandes Tourinho
Franciscopolis
Frei Gaspar
Frei Inocêncio
Frei Lagonegro
Fronteira dos Vales
Galileia
Goiabeira
Gonzaga
Governador Valadares
Guanhães
VIVER Julho - 2015
Ipanema
Itabirinha de Mantena
Itaipe
Itambacuri
Itanhomi
Itueta
Jampruca
Jose Raydan
Ladainha
Machacalis
Malacacheta
Mantena
Marilac
Materlandia
Mathias Lobato
Mendes Pimentel
Mutum
Nacip Raydan
Nanuque
Nova Belém
Nova Modica
Novo Oriente de Minas
Ouro Verde de Minas
Pavão
Peçanha
Pescador
Pocrane
Pote
Resplendor
Sabinópolis
Santa Efigênia de Minas
Santa Helena de Minas
Santa Maria do Suaçuí
Santa Rita do Itueto
São Felix de Minas
São Geraldo da Piedade
São Geraldo do Baixio
São Joao do Manteninha
São Joao Evangelista
São Jose da Safira
São Jose do Divino
São Jose do Jacuri
São Pedro do Suaçuí
São Sebastiao do Maranhão
Sardoá
Senhora do Porto
Serra dos Aimorés
Setubinha
Sobrália
Taparuba
Teófilo Otoni
Tumiritinga
Umburatiba
Virginópolis
Virgolândia
VALE DO JEQUITINHONHA
Almenara
Angelândia
Araçuaí
Aricanduva
Augusto de Lima
Bandeira
Berilo
Buenópolis
Cachoeira de Pajeú
Capelinha
Caraí
Carbonita
Chapada do Norte
Coluna
Comercinho
Coronel Murta
Couto de Magalhães de
Minas
Datas
Diamantina
Divisópolis
Felício dos Santos
Felisburgo
Francisco Badaró
Gouveia
Itamarandiba
Itaobim
Itinga
Jacinto
Jenipapo de Minas
Jequitinhonha
Joaíma
Joaquim Felício
Jordânia
José Gonçalves de Minas
Leme do Prado
Mata Verde
Medina
Minas Novas
Monte Formoso
Novo Cruzeiro
Padre Paraíso
Palmópolis
Pedra Azul
Ponto dos Volantes
Presidente Kubitschek
Rio do Prado
Rio Vermelho
Rubim
Salto da Divisa
Santa Maria do Salto
Senador Modestino Gonçalves
Serra Azul de Minas
Serro
Turmalina
Veredinha
Virgem da Lapa
5
VIVER MINAS RIO DOCE E JEQUITINHONHA
ECONOMIA
Foco no
crescimento
VALE DO RIO DOCE SE APROPRIA DO
SEU POTENCIAL E TENTA ATRAIR NOVOS
INVESTIMENTOS
ANA ELIZABETH DINIZ
A
duplicação da BR-381 traz uma
esperança concreta de novas
oportunidades de negócios no
Vale do Rio Doce e as lideranças empresariais continuam mobilizadas
para que Governador Valadares seja
incluída efetivamente dentro do pacote de obras. Recentemente, a presidente Dilma Rousseff e o diretor-geral
do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit), Jorge
Ernesto Fraxe, estiveram na cidade e
garantiram que a duplicação chegará
sim até Valadares.
“Estamos confiantes de que isso,
de fato, vai acontecer. O projeto da
BR-381 já foi licitado, mas a obra até
Valadares será viabilizada por meio
do Regime Diferenciado de Contratações. O projeto atual vai até Belo
Oriente, onde está a Cenibra. Desse
trecho até Valadares, são exatos 72,8
quilômetros. Essa distância nos divide
e nos priva do desenvolvimento. Uma
exclusão incompreensível porque se
trata de uma reta que não exige obras
de complexidade estrutural. Eles se
basearam em um estudo feito há 12
anos, quando passavam por aquele
trecho 5.000 carros. Hoje, passam 20
mil no entroncamento da BR-381 com
a BR-116”, avalia Rozâni Maria Rocha
de Azevedo, presidente da regional
6
Vale do Rio Doce, da Federação das
Indústrias do Estado de Minas Gerais
(Fiemg).
Governador Valadares é um importante eixo logístico por onde passam cargas de grãos, especialmente
soja, feijão e milho, rumo aos portos
litorâneos para exportação, além de
granito, cimento e ferro. Por isso, e
para alavancar novas perspectivas
econômicas, foi formado um grupo de
trabalho que está lutando para a implantação de um terminal de cargas.
“O município tem localização privilegiada e a implantação desse terminal
vai possibilitar o transporte de carga
de alto valor agregado, contribuir com
a geração de emprego e renda e diminuir o custo do frete das mercadorias
e produtos”, comenta a dirigente.
Segundo ela, a região tem avançado rumo ao desenvolvimento. “Não
exatamente da maneira que queremos, mas estamos buscando soluções
e oportunidades de crescimento. Um
exemplo foi a instalação do Laticínios
Bela Vista (Piracanjuba), em Valadares, que ajudou a fomentar o desenvolvimento econômico e social de
toda região. A instalação dessa unidade industrial fortaleceu ainda mais
a cadeia produtiva do leite, o setor industrial e aumentou a geração de emVIVER Julho - 2015
O município tem
localização privilegiada
e a implantação desse
terminal vai possibilitar
o transporte de carga
de alto valor agregado”
Rozâni Azevedo
Fiemg/Divulgação
VIVER Julho - 2015
prego e renda na região”.
Uma reivindicação antiga dos
empresários da região para alavancar
o desenvolvimento é a reforma e a
ampliação do terminal de passageiros
do aeroporto. “A cidade tem importância estratégica, porque é rota para
várias outras cidades importantes do
país. Atualmente, o aeroporto opera apenas com uma empresa aérea
(Azul), com aeronaves com capacidade de até 100 passageiros e apenas
para Belo Horizonte, mesmo assim
somente para o aeroporto de Confins.
Há ainda a necessidade de adquirir
um equipamento que permite o pouso de aviões mesmo em condições de
visibilidade zero. Essas melhorias vão
incrementar a criação de mais voos
comerciais e de passageiros, atraindo
mais desenvolvimento para a região”,
analisa a empresária.
Rozâni é uma liderança que se
destaca dentro do movimento que
luta para desmembrar o Vale do Rio
Doce do Vale do Aço. “Essa não é uma
questão política e sim uma necessidade de sobrevivência, de atrair para a
região mais investimentos, recursos,
indústrias e empresas que queiram se
instalar aqui, fomentando a geração
de emprego, renda e o desenvolvimento econômico e social. O Vale do
Rio Doce tem sido prejudicado pela
falta de políticas públicas de incentivo
dos governos estadual e federal. Além
disso, os deputados precisam nos enxergar com outros olhos”, diz.
O Instituto de Desenvolvimento
do Norte e Nordeste de Minas (Idene),
cujo trabalho está focado em regiões
com baixo Índice de Desenvolvimento Econômico (IDH), abriu uma regional em Valadares. “É um ganho para
todos, porque possibilitou a inclusão
dos municípios dessa região, uma reivindicação antiga dos que defendem
e colaboram com o desenvolvimento
do Vale Rio Doce. A atuação do Idene
e o desmembramento dos vales vão
gerar um tratamento diferenciado em
relação aos incentivos fiscais, maior
abrangência de políticas públicas,
programas sociais, mecanismos de
inclusão produtiva e melhorias na infraestrutura regional”, observa.
Outra reivindicação antiga é o gasoduto. “Algumas empresas do distrito industrial já estão utilizando o gás,
que chega comprimido aqui no município, em transporte especializado,
o que o torna mais caro. Quando ele
chegar até a cidade vai permitir que
o município receba novas empresas.
Isso, sem dúvida, vai gerar mais renda
e emprego”, diz a empresária.
Governador Valadares foi recentemente incluída no Programa
de Revitalização e Modernização de
Distritos Industriais, do governo de
Minas. O plano foi desenvolvido pela
Codemig, em parceria com a Fiemg e
o Sebrae. “Minas Gerais tem 53 distritos industriais, 10 serão revitalizados, entre eles, Valadares. Essa é uma
conquista importante porque vai
propiciar condições adequadas para
as indústrias que já estão instaladas
no local e para aquelas que serão
atraídas para a cidade. Atualmente
temos problemas relacionados à infraestrutura, como iluminação, queda de energia, segurança”, comenta
a empresária.
Rozâni comenta sobre a crise hídrica que vem preocupando o país.
“A água é um recurso cada vez mais
importante para as operações das
empresas. Incorporar processos cada
vez mais sustentáveis é o objetivo de
todas. Há 10 anos, a indústria vem se
preparando para a escassez de água.
A Fiemg tem desenvolvido e apoiado
iniciativas para capacitar e tornar a
indústria referência na utilização eficiente da água e firmou o Pacto de Minas Pelas Águas, a fim de unir as competências para identificar o que cada
setor pode fazer para contribuir com
o uso racional dos recursos hídricos.
O momento é de buscarmos soluções
futuras em conjunto”.
7
VIVER MINAS RIO DOCE E JEQUITINHONHA
ENTREVISTA
Diversidade
regional
VALE DO JEQUITINHONHA
INVESTE NAS SUAS
MÚLTIPLAS VOCAÇÕES
ECONÔMICAS PARA
SUPERAR DIFICULDADES
Foto: Sebastião Jacinto Junior
OLAVO MACHADO:
região vulnerável
à escassez
hídrica
8
ANA ELIZABETH DINIZ
O
Vale do Jequitinhonha é uma região plural
em todos os sentidos. Com 80 municípios
espalhados em uma área de 14,5% do estado,
a região tem criado alternativas sustentáveis para
driblar a crise e as dificuldades econômicas,
como, por exemplo, o fortalecimento da
cadeia produtiva da apicultura e da
tecnologia que envolve o manejo do
eucalipto, em Turmalina. Outro projeto em andamento é a instalação
da incubadora de empresas, com
foco na indústria moveleira. Quem
analisa os projetos em andamento
e as iniciativas voltadas para a região é o presidente da Federação
das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Olavo Machado Júnior.
Como o Vale do Jequitinhonha está lidando com esse
ano de crise?
Esta é uma região rica e
com vocações econômicas
que precisam ser valorizadas
e estimuladas. O caminho
para o desenvolvimento da
região passa pelo fortaleVIVER Julho - 2015
cimento das micro e pequenas
empresas, que são geradoras de
emprego e riqueza nos seus municípios. Incentivar o desenvolvimento local sustentável e valorizar a diversidade regional é
a principal saída para superar as
dificuldades econômicas. A Fiemg
tem trabalhado nesse sentido na
região. Uma das ações é o Programa de Fortalecimento da Cadeia
Produtiva da Apicultura no Alto e
Médio Jequitinhonha. Em 2013 e
2014 foram investidos 310 mil reais pela entidade e pelo governo
de Minas em ações para consolidar a atividade, estruturando os
empreendimentos em bases cooperativas e fortalecendo o entreposto de mel, que hoje reúne 34
produtores associados e beneficia
mais de 300 apicultores de 31 municípios da região. Outra ação é o
apoio ao fortalecimento e profissionalização do setor moveleiro.
Em agosto desse ano teremos a 4ª
edição do Seminário Nacional de
Manejo de Eucalipto para a Indústria, um evento que busca desenvolver tecnologia para o segmento
na região.
De que forma a crise hídrica tem impactado as comunidades do Vale?
A região conta com 80 municípios espalhados numa área que
equivale a 14,5% do estado. Trata-se de uma região vulnerável à
escassez hídrica e que teve sua situação agravada nos últimos anos
com a redução do volume de chuvas, o que trouxe consequências
para o abastecimento público.
Para o setor produtivo, por exemplo, onde 80,75% dos negócios são
microempresas que fazem captação de água nas redes públicas,
o impacto tem sido grande. Processos produtivos foram afetados,
com redução de jornadas de trabalho e de volumes de produção.
VIVER Julho - 2014
O caminho para o
desenvolvimento da
região passa pelo
fortalecimento das
micro e pequenas
empresas, que são
geradoras de emprego
e riqueza nos seus
municípios. Incentivar
o desenvolvimento
local sustentável e
valorizar a diversidade
regional é a
principal saída”
O Vale do Jequitinhonha possui a
maior floresta de eucalipto artificial do mundo. Em 2013, a Fiemg
realizou um evento para criar alternativas para esse setor. O que
foi feito de concreto até agora?
Esse evento acontece anualmente, e tornou-se referência no
país. Em agosto, realizaremos sua
quarta edição. O objetivo é desenvolver tecnologia e profissionalizar o setor, e já estamos sentindo
os resultados desse trabalho. Na
visão dos próprios empresários
da região, o que se percebe é a
melhoria da tecnologia, do design
dos móveis e aumento das vendas.
Aumentou o número de empregos no Vale e, em caso positivo,
que tipo de atividade econômica
tem sido responsável por isso?
Segundo dados do Caged, em
2014, a economia do Vale do Jequitinhonha registrou um saldo
positivo de 3.173 novos empregos,
um crescimento de 34,7% frente
aos empregos gerados no ano de
2013. O resultado positivo gerado
em 2014 foi concentrado, principalmente, no setor agropecuário,
comércio e serviços de transporte.
A indústria não mostrou desempenho favorável no ano de 2014.
Acabou por reduzir seu quadro
funcional em 44 empregos, seguindo a trajetória negativa observada no setor em todo o estado e
o país.
Que projetos a Fiemg tem para a
região esse ano?
Os programas de fortalecimento das cadeias produtivas estão em andamento. Para esse ano,
a meta é investir 91 mil reais em
ações junto ao entreposto de mel,
incluindo capacitação de produtores, aquisição de equipamentos
para adequação da estrutura do
entreposto, consultorias técnicas
para obtenção do Selo de Inspeção Federal (SIF) e registro da
marca para comercialização do
produto. Para o setor moveleiro,
teremos a quarta edição do Seminário Nacional de Manejo de
Eucalipto, em Turmalina, que vai
colocar em debate aspectos relacionados à plantação, técnicas de
manejo, tecnologia e inovação,
com participação de empresários,
especialistas e profissionais do setor. Durante o evento haverá uma
rodada de negócios, em parceria
com o Sebrae, para que a indústria
da região possa mostrar seu produto a potenciais compradores
de todo o país. Outro projeto em
andamento é a instalação da incubadora de empresas, que também
tem parceria do Sebrae e foco na
indústria moveleira. As duas instituições, Fiemg e Sebrae, trabalham para implantar um polo moveleiro no Vale do Jequitinhonha.
A meta é que, até o final desse ano,
já esteja disponível o terreno onde
será construído o projeto.
9
William Dias
VIVER MINAS RIO DOCE E JEQUITINHONHA
ATUAÇÃO
Em busca
EM CORONEL MURTA,
reunião para garantir
acesso à cidade
de soluções
COMISSÕES DA ASSEMBLEIA DEBATEM
COM MORADORES PROBLEMAS QUE
VÃO DA SEGURANÇA À CRISE HÍDRICA
A
raçuaí, no Vale do Jequtinhonha, vai receber, no dia 13 de
agosto, um dos encontros regionais preparatórios do Seminário
Legislativo Águas de Minas III - Os Desafios da Crise Hídrica e a Construção
da Sustentabilidade, que acontecerá
em Belo Horizonte de 29 de setembro
a 2 de outubro. No encontro na cidade, serão discutidas as situações das
bacias dos rios Jequitinhonha, Mucuri
e Mosquito/Rio Pardo, além da execução dos planos municipais de sanea-
10
mento e da manutenção de áreas de
preservação. Segundo o presidente da
Comissão Extraordinária das Águas,
deputado Iran Barbosa (PMDB), toda
a população é bem-vinda para participar do debate. “Quem tiver uma
boa ideia, certamente terá essa ideia
adotada”, destacou. Com base nos levantamentos regionais, o seminário
vai ampliar as discussões sobre a crise
hídrica no país e seus impactos na sociedade brasileira, visando à busca de
alternativas viáveis para o problema e
soluções que incluem medidas de curto, médio e longo prazos.
Um panorama sobre a situação dos
recursos hídricos na região, a partir de
diagnóstico formulado pelos comitês
de bacias hidrográficas e pelo Instituto
Mineiro de Gestão das Águas (Igam),
está sendo apresentado em cada um
dos encontros regionais. Após exposições de autoridades e especialistas,
serão constituídos grupos de trabalho
a fim de consolidar propostas relacionadas à temática do evento. As proposições serão encaminhadas para a plenária final, que será realizada em Belo
Horizonte. A região do Vale do Jequitinhonha também tem sido contemplada com várias audiências, reuniões
e seminários, realizados pela AssemVIVER Julho - 2015
Sarah Torres
bleia Legislativa de Minas Gerais, a fim
de buscar soluções para demandas
nas áreas de saúde, segurança pública,
infraestrutura, recursos hídricos, tarifas públicas, entre outras.
SAÚDE - A Comissão de Saúde realizou audiência pública em Itaobim.
Lideranças locais cobram melhorias
em serviços como Samu e hemodiálise.
A reunião foi solicitada pelos deputados Doutor Jean Freire (PT), natural da
cidade, e Doutor Wilson Batista (PSD).
Para Freire, “quem mais investiu na
região foi o governo federal. O SUS é o
melhor sistema do mundo, mas o usuAinda na área, o presidente e o
ário tem que cobrar melhorias”. Para
o presidente da comissão de saúde, vice da Comissão de Segurança Púdeputado Arlen Santiago (PTB), “é ne- blica da Assembleia, deputados Sarcessário mudar o modelo da gestão da gento Rodrigues (PDT) e João Leite
saúde, dando maior ênfase à atenção (PSDB), visitaram o presidente do
básica, mas com recursos suficientes, Tribunal de Justiça de Minas Geprincipalmente do governo federal”. rais (TJMG), desembargador Pedro
Já o deputado Ricardo Faria (PCdoB) Bittencourt Marcondes, cobrando
defendeu um novo pacto federativo. providências para agilizar proces“É preciso garantir mais recursos para sos judiciais em Betim e Araçuaí. O
quem realmente resolve os problemas desembargador informou que vai
acionar o programa Novos Rumos e
do cidadão: o município”.
alegou que há um probleSEGURANÇA - O alto
ma orçamentário para a
índice de crimes decorrencriação de varas em Betim
tes do uso e tráfico de droe Araçuaí.
gas é uma das principais
ÁGUA E SANEAMENpreocupações da populaNÚMERO
TO - A Comissão de Minas
ção de Araçuaí. Moradores,
e Energia visitou a Copasa
líderes comunitários e aupara conhecer os planos,
toridades pedem mais poprojetos e serviços previstos
liciais, uma unidade local
pela nova gestão da empredo plantão regionalizado
da Polícia Civil, mais uma serão beneficiados sa. Até o final do ano, 227
vara criminal e policia- com fornecimento pequenas comunidades dos
mento em áreas rurais e es- de água e outros 68 Vales do Jequitinhonha e do
com serviço de
Mucuri deverão ser benecolas. O pedido foi alvo de
esgotamento
ficiadas com fornecimento
audiência pública na Cosanitário
de água e outras 68 também
missão de Segurança Pública, por meio de requerimento dos passarão a contar com serviço de esgodeputados Doutor Jean Freire (PT) e tamento sanitário.
João Alberto (PMDB). Professores da
SILVICULTURA - Produtores de
Escola Estadual Industrial São José, florestas plantadas reclamam de crise
onde teriam ocorrido 23 delitos entre e reivindicam simplificação do licendezembro de 2014 e abril deste ano, ciamento ambiental. Eles se queixam
entregaram à comissão um docu- de diversos entraves ao desenvolvimento de reivindicações.
mento do setor e reivindicam ações
227
lugarejos
VIVER Julho - 2015
COMISSÃO DE
SEGURANÇA reúne
moradores em Araçuaí
governamentais para que o setor volte a crescer. O problema foi discutido
em audiência pública na Comissão
de Política Agropecuária e Agroindustrial.
ENERGIA - A inclusão de uma
emenda na Medida Provisória 677,
editada recentemente pelo governo
federal e que reduz o custo da energia
elétrica para empresas do Nordeste,
pode ser uma alternativa para beneficiar os irrigantes da área mineira da
Sudene. Essa opção foi defendida pelo
deputado Gil Pereira (PP), durante visita da Comissão de Minas e Energia,
que é presidida por ele, ao Ministério
das Minas e Energia, à Codevasf e à
Agência Nacional de Energia Elétrica.
TRANSPORTE - A fim de evitar a
possível interdição do principal acesso a Coronel Murta, a Comissão de
Transporte, Comunicação e Obras
Públicas promoveu reunião para entendimentos entre o poder público e
empresas de mineração de granito do
município. Os deputados sugeriram
que se limite a passagem de carretas
na ponte sobre o rio Jequitinhonha,
na entrada da cidade. A população
teme que se repita ali o transtorno
ocorrido no município de Almenara,
onde a ponte que dá acesso à cidade
foi totalmente interditada por 3 meses, pois um dos pilares de sustentação foi danificado após a passagem simultânea de duas carretas bi-trem.
11
ALI E ACOLÁ
POR ANA
ELIZABETH DINIZ
Fotos: Pedro Vilela/Agência i7
De volta ao século 18
Os acordes precisos e o som
mágico de um órgão de 549 tubos,
construído entre 1782 e 1787,
o mais antigo do Brasil, ecoam
vigorosos na igreja da Venerável
Ordem Terceira de Nossa Senhora do
Carmo, em Diamantina. O órgão foi,
integralmente, construído no antigo
Arraial do Tejuco pelo padre Manoel
de Almeida e Silva, com a ajuda do
12
compositor mais importante do
período colonial, Lobo de Mesquita.
O instrumento raro foi tocado pela
última vez na década de 1930 e ficou
73 anos parado, pois não havia quem
soubesse como consertá-lo. Em 2005,
com recursos do Banco Nacional de
Desenvolvimento Social (BNDES), ele
foi restaurado pelo mestre organeiro
Frédéric Desmottes e entregue à
comunidade em dezembro de 2013.
Atualmente, o organista Evandro
Archanjo, formado pela Universidade
Federal de Minas Gerais e em Berlim,
é quem realiza os concertos que
acontecem às sextas-feiras, às
20h. Em agosto, as apresentações
acontecem nos dias 14, 21 e 28; em
setembro, nos dias 18 e 25; e em
outubro, nos dias 2 e 16.
VIVER Julho - 2015
Primeiro templo
A Catedral de Santo
Antônio, em Governador
Valadares, foi o primeiro
templo religioso da cidade,
erguido em 1886. A
construção do templo atual
se deu em 1924. A catedral
guarda um relicário que
contém uma partícula dos
ossos de santo Antônio
de Pádua, confessor dos
frades menores e doutor
da igreja, colocada em uma
peça dourada e prateada de
forma redonda, amarrada
com fio de seda, coberta
com vidro e selada com o
timbre impresso em cera
vermelha espanhola.
e mais
Memórias africanas
O serrano Ivo Silvério da Rocha,
67, acaba de lançar o livro
“Memórias de um Catopê”,
guarda de congado de Nossa
Senhora do Rosário. Esse é
um tipo de dança do congado,
anteriormente relacionada às
festas religiosas que registram
parte importante da cultura
do Serro com legado na festa
do Rosário e festividades
populares. Ivo é referência em
cantos africanos, denominados
vissungos, que os escravos
entoavam nos garimpos entre
os séculos 17 e 19. Em 2008, ele
recebeu o prêmio Nacional de
Culturas Populares, como mestre
dos catopês, promovido pelo
Ministério da Cultura.
Douglas Theodoro
VIVER Julho - 2015
Alberto Wu
Alberto Wu
Tradição
musical
Aos 73 anos de vida, a Banda de
Música Lira 30 de Janeiro continua
firme no seu propósito de formar
músicos e, para isso, sempre
abre novas vagas. Atualmente, 35
músicos fazem parte da lira, sob a
batuta do jovem maestro Manoel
Pereira da Silva, 30, que nasceu e
cresceu em meio à música. Seu pai,
Elói Pereira da Silva, conhecido como
Beijinho, foi um dos fundadores.
“Cresci junto aos músicos e já na
adolescência veio a vontade de me
tornar maestro e manter essa linda
história musical” diz o músico que
também toca trombone. A lira é a
única banda da cidade e sobrevive
porque é um ponto de cultura e
recebe verba federal. Homens e
mulheres, de oito a 70 anos, tocam
de música clássica a samba,
passando pelo pop e sertaneja.
13
ALI E ACOLÁ
Arte e fé
Alberto Wu
Sônia Regina Bretas Byrro
Guimarães, 66, foi professora
de pintura do Centro de Artes da
Universidade Vale do Rio Doce
durante 27 anos. Precoce, já aos
nove anos, lançou mão do guache
e teve seu primeiro trabalho
premiado. Aos 20 anos começou
a pintar retratos, óleo sobre tela.
Suas primeiras encomendas
foram dois cristos para a igreja
de Nossa Senhora de Fátima, na
Vila Isa, em Governador Valadares.
Suas obras de técnica apurada
ornamentam a catedral de Santo
Antônio, em Governador Valadares,
que exibe imagens de santo
Antônio e são Francisco em telas
de 2,80m. São dela, o retrato da
irmã Violeta, no colégio Imaculada
Conceição, e de Nossa Senhora
da Irmandade Pia, no colégio
Ibituruna. Tendo como inspiração
Van Gogh, ela domina várias
técnicas, usando guache, pastel
seco e oleoso, acrílica, bico de
pena, aquarela e óleo sobre tela.
Divina arte
A vida pregou uma peça em Valmir
Paulino, 63, morador de Datas. Há
19 anos, após uma trombose, que o
obrigou a amputar a perna, ele se viu
parado, sem profissão e precisando
de pagar contas. “Eu estava na casa
do meu pai e ele tinha um Divino
Espírito Santo. Pensei em reproduzir
as penas. No início não deu certo,
14
mas eu insisti e, depois da primeira
encomenda, não parei mais”. O
diferencial no seu trabalho é a pomba
entalhada e revestida com pequenas
e delicadas penas em madeira. Além
de expor, ele vende seu trabalho
em todo o Brasil. Encomendas:
(38) 3535-1184 ou pelo e-mail:
[email protected].
e mais
Fotos: Pero Vilela/Agência i7
História da
tipografia
preservada
No edifício que abriga, desde
1901, a Associação do Pão de
Santo Antônio funcionou uma
oficina de tipografia onde foram
impressos os jornais “Pão de
Santo Antônio” e “A Voz de
Diamantina”, entre 1906 e 1990.
Essa história está preservada
pelo Museu Tipografia Pão de
Santo Antônio, o único do gênero
no Brasil, que acaba de ser
inaugurado em Diamantina. Ele
reúne máquinas impressoras,
cavaletes tipográficos, mobiliário,
clichês, ornamentos de chumbo,
matrizes de xilogravura e
outras ferramentas, além de
4.000 exemplares dos jornais
ali redigidos e impressos por
mais de 80 anos. O visitante tem
a oportunidade de vivenciar
o patrimônio gráfico em
movimento. Ele funciona de 4ª a
domingo, das 10h às 13h e das
14h às 18h. praça Professor
José Augusto Neves, 171, bairro
Rio Grande. Informações: (38)
3531-3861.
VIVER Julho - 2015
Fotos: Pedro Vilela/Agência i7
tenho dito...
... o melhor e o pior da minha cidade
“Turmalina é uma cidade
acolhedora, bonita, limpa e organizada.
A vida aqui é tranquila, mas faltam praças
para atividade física e um parque com área
verde. A população é muito solidária e agora
está em campanha para salvar o Hospital São
Vicente de Paulo que está ameaçado de fechar.
Estamos arrecadando roupas
de cama e banho”.
Adilcinéia Ferreira Gomes, 32,
recepcionista
A vida em São Gonçalo
do Rio das Pedras é tranquila
e todos se conhecem. Aqui
temos festas folclóricas como
de Nossa Senhora do Rosário e
São Gonçalo, que são famosas
e atraem muitos visitantes,
assim como o Carnaval. Temos
o rio que é lazer nos dias de
calor e serve para lavar roupa.
A violência, graças a Deus,
ainda não chegou aqui”.
Rosália Mara Lopes Dias,
43, do lar
Alberto Wu
Moro em Galheiros,
em uma comunidade com
46 habitantes e 29 famílias.
Vivemos do cultivo das
sempre-vivas. Lá temos
uma boa vida, pacata e
harmoniosa. Nos finais de
semana, fico em Diamantina.
É onde tiro meu sustento, com
a venda das flores do cerrado.
De nenhum dos dois lugares
tenho do que reclamar”.
Crescêncio Rodrigues da Silva,
48, lavrador
VIVER Julho - 2015
Governador Valadares
é uma cidade boa para se
viver. O pico do Ibituruna é
o principal cartão-postal, o
lugar mais famoso. A cidade
é movimentada
e tem bastante gente
bonita. A questão da falta
de segurança tem
aumentado, assim como
a violência”.
Aelton Bruno da Silva, 31,
recepcionista
15
VIVER MINAS RIO DOCE E JEQUITINHONHA
NEGÓCIOS
Desde
1955
A INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS BELA VISTA, DETENTORA DA
MARCA PIRACANJUBA, INVESTIU 60 MILHÕES DE REAIS NA
NOVA FÁBRICA EM GOVERNADOR VALADARES
ANA ELIZABETH DINIZ
A
indústria de laticínios Bela
Vista, detentora da marca Piracanjuba, inaugurou em dezembro do ano passado, sua nova
unidade fabril em Governador Valadares. A planta ocupa uma área
de 12 mil m2 e tem capacidade para
processar 300 mil litros de leite por
dia. A iniciativa demandou investimentos de 60 milhões de reais e vai
gerar mais de 500 empregos, entre
diretos e indiretos.
A estratégia de abrir uma fábrica
em Minas Gerais foi ficar próxima à
tradicional bacia leiteira. “Em Valadares, estamos mais próximos de
importantes mercados, facilitando
a comercialização de nossos produtos. Os incentivos fiscais concedidos
pelo governo, como a redução do
ICMS, também influenciaram a nossa escolha, uma vez que favorecem
a competitividade”, explica Lisiane
Guimarães, gerente de marketing da
Piracanjuba.
16
A indústria já conta com 2 unidades de captação de leite em Minas Gerais, uma em Iraí de Minas,
e a outra em Santa Vitória. A implantação da unidade fabril em Valadares vai fortalecer ainda mais a
cadeia produtiva do leite, além de
gerar emprego e renda.
A gerente lembra que, desde
1955, a Piracanjuba “é sinônimo
de sabor e qualidade. Essa história,
construída com toda dedicação,
cuidado e carinho, teve início no
estado de Goiás, na cidade de Piracanjuba, dando origem ao nome da
marca que hoje já está entre as 20
mais presentes nos lares de todo o
país”, relembra a gerente.
A indústria se estabeleceu, em
1986, na cidade de Bela Vista de
Goiás, em Goiás. Esse marco trouxe uma nova fase de crescimento e
inovação, ampliando o portfólio e a
abrangência da empresa, que hoje
já produz mais de 100 produtos, di-
vididos entre as marcas Piracanjuba e Pirakids, muitos deles entre os
mais vendidos em diversas regiões
do Brasil.
Para que isso fosse possível, a
indústria ampliou a fábrica em Bela
Vista de Goiás e inaugurou 2 novas
unidades nas cidades de Maravilha,
em Santa Catarina, em 2011, e Governador Valadares, em 2014. Juntas, as 3 unidades fabris já processam mais de 4,3 milhões de litros de
leite por dia e geram mais de 2 mil
empregos diretos, além de milhares
de empregos indiretos.
“A indústria de laticínios, que é
uma das 5 maiores do Brasil, vem
recebendo importantes reconhecimentos nacionais e internacionais,
relacionados à marca, aos produtos
e à sua gestão, fundamentada em
valores sólidos, como ética, valorização das pessoas e responsabilidade socioambiental”, diz Lisiane.
Em 2014, a empresa conquistou
VIVER Julho - 2015
Laticínios Bela Vista/Divulgação
FÁBRICA tem capacidade
de processar 300 mil
litros de leite por dia
o título de Melhor Empresa do Agronegócio no segmento de leite e derivados, no Anuário Melhores e Maiores da Revista Exame, com destaque
para o crescimento de vendas no
setor de bens de consumo, onde obteve o 1º lugar. O Anuário Valor 1000
confirmou o Laticínios Bela Vista
como a 5ª maior empresa do setor
de alimentos no Brasil e 296ª maior
empresa do país, com a 3ª melhor
posição em crescimento sustentável
e a 5ª maior rentabilidade entre as
empresas do setor de alimentos.
Outro destaque foi o recebimento do prêmio Melhor Empresa do
Agronegócio no segmento de laticínios, promovido pela Editora Globo
em parceria com a Revista Globo
Rural. “Todas essas conquistas estão diretamente ligadas ao objetivo
maior de desenvolver produtos e
serviços que proporcionem qualidade de vida e bem-estar aos consumidores, colaboradores e parceiros.
Afinal, não basta fazer bem. É preciso gostar de fazer bem”, ressalta a
gerente.
A indústria produz leite longa
vida integral, desnatado, semidesnatado, creme de leite e bebida láctea, que são destinados ao abastecimento do mercado mineiro e dos
VIVER Julho - 2015
estados do Rio de Janeiro, Espírito
Santo e Bahia.
E em 2015, quando comemora 60 anos, a Piracanjuba acaba
de apresentar ao mercado diversos lançamentos como o creme
de leite UHT, o leite condensado à
base de leite de vaca e o doce de
leite zero lactose. “Esses produtos
são pioneiros no mercado de laticínios. Nossos consumidores, que
já usam o leite Piracanjuba UHT
zero lactose, pediam a expansão
da linha. Tal ampliação, além de
agregar valor à marca, mostra nossa preocupação em oferecer produtos que atendam às necessidades desse público e que sejam, ao
mesmo tempo, saborosos e saudáveis”, observa Lisiane.
Os amantes da boa culinária
também passam a contar com 2 lançamentos exclusivos da Piracanjuba. O creme de leite gourmet, com
30% de gordura, proporciona uma
consistência cremosa, homogeneidade e sabor suave às receitas e o
creme de leite Bate Chantilly, “que
alia algumas das principais necessidades dos confeiteiros, padeiros
e doceiros: estabilidade para as receitas, sabor e qualidade. Soma-se
a isso o fato de ser produzido sem
adição de gordura vegetal – um diferencial no mercado –, o que o torna
mais natural e saboroso”, ressalta a
gerente.
Os produtos já podem ser encontrados em diversos pontos de
venda, como hipermercados, supermercados, cash & carry e atacados
focados no segmento de food service
em todo o Brasil.
E as novidades não pararam por
aí. A família Pirakids ganhou mais
um membro, a bebida láctea UHT
no sabor vitamina de frutas. Com
polpa de mamão, banana e maçã,
sem conservantes e com corantes
naturais, o Pirakids Vitamina promete conquistar não só as crianças,
mas o público em geral.
A empresa adota práticas sustentáveis. O cuidado começa dentro
de suas unidades fabris e se estende ao ambiente externo, incluindo
tudo o que circunda suas instalações. Equipes altamente qualificadas integram o departamento de
meio ambiente, que cuida da gestão
de florestas, poluentes atmosféricos, resíduos sólidos e tratamento
de efluentes. Por fim, a gestão de resíduos sólidos faz com que quase 100%
do que é gerado dentro das fábricas
seja enviado para reciclagem.
17
VIVER MINAS RIO DOCE E JEQUITINHONHA
APICULTURA
Sem
intermediários
PRODUTORES DE
MEL CAMINHAM
PARA CONSEGUIR
AS CERTIFICAÇÕES
ORGÂNICA E DE
COMÉRCIO JUSTO
18
ANA ELIZABETH DINIZ
A
s abelhas da espécie apís
mellífera não são nativas do
Brasil, foram introduzidas na
época do Brasil-Colônia pelos padres jesuítas com o intuito de produção de velas a partir da cera, porém se espalharam por todo o país.
Até aproximadamente o final da
década de 1960, só existiam no Brasil raças de abelhas do gênero apis
originado do continente europeu,
até que, por acidente, aconteceu
também a introdução de uma raça
oriunda do continente africano que,
naturalmente, cruzou com as espécies de origem europeia já existentes, dando origem à raça atualmente
chamada de africanizada.
“Até o final dos anos 80, em Turmalina e nos municípios vizinhos,
o mel era coletado diretamente do
ninho na natureza, utilizado para o
uso próprio e comercialização. Foi
quando o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Turmalina, em parceria
com outras cooperativas, começou a
desenvolver a criação racional das
abelhas em colmeias padronizadas”,
VIVER Julho - 2015
Pedro Vilela/Agência i7
país e é também exportada. No entanto, esse processo é realizado por
meio de “atravessadores”, ou seja,
outros entrepostos de Minas Gerais,
São Paulo e Santa Catarina adquirem
o mel, fazem o seu beneficiamento e
comercialização. Mas essa situação
deve mudar até o final desse ano.
“Em 2010, foi construído um
entreposto em Turmalina que vai
produzir mel fracionado em potes
e em sachê. Ele está passando por
adequações finais para atender a
legislação sanitária do mel, que é
bastante rígida, sendo que 95% das
exigências feitas pelo Ministério
da Agricultura já foram cumpridas.
Nossa expectativa é de que ele entre
VICENTE, ELIZEU E
DOMINGOS: negócio
que está dando certo
relata Renato Alves de Souza, 33, engenheiro agrônomo e secretário da
Associação dos Apicultores do Vale
do Jequitinhonha (Aapivaje).
Em 1994, os agricultores familiares criaram o Centro de Agricultura Alternativa Vicente Nica (CAV),
organização sem fins lucrativos, que
passou a desenvolver atividades
adaptadas às condições da região,
sendo a apicultura um dos projetos
apoiados. “Esse apoio acontecia por
meio da capacitação dos agricultores, da elaboração de projetos para
aquisição de material apícola e da
comercialização do mel. Em função
do crescimento da atividade e a fim
de fortalecê-la, foi criada em 2002, a
Aapivaje, que conta com aproximadamente 180 apicultores de 16 municípios da região”, diz Renato.
Atualmente, a produção é comercializada em todo o estado, no
VIVER Julho - 2015
o consumidor. Trabalhamos agora
para conseguir o Selo de Inspeção
Federal e, dessa forma, poder comercializar o mel com marca própria: Néctar do Jequitinhonha. Com
o selo, vamos aumentar a quantidade de mel comercializado e, consequentemente, o número de famílias
envolvidas”, avalia Renato.
Essa é também a expectativa do
apicultor Vicente Ferreira dos Santos, 65, presidente da Apivaje. “A apicultura na região tem 25 anos e tem
se tornado cada vez mais forte. Trabalho com o mel há 23 anos e, mesmo alternando essa atividade com a
criação de gado e lavoura, a apicultura tem se mostrado bem atrativa. Tenho 200 colmeias que, em 2014,
produziram 9 t, sendo 70% de
mel de eucalipto e 30% de mel silvestre. Atualmente, nosso maior
comprador é Timóteo, no Vale do
NÚMEROS Aço e São Paulo. Com a obtenção
do selo do SIF nossa situação vai
melhorar bastante, porque vamos oferecer nosso produto direde mel forma
tamente para o consumidor”.
comercializados pela
Elizeu Ferreira dos Santos,
Aapivaje desde 2002
33, acompanha Vicente, seu pai,
desde criança. “A gente trabalha
foi a receita com o mel
muito, mas a apicultura é um
desde 2002, considerando
negócio que, financeiramente,
o valor atual do mel no
supera a criação de gado e a agriatacado (7,50 reais)
cultura. Estou muito satisfeito
com essa atividade e sempre que
associados
posso participo de cursos de capacitação”, diz.
Domingos Lino de Jesus, 46,
percebendo
que a apicultura vem
Fotos: Shutterstock
se profissionalizando e conquisem operação até o final do ano”, es- tando novos mercados, entrou para
pera Renato.
o ramo há seis meses e tem contaA comercialização do mel será do com a ajuda e o apoio dos outros
feita diretamente pelo Cooapivaje. produtores rurais. “Eu percebi que
“Com isso, pretende-se remunerar esse negócio está dando muito cermelhor o apicultor e também bus- to. Investi 3 mil reais para montar
car as certificações orgânica e de co- 15 colmeias, custo bem reduzido,
mércio justo para o mel. No entanto, porque resolvi eu mesmo fabricar
o principal ganho será a comerciali- as caixas e, com isso, barateei o meu
zação do produto diretamente com custo em 60%”, ensina.
400 kg
2,9 milhões
180
19
VIVER MINAS RIO DOCE E JEQUITINHONHA
Fotos: Pedro Vilela/Agência i7
AGRICULTURA FAMILIAR
ODAIR QUADROS
boa alternativa de renda
e sonho de criança
Uva se torna
um bom negócio
CULTURA
SURGE COMO
ALTERNATIVA
DE RENDA EM
TURMALINA QUE
PRODUZIU 70
TONELADAS NA
ÚLTIMA SAFRA
20
ANA ELIZABETH DINIZ
É
na comunidade de Ponte do
Funil, na zona urbana de Turmalina, que se concentram, em
terras férteis, 6 produtores da uva
Niágara branca e rosada que, juntos,
somam uma área de 10 ha plantados,
35 mil pés em produção e em formação, contabilizando uma produção
anual em torno de 70 toneladas e um
faturamento de 280 mil reais.
O negócio vai muito bem e começa a se tornar boa alternativa de
renda para os agricultores familiares
que contam com o apoio da Empre-
sa de Assistência Técnica e Extensão
Rural do Estado de Minas Gerais
(Emater-MG). Esse foi o caso do agricultor Odair Ferreira de Quadros, 45,
proprietário do sítio Vista Alegre, o
precursor do plantio da uva na região, em 2002. “Eu procurei o escritório da Emater, em Turmalina, porque precisava de orientação sobre
como me inscrever no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), do governo
federal, para conseguir um financiamento de 4 mil reais junto ao Banco
VIVER Julho - 2015
JOÃO DE FREITAS:
28 anos de
experiência
do Brasil. Comprei 13 mudas que o
meu amigo João Rodrigo de Freitas,
65, enviou de São Paulo e plantei em
meio hectare de terra”, relembra.
Hoje, Odair tem 2.000 pés produzindo e outros 2.000 pés em formação
e colheu na última safra, 20 toneladas.
“A uva é uma boa alternativa de renda
e, no meu caso, é um sonho de criança. Quando eu tinha 15 anos disse
que um dia ainda iria plantar uva na
minha terra. Casei, e as coisas foram
acontecendo aos poucos, e o meu sonho se tornou realidade”, conta ele.
A iniciativa bem-sucedida de antes plantava apenas tomate. “CoOdair foi ganhando a simpatia de mecei com 1.000 mudas e hoje tenho
outros agricultores. O amigo João é 900 pés produzindo em 0,3 ha e 1.200
proprietário do sítio Bela Vista e ga- para fazer enxerto. No ano passado
nhou grande experiência cultivando, produzi 3 t”, comemora.
durante 28 anos, uva e tomate em
“A diversificação na agricultuSão Paulo e no sul do país. A sabedo- ra local tem melhorado a qualidade
ria acumulada ao longo de décadas de vida dos produtores, que podem
foi compartilhada com os amigos. obter uma renda maior. Além disso,
“Gosto de ajudar os outros, aqueles aumenta a oferta de alimentos mais
que querem realmente a aprender a saudáveis para os consumidores. Esse
lidar com o cultivo da uva, que requer cultivo começou a deslanchar em
atenção e muitos cuidados. É preciso 2002 e, hoje, os produtores se especiasaber quais ramos podar e fazer cor- lizaram tanto que podem até dar aula
retamente o raleio de frutos, para esti- sobre a uva”, analisa o extensionista
mular a produtividade. E a adubação agropecuário da Emater, Ronisley Datambém precisa de cuidados intensi- masceno Costa.
vos. Só assim se pode conseguir um
A estatal, além de dar consultobom padrão dos frutos, para poder ria para os agricultores rurais, presta
competir com a região Sul, que já tem assessoria para que eles obtenham a
tradição consolidada no mercado”, declaração de aptidão junto ao Proensina.
naf, o que possibilita a obtenção de
“Quando retornei para a
JOSÉ ADÃO E
comunidade de Ponte do FuRONISLEY COSTA:
nil, em 2006, comecei plantandiversificação
do 600 pés de uva e já no ano
seguinte plantei mais 4 mil.
Hoje tenho uma área plantada
de 1 ha, 2 mil pés produzindo e
esse ano vou plantar mais 500
pés. No ano passado, colhi 3 t e
minha expectativa é de colher
4 t esse ano. A uva sempre foi o
meu ganha pão”, revela João.
José Adão Pinheiro de
Quadros, 48, enveredou para
o cultivo da uva há 3 anos,
VIVER Julho - 2015
empréstimos para a compra de equipamentos e material.
A produção da uva Niágara é
comercializada em Turmalina, Veredinha, Capelinha, Minas Novas e
Itamarandiba. Ronisley explica que,
apesar do clima tropical da região, o
cultivo de uvas – frutas tradicionais
de climas mais frios – é beneficiado
por algumas características do município, localizado a 670 metros de
altitude em relação ao nível do mar:
“Temos solos profundos, favoráveis
à fixação das raízes das videiras e um
inverno rigoroso, em contraste com o
clima tropical no resto do ano”.
A alternância de estações quentes e frias bem definidas é um fator
positivo para a produtividade da
videira na região, pois o calor logo
após o período frio estimula a quebra da dormência, fenômeno que
contribui para aumentar a
brotação de frutos.
“A incidência de sol por
longos períodos do ano e a
pouca umidade da região
exigem mais investimento
na irrigação. Por outro lado,
o calor estimula a brotação
e é possível obter até duas
safras por ano. Outro fator
positivo do sol é que ele ajuda a concentrar os açúcares
dos frutos e torna o produto
mais atraente para o consumidor”, diz o técnico.
21
VIVER MINAS RIO DOCE E JEQUITINHONHA
Samuel Martins Santos
CRISE HÍDRICA
Rios Doce e Jequitinhonha
pedem socorro
CAUSAS SÃO ESGOTO JOGADO NOS
CURSOS D’ÁGUA, DESMATAMENTO,
DESTRUIÇÃO DE MATAS CILIARES E
GARIMPO IRREGULAR
PEDRAS À MOSTRA
revelam degradação
do rio Doce
22
VIVER Julho - 2015
ANA ELIZABETH DINIZ
A
crise hídrica que vem tirando
o sono da população de vários
municípios mineiros acomete
diferentes rios, mas tem causas comuns. “A maior parte dos municípios
não possui tratamento de esgoto,
que continua sendo lançado in natura nos cursos d’água. Além disso, em
algumas áreas do médio rio Doce, a
maior parte das florestas foi suprimida e substituída por pastagens,
contribuindo com a destruição das
matas ciliares”, analisa Lucinha Teixeira, presidente da Câmara Técnica
de Gestão de Eventos Críticos, do
Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio
Doce, que abrange 228 municípios,
sendo 202 mineiros e 26 capixabas e
em torno de 3,5 milhões habitantes.
A criação dessa câmara técnica
foi necessária para discutir e estabelecer diretrizes para a gestão de
recursos hídricos relacionados à escassez, às cheias, à questão das cianobactérias e qualquer outro evento que altere significativamente as
condições de quantidade, qualidade
e de regime de água da bacia do rio
Doce. “No ano passado, a câmara
técnica levantou informações que resultaram na produção sistemática de
boletins sobre o período de estiagem.
Também foi promovido um encontro entre representantes do Serviço
Autônomo de Água e Esgoto, Copasa, Associação Nacional dos Serviços
Municipais de Saneamento, consórcios municipais de saneamento básico com atuação na bacia do rio Doce,
entre outros usuários, para colocar
em pauta assuntos relacionados ao
período de estiagem e à questão das
cianobactérias”, comenta Lucinha.
Os números falam por si só e não
são otimistas. Segundo dados do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), o
total acumulado no período chuvoso
atual é menor do que o total acumu-
VIVER Julho - 2015
lado da média histórica de outubro
a abril. “No período de outubro de
2014 a abril de 2015, a precipitação
observada foi de 60% da média histórica. Soma-se a isso, o fato de que
estamos vindo de 3 anos hidrológicos
com chuva abaixo da média histórica. Mesmo que as chuvas ocorressem dentro da normalidade para o
período, o déficit não seria reposto”,
prevê a especialista.
Segundo ela, o Plano Integrado
de Recursos Hídricos da Bacia do
Rio Doce tem diversos programas,
para médio e longo prazos, para a
recuperação das áreas de preservação permanentes (topos de morros,
ao redor de nascentes, margens de
cursos d’água). Além disto, para algumas regiões da bacia está prevista
a implantação dos programas Produtor de Água e de Incentivo ao Uso
Racional da Água na Agricultura.
“Por se tratar do décimo manancial mais poluído do país, o rio
Doce é contemplado atualmente por
uma iniciativa levada adiante pelos
comitês que compõem a bacia hidrográfica, destinada a financiar a
elaboração de planos municipais de
saneamento básico pelos municípios
que não dispõem de recursos para
sua elaboração: o Programa de Universalização do Saneamento, que vai
beneficiar 156 municípios da bacia
com um total de 21 milhões de reais
em investimentos. A fim de combater
o desperdício de água na agricultura,
o Programa de Incentivo ao Uso Racional da Água na Agricultura financia a instalação de um equipamento
que indica, de forma simples, quando e quanto irrigar: o irrigâmetro. A
previsão é de que 240 equipamentos
sejam instalados até o final de 2015
em toda a bacia do Doce”, ressalta.
Além disso, os comitês de bacia
estão investindo na recomposição
23
CRISE HÍDRICA
de APPs (áreas de preservação permanentes) e de nascentes. “Por meio
de parceria com os produtores rurais,
o programa prevê a recomposição e
recuperação de matas ciliares e topos
de morro nas propriedades rurais da
bacia, além do cercamento de olhos
d’água. As propriedades também serão contempladas com a elaboração
do Cadastro Ambiental Rural e a implantação do Programa de Regularização Ambiental”, prevê a especialista.
Maria Helena Batista Murta, 60,
formada em direito e pós-graduada
em gestão integrada em territórios, é
a superintende da Superintendência
Regional de Regularização Ambiental do Leste de Minas (Supram), que
abrange 147 municípios e envolve três
bacias hidrográficas federais, Doce,
Jequitinhonha e Mucuri. “O que falta
nessas 3 bacias é consciência, consequência de uma educação deficiente.
Consciência é o comprometimento
com a formação do indivíduo e vem
desde a infância. Já a questão social
advém da falta de educação, que é
também conhecimento de vida e
abrange atitudes como não jogar lixo
na rua e nem água fora, atitudes que
geram gastos desnecessários. As pessoas precisam de informação correta”, analisa a superintendente.
Segundo ela, 17 estados e 5 países
estão trabalhando com o tema água.
“O nível do rio Doce desceu muito,
as pedras, antes encobertas, estão
aparentes, houve racionamento e se
formaram bancos de areia. Isso tudo
é consequência do mau uso da água
e do desmatamento sistemático que
ocorre desde que o Brasil foi descoberto. Éramos a região mais rica de
mata Atlântica. Se não preservarmos
os topos de morro, as encostas e a
mata ciliar não haverá saída para a
crise hídrica”.
A bacia do rio Doce é habitada
desde 1517, período em que vem sendo contaminada com fezes, urina,
pela ação das empresas, atividades
24
que afetam a fauna, flora. “Dos 228
municípios da bacia do rio Doce, nem
10% tratam o esgoto e Governador Valadares ainda não tem estação de tratamento de esgoto. Plantamos 3.000
mudas de árvores nativas às margens
do rio, a fim de recompor a mata ciliar.
Nossa função é monitorar o uso da
água, por meio do licenciamento ambiental, regularizar o uso dos recursos
naturais (água, solo, ar) e monitorar as
atividades industrias para o licenciamento”, observa a superintendente.
A situação da bacia do rio Jequitinhonha é bastante crítica. Segundo
Arlindo Lima Tupy, presidente do
Comitê de Bacias Hidrográficas do
Médio de Baixo Jequitinhonha (JQ3),
que abrange 36 municípios, a barragem do Ribeirão, construída em 1998
para suprir demanda de água da cidade, sofreu uma redução em torno de
80% no seu volume. “Ela foi construída para ajudar a suprir a demanda na
barragem do rio São Pedro, mas, nos
últimos 3 anos, com a diminuição do
volume de chuvas, ela vem sendo seriamente afetada”.
A situação é bem séria na zona rural, que está com total escassez hídrica
e sendo abastecida por caminhões-pipa das prefeituras, com água cedida pela Copasa, em parceria com os
poderes municipal e estadual, principalmente, nos municípios de Araçuaí,
Itaobim e Ponto dos Volantes.
Arlindo ressalta que a barragem
de Irapé, localizada em Lelivéldia, distrito de Berilo, foi construída pela Cemig para gerar energia, e tem ajudado
a manter o nível do Jequitinhonha o
ano todo. “A região de Medina não
tem opções de mananciais d’água e a
situação é crítica. A Copasa está equipando mais 2 poços artesianos que
vão se somar a outros 2 já existentes.
O governo construiu uma barragem
de grande porte no Ribeirão para resolver o problema de abastecimento,
mas, em 3 anos, o nível só vem baixando. A concentração de nutrientes e
VIVER Julho - 2015
GARIMPO no
Jequitinhonha: risco para o rio
Arquivo/Sisema
Fotos: Pedro Vilela/Agência i7
RIO ARAÇUAÍ:
estação de monitoramento em
estado de alerta
VIVER Julho - 2015
algas é tão grande que inviabiliza a retirada de água para abastecer a comunidade de Medina”, lamenta Arlindo.
Outra atividade que está sendo
combatida na região do Jequitinhonha é o garimpo ilegal. A secretaria de
estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) e a
polícia ambiental deflagraram uma
operação de fiscalização na região conhecida como Garimpo da Areinha,
próximo à Diamantina, a partir de
denúncias sobre crimes e atividades
minerárias irregulares, feitas pela Associação Mineira de Defesa do Ambiente (Amda).
“Atualmente, existem cerca de
1.500 pessoas exercendo, ilegalmente,
a atividade de garimpo, gerando situação de grave degradação ambiental,
com a abertura de vias de acesso às
margens do rio Jequitinhonha”, diz
Jeane Dantas de Carvalho, gerente de
monitoramento hidrometeorológico
e eventos críticos do Instituto Mineiro
de Gestão das Águas (Igam).
Atividades antrópicas como mineração, garimpo e desmatamento
para fins agropastoris realizadas no
alto curso do Jequitinhonha e em alguns de seus afluentes têm causado,
ao longo dos anos, consequências
danosas ao meio ambiente, com alteração no ciclo hidrológico da região,
além do assoreamento do curso de
água. “Isso vem prejudicando as atividades econômicas desenvolvidas
na região, como a agricultura, com
destaque para a cafeicultura; a pecu-
ária de corte e de leite; o garimpo de
pedras coradas e cristal e o reflorestamento com eucalipto para produção
de madeira e carvão, causando sérios
problemas socioeconômicos para a
população”, diz Jeane.
Outro fator que desperta ainda
mais a preocupação da Semad é a
existência de equipamentos e maquinários que sugerem a ampliação da
atividade. Por se tratar de uma atividade irregular e envolver crimes de
responsabilidades federal e estadual,
a subsecretaria de Controle e Fiscalização Ambiental Integrada pretende
se reunir com diversos órgãos estaduais e federais, para desenvolver projetos de fiscalização e regularização da
atividade garimpeira.“A intenção é
coibir a degradação ambiental do Jequitinhonha”, observa Jeane.
Atualmente vivenciando o auge
do período seco, que vai de abril a
setembro, os rios convivem com um
regime de chuva muito menor em
comparação ao período chuvoso, que
se estende de outubro até março. De
acordo com o Sistema Estadual de
Meio Ambiente e Recursos Hídricos
(Sisema), as vazões médias de abril
de 2015 foram menores que as vazões
de abril de 2014 nas bacias dos rios
Carinhanha, Verde Grande, calha do
rio São Francisco, Pardo, Jequitinhonha, Mucuri, São Mateus, Itapemirim,
Doce e o afluente do rio Grande, rio
do Cervo. Aplicando esse critério nas
25 estações das nas bacias monitoradas (rios Doce, Grande, Jequitinhonha, Paraíba do Sul, Paranaíba e São
Francisco), destaca-se que, do total
de estações, 12 estão em atenção e 3
em alerta. No rio Doce, há um total de
6 estações, sendo que as de Mário de
Carvalho, no rio Piracicaba; Naque,
no rio Santo Antônio; Vila Matias, no
rio Sapucaí Grande e Porto Firme, no
rio Piranga, estão em atenção e a estação de Ponte Nova Jusante, no rio
Piranga, está em alerta. A estação de
Pega, no rio Araçuaí, está em alerta.
25
Alberto Wu
VIVER MINAS RIO DOCE E JEQUITINHONHA
LITERATURA
DAYSE LIMA: intenção é
conscientizar as pessoas
Atitude
cidadã
EDUCADORA
PERCORRE 70
MUNICÍPIOS DA
BACIA DO RIO DOCE,
DAS ALTEROSAS
MINEIRAS AO
ATLÂNTICO
CAPIXABA
ANA ELIZABETH DINIZ
D
ayse de Fátima Rodrigues de
Lima, 55, é o que podemos
chamar de uma educadora
radical, uma desbravadora ambiental, pois decidiu ir a campo, sozinha,
com pouco dinheiro e nenhum patrocínio, para entender melhor o
que acontece com a bacia hidrográfica do rio Doce, também conhecido
como o Nilo brasileiro, e chamado
de watu pelos Botocudos que habitavam suas margens.
Durante 7 anos, a também bióloga, gestora ambiental e escritora, percorreu 70 municípios da bacia do rio
Doce e fez uma radiografia ambiental,
histórica, geográfica e cultural do rio,
que nasce em Minas Gerais e deságua
no Espírito Santo. O resultado dessa
26
expedição está no livro O Serpenteamento do Rio Doce – das Alterosas
mineiras ao Atlântico capixaba que já
vem sendo divulgado nas escolas e em
workshops, mas com lançamento oficial em 2016. Além do rio Doce, Dayse
vai se debruçar sobre os 6 maiores rios
em vazão em Minas Gerais: Manhuaçu, Santo Antônio, Suaçuí Grande, Piracicaba, Corrente Grande e São José.
A bióloga revela que os últimos 7
anos foram dedicados à pesquisa, fotografia, redação e muitas viagens. O
rio Doce tem uma extensão aproximada de 900 km e tem suas nascentes nas
serras da Mantiqueira e do Espinhaço.
“Tive que estudar história para saber
por que aquela cidade tinha aquele
nome, me sentei em todas as bibliotecas das cidades por onde passei
para pesquisar mais. O rio Doce nasce
como rio Piranga, em Ressaquinha.
Na área rural dos municípios de Ponte
Nova, Santa Cruz do Escalvado e Rio
Doce ocorre o encontro das águas do
Piranga e Carmo, formando assim o
rio Doce”, ensina Dayse.
Em 1826, o Correio brasileiro foi
a primeira embarcação a vapor que
sulcou o rio Doce que, até 1940, foi
navegável. “Hoje vários trechos estão
assoreados, com bancos de areia. O
rio está bem castigado e as causas são
sempre as mesmas, falta de mata ciliar, e o esgoto lançado ao rio que vem
exterminando a flora, a vida aquática
e a diversidade de seres vivos. Em algumas regiões fica nítida a atuação
de empresas que comprometem a
qualidade das águas”, comenta Dayse. “Minha intenção é a de sensibilizar, conscientizar e alcançar o maior
número de pessoas”, finaliza.
SERVIÇO:
O livro tem 94 páginas e custa R$ 39,90. Pedidos pelo e-mail [email protected]
ou pelo telefone (31) 8867-1285.
VIVER Julho - 2015
VIVER MINAS RIO DOCE E JEQUITINHONHA
IMIGRAÇÃO
Valadarenses
retornam aos EUA
CRISE ECONÔMICA,
DESEMPREGO E
INSTABILIDADE
PROVOCAM ÊXODO
DE MINEIROS
Ester Sanches-Naek
Normalmente os imigrantes retornam
exercendo os mesmos sub-serviços
que realizam antes, que dão a eles a
possibilidade de ter uma vida digna e
confortável”, diz a conselheira.
Para facilitar sua entrada no país,
os brasileiros que viveram nos EUA
sem documentos estão voltando por
alguma ilha do Caribe. “Eles estão paANA ELIZABETH DINIZ
gando até 25 mil dólares para entrar.
la fala com a autoridade de úniMuitos estão tirando o passaporte
ca brasileira que teve votos nos
europeu e entrando com a cidadania,
Estados Unidos, Canadá e Ménormalmente, italiana, o que dificulta
xico para atuar como conselheira do
ainda mais a contagem deles como
Conselho de Representantes de Brabrasileiros. Sendo assim, até o próprio
sileiros no Exterior (CRBE), entidade
Itamaraty não é capaz de informar
de interlocução entre a comunidade
esse número com precisão”, analisa.
brasileira no exterior e o governo
A conselheira faz uma reflexão sobrasileiro, auxiliando o Ministério
bre o atual momento brasileiro, que
das Relações Exteriores na prepatem levado a um novo êxodo não aperação das conferências Brasileiros
nas para os Estados Unidos, mas tamno Mundo. Ester Sanches Naek, 49,
bém para o Reino Unido. “Não acho
nascida em Belo Horizonte, mas vique a situação do nosso país seja de
vendo em Tolland, Connecticut, nos
responsabilidade somente dos polítiEstados Unidos fala sobre o retorno
cos ou nossos dirigentes, mas sim do
de brasileiros e valadarenses para
eleitor que o colocou lá. Os eleitores
o país da América do Norte, depois
têm que se conscientizar que depois
ESTER NAEK: nem o
da grande crise econômica de 2006,
que eles elegem o político, também
Itamaraty sabe informar
quando o movimento foi inverso.
têm que cobrar o que ele prometeu.
número de brasileiros
“Os brasileiros estão voltando
Outra coisa, é preciso ter estratégia
para os Estados Unidos não sopara tudo. Fizeram a maior bamente por causa da alta do dóSAIBA MAIS
gunça quando usavam a frase:
lar, mas pela falta de segurança,
‘o gigante acordou’. Disseram
O Conselho de Representantes de
saúde, educação de qualidade
que o Brasil tinha acordado.
Brasileiros no Exterior implementa as
e apoio social aos que vivem
Sinto muito em dizer que acordemandas contidas na ata de reivindicações das
no Brasil. Os Estados Unidos
dou, mas não soube o que fazer
comunidades brasileiras no exterior e encaminha
são um país que se preocupa
demandas adicionais. Ele foi criado pelo decreto
acordado. Minha dica é que to7.214 de 15/6/2010, assinado pelo presidente Luiz
muito com o bem-estar dos
dos possam se inteirar de seus
Inácio Lula da Silva. Foram eleitos pelo voto direto
seus cidadãos e de qualquer
direitos e deveres e fazer mais
dos brasileiros que residem no exterior 16 titulares
imigrante documentado ou
para o progresso do nosso pais.
e 16 suplentes, sendo 4 na América do Norte, 4 na
indocumentado, desde que ele
Só assim teremos um país mais
América do Sul, 4 na Ásia e Oceania e 4 na Europa.
não seja ameaça para a nação.
justo para todos”.
E
VIVER Julho - 2015
27
VIVER MINAS RIO DOCE E JEQUITINHONHA
ECOTURISMO
Praia no
Jequitinhonha
A NATUREZA ARREBATADORA DO
PARQUE ESTADUAL DO RIO PRETO COM
AREIAS BRANCAS, PINTURAS RUPESTRES
E CACHOEIRAS
ANA ELIZABETH DINIZ
“P
siu, ouça o sussurro do silêncio”, “vista a natureza e se feche
em árvores”, “solte os grilos,
afrouxe os sonhos”, “as brabuletas
azulis avoando” e “no entroncamento, lebres e borboletas têm a preferência”. Essas frases deliciosas e inspiradas, criadas pela comunidade local e
transformadas em placas, vão definindo o caminho que leva ao Parque
Estadual do Rio Preto, localizado a 19
km de São Gonçalo do Rio Preto.
Lá dentro, o visitante se depara
com uma natureza impactante, resiliente e preservada por um time de
33 funcionários que incorporaram
a preservação ambiental, a gentileza e a alegria por fazer parte daquele
ecossistema. Sob a batuta do zootecnista Antônio Augusto de Almeida, o
Tonhão, 55, gerente do parque há 21
28
anos, desde a sua criação, em 1994,
eles se alternam nas inúmeras tarefas
diárias com leveza e presteza.
Inserido no complexo da serra
do Espinhaço, considerada a única
cordilheira do Brasil, o parque ocupa uma área de 12.185 ha, tem relevo
acidentado, abriga rochas de quartzo, nascentes, cachoeiras, piscinas
naturais, corredeiras, sumidouros,
cânions e praias. A vegetação inclui
espécies típicas do cerrado com capões e matas de galerias e tipologia
bem variada, que vai de cerrado até
campo limpo e campo rupestre.
Segundo o gerente, 39% do município de São Gonçalo do Rio Preto,
estão dentro do parque. “Isso gera
ICMS ambiental para o município.
Em 2014, foram gerados 800 mil reais, ou seja, quase 66 mil mensais.
Essa é uma condição especial e que,
de alguma forma, faz com que a comunidade veja com bons olhos a unidade de conservação”.
O parque foi criado para proteger
a nascente do rio Preto, que pertence à bacia hidrográfica do rio Jequitinhonha. Sua área abrange desde a
nascente do rio Preto, no limite sul,
até o início do seu curso médio, a
partir do vilarejo de Santo Antônio.
Além do rio Preto, diversas nascentes
e córregos estão protegidos pelo parque, como o córrego das Éguas, que
forma as cachoeiras do Crioulo, localizada a 6,8 km da sede, com queda
de 30m; e da Sempre-Viva, mais próxima, a 4,7 km da sede, queda de 15m
e um enorme paredão enfeitado das
flores do cerrado.
São várias as opções de trilhas
VIVER Julho - 2015
Fotos: Pedro Vilela/Agência i7
COBRA nas areias
do parque
muito bem sinalizadas, como dos Mirantes, do Monjolo, da Estrada Real,
da Pedra, da Lapa e da Água Fria. A
trilha do cerrado fica a 3 quilômetros
da sede e oferece informações sobre a
fauna e flora e requer o auxílio de um
guia. A trilha das crianças é de fácil
acesso e mostra a importância da proteção do rio Preto.
A unidade abriga ainda cavernas
com pinturas rupestres, como a lapa
do tatu, das piabas, do tropeiro e do
veado, todas com placas indicativas
e curiosidades sobre a pré-história.
Nesse caso, as visitações são restritas e obrigatoriamente guiadas.
FARMÁCIA
MEDICINAL
Quem conhece a fundo a flora local é
José Hermínio Inácio, 50, conhecido
como Deco, monitor há 17 anos.
Aprendi sobre as plantas com a minha
mãe, ainda pequeno. Naquela época,
o remédio vinha do nosso quintal, do
cerrado”. A vivência e a intimidade com
a rica natureza medicinal do parque
serviram de estímulo para que Deco
fizesse alguns cursos de fitoterapia.
Ele aprendeu o nome científico das
plantas e hoje, pode-se dizer, que é
um especialista. “Todas as plantas do
cerrado são medicinais, cada estudioso
conhece uma parte delas. O cerrado
é uma farmácia viva, tudo quanto há
tem uma serventia, mas é preciso
conhecimento. Por isso fui estudar
para saber mais sobre como elas agem
no corpo, porque é muito importante”,
comenta Deco. Veja alguns usos:
z Carobinha do campo: boa para alergias
de pele, usa-se a flor e as folhas
z Velame-de-leite (ou velame do
campo): depurativo do sangue. Bom
para reumatismo, artrite e ácido úrico
z Quina-de-vara: para vermes, caspa,
seborreia, gastrite e anemia
z Salsaparrilha: depurativa do sangue e
diurética
z Canguçu branco (o preto é veneno):
picadas de abelha, de escorpião. É
depurativo e bom para insônia
z Leite de mangaba: para problemas de
estômago
z Folha de mangaba: boa para
hipertensão
z Pau-santo: para problemas de
estômago
Fonte: Deco
VIVER Julho - 2015
29
Fotos: Pedro Vilela/Agência i7
ECOTURISMO
O poço dos Veados é de uma beleza ímpar. A caminhada é tranquila,
ele fica a 2,4 km da sede. Uma praia
de areia branca, com piscina natural
e pequena queda d´água dão ao local um charme especial. Ali pode-se
ver uma rocha com pinturas rupestres. Para quem não quer caminhar
tanto, a opção é a prainha, a 0,5 km
da sede. Pequena e charmosa, é boa
para banhos e relax na areia branca,
ladeada por vegetação e diminutas
quedas d’água.
Tonhão vai elencando as belezas
da fauna e flora. “Aqui temos espécies criticamente em perigo como o
tatu-canastra, jaguatirica, suçuarana,
onça-pintada, anta e veado-campeiro. Foram levantadas mais de 40
espécies de mamíferos habitando
a região, como o lobo-guará, tatu-de-rabo-mole, bugio, guigó, lontra,
muriqui, gato-do-mato e caititu. Isso
sem falar nas 276 espécies de vertebrados terrestres, 194 de aves, 33 de
répteis e 200 de anfíbios”.
Sucupiras, ipês, jacarandás, cagaeteiras, mangabeiras, jatobás, pequizeiros, vinháticos, araticum e as
majestosas sempre-vivas, onde se
incluem os chuveirinhos, enfeitam
e dão vida ao parque.
O parque desenvolve, por meio de
parcerias, pesquisas sobre a fauna e
flora. Dentre elas estão a Universidade
Federal dos Vales do Jequitinhonha e
Mucuri, Unimontes, Universidade de
São Paulo, a Federal de Ouro Preto,
Universidade Federal de Minas Gerais, Faculdade de Saúde do Ibituruna
e a Universidade Estadual de Campinas, além das escolas do entorno.
“Trabalhamos a educação ambiental por meio de projetos que
servem como bancos de dados.
Além disso, estimulamos o turismo
sustentável a fim de gerar renda para
as comunidades do entorno. Os visitantes acabam gerando renda para o
comércio local e para as pousadas”,
diz Tonhão.
30
z SERVIÇO:
O parque abre de terça-feira a
domingo, das 7 às 17 horas, e o
valor do ingresso é de 5 reais. No
caso de pernoite é necessário fazer
reserva antecipada pelo telefone (38)
9976-5621, ou pelo e-mail: antonio.
[email protected]. A
área de camping tem capacidade para
40 barracas e 80 pessoas. O preço
da diária cobrada, por pessoa, é 10
reais, e a unidade oferece banheiros
com chuveiro quente, quiosques com
churrasqueiras, pias, mesinhas, pontos
de energia. A diária nos alojamentos
para uma ou duas pessoas custam 60
reais a diária, para três pessoas, 80
reais; para quatro ou cinco, 100 reais.
O hóspede deve levar roupa de cama,
toalha de banho e travesseiro.
z DISTÂNCIA:
340 quilômetros de Belo Horizonte
z ACESSOS:
Saindo de BH pegue a BR–040,
em direção ao norte, acessando a
BR–135 em direção a Curvelo. Daí,
siga pela BR–259, no sentido leste.
Após a entrada para Datas, pegue a
BR–367 para Diamantina. Siga por 8
quilômetros pela BR–367 e após Couto
Magalhães de Minas, na MG–214, vire
à direita, sentido São Gonçalo do Rio
Preto. Do município até o parque são
19 km de estrada de terra.
z INFORMAÇÕES: (38) 9801-8188
TONHÃO: trabalhando a
educação ambiental
O gerente chama a atenção para
sua equipe de colaboradores. “Eles
vêm de todos os lados do entorno do
parque. São filhos de antigos moradores, de pessoas que, no passado,
tiveram rancho onde hoje está a unidade de conservação. Muitos pescaram, caçaram, trabalharam com
carvoarias. Depredaram a natureza. Faltava a eles consciência. Hoje,
eles são os guardiões da natureza
e se empenham para isso, porque
perceberam a importância da biodiversidade para a preservação da vida
humana. Eles fazem a parte deles,
orientando, mas os visitantes têm
que fazer a sua parte”.
VIVER Julho - 2015
VIVER MINAS RIO DOCE E JEQUITINHONHA
CULTURA
PEÇAS DECORATIVAS,
NOIVAS E BONECAS
GANHAM
VIDA E BELEZA
COM TÉCNICA
TRADICIONAL DO
JEQUITINHONHA
Arte
que vem
ANA ELIZABETH DINIZ
do barro
Fotos: Pedro Vilela/Agência i7
É
no povoado de Campo Alegre,
em Turmalina, no Vale do Jequitinhonha, que vive um grupo de
mulheres envolvidas na produção de
uma cerâmica muito típica e única.
São as famosas noivas e mulheres com
vestidos, olhares e adereços que retratam as referências do povo do Vale.
Uma herança cultural que vem se perpetuando pelas gerações afora.
Rita Gomes Lopes, 62, aprendeu a
arte da cerâmica com a mãe, Paulina
Gomes de Souza, 83. Anísia, sua filha
de 44 anos, e Jaqueline, a neta com 17
anos, também são artesãs. Elas fazem
parte da Associação dos Lavradores e
Artesãos de Campo Alegre, criada em
1985, e que conta hoje com 56 artesãs
que dão vida ao barro em peças comercializadas por todo o Brasil e pelo
mundo.
“Eu sempre trabalhei com cerâmica. Tenho 8 filhos e 9 netos e a minha
vida toda foi vivida no artesanato”, diz
Rita. Georgina Gomes Pereira, 40, se
VIVER Julho - 2015
RITA E GEORGINA:
vida dedicada ao
artesanato
dedica à cerâmica há 15 anos. “Gosto
de fazer as galinhas com flores. São
minhas preferidas”, revela.
Além das figuras com influências
herdadas dos índios e dos colonizadores portugueses, são produzidos
pratos, panelas, farinheiras, sopeiras,
potes, moringas, bules, vasos, filtros,
conjunto de travessas e jogos de café,
em muitos casos com forma de gente, bonecas e animais. As peças mais
conhecidas são a cabeçada, as gêmeas siamesas, o peixe-boi, o sapo-boi,
vasos com rostos, cirandas e imagens
de São Francisco. Cada peça remete a
uma história. O processo de produção
envolve muitas etapas. “O barro tem
que ser tratado, socado na gangorra,
amassado até se transformar em uma
pasta que deve ter uma consistência
perfeita para modelar a peça e dar o
acabamento. Depois disso, a peça será
pintada com corantes naturais e queimada em forno a lenha”, explica Rita.
Desde 2005, o Sebrae vem apostando no artesanato do Vale do Jequitinhonha. “Desenvolvemos algumas
capacitações nas áreas de comportamento, gestão e designer, inicialmente
na comunidade de Campo Alegre. A
partir de 2011, os grupos foram ampliados e cada vez mais vêm se fortalecendo e ganhando autonomia”,
ressalta Nayara de Souza Ferreira da
Silva Pinto, da regional Jequitinhonha
e Mucuri do Sebrae.
SERVIÇO:
Telefone para contato: (38) 3527-0025
(associação).
31
Em
imagens
por Pedro Vilela/Agência i7
32
VIVER Julho - 2015
VIVER Julho - 2015
33
VIVER MINAS RIO DOCE E JEQUITINHONHA
CULINÁRIA
Pastel
JK
Fotos: Pedro Vilela/Agência i7
RECEITA
IGUARIA APRECIADA PELO
EX-PRESIDENTE DO BRASIL TEM
RECEITA PRESERVADA
A
paixão pelo pastel de carne
feito por Argelina Tatu, hoje
com 97 anos, era tanta que
o prefeito de Belo Horizonte, entre
1940 e 1945, Juscelino Kubitschek,
pedia a seu ajudante Leandro, que
encomendasse a iguaria com antecedência. Quando chegava em
Diamantina, se reunia com os amigos, se sentava na calçada, na porta
da sua casa, em frente ao cruzeiro,
e saboreava o pastel enquanto tocava violão.
A receita se mantém na família, com a sobrinha neta de dona
Argelina, Maria Helena Tatu, 60,
quitandeira de mão cheia e criada
34
desde a infância na cozinha da mãe
e da tia avó. Ela conta que sempre
gostou de cozinhar e ensina alguns
truques para deixar o pastel crocante e sequinho. “A massa deve
ser preparada de véspera e pode
ser deixada em cima da pia mesmo. Na hora de abrir, a espessura
é muito importante. Não pode ficar grossa, senão pipoca e nem fina
demais, porque quebra. A carne
tem que ser de boa qualidade”.
PASTEL JK
Encomendas pelos telefones (38) 35311637 e (38) 8849-7520 (WhatsApp).
RENDIMENTO: 150 PASTÉIS MENORES E
100 MAIORES
INGREDIENTES
z1 kg de farinha de trigo sem
fermento
z2 copos (americano) de água
fervendo
z½ copo (americano) de óleo
z2 ovos
zSeis tampinhas de álcool (não pode
ser em gel senão amarga)
z1 colher (sopa) de sal
MODO DE PREPARO
Colocar em uma vasilha a farinha, os
ovos, o óleo e o álcool. Escaldar a massa
com a água fervendo, amassar e passar
pelo cilindro até ficar lisa. Envolver em
plástico filme e deixar de um dia para o
outro em cima da pia. Se quiser, pode
congelar durante 15 dias, no máximo.
Passar novamente pelo cilindro, rechear
com a carne moída preparada a gosto e
cortar. Fritar em óleo quente.
VIVER Julho - 2015
www.revistaviverfashion.com.br | (31) 3503 8888
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Regiões reforçam investimentos em suas principais