Relatório da Comissão Especializada para a Energia Relator: Manuel Torres Nr Aluno: 134707003 No dia 3 de Março de 2009, decorreu a reunião da comissão especializada para a energia, no âmbito da discussão da proposta de revisão da política europeia de energia, apresentada pelo grupo parlamentar da Aliança dos Democratas e Liberais pela Europa. Esta reunião contou com a presidência da Doutora Fátima Monteiro e com a presença dos Deputados do grupo parlamentar da Aliança dos Democratas e Liberais pela Europa, Manuel Torres, Noel Sousa e Vasco d’Orey. Bem como os Exmos. Srs. Deputados do grupo parlamentar do Partido Popular Europeu, Diogo Novais, Fabiana Tronenko e Manuel Valle. Infelizmente, esta sessão não contou com a presença de qualquer Deputado do grupo parlamentar do Partido dos Socialistas Europeus. A falta destes deputados demonstrou-se grave, uma vez que a presença de mais uma força política teria em larga escala enriquecido o debate político e a comissão poderia com mais objectividade responder da melhor forma às necessidades dos cidadãos europeus. Os trabalhos da comissão decorreram com normalidade, devendo ser reconhecido o excelente trabalho e debate produzido pelos senhores Deputados de ambos os grupos parlamentares. O debate mostrou-se rico em ideias e em sugestões, a preocupação central enquadrou-se sempre nos melhores interesses dos cidadãos europeus. A duração da reunião não ultrapassou os limites estabelecidos, tendo a Sra. Presidente encerrado a sessão, precisamente às dezassete horas e trinta minutos. a) Síntese dos trabalhos da comissão No inicio dos trabalhos, o Deputado Diogo Novais, durante o seu discurso de abertura, congratulou o grupo parlamentar da ALDE pelo documento apresentado, explicando que o PPE partilhava igualmente de algumas preocupações previstas na proposta, entre elas a redução da dependência externa da UE, o aumento da competitividade económica e o maior investimento nas energias nucleares. Contudo, o PPE manifestou uma posição céptica face ao investimento durante a época de crise que o mundo atravessa. Ao longo do debate foram discutidas variadas questões como a rentabilização dos veículos independentes de combustíveis fosseis, o caso da incontornável Rússia e do “monopólio” das energias, diferentes perspectivas sobre a independência energética e a diminuição do consumo energético. Por parte do PPE foram apresentadas três propostas de alteração amigáveis. Uma relativa à semântica da terceira alínea da contextualização da proposta, aprovada por unanimidade dos seis Deputados presentes. A segunda proposta de alteração foi igualmente aprovada por unanimidade remetendo para a supressão da expressão “em massa” do primeiro ponto da resolução. A terceira proposta de alteração foi rejeitada por empate, três votos a favor, dos deputados do PPE, e três votos contra, dos deputados da ALDE; a proposta de alteração pretendia explicar que “Energia” não é um recurso natural ao que o grupo parlamentar da ALDE contra-argumentou que se tratava de uma questão de interpretação. b) Pequeno texto explicativo da proposta aprovada A proposta aprovada baseia-se na revisão da actual política europeia de energia e defende que esta não é de todo uma política energética eficiente capaz de dar respostas objectivas às contínuas exigências das necessidades dos cidadãos europeus. Esta resolução pretende, através de uma programada diminuição do uso dos combustíveis fosseis, desenvolver tecnologias e competências comuns que permitam à UE a criação de uma rede energética europeia independente de quaisquer Estados extracomunitários. Consequentemente esta proposta de política energética comum assenta sob três vectores: “segurança do abastecimento”, “compatibilidade ambiental” e “competitividade económica”; ambiciona, portanto, a diminuição da dependência externa de energia, pretendendo salvaguardar os interesses da UE de quaisquer crises políticas daí derivadas e o gradual aumento da competitividade económica europeia. c) Resultados discriminados por grupo parlamentar da votação final da proposta aprovada Em suma, a resolução da comissão foi votada e aprovada nos seguintes moldes: Os três Deputados da ALDE votaram a favor e os três Deputados do PPE votaram contra. Segundo o Artigo 17º, nº2, b), do regimento em vigor, o “empate na votação implica rejeição”, ou seja, a proposta estaria rejeitada por empate na votação. No entanto, a resolução foi aprovada no seguimento da decisão da Sra. Presidente. Esta situação revela-se inválida, dado que a decisão tomada entra em conflito com o estipulado no Artigo 17º, nº2, c), que refere que “[o] Presidente não tem voto de qualidade”. Apesar dos protestos de alguns dos deputados, a resolução encontra-se aprovada. d) Proposta de resolução aprovada Em anexo e) Declarações de voto de grupos parlamentares e/ou deputados individuais Não houve declarações de voto. Proposta de resolução do Parlamento Europeu sobre a revisão da Política Europeia de Energia O Parlamento Europeu, − Reconhecendo que a energia é um recurso natural cuja utilização tem fortes reflexos ambientais; − Tendo em conta que, até hoje, não se tenha efectuado a internacionalização económica dos custos ambientais resultantes do uso da energia, o seu preço nunca poderá reflectir o seu impacto e portanto, não induzirá ao investimento no desenvolvimento de novas fontes energéticas, criando dessa forma graves crises de sustentabilidade ambiental e a curto prazo problemas de dependência exterior energética; − Tendo em conta as dificuldades energéticas que atravessam presentemente os Estados pertencentes à EU, e dado que 80% da energia europeia utilizada se baseia em gás, petróleo e carvão, sendo vital recordar que nos últimos dois anos o preço destes recursos quase duplicou, e visto que se estima que o custo da electricidade tenderá a acompanhar esta subida; − Considerando que a União Europeia necessita de grandes quantidades de energia para o abastecimento das suas necessidades, onde 50% do gás consumido provem de três países, Rússia, Noruega e Argélia, qualquer um deles capazes de “raptar” energeticamente a união; − Dado que a dependência estrangeira de energia tende a crescer de 50% para 70% em 2030 se nada for feito até então; − Dado que as políticas nacionais de energias externas, já não são adequadas para uma segura sustentabilidade energética europeia como um todo; − Reconhecendo assim a necessidade da realização de um esforço de cooperação em larga escala entre os vários estados europeus, no sentido de impedir que a elevada dependência energética de países com a Argélia e Rússia (e o previsível aumento dessa mesma dependência) que um problema de ordem energética se transforme numa grave crise de segurança europeia, dado que pressões políticas e rapto de poder de decisão, são realidades vigentes na política internacional; − Reconhecendo que a energia nuclear é neste momento um pilar essencial da produção energética na Europa, mas que, no entanto, o uso desta fonte energética comporta riscos ambientais significativos, e a desconfiança por parte de grande parte da sociedade em relação a esta tecnologia; − Reconhecendo que a extracção de urânio comporta riscos significativos tanto para a saúde das populações como para o meio ambiente; − Reconhecendo que as disputas energéticas entre a Federação Russa e a vizinha Ucrânia, por onde passam várias das pipelines que alimentam a Europa ocidental com gás natural, mostraram a vulnerabilidade da Europa em relação ao estado de espírito do Kremlin e dos seus vizinhos e, como tal, é essencial que a União disponha de mecanismos de defesa contra situações semelhantes, o nuclear apresenta-se assim como pilar fundamental desta estratégia; − Reconhecendo que, devido aos seus riscos, não devemos depender totalmente desta fonte de energia, mas o seu uso como suporte da rede de distribuição energética deve ser amplificado, devendo ser possível ajustar o seu uso conforme os imperativos das flutuações no mercado de combustíveis fósseis; − Reconhecendo que a actual rede de centrais de produção de energia apresenta enormes assimetrias nas tecnologias, segurança e idade do equipamento e diferentes implementações do modo de funcionamento dos reactores; − Reconhecendo que a energia nuclear é, no contexto dos esforços da União Europeia para reduzir a emissão de gases poluentes de forma a atingir as metas estabelecidas pelo protocolo de Quioto, uma alternativa às formas tradicionais de produção energética; − Reconhecendo também que os resíduos produzidos pelas centrais nucleares são um risco significativo para a saúde pública e o seu tratamento é ainda hoje de natureza difícil, apesar dos avanços nas tecnologias de fissura que permitiram a criação de reactores mais eficientes e limpos; 1. Propõe a revisão da existente política energética europeia, no sentido de minimizar a dependência externa, bem como garantir a segurança do abastecimento nacional, apostando na diversificação de fontes de energias qualificadas como limpas e no investimento da inovação e desenvolvimento de novas tecnologias energéticas; 2. Incita à adopção de uma política energética comum assente em três vectores, “segurança do abastecimento”, “compatibilidade ambiental” e “competitividade económica”, com base nos preços da energia, na eficiência da sua utilização e na forma de energia utilizada; 3. Convida, para coordenar esta política, a Comissão Europeia (na pessoa do Comissário da Energia) a ser, ao mesmo tempo, um agente com três diferentes poderes: coordenador de todas as políticas energéticas previstas na PEC (Política de Energia Comum); poder fiscalizador sobre fontes energéticas poluidoras e consequente autuação de indústrias não respeitadoras das normas energéticas e ambientais comunitárias; gestora de conflitos e bloqueios energéticos que possam surgir no futuro com extra comunitários; 4. Considera que essa política deverá prever um programado decréscimo de utilização de fontes de energia poluente (ou classificada como tal segundo as normas estabelecidas), com o auxílio das fontes de energia nuclear à disposição na União Europeia e que, à medida que as fontes de novas energias se desenvolvam, os EstadosMembros, gradualmente, deverão abandonar as suas fontes de energia pouco rentáveis e poluidoras, deverão deixar de se apoiar tanto nas energias nucleares para passarem finalmente a utilizar a moderna rede energética desenvolvida no seio da união; 5. Incentiva os construtores de transportes terrestres, marítimos e aéreos, a comercializar veículos com maior independência dos combustíveis fosseis; 6. Considera que, enquanto o abandono da energia nuclear não for exequível, dever-se-á promover a modernização da rede de centrais nucleares existente; 7. Nota que a extracção de urânio deverá depender da consulta das populações adjacentes às zonas de extracção e ser considerada numa óptica comunitária e não meramente regional; 8. Sustenta ser necessário fazer a avaliação permanente de quais as tecnologias adequadas às necessidades comunitárias e a remoção ou actualização dos equipamentos considerados obsoletos; 9. Urge o acordo de todos os estados membros quanto aos métodos de tratamento e remoção destes resíduos; 10. Propõe o alargamento do papel da EURATOM e das suas responsabilidades: a) Regulação da importação e extracção de combustíveis nucleares: A extracção e importação de combustíveis nucleares estará sob jurisdição europeia, sendo que a sua extracção deverá obedecer a critérios de minimização do impacto ambiental e do risco para a saúde das populações relevantes. A sua importação será alvo de um controlo que vise um equilíbrio entre o combustível extraído no espaço comunitário e as reais necessidades do mercado; b) Financiamento e aprovação de projectos nucleares no espaço europeu: O investimento na rede de energia nuclear será considerado numa óptica comunitária devendo estar acima de considerações meramente nacionais. A aprovação de projectos de energia nuclear deve também estar sobre a alçada da EURATOM; c) Regulação da rede de distribuição de energia nuclear conforme as necessidades da UE no seu todo; d) Criação de mecanismos e directivas comunitárias para o tratamento seguro dos resíduos nucleares.