1 DÉBORA DA SILVA SALVARO DIAGNÓSTICO DA NECESSIDADE DE CAPACITAÇÃO DOS PRODUTORES DE ARROZ DA REGIÃO DE TURVO SC Monografia apresentada a Diretoria de Pós-graduação da Universidade do Extremo Sul Catarinense - UNESC, para a obtenção do título de especialista em Recursos humanos. Orientador: Prof. Sergio Furlanetto Criciúma, 2004 2 AGRADECIMENTOS Agradeço ao meu esposo que entendeu minhas ausências em casa e compreendeu e a importância que significa este trabalho em minha vida. Agradeço também a toda a minha família e amigos que me ajudaram e me incentivaram que seguisse em frente... 3 RESUMO Turvo, é uma cidade situada no sul de Santa Catarina conhecida como capital da mecanização agrícola é uma cidade que possui grande número de rizicultores e sua economia gira em torno da produção de arroz. Com objetivo de diagnosticar se existe ou não necessidade de oferecer curso, treinamento ou capacitação aos produtores de arroz da região de Turvo a empresa Cereais Realengo desenvolveu e aplicou uma pesquisa com os produtores, levantando dados que contribuirá para a elaboração de estratégias bem como no processo de decisão buscando a satisfação e fidelidade dos produtores de arroz. Os rizicultores de Turvo e região tem uma enorme carência na área administrativa, seu nível de escolaridade é baixo, porém, este número está crescendo em relação à aos demais componentes da família, 34% das pessoas que compõem a família estão cursando uma faculdade, isso indica que a agricultura esta tomando novos rumos, com isso novas oportunidades aparecem podendo ser investido pelas indústrias de arroz. A Cereais Realengo possui estas e outras informações de toda a pesquisa realizada, tem a oportunidade de sair na frente perante seus concorrentes que vem crescendo constantemente. Palavras-chave: Arroz, Região de Turvo, Treinamento. 4 SUMÁRIO LISTA DE ABREVIATURAS.................................................................................. 08 LISTA DE TABELAS.............................................................................................. 09 1 – INTRODUÇÃO.................................................................................................. 10 1.1 Objetivo de Pesquisa........................................................................................ 11 2 – CARACTERIZACAO DA EMPRESA............................................................... 12 2.1 – Histórico da Empresa..................................................................................... 12 2.2 – Missão da Empresa....................................................................................... 13 2.3 – Princípios da Empresa................................................................................... 13 3 – MUNICIPIO E REGIÃO .................................................................................... 16 3.1 – A Historia de Turvo........................................................................................ 16 4 – CARACTERIZACAO DO MUNICIPIO.............................................................. 17 4.1 – Aspectos Gerais............................................................................................. 17 4.1.1 – População................................................................................................... 17 4.1.2 – Limites......................................................................................................... 17 4.1.3 – Clima........................................................................................................... 18 4.1.4 – Solo............................................................................................................. 18 4.2 – Estrutura Fundiária......................................................................................... 19 4.3 – Produção Agropecuária................................................................................. 21 4.4 – Sistema de Exploração e Canais de Comercialização.................................. 22 5 – ARROZ............................................................................................................. 24 5.1 – Historia do Arroz............................................................................................ 24 5.2 – Sistema de Cultivo......................................................................................... 26 5.2.1 – Ecossistema de Altas.................................................................................. 26 5 5.2.2 – Ecossistema de Várzeas............................................................................. 27 5.3 – Tipos de Arroz................................................................................................ 27 5.4 – Comercialização do Arroz.............................................................................. 28 6 – O ARROZ NO BRASIL..................................................................................... 29 7 – ATUALIDADES MERCADO RIZICULTOR...................................................... 35 7.1 – Mudanças....................................................................................................... 36 8 – O ARROZ NO MUNDO..................................................................................... 38 9 – PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS......................................................... 41 9.1 – Técnicas de Coletas de Dados...................................................................... 41 9.2 – Tipo de Pesquisa........................................................................................... 41 9.3 – População e Amostra..................................................................................... 42 9.4 – Pesquisa de Mercado.................................................................................... 43 9.5 – Plano de Amostragem.................................................................................... 44 9.6 – Conceitos Básicos de Planos de Amostragem.............................................. 45 9.7 – Princípios Básicos da Amostragem............................................................... 46 9.8 – Procedimento de Amostragem....................................................................... 46 9.8.1 – Amostra Probabilística................................................................................ 46 9.8.2 – Amostra Não- Probabilística ...................................................................... 47 9.9 – Fórmula de Calculo do Tamanho da Amostra............................................... 47 9.10 – Unidade de Amostragem............................................................................. 48 10 – RESULTADOS............................................................................................... 49 11 – CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................... 51 REFERÊNCIAS....................................................................................................... 52 ANEXOS................................................................................................................. 54 Anexo 01 – Há quanto tempo planta arroz?........................................................... 55 6 Anexo 02 – Quantos sacos de arroz produziu na última safra 2003/2004?........... 56 Anexo 03 – Quantos hectares de terras possui?.................................................... 57 Anexo 04 – Quantos hectares de terras planta com arroz? .................................. 58 Anexo 05 – Estas terras são: ................................................................................. 59 Anexo 06 – Quantos hectares de terras são arrendadas?..................................... 60 Anexo 07 – Possui máquinas agrícolas? .............................................................. 61 Anexo 08 – Que tipo? ............................................................................................ 62 Anexo 09 – Para quem vende seu arroz? .............................................................. 63 Anexo 10 – Sempre vendeu para este (s) comprador (es)?................................... 64 Anexo 11 – Quais as razoes na escolha do comprador?....................................... 65 Anexo 12 – Seu arroz é vendido na safra ou depositado?..................................... 66 Anexo 13 – De que forma vende seu arroz? ......................................................... 67 Anexo 14 – Recebe alguma orientação técnica? .................................................. 68 Anexo 15 – De quem? ........................................................................................... 69 Anexo 16 – Que outras culturas/ atividades econômicas desenvolve?.................. 70 Anexo 17 – De quem compra as sementes?.......................................................... 71 Anexo 18 – Como transporta os grãos da lavoura? .............................................. 72 Anexo 19 – Por que escolheu o arroz como fonte de renda?................................. 73 Anexo 20 – Além do arroz existe outra fonte de renda na família?........................ 74 Anexo 21 – Alguém da família trabalha fora da atividade agrícola?....................... 75 Anexo 22 – Qual o valor de sua renda familiar mensal?........................................ 76 Anexo 23 – Você faz aplicação financeira? ........................................................... 77 Anexo 24 – Você faz financiamento tipo custeio, investimentos...?....................... 78 Anexo 25 – Grau de escolaridade (produtor entrevistado)?................................... 79 Anexo 26 – Alguém da família estuda? ................................................................. 80 7 Anexo 27 – Qual curso? ......................................................................................... 81 Anexo 28 – Qual a formação da esposa? .............................................................. 82 Anexo 29 – Idade (produtor entrevistado)? ........................................................... 83 Anexo 30 – Quantas pessoas compõem sua família?............................................ 84 Anexo 31 – Questionário, Pesquisa de Campo...................................................... 85 8 LISTA DE ABREVIATURAS IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística CONAB Companhia Nacional de Abastecimento EPAGRI Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de SC SECEX Sistema de Informações sobre Comércio Exterior FAO Food and Agriculture Organization AMESC Associação de Municípios do Extremo Sul Catarinense RH Recursos Humanos PA Progressão Aritmética MERCOSUL Mercado Comum do Sul ACARESC Associação de Credito e Assistência Rural do Estado de SC 9 LISTAS DE TABELAS Tabela 1 – Informações Gerais .............................................................................. 18 Tabela 2 – Estabelecimentos Agrícolas.................................................................. 18 Tabela 3 – Condição de Produtor........................................................................... 19 Tabela 4 – Utilização das terras.............................................................................. 19 Tabela 5 – Situação da Produção Vegetal safra 2003/2004.................................. 20 Tabela 6 – Situação da Produção Animal 2003/2004............................................. 21 Tabela 7 – Empreendimentos Rurais de Pequeno Porte....................................... 22 Tabela 8 – Produção de arroz no Brasil.................................................................. 28 Tabela 9 – Principais produtores de arroz no Brasil X Produção........................... 30 Tabela 10 – Volume de arroz importado em relação à produção........................... 31 Tabela 11 – Importações brasileiras de arroz em casca por país de origem......... 32 Tabela 12 – Importações brasileiras de arroz beneficiado por pais de origem...... 32 Tabela 13 – Produção de arroz no mundo............................................................. 37 Tabela 14 – Consumo de arroz no mundo.............................................................. 38 Tabela 15 – Principais Produtores Mundiais........................................................... 38 Tabela 16 – Oferta e demanda Mundial.................................................................. 39 Tabela 17 – Progressão Aritimetrica ...................................................................... 42 10 1. INTRODUÇÃO Atenta e sensível aos processos de globalização e transformação pelas quais todas as grandes instituições estão passando, a Cereais Realengo vêm desenvolvendo estratégias com objetivo de manter-se como uma das principais indústrias do ramo rizicultor da região quanto à capacidade de armazenagem. Frente à situação mercadológica atual, conhecer profundamente seus clientes e fornecedores é fato crucial a toda e qualquer empresa. Daí a preocupação e interesse em buscar cada vez mais dados e informações que enriqueça a confiança e o parcerismo com o produtor rizicultor. No entanto a Cereais Realengo sai a frente pesquisando as necessidades, valores e interesses que cultivados de sua maneira, permitirão a manutenção e a ampliação da atual fatia de mercado hoje pertencente à empresa, fatia esta, que descuidada corre o risco de diminuir frente às investidas dos novos concorrentes, o que vem crescendo constantemente. Além da preocupação com o produtor a empresa vem demonstrando nos últimos anos, grande interesse também com seus clientes internos. Com auxilio da área de Recursos Humanos, vem desenvolvendo uma série de projetos que apóiam no desenvolvimento profissional e pessoal de seus colaboradores. Programas em parceria com órgãos públicos e instituições de ensino que busca a educação e especialização dos empregados tem propiciado ações como este trabalho, portanto, esta é uma parte do processo, construída com o desenvolvimento e aplicação de uma pesquisa a ser aplicada junto aos os produtores de arroz, no intuito de identificar os motivadores da satisfação e fidelização daqueles que usufruem os serviços de armazenagem da empresa. 11 Nessa nova empreitada, destaca-se a preocupação em primar pela segurança e rapidez em todas as fases no processo. Busca assim este trabalho dados concretos que auxiliem e orientem a tomada de decisão na empresa quanto à viabilidade de investimento em treinamentos com seus clientes e fornecedores. 1.1 Objetivo de Pesquisa Diagnosticar se existe ou não necessidade de oferecer curso, treinamento ou capacitação aos produtores de arroz da região de Turvo. 12 2. CARACTERIZAÇÃO DA EMPRESA 2.1 Histórico da Empresa Juntando a experiência de Oracídio Olivo (pai) e a juventude de Abel Olivo Neto (filho), este recém formado em Técnico de Contabilidade, no dia 1º de fevereiro de 1982 fundaram a empresa Comercio de Cereais Olivo Ltda. Localizada no município de Turvo, extremo sul de Santa Catarina, dando início ao ramo de beneficiamento e comercialização de arroz, produzia 50 sacas de arroz por semana e sua comercialização era restrita à região. Iniciava-se a implantação do PROVARZEAS na região pela então ACARESC com a promessa de duplicar e até triplicar a produção de arroz irrigado, hoje confirmada. O sinalizador foi perfeitamente assimilado pelos sócios empreendedores, conforme palavras do proprietário Abel Olivo Neto: “ao longo destes anos temos dedicado muito carinho e amor ao beneficiamento de arroz”. A falta prematura do sócio Oracídio Olivo (pai), 1993, não alterou os planos da empresa que através do sócio remanescente passou a denominar-se CEREAIS REALENGO LTDA, nome originário do morro Realengo situado em Morro Grande, sua terra natal. A empresa sempre investiu em novas e modernas tecnologias e na capacitação de sua equipe, tem seu processo produtivo todo automatizado e a parte logística realizada com frota própria com isto vem conseguindo ao longo dos anos ter sempre um produto de excelente qualidade, ampliando mercados e conquistando hoje todo o Brasil. 13 Demonstrando seu grande apego ao cereal ARROZ, seu principal negócio, a opção de investimento sempre foi à compra de terras que permitissem a implantação da rizicultura irrigada. Foi criada então a REALENGO AGROINDUSTRIAL LTDA voltada ao plantio de arroz irrigado que, igualmente, vem se destacando, pois sempre atenta a tecnologias de ponta e fazendo parceria com a EPAGRI (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina) a empresa vem atingindo média extraordinária de produtividade no cultivo de arroz. 2.2 Missão da Empresa Produzir arroz que supere a expectativa do consumidor, gerando retorno para a comunidade, os colaboradores e acionistas. 2.3 Princípios da Empresa • Crescimento com segurança e solidez 14 Uma empresa cresce de forma segura e consistente quando há o envolvimento de todos os seus colaboradores, uma definição clara das suas estratégias empresariais e constante planejamento e avaliação de suas ações em busca de objetivos comuns. Você só pode desempenhar bem sua função se souber o que, porque, como e quando fazer. Não fique com dúvidas e seja humilde para reconhecer suas limitações. Peça auxílio. Só assim poderemos crescer sem comprometer nossa estabilidade, assegurando o contínuo retorno financeiro. • Qualidade no que se faz Qualidade é indispensável à sobrevivência de uma empresa. Cada um de nós deve exercer sua função de forma ética, responsável, comprometida com o cliente e os resultados da empresa, respeitando o meio ambiente. Haja com transparência para que suas ações possam ser valorizadas quando corretas e corrigidas imediatamente quando inadequadas, reduzindo desperdícios e retrabalhos. Tenha senso de urgência, coloque em prática seu plano de ação, não deixe para depois aquilo que você pode fazer agora. • Atendimento diferenciado Nós somos responsáveis pela imagem da empresa perante nossos clientes e fornecedores, bem como nossos colaboradores internos. Esperamos que você coloque-se no lugar de quem está sendo atendido, conheça e respeite suas necessidades tratando-o de forma diferenciada. Desperte em cada um de seus colegas o prazer de poder servir. Sinta orgulho de sua profissão e estimule o orgulho em seus colaboradores. Faça da Realengo um lugar especial. • Valorização das pessoas O maior patrimônio da empresa é o seu capital humano. Incentivamos a contínua qualificação dos nossos colaboradores. Aproveite as oportunidades de 15 desenvolvimento que lhe são oferecidas e crie novas oportunidades para seu contínuo aperfeiçoamento. Confie em si mesmo, valorize-se, assim você estará valorizando nossa empresa. • Gestão participativa Uma empresa nasce, cresce e se sustenta através do esforço coletivo. Participe, integre-se, queremos ouvi-lo, auxilie nossa empresa a crescer, dê novas idéias e sugestões de melhorias. Colabore. • Abertura a novas tecnologias e processos Uma empresa só sobrevive quando é capaz de adaptar-se as constantes modificações de mercado. Flexibilidade é a palavra chave. Seja você também flexível em seus posicionamentos e pensamentos, só conseguiremos acompanhar a evolução do mercado se cada um de nós colocar-se aberto à aprendizagem de novas tecnologias e processos. Nossa empresa é o resultado das atitudes de cada um de nossos colaboradores. Apostamos em você. 16 3. MUNICÍPIO E REGIÃO 3.1 A história de Turvo A colonização de Turvo teve início com duas famílias imigrantes italianas Rovaris e Ghizzo, que conseguiram do Governo do Estado grandes extensões de terras devolutas, como pagamento de seus serviços na abertura de estradas para o estado. Em 1912, foram chegando mais familiares comprando terras, desmando e fazendo as primeiras plantações. Em sociedade com os próprios parentes montaram um engenho de farinha e uma serraria, um atrativo que conseguiu atrair mais colonos para a vizinhança. Em 1930, Turvo foi elevado à categoria de distrito do município de Araranguá, teve sua sede elevada à categoria de vila pelo decreto Lei Estadual nº 86, de 31 de março de 1938. O município de Turvo foi criado em fins de 1948, e em 20 de março de 1949, foi solenemente instalado. Apenas seis anos após a criação do município, a 10 de dezembro de 1954, Turvo passou a ser a Segunda Comarca do Vale do Araranguá, dela fazem parte os municípios de Meleiro, Jacinto Machado, Timbé do Sul e Morro Grande e Ermo. Os moradores de Turvo são chamados de “Turvenses”, sendo a maioria de origem italiana conservando as tradições que trouxeram de seus antepassados. 17 4. CARACTERIZAÇÃO DO MUNICÍPIO 4.1 Aspectos gerais O Município de Turvo possui uma área de 234,7 km2, situado na região litoral sul catarinense, integrando a AMESC, que é composta por 15 municípios: Turvo, Araranguá, Meleiro, Ermo, Jacinto Machado, Timbé do Sul, Maracajá, Morro Grande, Balneário Arroio do Silva, Balneário Gaivota, Sombrio, Santa Rosa do Sul, Passo de Torres, São João do Sul, Praia Grande. 4.1.1 População Sua população é de 10.890 habitantes (IBGE – 2000), sendo 5.252 (50 %) no meio rural e 5.638 (50%) no meio urbano, com uma densidade demográfica de 46,53 habitantes/km2. 4.1.2 Limites Ao norte com os municípios de Meleiro e Morro Grande; Ao sul com os municípios de Ermo e Jacinto Machado; Ao leste com o município de Araranguá; Ao oeste com o município de Timbé do Sul. 18 4.1.3 Clima O clima é mesotérmico úmido, com verões quentes, apresentando uma temperatura média anual de 19 a 20º C e uma precipitação total anual de 1.800 mm. 4.1.4 Solo Os solos no município em sua maioria classificam-se segundo a classificação universal em: - Cambissolo Distrófico e Eutrófico: Solos jovens de boa formação química, com + 70 cm de espessura, com boas aptidões para milho, fumo, arroz e moranga; - Gley pouco Húmico Distrófico e Eutrófico: Solo argilosos na superfície e arenoso a 80 cm de profundidade, com lençol freático superficial, aptos para a cultura do arroz; - Podzólico Vermelho Amarelo: Originado do arenito, considerados solos pobres. Ocorrem em áreas com relevo suave a ondulado. São arenosos na superfície e cascalhentos a certa profundidade, utilizado para fumo, milho, feijão e mandioca. 19 Tabela 1 - Informações gerais Ano 2003 População residente/total 10.890 População urbana 5.638 População rural 5.252 Área geográfica (km2) 234 Número de distritos 01 Número de comunidades 20 Número de famílias rurais 1.409 Número de escolas rurais 07 Número de alunos 720 Densidade demográfica (hab/km2) 46,53 Fonte – Censo IBGE 2000 4.2 Estrutura Fundiária O município é constituído de 20 comunidades rurais, caracterizados como minifúndio, conforme quadro abaixo: Tabela 2 - Estabelecimentos agrícolas DIMENSÃO (ha) ESTABELECIMENTO ÁREA N.º % Ha. % Menos de 10 hectares 429 39,58 2.169 10,27 Entre 10,1 e 20 hectares 286 26,38 3.952 18,73 Entre 20,1 a 50 hectares 288 26,57 8.784 41,63 Entre 50,1 e 100 hectares 67 6,18 4.303 20,39 20 + de 100 14 1,29 1.896 8,98 TOTAL 1.084 100 21.104 100 Fonte – Censo Agropecuário 1995/1996 Tabela 3 - Condição de produtor ESPECIFICAÇÃO ESTABELECIMENTO N.º % Proprietário 787 72,6 Arrendatário 245 22,6 Parceiro 34 3,13 Ocupante 18 1,67 TOTAL 1084 100 Fonte – Censo Agropecuário 1995/1996 Tabela 4 - Utilização das terras CONDIÇÕES ÁREA Culturas Hectare % Lavouras permanentes 270 1,21 Lavouras temporárias 14.870 66,32 Pousio/ capoeiras 650 2,90 Pastagens naturais 2.250 10,03 Matas e florestas nativas 1600 7,14 Florestas plantadas 480 2,15 Terras inaproveitáveis / benfeitorias e estradas 2.300 10,25 TOTAL 22.420 100 Fonte – EPAGRI 21 4.3 Produção agropecuária 71.250 42.750.000,00 74,60 Mata Natural 750 1.500 - - - - Milho 650 1.400 4,5 6.300 2.520.000,00 4,39 Pastagem natural 600 1.750 - - - - Pastagem perene 600 1.650 - - - - Fumo 550 1.300 2,10 2.730 10.010.000,00 17.47 Eucalipto (1) 250 450 8.400m3 - 378.000,00 0,66 Cana de açúcar 160 150 30,0 4.500 112.500,00 0,20 Feijão safrinha 150 200 1,0 200 216.600,00 0,38 Silagem 120 - - 700 - - Pastagem anual 100 150 - - - - Mandioca 70 50 20,0 1.000 150.000,00 0,26 Feijão safra 50 35 0,9 31,5 34.125,00 0,05 Banana 40 320 8,0 2.560 832.000,00 1,45 Pinus (1) 15 80 1.000m3 - 110.000,00 0,19 Moranga 10 60 8,00 480 168.800,00 0,29 Citrus 5 10 15,0 150 22.500,00 0,04 Maracujá 2 3 12,00 36 13.200,00 0,02 TOTAL - 6.290 - - 57.307.725,00 100 Fonte – EPAGRI (1)Produção em m cúbicos % Valor Bruto total 7,5 (Ton.) 9.500 Produção Rendimento 800 (Ton/ha) Área (ha) Arroz Produto Produtor N.º Tabela 5 - Situação da produção vegetal safra ( 2003 / 2004) 22 % Bruto Total Valor (1.000 Lt.) Leite (Ton.) Carne (Cab.) Abatido (Cab)1000 Rebanho Produtor( N.º) Descrição Tabela 6 - SITUAÇÃO DA PRODUÇÃO ANIMAL (2003-2004) Avicultura-corte 100 9.000 9.000 18.000 - 1.440.000,00 27,64 Avicult.-postura 09 78 - 1.872dz - 1.260.000,00 24,19 Bovino de corte 650 4.180 400 90 Bovino de leite 120 1.450 - - Apicultura 20 150 - - - 3.000,00 0,05 Piscicultura 21 24,5 ha - 65 - 100.750,00 1,93 Caprinos 70 300 - - 90 180.000,00 3,45 Ovinos 10 120 - - - - - Rizipiscicultura 07 12 ha - 9 - 9.000,00 0,18 Suinocultura 06 6 6,5 340 - 748.000,00 14,35 - - - - - 5.210.000,00 100 TOTAL - 342.000,00 6,57 2.505 1.127.250,00 21,64 Fonte – EPAGRI 4.4 Sistema de exploração e canais de comercialização ARROZ IRRIGADO: Todo cultivo em áreas sistematizadas, semeadura realizada a lanço com sementes pré-germinadas, colheita mecanizada. A produção é beneficiada através da Coopersulca, Cereais Realengo, Cerealista Ponte Alta, Cerealista Agromaza e Cerealista Paladar, Arroz Olivo, entre outras da região sul. FUMO: Sistema tradicional com plantio em camelhões, com muitos produtores trabalhando com plantio direto e cultivo mínimo. A produção é comercializada 23 através das Empresas Fumageiras principalmente: Dimon, Souza Cruz, Universal e Tabacos Brasileiros MILHO: Sistema tradicional de cultivo mecanizado, gradagens e colheita mecanizada. Alguns produtores com plantio direto, também com plantio pós-fumo. A produção é comercializada via Coopersulca, principalmente a suinocultores da região. SUINOCULTURA: Exploração intensa, sendo que a maioria dos produtores, são altamente especializados e a maioria são integrados com a SEARA alimentos. BOVINOCULTURA DE LEITE: Produção com criação intensa e semi-intensa. A produção é comercializada in-natura para indústrias e em forma de queijo para compradores que levam para Porto Alegre e região. Tabela 7 - EMPREENDIMENTOS RURAIS DE PEQUENO PORTE ESPECIFICAÇÃO Cerealistas PRODUTO N.º ESTAB. VOLUME/ ANO Arroz 06 203.700T Cachaça 10 260.000 L cana de açúcar Açúcar e melado 06 27 T Atafonas Farinha de milho 03 38 T Fábrica de polpa Polpa de banana 01 245 T Processamento de cana de açúcar Processamento de Fonte - EPAGRI 24 5. ARROZ 5.1 História do Arroz Diversos historiadores e cientistas apontam o sudeste da Ásia como o local de origem do arroz. Na Índia, as províncias de Bengala e Assam, bem como Mianmar, têm sido referidas como centros de origem dessa espécie. Duas formas silvestres são apontadas na literatura como precursoras do arroz cultivado: a espécie Oryza rufipogon, procedente da Ásia, originando a O. sativa; e a Oryza barthii ( Oryza breviligulata), derivada da África Ocidental, dando origem à O. glaberrima. O gênero Oryza é o mais rico e importante da tribo Oryzeae e engloba cerca de 23 espécies, dispersas espontaneamente nas regiões tropicais da Ásia, África e Américas. A espécie O. sativa é considerada polifilética, resultante do cruzamento de formas espontâneas variadas. Bem antes de qualquer evidência histórica, o arroz foi, provavelmente, o principal alimento e a primeira planta cultivada na Ásia. As mais antigas referências ao arroz são encontradas na literatura chinesa, há cerca de 5.000 anos. O uso do arroz é muito antigo na Índia, sendo citado em todas as escrituras hindus. Certas diferenças entre as formas de arroz cultivadas na Índia e sua classificação em grupos, de acordo com ciclo, exigência hídrica e valor nutritivo, foram mencionadas cerca de 1.000 a.C. 25 Da Índia, essa cultura provavelmente estendeu-se à China e à Pérsia, difundindo-se, mais tarde, para o sul e o leste, passando pelo Arquipélago Malaio, e alcançando a Indonésia, em torno de 1500 A.C. A cultura é muito antiga nas Filipinas e, no Japão, foi introduzida pelos chineses cerca de 100 anos a.C. Até sua introdução pelos árabes no Delta do Nilo, o arroz não era conhecido nos países Mediterrâneos. Os sarracenos levaram-no à Espanha e os espanhóis, por sua vez, à Itália. Os turcos introduziram o arroz no sudeste da Europa, donde alcançou os Balcans. Na Europa, o arroz começou a ser cultivado nos séculos VII e VIII, com a entrada dos árabes na Península Ibérica. Foram, provavelmente, os portugueses quem introduziram esse cereal na África Ocidental, e os espanhóis, os responsáveis pela sua disseminação nas Américas. Alguns autores apontam o Brasil como o primeiro país a cultivar esse cereal no continente americano. O arroz era o "milho d'água" (abati-uaupé) que os 11 tupis, muito antes de conhecerem os portugueses, já colhiam nos alagados próximos ao litoral. Consta que integrantes da expedição de Pedro Álvares Cabral, após uma peregrinação por cerca de 5 km em solo brasileiro, traziam consigo amostras de arroz, confirmando registros de Américo Vespúcio que trazem referência a esse cereal em grandes áreas alagadas do Amazonas. Em 1587, lavouras arrozeiras já ocupavam terras na Bahia e, por volta de 1745, no Maranhão. Em 1766, a Coroa Portuguesa autorizou a instalação da primeira descascadora de arroz no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro. A prática da orizicultura no Brasil, de forma organizada e racional, aconteceu em meados do século XVIII e daquela época até a metade do século XIX, o país foi um grande exportador de arroz. 26 5.2 Sistemas de Cultivo O arroz no Brasil é cultivado em dois ecossistemas, terras altas e várzeas. 5.2.1 Ecossistema de Terras Altas Este sistema desempenhou um papel de grande relevância na produção de arroz sob o sistema de cultivo de sequeiro nas décadas de 60 e 80, em que a cultura chegou a ocupar 4,5 milhões de hectares. Devido a sua rusticidade e adaptação a solos ácidos, foi uma alternativa altamente satisfatória para o desbravamento dos cerrados. Mas, desde a década de 80, em decorrência do alto risco da exploração e da redução da área de fronteira agrícola, a área sob a cultura no sistema de sequeiro vem decrescendo. Atualmente o arroz de terras altas é raramente usado para abrir novas áreas. Na região nordeste o arroz sob o ecossistema de terras altas também é cultivado usando baixo nível de tecnologia por pequenos produtores que cultivam para o autoconsumo. Para cada vez mais consolidar o arroz de terras altas, pesquisas buscam desenvolver cultivares com aparência e características de grão orientadas para a preferência do mercado, que privilegia grãos longo-finos, translúcidos e com alto rendimento de inteiros. 27 5.2.2 Ecossistema de Várzeas Predomina o sistema de cultivo com irrigação controlada, onde a cultura é manejada sob alto nível tecnológico e apresenta rendimento médio aproximado de 5,5 t / ha e ocupa aproximadamente 1 milhão de hectares nas regiões de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O sistema de produção convencional no Rio Grande do Sul é altamente mecanizado. Em áreas sistematizadas, a semeadura feita em solo seco e a água manejada na forma de banhos, até o início do perfilhamento, quando entra definitivamente nas quadras. O sistema pré-geminado é o predominante em Santa Catarina e vem ganhando relevância no Rio Grande do Sul em função do cultivo mínimo. 5.3 Tipos de Arroz Arroz parboilizado: O arroz com casca é molhado, passado pelo vapor e pressão, é seco antes da moagem. Este procedimento gelatinisa o amido do grão e assegura que os mesmos se separem quando cozidos. Arroz integral: É todo grão de arroz desprovido de casca e que se mantém coberto por sua capa. Arroz aromático: Tem um aroma especial. Um exemplo deste tipo de arroz é o Urumati de grão longo. Branco de grão largo: É reconhecido no mercado internacional por sua altíssima qualidade. É um grão longo e fino, é pelo menos 3 vezes mais longo que largo. 28 Branco de grão médio: É um grão mais curto e grosso que o arroz de grão longo e tem uma textura suave. Branco de grão curto: Sua forma é praticamente redonda. 5.4 Comercialização do Arroz A negociação entre o comprador e o vendedor acontece de acordo com o mercado vigente, e considerando fatores como: classe, tipo e principalmente pelo rendimento (relação de inteiros e quebrados). Outros fatores como umidade e impurezas quando acima do convencional (máximo 13,00% de umidade e máximo 2,00% de impureza) também são considerados. A determinação de todos os fatores que constituem a formação do preço é feita a partir da coleta de uma amostra representativa do lote que é colhido no silo, através de transilagem, ou da pilha com coleta em diversos pontos. Com a prova de todos os itens já analisados, é estabelecido um valor que será negociado entre as partes interessadas. O preço reúne as decisões tomadas pela empresa, dando a elas um peso numérico, que traduz as qualidades inerentes aos outros composto de marketing. A mesma linha de raciocínio consumidor, que detecta uma necessidade e deseja qualidade de vida pela compra de um produto ou serviço. PETERSON, 2003, p. 14). elementos do vale para o melhorar sua (CARLA apud A Corretora Mercado quando entra na intermediação da negociação, procede a coleta de amostra e indica, tanto ao comprador como ao vendedor, as bases de preço do produto, levando em conta a qualidade e as condições de mercado, afim de que o preço de compra ou de venda seja o mais justo para que ambas as partes façam o melhor negócio. 29 6. O ARROZ NO BRASIL Tabela 8 – Produção de Arroz no Brasil ANO ÁREA PLANTADA PRODUÇÃO PRODUTIVIDADE (1.000 HA) (1.000 T) (KG / HA) 2002/03 3.172,10 10.427,70 3.347 2001/02 3.219,60 10.626,10 3.300 2000/01 3.250,30 10.386,00 3.195 1999/00 3.677,60 11.423,10 3.106 1998/99 3.845,20 11.582,20 3.012 Fonte: CONAB / IBGE Para atender a demanda interna, com uma população de 169,59 milhões de habitantes, mantendo-se os níveis atuais de consumo humano na faixa de 74 quilogramas / ano (FAO), considerando um rendimento de 70% de arroz elaborado, o Brasil que é considerado um dos maiores consumidores ocidentais do cereal, com um consumo anual de 11,7 milhões de toneladas por ano, precisaria produzir cerca de 15,2 milhões de toneladas de arroz em casca por ano, somente para atendimento do mercado interno. Observa-se que a produtividade aumentou em 11% mesmo com a redução de aproximadamente 18% entre 1998 e 2003 da área plantada de arroz sequeiro e a produção brasileira ter reduzido em 10% durante este período. Esta evolução na produtividade é resultado das novas tecnologias de produção e do lançamento de outras variedades superiores que ocorrem principalmente no maior produtor nacional, Rio Grande do Sul. Mesmo com incremento na produtividade, o 30 Brasil ainda não consegue atingir a auto-suficiência no abastecimento do arroz para alimentação da população. Como conseqüência, o Brasil torna-se obrigado a recorrer ao mercado externo. Porém, este tipo de política nem sempre beneficia o mercado brasileiro, pois sob o ponto de vista econômico, essas compras são efetuadas nos meses em que o mercado externo oferece menores cotações e, na maioria das vezes prejudica os interesses dos produtores e dos comerciantes atacadistas que possuem estoques, influenciando no nível de produção da próxima safra. Outra medida adotada para suprir esta necessidade, evitando o aumento dos preços no mercado interno, é a intervenção de políticas governamentais que submetem o mercado rizicultor brasileiro às importações dos países membros do Mercosul com a finalidade de abastecer o mercado doméstico e reduzir ou manter os preços internos. Com advento do Mercosul, os países membros do bloco tiveram a oportunidade de colocar o seu arroz no mercado brasileiro sem a cobrança de tarifas, causando dificuldades ainda maiores ao setor produtivo do arroz. Tanto o Uruguai quanto à Argentina, tem um consumo de arroz muito baixo e a maior parte da sua produção é direcionada ao mercado internacional. 31 Tabela 9 – Principais estados produtores de arroz no Brasil X Produção (Em mil Toneladas) ESTADOS SAFRA 2002/03 SAFRA 2001/02 RS 4.696,40 5.464,80 SC 1.043,30 929,30 MG 191,60 210,50 GO 221,80 216,00 MT 1.289,60 1.215,70 MS 237,60 218,10 TO 425,20 371,20 MA 746,70 624,00 TOTAL 9.519,53 10.250,10 Fonte: CONAB Conforme demonstra as tabelas acima, a produção brasileira de arroz concentra-se em oito estados. No entanto, a maior parte da produção nacional, está concentrada na região sul que representa 50% do volume produzido, com destaque para o Rio Grande do Sul que representa 42%, onde se destaca a produção de arroz irrigado (várzeas). O Centro-Oeste responde por 14% e o Norte por 10% da produção total, predominando o cultivo de arroz sequeiro (terras altas). Os hábitos de consumo são bastante associados a fatores culturais e socioeconômicos, por isso a preferência dos consumidores varia em função das regiões e níveis salariais. Em relação aos salários, observa-se que à medida que aumenta o poder de consumo da população, torna-se maior a preferência por produtos mais elaborados, diminuindo o consumo do cereal. O arroz é 32 comercializado na quase totalidade no estado natural, passando apenas por um processo de beneficiamento para perder a casca. Tabela 10 – Volume de arroz importado em relação à produção (Em mil toneladas) ANO IMPORTAÇÃO PRODUÇÃO IMPOR/PROD 2002/03 1.500,00 10.427,70 14,30 2001/02 780,20 10.626,10 7,30 2000/01 1.023,60 10.386,00 9,80 1999/00 1.008,30 11.423,10 8,80 1998/99 1.397,50 11.582,20 12,00 1997/98 2.013,60 8.462,90 23,70 Fonte: Importação: CONAB; Produção: IBGE / CONAB. Na safra de 97/98, em função de uma redução na produção nacional, os estoques foram praticamente esgotados para atender as necessidades de consumo da população. Como já havia sido registrada uma série de anos poucos produtivos, no ano de 98 (início do estudo), foi inevitável a importação de um dos mais expressivos volumes de arroz, atingindo 2.013,6 milhões de toneladas. 33 Tabela 11 – Importações brasileiras de arroz em casca por país de origem. (Em mil toneladas) Países de Origem Safra 1999 Safra 2000 Safra 2001 Safra 2002 Jan-Ago 2003 Argentina 316.468 175.776 177.798 121.783 25.216 EUA 218.056 74 - 6.523 184.829 11.890 7.797 1.082 30.022 84.998 112.557 5 1 Paraguai 1.685 Uruguai 100.231 Outros 1.137 TOTAL 637.577 24.351 5 200.206 219.715 221.102 323.683 Fonte: SECEX Conforme o gráfico a acima os principais fornecedores de arroz em casca para o Brasil são os países do Mercosul e os Estados Unidos. Os Estados Unidos destaca-se nas importações brasileiras de arroz em casca, com grande parte de sua produção direcionada ao mercado externo (50%) e beneficiado pela proximidade e possibilidade de colocar o seu produto no mercado brasileiro sem cobrança de tributos. 34 Tabela 12 – Importações brasileiras de arroz beneficiado por país origem. (Em mil toneladas) Países de Safra Safra Safra Safra Jan-Ago Origem 1999 2000 2001 2002 2003 Argentina 199.534 85.216 65.2145 57.842 61.996 2.703 1.925 612 320 1.651 EUA China - 19.938 - - - Paraguai - - 2.970 2.079 945 54 53 53 61 Tailândia 8.009 Uruguai 333.031 417.671 475.892 346.755 239.175 Vietnã 22.475 1.320 - - - Outros 303 978 457 452 892 STOTAL 566.055 527.102 545.198 407.501 304.720 Fonte: SECEX As importações de arroz beneficiado apresentam maior diversificação em relação aos paises, em comparação as importações do arroz em casca e os paises produtores da Ásia surgem com maior importância. 35 7. ATUALIDADES MERCADO RIZICULTOR A comercialização do arroz da safra 2003/2004 passa por uma queda de preços acentuada em relação à safra 2002/2003. Tivemos dois momentos distintos: o primeiro momento foi na colheita (março a maio) quando os preços mantiveram-se em R$34,00 e o segundo momento a partir de junho quando entrou em queda brutal estando hoje em plena entressafra sendo comercializado a R$ 23,00 a saca de 50 kg, ficando com R$13,00 a menos por saco comparativamente ao preço praticado na safra passada na mesma época. A excelente colheita do produto em todo o país, em especial no Rio Grande do Sul que representa de 40 a 60% da produção de arroz colhida no Brasil, as importações da Argentina e Uruguai, a baixa cotação do dólar e a estabilização do consumo são os principais fatores que levaram a tal situação. As perspectivas de uma nova grande colheita na safra (2004/2005) em fase de plantio preocupa os rizicultores que vêem uma estabilização dos preços em baixa. Em nossa região a colheita foi excelente, onde temos uma das mais altas rentabilidades do mundo (9.000 kg por hectare plantado). O ciclone Catarina ocorrido no sul de Santa Catarina e Nordeste do Rio Grande do Sul representou uma perda de no máximo 15% em níveis regionais, pois, já estavam colhidas mais de 40% da safra. Número este que é insignificante diante total colhido em todo o país. A criação da CAMARA SETORIAL DA CADEIA PRODUTIVA DO ARROZ foi a grande ação tomada pelos rizicultores e governo no sentido de estabelecer e 36 buscar definições de políticas voltadas à pesquisa, produção, beneficiamento, comercialização e consumo do arroz. 7.1 Mudanças A simples existência de uma empresa pressupõe que ela tenha um mercado, um produto ou um serviço a oferecer e, é claro, meios de produzir e transformar suas atividades em lucros e novos investimentos. Em qualquer instante, são as características que definem a empresa: o que faz, pra quem faz, quanto faz. A administração tornou-se tão importante quanto o próprio trabalho a ser executado, conforme este se foi especializando e a escala de operações crescendo assustadamente. A Administração não é um fim em si mesma, mas um meio de fazer com que as coisas sejam realizadas da melhor forma possível, com o menor custo e com a maior eficiência e eficácia. (CHIAVENATO, 1999, p. 10) Conforme Kotler (1993, p. 60) durante o último século, as empresas eram na maioria pequenas e conheciam bem seus consumidores. Os gerentes coletavam informações de marketing convivendo com as pessoas, observando-as e fazendo perguntas. Percebe-se que as coisas mudaram e estão mudando, ao longo do tempo, sobreviver e prosperar significa adaptar e mudar. O que há de diferente neste inicio de milênio é que o tempo encurtou. Mudanças que apareciam em gerações agora surgem de um ano para outro, de um mês para outro, algumas até do dia pra noite. São tantas mudanças e inovações principalmente tecnológicas que nem toda empresa consegue acompanhar esse ritmo, algumas vão perdendo forças e saindo do mercado. 37 Na agricultora não é diferente. No inicio desta jornada secular, bastava saber trabalhar na terra, cuidar das plantas e colher os frutos do trabalho. Com o passar do tempo e a adoção de novas práticas culturais, a margem de lucro diminuiu e o agricultor teve também de se preocupar com a venda do seu produto, sob pena de não ter retorno sobre o trabalho desenvolvido. 38 8. O ARROZ NO MUNDO Os principais países produtores de arroz encontram-se no sul do continente asiático e norte da Oceania. Nessas regiões também se encontram os maiores consumidores do cereal a nível mundial. A China ocupa a posição de principal produtor mundial, com uma produção de aproximadamente 120,0 milhões de toneladas. Em segundo lugar com 91,0 milhões de toneladas está a Índia e na seqüência, vem a Indonésia com uma produção de 33,3 milhões de toneladas de arroz. O Brasil, que é considerado o principal produtor fora do continente asiático, ocupando a posição de 9º maior produtor mundial de arroz, produz aproximadamente 11 milhões de toneladas. Na tabela abaixo, observa-se a evolução da produção de arroz no mundo. Tabela 13- Produção de arroz no mundo. (Em milhões de toneladas) Fonte: CONAB SAFRA PRODUÇÃO 2003/04 390,50 2002/03 379,90 2001/02 398,60 2000/01 397,90 1999/00 408,70 1998/99 394,40 39 Tabela 14 - Consumo de arroz no mundo. (Em milhões de toneladas) SAFRA CONSUMO 2003/04 412,30 2002/03 409,00 2001/02 410,70 2000/01 395,70 1999/00 398,50 1998/99 387,10 Fonte: CONAB Nos últimos anos o consumo apresentou um crescimento muito elevado, e mesmo com o volume mundial de produção em ascensão, não está sendo suficiente para atender tanta demanda. Os maiores consumidores de arroz no mundo são a China com 134,8 milhões de toneladas, a Índia com 83,9 milhões de toneladas, a Indonésia com 36,8 milhões de toneladas e o Vietnam com 17,6 milhões de toneladas. Tabela 15 - Principais produtores mundiais. (Em milhões de toneladas) PAIS 2003 2002 2001 2000 1999 1998 China 120 122,2 181.515 189.814 200.403 200.572 Índia 91 77 131.900 129.444 134.213 129.115 33,3 33,2 50.096 51.898 50.866 49.237 21 21,1 31.925 32.530 31.394 29.146 26,5 26 39.112 37.442 34.427 29.709 Indonésia Vietnam Bangladesh Fonte: FAO 40 Produção Importação Suprimento Consumo Exportação Estoque 128,30 394,40 24,90 547,60 387,10 24,90 135,50 1999/00 135,50 408,70 22,90 567,00 398,50 22,90 145,60 2000/01 145,60 397,90 24,40 568,00 395,70 24,40 147,90 2001/02 147,90 398,60 27,90 574,40 410,70 27,90 135,80 2002/03 135,80 379,90 27,20 542,80 409,00 27,20 106,60 2003/04 106,60 390,50 26,10 523,20 412,30 26,10 84,80 Final Estoque 1998/99 Final Safra Tabela 16 - Oferta e demanda mundial (Em milhões de toneladas) Fonte: CONAB Observamos na tabela acima que na safra dos últimos 5 anos 98/99 a 02/03, o comércio internacional de arroz tem estado na faixa de 24,9 a 27,2 milhões de toneladas. A produção mundial de arroz decresceu para 379,9 milhões de toneladas na safra de 02/03, dos 394,4 milhões de toneladas registrados em 98/99, demonstrando um declínio da produção de aproximadamente 14,5 milhões de toneladas. O consumo mundial de arroz subiu para 409 milhões de toneladas (02/03), dos 387,1 milhões de toneladas (98-99), demonstrando um crescimento no consumo de aproximadamente 21,9 milhões de toneladas. Percebe-se, que o consumo mundial de arroz ultrapassou a produção mundial, resultando em um menor estoque mundial do cereal. 41 9. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS 9.1 Técnicas de coleta de dados • Pesquisa de mercado utilizando questionário estruturado com perguntas diretas, abertas e fechadas • Acompanhamento das atividades da empresa • Análise de relatórios do sistema de informação utilizado pela • Analise de relatórios fornecidos por órgãos de pesquisa do empresa município e da região 9.2 Tipo de Pesquisa A pesquisa se caracteriza como sendo Exploratória com abordagem Descritiva. Foi realizada pesquisa de campo, que consiste em coletar dados que ajudem na resolução do problema levantado. A amostra do presente estudo será baseado na carteira de produtores da Cereais Realengo. O instrumento de coleta de dados será um questionário semi-estruturado, composto por questões que venham a responder as dúvidas os objetivos propostos. 42 9.3 População e amostra O universo total é de 2000 (dois mil) fornecedores, porém, a pesquisa foi realizada com uma população de 800 (oitocentos), porque estes são parceiros constantes. Consideramos como fornecedores, os proprietários de terras e arrendatários que produzem e estocam seu produto com a Realengo. Dessa população foi extraída uma amostragem de 62 (sessenta e dois) fornecedores, ou seja, 5% do universo. Utilizou-se uma margem de erro de 12%. Este percentual poderia ser reduzido se aumentássemos o tamanho da amostra retirada da população. Um dos fatores que determinou o tamanho da amostra, e, consequentemente, a margem de erro, foi o recurso “tempo disponível”. Porém, considerando que a responsabilidade do trabalho seja da estagiária, do professor orientador e do supervisor empresarial, os mesmos consideram esta margem de erro satisfatória. O tipo de amostra utilizado foi Probabilística, ou seja, foi utilizada uma lista de nomes dos fornecedores e aplicado uma P.A. para a seleção para cada membro da amostra. Pegamos um relatório da empresa, com uma lista de fornecedores por ordem alfabética e aplicamos a P. A. de l3. Na tabela abaixo segue o exemplo: 43 Tabela 17- Progressão Aritimétrica 1 13 14 157 13 170 313 13 326 469 13 482 638 13 651 14 13 27 170 13 183 326 13 339 482 13 495 651 13 664 27 13 40 183 13 196 339 13 352 495 13 508 664 13 677 40 13 53 196 13 209 352 13 365 508 13 521 677 13 690 53 13 66 209 13 222 365 13 378 521 13 534 690 13 703 66 13 79 222 13 235 378 13 391 534 13 547 703 13 716 79 13 92 235 13 248 391 13 404 547 13 560 716 13 729 92 13 105 248 13 261 404 13 417 560 13 573 729 13 742 105 13 118 261 13 274 417 13 430 573 13 586 742 13 755 118 13 131 274 13 287 430 13 443 586 13 599 755 13 768 131 13 144 287 13 300 443 13 456 599 13 612 768 13 781 144 13 157 300 13 313 456 13 469 612 13 625 781 13 794 625 13 638 794 6 800 9.4 Pesquisa de mercado O projeto de pesquisa de marketing pode ter um dentre três tipos de objetivos. Algumas vezes o objetivo é Exploratório - reunir informações preliminares que ajudarão a definir o problema e sugerir hipóteses. Outras vezes, o objetivo é Descritivo - descrever coisas tais como o potencial de mercado para um dado produto ou os dados demográficos e as atitudes dos consumidores que compram aquele produto. Algumas vezes, o objetivo é Causal - testar hipóteses sobre relações de causa-e-efeito. Por exemplo, a redução de 10% na mensalidade de uma escola particular resultaria em um aumento do número de matrículas suficiente para compensar essa redução? A administração deve começar com uma pesquisa exploratória para, em seguida, utilizar uma pesquisa descritiva ou causal. Para atender as necessidades de informações das empresas, os responsáveis pela pesquisa podem coletar dados secundários, dados primários ou ambos. 44 Dados Secundários: consistem em informações que já existem em algum lugar, tendo sido coletados para algum outro propósito. Dados Primários: Consistem em informações coletadas para o propósito específico em questão. 9.5 Plano de amostragem Os responsáveis pela pesquisa de marketing geralmente tiram conclusões sobre grandes grupos de consumidores estudando uma pequena amostra da população total de consumidores. Uma amostra é um pequeno segmento da população selecionado para representar o total da mesma. O ideal é que amostra seja representativa, para que os pesquisadores possam fazer estimativas precisas das idéias e do comportamento da população. Definir a amostra exige três decisões. Primeiro: quem será entrevistado (qual a unidade de amostragem)? Responder a esta questão não é tão fácil quanto parece. Por exemplo, para estudar o processo de tomada de decisão de uma família para a compra de um automóvel, o pesquisador deveria entrevistar o marido, a mulher, outros membros da família, o revendedor ou todos estes? O pesquisador deve determinar qual informação é necessária e quem tem mais condições de fornecê-la. Em segundo lugar, quantas pessoas devem ser entrevistadas (qual o tamanho da amostra)? Amostras maiores proporcionam resultados mais confiáveis. Contudo, não é necessário usar como amostra todo o mercado alvo ou mesmo uma 45 grande parcela do mesmo para se conseguir resultados confiáveis. Quando bem definida, uma amostra de menos de 1% da população pode ser bem confiável. Terceiro: como as pessoas irão compor a amostra devem ser escolhidas (qual o procedimento da amostragem)? Para se obter uma amostra representativa, os responsáveis pela pesquisa devem utilizar um dos três tipos de amostras probabilísticas – amostra aleatória simples, amostra aleatória estratificada ou amostra por conglomerado. Mas quando essa amostra revela-se demasiadamente onerosa ou demanda muito tempo, os responsáveis pela pesquisa de marketing escolhem amostras não-probabilísticas. Amostras não-probabilísticas podem ser úteis em muitas situações, ainda que o erro na amostragem não possa ser mensurado. Estas várias formas de definição de amostras tem diferentes custos e limitações de tempo, bem como precisão e propriedades estatísticas diversas. A escolha do método mais apropriado dependerá das exigências do projeto de pesquisa. 9.6 Conceitos básicos de planos de amostragem UNIVERSO - É todo o público alvo. Ex: todos os consumidores de bebidas alcoólicas residentes no Brasil, todos os motoristas que possuem automóveis que circulam em uma determinada cidade ou todos os estudantes do curso de administração de uma determinada universidade. AMOSTRA – Uma parte do universo que deverá representá-lo. Ex. 500.000 dos 50.000.000 pessoas consumidoras de bebidas alcoólicas residentes no Brasil. 46 9.7 Princípios básicos da amostragem Princípio da Probabilidade - Existe uma probabilidade definida de que a amostra seja representativa do universo. Princípio da casualidade - Todos os elementos componentes do universo tem a mesma possibilidade de serem selecionados (sorteados). Lei dos grandes números - Os resultados falsos serão compensados. 9.8 Procedimento de amostragem 9.8.1 Amostra Probabilística: Utilização de listas e sorteios com a mesma probabilidade de seleção para cada membro da população. a) Amostra Aleatória Simples: Todos os membros da população tem uma chance igual e conhecida de seleção. b) Amostra Aleatória Estratificada: A população é dividida em grupos mutuamente exclusivos (tais como os grupos etários). Retiram-se amostras aleatórias de cada um desses grupos. c) Amostra Por Conglomerado: A população é dividida em grupos mutuamente exclusivos (tais como por quarteirões). O pesquisador retira uma amostra dos grupos para a entrevista. 47 9.8.2 Amostra não-probabilística a) Amostra por Conveniência: O pesquisador seleciona os membros da população dos quais é mais fácil obter informações. b) Amostra por Julgamento: O pesquisador utiliza seu julgamento para selecionar os membros da população que apresentam boas perspectivas de fornecer informações precisas. c) Amostra por Quotas: O pesquisador encontra e entrevista um número predeterminado de pessoas em cada uma das várias categorias. 9.9 Fórmula de cálculo do tamanho da amostra n 2 (1,96) . N = (1,96)2 + (l2.(N-1)) n = Tamanho da Amostra N = Tamanho do Universo l = Amplitude do Intervalo ou margem de erro da pesquisa Representatividade - (em relação as características do universo pesquisado) A amostra reproduz as características do universo com uma probabilidade de 95%, amostra ao nível de significância 0,05. Homogeneidade - (em relação as opiniões expressas) As opiniões dividem-se em partes iguais (p=50% / q=50%). Precisão - (em relação aos resultados obtidos) É o intervalo em torno do qual a verdadeira resposta deve se situar normalmente em torno de 2% (o que corresponde à amplitude de 4%). 48 9.10 Unidade de amostragem Corresponde a definição de quem será entrevistado 49 10. RESULTADOS A preocupação com seus fornecedores que depositam (armazenam) arroz nos silos da empresa e conseqüentemente faz a venda, levou-a pesquisar, levantar informações de seus negócios e de sua família para um eventual trabalho com os mesmos, no intuito de tê-los como parceiros para sempre, e que os mesmos consigam permanecer no mercado junto com a empresa. Nossos fornecedores são agricultores com a faixa etária madura conforme mostra o gráfico 29, 39% dos entrevistados tem até 70 anos, 53 % tem até 50 anos e apenas 8% possui até 30 anos de idade. De famílias pequenas, o gráfico 30 demonstra que 74% de sua família é composta de até 5 pessoas, geralmente o casal mais três filhos. Ouso em dizer famílias pequenas comparando com as famílias de antigamente, que cada casal possuía de 10 a 20 filhos conforme contam meus pais e alguns entrevistados. O principal motivo por essa mudança se deu em virtude da conscientização econômica, que além da introdução das máquinas agrícolas tratores, colheitadeiras entre outras conforme o gráfico 7 e 8, percebeu-se que para o futuro de seus filhos não haveria terras o suficiente. Para uma família de 10 filhos que possua 30 hectares de terras, por exemplo, o pai deixaria somente três hectares para cada filho, isso complicaria na divisão das terras com o passar das gerações. No gráfico 20 percebe-se que em 53% dos casos, existe outra fonte de renda na família e 47% sobrevivem somente do plantio de arroz. Apenas em 40% das pessoas entrevistadas tem alguém que trabalham fora da atividade agrícola e 60% trabalham somente com a rizicultura (gráfico 21). O gráfico 14 demonstra que 89% dos entrevistados recebem algum tipo de orientação técnica, 68% de empresas especializadas, 27% de órgãos públicos e 50 27% do comprador (gráfico 15). Na pesquisa realizada não foi questionado se os produtores recebem orientação de gestão, somente técnica, porém, percebeu-se que a grande maioria não tem este tipo de orientação e informação. No gráfico 22 que demonstra o valor da renda familiar, percebeu-se que eles têm uma renda baixa, ou seja, ganham até R$ 3.000,00 por mês sendo assim, como dependem praticamente de uma só fonte de renda estes agricultores deveriam estar bem preparados e especializados para sobreviver no mercado. Já que no gráfico 25 demonstra que 90% dos pesquisados estudaram somente até a 4ª série, o ensino fundamental, valendo ressaltar que durante a entrevista notou-se que destes 90% muita gente não havia nem concluído o ensino fundamental. Outro dado de grande relevância é o que mostra no gráfico 28 onde 81% das mulheres as esposas, da mesma forma que os homens os maridos, estudaram somente até a 4ª serie, o ensino fundamental. Isso é preocupante, penso que a mulher deste ramo é quem cuida da casa, dos afazeres domésticos e das crianças seus filhos, no entanto, é ela a principal responsável na educação e o processo cultural das crianças. Isso compromete em médio prazo o avanço no setor. Porém o gráfico 26 mostra uma tendência animadora, está havendo uma evolução quanto à escolaridade, em 60% dos casos, tem alguém na família que estuda e destes 60% de estudantes, 47% estudaram até o ensino fundamenta, 19% até o ensino médio, 2º grau e 34 % até o 3º grau, estão cursando uma faculdade conforme mostra o gráfico 27. 51 11. CONSIDERAÇÕES FINAIS Diante de todas as informações da pesquisa realizada, é notável a carência dos agricultores da região na área administrativa, inclusive as esposas que tem uma alta autonomia nos negócios, que respondem na ausência do marido e educa os filhos. Percebe-se que neste setor há um campo a ser explorado, a empresa que quiser aumentar o parceirismo e o vínculo com o produtor, conseqüentemente aumentando o seu lucro poderia estar investindo/propiciando treinamentos em parceria tanto ao produtor e filhos como para as esposas. O próprio RH da empresa pode estar ajudando a desenvolver projetos e trabalhos para eles. Existem também, alguns convênios com empresas públicas e privadas que dispõem deste tipo de serviço, algumas até gratuitamente. Desta forma todos saem ganhando tanto a empresa quanto o agricultor. Vale ressaltar que nem todos os dados da pesquisa são um trabalho acadêmico, serve como dados da empresa também, podendo ajudar em seu planejamento estratégico e nas tomadas de decisões. 52 REFERÊNCIAS AMATO, Gilberto Wageck et al. Arroz Parboilizado: Tecnologia Limpa, Produto Nobre. Porto Alegre: Ricardo Lenz, 2002. 236 p. ASOCIACIÓN Cultivadores de Arroz. Disponível em www.aca.com.uy. acesso em: 22 set. 2004 Associação dos Municípios do Extremo sul Catarinense. www.amesc.com.br/paginainicial.htm. Acesso em: 01 nov. 2004 Disponível em: BANCO DE DADOS DO MUNICIPIO DE TURVO, 20, 2004. Turvo. Plano Municipal de Desenvolvimento Rural. Turvo: Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural, 2004. CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à Teoria Geral da Administração. 3. ed. Rio de Janeiro: Campus, 1999. 494 p. Companhia Nacional de Abastecimento. Disponível em: www.conab.gov.br. Acesso em: 11 ago. 2004 Food and Agriculture Organization of the United Nations. Disponível em: www.fao.org. acesso em: 04 out. 2004 Importação e Exportação. Disponível em: www.sicex.com.br. Acesso em 22 set. 2004 Instituto Rio Grandense do Arroz. Disponível em: www.irga.rs.gov.br. Acesso em: 01 nov. 2004 KOTLER, Philip; ARMSTRONG, Gary. Princípios de Marketing. 5. ed. Rio de Janeiro: Prentice-Hall do Brasil, 1993. 478 p. MATOS, Francisco Gomes de. Administração Para Crescimento Empresarial. 4. ed. Rio de Janeiro, 1981. 324 p. Mercantil e Corretora de Mercadorias. Disponível em: www.clicmercado.com.br. Acesso em: 04 out. 2004 Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Disponível em: www.agricultura.gov.br. Acesso em: 22 set. 2004 53 PETERSON, Rúbia Carminatti. Avaliação dos Indicadores do Mercado Rizicultor. Criciúma, 2003. 54 p. Monografia (Especialização em Gestão empresarial) – Universidade do Extremo Sul Catarinense, 2003. Portal de Arroz e da Agropecuária. Disponível em: www.arrozpec.com.br. Acesso em 04 out. 2004 Safras e Mercado. Disponível em: www.safras.com.br. Acesso em 01nov. 2004 SAVIO, Ronaldo. Relatório de Estágio Supervisionado Área de Concentração: Produção, 2001. 64 p. Relatório de Estágio (Graduação em Administração) – Universidade do Sul de Santa Catarina, 2001. SILVA, Débora. Relatório de Estágio Supervisionado Área de Concentração: Marketing, 2000. 52 p. Relatório de Estágio (Graduação em Administração) – Universidade do Sul de Santa Catarina, 2000. WHITELEY, Richard C. A Empresa Totalmente Voltada Para o Cliente. Rio de Janeiro : Campus, 1997. Pág 262 P. United States Department of Agriculture. Disponível em: www.usda.gov. acesso em 04 out. 2004 54 Anexos 55 Anexo 01 – Há quanto tempo planta arroz? 3% 3% 6% 24% 26% 38% Até 5 anos Até 30 anos Até 10 anos Até 40 anos Até 20 anos Até 50 anos 56 Anexo 02 – Quantos sacos de arroz produziu na última safra 2003/2004? 11% 8% 3% 5% 26% 21% 26% Até 500 Até 5000 Mais que 11000 Até 1500 Até 7000 Até 3000 Até 11000 57 Anexo 03 – Quantos hectares de terras possui? 3% 2% 8% 5% 8% 17% 42% 15% 3 Até 50 Até 150 Até 10 Até 80 Mais que 150 Até 35 Até 100 58 Anexo 04 – Quantos hectares de terra planta de arroz? 3% 2% 3% 9% 6% 9% 18% 50% 4 Até 50 Até 150 Até 10 Até 80 Mais que 150 Até 35 Até 100 59 Anexo 05 – Estas terras são: 35% 65% Próprias Arrendadas 60 Anexo 06 – Quantos hectares de terras são arrendadas? 5% 2% 27% 66% Até 10 Até 35 Até 50 Até 80 61 Anexo 07 – Possui máquinas agrícolas? 5% 95% Sim Nao 62 Anexo 08 – Que tipo? 4% 34% 62% Trator Ceifadeira Outros 63 Anexo 09 – Para quem vende seu arroz? 17% 20% 15% 24% 24% Realengo Dalon Cooperativa Olivo Outros 64 Anexo 10 –Sempre vendeu para este (s) comprador (es)? 32% 68% Sim Não 65 Anexo 11 – Quais as razões na escolha do comprador? 35% 46% 19% Confiabilidade na negociação Confiabilidade na classificação do produto Outros 66 Anexo 12 – Seu arroz é vendido na safra ou depositado? 6% 94% Vendido Depositado 67 Anexo 13 – De que forma vende seu arroz? 11% 89% De uma so vez Parcelado 68 Anexo 14 – Recebe alguma orientação técnica? 11% 89% Sim Não 69 Anexo 15 – De quem? 27% 5% 68% Comprador Órgaos Públicos Empresas Especializadas 70 Anexo 16 – Que outras culturas/ atividades econômicas desenvolve? 8% 46% 46% Fumo Milho Outros 71 Anexo 17 – De quem compra as sementes? 6% 41% 44% 9% Realengo Cooperativa Agrojust Outros 72 Anexo 18 – Como transporta os grãos da lavoura? 24% 46% 30% Transporte Próprio Transporte do comprador Terceiros 73 Anexo 19 – Por que escolheu o arroz como fonte de renda? 24% 24% 52% Cultura familiar Terra apropriada Lucratividade 74 Anexo 20 – Além do arroz existe outra fonte de renda na família? 47% 53% Sim Não 75 Anexo 21 – Alguém da família trabalha fora da atividade agrícola? 40% 60% Sim Não 76 Anexo 22 – Qual o valor de sua renda familiar mensal? 11% 32% Até R$ 3.000,00 57% Até R$ 7,000,00 Até R$ 12.000,00 77 Anexo 23 – Você faz aplicação financeira? 41% 59% Sim Não 78 Anexo 24 – Você faz investimento tipo custeio, investimento...? 11% 89% Sim Não 79 Anexo 25 – Grau de escolaridade? 8% 2% 90% Ens. Fundamental Ens. Médio Faculdade 80 Anexo 26 – Alguém da família estuda? 40% 60% Sim Não 81 Anexo 27 – Qual curso? 34% 47% 19% Até Ens Fundamental Até Ens Médio Faculdade 82 Anexo 28 – Qual a formação da esposa? 19% 81% Até Ens Fundamental Até Ens Médio 83 Anexo 29 – Idade (Produtor entrevistado)? 8% 39% 53% Até 30 anos Até 50 anos Até 70 anos 84 Anexo 30 – Quantas pessoas compõem sua família? 8% 18% 74% Até 5 Até 10 Mais que 10 85 Anexo 31 – Questionário, Pesquisa de Campo 1. Há quanto tempo planta arroz? 2. Quantos sacos de arroz produziu na última safra 2003/2004? 3. Quantos hectares de terra possui? 4. Quantos hectares de terra planta de arroz? 5. Estas terras são: Próprias ( ) ··Arrendadas ( ) 6. Quantos hectares são arrendados? 7. Possui máquinas agrícolas? Sim ( ) Não ( ) 8. Que tipo: Trator ( ) Ceifadeira ( ) Outros ( 9. Para quem vende seu arroz? 10. Sempre vendeu para este (s) comprador(s)? 11. Quais as razões na escolha do comprador? Confiabilidade na negociação ( ) Confiabilidade na classificação do produto ( ) Rapidez no recebimento ( ) Transporte ( ) Simpatia ( ) Preço ( ) Política ( ) Outros ( ) 12. Seu arroz é vendido na safra ou é depositado? 13. De que forma você vende seu arroz: De uma só vez ( ) Parcelado ( 14. Recebe alguma orientação técnica? Sim ( ) Não ( ) 15. De quem? Comprador ( ) Órgãos públicos ( ) Empresas especializadas ( ) ) ) 86 16. Que outras culturas/atividades econômicas desenvolve? Fumo ( ) Milho ( ) Feijão ( ) Gado ( ) Nenhuma ( 17. De quem compra as sementes? 18. Como transporta os grãos da lavoura? Transporte próprio ( ) Transporte do comprador ( ) Terceiros ) ( 19. Porque escolheu o arroz como fonte de renda? 20. Além do arroz existe outra fonte de renda na família? Sim ( ) Não ( ) 21. Alguém da família trabalha fora da atividade agrícola? Sim ( ) Não ( ) 22. Qual o valor de sua renda familiar mensal? Até 3.000,00 ( ) Até 7.000,00 ( ) Ate12.000,00 ( ) Mais que 12.000,00 ( ) 23. Você faz aplicação financeira? Qual tipo? 24. Você faz financiamento tipo custeio, investimento...? Bancos ( ) Terceiros ( ) 25. Grau de escolaridade? 26. Alguém da família estuda? Sim ( ) Não ( ) 27. Qual curso? 28. Qual a formação da esposa? 29. Idade (Produtor entrevistado)? 30. Quantas pessoas compõem sua família? )