UNIVERSIDADE DO VALE DO RIO DOS SINOS - UNISINOS CIÊNCIAS ECONÔMICAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GESTÃO DO AGRONEGÓCIO EDGAR MARTIN NÖRENBERG HISTÓRIA E EVOLUÇÃO DA ASSOCIAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO COMUNITÁRIO DOS PRODUTORES RURAIS DE MORRO REDONDO: UMA CONTRIBUIÇÃO PARA A SUSTENTABILIDADE DA AGRICULTURA FAMILIAR São Leopoldo 2010 EDGAR MARTIN NÖRENBERG HISTÓRIA E EVOLUÇÃO DA ASSOCIAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO COMUNITÁRIO DOS PRODUTORES RURAIS DE MORRO REDONDO: UMA CONTRIBUIÇÃO PARA A SUSTENTABILIDADE DA AGRICULTURA FAMILIAR Trabalho de Conclusão de Curso de Especialização apresentado como requisito parcial para a obtenção de título de Especialista em Gestão do Agronegócio da Universidade do Rio dos Sinos Orientador: Prof. Dr. João Carlos Costa Gomes São Leopoldo 2010 Dedico à minha família Neuza, Bernardo e Marina AGRADECIMENTOS Agradeço em primeiro lugar à minha esposa, Neuza Rejane Gomes Nörenberg, assim como aos meus filhos que sempre me apoiaram, me incentivaram e que abriram mão de muitas coisas em função da minha necessidade de dedicação ao curso. Ao meu orientador, João Carlos Costa Gomes, pelo apoio, paciência e incentivo. Aos meus colegas da equipe do escritório municipal da ASCAR/EMATER-RS pela colaboração que me deram, além de em muitas situações terem que resolvê-las sem a minha participação. Aos meus colegas superiores hierárquicos que me apoiaram em tudo que solicitei para que pudesse obter o maior proveito possível do curso. À ASCAR/EMATER-RS pela oportunidade de realizar este curso. Ao Secretário Municipal de Desenvolvimento Rural de Morro Redondo e seus colaboradores, pela paciência que tiveram comigo, por não estar disponível em todos os momentos. À Diretoria, sócios e funcionários da Associação e aos demais que colaboraram. Ao amigo Engenheiro Agrônomo Dr. Jair Costa Nachtigal pelo incentivo. RESUMO A Associação de Desenvolvimento Comunitário dos Produtores Rurais de Morro RedondoADCPR-MR foi constituída em 1989, logo após a emancipação político-administrativa do município, com o objetivo de buscar recursos e organizar os agricultores familiares de Morro Redondo. Atualmente, conta com cerca de 300 famílias associadas, beneficiadas pelo uso de máquinas e implementos agrícolas, compra de insumos e pela comercialização de alguns produtos, principalmente feijão. O trabalho tem por objetivo relatar a história da Associação e fornecer informações que permitam sua transformação em uma cooperativa. Para isso, foram feitos um levantamento dos documentos da Associação (atas e relatórios), e entrevistas estruturadas com 27 sócios e abertas com ex-dirigentes, dirigentes atuais, lideranças municipais, fornecedores e clientes da Associação. Pelos dados obtidos verifica-se que os processos organizativos, o apoio de políticas públicas e a realização de parcerias institucionais são fundamentais para a sustentabilidade da Associação e, consequentemente, da Agricultura Familiar do município de Morro Redondo. Existem diferenças nas percepções quanto às funções e ao futuro da Associação entre os sócios e demais atores envolvidos (dirigentes, fornecedores, clientes). Enquanto os sócios têm uma visão mais imediatista e voltada para a satisfação das demandas internas da propriedade, como o trabalho de máquinas e equipamentos, os demais atores estão preocupados com os aspectos de processamento e comercialização dos produtos, a fim de ampliar as ações da associação. Além das facilidades relativas à comercialização dos produtos e dos anseios dos associados, dirigentes e fornecedores, cabe destacar que a transformação da Associação em Cooperativa proporcionaria a redução de aproximadamente 9% nas despesas tributárias, atualmente incidentes para a Associação. Palavras-Chave: Sustentabilidade. Associativismo. Agricultura Familiar. Desenvolvimento Rural. LISTA DE FIGURAS Figura 1: Organograma representando o funcionamento de uma Cooperativa...... 34 Figura 2: Croquis da Divisão de Regiões características pela leitura da paisagem do município de Morro Redondo. ......................................................... 41 Figura 3: Tubulações de adução da água para a hidroelétrica, localizada no município de Morro Redondo. ......................................................................... 42 Figura 4: Barragem de armazenagem da água para a hidroelétrica, localizada no município de Morro Redondo. ......................................................................... 42 Figura 5: Vista aérea da hidroelétrica, localizada no município de Morro Redondo.................................................................................................... 42 Figura 6: Gerador de energia elétrica, localizado no município de Morro Redondo.................................................................................................... 42 Figura 7: Gráfico mostrando a evolução da população de Morro Redondo, 1991 a 2007 ......................................................................................................... 44 Figura 8: Pirâmide Etária da população do município de Morro Redondo, em 2007. .............................................................................................................. 44 Figura 9: Diagrama do público entrevistado ........................................................ 47 Figura 10: Plantio direto forrageiras perenes com equipamento da Associação. .. 54 Figura 11: Distribuição de cinzas com equipamento da Associação. ................... 54 Figura 12: Ensilagem de milho com equipamentos da Associação. ..................... 54 Figura 13: Pulverização de pomar de pêssegos com equipamentos da Associação. .......................................................................................................... 54 Figura 14: Distribuição de alimentos do PAA pela Paróquia Evangélica de Confissão Luterana em Morro Redondo. ......................................................... 60 Figura 15: Caminhão recolhendo alimentos do PAA para distribuição em Morro Redondo.................................................................................................... 60 Figura 16: XII Festa da Família, realizada em 24 de julho de 2010 e promovida pela Associação. ................................................................................. 62 Figura 17: XIII Torneio de Futsal da Associação realizado em 2005. .................. 62 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1: Montante disponibilizado e realizado – PRONAF .............................. 24 Gráfico 2:Número de contratos efetivados pelo PRONAF na Região Sul e no Brasil - 1996 a 2010 ........................................................................................ 24 Gráfico 3: Recursos contratados pelo PRONAF na Região Sul e no BRASIL no período de 1996 a 2010 ................................................................................... 25 Gráfico 4: Evolução do número de contratos e dos recursos do PRONAF no município de Morro Redondo, no período de 1999 a 2010 ................................... 26 Gráfico 5: Evolução do número de sócios da Associação desde a fundação até 2010 ............................................................................................................... 56 Gráfico 6: Prestação de Serviços de Máquinas pela Associação .......................... 57 Gráfico 7: Volume comercializado de feijão pela Associação.............................. 59 Gráfico 8: Dados Pluviométricos do Município de Morro Redondo .................... 59 LISTA DE QUADROS Quadro 1: Diferenças entre Associação e Cooperativa.......................................... 35 Quadro 2 – Relação de máquinas e equipamentos em utilização pela Associação . 54 LISTA DE TABELAS Tabela 1: Principais mudanças ocorridas na Regulamentação da Previdência Rural Brasileira após a Constituição Federal de 1988. .......................................... 22 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ACI – Aliança Cooperativa Internacional ADCPR-MR – Associação de Desenvolvimento Comunitário dos Produtores Rurais de Morro Redondo; APAE - Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Morro Redondo ATER – Assistência Técnica e Extensão Rural BACEN – Banco Central do Brasil BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento CMN – Conselho Monetário Nacional CNPJ – Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica COFINS – Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COMDERMOR – Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural de Morro Redondo CONAB – Companhia Nacional de Abastecimento CONTAG – Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura DAP – Declaração de Aptidão ao PRONAF EMBRAPA – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária FAO – Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação FATES - Fundo de Assistência Técnica Educacional e Social FNDE – Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FUNRURAL – Fundo de Assistência e Previdência do Trabalhador Rural IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ICMS – Impostos sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços IICA – Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura INCRA – Instituo Nacional de Colonização e Reforma Agrária INSS – Instituto Nacional do Seguro Social 9 IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada MDA – Ministério do Desenvolvimento Agrário OCERGS – Organização das Cooperativas do Estados do Rio Grande do Sul PAA – Programa de Aquisição de Alimentos PANPA - Programa de Apoio a Novos Produtos. Agropecuários PIB – Produto Interno Bruto PIS – Programa de Integração Social PNAE – Programa Nacional de Alimentação Escolar PNATER – Programa Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural PRODESA – Programa de Apoio ao Desenvolvimento do Setor Agropecuário PRONAF – Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar PRONATER – Programa Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural na Agricultura Familiar e Reforma Agrária RS RURAL – Programa de Manejo dos Recursos Naturais e Combate à Pobreza Rural SAF – Secretaria da Agricultura Familiar SEBRAE – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas SEBRAEMG – Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Minas Gerais SMDR-MR – Secretaria Municipal de Desenvolvimento Rural de Morro Redondo SINDOCOPEL - Sindicato da Indústria de Doces e Conservas Alimentícias de Pelotas UNAIC – União das Associações Comunitárias do Interior de Canguçu SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ............................................................................................... 12 1.1 DEFINIÇÃO DO PROBLEMA ..................................................................... 12 1.2 OBJETIVOS .................................................................................................. 13 1.2.1 Objetivo Geral ........................................................................................... 13 1.2.2 Objetivos Específicos................................................................................. 13 1.3 JUSTIFICATIVA .......................................................................................... 14 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA .................................................................. 15 2.1 AGRICULTURA FAMILIAR ....................................................................... 15 2.2 POLÍTICAS PÚBLICAS ............................................................................... 20 2.2.1 Previdência Rural...................................................................................... 21 2.2.2 Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar PRONAF 22 2.2.3 Programa de Aquisição de Alimentos - PAA ........................................... 26 2.2.4 Programa Nacional de Alimentação Escolar - PNAE .............................. 27 2.2.5 Assistência Técnica e Extensão Rural - ATER......................................... 28 2.3 O ASSOCIATIVISMO .................................................................................. 30 2.3.1 Associação.................................................................................................. 31 2.3.2 Cooperativa ............................................................................................... 31 2.3.3 Comparação entre Associação e Cooperativa .......................................... 34 3 MÉTODOS E PROCEDIMENTOS ............................................................... 37 3.1 DELINEAMENTO DA PESQUISA .............................................................. 37 3.2 DEFINIÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA E DO OBJETO DE ESTUDO ............................................................................................................. 37 3.2.1 Caracterização da Região de Pelotas ........................................................ 38 3.2.2 Caracterização do Município de Morro Redondo ................................... 40 3.2.3 Caracterização da Associação de Desenvolvimento Comunitário dos Produtores Rurais de Morro Redondo – ADCPR-MR .............................. 44 3.3 TÉCNICAS DE COLETA DE DADOS ......................................................... 45 3.3.1 Revisão Bibliográfica ................................................................................ 47 3.3.2 Entrevistas Estruturadas .......................................................................... 48 3.3.3 Entrevistas Abertas ................................................................................... 48 3.4 TÉCNICAS DE ANÁLISE DE DADOS ........................................................ 49 4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS............................................. 50 4.1 HISTÓRIA E EVOLUÇÃO DA ASSOCIAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO COMUNITÁRIO DOS PRODUTORES RURAIS DE MORRO REDONDO – ADCPR-MR ............................................. 50 4.2 ENTREVISTAS ESTRUTURADAS ............................................................. 63 4.3 ENTREVISTAS ABERTAS .......................................................................... 64 5 CONCLUSÃO ................................................................................................. 68 REFERÊNCIAS ................................................................................................. 69 11 ANEXO A - ENTREVISTA ESTRUTURADA APLICADA AOS SÓCIOS DA ADCPR-MR EM REUNIÃO DE NÚCLEO. .............................. 77 ANEXO B – MATÉRIA DO JORNAL “O PAMPA”, COM ARTIGO DA PRESIDENTE DA ADCPR-MR, COMENTANDO SOBRE A “FESTA DA FAMÍLIA”. ................................................................................ 78 ANEXO C – QUADRO DO RESULTADO DAS ENTREVISTAS COM OS SÓCIOS, NOS NÚCLEOS DA ADCPR-MR. .................................. 79 12 1 INTRODUÇÃO O trabalho estuda a Associação de Desenvolvimento Comunitário dos Produtores Rurais de Morro Redondo – ADCPR-MR1, sua evolução ao longo dos 21 anos de existência, contextualizando a relevância da Agricultura Familiar na região do estudo, principalmente para o município de Morro Redondo, Rio Grande do Sul, onde está sediada. Além de estudar sua evolução histórica, pretende contribuir para sua transformação em cooperativa, um desejo da atual diretoria e do quadro de associados. Foram usadas consultas bibliográficas, entrevistas estruturadas e abertas para a obtenção dos dados, cuja análise foi realizada a luz de um marco teórico que aborda a importância da Agricultura Familiar, a necessidade de seu fortalecimento por meio da organização social, passando de associação à cooperativa e a necessidade de fortalecer sua capacidade de apropriação de Políticas Públicas específicas para este segmento. 1.1 DEFINIÇÃO DO PROBLEMA Nos 21 anos de existência, a Associação apresentou uma grande evolução, principalmente na prestação de serviços aos seus associados. Inicialmente seu foco era a prestação de serviços básicos de máquinas para operações como lavração, gradagem e roçada. Com o passar do tempo, a Associação também passou a atuar na compra de insumos, inicialmente com a aquisição e oferta de sementes de forrageiras, mais tarde, também com adubos e agrotóxicos, além de outros insumos, como lona plástica para ensilagem. Desde o ano de 2000 vem atuando no beneficiamento, empacotamento e comercialização de feijão preto. Entretanto, a atuação da Associação na comercialização dos produtos de seus sócios ainda é tímida. Neste sentido, o estudo sobre o histórico e evolução da Associação poderá ser utilizado na sua consolidação como instrumento para o aumento da sustentabilidade dos Agricultores Familiares do Morro Redondo. É muito difícil para agricultores isolados obter vantagens na compra e venda de produtos ou na realização de serviços de infra-estrutura. 1 Associação de Desenvolvimento Comunitário dos Produtores Rurais de Morro Redondo – ADCPR-MR, deste momento em diante será chamada simplesmente de “Associação”. 13 Processos organizativos são fundamentais para a superação destas fragilidades. É sabido que uma das fragilidades da Agricultura Familiar está no processo de sua organização. 1.2 OBJETIVOS 1.2.1 Objetivo Geral Resgatar a história da Associação e colaborar para a continuidade de sua evolução, o que contribuirá inclusive para sua transformação em cooperativa. Isto permitirá o incremento de suas ações na transformação e agregação de valor dos produtos de seus associados, intensificando as ações também no comércio, o que resultará em benefícios para seu quadro de associados e para a sustentabilidade da Agricultura Familiar na região. 1.2.2 Objetivos Específicos – Conhecer a história e a evolução da Associação, e suas limitações, principalmente na atuação em comercialização e na agregação de valor; – Conhecer e caracterizar os serviços prestados pela Associação na atualidade e ao longo de sua história; – Descrever os limites de atuação da Associação, diante de sua personalidade jurídica de associação; – Contribuir para a possibilidade de transformação da Associação em cooperativa para fortalecer suas contribuições para o desenvolvimento local. 14 1.3 JUSTIFICATIVA A Associação, constituída em 1989, logo após a emancipação político-administrativa de Morro Redondo, foi criada com o objetivo de buscar recursos e organizar os agricultores do município, essencialmente familiares2. Teve, ao longo da sua história, uma evolução significativa, iniciando pela organização dos agricultores em núcleos, com a prestação de serviços de máquinas (patrulha agrícola), que era a principal necessidade levantada pelos associados na época. Mais tarde, a Associação passou a realizar compras de insumos em conjunto, inicialmente de sementes de forrageiras, chegando ao estágio atual, em que são comercializados desde fertilizantes e sementes, até produtos agrotóxicos e materiais variados, como lonas para ensilagem. No ano de 2000, a Associação passou a atuar na área da comercialização dos produtos dos associados, beneficiando feijão, inicialmente com a terceirização dos serviços de limpeza, classificação e embalagem. Mais recentemente, a partir da aquisição de equipamentos, passou a realizar também estes serviços. Atualmente, existe a proposta de comercializar, além do feijão, outros grãos, hortaliças e frutas, inclusive para mercados institucionais. A Associação tem como missão fortalecer os Agricultores Familiares associados, tornando-os mais competitivos no mercado globalizado, tendo um papel fundamental na viabilização de serviços de mecanização agrícola e acesso à aquisição de insumos. No entanto, a inserção dos produtos dos associados ao mercado e a agregação de valor ainda são muito tímidas. A possibilidade de transformação da Associação em cooperativa pretende, inicialmente, fortalecer a comercialização conjunta dos produtos, inclusive aumentando a participação no “Programa de Aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar com Doação Simultânea – PAA”, “Programa Nacional de Alimentação Escolar” e, posteriormente, alcançar outros mercados, bem como estruturar iniciativas de processamento para agregar valor aos produtos. O estudo da evolução histórica da Associação, incluindo seus pontos fortes e debilidades, é fundamental para consolidar sua trajetória, inclusive como contribuição para sua transformação em cooperativa. 2 A ADCPR-MR possui mais de 300 famílias associadas e pertence à comunidade de Morro Redondo, município com características coloniais que possui uma população de 6.199 habitantes, dos quais 3.409 são Agricultores Familiares, sendo que cerca de 80% das propriedades possuem área inferior a 50 ha. 15 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Este trabalho parte de um referencial teórico que considera a importância da Agricultura Familiar, não só por sua contribuição a uma sociedade mais sustentável, pela produção de grande percentual de alimentos que oferece a sociedade em geral, mas também pela importância da reprodução social deste segmento. Considera, ainda, que a Agricultura Familiar necessita do apoio de políticas públicas destinadas a ela, especialmente a de processos organizativos que contribuam para sua inserção mais eficiente em mercados cada vez mais competitivos. 2.1 AGRICULTURA FAMILIAR A Agricultura Familiar no Brasil é representada por um grande contingente de pessoas e representa grande importância econômica e social para o país. No Censo Agropecuário de 2006 foram identificados 4.367.902 estabelecimentos de Agricultores Familiares. Eles representavam 84,4% do total, mas ocupavam apenas 24,3% (80,25 milhões de hectares) da área dos estabelecimentos agropecuários brasileiros. Já os estabelecimentos não familiares representavam 15,6% do total e ocupavam 75,7% da área total. Dos 80,25 milhões de hectares da Agricultura Familiar, 45% eram destinados a pastagens, 28% a florestas e 22% a lavouras. Ainda assim, a Agricultura Familiar mostrou seu peso na cesta básica do brasileiro, pois era responsável por 87% da produção nacional de mandioca, 70% da produção de feijão, 46% do milho, 38% do café, 34% do arroz, 21% do trigo e, na pecuária, 58% do leite, 59% do plantel de suínos, 50% das aves e 30% dos bovinos (IBGE, 2009). O próprio conceito “Agricultor Familiar”, pela quantidade de públicos que envolve e por contradições no seu uso por muitos autores e de acordo com muitos interesses, recentemente foi objeto de legalização formal. Segundo a Lei Nº 11.326, de 24 de julho de 2006, considera-se agricultor familiar e empreendedor familiar rural aquele que pratica atividades no meio rural, atendendo, simultaneamente, aos seguintes requisitos: não detenha, a qualquer título, área maior do que quatro módulos fiscais; utilize predominantemente mão-de-obra da própria família nas atividades econômicas do seu estabelecimento ou empreendimento; tenha renda familiar 16 predominantemente originada de atividades econômicas vinculadas ao próprio estabelecimento ou empreendimento; dirija seu estabelecimento ou empreendimento com sua família. O limite de quatro módulos fiscais não se aplica quando se tratar de condomínio rural ou outras formas coletivas de propriedade, desde que, a fração ideal por proprietário não ultrapasse os quatro módulos fiscais. São também beneficiários desta Lei: silvicultores que atendam simultaneamente a todos os requisitos anteriores, cultivem florestas nativas ou exóticas e que promovam o manejo sustentável daqueles ambientes; aquicultores que atendam simultaneamente a todos os requisitos anteriores e explorem reservatórios hídricos com superfície total de até dois hectares ou ocupem até 500 metros cúbicos de água, quando a exploração se efetivar em tanques-rede; extrativistas que atendam simultaneamente aos requisitos anteriores e exerçam essa atividade artesanalmente no meio rural, excluídos os garimpeiros e faiscadores; pescadores que atendam simultaneamente aos requisitos anteriores e exerçam a atividade pesqueira artesanalmente. Esta definição é mera formalidade, para ser usada em políticas públicas, pois Agricultores Familiares sempre existiram, o que pode variar é a terminologia usada para designar esta categoria social. Segundo Denardi, (2001), “o conceito de Agricultura Familiar é relativamente recente no Brasil, antes, falava-se em pequena produção, pequeno agricultor, agricultura de baixa renda ou de subsistência e até mesmo em camponês”. Para Schneider (2003), O conceito de agricultor familiar surgiu na década de 90 em substituição aos conceitos de colonos, trabalhadores rurais ou pequenos agricultores, no sentido de superar algumas imprecisões que estes conceitos carregavam.“Em face dos desafios que o sindicalismo rural enfrentava nessa época, tais como os impactos da abertura comercial, a falta de crédito agrícola e a queda dos preços dos principais produtos agrícolas de exportação, a incorporação e afirmação da noção de agricultura familiar mostraram-se capazes de oferecer guarida a um conjunto de categorias sociais, como os assentados, arrendatários, parceiros, integrados a agroindústrias, entre outros que não podiam mais ser confortavelmente identificados com as noções de pequenos produtores ou simplesmente trabalhadores rurais”. O Ministério do Desenvolvimento Agrário (2005 apud HILSINGER, 2007), que articula as políticas públicas para a Agricultura Familiar no Brasil assim a define: 17 “Agricultura Familiar” é a atividade econômica em que os trabalhos em nível de unidade de produção são exercidos predominantemente pela família, mantendo ela, a iniciativa, o domínio e o controle do o que e como produzir, havendo uma relação direta entre o que é produzido e o que é consumido (ou seja, são unidades de produção e consumo), mantendo também um alto grau de diversificação produtiva, tendo alguns produtos relacionados com o mercado. Outros autores como Gasson e Errington (1993 apud ABRAMOVAY, 1997), apontam traços que formam o que na tradição da sociologia chama-se “tipo ideal” que serve para estabelecer uma síntese articulada de seis características básicas de certo comportamento, como citado, sendo elas: 1. 2. 3. 4. 5. 6. A gestão é feita pelos proprietários; Os responsáveis pelo empreendimento estão ligados entre si por laços de parentesco; O trabalho é fundamentalmente familiar; O capital pertence à família; O patrimônio e os ativos são objetos de transferência intergeracional no interior da família; Os membros da família vivem na unidade produtiva. Segundo Fernandes (2009), na mesma linha de interpretação, os empreendimentos familiares têm como característica principal a administração pela própria família; e neles a família trabalha diretamente, com ou sem o auxílio de terceiros. Podemos dizer, também, que um estabelecimento familiar é, ao mesmo tempo, uma unidade de produção e de consumo. Uma grande diferença entre Agricultores Familiares e os produtores rurais que produzem para o mercado é que os primeiros têm como sua maior preocupação a sustentação alimentar, o que os torna relativamente independentes do mercado. Entretanto, Agricultura Familiar como conceito amplo abriga vários tipos de agricultores, isto nem sempre é verdadeiro, como é o caso dos agricultores integrados aos complexos agroindustriais de suínos, aves e fumo, por exemplo. Segundo Brumer (1994 apud FINATTO; SALAMONI, 2008), outra diferença para os produtores empresários é que para estes é possível despedir empregados, considerados “excedentes”, numa lógica de racionalização econômica, já o produtor familiar não pode fazer o mesmo com seus trabalhadores, membros de sua família: seu comprometimento de trabalho pode ser considerado como total; seu objetivo é maximizar a utilização de trabalho em lugar de maximizar o lucro ou algum outro indicador de eficiência. 18 Um aspecto relevante na formação da Agricultura Familiar no Brasil é que ela não representa conquista de segmentos mais pobres nem é produto de transformações sociais como alternativa às monoculturas ou latifúndios. Ao contrário, a Agricultura Familiar sempre recebeu uma espécie de “tolerância” na medida em que outros setores da sociedade dela podiam tirar algum tipo de proveito (DE BONI; COSTA, 1984). Da mesma forma para Lando e Barros (1980 apud HILSINGER, 2007), “o objetivo da colonização no Sul do Brasil era formar colônias que produzissem gêneros necessários ao consumo interno”. Apesar de muitos autores terem previsto seu desaparecimento, várias foram as estratégias utilizadas ao longo do tempo para sua sobrevivência e mesmo evolução, inclusive pela significativa contribuição que oferece à sociedade. Finato e Salamoni (2008), dizem que não tem como negar a persistência da Agricultura Familiar ao longo do tempo e o seu desenvolvimento. E diz que os Agricultores Familiares são essenciais para a população rural quanto urbana, e pela ocupação de mão-deobra familiar envolvida e a quantidade e qualidade dos produtos oferecidos ao mercado. Segundo Borba; Gomes e Trujillo (2004) propõem um desenvolvimento construído de forma participativa e a partir das características socioculturais e ecológicas locais, mas que não significa o isolamento ou fechamento em si mesmos numa região, mas o fortalecimento e a construção de redes entre grupos e regiões que valorizem a identidade dos Agricultores Familiares e contribuam para o desenvolvimento local. Para Borba, Gomes e Trujillo (2004), “potencial endógeno estaria associado, então, ao conjunto de recursos disponíveis localmente (naturais e culturais) que podem ser potencializados para promover o desenvolvimento local. Neste aspecto, defendem que aquelas regiões onde o processo de modernização é incompleto ou inacabado são as que apresentam grandes vantagens para o desenho de modelos alternativos de desenvolvimento. Isso em função da possibilidade da conservação de elementos que podem proporcionar a geração de produtos agrícolas, artesanais e serviços de qualidade diferenciada”. Por outro lado, algumas mudanças recentes poderão abrir novas possibilidades para a Agricultura Familiar favorecendo-a. Uma destas mudanças refere-se ao padrão de consumo da sociedade, caracterizada por uma segmentação na demanda por alguns produtos em substituição à oferta padronizada, típica do regime fordista. A Agricultura Familiar tem capacidade de responder com mais agilidade a estes novos requerimentos, o que pode favorecer sua competitividade (VILELA, 1998). Outro fato relevante é que tem aumentado 19 significativamente o espaço para produtos diferenciados, como alimentos orgânicos, ecológicos, nutracêuticos, funcionais, etc. Para poder responder a estas novas oportunidades os Agricultores Familiares necessitam acesso às políticas públicas, o que se torna mais fácil por meio de processos organizativos. Outro aspecto no qual a Agricultura Familiar tem grande importância é na preservação da biodiversidade e do conhecimento necessário para gerir tal diversidade em sistemas agrícolas complexos. Esta importância não fica restrita aos sistemas de produção da própria Agricultura Familiar, pois tem potencial para fornecer conhecimentos e tecnologias que podem contribuir para a sustentabilidade, inclusive de outros sistemas (CANUTO; SILVEIRA; MARQUES, 1994 apud FINATTO; SALAMONI, 2008). Por isso, a Agricultura Familiar como subsistema inserido em um agroecossistema maior, para ser sustentável deve contemplar parâmetros de sustentabilidade nas dimensões ecológica, social e econômica. No campo ecológico deve ter efeitos negativos mínimos no ambiente, inclusive evitando a liberação de substâncias tóxicas ou nocivas; deve preservar a fertilidade do solo; utilizar a água de modo a satisfazer as necessidades hídricas do ambiente e das pessoas, mantendo a estabilidade das reservas; promover a maximização de recursos do agroecossistema através da ciclagem de nutrientes; valorizar e conservar a diversidade biológica. No campo sócio cultural, deve promover a valorização do saber local em todo o processo de desenvolvimento; garantir a equidade no acesso às tecnologias; valorizar o potencial endógeno da comunidade e o controle local e democrático do meio ambiente. No campo econômico, deve garantir a reprodução das populações locais com qualidade; garantindo um sistema agroalimentar sustentável em todos os níveis. Além disso, um projeto de desenvolvimento local rural sustentável necessita levar em conta as diferentes expectativas individuais. O objetivo da sustentabilidade parte da consideração dos direitos (liberdades) individuais básicos para todo o conjunto da população, levando-se em conta as diferenças de gênero, de idade, de renda, de cultura, de acesso aos direitos básicos, etc. (GOMES et al., 2009). Soares (2001) afirma que a Agricultura Familiar exerce múltiplas funções estratégicas para sociedade e que isso deve ser reconhecido e traduzido em políticas públicas adequadas. 20 2.2 POLÍTICAS PÚBLICAS A modernização da agricultura brasileira criou sérias dificuldades aos Agricultores Familiares do país, num forte processo de exclusão, pois contribuiu para a concentração de renda e terras. Segundo Vasconcelos e Paiva (2008), no início da década de 90, quando foi denunciado o processo de crise de um contingente de 32 milhões de miseráveis, somado ao agravamento da questão ambiental, em função dos paradigmas que deram sustentação ao modelo de modernização da agricultura brasileira, exigiu a reconfiguração das estratégias de desenvolvimento com a definição de prioridades para a Agricultura Familiar. Conforme Olalde (2002), a partir dos anos 90 vem se observando um crescente interesse pela agricultura familiar no Brasil. Este interesse se materializou em políticas públicas, como o PRONAF (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) e na criação do MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário), além do revigoramento da Reforma Agrária. A formulação das políticas favoráveis à agricultura familiar e à Reforma Agrária obedeceu, em boa medida, às reivindicações das organizações de trabalhadores rurais e à pressão dos movimentos sociais organizados, mas está fundamentada também, em formulações conceituais desenvolvidas pela comunidade acadêmica nacional e apoiada em modelos de interpretação de agências multilaterais, como a FAO, o IICA e o Banco Mundial. Conforme Fortes e Tortelli (2009), as políticas públicas têm seus efeitos, suas conseqüências positivas ou negativas. Exercem o papel de moldarem, induzindo, estimulando ou desestimulando atitudes, ações e processos sociais. No caso do jovem agricultor familiar podem contribuir para a sua fixação no meio rural. Conforme ressaltou Denardi (2001), No que tange às políticas públicas destinadas à Agricultura Familiar, destacam-se hoje no país, a Previdência Social e o PRONAF. A previdência é, de longe, a mais importante política social para os Agricultores Familiares brasileiros. As aposentadorias e pensões mensais recebidas por grande número de beneficiários de famílias pobres fazem da previdência rural a política pública de maior alcance social no país. São 6,4 milhões de benefícios em todo o Brasil. O Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF) é a primeira política pública diferenciada em favor dos Agricultores Familiares brasileiros. O PRONAF é uma conquista dos movimentos sociais e sindicais de trabalhadores rurais nas últimas décadas. Suas lutas podem ser simbolizadas pelos Gritos da Terra Brasil, liderados 21 pela Contag e, no caso da Região Sul, pelas ações e pressões da Frente Sul dos trabalhadores da Agricultura Familiar. Um estudo sobre a Agricultura Familiar no Brasil, realizado em cooperação pela FAO/Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) estabeleceu o conjunto de diretrizes que nortearam a formulação das políticas públicas adequadas às especificidades dos diferentes tipos de Agricultores Familiares. As diretrizes do PRONAF assimilaram conceitos e parâmetros do estudo FAO/INCRA, principalmente para a categorização dos Agricultores Familiares (BIANCHINI, 2005 apud JUNQUEIRA; LIMA, 2008). 2.2.1 Previdência Rural Apenas na década de 60, foram tomadas as primeiras iniciativas para incluir os agricultores na previdência social, tendo sido a primeira, a criação do “Estatuto do Trabalhador Rural”, seguido do “Fundo de Assistência e Previdência do Trabalhador Rural”, posteriormente denominado FUNRURAL, que, por falta de recursos regulamentados não se efetivou (BRUMER, 2002). Mas foi com a constituição de 1988, com a universalização da seguridade social, ou seja, garantindo igualdade de direitos entre os cidadãos, o que englobou as áreas de saúde, previdência e assistência social. As leis nº 8.212/91 e 8.213/91, regulamentaram a previdência e trataram de forma igualitária os trabalhadores urbanos e os rurais, como mostra a tabela 1 (JUNQUEIRA; LIMA, 2008). Também foi criada pela Constituição Federal de 1988 a figura do segurado especial, categoria em que estão inseridos os Agricultores Familiares, os quais não contribuem diretamente para a previdência, apenas lhes é exigida a comprovação da atividade (BRUMER, 2002). Conforme Kreter e Bacha (2006 apud JUNQUEIRA; LIMA, 2008), com a nova legislação ampliou significativamente o número dos aposentados rurais, passando de 3.339.112 em 1992, para 5.032.034 em 1999, representando um acréscimo de 50,7% nestes sete anos. 22 Tabela 1: Principais mudanças ocorridas na Regulamentação da Previdência Rural Brasileira após a Constituição Federal de 1988. Como era Teto de benefícios das aposentadorias: no máximo ½ salário mínimo. Teto de benefício das pensões: 30% do salário mínimo. Aposentadoria por idade concedida aos 65 anos. O que mudou Teto de benefícios no valor de 1 salário mínimo. Aposentadoria por idade concedida aos 55 anos para as mulheres e 60 anos para os homens. Concessão dos benefícios apenas ao chefe ou arrimo Igualdade de direitos entre os trabalhadores e de família. trabalhadoras rurais. Fonte: KRETER; BACHA, (2006 apud JUNQUEIRA; LIMA, 2008). Segundo Caldas e Anjos [2008?], para o município de Morro Redondo, a importância dos recursos da previdência é significativa, pois 98,5% dos benefícios rurais pagos pelo INSS são de natureza continuada. No ano de 2004 existiam 0,9 benefícios para cada estabelecimento rural, o que gerava um ingresso mensal de R$ 250,95, em média por estabelecimento rural, no ano 2004. Os recursos previdenciários no município de Morro Redondo equivaliam 6,5% do valor do Produto Interno Bruto (PIB) municipal, representando R$ 4.181.531,00. A expressiva representatividade dos benefícios rurais para o município pode ser a evidência de um processo de envelhecimento de sua população rural. Sendo isto verdadeiro, aumenta a importância dos processos organizativos como forma de contribuir para a sustentabilidade deste segmento. Isto posto, o associativismo representa uma importante forma de fixar os jovens remanescentes no meio rural, assim como a oportunidade para que os agricultores com idade avançada continuem exercendo suas atividades na agricultura de forma viável e com humanização do trabalho. 2.2.2 Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar - PRONAF O Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF), como a segunda política pública em importância para a Agricultura Familiar, foi criado em 1994, com assessoria da FAO e apoio financeiro do Banco Mundial. Entre os argumentos para sua criação estão as vantagens oferecidas pelas unidades de produção familiar, principalmente pelo sistema diversificado de produção e pelo emprego de mão-de-obra na zona rural. Por isso, a Agricultura Familiar foi considerada como estratégica para o novo padrão de desenvolvimento econômico (VASCONCELOS; PAIVA, 2008). Conforme relata Denardi (2001), 23 No âmbito do governo federal, o PRONAF é um campo de disputa entre duas forças ou posições. O Ministério de Desenvolvimento Agrário, respaldado por setores do BNDES e do IPEA, pretende dar ao PRONAF a importância e amplitude de uma efetiva política de desenvolvimento rural. Mas os ministérios da Fazenda e da Agricultura, vêem o Pronaf apenas como uma política social compensatória, isto é, como mero paliativo para minorar os efeitos da “inevitável” marginalização e exclusão dos pequenos agricultores sem condições reais de integração e competição nos mercados globalizados. O PRONAF foi instituído pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), através do decreto do Bacen nº 2.191, 24 de agosto de 1995, para créditos de custeio e investimento aos Agricultores Familiares que apresentassem a “Declaração de Aptidão ao PRONAF” (DAP), com juros de 16% ao ano. Em 1996, os juros foram reduzidos para 12% ao ano e houve uma ampliação do limite de crédito individual. No ano seguinte, foram incluídos os pescadores artesanais, aquicultores e seringueiros extrativistas e houve, novamente, uma redução nos juros, passando para 6,5% ao ano, e a criação de novas linhas de financiamento. Em 1998, os juros passam para 5,75% ao ano e em 1999, houve a divisão dos beneficiários em quatro categorias: “A”, “B”, “C” e “D” conforme o seu porte. No ano de 2000, os juros baixaram para 4% ao ano e houve a inclusão do crédito para assentados, tanto da Reforma Agrária, como do Programa de Crédito Fundiário. Em 2002 houve a suspensão do crédito para a cultura do fumo. Em 2005 houve a criação da nova classe de agricultores, com renda maior, a classe “E”. Um ponto forte que deve ser destacado no Programa foi a exigência da “DAP” (Declaração de Aptidão ao PRONAF) por entidades representativas desta categoria, que faziam a sua emissão e habilitavam os agricultores beneficiários, considerando os critérios definidos em lei e classificando-os conforme a sua categoria, que considerava, principalmente, o critério de renda familiar, mas utilizava basicamente os mesmos critérios que definiam a categoria de “Agricultor Familiar” (GOMES; FERREIRA, 2006). Segundo Guanziroli (2006), os recursos aplicados pelo PRONAF sofre estagnação de 1999 a 2000, mas 2000 a 2005 tiveram um incremento substancial, passando de R$ 2.189 milhões para R$ 6.300 milhões. Também relata que um dos maiores entraves está no sistema bancário público, responsável pela liberação dos recursos. Como mostrado no Gráfico 1, os recursos disponibilizados somente passaram a ser utilizados totalmente à partir da safra 2007/2008, mas também mostra um crescente na utilização deste recursos. 24 Gráfico 1: Montante disponibilizado e realizado – PRONAF * Valor disponibilizado refere-se a bilhões de reais. Fonte: MDA/SAF apud BALESTRIN, 2010. No Gráfico 2 é demonstrado um leve crescimento, tendendo à estabilização no número de contratos efetuados pelo PRONAF na região sul. A nível nacional ocorreu um grande crescimento até 2006, quando passou a regredir. Como a região Sul utilizava a maior parte do recurso do programa nos seus anos iniciais, a sua participação relativa decresceu até 2006 e a 2.000.000 90 1.800.000 80 NºDE CONTRATOS 1.600.000 70 1.400.000 60 1.200.000 50 1.000.000 40 800.000 30 600.000 20 400.000 PORCENTAGEMDE CONTRATOS partir de então, apresenta leve reação. 10 200.000 - 0 ANO 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 SUL BRASIL % Gráfico 2:Número de contratos efetivados pelo PRONAF na Região Sul e no Brasil - 1996 a 2010 * Valor disponibilizado refere-se a número de contratos. Fonte: Elaborado pelo autor3. 3 Dados extraídos de MDA/SAF. 25 No Gráfico 3 são mostrados os valores contratados em constante crescimento, tanto à nível regional como nacional. Tendo a participação relativa da região sul caído até 2006, 12.000,00 70 10.000,00 60 50 8.000,00 40 6.000,00 30 4.000,00 20 2.000,00 PORCENTAGEM VALOR CONTRATADO (R$) quando volta a crescer. 10 - 0 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 REGIÃO SUL BRASIL % Gráfico 3: Recursos contratados pelo PRONAF na Região Sul e no BRASIL de 1996 a 2010 * Valor disponibilizado refere-se a milhões de reais. Fonte: Elaborado pelo autor4. No Gráfico 4 é mostrada a evolução do crédito PRONAF no município de Morro Redondo, que comparado aos gráficos anteriores, segue a mesma tendência, ou seja, com constante crescimento nos valores aplicados. Quanto ao número de contratos, houve crescimento até a safra 2005/2006, com tendência de estabilização ou de leve queda. A queda apresentada em 2010 não é real, pois são dados incompletos, muitas operações ainda estão sendo processadas. Segundo o IBGE (2006), o número de estabelecimentos rurais no município era de 745, comparado a este dado, o pico da curva do número de contratos PRONAF foi de 556, na safra 2005/2006, o que mostra a importância do PRONAF como política pública, tanto para o município, como para a Associação. 4 Dados extraídos de MDA/SAF. 600 3.500.000,00 500 3.000.000,00 2.500.000,00 400 2.000.000,00 300 1.500.000,00 200 VALORES (R$) Nº CONTRATOS 26 1.000.000,00 100 500.000,00 0,00 19 99 /2 00 0 20 00 /2 00 1 20 01 /2 00 2 20 02 /2 00 3 20 03 /2 00 4 20 04 /2 00 5 20 05 /2 00 6 20 06 /2 00 7 20 07 /2 00 8 20 08 /2 00 9 20 09 /2 01 0 0 Contratos Montante (R$ 1,00) Gráfico 4: Evolução do número de contratos e dos recursos do PRONAF no município de Morro Redondo, no período de 1999 a 2010 Fonte: Elaborado pelo autor5. Conforme visto anteriormente na análise do Gráfico 4, a evolução do PRONAF em Morro Redondo confirma a tese de Balestrin (2010), quando diz que este programa sofre aprimoramento constante, objetivando a maior consistência e alargar sua amplitude. Percebese isso quando constatamos o aumento do volume de crédito disponibilizado, quando diminuídas as taxas de juros, quando introduzidas novas linhas de financiamento e quando ampliados os limites do financiamento. 2.2.3 Programa de Aquisição de Alimentos - PAA Em 2003, o governo federal implementou o Programa de Aquisição de Alimentos – PAA, no Plano de Safra 2003/04, coordenado nacionalmente pela Companhia Nacional de Abastecimento - CONAB. O PAA, considerado uma das principais ações do “Programa Fome Zero”, se constitui num instrumento da comercialização dos produtos da Agricultura Familiar. Os produtos adquiridos pelo governo são utilizados para a formação de estoques e também, 5 Dados extraídos de MDA/SAF. 27 para a distribuição à população em situação de insegurança alimentar. O volume de recursos aplicados no Programa passou de R$ 164,4 milhões, em 2003, para R$ 628 milhões em 2009 (GRISA; WESZ Jr., 2010). Grisa e Wesz Jr. ( 2010), afirmam que As avaliações sobre este Programa indicam sua contribuição sobre a alteração da matriz produtiva (diversificação, produção ecológica etc.) e de consumo (mudança dos hábitos alimentares), valorização dos produtos dos territórios, recuperação dos preços regionais, construção de novos canais locais de comercialização e fortalecimento das organizações sociais. No entanto, permanecem algumas limitações que afetam sua operacionalização: dificuldades na organização e planejamento da produção agrícola, falta de assistência técnica, obstáculos no acesso à DAP, atraso na liberação dos recursos e problemas de logística (transporte e armazenamento dos alimentos). A importância do PAA para a Associação se dá em dois sentidos, na comercialização e geração de renda, e na diversificação de atividades agrícolas, promovendo a sustentabilidade econômica e ambiental. Entretanto, para poder participar desta importante política pública é necessário que o quadro diretivo esteja atento às características da produção local e, se for o caso orientando o quadro associado para estas novas possibilidades. 2.2.4 Programa Nacional de Alimentação Escolar - PNAE O PNAE – Programa Nacional de Alimentação Escolar, criado pela lei nº 11.947 de 16 de junho de 2009, regulamentado pela Resolução/CD/FNDE Nº 38, de 16 de julho de 2009. Conforme descrito no artigo 4º da lei 11.947, O Programa Nacional de Alimentação Escolar - PNAE tem por objetivo contribuir para o crescimento e o desenvolvimento biopsicossocial, a aprendizagem, o rendimento escolar e a formação de hábitos alimentares saudáveis dos alunos, por meio de ações de educação alimentar e nutricional e da oferta de refeições que cubram as suas necessidades nutricionais durante o período letivo. Conforme Mielniczuk (2008), 28 A lei incorpora ações amplamente debatidas com a sociedade por intermédio das conferências municipais, estaduais e nacional de segurança alimentar e nutricional e de saúde e nutrição realizadas nos últimos anos. O principal resultado do debate é a identificação do PNAE como política de segurança alimentar e nutricional exemplar e estratégica para ações de desenvolvimento local. Este programa de alimentação escolar tem como uma das diretrizes, altamente relevante para a Agricultura Familiar, conforme a resolução 038, o apoio ao desenvolvimento sustentável, com incentivos para a aquisição de gêneros alimentícios diversificados, produzidos em âmbito local e preferencialmente pela Agricultura Familiar e pelos empreendedores familiares, priorizando as comunidades tradicionais indígenas e de remanescentes de quilombo. O artigo 18 da resolução 038 também é de fundamental importância para a Agricultura Familiar: Do total dos recursos financeiros repassados pelo FNDE, no âmbito do PNAE, no mínimo 30% (trinta por cento) deverá ser utilizado na aquisição de gêneros alimentícios diretamente da Agricultura Familiar e do Empreendedor Rural ou suas organizações, priorizando os assentamentos da reforma agrária, as comunidades tradicionais indígenas e comunidades quilombolas, conforme o artigo 14, da Lei nº 11.947/2009. Uma dificuldade verificada na região tem sido a articulação entre as prefeituras e a secretaria de educação, órgãos responsáveis pela aquisição dos produtos para a alimentação escolar e os Agricultores Familiares, muitas vezes resultando em devolução de recursos pelas prefeituras. Esta aproximação deve ser facilitada pelos representantes dos Agricultores Familiares como forma de fortalecer a economia local, resultando em benefícios para todos: para o Programa, para os escolares, para os órgãos públicos responsáveis pela aquisição de produtos, mas talvez principalmente para os próprios Agricultores Familiares. Outro ponto que merece atenção das representações dos agricultores é a programação da produção de modo a atender de forma permanente a demanda do programa. 2.2.5 Assistência Técnica e Extensão Rural - ATER Uma outra política pública de fundamental importância para os Agricultores Familiares é a de Assistência Técnica e Extensão Rural. Além da própria assistência técnica, 29 com informações sobre tecnologias, insumos, mercado, entre outros, normalmente os extensionistas oferecem outras contribuições relevantes aos agricultores. Desde a ajuda em processos organizativos, informações sobre novas possibilidades, organização e participação em eventos técnicos e sócio-culturais até outras coisas menos visíveis, como por exemplo, o resgate e a preservação da cultura, o fortalecimento da auto-estima e do papel das mulheres e dos jovens na agricultura, entre outros (GRISA; WESZ Jr., 2010). E segundo este autor, recentemente através da promulgação da Lei Geral de ATER em janeiro de 2010, instituindo a Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (PNATER) e o Programa Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural na Agricultura Familiar e na Reforma Agrária (PRONATER). Por outro lado os recursos da ATER passaram de menos de R$ 50 milhões em 2003 para mais de R$ 600 milhões em 2010/2011. Ainda que as Políticas de Assistência Técnica e Extensão Rural, assim como as de Previdência, a de fortalecimento de Agricultura Familiar, a de aquisição de alimentos e a de alimentação escolar, sejam de alta relevância, deve haver complementaridade com outras ações de responsabilidade do Poder Público. Para Gomes et al. (2009), pensar a sustentabilidade da Agricultura Familiar, não significa pensar somente nas políticas públicas a ela diretamente relacionadas, é necessário ter consciência da pluriatividade deste setor ao longo de toda a cadeia e de sua contribuição à proteção dos recursos naturais, sociais e culturais, preservando características essenciais ao desenvolvimento endógeno. Promover e ampliar o mercado de trabalho e da renda no interior do país, garantindo dignidade a toda população rural. Um projeto de desenvolvimento deve partir da visão local e multifuncional, envolvendo a pesquisa, extensão e o crédito, mas considerando sempre que outras políticas como a econômica, de saúde, habitação, infraestrutura, educação, esporte e cultura, também são importantes para um projeto sustentável da Agricultura Familiar. Outro ponto a destacar é que nos últimos 20 anos foi desenvolvido um vasto conjunto de tecnologias apropriadas à Agricultura Familiar, basicamente pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária/Embrapa, porém estas tecnologias em muitos casos não foram incorporadas, não se transformando em inovações. O que sugere que os problemas produtivos não são de natureza essencialmente tecnológica, faltam as condições necessárias para a adaptação efetiva da tecnologia disponível e para esta ser transformada economicamente em inovação (IICA, 2009). Esta articulação entre inovações tecnológicas e sua aplicação prática, especialmente na Agricultura Familiar, não acontece sem a efetiva participação da Assistência Técnica e Extensão Rural. 30 2.3 O ASSOCIATIVISMO Segundo Soufen (20--), podemos definir o associativismo como uma união de pessoas diferentes em busca de um objetivo comum. É sabido que as pessoas se unem com a finalidade de se fortalecerem para poderem enfrentar situações ou buscar algo que isoladamente seria muito difícil ou, em alguns casos, até impossível. Quando se trata de associativismo, imagina-se simplesmente o modo de associação, mas podemos dividir as formas associativas em seis: organizações da sociedade civil de interesse público – oscip’s; cooperativas; sindicatos; fundações; organizações sociais (associações); e clubes. Conforme a Organização das Cooperativas do Estado do Rio Grande do Sul (2009) estas formas são diferenciadas basicamente pelos objetivos de seus integrantes, mas todas obedecem alguns princípios básicos, como: adesão voluntária – são organizações abertas que não podem discriminar seus sócios ou os interessados em se associar por nenhuma razão, como raça, religião, posição social e gênero; gestão democrática pelos sócios – são democráticas e controladas pelos seus associados, que participam ativamente das decisões, sendo que todos podem votar e ser eleitos; participação econômica dos sócios – todos os sócios contribuem de forma equitativa; autonomia e independência – são autônomas e são controladas pelos associados; educação, formação e informação – devem promover a educação, formação e informação dos seus associados, dirigentes e administradores, de forma a valorizar o sentido da cooperação e do coletivo; interação – deve atender seus sócios efetivamente e promover o associativismo; interesse pela comunidade – seu trabalho é voltado para o desenvolvimento sustentável da comunidade. Ainda, as diferentes formas associativas são caracterizadas por se constituírem pela reunião de duas ou mais pessoas, o patrimônio é formado pelas contribuições dos associados, doações e subvenções, etc, suas finalidades podem ser modificadas pelos seus sócios, as deliberações são realizadas livremente pelos associados e são entidades de direito privado e não público (BOMFIM, 2008). Apesar da existência de várias formas associativas, considerando o enfoque deste trabalho, a análise será concentrada sobre duas delas, as associações e as cooperativas. 31 2.3.1 Associação A associação é a união de duas ou mais pessoas e uma maneira formal ou informal de reunir as pessoas em torno de objetivos comuns. É sem dúvida, uma forma de legalizar a união de pessoas, físicas ou jurídicas, em torno dos interesses convergentes e que através desta união, permite criar condições melhores do que teriam cada indivíduo isoladamente (SEBRAE, 2009). As associações têm como finalidades a assistência social e cultural, atuar na defesa dos direitos dos indivíduos e de classes específicas, defesa do meio ambiente, filantropia, religião e esporte, ou seja, sem finalidade econômica. Dentre as associações sem finalidade econômica, temos as associações de produtores rurais, normalmente pequenos agricultores e na maioria das vezes Agricultores Familiares, que buscam a representação política da categoria e a viabilização de meios produtivos ou soluções para auxiliar na viabilização e na sustentabilidade das famílias, como a aquisição coletiva de insumos agrícolas e a prestação de serviços de máquinas, principalmente aqueles serviços que utilizam equipamento caro e fora do alcance do agricultor familiar ou pelo menos não justificariam o investimento individual em tal equipamento, considerando a sua pequena utilização. Ainda vemos estas associações atuando na busca de mercados para os produtos agropecuários produzidos pelos seus associados e, às vezes, até do município ou região, embora nesta área comercial, possa atuar mais significativamente na prospecção do negócio e menos na venda diretamente. Deve-se salientar que algumas associações com estas características existem na região há mais tempo, regularizada, com inscrição estadual e com talonário fiscal, como são os exemplos da Associação e da União das Associações Comunitárias do Interior de Canguçu UNAIC, que podem realizar efetivamente o comércio, mas com algumas desvantagens financeiras em relação às cooperativas. 2.3.2 Cooperativa Enquanto a associação tem como objetivos os aspectos social, político, interesses de classe, filantropia, educacional e cultural, a cooperativa tem como principal objetivo a viabilização do negócio produtivo do associado. 32 Cooperativa é por definição, a união de pessoas voltadas para um objetivo comum, sem visar lucro, conforme a Organização das Cooperativas do Estado do Rio Grande do Sul – OCERGS (2010a) e, semelhantemente à associação, tem como princípios: • Adesão livre e voluntária; • Controle democrático pelos sócios; • Participação econômica dos sócios; • Autonomia e independência; • Educação, treinamento e informação; • Cooperação entre cooperativas; • Preocupação com a comunidade; A cooperação sempre existiu entre as pessoas, desde os primórdios, já por volta de 2.000 anos A.C., com os povos antigos, os babilônios, os gregos, chineses, astecas, maias e incas, que se uniam com o intuito da sobrevivência. Mas a cooperação econômica realmente surgiu no século XVI D.C., com Plockboy, que idealizava a cooperação integral dos trabalhadores e com John Bellers, que queria criar colônias cooperativas, para produzir e comercializar seus produtos, já na tentativa de se apropriar dos ganhos dos intermediários (COOPERATIVA..., 2010a)6. Mas o cooperativismo moderno surgiu com a revolução industrial, que criou situações desumanas de trabalho, submetendo os trabalhadores a jornadas de 16 horas diárias e salários que não supriam as necessidades das pessoas, além de discriminar a situações piores, as mulheres e crianças. Como alternativa para tal situação, foi criada, em Rochdale, na região de Manchester na Inglaterra, em 21 de dezembro de 1844, no lugar chamado Beco do Sapo, uma cooperativa constituída por 28 operários, 27 homens e uma mulher, na sua maioria tecelões, conhecida mundialmente como a Cooperativa de Tecelões de Rochdale, que criou os princípios morais e de conduta, que são seguidos até os dias de hoje e, proporcionou a disseminação do cooperativismo econômico no mundo. Esta cooperativa já trabalhou com a distribuição dos lucros auferidos (COOPERATIVA..., 2010b)7. A Cooperativa de Rochdale foi constituída com a integralização de capital societário no valor de uma libra, o que foi utilizado para alugar um pavilhão para o armazenamento das 6 Extraído da Revista Gestão Cooperativa. Disponível em: <http://www.gestaocooperativa.com.br/tabid/470/articleType/ArticleView/articleId/22/A-primeira-cooperativa-Rochdale.aspx>. Acesso em: 11 out. 2010a. 7 Extraído da Revista Gestão Cooperativa. Disponível em: <http://www.gestaocooperativa.com.br/tabid/470/articleType/ArticleView/articleId/22/A-primeira-cooperativa-Rochdale.aspx>. Acesso em: 11 out. 2010b. 33 matérias-prima, adquiridos em grande volume e, por isso, mais baratos, o que foi motivo de deboche entre os comerciantes locais, mas ao final de um ano de atividades, a cooperativa possuía um capital de 180 libras, ou seja, conseguiram multiplicar o capital por 6,4 vezes. E em dez anos, o “Armazém de Rochdale” contava com 1.400 cooperantes. A Aliança Cooperativa Internacional – ACI debateu e analisou a forma e as normas de funcionamento da Cooperativa de Rochdale, em dois de seus congressos internacionais, em 1937 e 1966, que foram adotadas, internacionalmente, como princípios cooperativistas (COOPERATIVA..., 2010a)8. No Brasil, considera-se como o início do movimento cooperativista, a inauguração da colônia Tereza Cristina, às margens o Rio Ivaí, hoje município de Cândido de Abreu, pelo médico francês Jean Maurice Faivre, inspirado nos ideais humanistas, que congregou os colonos europeus no Paraná, no ano de 1847. Já a primeira cooperativa agropecuária brasileira foi fundada em Minas Gerais (HISTÓRIA..., 2010)9. No Rio Grande do Sul, o marco inicial do cooperativismo foi a fundação da cooperativa de crédito na localidade chamada linha Imperial, no município de Nova Petrópolis, em 28 de dezembro de 1902, com a aprovação do estatuto da “Sparkasse Amstad”, que traduzindo do alemão significa “Caixa Econômica Amstad”, idealizada pelo padre Jesuíta Theodor Amstad, imigrante suíço, chegado ao Brasil em 1885, sendo profundo conhecedor do cooperativismo e, também, das dificuldades dos colonos da região, que se baseou no modelo alemão de Friedrich Wilhelm (PADRE..., 2010)10. O Padre suíço-brasileiro teve sua existência marcada, pela idealização do cooperativismo de crédito no Brasil, e também por algumas frases, conforme página virtual do Sicredi Pioneira (PADRE..., 2010), como: Se uma grande pedra se atravessa no caminho e 20 pessoas querem passar, não o conseguirão, se um por um a procuram remover individualmente. Mas se as 20 pessoas se unem e fazem força ao mesmo tempo, sob a orientação de um deles, conseguirão solidariamente afastar a pedra e abrir caminho para todos. Com a carroça cheia e as alimárias carregadas do fruto de seu pesado trabalho e do resultado de muito suor, o colono se dirige à casa comercial, mas as bugigangas estrangeiras, que recebe em troca, para levar para casa, ele facilmente pode colocar debaixo do braço... 8 Extraído da Revista Gestão Cooperativa. Disponível em: <http://www.gestaocooperativa.com.br/tabid/470/articleType/ArticleView/articleId/22/A-primeira-cooperativa-Rochdale.aspx>. Acesso em: 11 out. 2010a. 9 Extraído de Historia do Cooperativismo. Disponível em: <http://www.coamo.com.br/historia_do_cooperativismo.html>. Acesso em: 11 out. 2010. 10 Extraído de História da Sicredi Pioneira RS. Disponível em: <http://www.sicredipioneira.com.br/arquivos/padre.htm>. Acesso em: 11 out. 2010. 34 Basicamente o que as pessoas buscam, quando se organizam em cooperativa é a melhoria da situação econômica do grupo de indivíduos, solucionando problemas e satisfazendo necessidades comuns, que não conseguiriam atingir isoladamente, o que pode ser visualizado esquematicamente na representação a seguir: Figura 1: Organograma representando o funcionamento de uma Cooperativa. Fonte: SEBRAEMG, 201011. 2.3.3 Comparação entre Associação e Cooperativa Como forma de facilitar a compreensão das duas formas que mais interessam aos Agricultores Familiares, Associação e Cooperativa, foi montado um quadro comparativo, onde estão colocadas as diferenças entre as duas formas associativas: 11 Extraído de SEBRAEMG. Disponível em: <http://www.sebraemg.com.br>. Acesso em: 08 out. 2010. 35 Quadro 1: Diferenças entre Associação e Cooperativa CRITÉRIO Conceito ASSOCIAÇÃO Sociedade de pessoas sem fins lucrativos Finalidade Representar e defender os interesses dos associados. Estimular a melhoria técnica, profissional e social dos associados. Realizar iniciativas de promoção, educação e assistência social. Legalização Aprovação do estatuto em assembléia geral pelos associados. Eleição da diretoria e do conselho fiscal. Elaboração da ata de constituição. Registro do estatuto e da ata de constituição no cartório de registro de pessoas jurídicas da comarca. CNPJ na Receita Federal. Registro no INSS e no Ministério do trabalho. Mínimo de duas pessoas. Constituição (art. 5o., XVII a XXI, e art 174, par. 2o.). Código Civil Seu patrimônio é formado por taxa paga pelos associados, doações, fundos e reservas. Não possui capital social. A inexistência do mesmo dificulta a obtenção de financiamento junto às instituições financeiras. Pode representar os associados em ações coletivas de seu interesse. É representada por federações e confederações. Constituição Legislação Patrimônio / Capital Representação Forma de Gestão Abrangência / Área de Ação Operações Nas decisões em assembléia geral, cada pessoa tem direito a um voto. As decisões devem sempre ser tomadas com a participação e o envolvimento dos associados. Área de atuação limita-se aos seus objetivos, podendo ter abrangência nacional. A associação não tem como finalidade realizar atividades de comércio podendo realizá-las para a implementação de seus objetivos sociais. Pode realizar operações financeiras e bancárias usuais. Responsabilidades Os associados não são responsáveis diretamente pelas obrigações contraídas pela associação. A sua diretoria só pode ser responsabilizada se agir sem o consentimento dos associados. Remuneração Os dirigentes não têm remuneração pelo COOPERATIVA Sociedade de pessoas sem fins lucrativos e com especificidade de atuação na atividade produtiva / comercial Viabilizar e desenvolver atividades de consumo, produção, prestação de serviços, crédito e comercialização, de acordo com os interesses dos seus associados. Formar e capacitar seus integrantes para o trabalho e a vida em comunidade. Aprovação do estatuto em assembléia geral pelos associados. Eleição do conselho de administração (diretoria) e do conselho fiscal. Elaboração da ata de constituição. Registro do estatuto e da ata de constituição na junta comercial. CNPJ na Receita Federal. Inscrição Estadual. Registro no INSS e no Ministério do trabalho. Alvará na prefeitura. Mínimo de 20 pessoas físicas Lei 5.764/71. Constituição (art. 5o. XVII a XXI e art. 174, par 2o.) Código civil. Possui capital social facilitando, portanto, financiamentos junto às instituições financeiras. O capital social é formado por quotas-parte podendo receber doações, empréstimos e processos de capitalização. Pode representar os associados em ações coletivas do seu interesse. Pode constituir federações e confederações para a sua representação. Nas decisões em assembléia geral, cada pessoa tem direito a um voto. As decisões devem sempre ser tomadas com a participação e o envolvimento dos associados. Área de atuação limita-se aos seus objetivos e possibilidade de reuniões, podendo ter abrangência nacional. Realiza plena atividade comercial. Realiza operações financeiras, bancárias e pode candidatar-se a empréstimos e aquisições do governo federal. As cooperativas de produtores rurais são beneficiadas do crédito rural de repasse Os associados não são responsáveis diretamente pelas obrigações contraídas pela cooperativa, a não ser no limite de suas quotas-parte e a não ser também nos casos em que decidem que a sua responsabilidade é ilimitada. A sua diretoria só pode ser responsabilizada se agir sem o consentimento dos associados. Os dirigentes podem ser remunerados por 36 Contabilidade exercício de suas funções; recebem apenas o reembolso das despesas realizadas para o desempenho dos seus cargos. Escrituração contábil simplificada. Tributação Deve fazer anualmente uma declaração de isenção de imposto de renda. Fiscalização Pode ser fiscalizada pela prefeitura, pela Fazenda Estadual, pelo INSS, pelo Ministério do Trabalho e pela Receita Federal. Definida em assembléia geral ou mediante intervenção judicial, realizada pelo Ministério Público. Dissolução Resultados Financeiros As possíveis sobras obtidas de operações entre os associados serão aplicadas na própria associação. retiradas mensais pró-labore, definidas pela assembléia, além do reembolso de suas despesas. A escrituração contábil é mais complexa em função do volume de negócios e em função da necessidade de ter contabilidades separadas para as operações com os sócios e com nãosócios. Não paga Imposto de Renda sobre suas operações com seus associados. Deve recolher o Imposto de Renda Pessoa Jurídica sobre operações com terceiros. Paga as taxas e os impostos decorrentes das ações comerciais. Pode ser fiscalizada pela prefeitura, pela Fazenda Estadual (nas operações de comércio), pelo INSS, pelo Ministério do Trabalho e pela Receita Federal. Definida em assembléia geral e, neste caso ocorre a dissolução. No caso de intervenção judicial, ocorre a liquidação, não podendo ser proposta a falência. Após decisão em assembléia geral, as sobras são divididas de acordo com o volume de negócios de cada associado. Destinam-se 10% para o fundo de reserva e 5% para o Fundo Educacional (FATES) Fonte: VEIGA; RECH, 2002. Como regra geral, as associações não têm finalidade econômica ou comercial. A atual legislação não permite o cadastramento junto à Secretaria da Fazenda Estadual para fins de comércio, ou seja, não é possível obter a “inscrição estadual”, mas algumas associações que tinham este direito adquirido, continuam realizando estas atividades. Considerando, estes casos, algumas diferenças são importantes, como o PIS e a COFINS, que representam respectivamente 1,65% e 7,6%, calculadas sobre a receita bruta e incidentes apenas sobre as associações. Outros tributos como os impostos sobre circulação de mercadorias e serviços, o ICMS, e aqueles que incidem sobre a folha de pagamentos de pessoal são iguais para ambas formas institucionais. Uma diferença prática entre cooperativa e associação, como a ADCPR-MR, que possui inscrição estadual e, portanto, tem o direito de comercializar mercadorias, é que a associação não pode distribuir sobras como a cooperativa. 37 3 MÉTODOS E PROCEDIMENTOS Nesta sessão estão descritos os métodos e procedimentos para obtenção e análise dos dados. Inicialmente, através da caracterização da Associação e do espaço sócio-cultural, ambiental e administrativo onde está inserida. Também são descritos os públicos estudados relacionados direta ou indiretamente com a Associação, bem como as técnicas de coleta e análise de dados. 3.1 DELINEAMENTO DA PESQUISA Este trabalho avalia a Associação caracterizando sua inserção num contexto municipal e regional utilizando métodos e procedimentos da pesquisa qualitativa, a luz dos conceitos utilizados na fundamentação teórica do trabalho: a importância da Agricultura Familiar, os processos organizativos e as políticas públicas que contribuem para o aumento de sua sustentabilidade. Os dados foram obtidos por meio de revisão bibliográfica, entrevistas estruturadas e abertas, sempre destacando o objetivo central do trabalho que é “compreender a história e colaborar para a continuidade da evolução da Associação, auxiliando em sua transformação em cooperativa. Isto poderá permitir o incremento de suas ações na transformação e agregação de valor dos produtos de seus associados, intensificando as ações também no comércio, o que resultará em benefícios para seu quadro de associados e para a sustentabilidade da Agricultura Familiar na região”. 3.2 DEFINIÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA E DO OBJETO DE ESTUDO Como o objeto de estudo, a “Associação” está localizada no município de Morro Redondo, optou-se por realizar uma caracterização inicial que permita a compreensão da evolução da história da Associação no contexto regional, marcado fortemente pela significativa representatividade da Agricultura Familiar. Esta caracterização parte do mais 38 geral, a região de Pelotas para logo caracterizar o próprio município de Morro Redondo e a Associação. 3.2.1 Caracterização da Região de Pelotas A ocupação da região de Pelotas se deu a partir de 1680, quando os portugueses tinham interesse pela expansão das áreas de domínio, a criação de gado bovino e pelo estuário do Prata. A Coroa Portuguesa distribuiu sesmarias de terras, especialmente para militares, que se tornavam criadores e cuidavam da ocupação da fronteira (COSTA, 2006). A partir de 1780, a economia da região passou a fundamentar-se na indústria do charque e no latifúndio produtor de gado. Esta atividade sustentou a região até 1890, até ser parcialmente substituída pela grande lavoura de arroz e seus engenhos, em meados do século XX. No final do século XIX houve a incorporação de colônias de imigrantes europeus na região, especialmente alemães, italianos e franceses, que em pequenas propriedades produziram alimentos para a subsistência e para abastecer as cidades e as charqueadas12. A produção artesanal de doces, os moinhos coloniais, oficinas, marcenarias, ferrarias, carpintarias e mais uma série de atividades do gênero eram comuns nas colônias e constituíram-se em importantes fontes de renda para as unidades rurais familiares (CARRICONDE, 1922 apud COSTA, 2006). A região de Pelotas se divide em duas regiões distintas, tanto quanto às características geomorfológicas como em relação à ocupação e produção, sendo uma região com topografia mais suave e baixa, com solos mais férteis, onde se localizam as grandes propriedades e com atividades extensivas, como a pecuária e as lavouras de arroz irrigado com alta aplicação de tecnologia. A outra, com topografia mais acidentada, com solos rasos, de baixa fertilidade e com grande dificuldade de conservação, apresenta pequenas propriedades rurais, onde se localizaram os imigrantes, os “colonos”, que produziam basicamente para a subsistência, comercializando apenas o excedente (ASSOCIAÇÃO DOS ENGENHEIROS AGRÔNOMOS DE PELOTAS, 1986). A partir da década de 1960, houve a concentração industrial na região, principalmente, pelas exigências sanitárias restritivas aos pequenos estabelecimentos industriais, que fez com 12 Os negros não representaram uma corrente migratória, foram trazidos para as charqueadas como escravos, porém tiveram grande expressão na ocupação de Pelotas (IBGE, 2010). 39 que as pequenas fábricas coloniais fossem absorvidas pelas médias e grandes agroindústrias ou forçassem um crescimento, de modo que se viabilizassem as exigências, além da possibilidade de concorrência com essas grandes empresas. A região foi destaque nacional através da produção de pêssegos em conserva, chegando a produzir 60 mil toneladas por ano e envolvendo mais de cinco mil famílias (COSTA, 2006). Ainda segundo a mesma autora, com a chegada da revolução verde, a partir da década de 1970, houve uma mudança considerável na chamada região colonial, com a especialização das pequenas propriedades rurais em poucos produtos comercializáveis, com grande utilização de insumos sintéticos, onde tiveram destaque as culturas do pêssego, batata inglesa, cebola, cenoura e fumo, e o leite, como principal produto pecuário. Especialização esta que causou forte êxodo rural, principalmente de jovens. No então distrito de Morro Redondo, este fato foi agravado por alguns fatores, como maior proximidade com a sede do município (Pelotas), maior desenvolvimento e maior poder aquisitivo das famílias. Ainda, na década de 1970, a concessão de incentivos fiscais à implantação de grandes pomares comerciais, fez com que as grandes empresas investissem na produção do pêssego, com seu auge até o início dos anos 80. Depois de passado o apogeu, iniciou a decadência do setor, causando a exclusão de muitos Agricultores Familiares, fazendo-os procurar outras atividades na área urbana, que não mais absorvia esta mão-de-obra oriunda da zona rural (COSTA, 2006). No final do século XX, mas, principalmente, nos meados do século XXI, houve a forte penetração da cultura do fumo, alterando o panorama da Agricultura Familiar da região. No município de Morro Redondo, isto só aconteceu a partir de 2002, passando em três anos de apenas um fumicultor para mais de 150. Mesmo assim, o município pode ser considerado uma ilha dentro de uma região fumageira. A substituição do pêssego, da batata inglesa e de mais algumas culturas tradicionais do município pelo fumo não teve sustentação, pois logo surgiram dificuldades, principalmente de escassez de mão-de-obra. As famílias eram pequenas, com idade bastante elevada, além da indisponibilidade de mão-de-obra para contratação, inexperiência dos produtores com a cultura, problemas estes agravados pelas estiagens, que proporcionaram baixa rentabilidade da cultura do fumo13. Tanto no período de agricultura diversificada, quanto nos períodos de especialização na produção de pêssego para indústria, como de fumo, um problema que se constatava na 13 Observação do autor: Pela larga experiência do autor como extensionista rural, atuando no município de Morro Redondo desde 1992, tem o conhecimento da evolução da agropecuária. 40 região, era a falta de organização social dos Agricultores Familiares, o que aumentaria suas possibilidades de permanência na atividade. 3.2.2 Caracterização do Município de Morro Redondo O município de Morro Redondo está situado na encosta da Serra do Sudeste, na latitude de -31,59º e longitude 52,63º, com uma altitude média de 245 metros. Possui área de 245 km2, confrontando-se ao sul com o município de Capão do Leão, ao Leste com os municípios de Pelotas e Capão do Leão, ao norte com o município de Pelotas e à oeste com os municípios de Canguçu e Cerrito, distante 295 km da capital, Porto Alegre. Segundo o estudo realizado pelo Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural de Morro Redondo (COMDERMOR), o município foi dividido em três regiões homogêneas, como mostra a Figura 6, considerando alguns aspectos como relevo, flora, fauna, solo, tipos de culturas e criações, etnias predominantes e aspecto visual das moradias. (CONSELHO MUNICIPAL DE DESENVOLVIMENTO RURAL DE MORRRO REDONDO, 2001). A região um, é caracterizada por uma topografia fortemente ondulada, os solos com algumas áreas com erosão superficial, afloramento de saibro (horizonte B) e várias áreas com técnicas de proteção de solo. A economia é bem diversificada, incluindo o gado leiteiro, fruticultura (predominância do pêssego, com presença do citros, maçã, uva, figo, morango, goiaba e ameixa), olericultura, avicultura e apicultura. Apresenta moradias bem conservadas e com jardins. Ocorre a exploração do turismo e forte concentração comercial, industrial e de serviços. A região dois tem uma topografia ondulada e acidentada com solos muito desgastados. A base da economia está na pecuária de corte, gado leiteiro, fruticultura pouco representativa e especializada em pêssego para indústria, presença de avicultura, suinocultura e tomate em ambiente protegido, existe apenas uma indústria e várias pequenas agroindústria familiares. As moradias apresentam-se em mau estado de conservação e grande número de taperas. Devemos ressaltar a existência de grande número de pessoas que, embora vivam na zona rural, tem como principal fonte de renda o trabalho assalariado, nas indústrias locais e do município. Na região três, a topografia assemelha-se a da região dois com solos muito desgastados, tem a economia baseada na pecuária de corte, gado leiteiro, avicultura e 41 apresenta poucas propriedades com alta diversificação na produção. Assim como na região anterior, as moradias também se apresentam em mau estado de conservação e há a presença de grande número de taperas. Figura 2: Croquis da Divisão de Regiões características pela leitura da paisagem do município de Morro Redondo. Fonte: Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural de Morro Redondo, 2001. O antigo 8º distrito do município de Pelotas, Morro Redondo, se diferenciava dos demais pelo forte desenvolvimento obtido nas décadas de 50 a 70, principalmente com as 42 agroindústrias de doces e conservas, lacticínios, curtume e fumo. Este desenvolvimento foi obtido graças à energia elétrica, gerada por uma hidroelétrica privada e distribuída às agroindústrias e à população em geral, que se concentrava principalmente onde mais tarde surgiu a sede do município. Esta distribuição de energia possibilitou o surgimento e o crescimento de várias indústrias, gerando emprego e renda à população, além da possibilidade de comércio aos produtos agropecuários do distrito e da região14. Figura 3: Tubulações de adução da água para a hidroelétrica, localizada no município de Morro Redondo. Fonte: Acervo do autor. Figura 4: Barragem de armazenagem da água para a hidroelétrica, localizada no município de Morro Redondo. Fonte: Acervo do autor. Figura 5: Vista aérea da hidroelétrica, localizada no município de Morro Redondo. Fonte: Acervo do autor. Figura 6: Gerador de energia elétrica, localizado no município de Morro Redondo. Fonte: Acervo do autor. 14 Observação do autor. 43 O município de Morro Redondo teve sua origem, em 1988, com a emancipação do 8º distrito de Pelotas – RS e, tem a origem de seu nome num morro com forma arredonda, existente na sede do município. Os aspectos predominantes são das colonizações alemã e portuguesa, que caracterizaram fortemente a sua arquitetura. Seu processo de colonização ocorreu a partir do loteamento das sesmarias (13.063 ha) pertencentes a portugueses. Entretanto anteriormente ao grande fluxo migratório para o município, haviam Agricultores Familiares de origem portuguesa instalados na localidade chamada Passo do Valdez, mais tarde começou a colonização com italianos, em 1875, na colônia Afonso Pena, que mantém até hoje o mesmo nome. E de 1886 a 1892 com os alemães, na colônia São Domingos, por Domingos José de Almeida, onde se originou a sede do município e a Colônia São Domingos. Esta colonização se deu em colônias com 24 ha, vendidas a famílias de imigrantes (MORRO REDONDO, 2010)15. A forma como estas famílias de imigrantes europeus se instalaram onde atualmente é o município de Morro Redondo, com poucos recursos, a preocupação com a subsistência da família, com a diversidade do plantio e criação, a preocupação com a preservação da cultura e dos costumes, a manutenção das espécies, as dificuldades de exploração destas terras, pela sua topografia, vegetação e tipo de solos, além do interesse em alguns serviços e produtos destes imigrantes, dando origem na região do que hoje chamamos de Agricultura Familiar. A partir da sua emancipação, a curva de crescimento populacional tem se mantido praticamente estável, decrescendo num primeiro momento até o ano de 2000, crescendo levemente até 2007 (Figura 7). A estratificação etária da sua população tem a base da pirâmide mais estreita e a parte superior bem maior, comparando com o Rio Grande do Sul e o Brasil (Figura 8), demonstrando que a população está bastante envelhecida, indicando que podem existir três fatores causando este efeito: a longevidade da população, a migração e a diminuição da taxa de natalidade. 15 Extraído de Morro Redondo, Prefeitura Municipal. Disponível em: <http://www.pmmorroredondo.com.br/historico.php>. Acesso em: 16 out. 2010. 44 Figura 7: Gráfico mostrando a evolução da população de Morro Redondo, 1991 a 2007 Fonte: IBGE, 201016. Figura 8: Pirâmide Etária da população do município de Morro Redondo, em 2007. Fonte: IBGE, 201017. 3.2.3 Caracterização da Associação de Desenvolvimento Comunitário dos Produtores Rurais de Morro Redondo – ADCPR-MR A Associação de Desenvolvimento Comunitário dos Produtores Rurais de Morro Redondo – ADCPR-MR, conhecida, simplesmente como “Associação” ou “Associação de Produtores”, foi fundada em 31 de julho de 1989, com 28 pessoas, no início da primeira gestão do município de Morro Redondo. A Associação nasceu com forte apoio da primeira 16 Extraído de IBGE. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/cidadesat/topwindow.htm?1>. Acesso em: 16 out. 2010. 17 Extraído de IBGE. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/cidadesat/topwindow.htm?1>. Acesso em: 16 out. 2010. 45 administração, que necessitava criar algumas alternativas para o desenvolvimento municipal. Como o novo município era essencialmente dependente do setor primário, uma opção natural foi contribuir para a organização do público rural. Este apoio se manteve durante toda a história da Associação, mesmo com as mudanças na administração municipal. Na sua constituição, a Associação foi organizada em grupos ou núcleos regionalizados, como são chamados até hoje, realizando reuniões mensais com o estabelecimento de um calendário fixo, onde cada núcleo tem as datas fixas para realização de suas reuniões. Foi constituído um critério de observação da frequência nas reuniões para poder fazer uso dos benefícios de sócio, o que também continua em vigor, os sócios não podem ter mais de três faltas consecutivas ou cinco alternadas no período de 12 meses, o que determinou com que a presença do público, nas reuniões, fosse bastante assídua, e participativa. Além disso, eram realizadas reuniões periódicas com a diretoria executiva conjuntamente com os coordenadores dos núcleos, que, mais tarde, passaram a ter calendário fixo, com realização na terceira sexta-feira dos meses de março, junho, setembro e dezembro. Com a descentralização das ações e o contato frequente nas reuniões, a Associação passou dos 14 núcleos com 95 sócios ao final de 1989 para 20 núcleos com 264 sócios no final do ano seguinte. Atualmente conta com 17 núcleos e 250 sócios. Desde a fundação da Associação foram discutidas as necessidades e vantagens do associativismo, como estratégia para o desenvolvimento do setor rural. Temas como conservação e recuperação de solos, melhoria do gado leiteiro, necessidade da mecanização na agricultura e dificuldades de comercialização da produção da Agricultura Familiar entre outros, sempre esteve na pauta de discussões como forma de superar boa parte dessas deficiências. A cooperativa é apontada como esperança de um futuro mais promissor. 3.3 TÉCNICAS DE COLETA DE DADOS A fase inicial da coleta de dados constou da análise bibliográfica, incluindo documentos que contêm parte significativa da história e evolução da Associação, tais como estatutos, atas, relatórios, etc. Esta estratégica metodológica foi adotada pela convicção de que o material analisado continha dados e informações altamente relevantes para o objeto deste trabalho, inclusive para qualificar a busca de mais informações por meio das entrevistas. 46 Desde o ponto de vista das fontes para obtenção dos dados complementares, se optou por trabalhar com relatos de atores sociais que participaram ou participam da vida e da evolução da associação. Isto significa um recorte da realidade e a seleção intencional de pessoas significativas para o caso estudado. Portanto não se trabalhou com amostras baseadas em parâmetros probabilísticos, mas com um grupo determinado para realização das entrevistas. Do pondo de vista metodológico, esta opção permite incorporar que se denomina "história oral", que é utilizada quando um pesquisador está interessado em recuperar um certo período ou um evento particular (GOMES, 1999). Ainda que a consideração de um universo de atores que possa contribuir para a interpretação de uma realidade seja fundamental, sempre existem algumas pessoas cuja contribuição é imprescindível, o que justifica que sua inclusão na lista de entrevistados seja intencional. Este é exatamente o caso deste estudo, pois os entrevistados não só conhecem a história da Associação como a vivenciaram como sujeitos do processo de sua evolução (HAGUETTE, 1992). Para coletar os dados foram utilizadas entrevistas estruturadas, na forma de questionário individual, entrevistas abertas na forma de uma conversação “quase informal”, os depoimentos pessoais e a história oral. A entrevista é utilizada não só como processo comunicativo, senão como busca de algum conteúdo de domínio do entrevistado relacionado com determinados acontecimentos (GOMES, 1999), no caso a história da Associação. Ainda que não esteja isenta de alguma subjetividade, a entrevista aberta é utilizada com indivíduos concretos que por sua participação em determinados casos nos permitem ter mais elementos para qualificar a interpretação do caso estudado (ALONSO, 1994 apud GOMES, 1999). Ainda assim, a entrevista aberta tem como limites a seleção da pessoa a ser entrevistada e a proposição do tema feita pelo entrevistador, assim como os registros também correm o risco de ficarem restritos ao que seja considerado pertinente para o tema de estudo (IBAÑEZ, 1986 apud GOMES, 1999). Estas dificuldades podem ser superadas se considerarmos que o objeto temático da pesquisa será analisado por meio da experiência que dele possuem um certo número de indivíduos, simultânea e historicamente parte e produto do que está sendo estudado (ALONSO, 1994 apud GOMES, 1999). Outra estratégia utilizada foi a “história de vida” em termos da experiência acumulada pelo próprio investigador como membro do grupo e participante da Associação, o que pode ser qualificado metodologicamente como um processo de “observação participante” (KOSMINSKY, 1986 apud GOMES, 1999). Efetivamente, para este caso considero legítimo 47 valorizar minha própria história de vida como uma aproximação histórica ao contexto do caso estudado. O diagrama apresentado a seguir mostra a lógica utilizada para realização das entrevistas. DIRIGENTES ANTIGOS DIRIGENTES DIRIGENTES ATUAIS DIRETOS SÓCIOS ANTIGOS SÓCIOS SÓCIOS ATUAIS ASSOCIAÇÃO LÍDERES ANTIGOS LÍDERES MUNICIPAIS LÍDERES ATUAIS INDIRETOS CLIENTES COMPRADOR CLIENTES CLIENTES FORNECEDOR Figura 9: Diagrama do público entrevistado Fonte: Elaborado pelo autor 3.3.1 Revisão Bibliográfica Para coleta de informações, foram realizadas pesquisas em vários documentos de registro da Associação, como livros de atas, estatutos e diversos relatórios de atividades e financeiros. Os livros de atas serviram para auxiliar no resgate histórico da Associação localizando os acontecimentos relevantes, fazendo transparecer a imagem, o processo e a evolução. Nos estatutos foram analisados, principalmente, os objetivos da Associação. Nos outros documentos de registros da Associação, como nos relatórios financeiros, foram extraídas as movimentações financeiras e, em outros relatórios específicos, foram resgatados dados de produção da patrulha agrícola, do quadro social e da comercialização de produtos, principalmente do feijão empacotado. Além destas informações mais particulares foram 48 selecionados os fatos e acontecimentos descritos nos documentos e relacionados diretamente com o objeto deste trabalho. 3.3.2 Entrevistas Estruturadas As entrevistas estruturadas foram realizadas com questionários pré-elaborados, com questões simples, de respostas pessoais e de livre dissertação, conforme ‘Anexo 1”. Os questionários foram distribuídos aos presentes nas reuniões do núcleo 05, no Passo da Reserva, com 18 pessoas presentes e do núcleo 17, na colônia Santa Bernardina, com nove pessoas. Inicialmente foi explicado o trabalho que está sendo realizado e sua finalidade, com o cuidado de não influenciar nas possíveis respostas dos associados. 3.3.3 Entrevistas Abertas As entrevistas abertas foram realizadas através de “conversas quase informais” e depoimentos pessoais, com os atores sociais vinculados diretamente e indiretamente à Associação. Os atores com vínculo direto foram divididos em dois grupos, os primeiros dirigentes (da época de fundação) e os dirigentes atuais. Os atores com vínculos indiretos foram divididos em lideranças municipais e regionais, que foram divididas, por sua vez, em atuais e da época da criação da Associação e, os clientes, que também foram divididos em fornecedores e compradores. Para a condução destas entrevistas foi realizado um roteiro direcionado para cada segmento entrevistado, buscando definir as forças e oportunidades da Associação, assim como suas fraquezas e ameaças, avaliando o ambiente interno, possibilitando a identificação de potencialidades e vulnerabilidades, com intuito de auxiliar na execução de um planejamento estratégico e assim promover um maior desenvolvimento sócio-econômico de seus associados, respeitando sempre, o indivíduo e o meio-ambiente. 49 3.4 TÉCNICAS DE ANÁLISE DE DADOS Em relação à pesquisa bibliográfica foram destacados fatos e registros relevantes para o objetivo do trabalho, utilizando-se como técnica a análise de conteúdos. Estes conteúdos foram sistematizados em ordem cronológica dos registros referentes à prestação de serviços e comercialização. Para as entrevistas também foi realizada a sistematização dos conteúdos obedecendose ao perfil dos grupos estudados. Os dados obtidos nas entrevistas estruturadas foram sistematizados e organizados na forma de tabela. 50 4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS São apresentados e analisados os dados relevantes obtidos pela análise de conteúdo dos documentos e das entrevistas. A experiência pessoal e o conhecimento da história e da evolução da Associação, também serviram de base na condução deste trabalho. 4.1 HISTÓRIA E EVOLUÇÃO DA ASSOCIAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO COMUNITÁRIO DOS PRODUTORES RURAIS DE MORRO REDONDO – ADCPR-MR A análise da documentação bibliográfica da Associação, na ata número 02 de 02 de agosto de 1989 da Associação, mostra que, já no seu primeiro ano de atuação, através de contatos permanentes com o poder público municipal, foi adquirido o primeiro conjunto de equipamentos para mecanização agrícola, equipamento usado, com intuito de realizar a prestação de serviços àqueles Agricultores Familiares, com recursos da Prefeitura Municipal. Inicialmente, este maquinário foi utilizado com todo apoio do município, que fornecia operador, combustível e lubrificantes, além de toda a logística de operação e manutenção. Esta patrulha mecanizada não conseguiu atender a demanda, provocando uma grande discussão entre os associados e resultando na proposta de aquisição de mais equipamentos. Nas constantes discussões realizadas entre os agricultores nas reuniões de núcleo, começam a surgir necessidades de infra-estrutura, como a eletrificação do meio rural, grande necessidade para impulsionar o setor produtivo agropecuário do município, assim como a necessidade de alternativas de renda para as famílias. Então, como mencionada na ata número 03 de 1º de setembro 1989 da Associação aparecem sugestões, como a criação de suínos no município e a instalação de um matrizeiro coletivo. Esta idéia não prosperou e foi transformada na proposta de um condomínio de criação de aves de corte. Mais tarde, este agrupamento de agricultores foi usado para busca de recursos para o investimento individual em avicultura de corte, que passou a atuar de forma integrada à Cooperativa Sul-Rio Grandense de Laticínios Ltda - Cosulati. Surgiu então a proposta da criação de uma central de comercialização e de um centro de difusão de tecnologia. A primeira não se concretizou, mas a segunda foi efetivada, iniciando pela estruturação de uma parceria com a Embrapa – antigo Centro de Fruteiras de 51 Clima Temperado, que proporcionou a aquisição de sementes de batata para multiplicação, conforme mencionado na ata número 07 de 1990. No primeiro ano, foi implantada uma lavoura de batata inglesa para demonstração e difusão das tecnologias na área da Secretaria de Agricultura do Estado do RS, onde estavam instaladas a Associação, a Secretaria Municipal de Agricultura e Fomento Econômico e a EMATER. Também, foram construídos alguns pequenos tanques para a criação de alevinos, que seriam distribuídos aos associados. Nos anos seguintes, estas unidades de observação e demonstração passaram a ser instaladas nas propriedades dos associados, como são até hoje, incorporando-se vários outros produtos, como o feijão, o milho, o leite, entre outros. Conforme relatos de alguns entrevistados, a aquisição do primeiro conjunto de equipamentos para a prestação de serviços, ainda no ano de 1989, principalmente, para preparo de solos, criou uma grande expectativa junto aos associados e em seguida uma frustração, pela impossibilidade de atendimento a todos os associados num curto espaço de tempo. Ou melhor, dentro da época adequada para as culturas, pois um único trator, contava com um operador funcionário público, portanto, com horário limitado de trabalho, o que levou ao descontentamento e uma forte discussão nos núcleos. Foi quando surgiu a necessidade da contratação de operador pela Associação, que teria maior flexibilidade de horário, aumentando o rendimento no atendimento aos associados. Esta contratação foi efetivada em agosto de 1990, mencionado na ata número 13, em 1990, e criou a necessidade de cobrança pelos serviços prestados, e não mais uma taxa simbólica como até então, ficando estabelecido em reunião da diretoria e homologado nas reuniões de núcleos, o valor correspondente a 18 litros de óleo diesel por hora trabalhada, com exceção do serviço de trilha, que seria cobrado o equivalente a um litro de óleo diesel por saco trilhado ou meio litro por saco trilhado para a trilhadeira sem o acompanhamento do trator. Esta contratação de operador ainda não resolveu a demanda pelos serviços de máquinas, surgindo a proposta de aquisição de mais equipamentos, inclusive, com a participação dos associados através do empréstimo em dinheiro para essa aquisição. Como os recursos arrecadados não foram suficientes, novamente foi realizada uma negociação com a prefeitura, que fez o complemento para poder concretizar a compra. A aquisição do segundo trator agrícola, ainda no ano de 1990, continuou não atendendo a demanda, que também aumentou, pois, novamente foi criada uma expectativa de atendimento dos serviços no momento adequado (Associação, ata nº 14 de 1990). No ano de 1991, surgiu uma preocupação com a sustentabilidade da Associação, registrado na ata número 15, de 1991, da Associação, pelo fato de ser ano eleitoral e não 52 existir nenhum contrato formal de comprometimento da Prefeitura Municipal em fornecer os combustíveis e lubrificantes, parte da manutenção das máquinas e equipamentos e a disponibilização das várias pessoas que realizavam a logística da operação das máquinas, a contabilidade e demais serviços administrativos, o que levou a que Associação passasse a cobrar o valor correspondente a 30 litros de óleo diesel por hora. A municipalidade, com a percepção de estar alocando recursos para a Associação realizar a prestação de serviços de máquinas e como a Associação contava com alguns sócios localizados fora do município de Morro Redondo, passou a ser mais exigente. Por decisão tomada em reunião de coordenadores em abril de 1991, ata número 15 de 1991, passou a exigir o talão de produtor de Morro Redondo (antigo modelo XV), para ingresso de novos sócios e, não mais realizou a prestação de serviços de máquinas fora do município. Também foi estabelecida uma jóia e carência de uma volta na rota das máquinas, para a entrada dos novos sócios, além do pagamento adiantado da anuidade. No ano de 1991, ainda foram adquiridos mais alguns implementos agrícolas com recursos da Associação, como uma batedeira de cereais e um arado reversível. Conforme registrado na ata número 23 de 1992, foi adquirido pela Prefeitura Municipal mais um trator agrícola usado e repassado para a Associação, juntamente com mais uma batedeira de cereais, um arado subsolador e um arado reversível. Ainda no mesmo ano, foi adquirida uma ensiladeira, para que pudesse ser implementado um programa para o desenvolvimento da bovinocultura leiteira, atividade que era tradicional na Agricultura Familiar do município. A pressão inicial dos sócios por serviços e novas necessidades, evidencia claramente o papel que a Associação desempenha desde seu início para estes agricultores. Sem esta disponibilidade, a situação tenderia a ser cada vez mais complicada possivelmente comprometendo a própria permanência na atividade. Com o passar do tempo, foram surgindo mais necessidades que levaram a que fossem adquiridos diversos implementos novos e substituídos outros muito desgastados. No ano de 1996, já existia um conjunto de implementos satisfatório, mas com os tratores extremamente desgastados, praticamente, inviabilizando a prestação de serviços, o que ainda foi agravado pelo fato de ter havido uma ação judicial trabalhista de um operador demitido, contra a Associação, ata número 54 de 1996. Essa realidade fez com que os dirigentes buscassem uma alternativa complementar, a terceirização na prestação dos serviços, ou seja, foram conveniados tratores particulares para realizar algumas tarefas mais deficitárias, permanecendo os tratores próprios para as tarefas que necessitassem equipamentos mais sofisticados, como a ensiladeira e a batedeira, principalmente. 53 Em 1998, mencionado nas atas de números 74 de 1998 e 76 de 1998 da Associação, foi elaborado um projeto para o “Programa de Fruticultura Irrigada da Metade Sul do RS”, no qual o município foi contemplado com R$ 250.000,00, com os quais foram adquiridos diversos equipamentos, veículos e máquinas, todos novos, sendo vários repassados diretamente para a Associação como dois tratores agrícolas de 80 cv, um trator tracionado de 105 cv equipado com lâmina dianteira, dois arados reversíveis, duas roçadeiras, um distribuidor de estercos e calcário, uma carreta agrícola, um arado subsolador, uma cabine para trator, um pulverizador atomizador frutícola e um scraper, um caminhão pequeno e uma caminhoneta, para dar mais agilidade na prestação de serviços. A partir de então, foram dispensados os tratores terceirizados, contratados novos operadores o que provocou diversificação na prestação dos serviços, proporcionando muito mais agilidade no atendimento das demandas dos associados. Com a contratação de mais três novos operadores, somados aos dois já existentes e pela experiência com o processo judicial trabalhista anterior, houve a preocupação em regularizar a contratação destes operadores, o que causou um custo adicional que precisaria ser absorvido pela produção da patrulha agrícola. Como, a maioria dos equipamentos eram novos e necessitavam de baixa manutenção, foi decidido em não alterar o valor cobrado pela prestação dos serviços. Por exigência do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural de Morro Redondo – COMDERMOR, a Associação teve que criar um fundo de reserva, depositando 15% do valor arrecadado com o trabalho dos tratores novos, que deveria servir para futura substituição do maquinário. A partir de então, foram elaborados diversos projetos pela Prefeitura Municipal conjuntamente com a Associação, com apoio do escritório local da EMATER, que proporcionaram a aquisição de máquinas e equipamentos para patrulha agrícola, que estão relacionados no (Quadro 2). Precisam ser destacados alguns projetos que ocasionaram alguma modificação na rotina e perspectiva para a Associação, como em 2001, projeto Programa de Apoio ao Desenvolvimento do Setor Agropecuário - PRODESA, em que foi adquirida a primeira plantadora de plantio direto para milho;em 2002 para construção do Pavilhão de alvenaria, com 450 m2, no valor de R$ 70.000,00 e para aquisição de uma empacotadora para feijão e outros cereais, no valor de R$ 45.000,00; no ano de 2005, para o Programa RS RURAL do governo do Estado do RS, no valor de R$ 40.000,00 para aquisição de uma máquina de beneficiamento de cereais (limpeza, classificação e polimento); um outro PRODESA, em 2008, no valor de R$ 100.000,00, em que foi adquirida uma plantadora de 54 plantio direto para sementes pequenas e miúdas e um trator tracionado, que proporcionaria o plantio de forrageiras no sistema de “Plantio Direto na Palha”18. Figura 10: Plantio direto forrageiras perenes com equipamento da Associação. Fonte: Acervo do autor. Figura 11: Distribuição de cinzas com equipamento da Associação. Fonte: Acervo do autor. Figura 12: Ensilagem de milho com equipamentos da Associação. Fonte: Acervo do autor. Figura 13: Pulverização de pomar de pêssegos com equipamentos da Associação. Fonte: Acervo do autor. Este aporte externo de recursos oriundos de políticas públicas foi fundamental para alavancar as atividades da Associação destacando-se o Projeto de Desenvolvimento da Fruticultura Irrigada da Metade Sul do RS, do RS Rural e do PRODESA. De uma situação inicial, de dificuldade no atendimento das necessidades dos sócios pela escassez de máquinas e implementos, a Associação passou a contar com uma considerável infra-estrutura, como se pode ver no quadro 2. Quadro 2 – Relação de máquinas e equipamentos em utilização pela Associação 18 Dados extraidos dos projetos em arquivo na Associação. 55 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. 11. 12. 13. 14. 15. 16. 17. 18. 19. 20. 21. 22. 23. 24. 25. 26. 27. 28. 29. 30. 31. 32. 33. 34. 35. 36. 37. 38. 39. 40. 41. 42. 43. 44. 45. 46. 47. 48. 49. EQUIPAMENTO Trator New Holland 5.630 Trator New Holland 5.630 Trator John Deere 5.600 Trator John Deere 5.600 Trator John Deere 5.605 Trator John Deere 5.605 New Holland 85 L Agrale 8075 Distribuidor de calcário e estercos p/ 2 t Distribuidor de calcário e estercos p/ 2 t Distribuidor (ciclone) p/ 600 kg Pulverizador Turbo Atomizador Pulverizador de barras 600 l Pulverizador de barras 400 l Ensiladeira de forragem Nogueira Ensiladeira JF 210 Ensiladeira JF 210 Semeadora adubadora Vence-Tudo 3 linhas PD Semeadora adubadora 5 linhas PD Semeadora adubadora Semeato11 linhas PD Roçadeira tratorizada Rotter 1,8 m Roçadeira Bretanha 1,8 m Roçadeira tratorizada Rotter 1,8 m Roçadeira tratorizada Piccin 1,7 m Roçadeira tratorizada Piccin 1,7 m Arado reversível 3 discos Becker Arado reversível 3 discos Grade hidráulica 28 discos Grade hidráulica 28 discos Grade hidráulica 28 discos Piccin Arado subsolador 5 hastes Arado subsolador 5 hastes Carreta agrícola 6 t c/ 4 rodas Carreta agrícola 6 t c/ 4 rodas Carreta agrícola 6 t c/ 4 rodas Carreta agrícola 6 t c/ 4 rodas Carreta agrícola 6 t c/ 4 rodas Carreta agrícola 6 t c/ 4 rodas Guincho hidráulico capac. 800 kg Guincho hidráulico capac. 800 kg Perfurador de solo p/ trator Lâmina niveladora 3,6 m hidráulica Capinadeira de arrasto 6 enxadas Semeadora adubadora Vencetudo 3 linhas Arado reversível 3 discos Tatu Grade niveladora 32 discos Ensiladeira JF 210 Pá carregadeira hidráulica Pá carregadeira hidráulica Fonte: Elaborado pelo autor. ANO 1998 1998 1999 2001 2006 2009 2008 2008 1995 2001 2007 1998 2001 2008 2001 2008 2008 2001 2007 2008 2006 1998 2008 2009 2009 1998 2009 1998 1998 2009 2009 2009 1998 1999 2001 2002 2002 2009 1999 2001 2001 1998 1998 PROPRIETÁRIO Prefeitura Prefeitura Prefeitura Prefeitura Prefeitura Prefeitura Prefeitura Prefeitura Prefeitura Prefeitura Prefeitura Prefeitura Prefeitura Prefeitura Prefeitura Prefeitura Prefeitura Prefeitura Prefeitura Prefeitura Prefeitura Prefeitura Prefeitura Prefeitura Prefeitura Prefeitura Prefeitura Prefeitura Prefeitura Prefeitura Prefeitura Prefeitura Prefeitura Prefeitura Prefeitura Prefeitura Prefeitura Prefeitura Prefeitura Prefeitura Prefeitura Prefeitura Prefeitura ADCPR-MR ADCPR-MR ADCPR-MR ADCPR-MR ADCPR-MR ADCPR-MR A análise temporal relativa ao quadro de associados mostra um decréscimo no período 95/96 até 2000/2001 relacionado com a queda também na prestação de serviços, ocorrida no mesmo período, o que pode ser visualizado pela comparação entre os Gráficos 5 e 6. Esta 56 análise é feita com auxilio dos conhecimentos do autor e relatos de associados, indicando que, o interesse pela Associação reduz quando as máquinas não atendem satisfatoriamente as demandas dos associados. Agrega-se a isso a motivação dos associados, ou seja, quando os agricultores estão desestimulados, em função de crises econômicas, setoriais de mercado, dentre outras, se desmotivam e diminuem a sua participação na organização e também utilizam menos os serviços de máquinas, o que justifica a segunda queda no número de associados. Esta tendência de queda tem gerado várias discussões entre os associados e na direção da Associação, levando a busca de alternativas que levem a retomada do crescimento da entidade. Como mostram as entrevistas efetuadas, uma alternativa que surge é a comercialização de produtos e a agroindustrialização, como forma de agregação de valor aos produtos dos associados e consequentemente o seu retorno à Associação. 350 321 292 Nº DE ASSOCIADOS 300 295 313 333 311 264 250 284 323 326 307 318 312 305 299 258 262 240 280 250 200 150 100 95 50 19 89 19 90 19 91 90 /9 92 2 /9 3 93 /9 4 94 /9 5 95 /9 96 6 /9 7 97 /9 8 99 /0 0 00 /0 1 20 02 20 03 20 04 20 05 20 06 20 07 20 08 20 09 20 10 0 Gráfico 5: Evolução do número de sócios da Associação desde a fundação até 2010 Fonte: Elaborado pelo autor19. Com relação à comercialização de produtos, a Associação teve uma primeira experiência no ano de 1993 conforme relatado na ata número 33 daquele ano, com a venda de feijão ensacado para a Cooperativa Superense de Sobradinho, para a qual foi comercializado 65.700 kg sem nenhum tipo de processamento (Relatório trimestral da Associação). Desde então, segundo relatos de alguns associados entrevistados, o beneficiamento e o 19 Dados extraídos dos relatórios da Associação. 57 empacotamento de feijão para ser comercializado diretamente passou a ser um sonho e um objetivo. 5000 4500 4000 3500 3000 2500 2000 1500 1000 500 20 02 20 03 20 04 20 05 20 06 20 07 20 08 20 09 00 /0 1 99 /0 0 97 /9 8 96 /9 7 95 /9 6 94 /9 5 93 /9 4 92 /9 3 19 89 19 90 19 91 90 /9 2 0 Horas de máquina trabalhadas (Trator próprio) Horas de máquina trabalhadas (Trator terceirizado) Nº de Sacos trilhados Gráfico 6: Prestação de Serviços de Máquinas pela Associação Fonte: Elaborado pelo autor20. Este sonho começou a tomar forma, a partir do ano de 2000, quando foi estruturado o “Programa de Comercialização de Feijão da Associação”, em parceria com a EMATER, EMBRAPA e Prefeitura. Pelos resultados obtidos nas unidades de observação de cultivares de feijão, que já vinham sendo instaladas nas propriedades dos associados com os mesmos parceiros há vários anos, foi escolhida uma cultivar com boas características, tanto para produção, ou seja, com bom rendimento e resistência às doenças, como qualidade comercial, ou seja, qualidade no cozimento, cor, uniformidade de tamanho e capacidade de armazenagem. Esta parceria estabelecida para o Programa criou alguns compromissos, onde a equipe municipal da EMATER efetuou a orientação técnica e o acompanhamento das lavouras, a prefeitura incrementou e direcionou um antigo programa Troca-troca de semente de feijão e a Associação atuou na organização dos produtores, assim como no beneficiamento e comercialização do produto “Feijão Empacotado”. Com intuito da obtenção de maior qualidade no produto, foi definido o plantio de apenas uma cultivar, a “Guapo-brilhante”, que garantiria uma boa uniformidade dos grãos comercializados. A partir de então, com a produção encaminhada, foi registrada uma marca comercial “FEIJÃO MORROREDONDENSE”, relatado na ata de número 80, da Associação. Inicialmente, a Associação terceirizou o beneficiamento e o empacotamento do produto, mas 58 a partir da construção do pavilhão e aquisição dos equipamentos, passou a realizar estas atividades. Vislumbrando a autonomia e a independência da Associação e pensando no desenvolvimento do seu processo industrial e, depois de discutir com a sua diretoria e o seu conselho consultivo, que é composto por todos os coordenadores de núcleo de associados, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Rural elaborou dois projetos para busca de recursos, sendo o primeiro para a construção do pavilhão, onde seriam colocados os maquinários e o segundo para aquisição do maquinário básico para iniciar o processo industrial (a máquina de limpeza, classificação e polimento dos grãos e a embaladeira, com os elevadores necessários). Estes projetos foram apresentados ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, através de emenda parlamentar (PRODESA), onde passaram pelos trâmites burocráticos e foram liberados quase um ano mais tarde. Quando liberados, os recursos não foram suficientes para executar o projeto completo, o que fez com que se optasse por suprimir a compra da máquina de beneficiamento, limpeza, classificação e polimento dos grãos. Foi, então, elaborado pela EMATER, outro projeto para esta aquisição, encaminhado ao Programa RS Rural PANPA (Programa de Apoio a Novos Produtos. Agropecuários). Instalada a agroindústria, no ano de 2004, a Associação lançou uma grande campanha para estimular o plantio de feijão entre os associados, momento em que foram reunidas, as parcerias e o poder público municipal, que incrementou o seu “Programa Troca-troca de Sementes de Feijão” e novamente a EMATER local orientou os agricultores na produção. Mais uma vez ficou evidenciada a necessidade de parcerias institucionais e de políticas públicas para a sustentabilidade da Agricultura Familiar. No Gráfico 7, observa-se a comercialização de feijão empacotado, evidenciando que até o ano de 2004, quando os serviços eram terceirizados, foi mantida certa uniformidade no volume comercializado. No ano de 2005, houve uma frustração de safra em decorrência da estiagem, conforme demonstrado no Gráfico 8, não acontecendo comercialização através da Associação. Este problema se repetiu no ano de 2008, demonstrando a fragilidade do “Programa de Comercialização de Feijão da Associação”, o que promoveu uma série de discussões buscando alternativas que viabilizassem o programa, quando foi contratado o projeto Programa de Aquisição de Alimentos. 20 Dados extraídos dos relatórios da Associação. 59 9000 8270 8000 7080 7000 6170 6137 Kg/ano 6000 5000 4500 4000 3360 3100 3000 2000 1000 0 0 2001 2002 2003 2004 2005 0 2006 2007 2008 2009 Gráfico 7: Volume comercializado de feijão pela Associação Fonte: Elaborado pelo autor21. Precipitação Anual (mm) 3000 2500 2000 1500 1000 500 19 90 19 91 19 92 19 93 19 94 19 95 19 96 19 97 19 98 19 99 20 00 20 01 20 02 20 03 20 04 20 05 20 06 20 07 20 08 20 09 0 Gráfico 8: Dados Pluviométricos do Município de Morro Redondo Fonte: EMATER/RS; ADCPR-MR; SMDR-MR, 201022. Em 2008, foi elaborado um projeto para o PAA – Doação Simultânea – CONAB para o exercício de 2009, no qual a CONAB faz a aquisição dos produtos dos Agricultores Familiares, enquadrados no PRONAF e a doação simultânea para famílias carentes, 21 Dados extraídos dos relatórios da Associação. Os dados pluviométricos são coletados numa parceria entre ADCPR-MR, SMDR de Morro Redondo e EMATER/RS unidade de Morro Redondo. 22 60 enquadradas, cadastradas pelas entidades recebedoras, que são responsáveis pela distribuição das mercadorias e seu controle de qualidade, fiscalizado e aprovado pelos Conselhos Municipal, de Assistência Social e de Desenvolvimento Rural. Este projeto foi elaborado com o objetivo de iniciar o envolvimento da Associação na comercialização de outros produtos, que supostamente seriam mais problemáticos pela sua perecibilidade e que exigem mais cuidados no manuseio e transporte, além de aumentar a articulação com outras instituições. Para isso, foi construída uma grande parceria entre a EMATER/RS, a Associação, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Rural, a Secretaria Municipal de Saúde e Assistência Social, Secretaria Municipal de Educação e Cultura, Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Morro Redondo (APAE), Círculo de Pais e Mestres da Escola Municipal de Ensino Fundamental Alberto Cunha, Escola Municipal de Educação Infantil Darci Adam, Círculo de Pais e Mestres da Escola Municipal de Ensino Fundamental José Pinto Martins, quatro comunidades religiosas: a Igreja Evangélica Assembléia de Deus, a Paróquia Evangélica de Confissão Luterana no Morro Redondo, a Paróquia de Nosso Senhor do Bonfim e a Igreja Pentecostal Deus é Amor, além dos conselhos acima citados. Neste projeto foram envolvidas 26 famílias de Agricultores Familiares pertencentes à Associação, 84 crianças da escola de educação infantil com atividades em turno integral, 24 famílias através da APAE e 60 famílias em situação de vulnerabilidade social, através das comunidades religiosas e cadastradas pela Assistência Social do município e totalizou um valor de R$ 28.360,00. Figura 14: Distribuição de alimentos do PAA pela Paróquia Evangélica de Confissão Luterana em Morro Redondo. Fonte: Acervo do autor. Figura 15: Caminhão recolhendo alimentos do PAA para distribuição em Morro Redondo. Fonte: Acervo do autor. 61 No ano seguinte, foi elaborado um novo projeto PAA – Doação Simultânea, no valor de R$ 31.392,80, envolvendo as mesmas entidades parceiras, o que contemplou 39 famílias de Agricultores Familiares associados, com 24 produtos para serem distribuídos no presente ano a 74 famílias beneficiárias em estado de vulnerabilidade social e alunos das mesmas escolas e entidades religiosas do primeiro projeto. Com a criação da lei nº 11.947, que cria o PNAE e que foi regulamentado pelo FNDE através da resolução nº 38, estabeleceu a necessidade dos gestores públicos, municipais e estaduais, adquirirem no mínimo 30% do valor repassado pelo FNDE em produtos de Agricultores Familiares para a alimentação escolar. A Associação passou a divulgar o programa entre seus associados, pois surgia uma nova possibilidade de comercialização de produtos da Agricultura Familiar, o que permitiu vislumbrar além do mercado municipal a possibilidade do atendimento a outros municípios próximos, principalmente os de pouca tradição agrícola. Surgiu, então, a necessidade de agroindustrialização e de processamento de alguns produtos para poder regular a oferta e atender todo o calendário escolar, além de agregar valor aos produtos. Neste programa, PNAE, a Associação já conseguiu comercializar seus produtos em dois processos de compra, o primeiro no próprio município, no valor de R$ 1.400,00, o segundo no município vizinho, Capão do Leão, no valor de R$ 4.690,00, participando com produtos agrícolas sem processamento e o feijão, como produto beneficiado. No início do ano que passou, o Sindicato da Indústria de Doces e Conservas Alimentícias de Pelotas (SINDOCOPEL) encaminhou um documento à Associação Gaúcha dos Produtores de Pêssego, entidade que representa os produtores de pêssego da região, na sua grande maioria Agricultores Familiares, se comprometendo em adquirir apenas metade da safra que seria colhida a partir de novembro. Além disso, houve a dispensa, formalizada através de documento escrito de uma das indústrias, de 30% dos produtores fornecedores, o que preocupou toda a região, desde administradores públicos, legisladores, entidades de classe, agentes financeiros, entidades de pesquisa, ensino e extensão rural, que passaram a discutir alternativas para o problema. Então, através da CONAB, o governo federal se dispôs a comprar parte da produção de pêssegos da região. Em virtude do pouco tempo para executar um programa que viabilizasse a aquisição das frutas, foi estabelecida uma parceria com cooperativas da região que fariam a compra da fruta, contratariam a industrialização e forneceriam o pêssego em calda enlatado para a CONAB, através do PAA. Nesta negociação, a Associação se inseriu ativamente, sempre tentando participar do negócio, tendo em vista que, para seus associados, 62 assim como, para o município de Morro Redondo, a cultura do pêssego é economicamente importante. Para participar do processo de compra da fruta, foi inviabilizada na forma jurídica de associação, tendo seus custos fiscais maiores em relação às cooperativas. Além de atuar na prestação de serviços e na comercialização desde o seu início, a Associação teve preocupação social, atuando fortemente nesta área, criando eventos esportivos, como o Torneio de “Futsal”, que acontece anualmente, desde 1993 (ata nº 32), nos meses de março até maio. Com o objetivo de integração familiar para os associados, realiza a “Festa da Família”, desde 1999, onde foi proposta a segunda festa, que se tornou tradicional e tem sua realização nos dias 25 de julho, data em que é comemorado o “Dia do Colono”, Figura 10 (STRELOW, 2010). A comercialização de feijão realizada no ano de 2003, conforme relatado anteriormente, ocorreu numa situação particular com ocorrência de muita chuva no período de colheita, o que resultou num produto de baixíssima qualidade que não tinha aceitação no mercado local. Mas pela escassez do produto no mercado nacional e como a Cooperativa Superense tem estrutura para comercializar nos grandes mercados, proporcionou que o produto fosse canalizado para ela, resultando num grande volume comercializado, inclusive com valores bem satisfatórios, Cr$ 430.000,00 por saco. O “Programa de Feijão” da Associação sempre remunerou o produtor com valores acima do mercado regional, com oscilações entre 15 e 30%. A comercialização para o mercado institucional, o PAA, este valor chegou a ser 68% superior ao preço pago pelo mercado local, na safra 2009/2010, ou seja, pagando R$ 1,68 por kg, enquanto que o preço pago na região oscilava em torno dos R$ 1,00 por kg de produto. Figura 16: XII Festa da Família, realizada em 24 de julho de 2010 e promovida pela Associação. Fonte: Strelow, 2010. Figura 17: XIII Torneio de Futsal da Associação realizado em 2005. Fonte: Acervo do autor. 63 4.2 ENTREVISTAS ESTRUTURADAS As entrevistas estruturadas foram realizadas com 27 sócios nos núcleos número 5 e 17, localizados nas localidades de Passo da Reserva e Santa Bernardina, respectivamente. Ao descreverem sobre as atividades agrícolas desempenhadas na propriedade da família, foram citadas nove atividades, o cultivo de milho foi mencionado por 18 sócios, seguido da atividade leiteira, citado por 13 sócios e gado de corte, por sete. O cultivo de pêssego, feijão e hortaliças foram informados por quatro sócios cada e com menor número de citações aparecem o cultivo do fumo, a apicultura e a ovinocultura, sendo que cada segmento foi mencionado por apenas um sócio. Ao responderem por que participam da Associação, a principal resposta fez referência ao uso das máquinas e aos benefícios oferecidos pela Associação (insumos com menor preço), que foi citado por 17 sócios. O acesso à informação, referido por sete entrevistados, pode ser interpretado como acesso à assistência técnica, conhecimento e tendências do mercado, atualidades e normas tributárias. Com relação ao tempo de participação na Associação, a média foi de 11 anos e sete meses. A avaliação da Associação de forma geral, com a atribuição de 1 a 10, proporcionou a média de 8,4, demonstrando um excelente nível de satisfação entre o público assistido que foi entrevistado. Entre os itens mais citados para o questionamento sobre o que os associados mais utilizam da Associação, destaque para “patrulha agrícola”, referenciado por 85% dos entrevistados. A importância do acesso à informação, citado por 19% como motivação para participar de “reuniões”, somados aos 4% que mencionaram “auxílio técnico” demonstra a importância dada a assistência técnica, pelo quadro de sócios. Também foram mencionados, a “organização” e o “atendimento com igualdade, sem discriminação”. Quando questionados sobre “o que falta fazer” ou “o que pode melhorar”, novamente as máquinas voltam à tona, porém de forma reivindicatória, pedindo a redução do preço cobrado pelos serviços prestados, o que foi sugerido por 13 membros. Apareceram respostas como a industrialização, a comercialização e melhorias no atendimento, citados cada item por 64 dois sócios. Cinco sócios, o que corresponde a 18,5% dos entrevistados apresentaram-se completamente satisfeitos com a Associação da maneira como está, inclusive mencionando, “se melhorar estraga”. 4.3 ENTREVISTAS ABERTAS Quanto às entrevistas com os ex-dirigentes o que se pode observar novamente é a importância dada à prestação de serviços pela “patrulha agrícola” e, o interesse pela busca de tecnologias e conhecimento que aparecem juntamente com o apoio de instituições de pesquisa e extensão. Para os atuais dirigentes a “patrulha agrícola” também está entre os pontos fortes da Associação. Também são unânimes em mencionar a necessidade de ampliação do comércio dos “nossos produtos”. Outra definição comum entre os atuais dirigentes é a importância do associativismo como forma de acessar infra-estrutura que muitas vezes não está ao alcance dos Agricultores Familiares de forma isolada, como é o caso da mecanização. Nas palavras de um dirigente, para “realizar certas tarefas e facilitar a vida do pequeno”. Entre os atores sociais com vínculo indireto, as lideranças municipais foram questionadas quanto aos fatores relevantes da Associação. Mencionaram: ter os produtores organizados, informados das novidades tecnológicas, atualidades e mercado; organizar o funcionamento das máquinas e equipamentos, ainda que com apoio financeiro da prefeitura, mas sem a necessidade da prefeitura se envolver diretamente com a organização; apoio importante na compra de insumos, com comodidade e preço acessível; administrada pelos sócios; inclusive na logística das máquinas e equipamentos; facilidade na elaboração de projetos para busca de recursos para o setor agropecuário do município, pois as prioridades já estão discutidas e acordados pelos participantes. Associação faz com que as informações cheguem aos produtores e tem seu ponto forte na prestação dos serviços de máquinas, principalmente aqueles mais especializados, como ensilagem, plantio direto e distribuição de esterco. Em relação às necessidades, referiram-se à necessidade de criar uma estrutura de agroindustrialização para agregação de valor aos produtos agrícolas para entrar mais forte na comercialização dos produtos dos associados. 65 Outras informações importantes, dadas pelo prefeito da época da criação da Associação, como citado na caracterização da Associação, foi que sua gestão deu o “primeiro empurrão” para a fundação desta entidade, dizendo que sua organização tinha como objetivos a busca de orientação técnica, compra em conjunto de insumos e a comercialização. Além da busca por recursos para infra-estrutura de cada localidade e para o município como um todo. A criação da Associação foi considerada de grande importância por representar uma forma legal pela qual o poder público poderia apoiar o setor produtor rural – no caso os Agricultores Familiares – com mais facilidade. Somente mais tarde, e por solicitação dos agricultores, foi agregada a necessidade de prestação dos serviços de máquinas. Como necessidade de melhorias, novamente foram citadas a comercialização e a industrialização dos produtos dos associados. Entre os clientes, o gerente da instituição financeira mais utilizada pela Associação destaca como ponto positivo a evolução da profissionalização da gestão, com controle aprimorado e a boa organização. Como ponto negativo, cita a avançada idade da população, principalmente rural. Numa visão associativista, sugere maior participação dos associados. Segundo ele, “ouvir os sócios buscando suas idéias e ideais como forma de dar mais credibilidade à instituição”. O gerente de uma empresa fornecedora de fertilizantes por sua vez vê a Associação como uma instituição que facilita a vida dos agricultores, ampliando a possibilidade de vendas para sua empresa, com uma adimplência de 100%, “fora do normal”, numa relação de parceira de muito anos. Sugere que deve continuar com a organização que tem, com as reuniões e buscando conhecimentos técnicos através dos parceiros. O proprietário de uma empresa prestadora de serviços, vê na Associação uma organização que funciona bem, inclusive citando que não é apenas sua opinião, mas também o que “os outros falam”, destaca a agilidade no funcionamento, em suas palavras “com nome forte e bom na comunidade e até fora dela”. Este se soma aos demais clientes ao dizer que tem uma boa relação, pois ao prestar serviços de manutenção das máquinas, “recebe em dia”. Comentou que a Associação busca recursos para a agricultura e para seus sócios e, na visão de prestador de serviços de mecânica, sugere que continue assim, sempre buscar adquirir máquinas novas e modernas. Pede para fazer um elogio para o gerente das máquinas23, que, “apesar de funcionário público, tem uma dedicação impressionante”. 23 Funcionário público da Prefeitura Municipal de Morro Redondo, lotado na Secretaria Municipal de Desenvolvimento Rural designado para coordenar os trabalhos da “patrulha agrícola”. 66 Por sua vez o proprietário de uma empresa de comércio varejista, reforça a opinião dos demais entrevistados e diz que a Associação funciona muito bem, oferece serviços e informações importantes aos associados, com serviços de máquinas muito bons e vê como grande ponto positivo a realização mensal das reuniões, conjuntamente com os parceiros (EMATER/RS e Prefeitura), levando conhecimento técnico. Vê na relação de compra (feijão) que tem com a Associação, vantagens, por oferecer produtos com padrão de qualidade e preço compatível e deixa como sugestão que a Associação precisa se especializar mais para oferecer mais produtos, ser mais competitiva no mercado maior e ter continuidade e regularidade na oferta dos produtos. Sugere que se busque uma forma de “cobrança” aos associados que realizem melhorias tecnológicas para obtenção de resultados positivos nas atividades. Comenta que existem sócios do tipo “escuta, mas não faz”. Foi realizada uma entrevista com a prestadora de serviços, que realiza a contabilidade da Associação, com o objetivo de conhecer as diferenças entre a Associação e uma cooperativa agrícola sob ponto de vista fiscal. Foi dada ênfase àqueles tributos que recaem sobre uma forma associativa e não sobre a outra, com o intuito de identificar aspectos que podem resultar vantagens econômicas. Informou que os impostos sobre circulação de mercadorias e sobre serviços prestados, o ICMS, os que incidem sobre a folha de pagamento de pessoal, são iguais em ambas as situações, tanto para associações como para cooperativas, mas o PIS e a COFINS, que são de 1,65% e 7,6%, respectivamente, ambas calculadas sobre a receita bruta, recaem apenas sobre as associações. O que mostra uma diferença significativa na tributação, favorável à cooperativa. Analisando as entrevistas, tanto as abertas quanto as estruturadas, todos dirigentes, tanto pioneiros, como atuais, lideranças municipais e regionais, tanto atuais, como as da época da criação da Associação e os clientes, devemos ressaltar algumas observações, como na indicação da industrialização e da comercialização como necessidades para a Associação. Entre os sócios entrevistados com perguntas pré-estabelecidas, realizadas nas reuniões de núcleo, pouquíssimos sócios mostraram o interesse nestas atividades. Isto demonstra que os sócios em geral vêem apenas as necessidades imediatas, ou próximas a si, não vislumbrando possibilidades maiores, de ampliação do escopo de atuação da Associação. Por sua vez, o resultado das entrevistas estruturadas com os sócios, demonstrou uma visão na qual o papel mais importante que a Associação desempenha é a prestação de serviços das máquinas agrícolas, que suprem as necessidades desses Agricultores Familiares, proporcionando tecnologias que eles não teriam individualmente. Entretanto, outros benefícios que poderiam ser vislumbrados, apareceram em pouquíssimas citações, como é o 67 caso da comercialização e da industrialização. Isto contrasta com as respostas das entrevistas dos dirigentes, que demonstram a visão da necessidade do planejamento estratégico, de futuro e de longo prazo, preocupados com a preservação do agricultor no campo, possibilidade de agregação de valor aos seus produtos e conseqüente melhoria de renda e da sua qualidade de vida, além da humanização do seu trabalho. Considerando Guedes et al. (2009), com relação às estratégias possíveis à inserção do produtor de pequena escala na cadeia, sugere que em relação à agregação de valor em base à processos associativistas que ...um produto agrícola que havia sido muito importante para a região, mas que perdeu competitividade, agora pode ser inserido, aproveitando as vantagens comparativas da região para este cultivo e utilizando tecnologia de pós-colheita operada coletivamente, para que se avance nos estágios de agregação de valor na cadeia produtiva. Cabe destacar que processos cooperativos, aliados às políticas públicas representam um diferencial no estímulo para os Agricultores Familiares na busca de novas tecnologias e assistência técnica, como forma de melhor organizar seu sistema de produção, incluindo a industrialização, como forma de agregação de valor, ampliação do mercado e também garantir e otimizar os recursos naturais, sociais e culturais como forma de melhorar a qualidade de vida das família, com fortalecimento e expansão da Agricultura Familiar. 68 5 CONCLUSÃO A primeira grande conclusão é que processos organizativos são fundamentais para a sustentabilidade da Agricultura Familiar. No caso específico deste estudo, a pressão inicial dos sócios por serviços evidencia claramente o papel que a Associação desempenha desde seu início para àqueles agricultores. Sem a disponibilidade dos serviços prestados, a situação tenderia a ser muito mais complicada, possivelmente comprometendo a própria permanência na atividade. Outro ponto que merece destaque é que ainda que os processos organizativos sejam fundamentais, às vezes são insuficientes. Para o caso específico da Agricultura Familiar é decisivo o apoio de Políticas Públicas. Ao Longo do texto, mas principalmente na fundamentação teórica e análise dos dados isto ficou evidente. Desde o apoio inicial do poder público municipal, do Programa de Desenvolvimento da Fruticultura Irrigada da Metade Sul do Rio Grande do Sul, passando por RS Rural e PRODESA, até outras mais recentes, como PRONAF, o PAA e PNAE, incluindo o apoio permanente da Extensão Rural, esta relação direta tem contribuído decisivamente para o sucesso da Associação e para a sustentabilidade de seu quadro de sócios. Provavelmente, a pequena indicação pelos associados da necessidade de industrialização e ampliação da comercialização seja decorrência do desconhecimento do potencial que estas atividades praticadas de forma coletiva possuem, aumentando as possibilidades de acessarem mercados maiores, o que, na condição de Agricultor Familiar isolado, seria quase impossível. Cabe destacar que uma possível transformação da Associação em Cooperativa proporcionaria a redução de aproximadamente 9% nas despesas tributárias, atualmente incidentes para a Associação. Esta economia poderia ser utilizada para fortalecer o processo, inclusive para aumentar o espaço de atuação da atual associação. A constatação de que existem diferentes percepções sobre alguns limites e/ou abertura de novas frentes de ação para a Associação é relevante. A percepção dos sócios é mais imediatista e relacionada com suas dificuldades cotidianas. Já, outros atores relacionados indiretamente com a Associação vislumbram a necessidade de abrir outras frentes de ação. Isto mostra que os processos organizativos necessitam de apoios externos e da concretização de parcerias estratégicas. Se depender exclusivamente da visão interna do quadro de sócios, talvez a Associação permaneça limitada àquilo que já realiza. 69 REFERÊNCIAS ABRAMOVAY, R. Agricultura Familiar e Uso do Solo. São Paulo, 1997. Disponível em: <http://www.seade.gov.br/produtos/spp/v11n02/v11n02_08.pdf>. Acesso em: 19 out. 2010. ALONSO, L. E. Sujeto y discurso: el lugar de la entrevista abierta en las prácticas de la sociología cualitativa. IN: DELGADO, J. M. & GUTIÉRREZ, J. (eds): Métodos y técnicas cualitativas de investigación en ciencias sociales. Madrid: Síntesis, 1994. p.225-240. “In” GOMES, J. C. C. Pluralismo metodológico en la producción y circulación del conocimiento agrario. Fundamentación epistemológica y aproximación empirica a casos del sur de Brasil. Tese (Doutorado). Córdoba, Instituto de Sociología y Estudios Campesinos, Universidad de Córdoba. 1999. 360p. ASSOCIAÇÃO DOS ENGENHEIROS AGRÔNOMOS DE PELOTAS. Perspectivas e alternativas da agropecuária e agroindústria do município de Pelotas. Pelotas: Corag, 1986. 573p. BALESTRIN, J. A Relevância do Pronaf na Agricultura Familiar: Perspectiva e Importância do Programa desde a sua Criação. 2010. Faculdade de Ciências Econômicas – UFRGS. Disponível em: <http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/25416/000750715.pdf?sequence=1>. Acesso em: 18 out. 2010. BIANCHINI, V. O universo da agricultura familiar e sua contribuição ao desenvolvimento rural. Rio de janeiro, 2005. Curso de Aperfeiçoamento em Agroecologia. REDCAPA – Rede de Instituições Vinculadas à Capacitação em Economia e Política Agrícola da América Latina e Caribe. “In” JUNQUEIRA, C. P.; LIMA, J. F. Políticas Públicas para a Agricultura Familiar no Brasil. Semina: Ciências Sociais e Humanas, Vol. 29, No 2. 2008. Disponível em: <http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/seminasoc/article/view/5469>. Acesso em: 15 out. 2010. BOMFIM, A. R. Prática Cooperativista e Gestão Democrática. 2008. Disponível em: <www.conhecer.org.br/enciclop/2008B/pratica%20cooperativista.pdf>. Acesso em 23 out. 2010. BORBA, M. F. S.; GOMES, J. C. C.; TRUJILLO, R. G. Desenvolvimento endógeno como estratégia para a sustentabilidade de áreas de marginalidade. IN: PORTO, V. H. F.; WIZNIEWSKY, C. R. F.; SIMCH, T. L. (org.) Agricultor Familiar: Sujeito de um novo método de pesquisa, o participativo. 2004. ed. Pelotas: Embrapa Clima Temperado, 2004. 204p. 70 ______.; ______.; ______. Possibilidades do local num mundo globalizado: perspectivas para o desenvolvimento endógeno. BORBA, M. F. S.; GOMES, J. C. C. (org.) Localizando o desenvolvimento: o local e a tradição na busca da sustentabilidade. Pelotas: Embrapa Clima Temperado, 2003. 148p BRASIL. Decreto nº RES/BACEN 2191, de 11 de junho de 1995, P. 13.032: Institui o PRONAF – Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar. Brasília, 24 de julho de 1991. Disponível em: <http://www.legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei%204.8291965?OpenDocument&altoFramed>. Acesso em: 23 out. 2010. ______. Ministério da Educação. Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. Conselho Deliberativo. Resolução/CD/FNDE nº 38, de 16 de julho de 2009. Dispõe sobre o atendimento da alimentação escolar aos alunos da educação básica no Programa Nacional de Alimentação Escolar –PNAE. Brasília, de 16 de julho de 2009. Disponível em: <http://www.fnde.gov.br/index.php/leg-res-2009>. Acesso em: 23 out. 2010. ______. Ministério do Desenvolvimento Agrário. Secretaria da Agricultura Familiar. Crédito Rural. Base de Dados do Crédito PRONAF. Brasília. Disponível em: <http://smap.mda.gov.br/credito/anoagricola/ano_agricola.asp>. Acesso em: 19 out. 2010. ______. Presidência da República. Lei nº 11.326, de 24 de julho de 2006. Estabelece as diretrizes para a formulação da Política Nacional da Agricultura Familiar e Empreendimentos Familiares Rurais. Brasília, de 24 de julho de 2006. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Lei/L11326.htm>. Acesso em: 22 out. 2010. ______.; ______. Lei nº 11.947, de 16 de junho de 2009. Dispõe sobre o atendimento da alimentação escolar e do Programa Dinheiro Direto na Escola aos alunos da educação básica. Brasília, de 16 de junho de 2009. Disponível em: <http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/711767/lei-11947-09>. Acesso em: 18 out. 2010. ______.; ______. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Dispõe sobre a organização da Seguridade Social, institui o Plano de Custeio, e dá outras providências. Brasília, de 24 de julho de 1991. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L8212orig.htm>. Acesso em: 25 out. 2010. ______.; ______. Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991. Dispõe sobre os Planos de Benefícios da Previdência Social e da outras providências. Brasília, de 24 de julho de 1991. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L8213coms.htm>. Acesso em: 25 out. 2010. 71 BRUMER, A. Previdência Social Rural e Gênero. Sociologias, Porto Alegre, ano 4, nº 7, jan/jun 2002, p. 50-81. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/soc/n7/a03n7.pdf>. Acesso em: 17 out. 2010. ______. Transformações e estratégias produtivas na produção familiar na agricultura gaúcha. Cadernos de Sociologia. Porto Alegre, v.6, n.1, p. 98-11, 1994. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/soc/n7/a03n7.pdf>. Acesso em: 17 out. 2010. CALDAS, N. V.; ANJOS, F. S. dos. Agricultura Familiar e Políticas Públicas: A Previdência Social em Debate. [2008?]. Disponível em: <http://cifers.t5.com.br/NVCaldas_FSacco_%20Anjos_previdencia_em_debate.pdf>. Acesso em: 16 out. 2010. CANUTO, J. C.; SILVEIRA, M. A. da; MARQUES, J. F. O sentido da agricultura familiar para o futuro da agroecologia. Ciência & Ambiente, Santa Maria, v.1, n.1, p.57-63, 1994. “In:” FINATTO, R. A.; SALAMONI, G. Agricultura Familiar e Agroecologia: Perfil da Produção de Base Agroecológica do Município de Pelotas/RS. Disponível em: <http://www.emater.tche.br/docs/agroeco/revista/ano2_n3/revista_agroecologia_ano2_num3_ parte12_artigo.pdf.>. Acesso em: 12 out. 2010. CARRICONDE, C. C. Álbum de Pelotas. 1922. “In” COSTA, J. B. Processos Participativos na Construção da Agroecologia – Estudo de Caso da ARPASUL. 2006. Dissertação (Mestrado). Produção Vegetal. Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel. Universidade Federal de Pelotas, Pelotas, 2006. COOPERATIVA. O que é. A primeira cooperativa – Rochdale. Revista Gestão Cooperativa. Disponível em: <http://www.gestaocooperativa.com.br/tabid/470/articleType/ArticleView/articleId/22/Aprimeira-cooperativa--Rochdale.aspx>. Acesso em: 11 out. 2010a. ______. O que é. Histórico da Cooperação. Revista Gestão Cooperativa. Disponível em: <http://www.gestaocooperativa.com.br/tabid/470/articleType/ArticleView/articleId/22/Aprimeira-cooperativa--Rochdale.aspx>. Acesso em: 11 out. 2010b. COSTA, J. B. Processos Participativos na Construção da Agroecologia – Estudo de Caso da ARPASUL. 2006. Dissertação (Mestrado). Produção Vegetal. Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel. Universidade Federal de Pelotas, Pelotas, 2006. DE BONI, L. A.; COSTA, R. Os Italianos no Rio Grande do Sul. 3 ed Porto Alegre: EST, 1984. 72 DENARDI, R. A. Agricultura Familiar e Políticas Públicas: alguns dilemas e desafios para o desenvolvimento rural sustentável. 2001. Disponível em: <http://www.emater.tche.br/docs/agroeco/revista/ano2_n3/revista_agroecologia_ano2_num3_ parte12_artigo.pdf>. Acesso em: 11 out. 2010. FERNANDES, A. E. B. O Perfil da Agricultura Familiar Brasileira. 2009. Disponível em: <http://www.webartigos.com/articles/16496/1/O-PERFIL-DA-AGRICULTURAFAMILIAR-BRASILEIRA/pagina1.html>. Acesso em: 12 out. 2010. FINATTO, R. A.; SALAMONI, G. Agricultura Familiar e Agroecologia: Perfil da Produção de Base Agroecológica do Município de Pelotas/RS. 2008. Disponível em: <http://www.emater.tche.br/docs/agroeco/revista/ano2_n3/revista_agroecologia_ano2_num3_ parte12_artigo.pdf.>. Acesso em: 12 out. 2010. FORTES, D. F.; TORTELLI, A. Pensar Globalmente, Alimentar-se Localmente: O Papel da Agricultura Familiar na Segurança Alimentar do Brasil e na Contribuição para a Sustentabilidade do Planeta. Chapecó, FETRAF. 2009. 32p. GASSON, R.; ERRINGTON, A. The farm family business. Wallingford, Cab International, 1993. “In” ABRAMOVAY, R. Agricultura Familiar e Uso do Solo. São Paulo, 1997. Disponível em: <http://www.seade.gov.br/produtos/spp/v11n02/v11n02_08.pdf>. Acesso em: 19 out. 2010. GUEDES, V. G. F. et al. Discussão introdutória: experiências de pesquisa e desenvolvimento com comunidades agricultoras – inserção em cadeias agroindustriais. 2009. IN: SOUZA, I. S. F.; CABRAL. J. R. F. Ed. Ciência como instrumento de inclusão social. Brasília, Distrito Federal: Embrapa Informação Tecnológica, 2009. 386p. GOMES, J. C. C. et al. Produccion familiar en Brasil. IN: RUZ, E. (cordinador editorial). Tecnología en maquinarias y equipos para la producción familiar en el Cono Sur. Montevideo, PROCISUR/IICA. 2009. 72p. GOMES, J. C. C. Pluralismo metodológico en la producción y circulación del conocimiento agrario. Fundamentación epistemológica y aproximación empirica a casos del sur de Brasil. Tese (Doutorado). Córdoba, Instituto de Sociología y Estudios Campesinos, Universidad de Córdoba. 1999. 360p. GOMES, K. C. P.; FERREIRA, W. A. A importância do Pronaf para o pequeno produtor rural. Página Rural. 2006. Disponível em: <http://www.paginarural.com.br/artigo/1359/busca.php>. Acesso em 12 out. 2010. 73 GRISA, C.; WESZ Jr., V. Políticas públicas para a agricultura familiar: entre avanços e desafios. Análise e Opinião. Carta Maior. 2010. Disponível em: <http://www.cartamaior.com.br/templates/analiseMostrar.cfm?coluna_id=4794>. Acesso em: 14 out. 2010. GUANZIROLI; C. E. Pronaf dez anos depois: resultados e perspectivas para o desenvolvimento rural. 2006. Disponível em: <http://www.anpec.org.br/encontro2006/artigos/A06A169.pdf>. Acesso em: 17 out. 2010. HAGUETTE, M. T. F. Metodologias qualitativas na sociologia. Petrópolis: Vozes, 1992. HILSINGER, R. Os efeitos do Pronaf no setor primário de São Lourenço do Sul, RS – 1996/2006. Dissertação (Mestrado em Geografia) – UFRGS – Instituto de Geografia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2007. HISTÓRIA DO COOPERATIVISMO. Cooperativismo. Coamo Agroindustrial Cooperativa. Disponível em: <http://www.coamo.com.br/historia_do_cooperativismo.html>. Acesso em: 11 out. 2010. IBAÑEZ, J. Perspectivas de la investigación social: el diseño en las tres perspectivas. IN: GARCÍA FERRANDO, M.; IBAÑEZ, J. & ALVIRA, F. (eds): El análisis de la realidad sicial. Método y técnicas de investigación. Madrid: Alianza, 1986. p.49-83. “In” GOMES, J. C. C. Pluralismo metodológico en la producción y circulación del conocimiento agrario. Fundamentación epistemológica y aproximación empirica a casos del sur de Brasil. Tese (Doutorado). Córdoba, Instituto de Sociología y Estudios Campesinos, Universidad de Córdoba. 1999. 360p. INSTITUTO BRASILEIRO DE ECONOMIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Agricultura familiar ocupava 84,4% dos estabelecimentos agropecuários. (2009). Disponível em: <http://www.ibge.com.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.php?id_noticia=1466&i d_pagina=1>. Acesso em: 13 out. 2010. ______. Censo Agropecuário 1995-1996. Tabela 4. Estabelecimentos por grupo de área total, segundo Mesorregiões, Microrregiões e Municípios - Rio Grande do Sul. (2006). Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/economia/agropecuaria/censoagro/1995_1996/43/d 43_t04.shtm>. Acesso em: 7 out. 2010. ______. Morro Redondo. Infográficos. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/cidadesat/topwindow.htm?1>. Acesso em: 16 out. 2010. 74 ______. Uso da Terra no Estado do Rio Grande do Sul. Relatório Técnico. Disponível em: <ftp://geoftp.ibge.gov.br/documentos/recursosnaturais/usodaterra/usoterra_RS.pdf>. Acesso em: 14 out. 2010. INSTITUTO INTERAMERICANO DE COOPERACIÓN PARA LA AGRICULTURA (IICA). Inovaciones institucionales y tecnológicas para sistemas productivos basados en agricultura familiar. FORAGRO, IICA, GFAR – San José: IICA, 2009. Disponível em: <http;//www.iica.int>. Acesso em: 18 out. 2010. JUNQUEIRA, C. P.; LIMA, J. F. Políticas Públicas para a Agricultura Familiar no Brasil. Semina: Ciências Sociais e Humanas, Vol. 29, No 2. 2008. Disponível em: <http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/seminasoc/article/view/5469>. Acesso em: 15 out. 2010. KOSMINSKY, E. Pesquisas qualitativas - a utilização da técnica de histórias de vida e de depoimentos pessoais em sociologia. Ciência e cultura, 38(1), 1986. p.30-36. “In” GOMES, J. C. C. Pluralismo metodológico en la producción y circulación del conocimiento agrario. Fundamentación epistemológica y aproximación empirica a casos del sur de Brasil. Tese (Doutorado). Córdoba, Instituto de Sociología y Estudios Campesinos, Universidad de Córdoba. 1999. 360p. KRETER, A. C.; BACHA. C. J. C. A avaliação da equidade da Previdência no meio rural do Brasil. Revista de Economia e Sociologia Rural, Brasília: v.44, n.3, p.467-502, jul/7/2006. “In” JUNQUEIRA, C. P.; LIMA, J. F. Políticas Públicas para a Agricultura Familiar no Brasil. Semina: Ciências Sociais e Humanas, Vol. 29, No 2. 2008. Disponível em: <http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/seminasoc/article/view/5469>. Acesso em: 15 out. 2010. LANDO, A. M. (org); DACANAL, J. H.; CONZAGA, S. RS: Imigração e Colonização, (nº 1)/Aldair Marli Lando [et al.] (org.), José Dacanal e Sérgius Conzaga-Porto Alegre: Mercado Aberto, 1980. “In” HILSINGER, R. Os efeitos do Pronaf no setor primário de São Lourenço do Sul, RS – 1996/2006. Dissertação (Mestrado em Geografia) – UFRGS – Instituto de Geografia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2007. MIELNICZUK, V. B. Você tem fome de quê? Educação alimentar em foco. 2008. Disponibilizado em: <http://www.planalto.gov.br/consea/static/noticias/081104_V%EDvian%20Braga%20Mielnic zuk.html>. Acesso em: 18 out. 2010. MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO. Disponível em: <http://www.mda.gov.br>. Acesso em: 01 set. 2005 “In” HILSINGER, R. Os efeitos do Pronaf no setor primário de São Lourenço do Sul, RS – 1996/2006. Dissertação (Mestrado em 75 Geografia) – UFRGS – Instituto de Geografia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2007. MORRO REDONDO. Prefeitura Municipal. Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural. Leitura da Paisagem. Relatório do Diagnóstico Rápido Participativo. 2001. 18p. ______. ______. História do Município. Disponível em: <http://www.pmmorroredondo.com.br/historico.php>. Acesso em: 16 out. 2010. NOVA PETRÓPOLIS. Prefeitura Municipal. Cooperativa de Crédito. Disponível em: <http://www.novapetropolis.rs.gov.br/historico.php>. Acesso em: 11 out. 2010. OLALDE, A. R. Agricultura Familiar e Desenvolvimento Sustentável. 2002. Disponível em: <http://www.ceplac.gov.br/radar/Artigos/artigo3.htm>. Acesso em: 12 out. 2010. ORGANIZAÇÃO DAS COOPERATIVAS DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL. História do Cooperativismo. (2009) Disponível em: <http://www.ocergs.coop.br/cooperativismo/historia-do-cooperativismo>. Acesso em: 08 out. 2010b. ______. Princípios do Cooperativismo. Disponível em: <http://www.ocergs.coop.br/cooperativismo/principios>. Acesso em: 08 out. 2010a. RAZZOLINI Fº, E., COLLI, P. C. L. Cooperativismo – associativismo ou integracionismo? 2004. Disponível em: <http://www.esic.br/UserFiles/File/cooperativismo.pdf>. Acesso em: 08 out. 2010. SCHNEIDER, S. A Pluratividade na Agricultura Familiar. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2003. SERVIÇO BRASILEIRO DE APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS MINAS GERAIS. Cooperativa. 2009. Disponível em: <http://www.sebraemg.com.br>. Acesso em: 08 out. 2010. SERVIÇO BRASILEIRO DE APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS. Associação: Série Empreendimentos Coletivos. 2009. Disponível em: <http://201.2.114.147/bds/BDS.nsf/DAD2C8C4D5F6C26B8325766A005102D0/$File/NT00 042C26.pdf>. Acesso em: 21 out. 2010. 76 PADRE THEODOR AMSTAD. História da Sicredi Pioneira RS. Nossa História. Sicredi Pioneira. Disponível em: <http://www.sicredipioneira.com.br/arquivos/padre.htm>. Acesso em: 11 out. 2010. SOARES, A. C.; A Multifuncionalidade da Agricultura Familiar. 2001. Revista Proposta. Número 87. Rio de Janeiro. Disponível em: <http://www.fase.org.br/projetos/vitrine/admin/Upload/1/File/Proposta87/Adriano_Campolin a.PDF>. Acesso em: 17 out. 2010. SOUFEN, E. Associativismo e Cadeia Produtiva. [20--]. Disponível em: <http://centraldoassociativismo.com.br/modules/mastop_publish/?tac=133>. Acesso em: 08 out. 2010. STRELOW, L. Festa da Família reúne produtores de Morro Redondo. Notícias. EMATER/RS. 26 jul. 2010. Disponível em: <http://www.emater.tche.br/site/noticias/noticia.php?id=11150&versao=print>. Acesso em: 17 out. 2010. VASCONCELOS, H. E. M.; PAIVA, F. F. A. Prioridade de Pesquisa para Agricultura Familiar: discursos que se renovam práticas que se adiam. 2008. Disponível em: <http://www.cnpat.embrapa.br/sbsp/anais/Trab_Format_PDF/46.pdf>. Acesso em: 17 out. 2010. Veiga, S. M. e Rech, D. T. Associações - como construir sociedades civis sem fins lucrativos. Ed. DP&A. 2007. 128 p. VILELA, S. L. O. Limites e Possibilidades da Agricultura Familiar ante a Globalização. 1998. IN: SILVEIRA, M. A. da; VILELA, S. L. O. ed. Globalização e Sustentabilidade da Agricultura. Jaguariúna: EMABRAPA-CNPMA, 1998. 156p. 77 ANEXO A - ENTREVISTA ESTRUTURADA APLICADA AOS SÓCIOS DA ADCPRMR EM REUNIÃO DE NÚCLEO. ENTREVISTA COM ASSOCIADOS DA ADCPR-MR 1. Que atividade agrícola possui? 2. Porque participa na Associação? 3. Quanto tempo participa na Associação? 4. Que nota você dá para o funcionamento da Associação de 0 a 10? 5. Qual é o ponto forte da Associação (o que mais usa)? 6. Em que a Associação deveria melhorar ou o que falta fazer? 78 ANEXO B – MATÉRIA DO JORNAL “O PAMPA”, COM ARTIGO DA PRESIDENTE DA ADCPR-MR, COMENTANDO SOBRE A “FESTA DA FAMÍLIA”. ANEXO C – QUADRO DO RESULTADO DAS ENTREVISTAS COM OS SÓCIOS, NOS NÚCLEOS DA ADCPR-MR. 79