UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO FACULDADE DE ECONOMIA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM AGRONEGÓCIOS E DESENVOLVIMENTO REGIONAL Émerson José Sant´Ana Polos de aglomeração produtiva de milho, aves e suínos em Mato Grosso Cuiabá-MT 2010 1 ÉMERSON JOSÉ SANT’ANA Polos de aglomeração produtiva de milho, aves e suínos em Mato Grosso Dissertação apresentada, para obtenção do título de Mestre, à Universidade Federal de Mato Grosso, no Programa de PósGraduação em Agronegócios e Desenvolvimento Regional da Faculdade de Economia. Orientador: Prof. Dr. Adriano Marcos Rodrigues Figueiredo. Cuiabá-MT 2010 2 ÉMERSON JOSÉ SANT’ANA Polos de aglomeração produtiva de milho, aves e suínos em Mato Grosso Dissertação apresentada, para obtenção do título de Mestre, à Universidade Federal de Mato Grosso, no Programa de PósGraduação em Agronegócios e Desenvolvimento Regional da Faculdade de Economia. Aprovada em: 30 de julho de 2010 BANCA EXAMINADORA Prof. Dr. Adriano Marcos Rodrigues Figueiredo Orientador (UFMT) Prof.ª Drª Sandra Cristina de Moura Bonjour Examinadora Interna (UFMT) Prof. Dr. Euro Roberto Detomini Examinador Externo (Ministério do Planejamento) 3 AGRADECIMENTOS Em primeiro lugar, fico grato a Deus que me brinda dia a dia com o dom da vida, regozijo e serenidade, que de maneira muito próxima se deixa encontrar em cada pormenor do quotidiano, mostrando seu semblante de Pai Onipresente. À minha família que participou de todos os momentos deste estudo, aceitando as aulas, imprevistos, respeitando os espaços e acima de tudo me amando, cujo amor é mútuo. Estou convicto de que os sonhos que compartilhamos constituem nossas vidas e não são mais meus ou apenas dela, mas fazem parte de nós. Obrigado por estar tão presente nos difíceis momentos, participando na elaboração deste trabalho. Ao meu orientador, Prof. Dr. Adriano Marcos Rodrigues Figueiredo, pela compreensão, competência e seriedade com que me transmitiu seus conhecimentos. Pela dedicação, zelo e paciência com os quais conduziu o trabalho. Obrigado por ter atendido sempre meus constantes pedidos e pelos longos momentos de discussão que, para mim, sempre foram muito favoráveis e essenciais para o aprendizado. Aos gestores da UFMT que compreenderam meu afastamento para realizar o estudo, agradeço muito, em especial, à presidente Profª Drª Regina Célia de Carvalho e o vicepresidente Prof. Dr. Genesson dos Santos Barreto, ambos da comissão onde realizo minhas atividades. 4 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO 1 1.1. O milho e sua importância 1 1.2. Objetivos e hipóteses 4 2. REFERENCIAL TEÓRICO 5 2.1. Breve revisão das teorias locacionais 5 2.2. Os Complexos Industriais e Agroindustriais 8 3. O COMPLEXO AGROINDUSTRIAL DO MILHO 14 3.1. Sistemas de Produção de Milho 14 3.2. Consumo do Milho 15 3.3. Comercialização 17 3.4. Processos industriais e aplicações 19 3.5. Exportação do milho de Mato Grosso por destino (t), janeiro a 22 dezembro de 2009 4. MÉTODO E FONTE DE DADOS 25 4.1. Quociente Locacional (QL) 26 4.2. Índice de Hirschman e Herfindahl Modificado (IHHm) 27 4.3. Índice de Participação Relativa (PR) 28 4.4. Agregação dos índices para o cálculo do ICN 28 5. RESULTADOS 31 5.1. Componentes e Ranking do Índice de Concentração Normalizado 31 5.1.1. Estatísticas descritivas e ranking do ICN 31 5.1.2. Aglomeração de atividades nas vinte cidades 36 5.1.3. A integração entre milho, avicultura, suinocultura e pecuária de 38 leite 5.2. Análise dos polos de aglomeração 40 5.2.1. Polo de Lucas do Rio Verde 41 5.2.1.1. Consumo de milho no polo de Lucas do Rio Verde 42 5.2.1.2. Produto Interno Bruto do primeiro polo de aglomeração 55 5 5.2.1.3. Distribuição de renda 57 5.2.1.4. Fatores locacionais para o primeiro polo de aglomeração 57 5.2.1.5. Indicador padronizado de contribuição setorial para o polo de 59 Lucas do Rio Verde 5.2.2. Polo de Campo Verde 60 5.2.2.1. Consumo de milho no polo de Campo Verde 61 5.2.2.2. Produto Interno Bruto do segundo polo de aglomeração 68 5.2.2.3. Distribuição de Renda 69 5.2.2.4. Fatores locacionais para o segundo polo de aglomeração 69 5.2.2.5. Indicador padronizado de contribuição setorial para o polo de 71 Campo Verde 5.3. Aspectos adicionais de crescimento e desenvolvimento 72 socioeconômico 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS 79 REFERÊNCIAS 81 APÊNDICE 86 6 LISTA DE FIGURAS Figura 1. Milho: esquema lógico de comercialização 18 Figura 2. Industrialização de milho. Processo a seco 20 Figura 3. Industrialização de Milho. Processo a Úmido 21 Figura 4. Distribuição espacial do valor da produção em reais do milho, 31 2007 Figura 5. Distribuição espacial do Quociente Locacional, 2007 35 Figura 6. Distribuição espacial do Índice de Hirschman e Herfindahl e do 35 índice de Participação Relativa para o milho Figura 7. Distribuição espacial do Índice de Concentração Normalizado 36 do milho, 2007 Figura 8. Polo da aglomeração produtiva de Lucas de Rio Verde 42 Figura 9. Composição do Produto Interno Bruto no primeiro polo de 56 aglomeração, 2007 Figura 10. Municípios selecionados do primeiro polo de aglomeração 58 Figura 11. Polo da aglomeração produtiva de Campo Verde 61 Figura 12. Composição do Produto Interno Bruto no segundo polo de 68 aglomeração, 2007 Figura 13. Municípios do segundo polo de aglomeração 70 Figura 14. Evolução do PIB e seus componentes em Lucas do Rio Verde, 74 2002/2007 Figura 15. Evolução do PIB e seus componentes em Campo Verde, 2002/2007 75 7 LISTA DE TABELAS Tabela 1. Milho – Área Colhida – Regiões (hectares), 2001/2007 Tabela 2. Milho – Brasil – Estimativa de consumo por segmento 2 17 (toneladas) Tabela 3. Números relativos a milho, aves, suínos e leite de vaca na 22 agricultura familiar e não familiar, Mato Grosso, 2006 Tabela 4. Exportação do milho por destino (t), janeiro a dezembro de 23 2009 Tabela 5. Escoamento do milho de Mato Grosso por porto (t), primeiro 24 semestre de 2009 Tabela 6. Estatística descritiva para os componentes do ICN para os 32 municípios de Mato Grosso Tabela 7. Ranking do Índice de Concentração Normalizado e Quociente Locacional, IHHm, PR, 2007 34 Tabela 8. Síntese da aglomeração de atividades nas vinte cidades apontadas pelo ICN, 2007 37 Tabela 9. Aves, suínos ovos e leite para os municípios do índice de concentração, 2008 39 Tabela 10. Estimativa de consumo de milho pelos segmentos no polo de 43 aglomeração de Lucas do Rio Verde, em quilogramas, 2000/2007 Tabela 11. Lucas do Rio Verde – Áreas plantadas e colhidas, quantidade 45 produzida e valor da produção, 2007 Tabela 12. Cultura do milho, avicultura e suinocultura em Lucas do Rio 45 Verde – quantidade produzida, 2000/2007 Tabela 13 . Sorriso – Áreas plantadas e colhidas, quantidade produzida e 47 valor da produção, 2007 Tabela 14. Cultura do milho, avicultura e suinocultura em Sorriso, 47 quantidade produzida, 2000/2007 Tabela 15. Nova Mutum – Áreas plantadas e colhidas, quantidade 48 produzida e valor da produção, 2007 Tabela 16. Cultura do milho, avicultura e suinocultura em Nova Mutum, 48 quantidade produzida, 2000/2007 Tabela 17. Ipiranga do Norte – Áreas plantadas e colhidas, quantidade 49 8 produzida e valor da produção, 2007 Tabela 18. Cultura do milho, avicultura e suinocultura em Ipiranga do 50 Norte, quantidade produzida, 2005/2007 Tabela 19. Nova Ubiratã – Áreas plantadas e colhidas, quantidade 50 produzida e valor da produção, 2005 Tabela 20. Cultura do milho, avicultura e suinocultura em Nova Ubiratã, 51 quantidade produzida, 2000/2007 Tabela 21. Tapurah – Áreas plantadas e colhidas, quantidade produzida e 51 valor da produção, 2007 Tabela 22. Cultura do milho, avicultura e suinocultura em Tapurah, 52 2000/2007 Tabela 23. Santa Rita do Trivelato – Áreas plantadas e colhidas, 53 quantidade produzida e valor da produção, 2007 Tabela 24. Cultura do milho, avicultura e suinocultura em Santa Rita do 53 Trivelato, 2000/2007 Tabela 25. Diamantino – Áreas plantadas e colhidas, quantidade 54 produzida e valor da produção, 2007 Tabela 26. Cultura do milho, avicultura e suinocultura em Diamantino, 55 quantidade produzida, 2000/2007 Tabela 27. Composição do PIB no primeiro polo de aglomeração, 2007 55 Tabela 28. Porcentagem da renda apropriada por estratos da população do 57 primeiro polo, 1991 e 2000 Tabela 29. Indicador de contribuição setorial para milho, aves e suínos, 60 2007 Tabela 30. Estimativa de consumo de milho pelos segmentos no polo de 62 aglomeração produtiva de Campo Verde, em quilograma, 2000/2007 Tabela 31. Campo Verde – Áreas plantadas e colhidas, quantidade 63 produzida e valor da produção, 2007 Tabela 32. Cultura do milho, avicultura e suinocultura em Campo Verde, 64 quantidade produzida, 2000/2007 Tabela 33. Primavera do Leste – Áreas plantadas e colhidas, quantidade 64 produzida e valor da produção, 2007 Tabela 34. Cultura do milho, avicultura e suinocultura em Primavera do 65 9 Leste, quantidade produzida, 2000/2007 Tabela 35. Juscimeira – Áreas plantadas e colhidas, quantidade produzida 66 e valor da produção, 2007 Tabela 36. Cultura do milho, avicultura e suinocultura em Juscimeira, 66 quantidade produzida, 2000/2007 Tabela 37. Dom Aquino – Áreas plantadas e colhidas, quantidade 67 produzida e valor da produção, 2007 Tabela 38. Cultura do milho, avicultura e suinocultura em Dom Aquino, 67 quantidade produzida, 2000/2007 Tabela 39. Composição do PIB no segundo polo de aglomeração, 2007 68 Tabela 40. Porcentagem da renda apropriada por estratos da população no 69 segundo polo, 1991 e 2000 Tabela 41. Indicadores de contribuição setorial para milho, aves e suínos, 72 2007 Tabela 42. Índice de desenvolvimento humano dos municípios, 2000 e 77 2006 10 LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS ABIMILHO: Associação Brasileira das Indústrias de Milho APL: Arranjo Produtivo Local CSA: Commodity System Approach EMBRAPA: Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária FIRJAN: Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro IBGE: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ICN: Índice de Concentração Normalizado IFDM: Índice FIRJAN de Desenvolvimento Municipal IHHm: Índice de Hirschman e Herfindahl Modificado IMEA: Instituto Matogrossense de Economia Agrícola MAPA: Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento MDIC: Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio MTE: Ministério do Trabalho e Emprego PAM: Produção Agrícola Municipal PIB: Produto Interno Bruto PNUD: Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PPM: Pesquisa Pecuária Municipal PR: Índice de Participação Relativa QL: Quociente Locacional 11 SANT’ANA, Emerson José. Polos de aglomeração produtiva de milho, aves e suínos em Mato Grosso. 2010. Dissertação (Mestrado em Agronegócios e Desenvolvimento Regional). Cuiabá: Universidade Federal de Mato Grosso, 2010. RESUMO: O problema de pesquisa é: qual é a contribuição da aglomeração produtiva de milho, aves e suínos nos polos de concentração produtiva para a economia regional? O objetivo geral deste trabalho é avaliar a contribuição econômica dos complexos agroindustriais de milho, de aves e de suínos para a economia regional nos polos de concentração produtiva de milho, tendo por objetivos específicos: i) analisar a evolução da produção do grão, e do efetivo de aves e suínos; ii) caracterizar a concentração dos complexos agroindustriais de milho, de aves e de suínos; iii) analisar as aglomerações produtivas quanto à configuração ou não de cluster e a contribuição para o desenvolvimento. Para tanto, usou-se o Índice de Concentração Normalizado – ICN, para detectar cidades com destaque na produção de milho, e a correlação existente entre os complexos agroindustriais da avicultura, suinocultura e pecuária leiteira. Utilizaramse dados do PIB municipal de 2007 e o Valor da Produção Municipal do Milho de 2007, para o cálculo do ICN do milho, e os dados da Pesquisa Pecuária Municipal para apontar os números relativos à atividade pecuária, além de outras fontes de dados para uma análise de desenvolvimento. Existe aglomeração de atividades no estado de Mato Grosso em dois polos principais onde se concentram as atividades milho, aves e suínos: Lucas do Rio Verde se destaca na produção de milho, sendo o centro de um dos polos da aglomeração da cultura de milho, avicultura e suinocultura; Campo Verde é o principal município do outro polo da aglomeração destas atividades. As análises sobre clusters direcionados ao agronegócio indicaram potenciais para a formação de cluster no primeiro polo mencionado. Ao avaliar as atividades econômicas em que a região se sobressai, observou-se que estas reforçam suas capacidades produtivas especializadas, gerando um maior crescimento e desenvolvimento econômico. Palavras-chaves: cluster, milho, aves, suínos Classificação JEL: Q13, R12 12 SANT’ANA, Emerson José. Agglomeration poles of corn, poultry and swine in Mato Grosso. 2010. Dissertation (Master in Agribusiness and Regional Development). Cuiabá: Universidade Federal de Mato Grosso, 2010. ABSTRACT: The research problem is: what is the contribution of corn, poultry and pigs productive agglomeration at the productive poles for the regional economy? The main goal is to assess the economic contribution of agro-industrial complexes of corn, poultry and pork to the regional economy at the corn production poles, with the following objectives: i) to evaluate the production of corn and the herds of poultry and swine; ii) to characterize the concentration of agro-industrial complexes of corn, poultry and pigs, iii) to analyze the productive agglomerations as clusters and their contribution to the development. To this end, it was used the Normalized Concentration Index - NCI, to detect cities specialized in the production of corn, and the correlation among the agro-industrial complexes of poultry, swine and dairy farming. It was used 2007 data for the municipal GDP and value of production of corn in order to calculate the NCI of corn, and also data from the municipal livestock survey to point the figures for cattle, and other data sources for the development analysis. There are agglomeration of activities in the state of Mato Grosso in two main poles where the activities of corn, poultry and pigs are concentrated: Lucas do Rio Verde is highlighted in the production of corn, being the center of one pole of the agglomeration of corn, poultry and pigs; Campo Verde is the main city in the other agglomeration pole of these activities. The analysis of clusters related to the agribusiness indicated potential cluster creation at the first pole mentioned above. The evaluation of main regional economic activities, we observed that these enhance their productive capacities in which they are specialized, thus generating greater economic growth and development. Keywords: cluster, corn, poultry, swine JEL codes: Q13, R12 13 Dados Internacionais de Catalogação na Fonte S231p Sant’ Ana, Émerson José. Pólos de aglomeração produtiva de milho, aves e suínos em Mato Grosso / Émerson José Sant’ Ana. – Cuiabá, 2010. 91f. : il. color. ; 30 cm. (incluem mapas, gráficos e tabelas). Orientador: Adriano Marcos Rodrigues Figueiredo Dissertação (mestrado). Universidade Federal de Mato Grosso. Faculdade de Economia. Programa de Pós-graduação em Agronegócios e Desenvolvimento Regional, 2010. 1. Cluster. 2. Milho. 3. Aves. 4. Suínos. 5. Mato Grosso. I. Título. CDU 338.43(817.2) Catalogação na fonte: Maurício S. de Oliveira – Bibliotecário CRB/1 1860 14 1. INTRODUÇÃO O tema deste trabalho é o complexo agroindustrial que envolve as atividades produtivas de milho, aves e suínos, sua inter-relação e ocupação do espaço como forma de aproveitar economias de escala e reduzir os custos de transporte. O problema de pesquisa é dado pela seguinte pergunta: qual a contribuição econômica da aglomeração produtiva de milho, aves e suínos nos polos de concentração produtiva para a economia regional? Justifica-se este trabalho pelas razões a seguir expostas: a) A importância da cultura do milho para o Estado, uma vez que este é o maior produtor na região Centro Oeste, desde o ano de 2004, em termos de produção em toneladas (ABIMILHO, 2010). Entre as outras atividades produtivas no estado, a cultura também ocupa lugar de destaque chegando a ser a segunda ou terceira colocada nos municípios, e até mesmo a primeira onde não há produção de soja; b) Enquanto os outros estados da região Centro-Oeste tiveram redução na produção, com exceção do Distrito Federal, mas que não tem produção expressiva, o estado de Mato Grosso passou de 1.843.600 toneladas em 2001, para 3.468.951 toneladas em 2007, quase dobrando sua produção, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias do Milho (ABIMILHO, 2010); c) Outro motivo é que o estado de Mato Grosso é um dos maiores produtores do país e o milho é importante para nutrição nas criações da avicultura, suinocultura, e pecuária leiteira, atividades que se concentram onde há produção em larga escala da cultura do milho; A atração da agroindústria para certas regiões é resultado das condições naturais, humanas e econômicas que há nos municípios e suas adjacências, assim como de incentivos fiscais, da logística e da modernização agrícola, fatores geradores de maior competitividade para as atividades em análise. O comércio do milho deve ser examinado sob a ótica das cadeias produtivas ou dos sistemas agroindustriais (SAG). O milho é insumo para produção de uma centena de produtos, mas na cadeia de suínos e aves são consumidos cerca de 70% do milho produzido no mundo e entre 70 e 80% do milho produzido no Brasil (ABIMILHO, 2010). Na próxima seção, faz-se uma descrição da importância deste produto. 1.1. O milho e sua importância 15 Conforme a Tabela 1, verifica-se que a área colhida no Brasil permaneceu relativamente estável passando de 10.830.361 hectares em 2000/1 para 12.539.856 hectares em 2006/7, segundo números mostrados pela Associação Brasileira das Indústrias de Milho. Mas, verificando os números entre as regiões observa-se substancial crescimento da área colhida no Centro-Oeste, passando de 1.284.327 hectares na safra 2000/01 para 2.265.450 na safra 2006/07. Porém, nas outras regiões a área colhida permaneceu relativamente estável. Dessa forma, verifica-se o crescimento da importância da cultura na região Centro-Oeste nos últimos anos. Tabela 1. Milho – Área Colhida – Regiões (hectares), 2001/2007 Regiões Norte 2000/01 2001/02 2002/03 2003/04 2004/05 2005/06 2006/07 661.545 491.300 517.700 563.600 567.300 538.500 553.600 Nordeste 2.458.703 2.701.600 2.894.900 2.887.000 2.749.600 2.826.100 2.798.865 Sudeste 2.139.068 2.347.100 2.422.500 2.465.500 2.484.100 2.472.000 2.378.561 Sul 4.286.718 4.784.500 5.063.300 4.558.000 4.142.400 4.720.400 4.543.380 C. Oeste 1.284.327 1.994.300 2.327.800 2.308.900 2.264.800 2.327.600 2.265.450 MS 379.463 481.200 701.900 628.300 564.400 610.900 581.795 MT 258.130 738.600 879.300 970.900 1.058.700 1.014.500 1.032.487 GO 618.751 746.300 715.000 676.800 605.000 662.800 612.964 DF 27.983 28.200 31.600 32.900 36.700 39.400 38.204 10.830.361 12.318.800 13.226.200 12.783.000 12.208.200 12.884.600 12.539.856 Brasil Fonte: CONAB/FNP. ABIMILHO 2010 Observando os dados de Mato Grosso, estado de maior interesse neste trabalho, em relação aos outros estados da região Centro-Oeste, de acordo com a Tabela 1, verifica-se um expressivo aumento na área colhida, passando de 258.130 hectares na safra de 2000/01 para 1.032.487 hectares em 2006/07, enquanto que os outros estados não chegaram a atingir a cifra de um milhão de hectares no curso do mesmo período. A cultura do milho, em escala mercantil no Estado do Mato Grosso, pode ser considerada atividade nova (BORTOLINI, 2007). O começo da exploração agrícola desse Estado na década de 70 trouxe para o Mato Grosso agricultores e pecuaristas de diferentes regiões do país, especialmente do Sul. O milho sempre foi plantado em pequena escala. A instalação de agroindústrias no sul de Mato Grosso, na década de 80 e 90 estimulou o aumento da produção de 16 milho. No início dos anos 90, a produtividade em Mato Grosso estava em torno de 40 sacas/ha, igual à da soja para aquela época (BORTOLINI, 2007). Em 1994 e 1995 houve maior desestímulo, quando os preços do milho estavam entre R$ 3,00 a 4,00 por saca, faltando compradores, dificultando o aumento do cultivo do milho no estado de Mato Grosso e o avanço das pesquisas. No fim dos anos 90, com o crescimento da produção animal do Estado, o cultivo de milho aumentou, porém com o sistema produtivo de safrinha ou 2ª safra, destacandose o município de Lucas do Rio Verde (BORTOLINI, 2007). Com o aperfeiçoamento de técnicas agronômicas, o estado de Mato Grosso ultrapassou em 2004/2005 um milhão de hectares da cultura. A produtividade média do Estado foi de 60 sacas/ha, mas diversas lavouras na região médio-norte ultrapassaram mais de 100 sacas/ha. Na safra 2002/2003, Lucas do Rio Verde produziu 50% da produção estadual do milho safrinha, e em torno de 10% da produção nacional (BORTOLINI, 2007). A tecnologia para o plantio do milho é elevada, devido à atuação de instituições de pesquisas privadas, como a Fundação Rio Verde, que apoia de forma expressiva o fortalecimento da agricultura no Estado, ao propagar tecnologias a cada ciclo produtivo. Do fubá à mineração, o milho e seus derivados são empregados em diferentes segmentos. Os produtos de uso industrial são matérias-primas para o próprio setor moageiro, para as indústrias alimentícias em geral e para um amplo número de empresas que empregam o milho e seus derivados como componentes dos mais variados produtos (ABIMILHO, 2010). A múltipla utilização do milho pode ser mostrada por exemplos pouco conhecidos para o grande público. Um deles é a água usada para amolecer o cereal, que serve como meio de fermentação para a produção de penicilina e estreptomicina, tendo ainda outras aplicações no campo farmacêutico. Outro é o xarope de glicose de milho utilizado para fabricar cosméticos, xaropes medicinais, graxas e resinas (ABIMILHO, 2010). Nas fábricas de aviões e veículos, os derivados de milho são empregados nos moldes de areia para a fabricação de machos e peças fundidas. O milho está presente na extração de minério e petróleo e em outras áreas pouco divulgadas, como as de explosivos, baterias elétricas, cabeças de fósforo, etc. (ABIMILHO, 2009). 17 1.2. Objetivos e hipóteses O objetivo geral deste trabalho é avaliar a contribuição econômica dos complexos industriais de milho, de aves e de suíno para a economia regional nos polos de concentração produtiva. Os objetivos específicos são: i) analisar a evolução da produção do grão, e do efetivo de rebanhos que possui relação com este cereal, ou seja, a avicultura e suinocultura e pecuária leiteira; ii) caracterizar a concentração dos complexos agroindustriais de milho, de aves e de suínos; iii) análise das aglomerações produtivas quanto a configuração de cluster produtivo e sua contribuição para o desenvolvimento. As hipóteses são que: i) existem concentrações dos complexos agroindustriais de milho, aves e suínos; ii) as cidades situadas pertos dos principais eixos viários do estado e dos centros de produção avícola e de suínos são as principais produtoras e exportadoras. iii) as atividades produtoras de milho, aves e suínos vêm aumentando ao longo do tempo; e, iv) este complexo possui substancial contribuição para o desenvolvimento dos municípios produtores. O capítulo dois trata do referencial teórico, o capítulo três expõe o complexo agroindustrial do milho, o capítulo quatro mostra a metodologia e a fonte de dados, o capítulo cinco aponta os resultados, o capítulo seis apresenta as considerações finais. Após seguem as referências e o anexo. 18 2. REFERENCIAL TEÓRICO 2.1. Breve revisão das teorias locacionais O projeto de localização agroindustrial define claramente qual é a melhor localização possível para a unidade de produção. A melhor localização será a que permitir aumentar a produção e a reduzir os custos necessários a essa produção. A observação de uma unidade de produção em sua posição no espaço mostra que para ela se direcionam quantidades de insumos, que são transformados em produtos para o mercado consumidor (BUARQUE, 1984). Os fatores básicos que normalmente determinam a localização são: i) localização dos materiais de produção (insumos); ii) disponibilidade de mão de obra; iii) terrenos disponíveis, clima, fatores topográficos; iv) distância da fonte de combustível industrial; v) facilidades de transporte; vi) distância e dimensão do mercado e facilidades de distribuição; vii) disponibilidade de energia, água, telefones, rede de esgotos; viii) condições de vida, leis e regulamentos, incentivos; e, ix) estrutura tributária (BUARQUE, 1984). No modelo de Weber os custos de transporte são importantes e decisivos, pelo que a localização mais conveniente será encontrada no ponto em que os custos conjuntos de transporte das matérias-primas vindas das suas várias origens e os de colocação do produto final sejam mínimos (LOPES, 2006). O modelo de Weber estabelece o conceito de fator locacional como uma economia de custo que a empresa industrial pode obter ao escolher a localização. Os fatores locacionais podem ser auferidos por um número reduzido de indústrias, economias de custo que podem ser auferidas por qualquer tipo de indústria e, uma vez que seu objetivo é desenvolver uma teoria geral da localização industrial, os fatores específicos são deixados de lado (CLEMENTE, et. al., 1998). Os fatores gerais são, em seguida, classificados quanto à escala geográfica em que atuam: i) fatores regionais – capazes de influenciar a escolha locacional entre regiões – que são transporte e mão de obra. ii) fatores aglomerativos e desaglomerativos que provocam a concentração ou dispersão da indústria em certa região (CLEMENTE, et. al., 1998). 19 O custo de transporte corresponde ao custo de reunião de insumos materiais e o custo de distribuição do produto. Mas alguns insumos materiais estão presentes em qualquer parte, são as ubiquidades, e não possuem custos de transporte, enquanto outros estão disponíveis somente em poucos lugares, são as matérias-primas localizadas. (CLEMENTE, et. al., 1998). Os fatores transporte e mão de obra referem-se à escolha locacional interregional. Os fatores aglomerativos e desaglomerativos referem-se à escolha locacional intrarregional e dizem respeito à maior ou menor concentração da indústria em certa região (CLEMENTE, et. al., 1998). Um fator aglomerativo representa a redução de custo que uma empresa de certa indústria aufere ao se localizar junto a outras empresas da mesma indústria. Fator desaglomerativo, ao contrário, representa economia de custo obtida pelo distanciamento em relação às empresas da mesma indústria, já estabelecidas (CLEMENTE, et. al., 1998). No modelo de Sten Söderman a decisão locacional não é independente. Ao contrário, faz parte de um conjunto de decisões, entre as quais pode ter maior ou menor importância. Essas outras decisões inter-relacionadas com a locacional referem-se, por exemplo, ao processo, ao produto, à escala de produção e à política de vendas (CLEMENTE; HIGACHI, 2000). O modelo de Johann-Heinrich von Thünen, não se refere à localização industrial, mas à localização agrícola e tem sido ponto de partida para diversos autores da localização industrial. Este modelo está associado à explicação da localização da atividade agrícola e corresponde às primeiras preocupações manifestadas acerca da influência da distância, portanto, dos transportes, na organização espacial (LOPES, 2006). Uma vez que os custos de transporte aumentam com a distância, o afastamento do mercado determina a seleção das culturas que levam à menores custos de transporte, menor emprego da mão de obra e outros insumos e menos utilização extensiva do solo (LOPES, 2006). Considera-se um centro de mercado e uma região agrícola e isótropa1 que o cerca. O modelo procura explicar o padrão de distribuição das atividades agrícolas. Neste modelo, para obter rendimento líquido do empresário agrícola, são deduzidos do 1 Que apresenta as mesmas características independentemente da direção. 20 preço final obtido no mercado o custo de produção e o custo de transporte do produto (CLEMENTE e HIGACHI, 2000). O modelo de Lösch consiste em propor uma teoria geral da localização com fundamentos econômicos. Não é uma contribuição muito diferenciada para a questão da localização dos equipamentos terciários, uma vez que serão sempre as mesmas forças econômicas a determinar a organização espacial quaisquer que sejam as atividades que se considerem (LOPES, 2006). Dos fatores que possam explicar a formação das regiões, Lösch seleciona os de ordem econômica e deixa clara a existência de um conjunto de razões de natureza econômica que se, por um lado justificam a concentração dos equipamentos, como as vantagens da especialização e as economias de escala, por outro lado a contrariam, como ocorre com os custos de transporte e a diversificação da produção (LOPES, 2006). Para Lösch, a instalação de uma unidade produtiva traria condições de oferecer certo bem a um mercado comprador a preços que irão variar com a distância, porque muito provavelmente quem toma a iniciativa irá esperar recuperar os custos de transportes, e como o preço aumentará com o afastamento da fábrica é razoável que a procura individual reduza com este afastamento (LOPES, 2006). Os aspectos locacionais são muitos relevantes em termos de tamanho. A localização será dependente tanto da distribuição geográfica do mercado quanto da existência de economias de escala. Esses fatores influem nos custos de aquisição dos fatores de produção e de distribuição do produto, podendo também comprometer a capacidade de competição da empresa em longo prazo (WOILER; MATHIAS, 1996). Nessas condições, tamanho e localização devem ser determinados conjuntamente através de um processo iterativo, em que se busca a melhor solução por meio de aproximações sucessivas. Diversos fatores podem influenciar na escolha da localização de uma empresa agropecuária. Conforme Woiler e Mathias (1996), os fatores locacionais quantitativos mais relevantes são aqueles que tornam a localicazação dependente das entradas, das saídas ou do processo. No caso das entradas, a indústria tende a localizar-se junto à fonte de matéria-prima. O milho, constituindo insumo básico para ração, tende a atrair agroindústrias de aves e suínos para junto de si. 21 Mas não menos importante, vêm os fatores que tornam a localização dependente das saídas. Neste caso, o mercado da empresa é de grande importância, e a tendência é no sentido de localizar-se próximo ao mercado. Vários produtos derivados do milho são levados ao consumidor final por meio de supermercados para consumo humano, e por estabelecimentos veterinários para consumo animal, por exemplos. Ainda existem os fatores que tornam a localização dependente do processo, que no caso do milho pode-se considerar, entre outros, principalmente os processos que dependem da disponibilidade de vias de transporte, em que o rodoviário é o principal modal disponível no estado para transporte de grãos, aves e suínos. A qualidade de um ambiente de negócios de uma região é incorporada em quatro atributos que afetam a produtividade e a capacidade de inovação. Michael E. Porter criou o diamante objetivando apresentar estes quatro atributos. O êxito internacional de determinada indústria deve-se estes atributos que modelam o ambiente no qual as empresas competem e que promovem a criação de vantagem competitiva: i) condições de fatores, ii) condições de demanda, iii) indústrias correlatas e de apoio, iv) estratégia, estrutura e rivalidade das empresas (PORTER, 1993 e 2001). As vantagens são como diamantes, os quais determinam um sistema mais favorável, tentando verificar como um determinante interage com os demais e ainda com o acaso e como o governo (PORTER, 2001). 2.2. Os Complexos Industriais e Agroindustriais A abordagem dos complexos industriais de grande emprego no esclarecimento das relações intersetoriais entre a indústria e a agricultura, a qual procura reunir num corpo doutrinário as inter-relações e dar-lhes contribuição analítica. Graziano da Silva (1991) pondera que um complexo é constituído por um conjunto de relações multideterminadas de encadeamento, de coordenação ou de controle entre seus vários elementos, membros e/ou etapas do processo. Diz o autor que a procedência dessa concepção surge a partir das teorias de desenvolvimento econômico emergidas durante os anos 50 e 60 por meio de Albert Hirschman e François Perroux. A questão comum aos dois autores centra-se na proposição de que para que ocorra o desenvolvimento é preciso existir atividades produtivas que completem 22 determinados setores da economia que representam lacunas na estrutura produtiva dos países e regiões. O investimento nessas atividades teria o poder de induzir o surgimento de várias outras a montante e a jusante. Surge então o conceito de "agrupamento de indústrias" (HIRSCHMAN, 1958 citado por OSTROSKI e MEDEIROS, 2003). A inserção de uma nova técnica em dado setor levará a pressões para que no momento posterior ocorram inversões nos demais segmentos da economia ou mudanças em sua forma de produzir. Perroux (1975) citado por OSTROSKI e MEDEIROS (2003), ao contrário de Hirschamn, dizia existir um relacionamento dessa abordagem com as questões fundamentais de “espaço econômico” e de “poder de dominação”, fato que o levou a desenvolver o conceito de complexo de indústrias, no qual identifica a função de liderança que certas unidades produtivas possuem. Passam a existir então, os complexos industriais, definidos como sendo o agrupamento de indústrias cujos fluxos de bens e serviços se inter-relacionam (OSTROSKI e MEDEIROS, 2003). Diversos autores nacionais se empenharam para definir a concepção de complexos industriais aplicados à economia brasileira. Pereira (1985) define o complexo industrial como espaço em que se encontram recompostos os elos de interligação e interdependência de algumas indústrias, cujas relações econômicas são mais expressivas. Os anos 50 foram marcados por intensos avanços tecnológicos, principalmente no setor produtivo da economia, com a chamada revolução verde, o uso do termo “complexo industrial” também foi empregado para apontar o forte relacionamento da indústria voltada à agricultura. Assim, aparece o termo “agribusiness”. Os pesquisadores da Universidade de Harvard, John Davis e Ray Golberg, já em 1957 proferiram o conceito de agribusiness como a soma das atividades de produção e distribuição de suprimentos agrícolas, das operações de produção nas unidades agrícolas, do armazenamento, processamento e distribuição dos produtos agrícolas e itens produzidos a partir deles (BATALHA, et. al., 2007). Goldberg (1968) citado por Zylberstajn e Neves (2001) ampliou o conceito, nos anos 60, incluindo o "Commodity System Approach" (CSA), ao fazer análise de casos particulares. Apareceu a visão ianque dos chamados "sistemas agroindustriais" (SAG’s). Conforme esses autores, a agricultura não mais poderia ser abordada de forma desvinculada dos outros agentes responsáveis pelas atividades que garantiriam a produção, transformação, distribuição e consumo de alimentos. Os autores 23 consideravam as atividades agrícolas como integrantes de uma ampla rede de agentes econômicos, desde a produção de insumos, transformações industriais até armazenagem e distribuição de produtos agrícolas e derivados (BATALHA, et. al., 2007). Os trabalhos de Goldberg tentam incorporar um aspecto dinâmico a seus estudos por meio da consideração das mudanças que acontecem no sistema ao longo do tempo. Este enfoque é ressaltado pela importância da tecnologia como agente indutor destas mudanças (BATALHA, et. al., 2007). Além dos teóricos estadunidenses, destaca-se também, nos estudos referentes ao agribusiness, o francês Louis Malassis, do Institut Agronomique Méditerranée de Montpellier. Malassis (1985) citado por Zylberstajn e Neves (2001) mediante seus estudos dividiu o complexo agroindustrial em quatro partes: a das empresas que fornecem à agricultura serviços e meios de produção, chamadas de "indústrias a montante"; o agropecuário; o das indústrias a jusante" e o de distribuição de alimentos. Realçou também a importância de examinar os fluxos e encadeamentos por produto dentro de cada um desses segmentos, empregando a concepção de cadeia ou “filière” ou cadeia agroalimentar. No Brasil, a expressão “cadeia produtiva” foi incorporada na década de 80, pelo empresário Ney Bittencourt. Até o momento, a visão da agropecuária era isolacionista, onde os problemas que afetavam este setor restringiam-se apenas a ele, sem influenciar outros segmentos agroindustriais. Porém, com a noção de “cadeia produtiva”, o todo ganhou força. Mais recentemente, construções teóricas ligadas à economia de redes, tecnologia da informação e gestão de cadeias de suprimentos, têm avançado no aprofundamento do referencial teórico dessas correntes. Outro conceito explorado por diversos teóricos centra-se nos aglomerados produtivos articulados em "clusters" ou os "agriclusters". Um cluster pode ser conceituado como sendo uma aglomeração de empresas geograficamente localizadas que desenvolvem suas atividades de forma articulada, a partir, por exemplo, de uma dada dotação de recursos naturais, da existência de capacidade laboral, tecnológica ou empresarial local, e da afinidade setorial dos seus produtos. A interação e a sinergia, decorrentes da atuação articulada, proporcionam ao conjunto de empresas vantagens competitivas que se refletem em um desempenho superior em relação à atuação isolada de cada empresa (BEZERRA, 1998). Os clusters são concentrações geográficas de companhias interconectadas e instituições em um ramo particular, incluindo uma série de indústrias interligadas e 24 outras entidades importantes para a competição. Inclui por exemplo, fornecedores de insumos especializados como componentes, equipamentos, serviços e infraestrutura especializada (PORTER, 1998). Ainda, o cluster se expande em direção aos canais de distribuição, aos clientes, aos fabricantes de produtos complementares e indústrias relacionadas por aptidão, tecnologia e insumos comuns. Finalmente, muitos clusters incluem instituições governamentais e outras instituições, como universidades, ofertantes de treinamento vocacional, associação de comércio, os quais fornecem treinamento especializado, educação, informação, pesquisa e suporte técnico. Similarmente, aparece o conceito de Distrito Industrial foi primeiramente apresentado por Marshall em 1890 no século XIX para apontar o agrupamento de pequenas e médias empresas situadas ao redor das grandes indústrias, nos arredores das cidades inglesas (HISSA, 2003). Assim, pode-se assegurar que os "distritos industriais ingleses" eram compostos por agrupamento de grandes, pequenas e médias empresas inter-relacionadas em microrregiões geográficas, produzindo bens em larga escala para o mercado interno e para o mercado externo. De acordo com Hissa (2003) as pequenas e médias empresas (PMEs) eram intensamente favorecidas por fatores obtidos na economia tais como infraestrutura, mão de obra já treinada, existência de recursos naturais locais, informações sobre as novas técnicas de produção, etc. Ademais, as PMEs eram de igual forma beneficiadas pela proximidade geográfica entre as firmas assim como pelo seu alto grau de interrelacionamento, garantindo um clima favorável à produção em larga escala, não apenas diminuindo custos de transporte e de outras transações, mas também proporcionando e agilizando a comunicação entre os produtores. Ainda segundo Hissa (2003) todos esses benefícios obtidos pelas PMEs, nos distritos industriais ingleses, foram chamados “economias externas” por Marshall em 1890. Isto é, ganhos obtidos pelas PMEs no mercado independentemente de suas ações, quer dizer, infraestrutura, mão de obra treinada, recursos naturais, informações tecnológicas, proximidade geográfica entre as firmas, forte relacionamento interfirmas, etc. Dessa forma, as economias externas eram apontadas como as principais causas do extraordinário desenvolvimento social e econômico alcançado pela Inglaterra no século XIX. A constituição de clusters enfoca principalmente a valorização e exploração das atividades econômicas em que a região se sobressai, reforçando suas capacidades 25 produtivas especializadas, ocasionando a promoção de seu crescimento e posterior desenvolvimento econômico. Segundo Erber (2008), os Arranjos Produtivos Locais (APLs) são caracterizados como aglomerações territoriais de agentes econômicos, políticos e sociais, os quais focam um conjunto específico de atividades econômicas e que possuem vínculos entre si. Estes arranjos têm ganhado importância crescente como objeto de estudo acadêmico e de políticas públicas, devido, principalmente, da hipótese de que essas aglomerações permitem ganhos de eficiência que os agentes que as compõem não podem alcançar por si mesmos, isto é, que nelas se observa uma “eficiência coletiva” que confere às aglomerações uma vantagem competitiva específica. A proximidade geográfica das firmas permite o aparecimento de outras atividades subsidiárias, fornecendo à indústria principal instrumentos e matérias-primas, conduzindo a uma economia de material. A presença de fornecedores de bens e serviços é uma importante fonte de economias externas, sobretudo no tocante ao processo de conhecimento gerado através das relações entre firmas e seus fornecedores. Os Arranjos Produtivos Locais (APLs) podem ser entendidos como aglomerados ou clusters de empresas. As empresas que constituem um APL possuem proximidade física e forte relação com os agentes da localidade e uma mesma dinâmica econômica. Mas esta dinâmica pode ser determinada por razões muito distintas (CENTRO GESTOR DE INOVAÇÃO, 2010). A dinâmica de um cluster de empresas pode ser determinada em razão de essas empresas executarem atividades parecidas e/ou empregarem mão de obra específica disponível em poucas regiões, ou utilizarem as mesmas matérias-primas, ou necessitarem das mesmas condições climáticas ou de solo para sua produção, por fornecerem para um mesmo cliente que depende de proximidade, por processos históricos e culturais, e outros. Os clusters industriais, de serviços ou os agroindustriais devem atender algumas condições para ser completo e se tornar competitivo: a) elevada concentração geográfica; b) existência de toda espécie de empresas e instituições de apoio, relacionados com o produto/serviço do cluster; c) empresas altamente especializadas, cada uma delas executando um número reduzido de tarefas; d) presença de muitas empresas de cada tipo; e) total aproveitamento de materiais reciclados ou subprodutos; 26 f) grande cooperação entre empresas; g) intensa disputa: substituição seletiva permanente; h) uniformidade de nível tecnológico e; i) cultura da sociedade adaptada às atividades do cluster. O desenvolvimento regional sugere um crescente processo de autonomia decisória, capacidade regional de captação e reinversão do excedente econômico, inclusão social, sincronismo intersetorial e territorial do desenvolvimento e percepção grupal de fazer parte da região (CENTRO GESTOR DE INOVAÇÃO, 2010). Um sistema produtivo regional competitivamente dinâmico é indispensável para assegurar a sobrevivência de atividades econômicas de qualquer espécie e em qualquer escala de produção numa região, diante de bens e serviços análogos que chegam às cidades e lugares com custos de transportes e impostos alfandegários cada vez menores, num cenário de comércio externo desregulamentado (CENTRO GESTOR DE INOVAÇÃO, 2010). A concentração econômica exclui algumas populações desfavorecidas. O desenvolvimento não leva a prosperidade a todos os lugares ao mesmo tempo, favorecendo alguns lugares mais do que outros. Para obter os benefícios da concentração econômica e de convergência social é preciso promover a integração econômica (BANCO MUNDIAL, 2009). A integração econômica deve incluir instituições que assegurem, em primeiro lugar, acesso a serviços básicos, como ensino fundamental, cuidados primários de saúde, saneamento adequado e água potável para todos e, logo em seguida, construção de rodovias, ferrovias, aeroportos, portos e sistemas de comunicação que facilitem o movimento de mercadoria, serviços, pessoas nos âmbitos local, nacional e internacional (BANCO MUNDIAL, 2009). Apesar das desigualdades, o desenvolvimento pode ser inclusivo, no sentido de que mesmo as pessoas que inicie sua vida longe da oportunidade econômica podem se beneficiar da crescente concentração de riqueza em certos lugares. A integração econômica é a maneira de combinar os benefícios do crescimento desigual no espaço e do desenvolvimento inclusivo (BANCO MUNDIAL, 2009). 27 3. O COMPLEXO AGROINDUSTRIAL DO MILHO O presente capítulo busca apresentar ao leitor uma visão geral dos sistemas produtivos de milho, características do seu consumo, da sua comercialização, dos processos industriais e aplicações, da agricultura familiar e não familiar, e da exportação. 3.1. Sistemas de Produção de Milho Há uma grande variedade nas condições de cultivo do milho no Brasil, variando desde a agricultura de subsistência, sem emprego de insumos modernos até lavouras que empregam elevado nível tecnológico, atingindo produtividades análogas às obtidas em países de agricultura mais adiantada. A seguir estão descritos os sistemas de produção de milho mais comuns (EMBRAPA, 2010). A maior parte dos produtores comerciais de grãos faz rotação de milho e soja, envolvendo às vezes outras culturas. São especializados na produção de grãos com a finalidade de comercializar a produção. Plantam lavouras maiores e absorvem a melhor tecnologia disponível, prevalecendo o plantio direto. São os grandes responsáveis pelo abastecimento do comércio. Estes produtores realizam também a produção de milho safrinha que é um tipo de exploração que ocupa hoje cerca de três milhões de hectares de milho plantados principalmente nos estados PR, SP, MT, MS e GO. O milho após a colheita de soja no que se chama 2ª safra ou ou safra de inverno. O rendimento e o nível tecnológico 28 dependem muito da época de plantio. Nos plantios mais cedo, o sistema de produção é, às vezes, igual ao utilizado na safra normal. Nos plantios tardios, o agricultor reduz o nível tecnológico em função do maior risco da cultura devido, principalmente, às condições climáticas (frio excessivo, geada e deficiência hídrica). A redução do nível tecnológico refere-se, basicamente, à semente utilizada e redução nas quantidades de adubos e defensivos aplicados. Essa oferta tem sido importante para a regularização do mercado. Os produtores de grãos e da pecuária empregam um nível médio de tecnologia, por ser mais apropriado para ele, em termos de custos. Na região que não se produz soja, o milho pode ser a principal cultura. As lavouras são de tamanho médio a pequeno. A aptidão gerencial não é muito adequada e muitas vezes as operações agrícolas não são desempenhadas na ocasião adequada, com o insumo apropriado ou na quantidade certa. A condição das máquinas e equipamentos agrícolas podem também afetar o rendimento do milho. O pequeno produtor é aquele que produz para subsistência, em que a grande parte da produção é consumida na propriedade. O nível tecnológico é baixo, com uso de semente não melhorada. O tamanho da plantação é pequeno, inferior a 100 hectares. Essa produção tem perdido importância no tocante ao fornecimento ao comércio. Dos sistemas de produção apontados, o produtor comercial de grãos é o que mais assimila as tecnologias disponíveis na busca de competitividade. Neste sistema, existe ampla homogeneização do padrão tecnológico utilizado na produção das lavouras de milho, variando pouco entre as principais regiões produtoras. Não existe um padrão tecnológico único para atender todos os sistemas de produção usados e que se adapte a todas as situações intrínsecas a cada lavoura. Todavia, sobretudo com relação aos produtores enquadrados no sistema acima citado, pode-se aproximar um padrão tecnológico que se mostra como o mais adequado para essas lavouras. 3.2. Consumo do Milho O milho se destina para o consumo humano sendo ainda utilizado para alimentação de animais. Nos dois casos deve existir alguma transformação industrial ou 29 na própria fazenda. A seguir se mostram as principais transformações necessárias para o consumo animal e humano. A cadeia produtiva do milho passa a se inserir na cadeia produtiva do leite, de ovos e da carne bovina, suína e de aves sendo este canal por onde os estímulos do mercado são transmitidos aos agricultores. Transformações nestas cadeias são muito estimuladoras do processo produtivo do milho. Três grandes derivações ocorrem neste item: a) a fabricação de silagem, para alimentação de vacas em fabricação de leite e de gado confinado para engorda no período de inverno; b) A utilização do grão de milho em rações prontas; c) a utilização do grão em combinação com concentrados proteicos para a nutrição de suínos e de aves. A atividade de produção de milho para silagem tem sofrido intensa influência da necessidade de modernização do setor de pecuária leiteira, e do aumento das atividades de confinamento bovino que aconteceram nos últimos anos. Para o cultivo do grão para ração, o processo de transformação é caracteristicamente industrial, resultando no provimento de rações prontas, especialmente empregadas na criação de animais de estimação, como cães, gatos, etc. (ABIMILHO, 2009). Na criação de suínos e aves em função do grande volume de milho necessário, este habitualmente é obtido em grão, ou é parcialmente produzido, pelos criadores para combinação com concentrados na propriedade rural. O milho é estratégico na agropecuária do Brasil. Quase todo o milho consumido pelos animais vai para a criação de suínos, aves de corte, os quais representam 30% da disponibilidade total de carne no país, ao se considerar a carne bovina e o pescado (ABIMILHO, 2000). A relação entre consumo de ração e produção da proteína animal é, em média: a) Frango: 2,1 kg de ração para produzir 1 (um) quilo de frango; b) Ovos: 72,6 kg de ração para 30 dúzias de ovos; c) Suínos: 2,9 kg de ração para produzir um quilo de suíno; d) Leite: 1,0 kg de ração para produzir 16 litros de leite. O milho é praticamente a base das rações para todos os tipos de criação. Na formulação das rações (macroelementos), o milho representa: a) Avicultura de corte: 63,5%; 30 b) Avicultura de postura: 59,5%; c) Suinocultura: 65,5%; d) Pecuária de leite: 23% (em equilíbrio com a participação do farelo de trigo 23% e farelo de algodão 20%). A Tabela 2 mostra uma estimativa de consumo por segmento em toneladas, na qual se observa que o grão é consumido principalmente pelo segmento animal. Com destaque para a avicultura, seguida pela suinocultura e pecuária. O consumo humano representa uma parcela pequena do total. Tabela 2. Milho – Brasil – Estimativa de consumo por segmento em toneladas Segmento Consumo 2001 Avicultura 2002 2003 2004 2005 2006 2007 13.479 14.500 15.427 16.162 19.309 20.022 20.515 Suinocultura 8.587 8.930 8.471 8.852 11.236 11.097 12.022 Pecuária 2.772 2.841 1.911 2.198 2.520 2.479 2.374 Outros Animais 1.528 1.543 1.550 1.581 615 660 673 Consumo 4.050 4.090 4.152 4.256 4.044 4.159 4.369 1.505 1.514 1.530 1.568 690 700 705 998 913 1.660 1.429 296 310 349 2.550 1.583 3.988 5.000 869 4.327 5000 Industrial Consumo Humano Perdas/Sementes Exportação Outros Total 3.622 3.550 4.809 4.132 - - - 39.091 39.464 43.498 45.178 39.579 43.754 46.007 Fonte: ABIMILHO, 2010. 3.3. Comercialização Na Figura 1 tem-se o esquema lógico da comercialização de milho. A comercialização do milho seria mais segura se houvesse a formulação de contratos que assegurassem os preços pagos aos produtores de forma antecipada. Um dos grandes desestímulos à produção do milho no Brasil é a pouca utilização de contratos de compra. Normalmente, o produtor rural atua com incerteza, sem segurança de preço de venda. Essa característica é uma grande falha do mercado do milho. O processo termina se inserindo em um círculo vicioso. Sem a garantia de preço de venda, acontece um desestímulo ao financiamento da cultura. O menor crédito conduz a um menor 31 investimento em tecnologia pelo produtor rural. O menor nível da tecnologia utilizada leva a produtividade média a ser baixa, aumentando o custo de produção (MAPA, 2007). 32 Figura 1. Milho: esquema lógico de comercialização Fonte: Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento, MAPA (2007) 33 Os maiores custos de produção fazem com que o milho brasileiro não tenha competitividade nas vendas externas. As limitações nas exportações levam o excedente de produção a não ser escoado, deprimindo os preços domésticos e desestimulando a produção. O aperfeiçoamento da comercialização da cadeia produtiva do milho dependerá da ampliação de contratos. O estímulo às vendas externas, seria o passo inicial para assegurar a comercialização. Com contratos de fornecimento sendo realizados pelas tradings, a necessidade de compra antecipada por parte dessas empresas torna-se primordial. Existiria a indicação de preços no período pré-safra, tornando a comercialização do milho mais segura ao produtor rural. No aspecto doméstico, é preciso o aperfeiçoamento do processo de comercialização entre produtores e integradoras. Atualmente não existe um projeto de parceria, ocorrendo uma atmosfera de rivalidade. A não garantia de comercialização foi um dos fatores pelos quais a cultura do milho perdeu área para a soja (MAPA, 2007). Quanto ao governo, em razão da fragilidade existente no setor, têm-se alternativas para o fortalecimento dessa cadeia produtiva via preços mínimos e de opções de compra. Atualmente, o governo tem instrumentos de comercialização destinados ao milho, como o Prêmio de Escoamento do Produto (PEP) e das Opções de Venda. Entretanto, nem sempre tais instrumentos chegam no tempo exigido pelo mercado ou com o orçamento necessário para atender às necessidades dos produtores rurais. 3.4. Processos industriais e aplicações A industrialização de milho é feita por meio de dois processos: a seco e a úmido. No processo a seco, o milho, depois de uma limpeza e secagem, é degerminado e separado endosperma e germe conforme mostrado na Figura 2. O fluxo do endosperma é moído e classificado para a obtenção de produtos finais, e o germe passa por processo de extração para produção de óleo e farelo. No processo a úmido, conforme a Figura 3, o milho após limpeza e secagem, é macerado, separado em germe, fibras e endosperma, que é separado em amido e glúten. O amido ainda é convertido em xaropes e modificado em dextrinas e amidos especiais. O glúten é seco e recebe a incorporação das fibras e do farelo após extração do óleo para composição de produto de rações animais. 34 Figura 2. Industrialização de milho. Processo a seco Fonte: ABIMILHO, 2010 35 Figura 3. Industrialização de Milho. Processo a Úmido Fonte: ABIMILHO, 2010 36 Os processos produtivos de milho assumem diversas escalas e objetivos. A integração com as atividades avícola e de suínos é uma opção para melhorar a renda nas propriedades. A Tabela 3 mostra uma comparação da agricultura familiar com a não familiar no estado como um todo das atividades relacionadas com o cultivo do milho. Tabela 3. Números relativos a milho, aves, suínos e leite de vaca na agricultura familiar e não familiar, Mato Grosso, 2006 Atividade Produtiva Agricultura Familiar Agricultura não Familiar Milho em grão Estabelecimentos Quantidade produzida (kg) 8.525 2.815 227.981.659 3.893.624.647 Área Colhida (ha) Valor da Produção (R$) 100.810 1.023.119 59.658.100 963.939.140 51.247 14.261 18.468.072 47.524.989 7.489.158 11.438.449 16.207.613 23.330.648 Aves Estabelecimentos Número de cabeças em 31.12 Ovos de galinha (dz.) Valor da Produção dos ovos Suínos Estabelecimentos 28.675 8.602 393.291 898.931 34.648.335 168.474.879 Número de cabeças em 31.12 Valor da produção (R$) Leite de Vaca Estabelecimentos 26.192 7.107 Quantidade Produzida (litros) 374.943.786 142.361.219 Valor da Produção (R$) 143.801.066 60.050.938 Fonte: IBGE, Censo Agropecuário – 2006. Sendo maior o número de estabelecimentos na agricultura familiar e maior a quantidade produzida na agricultura não familiar, a produtividade (quantidade/estabelecimento) é maior na agricultura não familiar, evidenciando que existe espaço para aprimoramento nos processos produtivos da agricultura familiar. 3.5. Exportação do milho de Mato Grosso por destino (t), janeiro a dezembro de 2009 A Tabela 4 apresenta a exportação do milho de Mato Grosso por destino, em toneladas, de janeiro a novembro de 2009. Os dados foram extraídos do Instituto Mato Grossense de Economia Agropecuária. 37 Tabela 4. Exportação do milho por destino (t), janeiro a dezembro de 2009 Jan/09 Irã Fev/09 Mar/2009 Abr/09 Mai/09 Jun/09 Jul/09 - 42.431 Ago/09 Set/09 Out/09 25.174 401.116 225.113 Nov/09 Dez//09 143.412 44.816 56.751 15.520 16.235 28.150 147.544 Taiwan 41.302 90.836 54.801 - - - Coréia 7.532 10.887 52.538 - - - 3.146 39.448 - - - 103.165 - 10.680 46.674 - - - - - - - - Colômbia 119.893 5.645 30.572 - - - 1.000 32.631 29.778 34.117 80.374 110.301 277.422 169.236 do Sul Filipinas - Arábia 72.190 - 27.626 - 18.802 5 - 42.698 - 89.984 58.970 83.218 Marrocos 24.505 57.103 17.311 - - - - - - 51.567 70.601 50.830 Malásia 91.197 109.113 5.000 - 1.950 - - 2.392 Peru Outros - 147.158 128.422 113.417 362 27.114 114 - - - - - - - 330.886 86.363 49.406 233 - - 16.894 65.882 85.283 89.581 - - 98.507 290.322 Fonte: IMEA (SECEX) 38 Os principais países de destino da exportação de milho no período, apontados por esta estatística foram: Irã, Taiwan, Coréia do Sul, Filipinas, Colômbia, Arábia, Marrocos, Malásia, Peru, entre outros. O destaque no ano de 2009 ficou para o Irã, para onde foram exportadas 1.146.262 toneladas de milho. O escoamento da produção depende da estrutura de tráfego disponível no estado, sendo a principal modalidade a forma rodoviária, que constitui rota de transporte para produção até os principais portos. A Tabela 5 mostra o escoamento do milho de Mato Grosso por porto, em tonelada, no primeiro semestre de 2009. Os dados foram extraídos do Instituto Mato Grossense de Economia Agropecuária (IMEA). Tabela 5. Escoamento do milho de Mato Grosso por porto (t), primeiro semestre de 2009 Jan/09 Fev/09 Mar/09 Abr/09 Mai/09 Jun/09 Acumulado semestre Paranaguá (PR) 15.977 33.283 51.674 564 8.785 - 110.283 Santos (SP) 421.100 246.824 222.820 - 9.400 - 900.144 Manaus (AM) 110.684 63.459 64.883 - - - 239.026 6.684 6.734 1.302 233 - 5 14.958 276.473 92.144 - 14.956 18.802 - 402.375 362 114 114 - - - 590 São Francisco do Sul (SC) Vitória (ES) Assis (AC) Fonte: IMEA, 2009 Os principais portos de destino são: Paranaguá (PR), Santos (SP), Manaus (AM), São Francisco do Sul (SC), Vitória (ES) e Assis (AC). O destaque no período ficou para o porto de Santos (SP), com um acumulado de 900.144 toneladas de milho. 39 4. MÉTODO E FONTE DE DADOS Para este trabalho foi feito levantamento de dados secundários junto ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, do Produto Interno Bruto – PIB a preços correntes e valor da produção municipal de milho de 141 municípios, ambos do ano de 2007, para o uso do Índice de Concentração Normalizado - ICN, objetivando detectar a localização onde se concentra principalmente a produção do milho, a produção avícola e a de suínos e, assim, para identificar os polos de integração entre avicultura, suinocultura e cultura do milho. É possível calcular o ICN com base na mão de obra do Relatório Anual de Informações Sociais – RAIS, porém não existe registro de mão de obra especificamente para a cultura do milho, em razão de esta cultura empregar muito pouca mão de obra. Ademais, alguns problemas podem ocorrer na coleta de dados, como a omissão ou a sonegação de informações por parte dos informantes, podendo haver uma autoclassificação e o não registro dos empregos informais no mercado de trabalho, conforme orientam Rodrigues e Simões (2004). Dessa forma, optou-se pelos dados do IBGE com base nos valores da produção. Para a análise das contribuições econômicas da aglomeração foram utilizados dados da Produção Agrícola Municipal e da Pesquisa Pecuária Municipal, ambas do IBGE. A seguir descreve-se o método do ICN. O trabalho seguirá uma metodologia para identificação e mapeamento de atividades com potencialidade para se modificar em arranjo produtivo local ou agricluster. Serão identificados os municípios especializados em atividades agrárias, formando pencas de Aglomerações Produtivas Locais (APL) no estado de Mato Grosso. O método de Crocco et. al. (2003) agrupa os diversos critérios utilizados em outros estudos, para a preparação de um índice de concentração normalizado, que permita apontar de maneira adequada, as principais aglomerações produtivas no estado, considerando três características principais: a) a especificidade de uma atividade ou setor dentro de uma região (município); b) o peso da atividade ou setor em relação à estrutura empresarial da região (município); c) a relevância da atividade ou setor no estado como um todo. 40 4.1. Quociente Locacional (QL) A primeira característica é determinada pelo índice de especialização ou quociente locacional (QL). Este índice serve para determinar se um município em particular possui especialização em dada atividade ou setor específico e é calculado com base na razão entre duas estruturas econômicas. No numerador tem-se a economia em estudo, referente a um dado município do estado de Mato Grosso, e no denominador coloca-se a economia de referência, em que constam todos os municípios do estado. O Quociente Locacional é um instrumento tradicional dos estudos de economia regional, que permite avaliar a aglomeração de atividades industriais e a existência de particularizações locais em certo tipo de atividade (Rodrigues; Simões, 2004). A fórmula matemática é a seguinte: æ Eij / Ej ö QL = ç ÷ è Eia / Ea ø (1) em que: Eij é considerado como valor da produção da atividade ou setor i no município em estudo j; Ej é Produto Interno Bruto do município j; Eia é o valor da produção da atividade ou setor i no estado; Ea é o Produto Interno Bruto do estado. A maior parte dos trabalhos pondera que existiria especialização na atividade ou setor i no município j, caso o seu QL seja maior que um. Outros estudos mais intransigentes tomam como critério o QL igual a dois ou três. Se o QL = 1, significa que a especialização da região j em atividades do setor i é igual à especialização do conjunto de atividades desse setor em todas as regiões. Porém, se o QL < 1, a especialização da região j em atividades do setor i é menor à especialização do conjunto de atividades desse setor em todas as regiões. Finalmente, se QL > 1, a especialização da região j em atividades do setor i é maior que a especialização do conjunto de atividades desse setor em todas as regiões. Conforme Clemente e Higachi (2000), caso os setores fossem colocados em ordem decrescente de proporção capital-trabalho, a Teoria da Especialização pressupõe que essa ordenação apresentaria correlação (ordinal) positiva com a ordem de concentração dos setores nas regiões com alta dotação relativa capital e trabalho e 41 correlação negativa com a ordem de concentração dos setores nas regiões com baixa dotação capital e trabalho. Haddad (1989) citado por Rodrigues e Simões (2004) utiliza no cálculo do QL o volume de emprego. Duas questões são importantes acerca da utilização deste quociente. Se a economia de referência utilizada for o Brasil, deve-se considerar a disparidade regional existente no país. Nem sempre QL > 1 significa especialização naquele setor, mas sim, diferenciação produtiva. Para regiões pequenas, com emprego (ou estabelecimentos) industrial imperceptível e arcabouço produtivo pouco diversificado, o quociente tende a sobrevalorizar o peso de um determinado setor para a região. O quociente também tende a subvalorizar a relevância de determinados setores em regiões com um arcabouço produtivo bem diversificado, ainda que este setor possua peso expressivo na conjuntura nacional. Tendo em vista que a escala econômica do local depende de sua especialização produtiva ou base exportadora, o QL é empregado para identificar os municípios do estado de cunho exportador ou de maior densidade econômica. Este indicador, empregado de forma geral pela sua singeleza e acuidade pode, entretanto, gerar deformidades como a assinalada por Crocco et. al. (2003) de que um QL > 1, ao invés de constituir especialização, pode estar apontando somente uma diferenciação produtiva, em função da heterogeneidade dos municípios que existem em dada região. 4.2. Índice de Hirschman e Herfindahl Modificado (IHHm) Para atenuar os problemas do índice anterior, utiliza-se um segundo indicador objetivando obter o real peso da atividade ou setor no arcabouço produtivo local. Este indicador é uma transformação do Quociente Locacional (QL), conforme a seguir mostrado: éæ Eij ö æ Ej öù IHHm = êç ÷ - ç ÷ú ëè Eia ø è Ea øû (2) 42 com dados conforme definidos anteriormente. Com o IHHm é possível comparar o peso da atividade ou setor i do município j no setor i do estado em relação ao peso da estrutura produtiva do município j na estrutura do estado como um todo. Um valor positivo aponta que a atividade ou setor i do município j no estado está, ali, mais concentrada e, portanto, com maior poder de atração econômica, dada sua especialização em tal atividade ou setor. Segundo Hoffman (2002), o valor máximo desse índice ocorre quando a indústria é constituída por uma única empresa. Nesse caso o índice é igual a 1 (um). O valor de Hirschman e Herfindahl se aproxima de zero quando todas as observações são diminutas, ou seja, quando a produção está dividida de maneira relativamente igualitária por um grande número de empresas. Esta análise pode ser aplicada para o Índice de Hirschman e Herfindahl Modificado. 4.3. Índice de Participação Relativa (PR) O terceiro indicador foi aproveitado para capturar a relevância da atividade ou setor i do município j diante do total da referida atividade para o estado, isto é, a participação relativa da atividade ou setor no emprego total da atinente atividade ou setor no estado. A fórmula é dada por: æ Eij ö PR = ç ÷ è Eia ø (3) com dados conforme definidos anteriormente. O indicador varia entre zero e um. Quanto mais próximo de um, maior a relevância da atividade ou setor i do município j no estado. 4.4. Agregação dos índices para o cálculo do ICN Os três indicadores apresentados oferecem as informações fundamentais para a constituição de um indicador mais universal e sólido de concentração empresarial ligado a uma atividade ou setor econômico em um município, denominado índice de concentração normalizado (ICN). A constituição do ICN segue parte do procedimento 43 de Crocco et al. (2003), por meio da combinação linear dos três indicadores especificados na equação a seguir: ICNij = q 1QLij + q 2IHHmij + q 3PRij (4) Em que os q ’s são os pesos de cada um dos indicadores para cada atividade ou setor produtivo em análise. Para o cálculo dos pesos de cada um dos índices especificados na equação acima se aplica a técnica da análise de componentes principais. A partir da matriz de correlação dos indicadores, a análise das componentes principais revela a proporção da variância da dispersão total da nuvem de dados gerada, representativa dos atributos de agrupamento, que é ilustrada por cada um desses três indicadores, levando em conta suas participações na explicação do potencial para a formação de aglomerações que os municípios apresentam setorialmente no estado. Alternativamente à metodologia acima descrita, Rodrigues e Simões (2004) propõem o cálculo do ICN, por meio da padronização dos três índices. Depois de calculados os três indicadores, efetua-se a padronização de cada um deles através da média e do desvio padrão de cada setor, descritos como: zi = xi - x d (5) onde zi é o indicador padronizado, xi é o valor do indicador do setor para cada município, x é o valor da média de cada indicador do setor para todos os municípios e d é o desvio padrão de cada indicador do setor para todos os municípios. Concluída a padronização, elabora-se o Índice de Concentração a partir da média desses três indicadores, conforme a expressão: ICN = (QL + IHHm + PR)/3 (6) Uma vez que a soma dos pesos deve ser igual a um, equivale, nesse caso, a 1/3 (um terço) para cada um dos indicadores, QL, PR e IHHm. A interpretação do Índice de Concentração baseia-se numa comparação entre as diversas especializações. Por esse 44 critério, serão classificados os vinte municípios que apresentam os maiores índices de concentração do estado, para um estudo relacionado a estes municípios. A finalidade de agregar esses três indicadores é assegurar um resultado sólido, é dizer, um resultado que não seja tendencioso pelas especificidades estruturais dos municípios. Os municípios menores tendem a sobrevalorizar o grau de especialização produtiva, devido à baixa diversidade produtiva local, e, inversamente, os municípios grandes tendem a subvalorizar o grau de especialização, uma vez que os operários se encontram dispersos em muitas atividades, devido à grande diversidade produtiva. 45 5. RESULTADOS Considerando o estado de Mato Grosso como um todo, mostra-se a Figura 4, na qual se pode ver a distribuição espacial do valor da produção da cultura do milho, medido em reais, para o ano de 2007. Figura 4. Distribuição espacial do valor da produção em reais do milho, 2007 Fonte: Dados da Pesquisa Verifica-se que os maiores valores de produção do milho estão concentrados em municípios como Lucas do Rio Verde, Nova Mutum e Sorriso. Estes municípios estão situados praticamente no centro do Estado de Mato Grosso. À medida que se desloca do centro para a periferia do Estado, os valores de produção do milho vão decrescendo. 5.1. Componentes e Ranking do Índice de Concentração Normalizado 5.1.1. Estatísticas descritivas e ranking do ICN 46 A seguir é apresentada a estatística descritiva para os componentes do Índice de Concentração Normalizado, calculados para os 141 municípios do estado de Mato Grosso, no ano de 2007. Para elaborar este índice foi necessário obter o valor da produção municipal do milho e do produto interno bruto dos municípios, ambos de 2007, último ano que possui os valores para o PIB municipal. Tabela 6. Estatística descritiva do os componentes do ICN para os municípios de Mato Grosso Estatística Quociente Locacional (QL) Índice de Hirschman Índice de Participação Herfindahl (IHHm) Relativa (PR) Média 0,8360 1,98309E-18 0,0079 Erro Padrão 0,1034 0,0019 0,0015 Mediana 0,2593 -0,0007 0,0005 Desvio Padrão 1,2285 0,0225 0,0189 Intervalo 5,5908 0,2884 0,1279 Mínimo 0,0005 -0,1849 3,8252E-06 Máximo 5,5913 0,1034 0,1279 117,9125 2,7960 1 Soma Fonte: Dados da pesquisa A média para o Quociente Locacional (QL) para o estado de Mato Grosso foi de 0,8360, indicando que o estado como um todo não apresenta especialização na produção de milho. Isto se explica por não existir grande escala produtiva em todos os municípios do estado. Os municípios com baixa escala de produção podem estar subestimando o quociente. O Quociente Locacional aponta especialização apenas no nível municipal. Observando os valores máximos de QL, é possível interpretar a presença de aglomeração produtiva de milho. Para o Índice de Hirschman Herfindahl Modificado (IHHm) a média foi de 1,9E-18, evidenciando que não existe concentração da produção de milho no estado de Mato Grosso como um todo. Para o índice de Participação Relativa (PR), a média de participação de cada município no estado de Mato Grosso como um todo foi de 0,0079, apontando também 47 baixa concentração produtiva no estado como um todo, não obstante seja um indicador percentual. Para calcular o índice de concentração o quociente locacional, o índice de Hirschman e Herfindahl e o índice de participação relativa foram padronizados, mas caso seja feita a estatística descritiva das variáveis padronizadas irá se obter resultados semelhantes, com os índices apontando ausência de especialização no estado como um todo. Quanto maior o índice maior é a concentração, mas para capturar a aglomeração de aves e suínos no espaço, foi expandida uma amostra para vinte municípios para abranger a concentração geográfica dos complexos em torno das principais cidades produtoras de milho. A Tabela 7 mostra o ranking do Índice de Concentração Normalizado dos vinte primeiros municípios, com base no método da padronização e média. O cálculo pelo método da análise de componentes principais quase sempre exige o emprego de dois softwares diferentes. Através da matriz de correlação das variáveis, esta metodologia permite que se conheça qual o percentual da variância da dispersão total de uma nuvem de pontos que representa a aglomeração é explicada por cada um dos três indicadores utilizados (CROCCO, et. al., 2003). Desta forma, obtêm-se pesos específicos para cada indicador que considera a participação desses indicadores na explicação do potencial de formação de arranjos produtivos que as unidades geográficas apresentam setorialmente. Calculando do valor dos pesos para os três indicadores através dos softwares Econometric Views e o Gnu Regression, Econometrics and Time-series Library, chegou-se a um peso praticamente igual para os três indicadores, ao redor de 0,333. Se fosse utilizada a análise de componentes principais equivaleria ao emprego do método da padronização e média, o qual padroniza os três índices de cada município, soma todos eles e faz uma divisão por três. O município de Ipiranga do Norte apareceu em primeira colocação ao se considerar o Quociente Locacional, que não considera algumas especificidades estruturais dos municípios. Porém ao se calcular o Índice de Concentração Normalizado, cedeu lugar para municípios com tradição na produção e exportação do cereal em análise. 48 Tabela 7. Ranking dos vinte maiores Índices de Concentração Normalizado, Quociente Locacional, IHHm e PR, 2007 Município QL padronizado IHHm PR padronizado ICN padronizado Lucas do Rio Verde 3,570 4,581 6,388 4,846 Sorriso 1,673 3,210 5,481 3,455 Nova Mutum 2,262 2,428 3,631 2,774 Sapezal 1,567 1,980 3,330 2,292 Campos de Júlio 2,960 1,599 2,083 2,214 Campo Novo do Parecis 1,430 1,670 2,869 1,990 Ipiranga do Norte 3,870 0,905 0,940 1,905 Campo Verde 1,371 1,548 2,688 1,869 Nova Ubiratã 3,258 1,064 1,226 1,849 Primavera do Leste 0,750 1,055 2,546 1,450 Tapurah 2,653 0,733 0,783 1,390 Itanhangá 3,358 0,364 1,169 1,297 Santa Rita do Trivelato 2,150 0,485 0,438 1,025 Santo Antonio do Leste 1,680 0,408 0,368 0,819 Juscimeira 2,012 0,294 0,128 0,812 Guiratinga 1,416 0,311 0,233 0,653 Alto Taquari 0,744 0,389 0,708 0,614 Santa Carmem 1,772 0,135 -0,132 0,592 Diamantino 0,485 0,330 0,929 0,581 Porto dos Gauchos 1,587 0,150 -0,093 0,548 Fonte: Dados da pesquisa Segundo o Quociente Locacional, as maiores especialização no cultivo do milho estão em Ipiranga do Norte, Lucas do Rio Verde, Itanhangá e Nova Ubiratã, que estão praticamente no centro do estado de Mato Grosso. À medida que se distancia destes municípios o Quociente Locacional decresce, conforme mostra a Figura 5. 49 Figura 5. Distribuição espacial do Quociente Locacional, 2007 Fonte: Dados da pesquisa Conforme a Figura 6, tanto o índice de Hirschman e Herfindahl modificado quanto o índice de Participação Relativa indicam concentração de produção em Lucas do Rio Verde e Sorriso, à medida de se distancia destes municípios os índices decrescem. Figura 6. Distribuição espacial do Índice de Hirschman e Herfindahl e do índice de Participação Relativa para o Milho, 2007 50 A Figura 7 mostra a distribuição geográfica do Índice de Concentração Normalizado da cultura do milho para o ano de 2007, calculado com base no método da padronização e média e análise de componentes principais. Verifica-se que o centro produtivo da cultura do milho está concentrado nos municípios de Lucas de Rio Verde e Sorriso. À medida que se afasta deste centro o Índice de Concentração Normalizado decresce. Figura 7. Distribuição espacial do Índice de Concentração Normalizado do milho, 2007 Fonte: Dados da pesquisa. 5.1.2. Aglomeração de atividades nas vinte cidades Para fazer um estudo sobre existência de aglomeração envolvendo milho, aves e suínos primeiramente foi calculado o índice de concentração normalizado da cultura do milho, por estar presente também na avicultura, suinocultura, além de outras atividades, devido à disponibilidade de dados relativos ao valor de produção do milho, e para estabelecer uma amostra dos vinte primeiros municípios, incorporando o efetivo de aves e suínos, além de leite e ovos, para uma perspectiva acerca da quantidade e atividades produtivas, possibilitando detectar polos de aglomeração (Tabela 8). 51 Tabela 8. Síntese da aglomeração de atividades nas vinte cidades apontadas pelo ICN, 2007 Município ICN Valor da Efetivo total Efetivo de Valor da Exportação PIB milho (US$) (mil R$) Produção de aves suínos Produção Milho (cabeças) (cabeças) Ovos (mil R$) Lucas do Rio (mil R$) 4,846 200.710,00 1.089.361 107.000 465,00 59.075.410,00 1.045.913,00 Sorriso 3,455 173.806,00 869.820 62.531 5.204,00 55.186.372,00 1.635.451,00 Nova Mutum 2,774 109.954,00 12.484.000 168.740 2.778,00 29.759.480,00 894.814,00 Sapezal 2,292 109.954,00 5.537 2.677 122,00 21.089.767,00 1.083.337,00 Campos de 2,214 72.945,00 4.429 1.199 31,00 4.754.119,00 443.703,00 1,990 96290,00 25.329 1.557 259,00 11.797.947,00 1.010.235,00 1,905 39.048,00 14.509 13.606 83,00 nd 190.054,00 1,869 90.910,00 10.697.599 63.157 59.976,00 6.921.899,00 981.028,00 Nova Ubiratã 1,849 47.524,00 43.265 4.622 237,00 0 267.207,00 Primavera do 1,450 86.689,00 450.025 18.900 176,00 40.174.450,00 1.341.471,00 Tapurah 1,390 34.362,00 217.246 23.865 147,00 9.644.123,00 228.265,00 Itanhangá 1,297 16.150,00 23.777 3.319 228,00 0 88.569,00 Santa Rita 1,025 24.150,00 3.400 19.593 8,00 nd 188.917,00 0,819 22.060,00 4.895 1.756 21,00 nd 206.914,00 Juscimeira 0,812 14.945,00 23.599 1.818 122,00 nd 122.895,00 Guiratinga 0,653 18.040,00 33.790 4.678 257,00 nd 190.506,00 Alto Taquari 0,614 32.152,00 4.869 1.065 92,00 4.931.948,00 499.647,00 Santa 0,592 7.200,00 14.874 13.542 88,00 0 65.005,00 Diamantino 0,581 38.723,00 200.800 134.649 80,00 11.418.572,00 735.452,00 Porto dos 0,548 8.340 19.907 2.512 91 nd 81.444,08 Verde Júlio Campo Novo do Parecis Ipiranga do Norte Campo Verde Leste do Trivelato Santo Antonio do Leste Carmem Gaúchos Fonte: PAM/PPM-IBGE, MDIC, 2007 O valor da produção mais elevado é de Lucas de Rio Verde, possuindo também um valor de exportação maior que os dos outros municípios. O valor da produção de milho deste município é maior que o produto interno bruto de muitos outros municípios em Mato Grosso. O município de Tapurah possui menor valor da produção, menor exportação de milho e menor Produto Interno Bruto do que o município de Diamantino, porém possui maior índice de concentração normalizado do milho se 52 explica pelo fato de o valor da produção do milho. Isto se deve ao valor da produção de milho do município de Tapurah representar cerca de 15,05% do Produto Interno Bruto, enquanto que no município de Diamantino o valor da produção representa apenas 5,26% do produto. As cidades com elevada concentração produtiva de milho, como apontada pelo Índice de Concentração Normalizado está atraindo outras atividades como será confirmado mais adiante no trabalho com outros números relativos às atividades agropecuárias. As cidades com níveis maiores de exportação de milho trazem evidências de existir aglomerações melhor organizadas e as cidades com menores níveis de exportação podem ser aglomerações com menor organização ou pequenos aglomerados produtivos. 5.1.3. A integração entre milho, avicultura, suinocultura e pecuária de leite. Para complementar os resultados, apresenta-se o resultado de efetivos de aves, e o produto de sua origem, o efetivo de rebanho suíno, atividade que também demanda grande quantidade de ração para alimentação, cujo principal insumo é o milho. E, por fim, complementa-se com a produção pecuária de leite, que também se utiliza de ração na qual se usa o grão. Os dados são da pesquisa pecuária municipal do IBGE, do ano de 2008, para as vintes cidades apontadas pelo ICN do milho, objetivando identificar pencas de arranjo produtivo locais, e a integração entre estas atividades. 53 Tabela 9. Aves, suínos, ovos e leite para os municípios do índice de concentração, 2008 Município Galos, frangas, frangos e pintos (cabeças) Galinhas (cabeças) Ovos de galinha (mil dúzias) Efetivo do Leite rebanho suíno (mil litros) (nº de cabeças) Lucas do Rio Verde 1.0066.131 Sorriso Nova Mutum Sapezal Campos de Júlio Campo Novo do Parecis Ipiranga do Norte Campo Verde 23.230 186 183.599 1.350 2.130 731.100 138.720 1.839 70.454 12.300.000 184.000 1.020 184.000 1.800 1.606 3.931 53 2.724 136 1.107 3.322 13 2.016 125 17.526 7.803 159 3.948 253 9.885 4.624 38 24.141 1.130 8.953.930 1.743.669 32.096 74.370 5.037 28.457 14.808 118 5.179 700 Primavera do Leste 223.218 226.807 69 22.760 2.033 Tapurah 210.000 7.246 58 50.801 394 14.802 8.975 91 3.359 1.115 3.000 400 5 35.000 400 Nova Ubiratã Itanhangá Santa Rita do Trivelato 1.963 2.932 10 1.745 2.335 Juscimeira 10.620 12.979 47 1.835 5.745 Guiratinga 11.805 21.985 177 4.712 3.701 1.996 2.873 39 960 884 Santo Antonio do Leste Alto Taquari Santa Carmem Diamantino Porto dos Gaúchos 6.248 8.626 34 16.114 974 189.000 11.800 46 143.000 1.971 7.337 10.862 33 2.070 984 Produção Pecuária Municipal do IBGE, 2008. Porter (1999) citado por Santos (2006) diz que: “(...) Um agrupamento geograficamente concentrado de empresas interrelacionadas e instituições correlatas numa determinada área, vinculadas por elementos comuns e complementares. O escopo geográfico varia de uma única cidade ou estado para todo um país ou mesmo uma rede de países vizinhos. Os aglomerados assumem diversas formas, dependendo de sua profundidade e sofisticação, mas a maioria inclui empresas de produtos finais, fornecedores de insumos especializados, componentes, equipamentos e serviços, instituições financeiras e empresas em setores correlatos (...)”. Verifica-se que as maiores produções de aves e do produto de sua origem, o ovo, localizam-se nas cidades onde há também especialização no cultivo de milho, destacando-se a cidade de Nova Mutum, na produção de galos, frangas, frangos e 54 pintos, e a cidade de Campo Verde, na produção de galinhas, e no produto de sua origem, o ovo. As cidades que se destacam em produção suína são Lucas de Rio Verde e Nova Mutum, praticamente com o mesmo número de cabeças em 2008, e a cidade com destaque na produção de leite entre as vinte do ICN do milho é Dom Aquino. A cidade de Campo Verde especializada em produção avícola, também possui expressiva produção de rebanho suíno. Por outro lado, Nova Mutum, especialista em suínos, possui expressiva produção avícola. Isto não ocorre com Dom Aquino, que embora possua a maior produção leiteira entre os municípios apontados pelo índice de concentração, não possui substancial produção avícola e de suínos. Isto é explicado pelo fato da avicultura e suinocultura demandar ração, empregando grande volume do grão, enquanto que a produção leiteira demanda ração que utiliza o grão em quantidade não expressiva, além de existir outros municípios, fora das vintes primeiras cidades do índice de concentração do milho, que produzem maior quantidade de leite. Outros destaques de aglomeração produtiva são os municípios de Sorriso, Primavera do Leste, Ipiranga do Norte, Tapurah, Santa Rita do Trivelato, Diamantino, Dom Aquino e Juscimeira, os quais possuem expressiva produção de milho e efetivo de aves, suínos e pecuária leiteira. Pode-se afirmar que Lucas do Rio Verde, Nova Ubiratã, Nova Mutum, Sorriso, Ipiranga do Norte, Tapurah, Santa Rita do Trivelato e Diamantino formam o primeiro polo de aglomeração envolvendo milho, aves e suínos, devido à alta escala produtiva dessas atividades. Da mesma forma, Campo Verde, Primavera do Leste, Dom Aquino e Juscimeira formam outro polo de aglomeração em análise. 5.2. Análise dos polos de aglomeração A seguir é feita uma comparação das doze cidades apontadas pelo índice de concentração normalizado do milho e com outras atividades em termos de valor da produção, evolução do aglomerado produtivo de milho, aves e suínos e descrição de atividades no mercado de trabalho para uma caracterização dos principais polos de aglomeração dessas atividades no estado de Mato Grosso. 55 Os dados estatísticos acerca da área plantada em hectares, área colhida em hectares, quantidade produzida em toneladas, e valor da produção em milhares de reais, relativos aos principais produtos agrícolas das cidades brasileiras, foram coletados a partir do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Os dados relativos às atividades no mercado formal de trabalho foram obtidos pelo Ministério do Trabalho e Emprego. A combinação dessas variáveis é importante para uma perspectiva acerca da formação de renda nos municípios em análise. 5.2.1. Polo de Lucas do Rio Verde O Relatório sobre o Desenvolvimento Mundial sustenta que alguns lugares estão se desenvolvendo bem porque conduziram mudanças nas três extensões da geografia econômica: i) maiores densidades, como se observa no crescimento das cidades; ii) distâncias menores à medida que trabalhadores e firmas se aproximam da densidade; iii) menos divisões, à medida que os locais diminuem suas fronteiras econômicas e integram seus mercados para aproveitar a escala e a especialização (BANCO MUNDIAL, 2009). Para elucidar essa concepção, o mapa contendo os municípios do primeiro polo de primeiro polo de aglomeração é apresentado na Figura 8, cujo centro geográfico é o município de Lucas do Rio Verde. 56 Figura 8. Polo da aglomeração produtiva de Lucas do Rio Verde Fonte: Dados da Pesquisa Esses municípios apresentam expressivos efetivos de aves e suínos, além de elevada produção de milho, e estão posicionados entre os vinte municípios apontados pelo índice de concentração. 5.2.1.1. Consumo de milho no polo de Lucas do Rio Verde Como a capacidade de transformação do suíno decresce a partir do sétimo mês de idade, foi preciso melhorar os animais surgindo o suíno tipo carne ao invés de banha, abatido aos cinco ou seis meses de idade, pesando de 90 a 120 quilos, com massas musculares posteriores mais ricas em carne, garantindo maior valor no mercado e maior rendimento ao criador (ASSOCIAÇÃO GOIANA DE SUINOCULTURA, 2010). Um peso ideal para se fazer uma estimativa com o estoque anual de suínos e aves em fases diversas de criação é o peso médio de abate divulgado pelo IBGE 57 que gira em torno de 81,33 kg para um suíno e 2,03 kg para uma ave, para Mato Grosso. 58 Tabela 10. Estimativa de consumo de milho pelos segmentos no polo de aglomeração de Lucas do Rio Verde, em quilogramas, 2000/2007 2000 Cabeças de Suíno 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 138.691 212.263 284.635 315.903 436.126 464.875 532.455 534.606 81,33 81,33 81,33 81,33 81,33 81,33 81,33 81,33 2,9 2,9 2,9 2,9 2,9 2,9 2,9 2,9 1,8995 1,8995 1,8995 1,8995 1,8995 1,8995 1,8995 1,8995 21.425.864 32.791.733 43.972.218 48.802.697 67.375.507 71.816.834 82.257.021 82.589.931 213.877 236.833 1.551.825 1.767.068 1.932.851 2.061.783 3.477.801 4.053.456 2,03 2,03 2,03 2,03 2,03 2,03 2,03 2,03 2,1 2,1 2,1 2,1 2,1 2,1 2,1 2,1 1,2915 1,2915 1,2915 1,2915 1,2915 1,2915 1,2915 1,2915 560.731 620.915 4.068.489 4.632.802 50.674.424 5.405.469 9.117.907 10.627.128 21.986.595 33.412.649 48.040.707 53.435.498 1.18E+08 77.222.304 91.374.928 93.216.449 - - - - - 1.140.184.678 1.364.536.985 1.474.468.262 Importação de Milho Kg nd nd nd nd nd 0 0 0 Exportação de Milho kg nd nd nd nd nd 18.477.018 201.596.086 938.534.288 Produção Regional Kg - - - - - 1.235.884.000 1.657.508.000 2.506.219.000 Mercado Interno kg - - - - - 1.217.406.982 1.455.911.914 1.567.684.712 Kg médio por cabeça Kg ração/kg suíno Kg de milho/kg de suíno Kg de milho total estimado de consumo pelos suínos Cabeças de aves (frango + galinhas) Kg médio por cabeça Kg ração/kg ave Kg de milho/kg ave Kg de milho total estimado de consumo pelas aves Total estimado de consumo por aves e suínos Consumo Humano, Pec. Leite, Ind., Perdas, comércio interregião kg 59 Fonte: IBGE, MDIC, ABIMILHO. Elaboração Própria. 60 A Tabela 10 mostra uma estimativa do consumo de milho pelos segmentos no primeiro polo. O consumo do mercado interno considera a produção regional, subtraindo-se as exportações e adicionando-se as importações. A estimação da quantidade consumida pelas aves e suínos é feita por meio da relação entre quantidade de ração por quilo de animal, e o percentual de milho requerido em cada quilo de ração. O consumo humano, mais o uso industrial, mais a pecuária leiteira, mais as perdas, etc. são estimados subtraindo-se o total consumido pelas aves e suínos do consumo aparente. Para a estimativa de consumo de milho no primeiro polo de aglomeração, nota-se considerável aumento do consumo do milho na suinocultura, assim como na avicultura, no período entre 2000 e 2007. Devido à maior especialização na suinocultura, ao maior ciclo de vida e ao maior porte do suíno, o consumo de milho pela criação suína é maior do que o consumo pelas aves nesta região. O consumo humano mais o industrial, pecuária leiteira e comércio interregiões deveria aparecer em um montante bem menor do que o consumo pelos animais, mas aparece num montante bem maior que o esperado. Isto se explica pelo fato de estas regiões serem especializadas na produção do grão, sendo de se esperar geração de excedentes que podem estar sendo direcionados aos municípios vizinhos à região, ou seja, faz parte do comércio inter-regional. Percebe-se um crescimento da importância do consumo do milho pelos animais ao longo dos anos em análise. A seguir, faz-se a análise de cada município de cada polo produtivo. Lucas do Rio Verde Cada cultura tem utilidades diferentes, ou seja, propriedades diversificadas que satisfazem as diversas necessidades econômicas do ser humano. Mas é útil destacar o valor da produção em milhares de reais, com o cultivo do milho se posicionando em segundo lugar, com R$ 200.710,00, após a cultura da soja, na cidade de Lucas de Rio Verde, em 2007 (Tabela 11). O milho obteve segunda posição também em área plantada e área colhida, mas em quantidade produzida superou a soja, obtendo a primeira colocação. Desta forma esse grão foi de grande importância nesta cidade para a geração de renda. Também foram produzidos em 2007, algodão, arroz, feijão e sorgo. 61 Tabela 11. Lucas do Rio Verde – Áreas plantadas e colhidas, quantidade produzida e valor da produção, 2007 Cultura Área Plantada Área Colhida Quantidade Valor em R$ (ha) (ha) Produzida (ton) 1.000 Algodão Herbáceo 15.015 15.015 57.372 52.323 (em caroço) (ton) Arroz (em casca) (ton) 160 160 480 164 Feijão (em grão) (ton) 1.000 1000 2.580 3.096 Milho (em grão) (ton) 175.073 175.073 709.221 200.710 Soja (em grão) (ton) 215.535 215.535 623.758 232.662 5.000 5.000 12.000 1.920 Sorgo granífero (em grão) (ton) Fonte: IBGE, Produção Agrícola Municipal e Pesquisa Pecuária Municipal. Se um setor está crescendo ao longo do tempo, enquanto outras atividades estão em declínio, é possível apontar a indústria motriz ou setor dinâmico do local. Conforme os dados do IBGE, nos municípios em análise as atividades relacionadas com o cultivo do milho e a criação de aves, estiveram em ascensão, enquanto outras estavam em queda. Este é um tipo de análise diferencial-estrutural que consiste, basicamente, na descrição do crescimento econômico de um local nos termos de sua estrutura produtiva (CROCCO; DINIZ, 2006). A Tabela 12 mostra a evolução da concentração produtiva envolvendo o milho as aves e os suínos no município de Lucas do Rio Verde. A cultura do milho é expressa em toneladas e a avicultura e suinocultura são expressas em efetivo de rebanho, ou seja, número de cabeças. Tabela 12. Cultura do milho, avicultura e suinocultura em Lucas do Rio Verde – quantidade produzida, 2000/2007 Milho (ton) Galinha 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 215.414 188.110 368.400 588.000 332.030 529.326 596.030 709.221 52.261 53.829 55.445 55.443 55.443 58.215 64.036 23.230 18.602 19.160 19.735 19.734 39.734 20.721 22.793 182.000 30.861 32.028 54.632 62.988 82.050 86.362 94.990 107.000 (cabeças) Frango (cabeças) Suíno (cabeças) Fonte: IBGE – Produção Agrícola Municipal e Pesquisa Pecuária Municipal 62 O milho teve uma trajetória de ascensão no período, passando de 215.414 toneladas em 2000 para 709.221 toneladas em 2007. As atividades da avicultura e suinocultura sempre estiveram em ascensão no período. A queda no número de galinhas entre 2006 e 2007 foi mais do que compensada pelo número de frangos. Uma vez que estes setores estão estritamente relacionados, de acordo com os números expostos antes e considerando a definição de Porter dada anteriormente, percebe-se uma aglomeração das três atividades cada vez mais crescente, contribuindo para o crescimento do produto interno bruto do município e geração de renda, que é um importante atributo na análise de desenvolvimento, que leva em consideração, o crescimento sustentado de renda e outros aspectos sociais. Para se ter um melhor perfil do município em termos de atividade produtiva, aponta-se as ocupações entre as vinte com maiores saldo (admissão menos desligamento) entre todos os setores do município, e que estão relacionadas com as atividades estudadas, entre janeiro de 2003 e abril de 2010, registradas pelo Ministério do Trabalho e Emprego: abatedor, com saldo de 2.924; motorista de caminhão (rotas regionais e internacionais) com 408; trabalhador agropecuário em geral, com 240; operador de máquinas de beneficiamento de produtos agrícolas, com 120; trabalhador da avicultura de corte, com 82; e, mecânico em manutenção de máquinas em geral, com 82. Sorriso Em Sorriso, o cultivo de milho atingiu o segundo lugar no ano de 2007 em termos de valor de produção, com R$ 173.806,00, sendo apenas superado pela soja. Dessa forma, foi um dos principais produtos cultivados e de grande importância para a economia local, na formação de renda (Tabela 13). 63 Tabela 13. Sorriso – Áreas plantadas e colhidas, quantidade produzida e valor da produção, 2007. Cultura Área Plantada Área Colhida Quantidade Valor em R$ (ha) (ha) Produzida 1.000 (ton) Algodão Herbáceo 21.110 21.110 73.115 66.681 Arroz (em casca) (ton) 7.115 7.115 20.491 8.196 Feijão (em grão) (ton) 4.415 4.415 11.416 13.699 Milho (em grão) (ton) 228.266 228.266 755.678 173.806 Soja (em grão) (ton) 543.000 543.000 1.662.666 631.813 4.000 4.000 6.000 840 (em caroço) (ton) Sorgo granífero (em grão) (ton) Fonte: IBGE, Produção Agrícola Municipal De acordo com a Tabela 14, as atividades relacionadas com o cultivo de milho estiveram em ascensão, assim como as atividades relacionadas com as atividades da avicultura. As atividades relacionadas com a suinocultura cresceram até 2006, momento a partir do qual teve uma leve queda. Desta forma, houve uma crescente aglomeração dessas atividades durante o período, gerando uma progressiva acumulação, indicando um fortalecimento na dinâmica econômica do município e permanente contribuição na constituição de renda. Tabela 14. Cultura do milho, avicultura e suinocultura em Sorriso, quantidade produzida, 2000/2007 Milho (ton) Galinha 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 131.529 166.207 265.680 189.800 334.800 183.000 400.297 755.678 58.025 59.766 60.962 62.790 62.790 65.867 69.160 138.787 10.931 11.259 92.281 122.281 792.000 831.600 873.180 731.177 63.000 64.890 66.190 67.175 83.175 89.565 98.522 62.531 (cabeças) Frango (cabeças) Suíno (cabeças) Fonte: IBGE – Produção Agrícola Municipal e Pesquisa Pecuária Municipal. As ocupações entre as vinte com maiores saldo (admissão menos desligamento) entre todos os setores do município, e que estão relacionadas com as atividades estudadas, segundo o Ministério do Trabalho, no período de janeiro de 2003 e abril de 2010, foram: abatedor, com saldo de 466; operador de máquina de 64 beneficiamento de produtos agrícolas, 223; trabalhador volante na agricultura, 146; e, motorista de caminhão (rotas regionais e internacionais), 105. Nova Mutum No tocante ao valor da produção, o cultivo de milho apareceu em segunda colocação, com R$ 118.905,00, após o cultivo da soja, na cidade de Nova Mutum, sendo uma das principais lavouras temporárias, constituindo uma importante cultura para a geração de renda, contribuindo para o crescimento econômico local (Tabela 15). Tabela 15. Nova Mutum – Áreas plantadas e colhidas, quantidade produzida e valor da produção, 2007 Cultura Área Plantada Área Colhida Quantidade Valor em R$ (ha) (ha) Produzida 1.000 Algodão Herbáceo (em caroço) (ton) 24.486 Arroz (em casca) (ton) 24.486 88.389 80.616 3.000 3.000 9.000 3.024 Milho (em grão) (ton) 101.333 101.333 424.660 118.905 Soja (em grão) (ton) 310.000 310.000 970.610 339.714 5.833 5.833 13.416 1.780 Sorgo Granífero (em grão) (ton) Fonte: IBGE, Produção Agrícola Municipal Conforme a Tabela 16, as atividades relacionadas com o cultivo de milho estiveram em ascensão. As atividades relacionadas com a avicultura e suinocultura estiveram em crescimento. Assim, houve crescente aglomeração dessas atividades. Tabela 16. Cultura do milho, avicultura e suinocultura em Nova Mutum, quantidade produzida, 2000/2007 2000 Milho 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 84.224 37.398 72.510 238.619 299.820 179.532 217.420 424.660 9.781 8.660 8.920 13.420 44.000 48.400 100.862 121.709 8.643 31.193 1.260.000 1.270.000 770.050 847.055 2.139.000 2.581.106 20.795 21.419 32.281 32.762 75.387 82.926 105.493 168.740 (ton) Galinha (cabeças) Frango (cabeças) Suíno (Cabeças) Fonte: IBGE – Pesquisa Pecuária Municipal e Pesquisa Pecuária Municipal. 65 As profissões entre as vinte com maiores saldo (admissão menos desligamento) entre todos os setores do município, e que possuem afinidade com as atividades estudadas, segundo o Ministério do Trabalho, no período de janeiro de 2003 e abril de 2010, foram: trabalhador volante na agricultura, com 342; tratorista agrícola, 136; trabalhador agropecuário em geral, 104; motorista de caminhão (rota regional e internacional), 101; trabalhador na avicultura de postura, 86; trabalhador na suinocultura, 70; técnico agrícola, 70. Ipiranga do Norte Nesta cidade o milho aparece em segundo lugar, no que tange ao valor da produção, com R$ 39.048,00, perdendo para a soja. Desta forma, a cultura foi uma das culturas temporárias importantes para a economia local (Tabela 17). A cidade de Ipiranga do Norte apareceu em primeira colocação ao se considerar o Quociente Locacional, o qual não considera algumas especificidades estruturais dos municípios. Tabela 17. Ipiranga do Norte – Áreas plantadas e colhidas, quantidade produzida e valor da produção, 2007 Cultura Área Plantada Área Colhida (ha) Quantidade Valor em R$ 1.000 Produzida Algodão Herbáceo (em caroço) (ton) 3.102 3.102 9.551 8.711 Arroz (em casca) (ton) 2.000 2.000 7.200 2.038 350 350 84 67 Mamona (em baga) (ton) Milho (em grão) (ton) Soja (em grão) (ton) Sorgo granífero (em grão) (ton) 42.900 42.900 167.588 39.048 120.000 120.000 374.400 140.400 800 800 2.000 320 Fonte: IBGE, Produção Agrícola Municipal A cidade não é muito diversificada em termos de quantidade de produtos, e ao mesmo tempo as áreas plantada e colhida, a quantidade produzida e o valor da produção são bem menores que em Lucas do Rio Verde, que apareceu em primeira colocação no ranking do índice de concentração. Conforme a Tabela 18, de acordo com os dados disponíveis pelo IBGE, as atividades relacionadas com a cultura do milho estiveram em ascensão no período, assim como a criação de aves e suínos, levando a perceber uma crescente 66 integração no espaço destas atividades, indicando fortalecimento no agrupamento de atividades no município. Tabela 18. Cultura do milho, avicultura e suinocultura em Ipiranga do Norte, quantidade produzida, 2005/2007 2005 Milho (ton) 2006 2007 136.156 141.873 167.588 Galinha (cabeças) 2.000 2.200 4.024 Frango (cabeças) 4.500 4.950 9.585 Suíno (cabeças) 2.300 2.530 13.606 Fonte: IBGE - Pesquisa Pecuária Municipal e Pesquisa Pecuária Municipal. Os empregos entre os vinte com maiores saldo (admissão menos desligamento) entre todos os setores do município, e que estão relacionadas com as atividades pesquisadas, segundo o Ministério do Trabalho, no período de janeiro de 2003 e abril de 2010, foram: trabalhador na suinocultura, com saldo de 104; trabalhador volante da agricultura, tratorista agrícola, 38; motorista de caminhão (rotas regionais e internacionais), 17; trabalhador agropecuário em geral, 7; técnico agrícola, 6; e, supervisor de exploração agrícola, 6. Nova Ubiratã Em Nova Ubiratã, a produção milho apareceu em segunda, vindo atrás da cultura da soja, com relação ao valor de produção, com R$ 47.524,00, e também áreas plantada e colhida e quantidade produzida, constituindo importante cultura para o a economia local (Tabela 19). Tabela 19. Nova Ubiratã – Áreas plantadas e colhidas, quantidade produzida e valor da produção, 2005 Cultura Algodão Herbáceo (em caroço) (ton) Área Plantada Área Colhida Quantidade Valor em R$ (ha) (ha) Produzida 1.000 10.880 10.880 35.440 32.321 Arroz (em casca) (ton) 8.413 8.413 27.763 9.162 Feijão (em grão) (ton) 502 502 378 1.597 Mamona (baga) (ton) 200 200 156 125 Milho (em grão) (ton) Soja (em grão) (ton) Sorgo granífero (em grão) (ton) 63.070 63.070 206.624 47.524 205.557 205.557 576.328 201.734 1.500 1.500 3.750 600 67 Fonte: IBGE, Produção Agrícola Municipal Considerando a Tabela 20, atividades relacionadas com o cultivo do milho estiveram em ascensão, assim como as atividades relacionadas com a avicultura e suinocultura, indicando um fortalecimento na aglomeração no município e permanente contribuição na constituição de renda. Tabela 20. Cultura do milho, avicultura e suinocultura em Nova Ubiratã, quantidade produzida, 2000/2007 2000 Milho (ton) Galinha 2006 2007 22.773 2001 8.340 2002 21.000 2003 17.808 2004 54.080 2005 50.850 122.892 206.624 2.038 2.120 2.184 2.315 2.315 2.431 2.552 14.808 401 417 434 458 458 481 505 25.216 1.785 1.837 1.891 1.964 1.964 2.062 2.268 4.622 (cabeças) frango (cabeças) Suíno (cabeças) Fonte: IBGE – Produção Agrícola Municipal e Pesquisa Pecuária Municipal As principais ocupações relacionadas com as atividades em análise que estão entre as vinte com maiores saldos (admissão menos desligamento) entre todos os setores do município, segundo o Ministério do Trabalho, no período de janeiro de 2003 e abril de 2010, foram: trabalhador volante na agricultura, com saldo de 178; operador de máquina de beneficiamento de produto agrícola, 101; motorista de caminhão (rotas regionais e internacionais), 83; trabalhador agropecuário em geral, 41; técnico agrícola, 12. Tapurah Em Tapurah o milho obteve a segunda colocação em termos de valor de produção em 2007, áreas plantada e colhida e quantidade produzida, vindo depois da soja, constituindo importante produto para a economia local. O valor da produção do milho naquele ano foi de R$ 34.362,00 (Tabela 21). Tabela 21. Tapurah – Áreas plantadas e colhidas, quantidade produzida e valor da produção, 2007 Cultura Área Plantada Área Colhida Quantidade Valor em R$ (ha) (ha) Produzida 1.000 68 Algodão herbáceo (em caroço) (ton) 7.120 7.120 30.032 27.389 Arroz (em grão) (ton) 2.000 2.000 3.880 1.098 Milho (em grão) (ton) 38.180 38.180 137.448 34.362 112.274 112.274 338.731 119.911 2.000 2.000 2.400 336 Soja (em grão) (ton) Sorgo Granífero (em grão) (ton) Fonte: IBGE – Produção Agrícola Municipal Segundo a Tabela 22, as atividades relacionadas com o cultivo do milho estiveram em ascensão, assim como as atividades relacionadas com avicultura e suinocultura, apontando um fortalecimento na aglomeração das atividades no município possibilitando concluir pela concentração de mão de obra, insumos intermediários, processos de aprendizagem contínua e interativa entre trabalhadores, fortalecendo a formação do produto e da renda do município. Tabela 22. Cultura do milho, avicultura e suinocultura em Tapurah, 2000/2007 2002 2003 2004 2005 Milho (ton) 2000 53.286 2001 89.325 152.100 202.800 133.200 134.400 2006 96.250 137.448 2007 Galinha 21.724 22.376 23.048 23.739 23.739 15.108 16.619 7.341 Frango (cabeças) 12.544 12.920 13.308 13.707 13.707 7.963 8.759 16.453 Suíno (cabeças) 10.811 15.825 16.276 18.920 20.416 19.898 21.888 23.865 (cabeças) Fonte: IBGE – Produção Agrícola Municipal e Pesquisa Pecuária Municipal. As profissões entre as vinte com maiores saldo (admissão menos desligamento) entre todos os setores do município, e que estão relacionadas com as atividades em análise, segundo o Ministério do Trabalho, no período de janeiro de 2003 e abril de 2010, foram: trabalhador agropecuário em geral, com saldo de 247; trabalhador da suinocultura, 151; trabalhador volante da agricultura, 84; trabalhador da avicultura de corte, 55; motorista de caminhão (rotas regionais e internacionais), 54; operador de máquinas de beneficiamento de produtos agrícolas, 19; e, técnico agrícola, 19. Santa Rita do Trivelato Em Santa Rita do Trivelato a cultura do milho obteve a terceira posição em termos de valor de produção, com R$ 24.150,00, sendo superado pela soja e pelo algodão (Tabela 23). 69 Porém, o milho superou o algodão em termos de área plantada e colhida e quantidade produzida, obtendo a segunda colocação, constituindo importante produto para a economia local. Tabela 23. Santa Rita do Trivelato – Áreas plantadas e colhidas, quantidade produzida e valor da produção, 2007 Cultura Área Plantada Área Colhida Quantidade Valor em R$ (ha) (ha) Produzida 1.000 Algodão herbáceo (em caroço) (ton) 10.984 10.984 39.994 36.475 Arroz (em casca) (ton) 3.000 3.000 9.000 2.970 Milho (em grão) (ton) 35.000 35.000 105.000 24.150 144.000 144.000 436.320 152.712 2.000 1.600 4.800 768 Soja (em grão) (ton) Sorgo granífero (em grão) (ton) Fonte: IBGE, Produção Agrícola Municipal Analisando a Tabela 24, verifica-se que a cultura de milho teve ascensão no período, assim com a criação de aves e suínos, verificando-se um crescimento na aglomeração destas atividades no município, fator importante no crescimento do produto interno e formação de renda. Tabela 24. Cultura do milho, avicultura e suinocultura em Santa Rita do Trivelato, 2000/2007 2001 Milho (ton) Galinha (cabeças) Frango (cabeças) Suíno (cabeças) 2002 2003 2004 2005 2006 2007 16.542 73.743 67.060 71.080 22.620 82.746 105.000 800 824 910 950 998 1.097 420 709 731 850 1.250 1.313 1.444 1.300 3.691 3.801 3.945 11.666 12.541 20.621 19.593 Fonte: IBGE – Pesquisa Agrícola Municipal e Pesquisa Pecuária Municipal. Os empregos entre as vinte com maiores saldo (admissão menos desligamento) entre todos os setores do município, e que estão relacionadas com as atividades examinadas, de acordo com o Ministério do Trabalho, no período de janeiro de 2003 e abril de 2010, foram: trabalhador volante da agricultura, com 70 saldo de 54; trabalhador agropecuário em geral, 25; técnico agrícola, 9; operador de máquinas de beneficiamento de produtos agrícolas, 4; mecânico de manutenção de máquinas agrícolas, 3; supervisor de exploração agrícola, 3. Diamantino Em Diamantino o cultivo de milho perde para a soja, no tocante às áreas plantada e colhida, quantidade produzida e valor da produção. O valor de produção do milho foi de R$ 38.723,00 (Tabela 25). Tabela 25. Diamantino – Áreas plantadas e colhidas, quantidade produzida e valor da produção, 2007 Cultura Algodão herbáceo (em caroço) (ton) Área Plantada Área Colhida Quantidade Valor em R$ (ha) (ha) Produzida 1.000 37.017 37.017 138.637 126.437 20 20 14 19 Arroz (em casca) (ton) 5.000 5.000 12.000 4.032 Feijão (em grão) (ton) 1.280 1.280 2.598 2.598 Amendoim (em casca) (ton) Milho (em grão) (ton) Soja (em grão) (ton) Sorgo granífero (em grão) (ton) 49.898 49.898 179.273 38.723 276.660 276.660 796.147 298.555 300 300 540 72 Fonte: IBGE, Produção Agrícola Municipal Também perde para o algodão em termos de valor da produção, embora as áreas plantadas e colhidas e quantidade produzida sejam maiores. Assim, o milho constitui importante produto para a formação de renda. Outras culturas temporárias expressivas foram: amendoim, arroz, feijão. Em Diamantino houve fortalecimento nas atividades de cultivo de milho, e criação de aves e suínos, permitindo induzir um efeito de encadeamento à montante e à jusante dessas atividades produtivas, contribuindo para o crescimento sustentável do produto interno bruto e a renda (Tabela 26). O Ministério do Trabalho e Emprego registrou para Diamantino, entre janeiro de 2003 a abril de 2010, as seguintes profissões relacionadas com os setores em análise, que possuem maiores saldos (admissão menos desligamento) e que 71 estão entre as vinte de todos os setores: trabalhador volante na agricultura, com saldo de 1.084; operador de máquinas de beneficiamento de produtos agrícolas, 68; trabalhador da suinocultura, 41, técnico agrícola, 31; abatedor, 29; tratorista agrícola. 19. Tabela 26. Cultura do milho, avicultura e suinocultura em Diamantino, quantidade produzida, 2000/2007 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 Milho (ton) 37.505 30.900 45.621 38.448 39.572 122.889 179.273 179.273 Galinha 13.424 7.965 8.115 8.358 4.000 8.845 9.729 11.300 5.503 5.668 5.838 173.063 122.415 146.286 160.915 185.000 11.439 72.573 109.564 158.149 161.468 169.221 186.143 134.649 (cabeças) Frango (cabeças) Suíno (cabeças) Fonte: IBGE – Produção Agrícola Municipal e Pesquisa Pecuária Municipal. Desta forma, conforme mostrado pelo mapa e pela descrição dos municípios, existe uma aglomeração espacial objetivando a redução dos custos de transporte de matéria-prima e produto final e aproveitamento das economias externas fornecidas pela proximidade. 5.2.1.2. Produto Interno Bruto do primeiro polo de aglomeração O Produto Interno Bruto – PIB é principal indicador da atividade econômica dos municípios, o PIB - Produto Interno Bruto, que expressa a soma (em valores monetários) de todos os bens e serviços finais produzidos nas cidades de Diamantino, Ipiranga do Norte, Lucas do Rio Verde, Nova Mutum, Nova Ubiratã, Santa Rita do Trivelato, Sorriso e Tapurah é mostrado na Tabela 27, e o gráfico de participação na composição do Produto Interno Bruto da é mostrado na Figura 9. Tabela 27. Composição do PIB no primeiro polo de aglomeração, 2007 Agropecuária Diamantino Indústria Serviços Ad. Pública Impostos PIB 360.975,20 27.965,21 286.127,70 40.073,48 60.384,08 735.452,10 105.929,44 6.285,91 59.532,44 9.015,69 18.306,70 190.054,48 Ipiranga do Norte 72 Lucas do Rio Verde 303.749,02 80.947,88 516.490,86 66.394,36 144.725,42 1.045.913,17 Nova Mutum 349.858,32 90.534,49 356.497,30 51.589,47 97.923,42 894.813,53 Nova Ubiratã 184.256,68 10.212,44 58.459,67 18.370,86 14.278,31 267.207,09 Trivelato 131.160,71 2.692,42 42.108,69 6.510,72 12.955,42 188.917,23 Sorriso 519.231,51 153.071,79 764.467,54 107.082,28 198.680,23 1.635.451,06 Tapurah 129.508,53 11.713,82 72.462,33 19.322,39 14.580,39 228.265,06 2.084.669,40 383.423,95 2.156.146,51 318.359,25 561.833,96 5.186.073,73 Santa Rita Total da Região Fonte: IBGE Pela Figura 9, o setor de serviços apareceu em primeiro lugar na composição do Produto Interno Bruto nos municípios de Lucas do Rio Verde, Sorriso e Nova Mutum em 2007. Houve maior destaque para o setor agropecuário em Dom Aquino, Ipiranga do Norte, Nova Ubiratã, Santa Rita do Trivelato e Tapurah. A diferença entre um setor e outro não possui uma magnitude expressiva. 2500000 2000000 1500000 Agropecuária 1000000 Indústria Serviços 500000 0 Figura 9. Composição do Produto Interno Bruto no primeiro polo de aglomeração, 2007 Fonte: Elaboração própria Considerando a região como um todo, o setor de serviços teve maior destaque na composição do produto interno da região, mas com uma diferença não 73 substancial. A proximidade geográfica das firmas admite o advento de outras atividades acessórias, abastecendo a indústria principal com instrumentos e matériasprimas, levando a uma economia de material. A presença de fornecedores de bens e serviços é uma importante fonte de economias externas, sobretudo no que tange ao processo de conhecimento suscitado por meio do relacionamento entre empresas e seus fornecedores. Sendo esta região altamente especializada em milho, aves e suínos, pode-se concluir por uma integração maior entre os setores de atividade econômica em torno dessas três atividades, existindo empresas gerando expressivo número de empregos formais entre todas as atividades, como mostrado anteriormente, e um potencial maior para formação de agricluster melhor organizado, em comparação com segundo pólo, que será abordado adiante, devido à maior densidade, exportação de produtos entre outros elementos. 5.2.1.3. Distribuição da renda A Tabela 28 aponta a porcentagem da renda apropriada por estratos da população nos municípios do primeiro polo de aglomeração produtiva de milho aves e suínos, nos anos de 1991 e 2000, exceto para Ipiranga do Norte e Santa Rita do Trivelato, para os quais os dados não estavam disponíveis. Tabela 28. Porcentagem da renda apropriada por estratos da população do primeiro polo, 1991 e 2000 1991 Município Lucas do Rio 2000 20% 80% 20% 20% 80% 20% mais pobres mais pobres mais ricos mais pobres mais pobres mais ricos 2,7 34,6 65,4 4,0 39,8 60,2 Sorriso 3,5 39,5 60,5 2,8 31,6 68,4 Nova Mutum 3,8 40,3 59,7 3,0 33,5 66,5 Nova Ubiratã 2,5 24,3 75,7 1,9 37,3 62,7 Tapurah 3,6 33,7 66,3 0,5 26,8 73,2 Diamantino 2,5 28,7 71,3 1,6 31,9 68,1 Verde Fonte: PNUD, 2003 Na região mostrada pela Tabela 28, apenas em Lucas do Rio Verde e Nova Ubiratã houve uma melhora não muito expressiva, entre 1991 e 2000. Nos outros 74 municípios houve um agravamento na situação da apropriação da renda pelos estratos da população no período em análise. 5.2.1.4. Fatores locacionais para o primeiro polo de aglomeração No atual estágio da sociedade, o espaço geográfico está sendo organizado de forma distinta entre as regiões, e conforme o caso, dentro de uma mesma região. Desta forma, nos países industrializados e de alta densidade demográfica, ele se exterioriza de forma contínua, por meio da sucessão de culturas, das vias de transporte e comunicações e da distribuição de cidades, vilas e povoados (ANDRADE, 1998). No mundo moderno, em que prevalece o sistema capitalista, existe uma estrutura de transportes e comunicações bem articulada que faz convergir a produção para os centros polarizados urbanos mais importantes, permitindo aos mais ricos entre eles o controle e o domínio do espaço. Também no meio rural existe uma especialização na produção dos diversos gêneros e produtos, frente à possibilidade do acesso aos centros urbanos para onde se destina a maior parte da produção (ANDRADE, 1998). A Figura 10 mostra os municípios selecionados para o polo de especialização produtiva de milho e suínos, detectado neste trabalho, uma vez que possui concentração das atividades relacionadas com o milho. 75 Figura 10. Municípios selecionados do primeiro polo de aglomeração Fonte: www.matogrossoeseusmunicipios.com.br, 2010 Verifica-se que o principal eixo viário da primeira aglomeração é a rodovia federal BR 163, além de outras rodovias estaduais, que constituem um modal de transporte importante para a circulação de mercadorias, pessoas, conceitos, inovações, etc, entre os municípios e para o escoamento da produção para o exterior. 5.2.1.5. Indicador padronizado de contribuição setorial para o polo de Lucas do Rio Verde Economia de escala em produção, movimento de mão de obra e capital, além de custo de transporte em queda, devido a proximidade, se interagem para produzir célere crescimento em cidades e países, grandes ou pequenos. Esses elementos formam o motor de qualquer economia. A sua função essencial na prosperidade e redução de pobreza é o objeto dos três primeiros capítulos do texto 76 sobre economia mais influente jamais escrito, A Riqueza das Nações, de Adam Smith (BANCO MUNDIAL, 2009). Se existe especialização na produção em algum local com certeza sua contribuição para o crescimento e desenvolvimento será expressivo. Para se ter uma perspectiva numérica acerca da contribuição dos setores produtivos de milho, aves e suínos no Produto Interno Bruto, considerados individualmente e em conjunto, foi feito o indicador padronizado de contribuição entre as doze cidades da aglomeração produtiva de milho, aves e suínos. Posto que não está disponível o valor da produção para aves e suínos vivos, e que a produção de milho é dada em toneladas e o efetivo de rebanho de aves e suínos é dada em número de cabeças, e que o Produto Interno Bruto é medido em reais, foi feita a padronização para se ter uma perspectiva quantitativa da contribuição econômica destes setores produtivos. A Tabela 29 aponta os números para os oito municípios do primeiro polo. Entre as oito cidades do primeiro polo observadas, as maiores produções da cultura do milho estão em Lucas do Rio Verde, e Nova Mutum, por ordem de indicador. Os indicadores apontam menor importância da avicultura neste polo. As produções mais expressivas da suinocultura estão em Nova Mutum e Diamantino, por ordem de indicador. Considerando as três atividades em conjunto, o maior destaque está em Nova Mutum. Tabela 29. Indicador de contribuição setorial para milho, aves e suínos, 20072 Indicador padrão Indicador padrão Indicador padrão Indicador padrão Indicador de para milho para galinha para frango para suíno contribuição setorial Lucas do Rio Verde 2,374 -0,410 -0,494 1,294 2,764 Sorriso 1,057 -0,039 -0,083 0,099 1,033 Nova Mutum 1,243 -0,233 1,220 4,452 6,683 0,395 0,500 0,774 2,256 Ipiranga Norte Nova Ubiratã 0,585 0,476 0,445 0,592 1,147 2,662 Tapurah 0,797 0,442 0,542 0,619 2,381 Santa Rita do 0,886 0,402 0,502 0,652 2,444 -2,892 -2,070 -2,307 9,107 1,837 Trivelato Diamantino 2 Para calcular o índice faz-se a padronização da variável em questão de cada setor, calculando a diferença em relação à média e dividindo o resultado pelo desvio padrão, permitindo fazer a soma dos setores que apresentam variáveis diferentes, para obter o índice padronizado. 77 Fonte: IBGE. Elaboração Própria Na realidade a contribuição do conjunto de atividades é bem maior do que um indicador possa apontar, uma vez que existe ainda a transformação dos insumos básicos milho, aves e suínos, em outros produtos processados pelas indústrias, exportação, geração de emprego, cuja renda acaba sendo consumida em outras atividades, existindo também a interação com setor de serviços que se instalam na região em função dessas atividades primárias, ajudando a multiplicar a renda da região devido aos seus contínuos investimentos produtivos. 5.2.2. Polo de Campo Verde O segundo polo de concentração produtiva é apresentado pela Figura 11, envolvendo as cidades de Primavera do Leste, Campo Verde e Dom Aquino e Juscimeira. Os municípios de Campo Verde, Dom Aquino, Primavera do Leste e Juscimeira estão entre os vinte municípios apontados pelo índice de concentração normalizado e possuem, em conjunto, expressivos efetivos de aves e suínos ou produção leiteira. 78 Figura 11. Polo da aglomeração produtiva de Campo Verde Fonte: dados da pesquisa As cidades vizinhas impactam o progresso mútuo, a proximidade de municípios ricos traz prosperidade e a proximidade com municípios pobres prejudica. A transição da atividade rural para a industrial é ajudada, e não prejudicada por um setor agrícola saudável, que ajuda as cidades pequenas e grandes a prosperarem (BANCO MUNDIAL, 2009). 5.2.2.1. Consumo de milho no polo de Campo Verde As crescentes densidades de instalações humanas, migrações de trabalhadores e empresários para abreviar distâncias até os mercados são fundamentais para o sucesso do desenvolvimento econômico. A Tabela 30 indica a estimativa de consumo de milho pelos segmentos no segundo polo de aglomeração. Pelo fato de esta região ter maior especialização na criação de aves do que de suínos, a demanda por milho é maior na avicultura do que na suinocultura. 79 Tabela 30. Estimativa de consumo de milho pelos segmentos no polo de aglomeração produtiva de Campo Verde, em quilograma, 2000/2007 2000 Cabeças de Suíno 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 34.103 42.336 42.651 49.290 59.438 61.380 59.805 89.602 81,33 81,33 81,33 81,33 81,33 81,33 81,33 81,33 2,9 2,9 2,9 2,9 2,9 2,9 2,9 2,9 1,8995 1,8995 1,8995 1,8995 1,8995 1,8995 1,8995 1,8995 5.268.447 6.540.333 6.588.997 7.614.631 9.182.359 9.482.371 9.239.055 13.842.284 6.502.238 6.468.429 7.092.069 7.168.740 7.140.212 6.964.649 7.756.385 11.637.228 2,03 2,03 2,03 2,03 2,03 2,03 2,03 2,03 2,1 2,1 2,1 2,1 2,1 2,1 2,1 2,1 1,2915 1,2915 1,2915 1,2915 1,2915 1,2915 1,2915 1,2915 17.047.210 16.958.571 18.593.596 18.794.608 18.719.815 18.259.533 20.335.263 30.509.844 22.315.657 23.498.905 25.182.593 26.409.240 27.902.174 27.741.904 29.574.318 44.352.128 - - - - - 423.203.159 546.692.191 695.235.010 Importação de Milho Kg nd nd nd nd nd 0 0 0 Exportação de Milho kg nd nd nd nd nd 309.936 825.490 39.467.861 Produção Local Kg - - - - - 451.255.000 577.092.000 779.055.000 Mercado interno kg - - - - - 450.945.064 576.266.510 739.587.139 Kg médio por cabeça Kg ração/kg suíno Kg de milho/kg de suíno Kg de milho total estimado de consumo pelos suínos Cabeças de aves (frangos + galinhas) Kg médio por cabeça Kg ração/kg ave Kg de milho/kg ave Kg de milho total estimado de consumo pelas aves Total estimado de consumo por aves e suínos Cons. Humano, Pec. Leite, Ind., Perdas, comércio inter-região. Kg Fonte: IBGE, MDIC, ABIMILHO. Elaboração Própria. 80 A intensidade do consumo humano, industrial e comércio interno se explica pela especialização da produção de milho, cujo excedente pode estar sendo direcionado aos outros municípios vizinhos que não são muito especializados na produção do grão, quer dizer, faz parte do comércio inter-regional. A seguir, detalham-se as características de cada município do polo de Campo Verde. Campo Verde A cidade de Campo Verde é a cidade que apresenta mais produtos na agricultura dentre as cidades apontadas pelo índice de concentração. O milho se posiciona em terceiro lugar, em termos de valor de produção, com R$ 90.910,00 após o cultivo de algodão e soja (Tabela 31). Tabela 31. Campo Verde – Áreas plantadas e colhidas, quantidade produzida e valor da produção, 2007 Cultura Área Área Quantidade Valor em R$ Plantada(ha) Colhida(ha) Produzida 1.000 Algodão Herbáceo (em caroço) (ton) Arroz (em casca) (ton) 73.623 73.623 314.873 308.576 300 300 630 246 Feijão (em grão) (ton) 5.754 5.754 6.742 8.090 Milho (em grão) (ton) 68.986 68.986 343.058 90.910 120.000 120.000 367.080 137.655 3.600 3.600 5.400 1.080 Soja (em grão) (ton) Sorgo granífero (em grão) (ton) Fonte: Fonte: IBGE, Produção Agrícola Municipal Porém em termos de quantidade produzida, o milho atingiu a segunda colocação em 2007, produzindo 343.080 toneladas superando o algodão, constituindo importante cultura para a economia local na formação de renda. Levando em conta a Tabela 32 houve expressivo crescimento na criação de codornas, galinhas e frangos, atividades da avicultura, bem como na criação de suínos, as quais são atividades ligadas à cultura do milho, a qual também apresentou crescimento, indicando crescente aglomeração, contribuindo no processo de crescimento econômico, resultando na ampliação do emprego, fortalecendo a evolução do produto interno bruto e da renda do local. 81 Tabela 32. Cultura do milho, avicultura e suinocultura em Campo Verde, quantidade produzida, 2000/2007 2000 Milho 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 85.725 144.300 151.750 178.620 192.021 258.186 305.023 343.058 - 10.000 10.000 10.000 15.000 14.850 15.000 14.950 962.997 821.507 1.097.444 1.105.625 1.047.841 1.156.276 1.544.139 1.731.205 5.263.500 5.363.500 5.704.186 5.746.396 5.742.247 5.487.329 5.831.852 8.889.816 16.091 23.570 21.436 27.749 39.800 39.852 40.063 63.157 (ton) Codorna s (cabeças) Galinha (cabeças) Frango (cabeças) Suíno (cabeças) Fonte: IBGE – Pesquisa Pecuária Municipal e Pesquisa Pecuária Municipal. Os empregos entre os vinte com maiores saldo (admissão menos desligamento) entre todos os setores do município, e que possuem relação com as atividades analisadas, segundo o Ministério do Trabalho, no período de janeiro de 2003 e abril de 2010, foram: trabalhador agropecuário em geral, 122; trabalhador na avicultura de postura, 71; abatedor, 43; avicultor, 40. Primavera do Leste Em Primavera do Leste, o milho é a terceira cultura, com R$ 86.689,00, sendo superado pelo algodão e da soja, em termos de valor da produção, conforme mostra a Tabela 33. Tabela 33. Primavera do Leste – Áreas plantadas e colhidas, quantidade produzida e valor da produção, 2007 Cultura Algodão herbáceo (em caroço) (ton) Área Plantada Área Colhida Quantidade Valor em R$ (ha) (ha) Produzida 1.000 46.214 46.214 Arroz (em casca) (ton) 1.500 1.500 3.186 1.211 Feijão (em grão) (ton) 7.370 7.170 12.953 14.766 Milho (em grão) (ton) Soja (em grão) (ton) Sorgo granífero (em grão) (ton) Trigo (em grão) (ton) 188.412 176.103 69.994 69.994 310.993 86.689 200.000 200.000 620.000 235.600 7.500 7.060 17.000 2.720 360 360 1.080 576 Fonte: IBGE, Produção Agrícola Municipal 82 Porém, o milho obteve a segunda posição em termos de áreas plantada e colhida e quantidade produzida superando o algodão, constituindo importante produto para a economia local. De acordo com a Tabela 34, as atividades relacionadas com a cultura do milho estiveram em crescimento, assim como as atividades relacionadas com a avicultura e suinocultura. Assim, estas atividades se inserem num contexto de redução de custos de produção, custos de transação e de custos de acesso ao mercado, devido à proximidade das atividades, levando a um fortalecimento na dinâmica econômica do município. Tabela 34. Cultura do milho, avicultura e suinocultura em Primavera do Leste, quantidade produzida, 2000/2007 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 Milho (ton) 71.832 134.369 141.570 151.649 112.770 109.546 157.573 310.993 Galinha 26.590 27.380 26.832 27.030 26.179 26.694 23.545 24.722 23.185 23.880 23.392 23.564 22.822 23.271 20.339 21.489 10.734 11.377 13.520 13.618 12.004 13.878 12.719 18.900 (cabeças) Frango (cabeças) Suíno (cabeças) Fonte: Pesquisa Pecuária Municipal As ocupações entre as vinte com maiores saldo (admissão menos desligamento) entre todos os setores do município, e que se relacionam com as atividades observadas, conforme o Ministério do Trabalho, no período de janeiro de 2003 e abril de 2010, foram: motorista de caminhão (rotas regionais e internacionais), com 177; trabalhador volante da agricultura, 114; operador de máquina de beneficiamento de produtos agrícolas, 110; trabalhador da avicultura de postura, 105; e, técnico agrícola, 80. Juscimeira Em 2007, no município de Juscimeira, o milho apareceu em segundo lugar, em termos de valor da produção, área plantada e área colhida e quantidade produzida, atrás da cultura da soja, representando importante produto para a economia local. O valor da produção do milho naquele ano foi de R$ 14.945,00. Outras culturas expressivas foram: arroz e sorgo (Tabela 35). 83 Tabela 35. Juscimeira – Áreas plantadas e colhidas, quantidade produzida e valor da produção, 2007 Cultura Área Plantada Área Colhida Quantidade Valor em R$ (ha) (ha) Produzida 1.000 Arroz (em grão) (ton) 800 800 1.680 588 Milho (em grão) (ton) 13.770 13.770 59.780 14.945 Soja (em grão) (ton) 31.670 31.670 86.649 34.660 500 500 1.050 168 Sorgo granífero (em grão) (ton) Fonte: IBGE, Produção Agrícola Municipal No tocante às atividades de cultivo de milho e criação de aves e suínos, pode-se verificar um relativo enfraquecimento na aglomeração neste município. A produção de milho aumentou, mas a criação de aves e suínos começou a declinar a partir de 2003 (Tabela 36). Tabela 36. Cultura do milho, avicultura e suinocultura em Juscimeira, quantidade produzida, 2000/2007 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 Milho (ton) 11.425 12.119 11.070 15.433 23.130 32.566 57.167 59.780 Galinha (cabeças) 27.250 28.610 29.582 30.528 30.046 29.274 27.518 13.074 Frango (cabeças) 22.100 23.350 24.143 24.916 24.519 23.889 22.456 10.686 3.820 3.830 3.948 4.066 4.009 3.907 3.674 1.818 Suíno (cabeças) Fonte: IBGE – Produção Agrícola Municipal e Pesquisa Pecuária Municipal. A única profissão relacionada com a aglomeração milho, aves e suínos, que apareceu entre as vinte com maiores saldo (admissão menos desligamento) entre todos os setores do município, segundo o Ministério do Trabalho, no período de janeiro de 2003 e abril de 2010, foi a profissão de trabalhador agropecuário em geral, com saldo de 41. Dom Aquino No município de Dom Aquino, o milho apareceu em terceiro lugar, depois do algodão e soja, no tocante ao valor da produção, com R$ 15.654,00 (Tabela 37). Porém, foi maior que o algodão em área plantada e área colhida e quantidade produzida, constituindo importante produto para a economia local. Outras culturas temporárias importantes foram: arroz e sorgo. 84 Tabela 37. Dom Aquino – Áreas plantadas e colhidas, quantidade produzida e valor da produção, 2007 Cultura Área Plantada Área Colhida Quantidade Valor em R$ (ha) (ha) Produzida 1.000 Algodão Herbáceo (em caroço) (ton) 13.500 13.500 53.300 52.234 300 300 567 210 Milho (em grão) (ton) 14.440 14.440 65.224 15.654 Soja (em grão) (ton) 26.500 26.500 76.267 30.507 270 270 1.053 168 Arroz (em casca) (ton) Sorgo granífero (em grão) (ton) Fonte: IBGE, Produção Agrícola Municipal A Tabela 38 possibilita verificar que as atividades relativas ao cultivo de milho e à criação de aves e suínos estiveram em ascensão, fortalecendo a aglomeração e gerando condições propícias para a criação e a multiplicação de fatores, contribuindo para a constituição do produto interno e formação de renda. Tabela 38. Cultura do milho, avicultura e suinocultura em Dom Aquino, quantidade produzida, 2000/2007 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 Milho (ton) 11.742 27.182 36.036 52.383 57.683 50.957 57.329 65.224 Galinha 18.062 18.447 19.105 19.296 18.698 19.309 12.196 10.585 158.554 161.725 167.385 191.385 227.860 198.611 274.340 935.64 (cabeças) Frango (cabeças) Suíno 1 3.348 3.559 3.747 3.857 3.625 3.743 3.349 5.727 (cabeças) Fonte: IBGE - Produção Agrícola Municipal e Pesquisa Pecuária Municipal. O Ministério do Trabalho e Emprego registrou para Dom Aquino, entre janeiro de 2003 a abril de 2010, as seguintes ocupações que possuem relação com os setores observados, que têm maiores saldo (admissão menos desligamento) e que estão entre as vinte de todos os setores: trabalhador volante da agricultura, com saldo de 82; motorista de caminhão (rotas regionais e internacionais), 27; operador de colheitadeira, 11; técnico agrícola, 6; e, supervisão de exploração agrícola, 5. Assim, esta região é formada devido às vantagens locacionais da interação entre custo de transporte e as economias de aglomeração. Conforme indicado pelo mapa e pela descrição dos municípios, existe um agrupamento espacial com objetivo de diminuir os custos de transporte de matéria-prima e produto final, assim como aproveitar as economias externas providas pela proximidade. 85 5.2.2.2. Produto Interno Bruto do polo de aglomeração de Campo Verde O Produto Interno Bruto como importante indicador da atividade econômica do município fornece a soma (em valores monetários) de todos os bens e serviços finais produzidos na cidade de Campo Verde, Dom Aquino, Primavera do Leste e Juscimeira, segundo polo de aglomeração. A Tabela 39 mostra o Produto Interno Bruto para estas cidades no ano de 2007, e o gráfico de participação na composição do produto é apresentado a seguir, na Figura 12. Tabela 39. Composição do PIB no segundo polo de aglomeração, 2007 Agropecuária Indústria Serviços Ad. Pública Impostos PIB Campo Verde 583.859,46 37.014,69 286.322,98 58.603,34 73.830,63 981.027,75 Dom Aquino 110.840,07 17.769,21 43.817,69 16.053,60 9.319,08 181.746,04 Juscimeira 55.030,43 11.996,21 48.428,20 22.287,34 7.440,36 122.895,19 Primavera 414.420,58 77.817,75 671.831,92 94.829,64 177.400,58 1.341.470,83 1.164.150,53 144.597,86 1.050.400,78 191.773,93 267.990,65 2.627.139,82 Total da região Fonte: IBGE Observa-se expressiva participação da agropecuária na constituição do produto interno bruto nos municípios de Campo Verde, e Dom Aquino e Juscimeira em 2007. Em Primavera do Leste o maior destaque foi para o setor de serviços. Para a região como um todo prevaleceu o setor agropecuário na formação do Produto Interno Bruto. 1.200.000,00 1.000.000,00 800.000,00 Agropecuária 600.000,00 Indústria 400.000,00 Serviços 200.000,00 0,00 Campo Verde D. Aquino Juscimeira Primavera Total da região Figura 12. Composição do Produto Interno Bruto no segundo polo de aglomeração, 2007 Fonte: Elaboração própria 86 5.2.2.3. Distribuição da Renda A Tabela 40 ilustra a percentualidade da renda apropriada por estratos da população nos municípios de Campo Verde e vizinhança, que compõem o segundo polo de agrupamento produtivo de milho, aves e suínos, nos anos de 1991 e 2000. Tabela 40. Porcentagem da renda apropriada por estratos da população no segundo polo, 1991 e 2000 1991 Município 20% 2000 80% mais pobres 20% mais pobres 20% mais ricos 80% mais pobres 20% mais pobres mais ricos Campo Verde 2,3 31,2 68,8 3,0 33,3 66,7 Primavera do Leste 2,7 32,9 65,1 3,7 37,9 62,1 Juscimeira 3,1 35,0 65,0 1,7 34,5 65,5 Dom Aquino 3,9 44,9 55,1 1,8 41,5 58,5 Fonte: PNUD, 2003 Segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, houve pouca evolução na distribuição da renda entre os estratos da população nos municípios de Campo Verde e Primavera do Leste, entre 1991 e 2000. Nos municípios de Juscimeira e Dom Aquino houve retrocesso na distribuição de renda no período analisado. 5.2.2.4. Fatores locacionais para o segundo polo de aglomeração A seguir, o segundo polo geográfico da especialização produtiva de grãos, aves e suínos detectado neste trabalho é mostrado pela Figura 13, onde se observa os mapas dos municípios de Campo Verde, Primavera do Leste, Juscimeira e Dom Aquino, que estão entre os vinte municípios apontados pelo ICN do milho. 87 Figura 13. Municípios do segundo polo de aglomeração Fonte: www.matogrossoeseusmunicipios.com.br O desafio é ajudar a empresas e os trabalhadores a reduzirem sua distância de lugares mais densos, sendo os principais mecanismos a mobilidade da mão de obra e a redução dos custos de transporte mediante investimento em infraestrutura (BANCO MUNDIAL, 2009). A principal rodovia que passa por este polo é a rodovia federal BR 070, além de outras rodovias estaduais, constituindo importantes eixos viários para circulação de mercadorias e pessoas entre os municípios e para o exterior, além de servir como um meio de integração econômica entre áreas rurais e urbanas, províncias atrasadas e províncias desenvolvidas, municípios isolados com municípios bem conectados. Como outros fatores locacionais, tanto para este polo quanto para o primeiro, pode-se citar a disponibilidade de incentivos fiscais e financeiros, possíveis de serem alavancados para o empreendimento. Conforme Ribeiro (2000) 88 os incentivos ficais dizem respeito às vantagens fiscais concedidas pela legislação tributária, em nível federal estadual e municipal, que servem de atrativos para a instalação e ampliação de empreendimentos econômicos em determinadas regiões do país. O Governo Federal concede redução do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas, para a Amazônia Legal, por exemplo, de até 75%, por um período de até 10 anos, para os empreendimentos que fossem implantados na região até o ano de 2003, reduzindo o percentual para 50%, para os projetos implantados no período 2004 a 2008 e para 25%, para os empreendimentos implantados de 2009 a 2013, quando deixarão de existir os incentivos fiscais para a região, conforme a Lei 9.532/97, publicada no Diário Oficial da União, em 11/12/97 (RIBEIRO, 2000). As inversões na ampliação da capacidade instalada, de empreendimentos preexistentes, contaram também com a redução de 37,5% do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, por 10 anos, para projetos executados até o ano de 2003, reduzindo-se o percentual para 25%, para o período 2004 a 2008 e para 12,5% no período 2009 a 2013. O Fundo Constitucional do Centro-Oeste possui outros créditos disponíveis para os empreendimentos disponíveis para empreendimentos que pretendem se instalar na região Centro-Oeste. Trata-se de alocação de recursos na forma de financiamento de ativo fixo e capital de giro associado, a prazos de até 12 anos, com até 3 anos de carência (RIBEIRO, 2000). O BNDES, como instituição oficial de crédito de longo prazo do Governo Federal, disponibiliza recursos para financiamento, em condições especiais quanto a prazos e taxas de encargos financeiros, para empreendimentos localizados em determinadas regiões, consideradas prioritárias na política de fomento do Banco. Entre elas está o Programa Amazônia Integrada. A determinação da localização do projeto está interligada com o mercado, com o financiamento e com a rentabilidade e capacidade de pagamento. As vantagens fiscais disponíveis e que dependem da localização escolhida para o empreendimento podem e devem ser tomadas como fator competitivo, de suma importância para sua viabilidade econômica e financeira (RIBEIRO, 2000). 5.2.2.5. Indicador padronizado de contribuição setorial para o polo de Campo Verde 89 Conforme expostos anteriormente, elevada escala produtiva, movimento de mão de obra e capital e declínio de custo de transporte são fatores de aceleração no crescimento das cidades e países, grandes ou pequenos. A especialização exerce expressiva contribuição para o crescimento e desenvolvimento. A Tabela 41 aponta os números para os municípios do segundo polo de aglomeração. Tabela 41. Indicadores de contribuição setorial para milho, aves e suínos, 2007 Indicador padrão Indicador padrão Indicador padrão Indicador padrão Indicador de para milho para galinha para frango para suíno contribuição setorial Campo Verde 0,367 5,027 4,829 0,313 10,538 Primavera do Leste 0,071 -0,232 -0,330 -0,446 -0,936 Tapurah 0,797 0,442 0,542 0,619 2,381 Juscimeira 0,966 0,326 0,436 0,883 2,613 Dom Aquino 1,061 0,373 0,086 0,916 2,438 Fonte: IBGE. Elaboração Própria Entre as quatro cidades observadas o maior indicador para a produção do milho está em Dom Aquino. O maior indicador para a avicultura está em Campo Verde. Os indicadores apontam menor especialização na suinocultura nesta região. O maior indicador das três atividades em conjunto é o indicador do município de Campo Verde. Deve-se ter cautela na interpretação isolada destes indicadores, uma vez que cada atividade interage com diversas outras através da inter-relação empresarial, do consumo e dos investimentos, além da exportação, os quais são fatores multiplicadores da renda. 5.3. Aspectos adicionais de crescimento e desenvolvimento socioeconômico O avançado sistema rural que existe em vários países desenvolvidos como os Estados Unidos representa um estágio corrente de um longo processo de desenvolvimento econômico (CRAMER et. al., 2000). O desenvolvimento é refletido em melhora do padrão de vida, devido à acumulação bens produtivos, incluindo maquinaria, infraestrutura, capital humano, capital social, e recursos naturais. Progresso econômico também coincide com 90 transformações estruturais com a agricultura compartilhando do emprego total e da produção total (CRAMER et. al., 2000). O desenvolvimento também é refletido na queda com gastos com alimentação, que são direcionados para aquisições de produtos e serviços não agrícolas, bem como para a poupança. A forma mais efetiva para conciliar desenvolvimento agrícola e progresso econômico geral é fazendo investimentos para aumentar a produtividade agrária. Com aumento da oferta de commodities, os preços da alimentação caem, que leva a transformações estruturais e diversificação do consumo. Vários países têm se beneficiado pela adoção desta abordagem, e cada vez mais outros estão optando para agir desta forma (CRAMER et. al., 2000). Conforme foi visto, a cultura do milho é uma das principais atividades da agricultura nos polos de concentração, tendo diversas finalidades. Além disso, servindo como nutrição para suínos, aves, pecuária leiteira e gado em confinamento para engorda, acaba por ser item de extrema importância para agropecuária como um todo e outros produtos fora da agropecuária, contribuindo para a constituição da riqueza dos municípios, nos quais o valor em reias da agropecuária constitui parcela expressiva dos seus respectivos produtos internos brutos – PIB, e mesmo naqueles em que este setor representa uma parcela menor. O crescimento do produto interno bruto dos municípios reflete no bemestar da população, em termos de postos de trabalho, saúde, educação, moradia, entre outros elementos. O desenvolvimento sustentável considera o desenvolvimento econômico, a proteção ao meio ambiente e a qualidade de vida da população. A seguir, mostra-se para informações relativas à economia e aspectos sociais, para os municípios de Lucas do Rio Verde e Campo Verde, os quais são os principais municípios dos polos de concentração. Conforme discorrido ao longo do trabalho, a formação de aglomerações produtivas contribui para aumentar a competitividade e o crescimento do PIB dos municípios nos quais o valor em reais da agropecuária representa parcela substancial e ainda se expandindo para outros setores da economia. Uma vez que o último Índice de Desenvolvimento Humano dos municípios foi calculado para o ano de 2000, a evolução da quantidade produzida do milho, e do número de cabeças de aves, suínos, a partir de 2000, mostrou que a 91 contribuição do setor agropecuário para a formação do PIB, se expandindo para outros setores, continuou persistindo. Adiante segue o gráfico da evolução do PIB nos centros produtivos, dos principais municípios dos polos, Lucas do Rio Verde e Campo Verde, apenas para exemplificar e para se ter uma perspectiva acerca do crescimento do PIB e sua possível contribuição na construção de novos Índices de Desenvolvimento Humano, nesses municípios representativos das aglomerações. Em primeiro lugar, mostra-se o gráfico para o município de Lucas do Rio Verde, primeiro no ranking e um dos principais centros geográficos do primeiro polo de aglomeração. Figura 14. Evolução do PIB e seus componentes em Lucas do Rio Verde, 2002/2007 Fonte: IBGE. Elaboração Própria No município de Lucas de Rio Verde, houve queda acentuada do PIB entre 2005 e 2006. A diminuição da composição do setor agropecuário entre 2005 e 2006 pode ser explicada pelo declínio na produção de soja, ou pelo valor do produto devido a variação na taxa de câmbio, entre 2006 e 2008, pela crise da lavoura com endividamento agrícola elevado, falta de garantias e crédito, dificultando tanto a soja quanto o milho nos polos estudados. A seguir é mostrada a evolução do principal município do segundo polo de aglomeração, Campo Verde, apenas para ilustrar. Este município possui substancial 92 concentração das atividades de cultivo de milho e criação de aves e suínos e elevado índice de concentração normalizado do cultura do milho. Figura 15. Evolução do PIB e seus componentes em Campo Verde, 2002/2007. Fonte: IBGE. Elaboração Própria Verifica-se que a maior participação na constituição do Produto Interno Bruto do município de Campo Verde ao longo do período sempre foi do setor agropecuário. A redução da contribuição do setor agropecuário entre 2005 e 2006 pode ser explicada pela queda na produção de soja, ou pelo valor do produto dada a variação ocorrida na taxa de câmbio. Desde que o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) pronunciou o “Índice de Desenvolvimento Humano” (IDH) para impedir o uso exclusivo da opulência econômica como critério de aferição, ficou muito estranho continuar identificar o desenvolvimento com o crescimento (VEIGA, 2008). A publicação do primeiro “Relatório do Desenvolvimento Humano”, em 1990, teve o claro objetivo de acabar com uma ambiguidade que se arrastava desde o final da 2ª guerra Mundial, quando a promoção do desenvolvimento passou a ser, ao lado da busca da paz, a própria razão de ser da organização das Nações Unidas (ONU). O Índice de Desenvolvimento Humano tem por objetivo oferecer um contraponto a outro indicador muito empregado, o Produto Interno Bruto (PIB) per capita, que leva em conta somente a dimensão econômica do desenvolvimento. 93 Criado por Mahbub ul Haq com a contribuição do economista indiano Amartya Sen, ganhador do Prêmio Nobel de Economia de 1998, o IDH pretende ser uma medida geral e sintética do desenvolvimento. Não é uma representação da “felicidade” das pessoas, nem indica “o melhor lugar no mundo para se viver” (PNUD/ATLAS, 2010). Contudo, em razão da não disponibilidade de dados para os municípios relativos aos anos posteriores a 2000, foi utilizado neste trabalho um índice de desenvolvimento nacional, mais consentâneo com a realidade brasileira, o índice de desenvolvimento da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro – FIRJAN. A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro – FIRJAN (2010) pesquisa o desenvolvimento humano, econômico e social e possui o Índice FIRJAN de Desenvolvimento Municipal. O índice considera, com igual ponderação, as 3 (três) principais áreas de desenvolvimento humano: emprego-renda, educação e saúde. O índice varia de 0 a 1 e quanto mais próximo de 1, maior o nível de desenvolvimento da localidade. Considera-se que municípios com IFDM entre 0 e 0,4 são considerados de baixo estágio de desenvolvimento; entre 0,4 e 0,6 de desenvolvimento regular; entre 0,6 e 0,8 de desenvolvimento moderado; e entre 0,8 e 1,0 de alto desenvolvimento. A Tabela 42 apresenta os valores de 2000 e 2006 para os vinte municípios apontados pelo índice de concentração normalizado. A cultura do milho obteve segunda ou terceira posição em valor de produção das culturas temporárias, as quais são as principais culturas cultivadas no município, além de abastecer regiões vizinhas e ser um dos principais produtos exportados das regiões apresentadas, constituindo fonte expressiva de geração de renda. Como serve para nutrição para suínos e aves, expande-se em direção à pecuária, e as três atividades fortalecem a aglomeração nos municípios estudados, expandindo-se também para outros setores da atividade econômica, contribuindo substancialmente para a formação e crescimento do produto interno bruto que se reflete na renda, e por sua vez, nas condições de saúde e educação. Conforme o índice da FIRJAN, a cidade de Lucas do Rio Verde, a primeira no ranking do índice de concentração do milho, está em primeiro lugar no ranking estadual, e em 262º no ranking nacional. Cuiabá é a segunda cidade no ranking estadual. Nova Mutum, que é um importante município da aglomeração, está em terceiro lugar e Campo Verde outro município importante da outra aglomeração produtiva, está em 32º lugar. 94 Tabela 42. Índice de desenvolvimento humano dos municípios, 2000 e 2006 2000 Município Emprego e 2006 Educação Saúde IFDM Educação Saúde IFDM 0,546 0,644 0,831 0,674 0,713 0,736 0,931 0,793 Sorriso 0,436 0,582 0,765 0,594 0,521 0,700 0,883 0,702 Nova Mutum 0,529 0,554 Sapezal 0,439 0,569 0,775 0,619 0,729 0,672 0,879 0,760 0,719 0,576 0,504 0,557 0,914 0,658 Campos de 0,455 0,648 0,811 0,638 0,435 0,736 0,857 0,676 0,508 0,492 0,821 0,607 0,520 0,599 0,825 0,648 nd nd nd nd 0,490 nd 0,985 Nd Campo Verde 0,366 0,613 0,879 0,620 0,413 0,659 0,900 0,658 Nova Ubiratã 0,349 0,430 0,674 0,484 0,546 0,581 0,819 0,649 Primavera do 0,671 0,555 0,775 0,667 0,482 0,633 0,926 0,681 Tapurah 0,469 0,526 0,782 0,592 0,502 0,738 0,829 0,690 Itanhangá nd nd nd nd 0,502 nd 0,909 nd Santa Rita do nd nd nd nd 0,441 0,597 0,663 0,567 nd nd nd nd 0,464 0,712 0,897 0,691 Juscimeira 0,367 0,569 0,752 0,563 0,609 0,670 0,650 0,643 Guiratinga 0,498 0,617 0,708 0,608 0,373 0,605 0,835 0,604 Alto Taquari 0,563 0,578 0,735 0,625 0,532 0,717 0,882 0,710 Santa Carmem 0,525 0,519 0,797 0,614 0,383 0,677 0,909 0,656 Diamantino 0,616 0,632 0,766 0,671 0,518 0,712 0,865 0,698 Porto dos 0,433 0,530 0,717 0,560 0,407 0,613 0,758 0,593 Renda Lucas do Rio Emprego e Renda Verde Júlio Campo Novo do Parecis Ipiranga do Norte Leste Trivelato Santo Antonio do Leste Gaúchos Fonte: FIRJAN, 2010. Conforme o índice da FIRJAN, pode-se verificar que houve melhora nas condições de emprego e renda, entre 2000 e 2006, nos municípios de Lucas do Rio Verde, Sorriso, Nova Mutum, Sapezal, Campo Novo do Parecis, Campo Verde, Nova Ubiratã, Tapurah e Juscimeira. No tocante à educação, o índice da FIRJAN aponta evolução nos municípios de Lucas do Rio Verde, Sorriso, Nova Mutum, Campo Novo do Parecis, Campos 95 de Júlio, Campo Verde, Primavera do Leste, Nova Ubiratã, Tapurah, Diamantino, Juscimeira, Alto Taquari, Santa Carmem e Porto dos Gaúchos. Com relação à saúde, o índice FIRJAN indica progresso nos municípios de Lucas do Rio Verde, Sorriso, Nova Mutum, Sapezal, Campo Novo do Parecis, Campos de Júlio, Campo Verde, Primavera do Leste, Nova Ubiratã, Diamantino, Alto Taquari, Guiratinga, Santa Carmem e Porto dos Gaúchos. O índice geral apontou desenvolvimento nas cidades de Lucas do Rio Verde, Sorriso, Nova Mutum, Sapezal, Campo Novo do Parecis, Campos de Júlio, Campo Verde, Primavera do Leste, Nova Ubiratã, Tapurah, Diamantino, Juscimeira, Alto Taquari, Santa Carmem. Houve retração no município de Guiratinga, e Porto dos Gaúchos. Pelo exposto na evolução do cultivo de milho, e na criação de aves e suínos, através da quantidade produzida, que é uma variável microecronômica e real de análise envolvendo capital e mão de obra, pode-se verificar crescimento sustentável na participação dos setores analisados no Produto Interno Bruto, que gera renda, a qual é uma componente do Índice de Desenvolvimento do Local. Por serem as atividades principais das regiões estudadas, as três atividades se interagem entre si e com outras atividades ampliando ainda mais a participação na dinâmica econômica e multiplicando a renda. É muito difícil prever a dinâmica do sistema econômico. Em um ano ou outro os municípios melhoram a posição no ranking, porém o mais importante é melhorar uma ou outra variável, senão todas, entre um ano e outro. Emprego e renda, saúde e educação se inter-relacionam mutuamente, sem uma relação funcional exata. Para obter uma evolução na saúde da população uma boa alimentação seria um bom começo, que melhora com o avanço do trabalho e renda. Educação para desenvolver o corpo e a mente seria o próximo passo. O fluxo circular da renda é o principal fator no crescimento e desenvolvimento e as atividades que fornecem maiores contribuições são aquelas nas quais as regiões são especializadas exercendo efeitos benéficos também para regiões vizinhas. Quanto maior a especialização de um local em determinadas atividades maior a contribuição para o crescimento do produto interno bruto e para o desenvolvimento conforme posto pela teoria da aglomeração produtiva e da especialização. A especialização de cada município é o principal propulsor do crescimento conforme visto ao longo do trabalho, gerando mais emprego e renda. Isso não quer dizer que as outras 96 atividades não sejam importantes, pois vêm complementar mutuamente os setores nos quais os municípios possuem maior especialização. 97 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS A cultura do milho é cultivada em todos os municípios do estado, mas sua produção está concentrada em cidades juntos aos principais eixos viários de escoamento atraindo as agroindústrias de aves e suínos, formando aglomeração de atividades em torno dessa atividade primárias, confirmando a hipótese estabelecida inicialmente. O que mais influência a decisão locacional das agroindústrias de suínos e aves é a cotação do milho, definida principalmente pela escala de produção, e a maior proximidade entre o setor produtivo e a agroindústria e o mercado consumidor. Lucas do Rio Verde é o principal produtor do estado, possuindo expressivos efetivos de aves e suínos, em constante evolução, dispondo de infraestrutura logística, como a rodovia federal BR 163, que passa por todo o polo, além de outras rodovias estaduais, além de uma rede de apoio público e privado, sendo um dos principais municípios de um dos polos da aglomeração produtiva, e sua vizinhança é composta por vários outros municípios dentro dos vinte municípios no ranking do índice de concentração do milho, da mesma forma como o municípios de Nova Mutum. Campo Verde é o principal município do outro polo de aglomeração, que envolve ainda os municípios de Dom Aquino, Primavera do Leste e Juscimeira, os quais também estão dentro dos vinte municípios no ranking do índice de concentração normalizado do milho. Por este polo passa a rodovia federal BR 070 além de outras rodovias estaduais, constituindo importantes eixos de escoamento da produção. Conta também com outras instituições públicas e privadas de apoio à aglomeração. Na comparação com outras atividades nas vinte cidades, a cultura do milho quase sempre obteve o segundo ou terceiro lugar em termos de valor de produção medido em reais, vindo logo após a soja e o algodão. Em algumas cidades que ocupou a terceira colocação em termos de valor da produção, medida em reais, obteve a segunda colocação em termos de quantidade produzida, e outras variáveis, superando o algodão. Dessa forma, é uma das principais culturas que contribui para a formação de renda nos municípios em análise. Considerando que aglomeração é um conjunto de cadeias produtivas que envolvem atividades pré-porteira e pós-porteira, isto é, desde fornecedores de 98 matérias primas, fertilizantes, serviços veterinários, etc., passando pelo processamento nas agroindústrias e agricultura familiar, e terminando pelos distribuidores aos restaurantes e frigoríficos, supermercados, etc., a aglomeração contribui para a formação do Produto Interno Bruto e para o crescimento do Produto Interno Bruto per capita nas cidades estudadas. Além de ser componente essencial para a nutrição animal, quando é integrante essencial da ração de aves, suínos e bovinos leiteiros, a cultura do milho representa expressiva geradora de divisas no Comércio Exterior, sendo um dos principais produtos exportados nas cidades estudadas, e em Mato Grosso como um todo. A sinergia significa a união de vários elementos para executar a mesma função. As economias externas, que se relacionam à possibilidade de se reproduzirem e difundirem localmente conhecimentos técnicos e qualificações profissionais especializadas confere vantagens competitivas aos integrantes da aglomeração. A importância do milho não está apenas na produção de uma cultura anual, mas em todo o relacionamento que essa cultura tem na produção agropecuária do estado de Mato Grosso, tanto no que diz respeito a fatores econômicos quanto a fatores sociais. Pela sua versatilidade de uso, pelos desdobramentos de produção animal e pelo aspecto social, o milho é um produto com destacada importância do setor agrícola no Estado de Mato Grosso. Possuindo o setor agropecuário grande valor em reais nos polos geográficos produtivos, conclui-se pela sua expressiva contribuição para a formação de renda e, por conseguinte do índice de desenvolvimento do local, o qual reflete o desenvolvimento como um todo da região. A cultura do milho é produzida em maior quantidade em Lucas do Rio Verde, e chega a ser a primeira cultura em muitos municípios, mas outras culturas também possui importância para o crescimento e desenvolvimento. Contudo, o desenvolvimento é desigual devido à concentração de renda e às disparidades entre as regiões. Sugere-se para novos trabalhos a atualização dos dados do Índice de Desenvolvimento Humano da PNUD/ATLAS, quando estiverem disponíveis para os municípios, para se ter uma comparação com o índice da FIRJAN, o que representa uma lacuna a ser preenchida no presente trabalho. Para o setor sugere-se a constante integração com sistemas de apoio técnico científico e institucional, a busca da inovação 99 e treinamento, participação em palestras e seminários para aperfeiçoamento das cadeias produtivas, buscando crescer e formar regiões mais desenvolvidas e menos excludentes. REFERÊNCIAS ANDRADE, M. C.. Geografia Econômica. 12. Ed. São Paulo: Atlas, 1998. 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Pioneira, 2001. 104 APÊNDICE Tabela de Cálculo do Índice de Concentração Normalizado (ICN) dos 141 municípios Município Acorizal Água Boa Alta Floresta Alto Araguaia Alto Boa Vista Alto Garças Alto Paraguai Alto Taquari Apiacás Araguaiana Araguainha Araputanga Arenápolis Aripuanã Barão de Melgaço Barra do Bugres Barra do Garças Bom Jesus do Araguaia Brasnorte Cáceres Campinápolis Campo Novo do Parecis Município Campo Verde Campos de Júlio Canabrava do Norte Canarana Carlinda Castanheira Chapada dos Guimarães Cláudia Cocalinho Colíder Colniza Comodoro Confresa Conquista D'Oeste Cotriguaçu Cuiabá Valor da Produção (mil reais) 60 565 931 3328 261 4893 1818 32152 317 20 6 990 195 470 37 264 51 1778 12629 3170 108 96290 Valor da Produção (mil reais) 90910 72945 367 515 240 294 5500 2207 34 410 2439 9576 2142 97 1305 160 PIB (mil reais) 46077,28 248371 450143,1 726652,9 35307,4 219775,5 53307,09 499646,9 67722,74 38524,64 8801,714 210631,4 64282,73 192434,5 45453,38 372122,9 606462,3 54531,5 282213,1 713169,2 88439,71 1010235 PIB (mil reais) 981027,8 443702,6 49203,17 253771,9 77509,01 68302,49 132122,4 93491,12 66939,07 292838,1 183706,3 198956,2 185167,8 22061,12 88697 7901160 QL 0,035438 0,061908 0,056286 0,124640 0,201175 0,605893 0,928130 1,751236 0,127387 0,014128 0,018552 0,127912 0,082554 0,066468 0,022153 0,019307 0,002289 0,887328 1,217844 0,120967 0,033234 2,593932 IHH -0,0010411668 -0,0054581999 -0,0099516304 -0,0149010552 -0,0006607244 -0,0020290694 -0,0000897503 0,0087931138 -0,0013843931 -0,0008897380 -0,0002023661 -0,0043031501 -0,0013815857 -0,0042083823 -0,0010412144 -0,0085491427 -0,0141746355 -0,0001439351 0,0014402104 -0,0146859127 -0,0020029590 0,0377220606 QL 2,521914 4,474077 0,202989 0,055229 0,084267 0,117141 1,132886 0,642439 0,013823 0,038103 0,361316 1,309865 0,314814 0,119659 0,400407 0,000551 IHH 0,0349763500 0,0361105846 -0,0009186719 -0,0056165983 -0,0016627390 -0,0014126377 0,0004112992 -0,0007831117 -0,0015464567 -0,0065987152 -0,0027486099 0,0014442193 -0,0029721942 -0,0004549691 -0,0012458588 -0,1849927036 QL PR Padronizado 0,000038252 -0,652065 0,000360206 -0,630519 0,000593544 -0,635095 0,002121712 -0,579456 0,000166396 -0,517156 0,003119451 -0,187720 0,001159036 0,074577 0,020497977 0,744578 0,000202098 -0,577220 0,000012751 -0,669411 0,000003825 -0,665810 0,000631158 -0,576792 0,000124319 -0,613713 0,000299641 -0,626807 0,000023589 -0,662879 0,000168309 -0,665195 0,000032514 -0,679048 0,001133535 0,041365 0,008051411 0,310402 0,002020981 -0,582445 0,000068854 -0,653859 0,061388102 1,430524 QL PR Padronizado 0,057958171 1,371902 0,046504882 2,960943 0,000233975 -0,515680 0,000328330 -0,635956 0,000153008 -0,612318 0,000187435 -0,585559 0,003506434 0,241247 0,001407036 -0,157972 0,000021676 -0,669659 0,000261389 -0,649896 0,001554944 -0,386803 0,006105021 0,385306 0,001365597 -0,424656 0,000061841 -0,583510 0,000831981 -0,354984 0,000102005 -0,680463 cv Curvelândia Denise Diamantino Dom Aquino Feliz Natal Figueirópolis D'Oeste Gaúcha do Norte General Carneiro Glória D'Oeste Guarantã do Norte Município Guiratinga Indiavaí Ipiranga do Norte Itanhangá Itaúba Itiquira Jaciara Jangada Jauru Juara Juína Juruena Juscimeira Lambari D'Oeste Lucas do Rio Verde Luciára Vila Bela da Santíssima Trindade Marcelândia Matupá Mirassol d'Oeste Nobres Nortelândia Nossa Senhora do Livramento Nova Bandeirantes Nova Nazaré Nova Lacerda Município Nova Santa Helena Nova Brasilândia Nova Canaã do Norte Nova Mutum Nova Olímpia Nova Ubiratã 97 37 38723 15654 5836 360 2280 303 263 288 Valor da Produção (mil reais) 18040 153 39048 16150 1224 14566 14547 420 162 907 2448 915 14945 180 200710 29 2146 158 1566 243 1782 988 216 720 172 146 Valor da Produção (mil reais) 90 53 2074 118905 543 47524 25493,94 88633,31 735452,1 181746 105044,9 32256,01 70292,45 67043,68 27595,73 207352,4 PIB (mil reais) 190505,9 34065,23 190054,5 88569,37 64466,46 462210,8 318236,5 62798,84 95121,83 294452,8 410160,7 69093,22 122895,2 68480,1 1045913 14042,51 167995,4 138436,1 210213,9 240783 166238,6 43148,68 74638,6 78438,11 21378,16 52642,31 PIB (mil reais) 31224,59 32537,21 117581,4 894813,5 247966,3 267207,1 0,103546 0,011361 1,432895 2,344014 1,511960 0,303733 0,882726 0,122994 0,259366 0,037799 -0,0005353871 -0,0020527592 0,0074583102 0,0057223176 0,0012598365 -0,0005261260 -0,0001931134 -0,0013774108 -0,0004787937 -0,0046738834 0,000061841 0,000023589 0,024687210 0,009979950 0,003720646 0,000229512 0,001453576 0,000193173 0,000167671 0,000183610 QL 2,577080 0,122231 5,591400 4,962366 0,516711 0,857630 1,244008 0,182011 0,046348 0,083828 0,162427 0,360401 3,309489 0,071533 5,222437 0,056202 0,347642 0,031060 0,202736 0,027465 0,291726 0,623145 0,078757 0,249807 0,218957 0,075478 IHH 0,0070382613 -0,0007004786 0,0204421408 0,0082213161 -0,0007298678 -0,0015415622 0,0018191049 -0,0012033785 -0,0021250692 -0,0063196882 -0,0080478530 -0,0010352532 0,0066489623 -0,0014894773 0,1034575061 -0,0003104752 -0,0025673594 -0,0031423120 -0,0039261511 -0,0054857271 -0,0027582667 -0,0003809296 -0,0016107969 -0,0013784883 -0,0003911547 -0,0011401330 PR 0,011501105 0,000097543 0,024894409 0,010296166 0,000780341 0,009286313 0,009274200 0,000267764 0,000103280 0,000578243 0,001560682 0,000583343 0,009527938 0,000114756 0,127959351 0,000018488 0,001368147 0,000100730 0,000998377 0,000154921 0,001136085 0,000629883 0,000137707 0,000459024 0,000109656 0,000093080 QL 0,078441 0,044330 0,480032 3,616325 0,059595 4,840217 IHH -0,0006740977 -0,0007284361 -0,0014322498 0,0548437784 -0,0054627458 0,0240384770 QL PR Padronizado 0,000057378 -0,617061 0,000033789 -0,644827 0,001322245 -0,290170 0,075805922 2,262742 0,000346181 -0,632402 0,030298143 3,258978 cvi -0,596626 -0,671664 0,485452 1,227093 0,549810 -0,433676 0,037619 -0,580795 -0,469789 -0,650143 QL Padronizado 1,416807 -0,581417 3,870433 3,358406 -0,260314 0,017191 0,331699 -0,532756 -0,643184 -0,612676 -0,548698 -0,387549 2,012980 -0,622684 3,570102 -0,635163 -0,397934 -0,655628 -0,515886 -0,658555 -0,443449 -0,173677 -0,616804 -0,477570 -0,502683 -0,619473 Nova Xavantina Novo Mundo Novo Horizonte do Norte Novo São Joaquim Paranaíta Paranatinga Novo Santo Antônio Pedra Preta Peixoto de Azevedo Planalto da Serra Poconé Pontal do Araguaia Ponte Branca Pontes e Lacerda Porto Alegre do Norte Porto dos Gaúchos Porto Esperidião Porto Estrela Poxoréo Primavera do Leste Município Querência São José dos Quatro Marcos Reserva do Cabaçal Ribeirão Cascalheira Ribeirãozinho Rio Branco Santa Carmem Santo Afonso São José do Povo São José do Rio Claro São José do Xingu São Pedro da Cipa Rondolândia Rondonópolis Rosário Oeste Santa Cruz do Xingu Salto do Céu Santa Rita do Trivelato Santa Terezinha Santo Antônio do Leste Santo Antônio do Leverger São Félix do Araguaia Sapezal Serra Nova Dourada 545 1127 720 12282 907 2360 7 4752 432 297 432 45 42 3024 1734 8340 441 104 16065 86689 Valor da Produção (mil reais) 696 989 67 432 455 130 7200 295 200 5563 1260 40 500 11949 930 185 160 24150 342 22060 9574 2107 109954 162 172859,6 62738,83 29298,95 165216 88964,13 209056,7 11599,16 355830,9 161324,1 20820,84 205404,3 33748,25 19316,5 382582 63024,1 81444,08 88880,96 29112,63 215763,5 1341471 PIB (mil reais) 300581,7 156224,6 18837,03 70384,14 24228,45 57010,88 65004,72 28954,24 64755,85 210521,1 63733,04 24826,44 45768,5 3428724 152841 25832,26 29129,37 188917,2 52797,1 206913,5 154445,9 113207,9 1083337 9426,994 0,085803 0,488863 0,668775 2,023097 0,277455 0,307219 0,016424 0,363440 0,072876 0,388202 0,057237 0,036288 0,059173 0,215108 0,748759 2,786804 0,135030 0,097219 2,026294 1,758663 -0,0037019994 -0,0007512364 -0,0002273409 0,0039597907 -0,0015058548 -0,0033928393 -0,0002672623 -0,0053062309 -0,0035038065 -0,0002984072 -0,0045364425 -0,0007619066 -0,0004257371 -0,0070345691 -0,0003709365 0,0034090984 -0,0018009971 -0,0006156969 0,0051874407 0,0238414841 0,000347456 0,000718500 0,000459024 0,007830187 0,000578243 0,001504579 0,000004463 0,003029559 0,000275414 0,000189347 0,000275414 0,000028689 0,000026776 0,001927901 0,001105483 0,005317029 0,000281152 0,000066303 0,010241976 0,055267142 QL 0,063015 0,172285 0,096797 0,167036 0,511076 0,062056 3,014307 0,277274 0,084053 0,719140 0,538029 0,043848 0,297306 0,094842 0,165593 0,194899 0,149482 3,478928 0,176285 2,901459 1,687007 0,506510 2,762151 0,467672 IHH -0,0065977847 -0,0030292388 -0,0003985665 -0,0013734233 -0,0002775045 -0,0012526728 0,0030674231 -0,0004902175 -0,0013894814 -0,0013851257 -0,0006897353 -0,0005560895 -0,0007534184 -0,0727043210 -0,0029875876 -0,0004872098 -0,0005803872 0,0109708082 -0,0010188027 0,0092167770 0,0024856538 -0,0013087547 0,0447208194 -0,0001175589 PR 0,000443723 0,000630521 0,000042715 0,000275414 0,000290078 0,000082879 0,004590241 0,000188072 0,000127507 0,003546599 0,000803292 0,000025501 0,000318767 0,007617888 0,000592906 0,000117944 0,000102005 0,015396434 0,000218036 0,014063989 0,006103746 0,001343283 0,070099360 0,000103280 cvii -0,611068 -0,282981 -0,136535 0,965870 -0,455066 -0,430838 -0,667542 -0,385075 -0,621591 -0,364918 -0,634321 -0,651373 -0,632745 -0,505815 -0,071428 1,587520 -0,570998 -0,601776 0,968472 0,750623 QL Padronizado -0,629617 -0,540673 -0,602119 -0,544946 -0,264900 -0,630398 1,772705 -0,455213 -0,612493 -0,095539 -0,242961 -0,645220 -0,438907 -0,603711 -0,546120 -0,522265 -0,559234 2,150902 -0,537417 1,680848 0,692296 -0,268617 1,567453 -0,300231 Sinop Sorriso Município Tabaporã Tangará da Serra Tapurah Terra Nova do Norte Tesouro Torixoréu União do Sul Vale de São Domingos Várzea Grande Vera Vila Rica Nova Guarita Nova Marilândia Nova Monte Verde Nova Maringá 32027 1357702 0,641966 173806 1635451 2,892192 Valor da Produção (mil reais) 7836 32257 34362 259 4336 103 4070 120 86 11700 4590 1008 1134 1915 4106 PIB (mil reais) 111462,9 967255,9 228265,1 103403,7 45173,82 44780,56 47252,45 23916,87 2293649 133708,3 199277,6 36883,21 30170,25 74309,15 109416,1 QL 1,913215 0,907575 4,096744 0,068165 2,612176 0,062596 2,344067 0,136545 0,001020 2,381373 0,626836 0,743758 1,022902 0,701336 1,021263 -0,0113876046 0,0724946304 0,020418286 0,110807149 IHH 0,0023845521 -0,0020942804 0,0165595274 -0,0022572412 0,0017060913 -0,0009833756 0,0014878128 -0,0004837790 -0,0536768107 0,0043268552 -0,0017420516 -0,0002214024 0,0000161866 -0,0005199097 0,0000545008 PR 0,004995713 0,020564918 0,021906926 0,000165121 0,002764345 0,000065666 0,002594761 0,000076504 0,000054828 0,007459142 0,002926279 0,000642634 0,000722963 0,001220877 0,002617713 cviii -0,158358 1,673304 QL Padronizado 0,876427 0,057846 2,653798 -0,625425 1,445374 -0,629959 1,227136 -0,569765 -0,680081 1,257503 -0,170673 -0,075500 0,151721 -0,110030 0,150387