1 CONTROLE INTERNO: ANÁLISE DA PRODUÇÃO CIENTÍFICA DOS ENCONTROS DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM ADMINISTRAÇÃO DE 2004 A 2009. AUTORES: Kátia Henrique Bastos Débora Gomes Machado Walter Nunes Oleiro Julho 2011 2 CONTROLE INTERNO: ANÁLISE DA PRODUÇÃO CIENTÍFICA DOS ENCONTROS DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM ADMINISTRAÇÃO DE 2004 A 2009 RESUMO O objetivo central deste estudo foi verificar como está caracterizada a produção científica sobre Controle Interno nos Encontros da Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Administração, no período de 2004 a 2009. De forma a alcançar o objetivo geral, foram construídos os seguintes objetivos específicos: a) verificar a quantidade de artigos aceitos sobre o tema; b) verificar a quantidade de autores por artigo e as instituições de ensino a que pertencem; c) identificar as áreas temáticas tratadas no âmbito do controle interno; d) identificar a tipologia de referências citadas; e, e) identificar os autores seminais. O estudo foi realizado por meio de uma pesquisa bibliométrica, descritivo-exploratória, documental e com abordagem qualitativa. De um total de 4.262 artigos, 15 continham o tema controle interno, procurado, inicialmente pelo título das publicações, em segundo momento pelas palavraschave, e, por fim, pelo resumo. Verificou-se que as publicações científicas referentes ao controle interno, nos Encontros da Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Administração, no período analisado, buscaram principalmente, evidenciar a importância da estrutura de controle interno adequado, tanto na administração particular como na pública e, também, a adequação das companhias abertas com registro na Securities and Exchange Commission - SEC à Lei Sarbanes-Oxley. Dentre as publicações identificou-se a quantidade de autores por artigo, a representatividade das universidades, os principais temas abordados, os tipos de referências utilizadas e os autores seminais. Palavras-chave: Controle Interno; Produção Científica; EnANPAD. ÁREA TEMÁTICA: 3 – AUDITORIA. 3 1. INTRODUÇÃO O controle interno é um processo desenvolvido para garantir que sejam atingidos os objetivos da empresa, uma vez estabelecidos e clarificados, devem-se identificar os riscos que ameaçam o cumprimento dos objetivos, na sequência, tomar as ações necessárias para o gerenciamento dos riscos identificados (ALMEIDA, 1996). De acordo com o autor (1996, p. 50) “o controle interno representa em uma organização o conjunto de procedimentos, métodos ou rotinas com os objetivos de proteger os ativos, produzir dados contábeis e ajudar a administração na condução ordenada dos negócios da empresa.” A administração é responsável por estabelecer a cultura que facilite o processo de implantação de controles internos, e pelo monitoramento de sua eficácia. Entretanto, cada pessoa dentro da organização deve participar do processo. Segundo Almeida (1996, p. 51) “a administração da empresa é responsável pelo estabelecimento do sistema de controle interno, pela verificação de se está este sendo seguido pelos funcionários, e por sua modificação, no sentido de adaptá-lo às novas circunstâncias.” Kataoka et al. (2010) realizaram uma pesquisa nas empresas de grande porte do estado de Pernambuco, a fim de investigar as funções e execução das atividades de controles internos na controladoria e na auditoria interna, com o intuito de contribuir para a compreensão prática de como as grandes empresas desenvolvem e avaliam os controles internos. O estudo concluiu que as atividades de controle interno são executadas pela controladoria nas empresas de grande porte do estado. Porém, a verificação de conformidades relativas ao controle interno tanto é exercida pela controladoria como pela auditoria interna. Almeida (1996) expõe que o controle interno possui algumas limitações, como por exemplo: os custos, que não devem exceder os benefícios que se espera obter do mesmo; os empregados, que podem utilizar seus conhecimentos e competências para burlar os controles com objetivos ilícitos; e, os eventos externos, que estão além do controle de qualquer organização. Desta forma, o autor recomenda que para as transações relevantes sejam estabelecidos controles mais sofisticados, geralmente mais onerosos e para as transações menos importantes, controles não tão rígidos. Por outro lado, nota-se que a produção científica tem sido objeto de estudo de vários pesquisadores, tais como: Fields, Lys e Vincent (2001), Hunton (2002), Theóphilo (2004), Prather-Kinsey e Rueschhoff (2004), Passos (2004), Mendonça Neto, Riccio e Sakata (2006), Magalhães (2006), Cardoso, Pereira e Guerreiro (2007), Cardoso, Oyadomari e Mendonça Neto (2007), Espejo et al. (2008), Espejo et al. (2009) e Mendonça Neto, Riccio e Sakata (2009). No entanto, a temática de controle interno não foi encontrada nessas pesquisas. Diante do exposto, surge o seguinte problema de pesquisa: Como está caracterizada a produção científica sobre Controle Interno nos Encontros da Associação Nacional de Pósgraduação e Pesquisa em Administração, no período de 2004 a 2009? O objetivo central deste estudo é verificar como está caracterizada a produção científica sobre Controle Interno nos Encontros da Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Administração, no período de 2004 a 2009. De forma a alcançar o objetivo geral, foram elaborados os seguintes objetivos específicos: a) verificar a quantidade de artigos aceitos sobre o tema; b) verificar a quantidade de autores por artigo e as instituições de ensino a que pertencem; c) identificar as áreas temáticas tratadas no âmbito do controle interno; d) identificar a tipologia de referências citadas; e, e) identificar os autores seminais. 4 Devido à relevância do tema controle interno na área de auditoria, pode-se destacar o estudo de Cunha, Correa e Beuren (2010) que realizaram uma análise documental e verificaram que, dentre os assuntos abordados em auditoria, publicados em periódicos nacionais e internacionais de contabilidade, encontra-se a temática de controle interno, como assunto recorrente entre os artigos analisados. O aporte desta pesquisa é dado pelo uso da bibliometria, técnica se fundamenta na contribuição para o entendimento da produção do conhecimento em determinada área. Sendo assim, se constitui numa ferramenta adequada para análise de artigos científicos sobre o tema de controle interno. Este artigo encontra-se estruturado em cinco partes distintas. Além desta introdução que encaminha a problemática do estudo, na seção dois está exposta a revisão de literatura que subsidia a pesquisa, na seção três encontra-se o delineamento metodológico que suporta a pesquisa, a seção quatro apresenta os resultados obtidos a partir da análise dos dados, e, por fim, as considerações finais que visam responder aos objetivos estabelecidos no estudo. 2 CONTROLE INTERNO O controle interno é um conjunto de procedimentos que se executados de forma adequada garantem o cumprimento dos objetivos definidos. Segundo Attie (1986, p. 197), o Comitê de Procedimentos de Auditoria do Instituto Americano de Contadores Públicos Certificados - AICPA afirma que O controle interno compreende o plano de organização e o conjunto coordenado dos métodos e medidas adotados pela empresa, para proteger seu patrimônio, verificar a exatidão e a fidedignidade de seus dados contábeis, promover a eficiência operacional e encorajar a adesão à política traçada pela administração. De acordo com Attie (1986) analisando a definição do controle interno pode-se observar que a eficiência nas operações tende a ser atingida com a definição do plano de organização adequado em conjunto com os métodos e procedimentos bem definidos e a observação de normas do cumprimento dos deveres e funções com a existência de pessoal qualificado e supervisionado por seus responsáveis. Para Attie (1986) o controle interno tem quatro objetivos básicos: a) a salvaguarda dos interesses da empresa; b) a precisão e a confiabilidade dos informes e relatórios contábeis, financeiros e operacionais; c) estímulo à eficiência operacional; e, d) a aderência às políticas existentes. A salvaguarda dos interesses, conforme o autor refere-se à proteção do patrimônio contra quaisquer perdas e riscos ocasionados por erros ou irregularidades. Os principais meios de se realizar esta proteção é através da segregação de funções, de um sistema de autorização e aprovação, da determinação de funções e responsabilidades, da rotação de funcionários, da carta fiança, da manutenção de contas de controle, de um seguro, da atualização permanente sobre a legislação, das contagens físicas independentes e das alçadas progressivas. O autor explica que a precisão e confiabilidade dos informes e relatórios contábeis, financeiros e operacionais referem-se à necessidade da empresa possuir um sistema de informações adequado, que lhe garanta conhecer todos os atos ocorridos. A forma de se alcançar esta precisão é através da utilização de uma documentação fidedigna, da conciliação das informações, da análise dos dados, da existência de um plano de contas adequado, do registro das transações em tempo hábil e da utilização de equipamentos adequados. Attie (1986) acrescenta que o estímulo à eficiência operacional determina de que forma serão conduzidas as tarefas para que a empresa alcance um desenvolvimento harmônico. Os 5 principais meios para se alcançar este objetivo são: seleção de pessoal qualificado, treinamento do pessoal, plano de carreira, relatórios de desempenho dos funcionários, relatório de horas trabalhadas, tempos e métodos (acompanhamento da execução das atividades), acompanhamento do custo-padrão dos bens e serviços produzidos, manuais internos e instruções formais a serem seguidas pelos funcionários. Por fim, para o autor o objetivo relativo à aderência às políticas existentes é assegurar que todo pessoal e todo segmento da organização esteja comprometido na busca do objetivo da empresa. Os meios que visam embasar esta aderência são: supervisão, sistema de revisão e aprovação e auditoria interna. Para Attie (1986) os aspectos que devem ser implementados pela administração para o controle interno atinja o efeito desejado são: recompensar pessoas que buscam controles que previnam ocorrência de perdas; disciplinar a obediência às políticas, práticas e procedimentos; enfatizar a revisão dos relatórios de auditoria: inquirir todo o pessoal quanto aos controles; analisar a pressão exercida para crescimento e seus benefícios; enfatizar o recrutamento, aplicação e disposição do pessoal à observação dos padrões éticos da organização e avaliar os programas de treinamento para assegurar a inclusão de temas que eduquem sobre o valor da disciplina do controle interno. De acordo com Almeida (1996) alguns princípios fundamentais dos controles contábeis devem ser seguidos: • Responsabilidade – as atribuições dos funcionários devem ser definidas, preferencialmente, em manuais internos da empresa. Estas atribuições são estabelecidas para garantir que os procedimentos estão sendo executados, para detectar a ocorrência de erros e irregularidades e verificar as responsabilidades na ocorrência de omissões na realização das transações. • Rotinas internas – todas as rotinas internas da empresa devem estar definidas no manual da organização. • Acesso aos ativos – o acesso dos funcionários aos ativos da empresa deve ser limitado. Este acesso pode ser feito de forma direta (fisicamente) ou de forma indireta, por meio de documentos que autorizem a sua movimentação. • Segregação de funções – o acesso aos ativos e os registros contábeis não podem ser exercidos pela mesma pessoa. • Confronto dos ativos com os registros – os ativos que ficam sob a responsabilidade de alguns funcionários, devem ser periodicamente confrontados com os registros contábeis. • Auditoria interna – consiste em verificar se há necessidade de novas normas internas ou se é preciso modificar as que já existem. A segregação de funções é fundamental para o fortalecimento de um sistema de controle interno, diminuindo a ocorrência de irregularidades e erros intencionais ou não. Outra forma de reduzir as fraudes seria a verificação interna, ou seja, o trabalho realizado por um funcionário seja conferido ou aprovado por outro. 2.1 Relação do controle interno com a auditoria Na literatura são abordados controles internos atrelados a auditoria independente e a auditoria interna, nesse ínterim procurou-se abordar os dois contextos. De acordo com Attie (1986, p. 218) “a auditoria independente realiza o exame das demonstrações financeiras de uma empresa com o propósito de expressar uma opinião sobre a 6 justeza com que apresentam a situação financeira e o resultado das operações para o período examinado.” Almeida (2004, p. 15) complementa que “a confiabilidade no controle interno é reconhecida na auditoria como guia indicadora da quantidade necessária de comprovação detalhada.” O auditor avalia o sistema de controle interno da empresa auditada, para identificar quais procedimentos de auditoria deve adotar, pois se o sistema adotado for adequado, ele detecta com maior facilidade os erros e irregularidades. Portanto, se o sistema de auditoria for forte, o auditor pode reduzir o volume de testes de auditoria, caso contrário, deve aumentá-lo (SANTOS, SCHMIDT E GOMES, 2006). O interesse do auditor independente está nos valores significativos referente a erros ou irregularidades, que afetam as demonstrações contábeis e podem levar os usuários a fazerem uma interpretação errada das demonstrações. Segundo Santos, Schmidt e Gomes (2006) o auditor independente para avaliar o controle interno efetua os seguintes passos: levanta o sistema de controle interno; verifica se está sendo seguido na prática; avalia a possibilidade de o sistema revelar de imediato os erros e irregularidades e determina o tipo, a data e o volume dos procedimentos de auditoria. Conforme Trisciuzzi e Cardozo (2009) a utilização da auditoria interna, como ferramenta de gestão de recursos organizacionais, ocasiona melhorias no sistema de controles internos da empresa, e esse fato pode ser vinculado a geração de valor. De acordo com Attie (1986, p. 220), “o objetivo geral da auditoria interna é assessorar a administração no desempenho eficiente de suas funções, fornecendo-lhe análise, avaliações, recomendações e comentários sobre as atividades auditadas.” As pequenas e médias empresas, tanto de indústria, comércio e prestadoras de serviço, geralmente, não possuem um sistema de controle interno razoável ou um setor encarregado da auditoria interna (RODIL, 2000). Por isso, os administradores devem utilizar a contabilidade como uma ferramenta de auxílio no controle interno e dependendo do tamanho da empresa, o setor de contabilidade ou o escritório responsável pode se tornar, também, seu setor de auditoria. Diante disso, Rodil (2000) destaca algumas formas, de como a contabilidade pode atuar como uma auditoria interna, ou parte do sistema de controle interno de uma empresa: a) efetuando reconciliações dos seus saldos, com as listas apresentadas pelos setores operacionais (contas a receber, contas a pagar, adiantamentos a funcionários); b) deslocar funcionários da contabilidade para executar algumas tarefas de auditoria interna, para depois efetuar reconciliações do seus resultados, com os saldos e informações contábeis e c) formular e preparar as informações contábeis, financeiras e físicas auxiliando a alta administração na tomada de decisões. A preocupação da auditoria independente quanto ao controle interno é relativa aos efeitos que ele pode causar às demonstrações financeiras, enquanto que para a auditoria interna é que ele assegure que os objetivos da organização foram atingidos. 2.2 Avaliação do controle interno De acordo com Almeida (1996, p. 60) a avaliação do sistema de controle interno compreende: - determinar os erros ou irregularidades que poderiam acontecer; - verificar se o sistema atual de controles detectaria de imediato esses erros ou irregularidades; 7 - analisar as fraquezas ou falta de controle, que possibilitam a existência de erros ou irregularidades, a fim de determinar natureza, data e extensão dos procedimentos de auditoria; - emitir relatório - comentário dando sugestões para o aprimoramento do sistema de controle interno. O estudo e a avaliação do controle interno formados com a finalidade de fornecer ao auditor a base de apoio para determinação da natureza, extensão e realização correta dos testes de auditoria, irão gerar o embasamento para elaboração de sugestões para melhoria do controle interno (ALMEIDA, 2004). Para Attie (1986, p. 232) “a avaliação é realizada mediante a aplicação dos objetivos e princípios de controle interno; envolve os controles contábeis e os controles administrativos. Desenvolvem-se questionários que auxiliam a avaliação global do sistema.” A opinião do auditor quanto à eficiência ou ineficiência dos controles internos surge com a utilização dos questionários e aplicação dos princípios. Para Attie (1986, p. 233), o auditor defronta-se com os seguintes aspectos: - o sistema de controle interno é adequado; - o sistema de controle interno é adequado, podendo, entretanto, ser aprimorado; - o sistema de controle é adequado, existindo, porém, fraquezas que deterioram e podem vir a comprometer o sistema como um todo; - o sistema de controle interno é inadequado, pois não atende aos princípios básicos vitais para a obtenção de um sistema de controle interno mínimo. Attie (1986) assim define os sistemas de controle: • Sistema de controle interno adequado – o sistema possui todos os aspectos fundamentais, procedimentos e práticas compatíveis para o alcance dos objetivos. • Sistema de controle interno adequado, porém aprimorável – o sistema pode ser aprimorado, de acordo, com as circunstâncias e necessidades, podendo torná-lo mais econômico e confiável. • Sistema de controle adequado com fraquezas – As fraquezas do sistema e os seus efeitos podem ser verificados através de um programa específico. Estas fraquezas devem ser levadas a administração, com uma recomendação construtiva, para que esta sane ou aprimore o controle interno existente. • Sistema de controle inadequado – o sistema não existe, o que existe são alguns procedimentos que não chegam a compor um sistema. O auditor deve recomendar uma reformulação tempestiva, com pontos críticos de controle, até que se estabeleça um sistema compatível com as necessidades da empresa. Segundo Dias (2010), a avaliação do controle interno pode ser feita através de um levantamento com enfoque meramente operacional ou com enfoque de uma avaliação dos controles internos considerando a importância dos Processos Organizacionais. Para o autor (2010, p. 16), a avaliação com enfoque meramente operacional seria “um procedimento que visa identificar quais as possíveis sugestões para sua melhoria. Essa avaliação concentra seus esforços na identificação de problemas e no apontamento das sugestões para a sua correção.” Já, na avaliação considerando a importância dos processos organizacionais, é muito importante, a identificação de alguns parâmetros: dimensionamento dos indicadores, dados e números envolvidos no processo, interligação do processo avaliado com os demais processos da empresa, riscos inerentes ao processo e importância do processo em relação ao negócio exercido pela empresa (DIAS, 2010). 8 2.3 Manual de Controle Interno A normatização dos processos adotados pela empresa é uma ferramenta importante, pois é indispensável o conhecimento da filosofia de processos por todos os colaboradores. No momento em que os procedimentos estão documentados, divulgados e todos os colaboradores treinados, cada um passa a ter noção da sua real importância dentro da organização, sabem qual é a sua participação para atingir os objetivos e quais serão os resultados alcançados. Diante disso Dias (2010, p. 01) conceitua: “manual de controles internos é uma ferramenta que auxilia na visão de processo para o fluxo de atividades da empresa.” A visão de processos significa que todas as áreas entendem que não são partes independentes e que todas participam e são importantes para definição do produto final. Além disso, o manual não pode ser um livro engessado, pelo contrário, ele deve ser sempre atualizado para que esteja adequado às novidades do mercado ou ao aprimoramento organizacional desenvolvido visando ao controle, gerenciamento e à apuração dos resultados obtidos a partir da implantação dessas novidades. A reavaliação do manual deve ser feita em torno de um ano ou se há necessidade de rever os procedimentos porque ocorreu alguma mudança tecnológica, desenvolvimento de novo produto, absorção de novo mercado ou algum outro fato que influencie diretamente as rotinas da empresa, gerando a necessidade de sua adequação ao mesmo (DIAS, 2010). De acordo com o mesmo autor uma análise ideal da finalidade dos controles internos seria: criar controles preventivos, que gerem segurança quanto à inexistência de falhas relativas ao processo; determinar de que forma podem ser identificados os possíveis erros relativos ao tipo de atividade e criar controles para identificação das causas de possíveis falhas ocorridas, para embasamento da forma de sua correção. 2.4 Contabilidade e Controle Interno Um controle interno adequado gera a segurança de que os relatórios contábeis e gerenciais são confiáveis. Galloro e Galloro (2000) definem algumas características que um sistema de controle interno deve possuir para que a informação contribua para o processo estratégico: os sistemas sejam orientados a longo prazo para facilitar decisões estratégicas e seu controle a posteriori; apresentem informações financeiras e não financeiras; levem em conta o ambiente competitivo e reduzam a burocracia e estimulem a flexibilidade. Galloro e Galloro (2000) afirmam que o controle interno, em conjunto com a contabilidade, deve garantir que: a) as operações sejam executadas de acordo com as autorizações gerais ou específicas da administração; b) todas as operações sejam registradas pelo valor correto, nas contas adequadas e no período contábil certo; c) o acesso aos ativos seja feito apenas por pessoa autorizada pela administração, para diminuir a ocorrência de fraudes; d) os registros de controle dos ativos sejam comparados com os ativos existentes em intervalos razoáveis; e) a localização dos erros e desperdícios seja possível; f) a eficiência e a motivação do pessoal sejam estimuladas e g) um controle eficiente sobre todos os aspectos vitais e estratégicos do negócio possa ser obtido. 2.5 Fraudes nas Empresas Segundo Attie (1986, p. 215) “bons controles internos previnem contra a fraude e minimizam os riscos de erros e irregularidades, porque, por si só não bastam para evitá-los.” O autor cita como exemplo que a segregação de uma operação para diversas pessoas diminui 9 o risco de irregularidades, mas não consegue evitar que estas pessoas juntas cometam algum ato fraudulento. No final de 2001, houve uma grande crise de credibilidade e desconfiança no mercado financeiro norte-americano, com a descoberta de fraudes e manipulação de dados contábeis em grandes corporações, como o caso da Enron e da empresa de auditoria Arthur Andersen. Diante disso, em 30 de julho de 2002, o presidente dos Estados Unidos sancionou em lei o Sarbanes-Oxley Act (o Ato). Algumas das determinações do Ato são de aplicação imediata pelas companhias abertas com registro na Securities and Exchange Commission - SEC. O Ato aplica-se a todas as companhias registradas na SEC, o que expande sua aplicação a empresas que não são de origem norte-americana. De acordo com Dias (2010) a Sarbanes-Oxley é incisiva quanto ao papel dos controles internos, definindo-o como um processo desempenhado pela alta gestão, diretores, gerentes e demais funcionários, buscando alcançar o sucesso no negócio, em três categorias: eficiência e eficácia das operações; confiança nos reportes financeiros e submissão às leis e regulamentos aplicáveis. “A Sarbanes-Oxley estabelece, explicitamente, a responsabilidade da alta gestão pelo estabelecimento, avaliação e monitoramento da eficácia dos controles internos sobre os relatórios financeiros.” (DIAS, 2010, p. 36). A seção 302 da referida lei refere-se a uma certificação trimestral de que os controles foram avaliados quanto à sua eficiência. Essa certificação deve declarar que todas as deficiências de controle, deficiências materiais e fraudes foram informadas para o comitê de auditoria e para os auditores independentes. A seção 404 determina uma avaliação anual dos controles e procedimentos internos para elaboração dos reportes financeiros. Adicionalmente, os auditores independentes devem emitir um relatório separado, atestando a aderência da administração em prover eficientes controles internos e procedimentos, para os reportes financeiros. 3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Diante da importância do Controle Interno para a empresa verificar se seus objetivos e metas estão sendo atendidos, nota-se interessante conhecer a ferramenta que auxiliou o presente estudo: a bibliometria. Em 1948, na Conferência da Aslib em Leamington SPA, Ranganathan sugeriu a necessidade do desenvolvimento da bibliotecometria pelos bibliotecários, pois muitos dos assuntos ligados ao trabalho e serviços da biblioteca envolvem grandes números (RAVICHANDRA RAO, 1986). Mesmo com a sua tentativa não houve grande processo sobre o assunto. Até 1969, o termo conhecido para a aplicação de técnicas quantitativas às bibliotecas era bibliografia estatística. Segundo Ravichandra Rao (1986, p. 179) “Pritchard usou o termo bibliometria em 1969 para descrever todos os estudos que buscam quantificar o processo da comunicação escrita.” Mencionou também que no mesmo ano “Fairthorne definiu a bibliometria como o tratamento quantitativo das propriedades do discurso registrado e do comportamento referente ao mesmo.” Ravichandra Rao (1986, p. 179) define a bibliotecometria e bibliometria “como áreas nas quais se estudam os processos de informação e tratamento da informação em bibliotecas e centros de informação, utilizando-se a análise quantitativa das características e do comportamento de documentos, pessoal e usuários de biblioteca.” Diante disso a bibliometria é entendida como o estudo que se preocupa com a mensuração e o uso da informação registrada, utiliza análises quantitativas, estatísticas e de 10 visualização de dados. Com estas análises pode-se identificar a estrutura do conhecimento de um determinado campo científico, auxiliar a tomada de decisões dos pesquisadores e efetuar a contagem de registros da comunicação escrita, como, por exemplo, de artigos científicos. De acordo com Ravichandra Rao (1986, p. 180) As distribuições bibliométricas são usadas para estudar: frequência da ocorrência de palavras em um texto (Lei de Zipf); a produtividade de autores em termos de documento científicos (Lei de Lotka) e dispersão dos artigos em diferentes publicações periódicas (Lei de Bradford). A Lei de Zipf estabelece uma relação entre a posição de uma palavra e a frequência de seu aparecimento em um texto longo. A Lei de Lotka refere-se a uma análise do número de publicações com a frequência de publicações por autores individuais. Na Lei de Bradford, primeiramente, ele pressupôs que a coleção de periódicos é ordenada em ordem de produtividade crescente. Após estabelece que a produtividade de um periódico é definida em termos do número de artigos que contém sobre determinado assunto (RAVICHANDRA RAO, 1986). Quanto aos objetivos esta pesquisa classifica-se como descritivo-exploratória. Segundo Gil (1994, p. 45), “as pesquisas descritivas têm com objetivo primordial a descrição das características de determinada população ou fenômeno ou o estabelecimento de relações entre variáveis.” Para Raupp e Beuren (2009, p. 81), “uma das características mais significativas das pesquisas descritivas está na utilização de técnicas padronizadas de coletas de dados.” Portanto, esta pesquisa é descritiva quando apresenta o referencial teórico relacionado ao Controle Interno. De acordo com Raupp e Beuren (2009, p. 80) “por meio do estudo exploratório, busca-se conhecer com maior profundidade o assunto de modo a torná-lo mais claro ou construir questões importantes para a condução da pesquisa.” Assim esta pesquisa é exploratória quando procura conhecer as características apresentadas nos artigos analisados. Quanto ao problema este é abordado de forma qualitativa, buscando verificar a caracterização da produção científica supracitada. De acordo com Richardson (1999, p.80 apud RAUPP; BEUREN; 2009, p. 91), “os estudos que empregam uma metodologia qualitativa podem descrever a complexidade de determinado problema, analisar a interação de certas variáveis, compreender e classificar processos dinâmicos vividos por grupos sociais.” Quanto aos procedimentos o estudo se enquadra como uma pesquisa documental, pois foram coletados dados (artigos). Segundo Raupp e Beuren (2009, p.89) este tipo de pesquisa “visa selecionar, tratar e interpretar a informação bruta, buscando extrair dela algum sentido e introduzir-lhe algum valor, podendo desse modo, contribuir com a comunidade científica a fim de que outros possam voltar a desempenhar futuramente o mesmo papel.” Esta pesquisa foi realizada por meio de uma análise bibliométrica dos artigos publicados nos Encontros da Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Administração, no período de 2004 a 2009, de um total de 4262, 15 artigos continham o tema Controle Interno. Os critérios utilizados na seleção da amostra foram: primeiramente por meio do título dos artigos, na sequência, por palavras-chave e por último verificou-se os resumos. 4 ANÁLISE DOS RESULTADOS Nesta seção caracteriza-se a produção científica, sobre controle interno, publicada nos anais dos Encontros da Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Administração, no período de 2004 a 2009, por meio da apresentação do estudo bibliométrico realizado. 11 Dentre o conjunto de artigos publicados nos anais de 6 anos foram identificados 15 artigos desenvolvidos sobre a temática de controle interno, conforme quadro 1, a seguir: Nº Ano Título 1 2004 Cognição da estrutura de controle interno 2 2004 Um estudo de percepção do controle interno de gestores de instituições financeiras da grande São Paulo 3 2004 Um estudo sobre a atuação da auditoria interna na detectação de fraudes nas empresas do setor privado no Estado de São Paulo 4 2005 Controle interno e avaliação de desempenho através de indicadores operacionais em uma instituição pública: uma proposta para a FAPEMIG 5 2006 Marcos regulatórios do controle interno: uma análise focada na ambientação com o controle externo e o controle social no contexto da administração pública federal, estadual e municipal 6 2006 Lócus de controle interno: uma característica de empreendedores? 7 2006 Estudo de caso sobre a percepção do corpo diretivo de uma multinacional oriental quanto à implementação dos requisitos da lei Sarbanes-Oxley 8 2007 Práticas de auditoria de desempenho em órgãos estaduais brasileiros de controle interno 9 2007 Controle interno dos estoques de medicamentos nos hospitais de Natal 10 2007 Práticas de gestão de estoques, armazenagem e transporte nos canais de distribuição brasileiros 11 2008 Controle interno: um estudo sobre a sua participação na tomada de decisão de investimento no mercado de capitais brasileiro 12 2008 Os impactos gerados na adequação da estrutura de controles internos de uma empresa brasileira às exigências da seção 404 da lei Sarbanes-Oxley: um estudo de caso 14 2009 A reestruturação dos controles internos para aderência à lei Sarbanes-Oxley: um estudo de caso voltado para os benefícios percebidos pelos gestores em seus processos, comparativamente aos custos incorridos Características de gestão e do controle de uma universidade pública federal: uma análise de documentos oficiais 15 2009 Organização e atuação dos órgãos centrais de controle interno nos municípios de Santa Catarina: uma análise nos municípios com mais de 50.000 habitantes 13 2008 Quadro 1 – Artigos analisados Fonte: Dados da pesquisa Ao visualizar o Quadro 1, nota-se que, em média, teve-se 2,5 artigos publicados por ano, sendo que em 2004, 2006, 2007 e 2008 foram 3 artigos em cada ano que versaram sobre controle interno. Quanto aos temas pesquisados, observa-se que o controle interno foi estudado no contexto de sua estrutura e de gestão com maior incidência, em 6 artigos: nº. 1, 4, 5, 11, 14 e 15. Já o controle interno e a Lei Sarbanes-Oxley foram estudados em 3 artigos: nº 7, 12 e 13. Outros temas pesquisados em conjunto com o controle interno abrangem: percepção de gestores, fraudes, auditoria e estoques. Destaca-se que no ano de 2008 houve uma maior concentração de artigos relacionando o controle interno, sua reestruturação e adequação à Lei Sarbanes-Oxley. A seguir a Tabela 1, apresenta a quantidade de autores por artigo, buscando responder, parcialmente, os objetivos específicos da pesquisa. Tabela 1 – Quantidade de autores por artigo Quantidade de autores Quantidade de artigos % 1 autor 0 0,00 12 2 autores 3 autores 4 autores 5 autores Total Fonte: Dados da pesquisa 6 5 3 1 40,00 33,33 20,00 6,67 15 100,00 Com relação à quantidade de autores por artigo, apresentada na Tabela 1, ficou evidenciada a concentração entre 2 e 3 autores, pois ambas categorias representaram somadas 73,33% do total dos artigos analisados. Cabe ressaltar que nenhum dos artigos foi elaborado por apenas um autor. Acrescenta-se às informações da Tabela 1, que do total de 15 artigos, houve 44 autores, portanto, em média obteve-se aproximadamente 3 autores por artigo. Os resultados do estudo de Cunha, Correa e Beuren (2010), quanto às publicações nacionais, indicaram semelhança com este estudo quanto à quantidade de 2 e 3 autores por artigo, mas divergência em relação a publicação de 1 autor por artigo. Nesta última categoria o presente estudo não apresentou publicação com apenas 1 autor, já no estudo dos autores supracitados houveram 25% de publicações nesta situação. No que tange às instituições de ensino superior vinculadas aos autores, é demonstrada a representatividade de cada uma na Tabela 2, a seguir. Tabela 2 – Representatividade das Instituições de Ensino Instituições de Ensino Superior Quantidade de autores % 2 3 3 6 11 2 3 8 2 4 44 4,55 6,82 6,82 13,63 25,00 4,55 6,82 18,17 4,55 9,09 100,00 EAESP- FGV Escola de Adm. de Empresa Universidade de Brasília Universidade de São Paulo Universidade Federal de Minas Gerais Universidade Federal de Pernambuco Universidade Federal de Rondônia Universidade Federal de Santa Catarina Universidade Federal do Ceará Universidade Federal do Rio Grande do Norte Universidade Metodista de São Paulo Total Fonte: Dados da pesquisa Observa-se, pela Tabela 2, que a Universidade Federal de Pernambuco, é a mais representativa entre os autores pesquisados, o percentual foi de 25% do total de artigos. Em segundo lugar, a Universidade Federal do Ceará com um percentual de 18,17%. Destaca-se que a Escola de Administração de Empresa - EAESP-FGV, a Universidade Federal do Rio Grande do Norte e a Universidade Federal de Rondônia foram as que tiveram o menor número de autores no período analisado. Em atendimento aos objetivos específicos desta pesquisa, foram analisadas nas publicações, as áreas temáticas tratadas no âmbito do controle interno. A seguir, estão apresentados na Tabela 3, os assuntos mais relevantes tratados inerentes ao controle interno. Tabela 3 – Assuntos relevantes tratados sobre Controle Interno Temas abordados Aderência à lei Sarbanes-Oxley Quantidade de artigos 3 13 Estrutura de controle interno 4 Controle interno em instituições financeiras 1 Auditoria interna na detecção de fraudes 1 Controle interno na administração pública 5 Comportamento em relação ao controle 1 Total 15 Fonte: Dados da pesquisa Observa-se, na Tabela 3, que os assuntos mais prolíferos foram os relacionados à estrutura de controle interno e sobre o controle interno na administração pública, também houve artigos que abordaram como os controles internos foram reestruturados e adequados à Lei Sarbanes-Oxley- SOX. O tema apresentado por Galloro e Galloro (2000) não encontrou interesse pelos pesquisadores, na amostra analisada. Já a SOX, apresentada por Dias (2010) encontrou respaldo, ou seja, o tema demonstrou-se interessante aos pesquisadores, principalmente no ano de 2008, quando emergiam pesquisas sobre o evento acontecido com as empresas Enron e Arthur Anderson, em 2002. Foram utilizadas diferentes obras como aporte teórico dos artigos analisados, conforme se verifica na Tabela 4, a seguir. Tabela 4 – Tipos de referências utilizadas Tipos Quantidade Referências % Revistas e Jornais Teses e Dissertações Livros Leis e Normas Anais de Eventos 64 14 153 29 18 23,02 5,04 55,04 10,43 6,47 Total Fonte: Dados da pesquisa 278 100,00 Com relação às referências utilizadas pelos autores, observa-se na tabela 4, que do total de referências utilizadas, mais da metade 55,04% foram livros, em segundo lugar ficaram os artigos divulgados em revistas e jornais científicos, destaca-se que foram utilizados periódicos nacionais e internacionais. As teses e dissertações foram o referencial teórico menos utilizado pelos autores. A seguir, estão relacionados na Tabela 5, os autores seminais citados nos artigos. Tabela 5 - Autores seminais Autores Seminais Quantidade de artigos % Antônio de Loureiro Gil 5 33,33 Ilse Maria Beuren 3 20,00 Marcelo Cavalcanti Almeida 6 40,00 Robert K. Yin 5 33,33 Sidney Siegel 3 20,00 William Attie 8 53,33 Total Fonte: Dados da pesquisa 100,00 14 Finalizando o atendendo aos objetivos específicos deste trabalho, foram identificados os autores seminais, de forma ampla, conforme menção nos artigos analisados. Observa-se na Tabela 5, que o autor mais citado foi William Attie, o mesmo foi mencionado em 53,33% dos artigos analisados e em segundo lugar, Marcelo Cavalcanti Almeida. Pode-se destacar que os dois autores foram utilizados principalmente por seus conceitos relacionados ao controle interno. Logo em seguida, atingindo um percentual de 33,33%, os mais citados foram Antonio de Loureiro Gil e Robert K. Yin. 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS A caracterização da produção científica sobre controle interno nos Encontros da Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Administração, no período de 2004 a 2009, permitiu verificar como o tema em estudo foi tratado ao longo do período analisado e ainda mensurar a produção científica, com base nos objetivos específicos propostos. Diante das mudanças ocorridas, na contabilidade, principalmente quanto ao princípio da essência sobre a forma, a mesma tornara-se uma ferramenta cada vez mais necessária na elaboração de relatórios de natureza econômica e financeira para a tomada de decisões das organizações, nesse âmbito inclui-se a necessidade de um controle interno adequado para que se obtenha maior segurança de que os mesmos são confiáveis. Quanto aos resultados do estudo bibliométrico, no que se refere à quantidade de autores por artigo, ficou evidenciada a concentração entre 2 e 3 autores por artigo. No que tange, a universidade com maior representatividade, destaca-se a Universidade Federal de Pernambuco, com um percentual de 25% do total de publicações. Os assuntos mais relevantes tratados sobre Controle Interno foram: a estrutura de controle interno, controle interno na administração pública e aderência à Lei Sarbanes-Oxley. Devido a sua importância na identificação de erros e fraudes e para que se possa verificar se todos os objetivos e metas estabelecidos estão sendo atingidos, demonstra-se a necessidade de adequação de sua estrutura tanto na administração particular como na pública. As publicações referentes à Lei Sarbanes-Oxley justificam-se pela necessidade de sua aplicação em todas as companhias abertas com registro na Securities and Exchange Commission – SEC, expandindo-se, também, a empresas que não são de origem norteamericana, analisando como elas se adequaram às exigências da referida Lei. Com relação ao tipo de referências, a mais utilizada, atingindo 55,04% foram os livros e a que os autores utilizaram em menor volume as teses e as dissertações. Destaca-se, também, que os periódicos utilizados nos artigos foram nacionais e internacionais. No que se refere aos autores seminais, os mais citados foram William Attie e Marcelo Cavalcanti Almeida. Pode-se destacar que os dois autores foram utilizados principalmente por seus conceitos relacionados ao controle interno. Ressalta-se, também, que vários outros autores foram citados em, somente, um ou dois artigos e não foram demonstradores no estudo. Portanto, essas são as características das publicações científicas referentes ao Controle Interno nos Encontros da Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Administração, no período de 2004 a 2009. Dentre as publicações verificam-se diferentes tipos de abordagem, mas percebe-se um número não expressivo de publicações relacionadas a este assunto. REFERÊNCIAS ALMEIDA, M. C. Auditoria: um curso moderno e completo. São Paulo: Atlas, 1996. 15 ALMEIDA, R. C. S. Controle interno no departamento pessoal. 2004. 152 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Monografia) – Curso Especialização em Contabilidade, Auditoria e Controladoria, Pontifícia Universidade Católica de Campinas, Campinas, 2004. ATTIE, W. Auditoria interna. São Paulo: Atlas, 1986. CARDOSO, R. L. PEREIRA, C. A., GUERREIRO, R.. Perfil das Pesquisas em Contabilidade de Custos Apresentadas no ENANPAD. Revista de Administração Contemporânea, v. 11, n. 3, jul./set., p.177-198, 2007. CARDOSO, R. L.; OYADOMARI, J. C. 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