DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL PERSPECTIVAS E DESAFIOS Brasília, 2007 © Copyright 2007, Tribunal de Contas da União Negócio Controle Externo da Administração Pública e da SAFS, Quadra 4, Lote 01 CEP 70042-900 – Brasília/DF gestão dos recursos públicos federais. Conteúdo disponível em: Missão Assegurar a efetiva e regular gestão dos recursos http://www.tcu.gov.br públicos em benefício da sociedade. É permitida a reprodução desta publicação, em parte ou no todo, sem alteração do conteúdo, Visão Ser instituição de excelência no controle e contribuir para o aperfeiçoamento da Administração Pública. Seminário Desenvolvimento de Infra-estrutura de Transportes no Brasil: perspectivas e desafios (2006 : Brasília, DF). Desenvolvimento de infra-estrutura de transportes no Brasil: perspectivas e desafios. -Brasília : TCU, 2007. 180 p. 1. Agência reguladora. 2. Política de transporte 3. Transporte.I. Brasil. Tribunal de Contas da União. II. Título. Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Ministro Ruben Rosa desde que citada a fonte e sem fins comerciais. PREFÁCIO O tema relacionado à infra-estrutura de transportes no Brasil, bem como à atuação dos gestores públicos tem sido objeto de deliberações recorrentes por parte da Corte Maior de Contas, em razão de sua missão constitucional de proceder à fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial nas unidades dos poderes da União e de zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos. A iniciativa de realização do Seminário, tendo como enfoque a infra-estrutura de transportes, é de grande importância, na medida em que tal evento não se restringe à divulgação das ações do Tribunal e demais entidades no que respeita ao tema transportes, mas tem por objetivo precípuo servir de instrumento capaz de apresentar um diagnóstico dos problemas enfrentados pelo setor. Trata-se de uma iniciativa inovadora e propositiva por parte do TCU: rediscutir o país, repensar os caminhos do seu desenvolvimento, diagnosticar problemas e oferecer soluções, tudo com a necessária contribuição de uma ampla diversidade de representantes da sociedade civil, de políticos e de agentes governamentais, notadamente os ilustres Ministros de Estado que dignificam o evento com suas presenças. Tenho a firme convicção de que a experiência e a expertise de todos os participantes tornará o encontro extremamente profícuo, contribuindo para o aprofundamento dos debates necessários à formulação de estratégias de atuação que contribuam efetivamente para a solução dos problemas por que passa a infra-estrutura de transportes no país, seja por meio dos mecanismos já existentes para a sua viabilização, que passam necessariamente pelo aumento no nível de investimentos, pelo estímulo à implementação das Parcerias Público Privadas, pelo fortalecimento institucional das agências reguladores, ou, sobretudo, pelo fomento de novas práticas de fiscalização, avaliação e atuação da gestão pública no setor de transportes. As freqüentes auditorias realizadas pelo Tribunal têm demonstrado o precário estado de conservação da infra-estrutura deste setor, em especial o rodoviário, o baixo nível de investimentos nos diversos modais, e têm contribuído não apenas para identificar as deficiências estruturais e na gestão dos recursos orçamentários destinados ao setor de transportes, mas também para indicar possibilidades e oportunidades de melhoria, sem olvidar a preocupação em oferecer respostas às demandas da sociedade, que exige e reclama eficiência no gasto público. Os desafios relacionados à melhoria e aperfeiçoamento do setor são muito grandes e exigem uma atuação firme e resoluta, com planejamento e principalmente aumento do nível de investimentos por parte do poder público, de forma a permitir a recuperação, expansão e interligação dos diferentes modais de transportes, possibilitando uma integração capaz de favorecer a logística, contribuindo para solapar eventuais gargalos e para permitir a correção de distorções históricas associadas tanto à precariedade da infra-estrutura em determinadas regiões quanto ao predomínio do transporte rodoviário em prejuízo de outros modais mais eficientes, dados os fins específicos de utilização a que se destinam, e que poderiam ser aproveitados em razão das condições peculiares de dimensão territorial do país, das disparidades econômicas regionais e dos recursos naturais disponíveis. O presente Seminário irá abordar, com a propriedade e a percuciência necessárias, os vários temas mencionados, auxiliando no diagnóstico dos problemas, e contribuindo na busca das soluções demandadas pela sociedade e no desenvolvimento do sistema de transportes no Brasil a partir de uma discussão ampla, envolvendo a visão de instituições públicas e privadas, a questão do planejamento, os mecanismos institucionais de viabilização de investimentos, as principais fontes de financiamento e os desafios institucionais para o desenvolvimento do setor. Ministro Augusto Nardes Coordenador do Seminário SUMÁRIO Introdução, 7 INFRA-ESTRUTURA DOS TRANSPORTES Desenvolvimento de Infra-Estrutura de Transportes no Brasil Perspectivas e Desafios, 11 Importância da Intermodalidade, 26 Visão do Tribunal de Contas da União - TCU, 38 PLANEJAMENTO DO SETOR DE TRANSPORTES Contextualização do tema, 51 Planejamento Governamental, 55 Integração do Planejamento - visão dos Estados, 73 Integração do Planejamento - visão dos usuários, 88 Integração do Planejamento - visão dos usuários, 95 MECANISMO DE FINANCIAMENTO PARA O SETOR DE TRANSPORTES Contextualização do tema, 109 Atuação do Ministério das Cidades, 113 Alternativas de Financiamento, 123 Alternativas de Financiamento, 126 Alternativas de Financiamento, 131 DESAFIOS INSTITUCIONAIS PARA O DESENVOLVIMENTO DO SETOR DE TRANSPORTES Contextualização do Tema, 139 Questão Ambiental, 143 Missão do Orgão Executor Governamental Federal, 149 Desafios regulatórios: Visão dos investidores, 163 Desafios regulatórios: Visão dos reguladores/ANTT, 175 INTRODUÇÃO É com grande satisfação e orgulho que o Tribunal de Contas passa a sediar, a partir de hoje, este Seminário sob o tema “Perspectivas e Desafios ao Desenvolvimento da Infra-estrutura de Transportes no Brasil”. Primeiramente, gostaria de parabenizar o Ministro Augusto Nardes pela iniciativa, que se mostra oportuna, por envolver tema de extrema relevância e que vem recebendo grande atenção da sociedade. Não posso também deixar de agradecer ao Governo Federal pela parceria, prestigiando o evento com a participação de renomados colaboradores, com destaque para a Ministra-Chefe da Casa Civil da Presidência da República, Dilma Rousseff, aqui presente, que atendeu prontamente ao convite desta Corte para apresentação de palestra. Esse manifesto interesse pela troca de idéias, demonstrado por vários atores da sociedade, vai permitir fomentar o debate sob diferentes pontos de vista, contribuindo, em conseqüência, no sentido da busca dos melhores caminhos para solucionar os problemas existentes nesse setor. A dimensão da importância deste seminário pode ser aquilatada se tivermos em mente que o equacionamento das questões dos transportes no Brasil constitui-se em um dos pressupostos basilares para assegurar a retomada do crescimento sustentado da economia nacional. Decerto, um bom planejamento para o setor, além de prever a ampliação da infra-estrutura, removendo uma série de gargalos hoje existentes, deve vislumbrar mudanças estruturais significativas na matriz de transportes. A implementação da estrutura rodoviária, priorizada desde meados do século passado, revela-se atualmente insuficiente e precária. O Brasil, para ganhar competitividade, precisa consolidar e desenvolver uma malha de transportes que permita aos seus usuários disporem, em seus planos de logística, da combinação de diferentes modais, atuando de forma integrada, a partir de um planejamento realizado sob uma visão sistêmica. Entre outras soluções, deve-se avaliar a ampliação da malha ferroviária, mais adequada para o transporte de cargas a longa distância, e a modernização dos portos, essenciais para reduzir o custo Brasil e elevar a capacidade exportadora do País. Para viabilizar o desenvolvimento do setor de transportes, conta o Governo Federal com diversos mecanismos, entre eles, as concessões e as parcerias público privadas, ressaltando-se, nesse particular, que a atratividade dos empreendimentos ao capital privado deve ser assegurada por fontes de financiamento capazes de alavancar os novos investimentos. Mais importante ainda é o estabelecimento de um cenário institucional de estabilidade. Há inúmeros desafios a serem enfrentados, como a consolidação tanto de marcos regulatórios para o setor quanto de carreiras de Estado com especialistas de alto nível e em número suficiente. Faz-se necessário reforçar ações no sentido de aumentar o aprimoramento técnico das agências reguladoras e a coordenação institucional, com vistas a dar soluções adequadas às diversas restrições ao desenvolvimento do setor, entre as quais cito, como exemplo, as questões ambientais. Assim, seja para planejar os investimentos no setor, seja para realizar obras, ou para ser capaz de induzir o investimento privado, o Estado Brasileiro precisa se aperfeiçoar. De igual forma, o Tribunal de Contas da União, atento a essa necessidade, tem envidado esforços no sentido de aprimorar seus procedimentos. Estas palavras, senhores, constituem-se no ponto de partida para o seminário que ora se inicia. Espero que o resultado das discussões a serem estabelecidas neste fórum possa redundar em reais benefícios para a sociedade brasileira. Muito obrigado e bom proveito a todos! Ministro Guilherme Palmeira Presidente do TCU (set/dez 2006) Discurso de abertura do seminário do qual esta publicação é resultante. INFRA-ESTRUTURA DOS TRANSPORTES Ministra Dilma Roussef. Ministra-Chefe da Casa Civil da Presidência da República. to econômico é o investimento, tanto público quanto privado. E no caso específico dos transportes, investimento é pré-condição para prover a logística da produção de bens e serviços do país. O compromisso do governo do presidente Lula se dá com um crescimento com estabilidade, porque essa questão da estabilidade DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL PERSPECTIVAS E DESAFIOS foi uma conquista desses quatro anos de governo. Conseguimos estabilizar a taxa de inflação, mais que cumprir as metas inflacionárias, assegurar ao país uma situação de robustez fiscal e garantir que as fragilidades externas características do país nos últimos anos anteriores aos quatro anos que nós estamos governando se tornasse uma distante situação. Hoje, a situação externa do Brasil permite que nós tenhamos não só saldado a dívida com o Fundo Monetário e o Clube de Paris, mas tenhamos uma situação de reservas extremamente confortável nos aproximando dos principais países emergentes. Temos oitenta bilhões de Do ponto de vista do momento atual nada mais oportuno para nós dólares de reservas, e asseguramos a estabilidade inflacionária do governo do que discutir a questão da infra-estrutura de transportes. e robustez fiscal, fazendo sistematicamente nos últimos quatro Primeiro porque os próximos quatro anos apresentam-nos um desafio que anos superávit primário de 4,25 %. Com isso superamos uma si- é, de fato, resolver a questão do aumento do volume de investimento e da tuação que também vinha de antes, ou de déficit ou de superávit qualidade do gasto público. No que se refere ao setor de logística, é uma insuficiente. E é isso que nos dá margem de manobra, hoje, para questão estratégica que nós asseguremos que o investimento será uma buscar um novo patamar de discussão, que é o patamar que ten- realidade no País, pois sabemos que o fator determinante do crescimen- ta agora equacionar a questão de assegurar investimentos com 11 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO 12 distribuição de renda e, obviamente, com educação de qualidade, Nos próximos quatro anos sairemos de uma situação de sufoco pois temos assim como nossa necessidade de acelerarmos no que se refere condições hoje de almejar a reconstituição da capacidade de planejamento a ciência e tecnologia. Mas, voltando a questão de infra-estrutu- do governo brasileiro no que se refere a logística de transporte, até por- ra, o governo, nos últimos dias tem feito um balanço da sua expe- que essa não é uma característica exclusiva desse setor, é uma questão riência e, ao mesmo tempo, uma avaliação crítica dessa mesma intersetorial, interministerial, transversal, na medida que ela viabiliza as experiência no sentido de viabilizar novos patamares para os pró- condições de crescimento para a indústria, para a agricultura, para a ex- ximos anos. E, algumas questões, no caso do transporte, eu acho portação, para o mercado interno e para toda circulação de bens, serviços que devem ser ditas preliminarmente. Sem dúvida tem razão o e pessoas. Esta é talvez, em termos estruturais, junto com todas as avalia- senador Renan Calheiros quando diz que a peça orçamentária, no ções de gestão no que se refere a portos, ao próprio DNIT e às estruturas que se refere a investimento está um tanto quanto ultrapassada ministeriais, uma das questões centrais na nossa, eu diria, avaliação mais uma vez que ela pensa investimento num horizonte não compa- interna, mais governamental da nossa própria ação. De outro lado, é bom tível com o desenvolvimento das próprias obras. Nós temos de situar as condições nas quais nós assumimos o governo. Tínhamos uma transitar de uma situação de investimento totalmente anualizado malha que estava em condições bastante precárias. Sobreposto a isso nós para uma situação de orçamento de investimento plurianual, até tínhamos exigências nítidas, gargalos absolutamente claros no que se re- porque a duração do investimento, sobretudo nas grandes obras fere a necessidades de adequações e de expansão. Quando assumimos necessárias ao país, ultrapassa o horizonte do ano orçamentário. o governo a inflação estava em quase dois dígitos, tínhamos uma situa- É um importante conceito. É preciso definir com clareza quais são ção fiscal extremamente apertada e ainda uma grande fragilidade exter- aquelas obras que são compromisso do país, que têm horizonte na. Essa situação nos obrigou a uma restritíssima margem de manobra no de financiamento, que vão ser feitas, que definem características que se refere a investimentos públicos, restritíssima, que foi se ampliando também para as decisões de investimentos privados. Nós temos ao longo do tempo. O problema é que a gente só lembra do último ano, tido uma ponte no que se refere a isso que foi o chamado pro- esquecendo que houve momentos em 2003 que a capacidade de investi- grama piloto de investimentos que há muito deixou de ser piloto mento público do estado brasileiro era absolutamente exígua. Por que hoje e passou a ser programa prioritário de investimentos. Piloto foi nós podemos falar diferente? Porque mudamos a realidade, porque foram no primeiro ano e agora ele tem essa característica de sinalizar quatro anos que permitem que nós hoje tenhamos a possibilidade de ter quais são os investimentos que o governo considera estratégicos uma nova visão dos próximos quatro. E é essa visão dos próximos quatro nos próximos anos e não passíveis de nenhuma ação de contin- anos que, em linhas muito gerais eu vou externar aos senhores no que se genciamento. Eu acredito também que uma outra questão geral refere à rodovias, ferrovias, hidrovias e portos. A questão dos aeroportos antes de eu começar a minha apresentação deve ser sinalizada. eu pediria para os senhores para ficar para outra oportunidade porque ela Nós somos um dos poucos países que, infelizmente, destruiu sua tem aí outras características, outra regulamentação e outro marco regula- capacidade de planejamento na área de logística. Em outras áre- tório. Vou começar a minha apresentação sobre a visão geral dos próximos as também destruímos a capacidade de planejamento, mas ago- quatro anos, ainda em fase de depuração e de avaliação e, necessaria- ra estamos reconstruindo. O caso da energia elétrica é exemplar. mente, o ministro Paulo Sérgio vai fazer uma apresentação mais detalhada nosso objetivo estratégico é reduzir os custos logísticos para garantir a competitividade do conceitos. E todas as obras que aparecerem setor produtivo, tanto do segmento exportador quanto ao que se refere ao mercado inter- são obras que nós contemplamos como fun- no. O Tribunal de Contas tem um grande papel ao possibilitar a discussão dos custos logís- damentais, mas não esgotam o planejamento ticos do país. E por que essa discussão? Ora, estamos passando da fase da carência para a do setor. Elas ilustram a minha apresentação, fase do investimento, e o investimento é algo fundamental para definir o tamanho do Custo que está dividida em duas partes: o programa Brasil. As condições de competitividade do setor são garantidas por menores custos logís- de intervenção e modelo de financiamento. ticos. Isso implica cuidar de mercados oligopolistas, evitar a formação de cartéis, impedir o conluio e garantir que os custos do país na área de logística sejam os menores possíveis. E é preciso ter uma visão voltada não só para a logística no país, mas também para a modicidade tarifária. São dois vetores. Você garante a logística mas você tem de garantir também a modicidade tarifária porque se trata, também, do custo país. O custo logística é um custo que entra na competitividade dos nossos produtos e é uma das questões-chave. Bom, esse objetivo vai ser alcançado através de algumas ações estratégicas. A primeira ação é a ação de recuperação e adequação da capacidade de infra-estrutura de transportes. Ou seja, o que fazer com a malha existente. No que se refere aos diferentes modais nós temos a contratação de serviços DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO sobre isso. A minha são grandes traços, mais de recuperação, adequação e manutenção da capacidade dos eixos rodoviários estruturantes. Aqui temos estruturados e estruturantes pelo seguinte: nós temos de sair da fase em que não se contrata porque você não tem planejamento nem projeto. Isso é uma verdade nesse país e não se faz, não se desmonta planejamento impunemente. Quando se desmonta a capacidade de um país de planejar, se desmonta também a capacidade do país ter portfólio de projeto. E não se faz isso impunemente. Para você recuperar o desmonte de uma determinada máquina de planejamento, que tem uma função de estado e não só de governo, são necessários mais de cinco, seis anos. Por que? Porque hoje a legislação exige para cada projeto não só estudos ambientais como também estudos de viabilidade técnico-econômica e, para se aproximar mais da eficiência, projetos básicos. No caso da logística, estudo de tráfego. No caso da logística, um conjunto de pré-requisitos para se fazer um investimento. E o que aconteceu ao longo dos anos? O que aconteceu ao longo dos anos é que o planejamento foi sendo desmontado, desde 97. A gente tinha um GEIPOT, com todos seus erros, mas tinha um planejamento. Pergunte se o Ministério dos Transportes do Estados Unidos alguma vez abriu mão do planejamento e No que refere ao programa de in- da intermodalidade. Não abriu. E é a maior economia de mercado do mundo, como não abriu tervenção, que é na verdade uma tenta- também no setor de energia elétrica. Entrem nos sites respectivos e vocês verão planejamento tiva de consolidar o programa de obras, o para 2030. Nós agora voltamos a planejar em longo prazo, principalmente no que se refere a 13 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO energia e estamos caminhando para fazer isso na área de transportes. Esse é o grande desafio desse segundo movimento do governo. Por que? Porque bons projetos implicam necessariamente em bom planejamento, implicam em eficácia, eficiência e efetividade do gasto. Acho que seria interessante nós avaliarmos as conseqüências de quase sete anos antes de nós, sem planejamento, sem estoque de projeto. E nós todos tendo de correr atrás porque, caso contrário, teríamos situações extremamente catastróficas no país. Esta é a pura realidade do que aconteceu. Por isso que para nós é central recuperar a capacidade de planejamento, de estoque de carteira de projetos e discussão de prioridades. Nós não podemos, não iremos ficar a reboque de intervenções pontuais. A nossa visão tem de ser uma visão integrada e os investimentos para serem maximizados têm de ter essa integração. Neste caso específico que é a recuperação, adequação e manutenção, isso representa intervenção sobre a malha já existente. Então, significa como garantir que isso seja feito num determinado horizonte de tempo e não através de obras pequenas, mas com contratos de maior tempo que sejam mais econômicos para o país. Basicamente, esse mapa mostra toda a rede que tem de ser mantida, conservada, recuperada e adequada. A linha azul é concedida e os eixos estruturantes são todos os eixos , incluindo as linhas verdes, que dão um retrato do que ocorreu nos últimos tempos. Nós fizemos dois movimentos aí: um que apresentarei depois, que foram as duplicações que fizemos; em outros, nós fizemos terceira via, mas o grosso do nosso esforço foi 14 também a manutenção que vinha, há muito, da capacidade de ferrovia nós estamos basicamente enfatizan- ximativo que chamamos de valor índice, um valor de referência, sem uma do algumas questões. Ali na variante Ipiranga-Guarapuava, por avaliação profunda nem estudo de viabilidade pronto e acabado, muito exemplo, no Paraná, nós estamos estudando o reequilíbrio eco- menos projetos básicos. Mas nós calculamos que nisso, nesses próximos nômico-financeiro do contrato, posto que faz parte de um trecho quatro anos, em média, aproximadamente – pode ser um pouco mais, um que já foi concedido e que no contrato de concessão não contava pouco menos – nós iremos gastar doze bilhões de reais. essa variante. Portanto, para fazer a variante terá necessariamente de ser estudado o reequilíbrio econômico-financeiro do contrato - isso nós calculamos, também é aproximativo, ninguém pode achar que é esse o contrato, não há estudo de viabilidade - aproximadamente quinhentos milhões de reais, só para cálculo de referência. Em seguida, o acesso ali ao Porto de São Francisco do Sul, em torno de cento e cinqüenta milhões. O acesso já está no PPI. Mais cima, o Ferroanel, o trecho norte de São Paulo, que está acertado com o governo do estado e também está sendo objeto de estudo do BNDES e possivelmente também haverá ree- DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO parada. Nós estamos calculamos um gasto para essa área, um valor apro- quilíbrio econômico-financeiro do contrato porque é muito parecido; a situação legal institucional é muito parecida com a variante Ipiranga-Guarapuava. Mais em cima nós temos ali, ligando o Triângulo Mineiro à região metropolitana de Belo Horizonte, também com reequilíbrio econômico-financeiro do contrato, esse trecho em amarelo. E, acima, o Recôncavo Baiano, também no PPI, que são vários trechos que também ligam a ferrovia a portos, no caso ao Porto de Aratu. Essa questão da manutenção, adequação das ferrovias, monta a dois bilhões de reais. Vamos voltar ali para outra ação estratégica que é a construção de variantes rodoviárias de contorno a segmentos críticos nos corredores ferroviários. No setor ferroviário, corresponde à mesma questão de assegurar, melhorar e manter os eixos existentes. Em termos de ferrovia, o Brasil não tem a malha que deveria ter. Nesse contexto da recuperação e adequação 15 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO A próxima ação estratégica é a ação para expansão da infra-estrutura de transpor- 16 Trata-se da contratação de serviços estruturados de recuperação, manutenção, adequa- tes. Nesta área nós temos vários problemas. ção da capacidade dos portos. Diz respeito fundamentalmente a dragagem. Nós temos portos Como em qualquer investimento, há proble- delegados e portos federais, mas a obrigação do governo é, mesmo nos portos delegados, fazer mas de projeto, de licenças ambientais, mas a dragagem. Nós estamos, portanto, trabalhando em todos esses portos com uma avaliação aí eu acho que com menos gargalo que qual- referência, em torno de um bilhão e meio de reais para dragagem. Incluindo também acessos quer outro setor. Muitas vezes a licença am- rodoviários, ferroviários, ampliação da capacidade, teríamos em torno de dois e meio bilhões biental independe do estudo de viabilidade, de reais. Esse é o nosso cálculo para o orçamento de logística para a área de manutenção. do projeto básico. Acho que aqui teve um país. Eu dou um outro exemplo, em outra área, ocorrido recentemente. O judicialização de licitações. A licitação é ganha por um, há um gasoduto no norte do país. Manaus que tinha quase três mil trabalhadores processo na Justiça. Nesse ponto eu gostaria de fazer um agra- no campo, é uma obra complicada porque não pode ser feita em época de decimento de público ao Exército porque sem eles, por exemplo, chuva e nós tivemos uma suspensão também através de uma liminar que, a 101 Nordeste ainda estaria no papel se nós fossemos esperar graças a Deus, foi cassada pela justiça. Então, há situações em isso ocorre a solução do processo judicial. Caso o Exército brasileiro não ti- e de fato causa um problema bastante desagradável. vesse atuado, se capacitado e com muita competência realizado os investimentos na 101 Nordeste – eu estou dando a 101 como exemplo, houve outras intervenções do Exército no caso da logística no Brasil, mas essa eu acho que é exemplar – nós não teríamos dado solução ao problema. Nós tivemos um período de quase um ano, um ano e meio em que houve essa pendência judicial. Então, nós temos de ter clareza que todos esses elementos criam uma descontinuidade de investimento muito grave no Brasil e nós teremos de discutir essa questão se quisermos ter também DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO problema sério, que nós vamos ter de enfrentar que chama-se estabilidade regulatória. Porque estabilidade regulatória também implica em, eu não digo coibir o direito de defesa, eu acho que o direito de defesa é uma questão intrínseca, uma cláusula pétrea da democracia, mas também significa uma presença muito grande das autoridades judiciárias no sentido de equacionar certos problemas ou de se propor uma ação mais ágil no que se refere ao julgamento de certas questões. Porque a judicialização de uma obra pode interrompê-la por mais de um, dois, três anos. Os investidores privados também têm de ter um certo consenso no sentido de que não se pode simplesmente paralisar judicialmente um empreendimento por discordar de algumas regras que supostamente lhes prejudicam ou que atrapalhem seu fluxo ou suas expectativas de investimento. Nessa questão todos nós somos responsáveis, não só o executivo, porque caso contrário nós não conseguiremos também cumprir cronogramas de obras em nosso 17 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO que a duplicação ainda está em andamento como eu me referi anteriormente; o contorno de Vitória; o arco rodoviário do Rio de Janeiro; a BR 101 ali no Rio de Janeiro; aquela ligação em Goiás e em Minas Gerais e mais abaixo a BR 116. Essa parte está concedida mas é a Serra do Cafezal a que estamos nos referindo, e a BR 101 Sul, bem assim a 392 lá embaixo. Seriam essas as principais obras estruturantes. Elas montam também um total estimado por quatro anos de doze bilhões de reais. O nosso mapa sobre a construção de novos trechos rodoviários de contornos e variantes é este aí e nós temos os velhos eixos estruturantes que estão em preto, bem como as rodovias concedidas que entram dentro destes eixos estruturantes. As principais novas intervenções, vamos dizer, as grandes e principais intervenções - podem entrar outras - mas das que nós hoje estamos considerando, posso citar a 163 como um todo, um eixo de escoamento de produção. Paralelamente a ela a 158 que trata de outra região produtiva, a 319 e a 364. Eu diria o seguinte: na região Norte – Centro-sul temos grandes eixos de estruturação, tanto da produção da agroindústria brasileira, como será da agroenergia brasileira, como também, em alguns casos, da produção de minerais ou alternativa a escoamento de produtos minerais. A BR 101, 18 considerada por nós nas obras prioritárias. Estaria esse total de empreendimentos incluído na previsão de doze bilhões de reais. Como os senhores vêem esse exercício é um exercício muito mais de montante, de estimativa de volume e prioridade de investimento. O que os senhores verão na exposição do Ministério dos Transportes, em outro painel, será mais circunstanciado do que isso. A presente exposição trata do ponto de vista do planejamento estratégico do governo, porque o governo está pretendendo ter uma lista de obras prioritárias. Esta lista de obras prioritárias terá um tratamento institucional completamente diferenciado e é isso que nós estamos tentando fazer, um exercício, tentativamente elaborado no horizonte de quatro anos acerca do que o que país precisa ter pronto e feito. Na seqüência, o mesmo para ferrovia, os novos trechos DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO te. A Bahia Oeste é ainda a menos clara nessa história, mas ela está sendo ferroviários especialmente na zona de expansão da fronteira agrícola. Esses novos trechos basicamente dão conta da fronteira agrícola, como os senhores podem ver os pontos que estão sob Mato Grosso, alcançando Goiás e Tocantins. Então, esses prolongamentos seriam principalmente penetrações na fronteira agrícola, expansões para viabilizar de forma mais produtiva e eficiente o escoamento da produção. E aí eu acho importante destacar a Ferronorte Cuiabá, esse trecho da ferrovia Norte-Sul , esse outro que é o trecho que nós estamos atuando e esse que é um trecho que seria importante para o escoamento graneleiro do Mato Grosso. Esse trecho que tem por finalidade aumentar a competitividade nessa área que é aquele trecho entre Açailândia-Belém, em cima, basicamente um trecho fundamental pra assegurar a competitividade e o livre acesso no Brasil e a Transnordestina, de Elizeu Resende e ligando portos como Suape, Pecém e Itaqui. E há também a ferrovia litorânea de Santa Catarina e a Bahia Oes19 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO Trata-se da construção de novos terminais portuários. Basicamente são os em vermelho, dos quais posso citar o terminal de Santarém, que é a saída da 163, lá em cima; o Espadarte, que é uma saída para o mar; o terminal de Barra do Riacho, em Vitória, que equivaleria a um outro terminal em Vitória; a duplicação do Porto de Santos ali em Barnabé Bagres. Então, creio ter falado os quatro que nós consideramos essenciais nesse período (4 anos), totalizando cinco bilhões de reais. No que se refere agora a ações para ampliação, modernização e adequação das estruturas operacionais também nesta área de transportes, eu vou fazer um passeio para dar mais elementos de planejamento estratégico do que de execução operacional. Bom, modernização das estruturas operacionais. Qual é o nosso objetivo estratégico nessa 20 Bom, vamos para a expansão da infra-estrutura de marinha mercante. Sobre o tema, questão, qual é o nosso foco? É criar uma posso exemplificar a ampliação do nosso longo curso de cabotagem com apoio marítimo à estrutura de serviços competitiva e com pa- navegação fluvial e construção e modernização de estaleiros. Investimentos: as prioridades drões de desempenho adequado, ou seja, nós concedidas a partir de 2003 foram para construirmos embarcações e seis estaleiros, além de não podemos aceitar práticas de gestão na modernizar um estaleiro. 46 embarcações estão em andamento, a construção de um estaleiro área de logística que não sejam modernizan- também e a referida modernização estão contratadas e com prazo de entrega em até três tes, competitivas ou sem gestão corporativa. anos. Cento e oitenta e cinco estaleiros estão com pedido de financiamento em análise no Então, há uma série de modificações que se- BNDES para fins de enquadramento e foi aprovado um programa de R$ 8,7 bilhões para os rão tratadas à parte, que são outras questões. próximos quatro anos nesta área. Neste caso aqui nós estamos falando de algu- Bom, eu vou falar em linhas gerais so- de uma concessionária ferroviária na malha da outra e permitir a operadores independentes bre os modelos de financiamento. Hoje, nós acesso à malha ferroviária. Aí nós estamos falando eminentemente de igualdade de competi- temos o PPI, que é um programa essencial ção e de diminuição de custos logísticos porque é custo logístico também o bloqueio ao livre porque é inadmissível que a gente faça certos acesso; é um imenso custo logístico para o país o bloqueio de livre acesso. Segundo, um grande projetos, por exemplo, o governo estudou a desafio operacional é ampliar a oferta de transporte marítimo de cabotagem, pela eliminação PPP da 163, só que a PPP da 163 implicava, de barreiras na entrada e por estímulos criados pelo fundo de Marinha Mercante. Hoje, há uma para ser viável, tarifa de R$ 900. Para o produ- queixa generalizada a respeito também da questão da cabotagem. Tanto o setor da cabotagem tor de soja que hoje desce até o Paraná para tem as suas razões e a sua fundamentação técnica e tem de ser ouvido quanto também há escoar seu produto isso era vantajoso. Agora, outras intervenções que podem ampliar a capacidade e isso vai ser perseguido pelo governo. não se faz uma PPP de uma estrada para um Nós detectamos nisso uma grande questão de entrave operacional. A questão do sistema de segmento econômico, se faz para o conjunto fiscalização dos veículos nas rodovias é fundamental também porque uma parte da deteriora- da sociedade. E, portanto, para o conjunto da ção das rodovias é devido ao transporte de grandes cargas e, sem um sistema de fiscalização sociedade uma PPP com tarifa de R$ 800 não da circulação de veículos e de pesagem da Polícia Rodoviária Federal, por exemplo, fica muito é competitiva, não é viável. Por que isso acon- difícil se tratar dessa questão. Então também na questão operacional esta foi considerada uma tece? Como a 163 ainda não existe, o merca- lacuna. Também é importante criar terminais de uso público para grupos não proprietários de do potencial dela é uma incógnita, pode ser terminais portuários privados, democratizando o acesso à logística de portos no país. imediato para a área de cereais, de grãos. DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO mas modernizações mais institucionais e regulatórias. Exemplo: garantir o direito de passagem Os demais mercados podem inclusive ter um incremento na hora em que ela passa a ser ofertada. Então, ela é um caso típico de obra pública. Por que ela é obra pública? Por que a PPP nesse caso não é adequada. Porque é um caso de oferta na frente da demanda, é típica de obra pública. Onde já tem mercado e a obra pode se pagar aí você pode considerar PPP ou concessão. Mas esse caso da 163 eu digo que é exemplar porque também nós aprendemos, é fundamental que se tenha capacidade de fazer essas distinções. Uma estrada que 21 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO 22 é estruturante de um mercado não existente sinergias em busca da integração e interação nem nós podemos fingir que transferimos mas potencial tem mais cara de obra públi- entre os projetos e projetos com forte poten- nem é possível que o estado finja que rece- ca do que de PPP ou de concessão. Então, do cial para gerar retorno macroeconômico. É be, porque fica uma situação que são aqueles ponto de vista do investimento público, nós isso que é o foco do PPI, que é um programa chamados buracos negros que o país tem por tratamos programa-piloto de investimento e prioritário e é para isso que ele foi feito. iniciativas feitas de forma incompleta. Trata- programa de descentralização da infra-estru- se da recuperação, conservação e melhoria tura e parcerias com a iniciativa privada que, de rodovias que não tenham funções estru- é modelo de parceria PPP ou concessão para turantes do ponto de vista nacional e regional o sistema rodoviário, ferroviário e portuário. porque você não vai transferir para o estado Eu não citei aí as situações de desequilíbrio uma rodovia regional que abarca mais de um econômico-financeiro do contrato porque ela estado e que tem caráter estruturante para é mais do sistema ferroviário do que de todos a economia nacional independente da ação os outros, mas entra na questão da conces- do estado. O estado é mais condizente com são. São esses os modelos de financiamento. as ferrovias mais estaduais, até pelos pesos Na verdade é a PPP, falando assim em lingua- diferenciados de um e de outro. E pela ma- gem mais simples, são a PPP e a concessão o nutenção, recuperação e desenvolvimento segundo item (Programa de Descentralização da estrutura portuária voltada para o atendi- da Infra-estrutura). Então o investimento pú- Trata-se do programa de descentralização mento local também. É assim que se transfe- blico é isso, e a parceria com o setor priva- de infra-estrutura. Houve no passado transfe- re. Não se vai transferir portos estruturantes do refere-se aos três itens que nós estamos rências de estradas do governo federal para porque o custo dele é muito maior. É neces- formatando no sentido de precisar para cada os governos estaduais, mas feita de uma for- sário elaborar planos de sustentabilidade da uma das obras a sua adequação. O PPI, todos ma que não era muito sustentável. Então, nós infra-estrutura transferida de forma a reduzir sabem, qual é o critério de enquadramento, é colocamos alguns critérios para se ter um gradualmente as transferências financeiras para os principais gargalos de infra-estrutura programa de descentralização, ou para recu- federais respectivas. Foi o que nós fizemos, e de logística, ações que viabilizam a com- perar esse programa existente ou para até por exemplo, com uma infra-estrutura que petitividade do país e conclusão de projetos ampliá-lo. Se vai transferir infra-estrutura, não está aí, que é a dos metrôs. Nós não acei- em andamento. O PPI tem esse compromis- não é para transferir de mentira, é transferir tamos transferir, concluir metrô sem que a so de manter a plurianualidade, ou seja, obra em caráter irretratável e irrevogável e asse- companhia do metrô assumisse a operação e que ainda não foi concluída, manutenção e gurar que, quando se transfere, se transfere a manutenção. Porque senão fica uma relação recuperação da infra-estrutura existente, as com condições de sustentabilidade. Porque de muita desigualdade, muito desequilíbrio. DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO As PPPs são um grande instrumento porque viabilizam ou podem viabilizar tanto rodovias existentes (e a gente aí diminui, minimiza o preço tarifário, uma parte a União cobre, outra parte o estado ou o usuário paga e isso evita ônus adicionais para os usuários, reduz preço das obras pela ampliação do leque de fornecedores) quanto reduzir a exposição do Poder Público a risco de investimento, garantindo, também agilidade na implementação empreendimentos. Agora, esses projetos têm de ser bem escolhidos porque a gente não pode tentar vestir a roupa de PPP num projeto, por exemplo, como a 163. É incorreto, desperdício. O instrumento, ao invés de ganhar força, perde força. Então, é muito melhor fazer um projeto muito bem Nos portos uma das questões essen- adequado à PPP do que forçar, até por falta de recursos para se fazer projetos não adequados. ciais é a subconcessão de serviço de draga- Então, essa diferenciação entre PPP e concessão é muito importante. No que se refere às PPPs gem. Você tem um porto público, mas você para ferrovias, há alguns modelos. Temos também a questão do reequilíbrio do contrato de pode dentro do porto público, que é uma con- concessão porque as rodovias estão concedidas, tem a questão da concessão, isso tanto para cessão pública, fazer uma subconcessão e fa- a malha ferroviária como também para a malha rodoviária. Nós não colocamos aí para a malha zer um contrato de longo prazo para serviço rodoviária porque ela é mais óbvia. A malha ferroviária é a que está começando. E os meca- de dragagem. Pode fazer também até para nismos tradicionais de financiamento que nós temos usado são as linhas do BNDES, os fundos operação do porto como em outros momen- constitucionais e a renúncia fiscal. tos se fez. E a exploração dos ativos não ope- 23 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO 24 racionais, ficar atento a projetos do tipo da Vou citar também as questões das não surgem gargalos, o país perde competiti- revitalização do Porto Madeira, em Nova York, ações estruturais de gestão, que são, eu diria, vidade. Agora, ela é um grande acelerador do e venda de ativos que não tenham nada a ver estratégicas, como a retomada do planeja- crescimento econômico, como elemento de com o porto e que estão lá atravancando, que mento integrado dos transportes, a moderni- investimento público e privado, pelos volumes não servem para nada em termos da operação zação e a capacitação profissional do DNIT, e que ela representa, tanto no que se refere à portuária. Há alguns casos em que isso existe. o novo modelo de gestão de todos os portos área de energia (a Petrobrás vai investir qua- Eu queria destacar uma grande contribuição no Brasil. Está bem resumido aí porque é algo renta e quatro bilhões de reais o ano que vem; da lei de concessão, que foi uma alteração: a ser muito mais aprofundado. Eu dei as man- todas as hidrelétricas que implicarão também são os chamados stepping rights, isto é, o di- chetes. Eu queria concluir dizendo que obvia- em investimentos volumosíssimos), como reito do financiador de assumir o controle do mente isso não esgota a questão na área de também na área de logística como nós vimos parceiro privado no caso do inadimplemento infra-estrutura. Eu falei de um pedaço dela e aqui, além de aeroportos. Existem áreas que ou queda dos níveis de retorno a patamares ainda falei de maneira geral. Nós temos tido também têm de ser consideradas quando se que comprometam o cumprimento de obriga- no governo, nos últimos dias, uma discussão fala de infra-estrutura, como a rede de teleco- ções futuras. Na verdade, isso é o direito de bastante forte a respeito de como que nós va- municações do país ou a rede de informática, entrar na concessão. Foi aprovado na lei de mos tratar esta questão da infra-estrutura em a rede de internet, a nossa capacidade de in- concessão e inserido pela MP do Bem. Ele au- geral, que tem problemas os mais variados. clusão digital, que não é uma banalidade pois menta a garantia do investidor, dando uma Nenhum deles, vamos dizer o seguinte, cria- implica numa modificação das práticas da pro- garantia suplementar. dos pela legislação vigente. Há alguns que dutividade do país, da produtividade do setor podem ser mudados sem mudar a legisla- público, sobretudo da capacidade das nossas ção. Podem ser alterados alterando a gestão. crianças e jovens de ter acesso a uma edu- Mas é inequívoco que o Brasil precisa fazer cação de qualidade, ter acesso a banda larga um grande esforço na área de infra-estrutura, etc.. Então, esta questão das telecomunica- principalmente porque a questão da infra-es- ções também é outro elemento crucial desse trutura é tanto pré-condição do crescimento projeto do governo. Eu falei energia, transpor- como um grande fator do crescimento. Ou te, logística, aeroportos, telecomunicações e seja, ela é pré-condição quando ela viabiliza a questão da integração regional. Importante a infra-estrutura para os outros segmentos, na integração regional é a questão do acesso para a indústria, para a exportação, aí ela é à água, a questão das infra-estruturas sociais pré-condição. Ela é pré-requisito porque se- de saneamento e, por último, a questão das cíficas do desequilíbrio regional do nosso país, como foi a questão levantada pelo Ministério da Integração Nacional, da interligação de bacias lá no Nordeste como o São Francisco. Então, esses basicamente são os segmentos que nós hoje estamos tratando como sendo cruciais, para que haja um conjunto de obras prioritárias. Nós não colocaremos nas obras prioritárias só obras do Governo. Nós colocaremos obras do governo ou obras que só a iniciativa privada neste modelo irá realizar. Elas todas serão consideradas obras prioritárias. E nós estudamos um tratamento absolutamente diferenciado para elas na medida que elas terão um nível de aprovação mais amplo, que serão enviadas separadamente para o Congresso. Nós estamos avaliando instrumentos que vão permitir acelerar o seu desengargalamento e a solução dos seus principais problemas, isto contemplando desde o financiamento DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO obras interregionais de estruturação de algumas situações espe- até questões ambientais. Com isso eu concluo dizendo para os senhores que é muito importante o papel do Tribunal de Contas neste processo, tanto no que refere a fiscalização da adequação do gasto público, da fiscalização pós-realização, quanto também da participação conosco na formatação de algumas questões. E também, no caso dessas obras prioritárias, nós viremos oportunamente apresentar para os senhores e pedir também a consideração especial dos senhores e a prioridade de tratamento se de fato essas obras foram consideradas obras prioritárias pelo governo federal. Nós viremos apresentar, nos colocar à disposição, explicar quais são os problemas de cada uma. Enfim, nós acreditamos que a questão dessas obras é algo que o governo há de compartilhar com a sociedade e com todas as instituições. Muito obrigada. 25 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO IMPORTÂNCIA DA INTERMODALIDADE Wando Borges. Consultor em Transportes. O tema que me foi proposto foi vantagens da intermodalidade. Seria interessante começarmos a apresentação revendo um quadro que é por demais conhecido e que se repete pelo menos nos últimos 40 anos nesse país. Trata da distribuição modal dos transportes no Brasil. Pelo quadro abaixo vemos que, atualmente, no transporte não urbano, cerca de 60% da tonelagem transportada utiliza a modalidade rodoviária. É interessante observar que não há uma data nesse quadro e esses valores mudam um pouco de período para período mas, nos últimos 60 anos as modificações são sempre muito pequenas e num futuro próximo também não assistiremos grandes modificações nos números deste quadro. 26 ponde ao transporte ferroviário, 13% ao principalmente, por limitações de clima, ain- em 62% e 13% do aqüaviário. Seria interes- da consegue uma participação de 11%. sante ainda a comparação com outros paí- aqüaviário e 4% ao dutoviário. No transporte ses de menor dimensão geográfica, como no de passageiros a estimativa é de 94%, talvez O Canadá mantém sua matriz bastante hoje um pouco menos, transportados pela equilibrada entre o ferroviário, o rodoviário e modalidade rodoviária; menos que 1% no fer- o aqüaviário: 46%, 43%, e 11%. exemplo indicado no quadro abaixo. roviário e no aqüaviário e, acredito, hoje pouco mais do que 5% no transporte aéreo. Uma A Austrália tem uma participação pou- observação: se desses números excluíssemos co maior do rodoviário e, também por razões o transporte de minério de ferro a responsa- geográficas, uma participação menor do bilidade do transporte rodoviário de cargas aqüaviário. ultrapassaria 70%. Os Estados Unidos, também com sua Vejamos o que ocorre em alguns países de grande extensão territorial: matriz mais ou menos equilibrada entre ferroviário, rodoviário e uma participação mui- No quadro acima são apresentados da- to expressiva do aqüaviário, o que se explica dos de países europeus. São dados do ano de pela geografia, principalmente pela intensa 2003, portanto bastante recentes. Pelos nú- utilização dos grandes lagos e do sistema do meros se pode ver que, em países de dimen- Mississipi-Missouri. são relativamente pequena, como na Europa, DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO Vejamos a distribuição: 23% corres- o transporte rodoviário tem uma participação A China teve uma participação bem muito expressiva e as razões são óbvias: é o maior do ferroviário e, nos últimos anos, cres- transporte mais econômico para pequenas ceu de maneira notável a participação do ro- distâncias. doviário, que hoje alcança 50%. O aqüaviário ainda é bastante expressivo com 13%. A Rússia é um país que utiliza basica- Quando as distâncias são pequenas, a intermodalidade não é praticada por razões mente a modalidade ferroviária com 81% de Vejamos novamente o caso do Brasil: econômicas e a utilização de modais, em prin- participação no transporte de cargas e ape- como não foram incluídos neste quadro os cípio mais econômicos como é a ferrovia e a nas 8% no rodoviário, não obstante este ve- transportes por dutos, a participação do fer- hidrovia fica reduzida. Observa-se que a mé- nha crescendo gradualmente. O aqüaviário, roviário está estimada em 25%, do rodoviário dia da União Européia é de 73% das cargas 27 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO movimentadas por rodovia, 15% por ferrrovia, 9% por hidrovia e 3% por dutos. Está aí a origem dos grandes problemas Outra vantagem que se busca, além de da infraestrutura de transportes de nosso país. reduzir os custos logísticos, é reduzir o tempo dedicado ao transporte e, naturalmente, o No quadro abaixo apresentamos, de seu custo, que é parte do custo logístico. Isso modo muito simplificado, o que podemos con- é válido tanto para carga quanto para passageiros. Quando alguém se utiliza do automóvel ou do ônibus para ir até o aeroporto tomar um avião temos um exemplo de quem está utilizando a vantagem de tempo proporcionada pelo transporte aéreo. Convém observar que, em países mais desenvolvidos, geralmente se investe cerca de Cargas transportadas por rodovia ou 2% do PIB em transportes. Assim, nos últimos ferrovia até um porto estão a partir daí, utili- anos o nosso investimento ficou, se compara- zando a vantagem econômica de menor tarifa do a países mais desenvolvidos, em apenas do transporte aqüaviário. 1/10 do que deveria ter ocorrido. Nossa tarefa, siderar como a origem dos grandes problemas portanto, é muito grande. é a utilização sempre e onde possível da mo- brasileiros na área dos transportes 28 Portanto, o objetivo da intermodalidade Quais as principais vantagens da inter- dalidade de menor custo ou de menor tempo O quadro acima não deixa dúvidas modalidade? O objetivo último do transporte de percurso. Geralmente, a maior velocidade quanto à origem dos problemas brasileiros na intermodal é reduzir custos logísticos que, implica em maior custo e vice-versa. É atra- área de transportes. Os investimentos, que na no Brasil são muito elevados. Não temos es- vés da intermodalidade que um país como o década de 70 eram da ordem de 3% do Produ- tatísticas muito confiáveis mas há boas esti- Brasil pode realizar operações essenciais de to Interno Bruto, foram reduzidos para cerca mativas que indicam que os custos logísticos comércio exterior. Não fosse a existência da de 2% na década de 80; para 1% na década no Brasil ultrapassam 20% do PIB. Em países multimodalidade com a utilização do trans- de 90 e apenas 0,2% entre 2001 e 2004. mais desenvolvidos esses custos geralmente porte marítimo não teríamos como exportar se situam na faixa de 10 a 12% e, só excep- grande parte de nossos produtos ou realizar- cionalmente, um pouco mais. mos nossas importações. A utilização da intermodalidade permite Modernizando equipamentos. Essa é mente, na existência de interfaces entre dis- o aproveitamento das vantagens específicas a primeira coisa. Não seria necessário repe- tintos modos de transporte. São os terminais. de cada modalidade. Convém pois aumentar, tir que os portos brasileiros ainda carecem de tanto quanto possível, a sua utilização. grande ampliação em sua capacidade de movimentação de cargas com o objetivo de reduzir tempo e custos. Observemos que, após as privatizações, a operação portuária já melhorou substancialmente. Melhorando acessos. Gostei de ouvir a Ministra Dilma Roussef referir-se aqui ao programa de dragagem de acesso aos portos, porque temos situações hoje em que o obstáculo à maior utilização dos terminais portuários está exatamente na não-realização de draga- Estamos aqui repetindo alguma coisa gem de manutenção ou de aprofundamento. mais que conhecida e óbvia para o público presente. Citamos apenas para relembrar. Com relação aos portos devemos observar que os portos de transbordo também são DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO A intermodalidade implica, necessaria- Uma indagação natural que se faz é como aumentar a intermodalidade num país Melhorando e barateando a armaze- como o Brasil, uma vez que ela permite redu- nagem. Quem opera comércio exterior neste zir custos e tempos de percurso. país sabe bem dos custos que muitas vezes podem ser considerados absolutamente abu- interfaces da modalidade e tais portos são algo que, no Brasil, quase inexiste. Devemos criar Seria muito interessante que tirásse- sivos na cobrança de taxas de armazenagem. os hub ports ou portos distribuidores de car- mos o maior proveito possível das vantagens E por que o são? Primeiro, pelas condições ga, principalmente de contêineres. Da mesma de cada modalidade de transporte. legais na operação dos armazéns, segundo, geralmente pela limitação da capacidade de forma os aeroportos, distribuidores de tráfego, os hub airports; os terminais rodoferroviários Diríamos, resumidamente, que aumen- e os terminais multimodais. São multimodais ta-se a intermodalidade melhorando a eficiên- os terminais onde mais que duas modalidades cia e reduzindo custos das interfaces. De que estão envolvidas nas operações logísticas. modo? armazenagem. Voltemos um pouco ao problema de acessos aos terminais. Mencionei os acessos 29 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO aos portos, o acesso marítimo, o problema de dragagem, mas o problema entre países já se adota o conhecimento único, o bem conhecido dos acessos terrestres também tem muitos casos absolutamente dramá- carnê TIR – Transport International Routier. No Brasil, isso ainda ticos. Quem opera no Porto de Santos, ou no Porto de São Francisco ou no não é usual. Porto de Itajaí, conhece o terrível problema que é chegar até o porto. Falta muita coisa e, inclusive, medidas que poderiam atenuar essa situação de Atualizando legislação e normas referentes ao trabalho nos acesso que não são adotadas. Por exemplo, o controle dos caminhões em terminais. Quem lida com o comércio exterior sabe bem dos pro- áreas externas aos portos, a criação de pátios de espera e controle e de blemas, ainda muito complicados, decorrentes da legislação tra- disciplina na entrada da área portuária. Enquanto não tivermos melhores balhista, normas de trabalho nos portos e condições de operação. condições de vias de acesso, esse é um tipo de medida, digamos meio pa- A própria quantidade de mão-de-obra envolvida nas operações liativa, que poderia atenuar em muito os graves problemas atuais. portuárias em muitos casos decorre de normas absolutamente superadas e até um tanto arcaicas. Ainda ocorre a presença, por Funcionamento ininterrupto. Ora, se se considera o custo de espera de um navio, e o seu custo no porto ou o custo de um avião em terra, e aqui exemplo, do consertador de carga em operações onde essa atividade é impraticável. não estamos tratando de transporte aéreo, mas vale também a mesma observação se levado em conta esse custo, é inadmissível que existam ho- Ainda no tópico atualização de normas, a adoção de notas rários de funcionamento para diversos serviços nos terminais. Tais serviços, fiscais eletrônicas é um exemplo de medida que pode simplificar, em princípio, deveriam ser contínuos, 24 horas por dia, 365 dias ao ano. de maneira notável, a operação nos terminais. Aliás, não só nos Mas não unicamente os serviços operacionais. Alguns serviços públicos pre- terminais. Quando um caminhão transportando mercadorias é sentes nos portos também, como os serviços da Receita Federal, das adua- obrigado a parar num posto fiscal da fronteira de um Estado, mui- nas, da inspeção sanitária e outros, deveriam ter horário de funcionamento tas vezes ele fica ali parado por duas, quatro, seis horas, às vezes mais condizentes com a maior eficiência na operação dos terminais. um dia inteiro, aguardando que um funcionário público, que trabalha em horários definidos, vá conferir as notas fiscais das mer- 30 Simplificação de procedimentos burocráticos. É mais um aspecto cadorias que transporta. Se tivéssemos a nota fiscal eletrônica, interessante a observar. A utilização do conhecimento único de frete, por o posto receberia de pronto a informação das mercadorias trans- exemplo, poderia simplificar muito a operação. Vamos lembrar que em paí- portadas e o tempo perdido que representa custo nesses postos ses europeus há muito tempo, no transporte intermodal ou até no transporte de fronteira, poderia ser simplesmente reduzido a poucos minu- representa uma parcela expressiva do custo O que tem sido feito no Brasil com vistas ao futuro? investimentos em infra-estrutura no Brasil cresceram numa época em que o petróleo do transporte rodoviário. custava cerca de 3 dólares. Na década de 70 A experiência do GEIPOT – Empresa com a primeira crise do petróleo os preços su- Por fim, um tópico que não está ano- Brasileira de Planejamento de Transportes, que biram, da média 3 para mais de 10 dólares tado nesta lista: o treinamento de pessoal. O começou em 1966, foi muito significativa e con- por barril. Observamos, a partir daí, a redu- treinamento de pessoal é algo que tem que tribuiu muito para a melhoria dos transportes ção dos investimentos na infra-estrutura de ser feito de maneira constante e sistemática, em nosso país. Entretanto, a partir da segunda transportes. com o objetivo de melhorar a eficiência em metade da década de 90 e com a extinção da todos os níveis de terminais empresa em 2001, o país ficou praticamente sem qualquer planejamento do setor. do petróleo? Especialistas que analisam a Os custos logísticos, muito elevados no Brasil, sugerem a grande importância e necessidade de planejamento adequado. Qual é a tendência hoje dos preços questão são unânimes em afirmar que a Tivemos alguns planos elaborados, a perspectiva de redução pode ocorrer momen- exemplo do Estudo dos Eixos de Integração e taneamente mas, a médio e longo prazo, a da Revisão daqueles estudos. Só recentemen- tendência é sistematicamente de alta de pre- te, em 2006, tivemos a iniciativa muito opor- ços e há os que acreditam que, em menos de tuna do Ministro dos Transportes Paulo Sérgio 4 ou 5 anos, os preços do petróleo já estarão Passos que, em convênio com o Ministério da no patamar dos 100 dólares por barril. DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO tos. Isso simplificaria muito a operação, que Defesa, contratou a realização de um Plano Nacional de Logística de Transportes que vem O preço elevado e a escassez de petró- sendo elaborado sob coordenação do CEN- leo no mundo devem ser tratados como condi- TRAN, do Ministério da Defesa. cionantes dos investimentos em transportes, como definidores da matriz mais adequada. O Registro como preocupação, neste mundo, e não só o Brasil, mas o mundo todo, planejamento do futuro, um tópico para me- precisa economizar petróleo, até que outras ditação: o problema dos combustíveis. Os fontes de energia estejam suficientemente 31 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO desenvolvidas. Existe hoje grande esperança conservação e restauração de rodovias deve fertilizantes? A misturadora de fertilizantes. Ela no hidrogênio, mas a expectativa da indústria ser encarada como prioridade absoluta pois, deveria ser responsabilizada por esse crime é de que,provavelmente, em menos de 15 a dificilmente, pode se encontrar investimento enorme, que é o transporte de uma carga que 20 anos, o hidrogênio não terá seu uso lar- que a vai representar mais do dobro da carga legal gamente difundido. Então, por este motivo, conservação adequada de uma rodovia. Tenho admitida. É bom lembramos que o efeito do consideremos que a tarefa de reduzir consu- alguns números, a título de exemplo, que excesso de cargas por eixo sobre o pavimento mo e desperdício de petróleo é uma primeira ilustram bastante o que representa o custo da pode ser representado por uma exponencial, obrigação de nossas autoridades e que deve conservação ou o beneficio do investimento e é uma exponencial que tende ao infinito orientar o planejamento do setor. na conservação adequada. quando os excessos são muitos grandes. ofereça rentabilidade maior que Ou seja, um veículo com grande excesso de A matriz de transportes e a disponibilidade Como prioridade, anotamos ainda o cargas, numa só viagem, pode causar um de recursos sugerem algumas prioridades na controle de carga por eixo. A Ministra Dilma dano que é praticamente a destruição do ação do governo. citou o Programa de Pesagem e Controle pavimento. Ainda que essa destruição não Rodoviário de Cargas. Louvável o programa ocorra, nem apareça num primeiro momento, que, até onde temos notícia, contempla a ela virá em curto prazo. E é por este motivo instalação de balanças e equipamentos para a que os pavimentos no Brasil tem, geralmente, Polícia Rodoviária. Considero que são medidas uma vida útil que não alcança metade da essenciais, mas não suficientes. Em minha vida útil do projeto. O excesso de carga que opinião, o controle de cargas por eixo não será é um crime contra o patrimônio público, efetivo enquanto não se puder responsabilizar dependendo da dimensão, deveria ser punido o despachante e o destinatário da carga. até com pena de morte. Isso porque existem muitas maneiras, e eu 32 poderia listar uma dezena delas, para se Outra prioridade inquestionável: eliminação contornar o problema da limitação de carga de pontos críticos. A Ministra Dilma fez menção por eixo. E os abusos que observamos em a vários pontos, e eu não precisaria repetir, nosso país são enormes. Cito um exemplo pois sua opinião é muito correta. Poderíamos ocorrido na semana passada. Encontrei- enfatizar No quadro acima listamos prioridades me com um caminhoneiro que me disse ter Rodoanel de São Paulo. Quando concluído inquestionáveis. Não se pode esperar, no transportado uma carga de 40 toneladas de no trecho até a Rodovia dos Imigrantes, ele Brasil, para os próximos anos, modificação fertilizantes. Outro caminhoneiro seu amigo vai desviar um tráfego enorme de caminhões substancial na dependência do transporte transportou, em seu veiculo, igual ao do que têm imensa dificuldade em atravessar a rodoviário de cargas. Por esse motivo, a primeiro, 80 toneladas. Quem embarcou esses área urbana de São Paulo, reduzindo muito o dois exemplos: o primeiro, o diminuindo custos logísticos. No segundo exemplo, da mesma Os números acima são muito sugestivos. Alguns são hipotéticos, porém próximos da realidade brasileira. forma, o Ferroanel de São Paulo vai permitir que trens de cargas com destino a Santos não tenham que atravessar a área urbana de Consideramos um trecho rodoviário com 3 mil veículos/dia, sendo 40% São Paulo conflitando com o transporte de passageiros. Creio que de veículos pesados e 60% leves. Essa é uma composição média do tráfego dificilmente encontraríamos nos setores rodoviário e ferroviário em rodovias brasileiras. Se admitirmos um acréscimo de custo de 40 dois projetos de maior prioridade do que esses lá em São Paulo. centavos por quilômetro para veículos pesados e apenas 10 centavos para veículos leves, em decorrência da má conservação da rodovia, chegamos Como grande prioridade, ainda, destacamos o último item anotado acima: o aumento da participação do transporte ao resultado acima. Esses números foram tomados de um estudo do GEIPOT de alguns anos atrás e é um número hoje muito conservador. aqüaviário e ferroviário na matriz de transportes. Sobre esse tópico falaremos um pouco mais adiante. Qualquer dos presentes aqui também consideram esse número muito pequeno, muito baixo. Mas foram dados de quase 10 anos atrás. Referimo-nos, anteriormente, ao problema da conservação e restauração de rodovias. A prioridade dos gastos com a Com o tráfego citado no exemplo teríamos, então, 1200 veículos pesados e conservação e restauração pode ser observada num exemplo 40 centavos por quilômetro. Em 365 dias no ano teríamos um acréscimo de custo pequeno e simples. de 175.200 reais. Com o mesmo cálculo para os veículos leves chegaríamos DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO tempo de transporte até o porto de Santos e, conseqüentemente, a 65 mil reais. Total: 240 mil reais de acréscimo de custo decorrentes da má conservação. Ora, 240 mil reais é mais que o custo de restaurar o pavimento dessa rodovia se a restauração for feita no momento oportuno. Ou seja, o investimento da restauração se paga em menos de um ano. Na verdade, temos casos em que, se fizermos cálculo semelhante, chegamos à conclusão de que os custos da restauração se pagam até em três meses. São casos de trechos com tráfego muito elevado e grande deterioração do pavimento. Outro exemplo muito expressivo dos custos decorrentes da má conservação é o acréscimo do consumo de combustíveis. 33 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO Outra consideração interessante: se não tivéssemos esse desperdício decorrente das más condições das vias e dos congestionamentos urbanos, o país já teria atingido a auto-suficiência na produção de petróleo há alguns anos atrás. Há custos evitáveis melhorando a matriz de transportes. Cito aqui um número, uma estimativa feita pelo Banco Mundial, que estimou que tais custos alcançam, pelo menos, 2,5 bilhões de dólares/ano no Brasil. No caso aqui nada a ver com as condições de manutenção da malha viária. Apenas pela melhoria da matriz de transporte, com maior uso da ferrovia e da aqüavia. Aqui também estou me valendo de estudos elaborados pelo GEIPOT há bastante tempo atrás, quando foram avaliados os acréscimos de consumo de combustíveis em diversos tipos e estágios de deterioração de rodovias. Os estudos do GEIPOT na época concluíram que, em alguns casos, o consumo chegava a duplicar. Se admitirmos, entretanto, que em razão da má conservação da malha rodoviária, dos congestionamentos tanto em rodovias e, principalmente, congestionamentos urbanos, tivermos um acréscimo de consumo de combustível de apenas 10% e, admitindo que o consumo de petróleo, hoje, nos transportes, é de cerca de 1 milhão e 800 mil barris/dia, teríamos um acréscimo que representa um desperdício da ordem de 180 mil barris/dia. Se tomarmos um preço de 60 dólares, que é um pouco menos que o preço de hoje, chegaríamos a um custo desse desperdício muito próximo de 4 bilhões de dólares por ano. É mais que o necessário para a conservação adequada de nossas rodovias federais. 34 Melhorando a conservação das rodovias obtemos mais benefícios, não só referentes ao consumo de petróleo e ao desgaste de veículos, o que O primeiro ponto listado: melhorando e pouco conhecido. O tempo de percurso e os criando aqüavias. Exemplos: criando aqüavias acidentes, que têm um custo altíssimo, com no Rio Tapajós, no Rio Tocantins, no Araguaia perdas de vidas e mercadorias que, também, e, eventualmente, no Rio Madeira. de modo geral, são pouco avaliadas. rio sobre as possibilidades do Rio Tapajós. tiva de 30 mil mortes por ano. Quanto custam essas mortes para o país, para a economia? As péssimas condições de conservação das rodovias favorecem também o roubo de pode ser tornado inteiramente navegável. Se isso acontecer, ao invés do produtor de soja pagar o que paga hoje, talvez 100 dó- Vou deter-me um pouco num comentáDos acidentes, convém lembrar a estima- Com algumas eclusas de pequena altura, o rio lares/tonelada para transportar sua soja até os portos de Santos ou Paranaguá, ele passaria a pagar provavelmente menos de 1/5 deste Há algum tempo, vi um estudo, patro- custo para transportar seu produto até San- cinado por produtores americanos de soja, tarém. O Rio Tapajós teria, nesse caso, uma cujo objetivo foi avaliar o potencial de produ- função muito semelhante aos rios Mississipi e ção nos estados de Mato Grosso e Rondônia. Missouri, nos Estados Unidos. cargas. O crescimento de furtos e roubos, nos últimos anos, foi absolutamente preocupante, A conclusão que conheci daqueles es- Vamos lembrar que a soja americana é assim como os assaltos a ônibus. Os trechos tudos é de que apenas na bacia dos formado- quase integralmente transportada via fluvial. muito ruins facilitam a ação dos criminosos. res do Tapajós, aproveitando áreas de campo A soja exportada pelos Estados Unidos é toda e cerrado, portanto, sem entrar na floresta, o embarcada nos portos do Golfo do México e Alguns dos problemas mencionados potencial de produção com aproveitamento in- chega até lá através do Rio Mississipi. A mes- anteriormente nos levam a indagar de que tegral da área é da ordem de 70 milhões de ma coisa poderia acontecer aqui com enorme forma poderíamos melhorar a matriz de trans- toneladas/ano, ou seja, quase equivalente à vantagem e, lembrando que os grandes mer- portes no Brasil. produção americana de soja. Hoje a produção cados estrangeiros estão no hemisfério Nor- do Mato Grosso, maior produtor brasileiro, deve te, o embarque quando feito em Santarém, estar entre 10 ou 11 milhões de toneladas/ano, no Pará, ao invés de Paranaguá ou Santos, le- transportada quase integralmente por rodovia. varia uma vantagem muito grande em termos Ora, a grande produção de soja no Mato Gros- de percurso marítimo. DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO representa um custo muito elevado porém so está exatamente na Chapada dos Parecis, na região dos rios que formam o Juruena e da Bacia do Teles Pires, formadores do Tapajós. Lembro mais: a recente decisão do Panamá de ampliar seu canal, permitindo que, ao invés dos navios tipo Panamax, que trans- O Rio Tapajós apresenta um perfil mui- portam 60 mil toneladas de carga, num futu- to favorável à criação de uma via navegável. ro próximo possam operar navios de mais de 35 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO 100 mil toneladas. A importância dos portos tando a referir-me ao estudo que vi há uns tos previstos de Carolina e Imperatriz, no Rio brasileiros do Norte do país crescerá de ma- anos atrás, sua conclusão, quanto aos produ- Tocantins, teremos um trecho navegável que neira notável e a utilização daqueles portos tores de soja de Mato Grosso e Rondônia, é vai desde a Barragem de Peixe-Angical, próxi- deverá aliviar os portos do Sudeste do país, que eles não têm transporte. mo à cidade de Peixe, em Tocantins, até a foz particularmente os Itaguaí, Santos e Parana- do rio. Será uma hidrovia muito expressiva. guá, que são portos que deveriam ficar mais Ainda falando em hidrovias, gostaria reservados para operações de cargas ditas de fazer uma breve menção aos rios Araguaia mais nobres, como produtos industrializados. e Tocantins. No Norte do país temos condições muito boas. mentário fora da área transportes: penso que, antes de novos aproveitamentos hidrelétricos Itaqui, no Maranhão, por exemplo, é um por- No Rio Araguaia, a realização de um como Santo Antônio, no Rio Madeira, talvez to excepcional. E o porto de Santarém pode projeto hidrelétrico, associado a eclusas nas devêssemos avaliar o aproveitamento de um receber navios de porte apreciável. Ademais, corredeiras de Santa Isabel, permitirá a cria- rio que já tenha vazão regularizada, como é podemos admitir a operação de grandes na- ção de uma via navegável que, no Rio Ara- o Tocantins, com as barragens de Serra da vios com carga parcial em Santarém e com- guaia alcançará, pelo menos, a cidade de Mesa, Canabrava, Peixe e Lajeado. O aprovei- plementação de carga nos portos marítimos Aruanã, em Goiás, e um trecho apreciável do tamento de um rio já com vazão regularizada como em Itaqui. Rio das Mortes, no Estado do Mato Grosso. apresenta vantagens enormes, em relação Seriam quase 2000 quilômetros de vias na- a outros aproveitamentos. Ademais, temos vegáveis, viabilizadas com uma só barragem na região o chamado ‘linhão’ interligando os com eclusas. sistemas do norte do país, ao sudeste e sul. Ora, consideramos essa condição da importância da navegação fluvial como absolutamente inquestionável. Problemas que te- 36 Aliás, se me permitem fazer outro co- No Rio Madeira, até onde temos notícia, os ríamos a enfrentar para a construção de uma Evidente que é essencial e urgente a projetos que estão sendo desenvolvidos para hidrovia no Tapajós certamente incluiriam ob- conclusão das eclusas de Tucuruí. Uma obra as hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, ain- jeções muito grandes dos indígenistas, dos que foi parcialmente construída e que está da não contemplam a construção de eclusas. ambientalistas e talvez, muito especificamen- atualmente em obras para conclusão. Mais É certo que o trecho navegável é pequeno, te, de ONG’s bem financiadas por produtores ainda, para falar de Araguaia e Tocantins, es- da ordem de uns 430 quilômetros, de Santo estrangeiros que não têm interesse no cres- tão hoje em construção as eclusas de Lajeado. Antônio ate Guajará-Mirim mas, ainda assim, cimento da produção brasileira de grãos. Vol- Quando forem construídos os aproveitamen- considero que pelo menos algo como foi feito Observemos que a CIDE arrecadou, até ragens do Rio Madeira, ou seja, a construção hoje, cerca de 30 bilhões de reais. O quanto da cabeça de montante de eclusas para que, daquele montante foi aplicado em transportes no futuro, a navegação seja viabilizada, al- - uma vinculação constitucional - não tenho cançando trechos extensos dos rios Guaporé, os números, mas é certamente um percentual Mamoré e Madre de Dios, em território brasi- muito pequeno. leiro e boliviano. Recursos de concessões são outros que devem ser lembrados e ainda os financiamentos de instituições, como o Banco Interamericano de Desenvolvimento - BID, o Banco Mundial – BIRD e o BNDES. São fontes de financiamento que não podem ser deixadas de lado. Tivemos períodos de grandes financiamentos de infra-estrutura, com a participação DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO em Tucuruí deveria ser feito também nas bar- desses órgãos oficiais de financiamento, principalmente BID e BIRD. Foi muito expressiva no passado e nada impede que volte a ter um Fizemos referência, até agora, a pro- papel semelhante àquele que tiveram, prin- blemas e projetos. Outro grande problema cipalmente levando-se em conta que a situ- são os recursos. ação da economia brasileira hoje permite de maneira muito mais fácil, muito mais viável a Com quais recursos podemos contar no contratação de financiamentos externos. setor de transportes? Relembro aqui a CIDE e creio que, posteriormente, neste seminário, Esse era, mais ou menos, o recado que irão mencionar o assunto e discutir fontes de poderia dar, com a limitação do tempo e na financiamento. impossibilidade de uma apresentação mais elaborada. Tentei apenas colocar idéias para meditação e debate. 37 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO VISÃO DO TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO - TCU Augusto Nardes. Ministro do TCU 38 relação ao que nós poderíamos ter investido preciso ter uma sólida base de sustentação para o aumento da capacidade e melhoria na em infra-estrutura . O que nós sentimos e te- infra-estrutura de transporte. mos dito é que realmente isso não tem sido feito. Não se está aqui acusando esse governo ou um governo especificamente; a questão não tem sido enfrentada e resolvida nesses últimos vinte e poucos anos. Eu chego a comparar, depois que andei viajando pelo Brasil, que as nossas estradas estão como camisas velhas; você conserta de um lado, mas logo A exposição prolongada da Ministra rasga-se outro pedaço. São estradas muito Dilma Rousseff mostra a importância que o antigas, muito deterioradas e não estão sendo governo deu para essa questão. E foi comple- recuperadas da forma adequada. O Seminário mentada de forma brilhante pelo Consultor visa fazer também esse debate e a colabora- Wando Borges. Eu gostaria de agradecê-los, ção do governo é muito importante. O país pois suas colocações coincidem com o enten- precisa evoluir em termos de infra-estrutura e dimento do Tribunal e com o que as nossas o investimento hoje, no setor de transportes, equipes de auditoria têm constatado. O obje- é pequeno. Vocês estão vendo alguns núme- tivo desse seminário é exatamente fazer uma ros, já apresentados pelos outros palestrantes, provocação ao país, uma provocação no bom que mostram um quadro com grande volume sentido, positiva, de que é necessário estabe- de investimentos no modal rodoviário, desde lecer uma discussão sobre a questão da infra- os anos 50 até os anos 80, e depois uma dimi- estrutura, da logística, da intermodalidade. Na nuição considerável. O próximo quadro mostra programação desse evento foram colocados um volume de investimentos de apenas 0,5% vários temas e desafios para que o país pos- do PIB a partir da década de 80. O que vem sa pensar grande, ter um planejamento, uma sendo aplicado desde então é muito pouco em DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO estratégia de desenvolvimento e para isso é 39 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO Temos também o quadro seguinte mostrando um diagnóstico do que o país perde com a questão da pesagem nas estradas, por falta de balanças, ou seja, em torno de R$ 1,5 bilhão por ano. Quer dizer, gasta-se com a recuperação e ao mesmo tempo há perda, porque não existe controle de pesagem dos veículos, o que é extremamente lamentável. A seguir, apresento o resultado de um estudo do IPEA sobre as conseqüências do mau estado de conservação das rodovias. Eu andei visitando as estradas entre as cidades de Campos e do Rio de Janeiro e constatei que lá morrem por ano 600 pessoas. Nos últimos três anos, quando a estrada ficou praticamente intransitável, morreram 1.800 pessoas. O Dr. Wando já apresentou um número que o Brasil conhece: são aproximadamente 30 mil pessoas por ano que perdem a vida nas estradas e boa parte disso decorre da falta de manutenção nas rodovias. Além disso, há também a perda de cargas, principalmente grãos. Já foram feitos estudos sinalizando que 20 a 25% da perda dos grãos decorre da falta de condições de trafegabilidade nas estradas do nosso país. O slide a seguir apresenta algumas inovações na atuação do Tribunal. Como exemplo, maior freqüência das visitas in loco do Ministro-Relator. Eu comecei a fazer visitas assim que assumi como Ministro ano passado (2005) e percorri cerca de 20 mil km pelo país. Alguns me disseram: mas você percorreu de avião ! Não, foram de estradas. Eu estava acostumado, como parlamentar, a percorrer estradas do meu Rio Grande do Sul e então eu conheço a realidade das péssimas condições das rodovias brasileiras, causadas pela absoluta falta de investimentos nos últimos anos, principalmente dos recursos originários da CIDE. Nas fiscalizações, eu fiquei impressionado com a situação de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. São estradas com 15 a 20 anos de uso. Estão totalmente superadas. Eu andei percorrendo mil quilômetros no sentido norte, a partir de Cuiabá e mil quilômetros para o sul e fiquei impressionado com o trânsito de veículos bi-articulados, um atrás do outro. Não há como um caminhão ultrapassar. Também vi buracos e mais buracos, muitos caminhões tomba- 40 dos, carretas tombadas, nesse trecho do Mato Grosso. Nós resolvemos co- sagem para evitar o desperdício do dinheiro mais rigorosa, mais incisiva e conseguimos aprovar uma medida cautelar no Tribunal, de forma público com a obra rodoviária de restauração unânime, tendo em vista a situação caótica das estradas. Essa medida cautelar foi no sentido e manutenção. Nós sabemos que o governo de proteger o patrimônio público. Duzentos bilhões de reais é o cálculo que nós temos para o já está fazendo uma licitação, que está sen- valor aproximado da malha rodoviária federal. Isso é um patrimônio construído com os impos- do acompanhada aqui pelo TCU, referente a tos pagos por cada cidadão. Estradas não conservadas significam dilapidação do patrimônio investimentos para mais 220 postos de pesa- público. Por isso nós aprovamos uma medida determinando a suspensão da transferência de gem em todo o Brasil. Outra tema de extrema domínio, para alguns estados, das rodovias federais, objeto da Medida Provisória nº 82/2002. importância é o relativo às concessões. O TCU Foi também recomendado ao Ministério dos Transportes, em conjunto com o DNIT e com o liberou, há poucos dias, processo referente a MPOG, que adotassem medidas urgentes, reexaminando prioridades orçamentárias e possi- sete trechos, englobando 2 mil e 600km, para bilidades de descontingenciamento de créditos orçamentários, com vistas a executar obras que a iniciativa privada possa investir, dando emergenciais nos trechos rodoviários. O TCU recomendou ainda que o governo fizesse as obras condições de trafegabilidade. Eu sinto que o de recuperação necessárias. O governo acatou, no primeiro momento com alguma resistência, usuário se dispõe a pagar pedágio para ter mas posteriormente, depois de uma longa negociação, de diversas fiscalizações, o Ministério uma estrada em boas condições, apesar do dos Transportes começou a dar cumprimento à recomendação. que ele já paga com relação à CIDE. O usuá- DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO nhecer de perto para ter uma visão melhor da situação. Começamos a fazer uma fiscalização rio deseja ter estradas decentes. Portanto, o TCU vem cumprindo seu papel e os projetos de concessões estão sendo liberados, pois o país necessita de mais investimentos na área, mais parcerias. Outra questão importante e que gostaria de mencionar novamente é a pesagem nos trechos rodoviários. Nas fiscalizações no início do ano nós constatamos que havia apenas dois ou três postos funcionando no país, dos noventa e poucos que deveriam estar operando. Agora me parece que há vinte e dois, o que já é um avanço. É necessário um controle da pe- 41 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO pelo TCU até meados do ano, 57 já tiveram o pronunciamento do Plenário, com 21 audiências e aplicação de 3 multas a gestores. Ainda estamos avaliando processo por processo, com toda a equipe de engenheiros e auditores do TCU em todo o país. Em relação ao Programa Emergencial de Trafegabilidade e Segurança nas Estradas - PETSE, que ainda é bastante controverso, nós sabemos que foi implementado também em decorrência daquela decisão do governo 42 anterior de se passar as estradas para os es- Prosseguindo, eu gostaria de chamar a atenção para a questão da CIDE. Muitos minis- tados por meio de uma medida provisória. De- tros do Tribunal já discutiram a questão, iniciando pelo Ministro Vilaça e depois os Ministros pois do Veto do Presidente à Lei de Conversão Valmir Campelo e Benjamim Zymler. Todos alertaram sobre a necessidade de aplicação dos da MP, as estradas ficaram sem dono, sem recursos da CIDE. Inicialmente, quero alertar que mais de 20 bilhões de reais deixaram de proprietário. Os governos dos estados não ti- ser aplicados nas estradas. Nós constatamos que em 2005 o governo tinha disponíveis R$ 7 nham condições de assumir, não receberam bilhões para aplicação e em 2006 foi iniciada a operação tapa-buracos. Se o governo tivesse complemento de recursos, e o usuário ficou investido nas estradas R$ 1,5 bilhão por ano, elas teriam sido conservadas de forma adequada sem o amparo da adequada manutenção des- e isto infelizmente não aconteceu. O que ocorreu foi o desvio de finalidade na aplicação de sas estradas. Então o TCU decidiu por meio da tais recursos. Isso foi denunciado pelo Ministro Vilaça, em um brilhante trabalho de auditoria. cautelar que eu já mencionei que a União te- Temos aí os números de 2002, 2003, 2004 e parte de 2005. Segundo o próprio Dnit, as estra- ria de recuperar as estradas. Passamos então das necessitariam de recursos da ordem de R$ 1,5 bilhão anuais para sua correta conservação a acompanhar o PETSE, que começou com R$ e manutenção. É bem menos do que foi arrecadado e, principalmente, não aplicado, relativo 300 milhões, depois R$ 400 milhões, atingin- à CIDE. Durante quatro anos seriam seis bilhões para manter conservada a malha rodoviária do, ao final, mais de R$ 500 milhões aplicados nacional. Quer dizer, recursos existem, a questão é priorizar a aplicação. Por isso eu considero na chamada operação “tapa-buracos”. Para se de grande importância a vinda da Ministra Dilma Rousseff, que nos trouxe números e a inten- ter uma idéia, de 101 fiscalizações realizadas ção do governo de investir cerca de 12 bilhões nessa área. É um bom começo, porque dinheiro tra que é necessário ter uma planificação e uma grande vitória, que é a apresentação da Ministra Dilma, informando que o governo vai uma priorização. Não é possível aceitar que retomar os investimentos na área. um país que quer ser uma nação emergente deixe um particular se aproveitar de área de domínio da união, onerando indevidamente o usuário da rodovia. Pouco tempo depois da intervenção estadual o Dnit finalizou a obras de recuperação da ponte definitiva e a situação se normalizou. DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO existe, o cidadão paga e os recursos devem ser aplicados. Eu sinto que esse Seminário teve Vamos agora mostrar um pouco do que foi a fiscalização da operação “tapa-buracos”. Nós visitamos vários trechos, alguns antes outros após a intervenção. Podemos ver o resultado dos trabalhos após as chuvas, a situação em que se encontravam, com panelas, buracos de toda ordem. Percorremos Minas Gerais, que apresentava a situação mais grave dentre todos os estados brasileiros. Está aí o slide para mostrar a situação das estradas, do que passa o cidadão brasileiro, com danos aos automóveis, acidentes e perdas de vidas por conta da má qualidade das rodovias. A próxima foto mostra mais um exemplo do descaso, da falta de planificação. Vejam só, a construção de um desvio particular, com uma ponte sobre o Córrego do Leitão, em MG, com cobrança ilegal de pedágio em trecho sob domínio da União. Tudo feito por um fazendeiro explorando irregularmente um bem público. O TCU fiscalizou o trecho e o Plenário aprovou uma medida cautelar determinando ao Dnit que retomasse e interditasse o trecho. Infelizmente essa determinação não foi plenamente cumprida; o problema persistiu e o Governo de MG entrou em contado com o Tribunal, se dispondo a assumir a responsabilidade pela ponte e a zelar pela integridade dos usuários. Vejam só, o que o poder público não conseguiu assegurar, não teve capacidade de investir, foi feito por um particular, que instalou um ponte provisória e cobrou, por algumas semanas, a passagem sobre o local. Isso demons- 43 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO 44 Vou dar outro exemplo da má atuação de outras pontes. Diante desse quadro, nós do poder público Vejam o que ocorreu nes- determinamos às equipes de auditoria do se trecho rodoviário no Paraná. Eu estive lá, Tribunal que fizessem, dentro do possível, fiscalizando, após a queda da ponte sobre a uma fiscalização nas pontes de todo o país, Represa Capivari, na BR 101, entre SP e PR, para tentar evitar outros desastres. A seguir ocorrida por falta de manutenção no aterro. vamos sinalizar quais os principais desafios Quem salvou dezenas de vidas foi um pes- para o setor rodoviário. De certa forma, já fo- cador. Um caminhão despencou à noite e o ram citados pela Min. Dilma e pelo Consultor cidadão, que pescava próximo ao local, me Wando. É preciso um planejamento integrado, disse que achou que o caminhão havia caído maior investimento público, aplicação efetiva da ponte, não que a ponte tivesse caído. De- das receitas vinculadas, programas perma- pois ele viu outro carro caindo e se deu conta nentes de expansão, recuperação e conser- Agora eu gostaria de falar brevemente da gravidade da situação. Correu então para vação da malha rodoviária, implementação sobre a questão das hidrovias, que têm como avisar os outros motoristas e conseguiu que de PPP’s, aceleração do programa de conces- principal problema para o seu baixo aprovei- uma carreta parasse atravessada próximo à sões, desenvolvimento de um amplo sistema tamento o escasso investimento por parte cabeceira, interditando a passagem e impe- intermodal e também fortalecimento da fun- do governo. Em 2001 nós verificamos que o dindo uma catástrofe maior, pois o trânsito de ção pública de regulação. país movimentou apenas cerca de 2 a 3 % de ônibus e caminhões no trecho é bastante in- cargas por esse modal. Só para exemplificar tenso, principalmente no sentido Curitiba-São os benefícios e como seria desejável investir Paulo. Aquele singelo pescador foi um herói mais nesse setor, eu apresento o resultado anônimo que salvou muitas vidas. O proble- de um estudo realizado por equipe técnica do ma todo se deu por causa da falta de con- Tribunal acerca da viabilidade econômica do trole na manutenção do aterro, fazendo ruir transporte de cargas de grande volume e bai- a cabeceira da ponte, causando prejuízos de xo valor agregado, a grandes distâncias, por toda ordem, inclusive com a perda de uma meio hidroviário: uma barcaça com capacida- vida. Logo depois, um dos engenheiros res- de de transporte de 500 toneladas equivale a ponsáveis pela recuperação relatou que mui- 15 vagões ferroviários e a 60 caminhões, tudo tos outros trechos apresentavam o mesmo a um custo substancialmente menor do que o problema, podendo vir a ocasionar a queda do transporte rodoviário. do modal na matriz de transporte, maior articulação entre os setores do governo responsáveis pela área, definição clara das atribuições das administrações hidroviárias, e aperfeiçoamento do licenciamento ambiental. Eu entendo que deve haver também uma colaboração maior do Ibama para evitar entraves quanto à utilização das hidrovias. DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO tor, vislumbramos a necessidade de maior investimento de modo a garantir maior participação Vou falar agora sobre a questão dos portos. No primeiro semestre de 2006 nós focalizamos mais a questão das estradas nas auditorias do TCU. No segundo semestre eu resolvi visitar os portos. Ao todo estive em seis e pude constatar como estão funcionando de forma deficiente. Só como exemplo da burocracia que impera no setor, o tempo médio para exportar uma mercadoria é de 39 dias no Brasil, enquanto em outros como França, Bélgica e Espanha é de 12 dias. Eu estive em Porto Velho verificando No Brasil são necessários 7 documentos e 8 assinaturas diferentes para se consumar uma ex- as condições de trafegabilidade hidroviária e portação, enquanto que nos países mencionados exige-se, em média, apenas 5 documentos e os empreendimentos por lá e tem razão o Dr. 3 assinaturas. É necessário diminuir a burocracia de forma a garantir maior competitividade do Wando quando salienta sobre a importância país no mundo globalizado. É um ponto que merece maior discussão e eu já propus a constitui- do modal, pois o país poderia realizar boa par- ção de grupos de trabalho aqui no Tribunal para aprofundar as fiscalizações no setor e discutir te do transporte de grãos por esse meio, com possibilidades para a diminuição, por parte do governo, da questão da burocracia, que é um dos menor custo. Quanto aos desafios para o se- gargalos presentes na economia brasileira. 45 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO investimentos, mais planejamento com vistas à intermodalidade, modernização das vias de acesso e viabilização de alternativas de financiamento para as Companhias Docas. No próximo ponto eu gostaria de citar mais problemas por que passa o setor, principalmente após o advento da Lei dos Portos. É preciso mais investimentos em dragagem, que é um problema sério em quase todos os canais portuários. Também é importante citar a falta de recursos das Companhias Docas, que têm muitas responsabilidades, mas pouco suporte financeiro. É necessário dar condições para que elas possam investir em modernização. Outro aspecto importante que eu gostaria de destacar é que o Tribunal tenciona iniciar uma fiscalização mais rigorosa nessa área, assim como já foi feito na questão das rodovias, principalmente por conta da proposta de investimentos do governo, da ordem de R$ 1,5 bilhão, como destacou a Ministra Dilma. Eu sinto que se não forem feitos os investimentos necessários na área o país não terá capacidade de crescer mais do que algo em torno de 3% anuais, por absoluta falta de capacidade de escoamento da produção, tanto com relação às estradas quanto com relação aos portos. Eu fui ao Porto de Santos e constatei o transporte, na maioria, de grãos. Ora, a produção maior de grãos é no Centro-Oeste e o quadro é preocupante porque sabemos das dificuldades de acesso àquele porto pelas vias que o interligam aos demais estados. Isso também ocorre no Rio de Janeiro, onde há dificuldades de acesso ferroviário ao porto em razão de uma favela no meio do trajeto. Há casos até de crianças mutiladas nessa localidade. É muito importante avaliar a questão da adequada trafegabilidade das vias de acesso aos portos. Também verificamos que o Porto de Vitória apresenta as mesmas dificuldades quanto ao acesso das 46 cargas, diversamente ao que ocorre com o Porto de Itaqui, um exemplo de porto, com grande Passaremos agora, de forma rápida, para potencial, melhores condições de acesso e maior calado, superando os demais na capacidade o setor ferroviário. Eu vou citar apenas dois de operação com grandes navios. Quais são os desafios para o Setor? Basicamente, maiores itens para termos uma visão melhor sobre o destacar, como já o fez a Ministra Dilma em sua há também necessidade de aumentar a participação do modal não só quanto ao transporte de apresentação, que o poder público cometeu cargas, mas também de passageiros, principalmente trens urbanos e metrôs, o que deve ser um grave erro com a desativação do GEIPOT, feito por meio do aumento de investimentos por parte do poder público, principalmente. Ainda pois o país deixou de ter um planejamento com relação ao setor e ao tema concessões e parcerias, é oportuno destacar que o TCU está efetivo para o setor de transportes. analisando preliminarmente o projeto de construção de um trem bala que ligaria as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, a cargo da VALEC. A proposta é que o empreendimento seja liberado rapidamente, com construção prevista para sete anos, com custo em torno de US$ 13 bilhões e exploração por 42 anos. Seriam 105 km de viadutos e linha de metrô. Um dos apelos que nós fizemos é que o projeto contemple também a questão da intermodalidade. Conforme a proposta apresentada, o percurso demandaria 80 minutos, da estação no centro da cidade de São Paulo ao centro da cidade do Rio de Janeiro. Seria um grande avanço se esse trem bala pudesse ser concretizado no Brasil. DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO tema: 1) representa 24% da matriz de transportes. Nesse ponto eu gostaria de ressaltar que Eu gostaria de destacar também que o TCU tem fiscalizado ativamente a implementação da ferrovia Norte-Sul. É um assunto de extrema importância. No processo que tramita no Tribunal foram identificados alguns problemas relacionados com inconsistências nos estudos de viabilidade econômica e imperfeições na modelagem do empreendimento, relativamente à VALEC, empresa controlada pela União e que detém a concessão para a construção e operação Em seguida, passo ao último assunto que da Ferrovia Norte-Sul. Agora falando sobre a questão dos transportes como um todo, gostaria de é o setor aéreo. Eu fui designado relator 47 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO para o tema e estamos com uma auditoria operação “tapa-buracos”, para que não se preliminar em curso, referente à chamada repitam mais desperdícios de recursos. O que crise do “apagão aéreo”, tentando identificar a sociedade almeja é estrada permanente, de os problemas e apontar soluções. O Relatório boa qualidade, com planificação e contratos deve ser apresentado em breve. Estamos de conservação e manutenção estabelecidos, avaliando evitando que aconteça no país o que ocorreu a possibilidades 48 questão de dos equipamentos, implantação de novos recentemente. Isso também vale para os sistemas, com orientação de vôo via satélite, outros setores. É preciso haver planejamento como pude constatar em recente apresentação com relação às hidrovias, às ferrovias, aos nos EUA, de forma a tornar mais seguro o aeroportos. Se queremos ser de fato uma transporte aéreo. Desde 1996 o Tribunal já nação emergente não podemos improvisar, vinha alertando que eram necessários mais temos que pensar no futuro, a longo prazo. recursos para o setor. Os investimentos Para concluir, saliento que há muitos Não podemos enxergar somente uma árvore, estiveram aquém do necessário e acabou desafios para o país na questão da infra- nós temos que ter uma visão da floresta, acontecendo esse caos. A proposta para estrutura de transportes. O objetivo do TCU temos que planejar o país como um todo. fazer esta auditoria partiu do Ministro Vilaça nesse evento é abrir possibilidades para o Se não há planificação na infra-estrutura e o Tribunal está avaliando questões como a debate. O maior desafio do planeta e do Brasil de gestão dos recursos dentro do Ministério da é gerar empregos. O desafio do governante, crescimento. O Presidente da República disse Defesa, da Infraero, da Aeronáutica, como do administrador, é dar condições para que os próximos anos serão de crescimento, também a remuneração e qualificação dos que sejam gerados empregos. Quem tem mas isso não é possível sem a base, sem a profissionais do setor. Ficamos sabendo que capacidade de gerar emprego com mais infra-estrutura. O país precisa pensar sobre os controladores de vôo ganham muito aquém facilidade, com menor custo, é o setor essa questão. O Seminário tem esse objetivo, do compatível para as suas responsabilidades. produtivo. O que o poder executivo tem que fazer uma provocação positiva, vislumbrar E como são, em sua maioria, do quadro da fazer, e nós do Tribunal e da sociedade como possibilidades de parceria, de planejamento, Aeronáutica, há outras limitações que devem todo, é facilitar a vida do empreendedor, dar tentar pensar aquilo que é o maior desafio ser discutidas e debatidas para melhorar o condições, fazer a fiscalização, mas acima de da salário. É uma questão muito delicada, pois tudo o país deve ter uma proposta de médio dando dignidade ao cidadão. Bolsa-família cabe ao Executivo tratar do problema e o e longo prazo. O país precisa pensar a médio é importante, mas o mais importante é ter TCU vai apresentar, por meio da auditoria, e longo prazo e não somente a curto prazo. a dignidade de um trabalho e receber um sugestões para a melhoria da atuação do Por isso eu fui muito incisivo, junto com toda salário para se viver. Muito obrigado. poder público. a nossa equipe, na questão de fiscalizar a transporte, humanidade não há hoje: possibilidade gerar de empregos, PLANEJAMENTO DO SETOR DE TRANSPORTES Cláudio Sarian. Secretário de de Fiscalização de Obras e Patrimônio da União. Exmo. Sr. Ministro Valmir Campelo, presidente da mesa, Exmo Sr. Nada mais oportuno, isso foi colocado pela manhã por to- Ministro dos Transportes Paulo Sérgio Passos, Exmo. Sr. Ministro Augusto dos os palestrantes, do que se discutir planejamento em um se- Nardes, Dr. Fayet, Demais autoridades presentes, Senhoras e Senhores, tor que pode ser limitador do crescimento econômico do país. meu objetivo aqui é apresentar uma breve contextualização do painel que Existem limitações físicas ao escoamento da produção e limita- vai ser realizado nesta tarde. Começo pela importância do tema Planeja- ções econômicas por problemas desse gerenciamento da área de mento na Área de Infra-estrutura de Transportes. infra-estrutura de transportes. DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO CONTEXTUALIZAÇÃO DO TEMA 51 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO 52 Quando falamos em infra-estrutura de transportes, é sempre bom O primeiro, de uma forma mais direta, por meio de fiscali- pensarmos em 4 áreas principais: rodoviária, hidroviária, que engloba hi- zações que tem como foco ou o edital ou os contratos ou um foco drovias e portos, ferroviária e aeroviária. Essa última área vai ser apresen- operacional. O Tribunal tem duas preocupações quando realiza o tada amanhã pela manhã, quando teremos um painel do presidente da seu trabalho de controle. A primeira é o controle objetivo, ligada Infraero, no qual haverá um aprofundamento, um debate mais detalhado a determinações pra correções de contratos ou de editais. E a se- dessa área. Para todas essas áreas, é importante a discussão a respeito de gunda o controle subjetivo, na qual avalia-se a responsabilidade três momentos dentro do gerenciamento. Primeiro a Implantação, na qual dos gestores por falhas na aplicação dos dispositivos legais. As devem ser discutidas linhas ligadas a planejamento, integração de mo- contas anuais também são instrumentos para o acompanhamen- dais e projeto de cada empreendimento, custos e qualidades envolvidos. to dos recursos públicos investidos na área. E as contas especiais A questão da Operação também é importante, tivemos a oportunidade de como medida de exceção quando se apura débito, e aí são cha- ver diversas discussões hoje na parte da manhã. E outra questão de funda- mados os responsáveis a apresentarem a sua defesa e, caso isso mental relevância para a conservação e manutenção é a questão ligada às não seja acolhido, há imputação de débito, mas são medidas de Intervenções desta área. Eu vou fazer uma breve apresentação da forma exceção. Dentro daqueles três momentos, o que o Tribunal tem como atuamos. O TCU trabalha de diversas formas para o acompanhamen- encontrado na fase de Implantação são algumas oportunidades to e verificação da regularidade desses processos. de melhoria. Por fim, na questão da Intervenção, o pela manhã, é a questão do planejamento. que a gente percebe é a ausência de um pla- Ela foi muito enfática no sentido de que care- no sistêmico para fazer face à deterioração ce de um melhor planejamento esse setor e desse sistema. É natural que haja um des- que o Ministério dos Transportes, em seguida gaste, o que não é natural é a ausência do o Ministro dos Transportes vai apresentar, tem controle preventivo por meio destas interven- envidado todos os esforços para implementar ções. A qualidade do projeto nesse sistema uma política mais efetiva no setor. A segun- de intervenção também é muito importante da, também comum a todos os palestrantes, e volta-se à importância da manutenção do é a integração entre modais, a melhoria da Na segunda questão, ligada à Ope- fluxo dos recursos aprovados no orçamento, qualidade dos projetos, e eu acho que essa é ração, um problema sério relacionado à im- porque não adianta ter um bom planejamento uma questão fulcral, sem planejamento fica plantação de balanças rodoviárias, e a gente se a execução é prejudicada por meio de con- difícil ter um estoque de projetos suficientes percebe do Ministério dos Transportes uma tingenciamento. para gerenciar todo esse setor. Além disso, a preocupação de implementar um plano sistê- definição de custos de sistemas referenciais; mico para poder fazer o controle de peso nas a estruturação do sistema de fiscalização, o rodovias; o controle de velocidade; o controle DNIT contratou recentemente 500 servidores, do cumprimentos dos contratos de concessão. eu acho que isso deve reforçar sua estrutura A Ministra Dilma também colocou que alguns de fiscalização; a definição de prioridades de contratos estão com o reestudo de reequilí- implantação. Não é possível se fazer tudo de brio econômico em face da alteração de suas tudo, em algum momento deve-se priorizar e peculiaridades e a maior integração de todo o dizer “Vamos começar e acabar o empreendi- sistema de fiscalização. O que o Tribunal procurou fazer nesse DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO O primeiro, a Ministra Dilma colocou painel da tarde? mento A, o B, o C, ao invés de começar todos e termos esse cenário que tem sido avaliado pelo Congresso Nacional, que é um cenário crítico, das obras paralisadas ou inacabadas”. E, por fim, a necessidade de um cumprimento dos contratos pactuados, questão ligada à manutenção do fluxo orçamentário previsto, Envolver nessa discussão os diversos a questão de contingenciamento tem causa- agentes responsáveis direta ou indiretamente do alguns impactos significativos no setor. pelo gerenciamento da área. Eu divido nesse 53 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO mapa: União, Estados e Municípios, Usuários e a Iniciativa Privada por meio das empreiteiras e concessionárias. Devem apresentar o trabalho, a seguir, o Ministro dos Transportes; posteriormente, para mostrar a visão dos Estados, o Secretário de Transportes do Estado de Minas Gerais; e para a visão dos usuários, a Confederação Nacional da Indústria e a Confederação Nacional da Agricultura. Estão aí relacionados os nomes dos palestrantes Dr. Paulo Sérgio, Ministro dos Transportes, Dr. Paulo Paiva, Secretário dos Transportes de Minas Gerais, Dr. José de Freitas Mascarenhas, Presidente do Conselho da CNI, Dr. Luiz Antônio Fayet, Consultor para Logística de Transportes da CNA. 54 Paulo Sérgio Passos. Ministro dos Transportes. sobre a área que está sob minha responsabilidade e pretendo, nessa exposição, traçar um panorama e evidenciar a situação do setor, como também as iniciativas tomadas para a retomada do planejamento na área de transportes. Para que possamos ter uma idéia muito clara do que ocorreu com esse setor, nada mais importante do que verificar o que DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO PLANEJAMENTO GOVERNAMENTAL aconteceu com os investimentos em transportes no país, como proporção do PIB. Bem, eu quero cumprimentar o Luiz Antônio Fayet; o Cláudio Sarian; o General do Exército Enzo Martins Peri, Chefe do Departamento de Engenharia e Construção do Exército Brasileiro; o General de Divisão Paulo Komatsu; o Diretor de Obras e Cooperação do Exército aqui presente, o General Brochado; o General Tarcísio; o Paulo Paiva, Secretário de Transportes do Estado de Minas Gerais; o Mauro Barbosa, Diretor Geral do DNIT; demais diretores do DNIT aqui presentes, outras autoridades, minhas senhoras e meus senhores, dirigentes, servidores do TCU. Inicialmente, gostaria de dizer da enorme satisfação de estar aqui presente para falar um pouco 55 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO Vemos uma curva acentuadamente descendente e, evidentemente, que um comportamento dessa natureza traz inevitáveis reflexos no desempenho geral do sistema de transportes. Esse tipo de dificuldade, que deriva do estreitamento da capacidade do Estado em responder e investir em transportes, também se refletiu sobre o modo ferroviário. E nesse modo, muito particularmente, caracteri- 56 Eu começaria já destacando aqueles que afetaram e ainda za-se pela grande quantidade de faixas de domínio invadidas; pela quan- afetam a área de transporte rodoviário como, por exemplo, as tidade excessiva de passagens de nível, quando já deveríamos ter outros dificuldades em relação a níveis de conservação. Além disso, os tipos de solução de engenharia para essas áreas de cruzamento; pela falta aspectos que se relacionam ao déficit de capacidade em regiões de contornos nas áreas urbanas; pela integração ainda deficiente do ponto desenvolvidas do país, como também aquelas situações onde de vista operacional entre as concessionárias ferroviárias; e também pela não se conseguiu ainda prover, em termos de cobertura e de deficiência de cobertura em termos de extensão da malha ferroviária bra- extensão, uma infra-estrutura de transportes que seja capaz de sileira. Nós sabemos que a rede ferroviária do Brasil se concentra de forma atender as regiões que estão em fase de desenvolvimento, as no- relativamente bem distribuída no sul do país e, na medida em que avan- vas fronteiras de produção. Independentemente disso, também, çamos na direção norte, ela fica mais concentrada nas faixas litorâneas. o que se verifica com muita freqüência são situações de conflito, Evidentemente, ao longo das décadas, a geoeconomia do país vai dinami- muito presentes na transposição de cidades, o conflito entre o camente se transformando e, hoje, nós temos deficiências de extensão na tráfego urbano e o tráfego de média e de longa distância. malha ferroviária. rizada por uma frota mercante nacional insuficiente para atender à navegação de longo curso e cabotagem e, por conta disso, um quadro onde se verifica um déficit elevado no balanço de fretes marítimos internacionais do Brasil. Todo esse contexto de dificuldades se coloca ainda de forma mais grave quando nós observamos que a matriz de cargas do Brasil se caracteriza por uma predominância do modo rodoviário. DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO Na área de marinha mercante, a situação atual é caracte- No âmbito aquaviário, como pontos fundamentais, nós temos que destacar as dificuldades relacionadas ao acesso marítimo, com as exigências que hoje são presentes em termos de dragagem, tanto de manutenção quanto de aprofundamento, e as deficiências de infra-estrutura, inclusive de berços de atracação. Nas hidrovias, as questões estão relacionadas a restrições de calado; deficiências de sinalização e balizamento, e também à inexistência de sistemas de eclusagem capazes de dar pronta condição de navegabilidade para rios que têm condição e potencial de aproveitamento do ponto de vista econômico. 57 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO Nos últimos anos, já temos alguns sinais de alteração na matriz de transportes, indicando que o modo ferroviário começa a transporte ferroviário alcance pelo menos algo na faixa de 40%. Portanto, temos aí uma longa trajetória a percorrer. ganhar espaço, mas temos ainda uma matriz bastante distorcida, como se pode verificar nessa lâmina que aqui está apresentada. Vemos que países como o Canadá, a Austrália, os EUA e 58 até mesmo a Rússia têm no modo ferroviário de transporte uma Eu gostaria de, nesse momento, caracterizar a convicção, a cons- participação percentual na matriz de cargas muito expressiva. ciência do Governo em relação à importância dos transportes para o de- Ainda que não levássemos em consideração a situação da Rús- senvolvimento do país. Os transportes têm uma relação umbilical com o sia, onde 81% das cargas são transportadas por via ferroviária, desenvolvimento, porque crescer significa acentuar, acelerar, intensificar nós, no mínimo, deveremos supor que o Brasil tem espaço para volumes de transações, circulação de bens de insumos e, evidentemente, crescer do ponto de vista da repartição modal de cargas, onde o o Brasil, para crescer de forma sustentada nos próximos anos, em taxas que ainda caberá ao Poder Público um grande papel, uma grande nas últimas décadas, terá, necessariamente, que avançar em relação à responsabilidade na condução e na liderança desse processo no área de infra-estrutura, reconhecendo esta vinculação. Daí decorre uma que diz respeito aos investimentos. Resumidamente, nós nos da- primeira avaliação nossa, que é a preocupação em assegurar uma boa ríamos como muito bem satisfeitos se conseguíssemos atender condição de utilização, de operacionalidade para o patrimônio, para a in- de maneira satisfatória a esses pressupostos, a esses princípios, fra-estrutura de transporte existente; Impõe-se, em paralelo, uma preo- a essa relação de itens que aí está colocada. cupação tanto com a identificação dos pontos de restrição, dos pontos de estrangulamento, como também com aquilo que venha a ser requerido para a expansão, para a qualificação da malha. E aqui podemos citar, por exemplo, as áreas de fronteira agrícola, que são bastante ilustrativas. Temos o Estado do Mato Grosso, um Estado que cresce de maneira bastante vigorosa nos últimos anos, que tem contribuído de maneira tão relevante para o balanço de pagamentos do país e que, no entanto, não tem ainda uma infra-estrutura de transportes capaz de fazer um escoamento eficiente da maciça produção que é gerada naquele Estado. Este é um exemplo DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO superiores àquelas que caracterizaram as médias de crescimento do Brasil bastante claro de situações onde se impõe uma ação pública para qualificar e para expandir a infra-estrutura de transportes do país. Então, disso tudo, resulta uma convicção muito clara, a de que nós vamos precisar, para estarmos de mãos dadas com as expectativas de desenvolvimento e de acordo com os cenários, com as expectativas que sejam traçadas do ponto de vista econômico; temos que trabalhar em paralelo com respostas do ponto de vista da infra-estrutura para que ela sirva efetivamente de suporte aos nossos sonhos, aos nossos desejos de crescimento. É óbvio que, quando falamos em crescimento dos investimentos em transportes, Em primeiro lugar, atender com eficiência à demanda de- levamos em consideração o fato de que, necessariamente, teremos que corrente do crescimento interno do país como também do comércio buscar parceiros na iniciativa privada que possam se interessar em relação exterior. Em segundo lugar, reduzir os níveis de ineficiência que te- aos investimentos em infra-estrutura, mas eu não tenho a menor dúvida mos hoje, traduzidos em custos maiores do que os que deveríamos 59 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO ter, em tempos de viagem que ainda são maiores do que aqueles que gosta- Um apoio ao desenvolvimento da indústria do turismo, evi- ríamos que essas viagens tivessem, e também em relação à diminuição do dentemente, levando em consideração as vocações das diversas quantitativo de acidentes ao ser utilizado o sistema de transporte de país. áreas, o turismo cultural, o turismo ecológico e o turismo histórico, nas suas diversas formas de expressão e de capacidade de O outro aspecto é o de efetiva estruturação de corredores estratégi- atração. É óbvio que, para o turista se deslocar, é necessária uma cos de transporte para escoar adequadamente a produção, seja a produção infra-estrutura capaz de lhe atender de maneira satisfatória. E, de grãos, seja a produção de minérios, seja de quando falamos de carga por último, a ligação do Brasil com países limítrofes, fortalecendo conteinerizada, enfim, todas as vertentes do transporte que precisam efe- a integração sul-americana, que é uma prioridade do Brasil, que tivamente ter corredores bem estruturados e corredores capazes de propi- é uma prioridade do Governo Brasileiro. ciar com racionalidade, com economicidade o escoamento da produção. Nós vivemos hoje um momento que eu poderia dizer de muUm outro item importante, e isso, de certa forma, está relacionado dança no quadro ou numa tendência verificada na área de trans- com o que falei há pouco, é o de fazer com que o modo hidroviário e o modo portes. A curva que eu mostrei para os senhores no começo dessa ferroviário de transporte ocupem mais espaço na matriz de cargas do país. exposição é acachapante, é contundente. E hoje nós conseguimos Inevitavelmente, nós vamos evoluir nessa direção e não por um simples visualizar um crescimento nos níveis de comprometimento de re- ato de vontade mas porque esses modos são mais eficientes, economica- cursos voltados para a infra-estrutura de transportes. mente mais baratos e o país não poderá dispensá-los, tendo a rede hidroviária que tem, ainda que não totalmente utilizada, tendo a possibilidade de utilizar a malha rodoviária que dispõe, acrescida das novas linhas ferroviárias construídas ou mesmo ramais que venham a ser construídos. Esses modos seguramente ocuparão um espaço de maior relevância, de maior participação na nossa matriz. Um outro aspecto é o de estimular também a intermodalidade. A nossa visão é de que quando falamos, por exemplo, no crescimento da cabotagem, que já se verifica, e nela articulada com o transporte rodoviário em uma ou em outra ponta, nós estamos falando de transporte intermodal, e esse é o transporte moderno. Evidentemente esse tipo de transporte se torna muito mais viável a partir da utilização da carga conteinerizada. O Brasil não será diferente dos outros países do mundo e crescerá, muito fortemente, no transporte intermodal, usando cada vez mais os contêineres como opção para a movimentação de cargas nas mais diversas regiões do país. 60 mos trabalhando já com patamares superiores apresentados identificam o que recuperamos o crescimento da destinação de recursos da a 2 bilhões de reais. O Brasil vai precisar fazer entre 2003 e 2006, cerca de 13,8 mil km de CIDE para a área de transportes. Mas tam- um grande esforço nesse setor para a recupe- recuperação, a conserva em cerca de 38 mil bém, e sobretudo, a partir do Projeto Piloto ração de sua malha rodoviária e, embora uma Km da malha e a sinalização, através de um de Investimentos, que permitiu a utilização parte da rede já possa ser considerada como programa que iniciamos esse ano, de cerca de de cerca de 0,5% do PIB do Brasil numa con- recuperada e com boas condições de trafe- 40,1 mil Km até 24 de novembro de 2006. Nós tagem diferenciada para efeito de cálculo fis- gabilidade, já se notando alguns resultados estamos, esse ano, intensificando as ações cal e possibilitou o crescimento da locação de positivos, sobretudo na priorização que te- voltadas para a sinalização de rodovias e es- dotações para os diversos projetos no setor, mos feito, voltada para as rotas de produção peramos chegar ao exercício de 2007 com as fazendo com que, efetivamente, se alargasse agrícola, ainda teremos de, continuadamen- rodovias brasileiras em um padrão de sinali- gradualmente a capacidade de resposta tam- te, trabalhar com patamares muito elevados zação muito melhor, muito superior àquele bém em relação às inúmeras demandas e aos de investimento. As estradas brasileiras não verificado nas últimas duas décadas. desafios até então acumulados. receberam, por anos seguidos, o tratamento que mereciam. Se voltarmos para os números É importante assinalar que, graças à antes do ano 2000, vamos verificar que são ampliação dos recursos para investimento no baixos os patamares de recursos destinados à setor, tem sido possível retomar uma agenda recuperação e manutenção, e nós precisamos de investimentos na pavimentação de rodo- reverter o quadro geral das rodovias. Isso não vias em áreas de produção agrícola. DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO Isso, de certa forma, se relaciona com se faz da noite para o dia, mas com um trabalho continuado, seqüenciado, ano a ano e, em primeiro lugar, evidenciando a dimensão de recursos voltados para esse tipo de finalidade. É por isso que hoje já temos a percepção de melhoria em boa parte dos segmentos, mas ainda assim somos obrigados a fazer prograIsso se faz de maneira muito positiva mas, como o Programa Emergencial, que teve na área de transportes e eu diria que, como por objetivo atender pontualmente alguns registro importante, inicialmente, das médias trechos das rodovias brasileiras. O nosso de- anuais de comprometimento de empenho de sejo é fazer com que, através de intervenções recursos para a manutenção de rodovias no continuadas, intervenções mais qualificadas, período de 2000 e 2004, onde essa média es- possamos efetivamente ter a malha mui- Aqui relacionamos aquelas que já são teve na faixa de 0,7 bilhão de reais, nós esta- to melhor conservada. Esses números aqui objeto de obras, que estão em curso, como 61 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO a BR 070, de Aparecida do Rio Claro a Aragarças; a BR 135 no oeste da Bahia, seguindo na Da mesma forma, estamos tocando direção dos limites da Bahia com o Piauí; a BR 153 no Paraná, na região dos Campos Gerais, um conjunto arrojado de obras de ampliação ligando Ventania a Alto do Amparo; a BR 156 no Amapá entre Ferreira Gomes e Oiapoque; a de capacidade e, entre elas, nós temos aqui BR 158 entre Três Lagoas e Selvíria no Mato Grosso do Sul; a BR 158 no Mato Groso indo da a Sete Lagoas até o trevo de Curvelo na BR divisa Pará – Mato Grosso até Ribeirão Cascalheira; temos conversado muito com o Governo do 040, em Minas Gerais; a BR 060 no Distrito Fe- Estado do Mato Grosso e queremos, no segundo Governo do presidente Lula, pavimentar essa deral e em Goiás, ligando Brasília a Anápolis, estrada no Mato Grosso em toda a sua extensão; a BR 158 no Rio Grande do Sul; a BR 163 no que deverá estar concluída no próximo ano; Mato Grosso e Pará, de Guarantã do Norte até a divisa Mato Grosso – Pará e de lá para Santa- a BR 050 em Minas Gerais entre Uberaba e rém; essa é uma estrada fundamental, para que se tenha uma idéia, com a sua pavimentação Uberlândia, que praticamente estamos con- vamos reduzir em cerca de mais de 1.000 Km o tramo rodoviário até o porto, diferentemente cluindo; a Fortaleza – Pacajus na BR-116 no do que hoje acontece quando as cargas demandam Paranaguá ou mesmo São Paulo; a BR 282 Ceará; a BR 153 em Goiás, entre Aparecida em Santa Catarina, de Lages a Campos Novos; a BR 364 no Acre e também no Mato Grosso. de Goiânia e Itumbiara; a BR 153 em Minas Gerais, da divisa Goiás – Minas Gerais até o trevão da BR 365; a adequação de capacidade da BR 381 em Minas Gerais no trecho Belo Horizonte – Governador Valadares; a BR-101 entre Santa Cruz e Itacuruçá, no Rio de Janeiro; a BR 101 Nordeste e a BR 101 Sul. A BR 101 Nordeste, onde tínhamos apenas três lotes executados pelo Exército Brasileiro, agora já está inteiramente contratada. São oito lotes de duplicação desta rodovia e os cinco lotes que faltavam, eu, no mês de outubro, tive a oportunidade de dar a ordem de serviço para que efetivamente pudéssemos tocar. Bem, esse conjunto de investimentos está e deve estar correlacionado com um tema que nunca mereceu uma atenção cuidadosa de parte do Governo Federal, que é o de instalação de um sistema de pesagem de 62 balanças. pactos trazidos com o próprio aproveitamento do Projeto Piloto de Investimentos, como um fator de alavancagem dos investimentos no Ministério dos Transportes, trouxe para um aspecto extremamente importante que é o de fazer com que pudéssemos estabelecer uma boa relação com a iniciativa privada. Independentemente dessa ação direta Nós, que tínhamos cerca de 6 a 7 ba- dos investimentos do Governo, estamos tra- lanças fixas instaladas até o começo do ano, balhando também na Segunda Etapa do Pro- já atingimos 13 balanças e vamos estar ins- grama de Concessão de Rodovias Federais. talando mais 20 balanças até o final do ano. Nós, que estávamos no aguardo de um po- Além disso, 36 balanças móveis estão em ins- sicionamento do TCU, que se manifestou de talação e estamos, a partir da orientação do maneira clara, a partir daí temos que avan- Plano Diretor Nacional Estratégico de Pesa- çar para desencadear o processo licitatório. gem, prevendo a instalação de novas balan- Da mesma forma, estamos trabalhando no ças fixas, instalação de novas bases móveis projeto de Parceria Público-privada da BR 116 e prevendo uma implantação em 5 anos, evi- na Bahia; foram realizadas audiências públi- E aquilo que se verificava há muitos dentemente tomando por base uma licitação cas e diversas contribuições foram recebidas anos, quando o Ministério devia muito, tinha que deverá ocorrer ao início de 2007. Nas e estão sendo analisadas e providenciadas pouca capacidade de pagar e rolava a sua rodovias concedidas, temos hoje 11 balan- as respostas; tudo isso será encaminhado ao dívida por conta de medições de serviços ças fixas e móveis, estando previstas mais 2 Comitê de Parcerias e ao próprio Tribunal de executados, hoje não se verifica mais. Atual- balanças que deverão estar instaladas até o Contas com os esclarecimentos acerca daqui- mente, nós temos uma relação onde eu pos- final de 2006. lo que já foi solicitado. so assegurar que aumentou a credibilidade DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO Esse quadro que vivemos hoje e os im- 63 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO do Governo em relação à iniciativa privada, ta de profissionais na área da engenharia ro- fletindo por conta disso confiança no futuro, e isso é extremamente importante por vários doviária, sejam engenheiros, sejam técnicos confiança nas perspectivas de crescimento aspectos. Em primeiro lugar, porque quando rodoviários. Essa é uma constatação que nos do país; a introdução de novas práticas de ampliamos os níveis de investimento e paga- preocupa, mas é uma constatação positiva, relacionamento mos de forma correta, numa relação temporal porque caracteriza claramente o fato de que com arrendamento, leasing de equipamen- aceitável, em primeiro lugar, isso possibilita o setor está crescendo, de que o setor está se tos; o crescimento de 30% da produção de ao Governo tratar de uma agenda de inves- desenvolvendo a partir das encomendas, dos transporte verificado de 2002 a 2005. É um timentos que tenha uma dimensão muito serviços de manutenção e pavimentação de percentual elevado, e, o que é mais impor- maior do que aquela que se verificava há al- rodovias, e mesmo de duplicação encomen- tante, o caminho de revitalização da indústria guns anos, atuando na pavimentação de no- dados pelo Governo. de material ferroviário, com novos negócios, inclusive vas rodovias e na adequação de capacidade novos fabricantes e, eu citaria aqui, a expan- de rodovias. E isso foi capaz de atrair para são de 2 fábricas e a implantação de 4 novas o país grandes empresas de construção que plantas voltadas para a produção de vagões. saíram do Brasil, foram compelidas a buscar Isso é significativo. Possivelmente, quando o mercado lá fora, o que em si é bom, é posi- Diretor Geral da ANTT vier aqui para fazer a tivo que as empresas brasileiras conquistem sua exposição, ele detalhará melhor esses as- espaço lá fora. Mas elas foram compelidas pectos relacionados à produção, investimento pelo estreitamento do mercado interno e hoje e crescimento da atividade industrial relacio- essas mesmas empresas, que têm posições nada ao setor ferroviário. consolidadas no exterior, voltam-se para o Brasil disputando licitações e já habilitadas para a execução de obras importantes. Esse é um aspecto importante, um aspecto relevan- 64 operador-cliente, te que merece ser registrado aqui. Um outro No âmbito das ferrovias, nós também aspecto também é que, na medida em que podemos hoje caracterizar fatos importan- se ampliam os investimentos e a carteira de tes, fatos positivos e esses fatos estão rela- contratos feitos em relação aos nosso parcei- cionados à reversão de um quadro que não ros construtores, a indústria de construção era bom. Hoje, nós verificamos uma evolução começa a voltar a encomendar equipamen- no que diz respeito ao exercício do papel da tos à indústria. Esse também é um fato digno agência reguladora, trabalhando no aprimo- de registro e de comemoração. E um terceiro ramento do marco regulatório; investimentos aspecto é que o setor começa a sentir a fal- crescentes por parte dos concessionários, re- Independentemente da ampliação de capacidade, esta- no partiu para o desenvolvimento de uma agenda de investimentos na mos trabalhando também na expansão da malha ferroviária. Aqui ampliação de capacidade dos corredores de transportes, com obras nos nós temos hoje, já na nossa agenda de trabalho, a construção Contornos Ferroviários de São Félix, de São Francisco, de Campo Belo; o de da Ferrovia Norte – Sul; devemos estar chegando em Araguaína Campo Grande já está concluído; e programando, já para o próximo ano, este ano; a Ferrovia Transnordestina; a PPP do Ferroanel de São com recursos alocados no PPI, a adequação da linha férrea no perímetro Paulo, cuja modelagem já está sendo estudada pelo BNDES e nós urbano de Barra Mansa, a Variante Camaçari – Aratu, o Contorno de Arara- esperamos ter, no curto prazo, uma definição relativamente a quara, o Contorno de Joinville, o Contorno de Curitiba e, já estamos pensan- esse projeto; e também a Variante Guarapuava – Ipiranga no sul do, embora este último ainda não consignado em orçamento, em trabalhar do país, na região do estado do Paraná, que uma vez concluída no Contorno de Ourinhos. seguramente vai trazer grande benefício do ponto de vista da operação, tendo em conta as características geométricas da via Todos esses investimentos fazem com que a mesma malha ferrovi- onde ela passa atualmente. ária, a partir dessas intervenções, passe a propiciar velocidades operacionais maiores e, portanto, maior eficiência no sistema de transporte, a partir da malha instalada. DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO Da mesma forma, naquilo que se refere a investimentos, o Gover- Na área portuária, os nossos esforços se concentraram na Agenda Portos, que analisou 11 portos brasileiros que estão aqui relacionados: Itaqui, Suape, Salvador, Aratu, Vitória, Rio de Janeiro, Sepetiba, São Francisco do Sul, Santos, Itajaí e Rio Grande. As priori- 65 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO dades dadas foram exatamente para a melhoria das condições dos Ainda, no que diz respeito a portos, citamos aqui o ISPS CODE, uma acessos aquaviários e terrestres. No aquaviário, evidentemente, importante ação do Governo voltada para a certificação de portos brasileiros, tratando aqui da dragagem de manutenção e do aprofundamento obedecendo a requisitos de segurança quanto à entrada, saída e circulação onde ela se faz necessária. Na infra-estrutura e nos acessos, é de pessoas e de veículos na dependência dos portos. Hoje temos um percen- aquilo que nós chamamos de vias expressas, que permitem a che- tual muito elevado e praticamente concluído em relação a essa agenda. gada das cargas aos portos sem os constrangimentos e o tumulto que normalmente ocorre hoje em boa parte das cidades brasileiras. É exatamente por isso que estamos trabalhando no Contorno de São Francisco do Sul,no Pátio de Arará, no Porto do Rio de Janeiro, e também com investimentos em infra-estrutura voltados para as vias internas, pátios, recuperação, ampliação ou mesmo construção de berços. Esses investimentos também alcançam aquilo que nós chamamos da melhoria da relação Porto – Cidade, seja através da implantação de pátios logísticos, pátios de estacionamento rotativos, seja através das chamadas avenidas portuárias e do disciplinamento da circulação dos veículos no porto. E no transporte hidroviário, a nossa preocupação se foca na construção de terminais fluviais, principalmente na região amazônica, na manutenção das condições de navegabilidade dos rios que hoje têm aproveitamento econômico, com destaque para a dragagem, para o balizamento e sinalização desses rios. Aqui nós podemos citar a Hidrovia do Madeira, o Rio São Francisco, o Tietê – Paraná e o Rio Paraguai, assim como a retomada das 66 obras das eclusas de Tucuruí. os anseios de crescimento e desenvolvimento, embarcações de apoio marítimo, e estamos com a vocação que o país tem na sua rela- avançando para conquistarmos uma posi- ção com o resto do mundo, de intensificar, de ção moderna no que diz respeito à produção avançar nos fluxos comerciais com o resto do de embarcações de maior porte. Isso, tendo mundo, fluxos comerciais não só no sentido da já como um grande ponto de partida, a en- exportação, mas também da importação, esse comenda de cerca de 26 embarcações pela país teria que ter na sua área de infra-estrutura Transpetro, dentro de um total de 42 embar- uma boa base sedimentada de planejamento, cações que serão encomendadas já em um para conhecer suas necessidades, para orde- curto prazo. nar os seus objetivos e evidentemente ter clareza em relação às ações que são necessárias e compatíveis com os cenários de crescimento Na área naval, fazendo um contrapon- e desenvolvimento econômico desejados. Por to com aquela constatação que fizemos há isso mesmo, eu gostaria de, apenas fazendo pouco, a nossa preocupação é com o finan- uma retrospectiva, após 20 anos, o Ministé- ciamento da construção de embarcações de rio dos Transportes resgata de fato, na minha longo curso, cabotagem e apoio marítimo, avaliação, a função de planejamento contida de modo que o país possa restabelecer a sua entres as suas responsabilidades. DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO refere à produção de embarcações, sobretudo frota de embarcações e isso assegure uma participação maior na repartição dos fretes decorrentes do comércio exterior brasileiro. E também uma preocupação no sentido de que o Brasil, que tem legislação específica, Posto um quadro onde eu busquei carac- que tem um fundo constituído, voltado para terizar o que ocorreu com o setor, o esforço que financiar o desenvolvimento da armação bra- nós desenvolvemos, acho que agora é o mo- sileira, possa efetivamente ter seus recursos mento de caracterizarmos toda a nossa ação utilizados. Hoje, o que nós podemos dizer, é voltada para o planejamento de transportes. que, já a partir das encomendas em carteira realizadas pelos diversos estaleiros brasilei- É óbvio que um país com a dimensão do ros, nós temos um bom nível de desenvolvi- Brasil, com a complexidade que tem esse país mento de capacidade técnica naquilo que se do ponto de vista da sua infra-estrutura, com 67 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO A última vez que o Ministério fez um dentro de um enquadramento e de uma par- energéticos e em termos econômicos. Esse plano de transporte articulado e integrado foi ticipação que, ao meu ver, está longe daqui- plano está sendo trabalhado incorporando em 1986, portanto nós estamos falando de lo o que seria o razoável, longe daquilo que de maneira muito forte o conceito de territo- 20 anos. Depois desse plano, o GEIPOT, ain- seria o compatível para realmente organizar rialidade, a partir da visão de que a área de da quando existente, passou a se dedicar ao e estruturar o setor do ponto de vista do seu transportes tem um papel crucial na organiza- planejamento não em âmbito nacional, mas planejamento. ção econômica do território. E está sendo tra- um planejamento focado por corredores, por balhado envolvendo diversos segmentos que questões pontuais que eram colocadas para têm direto interesse no setor e, entre eles, eu que, efetivamente, a empresa desenvolves- citaria, os setores produtivos, os usuários, os se, subsidiando as decisões de Governo, seja transportadores, as federações, as confedera- na área de siderurgia, seja na área de grãos, ções, os governos de estado. Temos interagido por exemplo. e promovido seminários, como ao final dessa apresentação terei a possibilidade de mostrar, com as áreas de planejamento de transporte dos estados, buscando também uma articulação entre os Ministérios do Planejamento, Integração, Cidades, Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Defesa, Minas e Energia, Agricultura e Turismo, de forma que efetivaPor conta disso é que estamos agora trabalhando no desenvolvimento do que nós chamamos de Plano Nacional de Logística de Transportes. É um plano que pretende ser desenvolvido em bases participativas, pres- 68 Dentro desse contexto de evolução, supõe a recuperação de uma base de dados no período de 96 a 98, o GEIPOT participou referenciadas para o setor; um levantamento de programas de Governo como o Brasil em de aspectos logísticos ligados ao fluxo de car- ação, que organizou cerca de 42 projetos gas, tanto com relação a custo como a tempo, prioritários; em seguida, do estudo dos eixos levando em conta aspectos como estoques, nacionais de integração e desenvolvimento, e armazenagem e distribuição; e, efetivamen- foi responsável pela modelagem de transpor- te, uma preocupação com a racionalização te de carga de longa distância. Mas tudo isso da matriz de transportes do Brasil, em termos mente possamos organizar um plano que em 10 pontos poderia ser sintetizado. muita clareza os fatores logísticos. Que tam- liação da capacidade da infra-estrutura de to que tem caráter educativo, e segundo, não bém leve em conta aquilo que nós chamamos transporte do país. é um plano para Governo, é um plano para de ações, de iniciativas, que estão articula- o Estado Brasileiro. Em terceiro lugar, é um das com o nexo político. Eu cito, por exemplo, plano que, como instrumento, prevê um pro- como iniciativa articulada com nexo político cesso de planejamento continuado, é recu- a construção de uma ponte entre uma área peração de um processo de planejamento do de fronteira do Brasil. Ela pode não estar jus- Ministério dos Transportes. Ele está rigorosa- tificada do ponto de vista estritamente eco- mente articulado com a visão de desenvolvi- nômico, mas seguramente ela se justificará a mento econômico. Nós vamos ver o que nós partir de uma necessidade de integração. Um esperamos que ocorra com o Brasil e vamos aspecto importante é o da gestão institucional dizer o que é preciso fazer para que se res- porque, a partir do que venha a ser desenvol- ponda, de maneira efetiva, aos desafios que vido, serão apontadas necessidades e aspec- o desenvolvimento vai trazer para a área de tos importantes a serem trabalhados no que infra-estrutura e que vai impor ações que são diz respeito à readequação das estruturas de concomitantes com o crescimento nacional. planejamento do setor federal de transportes, Nós temos um trabalho que envolve e um compromisso com a segurança nacional uma análise prospectiva de 42 setores produ- e com o meio ambiente. tivos e 80 produtos, são produtos que efetiva- DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO Em primeiro lugar, é um planejamen- mente têm peso de fato na matriz de carga do O PNLT, para o seu desenvolvimento, Brasil; uma análise prospectiva das 5 regiões utiliza técnicas para projeções macroeconô- do país. Os profissionais que atuaram desen- micas. São técnicas avançadas, sofisticadas volvendo isso aqui, de certa forma, levam em de projeção, e essas técnicas prevêem uma conta o fato que o Brasil já teve 2 ciclos con- análise do Brasil, mas não o Brasil visto inter- tínuos e sustentados de desenvolvimento. O namente. Hoje não se pode pensar do ponto primeiro deles foi no período Vargas – JK, e de vista de atividade produtiva olhando para o segundo período poderia ser caracterizado o interior do Brasil; o espaço é o mundo. Nós como o do segundo PND. O Vargas – JK muito temos que enxergar o Brasil em suas múlti- focado na indústria de base; o segundo PND Nossa preocupação é com o desenvol- plas e complexas relações com o restante do muito voltado para as questões de infra-es- vimento de um sistema federal de transportes mundo, compreender essas relações e fazer trutura e seguramente, agora, a nossa expec- de caráter nacional e federativo, orientado com que elas se refletiram nas projeções de tativa é a de que o Brasil entre num novo ciclo para a multimodalidade, que enfoque com demanda que vão ser utilizadas para a ava- que estará muito fortemente influenciado pe- 69 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO las questões relacionadas ao conhecimento e com a rede multimodal já estabelecida, com ao desenvolvimento tecnológico. E, portanto, todos os seus atributos, com a calibração des- até mesmo as questões de espaço têm que sa rede para a simulação dos fluxos, para a ser pensadas de forma diferente daquela que identificação das prioridades seja do ponto foi utilizada ou que se levava em conta há de vista de equacionamento de pontos de es- muitos anos atrás. O desenvolvimento do pla- trangulamento, de pontos de restrição, seja no leva em consideração exatamente o mo- do ponto de vista dos elos faltantes e dos no- delo de equilíbrio geral computável; faz um vos investimentos para a expansão. rebatimento espacial e caracterização de um novo ciclo de desenvolvimento previsto para a economia, e as projeções dos fluxos entre as 558 microrregiões homogêneas do país, que coincidem com o zoneamento do tráfego Do ponto de vista do que ele vai trazer, que é objeto desse plano. resumidamente, seria um elenco de recomendações de natureza institucional, visando à gestão e à articulação do setor, como a reorganização do Ministério dos Transportes e dos órgãos vinculados; as propostas de aprimoramento de gestão; os modelos indicativos de Ele emprega também, a partir dessa O PNLT também tem um aspecto que o parceria; um portfólio de investimentos que destaca, que é o fato de levar em consideração contemplará os investimentos de nexo econô- os projetos e nexos políticos, que são aqueles mico e de nexo político; e os mecanismos que que contribuem para a redução de desigual- seriam indispensáveis para a perenização do dades regionais, para o desenvolvimento se- processo de planejamento do Ministério. Aqui torial e regional, portanto, que têm caráter de nós temos em conta a atualização da base segurança nacional e têm uma importância no de dados macro-econômicos a cada 4 anos. contexto das políticas de integração do país. Achamos que não é razoável se trabalhar com primeira etapa que mencionei, envolvendo o 70 nada mais estreito que esse prazo; a atuali- desenvolvimento das projeções de demanda, O Plano vai resultar em produtos de zação da base de dados físicos e de tráfego na seqüência, a utilização dos modelos de si- natureza institucional, além de um portfólio a cada 2 anos; e a revisão periódica do por- mulação modal de transportes. Vai trabalhar de investimentos. tfólio de projetos, na medida em que se faça expectativa é de que, depois de 9 reuniões manho esforço governamental pela dimensão xei nenhum prazo, mas entendo que isso terá regionais realizadas de 3 julho até 8 de agos- e pelo vulto dos recursos que ele exige para caráter periódico, o que fará com que o plano to, e elas estão aí discriminadas, seja possível preparar o país para os seus desafios. possa estar sendo a cada momento atualiza- apresentar um relatório final do plano agora do, incorporando novas iniciativas que even- no dia 19 de dezembro de 2006. Nós estamos Para finalizar, eu gostaria apenas de tualmente venham a se colocar na ordem do absolutamente convencidos de que com a registrar, no momento em que nós estamos dia e nas prioridades do Estado Brasileiro. produção de um instrumento que é apoiado discutindo com tão motivado interesse as numa base sólida, numa metodologia, e em questões relacionadas a transportes, e aqui, critérios e conceituação bastante qualifica- Ministro Augusto Nardes, eu coloco aqui sinte- dos, estaremos com um primeiro documento ticamente a nossa visão em relação às ques- que dará as indicações com relação às ne- tões que dizem respeito à nossa relação de cessidades de infra-estrutura no país, e essas colaboração com o Tribunal de Contas. indicações irão do horizonte 2007 até 2023, sendo bastante detalhada naquilo que se refira aos subsídios para os próximos PPAs, ou DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO necessária a sua atualização. Eu aqui não fi- seja, os PPAs 2007, 2011 e o 2015 e mais geral, menos aprofundada, no que diz respeito ao período 2015 e 2023. Esperamos que tanto o plano como instrumento, quanto como proO plano tem sido realizado com a sua cesso de planejamento que se restabelece, e sede no CENTRAN, que é o Centro de Excelên- o que derivará dessas 2 iniciativas, nos pos- cia em Engenharia de Transportes do Minis- sibilitará caminhar para organizar de maneira tério do Exército lá no Rio de Janeiro. Ele tem mais estruturada os investimentos que preci- sido desenvolvido por uma parceria entre o samos fazer. Vamos ter clareza dos desafios Ministério dos Transportes e do Ministério da que o Brasil precisa vencer e, evidentemente, Em primeiro lugar, nós temos um desa- Defesa. Os estudos e as análises sócio-eco- o nosso dever, a nossa expectativa é de que fio gerencial, qual seja o de conciliar a gestão nômicas que o lastreiam foram desenvolvidas esse plano possa servir como importante refe- e a fiscalização no interesse de desenvolvi- pela USP, FIA e FIPE da USP. Contamos ainda rencial para que, daqui para frente, possamos mento do país. Eu acho que todos nós, cada com uma equipe multidisciplinar de consulto- não só ter um bom instrumento, mas ter um um no seu campo de atividade, temos uma res. Foram realizados 4 workshop nacionais bom processo que alimente as necessidades motivação muito legítima em relação a isso. em março, maio, agosto e novembro. A nossa de planejamento num setor que demanda ta- Do ponto de vista da execução, nós não te71 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO mos dúvidas de que vamos precisar adequar, Uma delas que eu menciono aqui, e eu com diversos atores. O Ministro Nardes já teve capacitar recursos humanos e logísticos em não coloco isso como regra, é o envolvimento a oportunidade de fazer isso; cito como exem- termos qualitativos para implementar os pla- prévio do TCU em algumas situações especiais, plo a Perimetral do Porto de Santos. O senhor nos de transportes, as iniciativas de transpor- envolvendo ações específicas do Ministério. acionou a Unidade Regional do Tribunal, que tes com maior eficiência, com maior eficácia, Porque se nós tratamos, se nós discutimos as promoveu, fez as diligências para a coleta de buscando otimizar a aplicação dos recursos coisas, conseguindo aplainar bem a visão em todas as informações; esteve presente lá no públicos. Do ponto de vista da fiscalização, relação a determinadas iniciativas, esse é um Porto de Santos, viu do que se tratava, e eu penso que é importante a busca da concilia- excelente ponto de partida para que a gente tenho a impressão de que isso contribui de ção das atividades de controle, com a manu- consiga chegar da melhor forma no final. O forma muito positiva para que, efetivamen- tenção da fluidez na prestação do serviço ao segundo ponto é a possibilidade de soluções te, se possa dar uma maior celeridade e, evi- público, ao cidadão. O nosso desejo coincide, negociadas por acordo entre as partes com dentemente, eu estou falando em casos mais converge com o desejo de quem exerce o pa- vistas a dar maior agilidade a determinadas relevantes, casos mais importantes. Isso sem pel fiscalizador, mas nem sempre. Ora por de- decisões e encurtar a tramitação normal. dúvida contribuiria para que nós pudéssemos ficiência de nossa parte, ora por velocidade do andar melhor. E é óbvio que quando eu falei, ponto de vista do controle, nós perseguimos O senhor, na posse do Ministro Palmei- nesse segundo item, em soluções negociadas; esse intuito com a mesma correspondência ra, sinalizou algo nessa direção, e isso é extre- às vezes essas soluções vão implicar em fazer do desejo que temos de que as coisas andem, mamente importante. Quando falo isso, não é ajustes em termos de alguma solução, alguma de que as coisas caminhem. E eu diria que al- a promoção de uma reunião para resolver as norma, algum disciplinamento, mas se isso for gumas iniciativas importantes nesse sentido coisas na informalidade não; é formalmente feito sem que se perca o foco e o objetivo de já foram e podem ser retomadas. pactuar compromissos que possam dar uma quem executa, o objetivo de quem controla, conotação de maior agilidade para que, efe- de quem fiscaliza, eu acho que o país sai ga- tivamente, se consiga resolver os assuntos e nhando e nós conseguiremos efetivamente sair do papel e chegar ao objetivo que nós to- apresentar mais resultados. dos perseguimos. E um terceiro aspecto é o de 72 maior envolvimento dos responsáveis pela to- Eu concluo aqui me colocando à dispo- mada de decisão em instância superior, e aqui sição dos senhores. Tenho a impressão de que eu coloco os próprios Ministros, objetivando oportunamente isso vai acontecer, e agrade- um maior conhecimento sobre os fatos rela- cendo aqui por ter a oportunidade de falar um cionados aos temas que estão na sua esfera pouco do quadro atual do Ministério e do que de decisão e julgamento, com a realização de nós pensamos e fazemos hoje em termos de inspeções aos locais de obra e contato direto planejamento. Muito obrigado. Paulo Paiva. Secretário dos Transportes de Minas Gerais. em nome de todos os Secretários. Embora fale sobre a minha experiência em Minas Gerais entendo que o fundamental do que estou trazendo aqui pode ser coincidente com a visão da maioria dos Secretários dos Transportes do Brasil. E concluo então minha apresentação. DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO INTEGRAÇÃO DO PLANEJAMENTO - VISÃO DOS ESTADOS Eu creio que hoje, e é desnecessário chamar atenção para isso, lendo os jornais, conversando, ouvindo as discussões, sabemos que o grande desafio que o Brasil tem é de como retomar uma trajetória de crescimento sustentado, com níveis compatíveis com as aspirações do povo brasileiro e, certamente, equiparáveis com o crescimento da maioria dos países emergentes. Na minha apresentação vou fazer uma pequena introdução, depois quero falar um pouco sobre alguns desafios da inte- Nós estamos tendo um ambiente internacional propício ao cresci- gração no ponto de vista do planejamento. E sobre o papel dos mento econômico e a nossa economia tem uma taxa de crescimento bem estados, quero trazer aqui algumas sugestões oriundas da minha mais baixa do que grande parte das economias emergentes. E nesse con- experiência pessoal na área rodoviária que, acredito, possam con- texto um dos grandes temas é o seguinte: em que medida se nós tornar- tribuir para melhorar os investimentos neste campo. Digo que é mos o crescimento mais rápido, a infra-estrutura será um obstáculo a isso? do ponto de vista pessoal, embora falando da visão dos estados, Por outro lado, o que devemos fazer para permitir que investimentos em porque não submeti essa minha visão aos meus colegas, Secretá- infra-estrutura possam contribuir para acelerar ou elevar a taxa de cresci- rios de Transportes de outros estados, para que eu pudesse falar mento da economia brasileira? 73 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO O que nos chama a atenção da impor- para o escoamento da produção agrícola do tância deste evento, desta discussão que fa- Brasil na região do oeste do nosso país até os zemos aqui hoje: de criarmos e enfrentarmos portos. Isso tem um impacto para melhorar a os desafios para promover os investimentos competitividade da economia em geral e de em transportes para, de um lado, eliminar- alguns setores em particular. Todavia, infeliz- mos os gargalos que impedem o crescimento mente nós temos algumas restrições para o e, de outro lado, efetivamente contribuir para crescimento econômico do Brasil e algumas o crescimento da nossa economia. restrições para os investimentos em transportes que, eu creio, são os desafios que estão Sabemos - e aqui falando a uma platéia na mesa para nós enfrentarmos. de especialistas não ha necessidade de aproEstudos têm mostrado que a elastici- fundar sobre isso - que a melhoria da rede de dade de renda da infra-estrutura no país é transporte no nosso país permite o aumento da considerável, entre 0,55 e 0,61 o que signifi- eficiência da economia e a redução de seus cus- ca que se nós investirmos em infra-estrutura tos; a melhoria do grau de competitividade na teremos impacto sobre o crescimento da eco- economia pode ser determinada pela melhoria nomia e no conjunto dos setores da infra-es- das condições de transportes, tanto da econo- trutura, principalmente energia e transporte, mia em geral, quanto a do setor de transporte, que têm uma elasticidade ainda mais elevada quanto ainda a competitividade de alguns seto- do que a média dos seus setores. res específicos que utilizam os transportes. De um lado, os investimentos da União têm caído e eu estou repetindo aqui o que o Ministro Paulo Sérgio nos falou, que tem havido tendência de queda dos investimentos da União. A rede de transportes rodoviários tem se deteriorado ao longo dos anos, o que im- 74 Nosso Ministro dos Transportes fez refe- plica em restrições ao crescimento econômico rência em vários momentos sobre a importân- porque reduz a eficiência, aumenta os custos. cia da melhoria de transporte, por exemplo, Certamente os usuários da rede de transpor- Esse gráfico reproduz o gráfico que o Ministro Paulo Sérgio que significa rodovias que não permitem uma velocidade média acima de nos mostrou, eu queria, apenas chamar a atenção para o fato de 50 Km/h. O que significa no ponto de vista dos seus custos, o aumento do que os investimentos em transportes em 2005 são apenas 10% custo de combustível, de desgastes dos seus veículos e certamente do au- do que eram em 1975. mento do tempo da viagem. Exatamente essa é a tendência, essa é a magnitude da queda ao longo desses anos. O resultado dessa informação sobre o estado das rodovias brasileiras, sob gestão estatal, é que as rodovias que tem estados bom e ótimo não chegam a 20% do total das nossas rodovias. Cerca de quase 50% têm estado péssimo e ruim. Este é o nosso quadro. Eu não quero e não vou fazer aqui um diagnóstico sobre a questão, porque o Ministro Paulo Sérgio o fez de maneira muito brilhante, muito clara, tocando todos os pontos de um diagnóstico da situação de transportes no País. Eu queria chamar a atenção para este ponto, porque na parte das minhas sugestões DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO tes do Brasil conhecem muito melhor do que eu, porque sentem na pele, o eu quero voltar a falar sobre a questão do setor rodoviário. Diante desse quadro de grande desafio que nós temos vêm a pergunta qual o papel que os estados têm nesse campo? E eu ouvi atentamente a exposição do Ministro Paulo Sérgio. Eu não vi 75 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO em nenhum momento, ele chamar a atenção çar nesse campo e contribuir para melhorar para a importância do papel que os estados da as condições do transporte no nosso país. timentos que nós temos desafios. Há o que Federação têm para a área de transportes. O chamo de maneira geral de ambientes de ne- que caberia aos estados fazerem. Isso reflete gócios. Mas nós temos alguns aspectos que exatamente esta situação. O governo federal devemos prestar atenção que são obstácu- não considera a atuação dos estados no pla- los, dificuldades, aos investimentos na área nejamento e na gestão das rodovias brasilei- de transportes. Um deles tem a ver com os ras. Eu diria ainda que os Estados Federados, impactos ambientais. A complexidade no tra- não têm capacidade própria de investimento tamento dessa questão no Brasil. A avaliação em função das restrições decorrentes da con- ambiental, o tempo que se leva para ter um li- solidação do acordo das suas dívidas. A capa- cença ambiental, os custos associados a com- cidade de investimento dos estados tem sido Primeiramente, quero dizer que, embo- pensação ambiental, são fatores que podem através da sua receita corrente e também do ra haja disponibilidade de poupança privada inibir os investimentos nesta área. Hoje eu acréscimo do uso da CIDE. E eu quero mostrar no nosso país, quer dizer que não haja falta vi pela imprensa que o Governo Federal está qual é a parcela da receita da CIDE que o con- de disponibilidade de investimento privado preocupado com isso, sugerindo o encaminha- junto dos estados brasileiros têm acesso hoje. no país, há, contudo, escassez de poupança mento de uma proposta de lei complementar E ademais eu pretendo mostrar, com a experi- pública disponível para os investimentos em que possa ajudar a melhorar esse aspecto, ência de Minas Gerais, a falta de competência transportes. E o resultado nós vimos no gráfi- mas esse é o aspecto fundamental. E eu não jurisdicional dos estados sobre os principais co da queda desses investimentos. Quer seja falo aqui como alguém que não tem preocu- eixos de transportes. Então eu vim aqui para pela mudança na estrutura dos gastos públi- pação com a questão ambiental, eu creio que falar aos senhores, vejam como é paradoxal, cos ao longo dos últimos 30 anos, quer seja nós temos que ter uma visão de equilíbrio de uma experiência de quem tem autoridade pelos esforços de ajuste da economia brasilei- dessas questões e isso é um elemento inibi- sobre transporte no estado mas não tem capa- ra, houve redução dos investimentos. dor, pelo menos um elemento que dificulta, cidade de investimento e nem tão pouco tem competência jurisdicional sobre a maior parte do fluxo de transporte no seu estado, que não é um estado pequeno, é um dos maiores estados da Federação. E é essa angustia que eu quero compartilhar com os senhores. Não só a angustia, eu quero apresentar também propostas concretas de como podemos avan76 Mas não é apenas na questão de inves- que aumenta os custos nesse campo. E aqui mais duas limitações que com- projetos. Na experiência do meu estado, eu também no campo das licitações públicas e pletam na minha visão essas dificuldades: tenho ouvido isso dos empresários, que hoje principalmente das novas modalidades de uma delas é a fragilidade das instituições não temos mais engenheiros projetistas. operação. Nós falamos muito em PPP, no meu públicas e a segunda é a limitação das em- Porque o país ficou muito tempo sem inves- estado nós estamos num processo de licita- presas privadas em atender adequadamente timentos, muitas vezes temos que recorrer ção para uma PPP de uma rodovia, que é um a demanda nesse momento. O Ministro Paulo a engenheiro que já se aposentou. Não têm eixo importante de Minas Gerais e o único im- Sérgio tocou muito bem nesses aspectos prin- novos engenheiros sendo preparados. Certa- portante que está sobre a jurisdição do estado cipalmente no segundo. Não vou entrar em mente a demanda e um período mais lon- de Minas Gerais, mas nós não temos, que eu detalhes sobre elas. go de crescimento dos investimentos irão tenha conhecimento, ainda consolidada uma propiciar com que as empresas melhorem jurisprudência nesse campo. Nós ainda não Por quase 30 anos foram deteriorando o seu quadro, melhorem a sua capacidade. colocamos em execução um PPP na área de os nossos investimentos na área de trans- São elementos que eu gostaria de chamar a transportes que tenha sido concluída. Esta é portes e isso afetou as instituições públicas atenção junto com a questão ambiental, jun- uma alternativa importante e eu quero cha- que operam nesse campo. Nós precisamos to com as dificuldades nos processos de lici- mar a atenção porque faz parte da minha pro- ter mecanismos pra renovar os técnicos des- tações de concessões e PPPs. São elementos posta, mas é uma questão que eu coloco entre se campo, tanto no Governo Federal como que além da disponibilidade de poupança, esses desafios que temos que enfrentar. nos Governos Estaduais, mudar um pouco podem, devem e estão afetando os investi- a própria cultura do setor. Eu acho que nós mento nesse campo. Em geral tem sido muito longo o tempo nos consolidamos num modelo apenas de médio dos processos de licitação, da conclusão investimento público, do processo de lici- Essa é uma parte introdutória que eu desse mecanismo e também muito freqüentes tação pública. Temos pouco conhecimento, gostaria de apresentar, chamando a atenção os recursos ao judiciário, que também retar- pouca experiência na relação com o setor da importância dos investimentos em infra- dam esses processos. Esse é um outro aspec- privado no campo de concessões, particu- estrutura e particularmente em transportes to que eu gostaria de chamar a atenção. larmente, quase nula no campo das PPPs, e para o crescimento da economia, de que esse é um aspecto necessário para melho- questão de investimento não é falta de pou- rar a eficiência, melhorar a competência das pança privada, nós temos sim restrições de instituições públicas. E o mesmo se aplica investimentos públicos e temos outras ques- para o setor privado. tões de restrições que vão além da disponibi- DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO A complexidade do arcabouço legal, lidade de investimentos. Não é simplesmente Aqui eu quero chamar a atenção, principalmente, para a área de consultoria, de a falta de poupança, temos outras questões que devemos olhar. 77 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO Mas o desafio à integração tem três aspectos: A multimodalidade, que foi bastante transportes em seu conjunto e da economia como conseqüência. discutida anteriormente, é um fator importante para a integração dos modais; a multiplicidade de atores e a integração de planos, programas e orçamentos. São as três dimensões que eu gostaria de abordar. Eu quero falar agora sobre os desafios à Integração. Nós estamos falando de planejamento, falando de crescimento, nós estamos 78 falando em horizonte de mais longo prazo, Nos casos dos dutos, no meu estado, não estamos discutindo horizonte de curto as pessoas da minha geração devem se lem- prazo, não estamos colocando em discussão brar da dificuldade que era o transporte e os questões relativas ao que podemos fazer de riscos que tinham nas rodovias com o trans- hoje até amanhã. Vou mencionar um horizon- Gostaria de deixar registrada a ques- porte de gás, de combustível que se fazia em te mais longo com uma perspectiva de planos tão que foi discutida pela manhã, que é a dos Minas Gerais. Com a introdução dos dutos da plurianuais para os próximos períodos. modais. Nós temos os modais ferroviários, Petrobrás, retiramos esses caminhões que rodoviários, aeroviários, aquaviários, dutovi- transportavam gasolina nos principais eixos ários e temos a integração desses modais na rodoviários do estado. A mesma coisa, em concepção de logística com estoque, armaze- certa medida, com o minério de ferro. Na ro- nagem e informação. É um sistema extrema- dovia de Belo Horizonte ao Rio de Janeiro en- mente complexo. Isto exige do planejamento, contravam-se filas e filas de caminhões que na área de transporte, uma visão que vai além foram se retirando, na medida em que dutos de um setor específico. Que requer uma visão e o transporte ferroviário foram substituindo mais complexa e que permita a sua integra- o transporte rodoviário. Mas nós temos uma ção. Qualquer visão, estritamente, de um se- outra integração que é a integração entre os tor seria incapaz de melhorar a eficiência dos atores. Entre as diferentes esferas do setor está permitindo a participação dos diferentes Quais são as prioridades? Como nós os setores público e privado - concessionárias setores na sua elaboração. O que nós temos conciliamos essas prioridades? Então vamos e usuários. Eu, de novo, quero chamar a aten- de verificar agora é em que medida isso pode defini-las. E aqui há um papel importante dos ção, fazer referência aqui, não como crítica, resultar em decisões de prioridades e escolhas fóruns dos secretários de transportes. Essa mas como mostra da importância relativa dos de opções de investimento. Mas é importante integração só acontecerá se nós tivermos a atores para o governo federal. Na apresenta- e é importante a experiência de uma tentati- possibilidade de coordenarmos um fórum ção em que o Ministro fez ele referiu-se ao va de uma articulação entre o PNLT e os pla- conjunto entre Secretários de Transportes setor privado, mas não mencionou estados nos estaduais, os PELTs, que alguns estados já e Secretários de Planejamento. Discussões e municípios como atores nesse campo. E o fizeram e outros ainda estão fazendo como o apenas em assembléias, em audiências uni- que eu estou reivindicando é que os estados meu está neste momento desenvolvendo. laterais, não permitirão essa integração. A in- sejam atores e eu reivindico que essa posição tegração está espelhada e concretizada nos é fundamental e pode contribuir para melho- planos plurianuais da União e do estados. A rar a eficiência do sistema de transporte no União leva em consideração as prioridades nosso país. dos estados e os estados levam em consideração as prioridades da União e isso se conso- DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO público (federal, estadual, municipal), entre lida nesta integração. Uma outra importante integração para melhorar a eficiência do sistema e melhorar o planejamento é a integração dos planos pluE há uma integração de plano, e há ne- rianuais da União e dos estados. A União e cessidade de interlocução entre os diferentes os estados estão preparando os seus planos atores e a coordenação dos planos dos seto- para o período 2008 a 2011 e é fundamental O passo seguinte é a integração dos res públicos e privados. E aqui é importante a a integração entre o plano Plurianual da União orçamentos anuais aos planos de plurianuais. experiência hoje do Governo Federal, o PNLT e os planos Pluriannual dos estados. Uma vez definido o plano, definidas as metas, 79 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO definidas as suas prioridades, elas precisam referem mais à gestão na execução. E aqui cia de que um projeto executivo anteceda o estar refletidas nos orçamentos anuais. E aqui é menos uma relação entre estados e União, início de uma obra. A imprevisibilidade e a in- eu estou chamando a atenção para o fato de mas é um pouco a experiência que eu creio certeza são alguns dos problemas, que temos que nesse campo trabalhando com essa per- que é importante para cada estado individu- na execução de uma obra. Inicia-se uma obra cepção nós temos que evitar a inclusão de almente e eventualmente para a União. A pri- sem um projeto executivo muito bem feito e obras no orçamento, as chamadas janelas, meira é a adequação do ciclo das obras às ao longo da obra se tem algumas dificuldades, que se abrem para no futuro conseguir ne- condições climáticas, eu não sou engenheiro, aí são necessários aditivos. Quando eu che- gociar recursos. Isso é uma maneira indireta não sou especialista nessa área de transpor- guei na Secretaria de Transportes de Minas, para gerar déficit no orçamento porque, em- te, estou aprendendo isso um pouco na Se- me diziam que a lei permite que se aumente bora nominalmente esteja o orçamento equi- cretaria de Transportes de Minas Gerais, e até 25% do contrato e eu respondia que o que librado, os recursos são insuficientes para a uma coisa que me pareceu muito clara é que ocorre é que não há possibilidade do orça- execução daquela obra ou de parte daquela não é adequado disponibilizar o orçamento mento do estado crescer 25% durante o ano, obra naquele ano e ela será objeto de nego- para o início de uma obra exatamente agora porque isso ocorria em um ambiente de infla- ciação na frente. Aí nós estamos fugindo da a partir de outubro, novembro e dezembro. Eu ção muito alta, em termos nominais, a receita visão da nossa bússola ou da nossa carta de vou permitir que se dê uma ordem de serviço crescia com a inflação. Então é necessário re- navegação que é o plano plurianual. Estas são para uma obra que não vai ser executar ago- duzir esse hiato entre o preço que se inicia a questões que me parecem importantes. ra, que só vai ser executada daqui a três me- obra e o dispêndio em sua execução. A forma ses. Então a Secretaria de Planejamento, que de fazer isso é investir mais em projetos. Um controla a execução orçamentária, cobra da bom projeto executivo tem um valor maior em Secretaria de Transportes porque a obra não termos relativos no total da obra do que tem está andando. Isto simplesmente ocorreu por- um simples projeto básico ou um projeto exe- que não houve coordenação entre a liberação cutivo mal feito. Mas no total a obra em geral orçamento e o ciclo da obra. Isso parece uma ficará mais barata se executada a partir de questão primária, mas é uma questão impor- um projeto executivo. É fundamental para o tante do ponto de vista do planejamento e do planejamento e para reduzir as incerteza que ponto de vista da execução orçamentária. haja um projeto executivo concluído, pronto e aprovado, para o início de uma obra. E, o ideal 80 O segundo e o terceiro, provavelmen- seria incluir no orçamento, uma obra somente Agora, existem algumas questões tam- te, são observações que muitas pessoas não quando o projeto já estiver aprovado, porque bém, no campo do planejamento, e que se terão muita simpatia por elas, que é a exigên- se teria segurança de que o recurso necessá- DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO rio está previsto no orçamento e se poderia executar essa obra com segurança. Esses são elementos que me parecem importantes, do ponto de vista da integração do planejamento e alguns elementos da gestão na execução que eu gostaria de colocar à mesa para a nossa discussão. A outra parte que eu gostaria de trazer como sugestão, é uma proposta a partir da experiência de Minas Gerais e que toca um pouco no que eu chamei a atenção no início que é a incapacidade que o estado tem em fazer investimento, com as restrições finan- Este aqui é o mapa de Minas em que nós temos os principais eixos: os pretos são os eixos ceiras de um lado e de outro lado pela sua ferroviários e os amarelos são os eixos rodoviários. Apenas uma rodovia saindo de Belo Hori- incapacidade em atuar no planejamento por zonte, seguindo no sentido sudoeste, que é a MG 050 (hoje está num processo de concessão no falta de competência sobre a malha de trans- modelo PPP) é que é uma rodovia sobre jurisdição do estado de Minas Gerais. No mais, os eixos portes. Eu creio que a experiência de Minas rodoviários são de jurisdição Federal e as ferrovias são todas hoje de concessão privada. Esse é Gerais é válida para vários outros estados. um tópico que eu gostaria de tratar um pouco mais na frente. 81 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO A malha pavimentada em Minas Gerais, excluídas as municipais, é cerca de quase 24 mil Km. Essa malha cresce, e somente com um programa do Governo de Minas Gerais, o chamado Pró-acesso, a malha pavimentada será acrescida de mais 5.700 Km. Na verdade de um pouco mais de 4.000 Km, porque 1200 Km já foram acrescentados este ano, mas o total desse programa são 5.700 Km. É importante chamarmos a atenção para o fato de que a cada km de rodovia que pavimentamos, não é Minas Gerais têm hoje um malha rodo- apenas o recurso que conseguimos para fazer Agora olhando essa malha nós vamos viária extensa, uma malha ferroviária também a sua pavimentação que é importante, ou a verificar que a intensidade maior do fluxo de bastante grande e da malha pavimentada to- inauguração que é feita normalmente nos mu- transporte se dá em ferrovias, rodovias e ae- tal do país, encontra-se em Minas Gerais 13%, nicípios, uma festa muito grande do Prefeito e roportos fora, da jurisprudência estadual. Isso e da malha rodoviária Federal 18% . Então nós da comunidade, muitas vezes a conquista de limita a ação de planejamento do estado. Nós temos uma participação bastante elevada na uma expectativa de décadas, é que essa rodo- temos uma malha rodoviária grande, mas nós malha. Isso aqui é apenas para transformar via pavimentada vai requerer investimentos temos os fluxos com mais intensidade na ma- minha observação em números. futuros para a sua manutenção. A ausência lha rodoviária Federal. desses investimentos coloca no nosso dicionário a palavra restauração. A restauração é nada mais nada menos a falta de manutenção e de conservação no passado. Então, esta malha certamente irá crescer ao longo desse tempo, principalmente pela parcela da rede estadual e ainda temos da malha Federal, pouco mais de 1000 Km não pavimentados dentro do estado de MG, mas nós devemos chegar no final de 2010, provavelmente, com cerca de 26 a 28 mil Km de rodovias pavimentadas no estado de Minas Gerais. 82 Aqui as fontes de financiamento,seriam extensão de malha pavimentada de quase transitórias e permanentes. As transitórias 23.000 Km dos quais 8.000 são Federais. Para seriam uma parcela de superávit primário e cada 2 Km de rodovias pavimentadas esta- as permanentes seriam a CIDE, recursos or- duais, nós temos cerca de 1 Km de rodovias dinários do tesouro, e as concessões comuns, Federais, mas quando olhamos o fluxo, 70% como as PPPs. Há de se olhar o planejamento, desse fluxo se dá nas rodovias Federais, não de um lado o que fazer e de outro lado como nas rodovias estaduais. Por isso a nossa preo- financiá-lo. E a minha contribuição era trazer cupação com a malha rodoviária Federal, por uma sugestão de um programa de como fi- isso a nossa ansiedade com as condições da E a adequação em cerca de 8.000 km nanciá-lo levando em consideração que nós malha Federal no nosso estado, porque a nos- das rodovias Federais no estado requer, em devemos caminhar o máximo que nós puder- sa economia passa pelas rodovias Federais. estimativas superficiais, em torno de 4 a 5 bi- mos para aumentar a participação do setor Nas rodovias estaduais o fluxo é cerca de 30% lhões de reais. E há necessidade de se iden- privado na operação da malha rodoviária. do total embora elas tenham uma extensão tificar fontes para esses investimentos que Porque não temos condições de mantê-las muito maior. No caso das ferrovias o fluxo é sejam compatíveis com o equilíbrio fiscal e a com recursos públicos ao longo do tempo, 100% em trilhos de concessão privada. No estabilidade da economia. É exatamente isso, porque na medida que ampliamos essa ma- caso do transporte aquaviário, basicamen- que nesses 10 minutos que me faltam, que eu lha, nós estamos competindo com a necessi- te do rio São Francisco é todo de jurisdição gostaria de trazer aqui como uma sugestão e dade de recursos públicos para outras áreas, Federal. Dos dutos também, 90% não estão tomando o exemplo de MG. Eventualmente, principalmente para as áreas sociais, onde a sobre a jurisdição do estado e dos aeroportos quem sabe, essa proposta poderia ser aplicá- possibilidade de encontrar alternativas de in- também só temos 5% do fluxo sobre a jurisdi- vel a outros estados. vestimentos do setor privado são muito mais ção do estado. Então esse é um ponto que eu DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO Aqui são estimativas. Nós temos uma restritas que nesse campo. gostaria de chamar a atenção, que além das restrições de investimento nós temos também enormes restrições do ponto de vista da nossa ação com o planejamento, com a administração do transporte no estado e conseqüentemente nós sofremos os impactos e não temos os instrumentos para atuar. 83 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO Eu queria chamar a atenção para al- de adequação dessas condições ao longo do guns pressupostos que tenho aqui. Primeiro tempo, não só no Governo Federal, mas tam- que eu creio que existem condições macro- bém nos estaduais. econômicas para pequena redução do superávit primário. Nós estamos trabalhando no Brasil com o superávit primário cerca de 4,25% do PIB, que é compatível para manter uma tendência do declínio da relação dívida Pública/PIB para chegar em 2010 em 40%. Hoje ele está em aproximadamente 50%. Nos últimos 4 anos, no Governo Lula, ele reduziu de 57% para 50%, um avanço Uma alternativa, do ponto de vista do extraordinário e a manutenção deste nível estados, seria utilizar parcela da transferên- de superávit primário, significa reduzir 10 cia que o estado faz a União, decorrente do pontos percentuais em 4 anos. As condições Aqui eu estou utilizando a idéia de PPI acordo da dívida estadual da lei 9496 que da economia brasileira permitem alterar um - Projeto Piloto de Investimento na área de é, no caso de Minas Gerais, 13% da receita. pouco a inclinação dessa curva e caminhar transportes rodoviários que eu estou definin- Varia de 11% a 15% dependendo do estado. um pouco mais lentamente. Eu acho que as do como a intervenção na malha Federal com Essa parcela seria transferida não em termos condições da disponibilidade de recursos, as garantia de retorno econômico ao longo de monetários, mas seria transferida à União em condições da economia internacional, e co- um período pré-determinado. restauração e adequação de rodovia Federal mum programa bem feito, ajustado de um 84 naquelas condições prévias que eu mencionei lado com a garantia de concessão, e de outro A prioridade e escolha do trecho serão lado com a garantia de redução de gastos de determinadas pelo retorno econômico e pela custeio, poderia se utilizar transitoriamen- viabilidade à sua imediata concessão após te parte do superávit primário mantendo-se intervenção. Talvez eu esteja divergindo bas- inalterados os regimes de responsabilidade tante das idéias mais gerais que são utilizar fiscal e a tendência de redução da relação dí- 1% do PIB, ou 0,5% do PIB, ou seja, o que for vida líquida/PIB ao longo do tempo. Deve-se para investimento de uma maneira geral. Nós elaborar junto, um programa factível de re- temos que ter a clarividência para identificar dução de gastos corrente ao longo do tempo quais são as prioridades a investir primeiro. e principalmente com reforma da Previdên- Que são aquelas que têm retorno econômico cia Social. Nós temos que ter um programa e que permitem a sua imediata concessão. e condicionada ao seguinte: A rodovia seria transferida para o estado na medida que entrasse no programa e seria o BNDES, por exemplo, ou no caso de Minas feita a sua concessão tão logo fosse concluída a sua recuperação ou adequação. E a manuten- Gerais, o BDMG, seria o agente responsável ção das rodovias não passíveis de concessão ficaria sobre responsabilidade do Estado. para a avaliação econômica do projeto. Não é uma escolha qualquer, mas com a garantia do seu retorno econômico e após a recuperação seria imediatamente feita a concessão comum a PPP dependendo das condições do tráfego da rodovia. Esse investimento voltaria para a União nos anos subseqüentes em forma de novos impostos ou pelo pagamento pela outorga quando isso é aplicado. O que eu estou propondo não é simplesmente utilizar parte do superávit primário DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO Aqui, um banco em desenvolvimento, para gastos ou para investimento em geral, é distribuir no tempo: utilizá-lo agora para ele voltar no tempo. E garantir, quem sabe se com 1% do PIB utilizado dessa forma, de redução do superávit primário, se aumente 1% do PIB no seu crescimento e retorna imediatamente sem prejuízo dos fundamentos macroeconômicos da nossa economia. Aqui estou proponho de uma maneira muito clara a estadualização das rodovias Federais neste modelo, neste programa. Como conseqüência, os recursos da CIDE, também não estão sendo aplicados adequadamente pela União na sua finalidade de transporte. O volume da parcela da CIDE que está sendo aplicada pela União em transportes tem sido pequeno. 20% estão sujeitos à DRU. A parcela da União tem sido aplicada em valor menor. 85 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO Então a minha sugestão seria excluir a CIDE da DRU e transferi-la integralmente para os estados, para o programa de recuperação e manutenção da malha. 86 Este gráfico mostra a queda dos inves- E aqui eu dou uma distribuição da CIDE, timentos na área de transporte e depois, com mostrando que uma parcela muito pequena o surgimento da CIDE (em azul está a partici- vai para os estados. Da receita da CIDE, 20% pação dela) percebe-se que o impacto sobre vai pra DRU, dos estados e municípios são os investimentos Federais, até agora, foi mui- 29% de 80% que significa 23,2%. Como 1/4 to insignificante. vai para os municípios, de fato, para os estados vão 17,4% da receita, que é um valor E a terceira peça dessa sugestão se- muito pequeno e, esse valor o que está indo, ria desenvolver um programa de concessão está sendo efetivamente aplicado. Até porque de rodovias, determinando os trechos para o Ministério dos Transportes controla e super- concessão comum e os trechos para PPP com visiona a liberação e o uso desses recursos. seus respectivos cronogramas. Aqui eu tenho um quadro com a expe- essencial para o crescimento econômico, que os recursos públicos são escassos para fazer face riência de MG, fazendo essa sugestão. Essa às necessidades de adequação, restauração e manutenção da rede e isto faz-se necessário é uma primeira tentativa de identificar que combinar a ação pública com concessão, e as propostas para investimentos públicos devem quilometragem da malha Federal em MG e estar consistentes com as prioridades efetivas da economia do país e com os fundamentos da da malha estadual nós precisaríamos incluir política macroeconômica, em particular com o equilíbrio fiscal. DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO Apenas para concluir, eu gostaria de dizer que a melhoria da rede de transporte é fator no PPA 2008/2011 e depois, a partir de 2012, para preparar essas rodovias. E eu gostaria de chamar atenção para a parte de baixo do quadro. A sugestão é que se use este pedaço do superávit que é transferido do estado para a União em 2007 e no quadriênio 2007/2011. Depois ele termina e nós vamos aumentando a participação das concessões de 18% para 28%, para chegar a partir de 2012 a mais de 50% das rodovias no estado sobre operação privada, quer seja em concessão, quer seja em PPP. Os recursos da CIDE ficariam responsáveis inicialmente por 82% dos investimentos e chegariam a aproximadamente 49%, isto é a metade dos gastos no futuro ficaria sob responsabilidade do Tesouro e CIDE e a metade sob concessão privada. 87 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO INTEGRAÇÃO DO PLANEJAMENTO - VISÃO DOS USUÁRIOS José Freitas de Mascarenhas. Presidente do Conselho Temático de Infra-estrutura da Confederação Nacional da Indústria - CNI. Eu gostaria inicialmente de felicitar o TCU por patrocinar este Seminário, que trata de um assunto que merece a atenção de todos nós, porque o país está chegando a uma situação crítica no que diz respeito à qualidade da sua infra-estrutura e nós precisamos mais do que boa vontade, neste instante, para resolver este problema, chegar a um consenso sobre o que deve ser feito e tomar medidas efetivas para implementar as soluções. A nós da CNI, preocupa não só os problemas relativos aos transportes, mas também outros relacionados à infra-estrutura e à logística do País. Focaremos mais nossa apresentação sobre a questão dos transportes. Adianto que a CNI está preparando um estudo mais formal sobre o setor com sugestões de medidas necessárias à sua modernização, principalmente no campo da gestão, que vamos oferecer ao governo como uma contribuição. 88 Gostaria de informar que hoje houve reunião de diretoria da CNI e Em primeiro lugar, eu entendo que nós temos um proble- eu tive que estar presente, e, assim, só pude chegar aqui na metade da pa- ma sério no país, que afeta toda a economia, que é o seu baixo lestra anterior. Então, não tive a oportunidade de ouvir as outras palestras. crescimento. Estamos com um padrão de baixo desempenho, há Provavelmente, serei redundante em alguns pontos, e por isso lhes solicito cerca de 25 anos crescendo à média de 2,3% a.a e isso traz con- um pouco de paciência, porque interessa a nós, usuários, informar o que seqüências para todas as áreas. Nos últimos 10 anos, por exem- nos parece mais importante sobre o tema. plo, a expansão do PIB foi de 22,4% no Brasil, mas a economia cia do problema é a crise fiscal que o Estado vem atravessando há muito tempo, ainda sem solução à vista. E o que faz o Governo, no sentido de manter a estabilidade da economia? Projeta as despesas correntes que lhe parecem essenciais e faz o ajuste nos investimentos. A conseqüência é que esse procedimento gera uma redução contínua dos investimentos contemplados no Orçamento da União. É claro que isso traz sérias implicações para a área dos transportes. Não cabe estabelecer polêmica sobre o fato, mas há uma DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO mundial cresceu 45,6%. Claro que um dos fatores principais para a existên- constatação de que a partir desse marco – Constituição de 1988 houve uma redução substancial nos investimentos do Orçamento da União. Então o setor de transportes vem recebendo recursos insuficientes para enfrentar as suas demandas. O Brasil é um dos maiores países do mundo em área territorial e todos os seus Estados precisam simultaneamente de investimentos para melhorar sua infra-estrutura. Há, pois, comprovada incapacidade de fazer esse atendimento na quantidade e na qualidade requeridas. Temos um grande problema a resolver. Essa queda de investimento na infra-estrutura tem acarreNós podemos notar, no gráfico, que o ano de 88 foi o último ano que tado crescente deterioração da oferta e da qualidade dos servi- apresentou um índice maior para o investimento na infra-estrutura. Coinci- ços, gerando conseqüências para todos os setores da economia, dentemente, nesse ano foi aprovada a nova Constituição. aumentando o risco, reduzindo as taxas de retorno dos investi- 89 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO mentos. O mundo é competitivo. O que o Brasil tem a fazer é sempre buscar se apropriar de As ferrovias privatizadas precisam me- uma parte cada vez maior da renda internacional. O que não se dá de maneira singela, pois lhorar seu desempenho com o aumento da exige competência, determinação, aumento de qualidade e sobretudo redução de custos. As velocidade dos trens, mas enfrentam proble- estimativas apontam para a necessidade de investimentos mínimos de cerca de 10 milhões mas com as vias permanentes que ficaram anuais, exclusivamente nas rodovias federais, em ferrovias e nos portos. Conforme a CNT di- com soluções, em parte, a cargo do Governo vulgou recentemente, 75% da malha rodoviária sob supervisão estatal estava com algum tipo Federal. Tal é o caso das passagens de nível de deficiência, sendo 36,6% em péssimo estado. em grande número e das invasões das faixas de domínio pelas populações que ali se instalaram sem nenhum tipo de reação, e hoje determinam o uso de velocidades baixas para não ocorrer atropelos. Os portos, para atingir padrões internacionais, precisam de modernização e aumento da eficiência. Os padrões que nós já alcançamos são insuficientes para nos equiparar aos índices de produtividade dos portos internacionais, trazendo custos maiores para a colocação dos produtos brasileiros no exterior. 90 Por ser emblemático, cito o caso do presidente de uma empresa industrial, que procu- A navegação fluvial não tem programa rou o Governador local e relatou-lhe que quando instalou sua fábrica há cerca de 5 ou 6 anos, relevante de expansão. Além da crise fiscal fez um planejamento para colocar a sua produção no Porto mais próximo, gastando em torno que pode ser medida pelo déficit nominal nas de 2 horas e meia de transporte. Hoje, a empresa estava tendo que despender cerca de 5 ho- contas oficiais, que em 2005 foi de 73 bilhões (- ras para fazer o mesmo percurso dado o surgimento de distúrbios no trânsito da sua produção, 3,8% do PIB), há a registrar que o Governo está de duas naturezas: a estrada estava agora bastante esburacada e ainda tinha de absorver o utilizando uma estrutura antiquada no Ministé- tráfego de nova produção agrícola regional que não havia sido prevista. Isso é um exemplo do rio de Transporte, e um sistema de gestão ob- que nossas indústrias têm enfrentado para transportar sua produção com eficiência. soleto para administrar os seus investimentos. cícios de 2004 a 2006, que são os anos que a CNI acompanhou, mostra que, enquanto os valores empenhados chegaram até a média de 68%, foram pagos apenas 25,5% do pre- DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO Na execução dos orçamentos dos exer- visto para o ano todo. Então há problemas de gestão que precisam ser resolvidos para permitir maior execução do orçamento dentro do próprio exercício. Outro problema relevante refere-se ao fato que o Estado não acumula recursos financeiros suficientes para as obras necessárias, A curva de realização dos investimentos do Ministério, contemplados no OGU, verifica- nem vai buscá-los onde eles estão. O setor da nos últimos três anos, obedece a um padrão que é mais ou menos o seguinte: os primeiros privado tem esses recursos. Quando falamos meses são utilizados apenas para pagamento dos “restos a pagar” dos exercícios anteriores. de setor privado, estamos nos referindo à ca- Os novos investimentos são realizados em baixo montante até por volta de julho e aí começam pacidade gerencial e financeira detidas pelas lentamente a crescer até atingir um ponto máximo em dezembro, quando são constituídos empresas e que podem ser disponibilizadas novos “restos a pagar” para o ano seguinte. para implementar os projetos selecionados 91 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO pelo Governo. O fato é que, até aqui, apesar da insuficiência de recursos para as obras, o Governo não tem conseguido atrair investidores privados para a realização dos projetos importantes para o País. E por quê? Vejamos, por exemplo, o caso das PPPs, solução inovadora e importante para viabilizar a participação dos recursos privados, mas Inicialmente porque não tem convocado essas empresas e, depois, pela ausência de extremamente complexa do ponto de vista um ambiente favorável aos investimentos, com marcos regulatórios que possam assegurar o de sua implementação. As PPPs exigem, dos retorno dos capitais. dois lados, uma atividade intensa de planejamento e de modelagem para cada obra. O Também pelo fato de que a Lei 10.233/01, que criou as agências reguladoras e o próprio Estado brasileiro não estava preparado para DNIT, não ter sido implementado, naquilo que se destina a permitir a maior participação no elas: não tinha contabilidade adequada, não setor privado, na construção, manutenção, e na prestação de serviços de transporte. tinha arcabouço legal disponível, ou seja, ainda não contava com os instrumentos formais 92 Mas, é preciso deixar claro que, mesmo com a participação expressiva do setor privado, para sua execução. Creio que somente ago- não se pode reduzir o esforço direto do setor publico não só porque a infra-estrutura é, por sua ra, depois de várias iniciativas inclusive com natureza, uma responsabilidade primordial do Estado mas também porque, em certos casos, a aprovação de legislação específica, está o o retorno dos investimentos é basicamente de cunho social para abertura de oportunidades e Governo mais preparado para, realisticamen- não permite remuneração adequada às empresas. O modelo atual requer a modernização do te, desenvolver os projetos. É um exemplo de aparato estatal responsável pela área de Transportes. como o Estado deve se modernizar para aten- alizado basicamente com recursos públicos, do que no passado. normalmente essas agências poderiam ser dispensáveis. Mas, quando se trata de inves- O modelo novo deve, portanto, incen- timento privado, se há uma concessão do go- tivar a participação do capital privado para, verno à iniciativa privada para a prestação de junto com o público, realizar as obras neces- serviços à população, então é preciso que haja sárias, com três tipos de possibilidades: em- um ente regulador para moderar os conflitos prego de capital público em parceria com o de interesse entre o governo, o investidor e os capital privado com riscos divididos, que são usuários. Para assegurar a isenção necessá- as PPPs; a participação privada isolada com ria às decisões, ao longo dos anos, é preciso risco total, que são as concessões, e a ter- dispor de agências reguladoras permanentes, ceira, a tradicional, através da execução de independentes, geridas profissionalmente e obras sob a responsabilidade do Estado. assentadas em marcos legais duradouros. Por exemplo, devíamos estudar a forma de assegurar que a soja produzida no interior do País seja colocada nos mercados mundiais a preços competitivos com os nossos concor- DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO der a funções que são muito mais complexas rentes, como eles sabem fazer muito bem, conforme mostra a tela, com números do US Department of Agriculture. Outro item que ainda temos de con- Precisamos aumentar, conforme já siderar de muita importância para a atração vimos, a eficiência da gestão do estado e dos capitais privados é a legislação sobre as estabelecer uma cultura de planejamento in- agências reguladoras. Se o investimento é re- tegrado para o setor dos transportes no País. 93 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO Dentro desse propósito, para garan- responsável pela formulação da política e do tir a competitividade da produção brasileira planejamento e uma Secretaria de Gestão dos naquilo que depende dos transportes, temos Programas de Transportes, responsável pela sugerido que o Ministério dos Transportes se supervisão e avaliação das ações. transforme em um Ministério da Logística dos Transportes, descaracterizando sua função No que concerne à execução das obras de mero executor de obras. Para isso, terá de a cargo do Estado, o DNIT continuaria com ampliar, substancialmente, a sua área de pla- sua responsabilidade, após sua moderniza- nejamento, antes da execução das obras. ção, com mais e melhores recursos humanos. A função de regulação continuaria com a ANTT e a ANTAQ. Quanto à seleção dos investimentos, a sugestão é dar prioridade aos corredores nacionais de transportes de cargas, principalmente os voltados às exportações e abastecimento interno. Penso que nós não deveríamos fazer nenhum investimento de expansão, enquanto não recuperarmos a malha atual. Em resumo, não há mais tempo a perder. O diagnóstico está feito e os instrumen- 94 Esse estudo, que me referi estar a CNI tos para a modernização estão disponíveis. realizando, propõe que o CONIT seja redese- Estamos diante de um desafio que, conve- nhado para ser o órgão superior das decisões Quanto aos portos, o que nos parece políticas para a área de transportes, com a mais adequado é transferir a sua administra- participação de vários Ministros, e também ção ao setor privado, para assegurar a gestão de representantes dos usuários, que pode- profissional, neste elo tão importante da ca- riam aportar boas contribuições. O Ministério deia logística e que necessita urgentemente contaria com uma Secretaria de Transportes, de modernização e melhoria de eficiência. nhamos, não tem muita dificuldade de ser vencido. Obrigado. Luiz Antônio Fayet. Consultor para Logística e Infraestrutura de Transportes da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil - CNA. Inicialmente, cumprimento os senhores Ministros do Tribunal de Pretendo registrar aqui, rapidamente, alguns aspectos, Contas, particularmente o Ministro Augusto Nardes, e felicito a todos pela porque temos que fazer uma redução no nosso tempo de tra- feliz oportunidade de realizar este evento. Todas as pessoas que não têm balho. Vou dar um tratamento transversal das questões que já compromisso com o erro têm a coragem de abrir o seu coração para uma foram colocadas aqui. Vamos passar rapidamente para as oportu- análise critica do que estão fazendo. E esta reunião de hoje é uma demons- nidades do agronegócio e os problemas de implantação e gestão tração clara da preocupação do Tribunal de Contas com o processo de evo- dentro dos setores de transporte de cargas no Brasil. DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO INTEGRAÇÃO DO PLANEJAMENTO - VISÃO DOS USUÁRIOS lução da sua missão institucional. 95 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO Eu começaria dizendo que a CNA tra- Brasil, uma ferramenta fundamental para o Vejamos rapidamente a representativi- balha há alguns anos analisando os mercados seu desenvolvimento. Esse gráfico que apre- dade do agronegócio para que vocês tenham – porque sem mercado não se tem economia –, sentei agora há pouco reflete os efeitos de idéia do que ele representa para o contexto que potencialmente nós podemos atingir, a ap- emprego, que conseqüentemente reflete as nacional, e faremos também um registro para tidão e competitividade da produção brasileira cadeias produtivas internas que são geradas que as pessoas que estão aqui tenham uma – aquele conceito da porteira para dentro – e em função desse efeito renda dos setores en- idéia da importância relativa dos segmentos a competitividade comercial – em que entram volvidos. Essa alavanca exportadora tem uma dentro do agronegócio. todos os outros fatores que definem a nossa visão fundamental no sentido de propiciar o capacidade real de ocupar as fatias crescentes desenvolvimento econômico, porque este é de mercados. Esta é a visão fundamental. o instrumento que nós temos para modificar a sociedade brasileira. Se não for assim, nós vamos ficar condenados às esmolas. E eu dou um exemplo fantástico: entre 2002 e 2003 faltou bóia-fria no Brasil. Por quê? A competitividade no setor rural foi tão grande que nós tínhamos toda a população rural empregada aumentando seus salários, e com isso não foi preciso dar comida de graça para eles, não foi preciso fazer a construção das casas deles. Eles tiveram capacidade de adquirir com suas chances a dignidade da sua subsistência. Chamo a atenção do que é a pecuária em relação àqueles carros-chefe da produção agrícola brasileira. A pecuária tem um potencial fantástico de ocupação de mercados in- 96 O nosso objetivo é, com uma visão ternacionais crescentes. Aqui vale fazer uma estratégica, provocar mudanças no país. Es- observação: no Brasil temos um preconceito sas mudanças estratégicas nós temos a par- muito grande - o mito do valor agregado. A tir de uma visão que, a cada 15 milhões de minha visão como empresário privado e como reais de exportações do agronegócio, a pre- gestor de áreas governamentais sempre foi ços de 2003, nós geramos 1.100 empregos uma: nós temos que ocupar todas as oportu- permanentes na economia brasileira. Então nidades de mercado. Não é o de computador a alavanca exportadora passou a ser para ou o de grãos. Nós temos que ocupar todas o agronegócio, e conseqüentemente para o as oportunidades de mercado, isto é que faz a série curta de oito anos. Vejam que evolução as cadeias produtivas. Aquele gráfico inicial fantástica esse processo de ocupação de mer- do estudo do BNDES demonstra claramente cados nós tivemos. Setor papeleiro. Segmento de carnes - observem o crescimento dos volumes de exportações. esses reflexos. Observem também um outro dado significativo: a população do mundo, estima-se, poderá quase dobrar nos próximos 50 anos. Se isto acontecer, nós vamos ter fatalmente uma demanda de comida dobrada. E comida, minha gente, é diferente de automóvel, de computador. Esses dois tipos de bens, renovam-se em três, quatro anos. Comida é todos os dias. Ou então o indivíduo morre. E para alimentar o mundo só tem um país capaz. Este país chama-se Brasil. Vejam agora o verdadeiro milagre que conseguimos fazer nesses últimos anos, no mercado internacional. Por último a soja. Esses números mosSetor sucro-alcooleiro. Evidentemente tram o potencial fantástico que temos. E eu esse setor é muito promissor em curtíssimo gostaria de fazer alguns registros rápidos. prazo e em longo prazo também terá susten- Enquanto a China e a Índia, que devem ter tabilidade. Mas registro que o setor florestal uns 40% da população do mundo, têm, so- nos próximos dois séculos não terá como se mados ambos os países, um pouco mais de abastecer sem a participação do Brasil. 4 milhões de quilômetros quadrados de áreas DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO grandeza do país. Porque o que interessa são utilizáveis, o Brasil sozinho tem perto de 6 milhões de quilômetros quadrados. O Mao Tsétung atravessava a nado o rio Amarelo, mas se estivesse vivo hoje poderia atravessá-lo a pé, porque já está ficando sem água. Esta é a grande realidade. Rapidamente, quatro slides demonstrando o aumento das exportações de quatro grupos de produtos. Observem que é uma 97 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO ra-Amazonas, ou então, pelos portos de São Luís-MA no Norte do país. Para nós, a visão dessa transformação é fundamental porque ela determina, em termos estratégicos, como é que teremos de pensar com relação à questão dos transportes no Brasil. E eu, lastimavelmente, tenho visto que inclusive centros de estudos e pesquisas têm a mania recorrente de trabalhar com extrapolação de tendências sem prestar atenção nas mudanças. O planejamento estratégico exige muito mais que a extrapolação de tendências. Temos que identificar quais são os recursos que os demais concorrentes têm para saber exatamente como temos de nos posicionar. Mas existe uma outra realidade à qual nós precisamos nos ater: a evolução do agronegócio brasileiro representou uma transformação do país. A maioria dos brasileiros não tem a mínima noção de que nós estamos conseguindo fazer nessa transformação. Nós estamos 98 criando um novo Brasil, ocupando áreas que inclusive estiveram sob ameaça de ocupação Mostrarei para vocês aqui a maneira externas, mas que ainda estão. Esses fluxos para o norte demonstram as rotas de expansão como nós temos visto essa questão. As vanta- do agronegócio brasileiro. Então, no momento em que tivemos a expansão da produção do gens que nós temos são: uma natureza muito agronegócio, tivemos uma mudança da sua geografia econômica. E essa geografia econômica pródiga; desfrutamos do melhor padrão tec- determinou que a Região Sul-Sudeste se especializasse em cargas mais nobres e conteineri- nológico do mundo nos principais produtos do zadas, enquanto as cargas a granel estão passando a sair pelo sistema hidroviário do Madei- nosso agronegócio – o Brasil é o maior exporta- Chamo isso aqui de relação da maldade, e eu do comercializadas no mercado internacional a coloquei por maldade, para que as pessoas –, e temos os brasileiros que construíram esse tenham uma noção do cipoal em que estão processo e que muitos imaginam que sejam envolvidas as pessoas que querem trabalhar seres inferiores. Na verdade, há um grupo de neste país. Este é um problema fantástico, brasileiros que sabe gerir e que fez essa trans- são mais de 50 temas. formação. Mas nós temos obstáculos, e obstáculos graves, como as questões hoje exauridas aqui: a instabilidade institucional, a falta de infra-estrutura, a gestão patrimonial e a impunidade. Eu costumo dizer aos meus amigos que Trouxe aqui, para exemplificar, alguns pelo menos poderíamos aumentar em 20% a casos concretos: aplicação da CIDE – que já foi capacidade de transporte do Brasil já, usando exaurida, é uma questão de instabilidade insti- um só instrumento, este aqui: caneta. É um tucional. Afinal de contas, se há uma contribui- problema de gestão, é um problema de ges- ção estabelecida pela Constituição, como pode tão. Esta é a visão que nós temos. uma medida administrativa contingenciar es- DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO dor de oito das principais comodities do mun- ses recursos? Essa é uma questão realmente Quero mostrar a vocês, dentro dessa vi- dramática. E somente cerca de um terço des- são rápida, primeiramente a dita instabilidade ses recursos, segundo a ANEOR, foi aplicado. institucional e como dividimos essa questão. Aos demais foram dadas outras finalidades, ou Temos duas vertentes: uma é a garantia de in- contigenciados. E eu vejo, de repente, autori- vestimentos públicos e privados – que também dades dizerem: “precisamos usar dinheiro do foi abordada – e outra – uma questão que foi fundo de garantia dos trabalhadores para fi- muito pouco abordada – a qualidade da gestão nanciar infra-estrutura”. Nós precisamos usar do patrimônio público, que na minha opinião para financiar infra-estrutura o dinheiro da in- é um dos pontos fulcrais deste evento e da fra-estrutura; para financiar a saúde, o dinhei- missão institucional do Tribunal de Contas da ro da saúde; para financiar o não-sei-o-quê, o União. Aí tem uma parceria muito forte com não-sei-o-quê. Nós temos que ter essa estabi- outras instituições, mas a qualidade da gestão lidade institucional, regras claras e cumpridas, Mostro para vocês, agora, que a Con- do patrimônio público é o ponto fundamental. pois se não houver regras que estejam valen- federação, trabalhando nesta questão, com Por essas questões nós temos um resultado já do, realmente fica difícil para nós da área da quantas coisas temos que nos preocupar. plenamente conhecido dessas perdas. produção sabermos como nos comportar. 99 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO 100 Outra questão: uso múltiplo dos rios sistema de manutenção com compensação de hoje. Costumo responder aos jornalistas: – questão que também foi abordada aqui. Da de pedágio. Ora, a isso eu chamo de politribu- “de que Brasil você quer conversar?” Porque forma como a coisa vai, nós estaremos travan- tação, porque nós já somos supertributados o Brasil, na verdade, são vários brasis: o Bra- do o desenvolvimento futuro do país de uma no Brasil – inclusive é o caso da CIDE – para sil de Santos, o Brasil de Paranaguá, o Brasil maneira criminosa. Se nós continuarmos com fazer a manutenção. Mas, conhecendo-se a de Rio Grande, o de Vitória ou o Brasil de São essas disputas que não se resolvem entre Mi- situação brasileira, vamos admitir que nós te- Luis ou de Porto Velho são brasis diferentes, nas e Energia e Transportes, e enquanto isso mos que pagar pedágio de manutenção. Mui- para cada um deles vamos ter que dar um vão sendo construídas barragens hidroelétri- to bem, ainda vamos ter que pagar um ágio; tratamento. Para quem quiser ir para aque- cas em vias navegáveis, que vão comprome- alguém vai ter que pagar um ágio que vai en- le Brasil novo, quem quiser desbravar, correr ter o futuro do nosso sistema de transportes e trar nas planilhas e cair sobre as costas dos riscos muitas vezes maiores do que quem nós não vamos mudar a matriz de transportes usuários? Isso é uma maneira de encarecer está aqui na faixa da sobremesa, nós temos no Brasil de maneira nenhuma. Não adianta pedágios, minha gente; isso é uma maneira que dar condições privilegiadas. Nós temos mostrarmos os quadros e dizermos: “ah, por- de aumentar o custo-Brasil. Nós não podemos realmente que dar estímulos. Como foi dado que têm tantos por cento de rodovias”. Ora, admitir que as licitações dessas concessões no passado para a ocupação agrícola dessas bloqueamos o Rio Paraná e a Bacia Araguaia- cobrem ágios. Nós temos que estabelecer que regiões, com juros subsidiados pelas aplica- Tocantins por absoluta incompetência na ges- elas sejam pela menor tarifa para o usuário. ções do Banco do Brasil, e que resultou nesta tão do problema. Porque senão esses sistemas Isto é que interessa à redução do custo-Brasil. performance fantástica que o Brasil tem hoje estariam funcionando, e a contento. Porque senão nós estaremos gravando mais no agronegócio. Então, esses são os casos em ainda. É um Estado espoliador, e eu acre- que cito a necessidade de fazermos uma revi- Outra questão que eu não vi aqui colo- dito que esta não seja a finalidade. E quero são e darmos estabilidade institucional. cada, e que gostaria de chamar atenção dos chamar a atenção porque esta questão está senhores do Tribunal de Contas da União, é neste momento na praça e terá repercussões uma preocupação muito séria que nós temos: muito fortes. Não esquecendo também, que são as chamadas concessões gravosas – as das tarifas de pedágio cerca de 20%, pelo me- concessões rodoviárias. Vamos pegar este nos, são tributos. Há uma última questão, que exemplo, e eu me comprometi de enviar umas é o arrendamento portuário – sobre o qual nós súmulas que temos na Confederação da Agri- já estivemos conversando ligeiramente com a cultura. Nós vamos ter agora licitações para ANTAQ. Sobre esses arrendamentos em por- estabelecimento de pedágio. Muito bem, nós tos, eu gostaria de fazer uma observação. estivemos verificando, vai ser cobrado um Periodicamente nós somos provocados pela ágio para quem se habilitar a implantar um imprensa sobre a questão dos fretes no Brasil por muito tempo tentando desqualificar o CAP trouxe isso aqui porque exige realmente uma - Conselho de Autoridade Portuária, até que a reflexão profunda. É o caso do porto de Para- Advocacia Geral da União emitiu um parecer naguá – gestão portuária. Eu gostaria de regis- precioso balizando realmente o que significa trar para vocês que essa lista de questões que o CAP e que vou mostrar logo a seguir. Não estão colocadas aí: denúncias do Conselho de responsabilização dos gestores, risco de pres- Autoridade Portuária, dezenas de irregulari- crição dos crimes cometidos, impunidade. Re- dades, desvio de finalidade nos recursos apli- sultado: a lei não pegou. cados, ameaças a funcionários da ANTAQ, 7 relatórios da ANTAQ constatando irregularidades, dois pedidos da ANTAQ ao Ministério dos Transportes para cancelar a delegação, um Agora vamos ao próximo: análise dos acórdão do TCU condenando a administração fatos. O Ministério Público Federal até o pri- e determinando providências, descumprimen- meiro semestre desse ano só recebeu denún- to de decisões judiciais, inclusive do despacho cias do Conselho de Autoridade Portuária e da presidência do Supremo Tribunal Federal, das entidades privadas. Qualidade das fiscali- novo acórdão do Tribunal de Contas da União, zações insuficiente, tanto da ANTAQ como do agora há poucos dias, tudo isso desde 2003. Tribunal de Contas. Velocidade das decisões Prejuízos. Faço questão de registrar isto para absolutamente incompatíveis, porque as de- poder quantificar um pouquinho. Só em 2004 cisões não modificaram o curso da história. e só o agronegócio da soja no Brasil amargou Ações de responsabilização contra o erário. um prejuízo de mais de 1 bilhão de dólares As empresas que estão sofrendo prejuízos es- Como talvez nem todos saibam bem o jogados pelo ralo em função desses desman- tão se armando juridicamente para cobrar do que é um CAP, vamos observar. Cada porto dos em Paranaguá. Um bilhão de dólares em governo, para cobrar de nós, para cobrar do organizado no Brasil tem uma estrutura as- 2004 foi mais do que o dinheiro aplicado em agronegócio também. É uma forma inadmis- sim: o Ministério dos Transportes, com suas investimentos pelo Ministério dos Transportes sível, a desarticulação das entidades fiscali- políticas, a ANTAQ, com a fiscalização. Dentro no mesmo ano. Faço o registro para que nós zadoras. Ministro Nardes, o senhor me pediu do porto organizado e baseado na Lei 8.630, tenhamos uma idéia da lesão que se está apli- que contasse tudo, eu estou contando. Desar- que foi uma lei de modernização fantástica, cando à sociedade brasileira na gestão de um ticulação, não é? Pior, o Ministério dos Trans- precursora das PPPs – uma lei moderníssima patrimônio público federal, plenamente de- portes e a ANTAQ se posicionaram contra o – há um Conselho de Autoridade Portuária e nunciado, investigado e condenado. Conselho de Autoridade Portuária. Ficaram uma administradora, que pode ser federal, DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO Agora vem uma questão clássica. Eu 101 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO estadual, municipal ou até um administra- de gestão. A questão de gestão, por exemplo incompetência ou até propositais para depois dor privado. Então, o que é o tal do Conse- ali, o primeiro deles é a dragagem. A maioria determinar uma condição emergencial. Isto é lho? O Conselho é um órgão público federal dos portos brasileiros tem problemas gravíssi- para nós uma instabilidade institucional. que tem aquelas funções que vocês estão mos de dragagem, que geram perdas brutais vendo ali, sendo a última que está lá: “con- aos usuários. Muitas pessoas podem pergun- Licenciamentos ambientais. Eu tomei trole externo”, controle do governo federal. O tar “por que Paranaguá gerou aqueles preju- um exemplo: a BR-116 – Curitiba/São Paulo. CAP é composto por quatro blocos: bloco de ízos todos, por que a dragagem gera esses Esse trecho aí tem uns 35km que há mais de operadores, bloco de trabalhadores, bloco de prejuízos todos?”. Observem, as deficiências 20 anos não é finalizado. Nesta mesma rodo- usuários e do poder público. Todo o contexto operacionais dos portos são monitoradas por via lembro a fotografia que Vossa Excelência do interesse num porto, o interesse imediato, organizações internacionais em tempo real. apresentou com uma ponte caída. Mas vamos pontual, o interesse lá fora, o interesse lá no São organizações do tipo de SERASA ou Seproc ao licenciamento ambiental. A BR-116 está setentrião, está aí dentro do CAP. O CAP é um internacionais. Os comandantes de navio vão na principal rota do Mercosul, que liga Rio de modelo sensacional de controle externo que reportando: “ah, aqui tive que esperar maré, Janeiro/São Paulo a Buenos Aires. E nesta via não está sendo utilizado pelo governo fede- ali o cais está caindo, não me deixam atracar, nós temos um trecho que não se conclui há ral como instrumento auxiliar, complementar, propina para atracar”. Tudo isso em tempo mais de 20 anos, fato que começou por um parceiro, na gestão do sistema portuário, em- real. Isso vai formando uma ficha cadastral de problema ambiental. Não sei se já foi resolvi- bora seja de sua estrutura. cada porto, que vai ter impacto no custo dos do o ambiental, mas daí caiu no orçamentá- fretes, nas tarifas de seguros, nas multas e rio. Este fato já criou prejuízos incalculáveis em outros fatores, ou até na não aceitação de para nossa economia. É inadmissível que nós fretes. Esta é uma realidade séria. Mas o que estejamos nesta situação. Enquanto isso, nós acontece na questão de dragagem? Falta di- sabemos de outros processos, que não vou nheiro nos principais portos brasileiros, Minis- entrar no mérito, têm tido uma velocidade in- tro Nardes? Não, eles têm dinheiro suficiente crível na liberação ambiental. para garantir a dragagem. O Brasil é um país 102 muito feliz porque a demanda de dragagem Permitam-me, também, apontar aos para manutenção é da ordem de 20 milhões senhores, embora não seja tema da nossa pa- de metros cúbicos por ano. Só o porto de Rot- lestra de hoje, mas cada vez que tenho uma terdam demanda uns 18 milhões de metros oportunidade faço essa denúncia, que hoje cúbicos por ano. Então nós temos dinheiro. O este processo de licenciamento ambiental e a Vejamos mais. Ainda na instabilidade que nós não temos nos portos é gestão. São ação de organizações financiadas pelos nos- institucional. Outras questões, que eu reputo procedimentos imperfeitos, contestações ju- sos concorrentes estrangeiros trabalham ce- não à falta de investimentos, mas à questão diciais. Procedimentos imperfeitos feitos por leremente para que o futuro não chegue na aqui também não pegou. Enquanto os com- PNLT, porque é fundamental a adequação da eclusas, aí estão os projetos de energia elétri- bustíveis para navios de bandeira estrangeira infra-estrutura nos novos corredores, exata- ca e aí estão os projetos de vias de transporte. não têm tributação, para os navios de ban- mente para aliviar os velhos corredores. Faço Para que se tenha idéia, ainda no começo des- deira nacional têm tributação, embora exista mais um registro, no ano passado consegui- te ano nós tivemos um movimento contra o uma legislação que diga que não são tribu- mos que o Ministro da Agricultura criasse uma frango brasileiro promovido pelo Greenpeace tados. Assim, se nós não resolvermos estes câmara temática para trabalhar essas ques- em Londres, dizendo que eram frangos cria- problemas da tributação, com relação à cabo- tões dentro do seu ministério. Esta câmara dos com soja produzida à custa da derrubada tagem, nós não teremos cabotagem, nós não temática de logística já permitiu fazermos do bioma amazônico, o que é uma inverdade. mudaremos a matriz de transportes no Brasil. grandes avanços e muito interessantes. Pri- Posso dar uma idéia de grandeza para vocês, meiro com essa visão dos novos corredores Mais uma questão a ser avaliada: a se por um milagre nós pudéssemos hoje fa- de exportação. Porque temos um problema cabotagem. Sobre ela quero fazer uma ob- zer funcionar a cabotagem no Brasil a preços adicional, que tenho uma grande esperança servação: a cabotagem brasileira não conse- competitivos internacionais, teríamos mais de de ver resolvido, o Ministro Paulo Passos falou gue oferecer fretes competitivos. Tomemos 5 milhões de toneladas do agronegócio do ex- hoje aqui para nós, e eu tenho acompanhado o exemplo: no trecho de Rosário, que está lá tremo sul para o resto do Brasil. Seriam 5 mi- esse trabalho, da retomada do planejamen- dentro do Rio Paraná e vai até Recife. O frete lhões de toneladas que sairiam das rodovias. to no Brasil. Mas tenho uma preocupação: se lá é longo curso, pois são países diferentes. Ele DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO economia brasileira. Aí estão os projetos de nós não o retomarmos por corredores, vamos é menos da metade do que o frete Paranaguá- Quando nós falamos sobre essas mu- continuar tendo uma fragmentação de obras, Recife, que tem 60% da distância equivalente danças todas que estão aí, inclusive manu- que é uma coisa tão ruim quanto jogar dinhei- até Rosário. Isso significa que nossos fretes de tenção rodoviária – que eu não vou falar para ro fora. Exemplificando: temos um corredor, cabotagem são duas, três vezes mais caros. o senhor, que é um professor nessa questão mas daí um prefeito quer uma obrinha aqui, O que está acontecendo? A navegação foi o –, gostaria de fazer um outro registro. Se nós um governo de estado quer outra ali, uma primeiro setor globalizado do mundo, só que pudéssemos também por um milagre, nesse outra autoridade federal quer outro negócio a globalização não chegou ao Brasil. As em- instante, adequar os corredores de transpor- ali, só que essas questões não se encaixam. presas de cabotagem no Brasil são obrigadas tes do Norte e do Centro-Oeste, de maneira Precisamos fazer um planejamento sistêmico a comprar navios no Brasil. Quando vi hoje o que eles pudessem operar toda a carga de- no caso da expansão das exportações, que é anúncio de que a Petrobrás vai comprar tan- mandada para eles, tiraríamos dos portos do o grande futuro do Brasil, a grande alavanca- tos navios, pensei: “coitadinha vai pagar mais Sul e do Sudeste cerca de 15 a 20 milhões gem, vindo do mar para dentro. Vindo do mar, que o dobro”. Não tem prazo de entrega e há de toneladas de granéis. Seria um alívio da resolvendo os problemas do mar, do cais, dos uma série de deficiências dos estaleiros na- infra-estrutura. E isto eu ainda não vi ser con- sistemas de embarque, da retro-área e das cionais. Mas nossa cabotagem está vincula- siderado nos planejamentos que estão por aí. vias de alimentação. É a visão funcional. Se da à construção naval. Outros aspectos: a lei Tenho levado esta questão ao CENTRAN, ao não racionalizarmos a maneira de trabalhar 103 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO 104 desta forma, dificilmente nós vamos con- posição registrada pela CNI. Com relação aos lidade nas fiscalizações. Precisamos mudar seguir a eficácia que se faz necessária para investimentos, cumprir a legislação da CIDE o processo.operacional. Esse último acórdão quem tem recursos escassos. e acelerar as PPPs. É claro que precisaremos do Tribunal de Contas sobre Paranaguá foi um desse dinheiro público, mas precisa muito tratado. Foi um documento espetacular, mas Essa é a visão fundamental que eu menos do que se imagina. Se racionalizarmos ele chegou algum tempo depois. Ele chegou gostaria de registrar. Posso dizer aos senho- a aplicação do dinheiro de governo, ele pode- mas muitos efeitos positivos não conseguiu res que o apagão logístico para o agronegócio rá ter uma produtividade 30% maior. Se nós gerar, enquanto isso os efeitos negativos fo- brasileiro já chegou. Essa crise que nós esta- racionalizarmos as ações da iniciativa priva- ram gerados. Nós precisávamos ter, Ministro, mos vendo no transporte aéreo é a ponta da da com o poder público, poderemos polarizar, na visão da nossa experiência, modelos um ponta da ponta do iceberg. No setor de logís- capturar recursos privados suficientes para pouco mais expeditos, por exemplo: agora es- tica para o agronegócio, já estamos sofrendo resolver nossos problemas. Com a CIDE bem tão lançando lá uma licitação de dragagem um apagão que está comprometendo a capa- trabalhada, algumas PPPs e o que se pode emergencial toda furada. Evidentemente que cidade de aumentar a produção, a renda dos amealhar no setor privado, estaremos com a é uma fraude. Então nós precisaríamos ter produtores, a solução dos problemas do de- solução. Contudo, na gestão, que é uma ques- um mecanismo de comunicação rápido para senvolvimento e da melhoria das condições tão de decisão política e é resultante de uma que houvesse uma intervenção dos órgãos sociais da nossa população. ação forte dos órgãos de fiscalização, teremos fiscalizadores e coibissem isso. Também pre- ainda uma grande parcela a ganhar. Nós pre- cisaremos da responsabilização pessoal dos cisamos, Ministro Nardes, de uma articulação gestores. Porque eu tenho visto muitos rela- forte das instituições de controle social. Por tórios em que é punida a instituição e não é isso fico muito feliz com esta oportunidade, punido o gestor. E também tenho visto uma e fico muito feliz também com o convívio que outra coisa, principalmente nos relatórios da tenho tido com diretoria da ANTAQ, pela revo- ANTAQ, observação que tenho transmitido lução que está procedendo nos seus métodos para ela. Esta lá: “não fez isso”. Passados uns de trabalho. Mas nós precisávamos realmen- seis meses, volta lá e constata: agora já fez. te buscar uma junção de esforços. Contando Quer dizer, devolveu o refém, isso elide o cri- com agências reguladoras, os ministérios, o me? Não. Se houve o seqüestro, tem que se Tribunal de Contas da União, o Ministério Pú- punir o crime. Há a necessidade de aumen- blico, Polícia Federal, e, por exemplo, no caso tarmos a agilidade e chegarmos fundo para Para finalizar, trago algumas propos- portuário, os Conselhos de Autoridade Portuá- punir os maus gestores. Valorização dos bons tas. Propostas de trabalharmos duramente na ria, estaremos com toda uma cadeia de infor- gestores, que são muitos, e passam desper- garantia da segurança jurídico-constitucional mações em tempo real para permitir que se cebidos nesse cipoal burocrático que temos para os investidores, coincidentemente com a evitem os desvios. É primordial também agi- no Brasil. DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO Quero renovar os meus cumprimentos ao Tribunal de Contas, fazer minhas referências também à retomada do planejamento estratégico por parte do Ministério dos Transportes, dizer que nós estamos irmanados nesse esforço para fazermos as transformações que o Brasil precisa. Podem contar conosco, a CNA estará presente Ministro. Obrigado. 105 MECANISMO DE FINANCIAMENTO PARA O SETOR DE TRANSPORTES Maria do Perpétuo Socorro Teixeira Rosa. Analista de Controle Externo do TCU. A seguir, farei uma breve contextualização do tema desta manhã e Os planos plurianuais para os anos de 2000/2003 da atuação do Tribunal na área do Desenvolvimento de Infra-estrutura de e2004/2007 definiram a infra-estrutura e a melhoria dos servi- Transportes no Brasil. ços de transportes como prioridade, ressaltando a importância econômica dos investimentos na área. Como se observa na tabela Despesa Total da União x Aplicação e Transportes, os dados referentes à execução orçamentária anual demonstram que DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO CONTEXTUALIZAÇÃO DO TEMA tal destaque não se configurou na prática. Nas décadas de 60 e 70, cerca de 2 a 3% do PIB, respectivamente, eram destinados à construção e à manutenção rodoviárias, além dos investimentos nos outros modais. Nos últimos sete anos, esse percentual no total, incluindo não só investimentos, variou entre 0,35 e 0, 76%. Não se espera que se atinja o percentual daquele período específico, todavia dada a sua importância para o desenvolvimento socioeconômico do País, juntamente com os setores de telecomunicações e energia, são necessários maiores aporte de recursos, seja diretamente pelo estado englobando todas as esferas, seja pelo setor privado, ou mesmo em parcerias. Além disso, é imprescindível que se busque tornar ainda mais eficiente a utilização desses recursos. 109 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO A seguir, apresentarei os principais pro- recursos nas atividades finalísticas tanto em blemas verificados pelo Tribunal na sua arre- 2005 quanto em 2006. Este último não está cadação e utilização: substituição de fontes demonstrado na tabela. Todavia, está ainda orçamentárias ordinárias pelas provisões da aquém do devido. CIDE, ou seja, em vez de suplementação de recursos, obtivemos apenas troca de fontes; e falta de aplicação de montantes expressivos dos recursos arrecadados previstos, seja por contingenciamento, seja por absoluta impossibilidade operacional dos órgãos responsáveis. No âmbito desta Corte de Contas, foram realizados inúmeros trabalhos na área de É recorrente esse distanciamento entre execução orçamentária e as dotações da CIDE. financiamento para o setor de transportes. Apresentarei e ressaltarei apenas a fonte de recursos mais significativa atualmente, a CIDE – a Contribuição de Intervenção do Domínio Quanto ao aproveitamento das disponi- Econômico dos Combustíveis. O acompanha- bilidades financeiras para a formação de supe- mento realizado pelo Tribunal tem contribuído rávit primário, destaco que 28% dos recursos para agilizar as modificações expressivas na da CIDE arrecadados desde a sua criação per- forma de utilização dos recursos pelo estado. manecem no caixa do Tesouro Nacional, ou seja, cerca de oito bilhões de reais em dezembro de 2005. De acordo com cálculos apresentados pela Ministra Dilma Rousseff, estima-se um gasto total de cerca de 34 bilhões na área 110 A aplicação total dos recursos desde de transportes para os próximos quatro anos. a criação da contribuição variou de 23,5 a Outros problemas identificados pelo TCU in- 74,4%, enquanto que a execução no âmbito cluem o pagamento de despesas alheias às do DNIT, principal responsável pelos investi- destinações determinadas de maneira restri- mentos, variou de 12 a 45%. Devo registrar tivas no texto constitucional, tais como: pro- que houve uma elevação da aplicação dos ventos de servidores inativos, encargos da sistenciais aos servidores. O TCU ainda recomendou à SOF que Os recursos da CIDE, desde a sua cria- não programasse a locação de recursos da ção, foram utilizados em ações estranhas CIDE para reserva de contingência por ser in- às previstas constitucional e legalmente. Os O TCU, nos últimos três anos, alertou compatível com as finalidades postas na Lei de encargos da dívida previstos no exercício de o Congresso Nacional, o Ministério dos Trans- Responsabilidade Fiscal. O TCU recomendou a 2002 e 2003 foram retirados da proposta portes e o Ministério do Planejamento acerca formulação de uma política setorial que con- orçamentária após intervenção deste Tribu- dos desvios de finalidade na destinação dos temple a aplicação dos recursos arrecadados nal em 2003, o mesmo acontecendo com a recursos da CIDE. Ainda determinou à Se- em atividades finalísticas, com uma progra- elevada reserva de contingência zerada em cretaria de Orçamento e Finanças - SOF, por mação de gastos intertemporal que permita 2005. A utilização para pagamento de encar- ocasião da elaboração dos projetos de leis a utilização dos recursos em sua finalidade gos sociais permaneceu, todavia o TCU já efe- orçamentárias anuais, enquanto não exista original. Da mesma forma, recomendou a ex- tivou recomendação corretiva em 2005. Em norma legal que estabeleça os critérios de clusão da limitação de empenho e movimen- conseqüência, foi verificado um significativo distribuição dos gastos administrativos por tação financeira nas futuras Leis de Diretrizes aumento dos recursos que passaram a ser ações de caráter finalísticos, que não aloque Orçamentárias - LDOs dos programas e ações direcionados para investimentos em 2005. recursos da CIDE Combustíveis para ações financiados pela CIDE Combustíveis. Destaco uma questão relevante que é a não- DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO dívida externa, e concessão de benefícios as- que não apresentem relação direta com programas finalísticos de transporte e meio ambiente, abstendo-se de destinar recursos para cobrir despesas de administração. 111 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO evolução no volume de recursos arrecadados anualmente com a CIDE. Isso Finalmente, o TCU propôs ainda ao Congresso Nacional porque a CIDE não envolve uma alíquota sobre o preço dos combustíveis, as seguintes alterações legislativas: sugestão para que a lei mas apenas um valor nominal sobre o volume de combustível comerciali- 10.636/2002 passe a fixar metas percentuais mínimas a serem zado. É função da demanda e não do preço. Assim, a médio e a longo pra- cumpridas em cada uma das áreas contempladas com recursos zos, a CIDE pode representar bem pouco em relação ao orçamento. Desta da CIDE, e por ocasião da aprovação das LDOs, seja efetivada a forma, entendo que a CIDE deve ser repensada ou ainda outra fonte deve inclusão de dispositivos estabelecendo que o Poder Executivo, à ser estudada para o financiamento do setor de transportes. época do envio de sua proposta orçamentária, faça constar, em anexo, para cada novo trecho rodoviário a ser implantado, os recursos suficientes e necessários à sua conservação. 112 Ministro Márcio Fortes de Almeida. Ministro das Cidades. DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO ATUAÇÃO DO MINISTÉRIO DAS CIDADES A Secretaria Nacional de Transporte e da Mobilidade Urbana tem como finalidade implementar uma política sustentável em sua área. A priorização é para o transporte coletivo e não motorizado e esse é o objetivo básico da Secretaria. O Ministério das Cidades foi criado na administração do Presidente Lula, mas os temas vinculados estavam esparsos em várias áreas, anteriormente, no Ministério do Interior, em que havia obras do saneamento, e havia o BNH, e foi em atendimento às reivindicações de movimentos sociais para que houvesse um Fórum concentrando esses termos que foi criado o Ministério das Cidades, assim como a SEMOB. 113 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO do bilhete, às vezes também pela distância. Então temos que ter cuidado com a integração da política do desenvolvimento urbano, que é todo um conjunto, nada é em separado. Não é habitação por habitação, transporte pelo transporte, tudo está incluído, inclusive, a questão do respeito ao meio ambiente. Quanto ao tema financiamento, o problema básico é o de gerar receitas para cobrir custos de operação e custo de investimento. Existem três eixos estratégicos na Se- Repetidamente se fala na necessidade de re- No caso de trilhos, que é a questão cretaria: promover a cidadania e a inclusão curso para ampliar sistemas de transporte do nosso metrô, agrava-se mais a situação, social de maneira que haja acesso universal urbano de ônibus, de metrôs, de transpor- por causa dos elevados investimentos neces- ao serviço público de transporte coletivo e te ferroviário. Peca-se sempre pela falta de sários nessa área. Poucos metrôs do mundo aumento na mobilidade urbana; promover o definição exata de recursos disponíveis ou, conseguem, se não mudou o quadro, equilí- aperfeiçoamento institucional regulatório e quando há recursos disponíveis, pelas limita- brio e superávit, talvez Santiago, Hong Kong, de gestão de setor, que é muito importante e ções que têm muitas vezes as prefeituras e Londres e Tóquio sejam alguns exemplos de está muito esparso; e coordenar ações para a os governos estaduais de tomar recursos fi- metrôs que conseguiram em algum momento integração das políticas de mobilidade e des- nanciados, por sua limitação de capacidade equilibrar as suas contas. É um transporte for- sas com as demais políticas de desenvolvi- de endividamento. temente subsidiado em função da dificulda- mento urbano e proteção de meio ambiente. de de passar os custos para a tarifa, por uma questão social. Então, quando eu penso em fazer um 114 programa habitacional, percebo que não O que se discute no momento, inclu- adianta construir um conjunto a 40 km de dis- sive dentro do governo, é a tarifa social dos tância do centro sem pensar no transporte. ônibus. A última proposta que chegou ao gru- Isso porque depois vamos ter um problema po que está estudando a matéria é fazer uma que é muito comum nas cidades: o chefe de subvenção, para a qual é necessário avaliar família tem emprego, tem casa e mora debai- a forma de implementação, que pode ser via xo do viaduto porque não compensa ir ao tra- preço do diesel ou via redução de impostos, e balho e voltar todo dia, às vezes pelo custo também proteções contra fraudes buição de linhas de ônibus de maneira racional e encontrando, dentro da modernização dos equipamentos,uma forma de prestação de serviço mais barata. Por exemplo, no caso dos nossos metrôs, eu citaria o Rio Grande do Sul, onde estamos investindo fortemente em peças e sinalização, estamos mudando o sistema de freios, para ver se conseguimos um transporte mais rápido, mais seguro. Isso dá mais confiabilidade, vai dar serenidade, e é uma maneira de procurar racionalizar a prestação de serviços e transportar mais passageiros e tendo intervalos menores, de modo que a gente tenha capacidade de esvaziar estações em menor espaço de tempo. O sistema de transporte gera economia para outros interessados e contribui para a efi- no Vidigal, distante 15 minutos do trabalho. ciência do sistema econômico da cidade como um todo, além de tratar da questão de qualida- Ele não quer se deslocar, ele quer ir a pé. Tem de de vida, a questão de acesso mais fácil ao mercado de trabalho, conforto no deslocamento, seu fator de concentração de população de aumento do tempo para lazer e descanso. Isso contribui para aumentar a produtividade dos favelização, o que todo mundo quer é estar trabalhadores e viabilizar a expansão habitacional com a possibilidade de ter conjuntos habi- perto. Talvez ele aceitasse, se pudesse morar tacionais mais longe dos locais de trabalho, com isso, possibilita-se a desconcentração. em Irajá , em um conjunto habitacional com DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO Vemos a questão também pelo outro lado, no sentido de racionalizar a prestação de serviço, procurando ter serviços eficientes, distri- transporte rápido e chegasse rápido ao LeEmbora não tenha havido planos diretores em número suficiente, em qualidade necessária, nós tivemos uma concentração muito rápida da população nos centros urbanos, muitas blon, mas isso hoje não seria possível, devido à deficiência nos transportes. vezes próximas ao local de trabalho. Como não havia terras disponíveis, as pessoas foram para os morros, foram para as áreas de risco, e as favelas se plantaram. Eu tenho um exemplo Também temos que analisar a políti- concreto: eu moro no Rio de Janeiro, no Leblon, perguntei ao porteiro do meu prédio se ele ca tarifária dentro das políticas econômicas. queria que eu conseguisse uma casa em tal lugar para ele. Ele me disse que não, pois morava O nível de inflação é afetado, entre outros 115 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO fatores, pelas tarifas de transporte e, ao se é federal. Todas as legislações baixadas são repassarem para elas os custos reais, temos totalmente irregulares e inconstitucionais. o problema econômico, além do problema social causado pela redução da renda do trabalhador disponível para outros gastos, inclusive lazer. As possibilidades de obtenção de recursos para os transportes urbanos passam pelos recursos orçamentários do Governo e pelas contribuições justificadas, inclusive 116 pela existência de outros beneficiários indire- Por outro lado, não podemos cortar tos, que a nosso ver, devem pagar também totalmente a possibilidade de estimular, em pelo custo de implantação e manutenção do certas áreas, o transporte individual, porque serviço. Afinal de contas, numa intervenção, a estaríamos afetando a liberdade de ir e vir do população ganha, os usuários de automóveis cidadão. Para se ter uma idéia do modal no se beneficiam com o descongestionamento Brasil, 35% das pessoas andam a pé, 32% vão produzido pelo transporte público, há ganho no coletivo - destes, 90% vão de ônibus e 10% de tempo de viagem, há redução do custo de utilizam o metrô ou outros canais ferroviários, manutenção dos veículos,etc. As empresas se 28%, de automóvel, um índice alto. Também já beneficiam de intervenções no sistema com procuramos aumentar um pouco a questão da facilidade de transporte para os empregados bicicleta e temos agora a motocicleta. É preci- e consumidores, assim como os proprietários so acertar a questão do moto táxi. Há um pro- imobiliários se beneficiam e incrementam jeto de lei que está no Congresso para regular o valor dos imóveis. Uma via expressa pro- essa questão do moto frete e do moto táxi. porciona maior acessibilidade ao sistema de Há a necessidade da definição da profissão de transporte coletivo e a coletividade em geral motoqueiro. Em várias cidades brasileiras já se beneficia com a melhoria geral da eficiên- existe o sistema de moto táxi, muitas vezes Na abordagem da infra-estrutura, os cia urbana e com os efeitos positivos da me- autorizado por legislações locais. Vale lembrar vários modos de transporte devem ser com- lhor utilização do transporte público. que a decisão do Supremo é de que a matéria plementares formando uma rede única. É ne- rodoviário, seja metro ferroviário, deve ser mais acessível, ou seja, oferecer a possibilidade para todos. Para isso nós temos mecanismos de financiamento existentes, temos o PPA, um programa de mobilidade urbana com recurso do Orçamento Geral da União, já tivemos 199 contratos celebrados no valor de 296 milhões atendendo a 129 municípios. Os repasses têm o objetivo de apoiar projetos de corredores estruturais de transporte coletivo urbano, de ação de apoio à elaboração de projetos. Temos os recursos, temos a experiência, porém nos faltam os projetos, que são raros, e quando os temos são carentes de qualidade. Temos, inclusive que orientar os que apresentam propostas e projetos para que a qualidade deles seja melhorada. Caso contrário, nós temos recursos aprovados, discutidos e muitas vezes não contratados. Acho que é um tema primordial, não só na área de mobilidade, como também nas áreas de habitação, saneamento e transporte. Temos valores iniciais para apoiar projetos de circulação não motorizados no valor de R$ 5.8 milhões para 33 projetos em 30 municípios. É uma ação pioneira que está se desenvolvendo. Para as cidades com mais de 20 mil habitantes e área metropolitana ou área de especial interesse turístico, nós estamos agora avaliando a qualidade dos projetos, dos planos diretores que foram aprovados, inclusive até para sugerir aperfeiçoamento, se necessário, e demos muita capacitação aos gestores locais para uma ação fundamental que é definir a situação do espaço urbano, e tudo reflete em habitação e saneamento, reflete aqui na nossa questão de circulação e transporte. Bem, sobre mecanismos de financiamentos existentes temos apoio a projetos de cir- te Lula. Nós trabalhamos com um piloto em culação não motorizados, estamos procurando uma bicicleta Brasil, temos valores iniciais municípios com mais de 100 mil habitantes, agora de 5.8 milhões de 33 projetos, em 30 municípios uma ação pioneira que está se de- destinando 300 milhões de reais para esse senvolvendo, temos projeto de acessibilidade para pessoas com restrição de mobilidade e programa, operacionalizado pelo BNDES, com deficiência. Nós temos um programa que é o PROMOB, pioneiro, cujo inspirador foi o presiden- recurso do FAT e uma taxa de juros baixa, tem DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO cessário integrar os automóveis, os veículos não motorizados, os passeios e ciclovias, as motos. O sistema público de transporte coletivo, seja 117 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO quatro anos de carência, TJLP mais 4%, com rávit primário. Mas nós temos o valor de 450 nós estamos entrando com 250 milhões. Não os objetivos de regularizar ou revitalizar áre- milhões aprovados para 2006, que se repete há nenhum entrave político aqui na relação as degradadas; pavimentar sistemas viários também para 2007, no âmbito de Fundo de governo federal com São Paulo. Eu vou pes- prioritários, isto é, os itinerários do transporte Garantia, que poderia até disponibilizar mais soalmente inaugurar vários terminais após coletivo; recuperar sistema viário degradado; recursos. Outro problema refere-se à capaci- ter visitado o andamento das obras, em uma implantar terminais, estações de embarque / dade de endividamento, não basta ter recur- relação direta entre a prefeitura de São Paulo desembarque; abrigos para pontes; pavimen- so e projeto, tem que ter adimplência, como com o Governo Federal. tação e recuperação de estradas municipais, é obvio, como ocorre em todos os programas incluindo as estradinhas que ligam a área ru- com utilização de convênios. ral à área urbana dos municípios. Já aprovamos 101 projetos com 120.4 milhões de reais aprovados. São 300 milhões ao todo e eu estou atrás de projetos. Outra fórmula alternativa que nós temos de financiamento é o PPI, Projeto Piloto de Investimento. Começamos a atuar em 2004 nessa modalidade. Não está sujeito à contingencionamento porque não influi no 118 O pró-transporte é outro programa, po- primário e no nosso Ministério nós temos PPI’s rém, peca pela excepcionalidade. Eu preciso na área dos metrôs e temos um corredor ex- de autorização do conselho monetário para presso Tiradentes, em São Paulo. O valor total atuação, porque as despesas afetam o supe- do projeto é cerca de 400 milhões de reais, e do cronograma para regularização da operação e extinção da operação informal, se houver; atenção à questão do moto táxi; regularização das vans; atenção ao caso das bicicletas; e suporte para o deslocamento dos deficientes físicos e visuais - programa Brasil Acessível. Temos um outro projeto, o PLAMOB, em seqüência à exigência dos planos diretores. Nós temos também a exigência de planos diretores do transporte e da mobilidade, para municípios com mais de 500 mil habitantes. O Estatuto das Cidades previu o plano diretor, como plano di- DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO cessões e eventualmente de PPP’s; observação retor participativo, e previu também o plano diretor de mobilidade. Nós temos que dar, através de capacitação, a possibilidade de os municípios fazerem projetos melhores, seja via recursos orçamentários, via capacitação através de funcionários nossos ou através de convênios com entidades que podem ajudar as cidades e municípios a terem esses projetos também completados, ou seja, alcançados os objetivos do nosso investimento que são: valorizar os direitos da circulação dos cidadãos, reduzir os efeitos negativos dessa circulação, atentar para a poluição, para o congestionamento e para os acidentes. Esses são os objetivos básicos de melhorar a circulação, melhorando assim a qualidade de vida dos cidadãos. A concessão e o financiamento baseiam-se nos seguintes objetivos: planejamento de transporte coletivo para os municípios; elaboração de planos diretores; desenvolvimento de meios não motorizados; estímulo à integração dos serviços de transportes; promoção da capacitação de gestão pública para novas fontes de financiamento; desenvolvimento continuado; promoção de estrutura de gestão específica para mobilidade urbana; procura pela eficiência e racionalidade na prestação do serviço de transporte coletivo; promoção de estrutura de gestão adequadas; identificação de fontes de financiamentos; promoção da participação da iniciativa privada; complementação dos esforços do governo aos regimes de con119 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO A proposta orçamentária do Ministério é pequena É um Ministério novo, nós estamos ainda com recursos novos. Está é a proposta que consta para 2007. Ainda são valores modestos, mas nós atuamos na área de financiamentos com valores bem maiores, como vimos na parte do PROMOB, na parte para transportes, incluindo os metrôs. Então, o que nós financiamos: corredor de transportes, terminais de transportes coletivos, pontes de conexão de linhas de transporte coletivo, abrigos, obras de acessibilidade de pedestres às vias, acesso para ciclistas, vias, estações, terminais, pontes de conexão e abrigos, calçadas e ruas de pedestres, estudos e projetos. Na área metropolitana, nós atacamos todos os modos de transporte nas cidades com mais de 100 mil habitantes. Atuamos na área de transporte coletivo, mesmo os não motorizados e obras de grande impacto local. Temos os níveis em que atuamos: 13 cidades do Brasil com mais de um milhão de habitantes; 18 cidades na faixa de 500 mil a um milhão; 33 cidades de 300 mil a 500 mil habitantes; e 160 cidades de 100 mil a 300 mil habitantes. 120 financiamento, sabe-se que existe uma discussão no governo sobre eventual ampliação do PPI, e a expectativa de que a gente poderia colocar, se assim for, valores adicionais para metrôs, que são nossa ação específica, e discutir também a situação de projetos que não estão incluídos ainda no momento PPI. Por exemplo, os senhores tem ouvido falar muito sobre discussão sobre a linha 3 do Rio de Janeiro, que, eventualmente e se houver espaço, poderia ser incluída no plano. Para os consórcios públicos, nós dependemos ainda de uma regulamentação para a parte de ônibus E o pedágio urbano, que é um tema que sempre aparece nas discussões e que simplesmente vai sendo adiada a sua discussão enquanto a situação não se torna caótica nos centros urbanos. DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO Bem, quanto à ampliação de fontes de O FUNSET também possui recursos da ordem de 800 milhões de reais, mas não está liberado. Mesmo assim, é importante uma discussão sobre segurança e educação e eu estou fazendo uma proposta para se colocar também sinalização como objeto desse fundo. 121 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO Quanto às medidas geradoras de benefícios diretos, liberamos o SINEAVE, Sistema de Identificação Automática de Veículos. É o sistema de leitura de placas eletrônicas que serão colocadas nos veículos com antenas, com sensor de aproximação e com câmeras, objetivando verificar a situação de automóveis que circulam. De 25% a 30% da frota não pagam IPVA. O sistema ajuda ainda na elucidação do caso de clonagem, roubo, seqüestro, rapto. Isso vai ser colocado nas grandes vias, nos centros de grande circulação, nas saídas das grandes cidades, nas saídas dos estados, e sobretudo podemos colocar também próximo às fronteiras, para evitar que carros saíam do Brasil. O custo dessa operação deve ser zero, inclusive pelo retorno que vai propiciar. A prefeitura de São Paulo já lançou o produto. No Rio de Janeiro já estão com o projeto piloto na rua. A fonte adicional de recurso para trazer todo mundo para a legalidade é a isonomia jurídica. 122 Eliseu Rezende. Deputado Federal. Excelentíssimo Senhor Ministro Augusto Nardes, coordenador deste evento, autoridades presentes, senhoras e senhores. De uma alíquota única de 7% do ICMS recolhido pelos Estados sobre os derivados de petróleo alcançamos alíquotas que chegam a 30%, nada mais indo agora para os transportes e para Eu falei com o Ministro Augusto que não teria muito tempo devido a a infra-estrutura viária. O que está faltando, e aí eu quero louvar um conflito de agenda para fazer uma palestra aqui, honrado com o con- a iniciativa do Tribunal de Contas da União que está interferin- vite que ele me formulou e ele me disse que eu teria 15 minutos só. Então do e deve interferir neste processo de controle da eficiência dos eu vou poder dar uma contribuição dando minhas opiniões sobre o setor, gastos. Nós realmente vivemos num período de ineficiência nos particularmente sobre alternativas para financiamento. gastos dos transportes. A nossa principal prioridade deve estar DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO ALTERNATIVAS DE FINANCIAMENTO voltada para a manutenção do sistema e a reposição dos ativos. Eu tenho experiência antiga, pois já fui diretor do DNER. Naquela época havia o Fundo Rodoviário Nacional. Lembro-me do nosso velho tem- Falar sobre obras A, B e C não é solução do problema de po no DNER, quando as refinarias depositavam a arrecadação do Imposto transporte do País. Aquilo é um problema e a solução efetiva está Unico sobre Combustíveis e Lubrificantes, diretamente na conta do DNER na perenização do sistema de infra-estrutura viária do País, de sem passar pelo Tesouro. Isso não existe mais. forma a fazer com que o custo do transporte seja mínimo. O custo total do transporte é aquele que envolve os investimentos iniciais Refiro-me assim porque o que o setor dos transportes precisa, e teremos que encontrar uma solução para isso, é planejamento, fiscalização e mais os custos operacionais durante o tempo de vida útil do projeto. Infelizmente, nós não temos recursos suficientes. controle eficientes e da projeção dos recursos disponíveis com segurança. Caso contrário, nós vamos continuar vivendo a situação que estamos vi- Criamos a CIDE. Eu fui o relator da emenda constitucional vendo já há alguns anos, alguns governos, algumas décadas, desde quan- que a criou. Criamos um tributo novo que foi aprovado pelo Con- do a Constituição de 1988 extinguiu o Fundo Rodoviário Nacional; a Taxa gresso Nacional por unanimidade na Câmara e no Senado. Vejam, Rodoviária Única – TRU foi transformada em IPVA, recolhido pelos Estados. um imposto aprovado por unanimidade no Congresso Nacional e 123 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO nós que sabemos que temos uma carga tribu- aplicar um tributo no consumo de combustí- nitidamente dar uma contribuição importante tária tão exorbitante, a maior do mundo. Mas veis automotivos gerando recursos para que para termos o sistema viário aperfeiçoado. por quê? Porque os Congressistas entende- esses recursos sejam alocados ao sistema de ram que o setor dos transportes deveria ter transporte para redução do custo operacional uma solução, e essa solução vem de encontro dos veículos. aos elementos a que me referi no início e que Fala-se em PPI, fala-se em Transnordestina, e seria ótimo se o Brasil pudesse construir a Transnordestina. Fala-se em Ferrovia são necessários., que são um planejamento Há dados técnicos, e nós temos vários Norte/Sul. Seria formidável se pudéssemos adequado, um controle e uma fiscalização efi- técnicos aqui, inclusive do antigo DNER do construí-la, mas desde que os recursos neces- ciente e a definição de recursos orçamentá- Ministério dos Transportes, que sabem que sários à reposição dos ativos e à manutenção rios para um planejamento sustentado. quando uma estrada está cheia de buracos o do sistema sejam prioritariamente aplicados. consumo de combustível numa viagem pode Finalmente, criada a CIDE, o governo chegar a ser 25% maior do que o consumo Não se pode deixar a manutenção do a introduziu numa parte da reforma tributária observado quando a estrada está lisa, está sistema viário sujeito ou exposto às condi- com a inserção da CIDE na DRU – Desvincula- perfeita, sem resistência ao deslocamento do ções metereológicas, sem conservação, nem ção dos Recursos da União. O conceito tribu- veículo. deixar uma estrada esburacar para depois tário da CIDE - Contribuição de Intervenção no consertar com investimentos enormes, fazen- Domínio Econômico - não se ajusta à não-vin- Eu chegaria a dizer que nós estamos do licitação sem planejamento, sem projeto culação dos recursos a um mercado chama- tão próximos da auto-suficiência em petróleo numa operação precária de tapa buraco cuja do de combustíveis automotivos. Intervêm-se que se nós fizéssemos uma aplicação racio- taxa de retorno é 100% negativa. nesse mercado tributando, mas aplica-se o nal dos tributos aplicados sobre os combustí- resultado da contribuição ou arrecadação do veis no aperfeiçoamento do sistema viário, a É difícil aceitar que nós estejamos ad- tributo na diminuição do volume de combustí- economia que o País faria seria tão grande na ministrando o setor dos transportes de uma veis consumidos no País através da aplicação indústria do petróleo que nós poderíamos até forma racional no Brasil. E não é de hoje, esse dos recursos no aperfeiçoamento do sistema participar da OPEP. Seríamos exportadores lí- problema vem de algum tempo. viário. Por quê? Porque a gasolina automotiva quidos da indústria do petróleo. tem como único cliente o automóvel, não é 124 Não há crítica aqui a qualquer governo. consumida por nenhum outro veículo. O óleo Agora, o que está acontecendo é o con- Eu escrevi um artigo no Globo e no Estado de diesel, à exceção de tratores agrícolas e gera- tingenciamento, é a insegurança dos recur- São Paulo em 1996, dizendo que era preciso ção de energia, é consumido nos transportes: sos, o que implica na falta do planejamento e salvar as estradas do Brasil. É necessário um nos motores dos caminhões, ônibus, navios, na falta também de uma estruturação técnica plano de reconstrução nacional pois não serão locomotivas e, com isso, há condição de se adequada para o setor, para que ele possa obras faraônicas, pontualmente localizadas, O transporte metroviário, cujo investimento é enorme por quilômetro, pode ter soluções Governo Federal precisa ter, num determinado cabíveis com a adoção do critério de recursos orçamentários a fundo perdido para o investi- momento, uma decisão corajosa e intrépida de mento e para a instalação dos sistemas e a concessão da exploração operacional. consertar as estradas do Brasil com um trabalho simples, projetos simples. Os recursos por Para o caso das estradas, é importante que reformulássemos a CIDE dentro das colo- unidade por quilômetro a serem investidos são cações que foram feitas aqui, não permitindo a desvinculação e o contingenciamento. Com mais reduzidos e o impacto de benefício eco- relação ao controle e à fiscalização, é necessário estruturar os órgãos do setor de transportes, nômico e social e de integração regional e na- particularmente o DNIT, que tem uma equipe de recursos humanos muito pequena, muito ra- cional são extremamente relevantes. refeita, espalhados numa dimensão territorial como a nossa. Como é que o DNIT, com sede em Brasília, sem engenheiros, sem estrutura técnica, vai planejar, projetar e fiscalizar os empre- O que nós precisamos é perseguir três endimentos rodoviários na Amazônia, no Centro-Oeste, no Nordeste, no Sudeste e no Sul do pontos importantes na área de transportes: País? Daí as distorções encontradas. Nós chegamos até a ficar tentados a aceitar as sugestões termos recursos definidos, termos planeja- que nos vêm já de algum tempo, de transferir as estradas federais para os Estados, seguindo mento e termos controle e fiscalização ade- o modelo americano e de vários países do mundo. Os recursos são federais,mas as obras, as quados. A nossa Constituição é muito sábia: estradas em cada Estado, são administradas por ele. DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO que vão marcar uma administração pública. O no seu artigo 21 ela diz que a União poderá explorar direta ou indiretamente através de Nos Estados Unidos, as US, que correspondem às nossas BRs em cada Estado do sistema concessão, permissão e autorização o siste- federativo americano, são administradas pelo respectivo Estado. Com isso há descentralização, ma ferroviário nacional, o portuário, o aero- o controle é mais efetivo, a fiscalização é mais adequada. Desde que os estados tenham os portuário, o rodoviário federal e o hidroviário recursos assegurados também, e aí nós acabaríamos com aquela superposição que existe dos nacional. O planejamento do setor é impor- DER’s com as residências do DNIT, ou do ex-DNER. Às vezes, numa cidade só, como em Santa tante e deve evidenciar uma exploração ren- Maria, no Rio Grande do Sul, Juiz de Fora, em Minas Gerais, Cuiabá, Campo Grande e tantas ou- tável, para que o governo tenha condições de tras, nós temos uma residência, uma instalação do DNER e temos também uma unidade do DER dar preferência à concessão ao setor privado, fazendo o mesmo. O engenheiro do DNER percorre a BR para fiscalizar, o engenheiro do DER para que o setor privado invista, na ausência percorre uma estrada esburacada para inspecionar uma estrada estadual; ele não liga para os de recursos públicos, através de concessão buracos da federal porque aquilo não é da conta dele. É uma ineficiência, uma duplicidade níti- para viabilizar a exploração daqueles segmen- da que nós temos no País. É claro que isso vai precisar de muito desprendimento, mas isso pode tos de transportes. Destaca-se o segmento de surgir de uma idéia, de um pacto federativo, quando recursos que são concentrados na União ferrovias e este pode ser feito da seguinte for- se transfiram para os Estados através de transferência também da obrigação de prestação de ma: as ferrovias podem ser concedidas, cons- serviços que os estados e municípios podem realizar com mais eficiência, com mais controle e truídas e operadas com recursos privados. com mais fiscalização. 125 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO ALTERNATIVAS DE FINANCIAMENTO Luz Antonio Pagot. Representante do Governo do Estado de Mato Grosso. Nós tivemos desde ontem ilustres palestrantes com o mais O mesmo ocorre com a Norte-Sul que hoje tem um pedaço que chega profundo conhecimento sobre os temas nacionais na área até Estreito, e o cálculo para tirar uma carga dali e levar à Ponta da Madeira de estratégica, logística, transporte e correlatos. Tivemos se baseia no quanto cobra o caminhão. Se o caminhão cobrar “x”, eu faço aqui diagnosticadas situações sobre a questão orçamentária, “x” menos dois por tonelada transportada, e é o preço que se cobra. É planejamento, o atual momento que vive sociedade brasileira, mais barato, mas não está havendo o significado e a importância que é especialmente dos investimentos, dos empreendimentos e das preciso ter no processo de desenvolvimento e principalmente no processo mazelas. E cada palestrante que se apresentou, demonstrou de crescimento da nação brasileira. um conhecimento absoluto dentro das situações e apontaou um mote de soluções, que evidentemente precisam seguir em Um outro problema diz respeito à atuação de juízes e promotores no Brasil. frente, que são exigidas pela sociedade e a que nós precisamos Uma hidrovia importantíssima para a nação brasileira como a Paraguai- dar, então, ênfase. Paraná, um modal internacional de transporte de carga que envolve vários países podendo transportar milhões de toneladas de carga por ano, fica por 126 Eu vejo que este evento pode ser um marco, desde que, nós birra jurídica de um ano para outro, impedida de ser utilizada para fazer o possamos continuar a nos reunirmos em fóruns privilegiados e transporte, de se ter as melhorias necessárias garantindo o desenvolvido em grupos de trabalhos específicos, por que temos superações a e importante para a nação brasileira. Ela é estratégica para o Brasil, encontrar. Por exemplo, na questão ferroviária, nós privatizamos em segurança nacional e em segurança alimentar. Mas então entra em a nossa malha ferroviária nacional e acabamos, praticamente, ação a vaidade de algumas pessoas, e principalmente a mobilização das criando monopólios, e monopólios de ineficiência. A Ferro-Norte organizações não governamentais, que não estão interessadas no verde, que chega a Mato Grosso, no município de Alto Araguaia e cobra nem na preservação da natureza. Estão interessadas nos empregos do no tramo ferroviário de dois a três reais de diferença do custo do hemisfério norte. Porque quanto mais inviabilizarem e impedirem a nossa frete do caminhão, o que era para ser um alento para o estado, competitividade, mais vão garantir o bem-estar daqueles países. E nós que precisava dessa ferrovia, hoje não é significativo para a trabalhamos com competência, nós somos extremamente competitivos. É redução dos custos de transportes. um absurdo não se deixar dragar as hidrovias e portos. É tão importante colocam a mão no bolso e fazem a dragagem de que é preciso. Eles não podem constituir uma parceria para fazer a dragagem se têm imensos impeditivos que começam nas próprias companhias de docas, que têm interesses escusos em não permitir que dragagem aconteça. As organizações não governamentais ficam discutindo o caramujo africano, ficam discutindo determinadas questões e vão impedindo, através de uma série de ações na justiça, o desenvolvimento fundamental na nossa sociedade, que começa exatamente pelos portos brasileiros. DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO a dragagem, e as companhias sabem disso se a nação não tiver dinheiro para a dragagem dos portos, os usuários dos portos, os armadores, sindicato da construção pesada, dizendo que nas estradas o valor de implantação tinha que ser reduzido se quisessem fazer as estradas em Mato Grosso. E a partir daí montamos um laboratório formidável de estudos solos. E com aqueles solos que “não serviam”, que o General Enzo fez e implantou a BR-163 e após 18 anos, 20 anos, continua com TSD, Tratamento Superficial Duplo, com baixo custo de manutenção. Aquele mesmo solo que se aproveitou e que nós estamos aproveitando A nossa metodologia mato-grossense de compartilhar tarefas proporcionou uma solução e estava descartado na grande maioria dos nós conseguimos implantar 2.000 km de rodovias pavimentadas em 3,5 anos sem um centavo de projetos mato-grossenses. Porque o que financiamento, apenas pelo Fundo Estadual de Transporte e Habitação. Uma nova metodologia interessava anteriormente era a distância de construção de estradas que começou com uma conversa na Federação das Indústrias, no média de transporte e não a efetividade e o 127 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO resultado técnico a implantação das rodovias. cascalho para fazer a manutenção dela, pois Ministério dos Transportes, Tribunal de Contas Obras de qualidade por preços competitivos. ela não foi pavimentada. A partir do momento da União, as agências. Eu vejo, eu transito em que isso ocorrer a pavimentação nós muito vamos ter uma rodovia que vai significar enorme vaidade de funcionários que muitas integração nacional. Mais uma rodovia que vai vezes impedem que as soluções obtidas nos significar que nós não vamos precisar investir níveis resolutivos. nesse meio governamental uma todo ano em rodovias não pavimentadas, em pontes de madeira etc, e que nós vamos Portanto, é fundamental que se trabalhe ter a competitividade de toda uma região, e com marcos regulatórios. É fundamental principalmente a redução do custo de vida. que nós busquemos principalmente os alternativas, estados podem Quando nos retiram a possibilidade de fazer melhor. É importante delegar aos Especialmente nas rodovias brasileiras, é navegar nas velhas e boas calhas dos rios, estados a conservação e manutenção das necessária uma série de revisões de normas quando nos impedem de fazer a dragagem suas rodovias, pois eles já têm os grupos de e de de trabalho, têm empresas contratadas, sabem fazer sinalização e balizamento, quando nos dos problemas das estradas, sabem onde pelo impedem, nos impedem, nos impedem, estão está oxidado, sabem onde precisam fazer destrancar, necessariamente aumentando o custo de com concreto betuminoso usinado a quente, desburocratizar. Não é possível que uma vida da nação brasileira e, principalmente, o com PMF, enfim, estão lá vivendo o drama rodovia que está no Plano Nacional de 1950, custo de vida dos que vivem no interior. Nós no dia-a-dia. Mas, há os que não permitem denominada posteriormente precisamos, a partir de agora criar um grupo que teve uma terra indígena implantada no seu de trabalho, fóruns de debate etc. Temos as estradas que tinham poucos buracos entorno e acabou envolvendo a BR-158, hoje, uma vontade indomável de fazer, de produzir acabam ficando com crateras. E, não se tem seja impedida de ser pavimentada por causa um novo Brasil, um Brasil atuante, um Brasil dinheiro nem para o tapa-buraco nem para da criação dessa terra indígena, por causa de eficiente, um Brasil de custos competitivos, a cratera. Nós estamos vendo o custo de organismos não governamentais e por causa de realizar obras de qualidade por preços transporte cada vez mais alvitante, inclusive, de meia dúzia de índios que se assentam ao competitivos. Temos que aproveitar esse retirando longo dessa rodovia. Essa rodovia do jeito momento e fazer uma reestruturação, uma setores importantes na nossa economia. que ela está hoje é um crime ambiental. Hoje reconversão produtiva da sociedade, das Diagnósticos foram feitos, soluções foram ela significa assoreamento dos córregos e metodologias, apontadas. O que nós precisamos é avançar dos rios. Significa a retirada permanente de reduzir, baixar as vaidades para nos unir: procedimentos, inclusive regulatórios definidos, segundo termo o Presidente 128 onde as Lula: e que brilhante destravar, BR-158, que de marcos possamos, usado regularização das do canal principal, instituições. E vamos isso aconteça, a conseqüentemente, competitividade com essas soluções. de muitos fazendo estradinhas. Eles não sabem a realidade, vivem só no tapetão e no ar condicionado. Mato Grosso demonstrou inequivocamente eficiência. Porque dos 2.000 km de rodovias, Precisamos avançar. Há pessoas muito capacitadas e competentes para realizar o que deve nós fizemos 1.154km até agora com os ser feito em todos os estados brasileiros. Sugiro que se faça um compêndio deste Seminário produtores rurais. Eles, que já pagam todos que seja enviado para análise de todos os participantes e que se estabeleça uma série de os impostos contribuíram voluntariamente grupos de trabalho, uma série de fóruns subseqüentes para discutir ponto por ponto. Assim, com os outros 50%. No Mato Grosso já tem o estaremos contribuindo para a nação brasileira e contribuindo para resolver antigos problemas FETHAB, que é o Fundo Estadual de Transporte não resolvidos. DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO O compartilhar tarefas na experiência de e Habitação, que é cobrado no transporte da soja, da madeira, do óleo diesel, do algodão e Nós temos que dar desdobramentos a este Seminário e fazer com que esses desdobramentos do gado que se usa nas máquinas agrícolas. sejam a resolução dos problemas que nós temos. Vamos resolver o problema da hidrovia Desse fundo, 30% vai para a habitação Paraguai-Paraná. Não é muita coisa, mas estaremos reduzindo em 30 dólares o custo para popular e 70% para as rodovias. Dos 70% levar uma tonelada de soja em navio Panamax. Vamos procurar, na questão das rodovias, para rodovias mais o dinheiro voluntário dos priorizar os eixos estruturantes que são prioritários para o Brasil. Colocam a BR-163 como produtores rurais, nós construímos 1.154km prioridade e colocam a prioridade do agronegócio. A questão é que ela é prioridade para o de rodovias pavimentadas que não devem agronegócio, mas não é fundamental para ele. Ela é fundamental para o pólo industrial de nada a qualquer rodovia federal do Brasil. Manaus, porque ela dá mais competitividade, um pólo industrial que fatura 15 bilhões de dólares por ano, e que vai economizar quatro dias por ciclo de transporte de carga de insumos. Muitas vezes eu ouço as pessoas do DNIT O produto quando chegar ao mercado significará muito, por mês, em redução de custo, de fazerem críticas que em Mato Grosso estamos estoque de mercadoria. Ao invés de passar hoje pelo tramo Manaus-Belém, Belém-Brasília 129 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO para chegar a São Paulo, viria até Miritituba no estado do Pará, colocaria em caminhão pela BR-163 no trem Alto Araguaia, chegaria com reduzido custo de frete e quatro dias a menos. Então, ela é fundamental para o Pólo industrial de Manaus e é fundamental para o modo rodofluvial amazônico. Haverá mais empresas transportando não só através das frotas fluviais, mas principalmente, pela cabotagem a partir do porto de Santarém, do porto de Macapá, fazendo o Norte-Nordeste e podendo servir e substituir. No Norte-Nordeste, por exemplo, se importa todo ano três milhões de toneladas de milho que vem dos Estados Unidos, dois milhões de toneladas de arroz e de outros produtos que vêm da Ásia. Nós podemos fornecer com produtos do Centro-Oeste brasileiro, levando os insumos do Nordeste para o Centro-Oeste usando esse multi modal, usando o navio, a cabotagem, a hidrovia e a rodovia para chegar aos estados produtores e para chegar onde está a produção competitiva e qualificada. Temos que aproveitar esse novo governo, essa maturidade adquirida por muitos dos agentes que estão hoje nas áreas governamentais, na área econômica, e aproveitar essa vontade que as pessoas do Brasil têm de compartilhar tarefa, de assumir responsabilidades, de ajudar ao governo. PPP sim, mas a que custo? Se for a três vezes mais o valor da obra, não vale a pena ter PPP, porque o povo brasileiro não agüenta mais pagar um pedágio tão caro. Se a obra for de qualidade por preço competitivo vamos fazer PPP, se tem embutido um exagero financeiro dentro, não vamos fazer PPP. O mesmo na implantação dessas grandes obras, desses grandes eixos, vamos repensar os valores, os números, vamos qualificar as pessoas, vamos discutir para saber que valores o Brasil pode pagar para as suas obras e que qualidade são exigidas nas suas obras. Porque, nós temos orçamento, nós temos recurso e nós temos que maximizar e aproveitar bem esse orçamento e esse recursos. No modelo mato-grossense nós, inclusive, passamos a admitir a administração de cada trecho de estrada por produtores rurais. O conselho executivo das associações dos produtores rurais é quem administrou as rodovias como se fosse uma estrada deles, não uma estrada estadual. E tem mais: uma dessas estradas vai ser pedagiada, e o pedágio não é para ressarcimento do investimento. O pedágio é para armazenar dinheiro para a conservação e manutenção da estrada. Daqui a 15, 20 anos a estrada estará com nova e o pedágio cobrado servirá para conservar e manter a estrada ao longo do tempo. Está sendo dada uma solução para o presente e serve para o futuro. 130 Brigadeiro do Ar José Carlos Pereira. Presidente da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária – Infraero. Meu propósito é transmitir uma visão fundamental do que é a INFRA- A INFRAERO dispõe, atualmente, de 67 aeroportos, admi- ERO, suas principais questões atuais e as alternativas que estamos pesqui- nistrados diretamente, dos quais apenas 22 ou 23 são superavi- sando para os próximos quatro anos. Serão abordados os grandes números tários. Todos os demais apresentam prejuízos, são deficitários. da INFRAERO, as estruturas de financiamento, os investimentos realizados Esse é o lado social da empresa. Trabalhamos como uma espécie nos últimos quatro anos, a relação entre investimento e arrecadação, as de subsídio cruzado, em que os aeroportos superavitários patro- necessidades do quadriênio e as fontes adicionais para investimento. cinam ou mantêm os aeroportos deficitários. Se, por exemplo, DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO ALTERNATIVAS DE FINANCIAMENTO esses aeroportos deficitários fossem fechados, o país inteiro, por esse motivo, seria atendido apenas em pouco mais de 30 cidades. São 67 aeroportos e 81 unidades de navegação aérea. Além de aeroportos, a INFRAERO ainda opera instalações específicas para apoio à navegação aérea, embora, no país, a responsabilidade total pela navegação aérea seja do Comando da Aeronáutica. Essas 81 estações são um complemento da INFRAERO ao Comando da Aeronáutica. São 32 terminais de carga pelo país inteiro. Neste ano, esperamos terminar 2007 com 1.930.000 operações de aeronaves nos nossos aeroportos. Apenas nos 67 aeroportos. Estimavam-se 100 milhões de passageiros. Chegaremos em 31 de dezembro de 2006 com 103 milhões de passageiros circulando em nossos aeroportos. Quanto à carga aérea, estimam-se em quase 570 mil toneladas. Os resultados financeiros, de 2003 até este ano, são os apresentados na tabela. Para 2006, os números previstos são os seguintes: a receita operacional é de um bilhão e 131 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO novecentos milhões de reais; o custo dos serviços prestados está em torno de um bilhão e quatrocentos milhões de reais; as despesas operacionais, bastante reduzidas neste ano em relação ao ano passado, chegarão a 202 milhões; e o resultado operacional, como conseqüência, terá um aumento substancial, chegando a 340 milhões de reais. O quadro a seguir representa os investimentos realizados, também no último quadriênio de 2003 até 2006 em aquisição de equipamentos. A INFRAERO é uma empresa que não possui ativos. Nós temos pouquíssimos ativos, um prédio próprio onde funciona a sede da empresa e algumas pequenas instalações. Todos os aeroportos, todos os equipamentos são de 132 Na tabela a seguir, correspondente à pizza da estrutura de propriedade da União. Se esses aeroportos, esses equipamentos fossem financiamento, os recursos próprios da empresa respondem por propriedade da INFRAERO o balanço da empresa seria muito melhor. No 36%. O aporte de capital representa 12%. O adicional tarifário re- entanto, eu acho ótimo que permaneça tudo sob propriedade da União. Se presenta 36% e o restante 16% resulta de convênios. A empresa alguém um dia resolver vender esses aeroportos, privatizar nossa empre- só pode receber recursos gerados por ela própria, por aumento sa, seria muito fácil vender ativo de uma empresa, mas seria muito mais de capital ou por meio de convênio. difícil vender bens da União. DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO A melhoria de desempenho com ampliação de receita e reQuanto à relação entre investimento e arrecadação ao longo do qua- dução de custo seria a melhor das fontes de investimento. Outra driênio, considerando as receitas operacionais com o adicional tarifário e os excelente perspectiva seria fazer com que nossos mais de 40 ae- investimentos totais, essa relação situa-se entre 33 e 32%, o que represen- roportos deficitários se tornassem pelo menos sustentáveis. Esse ta um valor considerado bastante razoável. O nosso planejamento estra- é o desafio. A magnífica fonte adicional de receita, e instrumento tégico quanto às necessidades de investimentos, de 2007 a 2010, aponta de apoio ao investimento na estrutura do governo federal, seria para uma carência total de cinco bilhões e oitocentos milhões. Estimam-se a receita do PPI e das PPP. Estamos trabalhando seriamente em em dois bilhões e seiscentos milhões a obtenção de recursos próprios da projetos para PPI e, no momento, temos apenas um vislumbre empresa em conjunto com o adicional tarifário. Resulta, portanto, uma di- de uma PPP ou processo de concessão referente ao novo grande ferença de dois bilhões e oitocentos milhões. A questão está exatamente aeroporto em construção no município de São Gonçalo do Ama- aqui: obter este recurso para o plano de investimento até 2010. rante, bem próximo a Natal. Sobre a participação de recursos 133 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO privados, por meio de abertura de capital, trata-se de assunto extremamente controverso. Eu, particularmente, temo um pouco pela sorte dos nossos pequenos aeroportos deficitários. Qualquer um de nós compra ações do aeroporto de Congonhas, Guarulhos, Brasília ou Porto Alegre, mas quem comprará ações do aeroporto de Forquilhinha, Altamira ou Marabá? Há de se pensar um pouco nisso. Quanto à disponibilização de recursos, hoje destinados ao Tesouro, relativa a tarifas de embarque internacional, estamos trabalhando com a hipótese de reduzir essa parte de entrega. O pessoal do Tesouro Nacional não concorda, mas é uma fonte adicional possível. O que também poderia ser feito para complementação de fonte de recursos da empresa seria a disponibilização de recursos do orçamento fiscal; é óbvio que isto poderá ser feito. Essas são as possibilidades adicionais que vemos. Continuamos investindo na infra-estrutura. Agora o grande desafio é com o PIB crescendo a 3%, a demanda de passageiros crescendo a 20%, a demanda de carga internacional a 11%, e a carga nacional a 5%. E ainda toda sorte de pressões políticas: 26 governadores querem novos ou modernizados aeroportos nos seus estados; o que também ocorre com a grande maioria dos prefeitos em todo o país. Há uma enorme demanda, não só de natureza política, como de natureza operacional, ao longo da infra-estrutura aeronáutica. Em termos de custeio, estamos trabalhando, no momento, em torno de 34% de arrecadação e investimento direto só na infra-estrutura. Em relação às carências de 2,8 bilhões, já referidas, a empresa sobreviverá e o sistema não entrará em colapso caso tais recursos não se tornem disponíveis, no entanto ocorrerá severa degradação ao longo de todo o sistema. Fazendo uma comparação com o tráfego terrestre, eu gostaria apenas de chamar a atenção para o fato de que, diante de um buraco na estrada, é possível o motorista frear o caminhão e parar no acostamento. A deficiência aumenta o prejuízo nas estradas, causa até algumas mortes. No caso do sistema aeroviário, não é possível reduzir a velocidade, menos pessoas morrem, porque o sistema ainda é extremamente seguro, porém 134 nós podemos ter problemas muito sérios em relação a isso. Há uma dife- um aeroporto é administrar e coordenar inte- de um estado pobre e aquelas que envolvem pessoas que morrem em acidente de avião, resses, missões e objetivos diversos, porém mesmo uma pequena aeronave. Este se transforma em drama nacional. Muito mais pessoas convergentes, com a Polícia Federal, subordi- morrem por semana neste país e nós nem temos notícias que morreram por causa de um bu- nada ao Ministério da Justiça, a Receita Fede- raco ou de uma curva mal estruturada de uma estrada. Mas, um único avião que caia, ou um ral, subordinada ao Ministério da Fazenda, a único avião que derrape numa pista de pouso, por uma falha eventual de um piloto e temos ANVISA, subordinada ao Ministério da Saúde, manchete nacional, um motivo para acordar todos nós do sistema às 3hs da manhã e explicar a Policia Militar, subordinada ao Governador o porquê de uma derrapagem. O governo federal vem apoiando a INFRAERO. Ela é subordi- do Estado, a INFRAERO, subordinada ao Mi- nada ao Ministro da Defesa, assim como todo o sistema aéreo, incluindo a Agência Regula- nistério da Defesa. Trabalhar este conjunto, dora, a ANAC e o Comando da Aeronáutica, como Força-Armada. Estamos todos centrados fazer este conjunto ser harmonioso e sinér- no mesmo Ministério. Recebemos todo o apoio necessário, não há o que reclamar e estamos gico é um dos desafios que nós enfrentamos no momento trabalhando na idéia do PPI e PPP. Foram destinados setecentos milhões, entre hoje e é um desafio que custa caro. Só em 2005 e 2006, para aplicação em investimento de aeroporto e mais trezentos e cinqüenta mi- equipamento de segurança visando aos jo- lhões estão na Lei Orçamentária de 2007. Estamos tentando otimizar resultados, aumentan- gos pan-americanos no Rio de Janeiro haverá do a arrecadação, reduzindo custos e assim por diante. O setor aéreo está e sempre estará um grande investimento, será um desafio em bastante exposto. Estará sempre na mídia. Gostaria de ressaltar que o setor aéreo, particu- 2007. Tais investimentos estão chegando a larmente os aeroportos, precisa ser visto de uma forma um pouco diferente. O mundo ficou cem milhões. E no que tange aos aeroportos muito pequeno com a chegada do avião, pequeno e veloz, inclusive, o transporte de drogas, é um pesadelo. Nós pretendemos até mar- bandidos, terroristas, cocaína, heroína, arma e munições ilegais. É no aeroporto onde tudo ço estar com todo o sistema de segurança acontece: a cocaína embarca, o avião que caiu não chegará, onde começa o drama de milha- pronto e testado, em trabalho conjunto com res de pessoas. Quando um ônibus capota, ninguém corre para a rodoviária. Porém quando a Secretaria Nacional de Segurança e com a ocorre um problema nos aviões é para o aeroporto que as pessoas correm. É no aeroporto Polícia Federal para chegarmos a um mínimo que a Polícia Federal trabalha, que a Vigilância Sanitária tenta impedir a entrada da gripe de segurança. Isso é recurso, dinheiro. Espe- aviária, que a Receita Federal atua nos recolhimentos devidos. Não é problema dos contro- ramos que as fontes de financiamento nos ladores de vôo a chegada da gripe. Então nós temos problemas seríssimos na administração ajudem a resolver isso. A empresa vai pre- dos nossos aeroportos que precisam ser vistos como um organismo especial, multidisciplinar, cisar de dois bilhões, oitocentos e cinqüenta extremamente complexo e com riscos específicos a suas próprias atividades. Administrar milhões nos próximos quatro anos. DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO rença grande entre ocorrências que envolvem pessoas que morrem na estrada ou no interior 135 DESAFIOS INSTITUCIONAIS PARA O DESENVOLVIMENTO DO SETOR DE TRANSPORTES Maurício de Albuquerque Vanderley. Secretário da Secretaria de Fiscalização de Desestatização do Tribunal de Contas da União. Nesse painel vamos tratar de questões extremamente relevantes, isto é, os desafios institucionais que estão associados a esse esforço de expansão de estrutura de transportes aqui no Brasil. Grande parte dos problemas que foram citados nos painéis que abordaram assuntos relacionados à infra-estrutura, ao planejamento e aos mecanismos de financiamento DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO CONTEXTUALIZAÇÃO DO TEMA do setor de transporte podem ser associados com as práticas e condições de operação das instituições que devem apoiar com esse setor. O objetivo deste painel é discutir os desafios das diversas instituições governamentais, quer seja do poder executivo, do judiciário, do legislativo, responsáveis pelo setor de transportes no Brasil. As fiscalizações do TCU na área de transporte vem detectando que grande parte das deficiências encontradas nos trabalhos, nos editais ou nos projetos estão associadas à falta de estrutura das instituições, quer seja o órgão executor, as agências reguladoras ou o ministério setorial. Nós temos a convicção de que se as questões institucionais forem bem equacionadas, estaremos dando um importante passo para viabilizar as obras e os empreendimentos que o país tanto necessita. 139 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO 140 O primeiro ponto que desejo destacar ram em suas respectivas palestras a impor- iniciativa privada quanto o setor público re- é a necessidade de coordenação institucio- tância da intermodalidade para que propiciar conhece a importância da consistência e da nal entre os órgão se instituições que atuam custos módicos na prestação de serviços de estabilidade da atividade regulatória. Para no setor de transporte. Esse ponto já foi ob- transportes e do planejamento integrado das que isso aconteça, é necessário que as agên- jeto de comentários e palestras anteriores e diversas esferas de atuação. A lei prevê que cias sejam dotadas de um quadro de pessoal nós verificamos que há uma insuficiência de o Conselho Nacional de Integração de Políti- com quantidade suficiente, formação adequa- políticas e de diretrizes macro setoriais. O cas de Transportes deve propor políticas em da e com a remuneração compatível com a Exmº Ministro Paulo Sérgio Bastos na pales- consonância com diretrizes para a integra- complexidade dessas tarefas. É importante tra de ontem, comentou que há 20 anos que ção física e de objetos dos sistemas viários que haja estabilidade no corpo funcional das o Brasil não tem um documento de governo e de operações de transporte sob jurisdição agencias reguladoras, para que minimizar o com planejamento a longo prazo para o se- da União, dos estados, do Distrito Federal. Ou rodízio dos funcionários. Foram anos a fio, tor de transporte, a exemplo do que deverá seja, fala em integração não só entre modais, com funcionários que tinham contratos de ser apresentado até o dia 19 de dezembro. mas entre as diversas esferas de governo: trabalhos temporários, e só agora, é que co- Isso demonstra a necessidade de termos po- estado, União e município. Da mesma forma meçaram os concursos. Isso é muito impor- líticas macro setoriais explicitas e de termos a lei explicita que o CONIT deve incentivar a tante para dar estabilidade nessa atividade um estudo de planejamento para o setor de competitividade com o intuito de redução de regulatória. Quanto à disponibilidade de orça- transportes. Em realção a isso, eu gostaria de custos, tarifas, fretes e a descentralização. mento, verificamos que o contingenciamento destacar a necessidade de operacionalização prejudica a elaboração de estudos de viabili- do Conselho Nacional de Integração de Políti- dade e demais atividades. Dr Lucas, Procura- cas de Transporte – o CONIT, que já foi obje- dor-Geral do TCU, já destacou a importância to de recomendação do TCU . Esse conselho de termos bons editais, bons estudos de via- foi criado pela lei 10.233, de 5 de julho de bilidade, projetos básicos detalhados para dar 2001, a partir de seu artigo 5º. No entanto, suporte a todo esforço de ampliação da infra- após 5 anos de criação, esse Conselho não estrutura. O mesmo ocorre com a ampliação foi operacionalizado. Nós entendemos que a da capaCIDEade de fiscalização também e a operacionalização desse Conselho é muito im- possibilidade de descentralização da fiscali- portante para criar um local de discussão das zação exerCIDEa pelas agências reguladoras. questões de políticas de integração dos mo- Isso é, somente a partir do momento que a dais de transportes, pois o objetivo do CONIT agência tem disponibilidade orçamentária, é propor ao Presidente da República, políticas A necessidade de fortalecimento ins- torna-se possível a celebração de convênios de integração nos modais de transportes. Os titucional das agencias reguladoras é outra com estados ou com outras instituições, para Dr Vando Borges e Dr Paulo Paiva destaca- questão relevante a ser discutida. Tanto a que se possa dar maior capilaridade para a ca, órgão responsável pelo planejamento, é bém, que tem sido objeto de recomenda- fundamental para o gerenciamento de polí- ções do Tribunal e que também, traz algumas ticas para o setor. Torna-se mandatório que preocupações é a ausência de diretores das esse órgão trabalhe com pessoal capacitado, agencias reguladoras. A Agência Nacional de pessoal concursado, estável, de forma a evi- Transportes Aquaviários – Antaq, por exem- tar soluções de continuidade no processo de plo, operou sem nenhum diretor nomeado planejamento e no processo de formulação por alguns meses em 2006. No caso, isso já de políticas. Nota-se a ausência de um órgão foi sanado, mas acarreta uma instabilidade e responsável pelo planejamento do setor de uma ausência de decisões nesse setor o que transportes, como era o GEIPOT. Além disso, é bastante gravoso para as áreas que são re- destaco a necessidade do ministério contar guladas pela agencias. Da mesma forma até com um orçamento compatível com suas res- Por fim, gostaria de comentar aspec- hoje a Agência Nacional de Transportes Ter- ponsabilidades, com despesas de custeio que tos relacionados à questão ambiental, muitas restres - ANTT, opera com um quadro de di- sejam suficientes, para que se possa também vezes citada como um dos problemas para o retores incompleto. Considero relevante que patrocinar os estudos necessários para dar desenvolvimento do setor dos transportes e o Congresso Nacional e o poder executivo suporte à ampliação da nossa infra-estrutura. que, de fato, necessita de um tratamento mui- desse prioridade ao preenchimento do corpo E por último a questão que nos parece impor- to especial pela sua importância para o país. diretor de todas as agencias. tante de salientar é dificuldade proporcionada Para que os projetos saiam de acordo com pela ausência de estatísticas e de informa- aquilo que a população e a sociedade espera, ções sistematizadas pelo setor de transporte. é muito importante ampliar a capacitação do Às vezes, não dispomos de informações bá- IBAMA na realização de avaliações ambientais sicas sobre o setor de transporte. Para rea- estratégicas – AAE. Isso é, nas análises am- lizarmos a análise das contas do governo de bientais macro, não aquela análise pontual, 2005, necessitamos de dados sobre os inves- de um projeto, mas a análise de regiões, de timentos privados em realizados nos portos, temas de forma a nortear todo o processo de nas rodovias concedidas, por exemplo. Essas planejamento de expansão, de planejamento informações não estavam disponíveis nem de corredores de transporte. DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO atividade de fiscalização. Outro ponto, tam- no ministério, nem nas agencias reguladoras. O fortalecimento institucional do ministério setorial, órgão formulador de políti- Isso demonstra quais são as dificuldades que A questão da definição dos passivos nós teremos que suplantar na estruturação ambientais previamente a outorga da con- desses órgãos. cessão de empreendimentos existentes, tam141 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO bém é outra questão relevante. Toda vez que a iniciativa privada for realizar investimentos é importante que seja dada a máxima transparência em relação aos passivos ambientais existentes. Essa questão foi suscitada pelo Tribunal e tem sido discutida com o Ministério dos Transportes e com a ANTT, no que tange o processo de concessão de rodovias. Nesse processo, é importante que o gestor privado que vai assumir o empreendimento saiba com clareza quais os passivos ambientas que já existiam e de quem é a responsabilidade pela mitigação desses passivos. Por fim, nota-se a necessidade de um aperfeiçoamento do processo de licenciamento ambiental e de termos bons estudos ambientais. É notória a necessidade do IBAMA ampliar sua capaCIDEade de análise das questões ambientais, sempre muito complexas. Esses estudos, não são estudos baratos, não são estudos simples e é fundamental que sejam bem feitos. Essas questões abordam 142 necessariamente aspectos relacionados a am- A partir das considerações feitas com base nos trabalhos realizados pelo Tribunal de pliação da capaCIDEade de atuação, disponi- Contas da União nos órgãos e instituições que trabalham com o setor de transporte no Brasil, a bilidade de orçamento e adequação do quadro organização deste seminário considerou relevante a participação de representantes do IBAMA, de pessoal do IBAMA, para que o órgão tenha do DNIT, do Sinicom , da Antaq e da Antt, para as discutir questões levantadas sob a ótica dos serenidade e capaCIDEade de atuação. agentes que atuam no setor. Marcos Barros. Presidente do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis. Boa tarde, senhores e senhoras, todas as autoridades aqui presen- as pernas estavam extremamente bambas, sem forças. E nós co- tes. Eu agradeço a honra de estar aqui. E quando o convite chegou, foi meçamos um processo então de busca, e de racionalização para fácil inferir a importância desse encontro e por via de conseqüência minha exercer essa tarefa e começar a responder a demanda de respon- responsabilidade como parte desse grande painel. E me fez lembrar. E me sabilidades que recebíamos. Ontem a ministra Dilma mostrou, eu fez lembrar, o momento, a cerca de 4 anos atrás quando eu chegava com vi isso na imprensa hoje, e alguns dos que me antecederam já a tarefa de presidir o instituto, o IBAMA. mostraram uma demanda de obras planejadas. Quer dizer, é DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO QUESTÃO AMBIENTAL muito significativo o tamanho, o montante das obras marcando E o primeiro diagnostico que eu fiz do aparelho de estado me fez as prioritárias que aqui já se disse no que diz respeito tanto, aos lembrar também uma poesia popular conhecida de todos que retratava a 3 grandes itens aqui levantados, as rodovias, as ferrovias, os por- partida de um amante que não queria partir, mas ali estava havendo a se- tos. No que diz respeito a manutenção e a expansão. Todo, ou paração e o amante dizia para a companheira, se nas travessuras das noi- quase todo esse processo de licenciamento cairia nesse aparelho tes eternas já confundimos tanto as nossas pernas, diz com que pernas eu de cerca de 72 técnicos (..). A coisa mais fácil, quando se acom- hei de partir. A solidão do armário embutido, meu paletó abraça teu vesti- panha pra imprensa, e aqui também já se mencionou, é buscar o do, e o meu sapato ainda pisa no teu. Com que pernas eu hei de partir? Foi bode expiatório. E como o IBAMA tem como principio não dialogar a primeira sensação que eu tive. Com que pernas eu hei de partir? Porque com qualquer autoridade ou aparelho de estado pela imprensa, naquele momento de chegada no IBAMA, o aparelho licenciador, situado pela mídia. Me desculpem a mídia presente. Mas não entende- numa diretoria, a DILIC, ele era um aparelho licenciador extremamente mos que esse é o fórum, os fóruns são esses aqui e os outros têt- denso. Ele licenciava petróleo e gás. Ele licenciava agrotóxico e ele licen- a-têt com os empresários, com os interessados, nossa vertente ciava grandes empreendimentos. Muito bem, essa era uma dificuldade de ética caminha nessa direção, é difícil debater. Nós vamos (...), caminhar. Agora quem licenciava fazendo o diagnostico do aparelho. 72 nós vamos às grandes empresas e tal explicitá-los, mas a facili- técnicos. Quem era de carreira do IBAMA? Um inúmeros globais, de carreira dade é chegar no bode expiatório. E o bode expiatório, como ou- 7, o restante eram consultores (...) a licenciar os empreendimentos que os tros bodes, mas o nosso tem um chifre imenso. O bode expiatório senhores demandam, e conhecem e analisam em profundidade. Quer dizer IBAMA, ele é muito expressivo. E é fundamental que dentro do 143 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO 144 princípio de transparência façamos essa auto- vou ser, eu vou nominar, nós licenciamos chamo de distanciamento Brarteano entre críticas, é o que fazer que, mas façamos justi- Urucu- Porto Velho, há um anos atrás. Mas quem licencia e quem demanda esse licencia- ças também para determinados procedimentos. não há obra. E foi um sacrifício danado. Com- mento. A empresa, por mais boa vontade e Eu vou exemplificar o que eu quero dizer. plicado. Só na relação nossa, de passagem do ética que tenha, não pode contratar servido- Existe na legislação, e todos conhecem muito gasoduto Urucú-Porto Velho para suprir as ne- res do IBAMA. E existia isso. Não especifica- mais que eu, prazos determinados por lei. Se cessidades de Porto Velho e do oeste da Ama- mente eu trouxer isso, o IBAMA não é um cartório. O zônia, nós tínhamos que sacrificar uma infra-estrutura, mas do IBAMA como um todo, licenciamento não é um cartório. Quando eu importante, uma importante floresta nacional nós tiramos uma linha, que os Senhores de- cheguei ao IBAMA, os técnicos da área me nossa, parte dela, em Abufari. Quer dizer, tem vem ter acompanhado pela impressa, uma li- mostraram um empreendimento de porte sig- esse outro lado da questão que eu quero colo- nha de busca de racionalização ética da nificativo, onde a demanda inicial do projeto, car na balança, também para ser analisado. instituição. Eu estava dando uma entrevista e observemos o bode expiatório projeto, ela Da nossa parte hoje, quando nos vemos esta um pouco antes de vir para cá, e a jornalista vinha numa folha de papel. Numa folha de pa- demanda, e com todo o caminho de legisla- disse assim: qual é a coisa mais difícil que o pel. Só tinha uma lauda o projeto. Este tipo de ção que temos que seguir, nós mudamos mui- Senhor, o que lhe marcou mais no IBAMA? Eu projeto é difícil de analisar. É muito complica- to o quadro para isso. Significativamente. E disse: prender os próprios servidores do IBA- do. Quando nós fomos, ainda fazendo um que mudanças foram essas? Uma estrutura, MA. Mas de tudo isso, dos cem que nós pren- diagnóstico inicial. Nos arquivos do IBAMA, por exemplo, de pessoal que, num primeiro demos, junto com Polícia Federal, o que me havia algumas pendências para aquele apa- momento, substituiu aqueles consultores (...) marcou mais foi quando nós chegamos para relho que analisava àquela questão. Havia por pessoal de carreira e de nível concursado prender um que se deu tiro no peito. Eu sou pendência sim. Tinha coisas que não tinham nacionalmente. Com uma capacidade técnica médico, eu sou professor de medicina. E isso decolado, e fomos ver por quê não tinham de- muito expressiva. Nós dividimos, por exem- me toca muito, pela minha sensibilidade hu- colado. Mas se assustem, havia uma deman- plo, entendemos pela importância de petróleo mana e profissional. Então nós fizemos um da muito expressiva de pedidos abandonados. e gás, nós dividimos uma coordenação só esforço ético muito significativo nessa limpe- As pessoas deram entrada e não voltaram para petróleo e gás aonde se dá a maior de- za. Uma parte pouco significativa, mas pelas, mais, nunca mais. E agora, por último, sabe manda de petróleo e gás, que é Rio de Janei- pelas distorções éticas, não nos deixava dia- de outra coisa que acontece no bode expira- ro, do sul da Bahia, principalmente e até logar no tête-à-tête com a sociedade. Por que tório? É que nós licenciamos um número sig- Santos, e a sede fica então racionalizada com tínhamos uma porção que, por exemplo, tra- nificativo de projetos. Grandes projetos. Que grupos específicos. Sabe qual era esse grupo balhava numa parte do processo de licencia- não teve nenhuma conseqüência isso. Ou de petróleo e gás que fazia isso? Servidores mento na área de madeira, por exemplo, seja, nós licenciamos gasodutos, que não cor- pagos pela MP, uma parte do processo. Quer chamada PPF, uma guia de transporte que ria gás, porque não tinha gás para correr. Mas dizer, o nível de contaminação nisso é muito era uma fonte de corrupção. Nós acabamos o duto está licenciado. Nós licenciamos, e eu complicado, por que tem que haver o que eu com essa guia de transporte de maneira ou- na área de rodovias, dessa nistrativa. Mas são esses, nós e eles, que es- mento de origem florestal, que marca a origem florestal e eu acompanho com PalmTop com tamos sujeitos a isso. Por isso também, em todos os métodos e meios eletrônicos, eliminando todos esses atravessadores que faziam es- defesa da nação, dos empreendimentos, do ses fraudadores de riquezas do país. Parte deles, ou parte era falsos empresários, contadores, desenvolvimento e da própria pele, não pode- mas uma parte servidores do IBAMA. Então essas pernas eram bambas também. E nós fizemos mos ser cartoriais. Não podemos romper pra- um esforço para começar a nos preparar pro momento extremamente difícil, que é dar vazão zos aquém. Às vezes vamos um pouco além. a esse nível de licenciamento, pela extensão das obras e o peso do montante que aí está. Um Cada vez mais diminuído esse prazo dentro outro fato que eu considero também muito importante é que aqui já se disse: o licenciamento, dos princípios legais. Mas o aparelho melhora ele é multi-fatorial. Não há um sábio do licenciamento pela complexidade dos empreendimen- nessa direção, e como o aparelho melhorou tos. Não há. Cada setor é um setor. E um mecanismo de superar estas dificuldades é um me- nessa direção? Ele melhorou assim: em nível canismo ultra institucional. Eu vou licenciar carsinicultura, os nossos servidores de de pessoal, nós estamos agora, por exemplo, licenciamento, os nossos técnicos, uma parte aqui me acompanha, mas uma carsinicultura o artigo 23 da constituição, aquele que des- tenho que buscar dentro da instituição alternativas técnicas para o licenciamento na nossa centraliza e que precisa ser regulamentado, a diretoria que trata de fauna e recursos pesqueiros. E quando eu vou liberar blocos para MP, Casa Civil já está encaminhando para o Con- para o leilão da 8ª rodada com hoje, ele é multi-fatorial. Porque eu tenho que ter uma análise gresso Nacional, a regulamentação desse ar- das unidades de conservação que são, atingidas ou não, com a perspectiva de serem atingidas tigo. Para nós extremamente importante. Por ou não pela aqueles procedimentos exploratório de petróleo. E a variável técnica daquela área quê? É um mecanismo racionalizador onde, da nossa diretoria de ecossistemas tem que opinar. Mas há outras, e essa existe uma certa, na vou repetir um ex-diretor nosso, ele diz: o IBA- autocrítica, uma certa demora dentro desses vários pareceres, dentro da instituição. Mas há MA não pode licenciar barraca do Pepê no Rio pareceres fora das instituições. Um parecer que mais demora neste processo chama-se FUNAI. de Janeiro. O IBAMA não pode licenciar lenha A FUNAI tem uma estrutura muito delicada, do ponto de vista do aparelho do estado. A FUNAI de padaria. Está exagerando para ser peda- tem um orçamento de R$ 200.000,00, um orçamento global, e tem 2.000 servidores. O IBAMA gógico. Esse processo de licenciamento com- tem um orçamento de R$200.000.000,00 só para outros custeios e capital em torno disso, mas plexo das diferentes atividades empresariais tem um orçamento global de R$ 800.000.000,00. Aí o presidente da FUNAI vira-se para o pre- em diferentes níveis tem que ser distribuído e sidente do IBAMA, num momento informal, Dr. Mércio, e disse: vocês que cuidam de tatu tem descentralizado. Se não, também, nós nos in- esse orçamento, nós que cuidamos do homem, temos esse tão pequenininho. O pejorativo ter-chocamos de cabeça na ponta do proces- também do bode expiatório é que não cuidamos do tatu, só. Nós cuidamos do Brasil, do desen- so. E o resultado que é o empreendimento volvimento do Brasil. Porque são os técnicos do IBAMA e o presidente do IBAMA que, do ponto atrasa. Então, nessa reorganização, nós esta- de vista legal, respondem perante a lei. Quando o presidente do IBAMA licenciou a obra do São mos fazendo o quê? Essa redistribuição legal, Francisco, o que aconteceu? Quer dizer, o Ministério Público disse: olha, vou lhe processar por nos dá tarefa ou nos retomamos tarefas bem improbidade administrativa. Fez análise técnica, e começou o processo. E um juiz, que me específicas. O que o IBAMA licencia? Qual o perdoe aqui, sábio, leu devidamente o processo e disse: não, aqui não há improbidade admi- papel do IBAMA no licenciamento? Não a bar- DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO sada e criamos um sistema on-line que acabou com o atravessador, chamado DORF. Um docu- 145 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO 146 raca do Pepê, mas uma hidroelétrica no Xingu de 11.000Megas do que nós chamamos de agenda marrom. Dos metais pesados, dos agro- não pode ser o Estado do Pará que vai licenciar porque na geo- tóxicos. Nós dissociamos porque isso é uma coisa que tem uma complexi- grafia que eu aprendi, na escola primaria no interior do Amazo- dade muito significativa. Inclusive principalmente do ponto de vista nas, o Xingu não nascia no Pará. Ele deságua no Pará. E pela biológico, mas inclusive principalmente do ponto de vista econômico do legislação, se ele ultrapassa mais de um estado, se ele caminha país. Isto é um país ainda agrícola. Então essa demanda é muito expressi- por mais de um estado, o licenciamento é Federal. E, vou citar va, nós separamos. E nós começamos a separar petróleo e gás no Rio, pela esse mesmo diretor, que diz assim: o maior, o que mais emperra demanda e pelo crescimento quando o país, ninguém fala que o IBAMA que no licenciamento é o by-pass que algumas forças querem fazer ajudou o país a ser auto-suficiente em petróleo. Ninguém fala, nunca vi. Em para facilitar o licenciamento. A esperteza do licenciamento sem nenhum lugar. O país se tornou auto-suficiente e essas licenças foram to- que se cumpra a lei nos prazos. Vai um conselho aqui, quase mais das nossa. É claro que brigamos muito com a Petrobrás. Brigamos muito velho de todos. É a pior atrasar o processo de licenciamento. Por- sim. Brigamos porque, para que a Petrobrás viesse para a legislação. Não que não é só o IBAMA. Por exemplo, o Tribunal de Contas da União nos emociona. Não nos emociona a querida Petrobrás chegar e dizer assim: está aí a nos olhar, na sua missão, o Ministério Público está aí a mas a P54 gera auto-suficiência. Eu sou brasileiro, eu tenho um amor pelo nos olhar na sua missão, e cada momento vem para cima e diz: meu país como todos. Mas tem a legislação, Petrobrás. Não tem jeito. Mas refaça, no mínimo, que isso está errado, não dá. Embarga, por- vai ser inaugurado dia tal. Não me emociona. Se não tiver prazo não vai ser que não é possível. É o papel de cada um nessa atividade multi- inaugurado dia tal. Não vai ser inaugurado dia tal. Então, mas se der, por- fatorial. Auto-fiscalizatório. Mas quando chega no processo final que existe a condicionante. Se os senhores cumprirem estas condicionan- para o empreendedor, o IBAMA, aí o que nós fizemos? O que nós tes vai ser inaugurado. O Brasil vai ser auto-suficiente. Mas sem as fizemos? Um princípio aqui já mencionado na abertura. Busque- condicionantes não adianta gastar dinheiro com propaganda, porque não mos a transparência, busquemos a transparência. Pelo meio ele- vai sair no dia tal. Qual é outra condicionante? Chega uma autoridade im- trônico que aqui mencionei, no sistema DORF por exemplo, portante, eu aproveito esse momento para desabafar, se não eu engordo busquemos essa transparência para o licenciamento. O empresá- mais, não é. Porque eu engordo quando aumenta a tensão, eu fico geladei- rio tem o direito em, dando entrada, no aparelho do estado, num ra-dependente. Nota-se que nesses últimos 4 anos foi muito dura a tensão. processo que se quer o mais rápido possível, ele tem direito de Mas chega uma grande autoridade e diz assim: olha, nós traçamos, do pon- acompanhar esse processo sem necessariamente vir discutir com to de vista de política ambiental ou de licenciamento, que as estradas, as os técnicos. E nós criamos o SISVIC, um processo onde isso se dá grandes estradas, principalmente aquelas de penetração, e escolhemos da uma maneira mais transparente, e o empresário alcança esse uma, uma de penetração significativa par escoar a produção. Escolhemos processo, tirando então esse entrave. E nós prepusemos uma re- uma, uma estrada fundamental, abandonada há muito tempo, praticamen- estruturação no IBAMA ao todo, mais na nossa diretoria de licen- te abandonada, a BR163, Cuiabá/Santarém. Aí, Ministra Marina, discutindo ciamento, olhando para essa questão central. Nós concentramos com toda equipe disse assim: olha, vamos fazer do licenciamento dessa na diretoria de licenciamento os grandes licenciamentos. Nós dis- estrada um licenciamento paradigmático, para as outras estradas brasilei- sociamos e criamos uma outra diretoria que trata, por exemplo, ras. O que é o tal licenciamento paradigmático? Eu disse: olha, vão chegar Isso é terra pública. Isso é terra pública. Ia co- do licenciamento, chegou uma autoridade e mente legal, qual será esse licenciamento. meçar pela briga. 46% das terras na Amazô- disse sabe o quê? É o seguinte: aquela ou- Qual era a angústia maior? Via de penetração nia são terras públicas, esquecidas por outros tra estrada, nosso diretor está aqui e ele sabe de grilagem. Quando se disse assim: as PPPs poderes. Mas do ponto de vista estratégico é de tudo que estou falando. Ele disse: aquela vão asfaltar a BR163 na perspectiva de esco- deste país. São terras públicas. E tem toda outra estrada paralela, nós vamos fazer ra- ar a produção, principalmente do Mato Gros- uma legislação que leva para mostrar que pidamente. Nós vamos fazer até outubro. Eu so, ao invés de Paranaguá, por Santarém e aí aquelas terras são públicas. disse: mas o Senhor, eu nasci lá, perto dessa vai. De Santarém vai chegar no Atlântico. Isso estrada. Eu fui para a inauguração dela, há 30 vai encurtar muito. Isso é muito expressivo Chegou outro, antes, e disse assim: anos atrás. Eu estava na inauguração dela, e em termos de racionalização de custos. Va- nós vamos começar o processo de manejo flo- o Senhor que fazer ela agora? Eu disse: não, mos fazer então a BR163. Quais são os cami- restal através de um termo precário do INCRA a legislação não permite. Isso é uma estrada nhos, do ponto de vista ambiental? Porque chamado DP – Declaração de Posse. Então Federal. O Senhor só pode fazer com uma lei cada um tem seu papel. As vezes eu gosto de para fazer manejo eu não preciso ter título, eu Arrima. Ele disse: não, mas tem uma portaria falar das coisas extremamente óbvias. Mas não preciso ter nada. Só pego uma declara- que me dá essa autorização. Eu disse: essa nós, dizia um de nós um dia destes: não nos ção e posse e vou fazer o tal manejo. Então, a portaria, ela é só para acelerar, para tapar bu- venham acusar que nós cuidamos do meio questão fundiária na Amazônia se tornou um raco. Mas para refazer estrada, negativo. En- ambiente. Porque o nosso papel é esse mes- caos. Um caos. Há edifícios de propriedades quanto eu estiver aqui o Senhor não vai fazer mo. Nós temos é que cuidar do meio ambien- com títulos todos falsos. Edifícios. Isso aqui é isso. Porque nós estamos pegando a BR163 e te. E os senhores cuidam do patrimônio da de fulano, isso aqui é de beltrano, todos um vamos extrapolar a 163 de maneira paradig- união e nós cuidamos desse lado que é o meio em cima do outro. E como é que a gente vai mática para as outras estradas. O Senhor vai ambiente. Então eu disse assim: olha é o se- fazer? Nós caçamos 60.000 DP, Declaração de fazer, quando, segundo a Constituição diz, a guinte. Essa estrada vai se construir. Vai se Posse. E vamos dar o que nós chamamos de população opinar sobre Lei Arrima. Isso está construir? Vai. Se tomou a decisão política. ordenamento territorial. É ordem e progresso na lei. Se o Senhor passar por cima o Senhor Agora, junto com a construção tem que haver da Bandeira. A Amazônia tem que ser ocu- pode ter todo o sucesso, o Senhor pode fazer a racionalização do espaço. Quando ela se pada por empreendimentos? Tem, mas den- isso, eu não posso. Bom, então, a gente con- construiu há algum tempo atrás, por exem- tro do princípio de ordem, do ponto de vista seguiu que essa estrada vá se construir como plo, o empreiteiro que avançou na estrada, eu ambiental. Aí, vamos fazer a BR163. Estamos a 163. Então, esses encaminhamentos des- também vou exagerar para se pedagógico, fazendo BR163. Isso aqui vai ser um parque, se processo, nós começamos a nos preparar disse assim: esses 4.000.000ha são meus. isso aqui vai ser uma ocupação, parquinho de como um aparelho de estado, para cumprir a Não vou dar o nome do empreiteiro porque reforma agrária. Isso aqui vai ser a minera- nossa tarefa de casa num espaço de tempo estou entre empresários e a maioria sabe. (...) ção. Isso vai ser. Esse é o ordenamento que se mais curto possível, dentro de todos os pra- na 163 disse: estes 4.000.000ha são meus. foi fazendo. Quando nós chegamos no meio zos legais. Quando eu digo assim, as vezes eu DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO as PPPs, e vamos mostrar, com base estrita- 147 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO tenho medo porque eu falei para a pessoa muito, muito poderosa. Aí me disse uma coisa, que me tremeu, assim. Eu disse assim: nós vamos faremos dentro de todos os prazos legais. Ele disse: então vamos mudar a lei. Eu disse: bom, tudo bem. Há um a instância para mudar a lei. O lugar de onde veio a lei, que é o Congresso Nacional. Quando Vossa Excelência mudar a lei, este velho e humilde servidor público cumprirá a lei que o Senhor mudou, porque ela tem legitimidade. Ma não queira oSenhor, e alguém já disse aqui, mudar a lei através desse humilde servidor, porque o Senhor está colocando este servidor na cadeia. E não é por aí. Nessa eu não vou. Bem, os esforços são nessa direção. Eu tinha selecionado 30 slides, e não vou passar nenhum. Porque eram os slides, viu, você tem todos aí, eu estou encerrando. Eram slides onde eu mostrava o funcionamento do IBAMA, do ponto de vista de licenciamento ambiental. Quando eu olhei a excelência da plenária, eu disse: todos conhecem tudo do licenciamento, lá dentro. Então eu não preciso explicitar, o que nós embasamos para licenciar. Quais as preocupações que nós levamos em consideração. Não vou lhes mostrar isso porque apenas lhes cansaria. Mas quis lhes mostrar, em se colocando os desafios, não quero ter a pretensão de dizer que estamos prontos para respondê-los. Porque não sou nem pretensioso nem autoritário. Mas há todo um processo tentando responder a essas demandas, e que não estão estritamente no IBAMA. A Ministra diz uma frase, que eu vou encerrar, com esta frase que eu gosto muito. Porque expressa muito o que se diz do licenciamento. É multi-fatorial. São todos que vão alimentar a assinatura final do presidente do IBAMA. Ela diz: Somos todos anjos de uma asa só, se nós não nos abraçarmos, nós não voaremos. Muito Obrigado. 148 Mauro Barbosa da Silva. Diretor Geral do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes DNIT. Boa tarde Sras., Srs., colegas, amigos aqui do Tribunal e da Controladoria-Geral da União, também presentes. Todos sabem que é uma honra para mim estar na corte de contas. Sou originário da auditoria , auditor de carreira e engenheiro civil. Tenho militado na área de controle interno, auditorias, diretorias, Con- DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO MISSÃO DO ORGÃO EXECUTOR GOVERNAMENTAL FEDERAL troladoria-Geral da União, ao longo da minha carreira. Então, o convite recebido do Tribunal de Contas para proferir esta palestra é uma honra. Muito obrigado. Quando o meu nome foi encaminhado ao Congresso Nacional para ser sabatinado, eu estive no Tribunal conversando com alguns colegas, sem mencionar o convite, pois sabemos que 70% dos processos que tramitam no Tribunal tem origem no DNIT. Então nós temos um relacionamento diário, cotidiano, bastante salutar e proveitoso. E eu tenho muita facilidade de conviver nesse ambiente. Porque é a minha origem. E eu queria falar um pouco hoje. Preparei umas transparências, dentro do contexto do seminário. 149 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO Então, eu quero primeiro dizer, dentro do contexto do nosso painel, que a missão do DNIT é executar todas as políticas ou diretrizes que estão sendo aqui debatidas e apresentadas por diversas entidades.Tenho três modais para falar sob o ponto de vista político, política publica e gestão de empreendimentos. Falarei sobre a gestão organizacional do DNIT, dos desafios, da administração orçamentária e financeira. Estamos investindo nos três segmentos modais, sobre os quais também temos a responsabilidade de operação e manutenção. Somos ao mesmo tempo administradores da carteira e projetos e obras, constantes do orçamento da União e operadores do sistema. Opero 54 mil km de rodovias. O que significa quando digo operação: que tenho de manter, O DNIT é hoje o maior promotor ou construtor de empreendimentos do país. Te- viário e aquaviário: portos interiores, portos de cuidar de educação de trânsito, da segu- marítimos e as hidrovias do país. rança viária, pesagem. Gostaria de dividir a mos hoje a maior a carteira de obras da cons- apresentação para falar um pouco dos desa- trução pesada, uma carteira de 14 bilhões de fios e da missão institucional do DNIT, da visão contratos em atividade, mais de 4.500 obras política e organizacional, do modelo organiza- administradas ao mesmo tempo, 50 mil pes- cional e dos sistemas coorporativos hoje, exis- soas trabalhando. tentes na autarquia. Estamos nos dedicando aos mecanismos de controle interno, que nós 150 Dentro da estrutura do Ministério dos discutimos muito aqui no Tribunal e as provi- Transportes, ou da estrutura do modelo que dências a adotar ou a aperfeiçoar para me- foi introduzido pela legislação de 2001, o DNIT lhorar o processo organizacional do órgão, em é o sucessor patrimonial do DNER, mas incor- termos de recursos humanos, gestão de con- porou a função de gestão dos modais ferro- tratos, patrimônio e desburocratização, que é ções de novos projetos de eclusas, de dragagem, balizamento e sinalização. É preciso compre- sor patrimonial do DNER, herdou também to- ender a magnitude da instituição e da vocação nacionalista que nós temos que ter para tratar dos os sistemas e mecanismos de controles das questões frente a essa organização. O modal aquaviário compreende cerca de 8 bacias internos existentes naquela extinta autarquia. principais hidrográficas. Não assumimos somente a sucessão patrimonial: partimos de um ponto existente. Então, existe um modelo de contrato, um modelo de descentralização de poder e autonomia. O DNIT, de vocação DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO a simplificação, porque o DNIT, como suces- nacionalista, abrange uma área de atuação de 54 mil km de rodovia e 28 mil km de ferrovias, que são operados pelo setor privado, mas nós vamos ver as partes dos gargalos ferroviários. Porquê o que nós fizemos com o setor ferroviário? Nós alugamos, nós arrendamos o patrimônio da União. A parte de gerir os gargalos, da melhoria operacional em pontos críticos e urbanos O mapa que estão vendo coloquei para dizer que lá no DNIT você olha o Brasil, verifica existentes, está com a autarquia. Temos 28 o que se produz, quais são os fluxos de serviços ou transporte de carga de bens e serviços, mil km de hidrovias no país, a manutenção e a produção industrial e a produção agrícola, e plotamos desse mapa aí, que é um ponto de operação das eclusas existentes, a constru- partida para discussão da reorganização do novo modelo organizacional do DNIT. Sempre está 151 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO latente essa discussão. Eu inseri esse quadro, igual ao do nosso este ano foi um ano de exceção no DNIT. Hoje já estamos discutindo fazer a presidente do IBAMA, para dizer que estamos terminando o plano manutenção de toda a malha. Identificamos grandes metas de construção, nacional de logística de transportes. Dia 19 de dezembro, o Mi- de adequação em todo o país. nistério dos Transportes deverá apresentá-lo à sociedade, numa visão estratégica para os próximos anos. E a dimensão que se vê, que se enxerga, ou que se debateu com a sociedade, ela está com projetos já identificados. Na área de rodovias nós deveríamos e temos a obrigação de recuperar 32 mil km de rodovias, manter os 54 mil km de rodovias em todo o país. É importante, colegas aqui do Tribunal, colocar essa manutenção de 54 mil km porque este ano nós resgatamos a autoridade do DNIT na operação da malha rodoviária federal. Como? Existiam 14 mil km que foram descentralizados para os estados, todos aqui que são dos setores de infra-estrutura sabem disso. A partir do momento que houve a MP 82, no final de 2002, ficou sem autoridade a autarquia para fazer qualquer serviço nessa pistas, o que gerou um estado de deterioração muito grande em todo o país. 14 mil km, dos 54 mil. Só em Minas Gerais, que é o estado de maior malha rodoviária federal, 6 mil km. Então, em 2006, com a instituição do Programa Emergencial de Trafegabilidade e Segurança nas Estradas – PETSE, tivemos a oportunidade de resgatar a autoridade do DNIT como operador da malha rodoviária nacional. Resgata- 152 mos 14 mil km das rodovias que estão em discussão de processo O quadro ora exibido permite que a gente veja e enxergue o que de estadualização e resgatar a autoridade do DNIT nas rodovias precisa ser feito. Isso aqui são números índices, não é a definição do que que estão inseridas no programa de concessões, pois ficamos vou fazer. O planejamento indica o que nós precisamos fazer. Isso aí geraria alguns anos afastados da pista. A minha obrigação é maquina na uma carteira de obras de serviços e projetos dentro do DNIT. Provavelmen- pista, a minha obrigação é operação, é manutenção. Mais de 17 te. Agora, vem a discussão do grande desafio que constitui o programa de mil km ficaram alguns anos praticamente sem serviços. E com o intervenções. Vou falar primeiro sobre a gestão rodoviária, depois sobre a Programa Emergencial nós tivemos a atitude de assumir a nos- gestão ferroviária e a gestão aqüaviária. A CIDE foi introduzida no finalzi- sa responsabilidade. Criamos um regime de exceção no ano de nho do ano de 2001 e começou a operar a partir do ano de 2002. A malha 2006. Onde não tinha contrato, dispensamos licitação para iniciar rodoviária brasileira, hoje, que nós estamos administrando, é de 54 mil km, a ação e o dever de manter e garantir a trafegabilidade. Então sobre a qual enxergamos um grande desafio, qual seja o de manter uma no que for. Eu sou o agente operador, o DNIT meiro pegar o tributo que o cidadão paga e alocar nos empreendimentos. E regularizar essa lo- é o agente operador. Então, dispensamos li- cação. Quando iniciamos isso? Observa-se que a partir do ano de 2005, efetivamente, se inicia citação, fizemos o serviço de 40 milhões por um processo de responsabilidade fiscal e compromisso político com a sociedade brasileira de dispensa. Foi o serviço mais discutido nos jor- colocar os recursos arrecadados na gestão ou na carteira de projetos e obras. Vamos ver esses nais. Vamos lá hoje ver a situação da pista? Fi- números. Se mantidos os investimentos que vinham sendo feitos para a manutenção e conser- zemos a nossa obrigação com transparência, vação, em torno de 600, 700, 800, uma média de 700 milhões ano, a malha rodoviária brasilei- com a participação do Tribunal, da Controla- ra entraria num estado de colapso. O planejamento, o indicativo existente no setor, coloca que doria, do Exército Brasileiro. É a questão da se deve manter algo em torno de 2 bilhões ano. 1 bilhão e 800 para os serviços de recuperação administração de recursos públicos. Estamos e 600 milhões de reais para serviços de conserva. Então, algo em torno de 2 bilhões e 400 são trabalhando, junto com o Ministério dos Trans- necessários para a manutenção da malha rodoviária brasileira. E se isso não acontecer? Se portes, com planejamento de gestão, com a isso não acontecer, perde-se a autoridade. O DNIT está num processo de recuperação. Para ter política de manter uma locação de 1 bilhão e autoridade de ser o agente operador da malha na situação que ela está hoje, precisamos ga- 800 milhões de reais/ ano em programas de rantir e ter a responsabilidade, que nós estamos observando aí, de alocar algo em torno disso. recuperação da malha e 600 milhões de re- Você vê, nesse gráfico, a condição da malha rodoviária brasileira. Ontem, o professor, ex-mi- ais ano entre um verão e outro em programas nistro e Secretario de Estado de Transportes de Minas Gerais, Paulo Paiva, apresentou um qua- de conservação. Aí, pode indagar-se: “bom, dro semelhante ao que a gente monitora. Se compararem ao do professor Veloso verão que é ...mas e agora?”. Antes, alocava-se quanto? muito similar. Ai estão as condições da malha rodoviária brasileira. Olhando-se historicamente, Em manutenção, para os contratos de em- verifica-se que nós estamos no inicio de um vetor crescente de investimento no setor. A res- presas de conserva colocava-se 150 milhões ponsabilidade fiscal de pegar primeiro o que nós recebemos da sociedade e colocar na gestão ano. Para fazer a gestão operacional de 54 mil da malha. E isso vai se transformando ao longo dos anos. Uma coisa importante eu quero colo- km de rodovias. Então, a nível de diagnóstico, car. Muito se discutiu este ano e até hoje está se discutindo: “ estão começando as chuvas – o é bom a gente ter transparência para se ter programa emergencial jogou o dinheiro fora”. Não é isso o que está registrado nos institutos a clareza da responsabilidade com que esta- de pesquisas. Houve uma melhoria significativa na gestão da malha rodoviária e como gestor mos administrando. Nós estamos elevando da malha estou podendo atuar em todo país. Por exemplo, qual é a maior rodovia de trafego os dispêndios, é determinação do presidente federal sob a administração do DNIT? É a rodovia BR 101, da ponte Rio/Niterói até a divisa com Lula, para 600 milhões de reais ano. E 1 bi- Campos/RJ. Tive que dispensar a licitação lá, em torno de 40 milhões de reais.Tudo por que? lhão e 800 em manutenção, em programas de Porque está inserido no programa de concessões e o DNIT, o DNER, foram afastados, perderam restauração de rodovia. Mantendo esse fluxo a autoridade. E os problemas foram se agravando, agravando. Qual é o histórico de passagem nós vamos alterar o cenário que está aí e já de veículo lá? O menor é de 60 mil veículos/dia, lá em São Gonçalo. Sai da ponte Rio/Niterói e iniciamos essa curva de melhoria com res- entra no anel rodoviário de São Gonçalo/RJ. Há dias que ali passam 180 mil veículos por dia. ponsabilidade, com transparência, com fisca- Eu não posso ficar afastado da pista, independente se está inserida em concessões, PPP ou lização. Exigindo desconto dos empreiteiros, DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO locação de recursos e ter a responsabilidade fiscal que nós estamos praticando agora de pri- 153 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO desenvolvendo um programa de licitações. Com controles internos confiáveis. Com sistemas está pagando regularmente o que manda fa- corporativos. A configuração lógica de planejamento e atuação na malha rodoviária brasileira. zer. Somente no mês de outubro paguei 750 Fiz essas colocações para mostrar que nós estamos atuando na parte de gestão da malha com milhões de fatura de serviços feitos. E isso é o serviços, calçados em cima de programas de manutenção, recuperação e conservação. Foi o que? Não é só resgatar a credibilidade como PETSE quem rompeu isso. Ele foi o fura bolo de fazer a conservação em toda a malha brasileira, operador e gestor de obra, não. É resgatar a que, para ser feita, necessita de contrato. Estamos desenvolvendo um grande programa de credibilidade do governo. E ter a credibilida- licitações de conservação no DNIT. É um programa de 1 bilhão e 200 milhões, demandando de no setor empresarial, ou na industria, para licitações só de conserva que concluiremos até o primeiro trimestre do ano de 2007. Já temos poder proporcionar e discutir o que? Redução 500 milhões de reais de licitações conclusos nessa área. Em Minas Gerais, que é o maior esta- de preço, programas de qualidade. Eu tenho do, a licitação abre agora, dias 4 e 5 de dezembro, dentro dessa determinação de manter toda que ter autoridade para discutir isso. E isso a malha rodoviária em serviço de conservação. Resgatando a autoridade federal. Isso não é está vindo agora. Porque? Porque eu tenho conversa não, nós estamos com maquinas na pista. Utilizando os contratos de CREMA, que são capacidade de fazer ou pagar o que a gente o ideal para a engenharia rodoviária. discute. Crio um atrativo no setor. E o projeto piloto criou algo em torno de 1 bilhão de 154 O mapa adiante projetado mostra a dimensão da carteira de obras, serviços e projetos reais. Foi instituído operacionalmente a partir que estamos executando no DNIT. São mais de 4.500 obras gerenciadas ao mesmo tempo. É de abril de 2005. 1 bilhão em 2006. Em 2007, muito importante, um grande desafio, e eu me coloco na condição de servidor publico, con- só no DNIT, passou para 2 bilhões. Para 2007, cursado do Ministério da Fazenda, a gente elogiar uma ação publica, de finanças publicas. Há enviei minha proposta orçamentária para 4 de se reconhecer que a criação do Projeto Piloto de Investimento foi fundamental para esse bilhões, ou seja, de um ano para o outro ele processo de recuperação da autoridade e de retomar uma carteira de projetos e obras no dobrou, do outro ano paro o outro ele dobrou país. Em 2003, o DNIT devia na praça 1 bilhão e 300 milhões de reais, em razão de serviços de novo. Isso é responsabilidade de gestão, executados há mais de 6, 8,12 meses, sem pagar. Primeiro foi feito o saneamento financeiro. de pegar o imposto, a CIDE e falar –”olha, eu Foi pago o setor, que aqui está presente. Então, saneou-se financeiramente o DNIT, retoman- vou fazer a carteira de obras e vou pagar em do-se a capacidade de produzir e implantar projetos. O projeto piloto, olhando-se a carteira dia também”. Não é só fazer. É fazer e pagar. de obras, projetos e serviços da Autarquia, deve ser elogiado, porque há vários anos não se E a gestão tem que ser melhorada. Esse é o via algo assim, alguma coisa que pudesse assegurar a responsabilidade que todos nós temos. meu, o nosso desafio. Este foi um ano para Não se pode desconhecer que tributo arrecadado do contribuinte tem que ser colocado nos o DNIT. Qual foi o grande desafio nessa área empreendimentos. E o projeto piloto criou um mecanismo dentro da estrutura fazendária bra- rodoviária? Colocar no mercado a contratação sileira que está permitindo ao DNIT, ou ao governo federal organizar um planejamento setorial, de projetos, fazer a gestão ambiental desses principalmente no Ministério dos Transportes. Por que? Nós temos a segurança da aplicação projetos, colocar esses projetos em consulta do recurso, a segurança de que ele vai vir. Depois de saneadas as contas do DNIT, não era só publica para licitação ou contratação publica, sanear e fazer obra. Tem que pagar. E o projeto piloto veio com isso. Eu estou pagando, o DNIT após discussão com nosso Instituto, para exe- grande de certames licitatórios que voltaram a ser executados pela autarquia. Esse é um dos grandes desafios, conseguir fazer licitações com serenidade, ir ao mercado buscar empresas de capacidade técnica operacional, desenvolver uma carteira de projetos ou um estoque de projetos para que quando for ao mercado, esses projetos estejam atualizados para se buscar a decisão de construí-los. Porque 70% que estão aqui no Tribunal, Senhor Ministro, são do DNIT. É porque tem uma carteira de projetos, velha, e nós temos que eliminar isso. Eu tenho que substituir minha carteira de contratos. Então, neste ano, nós fizemos isto no DNIT, o que constituiu um dos grandes desafios, que vai continuar nesse próximo período, qual seja o de conseguir contratar e gerenciar esses contratos. Fizemos 600 licitações neste ano. Aí, o presidente da comissão de licitação chega para mim e fala assim : “Mauro, nos últimos 12 anos, foi o ano que nós fizemos mais licitações. “ Ele vangloriando e eu pensando: “no ano que vem eu preciso fazer 1.200.” Porque o vetor é ascendente. Então não tenho que estar comemorando. Quanto às licitações de obras, vê-se no quadro a carteira de contratação na área rodoviária brasileira. Neste ano, a maior licitação até o momento concluída foi a licitação da BR-101/Nordeste. 1 bilhão de reais. A obra custa aí 1 bilhão e 60, sendo que 500 milhões estão á a cargo do nosso Exército Brasileiro, e conforme a ministra Dilma colocou, está sendo funda- DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO cução. Aí está uma carteira de projetos que estão sendo desenvolvidos a partir de licitações. E, na área de licitações, temos uma carteira muito mental para o processo. Quanto à expansão da malha, muita gente me pergunta: “mas, ... e o Exército?” Nós temos 10, 11 Batalhões de Construção. São 10 mil homens nesses 11 Batalhões de Construção. Eu aprendi com o General que a engenharia brasileira é chamada de civil – sou engenheiro civil e não sabia – porque quando ela foi introduzida no Brasil a engenharia era a militar. E para ajudar a alavancar esse período de grandes desafios e dificuldades convocamos, sim, o Exército Brasileiro para nos ajudar. Isso é uma decisão de Estado e também uma decisão calçada no pensamento de política de defesa nacional. Os países contemporâneos aplicam algo em torno de 3 a 6% do orçamento com as forças armadas para manter uma política de adestramento da tropa, atualização tecnológica. Pode indagarse: “Mauro, mas você passou as obras todas para o Exército?”. Todo mundo fica me perguntando sobre isso. Eu passei uma carteira avaliada em 600 milhões de reais, do conjunto todo. Que está sendo fundamental para o processo. Nós temos também que administrar dentro da visão política, 155 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO dentro do programa de recuperação da malha rodoviária brasileira, que decisão do Presidente da República, também. São grandes desa- não é só fazer pista. É preciso segurança. Porque eu sou agente operador. fios. São 33 empresas e 5 mil empregos. E estamos trabalhando. E segurança e educação para o trânsito estão calçados em pesagem, sinalização, controle de velocidade, ações nas escolas de educação para o trânsito. Eu sou agente de transito, pelo código brasileiro. Relativamente a Plano de Pesagem, é assunto discutido há anos, pelo próprio Tribunal. Quando eu estava na Controladoria, também “apertava” o DNIT para colocar o plano de pesagem. Essa área operacional passou por uma insuficiência de recursos. Então, a sinalização rodoviária, o sistema de pesagem também, foram se esvaindo. Então nós estamos com um programa, ad- 156 Então, neste ano nós implantamos o regime de exceção, assumimos ministrando um programa, dentro da determinação do governo a responsabilidade como operadores do sistema, licitamos 48 mil km de si- federal de restabelecer o sistema de pesagem. E seguindo a nalização, 33 empresas foram contratadas por 275 milhões, dividimos isso orientação da corte de contas. Nós tínhamos 6 balanças funcio- em duas etapas. Estamos fazendo a primeira etapa esse ano e 84% do servi- nando no Brasil, fixas. Assumimos a Autarquia com este quadro. ço foram feitos para revitalizar ou refazer a sinalização nas rodovias federais. Colocamos 15 em operação, estamos com 18 sob atualização Nós estamos fazendo metade esse ano, metade o ano que vem, essa foi uma tecnológica e estou com 36 móveis hoje, em operação. Fizemos DNIT. A balança de Formosa, aqui. Está aí operando, na saída de tráfego em todo o país no ano passado. Brasília. Então, nós estamos fazendo. É lógico que temos grandes desafios para poder cumprir, neste setor. DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO um Plano Diretor com o Exército Brasileiro. Realizamos uma contagem de O plano de pesagem ficou pronto. Ele deve elevar as baFizemos ajustes nessa contagem de tráfego esse ano, para exami- lanças para o nível constante do painel. É muito simples olhar e narmos onde é que passa a safra. O mapa, no painel, indica onde as balan- falar assim: “saí de 2, 3, 6 para 220”. Tem que trabalhar muito, ças serão colocadas, sendo que serão aproveitadas as balanças que estão ter responsabilidade de gestão. Tem que ter parcerias. Precisa paralisadas e colocadas outras em todo o país. O plano terminou esse ano ter a compreensão do Tribunal dos atos e atitudes que estamos e já realizamos a audiência pública, estando em condições de ser licitado. praticando. Porque esse é nosso desafio. A questão da gestão Eu peguei as balanças que existiam e estavam paralisadas e as estou pon- da malha também é importante. Ontem, eu vi o Secretario co- do para funcionar. Há poucos dias atrás o Senador Valdir Raupp me falou: locando um desafio aqui. A gente colocar a CIDE, aumentar a “Mas, nossa, eu fui governador lá e agora estou vendo uma balança em transferência para os Estados, discutir a estadualização. E passei Rondônia funcionando.” Então, para nós, isso é resgatar a autoridade do a noite pensando: “gente, espera aí um pouquinho. E o IPVA? E a 157 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO discussão da reforma tributária, que quando MP-82, independente se era concessão, estava no programa de concessão. Para estabelecer a nós mexemos na Constituição e criamos o im- normalidade e a segurança do tráfego.E estou firme nesse propósito. Mas se fala:”Mauro, você posto sobre energia, e energia combustíveis, vai restabelecer isso só num ano? “Não. Viu-se o cenário de investimentos de que a autarquia cadê? Estamos isolando muito a discussão em necessita para restabelecer integralmente a trafegabilidade. Nós estamos trabalhando. Estes torno cima da CIDE.” Então eu como agente são os grandes desafios do setor rodoviário. operador, DNIT, queria colocar isso aqui para reflexão. A sociedade brasileira já está onerada com ICMS sobre combustíveis no setor de transportes. Pelo menos foi a intenção de se instituir. O IPVA, Imposto sobre Veículos e a CIDE. Nós fizemos esse repasse para os estados no mês de dezembro de 2002, a primeira parcela, e fizemos em duas parcelas esse pagamento. E em janeiro de 2003. E houve a medida provisória, descentralizou. Hoje eu resgatei a autoridade no seguinte sentido: eu estou operando. Onde não tinha, estou viabilizando projeto para fazer uma licitação e contratar empresa para por máquina na pista lá, nos 14.000km que estão aí sobre projeção. Esse é um assunto que nós temos que trata, para resolver. Ele está mal resolvido. Só que enquanto ele está nessa situação, eu não posso perder autoridade. Então com o Programa Emergencial, até por orientação do Tribunal. Em razão de medidas cautelares decidimos entrar em todo o país, em todas as rodovias de jurisdição do DNIT. Independente se era 158 fazer. E o que estou fazendo. Hoje, está em andamento o projeto São Félix é o meu grande desafio no modal ferroviário. Olha só, nós temos Cachoeira na Bahia. É uma obra do projeto piloto, 128 milhões. São Francis- aí a MPT, Rede Ferroviária Federal, a VALEC e a gestão DNIT lá. co do Sul: acabei de contratar, está pronto para a expedição da ordem de Tem as concessionárias do setor, para as quais nós arrendamos a serviço. Fizemos o projeto no ano passado, terminei esse ano. Campo Belo, malha. Os arrendamentos estão gerando os valores expressos no Araraquara, Santo Amaro, ai está a situação. A Transnordestina. Tínhamos quadro, por ano. O grande desafio nosso, nesse papel, após o ar- feito o projeto de 100km. Foi dada a ordem de serviço nessa primeira fase rendamento da malha ferroviária federal, é fazermos programas do projeto de 100km que está pronto. Eu sou fiscal, e eu tenho que cuidar de segurança e programas de modernização. da desapropriação. A concessionária está fazendo a obra. Eu sou fiscal, cuido de desapropriação e fiz 100km de projeto. Travessias ferroviárias: estão aí os projetos estão em andamento. DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO Alguns colegas já colocaram o que eu estou fazendo, qual Foi identificado que nós temos 927 pontos críticos em todo o país, necessitando de atuação. Ou você atua fazendo isso pelo programa da concessionária, ou você atua colocando o DNIT para 159 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO A estrutura de que disponho é a que Verifica-se no quadro a carteira de obras e serviços em andamento. Sou o órgão exe- está exposta. Após a extinção da Portobrás e cutor, por isso estou fazendo isso aí. Aí estão os convênios, os contratos. Gestão. Nós aborda- a remodelagem do setor, as 8 administrações mos um pouco a visão política, os desafios, do ponto de vista de projetos e obras que estão hidroviárias no país passaram à responsabili- em andamento. dade do DNIT. Neste momento, do ponto de vista organizacional, o grande desafio, é que eu preciso transferir essas 8 superintendências para o DNIT e trazer essa gestão hidroviária para uma execução direta. É o que está previsto na lei, como desafio. Na área aquaviária, tenho esta carteira de obras e serviços em andamento. Obras de execução direta, eu tenho 500 milhões de obras em execução direta em portos, delegado 2 bilhões e 100. Por exemplo, o porto de Itaqui, a expansão do porto de Itaqui compete ao DNIT. Fiz um convênio com a companhia DOCAS, no valor de R$ 280 milhões. Estamos implantando um plano de trabalho de ampliação do porto. A parte hidroviária. Do ponto de vista estratégico, organizacional, estou com esse modelo lá no DNIT, uma autarquia recém-criada, como todos sabem, e este ano nós já fizemos algumas correções. Não existia Diretoria Ferroviária, foi introduzida por Medida Provisória, alterando-se a lei. Criamos 160 Do ponto de vista do modelo organiza- criação da Diretoria Executiva. Transformamos em todos os estados, em 24 estados, as Su- cional para tocar a carteira de obras e servi- perintendências. Então, passamos a ter um superintendente em cada estado, exceto Distrito ços, da decisão pública e de investimentos, Federal, Acre e Roraima, mas estamos discutindo a criação das superintendências nestes esta- eu tenho as 23 superintendências, 8 adminis- dos também. Mais 3 superintendentes para ficar uma vice-superintendência em cada estado. trações hidroviárias e 118 unidades locais. O modelo organizacional do DNIT é um modelo que funciona através de um colegiado. Eu sou o presidente do colegiado, e nós temos os diretores finalísticos, nas áreas: rodoviária, aquaviária e ferroviária e um Diretor de Planejamento e o Executivo. DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO a Diretoria Ferroviária para tocar as obras e a carteira de projetos. Outra reformulação, foi a Esses são os grandes desafios, e por quê? Há 20 anos atrás nós tínhamos 16.000 funcionários na autarquia. Hoje eu tenho 2900, por que eu acabei de fazer um concurso, sendo admitidos 600 aprovados.. E vou chamar mais 50% e vou fazer um novo concurso no final do ano que vem. Porque nós estamos com o quadro aprovado de mais 2.400 funcionários novos no DNIT. Neste ano, dobramos o número de engenheiros do DNIT. Foi dobrado. Então, os grandes desafios são os desafios de gerir, executar a política de transportes, mas garantir e assegurar o modelo de 161 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO gestão organizacional, capaz de ter segurança no mecanismo de controle interno, segurança até agora aquele montante lá, e emitiu ordem de contratos, eficiência na gestão de contratos, sistemas de custos, sistemas informatizados bancária de 3 bilhões e 700. Está baixo.” Ain- capazes de transferir informações de medição, pagamento, em todo o país. Porque ao mesmo da está baixo, mas, historicamente é o maior tempo, neste momento, estou fazendo uma medição lá no Chuí e estou fazendo outra lá no dos últimos 20 anos. Veja-se o histórico aí de Amazonas. Esses são os grandes desafios da nossa organização. emissão de pagamento de serviços realizados. Já pagamos 3 bilhões e 700. Já liquidei 4. Estou com a diferença na tesouraria prontinha para pagar. Eu só pago serviço medido, serviço feito. De onde vêm estes recursos? Da CIDE. Minha fonte é a CIDE. Então está havendo um vetor crescente. É uma decisão política de responsabilidade fiscal. E é o grande desafio. Primeiro, o grande desafio: ter a responsabilidade fiscal de pegar o imposto arrecadado que é a CIDE e colocar na carteira de obras e serviços. O processo de regularização está acontecendo. Eu sou dirigente e ai estão as informações, com transparência, para que todos vejam. É o suficiente? Não. Temos que introduzir outros mecanismos para ampliar essa carteira de projetos e obras. Eu estou administrando 14 bilhões de contratos. E precisamos atingir 50, pelos números de planejamento. Está aí o desafio montado. Posto à mesa. Muito simples, mas exige o compromisso primeiro de introduzir o planejamento do Ministério dos Transportes, que nós estamos resgatando com o plano nacional de logística de transporte, buscando-se mecanismos de A dimensão, a visão orçamentária financeira, é importante. Estamos administrando 10 bilhões de créditos orçamentários neste ano. Pode indagar-se: “Mauro, mas você empenhou 162 gestão capazes de suportar e de dar respostas a esses grandes desafios. DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO DESAFIOS REGULATÓRIOS: VISÃO DOS INVESTIDORES Luiz Fernando Santos Reis. Presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Construção. Pesada – SINICON Eu queria dizer que, em nome do SINICON, Sindicato Nacional da Indústria de Construção Pesada, é uma imensa honra estar aqui, saudar ao TCU, na figura do Ministro Augusto Nardes e a todos os membros do TCU, pelo prazer que nos dá estar aqui, aqui por entender a importância desse evento, pela casa que é, pela instituição que o TCU representa, isso pode ser um marco para antes e depois na infra-estrutura do transporte brasileiro. Eu acho que o governo tem que entender que infra-estrutura não é discurso nem brincadeira, é uma realidade. E eu vim aqui falar de um desafio regulatório na visão dos investidores. Não vim falar que se empenhou 6 bilhões, autorizou 5, empenhou 4, mas executou 25%, que não é culpa das estruturas que estão executando, é culpa de todo um contexto e de todo um conjunto. Não é culpa do DNIT, de ministro, que são os mais bem intencionados. É culpa de uma estrutura de contingenciamento de fantasia, de brincadeira, de discurso. Nós temos que sair disso para uma realidade que vem sendo dita aqui hoje. E dentro dessa realidade, a minha palestra é buscando a visão de uma país moderno, de um país que tem marcos institucionais, agências reguladoras. O Governo Brasileiro, como todos sabemos, perdeu a capacidade de investir em projetos de grande porte. Indústria pe- 163 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO sada, indústria de base, na mineração e siderurgia, energia, saneamento, telecomunicações e transportes estão órfãos de recursos por maiores que sejam os números que tenham sido apresentados até hoje. Segundo dados do Banco Mundial e do BID, os investimentos em infra-estrutura devem corresponder a anualmente a um e meio do PIB para a manutenção da infra-estrutura. Um e meio do PIB. Nós vimos que todo o investimento foi 0,5. Mais 1,5 do PIB para aumento de demanda. Nós falamos de 0,5 nos últimos tempos ou 0,8. Os países da América Latina, e no qual o Brasil está inserido, necessitam de um investimento entre 4 e 6% do PIB, nos próximos 20 anos, para atingir níveis de produtividade dos Tigres Asiáticos. Se o governo tentar investir, ao ano, 7% do PIB, vai levar o Brasil a atingir, no ano 2011, uma Até o final dos anos setenta, as grandes obras eram realizadas essencialmente pelo poder público. Nas décadas de oitenta e noventa a situação foi se modificando com a presença cada vez menor do governo. Em 2000 se investia doze bilhões, em 2004, nove ponto três, e, em noventa e cinco, o que governo investiu em obras representava 0,8 do PIB e, em 2004, 0,5 do PIB. 164 relação dívida-PIB superior a 75%. DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO A iniciativa privada brasileira, os empresários brasileiros, a iniciativa privada tem condição de interesse de atender a essa demanda com qualidade, eficiência, complementando, complementando as ações do governo e não assumindo. Complementando. Nas áreas de mineração, um exemplo: Vale do Rio Doce, saneamento: Águas do Brasil, siderurgia: Companhia Siderúrgica Nacional, rodovias: CCR, nós pegamos alguns exemplos, ferrovias: MRS, portos: a Santos Brasil. As em- O caso da Vale do Rio Doce: 2006 foi o melhor anos na história da Vale: recorde de lucro, presas só investem no que é rentável e libe- faturamento e geração de caixa. É a segunda maior empresa de mineração do mundo, após ram o governo para focar no que não é viável a sua compra, em outubro, ela comprou a canadense Inco por 18 bilhões. Empresa que mais economicamente para seguimento privado. contribuiu para o superávit da balança brasileira. Em 1997, investia 0,4. Em 2006, investiu 4.6. Mágica (...) ou administração? Ou gestão? O valor de mercado era de 8, em 2006 é de 60. Tinha 11 mil empregados, tem 44 mil diretos e 93 mil indiretos. 165 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO A CSN, que apresentava prejuízo e pro- lhões investidos de dezembro de 2005, e um blema na época de sua privatização em 93, bilhão previstos para 2006 a 2010. Ele melho- hoje é a maior produtora brasileira de aço e rou a qualidade de atendimento da população estanho. A empresa exporta seus produtos sem aumentar a tarifa, cobrando a mesma ta- para Ásia, Europa e América do Norte. Inves- rifa que as empresas estatais. Investimentos tia 65 milhões em 97 e investiu, em 2005, um de 43 quando as demais empresas investiram bilhão. Resultado: tinha um prejuízo de um bi- menos de 18. Água tratada a 91%, enquanto lhão, deu lucro de dois bilhões. as empresas públicas tratam 82%. Esgoto coletado, 77%, enquanto as empresas estatais, 49%. Perdas de faturamento de 28%, contra 33%. Consumo energético de 0,54, contra Siderurgia: 15 anos depois, as oito em- 1,72. Inadimplência, menos de 10%, quando presas vendidas os investimentos cresceram nas empresas estatais é acima de 10%. 458% e a produção de aço cresceu 39% e o faturamento, 146%. O prejuízo consolidado das empresas siderúrgicas em 92 foi de 260 milhões, enquanto saiu um consolidado em 2005 foi de quatro bilhões. Em 1992, as siderúrgicas estatais pagavam apenas 42 milhões de dólares de imposto de renda. No ano passado recolheram 1.7 bilhões à Receita. Concessionárias privadas de água e esgoto, saneamento, que é o segmento mais atrasado da infra-estrutura brasileira. O nosso saneamento é de quinto mundo, não é nem de terceiro, não. Presentes em, dos cinco mil 166 municípios brasileiros, o saneamento privado, Ferrovias. As privatizações da opera- explorado por empresas da iniciativa privada ção ferroviária aconteceram entre 96 e 98. ou concessionados, atendem 72 municípios. Foram concentradas em 97. Elas provocaram Atendem mais ou menos sete milhões de habi- a desoneração dos cofres públicos, que dei- tantes com investimentos (comprometidos...) xou de alocar cerca de 350 milhões e passou de 4 bilhões nesses municípios, sendo dois bi- a arrecadar 400 milhões por ano em valores DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO atualizados. O quadro, eu não vou perder tempo em lê-lo para vocês. (Índices...) de aCIDEentes caiu. Na área de transportes, rodovias, foram concessionadas 36, existem 36 concessionárias que administram 10 mil quilômetros, entre estaduais e federais. 84.2 dos usuários consideram as estradas privatizadas boas ou excelentes, contra 19 das rodovias sob gestão estatal. Desde 96, início do programa de concessões rodoviárias, foram investidos 10.5 bilhões, recapeados 17855 quilômetros, construídos dois mil quilômetros de novas pistas. Destaque de 2005, um bilhão na ampliação e recuperação de sistema viário, 241 milhões repassados às prefeituras decorrentes da cobrança de pedágio, 225634 metros quadrados de pontes e viadutos, 437823 metros lineares de sistema drenagem e 480 quilômetros de acostamento novos. No caso, nós achamos por bem destacar, na área rodoviária, o caso da CCR, Companhia de Concessões Rodoviárias, maior referência no segmento de concessões de rodovias na América Latina. Administra 1452km, que representam 15% em extensão e 41,85% da receita das rodovias sob gestão de empresas privadas. Já investiu mais de três bilhões na recuperação de rodovias, administra a Ponte Rio-Niterói, a Via Lagos, a Rio-São Paulo, a Via Oeste e uma rodovia no Paraná. É pioneira em ingressar com o novo mercado da Bovespa desde 2005, posiciona entre as 50 empresas com ações mais negociadas na Bolsa. Desde a concessão, o número de acidentes nas rodovias foi reduzido em cerca de 10%, sendo que o número de fatalidades teve queda de 42%. Deve apresentar proposta para os próximos lotes de rodovias federais. O importante é a gente pensar e imaginar o seguinte: quando alguém ia imaginar que uma empresa que possuísse rodovias brasileiras tivesse ações disputadas e compradas na bolsa de valores? 167 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO O caso da Santos Brasil, a área portuária que era outro caos do sistema de transportes brasileiro e continua sendo um dos maiores gargalos para a nossa exportação. Nós dizemos que o Brasil é competente até a porta da fábrica. Da porta da fábrica até o porto, ele perde toda a competência e toda a produtividade. No caso da Santos Brasil, antes da privatização, em 1995, e depois da privatização, em 2003, a Santos Brasil é a empresa que ganhou a concessão e explora o terminal de contêiner no Porto de Santos, na margem esquerda. Longas esperas para atracar, de até 24 a 48 horas; máximo de 16 horas de operação; sistema de colapso com movimento de 1.3 milhões de contêineres; baixos produtividades, entre 8 e 15 contêineres; exportação de manufaturados, na ordem de 26.7 bilhões; e quantidade de guindastes, mais ou menos dez. A atracação é imediata, opera 24 horas, sistema com risco de colapso acima de 3.3 milhões, a produtividade, que ainda é baixa para níveis mundiais, é de 35-40 contêineres, exporta manufaturados da ordem de 40 bilhões de dólares e tem mais de 42 de guindastes, (entre contêineres...) e equipamentos de movimentação, e investiu mais de 750 milhões de dólares, até 2004, tendo aumentado toda a extensão de cais. 168 ciativa privada entrou, ela entrou e o fez bem, complementando o governo e liberando-o de uma série de coisas que o oneravam. No nosso estudo, feito pelo SINICON, a necessidade é da ordem de 44 bilhões de reais por ano em infra-estrutura. Em energia, 20 bilhões, e energia nós vamos falar um pouquinho mais adiante, rapidamente, que não é nosso caso, mas só para citar como “case”. Energia, nós estamos em vias de colapso em 2007-2008 se medidas enérgicas e imediatas não forem tomadas e, ao longo alcance, o fato é pior ainda. Saneamento precisa de 9 bilhões por ano e transportes, 14.7, com essa distribuição, o que coincide um pouco ou mais ou menos com o que a ministra apresentou, ontem, mas nós estamos falando em necessidades reais com aportes reais. Telecomunicações, que não entra na nossa área, mas, antigamente, a gente declarava, no imposto de renda, telefone como bem. Telefone era uma propriedade que você DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO Caminhos para o desenvolvimento. O que nós procuramos mostrar é que, aonde a ini- tinha. Depois da privatização, os serviços são prestados a 141 milhões de brasileiros, a base de clientes é de mais de um milhão, cresceu mais de 1300%. Em 1998, apenas 32% tinham acesso a telefones em suas residências. Em 2005, 72 já desfrutam desse bem. 169 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO O caminho para o desenvolvimento empregos e ao governo, utilizar como uma mo- o Senado, na época o Deputado Júlio Lopes como relação público-privada, projetos so- dalidade de contratação para, em alguns pro- e pelo Senado, o Senador César Borges, que cialmente rentáveis, obra pública. O secretá- jetos específicos, suprir a carência de recursos acordaram no projeto comum e aí parou de rio, o diretor do DNIT apresentou uma série para investimento em infra-estrutura. Do quê novo. Isto é fundamental. Não precisa dizer de obras que são públicas, investimento pelo nós precisamos para que o Brasil tenha uma que, pra cada um real investido em sanea- governo em obras que não são viáveis eco- agenda positiva no setor de infra-estrutura? mento nós estamos economizando cinco em nomicamente. Obras viáveis que a iniciativa saúde. Racionalizar a atuação no que tange a privada, concessão. meio ambiente, me desculpe presidente, mas nos vamos ter que abordar esse tema. O SINICON acredita que algumas medidas são necessárias para garantir o aumento 170 Entre a obra pública e a concessão nós de investimento pela iniciativa privada: defi- temos ali as PPPs, que podem ser subsídio à nir claramente o papel do Estado; fortalecer As agências reguladoras são uma das construção, pagamento deferido, garantia de as agências reguladoras; aperfeiçoar os mar- necessidades de criação, por parte do Esta- ingresso mínimo, subsídio à concessão e sub- cos regulatórios; aprovar a lei federal sobre do, do marco jurídico e regulatório que garan- sídios operacionais. Isso não é invenção nos- saneamento básico. É fundamental. O proje- ta condições competitivas e regras estáveis sa, a fonte do gráfico é o Banco Mundial. to, a decisão dos mais, do ponto mais polê- para a produção de investimentos privados. mico que é quem é o poder concedente está O governo: o planejamento e formulação das É através das concessões, das parcerias na mão da ministra Ellen Gracie, já tiveram políticas. A iniciativa privada: prestação dos público-privadas, seria permitida a retomada quatro votos definitivos e só se aguarda esse serviços e estabelecimento de parcerias com do investimento em uma série de segmentos despacho. A CNI, em recente seminário que o setor público. Agências reguladoras: fiscali- da infra-estrutura do País, a criação de novos lá realizou, teve a junção entre a Câmara e zação, regulação dessa atividade. dade. Incluir administradores do setor privado muitas vezes, seis, oito meses. Uma licitação, competentes e representantes de grupos de entre sua homologação, leva mais seis, oito consumidores. Não há porque o usuário não meses e não tem, às vezes, recurso jurídico. É ter participação e poder participar sobre o a burocracia que é uma máquina que come o que ele vai viver. Temos o exemplo do CONIT tempo e come a infra-estrutura. que não sai do papel e que não tem um representante dos usuários. Tornar a estrutura de governança capaz de garantir a sistemática da prestação de contas do seu desempenho. Estabelecer índices de avaliação dos objetivos e do desempenho. Rever o método de indica- Agências reguladoras, o que é neces- ção e substituição dos membros da estrutura sário? Definição clara de sua jurisdição e in- de governança das agências, estabelecendo dependência, transparência no processo de mandatos para os dirigentes, que não coinci- atuação, seus princípios e abordagens, otimi- dam com as eleições do Poder Executivo. DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO infra-estrutura. Um aditivo de contrato leva, zação do modelo regulatório, da capacidade e dos recursos limitados para a realização das atividades de regulação, como já foi dito, tem agência que ficou sem diretor, tem agência Os principais obstáculos que inibem o que não tem orçamento. Então, isto não é investimento e dificultam o crescimento são: agência. Formação de uma estrutura compe- falta de regras definidoras de competências; tente, equilibrada, independente e orientada a ausência de coordenação, não há coorde- para a formulação de políticas. Nossos quadros nação; morosidade dos processos decisórios; estão, com raríssimas exceções, e essa casa é e inexperiência do Poder Judiciário numa ma- uma exceção, nossos quadros que atuam na téria que é nova, que todo é esse contexto área pública estão destruídos. O nosso diretor novo de agência reguladora, poder conce- do DNIT, Mauro, com muita verdade, ele está dente e concessão. O que é necessário para marcos regula- fazendo um esforço enorme, falou que acabou de fazer um concurso e vai fazer outro, não Como fortalecer as agências? Limitar a tórios funcionarem? Funcionamento eficiente tem gente. A burocracia, hoje, é um dos fato- nomeação de funcionários por critérios políti- do setor privado pressupõe se ter de normas res que mais entrava o desenvolvimento da cos. Vamos nomear por competência e capaci- claras e estáveis que garantam a segurança 171 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO do investidor. Se não houver segurança, não há investidor. Mas o processo comece o nosso Tribunal a ter que entrar nas brigas jurídicas e de regulação deve ser elaborado com a preocupação de não criar barreiras as celeumas que não acabam mais. Garantia de remuneração à competição e incertezas sobre o direito de propriedade. O desenho da adequada, existência de recebíveis ou de fundos garantidores, regulamentação deve ter como referência os efeitos sobre os custos das isso é importantíssimo. A necessária garantia de que as regras empresas e sua capaciddde de adaptação no tempo. A consulta às partes não serão alteradas e que o investimento será ressarcido de envolvidas, os respeitos, o respeito às normas e aos acordos internacionais. acordo com o contrato estabelecido e mecanismos eficientes de desapropriação. Isso evita questionamentos por parte dos governantes, o que causa interrupção de contratos, com prejuízos para o País e as empresas. Não podemos e não temos vivido, na história mais recente, é dois, três, anos, porque a nossa experiência não vai a dez anos, que mudou o prefeito, mudou o governador, ele diz que aquela tarifa tá alta, intervém na tarifa. Quem perde? Quem perde é o Estado. Porque a empresa vai à justiça, ganha, entra com cobrança de paralisação, mobilização, remobilização, juros e diabo a quatro. Então, quem perde é o Estado sempre que tentar mudar a regra do jogo. Que, aí, a justiça vai dar ganho de causa a quem tem razão. O marco regulatório aperfeiçoado estabelece os agentes de mercado, definirão o lucro do setor privado em função do retorno adequado aos riscos assumidos. É óbvio. Se tem um objetivo, se tá definido qual é o objetivo, se tão definidas as regras do jogo, não tem que dizer que vai ganhar A, B ou C, ou que o valor é aquele. Quem tem que definir é o mercado. Agora, tem que ter uma lei de licitação, que seja uma lei correta e que permita que a participação seja de empresas competentes e capazes 172 e não que permita que quem não tem experiência se aventure e que, aí, Meio ambiente, a nova barreira. O im- tezas, elevação do risco empresarial e bloqueio analisa, atualmente, 120 projetos de infra-es- pacto das exigências ambientais nas ativida- das decisões de investimento. A proliferação trutura que enfrentam problemas judiciais, a des produtivas tem aumentado nas últimas de leis e regulamentos ambientais em todas as maioria por razões ambientais. Das 120 obras décadas em função de acordos internacionais, esferas, em níveis de competência, tem cau- analisadas, 100 são do setor de energia, in- de legislação locais e da crescente preocupa- sado efeitos imediatos sobre a qualidade da cluindo 37 refinarias e os grandes projetos hi- ção da sociedade em assegurar a qualidade de política ambiental, gerando incerteza, custos e drelétricos do Rio Madeira, Rondônia, e Belo vida das gerações futuras, o que é mais que dificuldade de implementação. Por que ele vai Monte, Pará, além da usina nuclear de Angra justo, o que é mais que uma ambição de toda a correr um risco de autorizar se ele está sen- 3, com prazo de maturação até 2010. Das 35 população. A indústria brasileira tem o compro- do julgado pessoalmente, isso é outro absurdo usinas hidrelétricas licitadas pela ANEEL, 21 misso com os princípios do desenvolvimento que não tem nada a ver com a estória? Nós es- estão paralisadas ou nem sequer foram ini- sustentável e tem realizado iniciativas voltadas tamos falando de uma entidade e não de uma ciadas, de acordo com o Ministério de Minas e para a eco-eficiência de processos e produtos e pessoa física que está ocupando aquela posi- Energia. Elas gerariam um total de 4055 me- o desenvolvimento de tecnologias limpas. ção por uma questão conjuntural. Então, isto é gawatts, o que deveria entrar em operação outro fator que tem que ser eliminado. entre 2006 e 2010. Com a crise do gás e com DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO Licença ambiental e energia. O governo a não-entrada de financiamento dessas hidrelétricas, se o País crescer ao número que está sendo falado de 5% ao ano, a chance de vivermos um novo apagão é bastante grande. O principal desafio para os políticos de hoje no Brasil, é o da garantia, é de garantir si- A qualidade da relação das empresas multaneamente, indíces crescentes de qualida- com esses órgãos também é afetada pelo fato de e de conservação ambiental e um sistema de que essas entidades ainda não possuem eficiente de regulação, que não implique incer- uma estrutura de quadros competentes e em 173 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO número suficiente para atender às demandas da atividade produtiva. O relacionamento das empresas com os órgãos ambientais do governo se estabelece principalmente nos momentos de fiscalização e licenciamento ambiental. Não há uma relação constante, permanente, que forme uma cultura. Baseado em paradigmas clássicos de políticas de comando e controle, proteção ambiental não pode ser um obstáculo ao desenvolvimento, ele tem que ser um coadjuvante do desenvolvimento. A ausência de regras pode se constituir em um obstáculo ao pleno aproveitamento do potencial produtivo do País. Então, ao terminar, eu queria agradecer imensamente ao TCU essa oportunidade, ressaltar a importância que esse seminário tem para o País e que, se o Executivo souber tirar o proveito das matérias que foram aqui discutidas, nós podemos falar sobre infra-estrutura do Brasil antes e depois dessa reunião. 174 DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO DESAFIOS REGULATÓRIOS: VISÃO DOS REGULADORES/ANTT José Alexandre Nogueira de Resende. Diretor-Geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres. A ANTT regula e fiscaliza 12 concessões ferroviárias, 21 trens de passageiros, incluindo 3 regulares, e os demais trens tu- 175 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO rísticos e 6 concessionárias rodoviárias. A ANTT administra cerca de 1.500 quilômetros de rodo- report de banco estrangeiro analisando os via. O transporte rodoviário interestadual e internacional de passageiros hoje é realizado por 265 efeitos em algumas concessionárias, princi- empresas. No transporte sob fretamento há 4.408 empresas atuando no setor de passageiros. palmente aquelas que têm ações listadas em O transporte rodoviário nacional de carga, atualmente envolve cerca de 820 mil agentes, entre bolsas, de algumas decisões que são toma- transportadoras e autônomos. O transporte rodoviário internacional de carga opera com cerca das. Por exemplo, quando você toma uma de 1.850 empresas brasileiras e dos países da América do Sul. Quanto ao transporte multimodal, ação, às vezes, como aconteceu há um tempo temos atualmente 203 operadores autorizados pela agência. atrás, no Paraná, isso afeta a milhares, milhões de investidores. A concessionária, hoje, é meramente uma operadora. Quando você fala desse ambiente, fala, principalmente, dos investidores, pois são eles que dão a vida e que irrigam a concessão, eles proporcionam a fluidez do caixa de uma concessionária, que tem que investir e reaver os recursos ao longo de 25 anos. Então, é muito importante dentro desse ambiente, que na verdade não pode ser focado como um contratado, como era antigamente, entre uma empreiteira, o poder público e o usuário. Não. O mais importante daquele operador são seus investidores, são 176 Abordando essa questão do desafio da regulação, destaco a do risco regulatório. É im- seus financiadores. No último ano, a maior portante verificar que a figura do concessionário, hoje, é bem diferente daquela do início do parte das pessoas que recebi foram investido- processo de concessões do setor de infra-estrutura. Hoje, praticamente todas as concessões res. São fundos, são bancos, são administra- atuam com uma estrutura de capital envolvendo terceiros. Praticamente não existe mais a fi- dores de fundos, principalmente. Aconteceu gura do empreiteiro bancando a própria obra sob concessão. Todas as nossas concessionárias um fato interessante na semana passada, nós têm um grau de alavancagem. Foi citada aqui a questão, por exemplo, da CCR. Ela trabalha fechamos um termo de compromisso entre a com grau de alavancagem de 80%, ou seja, a cada real que a CCR coloca numa obra, só 20 Companhia Vale do Rio Doce e a Agência. Na centavos são de seus controladores. Isso é importante porque aí está, talvez, um dos grandes verdade era um termo de compromisso no problemas que temos hoje. Não é só uma insegurança jurídica, que às vezes alguns governos qual a Vale se compromete a adotar uma cer- acabam institucionalizando sobre essas concessões, mas também sobre como é que as infor- ta linha de ação entre o que faz para si e o mações são repassadas. É impressionante a volatilidade dessas ações, dessas empresas, em que faz para terceiros. É um termo de com- função das notícias, e isso afeta um número enorme de investidores. Hoje de manhã recebi um promisso por meio do qual, para toda a produ- entre a Agência e a Vale do Rio Doce. Mesmo te uma comparação tarifária entre as rodo- terceiros, ela tem que cobrar o mesmo preço assim, no finalzinho da tarde saiu no site de vias, por exemplo, do Rio Grande do Sul e que o dela. E ela só tem ganho de escala notícias do Globo. No dia seguinte, o mercado Paraná com as Federais. Apesar de todos os quando toda a produção de transporte de mi- abre, afetando as ações da Vale. E vem uma problemas, a gestão das rodovias federais nério já tiver sido atendida. Tem uma série de série de indagações de investidores, Merril- sempre teve uma certa estabilidade. No Para- outras questões, inclusive, como vai ser feita Lynch, UBS Group e outros. O que está acon- ná e no Rio Grande do Sul, as tarifas eram in- a segregação contábil da atuação das Ferro- tecendo? Então, acho que é muito importante feriores às tarifas federais, hoje elas são vias de Carajás e da Vitória-Minas e dos meios nesse aspecto verificar a postura do regula- superiores e a qualidade piorou. Num deter- que nós vamos usar para disponibilizar isso à dor, a postura do ambiente em que vivemos. minado momento, retiraram recursos de in- sociedade, inclusive através do site da Agên- Há uns três anos, e olha como as coisas são vestimento para ter uma tarifa mais baixa, cia, mensalmente. Quando acabamos o en- desvirtuadas, havia um relatório do próprio recursos esses que estavam diluídos no prazo tendimento, a Vale do Rio Doce se mostrou TCU, isso foi no segundo ano da Agência, pe- de 25 anos, e sete anos depois querem retor- preocupada em como é que isso iria ser anun- gamos esse relatório e começamos a ajustar ná-los, só que o saldo de contrato é menor, ou ciado. Informei que iria ter uma reunião com a os contratos de concessão rodoviária. Isso foi seja, você tem, hoje, os mesmos níveis de in- Dra. Elizabeth Farina, do CADE, dentro do am- ao plenário do Tribunal e, na véspera do rea- vestimento previstos originalmente, no Para- biente de trabalho e mostraria o que foi feito juste da CRT, sai uma reportagem no Globo: ná e no Rio Grande do Sul, com uma tarifa e pronto. A diretoria da Vale solicitou-me que “Superfaturado o pedágio da Rio-Teresópolis”. mais cara. Então, quando o investidor que vai fizesse uma declaração pública como regula- Houve também outra, na véspera de uma financiar, ele vê: isso aí é problemático. Uma dor, para que, se isso viesse a ser menciona- captação que eles estavam fazendo. Não ti- das principais questões desse aspecto é a da do ou a ser detectado pelo mercado, não nha superfaturamento nenhum, tudo tinha previsibilidade das ações. Recentemente, re- levantasse, para seus investidores, a idéia de sido levantado pelo Tribunal e já havia sido cebi o presidente da MRS, que aqui foi citado, que a Vale estaria assinando um termo de ajustado entre a Agência, o Tribunal e o Con- para discutir uma decisão e ele falou: “já sei o ajuste de conduta. Isso teria reflexo direto na cessionário. Mas olha como é colocado para a que você vai fazer, a Agência vai fazer isso, cotação da Vale e nos seus investidores. Veja, sociedade. E volto a dizer: o “player” principal isso, isso”. “É... é isso mesmo.” Há três sema- estou falando da Companhia Vale do Rio Doce. é o investidor. Tudo que foi colocado, até na nas, eu falava com um diretor da Vale: “preci- Não no seu “business” principal, no seu se- exposição anterior, só será viável se o privado samos discutir esse problema da Usiminas, a cundário, correlato. Tive, então, que fazer conseguir se financiar, conseguir captar. É entrada do controle societário da Usiminas”. uma declaração. Deixei claro que a Vale, em esse ambiente que queria passar aos senho- “Eu já sei o que você vai fazer, Alexandre.” momento algum, tinha descumprido qualquer res, é nesse ambiente que temos que traba- É... É bom que ele saiba o que eu vou fazer. É compromisso contratual, que aquilo não era lhar. Porque não adianta mera vontade isso que é o desejável. Então, é muito impor- um termo de ajuste de conduta. Era, na ver- política: “vou conceder”. Eu viabilizo o edital, tante, também, nesse aspecto, que exista, dade, preventivamente, um entendimento talvez não viabilize a concessão. É interessan- por parte do Poder Executivo, clareza nos seus DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO ção de transporte de minério de ferro para 177 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO 178 objetivos. Logo depois que foram liberados esses recursos, acabou não saindo o edital e pelo Tribunal os editais das novas concessões, agora está usando os recursos de investido- recebi um investidor que me indagou: “José res brasileiros, captados no mercado brasilei- Alexandre, é para valer dessa vez? Porque ro através de debêntures e está participando desde 98 eu coloquei 14 milhões de reais nes- de uma licitação de concessão rodoviária no ses estudos.” Catorze milhões de reais, gen- Colorado. Os Estados Unidos decidiram abrir te! Jogados fora ou não. Se ele for o vencedor, um programa extremamente agressivo de será aproveitado, senão... Mas isso foi um in- privatização rodoviária. O Brasil vai ter dificul- vestidor. Então, dentro dessa linha que estou dades, muitas dificuldades, se ele quiser tentando passar da nossa atuação, um dos avançar em um programa desse, porque o ní- aspectos mais importantes é a Agência não vel de risco, o nível de percepção de um go- impor a sua decisão. Nós evitamos, e falo isso verno como o americano é muito menor. Essa muitas vezes: “Olha, não é o que eu gostaria decisão não é só dos Estados Unidos, também Hoje, estão sendo analisados pela de fazer, eu, como técnico de transportes, o governo alemão decidiu fazer um programa Agência, três processos de arbitragem entre mas é a solução que atende o mercado, que de privatização rodoviária pesado e tem obti- a Agência e o concessionário, por interpreta- atende todos os lados do mercado”. Acho que do até subsídios com a experiência brasileira. ção de contrato. Esse problema de interpre- foi muito sábia a Lei 10233 quando focou o Nós temos um problema na nossa forma de tação de contrato afeta diretamente o nível quesito da harmonização do ambiente do con- estruturar contratos e preços. Nos estudos de investimentos. Nós temos outro problema flito e acho que é essa harmonização que se que se fez sobre concessão rodoviária, nem que é a questão da expectativa dos usuários, não conseguirmos passar para os investido- todos os custos estão ali colocados e vou fa- quer dizer, você tem que dar um determinado res, nós não vamos ter uma infra-estrutura zer uma inversão para não entrar neles. Os nível de qualidade. É muito fácil medir essa sendo respondida por parte da iniciativa pri- Estados Unidos estão colocando nessa licita- expectativa no caso do transporte ferroviário vada. Com certeza não vamos ter essa res- ção do Colorado uma taxa interna de retorno de cargas, por exemplo. Agora, é muito difícil posta. Há muito capital disponível. A liquidez de 12% em dólar. Eles têm, dentro dos pre- no caso de passageiros, no caso de rodovias. de mercado hoje é muito grande. É interes- ços, uma reserva de contingência para despe- Para esclarecer um pouco essa dispersão de sante como estamos competindo num merca- sas jurídicas. Nós não apropriamos esse tipo expectativas, quando fizemos a audiência pú- do que é global atualmente. Cito o caso de de despesa. Então, é muito importante nessa blica da segunda etapa de concessões rodo- uma concessionária rodoviária como exem- questão também a redação dos contratos e viárias em São Paulo, houve a indagação de plo, a CCR. Ela captou dinheiro no mercado dos editais. Da mesma forma que temos cla- um participante para mim relativamente às brasileiro, com investidor brasileiro e está reza no que está escrito no setor ferroviário, e tarifas. Dei uma explicação para ele e disse usando esses recursos para disputar uma vou citar esse exemplo, nós temos problemas que no processo de atuação, claro, estava de- concessão no Colorado. Ela tinha levantado sérios no setor rodoviário. fendendo o nosso ponto de vista, até no pro- com tarifas de pedágio 25 a 30% abaixo do que seriam se não tivéssemos feito os ajustes de 2003 e 2005. De repente, levantou um senhor e disse: “Doutor Resende, eu não estou muito preocupado com esse negócio da tarifa, não. Eu não vejo nenhum mérito nisso que o senhor está falando, não. Eu quero saber se eu vou ter qualidade. Eu quero saber se eu vou ter aquela passarela. Se vai ter aquele trevo. A tarifa é decorrente”. Na mesma audiência, uma pergunta seguida à outra. Então, é muito difícil, do ponto de vista do órgão regulador ter uma clareza 100% da expectativa do usuário. Olha que hoje tentamos fazer pesquisa, fazer levantamento, e no setor de passageiro é feito todo ano, nas rodovias também é feito, mas há uma dispersão em relação à expectativa dos usuários e esse é um grande foco e um grande cuidado que uma agência reguladora deve ter. DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES NO BRASIL – PERSPECTIVAS E DESAFIO cesso interno da Agência com as suas concessões, nós estávamos hoje 179 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO Esta publicação foi composta no formato 210x297mmm em Bistream Vera Sans, Futura Bk sobre papel off-set 75g/m², com capa em papel cartão off-set 240g/m², pela Editora do Tribunal de Contas da União. 180 Brasília, 2007 Bt e Futura Hv Bt