A GESTÃO PARA RESULTADOS COMO FERRAMENTA ADMINISTRATIVA NAS ORGANIZAÇÕES DO TERCEIRO SETOR Banca Examinadora Prof. Orientador Luiz Carlos Merege Prof. Marilson Alves Gonçalves Prof. Peter Kevin Spink À Juliana e Ana Thereza, pelo amor, estímulo e paciência Aos meus pais, pelos valores e educação À Sra. Nena e ao Sr. Galves, pelo exemplo de solidariedade FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS ESCOLA DE ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS DE SÃO PAULO LUIZ RODOVIL ROSSI JR. A GESTÃO PARA RESULTADOS COMO FERRAMENTA ADMINISTRATIVA NAS ORGANIZAÇÕES DO TERCEIRO SETOR Dissertação apresentada ao Curso MBA da FGV/EAESP Área de Concentração : Organização, Recursos Humanos e Planejamento, como requisito para obtenção de título de Mestre em Administração. Orientador : Prof. Dr. Luiz Carlos Merege SÃO PAULO 1998 ROSSI Jr., Luiz Rodovil. A Gestão para Resultados como Ferramenta Administrativa nas Organizações do Terceiro Setor: São Paulo: EAESP/FGV, 1998. 73p. ( Dissertação de Mestrado apresentada ao curso de Master in Business Administration da Escola de Administração de Empresas de São Paulo, Fundação Getúlio Vargas, Área de Concentração: Organização, Recursos Humanos e Planejamento) Resumo: Trata de apresentar a gestão para resultados como ferramenta administrativa na aplicação do planejamento estratégico na organização do terceiro setor. Parte da premissa que o desempenho de uma organização que não visa o lucro só poderá ser otimizado e apresentado corretamente através de objetivos claros vinculados à missão e com a elaboração e o monitoramento de metas e indicadores de desempenho quantificáveis que levantem informações que sirvam de referência para planos de ação. Palavras-Chaves: Terceiro setor; planejamento estratégico; gestão para resultados; eficiência e eficácia; missão, objetivos estratégicos, planejamento de metas e monitoramento de indicadores de desempenho. ÍNDICE Introdução.......................................................................................... 01 Primeira Parte : Terceiro Setor......................................................... 05 1. Significado....................................................................................... 06 2. Motivos de crescimento.................................................................... 08 2.1 Parceiro do Estado............................................................... 10 2.2 Parceiro de empresas.......................................................... 12 2.3 Promotor de empregos......................................................... 14 2.4 Promotor da cidadania, valores e satisfação pessoal............ 18 Segunda Parte : Resultados como Veículo para a Credibilidade... 22 Terceira Parte : Gestão para Resultados.......................................... 36 1. Planejamento, ação e controle......................................................... 37 2. A ferramenta administrativa de gestão para resultados..................... 39 2.1. Missão................................................................................ 41 2.2. Diagnóstico do ambiente..................................................... 45 2.3. Objetivos estratégicos......................................................... 46 2.4. Indicadores de desempenho............................................... 48 2.5. Metas de desempenho........................................................ 51 2.6. Monitoramento do desempenho.......................................... 53 2.7. Planos de ação................................................................... 54 3. Exemplo de aplicação...................................................................... 56 Considerações Finais........................................................................ 62 Bibliografia........................................................................................ 66 Anexos............................................................................................... 73 AGRADECIMENTOS Almir Pereira Júnior, Antonio Jacinto Caleiro Palma, Clovis Bueno de Azevedo, Ines Pereira, Liane Marcondes, Maria Célia Cruz, Maria Rita Loureiro Durand, Mário Aquino Alves, Marilson Alves Gonçalves, Peter Spink e Rebeca Raposo pelos ensinamentos. Faezeh Shaikhzadeh Santos, João Roncati, Marcos Kisil, Oded Grajew Roberto Galassi Amaral pela atenção e auxílio. Luiz Carlos Merege, pelos ensinamentos e orientação. e Qualquer coisa que você possa fazer ou sonhar, comece. A ousadia contém genialidade, poder e mágica. Goethe INTRODUÇÃO 1 Cresce a confiança depositada nas organizações de um setor em constante e forte expansão no Brasil e no mundo: o chamado terceiro setor. Neste setor as organizações são privadas e sem fins lucrativos e complementam as iniciativas do setor governamental e do setor privado no atendimento de diversas necessidades da sociedade e na formação de um sistema econômico mais justo e democrático. Nestas organizações se encontram, em sua grande maioria, os indivíduos que valorizam o ser humano de uma maneira intensa e que estão inconformados com as desigualdades sociais e econômicas que a lógica da economia de mercado acaba ignorando, e que o Estado do bem-estar social se mostrou incapaz de resolver. O crescimento da consciência comunitária encontra, nestas organizações, um ambiente favorável a sua aplicabilidade. Os valores predominantes, bastante adequados para o desenvolvimento dos que trabalham nestas organizações, são: democracia, transparência, coletividade, flexibilidade e criatividade. As organizações do terceiro setor conseguem, pela qualidade intrínseca de sua missão, motivar e comprometer seus colaboradores, facilitando a criação de um ambiente participativo e recompensador. Quem nelas trabalha sabe que está construindo sua felicidade pessoal e social e que lá existe uma via de mão dupla onde quem ajuda está se ajudando. A busca da eficiência e eficácia no atendimento da missão das organizações do terceiro setor é o principal escopo deste trabalho. Estas organizações, que 2 não têm o lucro como objetivo, tendem a não dar prioridade ao desempenho e aos resultados, além destes serem difíceis de medir e controlar. A crescente consciência por parte das organizações do terceiro setor da necessidade de demonstrar resultados para todas as partes interessadas, os stakeholders, aliada a uma maior competição por recursos nem sempre facilmente disponíveis, propiciou uma abertura cada vez maior nestas organizações para a utilização de métodos administrativos profissionais, habitualmente utilizados no setor privado ou mesmo público. A gestão para resultados é a ferramenta administrativa apropriada para um gerenciamento focado em resultados, que une a missão aos planos de ação que fazem parte do dia a dia da organização, e que também serve como importante instrumento de comunicação do desempenho tanto interna como externamente. A gestão para resultados já é utilizada no setor privado e é especialmente útil para as organizações do setor público e do terceiro setor, que normalmente carecem de indicadores quantitativos para justificar com resultados mensuráveis a sua atuação. A primeira parte deste trabalho define o terceiro setor e apresenta através de informações coletadas em seminários, livros, e artigos de jornais e revistas, os principais motivos de seu crescimento: a parceria com os setores público e privado e a constatação do potencial das organizações da sociedade civil em gerar empregos e em promover a cidadania, valores e a satisfação pessoal. 3 A segunda parte é a apresentação de entrevistas com importantes dirigentes de organizações do terceiro setor que confirmam a importância fundamental de apresentar resultados como veículo para a credibilidade das organizações do terceiro setor, ao mesmo tempo que validam a gestão para resultados como uma ferramenta administrativa adequada para este fim. A terceira parte apresenta a ferramenta de gestão para resultados. Inicialmente é destacada a importância do ciclo planejamento, ação e controle estar implantado na organização que pretende ser eficiente e eficaz. A seguir, é explicada a ferramenta administrativa “gestão para resultados” e todas as etapas necessária para sua implantação: declaração da missão, diagnóstico do ambiente, definição dos objetivos estratégicos, desenvolvimento dos indicadores, determinação das metas de desempenho com o uso de referenciais, monitoramento dos indicadores de desempenho e a prática e o acompanhamento dos planos de ação. A terceira parte é concluída com um exemplo de aplicação da ferramenta gestão para resultados e, por fim, são apresentadas as considerações finais. 4 PRIMEIRA PARTE TERCEIRO SETOR 5 1. Significado O terceiro setor compreende as organizações sociais que não são nem estatais nem privadas, ou seja, mesmo sendo privadas não visam o lucro e, por outro lado, mesmo sendo motivadas por objetivos sociais, não são estatais. Estas organizações da sociedade civil abrangem as fundações, institutos, organizações não governamentais, organizações ambientalistas, associações de bairro, cooperativas, entidades assistenciais e instituições religiosas de assistência. Gilberto Dimenstein no livro “Aprendiz do futuro: cidadania hoje e amanhã”, define assim o terceiro setor: “O conjunto de atividades das organizações da sociedade civil, portanto das organizações criadas por iniciativas privadas de cidadãos, com o objetivo de prestação de serviços ao público ( saúde, educação, cultura, habitação, direitos civis, desenvolvimento do ser humano, proteção do meio ambiente). Alardeado como um novo setor da economia na mais franca expansão, pode ser o equilíbrio buscado entre as atividades capitalistas - por gerar empregos - e as de assistência social - por não ter o lucro como meta principal, mas o bem-estar da sociedade, neste problemático final de milênio para as economias tradicionais”. O que principalmente agrupa estas organizações em um setor é serem iniciadas e administradas por indivíduos que acreditam que mudanças são necessárias e que eles mesmos podem fazer alguma coisa para que estas mudanças aconteçam. 6 No livro “Privado porém público: o terceiro setor na América Latina”, Rubem César Fernandes coloca como razão de ser das organizações do terceiro setor o exercício e a promoção aos valores que ultrapassam a utilidade, enquanto um fim em si mesmos: “Palavras como gratidão, lealdade, caridade, amor, compaixão, responsabilidade, solidariedade, verdade, beleza, etc. são moedas de troca correntes que alimentam o patrimônio do setor. Quanto mais sonoras e convincentes forem, maiores recursos advirão para as atividades que o compõem. Sua existência oferece um índice de vitalidade social de valores morais, estéticos e religiosos”. No mesmo livro, Dr. Marcos Kisil, diretor regional para a América Latina e Caribe da W. K. Kellogg Foundation, menciona as seguintes características para analisar as organizações do terceiro setor, quando comparadas com outros tipos de organizações: “Elas não têm fins lucrativos, são formadas, total ou parcialmente, por cidadãos que se organizam de maneira voluntária, o corpo técnico normalmente resulta de profissionais que geralmente se ligam à organização por razões filosóficas e tem um forte compromisso com o desenvolvimento social, são organizações voltadas para a ação, são flexíveis, inovadoras, rápidas e próximas às comunidades locais, e geralmente fazem um papel intermediário: ligam o cidadão comum com entidades e organizações que podem participar da solução de problemas identificados”. 2. Motivos do crescimento 7 Nos últimos anos percebemos um despertar no Brasil para os benefícios de um terceiro setor fortalecido. Os seminários, cursos, livros e artigos na mídia impressa tem se multiplicado e partem de entusiastas de todos os setores da economia, que independente de suas ideologias, promovem o crescimento do terceiro setor. Em pesquisa para mensurar o tamanho do terceiro setor no Brasil, coordenada por Leilah Landim do ISER - Instituto de Estudos da Religião em conjunto com a Universidade John Hopkins dos Estados Unidos, é constatado um crescimento da mão-de-obra ocupada pelas organizações não governamentais no Brasil entre 1991 e 1995 de 45,16%. Este número se torna ainda mais relevante se compararmos com o crescimento no mesmo período de 9,76% no setor público e 27,09% no setor privado. O potencial de crescimento é percebido com a verificação que no Brasil o terceiro setor ainda representa 8,8% de toda atividade social enquanto que nos Estados Unidos é 33%, na Inglaterra 34% e na França 30%. Nos Estados Unidos existem 32 mil fundações com patrimônio aproximado de US$ 32 bilhões, distribuindo anualmente cerca de US$ 8,3 bilhões em verbas. Lá as contribuições individuais superam os US$ 100 bilhões anuais e respondem por 90 % dos fundos doados às entidades. A estes valores adiciona-se ainda o valor das horas de contribuições voluntárias que esta calculado em US$ 176 bilhões. Uma pesquisa realizada com a coordenação da John Hopkins University apresentou dados do terceiro setor para sete países: Estados Unidos, Japão, 8 reino Unido, Alemanha, França, Itália e Hungria. Esta pesquisa aponta que o terceiro setor movimenta anualmente US$ 340 bilhões nos Estados Unidos, US$94 bilhões no Japão, US$ 21 bilhões na Itália, US$ 4 bilhões na Hungria e cerca de US$ 40 bilhões na Alemanha, no Reino Unido e na França. O terceiro setor gera nestas economias emprego remunerado para cerca de 12 milhões de pessoas sendo que 7 milhões só nos Estados Unidos. São várias as razões para o crescimento: • reconhecimento pelo Estado da necessidade de fazer parcerias com organizações da sociedade civil para o atendimento das diversas carências da sociedade; • reconhecimento por parte das empresas privadas da necessidade e vantagens em mostrar sensibilidade aos problemas sociais; • reconhecimento do potencial de absorção por parte das organizações da sociedade civil de mão de obra dispensada pelo Estado e pela iniciativa privada; • percepção da maior satisfação e realização pessoal dos que trabalham nas organizações da sociedade civil e da capacidade elevada destas organizações em promover a cidadania e os valores éticos. Estes motivos de crescimento do terceiro setor foram identificados em diversos congressos, seminários, livros e artigos de jornais e revistas. 2.1 Parceiro do Estado 9 O crescimento do terceiro setor acontece principalmente pela evidente incapacidade atual do Estado em suprir as necessidades da sociedade. A tendência é que a reforma do Estado e a conseqüente diminuição de seu tamanho, como solução para seu enorme déficit, abra caminho a uma parceria cada vez maior com o terceiro setor no atendimento da sociedade. Luiz Carlos Bresser Pereira, ministro da Administração Federal e Reforma do Estado e professor da Fundação Getúlio Vargas, em artigo no jornal Folha de São Paulo, prevê: “O século 21 será o século da propriedade pública nãoestatal, uma forma de defesa dos direitos sociais mais eficiente, porque mais competitiva e flexível ( a burocracia estatal é, por definição, monopolista), e mais democrática, porque diretamente submetida ao controle social. O Estado que está surgindo da crise garantirá os direitos sociais ao financiar as organizações públicas não-estatais. Dessa forma, continuará a ser um Estado social, mas deixará de ser um estado burocrático”. Como parte do projeto de reforma do Estado encaminhado pelo ministro Bresser Pereira foram criadas as Organizações Sociais. Elas são uma forma de organização pública não-estatal constituídas pelas associações civis sem fins lucrativos destinada a absorver atividades publicizáveis mediante qualificação específica. Publicização é um movimento em direção ao terceiro setor no sentido de responsabilizá-lo, através de um contrato de gestão, pela execução de serviços que não envolvem o exercício do poder de Estado, mas devem ser subsidiados pelo Estado, como é o caso dos serviços de educação, saúde, 10 cultura e pesquisa científica. É portanto uma parceria entre Estado e sociedade para seu financiamento e controle. O modelo institucional das organizações sociais apresenta vantagens claras sobre as organizações estatais atualmente responsáveis pela execução de atividades não-exclusivas. Do ponto de vista da gestão de recursos, as organizações sociais não estão sujeitas às normas que regulam a gestão de recursos humanos, orçamento e finanças, compras e contratos na administração pública. Há portanto ganhos significativos de agilidade e qualidade na seleção, contratação, manutenção e desligamento de funcionários, e nas aquisições de bens e serviços. A avaliação da gestão de uma organização social se dá mediante o cumprimento de metas estabelecidas no contrato de gestão, ao passo que nas entidades estatais o que predomina é o controle dos meios. O ministro do trabalho Edward Amadeo, em artigo “Cresce a importância das ONG” no jornal Gazeta Mercantil sobre o seminário “A contribuição do terceiro setor para o desenvolvimento sustentado do País”, destaca o crescimento e a importância das organizações sociais e sem fins lucrativos à medida que se reconhece a impossibilidade do setor público e privado de suprirem as necessidades sociais. Para ele as metas sociais do governo incluem a busca da ação integrada, a descentralização do governo federal e a interação entre a sociedade e o Estado. A primeira dama Ruth Cardoso, no livro “3º Setor: desenvolvimento social sustentado”, organizado por Evelyn Ioschpe, mostra sua convicção que o 11 conceito de terceiro setor descreve um espaço de participação e experimentação de novos modos de pensar e agir sobre a realidade social. Ela reconhece que a ação do terceiro setor no enfrentamento de questões diagnosticadas pela própria sociedade, oferece modelos de trabalho que representam modos mais eficazes de resolver problemas sociais: “A grande contribuição do terceiro setor, é a busca e experimentação, ainda que em pequena escala, de soluções inovadoras para os problemas que ele se propõe a enfrentar. As organizações da sociedade civil ganharam uma competência no modo de se relacionar e intervir junto a grupos sociais específicos. Para serem bem sucedidas, iniciativas voltadas para estes grupos mais frágeis e vulneráveis requerem regras e modos de atuação que só se constróem através da ação e experimentação”. Foi a crença na existência, relevância e potencialidade de um terceiro setor, não-lucrativo e não-governamental, que inspirou o desenho do programa que Ruth Cardoso coordena através do Conselho da Comunidade Solidária. 2.2 Parceiro de empresas O professor Luiz Carlos Merege, economista, professor titular da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo e coordenador do CETS, Centro de Estudos do Terceiro Setor da FGV, em artigo “O terceiro setor e a nova ética empresarial” na Revista da Indústria da FIESP - Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, destaca também a importância crescente que será dada no julgamento das 12 empresas ao balanço social, e não só aos seus resultados econômicos- financeiros. O balanço social já faz parte da campanha publicitária de algumas empresas que tem se engajado em causas sociais ou ambientais. A tendência é que esta conduta tenha um efeito multiplicador a partir do reconhecimento da sociedade, do serviço público que estas empresas estão cumprindo. Oded Grajew, empresário e coordenador geral da Cives, Associação Brasileira de Empresários pela Cidadania, em artigo da revista Caros Amigos, cita uma publicação americana, “Melhores Empresas para Você Trabalhar”, que será feita também no Brasil, que indica as empresas que tem responsabilidade social. Esta indicação acaba influenciando a escolha dos formandos talentosos na busca de emprego e ainda: “Muitos fundos de investimento hoje só tem ações de empresas consideradas responsáveis. São as que tem critério, pensam no meio ambiente, tem auditoria social etc. E as pessoas só colocam seus recursos nelas por causas desses valores sociais. As empresas se interessam em ser socialmente responsáveis. Porque dá mais lucro”. Stephen Kanitz, professor e consultor, criador do prêmio “Bem Eficiente”, em artigo “Capitalismo beneficente”, na revista Veja, fala da necessidade de aprimorar o capitalismo para que ele produza bens e serviços de que as pessoas precisam. A este respeito acredita que alguns empresário estão indo para esta direção: “Estão gastando tempo, recursos organizacionais e dinheiro em atividades beneficentes e filantrópicas simplesmente porque 13 acreditam que as empresas precisam produzir também bens que a sociedade quer”. 2.3 Promotor de empregos O professor Luiz Carlos Merege em artigo na revista Isto É, além de ressalvar a importância do apoio mútuo entre os setores público, privado e terceiro setor, aponta o crescimento deste último: “Um fenômeno está mudando a cara do capitalismo. Trata-se da formalização de um setor que até recentemente permaneceu sem identidade. Além de ganhar visibilidade, este setor quando mensurado em termos econômicos, tem causado surpresas aos estudiosos. A sua participação no PIB e o seu peso no mercado de trabalho são bastantes significativos. O que mais chama a atenção é que enquanto no Estado e no setor privado o emprego vem minguando em todos países, o crescimento do emprego nesse setor é um fato que gera esperança na nossa era de exclusão social”. O economista americano Jeremy Rifkin, autor de mais de uma dúzia de livros sobre tendências econômicas e questões relacionadas à ciência, tecnologia e cultura, apresenta em seu livro “O fim dos empregos” a sua visão sobre a importância do terceiro setor na geração de empregos no futuro próximo: “Até agora, o mundo tem estado tão preocupado com o funcionamento da economia de mercado que a idéia de dar mais atenção à economia social tem sido pouco considerada, tanto pelo público quanto pela política governamental. Isto deve mudar nos próximos anos, quando ficar cada vez mais claro que um terceiro setor transformado oferece a única arena viável para canalizar de modo construtivo a mão-de-obra excedente, descartada 14 pelo mercado global. A globalização do setor de mercado e a diminuição do papel do setor governamental significarão que as pessoas serão forçadas a se organizarem em comunidades de interesses próprios para garantirem seu próprio futuro. O sucesso da transição para uma era pós-mercado dependerá em grande parte da capacidade de um eleitorado motivado, trabalhando em coalizões e movimentos, para transferir efetivamente, tanto quanto possível, os ganhos de produtividade do setor de mercado para o terceiro setor, para fortalecer os vínculos comunitários e as infra-estruturas locais. Apenas com a construção de comunidades locais fortes e auto-sustentadas as pessoas em todos os países serão capazes de resistir às forças do deslocamento tecnológico e da globalização do mercado que ameaçam o sustento e a sobrevivência de grande parte da família humana”. No seminário internacional Sociedade e Reforma do Estado, promovido pelo Ministério da Administração e Reforma do Estado, houve um consenso entre os especialistas e expositores que a participação da sociedade civil na reforma do Estado deve ser valorizada e reforçada. Um dos palestrantes, Claus Offe, sociólogo alemão, professor da Universidade Humboldt, em Berlim, aponta que as ideologias acabaram e, que as entidades comunitárias como as organizações não governamentais e as igrejas, vão formar ao lado do estado e do mercado, uma nova ordem social. Em entrevista para a revista Veja ele diz: “Os problemas de um país não vão ser resolvidos apenas pela ação do Estado ou do mercado. É preciso um novo pacto, que ressalve o dever do Estado de dar condições básicas de cidadania, garanta a liberdade do mercado e da competição econômica e, para evitar o conflito entre estes 15 dois interesses, permita a influência de entidades comunitárias. As organizações não governamentais atuam como uma válvula de escape nas deficiências do Estado e do mercado. É a entidade de direitos civis que vai defender os interesses dos cidadãos junto à Justiça e ao Congresso. É a solidariedade de uma organização religiosa que vai ajudar muitos desempregados excluídos pelo mercado”. Peter Drucker em “Sociedade pós-capitalista”, relata que as organizações sem fins lucrativos tornaram-se as maiores empregadoras dos Estados Unidos. Um em cada dois adultos americanos, cerca de 90 milhões de pessoas ao todo, trabalha pelo menos três horas por semana como pessoal não remunerado, isto é como voluntário, para uma organização sem fins lucrativos, para igrejas e hospitais, para agências de serviços de saúde, para serviços comunitários, para serviços de reabilitação, para abrigos de pessoas maltratadas e para serviços de tutela em escolas nas áreas centrais das cidades. Ele prevê que no ano 2000 o número dessas pessoas que trabalham sem remuneração deverá chegar a 120 milhões, e suas horas médias de trabalho a cinco por semana. Para ele a principal razão para esse crescimento na participação de voluntários nos Estados Unidos não é o aumento da necessidade, mas a busca por parte dos voluntários de compromisso e contribuição. Destaca ainda que a sociedade pós-capitalista e a forma de governo pós- capitalista exigem um novo setor social, tanto para satisfazer as necessidades sociais como para restaurar um senso significativo de cidadania e comunidade. Lembra que o governo tem conseguido muito pouco como 16 executor nesta esfera e que as ações não-governamentais de organizações comunitárias autônomas produziram ótimos resultados: “A primeira conclusão a ser tirada é que o governo deve deixar de ser um executor e gerente na esfera social e limitar-se a definir a política. Isto significa que na esfera social, assim como na econômica, existe a necessidade de terceirizar. O governo é o maior empregador de trabalhadores em serviços, mas seus funcionários são os menos produtivos. E enquanto eles forem funcionários públicos, sua produtividade não poderá subir. Uma repartição pública age necessariamente como uma burocracia. Ela precisa subordinar a produtividade a regras e regulamentos. Precisa focalizar os formulários adequados ao invés dos resultados, caso contrário em pouco tempo ela se transforma numa quadrilha de ladrões. Portanto, o incentivo às organizações comunitárias autônomas no setor social é um passo importante na reformulação do governo para que este recupere seu desempenho. Mas a maior contribuição que essas organizações podem dar é como novos centros de cidadania. O megaestado praticamente destruiu a cidadania. Para restaurá-la, o governo pós-capitalista precisa de um terceiro setor em adição aos dois já conhecidos”. 2.4 Promotor da cidadania, valores e satisfação pessoal José Mindlin, empresário e membro do conselho da Fundação Vitae, em artigo na Folha de São Paulo, “Filantropia, exercício de cidadania”, considera o apoio financeiro privado à cultura, à educação e a programas sociais uma obrigação social e acrescenta : “Aliás a contribuição da sociedade não se deve limitar ao suprimento de recursos financeiros. É da maior importância 17 que haja também uma participação pessoal nas iniciativas financiadas. Nos EUA, essa participação, que se traduz por tempo dedicado às atividades filantrópicas - tempo que representa um valor - , é equivalente e, por vezes, até mesmo maior do que a contribuição financeira. Criou-se lá, e felizmente começou a surgir aqui, mas em escala ainda insuficiente, o que vem sendo chamado de terceiro setor. Temos pela frente como vê, um grande desafio, mas inegavelmente um desafio estimulante. Como membro do conselho da Vitae, uma das muitas instituições filantrópicas que existe entre nós, posso confirmar a satisfação que essa atividade proporciona”. Oded Grajew, empresário e coordenador geral da Cives, Associação Brasileira de Empresários pela Cidadania em artigo na Folha de São Paulo, “Educação para a cidadania” preocupado com o grau de alienação dos jovens: “No Brasil, o país campeão mundial de desigualdade social, os filhos de famílias mais privilegiadas acabam se afastando dos problemas da comunidade, isolados no gueto da escola, do transporte e da segurança privados, cercados pelos muros dos condomínios fechados. O serviço comunitário oferece ao jovem a oportunidade de romper o isolamento, de conhecer e se identificar com o lugar onde vive e com as pessoas que moram na localidade. Os jovens que prestam serviços comunitários aumentam seu senso de responsabilidade e solidariedade e descobrem novo sentido às suas vidas. Adquirem conhecimentos para trabalhar no terceiro setor e ampliar programas e número de organizações sociais”. 18 Oded Grajew em outro artigo da Folha de São Paulo, “ONGs, um passo adiante”, fala também da satisfação do trabalho nas organizações do terceiro setor:“A cada dia surgem novas organizações e empresas engajadas em empreendimentos sociais. Estar envolvido com o trabalho das organizações sociais dá um sentido à vida e traz muita gratificação. Sabemos estar contribuindo para aliviar as carências de muitas pessoas, famílias e comunidades”. No livro “Reiventando o Governo” de David Osborne e Ted Gaebler, é feita uma análise das forças e fraquezas na prestação de serviços à sociedade de cada um dos setores privado, público e terceiro setor. O autor aponta que o terceiro setor é o melhor quando se trata de implementar normas morais e reforçar a responsabilidade individual pela conduta já que suas organizações existem tipicamente para cumprir uma missão e quase sempre têm um forte sentido dos valores e o desejo de respeitá-los na prática. Os quadros a seguir foram extraídos do livro citado acima e permite uma visão ampla do perfil dos setores público, privado e do terceiro setor: QUALIDADES DESEJADAS NOS PRESTADORES DE SERVIÇOS AO PÚBLICO ( A = existente em alto grau ) ( B = existente em baixo grau ) ( M = existente em grau moderado) Setor Setor Terceiro Público Privado Setor 19 Qualidades do setor público: Estabilidade A B M A B M A M B mudanças rápidas B A M Capacidade de inovar M A M Tendência a repetir o sucesso B A M obsoleto ou mal sucedido B A M Capacidade de assumir riscos B A M Capacidade de gerar capital M A B Habilitação profissional M A M Utilização das economias de escala M A B populações diferenciadas B M A Compaixão e comprometimento M B A Abordagem holística dos problemas B B A Capacidade de gerar confiança M B A Capacidade de tratar assuntos circunstanciais Imunidade ao favoritismo Qualidades do setor privado: Capacidade de reagir a Tendência a abandonar o Qualidades do terceiro setor: Capacidade de atender TAREFAS MAIS ADEQUADAS A CADA SETOR ( E = efetiva ) ( I = inefetiva ) ( D = dependente do contexto ) Setor Setor Público Privado SETOR PÚBLICO 20 Terceiro Setor Administração de políticas E I D Regulamentação E I D Eqüidade E I E Prevenção da discriminação E D D Prevenção da exploração E I E Promoção da coesão social E I E Atividades econômicas I E D Investimento I E D Geração de lucros I E I Auto-suficiência I E D D I E D I E D I E I D E D I E D I E SETOR PRIVADO TERCEIRO SETOR Atividades sociais Atividades que exigem voluntários Atividades que geram pouco lucro Promoção da responsabilidade individual Promoção da comunidade Promoção do comprometimento com o bem-estar social 21 SEGUNDA PARTE RESULTADOS COM VEÍCULO PARA A CREDIBILIDADE A credibilidade é fundamental para a sustentabilidade das organizações do terceiro setor, que operam na sua grande maioria com recursos provenientes de seus parceiros. Em entrevistas com diversos dirigentes de organizações do terceiro setor ficou clara a necessidade da apresentação de resultados como um meio de aumentar sua credibilidade. Todos os entrevistados são profissionais de 22 destaque nas organizações do terceiro setor e com formação e tempo de atuação no setor distintos: • Roberto Galassi Amaral, administrador com experiência administrativa na área de recursos humanos do setor privado e a dois anos superintendente do GIFE, Grupo de Institutos Fundações de Empresas; • Dr. Marcos Kisil, médico, a treze anos é diretor de programa e coordenador para a América Latina e Caribe da W.K. Kellogg Foundation; • Oded Grajew, empresário, atual conselheiro e a nove anos um dos fundadores da Fundação ABRINQ pelos direitos da criança e diretor presidente do Instituto Ethos de empresas e responsabilidade social; • João Roncati, economista com título de MBA executivo e monografia em planejamento estratégico, atua no terceiro setor a quatro anos e é diretor executivo da Fundação Orsa e diretor de planejamento estratégico do Grupo Orsa de celulose, papel e papelão ondulado. A todos estes dirigentes foram feitas duas perguntas: • A comprovação de resultados é um veículo para a credibilidade da organização do terceiro setor? • A ferramenta administrativa de gestão para resultados apresentada é aplicável na organização do terceiro setor e cumpre o papel de apresentar resultados? Para Roberto Amaral, do ponto de vista das organizações financiadoras, há o entendimento que é relevante saber quem está no comando das 23 organizações do terceiro setor mas para a credibilidade é preciso mais que isso: “É importante ressaltar que credibilidade se dá a partir de um complexo conjunto de elementos. Ter uma conduta de transparência e demonstração de resultados ou ter bons nomes apoiando por si só não representam um bom nível de credibilidade. É fundamental não separar credibilidade política da credibilidade administrativa. As duas devem andar de mãos dadas”. Roberto Amaral constata que com a diminuição dos recursos e um aumento no número das organizações que buscam uma maior profissionalização para melhor competir na busca destes recursos, a demonstração de resultados vem a ser fundamental. Para ele a profissionalização parte da idéia de mostrar resultados: “Nos últimos cinco anos o setor lucrativo tem se aproximado do terceiro setor, contaminando-o com técnicas administrativas conhecidas. A profissionalização aconteceu também por parte dos doadores que passaram a buscar meios de medir se estavam dando dinheiro para a organização certa”. Respondendo a pergunta sobre a importância da ferramenta de gestão para os resultados ele primeiro observa que não podemos confundir demonstração com acompanhamento de resultados: “Não basta demonstrá-los, é importante ter uma prática gerencial que permite à instituição definir estratégicamente suas metas, acompanhá-las e mensurá-las. Neste sentido, por ser pragmático, este instrumento ajuda. Contudo deve ser acompanhado de uma avaliação do impacto das ações empreendidas. Esta última só será possível se tiver a primeira e é esta sua grande qualidade”. 24 Alerta porém que, da mesma maneira como ocorre no setor lucrativo quando busca implantar sistemas que acabam mudando a cultura administrativa vigente, encontra resistência para sua implantação: “Esta resistência é proveniente da não compreensão dos fundamentos de uma gestão estratégica. O baixo nível de estruturação das organizações e de qualificação dos gestores pode ser um impeditivo”. Conclui afirmando : “A ferramenta gestão para resultados é viável desde que a sistemática para implantação tenha uma boa didática que facilite o caminho de transição da lógica administrativa”. Dr. Marcos Kisil ressalva inicialmente que prefere não usar o termo terceiro setor pois não é um setor com limites, que esteja caracterizado por leis próprias. Explica que o Estado tem o limite constitucional, o mercado tem as leis do lucro, da oferta e da procura e do ganho sobre o capital sendo que o terceiro setor é uma evidência do mal funcionamento dos outros dois setores. Ele é o interstício entre o Estado e o mercado. Este interstício deve ser entendido como um lugar de construção da cidadania, que é importante tanto para o setor público como o privado pois é aonde se aprende a ser o melhor estadista e o melhor empresário. Alerta que este espaço existente deveria ser ocupado por toda sociedade e que devemos nos referenciar a estas organizações que aí estão como organizações da sociedade civil e não organizações do terceiro setor ou organizações não governamentais ou organizações não lucrativas. 25 Explica que a gênese destas organizações veio de necessidades humanas que não foram compreendidas nem pelo Estado e nem pelo mercado. Estas necessidades são percebidas mais pelo lado emocional que pelo racional e cita o exemplo da Associação Comunitária Monte Azul que iniciou suas atividades estimuladas pela compaixão e não pela razão: “A história da Monte Azul surgiu com a iniciativa de uma senhora que morava perto de uma favela e se preocupava que as crianças desta favela tivesse as mesmas chances que os filhos dela tinha. Começou colocando as crianças em casa para brincar com os filhos dela”. Ele ressalva que a Monte Azul atualmente usa métodos da administração e o fato da origem ser na maioria das vezes por razões emocionais, não quer dizer que enquanto organização não tenha que entrar com critérios racionais do método administrativo. Para ele todas as teorias administrativas se justificam e vão introduzir o racional: “Quanto mais bem forem administradas mais vão ter relevância social. Se forem um modelo de organização social sua relevância aumenta. A relevância social está na lógica em se entrar com qualquer modelo de eficiência”. Especificamente sobre a pergunta da apresentação de resultados como veículo para a credibilidade da organização do terceiro setor ele julga difícil de responder porque considera que existem duas maneiras de interpretar o que é resultado. Uma é como o produto do processo de produção e a outra é como impacto: “Por exemplo numa creche o produto pode ser entendido como crianças atendidas pela creche. Agora criança atendida pela creche não é a razão de existir da organização. A creche é uma organização que atua numa 26 certa faixa etária para apoiar o desenvolvimento desta criança. A medida deve ser o impacto que o atendimento está causando na criança. Em determinadas organizações não tem que medir a produção mas o impacto. Se está querendo saber se a criança está sendo nutrida, se está sofrendo estímulo psicomotor próprio desta idade, se está aprendendo a adquirir confiança no mundo por causa do tipo de atendimento que o adulto esta dando para ela, se a criança está conseguindo ter um desenvolvimento integrado que responde ao futuro escolar que a criança vai ter na fase seguinte. Então se for medir todas estas coisas ela não passa obrigatoriamente pela qualidade do processo de produção mas pelo produto da qualidade do processo de produção”. Para o Dr. Marcos Kisil, outro ponto importante é o contexto. As possibilidades estão de acordo com o contexto em que a organização social está inserida: “A medida é um desafio para o administrador porque ele tem de medir impacto e não o produto e isto dentro de um contexto. É uma dificuldade que trás para a racionalidade do setor muito grande. Não quer dizer que não tenha que ser feito, muito pelo contrário. Mas as teorias não podem ser aplicadas homogeneamente como num negócio que é tangível”. Ainda sobre a pergunta ela acaba afirmando que não há a menor dúvida que a apresentação de resultados ajuda na credibilidade da organização: “Qualquer dúvida anterior que nós tivemos foi plenamente suplantada por exemplo com o prêmio Bem Eficiente. Os dados que nós temos mostra que as organizações que foram premiadas tiveram um aumento de aproximadamente três vezes na arrecadação em relação ao período anterior. Os estudos 27 mostram que esta arrecadação não foi em prejuízo de outras organizações. Quem não dava foi estimulado a dar. Estas três vezes mostrou que alguém passou a acreditar. Isto é muito importante porque começamos a ver empresas neste fim de século com responsabilidade social. Responsabilidade social passou a ser um valor agregado da empresa. Com isso temos dois fatores importantes; primeiro as regras de qualidade que o empresário tem na empresa dele, ele gostaria de ter nas organizações com as quais ele vai por dinheiro. O primeiro reflexo é jogar meu conjunto de valores para o conjunto de valores dessa organização. A segunda coisa que é importante está no mercado. Começa-se a distinguir no mercado quais são as empresas que são socialmente responsáveis e isto é importante na competição. Existem vários estudos, principalmente nos Estados Unidos que mostra que um consumidor opta pelo produto de uma empresa que tem responsabilidade social, inclusive às custas de um custo maior do produto. Para um empregado também é importante estar numa empresa socialmente reconhecida. Se ele tiver que fazer uma opção vai ficar numa empresa socialmente responsável e salário não passa a ser um motivo para sair da empresa”. Quando analisada pelo Dr. Marcos Kissil a importância para o funcionário e o voluntário da organização da sociedade civil da validade da ferramenta de gestão, ele conclui que a cobrança do voluntário é importante para a eficiência da organização e comprova com números: “Um dado que a Leilah Landim do ISER usa é que o Brasil teria 219.000 organizações do terceiro setor. O dado seguinte é que praticamente metade desta organizações estão inativas. Tão importante quanto estudar a qualidade das organizações é começar a 28 entender que grande parte da inatividade é incapacidade gerencial. Estas organizações ficaram na mão de alguns que não conseguiram fazer com que o trabalho voluntário funcionasse e então vai se desperdiçando recursos”. Sobre a aplicabilidade da ferramenta de gestão de resultados na organização da sociedade civil a resposta é positiva mas é preciso verificar se a organização tem condições básicas de primeiro entender o instrumento e segundo assimilar o instrumento como prática administrativa. Considera que a organização vai valorar o instrumento mas precisa ter um certo nível de complexidade para que possa ser valorado: “A minha primeira observação é que não há dúvida que a ferramenta vai ajudar a trabalhar sobre resultados. A questão é saber que organizações teria condições de entender e absorver o instrumento, porque vai exigir que a organização tenha um certo nível de complexidade, senão ela pode até entender mas não vai valorizar a assimilação do instrumento”. Para ele a complexidade está certamente nas grandes organizações e também em alguns tipos de trabalho complexos que independem do tamanho da organização. Existem trabalhos que exigem que a organização saiba e acompanhe o que está fazendo para obter resultado mesmo que ela seja pequena. Foi citado como exemplo a Crecheplan, que trabalha com organizações pequenas que tem um alto nível de complexidade operacional, como uma organização adequada para se aplicar a ferramenta. Por outro lado menciona o lar de idosos, aonde o nível pequeno de complexidade operacional seria incompatível com a ferramenta: “Para algumas organizações o instrumento não é só válido como vai ser absorvido e para outras organizações ele não tem condições de ser absorvido”. 29 Respondendo à primeira pergunta, Oded Grajew afirma que hoje em dia a questão da credibilidade é fundamental para qualquer coisa que se fizer quando se tem relações com outros parceiros: “No terceiro setor aonde você tem que buscar recursos e parceiros que confiam em você e que te apoiam para realizar sua missão, apresentar resultados é fundamental. A apresentação de resultados é a comprovação de que aquilo que você prometeu fazer está cumprindo, e serve para buscar parcerias de médio e longo prazo, permanentes. É fundamental ter estes apoiadores de forma permanente porque isto viabiliza que você possa planejar e fazer melhor suas atividades”. Ele observa que os parceiros são também os voluntários, os profissionais e os atingidos pela suas ações. Por isso é importante definir a missão e ter objetivos e instrumentos de medição para dar retorno a todos. Quanto à utilidade da ferramenta ele diz: “Para mostrar resultados é básico que você se organize para isso. Este trabalho que você me apresentou é uma maneira de poder se organizar. Tem um efeito de participação, de trazer resultados, de avaliação. Primeiro tem que perder um bom tempo no estabelecimento da missão e depois no estabelecimento dos objetivos e também tem que ter um feedback permanente para ver se aquilo que está sendo feito atende a missão”. Para Oded Grajew tão importante quanto se atingir os objetivos é a maneira de atingir os objetivos, os valores. Não é recomendável buscar apoio de quem não tem compatibilidade com seus valores: “Os meios e os fins devem ser colocados no mesmo nível de valor. Como eu atinjo os resultados, não 30 quantos resultados eu atingi. Qual é o meio que estou usando para atingir estes resultados. Deve ser checado em cada momento se as ações estão de acordo com os valores. Isto também deve ser mensurado. Por exemplo existem organizações que defendem os direitos humanos e usa trabalho escravo dentro da organização”. Quanto à questão do profissionalismo no terceiro setor Oded Grajew observa primeiro que o profissionalismo tem de ser comprometido com a causa e segundo que nem todas organizações querem ser avaliadas: “Passa a ser mais ou menos um jogo aberto. Primeiro é o medo da avaliação, medo do desconhecido, de estar trabalhando desta forma porque em muitas instituições o que vale mesmo é o improviso, a falta de planejamento, falta de uso deste tipo de ferramenta. Medo do desconhecido, por não conhecerem as vantagens que estas ferramentas podem trazer”. Observa ainda que a maioria não usa ferramentas de gestão mas quer aprender. Para as instituições muito pequenas ele sugere uma ferramenta mais leve para que em um processo evolutivo, esta ferramenta de gestão apresentada venha a ser um ponto de chegada. João Roncatti respondendo a pergunta se a apresentação de resultados é um veículo para a credibilidade : “É absolutamente fundamental. O terceiro setor viveu não só no Brasil uma fase em que a intenção da ação era a benemerência, ajudar carentes, de uma forma simplória de dizer, era suficiente para que as pessoa dedicassem algum recurso. Como houve um aumento dos chamados carentes, multiplicação das ações e a redução dos recursos nos bolsos das pessoas físicas e jurídicas, todo mundo passou a 31 comparar um ou outro projeto que concorrem pelo mesmo recurso. Por exemplo, eu que sou potencial doador sou procurado por duas ou três organizações. Partindo do pressuposto que todas elas do ponto de vista de benemerência tem causas tão bonitas umas como as outras, em qual eu invisto? Notadamente os empresários tem se preocupado com qual o efeito em termos de escala social daquilo que é investido. Nós da Fundação Orsa estamos mudando um paradigma que é de doação de recursos para boas causas para investimento na alteração da estrutura social do país. A grande dificuldade é medir investimento”. Ele aponta que o grande esforço do terceiro setor hoje é encontrar mecanismos de medição que efetivamente demonstrem o impacto social quando isto é possível e que não faça dupla contagem. Dupla contagem é aquela feita por duas organizações que atendem o mesmo beneficiário em necessidades diferentes ou mesmo iguais. João Roncatti lembra também que além de demonstrar resultados é também importante mostrar as metodologias: “Tem ONG que desrespeita o ECA, Estatuto da Criança e do Adolescente, tem ONG que sob pretexto de gerar renda acaba entrando na seara do trabalho infantil. Hoje, com o ganho de importância do ECA, as pessoas tomaram um pouco mais de cuidado”. O balanço social também está trazendo a necessidade de medir e conseqüentemente facilitará a criação de indicadores. É importante porém observar que esses indicadores não são universais, pois as organizações são diferentes. Ele porém alerta que os recursos ainda são destinados por diversas razões pela empatia, critérios pessoais ou contatos políticos : “ Seria uma falácia dizer que a maior parte dos recursos está sendo investido em 32 quem é mais eficiente ou em quem demonstra seus resultados, porque poucos conseguem demonstrar seus resultados. A UNICEF está muito preocupada com isso. Ela está muito preocupada em investir hoje em quem tenha capacidade de gerar resultados, de perpetuar resultados, principalmente em fazer com que esse conhecimento não seja represado, que é um grande problema. Tem gente que não quer discutir resultados porque quer represar o conhecimento, quando não quer represar o contato financiador também, só para ele “. João Roncati afirma que a ferramenta de gestão para resultados seguramente cumpre a função de demonstrar resultados. Considera ferramentas de gestão como algo universal: “Ferramentas de gestão podem e devem ser usadas pelo primeiro, segundo e terceiro setor. A utilização em diferentes setores cria situações que venha a permitir que você teste em outros setores novas experiências não testadas antes. Por exemplo, no terceiro setor, que tem estruturas que são muito mais flexíveis e isto possibilita testar ferramentas de gestão com muito mais rapidez. Se você observar experiências do terceiro setor você seguramente pode alterar coisas no segundo setor, no setor privado”. Para ele a grande contribuição, além dos recursos financeiros, do setor privado para o terceiro setor são as ferramentas administrativas. A ferramenta de gestão para resultados apresentada é para ele sem dúvida compatível com as necessidades atuais do terceiro setor: “Você só vai ter que se preocupar bastante com uma característica: as estruturas do terceiro setor possuem um número bastante pequeno de pessoas habituadas com as 33 ferramentas de gestão. Pouquíssimas pessoas tem hoje formação em administração de empresas. Elas tem a formação na área social, assistência social e nas áreas de saúde. Eles não são afetos, não porque não gostam mas porque não conhecem as ferramentas de gestão. Então tem que passar por um período de aculturamento do grupo para que eles possam adotar a ferramenta. Não é tranqüilo este aculturamento mas absolutamente necessário”. Por último ele lembra que ferramentas de gestão cumprem também a função de configurar uma linguagem comum entre as organizações do segundo e do terceiro setor. Destas entrevistas extraimos as seguintes conclusões: • a apresentação de resultados vem de encontro ao atendimento de uma necessidade dos grupos de interesse, em especial dos financiadores; • a ferramenta apresentada é possível e desejável que venha a ser implantada nas organizações do terceiro setor; • a ferramenta é mais apropriada para organizações com um nível maior de complexidade; • a maioria das organizações tem uma deficiência de formação profissional no campo administrativo que dificulta a implantação; • a didática de implantação deve ter um cuidado especial; • a ferramenta configura um bom meio de comunicação dentro da organização e entre o terceiro setor e o setor privado; 34 • a ferramenta implica em uma mudança na cultura de gestão da organização; • a ferramenta mede produto mas não impacto. TERCEIRA PARTE GESTÃO PARA RESULTADOS 35 1. Planejamento, ação e controle A teoria básica que fundamenta muitos sistemas de gestão organizacional é relacionada à idéia que os dirigentes das organizações formulam planos, põem em prática estes planos, então avaliam as conseqüências das ações e finalmente usam este controle para ajustar seus planos fazendo com que o ciclo se repita continuamente: PLANEJAMENTO AÇÃO CONTROLE No entanto, o que usualmente acontece na prática administrativa das organizações é os dirigentes fazerem o que eles sempre fariam como força de uma inércia ou hábito e acabarem seguindo suas prioridades individuais. O plano fica sendo meramente um registro de ações já executadas: AÇÃO PLANEJAMENTO 36 CONTROLE A degradação final do ciclo de gestão idealizado ocorre quando as ações dos dirigentes estão quase que totalmente desconexas do planejamento. Os controles são relacionados ao planejamento e discutidos mas ficam distantes das ações que acontecem na prática da organização: AÇÃO PLANEJAMENTO CONTROLE Esta prática de agir sem se preocupar com o planejamento e o controle faz parte da rotina de muitas organizações. Os dirigentes destas organizações têm, no melhor dos casos, a percepção que o planejamento e o controle são um mal necessário e, assim, não se motivam a agir segundo os princípios básicos para uma gestão eficiente e eficaz. A impossibilidade de alcançar os melhores resultados sem o vínculo contínuo do planejamento, da ação e do controle é evidenciada na própria definição de eficiência e eficácia : • a eficiência significa executar as atividades corretamente; 37 • a eficácia significa fazer as atividades corretas. A eficiência é a comparação dos resultados alcançados com os recursos utilizados. Quanto mais resultados obtidos para uma determinada quantidade de recursos disponíveis maior a eficiência organizacional. A eficácia organizacional é o alcance das metas e objetivos determinados e a correta determinação destes objetivos. Portanto, sem um planejamento que defina as metas e objetivos, gere planos de ação e avalie os resultados, a organização não pode alcançar ou demonstrar eficiência ou eficácia. 2. A ferramenta administrativa de gestão para resultados A gestão para resultados é uma ferramenta administrativa que, através de sua metodologia, alinha o planejamento, a ação e o controle, promovendo a eficiência e a eficácia da organização. Podemos considerar como funções da gestão para resultados: • determinar a direção estratégica da organização; • implementar e administrar o processo de mudança alinhado com a direção estratégica; • melhorar continuamente o desempenho das atividades em andamento. Determinar a direção estratégica significa criar a missão e definir os objetivos estratégicos, levando em consideração a visão e os valores da organização. Está relacionada a escolher o destino e o caminho corretos para a organização. Essa escolha requer um alto grau de compreensão do ambiente 38 externo bem como um avaliação correta das capacidades e competências da organização. Uma vez escolhida a estratégia é necessário escolher os indicadores e as metas de desempenho que mostrarão se a organização está no caminho planejado e, através de uma avaliação, o quanto de progresso foi feito na direção dos objetivos. Os indicadores de desempenho são as manifestações mais claras do que a organização está tentando alcançar. Definidos a direção estratégica e os indicadores de desempenho relacionados, a segunda tarefa da gestão estratégica é implementar e administrar a mudança necessária para alcançar os objetivos estratégicos definidos, ou seja, o compromisso da organização com a ação. A terceira tarefa da gestão para resultados é melhorar continuamente a eficiência operacional. Um dos maiores perigos para uma organização é a complacência operacional e organizacional. É acreditar que pouca melhoria pode ser feita nas operações, ou mesmo uma acomodação com resultados alcançados no passado. A gestão para resultados, além de definir a direção estratégica e estimular programas de mudança, deve garantir que a melhoria contínua seja praticada em cada programa ou atividade da organização através de planos de ação freqüentemente monitorados. 39 A seguir estão a seqüência de eventos necessários para uma gestão vinculada a resultados: Missão Diagnóstico do Ambiente Objetivos Estratégicos Indicadores de Desempenho Metas de Desempenho Monitoramento do Desempenho Planos de Ação 2.1. Missão 40 O início da gestão para resultados é esclarecer o propósito da organização e a definição clara do que a organização quer ser. Essa definição gera a declaração da missão, que deve ser sintética, clara, de fácil compreensão e que identifique as características únicas da organização. Da elaboração da missão deve participar o maior número possível de colaboradores e interessados na organização e sua declaração deve ser feita com a participação direta do conselho administrativo, do principal executivo e das pessoas chaves da organização. Todos os envolvidos na declaração da missão deverão efetivamente estar compromissados com o futuro da organização e serão formalizados como parte integrante do comitê de gestão para resultados. Todos os membros do comitê deverão estar relacionados no documento “ Comitê de Gestão para Resultados”. (Anexos) A função da declaração da missão é fazer que todos os diferentes grupos de interesse na organização foquem uma direção estratégica. A organização precisa ter uma só finalidade, caso contrário seus membros ficarão desorientados. Eles atuarão segundo sua vocação e não necessariamente atendendo às reais necessidades da organização. Sem uma missão cada um irá definir resultados em termos de sua visão, impondo seus próprios valores à organização. Somente uma missão clara, concentrada e comum pode manter unida a organização e capacitá-la a produzir resultados. 41 Organização sem uma Missão Organização com foco em uma Missão A declaração da missão orienta a organização quando for do conhecimento de todos os envolvidos. Para isso deve ser divulgada correta e formalmente e estar afixada em todos os departamentos para que possa ser sempre lembrada. Estar presente em documentos impressos é um modo de torná-la conhecida também da comunidade sendo um meio de comunicar o propósito e os valores da organização. A declaração de missão serve também para que a organização rejeite assumir responsabilidades que não lhe diga respeito. É comum ocorrerem pressões sobre uma organização do terceiro setor bem sucedida para que execute tarefas fora de seu escopo. Se ceder, suas operações perderão o foco, provavelmente não serão eficazes e, possivelmente abalarão o prestígio anteriormente conquistado. Quando julgar necessário, a organização deve programar uma revisão de sua missão para reafirmá-la ou revisá-la. Esse procedimento deverá ser feito pelo comitê de gestão para resultados de modo participativo e com a mesma formalidade anteriormente descrita. 42 A declaração de missão deve responder a três perguntas: • Qual o propósito da organização? • Qual o campo de atuação da organização? • Qual a abrangência da organização? A seguir três exemplos que ilustram uma declaração de missão clara e objetiva : EAESP/FGV “Desenvolver e disseminar conhecimentos, no terreno dos negócios públicos e privados, que melhorem a qualidade de vida das pessoas e colaborem no desenvolvimento sócio-econômico do país. Manter excelência na qualidade de ensino, produção acadêmica e pesquisa de maneira a estabelecer no país um referencial comparável às melhores instituições semelhantes no mundo. Publicar o resultado de suas pesquisas assim como trabalhos de interesse para outras instituições, garantindo para a sociedade brasileira novos conhecimentos na área de administração e economia”. Associação Comunitária Monte Azul “Promover o amor ao ser humano independente de nacionalidade, raça, religião, posição política e condições sociais e física. Proporcionar oportunidades através da educação, cultura e saúde, principalmente para as pessoas não privilegiadas se desenvolverem materialmente, social e espiritualmente, conscientemente e com amor”. 43 capacitando-as para agirem 5 Elementos : Instituto de Educação e Pesquisa Ambiental “Desenvolver metodologias e ações, por meio da educação ambiental, para ampliar a percepção e a atuação do cidadão sobre os aspectos da questão sócio-ambiental, incentivando e promovendo o intercâmbio e a comunicação entre setores da sociedade”. 2.2. Diagnóstico do ambiente Além de determinar a missão é preciso analisar o cenário externo e interno em que a organização está atuando para que se possa avaliar as dificuldades e as oportunidades à realização da missão. Esta análise deve ter uma visão de médio prazo, com um horizonte de um a três anos. Ela deve ser refeita periodicamente, em intervalos não superiores a um ano, com a participação do comitê de gestão para resultados. O diagnóstico do ambiente é uma oportunidade de mostrar o comprometimento da alta administração com o trabalho em equipe, de se conhecer atitudes e opiniões sobre a organização e analisar a satisfação dos financiadores, parceiros, colaboradores e beneficiários dos serviços da organização. A reunião de diagnóstico de ambiente é basicamente um levantamento de informações através de um brainstorm, ou chuva de idéias, que ajude a organização a encontrar oportunidades e identificar ameaças no ambiente externo e a descrever as forças e as fraquezas da organização. 44 • Forças: atividades que funcionam bem, as quais a organização se orgulha em demonstrar e que proporcionam resultados. • Fraquezas: atividades que poderiam ter sido feitas melhor, que as atividades da caracterizam oportunidades de melhorias. • Oportunidades: fatores externos que favorecem organização, contribuindo para o cumprimento de sua missão. • Ameaças: fatores de risco ao bom desempenho das atividades da organização, comprometendo o cumprimento de sua missão. A análise do ambiente externo deve abranger os contextos tecnológico, político, econômico, legal, sócio-cultural, demográfico e ecológico. A análise do ambiente interno abrange as atividades das áreas de planejamento e gestão, financeira, marketing, captação de recursos e operacional. Uma vez analisadas a situação e a tendência externa e interna, já é possível definir corretamente os objetivos estratégicos possíveis de serem alcançados pela organização. 2.3. Objetivos estratégicos Definir os objetivos estratégicos é uma tarefa que deve ser feita anualmente pelo comitê de gestão para resultados, e revisada por ele sempre que julgar necessário. Esta definição não é tarefa fácil pois existem diferentes grupos com diferentes expectativas da organização. Estes grupos, conhecidos também como stakeholders, compreendem os beneficiários dos serviços, os empregados, os voluntários, a direção, o 45 conselho administrativo, os financiadores, os parceiros, as agências governamentais e outras organizações afins. Cada um desses grupos de interesse tem critérios diferentes a respeito do que esperam da organização. Deverão, portanto, existir diversas expectativas para atender a todos esses grupos de interesse, sendo que a organização no curto prazo deve priorizar o atendimento de acordo com a necessidade maior do momento. A priorização é feita na reunião anual quando cada membro do comitê de gestão para resultados apresenta as expectativas dos grupos de interesse que o membro julgar que o atendimento seja importante para o sucesso da missão. A priorização é conseqüência de uma qualificação de importância para cada expectativa. Essa qualificação de importância é feita por consenso pelos membros do comitê de gestão para resultados. As expectativas apontadas e qualificadas pelos membros são então separadas por assuntos ou categoria de expectativas. A categoria de expectativas serve para que as mesmas sejam agrupadas facilitando a definição de objetivos estratégicos. O número de categorias priorizadas não deve ser superior a cinco e deve necessariamente consistir de questões essenciais para o atendimento da missão. A partir dessas categorias é que são definidos os objetivos estratégicos, sendo que, no longo prazo, nenhum dos grupos de interesse deverá ser menosprezado e a organização deverá dispensar mais cedo ou mais tarde a devida atenção a todos eles. 46 A organização deve se certificar que os objetivos estratégicos: • estejam relacionados com a missão e entendidos e compartilhados pelos grupos de interesse; • sejam realistas e não muito ambiciosos. As organizações do terceiro setor têm normalmente limitações de recursos materiais e humanos, portanto é melhor estabelecer objetivos alcançáveis e que sejam um fator de motivação que falhar no alcance de objetivos fora da realidade; • sejam os mais específicos possível. Os objetivos estratégicos devem ser descritos de modo que possam ser compreendidos e utilizados pelos colaboradores. Geralmente os objetivos estratégicos nas organizações sem fins lucrativos são qualitativos e portanto difíceis de serem quantificados. Por isso são criados os indicadores de desempenho e seus respectivos quantificadores. 2.4 Indicadores de desempenho A chave para uma boa definição de indicadores de desempenho é a identificação dos projetos ou processos chaves que garantem o sucesso da organização. Em seguida são identificadas as funções ou atividades que influenciam cada projeto ou processo chave em particular, para que se possa verificar como cada uma dessas funções ou atividades contribuem para os objetivos estratégicos da organização. O resultado deste processo de identificação é a criação de não mais que vinte indicadores que poderão ser aprimorados de acordo com sua utilização. 47 Indicadores de desempenho têm quantificadores que devem medir o grau de atendimento de um objetivo estratégico ou de uma meta de desempenho. Para isso, devem ser expressos em unidades de medida que sejam significativas para aqueles que vão utilizá-los no monitoramento ou para a confecção de planos de ação com base na informação coletada. Um quantificador de desempenho é composto de um número ou percentual, que indica a magnitude, e de uma unidade de medida que dá ao número ou percentual um significado. Os indicadores e os quantificadores devem servir de apoio para detectar as causas e os efeitos de uma ação, e não apenas seus resultados, e devem ser agrupados segundo os objetivos estratégicos. Um indicador e seus respectivos quantificadores devem: • ser compreensíveis; • ter aplicação fácil; • ser interpretados uniformemente; • ser compatíveis com o processo de coleta de dados existente; • ser precisos quanto à interpretação dos resultados; • oferecer subsídios para o processo decisório; • ter uma responsabilidade definida. Um quantificador pode ser representado por uma unidade simples, como meses, reais, doadores etc., ou por unidades multidimensionais, que expressam uma relação, como número de beneficiários por voluntário, número de atendimentos por semana, percentuais etc. 48 É determinado também o nível de agregação que serão coletados os dados. Nível de agregação é o grau de detalhamento desejado. Por exemplo, podemos querer medir numa escola o desempenho de todas as classes do primeiro grau ou de cada ano escolar individualmente. Para cada indicador e respectivo quantificador é definida também a freqüência de coleta de dados. O momento oportuno para a captação e utilização dos dados dos indicadores é um fator chave para ser levado em consideração, pois ele varia de um indicador para outro e deve ter a freqüência que possibilite uma ação rápida. A estruturação correta da avaliação de desempenho se torna inútil se não forem determinadas as áreas responsáveis para cada um dos indicadores. O fundamental e mesmo óbvio é que a área responsável pelo desempenho esteja diretamente relacionada com a atividade monitorada. Também o que garante que o processo de monitoramento do desempenho seja efetivo é que seja feito de forma descentralizada, simplificada e pouco burocrática, para que obtenha respostas rápidas. A ênfase está sempre na autonomia e no autocontrole operacional. A alta administração não é excluída do processo, mas participa mensalmente das reuniões do comitê de gestão para resultados monitorando e avaliando a eficiência e a eficácia dos indicadores em vez de se envolver com as decisões do dia a dia. Todas estas informações são relacionadas na “ Planilha de Indicadores de Desempenho “. (Anexos) 49 Para melhor compreensão é recomendável visualizar a “Planilha De Indicadores de Desempenho” do exemplo de aplicação no final desta parte ( pág. 58). O próximo passo é a determinação das metas de desempenho. 2.5 Metas de desempenho Os objetivos estratégicos são resultados de uma dimensão mais geral pretendida pela organização, e as metas de desempenho são mais concretas e objetivas, necessárias ao atendimento dos objetivos e que servirão de referência para a avaliação do desempenho organizacional. No processo de definição de metas de desempenho deve-se priorizar os esforços naquelas que tenham impacto direto e maior com os objetivos estratégicos. As metas de desempenho devem estabelecer os níveis de desempenho minimamente aceitáveis, tanto a curto como a médio prazo, e devem necessariamente conter as mesmas medidas de seus respectivos quantificadores. As metas de desempenho devem ser realistas porém desafiadoras, encorajando o progresso em relação aos níveis históricos de desempenho. Metas não realistas geram desmotivação e perdem credibilidade. Uma prática eficiente de se determinar metas de desempenho é buscar referenciais externos. 50 O referencial, ou benchmark, garante que a organização mantenha um foco externo na melhor prática, em vez da prática freqüente de basear os objetivos nas melhorias do ano anterior. Os principais passos para identificar um referencial são: 1. Selecionar o indicador e quantificador a serem referenciados. 2. Identificar a melhor organização para esse indicador. 3. Selecionar o responsável pelo referencial. 4. Visitar a organização referencial. Se isto não for possível é recomendável encomendar uma pesquisa ou consultoria sobra a melhor prática. 5. Identificar as diferenças e as melhores práticas. 6. Determinar as metas de desempenho. As metas deverão ser determinadas para o curto e o médio prazo. Curto prazo é considerado até um ano e médio prazo de um a três anos. Essa determinação de metas para curto e médio prazo leva a organização a pensar sobre a velocidade de atendimento possível no momento e a esperada para o futuro de médio prazo. Ela é um importante sinalizador para a área envolvida do ritmo de trabalho desejável. Os referenciais e as metas de desempenho serão aprovados pelo comitê de gestão para resultados e relacionados na “Planilha de Metas de Desempenho”. (Anexos) Essas metas devem ser revisadas pelo comitê de gestão para resultados anualmente ou quando o mesmo julgar necessário. 51 Para melhor compreensão é recomendável visualizar a “Planilha de Metas de Desempenho” do exemplo de aplicação no final desta parte ( pág. 59). A próxima etapa, o monitoramento do desempenho, é quando toda organização toma conhecimento dos indicadores, quantificadores e metas planejados e inicia o procedimento de coleta de dados e avaliação. 2.6. Monitoramento do desempenho O monitoramento do desempenho é o processo administrativo que garante que aquilo que uma organização está fazendo está consistente com o que ela decidiu fazer. Fazendo uma analogia com uma viagem, a declaração da missão é o processo que decide os destinos, o planejamento é o guia e o monitoramento do desempenho é o acompanhamento das referências na estrada. A sistemática de monitoramento do desempenho pode e deve ser implementada rapidamente. Quanto mais cedo forem levantados os dados dos indicadores, mais cedo teremos os planos de ações e a conseqüente melhoria no desempenho. Os resultados aparecendo facilitarão a adesão rápida de toda organização. Um obstáculo à implantação desse processo administrativo é a percepção errônea que será difícil coletar os dados necessários ao monitoramento dos indicadores. Normalmente ocorre a agradável descoberta que muitos dados já existem mas que não são usados do modo correto. 52 Para que este processo seja efetivo deve responder a três perguntas: • Estamos fazendo o que é certo? • Estamos fazendo corretamente? • Podemos fazer melhor? Os indicadores de desempenho que constituem o monitoramento de desempenho devem garantir que estas perguntas sejam feitas e respondidas freqüentemente e, o mais importante, que os planos de ação sejam feitos e implementados rapidamente para que ocorra uma melhoria contínua. Outro fator decisivo para uma boa aceitação do monitoramento do indicador de desempenho é que os responsáveis rapidamente identifiquem o problema que necessita de atenção. A planilha que contém os dados para a avaliação pode ser comparada em analogia a um painel de instrumentos de um carro. Os responsáveis, como os motoristas, tomam decisões rápidas e identificam os problemas usando a planilha na organização ou o painel de instrumentos do carro. A tendência dos dados apontados também é um fator importante e deve ser constantemente observada. O responsável deve sempre olhar o futuro em vez de ficar concentrado no passado. Os dados históricos servem apenas como base para o foco no desempenho futuro. O gráfico resultante não pode ser usado apenas como uma análise matemática da tendência, caso nada seja feito, mas sim, como um instrumento gerador de ações que devem ser cumpridas num período de tempo determinado, promovendo então a cultura de melhoria contínua em toda a organização. 53 2.7. Planos de ação Os planos de ação são o que efetivamente promovem a melhoria contínua da organização e são apresentados em reuniões mensais por todos os responsáveis através da planilha “Monitoramento do Indicador de Desempenho”.( Anexos) Estes são os pontos chaves da planilha “Monitoramento do Indicador de Desempenho”: • preocupada com o futuro, agindo com o foco na direção das metas de desempenho de curto e médio prazo; • feita para o responsável operacional da área, baseada nos indicadores de desempenho específicos de cada área; • encoraja a mudança através do autocontrole e liberta a alta administração para que foque suas ações em questões estratégicas; • monitora a eficiência e a eficácia dos planos de ação; • facilita a identificação de problemas e a busca de soluções; • ajuda a visualizar rapidamente a tendência evolutiva da área operacional; • age como veículo de comunicação entre as áreas operacionais e a alta administração; • promove a melhoria contínua em toda a organização. A planilha “Monitoramento do Indicador de Desempenho” tem uma apresentação que permite aos responsáveis uma rápida e fácil assimilação dos dados principais para que possam tomar decisões efetivas. O formato é 54 essencialmente visual, combina gráficos e pequenos textos e é utilizada essencialmente para a avaliação e monitoramento dos planos de ação elaborados. Esta planilha, como observaremos a seguir no exemplo (pág. 60), cumpre a função de visualizar rapidamente o desempenho e verificar se houve melhoria no gráfico de tendências. Os histogramas subsidiam dados que devem ser os mais relevantes para se diagnosticar o possível problema a ser resolvido. O problema diagnosticado é anotado no campo reservado para isso, bem como sua causa, a ação para a solução, o responsável, a data prevista para conclusão e a situação que aponta o quanto a ação avançou em relação ao prazo determinado para sua conclusão. Os responsáveis pelas diversas áreas apresentam mensalmente suas planilhas de “Monitoramento do Indicador de Desempenho” em reunião com o comitê de gestão para resultados. Nessa reunião os participantes avaliam a ação planejada e decidem pela liberação de recursos eventualmente necessários para a solução de problemas diagnosticados. As diversas ações aprovadas são anotadas na planilha “Planos de Ação”, elaborada uma para cada área, facilitando o acompanhamento por parte da alta administração. Essas planilhas cumprem também a importante função de registro histórico para consulta futura de problemas e soluções. ( Anexos ) 3. Exemplo de aplicação 55 Para ilustrar a aplicação da ferramenta gestão para resultados, escolhemos o ICRIM - Instituto de Apoio à Criança e ao Adolescente com Doença Renal, organização do terceiro setor que tem uma missão clara e objetiva: ICRIM - Instituto de Apoio à Criança e ao Adolescente com Doença Renal “Aumentar o número de atendimento, melhorar a qualidade do tratamento e dar à criança e ao adolescente com doenças renais uma vida mais próxima possível do normal”. É uma organização fundada em outubro de 1995, com um conselho de seis diretores e um presidente, preponderantemente médicos. Tem doze voluntárias que atuam na área de recreação, cinqüenta funcionários contratados que atuam quase todos na captação de recursos por telemarketing ehá seis meses contratou uma gerente de projetos. Ela atualmente executa os projetos elaborados pela diretoria e controla os recursos arrecadados, a aplicação desses recursos e o número de crianças e adolescentes apoiados pela instituição. Foram desenvolvidos os seguintes objetivos estratégicos: • melhorar a captação de recursos; • promover o crescimento da capacidade de atendimento; • melhorar a qualidade do tratamento. 56 Os indicadores e quantificadores de desempenho que aparecem nas planilhas a seguir foram desenvolvidos em conjunto com a gerente de projetos do ICRIM e tem relação com as atividades desenvolvidas pelo instituto. Os dados constantes nas planilhas a seguir foram criados para avaliar a compreensão da ferramenta de gestão para resultados. 57 Objetivo Estratégico Captação de Recursos Captação de Recursos Captação de Recursos Captação de Recursos Captação de Recursos Captação de Recursos Capacidade Operacional Capacidade Operacional Capacidade Operacional Capacidade Operacional Capacidade Operacional Qualidade Operacional Qualidade Operacional Freqüência Mensal Mensal Mensal Mensal Mensal Mensal Semanal Mensal Trimestral Mensal Mensal Mensal Mensal ICRIM Quantidade de Serviços Atendimento Educacional Projeto de Suplemento Nutricional Atendimento Odontológico Atendimento da Assistência Social Eficácia da Assistência Social Recrutamento de Voluntários Estabilidade dos Voluntários Dedicação dos Voluntários Apoio de Pacientes Eficiência na Diversificação de Doadores Eficiência do Telemarketing Eficiência da Arrecadação Indicador Organização Organização Organização Organização Organização Nível de Agregação 58 % de Horas Dedicadas / Organização Horas Comprometidas No. de Crianças e Adolescentes Organização Apoiados No. de Serviços Oferecidos por Organização Criança ou Adolescente No. de Crianças e Adolescentes Grupos de Criança Na Escola e Adolescente No. de Crianças e Adolescentes Grupos de Criança Atendidos e Adolescente No. de Crianças e Adolescentes Grupos de Criança Atendidos e Adolescente No. de Famílias que Buscam a Organização Organização % de Famílias que Dispensaram Organização a Cesta Básica / Total quConsom No. de Meses por Voluntário % de R$ Arrecadados / R$ Necessários % de Arrecadação não pelo Telemarketing / Total R$ Arrecadados por Operadora No. de Horas Trabalhadas Quantificador Planilha de Indicadores de Desempenho Assistência Social Assistência Social Odontológica Nutricional Educacional Direção Direção Voluntariado Voluntariado Voluntariado Captação Captação Captação Área Novembro 1998 Eficiência na Diversificação de Doadores Eficiência do Telemarketing Recrutamento de Voluntários Estabilidade dos Voluntários Dedicação dos Voluntários Apoio de Pacientes Quantidade de Serviços Atendimento Educacional Projeto de Suplemento Nutricional Atendimento Odontológico Atendimento da Assistência Social Eficácia da Assistência Social Captação Voluntariado Direção Assistência Social Assistência Social Odontológica Nutricional Educacional Direção Voluntariado Voluntariado Captação Indicador de Desempenho Eficiência da Arrecadação Objetivos Estratégicos 59 % de Horas Dedicadas / Horas Comprometidas No. de Crianças e Adolescentes Apoiados No. de Serviços Oferecidos por Criança ou Adolescente No. de Crianças e Adolescentes Na Escola No. de Crianças e Adolescentes Atendidos No. de Crianças e Adolescentes Atendidos No. de Famílias que Buscam a Organização % de Famílias que Dispensaram a Cesta Básica / Total No. de Meses por Voluntário Quantificador de Desempenho % de R$ Arrecadados / R$ Necessários % de Arrecadação não pelo Telemarketing / Total R$ Arrecadados por Operadora No. de Horas Trabalhadas 5% Nós 90% Situação Objetiva - Referencial Metas de Desempenho 100% 100% em 3 meses Situação Atual Novembro 1998 30% em 12 meses 50% em 24 meses R$5.000 R$6.000 R$5.500 em 6 meses R$6.000 em 18 meses 1200 horas 10 meses 600 horas 1800 horas 1800 horas 18 meses 8 meses 28 meses 16meses em 12meses 28meses em 24meses 70% em 12 meses 50% 95% 95% em 18 meses 100 150 em 12 meses 200 em 24 meses 3 5 em 6 meses 6 em 18 meses 100 em 12 meses 50 150 em 24 meses 30 em 3 meses 0 60 em 9 meses 80 em 12 meses 30 120 em 24 meses 100 em 12 meses 60 200 em 24 meses 10% 50% 30% em 12 meses 50% em 18 meses Planilha de Metas de Desempenho Área Captação ICRIM ICRIM 7 Problema 6 8 4800 4700 9 Causa 10 0 1000 2000 3000 4000 Ação >que 36 de 24 a de 12 a 24 meses 36 meses meses de 6 a 12 meses < que 6 meses HISTOGRAMA ATUAL 60 Outras oportunidades - Selecionar melhor as operadoras - Motivar as operadoras - Treinar as operadoras 4500 Mes Rotatividade das operadoras 0 1000 2000 3000 4000 4600 5000 4300 6000 5000 7000 6000 GRÁFICO DE TENDÊNCIAS Nível de Agregação: Organização Indicador: Eficiência do Telemarketing Novembro 1998 0% 0% 0% Conclusão Situação Gerente de Projeto Dez 1998 Gerente de Projeto Fev 1999 Gerente de Projeto Fev 1999 Responsável HISTOGRAMA ACUMULADO Área: Captação Monitoramento do Indicador de Desempenho Objetivo: Captação de Recursos Quantificador: R$ Arrecadados por Operadora Freqüência: Mensal R$ Plano de Ação Atual Plano de Ação Acumulado Novembro 1998 Novembro 1998 Novembro 1998 Data ICRIM Motivar as operadoras Treinar as operadoras Rotatividade das operadoras Rotatividade das operadoras 61 Selecionar melhor as operadoras Ação Rotatividade das operadoras Problema Planos de Ação Gerente de Projeto Gerente de Projeto Gerente de Projeto Responsável Fev 1999 Fev1999 Dez 1998 0% 0% 0% Conclusão Situação Captação CONSIDERAÇÕES FINAIS 62 A crescente confiança depositada nas organizações do terceiro setor para a solução dos diversos problemas e necessidades da sociedade é sustentada principalmente pela qualidade de suas missões e pelos valores por elas praticados. A materialização da forte expectativa de crescimento desse setor tem como requisito básico a manutenção da credibilidade conquistada. A apresentação de resultados é um veículo para a credibilidade e é cada vez mais considerada como fundamental pelos diversos parceiros e grupos de interesse nas organizações da sociedade civil. A ferramenta administrativa de gestão para resultados vem preencher essa necessidade de produzir e apresentar resultados. Vimos que a implantação desta ferramenta de gestão não é tarefa simples e demanda um grande empenho dos envolvidos. O empenho, a motivação e o comprometimento são as qualidades que as organizações do terceiro setor têm como sua principal força, conseqüência do elevado valor implícito em sua missão. A velocidade da assimilação e implantação desta ferramenta vai depender do valor e da importância percebidas pela alta administração da organização, na produção e na apresentação de resultados aos parceiros envolvidos e nos interessados em sua missão. A compreensão, por parte dos dirigentes, dos benefícios da apresentação de resultados, seu envolvimento direto no aprendizado desta ferramenta e seu 63 comprometimento na prática e divulgação da metodologia apresentada é um fator chave para sua aceitação. Esse comprometimento é fruto da compreensão dos conceitos que estão fundamentando a prática desta ferramenta de gestão: • a alta administração deve estar ciente que a organização será construída ao redor da informação e da comunicação e não da hierarquia; • o compromisso e responsabilidade de cada um dentro da organização deve estar claro; • as pessoas da organização devem se responsabilizar por resultados; • as pessoas terão atribuições, não funções, e foco no desempenho; • os planos, as metas e as decisões deverão ser feitas em equipe sempre que possível; • a organização deve buscar o aperfeiçoamento contínuo do produto de sua ação e do processo operacional de prestação de serviços; • a capacidade de atrair pessoas capazes e comprometidas será um indicador de desempenho para medir o sucesso da organização. Essa ferramenta implica, portanto, o redesenho da organização, alterando a cultura de gestão administrativa. A correta utilização dessa ferramenta leva a organização a atingir os objetivos e metas planejados. A medição do impacto na sociedade, causado pelo atendimento destes objetivos, é tarefa da mais alta relevância e fica, portanto, como sugestão para outros estudos. 64 Considero o objetivo deste trabalho realizado se servir de motivação aos que atuam no terceiro setor, e ainda não tenham se preocupado em alcançar e apresentar resultados, a começar a preparar sua organização para a utilização de uma ferramenta administrativa de gestão que posiciona a organização no rumo da eficiência e da eficácia. 65 BIBLIOGRAFIA 66 ALVES, Mário Aquino. As organizações sociais: um estudo sobre o discurso. São Paulo : FGV/Escola de Administração de Empresas de São Paulo, 1996. 100p. (Dissertação, Mestrado, Organizações, Recursos Humanos e Planejamento). BERNSTEIN, Philip. Best practices of effective nonprofit organizations: a practioner’s guide. 1.ed. New York : The Foundation Center, 1997. 184p. DECI, Edward L. Por que fazemos o que fazemos: entendendo a automotivação. 1.ed. São Paulo : Negócio, 1998. 214p. DIMENSTEIN, Gilberto. Aprendiz do futuro: cidadania hoje e amanhã. 4.ed. São Paulo : Ática, 1998. 96p. DRUCKER, Peter Ferdinand. Sociedade pós capitalista. 5.ed. São Paulo : Pioneira, 1996. 186p. _________. Administrando para o futuro. 5.ed. São Paulo : Pioneira, 1996. 242p. _________. Administração de organizações sem fins lucrativos: princípios e práticas. 4.ed. São Paulo : Pioneira, 1997. 166p. 67 _________. Managing for results. 1.ed. New York : Harper Collins, 1993. 240p. EADIE, Douglas C. Changing by design: a pratical approach to leading innovation in nonprofit organizations. 1.ed. San Francisco : Jossey-Bass, 1997. 228p. FERNANDES, Rubem César. Privado porém público: o terceiro setor na América Latina. 2.ed. Rio de Janeiro: Dumará, 1994. 156p. GOSLING, Louisa, EDWARDS Mike. Toolkits: a practical guide to assesment, monitoring, review and evaluation. 2.ed. London : Save the Children. 1996. 254p. GRAJEW, Oded. ONGs, um passo adiante. Folha de São Paulo, São Paulo, 14 jun. 1998, Tendências /Debates, p. 3 _________. Educação para a cidadania. Folha de São Paulo, São Paulo, 6 jan. 1997, Opinião, p. 3 _________. A revolução dos patrões. Caros amigos, São Paulo, 15 jun. 1998, p. 26-31 68 GRAY, Sandra Trice (Org.). Evaluation with power: a new approach to organizational effectiveness, empowerment, and excellence. 1.ed. San Francisco : Jossey-Bass. 1998. 178p. HUDSON Mike, Managing without profit: the art of managing third-sector organizations. 1.ed. London : Penguin. 1995. 336p. IOSCHPE. Evelyn B. et al (Orgs.). 3º setor: desenvolvimento social sustentado. 1ed. Rio : Paz e Terra, 1997. 173p. JORDAN, David Alberto Becker. A carreira do administrador em organizações do terceiro setor. Cadernos do Terceiro Setor. São Paulo, n. 3, p. 1-18, out. 1998 KELLEY, Daniel Q. Dinheiro para sua causa : como obter fundos de particulares empresas e instituições filantrópicas. 1.ed. São Paulo : Textonovo, 1995. 150p. KENNEDY, Larry W. Quality management in the nonprofit world: combining compassion and performance to meet client needs and improve finances. 1.ed. San Francisco : Jossey Bass, 1991. 172p. 69 KISIL, Marcos. Síntese final. In: III ENCONTRO IBERO-AMERICANO DO TERCEIRO SETOR, 3, 1996, Rio de Janeiro, Memória. São Paulo: GIFE, 1996, p. 180-182 . LANDIM, Leilah. Para além do mercado e do Estado?: filantropia e cidadania no Brasil. 1.ed. Rio de Janeiro : ISER - Núcleo de Pesquisa, 1993. 86p. MARTINELLI, Antônio Carlos. Investimento social privado: entre o marketing e a responsabilidade social. In: III ENCONTRO IBERO-AMERICANO DO TERCEIRO SETOR, 3, 1996, Rio de Janeiro, Memória. São Paulo: GIFE, 1996, p. 68-75. MASON, David E. Leading and managing the expressive dimension: harnessing the hidden power source of the nonprofit sector. 1.ed. San Francisco : Jossey-Bass, 1996. 323p. MEREGE, Luiz Carlos. Uma revolução silenciosa, IstoÈ Dinheiro, São Paulo, 17 dez. 1997, p.24 _________. O terceiro setor e a nova ética empresarial, Revista da Indústria, São Paulo, 1 jun. 1998, p.30 70 MEREGE, Luiz Carlos, ALVES, Mário Aquino. Desenvolvendo a filantropia empresarial através da educação: uma experiência brasileira. Cadernos do Terceiro Setor-CETS, São Paulo, n. 1, p. 1-10, nov. 1997. MINDLIN, José. Filantropia, exercício de cidadania. Folha de São Paulo, São Paulo, 24 ago. 1997, Tendências/Debates, p. 3 MORGAN, Gareth. Imagens da organização. 1.ed. São Paulo : Atlas, 1995. 421p. OFFE, Claus. O novo poder. Veja, São Paulo, 8 abr. 1998, p. 11 OSBORNE, David e GAEBLER, Ted. Reinventando o governo: como o espírito empreendedor está transformando o setor público. 10.ed. Brasília : MH, 1998. 436p. PAPPAS, Alceste T. Reengineering your nonprofit organization: a guide to strategic transformation. 1.ed. New York : John Wiley & Sons, 1996. 204p. PEREIRA, Luiz Carlos Bresser, O Estado do século 21, Folha de São Paulo, São Paulo, 28 nov. 1996, Tendências/Debates, p.1-3 71 PEREIRA, Luiz Carlos Bresser e SPINK, Peter (Orgs.). Reforma do Estado e administração pública gerencial. 1.ed. Rio de Janeiro : Fundação Getúlio Vargas, 1998. 316p. RIFKIN, Jeremy. O fim dos empregos: o declínio inevitável dos níveis dos empregos e a redução na força global de trabalho. 1.ed. São Paulo : Makron, 1995. 348p. SICILIANO, Julie I. The relation between formal planning and performance in nonprofit organizations. Nonprofit Management and Leadership, San Francisco, v.7, n. 4, p. 387-403, Summer 1997. SALAMON, Lester. Estratégias para o fortalecimento do terceiro setor. In: III ENCONTRO IBERO-AMERICANO DO TERCEIRO SETOR, 3, 1996, Rio de Janeiro, Memória. São Paulo: GIFE, 1996, p. 88-110 TENÓRIO, Fernando G. (Org.). Gestão de ONGs: principais funções gerenciais. 1.ed. Rio de Janeiro : Fundação Getúlio Vargas, 1997. 140p. WILBUR, Robert H. et al (Orgs.). The complete guide to nonprofit management. 1.ed. New York : John Wiley & Sons, 1994. 326p. 72 ANEXOS 73 Membro LOGOTIPO Cargo Comitê de Gestão para Resultados Área Telefone Data Freqüência Objetivo Estratégico LOGOTIPO Indicador Quantificador Planilha de Indicadores de Desempenho Nível de Agregação Área Data Área LOGOTIPO Indicador de Desempenho Objetivos Estratégicos Quantificador de Desempenho Planilha de Metas de Desempenho Nós Situação Objetiva Referencial Metas de Desempenho Situação Atual Data Quantificador: Freqüência: Objetivo: Problema GRÁFICO DE TENDÊNCIAS LOGOTIPO Plano de Ação Atual Plano de Ação Acumulado Causa CP MP Ação HISTOGRAMA ATUAL Nível de Agregação: Indicador: Data Conclusão Situação HISTOGRAMA ACUMULADO Responsável Área: Monitoramento do Indicador de Desempenho Data LOGOTIPO Problema Ação Planos de Ação Responsável Conclusão Situação Área