O Estado de Goiás e a Região Metropolitana de Goiânia no Censo 2010 Coordenação Aristides Moysés Equipe Responsável: Aristides Moysés1, Débora Ferreira Cunha2, Elcileni de Melo Borges3 Colaboração: Juciano Martins Rodrigues, Rosetta Mammarella Introdução e Contextualização Geral Conforme o resultado do Censo Demográfico 2010 a população residente do Estado de Goiás alcançou 6.003.788 habitantes, e densidade demográfica de 297 hab./km2. No ano 2000 sua população correspondia a 5.003.228 habitantes – significando um aumento em torno de 20% ou 1.000.560 pessoas em números absolutos. A taxa geométrica de crescimento da população goiana no período foi de 1,84% ao ano, crescimento acima da média nacional que foi de 1,17% ao ano. No contexto do Centro-Oeste, desde a década de 1950 até meados da década de 70, com a expansão da fronteira agrícola do país, as taxas de crescimento anual médio da população regional e do Estado de Goiás ficam bem acima da nacional: no decênio 60/70 chegam a 5,60% e 4,38%, respectivamente, contra 2,89% da taxa brasileira. A partir de então, a intensidade do crescimento populacional experimenta queda na região como um todo e no Estado de Goiás em particular: no decênio 70/80 enquanto em Goiás a taxa de crescimento médio anual é de 2,56%, no Centro-Oeste ainda se encontra em 4,05%. Nas décadas de 1980, 1990 e 2000 observam-se tendência à convergência entre ambas as taxas de 1 Economista. Doutor em Ciências Sociais pela PUC/SP (2001). Coordenador e professor do Mestrado em Desenvolvimento e Planejamento Territorial da PUC GOIÁS. Coordenador e Pesquisador do INCT/CNPq/Observatório das Metrópoles: núcleo Goiânia e do GEPUR-CO - CNPq. Email: [email protected]. 2 Economista. Mestre em Transportes pela UnB (2002) e Especialista em Estatística pela UFG (2000). Professora da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Federal de Goiás. INCT/CNPq/Observatório das Metrópoles: núcleo Goiânia. Email: [email protected] 3 Economista. Mestre em Economia Social e do Trabalho pela UNICAMP (2000). Gestora Governamental de Goiás: Agência Goiana de Habitação/Secretaria das Cidades. Pesquisadora do INCT/CNPq/Observatório das Metrópoles: núcleo Goiânia e do GEPUR-CO. Email: [email protected] crescimento, sendo que a taxa regional e de Goiás sempre se situam acima da taxa brasileira. Especificamente no decênio 91/2000 Goiás teve crescimento levemente superior à média do Centro-Oeste: 2,46% contra 2,39% - situação que vai se alternando no decênio 2000-2010: 1,84% contra 1,89% (Gráfico 1). Gráfico 1 – Taxas de Crescimento da População: Goiás, Centro-Oeste e Brasil – 1969/2010 6,0 5,60 5,5 5,0 4,5 4,0 4,05 4,38 3,5 3,01 3,0 2,5 2,89 2,56 2,39 2,33 2,46 2,48 2,0 1,93 1,5 1,90 1,84 1,64 1,0 1,17 0,5 0,0 1960-70 1970-80 Goiás 1980-91 Centro-Oeste 1991-00 2000-10 Brasil Fonte: IBGE, Estatísticas Século XX e Censos Demográficos; Tabulações Especiais NEPO/UNICAMP. Elaboração: Observatório das Metrópoles – Núcleo Goiânia. Nota: A população de Goiás foi reconstituída até o ano de 1970 segundo a atual divisão político-administrativa. Em termos de contingente populacional, Goiás é o Estado mais populoso do CentroOeste, sendo responsável em 2010 por 42,7% da população da região. E no cenário nacional é o 12º Estado do País – sua participação no total da população brasileira vem apresentando um leve e contínuo aumento, situando-se, em 2010, na ordem dos 3,15%. Gráfico 2 – Estoque Populacional – Centro-Oeste e UFs – 1980 a 2010 Fonte: IBGE/Censos Demográficos. Elaboração: Observatório das Metrópoles – Núcleo Goiânia. O expressivo crescimento da população goiana, apesar do cenário de declínio da fecundidade e das taxas de natalidade (uma tendência demográfica nacional) encontra sua explicação mais plausível nos crescentes saldos migratórios que vem sendo mostrado a cada nova pesquisa do IBGE: a região Centro-Oeste como um todo vem se destacando como novo eixo de atração populacional, e o Estado de Goiás, em particular, é o maior receptor de migrantes vindos de vários Estados, sendo classificado como área de média absorção migratória no estudo Deslocamentos Populacionais no Brasil (2011), que tem como base o Censo 2000 e as PNADs 2004 e 2009. Pelos dados dos Censos Demográficos anteriores é possível observar que Goiás alcançou o maior saldo migratório do Centro-Oeste no decênio 90/2000, após o pico alcançado pelo Mato Grosso no decênio 80/90 e pelo Distrito Federal no decênio 70/80 (Gráfico 3). Gráfico 3 – Centro-Oeste: Saldo Migratório Interestadual – 1970/2000 329.727 299.728 297.309 204.348 172.966 112.425 87.097 25.185 24.138 9.092 -15.663 1970-80 -5.223 1980-91 DF GO 1991-00 MT MS Fonte: IBGE, Estatísticas Século XX e Censos Demográficos; Tabulações Especiais NEPO/UNICAMP. Elaboração: Observatório das Metrópoles – Núcleo Goiânia. Nota: A população de Goiás foi reconstituída até o ano de 1970 segundo a atual divisão político-administrativa. A maior parte do crescimento populacional de Goiás ocorreu nas áreas urbanas. A população rural que em 2000 era de 606.583 passou para 583.074 em 2010, significando uma redução da ordem de 3,9%. Entretanto, no decênio anterior, entre 1991/2000, o recuo chegou a 21,3%, revelando redução no êxodo rural. De outro lado, a população urbana que em 2000 era 4.396.645 habitantes, passou para 5.420.714 habitantes em 2010, significando um incremento de 1.024.069 habitantes nas cidades ou crescimento de 23,3%4. A taxa de urbanização em 2010 chegou a 90,30% – bem acima das taxas nacional que foi de 84,36% e do Centro-Oeste que foi de 88,80% (Gráfico 4). 4 Vale lembrar que esse incremento populacional é resultado de um movimento crescente em direção às médias e grandes cidades, sobretudo para o entorno de Goiânia e de Brasília. Esse movimento confirma a tese de que em Goiás e também no Centro-Oeste há um processo de desertificação populacional que implica no esvaziamento das cidades pequenas e inchaço das médias e grandes cidades. No Estado de Goiás, dos 246 municípios, apenas três concentram mais de 1/3 da população do Estado: Goiânia, Aparecida de Goiânia Gráfico 4 – Centro-Oeste: Taxa de Urbanização – 1970/2010 87,9% 81,28% 80,8% 67,79% 67,6% 67,6% 86,73% 81,3% 90,3% 88,80% 84,4% 75,6% 55,9% 48,0% 45,8% 1970 1980 Goiás 1991 Centro-Oeste 2000 2010 Brasil Fonte: IBGE/Censos Demográficos. Elaboração: Observatório das Metrópoles – Núcleo Goiânia. O peso da população metropolitana em Goiás evoluiu de 34,84% no ano 2000 para 36,20% em 2010. Em números absolutos, na década 2000/2010 a população metropolitana ganhou um contingente de 429.844 pessoas, alcançando 2.173.141 de habitantes em 2010 – um crescimento em torno de 25%, superior, portanto, ao crescimento populacional do Estado de 20%. Com o objetivo de explorar esses resultados, o Observatório das Metrópoles – Núcleo Goiânia realizou um levantamento utilizando a divisão mesorregional que partilha o território do Estado de Goiás em 05 mesorregiões geográficas, interrelacionando os dados pela divisão microrregional que partilha o Estado em 18 microrregiões, sua região metropolitana institucionalizada (a RM de Goiânia) e sua participação na aglomeração federal Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno – RIDE DF. O objetivo é identificar tendências demográficas, mais especificamente às mudanças na distribuição e na composição da população entre os anos de 2000 e 2010, destacando, sobretudo a relação da Região Metropolitana e o restante do Estado. Este ensaio é parte de um estudo maior que está sendo feito pelo Observatório das Metrópoles, pretendendo identificar as tendências demográficas das metrópoles brasileiras no contexto de seus respectivos Estados. Divisão Regional Estadual Conforme classificação do IBGE, definida pela Resolução PR nº 11 de 05 de junho de 1990, os 246 municípios goianos estão agrupados em 18 microrregiões geográficas: Anicuns, Anápolis, Aragarças, Catalão, Ceres, Chapada dos Veadeiros, Entorno do Distrito Federal, Goiânia, Iporá, Meia Ponte, Pires do Rio, Porangatu, Quirinópolis, Rio Vermelho, Sudoeste, São Miguel do Araguaia, Vale do Rio dos Bois e Vão do Paraná. Por sua vez, pela divisão mesorregional o território do Estado de Goiás é divido em 05 mesorregiões geográficas: Centro Goiano, Leste Goiano, Noroeste Goiano, Norte Goiano e Sul Goiano. A rede urbana de Goiás tem como principal núcleo espacial o Eixo GoiâniaAnápolis-Brasília, onde se localiza também as duas mesorregiões mais importantes do Estado, tanto em termos de participação quanto em crescimento populacional – atualmente concentra 70% da população goiana – e são elas: o Centro Goiano, que abriga a Região Metropolitana de Goiânia e a microrregião de Anápolis; e o Leste Goiano, que abriga a microrregião do Entorno do Distrito Federal. A segunda aglomeração mais importante do Estado, desde a formação dos primeiros núcleos urbanos em Goiás, está localizada ao Sul do território e tem origem na chamada região do Mato Grosso goiano – região de rico potencial agrícola e hoje o maior pólo do agronegócio estadual, onde está localizada a mesorregião Sul Goiano: atualmente concentra 21,20% da população do Estado e abriga as microrregiões Sudoeste de Goiás e Catalão. As mesorregiões Norte e Noroeste por sua vez, representam as menores participações no total da população de Goiás, e continuam perdendo peso na comparação 2000-2010: 3,67% e 4,90%, respectivamente. A análise de correspondência mesorregião/microrregião geográfica de Goiás pode ser visualizada conforme o Mapa a seguir. Região Metropolitana Institucionalizada A Região Metropolitana de Goiânia - RMG foi criada pela Lei Complementar N. 027 de dezembro de 1999, composta originalmente por 11 municípios que formavam, segundo esta Lei Complementar, a “Grande Goiânia” (Goiânia, Abadia de Goiás, Aparecida de Goiânia, Aragôiania, Goianápolis, Goianira, Hidrolândia, Nerópolis, Santo Antônio de Goiás, Senador Canedo e Trindade). A mesma Lei institui também como espaço metropolitano, o que foi denominado de “Região de Desenvolvimento Integrado de Goiânia (RDIG)” com 7 municípios (Bela Vista, Bonfinópolis, Brazabrantes, Caturaí, Inhumas, Nova Veneza, Terezópolis de Goiás) e posteriormente incluiu Guapo e Caldazinhas, totalizando 9 municípios na RDIG. A Assembléia Legislativa alterou por três vezes a composição da RMG. A primeira em 2004 (Lei Complementar n o 048 de 09 de dezembro) quando inseriu o município de Bela Vista de Goiás; a segunda em 2005 (Lei Complementar n o 054 de 23 de maio de 2005) que tornou parte integrante da RMG o município de Guapó. Atualmente, por meio da Lei Complementar no 078 de 25 de março de 2010, publicado no Diário Oficial de 05-04-2010, a RMG passou a ser composta por 20 (vinte) municípios, ou seja, o espaço metropolitano incorporou o que a Lei Complementar 027 denominava de “Grande Goiânia e de RDIG” 5. Região Metropolitana de Goiânia Fonte: Secretaria de Planejamento de Goiás – SEPLAN Segundo o Censo 2010, a população metropolitana é constituída de 2.173.141 habitantes (conforme mostra a Tabela 4), distribuída num território de 2 aproximadamente 7.315,1 km , o que lhe confere uma densidade demográfica aproximada de 297,07 hab/km2. Incluindo a população de Anápolis6, de 334.613 mil habitantes, a população da região alcança 2.507.754 habitantes, significando que 41,76% da população do Estado vivem em 21 municípios (8,53% dos municípios goianos), os quais distam no máximo 50 Km do pólo metropolitano. A taxa média de crescimento anual da população metropolitana vem se mantendo em 3,0% desde o Censo de 1980. Chama a atenção o fato de a maioria 5 Na base de dados do IBGE referente ao ano 2000, o leitor irá encontrar apenas a população dos 11 municípios integrantes da RM Goiânia no ano 2000, não computados os outros 09 municípios integrantes da RIDG/colar metropolitano. Nos dados divulgados na Sinopse do Censo Demográfico 2010, foram computados os 20 municípios integrantes da RM Goiânia. Para acompanhar a evolução populacional dos 20 municípios, comparando a mesma base de dados nos decênios 2000 e 2010, serão utilizados como referência neste texto os dados do estudo Como Anda Goiânia (2000). 6 Conforme HADDAD, M. B., Anápolis juntamente com Goiânia e Brasília formam os 3 maiores núcleos urbanos da região Centro-Oeste. In: Eixo Goiânia-Anápolis-Brasília: estruturação, interrupção e retomada das políticas públicas, Dissertação de Metrado, PUC.GO/MDPT, 2010. dos municípios apresentarem taxas elevadas de crescimento, todas superiores às do município Pólo – Goiânia. Dada a polarização exercida pela Capital, a conseqüência mais imediata é que muitos dos problemas sociais de Goiânia são gerados nos municípios vizinhos, fato esse que exige dos gestores urbanos desse imenso espaço territorial, ações conjuntas na perspectiva de se alcançar resultados positivos com as políticas públicas de inclusão social. Por sua vez, a Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno – RIDE DF, que coforme sua Lei de criação (Lei Complementar Federal nº 94, de 19 de fevereiro de 1998 e alterações posteriores), é constituída pelo Distrito Federal, 03 municípios de Minas Gerais (Buritis, Cabeceira Grande e Unaí) e 19 municípios goianos – que juntos somam uma população de 1.047.266 milhão de habitantes. Região do Entorno do Distrito Federal Fonte: Secretaria de Planejamento de Goiás – SEPLAN A população total da RIDE DF em 2010 alcançou aproximadamente 3,717 milhões de habitantes, tendo sua área mais densa no centro do território – o Distrito Federal que detêm cerca de 69% da população do aglomerado institucionalizado; seguida pela participação dos municípios goianos – com 1,047 milhão de habitantes ou cerca de 28% da população da região, muitos destes compondo grande área conubarda ao DF, funcionando como verdadeiras cidades “dormitório”, concentrando também as maiores mazelas decorrentes das aglomerações desordenadas: pobreza, desemprego, baixo IDH, déficit de serviços de saúde, educação, saneamento básico e altíssimos índices de violência – os maiores do Estado de Goiás. Somando a população dos três principais núcleos populacionais da região Centro Oeste – Goiânia, Anápolis e Brasília, localizadas em espaço geograficamente próximo, estas cidades juntas concentram mais da metade de toda a população da região: 6,224 milhões de habitantes, formando o terceiro conglomerado urbano e mercado consumidor do país (atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro), sendo que as Regiões Metropolitanas de Brasília e de Goiânia são as duas que mais crescem no Brasil, conforme os dados do IBGE – há projeções que chegam a indicar que essa região dentro de algumas décadas estará totalmente conurbada, formando uma “megalópole” no Brasil Central. Estado de Goiás – Localização da RM de Goiânia e RIDE DF Crescimento e Distribuição da População Aproximadamente 70% da população goiana se concentram nas mesorregiões Centro e Leste Goiano. Na última década, essas duas mesorregiões continuaram aumentando sua participação na população total do Estado e registraram também os maiores crescimentos proporcionais entre as demais: 20,55% e 27,84%, respectivamente; seguida pela mesorregião Sul Goiano que mostrou desempenho próximo ao registrado no Centro do Estado de 20,26%. Ao passo que as mesorregiões com as menores participações na população do Estado continuam perdendo peso e tiveram crescimento ínfimo: Noroeste teve crescimento nulo (0,37%) e a Norte crescimento de 4,10% (Tabela 1 e Gráfico 5). Tabela 1 - Goiás: Distribuição populacional por Mesorregião (2000/2010) Mesorregião População Total Residente Participação na UF 2010 2.535,613 3,056,794 50.68 50.91 20,55 1.9 Leste Goiano 907,168 1,159,722 18.13 19.32 27,84 2.5 Noroeste Goiano 219,718 220,541 4.39 3.67 0,37 0.0 Norte Goiano 282,521 294,110 5.65 4.90 4,10 0.4 Sul Goiano 1,058,208 1,272,621 21.15 21.20 20,26 1.9 GO 5.003.228 6.003.788 1.8 190.755.799 100.0 - 20,00 169.799.170 100.0 - 12,34 1.2 Brasil % 2010 Taxa Geométrica de crescimento ( a. a.) 2000 Centro Goiano % 2000 Incremento % Gráfico 5 – Participação da População das Mesorregiões Goiás – 2000/2010 50,7% 50,9% 21,2% 21,2% 18,1% 19,3% 4,4% 3,7% Centro Goiano Leste Goiano Noroeste Goiano 2000 5,6% 4,9% Norte Goiano Sul Goiano 2010 Fonte: IBGE/Censos Demográficos. Elaboração: Observatório Núcleo Goiânia. Pela divisão microrregional, a distribuição populacional no território goiano permite observar em menor escala a localização dos maiores incrementos populacionais: chama a atenção o desempenho da microrregião Sudoeste com o maior crescimento proporcional de Goiás (29,73%); levemente superior ao crescimento observado na microrregião do Entorno de Brasília 7 (29,23%); seguida pelas microrregiões: Goiânia (25,21%); Catalão (24,70%); Quirinópolis (18,59%); Vão do Paraná (16,75%); Anápolis (16,32%); Meia Ponte (15,05%); Vale do Rio dos Bois (12,34 %) e Chapada dos Veadeiros (11,68%), a partir daí todas as microrregiões tem crescimento abaixo de 10%, destacando o decréscimo das microrregiões Rio Vermelho (3,48%) e Iporá (-5,22%) (Tabela 2 e Gráfico 6). Tabela 2 - Goiás: Distribuição populacional por Microrregião (2000/2010) Microrregião Geográfica Taxa População Total Residente Participação na UF 2000 2000 % 2010 % 1,48% 1,83% 1,07% 4,53% 1,28% 1,47% 0,92% 3,85% 3,42% -3,48% 3,30% 2,21% 0,34 -0,35 0,33 0,22 1,04% 3,85% 9,00% 0,98% 1,82% 35,26% 1,79% 11,68% 8,97% 16,32% -5,22% 7,52% 25,21% 16,75% 1,11 0,86 1,52 -0,53 0,73 2,27 1,56 2010 Incremento Geométrica de % crescimento ( a. a.) São Miguel do Araguaia 74.165 76.701 Rio Vermelho 91.573 88.389 Aragarças 53.677 55.451 Porangatu 226.420 231.426 56.129 62.684 Ceres 212.199 231.239 Anápolis 464.412 540.220 62.338 59.086 Anicuns 101.855 109.519 Goiânia 1.690.518 2.116.730 91.913 107.311 1,12% 4,24% 9,28% 1,25% 2,04% 33,79% 1,84% 814.340 1.052.411 16,28% 17,53% 29,23% 2,60 344.134 446.433 6,88% 7,44% 29,73% 2,64 101.095 113.566 314.062 361.323 2,02% 6,28% 1,72% 2,36% 1,87% 100,0 1,89% 6,02% 1,55% 2,45% 1,85% 100,0 12,34% 15,05% 8,31% 24,70% 18,59% - 1,17 1,41 0,80 2,23 1,72 - Chapada dos Veadeiros Iporá Vão do Paranã Entorno do Distrito Federal Sudoeste de Goiás Vale do Rio dos Bois Meia Ponte Pires do Rio Catalão Quirinópolis Total Goiás 86.065 93.214 118.103 147.276 93.441 110.809 5.003.228 6.003.788 Fonte: IBGE–Censos Demográficos. Elaboração:Observatório das Metrópoles – Núcleo Goiânia. 7 Na divisão geográfica Microrregião Entorno do Distrito Federal são contabilizados 20 municípios goianos: está incluído além dos 19 da RIDE DF o município de Vila Propício, que em 2010 alcançou uma população de 5.145 habitantes. Gráfico 6 – Distribuição proporcional do crescimento da população por Microrregião - GOIÁS - 2010 18,59% Quirinópolis 24,70% Catalão 8,31% Pires do Rio 15,05% Meia Ponte 12,34% Vale do Rio dos Bois 29,73% Sudoeste de Goiás 29,23% Entorno de Brasília 16,75% Vão do Paranã 25,21% Goiânia 7,52% Anicuns -5,22% Iporá 16,32% Anápolis 8,97% Ceres 11,68% Chapada dos Veadeiros 2,21% Porangatu 3,30% Aragarças -3,48% Rio Vermelho 3,42% São Miguel do Araguaia -10% -5% 0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% 35% Fonte: IBGE/Censos Demográficos. Elaboração: Observatório Núcleo Goiânia. Entre os 246 municípios goianos os 10 primeiros no ranking das taxas geométricas de crescimento do Estado de Goiás foram: Chapadão do Céu, localizada no sul do Estado, que em 2000 possuía 3.778 habitantes, passando para 7.001 habitantes em 2010, significando um crescimento de 85,20% e uma taxa anual de 6,36%; Goianira (6,17%), Alto Horizonte (5,8%), Baliza (5,05%), Flores de Goiás (4,85%), Senador Canedo (4,75%), Rio Quente (4,68%), São João d'Aliança (4,29%), Santo Antônio de Goiás (4,24%) e Rio Verde (4,23%). Comparando os dados do total do Estado com a RM de Goiânia e os municípios goianos integrantes da RIDE DF, observa-se que o incremento populacional nas áreas metropolitanas fica bem acima do crescimento de Goiás. No total da RM Goiânia (incremento de 24,66%), foi agregado 429.844 habitantes na última década – o que significa 42,96% do crescimento absoluto de Goiás, com destaque para o crescimento da Periferia da metrópole8 (incremento de 33,96%) e dos municípios da RIDE DF (incremento de 29,18%) (Tabela 3). Tabela 3 – População e participação das RMs no total da população de Goiás População Residente Total REGIÃO Participação na UF GOIÁS 2000 5.003.228 2010 6.003.788 RM Goiânia 1.743.297 2.173.141 34,84% 1.093.007 1.302.001 650.290 871.140 Núcleo – Goiânia Periferia 2000 % 100,0 2010 % 100,0 Taxa Incremento Geométrica de % crescimento ( a. a.) 20,00% 1,84 36,20% 24,66% 2,23 21,85% 21,69% 19,12% 1,77 13,00% 14,51% 33,96% 2,97 RIDE DF* 29,18% 2,59 810.701 1.047.266 16,20% 17,44% Periferia Fonte: IBGE – Censos Demográficos. Elaboração: Observatório das Metrópoles – Núcleo Goiânia. * Nota: apenas a população dos municípios goianos integrantes da RIDE DF. Com relação ao peso da população metropolitana no total do Estado, é possível observar que quando se separa a RM de Goiânia da mesorregião Centro Goiano somente a metrópole abriga 2/3 da população estadual e aumentou sua participação de 34,8% para 36,2% entre 2000-2010, enquanto que no restante da região houve decréscimo populacional de 15,8% para 14,7% (Gráfico 7). Gráfico 7 – População residente por regiões – Goiás – 2000/2010 100% 90% 21,2% 21,2% 5,6% 80% 70% 4,4% 4,9% 3,7% 60% 18,1% 19,3% Sul Goiano Norte Goiano Noroeste Goiano 50% Leste Goiano Centro Goiano/RMG 40% Centro Goiano 34,8% 36,2% 15,8% 14,7% 2000 2010 30% 20% 10% 0% Fonte: IBGE/Censos Demográficos. Elaboração: Observatório Núcleo Goiânia. 8 Considera-se como periferia da metrópoles os 19 municípios que compõem a RM Goiânia. Internamente a metrópole goianiense, verifica-se que o peso populacional do Núcleo metropolitano e da Periferia segue caminhos inversos: enquanto o Núcleo vai perdendo peso – de 62,7% para 59,9% da população metropolitana; a Periferia vai aumentando sua fatia populacional – de 37,3% para 40,1% da população da metrópole (Gráfico 8). Gráfico 8 – Participação Núcleo Periferia no total da população da RMG – 2000 e 2010 62,7% 59,9% Núcleo Goiânia (GO) Periferia Goiânia (GO) 37,3% 40,1% 2000 2010 Fonte: IBGE/Censos Demográficos. Elaboração: Observatório Núcleo Goiânia. A mesma leitura pode ser feita quando se compara as taxas de crescimento anual entre as mesorregiões e a RM de Goiânia dividida em seu Núcleo e Periferia. As pequenas diferenças na participação percentual de algumas regiões do interior do Estado ganham maior destaque quando se analisam as dinâmicas regionais separadamente. Observando as taxas de crescimento populacional no período de 2000 a 2010, verifica-se que a Região Metropolitana, e mais especificamente a Periferia de Goiânia apresentou o maior crescimento populacional: quase 3,0% a.a. – contra 1,8% de crescimento ao ano do Estado e do Núcleo da RM de Goiânia. Em seguida está a Região Leste Goiano, com crescimento populacional de 2,5%, enquanto as Regiões Sul e Centro Goiano cresceram 1,9% no período. As demais regiões do Estado tiveram crescimento nulo (0,4%) (Gráfico 9). Gráfico 9 – Taxa de crescimento por regiões: Estado de Goiás – 2000/2010 1,8 Estado GO 1,8 Núcleo 3,0 Periferia 2,2 RMG 1,9 Sul Goiano 0,4 Norte Goiano 0,0 Noroeste Goiano 2,5 Leste Goiano Centro Goiano 1,9 0,0 0,5 1,0 1,5 2,0 2,5 3,0 3,5 Fonte: IBGE/Censos Demográficos. Elaboração: Observatório das Metrópoles – Núcleo Goiânia. Entre os municípios da RM de Goiânia, observa-se que o Pólo – a capital Goiânia – apresentou baixo crescimento em relação aos municípios do entorno metropolitano: a população de Goiânia, em 10 anos passou de 1.093.007 habitantes para 1.302.001, com taxa de crescimento a. a. de 1,79% apenas. Se considerarmos os limites territoriais como meros arranjos administrativos, já que para a população esses limites não significam nada em termos de mobilidade urbana, o que se constata é que a metrópole goianiense continua em franco crescimento, porém, cresce para fora de si mesma. Em outros termos, Goiânia é de fato a cidade metropolitana que atrai os fluxos migratórios, porém, grande parte desse fluxo, por razões econômicas e sociais vão buscar solução de moradia nos municípios de seu entorno. A partir desses municípios demanda a metrópole em busca de trabalho, dos equipamentos de saúde e de educação. Conforme mostrado anteriormente, três municípios metropolitanos figuram entre as 10 maiores taxas anuais de crescimento de Goiás: Goianira (6,17% - Alta Integração), Senador Canedo (4,74% - Muito Alta Integração) e Santo Antônio de Goiás (4,21% - Média Integração). Os municípios de Abadia de Goiás e Bonfinópolis tiveram maior crescimento (3,29% - Baixa integração e 3,48% - Média integração) do que Aparecida de Goiânia (3,08% - Muito Alta integração) – já totalmente conurbado ao Pólo e o maior município em porte populacional de Goiás. Outros municípios com integração baixa e média ao pólo metropolitano tiveram crescimento acima de 2,5%: Hidrolândia (2,89%); Aragoiânia (2,69%); Nerópolis (2,67%), Terezópolis (2,59%) e Trindade (2,58%). Os demais municípios da RM de Goiânia tiveram crescimento abaixo de 2,5% – chamando atenção o desempenho de Goianápolis com taxa nula de crescimento (0,01%) (Tabela 4). Tabela 4 - RM de Goiânia: População e Taxa Geométrica de crescimento (a. a.) Municípios Nível de Integração População Total Residente 2000 Abadia de Goiás Baixa Aparecida de Goiânia Muito Alta Aragoiânia 2010 Taxa geométrica % de crescimento crescimento (a. a.) 2010% Participação na UF 2000% 4.971 6.876 0,10 0,11 38,32% 3,29 336.392 455.657 6,72 7,59 35,45% 3,08 Baixa 6.424 8.365 0,13 0,14 30,21% 2,69 Bela Vista de Goiás Muito Baixa 19.210 24.554 0,38 0,41 27,82% 2,48 Bonfinópolis Média 5.353 7.536 0,11 0,13 40,78% 3,48 Brazabantes 2.772 3.232 0,06 0,05 16,59% 1,57 Caldazinha Baixa Muito Baixa 2.859 3.325 0,06 0,06 16,30% 1,51 Caturaí Baixa 4.330 4.686 0,09 0,08 8,22% 0,76 Goianápolis Baixa 10.671 10.695 0,21 0,18 0,22% 0,01 Goiânia Pólo 1.093.007 1.302.001 21,85 21,69 19,12% 1,76 Goianira Alta 18.719 34.060 0,37 0,57 81,95% 6,17 Guapo Baixa 13.863 13.976 0,28 0,23 0,82% 0,10 Hidrolândia Baixa 13.086 17.398 0,26 0,29 32,95% 2,89 Inhumas Baixa 43.897 48.246 0,88 0,80 9,91% 0,94 Nerópolis Média 18.578 24.210 0,37 0,40 30,32% 2,67 Nova Veneza Baixa 6.414 8.129 0,13 0,14 26,74% 2,40 Santo Antonio de Goiás Média 3.106 4.703 0,06 0,08 51,42% 4,21 53.105 84.443 1,06 1,41 59,01% 4,74 Baixa 5.083 6.561 0,10 0,11 29,08% 2,59 Trindade Média 81.457 104.488 1,63 1,74 28,27% 2,52 Total - 1.743.297 2.173.141 34,84 36,20 24,66% 2,23 Senador Canedo Muito Alta Terezópolis de Goiás Fonte: IBGE/Censos Demográficos. Elaboração: Observatório das Metrópoles – Núcleo Goiânia. Composição da População A população feminina é predominante em Goiás e vem aumentando mais rapidamente que o número de homens: são 3.022.161 mulheres e 2.981.627 homens, o que resulta numa proporção de 98 homens para cada 100 mulheres (ou 40.534 mulheres a mais). Em 2000, essa diferença era menor: 18.352 mulheres a mais, o que resultava numa proporção de 99,2 homens para cada 100 mulheres. Na média do Brasil, em 2010, a proporção é de 96 homens para cada 100 mulheres. Entre as mesorregiões destaca se o Centro Goiano tem a maior concentração da população feminina: em 2010 chegou a 70.794 mil mulheres a mais que homens, enquanto em todas as outras mesorregiões o quantitativo de homens é maior que o de mulheres, o que amortece um pouco a diferença no total da população do Estado de Goiás. Por sua vez, a RM de Goiânia concentra quase todo o excedente feminino do Centro Goiano: são 67.129 mil mulheres a mais que homens. E nos municípios da RIDE DF a população feminina alcançou um excedente de 2.868 mil mulheres em 2010 – invertendo a o excedente masculino observado na década anterior: 2.127 mil homens (Tabela 5). Tabela 5 – Goiás - População residente por sexo Homens Mulheres REGIÃO 2000 GOIÁS (total) Mesorregião Centro Goiano Leste Goiano Noroeste Goiano Norte Goiano Sul Goiano RM Goiânia 2010 2000 2010 Diferença (Excedente Fem.) 2000 2010 2.492.438 2.981.627 2.510.790 3.022.161 18.352 40.534 1.241.522 1.493.000 1.294.091 1.563.794 52.569 70.794 456.158 580.534 451.010 579.188 -5.148 -1.346 113.009 112.717 106.709 107.824 -6.300 -4.893 144.971 149.592 137.550 144.518 -7.421 -5.074 536.778 645.784 521.430 626.837 -15.348 -18.947 51.967 67.129 847.665 1.055.016 899.632 1.122.145 2.868 406.414 522.199 404.287 525.067 -2.127 RIDE DF* Fonte: IBGE/Censos Demográficos. Elaboração: Observatório das Metrópoles – Núcleo Goiânia. Na RM Goiânia, somente no município pólo – a capital Goiânia, o excedente da população feminina é de 60.287 mulheres a mais: um total de 681.144 mulheres e 620.857 homens. No restante do Centro Goiano, que abrange grande parte dos municípios da RMG, verifica-se uma diferença menor no quantitativo de mulheres, evidenciando que os homens parecem viver mais nos espaços não-metropolitanos. Na área metropolitana, observa-se a concentração da população feminina nos centros com mercado de trabalho mais desenvolvidos e com maior integração à metrópole, destacando os municípios de Aparecida de Goiânia, Trindade e o município Pólo – Goiânia. Apenas no município de Inhumas, que tem Baixa integração à metrópole, observa-se a predominância de mulheres (Tabela 6). Tabela 6 – RM de Goiânia - População residente por sexo Municípios Homens 2000 Abadia de Goiás Aparecida de Goiânia Aragoiânia Goianápolis Goiânia Sexo População Total 4.971 336.392 2010 6.876 2000 2.522 455.657 166.916 6.424 8.365 3.248 10.671 10.695 5.493 1.093.007 1.302.001 521.055 Goianira 18.719 34.060 9.417 Hidrolândia 13.086 17.398 Nerópolis 18.578 24.210 3.106 Senador Canedo 2010 3.371 Mulheres 2000 2010 Diferença (excedente Fem.) 2000 2010 2.449 3.505 -73 134 224.798 169.476 230.859 2560 6061 4.100 -72 -165 4.265 3.176 5.453 5.178 5.242 -315 -211 620.857 571.952 681.144 50897 60287 16.940 -115 -180 17.120 9.302 6.804 8.942 6.282 8.456 -522 -486 9.254 11.923 9.324 12.287 70 364 4.703 1.602 2.389 1.504 2.314 -98 -75 53.105 84.443 26.591 42.211 26.514 42.232 -77 21 Trindade 81.457 104.488 40.169 51.445 41.288 53.043 1119 1598 Bela Vista de Goiás Santo Antonio de Goiás 19.210 24.554 9.923 12.612 9.287 11.942 -636 -670 Bonfinópolis 5.353 7.536 2.781 3.777 2.572 3.759 -209 -18 Brazabantes 2.772 3.232 1.427 1.646 1.345 1.586 -82 -60 Caldazinha 2.859 3.325 1.538 1.689 1.321 1.636 -217 -53 Caturaí 4.330 4.686 2.258 2.398 2.072 2.288 -186 -110 Guapo 13.863 13.976 6.992 6.970 6.871 7.006 -121 36 Inhumas 43.897 48.246 21.785 23.666 22.112 24.580 327 914 Nova Veneza 6.414 8.129 3.304 4.128 3.110 4.001 -194 -127 Terezópolis de Goiás 5.083 6.561 2.586 3.346 2.497 3.215 -89 -131 1.743.297 2.173.141 845.665 1.053.006 897.632 1.120.135 51.967 67.129 Total RM de Goiânia Fonte: IBGE/Censos Demográficos. Elaboração: Observatório das Metrópoles – Núcleo Goiânia. O processo de urbanização do Estado de Goiás é mais acentuado quando se olha o desempenho dos municípios metropolitanos, principalmente nos casos em que a urbanização já alcança praticamente o total da população, exemplos de Aparecida de Goiânia, Goiânia, Goianira e Senador Canedo. Outros 6 municípios metropolitanos têm mais 90% da população vivendo nas cidades, e na média metrópole a taxa de urbanização é 98,0%. Tabela 7 – RM de Goiânia – População por situação do domicílio e taxa de urbanização Municípios Abadia de Goiás Aparecida de Goiânia População Total Residente 2000 2010 Situação do Domicílio Urbana Rural 2000 2010 2000 2010 Taxa de urbanização 2000 2010 4.971 6.876 3.096 5.081 1.875 1.795 62,3 73,9 336.392 455.657 335.547 455.193 845 464 99,7 99,9 6.424 8.365 4.262 5.528 2.162 2.837 66,3 66,1 19.210 24.554 12.278 17.955 6.932 6.599 63,9 73,1 Bonfinópolis 5.353 7.536 4.908 7.021 445 515 91,7 93,2 Brazabantes 2.772 3.232 1.723 2.170 1.049 1.062 62,2 67,1 Caldazinha 2.859 3.325 1.194 1.918 1.665 1.407 41,8 57,7 4.330 4.686 3.117 3.664 1.213 1.022 72,0 78,2 10.671 10.695 9.805 9.691 866 1.004 91,9 90,6 1.302.001 1.085.806 1.297.076 7.201 4.925 99,3 99,6 Aragoiânia Bela Vista de Goiás Caturaí Goianápolis Goiânia 1.093.007 Goianira 18.719 34.060 18.064 33.451 655 609 96,5 98,2 Guapo 13.863 13.976 9.916 11.333 3.947 2.643 71,5 81,1 Hidrolândia 13.086 17.398 7.836 10.470 5.250 6.928 59,9 60,2 Inhumas 43.897 48.246 39.976 45.103 3.921 3.143 91,1 93,5 Nerópolis 18.578 24.210 17.253 23.229 1.325 981 92,9 95,9 Nova Veneza Santo Antonio de Goiás 6.414 8.129 5.354 7.026 1.060 1.103 83,5 86,4 3.106 4.703 2.564 4.271 542 432 82,5 90,8 Senador Canedo 53.105 84.443 50.442 84.111 2.663 332 95,0 99,6 Terezópolis de Goiás Trindade Total RM de Goiânia 5.083 6.561 1.775 5.677 1.467 884 34,9 86,5 81.457 104.488 78.199 100.106 3.258 4.382 96,0 95,8 2.173.141 1.693.115 2.130.074 48.341 43.067 97,1 98,0 1.743.297 Fonte: IBGE/Censos Demográficos. Elaboração: Observatório das Metrópoles – Núcleo Goiânia. Tendência ao Envelhecimento Em consonância com o restante do país, os dados do Censo 2010 mostram uma tendência de envelhecimento da população goiana. A diminuição na proporção da população jovem é observada em todos os grupos de idade entre 0 e 24 anos – com destaque para a redução no grupo de 0 a 4 anos (-24,4%). O aumento na proporção da população adulta e de idosos é observado em todos os grupos etários a partir dos 40 anos – somente os grupos com mais de 60 anos teve sua proporção aumentada de 7,2% em 2000 para 9,3% em 2010. Na RM de Goiânia destaca o aumento proporcional dos grupos etários entre 25 e 29 anos – passando de 9,4% em 2000 para 10,0% em 2010 (Tabela 8). Tabela 8 – Goiás e RM de Goiânia: População residente e proporção segundo os Grupos de Idade REGIÃO GRUPOS DE IDADE População Total Goiás 2000 5.003.228 relativo 100,0 Goiás 2010 6.003.788 relativo Variação 20102000 100,0 - RM Goiânia 2000 1.743.297 relativo 100,0 RM Goiânia 2010 2.173.141 relativo Variação 20102000 100,0 - 0_a_4_ 482.645 9,6% 437.864 7,3% -24,4% 158.734 9,1% 152.783 7,0% -22,8% 5_a_9_ 486.892 9,7% 472.727 7,9% -19,1% 158.603 9,1% 159.053 7,3% -19,6% 10_a_14_ 497.208 9,9% 530.958 8,8% -11,0% 165.275 9,5% 179.969 8,3% -12,6% 15_a_19_ 520.838 10,4% 533.590 8,9% -14,6% 186.042 10,7% 192.173 8,8% -17,1% 20_a_24_ 504.075 10,1% 554.139 9,2% -8,4% 189.590 10,9% 215.777 9,9% -8,7% 25_a_29_ 450.048 9,0% 556.602 9,3% 3,1% 164.450 9,4% 217.495 10,0% 6,1% 30_a_34_ 419.989 8,4% 532.272 8,9% 5,6% 149.663 8,6% 202.115 9,3% 8,3% 35_a_39_ 376.273 7,5% 473.632 7,9% 4,9% 136.125 7,8% 172.469 7,9% 1,6% 40_a_44_ 309.796 6,2% 431.001 7,2% 15,9% 113.534 6,5% 155.298 7,1% 9,7% 45_a_49_ 248.631 5,0% 371.724 6,2% 24,6% 89.787 5,2% 135.762 6,2% 21,3% 50_a_54_ 196.652 3,9% 305.366 5,1% 29,4% 68.945 4,0% 113.107 5,2% 31,6% 55_a_59_ 151.365 3,0% 242.288 4,0% 33,4% 49.654 2,8% 87.652 4,0% 41,6% 60_a_64_ 124.907 2,5% 185.837 3,1% 24,0% 39.683 2,3% 64.908 3,0% 31,2% 65_a_69_ 92.106 1,8% 138.430 2,3% 25,2% 28.946 1,7% 45.881 2,1% 27,2% 70_a_74_ 63.612 1,3% 103.852 1,7% 36,1% 19.964 1,1% 34.199 1,6% 37,4% 75_a_79_ 39.790 0,8% 66.579 1,1% 39,4% 12.380 0,7% 22.059 1,0% 42,9% 80_mais_ 38.401 0,8% 66.927 1,1% 45,2% 11.922 0,7% 22.441 1,0% 51,0% Fonte: IBGE/Censos Demográficos. Elaboração: Observatório das Metrópoles - Núcleo Goiânia. Tais mudanças na estrutura demográfica de Goiás traduzem a reconfiguração da sua pirâmide etária: estreitamento da base da pirâmide – com a redução dos grupos mais jovens, e alargamento do topo da pirâmide – inversão na proporção dos grupos etários adultos (a partir do intervalo 25 a 29 anos): o grupo entre 60 e 64 anos alcança 3,1% da população; entre 65 e 69 anos alcança 2,3% da população; e o grupo de 80 anos e mais com 1,1% da população. Gráfico 11 – Pirâmide Etária: Estado de Goiás: 2000/2010 mais 80 75 a 79 70 a 74 65 a 69 60 a 64 55 a 59 50 a 54 45 a 49 40 a 44 35 a 39 30 a 34 25 a 29 20 a 24 15 a 19 10 a 14 5a9 0a4 -6,0% -5,0% -4,0% -3,0% -2,0% -1,0% 0,0% 2000 1,0% 2,0% 3,0% 4,0% 5,0% 6,0% 2010 Fonte: IBGE/Censos Demográficos. Elaboração: Observatório das Metrópoles - Núcleo Goiânia. Nas pirâmides etárias da RM de Goiânia, separando o município Pólo – Goiânia e os demais municípios metropolitanos, essa reconfiguração piramidal é ainda mais acentuada: maior estreitamento da base da pirâmide (redução de todos os grupos entre o e 19 anos); alargamento do centro da pirâmide (grupos entre 25 e 34 anos) e do topo da pirâmide (grupos a partir de 40 anos de idade). Gráfico 12 – Pirâmide Etária: Município de Goiânia: 2000/2010 mais 80 75 a 79 70 a 74 65 a 69 60 a 64 55 a 59 50 a 54 45 a 49 40 a 44 35 a 39 30 a 34 25 a 29 20 a 24 15 a 19 10 a 14 5a9 0a4 -6,0% -5,0% -4,0% -3,0% -2,0% -1,0% 0,0% 1,0% 2000 2,0% 3,0% 4,0% 5,0% 6,0% 7,0% 2010 Gráfico 13 – Pirâmide Etária: Demais municípios da Região Metropolitana de Goiânia: 2000/2010 mais 80 75 a 79 70 a 74 65 a 69 60 a 64 55 a 59 50 a 54 45 a 49 40 a 44 35 a 39 30 a 34 25 a 29 20 a 24 15 a 19 10 a 14 5a9 0a4 -6,0% -5,0% -4,0% -3,0% -2,0% -1,0% % 0,0% 2000 1,0% 2,0% 3,0% 4,0% 5,0% 6,0% 7,0% 2010 Fonte: IBGE/Censos Demográficos. Elaboração: Observatório das Metrópoles – Núcleo Goiânia. Considerações finais O Estado de Goiás na última década experimentou crescimento populacional acima da media do Brasil e similar a do Centro-Oeste: a taxa geométrica de crescimento da população goiana (a. a.) no período foi de 1,84% ao ano, ante a 1,17% da média nacional e 1,90% do Centro-Oeste. O expressivo crescimento da população goiana, apesar do cenário de declínio da fecundidade e das taxas de natalidade encontra sua explicação mais plausível nos crescentes saldos migratórios que vem sendo mostrado a cada nova pesquisa do IBGE: o estudo Deslocamentos Populacionais no Brasil (2011), mostra que “a região Centro-Oeste como um todo vem se destacando como novo eixo de atração populacional, e o Estado de Goiás, em particular, é o maior receptor de migrantes vindos de vários Estados, sendo classificado como área de média absorção migratória”. A maior parte do crescimento populacional de Goiás ocorreu nas áreas urbanas. A taxa de urbanização do Estado chegou a 90,30% em 2010 – bem acima das taxas nacional que foi de 84,36% e do Centro-Oeste que foi de 88,80%. Em três municípios da Região Metropolitana institucionalizada, a urbanização já alcança praticamente o total da população, exemplos de Aparecida de Goiânia, Goiânia e Senador Canedo (que tem taxas de urbanização acima de 99%). A taxa média de crescimento da Região Metropolitana de Goiânia foi maior que a do Estado de Goiás: de 2,23% – sendo a Periferia teve crescimento maior: 2,97% ante a taxa de crescimento de 1,77% do Núcleo Metropolitano. Pela divisão mesorregional observa-se que aproximadamente 70% da população goiana se concentram nas mesorregiões Centro e Leste Goiano (que abrigam a RM Goiânia e RIDE DF). Na última década, essas duas mesorregiões continuaram aumentando sua participação na população total do Estado e registraram também os maiores crescimentos proporcionais entre as demais: 20,55% e 27,84%. Entre as 5 mesorregiões goianas, somente a mesorregião Sul Goiano (de rico potencial agrícola – complexos grãos e aves, e setor sucroalcooleiro) mostrou desempenho próximo ao registrado no Centro do Estado: crescimento de 20,26%. Pela divisão microrregional a distribuição populacional no território goiano mostra a microrregião Sudoeste (no Sul Goiano) com o maior crescimento proporcional de Goiás (29,73%) – levemente superior ao crescimento observado na microrregião do Entorno de Brasília (29,23%). Com relação ao peso da população metropolitana no total do Estado, é possível observar que quando se separa a RM de Goiânia da mesorregião Centro Goiano somente a metrópole abriga 2/3 da população estadual e aumentou sua participação de 34,8% para 36,2% entre 2000-2010. Internamente a metrópole goianiense, verifica-se que o peso populacional do Núcleo metropolitano e da Periferia segue caminhos inversos: enquanto o Núcleo vai perdendo peso – de 62,7% para 59,9% da população metropolitana; a Periferia vai aumentando sua fatia populacional – de 37,3% para 40,1% da população da metrópole. Três municípios metropolitanos figuram entre as 10 maiores taxas anuais de crescimento de Goiás: Goianira (6,17% - Alta Integração), Senador Canedo (4,74% - Muito Alta Integração) e Santo Antônio de Goiás (4,21% - Média Integração). A população feminina é predominante em Goiás e vem aumentando mais rapidamente que o número de homens: são 3.022.161 mulheres e 2.981.627 homens, o que resulta numa proporção de 98 homens para cada 100 mulheres (ou 40.534 mulheres a mais). Entre as mesorregiões destaca se o Centro Goiano tem a maior concentração da população feminina: em 2010 chegou a 70.794 mil mulheres a mais que homens, enquanto em todas as outras mesorregiões o quantitativo de homens é maior que o de mulheres. Por sua vez, a RM de Goiânia concentra quase todo o excedente feminino do Centro Goiano: são 67.129 mil mulheres a mais que homens. Em consonância com o restante do país, os dados do Censo 2010 mostram uma tendência de envelhecimento da população goiana. Tais mudanças na estrutura demográfica de Goiás traduzem a reconfiguração da sua pirâmide etária: estreitamento da base da pirâmide – com a redução dos grupos mais jovens, e alargamento do topo da pirâmide – inversão na proporção dos grupos etários adultos (a partir do intervalo 25 a 29 anos): o grupo entre 60 e 64 anos alcança 3,1% da população; entre 65 e 69 anos alcança 2,3% da população; e o grupo de 80 anos e mais com 1,1% da população. Na RM de Goiânia, separando o município Pólo – Goiânia e os demais municípios metropolitanos, essa reconfiguração piramidal é ainda mais acentuada: maior estreitamento da base da pirâmide (redução de todos os grupos entre o e 19 anos); alargamento do centro da pirâmide (grupos entre 25 e 34 anos) e do topo da pirâmide (grupos a partir de 40 anos de idade). Segundo o Censo 2010, a população metropolitana (20 municípios) é constituída de 2.173.141 habitantes (conforme mostra a Tabela 4), distribuída num território de aproximadamente 7.315,1 km2, o que lhe confere uma densidade demográfica aproximada de 297,07 hab/km2. Desde o Censo de 1980, a taxa média de crescimento anual da população metropolitana vem se mantendo em 3,0%. Chama a atenção o fato de a maioria dos municípios apresentarem taxas elevadas de crescimento, todas superiores às do município Pólo – Goiânia. Incluindo a população de Anápolis (Eixo Goiânia-Anápolis-Brasília) de 334.613 mil habitantes, a população dessa região alcança 2.507.754 habitantes – significando que 41,76% da população do Estado vivem em 21 municípios (8,53% dos municípios goianos), os quais distam no máximo 50 Km do pólo metropolitano – a capital Goiânia. Dada a polarização exercida pela Capital, a conseqüência mais imediata é que muitos dos problemas sociais de Goiânia são gerados nos municípios vizinhos, fato esse que exige dos gestores urbanos desse imenso espaço territorial, ações conjuntas na perspectiva de se alcançar resultados positivos com as políticas públicas de inclusão social. Considerando a população dos municípios goianos integrante da RIDE DF, que juntos somam uma população de 1.047.266 milhão de habitantes (28% da população da RIDE DF), são 3.889.633 habitantes neste espaço geográfico. E somando a totalidade da população da RIDE DF que em 2010 alcançou aproximadamente 3,717 milhões de habitantes, os três principais núcleos populacionais da região Centro-Oeste juntos concentram mais da metade de toda a população da região: 6. 224 milhões de habitantes, formando o terceiro conglomerado urbano e mercado consumidor do país – e na comparação com as demais regiões metropolitanas a RM de Goiânia e a RIDE DF são as duas que mais crescem no Brasil, conforme os dados do IBGE. Concentrando também as maiores mazelas decorrentes das aglomerações desordenadas: pobreza, desemprego, baixo IDH, déficit de serviços de saúde, educação, saneamento básico e altíssimos índices de violência. Referências GOIÁS. Secretaria de Gestão e Planejamento/Superintendência de Estatística, Pesquisa e Informações Socioeconômicas http://www.seplan.go.gov.br/sepin HADDAD, M. B. Eixo Goiânia-Anápolis-Brasília: estruturação, interrupção e retomada das políticas públicas, Dissertação de Mestrado, PUC.GO/MDPT, 2010. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Sinopse do Censo Demográfico 2010. Rio de Janeiro, 2011. OLIVEIRA, A. FRANCISCO. Entrevista para Clenon Ferreita, ao Jornal Tribuna do Planalto. 29 de julho de 2011, abordando a dinâmica atual de desenvolvimento de Goiânia. OLIVEIRA, L. A. P. e OLIVEIRA, A. T. R. (Org.) Reflexões sobre os Deslocamentos Populacionais no Brasil. Estudos & Análises – informação demográfica e socioeconômica. IBGE. Rio de Janeiro, 2011. LIMA, J.J.F; MOYSÉS, A.. (Org.). Como Andam Belém e Goiânia. Letra Capital: Observatório das Metrópoles (2ª Ed.). Rio de Janeiro, 2009. RIBEIRO, Luiz César de Queirós, SILVA, Érica Tavares, RODRIGUES, Juciano e MOLINA, Arthur. O Estado do Rio de Janeiro no Censo de 2010. Rio de Janeiro. Boletim do Observatório das Metrópoles, 185, III, 2011.