ANÁLISE SOCIOECONÔMICA DA COMERCIALIZAÇÃO DA
PRODUÇÃO DOS PEQUENOS PRODUTORES AGRÍCOLAS
NO MUNICÍPIO DE RANCHO ALEGRE
JÉSSICA POLIZEL
CORNÉLIO PROCÓPIO, PARANÁ
2012
JÉSSICA POLIZEL
ANÁLISE SOCIOECONÔMICA DA COMERCIALIZAÇÃO DA
PRODUÇÃO DOS PEQUENOS PRODUTORES AGRÍCOLAS
NO MUNICÍPIO DE RANCHO ALEGRE
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado
ao curso de Bacharelado em Administração da
Universidade Estadual do Norte do Paraná
Campus de Cornélio Procópio, como requisito
parcial para obtenção do grau de Bacharel, sob
orientação da professora Me. Márcia de Souza
Bronzeri
CORNÉLIO PROCÓPIO, PARANÁ
2012
ANÁLISE SOCIOECONÔMICA DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO DOS
PEQUENOS PRODUTORES AGRÍCOLAS NO MUNICÍPIO DE RANCHO ALEGRE
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de
Administração.
Banca examinadora:
____________________________
Profª. Me Márcia de Souza Bronzeri
UENP - Cornélio Procópio
____________________________
Profº Me André Luis Salvador
UENP - Cornélio Procópio
____________________________
Profª. Me Norma Pimenta C. Ducci
UENP - Cornélio Procópio
Cornélio Procópio, 23 de novembro de 2012.
Dedico aos meus pais, João e Ana, os maiores
incentivadores de minha realização profissional.
AGRADECIMENTOS
A Deus, minha fonte de inspiração nas horas mais difíceis, pois sem ele
nada seria possível.
A Profª. Me Márcia de Souza Bronzeri, minha orientadora, que
acompanhou toda a tragedória do meu trabalho, contribuindo significativamente para
o mesmo. Sempre me incentivando e mostrando o caminho certo a seguir.
A meus pais, que sempre me apoiaram em tudo na vida, que são meu
alicerce nos momentos mais difíceis, e não permitem que eu desanime a cada
obstáculo encontrado.
A todos os pequenos agricultores do Município de Rancho Alegre, que
dispuseram do seu tempo para responder o questionário, para realização da
pesquisa de campo e cumprimento dos objetivos propostos.
“Obstáculos são aqueles perigos que você vê
quando tira os olhos de seu objetivo.”
Henry Ford.
POLIZEL, Jéssica. Análise socioeconômica da comercialização da produção
dos pequenos produtores agrícolas no Município de Rancho Alegre, 2012. 61
páginas. Trabalho de Conclusão de Curso – Universidade Estadual do Norte do
Paraná – UENP/Campus Cornélio Procópio, Cornélio Procópio, 2012.
RESUMO
A comercialização de qualquer bem é importante para garantir que tanto as
necessidades de quem produz, quanto de quem adquire o produto sejam
sastisfeitas, sejam elas de caráter monetário ou pessoal. Considerando a
importância da comercialização e os mecanismos corretos para faze-lo, esse estudo
teve como objetivo identificar quais são as principais dificuldades de comercialização
dos pequenos produtores agrícolas no município de Rancho Alegre. O trabalho
consiste em um estudo de caso de caráter descritivo, sendo a pesquisa de ordem
qualitativa. Como instrumento para coleta de dados foi utilizado o questionário, que
foi aplicado com uma parcela de pequenos produtores previamente selecionados. E
por meio dos dados obtidos, foi possível identificar que entre as dificuldades dos
pequenos produtores destacam-se as oscilações de preços de mercado, a existência
de intermediários e a falta de agregação de valor aos produtos. Os dados indicam
que há necessidade dos produtores melhorarem sua estratégia de gestão e buscar
aperfeiçoar seu conhecimento em relação ao processo que ocorre depois da
porteira.
Palavras chave: comercialização, pequeno produtor, agricultura, dificuldades.
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 – Comparativo do desenvolvimento do cenário agroindustrial de
1970-2006 ................................................................................................................ 18
LISTA DE QUADROS
Quadro 1 – Características dos pequenos produtores ............................................. 41
Quadro 2 – Comparativo da gravidade dos fatores de riscos relacionados á produção
dos pequenos produtores ......................................................................................... 45
LISTA DE SIGLAS
AGF
CAI
Aquisição do Governo Federal
FGAGFS Complexo Agroindustrial
CEASA
Centro Estadual de Abastecimento Sociedade Anônima
CIBRAZEM
Companhia Brasileira de Armazenamento
CFP
Comissão de Financiamento da Produção
COBAL
Companhia Brasileira de Alimentos
CONAB
Companhia Nacional de Abastecimento
COV
Contrato de Opção de Venda
CPR
Cédula do Produtor Rural
EMBRAPA
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
EMBRATER
Empresa Brasileira de Terraplanagem
EPP
Prêmio para Escoamento do Produto
IBGE
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
IICA
Instituto Interamericano de Cooperação para Agricultura
MAPA
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
MAPA
Movimento dos Pequenos Agricultores
MERCOSUL
Mercado Comum do Sul
PAA
Programa de Aquisição de Alimentos
PIB
Produto Interno Bruto
PGPM
Política de Garantia de Preços Mínimos
PRONAF
Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar
SEAPROF
Secretaria de Estado de Extensão Agroflorestal e Produção
Familiar do Acre
SEBRAE
Serviço de Apoio às Pequenas e Micro Empresas
SUNAB
Superintendência Nacional de Abastecimento
UNACOOP
União das Associações e Cooperativas
Produtores Rurais do Rio de Janeiro
de
Pequenos
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO ..................................................................................................... 13
1.1. PROBLEMA DE PESQUISA .............................................................................. 13
1.2. JUSTIFICATIVA ................................................................................................. 13
1.3. OBJETIVOS ....................................................................................................... 14
1.3.1. Objetivo Geral ................................................................................................ 14
1.3.2. Objetivo Específico ....................................................................................... 14
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ............................................................................ 16
2.1. AGRICULTURA .................................................................................................. 15
2.1.1. Histórico da Agricultura................................................................................ 16
2.1.2. Desenvolvimento da agricultura no Brasil .................................................. 17
2.1.3. Projeções do agronegócio ........................................................................... 18
2.2. PEQUENO PRODUTOR RURAL ....................................................................... 20
2.2.1. Caracterização do pequeno produtor rural. ................................................ 20
2.3. MARKETING E AGRONEGÓCIO ...................................................................... 24
2.3.1. Principais obstáculos para comercialização dos produtores rurais ........ 27
2.3.2. Políticas de gestão e estratégias de comercialização de produtos
agrícolas................................................................................................................... 30
2.4. FORMAS DE COMERCIALIZAÇÃO DOS PEQUENOS PRODUTORES .......... 33
3. METODOLOGIA ................................................................................................... 37
3.1. ESPECIFICAÇÃO DO PROBLEMA. .................................................................. 37
3.2. DELINEAMENTO DA PESQUISA ...................................................................... 37
3.2.1. População e amostra... ................................................................................. 38
3.2.2. Coleta de dados ............................................................................................. 38
3.2.3. Tratamento dos dados .................................................................................. 39
3.2.4. Limitações da pesquisa ................................................................................ 39
4. ANÁLISE, DESENVOLVIMENTO E RESULTADOS ............................................. 41
4.1. CARACTERÍSTICAS DOS PEQUENOS PRODUTORES DO MUNICÍPIO DE
RANCHO ALEGRE ................................................................................................... 40
4.2. DIFICULDADES DE COMERCIALIZAÇÃO DOS PEQUENOS PRODUTORES
DO MUNICÍPIO DE RANCHO ALEGRE ................................................................... 44
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................. 50
REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 52
APÊNDICES.............................................................................................................. 57
APÊNDICE A - QUESTIONÁRIO .............................................................................. 58
APÊNDICE B - CARTA DE APRESENTAÇÃO DA PESQUISADORA .................... 61
13
1. INTRODUÇÃO
A princípio a agricultura era simplesmente uma atividade de subsistência. E
ao longo dos anos foi se desenvolvendo e tornando-se uma atividade comercial. A
Revolução Industrial contribuiu significativamente para a evolução dos processos de
produção agrícola, melhorando a eficiência produtiva e aumentando sua capacidade.
A partir do momento que a agricultura torna-se uma atividade comercial, tem
que desenvolver mecanismos eficientes de comercialização de sua produção. Tais
mecanismos ou meios utilizados para comercializar, são a principal dificuldade dos
pequenos produtores.
A atividade rural como qualquer empresa necessita ser eficiente, tanto no seu
processo de produção quanto de comercialização, para assegurar sua existência.
Porém além dos fatores de risco pertinentes a qualquer atividade empresarial,
existem outros como o clima, pragas e doenças, que afetam a produção agrícola.
Partindo desse pressuposto, o presente trabalho, consiste em um estudo de
caso das principais dificuldades de comercialização dos pequenos produtores
agrícolas do município de Rancho Alegre.
O estudo consiste inicialmente da revisão de literatura, onde se caracteriza o
pequeno produtor rural, suas dificuldades e quais técnicas adotadas para vender sua
produção. Em seguida, segue a pesquisa de campo, de caráter descritivo, onde são
apresentadas as principais características do pequeno produtor rural de Rancho
Alegre, e quais suas dificuldades de comercialização, que é o objeto de estudo.
14
1.1. PROBLEMA DE PESQUISA
Quais as dificuldades de comercialização dos pequenos produtores
agrícolas no Município de Rancho Alegre?
1.2. JUSTIFICATIVA
Vender e comprar não são tarefas fáceis, pois se for adotado um mecanismo
inapropriado de comercialização implicará em prejuízo para empresa, mesmo ela
sendo competitiva em termos de eficiência na produção. A competitividade de uma
empresa depende profundamente da sua eficiência na comercialização. Quando se
discute competitividade, é comum referir-se aos aspectos produtivos, pois são
realizados esforços consideráveis para reduzir o custo da produção, no entanto,
esses esforços conduzem a pequenos ganhos que se perde na hora de vender o
produto, se a estratégia adotada para comercializar não for à correta. (AZEVEDO,
2001, p.65)
Entre as situações que levam a gerar e implementar um sistema de
comercialização agrícola estão os desajustes entre o crescimento da demanda e o
da oferta, bem como o desequilíbrio da produção entre o mercado externo e interno.
A falta de resposta a uma demanda crescente deve-se a um conjunto de fatores,
como a falta de incentivos econômicos, escassez de recursos, instabilidade
monetária e sistemas de comércio ineficazes. (MENDES; PADILHA JUNIOR, 2007,
p.2)
A comercialização agrícola é fundamental na economia, pois é o vinculo entre
o setor produtivo e o consumidor final. O encaminhamento organizado dos bens
agrícolas produzidos permite que os consumidores obtenham produtos com as
características desejadas. (MENDES; PADILHA JUNIOR, 2007, p.1)
Porém para os pequenos produtores a comercialização, que é fator
estratégico em qualquer atividade, é um grande desafio a ser enfrentado. Tanto que,
15
nos últimos tempos, buscando resultados de ganhos de produtividade e
diversificação da produção, a agropecuária de pequeno porte não teve um avanço
considerável no esforço de novos e adequados mecanismos de comercialização.
(SERVIÇO DE APOIO ÀS PEQUENAS E MICRO EMPRESAS (SEBRAE), 2012a)
Com isso, esse trabalho visa identificar as dificuldades de comercialização
dos pequenos produtores no Município de Rancho Alegre. E servirá como referencial
para os debates acadêmicos e para subsídio aos pequenos produtores do município.
1.3. OBJETIVOS
1.3.1 Objetivo Geral
Este trabalho tem como objetivo identificar quais são as principais dificuldades
de comercialização de pequenos produtores agrícolas no Município de Rancho
Alegre
1.3.2 Objetivos Específicos
- Caracterizar a atividade agrícola em pequenos produtores e seus processos
de comercialização.
- Caracterizar os pequenos produtores agrícolas do Município de Rancho
Alegre.
- Apontar as principais dificuldades de comercialização dos pequenos
produtores agrícolas do Município de Rancho Alegre.
16
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Neste capítulo será apresentada a base teórica, e tem como objetivo
esclarecer aspectos da agricultura relacionados ao seu desenvolvimento, a aspectos
econômicos, e suas perspectivas futuras. Além de abordar a contextualização de
pequeno produtor rural e a comercialização.
Inicia-se com as considerações referentes à agricultura, seguido da
caracterização de pequeno produtor e os aspectos relacionados à comercialização
que o envolvem. Tem como finalidade, servir de base para coleta e análise dos
dados, visando à concretização dos objetivos gerais e específicos propostos.
2.1. AGRICULTURA
A agricultura contribui para o desenvolvimento como atividade de
subsistência, atividade econômica e fornecedora de serviços ambientais. Em
sincronia com outros setores funciona como fonte de crescimento mais rápido, e se
bem distribuída, reduz a pobreza. (BANCO MUNDIAL, 2007, p. 2)
É definida pelo dicionário de língua portuguesa Aurélio (2011, p.62), como
atividade de cultivar os campos, para produção de vegetais úteis ao homem;
lavoura.
Barros (1975, p.70), propõe que a agricultura é "a artificialização pelo
homem do meio natural, com o fim de torná-lo mais apto ao desenvolvimento de
espécies vegetais e animais, elas próprias melhoradas”. Foi também definido que
"a agricultura é a arte de obter do solo, mantendo sempre a sua fertilidade, o
máximo lucro". (DIEHL, 1984, p.114)
Com isso, pode-se entender que a agricultura é o processo de usar o solo
para cultivar plantas com o objetivo de obter alimento para consumo ou
comercialização, e gerar matéria-prima para as mais diversas necessidades.
17
2.1.1. Histórico da Agricultura
No período pré-histórico, a maioria das famílias era auto-suficiente, pois
produziam os produtos que necessitavam. Fabricavam a própria farinha, teciam suas
roupas e abatiam seus animais. Com o passar do tempo perceberam que os
diferentes recursos e talentos permitiam-lhes produzir coisas melhores que outras.
(MENDES; PADILHA JUNIOR, 2007, p.3)
Até meados do século XX, a maioria da população estava concentrada no
campo, onde plantavam e criavam animais. Com a Revolução Tecnológica e o
processo
de
desenvolvimento
das
cidades,
que
passaram
a
crescer
consideravelmente, a agricultura deixou de ser atividade de subsistência e passou a
ser a uma operação comercial, "em que os agricultores consomem cada vez menos
o que produzem". (ARAÚJO; WEDEKI; PINAZZA, 1990, p.12)
Os produtores começaram a se especializar na sua atividade. E as operações
de armazenagem, distribuição, processamento, passaram a ser executadas por
agentes externos.
“Da porteira da fazenda para fora, estrutura-se um moderno parque
industrial, que fornece bens de capital e os insumos modernos que
abastecem o campo, como máquinas, equipamentos e implementos
agrícolas,
fertilizantes,
sementes
melhoradas,
defensivos,
vacinas,
medicamentos, rações etc.” (ARAÚJO; WEDEKI; PINAZZA 1990, p. 2)
Além da especialização, a tecnologia tanto no interior da propriedade quanto
fora dela, contribuíram substancialmente para a evolução do sistema de
comercialização, com o objetivo de aumentar a produtividade e com isso a
produção. (MENDES; PADILHA JUNIOR, 2007, p.5)
18
2.1.2. Desenvolvimento da agricultura no Brasil
O termo agricultura e agropecuária têm sido utilizados como sinônimos na
economia brasileira. Referem-se ao setor produtivo baseado na atividade rural, que
tem na terra um fator de produção essencial. Atualmente usa-se o termo
agropecuária para nomear o grupo de atividades que usam a terra como fator de
produção, seja para criação de animais, ou plantação. Sendo assim, a agricultura
passa a ser um subsetor da agropecuária e a pecuária outro subsetor. E o termo
agronegócios é a tradução do agribusiness e refere-se ao conjunto de atividades
vinculadas à agropecuária. (BACHA, 2004, p.14)
A agricultura brasileira produz uma série de bens e serviços, e por ser um
bem de desenvolvimento inicial serve de capital para investimentos em outros
setores da economia. Além disso, à medida que a população do país cresce, a
provisão de alimentos a população urbana e rural passa a ser função básica da
agropecuária. (BACHA, 2004, p 14-30)
No Brasil o forte desenvolvimento do agronegócio se deve na década de 70,
pela criação dos órgãos federais Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
(Embrapa) e Empresa Brasileira de Terraplanagem (Embrater), que eram
responsáveis por atividades de pesquisa e extensão rural, em todo país. Tanto a
lavoura quanto a pecuária tiveram forte crescimento no período. E com toda a
expansão física e modernização do setor, isso implicou no forte crescimento do
Produto Interno Bruto (PIB). Na década seguinte, o crédito rural sofreu mudanças e
o volume de crédito rural diminuiu e como conseqüência os agricultores utilizaram
recursos próprios ou de terceiros. A partir de 1997, o Governo Federal começou a
adotar políticas para garantir preços mínimos aos produtos, por meio de programas
federais. (BACHA, 2004, p. 174-176)
As
mudanças
no
cenário
agrícola
do
Brasil
e
desenvolvimentos podem ser identificadas na Tabela 1, abaixo.
sua
expansão
e
19
Tabela 1: Comparativo do desenvolvimento do cenário agroindustrial de 1970-2006
DADOS
ESTRUTURAIS
ESTABELECIMENTOS
QUANTIDADE)
1970
1975
4.924.019
4.993.252
ÁREA TOTAL
(HECTARES) 294.145.466
CENSOS
1980
5.159.851
1985
5.801.809
1995
4.859.865
323.896.082 364.854.421 374.924.929 353.611.246
2006
5.204.130
354.865.534
UTILIZAÇÃO DAS TERRAS
LAVOURAS
(HECTARES)
PASTAGENS
(HECTARES)
33.983.796
40.001.358
49.104.263
52.147.708
41.794.455
154.138.529 165.652.250 174.499.641 179.188.431 177.700.472
76.697.324
172.333.073
Fonte: IBGE, 2012
Como pode ser observado pela Tabela 1, o número de estabelecimentos
agropecuários no ano de 1970 era de 4.924.019 hectares, já em 2006 esse número
foi para 5.204.130 ha, um aumento de 5,68% em 36 anos. A área total produzida
também aumentou em 60.720.068 hectares de 1970 a 2006, o que significa um
aumento percentual de 20,64%, em relação ao aumento do número de
estabelecimentos.
Em comparativo com as pastagens, a lavoura ao longo de aproximadamente
três décadas aumentou em 126,68%, passando de 33.983.796 hectares para
76.697.342 hectares de áreas cultivadas. No mesmo período o aumento da área de
pastagem foi de apenas 11,80%.
2.1.3. Projeções do agronegócio
O Brasil é um dos líderes mundiais na produção e exportação de vários
produtos agropecuários, e o líder em produção e exportação de café, açúcar, etanol
de cana-de-açúcar e suco de laranja, liderando também o ranking de exportação do
complexo soja, que representa o maior peso na balança comercial brasileira.
20
(MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECURÁRIA E ABASTECIMENTO. (MAPA),
2012a)
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2012),
o PIB brasileiro em 2011, em relação ao quarto trimestre de 2010, cresceu 1,3%, e o
maior destaque foi à agropecuária com crescimento de 3,3%. O Produto Interno
Bruto (PIB) “de um setor mostra a parcela do valor da produção, que é apropriada
pelos fatores de produção desse setor.” (MENDES, 1989, p.31), ou seja, ele aponta
o crescimento ou não de determinado setor.
De acordo com o MAPA (2012b), as projeções para o agronegócio a longo
prazo, são favoráveis na maioria dos bens produzidos, como é o caso do café, onde
a estimativa de crescimento é cerca de 3,5% ao ano. A Associação Brasileira da
Indústria de Café – ABIC (2011), estima que o aumento do consumo em 2001 foi de
4,0% e vem crescendo desde 2003. O consumo de café no país tem aumentado e
as estimativas para exportações de café estão projetadas para 2019/2020 em 37,7
milhões de sacas. Outros setores com carne, açúcar e leite, também demonstram
intenso crescimento para os próximos anos.
As culturas que mais se destacam em relação às projeções, deverão ser o
algodão, soja em grão, carne de frango, açúcar, milho e celulose. Esses produtos
são os que indicam maior potencial de crescimento das exportações nos próximos
anos. (MAPA 2012b),
As colheitas de milho indicam um aumento de 16,3 milhões de toneladas
entre as safras 2011/2012 e 2021/2022. Em 2021/2022 a produção deverá
encontrar-se na casa dos 70,4 milhões de toneladas, e o consumo será de 58,8
milhões. Esses resultados indicam que para atender o consumo, o Brasil deverá ter
um excedente de 11,4 milhões de toneladas para suprir os estoques e as
exportações.
Se tratando do trigo, a produção projetada para o mesmo período é de 6,9
milhões de toneladas, e um consumo de 11,7 milhões de toneladas no mesmo ano.
O consumo interno no País deverá crescer em média 1,2% ao ano, entre 2011/12 e
2021/2022. E apesar da produção de trigo aumentar cerca de 1,9%, o Brasil deve
manter-se como um dos maiores importadores mundiais.
21
As estimativas realizadas até 2021/2022 são de que a área total plantada
com lavouras deve passar de 64,9 milhões de hectares em 2012 para 71,9 milhões
em 2022. Um acréscimo de 7,0 milhões de hectares. Essa expansão de área está
concentrada em soja, mais 4,7 milhões de hectares, e na cana-de-açúcar, mais 1,9
milhão. A expansão de área de soja e cana de açúcar deverá ocorrer pela
incorporação de áreas novas e também pela substituição de outras lavouras que
deverão ceder área. O milho deve ter uma expansão de área por volta de 600 mil
hectares. MAPA (2012b)
2.2. PEQUENO PRODUTOR RURAL
Na literatura é comum verificar o uso do termo pequeno produtor como
sinônimo de agricultura familiar. Segundo Medeiros (2001, p.117), o termo pequeno
produtor era dominante até 1980, e depois foi substituído por agricultura familiar.
Para Portugal (2012) “a agricultura familiar é constituída por pequenos e médios
produtores”.
Porém, para esse trabalho será usada como base a LEI Nº 11.428, de 22 de
dezembro de 2006, que define:
“pequeno produtor rural: aquele que, residindo na zona rural, detenha a
posse de gleba rural não superior a 50 (cinqüenta) hectares, explorando-a
mediante o trabalho pessoal e de sua família, admitida a ajuda eventual de
terceiros, bem como as posses coletivas de terra considerando-se a fração
individual não superior a 50 (cinqüenta) hectares, cuja renda bruta seja
proveniente de atividades ou usos agrícolas, pecuários ou silviculturais ou
do extrativismo rural em 80% (oitenta por cento) no mínimo.“ (BRASIL,
2006)
2.2.1. Caracterização do pequeno produtor rural
Em geral, os pequenos agricultores possuem baixo nível de escolaridade e
os produtos cultivados são diversificados para diminuir custos, aumentar a renda e
aproveitar as oportunidades de oferta e de mão-de-obra disponível. São cerca de
22
4,5 milhões de estabelecimentos, enquadrados como propriedade de pequeno
porte. Esse segmento detém cerca de 20% das terras e responde por
aproximadamente 30% da produção mundial. No Brasil chegam a ser responsáveis
por 60% da produção em segmentos como feijão, arroz, milho, hortaliças,
mandioca. (PORTUGAL, 2012)
A agricultura de pequeno porte, constituída por pequenos e médios
produtores representa a maioria de produtores rurais no Brasil, com papel crucial
na economia das pequenas cidades, sendo que 4.928 municípios têm menos de
50.000 habitantes e, destes, mais de 4.000 têm menos de 20.000 habitantes. E
com isso compõem a chamada agricultura familiar, responsável por inúmeros
empregos no comércio e na prestação de serviços nas pequenas cidades.
(PORTUGAL, 2012)
Esse segmento ocupa mais de 80% do setor rural e responde no Brasil por
sete de cada dez empregos no campo, e por aproximadamente cerca de 40% da
produção agrícola. Atualmente a maior parte dos alimentos que abastecem a mesa
dos brasileiros vem das pequenas propriedades. Além disso, favorece o emprego
de práticas produtivas ecologicamente equilibradas, como diversificação de cultivos
e utilização de menos insumos industriais. Em 2009, cerca de 60% dos alimentos
distribuídos pela Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) veio da
Agricultura familiar. (CONAB, 2012)
Quando se analisa o cenário dos pequenos agricultores, pode-se observar
que os problemas são diferente para cada região, estado ou município. Na região
Norte há dificuldades de comercialização, devido à distância dos mercados
consumidores e o esgotamento da terra nas áreas de produção. No Nordeste são
minifúndios inviáveis economicamente. No Sudeste a dificuldade está na exigência
em qualidade e saúde dos produtos por parte dos consumidores. Já na região Sul é
a concorrência externa de produtos do Mercado Comum do Sul (MERCOSUL).
(PORTUGAL, 2012)
O pequeno produtor rural, por sua baixa produção, e com reduzida
capacidade de poupança, está sujeito a grandes obstáculos para se beneficiar dos
Instrumentos de Política Agrícola. A insuficiência de recursos, na época de
entressafra, faz com que seja obrigado a vender antecipadamente e a baixos preços
23
a produção, a fim de conseguir suprir suas necessidades de bens de consumo. E
por não dispor de opções de compra para seus produtos, surge a figura dos
intermediários, obrigando-lhes a comprometer a venda de sua produção. De outro
lado, quando dispõe de uma parcela de produtos para venda, não conta com meios
para transportá-la. Esses obstáculos constituem os principais elos de uma cadeia
conhecida como processo produção/mercado, o que o leva na maioria das vezes à
situação de pobreza. (INSTITUTO INTERAMERICANO DE COOPERAÇÃO PARA
AGRICULTURA (IICA), 1982, p.68)
A atividade agrícola está sujeita ao fator clima que o homem não pode
controlar e, não está imune a pragas e doenças, que trazem instabilidade ao
mercado, e com isso, oscilações nos preços e na renda dos produtores. (ARAÚJO,
1990, p.10). Outro ponto a ser considerado é o fato de que uma parcela significativa
de pequenos produtores rurais acaba ignorando a evolução do mercado e as
alterações no mercado de consumo, prestando atenção apenas na sua atividade,
como se ela estivesse desvinculada dos outros segmentos da cadeia. (NANTES;
SCARPELLI, 2001, p. 572)
A agricultura é um setor da economia em que o gerenciamento da produção é
uma coisa difícil. No setor industrial, as empresas podem sujeitar-se a excedentes
de produção. Porém se isso prevalecer, a decisão gerencial é de reduzir a produção,
até equilibrar novamente a oferta e a demanda a níveis de preço compatíveis no
mercado. Já na agricultura, em um eventual excedente de produção, restaurar o
equilíbrio não é tão rápido quanto em uma empresa. Freqüentemente, mesmo em
um ambiente de queda de preços, ainda continuam sendo produzidas quantidades
consideráveis de determinado produto.
E esse comportamento na produção de
alimentos é resultante de diversos fatores, alguns inerentes à própria natureza do
negócio agrícola, ou resultante da estrutura organizacional do Complexo
Agroindustrial (CAI), termo adotado em 1957 pelos americanos Davis & Goldberg.
(ARAÚJO; WEDEKI; PINAZZA, 1990, p.10)
O conceito de Complexo Agroindustrial tem um enfoque multissetorial, pois
abrange
as
relações
comerciais
e
tecnológicas,
que
caracterizam
a
interdependência entre os segmentos agropecuários, industrial e de serviços. As
instituições do CAI, podem ser enquadradas em três categorias: na primeira
24
encontram-se os fazendeiros, processadores e distribuidores, responsáveis pelo
operacional, que são responsáveis por manipular e impulsionar fisicamente o
produto; na segunda categoria, figuram as empresas de insumos e demais fatores
de produção; no terceiro, situam-se os mecanismos coordenadores, como governo,
sindicatos e etc., que cuidam da integração das diferentes seções envolvidas. Davis
e Goldberg definiram CAI, como a soma total das operações de produção,
distribuição de insumos, unidades rurais e de armazenamento e bens preparados.
(PEIXOTO; TOLEDO; REICHARDT, 1995, p.403)
“Os produtos agropecuários seguem por diversos caminhos até chegar aos
consumidores, tanto na forma in natura, como beneficiados, processados ou
transformados” (ARAÚJO, 2010, p. 72). Por isso, há necessidade dos produtores
estarem atentos ao que acontece da porteira para fora, onde estrutura-se um
moderno parque industrial. Pois o “meio rural, face às suas inúmeras atividades e
volume financeiro das transações (compra, venda, contratação de serviço, produção
etc.), constitui-se numa empresa, mesmo não estando sempre formalmente assim
denominado e estruturado.” (BARROS, 1975, p. 122)
Os pequenos produtores, quando encontram condições favoráveis de
estímulos, possuem enorme capacidade de diversificarem suas atividades, absorver
tecnologias e, em alguns casos, são capazes de desenvolver atividades
agropecuárias especializadas, que requerem técnicas sofisticadas de administração
com características empresariais. Podem utilizar de forma intensiva os fatores de
produção, terra e mão-de-obra, com custos baixos. Quando trabalham em forma de
associativismo (de produção, processamento, comercialização e consumo próprio),
são capazes de competir em produtividade, competitividade, qualidade e custos com
os modelos empresariais, em face dos benefícios de economia de escalas em seu
empreendimento. (IICA, 1982, p.79-80)
25
2.3. MARKETING E AGRONEGÓCIO
O desenvolvimento histórico do marketing está relacionado com a própria
história do homem. É o resultado direto da especialização e da tecnologia usada na
produção, uma vez que ambas resultam numa produção que excede as
necessidades de subsistência, tanto para uso imediato, como para uso futuro.
(MENDES; PADILHA JUNIOR, 2007, p.3)
O marketing dentro do agribusiness utiliza basicamente os mesmos conceitos
de outros setores produtivos, porém possui particularidades como: (SILVA;
BATALHA, 2001, p, 129)
● natureza dos produtos (perecibilidade, sazonalidade)
● características da demanda (bens de consumo corrente, produtos em
ascensão ou estabilizados ou em declínio, sazonalidade)
● comportamento do consumidor (dimensão psicológica: preocupação com
saúde, etc.)
● dispersão do setor de produção agropecuária
● concentração do setor de distribuição
● importância das cooperativas no negocio de transformação de produtos de
origem agropecuária
Uma pequena propriedade rural, vista como uma pequena empresa tem
características únicas que a torna diferente das grandes corporações, nesse caso
referindo-se as grandes propriedades. Em relação às mesmas o fator significativo
entre elas está no número de pequenas propriedades, que como já mencionado
anteriormente, é maioria no Brasil. Todas as empresas têm limitações entre o que
podem e o que desejam fazer, qualquer atividade está inibida perante a falta de
recursos financeiros, pessoas e conhecimento técnico. Todavia quanto maior for à
corporação, mais escopo terá para gerar recursos financeiros para projetos, no caso
das pequenas empresas, poucas opções estão disponíveis (CARSON, 2005, p. 540)
26
A abordagem dos sistemas agroindustriais propõe que se trabalhem as
cadeias agroindustriais identificando o consumidor final, suas características,
padrões de preferência, tendências de mudanças, formas de organização social e
capacidade de interferir sobre a cadeia. A cadeia de produção pode ser dividida em
três
macrossegmentos:
produção
de
matérias-primas,
industrialização
e
comercialização. Segundo as características dos mercados a eles associados, podese identificar quatro enfoques para o marketing do sistema agroindustrial: (SILVA;
BATALHA, 2001, p, 130)
● marketing alimentar (situa-se pelo consumidor final, caracteriza-se pela
interface entre varejista e consumidor).
● marketing agroindustrial (situa-se entre industrialização e distribuição).
●
marketing
agrícola
(mercados
relacionados
entre
agroindústria
e
agricultura).
● marketing rural (situa-se entre produtores de insumos e produtores rurais).
O papel da comercialização e de suas atividades é de basicamente facilitar as
respostas a indagações econômicas: ‘o que’, ‘quanto’ e ‘como’ ‘produzir’, ‘quando’,
’como’ e de que forma distribuir. Resume-se basicamente em orientar a produção, o
consumo e produzir utilidades. (MENDES; PADILHA JUNIOR, 2007, p.12)
Tratando-se de marketing, uma das maiores influências sobre a pequena
empresa, está no proprietário, na verdade é a influencia desse individuo que
caracteriza o estilo e a natureza do marketing executado na propriedade. (CARSON,
2005, p.540)
As transações de mercadoria diferenciam-se uma das outras e sistematizar
essas diferenças, não é uma tarefa trivial. Conforme as características de cada
transação, um determinado mecanismo de comercialização será mais adequado. Os
comodities são comercializados mais eficientemente através de mercados spot ou
de futuros. Já produtos sensíveis a variação qualitativa e compras regulares são
comercializadas através de contrato a longo-prazo. (AZEVEDO, 2001, p.71)
As alternativas ou estratégias de comercialização são mecanismos envolvidos
na transferência de propriedade dos produtos agropecuários. Dada a carência de
27
mecanismos apropriados para a comercialização, o setor privado, assumiu papel
fundamental nesse segmento, agindo como financiador e criador de mecanismos de
comercialização. Na comercialização, o grande problema dos produtores centra-se
na variabilidade dos preços agropecuários, que os força a buscar novas maneiras de
vender sua produção, para tentar fugir das flutuações de preço entre os período de
plantio e venda na safra. (MENDES; PADILHA JUNIOR, 2007, p.276)
De acordo com Mendes e Padilha Junior (2007, p.277-287) as principais
alternativas de comercialização disponíveis ao produtor rural são:
● Venda á vista na época da colheita - nessa alternativa, normalmente o
produtor abandona a possibilidade de obter um retorno mais condizente com o
investimento devido ao excesso de oferta nesse período.
● Contrato de venda antecipado da produção – nessa modalidade, é feito um
contrato antecipado para entrega futura dos produtos. Cada vez mais utilizada
devido ao fato dos financiamentos realizados pelo Estado tanto para custeio como
para comercialização serem escassos.
● Estocagem para especulação – esse método permite ao produtor estocar a
produção na época da colheita e vender no período da entressafra, esperando obter
um preço melhor.
● Venda com preço autorizado - alternativa na qual se entrega a produção na
época da colheita, e ao mesmo tempo estipula um preço pelo qual a cooperativa
está disposta a efetuar a venda da produção.
● Venda com preço a fixar – essa alternativa apresenta duas modalidades,
caso a operação seja feita com particular ou por cooperativa. Na primeira entrega-se
e transfere o titulo ao comprador na época da colheita, mais se fixa o preço mais
tarde, e com custo de armazenamento pré-fixado. Na segunda modalidade, por meio
da cooperativa, a mercadoria ainda pertence ao produtor e sua venda só poderá
ocorrer após o associado fixar o preço.
● Venda em comum ou pooling – é uma alternativa com a qual a cooperativa
após receber a produção, efetua as vendas em diferentes épocas, a fim de obter um
preço médio, permitindo reduzir os custos de mercado.
28
● Prêmio para escoamento do produto (EPP) – constitui-se em uma
subvenção econômica concedida pelo governo, mediante leilão público, utilizada
posteriormente pelo arrematante para aquisição de produtos pelo valor garantido
pelo governo federal, estabelecidas em regulamento.
2.3.1. Principais obstáculos para comercialização dos produtores rurais
Comercialização é um processo complexo e devem ser levados em conta
todos os fatores externos que possam afetar os objetivos da empresa, as formas de
produção, a carteira de produtos e serviços. Além disso, deve-se estar atento às
perspectivas econômicas, às tendências de consumo e à atuação da concorrência,
entre outros fatores externos. (SEBRAE, 2012b)
Para Segatti e Hespanhol (2008, p. 620) “a maior dificuldade dos pequenos
produtores rurais reside na comercialização dos seus produtos”. Numa visão
limitada, a comercialização de produtos agrícolas pode ser entendida como o
simples ato do agricultor que faz a transferência do seu produto para outros agentes
que compõem a cadeia produtiva na qual está inserido. Entretanto, trata-se de um
“processo contínuo e organizado de encaminhamento da produção agrícola ao longo
de um canal de comercialização, no qual o produto sofre transformação,
diferenciação e agregação de valor.” (MENDES; PADILHA JUNIOR, 2007, p.1)
Tanto o pequeno quanto o grande produtor rural se inserem no mercado com
o objetivo de vender e produzir lucros com sua produção. Mas enfrentam
concorrência de diversas formas. Em primeiro lugar concorrem com outros
agricultores, tanto da mesma região, quanto de outras regiões. (PORTER, 1996,
p.153)
A produção agroindustrial é um bem de primeira necessidade e de baixo valor
unitário. Tal característica é evidente se compararmos alimentos em geral, com
automóveis ou com um computador. Esse fato faz com que a variação do preço dos
produtos não afete a quantidade consumida, pois uma família que possua uma
29
renda baixa, eventualmente pode deixar de comprar um microondas se o preço
subir, mais dificilmente deixará de adquirir arroz ou feijão. (AZEVEDO, 2001, p. 65)
Os produtos agroindustriais diferenciam-se uns dos outros, consistem em
produtos alimentares em sua maioria, mais outros como tecidos ou borracha,
atendem a outros anseios dos consumidores. Enquanto alguns produtos podem ser
estocados por determinado tempo, sem a necessidade de muitos cuidados, como o
café, existem aqueles perecíveis como o derivado do leite, e os que necessitam de
um processamento complexo, como papel. (AZEVEDO, 2001, p. 65)
Os produtos da agricultura estão sujeitos a riscos e incertezas próprios da
atividade rural, que causam impacto direto nos custos de produção e lucratividade
de todos os agentes integrantes da cadeia produtiva (fornecedores de insumos,
propriedades rurais, indústria, atacado e varejo). De acordo com Waquiel, Miele e
Shultz (2010, p.35) os riscos estão relacionados com as especialidades e podem ser
divididos em três:
● Riscos relacionados à produção: estão relacionados com as condições
climáticas adversas, aparição de pragas e doenças.
● Riscos relacionados ao crédito: aqueles oriundos da inexistência de forma
de financiamento, altas taxas de juros, valores incompatíveis para financiamento dos
custos operacionais de produção, incapacidade e falta de condições de pagamento.
● Riscos relacionados aos preços: oriundos dos movimentos de preços no
mercado, devido a alterações da oferta ou demanda dos produtos agrícolas.
De acordo com Sandroni (2006, p.160), demanda é “a quantidade de um bem
ou serviço que um consumidor deseja e está disposto a adquirir por determinado
preço e em determinado momento”, enquanto a oferta é “a quantidade de bens ou
serviços que se produz e se oferece no mercado, por determinado preço e em
determinado período de tempo.” (SANDRONI, op. cit, p.429)
O produtor rural enfrenta adversidades não somente à produção e ao
financiamento, mas principalmente às expectativas futuras relacionadas às cotações
de preços e respectivas oscilações. Tais oscilações são difíceis de prever e
30
dificultam o planejamento da produção e comercialização, bem como a tomada de
decisão por parte dos agricultores. (WAQUIL; MIELE; SCHULTZ, 2010, p. 35)
Para Araújo (2010, p. 2), as divisões que formam a cadeia do agronegócio
podem ser distinguidas em segmentos antes e depois da porteira.
O segmento antes da porteira relaciona-se com os recursos necessários para
a produção no campo “fazem parte deste segmento máquinas, equipamentos,
fertilizantes, componentes químicos, medicamentos veterinários, vacinas, compostos
orgânicos, melhoramento genético, sementes, rações e implementos”. (CALLADO;
CALLADO, 2011, p. 5)
Acredita-se que este seja um dos fatores mais críticos para os pequenos
produtores, pois tal segmento é formado [...] “por poucas e grandes empresas que,
atuando em conjunto ou isoladamente, são capazes de influir nos preços e nas
quantidades dos produtos ofertados, além de ter acessos políticos” (ARAÚJO, 2010,
p. 33). E com isso estas empresas exercem forte pressão nos produtores, que
acabam adquirindo insumos com valores elevados.
O segmento depois da porteira, que é o processo para se chegar ao
consumidor final, “abrange todas as atividades relacionadas à distribuição e
comercialização dos produtos agroindustriais até que eles atinjam os consumidores
finais [...]” (CALLADO; CALLADO, 2011, p. 10). Portanto é importante que o
pequeno produtor rural esteja a par dos elos que envolvem a cadeia produtiva da
qual faz parte, para que possa escolher a mais adequada alternativa às suas
necessidades.
Os canais de distribuição pelo qual seguem os produtos podem-se distinguir
de acordo com Sproesser (2001, p. 244), em diretos e indiretos, no primeiro o
produtor garante o conjunto de atividades junto aos consumidores e os indiretos, que
comportam, em número mais ou menos importante, os agentes intermediários. Os
canais indiretos podem ser curtos ou longos, sendo curto quando é composto por
um produtor e um conjunto de varejistas e o longo envolve pelo menos um
intermediário, geralmente um atacadista entre o produtor e o varejista. O
comprimento de um canal de distribuição é o resultado das escolhas feitas em
função dos fatores. A opção por um desses canais coloca em questão a utilidade
31
econômica do atacadista, quem cumprem o papel de redutores de contato entre
produtores e varejistas, efetuando as funções de armazenamento, e divisão de lotes
em função das necessidades dos clientes.
Levando em conta que o fato de que uma propriedade rural é como uma
empresa, deve-se destacar a tomada de decisão como um fator de grande
importância e impacto. “A tomada de decisões dentro do âmbito empresarial
consiste na escolha da opção dentre cursos alternativos que melhor se enquadre em
seus interesses” (CALLADO; MORAES FILHO, 2011, p. 25). Porém, isso não é
tarefa fácil, pois exige conhecimento de mercado, antecipação de tendências, estudo
do capital envolvido e etc. Infelizmente isso não acontece no campo, pois muitas
vezes, “as decisões são estritamente empíricas, sujeitas a alto grau de incerteza.”
(NANTES; SCARPELLI, 2001, p. 563)
Outra dificuldade dos pequenos agricultores consiste no intenso ritmo de
atualização tecnológica no campo, e que tem requerido a atualização de
informações e a adoção de mecanismos de aprendizagem e formação profissional e
empresarial dos produtores rurais, o que não é tarefa fácil para a maioria dos
pequenos produtores rurais, os quais têm sido sistematicamente desalojados do
ambiente em que estão inseridos devido à alta necessidade de se produzir em
grande quantidade, com padrão e qualidade elevados e a preços competitivos.
(SEGATTI; HESPANHOL, 2008, p. 616)
2.3.2. Políticas de gestão e estratégia de comercialização de produtos
agrícolas
No Brasil existem iniciativas governamentais, em resposta a pressões do
setor produtivo ou a crises no abastecimento, como instrumentos públicos de apoio
à comercialização agrícola. Entre elas pode-se destacar a criação da Comissão de
Financiamento da Produção (CFP), em 1943, que depois passou a executar a
Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM). Na década de 1960, foram criadas
a Superintendência Nacional de Abastecimento (SUNAB), a Companhia Brasileira
32
de Alimentos (COBAL) e a Companhia Brasileira de Armazenamento (CIBRAZEM),
esses órgãos eram responsáveis pelo abastecimento de alimentos, incluindo
controle de preços, escoamento e armazenamento. E em 1990, por meio da fusão
dos três criou-se a CONAB, que atualmente é vinculada ao Ministério da Agricultura,
Pecuária e Abastecimento (MAPA). (WAQUIL; MIELE; SCHULTZ, 2010, p.50)
Entre os instrumentos disponibilizados aos produtores rurais estão:
A Garantia de Preços Mínimos é um instrumento ainda em uso, que garante
um preço pré-fixado e anunciado previamente, antes do início do plantio. Com isso,
o governo assegura para os produtores, independente dos preços de mercado, a
venda de sua produção pelo preço mínimo. (BUAINAIN, 2007, p.67)
Aquisição do Governo Federal (AGF) consiste na venda da produção ao
governo. O governo adquire os excedentes em períodos de safras abundantes para
posterior retorno ao mercado em períodos de escassez. Funciona como um
mecanismo de equilíbrio entre a oferta e a demanda de uma safra para outra. A AGF
é importante porque, por intermédio dela, o governo pode garantir com eficiência o
preço mínimo quando os preços estão abaixo do mercado. (WAQUIL; MIELE;
SCHULTZ, 2010, p.51)
Empréstimo do Governo Federal, segundo WAQUIL, MIELE, SCHULTZ,
(2010, p.51), ou Crédito para Comercialização conforme Buainain, (2007, p.75),
permite, segundo os autores, que os produtores estoquem parte de sua colheita, o
que reduz a oferta na época da colheita, e com isso a pressão sobre os preços de
mercado em beneficio dos agricultores. Esse crédito para comercialização tem como
parâmetro o preço mínimo e como garantia a parte da produção estocada em
armazéns credenciados. Durante o período de estocagem o produtor pode realizar
as venda a qualquer momento, se os preços forem compensadores.
Contrato de Opção de Venda (COV). Constitui-se de uma modalidade
amplamente, por meio da qual o comprador da opção faz um hedge, que segundo
Luquet (2007, p.117) “são carteiras que podem operar diversos mercados de forma
simultânea e utilizam fartamente os mercados futuros e de opções”; para assegurar
a compra ou venda de determinada mercadoria a um preço preestabelecido. Para
Buainain, (2007, p.77) essa opção, funciona como um seguro de preço.
33
Cédula do Produtor Rural (CPR). Trata-se de um titulo de promessa de
entrega futura de produtos rurais emitido pelo produtor, associação ou cooperativa
de produtores, e que pode ser negociado em mercados de bolsas ou balcão. Sua
liquidação só é validada por meio da entrega do produto. (WAQUIL, MIELE,
SCHULTZ, 2010, p.52)
É importante salientar que além desses instrumentos, existem outros, que são
disponibilizados pelo governo, conforme apresentado nos trabalhos de Waquil,
Miele, Schultz, (2010, p.51-53), e Buainain (2007, p.74-78). Portanto, por meio da
intervenção do governo, na concessão de crédito, possibilita aos produtores
estocarem seus produtos e aguardarem melhores oportunidades de mercado. O
crédito permite a regulação da oferta ao longo do ano e tem papel fundamental na
estabilização de preços.
Tratando-se dos pequenos produtores, existem programas com âmbito
nacional de garantia de comercialização. A estratégia que vem orientando as
definições do governo em relação à agricultura desde os anos 1990 baseia-se em
dois componentes que são o fortalecimento da competitividade da agricultura
empresarial e o fortalecimento da agricultura familiar. (BUAINAIN, 2007, p.90)
Enquanto a ação prioriza as melhorias na infraestrutura e incentivos através
de novas políticas agrícolas, o fortalecimento da agricultura familiar está centrado
em dois programas básicos: Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura
Familiar (PRONAF) e o Programa Nacional de Reforma Agrária. O primeiro não foi
de fato implementado e tem sido um programa de crédito de custeio. O lançamento
do PRONAF pelo Governo Federal e o retorno da reforma agrária à pauta política
significaram uma reestruturação na orientação da política agrícola brasileira. Tratouse do reconhecimento e da importância econômica e social gerados da agricultura
familiar, incorporando esses agricultores e trabalhadores rurais como possíveis
beneficiários de ações da política agrícola. (BUAINAIN, 2007, p.91)
O PRONAF tem como objetivo a aquisição dos produtos oriundos da
agricultura familiar com preço compensador, trazendo segurança e incentivo para o
pequeno agricultor. Serve para fortalecer a agricultura familiar e contribuir para gerar
emprego e renda nas áreas rurais e urbanas e com isso melhorar a qualidade de
vida dessa classe de produtores. (CONAB, 2012; BUANAIN, 2007, p.91)
34
Para se beneficiar do PRONAF, os agricultores precisam atender a alguns
requisitos: (BUAINAIN, 2007, p.91)
● Mão-de-obra familiar, com o apoio de empregados temporários e, se for o
caso, possuir no máximo dois empregados permanentes;
● Possuir ou explorar área que não supere 4 módulos fiscais;
● Residir no imóvel rural ou em vila urbana ou rural próxima ao imóvel;
● Ter 80% de sua renda corrente proveniente da exploração agropecuária,
pesqueira ou extrativa.
Outro meio de comercialização é o Programa de Aquisição de Alimentos
(PAA), considerado como uma das principais ações estruturantes do Programa
Fome Zero. Constitui-se como um mecanismo complementar do PRONAF. É
acionado após a etapa final do processo produtivo, no ato da comercialização.
Instituído pelo art. 19 da Lei nº 10.696, de 02 de julho de 2003, e regulamentado
pelo Decreto nº 6.447, de 07 de maio de 2008, promove a aquisição de alimentos de
agricultores familiares, de maneira direta ou por meio de associações/cooperativas.
A compra é feita diretamente pela CONAB, sem intermediários ou licitações, e por
um preço recompensador. Em uma de suas modalidades, os alimentos adquiridos
são destinados a programas sociais da região, e com isso se movimenta a economia
local a um custo reduzido, porque se evitam os passeios desnecessários. (CONAB,
2012)
2.4. FORMAS DE COMERCIALIZAÇÃO DOS PEQUENOS PRODUTORES
Para comercializar seus produtos, os pequenos agricultores sempre
encontraram dificuldades. No Rio de Janeiro, por exemplo, a única forma de
comercialização era através de intermediários, que visitavam o campo para viabilizar
o acesso dos agricultores a "novas tecnologias. Com isso, iniciou-se um processo de
troca de produtos, a ponto de deixarem os agricultores dependentes dos chamados
intermediários. Em 1984, na tentativa de diminuir esta dependência, os Assentados
35
de Reforma Agrária e outros agricultores se uniram e lutaram junto ao Governo e,
por meio dessa luta, conquistaram um pavilhão dentro do segundo maior mercado
do País, o Centro Estadual de Abastecimento Sociedade Anônima (CEASA). O
espaço é destinado à comercialização das organizações de Pequenos Produtores
do Estado. (UNIÃO DAS ASSOCIAÇÕES E COOPERATIVAS DE PEQUENOS
PRODUTORES RURAIS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. (UNACOOP), 2012)
De acordo com o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA, 2012), os
pequenos produtores, por meio do MPA, conseguiram desenvolver formas para
facilitar a comercialização da produção, sendo uma delas o Programa de Aquisição
de Alimentos que, no ano de 2011, fez com que 3.500 famílias camponesas
comercializassem sua produção, totalizando 8.400 toneladas de alimentos. Outro
meio conquistado para vender os alimentos, foi a Alimentação Escolar, onde 30% do
recurso para aquisição de alimentação escolar é destinado à compra de produtos
das pequenas propriedades.
O MPA é um movimento importante, pois luta para resgatar e defender as
feiras livres, onde milhares de pequenos produtores brasileiros comercializam sua
produção. Por meio do MPA, os pequenos produtores tiveram condições de
comercializar produtos embalados com a marca dos pequenos produtores, tais como
feijão, arroz, macarrão, farinha de trigo, fubá, quirerinha de milho, farinha de milho,
mel, açúcar mascavo e café torrado e moído. (MPA, 2012)
De acordo com dados do IICA (1996, p.16), as mulheres produtoras rurais da
região Sul do país vendem seus produtos em associações de produtores, CEASAs,
cooperativas; em feiras de produtor, no próprio estabelecimento, ou em conjunto
com o marido no comércio atacadista mais próximo da região.
No Estado do Rio Grande do Sul, os pequenos produtores de soja vendem
suas comodities às cooperativas do estado, como as Cooperativas de Produção
Rural localizadas em Soledade, Três de Maio, Espumoso e Água Santa. (PADILHA;
GOLLO; SILVA p.24-25)
No Estado do Acre, por meio do PAA, o governo paga ao produtor o preço de
mercado de sua produção e com isso elimina os intermediários. Tal programa foi
instalado em todo estado. Nele mais de 50 tipos de produtos podem ser
36
comercializados e cada produtor pode vender até R$ 4.500,00 por ano, o que torna
a renda certa e fixa. O governo adquire essas mercadorias e as doa para instituições
de caridade. As compras do PAA são realizadas todas as terças-feiras, e os
produtores de toda a capital e arredores se dirigem para Ceasa de Rio Branco. Além
disso, a Secretaria de Educação criou o Programa da Merenda Escolar e a
Secretaria de Estado de Extensão Agroflorestal e Produção Familiar do Acre
(SEAPROF) organiza associações de produtores rurais do estado para participarem
do programa. Nesse programa cada produtor tem o direito de vender R$ 9 mil para o
governo por ano, algo parecido com o Programa de Aquisição de Alimentos.
(AGÊNCIA NOTÍCIAS DO ACRE, 2012)
Na Amazônia, o cenário agrícola constitui-se em sua maioria por pequenos
agricultores, e tem suas atividades baseadas na caça, pesca, coleta de frutos,
extração de matérias-primas e atividades agrícolas diversificadas. Por meio da
organização e associação de algumas comunidades amazonenses, essas famílias
de pequenos produtores estão participando do processo de comercialização direta
de seus produtos, e com isso buscando novos mercados e preços justos para suas
mercadorias. (JESUS, 2000, p.26)
Na região Nordeste do país, a instalação de pequenas fábricas de
processamento da castanha de caju, aliada ao treinamento de mão-de-obra, permitiu
que os pequenos agricultores comercializassem sua produção no mercado externo.
Em 2002, eram 120 unidades em cinco estados com capacidade anual de processar
20 mil toneladas de castanha. (PORTUGAL, 2012)
No estado do Paraná, o CEASA, com suas unidades atacadistas localizadas
em Curitiba, Maringá, Foz do Iguaçu, Londrina e Cascavel, concentra a
comercialização de hortigranjeiros em nível de atacado, realizada por comerciantes,
atacadistas e produtores rurais. Nessas unidades existe o Pavilhão do Produtor, que
é uma área específica colocada à disposição de pequenos produtores de
hortigranjeiros que vão ao CEASA, especialmente em época de safra, para
comercializar seus produtos. Tais produtores têm seus produtos adquiridos
principalmente por feirantes, supermercados, quitandas e varejistas ambulantes. Os
preços são determinados no próprio mercado, como decorrência da oferta e procura.
(CENTRAIS DE ABASTECIMENTO DO PARANA S.A. (CEASA/PR), 2012a)
37
O Mercado do Produtor são áreas cobertas destinadas aos pequenos
produtores rurais paranaenses e suas organizações, para comercialização de suas
próprias produções sem a interferência de intermediários. Ele representa um elo na
cadeia de comercialização hortigranjeira, pois auxilia os produtores nas operações
comerciais, a CEASA é a administradora do Mercado do Produtor, configurando-se
como um centro de serviços de apoio à produção e comercialização. Para
comercializar no Mercado do Produtor, a CEASA exige a realização de cadastro.
Atualmente estão cadastros mais de 6.000 produtores rurais das mais variadas
regiões do Estado do Paraná, que utilizam a CEASA como forma de comercializar
seus produtos. Nas unidades da CEASA/PR de Curitiba, Londrina, Maringá e Foz do
Iguaçu. (CEASA/PR, 2012b)
Em alguns casos os pequenos produtores rurais, por não dispor de opções de
compra para seus produtos, acabam entregando sua produção a intermediários.
(IICA, 1982, p.68)
38
3. METODOLOGIA
Nesse capítulo será apresentada a metodologia usada para alcançar os
objetivos propostos para esse estudo.
3.1. ESPECIFICAÇÃO DO PROBLEMA
O problema a ser analisado nesse estudo, é quais são as dificuldades de
comercialização dos pequenos produtores agrícolas do Município de Rancho Alegre.
3.2. DELINEAMENTO DA PESQUISA
A metodologia corresponde ao conjunto de procedimentos a serem utilizados
para obter conhecimento. Consiste na aplicação do método, por meio de processos
e técnicas, que garantem a legitimidade do saber obtido. Tem como interesse o
estudo, a descrição e a análise dos métodos, e com isso lança esclarecimentos
sobre os seus objetivos, utilidades e conseqüências, auxiliando na compreensão do
processo da pesquisa científica (BARROS, LEHFELD, 2004, p.2).
“Método é a forma de proceder ao longo de um caminho. Na ciência os
métodos constituem os instrumentos básicos que ordenam de inicio o
pensamento em sistemas, traçam de modo ordenado a forma de proceder o
cientista
ao
longo
de
um
percurso
para
alcançar
um
objetivo”.
(TRUJILLO,1974,p.24)
Para o desenvolvimento deste trabalho, o método utilizado é o estudo de
caso. Para Marconi e Lakatos (2004, p.274), “o estudo de caso refere-se ao
levantamento com mais profundidade de determinado caso ou grupo humano sob
39
todos os seus aspectos.” Para Triviños (1978, p.133), o estudo de caso é uma
categoria de pesquisa cujo objeto é uma unidade que se analisa profundamente.”
A pesquisa é de origem qualitativa, por não empregar instrumentos
estatísticos, pois se preocupa em analisar e interpretar aspectos mais profundos.
Para Richardson (1990, p.90), a pesquisa qualitativa “pode ser caracterizada como a
tentativa de uma compreensão detalhada dos significados e características
situacionais apresentadas pelos entrevistados.”
O estudo tem como tipologia a pesquisa descritiva, quando não há
interferência do pesquisador, no qual somente é descrito o objeto da pesquisa.
(BARROS, LEHFELD, 2004, p.70).
3.2.1. População e amostra.
Para identificar as dificuldades de comercialização dos pequenos produtores
agrícolas do município de Rancho Alegre, foram selecionados dez pequenos
produtores rurais. O critério de escolha desses pequenos produtores foi pelo fato do
pesquisador já conhecê-los, o que facilitou na obtenção dos dados.
3.2.2. Coleta dos dados
A coleta de dados é onde que se indaga e se obtêm dados da realidade. Em
pesquisa de campo, é comum o uso de questionários e entrevistas. (BARROS,
LEHFELD, 2004, p.89).
Os dados foram coletados por meio do questionário, com perguntas abertas e
fechadas, visando identificar as características do pequeno produtor e suas
dificuldades de comercialização.
40
3.2.3. Tratamento dos dados
Os dados obtidos pelo questionário foram organizados e analisados, de
acordo com os objetivos do estudo. A princípio, foram analisadas as características
dos pequenos produtores rurais e em seguida suas dificuldades de comercialização.
Confrontando os dados da revisão de literatura com os dados obtidos com a
pesquisa, e com isso evidenciando suas similaridades e assimilaridades.
3.2.4. Limitações da pesquisa
Por se tratar de uma pesquisa qualitativa, ela não emprega instrumentos
estatísticos, suas amostras são reduzidas e os dados são analisados em conteúdo
psicossocial. (MARCONI; LAKATOS, 2004, p. 270)
A pesquisa apresenta limitações, devido ao curto espaço de tempo para
aplicação do questionário e análise dos dados obtidos, e quanto à capacidade de
analisar e interpretar os dados obtidos pela pesquisadora.
41
4. ANÁLISE, DESENVOLVIMENTO E RESULTADOS
De acordo com a metodologia, os dados obtidos de maneira qualitativa, foram
analisados e interpretados, obedecendo aos critérios descritivos. A princípio será
caracterizado o pequeno produtor no município de Rancho Alegre, seguido pelas
suas dificuldades de comercialização, levando em conta os aspectos identificados
com a revisão bibliográfica e os obtidos na referida pesquisa de campo.
4.1. CARACTERÍSTICAS DOS PEQUENOS PRODUTORES DO MUNICÍPIO DE
RANCHO ALEGRE
O município de Rancho Alegre conta com uma população total de 4.190
habitantes, dos quais 3.485 são urbanos e na área rural encontram-se 705
habitantes. Em relação à participação no PIB municipal, a agropecuária representa
30,91%, a indústria 19,02% e serviços representam 50,07%. No cenário
agrosilvopastoril, o município apresenta: soja normal, trigo, milho safrinha, banana,
laranja, algodão, uva e peixe. (PREFEITURA MUNICIPAL DE RANCHO ALEGRE,
2012)
As atividades econômicas com maior numero de pessoas no município são a
agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura , dde acordo com o
caderno estatístico do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econõmico e
Social. (IPARDES, 2012)
Para se enquadrar como pequeno produtor rural, segundo a LEI Nº 11.428, de
22 de dezembro de 2006, o agricultor tem que preencher alguns requisitos, como
sua propriedade ser inferior a 50 hectares, utilizar mão-de-obra familiar, entre outros.
Todos os pequenos agricultores entrevistados apresentaram os requisitos exigidos
pela lei.
A partir dos dados coletados com os questionários, foi possível caracterizar os
pequenos produtores do município, e com isso foi elaborado um quadro para
evidenciar suas principais característias.
42
Quadro 1 - Características dos pequenos produtrores B, C, E, F, G, H, I, J.
Produtor
A
B
C
D
E
F
G
H
I
J
1 a 10.
1 a 10
1 a 10
10 a 20
1 a 10
10 a 20
1 a 10
10 a 20
1 a 10
10 a 20
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Característica
Tamanho da
propriedade
(alqueires)
Mão-de-obra
familiar
Funcionários
registrados
Bóias-frias
Formação
acadêmica
Priniciapais
culturas
Não possui Não possui Não possu Não possui
Não possui
Não possui Não possui Não possui Não possui Não possui
Utiliza
Utiliza
Utiliza
Utiliza
Utiliza
Utiliza
Utiliza
Utiliza
Utiliza
Ensino
médio
Ensino
médio
Ensino
médio
Ensino
médio
Ensino
médio
Superior
completo
Ensino
médio
Superior
completo
Ensino
médio
Milho e
soja
Milho, soja Milho , soja
e laranja
e banana
Milho e
soja
Fonte: Elaborado pela autora a partir dos dados primários
Milho , soja Milho , soja Milho, soja Milho , soja Milho, soja
e banana
e tomate
e laranja
e banana
e laranja
Utiliza
Ensino
médio
Milho, soja
e laranja
43
Quadro 1 - Características dos pequenos produtrores (continuação)
Produtor
A
B
C
D
E
F
G
H
I
J
Não
Sim
Não
Não
Não
Sim
Não
Sim
Não
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Não
Não
Não
Não
Não
Sim
Não
Sim
Não
Não
Cooperativas
Cooperativas
Cooperativas
Cooperativas
Cooperativas
Cooperativas
Cooper
ati-vas
Cooperativas
Cooperativas
Não
Não
Não
Não
Sim
Não
Não
Não
Não
Característica
Conhecimento
de programas
do governo
Assistência
técnica
Cursos de
gestão
Local de
venda da
produção
Cooperativas
Participar de
associação de
produtores
Fonte: Elaborado pela autora a partir dos dados primários
Não
44
Levando em conta que 1 hectare equivale a 10.000m², e um alqueire paulista
vale 2,42 hectares. Para enquadrar-se como pequena propriedade rural, a
propriedade não pode ser maior que 20 alqueires. Como pode ser identificado pelo
Quadro 1, as propriedades são inferiores a 20 alqueires de terra, o que caracteriza
uma pequena propriedade. Outro aspecto caracaterístico é o emprego de mão-deobra familiar, pois todos os entrevistados
utilizam mão-de-obra familiar na
propriedade.
Esses pequenos produtores rurais não possuem funcionários com carteira
assinada. Fazendo uso de mão-de-obra temporária dos chamados bóias-frias,
quando se faz necessário.
Quanto à formação acadêmica, de acordo com Portugal (2012), os pequenos
produtores possuem baixo nível de escolaridade. Tal característica pode ser
evidenciada e confirmada com a pesquisa de campo. Devido ao fato que dos dez
pequenos produtores entrevistados, apenas dois dos entrevistados possuem curso
de nível superior, e ambos formados em administração de empresas, e são os
únicos que já fizeram algum curso voltado a gestão agrícola. Os demais concluíram
o ensino médio.
Para Portugal (2012) os produtos cultivados da pequena agricultura são
diversificados, para diminuir custos, aumentar a renda e aproveitar as oportunidades
de oferta e mão-de-obra disponível. Em Rancho Alegre, as principais culturas são o
milho e o soja, que compõe a maior área cultivada das propriedades. E para
complementar a renda, além do soja e milho, esses pequenos produtores tem como
atividade secundária o cultivo da laranja, banana e tomate, como é o caso dos
produtores B, C, E, F, G, H, I, J.
Um aspecto interessante dos pequenos produtores analisados, é que todos
procuram estar atento as informações do setor do agronegócio, às cotações de
preço, demanda., e demais aspectos da atividade.
Os meios utilizados são os
jornais, sites específicos, órgãos como EMATER, EMBRAPA, e a conversa com
outros produtores.
No âmbito de registrar a produção agrícola, a situação deles é bem precária,
somente dois apontaram fazer o registro da produção da atividade agrícola. E a
45
forma como costumam realizar esse registro, é através de anotações caseiras.
Apenas quatro dos entrevistados têm conhecimento dos programas
oferecidos pelo governo, e somente três utilizam algum desses programas. Os
programas utilizados são PAA e PRONAF, e de acordo com os produtores que
utilizam esses programas, eles são de grande apoio na hora de comercializar a
produção.
Pode-se perceber, que os pequenos produtores rurais, não são organizados
quanto a fazer parte de algum tipo de associação para produtores, pois apenas um
indicou que faz parte e participa ativamente apontando como vantagem, maior
agregação de valor e maior facilidade de acesso aos programas oferecidos pelo
governo. Em relação a assistência técnica todos eles contam com a consultoria de
agrônomos.
Dentre os locais de venda da produção, todos os produtores entrevistados
entregam seus produtos (comoditties) para cooperativas.
4.2. DIFICULDADES DE COMERCIALIZAÇÃO DOS PEQUENOS PRODUTORES
RURAIS DO MUNICÍPIO DE RANCHO ALEGRE
Por meio da pesquisa pode-se identificar que os pequenos produtores rurais
de Rancho Alegre, enfrentam as dificuldades apontadas por diversos autores.
Como apontado por Araújo, (1990, p.10), a atividade agrícola se sujeita a
fatores que o homem não pode controlar como o clima. Além disso, não está imune
a pragas e doenças. E para os pequenos produtores de Rancho Alegre, os riscos
com pragas, doenças e clima foram apontados como dificuldade, porém o grau de
gravidade é diferente para cada um.
No quadro 2, pode-se evidenciar a graduação que os fatores clima, pragas e
doença significam para esses pequenos produtores.
46
Quadro 2: Comparativo da gravidade dos fatores de riscos relacionados á produção dos
pequenos produtores.
Produtor
Fator clima
Fator pragas e doenças
A
médio
médio
B
médio
Não apontou como dificuldade
C
médio
elevado
D
médio
médio
E
médio
médio
F
Não apontou o clima como dificuldade
médio
G
médio
elevado
H
médio
elevado
I
médio
médio
J
médio
elevado
Fonte: Elaborado pela autora a partir dos dados primários
Para Waquil, Miele e Schultz (2010, p. 35), o produtor rural tem que enfrentar
não somente as adversidades pertinentes à produção e ao financiamento, mas
principalmente as relacionadas às expectativas futuras das cotações de preços e
respectivas oscilações, que são difíceis de prever e dificultam o planejamento da
produção e comercialização, bem como a tomada de decisão.
Essa realidade não é diferente da vivida pelos pequenos produtores de
Rancho Alegre, que enfrentam barreiras com relação às expectativas futuras
relacionadas às cotações de preços e respectivas oscilações. Tais fatores exercem
forte influência no momento da venda da produção, pois o fator principal identificado
pelo estudo que leva o pequeno produtor a vender sua produção é o preço de
venda.
Partindo do pressuposto de Waquiel, Miele e Shultz (2010, p.35), os
pequenos produtores possuem riscos de acordo com suas especialidades. Segundo
47
os autores os riscos pertinentes à atividade agrícola são três, sendo eles os
relacionados à produção, ao crédito e aos preços.
No Quadro 2 foram analisados os fatores de produção que afetam a atividade
agrícola. Com isso verifica-se que os pequenos produtores, em sua maioria,
apontaram como dificuldade o clima, pragas e doenças. Sendo considerado o clima
como fator de relevância média e pragas e doenças de médio a elevado para alguns
produtores.
No caso desses fatores serem desfavoráveis, causa oscilações nos preços e
na renda dos produtores conforme apontado por Araújo (1990, p.10). O primeiro
fator analisado, produção, exerce influencia sobre o segundo, pois se ele tiver uma
baixa produção encontrará dificuldades em obter créditos para financiamento. Isso
aliado ao desconhecimento de programas oferecidos pelo governo
O produtor rural além de enfrentar adversidades à produção e ao
financiamento tem que estar atento às expectativas futuras relacionadas às cotações
de preços e respectivas oscilações. (WAQUIL; MIELE; SCHULTZ, 2010, p. 35). Os
riscos relacionados a preços foram unânimes entre os pequenos produtores, que
consideram a incerteza quanto aos preços um fator de risco elevado.
Para o IICA (1982, p.68) por não dispor de opções de compra para seus
produtos, surge a figura dos intermediários, obrigando-lhes a comprometer a venda
de sua produção. De outro lado, quando dispõe de uma parcela de produtos para
venda, não conta com meios para transportá-la. A existência dos agentes
intermediários é um obstáculo para os pequenos produtores de Rancho Alegre, pois
ao entregar o produto para um atravessador, acaba tendo de vender a um preço
mais baixo. Isso ocorre nas propriedades B, C, E, F, G, H, I, J, que além de
plantarem commodities como soja e milho, variam entre banana, laranja e tomate,
que são produtos que não são adquiridos pelas cooperativas da região, o que os faz
entregar a produção aos intermediários, que depois revendem ao Ceasa. A
dificuldade em transportar a produção foi apontada como uma dificuldade de nível
médio a elevado entre esses produtores, sendo esse outro fator que os leva a
vender aos intermediários.
48
Para tentar agregar valor e facilitar a venda da produção, os produtores
vendem seus produtos por meio das associações, que é uma possibilidade indicada
pelo IICA (1996, p.16). Fazem parte do MPA, onde pequenos produtores têm
condições de comercializar produtos embalados e com marca própria (MPA, 2012).
No caso dos pequenos produtores de Rancho Alegre, como já mencionado
anteriormente, somente um faz parte de associação, o que lhe traz benefícios na
hora de vender a produção. Apontando outra dificuldade de comercialização dos
pequenos produtores, que está atrelada a falta de organização e busca de
alternativas para melhorar a eficiência distributiva, e formas de agregar valor a sua
produção.
Os produtores analisados entregam a produção somente nas cooperativas,
concentrando a distribuição o que não agrega muito valor a sua produção, pois os
produtos são entregues in-natura.
Outro ponto a ser considerado é o gerenciamento da produção agrícola, que
não é uma tarefa fácil se comparada a uma atividade industrial, pois na agricultura
restaurar o equilíbrio não é tão rápido quanto em uma empresa, onde se caso
houver excedentes de produção, toma-se a decisão de reduzi - lá e o faz. Na
agricultura, mesmo em um ambiente de baixa nos preços, ainda continua-se a
produzir quantidades consideráveis de determinado produto. (ARAÚJO; WEDEKI;
PINAZZA, 1990, p.10) Pois, se um determinado produtor, ao iniciar o plantio do
milho, que apresenta boas cotações de preços, no decorrer do processo de
crescimento da planta, identificar a queda no preço do mesmo, não tem a opção de
reduzir o que já foi plantado, e com isso eventualmente acarretará em prejuízo na
certa.
Os produtores de Rancho Alegre, com relação ao gerenciamento da
produção, não demonstram eficiência, pois somente dois produtores fazem algum
tipo de registro da produção, porém de forma precária, por meio de anotações
caseiras.
Conforme apontado por Araújo (2010, p. 2), as divisões da cadeia do
agronegócio dividem-se em segmentos antes e depois da porteira. Para o autor, o
segmento antes da porteira está atrelado aos recursos necessários para a produção
no campo. E de acordo com Callado e Callado (2011, p. 5) fazem parte neste
49
segmento às máquinas, equipamentos, fertilizantes, componentes químicos,
implementos entre outros.
Os custos referentes aos insumos necessários a produção, foi um fator
apontado por todos os pequenos produtores em análise, que identificaram o alto
custo de insumos agrícolas uma dificuldade de grau elevado para se produzir, pois
isso implica no aumento do custo da produção, afetando o preço de mercado e com
isso a lucratividade dos pequenos produtores.
Assim como em qualquer atividade, os pequenos produtores inserem-se no
mercado com o objetivo de vender e produzir lucros com sua produção, mais
encontram dificuldades. Em primeiro lugar concorrem com outros agricultores, tanto
da mesma região, quanto de outras regiões. (PORTER, 1996, p.153)
A concorrência elevada também é uma das dificuldades dos pequenos
produtores de Rancho Alegre, que pelo fato de produzirem as mesmas commodities,
tornam-se concorrentes entre si.
Uma parcela significativa de pequenos produtores rurais ignora evolução do
mercado e as alterações no mercado de consumo, prestando atenção apenas na
sua atividade, como se ela estivesse desvinculada dos outros segmentos da cadeia.
(NANTES; SCARPELLI, 2001, p. 572)
O segmento depois da porteira, que “abrange todas as atividades
relacionadas à distribuição e comercialização dos produtos agroindustriais até que
eles atinjam os consumidores finais [...]” (CALLADO; CALLADO, 2011, p. 10),
mesmo não sendo apontado como dificuldade pelos pequenos produtores do
município, pode ser considerada como uma, devido ao fato deles se aterem a
entregar sua produção em um só lugar, denuncia a carência de conhecimento de
meios distribuitivos e do caminho que o produto percorre até chegar aos
consumidores finais.
Outra dificuldade dos pequenos agricultores apontada por Segatti e
Hespanhol, (2008, p. 616) consiste no intenso ritmo de atualização tecnológica no
campo, que tem requerido a atualização de informações e a adoção de mecanismos
de aprendizagem e formação profissional e empresarial dos produtores rurais, o que
não é tarefa fácil para a maioria dos pequenos produtores rurais, os quais têm sido
50
sistematicamente desalojados do ambiente em que estão inseridos devido à alta
necessidade de se produzir em grande quantidade, com padrão e qualidade
elevados e a preços competitivos.
O intenso ritmo de atualização tecnológica não foi apontado como uma
dificuldade para os pequenos produtores de Rancho Alegre. E a a exigência de
padrão e qualidade elevados foi apontada como dificuldade somente pelo produtor
F.
Na revisão de literatura, o problema dos pequenos produtores da região Sul
do Brasil, é a concorrência externa de produtos do Mercado Comum do Sul
(MERCOSUL). Tal região é onde se localiza o estado do Paraná e com isso o
município em análise. A concorrência do MERCOSUL não foi assinalada por
nenhum pequeno produtor como dificuldade, diferente do encontrado na revisão
literária. Esse fato talvez se atenha a falta de conhecimento por parte dos pequenos
produtores, levando em conta que somente quatro deles tem conhecimento dos
programas oferecidos pelo governo.
Portanto pode-se destacar como as principais dificuldades de comercialização
dos pequenos produtores agrícolas do município de Rancho Alegre, que é o objetivo
desse trabalho:
● A existência de intermediários;
● As oscilações nos preços de mercado;
● A falta de capacitação dos pequenos produtores, quanto a mecanismo de
comercialização eficientes;
● A não utilização de agregação de valor em sua produção;
● O não gerenciamento da produção;
● A má distribuição;
● Concorrência elevada;
● Altos preços de insumos;
51
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os pequenos produtores rurais enfretam inúmeras dificuldades para
sobreviver, além das já pertinentes à
atividade de produzir, como os fatores
climáticos que não podem ser controlados pelo homem, sujeitam-se a pragas e
doenças. Porém essa é apenas a primeira etapa que eles têm que vencer, pois
ainda
têm
que
desenvolver
mecanismos
de
distribuição
da
produção,
armazenamento, agregação de valor e por fim comercialização.
Em meio a essas etapas, existem inúmeras dificuldades, como o transporte, a
existência de intermediários, oscilações nos preços, falta de mão-de-obra, entre
outras, que se não forem geridas de maneira correta influem na obtenção do lucro
para o produtor, ressaltando que os mesmo tem que cobrir os custos de produção e
suprir as necessidades familiares.
Com o presente trabalho, identifica-se que os pequenos produtores sabem
como produzir os alimentos. Porém a dificuldade está na hora de gerenciar a venda,
assim como indicado por Segatti e Hespanhol. (2008, p. 620)
Conforme apresentado pelos autores Portugal (2012), Jesus (2000, p.26), e
também por MPA, (2012), e UNACOOP(2012), aqueles produtores que se uniram,
que buscaram mecanismo de comércio eficientes, que identificaram estratégias de
valorização dos seus bens produzidos, ou seja, que não ficaram estagnados,
obtiveram resultados favoráveis em sua atividade.
A gestão correta por parte dos pequenos produtores rurais é fundamental
para a comercialização adequada da sua produção, estando atento as dificuldades e
oportunidades que possam surgir ao longo de todo processo, buscando aumentar o
conhecimento e aprimorando suas técnicas, principalmente de escoamento da
produção.
Salienta-se que os dados obtidos referem-se a uma pequena parcela de
produtores, exclusivos de Rancho Alegre, não permitindo assim generalização dos
dados obtidos. Porém se a amostra for ampliada por meio de uma pesquisa
quantitativa, será possível confirmar os dados obtidos ou acrescentar informações
52
não evidenciadas com a pesquisa qualitativa. Ressaltando também a possibilidade
de realizar um estudo nas cidades próximas, para identificar a compatibilidade dos
dados.
53
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UNIÃO DAS ASSOCIAÇÕES E COOPERATIVAS DE PEQUENOS PRODUTORES
RURAIS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO (UNACOOP). Comercialização.
Disponível em: <http://www.unacoop.org.br/comercializa.php> Acesso em:
07jul.2012
WAQUIL, Paulo Dabdad; MIELE, Marcelo; SCHULTZ, Glauco. Mercados e
comercialização de produtos agrícolas. 1. Edição, Porto Alegre; UFRGS, 2010.
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APÊNDICE
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APÊNDICE A - Questionário
Este questionário é uma pesquisa acadêmica, para realização do
trabalho de conclusão de curso (TCC), que tem como finalidade apontar as
dificuldades de comercialização dos pequenos produtores agrícolas no
município de Rancho Alegre.
9_ Já se beneficiou de algum programa
do governo para produtores rurais?
1_ Grau de Instrução:
( ) Fundamental (completo ou incompleto)
( ) Ensino Médio (completo ou incompleto)
( ) Superior (completo ou incompleto)
2_ Já fez algum curso de capacitação
voltado para área agrícola?
( ) sim
( ) Sim
( )Não
Se sim responda as questões 10 e 11 ,se
não, pule para questão 12.
10_ Quais programas abaixo:
( ) Garantia de preços mínimos;
( ) Aquisição do governo federal (AGF);
( )não
3_ Qual o tamanho da sua propriedade?
( ) Empréstimo do governo federal;
( ) De 1 a 10 alqueires de terra.
( ) Contrato de opção de venda (COV)
( ) De 10 a 20 alqueires de terra.
( ) Cédula do produtor rural (CPR).
( ) Acima de 20 alqueires.
( ) Programa nacional de fortalecimento da
agricultura familiar (PRONAF)
4_ Quais as principais culturas na sua
propriedade?
R:_________________________________
___________________________________
5_ Utiliza mão-de-obra
atividades agrícolas?
( ) Sim
familiar
nas
( )Não
6_ Possui funcionários com carteira
assinada?
( ) Sim
( )Não
Se sim, quantos:__________
7_ Faz uso de mão-de-obra temporária
(bóias-frias)?
( ) Sim
( )Não
8_
Você
tem
conhecimento
de
programas oferecidos pelo governo para
produtores rurais?
( ) Sim
( )Não
( ) Programa de aquisição de alimentos
(PAA)
11_ Esses programas são importantes
na hora de comercializar seus
produtos?
( ) Sim
( )Não
12_ Faz parte de algum tipo
associação para produtores rurais?
( ) Sim
de
( )Não
Se sim, responda a questão 13, se não
pule para 14.
13_ Fazer parte de uma associação para
produtores rurais é importante para
vender a produção?
( ) Sim
( )Não
Se sim, porque ?_____________________
___________________________________
___________________________________
_________________________________
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14_ A venda da produção é feita de forma direta ou por meio intermediários?
( ) Direta
( ) Intermediários
15_ Quais os principais locais de venda da sua produção?
( ) Cooperativas
( ) Feiras
( ) Ceasas
( ) Associações de produtores
( ) No próprio estabelecimento
( ) Outros. Qual?____________________
16_ No processo de produção que vai desde o plantio até a colheita e comercialização você
encontra dificuldades?
( ) Sim
( )Não
Se sim, responda a questão 17 e 18, se não, pule para questão 19.
17_Dentre as opções abaixo, assinale as suas principais dificuldades, e o nível de gravidade
que elas representam:
( ) Fator clima
- ( ) baixo ( ) médio ( )elevado
( ) Pragas e doenças - ( ) baixo ( ) médio ( )elevado
( ) Falta de crédito ao pequeno produtor rural - ( ) baixo ( ) médio ( )elevado
( ) Tendências de mercado - ( ) baixo ( ) médio ( )elevado
( ) Concorrência elevada - ( ) baixo ( ) médio ( )elevado
( ) Insegurança quanto aos preços das safras - ( ) baixo ( ) médio ( )elevado
( ) Falta de capacitação profissional - ( ) baixo ( ) médio ( )elevado
( ) Falta de implementos agrícolas - ( ) baixo ( ) médio ( )elevado
( ) Existência de intermediários - ( ) baixo ( ) médio ( )elevado
( ) Preços de venda inferiores aos custos de produção - ( ) baixo ( ) médio ( )elevado
( ) Incerteza quanto a quem vender a produção - ( ) baixo ( ) médio ( )elevado
( ) Baixa produção - ( ) baixo ( ) médio ( )elevado
( ) Falta de planejamento - ( ) baixo ( ) médio ( )elevado
( ) Grandes produtores, que dominam o mercado - ( ) baixo ( ) médio ( )elevado
( ) Falta de incentivos do governo - ( ) baixo ( ) médio ( )elevado
18_ Além das opções apresentadas acima, você apontaria outra:
( ) Sim
( )Não
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Se sim, qual ou quais? _________________________________________________________
____________________________________________________________________________
19_ Qual a sua renda mensal?
( ) 1 salário (622,00)
( ) 2 a 3 salários ( 1244,00 a 1866,00)
( ) 3 a 5 salários (1866,00 a 3110,00)
( ) 5 a 10 salários (3110,00 a 6220,00)
( ) acima de 10 salários (6220,00 ou mais)
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APÊNDICE B – Carta de apresentação da pesquisadora
UNIVERSIDADE ESTADUAL DO NORTE DO PARANÁ-UENP
CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS
CAMPUS CORNÉLIO PROCÓPIO
CURSO DE ADMINISTRAÇÃO
Cornélio Procópio, 19 de agosto de 2012.
Prezado(a) Senhor(a),
O Centro de Ciências Sociais da Universidade Estadual do Norte do
Paraná gostaria de contar com a participação de V. Sª em uma pesquisa que vem
sendo realizada junto a pequenos produtores rurais no Município de Rancho
Alegre. Esta pesquisa está sendo desenvolvida pela acadêmica Jéssica Polizel,
sob a orientação da Profª Me. Márcia de Souza Bronzeri.
O estudo tem por objetivo identificar quais as principais dificuldades de
comercialização de produtos dos pequenos produtores agrícolas no município de
Rancho Alegre, Por meio da qual pretende-se contribuir para os debates
acadêmicos.
Solicitamos vossa colaboração no preenchimento do questionário que
será realizado com os pequenos produtores agrícolas. Ressaltamos que não
haverá identificação dos quais responderem o questionário.
Vossa participação é muito importante para o sucesso do estudo e, caso
seja de vosso interesse, nos comprometemos a encaminhar os resultados da
pesquisa.
Na expectativa de contar com a vossa valiosa colaboração,
agradecemos antecipadamente e nos colocamos à disposição para quaisquer
esclarecimentos que se fizerem necessários.
Atenciosamente,
_________________________
Márcia de Souza Bronzeri
Orientadora
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08-Analise socioeconomica da comercializacao da