MAURO EMÍDIO DE SOUZA JUNIOR ESTUDO DE VIABILIDADE PARA IMPLANTAÇÃO DE EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS NA CIDADE DE SÃO PAULO Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Universidade Anhembi Morumbi no âmbito do Curso de Engenharia Civil com ênfase Ambiental. SÃO PAULO 2005 MAURO EMÍDIO DE SOUZA JUNIOR ESTUDO DE VIABILIDADE PARA IMPLANTAÇÃO DE EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS NA CIDADE DE SÃO PAULO Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Universidade Anhembi Morumbi no âmbito do Curso de Engenharia Civil com ênfase Ambiental. Orientador: Prof. Dr. Wilson Shoji Iyomasa SÃO PAULO 2005 i Dedico este trabalho a meus pais pelo carinho e incentivo para a concretização de meus objetivos. Aos companheiros e amigos pela força e encorajamento para vencer os obstáculos, que surgiram em torno do meu crescimento pessoal e profissional. ii AGRADECIMENTOS Em primeiro lugar, gostaria de agradecer ao meu orientador, prof. Dr. Wilson Shoji Iyomasa, pela dedicação e aprofundamento nas reflexões que nortearam o presente trabalho. Aos professores que ministraram o curso, contribuindo assim para o enriquecimento de nossas práticas nessa luta incessante em busca do saber e da qualificação profissional. Meu agradecimento especial a todos que, direta ou indiretamente, colaboraram para a finalização deste estudo, auxiliando-me com suas sugestões e conhecimento técnico-científico. iii RESUMO O mercado imobiliário brasileiro é visto como uma importante estratégia para a economia do país, que movimenta uma considerável quantia de recurso financeiro, gerando empregos e rendas em diversos setores da sociedade. Trata-se de importante ramo da indústria da construção civil que oferece empregos para boa parcela da mão-de-obra com pouca qualificação. No entanto, é usual encontrar investimentos vultosos no setor imobiliário realizados de forma expedita ou fundamentado em dados e métodos empíricos. Este trabalho apresenta uma metodologia de estudo de viabilidade para implantação de empreendimentos imobiliários comerciais, baseado em dados obtidos de análises técnicas do mercado imobiliário de São Paulo, que insere conceitos de viabilidade e risco econômico-financeiro. Para atingir aos objetivos propostos neste trabalho, procurou-se realizar uma breve pesquisa bibliográfica sobre o tema que permitiu traçar a evolução da implantação dos empreendimentos comercias na cidade de São Paulo. Com efeito, para a aplicação prática dos conceitos e dados coletados, desenvolveu-se um estudo de um empreendimento (Empreendimento Plaza I), que exigiu a coleta de dados desse empreendimento e a busca de informações com profissionais por meio de entrevistas técnicas. Ao final do trabalho verificou-se, que além das interferências inerentes ao setor da construção imobiliária, como a concorrência, existem outras que causam impactos significativos, denominadas de não-monitoráveis, como decisões políticas, adoções de medidas econômicas governamentais de âmbito nacional ou até do comércio internacional. Por fim, o presente estudo ofereceu oportunidade ao aluno entrar em contato com a realidade da construção imobiliária na cidade de São Paulo, e permitiu ganho de experiência prática. Palavras Chave: Estudo de Viabilidade; empreendimento imobiliário. iv ABSTRACT The Brazilian real estate market is seen as an important strategy to the country’s economy, which moves a considerable amount of financial resources, generating jobs and incomes in many areas of the society. That is an important part of the building construction that offers jobs to a great portion of unqualified workers. Nevertheless, is usual to find large investments in the real estate sector made in a quick-fix way or based on empiric data as well as empiric methods. This project presents a viability study methodology to the commercial real estate enterprise, based on data achieved through the Sao Paulo’s real estate technical analysis, that involve viability and financial-economical risks concepts. To achieve these project proposed aims a brief bibliography research was done on the theme, what allowed picturing the commercial enterprise set evolution in Sao Paulo. Actually, in order to use the concepts and collected data, a study was developed on a enterprise (Plaza I enterprise), that demanded a data acquisition of this enterprise as well as the search of information among professional through technical interviews. At the end of this project it was realized that besides the real estate construction sector obvious interferences, as the competition and the technical team qualification, there are others that can bring significant impact, known as non-control ones, such as political decisions, national economical measures adopted by the government or even by the international commerce. The project signalizes the real estate market need on investments and on new technologies use, as well as on the work with technical multi-tasking teams. Finally, the present project offers to the student the opportunity of get in touch with real estate construction reality in Sao Paulo, and allowed practical experience gain. Key Words: Viability Study; Real Estate; v LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 5-1 - Espaço vago nas regiões nobres classe AA. ........................................13 Figura 5-2 - Novo Estoque, Taxa de Vacância e Absorção Líquida. ........................15 Figura 5-3 - Novo Estoque, Taxa de Vacância e Absorção Líquida. ........................15 Figura 5-4 - Espaço vago regiões nobres Classe A .................................................16 Figura 5-5 - Estoque total regiões nobres Classe AA...............................................18 Figura 6-1 - Integração Edifício Plaza I e Centro Empresarial Nações Unidas .........51 Figura 6-2 - Localização do Empreendimento...........................................................54 Figura 6-3 - Edifício Plaza I. ......................................................................................62 Figura 7-1 - Edíficio Bratke Collet..............................................................................64 Figura 7-2 - Edíficio E - Tower...................................................................................64 vi LISTA DE TABELAS Tabela 6.1 - Área da proposta – Edifício Plaza I .......................................................56 Tabela 6.2 - Compra de terrenos estratégicos ..........................................................58 Tabela 6.3 - Repasse para investidores....................................................................58 Tabela 6.4 - Resultados de repasse de cotas de terreno para investidores..............59 Tabela 6.5 - Valores de mercado de edifícios comerciais .........................................60 Tabela 6.6 - Viabilidade Para Locação das Unidades Prontas..................................60 Tabela 6.7 - Viabilidade para venda das unidades prontas.......................................60 Tabela 6.8 - Estudo para Investimentos em 1 andar tipo ..........................................61 Tabela 6.9 - Estudo para receitas de 1 andar tipo.....................................................61 vii LISTA DE FÓRMULAS Fórmula 5.1 - Taxa de rentabilidade..........................................................................28 Fórmula 5.2 - Lucratividade Operacional .................................................................28 Fórmula 5.3 - Prazo de Retorno do Investimento......................................................28 viii LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS BDI Bônus e Despesas Indiretas BNDS Banco Nacional de Desenvolvimento Social CNPJ Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica COMAR Comandos Aéreos Regionais CP Custo Periódico FINAME Financiamento de Máquinas e Equipamentos IL Índice de Lucratividade IPEA Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada Pay back Período de Retorno de Investimento SEBRAE Serviço Brasileiro de Apoio a Micro e Pequena Empresa TIR Taxa Interna de Retorno TMA Taxa Mínima de Atratividade VPL Valor Presente Liquido ix GLOSSÁRIO Área Computável Soma das áreas, incluídas paredes e pisos, cobertos ou não, de todos os pavimentos de uma edificação. Área não-computável Somatório de áreas que não entram no cálculo da área máxima de construção permitida em determinado terreno (área computável), mas ainda assim deve ser considerada na área total. Absorção Líquida Quantidade total em m² ocupado menos a quantidade total ocupada no período anterior. Taxa de Vacância Porcentagem de escritórios vagos, calculada em relação ao estoque total. x SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO.....................................................................................................1 2 OBJETIVOS.........................................................................................................3 2.1 Objetivo Geral............................................................................................................. 3 2.2 Objetivos Específicos............................................................................................... 3 3 MÉTODO DE TRABALHO ..................................................................................4 4 JUSTIFICATIVA ..................................................................................................5 5 EMPREENDIMENTOS COMERCIAIS NA CIDADE DE SÃO PAULO................6 5.1 Panorama do Mercado Imobiliário de Empreendimentos Comerciais ....... 6 5.1.1 Evolução do setor de comércio e serviços ...................................................... 8 5.1.2 Criação de novas centralidades ...................................................................... 10 5.1.3 Panorama do mercado de escritórios............................................................. 12 5.2 Análise de Mercado................................................................................................. 18 5.2.1 Parâmetros de análise para o lançamento de um empreendimento imobiliário ............................................................................................................................ 18 5.2.2 Exigências dos agentes financeiros ............................................................... 21 5.2.3 Princípios básicos para análise financeira de empreendimentos.............. 24 5.2.4 Projeção de Vendas .......................................................................................... 24 5.2.5 Análise Financeira ............................................................................................. 25 5.2.6 Projeção do Capital ........................................................................................... 25 5.2.7 Pesquisa Mercadológica................................................................................... 29 5.2.8 Definição do empreendimento......................................................................... 34 5.3 Análise de Viabilidade de Empreendimentos .................................................. 35 5.3.1 Viabilidade econômica ...................................................................................... 36 5.3.2 Viabilidade financeira ........................................................................................ 37 xi 5.4 Princípios de Análise e Indicadores de Qualidade da Análise ................... 38 5.4.1 Fluxo de caixa .................................................................................................... 40 5.4.2 Taxa de desconto do fluxo de caixa ............................................................... 41 5.4.3 Critérios de fluxo de caixa descontado critério do valor presente líquido 43 5.4.4 Critério do índice de lucratividade (IL)............................................................ 44 5.4.5 Critério da taxa interna de retorno (TIR) ........................................................ 44 5.4.6 Critério do período de retorno do investimento (pay back)......................... 45 5.4.7 Aplicação da teoria da engenharia econômica aos estudos de viabilidade 45 5.5 Análise de Riscos e Incertezas nas Decisões de Investimentos ............... 46 5.5.1 Incerteza quanto à previsão das receitas ...................................................... 47 5.5.2 Incerteza quanto à previsão dos custos......................................................... 48 5.5.3 Incerteza quanto ao nível de rentabilidade do reinvestimento dos fluxos de caixa do projeto ............................................................................................................ 48 5.5.4 Risco de um projeto de investimento ............................................................. 49 5.5.5 Avaliação de empreendimentos em condição de risco ............................... 49 6 ESTUDO DE CASO ...........................................................................................51 6.1 Edifício Plaza I .......................................................................................................... 52 6.1.1 Características do Empreendimento .............................................................. 53 6.1.2 Descrição do Projeto ......................................................................................... 54 6.2 Estudo de Viabilidade Econômico-Financeiro ................................................ 57 6.2.1 Montagem da Incorporação ............................................................................. 57 6.2.2 Pré Análise de Resultados Para Incorporadores ......................................... 59 6.2.3 Pré Análise de Resultados Para Investidores............................................... 61 6.2.4 Construção do Edifício ...................................................................................... 62 7 ANÁLISE E COMPARAÇÃO/CRÍTICA .............................................................63 8 CONCLUSÕES..................................................................................................66 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.........................................................................68 xii 1 1 INTRODUÇÃO A construção civil é uma indústria mágica que é capaz de transformar um sonho em realidade construindo rapidamente onde existia um terreno sem uso, ou com pouco uso, um empreendimento que irá servir para muitas pessoas como moradia, investimento ou local de trabalho. Muitas vezes ela se torna tão fundamental para o desenvolvimento de uma região que é difícil acreditar como se vivia sem um determinado empreendimento na cidade. É uma indústria singular, pois é a única em que após a conclusão de um produto ele permanece no local e é a indústria que se transfere para outro local (Rondini, 2005). Segundo Rondini (2005), nos últimos quinze anos esta fantástica indústria passou por períodos de turbulência e transformação, provocando a decadência de muitos e uma excelente oportunidade para outros. Ainda segundo Rondini (2005), até a década de oitenta, o preço de venda dos imóveis era formado considerando o custo para produção do produto e em função da lucratividade que as construtoras desejavam para cada empreendimento, por isso o controle sobre processos industriais possuia menos relevância. Criou-se também uma aura, que persiste até hoje, envolvendo a palavra “construtor”, que significa na mente da maioria das pessoas, extrema riqueza. Hoje os preços são formados a partir do mercado, ou seja, é da diferença entre preço de venda e custo que resulta a lucratividade. Com margens reduzidas, só sobrevive quem planeja, controla e monitora. 2 Este trabalho apresenta diretrizes para a análise prévia de empreendimentos imobiliários, desenvolvendo uma sistemática simples, objetivando verificar de antemão a viabilidade econômico-financeira das incorporações imobiliárias, num momento anterior à tomada de decisão por implantar (ou não) o empreendimento. Para atingir esta finalidade, foi desenvolvido um método de trabalho que consistiu em revisão teórica dos textos, artigos e livros sobre o tema; consultas a engenheiros com experiência prática no mercado imobiliário de São Paulo, busca por informações em empresas construtoras com atuação nesta capital. Por fim, elaborou-se uma análise crítica dos resultados obtidos, do mercado e de informações geradas pelo empreendedor, visando atingir um resultado esperado para o negócio, por um fluxo de caixa descontado. Apresentar-se-á, ao fim deste trabalho, um exemplo de estudo prático de viabilidade prévia de empreendimentos. Para alcançar a proposta de apresentar diretrizes para a análise prévia de empreendimentos imobiliários, serão abordados conceitos de engenharia econômica, princípios de risco e tomada de decisão, além de conceitos gerenciais especificamente voltados para o caso de empreendimentos imobiliários. Enquanto os métodos gerais de análise de investimentos são bem conhecidos, há pouco material especificamente ligado ao setor imobiliário. O estudo que precede o lançamento de um novo empreendimento, muitas vezes, é realizado de forma expedita, e é importante incrementar o grau de objetividade das decisões, geralmente tomadas em critérios meramente subjetivos (Gozalez, 1999). 3 2 OBJETIVOS O presente trabalho sobre estudo de viabilidade tem como finalidade oferecer oportunidade ao aluno em desenvolver uma pesquisa aplicada. Nesse sentido, este trabalho foi desenvolvido tendo dois grupos de objetivo: o geral e os específicos. 2.1 Objetivo Geral O objetivo geral é ordenar os dados técnicos e apresentar a análise de viabilidade de empreendimentos comerciais, na cidade de São Paulo. 2.2 Objetivos Específicos Como objetivos específicos, a presente pesquisa visou: • Apresentar a evolução da implantação dos empreendimentos comercias na cidade de São Paulo. • Identificar fatores externos determinantes na construção de empreendimentos. • Demonstrar interferências monitoráveis e não-monitoráveis na análise de viabilidade técnica, comercial e empreendimentos na construção civil. econômica para implantação de 4 3 MÉTODO DE TRABALHO Este trabalho de conclusão de curso será desenvolvido a partir de: • Pesquisa bibliográfica; • Análise crítica de bibliografia; • Coleta de dados no mercado imobiliário; • Análise do panorama do mercado imobiliário da cidade de São Paulo; • Estudo de Caso; • Coletas de dados, entrevista e visitas ao campo; 5 4 JUSTIFICATIVA Devido à instabilidade da economia mundial, que tem provocado a escassez de investimentos no mercado imobiliário comercial, os investidores e empreendedores estão se preparando cada vez mais para planejar empreendimentos utilizando mecanismos para análise e viabilidade para implantação de empreendimentos imobiliários. Para isso são desenvolvidos os estudos de viabilidade que analisam as características do empreendimento e do mercado, como: E • Competição no mercado imobiliário; • Necessidade em reduzir custos; • Evitar insucessos e reduzir riscos; sua relação dimensionando com o as potencial características de sócio-econômicas faturamento empreendimento a curto, médio e longo prazo. e o retorno da população, financeiro do 6 5 EMPREENDIMENTOS COMERCIAIS NA CIDADE DE SÃO PAULO Nos anos 50, inicia-se o fenômeno de desconcentração do parque industrial de São Paulo que começou a se transferir para outros municípios da Região Metropolitana (ABCD, Osasco, Guarulhoso) e do interior do Estado (Campinas, São José dos Campos, Sorocaba). Esse declínio gradual da indústria paulistana insere-se num processo de "terciarização" do Município, acentuado a partir da década de 70. Isso significa que as principais atividades econômicas da cidade estão intrinsecamente ligadas à prestação de serviços e aos centros empresariais de comércio, tornandose necessário à construção de edificações para absorver esta nova tendência da economia paulistana (Porto, 1992). 5.1 Panorama do Mercado Imobiliário de Empreendimentos Comerciais Canteiros de obras a todo vapor, mas ocupação lenta de escritórios. Esse é o panorama nos centros comercias da cidade (Julião,2005). Nos últimos quatro anos, o grande eixo de desenvolvimento foi a Avenida Brigadeiro Faria Lima (zona oeste). Segundo a consultoria Jones Lang LaSalle, a taxa média de crescimento da região, de 2000 a 2004, foi de 28,11% ao ano, mas há muitas salas vazias (Julião,2005). 7 Segundo Miguel Giacummo, a Berrini pólo que mais cresceu nos últimos dez anos e na Faria Lima, 25% das unidades estão vagas (Julião,2005). De acordo com a Jones Lang LaSalle, novos edifícios não sairão do projeto enquanto os existentes não forem totalmente ocupados. Os maiores estoques que serão entregues nos próximos quatro anos estão na Vila Olímpia e na Berrini, com cerca de 120 mil metros quadrados cada um (Julião,2005). Segundo Julião (2005), hoje, o metro quadrado mais caro (R$ 80) de locação de São Paulo está no cruzamento da Avenida Brigadeiro Faria Lima com a Avenida Pres. Juscelino Kubitschek. Mas as oportunidades de locação não estão só nos pontos mais badalados. Na região da av. Paulista, pólo comercial da cidade que menos cresceu entre 1994 e 2004, há boa infra-estrutura e bons preços, Segundo Cushman & Walkefield Semco, na região predominam empresas do setor financeiro (45%), o mesmo ocorre na Faria Lima (33%). Na cidade, o setor de serviços é o de mais forte presença, seguido pelo industrial (Julião, 2005). Em longo prazo, surgirão edifícios comerciais também na Barra Funda, favorecida pela disponibilidade de transporte público, e em Moema, aponta Miguel Giacummo. Já Carla Ponzio, consultora da Ponzio & Feo, prevê o crescimento da região da marginal Pinheiros na altura da ponte do Socorro, na margem oposta à da Berrini (Julião, 2005). 8 5.1.1 Evolução do setor de comércio e serviços Segundo Leme, na década de 80 o âmbito de atuação da região metropolitana de São Paulo se consolida a nacionalmente, a cidade começa a assumir, também, um papel importante na América do Sul como centro de atividades terciárias. As referências ao setor terciário – setor de comércio e serviços requer especial atenção sob o ponto de vista conceitual e metodológico. A composição de terciário é bastante heterogênea tanto do ponto de vista da produção (tecnologia empregada, relações de trabalho) integração com o sistema produtivo, como da demanda. A estruturação do setor terciário foi determinada pela expansão e diversificação industrial, a partir dos anos 70, que criou uma demanda intensiva de serviços especializados de produção e a expansão das ocupações de alta qualificação que passaram a demandar importantes serviços pessoais (Araújo, 1992 apud Leme, 2003). Ainda segundo Leme (2003) neste período observa-se, também, uma transformação do setor pela absorção de novas tecnologias, principalmente a informática e a microeletrônica. No início da década de 90 a análise da composição setorial do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada -IPEA realizada por Araújo (1992) revela que a distribuição de emprego segundo setor de atividade na região Metropolitana de São Paulo sofreu uma significativa alteração com aumento da participação do terciário e correspondente queda do secundário . Este estudo mostra, ainda, que o setor cresceu nas atividades mais modernas, serviços especializados de apoio à 9 produção - atividades de gerência, planejamento, marketing, propaganda que precisam estar próximos aos centros de decisão das grandes empresas. Também está concentrada na Região Metropolitana parcela expressiva dos equipamentos mais modernos de fluxo de informações. Segundo Leme (2003) as grandes estruturas comerciais na década de 70 e 80 localizaram-se na zona sudoeste do município de São Paulo, próximas aos bairros de residência das classes de renda mais alta. Ainda segundo Leme (2003), nos anos 90 esta situação se modifica pela abertura de avenidas, em especial na zona leste, que cria novas acessibilidades a estas áreas e amplia as possibilidades de localização de novos usos tornando-as atrativas ao mercado imobiliário formal. Como conseqüência, observa-se a expansão de hipermercados, shoppings centers e novos centros de negócios em outras regiões do Município, apesar da predominância dos grandes empreendimentos continuar a ser na zona sudoeste. Os investimentos em outras partes da cidade como na zona Sul e na zona Leste, onde se implantaram recentemente os shoppings centers Interlagos e Aricanduva. Inserem-se em espaços onde o uso comercial e de serviços tradicionais é extremamente disseminado. 10 5.1.2 Criação de novas centralidades Observa-se que a localização de grandes empreendimentos de comércio e serviços continua a se manifestar de forma diferenciada no espaço intra-urbano. As informações, sobre o lançamento de edifícios de escritórios e hotéis entre 1985 e 2000, evidenciam claramente os arredores da Marginal do Rio Pinheiros como o foco dos maiores investimentos nesse setor. Nessa área, juntamente com a Avenida Paulista, concentram-se os edifícios de escritórios com mais de 10.000 metros quadrados que avançam cada vez mais para a zona Sul atingindo áreas próximas da represa Guarapiranga (Leme, 2003). Nobre (2000) apud Leme (2003), estuda a relação entre estes novos empreendimentos e a organização do mercado imobiliário. Entre 1980 e 1998, o estoque de escritórios da Avenida Marginal do Rio Pinheiros pulou de 670 mil para 2,1 milhões de metros quadrados, enquanto que o da Paulista passou de 1 para 1,6 milhões e o do Centro de 2,4 para 2,7 milhões. Isso faz com que a Avenida Marginal represente 33% do total de estoque útil de escritórios contra 25% da Paulista e 42% do Centro. O crescimento do estoque da Avenida Marginal do Rio Pinheiros foi acompanhado pela ação dos promotores imobiliários no sentido de cooptar possíveis locatários, principalmente entre as grandes empresas. Em 1975 o Centro e a Paulista concentravam a maioria das sedes dessas empresas em São Paulo com 68% do total (54% no Centro e 14% na Paulista). Em 1998 a Marginal já despontava como a 11 primeira região nessa concentração com 41% do total, contra 21% da Paulista, 18% do Centro e 20% em outras regiões. De toda forma a novidade desta nova centralidade é o porte e o tipo de atividade das edificações, bem como o perfil dos empreendedores imobiliários, ambos diferenciados em relação aos da Av. Paulista e do centro tradicional (Leme, 2003). É a presença do grande capital imobiliário nos grandes empreendimentos da Marginal do Rio Pinheiros assim como a significativa presença de grandes empresas que induzem a identificação desta área como uma nova centralidade. Neste caso, esta área não seria uma especialização das áreas centrais da cidade de São Paulo, mas uma nova centralidade, diferenciada das demais centralidades (Centro Tradicional e Av. Paulista) pela presença do "terciário avançado", ou seja, pela presença de aeroportos, linhas do Metrô, hotéis, centros de convenções, serviços empresariais, universidades, equipamentos culturais, de recreio, esportivos e turísticos específicos para esta nova centralidade, bem como pela disponibilidade de equipamentos de telecomunicações (Leme,2003). Existem controvérsias na interpretação do papel desempenhado pela nova localização de atividades terciárias na estrutura urbana do município de São Paulo. Alguns entendem como a territorialização dos efeitos da globalização da economia em São Paulo. Segundo Ferreira (2003) apud Leme (2003), considera como uma construção ideológica a idéia de São Paulo cidade global, com grande efetividade para o mercado imobiliário na captação de investimentos públicos em infra-estrutura. Em sua tese de doutorado, ele procura desmontar o argumento difundido de que a 12 cidade de São Paulo estaria capacitada a alcançar a condição de cidade global, como pareceria indicar o surgimento da centralidade da região do vale do Rio Pinheiros. Ele coteja os atributos de cidades globais definidos por estudiosos como Saskia Sassen e Manuel Castells com dados empíricos sobre as atividades econômicas localizadas na cidade de São Paulo e em especial na região do Vale. Mostra que comparada a outras regiões esta não é uma localização privilegiada pelas empresas do que se denomina terciário avançado. O que pode se afirmar é que de fato há uma nova territorialidade das atividades que contém as sedes das grandes corporações globalizadas, inclusive instituições financeiras na marginal do Rio Pinheiros. Esta área pode ser entendida como uma especialização das áreas centrais da cidade de São Paulo que vem territorialmente seguindo a localização da população de renda média e alta da cidade, desde o momento em que este centro especializado atravessou o vale do Anhangabaú buscando a Rua Barão de Itapetininga (Leme, 2003). 5.1.3 Panorama do mercado de escritórios A economia brasileira vem mostrando estabilidade no primeiro trimestre de 2004, com tendência de crescimento, o mercado de escritórios coorporativos de São Paulo registrou, desde o terceiro trimestre de 2003 leve crescimento na ocupação total. De acordo com estudos efetuados pela Jones Lange LaSalle, a absorção líquida do primeiro trimestre de 2004 foi de 30,8 mil m2 de área útil para escritórios 13 coorporativos de alto padrão, sendo 24,5 mil m2 nos de Classe AA e 6,3 mil m2 nos de Classe A. Sua parcela mais representativa é função da efetiva ocupação em 2004, de espaços comercializados no final do ano passado (Amaral e D’Ávila, 2004). Segundo Amaral e D’Ávila (2004), merece destaque, dentre os edifícios institucionais, os 66,5mil m2 úteis absorvidos pelo Fórum Trabalhista de São Paulo, entregue em março de 2004, entretanto, o mercado ainda dispõe de cerca de 450 mil m2 úteis vazios em edifícios AA e A, sendo que nesta última, mais da metade do espaço vago está em edifícios novos. Ainda Segundo Amaral e D’Ávila (2004), para 2004, há expectativa de queda progressiva na vacância como conseqüência da redução do novo estoque. No mercado de escritórios de Classe AA verificou-se, no primeiro trimestre desse ano, a redução do espaço ocupado nas regiões nobres da Faria Lima, Vila Olímpia e Paulista, responsável pela ligeira queda da taxa de vacância, segundo consta na Figura 5.1. 20% 12% 5% 36% Faria Lima Vila Olímpia Itaim Paulista 10% 13% 3% 1% Berrini Marg. Pinheiros Barra Funda Verbo Divino Figura 5-1 - Espaço vago nas regiões nobres classe AA : Jones Lang LaSalle (2004). 14 Embora a região da Faria Lima seja a que possui maior área vaga em edifícios Classe AA na cidade de São Paulo (36% da área total disponível para locação), isso ocorre unicamente em função do estoque recorde entregue recentemente e ainda não totalmente absorvido, e não indica que há possibilidade ou não da região em absorver novos empreendimentos (Amaral e D’Ávila, 2004). De acordo com estudos elaborados pela Jones Lang LaSalle, cerca de 2/3 dos espaços ocupados no primeiro trimestre do ano em edifícios AA foram em edifícios entregues em 2003. No primeiro trimestre de 2004 foram ocupados 24,5 mil m2 úteis em edifícios Classe AA, sendo que a região da Faria Lima foi responsável por 77% dessa absorção, seguida pela Vila Olímpia com 20% e pela Paulista com 19% (Amaral e D’Ávila, 2004). Já os estudos da CB Richard Ellis indicaram que a ocupação ocorrida no primeiro trimestre de 2004 foi de 164.100,00m2, sendo 3% inferior em relação ao trimestre anterior e 59% superior ao primeiro trimestre de 2003 (Amaral e D’Ávila , 2004). Segundo Jones Lang LaSalle (2004) apud Amaral e D’Ávila (2004), o primeiro trimestre de 2004 fechou com um estoque total de 738 mil m2 úteis de escritórios e uma taxa de vacância média de 28%. O novo estoque previsto até o final de 2004 é de 68 mil m2 úteis, sendo que 39 mil m2 em regiões nobres, o que representa 40% de todo o estoque AA entregue em 2003, segundo consta na Figura 5.2. 15 Figura 5-2 - Novo Estoque, Taxa de Vacância e Absorção Líquida : Jones Lang LaSalle (2004). Ainda segundo a Jones Lang LaSalle (2004) apud Amaral e D’ÁDvila (2004), de janeiro a março de 2004 foram entregues aproximadamente 67,6 mil m2 úteis de novo estoque corporativo, o que já ultrapassou o volume total entregue em 2003. O estoque entregue nesse período, somado ao novo estoque previsto até o final de 2004, de cerca de 30 mil m2 úteis, representará uma quantidade recorde, o maior dos últimos 8 anos, segundo consta na Figura 5.3. Figura 5-3 - Novo Estoque, Taxa de Vacância e Absorção Líquida : Jones Lang LaSalle (2004). 16 Ainda segundo a Jones Lang LaSalle (2004) apud Amaral e D’ÁDvila (2004), os estoque de edifícios Classe A atingiu 1,2 milhões de m2 úteis, e devido ao estoque que ainda não foi absorvido, a taxa de vacância subiu nesse trimestre de 18,6% para 23,8%, as regiões da Marginal, da Berrini e da Vila Olímpia possuem juntas pouco mais de 50% da área vaga disponível para locação na cidade em empreendimentos de Classe A, conforme poderá ser observado no Figura 5.4. 5% 15% 12% 17% 18% 12% Faria Lima Alphaville Marginal Pinheiros 8% Itaim Vila Olímpia Jardins 12% 1% Berrini Paulista Figura 5-4 - Espaço vago regiões nobres Classe A: Jones Lang LaSalle (2004). Na região da Marginal Pinheiros a alta de vacância é decorrente, sobretudo, dos espaços que vagaram nos últimos anos e que ainda não foram ocupados. Já nas regiões da Berrini e da Vila Olímpia a alta vacância é conseqüência principalmente do novo estoque entregue nos últimos anos e ainda não totalmente absorvido, Segundo projeções traçadas pela Jones Lang LaSalle, dentre as regiões nobres de São Paulo a Vila Olímpia é a que apresenta maior potencial de crescimento de escritórios de alto padrão até 2.006. O estoque deve aumentar 70% nos próximos 17 dois anos, o que fará com que a região passe da atual 8ª posição para 5ª em tamanho de estoque (Amaral e D’Ávila ,2004). Segundo Amaral e D’Ávila (2004), nos últimos dez anos o estoque de escritórios do bairro passou de 160 mil m2 de área útil para 400 mil m2, a maior parte deles de Classe B. Os edifícios de Classe AA correspondem hoje a 6% do estoque local e com o crescimento da oferta esse percentual deverá chegar a 15% até 2006. Ainda segundo Amaral e D’Ávila (2004), para receber os novos projetos previstos, a região, que sofre com congestionamentos, principalmente por causa de suas ruas estreitas, deve se transformar num bairro modelo nos próximos meses. A revitalização da área, patrocinada pelo poder privado, com o apoio do poder público, por intermédio do Projeto Colméia, promete liberar as ruas para o trânsito de pedestres, criar estacionamentos subterrâneos, alargar as vias principais, entre outras mudanças. O projeto de revitalização e o desenvolvimento dos empreendimentos comerciais que estão previstos tendem a redesenhar a Vila Olímpia e ampliar sua importância no cenário do mercado de escritórios corporativos da capital paulista. Na Figura 5.5 poderá ser observado o estoque de edifícios de Classe A e AA na Cidade de São Paulo previsto pela empresa Jones Lang LaSalle para até 2006 (Amaral e D’Ávila, 2004). 18 ESTOQUE TOTAL 2006 Classe A e AA São Paulo Classe AA Classe A m a M oe vil le Al ph a Ce nt ro Fu nd a Vi la O lim pi a Ja rd ins Ba r ra Ita im o Ve r bo Di vin a a Pa ul ist Lim ia gi na l Fa r M ar Be r rin i 500 400 300 200 100 0 Em Construção ou Projeto 2004-2006 Figura 5-5 - Estoque total regiões nobres Classe AA: Jones Lang LaSalle (2004). 5.2 Análise de Mercado Definida idéia, o empreendedor já sabe exatamente o que pretende oferecer ao mercado, a partir deste ponto chegou o momento de analisar o mercado, ou seja, saber se existe ou não uma oportunidade real para seu empreendimento. 5.2.1 Parâmetros de análise para o lançamento de um empreendimento imobiliário Salgado (2002) descreve de maneira objetiva os parâmetros necessários para a análise que um empreendedor deve utilizá-los, visando o lançamento de um empreendimento imobiliário com segurança. 19 Ainda segundo Salgado, (2002) seu foco inicial recai sobre as carências e desejos do mercado comprador seguindo-se do diagnóstico deste mercado de tal sorte a estimar os prováveis valores de venda das unidades (pesquisa de mercado). Ainda segundo Salgado (2002), escolhido o tipo de empreendimento volta-se à atenção para a escolha do melhor terreno. Em seguida, a elaboração do projeto mais adequado e o levantamento do custo de produção, são etapas fundamentais para a garantia do sucesso. Cumpridas todas essas etapas pode-se finalmente iniciar as obras de construção. Ainda segundo Salgado (2002), para a realização das obras é necessária a existência dos recursos que possam financiar a sua execução e as despesas complementares de publicidade e comercialização entre outras; a origem dos recursos são as seguintes: • O emprego do próprio capital de giro da empresa, caso haja disponibilidade financeira, assim, se faz necessário calcular, em um fluxo de caixa, a remuneração do capital investido; • Segundo Gonzáles e Formoso (2002), no processo decisório, é imprescindível a consideração do valor do dinheiro no tempo, ou seja, a diferença entre a disponibilidade de capital no presente e no futuro. Isso se faz necessário por 20 dois motivos principais: a existência de incertezas e a necessidade de remunerar o capital, através de uma taxa de juros; • Ainda segundo Gonzáles e Formoso (2002), para buscar recursos junto aos agentes financeiros é necessário pesquisar as taxas praticadas no mercado escolhendo-se a mais atrativa e segura e fazer um estudo das exigências e restrições que são feitas pelas financiadoras; • Ainda segundo Gonzáles e Formoso (2002), a antecipação das vendas das unidades gera um deságio pela inserção do empreendimento para a comercialização com as unidades ainda não concluídas. Assim, compara-se as alternativas, escolhendo aquela que traz maior rentabilidade ao empreendedor. Sabe-se, mesmo que intuitivamente, que a venda antecipada de unidades, embora capte capital para a cobertura das despesas com a execução do empreendimento, reduz fatalmente o valor de mercado das unidades, ou seja, se paga mais por uma unidade pronta do que por uma outra idêntica ainda em projeto (deságio) (Gonzáles e Formoso, 2002). O que não é de se espantar; enquanto o empreendimento não estiver concluído, o risco disto não acontecer existe e o adquirente se transforma em investidor que segundo Lavender (1990) apud González e Formoso (2002), busca atingir algum benefício (financeiro, social ou de outro tipo) com o empreendimento. 21 É necessário conhecer o deságio para que a tomada de decisão seja de forma consistente e aumente assim a probabilidade de lucratividade (lucro). Neste caso cabe ao profissional de avaliações conhecer qual é a diferença entre os preços praticados no mercado, considerando-se unidades iguais, porém negociadas em momentos diferentes do ponto de vista do prazo de entrega do empreendimento (González e Formoso, 2002). 5.2.2 Exigências dos agentes financeiros São muitas as exigências que os agentes financiadores impõem para ter maior segurança junto aos parceiros, empreendedores, nestas negociações; tantas são as exigências que dificultam em muito a possibilidade de que um novo empreendedor, sem estrutura financeira, conseguir algum financiamento. A Caixa Econômica Federal desenvolveu, junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), uma lista de condicionantes para analisar propostas de financiamento, as quais devem conter: • Os principais dados da empresa, tais como razão social, cadastro nacional de pessoa jurídica Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), nome fantasia, sigla, endereço completo e contatos; • Valor total do projeto e financiamento pretendido; • Finalidade do projeto, efeitos sobre a capacidade de produção, produtividade, qualidade dos produtos, empregos a serem gerados e outros benefícios; 22 • Tempo previsto para implantação total do projeto, com datas previstas de início e fim; • Modo de execução do projeto; • Projeção das receitas / despesas ao longo do prazo do financiamento e suas respectivas premissas; • Cronograma de usos e fontes; • Relação de bens da empresa, com valor e situação; • Garantias a serem oferecidas; • Prazos solicitados para o financiamento - carência e amortização; • Descrição dos objetivos e dos componentes do projeto, de forma precisa, informando suas características específicas principais; • Situação atual e a pretendida com a execução do projeto, mensurando áreas, produtos, produções, faturamento, pessoal, processos, equipamentos principais; • Política de compras e vendas, prazos médios; • Análise do mercado de abrangência regional e nacional, principais concorrentes, demanda para os produto(s) ou serviço(s) existentes e os que possam vir a compor o portfólio do proponente, a partir da implementação do projeto (fundamentando sempre origem dos dados, na projeção de cenário); • Cronograma de execução físico-financeiro do projeto; • Orçamento de investimento detalhado do projeto; • Orçamento das máquinas e equipamentos fornecido pelo fabricante ou seu representante autorizado, apresentando o código FINAME (Financiamento de Maquinas e Equipamentos) dos itens a serem financiados; 23 Em caso de construção, ampliação ou reforma, também é necessária a apresentação dos documentos seguintes: • Projeto arquitetônico; • Orçamento; • Especificações técnicas sobre a obra; • Cronograma físico-financeiro da obra; • Certidão de inteiro teor da matrícula atualizada para comprovar a propriedade do imóvel com inexistência de quaisquer ônus; • Fornecer aplicativo onde foram desenvolvidas as planilhas que sustentaram o projeto (quando for o caso) ou detalhar a forma de cálculo (memória de cálculo). Um grande problema inclusive de passivo ambiental, a ser resolvido pelo empreendedor é a aquisição do terreno, livre de qualquer ônus, para a implantação do empreendimento, como é exigido pela financiadora. Sabe-se que, em média, segundo Heineck (2002), o terreno custa 15% do valor total do empreendimento, o que é um custo muito elevado para a maioria dos empreendedores, principalmente os novos. 24 5.2.3 Princípios básicos para análise financeira de empreendimentos O Serviço Brasileiro de Apoio a Micro e Pequena Empresa – SEBRAE (2005), esclarece alguns itens, dentre outros, como projeção de vendas, análise financeira e pesquisa mercadológica; três itens extremamente importantes que devem ser avaliados pelo empreendedor antes do início das atividades inerentes ao novo empreendimento. 5.2.4 Projeção de Vendas Quando uma empresa está iniciando suas atividades ou um novo empreendimento, uma das primeiras preocupações relaciona-se com a quantidade de produtos, serviços ou vendas, em termos unitários ou em valor monetário (SEBRAE, 2005). Para projetar o volume de produção, vendas ou serviços, precisa-se considerar, dependendo do caso: • A necessidade e a procura do mercado consumidor; • Os tipos de mercadorias ou serviços a serem colocados no mercado; • A disponibilidade de pessoal; • A capacidade dos recursos materiais – máquinas, instalações; • A disponibilidade de recursos financeiros; 25 • A disponibilidade de matéria-prima, mercadorias, embalagens e outros materiais necessários. No início das operações, é sempre aconselhável que a expectativa de vendas seja moderada, pois a empresa necessita de tempo para adquirir experiência e tornar seus produtos ou serviços conhecidos no mercado (SEBRAE, 2005). 5.2.5 Análise Financeira Deve-se estabelecer indicadores financeiros que permitam conhecer quais as condições financeiras relacionadas com o negócio. Faz-se uma estimativa do resultado da empresa, a partir de dados projetados, bem como uma projeção do capital necessário para começar à atividade, pois terá que fazer investimentos em local, equipamentos, materiais e despesas diversas, para instalação e funcionamento inicial da empresa (SEBRAE, 2005). 5.2.6 Projeção do Capital Projeção do capital é feita uma comparação entre os cronogramas físico-financeiro (despesas) e o cronograma de vendas (receita). É importante que o cronograma de vendas seja elaborado de três maneiras distintas; uma com o resultado esperado 26 pelo mercado, a segunda mais otimista, ou seja, mais receitas, e, por último, de forma pessimista, prevendo uma vendagem baixa e ainda, inadimplência alta (SEBRAE, 2005). É importante elaborar o cronograma destas três formas pelo fato de o empreendedor ter noção de até quanto ele pode ganhar, o cronograma otimista, e até quanto ele pode precisar para concluir as atividades, o cronograma de receitas pessimista. Assim diminui-se o risco da empresa entrar em um negócio o qual não tenha suporte financeiro para levá-lo adiante ou não ter a lucratividade esperada. Considera que o empreendimento já nasce com todas as unidades vendidas e que o período de financiamento é igual ao da construção. Em uma análise grosseira, é necessário ter em caixa, nos momentos equivalentes, a diferença gerada pelo confronto das receitas e despesas. Isso ocorre porque, neste caso, o prazo de financiamento é maior que o prazo de construção e a lucratividade não é grande o suficiente para impedir o déficit de caixa. Assim, o lucro com o empreendimento não será, igual a diferença final que o caixa sugere. É necessário remunerar o emprego do próprio capital, inserindo juros, os quais também devem entrar como despesa para calcular a lucratividade que se espera com o lançamento do novo empreendimento. 27 Quanto se apresenta uma situação menos otimista e mais próxima da realidade que o mercado impõe no momento do lançamento. Leva em consideração a vendagem de trinta por cento das unidades no momento do lançamento do empreendimento e a cada mês mais dez por cento das mesmas, até a conclusão da vendagem. A cada mês que a unidade não é vendida, esta sofre uma valorização de venda de um por cento em relação ao preço base. Assim, neste caso, quem comprar uma unidade no lançamento, vai estar comprando um imóvel mais barato em um por cento que o cliente que adquirir no mês seguinte ao lançamento e dois por cento mais barato que outro cliente que comprar o imóvel no segundo mês após o lançamento, e assim por diante. Nota-se, em primeira análise, que o empreendimento desta forma, gera uma necessidade maior de caixa, em contrapartida, sobra um montante maior em aproximadamente trinta e três por cento no final. Mais adiante, para outras análises financeiras, usar-se-á indicadores. O ponto de equilíbrio (F) indica a partir de quando, relacionado às receitas provenientes de vendas, o empreendedor passa a ter lucro com o empreendimento ou a produção mínima para não ter prejuízos. É importante que se conheça a rentabilidade do seu projeto, o que corresponde, segundo Sebrae (2005), à remuneração do capital investido. 28 Taxa de rentabilidade = Lucro líquido x 100 Investimento Fórmula 5.1 - Taxa de rentabilidade : SEBRAE (2005). Calcula-se ainda quanto rende a atividade operacional da empresa, ou seja, a lucratividade operacional, a qual representa percentualmente o lucro operacional da mesma em relação às vendas: Lucratividade Operacional = Lucro operacional x 100 vendas Fórmula 5.2 - Lucratividade Operacional: SEBRAE (2005). Por fim, verifica-se em quanto tempo ter-se-á o período de retorno do capital investido - Pay Back, considerando-se um determinado nível de vendas e lucros: Prazo retorno do investimento = investimento Lucro líquido Fórmula 5.3 - Prazo de Retorno do Investimento: SEBRAE (2005). Para um empreendimento mobiliário, o lucro liquido, sugerido da forma acima por Sebrae (2005), será o somatório das diferenças de receitas e despesas que se darão ao longo da implantação. Somente aproximadamente, no décimo sétimo mês, é conseguido, na totalidade, o retorno do capital investido; quando o caixa que era negativo passa a positivo em favor do empreendedor. 29 Convém também salientar que o Pay Back, embora muito usado, não é uma medida de lucratividade do investimento, reflete mais a preocupação do empresário com a recuperação do capital investido; não considera o valor do dinheiro no tempo. Por isso, recomenda-se que este método seja usado como elemento auxiliar na tomada de decisão. 5.2.7 Pesquisa Mercadológica Todas as decisões sobre novos empreendimentos contêm um certo grau de incerteza, tanto em relação à informação nas quais estão baseadas, como em relação às suas conseqüências. Assim, o sucesso de uma pesquisa mercadológica é a principal orientação para a decisão. Isto significa que a pesquisa deve ser empreendida somente quando os seus resultados possam contribuir para diminuir a incerteza ou influenciar decisões. Não há qualquer razão para se fazer uma pesquisa mercadológica se, ainda segundo Sebrae (2005), o tomador de decisão (o empreendedor) não pretende alterar sua posição inicial, não acredita ou não compreende os seus verdadeiros resultados. A pesquisa não deve ser conduzida para satisfazer curiosidade pessoal ou para justificar uma decisão que já está tomada. Para o sucesso de um projeto de pesquisa mercadológica, o empreendedor deve despir-se de todos e quaisquer pressupostos. A informação, por si só, não leva à 30 decisão nem ao sucesso: é preciso escolher um curso de ação que ajude a identificar problemas e oportunidades e que indique caminhos que reduzam as incertezas. A grande maioria dos dados externos necessários às empresas é secundária, isto é, são regularmente obtidos e organizados por entidades públicas ou privadas, como prefeituras municipais, secretarias de estado, órgãos do Governo Federal, entidades de classe, universidades, entre outras fontes, como: • IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística; • SEBRAE - Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas; • Associações Comerciais, Industriais e Sindicatos; • Centro de Pesquisa, Cooperativas e Agências de Desenvolvimento; • Centros Tecnológicos; • Jornais, revistas e publicações especializadas. Somente nas circunstâncias e hipóteses de esgotamento das fontes secundárias e se as necessidades de informação persistirem, deve-se pensar na consulta direta às fontes originais, ou seja, na obtenção de dados primários. Os dados primários servem para a abertura ou expansão de um novo negócio, a primeira providência que um empreendedor deve tomar é desenvolver uma análise mercadológica. A pesquisa é um recurso vital que serve para: • Conhecer o perfil do cliente: caracterização dos clientes nos aspectos quantitativos (potencial do mercado, participação da empresa no mercado, 31 etc) e qualitativos (estilo de vida, características comportamentais, hábitos de consumo, escolaridade, renda, etc); • Perceber a estratégia dos concorrentes e observar seus pontos fortes e fracos; • Analisar os fornecedores e as empresas que fornecem produtos e serviços: sistema de vendas e distribuição; políticas de preços e cobrança; qualidade dos produtos e serviços. O objetivo é possibilitar ao empreendedor a avaliação comparativa de seus potenciais fornecedores e, a partir de certos critérios, definir uma classificação dos mesmos para orientar o processo de compras, ou, se for ocaso, de terceirização de atividades; • Dimensionar o mercado; • Identificar o segmento de mercado mais lucrativo; • Detectar novas tendências; • Avaliar a performance de seus produtos e serviços; • Identificar a quantidade ou volume que o mercado é capaz de absorver e a que preços estes produtos poderão ser vendidos. Pode-se analisar com estes parâmetros: o tamanho do mercado; a sua segmentação; costumes e hábitos do consumidor; melhorias técnicas ou comerciais em produtos já existentes; novas utilidades para produtos; novos produtos; decisão de abandono de produtos; testes de longevidade (ciclo de vida); testes de confiabilidade (problemas técnicos); testes de desempenho (produtividade); testes de funcionamento; testes de viabilidade; o que os clientes internos e externos acham da marca; quais as mais conhecidas; qual a sua simbologia; quanto cobra os 32 concorrentes; qual a margem de contribuição; quanto paga os consumidores; quanto se deve produzir (ponto de equilíbrio); problemas de localização; de comercialização; estudos de implantação; definição de rotas e logística; mapeamento da concorrência direta e indireta; estudo dos diferenciais competitivos; estudo para parceria e terceirização; definições e levantamentos de cenários; estudos de viabilidade econômico-financeiros mercadológicos; definir as estratégias de promoção; estudos de otimização de mídia; testes de recall e de lembrança; campanhas de incentivos e de endomarketing. Para o desenvolvimento, o empreendedor deve seguir os seguintes passos: • Primeiro passo: definir, de forma clara, os objetivos que se pretende atingir, os dados ou informações necessárias; • Segundo passo: selecionar as fontes de pesquisa que serão abordadas, sejam as envolvidas com o problema, ou outras, que mantenham pontos diferentes de interação com o mercado; • Terceiro passo: abordar as fontes selecionadas, coletando informações e subsídios para solucionar o problema; • Quarto passo: obter dados diretamente das fontes primárias; sejam consumidores, usuários de um serviço, fornecedores ou sociedade em geral. Esta etapa requer conhecimentos de estatística, metodologia de coleta e análise de dados; 33 Ainda segundo Sebrae (2005), faz-se necessário à elaboração de um projeto de pesquisa que defina claramente: • O motivo ou problema que dá origem à pesquisa; • Os objetivos a serem atingidos; • A definição da população-alvo e do tamanho e tipo de amostra; • A metodologia a ser utilizada; • As estratégias e instrumentos para coleta de dados; • Os resultados esperados; • O cronograma de execução; • O orçamento do trabalho a ser considerado pelo empreendedor como investimento pré-operacional. Dentre as técnicas de pesquisa mais utilizadas, pode-se destacar: • Pesquisa documental e bibliográfica - consiste na análise de fontes secundárias (documentos, livros, fitas de áudio e vídeo, fotografias, etc); • Observação direta - consiste na utilização dos sentidos (neste caso especifico a utilização da visão) para estudos e levantamentos; • Entrevistas (pessoais e por telefone) - consistem na conversação, de forma sistemática e objetiva, entre duas pessoas, a respeito do fenômeno em estudo; • Questionários - consistem numa série ordenada de perguntas, efetuadas por escrito e respondidas sem a interferência do entrevistador; 34 • Estudos de grupo - consistem no levantamento de opiniões ou testes de utilização através de uma reunião ou dinâmica de grupo. O conhecimento de alguns aspectos da vida das empresas deve permitir a avaliação do grau de atratividade do empreendimento, subsidiando a decisão do futuro empresário na escolha do negócio que pretende desenvolver. Basicamente, os riscos do negócio referem-se a: Sazonalidade - Caracteriza-se pelo aumento ou redução significativos da demanda pelo produto em determinada época do ano. Os negócios com maior sazonalidade são perigosos e oferecem riscos que obrigam os empreendedores a manobras precisas. Quando em alto grau, é considerado fator negativo na avaliação do negócio. A análise de mercado deverá levar em consideração os empreendimentos em operação. 5.2.8 Definição do empreendimento A análise de árvore de decisão é o método que pode ser utilizado para identificar o melhor ato inicial, bem como os melhores atos subseqüentes. 35 A primeira etapa desta análise consiste em construir a árvore de decisão que corresponde à situação de decisão seqüencial. A árvore é construída da esquerda para a direita com a identificação apropriada dos pontos de decisão (pontos seqüenciais nos quais deve ser feita uma escolha) e pontos casuais (pontos seqüenciais nos quais ocorrerá um evento probabilístico). A construção de uma árvore de decisão válida para uma situação de decisão seqüencial depende particularmente da análise apropriada da situação de decisão geral (Kaziemer, 1982). Depois de ter sido construída a árvore de decisão, os valores de probabilidade associados com os eventos ao acaso e as conseqüências econômicas que podem ocorrer são, ambos, colocados no diagrama. Muitas das conseqüências econômicas são diversas etapas retiradas do ponto de decisão inicial. Com o fim de determinar os valores esperados dos atos alternativos no ponto de decisão inicial, os valores esperados são sistematicamente calculados da direita para a esquerda na árvore de decisão. Este processo é chamado, às vezes, de “reversão”. Como resultado da aplicação deste processo analítico, pode ser identificado o melhor ato para o ponto de decisão inicial (Kaziemer, 1982). 5.3 Análise de Viabilidade de Empreendimentos Segundo Kaziemer (1982), a análise de investimentos consiste em coletar as informações e aplicar técnicas de engenharia econômica, considerando as taxas de 36 desconto, os prazos e os valores previstos em um fluxo de caixa. A análise de viabilidade está relacionada especificamente ao estudo de uma nova construção. Versa sobre a comparação entre as receitas e as despesas da obra considerando o tempo decorrido. Se os resultados apontam benefícios, o processo pode prosseguir; caso contrário, o projeto deve ser ajustado ou até abandonado. 5.3.1 Viabilidade econômica Parte-se do pressuposto de que a viabilização de qualquer negócio começa sempre pelo aspecto econômico. Dentre as várias oportunidades, existe sempre a possibilidade de se identificar a mais atraente para escolher melhor um empreendimento pelo qual se possa cobrar um bom preço, receber rápido e que custe pouco. Tudo dentro de estimativas realistas de venda e levantamento de custos confiáveis. Em outras palavras, busca-se inicialmente o lucro, o benefício projetado para o futuro e alguma garantia de que ele será realmente obtido (SILVA, 1995). O preço deverá ser maior do que o custo, e as receitas, ou entradas, deverão ser maiores que os gastos, ou saídas. Resumindo, quando a decisão de investir está baseada apenas na análise comparativa da quantidade de recursos entrantes e de saídas referentes ao custeio do empreendimento, resultando em um lucro, trata-se de viabilização econômica (SILVA, 1995). 37 5.3.2 Viabilidade financeira Segundo Silva (1995), a grande maioria dos negócios de construção civil exige o investimento de capital, embora o preço seja, via de regra, superior aos custos, a receita entra no caixa bem depois da necessidade de pagamentos de despesas. Contratos de prestação de serviços de construção civil por empreitada e incorporações imobiliárias quase sempre exigem que se coloque antecipadamente uma quantidade de recursos para alavancar a sua produção. Em suma, quando a decisão de investir está baseada na disponibilidade de recursos, com objetivo de se obter o equilíbrio das entradas e saídas, levando-se em conta os saldos a cada momento (fluxo de caixa), trata-se de viabilização financeira. Portanto, o estudo de viabilidade econômico-financeira é tal que pretende caracterizar um empreendimento que proporcione um lucro aos investidores ao final do negócio, bem como ser capaz de evitar saldos negativos proporcionando, conseqüentemente, um fluxo de caixa positivo em qualquer momento do empreendimento (Silva, 1995). Entretanto, não deve, uma análise prévia de viabilidade, se restringir a uma análise econômico-financeira, pois esta não leva em consideração fatores não quantificáveis que influenciam na qualidade dos indicadores do resultado final do negócio (Silva, 1995). 38 5.4 Princípios de Análise e Indicadores de Qualidade da Análise Para que o estudo de viabilidade se aproxime da realidade, deve-se partir de um bom cenário, dispor de um bom modelo matemático para simulação, conhecer os indicadores de qualidade fornecidos pelo modelo de cálculo e saber interpretar os indicadores, estabelecendo critérios particulares de decisão (Silva, 1995). As características especiais do mercado imobiliário tornam muito difícil o processo de decisão de investimento ou de lançamento de novas construções. Principalmente na análise de viabilidade, na qual, muitas vezes, esta decisão é tomada pelo empresário de forma intuitiva, de acordo com sua experiência e sua percepção das condições momentâneas do mercado, sem ter como base uma análise criteriosa, embasada em dados (Gonzáles e Formoso, 1999). Na prática, os parâmetros da análise sofrem ainda por influência de variáveis monitoráveis e não monitoráveis. As variáveis monitoráveis são aquelas que o incorporador pode exercer algum tipo de controle ou pode alterá-las de alguma forma. As variáveis não-monitoráveis são as que fogem totalmente do raio de ação do incorporador, sendo impostas pelo mercado. Pode-se citar, como variáveis monitoráveis, os custos de produção, o cronograma físico da obra, o cronograma de desembolso da produção, as taxas de Bônus e Despesas Indiretas - BDI e a remuneração dos serviços; quanto às variáveis não monitoráveis, encontram-se, dentre outras, a expectativa de inflação e dos juros da economia, a variação no valor dos imóveis e a velocidade de vendas ( Gonzáles e Formoso, 1999). 39 As técnicas mais comuns para a tarefa de análise econômica e financeira são a Taxa Interna de Retorno - TIR e o Valor Presente Líquido - VPL. Emprega-se também o Custo Periódico - CP, período de retorno do investimento (pay back) e o Índice de Lucratividade - IL. Geralmente, a análise busca identificar o lucro ou se a taxa de retorno é maior do que a taxa de atratividade. Decidir é escolher entre alternativas disponíveis, após uma análise baseada nos critérios da engenharia econômica. Caso haja apenas um investimento em estudo, seu rendimento deverá ser comparado ao rendimento de aplicações financeiras correntes no mercado, disponíveis ao investidor para o mesmo volume de recursos. As taxas destas aplicações serão os parâmetros de comparação, definindo a taxa mínima de atratividade deste investimento. É sempre importante trabalhar com técnicas que considerem o momento em que ocorrem as despesas e receitas, por meio de um fluxo de caixa descontado, o que não incrementa significativamente a dificuldade de análise. A seguir são revisados conceitos sobre as técnicas empregadas na análise financeira de investimentos. Para incorporar o custo-tempo do dinheiro, torna-se fundamental determinar uma taxa de desconto adequada. Esta é a primeira questão. 40 5.4.1 Fluxo de caixa Fluxo de caixa é a apreciação das contribuições monetárias (entradas e saídas de dinheiro) ao longo do tempo a uma caixa simbólica já construída. Pode ser representada de uma forma analítica ou gráfica (Galesne, 1999). O fluxo de caixa de uma incorporação, por ser complexo, exige a montagem de uma matriz, que relacione as transações financeiras com os períodos em que foram efetuadas, podendo ser chamada de matriz do fluxo de caixa (Galesne, 1999). O diagrama de fluxo de caixa é uma representação dos fluxos de dinheiro ao longo do tempo. Graficamente, emprega-se uma linha horizontal representando o tempo, com vetores identificando os movimentos monetários, adotando-se convenções cartesianas: fluxos positivos para cima e negativos para baixo. São considerados fluxos positivos os dividendos, as receitas ou economias realizadas; são considerados fluxos negativos as despesas em geral, a aplicação de dinheiro, o custo de aplicações ou as parcelas que foram deixadas de receber (Galesne, 1999). Fluxos de caixa são construídos para dar apoio a decisões empresariais, estudar aplicações de resíduos de caixa de permanência temporária e servir de base para a obtenção dos indicadores necessários para a análise financeira. No caso do caixa da incorporação, pode-se mencionar os seguintes indicadores, entre outros: • exposição máxima (mês onde se verifica o maior saldo positivo); 41 • prazo de retorno; • taxa de retorno. Com a ajuda do fluxo de caixa, pode-se determinar o momento em que a incorporação requisitará o ingresso de recursos de financiamento ou investimento, e ainda, determinar o momento que parte do faturamento poderá ser transferido para o retorno (Galesne, 1999). 5.4.2 Taxa de desconto do fluxo de caixa O capital equivalente a um real aplicado durante t anos a uma taxa de juros de k% a .a . equivale a (1+k)t ao final de t anos. Para se dispor de um real ao cabo de t anos seria suficiente aplicar hoje, a uma taxa de juros k, o valor de 1/(1+k)t. Ou seja, 1/(1+k)t é o valor presente de um real a ser recebido dentro de t anos. Assim, um projeto será dito rentável se o total das entradas de caixa trazidas ao presente, a uma taxa k, tiver um valor superior ao total das saídas de caixa do projeto, também trazidas ao presente à mesma taxa k (Galesne, 1999). Convém discutir a taxa a ser utilizada para descontar os fluxos de caixa de um projeto, antes de se passar à descrição destes critérios de análise. Para a avaliação um projeto de investimento, a taxa de desconto k será a taxa mínima de rentabilidade exigida do projeto, também chamada Taxa Mínima de Atratividade (TMA). Esta taxa representa o custo de oportunidade do capital investido ou uma 42 taxa definida pela empresa em função de sua política de investimentos. Para a análise desenvolvida neste trabalho, será considerada a taxa de desconto k como a taxa mínima de rentabilidade que a empresa exige de seus projetos de investimentos, ou simplesmente taxa mínima de atratividade. Em última análise, a taxa de desconto k tem a finalidade de tornar os valores dos fluxos de caixa equivalentes aos valores presentes (Galesne, 1999). A taxa de desconto, referida como taxa mínima de atratividade, é também tratada como “custo de capital”, ou como custo de oportunidade. Estes termos, contudo, não são sinônimos e, de outra parte, o valor assumido para cada taxa depende do porte da empresa e da conjuntura momentânea da economia. Pode-se discriminar essas taxas em: • Custo de oportunidade do capital de terceiros (ka) – é a taxa de captação dos recursos no mercado, seja através de instituições financeiras ou investidores privados; • Custo de oportunidade de capital próprio (ke) – é o custo de uso do capital próprio da empresa. Representa as oportunidades de uso de capital perdidas quando é decidida determinada alocação de recursos; • Taxa de reinvestimento (rs) – é a taxa de aplicações futuras dos fluxos de caixa positivos gerados pela empresa. Não deve ser tomada como o custo do capital próprio (ke), porque os fluxos positivos nem sempre podem ser aplicados a esta taxa, por questões de prazo e volume de recursos. Deve ser ligada à taxa efetiva de reaplicação dos fluxos futuros, nas aplicações em que dispõe; 43 • Taxa mínima de atratividade - TMA – do ponto de vista teórico, a taxa de desconto deveria ser igual ao custo de oportunidade do capital próprio (k=ke). Porém, pode ser substituída por uma taxa politicamente definida pelo decisor, em função da política de investimento da empresa (k=TMA). A taxa de atratividade representa a rentabilidade mínima exigida pelo investidor, ou seja, sua motivação para investir. Como não tem sentido que a TMA seja inferior ao custo de oportunidade do capital próprio, geralmente adota-se TMA ≥ ke, pois a empresa desejará obter mais do empreendimento do que obteria em uma alternativa de investimento comparável e segura, devendo ainda incluir uma parcela de risco (Galesne, 1999). Assim, a taxa k de desconto poderá assumir um dos valores acima, conforme as premissas e o enfoque da análise. Na construção civil, deve-se verificar ainda que geralmente o investimento próprio é pequeno, trabalhando-se fundamentalmente com os recursos dos compradores e, na verdade, a taxa de atratividade reflete a viabilidade do empreendimento globalmente (Galesne, 1999). 5.4.3 Critérios de fluxo de caixa descontado critério do valor presente líquido O valor presente líquido (VPL) de um projeto de investimento é igual à diferença entre o saldo dos valores presentes das entradas e saídas líquidas de caixa associadas ao projeto e ao investimento inicial necessário, com o desconto dos fluxos de caixa feito a uma taxa k definida pela empresa (TMA). Todo projeto de 44 investimento que tiver um VPL positivo será rentável; para um projeto analisado, havendo mais de uma variante rentável, o de maior VPL será o mais lucrativo. É o valor presente dos retornos diminuídos dos investimentos, descontados até a data da análise pela taxa de juros do custo do capital (Galesne, 1999). 5.4.4 Critério do índice de lucratividade (IL) Este critério consiste em estabelecer a razão entre o saldo dos valores presentes das entradas e saídas líquidas de caixa do projeto e o investimento inicial. Neste critério também, os cálculos são efetuados com base na taxa mínima de atratividade (k) da empresa. Este índice informa a percentagem de quanto se está ganhando, além do custo do capital, em relação ao valor presente do investimento (Galesne, 1999). 5.4.5 Critério da taxa interna de retorno (TIR) Por definição, a taxa que anula o valor presente líquido do empreendimento é chamada de taxa interna de retorno (TIR). É uma taxa média de desconto do fluxo de caixa, ou, em outras palavras, é a taxa que torna o valor presente dos fluxos de caixa igual ao investimento inicial. É a mínima taxa de retorno que garante a recuperação da quantidade investida (Gonzalez e Formoso,1999). Todo projeto cuja 45 taxa de retorno seja superior à taxa mínima de rentabilidade que o dirigente da empresa exige para seus investimentos, o negócio é interessante (Galesne, 1999). 5.4.6 Critério do período de retorno do investimento (pay back) Consiste na análise do período necessário para se obter o retorno do investimento inicial sem considerar nenhum tipo de juros. O que é falho neste critério é que ele é utilizado como um critério de rentabilidade de projetos, quando, na verdade, ele se caracteriza mais como uma medida da liquidez do capital investido no projeto. O uso deste critério pode ser justificado quando empregado em conjunto com os critérios baseados nos fluxos de caixa descontados, jamais como critério principal (Galesne, 1999). 5.4.7 Aplicação da teoria da engenharia econômica aos estudos de viabilidade Raros são os estudos especificamente direcionados à aplicação das técnicas apresentadas acima na avaliação de empreendimentos imobiliários. As técnicas atualmente em uso para avaliação prévia de empreendimentos utilizam formatos mais simples, baseando-se exclusivamente no comparativo entre custos e 46 receitas totais. Como o tempo é elemento significativo e a incidência de custos e receitas ocorrem em diferentes momentos, é importante descontar (ou capitalizar) tais ocorrências para uma data única, usualmente a data do estudo de viabilidade. Para tanto, identifica-se a taxa de atratividade e/ou custos financeiros incidentes, para a aplicação dos métodos disponíveis, através da engenharia econômica (Balarine, 1997). 5.5 Análise de Riscos e Incertezas nas Decisões de Investimentos A incerteza é o desconhecimento das condições de variabilidade de um parâmetro, impedindo a adequada previsão de seu comportamento. A previsibilidade do futuro, por parte do dirigente de uma empresa, está diretamente influenciada por diversos fatores externos sobre os quais este dirigente não tem domínio. O clima, os acontecimentos políticos e sociais e as descobertas científicas são exemplos de fatores que influenciam as decisões de investimento. Assim, o dirigente da empresa deve, para manter a empresa no mercado, assumir riscos: o risco de fracasso do empreendimento é um deles. É este risco que o dirigente da empresa vai se esforçar em reduzir, tentando prever, quando não influenciar, a evolução futura dos elementos determinantes da rentabilidade de seu investimento (Galesne, 1999). 47 5.5.1 Incerteza quanto à previsão das receitas O sucesso ou fracasso de um investimento depende da maneira como o produto resultante do investimento é aceito pelo mercado consumidor. Contudo, dependerá também do tipo de organização do mercado para o produto considerado. O mercado consumidor muda ao sabor da alteração dos gostos e das necessidades de cada consumidor individual. É assim que muitos produtos de grande aceitação, num dado momento, declinam e, até mesmo, desaparecem, enquanto outros podem apresentar um crescimento muito rápido. Em geral, pode-se constatar que a incerteza das receitas é tanto maior quanto mais inovador é o produto (Galesne, 1999). Para uma situação de monopólio de mercado, o grau de incerteza é menos elevado e pode ser reduzido por meio de estudos de mercado. Para uma situação concorrencial, o sucesso da estratégia de uma empresa dependerá, em grande parte, da reação das demais à tomada de sua ação. Esta segunda fonte de incerteza é mais incômoda que a primeira por fugir totalmente ao controle da empresa que inicia a ação (Galesne, 1999). 48 5.5.2 Incerteza quanto à previsão dos custos A necessidade de se reduzir a incerteza existente na estimativa de custos de produção tem levado as empresas a implantarem sistemas de custos e estrito controle dos orçamentos. Estes orçamentos são baseados em experiências anteriores da empresa (Galesne, 1999). Entretanto, esta experiência anterior não se constitui, de forma alguma, em garantia de repetição de fatores no futuro. Fatores relacionados a agentes externos, como aumentos de preços de matérias-primas, podem contribuir para que as previsões baseadas em séries históricas possam fracassar (Galesne, 1999). 5.5.3 Incerteza quanto ao nível de rentabilidade do reinvestimento dos fluxos de caixa do projeto A conseqüência essencial desta incerteza parece ser a variabilidade potencial da rentabilidade esperada. Visto que não se pode assegurar a rentabilidade, pode-se concluir que a incerteza quanto ao resultado dos fluxos líquidos de caixa seja também elevada (Galesne, 1999). 49 5.5.4 Risco de um projeto de investimento Risco e incerteza, embora ligados, são noções distintas; são ligados no sentido de que o risco de um projeto de investimento é a conseqüência da incerteza associada ao projeto; são distintos à medida que um projeto de investimento, com resultados incertos, somente é arriscado quando suscetível de apresentar resultados não desejados (Galesne, 1999). 5.5.5 Avaliação de empreendimentos em condição de risco Como visto, em presença de risco, admite-se que há uma probabilidade conhecida de variação dos parâmetros. Conforme infere Riggs (1968) apud González (1999), algumas vezes, o risco é tão remoto que pode ser desconsiderado como fator; em outras ocasiões precisa ser ignorado pela falta absoluta de dados para análise ou porque esta análise envolve demasiado tempo ou custo. O risco deve ser considerado se as atividades são projetadas para um futuro distante e os resultados estão sujeitos a influências condicionais. É necessário determinar as alternativas possíveis e deve-se desenvolver uma árvore de decisão (Galesne, 1999) Ainda segundo o autor supracitado, a identificação das alternativas inclui: 50 • Definição dos estados ou condições futuros (mercado e macro economia); • Predição da probabilidade de cada estado ocorrer; • Determinação dos retornos associados a cada estado. Estados futuros podem ser antecipados, mas não controlados. A questão chave é decidir quais estados são relevantes para a solução do problema, limitando a complexidade de análise a um nível razoável. Algumas questões estão sob o controle da empresa, ao menos relativamente, tais como datas de lançamento e entrega do produto, custo de produção, tamanho e especificações do empreendimento e projetos, entre outros, e, com algum esforço, a empresa poderá antecipar as variações possíveis e mantê-las nestes níveis durante a execução. Para a análise do risco, há técnicas complexas, entre elas, a teoria dos jogos e as árvores de decisão. Ainda se pode realizar a análise da sensibilidade do fluxo de caixa, percebendo-se a influência na variação de parâmetros importantes, tentando de forma simplificada prever situações futuras. 51 6 ESTUDO DE CASO O empreendimento Plaza I, enquadrado na faixa “top” do mercado imobiliário de São Paulo, foi idealizado para um publico alvo do tipo alto padrão (Goldman,2004), motivo pelo qual escolheu-se como caso prático do presente estudo. Outra questão relevante na escolha do empreendimento estudado foi o fato de estar associado ao um outro empreendimento de muito sucesso na capital paulista, denominado Centro Empresarial Nações Unidas - CENU, conforme ilustrado na Figura 6.1. Figura 6-1 - Integração Edifício Plaza I e Centro Empresarial Nações Unidas – Edifícios de Escritórios em São Paulo (2005). O objetivo do estudo desse empreendimento é identificar como a fase de viabilidade se refletiu na formatação do produto, pela análise de seus indicadores específicos, e 52 comparar os resultados gerados pelo estudo de viabilidade com o resultado real do empreendimento. Para realização do estudo utilizaram-se valores de custos desatualizados, sem a devida correção monetária, pela impossibilidade em divulgar os valores reais do empreendimento. Portanto os valores de custos do empreendimento apresentados no estudo de caso são irreais, devendo ser considerados apenas para apresentação deste trabalho de conclusão de curso. Tal fato não impediu o desenvolvimento desse trabalho. 6.1 Edifício Plaza I No ano de 2000 um grupo de incorporadores, incluindo alguns que participaram da construção do Centro Empresarial Nações Unidas – CENU, hoje visto como um marco no mercado de empreendimentos imobiliário de São Paulo, associaram-se para viabilizar o Plaza I, um edifício de escritórios com cerca de 800 metros quadrados de área de laje. Com unidades do tipo AA - padrão que abrange sofisticadas instalações prediais com comunicação de dados e voz - o edifício situase entre a avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini e a marginal do rio Pinheiros, região paulistana que teve significativa expansão imobiliária na última década. O edifício Plaza I está classificado como um edifício de escritórios de alto padrão, conforme Goldman (2004). A formatação deste empreendimento, no entanto, foi focada em um nicho dentro deste público, que está associado aos grandes 53 investimentos de multinacionais que associam os empreendimentos à moda, e é composto fundamentalmente por corporações que escolhem um empreendimento com o mesmo critério que os indivíduos da classe alta escolhem uma roupa ou acessório, ou seja, pela grife associada ao produto, acredita-se que a imagem esteja associada à região da Berrini que é, atualmente, o local de maior concentração das grandes corporações na capital paulista. A partir do conhecimento desse público, de suas preferências e ansiedades, a formatação do empreendimento procurou traduzir o que o mercado está buscando, e para isso foram criados diferenciais relacionados à localização, facilidades e estrutura oferecida que tem como objetivo levar o empreendimento a se destacar dentro de seu mercado. 6.1.1 Características do Empreendimento Terreno Disponível • Endereço: Rua James Joule x Edward Weston x Leon Foucal – Z3 • Área do Terreno: 2.681,76 m2 • Aproveitamento máximo: 4 x área total = 10.727,07 m2 • Ocupação máxima permitida: 31,25% = 838,05 m2 • Categoria de uso: S2 e C2 – Escritórios e Lojas • Recuos: R1 = 5,00m / R2 = 4,00m 54 A Figura 6.2 mostra a real localização do terreno disponível para a construção do edifício Plaza I. Figura 6-2 - Localização do Empreendimento: Edifícios de Escritórios em São Paulo (2005). 6.1.2 Descrição do Projeto • Uso Proposto: S2 e C2 – Escritórios e Lojas • Ocupação proposta: 29,83% = 800,00 m2 • Aproveitamento Proposto: 4 x área total = 10.727,04 m2 • Edifício contendo 4 subsolos para estacionamento e equipamentos, capacidade de até 330 vagas com manobristas (01 vaga para cada 32,80 m2 55 de área computável), sendo o mínimo legal 216 vagas (01 vaga para cada 50,00 m2 de área computável). • Pavimento térreo contendo acesso, pilotis, hall, escritórios e loja com 310,00 m2 de área computável. A loja terá mezanino com área computável de 90,00 m2, num total de 400,00 m2. O pavimento térreo conterá ainda mezanino com área para zelador e sala de segurança. • Pavimento tipo – 1º ao 14º - andares divisíveis em até 02 unidades autônomas, área computável na laje de 680,00 m2 e área não computável (terraços) de 13,00 m2, num total de 693,00 m2, mais áreas de vazios, elevadores e shafts de 35,00 m2. • Pavimento duplex com área total computável de 886,00 m2 e área não computável de 26,00 m2, mais 65,00 m2 não computável para circulação. • A distribuição de vagas na garagem será de 20 vagas por pavimento tipo, 20 vagas para pavimento duplex, 13 vagas para loja e 12 vagas para o condomínio. • Pavimento técnico para equipamentos (16º), acesso ao heliponto, com dimensões permitir a homologação pelo Comando Aéreo Regionais -COMAR. • Circulação vertical, previsto 05 elevadores comuns, mais 01 elevador de segurança (h= acima de 60,00m) e 2 escadas de segurança. • Número de unidades autônomas no projeto = 30 unidades. A Tabela 6.1 demonstra a distribuição de áreas por unidades autônomas e as áreas comuns do edifício. 56 Tabela 6.1 - Área da proposta – Edifício Plaza I PREFEITURA Local CONDOMÍNIO Área computável Área não Shafs, Área Desp. (m2) computável Elevadores (m2) S/Laje (m2) (m2) 1º ao 4º Subsolos 4 x 2.018,00 m2 - 8.072,00 90,00 - 310,00 490,00 - 1.218,00 90,00 100,00 - - 9.520,00 182,00 490,00 - 680,00 13,00 35,00 - 206,00 78,00 35,00 - 16º Pavimento - 400,00 - 328,00 Heliponto - - - 400,00 10.806,00 9.335,00 650,00 1.946,00 Térreo - Acessos e loja Mezanino = 136,00 m2 Zelador = 100,00 m2 1º ao 14º Pavimento. Tipo 14 x(680,00+13,00 m2) 15º Pavimento Duplex N. Inf. - 680,00+13,00 m2 Sup. 206,00+13,00 m2 Total N. Área total para Prefeitura = 20.141,00 m2 Área Total construída= 22.737,00 m2 Área provável de venda – Laje tipo com 20 vagas = 1.400,00 m2 57 6.2 Estudo de Viabilidade Econômico-Financeiro Devido ao grande sucesso do Centro Empresarial Nações Unidas - CENU, e a consolidação da região da Avenida Luís Carlos Berrini como novo centro empresarial de São Paulo, para a implantação do empreendimento Plaza I foi criado pelos incorporadores um cenário otimista com relação à análise do mercado, pois no fim dos anos noventa o mercado se mostrava carente desse tipo de empreendimento para atender uma classe especifica elevada. Portanto, o estudo de viabilidade para implantação do Plaza I se baseou na análise econômico-financeira do empreendimento. 6.2.1 Montagem da Incorporação Para implantação do empreendimento Plaza I, a incorporação foi dividida em dois momentos: • Momento 1: Compra de terrenos estratégicos, neste momento a incorporação formada por três cotistas com 33,33% cada , definiu o preço final das compras e o aporte máximo dos incorporadores, e para o empreendimento estudado foi definido o preço alvo-final da compra das casas e o aporte máximo dos incorporadores, conforme demonstrado na Tabela 6.2 58 Tabela 6.2 - Compra de terrenos estratégicos Definições Valor por m2 Valor Total Preço alvo-final da compra das casas R$ 8.786.108,00 R$ 3.276,25 Aporte máximo de cada incorporador R$ 3.000.000,00 R$ 3.356,00 • Momento 2: Repasse para investidores, neste momento os incorporadores formataram o preço de venda do empreendimento para os investidores, considerando o preço por adesão ao empreendimento por investidores, o lucro bruto dos incorporadores, o valor da intermediações das cotas e o lucro líquido para incorporadores, conforme demonstrado na Tabela 6.3. Tabela 6.3 - Repasse para investidores Repasse Para Investidores (estimados) Valor para 81,81% Valor para 100% Preço de adesão por investidores R$ 8.527.436,00 R$ 10.423.828,00 Lucro Bruto Incorporadores R$ 1.339.772,00 R$ 1.637.720,00 Valor de Intermediações das Cotas (4%) (R$ 341.097,00) (R$ 416.953,00) R$ 998.675,00 R$ 1.220.767,00 Lucro Líquido para incorporadores Após o momento 2 foi definida a formatação da incorporação da seguinte forma: Os incorporadores com 18,19%, e investidores com 81,81% do empreendimento. 59 6.2.2 Pré Análise de Resultados Para Incorporadores Após a definição das cotas dos incorporadores (18,19%) e dos investidores (81,81%) foram realizadas análises dos resultados para os incorporadores, considerando o repasse de cotas de terreno para os investidores, conforme a Tabela 6.4. Tabela 6.4 - Resultados de repasse de cotas de terreno para investidores. Repasse de Cotas de Terreno Valor Total Valor por m2 Custo Real do Terreno - 100% R$ 8.786.108,00 R$ 3.276,25 Repasse para Investidores R$ 8.527.436,00 R$ 3.179,79 Intermediações (R$ 341.097,00) (R$ 127,19) R$ 599.769,00 R$ 223,65 R$ 1.598.193,05 R$ 595,95 R$ 998.424,05 R$ 372,30 11,37% 11,37% Investimento Total no Terreno 18,19% do Custo Real do Terreno Lucro Total Sobre Custo do Terreno Lucro Total em (%) do Terreno O lucro dos incorporadores com relação à tabela de adesão dos investidores esta demonstrada na Tabela 6.3. Neste momento, foi analisado também, o resultado para os incorporadores após as unidades estarem prontas, verificando-se os valores estimados de mercado para o tipo de empreendimento estudado. No caso do Plaza I os 18,19% destinados aos incorporadores são referente à loja, 8º e 15º pavimento, conforme demonstrado na Tabela 6.5. 60 Tabela 6.5 - Valores de mercado de edifícios comerciais Valor de Locação/m2 Pavimento Valor de Venda/m2 Cobetura - 15º Pavimento R$ 55,00 R$ 5.500,00 Tipo R$ 50,00 R$ 5.000,00 Loja R$ 60,00 R$ 6.000,00 Os incorporadores fizeram uma análise para locação das unidades levando em consideração os 18,19%, referentes à fração no empreendimento, conforme Tabela 6.6. Tabela 6.6 - Viabilidade Para Locação das Unidades Prontas Área dos Fração de Área Área Área incorporadores Área Computável Privada Total (m2) (m2) (m2) Locação Mês 15º 8,20% 880,00 792,00 1655,00 R$ 43.541,00 8º 6,29% 675,00 608,00 1270,00 R$ 30.377,00 Loja 3,70% 397,00 357,00 747,00 R$ 21.433,00 Total 18,19% 1952,00 1757,00 3672,00 R$ 95.351,00 Durante esta análise também foi realizado o estudo para vendas das unidades prontas, conforme mostra a tabela 6.7. Tabela 6.7 - Viabilidade para venda das unidades prontas Pavto. Venda (R$) Despesas de Cota Terreno Obra + Resultado Vendas (R$) (R$) Despesas com (R$) Incorporação (R$) 15º 4.354.106,00 (174.164,00) (273.881,00) (1.798.976,00) 2.107.085,00 8º 3.037.666,00 (121.507,00) (191.074,00) (1.382.101,00) 1.342.984,00 Loja 2.143.263,00 (85.731,00) (134.815,00) (810.835,00) 1.111.882,00 Total 9.535.035,00 (381.402,00) (599.770,00) (3.991.912,00) 4.561.951,00 61 Com o resultado demonstrado na tabela 6.7 foi possível identificar a rentabilidade sobre o aporte máximo de 91,73%. 6.2.3 Pré Análise de Resultados Para Investidores Após a pré-análise dos resultados para os incorporadores, foram realizados os estudos referentes às cotas dos investidores (81,81%). Conforme demonstrado nas tabelas 6.8 e 6.9 para análise dos resultados foi realizado uma comparação, respectivamente, entre os investimentos e receitas para um andar tipo. Tabela 6.8 - Estudo para Investimentos em 1 andar tipo Investimentos Cota de Terreno para 1 Andar Tipo Valor Total Valor por m2 (R$ 716.234,00) (R$ 1.178,02) PIS, Cofins e CPMF (Reembolso) (R$ 28.291,00) (R$ 46,53) Despesas de Incorporação (R$ 57.299,00) (R$ 94,24) Obra Estimada para 1 Andar Tipo (R$ 1.397.397,00) (R$ 2.298,35) Total (R$ 2.199.221,00) (R$ 3.617,14) Tabela 6.9 - Estudo para receitas de 1 andar tipo Receitas Valor Total Valor por m2 Venda de 1 Andar Tipo Pronto R$ 3.037.689,00 R$ 4.996,20 Comercialização e Marketing (R$ 136.696,00) (R$ 224,83) Total R$ 2.900.993,00 R$ 4.771,37 62 Após esta comparação verificou-se que o lucro resultante da venda de um pavimento tipo é de R$ 701.771,00, que resulta em R$ 1.154,23 por m2. 6.2.4 Construção do Edifício Após a total capitalização dos investimentos, os incorporadores juntamente com os investidores integrados, realizaram um processo de concorrência, para construção do edifício, a proposta contratada apresentava um valor de R$ 32.067.533,66 para construção de uma área considerada de 24.558,11 m2, que resultou em um custo com obra de R$ 1.304,19/m2, sendo que o estudo apontava um investimento de R$ 2.298,35/m2, o que resultou em ganho, de aproximadamente 57%, na contratação da obra. A Figura 6.2. ilustra o empreendimento Plaza I pronto. Figura 6-3 - Edifício Plaza I: Edifícios de Escritórios em São Paulo (2005). 63 7 ANÁLISE E COMPARAÇÃO/CRÍTICA Conforme demonstrado no estudo de caso, a avaliação da viabilidade do empreendimento Plaza I, se baseou apenas na análise econômico-financeira, pois o cenário mercadológico da época se apresentava otimista, momento em que o mercado imobiliário se apresentava carente de empreendimentos desse nível, dispensando se assim a realização de uma pesquisa de mercado com relação à demanda e público alvo, para formatação do empreendimento. A formatação do empreendimento se caracterizou pela associação do empreendimento com o Centro Empresarial Nações Unidas e na experiência dos incorporadores, que participaram da incorporação do CENU. Com efeito, os dados extraídos do empreendimento associado retratam exatamente na formatação do público alvo e o sucesso de comercialização se resultou na análise de demanda. Análise da viabilidade econômico-financeira retratou, também, ser muito otimista, pois a incorporação baseou-se em repasse a investidores. Por se tratar de uma venda, um outro tipo de cenário apresentado, implicaria na captação de investimentos. A construção do Plaza I foi concluída recentemente (não foi descrita a data para evitar a referência com os valores de custo), onde o cenário já se apresentava de outra forma, devido às crises econômicas que geraram grandes impactos em todos os setores, não só no mercado imobiliário de São Paulo, como em todos os setores 64 da economia paulista. E nesse período a região da Avenida Luís Carlos Berrini, como também, na Faria Lima, Vila Olímpia e Marginal Pinheiros, receberam novos empreendimentos, que resultaram em uma saturação do mercado imobiliário, pois a demanda apresentada no cenário anterior, um ano após a conclusão do empreendimento, apresentava-se escassa, gerando assim um grande número de empreendimentos para locação nessas regiões, conforme ilustrado nas figuras 7.1 e 7.2. Figura 7-1 - Edíficio Bratke Collet - Avenida Luis Carlos Berrini Figura 7-2 - Edíficio E - Tower- Rua Funchal. 65 Em setembro de 2005, o Plaza I ainda apresenta menos de 20% das unidades ocupadas em forma de locação, e as demais, encontram-se desocupadas gerando um custo com condomínio e comercialização excedente não previsto nos investimentos durante o período do estudo, tal fato resultará em uma perda no lucro também demonstrado no estudo. Seguindo a análise do estudo de viabilidade para implantação do Plaza I, pode-se concluir que o estudo foi elaborado com critério adequado no que se diz em relação às variáveis monitoráveis, pois os custos previstos no estudo foram menores que os custos reais do empreendimento gerando uma pequena economia, conseqüência da otimização dos métodos construtivos que permitiu diminuir o valor para a construção, pela redução do cronograma físico e financeiro da obra. Entretanto, as variáveis nãomonitoráveis que não puderam ser previstas no estudo foram as principais causas do resultado não esperado pelos incorporadores e investidores, pois a instabilidade econômica e as medidas tomadas pelo governo brasileiro para o controle da inflação, que se baseiam em alta dos juros, afetaram significativamente o valor do imóvel e a velocidade das vendas. 66 8 CONCLUSÕES Ao final desse trabalho, foi possível verificar a evolução dos empreendimentos comerciais na cidade de São Paulo e a consolidação da cidade como centro de atividades terciárias, resultando na criação de novas centralidades da cidade para absorver a necessidade desse segmento da economia paulista. O trabalho também demonstrou, ainda, a importância de se determinar as interferências monitoráveis, bem como buscar indícios de outras, denominadas de não-monitoráveis nesse estudo, visando obter sucesso no estudo de análise de viabilidade técnica, comercial e econômica para implantação de empreendimentos na construção civil. O trabalho desenvolvido permitiu ainda identificar fatores externos determinantes na construção de empreendimentos, como concorrência, o emprego de tecnologias e a necessidade de formação de equipe altamente técnica e preparada para enfrentar todos os desafios da implantação do empreendimento. O estudo criterioso na fase de concepção do empreendimento, a primeira das quatro fases do ciclo de vida básico de um empreendimento, é fundamental tanto quanto às demais etapas do projeto. No estudo de caso, foi possível verificar, durante o levantamento de dados de campo, como essa etapa é mal avaliada no mercado. Por conseguinte, pode-se afirmar que uma base teórica bem fundamentada e o reconhecimento da importância de cada passo de um empreendimento são 67 necessários para o sucesso do projeto tanto para os investidores como para o município, evitando o acúmulo de espaços vazios com investimentos consideráveis. Com o mercado cada vez mais competitivo, onde a acirrada concorrência não mais encontra fronteiras devido à escassez de investimentos, as exigências do mercado imobiliário tornam-se cada vez mais exigentes, quanto à racionalização dos processos de concepção de um empreendimento com relação ao uso de recursos financeiros, demanda de mercado e a análise de público alvo. Tal fato obriga os empreendedores a se atualizarem tecnologicamente, levando à prática os conhecimentos teóricos de uma análise de viabilidade para implantação de empreendimentos. É importante compreender que os trabalhos na fase de concepção de um empreendimento se encerram, porém seus efeitos se farão sentir por todo o período de construção, controle e encerramento do projeto, seja no aspecto positivo, se o estudo de viabilidade foi realizado adequadamente, ou negativo, no caso de avaliações mal elaboradas. 68 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ARAÚJO, M.F.I. Uma Nova Centralidade da Região Metropolitana de São Paulo. Revista São Paulo em Perspectiva nº 6 - 1992. AMARAL, Celso de Sampaio; D’ÁVILA, João Freire. Estudo de Viabilidade de Operação Urbana Faria Lima: São Paulo: Amaral D´avila Engenharia de Avaliações 2004 BALARINE, Oscar Fernando Osório. Contribuições Metodológicas ao Estudo da Viabilidade Econômico- Financeira das Incorporações Imobiliárias. Santa Catarina,1997. BOTTI, Alberto Rubens; RUBIN, Marc. Edifícios de Escritórios em São Paulo. Revista ArcoWeb, São Paulo Agosto de 2005, disponível <http://www.arcoweb.com.br/arquitetura/arquitetura613.asp>. Acesso em 20/09/05. FORMOSO, Carlos Torres. Métodos e Ferramentas para a Gestão da Qualidade e Produtividade na Construção Civil. Porto Alegre: PQPCC-RS, 1997. GALESNE, Alain, FENSTERSEIFER, Jaime E, LAMB, Roberto. Decisões de Investimento da Empresa. São Paulo: Atlas, 1999. GOLDMAN, Pedrinho. Introdução ao Planejamento e Controle de Custos na Construção Civil Brasileira. 4ª Ed. São Paulo: PINI,2004. GONZÁLEZ, Marco Aurélio Stumpf; FORMOSO, Carlos Torres. Proposta de um Modelo de Análise de Viabilidade Econômico-Financeira de Construções Residenciais. In: Seminário de Doutoramento, NORIE. Porto Alegre: UFRGS, 1999. HEINECK, Luiz Fernando Mahlmann. (Notas de aulas para o curso de Especialização em Gerenciamento e Planejamento de Obras). Bahia, UFBA, 2002. JULIÂO, Ricardo; Novos Prédios Comerciais tem Ocupação Lenta em São Paulo. Folha de São Paulo, São Paulo 24 jan,2005. Disponível em <http://www1.folha.uol.com.br/folha/classificados/imoveis.shtmlr>. Acesso em 15/08/2005. 69 KAZMIER, Leonard J. Estatística Aplicada à Economia e Administração. Coleção Schaum. São Paulo: McGraw-Hill do Brasil, 1982. LEME, Maria Cristina da Silva. O Impacto da Globalização em São Paulo e a Precarização das Condições de Vida. Revista Eure Vol. XXIX , Nº 87, Santiago de Chile, 2003. NOBRE, Eduardo. Reestruturação Economia e Território. Tese de Doutorado Apresentada à Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. São Paulo FAUUSP. 2000 RONDINI, Arturo. Oportunidade no Mercado Imobilário. <http://gazetaonline.globo.com> . Acesso em: 01. abril. 2005. Disponível em: SALGADO, Valéria Martins. Parâmetros de análise de um empreendimento. São Paulo: Caixa Econômica Federal, 2003. Disponível em: <http://www.caixa.gov.br>. Acesso em: 12 maio. 2005 SILVA, Mozart Bezerra da. Planejamento Financeiro para o Setor da Construção Civil. Texto Técnico 11 (TT/PCC/11). São Paulo: EPUSP, 1995, 47 pág. SEBRAE. Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas. Para a sua empresa. São Paulo, 2005. Disponível em: <http://www.sebrae.com.br>. Acesso em: 14. mar. 2005. PORTO, Antônio Rodrigues - História Urbanística da Cidade de São Paulo (15541988). São Paulo, Ed. Carthago & Forte,1992.