Promoção do questionamento na sala de aula universitária: o papel dos fóruns do Moodle Mariana Martinhoa, Patrícia Albergaria Almeidaa,b, José Teixeira-Diasc a Centro de Investigação em Didática e Tecnologia na Formação de Professores (CIDTFF), Departamento de Educação, Universidade de Aveiro, Aveiro, Portugal b Joint Research Centre, European Commission, Ispra, Itália c Departamento de Química, Universidade de Aveiro, Aveiro, Portugal RESUMO A investigação sobre educação em Ciências sustenta a necessidade de uma nova ênfase no ensino e na aprendizagem, particularmente no Ensino Universitário. Entre as competências essenciais que todos os estudantes deveriam desenvolver encontra-se a capacidade de questionar, considerada como um dos principais indicadores do raciocínio dos estudantes. Uma prática de ensino orientada para o desenvolvimento desta competência favorece o ensino centrado no estudante e promove capacidades de elevado nível cognitivo, tais como a análise crítica e a resolução de problemas. Ainda que os professores estejam conscientes dos benefícios do questionamento, o número de estudantes que frequentam disciplinas do primeiro ano é frequentemente tão elevado que apenas um pequeno número de estudantes consegue interagir com o professor e esclarecer as suas dúvidas. Perante esta realidade, urge a reinvenção das estratégias de ensino, a fim de dar oportunidade a todos os alunos para esclarecerem as suas dúvidas. Explorar as inúmeras interações possibilitadas pelos Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA) é uma oportunidade a não perder. Os objetivos da presente comunicação são: (i) descrever os aspectos relatados na literatura que devem ser tidos em consideração para o desenvolvimento de estratégias que visem fomentar a formulação de questões por parte dos estudantes através de fóruns do Moodle, (ii) descrever as estratégias para promover o questionamento dos estudantes que foram implementadas em duas disciplinas de química do 1º ano universitário, lecionadas na modalidade de blended learning, na Universidade de Aveiro, em Portugal, (iii) analisar as percepções dos estudantes destas disciplinas sobre as estratégias implementadas, (iv) refletir sobre a forma como os fóruns do Moodle foram explorados de modo a fomentar o questionamento dos alunos, em comparação com outras estratégias implementadas face-a-face, (v) discutir que mudanças podem ser implementadas futuramente, de modo a promover o questionamento dos estudantes através do Moodle, e (vi) fornecer recomendações para investigações futuras. Palavras-chave: Moodle; Questionamento; Estratégias de ensino e de aprendizagem 1. INTRODUÇÃO 1.1. A importância de promover o questionamento dos estudantes A admissão no ensino universitário é geralmente acompanhada por um aumento da dimensão das turmas, um distanciamento crescente entre o aluno e o professor e um predomínio de ensino transmissivo. Estas condições, entendidas pelos alunos como proporcionadoras de um ambiente impessoal e intimidante (DeBourgh, 2007), levam os alunos a assumir-se como meros receptáculos passivos da informação veiculada pelo professor, em vez de participantes ativos na interação professor-aluno (Mayer et al., 2009). Neste contexto, os alunos tendem a interagir menos com os professores (Mayer et al., 2009), uma vez que sentem receio de exprimir opiniões pouco populares e de serem vistos como desinformados ou mal preparados (DeBourgh, 2007), acabando por colocar menos perguntas. Esta situação é agravada pelo facto desta rejeição de participação oral na sala de aula constituir uma limitação para o sucesso académico dos alunos (Neer, 1990). Entre as capacidades e competências-chave a desenvolver nos estudantes, vários autores (Pedrosa de Jesus, Teixeira-Dias & Watts, 2003; Biggs & Tang, 2007; Cuccio-Schirripa & Steiner, 2000) salientam a capacidade para continuar a adquirir ao longo da vida novos conhecimentos e práticas, que pressupõem, entre outras, a competência de questionamento (Teixeira-Dias, Pedrosa de Jesus, Souza, Almeida & Moreira, 2009). A capacidade para formular questões de elevado nível cognitivo é importante numa aprendizagem ativa (Chin & Osborne, 2008; Scholl, 2010) e um ensino orientado para o seu desenvolvimento favorece uma aprendizagem centrada no estudante, permitindo promover outras capacidades de elevado nível P A G E cognitivo, especialmente as de análise crítica e de resolução de problemas (Hofstein, Navon, Kipnis & Mamlok-Naaman, 2005; Teixeira-Dias et al., 2009). Vários estudos (Pedrosa de Jesus, Almeida, Teixeira-Dias & Watts, 2007; Chin & Osborne, 2008; Hofstein et al., 2005) têm revelado que a promoção do verdadeiro espírito de questionamento dos alunos resulta numa melhoria da qualidade do ensino e, consequentemente, da qualidade da aprendizagem. Pela importância da promoção do questionamento dos alunos, a rejeição da participação oral na sala de aula tem vindo a preocupar a investigação em educação em Ciências, que sustenta a necessidade de reinventar estratégias de ensino, para que todos os alunos consigam esclarecer as suas dúvidas. A utilização de tecnologias online surge da tentativa de dar resposta a esta procura de nova estratégias. 1.2. Características dos fóruns online importantes na promoção do questionamento de estudantes Conscientes de que turmas excessivamente grandes, como habitualmente se encontram no ensino universitário, não são espaços de aprendizagem ideais e criam frequentemente obstáculos à intenção dos alunos de colocarem questões, poderão usar-se tecnologias online para envolver os alunos, proporcionando-lhes um espaço seguro onde possam expor as suas dúvidas (Colbert, Olson & Clough, 2007). Lonn, Teasle e Krumm (2011) alertam, todavia, que a utilização de ferramentas online per se não implica necessariamente que dela resulte aprendizagem. As ferramentas disponíveis no Moodle não são uma exceção. O Moodle é um AVA de que os professores dispõem, que inclui diversas ferramentas e funcionalidades programáveis que podem ser usadas de formas diversificadas para criar espaços eficazes de aprendizagem online. No entanto, a maioria dos professores que faz uso do Moodle utiliza-o, predominantemente, como um sistema de gestão de conteúdos (SGC) dando acesso aos seus alunos a fichas de trabalho, apresentações feitas na aula, grelhas de avaliação, ou outros documentos que também poderiam ser distribuídos presencialmente. Hamuy e Galaz (2010) salientam, todavia, que SGC são mais do que meros espaços onde se pode aceder, e disponibilizar, informação, pelo que a utilização preponderante que se faz deles é claramente insuficiente. Como os dois autores anteriores enfatizaram, se os professores têm o propósito de promover a aprendizagem dos seus alunos através de um SGC, então é essencial adoptarem uma estratégia geradora de interacções e comunicação entre os participantes. De acordo com Kakasevski, Mihajlov, Arsenovski e Chungurski (2008), quando os professores usam todas as ferramentas disponíveis no Moodle, tanto estes como os alunos acabam por ficar confundidos e os segundos não dispõem de tempo suficiente para se concentrarem no processo de aprendizagem (Kakasevski, Mihajlov, Arsenovski & Chungurski, 2008). As ferramentas disponíveis online que permitem uma comunicação assíncrona, como os fóruns, podem promover a reflexão dos alunos e dão-lhes tempo para formularem adequadamente qualquer dúvida que tenham. A dinamização de um fórum online no qual os alunos são encorajados a fazer perguntas relacionadas com os conteúdos da disciplina, apesar de exigir algum tempo de dedicação, auxilia muito os alunos nas suas aprendizagens e capta imediatamente a participação dos alunos (Colbert et al., 2007). Por este motivo, neste estudo os autores decidiram focar-se apenas em fóruns online. Como ponto de partida, um design de interface eficaz é uma característica crucial para uma utilização profícua de fóruns de discussão online (Nor, Hamat & Embi, 2012). Ser eficaz depende das circunstâncias, dos propósitos da utilização e do uso que é feito desses fóruns. Inicialmente os alunos devem ser informados dos objectivos de utilização do fórum. A natureza da tarefa proposta pelo professor pode resultar em diferentes comportamentos questionantes por parte dos alunos. À medida que a natureza da tarefa se torna mais aberta e requer maior número de justificações, é conferida aos alunos uma maior liberdade de questões que poderão colocar (Tan & Seah, 2011). Os facilitadores online devem consciencializar-se de que as más interpretações são mais frequentes em ambientes online do que em ambientes presenciais, uma vez que as ferramentas online geralmente não incluem interações não-verbais, como gestos, expressões faciais ou tons P A G E de voz (Calongne, 2002). Como cada estudante pode interpretar aquilo que lhe é pedido de diferentes formas, é importante definir os objectivos de cada tarefa o mais claramente possível (Calongne, 2002). Uma vez que as duas disciplinas em foco neste estudo são leccionadas em regime de blended learning, i.e. combinam ambientes presenciais com ambientes online, estes aspectos foram clarificados durante as aulas presenciais. Relativamente às discussões em ambientes presenciais, as discussões assíncronas online requerem geralmente mais tempo para se processarem, porque os participantes precisam de mais tempo para ler e refletir, preparar respostas e formulá-las sob a forma de um texto escrito (Wang & Woo, 2007). Entre as vantagens para os estudantes em terem mais tempo para construírem as suas aprendizagens está uma melhoria na retenção dos conteúdos aprendidos (Meyer, 2003). Apesar dos fóruns online não necessitarem da presença física dos participantes, é necessário que alunos e facilitadores, neste caso professores, revejam as discussões e respondam regularmente (Calongne, 2002; Chu, Hwang, Tsai & Chen, 2009). A gestão adequada do tempo é, pois, um requisito a que os professores devem obedecer. Como é pouco provável conseguirem prestar atenção permanentemente aos fóruns online, o sistema escolhido deve permitir configurar notificações automáticas, por exemplo via e-mail, por forma a captar a atenção do professor sempre que haja uma nova interação (Lin, Hsieh & Chuang, 2009). O Moodle permite esta configuração. Outra característica óbvia salientada por Colbert et al. (2007) é ser absolutamente necessário responder a todas as questões colocadas pelos alunos online. Responder-lhes, para além de respeitoso para os alunos, dá-lhes um incentivo para continuarem a usar os fóruns de discussão e, consequentemente, faz com que o tempo de dedicação dos professores para lhes responderem seja compensado. O facilitador deve ainda monitorizar a discussão periodicamente por forma a manter a qualidade da discussão (Lin et al., 2009). Conscientes de que os alunos raramente colocam questões relacionadas com os conteúdos da disciplina em turmas com muitos alunos, Colbert et al. (2007) estudaram a utilização de um fórum de discussão online como um mecanismo de encorajar as questões formuladas pelos alunos relacionadas com conteúdos de uma disciplina geral de biologia, atribuindo um crédito extra aos alunos que usassem os fóruns online para colocarem pelo menos 4 ou 5 questões relevantes durante cada semestre. No início de cada semestre do estudo de Colbert et al. (2007) foi explicado aos alunos o que eram questões relevantes e os critérios de avaliação a usar pelo professor foram detalhados. No presente estudo foi feita uma explanação semelhante na primeira aula do semestre. 2. UTILIZAÇÃO DE FORUNS ONLINE PARA A PROMOÇÃO DO QUESTIONAMENTO DE ESTUDANTES 2.1. O contexto: Duas disciplinas de Química do 1º ano Universitário Criaram-se e dinamizaram-se dois fóruns usados por estudantes universitários do 1º ano, durante dois semestres consecutivos, na Universidade de Aveiro (Portugal). Os fóruns foram desenvolvidos no 1º semestre, na disciplina de Elementos de Química Física (EQF), e no 2º semestre na disciplina de Química Geral (QG). Em cada uma destas disciplinas foram combinadas aulas tradicionais (teóricas, laboratoriais e aulas de orientação tutorial) e interações online mediadas pelo Moodle. 2.2. Fóruns criados e dinamizados online Os dois fóruns criados foram “Perguntas e Respostas sobre Conteúdos de Química” e “Desafios”. O primeiro foi criado com o objectivo de encorajar e facilitar as perguntas feitas por alunos. Os alunos podiam usar o fórum para colocar, ao docente, questões que estivessem relacionadas com os conteúdos abordados nas aulas teóricas ou nas aulas laboratoriais. Eram igualmente bem recebidas questões relacionadas com fenómenos do quotidiano passíveis de serem explicadas com base em conceitos Químicos. Todas as perguntas, e respectivas respostas, foram mantidas visíveis online para todos os alunos inscritos nas disciplinas. O segundo fórum online, “Desafios”, foi planeado para incentivar perguntas dos alunos e dar espaço para P A G E sugestões de possíveis explicações para fenómenos específicos propostos pelo docente. Todos os fenómenos eram baseados em problemas inspirados em situações do quotidiano com impacto social, ecológico ou tecnológico na sociedade. 3. PERSPECTIVAS DOS ESTUDANTES SOBRE A EFICÁCIA DOS FÓRUNS PARA PROMOVER O SEU QUESTIONAMENTO Apesar das perspectivas dos alunos estarem frequentemente ausentes da maioria das investigações académicas e das práticas educativas (McMahon & Zyngier, 2009), prestar-lhes atenção e compreendê-las é importante para robustecer investigações futuras e abordagens pedagógicas. Esta ideia também é sublinhada por Fielding (2001), que defende que é importante envolver os alunos nas suas aprendizagens e dar-lhes liberdade para expressarem os factores que os motivam a aprender um determinado conteúdo. Para este estudo consideraram-se as perspectivas de quarto estudantes sobre a eficácia da utilização dos fóruns de discussão do Moodle para a promoção do seu questionamento, que emergiram de entrevistas e focus groups conduzidos com esses alunos. Relativamente aos critérios de seleção, e tendo em conta que as entrevistas e os focus groups foram realizados durante o 2º semestre, selecionaram-se os alunos de acordo com a avaliação obtida no 1º semestre. Foram escolhidos quatro dos alunos com melhores classificações, que tivessem assistido à primeira aula do ano, durante a qual foram detalhadamente apresentados os benefícios do questionamento. Foi, ainda, tido em conta o equilíbrio de géneros. Desta seleção resultaram 2 alunos e 2 alunas, dos mais bem sucedidos academicamente. Das perspectivas dos alunos face às estratégias implementadas emergiram 8 opiniões comuns, sistematizadas na Tabela 1. Cada um destes aspectos é exemplificado com extractos das entrevistas e focus groups e posteriormente discutidos. Tabela 1. Perspetivas comuns manifestadas pelos alunos relativamente à eficácia dos foruns online 4. DISCUSSÃO Se julgarmos a eficácia da utilização dos fóruns para incentivar o questionamento de alunos pelo número de perguntas formuladas, podemos considerar que nenhum dos fóruns foi particularmente bem sucedido. Os estudantes não colocaram muitas questões nas aulas e colocaram ainda menos através dos fóruns. Como resultado deste estudo emerge que a forma como os fóruns do Moodle foram criados e implementados necessita de ser melhorada para incentivar o questionamento dos estudantes. As percepções dos estudantes, bem como as suas sugestões deverão ser tidas em consideração em estudos futuros. O maior tempo de resposta do Moodle destacado pelos alunos seria um aspecto passível de ser ultrapassado, se se garantisse a presença permanente de um docente online para responder o mais rapidamente possível às questões formuladas pelos alunos. Obviamente, esta situação conduziria à necessidade de um maior tempo de dedicação dos docentes. A forma como os fóruns foram implementados não permitiu que os alunos pudessem clarificar P A G E instantaneamente qualquer aspecto da resposta do professor que não tivesse ficado inicialmente clara. Pelo contrário, quando recebiam uma resposta oral, poderiam colocar mais perguntas. Por vezes, uma resposta do professor pode não ser suficientemente esclarecedora para algum aluno, surgindo outras perguntas, o que pode resultar numa série de perguntas subsequentes. Um professor permanentemente online também poderia ajudar a solucionar este constrangimento. No que concerne à rejeição de visibilidade perante a turma, quando um estudante colocava uma questão através do Moodle, todos os outros alunos inscritos na disciplina receberiam um e-mail com a respectiva pergunta e a identificação do autor. Yu e Liu (2009) já tinham verificado que é importante criar um AVA psicologicamente seguro para alunos envolvidos em atividades relacionadas com a formulação de perguntas. Poder-se-á deduzir que, como a identidade dos alunos era revelada, os alunos interpretavam o Moodle como um AVA psicologicamente inseguro. Como um dos objectivos iniciais da implementação dos fóruns era promover discussões construtivas entre os alunos sobre conteúdos da disciplina, era importante que os estudantes conseguissem ver aquilo que os colegas iam escrevendo, por forma a poderem interagir entre si. Na tentativa de ultrapassar o constrangimento psicológico, considerou-se a possibilidade de tornar a identidade dos alunos visível para o professor, mas invisível para os outros alunos, mantendo as questões formuladas visíveis para todos. Contudo, o departamento informático da universidade garantiu que esta adaptação é impossível de fazer nos fóruns do Moodle. Como manifestado pelos entrevistados, as notificações automáticas enviadas regularmente para os e-mails dos alunos com todas as novas interações no Moodle mantêm-nos atentos aos comentários dos colegas. Muitos dos alunos assumiram mesmo acompanhar as novas interações apenas através das notificações que eram enviadas para os seus e-mails. Esta definição de envio de notificações automáticas é, por isso, um aspecto a manter em estudos futuros. Falta de competências técnicas para interagir com o Moodle não constituiu um problema para a maioria dos alunos. Mesmo assim, houve um aluno que admitiu ter sentido algumas dificuldades em lidar com este AVA, pelo que em estudos futuros é de manter uma breve explicação sobre a utilização do Moodle na primeira aula teórica da disciplina. Outra opinião comum entre os alunos entrevistados foi que se os professores colocassem regularmente no Moodle novas atividades ou documentos, como fichas de exercícios, suportes digitais das apresentações feitas nas aulas, pautas de avaliação, os alunos seriam obrigados a consultá-lo regularmente, acabariam por interagir mais online e, consequentemente, também participariam mais nos fóruns de discussão e colocariam mais questões através deles. Verificou-se que é necessário incitar mais o envolvimento dos alunos para conseguir aumentar a sua participação no Moodle. Se os estudantes efetivamente participarem mais nos fóruns quando também tiverem que descarregar materiais através do Moodle ao longo do semestre, os professores podem reformular a forma como disponibilizam os materiais aos alunos, passando a disponibilizá-la online. Relativamente à percepção de que o Moodle é vantajoso para os alunos obterem uma resposta sucinta para as suas perguntas, se todos os alunos percebessem a eficiência dos fóruns do Moodle para conseguirem uma resposta precisa e bem organizada, formulada e registada por escrito pelo professor, de uma forma rápida e sem terem que cruzar a resposta com outras fontes de informação, com certeza reconheceriam a sua utilidade e passariam a usar os fóruns online mais vezes para colocarem as suas questões. Por este motivo, em estudos futuros estas vantagens devem ser enfatizadas logo na primeira aula. No que respeita à participação online não ser considerada para efeitos de avaliação, à semelhança de Colbert et al. (2007), antes da implementação dos fóruns considerou-se atribuir um bónus a somar à nota de avaliação final dos alunos, consoante a sua participação no fórum. Previu-se, contudo, que tal incentivo resultaria num aumento acentuado do número de questões de baixo nível cognitivo, em vez de incrementar o nível cognitivo das questões levantadas. Como o foco deste estudo foi, sobretudo, aumentar a qualidade das questões formuladas pelos alunos, e se possível aumentar também o número deste tipo questões, esta ideia de atribuir um bónus na avaliação foi rejeitada. Recomenda-se, porém, que estudos futuros que considerem as questões formuladas por alunos em fóruns de discussão online tenham particular atenção aos critérios de seleção das questões efetivamente relevantes e que esses critérios sejam claramente divulgados aos alunos. P A G E O incentivo ao questionamento dos alunos em ambientes de aprendizagem assíncronos está agora a começar a dar os primeiros passos. Os estudantes não estão habituados a colocar questões aos professores através de fóruns online e ainda estão a tentar situar-se nestes novos AVA. Se por um lado não podem ser tão informais como em normais fóruns de discussão online, por outro espera-se que sejam suficientemente confiantes para colocarem as suas dúvidas. Por sua vez, os professores também devem repensar as suas práticas e estratégias de ensino para integrarem a imensidão de novas ferramentas online que surgem todos os dias e para as usarem para melhorarem as aprendizagens dos seus alunos. 5. AGRADECIMENTOS Os autores agradecem o apoio financeiro da Fundação para a Ciência e Tecnologia, Portugal – SFRH/BD/74511/2010. 6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Almeida, P., Teixeira-Dias, J. J., & Martinho, M. (2010). Teaching and Learning Chemistry: a new approach at the University of Aveiro, in Portugal. In N. Popov, C. Wolhuter, B. Leutwyler, M. Mihova & J. 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