CARACTERIZAÇÃO DOS PRODUTORES FAMILIARES NO MUNICÍPIO DE MONÇÕES, ESTADO DE SÃO PAULO1. MARIA AP. ANSELMO TARSITANO2 JULIANO A. FABRÍCIO3, ANTONIO LÁZARO SANT'ANA 2, ERCIO R. PROENÇA2, SILVIA M. A. l. COSTA2. RESUMO: Esta pesquisa faz parte de um projeto maior onde se pretende verificar, entre outros, a importância da agricultura familiar no valor da produção total do município de Monções. Neste trabalho objetiva-se verificar o perfil do produtor rural no seu total e dos familiares e analisar as atividades agrícolas predominantes no município de Monções-SP. Para definir o universo da pesquisa, foram utilizados os critérios adotados pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura familiar (PRONAF). A metodologia proposta neste trabalho é composta pela aplicação de um questionário junto a todos os produtores, definidos como participantes da pesquisa. Os resultados mostram que a área ocupada com pastagens é predominante para a agricultura em geral e para a agricultura familiar do município, a cultura do milho é destaque nos dois casos, a diferença fica com a segunda posição, a soja para o conjunto dos produtores rurais e o algodão no familiar. Como a agricultura familiar tem um papel fundamental na geração de renda e de empregos no setor rural, ações mais específicas, voltadas a estes pequenos produtores, principalmente para a pecuária leiteira, poderá resultar em maior êxito nas políticas de desenvolvimento local e regional. Palavras Chave: Produtor familiar, Perfil, Uso do Solo. INTRODUÇÃO No estado de São Paulo, embora o peso dos setores patronais ligados às culturas da cana-de-açúcar e, em menor grau, da laranja, leve a uma menor participação da agricultura familiar, esta continua a ter um papel de destaque em várias regiões deste Estado. Os resultados da caracterização da agricultura familiar por Escritório de Desenvolvimento Rural (EDR) no estado de São Paulo obtidos por Carvalho e Kuhn (1999), mostram que o EDR de General Salgado, localizado na região oeste do estado de São Paulo, tem sua economia baseada principalmente na agropecuária, sendo que a maioria possui área de até 50 hectares. Com relação à agricultura familiar, 60% dos agricultores dedicam-se a 1 Pesquisa desenvolvida com auxílio FAPESP. Docentes do Departamento de Fitotecnia, Tecnologia de Alimentos e Sócio-Economia da FE/UNESP campus de Ilha Solteira, Caixa Postal 31, CEP 15381-000, Ilha Solteira-SP, e-mail: [email protected] 3 Discente da UNESP Campus de Ilha Solteira. 2 produção de leite, sendo que os demais apresentam atividades integradas ou não com algodão, milho, feijão, citros, seringueira, café e frutíferas. No município de Monções (pertencente ao EDR de General Salgado) o processo de ocupação, assim como ocorreu em outros municípios, deu-se a partir da primeira década do século passado através da expansão cafeeira e da bovinocultura. A crise cafeeira, a partir de 1980, levou os agricultores a buscarem novas alternativas de produção e de emprego, contribuindo também para o aumento do êxodo rural. Neste município a área total das propriedades é de 11.455 hectares, divididos em três Bairros, o Córrego do Saltinho, Ribeirão Ponte Nova e o Ribeirão Mato Grosso, e a economia do município se baseia no setor agropecuário. Quase 80% das propriedades familiares estão situadas na faixa de até 50 ha e as demais na faixa de 50 a 100 ha, evidenciando a importância que a agricultura familiar apresenta nesta região. Estes dados indicam que embora nem toda propriedade pequena seja familiar, todas as propriedades familiares em Monções são pequenas propriedades, quando se consideram os critérios do PRONAF (Fabricio et al., 2003). Vários trabalhos de pesquisa, como os de Otani et al. (2001), Carvalho e Kuhn (1999), Abramovay et al. (1995) e Bergamasco (1993) vêm mostrando a importância de se estudar a agricultura familiar no Brasil, no Estado, em um município e até especificamente junto a uma atividade. O reconhecimento da importância da agricultura familiar tem sido cada vez maior, o que tem desencadeado ações políticas que buscam reforçar as políticas públicas destinadas a este setor. Estas questões motivaram a realização desta pesquisa para se verificar o perfil do produtor rural no seu total e dos familiares e analisar as atividades agrícolas predominantes, no município de Monções-SP. METODOLOGIA Esta pesquisa faz parte de um projeto maior que tem como objetivo verificar, entre outros, a importância da agricultura familiar no valor da produção total do município de Monções-SP. Especificamente neste trabalho pretende-se a partir da análise dos dados de fonte primária, obtidos a partir da aplicação de questionários, caracterizar o perfil do produtor rural de Monções no seu total e do grupo dos produtores familiares e analisar as atividades agrícolas predominantes Para definir o universo da pesquisa, foram utilizados os critérios adotados pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura familiar (PRONAF) que considera o tamanho máximo da propriedade limitado a 4 módulos fiscais do município; ao limite de, no máximo dois trabalhadores permanentes; ao fato de que o agricultor trabalhe na área com sua família, com ajuda eventual de terceiros, e que seja proveniente da agropecuária a sua principal fonte de renda. A metodologia proposta no projeto é composta pela aplicação de um questionário junto a todos os produtores rurais do município de Monções, definidos como participantes da pesquisa. O questionário foi elaborado visando levantar as principais características dos produtores e de suas famílias e da propriedade. Foram visitadas as 190 propriedades rurais localizadas no município Monções (ou parte deste). Deste total uma propriedade foi desconsiderada por pertencer a prefeitura que ainda estuda a sua utilização. Considerando que as outras 4 propriedades, todas localizadas no bairro Mato Grosso, se encontravam sem atividades, as informações levantadas com terceiros não foram consideradas confiáveis, e ainda não foi possível contactar seus proprietários que se encontram morando em outros Estados, não foram consideradas na pesquisa. Como existem produtores que possuem até três propriedades o total de produtores de Monções é de 160. Visando atender aos objetivos propostos, os dados foram tabulados no software Microsoft Excel for Windows e sistematizados em gráficos e tabelas. RESULTADOS E DISCUSSÃO Dados referentes ao produtor Do total de 160 produtores, apenas 42 ou 26,3% foram caracterizadas como produtores familiares. Considerando os critérios utilizados pelo PRONAF o principal item não preenchido, de uma forma geral, é a utilização da mão-de-obra familiar, como a maioria não está conseguindo sobreviver da renda agrícola, parte dos membros da família passam a trabalhar em outros setores da economia. Os dados do produtor rural de Monções serão apresentados tendo como referência dois universos diferenciados: um abrangendo todos os produtores rurais (denominado geral) e outro que inclui apenas os produtores que se enquadraram nos critérios definidores dos produtores familiares. Dentre os dados referentes ao produtor, buscou-se efetuar o levantamento da faixa etária de todos os produtores e do conjunto dos produtores familiares, conforme se pode observar nas Figuras 01 e 02. Nota-se pela Figura 01 que quase um terço do total dos produtores tem idade superior a 60 anos, por outro lado, se a análise empreendida for estabelecida do ponto de vista da reprodução familiar, os resultados não são muito animadores, tendo em vista que menos de 5% dos produtores possuem idade inferior a 30 anos. Nas faixas intermediárias, a participação dos produtores é igual 22,5%. 4,38% 20,00% 30,63% 22,50% 22,50% < 30 30 - 40 40 - 50 50 - 60 > 60 Figura 01. Faixa etária dos produtores rurais (geral) Fonte: Pesquisa de campo, 2002/2003 Se considerarmos apenas os produtores familiares (Figura 02) a participação dos que apresentam menos de 30 anos se refere a apenas um produtor (2,38%), e, maiores de 60 anos representam mais de um terço de todos os produtores familiares. Novamente nas faixas intermediárias a participação é igual 23,81%. Se considerarmos os produtores familiares com mais de 50 anos a representação aumenta para quase 63%. Considerando que a maioria dos filhos destes produtores se encontra estudando ou trabalhando em outras atividades fora do setor rural, do ponto de vista da reprodução social é muito preocupante. 2,33% 11,63% 37,21% 23,26% 25,58% < 30 30 - 40 40 - 50 50 - 60 > 60 Figura 02. Faixa etária dos produtores familiares Fonte: Pesquisa de campo, 2002/2003 Outro indicador referente ao produtor que foi levantado está relacionado ao tempo em anos que trabalha na agricultura (Figuras 03 e 04). Verifica-se que 56% (90 produtores) trabalham na agricultura a mais de 20 anos, por outro lado, 28% estão na agricultura a menos de 5 anos. n° de produtores 90 80 70 60 89 50 50 40 30 15 20 6 10 0 0a5 6 a 10 10 a 20 acima de 20 Figura 03. Tempo que trabalha na agricultura (geral) Fonte: Pesquisa de campo, 2002/2003 Quando são considerados apenas os produtores familiares, os resultados são significativamente diferentes: quase 86% trabalham na agricultura em um período superior a 20 anos (Figura 04). Se compararmos com o gráfico acima, os dados indicam que a grande maioria dos produtores que iniciou suas atividades a menos de cinco anos (45 no geral) não pode ser caracterizada como produtores familiares (apenas 1 foi considerado produtor familiar). 37 40 n° de produtores 35 30 25 20 15 10 5 3 0 0a5 6 a 10 3 0 10 a 20 acima de 20 Figura 04. Tempo que trabalha na agricultura familiar Fonte: Pesquisa de campo, 2002/2003 Quanto ao índice de escolaridade optou-se por classificá-la segundo a nomenclatura atual do ensino, conforme pode ser observado nas Figuras 05 e 06. No âmbito do nível de escolaridade dos produtores no geral, nota-se na Figura 05, que quase 18,59% do total são analfabetos e outros 34,62% estudaram no máximo até o final do primeiro ciclo do ensino fundamental (4ª série). Por outro lado é significativo o número de produtores, 15,38%, que cursam ou já possuem diploma em um curso superior, o que indica a grande heterogeneidade dos produtores quando considerados no âmbito geral. 38,75 40 Percentagem (%) 35 30 25 16,88 20 14,38 14,38 10,00 15 4,38 10 1,25 5 0 analfabeto 1ª a 4ª Série 5ª a 8ª Série incompleta e. f. completo e.m. incompleto e.m. completo e. superior Figura 07. Escolaridade dos produtores rurais (geral) Fonte: Pesquisa de campo, 2002/2003 O nível de escolaridade é menor quando se considera o conjunto dos agricultores familiares: os analfabetos aumentam para quase 30%; 45,31% estudaram no máximo até o final do primeiro ciclo do ensino fundamental e somente 1,56% chegaram até o ensino superior (Figura 06). Estes dados podem estar relacionados a Figura 4, uma vez que os produtores familiares com mais de 60 anos representavam mais de um terço e naquela época, as dificuldades ao acesso as escolas eram ainda muito maiores quando comparadas aos dias de hoje, principalmente para os residentes no setor rural. Durante as entrevistas fica evidenciada a importância que eles atribuem a formação de seus filhos. A maioria tem os filhos estudando fora, cursando um curso superior, ou pretendem que eles saiam um dia para se formarem, pois acreditam "que só assim poderão ter uma vida menos sofrida". É preciso ressaltar que os pais pretendem que eles apliquem no setor rural o dinheiro que vão ganhar depois de formado, acreditando que é um bom investimento a compra de um pedaço de terra, ou animais para corte ou leite. Oliveira (2003) ressalta que não se deve desprezar os conhecimentos adquiridos por estes produtores rurais em suas experiências de vida, mas sim tentar conciliá-las à inserção de novas perspectivas de vida por meio de diferentes alternativas de produção. 51,16% 1 Percentagem (%) 1 0 0 18,60% 9,30% 0 11,63% 6,98% 0 2,33% 0 analfabeto 1ª a 4ª Série 5ª a 8ª Série incompleta e. f. completo e.m. incompleto e.m. completo Figura 06. Escolaridade dos produtores familiares Fonte: Pesquisa de campo, 2002/2003. Os dados das Figuras 07 e 08 se referem ao local de residência dos produtores rurais em geral e dos produtores familiares. Verifica-se que quando se consideram todos os produtores apenas 24,38% moram na área rural e quase um terço dos produtores possuem propriedades em Monções, mas residem em outros municípios (Figura 07). 23,75% 34,38% 41,88% fora do municipio no mucipio de monções mora na propriedade Figura 07. Local de residência dos produtores (geral) Fonte: Pesquisa de campo, 2002/2003 Quando se considera os dados referentes aos produtores familiares (Figura 08), os que residem na propriedade aumenta para 50%. Os quase 12% dos produtores familiares que residem fora do município, são de municípios que fazem divisa com Monções, como por exemplo, Turiuba. Os outros 38% moram na sede do município, mas trabalham e vivem da agricultura. 46,51% 20,93% 32,56% fora do municipio no mucipio de monções mora na propriedade Figura 08. Local de residência dos produtores familiares. Fonte: Pesquisa de campo, 2002/2003. Atividades produtivas Em relação ao uso do solo, pode-se observar a partir dos dados da Figura 09, que a pastagem é amplamente predominante ocupando 86,18% da área total de 10.237,24 ha, composta quase exclusivamente de capim braquiária, em segundo lugar vem as culturas anuais que ocupam menos de 10% da área, totalizando essas duas atividades 95,51% da área total. Este resultado se repete para o conjunto dos produtores familiares, pastagens e culturas anuais são as duas atividades mais significativas na utilização das terras, embora, neste caso, as culturas anuais ocupem uma área maior (18,82%) e haja uma redução da área de pastagens para 73,31% do total. 90 80 Porcentagem 70 60 50 40 30 20 10 0 horticulas semi-perene florestais Total das propriedades perenes anuais pastagem Propriedades familiares Figura 09. Distribuição das atividades no município de Monções para o total das propriedades e as familiares. Fonte: pesquisa de campo, 2002/2003. Em relação às culturas anuais (Tabela 01), a cultura do milho consiste na atividade mais expressiva, ocupando mais da metade da área total cultivada com culturas anuais, seguida pelas culturas da soja (27%), algodão (7,69%) e feijão (6,75%). No caso dos produtores familiares o cultivo do milho também é destaque com 45,28% da área total cultivada com culturas anuais, seguida pelas culturas de algodão (18,87%) e feijão (11,32%). A cultura do milho é destaque nos dois casos, a diferença fica com a segunda posição, a soja nas propriedades maiores e o algodão no familiar. O milho vem sendo utilizado para consumo nas propriedades familiares pelas criações e também na comercialização do grão para intermediários. As culturas semiperenes representam menos de 1% da área total cultivada, mas a cultura da cana-de-açúcar tem uma grande importância na alimentação do rebanho bovino durante o período da seca, tanto para os produtores em geral como para os agricultores familiares. Outra cultura que vem se destacando é o abacaxi, principalmente como opção aos produtores familiares. TABELA 01. Número de produtores e área ocupada com culturas anuais em Monções-SP. CULTURAS ANUAIS GERAL Familiar Nº de produtores Área (ha) Nº de produtores Área (ha) milho 59 soja 3 algodão 14 feijão 11 painço 11 arroz 6 sorgo 2 tomate rasteiro 3 amendoim 1 mamona 1 TOTAL 111 Fonte: Pesquisa de campo, 2002/2003 516,30 258,00 73,45 64,85 20,45 7,30 6,00 5,60 2,40 1,05 955,40 24 127,80 10 6 4 3 2 3 60,45 30,60 10,25 3,60 6,00 5,60 1 53 1,05 245,35 A cultura da laranja vem se destacando principalmente nas maiores propriedades e sua produção é destinada para a indústria, seguida pelos cultivos da manga e café. Os produtores familiares não produzem laranja de forma comercial, o destaque fica para o cultivo do café, que também vem ganhando espaço, seguida pela cultura da manga, que tem diminuído sua área nos últimos anos devido ao baixo preço e não pagamento pelos compradores. Em relação a pecuária corte, leite e mista, a Figura 10 apresenta a participação percentual por categoria, em relação ao número total de animais e considerando todos os produtores rurais de Monções e a Figura 11 traz estes dados relativo à agricultura familiar. A importância da pecuária de corte pode ser observada na Figura 10, pelo fato de que mais da metade do total de vacas (16,16% do total do rebanho) não são ordenhadas. O alto percentual de novilhas (25,23% do total do rebanho) deve-se a uma característica da pecuária de corte da região: a categoria mais utilizada para recria e engorda é novilha, pois é terminada com menor peso (12 - 14 arrobas), é bem aceita pelos açougues e comerciantes locais e o produtor tem menor gasto com alimentação. No caso dos produtores familiares, Figura 11, todo plantel de vacas é ordenhado (quase 40% do total do rebanho), embora por trabalharem com gado de aptidão mista, alguns também façam recria. O padrão tecnológico da produção animal (bovinocultura de leite, mista e corte) no município mostra que 100% dos produtores em geral e familiares utilizam sal mineral, vacinas e vermífugos nos animais. Devido a grande importância da produção de leite nas propriedades familiares (pois é uma das principais fontes de renda mensal), a maioria utilizam volumoso(cana-de-açúcar), e ração/ silagem na época da seca para manter ou aumentar a produção de leite no período da seca onde o preço é mais elevado, Em relação ao manejo rotacionado das pastagens e o uso da inseminação artificial, só uma minoria dos produtores utilizaram esses métodos, o que dificulta o melhoramento genético do rebanho leiteiro, e não permite um melhor aproveitamento das pastagens. A importância da atividade leiteira pode ser medida também pelo número de familiares que se encontram nesta atividade. Do total dos produtores familiares 30 (71,4%) produzem leite comercialmente, sendo que um terço deste total produzem em média de 20 a 50 litros por dia e se considerarmos a faixa de produção de 20 a 100 litros de leite por dia, esse valor aumenta para 70%. Durante as entrevistas constatou-se a ineficiência do sistema de assistência técnica oficial. A insatisfação ocorre devido a vários fatores, entre eles, a demora para o atendimento das solicitações de visitas e ao pequeno número de técnicos. Até 2003 a Casa da Agricultura de Monções contava com apenas 1 agrônomo e só recentemente foi contratado um veterinário, o que é muito justificável, dado que a maior área rural do município se encontra com pastagens e é significativo o número de animais tanto para pecuária de corte quanto para leite. Principalmente para agricultura familiar a produção de leite é fundamental, e o acesso à assistência técnica pode permitir avaliar a incorporação de novas técnicas adequadas a esse grupo de produtores. 35,00 33,95 30,00 25,23 25,00 20,00 14,88 16,16 15,00 8,11 10,00 5,00 0,41 1,25 0,00 bezerro garrote novilha vacas lactação vacas recria touro boi Figura 10. Participação percentual no número de animais por categoria para o total dos produtores (geral) em Monções-SP. Fonte: Pesquisa de campo, 2002/2003 40,00 39,95 35,04 35,00 30,00 25,00 20,00 15,00 11,07 12,79 10,00 5,00 0,62 0,53 0,00 bezerro garrote novilha vacas lactação touro boi Figura 11. Participação percentual no número de animais por categoria para os produtores familiares em Monções-SP. Fonte: Pesquisa de campo, 2002/2003. CONSIDERAÇÕES FINAIS A caracterização dos produtores de Monções permitiu, por um lado, verificar o uso do solo e o perfil dos produtores no geral e dos familiares e, por outro lado, evidenciar a potencialidade da pecuária leiteira para os produtores familiares. A maioria dos produtores familiares possui mais de 50 anos e estão a mais de 20 anos nesta atividade. Do ponto de vista da reprodução social é preocupante o fato da maioria dos filhos destes produtores se encontrarem estudando ou trabalhando em outras atividades fora do setor rural. A área ocupada com pastagens é predominante para a agricultura em geral (com pecuária de corte) e para a agricultura familiar (com pecuária de leite), a cultura do milho é destaque nos dois casos, a diferença fica com a segunda posição, a soja para o conjunto dos produtores rurais e o algodão no familiar. Como a agricultura familiar tem um papel fundamental na geração de renda e de empregos no setor rural, ações mais específicas, voltadas a estes pequenos produtores, principalmente para a pecuária leiteira, poderá resultar em maior êxito nas políticas de desenvolvimento local e regional. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABROMOVAY, R. et al. Novos dados sobre a estrutura social do desenvolvimento agrícola em São Paulo. Reforma Agrária, v. 25, n. 2 e 3, p. 142-66, 1995. BERGAMASCO, S. M. P. P. Família e trabalho rural no Brasil e mo Estado de São Paulo. Informações Econômicas, São Paulo, v. 22, p. 7-16, 1993. CARVALHO, Y; KUHN, V. Agricultura familiar no São Paulo: política e condições econômicas. Informações Econômicas, São Paulo, v.29,n.8,p.15-51, 1999. FABRICIO, J.A. TARSITANO, M.A. A., SANT'ANA, A.L. Caracterização da estrutura fundiária da agricultura familiar no município de Monções, estado de São Paulo. 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