ANÁLISE SOCIOECONÔMICA DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO DOS PEQUENOS PRODUTORES AGRÍCOLAS NO MUNICÍPIO DE RANCHO ALEGRE JÉSSICA POLIZEL CORNÉLIO PROCÓPIO, PARANÁ 2012 JÉSSICA POLIZEL ANÁLISE SOCIOECONÔMICA DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO DOS PEQUENOS PRODUTORES AGRÍCOLAS NO MUNICÍPIO DE RANCHO ALEGRE Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao curso de Bacharelado em Administração da Universidade Estadual do Norte do Paraná Campus de Cornélio Procópio, como requisito parcial para obtenção do grau de Bacharel, sob orientação da professora Me. Márcia de Souza Bronzeri CORNÉLIO PROCÓPIO, PARANÁ 2012 ANÁLISE SOCIOECONÔMICA DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO DOS PEQUENOS PRODUTORES AGRÍCOLAS NO MUNICÍPIO DE RANCHO ALEGRE Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Administração. Banca examinadora: ____________________________ Profª. Me Márcia de Souza Bronzeri UENP - Cornélio Procópio ____________________________ Profº Me André Luis Salvador UENP - Cornélio Procópio ____________________________ Profª. Me Norma Pimenta C. Ducci UENP - Cornélio Procópio Cornélio Procópio, 23 de novembro de 2012. Dedico aos meus pais, João e Ana, os maiores incentivadores de minha realização profissional. AGRADECIMENTOS A Deus, minha fonte de inspiração nas horas mais difíceis, pois sem ele nada seria possível. A Profª. Me Márcia de Souza Bronzeri, minha orientadora, que acompanhou toda a tragedória do meu trabalho, contribuindo significativamente para o mesmo. Sempre me incentivando e mostrando o caminho certo a seguir. A meus pais, que sempre me apoiaram em tudo na vida, que são meu alicerce nos momentos mais difíceis, e não permitem que eu desanime a cada obstáculo encontrado. A todos os pequenos agricultores do Município de Rancho Alegre, que dispuseram do seu tempo para responder o questionário, para realização da pesquisa de campo e cumprimento dos objetivos propostos. “Obstáculos são aqueles perigos que você vê quando tira os olhos de seu objetivo.” Henry Ford. POLIZEL, Jéssica. Análise socioeconômica da comercialização da produção dos pequenos produtores agrícolas no Município de Rancho Alegre, 2012. 61 páginas. Trabalho de Conclusão de Curso – Universidade Estadual do Norte do Paraná – UENP/Campus Cornélio Procópio, Cornélio Procópio, 2012. RESUMO A comercialização de qualquer bem é importante para garantir que tanto as necessidades de quem produz, quanto de quem adquire o produto sejam sastisfeitas, sejam elas de caráter monetário ou pessoal. Considerando a importância da comercialização e os mecanismos corretos para faze-lo, esse estudo teve como objetivo identificar quais são as principais dificuldades de comercialização dos pequenos produtores agrícolas no município de Rancho Alegre. O trabalho consiste em um estudo de caso de caráter descritivo, sendo a pesquisa de ordem qualitativa. Como instrumento para coleta de dados foi utilizado o questionário, que foi aplicado com uma parcela de pequenos produtores previamente selecionados. E por meio dos dados obtidos, foi possível identificar que entre as dificuldades dos pequenos produtores destacam-se as oscilações de preços de mercado, a existência de intermediários e a falta de agregação de valor aos produtos. Os dados indicam que há necessidade dos produtores melhorarem sua estratégia de gestão e buscar aperfeiçoar seu conhecimento em relação ao processo que ocorre depois da porteira. Palavras chave: comercialização, pequeno produtor, agricultura, dificuldades. LISTA DE TABELAS Tabela 1 – Comparativo do desenvolvimento do cenário agroindustrial de 1970-2006 ................................................................................................................ 18 LISTA DE QUADROS Quadro 1 – Características dos pequenos produtores ............................................. 41 Quadro 2 – Comparativo da gravidade dos fatores de riscos relacionados á produção dos pequenos produtores ......................................................................................... 45 LISTA DE SIGLAS AGF CAI Aquisição do Governo Federal FGAGFS Complexo Agroindustrial CEASA Centro Estadual de Abastecimento Sociedade Anônima CIBRAZEM Companhia Brasileira de Armazenamento CFP Comissão de Financiamento da Produção COBAL Companhia Brasileira de Alimentos CONAB Companhia Nacional de Abastecimento COV Contrato de Opção de Venda CPR Cédula do Produtor Rural EMBRAPA Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária EMBRATER Empresa Brasileira de Terraplanagem EPP Prêmio para Escoamento do Produto IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IICA Instituto Interamericano de Cooperação para Agricultura MAPA Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento MAPA Movimento dos Pequenos Agricultores MERCOSUL Mercado Comum do Sul PAA Programa de Aquisição de Alimentos PIB Produto Interno Bruto PGPM Política de Garantia de Preços Mínimos PRONAF Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar SEAPROF Secretaria de Estado de Extensão Agroflorestal e Produção Familiar do Acre SEBRAE Serviço de Apoio às Pequenas e Micro Empresas SUNAB Superintendência Nacional de Abastecimento UNACOOP União das Associações e Cooperativas Produtores Rurais do Rio de Janeiro de Pequenos SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ..................................................................................................... 13 1.1. PROBLEMA DE PESQUISA .............................................................................. 13 1.2. JUSTIFICATIVA ................................................................................................. 13 1.3. OBJETIVOS ....................................................................................................... 14 1.3.1. Objetivo Geral ................................................................................................ 14 1.3.2. Objetivo Específico ....................................................................................... 14 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ............................................................................ 16 2.1. AGRICULTURA .................................................................................................. 15 2.1.1. Histórico da Agricultura................................................................................ 16 2.1.2. Desenvolvimento da agricultura no Brasil .................................................. 17 2.1.3. Projeções do agronegócio ........................................................................... 18 2.2. PEQUENO PRODUTOR RURAL ....................................................................... 20 2.2.1. Caracterização do pequeno produtor rural. ................................................ 20 2.3. MARKETING E AGRONEGÓCIO ...................................................................... 24 2.3.1. Principais obstáculos para comercialização dos produtores rurais ........ 27 2.3.2. Políticas de gestão e estratégias de comercialização de produtos agrícolas................................................................................................................... 30 2.4. FORMAS DE COMERCIALIZAÇÃO DOS PEQUENOS PRODUTORES .......... 33 3. METODOLOGIA ................................................................................................... 37 3.1. ESPECIFICAÇÃO DO PROBLEMA. .................................................................. 37 3.2. DELINEAMENTO DA PESQUISA ...................................................................... 37 3.2.1. População e amostra... ................................................................................. 38 3.2.2. Coleta de dados ............................................................................................. 38 3.2.3. Tratamento dos dados .................................................................................. 39 3.2.4. Limitações da pesquisa ................................................................................ 39 4. ANÁLISE, DESENVOLVIMENTO E RESULTADOS ............................................. 41 4.1. CARACTERÍSTICAS DOS PEQUENOS PRODUTORES DO MUNICÍPIO DE RANCHO ALEGRE ................................................................................................... 40 4.2. DIFICULDADES DE COMERCIALIZAÇÃO DOS PEQUENOS PRODUTORES DO MUNICÍPIO DE RANCHO ALEGRE ................................................................... 44 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................. 50 REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 52 APÊNDICES.............................................................................................................. 57 APÊNDICE A - QUESTIONÁRIO .............................................................................. 58 APÊNDICE B - CARTA DE APRESENTAÇÃO DA PESQUISADORA .................... 61 13 1. INTRODUÇÃO A princípio a agricultura era simplesmente uma atividade de subsistência. E ao longo dos anos foi se desenvolvendo e tornando-se uma atividade comercial. A Revolução Industrial contribuiu significativamente para a evolução dos processos de produção agrícola, melhorando a eficiência produtiva e aumentando sua capacidade. A partir do momento que a agricultura torna-se uma atividade comercial, tem que desenvolver mecanismos eficientes de comercialização de sua produção. Tais mecanismos ou meios utilizados para comercializar, são a principal dificuldade dos pequenos produtores. A atividade rural como qualquer empresa necessita ser eficiente, tanto no seu processo de produção quanto de comercialização, para assegurar sua existência. Porém além dos fatores de risco pertinentes a qualquer atividade empresarial, existem outros como o clima, pragas e doenças, que afetam a produção agrícola. Partindo desse pressuposto, o presente trabalho, consiste em um estudo de caso das principais dificuldades de comercialização dos pequenos produtores agrícolas do município de Rancho Alegre. O estudo consiste inicialmente da revisão de literatura, onde se caracteriza o pequeno produtor rural, suas dificuldades e quais técnicas adotadas para vender sua produção. Em seguida, segue a pesquisa de campo, de caráter descritivo, onde são apresentadas as principais características do pequeno produtor rural de Rancho Alegre, e quais suas dificuldades de comercialização, que é o objeto de estudo. 14 1.1. PROBLEMA DE PESQUISA Quais as dificuldades de comercialização dos pequenos produtores agrícolas no Município de Rancho Alegre? 1.2. JUSTIFICATIVA Vender e comprar não são tarefas fáceis, pois se for adotado um mecanismo inapropriado de comercialização implicará em prejuízo para empresa, mesmo ela sendo competitiva em termos de eficiência na produção. A competitividade de uma empresa depende profundamente da sua eficiência na comercialização. Quando se discute competitividade, é comum referir-se aos aspectos produtivos, pois são realizados esforços consideráveis para reduzir o custo da produção, no entanto, esses esforços conduzem a pequenos ganhos que se perde na hora de vender o produto, se a estratégia adotada para comercializar não for à correta. (AZEVEDO, 2001, p.65) Entre as situações que levam a gerar e implementar um sistema de comercialização agrícola estão os desajustes entre o crescimento da demanda e o da oferta, bem como o desequilíbrio da produção entre o mercado externo e interno. A falta de resposta a uma demanda crescente deve-se a um conjunto de fatores, como a falta de incentivos econômicos, escassez de recursos, instabilidade monetária e sistemas de comércio ineficazes. (MENDES; PADILHA JUNIOR, 2007, p.2) A comercialização agrícola é fundamental na economia, pois é o vinculo entre o setor produtivo e o consumidor final. O encaminhamento organizado dos bens agrícolas produzidos permite que os consumidores obtenham produtos com as características desejadas. (MENDES; PADILHA JUNIOR, 2007, p.1) Porém para os pequenos produtores a comercialização, que é fator estratégico em qualquer atividade, é um grande desafio a ser enfrentado. Tanto que, 15 nos últimos tempos, buscando resultados de ganhos de produtividade e diversificação da produção, a agropecuária de pequeno porte não teve um avanço considerável no esforço de novos e adequados mecanismos de comercialização. (SERVIÇO DE APOIO ÀS PEQUENAS E MICRO EMPRESAS (SEBRAE), 2012a) Com isso, esse trabalho visa identificar as dificuldades de comercialização dos pequenos produtores no Município de Rancho Alegre. E servirá como referencial para os debates acadêmicos e para subsídio aos pequenos produtores do município. 1.3. OBJETIVOS 1.3.1 Objetivo Geral Este trabalho tem como objetivo identificar quais são as principais dificuldades de comercialização de pequenos produtores agrícolas no Município de Rancho Alegre 1.3.2 Objetivos Específicos - Caracterizar a atividade agrícola em pequenos produtores e seus processos de comercialização. - Caracterizar os pequenos produtores agrícolas do Município de Rancho Alegre. - Apontar as principais dificuldades de comercialização dos pequenos produtores agrícolas do Município de Rancho Alegre. 16 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Neste capítulo será apresentada a base teórica, e tem como objetivo esclarecer aspectos da agricultura relacionados ao seu desenvolvimento, a aspectos econômicos, e suas perspectivas futuras. Além de abordar a contextualização de pequeno produtor rural e a comercialização. Inicia-se com as considerações referentes à agricultura, seguido da caracterização de pequeno produtor e os aspectos relacionados à comercialização que o envolvem. Tem como finalidade, servir de base para coleta e análise dos dados, visando à concretização dos objetivos gerais e específicos propostos. 2.1. AGRICULTURA A agricultura contribui para o desenvolvimento como atividade de subsistência, atividade econômica e fornecedora de serviços ambientais. Em sincronia com outros setores funciona como fonte de crescimento mais rápido, e se bem distribuída, reduz a pobreza. (BANCO MUNDIAL, 2007, p. 2) É definida pelo dicionário de língua portuguesa Aurélio (2011, p.62), como atividade de cultivar os campos, para produção de vegetais úteis ao homem; lavoura. Barros (1975, p.70), propõe que a agricultura é "a artificialização pelo homem do meio natural, com o fim de torná-lo mais apto ao desenvolvimento de espécies vegetais e animais, elas próprias melhoradas”. Foi também definido que "a agricultura é a arte de obter do solo, mantendo sempre a sua fertilidade, o máximo lucro". (DIEHL, 1984, p.114) Com isso, pode-se entender que a agricultura é o processo de usar o solo para cultivar plantas com o objetivo de obter alimento para consumo ou comercialização, e gerar matéria-prima para as mais diversas necessidades. 17 2.1.1. Histórico da Agricultura No período pré-histórico, a maioria das famílias era auto-suficiente, pois produziam os produtos que necessitavam. Fabricavam a própria farinha, teciam suas roupas e abatiam seus animais. Com o passar do tempo perceberam que os diferentes recursos e talentos permitiam-lhes produzir coisas melhores que outras. (MENDES; PADILHA JUNIOR, 2007, p.3) Até meados do século XX, a maioria da população estava concentrada no campo, onde plantavam e criavam animais. Com a Revolução Tecnológica e o processo de desenvolvimento das cidades, que passaram a crescer consideravelmente, a agricultura deixou de ser atividade de subsistência e passou a ser a uma operação comercial, "em que os agricultores consomem cada vez menos o que produzem". (ARAÚJO; WEDEKI; PINAZZA, 1990, p.12) Os produtores começaram a se especializar na sua atividade. E as operações de armazenagem, distribuição, processamento, passaram a ser executadas por agentes externos. “Da porteira da fazenda para fora, estrutura-se um moderno parque industrial, que fornece bens de capital e os insumos modernos que abastecem o campo, como máquinas, equipamentos e implementos agrícolas, fertilizantes, sementes melhoradas, defensivos, vacinas, medicamentos, rações etc.” (ARAÚJO; WEDEKI; PINAZZA 1990, p. 2) Além da especialização, a tecnologia tanto no interior da propriedade quanto fora dela, contribuíram substancialmente para a evolução do sistema de comercialização, com o objetivo de aumentar a produtividade e com isso a produção. (MENDES; PADILHA JUNIOR, 2007, p.5) 18 2.1.2. Desenvolvimento da agricultura no Brasil O termo agricultura e agropecuária têm sido utilizados como sinônimos na economia brasileira. Referem-se ao setor produtivo baseado na atividade rural, que tem na terra um fator de produção essencial. Atualmente usa-se o termo agropecuária para nomear o grupo de atividades que usam a terra como fator de produção, seja para criação de animais, ou plantação. Sendo assim, a agricultura passa a ser um subsetor da agropecuária e a pecuária outro subsetor. E o termo agronegócios é a tradução do agribusiness e refere-se ao conjunto de atividades vinculadas à agropecuária. (BACHA, 2004, p.14) A agricultura brasileira produz uma série de bens e serviços, e por ser um bem de desenvolvimento inicial serve de capital para investimentos em outros setores da economia. Além disso, à medida que a população do país cresce, a provisão de alimentos a população urbana e rural passa a ser função básica da agropecuária. (BACHA, 2004, p 14-30) No Brasil o forte desenvolvimento do agronegócio se deve na década de 70, pela criação dos órgãos federais Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e Empresa Brasileira de Terraplanagem (Embrater), que eram responsáveis por atividades de pesquisa e extensão rural, em todo país. Tanto a lavoura quanto a pecuária tiveram forte crescimento no período. E com toda a expansão física e modernização do setor, isso implicou no forte crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Na década seguinte, o crédito rural sofreu mudanças e o volume de crédito rural diminuiu e como conseqüência os agricultores utilizaram recursos próprios ou de terceiros. A partir de 1997, o Governo Federal começou a adotar políticas para garantir preços mínimos aos produtos, por meio de programas federais. (BACHA, 2004, p. 174-176) As mudanças no cenário agrícola do Brasil e desenvolvimentos podem ser identificadas na Tabela 1, abaixo. sua expansão e 19 Tabela 1: Comparativo do desenvolvimento do cenário agroindustrial de 1970-2006 DADOS ESTRUTURAIS ESTABELECIMENTOS QUANTIDADE) 1970 1975 4.924.019 4.993.252 ÁREA TOTAL (HECTARES) 294.145.466 CENSOS 1980 5.159.851 1985 5.801.809 1995 4.859.865 323.896.082 364.854.421 374.924.929 353.611.246 2006 5.204.130 354.865.534 UTILIZAÇÃO DAS TERRAS LAVOURAS (HECTARES) PASTAGENS (HECTARES) 33.983.796 40.001.358 49.104.263 52.147.708 41.794.455 154.138.529 165.652.250 174.499.641 179.188.431 177.700.472 76.697.324 172.333.073 Fonte: IBGE, 2012 Como pode ser observado pela Tabela 1, o número de estabelecimentos agropecuários no ano de 1970 era de 4.924.019 hectares, já em 2006 esse número foi para 5.204.130 ha, um aumento de 5,68% em 36 anos. A área total produzida também aumentou em 60.720.068 hectares de 1970 a 2006, o que significa um aumento percentual de 20,64%, em relação ao aumento do número de estabelecimentos. Em comparativo com as pastagens, a lavoura ao longo de aproximadamente três décadas aumentou em 126,68%, passando de 33.983.796 hectares para 76.697.342 hectares de áreas cultivadas. No mesmo período o aumento da área de pastagem foi de apenas 11,80%. 2.1.3. Projeções do agronegócio O Brasil é um dos líderes mundiais na produção e exportação de vários produtos agropecuários, e o líder em produção e exportação de café, açúcar, etanol de cana-de-açúcar e suco de laranja, liderando também o ranking de exportação do complexo soja, que representa o maior peso na balança comercial brasileira. 20 (MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECURÁRIA E ABASTECIMENTO. (MAPA), 2012a) De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2012), o PIB brasileiro em 2011, em relação ao quarto trimestre de 2010, cresceu 1,3%, e o maior destaque foi à agropecuária com crescimento de 3,3%. O Produto Interno Bruto (PIB) “de um setor mostra a parcela do valor da produção, que é apropriada pelos fatores de produção desse setor.” (MENDES, 1989, p.31), ou seja, ele aponta o crescimento ou não de determinado setor. De acordo com o MAPA (2012b), as projeções para o agronegócio a longo prazo, são favoráveis na maioria dos bens produzidos, como é o caso do café, onde a estimativa de crescimento é cerca de 3,5% ao ano. A Associação Brasileira da Indústria de Café – ABIC (2011), estima que o aumento do consumo em 2001 foi de 4,0% e vem crescendo desde 2003. O consumo de café no país tem aumentado e as estimativas para exportações de café estão projetadas para 2019/2020 em 37,7 milhões de sacas. Outros setores com carne, açúcar e leite, também demonstram intenso crescimento para os próximos anos. As culturas que mais se destacam em relação às projeções, deverão ser o algodão, soja em grão, carne de frango, açúcar, milho e celulose. Esses produtos são os que indicam maior potencial de crescimento das exportações nos próximos anos. (MAPA 2012b), As colheitas de milho indicam um aumento de 16,3 milhões de toneladas entre as safras 2011/2012 e 2021/2022. Em 2021/2022 a produção deverá encontrar-se na casa dos 70,4 milhões de toneladas, e o consumo será de 58,8 milhões. Esses resultados indicam que para atender o consumo, o Brasil deverá ter um excedente de 11,4 milhões de toneladas para suprir os estoques e as exportações. Se tratando do trigo, a produção projetada para o mesmo período é de 6,9 milhões de toneladas, e um consumo de 11,7 milhões de toneladas no mesmo ano. O consumo interno no País deverá crescer em média 1,2% ao ano, entre 2011/12 e 2021/2022. E apesar da produção de trigo aumentar cerca de 1,9%, o Brasil deve manter-se como um dos maiores importadores mundiais. 21 As estimativas realizadas até 2021/2022 são de que a área total plantada com lavouras deve passar de 64,9 milhões de hectares em 2012 para 71,9 milhões em 2022. Um acréscimo de 7,0 milhões de hectares. Essa expansão de área está concentrada em soja, mais 4,7 milhões de hectares, e na cana-de-açúcar, mais 1,9 milhão. A expansão de área de soja e cana de açúcar deverá ocorrer pela incorporação de áreas novas e também pela substituição de outras lavouras que deverão ceder área. O milho deve ter uma expansão de área por volta de 600 mil hectares. MAPA (2012b) 2.2. PEQUENO PRODUTOR RURAL Na literatura é comum verificar o uso do termo pequeno produtor como sinônimo de agricultura familiar. Segundo Medeiros (2001, p.117), o termo pequeno produtor era dominante até 1980, e depois foi substituído por agricultura familiar. Para Portugal (2012) “a agricultura familiar é constituída por pequenos e médios produtores”. Porém, para esse trabalho será usada como base a LEI Nº 11.428, de 22 de dezembro de 2006, que define: “pequeno produtor rural: aquele que, residindo na zona rural, detenha a posse de gleba rural não superior a 50 (cinqüenta) hectares, explorando-a mediante o trabalho pessoal e de sua família, admitida a ajuda eventual de terceiros, bem como as posses coletivas de terra considerando-se a fração individual não superior a 50 (cinqüenta) hectares, cuja renda bruta seja proveniente de atividades ou usos agrícolas, pecuários ou silviculturais ou do extrativismo rural em 80% (oitenta por cento) no mínimo.“ (BRASIL, 2006) 2.2.1. Caracterização do pequeno produtor rural Em geral, os pequenos agricultores possuem baixo nível de escolaridade e os produtos cultivados são diversificados para diminuir custos, aumentar a renda e aproveitar as oportunidades de oferta e de mão-de-obra disponível. São cerca de 22 4,5 milhões de estabelecimentos, enquadrados como propriedade de pequeno porte. Esse segmento detém cerca de 20% das terras e responde por aproximadamente 30% da produção mundial. No Brasil chegam a ser responsáveis por 60% da produção em segmentos como feijão, arroz, milho, hortaliças, mandioca. (PORTUGAL, 2012) A agricultura de pequeno porte, constituída por pequenos e médios produtores representa a maioria de produtores rurais no Brasil, com papel crucial na economia das pequenas cidades, sendo que 4.928 municípios têm menos de 50.000 habitantes e, destes, mais de 4.000 têm menos de 20.000 habitantes. E com isso compõem a chamada agricultura familiar, responsável por inúmeros empregos no comércio e na prestação de serviços nas pequenas cidades. (PORTUGAL, 2012) Esse segmento ocupa mais de 80% do setor rural e responde no Brasil por sete de cada dez empregos no campo, e por aproximadamente cerca de 40% da produção agrícola. Atualmente a maior parte dos alimentos que abastecem a mesa dos brasileiros vem das pequenas propriedades. Além disso, favorece o emprego de práticas produtivas ecologicamente equilibradas, como diversificação de cultivos e utilização de menos insumos industriais. Em 2009, cerca de 60% dos alimentos distribuídos pela Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) veio da Agricultura familiar. (CONAB, 2012) Quando se analisa o cenário dos pequenos agricultores, pode-se observar que os problemas são diferente para cada região, estado ou município. Na região Norte há dificuldades de comercialização, devido à distância dos mercados consumidores e o esgotamento da terra nas áreas de produção. No Nordeste são minifúndios inviáveis economicamente. No Sudeste a dificuldade está na exigência em qualidade e saúde dos produtos por parte dos consumidores. Já na região Sul é a concorrência externa de produtos do Mercado Comum do Sul (MERCOSUL). (PORTUGAL, 2012) O pequeno produtor rural, por sua baixa produção, e com reduzida capacidade de poupança, está sujeito a grandes obstáculos para se beneficiar dos Instrumentos de Política Agrícola. A insuficiência de recursos, na época de entressafra, faz com que seja obrigado a vender antecipadamente e a baixos preços 23 a produção, a fim de conseguir suprir suas necessidades de bens de consumo. E por não dispor de opções de compra para seus produtos, surge a figura dos intermediários, obrigando-lhes a comprometer a venda de sua produção. De outro lado, quando dispõe de uma parcela de produtos para venda, não conta com meios para transportá-la. Esses obstáculos constituem os principais elos de uma cadeia conhecida como processo produção/mercado, o que o leva na maioria das vezes à situação de pobreza. (INSTITUTO INTERAMERICANO DE COOPERAÇÃO PARA AGRICULTURA (IICA), 1982, p.68) A atividade agrícola está sujeita ao fator clima que o homem não pode controlar e, não está imune a pragas e doenças, que trazem instabilidade ao mercado, e com isso, oscilações nos preços e na renda dos produtores. (ARAÚJO, 1990, p.10). Outro ponto a ser considerado é o fato de que uma parcela significativa de pequenos produtores rurais acaba ignorando a evolução do mercado e as alterações no mercado de consumo, prestando atenção apenas na sua atividade, como se ela estivesse desvinculada dos outros segmentos da cadeia. (NANTES; SCARPELLI, 2001, p. 572) A agricultura é um setor da economia em que o gerenciamento da produção é uma coisa difícil. No setor industrial, as empresas podem sujeitar-se a excedentes de produção. Porém se isso prevalecer, a decisão gerencial é de reduzir a produção, até equilibrar novamente a oferta e a demanda a níveis de preço compatíveis no mercado. Já na agricultura, em um eventual excedente de produção, restaurar o equilíbrio não é tão rápido quanto em uma empresa. Freqüentemente, mesmo em um ambiente de queda de preços, ainda continuam sendo produzidas quantidades consideráveis de determinado produto. E esse comportamento na produção de alimentos é resultante de diversos fatores, alguns inerentes à própria natureza do negócio agrícola, ou resultante da estrutura organizacional do Complexo Agroindustrial (CAI), termo adotado em 1957 pelos americanos Davis & Goldberg. (ARAÚJO; WEDEKI; PINAZZA, 1990, p.10) O conceito de Complexo Agroindustrial tem um enfoque multissetorial, pois abrange as relações comerciais e tecnológicas, que caracterizam a interdependência entre os segmentos agropecuários, industrial e de serviços. As instituições do CAI, podem ser enquadradas em três categorias: na primeira 24 encontram-se os fazendeiros, processadores e distribuidores, responsáveis pelo operacional, que são responsáveis por manipular e impulsionar fisicamente o produto; na segunda categoria, figuram as empresas de insumos e demais fatores de produção; no terceiro, situam-se os mecanismos coordenadores, como governo, sindicatos e etc., que cuidam da integração das diferentes seções envolvidas. Davis e Goldberg definiram CAI, como a soma total das operações de produção, distribuição de insumos, unidades rurais e de armazenamento e bens preparados. (PEIXOTO; TOLEDO; REICHARDT, 1995, p.403) “Os produtos agropecuários seguem por diversos caminhos até chegar aos consumidores, tanto na forma in natura, como beneficiados, processados ou transformados” (ARAÚJO, 2010, p. 72). Por isso, há necessidade dos produtores estarem atentos ao que acontece da porteira para fora, onde estrutura-se um moderno parque industrial. Pois o “meio rural, face às suas inúmeras atividades e volume financeiro das transações (compra, venda, contratação de serviço, produção etc.), constitui-se numa empresa, mesmo não estando sempre formalmente assim denominado e estruturado.” (BARROS, 1975, p. 122) Os pequenos produtores, quando encontram condições favoráveis de estímulos, possuem enorme capacidade de diversificarem suas atividades, absorver tecnologias e, em alguns casos, são capazes de desenvolver atividades agropecuárias especializadas, que requerem técnicas sofisticadas de administração com características empresariais. Podem utilizar de forma intensiva os fatores de produção, terra e mão-de-obra, com custos baixos. Quando trabalham em forma de associativismo (de produção, processamento, comercialização e consumo próprio), são capazes de competir em produtividade, competitividade, qualidade e custos com os modelos empresariais, em face dos benefícios de economia de escalas em seu empreendimento. (IICA, 1982, p.79-80) 25 2.3. MARKETING E AGRONEGÓCIO O desenvolvimento histórico do marketing está relacionado com a própria história do homem. É o resultado direto da especialização e da tecnologia usada na produção, uma vez que ambas resultam numa produção que excede as necessidades de subsistência, tanto para uso imediato, como para uso futuro. (MENDES; PADILHA JUNIOR, 2007, p.3) O marketing dentro do agribusiness utiliza basicamente os mesmos conceitos de outros setores produtivos, porém possui particularidades como: (SILVA; BATALHA, 2001, p, 129) ● natureza dos produtos (perecibilidade, sazonalidade) ● características da demanda (bens de consumo corrente, produtos em ascensão ou estabilizados ou em declínio, sazonalidade) ● comportamento do consumidor (dimensão psicológica: preocupação com saúde, etc.) ● dispersão do setor de produção agropecuária ● concentração do setor de distribuição ● importância das cooperativas no negocio de transformação de produtos de origem agropecuária Uma pequena propriedade rural, vista como uma pequena empresa tem características únicas que a torna diferente das grandes corporações, nesse caso referindo-se as grandes propriedades. Em relação às mesmas o fator significativo entre elas está no número de pequenas propriedades, que como já mencionado anteriormente, é maioria no Brasil. Todas as empresas têm limitações entre o que podem e o que desejam fazer, qualquer atividade está inibida perante a falta de recursos financeiros, pessoas e conhecimento técnico. Todavia quanto maior for à corporação, mais escopo terá para gerar recursos financeiros para projetos, no caso das pequenas empresas, poucas opções estão disponíveis (CARSON, 2005, p. 540) 26 A abordagem dos sistemas agroindustriais propõe que se trabalhem as cadeias agroindustriais identificando o consumidor final, suas características, padrões de preferência, tendências de mudanças, formas de organização social e capacidade de interferir sobre a cadeia. A cadeia de produção pode ser dividida em três macrossegmentos: produção de matérias-primas, industrialização e comercialização. Segundo as características dos mercados a eles associados, podese identificar quatro enfoques para o marketing do sistema agroindustrial: (SILVA; BATALHA, 2001, p, 130) ● marketing alimentar (situa-se pelo consumidor final, caracteriza-se pela interface entre varejista e consumidor). ● marketing agroindustrial (situa-se entre industrialização e distribuição). ● marketing agrícola (mercados relacionados entre agroindústria e agricultura). ● marketing rural (situa-se entre produtores de insumos e produtores rurais). O papel da comercialização e de suas atividades é de basicamente facilitar as respostas a indagações econômicas: ‘o que’, ‘quanto’ e ‘como’ ‘produzir’, ‘quando’, ’como’ e de que forma distribuir. Resume-se basicamente em orientar a produção, o consumo e produzir utilidades. (MENDES; PADILHA JUNIOR, 2007, p.12) Tratando-se de marketing, uma das maiores influências sobre a pequena empresa, está no proprietário, na verdade é a influencia desse individuo que caracteriza o estilo e a natureza do marketing executado na propriedade. (CARSON, 2005, p.540) As transações de mercadoria diferenciam-se uma das outras e sistematizar essas diferenças, não é uma tarefa trivial. Conforme as características de cada transação, um determinado mecanismo de comercialização será mais adequado. Os comodities são comercializados mais eficientemente através de mercados spot ou de futuros. Já produtos sensíveis a variação qualitativa e compras regulares são comercializadas através de contrato a longo-prazo. (AZEVEDO, 2001, p.71) As alternativas ou estratégias de comercialização são mecanismos envolvidos na transferência de propriedade dos produtos agropecuários. Dada a carência de 27 mecanismos apropriados para a comercialização, o setor privado, assumiu papel fundamental nesse segmento, agindo como financiador e criador de mecanismos de comercialização. Na comercialização, o grande problema dos produtores centra-se na variabilidade dos preços agropecuários, que os força a buscar novas maneiras de vender sua produção, para tentar fugir das flutuações de preço entre os período de plantio e venda na safra. (MENDES; PADILHA JUNIOR, 2007, p.276) De acordo com Mendes e Padilha Junior (2007, p.277-287) as principais alternativas de comercialização disponíveis ao produtor rural são: ● Venda á vista na época da colheita - nessa alternativa, normalmente o produtor abandona a possibilidade de obter um retorno mais condizente com o investimento devido ao excesso de oferta nesse período. ● Contrato de venda antecipado da produção – nessa modalidade, é feito um contrato antecipado para entrega futura dos produtos. Cada vez mais utilizada devido ao fato dos financiamentos realizados pelo Estado tanto para custeio como para comercialização serem escassos. ● Estocagem para especulação – esse método permite ao produtor estocar a produção na época da colheita e vender no período da entressafra, esperando obter um preço melhor. ● Venda com preço autorizado - alternativa na qual se entrega a produção na época da colheita, e ao mesmo tempo estipula um preço pelo qual a cooperativa está disposta a efetuar a venda da produção. ● Venda com preço a fixar – essa alternativa apresenta duas modalidades, caso a operação seja feita com particular ou por cooperativa. Na primeira entrega-se e transfere o titulo ao comprador na época da colheita, mais se fixa o preço mais tarde, e com custo de armazenamento pré-fixado. Na segunda modalidade, por meio da cooperativa, a mercadoria ainda pertence ao produtor e sua venda só poderá ocorrer após o associado fixar o preço. ● Venda em comum ou pooling – é uma alternativa com a qual a cooperativa após receber a produção, efetua as vendas em diferentes épocas, a fim de obter um preço médio, permitindo reduzir os custos de mercado. 28 ● Prêmio para escoamento do produto (EPP) – constitui-se em uma subvenção econômica concedida pelo governo, mediante leilão público, utilizada posteriormente pelo arrematante para aquisição de produtos pelo valor garantido pelo governo federal, estabelecidas em regulamento. 2.3.1. Principais obstáculos para comercialização dos produtores rurais Comercialização é um processo complexo e devem ser levados em conta todos os fatores externos que possam afetar os objetivos da empresa, as formas de produção, a carteira de produtos e serviços. Além disso, deve-se estar atento às perspectivas econômicas, às tendências de consumo e à atuação da concorrência, entre outros fatores externos. (SEBRAE, 2012b) Para Segatti e Hespanhol (2008, p. 620) “a maior dificuldade dos pequenos produtores rurais reside na comercialização dos seus produtos”. Numa visão limitada, a comercialização de produtos agrícolas pode ser entendida como o simples ato do agricultor que faz a transferência do seu produto para outros agentes que compõem a cadeia produtiva na qual está inserido. Entretanto, trata-se de um “processo contínuo e organizado de encaminhamento da produção agrícola ao longo de um canal de comercialização, no qual o produto sofre transformação, diferenciação e agregação de valor.” (MENDES; PADILHA JUNIOR, 2007, p.1) Tanto o pequeno quanto o grande produtor rural se inserem no mercado com o objetivo de vender e produzir lucros com sua produção. Mas enfrentam concorrência de diversas formas. Em primeiro lugar concorrem com outros agricultores, tanto da mesma região, quanto de outras regiões. (PORTER, 1996, p.153) A produção agroindustrial é um bem de primeira necessidade e de baixo valor unitário. Tal característica é evidente se compararmos alimentos em geral, com automóveis ou com um computador. Esse fato faz com que a variação do preço dos produtos não afete a quantidade consumida, pois uma família que possua uma 29 renda baixa, eventualmente pode deixar de comprar um microondas se o preço subir, mais dificilmente deixará de adquirir arroz ou feijão. (AZEVEDO, 2001, p. 65) Os produtos agroindustriais diferenciam-se uns dos outros, consistem em produtos alimentares em sua maioria, mais outros como tecidos ou borracha, atendem a outros anseios dos consumidores. Enquanto alguns produtos podem ser estocados por determinado tempo, sem a necessidade de muitos cuidados, como o café, existem aqueles perecíveis como o derivado do leite, e os que necessitam de um processamento complexo, como papel. (AZEVEDO, 2001, p. 65) Os produtos da agricultura estão sujeitos a riscos e incertezas próprios da atividade rural, que causam impacto direto nos custos de produção e lucratividade de todos os agentes integrantes da cadeia produtiva (fornecedores de insumos, propriedades rurais, indústria, atacado e varejo). De acordo com Waquiel, Miele e Shultz (2010, p.35) os riscos estão relacionados com as especialidades e podem ser divididos em três: ● Riscos relacionados à produção: estão relacionados com as condições climáticas adversas, aparição de pragas e doenças. ● Riscos relacionados ao crédito: aqueles oriundos da inexistência de forma de financiamento, altas taxas de juros, valores incompatíveis para financiamento dos custos operacionais de produção, incapacidade e falta de condições de pagamento. ● Riscos relacionados aos preços: oriundos dos movimentos de preços no mercado, devido a alterações da oferta ou demanda dos produtos agrícolas. De acordo com Sandroni (2006, p.160), demanda é “a quantidade de um bem ou serviço que um consumidor deseja e está disposto a adquirir por determinado preço e em determinado momento”, enquanto a oferta é “a quantidade de bens ou serviços que se produz e se oferece no mercado, por determinado preço e em determinado período de tempo.” (SANDRONI, op. cit, p.429) O produtor rural enfrenta adversidades não somente à produção e ao financiamento, mas principalmente às expectativas futuras relacionadas às cotações de preços e respectivas oscilações. Tais oscilações são difíceis de prever e 30 dificultam o planejamento da produção e comercialização, bem como a tomada de decisão por parte dos agricultores. (WAQUIL; MIELE; SCHULTZ, 2010, p. 35) Para Araújo (2010, p. 2), as divisões que formam a cadeia do agronegócio podem ser distinguidas em segmentos antes e depois da porteira. O segmento antes da porteira relaciona-se com os recursos necessários para a produção no campo “fazem parte deste segmento máquinas, equipamentos, fertilizantes, componentes químicos, medicamentos veterinários, vacinas, compostos orgânicos, melhoramento genético, sementes, rações e implementos”. (CALLADO; CALLADO, 2011, p. 5) Acredita-se que este seja um dos fatores mais críticos para os pequenos produtores, pois tal segmento é formado [...] “por poucas e grandes empresas que, atuando em conjunto ou isoladamente, são capazes de influir nos preços e nas quantidades dos produtos ofertados, além de ter acessos políticos” (ARAÚJO, 2010, p. 33). E com isso estas empresas exercem forte pressão nos produtores, que acabam adquirindo insumos com valores elevados. O segmento depois da porteira, que é o processo para se chegar ao consumidor final, “abrange todas as atividades relacionadas à distribuição e comercialização dos produtos agroindustriais até que eles atinjam os consumidores finais [...]” (CALLADO; CALLADO, 2011, p. 10). Portanto é importante que o pequeno produtor rural esteja a par dos elos que envolvem a cadeia produtiva da qual faz parte, para que possa escolher a mais adequada alternativa às suas necessidades. Os canais de distribuição pelo qual seguem os produtos podem-se distinguir de acordo com Sproesser (2001, p. 244), em diretos e indiretos, no primeiro o produtor garante o conjunto de atividades junto aos consumidores e os indiretos, que comportam, em número mais ou menos importante, os agentes intermediários. Os canais indiretos podem ser curtos ou longos, sendo curto quando é composto por um produtor e um conjunto de varejistas e o longo envolve pelo menos um intermediário, geralmente um atacadista entre o produtor e o varejista. O comprimento de um canal de distribuição é o resultado das escolhas feitas em função dos fatores. A opção por um desses canais coloca em questão a utilidade 31 econômica do atacadista, quem cumprem o papel de redutores de contato entre produtores e varejistas, efetuando as funções de armazenamento, e divisão de lotes em função das necessidades dos clientes. Levando em conta que o fato de que uma propriedade rural é como uma empresa, deve-se destacar a tomada de decisão como um fator de grande importância e impacto. “A tomada de decisões dentro do âmbito empresarial consiste na escolha da opção dentre cursos alternativos que melhor se enquadre em seus interesses” (CALLADO; MORAES FILHO, 2011, p. 25). Porém, isso não é tarefa fácil, pois exige conhecimento de mercado, antecipação de tendências, estudo do capital envolvido e etc. Infelizmente isso não acontece no campo, pois muitas vezes, “as decisões são estritamente empíricas, sujeitas a alto grau de incerteza.” (NANTES; SCARPELLI, 2001, p. 563) Outra dificuldade dos pequenos agricultores consiste no intenso ritmo de atualização tecnológica no campo, e que tem requerido a atualização de informações e a adoção de mecanismos de aprendizagem e formação profissional e empresarial dos produtores rurais, o que não é tarefa fácil para a maioria dos pequenos produtores rurais, os quais têm sido sistematicamente desalojados do ambiente em que estão inseridos devido à alta necessidade de se produzir em grande quantidade, com padrão e qualidade elevados e a preços competitivos. (SEGATTI; HESPANHOL, 2008, p. 616) 2.3.2. Políticas de gestão e estratégia de comercialização de produtos agrícolas No Brasil existem iniciativas governamentais, em resposta a pressões do setor produtivo ou a crises no abastecimento, como instrumentos públicos de apoio à comercialização agrícola. Entre elas pode-se destacar a criação da Comissão de Financiamento da Produção (CFP), em 1943, que depois passou a executar a Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM). Na década de 1960, foram criadas a Superintendência Nacional de Abastecimento (SUNAB), a Companhia Brasileira 32 de Alimentos (COBAL) e a Companhia Brasileira de Armazenamento (CIBRAZEM), esses órgãos eram responsáveis pelo abastecimento de alimentos, incluindo controle de preços, escoamento e armazenamento. E em 1990, por meio da fusão dos três criou-se a CONAB, que atualmente é vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). (WAQUIL; MIELE; SCHULTZ, 2010, p.50) Entre os instrumentos disponibilizados aos produtores rurais estão: A Garantia de Preços Mínimos é um instrumento ainda em uso, que garante um preço pré-fixado e anunciado previamente, antes do início do plantio. Com isso, o governo assegura para os produtores, independente dos preços de mercado, a venda de sua produção pelo preço mínimo. (BUAINAIN, 2007, p.67) Aquisição do Governo Federal (AGF) consiste na venda da produção ao governo. O governo adquire os excedentes em períodos de safras abundantes para posterior retorno ao mercado em períodos de escassez. Funciona como um mecanismo de equilíbrio entre a oferta e a demanda de uma safra para outra. A AGF é importante porque, por intermédio dela, o governo pode garantir com eficiência o preço mínimo quando os preços estão abaixo do mercado. (WAQUIL; MIELE; SCHULTZ, 2010, p.51) Empréstimo do Governo Federal, segundo WAQUIL, MIELE, SCHULTZ, (2010, p.51), ou Crédito para Comercialização conforme Buainain, (2007, p.75), permite, segundo os autores, que os produtores estoquem parte de sua colheita, o que reduz a oferta na época da colheita, e com isso a pressão sobre os preços de mercado em beneficio dos agricultores. Esse crédito para comercialização tem como parâmetro o preço mínimo e como garantia a parte da produção estocada em armazéns credenciados. Durante o período de estocagem o produtor pode realizar as venda a qualquer momento, se os preços forem compensadores. Contrato de Opção de Venda (COV). Constitui-se de uma modalidade amplamente, por meio da qual o comprador da opção faz um hedge, que segundo Luquet (2007, p.117) “são carteiras que podem operar diversos mercados de forma simultânea e utilizam fartamente os mercados futuros e de opções”; para assegurar a compra ou venda de determinada mercadoria a um preço preestabelecido. Para Buainain, (2007, p.77) essa opção, funciona como um seguro de preço. 33 Cédula do Produtor Rural (CPR). Trata-se de um titulo de promessa de entrega futura de produtos rurais emitido pelo produtor, associação ou cooperativa de produtores, e que pode ser negociado em mercados de bolsas ou balcão. Sua liquidação só é validada por meio da entrega do produto. (WAQUIL, MIELE, SCHULTZ, 2010, p.52) É importante salientar que além desses instrumentos, existem outros, que são disponibilizados pelo governo, conforme apresentado nos trabalhos de Waquil, Miele, Schultz, (2010, p.51-53), e Buainain (2007, p.74-78). Portanto, por meio da intervenção do governo, na concessão de crédito, possibilita aos produtores estocarem seus produtos e aguardarem melhores oportunidades de mercado. O crédito permite a regulação da oferta ao longo do ano e tem papel fundamental na estabilização de preços. Tratando-se dos pequenos produtores, existem programas com âmbito nacional de garantia de comercialização. A estratégia que vem orientando as definições do governo em relação à agricultura desde os anos 1990 baseia-se em dois componentes que são o fortalecimento da competitividade da agricultura empresarial e o fortalecimento da agricultura familiar. (BUAINAIN, 2007, p.90) Enquanto a ação prioriza as melhorias na infraestrutura e incentivos através de novas políticas agrícolas, o fortalecimento da agricultura familiar está centrado em dois programas básicos: Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF) e o Programa Nacional de Reforma Agrária. O primeiro não foi de fato implementado e tem sido um programa de crédito de custeio. O lançamento do PRONAF pelo Governo Federal e o retorno da reforma agrária à pauta política significaram uma reestruturação na orientação da política agrícola brasileira. Tratouse do reconhecimento e da importância econômica e social gerados da agricultura familiar, incorporando esses agricultores e trabalhadores rurais como possíveis beneficiários de ações da política agrícola. (BUAINAIN, 2007, p.91) O PRONAF tem como objetivo a aquisição dos produtos oriundos da agricultura familiar com preço compensador, trazendo segurança e incentivo para o pequeno agricultor. Serve para fortalecer a agricultura familiar e contribuir para gerar emprego e renda nas áreas rurais e urbanas e com isso melhorar a qualidade de vida dessa classe de produtores. (CONAB, 2012; BUANAIN, 2007, p.91) 34 Para se beneficiar do PRONAF, os agricultores precisam atender a alguns requisitos: (BUAINAIN, 2007, p.91) ● Mão-de-obra familiar, com o apoio de empregados temporários e, se for o caso, possuir no máximo dois empregados permanentes; ● Possuir ou explorar área que não supere 4 módulos fiscais; ● Residir no imóvel rural ou em vila urbana ou rural próxima ao imóvel; ● Ter 80% de sua renda corrente proveniente da exploração agropecuária, pesqueira ou extrativa. Outro meio de comercialização é o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), considerado como uma das principais ações estruturantes do Programa Fome Zero. Constitui-se como um mecanismo complementar do PRONAF. É acionado após a etapa final do processo produtivo, no ato da comercialização. Instituído pelo art. 19 da Lei nº 10.696, de 02 de julho de 2003, e regulamentado pelo Decreto nº 6.447, de 07 de maio de 2008, promove a aquisição de alimentos de agricultores familiares, de maneira direta ou por meio de associações/cooperativas. A compra é feita diretamente pela CONAB, sem intermediários ou licitações, e por um preço recompensador. Em uma de suas modalidades, os alimentos adquiridos são destinados a programas sociais da região, e com isso se movimenta a economia local a um custo reduzido, porque se evitam os passeios desnecessários. (CONAB, 2012) 2.4. FORMAS DE COMERCIALIZAÇÃO DOS PEQUENOS PRODUTORES Para comercializar seus produtos, os pequenos agricultores sempre encontraram dificuldades. No Rio de Janeiro, por exemplo, a única forma de comercialização era através de intermediários, que visitavam o campo para viabilizar o acesso dos agricultores a "novas tecnologias. Com isso, iniciou-se um processo de troca de produtos, a ponto de deixarem os agricultores dependentes dos chamados intermediários. Em 1984, na tentativa de diminuir esta dependência, os Assentados 35 de Reforma Agrária e outros agricultores se uniram e lutaram junto ao Governo e, por meio dessa luta, conquistaram um pavilhão dentro do segundo maior mercado do País, o Centro Estadual de Abastecimento Sociedade Anônima (CEASA). O espaço é destinado à comercialização das organizações de Pequenos Produtores do Estado. (UNIÃO DAS ASSOCIAÇÕES E COOPERATIVAS DE PEQUENOS PRODUTORES RURAIS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. (UNACOOP), 2012) De acordo com o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA, 2012), os pequenos produtores, por meio do MPA, conseguiram desenvolver formas para facilitar a comercialização da produção, sendo uma delas o Programa de Aquisição de Alimentos que, no ano de 2011, fez com que 3.500 famílias camponesas comercializassem sua produção, totalizando 8.400 toneladas de alimentos. Outro meio conquistado para vender os alimentos, foi a Alimentação Escolar, onde 30% do recurso para aquisição de alimentação escolar é destinado à compra de produtos das pequenas propriedades. O MPA é um movimento importante, pois luta para resgatar e defender as feiras livres, onde milhares de pequenos produtores brasileiros comercializam sua produção. Por meio do MPA, os pequenos produtores tiveram condições de comercializar produtos embalados com a marca dos pequenos produtores, tais como feijão, arroz, macarrão, farinha de trigo, fubá, quirerinha de milho, farinha de milho, mel, açúcar mascavo e café torrado e moído. (MPA, 2012) De acordo com dados do IICA (1996, p.16), as mulheres produtoras rurais da região Sul do país vendem seus produtos em associações de produtores, CEASAs, cooperativas; em feiras de produtor, no próprio estabelecimento, ou em conjunto com o marido no comércio atacadista mais próximo da região. No Estado do Rio Grande do Sul, os pequenos produtores de soja vendem suas comodities às cooperativas do estado, como as Cooperativas de Produção Rural localizadas em Soledade, Três de Maio, Espumoso e Água Santa. (PADILHA; GOLLO; SILVA p.24-25) No Estado do Acre, por meio do PAA, o governo paga ao produtor o preço de mercado de sua produção e com isso elimina os intermediários. Tal programa foi instalado em todo estado. Nele mais de 50 tipos de produtos podem ser 36 comercializados e cada produtor pode vender até R$ 4.500,00 por ano, o que torna a renda certa e fixa. O governo adquire essas mercadorias e as doa para instituições de caridade. As compras do PAA são realizadas todas as terças-feiras, e os produtores de toda a capital e arredores se dirigem para Ceasa de Rio Branco. Além disso, a Secretaria de Educação criou o Programa da Merenda Escolar e a Secretaria de Estado de Extensão Agroflorestal e Produção Familiar do Acre (SEAPROF) organiza associações de produtores rurais do estado para participarem do programa. Nesse programa cada produtor tem o direito de vender R$ 9 mil para o governo por ano, algo parecido com o Programa de Aquisição de Alimentos. (AGÊNCIA NOTÍCIAS DO ACRE, 2012) Na Amazônia, o cenário agrícola constitui-se em sua maioria por pequenos agricultores, e tem suas atividades baseadas na caça, pesca, coleta de frutos, extração de matérias-primas e atividades agrícolas diversificadas. Por meio da organização e associação de algumas comunidades amazonenses, essas famílias de pequenos produtores estão participando do processo de comercialização direta de seus produtos, e com isso buscando novos mercados e preços justos para suas mercadorias. (JESUS, 2000, p.26) Na região Nordeste do país, a instalação de pequenas fábricas de processamento da castanha de caju, aliada ao treinamento de mão-de-obra, permitiu que os pequenos agricultores comercializassem sua produção no mercado externo. Em 2002, eram 120 unidades em cinco estados com capacidade anual de processar 20 mil toneladas de castanha. (PORTUGAL, 2012) No estado do Paraná, o CEASA, com suas unidades atacadistas localizadas em Curitiba, Maringá, Foz do Iguaçu, Londrina e Cascavel, concentra a comercialização de hortigranjeiros em nível de atacado, realizada por comerciantes, atacadistas e produtores rurais. Nessas unidades existe o Pavilhão do Produtor, que é uma área específica colocada à disposição de pequenos produtores de hortigranjeiros que vão ao CEASA, especialmente em época de safra, para comercializar seus produtos. Tais produtores têm seus produtos adquiridos principalmente por feirantes, supermercados, quitandas e varejistas ambulantes. Os preços são determinados no próprio mercado, como decorrência da oferta e procura. (CENTRAIS DE ABASTECIMENTO DO PARANA S.A. (CEASA/PR), 2012a) 37 O Mercado do Produtor são áreas cobertas destinadas aos pequenos produtores rurais paranaenses e suas organizações, para comercialização de suas próprias produções sem a interferência de intermediários. Ele representa um elo na cadeia de comercialização hortigranjeira, pois auxilia os produtores nas operações comerciais, a CEASA é a administradora do Mercado do Produtor, configurando-se como um centro de serviços de apoio à produção e comercialização. Para comercializar no Mercado do Produtor, a CEASA exige a realização de cadastro. Atualmente estão cadastros mais de 6.000 produtores rurais das mais variadas regiões do Estado do Paraná, que utilizam a CEASA como forma de comercializar seus produtos. Nas unidades da CEASA/PR de Curitiba, Londrina, Maringá e Foz do Iguaçu. (CEASA/PR, 2012b) Em alguns casos os pequenos produtores rurais, por não dispor de opções de compra para seus produtos, acabam entregando sua produção a intermediários. (IICA, 1982, p.68) 38 3. METODOLOGIA Nesse capítulo será apresentada a metodologia usada para alcançar os objetivos propostos para esse estudo. 3.1. ESPECIFICAÇÃO DO PROBLEMA O problema a ser analisado nesse estudo, é quais são as dificuldades de comercialização dos pequenos produtores agrícolas do Município de Rancho Alegre. 3.2. DELINEAMENTO DA PESQUISA A metodologia corresponde ao conjunto de procedimentos a serem utilizados para obter conhecimento. Consiste na aplicação do método, por meio de processos e técnicas, que garantem a legitimidade do saber obtido. Tem como interesse o estudo, a descrição e a análise dos métodos, e com isso lança esclarecimentos sobre os seus objetivos, utilidades e conseqüências, auxiliando na compreensão do processo da pesquisa científica (BARROS, LEHFELD, 2004, p.2). “Método é a forma de proceder ao longo de um caminho. Na ciência os métodos constituem os instrumentos básicos que ordenam de inicio o pensamento em sistemas, traçam de modo ordenado a forma de proceder o cientista ao longo de um percurso para alcançar um objetivo”. (TRUJILLO,1974,p.24) Para o desenvolvimento deste trabalho, o método utilizado é o estudo de caso. Para Marconi e Lakatos (2004, p.274), “o estudo de caso refere-se ao levantamento com mais profundidade de determinado caso ou grupo humano sob 39 todos os seus aspectos.” Para Triviños (1978, p.133), o estudo de caso é uma categoria de pesquisa cujo objeto é uma unidade que se analisa profundamente.” A pesquisa é de origem qualitativa, por não empregar instrumentos estatísticos, pois se preocupa em analisar e interpretar aspectos mais profundos. Para Richardson (1990, p.90), a pesquisa qualitativa “pode ser caracterizada como a tentativa de uma compreensão detalhada dos significados e características situacionais apresentadas pelos entrevistados.” O estudo tem como tipologia a pesquisa descritiva, quando não há interferência do pesquisador, no qual somente é descrito o objeto da pesquisa. (BARROS, LEHFELD, 2004, p.70). 3.2.1. População e amostra. Para identificar as dificuldades de comercialização dos pequenos produtores agrícolas do município de Rancho Alegre, foram selecionados dez pequenos produtores rurais. O critério de escolha desses pequenos produtores foi pelo fato do pesquisador já conhecê-los, o que facilitou na obtenção dos dados. 3.2.2. Coleta dos dados A coleta de dados é onde que se indaga e se obtêm dados da realidade. Em pesquisa de campo, é comum o uso de questionários e entrevistas. (BARROS, LEHFELD, 2004, p.89). Os dados foram coletados por meio do questionário, com perguntas abertas e fechadas, visando identificar as características do pequeno produtor e suas dificuldades de comercialização. 40 3.2.3. Tratamento dos dados Os dados obtidos pelo questionário foram organizados e analisados, de acordo com os objetivos do estudo. A princípio, foram analisadas as características dos pequenos produtores rurais e em seguida suas dificuldades de comercialização. Confrontando os dados da revisão de literatura com os dados obtidos com a pesquisa, e com isso evidenciando suas similaridades e assimilaridades. 3.2.4. Limitações da pesquisa Por se tratar de uma pesquisa qualitativa, ela não emprega instrumentos estatísticos, suas amostras são reduzidas e os dados são analisados em conteúdo psicossocial. (MARCONI; LAKATOS, 2004, p. 270) A pesquisa apresenta limitações, devido ao curto espaço de tempo para aplicação do questionário e análise dos dados obtidos, e quanto à capacidade de analisar e interpretar os dados obtidos pela pesquisadora. 41 4. ANÁLISE, DESENVOLVIMENTO E RESULTADOS De acordo com a metodologia, os dados obtidos de maneira qualitativa, foram analisados e interpretados, obedecendo aos critérios descritivos. A princípio será caracterizado o pequeno produtor no município de Rancho Alegre, seguido pelas suas dificuldades de comercialização, levando em conta os aspectos identificados com a revisão bibliográfica e os obtidos na referida pesquisa de campo. 4.1. CARACTERÍSTICAS DOS PEQUENOS PRODUTORES DO MUNICÍPIO DE RANCHO ALEGRE O município de Rancho Alegre conta com uma população total de 4.190 habitantes, dos quais 3.485 são urbanos e na área rural encontram-se 705 habitantes. Em relação à participação no PIB municipal, a agropecuária representa 30,91%, a indústria 19,02% e serviços representam 50,07%. No cenário agrosilvopastoril, o município apresenta: soja normal, trigo, milho safrinha, banana, laranja, algodão, uva e peixe. (PREFEITURA MUNICIPAL DE RANCHO ALEGRE, 2012) As atividades econômicas com maior numero de pessoas no município são a agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura , dde acordo com o caderno estatístico do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econõmico e Social. (IPARDES, 2012) Para se enquadrar como pequeno produtor rural, segundo a LEI Nº 11.428, de 22 de dezembro de 2006, o agricultor tem que preencher alguns requisitos, como sua propriedade ser inferior a 50 hectares, utilizar mão-de-obra familiar, entre outros. Todos os pequenos agricultores entrevistados apresentaram os requisitos exigidos pela lei. A partir dos dados coletados com os questionários, foi possível caracterizar os pequenos produtores do município, e com isso foi elaborado um quadro para evidenciar suas principais característias. 42 Quadro 1 - Características dos pequenos produtrores B, C, E, F, G, H, I, J. Produtor A B C D E F G H I J 1 a 10. 1 a 10 1 a 10 10 a 20 1 a 10 10 a 20 1 a 10 10 a 20 1 a 10 10 a 20 Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Característica Tamanho da propriedade (alqueires) Mão-de-obra familiar Funcionários registrados Bóias-frias Formação acadêmica Priniciapais culturas Não possui Não possui Não possu Não possui Não possui Não possui Não possui Não possui Não possui Não possui Utiliza Utiliza Utiliza Utiliza Utiliza Utiliza Utiliza Utiliza Utiliza Ensino médio Ensino médio Ensino médio Ensino médio Ensino médio Superior completo Ensino médio Superior completo Ensino médio Milho e soja Milho, soja Milho , soja e laranja e banana Milho e soja Fonte: Elaborado pela autora a partir dos dados primários Milho , soja Milho , soja Milho, soja Milho , soja Milho, soja e banana e tomate e laranja e banana e laranja Utiliza Ensino médio Milho, soja e laranja 43 Quadro 1 - Características dos pequenos produtrores (continuação) Produtor A B C D E F G H I J Não Sim Não Não Não Sim Não Sim Não Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Não Não Não Não Não Sim Não Sim Não Não Cooperativas Cooperativas Cooperativas Cooperativas Cooperativas Cooperativas Cooper ati-vas Cooperativas Cooperativas Não Não Não Não Sim Não Não Não Não Característica Conhecimento de programas do governo Assistência técnica Cursos de gestão Local de venda da produção Cooperativas Participar de associação de produtores Fonte: Elaborado pela autora a partir dos dados primários Não 44 Levando em conta que 1 hectare equivale a 10.000m², e um alqueire paulista vale 2,42 hectares. Para enquadrar-se como pequena propriedade rural, a propriedade não pode ser maior que 20 alqueires. Como pode ser identificado pelo Quadro 1, as propriedades são inferiores a 20 alqueires de terra, o que caracteriza uma pequena propriedade. Outro aspecto caracaterístico é o emprego de mão-deobra familiar, pois todos os entrevistados utilizam mão-de-obra familiar na propriedade. Esses pequenos produtores rurais não possuem funcionários com carteira assinada. Fazendo uso de mão-de-obra temporária dos chamados bóias-frias, quando se faz necessário. Quanto à formação acadêmica, de acordo com Portugal (2012), os pequenos produtores possuem baixo nível de escolaridade. Tal característica pode ser evidenciada e confirmada com a pesquisa de campo. Devido ao fato que dos dez pequenos produtores entrevistados, apenas dois dos entrevistados possuem curso de nível superior, e ambos formados em administração de empresas, e são os únicos que já fizeram algum curso voltado a gestão agrícola. Os demais concluíram o ensino médio. Para Portugal (2012) os produtos cultivados da pequena agricultura são diversificados, para diminuir custos, aumentar a renda e aproveitar as oportunidades de oferta e mão-de-obra disponível. Em Rancho Alegre, as principais culturas são o milho e o soja, que compõe a maior área cultivada das propriedades. E para complementar a renda, além do soja e milho, esses pequenos produtores tem como atividade secundária o cultivo da laranja, banana e tomate, como é o caso dos produtores B, C, E, F, G, H, I, J. Um aspecto interessante dos pequenos produtores analisados, é que todos procuram estar atento as informações do setor do agronegócio, às cotações de preço, demanda., e demais aspectos da atividade. Os meios utilizados são os jornais, sites específicos, órgãos como EMATER, EMBRAPA, e a conversa com outros produtores. No âmbito de registrar a produção agrícola, a situação deles é bem precária, somente dois apontaram fazer o registro da produção da atividade agrícola. E a 45 forma como costumam realizar esse registro, é através de anotações caseiras. Apenas quatro dos entrevistados têm conhecimento dos programas oferecidos pelo governo, e somente três utilizam algum desses programas. Os programas utilizados são PAA e PRONAF, e de acordo com os produtores que utilizam esses programas, eles são de grande apoio na hora de comercializar a produção. Pode-se perceber, que os pequenos produtores rurais, não são organizados quanto a fazer parte de algum tipo de associação para produtores, pois apenas um indicou que faz parte e participa ativamente apontando como vantagem, maior agregação de valor e maior facilidade de acesso aos programas oferecidos pelo governo. Em relação a assistência técnica todos eles contam com a consultoria de agrônomos. Dentre os locais de venda da produção, todos os produtores entrevistados entregam seus produtos (comoditties) para cooperativas. 4.2. DIFICULDADES DE COMERCIALIZAÇÃO DOS PEQUENOS PRODUTORES RURAIS DO MUNICÍPIO DE RANCHO ALEGRE Por meio da pesquisa pode-se identificar que os pequenos produtores rurais de Rancho Alegre, enfrentam as dificuldades apontadas por diversos autores. Como apontado por Araújo, (1990, p.10), a atividade agrícola se sujeita a fatores que o homem não pode controlar como o clima. Além disso, não está imune a pragas e doenças. E para os pequenos produtores de Rancho Alegre, os riscos com pragas, doenças e clima foram apontados como dificuldade, porém o grau de gravidade é diferente para cada um. No quadro 2, pode-se evidenciar a graduação que os fatores clima, pragas e doença significam para esses pequenos produtores. 46 Quadro 2: Comparativo da gravidade dos fatores de riscos relacionados á produção dos pequenos produtores. Produtor Fator clima Fator pragas e doenças A médio médio B médio Não apontou como dificuldade C médio elevado D médio médio E médio médio F Não apontou o clima como dificuldade médio G médio elevado H médio elevado I médio médio J médio elevado Fonte: Elaborado pela autora a partir dos dados primários Para Waquil, Miele e Schultz (2010, p. 35), o produtor rural tem que enfrentar não somente as adversidades pertinentes à produção e ao financiamento, mas principalmente as relacionadas às expectativas futuras das cotações de preços e respectivas oscilações, que são difíceis de prever e dificultam o planejamento da produção e comercialização, bem como a tomada de decisão. Essa realidade não é diferente da vivida pelos pequenos produtores de Rancho Alegre, que enfrentam barreiras com relação às expectativas futuras relacionadas às cotações de preços e respectivas oscilações. Tais fatores exercem forte influência no momento da venda da produção, pois o fator principal identificado pelo estudo que leva o pequeno produtor a vender sua produção é o preço de venda. Partindo do pressuposto de Waquiel, Miele e Shultz (2010, p.35), os pequenos produtores possuem riscos de acordo com suas especialidades. Segundo 47 os autores os riscos pertinentes à atividade agrícola são três, sendo eles os relacionados à produção, ao crédito e aos preços. No Quadro 2 foram analisados os fatores de produção que afetam a atividade agrícola. Com isso verifica-se que os pequenos produtores, em sua maioria, apontaram como dificuldade o clima, pragas e doenças. Sendo considerado o clima como fator de relevância média e pragas e doenças de médio a elevado para alguns produtores. No caso desses fatores serem desfavoráveis, causa oscilações nos preços e na renda dos produtores conforme apontado por Araújo (1990, p.10). O primeiro fator analisado, produção, exerce influencia sobre o segundo, pois se ele tiver uma baixa produção encontrará dificuldades em obter créditos para financiamento. Isso aliado ao desconhecimento de programas oferecidos pelo governo O produtor rural além de enfrentar adversidades à produção e ao financiamento tem que estar atento às expectativas futuras relacionadas às cotações de preços e respectivas oscilações. (WAQUIL; MIELE; SCHULTZ, 2010, p. 35). Os riscos relacionados a preços foram unânimes entre os pequenos produtores, que consideram a incerteza quanto aos preços um fator de risco elevado. Para o IICA (1982, p.68) por não dispor de opções de compra para seus produtos, surge a figura dos intermediários, obrigando-lhes a comprometer a venda de sua produção. De outro lado, quando dispõe de uma parcela de produtos para venda, não conta com meios para transportá-la. A existência dos agentes intermediários é um obstáculo para os pequenos produtores de Rancho Alegre, pois ao entregar o produto para um atravessador, acaba tendo de vender a um preço mais baixo. Isso ocorre nas propriedades B, C, E, F, G, H, I, J, que além de plantarem commodities como soja e milho, variam entre banana, laranja e tomate, que são produtos que não são adquiridos pelas cooperativas da região, o que os faz entregar a produção aos intermediários, que depois revendem ao Ceasa. A dificuldade em transportar a produção foi apontada como uma dificuldade de nível médio a elevado entre esses produtores, sendo esse outro fator que os leva a vender aos intermediários. 48 Para tentar agregar valor e facilitar a venda da produção, os produtores vendem seus produtos por meio das associações, que é uma possibilidade indicada pelo IICA (1996, p.16). Fazem parte do MPA, onde pequenos produtores têm condições de comercializar produtos embalados e com marca própria (MPA, 2012). No caso dos pequenos produtores de Rancho Alegre, como já mencionado anteriormente, somente um faz parte de associação, o que lhe traz benefícios na hora de vender a produção. Apontando outra dificuldade de comercialização dos pequenos produtores, que está atrelada a falta de organização e busca de alternativas para melhorar a eficiência distributiva, e formas de agregar valor a sua produção. Os produtores analisados entregam a produção somente nas cooperativas, concentrando a distribuição o que não agrega muito valor a sua produção, pois os produtos são entregues in-natura. Outro ponto a ser considerado é o gerenciamento da produção agrícola, que não é uma tarefa fácil se comparada a uma atividade industrial, pois na agricultura restaurar o equilíbrio não é tão rápido quanto em uma empresa, onde se caso houver excedentes de produção, toma-se a decisão de reduzi - lá e o faz. Na agricultura, mesmo em um ambiente de baixa nos preços, ainda continua-se a produzir quantidades consideráveis de determinado produto. (ARAÚJO; WEDEKI; PINAZZA, 1990, p.10) Pois, se um determinado produtor, ao iniciar o plantio do milho, que apresenta boas cotações de preços, no decorrer do processo de crescimento da planta, identificar a queda no preço do mesmo, não tem a opção de reduzir o que já foi plantado, e com isso eventualmente acarretará em prejuízo na certa. Os produtores de Rancho Alegre, com relação ao gerenciamento da produção, não demonstram eficiência, pois somente dois produtores fazem algum tipo de registro da produção, porém de forma precária, por meio de anotações caseiras. Conforme apontado por Araújo (2010, p. 2), as divisões da cadeia do agronegócio dividem-se em segmentos antes e depois da porteira. Para o autor, o segmento antes da porteira está atrelado aos recursos necessários para a produção no campo. E de acordo com Callado e Callado (2011, p. 5) fazem parte neste 49 segmento às máquinas, equipamentos, fertilizantes, componentes químicos, implementos entre outros. Os custos referentes aos insumos necessários a produção, foi um fator apontado por todos os pequenos produtores em análise, que identificaram o alto custo de insumos agrícolas uma dificuldade de grau elevado para se produzir, pois isso implica no aumento do custo da produção, afetando o preço de mercado e com isso a lucratividade dos pequenos produtores. Assim como em qualquer atividade, os pequenos produtores inserem-se no mercado com o objetivo de vender e produzir lucros com sua produção, mais encontram dificuldades. Em primeiro lugar concorrem com outros agricultores, tanto da mesma região, quanto de outras regiões. (PORTER, 1996, p.153) A concorrência elevada também é uma das dificuldades dos pequenos produtores de Rancho Alegre, que pelo fato de produzirem as mesmas commodities, tornam-se concorrentes entre si. Uma parcela significativa de pequenos produtores rurais ignora evolução do mercado e as alterações no mercado de consumo, prestando atenção apenas na sua atividade, como se ela estivesse desvinculada dos outros segmentos da cadeia. (NANTES; SCARPELLI, 2001, p. 572) O segmento depois da porteira, que “abrange todas as atividades relacionadas à distribuição e comercialização dos produtos agroindustriais até que eles atinjam os consumidores finais [...]” (CALLADO; CALLADO, 2011, p. 10), mesmo não sendo apontado como dificuldade pelos pequenos produtores do município, pode ser considerada como uma, devido ao fato deles se aterem a entregar sua produção em um só lugar, denuncia a carência de conhecimento de meios distribuitivos e do caminho que o produto percorre até chegar aos consumidores finais. Outra dificuldade dos pequenos agricultores apontada por Segatti e Hespanhol, (2008, p. 616) consiste no intenso ritmo de atualização tecnológica no campo, que tem requerido a atualização de informações e a adoção de mecanismos de aprendizagem e formação profissional e empresarial dos produtores rurais, o que não é tarefa fácil para a maioria dos pequenos produtores rurais, os quais têm sido 50 sistematicamente desalojados do ambiente em que estão inseridos devido à alta necessidade de se produzir em grande quantidade, com padrão e qualidade elevados e a preços competitivos. O intenso ritmo de atualização tecnológica não foi apontado como uma dificuldade para os pequenos produtores de Rancho Alegre. E a a exigência de padrão e qualidade elevados foi apontada como dificuldade somente pelo produtor F. Na revisão de literatura, o problema dos pequenos produtores da região Sul do Brasil, é a concorrência externa de produtos do Mercado Comum do Sul (MERCOSUL). Tal região é onde se localiza o estado do Paraná e com isso o município em análise. A concorrência do MERCOSUL não foi assinalada por nenhum pequeno produtor como dificuldade, diferente do encontrado na revisão literária. Esse fato talvez se atenha a falta de conhecimento por parte dos pequenos produtores, levando em conta que somente quatro deles tem conhecimento dos programas oferecidos pelo governo. Portanto pode-se destacar como as principais dificuldades de comercialização dos pequenos produtores agrícolas do município de Rancho Alegre, que é o objetivo desse trabalho: ● A existência de intermediários; ● As oscilações nos preços de mercado; ● A falta de capacitação dos pequenos produtores, quanto a mecanismo de comercialização eficientes; ● A não utilização de agregação de valor em sua produção; ● O não gerenciamento da produção; ● A má distribuição; ● Concorrência elevada; ● Altos preços de insumos; 51 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS Os pequenos produtores rurais enfretam inúmeras dificuldades para sobreviver, além das já pertinentes à atividade de produzir, como os fatores climáticos que não podem ser controlados pelo homem, sujeitam-se a pragas e doenças. Porém essa é apenas a primeira etapa que eles têm que vencer, pois ainda têm que desenvolver mecanismos de distribuição da produção, armazenamento, agregação de valor e por fim comercialização. Em meio a essas etapas, existem inúmeras dificuldades, como o transporte, a existência de intermediários, oscilações nos preços, falta de mão-de-obra, entre outras, que se não forem geridas de maneira correta influem na obtenção do lucro para o produtor, ressaltando que os mesmo tem que cobrir os custos de produção e suprir as necessidades familiares. Com o presente trabalho, identifica-se que os pequenos produtores sabem como produzir os alimentos. Porém a dificuldade está na hora de gerenciar a venda, assim como indicado por Segatti e Hespanhol. (2008, p. 620) Conforme apresentado pelos autores Portugal (2012), Jesus (2000, p.26), e também por MPA, (2012), e UNACOOP(2012), aqueles produtores que se uniram, que buscaram mecanismo de comércio eficientes, que identificaram estratégias de valorização dos seus bens produzidos, ou seja, que não ficaram estagnados, obtiveram resultados favoráveis em sua atividade. A gestão correta por parte dos pequenos produtores rurais é fundamental para a comercialização adequada da sua produção, estando atento as dificuldades e oportunidades que possam surgir ao longo de todo processo, buscando aumentar o conhecimento e aprimorando suas técnicas, principalmente de escoamento da produção. Salienta-se que os dados obtidos referem-se a uma pequena parcela de produtores, exclusivos de Rancho Alegre, não permitindo assim generalização dos dados obtidos. Porém se a amostra for ampliada por meio de uma pesquisa quantitativa, será possível confirmar os dados obtidos ou acrescentar informações 52 não evidenciadas com a pesquisa qualitativa. Ressaltando também a possibilidade de realizar um estudo nas cidades próximas, para identificar a compatibilidade dos dados. 53 REFERÊNCIAS AGENCIA NOTÍCIAS DO ACRE. A revolução da produção acreana. Disponível em: <http://www.agencia.ac.gov.br/index.php/noticias/producao/17699-a-revolucaoda-producao-rural-acreana.html> Acesso em: 07 jul.2012 ARAÚJO, M. J. Fundamentos de agronegócios. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2010. ARAÚJO, Ney Bittencourt de; WEDEKI, Ivan; PINAZZA, Luiz Antônio. Complexo Agroindustrial: o agribusiness brasileiro. 1. ed. São Paulo: Sementes Agroceres S.A., 1990. 238 p AZEVEDO, Paulo Furquim. Comercialização de produtos agroindustriais. In: BATALHA, M. O. Gestão agroindustrial. 2. ed. v. 1. São Paulo: Atlas, 2001. BACHA, Carlos José Caetano. Economia e Política Agrícola no Brasil. 1. ed. 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( ) sim ( ) Sim ( )Não Se sim responda as questões 10 e 11 ,se não, pule para questão 12. 10_ Quais programas abaixo: ( ) Garantia de preços mínimos; ( ) Aquisição do governo federal (AGF); ( )não 3_ Qual o tamanho da sua propriedade? ( ) Empréstimo do governo federal; ( ) De 1 a 10 alqueires de terra. ( ) Contrato de opção de venda (COV) ( ) De 10 a 20 alqueires de terra. ( ) Cédula do produtor rural (CPR). ( ) Acima de 20 alqueires. ( ) Programa nacional de fortalecimento da agricultura familiar (PRONAF) 4_ Quais as principais culturas na sua propriedade? R:_________________________________ ___________________________________ 5_ Utiliza mão-de-obra atividades agrícolas? ( ) Sim familiar nas ( )Não 6_ Possui funcionários com carteira assinada? ( ) Sim ( )Não Se sim, quantos:__________ 7_ Faz uso de mão-de-obra temporária (bóias-frias)? ( ) Sim ( )Não 8_ Você tem conhecimento de programas oferecidos pelo governo para produtores rurais? ( ) Sim ( )Não ( ) Programa de aquisição de alimentos (PAA) 11_ Esses programas são importantes na hora de comercializar seus produtos? ( ) Sim ( )Não 12_ Faz parte de algum tipo associação para produtores rurais? ( ) Sim de ( )Não Se sim, responda a questão 13, se não pule para 14. 13_ Fazer parte de uma associação para produtores rurais é importante para vender a produção? ( ) Sim ( )Não Se sim, porque ?_____________________ ___________________________________ ___________________________________ _________________________________ 59 14_ A venda da produção é feita de forma direta ou por meio intermediários? ( ) Direta ( ) Intermediários 15_ Quais os principais locais de venda da sua produção? ( ) Cooperativas ( ) Feiras ( ) Ceasas ( ) Associações de produtores ( ) No próprio estabelecimento ( ) Outros. Qual?____________________ 16_ No processo de produção que vai desde o plantio até a colheita e comercialização você encontra dificuldades? ( ) Sim ( )Não Se sim, responda a questão 17 e 18, se não, pule para questão 19. 17_Dentre as opções abaixo, assinale as suas principais dificuldades, e o nível de gravidade que elas representam: ( ) Fator clima - ( ) baixo ( ) médio ( )elevado ( ) Pragas e doenças - ( ) baixo ( ) médio ( )elevado ( ) Falta de crédito ao pequeno produtor rural - ( ) baixo ( ) médio ( )elevado ( ) Tendências de mercado - ( ) baixo ( ) médio ( )elevado ( ) Concorrência elevada - ( ) baixo ( ) médio ( )elevado ( ) Insegurança quanto aos preços das safras - ( ) baixo ( ) médio ( )elevado ( ) Falta de capacitação profissional - ( ) baixo ( ) médio ( )elevado ( ) Falta de implementos agrícolas - ( ) baixo ( ) médio ( )elevado ( ) Existência de intermediários - ( ) baixo ( ) médio ( )elevado ( ) Preços de venda inferiores aos custos de produção - ( ) baixo ( ) médio ( )elevado ( ) Incerteza quanto a quem vender a produção - ( ) baixo ( ) médio ( )elevado ( ) Baixa produção - ( ) baixo ( ) médio ( )elevado ( ) Falta de planejamento - ( ) baixo ( ) médio ( )elevado ( ) Grandes produtores, que dominam o mercado - ( ) baixo ( ) médio ( )elevado ( ) Falta de incentivos do governo - ( ) baixo ( ) médio ( )elevado 18_ Além das opções apresentadas acima, você apontaria outra: ( ) Sim ( )Não 60 Se sim, qual ou quais? _________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ 19_ Qual a sua renda mensal? ( ) 1 salário (622,00) ( ) 2 a 3 salários ( 1244,00 a 1866,00) ( ) 3 a 5 salários (1866,00 a 3110,00) ( ) 5 a 10 salários (3110,00 a 6220,00) ( ) acima de 10 salários (6220,00 ou mais) 61 APÊNDICE B – Carta de apresentação da pesquisadora UNIVERSIDADE ESTADUAL DO NORTE DO PARANÁ-UENP CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS CAMPUS CORNÉLIO PROCÓPIO CURSO DE ADMINISTRAÇÃO Cornélio Procópio, 19 de agosto de 2012. Prezado(a) Senhor(a), O Centro de Ciências Sociais da Universidade Estadual do Norte do Paraná gostaria de contar com a participação de V. Sª em uma pesquisa que vem sendo realizada junto a pequenos produtores rurais no Município de Rancho Alegre. Esta pesquisa está sendo desenvolvida pela acadêmica Jéssica Polizel, sob a orientação da Profª Me. Márcia de Souza Bronzeri. O estudo tem por objetivo identificar quais as principais dificuldades de comercialização de produtos dos pequenos produtores agrícolas no município de Rancho Alegre, Por meio da qual pretende-se contribuir para os debates acadêmicos. Solicitamos vossa colaboração no preenchimento do questionário que será realizado com os pequenos produtores agrícolas. Ressaltamos que não haverá identificação dos quais responderem o questionário. Vossa participação é muito importante para o sucesso do estudo e, caso seja de vosso interesse, nos comprometemos a encaminhar os resultados da pesquisa. Na expectativa de contar com a vossa valiosa colaboração, agradecemos antecipadamente e nos colocamos à disposição para quaisquer esclarecimentos que se fizerem necessários. Atenciosamente, _________________________ Márcia de Souza Bronzeri Orientadora