Estudo Comparativo dos Métodos Utilizados em Três Cursos de Educação à Distância
Autoria: Luiza Reis Teixeira, Andréa Rodrigues Barbosa
Resumo
Com o estabelecimento cada vez mais notório da era digital, caracterizado pelos constantes
avanços nas tecnologias de comunicação virtual, a Educação à Distancia (EaD) passou a ser
intermediada pelos computadores conectados à Internet. Essa nova forma de educar, tem exigido
um planejamento prévio das instituições que a desenvolvem, levando em consideração os a
criação de ambientes virtuais utilizados, a elaboração de material didático, as atividades e
avaliações durante o curso, além de preparo do pessoal envolvido com toda a orquestração desta
rede. A utilização destes ambientes proporciona aos alunos e professores, uma maior
flexibilidade de acesso e estímulo à autonomia de estudo. Dito isto, o presente trabalho tem como
objetivo apresentar um estudo comparativo entre os métodos utilizados em três cursos de EaD,
demonstrando as distinções entre as seguintes modalidades: material didático, atividades,
plataforma interativa e tipos de avaliação. O modelo para está análise está fundamentado nas
proposições de estruturação de conteúdos e materiais em um projeto de e-learning trabalhados
por Miguel Lancho (2005) da Universidade de Nacional de Educação à Distância de Madrid.
1. Introdução
As redes interativas de computadores estão crescendo exponencialmente, criando novas
formas e canais de comunicação, moldando a vida e sendo moldada por ela (CASTELLS, 1999).
Em se tratando de educação, as redes possibilitaram um grande avanço da modalidade de ensinoaprendizagem, mais especificamente na Educação à Distância (EaD). Entende-se por EaD o
processo de ensino-aprendizagem mediado por tecnologias, em que professores e alunos estão
separados espacial e/ou temporalmente (MORRAN, 2005). Contudo, há uma grande variedade de
modelos de ensino e aprendizagem que tem em comum apenas a ausência do contato direto e
presencial entre o professor e o aluno.
A partir dos anos 90, com a proliferação do uso da Internet, a EaD vivenciou uma nova
evolução, dando margem a mudanças nos modelos de ensino/aprendizagem até então utilizados.
Com a disseminação do uso da Internet, os cursos de EaD passam a utilizar plataformas virtuais,
dando suporte integral aos cursos online. As plataformas são os lugares virtuais onde os cursos
são ambientados, uma espécie de sala de aula, em que ocorrem atividades, fóruns, chats, troca de
mensagens, up loads de arquivos e até a publicação de trabalhos que podem ser visualizados por
todos os participantes do curso. Com este novo ambiente virtual, a comunicação passou a ser feita
de forma multidirecional, entre professores e alunos, possibilitando assim, a disseminação de um
aprendizado coletivo através de redes de trocas científicas, culturais e até pessoais. A utilização
de plataformas virtuais possibilita a elaboração de trabalhos em grupo com componentes em
cidades, estados e até mesmo, em países distintos, facilitado pelas ferramentas de comunicação
disponíveis nas plataformas, como os fóruns e os chats. Nesta nova etapa da evolução da EaD,
muitos cursos passaram a se chamar cursos de ensino virtual, ou mesmo cursos online (elearning), em substituição à denominação até então utilizada (TIANA, 2005).
É indiscutível a grande disseminação da educação à distância, favorecida e mediada pelo
progresso de uma outra ciência, a Tecnologia da Informação. No entanto, essa modalidade de
ensino, por apresentar em sua essência grandes diferenças em relação ao ensino presencial, não
pode ser concebida ou implantada sem um planejamento prévio, sem um preparo metodológico.
Segundo Vieira (2004), um sistema de Educação à Distância mediado pela Internet envolve
diversos componentes como, aprendizagem, ensino, comunicação, desenho e gerenciamento,
além de toda parte editorial. Dessa forma, os cursos virtuais devem ser caracterizados por um
planejamento adequado e pelo estabelecimento claro da forma de operacionalizar o processo
através da mídia.
Assim como há diferença entre os sistemas de EaD no que concerne aos seus objetivos e
tipos de tecnologias utilizadas, também é possível verificar diferenças entre os métodos adotados
nos cursos à distância. O objetivo deste artigo é, portanto, analisar as diferenças metodológicas
entre três cursos de EaD na área de Administração: um curso de MBA Executivo em
Desenvolvimento Regional Sustentável, um curso de graduação em Administração, e uma pósgraduação em Gestão Educacional. Por fim, pretende-se apontar alguns aspectos para que os
métodos adotados em cursos de EaD sejam mais adequados à consecução dos objetivos de
aprendizagem do curso.
Isto posto, o trabalho apresenta-se estruturado da seguinte forma: na primeira parte será
feita uma breve descrição da evolução dos sistemas de EaD; em seguida, uma discussão sobre
métodos utilizados neste tipo de educação e seus componentes; e, por fim, a apresentação da
análise comparativa dos três cursos supra citados. A estratégia metodológica utilizada nesta
pesquisa é o estudo de caso múltiplo, apresentado de maneira descritiva. A escolha dos três
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cursos à distância a serem analisados decorre da experiência vivenciada pelas autoras deste
artigo.
2. Breve Descrição da Evolução dos Sistemas de EaD
Embora estejamos vivendo um período de expansão de cursos a distância no mundo, as
primeiras experiências de uma educação indireta com suporte institucional datam da metade do
século XVIII, com os primeiros cursos pelos correios, que ao longo do século seguinte foram se
difundindo em diversos países europeus e nos Estados Unidos. As primeiras escolas de ensino
por correspondência surgiram no último quarto do século XIX, e utilizavam materiais escritos
enviados pelo correio. Nesta época se falava em ensino por correspondência, e suas principais
características eram a utilização de material impresso e a transmissão de conteúdos por
correspondência (TIANA, 2005).
Desde seu surgimento o ensino a distância esteve relacionado com o desenvolvimento
tecnológico dos meios de comunicação, uma vez que foi o aperfeiçoamento dos sistemas de
correios que permitiram o seu avanço nos séculos XVIII e XIX, assim como, nos séculos
seguintes, foi possível a expansão do ensino a distância com o surgimento e desenvolvimento de
outros meios de comunicação (TEIXEIRA, 2006). Podemos ressaltar também o papel da internet,
nos dias de hoje, como uma grande propulsora desta modalidade (TIANA, 2005).
Nos últimos anos do século XIX a relação do ensino por correspondência com o ensino
universitário tem início, pois havia uma pressão interior sofrida pelas universidades para reforçar
sua missão social, além de uma pressão exterior pela acessibilidade da universidade a um maior
número de pessoas. Com isso algumas universidades tradicionais passaram a oferecer cursos
nessa modalidade, como é o caso da Universidade de Chicago e da Universidade de Londres que
ofereciam cursos por correspondência (TIANA, 2005).
O século XX é marcado pela oferta dos mais variados tipos de cursos por
correspondência, como de formação profissional, de educação não formal, entre outros e pelo
surgimento de organizações internacionais de ensino por correspondência, como o International
Concil for Correspondence Education (ICCE), surgido em 1938. Com o fim da Segunda Guerra,
o ensino por correspondência tem uma aceleração em sua evolução como conseqüência dos
discursos em prol da democratização e abertura da educação, assim como pelo surgimento do
rádio, do telefone, e da televisão (TIANA, A., 2005). Em 1969 surge na Inglaterra, por iniciativa
do governo britânico, a UK Open University, primeira universidade voltada exclusivamente para
EaD e considerada pela literatura um caso de sucesso (FREITAS e BERTRAND, 2006).
Nos anos sessenta e setenta as instituições de ensino por correspondência passam a
utilizar os novos meios de comunicação e com isso, ampliam seu campo de atuação alcançando
assim uma oferta maior. Nesta época são criadas uma série de escolas abertas e a distancia: a
Universidad Nacional de Educación a Distancia em 1972, na Espanha; a Fern Universitat, em
1974, na Alemanha, assim como a Everyman’s University em Israel e a Allama Iqbal Open
University, no Paquistão; a Universidad Nacional Abierta, em 1977, na Venezuela; a Sukhothai
Thammathirat Open University, em 1978, na Tailândia. O processo de surgimento de
universidades de EAD segue até os dias de hoje, mais tardiamente em alguns países, como é o
caso do Brasil que teve a Universidade Aberta criada no ano de 2005 (TEIXEIRA, 2006).
Com a o passar dos anos a chamada educação por correspondência passa a ser chamada de
educação a distancia. Esta mudança de nome ocorre através do próprio conselho internacional
(International Council for Correspondence Education), que em 1982, passa a ser chamado de
International Council for Distance Education (ICDE). Na década de 80 já registrava-se a
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existência de educação a distancia nos cinco continentes, com uma grande flexibilidade para
adaptação nas diferentes realidades, além da oferta de programas de estudos em todos os níveis
educativos, desde o ensino primário, até estudos universitários, em distintas áreas do
conhecimento. Nesta época, mesmo com uma grande variedade de recursos tecnológicos
disponíveis, foi possível constatar que o material impresso continuava ocupando um papel
fundamental. Os anos 80 foram marcados também por uma grande quantidade de publicações
sobre EaD (TEIXEIRA, 2006).
A EaD vivencia uma nova evolução nos anos 90, com a proliferação do uso da internet, o
que trouxe à tona mudanças nos modelos de ensino/aprendizagem até então utilizados. Nesta
nova fase, com a disseminação do uso da internet, os cursos de EAD passam a funcionar em de
plataformas virtuais, que dão suporte integral aos cursos que passam a funcionar online. As
plataformas servem para a ambientação dos cursos, uma espécie de sala de aula, onde ocorrem
atividades, foros, chats, troca de mensagens, carregamento de arquivos e até a publicação de
trabalhos que podem ser visualizados por todos os participantes do curso. O ambiente virtual
propicia uma comunicação multidirecional, não apenas entre professores e alunos, mas também
entre todos os participantes do curso (TIANA, 2005). A seguir o Quadro 1 estabelece as
principais fases da evolução da EaD:
FASE
1ª FASE
DURAÇÃO
último quarto do
século XIX até
1970
2ª FASE
de 1970 até 1990
3ª FASE
de 1990 até 2000
4ª FASE
de 2000 até 2005
5ª FASE
a partir de 2005
CARACTERÍSTICAS
Utilização de material impresso e a transmissão de conteúdos por
correspondência. Comunicação feita exclusivamente por material
impresso, acompanhado, geralmente por um guia de estudos.
Surgimento das primeiras universidades abertas, com design e
implementação sistematizados para o EaD, que, além de material
impresso, passam a utilizar transmissões de televisão, fitas de áudio e
vídeo, com a interação aluno-professor podendo ser por telefone ou em
algum centro de atendimento.
Utilização de computadores, com recursos multimídia, e de redes de
conferência.
Possibilidade de acesso de dados de bibliotecas eletrônicas, aumento da
capacidade de processamento dos computadores e da velocidade de
transmissão melhoram a apresentação dos conteúdos programáticos e
interfere na interação entre aluno-professor.
Introdução de agentes inteligentes, equipamentos sem-fio (wireless) e
linhas de transmissão eficientes. Organização e reutilização de
conteúdos.
Quadro 1: Fases da Evolução da EaD
Fonte: elaboração própria a partir de Freitas e Bertrand, 2006.
3. Métodos e Componentes Utilizados na EaD
Um curso de educação à distância ambientado em plataformas virtuais (via Internet)
envolve diversos aspectos como, aprendizagem, ensino, comunicação, desenho e gerenciamento,
além da parte editorial. Os cursos virtuais devem seguir um planejamento que estabeleça de
forma clara a sua operacionalização através da mídia (VIEIRA, 2004). Isto significa que cada
aspecto deve ser pensado deve ser cuidadosamente relacionado aos objetivos do curso. A
incorporação de inovações tecnológicas, a elaboração de conteúdo, a dinamização do grupo e a
gestão de problemas que podem emergir constituem um grande desafio para instituições de
ensino que utilizam esta modalidade de ensino.
4
Pode-se afirmar que um ambiente pautado apenas em interfaces amigáveis ou em recursos
interativos de comunicação não consegue atingir o objetivo de tornar o ensino efetivo. A
qualidade dos materiais disponibilizados influencia de forma crucial a funcionalidade do
ambiente como um todo, isto é, a capacidade do ambiente em promover realmente a
aprendizagem (MANTOVANI et al, 2005). Por esta razão este artigo tem como foco a
observância de como se articulam os principais pilares metodológicos dos cursos a distancia.
Na discussão sobre os métodos utilizados em Educação à Distância, utilizou-se como
referência os modelos de estruturação de conteúdos e materiais em um projeto de e-learning
trabalhados por Miguel Lancho (2005). A partir das indicações deste autor, esta pesquisa elenca e
descreve como são estruturados os principais componentes metodológicos utilizados nos cursos
em questão. Esses componentes são: material didático (impresso, audiovisual e telemático);
atividades (de aprendizagem e de apoio, individuais ou em grupo); plataforma interativa
(tutoria e espaços de interação); e tipos de avaliação (provas presenciais, à distância,
participações em fóruns de debates sobre temas ligados à disciplina, freqüência de acesso à
plataforma e trabalho final).
Os quatro componentes descritos devem apresentar as seguintes características:
interatividade, sequenciamento de idéias, relação teoria-prática, auto-avaliação, linguagem clara
e concisa, glossário, exemplificações cotidianas e/ou científicas, resumos e animações (SALES,
2005), sempre considerando as expectativas e interesses dos alunos (OLIVEIRA et al, 2004).
Segundo Vieira (2006, p. 4) os componentes do curso devem ser pensados de forma a
possibilitar:
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•
•
atendimento ao ritmo próprio de aprendizagem do aluno;
disponibilizar o conteúdo através de pequenos passos;
estudo de acordo com a disponibilidade de tempo e local;
auto-avaliação contínua do progresso nos estudos;
elaboração de plano individualizado de estudo, considerando as necessidades
pessoais;
oportunidade de aplicação imediata do aprendizado;
desenvolvimento da autonomia de pensamento e ação;
realização de estudos sem interferir nas atividades profissionais e pessoais.
O material didático corresponde ao conjunto de artefatos que irão facilitar o processo
ensino-aprendizagem, podendo ser classificado em impresso, audiovisual e telemático. A
confecção desse material deve estar embasada nas metas e objetivos de aprendizagem do curso,
além de considerar a ausência do professor na preparação do estudante para as atividades. Por sua
vez, as atividades podem ser constituídas em maneiras distintas de se trabalhar o conteúdo
transmitido ao estudante, seja em um espaço virtual individual seja em um grupo formado ou
com a turma inteira. Lancho (2005, p.5) classifica as atividades em: atividades de aprendizagem
e atividades de apoio. Sobre as atividades de aprendizagem, o autor explica que estas podem ser
auxiliadas por imagens e descrição de exemplos que facilitem a compreensão do estudante na
resolução dos problemas propostos. Tanto as atividades de aprendizagem como as atividades de
apoio podem ser trabalhadas de forma individual ou em grupo, e para que essas atividades
aconteçam, o aluno fará uso do material didático e dos espaços disponíveis nas plataformas
virtuais.
Ao analisar a plataforma interativa, dois elementos recebem destaque: o papel da tutoria
e o espaço de interação. O papel da tutoria é de fundamental importância para cursos à distância,
uma vez que o tutor tem a responsabilidade de mediar todo o desenvolvimento do curso,
respondendo dúvidas sobre o conteúdo, gerenciando a participação dos estudantes nos chats,
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estimulando-os a cumprir suas tarefas e avaliando a participação de cada um. Podemos dizer,
portanto, que o tutor desempenha a função de organizador, facilitador, dinamizador e avaliador.
O espaço de interação depende muito dos recursos disponíveis na plataforma utilizada no curso.
Atualmente, a maioria dos cursos opta em utilizar plataformas de código aberto, ou seja,
softwares livres. No Brasil a plataforma de código aberto Moodle tem sido bastante utilizada nos
cursos a distância, como é o caso dos três cursos analisados. A plataforma é o espaço onde
ocorrem as interações entre os participantes do curso, que podem ser individuais e grupais.
Em se tratando dos tipos de avaliação temos as avaliações presenciais e à distância. Em
geral, as avaliações presenciais são provas ou apresentação de trabalhos, enquanto as avaliações à
distância apresentam um espectro maior de possibilidades, já que desde as participações nos
fóruns até a freqüência de acesso podem ser monitoradas e avaliadas a depender dos objetivos do
curso. O Quadro 2 apresenta a caracterização dos métodos utilizados na EaD, onde são listados
os elementos pertencentes às seguintes modalidades: material didático, atividades, plataforma
interativa e tipos de avaliação.
MATERIAL DIDÁTICO
MODALIDADE
Material impresso
Material audiovisual
TIPOS
DE
AVALI
AÇÃO
PLATAFORMA
INTERATIVA
ATIVIDADES
Material telemático
Aprendizagem
Apoio
Papel daTutoria
Espaço de Interação
Presencial
À distância
TIPO
Unidade didática (módulo)
Orientações didáticas ao aluno
Agenda
Caderno de avaliação
Caderno de apoio
Radio
Televisão
CD-rom
Vídeo conferência
Vídeo-aula
Página web
Laboratório virtual
Plataforma educativa
Leituras (individual)
Visitas a páginas da web (individual)
Auto-avaliação (individual)
Pesquisas orientadas (grupal)
Brain storming (grupal)
Jogos coletivos (grupal)
Reforço de motivação pessoal (individual)
Planificação de tempo e tarefas (individual)
Construção de comunidade virtual
Socialização na rede
“Cafeteria” – espaço para os aulunos
Organizador
Facilitador
Dinamizador
Avaliador
Individual
Interativo
Grupal
Provas presenciais
Apresentação de Trabalho de Conclusão de Curso
Prova à distância
Prova de auto-avaliação
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Avaliação de participação em fóruns
Avaliação de freqüência (acesso)
Avaliação das atividades
Envio e apresentação (Voip) de Trabalho final
Quadro 2: Métodos e Componentes Utilizados na EaD
Fonte: elaboração própria adaptado de Lancho, 2002.
4. Análise Comparativa de três Cursos de EaD
Curso A – Curso de graduação em Administração
Este curso é oferecido por uma Universidade privada. O público do curso é bem variado,
com pessoas em diversas cidades do interior, muitas que voltaram a estudar possibilitadas por
esta modalidade de ensino. O curso é organizado em fluxos com duração de quatro meses, com
quatro matérias simultâneas por fluxo. Os alunos recebem o material didático impresso, mas ele
também é disponibilizado no ambiente virtual. A cada semana os alunos têm uma aula presencial
no pólo que estudam. Neste encontro os alunos assistem a uma vídeo-aula sobre uma das
disciplinas do fluxo, ou um filme de escolha do tutor local que aborde diferentes aspectos da
Administração. Em cada disciplina há uma programação de cerca de duas atividades ao longo dos
quatro meses. Esta atividade, geralmente uma pergunta para reflexão do conteúdo, ou uma
pesquisa de campo, é corrigida pelos tutores virtuais que acompanham as turmas. Além destas
atividades, os alunos fazem uma prova presencial ao fim do fluxo e apresentam um trabalho
interdisciplinar que agrega os conteúdos das disciplinas vistas no fluxo.
Curso B – especialização em Gestão Educacional
Este curso é oferecido por uma instituição com tradição em educação profissional. O
curso é voltado para gestores educacionais e o curso sempre vincula suas atividades às
organizações em que os participantes atuam. O curso tem duração de 360 horas, estimadas em 1
ano e um mês, cerca de 56 semanas de atividades educacionais, e está dividido em quatro
módulos: Gestão Estratégica em Organizações Educacionais; Marketing Educacional; Gestão de
Pessoas nas Organizações Educacionais; e Gestão Financeira nas Organizações Educacionais. Os
alunos recebem no início do curso um kit com quatro cds contendo todo o conteúdo didático do
curso, que vão desde páginas em html, vídeos, áudios e até links para sites na internet. Ao longo
do curso os alunos têm um extenso cronograma de atividades semanais, como leitura de textos e
elaboração de resenhas, participação em fóruns, entre outros. As avaliações ao longo dos
módulos são determinadas pelos tutores virtuais que acompanham cada módulo, dando o peso
que acham necessário para cada atividade. O curso conta com três encontros presenciais: a aula
inaugural, a prova presencial e a apresentação do Trabalho Final de curso, que é um plano de
negócios.
Curso C: MBA em Desenvolvimento Regional Sustentável - DRS
Este é um curso de MBA em Desenvolvimento Regional Sustentável – DRS, que foi
gerado a partir da estratégia negocial de uma empresa do segmento bancário que possui como
público-alvo os próprios funcionários (gerentes, caixas, supervisores, e outros) da instituição que
o organizou. O objetivo deste curso é capacitar tais funcionários para trabalhar com projetos de
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desenvolvimento de atividades produtivas financiadas pelo banco. Por envolver questões que vão
desde a análise de viabilidade de projetos até a gestão dos empreendimentos formados e o
relacionamento entre a instituição e seus clientes, o curso foi dividido em quatro módulos:
módulo de ambientação, módulo de introdução ao desenvolvimento regional sustentável, módulo
de formação geral, módulo de políticas e planejamento do desenvolvimento regional sustentável
e o módulo de desenvolvimento regional, sustentabilidade, indicadores e cultura.
Cada um destes módulos contam com duas a três disciplinas que foram formatadas e
distribuídas ora em 30 horas ora em 60 horas, a depender da quantidade de temas. Cada tema é
trabalhado em três dias: no primeiro dia, o estudante deve ler o conteúdo da apostila impressa e
participar do fórum, onde a turma discute sobre o tema, a partir de uma proposição inicial de
debate, além de participar de uma outra atividade interativa entre os alunos (o conteúdo
dinâmico); no segundo dia, o estudante assiste a uma vídeo-aula, disponibilizada em DVD como
parte do material didático, e logo após este vídeo, deve responder a mais uma proposição (a
pergunta de vídeo-aula), além de participar do fórum de debates que fica disponível na
plataforma; no terceiro dia, deve responder um questionário com questões de múltipla escolha. O
aluno é avaliado a cada participação diária (fórum e conteúdo dinâmico) por um sistema de
avaliação da plataforma, além de ter sua pergunta de vídeo-aula avaliada por um tutor. É função
do tutor escrever e postar mensagens com reflexões acerca das repostas dos alunos no fórum, e
escrever uma mensagem semanal a respeito do desempenho da turma nas tarefas de vídeo-aula,
no conteúdo dinâmico e no questionário (que tem questões objetivas sobre o conteúdo), além de
atender a chamados individual dos alunos.
O curso conta com quatro encontros presenciais: primeiro encontro é a aula inaugural, e
os seguintes são voltados para visitas técnicas (a projetos de desenvolvimento sustentável) e à
resposta de uma prova sobre as disciplinas já cursadas.
Metodologia Utilizada
- Material Impresso
Unidade didática (módulo)
Orientações didáticas ao aluno
Agenda
Caderno de avaliação
Caderno de apoio
- Material Audiovisual
Radio
Televisão
CD-rom
Vídeo conferência
Vídeo-aula
- Material Telemático
Página web
Laboratório virtual
Plataforma educativa
-Atividades
Atividade de auto-avaliação
Atividades seqüenciais
- Plataforma Interativa
Tutoria
Espaço de interação individual
Espaço de interação grupal
- Avaliação
Curso A
Curso B
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Curso C
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x
x
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x
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Provas presenciais
x
Prova à distância
Prova de auto-avaliação
Avaliação de participação em fóruns
Avaliação de freqüência (acesso)
Avaliação das atividades
x
Trabalho final
Quadro 2: Análise Comparativa entre os componentes utilizados nos cursos pesquisados
Fonte – elaboração própria
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x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
Conforme se pode observar no quadro acima, os elementos componentes de cada curso
são similares entre si e não há uma grande variação entre eles. Contudo, é possível observar que
quanto maior a formação que o curso oferece, maiores são as exigências. Em relação ao material
impresso, apenas o curso B não utiliza nenhum tipo, enquanto os cursos A e C disponibilizam
módulos por disciplina para os alunos. Pode-se observar que nenhum dos cursos analisados
utilizam os materiais audiovisuais de rádio e televisão, sendo apenas utilizado o CD-rom (curso
B) e a vídeo-aula nos cursos A e C. Cabe aqui um pequeno comentário em relação a quantidade
de vídeo-aulas: enquanto o curso A tem uma aula semanal para cada uma das quatro disciplinas
cursadas por fluxo (no total são duas por disciplina ao longo de quatro meses), no curso C as
vídeo-aulas ocorrem a cada três dias, ou seja, a cada disciplina há cerca de seis aulas. O curso B
faz uma opção em não utilizar material impresso, sendo o CD-rom o único local em que se pode
consultar o conteúdo didático, além de conter alguns vídeos.
No material telemático também há uma coincidência no uso de página web e plataforma
educativa pelos três cursos. As atividades de auto-avaliação não fazem parte de nenhum dos três
cursos analisados, que contam apenas com avaliações seqüenciais. Ao analisar a plataforma
interativa também verificamos que os três cursos contam com a presença de tutores, além de
espaço de interação individual e grupal. Registramos uma grande variedade nos tipos de
avaliações empregadas pelos cursos. Nos três cursos os tutores são responsáveis pela correção da
maior parte das atividades feitas pelos alunos. Estas atividades são corrigidas em parte no próprio
ambiente virtual, ou na prova, quando ela é presencial.
Apesar deste estudo não tratar do papel do professor no processo ensino-aprendizagem em
EaD, cabe lembrar que este papel se centra fundamentalmente na dinamização do grupo, em
assumir funções de organização das atividades, de motivação e criação de um clima agradável de
aprendizagem, um mediador que proporciona experiências para auto-aprendizagem e a
construção do conhecimento. A idéia é que, após a leitura dos textos, os participantes possam ser
capazes de analisar, comparar, discutir, transformar a informação em conhecimento, expressando
sua opinião sobre o tema discutido (VIEIRA, 2004).
5. Conclusão
É interessante perceber como esses cursos são montados para que a interação e a
conectividade entre tutores, professores e alunos sejam fortalecidas e que os vínculos inerentes a
essa relação atuem como forças propulsoras da aprendizagem. Valorizar como as modalidades
que compõem o escopo de itens inerentes ao planejamento desses cursos são organizadas já é um
grande passo para que se alcancem os objetivos do próprio curso. A interação entre os elementos
dessa nova forma de educar pode ser compreendida sob a óptica da própria sociedade em rede,
tão bem explicada por Castells (1999), em que partindo da concepção de “nós”, a rede constitui o
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conjunto de pontos de conexão onde podem circular a informação, e esses “nós” também
chamados de “pontos de rede”, que, por sua vez, interagem entre si transportando os mesmos
códigos de comunicação. Sendo assim, um curso de educação à distância constitui uma grande
rede, onde alunos, professores, tutores e demais envolvidos são comparados aos “nós”
conectados entre si, na construção do saber coletivo.
Referências
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CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. Vol.1, 5 ed. São Paulo: Paz e Terra, 1999.
LANCHO, Miguel Santamaría. La virtualizatión de los cursos de educación a distancia.
Universidade de Educação à Distância. Madrid: IUED, 2005.
LÉVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 1999.
_____, Pierre. As tecnologias da inteligência. Rio de Janeiro: Editora 34, 1993.
MANTOVANI Daielly Melina Nassif; VIANA, Adriana Backx Noronha; LEITE, Maria Flávia
Barbosa. Desenvolvimento e Avaliação de Materiais Didáticos em EAD: o caso do Laboratório
Virtual de Estatística Aplicada à Administração. Anais do 30º Enanpad. Salvador. 2006.
MORRAN, José Manuel. O que é educação à distância. Disponível em
http://www.eca.usp.br/prof/moran/dist.htm . Acesso em 17 de maio de 2007.
TEIXEIRA, Luiza. R. XXIII Curso Ibero-Americano de Educação à Distância: como Montar
Cursos de Educação à Distância. In: X Colóquio Internacional sobre Poder Local:
Desenvolvimento e gestão de territórios. Salvador: Programa de Desenvolvimento e Gestão
Social, 2006. V.1, s/p.
TIANA, Alejandro. Alálisis de la evolución de los sistemas de educación a distancia: una
panorámica general. Universidade de Educação à Distância. Madrid: IUED, 2005.
VIEIRA, Fábia Magali Santos. Considerações Teórico-metodológicas para Elaboração e
Realização
de
Cursos
Virtuais.
2004.
Disponível
em
http://www2.abed.org.br/visualizaDocumento.asp?Documento_ID=27. Acesso em 05 de maio de
2007.
FREITAS, Angilberto Sabino de, BERTRAND, Hélène. Ensino à Distância no Brasil: Avaliação
de uma Parceria Universidade-Empresa. Anais do 30º Enanpad. Salvador. 2006.
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