XXXI ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO
Inovação Tecnológica e Propriedade Intelectual: Desafios da Engenharia de Produção na Consolidação do Brasil no
Cenário Econômico Mundial
Belo Horizonte, MG, Brasil, 04 a 07 de outubro de 2011.
ANÁLISE COMPARATIVA DA
PRODUTIVIDADE DOS PRODUTORES DE
BOVINOCULTURA DE CORTE DA
REGIÃO DE CACOAL-RO UTILIZANDO
ÍNDICES DE DESEMPENHO
ZOOTÉCNICOS
Karla Roberto Sartin (UNIR)
[email protected]
Otacilio Moreira de Carvalho (UNIR)
[email protected]
Kawane Caroline Guimaraes de Souza (UNIR)
[email protected]
MONICA BEATRIZ RODRIGUES IZIDORO (UNIR)
[email protected]
arieli rayane lima menezes (UNIR)
[email protected]
O presente estudo realizou uma busca na literatura sobre o tema
produtividade na cadeia produtiva de carne bovina focado no subsistema
de produção da matéria-prima. Uma das ferramentas de mensuração da
produtividade do subsistema de produçãão da matéria-prima é o controle
dos coeficientes de desempenho zootécnicos. O objetivo deste trabalho foi
realizar uma análise comparativa entre os coeficientes zootécnicos de
produtores tecnificados e não tecnificados. A intenção desta comparação é
comprovar a premissa que quanto maior o nível de tecnificação nestas
propriedades, maior a produtividade. Como objeto de estudo foi escolhido
os produtores de bovinocultura de corte da região de Cacoal - RO.
Conforme estudo literário e aplicação da metodologia da análise
comparativa foi possível verificar disparidades entres esses índices para
produtores de gado de corte tecnificados e não tecnificados.
Palavras-chaves: Produtividade, Tecnologia, bovinocultura de corte
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1. Introdução
Um setor amplamente explorado no Brasil é o da produção e distribuição de carne bovina. O país
é conhecido mundialmente como um dos maiores fornecedores de carne em escala mundial. A
cadeia de carne bovina tem destaque especial na economia rural brasileira, e também é foco de
estudo de acadêmicos e profissionais da engenharia de produção agroindustrial.
Segundo Buainain e Batalha (2007), a cadeia produtiva da carne bovina é constituída por um
subsistema de apoio, um subsistema de produção da matéria-prima, um subsistema de
industrialização, outro de comercialização e finaliza-se com um sistema de consumo. O
subsistema de apoio é composto por atores fornecedores de insumos básicos e de agentes
transportadores. O subsistema de produção da matéria-prima é composto por empresas rurais que
criam e engordam animais para atender as necessidades do subsistema de industrialização. O
subsistema de industrialização é composto por indústrias de primeira e segunda transformação, as
indústrias de primeira transformação abatem os animais e obtêm peças de carne, já as indústrias
de segunda transformação incorporam carne em seus produtos e fazem agregação de valor a ela.
O subsistema de comercialização é composto por atacadistas, varejistas, exportador e empresas
de alimentação coletiva ou institucional. O subsistema de consumo é composto pelos
consumidores finais.
Para Slack et al (2008), uma cadeia produtiva é divida em níveis, tendo fornecedores de primeira
camada, segunda, terceira, e quantas camadas forem necessárias a se analisar, tendo a parte de
processamento e também possuindo clientes de primeira, segunda e até mais níveis de camadas.
Ao se fazer uma analogia entre as descrições da cadeia produtiva por Slack et al (2008) e da
cadeia produtiva da carne bovina por Buainain e Batalha (2007), têm-se que o subsistema de
apoio pode ser caracterizado como fornecedores de segunda camada, o subsistema de produção
da matéria-prima como fornecedor de primeira camada e assim sucessivamente. Uma área de
atuação da engenharia de produção é a da gestão da qualidade e produtividade em cadeias
produtivas, nesta pesquisa será abordada a gestão da produtividade em fornecedores de primeira
camada da cadeia produtiva da carne bovina.
A produtividade do subsistema produção de matéria-prima pode ser mensura através dos
coeficientes de desempenho zootécnicos. Conforme Araújo (2007) os coeficientes zootécnicos
são melhorados a partir da tecnificação das propriedades produtoras de matéria-prima. A partir
desta premissa surge a pergunta: as propriedades tecnificadas realmente apresentam coeficientes
de desempenho zootécnicos superiores em relação às propriedades não tecnificadas?
Batalha et al (2007) afirma que a agropecuária é caracterizada por uma dualidade produtiva,
coexistindo tanto a produção primária que utiliza alta tecnologia, assistência técnica e veterinária
entre outros recursos, com produtores que não usufruem desses benefícios. Em decorrência, os
resultados produtivos tendem a ser diferenciados. Esta observação pode ser aplicada em
Rondônia e aos demais estados do Brasil, baseada nesta informação esta pesquisa propõe
responder a seguinte pergunta problema: Os produtores pecuaristas do município de Cacoal que
utilizam tecnologias apropriadas e profissionais especializados obtêm índices zootécnicos
superiores aos produtores que não utilizam esses recursos?
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O objetivo desta pesquisa é identificar se há disparidades dos coeficientes de desempenho
zootécnicos entre os produtores pecuaristas do município de Cacoal que utilizam tecnologias
apropriadas e profissionais especializados em relação aos produtores que não utilizam esses
recursos. Comparar os coeficientes zootécnicos com nível de tecnificação dos empreendimentos.
Têm-se como objetivos específicos conhecer no plano teórico os principais coeficientes de
desempenho zootécnico, analisar as possíveis disparidades encontradas e por fim, comparar os
coeficientes zootécnicos com nível de tecnificação dos empreendimentos.
2. Referencial bibliográfico
Segundo Batalha (2007) há uma dualidade na agricultura brasileira que se manifesta pela
coexistência de relações de produção arcaicas com relações modernas. O dualismo busca
demonstrar uma idéia básica, a substituição do especulativo para o produtivo. A tese dualista
propõe a eliminação de barreiras ao desenvolvimento capitalista tanto na agricultura quanto na
pecuária sem modificar a estrutura agrária prevalecente.
No Brasil, atualmente convivem empreendimentos rurais nos mais diversos estágios de evolução,
dentro deste setor alguns empreendimentos já possuem alguma espécie de abertura para
assessoria técnica e mostram sinais de organização, definidas por empresas mistas.
Em empreendimentos rurais modernos, o proprietário não é o único a tomar decisões, ocorrendo
um claro processo de delegação de tarefas e responsabilidades. Existe um organograma que
define o trabalho e este flui na direção de objetivos claros e preestabelecidos. Embora todos os
empreendimentos rurais sejam constituídos por elementos de caráter técnico, econômico e
gerencial, esses últimos elementos são mais afetados devido a intensidade dos estágios de
evolução (BATALHA; 2007).
A gestão dos empreendimentos rurais enfrenta dificuldades específicas que precisam ser
consideradas durante a sua execução. A caracterização dos empreendimentos rurais pode ser
classificada em três etapas definidas em tradicional, transição e moderno. O empreendimento
rural tradicional utiliza-se de equipamentos agrícolas rudimentares, a estrutura organizacional é
familiar e as decisões são estreitamente empíricas, sujeita a um alto grau de incerteza,
(BATALHA; 2007).
Conforme Batalha (2007), nos empreendimentos rurais em transição as propriedades já adotam
alguma técnica de produção e de administração, também sendo introduzida a preocupação de
permanência no mercado e de torná-los empreendimentos competitivos a médio e longo prazo.
Entende-se como um empreendimento rural moderno aquele que superou a etapa de transição,
estando coordenando com o mercado consumidor e suficientemente flexível para ajustar-se às
novas demandas.
2.1 Bovinocultura de corte
Desde a introdução dos primeiros bovinos no país em 1534, o crescimento da bovinocultura deuse de forma quase exclusivamente extensiva, por volta de 1970, a bovinocultura de corte já se
mostrava, como uma das maiores atividades econômica da agropecuária brasileira, (MIELITZ
NETTO; 1994).
O estudo realizado por Buainain e Batalha (2007), evidenciou que, dentre os principais fatores
inibidores da produção de carne bovina no Brasil, estão àqueles inerentes ao processo produtivo,
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ligados a alimentação, sanidade, manejo e potencial genético. Os sistemas de criação,
normalmente extensivos em regime de pastagens, acabam sujeitando os animais à escassez
periódica de forragem, comprometendo seu desenvolvimento e sua eficiência reprodutiva e
concentrando a oferta de carne em determinada época do ano.
A falta de adequação do potencial genético dos rebanhos ao ambiente e ao manejo é um dos
principais entraves do setor produtivo, gerando problemas que culminam em subutilização de
recursos disponíveis, resultando em baixa produtividade, sazonalidade e consequentemente, baixa
disponibilidade de proteínas de origem animal para o consumo humano. A pecuária de corte
intensiva ou semi-intensiva pode contribuir de maneira significativa na promoção do
desenvolvimento do setor de carne bovina no País.
Os aspectos tecnológicos da produção pecuária exigem um planejamento de gestão na pecuária
de corte. De acordo com Buainain e Batalha (2007), entre aspectos tecnológicos relevantes de um
empreendimento pecuário destaca-se a escolha das raças e o sistema de manejo. Entre as
tecnologias mais difundidas relacionadas com a reprodução animal, podem se caracterizar entre
inseminação artificial, transferência de embriões e fertilização in-vitro. Ao lado de tecnologias de
reprodução e melhoramento genético, o controle sanitário e o melhoramento da nutrição animal
também são aspectos que podem tornar a pecuária brasileira mais competitiva em relação à de
outros paises não só em preços mais sim no requisito de qualidade.
Segundo Buainain e Batalha (2007), sem alimento de qualidade diminui–se a vantagem do
melhoramento e, sem esse, reduz a rentabilidade do alimento oferecido ao animal; o aumento da
produtividade por área está relacionado a tecnologias como pastejo rotacionado, adubação
irrigação e integração lavoura-pecuária que pode ser escolhidas como alternativa ou
concomitante. Em muitos casos o atraso tecnológico é a função de como o “negocio” pecuário é
visto, em muitas propriedades rurais a viabilidade por uma produção mista (rebanho sem
especialização em leite ou carne).
2.2 Coeficientes técnicos
Segundo Araujo (2007), os coeficientes técnicos são números que medem e expressam a
eficiência da condução de atividades econômicas de forma parcial ou total, de modo que possam
compará-los e acompanhar a evolução dos empreendimentos. Estes coeficientes são importantes
se forem relacionados a prioridades, nenhum deles tem efeito suficiente tratados isoladamente,
tanto tecnicamente quanto economicamente envolvido em uma atividade pecuária. Estes se
resumem em diminuir custos; aumentar lucros; ter uma estabilidade no mercado; e satisfazer
empresários e consumidores.
Em meios a esses objetivos na atividade econômica os coeficientes técnicos propõem a eficiência
dos empreendimentos e finalidades para os seguintes fins: determinação na produtividade
verifica-se a quantidade de bens ou serviços produzidos por unidade de fator de produção
utilizado que logo, a velocidade de ganho mostra em quanto tempo são produzidos os bens ou
serviços e tem uma grande importância na velocidade de giro do capital e na escolha de épocas
determinadas para efetuar as atividades, (ARAUJO; 2007).
Sendo assim a qualidade das operações serve como um parâmetro para maior eficiência do
empreendimento, tornando o planejamento das atividades a maior finalidade dos coeficientes
técnicos, através dos processos acima citados é possível identificar e efetuar a evolução do
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rebanho, a quantidade dos animais que comporta o empreendimento, a necessidade da aplicação
de fatores de produção, idade de abate, descarte de animais, previsão de custos da produção e de
receitas e lucratividade do empreendimento, (ARAUJO; 2007).
Segundo Araújo (2007) um dos principais fatores que influenciam os coeficientes técnicos são os
tipos de exploração agropecuária, de acordo com a tecnologia adotada, sendo assim um mesmo
coeficiente técnico pode apresentar valores diferentes para uma mesma atividade.
2.3 Coeficientes técnicos utilizados na bovinocultura de corte
Os coeficientes técnicos pecuários são números que medem e expressam a sua eficiência da
condução das atividades de criação de forma parcial, ou total. Eles dependem da atividade, do
sistema de produção, da tecnologia e das práticas de manejo, o que ocorre devido a esses índices
variar de local para local e evoluírem rapidamente. Segundo Araújo (2007) os coeficientes
técnicos para a bovinocultura de corte são:
 Precocidade e idade de abate: o tempo mínimo para o animal atingir a idade de abate, com
peso aproximado de 15@ de rendimento de carcaça. Programas estaduais denominados de
novilho precoce visam reduzir esse tempo para o período de 24 a 30 meses;
 Rendimento de carcaça: rendimento da carne em relação ao peso total do animal, sendo
que o ideal é igual ou maior que 50% de carne e o restante composto pelas outras partes
do corpo;
 Velocidade de ganho de peso: refere-se ao ganho de peso pelos animais em um
determinado tempo, o parâmetro para análises são índices diários por volta de 1 kg de
peso vivo por animal;
 Relação produtor \matrizes: refere-se à quantidade de machos reprodutores necessários
para uma quantidade “x” de matrizes, ou adotar o método de inseminação artificial,
quando os machos só são utilizados como rufiões, com o objetivo de detectar as vacas no
cio;
 Índice de fecundação: quantidade percentual de vacas cruzadas ou inseminadas que são
fecundadas, como acima foi citado;
 Taxa de natalidade: quantidade percentual de nascimentos, em relação ao número total de
vacas;
 Taxa de mortalidade: relação percentual de animais mortos por quaisquer problemas;
 Qualidade das crias: só é possível conhecer a boa cria nas fases produtiva, reprodutiva, ou
na terminação, os fatores que ajudam a identificar e prever bons resultados são o peso
vivo de nascimento, as características fenotípicas da raça e ausência de defeitos físicos;
 Capacidade de suporte: é a capacidade que uma pastagem tem para comportar animais
durante o ano, isso por que em uma mesma pastagem possam coexistir animais de
diferentes idades, pesos e até mesmo outros animais, onde há uma conversão.
Nesta pesquisa optou-se por utilizar estes coeficientes técnicos pecuários como parâmetros de
comparação, para verificar se há disparidades entre os coeficientes encontrados entre produtores
tecnificados e não tecnificados.
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3. Metodologia
Conforme Siena (2007), uma pesquisa pode ser classificada quanto a sua natureza em pesquisas
básicas e pesquisas aplicadas, sendo que as básicas geram novos conhecimentos sem a
preocupação com sua aplicação prática imediata, diferente da aplicada que visa à aplicação
prática. Nesta pesquisa foi utilizada a pesquisa básica, pois o objetivo é conhecer as disparidades
dos coeficientes de desempenho zootécnico entre produtores tecnificados e não tecnificados.
Para obter maior familiarização com o problema abordado nesta pesquisa, foi realizada uma
pesquisa exploratória com o objetivo de obter critérios para desenvolver uma abordagem do
problema. Na fase exploratória foi realizada uma revisão da literatura acadêmica a fim de
identificar tecnologias relevantes aplicadas à bovinocultura de corte, bem como os coeficientes de
desempenho zootécnicos aplicados a esta.
Siena (2007) diz que o problema de pesquisa pode ser abordado de duas formas, pesquisa
qualitativa e pesquisa quantitativa. Em pesquisas de forma qualitativa, o foco é a interpretação de
fenômenos e o significado destes dentre o contexto estudado. Em pesquisas qualitativas não há
emprego de métodos estatísticos, mas pode usar a estatística descritiva para melhor organizar as
informações coletadas. Nesta pesquisa foi utilizado o enfoque qualitativo para tratamento dos
dados.
Para a etapa de coleta dos dados foram realizadas entrevistas semi-estruturadas com os
pecuaristas através da aplicação de um questionário com perguntas abertas (resposta livre do
respondente) e com perguntas fechadas (múltipla escolha). Foi feita uma escolha de cinco
pecuaristas tecnificados e cinco não tecnificados, a escolha da amostra foi intencional,
objetivando contemplar o objetivo do estudo.
Como método de procedimento foi adotado o método comparativo, que realiza comparações no
intuito de verificar semelhanças e explicar divergências. Foram comparados nesta pesquisa os
coeficientes técnicos de pecuaristas com produção tecnificada com os que possuem produção não
tecnificada.
4. Análise dos dados
Por meio do questionário aplicado foi possível verificar que nas propriedades tecnificadas
pesquisadas o volume de colaboradores é menor que nas propriedades não tecnificadas. Como os
proprietários das propriedades não tecnificadas realizam baixos investimentos em tecnologias
necessitam de um aporte maior de mão-de-obra, fator que dificulta a mensuração de fatores
intrínsecos à qualidade e produtividade da propriedade.
Foi questionado aos produtores pesquisados acerca dos seus rendimentos anuais e suas taxas de
retorno, e verificou-se que a taxa de retorno dos produtores tecnificados é consideravelmente
superior a dos não tecnificados, o que justifica e comprova a premissa de que propriedades
tecnificadas possuem um maior índice de produtividade e consequentemente um maior retorno
financeiro.
O tamanho da propriedade é relativo, comparando produtores tecnificados, a variação da
propriedade vai desde 500 ha (quinhentos hectares) a mais que 1.000 ha (mil hectares),
respeitando o limite das áreas florestais e proporcionando uma porcentagem destinada à
pastagem. Já os pequenos produtores possuem uma proporção menor de terras, até 100 ha (cem
hectares). Por meio desta análise comprova-se que pequenos produtores possuem menor nível de
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tecnificação em relação aos grandes produtores. Em relação aos pequenos produtores, foi
verificado que a taxa de retorno aumenta à medida que se aumenta o nível de tecnificação da
propriedade.
O percentual de área de pastagem é um controle que o produtor tem em relação a área de reserva
legal determinada pela legislação ambiental brasileira, na qual, caso o produtor desmate mais que
o determinado pela legislação vigente, poderá sofrer sanções, bem como limitações impostas pelo
próprio mercado consumidor, em especial o mercado europeu. Foi verificado que a maioria dos
produtores afirma respeitar as normas de preservação do ambiente natural.
Em relação às raças manejadas entre os produtores pesquisados, tanto os tecnificados quanto os
não tecnificados possuem gado nelore e gados mestiços, resultantes de cruzamento de raças
variadas. Foi verificado nesta pesquisa que os produtores não tecnificados tendem à atividade de
cria e recria, enquanto os tecnificados, apesar de também executar essas fases, focalizam suas
atividades na engorda de bovinos para abate. Os produtores não tecnificados pesquisados
possuem rebanho que variam de 100 (cem) a 500 (quinhentas) cabeças, enquanto no caso dos
produtores esse rebanho varia entre 500 (quinhentas) a 1000 (mil) cabeças de gado.
Em relação ao gênero dos animais foi possível identificar que nos produtores tecnificados
predomina o rebanho composto por animais machos, devido a maior facilidade de ganho de peso
em relação às fêmeas, bem como pela maior valorização da carne de gado macho no mercado.
Essa variável corrobora com a tendência de os produtores tecnificados darem ênfase à fase de
engorda. Já os produtores não tecnificados possuem um rebanho predominantemente de fêmeas,
devido ao aspecto da reprodução, corroborando também com o objetivo desses produtores, que
dão ênfase à cria e recria.
A seguir será analisada a atividade de cria e realizadas as devidas comparações. Ao analisar
dados da pesquisa relacionada à cria verificou-se disparidades entre pecuaristas tecnificados e
não tecnificados da região de Cacoal. Em uma visão macro das disparidades pode-se citar o
controle de fertilidade, seleção de grupos genéticos, taxas de natalidade, taxa de mortalidade,
número de nascimento em relação ao número total de vacas, entre outros.
Contudo outros fatores de cria são dualizados, o que diferencia produtores tecnificados de
produtores não tecnificados, as diferentes formas como focam as suas tecnologias (quando
possuem), o controle sobre seu próprio rebanho em relação à produtividade e à qualidade, além
dos índices relacionados aos animais, como será verificado a seguir. Apesar de ambos os
produtores não possuírem estações de monta, todos os produtores tecnificados pesquisados
afirmaram que, ao diagnosticarem animais com falhas na monta natural, destinam os animais para
a fase de engorda e, consequentemente, para abate. Em relação aos produtores não tecnificados
apenas 75% (setenta e cinco por cento) desses encaminham esses animais para abate, e os 25%
(vinte e cinco por cento) restantes encaminham esses animais ao pasto para que novamente
aconteça uma monta natural, com a perspectiva de uma fertilização bem sucedida.
Por meio da pesquisa foi possível identificar que todos os produtores tecnificados fazem seleção
de fertilidade, seleção por grupos genéticos de acasalamento e apenas 20% (vinte por cento)
realiza a escrituração genética. 75% (setenta e cinco por cento) realizam a seleção por fertilização
materna, metade dos produtores tecnificados seleciona o touro por índice de fertilização. Apenas
25% (vinte e cinco por cento) dos produtores não tecnificados procuram realizar a seleção de
fertilidades em geral (genético, materna e do touro) e apenas esse percentual realiza a
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escrituração genética. Com estes percentuais obtidos verifica-se maior nível de tecnificação dos
produtores de médio e grande porte em relação aos produtores de pequeno porte quanto ao
formato da cria, o que traz aos tecnificados um melhor índice de produtividade no processo de
cria.
O intervalo entre partos dos produtores não tecnificados varia de nove a doze meses, enquanto os
produtores não tecnificados essa relação varia de nove a mais de doze meses, o que leva a um
menor aproveitamento da fertilidade das matrizes e, consequentemente, uma menor
produtividade na fase de cria em relação aos produtores não tecnificados. 75% (setenta e cinco
por cento) dos produtores tecnificados realizam controle de natalidade, onde o peso vivo do
nascimento tem uma média de 30 kg (trinta quilogramas), e para os 25% (vinte e cinco por cento)
produtores tecnificados restantes, os bezerros nascem com média de 40 kg (quarenta
quilogramas). Com relação aos produtores não tecnificados apenas a metade desses realizam
controle de natalidade, sendo desses produtores que realizam controle de natalidade, dos quais
todos afirmam que os bezerros nascem com média de 40 kg (quarenta quilogramas).
Para os produtores tecnificados que realizam controle de natalidade, a taxa de natalidade é, em
média, de 85% (oitenta e cinco por cento) – relação entre o número de nascimento pelo total de
matrizes. Já para os produtores não tecnificados que realizam controle de natalidade, a taxa de
natalidade média é de 25% (vinte e cinco por cento), bem inferior aos produtores tecnificados,
muito embora a atividade desses se concentrarem na engorda e dos produtores não tecnificados se
concentrarem na cria e recria. Isso pode ocorrer devido a disponibilidade do profissional médicoveterinário nas propriedades tecnificadas, enquanto os produtores não tecnificados não disporem
desses profissionais, ocorrendo maior índice de mortalidade em partos e baixa taxa de prenhes,
pela não utilização da inseminação artificial.
25% (vinte e cinco por cento) dos produtores tecnificados realizam controle da mortalidade,
sendo que as principais causas diagnosticadas são: acidentes nas pastagens (28,57%), manejo
inadequado do animal (14,29%), animais com infecções (28,57%) e animais vítimas de animais
peçonhentos (28,57%). Em não-tecnificados não há um controle de mortalidade, e por isso
desconhecem das principais causas de mortalidade do próprio rebanho. Essa falta de controle não
permite uma ação preventiva por parte desses produtores, o que reduz, sobremaneira, seus índices
de desempenho zootécnicos, resultando em queda na produtividade.
Todos os produtores tecnificados realizam controle de pastagem e de pragas nas pastagens, sendo
que 57% (cinqüenta e sete por cento) realizam somente controle interno (aplicação de drogas em
animais) e 43% (quarenta e três por cento) com controle interno e controle externo (além do
controle interno, realizam aplicação de veneno em animais e agrotóxico no pasto). Todos os
produtores não tecnificados também realizam controle de pragas, contudo somente nos animais
(medidas corretivas), sendo que todos utilizam apenas o controle externo, com aplicação de
veneno no dorso ou lombo no animal, sem aplicação de agrotóxico no pasto ou qualquer outra
atividade de controle de pragas no pasto.
Outra atividade analisada foi a engorda de gado, sendo analisado nesta atividade os índices:
medição de score; rotação de pastagem; utilização de profissionais da área; aplicação de vacinas;
métodos de controle de custos e estimativas de lucro; métodos de suplementação nutricional;
tempo para o animal atingir peso de corte; rendimento da carne em relação ao peso total do
animal; pasto utilizado; abate de novilho precoce; capacidade de suporte; número de
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reprodutores; manejo sanitário, nutricional, bioclimatológico de touros e matrizes; e rastreamento
de animais.
Uma das atividades consideradas importante para melhoria da produtividade na pecuária de corte
é o monitoramento corporal das matrizes, a medição do score, para que os objetivos de
rendimento de carne do animal sejam atingidos. O score monitora a massa corporal e a qualidade
do animal, que é avaliado numa escala de 1 a 9, sendo 1 debilitada e 9 extremamente gorda. Por
meio dos dados coletados nota-se que 40% (quarenta por cento) dos produtores tecnificados não
se preocupam com a taxa de aumento da qualidade animal do rebanho, não realizando tal
atividade, o que de fato é uma quantidade significativa. Ressalta-se que todos os produtores
considerados tecnificados atuam na atividade de engorda e apenas 20% dos produtores
considerados não tecnificados atuam nesta atividade engorda. 60% (sessenta por cento) dos
produtores tecnificados buscam monitorar a cobertura de gordura dos animais, para ter um
rendimento de carcaça mais elevado.
É de suma importância para os produtores fazer a rotação de pastagem que, segundo Sousa
(2008), consiste no estabelecimento de períodos de descanso e na rotação de animais na
pastagem, permitindo maiores taxas de lotação desde que sejam adotadas práticas de manejo
adequadas. Os resultados dos dados obtidos com a aplicação do questionário indicam que, em
geral, todos os produtores tecnificados utilizam esse recurso, uma vez que esta técnica de pastejo
traz o equilíbrio entre a produção de forragem e o número de animais que pastejam nessa área, e,
consequentemente, levando a uma melhora da produtividade. Nenhum dos produtores não
tecnificados realizam rotação de pastagem, não fazendo demarcação, utilizando a produção
extensiva do gado.
Para haver um bom desenvolvimento produtivo dos bovinos é necessário ter um
acompanhamento de um médico veterinário, podendo assim, analisar se a engorda animal esta
sendo realizada de maneira correta, além de acompanhar o desenvolvimento e a saúde do
rebanho. Foi verificado pela pesquisa que todos os produtores tecnificados contam com o suporte
deste profissional e que todos os produtores considerados não tecnificados não dispõem deste
profissional o que corrobora com o fato desses produtores apresentarem maior taxa de perdas de
animais por causas diversas, comprovando a premissa que produtores não tecnificados possuem
menor produtividade que os tecnificados.
O controle sanitário do rebanho é um fator de extrema importância, uma vez que previne o
rebanho de doenças que causam a desclassificação do bovino para o consumo alimentício, ou até
mesmo levando-os a morte. As vacinas previnem doenças como a febre aftosa que é uma doença
infecto-contagiosa que ataca os bovinos, caracterizando-se por formação de vesículas, erosão e
úlceras na boca, no focinho, nas tetas e nos espaços interdigitais, sendo transmitidas pela ingestão
de águas e alimentos contaminados pela saliva de animais doentes ou pelo homem, sendo que
este pode transportar o vírus nos calçados e roupas após entrar em fazendas que contenham
rebanhos doentes.
Assim como a febre aftosa há outras enfermidades, como o botulismo, mais conhecido como
peste-de-manqueira e também, mal do ano, que é causada por uma toxina de uma espécie de
Clostridium e que ataca o sistema nervoso dos animais. Essa vacinação é feita quando ocorrem
surtos nas regiões, sendo aplicada somente em animais acima de um ano de idade. De uma forma
geral, recomenda-se o uso de duas doses iniciais com quatro a seis semanas de intervalo e a
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seguir uma dose anual em todo o rebanho.
A raiva é uma doença bastante comum no rebanho bovino é causada por um vírus e transmitida
por morcegos hematófagos. A vacinação ocorre onde existem colônias permanentes de morcegos
sugadores de sangue, e é obrigatória onde há focos da doença em certas regiões. Através das
pesquisas realizadas foi possível analisar que 80% (oitenta por cento) dos produtores tecnificados
realizam as vacinações necessárias para a segurança e qualidade do rebanho e não apenas as
exigidas por lei. Apenas 20% (vinte por cento) dos produtores tecnificados realizam vacinação
exigidas por lei. Todos os produtores não tecnificados somente realizam vacinação exigidas por
lei.
É necessário haver um controle de custos e estimativas de lucro para determinar o desempenho
do empreendimento rural. Os coeficientes técnicos são números que medem e expressam a
eficiência da condução de atividades econômicas de forma parcial ou total, de modo que possam
compará-los e acompanhar a evolução dos empreendimentos. Os principais objetivos das
atividades econômicas são: maximizar lucros, minimizar custos, manter-se no mercado e
satisfazer aos empresários e aos consumidores. Por meio da pesquisa foi verificado que apenas os
produtores tecnificados realizam este controle com o suporte de índices zootécnicos.
Entre os diversos fatores responsáveis pela baixa produtividade do rebanho bovino destacam-se a
deficiência na suplementação mineral e a carência de nutrientes na composição da alimentação
dos animais. Os animais necessitam de nutrientes na sua dieta alimentar para se desenvolverem, e
ausência destes nutrientes causam redução no desempenho e/ou na saúde. As exigências minerais
dos bovinos são influenciadas por inúmeros fatores, como raça, idade, categoria, estágio
fisiológico, alimentação, teor e forma química dos elementos. Segundo as pesquisas 20%
produtores de bovinos não utilizam os métodos de suplementação correta para a alimentação
bovina, que gera a desnutrição animal e a baixa qualidade na carne bovina, os demais 80% fazem
a suplementação de forma adequada.Este percentual é válido tanto para produtores tecnificados
quanto para produtores nãotecnificados.
Conforme dados obtidos todos os produtores pesquisados utilizam 24 a 30 meses para atingir o
tempo de corte, tempo estimado para os produtores que possuem tecnologia em sua produção
bovina.
Para a criação de animais existem três tipos básicos de sistemas de condução: intensivo,
extensivo e semi-intensivo. O sistema intensivo é caracterizado pela utilização de tecnologias
mais sofisticadas, maior investimento em construção e alimentação, maior dedicação dos
trabalhadores, menor espaço disponível, maior assistência e etc. A utilização desse sistema
depende da espécie animal, do padrão genético, das características locais, da disponibilidade dos
recursos financeiros, das exigências de mercado, da disponibilidade de alimentação e da
capacidade administrativa do empreendimento.
No sistema extensivo os animais são criados de forma extensiva, são conduzidos soltos, em
grandes espaços. Nesse sistema de criação, há espaço bastante para os animais, as inversões em
construções são menores, assim como os cuidados. A alimentação está baseada em pastagem, os
resultados esperados são mais lentos e normalmente as propriedades organolépticas da carne e de
produtos são diferenciadas, assumindo sabores diferentes.
No sistema semi-intensivo os animais são criados (ou conduzidos) parte do tempo solto e parte
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confinada aproveitando a disponibilidade do espaço e procurando intensificar a tecnologia, sobre
tudo com o uso de rações balanceadas, procurando somar as vantagens do sistema intensivo e
extensivo. Como por exemplo: maior velocidade de ganhos do sistema intensivo com maior
investimento do sistema extensivos, aproveitamento de pastagens disponíveis.
As pesquisas afirmam que 40% dos produtores optam pelo sistema intensivo e 40% pelo
extensivo e apenas 20% pelo sistema semi-intensivo, o que nos permite analisar que menos da
metade dos produtores considerados tecnificados possuem tecnologia ao sistema de pastagem
para garantir maior qualidade na engorda dos rebanhos. Todos os produtores não tecnificados que
operam com a atividade de engorda utilizam o sistema extensivo e com pouca tecnologia aplicada
ao sistema de pastagem.
Capacidade de suporte é capacidade que uma pastagem tem para comportar animais durante um
ano. Normalmente, a capacidade de suporte é expressa em unidades animais (UA), levando-se em
consideração um animal de 400 kg, então 1 UA (uma unidade animal) refere-se a um animal de
400 kg ou equivalente. Isso porque em uma mesma pastagem pode coexistir animais de diferentes
idades e, obvio de diferentes pesos, então se aplica a conversão. Todos os produtores tecnificados
e não tecnificados possuem capacidade para comportar seu rebanho o ano inteiro.
Foi possível analisar através das pesquisas que grande parte dos produtores utiliza o sistema de
abate precoce, segundo (Araújo, 2007) a precocidade e idade de abate, refere-se ao tempo
mínimo para o animal atingir a idade de abate, com o peso aproximado de 15@ (arrobas) de
rendimento de carcaça. No Brasil já existem empreendimentos pecuários com a alta tecnologia
que conseguem atingir esse peso com animais de 12 a 14 meses. Porém, esse nível tecnológico
não é o normal, no outro extremo, encontra-se a maioria dos pecuaristas que obtém animais com
o peso de abate com idade superior a 36 meses. Os programas estaduais denominados de
“novilho precoce” visam reduzir esse tempo para 24 a 30 meses. Sendo assim foi possível
analisar que os produtores utilizam esse programa em seus métodos produtivos de abate.
Em relação ao manejo sanitário, nutricional, bioclimatológico de touros e matrizes, pode se dizer
que o manejo sanitário dos rebanhos exerce grande influência sobre a produtividade da pecuária.
O objetivo da utilização de medidas de controle sanitário é elevar a produtividade dos animais,
em termos de carne e leite, reduzindo as perdas econômicas, em decorrência da elevação das
taxas de natalidade e da redução das taxas de mortalidade, além de evitar a ocorrência de
zoonoses, minimizando problemas de saúde pública. Todos os produtores considerados
tecnificados fazem este tipo de manejo, já os considerados não tecnificados dizem não ter
conhecimento desta tecnologia.
A rastreabilidade tem um importante papel na melhoria da coordenação da cadeia bovina. Mais
da metade dos produtores não adotaram o rastreamento em sua produção, muitas vezes por falta
de informação e incentivos. Tanto os produtores tecnificados quanto os não tecnificados
pesquisados dizem só fazer rastreabilidade quando recebem incentivos dos abatedouros, como
não estão recebendo mais este incentivo não estão rastreando.
Em relação ao tempo de engorda do animal é necessário avaliar a suplementação concentrada no
contexto do sistema de produção com redução da idade ao abate, pois gera um aumento na
produtividade, e ocorre aumento na rentabilidade dentro do sistema. O aumento da produtividade
é devido à melhor eficiência alimentar dos animais. Bovinos que são engordados a pasto
geralmente apresentam um bom desenvolvimento na estação das chuvas, o ganho de peso chega a
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0,5 kg/dia, e um fraco desempenho na estação da seca, causado pela baixa produção de pastagem.
Em conseqüência desses períodos de bons e maus desempenhos o abate do gado dos produtores
pesquisados considerados tecnificados e dos considerados não tecnificados é feito no período
entre 24 a 30 meses com um peso médio de duzentos e vinte e cinco quilogramas para os
produtores considerados não tecnificados e duzentos e cinqüenta e cinco quilogramas para os
produtores considerados tecnificados.
5. Conclusão
Os pequenos produtores tendem a não possuir tecnologia envolvida no setor produtivo, até
mesmo pela inviabilidade dos custos elevados para a criação da bovinocultura, trabalhando com a
cria para poder revender. Para os produtores considerados tecnificados, embora estes
desenvolvam as três atividades da bovinocultura de corte: cria, recria e engorda, o foco está na
atividade de engorda.
Produtores considerados não tecnificados de cria em geral não possuem estação de monta e não
usam tecnologia de inseminação in vitro, utilizando a monta natural como fertilização. Produtores
tecnificados fazem controle de fertilização, utilizam técnicas de fertilização, fazem controle da
taxa de mortalidade, utilizam técnicas para desenvolvimento do animal, utilizam técnicas de
controle e manutenção de pastagem e pragas. Produtores não tecnificados fazem baixo controle
sobre sua criação e os respectivos meios, os poucos produtores que utilizam métodos de controle
recebem assistência de órgãos públicos.
A fase de engorda bovina dos produtores tecnificados é de total importância uma vez que o
mercado exige carne de boa qualidade, e um bovino que possui os cuidados certos são sadios,
fortes, com ossatura robusta, bom desenvolvimento muscular (quantidade de carne) e gordura
suficiente para dar sabor à carne e proporcionar boa cobertura da carcaça. As pesquisas efetuadas
na cidade de Cacoal – RO mostram que os produtores considerados tecnificados têm cumprido de
forma correta os métodos necessários para uma alimentação bovina e alcançar os padrões de
qualidades.
Produtores considerados tecnificados em geral trabalham com as três atividades da bovinocultura,
cria, recria e engorda. A maioria dos produtores não tecnificados trabalham somente com a
primeira fase da “cria”. Os produtores tecnificados fazem maior controle de ambas às atividades,
têm um maior desenvolvimento da criação e na engorda, com programas de suplementação
nutricional completos, os não tecnificados por não exercer estas atividades apresentam uma
carência em conhecer e adotar as tecnologias, havendo assim uma disparidade entre tecnificados
e não tecnificados.
Portanto o dualismo entre produtores que realizam a atividade de cria tecnificados e não
tecnificados na região de Cacoal foi verificado, chegando à conclusão que os produtores
tecnificados produzem um numero maior e melhorado de animais devido às seleções de
fertilização e os índices de melhoria do animal. No entanto produtores não tecnificados tem uma
menor preocupação em melhorias para o crescimento do rebanho e os índices necessários para a
melhoria genética e de vida animal, o que gera novos questionamentos acerca de quais são os
fatores limitadores do uso de tecnologia aplicada à produção animal dos pequenos produtores e
também fatores que motivaram os produtores considerados tecnificados e utilizarem tecnologias
aplicadas à produção animal bovina. Ficando estes questionamentos como fatores que
propulsionam o desenvolvimento de futuras pesquisas.
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6. Referências
ARAÚJO, MASSILON J. Fundamentos de Agronegócios. São Paulo: Atlas, 2007.
BATALHA, MÁRIO OTÁVIO (Coordenador). Gestão Agroindustrial. GEPAI: Grupo de Estudos e Pesquisas
Agroindustriais. São Paulo: Atlas, v. 1, 3. ed., 2007.
BUAINAIN, ANTÔNIO MÁRCIO; BATALHA, MÁRIO OTÁVIO (Org.). Cadeia Produtiva da Carne Bovina.
Brasília: MAPA/SPA/IICA, 2007 (Série Agronegócios, lançada pelo Ministério da Agricultura e Abastecimento,
v.8).
MIELITZ NETTO, CARLOS GUILHERME ADALBERTO. Modernização e Diferenciação na Bovinocultura
de Corte Brasileira. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Economia – Instituto de Economia da
Universidade Estadual de Campinas. Campinas: 1994, 224 f.
SIENA, OSMAR. Metodologia da Pesquisa Científica: Elementos Metodologia da Pesquisa científica: Elementos
para Elaboração e Apresentação de Trabalhos Acadêmicos. Porto Velho: [s.n.], 2007.
SLACK, N & outros. Administração da Produção. São Paulo: Atlas, 2008.
SOUSA, JOÃO PAULO DÓRIA. Implantação de Pastejo em Bovinos de Corte na Fase de Cria e Recria no
Município de Água Fria de Goiás. Planaltina, Boletin técnico UPIS, 2008
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análise comparativa da produtividade dos produtores de