minas | pág. 7
Reprodução
Atingidos
cobram direitos
cultura | pág. 14
Era uma vez...
Contar histórias não sai
de moda e traz benefícios
para o corpo e para alma de
quem narra e de quem ouve,
além de ajudar a diminuir
a velocidade de um mundo
altamente tecnológico
A construção de hidrelétricas
expulsa pessoas de suas casas e de
suas vidas. Conheça a história de
atingidos por barragens e as ações
do MAB para esta sexta-feira (14),
em Belo Horizonte
Edição
Reprodução
Uma visão popular do Brasil e do mundo
Belo Horizonte, de 14 a 20 de março de 2014| ano 1 | edição 29| distribuição gratuita | www.brasildefato.com.br | facebook.com/brasildefatomg
cidades | pág. 4
minas | pág. 5
“Ela não é
criminosa, é mãe”
Reprodução
Creche fechada há dois anos
Crianças não têm onde
ficar enquanto mães precisam trabalhar. Essa é a
situação da Pedreira Prado Lopes, onde só existe
uma creche para os 10 mil
moradores. A outra creche da comunidade está fechada para reformas
há dois anos, mas nada
foi feito. Segundo a PBH,
a previsão de término da
obra é apenas em 2016
Valéria Borges
cidades | pág. 3
Livros de graça em
Contagem
Brenda Viegas
Mesmo cometendo crimes menos violentos que os homens, mulheres
sofrem mais com a prisão. Elas enfrentam problemas como a falta de
ginecologistas e ausência de berçários. A matéria traz depoimentos que
denunciam a separação ilegal de filhos e mães presas, que precisam
passar a guarda para outra pessoa, já que os pais estão ausentes
Doação de livros para todos os gostos na Praça Iria Diniz, em Contagem.
Voluntários construíram um programa que distribui contos, poesia, literatura e materiais didáticos. Eles têm descoberto que a história de “brasileiro não gostar de ler” não é verdade. “É impressionante como as pessoas querem livros”, afirmou uma das idealizadoras do projeto
02 | opinião
Belo Horizonte, de 14 a 20 de março de 2014
editorial | Minas Gerais
editorial | Brasil
Nossas bandeiras de luta
A crise do imperialismo
Dados divulgados no início do ano pela Organização Internacional do
Trabalho (OIT) e pela ONG Oxfam Intermón apontam que o Brasil teve
um significativo sucesso em reduzir as desigualdades, graças a investimentos públicos e ao aumento do salário mínimo em mais de 50% desde
2003. Contudo, a concentração das riquezas e dos recursos econômicos
nas mãos de poucos tem aumentado. O Brasil é um dos países mais desiguais do mundo. É por essa razão que o país amarga índices inaceitáveis
de miséria, fome, pobreza, precariedade de serviços públicos e é um dos
mais cruéis em concentração de renda. A ONU nos classificou em 85° lugar no ranking do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) em 2013.
Apenas a dívida pública absorverá mais de 42% dos recursos orçamentários em 2014, enquanto a saúde ficará com menos de
4% e a educação com pouco mais
de 3%. Os transportes receberão
apenas 1% dos recursos e a seguFalando Nilson
rança pública bem menos: 0,35%.
Essas escolhas de orçamento,
além de todas as formas de desvio
Apenas a dívida pública
absorverá mais de 42% dos
recursos orçamentários
em 2014, enquanto a saúde
ficará com menos de 4%
e a educação com pouco
mais de 3%. Os transportes
receberão apenas 1% dos
recursos e a segurança
pública bem menos: 0,35%
dos recursos públicos, reforçam a
lógica da desigualdade e impedem
a garantia dos direitos de vida digna para o povo brasileiro. É preciso pensar no modelo de desenvolvimento capitalista, que degrada o
meio ambiente e explora as relações de trabalho.
Aprendemos na jornada de junho de 2013 que o Brasil e Minas Gerais
vivem uma crise política de suas instituições. O povo não se vê representado pelos atuais políticos. Assim, uma luta importante é pelas reformas
estruturais, como a reforma econômica, reforma do judiciário, reforma
agrária, democratização da comunicação e a reforma política.
É preciso mudar as regras do jogo, para termos uma democracia representativa séria, em que o povo possa acreditar. Somente com mobilizações nas ruas poderemos alcançar mudanças. Temos que levar nossos cartazes contra as obras superfaturadas da Copa, contra a FIFA e
CBF, contra os corruptos e os corruptores, contra o pagamento da dívida
pública e que os recursos públicos sejam para o povo, mas também levar nossa bandeira e palavra de ordem a favor do Plebiscito Popular por
uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político como forma
de exercício democrático e participação popular.
Os últimos acontecimentos na Ucrânia mostram que a hegemonia
do imperialismo dos Estados Unidos está em crise. A Rússia reafirma
sua influência na Ásia Central, na Europa Central e no Oriente Médio.
Além disso, meteu uma cunha no coração da influência estadunidense na Europa ao ensaiar uma aliança econômica com a Alemanha,
que incomoda o imperialismo e seus principais aliados no velho continente. Foi sintomática a iniciativa da diplomacia russa e de seu poderio militar em frustrar os planos do imperialismo para a Síria.
A China emerge rapidamente e tem um grande potencial para superar economicamente os EUA. O país asiático constrói, gradativamente, sua própria área de influência e expande suas relações de cooperação econômica.
Tanto a China como a Rússia
possuem armas nucleares. E isso
tem um significado na geopolítica
atual: o direito internacional só é
respeitado quando uma nação tem
capacidade de retaliar. Nos países
latino-americanos, a crise das ex-
Os Estados Unidos poderão
ter seus planos mais uma
vez frustrados por Moscou
na Ucrânia
periências neoliberais viabilizou a
emergência de governos progressistas.
Esse quadro favoreceu importantes experiências de integração regional que não interessam
ao imperialismo. Não por acaso, o
imperialismo patrocina atualmente a tentativa de golpe contra o governo de Nicolás Maduro na Venezuela.
O movimento mais recente na
Europa de reação à crise da hegemonia do imperialismo estadunidense ocorreu no apoio e patrocínio do governo Obama e da CIA ao golpe sofrido pelo governo ucraniano, que era pró-russo. A escandalosa quebra da ordem democrática na
Ucrânia ocorreu com o apoio das potências europeias e da OTAN, linha auxiliar dos EUA.
O governo russo reagiu imediatamente, denunciou o golpe dos fascistas e seus patrocinadores. Além disso, fez uma movimentação militar para proteger os cidadãos russos, que são maioria e moram na península da Crimeia, que legalmente pertence à Ucrânia. A capital Kiev
e o governo fascista da Ucrânia estão sendo monitoradas pelos russos.
O imperialismo poderá ter seus planos mais uma vez frustrados por
Moscou.
O imperialismo certamente continuará sua política agressiva de reação à sua perda de hegemonia. Uma coisa é certa: a bandeira da paz,
historicamente, pertence aos revolucionários. Ao proletariado não interessam as guerras, mesmo sabendo que dependendo da conjuntura,
elas abrem janelas revolucionárias.
O jornal Brasil de Fato circula semanalmente em todo o país e agora também com edições
regionais, em SP, no Rio e em MG. Queremos contribuir no debate de ideias e na análise dos
fatos do ponto de vista da necessidade de mudanças sociais em nosso país e no nosso estado.
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para anunciar : [email protected] /
(31) 3309 3304 - (11) 2131 0800
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Wagner Xavier. Administração: Valdinei Siqueira e Vinicius Moreno. Distribuição: Larissa Costa. Diagramação: Luiz Lagares. Revisão: Luciana Santos Gonçalves Editor-chefe: Nilton Viana (Mtb 28.466).
Editora regional: Joana Tavares (Mtb 10140/MG). Repórteres: Maíra Gomes e Rafaella Dotta. Estagiária: Raíssa Lopes. Endereço: Rua da Bahia, 573 – sala 306 – Centro – Belo Horizonte – MG. CEP: 30160-010.
Contato: [email protected]/ (31) 3309-3314
Belo Horizonte, de 14 a 20 de março de 2014
Projeto distribui livros,
sonhos e conhecimento
Pergunta da semana
LEITURA Mais de 90 mil títulos já foram distribuídos na cidade
Brenda Viegas
Por Rosana Zica
No dia 8 de março, a Praça Iria
Diniz, que abriga a maior feira de
variedades de Contagem, na Região Metropolitana, deixou de ser
lugar só de comércio e virou espaço de conhecimento, informação e
literatura. O Projeto Trilhas da Leitura – Construindo a Cidadania distribuiu gratuitamente mais de quatro mil livros de contos, poesia, romance, além de revistas científicas,
gibis e muito material didático para
quem se prepara para um concurso ou para o Enem no final do ano.
Além da doação, teve lançamento do livro “Filisteu e o fim do Mundo”, de Hélio Pereira Santos, poesia,
apresentação da Banda Senso Incomum e da Companhia de Dança
Studio Jazz e tenda com serviços de
saúde.
O idealizador do projeto, criado
em 2011, Ricardo Carvalho, diz que
o objetivo do programa é promover o acesso à leitura, especialmente nas localidades que não contam
com bibliotecas públicas ou comunitárias.
Freguesia do livro
O Trilhas da Leitura já distribuiu
cerca de 90 mil exemplares em vários bairros da cidade e beneficia,
principalmente, pessoas que não
podem comprar livros com frequência, como a auxiliar de serviços
gerais Maria Aparecida Silva, que
mora no bairro Durval de Barros.
Enquanto a filha Jéssica, de 12 anos,
participava do ensaio da Orquestra
Jovem de Contagem, ela buscava
histórias sobre a vida dos animais
e livrinhos para os filhos menores.
“Esse projeto é muito bom porque
às vezes a gente fica em frente à te-
Objetivo do programa é promover acesso à leitura, especialmente onde não há biblioteca
levisão por falta de livro”, conta.
A dona de casa Efigênia Ferreira
voltou para casa feliz da vida abraçada aos três romances que escolheu, dentre eles uma edição capa
A cada edição do programa,
os voluntários ficam
mais convencidos de
que aquela história que
brasileiro não gosta
de ler é ficção barata
dura de “100 anos de solidão”, que
rendeu o Prêmio Nobel de Literatura a Gabriel Garcia Márquez. “Moro
em apartamento e quando fico sozinha viajo até em revista da Turma
da Mônica. Esses livros aqui vieram
na hora certa, leio em 20 dias e de-
cidades | 03
pois passo para minha tia que também devora livros”, diz.
Enquanto renovava pequenas
montanhas de livros didáticos a serem doados, a empresária Maria da
Conceição Viegas disse que é muito bom ver a surpresa de quem passa pela praça quando descobre que
tudo ali é de graça. “A única coisa
que pedimos é o carinho das pessoas para, após a leitura, doarem o livro novamente”, explica. A cada edição do programa que termina, os
voluntários, exaustos, ficam mais
convencidos de que aquela história que brasileiro não gosta de ler
é ficção barata. “É impressionante
como as pessoas querem livros e se
sentem felizes quando ganham”, diz
Maria da Conceição.
Doações podem ser feitas na 26ª CIA da Policia Militar (Centro Social Urbano) Rua
Senegal 229 - Eldorado, Praça da Glória, Academia Uniart, na Av. José Faria da Rocha 4875, Eldorado, Ponto de Luz Livraria Espírita e Papelaria, Rua Manoel Teixeira de Camargos, 470, Eldorado e na OAB Contagem, Rua Edmir Leão, 454, Sede.
Mais informações:
trilhasdaleitura.com.br e facebook.com/TrilhasdaLeituraConstruindoCidadania.
As empresas de celular têm batido recordes de queixas no Brasil.
Na última semana, em uma lista
de 10 empresas com mais reclamações, 4 eram de telefonia: Vivo (2º lugar), Oi (3º lugar), Tim (5º
lugar) e Claro (8º lugar), de acordo com o site “Reclame aqui”. Segundo informações do Procon, as
maiores reclamações são sobre
cobranças indevidas ou abusivas.
Em Minas Gerais, a Tim está sendo processada por má qualidade de serviços. O Procon do estado condenou a operadora a pagar
multa de R$ 8.721.641,33 por congestionamento de tráfego de voz e
dados. Mas a Tim ainda pode recorrer na Justiça para não pagar o
valor.
E você, o que acha do
seu serviço de celular?
“A Claro é uma decepção. A
gente paga a conta e, enquanto não cai no sistema, eles bloqueiam o telefone. A gente não
recebe, a gente não faz ligação.
Esses dias, eu liguei e a assistente me disse: ‘compra outro aparelho’. Eu disse: ‘quer saber, eu
vou pagar a conta e vou passar
pra outra operadora’.”
Matilde Ferreira da Cruz,
aposentada
O teste do BRT
Enfrentando o período de adaptação, o novo sistema de transporte coletivo de Belo Horizonte, Move (nome dado ao BRT – sigla em
inglês para transporte rápido), que
começou a funcionar nesse sábado
(8), está encarando diversos problemas.
Estações e ônibus lotados, dificuldade dos motoristas para conduzir os veículos especiais, falhas
técnicas nos coletivos, falta de informação e equipamentos sem funcionar nas plataformas estão dei-
xando os passageiros insatisfeitos.
Letreiros eletrônicos também não
funcionaram.
Na primeira etapa do projeto, foram inaugurados o corredor da Avenida Cristiano Machado até o Centro, Savassi e região hospitalar. As linhas convencionais de ônibus usadas atualmente ainda não foram alteradas e os usuários estão apenas
experimentando o novo modelo.
Entre as linhas criadas para atender ao Move, somente três foram
inauguradas: 83D, 83P e 82.
Metrô em greve na quarta-feira
Trabalhadores do metrô farão
greve de um dia, em 19 de março.
O metrô está em vias de ser privatizado, através de uma Parceria Público Privada (PPP) e ainda não há
respostas sobre o possível aumento
de tarifa e a demissão dos metroviários. No dia 19, haverá uma assembleia, organizada pelo Sindicato
dos Metroviários (Sindimetro-MG),
em que a greve pode ser aprovada
por tempo indeterminado.
“Acho relativamente bom. O
problema é que é muito comum
os celulares ficarem fora de
área. E no interior tem um problema também, fica caro quando tem que ligar fora da nossa área, usando DDD. É muito
mais caro que a antiga telefonia,
com certeza”
José Bernardino Medeiros,
auxiliar técnico
04 | cidades
Belo Horizonte, de 14 a 20 de março de 2014
Apenas uma creche para
atender 10 mil pessoas
fatos em foco
Estudante é presa em
manifestação
DESCASO Pedreira Prado Lopes tem apenas uma Umei em funcionamento
Por Maíra Gomes
Valéria Borges
Juventina de Jesus Moreira tem
57 anos. Ela cuida de seus três netos pequenos, já que sua filha e o
marido trabalham o dia todo. A menorzinha tem sete meses, o outro
tem dois anos e o mais velho, quatro. Apenas o último conseguiu vaga em uma creche municipal. O
emprego de Juventina é mais flexível que o de sua filha e genro, mas
ela também trabalha. Por isso, a família tem que pagar para deixar os
dois pequenos em algum lugar. Ela
conta que a mãe das crianças desembolsa R$ 140 por cada menino,
total de R$ 280 por mês.
“Tentei vaga pra eles todos. Durante três anos tentei pra esse aqui,
mas só depois que fui no Conselho
Tutelar é que arrumaram pra mim”,
conta Juventina, que leva e busca o neto na creche da comunidade vizinha, conhecida como Buraco Quente.
Juventina mora na comunidade Pedreira Prado Lopes (PPL), na
região Noroeste de BH. Apesar dos
seus mais de 10 mil habitantes, o
local possui apenas uma Unidade Municipal de Educação Infantil (UMEI). Há dois anos eram duas, mas uma delas está fechada desde então. A Prefeitura de BH lacrou
as portas da UMEI PPL afirmando
que seria feita uma reforma. Até hoje as portas estão fechadas e não há
qualquer sinal de melhorias.
Cimento, brita, areias, equipamentos e outros materiais usados
nas obras do Vila Viva na região ficam estocados na UMEI. Enquanto
Fechada há dois anos, creche só deve ser reaberta em 2016, segundo PBH
isso, mulheres procuram um lugar
para deixar as crianças.
A Prefeitura de BH lacrou
as portas da UMEI PPL
afirmando que seria feita
uma reforma. Até hoje as
portas estão fechadas e
não há qualquer sinal de
melhorias
Outra avó que tem que cuidar do
neto é Shirley de Freitas. Ela já tentou vaga em todas as creches públicas da região, sem sucesso. “A mãe
do menino tem apenas 13 anos e o
pai 17. O Conselho Tutelar mandou
eles voltarem a estudar, mas não
tem quem fique com a criança”, diz.
Agora ela aguarda a resposta da regional da Prefeitura, para onde levou uma carta do Conselho com
pedido de vaga. A carta foi entregue
há dois meses.
Na única creche pública na comunidade, a UMEI Maria da Glória
Lommez, estuda a filha de Leandra
Aparecida, com apenas oito meses.
Leandra conta que foram oferecidas cinco vagas para os moradores, quatro pelo Conselho Tutelar
e uma de sorteio. “A de sorteio foi a
minha. Pela misericórdia de Deus
eu consegui, mas tinha um tanto de
gente tentando”, diz. Como muitas,
Leandra tem que trabalhar e não teria com quem deixar a filha.
Enquanto isso, crianças correm risco em
escola inadequada
Mas não foram todas as crianças
que estudavam na UMEI PPL que
ficaram sem lugar para estudar. Ao
lado do local existe uma escola municipal de ensino fundamental. Ali
ficam hoje 85 das crianças de um a
cinco anos que deveriam estar na
UMEI. Mas as mães ainda não se
sentem seguras. A escola municipal
Dr. José Diogo de Almeida Magalhães não foi adaptada para receber
as crianças. Sem pias, bebedouros,
vasos sanitários de tamanho adequado, elas correm risco constante
de acidentes.
“Lá é um perigo. Minha menina
de 4 anos estuda no segundo andar.
Em época de chuvas, fica tudo molhado e escorregadio. A gente deixa os filhos lá, mas fica com o coração na mão. Deixa porque tem que
deixar mesmo, porque a gente tem
que trabalhar”, desabafa Girlaine de
Jesus Solto, mãe de Nicole, que estudou na UMEI PPL e foi direcionada para o José Diogo assim que
a creche fechou. Girlaine teve sorte, pois nem todas as crianças conseguiram vaga. “Tem muita criança ainda sem creche. Muitas mães
estão tentando até hoje sem conseguir”, conta.
Creche só em 2016
A Secretaria Municipal de Educação informou ao Brasil de Fato que
a UMEI PPL deverá ser totalmente reconstruída e está em fase de
“projetos complementares”. Ou seja, não foi finalizada a fase da papelada. A obra será realizada por meio
da Parceria Público-Privada (PPP)
com a construtora Odebrecht. Serão R$ 190 milhões para 32 unidades de educação infantil. Apesar de
já feita a contratação, a secretaria
declarou que não há previsão para
início das obras. Mas garante que
até 2016 tudo será entregue.
A estudante Amanda Limone, de
18, foi presa no dia 8 de março, dia
de luta das mulheres. Ela participava de uma marcha quando um
rapaz chegou acompanhado por
policiais e a garota foi detida sob
acusação de pichação, prevista no
Art. 65 da Lei de Crimes Ambientais. Junto com ela foram apreendidos materiais como fitas de cetim, barbante e oito latas de tinta,
provas que sustentam a defesa da
estudante, de que pintava e ornamentava a faixa de tecido para o
ato público.
A denúncia veio do rapaz
que acompanhava o policial. Segundo testemunhas, o garoto se
sentiu ofendido com a frase “tire
seu terço do meu útero” que viu
no muro, ao lado de onde acontecia a manifestação. “Como estava indo buscar sua namorada,
deve ter ficado preocupado que
ela pudesse de alguma forma se
conscientizar sobre pautas feministas ao passar pela praça”, declara Adília Nogueira, feminista e
advogada que acompanhou o caso. “Com certeza a frase o incomodou muito. Ele não parava de
repeti-la para os policiais e na delegacia”, contou Amanda. A advogada afirma que a polícia não viu
nenhum ato de pichação por parte da acusada, mas recebeu a denúncia do rapaz. Foi agendada
uma audiência para o dia 02 de
abril na Justiça Criminal para dar
continuidade ao caso.
Justiça determina
expulsão de famílias
A 9ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais
(TJMG) determinou a reintegração de posse do terreno onde está localizada a Ocupação Guarani
Kaiowá, na terça-feira (11). O local pertence à empresa Muschioni Empreendimentos Ltda e atualmente abriga cerca de 150 famílias, que prometeram resistência.
O sociólogo Rafael Bittencourt,
das Brigadas Populares, alegou
que a decisão do TJMG foi injusta e que o grupo irá pressionar o
governador Antonio Anastasia e
a presidenta Dilma para garantir a permanência dos moradores. “Estamos estudando estratégias de recursos jurídicos e iniciaremos processo de luta política também. Dentro do Executivo,
nas três esferas, há possibilidade de solução pacífica. Lutamos
pelo direito à moradia e para isso existem inúmeras possibilidades”, alega.
Belo Horizonte, de 14 a 20 de março de 2014
“Ela não é criminosa, é mãe”
PRIVAÇÃO Muitas mulheres são presas para acobertar crimes de parentes
Reprodução
Por Maíra Gomes
Os crimes cometidos pelas mulheres são, na maioria, ligados a
drogas, e não a crimes violentos. Segundo dados do Ministério da Justiça, em Minas Gerais há 4.217 homens presos por homicídio, enquanto apenas 111 mulheres estão
presas pelo mesmo crime. No caso
de tráfico por entorpecentes, as mulheres têm maior incidência, com
25,17% contra apenas 17,23% dos
homens condenados.
Em sua maioria, o que leva as
mulheres à prisão é o acobertamen-
“A maioria das mulheres
que estão aqui é por causa
de marido ou namorado,
porque segurou droga dele
ou coisa assim”
to de algum crime cometido por familiares. “Conheci uma moça que
se entregou no lugar do filho por
tráfico de drogas e pegou 15 anos de
cadeia. Uma pessoa que faz isso não
Apesar de garantido o direito ao parto e à amamentação, não há espaço adequado
aqui é por causa de marido ou namorado, porque segurou droga dele ou coisa assim”, conta. Ela diz que,
ainda assim, os homens não prestam o apoio necessário na cadeia:
“Eles abandonam elas lá dentro,
Tráfico de entorpecentes
7.394
17,23% do total
de homens
presos em MG
126
4,21% do total
de mulheres
presas em MG
9,83% do total
de homens presos
em MG
Minas Gerais
0
Brasil
66
Módulo de Saúde Feminino
(Gestantes/Parturientes)
Brasil
39
Crianças que moram no Sistema
25,17% do total
de mulheres
presas em MG
é criminosa, é mãe”, defende Heidi
Cerneka, uma das coordenadoras
nacionais da Pastoral Carcerária.
Helena (nome fictício), detida há
sete meses no Complexo Penitenciário Estevão Pinto, afirma que, com
ela, estão presas muitas inocentes.
“A maioria das mulheres que estão
Creches e berçário
Minas Gerais
23
664
4.217
Minas Gerais
37
Presos pela Lei Maria da Penha:
apenas 21 homens
Brasil
166
Ginecologista
Minas Gerais
3
Brasil
15
não vão dar nenhum suporte para
a mulher”.
Heidi Cerneka, em seus 15 anos
de trabalho junto às mulheres presas, percebe que a principal dificuldade está na relação com a família, especialmente com os filhos. “Em uma pesquisa que fize-
mos em 2002, os homens que fazem trabalho remunerado afirmaram que usam o dinheiro eles mesmos, para comprar coisas que lhes
faltam dentro do presídio. Já as mulheres enviam o recurso para quem
está cuidando dos filhos”, exemplifica Heidi.
Dificuldades na gravidez
Apesar de garantido o direito ao
parto e à amamentação para as mulheres detidas, o governo não disponibiliza espaço adequado. Em
Minas, são disponibilizados apenas
60 leitos para gestantes e lactantes,
em 23 diferentes localidades. No
país todo, são apenas 39 casas.
“Em alguns estados há berçário
ou celas especiais para mães com
crianças, mas já vi casos de bebês
recém nascidos morando em uma
cela comum de presídio”, conta Heidi. Em Minas não há nenhum berçário. Em todo o país são apenas 66.
Em dezembro de 2012 trabalhavam
no Sistema Prisional apenas três ginecologistas para todo o estado de
Minas, e quinze no país todo.
Dificuldades para restabelecer a vida
Para visitar as mães, as crianças só podem ser levadas por
quem tenha sua guarda. Assim,
as mulheres são obrigadas a passar a guarda para outros, na falta
de um pai presente. Muitas vezes,
ficam com medo de que a pessoa
acabe por não devolver seus filhos após a pena cumprida.
Helena tem um filho de um
ano, cuja guarda está com sua
mãe, a avó do garoto, que o traz
em suas visitas. Mas Helena se
preocupa: “Na revista dos visi-
fatos em foco
Professores em greve
por 3 dias
Professores de Minas Gerais irão
aderir à greve nacional da educação, durante os dias 17, 18 e 19 de
março. A expectativa é que os níveis fundamental e médio não realizem aulas nesses dias. De acordo com o Sindicato Único dos
Trabalhadores em Educação de
Minas Gerais (SindUTE), a paralisação não é, ainda, um indicativo de uma greve longa. Os professores mineiros se reunirão em assembleia, em 24 de abril, para decidir suas próximas ações.
Minas tem o maior
número de serviços de
saúde para mulheres
Dados específicos
sobre mulheres
homicídio simples ou qualificado
minas | 05
tantes, eles tiram a fraldinha do
meu filho, levantam a blusinha.
Isso é muito constrangedor”. Ela
tem apenas seis minutos por semana para falar com sua família
ao telefone.
Outra dificuldade é a volta para a casa, pois as mulheres muitas vezes cuidam sozinhas de tudo. Na volta, têm que refazer toda a vida. “Já os homens voltam para a casa de suas esposas,
que na maioria das vezes esperam por eles. Ou então para irmãs
ou mães”, afirma Heidi. Algumas
mães descobrem que perderam
os filhos para sempre, entregues
para lares adotivos. Isso ocorre
quando o juiz destitui a guarda
da mãe sem nem mesmo chamar
uma audiência, garantida por lei.
“Quantas vezes acompanhamos
mulheres que nem sabiam que o
filho foi para a adoção? Antes de
tirar o direito da mãe, ela deve ser
ouvida, eles precisam saber se há
um parente que possa cuidar da
criança”, defende Heidi.
Ao todo, há 42 serviços deste tipo
no Estado, enquanto em São Paulo existe apenas um. A informação é de uma pesquisa divulgada
pelo IBGE. Segundo o estudo, Minas tem 65 delegacias especializadas no atendimento à mulher, três
presídios exclusivamente femininos, 11 núcleos da mulher nas
Defensorias Públicas, três unidades de juizado ou vara especial de
violência doméstica e família contra a mulher, além de 18 centros
especializados de atendimento à
mulher em situação de violência
(Ceam) e um Instituto Médico Legal (IML).Em 2013, um plano estadual de Políticas para as Mulheres (PEPM) foi lançado em Minas
Gerais, com vigência até 2015.
MST discute Reforma
Política
Acontece, no sábado (15), debate sobre Plebiscito da Constituinte por uma Reforma Política, com
o palestrante João Pedro Stédile,
da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). A atividade
começa às 14h e será no Sindicato dos Bancários, na Rua Tamoios,
611, em Belo Horizonte.
Hospitais são suspeitos
de atrasar cirurgias
para lucrar
O Ministério Público de Minas
Gerais, através da Promotoria de
Saúde, fará uma auditoria em seis
hospitais da capital. A desconfiança é que médicos e funcionários atrasavam propositalmente
as cirurgias de câncer para mandar seus pacientes a clínicas particulares de quimioterapia.
06 | minas
Belo Horizonte, de 14 a 20 de março de 2014
Prefeituras e Assembleia Legislativa
retiram homenagens à ditadura
MUDANÇA Ruas, praças e estádio com nomes de torturadores podem ser rebatizados
Por Rafaella Dotta
Em 31 de março, data em que o
golpe de 1964 completa 50 anos,
prefeituras pretendem realizar
ações de impacto. O objetivo é excluir homenagens aos políticos desse período, que participaram de torturas e mortes de brasileiros. Com a
mesma intenção, deputado estadual pede a mudança dos nomes de
ruas de Belo Horizonte e também
do “Mineirão”.
São João del-Rei
No salão nobre da prefeitura sanjoanense estão pendurados os retratos de todos os presidentes brasileiros. O prefeito, Helvécio Reis,
anunciou que, em 31 de março, irá
retirar da parede os quadros dos exditadores do Brasil.
Segundo Sálvio Penna, assessor do prefeito, o ato serve para repensarmos a nossa história. “Tem
Reprodução
que aparecer a verdade e o quanto custou ao brasileiro esse período.
A ditadura acabou com o Congresso Nacional, perseguiu lideranças e
matou seus adversários”, defende.
Coronel Fabriciano
O vereador Marcos da Luz,
de Coronel Fabriciano, também
quer “rever a história”. Ele formulou
um Projeto de Lei para modificar o
nome da principal via da cidade, a
avenida Magalhães Pinto, que homenageia um dos articuladores do
golpe.
De acordo com o vereador, outros países da América Latina, como
o Uruguai, já começaram a retirar
homenagens a torturadores e agora
é a vez do Brasil. “A Lei segue a tendência mundial de recuperar e preservar a memória histórica dos fatos
ocorridos durante a repressão militar”, afirmou Marcos da Luz.
Belo Horizonte
Órgãos estaduais, situados em
Belo Horizonte, também poderão
mudar de nome. É o caso do “Mineirão”, que oficialmente se chama
Estádio Governador Magalhães Pinto.
No ano passado, o deputado Paulo Lamac entrou com o Projeto de
Lei 3.795, para que órgãos estaduais
retirem homenagens a pessoas que
cometeram ou participaram de torturas e violação de direitos humanos, com destaque para o período
da ditadura militar. Na última quarta-feira (12), a Comissão de Direitos Humanos da Câmara aprovou
a pauta, o que significa que ela será
encaminhada para votação em plenário até o final deste semestre.
17, 18 e 19
DE MARÇO
Royalties do petróleo investidos na valorização dos educadores
Carreira e jornada para todos os profissionais da educação
Contra a proposta de reajuste dos governadores e o INPC
10% do PIB para a educação pública
Pelo cumprimento da lei do Piso
Votação imediata do PNE
O voto da educação
vale muito!
Belo Horizonte, de 14 a 20 de março de 2014
minas | 07
Vidas alagadas
BARRAGENS Construção de hidrelétricas expulsa famílias e destrói ambiente
Por Thiago Alves
Dizem que as hidrelétricas são
uma fonte de energia ambientalmente sustentável e eficiente. No
entanto, a prática revela a contradição: as barragens representam,
muitas vezes, destruição ambiental, violação de direitos e o aumento da pobreza nas regiões onde são implantadas.
Não é preciso ir longe para ver
isso. Os habitantes das cidades de
Rio Doce e Santa Cruz do Escalvado, na Zona da Mata, conhecem bem o resultado das promessas. Ali foi inaugurada, em agosto
de 2005, a Usina Hidrelétrica Risoleta Neves, construída no Rio
Doce pelo Consórcio Candonga,
associação feita entre a mineradora Vale e siderúrgica indiana
Novelis Inc..
“Muita gente achou que ia ser
bom, que ia gerar empregos, que
o povo ia mudar de vida, que ia
receber as indenizações tudo direitinho. Tinha muita gente a favor da barragem”, afirma Dejanira, a Dona Deja, garimpeira de
Rio Doce e militante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB). Mas o que era expectativa virou decepção: “A Vale
e a Novelis não respeitaram ninguém, muita gente ficou sem indenização”, lembra. A obra foi alvo de denúncias em diversos órgãos de defesa dos direitos humanos, inclusive para a Organização
das Nações Unidas (ONU).
Thiago Alves
Gente que some e água que não
dá pra beber
Dona Deja conta que em todo
o processo de instalação da usina
houve um padrão de violência e
desrespeito aos direitos, com destaque para dois episódios: o desaparecimento de João Caetano
dos Santos, mais conhecido como
“Gabundo”, lavrador que desapareceu dentro do canteiro de obras
e cujo corpo nunca foi encontrado. O outro foi a expulsão de 14
famílias que ainda resistiam, retiradas de sua área de forma trucu-
“Não respeitaram ninguém,
muita gente ficou sem
indenização”
lenta em uma mega operação policial, em maio de 2004.
Além disso, o Novo Soberbo,
reassentamento construído pelo
Consórcio Candonga, resultou na
construção de casas que, na aparência, lembram um condomínio
de classe média, mas na realidade
representam a síntese da violação
dos direitos. “As casas são bonitas, mas não têm segurança nenhuma. A maioria delas não tem
vigas nem colunas, são feitas com
material de baixa qualidade, as
cozinhas são muitas pequenas. O
pior de tudo: a água é contaminada, não presta pra beber, conforme denunciamos diversas vezes”,
afirma o morador José Antonio.
Operação policial que retirou os moradores do velho Soberbo no dia 03 de maio de 2004
O que é MAB?
O Movimento de Atingidos por Barragens (MAB) foi fundado em 1991, por pessoas que tiveram perdas com a implantação de represas, também chamadas de
barragens. Milhares de famílias perderam empregos e casas, pois a região em que
moravam foi alagada. Em 2009, foi a primeira vez que os Atingidos por Barragens
foram reconhecidos pelo governo brasileiro. Em declaração, o então presidente
Lula afirmou: “certamente nós temos dívidas com eles. Durante muito tempo se
construiu hidrelétricas, se prometia dar casas, e não veio as casas e não veio as
terras.” De acordo com o MAB, já foram construídas 2 mil barragens no Brasil, que
atingiram 1 milhão de pessoas. Hoje, 45 barragens estão em construção e estão
previstas mais 99 até 2021.
14 de março: um dia de protestos
O Movimento de Atingidos por
Barragens (MAB) faz um dia de
manifestações para lembrar o resultado que as hidrelétricas trazem à população. Em 14 de março, Dia Internacional de Luta
Contra as Barragens, estão previstas reuniões com órgãos do governo e protestos contra o preço
da conta de luz.
Na manhã de sexta (14), o movimento irá se reunir com órgãos
do governo. De acordo com Pablo
Andrade Dias, da coordenação
estadual do MAB, o objetivo da
reunião é tocar em dois pontos
principais: política estadual de
direitos para atingidos e licenciamento de mineradoras e hidrelétricas em Minas Gerais.
À tarde, os integrantes do MAB
perspectiva de aumento”, critica.
pretendem alertar os mineiros sobre a conta de luz. Segundo o movimento, a Cemig é parte de um
esquema para aumentar o preço
da energia em Minas Gerais, que
já é uma das mais caras do Brasil.
Pablo lembra que o Plebiscito da Energia, realizado em outubro do ano passado, teve 600 mil
votos pela redução da conta. “E o
que a gente está vendo como resposta é justamente o contrário, a
Ações
Em Belo Horizonte, o movimento pretende receber 200 pessoas vindas do interior, para se
somar aos apoiadores da região
metropolitana, afirmou Letícia
Oliveira, que também é da coordenação estadual do MAB. Em
todo o estado, presume-se que
1.500 pessoas estarão nas manifestações.
Além da capital, ocorrerão
ações no Norte de Minas e no Leste, na região de Aymorés. Todas
as manifestações abordarão o tema dos direitos para os atingidos,
dentre temas locais.
08 | opinião
Belo Horizonte, de 14 a 20 de março de 2014
Foto da semana
PARTICIPE Viu alguma coisa legal? Algum absurdo? Quer divulgar?
Mande sua foto para [email protected].
Mídia Ninja
Acompanhando
Na edição 20 ...
PBH cobra taxa de lixo abusiva e
precariza trabalho de varredores
...E AGORA
As mulheres saíram às ruas de Belo Horizonte em 8 de março, Dia Internacional da Mulher. O Bloco As Desobedientes
do Ritmo reuniu cerca de 1000 pessoas na Praça Afonso Arinos, reivindicando igualdade de direitos entre homens e
mulheres e o fim da violência contra a mulher. Cartazes foram espalhados no Centro como forma de protesto.
Irmã Marilande
Roberto Franklin de Leão
Minas: 3º lugar em denúncias de
trabalho escravo
Greve nacional da educação Segundo dados da Comissão Pastoral da Terra
(CPT), em 2013 houve 173 denúncias de trabalho escravo no Brasil. Vinte ocorreram em Minas Gerais,
que ocupa o terceiro lugar nas denúncias. Em segundo lugar vem o Maranhão, com 27 e o Pará em primeiro, com o mesmo número.
Em 2013 foram libertos 2.208 trabalhadores, 56%
na cidade. Deste total, 538 foram libertas em São Paulo e 440 em Minas Gerais.
A construção lidera o ranking das denúncias, com
41%, seguido do setor das lavouras, com 21%, e pecuária em terceiro, somando 12% das denúncias.
De 2003 a 2013, foram realizadas 102 denúncias de
trabalho escravo em Minas, e 2.143 trabalhadores resgatados. O estado também ocupa o terceiro lugar na
“lista suja” do Ministério do Trabalho e Emprego, que
cadastra os empregadores flagrados com exploração
indevida. Dos 579 nomes de empresas e pessoas físicas incluídas na lista, 46 são de Minas Gerais. A maioria está na região Norte, no setor das carvoarias e madeireiras. Ainda de acordo com a lista suja, a maior libertação em Minas ocorreu em uma fazenda do Triângulo Mineiro, onde foram libertas 207 pessoas num
canavial.
Na Região Metropolitana de Belo Horizonte as denúncias são da construção civil, metalúrgicas e fábricas de roupas. A construção civil responde por 66%
das denúncias. De acordo com Procuradoria Geral,
quando se trata de investigações sobre a prática de
trabalho escravo, Minas Gerais fica em segundo lugar, com 174 investigações. O primeiro é o Pará, com
295. Quanto ao perfil dos trabalhadores resgatados, a
maioria são homens entre 25 a 34 anos, que estudaram até o 5º ano incompleto.
Ir. Marilande dos Santos Silva é agente da Comissão Pastoral da Terra/MG
A luta dos mais de 3 milhões de trabalhadores das
escolas públicas de nível básico do país ganhará um
novo capítulo com a greve nacional agendada pela categoria para os dias 17 a 19 de março.
Transcorridos quase seis anos da sanção da Lei Federal nº 11.738, que regulamentou o piso salarial nacional do magistério, a Confederação Nacional dos
Trabalhadores em Educação (CNTE), e o Sindicato Único dos Trabalhadores da Educação (SindUTE),
em âmbito do estado de Minas Gerais, lutam para que
essa importante lei, que visa melhorar a qualidade da
educação através da valorização de seus profissionais,
não se torne “letra morta”, como tantas outras no país.
A escola pública no Brasil é responsável por 85%
das matrículas na educação básica (da creche ao ensino médio). É preciso lutar pela inclusão dos cerca de
3,5 milhões de crianças e jovens entre 4 e 17 anos, ainda fora da escola e também pela qualidade do ensino,
especialmente no campo, onde contraditoriamente,
as escolas estão sendo fechadas de forma indiscriminada. É preciso mais financiamento público e profissionais com formação adequada, remuneração digna,
com perspectivas na carreira e condições apropriadas
de trabalho.
A luta dos/as trabalhadores/as em educação é também de toda sociedade que deseja escola pública de
qualidade. O engajamento dos setores sociais do campo é essencial para dar visibilidade ao direito à educação na zona rural.
A melhoria dos indicadores escolares depende da
aprovação do Plano Nacional de Educação com 10%
do PIB para a educação pública, além do cumprimento da Lei do Piso do Magistério por parte de governadores e prefeitos, responsáveis diretos pela oferta do
ensino básico no país.
Roberto Franklin de Leão é Presidente nacional
da Confederação Nacional dos Trabalhadores em
Educação
Uma decisão da Justiça de Minas Gerais pode fazer com que
a Prefeitura de Belo Horizonte
suspenda o reajuste de 45% cobrado na taxa de coleta de lixo,
embutida no IPTU de 2014. Uma
ação individual, movida pelo
deputado Fred Costa (PEN), negada em primeira instância, teve o recurso decidido favoravelmente ao político. Foi determinado um prazo de 10 dias para
que a prefeitura emita um novo boleto corrigindo o aumento apenas pelo IPCA (Índice de
Preços ao Consumidor Amplo),
que é de 5,91%. “Isso abrirá um
precedente e iremos entrar com
uma ação coletiva pedindo o
mesmo para toda a população”,
comentou Costa
Na edição 23...
Lei não cumprida: idosos estão pagando mais do que deveriam
...E AGORA
Relatamos o não cumprimento
da lei que garante o passe livre
para idosos acima de 65 anos
em ônibus intermunicipais. Na
época, deputados defendiam
que o governo estadual não poderia arcar com os custos da
medida. Em janeiro, a gratuidade foi sancionada e começou a
valer em 1º de março, mas com
certas restrições. Os passageiros
que tenham mais de 65 anos ou
sejam portadores de deficiências físicas com renda inferior
a dois salários mínimos podem
utilizar o serviço. Cada ônibus
terá dois assentos reservados e
é preciso solicitar a gratuidade
à empresa com 12 horas de antecedência. No embarque, é necessário apresentar documento com foto com validade nacional.
Belo Horizonte, de 14 a 20 de março de 2014
entrevista | 09
“Não há outro processo em
gestação depois do lulismo”
PERSPECTIVAS Professor de filosofia analisa cenário político pós manifestações
Reprodução
Antonio David e Artur Scavoni,
De São Paulo (SP), especial
para o Brasil de Fato
Para Vladimir Safatle, professor
de filosofia da Universidade de São
Paulo, a esquerda brasileira perde várias possibilidades de se diferenciar de seus adversários por ficar fazendo muitos cálculos sobre a
conjuntura política. Autor de “A esquerda que não teme dizer seu nome”, Vladimir Safatle tem sido um
dos mais notáveis intelectuais a discutir as questões filosóficas e morais da esquerda mundial.
Na entrevista a seguir, além de
avaliar as manifestações de junho
do ano passado, o filósofo discorre
sobre as possibilidades e necessidades de mudanças.
Brasil de Fato – Em artigo recente, você afirma que as exigências
populares de uma “outra política” expressas em junho “pararam
na lata de lixo mais próxima”, e
argumenta: “Depois de apresentar com uma mão um projeto de
Assembleia Constituinte para a
reforma política e retirá-lo com a
outra, o governo prometera pressionar o Congresso Nacional para
debater as propostas. O resultado
foi cosmético, se quisermos ter
um mínimo de generosidade”
Vladimir Safatle – O que aconteceu foi que, num momento de sanidade, ficou claro que nós estávamos numa espécie de crise de representatividade profunda, que
exigia caminhar em direção ao grau
zero da representação, ou seja, voltar a dar voz ao poder instituinte, para que as condições de organização do jogo político pudessem
“Não há mais avanços
na sociedade brasileira
sem uma politização forte
a respeito da estrutura
tributária”
ser recompostas. Mas quando se
faz uma proposta dessas, tendo em
vista que é uma proposta muito séria, o mínimo que se espera é que se
esteja preparado para todas as reações que virão. É óbvio que não viriam apenas reações entusiastas,
mas também gritos de golpe e coisas dessa natureza. Ninguém que
acompanha a política brasileira po-
deria imaginar o contrário.
Você tem insistido na necessidade de haver um “segundo ciclo de
políticas contra a desigualdade
baseadas na universalização de
serviços públicos de qualidade”.
O que isso significa, do ponto de
vista da estratégia política?
Acho que significa compreender que não há mais avanços na sociedade brasileira sem uma politi-
“O processo de ascensão
social permitido pelo
lulismo é um processo
que de fato, a meu ver,
se esgotou. Os processos
históricos são assim,
funcionam durante certo
momento, mas, pelas suas
próprias contradições, eles
também se esgotam”
zação forte a respeito, entre outras
coisas, da estrutura tributária do
Brasil. Eu sei que esse é ponto sensível do jogo político brasileiro, porque significa colocar contra a parede setores hegemônicos, como os
interesses do setor financeiro, como os interesses da elite que paga um imposto de renda absolutamente irrelevante e irrisório, e exige uma recomposição da estrutura tributária brasileira, retirando os
impostos sobre consumo e direcionando para os impostos sobre renda. Eu tenho consciência de que
isso significa um acirramento do
conflito. Mas o acirramento é inevitável, vai ocorrer de uma maneira ou de outra. Porque o processo
de ascensão social permitido pelo lulismo é um processo que de fato, a meu ver, se esgotou. Os processos históricos são assim, funcionam
durante certo momento, mas, pelas suas próprias contradições, eles
também se esgotam. Chegou nesse
ponto. Em princípio não seria nada
desesperador, se houvesse um outro processo em gestação. O que eu
acho desesperador é perceber que
não há um outro processo em gestação.
Que marcas os protestos de junho
deixaram?
Eles deixaram muito evidente o
nível de descontentamento da população brasileira e o fato de esse
descontentamento ser plástico, ou
seja, pode ir para qualquer lugar. Isso é uma coisa boa e ruim ao mesmo tempo. Essa plasticidade indica
haver um combate ideológico e político a ser feito, tendo em vista a capacidade de dar respostas à altura
para esse descontentamento. Não
apenas dar um nome para ele, mas
mostrar que é possível fazer algo.
Esse ponto é o que mais me atemoriza na situação brasileira.
Uma das experiências mais interessantes da esquerda dos últimos anos é o que está ocorrendo no Uruguai. Eles tiveram a seguinte sensibilidade: tão importante quanto mostrar à população que
a esquerda, quando ganha, é capaz
de lutar contra a desigualdade econômica e a pauperização de gran-
des camadas da população, é mostrar que, quando a esquerda ganha, a vida muda. Outra vida aparece. Outras possibilidades das vidas
individuais das pessoas vão aparecendo. Outro modo de se pensar questões no sentido mais amplo da sociabilidade no interior da
“As manifestações deixaram
muito evidente o nível
de descontentamento da
população brasileira e o fato
de esse descontentamento
ser plástico, ou seja, pode ir
para qualquer lugar”
vida social. Bater de frente com as
pautas do conservadorismo moral:
aprovar o casamento homossexual,
pensar a questão da maconha, do
aborto. Acho que esse é o nível de
resposta que as pessoas esperam.
Mostrar que a vida pode ser diferente, de verdade, naquilo que realmente toca as pessoas, em vários
sentidos, em vários aspectos.
Por exemplo: na França, uma das
primeiras coisas que o governo Mitterand fez foi acabar com a pena de
morte. Todas as pesquisas demonstravam que a população era majoritariamente a favor da pena de morte. E mesmo assim Mitterand acabou com a pena de morte. Hoje,
qualquer pesquisa na França demonstra que a população é majoritariamente contra a pena de morte.
Há horas em que o governo tem de
ir lá onde a sociedade não quer ir.
10 | brasil
Belo Horizonte, de 14 a 20 de março de 2014
Cyberbullying aumenta entre jovens e
casos de suicídio preocupam
MORTES Casos envolveram meninas do Piauí e do Rio Grande do Sul
Por Graça Portela
do Rio de Janeiro (RJ)
A distância entre Parnaíba, no
Piauí, e Veranópolis, no Rio Grande do Sul, pelas estradas, é de 3.924
quilômetros. Nas ondas da internet,
está marcada por dois óbitos de meninas de 16 e 17 anos, que chocaram
o país em novembro de 2013. O motivo: cyberbullying.
As meninas não resistiram à vergonha e à humilhação de verem suas fotos íntimas circulando nas mídias sociais, especialmente o Facebook, e se suicidaram. Os dois casos trouxeram à tona a questão do
cyberbullying e seus efeitos nas vítimas. Nos casos de Giana e Julia, as
adolescentes que se mataram, não
havia – segundo relatos de familiares e amigos – informações sobre
depressão, uso de drogas ou problemas psiquiátricos que pudessem explicar um quadro de sofrimento que
levasse ao suicídio.
“Nem toda moça que é exposta dessa maneira tão violenta, desrespeitosa e danosa à autoimagem,
necessariamente evolui para um
suicídio. É possível que algumas fiquem deprimidas, outras podem ficar marcadas para sempre, mas elas
conseguem lidar com isso”, explica
o pesquisador do Programa de PósGraduação em Informação e Comunicação em Saúde (PPGICS/Icict), o
psicanalista e psiquiatra Carlos Estellita-Lins, que coordena o PesqSUI
- Grupo de Pesquisa de Prevenção
do Suicídio. “Simplificando, eu diria
que essas moças perderam alguma
coisa do seu ideal e de sua integridade, e não conseguiram continuar vivendo com essa perda, que foi muito grande”, completa o pesquisador.
49% dos jovens temem bullying
Uma pesquisa sobre os hábitos na
web com 2.834 jovens, de idade entre 9 e 23 anos, realizada pelo SaferNet, organização não-governamen-
Violência e humilhações de cyberbulliying provocaram mortes e abrem debate
tal que trabalha no enfrentamento
de crimes e violações aos Direitos
Humanos na Internet, e a operadora de telecomunicações GVT (divulgada pela Agência Pública), aponta
que 62% dos jovens utilizam a rede
todos os dias e, desses, os que estão
na faixa entre 18 e 23 anos, 86% do
total, acessam diariamente.
Um em cada quatro jovens já na-
morou pela internet, sendo esse um
hábito entre 35% dos jovens de 18 a
23 anos, aponta a pesquisa. O sexting – envio e divulgação de conteúdos eróticos, sensuais e sexuais com
imagens pessoais pela internet, via
computadores ou celulares - é praticado por 6% dos jovens e, desses,
63% já enviaram mais de cinco vezes
as imagens. (Fiocruz)
Belo Horizonte, de 14 a 20 de março de 2014
Correção do Imposto de
Renda poderia desafogar
TETO Estudo mostra que quem ganha até R$ 2.758 não deveria pagar
Pessoas que ganham até R$2.758
poderiam ser isentas de declarar imposto de renda. Estudo do
Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) mostra que, entre
1996 e 2013, o governo brasileiro
não reajustou a tabela de acordo
com a inflação, acumulando uma
discrepância de 61,24%.
Ainda de acordo com o relatório, os anos de 1996 a 2003 acumularam 45,68% deste valor, enquanto os anos de 2003 a 2013 acumularam 15,56%. O resultado é: pessoas com menor poder aquisitivo
têm pagado mais impostos.
O Diesse, em conjunto com os
sindicatos, defende que os impostos precisam ser progressivos, ou
seja, quanto mais rico, mais impostos o contribuinte pagará. A
reivindicação tem base no artigo 145 da Constituição Federal:
“sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão
graduados segundo a capacidade
econômica do contribuinte”.
Na última segunda-feira (10),
a OAB (Ordem dos Advogados do
Brasil) enviou ao Supremo Tribunal Federal uma ação em que indicava a inconstitucionalidade do
imposto tal como está. A entidade
pede que a tabela seja corrigida o
quanto antes e espera resultados
ainda para este ano. (Da redação)
De olho no... Imposto
de Renda
O que é?
O Imposto de Renda é calculado sobre os valores recebidos pelo contribuinte no ano anterior.
Este é o momento de o contribuinte declarar ganhos e gastos,
o que pode gerar um valor a pagar ou “a receber” do governo.
Quem precisa declarar?
Pessoas físicas e jurídicas que
tiveram renda (salários + rendimentos) maior que R$ 24.556,65
em 2013. As pessoas assalariadas, com carteira assinada, pagam impostos direto na folha de
pagamento, mas devem declarar.
O que é necessário declarar?
É preciso declarar todos os
bens e rendimentos. Tais como:
automóvel, imóveis, dinheiro
depositado em conta bancária,
pensão, empresa, heranças, empréstimos e salários.
Como reduzir o valor a ser pago?
O contribuinte deve adicionar em sua declaração gastos
com saúde (exceto medicamentos), com previdência privada,
com educação e com dependentes. Isso pode reduzir o valor a
ser pago ou gerar uma quantidade “a receber” do governo.
Prazos para declaração
Início: 6 de março
Término: 30 de abril
Novidade
Neste ano, o Imposto de Renda pode ser enviado por Tablets
e Smartphones conectados à internet, através da modalidade
m-IRPF.
Preço da cesta
básica
O custo com a cesta básica, em
fevereiro, aumentou em nove e
caiu em outras nove capitais pesquisadas pelo Dieese. As maiores
altas foram apuradas em Aracaju (5,31%), Florianópolis (2,49%)
e Rio de Janeiro (1,35%). As diminuições ocorreram em João Pessoa
(-3,47%), Manaus (-3,44%) e Brasília (-2,91%). A cesta mais cara foi
a de Florianópolis (R$ 330,75) e a
de menor valor, a de Aracaju (R$
225,57).
Com base na cesta mais cara, o
Dieese estimou o salário mínimo
necessário para um trabalhador
em R$ 2.778,63 – 3,84 vezes o valor
oficial (R$ 724). Essa proporção era
de 4,05 vezes em fevereiro do ano
passado.
brasil | 11
Este mês, o trabalhador precisou cumprir, em média, jornada de
88 horas e 30 minutos para comparar todos os gêneros essenciais. O
período foi menor em relação a janeiro (88 horas e 51 minutos) e a
fevereiro do ano passado (94 horas
e 57 minutos). (Rede Brasil Atual)
Mais informações:
www.receita.fazenda.gov.br
Inscrições abertas
para Sisutec
As inscrições para o Sisutec
(Sistema de Seleção Unificada da
Educação Profissional e Tecnológica) começam no dia 17 de março e terminam no dia 21. Em 2013,
primeiro ano do Sisutec, foram
abertas 239.792 vagas em cursos
técnicos para quem já havia concluído o ensino médio. Por meio
dele, instituições públicas e particulares de educação superior e
de educação profissional e tecnológica oferecem vagas gratuitas.
Podem se inscrever pessoas que
participaram do Enem.
O Sisutec é uma das vias de
acesso ao Programa Nacional de
Acesso ao Ensino Técnico e Emprego, criado pelo governo federal em 2011, com o objetivo
de ampliar a oferta de cursos de
educação profissional e tecnológica. São oferecidos dois tipos de
curso: o técnico, para quem está matriculado no ensino médio,
e o curso de formação inicial e
continuada ou qualificação profissional, para quem já concluiu.
(Agência Brasil)
Wikimedia Commons
12 | mundo
Belo Horizonte, de 14 a 20 de março de 2014
Parlamento da Crimeia
se declara independente
EUROPA Medida é etapa prévia para a consulta popular que deverá consolidar
reunificação com Rússia
O Parlamento da República Autônoma da Crimeia adotou na terça-feira (11) uma declaração de independência formal da Ucrânia,
país do qual a região faz parte oficialmente. A etapa é necessária para que possa ocorrer o referendo do
dia 16 de março, quando a população da Crimeia escolherá se deseja
ou não romper com Kiev e juntar-se
novamente à Rússia.
Em seguida, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia anunciou que a declaração de independência da península está “absolutamente” de acordo com a lei. Já para os Estados Unidos, a declaração
é inconstitucional, afirmou a porta-voz do Departamento de Estado,
Jen Psaki.
A adoção do documento foi
aprovada em sessão extraordinária por 78 dos 100 parlamentares.
OSCE/Divulgação
Queda-de-braço na Ucrânia
Por Igor Fuser*
Soldados e civis organizam barreira em território da Crimeia.
A declaração do Legislativo da Crimeia — que já detinha certa autonomia em relação ao governo central da Ucrânia — como um Estado
independente e soberano abre caminho para que o referendo do próximo domingo sacramente a reunificação da região com a Rússia.
Novo pacto social
para o Chile
OSCE/Divulgação
A nova presidenta do Chile, Michelle Bachelet, fez, na terça-feira
(11) o primeiro discurso após tomar posse e afirmou que pretende “construir um novo pacto social, que resulte em uma cidadania muito mais empoderada”.
Sobre a reforma educacional
(que, das três prometidas por ela
durante a campanha, é a que mais
gera expectativas, pela pressão do
movimento estudantil), Bachelet
citou a própria experiência pessoal. “Sou uma filha da educação
gratuita e vejo com alegria que
uma nova geração de jovens chilenos lutem com tanta força pelo retorno desse modelo. Chegou
a hora de o Estado escutar os anseios da cidadania”, afirmou.
A entrega da faixa presiden-
Artigo
Michelle Bachelet, presidenta eleita do Chile
cial foi feita pela nova presidente do Senado, Isabel Allende, filha
do presidente deposto no golpe
de 1973, Salvador Allende. (Victor Farinelli, de Santiago, no Chile, para o Opera Mundi)
A Ucrânia está sendo governada
provisoriamente por um Executivo
interino enquanto não ocorrem as
eleições gerais. Taxado como “ilegítimo e ilegal”, o pleito está marcado
para o dia 25 de maio. (Felipe Amorim, do Opera Mundi)
Resultado
eleitoral
de El
Salvador
é adiado
O TSE (Tribunal Supremo Eleitoral) de El Salvador ainda não confirmou o vencedor da eleição presidencial do país. Apesar da vantagem de 6.634 votos do candidato
governista Salvador Sánchez Cerén,
da FMLN (Frente Farabundo Martí
Para Libertação Nacional), sobre o
oposicionista Normán Quijano, da
Arena (Aliança Republicana Nacionalista), as atas que precisarão ser
revistas representam um número
maior de eleitores. Isso pode, matematicamente, alterar o resultado
final. A apuração definitiva foi iniciada na segunda-feira (10) e pode
durar até 4 dias.
O TSE forneceu números da apuração preliminar terminada na noite de domingo (9) e que coloca Sánchez Cerén na presidência com a
preferência de 50,11% da população. Foram registrados 19.577 votos
nulos e 11.532 abstenções.
Situada entre a Rússia e a Polônia, a Ucrânia é o principal foco de
tensão internacional na atualidade.
O conflito opõe, de um lado, a Rússia, e do outro os Estados Unidos. As
duas potências travam uma espécie
de queda-de-braço sobre qual delas
exercerá influência decisiva na região.
A Ucrânia é um dos novos países que surgiram na década de 1990
após o fim da União Soviética. Quase a metade de sua população fala a
língua russa e muitos ucranianos de
origem russa desejam manter uma
ligação intensa com a terra de seus
antepassados. Outros, porém, se inclinam mais para a Europa, receosos
de ser dominados pelo poderoso vizinho.
Nos últimos 20 anos, os Estados
Unidos e sua grande aliada, a União
Europeia (UE), têm procurado atrair
as antigas repúblicas soviéticas para
o seu lado, a fim de isolar e enfraquecer a Rússia. Mesmo que o governo
russo não seja mais socialista, como
nos tempos da Guerra Fria, a Rússia
mantém uma política independente, o que contraria os interesses estadunidenses. Em qualquer parte do
mundo, os EUA tentam derrubar os
governos que se recusam a obedecer
suas ordens. É o caso da Venezuela e
do Irã, entre outros.
Em fevereiro, políticos ucranianos
favoráveis aos EUA deram um golpe
de Estado, derrubando o presidente Viktor Yanukovich, que rejeitava
uma aproximação maior com a UE.
Entre os participantes do golpe se
incluem grupos neonazistas, adeptos das ideias racistas e ditatoriais de
Adolf Hitler. Os ucranianos mais ligados à Rússia se sentem intimidados pelo novo governo.
Em resposta ao golpe, os moradores da Crimeia, região ucraniana de
maioria russa, resolveram realizar
um plebiscito para decidir se permanecem na Ucrânia ou se vão se integrar à Rússia. Essa última opção é a
mais provável. Os EUA tentam impedir a consulta, mas a Rússia, que
possuiu bases militares na Crimeia,
mobilizou tropas para garantir que a
vontade da população local seja respeitada. Se o outro lado insistir, será briga na certa. *Professor de Relações
Internacionais na Universidade Federal
do ABC (UFABC)
variedades | 13
Belo Horizonte, de 14 a 20 de março de 2014
CAÇA-PALAVRAS
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Procure e marque, no diagrama de letras, as palavras em destaque no texto.
Que fruta
é essa?
A novela Como
ela é
A novela
Como ela é
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O PEQUI é uma fruta mais conhecida
entre a população do Centro-Oeste
brasileiro. É grande, com uma CASCA
verde e grossa e a polpa AMARELA.
Porém o mais marcante nele é seu
CAROÇO, cheio de espinhos. Para
aqueles que adoram comer FRUTAS
mordendo-as, muito CUIDADO na
hora de experimentar o pequi, pois
os ESPINHOS podem causar machucados graves nas GENGIVAS e na
boca. Atualmente, diversos ESTUDOS
estão sendo feitos com essa fruta tão
exótica, e a descoberta de que o óleo de
pequi pode ser um eficiente produto
NUTRICIONAL com características
TERAPÊUTICAS aponta para um futuro
promissor. Até o momento, foram
registradas funções anti-inflamatórias
e benéficas para o sistema CARDIOVASCULAR, além de reduzir a formação
de placas de gordura no sangue. O óleo
de pequi foi inicialmente testado em
ATLETAS maratonistas, já que sofrem
muito cansaço FÍSICO e, consequentemente, têm maior produção de
radicais livres. Os resultados para
esses testes indicaram uma redução da
INFLAMAÇÃO muscular e do estresse
oxidativo. Essa DELÍCIA de fruta pode
ser saboreada em receitas junto com
ARROz, frango e, até, em conserva.
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D A D O
de 75 jogos
A
Há alguns personagens de novelas que não conseguimos esquecer. Seja porque tiveram histórias emblemáticas, seja porque os atores tiveram atuações ímpares. Eu sempre me lembro de alguns deles, com saudade!
Tonho da Lua, interpretado por Marcos Frota, de Mulheres de
Areia (1993)! Um homem puro, apaixonado, um artista da praia. Suas esculturas de mulheres pareciam vivas. Sua maneira de falar e
de se expressar eram e continuam sendo exclusivamente suas. Pena
que ele sofreu o pão amassou nas mãos de Raquel. E que Ruth não
tenha ficado com ele no final. Mas valeu a pena ver um personagem
nada convencional ganhar tanta importância na novela.
Como se esquecer de Nazaré (Renata Sorrah), de Senhora do
Destino (2004)? A megera era má e engraçada ao mesmo tempo.
Roubou a filha de Maria do Carmo, matou o marido empurrando-o
escada abaixo, mas se metia em tanta confusão e contradições advindas da sua loucura de amar a filha sequestrada que tirou muitas
gargalhadas do público. Outra atuação impecável.
+
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Personagens que deixam saudade
Capa Dura
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Acabamento
em Espiral
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formato
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NOVO
Solução
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Jogos que você já
conhece em um
Ah! E não podemos deixar de nos lembrar de Carminha (Adriana Esteves), de Avenida Brasil (2012). De suas roupas brancas, suas
bijuterias douradas e sua histeria potencializada pelo barulho da família Tufão. Carminha conseguiu despertar admiração e ódio nos
telespectadores. Uma vilã que “dobrou” quase todos os personagens da novela , inclusive seus comparsas. Com ela ninguém podia!
Seu final foi triste, porque voltou pro mesmo lugar de onde saiu (o
lixão), mas amparada pelo amor incondicional de sua “mãe” D. Lucinda.
De que personagem você não se esquece? Quer que nos lembremos dele aqui? Conta pra mim no [email protected] e
até semana que vem!
Por Joaquim Vela
14 | cultura
Belo Horizonte, de 07 a 13 de março de 2014
Histórias: receita para a
humanidade
CONTAÇÃO Narrar e ouvir histórias pode melhorar a vida de todos
Por Maíra Gomes
Era uma vez uma casinha de barro lá no alto da serra. Flores de toda sorte coloriam as janelas brancas, de onde se ouvia um bela voz.
A fumaça saída da chaminé não espantava os pássaros, que adoravam
visitar a moça que ali vivia. Seu nome era...
Os contadores e narradores sempre existiram. “É uma coisa tão ancestral, de tanto tempo, que já faz
parte do nosso trajeto humano. É
uma forma muito antiga de unir as
pessoas, passar informações e experiências, de viver aventuras, desde que o mundo é mundo”, declara
Rosana Mont’Alverne, contadora de
histórias há mais de 25 anos e fundadora do Instituto Cultural Aletria.
Rosana explica que as histórias
têm o papel de criar a identidade de
um povo e resgatar sua raiz cultural.
As histórias provocam sensações e
emoções que devolvem a humanidade, a noção de identidade coletiva, de algo em comum entre as pessoas. Para ela, o mundo globalizado
impõe uma padronização naquilo
Arquivo Pessoal
que faz uma pessoa sentir, como os
sabores, imagens e sons.
Com tudo parecido onde quer
que se vá, o homem se distancia das
emoções, se distancia daquilo que
o faz ser “gente”. “O homem se perdeu, ao mesmo tempo que encontrou um monte de possibilidades,
que uniformizam o planeta. Ele esta atônito e assim foi empurrado a
“De uma forma misteriosa,
as histórias têm poder da
cura”
participar dessa padronização. E
como toda grande ação, há uma reação contrária. E essa reação aparece com os contadores”, diz Rosana.
Resistência Cultural
Guimarães Rosa disse certa vez
“Narrar é resistir”. De acordo com a
contadora, a narração ou contação
de histórias passou por um fenômeno de forte crescimento no meio
urbano desde o fim da década de
1980, como forma de resistência à
padronização. As palavras estão to-
Histórias fazem as pessoas darem uma pausa e se sentirem no mundo
mando vida em escolas, bibliotecas,
praças públicas, livrarias, por meio
dos contadores, que se tornam artistas da palavra. “De uma forma
misteriosa, as histórias têm o poder
da cura”, acredita Rosana.
A contadora acredita que as pessoas têm parado para ouvir mais
histórias, em busca de si mesmas.
“Tanto o narrador quanto quem
ouve estão buscado sua raiz. E ela
faz uma viagem, que é a sensorial”,
aponta. Rosana chama atenção para as memórias, lembranças de infância ligadas a um cheiro, um sabor ou textura. Sensações que vão
adormecendo ao longo da vida e
que são retomadas a partir de histórias. “A pessoa vai recuperando os
sentidos, se lembrando de quem ela
era, de onde veio, o que quer, o que
está fazendo. A história tem o papel de ressignificar a vida no mundo moderno”, conclui.
Quem conta um conto, aumenta um
ponto de vista
“Quando fomos apresentar em
um centro de liberdade assistida
para jovens, a diretora me avisou
que os meninos não iam se interessar ou prestar atenção. Mas, na hora, todos ficaram em silêncio. Ao
fim, um deles levantou a mão e disse que descobriu que estava com
dor de dente. Tem coisas que só são
percebidas quando paramos, e é difícil parar nos dias de hoje”, conta a
narradora Aline Cântia.
Há sete anos ela trabalha com
narração em parceria com o músico Chicó do Céu, viajando o Brasil e
países da América Latina recolhendo causos, contos e histórias tradicionais e as repassando entre as diferentes culturas. Ela acredita que
faltam espaços para que as pessoas se voltem para elas mesmas.
“Estamos recebendo informação o
tempo todo e não acumulamos experiência ou paramos para sentir.
“Todos somos bons leitores,
mas ainda não descobrimos
qual nosso livro preferido.
A criança precisa apenas
descobrir qual é a sua
história”
Quando paramos, damos valor a isso”, destaca.
Formada em Psicologia e Teatro,
Adê Melo, que trabalha apenas com
crianças, faz a contação através de
sua personagem Maria Clara, que
saiu de um livro e agora tem a missão de recolher histórias e brincadeiras, que guarda em sua mala.
Para ela, a história é um pretexto
para a ação, para que a criança use
o corpo. “Essa geração está imersa
na tecnologia e as histórias podem
trazer o frescor da relação. Uma relação intermediada através de uma
Arquivo Pessoal
Aline Cântia e Chicó do Céu recolhem causos
mala, uma pedra, uma maquiagem
diferente que coloco. O ponto primordial é o contato, estar ali e olhar
nos olhos. O que busco é colocá-las
pra serem seres ativos, voltarem à
essência da infância”, conta.
A contadora Aline Medeiros escolheu trabalhar com música e faz
parceria com Túlio Rocha em escolas, bibliotecas, livrarias e até em
asilos. Ela acredita que a contação é
uma importante ferramenta de formação de leitores. “Depois a criança quer saber os detalhes da histó-
ria e nós apresentamos o concreto, o livro. Ela quer ter o seu próprio contato, buscar a sua interpretação”, diz.
Citando Paulo Freire, Aline acredita que não é difícil fazer alguém
se apaixonar pela leitura. “O autor diz que todos somos bons leitores, mas ainda não descobrimos
qual nosso livro preferido. A criança precisa apenas descobrir qual é
a sua história”, declara.
Belo Horizonte, de 07 a 13 de março de 2014
é tudo de graça!
ESPORTE
AGENDA DO FIM DE SEMANA
CINEMA
LITERATURA
Exibição do longa Narradores - Memórias
afetivas do futebol,
que conta histórias
que ocorreram durante as Copas do Mundo realizadas entre os
anos 1954 e 2014. Sábado (15), às 10h, no
Usiminas Belas Artes
de Cinema (Rua Gonçalves Dias, 1581 Lourdes).
Lançamento do livro Por Aqui, obra
de estreia da escritora Amanda Bruno, e
primeiro colocado no
concurso “Só Para Poetas” da editora Edith.
Sábado (15), às 15h,
no Sesc Palladium
(Rua Rio de Janeiro,
1046, Centro).
SÓ DE MULHERES
Copa Brasil de Esgrima em Cadeira de
Rodas. De 14/03 a
16/03, às 8h, no Ouro Minas Palace Hotel (Avenida Cristiano
Machado, 4001).
TEATRO
A Cia de Teatro Nu Escuro apresenta o espetáculo Gato Negro,
inspirado em mitos
do imaginário latino
-americano. Sábado
(15), às 16h, no Galpão Cine Horto (Rua
Pitangui, 3613, Bairro
Horto).
cultura | 15
Segunda a quinta-feira
CINEMA
INTERNACIONAL
Lançamento do documentário Ouvir o rio –
uma escultura sonora de Cildo Meireles,
seguido de bate-papo
com a diretora Marcela Lordy. Quinta (20),
às 19h30, no Museu das
Minas e do Metal (Praça
da Liberdade).
BH recebe a Semana
Cultural da Índia, que
celebra as tradições culturais indianas com exibições de filmes, oficinas de danças típicas,
entre outros. De 16/03
a 22/03, das 11h às
19h, no Centro Cultural
Banco do Brasil (Praça
da Liberdade).
EXPOSIÇÃO
INFANTIL
Mostra Musicais Infantis exibe produções cinematográficas musicais
voltadas para o público infanto-juvenil, como
“O Pequeno Príncipe, “O
Mágico de Oz” e “Mary
Poppins”. Até 29/03, todos os sábados, às 16h,
no Teatro Oi Futuro (Avenida Afonso Pena, 4001,
Mangabeiras).
Mostra 50 Gramas de Copo reúne 12
pinturas dos artistas plásticos Manuel
Carvalho e Warley Desali. Até dia 12/04,
na Aliança Francesa de Belo Horizonte
(Rua Tomé de Souza, 1418, Savassi).
O Festival Internacional de Cinema Feminino (Femina) é um evento que tem o objetivo de dar visibilidade a trabalhos cinematográficos desenvolvidos por mulheres. Em 2014, o projeto comemora 10 anos de criação, incentivo à produção audiovisual feminina
e difusão da igualdade entre gêneros.
Em Belo Horizonte, o Espaço CentoeQuatro recebe a programação até quinta-feira (20). 75 filmes de 23 países e 12 estados brasileiros serão exibidos em mostras competitivas nacionais e internacionais, além de sessões especiais como Programa Infantil, Masculino-Feminino, Dividindo a Conta, Eu gosto é de mulher, Programa Experimental, Enquadrando Eles e Programa Especial Nacional.
O Femina ainda realiza duas mesas de debate em parceria com o Grupo de Análises de Políticas e Poéticas Audiovisuais (GRAPPA). A
entrada é gratuita. | Confira a programação completa em centoequatro.org |
esporte |
na geral
Os sem teto do Atletismo
No último domingo (9) o movimento “Sem teto do Atletismo” realizou uma caminhada ao redor do
estádio Célio de Barros, no Rio de
Janeiro. A reivindicação é a reconstrução do estádio, que teve a pista
destruída durante as obras da reforma do Maracanã. O estádio é o único no Rio que permite treino em todas as modalidades do atletismo:
corrida, saltos e lançamentos.
Racismo naqui como lá
Após os episódios recentes de
racismo no futebol brasileiro, como nas ofensas aos jogadores
Tinga (Cruzeiro) e Arouca (Santos), o ex-lateral direito campeão
mundial de 1998 e recordista de
jogos com a camisa da seleção
francesa, Lilian Thuram, foi convidado pelo Museu de Arte do Rio
para uma série de palestras sobre
a questão racial. O ex-atleta é presidente da “Fundação Lilian Thuram”, que aborda o tema do preconceito racial ao redor do mundo. Para ele, “a história tanto da
Europa como a do Brasil foi construída sobre a hierarquia pela cor
da pele. Então há racismo na Europa e no Brasil. Na América do
Sul ou na Europa, se ensina que
as pessoas de cor clara são superiores às pessoas de cor escura.”
Tentativa de motim na eleição
do presidente da FERJ, menos
do Botafogo
Em meio a um dos Campeonatos Cariocas mais desinteressantes da história, com públicos de jogos que por vezes não chegam sequer à casa do milhar, os presidentes de Vasco, Fluminense e Flamengo patrocinaram uma tentativa de boicote à eleição da “nova”
diretoria da Federação de Futebol do Rio de Janeiro (FERJ). Chegaram a ensaiar um nota pública
conjunta pelo adiamento da eleição, mas acabaram não logrando êxito. O atual presidente Rubens Lopes, no cargo desde 2006,
acabou sendo reconduzido para
mais quatro anos de mandato, numa eleição de chapa única, isto é,
sem concorrentes. Chama a atenção a atitude do presidente do Botafogo, único dos grandes cariocas
que não manifestou repúdio a Lopes, mas que, por outro lado, tem
feito suas partidas na competição
estadual com o time reserva. Sua
atitude talvez se explique pelo fato
do seu principal patrocinador ser
o mesmo da FERJ.
O Mundial Indoor de Atletismo
O campeonato mundial de atletismo de pista coberta (que em inglês
significa indoor) aconteceu na cidade de Sopot, na Polônia de 7 a 9 deste mês. A competição, que acontece
a cada dois anos, teve ouro do brasileiro Mauro Vinícius da Silva, o Duda, no salto com vara. Duda manteve o título conquistado em 2012 e é
o primeiro brasileiro bicampeão de
indoor.
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??
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Você
Sabia
O atletismo é a mais antiga
forma de competição conhecida pela humanidade.
Os primeiros jogos olímpicos
organizados pelos gregos em 776 a.C.
tinham como principais competições
o lançamento de disco e a corridas de
obstáculos.
16 | esporte
Belo Horizonte, de 14 a 20 de março de 2014
OPINIÃO Cruzeiro
As lições da derrota
Reprodução
Wallace Oliveira
Com a derrota no Uruguai e por
conta da vitória do Universidad de
Chile no Peru, o Cruzeiro saiu da
zona de classificação e precisa ganhar os três próximos jogos para
chegar às oitavas sem depender de
outros resultados.
Na Libertadores, perder fora de
casa não é um desastre, mas as circunstâncias da derrota trazem duros ensinamentos à equipe, à torcida e a muitos comentaristas esportivos. Reina no Brasil a mania de
analisar os adversários estrangeiros
apenas pela camisa, quando se deveria considerar o futebol que cada
equipe joga em um dado momento.
O Cruzeiro não tropeçou no Defensor. Perdeu para um time que
soube conter a pressão celeste, no
primeiro tempo, e se aproveitar das
falhas da marcação cruzeirense, na
etapa final, definindo o placar com
dois golaços. Coisas de quem sabe
marcar e jogar com a bola no pé.
É preocupante a euforia instaurada na Toca. Nas falas de alguns
jogadores, transparece a crença
de que eles podem vencer quando quiserem. Talvez por isso o Cruzeiro não tenha caprichado no último passe e nas finalizações, quando dominava a partida.
Também houve equivocadas opções de jogo. Entrar com Nilton e
Rodrigo Souza, deixando Lucas Silva no banco, abriu uma lacuna na
armação das jogadas. O lado esquerdo da defesa há tempos carece
de boa cobertura. A pressa na definição dos lances gerou muitas perdas de bola. O treinador precisa ser
mais ágil ao fazer substituições.
Enfim, esta terceira rodada foi
uma aula sobre erros a serem corrigidos, a fim de que o bom trabalho de Marcelo Oliveira e seu plantel não se perca em poucos jogos.
OPINIÃO Atlético
Mexa-se, Galo
Bruno Cantini
Reprodução
OPINIÃO América
Rogério Hilário
Torcedor ilustre!
Bráulio Siffert
Considerado um time de torcedores de elite, com um nome que
foi dado em homenagem aos Estados Unidos da América e com referência à “sua classe aristocrática”
no próprio hino, o América em seu
rol de torcedores famosos também
em tese não deveria fugir à regra.
E figuras como os ex-governadores
Eduardo Azeredo e Newton Cardoso parecem confirmar a hipótese.
Mas qual não foi a minha surpresa ao ler no jornal Hoje em Dia
do dia 5 de março que o fotógrafo
mundialmente conhecido Sebastião Salgado, que no preto e branco expõe tão profundamente situa-
ções como fome, miséria, dor, morte e êxodo, é, desde a infância em
Aimorés, torcedor do América! A
reportagem diz que Salgado continua americano e acompanha lá da
França, onde mora, os campeonatos brasileiros da Série A e B. Esse
sim é um torcedor ilustre!
O Atlético deste ano tem um paralelo – e bota semelhança nisto.
Lembra o Move (que nem sempre
se mexe), que não passa de uma
réplica ou um genérico do Metrô.
O Galo se parece vagamente com
o time de 2013, campeão mineiro
e continental. Além disso, embora
em operação depois de muito tempo em obras, precisa de ajustes para chegar ao ideal. E os acertos, dizem os gestores do transporte coletivo ou os mais otimistas alvinegros, virão com o tempo. Resta saber qual é o limite de nossa paciência no conturbado trânsito de Belo
Horizonte ou da eficiência em uma
competição como a Libertadores.
Nas três partidas disputadas até
agora, embora com duas vitórias e
um empate, o Atlético não conven-
ceu em nenhuma delas. Apresentou falhas na marcação e, não fosse
o oportunismo de Jô, autor de três
gols em três jogos e um dos poucos
que mantêm o nível do ano passado, talvez não estivesse na liderança do Grupo 4.
Embora seja cedo (aqui não vale
o tal BRT) para fazer prognósticos,
o certo é que o desempenho do Galo precisa melhorar. Ainda mais se
pretende, como em 2013, conquistar o primeiro lugar geral da primeira fase, o que garantiria a vantagem de disputar os jogos decisivos
em casa. Ronaldinho Gaúcho mostra apenas lampejos de genialidade
e até Victor vem falhando. Embora Dátolo quebre o galho como lateral, falta um especialista. Na zaga,
saudades do Réver. O Atlético, realmente, precisa se mover. E o mais
rápido possível.
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“Ela não é criminosa, é mãe”