1
DÉBORA DA SILVA SALVARO
DIAGNÓSTICO DA NECESSIDADE DE CAPACITAÇÃO DOS PRODUTORES DE
ARROZ DA REGIÃO DE TURVO SC
Monografia apresentada a Diretoria de
Pós-graduação da Universidade do
Extremo Sul Catarinense - UNESC, para a
obtenção do título de especialista em
Recursos humanos.
Orientador: Prof. Sergio Furlanetto
Criciúma, 2004
2
AGRADECIMENTOS
Agradeço ao meu esposo que entendeu minhas ausências em casa e compreendeu
e a importância que significa este trabalho em minha vida.
Agradeço também a toda a minha família e amigos que me ajudaram e me
incentivaram que seguisse em frente...
3
RESUMO
Turvo, é uma cidade situada no sul de Santa Catarina conhecida como capital da
mecanização agrícola é uma cidade que possui grande número de rizicultores e sua
economia gira em torno da produção de arroz.
Com objetivo de diagnosticar se existe ou não necessidade de oferecer curso,
treinamento ou capacitação aos produtores de arroz da região de Turvo a empresa
Cereais Realengo desenvolveu e aplicou uma pesquisa com os produtores,
levantando dados que contribuirá para a elaboração de estratégias bem como no
processo de decisão buscando a satisfação e fidelidade dos produtores de arroz.
Os rizicultores de Turvo e região tem uma enorme carência na área administrativa,
seu nível de escolaridade é baixo, porém, este número está crescendo em relação à
aos demais componentes da família, 34% das pessoas que compõem a família
estão cursando uma faculdade, isso indica que a agricultura esta tomando novos
rumos, com isso novas oportunidades aparecem podendo ser investido pelas
indústrias de arroz.
A Cereais Realengo possui estas e outras informações de toda a pesquisa
realizada, tem a oportunidade de sair na frente perante seus concorrentes que vem
crescendo constantemente.
Palavras-chave: Arroz, Região de Turvo, Treinamento.
4
SUMÁRIO
LISTA DE ABREVIATURAS..................................................................................
08
LISTA DE TABELAS.............................................................................................. 09
1 – INTRODUÇÃO.................................................................................................. 10
1.1 Objetivo de Pesquisa........................................................................................ 11
2 – CARACTERIZACAO DA EMPRESA...............................................................
12
2.1 – Histórico da Empresa..................................................................................... 12
2.2 – Missão da Empresa....................................................................................... 13
2.3 – Princípios da Empresa................................................................................... 13
3 – MUNICIPIO E REGIÃO .................................................................................... 16
3.1 – A Historia de Turvo........................................................................................ 16
4 – CARACTERIZACAO DO MUNICIPIO.............................................................. 17
4.1 – Aspectos Gerais............................................................................................. 17
4.1.1 – População................................................................................................... 17
4.1.2 – Limites......................................................................................................... 17
4.1.3 – Clima........................................................................................................... 18
4.1.4 – Solo............................................................................................................. 18
4.2 – Estrutura Fundiária......................................................................................... 19
4.3 – Produção Agropecuária................................................................................. 21
4.4 – Sistema de Exploração e Canais de Comercialização.................................. 22
5 – ARROZ............................................................................................................. 24
5.1 – Historia do Arroz............................................................................................ 24
5.2 – Sistema de Cultivo......................................................................................... 26
5.2.1 – Ecossistema de Altas.................................................................................. 26
5
5.2.2 – Ecossistema de Várzeas............................................................................. 27
5.3 – Tipos de Arroz................................................................................................ 27
5.4 – Comercialização do Arroz.............................................................................. 28
6 – O ARROZ NO BRASIL..................................................................................... 29
7 – ATUALIDADES MERCADO RIZICULTOR......................................................
35
7.1 – Mudanças....................................................................................................... 36
8 – O ARROZ NO MUNDO..................................................................................... 38
9 – PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS......................................................... 41
9.1 – Técnicas de Coletas de Dados...................................................................... 41
9.2 – Tipo de Pesquisa........................................................................................... 41
9.3 – População e Amostra..................................................................................... 42
9.4 – Pesquisa de Mercado.................................................................................... 43
9.5 – Plano de Amostragem.................................................................................... 44
9.6 – Conceitos Básicos de Planos de Amostragem.............................................. 45
9.7 – Princípios Básicos da Amostragem............................................................... 46
9.8 – Procedimento de Amostragem....................................................................... 46
9.8.1 – Amostra Probabilística................................................................................ 46
9.8.2 – Amostra Não- Probabilística ...................................................................... 47
9.9 – Fórmula de Calculo do Tamanho da Amostra............................................... 47
9.10 – Unidade de Amostragem............................................................................. 48
10 – RESULTADOS............................................................................................... 49
11 – CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................... 51
REFERÊNCIAS....................................................................................................... 52
ANEXOS................................................................................................................. 54
Anexo 01 – Há quanto tempo planta arroz?........................................................... 55
6
Anexo 02 – Quantos sacos de arroz produziu na última safra 2003/2004?........... 56
Anexo 03 – Quantos hectares de terras possui?.................................................... 57
Anexo 04 – Quantos hectares de terras planta com arroz? .................................. 58
Anexo 05 – Estas terras são: ................................................................................. 59
Anexo 06 – Quantos hectares de terras são arrendadas?..................................... 60
Anexo 07 – Possui máquinas agrícolas? .............................................................. 61
Anexo 08 – Que tipo? ............................................................................................ 62
Anexo 09 – Para quem vende seu arroz? .............................................................. 63
Anexo 10 – Sempre vendeu para este (s) comprador (es)?................................... 64
Anexo 11 – Quais as razoes na escolha do comprador?....................................... 65
Anexo 12 – Seu arroz é vendido na safra ou depositado?..................................... 66
Anexo 13 – De que forma vende seu arroz? ......................................................... 67
Anexo 14 – Recebe alguma orientação técnica? .................................................. 68
Anexo 15 – De quem? ........................................................................................... 69
Anexo 16 – Que outras culturas/ atividades econômicas desenvolve?.................. 70
Anexo 17 – De quem compra as sementes?.......................................................... 71
Anexo 18 – Como transporta os grãos da lavoura? .............................................. 72
Anexo 19 – Por que escolheu o arroz como fonte de renda?................................. 73
Anexo 20 – Além do arroz existe outra fonte de renda na família?........................ 74
Anexo 21 – Alguém da família trabalha fora da atividade agrícola?....................... 75
Anexo 22 – Qual o valor de sua renda familiar mensal?........................................ 76
Anexo 23 – Você faz aplicação financeira? ........................................................... 77
Anexo 24 – Você faz financiamento tipo custeio, investimentos...?....................... 78
Anexo 25 – Grau de escolaridade (produtor entrevistado)?................................... 79
Anexo 26 – Alguém da família estuda? ................................................................. 80
7
Anexo 27 – Qual curso? ......................................................................................... 81
Anexo 28 – Qual a formação da esposa? .............................................................. 82
Anexo 29 – Idade (produtor entrevistado)? ........................................................... 83
Anexo 30 – Quantas pessoas compõem sua família?............................................ 84
Anexo 31 – Questionário, Pesquisa de Campo...................................................... 85
8
LISTA DE ABREVIATURAS
IBGE
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
CONAB
Companhia Nacional de Abastecimento
EPAGRI
Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de SC
SECEX
Sistema de Informações sobre Comércio Exterior
FAO
Food and Agriculture Organization
AMESC
Associação de Municípios do Extremo Sul Catarinense
RH
Recursos Humanos
PA
Progressão Aritmética
MERCOSUL
Mercado Comum do Sul
ACARESC
Associação de Credito e Assistência Rural do Estado de SC
9
LISTAS DE TABELAS
Tabela 1 – Informações Gerais .............................................................................. 18
Tabela 2 – Estabelecimentos Agrícolas.................................................................. 18
Tabela 3 – Condição de Produtor........................................................................... 19
Tabela 4 – Utilização das terras.............................................................................. 19
Tabela 5 – Situação da Produção Vegetal safra 2003/2004.................................. 20
Tabela 6 – Situação da Produção Animal 2003/2004............................................. 21
Tabela 7 – Empreendimentos Rurais de Pequeno Porte....................................... 22
Tabela 8 – Produção de arroz no Brasil.................................................................. 28
Tabela 9 – Principais produtores de arroz no Brasil X Produção........................... 30
Tabela 10 – Volume de arroz importado em relação à produção........................... 31
Tabela 11 – Importações brasileiras de arroz em casca por país de origem......... 32
Tabela 12 – Importações brasileiras de arroz beneficiado por pais de origem...... 32
Tabela 13 – Produção de arroz no mundo............................................................. 37
Tabela 14 – Consumo de arroz no mundo.............................................................. 38
Tabela 15 – Principais Produtores Mundiais........................................................... 38
Tabela 16 – Oferta e demanda Mundial.................................................................. 39
Tabela 17 – Progressão Aritimetrica ...................................................................... 42
10
1. INTRODUÇÃO
Atenta e sensível aos processos de globalização e transformação pelas
quais todas as grandes instituições estão passando, a Cereais Realengo vêm
desenvolvendo estratégias com objetivo de manter-se como uma das principais
indústrias do ramo rizicultor da região quanto à capacidade de armazenagem.
Frente à situação mercadológica atual, conhecer profundamente seus
clientes e fornecedores é fato crucial a toda e qualquer empresa. Daí a preocupação
e interesse em buscar cada vez mais dados e informações que enriqueça a
confiança e o parcerismo com o produtor rizicultor. No entanto a Cereais Realengo
sai a frente pesquisando as necessidades, valores e interesses que cultivados de
sua maneira, permitirão a manutenção e a ampliação da atual fatia de mercado hoje
pertencente à empresa, fatia esta, que descuidada corre o risco de diminuir frente às
investidas dos novos concorrentes, o que vem crescendo constantemente.
Além da preocupação com o produtor a empresa vem demonstrando nos
últimos anos, grande interesse também com seus clientes internos. Com auxilio da
área de Recursos Humanos, vem desenvolvendo uma série de projetos que apóiam
no desenvolvimento profissional e pessoal de seus colaboradores.
Programas em parceria com órgãos públicos e instituições de ensino que
busca a educação e especialização dos empregados tem propiciado ações como
este trabalho, portanto, esta é uma parte do processo, construída com o
desenvolvimento e aplicação de uma pesquisa a ser aplicada junto aos os
produtores de arroz, no intuito de identificar os motivadores da satisfação e
fidelização daqueles que usufruem os serviços de armazenagem da empresa.
11
Nessa nova empreitada, destaca-se a preocupação em primar pela
segurança e rapidez em todas as fases no processo. Busca assim este trabalho
dados concretos que auxiliem e orientem a tomada de decisão na empresa quanto à
viabilidade de investimento em treinamentos com seus clientes e fornecedores.
1.1 Objetivo de Pesquisa
Diagnosticar se existe ou não necessidade de oferecer curso, treinamento
ou capacitação aos produtores de arroz da região de Turvo.
12
2. CARACTERIZAÇÃO DA EMPRESA
2.1 Histórico da Empresa
Juntando a experiência de Oracídio Olivo (pai) e a juventude de Abel Olivo
Neto (filho), este recém formado em Técnico de Contabilidade, no dia 1º de fevereiro
de 1982 fundaram a empresa Comercio de Cereais Olivo Ltda. Localizada no
município de Turvo, extremo sul de Santa Catarina, dando início ao ramo de
beneficiamento e comercialização de arroz, produzia 50 sacas de arroz por semana
e sua comercialização era restrita à região.
Iniciava-se a implantação do PROVARZEAS na região pela então
ACARESC com a promessa de duplicar e até triplicar a produção de arroz irrigado,
hoje confirmada.
O
sinalizador foi
perfeitamente assimilado pelos sócios
empreendedores, conforme palavras do proprietário Abel Olivo Neto: “ao longo
destes anos temos dedicado muito carinho e amor ao beneficiamento de arroz”.
A falta prematura do sócio Oracídio Olivo (pai), 1993, não alterou os
planos da empresa que através do sócio remanescente passou a denominar-se
CEREAIS REALENGO LTDA, nome originário do morro Realengo situado em Morro
Grande, sua terra natal.
A empresa sempre investiu em novas e modernas tecnologias e na
capacitação de sua equipe, tem seu processo produtivo todo automatizado e a parte
logística realizada com frota própria com isto vem conseguindo ao longo dos anos
ter sempre um produto de excelente qualidade, ampliando mercados e conquistando
hoje todo o Brasil.
13
Demonstrando seu grande apego ao cereal ARROZ, seu principal
negócio, a opção de investimento sempre foi à compra de terras que permitissem a
implantação
da
rizicultura
irrigada.
Foi
criada
então
a
REALENGO
AGROINDUSTRIAL LTDA voltada ao plantio de arroz irrigado que, igualmente, vem
se destacando, pois sempre atenta a tecnologias de ponta e fazendo parceria com a
EPAGRI (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina)
a empresa vem atingindo média extraordinária de produtividade no cultivo de arroz.
2.2 Missão da Empresa
Produzir arroz que supere a expectativa do consumidor, gerando retorno
para a comunidade, os colaboradores e acionistas.
2.3 Princípios da Empresa
•
Crescimento com segurança e solidez
14
Uma empresa cresce de forma segura e consistente quando há o envolvimento de
todos os seus colaboradores, uma definição clara das suas estratégias empresariais
e constante planejamento e avaliação de suas ações em busca de objetivos
comuns. Você só pode desempenhar bem sua função se souber o que, porque,
como e quando fazer. Não fique com dúvidas e seja humilde para reconhecer suas
limitações. Peça auxílio. Só assim poderemos crescer sem comprometer nossa
estabilidade, assegurando o contínuo retorno financeiro.
•
Qualidade no que se faz
Qualidade é indispensável à sobrevivência de uma empresa. Cada um de nós deve
exercer sua função de forma ética, responsável, comprometida com o cliente e os
resultados da empresa, respeitando o meio ambiente. Haja com transparência para
que suas ações possam ser valorizadas quando corretas e corrigidas imediatamente
quando inadequadas, reduzindo desperdícios e retrabalhos. Tenha senso de
urgência, coloque em prática seu plano de ação, não deixe para depois aquilo que
você pode fazer agora.
•
Atendimento diferenciado
Nós somos responsáveis pela imagem da empresa perante nossos clientes e
fornecedores, bem como nossos colaboradores internos. Esperamos que você
coloque-se no lugar de quem está sendo atendido, conheça e respeite suas
necessidades tratando-o de forma diferenciada. Desperte em cada um de seus
colegas o prazer de poder servir. Sinta orgulho de sua profissão e estimule o orgulho
em seus colaboradores. Faça da Realengo um lugar especial.
•
Valorização das pessoas
O maior patrimônio da empresa é o seu capital humano. Incentivamos a contínua
qualificação
dos
nossos
colaboradores.
Aproveite
as
oportunidades
de
15
desenvolvimento que lhe são oferecidas e crie novas oportunidades para seu
contínuo aperfeiçoamento. Confie em si mesmo, valorize-se, assim você estará
valorizando nossa empresa.
•
Gestão participativa
Uma empresa nasce, cresce e se sustenta através do esforço coletivo. Participe,
integre-se, queremos ouvi-lo, auxilie nossa empresa a crescer, dê novas idéias e
sugestões de melhorias. Colabore.
•
Abertura a novas tecnologias e processos
Uma empresa só sobrevive quando é capaz de adaptar-se as constantes
modificações de mercado. Flexibilidade é a palavra chave. Seja você também
flexível em seus posicionamentos e pensamentos, só conseguiremos acompanhar a
evolução do mercado se cada um de nós colocar-se aberto à aprendizagem de
novas tecnologias e processos. Nossa empresa é o resultado das atitudes de cada
um de nossos colaboradores. Apostamos em você.
16
3. MUNICÍPIO E REGIÃO
3.1 A história de Turvo
A colonização de Turvo teve início com duas famílias imigrantes italianas
Rovaris e Ghizzo, que conseguiram do Governo do Estado grandes extensões de
terras devolutas, como pagamento de seus serviços na abertura de estradas para o
estado. Em 1912, foram chegando mais familiares comprando terras, desmando e
fazendo as primeiras plantações.
Em sociedade com os próprios parentes montaram um engenho de farinha
e uma serraria, um atrativo que conseguiu atrair mais colonos para a vizinhança.
Em 1930, Turvo foi elevado à categoria de distrito do município de
Araranguá, teve sua sede elevada à categoria de vila pelo decreto Lei Estadual nº
86, de 31 de março de 1938.
O município de Turvo foi criado em fins de 1948, e em 20 de março de
1949, foi solenemente instalado.
Apenas seis anos após a criação do município, a 10 de dezembro de
1954, Turvo passou a ser a Segunda Comarca do Vale do Araranguá, dela fazem
parte os municípios de Meleiro, Jacinto Machado, Timbé do Sul e Morro Grande e
Ermo.
Os moradores de Turvo são chamados de “Turvenses”, sendo a maioria
de origem italiana conservando as tradições que trouxeram de seus antepassados.
17
4. CARACTERIZAÇÃO DO MUNICÍPIO
4.1 Aspectos gerais
O Município de Turvo possui uma área de 234,7 km2, situado na região
litoral sul catarinense, integrando a AMESC, que é composta por 15 municípios:
Turvo, Araranguá, Meleiro, Ermo, Jacinto Machado, Timbé do Sul, Maracajá, Morro
Grande, Balneário Arroio do Silva, Balneário Gaivota, Sombrio, Santa Rosa do Sul,
Passo de Torres, São João do Sul, Praia Grande.
4.1.1 População
Sua população é de 10.890 habitantes (IBGE – 2000), sendo 5.252 (50 %)
no meio rural e 5.638 (50%) no meio urbano, com uma densidade demográfica de
46,53 habitantes/km2.
4.1.2 Limites
Ao norte com os municípios de Meleiro e Morro Grande;
Ao sul com os municípios de Ermo e Jacinto Machado;
Ao leste com o município de Araranguá;
Ao oeste com o município de Timbé do Sul.
18
4.1.3 Clima
O clima é mesotérmico úmido, com verões quentes, apresentando uma
temperatura média anual de 19 a 20º C e uma precipitação total anual de 1.800 mm.
4.1.4 Solo
Os solos no município em sua maioria classificam-se segundo a
classificação universal em:
-
Cambissolo Distrófico e Eutrófico: Solos jovens de boa formação química,
com + 70 cm de espessura, com boas aptidões para milho, fumo, arroz e
moranga;
-
Gley pouco Húmico Distrófico e Eutrófico: Solo argilosos na superfície e
arenoso a 80 cm de profundidade, com lençol freático superficial, aptos para a
cultura do arroz;
-
Podzólico Vermelho Amarelo: Originado do arenito, considerados solos
pobres. Ocorrem em áreas com relevo suave a ondulado. São arenosos na
superfície e cascalhentos a certa profundidade, utilizado para fumo, milho,
feijão e mandioca.
19
Tabela 1 - Informações gerais
Ano
2003
População residente/total
10.890
População urbana
5.638
População rural
5.252
Área geográfica (km2)
234
Número de distritos
01
Número de comunidades
20
Número de famílias rurais
1.409
Número de escolas rurais
07
Número de alunos
720
Densidade demográfica (hab/km2)
46,53
Fonte – Censo IBGE 2000
4.2 Estrutura Fundiária
O município é constituído de 20 comunidades rurais, caracterizados como
minifúndio, conforme quadro abaixo:
Tabela 2 - Estabelecimentos agrícolas
DIMENSÃO (ha)
ESTABELECIMENTO
ÁREA
N.º
%
Ha.
%
Menos de 10 hectares
429
39,58
2.169
10,27
Entre 10,1 e 20 hectares
286
26,38
3.952
18,73
Entre 20,1 a 50 hectares
288
26,57
8.784
41,63
Entre 50,1 e 100 hectares
67
6,18
4.303
20,39
20
+ de 100
14
1,29
1.896
8,98
TOTAL
1.084
100
21.104
100
Fonte – Censo Agropecuário 1995/1996
Tabela 3 - Condição de produtor
ESPECIFICAÇÃO
ESTABELECIMENTO
N.º
%
Proprietário
787
72,6
Arrendatário
245
22,6
Parceiro
34
3,13
Ocupante
18
1,67
TOTAL
1084
100
Fonte – Censo Agropecuário 1995/1996
Tabela 4 - Utilização das terras
CONDIÇÕES
ÁREA
Culturas
Hectare
%
Lavouras permanentes
270
1,21
Lavouras temporárias
14.870
66,32
Pousio/ capoeiras
650
2,90
Pastagens naturais
2.250
10,03
Matas e florestas nativas
1600
7,14
Florestas plantadas
480
2,15
Terras inaproveitáveis / benfeitorias e estradas
2.300
10,25
TOTAL
22.420
100
Fonte – EPAGRI
21
4.3 Produção agropecuária
71.250
42.750.000,00
74,60
Mata Natural
750
1.500
-
-
-
-
Milho
650
1.400
4,5
6.300
2.520.000,00
4,39
Pastagem natural 600
1.750
-
-
-
-
Pastagem perene 600
1.650
-
-
-
-
Fumo
550
1.300
2,10
2.730
10.010.000,00
17.47
Eucalipto (1)
250
450
8.400m3 -
378.000,00
0,66
Cana de açúcar
160
150
30,0
4.500
112.500,00
0,20
Feijão safrinha
150
200
1,0
200
216.600,00
0,38
Silagem
120
-
-
700
-
-
Pastagem anual
100
150
-
-
-
-
Mandioca
70
50
20,0
1.000
150.000,00
0,26
Feijão safra
50
35
0,9
31,5
34.125,00
0,05
Banana
40
320
8,0
2.560
832.000,00
1,45
Pinus (1)
15
80
1.000m3 -
110.000,00
0,19
Moranga
10
60
8,00
480
168.800,00
0,29
Citrus
5
10
15,0
150
22.500,00
0,04
Maracujá
2
3
12,00
36
13.200,00
0,02
TOTAL
-
6.290
-
-
57.307.725,00
100
Fonte – EPAGRI
(1)Produção em m cúbicos
%
Valor
Bruto total
7,5
(Ton.)
9.500
Produção
Rendimento
800
(Ton/ha)
Área (ha)
Arroz
Produto
Produtor N.º
Tabela 5 - Situação da produção vegetal safra ( 2003 / 2004)
22
%
Bruto Total
Valor
(1.000 Lt.)
Leite
(Ton.)
Carne
(Cab.)
Abatido
(Cab)1000
Rebanho
Produtor( N.º)
Descrição
Tabela 6 - SITUAÇÃO DA PRODUÇÃO ANIMAL (2003-2004)
Avicultura-corte
100
9.000
9.000
18.000
- 1.440.000,00
27,64
Avicult.-postura
09
78
-
1.872dz
- 1.260.000,00
24,19
Bovino de corte
650
4.180
400
90
Bovino de leite
120
1.450
-
-
Apicultura
20
150
-
-
-
3.000,00
0,05
Piscicultura
21 24,5 ha
-
65
-
100.750,00
1,93
Caprinos
70
300
-
-
90
180.000,00
3,45
Ovinos
10
120
-
-
-
-
-
Rizipiscicultura
07
12 ha
-
9
-
9.000,00
0,18
Suinocultura
06
6
6,5
340
-
748.000,00
14,35
-
-
-
-
- 5.210.000,00
100
TOTAL
-
342.000,00
6,57
2.505 1.127.250,00
21,64
Fonte – EPAGRI
4.4 Sistema de exploração e canais de comercialização
ARROZ IRRIGADO: Todo cultivo em áreas sistematizadas, semeadura realizada a
lanço com sementes pré-germinadas, colheita
mecanizada. A produção é
beneficiada através da Coopersulca, Cereais Realengo, Cerealista Ponte Alta,
Cerealista Agromaza e Cerealista Paladar, Arroz Olivo, entre outras da região sul.
FUMO: Sistema tradicional com plantio em camelhões, com muitos produtores
trabalhando com plantio direto e cultivo mínimo. A produção é comercializada
23
através das Empresas Fumageiras principalmente: Dimon, Souza Cruz, Universal e
Tabacos Brasileiros
MILHO: Sistema tradicional de cultivo mecanizado, gradagens e colheita
mecanizada. Alguns produtores com plantio direto, também com plantio pós-fumo. A
produção é comercializada via Coopersulca, principalmente a suinocultores da
região.
SUINOCULTURA: Exploração intensa, sendo que a maioria dos produtores, são
altamente especializados e a maioria são integrados com a SEARA alimentos.
BOVINOCULTURA DE LEITE: Produção com criação intensa e semi-intensa. A
produção é comercializada in-natura para indústrias e em forma de queijo para
compradores que levam para Porto Alegre e região.
Tabela 7 - EMPREENDIMENTOS RURAIS DE PEQUENO PORTE
ESPECIFICAÇÃO
Cerealistas
PRODUTO
N.º ESTAB.
VOLUME/ ANO
Arroz
06
203.700T
Cachaça
10
260.000 L
cana de açúcar
Açúcar e melado
06
27 T
Atafonas
Farinha de milho
03
38 T
Fábrica de polpa
Polpa de banana
01
245 T
Processamento de
cana de açúcar
Processamento de
Fonte - EPAGRI
24
5. ARROZ
5.1 História do Arroz
Diversos historiadores e cientistas apontam o sudeste da Ásia como o
local de origem do arroz. Na Índia, as províncias de Bengala e Assam, bem como
Mianmar, têm sido referidas como centros de origem dessa espécie.
Duas formas silvestres são apontadas na literatura como precursoras do
arroz cultivado: a espécie Oryza rufipogon, procedente da Ásia, originando a O.
sativa; e a Oryza barthii ( Oryza breviligulata), derivada da África Ocidental, dando
origem à O. glaberrima. O gênero Oryza é o mais rico e importante da tribo Oryzeae
e engloba cerca de 23 espécies, dispersas espontaneamente nas regiões tropicais
da Ásia, África e Américas.
A espécie O. sativa é considerada polifilética, resultante do cruzamento de
formas espontâneas variadas. Bem antes de qualquer evidência histórica, o arroz foi,
provavelmente, o principal alimento e a primeira planta cultivada na Ásia.
As mais antigas referências ao arroz são encontradas na literatura
chinesa, há cerca de 5.000 anos.
O uso do arroz é muito antigo na Índia, sendo citado em todas as
escrituras hindus. Certas diferenças entre as formas de arroz cultivadas na Índia e
sua classificação em grupos, de acordo com ciclo, exigência hídrica e valor nutritivo,
foram mencionadas cerca de 1.000 a.C.
25
Da Índia, essa cultura provavelmente estendeu-se à China e à Pérsia,
difundindo-se, mais tarde, para o sul e o leste, passando pelo Arquipélago Malaio, e
alcançando a Indonésia, em torno de 1500 A.C.
A cultura é muito antiga nas Filipinas e, no Japão, foi introduzida pelos
chineses cerca de 100 anos a.C. Até sua introdução pelos árabes no Delta do Nilo, o
arroz não era conhecido nos países Mediterrâneos. Os sarracenos levaram-no à
Espanha e os espanhóis, por sua vez, à Itália. Os turcos introduziram o arroz no
sudeste da Europa, donde alcançou os Balcans. Na Europa, o arroz começou a ser
cultivado nos séculos VII e VIII, com a entrada dos árabes na Península Ibérica.
Foram, provavelmente, os portugueses quem introduziram esse cereal na África
Ocidental, e os espanhóis, os responsáveis pela sua disseminação nas Américas.
Alguns autores apontam o Brasil como o primeiro país a cultivar esse
cereal no continente americano. O arroz era o "milho d'água" (abati-uaupé) que os
11 tupis, muito antes de conhecerem os portugueses, já colhiam nos alagados
próximos ao litoral. Consta que integrantes da expedição de Pedro Álvares Cabral,
após uma peregrinação por cerca de 5 km em solo brasileiro, traziam consigo
amostras de arroz, confirmando registros de Américo Vespúcio que trazem
referência a esse cereal em grandes áreas alagadas do Amazonas.
Em 1587, lavouras arrozeiras já ocupavam terras na Bahia e, por volta de
1745, no Maranhão. Em 1766, a Coroa Portuguesa autorizou a instalação da
primeira descascadora de arroz no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro. A prática da
orizicultura no Brasil, de forma organizada e racional, aconteceu em meados do
século XVIII e daquela época até a metade do século XIX, o país foi um grande
exportador de arroz.
26
5.2 Sistemas de Cultivo
O arroz no Brasil é cultivado em dois ecossistemas, terras altas e várzeas.
5.2.1 Ecossistema de Terras Altas
Este sistema desempenhou um papel de grande relevância na produção
de arroz sob o sistema de cultivo de sequeiro nas décadas de 60 e 80, em que a
cultura chegou a ocupar 4,5 milhões de hectares. Devido a sua rusticidade e
adaptação a solos ácidos, foi uma alternativa altamente satisfatória para o
desbravamento dos cerrados. Mas, desde a década de 80, em decorrência do alto
risco da exploração e da redução da área de fronteira agrícola, a área sob a cultura
no sistema de sequeiro vem decrescendo. Atualmente o arroz de terras altas é
raramente usado para abrir novas áreas.
Na região nordeste o arroz sob o ecossistema de terras altas também é
cultivado usando baixo nível de tecnologia por pequenos produtores que cultivam
para o autoconsumo. Para cada vez mais consolidar o arroz de terras altas,
pesquisas buscam desenvolver cultivares com aparência e características de grão
orientadas para a preferência do mercado, que privilegia grãos longo-finos,
translúcidos e com alto rendimento de inteiros.
27
5.2.2 Ecossistema de Várzeas
Predomina o sistema de cultivo com irrigação controlada, onde a cultura é
manejada sob alto nível tecnológico e apresenta rendimento médio aproximado de
5,5 t / ha e ocupa aproximadamente 1 milhão de hectares nas regiões de Santa
Catarina e Rio Grande do Sul. O sistema de produção convencional no Rio Grande
do Sul é altamente mecanizado. Em áreas sistematizadas, a semeadura feita em
solo seco e a água manejada na forma de banhos, até o início do perfilhamento,
quando entra definitivamente nas quadras. O sistema pré-geminado é o
predominante em Santa Catarina e vem ganhando relevância no Rio Grande do Sul
em função do cultivo mínimo.
5.3 Tipos de Arroz
Arroz parboilizado: O arroz com casca é molhado, passado pelo vapor e pressão, é
seco antes da moagem. Este procedimento gelatinisa o amido do grão e assegura
que os mesmos se separem quando cozidos.
Arroz integral: É todo grão de arroz desprovido de casca e que se mantém
coberto por sua capa.
Arroz aromático: Tem um aroma especial. Um exemplo deste tipo de arroz é o
Urumati de grão longo.
Branco de grão largo: É reconhecido no mercado internacional por sua altíssima
qualidade. É um grão longo e fino, é pelo menos 3 vezes mais longo que largo.
28
Branco de grão médio: É um grão mais curto e grosso que o arroz de grão longo e
tem uma textura suave.
Branco de grão curto: Sua forma é praticamente redonda.
5.4 Comercialização do Arroz
A negociação entre o comprador e o vendedor acontece de acordo com o
mercado vigente, e considerando fatores como: classe, tipo e principalmente pelo
rendimento (relação de inteiros e quebrados). Outros fatores como umidade e
impurezas quando acima do convencional (máximo 13,00% de umidade e máximo
2,00% de impureza) também são considerados. A determinação de todos os fatores
que constituem a formação do preço é feita a partir da coleta de uma amostra
representativa do lote que é colhido no silo, através de transilagem, ou da pilha com
coleta em diversos pontos. Com a prova de todos os itens já analisados, é
estabelecido um valor que será negociado entre as partes interessadas.
O preço reúne as decisões tomadas pela empresa, dando a elas um peso
numérico, que traduz as qualidades inerentes aos outros
composto de marketing. A mesma linha de raciocínio
consumidor, que detecta uma necessidade e deseja
qualidade de vida pela compra de um produto ou serviço.
PETERSON, 2003, p. 14).
elementos do
vale para o
melhorar sua
(CARLA apud
A Corretora Mercado quando entra na intermediação da negociação,
procede a coleta de amostra e indica, tanto ao comprador como ao vendedor, as
bases de preço do produto, levando em conta a qualidade e as condições de
mercado, afim de que o preço de compra ou de venda seja o mais justo para que
ambas as partes façam o melhor negócio.
29
6. O ARROZ NO BRASIL
Tabela 8 – Produção de Arroz no Brasil
ANO
ÁREA PLANTADA
PRODUÇÃO
PRODUTIVIDADE
(1.000 HA)
(1.000 T)
(KG / HA)
2002/03
3.172,10
10.427,70
3.347
2001/02
3.219,60
10.626,10
3.300
2000/01
3.250,30
10.386,00
3.195
1999/00
3.677,60
11.423,10
3.106
1998/99
3.845,20
11.582,20
3.012
Fonte: CONAB / IBGE
Para atender a demanda interna, com uma população de 169,59 milhões
de habitantes, mantendo-se os níveis atuais de consumo humano na faixa de 74
quilogramas / ano (FAO), considerando um rendimento de 70% de arroz elaborado,
o Brasil que é considerado um dos maiores consumidores ocidentais do cereal, com
um consumo anual de 11,7 milhões de toneladas por ano, precisaria produzir cerca
de 15,2 milhões de toneladas de arroz em casca por ano, somente para atendimento
do mercado interno.
Observa-se que a produtividade aumentou em 11% mesmo com a
redução de aproximadamente 18% entre 1998 e 2003 da área plantada de arroz
sequeiro e a produção brasileira ter reduzido em 10% durante este período. Esta
evolução na produtividade é resultado das novas tecnologias de produção e do
lançamento de outras variedades superiores que ocorrem principalmente no maior
produtor nacional, Rio Grande do Sul. Mesmo com incremento na produtividade, o
30
Brasil ainda não consegue atingir a auto-suficiência no abastecimento do arroz para
alimentação da população. Como conseqüência, o Brasil torna-se obrigado a
recorrer ao mercado externo. Porém, este tipo de política nem sempre beneficia o
mercado brasileiro, pois sob o ponto de vista econômico, essas compras são
efetuadas nos meses em que o mercado externo oferece menores cotações e, na
maioria das vezes prejudica os interesses dos produtores e dos comerciantes
atacadistas que possuem estoques, influenciando no nível de produção da próxima
safra. Outra medida adotada para suprir esta necessidade, evitando o aumento dos
preços no mercado interno, é a intervenção de políticas governamentais que
submetem o mercado rizicultor brasileiro às importações dos países membros do
Mercosul com a finalidade de abastecer o mercado doméstico e reduzir ou manter os
preços internos.
Com advento do Mercosul, os países membros do bloco tiveram a
oportunidade de colocar o seu arroz no mercado brasileiro sem a cobrança de
tarifas, causando dificuldades ainda maiores ao setor produtivo do arroz. Tanto o
Uruguai quanto à Argentina, tem um consumo de arroz muito baixo e a maior parte
da sua produção é direcionada ao mercado internacional.
31
Tabela 9 – Principais estados produtores de arroz no Brasil X Produção
(Em mil Toneladas)
ESTADOS
SAFRA 2002/03
SAFRA 2001/02
RS
4.696,40
5.464,80
SC
1.043,30
929,30
MG
191,60
210,50
GO
221,80
216,00
MT
1.289,60
1.215,70
MS
237,60
218,10
TO
425,20
371,20
MA
746,70
624,00
TOTAL
9.519,53
10.250,10
Fonte: CONAB
Conforme demonstra as tabelas acima, a produção brasileira de arroz
concentra-se em oito estados. No entanto, a maior parte da produção nacional, está
concentrada na região sul que representa 50% do volume produzido, com destaque
para o Rio Grande do Sul que representa 42%, onde se destaca a produção de arroz
irrigado (várzeas). O Centro-Oeste responde por 14% e o Norte por 10% da
produção total, predominando o cultivo de arroz sequeiro (terras altas).
Os hábitos de consumo são bastante associados a fatores culturais e
socioeconômicos, por isso a preferência dos consumidores varia em função das
regiões e níveis salariais. Em relação aos salários, observa-se que à medida que
aumenta o poder de consumo da população, torna-se maior a preferência por
produtos mais elaborados, diminuindo o consumo do cereal. O arroz é
32
comercializado na quase totalidade no estado natural, passando apenas por um
processo de beneficiamento para perder a casca.
Tabela 10 – Volume de arroz importado em relação à produção
(Em mil toneladas)
ANO
IMPORTAÇÃO
PRODUÇÃO
IMPOR/PROD
2002/03
1.500,00
10.427,70
14,30
2001/02
780,20
10.626,10
7,30
2000/01
1.023,60
10.386,00
9,80
1999/00
1.008,30
11.423,10
8,80
1998/99
1.397,50
11.582,20
12,00
1997/98
2.013,60
8.462,90
23,70
Fonte: Importação: CONAB; Produção: IBGE / CONAB.
Na safra de 97/98, em função de uma redução na produção nacional, os
estoques foram praticamente esgotados para atender as necessidades de consumo
da população. Como já havia sido registrada uma série de anos poucos produtivos,
no ano de 98 (início do estudo), foi inevitável a importação de um dos mais
expressivos volumes de arroz, atingindo 2.013,6 milhões de toneladas.
33
Tabela 11 – Importações brasileiras de arroz em casca por país de origem.
(Em mil toneladas)
Países de Origem
Safra
1999
Safra
2000
Safra
2001
Safra
2002
Jan-Ago
2003
Argentina
316.468
175.776
177.798
121.783
25.216
EUA
218.056
74
-
6.523
184.829
11.890
7.797
1.082
30.022
84.998
112.557
5
1
Paraguai
1.685
Uruguai
100.231
Outros
1.137
TOTAL
637.577
24.351
5
200.206
219.715
221.102
323.683
Fonte: SECEX
Conforme o gráfico a acima os principais fornecedores de arroz em casca
para o Brasil são os países do Mercosul e os Estados Unidos. Os Estados Unidos
destaca-se nas importações brasileiras de arroz em casca, com grande parte de sua
produção direcionada ao mercado externo (50%) e beneficiado pela proximidade e
possibilidade de colocar o seu produto no mercado brasileiro sem cobrança de
tributos.
34
Tabela 12 – Importações brasileiras de arroz beneficiado por país origem.
(Em mil toneladas)
Países de
Safra
Safra
Safra
Safra
Jan-Ago
Origem
1999
2000
2001
2002
2003
Argentina
199.534
85.216
65.2145
57.842
61.996
2.703
1.925
612
320
1.651
EUA
China
-
19.938
-
-
-
Paraguai
-
-
2.970
2.079
945
54
53
53
61
Tailândia
8.009
Uruguai
333.031
417.671
475.892
346.755
239.175
Vietnã
22.475
1.320
-
-
-
Outros
303
978
457
452
892
STOTAL
566.055
527.102
545.198
407.501
304.720
Fonte: SECEX
As importações de arroz beneficiado apresentam maior diversificação em
relação aos paises, em comparação as importações do arroz em casca e os paises
produtores da Ásia surgem com maior importância.
35
7. ATUALIDADES MERCADO RIZICULTOR
A comercialização do arroz da safra 2003/2004 passa por uma queda de
preços acentuada em relação à safra 2002/2003. Tivemos dois momentos distintos:
o primeiro momento foi na colheita (março a maio) quando os preços mantiveram-se
em R$34,00 e o segundo momento a partir de junho quando entrou em queda brutal
estando hoje em plena entressafra sendo comercializado a R$ 23,00 a saca de 50
kg, ficando com R$13,00 a menos por saco comparativamente ao preço praticado na
safra passada na mesma época.
A excelente colheita do produto em todo o país, em especial no Rio
Grande do Sul que representa de 40 a 60% da produção de arroz colhida no Brasil,
as importações da Argentina e Uruguai, a baixa cotação do dólar e a estabilização
do consumo são os principais fatores que levaram a tal situação. As perspectivas de
uma nova grande colheita na safra (2004/2005) em fase de plantio preocupa os
rizicultores que vêem uma estabilização dos preços em baixa.
Em nossa região a colheita foi excelente, onde temos uma das mais altas
rentabilidades do mundo (9.000 kg por hectare plantado). O ciclone Catarina
ocorrido no sul de Santa Catarina e Nordeste do Rio Grande do Sul representou
uma perda de no máximo 15% em níveis regionais, pois, já estavam colhidas mais
de 40% da safra. Número este que é insignificante diante total colhido em todo o
país.
A criação da CAMARA SETORIAL DA CADEIA PRODUTIVA DO ARROZ
foi a grande ação tomada pelos rizicultores e governo no sentido de estabelecer e
36
buscar definições de políticas voltadas à pesquisa, produção, beneficiamento,
comercialização e consumo do arroz.
7.1 Mudanças
A simples existência de uma empresa pressupõe que ela tenha um
mercado, um produto ou um serviço a oferecer e, é claro, meios de produzir e
transformar suas atividades em lucros e novos investimentos. Em qualquer instante,
são as características que definem a empresa: o que faz, pra quem faz, quanto faz.
A administração tornou-se tão importante quanto o próprio trabalho a ser
executado, conforme este se foi especializando e a escala de operações
crescendo assustadamente. A Administração não é um fim em si mesma,
mas um meio de fazer com que as coisas sejam realizadas da melhor
forma possível, com o menor custo e com a maior eficiência e eficácia.
(CHIAVENATO, 1999, p. 10)
Conforme Kotler (1993, p. 60) durante o último século, as empresas eram
na maioria pequenas e conheciam bem seus consumidores. Os gerentes coletavam
informações de marketing convivendo com as pessoas, observando-as e fazendo
perguntas.
Percebe-se que as coisas mudaram e estão mudando, ao longo do tempo,
sobreviver e prosperar significa adaptar e mudar. O que há de diferente neste inicio
de milênio é que o tempo encurtou. Mudanças que apareciam em gerações agora
surgem de um ano para outro, de um mês para outro, algumas até do dia pra noite.
São tantas mudanças e inovações principalmente tecnológicas que nem toda
empresa consegue acompanhar esse ritmo, algumas vão perdendo forças e saindo
do mercado.
37
Na agricultora não é diferente. No inicio desta jornada secular, bastava
saber trabalhar na terra, cuidar das plantas e colher os frutos do trabalho. Com o
passar do tempo e a adoção de novas práticas culturais, a margem de lucro diminuiu
e o agricultor teve também de se preocupar com a venda do seu produto, sob pena
de não ter retorno sobre o trabalho desenvolvido.
38
8. O ARROZ NO MUNDO
Os principais países produtores de arroz encontram-se no sul do
continente asiático e norte da Oceania. Nessas regiões também se encontram os
maiores consumidores do cereal a nível mundial. A China ocupa a posição de
principal produtor mundial, com uma produção de aproximadamente 120,0 milhões
de toneladas. Em segundo lugar com 91,0 milhões de toneladas está a Índia e na
seqüência, vem a Indonésia com uma produção de 33,3 milhões de toneladas de
arroz. O Brasil, que é considerado o principal produtor fora do continente asiático,
ocupando
a
posição
de
9º
maior
produtor
mundial
de
arroz,
produz
aproximadamente 11 milhões de toneladas. Na tabela abaixo, observa-se a
evolução da produção de arroz no mundo.
Tabela 13- Produção de arroz no mundo. (Em milhões de toneladas)
Fonte: CONAB
SAFRA
PRODUÇÃO
2003/04
390,50
2002/03
379,90
2001/02
398,60
2000/01
397,90
1999/00
408,70
1998/99
394,40
39
Tabela 14 - Consumo de arroz no mundo. (Em milhões de toneladas)
SAFRA
CONSUMO
2003/04
412,30
2002/03
409,00
2001/02
410,70
2000/01
395,70
1999/00
398,50
1998/99
387,10
Fonte: CONAB
Nos últimos anos o consumo apresentou um crescimento muito elevado, e
mesmo com o volume mundial de produção em ascensão, não está sendo suficiente
para atender tanta demanda. Os maiores consumidores de arroz no mundo são a
China com 134,8 milhões de toneladas, a Índia com 83,9 milhões de toneladas, a
Indonésia com 36,8 milhões de toneladas e o Vietnam com 17,6 milhões de
toneladas.
Tabela 15 - Principais produtores mundiais. (Em milhões de toneladas)
PAIS
2003
2002
2001
2000
1999
1998
China
120
122,2
181.515
189.814
200.403
200.572
Índia
91
77
131.900
129.444
134.213
129.115
33,3
33,2
50.096
51.898
50.866
49.237
21
21,1
31.925
32.530
31.394
29.146
26,5
26
39.112
37.442
34.427
29.709
Indonésia
Vietnam
Bangladesh
Fonte: FAO
40
Produção
Importação
Suprimento
Consumo
Exportação
Estoque
128,30
394,40
24,90
547,60
387,10
24,90
135,50
1999/00
135,50
408,70
22,90
567,00
398,50
22,90
145,60
2000/01
145,60
397,90
24,40
568,00
395,70
24,40
147,90
2001/02
147,90
398,60
27,90
574,40
410,70
27,90
135,80
2002/03
135,80
379,90
27,20
542,80
409,00
27,20
106,60
2003/04
106,60
390,50
26,10
523,20
412,30
26,10
84,80
Final
Estoque
1998/99
Final
Safra
Tabela 16 - Oferta e demanda mundial (Em milhões de toneladas)
Fonte: CONAB
Observamos na tabela acima que na safra dos últimos 5 anos 98/99 a
02/03, o comércio internacional de arroz tem estado na faixa de 24,9 a 27,2 milhões
de toneladas. A produção mundial de arroz decresceu para 379,9 milhões de
toneladas na safra de 02/03, dos 394,4 milhões de toneladas registrados em 98/99,
demonstrando um declínio da produção de aproximadamente 14,5 milhões de
toneladas. O consumo mundial de arroz subiu para 409 milhões de toneladas
(02/03), dos 387,1 milhões de toneladas (98-99), demonstrando um crescimento no
consumo de aproximadamente 21,9 milhões de toneladas. Percebe-se, que o
consumo mundial de arroz ultrapassou a produção mundial, resultando em um
menor estoque mundial do cereal.
41
9. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
9.1 Técnicas de coleta de dados
•
Pesquisa de mercado utilizando questionário estruturado com
perguntas diretas, abertas e fechadas
•
Acompanhamento das atividades da empresa
•
Análise de relatórios do sistema de informação utilizado pela
•
Analise de relatórios fornecidos por órgãos de pesquisa do
empresa
município e da região
9.2 Tipo de Pesquisa
A pesquisa se caracteriza como sendo Exploratória com abordagem
Descritiva. Foi realizada pesquisa de campo, que consiste em coletar dados que
ajudem na resolução do problema levantado. A amostra do presente estudo será
baseado na carteira de produtores da Cereais Realengo.
O instrumento de coleta de dados será um questionário semi-estruturado,
composto por questões que venham a responder as dúvidas os objetivos propostos.
42
9.3 População e amostra
O universo total é de 2000 (dois mil) fornecedores, porém, a pesquisa foi
realizada com uma população de 800 (oitocentos), porque estes são parceiros
constantes. Consideramos como fornecedores, os proprietários de terras e
arrendatários que produzem e estocam seu produto com a Realengo.
Dessa população foi extraída uma amostragem de 62 (sessenta e dois)
fornecedores, ou seja, 5% do universo.
Utilizou-se uma margem de erro de 12%. Este percentual poderia ser
reduzido se aumentássemos o tamanho da amostra retirada da população.
Um
dos
fatores
que
determinou
o
tamanho
da
amostra,
e,
consequentemente, a margem de erro, foi o recurso “tempo disponível”. Porém,
considerando que a responsabilidade do trabalho seja da estagiária, do professor
orientador e do supervisor empresarial, os mesmos consideram esta margem de erro
satisfatória.
O tipo de amostra utilizado foi Probabilística, ou seja, foi utilizada uma
lista de nomes dos fornecedores e aplicado uma P.A. para a seleção para cada
membro da amostra.
Pegamos um relatório da empresa, com uma lista de fornecedores por
ordem alfabética e aplicamos a P. A. de l3. Na tabela abaixo segue o exemplo:
43
Tabela 17- Progressão Aritimétrica
1
13
14
157
13
170
313
13
326
469
13
482
638
13
651
14
13
27
170
13
183
326
13
339
482
13
495
651
13
664
27
13
40
183
13
196
339
13
352
495
13
508
664
13
677
40
13
53
196
13
209
352
13
365
508
13
521
677
13
690
53
13
66
209
13
222
365
13
378
521
13
534
690
13
703
66
13
79
222
13
235
378
13
391
534
13
547
703
13
716
79
13
92
235
13
248
391
13
404
547
13
560
716
13
729
92
13
105
248
13
261
404
13
417
560
13
573
729
13
742
105
13
118
261
13
274
417
13
430
573
13
586
742
13
755
118
13
131
274
13
287
430
13
443
586
13
599
755
13
768
131
13
144
287
13
300
443
13
456
599
13
612
768
13
781
144
13
157
300
13
313
456
13
469
612
13
625
781
13
794
625
13
638
794
6
800
9.4 Pesquisa de mercado
O projeto de pesquisa de marketing pode ter um dentre três tipos de
objetivos. Algumas vezes o objetivo é Exploratório - reunir informações preliminares
que ajudarão a definir o problema e sugerir hipóteses. Outras vezes, o objetivo é
Descritivo - descrever coisas tais como o potencial de mercado para um dado
produto ou os dados demográficos e as atitudes dos consumidores que compram
aquele produto. Algumas vezes, o objetivo é Causal - testar hipóteses sobre
relações de causa-e-efeito. Por exemplo, a redução de 10% na mensalidade de uma
escola particular resultaria em um aumento do número de matrículas suficiente para
compensar essa redução? A administração deve começar com uma pesquisa
exploratória para, em seguida, utilizar uma pesquisa descritiva ou causal.
Para atender as necessidades de informações das empresas, os
responsáveis pela pesquisa podem coletar dados secundários, dados primários ou
ambos.
44
Dados Secundários: consistem em informações que já existem em
algum lugar, tendo sido coletados para algum outro propósito.
Dados Primários: Consistem em informações coletadas para o propósito
específico em questão.
9.5 Plano de amostragem
Os responsáveis pela pesquisa de marketing geralmente tiram conclusões
sobre grandes grupos de consumidores estudando uma pequena amostra da
população total de consumidores. Uma amostra é um pequeno segmento da
população selecionado para representar o total da mesma. O ideal é que amostra
seja representativa, para que os pesquisadores possam fazer estimativas precisas
das idéias e do comportamento da população.
Definir a amostra exige três decisões. Primeiro: quem será entrevistado
(qual a unidade de amostragem)? Responder a esta questão não é tão fácil quanto
parece. Por exemplo, para estudar o processo de tomada de decisão de uma família
para a compra de um automóvel, o pesquisador deveria entrevistar o marido, a
mulher, outros membros da família, o revendedor ou todos estes? O pesquisador
deve determinar qual informação é necessária e quem tem mais condições de
fornecê-la.
Em segundo lugar, quantas pessoas devem ser entrevistadas (qual o
tamanho da amostra)? Amostras maiores proporcionam resultados mais confiáveis.
Contudo, não é necessário usar como amostra todo o mercado alvo ou mesmo uma
45
grande parcela do mesmo para se conseguir resultados confiáveis. Quando bem
definida, uma amostra de menos de 1% da população pode ser bem confiável.
Terceiro: como as pessoas irão compor a amostra devem ser escolhidas
(qual o procedimento da amostragem)? Para se obter uma amostra representativa,
os responsáveis pela pesquisa devem utilizar um dos três tipos de amostras
probabilísticas – amostra aleatória simples, amostra aleatória estratificada ou
amostra por conglomerado. Mas quando essa amostra revela-se demasiadamente
onerosa ou demanda muito tempo, os responsáveis pela pesquisa de marketing
escolhem amostras não-probabilísticas. Amostras não-probabilísticas podem ser
úteis em muitas situações, ainda que o erro na amostragem não possa ser
mensurado. Estas várias formas de definição de amostras tem diferentes custos e
limitações de tempo, bem como precisão e propriedades estatísticas diversas. A
escolha do método mais apropriado dependerá das exigências do projeto de
pesquisa.
9.6 Conceitos básicos de planos de amostragem
UNIVERSO - É todo o público alvo. Ex: todos os consumidores de
bebidas alcoólicas residentes no Brasil, todos os motoristas que possuem
automóveis que circulam em uma determinada cidade ou todos os estudantes do
curso de administração de uma determinada universidade.
AMOSTRA – Uma parte do universo que deverá representá-lo. Ex.
500.000 dos 50.000.000 pessoas consumidoras de bebidas alcoólicas residentes no
Brasil.
46
9.7 Princípios básicos da amostragem
Princípio da Probabilidade - Existe uma probabilidade definida de que a
amostra seja representativa do universo.
Princípio da casualidade - Todos os elementos componentes do
universo tem a mesma possibilidade de serem selecionados (sorteados).
Lei dos grandes números - Os resultados falsos serão compensados.
9.8 Procedimento de amostragem
9.8.1 Amostra Probabilística: Utilização de listas e sorteios com a mesma
probabilidade de seleção para cada membro da população.
a) Amostra Aleatória Simples: Todos os membros da população tem
uma chance igual e conhecida de seleção.
b) Amostra Aleatória Estratificada: A população é dividida em grupos
mutuamente exclusivos (tais como os grupos etários). Retiram-se amostras
aleatórias de cada um desses grupos.
c) Amostra Por Conglomerado: A população é dividida em grupos
mutuamente exclusivos (tais como por quarteirões). O pesquisador retira uma
amostra dos grupos para a entrevista.
47
9.8.2 Amostra não-probabilística
a) Amostra por Conveniência: O pesquisador seleciona os membros da
população dos quais é mais fácil obter informações.
b) Amostra por Julgamento: O pesquisador utiliza seu julgamento para
selecionar os membros da população que apresentam boas perspectivas de fornecer
informações precisas.
c) Amostra por Quotas: O pesquisador encontra e entrevista um número
predeterminado de pessoas em cada uma das várias categorias.
9.9 Fórmula de cálculo do tamanho da amostra
n
2
(1,96) . N
=
(1,96)2 + (l2.(N-1))
n = Tamanho da Amostra
N = Tamanho do Universo
l = Amplitude do Intervalo ou margem
de erro da pesquisa
Representatividade - (em relação as características do universo
pesquisado) A amostra reproduz as características do universo com uma
probabilidade de 95%, amostra ao nível de significância 0,05.
Homogeneidade - (em relação as opiniões expressas) As opiniões
dividem-se em partes iguais (p=50% / q=50%).
Precisão - (em relação aos resultados obtidos) É o intervalo em torno do
qual a verdadeira resposta deve se situar normalmente em torno de 2% (o que
corresponde à amplitude de 4%).
48
9.10 Unidade de amostragem
Corresponde a definição de quem será entrevistado
49
10. RESULTADOS
A preocupação com seus fornecedores que depositam (armazenam) arroz
nos silos da empresa e conseqüentemente faz a venda, levou-a pesquisar, levantar
informações de seus negócios e de sua família para um eventual trabalho com os
mesmos, no intuito de tê-los como parceiros para sempre, e que os mesmos
consigam permanecer no mercado junto com a empresa.
Nossos fornecedores são agricultores com a faixa etária madura conforme
mostra o gráfico 29, 39% dos entrevistados tem até 70 anos, 53 % tem até 50 anos e
apenas 8% possui até 30 anos de idade. De famílias pequenas, o gráfico 30
demonstra que 74% de sua família é composta de até 5 pessoas, geralmente o
casal mais três filhos. Ouso em dizer famílias pequenas comparando com as famílias
de antigamente, que cada casal possuía de 10 a 20 filhos conforme contam meus
pais e alguns entrevistados. O principal motivo por essa mudança se deu em virtude
da conscientização econômica, que além da introdução das máquinas agrícolas
tratores, colheitadeiras entre outras conforme o gráfico 7 e 8, percebeu-se que para
o futuro de seus filhos não haveria terras o suficiente. Para uma família de 10 filhos
que possua 30 hectares de terras, por exemplo, o pai deixaria somente três hectares
para cada filho, isso complicaria na divisão das terras com o passar das gerações.
No gráfico 20 percebe-se que em 53% dos casos, existe outra fonte de
renda na família e 47% sobrevivem somente do plantio de arroz. Apenas em 40%
das pessoas entrevistadas tem alguém que trabalham fora da atividade agrícola e
60% trabalham somente com a rizicultura (gráfico 21).
O gráfico 14 demonstra que 89% dos entrevistados recebem algum tipo de
orientação técnica, 68% de empresas especializadas, 27% de órgãos públicos e
50
27% do comprador (gráfico 15). Na pesquisa realizada não foi questionado se os
produtores recebem orientação de gestão, somente técnica, porém, percebeu-se
que a grande maioria não tem este tipo de orientação e informação.
No gráfico 22 que demonstra o valor da renda familiar, percebeu-se que
eles têm uma renda baixa, ou seja, ganham até R$ 3.000,00 por mês sendo assim,
como dependem praticamente de uma só fonte de renda estes agricultores deveriam
estar bem preparados e especializados para sobreviver no mercado. Já que no
gráfico 25 demonstra que 90% dos pesquisados estudaram somente até a 4ª série, o
ensino fundamental, valendo ressaltar que durante a entrevista notou-se que destes
90% muita gente não havia nem concluído o ensino fundamental. Outro dado de
grande relevância é o que mostra no gráfico 28 onde 81% das mulheres as esposas,
da mesma forma que os homens os maridos, estudaram somente até a 4ª serie, o
ensino fundamental. Isso é preocupante, penso que a mulher deste ramo é quem
cuida da casa, dos afazeres domésticos e das crianças seus filhos, no entanto, é ela
a principal responsável na educação e o processo cultural das crianças. Isso
compromete em médio prazo o avanço no setor. Porém o gráfico 26 mostra uma
tendência animadora, está havendo uma evolução quanto à escolaridade, em 60%
dos casos, tem alguém na família que estuda e destes 60% de estudantes, 47%
estudaram até o ensino fundamenta, 19% até o ensino médio, 2º grau e 34 % até o
3º grau, estão cursando uma faculdade conforme mostra o gráfico 27.
51
11. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Diante de todas as informações da pesquisa realizada, é notável a
carência dos agricultores da região na área administrativa, inclusive as esposas que
tem uma alta autonomia nos negócios, que respondem na ausência do marido e
educa os filhos.
Percebe-se que neste setor há um campo a ser explorado, a empresa que
quiser aumentar o parceirismo e o vínculo com o produtor, conseqüentemente
aumentando o seu lucro poderia estar investindo/propiciando treinamentos em
parceria tanto ao produtor e filhos como para as esposas.
O próprio RH da empresa pode estar ajudando a desenvolver projetos e
trabalhos para eles. Existem também, alguns convênios com empresas públicas e
privadas que dispõem deste tipo de serviço, algumas até gratuitamente. Desta forma
todos saem ganhando tanto a empresa quanto o agricultor.
Vale ressaltar que nem todos os dados da pesquisa são um trabalho
acadêmico, serve como dados da empresa também, podendo ajudar em seu
planejamento estratégico e nas tomadas de decisões.
52
REFERÊNCIAS
AMATO, Gilberto Wageck et al. Arroz Parboilizado: Tecnologia Limpa, Produto
Nobre. Porto Alegre: Ricardo Lenz, 2002. 236 p.
ASOCIACIÓN Cultivadores de Arroz. Disponível em www.aca.com.uy. acesso em: 22
set. 2004
Associação dos Municípios do Extremo sul Catarinense.
www.amesc.com.br/paginainicial.htm. Acesso em: 01 nov. 2004
Disponível
em:
BANCO DE DADOS DO MUNICIPIO DE TURVO, 20, 2004. Turvo. Plano Municipal
de Desenvolvimento Rural. Turvo: Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural,
2004.
CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à Teoria Geral da Administração. 3. ed. Rio
de Janeiro: Campus, 1999. 494 p.
Companhia Nacional de Abastecimento. Disponível em: www.conab.gov.br. Acesso em:
11 ago. 2004
Food and Agriculture Organization of the United Nations. Disponível em: www.fao.org.
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Instituto Rio Grandense do Arroz. Disponível em: www.irga.rs.gov.br. Acesso em: 01
nov. 2004
KOTLER, Philip; ARMSTRONG, Gary. Princípios de Marketing. 5. ed. Rio de
Janeiro: Prentice-Hall do Brasil, 1993. 478 p.
MATOS, Francisco Gomes de. Administração Para Crescimento Empresarial. 4.
ed. Rio de Janeiro, 1981. 324 p.
Mercantil e Corretora de Mercadorias. Disponível em: www.clicmercado.com.br. Acesso
em: 04 out. 2004
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Disponível em:
www.agricultura.gov.br. Acesso em: 22 set. 2004
53
PETERSON, Rúbia Carminatti. Avaliação dos Indicadores do Mercado Rizicultor.
Criciúma, 2003. 54 p. Monografia (Especialização em Gestão empresarial) –
Universidade do Extremo Sul Catarinense, 2003.
Portal de Arroz e da Agropecuária. Disponível em: www.arrozpec.com.br. Acesso em 04
out. 2004
Safras e Mercado. Disponível em: www.safras.com.br. Acesso em 01nov. 2004
SAVIO, Ronaldo. Relatório de Estágio Supervisionado Área de Concentração:
Produção, 2001. 64 p. Relatório de Estágio (Graduação em Administração) –
Universidade do Sul de Santa Catarina, 2001.
SILVA, Débora. Relatório de Estágio Supervisionado Área de Concentração:
Marketing, 2000. 52 p. Relatório de Estágio (Graduação em Administração) –
Universidade do Sul de Santa Catarina, 2000.
WHITELEY, Richard C. A Empresa Totalmente Voltada Para o Cliente. Rio de
Janeiro : Campus, 1997. Pág 262 P.
United States Department of Agriculture. Disponível em: www.usda.gov. acesso em 04
out. 2004
54
Anexos
55
Anexo 01 – Há quanto tempo planta arroz?
3% 3%
6%
24%
26%
38%
Até 5 anos
Até 30 anos
Até 10 anos
Até 40 anos
Até 20 anos
Até 50 anos
56
Anexo 02 – Quantos sacos de arroz produziu na última safra 2003/2004?
11%
8%
3%
5%
26%
21%
26%
Até 500
Até 5000
Mais que 11000
Até 1500
Até 7000
Até 3000
Até 11000
57
Anexo 03 – Quantos hectares de terras possui?
3%
2%
8%
5%
8%
17%
42%
15%
3
Até 50
Até 150
Até 10
Até 80
Mais que 150
Até 35
Até 100
58
Anexo 04 – Quantos hectares de terra planta de arroz?
3%
2%
3%
9%
6%
9%
18%
50%
4
Até 50
Até 150
Até 10
Até 80
Mais que 150
Até 35
Até 100
59
Anexo 05 – Estas terras são:
35%
65%
Próprias
Arrendadas
60
Anexo 06 – Quantos hectares de terras são arrendadas?
5% 2%
27%
66%
Até 10
Até 35
Até 50
Até 80
61
Anexo 07 – Possui máquinas agrícolas?
5%
95%
Sim
Nao
62
Anexo 08 – Que tipo?
4%
34%
62%
Trator
Ceifadeira
Outros
63
Anexo 09 – Para quem vende seu arroz?
17%
20%
15%
24%
24%
Realengo
Dalon
Cooperativa
Olivo
Outros
64
Anexo 10 –Sempre vendeu para este (s) comprador (es)?
32%
68%
Sim
Não
65
Anexo 11 – Quais as razões na escolha do comprador?
35%
46%
19%
Confiabilidade na negociação
Confiabilidade na classificação do produto
Outros
66
Anexo 12 – Seu arroz é vendido na safra ou depositado?
6%
94%
Vendido
Depositado
67
Anexo 13 – De que forma vende seu arroz?
11%
89%
De uma so vez
Parcelado
68
Anexo 14 – Recebe alguma orientação técnica?
11%
89%
Sim
Não
69
Anexo 15 – De quem?
27%
5%
68%
Comprador
Órgaos Públicos
Empresas Especializadas
70
Anexo 16 – Que outras culturas/ atividades econômicas desenvolve?
8%
46%
46%
Fumo
Milho
Outros
71
Anexo 17 – De quem compra as sementes?
6%
41%
44%
9%
Realengo
Cooperativa
Agrojust
Outros
72
Anexo 18 – Como transporta os grãos da lavoura?
24%
46%
30%
Transporte Próprio
Transporte do comprador
Terceiros
73
Anexo 19 – Por que escolheu o arroz como fonte de renda?
24%
24%
52%
Cultura familiar
Terra apropriada
Lucratividade
74
Anexo 20 – Além do arroz existe outra fonte de renda na família?
47%
53%
Sim
Não
75
Anexo 21 – Alguém da família trabalha fora da atividade agrícola?
40%
60%
Sim
Não
76
Anexo 22 – Qual o valor de sua renda familiar mensal?
11%
32%
Até R$ 3.000,00
57%
Até R$ 7,000,00
Até R$ 12.000,00
77
Anexo 23 – Você faz aplicação financeira?
41%
59%
Sim
Não
78
Anexo 24 – Você faz investimento tipo custeio, investimento...?
11%
89%
Sim
Não
79
Anexo 25 – Grau de escolaridade?
8%
2%
90%
Ens. Fundamental
Ens. Médio
Faculdade
80
Anexo 26 – Alguém da família estuda?
40%
60%
Sim
Não
81
Anexo 27 – Qual curso?
34%
47%
19%
Até Ens Fundamental
Até Ens Médio
Faculdade
82
Anexo 28 – Qual a formação da esposa?
19%
81%
Até Ens Fundamental
Até Ens Médio
83
Anexo 29 – Idade (Produtor entrevistado)?
8%
39%
53%
Até 30 anos
Até 50 anos
Até 70 anos
84
Anexo 30 – Quantas pessoas compõem sua família?
8%
18%
74%
Até 5
Até 10
Mais que 10
85
Anexo 31 – Questionário, Pesquisa de Campo
1. Há quanto tempo planta arroz?
2. Quantos sacos de arroz produziu na última safra 2003/2004?
3. Quantos hectares de terra possui?
4. Quantos hectares de terra planta de arroz?
5. Estas terras são:
Próprias (
) ··Arrendadas (
)
6. Quantos hectares são arrendados?
7. Possui máquinas agrícolas?
Sim (
)
Não (
)
8. Que tipo:
Trator (
)
Ceifadeira (
)
Outros (
9. Para quem vende seu arroz?
10. Sempre vendeu para este (s) comprador(s)?
11. Quais as razões na escolha do comprador?
Confiabilidade na negociação
(
)
Confiabilidade na classificação do produto
(
)
Rapidez no recebimento
(
)
Transporte
(
)
Simpatia
(
)
Preço
(
)
Política
(
)
Outros
(
)
12. Seu arroz é vendido na safra ou é depositado?
13. De que forma você vende seu arroz:
De uma só vez (
)
Parcelado (
14. Recebe alguma orientação técnica?
Sim (
)
Não (
)
15. De quem?
Comprador
(
)
Órgãos públicos
(
)
Empresas especializadas (
)
)
)
86
16. Que outras culturas/atividades econômicas desenvolve?
Fumo (
)
Milho (
)
Feijão (
)
Gado (
)
Nenhuma (
17. De quem compra as sementes?
18. Como transporta os grãos da lavoura?
Transporte próprio
(
)
Transporte do comprador (
)
Terceiros
)
(
19. Porque escolheu o arroz como fonte de renda?
20. Além do arroz existe outra fonte de renda na família?
Sim (
)
Não (
)
21. Alguém da família trabalha fora da atividade agrícola?
Sim (
)
Não (
)
22. Qual o valor de sua renda familiar mensal?
Até 3.000,00
(
)
Até 7.000,00
(
)
Ate12.000,00
(
)
Mais que 12.000,00
(
)
23. Você faz aplicação financeira? Qual tipo?
24. Você faz financiamento tipo custeio, investimento...?
Bancos (
)
Terceiros (
)
25. Grau de escolaridade?
26. Alguém da família estuda?
Sim (
)
Não (
)
27. Qual curso?
28. Qual a formação da esposa?
29. Idade (Produtor entrevistado)?
30. Quantas pessoas compõem sua família?
)
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1 DÉBORA DA SILVA SALVARO DIAGNÓSTICO DA