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MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
SECRETARIA DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA
INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DO RIO
GRANDE DO SUL – IFRS CAMPUS BENTO GONÇALVES
CURSO SUPERIOR DE TECNOLOGIA EM ALIMENTOS
IMPLANTAÇÃO DE PONTOS DE CONTROLE NO PROGRAMA DE BEM
ESTAR ANIMAL EM FRIGORÍFICO DE AVES
JORDANA DALL’ AGNOL
Bento Gonçalves
2011
2
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
SECRETARIA DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA
INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DO RIO
GRANDE DO SUL – IFRS CAMPUS BENTO GONÇALVES
CURSO SUPERIOR DE TECNOLOGIA EM ALIMENTOS
JORDANA DALL’ AGNOL
Trabalho
de
Conclusão
de
Curso
apresentado ao curso de Tecnologia em
Alimentos do Instituto Federal de Educação,
Ciência e Tecnologia Rio Grande do Sul –
Campus Bento Gonçalves como parte dos
requisitos para á obtenção do título de
Tecnóloga em Alimentos.
Professora orientadora: Marlice Salete Bonacina
Bento Gonçalves
2011
3
JORDANA DALL’ AGNOL
IMPLANTAÇÃO DE PONTOS DE CONTROLE NO PROGRAMA DE BEM
ESTAR ANIMAL EM FRIGORÍFICO DE AVES
Trabalho
de
conclusão
de
curso
apresentado ao Curso Superior de
Tecnologia em Alimentos do Campus Bento
Gonçalves do Instituto Federal de
Educação, Ciência e Tecnologia do Rio
Grande do Sul, requisito parcial para
conclusão de curso.
Aprovado em: _____/_____/_____
BANCA EXAMINADORA
Profª. MARLEIDE CANIZARES
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul,
Campus Bento Gonçalves
Profª. LUCIANE PEREIRA BERND
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul,
Campus Bento Gonçalves
Orientador Profª. MARLICE SALETE BONACINA
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul
Campus Erechim
4
AGRADECIMENTOS
Agradeço em primeiro lugar a minha família, em especial meu pai Itacir,
minha mãe Leonilda, minhas irmãs Joíce e Érica, por ter sempre dado apoio, e
que nunca deixaram de acreditar nos meus sonhos.
Agradeço aos meus amigos que sempre estiveram juntos nas alegrias e
tristezas, pela força que deram.
Aos professores, em especial a Marlice Salete Bonacina, pelos
ensinamentos e orientações seguras.
O meu namorado pelo companheirismo e dedicação.
As minhas supervisoras de estagio Marceline Piano e Ivete Guedes pelo
apoio e confiança.
E principalmente ao Frigorífico Nova Araçá, no qual estagiei, meus
sinceros agradecimentos.
Enfim, agradeço à todos que de certa forma deixaram minha vida mais
feliz e interessante!
5
RESUMO
O Bem Estar Animal é uma das principais exigências feita pela União Européia,
um dos mais importantes importadores de carne de frango do Brasil. Esse prérequisito imposto pelos nossos clientes deve ser visto não somente como
melhor oportunidade de mercado, mas também como uma responsabilidade do
homem em reduzir o sofrimento dos animais, em todas as etapas produtivas.
Devido a estes aspectos, o Frigorífico Nova Araçá implantou o Programa Bem
Estar Animal. No entanto, devido à recente aplicação de tal programa, a
empresa não prevê medidas corretiva imediatas em caso de anormalidades ao
longo do processo de abate de aves, como por exemplo, parada da linha do
abate; escape das aves das gaiolas; nem definições de parâmetro que visam o
bem estar animal, como por exemplo controle de temperatura das gaiolas com
aves vivas na área de descanso; verificação de pré-choque e distancia padrão
entre a cabeça da ave e o eletrodo na cuba de insensibilização. Dessa forma,
buscou-se melhorar o Programa Bem Estar Animal implantado no Frigorifico
Nova Araça, através de informações bibliográficas que apresentam soluções
para os problemas detectados, bem como colocar em ação estas informações
e monitorá-las no período de um mês verificando sua eficiência. Mediante os
resultados obtidos, foi possível verificar a melhoria do Programa Bem Estar
Animal, observando-se a eficiência das novas etapas implantadas.
Palavras chave: Bem Estar Animal, programa, melhorias.
6
ABSTRACT
The Welfare Animal is one of the main requirements made by the European
Union, one of the most important purchasers of meat of chicken of Brasil. This
prerequisite tax for our customers not only must be seen as better market
chance, but also as a responsibility of the man in reducing the suffering of the
animals, in all the productive stages. Had to these aspects, the New Cold
storage room Arrack Welfare implanted the Program Animal. However, the
program of the company does not foresee some procedures it welfare of the
birds, during the process of abates, as for example, the procedure that must be
taken in stopped case of the line of abates; which must be long-distance
standard enters the head of the bird and the electrode in the insensibilização
Cuba; the lack of the control of the internal temperature of the bird cages with
the alive bird in the rest area; the verification if the birds are being daily payshock victims and finally the procedure lack standard when the birds if find in
the patio and/or truck untied. Of this form, one searched to improve the
Program Welfare Animal, implanted in the company, through bibliographical
information that present solutions for the detected problems, as well as placing
in action these information and monitoring them in the period of one month
verifying its efficiency in the program. Through the results it was possible to
verify the improvement of the Program Welfare Animal, implanted in the New
Cold storage room Arrack, observing itself still the efficiency of the new
implanted stages.
Key Words: Welfare Animal, program, improvements.
7
LISTA DE FIGURAS
Figura 1 - Gaiola para o transporte de aves. .................................................... 16
Figura 2 - Veiculo para o transporte de frangos ............................................... 19
Figura 3 - Nóreas para o abate de aves. .......................................................... 21
Figura 4 - Frangos sendo insensibilizados ....................................................... 23
Figura 5 - Fluxograma do processo de abate de frango................................... 25
8
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 - Monitoramento dos pontos implantados no programa de bem estar
animal no Frigorífico Nova Araçá. .................................................................... 28
9
LISTA DE ABREVIATURAS E SÍMBOLOS
%
porcentagem
Hz
Hetz
kg
kilograma
m²
metro quadrado
ºC
graus Celsius
10
SÚMARIO
1 INTRODUÇÃO .............................................................................................. 11
2 REVISÃO BIBLIOGRAFICAS........................................................................ 13
2.1 ABATE HUMANITÁRIO E BEM ESTAR ANIMAL ...................................... 13
2.2 COMPORTAMENTO DE AVES ................................................................. 14
2.3 AVALIAÇÃO DO BEM ESTAR DAS AVES ................................................ 14
2.4 DENSIDADE .............................................................................................. 15
2.5 PROCEDIMENTO DE ABATE ................................................................... 16
2.5.1 Apanha .................................................................................................... 17
2.5.2 Transporte ............................................................................................... 19
2.5.3 Descanso pré-abate ................................................................................ 20
2.5.4 Pendura ................................................................................................... 21
2.5.5 Insensibilização ...................................................................................... 22
2.5.6 Sangria .................................................................................................... 23
3 MATERIAIS E MÉTODOS............................................................................. 25
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES .................................................................. 27
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS .......................................................................... 30
6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .............................................................. 31
11
1 INTRODUÇÃO
Com a invenção e disseminação de novas sementes e práticas agrícolas
que permitiram um vasto aumento na produção agrícola em países menos
desenvolvidos durante as décadas de 60 e 70, e com objetivo de acabar com a
fome no mundo, surge a chamada Revolução Verde.
A Revolução Verde baseava-se no uso de sementes modificadas
(particularmente sementes híbridas), uso extensivo de tecnologia no plantio, na
irrigação e na colheita, Insumos Industriais, e mecanização, a fim de diminuir o
custo do manuseio e aumentar a produtividade, como gerenciamento de
produção, onde se estendeu ao setor pecuário, promovendo um grande avanço
tecnológico nas áreas de genética animal, de engenharia, de construções
rurais, de nutrição e manejo, mas o modelo não davam importância as
conseqüências ambientais, sociais e culturais, trazendo grande dano ao bemestar dos animais. Todo esse avanço, fez com que a visão da sociedade com
relação ao bem-estar animal também se sofre mudanças (MOLENTO e BOND,
2008).
No entanto a preocupação com o bem estar de animais de produção
vem ganhando importância pelo aumento de consciência de parte dos
consumidores e a conseqüente pressão no setor produtivo.
Abates
conduzidos
com
etapas
de
recepção,
manejo,
insensibilização e sangria, que previnem sofrimentos desnecessários ao
animal, vêm sendo aplicados nos países desenvolvidos desde que se observou
a sua influencia na qualidade final da carne. Esse processo de abate, por
considerar o aspecto humanitário na matança do animal, é denominado abate
humanitário, podendo ser definido como o conjunto de procedimentos técnicos
e científicos que garantem o bem estar dos animais desde o embarque na
propriedade rural até a operação de sangria no abatedouro (GOMIDO et al,
2006).
Recentes literaturas sobre as questões de bem-estar na produção de
aves (MARTRENCHAR et al., 1997; DAWKINS, 2003; EDWARDS, 2004;
12
MOURA et al, 2006; BESSEI, 2006) indicam que os temas relacionados à
ambiência térmica e aérea, bem como à quantidade e intensidade de luz dos
galpões, abordados nas pesquisas isoladamente, sendo, entretanto, mais
influentes
na
resposta
das
aves
quando
os
extremos
ocorrem
simultaneamente.
Segundo Ribeiro (2008) a questão ética é mais complexa, pois é difícil
estabelecer o grau de desconforto ou sofrimento dos animais, se os índices de
produtividade não estiverem sendo atingidos. Para prover boas condições para
qualquer animal, incluindo os de produção, é necessária uma forte base de
estudo em etologia (comportamento animal).
A qualidade na produção de carne de aves começa partir de uma ave
viva, envolvendo dados de procedência, cuidados sanitários no qual foram
submetidas, características e condições dos meios de transporte, envolvendo a
alimentação e manejo recebido. Cabe ressaltar que a qualidade microbiológica
da carne é a característica mais importante a ser controlada durante a fase de
abate e as fases de manipulação (RIBEIRO, 2008).
O bem estar animal se fundamenta em cinco liberdades; são elas: livres
de medo e angustia, livre de dor e doenças, livres de fome e sede, livres de
desconforto e livres para expressar seu comportamento normal (UNIÃO
BRASILEIRA DE AVICULTURA, 2008).
Em face disto, este trabalho tem por objetivo, realizar melhorias no
Programa de Bem Estar Animal implantado no Frigorífico Nova Araçá.
13
2 REVISÃO BIBLIOGRAFICA
2.1 ABATE HUMANITÁRIO E BEM ESTAR ANIMAL
Segundo Dawkins (2003) ainda é universalmente aceita como medida de
bem-estar animal, a sua saúde física. Entretanto, o que é considerado
controverso é se somente essa medida seria suficiente, já que indicadores
fisiológicos de bem-estar podem, eventualmente, ser uma resposta natural a
atividades
ou
excitações
naturais
do
animal,
ao
invés
de
indicar,
especificamente, o seu bem-estar.
A preocupação com o bem estar animal e com o abate
humanitário tem uma importância ética/moral – afinal, somos humanos e
devemos, por obrigação, evitar o sofrimento inútil daqueles que serão
submetidos ao sacrifício. Essa preocupação, no entanto também possui o lado
econômico. Um tratamento humanitário nas etapas de abate resulta em
menores contusões na carcaça e, portanto, em menores áreas a serem
descartadas, com significativas reduções de perdas e custos (GOMIDO et al,
2006).
Para obter uma carne de melhor qualidade, devem-se distribuir
responsabilidades em toda a cadeia produtiva, desde a etapa de criação até
abate/processamento. Assim, os criadores devem ser responsáveis pela
seleção de genótipo/processamento características de qualidades desejáveis e
pela garantia de condições ambientais e de manejo que otimizem o
crescimento deste animal e a expressão de suas características de qualidade.
Os abatedouros, por sua vez, devem aceitar a responsabilidade de otimizar as
condições pré e pós-abate para garantir a qualidade final da carne (GOMIDO et
al, 2006).
As normas estabelecidas para o bem estar animal devem ser adotadas
com objetivo de aumentar a produção, aumentar o mercado, além de garantir
menores perdas em conseqüência da maior qualidade. É importante ressaltar
14
ainda a valorização do conjunto de práticas humanitárias que visam o maior
conforto dos animais (APTA, 2008).
2.2 COMPORTAMENTO DE AVES
A maneira de se comportar das aves, principalmente o gênero Gallus,
vem sendo estudado há algumas décadas (CAMPOS, 2000). Hoje esses
estudos tem se intensificado e aprofundado, pela importância da avicultura na
economia brasileira. Atualmente, esse setor passa por um processo de
modernização, com altos investimentos tecnológicos, visando estabelecer
métodos eficientes para avaliar o nível de bem estar de aves alojadas.
O animal é fortemente influenciado no seu comportamento pelo
ambiente externo. Por isso, é possível identificar e quantificar o bem estar dos
animais pela observação de seu comportamento (PEREIRA, 2005).
2.3 AVALIAÇÃO DO BEM ESTAR DAS AVES
As condições ambientais também influenciam na produtividade, e as
técnicas de manejo buscam promover conforto às aves, mas, para diminuir o
nível de estresse, o manejo deve ser apenas o necessário para garantir essas
condições.
É
possível
avaliar
o
bem
estar
de
frangos
de
corte
pelo
acompanhamento cuidadoso dos índices de desempenho, mortalidade,
ocorrência de doenças, comportamento e vocalização das aves. Outra
ferramenta importante é a observação do comportamento social uma vez que a
ocorrência de agressões freqüentes ou mesmo de canibalismo podem ser
consequência de superlotação, estresse térmico ou problemas nutricionais.
15
Alguns pesquisadores têm adotado equipamentos de precisão como
câmeras de vídeo para identificar as respostas que servem de indicadores do
bem estar das aves. Sevegnani et al.(2005) avaliaram o comportamento de
frangos de corte de diferentes idades, em relação à procura de bebedouros e
comedouros, quando submetidos a situações de estresse em câmara climática,
utilizando identificação eletrônica e análise visual. Foi possível, dessa forma,
analisar o comportamento dos animais sem a interferência humana sobre as
ações das aves. A mesma ferramenta tecnológica foi utilizada por Pereira et al.
(2005), que demonstraram a viabilidade da utilização de câmeras de vídeo na
identificação de diferentes respostas comportamentais que servem de
indicadores do bem estar das aves. Alguns padrões de comportamento foram
associados ao estresse térmico por alta temperatura, como o ato de
espreguiçar-se e outros à condição térmica abaixo da zona de conforto das
aves, como o arrepiar de penas e a alta agressividade, manifestada por
perseguições e bicadas.
2.4 DENSIDADE
Durante o período de criação, algumas condições devem ser avaliadas
com o objetivo de garantir o bem-estar dos animais. Entre elas está a
densidade nos galpões de aves de corte. A densa massa de animais por
aviário exige maior controle do condicionamento ambiental, pois o excesso de
aves gera calor, restringe a movimentação do ar e aumenta a temperatura
ambiente ao nível dos animais (PERDOMO, 2001).
Garcia (2002) comparou o efeito da densidade de criação sobre a
incidência de lesões na carcaça e qualidade da carne de peito de frangos de
corte, observou-se um aumento linear na incidência de lesões na pele das
aves, assim como a maior perda de peso por cozimento para o peito das aves
quando criadas na maior densidade (14 aves/m²). Uma parte do bem-estar
animal se refere à saúde. Dessa maneira, a queda de desempenho produtivo
16
durante a produção e a ocorrência de lesões definidas ou desordens na saúde
são indicadores bastantes seguros de problemas relativos ao bem-estar animal
(ELLENDORFF, 2003).
Deve-se evitar a alta lotação dentro das gaiolas, pois esta também é
uma forma de se garantir uma melhoria na qualidade da carcaça evitando
fraturas e lesões. O recomendando é que este número não passe de 8 a 16
aves/caixa para abate de machos aos 50 dias e fêmeas aos 34 dias,
respectivamente, ou ainda 22 kg de peso vivo de aves/caixa (ROSA et al.,
2000).
Figura 1 - Gaiola para o transporte de aves.
Fonte: http://www.plastshow.com.br/v1/PageProduto.aspx?id=47
2.5 PROCEDIMENTO DE ABATE
Atualmente, no Brasil, como em todo mundo, a grande maioria dos
profissionais atuantes na avicultura acreditam que na criação de frango de
corte o manejo do máximo conforto é o mais eficiente. Entretanto, para
proporcionar à ave esse máximo conforto, é preciso estar convenientemente
preparado
para
sua
chegada,
acompanhar
seu
desenvolvimento
e
proporcionar-lhe a melhor assistência durante todos os momentos de sua vida
(MACHADO, 1994).
Os problemas de bem estar no processo de abate estão sempre
relacionados com instalações, equipamentos e manejo inadequado, devido à
17
falta de manutenção dos equipamentos e de treinamentos dos operários
(GOMIDO et al, 2006).
A conceituação de bem estar envolve as questões físicas e mentais e a
maioria das preocupações estão centradas em como o animal se sente,
quando exposto a um determinado tipo de confinamento ou manejo e forma de
alojamento. O desconforto animal é expresso sob a forma de índices de
mortalidade, agressões individuais, canibalismo e doenças respiratórias.
Pesquisas indicam que o problema potencial de alojamento leva a um
desequilíbrio social e limitações de movimento e liderança, que geram
desconforto e estresse de ordem social (MENDES et al.,2004).
Pode-se considerar que um procedimento de abate é adequado quando
os
animais
não
são
tratados
com
crueldade
ou
estressados
desnecessariamente; a sangria é realizada o mais rápido e completamente
possível; as contusões e fraturas na carcaça são mínimas; e o processo é
higiênico, econômico e seguro para os operadores (GOMIDO et al, 2006).
Embora exista um consenso nos procedimento adequados de abate,
cada pais deve estabelecer os regulamentos aplicáveis nos frigoríficos, desde o
transporte até o abate dos animais, com objetivo de garantir as condições para
a proteção humanitária a diferentes espécies (GOMIDO et al, 2006).
2.5.1 Apanha
A apanha de frangos de corte é uma etapa que ocorre anteriormente ao
transporte e constitui-se em importante fonte de perdas econômicas. No
galpão, os frangos que chegam à idade de abate são capturados pelos
funcionários, introduzidos em gaiolas para serem transportados ao abatedouro.
Na apanha algumas práticas devem ser adotadas a fim de garantir o
bem-estar animal. De acordo com Abreu e Ávila (2003), é importante a divisão
dos animais em grupos, a fim de restringir a movimentação das demais aves. A
apanha deve ser realizada durante a noite ou madrugada, preferencialmente
18
sob luz azul, para que as aves tenham a capacidade visual anulada e não se
agitem com o movimento do manipulador, ficando imóveis e facilitando a
apanha. Obstáculos físicos, tais como os comedouros e bebedouros devem ser
colocados fora da área de movimento das aves e dos carregadores, para evitar
golpes no peito e nas pernas das aves e acidentes com o pessoal da apanha.
Segundo Abreu (2004) há necessidade de se proporcionar o mínimo
estresse possível às aves. O seu aumento é diretamente proporcional à perda
de peso e ao número de contusões. É também importante cercar um número
de animais por vez, entre 200 a 250 aves e sempre levar as caixas até os
frangos, e nunca o contrário. Em geral, as próprias caixas de transporte são
dispostas de forma a cercar os frangos nessa etapa. A apanha manual das
aves é um método utilizado universalmente. Apesar de existirem no mercado
algumas alternativas automáticas, a previsão é de que a apanha manual
continuará a ser usado no futuro.
Mendes et al. (2004) comparam dois métodos de apanha: o primeiro
pelo dorso, colocando ambas as mãos sobre as asas. Em carregamentos
noturnos, pessoas bem treinadas conseguiram juntar duas aves de cada vez.
No entanto, há dificuldade na operação de introduzir as aves na caixa, podendo
ocorrer lesões tanto dos operadores quanto das aves. O segundo método, mais
recente, é a apanha pelo pescoço, duas a três aves em cada mão. Os autores
relataram a ausência de diferenças significativas entre as lesões de apanha por
estes dois métodos. Os mesmos métodos foram comparados por Leandro et al.
(2001), os quais verificaram que na apanha pelo dorso sobre as asas, as aves
foram pegas uma a uma ou no máximo duas, e na apanha pelo pescoço, as
aves foram seguradas pelo pescoço, no máximo três aves por mão e
introduzidas nas caixas de transporte. Os autores neste experimento
concluíram que a apanha pelo dorso resultou em menor condenação de
carcaças por contusões e fraturas, quando comparada à apanha pelo pescoço.
Além dos dois métodos anteriormente citados, existe ainda a apanha
pelos pés que, apesar de ser menos comum, ainda é realizado em algumas
regiões. É a causa clássica de lesões externas e internas nos músculos e
pernas, pelo movimento brusco que se faz com os membros. Além disso, tem
um impacto direto e negativo no pessoal de apanha, pois o trabalho é feito em
19
uma posição desgastante que leva ao estresse físico rápido, além de resultar
em maus tratos aos frangos. É menos eficiente e promove maiores taxas de
perdas (ABREU, 2004).
A união brasileira de avicultura (2008), em seu protocolo de bem-estar
animal, também se posiciona quanto aos métodos de apanha, e destaca a não
utilização da apanha das aves pelos pés, asas e pescoço devido às lesões e
sofrimentos que podem causar, com exceção das aves cujo peso seja menor
que 1,8 kg, que podem ser apanhadas pelos dois pés, desde que o número
máximo de aves em cada mão não seja maior que três. Na apanha pelo dorso,
permite-se, no máximo, duas aves por vez.
2.5.2 Transporte
Inicialmente, deve-se realizar uma análise do percurso até o abatedouro,
para então decidir sobre o tipo de veículo e o número máximo de empilhamento
de engradados de transporte (Figura 2). Em estrada de terra ou no asfalto com
excesso de buracos ou lombadas, poderá ocorrer à formação de lesões na
musculatura dos animais situados nos engradados mais elevados, por isso
recomenda-se diminuir a altura de empilhamento (VEGRO & ROCHA, 2007).
Figura 2 - Veiculo para o transporte de frangos
Fonte: Autor
20
Mendes et al (2004), descrevem alguns importantes cuidados no
carregamento das aves até o local de abate: o produtor deve ser avisado com
antecedência sobre o carregamento para que possa acionar sua equipe de
apanha; é importante o jejum alimentar e dieta hídrica das aves, que deve ser
de 8 horas antes do carregamento; se o jejum alimentar for à noite, deve-se
manter o ambiente claro durante esse período; retirar todos os equipamentos
do aviário no momento do carregamento, a fim de evitar acidentes.
Segundo Abreu (2004), os motoristas que transportam aves, devem ser
bem treinados e ter noção exata da carga que estão transportando, ter idéia do
número de aves que morrem normalmente no carregamento e transporte, além
do conhecimento das lesões que podem ocorrer. O transporte das aves no
período noturno é vantajoso por evitar temperaturas elevadas, favorecendo o
bem estar das aves, o que reduz as perdas por mortalidade e resulta em carne
de melhor qualidade.
Manejo do animal no frigorífico, é extremamente importante para a
segurança dos operadores, a qualidade da carne e o bem estar do animal.
Instalações bem delineadas também minimizam os efeitos do estresse e
melhoram as condições do abate. Os animais devem ser descarregados o mais
rapidamente possível após a chegada, sem serem acuados, excitados ou
maltratados (GOMIDO et al, 2006).
2.5.3 Descanso pré-abate
A união brasileira de avicultura (2008), em seu protocolo de bem-estar
animal, salienta que as instalações da área de descanso devem ser cobertas e
possuir sistema de aspersão com agua e ventiladores, proporcionando de
forma que atinja toda a carga. Recomenda-se que o período de descanso seja
o mais curto possível e que não ultrapasse 3 horas.
Ludtke et al. (2008), recomendam do ponto de vista de bem-estar, a
temperatura ideal no ambiente para aves adultas na faixa de 22 a 26 ºC. Em
21
temperaturas acima de 45 ºC as aves apresentam dificuldade de respiração e
ficam ofegantes. Temperaturas baixas também devem ser evitadas, pois
quando expostas a temperatura abaixo de 16 ºC, as aves precisam aumentar a
taxa de produção de calor para manter a temperatura corporal. O estresse pelo
frio é agravado em caso de aves molhadas, pois mais calor é perdido pela
evaporação da água. Em situações de chuva, por exemplo, recomenda-se
colocar uma proteção na parte superior da carga.
Após o descanso e a dieta hídrica, os animais devem ser imediatamente
conduzidos ao equipamento de pendura e insensibilização (GOMIDO et al,
2006).
2.5.4 Pendura
A pendura consiste no ato de retirar as aves das caixas de transporte e
colocá-las nas nóreas (Figura 3) para que sejam conduzidas até a
insensibilização.
As nóreas devem dispor de amparo para peito ao longo da linha entre a
pendura até a entrada na cuba de insensibilização, para assim ser evitados os
pré-choques.
Figura 3 - Nóreas para o abate de aves.
Fonte: Autor
22
A apanha, o transporte e a pendura, e a são etapas que
comprovadamente determinam à ocorrência de lesões, que serão observadas
posteriormente na qualidade da carne. Essas ocorrências podem ser
minimizadas com o treinamento adequado das equipes responsáveis por cada
etapa. Em seguida, as aves são penduradas pelas pernas em suportes ligados
a nóreas.
As operações na área de pendura são importantes por seus efeitos na
qualidade, na eficiência da sangria e na prevenção de ferimentos provenientes
do manuseio impróprio (MONDELLI, 2000).
2.5.5 Insensibilização
Logo
após
a
pendura
as
aves
devem
ser
encaminhadas
à
insensibilização. O atordoamento mais utilizado em aves é o elétrico, que
consiste em aplicar aos frangos uma corrente elétrica enquanto estes, já
pendurados nos ganchos, atravessam uma cuba de água, com a cabeça e
parte do pescoço submerso. Assim, a corrente passa por todo o corpo da ave
enquanto ela está sendo insensibilizada.
O método de banho de imersão é o tipo de insensibilização conveniente,
(Figura 4) por ser econômico, requerer pouco espaço e permitir aumento no
rendimento da produção. Em média 15 aves são insensibilizadas ao mesmo
tempo (GOMIDO et al, 2006).
As aves devem ser imersas até a base da asa de forma que a cabeça
esteja próxima ao eletrodo na base da cuba.
23
Figura 4 - Frangos sendo insensibilizados
Fonte: Autor
Conforme a UNIÃO BRASILEIRA DE AVICULTURA (2008), os sinais de
eficiência da insensibilização são pescoço frouxo, asas junto ao corpo, olhos
abertos e ausência de reflexo corneal (sem movimento da membrana nictitante
quando o olho é tocado com o dedo ou com uma pena).
2.5.6 Sangria
A sangria visa, cortar o fornecimento de sangue para o cérebro animal,
introduzindo-o a morte. A sangria deve ser realizada mesmo que o animal
morra na etapa de insensibilização por parada cardíaca, uma vez que também
visa à remoção de todo o sangue possível da carcaça do animal (GOMIDO et
al, 2006).
Conforme a UNIÃO BRASILEIRA DE AVICULTURA (2008), a sangria
pode ser manual ou automática. No caso em que se utiliza uma sangria
automática, deve haver uma pessoa encarregada pelo repasse manual quando
a ave não for bem sangrada pelo equipamento. A incisão deve ser feita
próxima às vértebras cervicais (pescoço) seccionando a veia jugular e a artéria
carótida (OLIVO, 2006). A operação de sangria deve ser iniciada o mais rápido
24
possível após a insensibilização (este tempo é em média de 12 segundos)
evitando-se assim que o animal recupere a sensibilidade.
25
3 MATERIAL E MÉTODOS
O Frigorífico Nova Araçá localizado na Rua João Caporal, 102 Vila
Zucchetti, cidade de Nova Araçá-RS, abate diariamente em torno de cento e
quarenta mil frangos, onde tem implantado no processo de abate de frangos, o
Programa Bem Estar Animal, o qual visa estabelecer, padronizar e modernizar
os métodos humanitários dos animais ao abate, assim como o manejo destes
nas instalações do estabelecimento.
As normas estabelecidas pela empresa, para o bem estar animal, têm
como finalidade aumentar a produção, bem como a quantidade de produto no
mercado, além de garantir maiores lucros em consequência da melhor
qualidade da carne produzida.
Na Figura 5 podemos observar o fluxograma do processo de abate dos
frangos no Frigorífico Nova Araçá.
Figura 5 - Fluxograma do processo de abate de frango
26
Entretanto, o programa da empresa não prevê alguns procedimentos
para o bem estar das aves, durante o processo de pré-abate, como:
Ponto 1:
O programa não prevê o procedimento de aves soltas no pátio e/ou
caminhão.
Ponto 2:
O programa não prevê verificação da temperatura interna das gaiolas
com ave viva na área de descanso.
Ponto 3:
O programa não prevê a distância entre a cabeça da ave e o eletrodo na
cuba de insensibilização.
Ponto 4:
O programa não prevê forma de avaliar se a ave está sendo vítima de
pré-choque.
Ponto 5:
Em caso de parada da linha de abate, o programa não prevê
procedimentos de manuseio das aves que estão entre a pendura e até entrada
do tanque de escaldagem.
Dessa forma, visando melhorar o programa bem estar animal implantado
na empresa, buscou-se através de informações bibliográficas, soluções para os
problemas detectados no que se refere ao bem estar dos frangos durante o
processo de pré-abate. Assim como colocar em ação estas informações e
monitorá-las no período de um mês verificando sua eficiência no programa.
27
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES
Buscando solucionar os problemas detectados no programa de bem estar
animal, implantado no Frigorífico Nova Araçá, propôs-se algumas soluções,
através de referências bibliográficas, visando com isto complementar o
programa e consequentemente obter melhorias na qualidade do produto final.
É importante realizar a verificação de aves soltas no pátio da fabrica e/ou no
caminhão (ponto 1) quando isso ocorrer deve-se avisar o responsável pelo
recebimento das aves e encaminhá-las para as gaiolas. Quando houver aves
soltas no descarregamento das gaiolas e/ou no setor de pendura o responsável
também deverá encaminhá-las de volta as gaiolas ou pendurá-las na nórea.
A temperatura interna das gaiolas com a ave viva na área de descanso
deve ser controlada, pois é fundamental para seu bem estar (ponto 2).
Segundo Ludtke, (2008) a temperatura ideal no ambiente para aves adultas
deve ser entre 22 e 26ºC. Em temperaturas acima de 45°C as aves
apresentam dificuldade de respiração e ficam ofegantes. Temperaturas baixas
também devem ser evitadas, pois quando expostas a temperaturas abaixo de
16ºC, as aves precisam aumentar a taxa de produção de calor para manter
temperatura corporal.
Segundo Shimokomaki, et al., (2004) o calor é considerado como um
importante fator de estresse para os frangos de corte como conseqüente
aumento na incidência de alterações na qualidade da carne. Bressan &
Beraquet (2002) observaram que frangos mantidos no ante morte a 300C
apresentaram carcaça com pH final mais elevado (5,88), quando comparado ao
pH (5,70) das carcaças dos frangos mantidos a 17 0C no ante morte. Estes
autores ainda observaram que a carne dos frangos mantidos no ante morte a
300C apresentaram maior perda por cozimento e menor maciez, quando
comparada a carne frangos mantidos a 17 0C no ante morte.
Outro aspecto importante, no que se refere ao bem estar dos frangos é
a distância entre a cabeça da ave e o eletrodo na cuba de insensibilização
(ponto 3). Conforme a UNIÃO BRASILEIRA DE AVICULTURA (2008), a
imersão rasa precisa de uma voltagem maior do que a profunda, já que, perde-
28
se muita corrente. Recomenda-se que as aves sejam imersas até a base da
asa, cerca de 6 cm, para que a cabeça esteja próxima ao eletrodo na base da
cuba.
Durante o processo de abate dos frangos, é importante avaliar se a ave
está sendo vítima de pré-choque (ponto 4). Logo após a retirada das aves que
estão nas gaiolas, deve-se tomar cuidado para pendurá-las uma ao lado da
outra, encaixando os pés das aves nas nóreas. Seguindo esse fluxo de
processo corretamente, e com o auxilio do parapeito, evita-se que a ave se
debata direcionando-as a insensibilização sem serem vítimas de pré-choques.
Segundo a UNIÃO BRASILEIRA DE AVICULTURA (2008), em caso de
parada da linha de abate (ponto 5), recomenda-se que o tempo máximo de
espera dos frangos conscientes dependurados na linha deve ser de oito
minutos. Caso ultrapasse esse tempo, as aves devem ser retiradas das nóreas
e colocadas de volta às gaiolas. Todas as aves que estiverem no
insensibilizador e também as que passaram pela insensibilização, devem ser
imediatamente sangradas manualmente após a parada. Já as que já foram
sangradas pode-se deixar nas nóreas até o fluxo do processo voltar e depois
dará o correto destino. No caso de escaldagem excessiva as aves devem ser
descartadas, pois irá ocorrer cozimento na carcaça.
Após implantados os procedimentos referente ao bem estar animal, e
monitorados no período de trintas dias, constatou-se um grande eficiência, a
qual pode ser observada na Tabela 1.
Tabela 1 - Monitoramento dos pontos implantados no programa de Bem
Estar Animal no Frigorífico Nova Araçá.
Pontos Avaliados
Dentro do padrão %
Fora do Padrão %
Ponto 1
91
9
Ponto 2
91
9
Ponto 3
100
0
Ponto 4
95,5
4,5
Ponto 5
100
0
Ponto 1:Aves soltas no pátio e/ou caminhão.
Ponto 2: Temperatura interna das gaiolas com ave viva na área de descanso.
Ponto 3: Distância entre a cabeça da ave e o eletrodo na cuba de insensibilização.
Ponto 4: Aves vítimas de pré-choque.
Ponto 5: Em caso de parada da linha de abate
29
.
Em dois dos monitoramentos, aves estavam soltas no pátio ou em cima
do caminhão, isso poderá ter ocorrido por descuido na hora de fechar as
gaiolas ou mesmo por gaiolas danificadas, e o manuseio dessas aves, onde
puderam escapar, o problema foi solucionado com uma ação corretiva, onde foi
comunicado ao responsável pelo recebimento das aves o qual encaminhou as
aves de volta para as gaiolas.
Em relação à temperatura internas das gaiolas, foi ultrapassado os 26°C
previstos por duas vezes, onde foi tomada uma ação corretiva, ou seja, os
ventiladores foram ligados até a temperatura manter-se abaixo de 26°C.
A distância entre a cabeça da ave e o eletrodo na cuba de
insensibilização foi respeitada, ou seja, até a base da asa como previsto nos
procedimentos,
fazendo
com
que
a
corrente
elétrica
insensibilize
instantaneamente o frango.
Em um dos monitoramentos alguns frangos sofreram pré-choque, pois
ocorreram falhas na pendura dando espaços para as aves se debaterem, o
problema foi solucionado com uma ação corretiva, focado na cobrança devida
ao funcionário responsável pela pendura, já que este com treinamento, não
estava tendo cuidado suficiente ou dando atenção ao problema.
Durante o período que foi monitorado a nórea, o abate parou por mais
de oito minutos uma única vez, o qual foi realizado os procedimentos
propostos, ou seja, as aves que estavam entre a pedura e a cuba de
insensibilização foram retiradas das nóreas e colocadas de volta às gaiolas. As
aves que estavam no insensibilizador e também as que passaram pela
insensibilização, foram imediatamente sangradas manualmente após a parada.
Enquanto que as que já haviam sido sangradas foram deixadas nas nóreas até
o fluxo do processo. Enquanto que as que ocorreram escaldagem excessiva
foram descartadas.
30
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Após o término do trabalho pode-se analisar melhor as vantagens e
destacar a importância da implantação dos pontos que faltavam, pois
trouxeram grandes melhorias ao programa do bem estar animal e resultados
satisfatórios a empresa no âmbito de funcionamento.
31
6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Jordana Dall Agnol