UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO
FACULDADE DE ECONOMIA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM AGRONEGÓCIOS E
DESENVOLVIMENTO REGIONAL
Émerson José Sant´Ana
Polos de aglomeração produtiva de milho, aves e suínos
em Mato Grosso
Cuiabá-MT
2010
1
ÉMERSON JOSÉ SANT’ANA
Polos de aglomeração produtiva de milho, aves e suínos
em Mato Grosso
Dissertação apresentada, para obtenção do
título de Mestre, à Universidade Federal de
Mato Grosso, no Programa de PósGraduação
em
Agronegócios
e
Desenvolvimento Regional da Faculdade de
Economia.
Orientador: Prof. Dr. Adriano Marcos Rodrigues Figueiredo.
Cuiabá-MT
2010
2
ÉMERSON JOSÉ SANT’ANA
Polos de aglomeração produtiva de milho, aves e suínos
em Mato Grosso
Dissertação apresentada, para obtenção do
título de Mestre, à Universidade Federal de
Mato Grosso, no Programa de PósGraduação
em
Agronegócios
e
Desenvolvimento Regional da Faculdade de
Economia.
Aprovada em: 30 de julho de 2010
BANCA EXAMINADORA
Prof. Dr. Adriano Marcos Rodrigues Figueiredo
Orientador (UFMT)
Prof.ª Drª Sandra Cristina de Moura Bonjour
Examinadora Interna (UFMT)
Prof. Dr. Euro Roberto Detomini
Examinador Externo
(Ministério do Planejamento)
3
AGRADECIMENTOS
Em primeiro lugar, fico grato a Deus que me brinda dia a dia com o dom da vida,
regozijo e serenidade, que de maneira muito próxima se deixa encontrar em cada
pormenor do quotidiano, mostrando seu semblante de Pai Onipresente.
À minha família que participou de todos os momentos deste estudo, aceitando as aulas,
imprevistos, respeitando os espaços e acima de tudo me amando, cujo amor é mútuo.
Estou convicto de que os sonhos que compartilhamos constituem nossas vidas e não são
mais meus ou apenas dela, mas fazem parte de nós. Obrigado por estar tão presente nos
difíceis momentos, participando na elaboração deste trabalho.
Ao meu orientador, Prof. Dr. Adriano Marcos Rodrigues Figueiredo, pela compreensão,
competência e seriedade com que me transmitiu seus conhecimentos. Pela dedicação,
zelo e paciência com os quais conduziu o trabalho. Obrigado por ter atendido sempre
meus constantes pedidos e pelos longos momentos de discussão que, para mim, sempre
foram muito favoráveis e essenciais para o aprendizado.
Aos gestores da UFMT que compreenderam meu afastamento para realizar o estudo,
agradeço muito, em especial, à presidente Profª Drª Regina Célia de Carvalho e o vicepresidente Prof. Dr. Genesson dos Santos Barreto, ambos da comissão onde realizo
minhas atividades.
4
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO
1
1.1. O milho e sua importância
1
1.2. Objetivos e hipóteses
4
2. REFERENCIAL TEÓRICO
5
2.1. Breve revisão das teorias locacionais
5
2.2. Os Complexos Industriais e Agroindustriais
8
3. O COMPLEXO AGROINDUSTRIAL DO MILHO
14
3.1. Sistemas de Produção de Milho
14
3.2. Consumo do Milho
15
3.3. Comercialização
17
3.4. Processos industriais e aplicações
19
3.5. Exportação do milho de Mato Grosso por destino (t), janeiro a
22
dezembro de 2009
4. MÉTODO E FONTE DE DADOS
25
4.1. Quociente Locacional (QL)
26
4.2. Índice de Hirschman e Herfindahl Modificado (IHHm)
27
4.3. Índice de Participação Relativa (PR)
28
4.4. Agregação dos índices para o cálculo do ICN
28
5. RESULTADOS
31
5.1. Componentes e Ranking do Índice de Concentração Normalizado
31
5.1.1. Estatísticas descritivas e ranking do ICN
31
5.1.2. Aglomeração de atividades nas vinte cidades
36
5.1.3. A integração entre milho, avicultura, suinocultura e pecuária de
38
leite
5.2. Análise dos polos de aglomeração
40
5.2.1. Polo de Lucas do Rio Verde
41
5.2.1.1. Consumo de milho no polo de Lucas do Rio Verde
42
5.2.1.2. Produto Interno Bruto do primeiro polo de aglomeração
55
5
5.2.1.3. Distribuição de renda
57
5.2.1.4. Fatores locacionais para o primeiro polo de aglomeração
57
5.2.1.5. Indicador padronizado de contribuição setorial para o polo de
59
Lucas do Rio Verde
5.2.2. Polo de Campo Verde
60
5.2.2.1. Consumo de milho no polo de Campo Verde
61
5.2.2.2. Produto Interno Bruto do segundo polo de aglomeração
68
5.2.2.3. Distribuição de Renda
69
5.2.2.4. Fatores locacionais para o segundo polo de aglomeração
69
5.2.2.5. Indicador padronizado de contribuição setorial para o polo de
71
Campo Verde
5.3. Aspectos adicionais de crescimento e desenvolvimento
72
socioeconômico
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
79
REFERÊNCIAS
81
APÊNDICE
86
6
LISTA DE FIGURAS
Figura 1. Milho: esquema lógico de comercialização
18
Figura 2. Industrialização de milho. Processo a seco
20
Figura 3. Industrialização de Milho. Processo a Úmido
21
Figura 4. Distribuição espacial do valor da produção em reais do milho, 31
2007
Figura 5. Distribuição espacial do Quociente Locacional, 2007
35
Figura 6. Distribuição espacial do Índice de Hirschman e Herfindahl e do 35
índice de Participação Relativa para o milho
Figura 7. Distribuição espacial do Índice de Concentração Normalizado 36
do milho, 2007
Figura 8. Polo da aglomeração produtiva de Lucas de Rio Verde
42
Figura 9. Composição do Produto Interno Bruto no primeiro polo de 56
aglomeração, 2007
Figura 10. Municípios selecionados do primeiro polo de aglomeração
58
Figura 11. Polo da aglomeração produtiva de Campo Verde
61
Figura 12. Composição do Produto Interno Bruto no segundo polo de 68
aglomeração, 2007
Figura 13. Municípios do segundo polo de aglomeração
70
Figura 14. Evolução do PIB e seus componentes em Lucas do Rio Verde, 74
2002/2007
Figura 15. Evolução do PIB e seus componentes em Campo Verde,
2002/2007
75
7
LISTA DE TABELAS
Tabela 1. Milho – Área Colhida – Regiões (hectares), 2001/2007
Tabela 2. Milho – Brasil – Estimativa de consumo por segmento
2
17
(toneladas)
Tabela 3. Números relativos a milho, aves, suínos e leite de vaca na
22
agricultura familiar e não familiar, Mato Grosso, 2006
Tabela 4. Exportação do milho por destino (t), janeiro a dezembro de
23
2009
Tabela 5. Escoamento do milho de Mato Grosso por porto (t), primeiro
24
semestre de 2009
Tabela 6. Estatística descritiva para os componentes do ICN para os
32
municípios de Mato Grosso
Tabela 7. Ranking do Índice de Concentração Normalizado e Quociente
Locacional, IHHm, PR, 2007
34
Tabela 8. Síntese da aglomeração de atividades nas vinte cidades
apontadas pelo ICN, 2007
37
Tabela 9. Aves, suínos ovos e leite para os municípios do índice de
concentração, 2008
39
Tabela 10. Estimativa de consumo de milho pelos segmentos no polo de
43
aglomeração de Lucas do Rio Verde, em quilogramas, 2000/2007
Tabela 11. Lucas do Rio Verde – Áreas plantadas e colhidas, quantidade
45
produzida e valor da produção, 2007
Tabela 12. Cultura do milho, avicultura e suinocultura em Lucas do Rio
45
Verde – quantidade produzida, 2000/2007
Tabela 13 . Sorriso – Áreas plantadas e colhidas, quantidade produzida e
47
valor da produção, 2007
Tabela 14. Cultura do milho, avicultura e suinocultura em Sorriso,
47
quantidade produzida, 2000/2007
Tabela 15. Nova Mutum – Áreas plantadas e colhidas, quantidade
48
produzida e valor da produção, 2007
Tabela 16. Cultura do milho, avicultura e suinocultura em Nova Mutum,
48
quantidade produzida, 2000/2007
Tabela 17. Ipiranga do Norte – Áreas plantadas e colhidas, quantidade
49
8
produzida e valor da produção, 2007
Tabela 18. Cultura do milho, avicultura e suinocultura em Ipiranga do
50
Norte, quantidade produzida, 2005/2007
Tabela 19. Nova Ubiratã – Áreas plantadas e colhidas, quantidade
50
produzida e valor da produção, 2005
Tabela 20. Cultura do milho, avicultura e suinocultura em Nova Ubiratã,
51
quantidade produzida, 2000/2007
Tabela 21. Tapurah – Áreas plantadas e colhidas, quantidade produzida e
51
valor da produção, 2007
Tabela 22. Cultura do milho, avicultura e suinocultura em Tapurah,
52
2000/2007
Tabela 23. Santa Rita do Trivelato – Áreas plantadas e colhidas,
53
quantidade produzida e valor da produção, 2007
Tabela 24. Cultura do milho, avicultura e suinocultura em Santa Rita do
53
Trivelato, 2000/2007
Tabela 25. Diamantino – Áreas plantadas e colhidas, quantidade
54
produzida e valor da produção, 2007
Tabela 26. Cultura do milho, avicultura e suinocultura em Diamantino,
55
quantidade produzida, 2000/2007
Tabela 27. Composição do PIB no primeiro polo de aglomeração, 2007
55
Tabela 28. Porcentagem da renda apropriada por estratos da população do
57
primeiro polo, 1991 e 2000
Tabela 29. Indicador de contribuição setorial para milho, aves e suínos,
60
2007
Tabela 30. Estimativa de consumo de milho pelos segmentos no polo de
62
aglomeração produtiva de Campo Verde, em quilograma, 2000/2007
Tabela 31. Campo Verde – Áreas plantadas e colhidas, quantidade
63
produzida e valor da produção, 2007
Tabela 32. Cultura do milho, avicultura e suinocultura em Campo Verde,
64
quantidade produzida, 2000/2007
Tabela 33. Primavera do Leste – Áreas plantadas e colhidas, quantidade
64
produzida e valor da produção, 2007
Tabela 34. Cultura do milho, avicultura e suinocultura em Primavera do
65
9
Leste, quantidade produzida, 2000/2007
Tabela 35. Juscimeira – Áreas plantadas e colhidas, quantidade produzida
66
e valor da produção, 2007
Tabela 36. Cultura do milho, avicultura e suinocultura em Juscimeira,
66
quantidade produzida, 2000/2007
Tabela 37. Dom Aquino – Áreas plantadas e colhidas, quantidade
67
produzida e valor da produção, 2007
Tabela 38. Cultura do milho, avicultura e suinocultura em Dom Aquino,
67
quantidade produzida, 2000/2007
Tabela 39. Composição do PIB no segundo polo de aglomeração, 2007
68
Tabela 40. Porcentagem da renda apropriada por estratos da população no
69
segundo polo, 1991 e 2000
Tabela 41. Indicadores de contribuição setorial para milho, aves e suínos,
72
2007
Tabela 42. Índice de desenvolvimento humano dos municípios, 2000 e
77
2006
10
LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS
ABIMILHO: Associação Brasileira das Indústrias de Milho
APL: Arranjo Produtivo Local
CSA: Commodity System Approach
EMBRAPA: Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
FIRJAN: Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro
IBGE: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
ICN: Índice de Concentração Normalizado
IFDM: Índice FIRJAN de Desenvolvimento Municipal
IHHm: Índice de Hirschman e Herfindahl Modificado
IMEA: Instituto Matogrossense de Economia Agrícola
MAPA: Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento
MDIC: Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio
MTE: Ministério do Trabalho e Emprego
PAM: Produção Agrícola Municipal
PIB: Produto Interno Bruto
PNUD: Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento
PPM: Pesquisa Pecuária Municipal
PR: Índice de Participação Relativa
QL: Quociente Locacional
11
SANT’ANA, Emerson José. Polos de aglomeração produtiva de milho, aves e suínos
em Mato Grosso. 2010. Dissertação (Mestrado em Agronegócios e Desenvolvimento
Regional). Cuiabá: Universidade Federal de Mato Grosso, 2010.
RESUMO: O problema de pesquisa é: qual é a contribuição da aglomeração produtiva
de milho, aves e suínos nos polos de concentração produtiva para a economia regional?
O objetivo geral deste trabalho é avaliar a contribuição econômica dos complexos
agroindustriais de milho, de aves e de suínos para a economia regional nos polos de
concentração produtiva de milho, tendo por objetivos específicos: i) analisar a evolução
da produção do grão, e do efetivo de aves e suínos; ii) caracterizar a concentração dos
complexos agroindustriais de milho, de aves e de suínos; iii) analisar as aglomerações
produtivas quanto à configuração ou não de cluster e a contribuição para o
desenvolvimento. Para tanto, usou-se o Índice de Concentração Normalizado – ICN,
para detectar cidades com destaque na produção de milho, e a correlação existente entre
os complexos agroindustriais da avicultura, suinocultura e pecuária leiteira. Utilizaramse dados do PIB municipal de 2007 e o Valor da Produção Municipal do Milho de 2007,
para o cálculo do ICN do milho, e os dados da Pesquisa Pecuária Municipal para
apontar os números relativos à atividade pecuária, além de outras fontes de dados para
uma análise de desenvolvimento. Existe aglomeração de atividades no estado de Mato
Grosso em dois polos principais onde se concentram as atividades milho, aves e suínos:
Lucas do Rio Verde se destaca na produção de milho, sendo o centro de um dos polos
da aglomeração da cultura de milho, avicultura e suinocultura; Campo Verde é o
principal município do outro polo da aglomeração destas atividades. As análises sobre
clusters direcionados ao agronegócio indicaram potenciais para a formação de cluster
no primeiro polo mencionado. Ao avaliar as atividades econômicas em que a região se
sobressai, observou-se que estas reforçam suas capacidades produtivas especializadas,
gerando um maior crescimento e desenvolvimento econômico.
Palavras-chaves: cluster, milho, aves, suínos
Classificação JEL: Q13, R12
12
SANT’ANA, Emerson José. Agglomeration poles of corn, poultry and swine in Mato
Grosso. 2010. Dissertation (Master in Agribusiness and Regional Development).
Cuiabá: Universidade Federal de Mato Grosso, 2010.
ABSTRACT: The research problem is: what is the contribution of corn, poultry and
pigs productive agglomeration at the productive poles for the regional economy? The
main goal is to assess the economic contribution of agro-industrial complexes of corn,
poultry and pork to the regional economy at the corn production poles, with the
following objectives: i) to evaluate the production of corn and the herds of poultry and
swine; ii) to characterize the concentration of agro-industrial complexes of corn, poultry
and pigs, iii) to analyze the productive agglomerations as clusters and their contribution
to the development. To this end, it was used the Normalized Concentration Index - NCI,
to detect cities specialized in the production of corn, and the correlation among the
agro-industrial complexes of poultry, swine and dairy farming. It was used 2007 data
for the municipal GDP and value of production of corn in order to calculate the NCI of
corn, and also data from the municipal livestock survey to point the figures for cattle,
and other data sources for the development analysis. There are agglomeration of
activities in the state of Mato Grosso in two main poles where the activities of corn,
poultry and pigs are concentrated: Lucas do Rio Verde is highlighted in the production
of corn, being the center of one pole of the agglomeration of corn, poultry and pigs;
Campo Verde is the main city in the other agglomeration pole of these activities. The
analysis of clusters related to the agribusiness indicated potential cluster creation at the
first pole mentioned above. The evaluation of main regional economic activities, we
observed that these enhance their productive capacities in which they are specialized,
thus generating greater economic growth and development.
Keywords: cluster, corn, poultry, swine
JEL codes: Q13, R12
13
Dados Internacionais de Catalogação na Fonte
S231p
Sant’ Ana, Émerson José.
Pólos de aglomeração produtiva de milho, aves e suínos em
Mato Grosso / Émerson José Sant’ Ana. – Cuiabá, 2010.
91f. : il. color. ; 30 cm. (incluem mapas, gráficos e tabelas).
Orientador: Adriano Marcos Rodrigues Figueiredo
Dissertação (mestrado). Universidade Federal de Mato
Grosso. Faculdade de Economia. Programa de Pós-graduação em
Agronegócios e Desenvolvimento Regional, 2010.
1. Cluster. 2. Milho. 3. Aves. 4. Suínos. 5. Mato Grosso. I.
Título.
CDU 338.43(817.2)
Catalogação na fonte: Maurício S. de Oliveira – Bibliotecário CRB/1 1860
14
1. INTRODUÇÃO
O tema deste trabalho é o complexo agroindustrial que envolve as atividades
produtivas de milho, aves e suínos, sua inter-relação e ocupação do espaço como forma
de aproveitar economias de escala e reduzir os custos de transporte.
O problema de pesquisa é dado pela seguinte pergunta: qual a contribuição
econômica da aglomeração produtiva de milho, aves e suínos nos polos de concentração
produtiva para a economia regional? Justifica-se este trabalho pelas razões a seguir
expostas:
a) A importância da cultura do milho para o Estado, uma vez que este é o maior
produtor na região Centro Oeste, desde o ano de 2004, em termos de produção em
toneladas (ABIMILHO, 2010). Entre as outras atividades produtivas no estado, a
cultura também ocupa lugar de destaque chegando a ser a segunda ou terceira colocada
nos municípios, e até mesmo a primeira onde não há produção de soja;
b) Enquanto os outros estados da região Centro-Oeste tiveram redução na
produção, com exceção do Distrito Federal, mas que não tem produção expressiva,
o estado de Mato Grosso passou de 1.843.600 toneladas em 2001, para 3.468.951
toneladas em 2007, quase dobrando sua produção, segundo dados da Associação
Brasileira das Indústrias do Milho (ABIMILHO, 2010);
c) Outro motivo é que o estado de Mato Grosso é um dos maiores produtores do
país e o milho é importante para nutrição nas criações da avicultura, suinocultura, e
pecuária leiteira, atividades que se concentram onde há produção em larga escala da
cultura do milho;
A atração da agroindústria para certas regiões é resultado das condições naturais,
humanas e econômicas que há nos municípios e suas adjacências, assim como de
incentivos fiscais, da logística e da modernização agrícola, fatores geradores de maior
competitividade para as atividades em análise.
O comércio do milho deve ser examinado sob a ótica das cadeias produtivas ou
dos sistemas agroindustriais (SAG). O milho é insumo para produção de uma centena
de produtos, mas na cadeia de suínos e aves são consumidos cerca de 70% do milho
produzido no mundo e entre 70 e 80% do milho produzido no Brasil (ABIMILHO,
2010). Na próxima seção, faz-se uma descrição da importância deste produto.
1.1. O milho e sua importância
15
Conforme a Tabela 1, verifica-se que a área colhida no Brasil permaneceu
relativamente estável passando de 10.830.361 hectares em 2000/1 para 12.539.856
hectares em 2006/7, segundo números mostrados pela Associação Brasileira das
Indústrias de Milho.
Mas, verificando os números entre as regiões observa-se substancial
crescimento da área colhida no Centro-Oeste, passando de 1.284.327 hectares na
safra 2000/01 para 2.265.450 na safra 2006/07. Porém, nas outras regiões a área
colhida permaneceu relativamente estável. Dessa forma, verifica-se o crescimento
da importância da cultura na região Centro-Oeste nos últimos anos.
Tabela 1. Milho – Área Colhida – Regiões (hectares), 2001/2007
Regiões
Norte
2000/01
2001/02
2002/03
2003/04
2004/05
2005/06
2006/07
661.545
491.300
517.700
563.600
567.300
538.500
553.600
Nordeste
2.458.703
2.701.600
2.894.900
2.887.000
2.749.600
2.826.100
2.798.865
Sudeste
2.139.068
2.347.100
2.422.500
2.465.500
2.484.100
2.472.000
2.378.561
Sul
4.286.718
4.784.500
5.063.300
4.558.000
4.142.400
4.720.400
4.543.380
C. Oeste
1.284.327
1.994.300
2.327.800
2.308.900
2.264.800
2.327.600
2.265.450
MS
379.463
481.200
701.900
628.300
564.400
610.900
581.795
MT
258.130
738.600
879.300
970.900
1.058.700
1.014.500
1.032.487
GO
618.751
746.300
715.000
676.800
605.000
662.800
612.964
DF
27.983
28.200
31.600
32.900
36.700
39.400
38.204
10.830.361
12.318.800
13.226.200
12.783.000
12.208.200
12.884.600
12.539.856
Brasil
Fonte: CONAB/FNP. ABIMILHO 2010
Observando os dados de Mato Grosso, estado de maior interesse neste
trabalho, em relação aos outros estados da região Centro-Oeste, de acordo com a
Tabela 1, verifica-se um expressivo aumento na área colhida, passando de 258.130
hectares na safra de 2000/01 para 1.032.487 hectares em 2006/07, enquanto que os
outros estados não chegaram a atingir a cifra de um milhão de hectares no curso
do mesmo período.
A cultura do milho, em escala mercantil no Estado do Mato Grosso, pode ser
considerada atividade nova (BORTOLINI, 2007). O começo da exploração agrícola
desse Estado na década de 70 trouxe para o Mato Grosso agricultores e pecuaristas de
diferentes regiões do país, especialmente do Sul.
O milho sempre foi plantado em pequena escala. A instalação de agroindústrias
no sul de Mato Grosso, na década de 80 e 90 estimulou o aumento da produção de
16
milho. No início dos anos 90, a produtividade em Mato Grosso estava em torno de 40
sacas/ha, igual à da soja para aquela época (BORTOLINI, 2007).
Em 1994 e 1995 houve maior desestímulo, quando os preços do milho estavam
entre R$ 3,00 a 4,00 por saca, faltando compradores, dificultando o aumento do cultivo
do milho no estado de Mato Grosso e o avanço das pesquisas.
No fim dos anos 90, com o crescimento da produção animal do Estado, o cultivo
de milho aumentou, porém com o sistema produtivo de safrinha ou 2ª safra, destacandose o município de Lucas do Rio Verde (BORTOLINI, 2007).
Com o aperfeiçoamento de técnicas agronômicas, o estado de Mato Grosso
ultrapassou em 2004/2005 um milhão de hectares da cultura. A produtividade média do
Estado foi de 60 sacas/ha, mas diversas lavouras na região médio-norte ultrapassaram
mais de 100 sacas/ha. Na safra 2002/2003, Lucas do Rio Verde produziu 50% da
produção estadual do milho safrinha, e em torno de 10% da produção nacional
(BORTOLINI, 2007).
A tecnologia para o plantio do milho é elevada, devido à atuação de instituições
de pesquisas privadas, como a Fundação Rio Verde, que apoia de forma expressiva o
fortalecimento da agricultura no Estado, ao propagar tecnologias a cada ciclo produtivo.
Do fubá à mineração, o milho e seus derivados são empregados em diferentes
segmentos. Os produtos de uso industrial são matérias-primas para o próprio setor
moageiro, para as indústrias alimentícias em geral e para um amplo número de empresas
que empregam o milho e seus derivados como componentes dos mais variados produtos
(ABIMILHO, 2010).
A múltipla utilização do milho pode ser mostrada por exemplos pouco
conhecidos para o grande público. Um deles é a água usada para amolecer o cereal, que
serve como meio de fermentação para a produção de penicilina e estreptomicina, tendo
ainda outras aplicações no campo farmacêutico. Outro é o xarope de glicose de milho
utilizado para fabricar cosméticos, xaropes medicinais, graxas e resinas (ABIMILHO,
2010).
Nas fábricas de aviões e veículos, os derivados de milho são empregados nos
moldes de areia para a fabricação de machos e peças fundidas. O milho está presente na
extração de minério e petróleo e em outras áreas pouco divulgadas, como as de
explosivos, baterias elétricas, cabeças de fósforo, etc. (ABIMILHO, 2009).
17
1.2. Objetivos e hipóteses
O objetivo geral deste trabalho é avaliar a contribuição econômica dos
complexos industriais de milho, de aves e de suíno para a economia regional nos polos
de concentração produtiva. Os objetivos específicos são: i) analisar a evolução da
produção do grão, e do efetivo de rebanhos que possui relação com este cereal, ou seja,
a avicultura e suinocultura e pecuária leiteira; ii) caracterizar a concentração dos
complexos agroindustriais de milho, de aves e de suínos; iii) análise das aglomerações
produtivas quanto a configuração de cluster produtivo e sua contribuição para o
desenvolvimento.
As hipóteses são que: i) existem concentrações dos complexos agroindustriais de
milho, aves e suínos; ii) as cidades situadas pertos dos principais eixos viários do estado
e dos centros de produção avícola e de suínos são as principais produtoras e
exportadoras. iii) as atividades produtoras de milho, aves e suínos vêm aumentando ao
longo do tempo; e, iv) este complexo possui substancial contribuição para o
desenvolvimento dos municípios produtores.
O capítulo dois trata do referencial teórico, o capítulo três expõe o complexo
agroindustrial do milho, o capítulo quatro mostra a metodologia e a fonte de dados, o
capítulo cinco aponta os resultados, o capítulo seis apresenta as considerações finais.
Após seguem as referências e o anexo.
18
2. REFERENCIAL TEÓRICO
2.1. Breve revisão das teorias locacionais
O projeto de localização agroindustrial define claramente qual é a melhor
localização possível para a unidade de produção. A melhor localização será a que
permitir aumentar a produção e a reduzir os custos necessários a essa produção.
A observação de uma unidade de produção em sua posição no espaço mostra que
para ela se direcionam quantidades de insumos, que são transformados em produtos
para o mercado consumidor (BUARQUE, 1984).
Os fatores básicos que normalmente determinam a localização são: i) localização
dos materiais de produção (insumos); ii) disponibilidade de mão de obra; iii) terrenos
disponíveis, clima, fatores topográficos; iv) distância da fonte de combustível industrial;
v) facilidades de transporte; vi) distância e dimensão do mercado e facilidades de
distribuição; vii) disponibilidade de energia, água, telefones, rede de esgotos; viii)
condições de vida, leis e regulamentos, incentivos; e, ix) estrutura tributária
(BUARQUE, 1984).
No modelo de Weber os custos de transporte são importantes e decisivos, pelo
que a localização mais conveniente será encontrada no ponto em que os custos
conjuntos de transporte das matérias-primas vindas das suas várias origens e os de
colocação do produto final sejam mínimos (LOPES, 2006).
O modelo de Weber estabelece o conceito de fator locacional como uma
economia de custo que a empresa industrial pode obter ao escolher a localização. Os
fatores locacionais podem ser auferidos por um número reduzido de indústrias,
economias de custo que podem ser auferidas por qualquer tipo de indústria e, uma vez
que seu objetivo é desenvolver uma teoria geral da localização industrial, os fatores
específicos são deixados de lado (CLEMENTE, et. al., 1998).
Os fatores gerais são, em seguida, classificados quanto à escala geográfica em
que atuam: i) fatores regionais – capazes de influenciar a escolha locacional entre
regiões – que são transporte e mão de obra. ii) fatores aglomerativos e desaglomerativos
que provocam a concentração ou dispersão da indústria em certa região (CLEMENTE,
et. al., 1998).
19
O custo de transporte corresponde ao custo de reunião de insumos materiais e o
custo de distribuição do produto. Mas alguns insumos materiais estão presentes em
qualquer parte, são as ubiquidades, e não possuem custos de transporte, enquanto outros
estão disponíveis somente em poucos lugares, são as matérias-primas localizadas.
(CLEMENTE, et. al., 1998).
Os fatores transporte e mão de obra referem-se à escolha locacional interregional. Os fatores aglomerativos e desaglomerativos referem-se à escolha locacional
intrarregional e dizem respeito à maior ou menor concentração da indústria em certa
região (CLEMENTE, et. al., 1998).
Um fator aglomerativo representa a redução de custo que uma empresa de certa
indústria aufere ao se localizar junto a outras empresas da mesma indústria. Fator
desaglomerativo, ao contrário, representa economia de custo obtida pelo distanciamento
em relação às empresas da mesma indústria, já estabelecidas (CLEMENTE, et. al.,
1998).
No modelo de Sten Söderman a decisão locacional não é independente. Ao
contrário, faz parte de um conjunto de decisões, entre as quais pode ter maior ou menor
importância. Essas outras decisões inter-relacionadas com a locacional referem-se, por
exemplo, ao processo, ao produto, à escala de produção e à política de vendas
(CLEMENTE; HIGACHI, 2000).
O modelo de Johann-Heinrich von Thünen, não se refere à localização industrial,
mas à localização agrícola e tem sido ponto de partida para diversos autores da
localização industrial. Este modelo está associado à explicação da localização da
atividade agrícola e corresponde às primeiras preocupações manifestadas acerca da
influência da distância, portanto, dos transportes, na organização espacial (LOPES,
2006).
Uma vez que os custos de transporte aumentam com a distância, o afastamento
do mercado determina a seleção das culturas que levam à menores custos de transporte,
menor emprego da mão de obra e outros insumos e menos utilização extensiva do solo
(LOPES, 2006).
Considera-se um centro de mercado e uma região agrícola e isótropa1 que o
cerca. O modelo procura explicar o padrão de distribuição das atividades agrícolas.
Neste modelo, para obter rendimento líquido do empresário agrícola, são deduzidos do
1
Que apresenta as mesmas características independentemente da direção.
20
preço final obtido no mercado o custo de produção e o custo de transporte do produto
(CLEMENTE e HIGACHI, 2000).
O modelo de Lösch consiste em propor uma teoria geral da localização com
fundamentos econômicos. Não é uma contribuição muito diferenciada para a questão da
localização dos equipamentos terciários, uma vez que serão sempre as mesmas forças
econômicas a determinar a organização espacial quaisquer que sejam as atividades que
se considerem (LOPES, 2006).
Dos fatores que possam explicar a formação das regiões, Lösch seleciona os de
ordem econômica e deixa clara a existência de um conjunto de razões de natureza
econômica que se, por um lado justificam a concentração dos equipamentos, como as
vantagens da especialização e as economias de escala, por outro lado a contrariam,
como ocorre com os custos de transporte e a diversificação da produção (LOPES,
2006).
Para Lösch, a instalação de uma unidade produtiva traria condições de oferecer
certo bem a um mercado comprador a preços que irão variar com a distância, porque
muito provavelmente quem toma a iniciativa irá esperar recuperar os custos de
transportes, e como o preço aumentará com o afastamento da fábrica é razoável que a
procura individual reduza com este afastamento (LOPES, 2006).
Os aspectos locacionais são muitos relevantes em termos de tamanho. A
localização será dependente tanto da distribuição geográfica do mercado quanto da
existência de economias de escala. Esses fatores influem nos custos de aquisição dos
fatores de produção e de distribuição do produto, podendo também comprometer a
capacidade de competição da empresa em longo prazo (WOILER; MATHIAS, 1996).
Nessas
condições,
tamanho
e
localização
devem
ser
determinados
conjuntamente através de um processo iterativo, em que se busca a melhor solução por
meio de aproximações sucessivas.
Diversos fatores podem influenciar na escolha da localização de uma
empresa agropecuária. Conforme Woiler e Mathias (1996), os fatores locacionais
quantitativos mais relevantes são aqueles que tornam a localicazação dependente
das entradas, das saídas ou do processo.
No caso das entradas, a indústria tende a localizar-se junto à fonte de
matéria-prima. O milho, constituindo insumo básico para ração, tende a atrair
agroindústrias de aves e suínos para junto de si.
21
Mas não menos importante, vêm os fatores que tornam a localização
dependente das saídas. Neste caso, o mercado da empresa é de grande importância,
e a tendência é no sentido de localizar-se próximo ao mercado. Vários produtos
derivados do milho são levados ao consumidor final por meio de supermercados
para consumo humano, e por estabelecimentos veterinários para consumo animal,
por exemplos.
Ainda existem os fatores que tornam a localização dependente do processo,
que no caso do milho pode-se considerar, entre outros, principalmente os processos
que dependem da disponibilidade de vias de transporte, em que o rodoviário é o
principal modal disponível no estado para transporte de grãos, aves e suínos.
A qualidade de um ambiente de negócios de uma região é incorporada em
quatro atributos que afetam a produtividade e a capacidade de inovação. Michael
E. Porter criou o diamante objetivando apresentar estes quatro atributos. O êxito
internacional de determinada indústria deve-se estes atributos que modelam o ambiente
no qual as empresas competem e que promovem a criação de vantagem competitiva: i)
condições de fatores, ii) condições de demanda, iii) indústrias correlatas e de apoio, iv)
estratégia, estrutura e rivalidade das empresas (PORTER, 1993 e 2001).
As vantagens são como diamantes, os quais determinam um sistema mais
favorável, tentando verificar como um determinante interage com os demais e ainda
com o acaso e como o governo (PORTER, 2001).
2.2. Os Complexos Industriais e Agroindustriais
A abordagem dos complexos industriais de grande emprego no esclarecimento
das relações intersetoriais entre a indústria e a agricultura, a qual procura reunir num
corpo doutrinário as inter-relações e dar-lhes contribuição analítica.
Graziano da Silva (1991) pondera que um complexo é constituído por um
conjunto de relações multideterminadas de encadeamento, de coordenação ou de
controle entre seus vários elementos, membros e/ou etapas do processo. Diz o autor que
a procedência dessa concepção surge a partir das teorias de desenvolvimento econômico
emergidas durante os anos 50 e 60 por meio de Albert Hirschman e François Perroux.
A questão comum aos dois autores centra-se na proposição de que para que
ocorra o desenvolvimento é preciso existir atividades produtivas que completem
22
determinados setores da economia que representam lacunas na estrutura produtiva dos
países e regiões.
O investimento nessas atividades teria o poder de induzir o surgimento de várias
outras a montante e a jusante. Surge então o conceito de "agrupamento de indústrias"
(HIRSCHMAN, 1958 citado por OSTROSKI e MEDEIROS, 2003). A inserção de uma
nova técnica em dado setor levará a pressões para que no momento posterior ocorram
inversões nos demais segmentos da economia ou mudanças em sua forma de produzir.
Perroux (1975) citado por OSTROSKI e MEDEIROS (2003), ao contrário de
Hirschamn, dizia existir um relacionamento dessa abordagem com as questões
fundamentais de “espaço econômico” e de “poder de dominação”, fato que o levou a
desenvolver o conceito de complexo de indústrias, no qual identifica a função de
liderança que certas unidades produtivas possuem. Passam a existir então, os complexos
industriais, definidos como sendo o agrupamento de indústrias cujos fluxos de bens e
serviços se inter-relacionam (OSTROSKI e MEDEIROS, 2003).
Diversos autores nacionais se empenharam para definir a concepção de
complexos industriais aplicados à economia brasileira. Pereira (1985) define o
complexo industrial como espaço em que se encontram recompostos os elos de
interligação e interdependência de algumas indústrias, cujas relações econômicas são
mais expressivas.
Os anos 50 foram marcados por intensos avanços tecnológicos, principalmente
no setor produtivo da economia, com a chamada revolução verde, o uso do termo
“complexo industrial” também foi empregado para apontar o forte relacionamento da
indústria voltada à agricultura. Assim, aparece o termo “agribusiness”.
Os pesquisadores da Universidade de Harvard, John Davis e Ray Golberg, já em
1957 proferiram o conceito de agribusiness como a soma das atividades de produção e
distribuição de suprimentos agrícolas, das operações de produção nas unidades
agrícolas, do armazenamento, processamento e distribuição dos produtos agrícolas e
itens produzidos a partir deles (BATALHA, et. al., 2007). Goldberg (1968) citado por
Zylberstajn e Neves (2001) ampliou o conceito, nos anos 60, incluindo o "Commodity
System Approach" (CSA), ao fazer análise de casos particulares. Apareceu a visão
ianque dos chamados "sistemas agroindustriais" (SAG’s).
Conforme esses autores, a agricultura não mais poderia ser abordada de forma
desvinculada dos outros agentes responsáveis pelas atividades que garantiriam a
produção, transformação, distribuição e consumo de alimentos. Os autores
23
consideravam as atividades agrícolas como integrantes de uma ampla rede de agentes
econômicos, desde a produção de insumos, transformações industriais até armazenagem
e distribuição de produtos agrícolas e derivados (BATALHA, et. al., 2007).
Os trabalhos de Goldberg tentam incorporar um aspecto dinâmico a seus estudos
por meio da consideração das mudanças que acontecem no sistema ao longo do tempo.
Este enfoque é ressaltado pela importância da tecnologia como agente indutor destas
mudanças (BATALHA, et. al., 2007).
Além dos teóricos estadunidenses, destaca-se também, nos estudos referentes ao
agribusiness, o francês Louis Malassis, do Institut Agronomique Méditerranée de
Montpellier. Malassis (1985) citado por Zylberstajn e Neves (2001) mediante seus
estudos dividiu o complexo agroindustrial em quatro partes: a das empresas que
fornecem à agricultura serviços e meios de produção, chamadas de "indústrias a
montante"; o agropecuário; o das indústrias a jusante" e o de distribuição de alimentos.
Realçou também a importância de examinar os fluxos e encadeamentos por produto
dentro de cada um desses segmentos, empregando a concepção de cadeia ou “filière” ou
cadeia agroalimentar.
No Brasil, a expressão “cadeia produtiva” foi incorporada na década de 80, pelo
empresário Ney Bittencourt. Até o momento, a visão da agropecuária era isolacionista,
onde os problemas que afetavam este setor restringiam-se apenas a ele, sem influenciar
outros segmentos agroindustriais. Porém, com a noção de “cadeia produtiva”, o todo
ganhou força.
Mais recentemente, construções teóricas ligadas à economia de redes, tecnologia
da informação e gestão de cadeias de suprimentos, têm avançado no aprofundamento do
referencial teórico dessas correntes. Outro conceito explorado por diversos teóricos
centra-se nos aglomerados produtivos articulados em "clusters" ou os "agriclusters".
Um cluster pode ser conceituado como sendo uma aglomeração de empresas
geograficamente localizadas que desenvolvem suas atividades de forma articulada, a
partir, por exemplo, de uma dada dotação de recursos naturais, da existência de
capacidade laboral, tecnológica ou empresarial local, e da afinidade setorial dos seus
produtos. A interação e a sinergia, decorrentes da atuação articulada, proporcionam ao
conjunto de empresas vantagens competitivas que se refletem em um desempenho
superior em relação à atuação isolada de cada empresa (BEZERRA, 1998).
Os clusters são concentrações geográficas de companhias interconectadas e
instituições em um ramo particular, incluindo uma série de indústrias interligadas e
24
outras entidades importantes para a competição. Inclui por exemplo, fornecedores de
insumos especializados como componentes, equipamentos, serviços e infraestrutura
especializada (PORTER, 1998). Ainda, o cluster se expande em direção aos canais de
distribuição, aos clientes, aos fabricantes de produtos complementares e indústrias
relacionadas por aptidão, tecnologia e insumos comuns. Finalmente, muitos clusters
incluem instituições governamentais e outras instituições, como universidades,
ofertantes de treinamento vocacional, associação de comércio, os quais fornecem
treinamento especializado, educação, informação, pesquisa e suporte técnico.
Similarmente, aparece o conceito de Distrito Industrial foi primeiramente
apresentado por Marshall em 1890 no século XIX para apontar o agrupamento de
pequenas e médias empresas situadas ao redor das grandes indústrias, nos arredores das
cidades inglesas (HISSA, 2003). Assim, pode-se assegurar que os "distritos industriais
ingleses" eram compostos por agrupamento de grandes, pequenas e médias empresas
inter-relacionadas em microrregiões geográficas, produzindo bens em larga escala para
o mercado interno e para o mercado externo.
De acordo com Hissa (2003) as pequenas e médias empresas (PMEs) eram
intensamente favorecidas por fatores obtidos na economia tais como infraestrutura, mão
de obra já treinada, existência de recursos naturais locais, informações sobre as novas
técnicas de produção, etc. Ademais, as PMEs eram de igual forma beneficiadas pela
proximidade geográfica entre as firmas assim como pelo seu alto grau de interrelacionamento, garantindo um clima favorável à produção em larga escala, não apenas
diminuindo custos de transporte e de outras transações, mas também proporcionando e
agilizando a comunicação entre os produtores.
Ainda segundo Hissa (2003) todos esses benefícios obtidos pelas PMEs, nos
distritos industriais ingleses, foram chamados “economias externas” por Marshall em
1890. Isto é, ganhos obtidos pelas PMEs no mercado independentemente de suas ações,
quer dizer, infraestrutura, mão de obra treinada, recursos naturais, informações
tecnológicas, proximidade geográfica entre as firmas, forte relacionamento interfirmas,
etc. Dessa forma, as economias externas eram apontadas como as principais causas do
extraordinário desenvolvimento social e econômico alcançado pela Inglaterra no século
XIX.
A constituição de clusters enfoca principalmente a valorização e exploração das
atividades econômicas em que a região se sobressai, reforçando suas capacidades
25
produtivas especializadas, ocasionando a promoção de seu crescimento e posterior
desenvolvimento econômico.
Segundo Erber (2008), os Arranjos Produtivos Locais (APLs) são caracterizados
como aglomerações territoriais de agentes econômicos, políticos e sociais, os quais
focam um conjunto específico de atividades econômicas e que possuem vínculos entre
si. Estes arranjos têm ganhado importância crescente como objeto de estudo acadêmico
e de políticas públicas, devido, principalmente, da hipótese de que essas aglomerações
permitem ganhos de eficiência que os agentes que as compõem não podem alcançar por
si mesmos, isto é, que nelas se observa uma “eficiência coletiva” que confere às
aglomerações uma vantagem competitiva específica.
A proximidade geográfica das firmas permite o aparecimento de outras
atividades subsidiárias, fornecendo à indústria principal instrumentos e matérias-primas,
conduzindo a uma economia de material. A presença de fornecedores de bens e serviços
é uma importante fonte de economias externas, sobretudo no tocante ao processo de
conhecimento gerado através das relações entre firmas e seus fornecedores.
Os Arranjos Produtivos Locais (APLs) podem ser entendidos como aglomerados
ou clusters de empresas. As empresas que constituem um APL possuem proximidade
física e forte relação com os agentes da localidade e uma mesma dinâmica econômica.
Mas esta dinâmica pode ser determinada por razões muito distintas (CENTRO
GESTOR DE INOVAÇÃO, 2010).
A dinâmica de um cluster de empresas pode ser determinada em razão de essas
empresas executarem atividades parecidas e/ou empregarem mão de obra específica
disponível em poucas regiões, ou utilizarem as mesmas matérias-primas, ou
necessitarem das mesmas condições climáticas ou de solo para sua produção, por
fornecerem para um mesmo cliente que depende de proximidade, por processos
históricos e culturais, e outros. Os clusters industriais, de serviços ou os agroindustriais
devem atender algumas condições para ser completo e se tornar competitivo:
a) elevada concentração geográfica;
b) existência de toda espécie de empresas e instituições de apoio, relacionados
com o produto/serviço do cluster;
c) empresas altamente especializadas, cada uma delas executando um número
reduzido de tarefas;
d) presença de muitas empresas de cada tipo;
e) total aproveitamento de materiais reciclados ou subprodutos;
26
f) grande cooperação entre empresas;
g) intensa disputa: substituição seletiva permanente;
h) uniformidade de nível tecnológico e;
i) cultura da sociedade adaptada às atividades do cluster.
O desenvolvimento regional sugere um crescente processo de autonomia
decisória, capacidade regional de captação e reinversão do excedente econômico,
inclusão social, sincronismo intersetorial e territorial do desenvolvimento e percepção
grupal de fazer parte da região (CENTRO GESTOR DE INOVAÇÃO, 2010).
Um sistema produtivo regional competitivamente dinâmico é indispensável para
assegurar a sobrevivência de atividades econômicas de qualquer espécie e em qualquer
escala de produção numa região, diante de bens e serviços análogos que chegam às
cidades e lugares com custos de transportes e impostos alfandegários cada vez menores,
num cenário de comércio externo desregulamentado (CENTRO GESTOR DE
INOVAÇÃO, 2010).
A concentração econômica exclui algumas populações desfavorecidas.
O
desenvolvimento não leva a prosperidade a todos os lugares ao mesmo tempo,
favorecendo alguns lugares mais do que outros. Para obter os benefícios da
concentração econômica e de convergência social é preciso promover a integração
econômica (BANCO MUNDIAL, 2009).
A integração econômica deve incluir instituições que assegurem, em primeiro
lugar, acesso a serviços básicos, como ensino fundamental, cuidados primários de
saúde, saneamento adequado e água potável para todos e, logo em seguida, construção
de rodovias, ferrovias, aeroportos, portos e sistemas de comunicação que facilitem o
movimento de mercadoria, serviços, pessoas nos âmbitos local, nacional e internacional
(BANCO MUNDIAL, 2009).
Apesar das desigualdades, o desenvolvimento pode ser inclusivo, no sentido de
que mesmo as pessoas que inicie sua vida longe da oportunidade econômica podem se
beneficiar da crescente concentração de riqueza em certos lugares. A integração
econômica é a maneira de combinar os benefícios do crescimento desigual no espaço e
do desenvolvimento inclusivo (BANCO MUNDIAL, 2009).
27
3. O COMPLEXO AGROINDUSTRIAL DO MILHO
O presente capítulo busca apresentar ao leitor uma visão geral dos sistemas
produtivos de milho, características do seu consumo, da sua comercialização, dos
processos industriais e aplicações, da agricultura familiar e não familiar, e da
exportação.
3.1. Sistemas de Produção de Milho
Há uma grande variedade nas condições de cultivo do milho no Brasil, variando
desde a agricultura de subsistência, sem emprego de insumos modernos até lavouras que
empregam elevado nível tecnológico, atingindo produtividades análogas às obtidas em
países de agricultura mais adiantada. A seguir estão descritos os sistemas de produção
de milho mais comuns (EMBRAPA, 2010).
A maior parte dos produtores comerciais de grãos faz rotação de milho e
soja, envolvendo às vezes outras culturas. São especializados na produção de grãos com
a finalidade de comercializar a produção. Plantam lavouras maiores e absorvem a
melhor tecnologia disponível, prevalecendo o plantio direto. São os grandes
responsáveis pelo abastecimento do comércio.
Estes produtores realizam também a produção de milho safrinha que é um
tipo de exploração que ocupa hoje cerca de três milhões de hectares de milho plantados
principalmente nos estados PR, SP, MT, MS e GO. O milho após a colheita de soja no
que se chama 2ª safra ou ou safra de inverno. O rendimento e o nível tecnológico
28
dependem muito da época de plantio. Nos plantios mais cedo, o sistema de produção é,
às vezes, igual ao utilizado na safra normal.
Nos plantios tardios, o agricultor reduz o nível tecnológico em função do maior
risco da cultura devido, principalmente, às condições climáticas (frio excessivo, geada e
deficiência hídrica). A redução do nível tecnológico refere-se, basicamente, à semente
utilizada e redução nas quantidades de adubos e defensivos aplicados. Essa oferta tem
sido importante para a regularização do mercado.
Os produtores de grãos e da pecuária empregam um nível médio de
tecnologia, por ser mais apropriado para ele, em termos de custos. Na região que não se
produz soja, o milho pode ser a principal cultura. As lavouras são de tamanho médio a
pequeno.
A aptidão gerencial não é muito adequada e muitas vezes as operações agrícolas
não são desempenhadas na ocasião adequada, com o insumo apropriado ou na
quantidade certa. A condição das máquinas e equipamentos agrícolas podem também
afetar o rendimento do milho.
O pequeno produtor é aquele que produz para subsistência, em que a grande
parte da produção é consumida na propriedade. O nível tecnológico é baixo, com uso de
semente não melhorada. O tamanho da plantação é pequeno, inferior a 100 hectares.
Essa produção tem perdido importância no tocante ao fornecimento ao comércio.
Dos sistemas de produção apontados, o produtor comercial de grãos é o que
mais assimila as tecnologias disponíveis na busca de competitividade. Neste sistema,
existe ampla homogeneização do padrão tecnológico utilizado na produção das lavouras
de milho, variando pouco entre as principais regiões produtoras.
Não existe um padrão tecnológico único para atender todos os sistemas de
produção usados e que se adapte a todas as situações intrínsecas a cada lavoura.
Todavia, sobretudo com relação aos produtores enquadrados no sistema acima citado,
pode-se aproximar um padrão tecnológico que se mostra como o mais adequado para
essas lavouras.
3.2. Consumo do Milho
O milho se destina para o consumo humano sendo ainda utilizado para
alimentação de animais. Nos dois casos deve existir alguma transformação industrial ou
29
na própria fazenda. A seguir se mostram as principais transformações necessárias para o
consumo animal e humano.
A cadeia produtiva do milho passa a se inserir na cadeia produtiva do leite, de
ovos e da carne bovina, suína e de aves sendo este canal por onde os estímulos do
mercado são transmitidos aos agricultores. Transformações nestas cadeias são muito
estimuladoras do processo produtivo do milho. Três grandes derivações ocorrem neste
item:
a) a fabricação de silagem, para alimentação de vacas em fabricação de leite e de
gado confinado para engorda no período de inverno;
b) A utilização do grão de milho em rações prontas;
c) a utilização do grão em combinação com concentrados proteicos para a
nutrição de suínos e de aves.
A atividade de produção de milho para silagem tem sofrido intensa influência da
necessidade de modernização do setor de pecuária leiteira, e do aumento das atividades
de confinamento bovino que aconteceram nos últimos anos.
Para o cultivo do grão para ração, o processo de transformação é
caracteristicamente
industrial,
resultando
no
provimento
de
rações
prontas,
especialmente empregadas na criação de animais de estimação, como cães, gatos, etc.
(ABIMILHO, 2009).
Na criação de suínos e aves em função do grande volume de milho necessário,
este habitualmente é obtido em grão, ou é parcialmente produzido, pelos criadores para
combinação com concentrados na propriedade rural.
O milho é estratégico na agropecuária do Brasil. Quase todo o milho consumido
pelos animais vai para a criação de suínos, aves de corte, os quais representam 30% da
disponibilidade total de carne no país, ao se considerar a carne bovina e o pescado
(ABIMILHO, 2000).
A relação entre consumo de ração e produção da proteína animal é, em média:
a) Frango: 2,1 kg de ração para produzir 1 (um) quilo de frango;
b) Ovos: 72,6 kg de ração para 30 dúzias de ovos;
c) Suínos: 2,9 kg de ração para produzir um quilo de suíno;
d) Leite: 1,0 kg de ração para produzir 16 litros de leite.
O milho é praticamente a base das rações para todos os tipos de criação. Na
formulação das rações (macroelementos), o milho representa:
a) Avicultura de corte: 63,5%;
30
b) Avicultura de postura: 59,5%;
c) Suinocultura: 65,5%;
d) Pecuária de leite: 23% (em equilíbrio com a participação do farelo de trigo 23% e
farelo de algodão 20%).
A Tabela 2 mostra uma estimativa de consumo por segmento em toneladas,
na qual se observa que o grão é consumido principalmente pelo segmento animal.
Com destaque para a avicultura, seguida pela suinocultura e pecuária. O consumo
humano representa uma parcela pequena do total.
Tabela 2. Milho – Brasil – Estimativa de consumo por segmento em toneladas
Segmento
Consumo
2001
Avicultura
2002
2003
2004
2005
2006
2007
13.479
14.500
15.427
16.162
19.309
20.022
20.515
Suinocultura
8.587
8.930
8.471
8.852
11.236
11.097
12.022
Pecuária
2.772
2.841
1.911
2.198
2.520
2.479
2.374
Outros Animais
1.528
1.543
1.550
1.581
615
660
673
Consumo
4.050
4.090
4.152
4.256
4.044
4.159
4.369
1.505
1.514
1.530
1.568
690
700
705
998
913
1.660
1.429
296
310
349
2.550
1.583
3.988
5.000
869
4.327
5000
Industrial
Consumo Humano
Perdas/Sementes
Exportação
Outros
Total
3.622
3.550
4.809
4.132
-
-
-
39.091
39.464
43.498
45.178
39.579
43.754
46.007
Fonte: ABIMILHO, 2010.
3.3. Comercialização
Na Figura 1 tem-se o esquema lógico da comercialização de milho. A
comercialização do milho seria mais segura se houvesse a formulação de contratos que
assegurassem os preços pagos aos produtores de forma antecipada. Um dos grandes
desestímulos à produção do milho no Brasil é a pouca utilização de contratos de
compra. Normalmente, o produtor rural atua com incerteza, sem segurança de preço de
venda.
Essa característica é uma grande falha do mercado do milho. O processo termina
se inserindo em um círculo vicioso. Sem a garantia de preço de venda, acontece um
desestímulo ao financiamento da cultura. O menor crédito conduz a um menor
31
investimento em tecnologia pelo produtor rural. O menor nível da tecnologia utilizada
leva a produtividade média a ser baixa, aumentando o custo de produção (MAPA,
2007).
32
Figura 1. Milho: esquema lógico de comercialização
Fonte: Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento, MAPA (2007)
33
Os maiores custos de produção fazem com que o milho brasileiro não tenha
competitividade nas vendas externas. As limitações nas exportações levam o excedente
de produção a não ser escoado, deprimindo os preços domésticos e desestimulando a
produção. O aperfeiçoamento da comercialização da cadeia produtiva do milho
dependerá da ampliação de contratos.
O estímulo às vendas externas, seria o passo inicial para assegurar a
comercialização. Com contratos de fornecimento sendo realizados pelas tradings, a
necessidade de compra antecipada por parte dessas empresas torna-se primordial.
Existiria a indicação de preços no período pré-safra, tornando a comercialização
do milho mais segura ao produtor rural.
No aspecto doméstico, é preciso o
aperfeiçoamento do processo de comercialização entre produtores e integradoras.
Atualmente não existe um projeto de parceria, ocorrendo uma atmosfera de rivalidade.
A não garantia de comercialização foi um dos fatores pelos quais a cultura do milho
perdeu área para a soja (MAPA, 2007).
Quanto ao governo, em razão da fragilidade existente no setor, têm-se
alternativas para o fortalecimento dessa cadeia produtiva via preços mínimos e de
opções de compra. Atualmente, o governo tem instrumentos de comercialização
destinados ao milho, como o Prêmio de Escoamento do Produto (PEP) e das Opções de
Venda. Entretanto, nem sempre tais instrumentos chegam no tempo exigido pelo
mercado ou com o orçamento necessário para atender às necessidades dos produtores
rurais.
3.4. Processos industriais e aplicações
A industrialização de milho é feita por meio de dois processos: a seco e a úmido.
No processo a seco, o milho, depois de uma limpeza e secagem, é degerminado e
separado endosperma e germe conforme mostrado na Figura 2. O fluxo do endosperma
é moído e classificado para a obtenção de produtos finais, e o germe passa por processo
de extração para produção de óleo e farelo.
No processo a úmido, conforme a Figura 3, o milho após limpeza e secagem, é
macerado, separado em germe, fibras e endosperma, que é separado em amido e glúten.
O amido ainda é convertido em xaropes e modificado em dextrinas e amidos especiais.
O glúten é seco e recebe a incorporação das fibras e do farelo após extração do óleo
para composição de produto de rações animais.
34
Figura 2. Industrialização de milho. Processo a seco
Fonte: ABIMILHO, 2010
35
Figura 3. Industrialização de Milho. Processo a Úmido
Fonte: ABIMILHO, 2010
36
Os processos produtivos de milho assumem diversas escalas e objetivos. A
integração com as atividades avícola e de suínos é uma opção para melhorar a renda nas
propriedades. A Tabela 3 mostra uma comparação da agricultura familiar com a não
familiar no estado como um todo das atividades relacionadas com o cultivo do milho.
Tabela 3. Números relativos a milho, aves, suínos e leite de vaca na agricultura familiar
e não familiar, Mato Grosso, 2006
Atividade Produtiva
Agricultura Familiar
Agricultura não Familiar
Milho em grão
Estabelecimentos
Quantidade produzida (kg)
8.525
2.815
227.981.659
3.893.624.647
Área Colhida (ha)
Valor da Produção (R$)
100.810
1.023.119
59.658.100
963.939.140
51.247
14.261
18.468.072
47.524.989
7.489.158
11.438.449
16.207.613
23.330.648
Aves
Estabelecimentos
Número de cabeças em 31.12
Ovos de galinha (dz.)
Valor da Produção dos ovos
Suínos
Estabelecimentos
28.675
8.602
393.291
898.931
34.648.335
168.474.879
Número de cabeças em 31.12
Valor da produção (R$)
Leite de Vaca
Estabelecimentos
26.192
7.107
Quantidade Produzida (litros)
374.943.786
142.361.219
Valor da Produção (R$)
143.801.066
60.050.938
Fonte: IBGE, Censo Agropecuário – 2006.
Sendo maior o número de estabelecimentos na agricultura familiar e maior a
quantidade
produzida
na
agricultura
não
familiar,
a
produtividade
(quantidade/estabelecimento) é maior na agricultura não familiar, evidenciando que
existe espaço para aprimoramento nos processos produtivos da agricultura familiar.
3.5. Exportação do milho de Mato Grosso por destino (t), janeiro a dezembro de
2009
A Tabela 4 apresenta a exportação do milho de Mato Grosso por destino,
em toneladas, de janeiro a novembro de 2009. Os dados foram extraídos do
Instituto Mato Grossense de Economia Agropecuária.
37
Tabela 4. Exportação do milho por destino (t), janeiro a dezembro de 2009
Jan/09
Irã
Fev/09
Mar/2009 Abr/09 Mai/09 Jun/09 Jul/09
- 42.431
Ago/09 Set/09
Out/09
25.174 401.116 225.113
Nov/09
Dez//09
143.412
44.816
56.751
15.520
16.235
28.150 147.544
Taiwan
41.302
90.836
54.801
-
-
-
Coréia
7.532
10.887
52.538
-
-
-
3.146
39.448
-
-
- 103.165
-
10.680
46.674
-
-
-
-
-
-
-
-
Colômbia 119.893
5.645
30.572
-
-
-
1.000
32.631
29.778
34.117
80.374 110.301
277.422 169.236
do Sul
Filipinas
-
Arábia
72.190
-
27.626
-
18.802
5
-
42.698
-
89.984
58.970
83.218
Marrocos
24.505
57.103
17.311
-
-
-
-
-
-
51.567
70.601
50.830
Malásia
91.197 109.113
5.000
-
1.950
-
-
2.392
Peru
Outros
- 147.158 128.422 113.417
362
27.114
114
-
-
-
-
-
-
-
330.886
86.363
49.406
233
-
- 16.894
65.882
85.283
89.581
-
-
98.507 290.322
Fonte: IMEA (SECEX)
38
Os principais países de destino da exportação de milho no período,
apontados por esta estatística foram: Irã, Taiwan, Coréia do Sul, Filipinas,
Colômbia, Arábia, Marrocos, Malásia, Peru, entre outros. O destaque no ano de
2009 ficou para o Irã, para onde foram exportadas 1.146.262 toneladas de milho.
O escoamento da produção depende da estrutura de tráfego disponível no
estado, sendo a principal modalidade a forma rodoviária, que constitui rota de
transporte para produção até os principais portos.
A Tabela 5 mostra o escoamento do milho de Mato Grosso por porto, em
tonelada, no primeiro semestre de 2009. Os dados foram extraídos do Instituto
Mato Grossense de Economia Agropecuária (IMEA).
Tabela 5. Escoamento do milho de Mato Grosso por porto (t), primeiro semestre
de 2009
Jan/09
Fev/09
Mar/09
Abr/09
Mai/09
Jun/09
Acumulado
semestre
Paranaguá (PR)
15.977
33.283
51.674
564
8.785
-
110.283
Santos (SP)
421.100
246.824
222.820
-
9.400
-
900.144
Manaus (AM)
110.684
63.459
64.883
-
-
-
239.026
6.684
6.734
1.302
233
-
5
14.958
276.473
92.144
-
14.956
18.802
-
402.375
362
114
114
-
-
-
590
São Francisco do
Sul (SC)
Vitória (ES)
Assis (AC)
Fonte: IMEA, 2009
Os principais portos de destino são: Paranaguá (PR), Santos (SP), Manaus
(AM), São Francisco do Sul (SC), Vitória (ES) e Assis (AC). O destaque no período
ficou para o porto de Santos (SP), com um acumulado de 900.144 toneladas de
milho.
39
4. MÉTODO E FONTE DE DADOS
Para este trabalho foi feito levantamento de dados secundários junto ao Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, do Produto Interno Bruto – PIB a preços
correntes e valor da produção municipal de milho de 141 municípios, ambos do ano de
2007, para o uso do Índice de Concentração Normalizado - ICN, objetivando detectar a
localização onde se concentra principalmente a produção do milho, a produção avícola e
a de suínos e, assim, para identificar os polos de integração entre avicultura,
suinocultura e cultura do milho.
É possível calcular o ICN com base na mão de obra do Relatório Anual de
Informações Sociais – RAIS, porém não existe registro de mão de obra especificamente
para a cultura do milho, em razão de esta cultura empregar muito pouca mão de obra.
Ademais, alguns problemas podem ocorrer na coleta de dados, como a omissão ou a
sonegação de informações por parte dos informantes, podendo haver uma
autoclassificação e o não registro dos empregos informais no mercado de trabalho,
conforme orientam Rodrigues e Simões (2004). Dessa forma, optou-se pelos dados do
IBGE com base nos valores da produção. Para a análise das contribuições econômicas
da aglomeração foram utilizados dados da Produção Agrícola Municipal e da Pesquisa
Pecuária Municipal, ambas do IBGE. A seguir descreve-se o método do ICN.
O trabalho seguirá uma metodologia para identificação e mapeamento de
atividades com potencialidade para se modificar em arranjo produtivo local ou
agricluster. Serão identificados os municípios especializados em atividades agrárias,
formando pencas de Aglomerações Produtivas Locais (APL) no estado de Mato Grosso.
O método de Crocco et. al. (2003) agrupa os diversos critérios utilizados em
outros estudos, para a preparação de um índice de concentração normalizado, que
permita apontar de maneira adequada, as principais aglomerações produtivas no estado,
considerando três características principais:
a) a especificidade de uma atividade ou setor dentro de uma região (município);
b) o peso da atividade ou setor em relação à estrutura empresarial da região
(município);
c) a relevância da atividade ou setor no estado como um todo.
40
4.1. Quociente Locacional (QL)
A primeira característica é determinada pelo índice de especialização ou
quociente locacional (QL). Este índice serve para determinar se um município em
particular possui especialização em dada atividade ou setor específico e é calculado com
base na razão entre duas estruturas econômicas.
No numerador tem-se a economia em estudo, referente a um dado município do
estado de Mato Grosso, e no denominador coloca-se a economia de referência, em que
constam todos os municípios do estado.
O Quociente Locacional é um instrumento tradicional dos estudos de economia
regional, que permite avaliar a aglomeração de atividades industriais e a existência de
particularizações locais em certo tipo de atividade (Rodrigues; Simões, 2004). A
fórmula matemática é a seguinte:
æ Eij / Ej ö
QL = ç
÷
è Eia / Ea ø
(1)
em que: Eij é considerado como valor da produção da atividade ou setor i no município
em estudo j; Ej é Produto Interno Bruto do município j; Eia é o valor da produção da
atividade ou setor i no estado; Ea é o Produto Interno Bruto do estado.
A maior parte dos trabalhos pondera que existiria especialização na atividade ou
setor i no município j, caso o seu QL seja maior que um. Outros estudos mais
intransigentes tomam como critério o QL igual a dois ou três. Se o QL = 1, significa que
a especialização da região j em atividades do setor i é igual à especialização do conjunto
de atividades desse setor em todas as regiões.
Porém, se o QL < 1, a especialização da região j em atividades do setor i é
menor à especialização do conjunto de atividades desse setor em todas as regiões.
Finalmente, se QL > 1, a especialização da região j em atividades do setor i é maior que
a especialização do conjunto de atividades desse setor em todas as regiões.
Conforme Clemente e Higachi (2000), caso os setores fossem colocados em
ordem decrescente de proporção capital-trabalho, a Teoria da Especialização pressupõe
que essa ordenação apresentaria correlação (ordinal) positiva com a ordem de
concentração dos setores nas regiões com alta dotação relativa capital e trabalho e
41
correlação negativa com a ordem de concentração dos setores nas regiões com baixa
dotação capital e trabalho.
Haddad (1989) citado por Rodrigues e Simões (2004) utiliza no cálculo do QL o
volume de emprego. Duas questões são importantes acerca da utilização deste
quociente.
Se a economia de referência utilizada for o Brasil, deve-se considerar a
disparidade regional existente no país. Nem sempre QL > 1 significa especialização
naquele setor, mas sim, diferenciação produtiva.
Para regiões pequenas, com emprego (ou estabelecimentos) industrial
imperceptível e arcabouço produtivo pouco diversificado, o quociente tende a
sobrevalorizar o peso de um determinado setor para a região.
O quociente também tende a subvalorizar a relevância de determinados setores
em regiões com um arcabouço produtivo bem diversificado, ainda que este setor possua
peso expressivo na conjuntura nacional.
Tendo em vista que a escala econômica do local depende de sua especialização
produtiva ou base exportadora, o QL é empregado para identificar os municípios do
estado de cunho exportador ou de maior densidade econômica.
Este indicador, empregado de forma geral pela sua singeleza e acuidade pode,
entretanto, gerar deformidades como a assinalada por Crocco et. al. (2003) de que um
QL > 1, ao invés de constituir especialização, pode estar apontando somente uma
diferenciação produtiva, em função da heterogeneidade dos municípios que existem em
dada região.
4.2. Índice de Hirschman e Herfindahl Modificado (IHHm)
Para atenuar os problemas do índice anterior, utiliza-se um segundo indicador
objetivando obter o real peso da atividade ou setor no arcabouço produtivo local. Este
indicador é uma transformação do Quociente Locacional (QL), conforme a seguir
mostrado:
éæ Eij ö æ Ej öù
IHHm = êç
÷ - ç ÷ú
ëè Eia ø è Ea øû
(2)
42
com dados conforme definidos anteriormente. Com o IHHm é possível comparar o peso
da atividade ou setor i do município j no setor i do estado em relação ao peso da
estrutura produtiva do município j na estrutura do estado como um todo.
Um valor positivo aponta que a atividade ou setor i do município j no estado
está, ali, mais concentrada e, portanto, com maior poder de atração econômica, dada sua
especialização em tal atividade ou setor.
Segundo Hoffman (2002), o valor máximo desse índice ocorre quando a
indústria é constituída por uma única empresa. Nesse caso o índice é igual a 1 (um). O
valor de Hirschman e Herfindahl se aproxima de zero quando todas as observações são
diminutas, ou seja, quando a produção está dividida de maneira relativamente igualitária
por um grande número de empresas. Esta análise pode ser aplicada para o Índice de
Hirschman e Herfindahl Modificado.
4.3. Índice de Participação Relativa (PR)
O terceiro indicador foi aproveitado para capturar a relevância da atividade ou
setor i do município j diante do total da referida atividade para o estado, isto é, a
participação relativa da atividade ou setor no emprego total da atinente atividade ou
setor no estado. A fórmula é dada por:
æ Eij ö
PR = ç
÷
è Eia ø
(3)
com dados conforme definidos anteriormente. O indicador varia entre zero e um.
Quanto mais próximo de um, maior a relevância da atividade ou setor i do município j
no estado.
4.4. Agregação dos índices para o cálculo do ICN
Os três indicadores apresentados oferecem as informações fundamentais para a
constituição de um indicador mais universal e sólido de concentração empresarial ligado
a uma atividade ou setor econômico em um município, denominado índice de
concentração normalizado (ICN). A constituição do ICN segue parte do procedimento
43
de Crocco et al. (2003), por meio da combinação linear dos três indicadores
especificados na equação a seguir:
ICNij = q 1QLij + q 2IHHmij + q 3PRij
(4)
Em que os q ’s são os pesos de cada um dos indicadores para cada atividade ou
setor produtivo em análise. Para o cálculo dos pesos de cada um dos índices
especificados na equação acima se aplica a técnica da análise de componentes
principais.
A partir da matriz de correlação dos indicadores, a análise das componentes
principais revela a proporção da variância da dispersão total da nuvem de dados gerada,
representativa dos atributos de agrupamento, que é ilustrada por cada um desses três
indicadores, levando em conta suas participações na explicação do potencial para a
formação de aglomerações que os municípios apresentam setorialmente no estado.
Alternativamente à metodologia acima descrita, Rodrigues e Simões (2004)
propõem o cálculo do ICN, por meio da padronização dos três índices. Depois de
calculados os três indicadores, efetua-se a padronização de cada um deles através da
média e do desvio padrão de cada setor, descritos como:
zi =
xi - x
d
(5)
onde zi é o indicador padronizado, xi é o valor do indicador do setor para cada
município, x é o valor da média de cada indicador do setor para todos os municípios e
d é o desvio padrão de cada indicador do setor para todos os municípios.
Concluída a padronização, elabora-se o Índice de Concentração a partir da média
desses três indicadores, conforme a expressão:
ICN = (QL + IHHm + PR)/3
(6)
Uma vez que a soma dos pesos deve ser igual a um, equivale, nesse caso, a 1/3
(um terço) para cada um dos indicadores, QL, PR e IHHm. A interpretação do Índice de
Concentração baseia-se numa comparação entre as diversas especializações. Por esse
44
critério, serão classificados os vinte municípios que apresentam os maiores índices de
concentração do estado, para um estudo relacionado a estes municípios.
A finalidade de agregar esses três indicadores é assegurar um resultado sólido, é
dizer, um resultado que não seja tendencioso pelas especificidades estruturais dos
municípios.
Os municípios menores tendem a sobrevalorizar o grau de especialização
produtiva, devido à baixa diversidade produtiva local, e, inversamente, os municípios
grandes tendem a subvalorizar o grau de especialização, uma vez que os operários se
encontram dispersos em muitas atividades, devido à grande diversidade produtiva.
45
5. RESULTADOS
Considerando o estado de Mato Grosso como um todo, mostra-se a Figura 4, na
qual se pode ver a distribuição espacial do valor da produção da cultura do milho,
medido em reais, para o ano de 2007.
Figura 4. Distribuição espacial do valor da produção em reais do milho, 2007
Fonte: Dados da Pesquisa
Verifica-se que os maiores valores de produção do milho estão concentrados
em municípios como Lucas do Rio Verde, Nova Mutum e Sorriso. Estes municípios
estão situados praticamente no centro do Estado de Mato Grosso. À medida que se
desloca do centro para a periferia do Estado, os valores de produção do milho vão
decrescendo.
5.1. Componentes e Ranking do Índice de Concentração Normalizado
5.1.1. Estatísticas descritivas e ranking do ICN
46
A seguir é apresentada a estatística descritiva para os componentes do Índice de
Concentração Normalizado, calculados para os 141 municípios do estado de Mato
Grosso, no ano de 2007. Para elaborar este índice foi necessário obter o valor da
produção municipal do milho e do produto interno bruto dos municípios, ambos de
2007, último ano que possui os valores para o PIB municipal.
Tabela 6. Estatística descritiva do os componentes do ICN para os municípios de Mato
Grosso
Estatística
Quociente Locacional (QL)
Índice de Hirschman
Índice de Participação
Herfindahl (IHHm)
Relativa (PR)
Média
0,8360
1,98309E-18
0,0079
Erro Padrão
0,1034
0,0019
0,0015
Mediana
0,2593
-0,0007
0,0005
Desvio Padrão
1,2285
0,0225
0,0189
Intervalo
5,5908
0,2884
0,1279
Mínimo
0,0005
-0,1849
3,8252E-06
Máximo
5,5913
0,1034
0,1279
117,9125
2,7960
1
Soma
Fonte: Dados da pesquisa
A média para o Quociente Locacional (QL) para o estado de Mato Grosso foi de
0,8360, indicando que o estado como um todo não apresenta especialização na produção
de milho. Isto se explica por não existir grande escala produtiva em todos os municípios
do estado. Os municípios com baixa escala de produção podem estar subestimando o
quociente. O Quociente Locacional aponta especialização apenas no nível municipal.
Observando os valores máximos de QL, é possível interpretar a presença de
aglomeração produtiva de milho.
Para o Índice de Hirschman Herfindahl Modificado (IHHm) a média foi de
1,9E-18, evidenciando que não existe concentração da produção de milho no estado de
Mato Grosso como um todo.
Para o índice de Participação Relativa (PR), a média de participação de cada
município no estado de Mato Grosso como um todo foi de 0,0079, apontando também
47
baixa concentração produtiva no estado como um todo, não obstante seja um indicador
percentual.
Para calcular o índice de concentração o quociente locacional, o índice de
Hirschman e Herfindahl e o índice de participação relativa foram padronizados, mas
caso seja feita a estatística descritiva das variáveis padronizadas irá se obter resultados
semelhantes, com os índices apontando ausência de especialização no estado como um
todo.
Quanto maior o índice maior é a concentração, mas para capturar a aglomeração
de aves e suínos no espaço, foi expandida uma amostra para vinte municípios para
abranger a concentração geográfica dos complexos em torno das principais cidades
produtoras de milho. A Tabela 7 mostra o ranking do Índice de Concentração
Normalizado dos vinte primeiros municípios, com base no método da padronização e
média.
O cálculo pelo método da análise de componentes principais quase sempre
exige o emprego de dois softwares diferentes. Através da matriz de correlação das
variáveis, esta metodologia permite que se conheça qual o percentual da variância da
dispersão total de uma nuvem de pontos que representa a aglomeração é explicada por
cada um dos três indicadores utilizados (CROCCO, et. al., 2003).
Desta forma, obtêm-se pesos específicos para cada indicador que considera a
participação desses indicadores na explicação do potencial de formação de arranjos
produtivos que as unidades geográficas apresentam setorialmente.
Calculando do valor dos pesos para os três indicadores através dos
softwares Econometric Views e o Gnu Regression, Econometrics and Time-series
Library, chegou-se a um peso praticamente igual para os três indicadores, ao redor
de 0,333. Se fosse utilizada a análise de componentes principais equivaleria ao
emprego do método da padronização e média, o qual padroniza os três índices de
cada município, soma todos eles e faz uma divisão por três.
O município de Ipiranga do Norte apareceu em primeira colocação ao se
considerar o Quociente Locacional, que não considera algumas especificidades
estruturais dos municípios. Porém ao se calcular o Índice de Concentração
Normalizado, cedeu lugar para municípios com tradição na produção e exportação
do cereal em análise.
48
Tabela 7. Ranking dos vinte maiores Índices de Concentração Normalizado, Quociente
Locacional, IHHm e PR, 2007
Município
QL padronizado
IHHm
PR padronizado
ICN
padronizado
Lucas do Rio Verde
3,570
4,581
6,388
4,846
Sorriso
1,673
3,210
5,481
3,455
Nova Mutum
2,262
2,428
3,631
2,774
Sapezal
1,567
1,980
3,330
2,292
Campos de Júlio
2,960
1,599
2,083
2,214
Campo Novo do Parecis
1,430
1,670
2,869
1,990
Ipiranga do Norte
3,870
0,905
0,940
1,905
Campo Verde
1,371
1,548
2,688
1,869
Nova Ubiratã
3,258
1,064
1,226
1,849
Primavera do Leste
0,750
1,055
2,546
1,450
Tapurah
2,653
0,733
0,783
1,390
Itanhangá
3,358
0,364
1,169
1,297
Santa Rita do Trivelato
2,150
0,485
0,438
1,025
Santo Antonio do Leste
1,680
0,408
0,368
0,819
Juscimeira
2,012
0,294
0,128
0,812
Guiratinga
1,416
0,311
0,233
0,653
Alto Taquari
0,744
0,389
0,708
0,614
Santa Carmem
1,772
0,135
-0,132
0,592
Diamantino
0,485
0,330
0,929
0,581
Porto dos Gauchos
1,587
0,150
-0,093
0,548
Fonte: Dados da pesquisa
Segundo o Quociente Locacional, as maiores especialização no cultivo do milho
estão em Ipiranga do Norte, Lucas do Rio Verde, Itanhangá e Nova Ubiratã, que estão
praticamente no centro do estado de Mato Grosso. À medida que se distancia destes
municípios o Quociente Locacional decresce, conforme mostra a Figura 5.
49
Figura 5. Distribuição espacial do Quociente Locacional, 2007
Fonte: Dados da pesquisa
Conforme a Figura 6, tanto o índice de Hirschman e Herfindahl modificado
quanto o índice de Participação Relativa indicam concentração de produção em Lucas
do Rio Verde e Sorriso, à medida de se distancia destes municípios os índices
decrescem.
Figura 6. Distribuição espacial do Índice de Hirschman e Herfindahl e do índice de
Participação Relativa para o Milho, 2007
50
A Figura 7 mostra a distribuição geográfica do Índice de Concentração
Normalizado da cultura do milho para o ano de 2007, calculado com base no método da
padronização e média e análise de componentes principais.
Verifica-se que o centro produtivo da cultura do milho está concentrado nos
municípios de Lucas de Rio Verde e Sorriso. À medida que se afasta deste centro o
Índice de Concentração Normalizado decresce.
Figura 7. Distribuição espacial do Índice de Concentração Normalizado do milho, 2007
Fonte: Dados da pesquisa.
5.1.2. Aglomeração de atividades nas vinte cidades
Para fazer um estudo sobre existência de aglomeração envolvendo milho, aves e
suínos primeiramente foi calculado o índice de concentração normalizado da cultura do
milho, por estar presente também na avicultura, suinocultura, além de outras atividades,
devido à disponibilidade de dados relativos ao valor de produção do milho, e para
estabelecer uma amostra dos vinte primeiros municípios, incorporando o efetivo de aves
e suínos, além de leite e ovos, para uma perspectiva acerca da quantidade e atividades
produtivas, possibilitando detectar polos de aglomeração (Tabela 8).
51
Tabela 8. Síntese da aglomeração de atividades nas vinte cidades apontadas pelo ICN,
2007
Município
ICN
Valor da
Efetivo total
Efetivo de
Valor da
Exportação
PIB
milho (US$)
(mil R$)
Produção
de aves
suínos
Produção
Milho
(cabeças)
(cabeças)
Ovos
(mil R$)
Lucas do Rio
(mil R$)
4,846
200.710,00
1.089.361
107.000
465,00
59.075.410,00
1.045.913,00
Sorriso
3,455
173.806,00
869.820
62.531
5.204,00
55.186.372,00
1.635.451,00
Nova Mutum
2,774
109.954,00
12.484.000
168.740
2.778,00
29.759.480,00
894.814,00
Sapezal
2,292
109.954,00
5.537
2.677
122,00
21.089.767,00
1.083.337,00
Campos de
2,214
72.945,00
4.429
1.199
31,00
4.754.119,00
443.703,00
1,990
96290,00
25.329
1.557
259,00
11.797.947,00
1.010.235,00
1,905
39.048,00
14.509
13.606
83,00
nd
190.054,00
1,869
90.910,00
10.697.599
63.157
59.976,00
6.921.899,00
981.028,00
Nova Ubiratã
1,849
47.524,00
43.265
4.622
237,00
0
267.207,00
Primavera do
1,450
86.689,00
450.025
18.900
176,00
40.174.450,00
1.341.471,00
Tapurah
1,390
34.362,00
217.246
23.865
147,00
9.644.123,00
228.265,00
Itanhangá
1,297
16.150,00
23.777
3.319
228,00
0
88.569,00
Santa Rita
1,025
24.150,00
3.400
19.593
8,00
nd
188.917,00
0,819
22.060,00
4.895
1.756
21,00
nd
206.914,00
Juscimeira
0,812
14.945,00
23.599
1.818
122,00
nd
122.895,00
Guiratinga
0,653
18.040,00
33.790
4.678
257,00
nd
190.506,00
Alto Taquari
0,614
32.152,00
4.869
1.065
92,00
4.931.948,00
499.647,00
Santa
0,592
7.200,00
14.874
13.542
88,00
0
65.005,00
Diamantino
0,581
38.723,00
200.800
134.649
80,00
11.418.572,00
735.452,00
Porto dos
0,548
8.340
19.907
2.512
91
nd
81.444,08
Verde
Júlio
Campo Novo
do Parecis
Ipiranga do
Norte
Campo
Verde
Leste
do Trivelato
Santo
Antonio do
Leste
Carmem
Gaúchos
Fonte: PAM/PPM-IBGE, MDIC, 2007
O valor da produção mais elevado é de Lucas de Rio Verde, possuindo
também um valor de exportação maior que os dos outros municípios. O valor da
produção de milho deste município é maior que o produto interno bruto de muitos
outros municípios em Mato Grosso.
O município de Tapurah possui menor valor da produção, menor
exportação de milho e menor Produto Interno Bruto do que o município de
Diamantino, porém possui maior índice de concentração normalizado do milho se
52
explica pelo fato de o valor da produção do milho. Isto se deve ao valor da
produção de milho do município de Tapurah representar cerca de 15,05% do
Produto Interno Bruto, enquanto que no município de Diamantino o valor da
produção representa apenas 5,26% do produto.
As cidades com elevada concentração produtiva de milho, como apontada
pelo Índice de Concentração Normalizado está atraindo outras atividades como
será confirmado mais adiante no trabalho com outros números relativos às
atividades agropecuárias.
As cidades com níveis maiores de exportação de milho trazem evidências de
existir aglomerações melhor organizadas e as cidades com menores níveis de
exportação podem ser aglomerações com menor organização ou pequenos
aglomerados produtivos.
5.1.3. A integração entre milho, avicultura, suinocultura e pecuária de leite.
Para complementar os resultados, apresenta-se o resultado de efetivos de aves, e
o produto de sua origem, o efetivo de rebanho suíno, atividade que também demanda
grande quantidade de ração para alimentação, cujo principal insumo é o milho. E, por
fim, complementa-se com a produção pecuária de leite, que também se utiliza de ração
na qual se usa o grão. Os dados são da pesquisa pecuária municipal do IBGE, do ano de
2008, para as vintes cidades apontadas pelo ICN do milho, objetivando identificar
pencas de arranjo produtivo locais, e a integração entre estas atividades.
53
Tabela 9. Aves, suínos, ovos e leite para os municípios do índice de concentração, 2008
Município
Galos, frangas,
frangos e pintos
(cabeças)
Galinhas
(cabeças)
Ovos de
galinha
(mil dúzias)
Efetivo do
Leite
rebanho suíno
(mil litros)
(nº de cabeças)
Lucas do Rio Verde
1.0066.131
Sorriso
Nova Mutum
Sapezal
Campos de Júlio
Campo Novo do Parecis
Ipiranga do Norte
Campo Verde
23.230
186
183.599
1.350
2.130
731.100
138.720
1.839
70.454
12.300.000
184.000
1.020
184.000
1.800
1.606
3.931
53
2.724
136
1.107
3.322
13
2.016
125
17.526
7.803
159
3.948
253
9.885
4.624
38
24.141
1.130
8.953.930
1.743.669
32.096
74.370
5.037
28.457
14.808
118
5.179
700
Primavera do Leste
223.218
226.807
69
22.760
2.033
Tapurah
210.000
7.246
58
50.801
394
14.802
8.975
91
3.359
1.115
3.000
400
5
35.000
400
Nova Ubiratã
Itanhangá
Santa Rita do Trivelato
1.963
2.932
10
1.745
2.335
Juscimeira
10.620
12.979
47
1.835
5.745
Guiratinga
11.805
21.985
177
4.712
3.701
1.996
2.873
39
960
884
Santo Antonio do Leste
Alto Taquari
Santa Carmem
Diamantino
Porto dos Gaúchos
6.248
8.626
34
16.114
974
189.000
11.800
46
143.000
1.971
7.337
10.862
33
2.070
984
Produção Pecuária Municipal do IBGE, 2008.
Porter (1999) citado por Santos (2006) diz que:
“(...) Um agrupamento geograficamente concentrado de empresas interrelacionadas e instituições correlatas numa determinada área, vinculadas
por elementos comuns e complementares. O escopo geográfico varia de
uma única cidade ou estado para todo um país ou mesmo uma rede de
países vizinhos. Os aglomerados assumem diversas formas, dependendo
de sua profundidade e sofisticação, mas a maioria inclui empresas de
produtos finais, fornecedores de insumos especializados, componentes,
equipamentos e serviços, instituições financeiras e empresas em setores
correlatos (...)”.
Verifica-se que as maiores produções de aves e do produto de sua origem, o
ovo, localizam-se nas cidades onde há também especialização no cultivo de milho,
destacando-se a cidade de Nova Mutum, na produção de galos, frangas, frangos e
54
pintos, e a cidade de Campo Verde, na produção de galinhas, e no produto de sua
origem, o ovo.
As cidades que se destacam em produção suína são Lucas de Rio Verde e
Nova Mutum, praticamente com o mesmo número de cabeças em 2008, e a cidade
com destaque na produção de leite entre as vinte do ICN do milho é Dom Aquino.
A cidade de Campo Verde especializada em produção avícola, também
possui expressiva produção de rebanho suíno. Por outro lado, Nova Mutum,
especialista em suínos, possui expressiva produção avícola. Isto não ocorre com
Dom Aquino, que embora possua a maior produção leiteira entre os municípios
apontados pelo índice de concentração, não possui substancial produção avícola e
de suínos.
Isto é explicado pelo fato da avicultura e suinocultura demandar ração,
empregando grande volume do grão, enquanto que a produção leiteira demanda
ração que utiliza o grão em quantidade não expressiva, além de existir outros
municípios, fora das vintes primeiras cidades do índice de concentração do milho,
que produzem maior quantidade de leite.
Outros destaques de aglomeração produtiva são os municípios de Sorriso,
Primavera do Leste, Ipiranga do Norte, Tapurah, Santa Rita do Trivelato,
Diamantino, Dom Aquino e Juscimeira, os quais possuem expressiva produção de
milho e efetivo de aves, suínos e pecuária leiteira.
Pode-se afirmar que Lucas do Rio Verde, Nova Ubiratã, Nova Mutum,
Sorriso, Ipiranga do Norte, Tapurah, Santa Rita do Trivelato e Diamantino
formam o primeiro polo de aglomeração envolvendo milho, aves e suínos, devido à
alta escala produtiva dessas atividades. Da mesma forma, Campo Verde,
Primavera do Leste, Dom Aquino e Juscimeira formam outro polo de aglomeração
em análise.
5.2. Análise dos polos de aglomeração
A seguir é feita uma comparação das doze cidades apontadas pelo índice de
concentração normalizado do milho e com outras atividades em termos de valor da
produção, evolução do aglomerado produtivo de milho, aves e suínos e descrição
de atividades no mercado de trabalho para uma caracterização dos principais
polos de aglomeração dessas atividades no estado de Mato Grosso.
55
Os dados estatísticos acerca da área plantada em hectares, área colhida em
hectares, quantidade produzida em toneladas, e valor da produção em milhares de
reais, relativos aos principais produtos agrícolas das cidades brasileiras, foram
coletados a partir do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
Os dados relativos às atividades no mercado formal de trabalho foram
obtidos pelo Ministério do Trabalho e Emprego. A combinação dessas variáveis é
importante para uma perspectiva acerca da formação de renda nos municípios em
análise.
5.2.1. Polo de Lucas do Rio Verde
O Relatório sobre o Desenvolvimento Mundial sustenta que alguns lugares
estão se desenvolvendo bem porque conduziram mudanças nas três extensões da
geografia econômica: i) maiores densidades, como se observa no crescimento das
cidades; ii) distâncias menores à medida que trabalhadores e firmas se aproximam
da densidade; iii) menos divisões, à medida que os locais diminuem suas fronteiras
econômicas e integram seus mercados para aproveitar a escala e a especialização
(BANCO MUNDIAL, 2009).
Para elucidar essa concepção, o mapa contendo os municípios do primeiro
polo de primeiro polo de aglomeração é apresentado na Figura 8, cujo centro
geográfico é o município de Lucas do Rio Verde.
56
Figura 8. Polo da aglomeração produtiva de Lucas do Rio Verde
Fonte: Dados da Pesquisa
Esses municípios apresentam expressivos efetivos de aves e suínos, além de
elevada produção de milho, e estão posicionados entre os vinte municípios
apontados pelo índice de concentração.
5.2.1.1. Consumo de milho no polo de Lucas do Rio Verde
Como a capacidade de transformação do suíno decresce a partir do sétimo
mês de idade, foi preciso melhorar os animais surgindo o suíno tipo carne ao invés
de banha, abatido aos cinco ou seis meses de idade, pesando de 90 a 120 quilos,
com massas musculares posteriores mais ricas em carne, garantindo maior valor
no mercado e maior rendimento ao criador (ASSOCIAÇÃO GOIANA DE
SUINOCULTURA, 2010).
Um peso ideal para se fazer uma estimativa com o estoque anual de suínos
e aves em fases diversas de criação é o peso médio de abate divulgado pelo IBGE
57
que gira em torno de 81,33 kg para um suíno e 2,03 kg para uma ave, para Mato
Grosso.
58
Tabela 10. Estimativa de consumo de milho pelos segmentos no polo de aglomeração de Lucas do Rio Verde, em quilogramas, 2000/2007
2000
Cabeças de Suíno
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
138.691
212.263
284.635
315.903
436.126
464.875
532.455
534.606
81,33
81,33
81,33
81,33
81,33
81,33
81,33
81,33
2,9
2,9
2,9
2,9
2,9
2,9
2,9
2,9
1,8995
1,8995
1,8995
1,8995
1,8995
1,8995
1,8995
1,8995
21.425.864
32.791.733
43.972.218
48.802.697
67.375.507
71.816.834
82.257.021
82.589.931
213.877
236.833
1.551.825
1.767.068
1.932.851
2.061.783
3.477.801
4.053.456
2,03
2,03
2,03
2,03
2,03
2,03
2,03
2,03
2,1
2,1
2,1
2,1
2,1
2,1
2,1
2,1
1,2915
1,2915
1,2915
1,2915
1,2915
1,2915
1,2915
1,2915
560.731
620.915
4.068.489
4.632.802
50.674.424
5.405.469
9.117.907
10.627.128
21.986.595
33.412.649
48.040.707
53.435.498
1.18E+08
77.222.304
91.374.928
93.216.449
-
-
-
-
-
1.140.184.678
1.364.536.985
1.474.468.262
Importação de Milho Kg
nd
nd
nd
nd
nd
0
0
0
Exportação de Milho kg
nd
nd
nd
nd
nd
18.477.018
201.596.086
938.534.288
Produção Regional Kg
-
-
-
-
-
1.235.884.000
1.657.508.000
2.506.219.000
Mercado Interno kg
-
-
-
-
-
1.217.406.982
1.455.911.914
1.567.684.712
Kg médio por cabeça
Kg ração/kg suíno
Kg de milho/kg de suíno
Kg de milho total estimado de
consumo pelos suínos
Cabeças de aves
(frango + galinhas)
Kg médio por cabeça
Kg ração/kg ave
Kg de milho/kg ave
Kg de milho total estimado de
consumo pelas aves
Total estimado de consumo por
aves e suínos
Consumo Humano, Pec. Leite,
Ind., Perdas, comércio interregião kg
59
Fonte: IBGE, MDIC, ABIMILHO. Elaboração Própria.
60
A Tabela 10 mostra uma estimativa do consumo de milho pelos segmentos
no primeiro polo. O consumo do mercado interno considera a produção regional,
subtraindo-se as exportações e adicionando-se as importações. A estimação da
quantidade consumida pelas aves e suínos é feita por meio da relação entre
quantidade de ração por quilo de animal, e o percentual de milho requerido em
cada quilo de ração.
O consumo humano, mais o uso industrial, mais a pecuária leiteira, mais as
perdas, etc. são estimados subtraindo-se o total consumido pelas aves e suínos do
consumo aparente.
Para a estimativa de consumo de milho no primeiro polo de aglomeração,
nota-se considerável aumento do consumo do milho na suinocultura, assim como
na avicultura, no período entre 2000 e 2007. Devido à maior especialização na
suinocultura, ao maior ciclo de vida e ao maior porte do suíno, o consumo de milho
pela criação suína é maior do que o consumo pelas aves nesta região.
O consumo humano mais o industrial, pecuária leiteira e comércio interregiões deveria aparecer em um montante bem menor do que o consumo pelos
animais, mas aparece num montante bem maior que o esperado. Isto se explica
pelo fato de estas regiões serem especializadas na produção do grão, sendo de se
esperar geração de excedentes que podem estar sendo direcionados aos municípios
vizinhos à região, ou seja, faz parte do comércio inter-regional. Percebe-se um
crescimento da importância do consumo do milho pelos animais ao longo dos anos
em análise. A seguir, faz-se a análise de cada município de cada polo produtivo.
Lucas do Rio Verde
Cada cultura tem utilidades diferentes, ou seja, propriedades diversificadas
que satisfazem as diversas necessidades econômicas do ser humano. Mas é útil
destacar o valor da produção em milhares de reais, com o cultivo do milho se
posicionando em segundo lugar, com R$ 200.710,00, após a cultura da soja, na
cidade de Lucas de Rio Verde, em 2007 (Tabela 11).
O milho obteve segunda posição também em área plantada e área colhida,
mas em quantidade produzida superou a soja, obtendo a primeira colocação. Desta
forma esse grão foi de grande importância nesta cidade para a geração de renda.
Também foram produzidos em 2007, algodão, arroz, feijão e sorgo.
61
Tabela 11. Lucas do Rio Verde – Áreas plantadas e colhidas, quantidade
produzida e valor da produção, 2007
Cultura
Área Plantada
Área Colhida
Quantidade
Valor em R$
(ha)
(ha)
Produzida (ton)
1.000
Algodão Herbáceo
15.015
15.015
57.372
52.323
(em caroço) (ton)
Arroz (em casca) (ton)
160
160
480
164
Feijão (em grão) (ton)
1.000
1000
2.580
3.096
Milho (em grão) (ton)
175.073
175.073
709.221
200.710
Soja (em grão) (ton)
215.535
215.535
623.758
232.662
5.000
5.000
12.000
1.920
Sorgo granífero (em grão) (ton)
Fonte: IBGE, Produção Agrícola Municipal e Pesquisa Pecuária Municipal.
Se um setor está crescendo ao longo do tempo, enquanto outras atividades
estão em declínio, é possível apontar a indústria motriz ou setor dinâmico do local.
Conforme os dados do IBGE, nos municípios em análise as atividades relacionadas
com o cultivo do milho e a criação de aves, estiveram em ascensão, enquanto
outras estavam em queda. Este é um tipo de análise diferencial-estrutural que
consiste, basicamente, na descrição do crescimento econômico de um local nos
termos de sua estrutura produtiva (CROCCO; DINIZ, 2006).
A Tabela 12 mostra a evolução da concentração produtiva envolvendo o
milho as aves e os suínos no município de Lucas do Rio Verde. A cultura do milho
é expressa em toneladas e a avicultura e suinocultura são expressas em efetivo de
rebanho, ou seja, número de cabeças.
Tabela 12. Cultura do milho, avicultura e suinocultura em Lucas do Rio Verde –
quantidade produzida, 2000/2007
Milho (ton)
Galinha
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
215.414
188.110
368.400
588.000
332.030
529.326
596.030
709.221
52.261
53.829
55.445
55.443
55.443
58.215
64.036
23.230
18.602
19.160
19.735
19.734
39.734
20.721
22.793
182.000
30.861
32.028
54.632
62.988
82.050
86.362
94.990
107.000
(cabeças)
Frango
(cabeças)
Suíno
(cabeças)
Fonte: IBGE – Produção Agrícola Municipal e Pesquisa Pecuária Municipal
62
O milho teve uma trajetória de ascensão no período, passando de 215.414
toneladas em 2000 para 709.221 toneladas em 2007. As atividades da avicultura e
suinocultura sempre estiveram em ascensão no período. A queda no número de
galinhas entre 2006 e 2007 foi mais do que compensada pelo número de frangos.
Uma vez que estes setores estão estritamente relacionados, de acordo com os
números expostos antes e considerando a definição de Porter dada anteriormente,
percebe-se uma aglomeração das três atividades cada vez mais crescente,
contribuindo para o crescimento do produto interno bruto do município e geração
de renda, que é um importante atributo na análise de desenvolvimento, que leva
em consideração, o crescimento sustentado de renda e outros aspectos sociais.
Para se ter um melhor perfil do município em termos de atividade
produtiva, aponta-se as ocupações entre as vinte com maiores saldo (admissão
menos desligamento) entre todos os setores do município, e que estão relacionadas
com as atividades estudadas, entre janeiro de 2003 e abril de 2010, registradas pelo
Ministério do Trabalho e Emprego: abatedor, com saldo de 2.924; motorista de
caminhão (rotas regionais e internacionais) com 408; trabalhador agropecuário em
geral, com 240; operador de máquinas de beneficiamento de produtos agrícolas,
com 120; trabalhador da avicultura de corte, com 82; e, mecânico em manutenção
de máquinas em geral, com 82.
Sorriso
Em Sorriso, o cultivo de milho atingiu o segundo lugar no ano de 2007 em
termos de valor de produção, com R$ 173.806,00, sendo apenas superado pela soja.
Dessa forma, foi um dos principais produtos cultivados e de grande importância
para a economia local, na formação de renda (Tabela 13).
63
Tabela 13. Sorriso – Áreas plantadas e colhidas, quantidade produzida e valor da
produção, 2007.
Cultura
Área Plantada
Área Colhida
Quantidade
Valor em R$
(ha)
(ha)
Produzida
1.000
(ton)
Algodão Herbáceo
21.110
21.110
73.115
66.681
Arroz (em casca) (ton)
7.115
7.115
20.491
8.196
Feijão (em grão) (ton)
4.415
4.415
11.416
13.699
Milho (em grão) (ton)
228.266
228.266
755.678
173.806
Soja (em grão) (ton)
543.000
543.000
1.662.666
631.813
4.000
4.000
6.000
840
(em caroço) (ton)
Sorgo granífero (em grão) (ton)
Fonte: IBGE, Produção Agrícola Municipal
De acordo com a Tabela 14, as atividades relacionadas com o cultivo de
milho estiveram em ascensão, assim como as atividades relacionadas com as
atividades da avicultura. As atividades relacionadas com a suinocultura cresceram
até 2006, momento a partir do qual teve uma leve queda.
Desta forma, houve uma crescente aglomeração dessas atividades durante o
período, gerando uma progressiva acumulação, indicando um fortalecimento na
dinâmica econômica do município e permanente contribuição na constituição de
renda.
Tabela 14. Cultura do milho, avicultura e suinocultura em Sorriso, quantidade
produzida, 2000/2007
Milho (ton)
Galinha
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
131.529
166.207
265.680
189.800
334.800
183.000
400.297
755.678
58.025
59.766
60.962
62.790
62.790
65.867
69.160
138.787
10.931
11.259
92.281
122.281
792.000
831.600
873.180
731.177
63.000
64.890
66.190
67.175
83.175
89.565
98.522
62.531
(cabeças)
Frango
(cabeças)
Suíno
(cabeças)
Fonte: IBGE – Produção Agrícola Municipal e Pesquisa Pecuária Municipal.
As ocupações entre as vinte com maiores saldo (admissão menos
desligamento) entre todos os setores do município, e que estão relacionadas com as
atividades estudadas, segundo o Ministério do Trabalho, no período de janeiro de
2003 e abril de 2010, foram: abatedor, com saldo de 466; operador de máquina de
64
beneficiamento de produtos agrícolas, 223; trabalhador volante na agricultura,
146; e, motorista de caminhão (rotas regionais e internacionais), 105.
Nova Mutum
No tocante ao valor da produção, o cultivo de milho apareceu em segunda
colocação, com R$ 118.905,00, após o cultivo da soja, na cidade de Nova Mutum,
sendo uma das principais lavouras temporárias, constituindo uma importante
cultura para a geração de renda, contribuindo para o crescimento econômico local
(Tabela 15).
Tabela 15. Nova Mutum – Áreas plantadas e colhidas, quantidade produzida e
valor da produção, 2007
Cultura
Área Plantada
Área Colhida
Quantidade
Valor em R$
(ha)
(ha)
Produzida
1.000
Algodão Herbáceo (em caroço) (ton)
24.486
Arroz (em casca) (ton)
24.486
88.389
80.616
3.000
3.000
9.000
3.024
Milho (em grão) (ton)
101.333
101.333
424.660
118.905
Soja (em grão) (ton)
310.000
310.000
970.610
339.714
5.833
5.833
13.416
1.780
Sorgo Granífero (em grão) (ton)
Fonte: IBGE, Produção Agrícola Municipal
Conforme a Tabela 16, as atividades relacionadas com o cultivo de milho
estiveram em ascensão. As atividades relacionadas com a avicultura e suinocultura
estiveram em crescimento. Assim, houve crescente aglomeração dessas atividades.
Tabela 16.
Cultura do milho, avicultura e suinocultura em Nova Mutum,
quantidade produzida, 2000/2007
2000
Milho
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
84.224
37.398
72.510
238.619
299.820
179.532
217.420
424.660
9.781
8.660
8.920
13.420
44.000
48.400
100.862
121.709
8.643
31.193
1.260.000
1.270.000
770.050
847.055
2.139.000
2.581.106
20.795
21.419
32.281
32.762
75.387
82.926
105.493
168.740
(ton)
Galinha
(cabeças)
Frango
(cabeças)
Suíno
(Cabeças)
Fonte: IBGE – Pesquisa Pecuária Municipal e Pesquisa Pecuária Municipal.
65
As profissões entre as vinte com maiores saldo (admissão menos
desligamento) entre todos os setores do município, e que possuem afinidade com as
atividades estudadas, segundo o Ministério do Trabalho, no período de janeiro de
2003 e abril de 2010, foram: trabalhador volante na agricultura, com 342;
tratorista agrícola, 136; trabalhador agropecuário em geral, 104; motorista de
caminhão (rota regional e internacional), 101; trabalhador na avicultura de
postura, 86; trabalhador na suinocultura, 70; técnico agrícola, 70.
Ipiranga do Norte
Nesta cidade o milho aparece em segundo lugar, no que tange ao valor da
produção, com R$ 39.048,00, perdendo para a soja. Desta forma, a cultura foi uma
das culturas temporárias importantes para a economia local (Tabela 17).
A cidade de Ipiranga do Norte apareceu em primeira colocação ao se
considerar o Quociente Locacional, o qual não considera algumas especificidades
estruturais dos municípios.
Tabela 17. Ipiranga do Norte – Áreas plantadas e colhidas, quantidade produzida
e valor da produção, 2007
Cultura
Área Plantada
Área Colhida
(ha)
Quantidade
Valor em R$ 1.000
Produzida
Algodão Herbáceo (em caroço) (ton)
3.102
3.102
9.551
8.711
Arroz (em casca) (ton)
2.000
2.000
7.200
2.038
350
350
84
67
Mamona (em baga) (ton)
Milho (em grão) (ton)
Soja (em grão) (ton)
Sorgo granífero (em grão) (ton)
42.900
42.900
167.588
39.048
120.000
120.000
374.400
140.400
800
800
2.000
320
Fonte: IBGE, Produção Agrícola Municipal
A cidade não é muito diversificada em termos de quantidade de produtos, e
ao mesmo tempo as áreas plantada e colhida, a quantidade produzida e o valor da
produção são bem menores que em Lucas do Rio Verde, que apareceu em
primeira colocação no ranking do índice de concentração.
Conforme a Tabela 18, de acordo com os dados disponíveis pelo IBGE, as
atividades relacionadas com a cultura do milho estiveram em ascensão no período,
assim como a criação de aves e suínos, levando a perceber uma crescente
66
integração no espaço destas atividades, indicando fortalecimento no agrupamento
de atividades no município.
Tabela 18. Cultura do milho, avicultura e suinocultura em Ipiranga do Norte,
quantidade produzida, 2005/2007
2005
Milho (ton)
2006
2007
136.156
141.873
167.588
Galinha (cabeças)
2.000
2.200
4.024
Frango (cabeças)
4.500
4.950
9.585
Suíno (cabeças)
2.300
2.530
13.606
Fonte: IBGE - Pesquisa Pecuária Municipal e Pesquisa Pecuária Municipal.
Os empregos entre os vinte com maiores saldo (admissão menos
desligamento) entre todos os setores do município, e que estão relacionadas com as
atividades pesquisadas, segundo o Ministério do Trabalho, no período de janeiro
de 2003 e abril de 2010, foram: trabalhador na suinocultura, com saldo de 104;
trabalhador volante da agricultura, tratorista agrícola, 38; motorista de caminhão
(rotas regionais e internacionais), 17; trabalhador agropecuário em geral, 7;
técnico agrícola, 6; e, supervisor de exploração agrícola, 6.
Nova Ubiratã
Em Nova Ubiratã, a produção milho apareceu em segunda, vindo atrás da
cultura da soja, com relação ao valor de produção, com R$ 47.524,00, e também
áreas plantada e colhida e quantidade produzida, constituindo importante cultura
para o a economia local (Tabela 19).
Tabela 19. Nova Ubiratã – Áreas plantadas e colhidas, quantidade produzida e
valor da produção, 2005
Cultura
Algodão Herbáceo (em caroço) (ton)
Área Plantada
Área Colhida
Quantidade
Valor em R$
(ha)
(ha)
Produzida
1.000
10.880
10.880
35.440
32.321
Arroz (em casca) (ton)
8.413
8.413
27.763
9.162
Feijão (em grão) (ton)
502
502
378
1.597
Mamona (baga) (ton)
200
200
156
125
Milho (em grão) (ton)
Soja (em grão) (ton)
Sorgo granífero (em grão) (ton)
63.070
63.070
206.624
47.524
205.557
205.557
576.328
201.734
1.500
1.500
3.750
600
67
Fonte: IBGE, Produção Agrícola Municipal
Considerando a Tabela 20, atividades relacionadas com o cultivo do milho
estiveram em ascensão, assim como as atividades relacionadas com a avicultura e
suinocultura, indicando um fortalecimento na aglomeração no município e
permanente contribuição na constituição de renda.
Tabela 20. Cultura do milho, avicultura e suinocultura em Nova Ubiratã,
quantidade produzida, 2000/2007
2000
Milho (ton)
Galinha
2006
2007
22.773
2001
8.340
2002
21.000
2003
17.808
2004
54.080
2005
50.850
122.892
206.624
2.038
2.120
2.184
2.315
2.315
2.431
2.552
14.808
401
417
434
458
458
481
505
25.216
1.785
1.837
1.891
1.964
1.964
2.062
2.268
4.622
(cabeças)
frango
(cabeças)
Suíno
(cabeças)
Fonte: IBGE – Produção Agrícola Municipal e Pesquisa Pecuária Municipal
As principais ocupações relacionadas com as atividades em análise que
estão entre as vinte com maiores saldos (admissão menos desligamento) entre todos
os setores do município, segundo o Ministério do Trabalho, no período de janeiro
de 2003 e abril de 2010, foram: trabalhador volante na agricultura, com saldo de
178; operador de máquina de beneficiamento de produto agrícola, 101; motorista
de caminhão (rotas regionais e internacionais), 83; trabalhador agropecuário em
geral, 41; técnico agrícola, 12.
Tapurah
Em Tapurah o milho obteve a segunda colocação em termos de valor de
produção em 2007, áreas plantada e colhida e quantidade produzida, vindo depois
da soja, constituindo importante produto para a economia local. O valor da
produção do milho naquele ano foi de R$ 34.362,00 (Tabela 21).
Tabela 21. Tapurah – Áreas plantadas e colhidas, quantidade produzida e valor da
produção, 2007
Cultura
Área Plantada
Área Colhida
Quantidade
Valor em R$
(ha)
(ha)
Produzida
1.000
68
Algodão herbáceo (em caroço) (ton)
7.120
7.120
30.032
27.389
Arroz (em grão) (ton)
2.000
2.000
3.880
1.098
Milho (em grão) (ton)
38.180
38.180
137.448
34.362
112.274
112.274
338.731
119.911
2.000
2.000
2.400
336
Soja (em grão) (ton)
Sorgo Granífero (em grão) (ton)
Fonte: IBGE – Produção Agrícola Municipal
Segundo a Tabela 22, as atividades relacionadas com o cultivo do milho
estiveram em ascensão, assim como as atividades relacionadas com avicultura e
suinocultura, apontando um fortalecimento na aglomeração das atividades no
município possibilitando concluir pela concentração de mão de obra, insumos
intermediários,
processos
de
aprendizagem
contínua
e
interativa
entre
trabalhadores, fortalecendo a formação do produto e da renda do município.
Tabela 22. Cultura do milho, avicultura e suinocultura em Tapurah, 2000/2007
2002
2003
2004
2005
Milho (ton)
2000
53.286
2001
89.325
152.100
202.800
133.200
134.400
2006
96.250
137.448
2007
Galinha
21.724
22.376
23.048
23.739
23.739
15.108
16.619
7.341
Frango (cabeças)
12.544
12.920
13.308
13.707
13.707
7.963
8.759
16.453
Suíno (cabeças)
10.811
15.825
16.276
18.920
20.416
19.898
21.888
23.865
(cabeças)
Fonte: IBGE – Produção Agrícola Municipal e Pesquisa Pecuária Municipal.
As profissões entre as vinte com maiores saldo (admissão menos
desligamento) entre todos os setores do município, e que estão relacionadas com as
atividades em análise, segundo o Ministério do Trabalho, no período de janeiro de
2003 e abril de 2010, foram: trabalhador agropecuário em geral, com saldo de 247;
trabalhador da suinocultura, 151; trabalhador volante da agricultura, 84;
trabalhador da avicultura de corte, 55; motorista de caminhão (rotas regionais e
internacionais), 54; operador de máquinas de beneficiamento de produtos
agrícolas, 19; e, técnico agrícola, 19.
Santa Rita do Trivelato
Em Santa Rita do Trivelato a cultura do milho obteve a terceira posição em
termos de valor de produção, com R$ 24.150,00, sendo superado pela soja e pelo
algodão (Tabela 23).
69
Porém, o milho superou o algodão em termos de área plantada e colhida e
quantidade produzida, obtendo a segunda colocação, constituindo importante
produto para a economia local.
Tabela 23. Santa Rita do Trivelato – Áreas plantadas e colhidas, quantidade
produzida e valor da produção, 2007
Cultura
Área Plantada
Área Colhida
Quantidade
Valor em R$
(ha)
(ha)
Produzida
1.000
Algodão herbáceo (em caroço) (ton)
10.984
10.984
39.994
36.475
Arroz (em casca) (ton)
3.000
3.000
9.000
2.970
Milho (em grão) (ton)
35.000
35.000
105.000
24.150
144.000
144.000
436.320
152.712
2.000
1.600
4.800
768
Soja (em grão) (ton)
Sorgo granífero (em grão) (ton)
Fonte: IBGE, Produção Agrícola Municipal
Analisando a Tabela 24, verifica-se que a cultura de milho teve ascensão no
período, assim com a criação de aves e suínos, verificando-se um crescimento na
aglomeração destas atividades no município, fator importante no crescimento do
produto interno e formação de renda.
Tabela 24. Cultura do milho, avicultura e suinocultura em Santa Rita do Trivelato,
2000/2007
2001
Milho (ton)
Galinha (cabeças)
Frango (cabeças)
Suíno (cabeças)
2002
2003
2004
2005
2006
2007
16.542
73.743
67.060
71.080
22.620
82.746
105.000
800
824
910
950
998
1.097
420
709
731
850
1.250
1.313
1.444
1.300
3.691
3.801
3.945
11.666
12.541
20.621
19.593
Fonte: IBGE – Pesquisa Agrícola Municipal e Pesquisa Pecuária Municipal.
Os empregos entre as vinte com maiores saldo (admissão menos
desligamento) entre todos os setores do município, e que estão relacionadas com as
atividades examinadas, de acordo com o Ministério do Trabalho, no período de
janeiro de 2003 e abril de 2010, foram: trabalhador volante da agricultura, com
70
saldo de 54; trabalhador agropecuário em geral, 25; técnico agrícola, 9; operador
de máquinas de beneficiamento de produtos agrícolas, 4; mecânico de manutenção
de máquinas agrícolas, 3; supervisor de exploração agrícola, 3.
Diamantino
Em Diamantino o cultivo de milho perde para a soja, no tocante às áreas
plantada e colhida, quantidade produzida e valor da produção. O valor de
produção do milho foi de R$ 38.723,00 (Tabela 25).
Tabela 25. Diamantino – Áreas plantadas e colhidas, quantidade produzida e valor
da produção, 2007
Cultura
Algodão herbáceo (em caroço) (ton)
Área Plantada
Área Colhida
Quantidade
Valor em R$
(ha)
(ha)
Produzida
1.000
37.017
37.017
138.637
126.437
20
20
14
19
Arroz (em casca) (ton)
5.000
5.000
12.000
4.032
Feijão (em grão) (ton)
1.280
1.280
2.598
2.598
Amendoim (em casca) (ton)
Milho (em grão) (ton)
Soja (em grão) (ton)
Sorgo granífero (em grão) (ton)
49.898
49.898
179.273
38.723
276.660
276.660
796.147
298.555
300
300
540
72
Fonte: IBGE, Produção Agrícola Municipal
Também perde para o algodão em termos de valor da produção, embora as
áreas plantadas e colhidas e quantidade produzida sejam maiores. Assim, o milho
constitui importante produto para a formação de renda. Outras culturas
temporárias expressivas foram: amendoim, arroz, feijão.
Em Diamantino houve fortalecimento nas atividades de cultivo de milho, e
criação de aves e suínos, permitindo induzir um efeito de encadeamento à
montante e à jusante dessas atividades produtivas, contribuindo para o
crescimento sustentável do produto interno bruto e a renda (Tabela 26).
O Ministério do Trabalho e Emprego registrou para Diamantino, entre
janeiro de 2003 a abril de 2010, as seguintes profissões relacionadas com os setores
em análise, que possuem maiores saldos (admissão menos desligamento) e que
71
estão entre as vinte de todos os setores: trabalhador volante na agricultura, com
saldo de 1.084; operador de máquinas de beneficiamento de produtos agrícolas, 68;
trabalhador da suinocultura, 41, técnico agrícola, 31; abatedor, 29; tratorista
agrícola. 19.
Tabela 26. Cultura do milho, avicultura e suinocultura em Diamantino,
quantidade produzida, 2000/2007
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
Milho (ton)
37.505
30.900
45.621
38.448
39.572
122.889
179.273
179.273
Galinha
13.424
7.965
8.115
8.358
4.000
8.845
9.729
11.300
5.503
5.668
5.838
173.063
122.415
146.286
160.915
185.000
11.439
72.573
109.564
158.149
161.468
169.221
186.143
134.649
(cabeças)
Frango
(cabeças)
Suíno
(cabeças)
Fonte: IBGE – Produção Agrícola Municipal e Pesquisa Pecuária Municipal.
Desta forma, conforme mostrado pelo mapa e pela descrição dos
municípios, existe uma aglomeração espacial objetivando a redução dos custos de
transporte de matéria-prima e produto final e aproveitamento das economias
externas fornecidas pela proximidade.
5.2.1.2. Produto Interno Bruto do primeiro polo de aglomeração
O Produto Interno Bruto – PIB é principal indicador da atividade econômica dos
municípios, o PIB - Produto Interno Bruto, que expressa a soma (em valores
monetários) de todos os bens e serviços finais produzidos nas cidades de Diamantino,
Ipiranga do Norte, Lucas do Rio Verde, Nova Mutum, Nova Ubiratã, Santa Rita do
Trivelato, Sorriso e Tapurah é mostrado na Tabela 27, e o gráfico de participação na
composição do Produto Interno Bruto da é mostrado na Figura 9.
Tabela 27. Composição do PIB no primeiro polo de aglomeração, 2007
Agropecuária
Diamantino
Indústria
Serviços
Ad. Pública
Impostos
PIB
360.975,20
27.965,21
286.127,70
40.073,48
60.384,08
735.452,10
105.929,44
6.285,91
59.532,44
9.015,69
18.306,70
190.054,48
Ipiranga do
Norte
72
Lucas do Rio
Verde
303.749,02
80.947,88
516.490,86
66.394,36
144.725,42
1.045.913,17
Nova Mutum
349.858,32
90.534,49
356.497,30
51.589,47
97.923,42
894.813,53
Nova Ubiratã
184.256,68
10.212,44
58.459,67
18.370,86
14.278,31
267.207,09
Trivelato
131.160,71
2.692,42
42.108,69
6.510,72
12.955,42
188.917,23
Sorriso
519.231,51
153.071,79
764.467,54
107.082,28
198.680,23
1.635.451,06
Tapurah
129.508,53
11.713,82
72.462,33
19.322,39
14.580,39
228.265,06
2.084.669,40
383.423,95
2.156.146,51
318.359,25
561.833,96
5.186.073,73
Santa Rita
Total da Região
Fonte: IBGE
Pela
Figura 9, o setor de serviços apareceu em primeiro lugar na
composição do Produto Interno Bruto nos municípios de Lucas do Rio Verde,
Sorriso e Nova Mutum em 2007. Houve maior destaque para o setor agropecuário
em Dom Aquino, Ipiranga do Norte, Nova Ubiratã, Santa Rita do Trivelato e
Tapurah. A diferença entre um setor e outro não possui uma magnitude
expressiva.
2500000
2000000
1500000
Agropecuária
1000000
Indústria
Serviços
500000
0
Figura 9. Composição do Produto Interno Bruto no primeiro polo de aglomeração, 2007
Fonte: Elaboração própria
Considerando a região como um todo, o setor de serviços teve maior
destaque na composição do produto interno da região, mas com uma diferença não
73
substancial. A proximidade geográfica das firmas admite o advento de outras
atividades acessórias, abastecendo a indústria principal com instrumentos e matériasprimas, levando a uma economia de material. A presença de fornecedores de bens e
serviços é uma importante fonte de economias externas, sobretudo no que tange ao
processo de conhecimento suscitado por meio do relacionamento entre empresas e seus
fornecedores.
Sendo esta região altamente especializada em milho, aves e suínos, pode-se
concluir por uma integração maior entre os setores de atividade econômica em
torno dessas três atividades, existindo empresas gerando expressivo número de
empregos formais entre todas as atividades, como mostrado anteriormente, e um
potencial maior para formação de agricluster melhor organizado, em comparação
com segundo pólo, que será abordado adiante, devido à maior densidade,
exportação de produtos entre outros elementos.
5.2.1.3. Distribuição da renda
A Tabela 28 aponta a porcentagem da renda apropriada por estratos da
população nos municípios do primeiro polo de aglomeração produtiva de milho
aves e suínos, nos anos de 1991 e 2000, exceto para Ipiranga do Norte e Santa Rita
do Trivelato, para os quais os dados não estavam disponíveis.
Tabela 28. Porcentagem da renda apropriada por estratos da população do
primeiro polo, 1991 e 2000
1991
Município
Lucas do Rio
2000
20%
80%
20%
20%
80%
20%
mais pobres
mais pobres
mais ricos
mais pobres
mais pobres
mais ricos
2,7
34,6
65,4
4,0
39,8
60,2
Sorriso
3,5
39,5
60,5
2,8
31,6
68,4
Nova Mutum
3,8
40,3
59,7
3,0
33,5
66,5
Nova Ubiratã
2,5
24,3
75,7
1,9
37,3
62,7
Tapurah
3,6
33,7
66,3
0,5
26,8
73,2
Diamantino
2,5
28,7
71,3
1,6
31,9
68,1
Verde
Fonte: PNUD, 2003
Na região mostrada pela Tabela 28, apenas em Lucas do Rio Verde e Nova
Ubiratã houve uma melhora não muito expressiva, entre 1991 e 2000. Nos outros
74
municípios houve um agravamento na situação da apropriação da renda pelos
estratos da população no período em análise.
5.2.1.4. Fatores locacionais para o primeiro polo de aglomeração
No atual estágio da sociedade, o espaço geográfico está sendo organizado de
forma distinta entre as regiões, e conforme o caso, dentro de uma mesma região.
Desta forma, nos países industrializados e de alta densidade demográfica, ele se
exterioriza de forma contínua, por meio da sucessão de culturas, das vias de
transporte e comunicações e da distribuição de cidades, vilas e povoados
(ANDRADE, 1998).
No mundo moderno, em que prevalece o sistema capitalista, existe uma
estrutura de transportes e comunicações bem articulada que faz convergir a
produção para os centros polarizados urbanos mais importantes, permitindo aos
mais ricos entre eles o controle e o domínio do espaço. Também no meio rural
existe uma especialização na produção dos diversos gêneros e produtos, frente à
possibilidade do acesso aos centros urbanos para onde se destina a maior parte da
produção (ANDRADE, 1998).
A Figura 10 mostra os municípios selecionados para o polo de
especialização produtiva de milho e suínos, detectado neste trabalho, uma vez que
possui concentração das atividades relacionadas com o milho.
75
Figura 10. Municípios selecionados do primeiro polo de aglomeração
Fonte: www.matogrossoeseusmunicipios.com.br, 2010
Verifica-se que o principal eixo viário da primeira aglomeração é a rodovia
federal BR 163, além de outras rodovias estaduais, que constituem um modal de
transporte importante para a circulação de mercadorias, pessoas, conceitos,
inovações, etc, entre os municípios e para o escoamento da produção para o
exterior.
5.2.1.5. Indicador padronizado de contribuição setorial para o polo de Lucas do
Rio Verde
Economia de escala em produção, movimento de mão de obra e capital,
além de custo de transporte em queda, devido a proximidade, se interagem para
produzir célere crescimento em cidades e países, grandes ou pequenos. Esses
elementos formam o motor de qualquer economia. A sua função essencial na
prosperidade e redução de pobreza é o objeto dos três primeiros capítulos do texto
76
sobre economia mais influente jamais escrito, A Riqueza das Nações, de Adam
Smith (BANCO MUNDIAL, 2009).
Se existe especialização na produção em algum local com certeza sua
contribuição para o crescimento e desenvolvimento será expressivo. Para se ter
uma perspectiva numérica acerca da contribuição dos setores produtivos de milho,
aves e suínos no Produto Interno Bruto, considerados individualmente e em
conjunto, foi feito o indicador padronizado de contribuição entre as doze cidades
da aglomeração produtiva de milho, aves e suínos.
Posto que não está disponível o valor da produção para aves e suínos vivos,
e que a produção de milho é dada em toneladas e o efetivo de rebanho de aves e
suínos é dada em número de cabeças, e que o Produto Interno Bruto é medido em
reais, foi feita a padronização para se ter uma perspectiva quantitativa da
contribuição econômica destes setores produtivos. A Tabela 29 aponta os números
para os oito municípios do primeiro polo.
Entre as oito cidades do primeiro polo observadas, as maiores produções da
cultura do milho estão em Lucas do Rio Verde, e Nova Mutum, por ordem de
indicador. Os indicadores apontam menor importância da avicultura neste polo.
As produções mais expressivas da suinocultura estão em Nova Mutum e
Diamantino, por ordem de indicador. Considerando as três atividades em
conjunto, o maior destaque está em Nova Mutum.
Tabela 29. Indicador de contribuição setorial para milho, aves e suínos, 20072
Indicador padrão
Indicador padrão
Indicador padrão
Indicador padrão
Indicador de
para milho
para galinha
para frango
para suíno
contribuição
setorial
Lucas do Rio Verde
2,374
-0,410
-0,494
1,294
2,764
Sorriso
1,057
-0,039
-0,083
0,099
1,033
Nova Mutum
1,243
-0,233
1,220
4,452
6,683
0,395
0,500
0,774
2,256
Ipiranga Norte
Nova Ubiratã
0,585
0,476
0,445
0,592
1,147
2,662
Tapurah
0,797
0,442
0,542
0,619
2,381
Santa Rita do
0,886
0,402
0,502
0,652
2,444
-2,892
-2,070
-2,307
9,107
1,837
Trivelato
Diamantino
2
Para calcular o índice faz-se a padronização da variável em questão de cada setor, calculando a
diferença em relação à média e dividindo o resultado pelo desvio padrão, permitindo fazer a soma dos
setores que apresentam variáveis diferentes, para obter o índice padronizado.
77
Fonte: IBGE. Elaboração Própria
Na realidade a contribuição do conjunto de atividades é bem maior do que
um indicador possa apontar, uma vez que existe ainda a transformação dos
insumos básicos milho, aves e suínos, em outros produtos processados pelas
indústrias, exportação, geração de emprego, cuja renda acaba sendo consumida
em outras atividades, existindo também a interação com setor de serviços que se
instalam na região em função dessas atividades primárias, ajudando a multiplicar
a renda da região devido aos seus contínuos investimentos produtivos.
5.2.2. Polo de Campo Verde
O segundo polo de concentração produtiva é apresentado pela Figura 11,
envolvendo as cidades de Primavera do Leste, Campo Verde e Dom Aquino e
Juscimeira.
Os municípios de Campo Verde, Dom Aquino, Primavera do Leste e
Juscimeira estão entre os vinte municípios apontados pelo índice de concentração
normalizado e possuem, em conjunto, expressivos efetivos de aves e suínos ou
produção leiteira.
78
Figura 11. Polo da aglomeração produtiva de Campo Verde
Fonte: dados da pesquisa
As cidades vizinhas impactam o progresso mútuo, a proximidade de
municípios ricos traz prosperidade e a proximidade com municípios pobres
prejudica. A transição da atividade rural para a industrial é ajudada, e não
prejudicada por um setor agrícola saudável, que ajuda as cidades pequenas e
grandes a prosperarem (BANCO MUNDIAL, 2009).
5.2.2.1. Consumo de milho no polo de Campo Verde
As
crescentes
densidades
de
instalações
humanas,
migrações
de
trabalhadores e empresários para abreviar distâncias até os mercados são
fundamentais para o sucesso do desenvolvimento econômico. A Tabela 30 indica a
estimativa de consumo de milho pelos segmentos no segundo polo de aglomeração.
Pelo fato de esta região ter maior especialização na criação de aves do que de
suínos, a demanda por milho é maior na avicultura do que na suinocultura.
79
Tabela 30. Estimativa de consumo de milho pelos segmentos no polo de aglomeração produtiva de Campo Verde, em quilograma, 2000/2007
2000
Cabeças de Suíno
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
34.103
42.336
42.651
49.290
59.438
61.380
59.805
89.602
81,33
81,33
81,33
81,33
81,33
81,33
81,33
81,33
2,9
2,9
2,9
2,9
2,9
2,9
2,9
2,9
1,8995
1,8995
1,8995
1,8995
1,8995
1,8995
1,8995
1,8995
5.268.447
6.540.333
6.588.997
7.614.631
9.182.359
9.482.371
9.239.055
13.842.284
6.502.238
6.468.429
7.092.069
7.168.740
7.140.212
6.964.649
7.756.385
11.637.228
2,03
2,03
2,03
2,03
2,03
2,03
2,03
2,03
2,1
2,1
2,1
2,1
2,1
2,1
2,1
2,1
1,2915
1,2915
1,2915
1,2915
1,2915
1,2915
1,2915
1,2915
17.047.210
16.958.571
18.593.596
18.794.608
18.719.815
18.259.533
20.335.263
30.509.844
22.315.657
23.498.905
25.182.593
26.409.240
27.902.174
27.741.904
29.574.318
44.352.128
-
-
-
-
-
423.203.159
546.692.191
695.235.010
Importação de Milho Kg
nd
nd
nd
nd
nd
0
0
0
Exportação de Milho kg
nd
nd
nd
nd
nd
309.936
825.490
39.467.861
Produção Local Kg
-
-
-
-
-
451.255.000
577.092.000
779.055.000
Mercado interno kg
-
-
-
-
-
450.945.064
576.266.510
739.587.139
Kg médio por cabeça
Kg ração/kg suíno
Kg de milho/kg de suíno
Kg de milho total estimado de
consumo pelos suínos
Cabeças de aves
(frangos + galinhas)
Kg médio por cabeça
Kg ração/kg ave
Kg de milho/kg ave
Kg de milho total estimado de
consumo pelas aves
Total estimado de consumo
por aves e suínos
Cons. Humano, Pec. Leite, Ind.,
Perdas, comércio inter-região. Kg
Fonte: IBGE, MDIC, ABIMILHO. Elaboração Própria.
80
A intensidade do consumo humano, industrial e comércio interno se explica
pela especialização da produção de milho, cujo excedente pode estar sendo
direcionado aos outros municípios vizinhos que não são muito especializados na
produção do grão, quer dizer, faz parte do comércio inter-regional. A seguir,
detalham-se as características de cada município do polo de Campo Verde.
Campo Verde
A cidade de Campo Verde é a cidade que apresenta mais produtos na
agricultura dentre as cidades apontadas pelo índice de concentração. O milho se
posiciona em terceiro lugar, em termos de valor de produção, com R$ 90.910,00
após o cultivo de algodão e soja (Tabela 31).
Tabela 31. Campo Verde – Áreas plantadas e colhidas, quantidade produzida e
valor da produção, 2007
Cultura
Área
Área
Quantidade
Valor em R$
Plantada(ha)
Colhida(ha)
Produzida
1.000
Algodão Herbáceo (em caroço) (ton)
Arroz (em casca) (ton)
73.623
73.623
314.873
308.576
300
300
630
246
Feijão (em grão) (ton)
5.754
5.754
6.742
8.090
Milho (em grão) (ton)
68.986
68.986
343.058
90.910
120.000
120.000
367.080
137.655
3.600
3.600
5.400
1.080
Soja (em grão) (ton)
Sorgo granífero (em grão) (ton)
Fonte: Fonte: IBGE, Produção Agrícola Municipal
Porém em termos de quantidade produzida, o milho atingiu a segunda
colocação em 2007, produzindo 343.080 toneladas superando o algodão,
constituindo importante cultura para a economia local na formação de renda.
Levando em conta a Tabela 32 houve expressivo crescimento na criação de
codornas, galinhas e frangos, atividades da avicultura, bem como na criação de
suínos, as quais são atividades ligadas à cultura do milho, a qual também
apresentou crescimento, indicando crescente aglomeração, contribuindo no
processo de crescimento econômico, resultando na ampliação do emprego,
fortalecendo a evolução do produto interno bruto e da renda do local.
81
Tabela 32. Cultura do milho, avicultura e suinocultura em Campo Verde,
quantidade produzida, 2000/2007
2000
Milho
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
85.725
144.300
151.750
178.620
192.021
258.186
305.023
343.058
-
10.000
10.000
10.000
15.000
14.850
15.000
14.950
962.997
821.507
1.097.444
1.105.625
1.047.841
1.156.276
1.544.139
1.731.205
5.263.500
5.363.500
5.704.186
5.746.396
5.742.247
5.487.329
5.831.852
8.889.816
16.091
23.570
21.436
27.749
39.800
39.852
40.063
63.157
(ton)
Codorna
s
(cabeças)
Galinha
(cabeças)
Frango
(cabeças)
Suíno
(cabeças)
Fonte: IBGE – Pesquisa Pecuária Municipal e Pesquisa Pecuária Municipal.
Os empregos entre os vinte com maiores saldo (admissão menos
desligamento) entre todos os setores do município, e que possuem relação com as
atividades analisadas, segundo o Ministério do Trabalho, no período de janeiro de
2003 e abril de 2010, foram: trabalhador agropecuário em geral, 122; trabalhador
na avicultura de postura, 71; abatedor, 43; avicultor, 40.
Primavera do Leste
Em Primavera do Leste, o milho é a terceira cultura, com R$ 86.689,00,
sendo superado pelo algodão e da soja, em termos de valor da produção, conforme
mostra a Tabela 33.
Tabela 33. Primavera do Leste – Áreas plantadas e colhidas, quantidade produzida
e valor da produção, 2007
Cultura
Algodão herbáceo (em caroço) (ton)
Área Plantada
Área Colhida
Quantidade
Valor em R$
(ha)
(ha)
Produzida
1.000
46.214
46.214
Arroz (em casca) (ton)
1.500
1.500
3.186
1.211
Feijão (em grão) (ton)
7.370
7.170
12.953
14.766
Milho (em grão) (ton)
Soja (em grão) (ton)
Sorgo granífero (em grão) (ton)
Trigo (em grão) (ton)
188.412
176.103
69.994
69.994
310.993
86.689
200.000
200.000
620.000
235.600
7.500
7.060
17.000
2.720
360
360
1.080
576
Fonte: IBGE, Produção Agrícola Municipal
82
Porém, o milho obteve a segunda posição em termos de áreas plantada e
colhida e quantidade produzida superando o algodão, constituindo importante
produto para a economia local.
De acordo com a Tabela 34, as atividades relacionadas com a cultura do
milho estiveram em crescimento, assim como as atividades relacionadas com a
avicultura e suinocultura. Assim, estas atividades se inserem num contexto de
redução de custos de produção, custos de transação e de custos de acesso ao
mercado, devido à proximidade das atividades, levando a um fortalecimento na
dinâmica econômica do município.
Tabela 34. Cultura do milho, avicultura e suinocultura em Primavera do Leste,
quantidade produzida, 2000/2007
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
Milho (ton)
71.832
134.369
141.570
151.649
112.770
109.546
157.573
310.993
Galinha
26.590
27.380
26.832
27.030
26.179
26.694
23.545
24.722
23.185
23.880
23.392
23.564
22.822
23.271
20.339
21.489
10.734
11.377
13.520
13.618
12.004
13.878
12.719
18.900
(cabeças)
Frango
(cabeças)
Suíno
(cabeças)
Fonte: Pesquisa Pecuária Municipal
As ocupações entre as vinte com maiores saldo (admissão menos
desligamento) entre todos os setores do município, e que se relacionam com as
atividades observadas, conforme o Ministério do Trabalho, no período de janeiro
de 2003 e abril de 2010, foram: motorista de caminhão (rotas regionais e
internacionais), com 177; trabalhador volante da agricultura, 114; operador de
máquina de beneficiamento de produtos agrícolas, 110; trabalhador da avicultura
de postura, 105; e, técnico agrícola, 80.
Juscimeira
Em 2007, no município de Juscimeira, o milho apareceu em segundo lugar,
em termos de valor da produção, área plantada e área colhida e quantidade
produzida, atrás da cultura da soja, representando importante produto para a
economia local. O valor da produção do milho naquele ano foi de R$ 14.945,00.
Outras culturas expressivas foram: arroz e sorgo (Tabela 35).
83
Tabela 35. Juscimeira – Áreas plantadas e colhidas, quantidade produzida e valor
da produção, 2007
Cultura
Área Plantada
Área Colhida
Quantidade
Valor em R$
(ha)
(ha)
Produzida
1.000
Arroz (em grão) (ton)
800
800
1.680
588
Milho (em grão) (ton)
13.770
13.770
59.780
14.945
Soja (em grão) (ton)
31.670
31.670
86.649
34.660
500
500
1.050
168
Sorgo granífero (em grão) (ton)
Fonte: IBGE, Produção Agrícola Municipal
No tocante às atividades de cultivo de milho e criação de aves e suínos,
pode-se verificar um relativo enfraquecimento na aglomeração neste município. A
produção de milho aumentou, mas a criação de aves e suínos começou a declinar a
partir de 2003 (Tabela 36).
Tabela 36. Cultura do milho, avicultura e suinocultura em Juscimeira, quantidade
produzida, 2000/2007
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
Milho (ton)
11.425
12.119
11.070
15.433
23.130
32.566
57.167
59.780
Galinha (cabeças)
27.250
28.610
29.582
30.528
30.046
29.274
27.518
13.074
Frango (cabeças)
22.100
23.350
24.143
24.916
24.519
23.889
22.456
10.686
3.820
3.830
3.948
4.066
4.009
3.907
3.674
1.818
Suíno (cabeças)
Fonte: IBGE – Produção Agrícola Municipal e Pesquisa Pecuária Municipal.
A única profissão relacionada com a aglomeração milho, aves e suínos, que
apareceu entre as vinte com maiores saldo (admissão menos desligamento) entre
todos os setores do município, segundo o Ministério do Trabalho, no período de
janeiro de 2003 e abril de 2010, foi a profissão de trabalhador agropecuário em
geral, com saldo de 41.
Dom Aquino
No município de Dom Aquino, o milho apareceu em terceiro lugar, depois
do algodão e soja, no tocante ao valor da produção, com R$ 15.654,00 (Tabela 37).
Porém, foi maior que o algodão em área plantada e área colhida e
quantidade produzida, constituindo importante produto para a economia local.
Outras culturas temporárias importantes foram: arroz e sorgo.
84
Tabela 37. Dom Aquino – Áreas plantadas e colhidas, quantidade produzida e
valor da produção, 2007
Cultura
Área Plantada
Área Colhida
Quantidade
Valor em R$
(ha)
(ha)
Produzida
1.000
Algodão Herbáceo (em caroço) (ton)
13.500
13.500
53.300
52.234
300
300
567
210
Milho (em grão) (ton)
14.440
14.440
65.224
15.654
Soja (em grão) (ton)
26.500
26.500
76.267
30.507
270
270
1.053
168
Arroz (em casca) (ton)
Sorgo granífero (em grão) (ton)
Fonte: IBGE, Produção Agrícola Municipal
A Tabela 38 possibilita verificar que as atividades relativas ao cultivo de
milho e à criação de aves e suínos estiveram em ascensão, fortalecendo a
aglomeração e gerando condições propícias para a criação e a multiplicação de
fatores, contribuindo para a constituição do produto interno e formação de renda.
Tabela 38. Cultura do milho, avicultura e suinocultura em Dom Aquino,
quantidade produzida, 2000/2007
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
Milho (ton)
11.742
27.182
36.036
52.383
57.683
50.957
57.329
65.224
Galinha
18.062
18.447
19.105
19.296
18.698
19.309
12.196
10.585
158.554
161.725
167.385
191.385
227.860
198.611
274.340
935.64
(cabeças)
Frango
(cabeças)
Suíno
1
3.348
3.559
3.747
3.857
3.625
3.743
3.349
5.727
(cabeças)
Fonte: IBGE - Produção Agrícola Municipal e Pesquisa Pecuária Municipal.
O Ministério do Trabalho e Emprego registrou para Dom Aquino, entre
janeiro de 2003 a abril de 2010, as seguintes ocupações que possuem relação com
os setores observados, que têm maiores saldo (admissão menos desligamento) e que
estão entre as vinte de todos os setores: trabalhador volante da agricultura, com
saldo de 82; motorista de caminhão (rotas regionais e internacionais), 27; operador
de colheitadeira, 11; técnico agrícola, 6; e, supervisão de exploração agrícola, 5.
Assim, esta região é formada devido às vantagens locacionais da interação
entre custo de transporte e as economias de aglomeração. Conforme indicado pelo
mapa e pela descrição dos municípios, existe um agrupamento espacial com
objetivo de diminuir os custos de transporte de matéria-prima e produto final,
assim como aproveitar as economias externas providas pela proximidade.
85
5.2.2.2. Produto Interno Bruto do polo de aglomeração de Campo Verde
O Produto Interno Bruto como importante indicador da atividade econômica do
município fornece a soma (em valores monetários) de todos os bens e serviços finais
produzidos na cidade de Campo Verde, Dom Aquino, Primavera do Leste e Juscimeira,
segundo polo de aglomeração. A Tabela 39 mostra o Produto Interno Bruto para estas
cidades no ano de 2007, e o gráfico de participação na composição do produto é
apresentado a seguir, na Figura 12.
Tabela 39. Composição do PIB no segundo polo de aglomeração, 2007
Agropecuária
Indústria
Serviços
Ad. Pública
Impostos
PIB
Campo Verde
583.859,46
37.014,69
286.322,98
58.603,34
73.830,63
981.027,75
Dom Aquino
110.840,07
17.769,21
43.817,69
16.053,60
9.319,08
181.746,04
Juscimeira
55.030,43
11.996,21
48.428,20
22.287,34
7.440,36
122.895,19
Primavera
414.420,58
77.817,75
671.831,92
94.829,64
177.400,58
1.341.470,83
1.164.150,53
144.597,86
1.050.400,78
191.773,93
267.990,65
2.627.139,82
Total da região
Fonte: IBGE
Observa-se expressiva participação da agropecuária na constituição do
produto interno bruto nos municípios de Campo Verde, e Dom Aquino e
Juscimeira em 2007. Em Primavera do Leste o maior destaque foi para o setor de
serviços. Para a região como um todo prevaleceu o setor agropecuário na
formação do Produto Interno Bruto.
1.200.000,00
1.000.000,00
800.000,00
Agropecuária
600.000,00
Indústria
400.000,00
Serviços
200.000,00
0,00
Campo
Verde
D. Aquino Juscimeira Primavera
Total da
região
Figura 12. Composição do Produto Interno Bruto no segundo polo de aglomeração, 2007
Fonte: Elaboração própria
86
5.2.2.3. Distribuição da Renda
A Tabela 40 ilustra a percentualidade da renda apropriada por estratos da
população nos municípios de Campo Verde e vizinhança, que compõem o segundo
polo de agrupamento produtivo de milho, aves e suínos, nos anos de 1991 e 2000.
Tabela 40. Porcentagem da renda apropriada por estratos da população no
segundo polo, 1991 e 2000
1991
Município
20%
2000
80%
mais pobres
20%
mais pobres
20%
mais ricos
80%
mais pobres
20%
mais pobres
mais ricos
Campo Verde
2,3
31,2
68,8
3,0
33,3
66,7
Primavera do Leste
2,7
32,9
65,1
3,7
37,9
62,1
Juscimeira
3,1
35,0
65,0
1,7
34,5
65,5
Dom Aquino
3,9
44,9
55,1
1,8
41,5
58,5
Fonte: PNUD, 2003
Segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, houve
pouca evolução na distribuição da renda entre os estratos da população nos
municípios de Campo Verde e Primavera do Leste, entre 1991 e 2000. Nos
municípios de Juscimeira e Dom Aquino houve retrocesso na distribuição de renda
no período analisado.
5.2.2.4. Fatores locacionais para o segundo polo de aglomeração
A seguir, o segundo polo geográfico da especialização produtiva de grãos,
aves e suínos detectado neste trabalho é mostrado pela Figura 13, onde se observa
os mapas dos municípios de Campo Verde, Primavera do Leste, Juscimeira e Dom
Aquino, que estão entre os vinte municípios apontados pelo ICN do milho.
87
Figura 13. Municípios do segundo polo de aglomeração
Fonte: www.matogrossoeseusmunicipios.com.br
O desafio é ajudar a empresas e os trabalhadores a reduzirem sua distância
de lugares mais densos, sendo os principais mecanismos a mobilidade da mão de
obra e a redução dos custos de transporte mediante investimento em
infraestrutura (BANCO MUNDIAL, 2009).
A principal rodovia que passa por este polo é a rodovia federal BR 070,
além de outras rodovias estaduais, constituindo importantes eixos viários para
circulação de mercadorias e pessoas entre os municípios e para o exterior, além de
servir como um meio de integração econômica entre áreas rurais e urbanas,
províncias atrasadas e províncias desenvolvidas, municípios isolados com
municípios bem conectados.
Como outros fatores locacionais, tanto para este polo quanto para o
primeiro,
pode-se citar a disponibilidade de incentivos fiscais e financeiros,
possíveis de serem alavancados para o empreendimento. Conforme Ribeiro (2000)
88
os incentivos ficais dizem respeito às vantagens fiscais concedidas pela legislação
tributária, em nível federal estadual e municipal, que servem de atrativos para a
instalação e ampliação de empreendimentos econômicos em determinadas regiões
do país.
O Governo Federal concede redução do Imposto de Renda das Pessoas
Jurídicas, para a Amazônia Legal, por exemplo, de até 75%, por um período de
até 10 anos, para os empreendimentos que fossem implantados na região até o ano
de 2003, reduzindo o percentual para 50%, para os projetos implantados no
período 2004 a 2008 e para 25%, para os empreendimentos implantados de 2009 a
2013, quando deixarão de existir os incentivos fiscais para a região, conforme a Lei
9.532/97, publicada no Diário Oficial da União, em 11/12/97 (RIBEIRO, 2000).
As inversões na ampliação da capacidade instalada, de empreendimentos
preexistentes, contaram também com a redução de 37,5% do Imposto de Renda
Pessoa Jurídica, por 10 anos, para projetos executados até o ano de 2003,
reduzindo-se o percentual para 25%, para o período 2004 a 2008 e para 12,5% no
período 2009 a 2013.
O Fundo Constitucional do Centro-Oeste possui outros créditos disponíveis
para os empreendimentos disponíveis para empreendimentos que pretendem se
instalar na região Centro-Oeste. Trata-se de alocação de recursos na forma de
financiamento de ativo fixo e capital de giro associado, a prazos de até 12 anos,
com até 3 anos de carência (RIBEIRO, 2000).
O BNDES, como instituição oficial de crédito de longo prazo do Governo
Federal, disponibiliza recursos para financiamento, em condições especiais quanto
a prazos e taxas de encargos financeiros, para empreendimentos localizados em
determinadas regiões, consideradas prioritárias na política de fomento do Banco.
Entre elas está o Programa Amazônia Integrada.
A determinação da localização do projeto está interligada com o mercado,
com o financiamento e com a rentabilidade e capacidade de pagamento. As
vantagens fiscais disponíveis e que dependem da localização escolhida para o
empreendimento podem e devem ser tomadas como fator competitivo, de suma
importância para sua viabilidade econômica e financeira (RIBEIRO, 2000).
5.2.2.5. Indicador padronizado de contribuição setorial para o polo de Campo
Verde
89
Conforme expostos anteriormente, elevada escala produtiva, movimento de
mão de obra e capital e declínio de custo de transporte são fatores de aceleração no
crescimento das cidades e países, grandes ou pequenos. A especialização exerce
expressiva contribuição para o crescimento e desenvolvimento.
A Tabela 41
aponta os números para os municípios do segundo polo de aglomeração.
Tabela 41. Indicadores de contribuição setorial para milho, aves e suínos, 2007
Indicador padrão
Indicador padrão
Indicador padrão
Indicador padrão
Indicador de
para milho
para galinha
para frango
para suíno
contribuição
setorial
Campo Verde
0,367
5,027
4,829
0,313
10,538
Primavera do Leste
0,071
-0,232
-0,330
-0,446
-0,936
Tapurah
0,797
0,442
0,542
0,619
2,381
Juscimeira
0,966
0,326
0,436
0,883
2,613
Dom Aquino
1,061
0,373
0,086
0,916
2,438
Fonte: IBGE. Elaboração Própria
Entre as quatro cidades observadas o maior indicador para a produção do
milho está em Dom Aquino. O maior indicador para a avicultura está em Campo
Verde. Os indicadores apontam menor especialização na suinocultura nesta região.
O maior indicador das três atividades em conjunto é o indicador do município de
Campo Verde.
Deve-se ter cautela na interpretação isolada destes indicadores, uma vez que
cada atividade interage com diversas outras através da inter-relação empresarial,
do consumo e dos investimentos, além da exportação, os quais são fatores
multiplicadores da renda.
5.3. Aspectos adicionais de crescimento e desenvolvimento socioeconômico
O avançado sistema rural que existe em vários países desenvolvidos como os
Estados Unidos representa um estágio corrente de um longo processo de
desenvolvimento econômico (CRAMER et. al., 2000).
O desenvolvimento é refletido em melhora do padrão de vida, devido à
acumulação bens produtivos, incluindo maquinaria, infraestrutura, capital humano,
capital social, e recursos naturais. Progresso econômico também coincide com
90
transformações estruturais com a agricultura compartilhando do emprego total e da
produção total (CRAMER et. al., 2000).
O desenvolvimento também é refletido na queda com gastos com alimentação,
que são direcionados para aquisições de produtos e serviços não agrícolas, bem como
para a poupança.
A forma mais efetiva para conciliar desenvolvimento agrícola e progresso
econômico geral é fazendo investimentos para aumentar a produtividade agrária.
Com aumento da oferta de commodities, os preços da alimentação caem, que leva a
transformações estruturais e diversificação do consumo. Vários países têm se
beneficiado pela adoção desta abordagem, e cada vez mais outros estão optando
para agir desta forma (CRAMER et. al., 2000).
Conforme foi visto, a cultura do milho é uma das principais atividades da
agricultura nos polos de concentração, tendo diversas finalidades. Além disso,
servindo como nutrição para suínos, aves, pecuária leiteira e gado em
confinamento para engorda, acaba por ser item de extrema importância para
agropecuária como um todo e outros produtos fora da agropecuária, contribuindo
para a constituição da riqueza dos municípios, nos quais o valor em reias da
agropecuária constitui parcela expressiva dos seus respectivos produtos internos
brutos – PIB, e mesmo naqueles em que este setor representa uma parcela menor.
O crescimento do produto interno bruto dos municípios reflete no bemestar da população, em termos de postos de trabalho, saúde, educação, moradia,
entre
outros
elementos.
O
desenvolvimento
sustentável
considera
o
desenvolvimento econômico, a proteção ao meio ambiente e a qualidade de vida da
população. A seguir, mostra-se para informações relativas à economia e aspectos
sociais, para os municípios de Lucas do Rio Verde e Campo Verde, os quais são os
principais municípios dos polos de concentração.
Conforme discorrido ao longo do trabalho, a formação de aglomerações
produtivas contribui para aumentar a competitividade e o crescimento do PIB dos
municípios nos quais o valor em reais da agropecuária representa parcela
substancial e ainda se expandindo para outros setores da economia.
Uma vez que o último Índice de Desenvolvimento Humano dos municípios
foi calculado para o ano de 2000, a evolução da quantidade produzida do milho, e
do número de cabeças de aves, suínos, a partir de 2000, mostrou que a
91
contribuição do setor agropecuário para a formação do PIB, se expandindo para
outros setores, continuou persistindo.
Adiante segue o gráfico da evolução do PIB nos centros produtivos, dos
principais municípios dos polos, Lucas do Rio Verde e Campo Verde, apenas para
exemplificar e para se ter uma perspectiva acerca do crescimento do PIB e sua
possível contribuição na construção de novos Índices de Desenvolvimento
Humano, nesses municípios representativos das aglomerações.
Em primeiro lugar, mostra-se o gráfico para o município de Lucas do Rio
Verde, primeiro no ranking e um dos principais centros geográficos do primeiro
polo de aglomeração.
Figura 14. Evolução do PIB e seus componentes em Lucas do Rio Verde, 2002/2007
Fonte: IBGE. Elaboração Própria
No município de Lucas de Rio Verde, houve queda acentuada do PIB entre 2005
e 2006. A diminuição da composição do setor agropecuário entre 2005 e 2006 pode ser
explicada pelo declínio na produção de soja, ou pelo valor do produto devido a variação
na taxa de câmbio, entre 2006 e 2008, pela crise da lavoura com endividamento agrícola
elevado, falta de garantias e crédito, dificultando tanto a soja quanto o milho nos polos
estudados.
A seguir é mostrada a evolução do principal município do segundo polo de
aglomeração, Campo Verde, apenas para ilustrar. Este município possui substancial
92
concentração das atividades de cultivo de milho e criação de aves e suínos e elevado
índice de concentração normalizado do cultura do milho.
Figura 15. Evolução do PIB e seus componentes em Campo Verde, 2002/2007.
Fonte: IBGE. Elaboração Própria
Verifica-se que a maior participação na constituição do Produto Interno Bruto do
município de Campo Verde ao longo do período sempre foi do setor agropecuário. A
redução da contribuição do setor agropecuário entre 2005 e 2006 pode ser explicada
pela queda na produção de soja, ou pelo valor do produto dada a variação ocorrida na
taxa de câmbio.
Desde que o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD)
pronunciou o “Índice de Desenvolvimento Humano” (IDH) para impedir o uso
exclusivo da opulência econômica como critério de aferição, ficou muito estranho
continuar identificar o desenvolvimento com o crescimento (VEIGA, 2008). A
publicação do primeiro “Relatório do Desenvolvimento Humano”, em 1990, teve o
claro objetivo de acabar com uma ambiguidade que se arrastava desde o final da 2ª
guerra Mundial, quando a promoção do desenvolvimento passou a ser, ao lado da busca
da paz, a própria razão de ser da organização das Nações Unidas (ONU).
O Índice de Desenvolvimento Humano tem por objetivo oferecer um
contraponto a outro indicador muito empregado, o Produto Interno Bruto (PIB) per
capita, que leva em conta somente a dimensão econômica do desenvolvimento.
93
Criado por Mahbub ul Haq com a contribuição do economista indiano Amartya
Sen, ganhador do Prêmio Nobel de Economia de 1998, o IDH pretende ser uma medida
geral e sintética do desenvolvimento. Não é uma representação da “felicidade” das
pessoas, nem indica “o melhor lugar no mundo para se viver” (PNUD/ATLAS, 2010).
Contudo, em razão da não disponibilidade de dados para os municípios relativos
aos anos posteriores a 2000, foi utilizado neste trabalho um índice de desenvolvimento
nacional, mais consentâneo com a realidade brasileira, o índice de desenvolvimento da
Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro – FIRJAN.
A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro – FIRJAN (2010)
pesquisa o desenvolvimento humano, econômico e social e possui o Índice FIRJAN de
Desenvolvimento Municipal. O índice considera, com igual ponderação, as 3 (três)
principais áreas de desenvolvimento humano: emprego-renda, educação e saúde. O
índice varia de 0 a 1 e quanto mais próximo de 1, maior o nível de desenvolvimento da
localidade.
Considera-se que municípios com IFDM entre 0 e 0,4 são considerados de baixo
estágio de desenvolvimento; entre 0,4 e 0,6 de desenvolvimento regular; entre 0,6 e 0,8
de desenvolvimento moderado; e entre 0,8 e 1,0 de alto desenvolvimento. A Tabela 42
apresenta os valores de 2000 e 2006 para os vinte municípios apontados pelo índice de
concentração normalizado.
A cultura do milho obteve segunda ou terceira posição em valor de produção das
culturas temporárias, as quais são as principais culturas cultivadas no município, além
de abastecer regiões vizinhas e ser um dos principais produtos exportados das regiões
apresentadas, constituindo fonte expressiva de geração de renda.
Como serve para nutrição para suínos e aves, expande-se em direção à pecuária,
e as três atividades fortalecem a aglomeração nos municípios estudados, expandindo-se
também para outros setores da atividade econômica, contribuindo substancialmente para
a formação e crescimento do produto interno bruto que se reflete na renda, e por sua
vez, nas condições de saúde e educação.
Conforme o índice da FIRJAN, a cidade de Lucas do Rio Verde, a primeira no
ranking do índice de concentração do milho, está em primeiro lugar no ranking estadual,
e em 262º no ranking nacional. Cuiabá é a segunda cidade no ranking estadual. Nova
Mutum, que é um importante município da aglomeração, está em terceiro lugar e
Campo Verde outro município importante da outra aglomeração produtiva, está em 32º
lugar.
94
Tabela 42. Índice de desenvolvimento humano dos municípios, 2000 e 2006
2000
Município
Emprego e
2006
Educação
Saúde
IFDM
Educação
Saúde
IFDM
0,546
0,644
0,831
0,674
0,713
0,736
0,931
0,793
Sorriso
0,436
0,582
0,765
0,594
0,521
0,700
0,883
0,702
Nova Mutum
0,529
0,554
Sapezal
0,439
0,569
0,775
0,619
0,729
0,672
0,879
0,760
0,719
0,576
0,504
0,557
0,914
0,658
Campos de
0,455
0,648
0,811
0,638
0,435
0,736
0,857
0,676
0,508
0,492
0,821
0,607
0,520
0,599
0,825
0,648
nd
nd
nd
nd
0,490
nd
0,985
Nd
Campo Verde
0,366
0,613
0,879
0,620
0,413
0,659
0,900
0,658
Nova Ubiratã
0,349
0,430
0,674
0,484
0,546
0,581
0,819
0,649
Primavera do
0,671
0,555
0,775
0,667
0,482
0,633
0,926
0,681
Tapurah
0,469
0,526
0,782
0,592
0,502
0,738
0,829
0,690
Itanhangá
nd
nd
nd
nd
0,502
nd
0,909
nd
Santa Rita do
nd
nd
nd
nd
0,441
0,597
0,663
0,567
nd
nd
nd
nd
0,464
0,712
0,897
0,691
Juscimeira
0,367
0,569
0,752
0,563
0,609
0,670
0,650
0,643
Guiratinga
0,498
0,617
0,708
0,608
0,373
0,605
0,835
0,604
Alto Taquari
0,563
0,578
0,735
0,625
0,532
0,717
0,882
0,710
Santa Carmem
0,525
0,519
0,797
0,614
0,383
0,677
0,909
0,656
Diamantino
0,616
0,632
0,766
0,671
0,518
0,712
0,865
0,698
Porto dos
0,433
0,530
0,717
0,560
0,407
0,613
0,758
0,593
Renda
Lucas do Rio
Emprego e
Renda
Verde
Júlio
Campo Novo do
Parecis
Ipiranga do
Norte
Leste
Trivelato
Santo Antonio
do Leste
Gaúchos
Fonte: FIRJAN, 2010.
Conforme o índice da FIRJAN, pode-se verificar que houve melhora nas
condições de emprego e renda, entre 2000 e 2006, nos municípios de Lucas do Rio
Verde, Sorriso, Nova Mutum, Sapezal, Campo Novo do Parecis, Campo Verde,
Nova Ubiratã, Tapurah e Juscimeira.
No tocante à educação, o índice da FIRJAN aponta evolução nos municípios
de Lucas do Rio Verde, Sorriso, Nova Mutum, Campo Novo do Parecis, Campos
95
de Júlio, Campo Verde, Primavera do Leste, Nova Ubiratã, Tapurah, Diamantino,
Juscimeira, Alto Taquari, Santa Carmem e Porto dos Gaúchos.
Com relação à saúde, o índice FIRJAN indica progresso nos municípios de
Lucas do Rio Verde, Sorriso, Nova Mutum, Sapezal, Campo Novo do Parecis,
Campos de Júlio, Campo Verde, Primavera do Leste, Nova Ubiratã, Diamantino,
Alto Taquari, Guiratinga, Santa Carmem e Porto dos Gaúchos.
O índice geral apontou desenvolvimento nas cidades de Lucas do Rio Verde,
Sorriso, Nova Mutum, Sapezal, Campo Novo do Parecis, Campos de Júlio, Campo
Verde, Primavera do Leste, Nova Ubiratã, Tapurah, Diamantino, Juscimeira, Alto
Taquari, Santa Carmem. Houve retração no município de Guiratinga, e Porto dos
Gaúchos.
Pelo exposto na evolução do cultivo de milho, e na criação de aves e suínos,
através da quantidade produzida, que é uma variável microecronômica e real de
análise envolvendo capital e mão de obra, pode-se verificar crescimento sustentável
na participação dos setores analisados no Produto Interno Bruto, que gera renda,
a qual é uma componente do Índice de Desenvolvimento do Local.
Por serem as atividades principais das regiões estudadas, as três atividades
se interagem entre si e com outras atividades ampliando ainda mais a participação
na dinâmica econômica e multiplicando a renda.
É muito difícil prever a dinâmica do sistema econômico. Em um ano ou outro os
municípios melhoram a posição no ranking, porém o mais importante é melhorar uma
ou outra variável, senão todas, entre um ano e outro. Emprego e renda, saúde e
educação se inter-relacionam mutuamente, sem uma relação funcional exata. Para obter
uma evolução na saúde da população uma boa alimentação seria um bom começo, que
melhora com o avanço do trabalho e renda.
Educação para desenvolver o corpo e a mente seria o próximo passo. O fluxo
circular da renda é o principal fator no crescimento e desenvolvimento e as atividades
que fornecem maiores contribuições são aquelas nas quais as regiões são especializadas
exercendo efeitos benéficos também para regiões vizinhas.
Quanto maior a especialização de um local em determinadas atividades maior a
contribuição para o crescimento do produto interno bruto e para o desenvolvimento
conforme posto pela teoria da aglomeração produtiva e da especialização. A
especialização de cada município é o principal propulsor do crescimento conforme visto
ao longo do trabalho, gerando mais emprego e renda. Isso não quer dizer que as outras
96
atividades não sejam importantes, pois vêm complementar mutuamente os setores nos
quais os municípios possuem maior especialização.
97
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A cultura do milho é cultivada em todos os municípios do estado, mas sua
produção está concentrada em cidades juntos aos principais eixos viários de
escoamento atraindo as agroindústrias de aves e suínos, formando aglomeração de
atividades em torno dessa atividade primárias, confirmando a hipótese
estabelecida inicialmente. O que mais influência a decisão locacional das
agroindústrias de suínos e aves é a cotação do milho, definida principalmente pela
escala de produção, e a maior proximidade entre o setor produtivo e a agroindústria e o
mercado consumidor.
Lucas do Rio Verde é o principal produtor do estado, possuindo expressivos
efetivos de aves e suínos, em constante evolução, dispondo de infraestrutura
logística, como a rodovia federal BR 163, que passa por todo o polo, além de outras
rodovias estaduais, além de uma rede de apoio público e privado, sendo um dos
principais municípios de um dos polos da aglomeração produtiva, e sua vizinhança
é composta por vários outros municípios dentro dos vinte municípios no ranking
do índice de concentração do milho, da mesma forma como o municípios de Nova
Mutum.
Campo Verde é o principal município do outro polo de aglomeração, que
envolve ainda os municípios de Dom Aquino, Primavera do Leste e Juscimeira, os
quais também estão dentro dos vinte municípios no ranking do índice de
concentração normalizado do milho. Por este polo passa a rodovia federal BR 070
além de outras rodovias estaduais, constituindo importantes eixos de escoamento
da produção. Conta também com outras instituições públicas e privadas de apoio à
aglomeração.
Na comparação com outras atividades nas vinte cidades, a cultura do milho
quase sempre obteve o segundo ou terceiro lugar em termos de valor de produção
medido em reais, vindo logo após a soja e o algodão. Em algumas cidades que
ocupou a terceira colocação em termos de valor da produção, medida em reais,
obteve a segunda colocação em termos de quantidade produzida, e outras
variáveis, superando o algodão. Dessa forma, é uma das principais culturas que
contribui para a formação de renda nos municípios em análise.
Considerando que aglomeração é um conjunto de cadeias produtivas que
envolvem atividades pré-porteira e pós-porteira, isto é, desde fornecedores de
98
matérias primas,
fertilizantes,
serviços veterinários,
etc.,
passando
pelo
processamento nas agroindústrias e agricultura familiar, e terminando pelos
distribuidores aos restaurantes e frigoríficos, supermercados, etc., a aglomeração
contribui para a formação do Produto Interno Bruto e para o crescimento do
Produto Interno Bruto per capita nas cidades estudadas.
Além de ser componente essencial para a nutrição animal, quando é
integrante essencial da ração de aves, suínos e bovinos leiteiros, a cultura do milho
representa expressiva geradora de divisas no Comércio Exterior, sendo um dos
principais produtos exportados nas cidades estudadas, e em Mato Grosso como um
todo.
A sinergia significa a união de vários elementos para executar a mesma função.
As economias externas, que se relacionam à possibilidade de se reproduzirem e
difundirem
localmente
conhecimentos
técnicos
e
qualificações
profissionais
especializadas confere vantagens competitivas aos integrantes da aglomeração.
A importância do milho não está apenas na produção de uma cultura anual, mas
em todo o relacionamento que essa cultura tem na produção agropecuária do estado de
Mato Grosso, tanto no que diz respeito a fatores econômicos quanto a fatores sociais.
Pela sua versatilidade de uso, pelos desdobramentos de produção animal e pelo aspecto
social, o milho é um produto com destacada importância do setor agrícola no Estado de
Mato Grosso.
Possuindo o setor agropecuário grande valor em reais nos polos geográficos
produtivos, conclui-se pela sua expressiva contribuição para a formação de renda e, por
conseguinte do índice de desenvolvimento do local, o qual reflete o desenvolvimento
como um todo da região. A cultura do milho é produzida em maior quantidade em
Lucas do Rio Verde, e chega a ser a primeira cultura em muitos municípios, mas outras
culturas também possui importância para o crescimento e desenvolvimento. Contudo, o
desenvolvimento é desigual devido à concentração de renda e às disparidades entre as
regiões.
Sugere-se para novos trabalhos a atualização dos dados do Índice de
Desenvolvimento Humano da PNUD/ATLAS, quando estiverem disponíveis para os
municípios, para se ter uma comparação com o índice da FIRJAN, o que representa uma
lacuna a ser preenchida no presente trabalho. Para o setor sugere-se a constante
integração com sistemas de apoio técnico científico e institucional, a busca da inovação
99
e treinamento, participação em palestras e seminários para aperfeiçoamento das cadeias
produtivas, buscando crescer e formar regiões mais desenvolvidas e menos excludentes.
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104
APÊNDICE
Tabela de Cálculo do Índice de Concentração Normalizado (ICN) dos 141 municípios
Município
Acorizal
Água Boa
Alta Floresta
Alto Araguaia
Alto Boa Vista
Alto Garças
Alto Paraguai
Alto Taquari
Apiacás
Araguaiana
Araguainha
Araputanga
Arenápolis
Aripuanã
Barão de Melgaço
Barra do Bugres
Barra do Garças
Bom Jesus do Araguaia
Brasnorte
Cáceres
Campinápolis
Campo Novo do Parecis
Município
Campo Verde
Campos de Júlio
Canabrava do Norte
Canarana
Carlinda
Castanheira
Chapada dos Guimarães
Cláudia
Cocalinho
Colíder
Colniza
Comodoro
Confresa
Conquista D'Oeste
Cotriguaçu
Cuiabá
Valor da
Produção
(mil reais)
60
565
931
3328
261
4893
1818
32152
317
20
6
990
195
470
37
264
51
1778
12629
3170
108
96290
Valor da
Produção
(mil reais)
90910
72945
367
515
240
294
5500
2207
34
410
2439
9576
2142
97
1305
160
PIB (mil
reais)
46077,28
248371
450143,1
726652,9
35307,4
219775,5
53307,09
499646,9
67722,74
38524,64
8801,714
210631,4
64282,73
192434,5
45453,38
372122,9
606462,3
54531,5
282213,1
713169,2
88439,71
1010235
PIB (mil
reais)
981027,8
443702,6
49203,17
253771,9
77509,01
68302,49
132122,4
93491,12
66939,07
292838,1
183706,3
198956,2
185167,8
22061,12
88697
7901160
QL
0,035438
0,061908
0,056286
0,124640
0,201175
0,605893
0,928130
1,751236
0,127387
0,014128
0,018552
0,127912
0,082554
0,066468
0,022153
0,019307
0,002289
0,887328
1,217844
0,120967
0,033234
2,593932
IHH
-0,0010411668
-0,0054581999
-0,0099516304
-0,0149010552
-0,0006607244
-0,0020290694
-0,0000897503
0,0087931138
-0,0013843931
-0,0008897380
-0,0002023661
-0,0043031501
-0,0013815857
-0,0042083823
-0,0010412144
-0,0085491427
-0,0141746355
-0,0001439351
0,0014402104
-0,0146859127
-0,0020029590
0,0377220606
QL
2,521914
4,474077
0,202989
0,055229
0,084267
0,117141
1,132886
0,642439
0,013823
0,038103
0,361316
1,309865
0,314814
0,119659
0,400407
0,000551
IHH
0,0349763500
0,0361105846
-0,0009186719
-0,0056165983
-0,0016627390
-0,0014126377
0,0004112992
-0,0007831117
-0,0015464567
-0,0065987152
-0,0027486099
0,0014442193
-0,0029721942
-0,0004549691
-0,0012458588
-0,1849927036
QL
PR
Padronizado
0,000038252
-0,652065
0,000360206
-0,630519
0,000593544
-0,635095
0,002121712
-0,579456
0,000166396
-0,517156
0,003119451
-0,187720
0,001159036
0,074577
0,020497977
0,744578
0,000202098
-0,577220
0,000012751
-0,669411
0,000003825
-0,665810
0,000631158
-0,576792
0,000124319
-0,613713
0,000299641
-0,626807
0,000023589
-0,662879
0,000168309
-0,665195
0,000032514
-0,679048
0,001133535
0,041365
0,008051411
0,310402
0,002020981
-0,582445
0,000068854
-0,653859
0,061388102
1,430524
QL
PR
Padronizado
0,057958171
1,371902
0,046504882
2,960943
0,000233975
-0,515680
0,000328330
-0,635956
0,000153008
-0,612318
0,000187435
-0,585559
0,003506434
0,241247
0,001407036
-0,157972
0,000021676
-0,669659
0,000261389
-0,649896
0,001554944
-0,386803
0,006105021
0,385306
0,001365597
-0,424656
0,000061841
-0,583510
0,000831981
-0,354984
0,000102005
-0,680463
cv
Curvelândia
Denise
Diamantino
Dom Aquino
Feliz Natal
Figueirópolis D'Oeste
Gaúcha do Norte
General Carneiro
Glória D'Oeste
Guarantã do Norte
Município
Guiratinga
Indiavaí
Ipiranga do Norte
Itanhangá
Itaúba
Itiquira
Jaciara
Jangada
Jauru
Juara
Juína
Juruena
Juscimeira
Lambari D'Oeste
Lucas do Rio Verde
Luciára
Vila Bela da Santíssima Trindade
Marcelândia
Matupá
Mirassol d'Oeste
Nobres
Nortelândia
Nossa Senhora do Livramento
Nova Bandeirantes
Nova Nazaré
Nova Lacerda
Município
Nova Santa Helena
Nova Brasilândia
Nova Canaã do Norte
Nova Mutum
Nova Olímpia
Nova Ubiratã
97
37
38723
15654
5836
360
2280
303
263
288
Valor da
Produção
(mil reais)
18040
153
39048
16150
1224
14566
14547
420
162
907
2448
915
14945
180
200710
29
2146
158
1566
243
1782
988
216
720
172
146
Valor da
Produção
(mil reais)
90
53
2074
118905
543
47524
25493,94
88633,31
735452,1
181746
105044,9
32256,01
70292,45
67043,68
27595,73
207352,4
PIB (mil
reais)
190505,9
34065,23
190054,5
88569,37
64466,46
462210,8
318236,5
62798,84
95121,83
294452,8
410160,7
69093,22
122895,2
68480,1
1045913
14042,51
167995,4
138436,1
210213,9
240783
166238,6
43148,68
74638,6
78438,11
21378,16
52642,31
PIB (mil
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Nova Xavantina
Novo Mundo
Novo Horizonte do Norte
Novo São Joaquim
Paranaíta
Paranatinga
Novo Santo Antônio
Pedra Preta
Peixoto de Azevedo
Planalto da Serra
Poconé
Pontal do Araguaia
Ponte Branca
Pontes e Lacerda
Porto Alegre do Norte
Porto dos Gaúchos
Porto Esperidião
Porto Estrela
Poxoréo
Primavera do Leste
Município
Querência
São José dos Quatro Marcos
Reserva do Cabaçal
Ribeirão Cascalheira
Ribeirãozinho
Rio Branco
Santa Carmem
Santo Afonso
São José do Povo
São José do Rio Claro
São José do Xingu
São Pedro da Cipa
Rondolândia
Rondonópolis
Rosário Oeste
Santa Cruz do Xingu
Salto do Céu
Santa Rita do Trivelato
Santa Terezinha
Santo Antônio do Leste
Santo Antônio do Leverger
São Félix do Araguaia
Sapezal
Serra Nova Dourada
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1127
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7
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Sinop
Sorriso
Município
Tabaporã
Tangará da Serra
Tapurah
Terra Nova do Norte
Tesouro
Torixoréu
União do Sul
Vale de São Domingos
Várzea Grande
Vera
Vila Rica
Nova Guarita
Nova Marilândia
Nova Monte Verde
Nova Maringá
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Produção
(mil reais)
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